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Numero do processo: 11817.000164/2008-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 22/12/2005 a 03/03/2008
PROCESSO DE CONSULTA. EFEITOS SOMENTE ENTRE AS PARTES.
Até a edição da IN RFB nº 1396/2013, o processo administrativo de consulta formalizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária produzia efeitos exclusivamente entre as partes, consulente e Fisco.
Numero da decisão: 9303-008.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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EFEITOS SOMENTE ENTRE AS PARTES. Até a edição da IN RFB nº 1396/2013, o processo administrativo de consulta formalizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária produzia efeitos exclusivamente entre as partes, consulente e Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 01 64 /2 00 8- 14 Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 3 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, em face do Acórdão n° 3402 004.892, de 1° de fevereiro de 2018, fls. 335 a 348 ,que possui a seguinte ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 22/12/2005 a 03/03/2008 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Próteses mamárias, testiculares e penianas, de silicone, apresentadas em variados modelos e tamanhos, para implantes no corpo humano, classificamse no código 9021.39.80 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex n° 43, de 2006, nos termos das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n°s 1 e 6 e Regra Geral Complementar n° 1 da NCM, na medida em que não se amoldam ao conceito de próteses articulares. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO SOB CANAL VERDE. HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. É possível a revisão aduaneira da classificação de mercadorias quando o seu desembaraço foi submetido ao canal verde de conferência, não constituindo necessariamente tal ato "mudança de critério jurídico". ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N° 12/97. MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DE OUTRAS PENALIDADES. IMPOSSIBILIDADE. O Ato Declaratório Normativo Cosit n° 12/97 dispõe sobre a exclusão da penalidade, em determinadas circunstâncias, para a multa administrativa ao controle das importações tipificada no art. 169,1, "b" do Decretolei n° 37/66 (art. 633, II, "a" do Regulamento Aduaneiro/2002) não podendo, à míngua de qualquer norma legal ou infralegal nesse sentido, ser estendido a outras infrações. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. NÃO QUALIFICADA. DESCRIÇÃO CORRETA DO PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE. A multa de ofício não qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja a falta de pagamento do tributo, falta de declaração ou declaração inexata, de forma que a eventual boafé da recorrente ou a Fl. 415DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 4 3 descrição correta do produto na Declaração de Importação não a exime da penalidade. A partir da vigência do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13/2002, publicado em 11.09.2002, não é mais cabível a exclusão da multa de oficio para a "classificação tarifária errônea" nas circunstâncias especificadas no referido Ato Declaratório, que não traz em sua redação essa hipótese, remanescendo a desoneração apenas para as hipóteses de solicitação indevida de benefícios fiscais (imunidade, isenção, redução, preferência tarifária ou ex tarifário) nas mesmas circunstâncias. Recurso voluntário negado Crédito tributário mantido Em seu Recurso, a Contribuinte suscita divergência jurisprudencial referente aos efeitos da Solução de Consulta formulada antes da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013. Para comprovar a divergência jurisprudencial, indica os acórdãos paradigmas nºs 30133.872 e 3301002.653. Do juízo de admissibilidade, o Presidente da 4º Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, ás (efls. 393397). A Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões, ás (efls. 399411), requer a inadmissibilidade do Recurso interposto, caso conhecido, seja negado provimento ao apelo, mantendose incólume o acórdão recorrido. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Devidamente informado passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 5 4 Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. In caso, em procedimento fiscal de Revisão Aduaneira tendo por objeto importações efetuadas pela Contribuinte apurouse infração relacionada à classificação incorreta de mercadorias na NCM/TEC, então importadas por intermédio das Declarações de Importação DI(s) mencionadas à fl. 40 do Relatório Fiscal. Conseqüentemente, foi lavrado, no dia 06/06/2008, pela fiscalização da Alfândega de Brasília. Com efeito, a decisão recorrida negou provimento ao Recurso Voluntário, por entender que a alegada vinculação da Administração à classificação fiscal emanada da solução de consulta nº 604/2004, não havia sido formulada pelo Contribuinte, mas para outra pessoa jurídica, seus efeitos estavam restritos às partes envolvidas. Por sua vez, a Contribuinte desafia o acórdão recorrido no sentido de divergência referente aos efeitos da Solução de Consulta formulada antes da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013. Para comprovar o dissenso, aponta como paradigmas o acórdãos nºs 301 33.872 e 3301002.653. Acórdão paradigma nº 30133.872 Vejamos suas ementas, transcritas na parte de interesse ao presente exame: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados –IPI Data do fato gerador: 10/01/1997 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TIPI. Temse dos autos que a. "graxa lubrificante" deve ser tipificada na posição 2710.00 "óleo de petróleo ou de minerais betuminosos, excetos óleos brutos, preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, em peso, 70% ou mais de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, os quais devem constituir o seu elemento de base", conforme Laudo Técnico e processo de consulta n° 10768.002339/98 46 anexados aos autos. CONSULTA. PROVA EMPRESTADA. É plenamente possível o acolhimento de consulta formulada por terceiro quando embasada no mesmo produto a ser tipificado para fins de classificação tributária. Considerase, para tanto, o efeito vinculante da consulta para com a Administração e a aplicação do princípio da isonomia aos contribuintes –Lei nº 4502/64. artigo 76» inciso II, alínea "a". RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A decisão paradigmática entendeu que a adoção de consulta feita em outro processo é plenamente possível, ainda que por partes diversas, eis que o objeto da consulta é o mesmo, requisito este de máxima importância para classificação fiscal que vincula toda Administração. Aplicou ainda o princípio da isonomia para acolher a referida prova emprestada de consulta. Acórdão paradigma nº 3301002.653 Fl. 417DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 6 5 Já o acórdão paradigma nº 3301002.653, no voto condutor da decisão afirmou não ignorar o valor das manifestações administrativas e a necessidade de sua aplicação isonômica aos Administrados, filiandose ao entendimento segundo o qual a Solução de Consulta, em seu aspecto de interpretação da legislação tributária, afeta terceiros, não apenas o consulente, seja pelo princípio da isonomia,como também porque, ainda que sem efeito vinculante, a manifestação da Receita Federal através de tal instrumento representa uma manifestação formal do órgão, que, de qualquer forma, prestase a perfeito instrumento auxiliar na interpretação das regras tributárias. Vejamos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LEI N° 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE COFINS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o inicio da produção de efeitos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF n° 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a terceiros, a teor do artigo 9o da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013. No tocante à classificação fiscal de mercadorias, esta E. Câmara Superior, no julgamento do acórdão nº 9303007.871, de 21 de janeiro de 2019, de minha relatoria, o Colegiado por unanimidade do votos, firmou entendimento de que se tratando de matéria referente a classificação fiscal, a identidade de mercadorias devem ser idênticas, em que pese a divergência dos acórdãos paradigmas incidirem em uma solução no sentido de que a adoção de consulta feita em outro processo é plenamente possível, ainda que por partes diversas, o paradigma nº 30133.872, versa sobre classificação fiscal de graxa e consulta fiscal referente a prova emprestada , enquanto que o paradigma nº 3301002.653, trata de retificação de DACON e DCTF, queda evidente a impossibilidade de estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Como se vê, não haverá, portanto, caracterização de divergência se ambos os acórdãos recorrido e paradigma não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Diante disso, afastase, de imediato, a possibilidade de se estabelecer comparação e deduzir divergência de entendimentos entre os acórdãos confrontados. Isto porque, na realidade, o dissídio só poderia ser comprovado mediante o paradigma trazido à colação, se o aresto recorrido houvesse apreciado a questão da classificação fiscal de "Próteses mamárias, testiculares e penianas, de silicone, apresentadas em variados modelos e tamanhos, para implantes no corpo humano" . Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 7 6 Ainda sim, quanto aos efeitos da Consulta fiscal, o acórdão paradigma nº 30133.872, fora julgado em 22 de maio de 2007, sob outros fundamentos, não havia sido editada a IN RFB 1.396/2013. Como visto, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Com essas considerações, entendo que o Recurso não atende os pressupostos de admissibilidade. Passo ao exame de mérito. Em que pese ter sido vencido quanto ao Conhecimento do Recurso Especial interposto pela Contribuinte, a matéria aceita como divergente diz respeito aos efeitos da Solução de Consulta formulada antes da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013. Com efeito, quanto aos efeitos da Consulta fiscal, o acórdão paradigma nº 30133.872, fora julgado em 22 de maio de 2007, sob outros fundamentos, não havia sido editada a IN RFB 1.396/2013. Sem embargo, restou consignado em sessão de julgamento, caso vencido negaria provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte pelos fundamentos da decisão recorrida para manter a multa de 1% por cento sobre o valor aduaneiro. Contudo a um óbice a ser vencido: A decisão recorrida negou provimento ao Recurso Voluntário, por entender que a alegada vinculação da Administração à classificação fiscal emanada da solução de consulta nº 604/2004, não havia sido formulada pelo Contribuinte, mas para outra pessoa jurídica, seus efeitos estavam restritos às partes envolvidas. Por sua vez, a Contribuinte desafia o acórdão recorrido no sentido de divergência referente aos efeitos da Solução de Consulta formulada antes da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013 admissibilidade aceita pela Colegiado. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 8 7 Compulsando detidamente o voto da decisão recorrida, o relator vencido decidiu quanto "Da classificação das mercadorias em análise e os efeitos da solução de consulta n. 604/2004": 13. O efeito erga omnes pretendido pelo recorrente só passou a ser previsto com o advento da IN RFB n. 1.396/2013, cuja eficácia está limitada as consultas formuladas após o advento de tal instrução normativa, exatamente como estabelecem os artigos 9o e 32 do citado diploma normativo: 14. Nesse sentido, não há que se falar em aplicação do teor da solução de consulta n. 604/2004 para o caso em julgamento Como se vê, a discussão referente aos efeitos da Solução de Consulta nº 604/2004, o relator vencido entendeu que não há o que se falar em sua aplicação. matéria fora de litígio. Contudo, exonerou a multa de 1% sobre o valor aduaneiro por incorreção na classificação fiscal, sendo vencido pela Conselheira designada, que negou provimento ao Recurso Voluntário, para manter a multa de 1% sobre o valor aduaneiro. Por sua vez, o exame de admissibilidade, tratou exclusivamente sobre os efeitos da Solução de Consulta nº 604/2004. Vejamos: decisão recorrida rechaçou a alegada vinculação da Administração à classificação fiscal emanada da solução de consulta nº 604/2004, porque tal solução não havia sido formulada pelo recorrente, mas para outra pessoa jurídica. Destacou que, à época em que veiculada a sobredita solução de consulta, seus efeitos estavam restritos às partes envolvidas. A decisão entendeu que a adoção de consulta feita em outro processo é plenamente possível, ainda que por partes diversas, eis que o objeto da consulta é o mesmo, requisito este de máxima importância para classificação fiscal que vincula toda Administração. Aplicou ainda o princípio da isonomia para acolher a referida prova emprestada de consulta. Como se vê, os acórdãos indicados como paradigma vislumbraram efeitovinculante mesmo às respostas em solução de consulta formuladas antes da INRFB nº 1.396, de 2013, caracterizando o dissídio jurisprudencial. O voto condutor da decisão afirmou não ignorar o valor das manifestações administrativas e a necessidade de sua aplicação isonômica aos Administrados, filiandose ao entendimento segundo o qual a Solução de Consulta, em Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 9 8 seu aspecto de interpretação da legislação tributária, afeta terceiros, não apenas o consulente, seja pelo princípio da isonomia,como também porque, ainda que sem efeito vinculante, a manifestação da Receita Federal através de tal instrumento representa uma manifestação formal do órgão, que, de qualquer forma, prestase a perfeito instrumento auxiliar na interpretação das regras tributárias. Como se vê, os acórdãos indicados como paradigma vislumbraram efeito vinculante mesmo às respostas em solução de consulta formuladas antes da INRFB nº 1.396, de 2013, caracterizando o dissídio jurisprudencial. Como visto, o voto vencedor não tratou sobre os efeitos da solução de consulta, fundamentou o decisão exclusivamente quanto aplicação da multa de 1% por cento, por outro lado, o exame de admissibilidade tratou apenas sobre os efeitos da solução de consulta. Com máxima vênia, encaminho meu voto pelo não conhecimento do Recurso, em razão do exame de admissibilidade estar viciado por erro material, como fui vencido, nego provimento ao Recurso da Contribuinte nos termos do voto vencedor da decisão recorrida, para manter a multa de 1% por cento sobre o valor aduaneiro. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com o devido respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo de suas conclusões quanto ao conhecimento do recurso especial do contribuinte. Com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9784/99, adoto as razões expressadas por mim mesmo no exame de admissibilidade do recurso especial do contribuinte. Transcrevo abaixo dois trechos do despacho, que atestam a minha tese de que houve a comprovação de divergência, pois enquanto o acórdão recorrido negou efeitos à uma solução de consulta, que tratava da mesma situação dos presentes autos, os acórdãos paradigmas reconheceu validade das soluções de consultas dadas a outros contribuintes. (...) A decisão recorrida rechaçou a alegada vinculação da Administração à classificação fiscal emanada da solução de consulta nº 604/2004, porque tal solução não havia sido formulada pelo recorrente, mas para outra pessoa jurídica. Destacou que, à época em que veiculada a sobredita solução de consulta, seus efeitos estavam restritos às partes envolvidas. O Acórdão indicado como paradigma n° 30133.872 está assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Data do fato gerador: 10/01/1997 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TIPI. Temse dos autos que a. "graxa lubrificante" deve ser tipificada na posição 2710.00 "óleo de petróleo ou de minerais betuminosos, excetos óleos brutos, preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, em peso, 70% ou mais de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, os quais devem constituir o seu elemento de base", conforme Laudo Técnico e processo de consulta n° 10768.002339/9846 anexados aos autos. CONSULTA. PROVA EMPRESTADA. É plenamente possível o acolhimento de consulta formulada por terceiro quando embasada no mesmo produto a ser tipificado para fins de classificação tributária. Considerase, para tanto, o efeito vinculante da consulta para com a Administração e a aplicação do princípio da isonomia aos contribuintes –Lei nº 4502/64. artigo 76» inciso II, alínea "a". RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 11 10 A decisão entendeu que a adoção de consulta feita em outro processo é plenamente possível, ainda que por partes diversas, eis que o objeto da consulta é o mesmo, requisito este de máxima importância para classificação fiscal que vincula toda Administração. Aplicou ainda o princípio da isonomia para acolher a referida prova emprestada de consulta. O Acórdão indicado como paradigma n° 3301002.653 recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LEI N° 10.925/2004. ARTIGOS 8o E 9o. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE COFINS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o inicio da produção de efeitos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF n° 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a terceiros, a teor do artigo 9o da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013. O voto condutor da decisão afirmou não ignorar o valor das manifestações administrativas e a necessidade de sua aplicação isonômica aos Administrados, filiandose ao entendimento segundo o qual a Solução de Consulta, em seu aspecto de interpretação da legislação tributária, afeta terceiros, não apenas o consulente, seja pelo princípio da isonomia,como também porque, ainda que sem efeito vinculante, a manifestação da Receita Federal através de tal instrumento representa uma manifestação formal do órgão, que, de qualquer forma, prestase a perfeito instrumento auxiliar na interpretação das regras tributárias. Como se vê, os acórdãos indicados como paradigma vislumbraram efeito vinculante mesmo às respostas em solução de consulta formuladas antes da INRFB nº 1.396, de 2013, caracterizando o dissídio jurisprudencial. (...) Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 423DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.923035/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 14/11/2005
