Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10510.003833/2009-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000.
O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva.
Na hipótese dos autos a negociação das metas claras e objetivas por meio de documento apartado por sí só não inviabiliza a condução do isenção.
PLR. PERIODICIDADE SEMESTRAL. VEDAÇÃO DE PAGAMENTO EM MAIS DE DUAS PARCELAS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE A TOTALIDADE DAS PARCELAS
É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade das verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados.
Numero da decisão: 9202-007.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para excluir do lançamento os pagamentos de PLR cuja autuação tenha como único fundamento o item 2.6.13.2 do relatório fiscal, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor quanto ao descumprimento da periodicidade a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Nos termos do art. 58, § 5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou no Recurso Especial do Contribuinte, por tratar-se de resultado já proclamado na sessão de 22/05/2018, no período da manhã, em que votou o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Por outro lado, de acordo com o mesmo dispositivo regimental, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) votou no Recurso Especial da Fazenda Nacional, uma vez que, quanto a esse recurso, somente a Relatora havia votado na sessão de 22/05/2018.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. Na hipótese dos autos a negociação das metas claras e objetivas por meio de documento apartado por sí só não inviabiliza a condução do isenção. PLR. PERIODICIDADE SEMESTRAL. VEDAÇÃO DE PAGAMENTO EM MAIS DE DUAS PARCELAS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE A TOTALIDADE DAS PARCELAS É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade das verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10510.003833/2009-72
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5967484
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.012
nome_arquivo_s : Decisao_10510003833200972.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10510003833200972_5967484.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para excluir do lançamento os pagamentos de PLR cuja autuação tenha como único fundamento o item 2.6.13.2 do relatório fiscal, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor quanto ao descumprimento da periodicidade a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Nos termos do art. 58, § 5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou no Recurso Especial do Contribuinte, por tratar-se de resultado já proclamado na sessão de 22/05/2018, no período da manhã, em que votou o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Por outro lado, de acordo com o mesmo dispositivo regimental, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) votou no Recurso Especial da Fazenda Nacional, uma vez que, quanto a esse recurso, somente a Relatora havia votado na sessão de 22/05/2018. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7629342
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418996244480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1772; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10510.003833/200972 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202007.012 – 2ª Turma Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria CSP PLR REGRAS CLARA E OBJETIVAS PERIODIDIDADE Recorrentes FAZENDA NACIONAL BANCO DO ESTADO DE SERGIPE S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. Na hipótese dos autos a negociação das metas claras e objetivas por meio de documento apartado por sí só não inviabiliza a condução do isenção. PLR. PERIODICIDADE SEMESTRAL. VEDAÇÃO DE PAGAMENTO EM MAIS DE DUAS PARCELAS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE A TOTALIDADE DAS PARCELAS É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade das verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 38 33 /2 00 9- 72 Fl. 935DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para excluir do lançamento os pagamentos de PLR cuja autuação tenha como único fundamento o item 2.6.13.2 do relatório fiscal, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor quanto ao descumprimento da periodicidade a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Nos termos do art. 58, § 5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou no Recurso Especial do Contribuinte, por tratarse de resultado já proclamado na sessão de 22/05/2018, no período da manhã, em que votou o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Por outro lado, de acordo com o mesmo dispositivo regimental, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) votou no Recurso Especial da Fazenda Nacional, uma vez que, quanto a esse recurso, somente a Relatora havia votado na sessão de 22/05/2018. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Os presentes Recursos Especiais tratam de pedido de análise de divergência motivados pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte face ao acórdão 2403002.785, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de DEBCAD 37.157.869, referente ao período de 01/2005 a 02/2006, no valor de R$ 791.968,72 (setecentos e noventa e um mil, novecentos e sessenta e oito reais e setenta e dois centavos), lavrado para a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre diversas verbas pagas aos segurados empregados em desconformidade com a legislação, conforme Relatório Fiscal, fls. 34/51. O Contribuinte apresentou a impugnação, de fls. 54/82. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 9202007.012 CSRFT2 Fl. 10 3 A DRJ, às fls. 412/416, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 435/467, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, sob o argumento de cerceamento do direito de defesa, frente a equívocos do procedimento fiscal. No acórdão nº 2401002.330, fls. 541/546 foi declarada a procedência do Recurso Voluntário, declarando a nulidade do acórdão da DRJ. A DRJ/SDR, por sua vez, apresentou novo acórdão, de nº 15032.180, às fls. 557/567, que decidiu por manter o crédito tributário. O Contribuinte apresentou novo Recurso Voluntário, às fls. 573/603, requerendo a reforma do acórdão, arguindo: a nulidade do auto de infração por descumprimento do artigo 142, do CTN; a inexistência dos débitos a título de Contribuição Previdenciária dos empregados sobre os valores pagos a título de abono único; a inexistência dos débitos a título de Contribuição Previdenciária dos empregados sobre os valores pagos a título de “Bolsaestagiário”; e a inexistência dos débitos a título de Contribuição Previdenciária dos empregados sobre os valores pagos a título de “Participação nos Lucros e Resultados. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, mantendo apenas a autuação objeto do levantamento PM2 – MAIS D 2 PARC PL DESCORDO LEI. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2006 ABONO ÚNICO PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA ATO DECLARATÓRIO Nº 16/2011 PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária". ESTÁGIO REGULAR Fl. 937DF CARF MF 4 A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977, não integra o saláriodecontribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 720/734, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: 1. Pactuação de regras e critérios em documento diverso do acordo coletivo. Segundo o acórdão recorrido, não implicaria em violação às exigências da Lei 10.101/2000 o fato de a regulamentação da Participação nos Resultados incluídas as definições de metas, os critérios de avaliação de desempenhos individuais, a forma de cálculo e distribuição dos valores a serem pagos ter sido estabelecida em instrumentos diversos do acordo coletivo. O paradigma, de outro modo, entendeu que a inexistência de regras claras e objetivas dispostas em acordo coletivo, desnatura o programa PLR, razão pela qual caracteriza natureza salarial a incidir a contribuição. 2. Ausência de observância da periodicidade mínima para os pagamentos. Entendeu a Turma que, na hipótese de descumprimento da periodicidade mínima, a incidência da contribuição previdenciária deve se dar apenas no que tange à parcela excedente, não contaminando os demais pagamentos realizados. O paradigma, em sentido diverso, entendeu que, em caso de descumprimento da periodicidade mínima estabelecida no art. 2º, § 3º da Lei nº 10.101/2000 todos os pagamentos devem ser tributados. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 737/743, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação a ambas as matérias: 1. Pactuação de regras e critérios em documento diverso do acordo coletivo; e 2. Ausência de observância da periodicidade mínima para os pagamentos. Cientificado, conforme fls. 747, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 750/769, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: incidência de contribuições sociais sobre valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR – resíduos. O acórdão recorrido entendeu que o Contribuinte distribuiu lucros no exercício de 2005 para alguns funcionários em mais de duas parcelas e que sobre estas parcelas deveriam incidir contribuições previdenciárias, somente sendo excluídas as pagas uma vez por semestre e, no máximo, duas vezes por ano. Contudo, os acórdãos paradigmas manifestaram entendimento contrário, entendendo por afastar as autuações relativas a resíduos (complementos de PLR), bem como pela impossibilidade de se tributar a totalidade dos pagamentos efetuados nos casos em que houve mais de um pagamento no mesmo semestre civil, devendo tributar apenas sobre pagamento que violou a regra de periodicidade prevista na lei. O Contribuinte também apresentou Contrarrazões às fls. 840/852, arguindo, preliminarmente, inexistência de pressuposto de admissibilidade, pois não houve Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 9202007.012 CSRFT2 Fl. 11 5 demonstração da divergência exigida pela norma regimental. No mérito, reforçou argumentos anteriores e os adotados pelo acordão recorrido. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 920/925, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação a seguinte questão: incidência de contribuições sociais sobre valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR – resíduos. A Fazenda Nacional também apresentou Contrarrazões às fls. 927 e ss., trazendo argumentos já feitos anteriormente e os adotados pelo acordão recorrido. É o relatório. Fl. 939DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO Os Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. DO MÉRITO Tratase de DEBCAD 37.157.869, referente ao período de 01/2005 a 02/2006, no valor de R$ 791.968,72 (setecentos e noventa e um mil, novecentos e sessenta e oito reais e setenta e dois centavos), lavrado para a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre diversas verbas pagas aos segurados empregados em desconformidade com a legislação, conforme Relatório Fiscal, fls. 34/51. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à dois pontos: 1. Pactuação de regras e critérios em documento diverso do acordo coletivo; e 2. Ausência de observância da periodicidade mínima para os pagamentos. Também foi apresentado Recurso Especial por parte do Contribuinte, que trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à incidência de contribuições sociais sobre valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR – resíduos. PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS PLR O pagamento da participação nos lucros e resultados para trabalhadores, empregados ou não de uma empresa, sem o recolhimento da contribuição previdenciária, está assegurado pelo artigo 7º, inciso XI, da CF. O dispositivo estabelece que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa. Assim, se a participação dos lucros está excluída do conceito de remuneração, a contribuição incidirá apenas sobre os demais rendimentos, estes sim, de caráter remuneratório. I. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – INCIDÊNCIA REGULAMENTADA POR LEI ABRANGE UNICAMENTE RENDIMENTOS ADVINDOS DO TRABALHO. O legislador ordinário foi muito zeloso ao instituir o a base legal de custeio previdenciário, o fazendo de modo expresso na Constituição Federal, em seu art. 195, I, “a”. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 9202007.012 CSRFT2 Fl. 12 7 Contudo, para melhor esclarecer detalhes de sua aplicabilidade tratou de disciplinar a aplicação do referido artigo, por meio da edição da Lei nº 8212/91, conhecida como Lei de Custeio da Previdência Social. Observando tanto o artigo 195 da CF/88, como a referida Lei de Custeio, depreendemos que a tributação previdenciária está claramente limitada a rendimentos do trabalho. A doutrina é maciça neste sentido, como podemos observar as pontuações de ZAMBITTE IBRAHIM: “Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Partindo da premissa que a contribuição previdenciária é devida tão somente sobre as parcelas recebidas a título de remuneração pelo trabalho, são incabíveis as alegações da Fazenda Nacional de que as parcelas advindas de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, devam sofrer tal incidência. Isso por que a PLR tem relação intrínseca com remuneração do capital – lucro. Essa distinção é fundamental para que possa compreender o motivo da não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, recebidas por empregados e administradores. Para melhor compreendermos, é preciso levar em conta que a participação referida – PLR, tem uma relação intrínseca com o resultado auferido, ela depende exclusivamente do êxito, enquanto que a remuneração advinda do trabalho independe do risco para ser adimplida, basta a contraprestação do trabalho. Professor Zambitte Ibrahim bem esclarece esta dicotomia entre as referidas verbas: “É também intuitivo, mesmo para o público leigo, que um conceito não se confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de modo algum, possui liame imediato com o lucro. Não são incomuns as situações de empresários que, mesmo após longa dedicação ao seu mister, não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam relevante perda patrimonial. Já para trabalhadores, com ou sem vínculo empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a eles o risco da atividade econômica, o qual, por natural, é assumido pelo empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade profissional desempenhada”. O próprio ordenamento jurídico tratou de fazer esta distinção, quando elencou no Código Tributário Nacional, por meio do art. 43, os tipos de Rendimentos, que ensejam a aplicação do Imposto de Renda: Fl. 941DF CARF MF 8 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” (grifei) Da leitura do artigo da lei, extraise que a renda tributável, para fins do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é aquela decorrente do produto do capital e/ou trabalho. Contudo resta evidente que a lei tratou de classificar a renda como: produto do capital, produto do trabalho ou da combinação de ambos, ou seja, cada uma possui um conceito próprio. No caso em tela se estivéssemos discutindo a incidência de imposto de renda, não haveria qualquer dúvida que este seria aplicável sobre ambas. Ou seja, “se há incremento patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das retribuições pecuniárias pelos seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Isso por que a base de incidência do Imposto de renda engloba proventos de ambas as naturezas: trabalho e capital. Contudo, o mesmo não ocorre para fins previdenciários, pois a CF/88 mesmo após a EC nº 20/98, optou por tributar, somente os rendimentos do trabalho. Assim, “ao contrário do imposto sobre a renda, a incidência previdenciária é circunscrita aos rendimentos do trabalho, unicamente. A disposição é categórica e cristalina. Ainda que permita a inclusão de trabalhadores sem vínculo empregatício, somente valores derivados do trabalho podem sofrer a respectiva tributação. Como não poderia ser diferente, caminha no mesmo sentido a regulamentação infraconstitucional da matéria, em estrita observância do mandamento constitucional”. (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). II. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – LIMITAÇÕES LEGAIS DE INCIDÊNCIA A EC nº 20/98, ampliou as possibilidades de incidência da cota patronal previdenciária, o que foi disciplinado posteriormente pela Lei nº 9.876/99, que deu nova redação ao art. 22, I da Lei nº 8.212/91, responsável pela previsão da cota patronal previdenciária: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 9202007.012 CSRFT2 Fl. 13 9 nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifei). Observese que o legislador ordinário ao disciplinar as inovações trazidas pela Emenda Constitucional citada, alargou a incidência da cota patronal previdenciária, mas desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se percebe do preceito reproduzido, a incidência é, ainda, restrita aos rendimentos do trabalho. Para melhor compreender esta alteração – ampliação da base de incidência da cota patronal é necessário mencionar que a alteração produzida pela nova lei foi unicamente no sentido de incluir outros segurados além da categoria dos empregados. Não por incluir valores outros além dos rendimentos do trabalho, mas, unicamente, pela inserção de remunerações pagas ou devidas a outros segurados, além de empregados. Mantendo, portanto, a mesma regra quanto ao tipo de rendimentos, qual seja, que este seja advindo do trabalho. Ainda citando Professor ZAMBITTE IBRAHIM: “Este sempre foi o real objetivo da alteração constitucional, aqui devidamente conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue a incidência de contribuições previdenciárias sobre os lucros e resultados de diretores nãoempregados. Não é de imposto de renda que se trata, mas sim de contribuição previdenciária. Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212∕91, no art. 28, III, a qual prevê, como saláriodecontribuição de contribuintes individuais, a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. O pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se trata de rendimento do trabalho. Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, no art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, na precisa dicção do RPS, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude.” Diante da citação feita pelo doutrinador, mister se faz a leitura do dispositivo legal apontado, art. 201, § 5º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: Fl. 943DF CARF MF 10 I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº 9.876/99, que criou o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, houve uma rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos. III –LEI 10.101/2000 – FORMALIDADES PARA IMPLEMENTAÇÃO DA PLR. A Lei 10.101/2000 disciplina as formalidades necessárias para a caracterização de Participação nos Lucros e Resultados. Assim um conjunto de disposições esclarecem quando se trata ou não de parcela não remuneratória e isenta de contribuições previdenciárias. Isso se faz necessário, logicamente, para evitar que o instituto seja desvirtuado, ou que, verbas de natureza remuneratória sejam taxadas como pagamento de PLR., com o fim unicamente de burlar o sistema tributário e não pagar contribuições previdenciárias. Dentre estes requisitos formais, temos, a negociação entre empregadores e empregados, por meio de comissão, integrada também por um representante do sindicato da categoria ou de convenção/acordo coletivo. Assim como requisitos materiais com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do seu cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão. E o critério de pagamento pode ter por base, entre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade ou de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Lei 10.101/2000 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I Comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II Convenção ou acordo coletivo. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 9202007.012 CSRFT2 Fl. 14 11 § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3º Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I A pessoa física; II A entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: I A empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação II Não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Partindo destas premissas passo a analisar as situações do caso concreto. RECURSO DO CONTRIBUINTE 1. Incidência de contribuições sociais sobre valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR – resíduos. O Contribuinte se insurge contra a glosa da terceira parcela paga aos empregados a título de PLR. O Auditor assim apontou a questão: Fl. 945DF CARF MF 12 2.3.15 No código de levantamento PA2 encontramse os valores correspondentes aos empregados que receberam no ano 2005 até 2 parcelas na rubrica m410 plr. 2.3.16 No código de levantamento PM2 encontramse os valores pagos em 2005 aos empregados que receberam mais de 2 parcelas na rubrica m410 plr nesse ano, o que, por si só, contraria o § 2o, do art. 3o, da Lei n° 10.101/2000, pois este dispositivo determina: "§ 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil." 2.3.17. Em consonância com a situação fática, a fiscalização tratou os pagamentos feitos nessa rubrica como remuneração de segurado empregado, calculando sobre essa base de cálculo (BC) a contribuição previdenciária dos segurados (CS) conforme determina o art. 20, da Lei n° 8.212/91 Alega o Contribuinte que a terceira parcela se referia a resíduo contratual da PLR paga a menor para alguns empregados, em valores menores que os previstos no plano de premiação, nos seguintes termos: De todo exposto observo que não há previsão legal que autorize o pagamento de mais de duas parcelas anuais. Mesmo a nova redação da norma que trouxe a possibilidade de parcelas com intervalo de 3 meses, ainda manteve a periodicidade anual em 2 únicas oportunidades. É claro que se restasse comprovado o pagamento de pequeno complemento advindo de recálculo de lucro, ou adiantamento a menor posteriormente complementado, poderia ser analisada a questão sobre outra ótica. Contudo, em sede de impugnação, de Recurso voluntário e de Recurso Especial não vislumbro aqui que tenha o Contribuinte demonstrado tais diferenças, não apontou valores nem mesmo esclareceu o motivo deste complemento a destempo, não se desincumbindo a contento do ônus da prova. Diante do exposto, quanto ao Recurso interposto pelo Contribuinte conheço e nego provimento. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 9202007.012 CSRFT2 Fl. 15 13 RECURSO DA FAZENDA NACIONAL 1. Pactuação de regras e critérios em documento diverso do acordo coletivo; e Observando o relatório Fiscal, temse que o auditor glosou o pagamento da PLR aos empregados da empresa sob a seguinte alegação: 2.3.3 O Banco do Estado de Sergipe S/A, Banese, apresentou as Convenções Coletivas de Trabalho CCT 2004/2005 e 2005/2006 (cópias anexas ao Al n° 37.157.8680) que estabeleceram a participação nos lucros ou resultados (PLR) dos bancos. No entanto, a fiscalização constatou que essas CCT para o Banese serviram apenas para fixarem os limites mínimo e máximo dos valores despendidos, mas não os valores em si. 2.3.4 No Banese o valor a ser recebido por trabalhador é determinado pelas regras do Programa de Premiação por Atingimento e Superação de Metas PASUM, também conhecido como "Programa das Moedas". O Auditor apontou em fiscalização que as Convenções teriam sido realizadas dentro da Lei com as participações de sindicato e trabalhadores, mas que o programa de metas, foi imposto unilateralmente pelo Banco: 2.3.10.O conteúdo das convenções coletivas de trabalho a respeito da participação nos lucros ou resultados foi negociado com representantes dos empregados que receberam delegação específica, mediante assembléias convocadas especialmente para este fim,conforme se constata nas cópias anexas. 2.3.11.Foram, como determina o art. 2o, da Lei n° 10.101/2000, fruto de procedimento específico de negociação entre a empresa e seus empregados estabelecido nessa lei. 2.3.12.No Banese as regras foram fixadas, unilateralmente, sem negociação prévia, por decisão da diretoria executiva, ferindo a Lei n° 10.101/2000 e afastando, assim, aguarida da alínea j, do § 9o, do art. 28, da Lei n° 8.212/91. 2.3.13.O Banese apresentou os documentos intitulados Acordos Coletivos de Trabalho ACT 2004/2005 e 2005/2006 (cópias anexas ao Auto de Infração AI n° 37.157.8680, integrante desta ação fiscal) assinados pelo Presidente do Sindicato dos Empregado sem Estabelecimentos Bancários no Estado de Sergipe SEEB/SE e pelo Presidente do Banco do Estado de Sergipe S/A, Banese. 2.3.13.1. O ACT 2004/2005 foi assinado em 10/08/2004 e o ACT 2005/2006 foi assinado em 26/07/2005, ou seja, Fl. 947DF CARF MF 14 mais de 2 anos após a reunião da diretoria executiva, de 14/02/2002, que deliberou sobre os critérios de participação nos lucros ou resultados no Banese e mais de 2 anos após a emissão da Resolução n° 218/02, de 09/07/2002, que regulamentou o disposto naquela reunião e que foi emitida pela Presidência do Banese. Importante ressaltar, contudo, que o Acordo Coletivo apontava a Resolução 18/2002, Plano de Premiação do banco existente desde 2002 como mecanismo de aferição da referida PLR pactuada. 2.3.13.2. Observase nesses ACT, na Cláusula Primeira, o seguinte texto: "Cláusula Primeira: A Participação nos Lucros ou Resultados prevista na Lei 10.101/00, de 19 de dezembro de 2000, ficará suprida pelo Plano de Premiação por Atingimento e Superação de Metas instituído pelo Banco do Estado de Sergipe S/A, através Resolução 000218/02." Desse modo, registrase que o Acordo Coletivo se referiu expressamente ao Plano de Metas do Banco o qual já era de conhecimento das partes desde 2002 e que poderia ter sido objeto de impugnação durante a discussão do ACT, mas não foi, o que nos leva a inferir que tacitamente, tanto sindicato quanto empregados concordavam com ele. Não há impedimento de que os mecanismos de aferição se encontrem em documento anexo ao acordo coletivo, o que se exige é que as normas sejam claras e objetivas e pactuadas pelas partes, o que a meu ver fica claro neste caso. Assim o ACT ratificou o plano de aferição de resultados, e não cabe ao Fisco fazer as vezes dos participantes tutelando seus interesses. Importa registrar que a maioria do colegiado entende de modo mais restritivo, assim o presente resultado estaria atrelado ao caso específico destes autos no qual restou comprovado uma negociação préexistente consolidada na resolução. 2. Ausência de observância da periodicidade mínima para os pagamentos. O caso dos autos discute o possível descumprimento de uma destas formalidades, qual seja, periodicidade, valores pagos a título de PLR, sem observância da periodicidade mínima estabelecida no art. 2º, § 3º da Lei nº 10.101/2000 Com relação à questão da periodicidade do pagamento, entendo que apenas os pagamentos específicos que ultrapassagem o interstício temporal determinado em lei é que deveriam ser considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos exarados pelo voto da Turma Ordinária, ora recorrido. Entendo que esta interpretação é a que melhor atende aos objetivos da Lei n° 10.101, de 2000, e foi utilizada em diversos precedentes do CARF no ano de 2014 e 2015. Cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça também já abordou o tema, identificando o procedimento a ser realizado, quanto ao Programa de PLR, nos casos de terem sido realizados pagamentos em períodos inferiores a seis meses. “TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 Fl. 948DF CARF MF Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 9202007.012 CSRFT2 Fl. 16 15 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. (...) 1. Hipótese em que se discute a incidência de contribuição previdenciária sobre parcelas distribuídas aos empregados a título de participação nos lucros e resultados da empresa. 2. O Banco distribuiu parcelas nos seguintes períodos: a) outubro e novembro de 1995, a título de participação nos lucros; e b) dezembro de 1995 a junho de 1996, como participação nos resultados. 3. As participações nos lucros e resultados das empresas não se submetem à contribuição previdenciária, desde que realizadas na forma da lei (art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/1991, à luz do art. 7º, XI, da CF). 4. O art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) fixou critério básico para a nãoincidência da contribuição previdenciária, qual seja a impossibilidade de distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a seis meses. 5. Caso realizada ao arrepio da legislação federal, a distribuição de lucros e resultados submetese à tributação. Precedentes do STJ. 6. A norma do art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995), que veda a distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a seis meses, tem finalidade evidente: impedir aumento salarial disfarçado cujo intuito tenha sido afastar ilegitimamente a tributação previdenciária. (...) 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) (...)” (STJ, REsp 496949/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 31.08.09) A Justiça do Trabalho, com maior legitimidade para discussão da natureza da verba, tem aplicado uma interpretação alinhada com a Constituição Federal, valorizando o resultado das negociações coletivas de trabalho, por força do art. 7º, XXVI, e nesse sentido mais importante do que a rubrica que identifica o pagamento feito ao empregado é a apuração da sua real natureza jurídica. Certamente, o legislador, quando fez constar, no art. 3º da Lei nº 10.101/00, que a participação nos lucros e resultados “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” não teve como objetivo isentar de encargos toda e qualquer verba paga a título de “PLR”. Assim na análise dos casos concretos, devese verificar se o conceito trazido na Constituição Federal e regulamentado na Lei nº 10.101/00 foi observado pelas partes que negociaram o instrumento coletivo definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas. O Tribunal Superior do Trabalho, vem se manifestando quanto a esta temática, possibilitando intervalos menores, quando isso tiver sido pactuado em convenção ou acordo coletivo., vejamos: RECURSO DE EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI 11.496/2007. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO PARCELADO. A jurisprudência desta Subseção, calcada no art. 7º, XXVI, da Magna Carta, sinaliza no sentido da viabilidade de norma coletiva Fl. 949DF CARF MF 16 estabelecer periodicidade de pagamento da participação nos lucros inferior à semestral. Ressalva de entendimento da Ministra Relatora. (TST, ERR 194200 95.2003.5.02.0462, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Ministra Relatora Rosa Maria Weber, DJ 07/05/2010) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA E PAGAMENTO PARCELADO. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO. A decisão recorrida não reconheceu como válida a norma coletiva (acordo coletivo) que, expressamente, retratando a vontade de sindicato profissional e empresa, dispôs que o pagamento da participação nos lucros, relativa ao ano de 1999, seria feito de forma parcelada e mensalmente. O fundamento é de que o art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.101/2000 dispõe que o pagamento de antecipação ou distribuição a título de participação nos lucros ou resultados não pode ocorrer em período inferior a um semestre ou mais de duas vezes no ano cível. O que se discute, portanto, é a eficácia e o alcance da norma coletiva. O livremente pactuado não suprime a parcela, uma vez que apenas estabelece a periodicidade de seu pagamento, em caráter excepcional, procedimento que, ao contrário do decidido, desautoriza, data vênia, o entendimento de que a parcela passaria a ter natureza salarial. A norma coletiva foi elevada ao patamar constitucional e seu conteúdo retrata, fielmente, o interesse das partes, em especial dos empregados, que são representados pelo sindicato profissional. Ressaltese que não se apontou, em momento algum, nenhum vício de consentimento, motivo pelo qual o acordo coletivo deve ser prestigiado, sob pena de desestímulo à aplicação dos instrumentos coletivos, como forma de prevenção e solução de conflitos. (TST, EEDRR 1236/20041021500, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Ministro Milton de Moura França, DJ 24/04/2010) Desse modo, entendo que somente as parcelas que não respeitaram a semestralidade nos termos na Lei, e que não continham periodicidade menor, expressamente pactuada em instrumentos coletivos, poderão ser tidas como verbas de natureza remuneratória. Ressalto ainda, que havendo possíveis descumprimentos a estas regras acima expostas, estes afetarão apenas, aqueles indivíduos e competências mensais, nos quais as ilegalidades sejam verificadas no caso concreto, sem afetar os demais indivíduos que se encontram com as formalidades respeitadas, ainda que se encontrem sob um mesmo contrato ou programa de PLR. Contudo, no caso em tela observo que aos acordos de PLR, previstos em convenção, correspondem a 03(três) pagamentos a título de PLR/ 2005. O acórdão recorrido entendeu que a irregularidade apontada referese a um pagamento de resíduo que embora ofenda a periodicidade prevista na norma é suficiente para desnaturar por completo toda a distribuição ocorrida, Solução esta que a meu ver melhor atende ao disposto no art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal, combinada com a literal interpretação art. 111 do CTN, no sentido de considerar apenas a parcela excedente distribuída no ano de 2005 chamada pelo Contribuinte de resíduo, como fato gerador de contribuição previdenciária. Assim, alcançamos a finalidade da norma sem afastar a devida ação do fisco no desvio cometido. Fl. 950DF CARF MF Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 9202007.012 CSRFT2 Fl. 17 17 Por todo o exposto, conheço e nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional para fins de manter o acórdão recorrido, devendo ser tributada apenas a parcela de PLR relativa ao pagamento denominado de resíduo. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada Peço licença a ilustre conselheira Ana Paula Fernandes, para divergir do seu entendimento quanto ao cumprimento das regras pertinentes a exclusão dos valores pagos à título de PLR do conceito de salário de contribuição, mais especificamente com relação a periodicidade. Porém, dadas as colocações por ela feitas com relação a sua interpretação de PLR, faço algumas considerações gerais pertinentes ao tema. Da definição de salário de contribuição para os empregados De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição, assim, como transcrito acima. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 951DF CARF MF 18 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, é clara a legislação, ao descrever que apenas o pagamento de acordo com a lei específica é que garantirá a não integração dos pagamentos no salário de contribuição. Dessa forma o argumento de que os pagamentos realizados a título de PLR, mesmo que desconsiderados pela fiscalização como tal, não se adequam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias não merece guarida. Também não entendo correta a interpretação de que valores pagos à título de PLR não se enquadram no conceito de retribuição pela prestação de serviços. Ora, qual seria outro fundamento para o seu pagamento senão o vínculo contratual. Fato é , que seu pagamento está intrinsecamente associado a prestação de serviços e a participação do empregado no dia a dia do trabalho na empresa , por conseguinte, na sua participação nos lucros e resultados obtidos pelo seu empregador com sua colaboração. Dessa forma, nada mais justo que se negocie previamente o quanto desse engajamento trarlheá de participação quando advirem os lucros ou resultados. Embora prevista na Constituição Federal a desvinculação do PLR do salário, o que lhe conferi caráter de imunidade, não há possibilidade de considerar ter o recorrente a ampla liberdade de efetuar pagamentos, sob essa denominação, da maneira que tiver interesse. A CF/88, reporta os limites para que o PLR esteja desvinculado do salário, indicando a necessidade de a os requisitos legais para efetivação do pagamento. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar, assim, como já bem disse o julgador de primeira instância devese ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada, o que de pronto afasta a argumentação, que pela sua natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória Fl. 952DF CARF MF Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 9202007.012 CSRFT2 Fl. 18 19 nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) Fl. 953DF CARF MF 20 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Conforme descrito pela autoridade fiscal e julgadora os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente constituem salário de contribuição e, por conseguinte, sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na legislação específica. Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente. Conforme descrito no relatório fiscal são argumentos para a caracterização dos pagamentos como remuneração: No código de levantamento P26 encontramse os valores pagos aos empregados em 02/2006. No código de levantamento PA2 encontramse os valores correspondentes aos empregados que receberam no ano 2005 até 2 parcelas na rubrica m410 PLR. No código de levantamento PM2 encontramse os valores pagos em 2005 aos empregados que receberam mais de 2 parcelas na rubrica m410 plr nesse ano, o que, por si só, contraria o § 2o, do art. 3o, da Lei n° 10.101/2000, pois este dispositivo determina: "§ 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou Fl. 954DF CARF MF Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 9202007.012 CSRFT2 Fl. 19 21 resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil." 2.3.17. Em consonância com a situação fática, a fiscalização tratou os pagamentos feitos nessa rubrica como remuneração de segurado empregado, calculando sobre essa base de cálculo (BC) a contribuição previdenciária dos segurados (CS) conforme determina o art. 20, da Lei n° 8.212/91. Ou seja, estão incluídos no presente lançamento 3 levantamentos, contudo, o levantamento P26 e PA2, já foram excluídos pelo acórdão recorrido, inclusive citando voto proferido em processo conexo, qual seja: 10510.003835/200961. Essa conclusão pode ser extraída da leitura do voto proferido no acórdão recorrido que manteve o lançamento apenas do levantamento PM2, contudo apenas a parcela que ultrapassa as pagas em até duas parcelas anuais, desde que observado a semestralidade. Essa conclusão pode ser extraída do voto do acórdão recorrido, senão vejamos: As inconsistências com a Lei 10.101/2000 teriam sido: a) No Banese as regras foram fixadas unilateralmente, sem negociação prévia, por decisão da diretoria executiva; b) Parte dos empregados recebeu no ano de 2005 receberam mais de 02 parcelas de PLR no ano, em contrariedade ao parágrafo 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000. Antes de adentrar ao mérito das premissas acima, destaco que processo idêntico já foi submetido a julgamento por esta Segunda Seção de Julgamento, processo 10510.003835/200961, julgado em 13 de agosto de 2014, no qual decorreu na lavratura do acórdão 2401003.651, referente às contribuições destinados a outras entidades e fundos do período de 2004/2005. No referido julgamento, a turma decidiu pela não incidência da contribuição previdenciária sobre o pagamento a título de PLR com fundamentos dos quais este conselheiro coaduna, devidamente detalhados através do voto vencedor do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, os quais serão também adotados no presente voto. A partir do relatório fiscal, extraise que, nos ACT 2004/2005 e 2005/2006, o pagamento da PLR estava condicionado ao alcance de metas fixadas no Plano de Premiação por Atingimento e Superação de Metas, o chamado “Programa das Moedas”. O fisco ponderou que o “Programa das Moedas” foi fixado unilateralmente pela empresa 14/02/2002, portanto, em período anterior aos ACT, por isso não atenderia aos ditames da lei específica, haja vista não ter sido objeto de negociação entre patrão e trabalhadores. No entanto, esse não é o melhor entendimento. Na Lei n. 10.101/2000 o legislador quis privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR. Percebese que no próprio §1 do art. 2º os critérios e condições são citados apenas a título de exemplo, não estando as partes impedidas de fixarem outros parâmetros. Fl. 955DF CARF MF 22 Também não há a exigência de que as regras claras e objetivas para aquisição do direito à percepção da verba estejam escritas no corpo do instrumento de negociação, o que sugere que essas normas podem vir em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. Nesse sentido, patrão e empregados agiram em conformidade com a norma quando dispuseram no ACT que as regras para pagamento da PLR seriam aquelas tratadas no “Programa das Moedas”. Embora os critérios deste tenham sido fixado pela Diretoria do Banco, as partes concordaram que o pagamento da participação ficasse condicionado ao alcance das metas ali fixadas. A jurisprudência do CARF tem se inclinado no sentido de aceitar que estão em conformidade com a Lei os instrumentos de negociação que mencionem documento apartado que apresente regras que serão utilizadas na fixação dos valores a serem repassados a título de PLR. É o que se pode ver de decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, consubstanciada no Acórdão n. 9202003.105, de 25/03/2014: [...] Em relação à periodicidade da distribuição dos lucros ou resultados, o fisco indicou que a autuada distribuiu lucros, no exercício de 2005 para alguns funcionários em mais de duas parcelas, tendo realizado para tanto, o levantamento PM2 – MAIS D 2 PARC PLR DESCORDO LEI, conforme relatório de lançamento, fl. 7, fato que ensejaria descumprimento do disposto no art. 3º, §2º da Lei 10.101/00: Desse modo, apenas sobre as parcelas dos lucros ou resultados pagas ou creditadas em inobservância às regras legais, devem incidir as contribuições previdenciárias. Já as parcelas pagas em observância ao art. 3º, parágrafo 2º da Lei n. 10.101/2000 – uma vez por semestre e, no máximo, duas vezes por ano – devem ser excluídas. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, dar parcial provimento, mantendo apenas a autuação objeto do levantamento PM2 – MAIS D 2 PARC PL DESCORDO LEI. Por outro lado, para que possamos melhor delimitar a questão, essa turma está reapreciando 2 recursos abaixo especificados: 1. o Recurso especial da Fazenda tem por escopo: a. Pactuação de regras e critérios em documento diverso do acordo coletivo. Quanto a este ponto a procuradoria entende que a não cumpri o requisito legal a indicação das regras do PLR estarem essas em documento apartado. senão vejamos os trechos do recurso que descrevem o pedido: i. "A necessidade de fixação de regras claras e objetivas em acordo coletivo para não incidência de contribuição previdenciária em face dos valores pagos a título de PRL mostrase alicerçada no ordenamento jurídico pátrio. Portanto, impertinente entender que documentos diversos Fl. 956DF CARF MF Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 9202007.012 CSRFT2 Fl. 20 23 do acordo coletivo possam servir de amparo ao cumprimento dos requisitos legais. Logo, verificase que o referido acórdão enquadrase na hipótese fática discutida nos autos, tendose em conta que o paradigma entendeu que a inexistência de regras claras e objetivas dispostas em acordo coletivo, desnatura o programa PLR, razão pela qual caracteriza natureza salarial a incidir a contribuição." b. Ausência de observância de periodicidade mínima para o pagamento. Neste ponto requer a procuradoria que havendo a incidência de contribuição dado o descumprimento do limite de pagamentos, a contribuição previdenciária correspondente deve incidir sobre a totalidade das parcelas dado o descumprimento do preceito legal. Vejamos trechos do pedido: De um lado, mesmo diante do descumprimento do requisito da periodicidade mínima, o acórdão recorrido considerou parte das verbas pagas como participação no lucro e resultado, descaracterizando como PLR apenas a parcela paga com inobservância da periodicidade de um semestre civil. É o que se extrai, exemplificativamente, do seguinte trecho do voto condutor do acórdão:[...] De outro lado, o acórdão paradigma, sem qualquer ressalva, manteve o lançamento sobre todas as parcelas pagas a título de participação nos lucros e resultados, tendo em vista o descumprimento da periodicidade prevista na norma legal. A divergência, destarte, reside na abrangência da parcela descaracterizada como PLR. Enquanto o acórdão paradigma entendeu que, em caso de descumprimento da periodicidade mínima estabelecida no art. 2º, § 3º da Lei nº 10.101/2000 todos os pagamentos devem ser tributados, o acórdão paradigma concluiu que só devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias aqueles pagamentos que excederem o limite legal. 2. já o Recurso Especial do Contribuinte ter por escopo: incidência de contribuições sociais sobre valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR – resíduos. Em relação ao recurso especial do contribuinte assim manifestou a relatora a qual acompanhei, não tendo mais o que ser apreciado sobre a questão: De todo exposto observo que não há previsão legal que autorize o pagamento de mais de duas parcelas anuais. Mesmo a nova redação da norma que trouxe a possibilidade de parcelas com intervalo de 3 meses, ainda manteve a periodicidade anual em 2 únicas oportunidades. É claro que se restasse comprovado o pagamento de pequeno complemento advindo de recálculo de lucro, ou adiantamento a menor posteriormente complementado, poderia ser analisada a questão sobre outra ótica. Contudo, em sede de impugnação, de Fl. 957DF CARF MF 24 Recurso voluntário e de Recurso Especial não vislumbro aqui que tenha o Contribuinte demonstrado tais diferenças, não apontou valores nem mesmo esclareceu o motivo deste complemento a destempo, não se desincumbindo a contento do ônus da prova. Diante do exposto, quanto ao Recurso interposto pelo Contribuinte conheço e nego provimento. Em relação ao recurso da Fazenda Nacional, embora no PAF nº 10510.003835/200961, da mesma empresa, eu tivesse me manifestado pelo descumprimento da lei 10.101/2000 no que pertine ao detalhamento das "regras clara e objetivas" no corpo do próprio acordo ou convenção coletiva, acredito que estamos diante de situação excepcional, onde já existia desde 2002, programa de metas adotado pela empresa. No caso, decidiu o sindicato adotar como programa de metas nas Convenções Coletivas para anos subsequentes referido programa de "Moedas". Tal fato explicitado no próprio relatório fiscal no item 2.3.13.2, fezme acompanhar a relatora, posto que era um programa com regras já estipuladas e que foi absorvido pelo sindicato em sua Convenção Coletiva. Apenas, convém esclarecer que, com isso, não chancelo que toda PLR possa ser estipulado em documento apartado, mas não pode ser imputado descumprimento no caso ora analisado. Entendo que esses esclarecimentos se mostram relevantes para delimitar qual a parte em litígio que discordo do voto da ilustre relatora, bem como para que se possa liquidar o julgado em relação ao que foi excluído e mantido no lançamento. Por fim, a Fazenda Nacional também apresentou recurso no intuito de ver alterada a decisão quanto a manutenção no lançamento das parcelas pagas apenas acima da periodicidade, já que entende que restando descumprido o pagamento em mais de duas parcelas, todas devem compor o conceito de salário de contribuição. Filiome a essa tese como já tive a oportunidade de defender em diversos outros julgados. Quanto a Periodicidade Conforme descrito no relatório fiscal, o contribuinte pagou a título de antecipação ou distribuição, nas rubricas referentes a Participações nos Lucros ou Resultados, mais de duas vezes no mesmo ano civil, contrariando o disposto no § 2º artigo 3º da Lei 10101/00, que veda pagamentos em periodicidade inferior a um semestre civil , ou mais de duas vezes no ano civil. Realmente, conforme apontado pelo auditor, a lei 10.101/2000 não admite o pagamento de PLR mais duas vezes no ano, ou com periodicidade inferior a um semestre civil, ou seja, entendo que os dois prazos são cumulativos e não uma opção. Assim, ao pagar PLR em desconformidade com a lei, em relação a periodicidade, passam os valores distribuídos em sua totalidade a compor o conceito de salário de contribuição. Assim descreve o dispositivo legal a respeito: Art. 3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 9202007.012 CSRFT2 Fl. 21 25 Contudo, para que seja descumprido o requisito da periodicidade, deve o auditor indicar que a empresa distribuiu efetivamente PLR aos empregados com a inobservância da lei. Quanto a alegação que não paga em mais de duas parcelas, mas tão somente pago um resíduo, entendo que razão não assiste ao recorrente, conforme já explicitado pela própria relatora deste voto ao negar provimento ao recurso do contribuinte (que buscou em seu recurso demonstrar tratarse de resíduo). Observase que a lei 10.101 é enfática ao dizer que é VEDADO O PAGAMENTO DE QUALQUER ANTECIPAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. Assim, entendo acertado o lançamento em relação aos empregados que receberam PLR mais de 2 vezes no mesmo ano, ou em periodicidade inferior a um semestre. A empresa, para obedecer os ditames legais, e valerse da exclusão, deve adequar seus planos, nos mais diversos exercícios de forma a que não haja pagamento ou distribuição acima dos limites legais, quais sejam, duas vezes no ano e uma vez por semestre na época da ocorrência do presente lançamento. Isto posto, para o levantamento PM2 – MAIS DE 2 PARC PL DESCORDO LEI, independente do encaminhamento ter sido pelo cumprimento do requisito "estabelecimento de regras claras e objetivas", deve ser mantido o lançamento pelo descumprimento da periodicidade conforme descrito no art. 2º da Lei nº 10.101/2000 e MP anteriores. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros sem a devida legitimação, conforme amplamente discutido acima, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário de contribuição. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para excluir do lançamento apenas os pagamentos de PLR cuja autuação tenha como único fundamento o item 2.6.13.2 do relatório fiscal, mantendo o lançamento do levantamento PM2 em sua totalidade. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 959DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002361/2009-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/09/2006
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL.
