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Numero do processo: 10940.001512/99-31
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2001
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - ISENÇÃO DE IR DOS PROVENTOS DE APOSENTADORIA DO PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE - TERMO DE INÍCIO. O termo de início para a devolução do imposto de renda retido e recolhido indevidamente é a data em que a doença foi constatada por exame laboratorial, ratificada por atestado médico e, ainda, consignada no Laudo Pericial, respeitado o prazo decadencial do direito de pedir.
Recurso provido.
Numero da decisão: 106-11849
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Sueli Efigênia Mendes de Britto
1.0 = *:*
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O termo de inicio para a devolução do imposto de renda retido e recolhido indevidamente é a data em que a doença foi constatada por exame laboratorial, ratificada por atestado médico e, ainda, consignada no Laudo Pericial, respeitado o prazo decadencial do direito de pedir. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por OSWALDO DE OLIVEIRA ZAPPIA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. r/ IACY NOGUEIRA MARTINS MORAIS PRESIDENTE497 Alrff. • 1 .00":- .42i tt • S DE BRITTO R' • Te TF FORMALIZADO EM: 11 JUN 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ROMEU BUENO DE CAMARGO, THAISA JANSEN PEREIRA, LUIZ ANTONIO DE PAULA, EDISON CARLOS FERNANDES. Ausentes os Conselheiros ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10940.001512/99-31 Acórdão n°. : 106-11.849 Recurso n°. : 122.312 Recorrente : OSWALDO DE OLIVEIRA ZAPPIA RELATÓRIO OSWALDO DE OLIVEIRA ZAPPIA, já qualificado nos autos, inconformado com a decisão do Delegado da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, apresenta recurso objetivando a reforma da mesma. Dá início ao presente processo o pedido de restituição e solicitação de isenção do Imposto de Renda, instruído pelo documentos de fls. 03/71, dentre os quais declaração de médico particular (f1.03), perícia médica para fins de isenção de imposto de renda (fl. 09/12), fichas financeiras (fls. 14/41) e cópia das declarações de Ajuste Anual exercícios 1994 a 1999. Sua solicitação foi apreciada pelo Chefe da Divisão de Tributação em Ponta Grossa (fls.75176) que reconheceu a isenção de seus proventos de aposentadoria a partir da data do laudo médico (03/08/99). Inconformado, tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fl. 80, alegando, em síntese que: • a decisão foi exclusivamente baseada no laudo médico para fins de isenção de imposto de renda; • o laudo supramencionado expressamente declara: "História atual: Paciente com diagnóstico de adenocarcinoma de cólon sigmáide DUKES 8 desde dezembro de 1993. Na época 2 )11& MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10940.001512/99-31 Acórdão n°. : 106-11.849 assintomático. Laudo anátomo patológico anexo. Realizou quimioterapia por 10 meses." • nesse sentido também é o laudo elaborado por seu médico particular (fl.03); • reconhece o grande tempo transcorrido entre o início da doença e o pedido de isenção, contudo, acredita que os contribuintes, em sua grande maioria, só adquire consciência de seus direitos após ter passado o período mais grave da doença Juntou documentos de fls. 81/84. A autoridade julgadora de primeira instância manteve o indeferimento de seu pedido ( fls. 10,4/109) sob os fundamentos a seguir resumidos. _ - constata-se que o pedido de restituição engloba valores retidos nos anos-calendário de 1993 e 1994, tendo o interessado pleiteado restituição em 27/09/99 (f1.01), portanto após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, nos termos da legislação do tributo, mormente pelo disposto nos incisos I e II do Ato declaratório SRF n° 096, de 26 de novembro de 1999; - dessa forma, não se aprecia o mérito do pedido em relação as retenções do IR ocorridas até agosto de 1994, em face da ocorrência da decadência; - na conclusão do laudo pericial apresentado (fl.09), está explícito que a data da constatação da moléstia foi 03/08/99, mesma data da emissão do laudo, não surtindo efeito a data consignada na 3 çYi3 (\;;\ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10940.001512/99-31 Acórdão n°. : 106-11.849 história atual do paciente, pois esse campo é preenchido a partir de informações dadas pelo paciente, sendo meramente descritivo e não possuindo todo o rigor técnico das demais informações constantes do laudo pericial; - por outro lado não pode ser aceito o atestado fornecido pelo médico particular do litigante, pois determinando a lei que a comprovação da moléstia se faça por meio de laudo pericial, de serviço médico oficial, é incabível aceitar outros documentos apresentados, em função de não possuírem os elementos que lhes são peculiares. _ - quanto ao fato de o interessado afirmar ter conhecimento de deferimento de pedidos de restituição similares ao seu, deve-se esclarecer que não carreia elementos comprobatórios de sua afirmação e, mesmo se os comprovasse, não geraria jurisprudência ou direito adquirido, sendo inclusive cabível revisão dos respectivos procedimentos enquanto não alcançados pela decadência. - assim, não restando comprovada, nos moldes da legislação vigente, a existência de moléstia grave previamente a 03/08/99, descabe a isenção pleiteada do IR relativo aos exercícios de 1994 a 1999, anos-calendário de 1993 a 1998, por falta de embasamento legal para se considerarem os rendimentos em causa como isentos ou não tributáveis. g 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10940.001512/99-31 Acórdão n°. : 106-11.849 Cientificado, na guarda do prazo regulamentar, o contribuinte protocolou recurso à fl. 112, conformando-se com o decidido quanto às retenções de imposto até agosto de 1994, quanto ao período posterior a essa data argumenta, em síntese: - a decisão da autoridade julgadora a quo , apoiando o primeiro parecer, não desconhece que o laudo pericial atesta que a moléstia grave atingiu o requerente em dezembro de 1993, embora, como não poderia ser diferente, seja datada no dia em que foi realizada 03/08/99; - curiosamente, esta decisão desqualifica esta parte do laudo pericial, por considerar que se refere a informações dadas pelo paciente, ignorando o resultado da biópsia que forneceu a data aos peritos e as informações do médico responsável pelo tratamento do requerente; - Desqualifica o atestado médico particular como peça legal, mas ignora que o requerente dele fez juntada apenas para sublimar a validade da petição, por se tratar do Doutor Ricardo Pasquini, reconhecida autoridade médica do Paraná. É o Relatório. IPS o 1À,ç\ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10940.001512/99-31 Acórdão n°. : 106-11.849 VOTO Conselheira SUELI EFIGÉNIA MENDES DE BRITTO, Relatora Retornam os autos a este Conselho, depois de realizada a diligência solicitada pela Resolução n° 106-1.101 proferida na sessão de 18/08/2000. A informação prestada à fl. 124 de nada adianta para o julgamento da matéria, dessa maneira passo a análise do mérito. Em grau de recurso o contribuinte reitera seu pedido de restituição do imposto de renda retido _e recolhido sobre seus proventos de aposentadoria a partir de setembro de 1994, pelos motivos já consignados no relatório anexado às fls. 116/119. Os dispositivos aplicáveis à espécie estão consolidados no Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto. 1.041/94 nos seguintes dispositivos, ipsis litteris: aArt. 40- Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (..) XXVII - os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hansenlase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopa tia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação e síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Leis ns. 7.713/88, art. 6°, XIV, e 8.541/92, art. 47); 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10940.001512/99-31 Acórdão n°. : 106-11.849 (..) § 4° - A isenção a que se refere o inciso XXVII aplica-se aos rendimentos recebidos a partir: a)do mês da concessão da aposentadoria ou reforma; b) do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria ou reforma. § 50 - Quando a doença a que se refere o inciso XXVII for contraída após a concessão da aposentadoria ou reforma, a conclusão de medicina especializada deverá ser reconhecida através de parecer ou laudo emitido por dois médicos especialistas na área respectiva ou por entidade médica oficial da União. § 6° - A isenção de que trata o inciso XXVII também se aplica à complementação de aposentadoria ou reforma." Regulamentando o assunto foram publicados a Instrução Normativa n° 25/96 (art. 5°, inciso XII e parágrafos 1° e 2° ,"a" ) e o Ato Declaratório Normativo COS/T n° 10/96 que em seu 1 esclareceu, ipsis litteris: "1 - a isenção a que se refere os incisos XII e XXXV do art. 50 da 1N/SRF n° 25/96 se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial? (grifei). Dessa forma e considerando que o resultado do exame realizado pelo Laboratório de Anatomia Patológica Histologia e Citopatologia do Instituto de Medicina e Cirurgia do Paraná (fls. 10/12) e o atestado de f1.3, são elementos de prova hábeis e idôneos para ratificar a informação constante no laudo de f1.9, de que o recorrente era portador de adenocarcinoma de cólon siomóide DUKES B, desde dezembro de 1993. 390 N-\ 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10940.001512/99-31 Acórdão n°. : 106-11.849 Voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito de restituição do imposto de renda incidente sobre seus proventos de aposentadoria a partir de setembro de 1994, período não atingido pela prescrição considerando a data do protocolo de seu pedido 27/09/99. Sala das Se ões - DF, em 18 de abril de 2001 0S ' , 2. 11 & E S E BRITTOe ri, dr ) 8 Page 1 _0034100.PDF Page 1 _0034200.PDF Page 1 _0034300.PDF Page 1 _0034400.PDF Page 1 _0034500.PDF Page 1 _0034600.PDF Page 1 _0034700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006697/00-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2002
Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Não se caracteriza a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN em relação ao descumprimento de obrigações acessórias com prazo fixado em lei.
Recurso negado.
Numero da decisão: 104-18626
Decisão: Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberto William Gonçalves, José Pereira do Nascimento, João Luis de Souza Pereira e Remis Almeida Estol que proviam o recurso.
Nome do relator: Maria Clélia Pereira de Andrade
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Não se caracteriza a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN em relação ao descumprimento de obrigações acessórias com prazo fixado em lei. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSÉ APARECIDO SOUZA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrara presente julgado. Vencidos os Conselheiros Roberto William Gonçalves, José Pereira do Nascimento, João Luís de Souza Pereira e Remis Almeida Estol, que proviam o recurso. LEI MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE -(dnd43( MARIA CLELIA PEREIRA E AN S RELATORA FORMALIZADO EM: 21 Ma 2C101 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN e ALBERTO ZOUVI (Suplente convocado). MINISTÉRIO DA FAZENDA ;:te- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006697/00-27 Acórdão n°. : 104-18.626 Recurso n°. : 126.467 Recorrente : JOSÉ APARECIDO SOUZA RELATÓRIO JOSÉ APARECIDO SOUZA, jurisdicionado pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba - PR, foi notificado para efetuar o recolhimento relativo à multa por atraso na entrega da declaração referente ao exercício de 2000, através do Auto de Infração de fls. 02. Inconformado, o interessado apresentou impugnação tempestiva, fls. 01, alegando, em síntese: - que apresentou sua declaração de imposto de renda pessoa física após o prazo fixado, entretanto, antes de qualquer procedimento fiscal; - que embora o lançamento esteja amparado na legislação mencionada, contraria o disposto no art. 138 do C.T.N.; - que a utilização do instituto da denúncia espontânea exclui a responsabilidade no que tange à aplicação da multa prevista pelo atraso na entrega da declaração; - que não há como uma Lei Ordinária sobrepor-se a Lei Complementar, considerando o C.T.N. Cita vasta jurisprudência administrativa e do Judiciário que lhe favorecem. 2 .54e;:tt. MINISTÉRIO DA FAZENDA tfr-À,-;:zir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006697/00-27 Acórdão n°. : 104-18.626 Requer seja cancelado e arquivado o presente Auto de Infração. Às fls. 11/14, consta a decisão da autoridade de primeiro grau, que após sucinto relatório, analisa cada item da defesa apresentada pelo impugnante, dela discordando; e para fortificar seu entendimento cita toda a legislação de regência que entende pertinente, e justifica suas razões de decidir conceituando a atividade administrativa do lançamento, a obrigação acessória, a denúncia espontânea, a causa da multa e finalmente, decide julgar procedente a exigência fiscal. Ao tomar ciência da decisão monocrática, o contribuinte interpôs recurso voluntário a este Colegiado, conforme petição de fls. 18/33, reiterando os argumentos constantes da peça impugnatória e invocando novos argumentos que sustentem de forma mais eficaz suas alegadas razões de defesa. Recurso lido na íntegra em sessão. É o Relatório. 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA k - t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006697/00-27 Acórdão n°. : 104-18.626 VOTO Conselheira MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, Relatora Orecurso está revestido das formalidades legais. Osujeito passivo tomou ciência da decisão singular em 12/03/01 e recorreu a este Colegiado aos 11/04/01, tempestivamente. A partir de janeiro de 1995, carreada na Lei n°. 8.981, de 20/01/95, a vertente matéria passou a ser disciplinada em seu art. 88, da forma seguinte: "Art. 88 — A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I - à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de renda devido, ainda que integralmente pago; II — à multa de duzentas UFIR a oito mil UFIR, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1 4- O valor mínimo a ser aplicado será: a)de duzentas UFIR para as pessoas físicas; b)de quinhentas UFIR, para as pessoas jurídicas." Após infocar a legislação de regência, cabe um esclarecimento preliminar: Desde a época em que participava da composição da Segunda Câmara deste Conselho, sempre entendi que mesmo o sujeito passivo tendo se antecipado em apresentar 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006697/00-27 Acórdão n°. : 104-18.626 espontaneamente sua declaração de rendimentos, o não cumprimento da obrigação acessória, no prazo legalmente estabelecido, sujeita o contribuinte à penalidade aplicada. Entretanto, após a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que por maioria de votos passou a decidir que a Denúncia Espontânea eximia o contribuinte do pagamento da obrigação acessória, passei a adotar o mesmo seguimento objetivando a uniformização da jurisprudência. Ocorre, que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a matéria em tela, entendendo que a obrigação acessória deve ser cumprida mesmo nos casos de utilização da Denúncia Espontânea, razão pela qual retorno a meu entendimento que é no mesmo sentido, tanto que nos processos relativos a dispensa da multa face ao art. 138 do CTN em que dei provimento, consta a ressalva de que adotava o entendimento da CSRF. Assim, vejo que a razão pende para o fisco, vez que o fato do contribuinte ser omisso e espontaneamente entregar sua declaração de rendimentos no momento que entende oportuno além de estar cumprindo sua obrigação a destempo, pois existia um prazo estabelecido, livra-se de maiores prejuízos, mas não a ponto de ficar isento do pagamento da obrigação acessória que é a reparação de sua inadimplência, ademais, em questão apenas de tempo o Fisco o intimaria a apresentar a declaração do período em que se manteve omisso e aí sim, com maiores prejuízos. A multa prevista pelo atraso na entrega da declaração é o instrumento de coerção que a Receita Federal dispõe para exigir o cumprimento da obrigação no prazo estipulado, ou seja, é o respaldo da norma jurídica. A confissão do contribuinte que está em mora não opera o milagre de isentá-lo da multa que é devida por não ter cumprido com sua obrigação. Logo, a espontaneidade não importa em conduta positiva do contribuinte já que está cumprindo com uma obrigação que lhe é imposta anualmente com prazo estipulado por norma legal. MINISTÉRIO DA FAZENDA0t.e, ;Yrs PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006697100-27 Acórdão n°. : 104-18.626 Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso interposto. Sala das Sessões (DF), em 22 de fevereiro 2002 MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE 6
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002393/2005-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA - COMPENSAÇÃO - COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA - A compensação de créditos de origem não tributária está na competência residual do Terceiro Conselho de contribuintes.