JUROS. REMESSA. BRASIL. FINLÂNDIA. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. CONDIÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A remessa de juros do Brasil para a Finlândia é isenta de imposto de renda se a beneficiária dos juros for qualquer agência de propriedade exclusiva do governo finlandês ou uma pessoa jurídica de direito público ou um poder local seu, devendo tal condição ser devidamente comprovada por meio de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2402-006.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Julgamento iniciado na sessão de 16/1/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/2/19, com início às 9h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 14/11/2005 JUROS. REMESSA. BRASIL. FINLÂNDIA. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. CONDIÇÃO. COMPROVAÇÃO. A remessa de juros do Brasil para a Finlândia é isenta de imposto de renda se a beneficiária dos juros for qualquer agência de propriedade exclusiva do governo finlandês ou uma pessoa jurídica de direito público ou um poder local seu, devendo tal condição ser devidamente comprovada por meio de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Julgamento iniciado na sessão de 16/1/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/2/19, com início às 9h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 30 35 /2 00 9- 94 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 199 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 1234.003, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro I/RJ, fls. 140 a 143: A Telemar Norte Leste S/A apresentou o pedido de restituição e declaração de compensação (Per/dcomp) n° 08289.40759. 120106.1.3.044002 em 12.01.2006, com o objetivo de ver reconhecido seu direito creditório de R$ 465.981,12, oriundo de pagamento indevido de imposto de renda retido na fonte IRRF em 14.11.2005 e de compensálo com débito de Cofins de dezembro de 2005 (fls. 02/06). Em 20.04.2009, por meio de análise eletrônica, foi emitido o Despacho Decisório de fl. 09 pela Derat Rio de Janeiro RJ, que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, porque o pagamento informado no Per/dcomp já fora integralmente utilizado para quitar o débito de IRRF, código 0481, relativo ao período de apuração 14.11.2005. Cientificado do Despacho Decisório em 29.04.2009 (fl. 08), o interessado apresentou, em 29.05.2009, a manifestação de inconformidade de fls. 11/15, com as seguintes alegações, em síntese: a) A simples análise da DCTF realmente não era capaz de demonstrar o crédito pleiteado, pois, por erro no preenchimento, informou o débito total de IRRF de R$ 1.200.951,59 e, como forma de pagamento, vinculou, dentre outros, o darf aqui discutido; b) Inicialmente, efetuou retenções de imposto de renda, à alíquota de 15%, sobre pagamentos de contratos internacionais, e recolheu o correspondente débito por meio de uma série de darf; c) Depois, verificou que vários desses contratos referiamse a operações isentas, por força de tratado para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e a Finlândia, conforme consta do registro de operação financeira ROF (juntado), registrado no Banco Central, a quem compete fiscalizar as remessas para o exterior e suas respectivas incidências tributárias; e d) O valor de IRRF recolhido por força do contrato (R$ 465.981,12) possui valor idêntico ao informado na DCTF e utilizado na presente compensação. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 6ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I/RJ, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, sob o argumento de que “não é vedado ao Governo do Brasil cobrar 15% de imposto de renda na fonte sobre juros pago por empresa sediada no Brasil a empresa sediada na Finlândia” e que, nos autos, não Fl. 199DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 200 3 haveria nada que indicasse que o beneficiário seria “o Estado da Finlândia, o Banco da Finlândia, uma agência de propriedade do Governo da Finlândia ou uma pessoa jurídica de direito público”. Esse julgado também esclarece que “o que o Acordo garante, para afastar a dupla tributação, é o direito de a empresa beneficiária na Finlândia deduzir lá o Imposto que foi pago no Brasil”, e que, no caso em tela, “quem arcou com o imposto foi o beneficiário do rendimento de juros, que recebeu apenas o valor líquido”. Cientificada da decisão de primeira instância, em 31/3/11, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 90, a Contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 104 a 108), interpôs o recurso voluntário de fls. 91 a 99, em 2/5/11, alegando, em síntese, que: Posteriormente, revendo suas apurações, a Requerente identificou ter havido retenção de IRRF sobre remessas de valores à Finlândia, com base em contratos abarcados pela isenção do imposto de renda. A isenção decorre de tratado para evitar a bitributação celebrado entre o Brasil e a Finlândia. Tal informação consta expressamente do ROF (Registro de Operações Financeiras) registrado no Banco Central do Brasil (doc. n° 07 ROF). Verificase que o número de identificação referenciado no ROF coincide com o número do contrato de câmbio (doc. n° 08 Contrato de Câmbio), o que demonstra a expressa vinculação entre o contrato de câmbio e o ROF. Da diferença entre o valor apurado (levandose em consideração a isenção prevista em Tratado) e o recolhido, surge saldo de pagamento a maior no montante de R$ 465.981,12, para o Darf em questão, idêntico ao utilizado na declaração de compensação em questão. Entretanto, a DRJ manteve o despacho decisório que não homologou a compensação sustentando que a remessa ao exterior em questão não seria isenta, por se referir a juros. [...] Ou seja, sem qualquer justificativa, a DRJ inferiu que a remessa de valores ao exterior se referiria a juros, e, via de consequência, poderia ser tributada no Brasil, nos termos do art. 11 do Decreto 2.465/1998, que internalizou a Convenção Brasil Finlândia contra a bitributação [...]. Todavia, essa não é a melhor análise da questão. Ora, os valores remetidos à Finlândia não têm a natureza de juros.' Na verdade, referemse a uma taxa cobrada pela instituição financeira para a renovação do contrato de empréstimo (um novo contrato), mas que não se confundem com juros. [...] Em regra, os contratos de mútuo preveem uma taxa de contratação a cargo do tomador do empréstimo. Entretanto, essa taxa não se confunde com os juros devidos pela duração do empréstimo como forma de remunerar o capital. Foi exatamente o que o ocorreu no caso dos autos: a Recorrente celebrou contrato de empréstimo com instituição na Finlândia e vinha Fl. 200DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 201 4 pagando a contraprestação (juros) regularmente. Ao final do prazo estipulado a Recorrente resolveu renovar o empréstimo e celebrou novo contrato com a mesma instituição financeira. Para a renovação do contrato é exigida uma taxa, que, entretanto, não se enquadra na definição de juros, como visto acima. Na verdade, tratase de uma contraprestação pelo serviço de financiamento, definido no item 15 da LC 116/2003. [...] Nesse contexto, a taxa pela renovação do empréstimo (verdadeira contraprestação por serviço prestado) deve ser enquadrada no art. 7º da Convenção, qual seja, lucro das empresas, que gozam de isenção no Brasil [...]. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Das alegações recursais Segundo a Recorrente, os valores remetidos à Finlândia não seriam juros, conforme entendeu a DRJ, mas sim uma taxa cobrada pela instituição financeira para a renovação do contrato de empréstimo. A Recorrente aduz, ainda, que tal taxa não se enquadra na definição de juros e que deve ser enquadrada no art. 7º da Convenção, como lucro das empresas, o qual goza de isenção no Brasil. Todavia, examinando o conjunto dos autos, não encontramos abrigo para tal alegação. Todos os Registros de Operações Financeiras (ROFs) carreados aos autos (fls. 148 a 154), informam tratarse de remessa de juros: OPERAÇÃO: TA349358 DE: 08/08/2005 01. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES: RENEG. DE NOTAS EM MOEDA (NPFA) P/ FINANCIAR A COMPRA DE EQUIPTOS. PARA INSTALAÇÃO DE REDE DE Fl. 201DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 202 5 SERVIÇO MÓVEL PESSOAL. ISENTO DE IR S/ REMESSA DE JUJROS NOS TERMOS DO TRATADO P/ EVITAR BITRIBUTAÇAÕ ENTRE BRASIL E FINLÂNDIA. O FINNISH EXPORT CREDIT SERÁ O BENEFICIÁRIO DESTA NOTA. VINCULADO AO ROFS TA300517 OPERAÇÃO: TA349371 DE: 08/08/2005 02. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES: RENEG. DE NOTAS EM MOEDA (NPFA) P/ FINANCIAR A COMPRA DE EQUIPTOS. PARA INSTALAÇÃO DE REDE DE SERVIÇO MÓVEL PESSOAL. ISENTO DE IR S/ REMESSA DE JUJROS NOS TERMOS DO TRATADO P/ EVITAR BITRIBUTAÇAÕ ENTRE BRASIL E FINLÂNDIA. O FINNISH EXPORT CREDIT SERÁ O BENEFICIÁRIO DESTA NOTA. VINCULADO AO ROFS TA300517 OPERAÇÃO: TA349372 DE: 08/03/2005 03. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES: RENEG. DE NOTAS EM MOEDA (NPFA) P/ FINANCIAR A COMPRA DE EQUIPTOS. PARA INSTALAÇÃO DE REDE DE SERVIÇO MÓVEL PESSOAL. ISENTO DE IR S/ REMESSA DE JUJROS NOS TERMOS DO TRATADO P/ EVITAR BITRIBUTAÇAÕ ENTRE BRASIL E FINLÂNDIA. O NORDIC INVEST BANK SERÁ O BENEFICIÁRIO DESTA NOTA. VINCULADO AOS ROFS TA300753 O Contrato de Câmbio de fls. 156 a 159 também descreve a natureza da operação como “JUROS DE TIT MOBIL BRASILEIROS – EURO NOTES”. Ademais, em que pese a Recorrente dizer, no presente recurso voluntário, datado de 29/4/11, que não se trata de juros, em seu recurso voluntário, que segue no processo 15374.923033/200903, datado de 2/5/11, e que trata da mesma remessa de valores para a Finlândia, tais valores foram considerados, pela Recorrente, como juros, nos seguintes termos: 19. Assim, o registro especifico da operação internacional objeto da controvérsia, (fls. 62/63), contém em suas características gerais o mesmo número de operação que o Contrato de Câmbio, indicando o elo entre eles, qual seja: TA349371. 20. O Registro de Operação Financeira mencionado indica a remessa dos ditos juros ao exterior, para "FINANCIAR A COMPRA DE EQUIPAMENTOS PARA INSTALAÇÃO DE REDES DE SERVIÇO MÓVEL PESSOAL. ISENTO DE IR S/ REMESSSA DE JUROS NOS TERMOS DO TRATADO P/ EVITAR BITRIBUTAÇÃO ENTRE BRASIL E FINLÂNDIA. O FINISH EXPORT CREDIT SERÁ O BENEFICIÁRIO DESTA NOTA. (sic) [...] 37. Logo, concluise que não poderia a Autoridade Fiscal ter deixado de homologar a compensação ora debatida Fl. 202DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 203 6 simplesmente por ignorar as informações prestadas no "Registro de Operação Financeira" apresentado pela Recorrente, uma vez que efetivamente demonstra, de forma incontestável, a realidade da operação de remessa de juros ao exterior para entidade oficial do Governo da Finlândia, aplicandose a regra da isenção do artigo 11 do Acordo celebrado entre Brasil e Finlândia para evitar bitributação – Decreto nº 2.645/1998. Pois bem, diante desse quadro, mantemos o entendimento do órgão julgador a quo, reconhecendo os valores remetidos à Finlândia como, efetivamente, juros. Dessa forma, vejamos o que dispõe o Decreto nº 2.465/98, a respeito: ARTIGO11 Juros 1. Os juros provenientes de um Estado Contratante e pagos a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. 2. Todavia, esses juros também são tributáveis no Estado Contratante de que provêm e de acordo com a legislação desse Estado, mas se quem os receber for o beneficiário efetivo dos juros o imposto assim estabelecido não poderá exceder 15% (quinze por cento) de seu montante bruto. 3. Não obstante o disposto no parágrafo 2: a) os juros provenientes do Brasil serão isentos do imposto brasileiro se forem pagos: I) ao Estado da Finlândia ou a um seu poder local; II) ao Banco da Finlândia; III) a qualquer agência (inclusive uma instituição financeira) de propriedade exclusiva do Governo da Finlândia ou a uma entidade legal (pessoa jurídica de direito público) ou a um seu poder local; (Grifo nosso) Conforme se observa na transcrição a cima, os juros provenientes do Brasil serão isentos de imposto de renda se forem pagos a qualquer agência de propriedade exclusiva do Governo da Finlândia ou a uma pessoa jurídica de direito público ou a um seu poder local. Nesse particular, devemos observar o comando do art. 111, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, que determina a interpretação literal da legislação que disponha sobre outorga de isenção. Sendo nessa mesma linha a Solução de Consulta nº 521, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de 28/11/17, que trata especificamente do acordo entre Brasil e Finlândia: ACORDO PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO Fl. 203DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 204 7 SOBRE A RENDA, CELEBRADO ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO DA REPÚBLICA DA FINLÂNDIA. JUROS PAGOS A AGÊNCIA DE PROPRIEDADE EXCLUSIVA DO GOVERNO DA FINLÂNDIA. ISENÇÃO. CONDIÇÕES DE APLICABILIDADE. A isenção de que trata o parágrafo 3, alínea a, inciso III do artigo 11 do Acordo BrasilFinlândia deve ser interpretada de forma literal. Assim, são isentos de IRRF os juros provenientes do Brasil se forem pagos a qualquer agência de propriedade exclusiva do Governo da Finlândia. Logo, a isenção somente é aplicável se ambas condições forem satisfeitas. (Grifo nosso) Vejamos, agora, o que restou consignado no voto condutor da decisão recorrida, fls. 84 a 87: A competência para verificar o cabimento de isenção do imposto de renda não é do Banco Central do Brasil, mas sim da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme artigo 14 do Anexo I do Decreto n° 7.301/2010. Pelo que consta da defesa bem como do registro de operação financeira e do contrato de câmbio a ela juntados (fls. 62/68), tratase de imposto de renda retido na fonte pelo interessado, à alíquota de 15%, sobre pagamento que fez, relativo a juros devidos pela renovação de empréstimo obtido de empresa sediada na Finlândia. O Acordo para evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal em matéria de impostos sobre a renda, celebrado entre os Governos do Brasil e da Finlândia, promulgado pelo Decreto n° 2.465/98, assim dispõe, no que concerne a juros provenientes do Brasil: [...] Da análise do disposto no Acordo, fica claro que não é vedado ao Governo do Brasil cobrar 15% de imposto de renda na fonte sobre juros pagos por empresa sediada no Brasil a empresa sediada na Finlândia, já que nada nos autos indica que o beneficiário seja o Estado da Finlândia, o Banco da Finlândia, uma agência de propriedade do Governo da Finlândia ou uma pessoa jurídica de direito público. O que o Acordo garante, para afastar a dupla tributação, é o direito de a pessoa beneficiária na Finlândia deduzir lá o imposto que foi pago no Brasil. Ademais, ainda que fosse indevida a retenção e o recolhimento feito pelo interessado, quem arcou com o imposto foi o beneficiário do rendimento de juros, que recebeu apenas o valor líquido. Por esse motivo, o interessado só poderia pedir a restituição se tivesse devolvido a quantia retida ao beneficiário. Nesse sentido, dispõem o artigo 7º da Instrução Normativa SRF 600/2005 e o artigo 8º da IN RFB 900/2008. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 205 8 Desta forma, VOTO por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar a compensação. Como se vê, a decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório e manteve a não homologação da compensação por falta de comprovação de que a empresa beneficiária da remessa de juros estaria enquadrada na regra isentiva do Acordo firmado entre Brasil e Finlândia e, também, pelo fato da Recorrente não ter arcado com o imposto, uma vez que a beneficiária dos juros recebeu o valor líquido. Nesse contexto, ao compulsarmos os autos, não localizamos qualquer documento capaz de demonstrar que a empresa beneficiária dos juros seja de propriedade exclusiva do Governo Finlandês. Sendo assim, à luz do princípio da verdade material, temse que a isenção arguida não está encontrando amparo no parágrafo 3, alínea “a”, inciso III do artigo 11 do Acordo BrasilFinlândia. Ponderese que a não homologação da compensação goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpria à Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), o que não ocorreu. Cabe acrescentar, ainda, que a Recorrente também não arcou com o imposto recolhido, segundo apontado pela decisão de primeira instância, tendo repassando à empresa beneficiária dos juros apenas o valor líquido (descontando o imposto), sem ter feito prova de que devolveu o valor do imposto retido. Logo, não possui legitimidade para pleitear o direito creditório. Nesse sentido são as Instruções Normativas SRF 600/05 e RFB 900/08: Instrução Normativa SRF 600/05 Art. 7º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrados pela SRF que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Instrução Normativa RFB 900/08 Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. Insta destacar que nada foi dito pela Recorrente em relação a essa segunda razão de decidir do órgão julgador de primeiro grau. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 206 9 Conclusão Sendo assim, diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903525/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/09/2004
