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Numero do processo: 10845.000917/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IMPUGNAÇÃO DESTITUÍDA DE PROVAS.
A impugnação deverá ser instruída com os documentos que fundamentem as alegações do interessado.
JURISPRUDÊNCIA ARGÜIDA
Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 25/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPUGNAÇÃO DESTITUÍDA DE PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. JURISPRUDÊNCIA ARGÜIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado
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IMPUGNAÇÃO DESTITUÍDA DE PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. JURISPRUDÊNCIA ARGÜIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiarse dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. IRPF. DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 09 17 /2 00 9- 72 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 25/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 96 a 104: Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 4 3 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou as preliminares de nulidade e no mérito, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente e provas apresentadas foram insuficientes, no seu entender, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 5 4 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 113 a 147, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume em alegações de cerceamento de defesa, invalidade da decisão recorrida, presunção de veracidade dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte, da não apreciação no acórdão recorrido dos argumentos da impugnação e não observância da jurisprudência firmada. Ao final do recurso fez constar as seguintes conclusões e requerimentos: Como se viu acima, a decisão proferida neste processo é nula de pleno direito, porquanto: a) alterou o fundamento da autuação, que, da falta de comprovação do desembolso do valor pago. passou a ser a invalidada do comprovante de pagamento; b) a prova da efetividade da prestação dos serviços mediante a apresentação de ficha médica, exames, radiografias, relatórios, etc., é medida que se impõe apenas na hipótese de que existam fundadas suspeitas de que o serviço não tenha sido efetivamente prestado, conforme iterativa jurisprudência administrativa reproduzida nos SUBITENS 3.1.7,3.1.10 e 4.3.2, acima; c) na decisão ora recorrida, a autoridade julgadora deixou de examinar argumento essencial da impugnação, qual seja o da existência de presunção legal em favor do contribuinte, quanto aos esclarecimentos por ele prestados; d) na decisão ora recorrida, a autoridade julgadora deixou de justificar a não observância de pacífica e torrencial jurisprudência administrativa em favor do contribuinte, determinada no artigo 50, VII, da LEI N° 9.784/99. Depois, na medida em que nenhuma suspeita foi levantada quando à idoneidade dos recibos apresentados, a exigência de provar a "efetividade da prestação do serviço" (exames, orçamentos, etc) vulnera o principio do direito à intimidade ("s4o invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra o a imagem das pessoas,..."), de que trata o artigo 5o, X. da CF/88, que dizem respeito, unicamente, à esfera médico / paciente. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 6 5 PRELIMINARES ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A matéria trazida com o presente recurso não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como prosperar nesse julgamento as referidas alegações. CERCEAMENTO DE DEFESA. Alega a recorrente cerceamento ao amplo direito de defesa na formalização da autuação e na decisão de primeira instância, eivandoos de nulidade. Na autuação, adotouse o critério legal e normativo de apuração do tributo e não é crível que a contribuinte possa não ter entendido os procedimentos adotados e as provas que deveriam ser produzidas por ele. Da análise dos autos, verificase que o interessado foi intimado a apresentar documentação comprobatória das despesas glosadas durante a fiscalização, como se vê, v.g., às fls.: 40 e com base nos documentos e provas trazidos aos autos fezse o lançamento. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações, contudo, preferiu apenas repetir as mesmas razões sem juntar documentos comprobatórios. Sendo assim, tendo sido facultado ao interessado o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, que lhes são assegurados pelo art. 5.º, inciso LVI, da Constituição, inexiste o alegado cerceamento, muito menos de se requerer qualquer nulidade por essa razão. Registro que julgados administrativos ou judiciais somente tem efeito vinculantes às partes e não vinculam o presente processo, especialmente, pelo fato que estamos diante de análise de provas que são distintas em cada caso. MÉRITO. OBJETO DO RECURSO Salvo as razões preliminares já superadas, o presente recurso trata apenas da infração devida a glosa das despesas médicas. Assim sendo, considero definitivas as demais infrações, devendo seguir a unidade de origem na cobrança dos respectivos créditos tributários lançados. DESPESAS MÉDICAS Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 7 6 Discutese as glosas das despesas médicas no valor de R$72,550,13. Nesse ponto destaco a complementação da descrição dos fatos constante da autuação e mão contestada pelo contribuinte: Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 156DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 8 7 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie sem comprovação de qualquer pagamento; 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, p.ex. no caso da edição de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pago em espécie; 6. houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Por tudo, não há qualquer dúvida que o contribuinte se enquadrou na tipologia 1 (R$ 281mil de rendimentos Brutos e desp. médicas de aprox. R$ 79mil, fl. 39), na tipologia 2 (todas despesas quitadas em espécie sem nenhuma comprovação de pagamento), na tipologia 5, p. ex.: (10/12/2005sábado fl. 84,) e tipologia 6 (múltiplas glosas de outras despesas). Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Entendo que diante dos fatos narrados, a apresentação das declarações e radiografias sem nenhuma comprovação de pagamento não traz a substância de prova que se procura. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 9 8 aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. A opção pelo pagamento em espécie, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Ressalto que o contribuinte declarou fundamentalmente fontes de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas (apenas R$12mil de pessoas físicas), que preferencialmente fazem os seus pagamentos via contas bancárias, em função de controle contábil e, não seria, assim, difícil de se fazer a prova dos pagamentos seja por cheques, transferências bancárias ou saques com datas e valores coincidentes dos pagamentos das deduções pleiteadas. Ainda, aceitável se não fosse possível a prova de todos pagamentos mas de alguns pagamentos pelo menos, contudo, no presente caso, nenhum pagamento foi efetivamente comprovado. Verificase que a contribuinte contestou, contudo, não apresentou qualquer documento ou sequer indicou quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. Por oportuno, cabe aqui transcrever o disposto no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (alterado pelas Leis nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, e nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997), arts. 16, III, e 17, que disciplina o processo administrativo fiscal: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Em citação contida na obra de Miranda, Darcy Arruda e outros, CPC nos Tribunais, Editora Jurídica Brasileira Ltda., 1995, v. V, p. 3.768, ao comentar o art. 302 do CPC, o qual trata da necessidade de o réu “manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial”, salienta o Prof. J. J. Calmon de Passos: Se o fato narrado pelo autor não é impugnado especificamente pelo réu e de modo preciso, este fato, presumido verdadeiro, deixa de ser objeto de prova, visto como só os fatos controvertidos reclamam prova. (Comentários ao Código de Processo Civil, Forense, v. III, n.º 151, p. 275). É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 10 9 Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Em se tratando de uma questão de prova, incumbe o seu ônus a quem alega ou aproveita. É princípio consagrado em direito “quem alega tem que provar”. Allegatio et non probatio quasi non allegatio (alegar e não provar é quase não alegar). Considerando o exposto acima, há que se manter a glosa da dedução de despesas médicas em apreço. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10380.012654/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE.
Com a revogação do artigo 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratando-se de regra impositiva de responsabilidade pelo descumprimento de obrigação acessória e conseqüente penalidade pelo seu descumprimento, não é possível a sua aplicação retroativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do artigo 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratando-se de regra impositiva de responsabilidade pelo descumprimento de obrigação acessória e conseqüente penalidade pelo seu descumprimento, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido.
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ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do artigo 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra impositiva de responsabilidade pelo descumprimento de obrigação acessória e conseqüente penalidade pelo seu descumprimento, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 26 54 /2 00 9- 59 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.012654/200959 Acórdão n.º 2402004.044 S2C4T2 Fl. 201 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal realizada em 05/10/2009 pela falta de exigência de documento de regularidade fiscal das empresas contratadas. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006. AIOA DEBCAD n.º 37.243.2433 (CFL 41) Deixar o servidor, o serventuário da justiça ou órgão de exigir a CND da empresa quando da contratação com o poder público, ou no recebimento de benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios concedidos por ele. ÓRGÃO PÚBLICO O Órgão Público é equiparado à empresa, nos termos do art. 15, I, da Lei n.º 8.212/91. Incidem contribuições para a Seguridade Social sobre as remunerações pagas aos servidores efetivos na qualidade de segurados empregados. ... Segundo o Relatório Fiscal de fls. 05/06, consultando os sistemas da Previdência Social, constatouse que o órgão deixou de exigir a CND das empresas com as quais contratou, uma vez que, para as empresas listadas em planilha anexa, não havia CND emitida pelo INSS na data da contratação, o que caracteriza o descumprimento da legislação previdenciária. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: que existe parcelamento firmado pela impugnante referente a débito de contribuições previdenciárias para o mesmo período do presente AI, que está sendo pago pelo Município, o que, no entendimento do contribuinte, suspende a exigibilidade do processo em tela(art. 151, VI do CTN); que foi emitido um único Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal para todas as (21) autuações do Município, o que fere o art. 37 da CF/88, no tocante aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, e que, nesta mesma linha, o art. 9º do Decreto 70.235/72 já dispunha que se deve ter um lançamento específico para cada tributo e, conseqüentemente, seu relatório, contendo todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos comprobatórios do ilícito; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 alega a ausência da lavratura dos AI no local de verificação da falta, em ofensa ao art. 10 do citado Decreto 70.235/72, implicando em cerceio de defesa, com o agravante de que, no período de 2005 e 2006, a competência para fiscalizar era do INSS, no entanto, foi realizada pela RFB, entidade que não reúne todos os dados contábeis do município; registra que, além de ter sido lavrado fora do estabelecimento da empresa, não lhe foram solicitadas as explicações e/ou esclarecimentos por escrito de eventuais falhas, como também não lhe foi indicada a forma do procedimento de auditoria efetuado; esclarece que o Município possui Fundo Municipal de Previdência; sendo assim, as contribuições dos servidores incidentes sobre a folha de pagamento são revertidas a este e não à Previdência Social; com relação às divergências encontradas no confronto entre os valores declarados em GFIP com os recolhidos em GPS, aduz serem retidos automaticamente do FPM, no montante entendido devido pelo próprio INSS, o que, de acordo com o item 2.7 da impugnação, gera um saldo positivo para o Município; confirma a existência de contrato de locação e não de frete e requer diligência para nova análise e redução dos valores das contribuições devidas pelo Município a esse título; insurgese contra a utilização de base de fiscalização somente nas GFIP e da ausência de identificação nominal dos contribuintes individuais ditos fora das GFIP e agrupamento nos empenhos de pagamento de folha de empregados; ausência de informação quanto à qualidade do infrator (reincidência) para fins de futuros benefícios fiscais. Ante o exposto, requer a nulidade do presente AI, e caso não seja esse o entendimento, que sejam determinadas diligências, a possibilidade de juntada de documentos e a dedução dos valores a titulo de frete e crédito de retenção nas cotas do FPM devidamente corrigidas pela SELIC. É o Relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.012654/200959 Acórdão n.º 2402004.044 S2C4T2 Fl. 202 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares Responsabilidade do ente público por infrações A recorrente é entidade de direito público. No caso, até a vigência da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, a responsabilidade por infrações era atribída ao dirigente, conforme dispunha o art. 41 da Lei nº 8.212/1991, revogado pela citada Medida Provisória, in verbis: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição Como se vê até a edição da Medida Provisória nº 449/2008, de 03/12/2008, publicada no D.O.U. em 04/12/2008, não havia previsão para aplicação de multa ao órgão público, sendo que esta obrigação cabia ao dirigente por disposição legal. A infração objeto da autuação é por descumprimento de obrigação acessória: não teria exigido das empresas contratadas a comprovação de regularidade fiscal. Para verificação do momento que se considera incorrida a infração, o Código Tributário Nacional define que a infração ocorre quando reunidas todas as circunstanciais materiais: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. ... § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. ... ... Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Assim, temos que a infração no presente caso fica configurada na data de licitação/contratação das empresas. Como a MP nº 449/2008 entrou em vigor em dezembro de 2008 e prevalece como regra a irretroatividade da legislação tributária, que somente nos casos elencados no CTN pode ser excepcionada, em especial no artigo 106, a infração já havia ocorrido, o que impede a imputação da responsabilidade ao ente público, já que, como informado, vigia o artigo 41, cuja regra era a responsabilidade do dirigente do órgão. Acolho a preliminar de nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva do órgão público recorrente. Voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 205DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10580.726425/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, A, LEI Nº 8.212/91.
De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea a, da Lei nº 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora lançada em Auto de Infração correlato julgado procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, A, LEI Nº 8.212/91. De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea a, da Lei nº 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora lançada em Auto de Infração correlato julgado procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1896; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 44 1 43 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.726425/201001 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.395 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente DISMEL COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, “A”, LEI Nº 8.212/91. De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora lançada em Auto de Infração correlato julgado procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 64 25 /2 01 0- 01 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10580.726425/201001 Acórdão n.º 2401003.395 S2C4T1 Fl. 45 3 Relatório DISMEL COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1531.307/2012, às fls. 33/36, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 216, inciso I, alínea “a”, do RPS, por ter deixado de arrecadar as contribuições previdenciárias devidas, mediante desconto das respectivas remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais a seu serviço, em relação ao período de 01/2006 a 13/2006, consoante Relatório Fiscal, às fls. 07/13. Tratase de Auto de Infração (obrigações acessórias), lavrado em 19/07/2010, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.431,79 (Um mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos), com base nos artigos 283, inciso I, alínea “g”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 39/41, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do procedimento, repisando os argumentos suscitados nos autos do processo n° 10580.726297/201097 – Auto de Infração n° 37.183.7448, visto que ambos derivam dos mesmos fatos, por se tratar de questão prejudicial e para evitar decisões conflitantes. Em defesa de sua pretensão, pretende seja determinado o julgamento concomitante deste auto de infração com o processo principal, tendo em vista o nexo de causa e efeito que os vincula, mormente em razão de ter alegado e provado todos os seus argumentos de defesa, especialmente pela inexistência do fato gerador de contribuição previdenciária, argumentos estes que, se acolhidos pelos Doutos Julgadores, haverá a reforma da decisão gerreada e por via de consequencia o arquivamento do processo. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a análise das alegações recursais. Consoante se positiva da peça vestibular do feito, o presente crédito tributário fora lavrado em razão de a empresa deixar de arrecadar a contribuição dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, cujas contribuições previdenciárias (obrigação principal – parte dos segurados) pertinentes foram lançadas no processo n° 10580.726297/201097 – Auto de Infração n° 37.183.7448. Nesse contexto, a contribuinte foi autuada com fundamento no artigo 30, inciso “I”, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constituindose crédito previdenciário decorrente da penalidade aplicada nos termos do artigo 283, inciso “I”, alínea “g”, do RPS, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I – A empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração;” Regulamento da Previdência Social “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I – a partir de R$ 636,17 nas seguintes infrações: g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço;” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação e/ou informações exigidas pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais Fl. 47DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10580.726425/201001 Acórdão n.º 2401003.395 S2C4T1 Fl. 46 5 supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, a fiscal autuante, não se cogitando em improcedência do lançamento como pretende a recorrente. Em suas razões de recurso, pugna a contribuinte pela reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo, em síntese, que o presente feito encontrase vinculado ao processo principal retromencionada, razão pela qual repisou os fundamentos de fato e de direito aduzidos naqueles autos. A corroborar sua tese, pretende seja determinado o julgamento concomitante deste auto de infração com o processo principal, tendo em vista o nexo de causa e efeito que os vincula, mormente em razão de ter alegado e provado todos os seus argumentos de defesa, especialmente pela inexistência do fato gerador de contribuição previdenciária, argumentos estes que, se acolhidos pelos Doutos Julgadores, haverá a reforma da decisão gerreada e por via de consequencia o arquivamento do processo. Inicialmente devese frisar que, de fato, o julgamento da presente autuação, em seu mérito, encontrase vinculado ao processo n° 10580.726297/201097 – Auto de Infração n° 37.183.7448, onde o Fisco promoveu o lançamento exigindo as contribuições previdenciárias devidas pela empresa, incidentes sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais, procedendo, assim, o argumento da contribuinte em relação a prejudicialidade suscitada. Neste sentido, cumpre informar que, incluído nesta mesma pauta de julgamento, esta Egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª SJ do CARF achou por bem negar provimento ao recurso voluntário interposto nos autos do processo n° 10580.726297/201097 – Auto de Infração n° 37.183.7448, mantendo a tributação sobre os valores pagos/remunerações dos segurados contribuintes individuais, o fazendo sob o manto dos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, Fl. 48DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91. Com fulcro no artigo 33, § 6º, da Lei n° 8.212/91, constatando a fiscalização que a escrituração contábil da empresa não representa a movimentação real de remuneração dos segurados, do faturamento e do lucro, aplicarseá a aferição indireta para apuração das contribuições devidas, incumbindo à empresa o ônus da prova em contrário. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado.” Dessa forma, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância à decisão levada a efeito na autuação retromencionada, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que as contribuições que pretensamente deixaram de ser arrecadadas foram lançadas naquele processo principal. Na esteira desse entendimento, no mérito, uma vez mantida a exigência fiscal/contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais, não há que se falar na improcedência da autuação sob análise, como pretende fazer crer a recorrente, impondo seja mantida a exigência na forma lançada. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10580.726425/201001 Acórdão n.º 2401003.395 S2C4T1 Fl. 47 7 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 19515.000764/2006-27
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
Ementa: AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA - RECURSO ESPECIAL - NÃO
CONHECIMENTO - Se a decisão indicada como paradigma não trata da
mesma matéria versada nos autos da decisão recorrida, resta descaracterizada a divergência, requisito essencial para a admissibilidade do Recurso Especial interposto.