Numero da decisão: 105-16.598
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DECLINAR competência para o Terceiro Conselho de Contribuintes, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Carlos Passuello
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Recorrida : r TURMA/DRJ em CURITIBA/PR Sessão de : 05 DE JULHO DE 2007 Acórdão n.°. : 105-16.598 • PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTARIA - COMPENSAÇÃO - COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA - A compensação de créditos de origem não tributária está na competência residual do Terceiro Conselho de contribuintes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por URATANI HIGAKI & CIA LTDA. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DECLINAR competência para o Terceiro Conselho de Contribuintes, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. te IS ES) RE DI-441 '• JO CA OS PASSUELL R ATOR FORMALIZADO EM: 07 OEL 2W7 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CLAUDIA LÚCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA (Suplente Convocada), WILSON FERNANDES GUIMARÃES, EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, MARCOS RODRIGUES DE MELLO e IRINEU BIANCHI. Ausente, justificadamente o Conselheiro DANIEL SAHAGOFF. 1/4.1 MINISTÉRIO DA FAZENDA 2 •;" ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. .,)g.t. ; QUINTA CÂMARA Processo n.°. : 10950.00239312005-23 Acórdão n.°. : 105-16.598 Recurso n.°. : 150.941 Recorrente : URATANI HIGAKI & CIA LTDA. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por URATANI HIGAKI & CIA LTDA., interposto em 17.03.06 (fls. 69 a 84), contra a decisão da r Turma da DRJ em Curitiba, PR, que lhe foi cientificada em 21.02.06 (fls. 68), consubstanciada no Acórdão n° 10.064, assim ementado: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO ADMINISTRADO PELA SRF. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE E PERCENTUAL. Constata, em declaração prestada pelo sujeito passivo, a compensação indevida de débitos tributários em face da tentativa de utilização de créditos que não se referem a tributos e contribuições administrados pela SRF, cabível a exigência da multa isolada, que deve ser apurada no percentual de 75%, se não estiver caracterizado o evidente intuito de fraude. Lançamento Procedente em Parte" A redução da exigência não provocou recurso de oficio. O auto de infração originou-se de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da recorrente (fls. 28 a 30), que exigia o recolhimento de multa isolada de R$ 12.004,96. A aplicação da multa - de 150%, reduzida pela decisão de 1 3 instância a 75%, prevista no inciso II do Art. 44 da Lei n° 9.430/96 — resultou da compensação indevida de tributos por meio de Declaração de Compensação com créditos que não se ref - - - tributos e contribuições administrados pela SRF (obrigações da Eletrobrás), comp s . "." • é2 e 4. MINISTÉRIO DA FAZENDA 3 • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. Zer_-";. QUINTA CÂMARA Processo n.°. : 10950.00239312005-23 Acórdão n.°. : 105-16.598 essa considerada não declarada, conforme Despacho Decisório da DRF em Maringá (fls. 16 a 21). O enquadramento legal se fez no art. 18 da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/04. A decisão recorrida reduziu a multa, de 150% para 75%, para R$ 6.002,48. O recurso voluntário ataca a exigência do depósito recursal de 30%, mas o seguimento do recurso se deu por força do despacho de fls. 96, que dá noticia do arrolamento de bens. A recorrente se baseia na ausência de dispositivo legal que veda expressamente a compensação efetuada, entendendo ser inaplicável a multa isolada. Entende que as vedações constituem rol taxativo e se encontram no § 3 0, art, 74, da Lei n° 9.430/96, com alterações posteriores. O pleito reitera a legalidade da compensação e afirma (fls. 78): "Isso porque, o procedimento compensatório engendrado pela empresa contribuinte, ora impugnante, possui viabilidade jurídica apta à sua homologação e conseqüente extinção dos créditos tributários descritos nestas declarações de compensação. O crédito objeto de pedido de restituição utilizado na declaração de compensação possui indiscutível natureza tributária, por estar materializado em obrigações ao portador; tem a União como devedora solidária pelo seu adimplemento, nos moldes do § 3° do art. 4° da Lei n°4.156/62 e, nem mesmo com as alterações introduzidas pela Lei n° 11.051/04, foi vedado expressamente o procedimento engendrado pela empresa-contribuinte restando, por fim, a Secretaria da Receita Federal como órgão competente para apreciar tais restituições e compensações." Cita jurisprudência judicial e afirma que o direito do contribuinte de apresentar declaração de compensação deve ser respeitado com suporte no direito 3 e e MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 ,• • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. • I' ar ettf,';, QUINTA CÂMARA Processo n.°. 10950.00239312005-23 Acórdão n.°. : 105-16.598 petição, constitucionalmente garantido, respeitado o direito de ampla defesa, e, afirma (fls. 80): "O que se pretende afastar, portanto, é o meio coercitivo, impingido através deste auto de infração, de cercear o direito de pleitear o encontro de contas de crédito, de natureza tributária, que o contribuinte possui, com débitos fiscais. Principalmente por ser ete direito inerente ao direito de petição, constitucionalmente garantido." O recurso ataca a aplicação da multa isolada porquanto os procedimentos adotados pela recorrente estariam seriam consentâneos com a legislação de regência e com as Instruções da Receita Federal, e a multa é abusiva impondo ao contribuinte excessiva carga econômica que pode ser traduzido com a implicância do indesejado efeito confiscatório. Ao final, a empresa requer (fls. 83): "Diante do exposto, requer-se, preliminarmente, seja considerado improcedente o lançamento de oficio da multa isolada, materializado no auto de infração, na medida em que o procedimento de compensação está de acordo com a legislação pertinente, bem como o crédito tributário constituído (débito fiscal) está com sua exigibilidade suspensa em virtude da compensação atrelada ao pedido de restituição até a sua análise em última instância administrativa e. portanto, não é certo, líquido nem exigível ante a discussão administrativa: nos moldes do artigo 151 do CTN: Caso seja diverso o entendimento de Vossas Senhorias, requer-se, então, a improcedência do auto de infração, com espeque no parágrafo único do art. 100 do CTN, excluídas a imposição de penalidade aplicada, uma vez que o procedimento está em perfeita harmonia com as normas complementares da Secretaria da Receita Federal e demais normas de regência; Requer-se, ainda, que a decisão, nos moldes do art. 31 do Decreto n° 70.235/72, deve entre outros requisitos, referir-se expressamente às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, sob pena do malsinado cerceamento de defesa. Conquanto devidamente provado os fatos, protesta ainda, se necessário, pela produção de todos os meios de prova em dir-ito admitidos, sem exceção, especialmente pela juntada de 0s 4 o MINISTÉRIO DA FAZENDA 5 .. . :* ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ti. ..:kiS.;. QUINTA CÂMARA Processo n.°. : 10950.00239312005-23 Acórdão n.°. : 105-16.598 documentos, altiva de testemunhas, depoimentos pessoais, perícias, tudo para o esclarecimento deste r. Instituição." Assim se apresenta o pro - . para julgamento. ltÉ o relatório. V 1/9, • 5 • _C )4* MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n. :A:ff:st; QUINTA CÂMARA Processo n.°. : 10950.002393/2005-23 Acórdão n.°. : 105-16.598 VOTO Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO, Relator O recurso é tempestivo e, devidamente preparado, deve ser conhecido. A questão se resume à apreciação da possibilidade de aplicação da multa de 75%, isolada, em caso de compensação não homologada de créditos consubstanciados em obrigações da Eletrobrás com débitos de natureza tributária, no caso o tributo gerado pela modalidade de tributação pelo Simples. A competência para apreciação de litígios que refletem irregularidades ou discussões em procedimentos de compensação e restituição atraem a competência de julgamento para aquele Conselho ou conjunto de Câmaras que recebem a competência para julgar processos envolvendo o tributo inserido no campo do crédito a ser homologado ou aproveitado. No caso especifico, o crédito se forma no contexto de obrigação de natureza não tributária, portanto, fora da competência de julgamento deste 1° Conselho, que se limita ao imposto de renda, contribuições, adicionais e empréstimos compulsórios vinculados, que não e o caso dos autos. O Regimento Interno dos Conselhos, aprovado pela Portaria n° 147, de 28.06.2007, estatuí no seu artigo 22° a competência do Terceiro Conselho de Contribuintes, onde se encontra a competência residual defina no inciso XXI, que abrange 'Tributos, empréstimos compulsários,contribuições e matéria correlata não incluídos na competência julgadora dos demais Conselhos?. Dessa forma, entende que, sendo o crédito de natureza não trib tária,.Me ao Terceiro Conselho julgar o recurso voluntário, em sua competência residu. . Aveit 6 e e iç. MINISTÉRIO DA FAZENDA 7 ;$ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n.°. : 10950.002393/2005-23 Acórdão n.°. : 105-16.598 Assim, voto por declinar da competência desta 5 3 Câmara e deste 1° Conselho de Contribuintes em favor do Terceiro Conselho de Contribuintes, mercê de sua competência residual. Sala d... ssões • F, em 05 de julho de 2007. 1/P> iddlja.g JO CARCOS PASSUELLO 7 Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000277/00-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2001
Ementa: LANÇAMENTO - ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - Se a contribuinte somente realizou a entrega de sua DIRPF após ter sido notificada para tal, correto o lançamento perpetrado para o fim de cobrar-lhe a multa por atraso na entrega da declaração, não sendo possível para a autoridade administrativa e julgadora afastar a Lei em análise a situações específicas, em virtude do que determina o artigo 142 do CTN e os artigos 5º, incisos I e II, da Carta Magna.
Recurso negado.
Numero da decisão: 106-11945
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Wilfrido Augusto Marques
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PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE PETIÇÕES. LEI Nº 11.457, DE 2007, ART. 24. O transcurso do prazo para a apreciação de petições, previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, não se configura como hipótese de extinção do processo administrativo ou do crédito tributário, bem como não gera direito a conclusões favoráveis ao sujeito passivo. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. ORIGEM E APLICAÇÕES DE RECURSOS. Tendo sido consideradas as origens e aplicações de recursos conforme constou da declaração de ajuste anual do interessado, se faz necessária a apresentação de documentos hábeis e idôneos aptos a comprovarem que teria havido erro nas informações ali prestadas. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 15/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES 2 Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Julio Cezar da Fonseca Furtado, Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 103 a 108, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1997, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$43.544,18, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento decorre de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, no valor de R$171.644,55, apurado em dezembro de 1996 (demonstrativo de fluxo de caixa mensal às fls. 101 e 102), bem como de exigência de Restituição Indevida a Devolver (R$5.260,57). IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 111), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 125): 4.1 com relação ao primeiro parágrafo do Auto, informa que foi chamado em 1997, para prestar esclarecimento e houve uma falha onde não constava a metade dos rendimentos da empresa em que trabalhava, pois a mesma dividiu as declarações de rendimentos de mesmo valor, fato constatado e observado pelos documentos que junta (fls. 112-113) onde aparece o mesmo CNPJ só diferenciado pelos 3 números finais, sendo que isto não causou nenhuma fraude, já que o valor da restituição foi aumentado, e lhe dava caixa suficiente para arcar suas despesas; 4.2 sobre o empréstimo concedido pela empresa Spal Indústria Brasileira de Bebidas S/A, diferentemente do que consta do Auto, a empresa concedeu empréstimo no valor de R$ 350.000,00 para ser pago em 36 parcelas com juros de 8% , conforme contrato particular de mútuo, sendo que, quando deixou a empresa teve que liquidar o empréstimo e o valor pago foi deduzido os juros das prestações a vencer, reduzindo assim, a diferença a pagar, conforme documentação anexa (fls. 114-119); Fl. 171DF CARF MF Emitido em 15/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Processo nº 13808.000242/2001-49 Acórdão n.º 2801-01.015 S2-TE01 Fl. 157 3 4.3 quanto ao imóvel adquirido pelo valor de R$ 300.000,00 de Samuel Talans e Marcelo Talans, informa que está aguardando as informações do banco para o qual emitiu os cheques a favor dos vendedores, e irá anexar assim que recebê-los, sendo que o prazo dado pelo banco foi de 30 dias. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 6ª Turma DRJ-São Paulo II/SP, conforme acórdão de fls. 123 a 128, julgou procedente o lançamento. Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1996 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. DEVOLUÇÃO DA RESTITUIÇÃO RESGATADA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, ou com a qual o contribuinte concorda. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 31/10/2008, sexta-feira (fls. 130-verso), o contribuinte, por intermédio de representante (Procuração às fls. 153), apresentou, em 02/12/2008, o Recurso de fls. 143 a 152, argumentando, em síntese, que o lançamento e o acórdão da DRJ são nulos em virtude de não ter sido proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias contados do protocolo da petição (Lei nº 11.457, de 2007, art. 24). Quanto ao mérito, aduz que o levantamento do acréscimo patrimonial contém erros, a saber: desconsiderou que a compra do imóvel foi realizada a prazo, só tendo efetuado pagamentos no ano-calendário de 1996 no montante de R$120.000,00 (e não R$300.000,00).; em 07/12/1996 efetuou venda de um imóvel, devidamente informada na declaração de ajuste anual apresentada, inclusive no Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital referentes ao ano-calendário 1996, cujo valor não foi computado como origem de recursos (R$180.000,00). Fl. 172DF CARF MF Emitido em 15/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES 4 O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 155, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, no tocante à preliminar invocada, não há como acatá-la. O mencionado art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, não contempla hipótese de extinção do processo e nem do crédito tributário pelo decurso do prazo ali previsto. As hipóteses de extinção do crédito tributário estão taxativamente disciplinadas no art. 156 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN) e não há nenhuma que socorra a contribuinte. Quanto à impossibilidade de a autoridade administrativa apreciar as petições e considerar os resultados favoráveis ao sujeito passivo, em decorrência de transcurso de prazos, cabe destacar que havia tal previsão no §2º do mesmo artigo, nos casos de diligências não realizadas dentro de 120 dias. Ocorre que este parágrafo foi vetado. Quanto ao mérito, ressalte-se que constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (incisos I e II , do art. 43, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, CTN, e § 1º, do art. 3º, da Lei nº 7.713, de 1988). Portanto, o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo proventos de qualquer natureza é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil da contribuinte, mensurável monetariamente. Efetuada a mensuração dos gastos, cabe ao fisco compará-los com a renda disponível e, havendo incompatibilidade, arbitrar o rendimento omitido. Somente se pode afastar a presunção legal mediante a prova, de ônus do sujeito passivo, de que: • não existem os gastos elencados no lançamento; ou • as aplicações de recursos demonstradas pelo fisco foram acobertadas por rendimentos já tributados, embora não declarados, ou por rendimentos isentos, ou por aquisição de disponibilidade financeira não abrangida pelo campo de incidência do imposto. Ante o exposto, analisando-se os argumentos do contribuinte diante dos elementos de prova constantes dos autos, verifico que eles não merecem acolhida. Justifico-me. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 15/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Processo nº 13808.000242/2001-49 Acórdão n.º 2801-01.015 S2-TE01 Fl. 158 5 O interessado apresentou declaração de ajuste anual para o exercício 1996 (fls. 77 a 81). Ali informou aquisição de bens (vide fls. 77-verso, itens 06, 10 e 11), alienação de outros (itens 03 e 14), benfeitorias em imóvel (item 05), bem como alterações de saldos de aplicações financeiras (itens 18 a 31, este última às fls. 78). Registre-se que para os itens 03 e 14 foram apresentados demonstrativos de apuração de ganho de capital (fls. 80, frente e verso). Registre-se que no recurso voluntário encontram-se em discussão a alienação do item 03 (origens) e a aquisição do item 06 (aplicações). Não obstante o interessado tenha preenchido o demonstrativo de apuração de ganho de capital referente ao item 03 informando que a data da alienação teria sido 07/12/1996 (fls. 80) e o valor recebido R$180.000,00, cumpre observar que na declaração de bens está registrado que o valor da transação foi de R$180.000,00, mas o valor efetivamente recebido em 1996 (sem que se especifique em que data) teria sido de R$154.000,00 (fls. 77-verso). E mais, foi apresentado o “Contrato por Instrumento Particular de Compra e Venda de Imóvel Residencial, com Utilização do FGTS para Pagamento do Preço” (fls. 54 a 58), referente ao item 03 da declaração de bens do contribuinte, datado de 07/03/1997. Segundo esse documento, o vendedor reconhecia que já havia recebido R$153.000,00 pelo imóvel. A diferença entre o preço da venda e o já recebido (R$27.000,00) seria paga pelo comprador utilizando recursos do FGTS. Diante desses elementos de prova, em conjunto examinados, a autoridade lançadora computou como origem de recursos proveniente de alienação de bens, a quantia de R$153.000,00, em janeiro de 1996 (fls. 101). Portanto, em relação a essa origem, não há como computar o valor recebido em janeiro e novamente em dezembro de 1996. Quanto à aplicação, situação semelhante se verifica. O interessado alega que, em 1996, só teria pago R$120.000,00 pela aquisição do item 06 de sua declaração de bens e direitos. Invoca, em seu favor, o Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra (fls. 61 a 67), destacando que ali está especificado tratar-se de venda a prazo e as datas em que venceriam as prestações, respectivos valores, etc. Ocorre que na declaração de ajuste anual apresentada foi informado que o pagamento referente ao item 06 (R$300.000,00) foi realizado em 28/11/1996. Não há qualquer indicação de que teria sido uma aquisição a prazo e de que haveria saldo devedor em 31/12/1996. Portanto, é importante ter em mente que, de acordo com o parágrafo único do art. 147 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional – CTN, a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Dessa forma, seria necessário que o interessado careasse aos autos elementos de prova, por exemplo, dos efetivos desembolsos de forma a contradizer sua declaração e demonstrar que os pagamentos teriam acontecido nos moldes previstos no contrato. Mas isso não se fez. Assim, o compromisso de venda e compra invocado, nestas circunstâncias, não tem a força probante pretendida pelo contribuinte. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 15/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES 6 Quanto a posições doutrinária e jurisprudenciais invocadas, destaque-se que, excetuando-se as Súmulas CARF aprovadas, que não foram trazidas à colação, tais posições não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 175DF CARF MF Emitido em 15/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES
score : 1.0
Numero do processo: 10983.001968/97-32
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Thu May 13 00:00:00 UTC 1999
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DIREITO DE DEFESA - CERCEAMENTO NÃO OCORRIDO - Está assegurado o direito de defesa do contribuinte se o autuante, ao descrever os fatos geradores da obrigação tributária, mencionar as disposições de direito material em que eles se fundam e, no instrumento de intimação, mencionar as disposições processuais que se referem ao direito do contribuinte de impugnar a exigência.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU NÃO OCORRIDA - Se a decisão de primeiro grau fosse de fato citra petita, caberia ao Recorrente indicar com toda clareza e precisão quais pontos de sua impugnação deixaram de ser enfrentados, o que, no entanto, não fez.
IRPF - RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO - Ajuda de custo é a verba destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte e não é esta, a toda evidência, a hipótese dos autos.
IRPF - RENDIMENTOS CUJO IMPOSTO NÃO FOI RETIDO PELA FONTE PAGADORA - RESPONSABILIDADE DO BENEFICIÁRIO - Aceitar que se exima o contribuinte de responsabilidade por não oferecer rendimentos a tributação, sob o argumento de que a fonte pagadora rotulou-os de isentos, é chancelar interpretação que leva ao absurdo de reconhecer como válido o erro de direito.
IRPF - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL - O fato de o produto da arrecadação do imposto de renda sobre rendimentos pagos a seus servidores pertencer ao Município, não torna aquele tributo da competência desta unidade federativa, nem lhe confere o direito de ditar orientação normativa a respeito de sua cobrança.
Recurso negado.
Numero da decisão: 106-10.816
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Wilfrido Augusto Marques (Relator), Sueli Efigênia Mendes de Britto, que apresentará declaração de voto e Rosani Romano Rosa de Jesus Cardozo.
Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Luiz Fernando Oliveira de Moraes.