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.715
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 35 25 /2 01 2- 75 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903525/201275 Acórdão n.º 3302006.715 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de PIS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.575. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.903525/201275 Acórdão n.º 3302006.715 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.903525/201275 Acórdão n.º 3302006.715 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10283.903525/201275 Acórdão n.º 3302006.715 S3C3T2 Fl. 6 5 EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10283.903525/201275 Acórdão n.º 3302006.715 S3C3T2 Fl. 7 6 escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722329/2010-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando o paradigma indicado encontra-se em sintonia com o acórdão recorrido. Tampouco pode ser conhecido Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-007.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando o paradigma indicado encontra-se em sintonia com o acórdão recorrido. Tampouco pode ser conhecido Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando o paradigma indicado encontrase em sintonia com o acórdão recorrido. Tampouco pode ser conhecido Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 23 29 /2 01 0- 68 Fl. 1303DF CARF MF 2 Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 13603.722323/201091 37.261.6526 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13603.722325/201080 37.261.6534 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13603.722326/201024 37.261.6542 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13603.722327/201079 37.261.6550 (AI38) Obrig. Acessória Recurso Especial 13603.722328/201013 37.261.6569 (AI93) Obrig. Acessória Exonerado 13603.722329/201068 37.261.6577 (AI68) Obrig. Acessória Recurso Especial O presente processo trata do Debcad 37.261.6577 (AI68), lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as Contribuições Previdenciárias, nos períodos de 01/2006 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal de fls. 19 a 22. Em sessão plenária de 15/03/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401004.672 (fls. 1.129 a 1.152), assim ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. GFIP APRESENTADA COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. NÃO OCORRÊNCIA Não há que se falar em infração quando os valores apurados pela fiscalização não se coadunam com a base de incidência tributária. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.304 3 caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. RETENÇÃO DOS 11% SOBRE O VALOR BRUTO DAS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ARMAZENAMENTO A execução do serviço é feita sob a administração da contratada. Não há a caracterização da prestação de serviços de cessão de mão de obra da forma estabelecida na lei de regência DIFERENÇAS APURADAS A TÍTULO DE RAT. FALTA DE MOTIVAÇÃO. Em face da falta de motivação verificase a insuficiência das razões apontadas no Relatório Fiscal para alterar a alíquota indicada pelo contribuinte em GFIP." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, darlhe provimento." O processo foi encaminhado à PGFN em 05/04/2017 e, em 04/05/2017, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 1.153 a 1.159, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2401005.392, de 03/04/2018 (fls. 1.167 a 1.171) assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Não devem ser acolhidos embargos de declaração quando inexiste omissão ou obscuridade no acórdão embargado." Essa decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração." Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 25/05/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.622 do processo principal) e, em 05/07/2018, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.172 a 1.205 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.657 do processo principal), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: grupo econômico contrato de rateio de despesas com Contribuições Previdenciárias; e caracterização da cessão de mão de obra e das diferenças apuradas a título de RAT nulidade do lançamento por vício formal. Fl. 1305DF CARF MF 4 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 08/08/2018 (fls. 1.206 a 1.214). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: Do contrato de rateio quanto ao Contrato de Rateio de Despesas, celebrado entre as empresas Minas Logística Ouro Fino Ltda e Logística Ouro Fino Ltda, registrese que o assunto não encontra respaldo na legislação previdenciária, porém, na legislação do imposto de renda da pessoa jurídica, encontrase fundamento no artigo 299, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de 2009 e Parecer Normativo CST nº 32, de 1991; considerando que a Fiscalização apurou na contabilidade do Contribuinte autuado, verbas contabilizadas que de acordo com a legislação constituem base de cálculo de incidência de Contribuições Previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos, denominados terceiros, tais como, salários/ordenados, horas extras, adicional noturno, férias e décimo terceiro salário e serviços contratados com cessão de mãodeobra, não resta dúvida de que a empresa autuada é responsável pelo encargo previdenciário decorrente de tais hipóteses de incidência; o fato do registro contábil das verbas salariais decorrer de rateio entre empresas do grupo econômico, não retira a responsabilidade do Contribuinte autuado pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre referidas verbas, assim como a obrigação da retenção e recolhimento da contribuição de 11% incidente sobre as notas fiscais/faturas de serviços contratados com cessão de mãodeobra; mesmo que o referido Contrato de Rateio de Despesas, tenha estabelecido a quem compete a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, o mesmo não pode ser oposto à Fazenda Pública, conforme determinação contida no artigo 123, do CTN; conforme concluiu a DRJ de origem, os documentos juntados ao feito pelo autuado que segundo ele, comprovam que os recolhimentos de todos os encargos e contribuições decorrentes da relação de emprego entre a autuada e seus empregados foram recolhidos regularmente, não devem ser acolhidos, pois, não há como saber se os recolhimentos referemse de fato aos valores correspondentes àqueles apurados pela Fiscalização, já que foram efetuados de forma global pela Logística Ouro Fino Ltda, ou seja, não constam folhas de pagamento/discriminativos com os valores do rateio e Guia da Previdência Social – GPS, que correspondem aos valores registrados na contabilidade e os apurados pela fiscalização; também, em nenhum momento o Contribuinte demonstrou quais são os trabalhadores e as atividades que exerceram e que deram origem à escrituração contábil. Da caracterização da cessão de mão de obra e das diferenças apuradas a título de RAT na hipótese em apreço, a ausência ou a deficiência na descrição do fato gerador, (incluída aqui a juntada de documentos considerados essenciais à sua comprovação aos autos), vício apontado pelo colegiado como causa de improcedência do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.305 5 uma eventual ausência ou mesmo imprecisão na descrição completa do fato gerador não pode ser considerada como vício a macular todo o lançamento, devendo ser aplicado o princípio de conservação dos atos; na verdade, sequer se poderia cogitar que houve qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo, tendo em vista que o próprio afirma que foi submetido à ampla ação fiscal redundando inclusive na lavratura de AI; a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma; concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a ausência de uma descrição mais pormenorizada dos fatos geradores e/ou a ausência nos autos dos documentos que embasaram o lançamento constitui vício material, eis que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo; deve ser mantido integralmente o acórdão de primeira instância. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do presente recurso. Cientificada dos acórdãos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 30/08/2018 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.242), a Contribuinte ofereceu, em 12/09/2018 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 1.247), as Contrarrazões de fls. 1.249 a 1.281, contendo os seguintes argumentos: Da inadmissibilidade do Recurso Especial o Recurso Especial interposto pela União não preenche os requisitos de admissibilidade, quer seja porque omite a juntada do inteiro teor dos paradigmas e os replica no corpo recurso com a supressão de trechos que lhes alteram a interpretação, quer seja porque, quando inteiramente cotejadas as decisões recorridas e os tais paradigmas, salta aos olhos que não guardam qualquer similitude fática ou jurídica entre si; com efeito, a integral leitura do paradigma nº 2803002.475 faz saltar aos olhos que o que efetivamente lá se discutiu foi a solidariedade passiva entre empresas de um mesmo grupo econômico pelo inadimplemento por uma delas; naquele processo, como se nota, a questão da existência ou não de grupo econômico só foi tornada controvertida porque as empresas não se reconheciam como tal; o Fisco constatou que operavam com nítida confusão patrimonial, inclusive com o pagamento direto de despesas de uma empresa por outra, além de associação informal, objetivando omitir sucessão negocial e a identidade operacional; objetivase, com isso, apenas justificar o cerne daquela controvérsia: a responsabilização solidária prevista no inciso IX, do art. 30, da Lei n. 8.212, de 1991; Fl. 1307DF CARF MF 6 enquanto a decisão recorrida tratou da inexistência de feição remuneratória de despesa de reembolso advindo de rateio de despesas de empresas de um mesmo grupo (que se reconhece como tal), o paradigma tratou da validade da solidariedade passiva entre empresas de um mesmo grupo econômico (que não se reconhecia como tal) pelo inadimplemento parcial por uma delas; e isso se evidencia ainda mais quando se constata que o ponto central do recurso paradigmático é o inciso IX, do art. 30, da Lei n. 8.212, de 1991, e a solidariedade passiva frente às contribuições previdenciárias não foi nem mesmo abordado en passant na decisão recorrida, tampouco apontado expressamente como controvérsia nas razões do Recurso Especial manejado pela União; o Recurso Especial fundado no Acórdão paradigma nº 230200.308 pretende, de uma só vez, repelir a anulação do lançamento relativo à revisão da alíquota RAT e repelir a anulação da pretensão de obrigar a Contribuinte a promover a retenção e recolhimento dos 11% sobre o valor de NF correspondentes a serviços prestados sem cessão de mãodeobra; há evidente erro grosseiro no recurso já que, para ambas as questões, a discussão acerca da natureza dos vícios encontrados em lançamentos é totalmente alheia ao que foi efetivamente julgado; a decisão recorrida assinalou não haver cessão de mãodeobra e, portanto, não ser legítima a exigência da retenção da contribuição previdenciária (11%); a bem da verdade, a União pretende rediscutir os fatos e a valoração dada às provas, o que não se admite nessa hipótese recursal; da mesma forma, a leitura do voto esclarece que o crédito tributário, em relação à majoração da alíquota RAT, foi desconstituído porque o Fiscal aplicou norma nova a fatos que lhe eram anteriores, em afronta ao princípio da irretroatividade; isso porque, considerando que as competências objeto de autuação eram as compreendidas entre 01/2006 a 05/2007, a majoração da alíquota de 2% para 3% amparouse unicamente na aplicação das regras contidas no Decreto nº 6.042, de 2007, cuja vigência iniciouse somente em julho de 2007; a decisão apontou ainda erro fiscal ao dizer que mesmo à luz do anexo V, do tal Decreto nº 6.042, de 2007, a alíquota aplicável não seria de 3%, mas 1%, em razão da classificação das atividades da empresa no CNAE 46443/02; Da não incidência de Contribuição Previdenciária sobre despesas incorridas para adimplemento de contrato de rateio de despesas de serviços administrativos compartilhados por empresas em um mesmo grupo econômico despesas incorridas por quaisquer contribuintes para adimplemento de contrato de rateio de despesas de serviços administrativos que compartilha com outras empresas que compõe seu grupo econômico tem natureza indenizatória; a decisão recorrida é irretocável porque reconhece que o ressarcimento da parte devida em rateio formal e previamente contratado de despesas de serviços administrativos comuns a grupo econômico não se amoldam ao conceito de remuneração e, portanto, não configuram fato gerador de Contribuição Previdenciária porque tem natureza de reembolso (portanto indenizatória) à empresa que suporta integralmente os ônus do recolhimento; Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.306 7 a decisão recorrida tratou de perquirir e deparouse com inexistência de feição remuneratória nas despesas de reembolso advindo de rateio de serviços administrativos entre as empresas de um mesmo grupo econômico; o contrato de rateio de despesas de serviços administrativos, ainda que contrato não expressamente previsto e regulamentado no ordenamento jurídico civil, é perfeitamente aceitável conquanto entabulado com respeito à lei, aos bons costumes e os princípios gerais de direito, na forma do art. 425, do Código Civil; todos os encargos e contribuições decorrentes da relação de emprego entre a autuada e seus empregados sempre foram recolhidos regularmente, assim como também eram os decorrentes das relações e Logística Ouro Fino Ltda. e os colaboradores que prestaram os serviços administrativos comuns ao Grupo; Da impossibilidade de se exigir a retenção de Contribuição Previdenciária à razão de 11% sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços quando não há cessão de mãodeobra a 4ª Câmara, da 1ª Turma Ordinária, em votação unânime, observou que a execução dos serviços de armazenagem tomados pela Minas Logística Ouro Fino Ltda. era feita sob a administração exclusiva da contratada Armazém Gerais Vinhedo Ltda., ou seja, que não havia cessão de mãodeobra: a contratada (Armazéns Gerais Vinhedo), por si ou por subcontratados seus, transportava e distribuía os produtos da contratante; a armazenagem era realizada em dependências da própria contratada; serviços foram contratados para ser executados em um único turno e eventuais acréscimos seria cobrados a parte pela contratada; os serviços eram prestados por profissionais supervisionados e gerenciados pela contratada; os procedimentos de coleta, recebimento e faturamento eram definidos pela contratada, assim como os horários operacionais, sendo que qualquer exceção deveria ser previamente comunicada e negociada entre as partes contratantes; convém destacar, de qualquer modo, que a decisão recorrida amparouse inteiramente nas premissas do art. 219, do RGPS (Decreto n. 3.048, de 1999), isto é, para verificar a configuração da cessão de mãodeobra, percutiu se havia a sua efetiva colocação à disposição da contratante; a decisão efetivamente fez a Lei tributária ser obedecida: sem cessão de mãodeobra não exigiu a retenção do tributo; Da afronta ao princípio da irretroatividade cumulada com o incorreto enquadramento de atividades para a exigência de diferenças de recolhimento de Contribuição Previdenciária em razão de Risco Ambiental de Trabalho (RAT) com efeito, basta observar que a decisão recorrida repeliu a exigência de diferenças de recolhimento de contribuição ao RAT por dois motivos: a violação ao princípio constitucional da irretroatividade, previsto na alínea “a”, do inciso III, do art. 150, da CF/88, e o incorreto enquadramento de fato das atividades econômicas preponderantes da empresa autuada; como cada uma dessas duas distintas razões de decidir é, por si só, suficiente, salta aos olhos que não se trata de anulação em decorrência de vício formal, como alega a recorrente, mas da efetiva desconstituição de um lançamento tributário por conta de Fl. 1309DF CARF MF 8 grave violação constitucional acrescida do incorreto enquadramento das normas que se pretendia aplicar, tudo à revelia de qualquer motivação. Ao final, a Contribuinte pede que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não seja conhecido e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase do Debcad 37.261.6577 (AI68), lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as Contribuições Previdenciárias, nos períodos de 01/2006 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal de fls. 19 a 22. grupo econômico contrato de rateio de despesas com Contribuições Previdenciárias; e caracterização da cessão de mão de obra e das diferenças apuradas a título de RAT nulidade do lançamento por vício formal. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando violação aos §§ 8º e 11, do art. 67, do Anexo II, do RICARF, e que não teria sido demonstrada divergência, uma vez que os acórdãos paradigmas não analisaram as mesmas questões discutidas no acórdão recorrido. Relativamente à alegação de violação ao disposto no art. 67, §§ 8º e 11, esclareçase que a Fazenda Nacional utilizouse da prerrogativa do §11, que lhe confere respaldo, no que tange à dispensa de juntada de inteiro teor do paradigma: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas, na sua integralidade, no corpo do recurso, admitindose ainda a reprodução parcial da ementa desde que o trecho omitido não altere a interpretação ou o alcance do trecho reproduzido." (grifei) Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.307 9 Destarte, o cumprimento dos requisitos formais previstos no § 9º, do art. 67, do RICARF, pode ser suprido pela reprodução da integralidade da ementa do acórdão paradigma no corpo do recurso, conforme o § 11 do mesmo dispositivo regimental, o que foi feito pela Fazenda Nacional. Quanto à alegação de falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, convém examinar as situações fáticas retratadas nos julgados em confronto. Em relação à primeira matéria grupo econômico contrato de rateio de despesas com Contribuições Previdenciárias verificase que a situação fática do acórdão recorrido efetivamente não se assemelha à do paradigma, de sorte que a divergência jurisprudencial não restou comprovada, conforme será demonstrado. No caso do acórdão recorrido, em relação à matéria ora analisada, o voto assim registra: "Consoante se observa dos autos do processo administrativo, para a comprovação do pagamento de salários de contribuição a segurados empregados, a fiscalização tomou como base de suporte do lançamento o registro de valores constantes na contabilidade da empresa, escriturados como débito, relativos às despesas com pagamentos de salários/ordenados, horas extras, adicional noturno, férias e décimo terceiro. Segundo o ilustre Auditor Fiscal, o valor contábil não é um dado arbitrário porque foi oferecido pelo próprio sujeito passivo. De acordo com o Relatório Fiscal, instado a apresentar a relação nominal dos segurados empregados beneficiados por tais pagamentos, o sujeito passivo informou que não realizou referidos pagamentos a empregados e justificou os lançamentos em sua contabilidade como sendo de restituição de despesas à empresa Logística Ouro Fino LTDA, apresentando para tanto contrato de rateio de despesas (fls. 103/109). Segundo a recorrente, a empresa Logística Ouro Fino, na condição de empregadora dos recursos humanos alocados nos serviços administrativos prestados, apurou, reteve e recolheu regularmente todas as contribuições previdenciárias sob sua responsabilidade, cujas despesas foram posteriormente rateadas com a recorrente, na forma do contrato. Tratase, assim, de questão que envolve o rateio de custos/despesas entre empresas do mesmo grupo econômico, mais especificamente, as despesas concernentes aos serviços administrativos indicados no Anexo I do contrato de rateio de despesas (fls. 103/109). Segundo o contrato de rateio de despesas, considerando que as partes integram o mesmo grupo econômico, e que a Logística Ouro Fino Ltda detém infra estrutura administrativa e operacional para atuar em benefício da Minas Logística Ltda nas atividades referentes aos serviços administrativos que esta última necessita para o desenvolvimento das referidas Fl. 1311DF CARF MF 10 atividades, resolvem ratear as despesas incorridas pela Logística Ouro Fino. Para o reembolso das despesas, a Logística Ouro Fino envia mensalmente à Minas Logística um relatório contendo (i) os valores a serem reembolsados e os critérios de rateio utilizados; (ii) demonstrativo das atividades desenvolvidas e despesas totais incorridas; (iii) a correspondente nota de débito. (...) Com efeito, o compartilhamento de custos e despesas entre empresas com interesses comuns, não deve ter o intuito de lucro, mas tão somente a finalidade de ratear ou alocar custos ou despesas de acordo com a proporção dos benefícios auferidos com o ressarcimento respectivo dos custos incorridos para a realização das atividades. A despeito do rateio de despesas, no âmbito administrativo, foi publicada a Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23 de Setembro de 2013, em que assevera ser perfeitamente possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativas comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. (...) Pelo exame dos documentos constantes às fls. 629/765 (extratos bancários, comprovantes de transferência bancária, notas de débito com histórico dos reembolsos), verifico a existência dos pagamentos efetuados pela recorrente Minas Logística Ouro Fino LTDA para a empresa Logística Ouro Fino LTDA, correspondentes aos reembolsos relativos às despesas constantes nos históricos das respectivas Notas de Débito, no mesmo período correspondente ao lançamento. Não vislumbro que o caso tratarseia de oposição à fazenda pública de convenção particular visando a modificação de sujeito passivo ou das obrigações tributárias correspondentes, com relação à responsabilidade para o pagamento de tributos (art. 123 do CTN), conforme destacado na acusação fiscal. Constato sim, a existência de ressarcimentos em virtude de rateio pactuado entre empresas no mesmo grupo, que é corroborado pela própria administração fazendária (SD Cosit nº 23/2013) e regulado pelo art. 299 do Decreto nº 3.000/1999. Nesse ponto, verifico a existência de contrato hígido que tem como objetivo ratear despesas incorridas pela empresa Logística Ouro Fino LTDA no desenvolvimento dos serviços administrativos descritos no Anexo I do contrato, estabelecendo para tanto os critérios previamente definidos para a verificação dos controles necessários. Dessa forma, entendo que o contrato de rateio de despesas cumpre o objetivo ao qual se destina e, juntamente com as notas fiscais de débito emitidas e as transferências bancárias efetivadas, comprovadas através dos documentos adunados aos autos, demonstram que os valores registrados na contabilidade Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.308 11 referemse às despesas incorridas pela empresa decorrentes do referido contrato de rateio, tendo assim natureza de reembolso. (...) Nesse aspecto, verificase que as divergências apuradas surgiram do cruzamento entre os registros contábeis e as informações contidas nas GFIPs, sendo que não foram encontradas nenhuma divergência entre os valores constantes nas folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP, conforme planilha 2 (fls 98), em que o batimento confere nos centavos. A diferença que serviu de base para a lavratura do Auto de Infração ora em debate, foi constatada apenas e tão somente nos registros relacionados aos ressarcimentos de rateios, embora as despesas estejam devidamente comprovadas através dos pagamentos dos valores informados na prestação de contas (fls. 629/765 extratos bancários, comprovantes de transferência bancária, notas de débito com histórico dos reembolsos), já demonstrado no item anterior. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. Por outro lado, os pagamentos perfectibilizados pela Minas Logística Ouro Fino LTDA à empresa Logística Ouro Fino LTDA, nos exatos valores correspondentes ao histórico das despesas administrativas demonstrada (629/765), ratificam o entendimento de que os registros contábeis se referiam aos ressarcimentos estabelecidos no contrato de rateio, não configurando a existência do fato gerador conforme a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (Art. 114 do CTN). (...) Não obstante a falta de intimação dos sujeitos passivos solidários para a comprovação dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, a empresa recorrente, objetivando demonstrar que não ocorreu prejuízo ao erário, trouxe aos autos comprovantes dos pagamentos efetuados pela Logística Ouro Fino à título de contribuição previdenciária, conforme GFIP´s apresentadas com a relação dos funcionários e pagamentos correspondentes às contribuições devidas em relação a todos os empregados, nos termos do § 1º, do art. 225 do Decreto nº 3.048/99 (fls. 833/1.309)." (grifei) Assim, no caso do acórdão recorrido, concluiuse que o ressarcimento da parte devida em rateio formal e previamente contratado de despesas de serviços administrativos comuns a grupo econômico não se amoldaria ao conceito de remuneração e, portanto, não configuraria fato gerador de Contribuição Previdenciária, visto que teria natureza de reembolso à empresa que suportaria integralmente o ônus do recolhimento, considerandose que teriam restado comprovados os pagamentos a título de Contribuições Previdenciárias devidas em relação a todos os empregados. Fl. 1313DF CARF MF 12 Por outro lado, analisandose o inteiro teor do paradigma Acórdão 2803 002.475 verificase que o julgado não trata de situação semelhante à do acórdão recorrido. Longe de demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, o paradigma encontrase em harmonia com o recorrido, já que ambos os julgados aplicam a mesma lógica. Confirase: Relatório "Irresignado o contribuinte principal impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 478 a 497, recebida, em 04/06/2010, acompanhado dos documentos, de fls. 498 a 502, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. · que inexiste grupo econômico, pois o direito empresarial o caracteriza quando há participação direta de capital de no mínimo 1/3, ou que haja sócios comuns, ou no caso de participação mínimo de 20% do capital e com presença dominante ou direção única; · que pela eventualidade a responsabilidade tributária solidária não se forma pelo simples fato da existência de grupo econômico ou a existência de objetivo comum, não gerando a responsabilidade objetiva, assim pensa nossos tribunais e a lei, pois o campo tributário regula se pela legalidade tributária, cita o STJ e Rubens Gomes de Souza; · que não havendo interesse comum e não participando a pessoa da formação do fato gerado não pode haver a sua responsabilização de forma solidária, citando Aliomar Baleeiro e Paulo de Barros Carvalho; · que a solidariedade não se aplica a todos os casos em que haja interesse comum meramente de fato, pois permitiria ao fisco ampliar por demais as pessoas alheias ao fato jurídico tributário a condição de devedor solidário, sendo isto uma subversão da ordem constitucional, transcreve ementas de diversas decisões judiciais de vários tribunais; · que a responsabilidade tributária só pode ser imputada por meio de Lei Complementar, não podendo fazêlo o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91, falando o artigo 146, III, “b”, da CF/88 que a cabe a LC dispor sobre obrigação, lançamento, crédito prescrição e decadência, sendo que o artigo 124, do CTN disciplina o assunto, pelo qual não há responsabilidade pelo simples fato de existir um grupo econômico, cita decisão do STJ, devendose interpretar o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 em consonância com o artigo 124, I, do CTN; · que não sendo acolhida a tese da inexistência de grupo econômico pela eventualidade, deveriase avaliar a possibilidade de rateio de despesas, cita decisões do Conselho de Contribuintes, sendo que todo a pagamento aos empregados foi feito pela DIBAL, não havendo recebimento de outros valores pelos empregados, a exigência desta notificação configura bis in idem, uma Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.309 13 vez que se está tributando o mesmo fato gerador duas vezes, sendo que a contribuição está paga e o crédito extinto;" Voto "A caracterização de grupo econômico no âmbito previdenciário é muito menos exigente do que na seara empresarial/comercial e isto o agente lançador esclareceu de forma clara e objetiva, pois aqui buscase a proteção ao contribuinte trabalhador. O agente fiscal assim esclareceu a questão. Durante o desenvolvimento da ação fiscal 09397024F00 na empresa Cerealista Castro Ltda, foi constatado que vários pagamentos desta empresa foram efetuados pela Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda, nome fantasia Dibal, ferindo o princípio contábil da "Entidade", levando à confusão patrimonial; 1.3. No decorrer do ano de 1999, todos os empregados da Cerealista Castro Ltda, estabelecimento matriz, foram dispensados e readmitidos na Dibal. Além do que posto acima o agente asseverou, nos itens 3.3 a 3.7, do Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, fls. 111 a 136, o que a seguir transcrevo. (...) 3.6. Em processo de reclamatória trabalhista no. 66.01.01.025601, ajuizada pelo empregado Valter Ferreira Santos, contra a empresa Cerealista Castro Ltda e Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda, o referido empregado, através de seu advogado, declara: '3 O Reclamante trabalhou para as reclamadas aos domingos e feriados, no horário das 6:00 hs às 18:00 hs, não tendo folgas semanais, só quando carregava as mercadorias em Barreiras, cumpria expediente normal de trabalho, que era das 8:00 hs às 12:00 hs e das 14:00 às 18:00 hs na sede da empresa em Barreiras. 4 O Reclamante sempre trabalhou para a mesma empresa, só mudou o nome de fantasia, que antes se chamava Cerealista Castro Ltda, e após Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda, conforme se comprova com Declaração em anexo e circular no. 001/98, datada de 28 de abril de 1998, e circular nº 001/99, datada de 1 0. De abril de 1999, todas assinadas pelo Gerente das mesmas, que é a mesma pessoa . (...) Nosso grifo 5 O Reclamante em realidade foi transferido da primeira Reclamada para a segunda, sem sofrer interstício, tendo apenas assinado termo de rescisão de contrato próforma, documento incluso, havendo recebido, inclusive declaração relativa ao período trabalhado, documento igualmente incluso, sendo que o contrato de trabalho do mesmo não era por prazo Fl. 1315DF CARF MF 14 determinado, o serviço que prestava não era de natureza ou transitoriedade que justificasse a determinação de prazos, mesmo porque, a atividade que exercia não poderia ser descontínua e não se tratava de contrato de experiência" Nosso grifo. (...) A própria jurisprudência transcrita pela recorrente não nega vigência ao artigo 30, VI, da Lei 8.212/91 e muito menos afirma que este viola o texto constitucional, veja a transcrição. (...) No caso de contribuição previdenciária não há rateio de despesas, quem paga a contraprestação ao trabalhador é quem deve se responsabilizar pela contribuição, pois há uma relação jurídica prestacional entre a empresa e o trabalhador. Assim, caso o trabalhador receba contraprestação de mais de uma empresa todas estão obrigadas por estas a efetivar a sua parte da contribuição. Nos grupos econômicos como é o caso dos autos qualquer uma das componentes deste pode ser responsabilizada pelo crédito todo. As jurisprudências do CARF citadas não se aplicam, pois referentes a rateio de despesas para redução do lucro real, ou seja, IRPJ e da CSLL entre instituições financeiras do mesmo grupo e com convênio para o rateio – Acórdão 101.96367, versando o segundo, também, sobre IRPJ e CSLL, onde as empresas do campo industrial detinham acordo operacional para rateio das despesas de negócio comum – Acórdão 107 06780. Segundo consta do relatório fiscal, fls.127, item 4.3 o crédito referese a diferenças entre o valor declarado em GFIP e o constante da contabilidade com o efetivamente recolhido, bem como de glosa de saláriofamília ante a não comprovação das exigências legais. Desta forma, não há configuração de bis in idem, pois não houve pagamento para as parcelas exigidas. O agente lançador afirma no item 4.5, de seu REFISC, que abateu todos os pagamentos efetuados pela empresa a título de contribuição previdenciária." (grifei) Assim, no paradigma o cerne da discussão era a comprovação da existência de grupo econômico e, por consequência, da responsabilidade solidária entre seus membros. A questão do rateio foi analisada sob a óptica de divisão dos valores das contribuições entre os responsáveis solidários, tanto é assim que se reconhece expressamente que qualquer um dos membros do grupo econômico pode ser responsabilizado pela integralidade do crédito. Ressaltase ainda que, neste julgado, não há qualquer menção a contrato formal de rateio, e o lançamento em momento algum trata da hipótese de rateio de despesas entre as empresas que constituíam o grupo, o que ratifica a ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. Acrescentese que, no paradigma, a questão do rateio foi trazida em sede de Recurso Voluntário, no qual a autuada, que também era a responsável pela contratação e pagamento dos empregados que prestavam serviços ao grupo econômico de fato, pugnava pela realização de rateio das contribuições objeto de autuação entre as empresas do grupo econômico, caso a tese de sua inexistência não fosse acolhida. O Colegiado, contudo, entendeu Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.310 15 pela impossibilidade do rateio, considerando