A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa do PIS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-007.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 30/09/2006 REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa do PIS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11070.002361/2009-20
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5953507
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.643
nome_arquivo_s : Decisao_11070002361200920.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11070002361200920_5953507.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7580804
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419006730240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2111; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11070.002361/200920 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.643 – 3ª Turma Sessão de 20 de novembro de 2018 Matéria PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA TRITÍCOLA REGIONAL SANTO ÂNGELO LTDA EM LIQUIDAÇÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 30/09/2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa do PIS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas isenção, alíquota zero e não incidência e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 61 /2 00 9- 20 Fl. 614DF CARF MF Processo nº 11070.002361/200920 Acórdão n.º 9303007.643 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos do PIS oriundos da incidência não cumulativa em operações do mercado interno não tributada (isenção alíquota zero e não incidência). Despacho Decisório do SEORT/DRF/CPS reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado. Intimada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Em resumo, apresentou os seguintes argumentos: · o método de rateio para a apropriação dos créditos está legalmente previsto, enquanto a metodologia híbrida adotada agente fiscal neste processo foi realizada sem embasamento legal. · não tendo resultado base de cálculo tributável, o crédito apurado não pode ser rateado com a receita do mercado interno tributada, devendo, portanto, ser mantido o rateio dos créditos de acordo com a proporcionalidade apurada pela cooperativa. · o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 possibilitou, a partir de 1º/08/2004, que as vendas de produtos relacionados no art. 8º daquela Lei fossem realizadas com suspensão do PIS e da Cofins. Posteriormente foram editadas as Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, onde ficou autorizado expressamente o ressarcimento/compensação dos créditos acumulados; · a cooperativa tem direito ao crédito presumido, eis que: desempenha atividades agroindustriais na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural, insumos utilizados no processo produtivo, em conformidade com o inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e art. 7º da IN SRF 660; bem como realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial; · o estoque de abertura é formado pelo custo de aquisição nos bens relacionados no art. 3º daquelas Leis, cuja possibilidade de ressarcimento do crédito apurado é reconhecida pela própria RFB, conforme disciplinado nos arts. 27 e 29 da IN SRF nº 900/2008, razão pela qual a cooperativa requer o ressarcimento integral do crédito presumido sobre o estoque de abertura na proporção das receitas de exportação, suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. · devem ser consideradas as exclusões da base de cálculo referente aos valores repassados aos associados, às vendas Fl. 615DF CARF MF Processo nº 11070.002361/200920 Acórdão n.º 9303007.643 CSRFT3 Fl. 4 3 efetuadas a associados, à receita da industrialização da produção do associado e ao custo agregado ao produto agropecuário do associado; · a autoridade fiscal violou o art. 2º da Lei nº 9.784/1999, não observando os princípios que devem nortear a administração pública; · os créditos da cooperativa devem ser corrigidos pela Selic, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo, no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado. A DRJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo mais uma parcela do direito creditório. Intimada do acórdão de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde retomou os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas; 2) Das vendas com suspensão do PIS e Cofins Ilegítima restrição ao aproveitamento de créditos; 3) Crédito presumido Atividade agroindustrial Produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; 4) Da apuração da base tributável do PIS e Cofins Exclusões permitidas às sociedades cooperativas; e 5) Previsão legal para incidência da Selic O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 29/03/2017, resultando no acórdão nº 3402003.985, que, na parte de interesse ao presente julgamento, tem a seguinte ementa: RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. Intimada para ciência do acórdão a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência. O acórdão paradigma nº 330201.184 afirma que somente os custos, despesas e encargos comuns às receitas de exportação e às receitas do mercado interno podem compor o método do rateio proporcional utilizado para o cálculo dos créditos previstos no art. 6º, § 3, da Lei nº 10.833/2003. O acórdão a quo, por sua vez, autoriza que custos, despesas e encargos vinculados exclusivamente ao mercado interno componham o cálculo dos créditos previstos no art. 6º, § 3º da mesma lei. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 11070.002361/200920 Acórdão n.º 9303007.643 CSRFT3 Fl. 5 4 O Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência do Procurador, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Intimada do acórdão recorrido, do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade deste recurso, a contribuinte não apresentou contrarrazões no prazo regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.631, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 11070.002343/200948, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.631): "O recurso especial de divergência da Fazenda é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. Restou o litígio apenas em relação ao critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas do mercado interno tributadas e receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência). Interessante salientar que tanto o acórdão recorrido, quanto a decisão da DRJ que manteve o critério de rateio utilizado pela fiscalização se estribaram na mesma legislação e instruções da RFB para a chegar a conclusões opostas. O acórdão a quo afirma que se deveria adotar exclusivamente o método de rateio proporcional, independentemente de haverem custos identificáveis como vinculados tanto às receitas de exportação (por não incidir a Cofins sobre elas) como às do mercado interno. Entendeu que haveria uma distinção pela fiscalização que a lei não autorizaria. A situação discutida no recorrido se vincula às receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência), que geravam direito a crédito, tendo estas o rateio pelo mesmo tratamento das receitas de exportação. Por outro lado, o acórdão paradigma é expresso em restringir o rateio aos custos comuns, não havendo falar em rateio de custos específicos. Esse tema foi recentemente enfrentado pela Solução de Consulta Cosit n° 293, de 2017, que é expressa em seu item 2.1, restringindo o rateio aos custos comuns, nos seguintes termos: Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11070.002361/200920 Acórdão n.º 9303007.643 CSRFT3 Fl. 6 5 21. Como já mencionado, a interessada opta pelo método de rateio proporcional para calcular seus créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vinculados à exportação. 21.1. O método de rateio proporcional, na literalidade do inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser aplicado naquelas hipóteses em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados de forma comum a receitas brutas sujeitas a incidência cumulativa e não cumulativa dessas contribuições. 21.2. E sobre o valor daqueles custos, despesas e encargos comuns, a pessoa jurídica sujeita à incidência parcial da não cumulatividade das contribuições em epígrafe, deve aplicar o seguinte percentual para obter os montantes dos créditos de tais contribuições relativos àqueles dispêndios: Receita Bruta Sujeita à Não Cumulatividade Receita Bruta Total (grifos na transcrição) Para exemplificar numericamente a linha de raciocínio aqui traçada, peço vênia para apresentar didaticamente uma situação muito simples, de: receitas de exportação, no mercado internas tributadas e no mercado interno não tributadas, cada uma delas no valor de R$ 1.000,00 e custos totais de R$ 1.400,00, distribuídos conforme tabela abaixo: Custos Valor Vinculados à Exportação 200,00 Vinculados a operações no mercado interno tributadas 800,00 Vinculados a operações no mercado interno não tributadas 200,00 Comuns 200,00 Total 1.400,00 A memória de Cálculo a seguir ilustra a diferença entre o rateio dos custos comuns e do total de custos. Receitas Custos Valor % Valor Rateio ‐ Total Rateio ‐ Custos Comuns Exportação 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Internas tributadas 1.000,00 0,33 800,00 466,67 866,67 Internas não tributadas 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Custos comuns n/a n/a 200,00 n/a n/a Total 3.000,00 1.400,00 Repare que, em se considerando o rateio do total de custos, os custos atribuídos à exportação passariam a ser de R$ 466,00, ou seja, superiores ao somatório dos custos próprios e dos custos comuns (R$ 200,00 + R$ 200,00), que somente alcançariam o valor de R$ 400,00. Em outras palavras, créditos inequivocamente relativos a operações internas tributadas seriam tratados como vinculados à exportação. Penso que esse seja o ponto que remanesce sob questão no aresto ora contestado e entendo que a lógica da apuração da decisão de primeira instância esteja escorreita. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11070.002361/200920 Acórdão n.º 9303007.643 CSRFT3 Fl. 7 6 Dessarte, deve ser provido o recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para darlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 619DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13829.000141/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE LIDE. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Não havendo lide, não se conhece do recurso voluntário.
Numero da decisão: 2301-005.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE LIDE. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não havendo lide, não se conhece do recurso voluntário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13829.000141/2007-15
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5967466
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-005.810
nome_arquivo_s : Decisao_13829000141200715.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOAO MAURICIO VITAL
nome_arquivo_pdf_s : 13829000141200715_5967466.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7629324
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419014070272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 72 1 71 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13829.000141/200715 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.810 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA Recorrente ANA NOGUEIRA GREGUER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE LIDE. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não havendo lide, não se conhece do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, assumo o relatório constante do acórdão recorrido: Contra a contribuinte acima qualificada, foi emitida, em 23/02/2007, a Notificação de Lançamento às fls. 1725, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, ano calendário 2001, por intermédio da qual lhe é exigido crédito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 9. 00 01 41 /2 00 7- 15 Fl. 72DF CARF MF 2 tributário no montante de R$ 297.210,91, dos quais R$ 114.744,39 correspondem a imposto suplementar, R$ 86.058,29 a multa de ofício e R$ 96.408,23 a juros de mora, calculados até 04/2007. 2. O lançamento em foco glosou a o imposto de renda retido na fonte e majorou os rendimentos declarados, conforme documentação apresentada correspondente a ação judicial trabalhista. 3. Na impugnação, apresentada em 05/06/2007 (fl. 0203 e 15), a contribuinte informa, preliminarmente, que está apresentando a presente impugnação no prazo legal, com amparo no que dispõe o artigo 15 do Decreto 70.235/72, citando ainda que a correspondência não foi entregue para a mesma, pois encontravase em outra cidade, para tratamento de saúde. A impugnação não foi conhecida, por intempestiva. Foi apresentado recurso voluntário (efls. 51 e 52) sem questionamento quanto à tempestividade da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. A impugnação foi apresentada em 05/06/2007 (efls. 2, 3 e 15). A ciência do lançamento ocorreu em 30/04/2007 (efl. 27). A autoridade preparadora atestou a intempestividade da impugnação (efl. 29). Se a ciência ocorreu em 30/04/2007, segundafeira, o prazo limite para a apresentação tempestiva da impugnação expirou no dia 31/05/2007, quintafeira. Por essa razão, a impugnação não foi conhecida. A fase litigiosa tem início com a impugnação regularmente apresentada. Porém, a impugnação não foi conhecida, por intempestiva, e matéria não foi objeto do recurso voluntário. Assim, não remanesce litígio a ser apreciado. Na inexistência de lide, desconhece se do recurso. Conclusão Voto por não conhecer do recurso voluntário, por ausência de lide. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13829.000141/200715 Acórdão n.º 2301005.810 S2C3T1 Fl. 73 3 Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.000917/2003-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.000917/2003-35
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948956
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-000.638
nome_arquivo_s : Decisao_10580000917200335.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : NELSO KICHEL
nome_arquivo_pdf_s : 10580000917200335_5948956.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7572664