Nome do relator: Wilfrido Augusto Marques
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU NÃO OCORRIDA - Se a decisão de primeiro grau fosse de fato citra petita, caberia ao Recorrente indicar com toda clareza e precisão quais pontos de sua impugnação deixaram de ser enfrentados, o que, no entanto, não fez. IRPF — RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO — Ajuda de custo é a verba destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte e não é esta, a toda evidência, a hipótese dos autos. IRPF — RENDIMENTOS CUJO IMPOSTO NÃO FOI RETIDO PELA FONTE PAGADORA — RESPONSABILIDADE DO BENEFICIÁRIO - Aceitar que se exima o contribuinte de responsabilidade por não oferecer rendimentos a tributação, sob o argumento de que a fonte pagadora rotulou-os de isentos, é chancelar interpretação que leva ao absurdo de reconhecer como válido o erro de direito. IRPF — COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL — O fato de o produto da arrecadação do imposto de renda sobre rendimentos pagos a seus servidores pertencer ao Município, não toma aquele tributo da competência desta unidade federativa, nem lhe confere o direito de ditar orientação normativa a respeito de sua cobrança. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EVERALDO AMARO DA SILVA. _ . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968197-32 Acórdão n°. : 106-10.816 ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Wilfrido Augusto Marques (Relator), Sueli Efigênia Mendes de Britto, que apresentará declaração de voto e Rosani Romano Rosa de Jesus Cardozo. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Luiz Fernando Oliveira de Moraes. DIMA a RIG71aEOLIVEIRA P vá • LUIZ FERNANDO I E RA DE MORAES RELATOR DESI FORMALIZADO EM: 1 5 FEV 2000 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RICARDO BAPTISTA CARNEIRO LEÃO e ROMEU BUENO DE CAMARGO. Ausente, justificadamente, a Conselheira THAISA JANSEN PEREIRA mf 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n''. : 106-10.816 Recurso n°. : 15.899 Recorrente : EVERALDO AMARO DA SILVA RELATÓRIO Trata-se de autuação relativa ao imposto de renda pessoa física, em vista aos rendimentos oriundos do trabalho prestado pelo contribuinte, não oferecidos à tributação, que teriam sido indevidamente indicados como ajuda de custo. Por ocasião do julgamento da impugnação oferecida pelo contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu pela manutenção do lançamento (fls. 73/89). Em vista à aludida decisão recorre o contribuinte na forma das razões de fls. 94/113 1 nas quais alega: - a inconstitucionalidade da vinculação ao seguimento do recurso ao depósito de no mínimo 30% da exigência fiscal previsto na Medida Provisória n. 1621-30, citando, neste sentido, precedentes do Tribunal Regional Federal da (Região; - a nulidade do lançamento fiscal efetuado por intermédio de auto de infração na medida em que este instrumento somente serviria à aplicação de penalidade, diante da violação à lei em concreto, não propriamente à constituição de crédito fiscal; - a decisão proferida seria genérica, falecendo-lhe a devida fundamentação legal, posto que padronizada para 34 outros' processos de servidores públicos municipais, ao que teria sido omitida a análise de aspectos particulares de cada um dos 3 . ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 casos, implicando em violação ao artigo 31 do Decreto n. 70.235/72, citando, neste sentido, lição do Mestre HELY LOPES MEIRELLES e acórdão prolatado pela 1 . Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (01-0.836); - que a verba• intitulada ajuda de custa possui natureza indenizatória, sendo intributável, referindo-se à utilização de veículo próprio pelo servidor, promovendo a recuperação de despesas de combustível bem como relativas à depreciação do veículo, e ainda no tocante aos gastos com alimentação, elencando o entendimento doutrinário de ROQUE ANTONIO CARRAZA relativo à impossibilidade de tributação das indenizações; - que a partir da decisão n. 161/96, proferida no processo n. 10983.004437/96-10 (fls. 25/29), teria restado claro que a ajuda de custo estaria sujeita à retenção na fonte a qual competiria ao Município promover; - que era impossível aos servidores incluírem tais rendimentos em suas declarações, quando o próprio Município os havia discriminado como não-tributáveis; - a partir do artigo 158, inciso I, da Constituição Federal de 1988, o produto de arrecadação do IRF pertence ao Município, pelo que, se este último, enquanto titular da receita, não procede a sua retenção, não poderá a União fazê-lo; - o d. julgador a quo teria negado validade aos precedentes judiciais, bem como às decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes em casos análogos, que corroboram a tese do Recorrente; - é incabível a penalizaçâo do contribuinte mediante a multa de 75% na medida em que foi o próprio Município que lhe forneceu 4 . ' MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 a declaração de rendimentos na qual constava a informação de que o valor percebido a título de ajuda de custo não seria tributável. Em seguida, foram distribuídos os autos à análise por esta Câmara Fiscal. É o Relatório. 5 . . _ • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 VOTO VENCIDO Conselheiro WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n. 70.235 de 06 de março de 1972, tendo sido interposto por parte legítima, estando acompanhado pela comprovação do depósito recursal previsto na Medida Provisória n. 1621-30 e reedições, razões pelas quais dele tomo conhecimento. Doravante, passo a analisar a matéria objeto de irresignação recursal pelo contribuinte. Inicialmente, no tocante à alegada inconstitucionalidade da exigência do depósito prévio, falece competência, ao Conselho de Contribuintes, para proceder à análise da referida matéria. De qualquer modo, tendo sido efetivado o depósito pelo contribuinte nestes autos, entendo prejudicada a análise da questão, por falta de interesse. Indicou o Recorrente que o auto de infração seria meio impróprio à constituição do crédito tributário, ao que somente serviria à aplicação de venalidade, diante da violação à lei em concreto. Não vislumbro qualquer irregularidade na formalização da exigência mediante auto de infração, tal qual prelecionado pelo artigo 9°, caput, do Decreto n. 70235/72. O auto de infração que implique em exigência de tributo possui a natureza jurídica de lançamento, já que tem por finalidade a formalização do crédito 6 . ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 tributário diante da apuração, pela autoridade fiscal, de infração à legislação de regência, configurando o lançamento de oficio. Com efeito, veja-se a melhor doutrina aplicável à espécie: "Todo auto de infração (...) é um ato administrativo praticado pela autoridade fiscal. Conforme o nome indica, auto de infração é um termo lavrado por autoridade competente no qual se registra uma infração contra a legislação tributária. Quando este documento comporta exigência de crédito tributário, tem a natureza de lançamento de oficio; quando, ao contrário, simplesmente registra a infração ou registra a apreensão de mercadorias, ou coisa semelhante, tem a natureza de ato administrativo como outro qualquer (in "Processo Administrativo Fiscal", Antonio da Silva Cabral, Ed. Saraiva, p. 220). Deste modo, não há que se cogitar de impropriedade na constituição do lançamento fiscal, sendo de se rejeitar a alegação formulada pelo Recorrente. Prosseguindo à análise da peça recursal, alegou o contribuinte que a decisão proferida seria genérica, falecendo-lhe a devida fundamentação legal, posto que padronizada para 34 outros processos de servidores públicos municipais, ao que teria sido omitida a análise de aspectos particulares de cada um dos casos. De igual forma ao vicio que indica existir na decisão recorrida, o próprio pleito recursal se faz genérico ao alegar rombas da análise de 'aspectos particulares", sem, contudo, explicitar em que consistiam estes últimos. Destarte, apreciando as razões ventiladas no pleito impugnatório, não verifico ausência de fundamentação legal, nem tampouco constato qualquer 7 . ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 omissão na decisão recorrida, ao que se ressalte ser a matéria essencialmente de direito, tendo sido reiterada, inclusive, pelo contribuinte, em seu recurso voluntário. A ocorrência de decisões padronizadas não implica, necessariamente, em cerceamento à defesa, desde que abrangidos todos os elementos postos à análise do d. julgador a quo, tal qual na hipótese dos autos. Neste diapasão, não há que se cogitar de omissão ou falta de fundamentação na decisão recorrida, ao que rejeito a alegação formulada pelo Recorrente. Prosseguindo, quanto ao mérito, entendo que não se cogita nestes autos de ilegitimidade do sujeito passivo, já que a discussão nos autos cinge-se ao valor do imposto de renda devido na declaração de ajuste anual, estando correto o lançamento feito em nome do beneficiário do rendimento. Não obstante, quanto ao lançamento fiscal propriamente dito, passo a tecer as considerações deduzidos nos itens a seguir. A partir dos artigos 796, 891 e 919 do RIR/94 extrai-se que, na qualidade de responsável, a pessoa jurídica pagadora dos rendimentos é o sujeito passivo do imposto de renda incidente na fonte, estando obrigada a recolher o valor do imposto devido independentemente de ter feito a retenção. Assim, a partir da letra da lei tem-se que quando o imposto não for retido ou em assumindo a fonte o seu ônus, caberá à fonte pagadora, na qualidade de contribuinte, efetuar o pagamento do imposto. Nestes autos, visualiza-se à evidência ter sido a fonte pagadora a autora da infração à legisla tributária, cabendo-lhe, portanto, a responsabilidade pelo pagamento do imposto. _ _ _ _ - . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968197-32 Acórdão n°. : 106-10.816 Não se faz pertinente atribuir à declaração de ajuste anual o caráter de saneamento de situações irregulares ou infrações, praticadas ao longo do exercício pela fonte pagadora que deixou de reter o imposto. De qualquer modo, por força do artigo 9°, inciso IV, §1 e do CTN, é atribuída responsabilidade tributária às pessoas jurídicas de Direito Público e Privado, ao que a postergação no pagamento do imposto pela fonte pagadora implica em violação à legislação tributária, em patente prejuízo aos cofres públicos. Nestes autos, têm-se elementos abundantes no sentido do reconhecimento da infração pela fonte pagadora, logo, cabia-lhe reajustar a base de cálculo do imposto, entregando aos funcionários novo 'demonstrativo de rendimentos pagos e imposto de renda retido na fonte", munidos do qual seria-lhes possível pleitear a redução do imposto, ainda sob o abrigo do instituto da denúncia espontânea (art. 138, C.T.N.). Ao efetuar o pagamento das ajudas de custo aos funcionários sem a retenção do imposto, tem-se que a fonte pagadora, ainda que tacitamente, assumiu o ônus tributário quanto à exação em comento. Desta feita, em momento posterior, cabia-lhe considerar o rendimento pago como líquido, reajustar a base de cálculo e providenciar o recolhimento do imposto devido. Somente se desoneraria caso comprovasse ter o beneficiário tributado o rendimento em sua declaração, consoante orientação esposada no Parecer Normativo COSIT n. 01, de 08/08/95, abaixo transcrito: “(---) 10. A única situação em que a fonte pagadora se eximiria da responsabilidade de retenção e recolhimento do imposto seria quando ficasse comprovado que o beneficiário já houvesse incluído 9 • ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 o rendimento em sua declaração, conforme previsto no parágrafo único do art. 919 do RIR'. In casu, o contribuinte declarou o rendimento auferido como não tributável, na esteira da orientação da fonte pagadora, não o tendo tributado, razão pela qual não se cogita da aplicação do parágrafo único do art. 919 do RIR. Em conclusão, reputo insubsistente o lançamento, em vista à violação ao princípio da legalidade, já que: (i) não há amparo legal à tributação anual dos rendimentos oriundos do trabalho assalariado, já que a incidência do imposto ocorre no momento da percepção dos rendimentos, não cabendo à autoridade lançadora criar exceção não prevista na legislação de regência (Lei n. 7713/88); (ii) restaram descunnpridas as orientações constantes dos arts. 891 e 919 do RIR/94; (iii) não se faz plausível corroborar com a postergação no pagamento do imposto realizada pela fonte pagadora, pois esta deveria tê-10 recolhido até o último dia útil do mês seguinte ao da retenção; (iv) o principio constitucional da isonomia (CF/88, art. 150, inciso II) foi violado na espécie pois todos os demais contribuintes estão sujeitos ao regime, obrigatório, de pagamento do imposto no momento da percepção dos rendimentos; (v) o lançamento de ofício, sujeitando o contribuinte à multa de 75%, implicou em penalização daquele que, a princípio, não foi o autor da infração tributária. Ante o exposto, conheço do recurso e dou-lhe provimento a fim de cancelar o lançamento formalizado nestes autos. É o voto. Sala das Sessões - DF, em 13 de maio de 1999 WIL e D UGU: O RQ ES to • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 VOTO VENCEDOR Conselheiro LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES, Relator Designado Em casos análogos ao presente, proferi o seguinte voto: "Conheço do recurso, por preenchidas as condições de admissibilidade. Invoca o Recorrente, em preliminar, a nulidade do lançamento, porque a falta de menção, na respectiva peça, ao art. 10 do Decreto n° 70.235/72, que alinha os requisitos do auto de infração, acarretou preterição de seu direito de defesa. Equivoca-se o Recorrente. Cumpre ao autuante, ao descrever os fatos geradores da obrigação tributária, mencionar as disposições de direito material em que eles se fundam e, no instrumento de intimação, mencionar as disposições processuais que se referem ao direito do contribuinte de impugnar a exigência. Na espécie, isto foi feito e é o quanto basta para assegurar o direito de defesa. Querer que, ademais disso, tenha o autuante que mencionar, como se necessário para atestar a correção do ato praticado, privativo de seu cargo, a disposição legal que o preveja, é almejar um rigor formal que mesmo o processo judicial não exige, muito menos o processo administrativo. Nesta preliminar, o contribuinte desborda de sua argumentação originária e traz à tona a velha discussão em tomo da competência do Auditor Fiscal ti `are MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 em incluir no lançamento as penalidades cabíveis, que se centra em interpretação equivocada do art. 142 do CTN, mais exatamente, da expressão propor (...] a aplicação da penalidade cabível. Tal interpretação da disposição codificada, literal e isolada, não resiste a uma interpretação sistemática do Código. O crédito tributário, apurado no lançamento, decorre da obrigação principal (art. 139), que tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art. 113, § 1°). Tampouco a autoriza a alteração legislativa operada pelo art. 43 da Lei n° 9.430/96, que não veio, como pensa o Recorrente, a autorizar o lançamento de multa apenas a partir de sua publicação e, em consequência, a reconhecer que, anteriormente a esta, tal procedimento carecia de base legal. A inovação introduzida pela lei em foco diz respeito tão-só à possibilidade de se lançar multa e juros de mora isoladamente, ponto sobre o qual efetivamente pairavam fundadas dúvidas quanto a sua legitimidade. Tanto é assim que o título da Seção V, a que se subordina a disposição em foco refere-se a Auto de Infração sem Tributo. Colocadas essas premissas, nota-se de logo que o verbo propor inserido no art. 142 do CTN, na sua forma transitiva direta tem o sentido, registrado no Dicionário Aurélio, de dispor, ordenar, determinar. Para que tivesse o sentido de submeter a exame, como defendem alguns intérpretes, deveria vir na forma transitiva direta e indireta [ propor alguma coisa a alguém] e aí deveria a norma obrigatoriamente indicar a quem se dirigiria a proposição da multa. Invoca ainda o Recorrente nulidade da decisão recorrida por não haver apreciado todos os argumentos expostos na defesa. Tal argumento não resiste à leitura da decisão de primeiro grau, em cotejo com a impugnação, quando 12 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 se comprova que todas as alegações de defesa foram exaustiva e minuciosamente respondidas. Aliás, se a decisão de primeiro grau fosse de fato citra petita, caberia ao Recorrente indicar com toda clareza e precisão quais pontos de sua impugnação deixaram de ser enfrentados, o que, no entanto, não fez, preferindo adotar o modelo genérico que tanto critica em seu apelo. No mérito, insiste o Recorrente na natureza indenizatória da parcela de sua remuneração recebida a título de ajuda de custo, por se tratar de ressarcimento de gastos de locomoção necessários ao desempenho de sua função. Sem adentramos na tormentosa questão de se tratar a espécie de indenização — que, se levada a extremos, poderá incluir qualquer rendimento do trabalho consumido nas necessidades vitais básicas do indivíduo, tal como definidas no art.7°, IV, da Constituição — é de se ressaltar que, nos termos da legislação vigente desde a Lei n° 7.713, de 1988, os rendimentos isentos do imposto de renda são objeto de enumeração exaustiva (lei cit., art.6°) e não admitem interpretação extensiva., máxime pelo frágil critério do nomen juris. Nos exatos termos da lei em foco, ajuda de custo é a verba destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte (art. cit., inciso XX) e não é esta, a toda evidência, a hipótese dos autos. Alega, ainda, no mérito, matéria que caberia melhor como preliminar na espécie, a obrigação tributária é de exclusiva responsabilidade da fonte pagadora e nesse particular, busca apoio principalmente na consulta formulada pela Prefeitura Municipal de Florianópolis à Superintendência Regional da Receita Federal na 9. Região Fiscal (cópia, fls. 28), 13 LA/ — MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 Diga-se, desde logo, que esta Câmara, diante de consulta eficaz, deve acatar seus efeitos, a despeito de concordar ou não com as conclusões da autoridade consultada. Na espécie, porém, tem-se consulta cuja ineficácia foi expressamente declarada, na forma do art. 52, V e VI, do Decreto n° 70.235/72 (fls.32), não obstante tenham sido seus quesitos respondidos. Nessas condições, aquele pronunciamento deve ser encarado como mais um dentre tantos elementos de convicção, livres os membros desta Câmara para aderir ou não às suas conclusões. Meu entendimento é de que a atribuição de responsabilidade pelo pagamento de imposto de renda à fonte pagadora, autorizada pelo art. 45, parágrafo único do CTN, submete-se à disposição geral sobre responsabilidade tributária contida no art. 128 da Lei Complementar, verbis: ART. 128 - Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifei) Atento ao comando legal de hierarquia superior, a legislação ordinária do imposto de renda contempla tanto hipóteses de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, como de responsabilidade compartida com o contribuinte. Em sendo o fato gerador a disponibilidade de rendimentos decorrentes do trabalho assalariado, espécie dos autos, não se exime o contribuinte de responsabilidade, pois, a teor do art. 8° da Lei n° 8.383, de 1991, o valor do imposto retido na fonte durante o ano-base será considerado redução do apurado na declaração de rendimentos e a exceção especificamente conferida ao décimo terceiro salário confirma o caráter de regra geral daquele tratamento tributário. 14 _ . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 A disposição transcrita é de clareza meridiana e vem merecendo a interpretação uniforme e reiterada da jurisprudência administrativa: a obrigação do contribuinte é de apurar, na declaração própria, o imposto sobre a totalidade dos rendimentos tributáveis recebidos, não servindo a falta de retenção na fonte como • escusa para transmudá-los em rendimentos isentos ou não tributáveis, ainda que assim os tenha classificado a empregadora. É este também o entendimento consagrado pela Secretaria da Receita Federal, através da IN n° 49/89 consoante a qual são contribuintes do imposto de renda todas as pessoas físicas residentes ou domiciliadas no País, nos termos da legislação do imposto de renda, que aufiram rendimentos tributáveis, seja por incidência na fonte, seja por serem submetidos à tributação na declaração. Aceitar que se exima o contribuinte de responsabilidade por não oferecer rendimentos a tributação, sob o argumento de que a fonte pagadora rotulou-os de isentos, é chancelar interpretação que leva ao absurdo de reconhecer como válido o erro de direito. Sob este ponto de vista, o contribuinte estaria escusado de cumprir a lei porque lhe seria lícito desconhecer a natureza tributável dos rendimentos, por conta de equivoco ou má fé da fonte pagadora. Colocadas essas premissas, não há como se afastar a responsabilidade da pessoa física pelo imposto não retido pela fonte pagadora invocando-se o art. 919 do RIR194. Ali não se tem afirmação peremptória da responsabilidade exclusiva desta, de logo desmentida por seu parágrafo único, a apontar para a responsabilidade subsidiária daquele, em harmonia com o CTN e demais atos legais e normativos antes citados. A interpretação dessa disposição que se me afigura mais condizente com a sistemática do imposto de renda é a seguinte: a) até a apresentação da declaração de ajuste pelo beneficiário, a fonte pagadora é responsável única pelo imposto devido como antecipação que não tenha retido; b) 15 (17 (9( MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 apresentada a declaração de ajuste pelo beneficiário, nela incluídos e oferecidos à tributação os rendimentos, cujo imposto não foi retido pela fonte pagadora, a responsabilidade pelo imposto é daquele, mas juros e multa de mora recaem apenas nesta; c) apresentada a declaração de ajuste pela pessoa física, sem a inclusão dos rendimentos cujo imposto não foi retido pela fonte pagadora, a responsabilidade pelo imposto é compartida: por ambos, pois vedar-se a exigência do imposto, bem assim das penalidades cabíveis, de um ou de outro, resultaria em considerar que tanto a falta de retenção na fonte, como a omissão dos rendimentos tributáveis na declaração, são meras faculdades e não obrigações legais de cada um dos sujeitos passivos. Note-se que a solução preconizada no art. 796 do RIR/94, para ressarcimento da fonte pagadora à Fazenda Nacional no caso de falta ou insuficiência na retenção do imposto, não pode ser considerada como regra geral, única e excludente da exigência na pessoa do contribuinte. Em se tratando de remuneração paga por pessoa de direito público, vislumbro óbices constitucionais e legais a que a importância disponibilizada ao contribuinte seja considerada líquida e procedido ao reajustamento do respectivo rendimento bruto. A remuneração de servidores públicos está jungida pela Constituição ao estrito princípio da reserva legal (art. 37, X) e, a aplicar-se a solução indicada na disposição regulamentar, estar-se-á contornando a vedação constitucional com o agravante de o ônus adicional recair sobre recursos públicos, cujos efeitos danosos não se restringiriam ao patrimônio do ente público diretamente atingido, mas alcançariam o conjunto da sociedade. Esta é a razão de a liberalidade com recursos públicos estar na mira do Direito Penal. Ao contrário da disposição perdulária da riqueza privada, onde a discricionariedade, em princípio, é a regra, pois a ninguém, em princípio, é lícito interferir na manifestação, mesmo irresponsável, da vontade de particulares, a I 6 /75 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 dilapidação de recursos públicos é tipificada como crime, porque sempre estarão presentes o conluio célere e o favorecimento ilícito. Ainda, no mérito, argumenta o Recorrente de que o imposto de renda é tributo cuja cobrança cabe, na espécie, ao Município, invocando, em abono de sua tese, o art. 158, I, da Constituição. Sobre este ponto, bem andou a decisão de primeiro grau ao distinguir a disposição esgrimida pelo Recorrente, situada em seção que reúne regras sobre repartição de receitas tributárias, daquela que discrimina as competências impositivas de cada unidade da Federação. Com relação a imposto de renda sobre rendimentos pagos por municípios, pertence a este não a competência para instituí-lo, o que remeteria ao art. 156 da Lei Maior, mas apenas o produto de sua arrecadação. O mesmo argumento serve para o Recorrente pleitear a não cominação de multa de ofício, pois teria deixado de recolher o imposto devido em consonância com orientação normativa traçada pelo Município, na esfera de sua competência e, pelas razões antes alinhadas, deve ser rejeitado." Tais as razões, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeiro grau e, no mérito, discordando, permissa venia, do eminente Relator, por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 13 de maio de 1999 LUIZ FE MORAES RN7PÁVRA DE 17 61( - - - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, Relatora O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA, alega o recorrente que a autoridade julgadora "a quo" deixou de apreciar o argumento consignado em seu expediente impugnatório de que : 'a decisão de intimar os servidores (do CTA, entre eles o Recorrente) foi realizada de forma tendenciosa com preterição do direito de defesa, já que, antes da intimação, dever-se-ia proporcionar aos mesmos todos os meios para que viessem a tomar conhecimentos dos fatos, antes da lavratura do auto de intimação que jogou por terra o direito à espontaneidade.' Os fatos, a que alude o recorrente, reportam-se à correspondência pela qual a Receita Federal esclarecia à fonte pagadora que os rendimentos recebidos acumuladamente deveriam ser oferecidos à tributação. Examinada a decisão referida, verifica-se que tanto no relatório (f1.22), quanto nos fundamentos (fls. 85/86) o julgador singular tomou conhecimento e refutou o argumento, anteriormente copiado, quando discorreu sobre a não existência de cerceamento de defesa no procedimento fiscal. Agindo dessa forma, cumpriu as exigências determinadas no art. 31 do Decreto n° 70.235/72, regulador do processo administrativo fiscal e não há o que se falar em cerceamento de defesa. 9-) 18 .5k( MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 Rejeitada a preliminar, passo ao MÉRITO. 1 — QUANTO A ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO, com intuito de facilitar a análise da matéria transcrevo, passo a passo, a legislação tributária aplicável que, atualmente, encontra-se consolidada no Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994. Os rendimentos auferidos pela pessoa física estão sujeitos ao imposto de renda sob duas formas de tributação, num primeiro momento — na percepção do rendimento: • Art. 1° - As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade económica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Leis ns. 4.506/64, art. 1°, 5.172/66, art. 43, e 8.383191, art. 4°). § /° - São também contribuintes as pessoas físicas que perceberem rendimentos de bens de que tenham a posse como se lhes pertencessem, de acordo com a legislação em vigor (Decreto-lei n° 5.844/43, art. 1°, parágrafo único, e Lei n° 5.172/66, art. 45). § 2° - O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 93 (Lei n° 8.134/90, art. 2°). "Art.61. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei n° 7.713/88, art.12)." Num segundo momento — apurado e calculado na Declaração de Ajuste Anual: N4 19 SSV MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 "Art. 93— Sem prejuízo do disposto no § 2° do art. deste Regulamento, a pessoa física deverá apresentar anualmente declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído (Lei n° 8.383/91, art. 12)." (grifos não são do original) Assim sendo, os rendimentos decorrentes de vínculo empregatício, inclusive os recebidos acumuladamente sofrem mensalmente a incidência do imposto de renda que, por determinação legal, deverá ser retido e recolhido pela fonte pagadora. Esta responsabilidade está fixada no Livro III — Imposto de Renda na Fonte, Capitulo VII — Retenção e Recolhimento, do já mencionado regulamento: 'Art. 791. Compete ã fonte reter o imposto de que trata este Título, salvo disposição em contrário (Decreto-lel n° 5.844/43, arts. 99 e 100, e Lei n° 7.713/88, art. 7°, § 1°)" Essa obrigação legal produz o seguinte efeito: o beneficiário do rendimento suporta o Ónus do imposto, contudo, o sujeito passivo da obrigação tributária passa a ser a FONTE PAGADORA, como se depreende das normas contidas na Lei n° 5.172, de 25110/66, Código Tributário Nacional, que ao tratar da responsabilidade tributária, assim fixou: «Art. 45 — Contribuinte do imposto é o titular da . disponibilidade a que se refere o art. 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo Imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. °Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. 20 _no, • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I — contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II- responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei." Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação."(grifei) Por sua vez, o beneficiário do rendimento só assumirá a posição de sujeito passivo do imposto quando, ao levar a totalidade dos rendimentos percebidos durante o ano-calendário para a declaração de ajuste anual, apurar suplemento de imposto a pagar. Como o que se discute nos autos é o valor do imposto de renda devido na declaração de ajuste anual, correto está o lançamento feito em nome do beneficiário do rendimento. 2- QUANTO AO LANÇAMENTO. Das normas legais, anteriormente copiadas podemos extrair que: 2.1 — Com a edição da Lei n° 7.713/88, a incidência do imposto de renda passou a ser mensal, devendo ser recolhido até o ultimo dia útil do mês seguinte a sua retenção, quando, então, passa a integrar a receita tributária da União. S31 21 S\7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 2.2 — A previsão de ajuste na declaração, criada posteriormente, tem o objetivo de trazer a tributação àqueles rendimentos que, legalmente, no momento do recebimento deixaram de ser tributados. Isto acontece, normalmente, quando o contribuinte percebe remuneração de duas ou mais fontes pagadoras que, consideradas isoladamente, ficam abaixo do limite de isenção. Neste caso, embora o contribuinte não tenha pago mensalmente o imposto, irá pagá-lo na declaração de ajuste quando o total recebido ultrapassar o limite de isenção anual. É inadmissível, aceitar-se a hipótese de que a intenção do legislador ao manter a DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, foi proporcionar aos contribuintes oportunidade de 'acertar situações irregulares ou, ainda, de sanear infrações a legislação tributária, praticadas durante o ano-calendário. Retomando as disposições legais que integram o R.I.R194. `Art. 796. Quando a fonte assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recaíra o imposto ressalvados os casos a que se referem os arts. 778, parágrafo único, e 786 (Lei n ° 4.154/62, art. 5 9." 'Art. 891. Quando houver falta ou inexatidão de recolhimento do imposto devido na fonte, será iniciada a ação fiscal, para a exigência do imposto, pela repartição competente, que intimará a fonte ou o procurador a efetuar o recolhimento do imposto devido, com o acréscimo da multa cabível, ou a prestar, no prazo de vinte dias, os esclarecimentos que forem necessários. (Leis n° s 2.862/58, art. 28, e 3.470/58, art. 19)." 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 'Art. 919. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (Decreto-lei n°5.844/43, art. 103)." Parágrafo único. No caso deste artigo, quando se tratar de imposto devido como antecipação e a fonte pagadora comprovar que o beneficiário já incluiu o rendimento em sua declaração, aplicar-se-á a penalidade prevista no art. 984, além dos juros e multa de mora pelo atraso, calculados sobre o valor do imposto que deveria ter sido retido, sem obrigatoriedade do recolhimento deste. "(grifei) Destes ditames legais infere-se que: a) a pessoa jurídica pagadora dos rendimentos é o sujeito passivo do imposto de renda incidente na fonte, na qualidade de responsável; b) independentemente de ter feito a retencão está obrigada a recolher o valor do imposto devido. Na letra "a" temos a regra, de que embora o responsável pelo recolhimento seja a fonte pagadora, o devedor originário, isto é, aquele que tem relação direta com o fato imponível, deverá suportar o ónus do tributo. Já na letra "b' , a exceção a fonte pagadora que normalmente está na posição de sujeito passivo como responsável, continua sendo sujeito passivo, porém, na qualidade de contribuinte. As regras inseridas no art. 796 e 919, anteriormente copiadas, não dão margem a qualquer dúvida: quando o imposto não for retido ou quando a fonte pagadora assumir o seu ónus QUEM DEVE PAGAR O IMPOSTO É A FONTE PAGADORA, na qualidade de contribuinte. 411V 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 Aqui, ocorre o que a doutrina define como sujeição passiva por substituição, que no dizer de Rubens Gomes de Souza , em sua obra "Compêndio de Legislação Tributária', 39. Edição, pág. 72, tem lugar, quando, 'em virtude de disposição expressa de lei, a obrigação tributária surge desde logo contra uma pessoa diferente daquela que esteja em relação económica com o ato, fato ou negócio tributado: nesse caso é a própria lei que substitui o sujeito passivo direto por outro indireto'. Dessa maneira, o responsável pelo recolhimento não é a pessoa que tira a vantagem económica do ato, fato ou negócio tributado, embora seja esta quem efetivamente suporta o ónus do encargo. Esta posição, até o momento, é a mais apropriada para o caso aqui discutido e está defendida detalhadamente, pelo referido autor, no livro Pareceres — volume 3 — Imposto de Renda — Edição Póstuma Coordenada pelo Instituto Brasileiros de Estudos tributários — 1975 — Editora Resenha tributária, páginas 270/, nos seguintes termos: 3/3.2 — "(...) A fonte pagadora não é simples auxiliar da autoridade administrativa de lançamento e na arrecadação do imposto: é o próprio devedor dele, ou seja, o sujeito passivo da obrigação principal, definido pelo art. 121 do CTN como 'a pessoa obrigada ao pagamento do tributo" o parágrafo único desse artigo define duas figuras de sujeito passivo: a fonte pagadora oferece a condição sui peneris de enquadrar-se em ambas essas figuras? 3/3.3 : "Com efeito: dispõe o art. 121 do CTN que o sujeito passivo se diz 'contribuinte* quando tenha relação pessoal e direta com o fato gerador; e 'responsável" quando, sem revestir a condição de contribuinte seja obrigado a pagar o tributo por disposição expressa de lei. Ora, a fonte pagadora certamente está no primeiro caso: sua relação pessoal e direta com o fato gerador do imposto de renda consiste em lhe dar causa, ao pagar ao beneficiado o rendimento, ou o provento sujeito ao imposto. Mas está também na segunda situação: o contribuinte do imposto de renda, normalmente seria o beneficiário do rendimento ou provento, ou seja, aquele a quem a fonte pagou; mas quanto a metodologia da tributação seja a agora em exame, a obrigação principal da fonte decorre de disposição expressa de lei : "a fonte pagadora(...) fica obrigada ao 24 2fb .• „ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (Dec. lei n° 5.844/43, art. 1034(grifei) No caso sob exame, o entendimento não pode ser de outra forma, sendo a fonte pagadora autora da infração à norma tributária, cabe-lhe a responsabilidade pelo pagamento do imposto. Aliás, levando-se em conta que o imposto recolhido passa a integrar a receita tributária da União, que tem por objetivo custear a prestação de serviços públicos e a execução de obras em benefício da sociedade brasileira, admitir-se que ele seja recolhido, apenas, no momento da declaração de rendimentos implica em autorizar a postergação do pagamento de tributo, concordar com infração cometida e com, o conseqüente, prejuízo aos cofres públicos. Por esse motivo é que as normas inseridas nos artigos 796, 891 e 919, do RIR/94, anteriormente copiados, são incisivas ao determinar que: CONSTATADA A AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DE IMPOSTO NA FONTE A AÇÃO FISCAL DEVERÁ SER CONTRA A FONTE PAGADORA. Como a fonte pagadora não pode alegar desconhecimento da lei (art.3° do Decreto — lei n° 4.657/42 —Lei de Introdução ao Código Civil) e, sendo ela, no caso, parte integrante do quadro organizacional da UNIÃO, de pronto, devo descartar a hipótese de que seus administradores tiveram a intenção de burlar a lei, por ser no mínimo absurda, já que estariam causando prejuízo aos cofres públicos da própria pessoa jurídica de Direito Público a quem cabe privativamente instituir e fiscalizar o imposto de renda (C.F art. 153, inciso III). E, lembrando que, para efeito de retenção do imposto de renda na fonte, as obrigações e responsabilidades tributárias são as mesmas para as pessoas jurídicas de Direito Público ou Privado (C.T. N., art. 9 0, inciso IV, § 1°). 25 3115 ora MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 Resta, apenas, uma possibilidade legal para ser examinada a de que a FONTE PAGADORA ASSUMIU O ONUS DE PAGAR O TRIBUTO (art.796 do RIR/94). Como a lei ao prever a hipótese não especificou a forma de assunção do ónus do tributo, implica em reconhecer que pode ser feita expressa ou tacitamente. No caso sob enfoque, pode-se afirmar que, ao pagar os rendimentos sem a retenção do imposto de renda, a fonte pagadora TACITAMENTE ASSUMIU O PAGAMENTO DO IMPOSTO. Ao proceder dessa forma cabia-lhe tomar as providências determinadas na lei: considerar o rendimento pago como liquido, reajustar a base de cálculo e providenciar o recolhimento do imposto devido. Ela só se eximiria dessa obrigação se conseguisse provar que o beneficiário incluiu o rendimento em sua declaração. Possibilidade esta, consignada no parágrafo único do art. 919 RIR/94 e confirmada pela Secretaria da Receita Federal, por intermédio da Coordenação do Sistema de Tributação, quando publicou o Parecer Normativo COSIT n° 1, de 08/08/95, que assim preleciona: "8.2 — Assim, ao criar a obrigação de a fonte pagadora recolher o imposto devido na fonte, ainda que não o tenha retido, o legislador, no livre exercício da atividade legislativa, atribuiu à fonte pagadora a condição de responsável substituto, de quem passa a exigir o imposto em lugar do seu natural devedor o beneficiário do rendimento. O contribuinte neste caso é mero beneficiário, devendo suportar o ônus tributário, mas para ele a lei não cria obrigação de pagar o imposto. 9. À luz desses comandos legais, pode-se afirmar que, caso a fonte pagadora não efetue a retenção do imposto a que está obrigada, o rendimento será considerado líquido, devendo ser efetuado o reajustamento da base de cálculo (item 8), assumindo a 26 (12( MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 fonte pagadora o ônus do imposto. Nesse caso, a fonte pagadora deverá fornecer ao beneficiário o informe de rendimentos ou evidencie o valor reajustado e imposto correspondente. 10- A única situação em que a fonte pagadora se eximkia da responsabilidade de retenção e recolhimento do imposto seria quando ficasse comprovado que o beneficiário já houvesse incluído o rendimento em sua declaração, conforme previsto no parágrafo único do art. 919 do RIR? (grifei) Para a devida análise dessa permissão legal (desoneração da fonte pagadora de recolher o imposto devido) é preciso ter em mente que: a) a matriz legal está no art. 103 do Decreto-lei n° 5.844/43, portanto, anterior a Lei n° 7.713/88, que estabeleceu a tributação mensal; b) o termo INCLUIR, deve ser entendido como TRIBUTAR na declaração, porque se assim não for - A QUEM CABERIA O PAGAMENTO DO IMPOSTO - se o próprio legislador disciplinou que: tendo o contribuinte incluído o rendimento na declaração, da FONTE PAGADORA deverá ser cobrado, além da multa específica pela infração cometida, o juros e a multa pelo atraso no recolhimento do imposto " SEM O RECOLHIMENTO DESTE". O fato de o beneficiário ter declarado o rendimento auferido como não tributável obedecendo a informação registrada em seu "Comprovante de Rendimentos" e a correspondência anexada às fls.133, não caracteriza a hipótese prevista no parágrafo único do art. 919 do RIR194, porque ele tem por fundamento a espontaneidade do contribuinte em tributar os rendimentos e pagar o respectivo imposto na declaração de ajuste anual. it 27 _ - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 Assim sendo, no caso aqui discutido, é inaplicável a regra do indicado dispositivo, porque o contribuinte NÃO OFERECEU OS RENDIMENTOS A TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Repito, a incidência do imposto de renda ocorre no momento da percepção do rendimento. Esta é a regra legal, não cabendo a autoridade lançadora, que tem atividade obrigatória e vinculada, criar exceção não prevista na Lei n° 7.713/88 ou nos respectivos diplomas legais que foram alterando a sua redação. Há, ainda, nos autos um outro fato digno de registro, as correspondências juntadas às fls. 112/127, com a finalidade de justificar o procedimento fiscal, foram feitas em datas posteriores a da entrega da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1997, isso indica que a autoridade lançadora procurou adotar o caminho mais fácil para regularizar uma situação que, desde seu início ( data do fato gerador), agrediu a legislação tributária em vigor. Se o contribuinte errou quando deixou de oferecer a tributação, na Declaração de Ajuste Anual exercício 1997, os rendimentos recebidos acumuladamente no mês de dezembro/96, também, a autoridade lançadora não acertou ao formalizar o lançamento, pois deixou de observar o princípio constitucional da LEGALIDADE pelas seguintes razões: a) não há amparo legal para a tributação ANUAL dos rendimentos recebidos acumuladamente; b) deixou de cumprir as determinações inseridas nos artigos 891 e 919 do RIR/94; c) o lançamento, na forma que foi feito, homologou a comprovada postergação do recolhimento do imposto que, pela lei vigente, deveria ter sido recolhido até o ultimo dia útil de janeiro de 1997, e não 30/04/97 (data registrada no demonstrativo de multa e juros de mora às fls.106); d) feriu o princípio de ISONOMIA (inciso II do art. 150 da C.F/88), já que todos os demais contribuintes estão sujeitos ao regime, ;4700 28 . , • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10983.001968/97-32 Acórdão n°. : 106-10.816 obrigatório, de pagar o imposto de renda no momento da percepção dos rendimentos. Como se não bastasse tudo isso, ao efetuar o lançamento de ofício sujeitou o contribuinte a multa de 75%, penalizando quem, a princípio, não foi o autor da infração as normas tributárias vigentes. Isto posto, VOTO no sentido de rejeitar a preliminar argüida pelo recorrente, para, no mérito dar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 13 de maio de 1999 ÍfiD V d itt„ • r.,4 ',1 it(Y1 411 - DE BRITTO 29 • "OU Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1 _0011800.PDF Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.003693/2002-20
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2005
Ementa: HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - DEDUÇÃO - Comprovado o pagamento de honorários advocatícios e a efetiva contratação do profissional, deve ser admitida a dedução na determinação da base de cálculo do imposto.