que o pagamento das Contribuições Previdenciárias seria de responsabilidade de quem remunera o trabalhador. Além disso, entendeuse que somente quando o obreiro recebe contraprestação de mais de uma empresa é que todas elas ficam obrigadas a efetivar o recolhimento de sua parte na Contribuição. Ademais, em relação à solidariedade entre os membros do grupo econômico, em ambos os julgados foram adotadas as seguintes premissas: as obrigações previdenciárias devem ser adimplidas originariamente pela empresa responsável pela contratação e remuneração dos segurados; e o crédito tributário pode ser cobrado de qualquer um dos responsáveis solidários. Ocorre que, no caso do acórdão recorrido, constatouse que as Contribuições Previdenciárias foram recolhidas pelo próprio empregador, que era a Logística Ouro Fino, o que não se verificou no caso do paradigma. Destarte, a leitura dos excertos colacionados permite concluir pela inexistência de qualquer dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim da situação fática específica de cada processo. Com efeito, não se pode afirmar que o Colegiado paradigmático adotaria a mesma conclusão diante de caso em que existem comprovantes dos recolhimentos efetuados a título de Contribuições Previdenciárias, conforme GFIP´s apresentadas com a relação dos empregados e pagamentos correspondentes aos valores devidos referentes a todos os empregados. Ressaltese que no acórdão recorrido foi aplicado, como fundamento para concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos, para posterior rateio dos custos e despesas administrativas comuns, a Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23/09/2013, que sequer existia quando o acórdão paradigma foi proferido, mais precisamente em 20/06/2013. Assim, ausente a similitude fática entre o julgado guerreado e o paradigma, não restou demonstrado o alegado dissídio interpretativo, razão pela qual o recurso não pode ser conhecido, no que tange à matéria "grupo econômico contrato de rateio de despesas com Contribuições Previdenciárias". Quanto à segunda matéria caracterização da cessão de mão de obra e das diferenças apuradas a título de RAT nulidade do lançamento por vício formal antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que no acórdão recorrido não há qualquer menção a declaração de nulidade, já que as incidências foram consideradas indevidas. Com efeito, no caso do acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, considerandose a comprovação, por parte da Contribuinte, de que não ocorrera a cessão de mão de obra alegada pela Fiscalização. Quanto às diferenças apuradas a título de RAT, foi afastada a exigência, considerandose que a Fiscalização fundamentara o lançamento em dispositivo legal que não existia à época dos fatos e que o enquadramento no grau de risco efetuado pela Contribuinte estava correto. Confirase os respectivos trechos do acórdão recorrido: Ementa Fl. 1317DF CARF MF 16 "RETENÇÃO DOS 11% SOBRE O VALOR BRUTO DAS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ARMAZENAMENTO A execução do serviço é feita sob a administração da contratada. Não há a caracterização da prestação de serviços de cessão de mão de obra da forma estabelecida na lei de regência DIFERENÇAS APURADAS A TÍTULO DE RAT. FALTA DE MOTIVAÇÃO Em face da falta de motivação verificase a insuficiência das razões apontadas no Relatório Fiscal para alterar a alíquota indicada pelo contribuinte em GFIP." Voto "Das Contribuições referentes à retenção e ao recolhimento dos 11% (onze por cento) sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços de armazenamento, com cessão de mão de obra, emitidas pela empresa Armazéns Gerais Vinhedo (...) Compulsando os autos, em especial o contrato de prestação de serviços de operador logístico, armazenagem, transporte e outras avenças (fls. 185 a 215), percebese de forma clara que não há a caracterização da cessão de mão de obra da forma estabelecida na lei de regência. Explico. Toda a execução do serviço é feita sob a administração da contratada. A AGV efetua o transporte dos produtos da Minas Logística, por conta própria ou por empresas subcontratadas sob sua exclusiva responsabilidade, e efetua a distribuição dos produtos. Os serviços de armazenagem são prestados pela AGV nas suas dependências, no CD Contagem (armazém da AGV – definição à fls. 187), local onde recebe produtos originados de transferências, e, a partir dele, providencia a distribuição aos destinatários finais indicados pela contratante. Verifico ainda, no contrato de prestação de serviços, que os serviços são executados em um único turno de trabalho e no caso de acréscimo de horas, as horas extras trabalhadas serão cobradas pela AGV. Na execução do serviço pela contratada estão incluídas a mão de obra profissional, inclusive os motoristas, treinados e habilitados, necessários à execução dos serviços objeto do contrato, se obrigando a contratada a executar as operações e serviços por meio de pessoal registrado em carteira de trabalho, nos termos da legislação vigente, e mantêlos supervisionados e direcionados pela Gerência da AGV. Observo ainda que os procedimentos de coleta, recebimento, faturamento são todos administrados e com determinação de horários pela contratada, sendo que qualquer solicitação de forma diversa tem que ser previamente negociado com a AGV. Diante dos fatos acima expostos, entendo que não restou configurada a prestação de serviços mediante cessão de mão de Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.311 17 obra, razão porque indevida a incidência da tributação sobre as notas fiscais. Das diferenças a título de RAT O Auditor Fiscal procedeu ao lançamento da diferença das contribuições para o RAT, por haver o sujeito passivo declarado e recolhido com aplicações de alíquotas inferiores aos 3% (três por cento) devido em todo o período. A base de incidência foram os valores declarados em GFIP pelo contribuinte, conforme Planilha 7 (fl. 224). Em Recurso Voluntário a empresa alega que a fiscalização utilizou como fundamento o Decreto nº 6.042/2007 que alterou o Regulamento da Previdência Social, com início de vigência a partir de julho de 2007, data posterior ao período dos fatos geradores lançados, e que a aplicação do Decreto para fatos ocorridos em período anterior à sua vigência afronta o princípio da irretroatividade. Entendo que assiste razão à Recorrente. (...) Aqui a fiscalização cometeu dois erros. Primeiro, porque fundamentou o lançamento em dispositivo legal que passou a vigorar somente após o período fiscalizado; segundo, porque o Decreto 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, estabelece em seu Anexo V que a atividade classificada no CNAE 46443/ 02 – Comércio atacadista de medicamentos e drogas de uso veterinário se sujeita a alíquota de 1%. Em face da falta de motivação, não entendo como suficiente as razões apontadas no Relatório Fiscal para alterar a alíquota indicada pelo contribuinte em GFIP. Assim, assiste razão à recorrente, razão porque afasto a exigência contida no lançamento." (grifei)) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar comprovação de que não ocorreu a cessão de mão de obra aventada pela Fiscalização, bem como de autuação de diferenças a título de RAT, fundamentada em dispositivo que não existia à época dos fatos geradores ao invés de considerarse indevida a exigência, se concluísse que teria ocorrido nulidade por vício formal, e consequentemente o lançamento pudesse ser refeito. Obviamente que, se isso fosse possível, estarseia admitindo que a Fiscalização poderia aportar novos argumentos em contraposição à valoração das provas quanto à ausência de cessão de mão de obra; e quanto ao RAT, não se vislumbra a forma de retificação do lançamento, já que tratouse de aplicação de legislação que não estava vigente à época do fato gerador, e a que vigia previa a alíquota aplicada pela Contribuinte. Ainda assim, será efetuada a verificação acerca de eventual similitude fática entre recorrido e paradigma. Para esta segunda matéria, a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nº 310200.577 e 230200.308, porém o primeiro deles não foi considerado apto a demonstrar a alegada divergência, conforme o Despacho de Admissibilidade de fls. 1.660 a Fl. 1319DF CARF MF 18 1.668. No que tange ao segundo paradigma, a Fazenda Nacional reproduziu os seguintes trechos: Ementa "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/07/2006 CARACTERIZAÇÃO EMPREGADO, VÍCIO NO RELATÓRIO FISCAL INCOMPLETO. Não se pode confundir o órgão fiscalizador com o julgador. Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançar os tributos, e cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vicio formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Auto de infração anulado. Crédito Tributário Exonerado." Voto "Entendo que o lançamento possui um vício na formalização. Não restou caracterizado o enquadramento dos segurados como empregados. O relatório fiscal está incompleto, uma vez que não houve detalhamento acerca da subordinação, para a maioria dos casos o Auditor sequer indicou qual seria a atividade prestada pelo segurado, fl. 37. (...) CONCLUSÃO: Assim, voto por ANULAR o lançamento por vício formal." (Destaques da Fazenda Nacional) Recapitulando, o caso tratado no acórdão recorrido não é de falha na descrição dos fatos, mas sim de comprovação da não ocorrência do fato gerador quanto à cessão de mão de obra, bem como de aplicação de dispositivo legal com vigência posterior à ocorrência dos fatos geradores, ou seja, situações em que não há como o lançamento ser refeito, daí o resultado do julgamento não mencionar nulidade e sim considerar as incidências indevidas. Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.312 19 Assim, a leitura da ementa já permite concluir que o caso tratado no paradigma em nada se assemelha ao do acórdão recorrido, tendo em vista tratarse de relatório fiscal incompleto, de descrição insuficiente dos fatos geradores, o que se confirma pela colação de trechos do respectivo voto: "A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n 70235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal, Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juizo. (...) Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235." (grifei) O trecho acima bem resume a situação do paradigma, que trata de falha na descrição dos fatos geradores, o que não se pode comparar com a situação do acórdão recorrido, que, repitase, não trata de erros formais e sim da comprovação da não ocorrência do fato gerador, no caso da cessão de mão de obra, bem como de ausência de motivos para alterar o enquadramento no grau de risco efetuado pela Contribuinte. Com efeito, no caso do paradigma não se faz menção a provas que teriam conduzido à conclusão de que não ocorreu o fato gerador mas sim o relato de que a descrição do fato gerador careceria de complemento, o que de resto seria impossível no caso do acórdão recorrido. Por isso mesmo nesse julgado não se faz menção a nulidade, ou a natureza de vício. Ausente a similitude fática entre o julgado guerreado e o paradigma, não restou demonstrado o alegado dissídio interpretativo, de sorte que o apelo não pode ser conhecido. Diante do exposto, tendo em vista que os paradigmas indicados efetivamente não logram caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1321DF CARF MF 20 Fl. 1322DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.735701/2017-93
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF.
Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.
Numero da decisão: 2002-000.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF. Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 57 01 /2 01 7- 93 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11080.735701/201793 Acórdão n.º 2002000.781 S2C0T2 Fl. 99 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 06/09) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014 (efls. 51/65), onde se apurou a Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de R$ 4.662,26 referente à fonte pagadora Santos e Pellin Comércio de Móveis Ltda ME. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 02/05), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 71/72): que o valor contestado referese ao imposto de renda retido na fonte informado no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora; que os rendimentos correspondentes foram devidamente oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. que apresenta as informações relativas ao contrato de aluguel e afirma que contratou a Guarida Imóveis para administração do aluguel, sendo esta responsável pelas retenções do imposto de renda; que informa 50% dos rendimentos recebidos de aluguéis e sua esposa Leda Dalberto Toschi os outros 50%, de modo que a totalidade dos rendimentos são tributados; que foi efetuada a retenção do imposto de renda, conforme mencionado no informe de rendimentos; que comprovado que recebeu o valor líquido do aluguel é incabível a glosa do imposto de renda na Declaração de Ajuste Anual; que uma vez retida pelo locatário o valor do imposto de renda retido, não há que se falar em responsabilidade do locador; que os valores informados na Declaração de Ajuste Anual estão em conformidade com a legislação em vigor, não havendo, portanto, as divergências apuradas pela fiscalização; Traz à colação jurisprudência a seu favor. Solicita a prioridade do Estatuto do Idoso. A impugnação foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/BSB por falta de comprovação do IRRF declarado (efls. 70/74). Cientificado do acórdão de primeira instância em 19/04/2018 (efls. 78), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 16/05/2018 (efls. 81/84) com os argumentos a seguir sintetizados. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11080.735701/201793 Acórdão n.º 2002000.781 S2C0T2 Fl. 100 3 Apresenta breve descrição das fases processuais. Insurgese contra a o reconhecimento da solidariedade entre as partes da relação jurídica de locação no tocante ao adimplemento de obrigação tributária não cumprida pela empresa que efetuava o pagamento do aluguel à pessoa física após a retenção da quantia correspondente ao Imposto de Renda. Expõe que, conforme se verifica nos documentos de retenção, está comprovado que o valor referente ao Imposto de Renda foi devidamente retido pela empresa locatária, sendo incabível a glosa na sua declaração de ajuste anual. Defende que, uma vez retida pelo locatário a quantia devida a título de Imposto de Renda, não há que se falar em responsabilidade do locador para recolhêla aos Cofres Públicos. Apresenta jurisprudência sobre o assunto. Destaca que, além dos comprovantes de retenção enviados pela imobiliária administradora das locações anexados à impugnação, juntou ao recurso os comprovantes de depósito bancário dos valores líquidos. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No caso em tela a decisão recorrida manteve a compensação indevida de IRRF apurada no lançamento por considerar insuficientes os documentos comprobatórios apresentados pelo sujeito passivo, conforme se extrai dos excertos a seguir reproduzidos (efls. 73): No presente caso, o contribuinte juntou aos autos a documentação da administradora do imóvel. Contudo, tais documentos são insuficientes para comprovar o imposto de renda retido na fonte. Não consta dos autos o comprovante de rendimentos da fonte pagadora Santos e Pellin Comércio de Móveis Ltda, apesar de mencionado pelo contribuinte. Além disso, a fonte pagadora não apresentou a Dirf. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte reitera que os documentos fornecidos pela administradora de Imóveis Guarida são suficientes para a comprovação do IRRF pleiteado e apresenta extratos bancários com o intuito de demonstrar o recebimento do aluguel líquido em alguns meses. Devese esclarecer, contudo, que a compensação de IRRF somente é permitida se os rendimentos correspondentes forem incluídos na base de cálculo do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual e se o contribuinte possuir comprovante da retenção Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11080.735701/201793 Acórdão n.º 2002000.781 S2C0T2 Fl. 101 4 emitido em seu nome pela fonte pagadora, nos termos do art. 87 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, o que não se verifica no presente caso. Ressaltese que a responsabilidade pela retenção do imposto de renda pertence à fonte pagadora e não à administradora de imóveis, cabendo a ela fornecer o respectivo comprovante. Os documentos acostados aos autos não são hábeis a demonstrar, de maneira inequívoca, que os rendimentos declarados para a Santos e Pellin Comércio de Móveis correspondem ao valor bruto recebido a titulo de aluguel e que este, de fato, sofreu a retenção de imposto de renda informada. Importa salientar que o que está sendo analisado neste processo é a comprovação da retenção do imposto pela fonte pagadora e não o recolhimento do mesmo após a sua retenção, ao contrário do que parece entender o recorrente. Assim, diante da ausência de comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora e de DIRF apresentada pela mesma, e tendo em vista que a empresa foi baixada em 2016 conforme consulta ao sítio da RFB, não sendo possível a realização de diligência para confirmar as informações fornecidas pela administradora de imóveis, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11073.000178/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ.
Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega da DIPJ quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que justifiquem o seu afastamento.
Numero da decisão: 1201-002.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Jùnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Jùnior
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score : 1.0
Numero do processo: 17546.000357/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/2005
DECADÊNCIA. ENUNCIADO 8 DE SÚMULA VINCULANTE STF. LEI COMPLEMENTAR 128/2008.
São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do Decreto -Lei n. 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
As regras de decadência de créditos de natureza tributária (incluídos as contribuições previdenciárias) são aquelas estabelecidas no CTN.
PRELIMINARES DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. LANÇAMENTO EM CONFORMIDADE COM DECRETO 70.235/72.
Não há que se falar de nulidade quando o lançamento encontra-se em consonância com as regras do processo administrativo fiscal consignadas no Decreto n. 70.235/72.
BITRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não resta caracterizada bitributação quando os débitos apurados em outras fiscalizações foram devidamente deduzidos do lançamento em litígio.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. INCIDÊNCIA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
EXCESSIVIDADE E ABUSIVIDADE DA MULTA MORATÓRIA. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2402-007.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a ocorrência da decadência das contribuições até a competência 11/1999, inclusive.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. ENUNCIADO 8 DE SÚMULA VINCULANTE STF. LEI COMPLEMENTAR 128/2008. São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do Decreto -Lei n. 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. As regras de decadência de créditos de natureza tributária (incluídos as contribuições previdenciárias) são aquelas estabelecidas no CTN. PRELIMINARES DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. LANÇAMENTO EM CONFORMIDADE COM DECRETO 70.235/72. Não há que se falar de nulidade quando o lançamento encontra-se em consonância com as regras do processo administrativo fiscal consignadas no Decreto n. 70.235/72. BITRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não resta caracterizada bitributação quando os débitos apurados em outras fiscalizações foram devidamente deduzidos do lançamento em litígio. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. EXCESSIVIDADE E ABUSIVIDADE DA MULTA MORATÓRIA. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. ENUNCIADO 8 DE SÚMULA VINCULANTE STF. LEI COMPLEMENTAR 128/2008. São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do Decreto Lei n. 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. As regras de decadência de créditos de natureza tributária (incluídos as contribuições previdenciárias) são aquelas estabelecidas no CTN. PRELIMINARES DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. LANÇAMENTO EM CONFORMIDADE COM DECRETO 70.235/72. Não há que se falar de nulidade quando o lançamento encontrase em consonância com as regras do processo administrativo fiscal consignadas no Decreto n. 70.235/72. BITRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não resta caracterizada bitributação quando os débitos apurados em outras fiscalizações foram devidamente deduzidos do lançamento em litígio. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 03 57 /2 00 7- 16 Fl. 834DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 835 2 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. EXCESSIVIDADE E ABUSIVIDADE DA MULTA MORATÓRIA. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a ocorrência da decadência das contribuições até a competência 11/1999, inclusive. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 759/792) em face do Acórdão n. 05 17.982 9ª. Turma da DRJ/CPS (efls. 745/755) que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.774.776 3 consolidado em 26/12/2005 e constituído em 29/12/2005 (efl. 471) valor total de R$ 16.986.568,91 P.A 01/1995 a 08/2005 (efls. 04/264), com fulcro em i) contribuições sociais e outras importâncias devidas à Previdência Social, correspondentes à contribuição dos segurados empregados e contribuição da empresa; ii) contribuição social para o financiamento das prestações por acidente do trabalho SAT (para competências 01/1995 até 06/1997) e contribuição social para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (para competências a partir de 07/1997); e contribuições sociais destinadas a outras entidades/fundos, observandose que o período total do lançamento abrange as competências 01/1995 a 08/2005, incluindo os 13°. Salários e o período do lançamento da matriz abrange as competências 02/1995 a 08/2005; da filial 000206, as competências 01/1995 a 08/2001; da filial 000397 as competências 07/1997 a 05/1999; da filial 000478, as competências 04/1996 a 07/2001; da filial 000559, as competências 07/1997 a 10/1999; da filial 000630, a competência 05/1999 a 01/2001; iii) diferenças de acréscimos legais, não recolhidas em épocas próprias, do período de 01/1995 a 06/1999. Tudo conforme discriminado no Relatório Fiscal (efls. 358/372). Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 476/507) em 13/01/2006 (efl. 475), julgada improcedente pela DRJ/CPS, nos termos do Fl. 835DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 836 3 Acórdão n. 05 17.982 (efls.745/755), com o entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/1995 a 08/2005 PREVIDENCIÁRIO. AFERIÇÃO INDIRETA DAS CONTRIBUIÇÕES.. A não apresentação pela empresa de contabilidade e outros documentos, acarreta a apuração por aferição indireta com fulcro nos §§ 2° e 30 do artigo 33, da Lei n° 8.212/91. ARBITRAMENTO.Deixando o contribuinte de apresentar documentação hábil e idônea, a despeito de ter sido devidamente intimado, é correto o arbitramento das contribuições devidas. ARGUIÇÃO DE NULIDADE.Somente ensejam a nulidade, os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa.Descabe a alegação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e quando a autoridade 010 notificante observa os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação previdenciária. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa, a apreciação de argüições de inconstitucionalidades ou injustiças, quando legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Lançamento Procedente Cientificada do teor do Acórdão n. 05 17.982 (efls. 745/755) em 26/02/2008 (efl. 757), a impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (efls. 759/792) na data de 14/03/2008, esgrimindo os seguintes argumentos: i) nulidade da notificação por ausência de cumprimento dos requisitos legais; ii) decadência dos créditos exigidos; iii) ocorrência da prescrição; iv) nulidade da lavratura da notificação; v) inabilitação técnica do fiscal; vi) necessidade de lei complementar; vii) invalidade do lançamento; viii) ofensa ao principio da legalidade; ix) ausência de liquidez e certeza; x) existência de bitributação; xi) existência de pagamento das contribuições; xii) inexigibilidade de juros de mora; xiii) excessividade e abusividade da multa moratória; e xiv) inaplicabilidade da taxa Selic. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 759/792) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. O lançamento em apreço tem espeque nos seguintes levantamentos, conforme informa o Relatório Fiscal (efls. 358/372): Fl. 836DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 837 4 [...] Fl. 837DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 838 5 Fl. 838DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 839 6 Fl. 839DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 840 7 Fl. 840DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 841 8 [...] Em face das acusações fiscais em apreço, a Recorrente, então impugnante, apresentou impugnação (efls. 476/507) em face da totalidade da autuação, julgada improcedente pela instância de piso. Muito bem. É oportuno esclarecer que o Recurso Voluntário (efls. 759/792) apenas reproduz, ipsis litteris, os mesmos argumentos aduzidos na impugnação (efls. 476/507), sem nada acrescentar. De plano, verificase, a partir do que consta dos autos, que as alegações acerca da nulidade da notificação por ausência de cumprimento dos requisitos legais; nulidade da lavratura da notificação; ocorrência da prescrição; inabilitação técnica do fiscal; necessidade de lei complementar; invalidade do lançamento; ofensa ao principio da legalidade; e ausência de liquidez e certeza, não merecem prosperar, vez que o procedimento fiscal que subsidiou o lançamento ora combatido encontrase em conformidade com as regras do processo administrativo fiscal estabelecidas no Decreto n. 70.235/72. Dentre as alegações acima referidas, cabe, especificamente quanto à suposta inabilitação técnica fiscal, bem assim ocorrência de prescrição, considerações adicionais. A inabilitação técnica fiscal é objeto do Enunciado n. 8 de Súmula CARF, que de há muito espancou tal ilação: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Da mesma forma, não há que se falar de prescrição em face do lançamento em apreço, tendo em vista que iniciouse a fase contenciosa do processo administrativo com a impugnação tempestiva, ocorrendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e, por óbvio, também a suspensão da sua cobrança por parte da Administração Tributária, forte no art. 151, III, do CTN. Todavia, em relação à preliminar de decadência, é oportuno destacar, inicialmente, que, de fato, à época do lançamento encontravase vigente o art. 45 da Lei n. 8.212/1991, que estabelecia prazo decadencial de 10 (dez) anos para a constituição de crédito tributário relativo às contribuições à Seguridade Social. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 842 9 Ocorre que no julgamento do RE 559.943, em 12/06/2008 (DJE 182 de 26/09/2008) restou definida a tese de que são inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do Decreto Lei n. 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, consolidandose no Enunciado n. 8 de Súmula Vinculante STF. Posteriormente, a matéria viria a ser objeto da Lei Complementar n. 128, de 19 de dezembro de 2008, que, em seu art. 13, I, alínea "a", estabelece que, a partir de 22/12/2008, ficam revogados os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991. Nessa perspectiva, as regras de decadência de créditos de natureza tributária (incluídos as contribuições previdenciárias), passam a ser aquelas estabelecidas no CTN. Na espécie, considerandose que o período de apuração da autuação em litígio abrange as competências 01/1995 a 08/2005, é forçoso admitirse, de plano, o advento da decadência em face do lançamento consignado na NFLD DEBCAD n. 35.774.7763, observandose a regra geral do art. 173, I, do CTN, nas competências 01/1995 a 11/1999, inclusive, vez que a exação foi constituída apenas em 29/12/2005. Não há registro nos autos de recolhimentos a caracterizar pagamento antecipado, tendo em vista que os créditos considerados que repercutiram no valor apurado das contribuições, conforme consignado no Discriminativo Analítico de Débitos (DAD) da NFLD DEBCAD n. 35.774.7763, referemse a valores apurados em fiscalizações anteriores e não a recolhimentos/pagamentos antecipados, conforme bem esclarece a informação fiscal de efls. 651/667, que atendeu à solicitação do Serviço de Contencioso Administrativo (efl. 643). Nessa perspectiva, não há que se falar da incidência da regra especial de decadência insculpida no art. 150, § 4°., do CTN c/c Enunciado n. 99 de Súmula CARF. Desta forma, é forçoso admitirse, vez que tratase de matéria de ordem pública, o advento da decadência em face das competências 01/1995 a 11/1999, inclusive. Outrossim, não há que se falar de bitributação, nem de pagamentos de contribuições, uma vez presente os esclarecimentos da autoridade lançadora quanto aos débitos apurados por estabelecimento da Recorrente e competência, constituídos em fiscalizações anteriores e devidamente abatidos da NFLD DEBCAD n. 35.774.7763, conforme consignado no Discriminativo Analítico de Débitos (DAD) e na informação fiscal de efls. 651/667, que atendeu à solicitação do Serviço de Contencioso Administrativo (efl. 643). No que diz respeito à incidência de juros de mora corrigidos pela taxa SELIC, tratase de matéria consolidada nos Enunciados n. 4, 5 e 108 de Súmula CARF, dispensandose outras considerações: Enunciado n. 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Enunciado n. 5: Fl. 842DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 843 10 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Enunciado n. 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Quanto à alegação de excessividade e abusividade da multa moratória é de se observar que tratase de previsão legal e falece competência ao CARF para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do Enunciado n. 2 de Súmula CARF, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 759/792), RECONHECER A DECADÊNCIA EM FACE DAS COMPETÊNCIAS ATÉ 11/1999, INCLUSIVE, REJEITAR AS DEMAIS PRELIMINARES, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 843DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.002713/2005-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tomou-se requisito indispensável para a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural,
PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO ADA,
Sendo a apresentação do ADA condição fundamental para fruição do direito
à exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, sua protocolização deveria se dar antes da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. A administração tributária postergou sua apresentação para seis meses a contar da data da apresentação da DITR.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.436
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (Relator) que dava provimento ao recurso. Designado o conselheiro Caio Marcos Candido para redigir o voto vencedor.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tomou-se requisito indispensável para a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO ADA, Sendo a apresentação do ADA condição fundamental para fruição do direito à exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do 1TR, sua protocolização deveria se dar antes da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. A administração tributária postergou sua apresentação para seis meses a contar da data da apresentação da DITR. Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (Relator) que dava provimento ao recurso. Designado o consell-ieira / n -Caio Marcos Candido para redigir o voto vencedor. . . r V, . ., ..• ,i 1 . '------CIaio Marcos Canãii1O---. -Presidente e Reda r Designado, LéaW r. / Alex Processo ri° 10735.002713/2005-90 S2-C111 Acórdão r1.° 2101-00.436 F I. 165 EDITADO EM: 24 SET 2010 Participaram do julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Robinson Passos de Castro e Silva e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 144/158) interposto em 20 de maio de 2008, contra o acórdão de fls. 128/138, do qual a Recorrente teve ciência em 18 de abril de 2008, sexta-feira (ff 142), proferido pela 1" Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 58/60, lavrado em 28 de setembro de 2005, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2001, decorrente da não comprovação da área de preservação permanente. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL DO IMÓVEL RURAL CONDIÇÃO. A exclusão de área como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do IIR, está condicionada ao reconhecimento dela pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE, INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR, Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar-lhe execução. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquele objeto da decisão PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO 2 Processo n õ 10735.002713/2005-90 S2-CIT1 Acórdão n..° 2101-00.436 Fl 166 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia e diligência, Lançamento Procedente" (fls. 128/129), Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 144/158, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para exonerar o crédito tributário. É o relatório., Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrente aduz, basicamente, em seu recurso voluntário, que a exigência do ADA não possui suporte legal. Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: "Art. 29, O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município." À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal ri,° 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art, 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1°, corno hipótese de incidência do tributo, a "propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município" Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem corno fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verifica-se que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR.. Isso porque, como se i\sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 50 da CF, possti limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5 0, XIII, da CF). 3 Processo n° 10735 002713/2005-90 S2-C1 I I Acórdão n. 2101-00,436 Fl 167 Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar', contudo, "o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vincula ção social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocá-la, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade." (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al). Curso de direito constitucional, 4' ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verifica-se que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não- incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.° 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: "Art. 10. A apuração e o pagamento do FIR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do UR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7,803, de 18 de julho de 1989" (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada "área de preservação permanente" (APP), dispõe o Código Florestal, Lei ri.