Numero da decisão: 9101-000.899
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho
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CSRF-T1 FL 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 19515.000764/2006-27 Recurso n° 157.115 Especial do Procurador Acórdão no 9101-000.899 — la Turma Sessão de 28 de março de 2011 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAP BRASIL LTDA. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 Ementa: AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA - RECURSO ESPECIAL - NÀO CONHECIMENTO - Se a decisão indicada como paradigma não trata da mesma matéria versada nos autos da decisão recorrida, resta descaracterizada a divergência, requisito essencial para a admissibilidade do Recurso Especial interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegidakpor maioria de votos, não conhecer do recurso, vencido o enselheiro Alberto Pinto So za Junior. Editado em: 31 MAR 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira (Suplente Convocado), Claudemir Rodrigues Malaquias, Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado), Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Em face do Acórdão n° 108-09.531, proferido pela Egrégia Oitava Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional, por seu representante, apresentou o Recurso Especial de fls. 877/885, devidamente admitido pelo ilustre Presidente daquela Camara, pretendendo a reforma da decisão, com fundamento no art. 70, inciso II, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais (redação vigente a época), e nas razões seguintes. Em 25.04.2006, a contribuinte foi cientificada do auto de infração de IRPJ de fls. 171/173, por meio do qual foi constituído crédito tributário no valor de R$ 40.347.340,15, já inclusos juros e multa de oficio de 75%. 0 lançamento tem origem na glosa de despesas correspondente à taxa de licenciamento e comercialização de software, pagas a pessoa jurídica vinculada sediada no exterior. Segundo Termo de Verificação Fiscal de fls. 160/165, as remessas para o exterior tinha como beneficiária a quotista majoritário da contribuinte, a SAP AG, sediada na Alemanha e tinham fundamento no pagamento de taxa de licenciamento pela comercialização de programas de computador (software), conforme contrato de distribuição, em que era vedada a produção de cópias. Desse modo, em razão da natureza de royalties das despesas em questão, paga a empresa vinculada no exterior, e com fundamento do art. 353 do RIR/99, efetuou a glosa dos respectivos valores. A Oitava Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida de fls. 860/872, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Em suas razões, afirmou que os pagamentos de taxa de licenciamento e comercialização de software são royalties, tal como indicado pela autoridade lançadora. Contudo, afirmou que despesa em questão não se enquadra nas hipóteses de indedutibilidade enumeradas nos incisos do artigo 353 do RIR/99. Segundo o art. 353 do RIR/99, não são dedutiveis os royalties pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicilio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto. A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de fls. 877/885. Como paradigma, indicou o Acórdão 105-16451. Em suas razões, afirmou que serão devidos royalties quando o seu devedor assume posição de intermediário na cadeia econômica, ou seja, quando a este é concedido o direito de comercializar programas de computador, cuja propriedade intelectual é detida por terceiros. Em decorrência, afirmou que os pagamentos efetuados pela contribuinte a sua controladora no exterior para ter o direito de sublicenciar, comercializar e distribuir, no mercado nacional, os programas de computador, cujo direito de propriedade intelectual é detido pela sócia majoritária (fls. 159/168), estão submetidos a regra de que trata o art. 353, inciso I, do RIR/1999. Por fim, destacou a existência de acordos internacionais que dão aos rendimentos pela exploração de direitos autorais o tratamento de royalties. A contribuinte apresentou contra-razões as fls. 898/924. Em suas razões, defendeu a natureza de direitos autorais dos pagamentos efetuados a pessoa jurídica vinculada Processo n° 19515.000764/2006-27 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -000.899 Fl. 2 no exterior. Destacou a diferença entre o direito autoral e royalties, sujeitando-se cada um dos institutos A legislação especifica, inclusive para fins de tributação. Afirmou que, ainda que fossem considerados como royalties os pagamentos efetuados pela contribuinte, não restou caracterizada hipótese descrita no art. 353 do RIR/99. Defendeu, ainda, a inaplicabilidade do Parecer Normativo n° 37/74 ao caso, já que tem por fundamento legal a legislação anterior As Leis 9.609/98 e 9.729/96, que regulam, respectivamente, propriedade intelectual de programa de computador e direitos e as obrigações atinentes a propriedade industrial. É o relatório. \\Q 3 Voto Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Relator 0 lançamento em questão tem origem na glosa de despesa com pagamentos de royalties. Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 160/165, a contribuinte efetuou remessas para o exterior à sua quotista majoritária, sediada na Alemanhas para pagamento de taxa de licenciamento pela comercialização de programas de computador (software). A decisão recorrida, A. unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a dedutibilidade de despesas em questão, sob o seguinte fundamento: Feitas estas observações já é possível estabelecer uma primeira conclusão. A de que em se tratando de royalties a exigência fiscal é improcedente, pois o pagamento de taxa de licenciamento e comercialização de software não se inclui no rol explicitado no inciso III, que se refere a pagamento de royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, o que não é a hipótese dos autos. Portanto, a dedutibilidade dos dispêndios a titulo de royalties referentes a software para efeitos do imposto de renda submete- se as regras definidas as despesas em geral, pelos critérios da necessidade, usualidade e normalidade ao desenvolvimento das atividades da empresa. (.) Penso que se de royalties se tratar, estamos diante de um tipo de royalties cujo pagamento não foi elencado como indedutivel nos artigos 352 e 353 do RIR199. Em suma, os pagamentos de taxa de licenciamento e comercialização de software são royalties, tal como definidos nas soluções de consultas citadas nos autos e entendimentos expressos pela autoridade lançadora, bem como pela autoridade julgadora de primeira instância, no bojo dos autos, porém não se subsumem ?is hipóteses de indedutibilidade enumeradas nos incisos do artigo 353 do RIR/99. A Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, assim, embora reconheça a natureza de royalties das despesas realizadas pela contribuinte, afastou a exigência fiscal, sob o fundamento de que os dispéndios a titulo de royalties referentes a software para efeitos do imposto de renda submetem-se às regras definidas para as despesas em geral, pelos critérios da necessidade, usualidade e normalidade ao desenvolvimento das atividades da empresa. Concluiu que o pagamento realizado pela contribuinte não foi elencado como indedutivel nos artigos 352 e 353 do RIR199. Em seu recurso, a Fazenda Nacional indicou como paradigma o acórdão 105 - 16451, cuja ementa transcrevo a seguir: Processo n° 19515.000764/2006-27 Acórdão n.° 9101-000.899 CSRF-T1 Fl. 3 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - EXERCÍCIO - 2002 REMUNERAÇÃO A CONTROLADORA NO EXTERIOR PELA CESSÃO DE DIREITOS DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR E MARCAS - INDEDUTIBILIDADE - As remunerações pagas pela controlada a sua controladora no exterior pela cessão de direitos sobre programas de computador e uso de marcas constituem "royalties" e são indedutiveis para efeito de imposto de renda. No caso em julgamento, a natureza de royalties das despesas realizadas pela contribuinte não está sob questionamento. 0 que a decisão recorrida afirmou é que os pagamentos realizados pela contribuinte referem-se a um tipo de royalties cujo pagamento não foi elencado como indedutivel nos artigos 352 e 353 do RIR/99, já que seria dedutivel segundo as regras definidas para as despesas em geral, pelos critérios da necessidade, usualidade e normalidade ao desenvolvimento das atividades da empresa, previstas no art. 299 do RIR 199. Ocorre que a decisão indicada como paradigma analisa apenas a aplicação da regra geral de indedutibilidade dos royalties pagos à controladora, não adentrando na especificidade acolhida pela decisão recorrida, sobre a dedutibilidade das despesas de royalties pelos critérios da necessidade, usualidade e normalidade, com base no art. 299 do RIR/99. A decisão paradigma não indica por que a dedutibilidade dos royalties pagos à controladora não se submete aos critérios da necessidade, usualidade e normalidade. Entendo que o recurso especial não atendeu os requisitos de admissibilidade, por não restar caracterizada a divergência entre o paradigma e a decisão recorrida, razão pela qual não deve ser conhecido. Isto posto, voto nos sentido de não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 28 de março de 2011 Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho - Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 10730.010348/2008-80
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
Deve ser mantido o lançamento tributário na hipótese de não restar comprovada a retenção do imposto de renda por parte da pessoa jurídica indicada pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual.
RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA.
A omissão da fonte pagadora de retenção e recolhimento do imposto não exclui a responsabilidade do contribuinte que auferiu a renda, pois é este quem tem relação pessoal e direta com a situação que configura o fato gerador da exação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Deve ser mantido o lançamento tributário na hipótese de não restar comprovada a retenção do imposto de renda por parte da pessoa jurídica indicada pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. A omissão da fonte pagadora de retenção e recolhimento do imposto não exclui a responsabilidade do contribuinte que auferiu a renda, pois é este quem tem relação pessoal e direta com a situação que configura o fato gerador da exação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 03 48 /2 00 8- 80 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.010348/200880 Acórdão n.º 2801003.445 S2TE01 Fl. 200 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/RJ2/RJ. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 07/12) em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2007 (fls. 88/93), em que foram constatadas as seguintes infrações: a) compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), com glosa do imposto pago declarado de R$ 11.575,80, referente à fonte pagadora Francisco Xavier Imóveis Ltda (CNPJ 33.651.423/000120); e b) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 600,00 da fonte pagadora Monte Serrat Energética S/A (CNPJ n.° 06.982.741/000100), com alteração do valor declarado de R$ 1.400,00 para o valor informado em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) de R$ 2.000,00. Em virtude deste lançamento, apurouse Imposto de Renda Pessoa Física suplementar (código 2904) de R$ 165,00, multa de ofício de R$ 123,75, além dos juros de mora de R$ 24,23 (calculados até agosto de 2008). Apurouse, ainda, Imposto de Renda Pessoa Física (código 0211) de R$ 11.575,80, multa de mora de R$ 2.315,16, além dos juros de mora de R$ 1.700,48 (calculados até agosto de 2008). Com a ciência da Notificação, por via postal, em 22/08/2008 (fl. 108), a Interessada apresentou impugnação (fls. 03/05) em 08/09/2008, alegando, em síntese, que o erro pertence à fonte pagadora que, apesar de ter feito a retenção nos recibos da contribuinte, não repassou estes valores à Receita Federal e tampouco informou os mesmos em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf). Com base no procedimento regulamentado na Instrução Normativa RFB n.° 958, de 15 de julho de 1999, a autoridade lançadora analisou a impugnação apresentada e, através do Termo Circunstanciado de fl. 97 e do Despacho Decisório de fl. 98, decidiu pela manutenção integral do lançamento, em virtude da documentação apresentada não comprovar o valor retido a título de Imposto de Renda. Com a ciência do Despacho Decisório em 20/07/2011 (fl. 101), a Interessada se manifestou novamente em 11/08/2011 (fls. 102/106), alegando, em síntese, que: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.010348/200880 Acórdão n.º 2801003.445 S2TE01 Fl. 201 3 a) se os valores retidos pela fonte pagadora não foram repassados aos cofres da União, nada se pode exigir dela; e b) apresentou todos os documentos necessários à prova de suas alegações e recibos de pagamento de todo o período lançado. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 109/112, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, nos termos do art.17 do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada daquele acórdão em 09/02/2012 (fl. 115), a Interessada interpôs recurso voluntário de fls. 119/122, em 12/03/2012. Em sua defesa, alega que os rendimentos declarados referemse a honorários advocatícios recebidos e que a sistemática da contratante consistia no recebimento do RPA por esta emitida em duas vias, uma das quais permanecia em seu poder para controle, sendo a outra, devidamente assinada, entregue em mãos ao gerente e principal sócio cotista da sociedade, Sr. Francisco Xavier. Afirma que, por ocasião do pagamento de cada RPA, juntamente com o valor líquido da fatura, com a dedução do INSS e o IRF, a Recorrente recebia uma cópia xerox da respectiva RPA assinada e freqüentemente carimbada, comprovando o seu pagamento, que eram sempre efetuados em moeda corrente nacional, porque a empresa, respondendo por mais de 600 reclamações trabalhistas e outras tantas ações cíveis na Justiça, sequer movimentava contas bancárias, cujos fundos já estavam bloqueados e/ou penhorados. Aduz que não foi levado em consideração na decisão recorrida, que a Recorrente atuou imbuída do Princípio da BoaFé Objetiva, reputando válida a dedução do IRF, porquanto o imposto já havia sido retido na fonte, não podendo responder pela desonestidade da empresa à qual prestou seus serviços. Entende que a documentação já exibida em outras instâncias administrativas e anexada a estas razões faz prova suficiente das alegações da Recorrente, pois ali está provada a contratação e o seu distrato, as RPA's por esta emitidas mensalmente, com o desconto do IRF, achandose firmadas pelo sóciogerente da Francisco Xavier Imóveis Ltda., o que demonstra à saciedade não só a veracidade dessa documentação, como também o fato de terem sido recebidos os honorários com o desconto do Imposto de Renda na Fonte, Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.010348/200880 Acórdão n.º 2801003.445 S2TE01 Fl. 202 4 A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento referese às seguintes infrações: compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 11.575,80 e omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica de R$ 600,00. A parcela relativa à omissão de rendimentos foi considerada não impugnada pela decisão recorrida, uma vez que a impugnante não se manifestou sobre a omissão de rendimentos lançada, tampouco apresenta qualquer documento relativo a esta infração. No que tange à glosa do imposto de renda retido na fonte, não cuidou a Recorrente de carrear aos autos novos elementos de prova capazes de justificar a reforma da decisão recorrida. A Contribuinte deveria trazer os elementos de prova de forma a comprovar as retenções e o recebimento dos valores líquidos representados nos RPAs apresentados, como comprovantes de que recebera o valor líquido consignado nos referidos RPAs, demonstrando, com isso, a efetiva retenção por parte da fonte pagadora, ou ainda, ter apresentado o Comprovante de Rendimentos Recebidos e Imposto Retido na Fonte, documento este hábil a comprovar as retenções alegadas. Os documentos apresentados pela Recorrente, às fls. 126/194, não tem força probante no que se refere a efetiva retenção do Imposto de Renda, devendo, portanto, ser mantido o lançamento de glosa da compensação do IRRF no valor de R$ 11.575,80 Acrescentese que a omissão da fonte pagadora de retenção e recolhimento do imposto não exclui a responsabilidade da Contribuinte que auferiu a renda, pois é esta quem tem relação pessoal e direta com a situação que configura o fato gerador da exação. Em outras palavras: a responsabilidade do adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica subsiste ao não recolhimento do imposto de renda pela fonte pagadora. Constatado, após a data fixada para a entrega da declaração, que o imposto informado como retido não foi recolhido, a exação pode e deve ser exigida da Contribuinte. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.010348/200880 Acórdão n.º 2801003.445 S2TE01 Fl. 203 5 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721724/2012-32
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72.
O lançamento em questão diz respeito a contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre pagamentos feitos a contribuintes individuais relativamente às competências de 01/2008 a 12/2008.
Tal como na sua impugnação, o contribuinte não se defendeu do lançamento, preferindo se manifestar sobre o parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009.
Não tendo apresentado defesa específica sobre o lançamento, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.115
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72. O lançamento em questão diz respeito a contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre pagamentos feitos a contribuintes individuais relativamente às competências de 01/2008 a 12/2008. Tal como na sua impugnação, o contribuinte não se defendeu do lançamento, preferindo se manifestar sobre o parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. Não tendo apresentado defesa específica sobre o lançamento, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1953; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.721724/201232 Recurso nº 10.073.721724201232 Voluntário Acórdão nº 2803003.115 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de março de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VIAÇÃO SANTO ANTONIO E TURISMO LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72. 1. O lançamento em questão diz respeito a contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre pagamentos feitos a contribuintes individuais relativamente às competências de 01/2008 a 12/2008. 2. Tal como na sua impugnação, o contribuinte não se defendeu do lançamento, preferindo se manifestar sobre o parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. 3. Não tendo apresentado defesa específica sobre o lançamento, considerar seá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 17 24 /2 01 2- 32 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721724/201232 Acórdão n.º 2803003.115 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721724/201232 Acórdão n.º 2803003.115 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente aos AI DEBCAD Nº 37.390.8431, contribuições a cargo dos segurados empregados, apuradas do cotejo entre as folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP, e AI DEBCAD nº 37.390.8440, contribuições dos segurados contribuintes individuais, apuradas do cotejo entre o Livro Diário, folhas de pagamento e GFIP, nas competências de 01/2008 a 12/2008, inclusive o 13º salário. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 14 de maio de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não expressamente contestada pelo sujeito passivo é considerada não impugnada, consolidandose administrativamente o crédito tributário correspondente ao valor apurado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Em 05 de dezembro de 2012, foi concluída ação fiscal na empresa impugnante, segundo o TEAF. Da referida ação resultou o AI 37.390.8423, referente à contribuição social da parte do segurado incidentes sobre o pagamento referentes a verbas salariais e o AI 37.390.8440, referente a contribuição social da parte dos contribuintes individuais. Por entender que o débito em questão está maculado por vícios de legalidade e forma que clamam por suas correções, a Empresa vem expor as suas razões de recurso. Inexistem diferenças de contribuições (não recolhidas), incidentes sobre honorários e salários. O débito lançado encontrase completamente parcelado, com sua exigibilidade suspensa, devendo os autos de infração nº 37.390.8423 e nº 37.390.8440, ora em lide serem declarados improcedentes. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721724/201232 Acórdão n.º 2803003.115 S2TE03 Fl. 5 4 A ilustre Relatora afirma que os débitos em questão também foram inseridos nos lançamentos 40.425.3962 e 40.425.3954, no que está correta, mas não são esses lançamentos que foram parcelados na Lei nº 11.941/2009 e sim as competências originais, de forma que o débito em questão se encontra 3 (três) vezes lançados. Ressaltese que nem a Relatora do processo ora em lide, nem o Auditor Fiscal Notificante se preocuparam em analisar as alegações da Empresa, verificando o rol de débitos parcelados no âmbito da Lei nº 11.941/2009. E mais, os débitos 40.425.3962 e 40.425.3954, que comprovadamente foram lançados em duplicidade (item 11 do Acórdão discutido), se encontram inscritos com execução fiscal (CDA com mesmo nº), com embargos em execução. Por todo o exposto, requer que se digne a declarar a improcedência do Processo Administrativo Fiscal nº 10073.721724/201232, bem como dos Autos de Infração nº 37.390.8431 e AI nº 37.390.8440. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721724/201232 Acórdão n.º 2803003.115 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em questão diz respeito a contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, relativamente aos AI DEBCAD Nº 37.390.8431, contribuições a cargo dos segurados empregados, apuradas do cotejo entre as folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP, e AI DEBCAD nº 37.390.8440, contribuições dos segurados contribuintes individuais, apuradas do cotejo entre o Livro Diário, folhas de pagamento e GFIP, nas competências de 01/2008 a 12/2008, inclusive o 13º salário. Tal como na sua impugnação, o contribuinte não se defendeu do lançamento, preferindo se manifestar sobre o parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. Não tendo apresentado defesa específica sobre o lançamento, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. De outra parte, a alegada improcedência do lançamento, em virtude da opção pelo parcelamento da Lei nº 11.941/2209, também não merece acolhida. Sobre tal assunto, as explicações contidas a partir do item 9 da decisão recorrida não deixam qualquer dúvida do correto procedimento levado a efeito pela autoridade lançadora. A confusão, como se pode observar, partiu da apresentação de GFIP retificadoras após o início da ação fiscal, sendo que, após consulta ao sistema GFIP WEB, constatouse que para cada competência em discussão, o contribuinte apresentou, em média, 40 GFIP retificadoras. A retificação das GFIP após o início da ação fiscal não dá ensejo ao instituto da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. A existência de duplicidade de valores lançados, como se vê, ocorreu por exclusiva responsabilidade do contribuinte. A correção, não caberá aos órgãos julgadores de primeira e segunda instância, devendo o contribuinte seguir as orientações contidas no item 11 do acórdão recorrido, considerando que a competência para promover os devidos acertos é da Delegacia da Receita Federal do Brasil. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721724/201232 Acórdão n.º 2803003.115 S2TE03 Fl. 7 6 É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10865.003724/2009-35
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO A QUO.
Inexistindo pagamento de imposto até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. (CTN, art.173, I e Recurso Especial nº 973.733/SC, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INEXISTÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados.