MULTA POR ATRASO - DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - CABIMENTO - PENALIDADE - Evidenciado o descumprimento a destempo da obrigação prevista no artigo 88 da Lei nº. 8.981, de 1995, perfeitamente cabível a aplicação da penalidade decorrente da mora.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-21.182
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para admitir como despesa o valor de R$ 26.849,07, a titulo de honorários, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Remis Almeida Estol
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MINISTÉRIO DA FAZENDA %; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.003693/2002-20 Recurso n°. : 142.660 Matéria : IRPF - Ex(s): 2000 Recorrente : MARIA DO RÓCIO PRADO Recorrida : 4° TURMA/DRJ-CURITIBA/DF Sessão de : 10 de novembro de 2005 Acórdão n°. : 104-21.182 HONORÁRIOS ADVOCATICIOS - DEDUÇÃO - Comprovado o pagamento de honorários advocaticios e a efetiva contratação do profissional, deve ser admitida a dedução na determinação da base de cálculo do imposto. MULTA POR ATRASO - DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - CABIMENTO - PENALIDADE - Evidenciado o descumprimento a destempo da obrigação prevista no artigo 88 da Lei n°. 8.981, de 1995, perfeitamente cabível a aplicação da penalidade decorrente da mora. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARIA DO RÓCIO PRADO. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para admitir como despesa o valor de R$ 26.849,07, a titulo de honorários, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 52-4w-4C-1112. /MARIA HELENA COTTA CA-Itte PRESIDENTE ire R IS ALMEIDA ESTOL RELATOR FORMALIZADO EM: 2 3 juN 2006 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.003693/2002-20 Acórdão n°. : 104-21.182 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MEIGAN SACK RODRIGUES, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO e OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR. 7SLA 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.003693/2002-20 Acórdão n°. : 104-21.182 Recurso n°. : 142.660 Recorrente : MARIA DO ROCIO PRADO RELATÓRIO Contra a contribuinte MARIA DO ROCIO PRADO, inscrita no CPF sob n°. 450.339.009-00, foi lavrado o auto de infração de fls. 05/09, relativo ao IRPF exercício 2000 - ano calendário 1999, onde foi alterado o resultado apurado na declaração de ajuste do exercício citado, de imposto a restituir de R$.7.615,13, para imposto suplementar de R$.4.896,85, com R$.3.672,63 de multa de oficio, além dos juros de mora e da multa por atraso na entrega da declaração, no valor de R$.2.614,57. O lançamento decorreu da constatação de omissão parcial dos rendimentos recebidos em reclamatória trabalhista movida contra o Banmerindus, onde a contribuinte teria recebido R$.180.000,00, tendo sido excluído da tributação R$.23,82 de INSS e R$.28.512,69 de honorários advocaticios, obtendo o valor tributável de R$.151.463,49, que somados a R$.6.347,87 de rendimentos de aluguéis e a R$.24.356,66 de rendimento recebido do IPE esse também omitido, resultaria no total tributável de R$.182.167,97. Inconformada, a contribuinte apresentou sua impugnação às fls. 01/03, alegando que o valor tributável da ação judicial estaria errado, pois foram incluídos em seu cômputo verbas isentas (FGTS e FGTS / multa 40%) e custas judiciais e honorários contábeis. Nesse sentido, pede a impugnante que os cálculos sejam refeitos para que se considerem como rendimentos tributáveis RIA 54.259,58, sendo o imposto devido R$.38.101,38 e o imposto retido na fonte R$.38.679,34. Ante a inexistência de imposto a ser pago, requer o cancelamento da exigência fiscal. Impugna, também, o valor da multa por atraso na entrega da declaração. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.003693/2002-20 Acórdão n°. : 104-21.182 Às fls. 20/21 está a decisão da DRJ - Curitiba, requerendo a juntada pelo fiscal autuante dos documentos que embasaram a autuação. O auto de infração complementar juntado à fl. 59 informa o enquadramento legal da multa por atraso na entrega da declaração e abre novo prazo para impugnação da exigência. Contudo, o despacho de fl. 64 da DRF - Curitiba, após o escoamento do prazo legal, informa que a contribuinte não se manifestou sobre o auto de infração complementar. Ainda, na informação fiscal de fl. 60 consta a juntada de cópia completa de dossiê feito pelo fiscal, que considerou que o processo estaria pronto para julgamento. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, às fls. 66/72, decidiu pela procedência em parte do lançamento, mantendo a exigência de R$.777,97 de imposto suplementar, com R$.583,47 de multa de ofício de 75%, além dos acréscimos legais e de R$.1.763,32 de multa por atraso na entrega da declaração de ajuste do ano-calendário de 1999. Ainda, foi considerada como não impugnada a alteração dos rendimentos tributáveis de R$.130.577,19 para 162.259,58 que, no entanto, não gerou crédito tributário a ser cobrado, isto em decisão assim ementada: Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IPÊ. PARTE DA AÇÃO TRABALHISTA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se como não-impugnada a parte do lançamento contra a qual a contribuinte não apresentou óbice. AÇÃO JUDICIAL. CUSTAS JUDICIAIS E HONORÁRIOS CONTÁBEIS. DEDUÇÃO. REQUISITOS. Dos rendimentos recebidos por força de decisão judicial, somente podem ser deduzidos os honorários contábeis e as custas judiciais, quando comprovadamente arcados pelo contribuinte, sem que tenham sido objeto de reembolso. FGTS. MULTA DO FGTS. RENDIMENTOS ISENTOS DE IR. Os valores recebidos a titulo de FGTS e multa de FGTS são isentos do imposto de renda. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.003693/2002-20 Acórdão n°. : 104-21.182 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. APLICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A multa por atraso na entrega da declaração de ajuste é devida em razão do descumprinnento de obrigação acessória com prazo fixado para todos os contribuintes, mesmo nos casos em que há direito à restituição de IR, sendo o seu valor calculado sobre o imposto devido apurado." Devidamente cientificada dessa decisão em 12/08/2004 (uma sexta-feira, com início do prazo recursal na segunda subseqüente, 15/08/2004) ingressa a contribuinte com tempestivo recurso voluntário de fls. 81/85, em 13/09/2004, apresentando os seguintes esclarecimentos: - Que o apelo tem por escopo ( I ) a reforma do procedimento fiscal que não considerou a dedução de honorários advocatícios, na importância de R$.27.257,94, na composição dos rendimentos tributáveis referentes à Declaração de Ajuste Anual Simplificada do exercício de 2000, ano- calendário 1999; e (II) do critério de fixação do valor pertinente à multa por atraso na entrega da mesma declaração, como adiante se verá. - Que no acordo firmado entre a contribuinte e seu ex-empregador, homologado pelo Juízo competente, consta a dedução efetuada a titulo de honorários advocatícios do patrono da Reclamante, da importância de R$.27.257,94 (documento encontra-se juntado aos autos às fls. 35/37, repetido às fls. 49/51 e novamente juntado às fls. 87/89. - Que, no acordo, consta que os honorários foram efetivamente pagos ao favorecido, além de ter sido juntada aos autos a nota fiscal de prestação de serviços, à fl. 31. - Informa, ainda, que os referidos documentos foram entregues ao fisco antes da lavratura do presente auto de infração. - Ademais, afirma que não entende o porquê de os honorários da nota fiscal terem sido deduzidos e os constantes do acordo não, justamente aquele gerado e efetivamente pago nos termos do acordo firmado e devidamente homologado nos próprios autos do processo de reclamação trabalhista então declarado extinto. - Aduz que toma-se imperativo o reconhecimento da verdade material para que se corrija o erro efetuado pelo fisco. At9" 5 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.00369312002-20 Acórdão n°. : 104-21.182 - Insurge-se contra a multa por atraso na entrega da declaração, principalmente quanto à sua base de cálculo que, segundo a contribuinte, sempre gerou dúvidas na aplicação da penalidade. - Por fim, requer o reconhecimento da dedução de honorários advocaticios no valor de R$.27.257,94, e a reforma da decisão quanto à base de cálculo para fins de imposição de multa por atraso na entrega da declaração anual de ajuste. fl. 91, encontra-se juntada aos autos cópia autenticada do comprovante do depósito recursal, no valor de R$.1.426,43, pago na data de 10/09/2004. É o Relatório. 6 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.003693/2002-20 Acórdão n°. : 104-21.182 VOTO Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A contribuinte insurge-se contra a não dedução, na base tributável do imposto de renda, dos honorários advocaticios pagos em resultado de ação trabalhista, bem como contra a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração. Ao processar a declaração de rendimentos da contribuinte, foi solicitada, às fls. 28, esclarecimentos acerca dos honorários advocaticios pagos na ação trabalhista movida por ela contra o Banco HSBC Bamerindus SA. A contribuinte informou que, em razão da homologação de acordo pelo juizo competente, foi desembolsado por ela a quantia de R$.26.849,07, através do cheque n°. 715020-2, ag. 0054, sacado contra o Banco HSBC, para pagamento de honorários devidos ao seu patrono, referentes ao valor bruto de R$.27.257,94, menos IRRF de R$.408,06. Também informou que pagou R$.28.512,69 por serviços advocaticios prestados no mesmo processo de reclamação trabalhista, pagos em razão da homologação do acordo, que foi considerado e não faz parte da autuação. Em que pese o entendimento do i. fiscal autuante e da decisão recorrida, temos que a legislação de regência não faz distinção entre honorários decorrentes de acordo judicial ou de contrato entre as partes. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.003693/2002-20 Acórdão n°. : 104-21.182 Comprovada documentalmente a despesa, a mesma é dedutivel, conforme o artigo 56, § único, do RIR199 - Decreto n°. 3.000/1999, in verbis: "Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei n 2 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei n2 7.713, de 1988, art. 12)." A homologação do acordo e, portanto, a comprovação da despesa de R$.26.849,07, encontra-se juntada aos autos às fls. 35/37, repetido às fls. 49/51 e 55, e novamente juntada às fls. 87/90. Assim, o valor realmente despendido pela contribuinte, além daquele considerado no lançamento, ou seja, o valor representado pelo cheque no importe de R$.26.849,07, por óbvio, também é dedutivel, vez que suportado pela recorrente. Quanto à argumentação contrária à aplicação da multa por atraso na entrega da declaração, trata-se de penalidade acessória, definida em lei, convertida em principal por força do artigo 113 do CTN e, desta forma, estando a penalidade disposta em lei e surgindo a hipótese de sua aplicação, não há reparos a fazer na decisão. De resto, cumpre observar que a autoridade responsável pela execução do julgado deverá AJUSTAR a multa por atraso, em razão da alteração efetuada no imposto, nos exatos termos do decidido por esta Câmara. Assim, com as presentes considerações e diante dos elementos de prova que dos autos constam, encaminho meu voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao 7719-es-c-, 8 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.003693/2002-20 Acórdão n°. : 104-21.182 recurso voluntário para admitir como despesa o valor de R$.26.849,07, a título de honorários. Sala das Sessões - DF, em 10 de novembro de 2005 Id° MIS ALMEIDA E TOL 9 Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10945.004034/2003-18
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IRPF - DECADÊNCIA - IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO - O direito de a Fazenda Nacional lançar o imposto de renda pessoa física, devido no ajuste anual, decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado.
Preliminar acolhida.
Numero da decisão: 106-13888
Decisão: Por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do lançamento.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: Luiz Antonio de Paula
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Preliminar acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TAKAYUKY SHIBUYA._ : _ ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de _ ., - Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do- lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. JOSS2 rnslí ii i At UHOS PENHA PRESIDENTE _toa LUIZ ANTONIO DE PAULA RELATOR FORMALIZADO EM: 1 1 9 MAI 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÉNIA MENDES DE BRITTO, ROMEU BUENO DE CAMARGO, JOSÉ CARLOS DA MATTA RIVITTI e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE. _ i _ . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10945.004034/2003-18 Acórdão n° 106-13.888 Recurso n°. : 136.919 Recorrente : TAKAYUKY SHIBUYA RELATÓRIO Takayuky Shibuya, já qualificado nos autos, inconformado com a decisão de primeiro grau de fls. 202/209, prolatada pelos Membros da r Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba - PR, recorre a este Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 217/227. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado em 14/04/2003, o Auto de Infração — Imposto de Renda Pessoa Física de fls. 174/175 e seus anexos, com ciência em 17/04/2003 ("AR" — fl. 180), exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 467.203,90, sendo: R$ 172.782,51 de imposto, R$ 164.834,51 de juros de mora (calculados até 31/03/2003) e R$ 129.586,88 de multa de oficio (75%), referente ao exercício de 1998, ano-calendário de 1997. Da ação fiscal resultou a constatação da seguinte irregularidade: 1) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) corrente(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações de crédito nas referidas contas, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, integrante do Auto de Infração de fls. 170/171. 2 "lt) MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10945.004034/2003-18 Acórdão n° : 106-13.888 Fatos Geradores: Todos os meses do ano-calendário de 1997. Enquadramento Legal: arts. 30 e 11, da Lei n° 9.250/95; art. 42 da Lei n° 9.430/96 e art. 4° da Lei n° 9.481/97. Multa de Ofício: 75% O Auditor Fiscal da Receita Federal, autuante, esclareceu ainda, por intermédio do Termo de Verificação Fiscal de fls. 170/171, entre outros, os seguintes aspectos: - por intermédio do MPF-F n° 0910600-2002-00/-1 emitido em 26/02/2002, foi determinada a fiscalização das Declarações de Ajustes Anuais do contribuinte, correspondentes aos exercícios de 1998 a 2001; - em 24/04/2002 foi expedida a Intimação SEFIS N° 207/02, recebida em 26/04/02, exigindo à apresentação de toda documentação embasadora de suas declarações, juntamente com a apresentação dos extratos bancários de toda a movimentação financeira, durante o período de janeiro/97 a dezembro/2000; - em 28/06/02 foi expedida a Intimação SEFIS n° 329/022, reiterando as exigências da intimação anterior, que não havia sido atendida; - o contribuinte atendeu preliminarmente a intimação apresentando toda a documentação, com exceção dos extratos bancários, os quais foram apresentados posteriormente (fls. 14/2; 25/84; 85/156); - em 13/03/2003 foi expedida a Intimação n° 048, recebida pelo contribuinte em 17/03/2003, exigindo-se a comprovação da origem dos valores depositados em suas contas correntes mantidas em instituições financeiras (Banco do Brasil S/A, Banco Itaú S/A e CEF), somente em relação ao período de janeiro a dezembro de 1997, que perfazia o montante de R$ 691.130,05, conforme demonstrado às fls. 159/169; - o contribuinte não atendeu à intimação, conseqüentemente foi 1 efetuado o lançamento de ofício com base nos valores que foram 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10945.004034/2003-18 Acórdão n° : 106-13.888 depositados em suas contas correntes bancárias durante o ano- calendário de 1997; - ressaltou ainda, que a fiscalização continua em andamento em relação aos demais períodos. O autuado irresignado com o lançamento, apresentou, tempestivamente, em 15/05/2003 a sua peça impugnatória de fls. 186/192, que após historiar os fatos registrados no Auto de Infração e seus anexos, se indispôs contra a exigência fiscal, requerendo que a mesma seja declarada insubsistente, com base, em síntese, nos argumentos, devidamente relatados às fls. 204/205. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os Membros da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba-PR, acordaram, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, julgar procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 174/175, nos termos do Acórdão DRJ/CTA N° 4.083, de 11 de julho de 2003, fls. 202/209. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: °Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF. Ano-calendário: 1997 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valore depositados em conta bancária para as quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997 Ementa: DECADÊNCIA. O prazo para o fisco efetuar o lançamento do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos pelas pessoas físicas é de 05(cinco) anos, contado a partir da data da entrega da declaração 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10945.004034/2003-18 Acórdão n° : 106-13.888 de ajuste anual, e na falta desta, a partir do primeiro dia do exercício seguinte, uma vez que, de acordo com a legislação vigente, o lançamento do imposto de renda amolda-se à sistemática de lançamento por declaração nos termos do artigo 173 do Código Tributário Nacional — CTN. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente" O contribuinte foi cientificado dessa decisão em 28/07/2003 ("AR" — fl. 215), e com ela não se conformando, interpôs, por intermédio de seu advogado (Procuração — fl. 228), dentro do tempo hábil (25/08/2003), o Recurso Voluntário de fls.217/227, no qual demonstra sua irresignação contra a decisão supra ementada, baseado em síntese que: - fatos ocorridos no ano de 1997, já não mais poderiam ser cogitados como objeto de exigência tributária, isto porque já estavam maculados pelo decurso do prazo decadencial, consoante os termos do art. 150 do CTN; - nos termos da doutrina e jurisprudência, o imposto de renda já deixou de ser imposto lançado por declaração, sendo um imposto sujeito às normas do lançamento por homologação, não se aplicando o art. 173 do CTN; - a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais já pacificou o entendimento quanto à modalidade de lançamento, nos termos do Acórdão 01-03.390 DA ia Turma, publicado no DOU de 28/10/2002; - assim o que se levanta em preliminar de nulidade tanto do lançamento quanto da decisão a quo, por inobservância do prazo decadencia I; fv.\ -rd cfr5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10945.004034/2003-18 Acórdão n° : 106-13.888 - transcreveu o art. 150, § 4° do CTN e ementa de Acórdão do Superior Tribunal de Justiça; - todos os impostos foram pagos regularmente e entregues ao fisco, não restando dúvidas quanto ao cumprimento das normas regulamentares, não contendo nos autos qualquer conduta de ter agido com animus fraudandi, dolo ou concluio; - argumentou ainda que o lançamento está baseado tão somente em extratos bancários, sem nenhuma comprovação de omissão de receita ou aumento patrimonial a descoberto; - teceu comentários a respeito da decisão a quo, sobre a análise da decadência; - trouxe em seu socorro a Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos; - os depósitos bancários simplesmente tem o condão de servirem de meros indícios, cabendo a fisco juntar outros elementos que caracterizem a real e efetiva omissão de rendimentos; - transcreveu ementas da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Primeiro Conselho de Contribuintes; - a autoridade de primeira instância não conseguiu, efetivamente demonstrar estar o lançamento vinculado a fato gerador imponível da exigência tributária. tes. Às fls. 230/241, constam procedimentos administrativos, atendendo ao previsto no ar. 33, § 2° do Decreto n° 70.235/72, que diz respeito ao arrolamento de bens. É o Relatório. 49 6 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10945.004034/2003-18 Acórdão n° : 106-13.888 VOTO Conselheiro LUIZ ANTONIO DE PAULA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo art. 33 do Decreto n° 70.235 de 06 de março de 1972, tendo sido interposto por parte legítima, razão porque dele tomo conhecimento. De início, cumpre apreciar a questão da decadência argüida pelo recorrente, no sentido de que o prazo decadencial teria a sua contagem prevista no art. 150, § 4° do CTN. O instituto da decadência é matéria de mérito, conforme preconiza o art. 269, inciso IV, do Código de Processo Civil, assim, é que analiso o impedimento de o Fisco exigir tributo relativo ao exercício de 1998, ano-calendário de 1997, em face de haver decaído o correspondente direito da Fazenda Pública. OCódigo Tributário Nacional — Lei n°5172, de 25 de outubro de 1966, em seu art. 156, ao tratar das modalidades de extinção do crédito tributário, apresenta um rol das possíveis causas, contemplando o instituto da decadência como sendo uma delas. °Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; II - a compensação; II! - a transação; IV - remissão; n -fdd MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10945.004034/2003-18 Acórdão n° : 106-13.888 V - a prescrição e a decadência; VI- a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1° e 4°; VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2° do artigo 164; IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial passada em julgado. XI - a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (AC) Esse inciso foi acrescido pela Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001. Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto no artigo 144 e artigo 149." (grifo acrescido) Por decadência entende-se a perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário, pelo lançamento. Neste aspecto a legislação de regência diz o seguinte: Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10945.004034/2003-18 Acórdão n° : 106-13.888 Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." E, ao tratar da decadência, a legislação de regência disciplinou especificamente nos artigos 150 e 173. "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2° Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador,' expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela/p 9 0 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10945.004034/2003-18 Acórdão n° : 106-13.888 notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Da análise dos dispositivos legais, depreende-se que o prazo decadencial é único, ou seja, de cinco anos e o tempo final é um só, o da data da notificação regular do lançamento, porém o termo inicial, ou seja, a data a partir da qual flui a decadência é variável. Entende-se que o fato gerador do imposto de renda é um exemplo clássico de tributo que se enquadra na classificação de fato gerador complexivo, apurado no ajuste anual, ou seja, aqueles que completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 20 da Lei n° 7.713/88, pelo qual estipulou-se que "o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos", há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.383/91, mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. Assim, não há dúvidas de que a base de cálculo da declaração de rendimentos de pessoa física abrange todos os rendimentos tributáveis, não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte recebidos durante o ano-calendárioi Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. É da essência do instituto da decadência a existência de um direito não exercitado pela inércia do titular desse direito, num período de tempo determinado, cuja conseqüência é a extinção desse direito.n. 10 • . . " MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10945.004034/2003-18 Acórdão n° : 106-13.888 A partir do exercício de 1991, o imposto de renda pessoa física se processa por homologação, cujo marco inicial para a contagem do prazo decadencial é 31 de dezembro do ano-calendário em discussão (fato gerador do imposto). Nesta ordem, é de se refutar também, o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocando- se para a modalidade de lançamento de ofício, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do CTN. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que "o lançamento por homologação .... opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da administração tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao "conhecimento da latividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio CTN. O. 11 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10945.004034/2003-18 Acórdão n° : 106-13.888 Se faz necessário lembrar que a homologação do conjunto de atos praticados pelo sujeito passivo não é atividade estranha à fiscalização federal. O contribuinte apresentou a Declaração de Ajuste Anual para o exercício de 1998 (ano-calendário 1997) dentro do prazo legal previsto na legislação vigente, em 21/04/1998. (fl. 05) Nesse caso de lançamento de oficio, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário obedece à regra geral prevista no art. 150 do CTN. No caso concreto, como já acima exposto, que o fato gerador se concretizou em 31 de dezembro de 1997, o termo inicial da contagem do prazo qüinqüenal é 1° de janeiro de 1998. Em conseqüência, o termo final do referido prazo foi 31 de dezembro de 2002, sendo necessária a ciência do lançamento ao contribuinte nesse prazo. Entretanto, não ocorreu, pois o contribuinte tomou ciência do Auto de Infração somente em 17 de abril de 2003, ("AR" — fl. 180). Extinto, por conseguinte, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, fato que impõe a exoneração do respectivo crédito tributário. Isto posto, voto por acolher o recurso voluntário por ser tempestivo, para no mérito dar-lhe provimento, porque já havia decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. Sala das Sessões - DF, em 18 de março de 2004. "22/140,— LUIZ ANTONIO DE PAULA 12 Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10940.001588/2002-22
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CSLL- RESTITUIÇÃO – PRAZO – DECADÊNCIA – O direito de o contribuinte pleitear a restituição de base negativa de CSLL, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, quando houve a extinção do crédito tributário e, ante o disposto nos arts.3º e 4º da LC nº. 118/2005 para efeitos de interpretação do art.168, I do CTN- Lei nº 5.172/66.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 108-09.211
Decisão: ACORDAM os Membros da OITAVA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Margil Mourão Gil Nunes
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'4 MINISTÉRIO DA FAZENDA - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES i OITAVA CANIARA Processos? 10940.001588/2002-22 Recursos? 148.537 Voluntário Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL - Ex(s): 1996 Acórdão no 108-09.211 Sessão de 26 de janeiro de 2007 Recorrente E.DEGRAF & CIA.LTDA. Recorrida TURMA/DRJ-CURITIBA/PR CSLL- RESTITUIÇÃO — PRAZO — DECADÊNCIA — O direito de o contribuinte pleitear a restituição de base negativa de CSLL, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, quando houve a extinção do crédito tributário e, ante o disposto nos arts.3° e 4° da LC n°. 118/2005 para efeitos de interpretação do art.168, I do CTN- Lei n° 5.172/66. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por E.DEGRAF & CIA.LTDA. ACORDAM os Membros da OITAVA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. DORIVPADOV Presid te Processo n.° 10940.001588/2002-22 Acórdâo o.° 108-09.211 Fls. 2 ILGIL A4-1-1AIGIL NUNES Relator FORMALIZADO EM: 05 MAR 2001 Participaram ainda do presente julgamento, os Conselheiros: Karem Jureidini Dias, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Orlando José Gonçalves Bueno, Fernando Américo Walther (Suplente Convocado) e José Henrique Longo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Nelson Lásso Filho e José Carlos Teixeira da Fonseca. • Processo n.° 10940.001588/2002-22 Acórdâo n.° 108-09.211 Fls. 3 • Relatório E.DEFRAF & CIA.LTDA., recorre a este Conselho contra o acórdão n°. 9.307 prolatado pela 1*. Turma da Delegacia de Julgamento - DRJ/CTA em de 23 de setembro de 2005(doc.de fls.47),onde a autoridade julgadora "a quo", por unanimidade, indeferiu a solicitação da ora recorrente, quanto ao seu Pedido de Restituição de saldo negativo referente à CSLL, apurado no exercício de 1996, ano calendário de 1995. Em 05/07/2002 a empresa havia apresentado o Pedido de Restituição referente ao saldo negativo da CSLL Exercício de 1996, Ano Calendário de 1995 (doc.fls.01), constante da DIRJ, conforme docs. de fls. 12/29, e respectivos demonstrativos de fls.09/11. A Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa, Seção de Orientação e Análise Tributária, indeferiu o pedido conforme Despacho Decisório de 14/07/2005, (doc.fls.32/33) por entender já decaído o direito do contribuinte em pleitear a restituição, por já decorrido mais de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN- Lei n°. 5.172/66. Argüindo ainda, que a requerente apresentou a DIRJ em 29/04/1996 (doc.fls.12 e 31) e o procedimento de Pedido de Restituição em 05/07/2002, sendo que o prazo decadencial venceu-se em 29/04/2001. Inconformada com a decisão, a ora recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, sob a alegação de que a DIRPJ foi apresentada de 29/04/1996 e que a autoridade julgadora equivocou-se quando "apontou como prazo decadencial a data de 29 e abril de 2001: nesta data ocorreu tão somente o final do prazo para a homologação do lançamento efetuado. A partir dessa data, ou seja, 29/04/2001, iniciou-se o prazo de 5 (cinco) anos para a restituição, que se encerraria em 29/04/2006." (lls.36). Reiterando o pedido de restituição do valor de R$13.303,85 acrescidos de juros legais, conforme solicitado no processo administrativo. A la. Turma da DRJ/CTA. manteve o entendimento da decadência do direito do contribuinte, sob a premissa de que a tese dos cinco anos mais cinco anos, já não encontra acolhida. Citando o entendimento mais recente do Superior Tribunal de Justiça, face à Lei Complementar n°.118/2005.( fls.48/54). Cientificada da decisão em 10/10/2005 (doc.fls.56), apresentou em 18/10/2005 o presente Recurso Voluntário no qual repisa os mesmos argumentos quanto ao seu direito à restituição do saldo negativo da CSLL e, que a tese esposada dos cinco anos mais cinco anos, para a restituição do indébito tributário, independe de apreciação judicial, por ter havido o anterior requerimento na via administrativa, em 05/07/2002. Reitera o pedido de restituição do valor argüido acrescido dos juros legais. É o Relatório. 11:1- • Processo n.° 10940.001588/2002-22 Acórclao n.° 108-09.211 Fls. 4 Voto Conselheiro MARGIL MOURA.° GIL NUNES, Relator O recurso atende os pressupostos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O ceme da matéria em discussão é a decadência do direito do contribuinte quanto à restituição da CSLL, referente ao saldo negativo apurado no Exercício de 1996, Ano Calendário de 1995, conforme DIRPJ apresentada em 29/04/2006 (doc.de fls.12/29). Não se discute o direito de o contribuinte à restituição do indébito tributário, direito este objeto de lei, "ex vi" o art. 165 do CTN, Lei n°. 5.172/66. E, à época, vigente os artigos 40, II e 57 da Lei if.8.981195 com as alterações pela Lei n°. 9.430/96. Argui-se aqui não o direito à restituição, mas a decadência do direito à pretensão. As relações jurídicas têm limitação temporal e submentem-se à ela. Em prestígio ao princípio da legalidade e da busca do equilíbrio das relações jurídicas o direito materializa-se. • No caso etri questão, nos termos do art. 168, inciso! do CTN, Lei n°. 5.172/66, tem-se: "Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;" A contagem do prazo decadencial teve inicio na data da extinção do crédito tributário, e este, no caso em exame, ocorreu com a entrega da DIRPJ, em 29/04/1996, quando o contribuinte, apurou a efetiva base de cálculo do imposto. O contribuinte, apurou o crédito tributário, e "in casu", a base negativa, o indébito tributário, iniciando-se ali, em 29/04/1996 a fluência do prazo decadencial para o exercício de seu direito de pleitear a restituição ou a compensação, nos termos da legislação, encerrando-se em 29/04/2001, pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos. As interpretações equivocadas quanto ao momento em que ocorreria a extinção do crédito tributário, previsto no inciso I, do art. 168 do CTN, Lei n°. 5.172/66 , já considero ultrapassada, por força do art. 106, I do CTN, com a edição da Lei Complementar n°. 118, de 09 de fevereiro de 2005, que assim estabeleceu, "In verbis": "Art. 3 Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do Processo n, 10940.001588/2002-22 Acórdão n.° 108-09.211 Fls. 5 pagamento antecipado de que trata o § I° do art. 150 da referida Lei. Art. 42 Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 32, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional." Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. Sala das Sessões - DF, em 26 de janeiro de 2007. MARGIL O • O GIL NUNES Page 1 _0023600.PDF Page 1 _0023700.PDF Page 1 _0023800.PDF Page 1 _0023900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.006417/2001-32
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPF - DEDUÇÕES DE DESPESAS DO CÔNJUGE - Constatado que os cônjuges exerceram a opção de apresentar declarações de IRPF em separado, incabível a retratação após o prazo final de entrega da DIRPF.
ERROS NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO - Os erros de fato no preenchimento da declaração, alegados na fase litigiosa, que alteraram a base de cálculo da exigência, podem ser corrigidos no julgamento, desde que sejam devidamente comprovados pelo recorrente.
Recurso negado.