° 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros d 'argui a; 4 Processo n° 107.35.002713/2005-90 Acórdão n '2101-00.436 S2-C1T1 Fl. 168 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; 1) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1,800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único, No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observar-se- á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3° Consideram-se, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; 57— c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bem-estar público, § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for 5 Processo n" 10735 002713/2005-90 S2-C1II Acórdão n 2101-00.436 Fl 169 necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social, § 2° As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei." Verifica-se, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as "florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica" (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário, 5' ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1" do art. 3°, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2,166-67/2001, assim dispõe: "Art. 16, As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: 1 - oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II - trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7 2 deste artigo; III - vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do Pais; e IV - vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1 2 O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 22 A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3 2 deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas, § 32 Pata cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas 6 Processo n° 10735.002713/2005-90 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00436 Fl. 170 § 4° A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: - o plano de bacia hidrográfica; 11 - o plano diretor municipal; III - o zoneamento ecológico-econômico; IV - outras categorias de zoneamento ambiental; e V - a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida, § 5' O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico - ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: - reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os eeótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e - ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional, § 62 Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I - oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II - cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III - vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2° do art. § 7° O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 62, § 8' A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código, § 9° A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10, Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da 7 Processo n°10735 002713/2005-90 S2-C1 TI Acórdão n 2101-00.436 Fl 171 reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. Art. 44, O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5- e 6°, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I - recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II - conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III - compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossisterna e esteja localizada na mesma rnicrobacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1° Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar, § 2° A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAIVIA. § 3' A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4(-1 Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma micro-bacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III § 5 A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode serr, implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou\ reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art.. 44-B. . )" O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das Processo n° 10735.002713/2005-90 52-C1T1 Acórdão n." 2101-00A36 Fl 172 florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação especifica (MILARÉ, Edis, op. cit. p, 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que "ao permitir tal supressão [de .florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra ,fornza de vegetação nativa", delimitando, assim, "a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal" (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, "uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade", estando, assim, "unzbilicahnente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem" (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça, In: Revista de Direito Ambiental n.° 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p, 120). À luz do exposto, verifica-se que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tão-somente, da ocon-ência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem corno pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. À guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4° do art, 16 da Lei n." 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8° do art. 16 da Lei (, n." 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n." 6.514/2008, encontra-se atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n." 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominar-lhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à 9 Processo n° 10735.0027 t 3/2005-90 S2-C111 Acórdão n 2101-00.436 F1 173 competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental, Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17-0, da Lei Federal n,' 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17-0. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lbama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria," (AC) 1' A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do 1TR é opcional. Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao 1TR, a 2' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.° 106/2009: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.." Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n," 10,165/2000 alterou-se a redação do §1° do art, 17-0 da Lei n.o 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17-O. (-) § 1 A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do 1TR é obrigatória," Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejando-se o texto aprovado quando da edição da Lei n." 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei riL° 10,165/00, verifica-se que, para o fim específico da legislação tributária, passou-se a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fiuição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9,393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como sg. poderia entender de uma análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há corno afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do 1TR. 10 Processo n° 10735 002713/2005-90 S2-C1TI Acórdrio ri 2101-00.436 El 174 Importante gizar, outrossim, ainda no que concerne à obrigatoriedade de apresentação do ADA, que não há que se falar em revogação do referido dispositivo pelo §70 do art. 10 da Lei n.° 9.393/96, instituído pela Medida Provisória n,° 2.166-67/01, tendo em vista que a inversão do ônus da prova prevista no referido dispositivo refere-se justamente às declarações feitas pelo contribuinte no próprio Ato Declaratório Ambiental (ADA), de modo que não estabelece referido dispositivo legal qualquer desnecessidade de apresentação deste último. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17-0 da Lei n.° 6.938/81, Analisando-se, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, pode-se inferir que a mudança de paradigma deveu- se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do 1TR foi permitir urna efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizando-se, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, pode-se afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária" (PONTES, Helenilson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites, In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez-2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigir-se-ia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passou-se, com o advento da Lei Federal n.° 10,165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratando-se, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferir-lhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais, I Processo n° 10735,002713/2005-90 S2 -C111 Acórdão n 2101 -00,436 F I 175 Partindo-se desta premissa basilar, verifica-se que o art. 17-0 da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR, A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §30, I, do Decreto n.° 4382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, posterior ao exercício que ora se trata. Quer-se com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse, de maneira inolvidável, a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia, sequer no âmbito do poder regulamentar, disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na folina como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repise-se, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17-0 da Lei n.° 6398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressalte-se, não é o caso. Nesse esteio, recorrendo-se à analogia para o preenchimento de referida lacuna, deve-se recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9393/96, aplicadas ao presente caso tendo-se sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17-0 da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verifica-se que cumpre o escopo da Processo n° 10735 002713/2005-90 S2-C1 TI Acórdão n 2101-00.436 Fl. 176 norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verifica-se que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo .juridico "tibi eadem ratia, ibi eaedem legis dispasitio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização especifica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato, Assim, aplica-se ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.189-49/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa," De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Poder-se-ia sustentar, inclusive, que o ADA poderia ser substituído por outros documentos que comprovassem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornou-se anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: "Em virtude da impossibilidade de proceder-se à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores — por não haver retroatividade —, recomenda-se que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em viga') mesmo porque a apresentação, a partir do ADA — Exercício 2007 tomou-stÀ ANUAL. É necessário, também, munir-se de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao lbama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural — pela não apresentação do ADA no Exercício devido —, à ela deverão ser apresentados," 13 Processo n° 10735 002713/2005-90 S2-C111 Acórdão n 2101-00A36 P1 177 Mais adiante, em resposta à pergunta n, 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?"), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: "a Ato Declaratório Ambiental — ADA e o comprovante da entrega do mesmo; e Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 1; 4) Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); • Laudo de vistoria técnica do Ibarna relativo à área de interesse ambiental; • Certidão do lbama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; • Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; e Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (FRAU) ou 'Termo de Ajustamento de Conduta (TÁC); e Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual — Ato do Poder Público — para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico, • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; G Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)." Pode-se concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode ventre contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. Diante de todo o exposto, verifica-se que, no presente caso, a Recorrente, conforme se infere da análise dos presentes autos, apresentou o ADA em 18/02/2004 (fl. 53), sendo que a fiscalização teve início em 16/05/2005 (ft 04), ou seja, em data anterior à do início da fiscalização, logo, em total consonância com o posicionamento aqui adotado, 14 [ishioka f ALL, Alexandre Naoki v,4 Processo ri' 10735002713/2005-90 S2-C11-1 Acórdão n ° 2101-00.436 19 178 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões-DF, em 11 de março de 2P10 Voto Vencedor Conselheiro Caio Marcos Candido, Redator Designado, A despeito do substancioso voto de lavra do Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, a maioria dos componentes da Turma entendeu de forma diversa, quanto à necessidade de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental, com vistas a excluir a Área de Preservação Permanente da base de cálculo do UR. Tendo sido designado para redigir o voto que espelha a maioria das opiniões, assim o faço, Inicialmente reproduzo a parcela do voto vencido, naquilo que importa para o presente voto: De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigir-se-ia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passou-se, com o advento da Lei Federal n. 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA.. Tratando-se, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicado,- do direito, neste conceito compreendido o ,julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferir-lhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindo-se desta premissa basilar, verifica-se que o art 17-0 da Lei n " 6,938/81, em que pese o .fato de imprimir; de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua 15 Processo n° 10735 002713/2005-90 S2-C1 T 1 Acórdão n ° 2101-00,436 FI 179 protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do 1TR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim especifico da redução da base de cálculo do 1TR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3', 1, do Decreto n.' 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, posterior ao exercício que ora se trata. Quer-se com isso dizer; portanto, que, muito embora a legislação tratasse, de maneira inolvidável, a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim especifico da redução da base de cálculo do 1TR, não havia, sequer no âmbito do poder regulamentar; disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA, Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na _forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repise-se, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da D1TR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n° 4,382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. EM virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17-0 da Lei 11, " 6.398/81, A discussão que se trava nestes autos cinge-se em saber se a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de exclusão das mesmas da base de incidência do 1TR, depende, ou não, do cumprimento da exigência da protocolização tempestiva do ADA, a ser emitido pelo IBAMA ou órgão conveniado. Vejamos a legislação de regência da matéria. A legislação aplicável estabelece que não serão consideradas pata a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso 11 do § 1° do art. 10 da lei n° 9393/1996: Art.. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos 16 Processo n° 10735,002713/2005-90 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00,436 Fl. 180 pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1" Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 11 - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:- a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 11" 4,771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7803, de 18 de julho de 1989; Conforme visto, as áreas de preservação permanente são aquelas descritas nos § 20 e § 30 do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições,- ) § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área, § 3" Aplica-se às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. A exigência da apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente, inicialmente tinha como supedâneo a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 67, de 1997. É pacífica a jurisprudência administrativa no sentido da inexigibilidade da apresentação do ADA com base no dispositivo infra-legal citado. No entanto, o art. 1° da Lei n° 10.165, de 2000 estabeleceu aquela condição ao incluir o art. 17-0 na Lei n° 6.938, de .31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17-0 Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lbama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (VR) ) § 1' A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. 7 Processo n° 10735002713/2005-90 S2-C1T1 Acórdão n 2101-00436 ri 181 Afirma o conselheiro relator do voto vencido que esta norma não indicou prazo para a apresentação do ADA e que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído por instrução normativa, o que feriria o ordenamento jurídico pátrio. Sendo assim, até a data do início da fiscalização a apresentação do ADA seria tempestiva. Este o ponto de discordância. Ao estabelecer que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória, a lei estabeleceu uma condição a ser adimplida pelo contribuinte com vistas a possibilitar a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do 1TR. A partir do exercício de 1997, com a edição da Lei n° 9.393, de 1996, o 1TR passou a ser lançamento por homologação, Assim cabe ao contribuinte efetuar a apuração do valor devido e informá-lo à Secretaria da Receita Federal na DITR. Para fazer uso do direito da exclusão o contribuinte deveria cumprir as condições legais previamente à apuração do tributo devido, in casu, ser detentor do ADA, antes da ocorrência do fato gerador do imposto, A Secretaria da Receita Federal ao indicar o prazo de seis meses, em verdade, prorrogou o prazo estabelecido na lei, beneficiando o contribuinte. Sendo assim, para que o contribuinte fizesse jus à exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR deveria apresentar ADA protocolizado antes do faro gerador, sendo aceito, por prorrogação da autoridade tributária, aqueles protocolizados até seis meses a contar da data da entrega da DITR. No presente caso, a apresentação do ato se deu após o prazo estabelecido, pelo quê, nego provimento ao recurso. Marcos Candido. Is