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419016167424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1056; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 986 1 985 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.000917/200335 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.638 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de novembro de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente TEGAL TERMINAL DE GASES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .0 00 91 7/ 20 03 -3 5 Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 987 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 859/878) em face do Acórdão da 1ª Turma da DRJ/Salvador (efls. 835/847) que julgou a Impugnação improcedente. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 05/02/2003, a Fiscalização da RFB, unidade DRF/Salvador, lavrou Autos de Infração do IRPJ e reflexo (CSLL) (efls. 04/13), anocalendário 1997, regime de apuração lucro real anual, ao imputar a seguinte infração, in verbis: (...) 001 CUSTO DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS GLOSAS DE CUSTOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO Glosas de valores declarados a titulo de custos de depreciação e amortização e sobre os serviços vendidos, conforme Ficha 4, item 32, da Declaração de Rendimentos do Importo de, Renda da Pessoa Jurídica, do exercício de 1998, anocalendário de 1997, folha 16 deste processo; tendo em vista que o contribuinte deixou de atender a solicitação, conforme termos em anexo, para apresentação dos documentos fiscais comprobatários das aquisições e construções dos bens depreciados. Em atendimento as solicitações feitas e com a alegação de não mais dispor dos documentos originais, o contribuinte apresentou apenas as planilhas constantes das folhas 47 a 86 deste processo, onde são discriminados os valores contábeis por tipos de bens (edifícios, terrenos, veículos, máquinas e equipamentos, etc), que, infelizmente não são suficientes e nem os indicados para se proceder os levantamentos necessários sobre os bens depreciados. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1997 R$ 8.105.924,61 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 231, 232, inciso I, 234 e 243, do RIR/94. (...) que a Fiscalização glosou, integralmente, o valor dos encargos de depreciação e amortização informados na DIPJ 1998, anocalendário 1997, Ficha 04 Custos dos Bens e Serviços Vendidos, Linha 32 Encargos de Depreciação e Amortização no valor de R$ 8.105.924,61 (efl. 18). Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 988 3 que o crédito tributário lançado de ofício, na data de lavratura dos autos de infração, anocalendário 1997, perfaz o montante de R$ 1.049.430,90, assim discriminado por exação fiscal: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 31/01/2003) Multa de 75% Total IRPJ 285.580,65 279.383,55 214.185,48 779.149,68 CSLL 99.065,80 96.916,07 74.299,35 270.281,22 Total 1.049.430,90 Ciente do lançamento fiscal em 14/02/2003 por via postal Aviso de Recebimento AR (efl. 95), a contribuinte apresentou Impugnação em 17/03/2003 (efls. 97/118), juntando ainda cópias de folhas do Livro Razão Analítico, Notas Fiscais e outros documentos (efls. 123/826), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que já ocorreu a decadência do lançamento ora impugnado; que possui coisa julgada no sentido da inexistência da relação jurídica no tocante à Contribuição Social instituída pela Lei n.° 7.689/88, que embora tenha sido atacada por ação rescisória proposta pela Fazenda Nacional, não foi desconstituída e, portanto, tem força de lei entre as partes; que está localizada na área de incentivos fiscais da Sudene e é isenta da Contribuição Social; que não existe, ao contrário do que alega o auto de infração, a obrigatoriedade de arquivamento, por prazo indefinido de notas fiscais; que as notas fiscais não são a única fonte comprobatória das aquisições constantes do ativo permanente da empresa; que os bens depreciados de fato integram o imobilizado da companhia e sua existência física pode e deve ser verificada; que o imobilizado da impugnante foi objeto de avaliações passadas que, por óbvio, substituem os documentos comprobatórios da aquisição dos bens depreciados; que dispõe de notas fiscais de aquisição e, a título ilustrativo, acosta a presente algumas delas. Por fim, a impugnante reitera a preliminar de decadência e, caso a preliminar seja superada, reitera a preliminar relativa ao prazo de manutenção dos documentos invocados pela fiscalização. No mérito, espera que o lançamento seja julgado improcedente, em virtude da comprovação das despesas deduzidas, a título de depreciação. Todavia, caso se entenda que a documentação apresentada não seja suficiente, requer seja determinada a realização de diligência para a verificação dos bens do seu parque industrial e de sua documentação suporte. Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 989 4 Na sessão de 05/10/2006, a 1ª Turma da DRJ/Salvador julgou a Impugnação improcedente, mantendo o lançamento fiscal, conforme Acórdão (efls. 835/847), cuja ementa e dispositivo transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 DILIGÊNCIA. PEDIDO. O pedido de diligência deve ser indeferido quando for prescindível para o deslinde da questão apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DOCUMENTOS E LIVROS. GUARDA. A pessoa jurídica é obrigada a guardar c conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papeis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA, O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário só se extingue após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A REDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. DEDUTIBILIDADE São indedutíveis os encargos de depreciação escriturados sem amparo em documentação hábil e idônea que comprove o valor e a data de aquisição dos bens e, por conseqüência, a correção do cálculo da quota de depreciação. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. DECORRÊNCIA. Sendo decorrente dos mesmos pressupostos fáticos que motivaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplicase à CSLL, mutatis mutandis, o que foi decidido quanto à exigência do JRPJ, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Lançamento Procedente Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 990 5 (...) ACORDAM os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, considerar PROCEDENTES os lançamentos de que tratam os autos de infração de fls n° 02 a 11, mantendo o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$285.580,65 (duzentos e oitenta e cinco mil quinhentos e oitenta reais e sessenta c cinco centavos) e mantendo a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) no valor de R$ 99.065,80 (noventa e nove mil e sessenta e cinco reais e oitenta centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (...) Ciente desse decisum em 24/10/2006 por via postal Aviso de Recebimento AR (efl. 858), apresentou Recurso Voluntário em 20/11/2006 (efls. 859/878), cujas razões, em síntese, são as seguintes: preliminar de decadência (CTN, art. 150, § 4º); que foi pedida diligência na primeira instância, e não perícia técnica, para buscar ou viabilizar a verdade material; que, juntamente com a impugnação na primeira instância, juntou farta documentação, demonstrando as despesas de instalação (depreciáveis) do seu parque industrial, par afastar a glosas atinentes às despesas de depreciação, conforme Notas Fiscais (efls. 297/807); que as notas fiscais referemse à aquisição de bens físicos para construção do seu Parque Industrial, bens do Ativo (passíveis de depreciação), cuja despesa deve ser dedutível. Por exemplo, a NF 770 (efl. 399); que é notório que a empresa CONFAB se dedica ao ramo de montagens industriais; que há correspondência entre a empresa responsável pelo projeto de fabricação e montagem das esferas e a Copene Companhia Petroquímica Nordeste (efls. 167 e 555); que não se justifica o indeferimento da diligência pela decisão recorrida; que é dever da Administração analisar os documentos juntados aos autos; que houve truculência pela decisão recorrida; que a decisão a quo analisou 6 (seis) documentos, porém foram juntados em torno de 600 (seiscentos) documentos na impugnação. Ainda nessa parte, transcrevo a argumentação da recorrente: (...) 24.Repitase: os documentos referentes à aquisição dos bens/serviços objeto da dedução e da glosa foram apresentados e o pedido de diligência e questão da guarda somente foram deduzidos caso a administração entendesse que não seriam eles suficientes. Além disso, o vício de forma no julgamento fica confirmado no ponto em que, na Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 991 6 parte dedicada ao "mérito", a decisão admite a necessidade de conferência física, verbis: "Dos dispositivos acima transcritos, verificase que, para admitir a dedução de despesa de depreciação na apuração do lucro real, não basta a contabilização de bens no ativo imobilizado da empresa, ainda que esteja comprovada sua existência física, pois devem ser verificados diversos aspectos tais como: se tais bens estão em operação, se são necessários à atividade da empresa e à manutenção de sua fonte produtora, se já foram integralmente depreciados, se a taxa de depreciação foi corretamente utilizada, etc." 25.Esclareçase: a decisão entende que a existência física é necessária, embora não seja o único requisito e se refere também à finalidade, o que igualmente demanda o exame físico do bem. Ora, por que a nota fiscal de fls. 413 que comprova serviços correlatos ao projeto, fornecimento, fabricação e transporte de duas esferas não é idôneo? Por que o livro analítico do ativo fixo não é prova? Por que a nota fiscal de fls. 233 que prova serviços executados também com relação a esferas não foi considerada. Data venia, a truculência da decisão recorrida é inaceitável e não pode ser mantida. Ela é incompatível não só com o Decerto n° 70.235/72 como também com os artigos 37 e 5o, LV da Constituição Federal que são expressões do estado democrático de direito. (...) que quanto à indedutibilidade dos encargos de depreciação, no mérito, não se justifica a conclusão da decisão recorrida, à luz do princípio da verdade material, ao apreciar apenas 6 (seis) notas fiscais dentre praticamente 6 (seis) centenas delas; que a decisão quo efetuou exame superficial das provas juntadas aos autos; que para análise cabal do livros e documentos fiscais impõese a realização de diligência fiscal. Por fim, a recorrente pediu o reconhecimento da decadência e, caso superada essa preliminar de mérito, que sejam afastadas as glosas com base na farta documentos juntados aos autos por ocasião da apresentação da impugnação e não objeto de apreciação pela decisão a quo. Ainda, alternativamente pediu a conversão do julgamento em diligência. Na sessão de 02/08/2010, a 2ª TO/1ª Câmara/1ª Seção de Julgamento do CARF acolheu a decadência, conforme Acórdão nº 110200.273 1a Câmara / 2a Turma Ordinária (efls.892/896), cuja ementa e dispositivo transcrevo, in verbis: (...) EMENTA: IRPJ E CSLL. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTS..150, §4° E 173,1, DO CTN. O prazo decadencial aplicável aos tributos submetidos ao lançamento por homologação é quinquenal e tem termo inicial com a ocorrência do Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 992 7 fato gerador, salvo nas hipóteses de dolo e fraude. Inteligência do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Crédito tributário exonerado. (...) Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, vencido o Conselheiro Marcos Antonio Pires (suplente convocado), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) Ciente dessa decisão a PGFN apresentou Recurso Especial (efls. 900/906), argumentando que, em face da falta, inexistência, de antecipação de pagamento das exações fiscais do anocalendário 1997, o termo inicial do prazo decadência de cinco anos contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (CTN, art. 173, I), não incidindo o vcdisposto no art. 150,4º, do CTN. O Recurso Especial foi admitido, foi dado seguimento. A contribuinte apresentou contarrazões. Na sessão de 12/09/2017, a 1ª Turma da CSRF deu provimento ao Recurso Especial da PGFN, ao afastar a decadência, por maioria de votos, conforme Acórdão nº 9101 003.058– 1ª Turma, devolvendo o processo para a instância ordinária do CARF para enfrentar as demais matérias, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 DECADÊNCIA. IRPJ E CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Se não houver apuração de tributo devido, nem pagamento antecipado, a regra aplicável é aquela prevista no art. 173, I, do CTN. (...) Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidos os conselheiros Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 993 8 Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (...) É o relatório. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 994 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator A admissibilidade do Recurso Voluntário já ocorrera na sessão de 02/08/2010 pela 2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/1ª Seção de Julgamento do CARF quando acolheu a decadência do lançamento fiscal, conforme Acórdão nº 110200.273 1a Câmara / 2a Turma Ordinária (efls.892/896), cuja ementa e dispositivo transcrevo, in verbis: (...) EMENTA: IRPJ E CSLL. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTS..150, §4° E 173,1, DO CTN. O prazo decadencial aplicável aos tributos submetidos ao lançamento por homologação é quinquenal e tem termo inicial com a ocorrência do fato gerador, salvo nas hipóteses de dolo e fraude. Inteligência do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Crédito tributário exonerado. (...) Entretanto, esse decisum foi reformado pela 1º Turma da CSRF. Vale dizer, na sessão de 12/09/2017, a 1ª Turma da CSRF deu provimento ao Recurso Especial da PFN, ao afastar a decadência, por maioria de votos, conforme Acórdão nº 9101003.058– 1ª Turma, devolvendo o processo para a instância ordinária do CARF para enfrentar as demais matérias, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1997 DECADÊNCIA. IRPJ E CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Se não houver apuração de tributo devido, nem pagamento antecipado, a regra aplicável é aquela prevista no art. 173, I, do CTN. (...) Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 995 10 Couto (suplente convocado), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (...) Assim, superada a preliminar de decadência, os autos do processo, então, retornaram para julgamento das demais matérias agitadas nas razões do Recurso Voluntário, que até então não enfrentadas neste processo por esta instância ordinária recursal do CARF, justamente pelo óbice da caducidade que, como demonstrado, restou afastado, por último, pela Câmara Alta. Pois bem. A lide objeto dos autos resumese à glosa, integral, global a título de encargos de depreciação e amortização cujo valor fora informado na DIPJ 1998, anocalendário 1997, Ficha 04 Custos dos Bens e Serviços Vendidos, Linha 32 Encargos de Depreciação e Amortização de R$ 8.105.924,61 (efl. 18), uma vez que fora intimada a contribuinte a comprovar esses custos/encargos, durante o procedimento de fiscalização, porém não se desincumbiu desse ônus probatório. A glosa, destarte, ocorreu após intimação pelo fisco para que a contribuinte fizesse a comprovação dos encargos de depreciação/amortização do anocalendário 1997, porém ela apresentou apenas planilhas com alegação de que não mais dispõe dos documentos originais, conforme narrado no auto de infração (efls. 04/13), in verbis: (....) Em atendimento as solicitações feitas e com a alegação de não mais dispor dos documentos originais, o contribuinte apresentou apenas as planilhas constantes das folhas 47 a 86 deste processo, onde são discriminados os valores contábeis por tipos de bens (edifícios, terrenos, veículos, máquinas e equipamentos, etc), que, infelizmente não são suficientes e nem os indicados para se proceder os levantamentos necessários sobre os bens depreciados. (...) A decisão a quo 1ª Turma da DRJ/Salvador infensa aos argumentos da impugnante, manteve a glosa, cuja fundamentação do voto condutor Acórdão transcrevo (e fls.835/847), in verbis: (...) Das Despesas de Depreciação (...) A interessada acrescenta que em 1989, o seu ativo imobilizado foi objeto de reavaliação e o laudo de avaliação devidamente contabilizado, tendo tomado por base as notas fiscais de aquisição dos Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 996 11 bens avaliados, seria documento hábil a suportar a despesa de depreciação, em substituição às notas de aquisição. Aduz ainda que, em 1994, incorporou ao seu ativo imobilizado bens da antiga COPENE S/A, hoje Braskem S/A, cujos custos de aquisição foram contabilizados com base em laudo de avaliação (fls. 134 a 141). (...) A impugnante alega que teria anexado aos autos a documentação hábil a comprovar as despesas de depreciação, entretanto as cópias do livro Razão Analítico são insuficientes para tal propósito uma vez que a escrituração mantida com observância das disposições legais só faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se os registros forem comprovados por documentos hábeis. Entretanto, a documentação apresentada pela interessada, composta de cópias de diversas notas fiscais de serviços, cópias contábeis de cheques, recibos, ofícios, autorizações de fornecimento de material e outros, não apresenta qualquer correlação em data e valor com os lançamentos contábeis consignados no livro Razão, não permitindo identificar quando e onde teriam sido contabilizados os valores constantes de tais documentos. Os documentos anexados pela impugnante são na sua quase totalidade relativos a serviços efetuados pelas empresas CONFAB Montagens Ltda e CONFAB Industrial S/A, do período de 1991 a 1992, mas não se consegue identificar qual a sua relação com os bens da interessada consignados no livro Razão. Ressaltese que a referência à montagem de duas esferas de armazenamento (doc. às íls. 158, 198 a 200, 217, 225 a 234, etc), o período de conclusão do serviço em final de agosto de 1992 e a solicitação à COPENE e não à interessada para aprovação da prorrogação do prazo contratual (ofício à fl, 167) são indícios que os documentos apresentados pela impugnante podem referirse ao Sistema de Butadieno, composto de duas esferas conforme descrito na alteração contratual (fl. 146) e com entrada em operação em 17/09/1992 (doe. à fl. 141), sistema esse construído em suas instalações, mas de propriedade da antiga COPENE S/A até a transferência para a interessada mediante a integralização e subscrição de capital. Devese também destacar que na hipótese das notas fiscais apresentadas referirse a gastos incorridos com reparos, conservação ou substituição de partes e peças de bens do ativo imobilizado, os dispêndios só deveriam ser incorporados ao valor do bem se resultarem em aumento da vida útil superior a um ano. A depreciação do novo valor contábil seria feita no novo prazo de vida útil previsto para o bem recuperado, ou, alternativamente, a pessoa jurídica poderá: I aplicar o percentual de depreciação correspondente à parte não depreciada do bem sobre os custos de substituição das partes ou peças; II apurar a diferença entre o total dos custos de substituição e o valor determinado no inciso anterior; III escriturar o valor apurado no inciso I a débito das contas de resultado; IV escriturar o valor apurado no inciso II a débito da conta do ativo imobilizado que registra o bem, o qual terá seu novo valor contábil depreciado no novo prazo de vida útil previsto. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 997 12 A interessada acrescenta que em 1989, o seu ativo imobilizado foi objeto de reavaliação e o laudo de avaliação, que, em verdade, deixou de anexar ao presente processo, seria documento hábil a suportar a despesa de depreciação em substituição às notas de aquisição, entretanto a finalidade de um laudo de avaliação é fornecer aos solicitantes o valor atualizado do acervo objeto do estudo em determinada data, não se prestando a atestar o valor original dos bens e, por isso, não é documento hábil para substituir os documentos fiscais de aquisição. Quanto aos bens da antiga COPENE S/A incorporados ao seu patrimônio em 31/10/1994, tratase de uma operação de aquisição de bens usados e o seu custo de aquisição é o valor pelo qual são transacionados. Nesse caso, a aquisição se deu como forma de subscrição e integralízação do capital social, conforme estabelecido nas cláusulas sexta e oitava do contrato social, às fls. 142 a 153, e o valor do acervo ali registrado foi estabelecido em laudos de avaliação emitidos pelas empresas AGMAuditores Independentes e Ernest & Young Auditores Independentes S/C, anexando a interessada apenas cópia deste último (fls. 134 a 140). Entretanto, a impugnante deixou de demonstrar em que rubrica do livro Razão contabilizou tais bens e como procedeu ao cálculo da depreciação, uma vez que, tratandose de bens usados, a depreciação pode ser feita considerando como prazo de vida útil o maior dentre os seguintes prazos: metade do prazo de vida útil admissível para o bem adquirido novo ou o restante da vida útil do bem, considerada esta em relação à primeira instalação para utilização. Diante da falta de comprovação da individualização e da composição do imobilizado, uma vez que a impugnante não apresentou um controle auxiliar que permita a identificação individualizada dos bens que compõem o imobilizado e a correta apropriação dos custos de depreciação, suportado em documentação hábil e idônea, mantenho o crédito tributário constituído em razão da glosa de custos de depreciação. (...) Irresignado com a decisão a quo, nas razões do recurso nesta instância o sujeito passivo argumenta, em síntese: que foi pedida diligência na primeira instância, e não perícia técnica, para buscar ou viabilizar a verdade material; que, juntamente com a Impugnação na primeira instância, juntou farta documentação, demonstrando as despesas de instalação (depreciáveis) do seu parque industrial, par afastar a glosa atinente às despesas de depreciação/amortização, conforme Notas Fiscais (e fls. 297/807); que as Notas Fiscais referemse à aquisição de bens físicos para construção do seu Parque Industrial, bens do Ativo (passíveis de depreciação), cuja despesa deve ser dedutível. Por exemplo, a NF 770 (efl. 399); Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 998 13 que é notório que a empresa CONFAB se dedica ao ramo de montagens industriais; que há correspondência entre a empresa responsável pelo projeto de fabricação e montagem das esferas e a Copene Companhia Petroquímica Nordeste (efls. 167 e 555); que não se justifica o indeferimento da diligência pela decisão recorrida; que é dever da Administração analisar os documentos juntados aos autos; que houve truculência pela decisão recorrida; que a decisão a quo analisou 6 (seis) documentos, porém foram juntados em torno de 600 (seiscentos) documentos na Impugnação. Ainda, nessa parte, consta das razões do recurso: (...) 24.Repitase: os documentos referentes à aquisição dos bens/serviços objeto da dedução e da glosa foram apresentados e o pedido de diligência e questão da guarda somente foram deduzidos caso a administração entendesse que não seriam eles suficientes. Além disso, o vício de forma no julgamento fica confirmado no ponto em que, na parte dedicada ao "mérito", a decisão admite a necessidade de conferência física, verbis: "Dos dispositivos acima transcritos, verificase que, para admitir a dedução de despesa de depreciação na apuração do lucro real, não basta a contabilização de bens no ativo imobilizado da empresa, ainda que esteja comprovada sua existência física, pois devem ser verificados diversos aspectos tais como: se tais bens estão em operação, se são necessários à atividade da empresa e à manutenção de sua fonte produtora, se já foram integralmente depreciados, se a taxa de depreciação foi corretamente utilizada, etc." 25.Esclareçase: a decisão entende que a existência física é necessária, embora não seja o único requisito e se refere também à finalidade, o que igualmente demanda o exame físico do bem. Ora, por que a nota fiscal de fls. 413 que comprova serviços correlatos ao projeto, fornecimento, fabricação e transporte de duas esferas não é idôneo? Por que o livro analítico do ativo fixo não é prova? Por que a nota fiscal de fls. 233 que prova serviços executados também com relação a esferas não foi considerada. Data venia, a truculência da decisão recorrida é inaceitável e não pode ser mantida. Ela é incompatível não só com o Decreto n° 70.235/72 como também com os artigos 37 e 5o, LV da Constituição Federal que são expressões do estado democrático de direito. (...) que quanto à indedutibilidade dos encargos de depreciação/amortização, no mérito, não se justifica a conclusão da decisão recorrida, à luz do princípio da verdade material, ao apreciar apenas 6 (seis) notas fiscais dentre praticamente 6 (seis) centenas delas; que a decisão quo efetuou exame superficial das provas juntadas aos autos; Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 999 14 que para análise cabal do livros e documentos fiscais impõese a realização de diligência fiscal. Por fim, a recorrente reiterou pedido que sejam afastadas as glosas com base na farta documentação juntada aos autos por ocasião da apresentação da Impugnação e não objeto de apreciação pela decisão a quo. Ainda, alternativamente pediu a conversão do julgamento em diligência. Identificada a matéria controvertida e compulsando os autos, de plano, salta aos olhos, a necessidade de saneamento do processo. A matéria controvertida, até agora, não foi enfrentada adequadamente, não por descuido da Fiscalização e da decisão recorrida, mas sim pela dificuldade, até desleixo, da recorrente em produzir as provas hábeis, idôneas, cabais, que deveriam sustentar os registros contábeis, ou seja, da escrituração comercial, para afastar a pretensão do fisco materializada no lançamento de ofício. Dispõe o art. 923 do RIR/99, in verbis: Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Intimada durante o procedimento de fiscalização (efls. 14/15), a contribuinte, lamentavelmente, apresentou apenas planilhas ou tabelas de depreciação/amortização, e não juntou cópias do livros Razão, Diário e cópias dos documentos que sustentariam os registros na sua escrituração contábil/fiscal. Planilhas (tabelas) são meros resumos, apontamentos (papeis extracontábeis) (e fls. 49/87), ou seja, não são documentos com força probante dos registros contábeis/fiscais. A recorrente, com veemência se opõe contra o lançamento fiscal e contra a decisão recorrida, porém tem conduta contraditória, pois ainda permanece no plano retórico, quando deveria esforçarse em produzir, trazer aos autos cópia de sua escrituração contábil (livros Diário, Razão e documentos de suporte dos registros na sua escrita contábil/fiscal), cujo ônus é seu, para estribar sua defesa. Veja. Na defesa de mérito direta o sujeito passivo pode negar a existência do fato constitutivo do direito do fisco, mediante apresentação de provas. Na defesa de mérito indireta o sujeito passivo, apesar de reconhecer o direito sob o qual se funda o fato constitutivo do direito do fisco, pode alegar fato modificativo, extintivo ou impeditivo deste, com apresentação de provas idôneas, hábeis e cabais. Pois é. Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 1000 15 A contribuinte, até agora, nos presentes autos, apostou na defesa de mérito indireta, alegou fato extintivo que, se superado na preliminar suscitada, pediu que o julgamento fosse convertido em diligência. Ou seja, até agora, nos presentes autos, a contribuinte, em sua defesa, tanto na primeira instância bem como nesta instância recursal ordinária, apostou apenas na defesa de mérito indireta. Alegou decadência (fato extintivo) e que não teria, por conseguinte, obrigação de manter a escrituração e os documentos de suporte dos registros contábeis/fiscais, após decorrido o prazo decadencial. Defesa equivocada, pois conforme decisão da 1ª Turma da CSRF não ocorreu a decadência (preliminar de decadência restou afastada). Vale dizer, a contribuinte nada pagou a título do IRPJ e da CSLL quanto ao ano calendário 1997. Por isso, a 1ª Turma da CSRF afastou a decadência, que havia sido reconhecida pela decisão submetida ao Recurso Especial da PFN, pela aplicação da inteligência do o art. 173, I, que prevalece ante o art.150, § 4º, do CTN. Portanto, o lançamento está a salvo da decadência. Assim, restou equivocado, malogrado, por conseguinte, o argumento da recorrente de que não teria obrigação de apresentar a escrituração contábil/fiscal e dos documentos de suporte, pois a caducidade foi afastada pela Câmara Alta. Quanto à obrigatoriedade de manter em boa guarda a escrituração comercial e fiscal e documentos de suporte dos registros contábeis: Cabe aqui transcrever o texto do art. 264 do RIR/99 que estabelece a obrigatoriedade do contribuinte manter e conservar em boa guarda, ordem, a escrituração e dos documentos de suporte dos registros contábeis/fiscais, in verbis: (...) Art.264.A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). §1ºOcorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). §2ºA legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Resolução nº 1301000.638 S1C3T1 Fl. 1001 16 §3ºOs comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). (...) Então, restando malograda a defesa de mérito indireta do sujeito passivo, como dito, não há condições de enfrentar o mérito, de formar convicção acerca do mérito da lide, pois há necessidade de saneamento do processo, de complementação de provas. A mera juntada de cópias de algumas notas fiscais e de outros documentos, em torno de 600 folhas no total, por ocasião da Impugnação na primeira instância de julgamento, juntada efetuada de forma atabalhoada nos autos, sem juntada de cópia dos livros Diário e Razão e ainda sem vinculação desses documentos com os registros nos livros, configura, data venia, desleixo, e insuficiência de provas. Não obstante, propugno, em prestígio dos princípios da verdade material, do formalismo moderado e em respeito ao devido processo legal administrativo, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, ou seja, a Fiscalização da DRF/Salvador proceder: a) intimação do sujeito passivo a apresentar à Fiscalização os livros contábeis (livros Razão e Diário), bem como documentos de suporte desse registros (notas fiscais), quanto à depreciação/amortização (despesa glosada) do anocalendário 1997; b) juntar cópias desses livros e documentos, na parte relativa à depreciação/amortização, anocalendário 1997; c) por fim, a Fiscalização da DRF/Salvador deverá, ao final do procedimento de diligência, produzir relatório conclusivo, circunstanciado, dos resultados, quanto à comprovação ou não pela recorrente dos custos/despesas objeto da glosa de que tratam os autos de infração, e do qual dará ciência ao sujeito passivo, abrindo prazo de trinta dias, para em querendo apresentar razões. d) expirado o prazo, com ou sem manifestação do sujeito passivo, retornar os autos do processo ao CARF para julgamento da lide. Portanto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. É assim que voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 1001DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000725/98-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PERDA DE OBJETO.