Numero da decisão: 102-47.861
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao
recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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I L . 4.4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -:itt9-td> SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10980.006417/2001-32 Recurso e 138.794 Voluntário Matéria IRPF - Exercicio 2000 Acórdão n° 102-47.861 Sessão de 17 de agosto de 2006 Recorrente JOCELIM CARNEIRO ANTUNES (ESPÓLIO) Recorrida 4 TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Assunto. Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999 Ementa: IRPF - DEDUÇÕES DE DESPESAS DO CÔNJUGE - Constatado que os cônjuges exerceram a opção de apresentar declarações de IRPF em separado, incabível a retratação após o prazo final de entrega da DIRPF. ERROS NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO - Os erros de fato no preenchimento da declaração, alegados na fase litigiosa, que alteraram a base de cálculo da exigência, podem ser corrigidos no julgamento, desde que sejam devidamente comprovados pelo recorrente. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. _Aat. LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO Presidente Processo n.0 10980.006417/2001-32 Acórdão n.° 10247.861 Fls. 2 ANTONIO JOSE PRAGA D SOUZA Relator FORMALIZADO EM: o 4 n'1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NAURY FRAGOSO TANAKA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, SILVANA MANCINI KARAM, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA e LUIZA HELENA GALANTE DE MORAES (Suplente Convocada) Ausente, justificadamente, o Conselheiro ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. jg Pra-- Processo n.• 10980.006417/2001-32 Acórdão n.° 102-47.861 Fls. 3 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Curitiba — PR, que julgou procedente o auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao ano-calendário de 1999, no valor total de R$15.009,27, inclusos os consectários legais até julho de 2001. Consoante relatório do acórdão recorrido, o lançamento decorreu do procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, da qual efetuou-se o lançamento de oficio devido às infrações apuradas. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 11, a autoridade fiscal verificou ter havido por parte do declarante dedução indevida a título de livro caixa. De acordo com a descrição dos fatos, o contribuinte utilizou indevidamente o livro caixa lançando as despesas com condomínios, IPTU, contas de luz, água, consertos de casas para aluguel e outras despesas pessoais, indedutíveis a título de caixa, com relação às despesas da atividade rural devem lançadas em livro caixa e apresentado separadamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 08/08/2001, fl. 119. A esposa do de cujus e inventariante do espólio, S? Neusa Maria Rodrigues Antunes, apresentou peça impugnatória por intermédio de sua procuradora, em 10/09/2001, fls. 01-08, argumentando em síntese que, o livro caixa glosado serviu para o registro de todas as despesas e receitas provenientes da atividade econômica do espólio, inclusive da atividade rural, visando exclusivamente dar conta aos herdeiros das movimentações efetuadas no período, em razão da partilha ainda não haver sido concluída. Como a receita da atividade rural não ultrapassou R$ 56.000,00, a apuração do resultado deveria ser efetuado mediante prova documental. Assim, entende que o livro caixa apresentado serve como comprovação das receitas recebidas e das despesas de custeio e de investimento. Apresentou ainda um demonstrativo onde oferece R$ 29.578,00 à tributação e deduz R$ 1.080,00 de dependente e R$ 3.732,00 de despesas médicas, apurando um imposto devido de R$ 2.490,65, que resulta no imposto suplementar de R$ 1.624,64, após a dedução do IR declarado de R$ 866,01. Ao final, concorda com o imposto suplementar de R$ 1.624,64 e solicita a suspensão do débito apurado no auto de infração, até que seja decidido o litígio. Processo n.0 10980.006417/2001-32 Acórdão n.• 102-47.861 Fls. 4 Em seu voto condutor, o ilustre Relator do acórdão a quo, assevera que: " (..)é de se considerar a glosa de livro caixa como matéria não-impugnada e, portanto, não-litigiosa, conforme o disposto no art. 17 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 67 da Lei n°9.532, de 10 de dezembro de 1997. Saliente-se que a pane não-impugnada já foi paga, de acordo com o extrato de fl. 112. Passa-se agora ao exame das alterações solicitadas nos valores dos rendimentos recebidos de pessoas físicas, no resultado da atividade rural e nas deduções com dependentes e com despesas médicas. Embora admitida pela legislação, a inclusão do cônjuge sobrevivente como dependente do espólio é incabível, neste caso, em virtude dela ter apresentado declaração de ajuste em separado para o exercício de 2000, conforme extratos de fls. 114 a 116. Em decorrência, como as despesas médicas consignadas nos recibos de fls. 45 a 56, no total de R$ 2.822,47, referem-se ao pagamento de plano de saúde e atendimento psicoterétpico da viúva, também é de se indeferir a sua dedução no ajuste anual do espólio. Quanto aos rendimentos da atividade rural, verifica-se que no ajuste anual, fls. 102 a 105, foi exercida a opção de tributação de 20% da receita bruta (R$ 27.150,00), tendo sido oferecido à tributação o valor de R$ 5.430,00. Na impugnação apresentada pretende-se alterar esse valor para zero, sem no entanto ter sido apresentado qualquer motivo. Embora esteja correta a alegação sobre a dispensa de escrituração em livro caixa, quando a receita bruta total da atividade rural for inferior a R$ 56.000,00, esse beneficio não exime o contribuinte de especificar as receitas e despesas, não tendo sido no presente caso apresentado qualquer justificativa para a alterar os valores consignados na declaração de ajuste ou para invalidar a opção de tributar 20% da receita bruta. Num esforço de entender o motivo de tal pleito, foram totalizados os valores escriturados no livro caixa, acostado ao processo junto com a impugnação - fls. 15 a 41 e 96, sem ser questionado o cabimento das despesas assinaladas como da atividade rural (AR). Porém, verificou-se que elas são inferiores ao montante consignado na . declaração de fl. 105 e as receitas superiores, o que só aumentaria o resultado da atividade rural, conforme quadro abaixo: Por outro lado, os comprovantes de fls. 57 a 95 totalizam R$ 18.728,09 de despesas e receitas de R$ 23.048,00, sendo que alguns dos documentos sequer poderiam ser aceitos como probatórios de gastos por serem de outro ano calendário, fl. 62, ou em razão de o titular da despesa não estar identificado ou relacionado com o espólio, fls. 66/inferior, 67, 69, 70/verso, 75 a 79, 80/inferior. Assim, ante as inconsistências relatados na apuração do resultado da atividade rural e da ausência de esclarecimento e de comprovação de erro na sua apuração, indefere-se o pedido de alteração do valor da receita dessa atividade para zero. Da mesma forma, como não foram apresentadas as razões nem documentação que corroborasse a alteração dos rendimentos recebidos de pessoa fisica de R$ 39.955,00 para R$ 29.578,00 é de se indeferir esse pleito, salientando-se que só no livro caixa estão escrituradas receitas recebidas de pessoas _físicas no valor de R$ 34.558,00, além (2( Processo 6.° 10980.006417/2001-32 Acórdão n.• 102-47.861 Fls. 5 de R$ 922,00 pagos pelo INSS. Assim, ante a ausência de comprovação de erro de fato, no preenchimento da declaração de ajuste, e de justificativa para as alterações pretendidas, não se acolhe o pleito para modificar os valores dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas e do resultado tributável da atividade rural. (..)" A unidade de preparo enviou ciência postal ao contribuinte, recepcionada em 19/11/2003, AR à fl. 125. A requerente apresentou, então, o recurso de fls. 128-142, em 16/12/2003, repisando os argumentos apresentados na impugnação, salientando que : - foram devidamente separados os rendimentos nos campos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior no valor total de R$39.955,00 e deduções no valor de R$28.811,55 (fl. 103) e na - na Declaração da Atividade Rural , onde estão discriminadas as receitas da atividade no total de R$27.150,00 e despesas de R$14 .438,00; - a diferença apurada no valor total da atividade rural de R$13.905,00 nos meses de julho — R$1.620,00 e setembro R$12.285,00. (f1.121) foram devidamente declarados no ajuste anual no campo Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior; - diante da não escrituração das despesas e receitas da atividade rural em livro próprio, deve ser aceito a prova documental acostada; por outro lado, conforme acórdão recorrido, os comprovantes de fls. 57-95 totalizam R$18.728,09 de despesas, o que justifica a alteração da atividade rural de R$5.430,00 para zero; - quanto aos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas fisicas, foram devidamente comprovados através de documentação, justificando sua alteração de R$39.955,00 para R$29.578,00, e deve ser deduzido do imposto apagar;; - as despesas médicas consignadas nos recibos de fls. 45-56, no valor total de R$2.822,47, referem-se ao pagamento de plano de saúde e atendimento psicoterápico da viúva, devendo ser deduzido no ajuste anual do espólio; • - os documentos apresentados são idôneos e justificam plenamente as deduções solicitadas; a viúva sempre foi dependente do de cujus, tendo inclusive o mesmo CPF; 7)7- Processo n.• 10980.006417/2001-32 Acórdão n.° 102-47.861 Fls. 6 Ao final requer a total procedência do Recurso, considerando todas as deduções previstas na legislação tributária, considerando todas as deduções previstas na legislação tributária e devidamente apuradas no acórdão recorrido. À fl. 143 consta relação de bens para arrolamento com vista ao seguimento do recurso, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 264 de 2002, que foi acatado, sendo os autos encaminhados a este Conselho em 16/01/2004, conforme despacho de fl. 144. É o relatório. Az„.„. Pioçarbso n.° 10980.00641712001-32 Acórdão n. 10247.861 Fls. 7 Voto Conselheiro ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Trata-se de lançamento calcado em revisão da declaração de rendimentos. Registre-se que no lançamento original a única alteração foi a glosa das despesas com livro caixa, que foi considerada matéria não impugnada na decisão da DRJ. Em sua impugnação o contribuinte alegou erros quanto ao valor declarado dos rendimentos tributáveis e pleiteou a dedução de um dependente e suas despesas médicas (a própria cônjuge meeira). Verifica-se, de plano, que a Sra. Neusa Maria Rodrigues Antunes não pode figurar como dependente do espólio para fins do Imposto de Renda no exercício de 2000, isso porque apresentou declaração de rendimentos em separado, conforme extrato à fl. 115, utilizando seu próprio CPF, n° 820.880.717-68. Naquela declaração foram informados rendimentos de R$ 10.268,00 (fl. 115-verso). Uma vez que a Sra. Neusa exerceu a opção de declarar em separado, conforme artigo 70 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR199 - incabível aceitar a retratação após o prazo final de entrega da DIRPF/2000. Mesmo que essa Câmara acatasse a retificação, a recorrente não teria proveito, pois, à luz do art. 8° do RIR199, seus rendimentos declarados deveriam ser somados ao do cônjuge para fins de tributação, com isso, a base de cálculo do imposto seria elevada e não reduzida. A recorrente alega erro na declaração do IRPF quanto ao valor dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas. Afirma que o correto seria R$ 29.578,00 (fl. 134) e não R$ 39.955,00 (fl. 102). Alega que a diferença refere-se a deduções autorizadas no artigo 8°, inciso II da Lei 9.250/1995, que dispõe: "Art. 8°A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas : Processo n.° 10980.006417/2001-32 Acórdão n.° 10247.861 Fls. 8 1- de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, até o limite anual individual de R$ 2.198,00 (dois mil, cento e noventa e oito reais), relativamente: 1. à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; 2. ao ensino fundamental; 3. ao ensino médio; 4. à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); 5. à educação profissional, coinpreendendo o ensino técnico e o tecnológico; c) à quantia de R$ 1.404,00 (mil, quatrocentos e quatro reais) por dependente; d) às contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; e) às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ónus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear beneficios complementares assemelhados aos da Previdência Social; 1) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; g) às despesas escrituradas no Livro Caixa, previstas nos incisos I a III do art. 6° da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, no caso de trabalho não-assalariado, inclusive dos leiloeiros e dos titulares de serviços notariais e de registro. A recorrente alega que as deduções da base de cálculo a que faz jus estariam discriminadas no recurso e comprovadas com a documentação juntada na peça impugnatória. Ocorre que tais deduções não foram discriminadas, seja no recurso, seja na impugnação. Compulsei os autos e não consegui identificar quais seriam os valores passíveis de dedução. O correto seria a recorrente não só relacioná-los um a um como também justificar o motivo da dedução, pois, trata-se da comprovação de erro no preenchimento da DIRPF, cabendo a esse Colegiado acatar ou não. A/1 Processo n.° 10980.006417/2001-32 Acórdão n,102-47.861 Fls. 9 Refuto, pois, o pleito da recorrente para reduzir os rendimentos recebidos de pessoas físicas, devidamente declarados. A recorrente pleiteia, ainda, que os rendimentos tributáveis da atividade rural, declarados no valor de R$ 5.430,00 (fl. 102), sejam reduzidos a zero. Ou seja, afirma que apurou prejuízo e não lucro na atividade, tendo errado no preenchimento da declaração. Segundo a recorrente, os comprovantes de despesas totalizam R$ 18.728,09 (fl. 57/95), o que justifica a redução do resultado para zero, sem a necessidade de escrituração do livro caixa, haja vista que as receitas auferidas foram inferior a R$ 56.000,00. Constatada a desnecessidade do livro caixa da atividade rural e tendo sido acatado pela decisão de primeira instância as despesas da atividade rural no valor de R$ 18.184,68, resta verificar as receitas da atividade rural. Pois bem. O Contribuinte declarou receitas da atividade rural no valor de R$ 27.150,00 (fl. 105), a saber: Mês Receita janeiro R$ 7.040,00 fevereiro março R$ 6.000,00 abril R$ 6.928,00 maio junho • julho R$ 7.182,00 agosto setembro outubro novembro dezembro TOTAL R$ 27.150,00 Na peça recursal não há qualquer alegação quanto a esses valores. A recorrente aduz apenas que os valores de R$ 1.620,00 e R$ 12.285,00, relativos a julho e setembro de 1999, que segundo a decisão recorrida aumentariam a receita da atividade rural, tratam-se de rendimentos de arrendamentos e alugueis de pastagens e máquinas, que foram incluídos nos rendimentos recebidos de PF. De fato, tais valores foram tributados apenas como recebidos de pessoas físicas (fl. 103). (""7 Processo n.° 10980.006417/2001-32 Acórdão ri.• 102-47.861 Fls. 10 A diferença entre as receitas declaradas da atividade rural, R$ 27.150,00 e as despesas comprovadas, R$ 18.184,68, é superior ao valor tributado - R$ 5.430,00 - que corresponde a 20% da receita bruta. Logo, o fato de o valor efetivo das despesas da atividade rural serem superior ao que foi declarado (fl. 105) em nada altera o valor tributado. Portanto, também nessa parte não há nenhuma correção a ser feita no lançamento original. Registre-se, mais uma vez, que tanto na peça recursal, quanto na peça impugnatária, o objetivo da contribuinte foi comprovar os alegados erros no preenchimento da declaração de imposto de renda, com vista a alterar os valores declarados, visando reduzir o imposto suplementar lançado de oficio pela glosa do livro-caixa. Nesse caso, o ônus da prova é da recorrente, que entendo não logrou comprovar suficientemente suas alegações. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões—DF, em 17 de agosto de 2006. ANTONIO JOSE PRAGA E SOUZA Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.000181/2003-92
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IRPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - VERBAS TRABALHISTAS - Salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de demissão, inclusive aqueles que, tendo sido chamados de indenização, decorrem, na realidade, de acordo firmado entre empregador e empregado.
FÉRIAS - Em tema de férias não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificou-se no entendimento enunciado pela Súmula 125 do STJ, que coloca aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto de renda.
DEVOLUÇÃO DE DESCONTOS - Tratando-se de valores que o empregado teria desembolsado com o escopo de gozar da cobertura de seguros de vida e saúde, em seu benefício e/ou de seus familiares, o ressarcimento significa um aporte de numerário, motivado por liberalidade do empregador, o que deve ser tomado como acréscimo salarial, configurando-se, portanto, o fato gerador do imposto sobre a renda.
HONORÁRIOS DE ADVOGADO – Nos termos do art. 12, da Lei nº 7.713, de 1988, são dedutíveis, do rendimento recebido em ação trabalhista, os honorários profissionais pagos a advogado, não sendo cabível que a dedução se dê apenas pelo valor proporcional aos rendimentos tributáveis auferidos.
JUROS DE MORA - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária (art. 161, CTN) TAXA SELIC – Legítima a aplicação da taxa SELIC, para a cobrança dos juros de mora, a partir de partir de 1º de abril de 1995 (art. 13, Lei no 9.065, de 1995).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 106-16.765
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores de R$ 28.460,00 referente a férias remuneradas e de R$3.790,36
referente a férias remuneradas e de R$3.790,36 referente a honorários advocaticios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ana Neyle Olímpio Holanda
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MINISTÉRIO DA FAZENDA- :‘,•• mg-- <kr- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 10980.000181/2003-92 Recurso n° 145.080 Voluntário Matéria IRPF - Ex(s): 2001 Acórdão n° 106-16.765 Sessão de 24 de janeiro de 2008 Recorrente NILSON DANNY NOGACZ Recorrida 43 TURMA/DRJ em CURITIBA - PR IRPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - VERBAS TRABALHISTAS - Salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de demissão, inclusive aqueles que, tendo sido chamados de indenização, decorrem, na realidade, de acordo firmado entre empregador e empregado. FÉRIAS - Em tema de férias não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificou-se no entendimento enunciado pela Súmula 125 do STJ, que coloca aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto de renda. DEVOLUÇÃO DE DESCONTOS - Tratando-se de valores que o empregado teria desembolsado com o escopo de gozar da cobertura de seguros de vida e saúde, em seu benefício e/ou de seus familiares, o ressarcimento significa um aporte de numerário, motivado por liberalidade do empregador, o que deve ser tomado como acréscimo salarial, configurando-se, portanto, o fato gerador do imposto sobre a renda. HONORÁRIOS DE ADVOGADO — Nos termos do art. 12, da Lei n°7.713, de 1988, são dedutíveis, do rendimento recebido em ação trabalhista, os honorários profissionais pagos a advogado, não sendo cabível que a dedução se dê apenas pelo valor proporcional aos rendimentos tributáveis auferidos. JUROS DE MORA - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária (art. 161, CTN) TAXA SELIC — Legítima a aplicação da taxa SELIC, para a cobrança dos juros de mora, a partir de partir de 1° de abril de 1995 (art. 13, Lei n° 9.065, de 1995). Recurso voluntário parcialmente provido. Processo n°10980.000181/2003-92 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.765 Fls. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NILSON DANNY NOGACZ. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores de R$ 28.460,00 referente a férias remuneradas e de R$3.790,36 referente a férias remuneradas e de R$3.790,36 referente a honorários advocaticios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANA aaAVR ‘I‘t.4°1R0 s REIS Presidente gaarn.cto-- ilArkULLE OLimrIO HOLANDA Relatora FORMALIZADO EM: FEV . 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Antonio de Paula, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Isabel Aparecida Stuani (suplente convocada), Giovanni Christian Nunes Campos, Lumy Miyano Mizukawa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Por meio do auto de infração de fls. 21 a 26, o sujeito passivo acima identificado foi notificado do valor a pagar de R$ 4.798,41, a título de imposto sobre a renda da pessoa fisica (IRPF), acrescido de multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora, decorrente de revisão de sua declaração de ajuste anual, ano-calendário 2000, exercício 2001, em face de haver sido constatada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho com vínculo empregatício, por ter deixado de oferecer à tributação as importâncias referentes a férias remuneradas, R$ 28.460,00, e devolução de descontos, R$ 5.770,00. 2. A exação teve por base os artigos 1°, 2° e 3°, e §§, da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, artigos 1° a 3° da Lei n°8.134, de 27/12/1990, artigos 1°, 3°, 5°, 6°, 11 e 32 da Lei n°9.250, de 27/12/1996, artigo 21 da Lei n°9.532, de 10/12/1997, Lei n°9.887, de 07/12/1999 e artigos 43 e 44 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, Regulamento do Imposto de Renda- RIR/1999. • 3. Inconformado com a imposição fiscal, o sujeito passivo apresentou a impugnação de fls. 03 a 05, acompanhada dos documentos de fls. 06 a 40. 2 Processo n° 10980.00018112003-92 CCOI/C06 Acórdão n.• 106-16.765 Fls. 3 4. Os membros da 4" Turma da Delegacia da Receita Federal de Ju gamento em Curitiba (PR) acordaram por não acatar a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, destacando-se que foram considerados como exclusão da base de cálculo apenas a proporção dos honorários advocatícios referentes aos rendimentos tributáveis. 5. Intimado aos 08/12/2004, o sujeito passivo interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, para cujo seguimento apresentou o arrolamento de bens de fls. 51 a 58. 