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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PRAZO. TERMO A QUO. Inexistindo pagamento de imposto até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. (CTN, art.173, I e Recurso Especial nº 973.733/SC, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INEXISTÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 37 24 /2 00 9- 35 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10865.003724/200935 Acórdão n.º 2801003.437 S2TE01 Fl. 382 2 Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fls. 331/335 deste processo digital), reproduzido a seguir: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 01/12/2009, o Auto de Infração de fls. 02/09, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada, Exercícios 2005, 2006 e 2007, correspondentes aos AnosCalendário 2004, 2005 e 2006, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 292.692,63, dos quais R$ 132.726,23 correspondem a imposto, R$ 99.544,66 a multa proporcional, e R$ 60.421,74 a juros de mora, calculados até 30/11/2009. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Termo de Verificação de Infração Fiscal, às fls. 10/17 e nos dá conta de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimentos, mantidas em Instituições Financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. O enquadramento legal está previsto na seguinte legislação: art. 42, da Lei n° 9.430/96, art. 1º da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002, art. 1º da Lei n° 11.119/2005, art. 1º da Lei n° 11.311/2006 e art. 849, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. Os valores que efetivamente ingressaram na conta corrente do contribuinte, a título de depósitos e/ou créditos, mantidos em instituições financeiras, que não se fez prova da origem dos recursos, encontramse especificados no Demonstrativo do Termo de Verificação de Infração Fiscal e decorrem de procedimento fiscal, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0811200200810520, de 08/01/2009, em face das divergências havidas entre os valores de receita informados na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF dos anoscalendário de 2004 a 2006 e a sua movimentação financeira informada pelas instituições financeiras à Receita Federal do Brasil através das Declarações da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira DCPMF. Intimado a apresentar os extratos dos bancos movimentados no período e justificar a origem dos recursos ingressos através do Fl. 382DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10865.003724/200935 Acórdão n.º 2801003.437 S2TE01 Fl. 383 3 Termo de Início de Ação Fiscal, às fls. 35/40, o contribuinte solicitou que os mesmos fossem requisitados pela Receita Federal diretamente às instituições financeiras, o que foi atendido. A partir dos extratos bancários, apurouse os recursos ingressos em conta corrente, expurgandose as transferências de valores entre as contas bancárias de mesma titularidade do contribuinte com coincidências de data, valor e operação, bem como cheques depositados e devolvidos, empréstimos, estorno de débito e outros por não representarem ingresso de novos recursos. Concedidas várias prorrogações de prazo com o atendimento parcial, o contribuinte através da planilha de fls. 305/308, identifica as seguintes pessoas como responsáveis por alguns depósitos em suas contas bancárias: Transportadora Gaino Ltda CNPJ 47.005.699/000146; Gaino Distribuição e Logística Ltda CNPJ 04.294.615/000129, José Gaino CPF 215.687.59878, José Aparecido Gaino CPF 868.580.33845, Samuel Gaino CPF 218.853.29881 e Maria Lucimar Gaino CPF 172.802.61809. No entanto, não esclareceu a que título deveuse tais operações. Acrescenta a Auditoria Fiscal que, nas declarações prestadas, o contribuinte alegou tratarse de devolução de recursos, os quais teriam sido enviados à transportadora para quitar obrigações junto a fornecedores, pois a mesma estaria passando por dificuldades financeiras. Contudo, tais alegações não vieram acompanhadas de documentação hábil e idônea que as comprovassem. Quanto aos depósitos recebidos da empresa Gaino Distribuição e Logística Ltda, o contribuinte assumiu como rendimentos tributáveis e quanto aos depósitos efetuados por José Aparecido Gaino, Samuel M. Gaino e Maria Lucimar Gaino, foram entendidos como empréstimos entre familiares. Os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada foram consolidados nas planilhas fiscais de fls. 13/15, apurandose os seguintes rendimentos omitidos: ANOS CALENDÁRIO CRÉDITOS BANCÁRIOS RENDIMENTOS DECLARADOS RENDIMENTOS OMITIDOS 2004 237.448,32 15.450,00 221.998,32 2005 178.318,76 16.570,00 161.748,76 2006 137.490,78 18.250,00 119.240,78 O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 07/12/2009, às fls. 207, tendo ingressado com a impugnação de fls. 210/234 e documentos de fls. 235/258, em 06/01/2010, alegando, em síntese: 1) Requer o cancelamento de parte do Auto de Infração em virtude da ocorrência da decadência para o período de janeiro a Fl. 383DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10865.003724/200935 Acórdão n.º 2801003.437 S2TE01 Fl. 384 4 novembro de 2004, por se tratar de lançamento por homologação, citando art. 142 e 150, IV do CTN c/c art. 42, § 4o, da Lei nº 9.430/1996. Cita ainda doutrina e decisões administrativas e judiciais; 2) Não configuração dos depósitos bancários como rendimento tributável, não existe renda presumida a qual deve ser real, devendo ser provado, o nexo causal entre os depósitos e a renda, pelo fisco que é responsável pela apresentação de provas que ensejam o lançamento. Cita art. 849 do RIR/99, Súmula 182 do TFR, arts. 113, § 1º e 142 do CTN, art. 5º, § 4º, da Lei Complementar n° 105/2001, doutrina e decisões administrativas; 3) Os depósitos bancários estão identificados e suas origens totalmente evidenciadas, conforme reconhece o fisco por diversas vezes, não havendo razão para serem tratados pelo art. 42, da Lei nº 9.430/1996; 4) Afirma que grande parte dos valores que transitaram na conta corrente não pertencia ao impugnante, que forneceu elementos de comprovação de suas operações bancárias, que é o fisco quem tem o poder de apurar os fatos, não podendo o fiscalizado requisitar a terceiros tais comprovações; 5) A impugnante esclareceu que a Transportadora Gaino Ltda, por não possuir linhas de crédito para realizar negociações, utilizouse da conta corrente do impugnante para efetuar algumas transações comerciais; 6)A fiscalização acatou como comprovados somente as transferências realizadas entre as pessoas da família, sob alegação de que as operações mantidas com as pessoas jurídicas não foram instruídas satisfatoriamente, porém o dinheiro transitou entre as contas, o crédito na conta corrente da impugnante corresponde a um débito de igual valor, na mesma data da pessoa identificada como titular do crédito; 7) Os valores apurados pelo fisco merecem ser revistos, apresenta reprodução parcial da planilha denominada “Valores recebidos de transferências entre as contas fiscalizadas”, enviada ao fisco em 11/11/2009, comprovada através dos históricos bancários; 8) Em virtude do tempo transcorrido, do número de lançamento e das pessoas jurídicas envolvidas, fica prejudicada a alocação dos valores, visto que parte envolve pagamento a fornecedores, requer prazo para posterior comprovação e juntada de novos documentos; 9) No Auto de Infração das pessoas jurídicas, o fisco aceitou o fato de que os valores das pessoas físicas, transferidos para as pessoas jurídicas, são rendimentos destas últimas, conseqüentemente, nas pessoas físicas deverão os valores serem excluídos da base de cálculo , sob pena de dupla tributação; Fl. 384DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10865.003724/200935 Acórdão n.º 2801003.437 S2TE01 Fl. 385 5 10) O montante dos depósitos do impugnante, deduzido do valor declarado e o do considerado pelo fisco resulta na base de cálculo de R$ 502.987,86, observandose que tratase somente de créditos das pessoas jurídicas, totalizando assim R$ 102.550,00, exceto de 01 a 11/2004; 11) No ano de 2004 fezse necessário buscar recursos junto a terceiros os quais começaram a adentrar nas contas físicas e jurídicas envolvidas, porém somente em 2006 é que tal dívida foi confessada conforme instrumento particular registrado antes do início da ação fiscal e planilhas elaboradas à época dos fatos encontrandose em desktop disponível à perícia, caso necessário, comprovando sua elaboração antes do início da ação fiscal. Requer prazo para posterior juntada de novos documentos, pois continua diligenciando junto a terceiros; 12) Na eventualidade de não se conhecer da decadência, há de se observar os expurgos no ano de 2004: dos créditos das pessoas jurídicas em R$ 149.150,00 e dos empréstimos em R$ 251.362,60; 13) Os empréstimos mencionados estão líquidos dos valores da decadência e se esta não for acatada, há de se observar que o valor é de R$ 267.538,36 e não R$ 84.188,02; 14 ) Deveria o fisco proceder a circularizações e diligência fiscal nos eventuais beneficiários de valores que transitaram pelas contas correntes do impugnante, em observância ao princípio da verdade real e do poder/dever que dispõe a fiscalização. Cita doutrina; 15) Necessária conversão em diligências do presente julgamento podendo o auditor autuante se manifestar e também requisitar novos documentos necessários à obtenção da inafastável e imprevisível verdade real; 16) A doutrina pátria declara ilegais e inconstitucionais as multas com efeitos confiscatórios, devendo ser aplicadas como penalidade e não como meio arrecadatório, como se tributos fossem. A multa aplicada fere princípios do Direito Administrativo: proporcionalidade e razoabilidade. Requer revisão da penalidade aplicada. Cita doutrina, decisões judiciais. 17) Requer que as intimações sejam feitas em nome dos patronos do impugnante; 18) Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial sustentação oral, juntada de novos documentos, perícias e auditoria contábil e quaisquer outras provas necessárias; 19) Requer seja conhecida a impugnação no sentido de cancelarse o Auto de Infração declarandoo o insubsistente. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10865.003724/200935 Acórdão n.º 2801003.437 S2TE01 Fl. 386 6 A impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 260/284) foi julgada improcedente, por intermédio do acórdão de fls. 329/348, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004,2005,2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades essenciais necessárias ao exercício do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A omissão de rendimentos exteriorizada por depósitos bancários não justificados deve ser apurada no mês em que forem considerados recebidos, sem prejuízo, do ajuste anual. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos, sujeitandose então à apuração por presunção da disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada, cabendolhe o ônus da prova em contrário. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO. Não comprovado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas permanecerá em nome do titular da conta de depósito ou de investimento. CONFUSÃO DE PATRIMÔNIOS. O patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com o da pessoa física e a confusão entre as transações financeiras de ambas não exime o contribuinte de apresentar prova da efetividade do ocorrido. BASE DE CALCULO. Não comprovada a ocorrência de erro na base de cálculo apurada, é de se manter o lançamento. Os rendimentos omitidos na declaração de ajuste, apurados em procedimento de ofício, serão adicionados à base de cálculo declarada para efeito de apuração do imposto devido. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10865.003724/200935 Acórdão n.º 2801003.437 S2TE01 Fl. 387 7 CONFISSÃO E ASSUNÇÃO DE DÍVIDA. A apresentação de instrumento particular de confissão e assunção de dívida entre o contribuinte e outros realizado com terceiro, pessoa física ou jurídica, deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência de numerário, da especificação das transações realizadas, do lançamento nas Declarações de Ajuste Anuais e comprovação da origem dos recursos. A documentação com a qual se pretenda eximirse de infração tributária deve ser contemporânea aos fatos e correspondente aos anoscalendário objeto do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício prevista na legislação de regência é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade lançadora furtarse à sua aplicação. A multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. PROVA DOCUMENTAL. DILIGÊNCIA. SUSTENTAÇÃO ORAL. PERÍCIA. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o impugnante apresentála em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refira se a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Desnecessária diligência quando o contribuinte não apresenta os documentos suficientes no prazo para impugnação constituindose em ônus probatório exclusivo do mesmo, a comprovação de origem dos depósitos bancários. Indeferese o pedido de sustentação oral por falta de previsão legal, neste momento processual. Indefere se a solicitação de perícia quando a prova do fato não depende de conhecimento especial de técnico e sua demonstração pode ser efetuada pela juntada de documentos. INTIMAÇÃO AO PROCURADOR.. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. A doutrina não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se Fl. 387DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10865.003724/200935 Acórdão n.º 2801003.437 S2TE01 Fl. 388 8 tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a discussão de ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação vigente, na esfera administrativa. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/11/2011 (fl. 352 deste processo digital), a Interessada interpôs, em 14/12/2011, o recurso de fls. 354/377. Na peça recursal aduz, em síntese, que: NULIDADE DO LANÇAMENTO O cerceamento de defesa se encontra patente nos autos, inclusive o direito ao contraditório, posto que fora demonstrado ser o procedimento fiscal falho e ilegítimo, não observando a fiscalização, quando da realização do lançamento, as informações e documentos disponibilizados pela Recorrente, onde restou comprovada a total insubsistência do procedimento fiscal e do lançamento. A Recorrente cumpriu todas as intimações expedidas pela fiscalização e apresentou prova documental acerca da insubsistência da autuação fiscal. É evidente que não se pode intimar uma pessoa física a apresentar documentos que a lei não lhe obrigue a possuir. Quando dos cumprimentos das intimações fiscais, claramente se pode observar que a Recorrente deu cumpriu ao solicitado e comprovou nos autos que não há qualquer omissão de rendimentos, mas sim que os valores que adentraram nas contas bancárias foram frutos de empréstimos, se encontrando totalmente infundada a autuação. DECADÊNCIA A obrigação tributária nasce com a ocorrência do fato gerador (CTN, art.113, parágrafo 1º). Portanto, com a ocorrência deste, surge para a Fazenda o direito de proceder ao lançamento. Assim, é natural que o prazo para o exercício desse direito se inicie da data da ocorrência do fato gerador, até porque o direito de a Fazenda lançar o tributo independe da ação do sujeito passivo. Por essa razão, o parágrafo 4º do artigo 150 do Código não estabelece uma exceção, mas sim consiste numa ficção legal decorrente da necessidade de haver o lançamento do tributo a justificar o seu pagamento antecipado. Como consequência, a Fazenda tem esse mesmo prazo de cinco anos, contados do fato gerador, para efetuar o lançamento do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Depois dele, resta configurada a decadência do direito de lançar. Havendo ou não o pagamento antecipado, e mais, havendo ou não expressa informação do sujeito passivo sobre o tributo devido, é a partir da ocorrência do fato gerador que contam os cinco anos depois dos quais não mais poderá ser exigido o tributo. Extinto está o crédito tributário, nos termos do artigo 156, V, do CTN e Súmula nº 8 do STF, em relação ao período de janeiro a novembro de 2004. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10865.003724/200935 Acórdão n.º 2801003.437 S2TE01 Fl. 389 9 OMISSÃO DE RENDIMENTOS – CONSIDERAÇÕES SOBRE A DECISÃO RECORRIDA A Constituição Federal impõe uma expressa limitação ao legislador ordinário: o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza há de ser cobrado sobre o acréscimo patrimonial e jamais sobre o próprio patrimônio. O núcleo intangível do conceito de fato gerador do imposto de renda, na forma como este foi construído pelo legislador constitucional e complementar, reside, ao fim e ao cabo, na idéia de acréscimo patrimonial disponível, portanto é preciso observar que o imposto de renda não incide sobre depósitos bancários, mas sobre acréscimos patrimoniais. No quadro normativo constante na Constituição Federal e do CTN, meros indícios de renda (depósitos bancários) não podem legitimamente ser transformados em acréscimos patrimoniais suscetíveis de tributação, ainda mais porque, em cumprimento às intimações recebidas da fiscalização, a Recorrente comprovou todas as origens de depósitos em suas contas correntes que corroboram para comprovar que não houve qualquer acréscimo patrimonial. A própria Relatora inibe a documentação apresentada pela Recorrente, que comprova a origem dos depósitos, e nega toda documentação operacional, simplesmente porque acredita que não houve qualquer prova do repasse desses valores diretamente da empresa à conta do impugnante com coincidência de datas, valores e operações. Na realidade, não pode a Recorrente querer inventar então outro tipo de documentação, porque a origem dos recursos financeiros são os realmente declarados e apontados no processo administrativo junto com a defesa. Não há possibilidade de entender o que a Relatora quis demonstrar ou pretendeu acusar a Recorrente. A transição de certos valores no período foram oriundos da empresa familiar onde a empresa Transportadora Gaino Ltda utilizouse da conta corrente da Recorrente para algumas transações comerciais, que em momento algum acabaram por acrescer seu patrimônio, para fins de cômputo da base de cálculo do IR pessoa física. Nesse sentido, todos as origens oriundas da referida empresa na conta da Recorrente não devem compor a base de cálculo do IRPF. Não pode se pautar a fiscalização com base em presunção, ainda mais apurar imposto, em indícios não comprovados e ainda quando o próprio contribuinte afirma e aponta todas as operações documentalmente. O documento apresentado (Instrumento Particular de Confissão e Assunção de Dívida e Outras Avencas) vinculou as partes e criou direitos e obrigações, valendo, sim, para apuração e declaração do imposto de renda pessoa física da Recorrente, não podendo tal documento ser invalidado, porque, pelo consta na decisão da Relatora, qualquer valor que entre nas contas bancárias dos contribuintes, devem ser considerados para o imediato recolhimento do Imposto de Renda, o que não pode ser aceito. MULTA A multa de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada pela fiscalização detém caráter confiscatório. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10865.003724/200935 Acórdão n.º 2801003.437 S2TE01 Fl. 390 10 Embora a multa não seja tributo, tanto a moratória, quanto aquela por sonegação, também pode ser confiscatória quando extrapola os limites da razoabilidade e desvirtua sua finalidade, uma vez que nossa Carta Política de 1988 veda tanto o confisco tributário, quanto o confisco de forma geral. É perfeitamente cabível a redução da multa em face do seu valor excessivo, em nome dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. O art. 59 da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, prescreve que os tributos e contribuições que não forem pagos até a data do vencimento ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento. Analisando o CTN e os comandos expressos nos artigos 106 e 112, claramente verificase que a intenção das referidas normas é no sentido de que a lei mais benéfica deve ser sempre aplicada ao contribuinte. Assim, patente que a aplicação da multa na proporção cobrada deve ser reduzida na forma acima estabelecida, sendo esta aplicada no máximo em 20% (vinte por cento) sobre qualquer pretenso tributo exigido. PEDIDO Ao final, requer seja dado provimento ao presente recurso, declarandose a nulidade do Auto de Infração lavrado, posto que ficou comprovado que não houve omissão de receitas, nem acréscimo patrimonial para fins de configuração da base de cálculo do imposto de renda, além de abranger períodos que se encontram decaídos. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. PRELIMINARES Inexistência de nulidade do lançamento Em relação à alegação de nulidade do lançamento utilizo, como razões de decidir, os seguintes excertos extraídos do acórdão recorrido: No presente processo, todos os atos e termos foram lavrados por Auditor Fiscal da Receita Federal, servidor competente para tal, perfeitamente identificado pelo nome, matrícula e assinatura em todos esses atos, no decorrer da fiscalização, atendendo ao art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal PAF. Especificamente com relação ao Auto de Infração, constatase que todos os requisitos previstos no art. 10, do mesmo diploma legal também foram plenamente observados quando de sua lavratura. É na fase da impugnação que o autuado tem a oportunidade de apresentar os esclarecimentos que julgar necessários e os Fl. 390DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10865.003724/200935 Acórdão n.º 2801003.437 S2TE01 Fl. 391 11 documentos que comprovem suas alegações a fim de ser proferida, apreciandose todos os seus argumentos e provas e, à luz da legislação tributária, a decisão de primeira instância administrativa. No caso, foi facultado ao contribuinte impugnação na qual demonstra de forma inequívoca seu pleno conhecimento do processo fiscal e, apresenta seus argumentos de defesa, ora apreciados, concedendolhe ampla defesa. Portanto, o auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existindo no instrumento todas as formalidades essenciais necessárias ao exercício do contraditório e da ampla defesa, não havendo reparos a serem feitos. Observo, ainda, que o fato de a Autoridade lançadora ter refutado os documentos disponibilizados pela Interessada não caracteriza cerceamento de defesa, porquanto tal matéria foi enfrentada nas razões de mérito da decisão recorrida, prevalecendo, pelos motivos lá expostos, tese contrária aos interesses da Recorrente. Demais disso, tais documentos serão reanalisados nesta instância administrativa. Inexistência de decadência do direito do Fisco em constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2004 Já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na espécie, o débito referese ao imposto de renda, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve recolhimento durante o anocalendário de 2004, exceto de rendimentos tributados exclusivamente na fonte, conforme comprova a declaração de ajuste anual acostada aos autos em fls. 26/28. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN, cujo termo a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento poderia ser efetuado a partir de abril de 2005, o que significa dizer que o primeiro dia do exercício seguinte corresponde ao dia 01/01/2006. A folha de rosto do Auto de Infração, à fl. 3 deste processo digital, revela que o mesmo foi lavrado em 01/12/2009 e a intimação do lançamento se deu em 07/12/2009 (comprovante à fl. 257). Considerando que o termo final do prazo decadencial ocorreu em 31/12/2010, descabe falar em decadência do direito do Fisco de constituir crédito tributário relativo ao anocalendário de 2004. MÉRITO Fl. 391DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10865.003724/200935 Acórdão n.º 2801003.437 S2TE01 Fl. 392 12 Manutenção da caracterização de depósitos bancários de origem não comprovada Dispõe o artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Como se percebe, o legislador oportuniza, ao(s) titular(es) da conta em que encontrados os recursos, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção legal relativa que apenas se desfaz com a justificação, pelo(s) contribuinte(s), da origem dos recursos depositados nas contas bancárias. Assim, uma vez caracterizado o fato jurídico que dá suporte à presunção legal, cumpre ao(s) contribuinte(s) demonstrar a regular procedência dos valores depositados, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévia operação regular e o depósito dos recursos em conta de sua titularidade, pena de ser este reputado como rendimento omitido. No curso do procedimento fiscal a Interessada foi intimada, por diversas vezes, a comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Após várias prorrogações de prazo, apresentou a planilha “Valores recebidos referentes às transferências entre as contas realizadas”, na qual identifica pessoas como responsáveis pelos valores depositados, dentre elas, algumas pessoas físicas e as seguintes pessoas jurídicas: Transportadora Gaino e Gaino Distribuição e Logística. Instada a apresentar prova material de que os depósitos foram efetuados pelas pessoas indicadas, a Recorrente assim se manifestou (fl. 247 deste processo digital): "Todas as contas bancárias das pessoas físicas e jurídicas foram utilizadas para as operações da Transportadora Gaino Ltda, que na ocasião encontravase com dificuldades financeiras com problemas de capital de giro. Portanto, as transferências entre as contas de Gaino Distrib. E Logística, Transportadora Gaino, José Ap. Gaino, Samuel M. Gaino e Maria Lucimar Gaino, eram realizadas normalmente para a cobertura de cheques emitidos pelas pessoas acima relacionadas com "prédata" para a quitação dos fornecedores de bens e serviços da Transportadora Gaino Ltda. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10865.003724/200935 Acórdão n.º 2801003.437 S2TE01 Fl. 393 13 Sendo assim, não há entre as pessoas envolvidas obrigação de devolução, uma vez que as obrigações são todas de uma única pessoa jurídica." Em face da completa ausência de prova material (comprovantes de depósitos, de transferências bancárias, dentre outros), a Autoridade lançadora considerou, como empréstimo entre familiares, os depósitos efetuados por pessoas físicas e depósitos com origem não comprovada aqueloutros efetuados pelas pessoas jurídicas. Aduz a Recorrente, nesta sede recursal, que não se pode intimar uma pessoa física a apresentar documentos que a lei não lhe obrigue a possuir. De fato, tal alegação não merece reparo. Observo, no entanto, que a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é relativa, ou seja, somente é elidida mediante prova material (materializada em documentos) em contrário. Em outras palavras: para afastar a presunção legal iuris tantum veiculada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996 não basta alegações desprovidas de documentação que lhes dê sustentação. Registro, ainda, por importante, que não é crível supor que, sendo integrante do grupo familiar que gerencia as empresas que alega serem as depositantes, alguma dificuldade teria a Interessada em juntar aos autos os supostos comprovantes de depósitos, mormente porque as pessoas jurídicas são obrigadas a manter e conservar, em boa ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os documentos e papéis relativos à sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Com relação ao “Instrumento Particular de Confissão e Assunção de Dívida e outras Avenças”, apresentado na impugnação, desnecessário, a meu ver, tecer qualquer consideração, haja vista que a Recorrente nele não figura nem como confitente, nem como conficto, de modo que a dívida confessada não pode servir de fundamento aos depósitos realizados em suas contas de pessoa física. Nesse contexto, entendo que a apresentação da planilha com a indicação dos supostos depositantes, desacompanhada de qualquer documento que demonstre a veracidade da informação, é insuficiente para descaracterizar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. MULTA A imposição da multa calculada com a utilização do percentual de 75% está em harmonia com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, devendo incidir, como fez a Fiscalização, sobre a totalidade do tributo apurado em decorrência da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, sendo inviável, na seara administrativa, desconsiderar norma federal expressa sem ofensa à Súmula CARF nº 2, cujo teor é o seguinte: Súmula CARF nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Anoto, por fim, que não se pode confundir a multa de mora de 20% (vinte por cento) prevista no art. 59 da Lei nº 8.383/1991 com a multa de ofício aplicada neste Fl. 393DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10865.003724/200935 Acórdão n.º 2801003.437 S2TE01 Fl. 394 14 lançamento. Aquela é sanção punitiva aplicada em razão do não cumprimento da obrigação tributária no prazo legal. Esta é decorrente de legislação específica (Lei 9.430/1996, art. 44, I), sendo aplicável aos casos de lançamento de ofício. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 394DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10980.007242/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre (hipótese dos autos), o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996.
Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes.
RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO
Numero da decisão: 2202-002.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
NOME DO PRESIDENTE - Presidente.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 20/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Fabio Brun Goldschmidt, Marcela Brasil de Araújo Nogueira.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre (hipótese dos autos), o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) NOME DO PRESIDENTE Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 72 42 /2 00 9- 38 Fl. 945DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 18 2 FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Fabio Brun Goldschmidt, Marcela Brasil de Araújo Nogueira. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 164 a 173), constituído em razão da omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, omissão de rendimentos da atividade rural, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos exercícios de 2004, 2005 e 2006 exigindo o crédito tributário na monta de R$ 1.070.721,15, já acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora, além de multa isolada pelo não recolhimento de carnêleão. Procedimento de Fiscalização O recorrente foi intimado de “Termo de Início de Ação Fiscal”, emitido em 26/12/2007, e “Termo de Intimação nº 01”, emitido em 28/01/2008, respectivamente em 02/01/2007 e 30/01/2008, referente aos períodos compreendidos entre 01/01/2004 a 31/12/2005 e 01/01/2006 a 31/12/2006, para: 1) apresentar extratos bancários de todas as contas (contas correntes, aplicações financeiras e cadernetas de poupança), inclusive as conjuntas, mantidas pelo declarante e seus dependentes, no país e no exterior, onde constem os saldos no início e no fim de cada mês, os valores aplicados e resgatados, rendimentos obtidos e o Imposto Retido na Fonte, nos períodos de 01/01/2004 a 31/12/2005 e 01/01/2006 a 31/12/2006; 2) informar se no período em questão constaram ou não como cotitular em contas no país e no exterior tituladas por outras pessoas. Em caso afirmativo, informar o número das contas correntes, aplicação e/ou investimento, bem como a agência e as respectivas instituições financeiras, além de fornecer os respectivos extratos; 3) com relação à movimentação financeira efetuada nas instituições financeiras a seguir relacionadas e outras onde manteve conta corrente nos períodos compreendidos entre 01/01/2004 até 31/12/2005 e 01/01/2006 até 31/12/2006, comprovar mediante apresentação de documentação hábil e idônea a origem dos recursos nelas depositados: 2004 2005 2006 Instituição Financeira CNPJ Nº Valor (R$) Banco ABN AMRO Real S.A 33.066.408/000115 2.365,78 172.865,74 146.302,47 Banco ItauBanck S.A 60.394.079/000104 980.161,85 1.310.978,39 695.722,93 Fl. 946DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 19 3 Branco Bradesco S.A. 60.746.948/000112 9230,47 3.156,26 Coop. de Crédito Rural do Planalto Catarinense 01.389.651/000188 104,20 Banco Santander Brasil S.A 61.472.676/000172 245.407,92 127.386,42 Banco Santander S.A 90.400.888/000142 29.857,67 Antes mesmo da notificação do contribuinte do “Termo de Início de Ação Fiscal”, a fiscalização emitiu, entre 17/12/2007 e 27/12/207, várias Solicitações de Requisição de Movimentação Financeira às instituições, Banco ABN AMRO Real S.A, ItauBanck S.A, Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Safra, HSBC e CEF em que foram solicitados diversos documentos, inclusive, os extratos bancários dos períodos 01/2006 a 12/20061 e 01/2004 a 12/20052. (fls. 516 a 520, 531 a 532/539/543/546 a 547/551 a 555/600 a 603/607 a 609/613 a 614/631 a 635/637 a 638/649 a 650/662 a 663/665/668 a 669/671 a 672). As referidas instituições financeiras apresentaram respostas, encaminhando a documentação solicitada pela RFB. (fls. 242 a 238; 509 a 512/522 a 530/ 534 a 538/ 541/ 545/ 549/556 a 599/604 a 606/ 610 a 612/ 616 a 630/ 636/ 639 a 648/651 a 661/ 664/ 667/ 670/673). Em resposta aos termos de intimação anteriormente mencionados (fl. 30 a 42/82 a 95), o recorrente alegou, sinteticamente, que as origens dos créditos bancários realizados em suas contas correntes decorreram da atividade rural de venda de porcos, gado, pinus, insumos agrícolas, dentre outros, atividade essa exercida em parceria na propriedade rural Monte Castelo/SC. Por essa razão, afirma que a movimentação de suas contas bancárias não é exclusivamente sua, mas também de seus parceiros na propriedade rural. Ademais, assevera que as entradas derivam, também, de prestação de serviços agrícolas com máquinas de sua propriedade, empréstimos bancários, cheques emitidos e devolvidos, empréstimos obtidos de pessoas físicas, transferências bancárias entre contas de mesma titularidade, adiantamento de valores da Empresa Master Agropecuária Ltda., TED’s referentes aos valores recebidos de Factoring pelo desconto de cheques, resgate de poupança e estorno de débitos. Especificamente, quanto à movimentação bancária no Bankboston (atual Banco Itaú), alega o recorrente que parte dos depósitos pertence a seus filhos e seu pai, decorrente da atividade exercida no imóvel em Monte Castelo/SC, de propriedade desses. Por fim, relaciona os valores creditados em suas contas bancárias, justificando suas origens. Para confirmar as suas alegações, o recorrente apresentou: contrato de compra de máquina (trator), cédula rural de hipoteca, contrato particular de parceria rural com Master Agropecuária Ltda e Cecília Regina Braga Faccin, termo de venda de participação em parceria rural, tabela de pagamentos, recibos, cópia de certidão do registro de matrícula do terreno rural em Monte Castelo/SC, contrato de compra e venda de reflorestamento de Pinus com a Madeireira Pschiski Ltda, cartão de registro de produtor, contratos de compra e venda de cabeças de gados a prazo, cópia de parte de um livro de conta corrente referente aos trabalhos efetuados com equipamentos agrícolas. (fls. 31 a 71/97 a 114/ 118 a 126). Além disso, o contribuinte trouxe os extratos bancários dos Bancos: Itaú, período 01/2004 a 12/2005 e 01/2006 a 12/2006; ABN AMRO Real S/A, agência Joaçaba, período 08/2005 a 12/2005 e 01/2006 a 12/2006, agência Curitiba, período 01/2004, 10/2004 e 1 ABN AMRO Real S.A 2 Bradesco S.A Fl. 947DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 20 4 12/2004 e contratos financeiros; Santander, período 06/2005 a 12/2005 e 01/2006 a 12/2006(fls. 42 e 81), Bradesco, período 01/2004 a 12/2005 (fls. 509 a 512), conforme recebimento da auditora fiscal, que encontramse anexos, juntamente com os obtidos por meio de RMF, no Anexo I deste processo. (fls. 242 a 512). Após a conciliação das informações bancárias das contas correntes do recorrente, em que foram excluídos os créditos referentes às transferências entre contas de mesma titularidade, inclusive poupanças, empréstimos bancários, cheques de terceiros depositados e posteriormente devolvidos e valores excluídos após esclarecimentos prestados pelas instituições financeiras, o contribuinte foi intimado de “Termo de Intimação n˚ 2”, 08/04/2008, para: 1) comprovar com apresentação de documentação hábil e idônea a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias mantidas nos Bancos ABN AMRO Real S/A, Itaubank S/A (BankBoston), Bradesco S/A e Santander (conforme planilhas de fls. 82 a 94); 2) com relação aos esclarecimentos prestados em suas correspondências datadas de 01/02/2008 e 19/02/2008, comprovar com documentação hábil e idônea as operações informadas como sendo de receita rural, empréstimos obtidos de terceiros e descontos de cheques em Factoring, valores pertencentes a terceiros/parceiros rurais que transitam em suas contas. Em atendimento à intimação lançada, o recorrente manifestouse sem trazer qualquer documentação nova que viesse comprovar as suas alegações. Diante disso, o contribuinte foi intimado novamente de “Termo de Intimação n˚3 e 4” para comprovar com documentação hábil e idônea as diversas informações dadas durante a fase preparatória, todavia quedou silente. Por fim, registrase que, a fiscalização buscando esclarecer as informações prestadas pelo recorrente intimou terceiros, os quais, em sua grande maioria prestaram esclarecimentos, conforme se verifica nas fls. 678 a 919. (anexo III). Da análise de toda documentação trazida pelo recorrente, terceiros e instituição bancaria, a fiscalização entendeu por bem lavrar o auto de infração contra o contribuinte, consoante descritos no termo de verificação fiscal (fls. 164 a 173/ 134 a 157). O detalhamento da autuação vem bem exposto no “termo de verificação fiscal” (fls. 134 a 156), in verbis: “2Da Atividade Rural Conforme respostas do contribuinte protocoladas em 06/02/08 e 19/02/08 juntadas às fls. 29 e 69, este afirma administrar um imóvel pertencente a seu pai e filhos e que há um contrato verbal de parceria entre eles. A Instrução Normativa SRF n° 83, de 11 de Outubro de 2001 assim determina: Art. 14. Os arrendatários, os condôminos, os conviventes, no caso de união estável, e os parceiros, na exploração da atividade rural, devem apurar o resultado, separadamente, na proporção dos rendimentos e despesas que couberem a cada um, devendo essa condição ser comprovada documentalmente. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 21 5 e Art. 25. Nos casos de exploração de uma unidade rural por mais de uma pessoa física (art. 14), a escrituração deve ser efetuada em destaque, no livro Caixa de cada contribuinte, abrangendo a sua participação no resultado da atividade rural, acompanhada da respectiva documentação comprobatória, por meio de cópias, quando for o caso. Como afirmou o contribuinte não existe um contrato escrito de parceria. Também não foram apresentados livroscaixa nem do contribuinte, nem dos parceiros alegados. Assim, esta fiscalização entende que não ficou comprovada a parceria rural. Quanto ao rendimentos da Atividade Rural, cujas receitas são decorrentes de 2 (dois) contratos emitidos exclusivamente em nome do contribuinte sob fiscalização, estão sendo integralmente tributados como próprios e exclusivos do contribuinte. 2.1. Parceria Rural com a Master Agropecuária Ltda e Célia Regina Braga Faccin e outros: O contribuinte em sua resposta de 01/02/2008 (fls.29) informou que ano de 2005 fez um contrato de parceria com a empresa Master Agropecuária Ltda e que para dar início ao projeto teria recebido adiantamento da empresa no valor de R$ 123.849,57. O Contrato apresentado aponta como partes a Master Agropecuária Ltda e Célia Regina Braga Faccin e outros (fls.55). Intimada, a Master informou que a operação foi efetuada pela parceira Célia, e apresentou planilhas e documentos — Anexo III, fls.02/72. Também foi intimada Célia Regina Braga Faccin para complementar a resposta (fls.73/104). Diante das respostas obtidas e, tendo sido comprovado um adiantamento de crédito (empréstimo) de Célia para Rogério, foram excluídos dos depósitos a serem tributados, os valores identificados como reembolso e empréstimo concedido ao contribuinte, a saber: (tabela de fl. 136) Ainda, da análise das respostas e documentos apresentados restou comprovado que o contribuinte recebeu valores referentes à Atividade Rural desta parceria. Alguns valores recebidos pelo contribuinte foram abatidos do saldo devedor do empréstimo/adiantamento que este havia recebido anteriormente da Master/Célia Regina. Outros, foram depositados em suas contas bancárias. Os valores depositados foram excluídos do total tributado sob a rubrica "depósitos bancários não comprovados". Considerouse como sendo de Atividade Rural decorrente deste contrato os seguintes valores: (tabela de fls. 136 e 137) O contribuinte declara receitas da Atividade Rural em diversos meses dos anos calendário 2004, 2005 e 2006. Tendo em vista os valores declarados, estão sendo tributados como Receita Rural nos respectivos meses a diferença entre eles, e os valores apurados/ comprovados (vide coluna “diferença a tributar”): (tabela de fls. 137) 2.2. Reflorestamento — Madeireira Pschiski Ltda: Em 29/05/08 o contribuinte apresentou o contrato de compra e venda de reflorestamento de pinus onde aparece como comprador a Madeireira Pschiski Ltda Fl. 949DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 22 6 (fls. 95/97). Na cláusula 3ª do referido contrato é informado que o pagamento seria feito através de 3 (três) cheques com as seguintes características: R$ 35.000,00 cheque 850139 — vencimento em 23.02.04 R$ 30.000,00 cheque 850140 — vencimento em 23.03.04 R$ 35.000,00 cheque 850141 — vencimento em 23.04.04 Através da RMF 09.1.01.002008000992 e 2009000082 (Anexo II) foi possível a confirmação de que os cheques foram emitidos pela Madeireira Pschiski Ltda, sendo, portanto, os valores considerados como de Atividade Rural e excluídos dos depósitos sem comprovação. Tendo em vista os valores declarados pelo contribuinte em 2004, estão sendo tributados como Receita Rural a diferença entre estes, e os valores apurados/comprovados (vide coluna "diferença a tributar”): (tabela de fls. 138) 3. Dos serviços de Trator: Em 14/06/08 o contribuinte apresentou uma planilha (fls.112) onde diz que diversos depósitos ocorridos em sua conta corrente referemse a trabalhos efetuados com equipamentos agrícolas de sua propriedade a diversos agricultores e anexou xerox de um livro onde mantinha controle destas operações (fls.115/123). Através do Termo de Intimação nr. 03 (fls.124) o contribuinte foi intimado a apresentar relação com nome e CPF das pessoas que contrataram os serviços prestados com o trator e respectivos valores cobrados. O contribuinte não atendeu a esta intimação. Conforme informado no item 5.4.2. deste termo, devido as alegações feitas pelo contribuinte, foram intimados as pessoas que encaminharam TED's para a conta bancária do contribuinte. Dentre elas, foi intimado Sebastião Sobczack a respeito da TED abaixo (Anexo III, f1s.130): (tabela de fl.138) Sebastião Sobczack, em sua resposta (fls. 132 Anexo III), disse que a transferência se deu em razão do pagamento efetuado por ele por serviços de preparo de solo executados em sua propriedade rural com uso de trator de propriedade de Rogério Munhoz. Tendo em vista as informações de Rogério Munhoz e de Sebastião Sobczack e o lançamento deste valor com a mesma data na planilha apresentada (fls.113), este valor será objeto de lançamento conforme art.45 do Regulamento do Imposto de Renda/1999. Quanto aos outros valores que Rogério alega serem de serviços (sic) mas que não tiveram as operações comprovadas não serão tributados sob esta rubrica. 4 – Multa Isolada pela falta de recolhimento do Carnê Leão. Conforme item 3 acima, o contribuinte obteve rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física no valor de R$ 7.000,00. Como não foram oferecidos à tributação no tempo devido, cabe, portanto, multa por não recolhimento do carnêleão, de que trata o art. 8° da Lei n° 7.713/88 c/c arts. 43 e 44, inciso II, alínea "a", da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07 c/c art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172/66. 5 Das alegações Que não se comprovaram: Fl. 950DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 23 7 No curso da fiscalização o contribuinte fez diversas alegações que não se comprovaram. Algumas eram relacionadas a créditos efetuados em suas contas bancárias e outras não. Todos os créditos que não tiveram sua origem comprovada foram tratados conforme item 6 deste termo. A seguir expusemos em detalhes os motivos pelos quais as justificativas do contribuinte não foram aceitas. 5.1. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica: Durante a ação fiscal apurouse que o contribuinte recebeu em sua conta bancária depósitos em cheque do Escritório Contábil Rogério Munhoz (CNPJ: 01.275.504/000187). Também foi beneficiário de transferência de créditos através de TED's do referido Escritório. Observase que, com exceção do crédito de 10/11/05, todos os créditos relacionados na planilha 5.1.1. abaixo, com histórico "depósito ch outro banco", foram identificados quando da tentativa da comprovação da operação de compra e venda de gado (item 5.2.). Quanto às TED's, o contribuinte alegou em suas respostas protocoladas em 06/02/08 e 19/02/08 (fls.29 e 69) ter efetuado descontos de cheques em Factoring e que recebia estes valores desta forma. O contribuinte relacionou em suas respostas as TED's que se referiam às operações de Factoring. Todas as TED's creditadas na conta do contribuinte foram identificadas e algumas resultaram destas operações e outras não. As que comprovaram ser decorrentes de operações de factoring são provenientes das empresas ID ALL Factoring Fomento Comercial Ltda e Safe Factoring Fomento Comercial Ltda. Estas empresas, intimadas (fls.197 e fls.144), responderam e documentaram que os créditos de descontos de cheques foram efetuados para o Escritório Contábil Rogério Munhoz, mas que foram transferidos à pessoa física de Rogério Munhoz, por solicitação deste, responsável pelo Escritório. Foi feita uma tentativa de se intimar o Escritório (sic) mas a correspondência retornou com a informação "não procurado" (fls.240 Anexo III). Contatada a agência dos Correios de MandiritubaPr, por telefone, foime informado pela funcionária "Beth" que há endereços onde as correspondências não são entregues os quais fazem parte de área não delimitada pelos Correios e neste caso, o destinatário deve ir até a agência para recebêla. Rogério Munhoz foi intimado a fornecer o endereço do escritório mas não atendeu à intimação (fls.126). Também foi tentado o contato via telefone constante do cadastro da RFB da responsável /administradora da empresa, Geiza Carla Alves (3631960), inclusive acrescentandose um 3 ao início do número discado, mas a mensagem vinculada foi de que este número não existia. Não conseguindo intimar o contribuinte via postal foi feita diligência ao endereço constante no cadastro da RFB, mas este não foi localizado (Termo às fls.243 Anexo III). Assim, optouse pela intimação por meio de Edital (vide cópia às fls.245 Anexo III). A intimação não foi atendida. Abaixo consta relação de pagamentos do Escritório Contábil Rogério Munhoz (CNPJ: 01.275.504/000187, posteriormente com alteração da razão social para Digitare Digitação e Processamento de Dados S/S Ltda, para a pessoa física de Rogério Munhoz. Uma vez que as operações não foram comprovadas, não se sabe a origem e a que título se deram os pagamentos, os valores creditados na conta do fiscalizado foram considerados como não comprovados e serão tributados conforme item 6. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 24 8 5.2. Dos contratos de Compra e Venda de Cabeças de Gado: Em 14/07/08 o contribuinte apresentou 4 (quatro) contratos de Compra e Venda de Cabeças de Gado — fls.99/111. Em cada um deles foi detalhada a forma de pagamento das operações onde constam valores de cheques e respectivas datas de vencimento. Os valores e datas coincidem com os valores depositados nas contas bancárias do contribuinte. A fim de se averiguar as informações constantes nos contratos solicitouse a bancos (vide Anexo II) a identificação dos emitentes de alguns dos cheques listados. Optouse por verificar os cinco primeiros valores detalhados em cada contrato. Em resposta às requisições (RMF's), obtivemos o seguinte resultado: (tabela de fl. 141) Analisandose o quadro acima, verificase que nenhum dos cheques listados foi emitido pelos "compradores" de gado e que a maior parte dos cheques foi emitida pelo Escritório Contábil Rogério Munhoz. Como não foi possível, através da identificação dos emitentes dos cheques, comprovarse as operações, o contribuinte foi intimado a se manifestar sobre os cheques e contratos apresentados (Termo 04 fls.126 (sic) mas não apresentou resposta. 5.3. Do contrato de Compra e Venda de um Trator: O contribuinte apresentou um contrato de venda de um Trator onde consta como comprador LIMATEC Idair de Lima ME (fls.43). Foram encaminhadas duas correspondências, uma à empresa e outra ao seu responsável, na tentativa de se obter informação sobre esta transação, mas ambas foram devolvidas pelos Correios (Anexo III fls.125/127). O contribuinte também foi intimado a apresentar documentos que comprovassem a operação (item 05 do Termo de Intimação nr. 03 às fls.124) e não o fez. 5.4. Das alegações de empréstimos obtidos de pessoas físicas: 5.4.1. O contribuinte alega em sua resposta protocolada em 06/02/08 (fls.29) que recebeu empréstimos de terceiros (pessoa física): de Danielli Beltramelo R$ 90.000,00 em 2004 e R$ 80.000,00 em 2005; e de Nardino Labres de Oliveira R$ 50.000,00 em 2004. Em sua resposta o contribuinte coloca os empréstimos como um subitem da sua movimentação financeira no BankBoston. Através do Termo nr. 03 (fls.124) o contribuinte foi intimado a apontar os depósitos que se referem aos empréstimos e comprovar estes empréstimos com documentação hábil e idônea e não o fez. 5.4.2. Devido a alegações de que havia valores decorrentes de operações de factoring transferidos para suas contas bancárias através de TED's, foram identificados, através das informações dos bancos, os emitentes das mesmas. Dentre os que foram intimados alguns disseram que as transferências eram decorrentes de empréstimos ao contribuinte e que não possuíam documentos que os comprovassem. Uma vez que simples alegações não fazem prova, os valores foram tributados conforme item 6 deste termo, isto é, não foram excluídos do montante tributado como depósitos não comprovados. Incluemse neste caso: (tabela de fl. 142) 6Dos depósitos Bancários não comprovados: Conforme detalhado no item 01 deste Termo, o contribuinte fez diversas alegações quanto à origem dos valores depositados em suas contas bancárias. Diversos valores são apontados como sendo da Atividade Rural. Entretanto, durante a ação fiscal, Fl. 952DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 25 9 ficou claro que a movimentação do contribuinte não era exclusivamente da atividade rural, que ele mesmo afirma que atividade agrícola é sua principal atividade não diz que é a única; também declara rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica e é sócio de empresas. Apesar das várias intimações ao contribuinte e a terceiros, muitas operações não foram comprovadas, conforme se observa no item 05 deste Termo. Alegações somente não são suficientes para tributar depósitos como atividade rural. Os créditos que foram passíveis de comprovação foram excluídos ou tributados em rubrica específica, conforme o caso. Os valores creditados em conta corrente que não tiveram sua origem comprovada foram tributados como "omissão de rendimentos através de depósitos bancários com origem não comprovada". O lançamento foi realizado sob o amparo do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4° da Lei n° 9.481, de 13/08/1997e pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que assim dispõe: Art. 42 (...) Tal dispositivo estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Dos créditos não comprovados que foram lançados nesta rubrica foram elaboradas duas 40 planilhas: a "Planilha 1 Depósitos Bancários não comprovados" (fls. 142) que traz os valores discriminados por depósito conforme aparecem nos extratos bancários e a "Planilha 2Demonstrativo dos Créditos TotaisDepósitos Bancários Não Comprovados" (fls. 154) que apresenta os valores de forma sintetizada onde foram somados os valores por mês/banco e depois agrupados os totais mensais. Total de depósitos não comprovados: 2004: R$ 521.244,73; 2005: R$ 721.612,96 e 2006: R$ 571.016,53. 3. Conclusão: Com vistas a constituir o crédito tributário procedemos ao lançamento de oficio das diferenças de imposto apuradas, mediante a lavratura de auto de infração, conforme determina a legislação de regência à época dos fatos. Nesta data estamos encerrando a ação fiscal demandada através do MPF09.1.01.00 2007014833 referente aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. E para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente termo, em três vias de igual forma e teor, assinado pela Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, cuja ciência e envio de cópia ao contribuinte se dará via postal, com Aviso de Recebimento (AR), considerandose a data da ciência o dia de recebimento. (tabelas de fls. 145 a 156) Impugnação Cientificado do lançamento (fl. 181), o contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 182 a 194, juntando documentos às fls. 202 a 203 (procuração, RG e OAB). Aduziu em síntese: a) a decadência do crédito tributário com relação ao anocalendário de 2004; Fl. 953DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 26 10 b) a impossibilidade de depósitos bancários autorizarem o lançamento efetuado, pois não constituem fato gerador do imposto de renda, haja vista não caracterizarem disponibilidade de renda e proventos, não podendo, por consequência, caracterizarem sinais exteriores de riqueza, tornandose, assim, imprescindível a comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida; c) que o art. 60, § 3º, do RIR 99 estabelece a faculdade de apurar o resultado da exploração rural, dispensando o livro caixa, quando não ultrapassado o valor correspondente a R$ 56.000,00; d) que comprovou documentalmente as receitas da atividade rural, especialmente as referentes ao reflorestamento de pinus, declaração dos valores a título de trabalhos realizados com equipamentos agrícolas, parceria e empréstimos realizados por Master Agropecuária e compra e venda de gados, dentre outros; e) a impossibilidade da Receita Federal creditar o resultado das atividade rurais como próprios e exclusivos do contribuinte, exclusivamente motivada na falta de apresentação de livro caixa, em vista da informalidade de parceria rural entre o impugnante, seu pai e seus filhos; f) a ausência de regular processo administrativo, quebra de sigilo fiscal e a inconstitucionalidade da Lei Complementar 105, de 2001. Acórdão da DRJ A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, afastou as preliminares alegadas pelo contribuinte e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, pelos seguintes fundamentos (fls. 204 a 224): a) quanto à preliminar de decadência em relação ao crédito tributário constituído no auto de infração, entendeu a DRJ pela aplicação do art. 173, I, do CTN, afastandoa; b) em relação à decadência da multa isolada, foi aplicado o art. 150, §4º, todavia, conforme constatado pela DRJ, esta também não ocorreu; c) relativamente à inconstitucionalidade dos arts. 42 da Lei 9.430/96 e 6º da LC 105 de 2001, não cabe essa alegação no âmbito administrativo, pois a análise de tal matéria é de competência do judiciário; d) referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o depósito bancário é considerado omissão de receita ou de rendimento quando a sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei 9.430/96; Fl. 954DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 27 11 e) quanto à omissão de rendimentos da atividade rural, as receitas da atividade rural oriundas de contratos em nome exclusivo do contribuinte não são atribuíveis a supostos parceiros agrícolas quando não há qualquer prova documental da existência de parceria agrícola nem a escrituração dos respectivos livros caixa pelos alegados parceiros e pelo contribuinte; f) pertinente à ofensa do ato jurídico perfeito, no qual o contribuinte alega a ausência de desconstituição de suas declarações (DAA e retificações), em vista da análise pela fiscalização das informações prestadas pelo contribuinte dentro do prazo decadencial, não há que se falar em afronta a ato jurídico perfeito; g) por fim, quanto à omissão de rendimentos sujeitos a carnêleão e aplicação da multa isolada, visto que o contribuinte não se manifestou, foram consideradas não impugnadas as matérias. Recurso Voluntário Intimado em 13/11/2009 (fl. 230), irresignado com a decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 231 a 238. Em síntese foram repisados os argumentos trazidos em impugnação. No que se refere à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, sujeitos a carnêleão, e à multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, apesar do auto de infração versar sobre isso, o contribuinte não impugnou o mérito do lançamento no ponto, tampouco abordou a matéria em sede de recurso voluntário, motivo pelo qual não será analisada a autuação neste tocante. Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. A controvérsia cingese à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e omissão de rendimentos da atividade rural, já que não impugnada a matéria atinente à omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão. Em seu recurso voluntário o recorrente alega a quebra do sigilo fiscal por parte da fiscalização. Verificase, de fato, que durante o procedimento fiscal foram expedidas RMF às instituições financeiras para obtenção de informações bancárias do contribuinte, inclusive, para obtenção de informações a fim de certificar se as origens apontadas pelo recorrente correspondiam com o alegado. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 28 12 Todavia, em que pese tenha havido a solicitação de documentação diretamente aos Bancos ABN AMRO Real S.A, ItauBanck S.A, Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Safra, HSBC e CEF, notese que o contribuinte trouxe a conhecimento da fiscalização, ainda durante a fase preparatória, toda a documentação requerida (extratos bancários). Portanto, entendo que, devido a este fato, mesmo sem decisão judicial autorizadora de expedição de RMF, não há que se falar em quebra de sigilo bancário em relação aos documentos acostados pelo recorrente durante a fase fiscalizatória, pois que ensejaria, de qualquer forma, o lançamento do crédito tributário nos mesmos termos. Decadência Como se sabe, o Imposto de Renda da Pessoa Física, efetivamente, é tributo cujo lançamento se dá por homologação, conforme pressupõe o artigo 150 do CTN. “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Sendo assim, a autoridade fiscal, nos termos do § 4º do referido artigo, goza de cinco anos para efetuar o lançamento do crédito tributário. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733/SC, de 12/08/2009, recurso este representativo da controvérsia (art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ), que “o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre” (grifo nosso): EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Fl. 956DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 29 13 Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como visto, entendeu o STJ que, para as hipóteses de tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que não houve qualquer antecipação de pagamento, aplicase o art. 173, I, do CTN. A contrário sensu, nos casos em que houver qualquer antecipação de pagamento, a regra a ser aplicada é a do art. 150, § 4º, do CTN, contandose o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, que, em relação ao IRPF, ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. Diante do advento da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A3 Sendo assim, a partir do julgamento do RESP nº 973.733/SC, a orientação por ele dada passou a ser de observância obrigatória também por esse Conselho e apenas 3 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 30 14 confirmou o entendimento que já vinha sendo adotado pela Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se verifica no julgado abaixo: Ementa: DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – TERMO INICIAL – PRAZO – No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considerasse ocorrido em 31 de dezembro do ano calendário. Recurso especial provido. Acórdão: CSRF/0400.586. (Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo, Sessão de 19/06/2007, CSRF). No mesmo sentido, aplicando a orientação agora pacificada pelo STJ, já vinha asism se manifestando a 1ª Turma da 2ª Câmara: Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto Retido na Fonte e saldo a restituir apurado na declaração de ajuste do exercício de 1999, valor compensado no auto de infração, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1999 e terminado em 31/12/2004. Como a notificação do lançamento se deu apenas em 30/08/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Acórdão 2201001.859. (Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe, Sessão de 16/10/2012, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária). No caso dos autos, tendo em vista que, em relação ao anocalendário de 2004, não houve qualquer antecipação a título de imposto de renda (vide campo “Saldo a pagar”, onde consta “0,00” fl. 07), consoante os julgados acima, para fins de verificação de decadência, aplicase a regra prevista no art. 173, I, do CTN, o qual determina que “o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Como o lançamento ocorreu em 28/07/2009, não há que se falar em decadência do exercício de 2004. Diante disso, afasto a preliminar suscitada. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 31 15 Omissão de Rendimento Decorrente de Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada No que toca à alegação de omissão de rendimentos em face de depósitos bancários em contas do contribuinte com origem não comprovada, verificase que a autuação está respaldada no art. 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, que dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Como se verificou no caso em questão, diante dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte (fls. 242 a 512), foram identificados diversos depósitos em montantes consideráveis (conforme totais mensais detalhados na fl. 157), os quais não tiveram sua origem minimamente comprovada. Em sua defesa o recorrente limitase a sustentar que os valores depositados em suas contas correntes são provenientes da atividade rural que desenvolveu em parceria, como serviços de trator, compra e venda de gado, compra e venda de um trator e empréstimos que recebeu de pessoa física. (fl. 234). Outrossim, sustenta que a fiscalização se baseou em mera presunção de que tais depósitos referemse a fatos jurídicos tributáveis, não havendo provas suficientes para tal aferição de sua existência (fl. 235). Todavia mesmo instado a comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte não apresentou documentos justificáveis (contratos de empréstimo; livro caixa; notas fiscais e etc), a fim de comprovar a origem dos créditos bancários, sendo então aplicada a presunção de omissão de rendimentos. É nesse sentido, também, o entendimento da DRJ, que ao analisar o ponto ressaltou o trabalho realizado pela fiscalização, em que ficou demonstrada a desídia do contribuinte em comprovar os fatos por ele alegado (fl. 213 a 219). Vejase, por exemplo, o trecho da conclusão da DRJ quanto à falta de comprovação das origens das entradas nas contas correntes do contribuinte (fl. 219): “Constatase, por estas transcrições, que a autoridade fiscal pronunciouse sobre cada uma das pretendidas justificações dos depósitos bancários e, à míngua de qualquer nova prova ou fundamentaçãõo que possam invalidar as conclusões fiscais, essas são endossadas por esse voto, pelas razões de fato e de direito expostas no arrazoado da autoridade lançadora. Assim, nos termos da legislac ão tributária aplicável à espećie, deve ser mantida a omissão de rendimentos apurada pelo auto de infração, caracterizada pela não justificação de cred́itos da movimentaçãoo bancária.” Ademais, reforçase que o recorrente não trouxe qualquer documento novo quando da impugnação, nem mesmo em recurso voluntário para rechaçar o lançamento. Portanto, no caso dos autos, a aplicação do art. 42 da Lei 9.430/92 é inquestionável, pois, como verificado pelo Auditor Fiscal e, após, confirmado pela DRJ, o contribuinte sequer justificou minimamente com documentação hábil e idônea a origem dos depósitos realizados na sua conta bancária nos anoscalendários fiscalizados, sendo correta a tributação, como, aliás, vem entendendo essa Turma: Fl. 959DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 32 16 Processo nº 16004.000110/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.331 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria IRPF Recorrente ALFEU CROZATO MOZAQUATRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. ART. 42, LEI N. 9.430/96. LEGITIMIDADE. É legítimo o lançamento de imposto de renda com base em omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários sem origem comprovada tendo como fundamento o art. 42 da Lei nº 9.430/96, desde que sejam seguidos todos os procedimentos nela presentes. Diante disso, entendo pela manutenção da decisão da DRJ. Parceria Rural O recorrente assevera que a fiscalização não poderia ter creditado os resultados da atividade rural, exclusivamente, como próprios desse, pela simples falta de livro caixa, vez que possui parceiros na atividade rural. Ademais, afirma que comprovou a origem da receita proveniente da atividade rural. Quanto ao derradeiro ponto, primeiramente, destacase que toda documentação carreada nos autos foi analisada pela fiscalização, sendo que esta, no momento da apuração das omissões, se valeu de todas as provas encaminhadas pelo recorrente, tributando, tão somente, o remanescente não comprovado, como muito bem exposto no TVF (fls. 134 a 156). Notese que, especificamente quanto à questão das ‘parcerias’, foi inclusive reconhecida, eis que comprovada, a parceria do contribuinte com Master Agropecuária Ltda e Cecília Regina Braga Faccin, tendo sido “excluídos dos depósitos a serem tributados os valores identificados como reembolso e empréstimo concedido ao contribuinte” relativos a tal parceria (fl. 136). Ocorre que, ainda que formalmente intimado, o contribuinte não acostou nos autos, sequer um documento que demonstrasse cabalmente a existência das demais parcerias rurais alegadas. É o que se percebe dos trechos abaixo transcritos (fl. 136): Fl. 960DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.007242/200938 Acórdão n.º 2202002.605 S2C2T2 Fl. 33 17 “Como afirmou o contribuinte não existe um contrato escrito de parceria. Também não foram apresentados livroscaixa nem do contribuinte, nem dos parceiros alegados. Assim, esta fiscalização entende que não ficou comprovada a parceria rural. Quanto ao (sic) rendimentos da Atividade Rural cujas receitas são decorrentes de 2 (dois) contratos emitidos exclusivamente em nome do contribuinte sob fiscalização, estão sendo integralmente tributados como próprios do contribuinte”. Diante disso, como o ônus da prova dos fatos alegados é exclusivamente do alegante/contribuinte e este deixou de demonstrar cabalmente suas afirmações, não há de prosperar o seu pedido quanto ao ponto. Conclusão Isso posto, entendo pelo DESPROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 961DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10882.910017/2011-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação.