A declaração de compensação que não indica os débitos a compensar perde seu objeto, impossibilitando o deferimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PERDA DE OBJETO. A declaração de compensação que não indica os débitos a compensar perde seu objeto, impossibilitando o deferimento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.000725/98-81
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5966856
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.851
nome_arquivo_s : Decisao_106800007259881.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 106800007259881_5966856.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7629163
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419064401920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.000725/9881 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.851 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente NACIONAL COMÉRCIO E EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PERDA DE OBJETO. A declaração de compensação que não indica os débitos a compensar perde seu objeto, impossibilitando o deferimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 07 25 /9 8- 81 Fl. 251DF CARF MF 2 Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de pedido de compensação de valores recolhidos ao PIS com base nos DL 2.445/88 e 2.449/88. O direito creditório vindicado originase da Ação Ordinária c/ Pedido de Tutela Antecipada nº 1997.38.00.0127614, distribuída junto à 3ª Vara da Seção Judiciária de Belo Horizonte/MG, com o objetivo de ver autorizada a compensação de valores de Pis, recolhidos na forma dos DDLL 2.445/88 e 2.449/88, corrigidos monetariamente por índices reais da inflação, com débitos vencidos e vincendos da mesma exação. A decisão de primeira instância julgou procedente o pedido (fls. 37/45), nos seguintes termos: Ante o exposto, julgo procedente o pedido formulado por Nacional Comércio e Empreendimentos Ltda – Matriz, Nacional Comércio e Empreendimentos Ltda – Filial 07 e Nacional Comércio e Empreendimentos Ltda – Filial 08 para declarar o direito das Autoras de compensarem os valores recolhidos a maior a título de PIS, efetuados nos termos dos Decretosleis nº s 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas vincendas do próprio PIS, somente quanto aos meses de competência cujos comprovantes de recolhimento estejam juntados aos presentes autos, com correção monetária apurada de acordo com o IPC e juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, a partir do trânsito em julgado desta sentença. (Destaques do Original) Nas fls. 47/111, foram juntados demonstrativos e cópias das guias de recolhimento do indébito pleiteado. Após análise das compensações efetuadas com fulcro no citado crédito, a autoridade jurisdicionante emitiu, em 20 de fevereiro de 2015, o Despacho Decisório nº 303 – DRF/BHE (fls. 155/157), de cujo teor extraise as seguintes informações/conclusões: 1) Em 27/09/2002, a Interessada protocolou o processo nº 10680.013921/200254, por meio do qual solicitou a restituição do montante de R$ 3.141.293,38, relativo aos recolhimentos efetuados a título de PIS, na forma dos DDLL 2.445 e 2.449, ambos de 1988. 2) A ação nº 1997.38.00.0127614, que reconheceu o direito ao indébito, transitou em julgado em 16/05/2001. 3) Portanto, o contribuinte teve até 16/05/2006 para ingressar com declarações de compensação visando à utilização do crédito reconhecido judicialmente (declarações de compensação em papel, até Maio/2003 e, após, em meio eletrônico, via PGD/PerDcomp). Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10680.000725/9881 Acórdão n.º 3201004.851 S3C2T1 Fl. 3 3 4) Nos documentos sob controle no presente processo, a Contribuinte não discriminou o valor do crédito pretendido, nem tampouco os débitos a serem compensados, conforme disciplinavam as Instruções Normativas SRF nº 21/1997 (alterada pela IN SRF nº 73/1997) e nº 210/2002. 5) Os valores de débitos do Pis (período de 1999 a 2003), informados em DIPJ, coincidem com aqueles informados nas DCTF dos mesmos períodos, contudo, sem que a contribuinte tivesse informado vinculações com o crédito de Pis reconhecido judicialmente. 6) Nos autos deste processo administrativo a Interessada não identificou quais débitos seriam objeto da compensação pretendida. 7) Também não restou comprovada a efetivação de compensações nos moldes da Lei nº 8.383/1991. 8) Dessa sorte, entendeu a autoridade administrativa que o pedido consubstanciado no presente processo restava sem objeto e concluiu pelo seu indeferimento. Cientificada do Despacho Decisório nº 303 – DRF/BHE em 06/03/2015 (fls. 160/161), a Interessada apresentou, em 06/04/2015 manifestação de inconformidade (fls. 168 e seguintes) para alegar o que se segue: Inicialmente argúi a tempestividade do recurso apresentado. Afirma que o presente processo tem a mesma causa de pedir do processo nº 10680.013921/200254 e requer a análise conjunta dos feitos. Reclama que, após quase 17 (dezessete) anos do protocolo deste processo, a unidade jurisdicionante proferiu despacho decisório (datado de 20/02/2015) do qual teve ciência em 06/03/2015, para indeferir seu pedido. A petição que deu início ao feito administrativo baseiase, também, na Resolução Senatorial nº 49/1995, que retirou do ordenamento jurídico os DecretosLeis nº 2.445 e 2.449/88. Referida petição, além de informar o número do processo judicial que deu origem ao crédito e indicar expressamente, em sua fl. 03, o montante desse crédito (R$ 2.245.491,50), requer sua compensação com débitos vincendos, não havendo que se falar em omissão. A Lei nº 8.383/1991 (art. 66) – que regulou inicialmente a compensação tributária – estabeleceu regime jurídico de compensação a cargo do contribuinte, que tinha o direito de praticar, unilateralmente, o ato compensatório, à vista de tributos e contribuições da mesma espécie. Fl. 253DF CARF MF 4 Com a edição da Lei nº 9.430/1996 (art. 73 e 74), os contribuintes passaram a compensar seus créditos com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, mas sempre sujeito a requerimento administrativo para tanto. As alterações procedidas no art. 74 da Lei nº 9.430/1996 condicionaram o pedido de crédito ao trânsito em julgado da decisão judicial, além de proceder a outras modificações no disciplinamento da compensação. Contudo, tais alterações são posteriores ao pedido da Requerente, não lhes sendo, portanto, aplicáveis. A Instrução Normativa nº 21/1997 – que regulamentou os pedidos de compensação – estabeleceu, como único requisito para a compensação tributária, a submissão do pleito à Receita Federal, mediante formulário nominado Pedido de Compensação. Lado outro, aqueles que pretendiam a compensação com tributos de mesma espécie sujeitavamse ao procedimento simplificado, disposto no art. 14 da IN SRF 21/1997 que, também, submetia o procedimento compensatório à autorização da Receita Federal. A decisão da autoridade administrativa – baseada na falta de informação quanto ao crédito e aos débitos que pretendia compensar – não merece prosperar porque não aplica corretamente o direito à espécie. A Requerente indicou em sua petição administrativa os débitos que pretendia compensar, quais sejam, os vincendos e, na forma da lei vigente, submeteu o pedido de compensação à apreciação da Receita Federal. Ao fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada e o deferimento do pedido. Alternativamente, pede a aplicação do Parecer COSIT nº 11/2014, para que seja reconhecida a suspensão do prazo prescricional para repetição do indébito, durante o período em que tramitou o presente feito. A DRJ/Belo Horizonte/MG, por meio do Acórdão 0272.349, de 23/03/2017, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. A compensação tributária pressupõe um encontro de contas e, sendo assim, incumbe ao contribuinte que se diz, ao mesmo tempo, credor e devedor da Fazenda Nacional, informar e apresentar documentos comprobatórios da certeza e a liquidez do crédito alegado, bem como identificar os débitos que pretende liquidar com esse crédito. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10680.000725/9881 Acórdão n.º 3201004.851 S3C2T1 Fl. 4 5 Sem informações dessa natureza, subtraise à Administração Tributária os elementos necessários para proceder ao encontro de contas, aferir a efetiva extinção dos débitos tributários pela utilização do crédito e, assim, homologar a compensação. No Recurso Voluntário, a empresa reforça os argumentos da Impugnação e alega: que a DRJ inovou no fundamento para negar provimento; que fez o pedido com base na Resolução do Senado 49/95; que indicou, no pedido, a compensação com “parcelas vincendas do próprio PIS”; que a compensação de tributos de mesma espécie prescinde de indicação dos débitos; pede, alternativamente, aplicação do Parecer Cosit 11/2014, para reconhecer a tempestividade de pedido de compensação apresentado posteriormente ao pedido de restituição. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Preliminar de nulidade da decisão recorrida por mudança de fundamento O pedido é de certo modo genérico. Transcrevo, de todo o modo, o excerto pertinente (fl.240): Após o decurso de quase 17 (dezessete) anos, a SEORT proferiu despacho decisório propondo o indeferimento do pedido de compensação formulado pelo Contribuinte, ao argumento de que a empresa não teria supostamente discriminado o crédito a compensar, assim como os débitos a serem compensados ou com os quais teria realizado a compensação, nem realizado a compensação nos moldes da Lei nº 8.383/91. Acrescenta que o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito da Recorrente se deu em 16/05/2001, de modo que a Contribuinte teve até 16/05/2005 para realizar a compensação. Fl. 255DF CARF MF 6 Inconformada, a ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade à DRJ/BHE alegando em síntese que a legislação aplicável ao seu pedido de compensação protocolado em 1998, já era a Lei nº 9.430/96 e que havia menção expressa ao crédito tencionado e aos débitos com os quais pretendia compensar. DRE/BH não obstante reconhecer que a Contribuinte havia, de fato, indicado o valor do crédito vindicado e que a legislação aplicável seria a Lei nº 9.430/96, sustentou a inadmissão do crédito ao argumento de que a Recorrente não teria cuidado de indicar com quais créditos pretendia a compensação, se tratando, portanto de pedido de “deferimento em branco”, razão pela qual a julgou improcedente. Contudo, o Acórdão, além de apresentar evidente mudança do critério jurídico, importando em supressão de instância, porquanto os argumentos trazidos à baila para inadmissão do crédito são diversos do inicialmente apresentados pelo Fisco no Despacho Decisório, não revela a melhor aplicação do Direito à espécie, razão do presente Recurso Voluntário a este Conselho. E nos pedidos do Recurso Voluntário (fl. 248): Por todo o exposto é a presente para requerer a reforma do Acórdão nº 0272.349 da 1ª Turma da DRJ/BHE, tendo em vista que: houve supressão de instância, já que os argumentos trazidos pelo Acórdão para inadmissão do crédito são diversos dos constantes do Despacho Decisório nº 303 da DRF/BHE; Verifico, portanto, que a recorrente apenas alega a mudança de fundamento, sem argumentar. De qualquer modo, o Despacho Decisório utilizou, como fundamento para negar, a falta de objeto, posto que o contribuinte não teria indicados os débitos a compensar (fl. 156): “Não havendo débitos a compensar informados no processo e não tendo havido débitos compensados nos moldes da Lei nº 8.383/91, perde objeto a presente solicitação.” A decisão recorrida utiliza o mesmo fundamento (fl. 233). Portanto, cabe manter o despacho decisório combatido, vez que o deferimento do pedido de compensação, na forma como fora aviado, equivaleria a uma homologação "em branco" de compensações futuras e, repisando o anteriormente dito, pedidos administrativos dessa natureza carecem de fundamentação legal. Desse modo, afasto a preliminar. Mérito Os demais pedidos, no Recurso Voluntário, são transcritos a seguir: Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10680.000725/9881 Acórdão n.º 3201004.851 S3C2T1 Fl. 5 7 Por todo o exposto é a presente para requerer a reforma do Acórdão nº 0272.349 da 1ª Turma da DRJ/BHE, tendo em vista que: houve supressão de instância, já que os argumentos trazidos pelo Acórdão para inadmissão do crédito são diversos dos constantes do Despacho Decisório nº 303 da DRF/BHE; é legítimo o crédito e o direito à compensação da Recorrente, com créditos do mesmo tributo, como pleiteado, uma vez que que perseguiu os caminhos legais para o seu reconhecimento, à luz da legislação vigente à época do pedido, que é a aplicável. Alternativamente, caso não seja no sentido o entendimento desse Conselho, o que se admite apenas por cogitação, pedese a aplicação, por analogia, do Parecer COSIT nº 11/2014, de modo a reconhecer a suspensão do prazo prescricional para a repetição do indébito, durante o período em que tramitou o presente feito. O primeiro se refere ao pedido preliminar, já apreciado. O segundo requesta a legitimidade e o direito de compensação. Tais direitos nunca foram negados pelo Fisco, que negou o pedido por falta de objeto, isto é, porque, não existindo débitos a compensar, não há o que deferir. O pedido de compensação, fl. 2, informava que os débitos estariam em anexo. A indicação, no anexo de fl. 47, apresentado junto com o pedido de compensação (fl. 1), é de que os débitos são “parcelas vencidas e vincendas da mesma contribuição ao PIS”. À época, não havia necessidade de pedido à Receita Federal para compensação de mesmo tributo, cf. IN 21/97: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. Mas a compensação, quando efetivada por conta própria, na escrita fiscal, não interfere no presente processo, porque aqui se trata de decidir sobre a extinção, via compensação, de débitos informados, e, não havendo nenhum, não há o que deferir. A compensação por conta própria, na escrita fiscal, ensejaria que os débitos compensados fossem informados dessa forma – como compensados – nas DCTF´s, o que não aconteceu. Portanto, não há como deferir o pedido. Fl. 257DF CARF MF 8 O terceiro item dos pedidos finais se refere ao Parecer Cosit 11/2014. Em suas conclusões, item “f”, o Parecer reconhece a suspensão do prazo para apresentação de declaração de compensação, a partir do pedido de habilitação do crédito, desde que antes de decisão definitiva: Conclusão 14. Com base no exposto, concluise que: a) O crédito tributário decorrente de ação judicial pode ser executado na própria ação judicial para pagamento via precatório ou requisição de pequeno valor ou, por opção do sujeito passivo, ser objeto de compensação com débitos tributários próprios na via administrativa. b) Ao fazer a opção pela compensação na via administrativa, o sujeito passivo sujeitase ao disciplinamento da matéria feito pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, especificamente a Instrução Normativa nº 1.300, de 2012, conforme § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e às demais limitações legais. c) Para a apresentação da Declaração de Compensação, o sujeito passivo deverá ter o pedido de habilitação prévia deferido. d) A habilitação prévia do crédito decorrente de ação judicial é medida que tem por objetivo analisar os requisitos preliminares acerca da existência do crédito, a par do que ocorre com a ação de execução contra a Fazenda Nacional, quais sejam, legitimidade do requerente, existência de sentença transitada em julgado e inexistência de execução judicial, em respeito ao princípio da indisponibilidade do interesse público. e) O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. f) No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso no âmbito administrativo g) O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. h) Eventual mudança de interpretação sobre a matéria será aplicável somente a partir de sua introdução na legislação tributária. Observo ainda que, conforme art. 68, §único da IN RFB 1.717/2017, o pedido de restituição também suspende o prazo para apresentação de declaração de compensação: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10680.000725/9881 Acórdão n.º 3201004.851 S3C2T1 Fl. 6 9 Art. 68. O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB desde que, à data da apresentação da declaração de compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, proferida pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil; ou II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Parágrafo único. O sujeito passivo poderá apresentar declaração de compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Todavia, este reconhecimento ainda não lhe aproveita, porque, até o momento, não constam no presente processo os débitos que pretende compensar. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015423/2007-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas
Exercícios: 2003 a 2005
Ementa: PAF CERCEAMENTO DO DIR14TO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA - Sem a precisa identificação do prejuízo ao livre exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, não há razão para se declarar a nulidade do processo administrativo, ausente a prova de violação aos princípios constitucionais que asseguram esse direito.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS - A multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art 2º da Lei n° 9.430/96 não tem lugar quando aplicada após o
encerramento do exercício, sendo apurado prejuízo ou base de cálculo negativa. Outrossim, descabe a concomitância da referida multa com a proporcional ao imposto devido, tendo ambas as se baseado nos mesmos fatos e valores, sob pena de se aplicar dupla penalidade sobre uma mesma infração.