6. Na petição recursal, o sujeito passivo apresenta um escorço dos fatos e aduz, em síntese, as seguintes considerações de defesa: I — repudia a premissa de que as isenções tributárias devem ser interpretadas literal e restritivamente, e sem extensão; II — no tocante à férias indenizadas, a posição da primeira instância vai de encontro à pacifica jurisprudência do Primeiro conselho de Contribuintes, da Súmula 125 do Superior Tribunal de Justiça e da recente interpretação da própria Secretaria da Receita Federal, conforme expressado no Ato Declaratório Interpretativo SRF no 23, de 25/08/2004; III — não devem ser considerados como renda os valores que a empresa devolveu ao empregado após o desconto para pagamento de seguros, por não se tratar de salário indireto; IV — houve equívoco do julgador a quo ao adotar o critério proporcional para os honorários advocaticios, considerando-se os valores tributáveis e não-tributáveis; V — a ilegalidade da aplicação da taxa SELIC como parâmetro para os juros de mora. 7. Os autos vieram a este Colegiado, na sessão de 22/08/2006, quando os membros decidiram converter o julgamento em diligência, no sentido de que fossem tomadas providências no sentido de que o sujeito passivo trouxesse aos autos os seguintes elementos: I — a discriminação detalhada dos valores que compuseram o montante de R$ 5.770,00, referente à DEVOLUÇÃO DE DESCONTOS, acompanhada dos documentos de suporte, constante do acordo trabalhista (fls. 36 a 39); II — apresentar documentos de suporte capazes de demonstrar que a parcela do acordo trabalhista referente a REFLEXO EM FERIAS INDENIZADAS diz respeito a férias não gozadas e indenizadas em pecúnia. 8. Em atendimento, foi apresentada a petição de fls. 82 a 83, acompanhada dos documentos de fls. 84 a 141. É o Relatóriot ,3/4 • 3 e. Proomo 11.10980.000181/2003-92 CCOI/C06 Adua° e! 106-14.766 na. 4 Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora O recurso voluntário atende às exigências para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. O objeto do auto de infração que deu origem a este processo administrativo fiscal foi a cobrança de imposto sobre a renda das pessoas fisicas (IRPF) incidente rendimentos recebidos de pessoa jurídica referente a trabalho com vínculo empregaticio recebidos do HSBC Bank, em decorrência de ação judicial, motivada por rescisão contratual, cujo tributo mio fora retido pela fonte pagadora e o sujeito passivo não submeteu à tributação na declaração de ajuste anual. Para contraditar a exação tributária, o recorrente, em preliminar, insurge-se contra a argumentação de primeira instância de que as isenções tributárias devem ser interpretadas literal e restritivamente, e sem extensão. Nesse mister, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 111, H, determina: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (-) II- outorga de isenção; Tal disposição legal não veicula o impedimento de que seja empreendida a interpretação da norma que trata de isenção. Longe disso, o termo literalmente" quer significar que o sentido da lei deve ser aplicado de modo estrito, com o escopo de não se criarem hipóteses nele não previstas. Dessarte, pretende o CTN que o sentido da lei deve ser aplicado com a maior exatidão, de modo a não criar situações de suspensão e exclusão do crédito tributário e de dispensa de obrigações que nele não se incluam. Esse tem sido o entendimento jurisprudencial da matéria, destacando-se manifestações do Superior Tribunal de Justiça (STJ), cujas ementas a seguir se transcrevem: Processo REsp 297641/CE; RECURSO ESPECIAL 2000/0144168-0 Relator(a) Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA (1123) órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 06/12/2005 Data da Publicação/Fonte Til 01.02.2006 p. 475 Ementa 77UBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL IPL ISENÇÃO. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS TRANSPORTE EM NAVIO DE BANDEIRA • 4 e Processo n° 10980.000181/2003-92 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-18.765 Fls. 5 ESTRANGEIRA. ART. 3°, §§ 2° E 3°, DO DECRETO-LEI N. 666/69. CERTIFICADO DE LIBERAÇÃO DE CARGA. ART. 111, INCISO II, DO CTN. I. O STJ, orientando-se no sentido de que a isenção do IPI rege-se pela Lei n. 9.000/95 conjugada com o Decreto-Lei n. 666/69, firmou entendimento de que o beneficio fiscal somente seria concedido caso o transporte da mercadoria importada fosse feito em navio brasileiro, e, não sendo possível, em navio de outra bandeira, mediante expressa liberação da Superintendência Nacional da Marinha Mercante, na forma do ,5S 2" do art. 3" do citado decreto-lei. 2. Segundo a exegese do art. 111, inciso II, do CTN, a legislação tributária que outorga a isenção deve ser interpretada literalmente. 3. Recurso especial provido. Processo REsp 329328 / SP; RECURSO ESPECIAL 2001/0066504-6 Relator(a) Ministro FRANCIULLI NET7'0 (1117) Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 05/08/2004 Data da Publicação/Fonte DJ 25.10.2004 p. 274 Ementa RECURSO ESPECIAL. ALÍNEA "A". TRIBUTÁRIO. ICMS. ISENÇÃO. DECRETO ESTADUAL N°40.643/96. IMPORTAÇÃO DE MÁQUINAS E ESQUIPAMENTOS POR EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. PRETENDIDA ISENÇÃO DO ICMS POR EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. CONCESSÃO DE ISENÇÕES. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CT1V. A empresa recorrente, que se dedica à prestação de serviços de locação de bens móveis relacionados com diversões públicas, ajuizou ações cautelar e ordinária, a fim de que lhe fosse reconhecido o direito à isenção do ICMS prevista pelo Decreto Estadual n" 40.643/96 em relação aos equipamentos por ela importados e elencados na petição inicial. Preceitua o artigo 111 do CTN que "interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre a outorga de isenções". Assevera o professor Hugo de Brito Machado que essa disposição "há de ser entendida no sentido de que as normas reguladoras das matérias ali mencionadas não com portam interpretação ampliativa nem integração por eqüidade" (Curso de Direito Tributário, São Paulo: Malheiros Editores, 2001, p. 98). O Decreto Estadual n° 40.643/96, que aprovou os termos do Convênio n° 132/95, concedeu a isenção unicamente para os estabelecimentos industriais. A circunstância de que a Lei Federal n°4.502/64, que, para os fins nela previstos, tenha equiparado o estabelecimento industrial ao importador, em nada interfere na solução dada à presente demanda, ao contrário do que pretende a recorrente.à. 5 Processo n° 10980.000181/2003-92 CCOI /C06 Acórdão n.° 106-16.765 Eis. 6 O referido diploma normativo federal, que trata do extinto imposto sobre o consumo, não serve de parâmetro para a concessão de isenções de imposto de competência estadual, em nome do primado da isenção autonômica, que somente autoriza a cada ente federativo a concessão de isenções de tributos de sua competência. Desse entendimento não destoa o entendimento do douto Órgão Colegiado de origem, ao afirmar que, "evidentemente, se o Convênio e o Decreto dizem que somente se beneficia da isenção o importador (empresa industrial), não se pode ampliar, restringir ou comparar com fundamento em lei federal, o que, além de ferir a diretriz da interpretação literal, agride o princípio da autonomia dos Estados". No tocante à alegado ofensa ao disposto na Lei Complementar n" 24/75, a recorrente, a despeito de seu arrazoado acerca de aspectos constitucionais que circundam a questão, não logrou demonstrar, no âmbito infraconstitucionaL qual artigo do referido diploma teria sido malferido, bem como as razões para eventual reforma do julgado quanto a esse aspecto. Recurso especial improvido. Processo AgRg no Ag 590239 / SP; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2004/0028587-9 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) órgão Julgador TI - PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 14/12/2004 Data da Publicação/Fonte DJ 28.02.2005 p. 207 Ementa TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. SALMÃO. IMPORTAÇÃO. ICMS. PAÍS SIGNATÁRIO DO GA 71 CHILE. NÃO OCORRÊNCIA DE ISENÇÃO. I. A cláusula do tratado internacional estabelece tratamento igualitário (não mais favorável) entre produtos similares dos países signatários. Mercê de ser inconfundível o salmão importado com eventual similar nacional, o que por si só afasta a 'rodo essendi' do ato legislativo transnacional, o suposto pescado interno não goza de beneficio mais favorável, por isso que descabe o favor fiscal pretendido. 2. Deveras, o órgão competente nacional (IBAMA) atestou a existência em águas marítimas nacionais de pescado similar ao salmão. Consequentemente, impõe-se verificar o tratamento intra muros concedido ao mesmo, no afã de respeitar o tratado internacionaL 3. A cláusula do tratado subsume-se à regra interna quanto à sua implementação, por isso que faz depender o tratamento isonômico- fiscal daquilo que dispuser a norma tributária do país signatário. 4. Havendo similar nacional em confronto com o salmão importado e que não goza de isenção, beneficio esse, de interpretação estrita, não há como se conferir a alforria fiscal. 6 Processo it 10980.000181/2003-92 cr_o vcos Aciwao n 1011-111.7115 Ra 7 5. Interpretação literal que se impõe na defesa da ordem tributária (art. 111. CTIV) e do procbsto nacionaL Precedente do ST.l. 6 "A importação de salmão oriundo de país signatário do GAIT, não está isenta de /CMS: "Precedentes da Primeira Seção. 7. Agravo regimental a que se nega provimento. (destaques da transcrição) Aurélio Pitanga Seixas Filho (Teoria e Prática das Isenções Tributárias, ?edição, Editoria Forense, p. 205) bem esclarece que: (.) as isenções-exclusões visam a selecionar redutivamente a tributação sobre determinadas pessoas em consideração às respectivas capacidades contributivas, critério distintivo para dar conseqüência jurídica ao princípio da isonomia, já que o legislador não pode ser arbitrário na seleção, quer dos fatos geradores, quer dos fatos isentos. Sob esse pórtico, cabe ao intérprete compreender a extensão adequada da norma isencional, sem ferir o principio da reserva legal, mas também sem lhe tirar o seu alcance. Na hipótese, quisera o recorrente ver afastados da tributação valores que auferira em decorrência de ação judicial para recebimento de verbas trabalhistas. O CTN, em seu artigo 43, delimita as hipóteses de incidência do imposto de renda e define a sua incidência sobre rendas e proventos de qualquer natureza, desde que auferida a disponibilidade econômica. Ato continuo, importa que se registre que esta mesma norma também dispõe, em sai artigo 97, que somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, de dispensa ou de redução de penalidade. De acordo com as normas referidas e com as provas que constam no processo em questão, observa-se que a isenção de rendimentos pretendida pela recorrente somente poderá prosperar se prevista em lei que estabeleça a hipótese de exclusão. Por outro lado, a Lei n° 7.713, de 22/12/1988, em seu artigo 6°, enumerou de forma taxativa os rendimentos percebidos por pessoas fisicas abrigados pela isenção. Entre eles encontramos, no inciso V, a indenização [paga] por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei. Vale dizer, indenização excedente ao máximo legal entra no rol dos rendimentos tributáveis. Com efeito, no atinente especificamente à incidência do imposto sobre a renda sobre verbas auferidas, por ocasião da rescisão de contrato de trabalho, o que se vê é um pagamento, que visa implementar um acréscimo no patrimônio do empregado dispensado, não havendo dúvidas a respeito da ocorrência do fato gerador do imposto, como definido no artigo 43, II, do CTN, devendo ser objeto da incidência tributária. Condizente com este entendimento está o que foi decido pelo STJ, no Agravo de Instrumento n° 839.448-SP (2006/0261869-8), em que foi relator o Ministro José Delgado, cujo resumo está expresso nos termos da ementa a seguir transcrita -3 7 Processo n° 10980.000181/2003-92 CC0I1C06 Acórdão n.° 108-16.785 Fls. 8 TRIBUTÁRIO. RESCISÃO CONTRATUAL. INDENIZAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. PRECEDENTES. I. O imposto sobre a renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza (art. 43 do CT1V). 2. Entendimento deste Relator, com base nas Súmulas n°5 125 e 136/5 Ti e em precedentes desta Corte, de que a indenização especial, as férias e o abono pecuniário não-gozados não configuram acréscimo patrimonial de nenhuma natureza ou renda e, portanto, não são fatos imponiveis à hipótese de incidência do IR, tipificada pelo art. 43 do CTN. A referida indenização não é renda nem proventos. A denominada "indenização espontânea" também está no rol das que merecem ser isentadas da incidência do imposto de renda. 3. No entanto, no atinente especificamente à incidência do desconto do IR sobre verbas auferidas. por ocasião da rescisão de contrato de trabalho, a título de "indenização especial" (ratificações gratificações por liberalidade e por tempo de serviço). in can& nominada de "Gratificação Liberalidade". rendo-me à recente posição da evrégia 1" Turma, que decidiu pela incidência do tributo. (REsps nas 637623/PR, DJ de 06/06/2005; 652373/RI, DJ de 01/07/2005; 775701/SP, Dl de 07/11/2005) (destaques da transcrição) Indenização é a prestação destinada a reparar ou recompensar o dano causado a um bem jurídico por ato ou omissão ilícita. Os bens jurídicos lesados podem ser: de natureza patrimonial (integrantes do patrimônio material) ou de natureza não-patrimonial (integrantes do patrimônio imaterial ou moral), e, em qualquer das hipóteses, quando não recompostos in natura, obrigam o causador do dano a uma prestação substitutiva em dinheiro. Não tem natureza indenizatória, sob esse aspecto, o pagamento correspondente a uma prestação que, originalmente (independentemente da ocorrência de lesão), era devida em dinheiro, pois, em tal caso, há simples adimplemento in natura da obrigação. Igualmente, não tem natureza indenizatória o pagamento em dinheiro que não tenha como pressuposto a existência de um dano causado por ato ilícito. O pagamento de indenização pode ou não acarretar acréscimo patrimonial, dependendo da natureza do bem jurídico a que se refere. Quando se indeniza dano efetivamente verificado no patrimônio material (dano emergente), o pagamento em dinheiro simplesmente reconstitui a perda patrimonial ocorrida em virtude da lesão, e, portanto, não acarreta qualquer aumento no patrimônio. Todavia, ocorre acréscimo patrimonial quando a indenização ultrapassar o valor do dano material verificado (dano emergente), ou se destinar a compensar o ganho que deixou de ser auferido (lucro cessante), ou se referir a dano causado a bem do patrimônio imaterial (dano que não importou redução do patrimônio material). A indenização que acarreta acréscimo patrimonial configura fato gerador do imposto de renda e, como tal, ficará sujeita a tributação, a não ser que o crédito tributário estejad. • Processo n° 10980.000181/2003-92 CCO I/C06 Acórdão o.° 106-16.765 Fls. 9 excluído por isenção legal, como é o caso das hipóteses do artigo 6° da Lei n° 7.713, de 22/12/1988. No caso, não restou comprovado que o pagamento feito pelo empregador a seu empregado, tem o escopo de indenizar dano efetivamente verificado no patrimônio material do empregado, para que restasse demarcada a reconstituição da perda patrimonial ocorrida em virtude da lesão, e, portanto, não acarreta qualquer aumento no patrimônio. Assim, nada há a socorrer o recorrente no sentido da isenção que defende. Ultrapassada a preliminar, passamos à análise do mérito. Primeiramente, insurge-se o sujeito passivo contra a inclusão na composição da exação há valores recebidos a título de férias não gozadas, somado a um terço de férias, no montante de R$ 28.460,00. Dos autos, depreende-se que tais verbas correspondem a férias não gozadas e indenizadas em pecúnia. Em tal tema, a jurisprudência dos tribunais federais pacificou-se no entendimento enunciado pelas Súmulas 125 do STJ, que coloca aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto de renda, com a seguinte dicção: O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à incidência do Imposto de Renda. Por outro lado, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda também tem se posicionado no sentido de que sejam retiradas da incidência do tributo as férias não gozadas e pagas em pecúnia, como expresso nos julgados cujas ementas se transcrevem: Acórdão n": CSRF/04-00.070 IRPF — INDENIZAÇÃO — FÉRIAS - Consoante dispõe o art. 43 do CTN, apenas os valores que representem acréscimo patrimonial a titulo oneroso estão sujeitos a incidência do imposto de renda. Verbas auferidas a titulo de indenização, não estão sujeitas a incidência de IRPF, de forma que férias indenizadas, por necessidade de serviço, estão fora do campo de incidência do IRPF. Acórdão n° CSRF/04-00.348 IRPF - IMPOSTO DE RENDA PESSOA FISICA. INDENIZAÇÃO DE FÉRIAS NÃO GOZADAS — Nos termos da jurisprudência firmada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, acolhida no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não incide Imposto de Renda sobre verbas recebidas na rescisão contratual a titulo de férias não-gozadas. Recurso especial negado. Por conseguinte, devem ser excluídas da exação as verbas no total de R$ 28.460,00, referentes a férias não gozadas e pagas em pecúnia. O recorrente apresenta sua inconformação contra a imposição tributária sobre a parcela das verbas denominada como "devolução de descontos". • 4-1 9 Processo n° 10980.000181/2003-92 CCO I /CO6 Acórdão n.° 106-16.765 Fls. I O Segundo informações dos autos (fl. 82), trata-se de parcelas referentes a "Opcional Parto", Seguro de Vida Saúde", "Mensalidade AB" e "Assistência Médica", que foram descontadas do empregado, diretamente de sua conta bancária, e que lhe foram devolvidos quando da lide trabalhista. Argumenta o sujeito passivo que o recebimento daqueles valores não teria produzido efeitos em seu patrimônio, portanto, não estaria sujeito à incidência do imposto sobre a renda. Ora, trata-se de valores que o empregado teria desembolsado com o escopo de se gozar da cobertura de seguros de vida e saúde, em seu beneficio e/ou de seus familiares. O ressarcimento significa um aporte de numerário, motivado por liberalidade do empregador, o que deve ser tomado como acréscimo salarial, configurando-se, portanto, o fato gerador do imposto sobre a renda. O artigo 43 do Decreto n° 3.000 de 26/03/1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) determina que são tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, além de quaisquer proventos ou vantagens percebidos. Dessarte, por ter natureza de verba salarial, eis que correto o enquadramento dos descontos devolvidos como rendimento tributável. Nessa linha, não há como acatar as razões do recorrente. O recorrente, também, inconforma-se contra a posição do colegiado de primeira instância, que decidiu por deduzir da base de cálculo da exação apenas a parte dos honorários advocaticios proporcional aos rendimentos tributáveis auferidos. Nesse sentido, o artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1888, determina que: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O mandamento da norma legal autoriza a exclusão dos honorários advocatícios em sua totalidade, sem que seja levada em conta a natureza tributável ou não dos rendimentos recebidos. A atividade do advogado foi exercida para a obtenção de todas as verbas determinadas por meio do provimento jurisdicional, não cabendo a segregação do valor tomando-se por base a característica dos rendimentos auferidos. Dessa forma, necessário apenas que reste comprovado ter o sujeito passivo arcado com o ônus do pagamento dos honorários advocatícios, para que seja admitida a diminuição do valor integral pago a tal título da base de cálculo da imposição tributária, 10 . . Processo n° 10980.000181/2003-92 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-18.785 Fls. I I Na espécie, a comprovação do pagamento dos honorários advocatícios exsurge de fl. 08, demonstrando o desembolso no montante de R$ 25.500,00. O colegiado de primeira instância admitiu a exclusão de somente R$ 21.709,64, com efeito, nessa instância de julgamento devem ser excluídos R$ 3.790,36, referentes àqueles honorários, o que perfaz o total desembolsado pelo recorrente. Por derradeiro, insurge-se o recorrente contra a aplicação dos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), e que encontra respaldo na Lei n°9.065, de 20/06/1995, cujo artigo 13 delibera: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do ART. 14 da Lei número 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo ART. 6 da Lei número 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo ART. 90 da Lei número 8.981, de 1995, o ART. 84, inciso 1, e o ART. 91, parágrafo único, alínea "a.2", da Lei número 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SEL1C para títulos federais, acumulada mensalmente. Ademais, o Código Tributário Nacional, no § 1" do seu artigo 61, determina que somente se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora deverão ser calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Os juros de mora atuam sempre como uma indenização pela falta do pagamento no prazo. A indenização se dá pela privação do capital nos cofres públicos, devendo o contribuinte indenizar o Estado pela falta na data aprazada Os juros não têm caráter punitivo, ensejando que são apenas a remuneração do capital. Na seara tributária, é o juro que recompõe o patrimônio estatal lesado pelo tributo não recebido a tempo, atuam como complemento indenizatório da obrigação principal. A própria expressão "indenização" ajuda a esclarecer bem a função dos juros moratórios, pois indica a necessidade de se compensar um dano ou reparar o mesmo. A multa é para punir, assim como a correção monetária é para garantir, atualizando-o, o poder de compra da moeda. Na espécie, a incidência dos juros se deu com base em lei cuja constitucionalidade não foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, donde se presume ela tem seus efeitos garantidos e, em obediência ao princípio constitucional da legalidade, as autoridades administrativas estão obrigadas a aplicá-la e zelar pelo seu cumprimento, não cabendo às instâncias julgadoras administrativas a manifestação acerca de argumentações sobre a sua inconstitucionalidade. Por outro lado, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento sofre o acréscimo de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei. E, como se reveste o crédito tributário de matéria de ordem pública, em sua constituição não se privilegia a vontade das partes, mas o interesse público, de modo que os juros de mora não são convencionados, mas fixados por lei.. II Processo n° 10980.000181/2003-92 CCOI/CO5 Acórdão n.• 106-15.765 Fls. 12 De todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 24 de janeiro de 20084 " k nu,freik-er~. rlosOo_ncin- Ne_yie Olimpiotiolan a 12 Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1
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