Numero da decisão: 3803-005.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação.
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CNPJ 92.660.604/000182) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 17 /2 01 1- 11 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido em 29 de julho de 2005, através do qual Yara Brasil Fertilizantes S.A., sucessora da Benspar S.A., busca restituição de crédito de COFINS, relativo ao período de apuração novembro de 2003, no valor de R$ 623,68. O pagamento foi identificado mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do despacho decisório emitido em 2 de dezembro de 2011, que indeferiu o pedido de restituição. A ciência do indeferimento ocorreu mediante AR em 21 de dezembro de 2011. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente, alegando que ocorreu homologação tácita do pedido de restituição, pois se passaram 5 anos desde a apresentação do PER até a emissão do Despacho Decisório. O interessado fundamentou sua defesa no § 5º do art. 74 da Lei nº 9430/1996, assim como nos arts. 150 e 174 do Código Tributário Nacional e no art. 37 da Instrução Normativa RFB Nº 900/08. Ao final requer que se reconheça a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. A 2ª Turma da DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, afirmando que, diferentemente do que ocorre na declaração de compensação, é impossível a homologação tácita nos pedidos de ressarcimento ou restituição, por falta de previsão legal. Ainda afirmou que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, que, de acordo com o art. 170 do CTN, são essenciais para que seja efetivada a restituição pela Fazenda Nacional. Irresignado, o contribuinte protocolou Recurso Voluntário, onde defende que a homologação tácita é instituto atrelado a segurança jurídica, sob pena de estarse outorgando à Fazenda o direito de reter pedidos de restituição indeterminadamente. Tomando por base os arts. 173 e 174 do CTN, sustenta que o prazo de 5 anos transcorre tanto para o contribuinte, como para o fisco e que não se pode ignorar a garantia constitucional de que todos são iguais perante a lei. Afirma que o § 4º do art. 150 do CTN dispõe que, quando a lei não fixar prazo para homologação, será ele de 5 anos. Nesse caso, quando o contribuinte declara ser titular de crédito, o fisco teria 5 anos para se manifestar sobre esse crédito, sob pena de decadência para a glosa eventualmente cabível. Ao final requer que se proveja o recurso para, reformandose a decisão recorrida, reconhecerse a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório, e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. É o Relatório. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910017/201111 Acórdão n.º 3803005.399 S3TE03 Fl. 11 3 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Fato incontroverso é a emissão do despacho decisório após 5 anos da data do protocolo de transmissão do Pedido Eletrônico de Restituição, o litígio reside na caracterização, ou não, deste fato como homologação tácita. O instituto da compensação encontrase previsto no art. 170 do CTN. No âmbito administrativo, a Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008 disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após a entrega da Declaração de Compensação (PER/DCOMP), a Secretaria da Receita Federal deverá analisar o pedido de compensação num prazo máximo de 5 (cinco anos), contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Este é o texto do § 2º do artigo 37 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008, in verbis: “§ 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação.” Como visto, a homologação tácita da compensação se dá após decorrido o prazo de cinco anos contados da data de transmissão do PER/DCOMP. A Fazenda afirma que, diferentemente da declaração de compensação,o pedido de restituição à Receita Federal não é satisfeito desde logo. Isso por que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório, enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento. Ainda afirma que não há previsão legal para homologação tácita de pedido de ressarcimento, pois o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96 apenas se refere às declarações de compensação. A pretensão do contribuinte, de que deva haver um prazo para que a fazenda se manifeste sobre pedidos de restituição, é razoável. Inclusive em concordância com princípio constitucional da razoabilidade expressa no art. 5º da Constituição Federal, citase: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Entretanto, a legislação é carente de uma norma que estabeleça período específico para que a Fazenda Nacional se posicione a respeito de pedidos de restituição ou ressarcimento e o CARF, em virtude de seu regimento, observa a estrita legalidade. Com efeito, a decisão da DRJ/POA não merece reparos. No caso, pedido de restituição formulado à Receita Federal não se submete ao prazo de homologação tácita de cinco anos, previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96, aplicado expressamente aos pedidos de compensação. Vejamos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifamos) Ocorre que não há previsão legal estabelecendo prazo para homologar pedidos de Restituição, e a norma acima colacionada não se aplica ao caso. Tal entendimento é o adotado pela jurisprudência da 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 130200285 do Processo 108800354929962. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ.ANOCALENDÁRIO: 1998PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR E FALTA DE COMPROVAÇÃO, INDEFERIMENTO. NÃO TENDO A CONTRIBUINTE APURADO SALDO CREDOR DE IRPJ, NEM COMPROVADO O IRRF, NEM O OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES, CORRETA O INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, QUE JÁ DEVERIA ESTAR INSTRUIDO COM OS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, COMPENSAÇÃO. A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA ADMITE A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E NÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NO CASO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE JUNTAMENTE COM O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO NÃO ESPECIFICAR OS DÉBITOS A SEREM COMPENSADOS, NÃO HÁ DE SE FALAR EM HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO RECONHECER A HOMOLOGAÇÃO TÁTICA E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO Fl. 47DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910017/201111 Acórdão n.º 3803005.399 S3TE03 Fl. 12 5 AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. (G.N.) Ante a falta de guarida legal que determine a homologação tácita a pedidos de restituição, não cabe ao julgador criar normas ou interpretálas de forma a beneficiar o contribuinte ou a Fazenda quando a própria Lei não autoriza. Observase, também, que em manifestação de inconformidade, assim como em sede de recurso voluntário, o contribuinte se eximiu do direito de se pronunciar quanto ao mérito, assim como não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido. Não há como avaliar o mérito da lide uma vez que o contribuinte abriu mão de defenderse quanto ao mérito. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, tendo em vista que em relação ao Pedido de Restituição não existe previsão legal que discipline a ocorrência de homologação tácita, sendo inaplicável, ao caso, a aplicação da regra de homologação tácita dos pedidos de compensação, porquanto, são de naturezas distintas e portanto não se confundem. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 12466.000659/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/01/2003 a 13/09/2005
OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PROVA.
A constatação da origem de recursos de terceiros como prova da ocultação do real adquirente deve ser correlacionada com a correspondente importação por conta própria simulada.
No caso do uso das provas indiciárias (indiretas), é ônus do agente fiscal contextualizar os elementos de prova juntados, tratando de articulá-los de forma tal a demonstrar da conduta ilícita inequívoca do contribuinte.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3401-002.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por maioria, negou-se provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl que dava provimento parcial.
(assinado digitalmente)
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Supente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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PROVA. A constatação da origem de recursos de terceiros como prova da ocultação do real adquirente deve ser correlacionada com a correspondente importação por conta própria simulada. No caso do uso das provas indiciárias (indiretas), é ônus do agente fiscal contextualizar os elementos de prova juntados, tratando de articulálos de forma tal a demonstrar da conduta ilícita inequívoca do contribuinte. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por maioria, negouse provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl que dava provimento parcial. (assinado digitalmente) JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 06 59 /2 00 9- 14 Fl. 29260DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Supente), Angela Sartori. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei no 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF n° 003, de 03 de janeiro de 2008, contra acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), cuja ementa transcrevo: OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PROVA. A constatação da origem de recursos de terceiros como prova da ocultação do real adquirente deve ser correlacionada com a correspondente importação por conta própria simulada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/01/2003 a 13/09/2005 CONTEXTUALIZAÇÃO DA PROVA INDICIARIA. No caso do uso das provas indiciárias (indiretas), é ônus do agente fiscal contextualizar os elementos de prova juntados, tratando de articulálos de forma tal a demonstrar da conduta ilícita inequívoca do contribuinte. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O presente processo trata de Auto de Infração para exigência da multa capitulada no art. 23, V. § 3.° do DecretoLei n.° 1.455/76 (multa por conversão da pena de perdimento) lançada contra a interessada e contra a empresa Kinsberg Comércio Importação e Exportação de Tecidos Ltda, CNPJ 46.515.532/000162 como responsável solidária. Segundo o Relatório Fiscal que acompanha o Auto de Infração, fls. 09/19, a autuação foi originada após a constatação de que a autuada promoveu importações no período de 2003 a 2005 na modalidade de importação por conta própria quando na verdade estas importações foram por conta e ordem de terceiros. A fiscalização alega que a partir da revisão da habilitação da autuada no Siscomex foi detectado que a mesma não possuía capacidade financeira para realizar as importações registradas e por esta razão foi a mesma incluída em procedimento especial de fiscalização conforme dispõe a IN SRF n.° 206/2002. Feita a análise financeira da empresa foram verificadas as seguintes ocorrências: a) Nas contas referentes à bancos, no Balancete de Verificação, havia uma movimentação expressiva de recursos monetários incompatíveis com o Patrimônio Liquido da Fl. 29261DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 12466.000659/200914 Acórdão n.º 3401002.483 S3C4T1 Fl. 29.261 3 interessada, sendo observado que as vezes os valores sacados eram praticamente os mesmos dos depositados e ainda que a maioria das contas, em determinados momentos, assumiam saldos credores; b) Os empréstimos obtidos foram inexpressivos em relação as operações de comércio exterior registradas. A fiscalização também estranhou a concessão dos referidos empréstimos já que a autuada não possuía patrimônio suficiente para garantilos; c) A empresa não distribuiu lucros expressivos aos sócios, no entanto recursos monetários foram obtidos através dos sócios como os valores de R$1.600.000,00 (julho/04), R$1.482.615,66 (dezembro/2004) e R$2.866.000,00 (fevereiro/2006); d) A conta duplicatas a receber possuía um saldo expressivo e a principal devedora era a empresa Kinsberg Comércio Importação Exportação Ltda, que foi declarada inapta em virtude da prática de irregularidades na área de comércio exterior. Foi constatada a existência de empréstimos feitos à empresa Kinsberg. Os Balancetes de Verificação da empresa Thalys e o Livro Razão da conta clientes da empresa Kinsberg — Anexo 17 (fls. 3689/3747, vi. 19) — demonstram os saldos das contas, o não pagamento da empresa Kinsberg à Thalys e lançamentos de recebimentos de adiantamentos da Kinsberg e devoluções para a esta empresa; e) A conta duplicatas descontadas passou a existir a partir de março/2003 e seu saldo foi aumentando consideravelmente até o 2.° trimestre/2006 com saldo credor de R$ 2.908.899,04, quando então recebeu as duplicadas, anulando a conta no 3.° trimestre/2006; f) As fls. 10v à 13v, a fiscalização faz uma análise das contas bancárias, apurando, ao final, que a fiscalizada recebeu diversos recursos monetários da empresa Kinsberg Comércio Importação e Exportação Ltda a titulo de adiantamentos para aquisição de mercadorias. Também foi verificado que a Thalys realizou devolução ou transferência dos recursos monetários para a Kinsberg. Os sócios de ambas empresas são os mesmos. g) Foram elaborados Demonstrativo dos Valores Excluídos (constante nos Anexos 04/16, nas análises das contas bancárias em diversos bancos) onde são apresentados os motivos que permitiram à fiscalização inferir que as informações prestadas pela autuada não traduziam a realidade; h) Examinado o Livro de Empregados — Anexo 19 (fls. 4242/4265, vl. 22), foi verificado que a empresa não possuía número suficiente de empregados em relação ao movimento de operações realizadas pela mesma; i) Pelo exame do Livro Razão da conta "Duplicatas Descontadas" – Anexo 18 (fls. 3748/4241, vls. 19/22) foi verificado que após a solicitação de inaptidão da empresa Kinsberg diminuíram as operações de obtenção de recursos monetários junto aos bancos com a utilização de documentos oriundos de vendas a prazo e após a declaração de inaptidão daquela empresa, cessaram de vez estas operações; j) Através do Demonstrativo Fluxo Financeiro Anexo 20 (fls. 4267/4271, vi. 22), a fiscalização demonstra que mesmo obtendo diversos recursos junto as entidades financeiras por meio de supostas vendas a prazo, a fiscalizada em diversos momentos não possuía recursos monetários próprios para pagamento das importações e das demais despesas aduaneiras inerentes ao comércio exterior. Assim sendo fica configurada a realização Fl. 29262DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 de importações com recursos de terceiros, presumindose a importação por conta e ordem de terceiro conforme determina o art. 27 da Lei n.° 10.637/2002; k) Fica caracterizada a ocultação da empresa Kinsberg pois a fiscalizada recebeu diversos recursos desta empresa a titulo de adiantamento para realização das operações de importação e ainda a simulação de vendas a prazo já que estas vendas nunca foram liquidadas. Além disto os recursos provenientes da empresa Kinsberg não possuem comprovação de sua origem; l) A empresa Thalys simula que sua matriz está localizada o Espirito Santo para usufruir dos beneficios do FUNDAP, provocando danos ao Estado onde sua matriz realmente está localizada (São Paulo); m) Em virtude da interposição detectada, o valor do crédito tributário apurado referese ao valor aduaneiro das mercadorias cujo real adquirente é a empresa Kinsberg Comércio e Importação e Exportação de Tecidos Ltda. conforme Demonstrativo de Notas Fiscais de Saida para a empresa Kinsberg Anexo 17 (fls. 3673/3688, vi. 19). Devidamente ntimadas as empresas apresentaram impugnações separadas. A Empresa Thalys Importação e Exportação Ltda aduziu em sua impugnação (fls. 4391/4414) preliminarmente: a) o procedimento fiscal que teria se estendido além do prazo previsto na IN SRF n.° 228/2002, embora a autuada tenha apresentado toda a documentação exigida pela fiscalização que, de forma descabida e ilegal, obrigou a fiscalizada apresentar planilhas não obrigatórias em formato de arquivo especifico, caracterizando verdadeira terceirização das funções e responsabilidades do auditorfiscal. Além disso o auditor também não observou a Portaria RFB n.° 4.006/2007, tendo o MPF se extinguido pelo decurso do prazo sem que houvesse a competente prorrogação. Ora, não se pode aceitar que o auditorfiscal possa agir ao arrepio das formalidades legais. A autuada traz argumentos e jurisprudência administrativa quanto à nulidade da ação fiscal sem MPF válido; b) alega que houve violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório na medida em que foi intimada da autuação em 09/03/2009 e somente em 25/03/2009 foram disponibilizadas cópias do processo, reduzindo seu prazo de defesa. Ainda os anexos não foram sequer numerados. Por isso o prazo para apresentação da impugnação deve ser devolvido à impugnante a contar da efetiva entrega das cópias solicitadas tempestivamente. c) o principal documento que pretende provar a alegada falta de capacidade financeira, o demonstrativo denominado Fluxo Financeiro, anexo 20, é completamente ininteligível, pois não há qualquer explicação acerca da fonte das informações. E absolutamente impossível compreender o que representam os números lançados no fluxo financeiro. 0 ato de acusação deve ser devidamente motivado para que o acusado tenha condições de apresentar defesa. d) também foi violado o dispositivo legal que determina que todo o processo administrativo deve ter suas páginas numeradas sequencialmente e rubricadas. E um completo desleixo o auditorfiscal dar ciência de um auto de infração que sequer se encontrava em ordem seqüencial, tampouco tinha suas folhas numeradas. e) protesta pela ocorrência da decadência da constituição do crédito tributário nos termos do art. 139 do DecretoLei n.° 37/66 que ocorre em 05 anos a contar da data da Fl. 29263DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 12466.000659/200914 Acórdão n.º 3401002.483 S3C4T1 Fl. 29.262 5 infração. No presente caso temse a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro por suposta infração cometida na importação das mercadorias. Como a ciência do Auto se deu em 09/03/2009, devem ser excluídos do presente Auto de Infração todas as DI's anteriores a 09/03/2004. No mérito alega: a) as alegações constantes do Auto são contraditórias pois ao mesmo tempo que o Auditor presume que houve interposição fraudulenta de terceiros a partir das alegações de origem não comprovada de recursos, alega também que houve utilização de recursos de terceiros que seria o real adquirente das mercadorias. Ainda assim as presunções são relativas e admitem prova em contrario, que no presente caso são inúmeras no sentido de que a Thalys é a real adquirente das mercadorias. b) A impugnante tinha uma volumosa carteira de clientes, realizando vendas pulverizadas entre estes e a empresa Kinsberg foi compradora de aproximadamente 2% do total das operações realizadas pela impugnante. c) A impugnante realizou movimentações com 2.307 clientes durante o período fiscalizado. Do total de transações efetuadas no valor de R$59.213.449,52, a empresa Kinsberg adquiriu o montante de R$1.216.549,63, ou seja, as vendas para esta empresa representaram 2,0442% de todas as operações feitas pela impugnante. Também no que tange as unidades (metros quadrados de tecido), do total de 6.386.351,35, o cliente Kinsberg adquiriu 153.612,82, representando 2,4% do total de unidades. Chega a ser absurda a afirmação de que as mercadorias estavam predestinadas a Kinsberg em vista da pulverização das vendas a milhares de clientes. As fls. 4451/4470, vol. 23, apresenta relatório de todos os clientes entre os anos de 2003 a 2006 com as respectivas operações de venda. No trabalho do Auditor onde aponta uma série de valores e quantidades adquiridas pela Kinsberg, se verifica que daquelas operações em que o valor total era inferior a R$5,00 (282 operações), 52 foram da Kinsberg. Estes valores correspondem a 148 DI's, das quais 25 foi da Kinsberg. Assim também como em relação as unidades transacionadas (metros quadrados de tecido) a Kinsberg aparece em 18,5% das Dl's. Este levantamento permite constatar que os pedidos da Kinsberg não coincidem com as mercadorias de DI's especificas, pelo contrário, foram realizados pedidos em diversos períodos diferentes e com valores e quantidades pequenas. Cita como exemplo a DI n.