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Numero do processo: 10580.903615/2009-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 15 029.863, da 2ª Turma da DRJ/SDR, que considerou improcedente a manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 36 15 /2 00 9- 14 Fl. 215DF CARF MF 2 inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou o pedidos de compensação declarado através do PER/DCOMP n° nº 33450.39059.290806.1.3.040956 (fls. 02/06), transmitido em 29/04/2005, para a qual foi utilizado crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ – código de receita: 2362), do período de apuração 31/08/2002, no valor original, na data da transmissão, de R$1.907,05. Transcrevo, a seguir o relatório: Por meio do despacho decisório de fl. 07 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP acima mencionado, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a Contribuinte alega ter constado no PER/DCOMP que o crédito que deu origem ao pedido de compensação seria previamente de pagamento indevido ou a maior, quando referido crédito teria sido originário de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, conforme constatase na DIPJ 2003/2002 (Ficha 12 A, pág. 12), havendo, portanto, um erro no preenchimento, existindo de fato o crédito em seu favor. Informa que anexou: 1) cópia da última Alteração Contratual da Consplan Construção, Projeto e Planejamento Ltda; 2) cópia do RG/CPF do Representante Legal; 3) cópia do Despacho Decisório nº 824961044; 4) cópia do PER/DCOMP nº 33450.39059.290806.1.3.040956, recibo e página de 01 a 05; 3) cópia da ficha 12 A da DIPJ e recibo de envio. Os citados documentos encontramse às fls. 13 a 26. Cientificada em 18/09/2012 (fl 35), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 18/10/2012 (fl 37) Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente afirma que: · À época, as compensações entre débitos e créditos da mesma espécie tributária eram realizadas diretamente em DCTF pelo contribuinte, conforme art. 66 da Lei 8.383/91. Ou seja, ao declarar um débito como devido o contribuinte indicava como forma de pagamento uma compensação (de saldo negativo, por exemplo), cabendo à Fazenda Nacional fiscalizálo para verificar a existência e suficiência do crédito, e, quando for o caso, desconstituir a compensação via lançamento de ofício. · Ocorre que a compensação foi efetuada nos livros contábeis e evidenciada no LALUR, entretanto, não foi informada na DCTF, Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10580.903615/200914 Acórdão n.º 1001001.113 S1C0T1 Fl. 3 3 constando nesta como valor devido apenas o que foi recolhido. Sendo este recolhimento, como já sobejamente demonstrado, indevido. · A compensação do débito de IRPJ referente ao mês de agosto de 2002, com o saldo negativo gerado durante o ano base de 2001, foi tacitamente homologada pela Receita Federal, por conseguinte não tem mais discussão em relação a este fato. · A Turma Julgadora apresentou no seu decisório demonstrativo da composição do saldo de IRPJ referente ao ano base de 2002, entretanto, neste demonstrativo não foi considerado o saldo credor originário de exercícios anteriores. A comprovação desta disponibilidade de crédito, oriundo de saldo negativo de exercícios anteriores, consta dos registros da Secretaria da Receita Federal, ou seja, está assentada nas Declarações de Imposto de Renda da Contribuinte. · A manifestação de inconformidade não foi acolhida sob o fundamento de que não existia direito creditório. Valendo, mais uma vez, afirmar que o crédito não foi reconhecido pela Turma Julgadora em razão da mesma não ter considerado, no demonstrativo, o saldo negativo advindo de exercícios anteriores. · Conforme já demonstrado nesta petição, a existência do credito é inquestionável, o que ocorreu foi errd de preenchimento de DCTF erro material , que pode ser sanado em qualquer grau de jurisdição administrativa ou judicial, desde que se tenha documentação suficiente para que fique esclarecido o erro. · Deve ser privilegiada, sempre que possível, a busca pela verdade material relativa à situação fiscal do contribuinte, uma vez que eventual preenchimento incorreto da PER/DCOMP ou da DCTF não retira, por si só, o direito de crédito do contribuinte. · Uma vez esclarecido que a Recorrente cometeu erro no preenchimento da DCTF, em relação ao valor devido da IRPJ, bem como a forma de liquidação e considerando que a DIPJ, os DARF'S, o LALUR e os Livros Contábeis demonstram a saciedade a existência de crédito suficiente para liquidação do débito constante do PER/DCOMP, é de se acolher os presentes argumentos, suportados por documentação robusta, regular e idônea, para reformar o decidido pela Turma Julgadora e cancelar a cobrança de IRPJ, ora em discussão. Conclui, pedindo: · Por todo o exposto espera a Recorrente que este Egrégio Conselho de Contribuintes acolha o presente Recurso, julgando improcedente a cobrança do débito, ou, determine o retorno dos autos à Turma Julgadora, para que nova análise seja procedida e novo julgamento proferido. Anexa cópia de diversos documentos, tais como LALUR, recibos de entrega de declarações, termos de abertura e de encerramento de Livros etc. Fl. 217DF CARF MF 4 A DRJ, por sua vez, assim decidiu em relação à manifestação de inconformidade: A questão constante dos autos, por se tratar de suposto indébito tributário referente à estimativa mensal de IRPJ, requer o exame dos artigos 220 a 232, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99, transcritos a seguir: ... Conforme legislação acima, o contribuinte que optar pelo lucro real, apuração anual, deverá pagar mensalmente imposto devido por estimativa com base na receita bruta, com a aplicação de um percentual determinado. Poderá também suspender o pagamento desde que proceda aos balancetes mensais, demonstrando que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No final do ano, o imposto apurado deve ser deduzido dos pagamentos recolhidos sob esta sistemática. Assim, os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurarem pagamento indevido ou a maior, ao final do anocalendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, este sim passível de restituição ou compensação. No presente caso, a própria Contribuinte reconhece ser devido o pagamento da estimativa mensal de IRPJ, do período de apuração 31/08/2002, efetuado por meio do DARF discriminado no PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório em litígio, quando alega ter havido erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o crédito que pretendia utilizar seria originário de saldo negativo de IRPJ, que de fato existiria. Nesse sentido, cumpre, primeiramente, esclarecer que, à luz da legislação fiscal, mais especificamente, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, transcrito a seguir, a Declaração de Compensação somente poderá ser retificada ou cancelada, pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que admitidos, caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP. Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação Ademais, após a análise dos dados extraídos por meio de pesquisas feitas aos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), verificase que o resultado do ajuste anual do anocalendário de 2002 não seria saldo negativo de IRPJ, no valor de R$16.594,59, conforme informado na Ficha 12 A da DIPJ relativa ao exercício 2003, anocalendário 2002 (cópia à fl. 20), mas sim, saldo de IRPJ a pagar, no montante de R$8.543,58 (oito mil, quinhentos e quarenta e três reais e cinqüenta e oito centavos), senão vejamos: A Ficha 12 A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ/2003, apresenta a seguinte composição: (quadro à fl 32). Os valores declarados em DCTF, sob o código 2362 (totalmente vinculados a pagamentos), e os pagamentos efetivamente confirmados no sistema Sinal 05, sob o código 2362, são os demonstrados a seguir: (quadro à fl 32) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10580.903615/200914 Acórdão n.º 1001001.113 S1C0T1 Fl. 4 5 O Imposto de Renda Retido na Fonte, durante o anocalendário de 2002, informado nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), entregues pelas fontes pagadoras, conforme informações constantes do Portal Dirf, da RFB, totaliza R$19.108,35. Desta forma, o ajuste anual do anocalendário de 2002, tem a seguinte configuração: (quadro à fl 33) Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de Inconformidade, confirmando o Despacho Decisório nº de rastreamento 824961044, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, que não reconheceu o direito creditório, no valor original, na data da transmissão do PER/DCOMP, de R$1.907,05 (um mil, novecentos e sete reais e cinco centavos), referente ao pagamento efetuado por meio de Darf, ali discriminado, a título de estimativa mensal de IRPJ, do período de apuração 31/08//2002, e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP em análise, de nº 33450.39059.290806.1.3.040956. A recorrente, no caso, admite um erro no preenchimento da DCTF que é reconhecidamente, uma confissão de dívida. Portanto, somente com a sua retificação é que é possível à Receita Federal reconhecer o novo débito, se e quando for o caso. A alteração das informações prestadas na DCTF, nas hipóteses em que admitida, é efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, conforme dispõe o artigo 9°, parágrafo 1°, da IN 255/2002 (vigente à época da ocorrência do fato gerador): Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Tal fato foi corroborado através do item 3 do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. Fl. 219DF CARF MF 6 Portanto, entendo como correta a decisão da DRJ, e peço a devida vênia para a ela aderir, com base no artigo 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF. Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.730026/2016-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2016
DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. MULTA ISOLADA. INCABÍVEL.
Tendo em vista que foi reconhecido o direito creditório (em outro processo e por decisão deste Colegiado, por outra Turma), e, consequentemente, a homologação da compensação pleiteada naquele processo, inexistem razões para a aplicação da multa objeto deste processo, que só se aplica em casos de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1401-003.180
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Recorrente RAÍZEN COMBUSTÍVEIS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2016 DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. MULTA ISOLADA. INCABÍVEL. Tendo em vista que foi reconhecido o direito creditório (em outro processo e por decisão deste Colegiado, por outra Turma), e, consequentemente, a homologação da compensação pleiteada naquele processo, inexistem razões para a aplicação da multa objeto deste processo, que só se aplica em casos de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 00 26 /2 01 6- 25 Fl. 206DF CARF MF 2 Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/BHE que, por meio do Acórdão de nº 0273.638 da 3ª Turma, em 21 de junho de 2017, julgou improcedente a Impugnação apresentada pela Contribuinte. A seguir se reproduz excertos da decisão de piso: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2016 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Relatório A notificação de lançamento a fls. 02 impõe multa por compensação não homologada, no valor total de R$ 24.617.531,86. Consta da notificação que, de acordo com o despacho decisório constante do processo nº 16682.902259/201417, houve não homologação de compensação, o que enseja a aplicação da multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, prevista no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. O detalhamento da apuração da base de cálculo da infração consta do anexo a fls. 03. Em 07/12/2016, o sujeito passivo tomou ciência do lançamento, por meio de sua caixa postal, considerada seu domicílio tributário eletrônico perante a RFB, conforme termo a fls. 07. Em 04/01/2017, conforme termo de solicitação de juntada a fls. 08, foi apresentada a impugnação a fls. 09/31, cujo teor pode ser assim resumido: "II – Síntese dos fatos · Apresentase um resumo dos fatos. [...] Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11080.730026/201625 Acórdão n.º 1401003.180 S1C4T1 Fl. 1.113 3 · Na remota possibilidade de não ser acolhida a impugnação, o crédito tributário constituído deverá permanecer com exigibilidade suspensa enquanto não seja prolatada decisão definitiva em face da manifestação de inconformidade apresentada nos autos do processo administrativo nº 16682.902259/201417, pois o seu provimento ensejará a imediata homologação dos pedidos de compensação correlatos e o esvaziamento da presente autuação. Esse comando, inclusive, encontrase expresso na legislação federal, a teor do parágrafo 18 do próprio artigo 74 da Lei nº 9.430/96. [...] Voto [...] Cabe ressaltar que já foi objeto de julgamento em primeira instância a manifestação de inconformidade constante do processo nº 16682.902259/201417, a qual, digase a propósito, foi julgada improcedente, conforme acórdão nº 0960.975, da 1ª Turma da DRJ/JFA (sessão de 07/11/2016). Assim sendo, nada impede que esta DRJ prossiga no julgamento do presente processo. Dito isso, impõese reconhecer que a multa contestada foi aplicada nos estritos termos do disposto no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015, que prevê multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. Confira se o teor do citado dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração Fl. 208DF CARF MF 4 apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) [...] DO RECURSO VOLUNTÁRIO Discorre longamente sobre a natureza da multa aplicada, que se trata de sanção política, inconstitucional, etc, e: [...] IV – DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ENQUANTO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADA O PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16682.902259/201417– PARÁGRAFO 18, DA LEI Nº 9.430/96 Como ressaltado no próprio auto de infração acostado ao presente processo administrativo, a não homologação dos “PER/DCOMP’s” que deram ensejo à aplicação da multa isolada em questão estava sendo devidamente contestada pela RECORRENTE por meio de Manifestação de Inconformidade protocolizada nos autos do processo administrativo nº 16682.902259/201417. Muito embora a decisão aqui recorrida tenha mencionado que este processo administrativo já foi objeto de julgamento em primeira instância, vale ressaltar que foi apresentado Recurso Voluntário o qual ainda não foi apreciado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, portanto delo conheço. Evidentemente que a Multa aplicada encontrase vinculada ao destino que se dê quanto ao litígio instaurado no processo de nº 16682.902259/201417, que trata do reconhecimento do direito creditório para fins de compensação de tributos naquele processo. Conforme relatoriado, a Recorrente não logrou êxito em ambos os processos, na 1ª instância administrativa. Em consulta ao sistema que permite acompanhar o andamento do processo, temos que aquele processo de compensação já foi objeto de decisão por parte do CARF. Eis alguns excertos do decidido: Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11080.730026/201625 Acórdão n.º 1401003.180 S1C4T1 Fl. 1.114 5 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado. Com a devida vênia, ouso discordar do voto da ilustre Conselheira Bianca Felícia Rothschild. A controvérsia tratada nos autos diz respeito a pedido de saldo negativo de IRPJ composto por estimativas compensadas, mas não homologadas, em diversos processos. Segundo a Recorrente, as não homologações de compensação levaram a Fazenda Nacional a propor a Execuções Fiscais. A Recorrente, por sua vez, opôs os Embargos à em ambas as execuções e teria oferecido garantia aos débitos. [...] E mesmo na hipótese de extinção do processo administrativo e inscrição em dívida ativa dos débitos em questão (quer como estimativas, quer como imposto devido no ajuste anual), a presunção de certeza de liquidez e certeza se dá quanto ao crédito da Fazenda (débito do contribuinte), e não o contrário. Somente há que se falar em certeza e liquidez do crédito do contribuinte em caso de extinção de seu débito inicial utilizado posteriormente na formação desse indébito, ou, se ainda não perfectibilizada a extinção, haja ao menos certeza de que o débito será adimplido, conforme explanarei na sequência deste voto. De outra banda, indeferir o crédito pleiteado sem que o litígio administrativo tenha findado, também não me parece razoável. [...] Retornando ao cerne do debate, em que pesem as restrições de cobrança das estimativas trazidas pelos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014, talvez justamente por se tratarem de decisões anteriores à edição de tais pareceres, o fato é que houve inscrição em dívida ativa das estimativas de IRPJ que compõem o saldo negativo em discussão neste processo. Venho me manifestando no sentido não ser razoável considerar como líquido e certo os créditos de estimativa somente pelo fato da possibilidade de virem a ser cobrados pela Fazenda. Infelizmente, sabese que, na prática, é muito baixa a efetividade das execuções fiscais no Brasil, o que aumentaria sobremaneira a possibilidade de se devolver um tributo a determinado contribuinte sem que, jamais, o crédito tributário tenha sido efetivamente extinto. Contudo, no presente caso, compulsando a cópia dos Embargos à Execução nº 002594672.2018.4.02.5101 (inicial às fls. 684804 – referente à estimativa de R$ 11.894.407,26 – 09/2009) e dos Embargos à Execução nº 0501168152.2011.4.02.5101 (inicial às fls. 816899 – referente à estimativa de R$ 32.594.785,45 – Fl. 210DF CARF MF 6 12/2009), constatei que os débitos estão garantidos por apólices de seguro acolhidas pelo Poder Judiciário (fls. 652672/673683 e fls. 625635/903905, respectivamente). Ressaltese que não há dúvidas de que a inscrição dos valores em questão é alvo das Execuções Fiscais a que se referem os embargos citados, bastando confrontar as CDA (fls. 645651 e fls. 805812), as iniciais das Execuções Fiscais (fls. 622624 e fls. 813815) e os extratos obtidos pela Recorrente junto ao ECAC (fls. 900902 e fls. 906908). Nesse cenário, do mesmo modo que já decidi no Acórdão 1402002.330, na condição de relator, entendo que o apelo da Recorrente deve ser provido. Isso porque, como o contribuinte, em seus Embargos, não contesta a existência dos débitos originais das estimativas em questão1, mas sim considera que havia crédito disponível para extinguilas via compensação, se pode concluir que as estimativas em questão ou serão consideradas homologadas (na hipótese de o contribuinte obter êxito em seus Embargos à Execução), ou será extinta por pagamento, ainda que mediante o seguro garantia que afiança ambas as execuções fiscais. Nessa hipótese, se ainda não foram extintas os débitos de estimativa em debate, há segurança suficiente de que serão. Logo, entendo que, a despeito do mérito discutido nessas execuções e respectivos embargos, as estimativas que compõem o saldo negativo ora em análise devem ser reconhecidas. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Consta nos autos, fls.933, a ciência do decidido, pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional Coordenação do Contencioso Administrativo Tributário: Processo nº 16682.902259/201417 Contribuinte: RAIZEN COMBUSTÍVEL S.A. A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por intermédio da Procuradora que esta subscreve, diante da intimação no processo em epígrafe, vem dizer que está ciente do r. acórdão nº 1301.003.210. Assim, tendo em vista que foi reconhecido o direito creditório e, consequentemente, a homologação da compensação pleiteada naquele processo, inexistem razões para a aplicação da multa objeto deste processo, que só se aplica em casos de compensação não homologada. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11080.730026/201625 Acórdão n.º 1401003.180 S1C4T1 Fl. 1.115 7 CONCLUSÃO É o voto, para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