° 04/06970155, do dia 13/12/2004, que representou o montante de R$0,67. Isto representa uma prova cabal de que as operações não foram por encomenda da Kinsberg. e) A fiscalização trouxe inúmeros fatos que considera indícios de ausência de capacidade econômica e financeira da impugnante para realizar as operações de importação, comparando o capital próprio da empresa (de acordo com o Balanço) com a evolução dos gastos nestas operações, asseverando que em diversos momentos a impugnante não possuía recursos próprios para pagamento de suas importações. E de se observar que a capacidade financeira ou de pagamento, o volume de caixa disponível, a expectativa de geração de caixa e outros indices é que possibilitam e espelham a condição de a empresa guitar suas dividas. Apresenta demonstrativos do crescimento dos valores disponíveis da empresa e do faturamento (fls. 4376/4377) e considera diversos indices de liquidez que entende evidenciar sua capacidade financeira. Alega que o método utilizado pela fiscalização para auferir sua capacidade financeira foi incompleto, parcial e tendencioso. O Auditor não utilizou as demonstrações financeiras da empresa para comprovação das contas e saldos pagos, liquidados e a vencer (clientes) entre as partes. Para isto bastaria verificar o razão do cliente, extrato Fl. 29264DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 bancário e sua Nota Fiscal para comprovação do recebimento parcial ou total da mesma. Contesta o argumento da fiscalização de que as vendas teriam sido feitas a vista, porém recebidas parceladamente, apresentando um quadro As fls. 4383 onde demonstra as operações e os pagamentos recebidos por elas, sendo que 89,11% foram a. vista. O que ocorre é que muitos foram recebidos fora do prazo, conforme comprova a análise da "Provisão quanto as perdas para Devedores Duvidosos" constante na demonstração financeira da empresa. f) Afirma que houve inadimplência e que esta registrado na contabilidade na provisão para devedores duvidosos que totaliza no período fiscalizado o valor de R$1.8 milhão. Além disto diversas ações judiciais estão em andamento para ver o interesse da empresa ern cobrar suas dividas. Outra prova de que efetuou tais vendas são conhecimentos de transporte rodoviário que indicam as notas fiscais emitidas pela impugnante (fls. 4472/8936), além dos representantes comerciais, conforme comprovam as notas de serviços apresentadas. g) A fiscalização alega que há indícios de diversos compradores predeterminados para as mercadorias listadas no Demonstrativo das Mercadorias Consumidas e para sustentar tal tese afirma que o estoque de mercadorias tinha um saldo expressivo antes do período fiscalizado e que posteriormente as compras realizadas são totalmente ou quase totalmente vendidas. No entanto tal afirmação é falsa conforme se verifica da evolução da conta Estoques (fls. 4385/4386). No Balanço de 2006 consta um estoque no valor de R$ 6.148.706,81. A fiscalização alega também que estranha a obtenção de empréstimos já que acredita que a empresa não possua patrimônio suficiente para garantilos. Ora, isto não diz respeito A administração aduaneira e sim aos bancos que concederam os empréstimos. Estes bancos analisam a solidez da empresa e da capacidade de geração de caixa e de pagamento e exigem fiança pessoal dos sócios. Curiosamente, o fiscal, após levantar suspeita sobre tais operações, não as inclui nos Demonstrativos de Valores Excluídos, legitimandoos como fonte licita de recursos. h) Questiona a acusação da fiscalização de que a Kinsberg financiaria as operações de importação à Thalys e no entanto a própria fiscalização afirma que a impugnante teria concedido empréstimos à Kinsberg. Como uma empresa devedora poderia custear as atividades de sua própria credora? Além disto a conta duplicatas a receber foi aumentando seu saldo credor, tendo em 2006 um saldo de R$2,9 milhões , o que supostamente significa que uma expressiva quantia não teria sido recebida pela empresa. Quanto As duplicatas descontadas as quais deixa de descontar a partir de do terceiro trimestre de 2006 se justifica pela decisão gerencial inteligente de deixar de descontar duplicatas quando a empresa conseguiu obter empréstimos a taxas de juros mais baixas. Isto pode ser observado através de uma análise detida dos livros contábeis (quadro As fls. 4387). Também questiona a análise feita pela fiscalização exclusivamente das contas bancárias que não é tecnicamente adequada para determinar a capacidade financeira de uma empresa. Também a acusação genérica e repetida de que as datas dos pagamentos feitos pelos diversos clientes não coincidem com as datas de vencimento e/ou emissão das notas fiscais. Ora isto é óbvio na medida em que a impugnante não é uma lojinha de tecidos que vende mercadorias no balcão e sim uma empresa distribuidoraatacadista que possui quase três mil clientes cadastrados em todas as regiões do pais. Relata o processo de venda, faturamento e transporte das mercadorias e o pagamento antecipado de clientes que estejam fazendo sua primeira compra. i) A fiscalização trata das três hipóteses legais sem apontar de qual se trata: se o que não está comprovado é a origem, a disponibilidade ou a efetiva transferência dos recursos. Também acusa o fiscal de não recebimento de juros em casos isolados de pagamentos com atraso. Ora, a lei faculta ao credor a co rança de juros, mas não obriga. Assim alguns clientes são abonados desta cobrança. De qualquer forma a fiscalização ignorou a recebimento de R$138.087,33 de juros de seus clientes, apesar de constar em sua contabilidade. Fl. 29265DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 12466.000659/200914 Acórdão n.º 3401002.483 S3C4T1 Fl. 29.263 7 j) Se a fiscalização entende que a impugnante está utilizando recursos de terceiros de bancos comerciais, inclusive celebrando contratos de câmbio, deveria exigir dos bancos explicações e autuálos como reais adquirentes das mercadorias adquiridas com tais recursos. k) Das exclusões indevidas e não fundamentadas: foram excluídos indevidamente todos os valores recebidos da empresa Kinsberg tendo em vista sua declaração de inaptidão por não comprovação da origem de seus recursos. Esta presunção é invalida e nula e não pode ser admitida como meio de prova. Até porque qualquer que seja o motivo da inaptidão, ela pode ser revertida a qualquer momento. Não se pode, portanto, afirmar que os recursos obtidos das vendas feitas à empresa Kinsberg não tiveram sua origem comprovada. Não se pode punir duas empresas distintas pela não comprovação do recurso recebido por uma delas. Cada uma deve responder pela origem de seus recursos. Quanto ao lançamento dos recursos recebidos da Kinsberg no Livro Razão sem motivo, esclarece que o próprio Código Civil admite que as dividas liquidas e vencidas são reduzidas pelos pagamentos (arts. 352 a 355), sendo regulares, portanto. os lançamento contábeis que reduzem o saldo total da conta. l) Alega a fiscalização que as vendas a. empresa Kinsberg não ocorreram em virtude da não liquidação de supostos títulos. Estes títulos existem, legitimando as vendas e os diversos pagamentos feitos por aquela empresa abatem sua divida, ainda que não integralmente. Não há nada de irregular nisto e ao contrário do que afirma a fiscalização, a impugnante é quem financiou parte das vendas feitas à Kinsberg como o fez a outros clientes. m) A fiscalização fez outra confusão ao tratar da empresa TAM, em que esta fez um pedido de tecidos e lhe foi exigido um sinal (arras) caso a mesma desistisse da compra. Seria "não comprovação da origem de recursos" ou "ocultação do real adquirente"? Faz demonstração dos valores recebidos da TAM as fls. 4393. n) O Demonstrativo dos Valores Excluídos contém inúmeros erros como notas fiscais em duplicidade, dando a entender que a impugnante não recebe o valor integral de suas vendas, que recebe valores de empresas diferentes daquelas para as quais vendeu as mercadorias. As notas fiscais supostamente em duplicidade foram pagas em parcelas. Como demonstra em anexo, em que são apresentadas as explicações para cada um dos valores listados, evidenciando que os recursos são legítimos, com origem, disponibilidade e efetiva transferência comprovadas (fls. 4435/4449). o) Protesta pela aplicação dos princípios da não propagação, não repetição e personalização da pena. Alega que houve aplicação dupla da penalidade na medida em que a impugnante está sendo penalizada pela não comprovação da origem dos recursos da empresa Kinsberg. Caso não tenha comprovação da origem de seus recursos, a empresa Kinsberg é que deve ser penalizada, não devendo a fiscalização propagar os efeitos desta penalidade à impugnante. Em assim fazendo estaria a fiscalização aplicando duas vezes a mesma sanção a duas pessoas distintas relativamente a uma só infração (principio do non bis in idem). p) Pelo principio da irretroatividade não se pode entender que a declaração de inaptidão aplicada a empresa Kinsberg em 2006 retroaja para considerar sem comprovação os recursos recebidos desta empresa pela impugnante. q) O tipo infracional contém elemento subjetivo (dolo). Nesse sentido não basta que exista a culpa. É necessário a existência do dolo especifico de ocultar. Fl. 29266DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 8 r) A Lei n.° 11.488/2007 institui uma penalidade mais especifica e menos gravosa ao importador que cede seu nome para realização de operações de importação com a finalidade de ocultar os reais adquirentes. A pena de perdimento ou sua conversão em multa aplicase somente ao adquirente da mercadoria e ao importador a multa de 10% do valor da operação. Junta julgados administrativos sobre a matéria. s) A impugnante seguiu a risca o entendimento oficial da Secretaria da Receita Federal constante no ADI n.° 07/2002. emitindo notas fiscais de saída e contabilizando as entradas e saídas de mercadoria importada. t) O fiscal sugere que as mercadorias foram importadas por conta e ordem da Kinsberg mas apenas 2% dessas mercadorias foram vendidas à Kinsberg e não foi feita prova em contrário. u) Ao final requereu: nulidade do Auto de Infração pelas preliminares levantadas, seja devolvido o prazo à impugnante, seja reconhecida a decadência para s DI's anteriores a 09/03/2004, a determinação de realização de perícia nos livros contábeis indicando o assistente técnico e formulando quesitos. Por seu turno, a empresa Kinsberg Comércio. Importação e Exportação de Tecidos Ltda apresentou impugnação (fls. 14187/14229) nos mesmo moldes da empresa da empresa Thalys. Encaminhado o processo para julgamento, a DRJ de Florianópolis entendeu por bem em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora procedesse aos seguintes feitos, dando, no seguimento, ciência às impugnantes (despacho às fls. 14308/14312, vol. 72): a) Relacionasse as DI's autuadas com suas respectivas datas de registro; b) Especificasse no demonstrativo "Fluxo Financeiro" (fls. 4267/4271vol 22) a que se referem os campos "Saldo Consolidado", "Despesas Consolidadas Acumuladas", Exclusões Consolidadas Acumuladas , "Saldo Consolidado Real" e "Despesas Consolidadas Pagas". Demonstrar a origem dos valores ali indicados (empréstimos, recebimento de duplicatas, etc...) e c) Tendo em vista que a empresa Kinsberg foi considerada a real adquirente das mercadorias importadas e por esta razão foi trazida aos autos como responsável solidária, indicasse de forma clara as provas que sustentaram a autuação, já que as notas fiscais relacionadas pela fiscalização no demonstrativo de fls. 3673/3688 (vol. 19) referemse aquisição de mercadorias importadas através de DI's registradas em período distinto da autuação e/ou que não correspondem a totalidade da importação feita através da DI correspondente. Em atendimento à diligência a autoridade lançadora juntou os seguintes documentos: a) Demonstrativo das Mercadorias Consumidas, relacionando a DI's que serviram de base para autuação com a informação da data do registro às fls. 14313/14323; b) Demonstrativo dos Valores Excluídos por instituição bancária com os motivos da exclusão de cada valor As fls. 14324/14336; Fl. 29267DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 12466.000659/200914 Acórdão n.º 3401002.483 S3C4T1 Fl. 29.264 9 c) Demonstrativo de fls. 14337/14380 onde constam os saldos bancários em diversas datas, os valores das despesas aduaneiras (constantes nos extratos de contacorrente e/ou Livro razão das contas bancárias) e os valores excluídos pela fiscalização, pelos motivos listados no Demonstrativo dos Valores Excluídos; d) Relação das notas fiscais de saída da empresa Thalys para a empresa Kinsberg, ordenada pelos números das DI's, compreendendo o período da fiscalização (01/2003 a 10/2006), As fls. 14380/14410 (vol. 72). Informa também a que se referem os campos existentes no demonstrativo denominado "Fluxo Financeiro" As fls. 4267/4271 e esclarece que a atuação foi feita tomando por base o valor aduaneiro das DI's cujas importações seriam para empresa Kinsberg (fls. 06/08) e que a relação de fls. 3673/3688 relaciona várias DI's que ultrapassam o período da fiscalização que foi de 01/2003 a 10/2006. Finalmente esclarece que a autuação da empresa solidária se deu diante das seguintes provas: a) adiantamentos da Kinsberg à Thalys para aquisição de mercadorias; b) emissão de notas fiscais de saída da empresa Thalys para a empresa Kinsberg chamando a atenção para o fato de que para diversas DI's existem notas fiscais emitidas com data de mais de um ano após o desembaraço destas DI's; c) dados constantes na contabilidade da empresa Thalys que demonstram a aquisição de mercadorias pela Kinsberg no valor de R$20.785.152,77; d) falta de comprovação da origem dos recursos da empresa Kinsberg que foi declarada inapta. Intimadas do resultado da diligência, a empresa Thalys apresentou aditamento à impugnação As fls. 14421/14424 alegando, em síntese o que segue: a) O fiscal apesar de especificar as rubricas do demonstrativo denominado "Fluxo Financeiro" não se desincumbiu do ônus da prova. Primeiro porque o saldo inicial de uma conta deve ser sempre igual do saldo final da data imediatamente anterior. Há várias diferenças em desfavor da interessada que simplesmente desapareceram. Também foram excluídos valores fundamentais para comprovar a solvência financeira da acusada. Junta planilhas com valores excluídos do fluxo financeiro e com saldo errados no fluxo financeiro As fls. 14426/14428. b) Continua obscuro o ponto referente a origem das despesas de importação lançadas sob a rubrica "despesas consolidadas pagas". Ele explica que se referem a despesas aduaneiras mas não indica a composição exata de cada valor lançado, data das despesas, respectiva conta bancária, não se sabendo se se trata mesmo de despesas de importação, não permitindo, por isso, o contraditório. Também o somatório dos saldos das contas bancárias não refletem os valores do Fluxo Financeiro". c) O documento que é a principal prova que sustenta a autuação continua imprestável para os fins pretendidos pela fiscalização. Instada a indicar de forma clara as provas que sustentaram a autuação a fiscalização limitouse a mencionar genericamente adiantamentos de recursos monetários feitos pela Kinsberg e a existência de notas fiscais de saída pela empresa Thalys sem indicar cada prova e sua localização no processo. d) A Kinsberg realizava pagamentos dos preços das mercadorias adquiridas mas não adiantava recursos monetários. 0 anexo III (fls. 4435/4449) apresenta análise detalhada de cada valor excluído pela fiscalização. Atenta para o fato de que a própria Fl. 29268DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 10 fiscalização no atendimento da diligência menciona que existem notas fiscais de mercadorias que ficaram mais de um ano no estoque da Thalys. e) Esclarece que o único objetivo do auto de infração é punir as importações de mercadorias que foram posteriormente revendidas à Kinsberg. Para isto deveria a fiscalização levantar a quantidade e a qualidade de cada mercadoria constante das notas fiscais de venda para rastrear as DI's que acobertaram as importações, para dai então apurar o valor aduaneiro das mesmas. Os autos retornaram à DRJ para julgamento, sendo o crédito lançado exonerado em sua totalidade, acolhendo as alegações das impugnantes, conforme ementa supra transcrita. Por fim, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso de ofício foi respaldado pelo primeiro órgão julgador no art. 34 do Decreto 70.235/1971, no art. 366 do Regulamento da Previdência Social, combinados com o art. 1º, I, da Portaria MPS 158/2007, abaixo colacionados: DECRETO 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. “ Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade.” DECRETO 3.048, DE 6 DE MAIO DE 1999 – REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Fl. 29269DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 12466.000659/200914 Acórdão n.º 3401002.483 S3C4T1 Fl. 29.265 11 “ Art. 366. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). I declarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; e (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). II relevar ou atenuar multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). § 1o No caso de decisão de autoridade delegada, o recurso de ofício será dirigido, por intermédio do delegante, à autoridade competente. (Renumerado com nova pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.224, de 2007). § 2o O Ministro de Estado da Previdência Social poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo. (Incluído pelo Decreto nº 6.032, de 2007) § 2o O recurso de que trata o caput será interposto ao Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). § 3o O Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo. (Incluído pelo Decreto nº 6.224, de 2007).” Portaria 158, de 11042007 “Art. 1o Deverá ser interposto recurso de ofício dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), observado o disposto no art. 2o ,das Decisões e DespachosDecisórios que: I declararem indevida, em valor total (principal, multa e juros) superior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização;” A interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) sofreu modificação, conforme o artigo. 1º da Portaria MF 03/2008: Portaria MF 3, de 3 de janeiro de 2008 DOU de 7.1.2008 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo.” Fl. 29270DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 12 A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, artigo 6º; a lei nova (latu sensu) é aplicada aos processos ainda em curso, observandose o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada: DECRETOLEI 4.657, DE 4 DE SETEMBRO DE 1942. Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957) § 1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) § 2º Consideramse adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como aquêles cujo comêço do exercício tenha têrmo préfixo, ou condição préestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) § 3º Chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) Verifico que valor apurado inicialmente pelo fisco foi de R$ 15.546.595,02 (quinze milhões, quinhentos e quarenta e seis mil, quinhentos e noventa e cinco reais e dois centavos). Dessa forma, constato que o débito que deixou de ser exigido em sua totalidade, portanto, dentro do escopo da legislação que regia o recurso de ofício. Assim, conheço do recurso de ofício, tendo em vista que o débito tributário exonerado à época que deu o seu ensejo foi superior ao limite determinado na Portaria MF 158/2007. DA INEXISTENCIA DE RAZÃO PARA REFORMA DA DECISÃO Analisando a decisão proferida pela DRJ, não vislumbro qualquer razão para reformála. Ora, o Auto de Infração em apreço foi lavrado para a exigência da multa capitulada no art. art. 23, V, § 3.° do DecretoLei n.° 1.455/76 (multa por conversão da pena de perdimento) lançada contra a interessada e contra a empresa Kinsberg Comércio Importação e Exportação de Tecidos Ltda, CNPJ 46.515.532/000162 como responsável solidária, por ter a autuada promovido importações no período de 2003 a 2005 na modalidade de importação por conta própria quando na verdade estas importações foram por conta e ordem de terceiros. Transcrevo o dispositivo legal que fundamenta a autuação: DecretoLei n.° 1.455/1976, C0111 as alterações da Lei n.° 10.637, de 30.12.2002, vigente it época da autuação: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas its mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (incluído pela Lei n°10.637, de 30.12.2002) Fl. 29271DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 12466.000659/200914 Acórdão n.º 3401002.483 S3C4T1 Fl. 29.266 13 § 1º. O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido COM a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) § 2º. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) § 3º. A pena prevista no § 1º. convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que talo seja localizada ou que tenha sido consumida. (incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) Com o escopo de elucidar a autuação em testilha, transcrevo abaixo, trechos do Relatório Fiscal que identificam a infração praticada: Fls. 02: "Em virtude da interposição detectada, o valor do crédito tributário apurado no presente Auto de Infração, conforme Demonstrativo das Notas Fiscais de Saídas Para a Empresa Kinsberg (Anexos 17), referese ao valor aduaneiro das mercadorias cujo real adquirente é a empresa Kinsberg Comércio Importação e Exportação de Tecidos Lida (CNPJ 46.515.532/000162), a qual passa a figurar no pólo passivo como devedor solidário, conforme determina o art. 27 da Lei n.° 10.637 de 30 de dezembro de 2002." Fls.16: "Como se verifica em nossa base de dados, a fiscalizada registrou todas as suas importações como se fossem próprias, assim sendo, .fica caracterizada a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas.(..) Assim, ficou demonstrado que nas operações realizadas com a empresa Kinsberg houve a ocultação do real adquirente das mercadorias, pois a fiscalizada registrou todas as operações como próprias, quando tais operações realizadas corn a empresa Kinsberg deveriam ser registradas como por conta e ordem de terceiros.” Fls. 19v: "Por tudo que foi exposto, fica caracterizado o dano ao Erário, já que a Thalys Importação e Exportação Lida não é a real adquirente das mercadorias importadas (..)” A infração, portanto, praticada pela autuada e penalizada pela fiscalização foi a prática da ocultação da real adquirente das mercadorias nas operações de importação nos anos de 2003 a 2005. A adquirente é a empresa Kinsberg que foi responsabilizada solidariamente pelo crédito tributário lançado. O Auto de Infração composto do relatório fiscal de fls. 09/19v e dos diversos documentos anexados aos autos às fls. 25 a 4.338 relata o procedimento de fiscalização na empresa autuada iniciado a partir de suspeita de interposição fraudulenta diante dos dados levantados no Siscomex que indicavam que os limites concedidos para importação foram sempre ultrapassados pela importadora e ainda a constatação de sua incapacidade econômico financeira para a realização de tais operações. A partir destas constatações a empresa foi incluída em procedimento especial de fiscalização, sendo intimada várias vezes a apresentar diversos documentos para comprovar a legalidade das operações de importação realizadas naquele período. Fl. 29272DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 14 Basicamente, estas intimações foram no sentido de a autuada esclarecer a origem dos diversos valores depositados em suas contas bancárias, acompanhados das contas razão e dos balancetes de verificação. A partir, então, destes documentos e explicações, a fiscalização excluiu alguns valores que entendeu não justificadas suas origens. Além disto enumerou diversas notas fiscais de venda da Thalys para a Kinsberg relacionandoas com as respectivas DI's de importação das mercadorias. A impugnante Thalys apresentou vários argumentos alegando tanto questões preliminares que ensejariam nulidades como questões de mérito no que dizem respeito aos dados levantados pela fiscalização que embasaram suas conclusões quanto à interposição pretensamente praticada pela autuada. A empresa Kinsberg, responsável solidária por ser a adquirente das mercadorias, apresentou impugnação repisando os mesmos argumentos apresentados pela Thalys. O relator da DRJ optou por expor a análise que fez do lançamento em questão, abordando diretamente a questão material do exame das provas, deixando de tratar individualmente os argumentos apresentados na impugnação, já que a condução do voto aproveitarou todas as demais questões. Durante o exame da autuação a DRJ julgou necessário alguns esclarecimentos por parte da fiscalização a fim de que pudesse proceder ao correto e justo julgamento do feito. Isto porque algumas informações não eram suficientemente claras para a perfeita conexão entre o fato infrator e a penalidade aplicada. A diligência se fez necessária na medida em que não compete ao julgador buscar as provas no processo fiscal, e sim apreciálas. Sendo estarseia incorrendo em duplo lançamento. Outro fator importante de se destacar é quanto ao convencimento da DRJ e o exame das provas. Ora, o resultado de urna ação fiscal deve estar consubstanciado por provas, sob pena de, em assim não sendo, restar comprometida a possibilidade concreta (e constitucionalmente assegurada pela Constituição Federal no inciso LV do artigo 5.°) de o contribuinte, na fase litigiosa do procedimento fiscal, contraditar os argumentos e meios utilizados pelo fisco para embasar o lançamento. Sobre as provas o Decreto n.° 70.235/1972 (PAF) assim dispõe: Art. 9.°. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em 'autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruidos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pelo art. I.' da Lei n.° 8.748/1993) Em atendimento a diligência a autoridade lançadora juntou novo demonstrativo de DJ’s, agora com a data do registro das mesmas, e esclareceu a que se referiam os campos constantes do demonstrativo denominado "Fluxo Financeiro", no qual baseouse para concluir pela falta de recursos da autuada para proceder as operações de importação. Partindo , então, da análise de tal demonstrativo de fls. 4267/4271 constatou se que a fiscalização procurou relacionar os saldos bancários em determinadas datas, excluindo aqueles valores que entendeu sem origem justificada, com as despesas pagas a titulo de despesas aduaneiras. Os saldos resultaram em negativos ou inferiores as despesas pagas. A conclusão, naturalmente, foi pela falta de recursos próprios para realização das importações. Fl. 29273DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 12466.000659/200914 Acórdão n.º 3401002.483 S3C4T1 Fl. 29.267 15 Os valores excluídos de cada conta bancária estão relacionados em vários anexos e consolidados no demonstrativo de fls. 14324/14379. Os motivos das exclusões basicamente são a não aceitação da justificativa da autuada de que os pagamentos se referiam a notas fiscais de vendas à vista emitidas em datas anteriores mas que a cliente Kinsberg teria pago posteriormente, sem a cobrança de juros pelo atraso. Também houve casos de notas fiscais de venda à prazo, também recebidas em datas diferentes dos vencimentos e ainda que o histórico do extrato de alguns pagamentos não consta como recebimento de títulos. Não obstante o extenso trabalho da fiscalização em analisar todas as contas bancárias da autuada, intimandoa a justificar diversos depósitos. relacionando todos aqueles que julgou não justificados para excluílos dos respectivos saldos bancários, ha que se considerar que a referida análise, por ser exclusivamente contábil, deveria comprovar também quais foram os respectivos lançamentos contábeis feitos pela autuada destes mesmos ingressos de valores bancários. Isto para se confirmar a intenção da mesma em ocultar a origem dos recursos de uma terceira empresa interessada na aquisição de mercadorias importadas (no caso, a empresa Kinsberg). Estes dados não são apontados objetivamente no auto. A fiscalização somente cita no auto que apurou suas conclusões com base nos balancetes de verificação e contas razão, sem fazer a devida correlação entre os dados e as conclusões. De qualquer forma, ainda que entendesse desnecessário tal análise ou mesmo tal demonstração, há que se considerar dentre todos os documentos juntados aos autos através de diversos anexos, quais, de fato, comprovam a infração praticada pela autuada. O Demonstrativo Fluxo Financeiro (fls. 4267/4270), juntamente corn o Demonstrativo de Valores Excluídos (14324/14379), indicam os valores que a fiscalização entendeu que deveria excluir por não terem origem comprovada. Estes valores, no período da autuação, 2003 a 2005, importam em R$3.663.991,24. Este dado revela que dentre todo o recurso disponível da empresa para realizar importações, R$3.663.991,24 não servem para comprovar as importações realizadas. Por outro lado vemos que o valor das importações feitas no período e que serviu de base para o lançamento em questão foi de R$15.546.595,02. Este dado isolado poderia revelar que a empresa, então, possuía recursos próprios com origem comprovada para o restante de aproximadamente R$12.000.000,00. No entanto uma análise da contabilidade empresarial poderia demonstrar se estes recursos realmente existiam na empresa e como estavam apropriados (duplicatas, clientes, empréstimos, etc...) Levandose em consideração apenas o que consta no relatório do auto de infração, verificase que a empresa obteve empréstimos bancários num total de R$ 27.756.584.00 no período de 2003 a 2004. A argumentação da fiscalização quanto a falta de garantia da empresa para que os bancos fornecessem referidos empréstimos é totalmente descabida, haja vista que se constatada a efetividade de tais empréstimos, não cabe a fiscalização questionar as condições de suas concessões por parte das instituições financeiras. A menos, claro, que este argumento fosse acompanhado da constatação da simulação e até inexistência de fato destes empréstimos, o que não ocorreu nos autos. Alias a própria fiscalização alega que após a obtenção destes empréstimos a fiscalizada procedia a liquidação de cambio das importações. Então se o pagamento das importações era feito através de recursos obtidos através de empréstimos bancários, como afirmar que o mesmo era feito com recursos de terceiros, mais especificamente, da empresa Kinsberg? A autoridade lançadora também afirma que, conforme consta no Anexo 17 (fls. 3673/3747), a autuada recebeu diversos valores da empresa Kinsberg sem discriminação Fl. 29274DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 16 do motivo e/ou como adiantamento. Este anexo traz cópia do livro razão da conta Kinsberg e nele vemos que embora realmente existam valores sem descrição do histórico devidos e com referências a adiantamentos, ainda assim referidos valores são da monta de R$1.695.301,23. Então ainda que se considerasse todos os valores como adiantamento não seriam suficientes para pagamento das importações em causa. Notese que a análise feita até agora é quanto aos recursos da empresa Thalys, sua origem injustificada e quando identificada a origem, a mesma é da empresa Kinsberg. No relatório fiscal é feita uma abordagem quanto à capacidade financeira da empresa. tendo como base para as conclusões da fiscalização para apuração da incapacidade, comparações dos recursos obtidos corn o patrimônio liquido e os vários depósitos bancários feitos em favor da interessada provenientes da empresa Kinsberg que não foram devidamente relacionados como pagamentos de títulos. Em relação a todo este relato podese até deduzir que houve irregularidades na empresa autuada e um aparente relacionamento dela com a empresa Kinsberg que desafia os princípios de administração empresarial. Um fator bastante relevante para esta conclusão, segundo exame do razão analítico da cliente Kinsberg (fls. 3734), é o fato de que esta empresa já possuía um saldo devedor com a atuada antes do inicio período fiscalizado (2003) no valor de R$19.494.101,85 e passados os três anos, até 2005, este saldo continuou muito alto, no valor de R$20.902.914,63. Isto é, mesmo devendo muito à Thalys, a empresa Kinsberg ainda conseguiu adquirir mercadorias, sem guitar a divida já contraída e inclusive a aumentando. Estes dezenove milhões devem ter passado pela contabilidade da Thalys corn, inclusive, a contrapartida dos recursos para que a mesma pudesse adquirir as mercadorias para revendêlas à Kinsberg. Todavia, tendo em vista o impedimento regal de fiscalizar este período por já encontrarse decaído o direito do fisco em fazêlo, fica prejudicada um análise mais real dos fatos ocorridos e suas conseqüências legais. No entante, esta digressão é apenas para ressaltar que podese vislumbrar possíveis irregularidades existentes com as empresas em questão mas que não são da alçada desta esfera administrativa de julgamento buscar elementos que não estejam claramente demonstrados na autuação. Segundo a legislação, a não comprovação da origem de recursos cria a presunção de que eles tenham sido obtidos de terceiros e, por conseguinte, que a importação tenha sido feita por conta e ordem de terceiros. Obviamente que se for identificada a origem do recursos corno sendo de terceiro, ou seja, não sendo de recursos próprios, recursos adiantados portanto, também estará descaracterizada a importação por conta própria. No caso dos autos não restou comprovado este adiantamento de recursos por parte da empresa Kinsberg à Thalys para a efetivação das importações destacadas pela fiscalização. O relato da fiscalização trazendo suas conclusões não faz a correlação necessária entre o recurso obtido e a utilização do mesmo em determinada operação de importação. Além de que, como abordado alhueres, os valores que foram excluídos por não serem considerados próprios não albergariam todas as importações alegadamente feitas por conta e ordem da Kinsberg. Também não ficou demonstrado a utilização destes recursos para pagamento das despesas aduaneiras. Primeiro porque não feita esta demonstração, segundo que mesmo que sendo dever da fiscalização indicar todas as provas nos autos, eu buscasse estas informações nos diversos anexos e milhares de folhas, teria constatado, corno de fato o foi, que em alguns extratos bancários constam depósitos de mais de um cliente, com valores variados, e as Fl. 29275DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 12466.000659/200914 Acórdão n.º 3401002.483 S3C4T1 Fl. 29.268 17 subseqüentes despesas não são facilmente correlacionadas somente pelos valores. Sendo que sequer as DI's foram relacionadas com tais depósitos e/ou despesas aduaneiras. Ainda faltaria a fiscalização comprovar a "ordem" da importação por conta e ordem. Não existe qualquer documento que faça referência a uma simulação entre as duas empresas para este tipo de importação para que afastasse qualquer dúvida quanto a natureza da operação ou para que os indícios de incapacidade financeira fossem confirmados. Toda a prova feita foi em cima dos recursos, demonstrados através dos extratos bancários e balancetes de verificação. A infração supostamente praticada pela importadora foi a ocultação do real adquirente na importação de mercadorias e a fiscalização tentou demonstrar através de suas conclusões, baseadas nas contas contábeis e nos extratos bancários, que a empresa Kinsberg adiantava recursos à Thalys para que esta promovesse a importação. Estes adiantamentos não restaram comprovados. Reconheço a impropriedade na escrita contábil quanto aos históricos que não fazem referência à origem do depósito e a insuficiência na justificativa da autuada quanto ao recebimento de pagamento por conta de notas fiscais (e não títulos) emitidas como venda à vista. Todavia, ainda que estes pagamentos pudessem ser considerados como adiantamentos, e talvez até fossem realmente, a fiscalização não logrou êxito em demonstrar a que importações referiamse estes adiantamentos e a prova de que as mercadorias importadas foram destinadas integralmente à Kinsberg, já que a multa exigida é sobre o valor aduaneiro da totalidade das Drs. Ou seja, não basta a constatação genérica da incapacidade financeira ou ainda a constatação de recebimento de recursos de terceiros sem que todos estes indícios se correlacione corn a importação propriamente. Finalmente, trazidas como prova não só da infração como da indicação das DI's autuadas e a valoração da multa, dois demonstrativos foram anexados aos autos. A relação de fls. 3673/3688 enumera as notas fiscais de saída da empresa Thalys para a empresa Kinsberg, relacionando as notas com as respectivas DI's. Esta relação foi obtida a partir de um CD fornecido pela importadora. Deste CD foram extraídos as notas expedidas para a empresa Kinsberg. Através desta relação visualizase que parte das importações realizadas através das DI's ali indicadas foram adquiridas pela compradora Kinsberg. Notese que o valor de venda é muito inferior ao valor aduaneiro das respectivas DI's. Como as DI's não foram juntadas, nem relacionadas para se saber as quantidades importadas e comparálas com as das notas fiscais, sabendose somente os respectivos valores (aduaneiros e de venda), podese concluir por uma das duas hipóteses: ou houve subfaturamento na venda ou as quantidades vendidas foram muito inferiores àquelas importadas. Não existindo prova do subfaturamento (aliás sequer aventado), resta a última hipótese, o que conduz a ilação de que a empresa Kinsberg não adquiriu a totalidade das mercadorias, não podendo, por isso, se concluir que todas aquelas importações foram por conta e ordem da compradora. E ainda que, num esforço para contextualizar todos os elementos trazidos aos autos, admitindose que aquelas mercadorias compradas através das notas fiscais relacionadas fossem adquiridas através de simulação de importação por conta e ordem, também não se poderia acatar o demonstrativo de fls. 06/08 que relaciona as DI's autuadas. Isto porque, corno já exposto acima, o demonstrativo relaciona as DI's e seus respectivos valores aduaneiros integralmente como se todas as mercadorias tivessem sido importadas, de fato, pela Kinsberg. Fl. 29276DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 18 Ressaltase neste momento que o processo administrativo fiscal deve trazer com clareza, não s6 para os contribuintes mas também para quem for apreciar o litígio, a comprovação dos fatos e a fundamentação de fato e de direito que dá sustentação A. exigência fiscal. Assim sendo, não há como afastar a conclusão da DRJ de Florianópolis de que na descrição dos fatos não ficou estabelecida a conexão entre as provas e a linha de encadeamento lógico para embasar a presente autuação. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do recurso de ofício apresentado, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 29277DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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