Numero da decisão: 1803-000.402
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que negava provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Benedicto Celso Benicio Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201005
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas Exercícios: 2003 a 2005 Ementa: PAF CERCEAMENTO DO DIR14TO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA - Sem a precisa identificação do prejuízo ao livre exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, não há razão para se declarar a nulidade do processo administrativo, ausente a prova de violação aos princípios constitucionais que asseguram esse direito. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS - A multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art 2º da Lei n° 9.430/96 não tem lugar quando aplicada após o encerramento do exercício, sendo apurado prejuízo ou base de cálculo negativa. Outrossim, descabe a concomitância da referida multa com a proporcional ao imposto devido, tendo ambas as se baseado nos mesmos fatos e valores, sob pena de se aplicar dupla penalidade sobre uma mesma infração.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10680.015423/2007-51
conteudo_id_s : 5960441
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 08 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1803-000.402
nome_arquivo_s : Decisao_10680015423200751.pdf
nome_relator_s : Benedicto Celso Benicio Junior
nome_arquivo_pdf_s : 10680015423200751_5960441.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que negava provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
dt_sessao_tdt : Wed May 19 00:00:00 UTC 2010
id : 7602036
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419069644800
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T16:53:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T16:53:16Z; Last-Modified: 2010-09-01T16:53:17Z; dcterms:modified: 2010-09-01T16:53:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:72a242ab-ce75-4f47-97af-53533d2ec85b; Last-Save-Date: 2010-09-01T16:53:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T16:53:17Z; meta:save-date: 2010-09-01T16:53:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T16:53:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T16:53:16Z; created: 2010-09-01T16:53:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2010-09-01T16:53:16Z; pdf:charsPerPage: 1542; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T16:53:16Z | Conteúdo => S - 11.03 P1 • • MINI STÉRIO DA FAZEN CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE .IULGAMINTO Processo o" 10680.015423/2007-51 Recurso n" 169.948 Voluntário . Acórdão n" 1803-00.402 — 3" Turma Especial Sessão de 19 de maio de 2010 \ Matéria Recorrente VIVIANE SANTOS CLASSIFICAÇÃO) DE PEDRAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas Exercícios: 2003 a 2005 Ementa: PAF Cl RCEAMENTO DO DIR14TO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA - Sem a precisa identificação do prejuízo ao livre exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, não há razão para se declarar a nulidade do processo administrativo, ausente a prova de violação aos princípios constitucionais que asseguram esse direito. MULTA ISOLADA POR FALTA DE R ECOLII1M ENTO DAS ESTIMATIVAS - A multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art 2" da Lei n° 9.430/96 não tem lugar quando aplicada após o encerramento do exercício, sendo apurado prejuízo ou base de cálculo negativa. Outrossim, descabe a concomitância da referida multa com a proporcional ao imposto devido, tendo ambas as se baseado nos mesmos fatos e valores, sob pena de se aplicar dupla penalidade sobre uma mesma iilfração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que negava provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. de_ Presidente Benedicto C- Is° e 'leio Járior — Relator E1)1TAN -EM: o I 9 ,U L áfi Pix.wesso n" 10680 01542:3/2007-51 SI -I.1103 Acórdão n.° 18013-00.402 H 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de .Moraes, Luciano Inocêncio dos Santo, Walter Adollb Maresch, Bcnedicto Celso Bcnicio Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes e Diniz Raposo e Silva.. Relatório O auto de infração de fls.. 3/5 exige o recolhimento de multa isolada, no montante de RS 133.222,89, por falta de pagamento de antecipação mensal por estimativa de .I.RPI (imposto de renda da pessoa .jurídica). O agente autuante, reportando-se ao teimo de veriticação fiscal de -lis, 6/8, atribui à autuada unia só infração, de cuja descrição adiante se faz síntese, segundo o que consta no lançamento: -FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRP1 SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA -- Falta de pagamento do "R.P..' incidente sobre a base de cálculo estimada com base na receita bruta e acréscimos. Período de apuração: anos-calendários de 2002, 2003 e 2004. láiquadramcnto legal: artigos 222 e 843 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda 1999 RIR 1999; artigo 44, 1, inciso IV, da Lei n' 9.430, de 1996, alterado pelo artigo 14 da Medida .Provisória. n" 351, de 2007; artigo 106, inciso TI, alínea "c", da Lei n" 5.172, de 1966.. No citado termo de verificação fiscal, o autuante apresenta a motivação do lançamento.. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo: -A ação fiscal teve início em 08/01/07, com a intimação para apresentação de livros e documentos da escrituração contábil e fiscal, por meio do termo de início de ação fiscal, cuja ciência, pelo sujeito passivo, deu-se na pessoa da proprietária Vivianne Albeaino Santos, cm sua residência, pois a empresa já não funcionava no endereço cadastral, em decorrência da "Operação Carbono" O imóvel era alugado e está sendo utilizado pelo seu proprietário como escritório de advocacia, confOrmc declaração tomada a termo; - Em resposta. ao termo de início, foram apresentadas cópias dos atos constitutivos da empresa e inlbrmado que era impossível entregar os documentos solicitados, .pois eles haviam sido apreendidos por ocasião da "Operação Carbono", deflagrada. pela Polícia Federal em .10/02/06, na sede da empresa e no escritório do contador Mateus Ribeiro da Silva, conforme cópia do auto de apreensão apresentado pela fiscalizada; -Tais documentos Coram apreendidos pelo Departamento da Policia Federal (e posteriormente repassados à .1UB), em cumprimento de mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal, e estariam relacionados com o comércio ilegal de diamantes, o qual consiste na. exportação, para a Bélgica e para os Emnados Árabes Unidos, de pedras supostamente oriundas da extração em garimpos ilegais nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil e até mesmo de lavras situadas em regiões de conflito armado no continente africano; - Pelo exame dos livros e documentos apreendidos, constatamos que a. empresa possui diário, razão e balancete dos anos sob ação fiscal, embora o diário não se encontre autenticado na Junta Comercial; '2'24\ Proce9;so n" 10680 015/123/2007- 1 si-1 li:03 Ac.úrdão n " 1803-00 Fil. 3 - Nos anos-calendários sob exame, a fiscalizada, optou pelo regime do lucro real, com. apuração anual do IRPI, de modo que era necessário apurar e recolher estimativas mensais de TIZIU e CSIJ,; - A determinação e o calculo da estimativa mensal estão dispostos nos artigos 2" e 30 da lei u" 9.430, de 1996, e no artigo .35 da lei n" 8.981, de 1995; - Nas DIPJ 's relativas aos anos-calendários de 2002, 2003 e 2004, consta opção pela determinação da estimativa mensal com base na receita bruta e acréscimos. Apesar de lerem sido auferidas receitas, Os valores declarados estão zelados, em todos os meses de todos os anos, tanto para o IRPI quanto para a CSLL; - l'oi apurada a receita bruta e os acréscimos auferidos, com base na escrituração do contribuinte. Então, aplicando-se o coeficiente de 8% da receita bruta e adicionando-se os a.crésci mos, foi encontrada a base de cálculo contabilizada.; - Eretuou-se a adição das receitas omitidas, decoirentes de pagamentos não contabilizados à empresa lezzini Minerais PreCiasos Ltda., conforme descrito adiante, Então, encontrou-se a base de cálculo da estimativa mensal do IRP.1, conforme determina o artigo 20 da Lei n" 9.430, de 1996. Calculou-se, em seguida, o IRP.1 e o adicional para encontrar a base de cálculo da multa; - Aplicou-se a multa de 50% sobre a estimativa mensal não recolhida, nos termos do artigo 18 da Medida Provisória n' 303, de 29 de junho de .2006, que alterou a alínea "b" cio inciso 11, do artigo 44 da Lei n" 9.430, de 1996; A autuada foi notificada do lançamento, por meio de seu procurador, em 10/10/07. Em 09/1 .1/07, apresentou a. impugnação juntada às fls. 92 a 117. Resumem o seu conteúdo os enunciados seguintes: - Ustá sendo exigido .1.R.P.1 (fls. 4 a 7, processo n' 10680.015404/2007-24), PIS (fls. 8 e 9, processo n° 10680.015404/2007-24), COFINS (fls. 10 el 1, processo 10680.01.5404/2007-24), CSLL (fis. 12 a 15, processo n' 10680.015404/2007-24), IRRF (fls. 16 a 19, processo IV .10680.01.5404/2007-24), IOF (processo n°10680 015422/2007-14), multa. isolada sobre o IRPI (processo tr") 10680.015423/2007-51) e multa isolada sobre a CSI.,1, (processo n" 10680015421/2007-61); - .No auto de inflação de PIS, no campo destinado à descrição dos fatos e do enquadramento legal (fls. 9), o autuante diz, que descrição dos //nos que originaram o presente auto e os respectivos enquadramentos legais encontram-se em . folhas de continuação anevas" Contudo, na cópia fornecida pela repartição competente, não constam a descrição dos fatos, os enquadramentos legais, nem as alegadas folhas de continuação anexas, o que resulta em impossibilidade de a impugnante apreciar o feito e contestar a exigência. O mesmo cabe dizer em relação ao auto de infração de COFINS; - Apesar de às fls. 16 a 19 do processo 10680.0.15404/2007-24 se apresentarem cálculos referentes à cobrança d.e IR1.Z.F, o auto de infração respectivo não consta do processo cujas cópias foram fornecidas à impugnante. Tal como sucedeu com a exigência relativa à ('()FINS e ao PIS, a fiscalização não esclareceu as razões de exigir IRRI' sobre pagamentos a beneficiários não identificados, conseqüência óbvia da falta do auto de infração; - No tocante ao auto de infração de 1R.RF, a própria fiscalização, em seu teimo de verificação fiscal (fls. 26 do processo .10680.015422/2007-14), reconhece que a Pj pia Federal apieendeu toda a d.ocurnentação constante dos arquivos da impugnante e pos -1:iminente a transferiu para a Receita Federal. Essa documentação não fbi devolvida à Processo n" 1000.0 I 542. V2007-51 ti 1-1E03 Acúakio ri" 1.803-00402 F1 4 impugnante, apesar de constar, como de praxe e rotina, nos termos de encerramento de ação fiscal, (inc a documentação examinada fora devolvida, ao contribuinte. A fiscalização não pesquisou a data de restituição dos valores mutuados e nem a autuada pode porque toda a documentação continua retida na Receita. Federal; - Levando em conta que todos os autos de infração :foram gerados em urna única operação fiscal e todos os lançamentos decorrem daquele relativo tio IRPI, a impugnação, visando a facilitar o exame da matéria como um todo, é elaborada em peça única, a ser aplicada e integrada a todos Os processos individuais; - À iinpugnante fbi interposta barreira que não só dificulta a defesa, mas a impossibilita. Não obstante constar no termo de encerramento que a fiscalização devolveu todos os livros e documentos, a impugnante não recebeu nenhum dos documentos que lhe foram apreendidos pela Policia Federal e depois transferidos para a Receita Federal, como esti confirmado pela própria fiscalização no termo de verificação fiscal; - A tentativa feita pela impul_2,nante de obter de volta a documentação para que exercesse seu direito de defesa frustrou-se, porque o Judiciário lhe deu resposta negativa; - A impugnante está impedida de exercer seu direito de defesa, pois lhe ó vedado buscar as explicações em seu próprio património, constituído de sua documentação comercial e fiscal, explicações que se transformariam em comprovações quanto à impropriedade do auto de infração; - Percorrendo as páginas dos processos, saltam aos olhos inúmeras irregularidades, insanáveis do ponto de vista da defesa da innyugnante: estão ausentes as fls. 2 e 10 do termo de verificação fiscal relativo ao processo 1060.015404/2007-24; -Basta pinçar alguns exemplos do processo para constatar a inconsistência da ação fiscal.. Não se perquire sobre a -utilidade para fins do lançam.ento fiscal --- da inclusão no processo de dezenas de páginas de jornais que estão alimentando polêmicas em tomo do assunto di.amante; - Às fls. 191 a 197 encontram-se cópias de notas fiscais e faturas emitidas pela ,Sólida C'onstruções e Edilicaçães Ltda., em janeiro, fevereiro e março de 2004, referentes a serviços prestados à impugnante. A fiscalização intimou a empresa a comprovar a prestação dos serviços, o recebiniento dos valores e os registros contábeis relativos (fls. 200) A empresa respondeu que não mantinha relações comerciais com a impugnant e (11s.. 201). A fiscalização solicitou então a apresentação dos blocos de notas fiscais emitidos no periodo„ A empresa respondeu oferecendo cópia da documentação de julho de 2006 a abril de 2007, e solicitando á "Receita Fedei ai (devido a extravio), cópias das .Notas Fiscais emitida .s contra a empr(m Viviane 8anto..s. (1.1a.s.sificação de Pedia Ltda. CIVR1 65.148.207/0001-53, paia poderino. ii?lormar ou não ,se as mesmas são auténticyis" (fis. 240); - Luiza Salvador de Morais Santiago, responsável pela declaração da Sólida, foi intiinada a apresentar seus livros. Ela respondeu que confirmava estar a documentação extraviada, O que inclui todo o pei-iodo de sua vida até .junho de 2006, e insiste em ter cópias das notas fiscais emitidas contra a im.prignante para as examinar. Ela compateceu à Receita Federal e, :mediante termo, declarou que a empresa não tem documentos dos anos de 2004 e 2005, com também não possuía máquinas que pudessem executar os serviços indicados nas notas fiscais; - Apesar de a empresa declarar não poder conipi ovar o solicitado pela repartição, unia vez que sua documentação se achava extraviada, e não obstante a existência de documentário por ela emitida, a fiscalização decidiu que aquele desprovido de documentação Nocesso n" 0650 O! 5423/2001-1 S 1-U10 Acórdão ti." 1803-00.402 Fl 5 merece maior Cl edibilidade que a impugnante e, ssim, considerou que o serviço não foi executado; - Às fis, 210, encontra-se a nota fiscal n" 0038, emitida pela lemuirti Alinet ais Preciosos Ltd(r, no valor de R$ .370,000,00, em 28/07/04. Intimada pela fiscalização, a empresa encaminhou a documentação solicitada (fls.. 222), alegando que o valor de R$ 370.000,00 foi recebido da impugnante, confOrme fls. 3/4 do extrato bancário fornecido; - Efetivamente constam do extrato n$ 370..000,00, mas esse valor nada tem que ver com a referida nota fiscal. Primeira.mente, porque a nota fiscal é de 28..07,2004, enquanto a movimentação bancária é de 14/07/04. Não se pode acreditar que a impugnante pagasse o valor duma nota fiscal que seria emitida catorze dias depois.. Pergunta-se corno vendedor e comprador saberiam que viriam a negociar um lote de diamantes no exato valor de R$ 370.000,00 meio mês mais tarde; - Mais importante ainda é que no extrato apresentado o histórico "transf. ag..dinh. Viviane Santos C. Pedras" está estornado no mesmo dia. É evidente o engano existe.nte na conta corrente da empresa lezzini, porque a impugnante não mantinha conta corrente no aradesco, naquela época, e, portanto, não poderia fazer transferência entre agências como consta do histórico; - Além disso, às fls. 230 acha-se cópia do diário da Jezzini, onde se pode ler, no dia exato da nota fiscal n" 0038, de 28/07/04, o registro da venda, mas não se encontra o registro do recebimento, 'Deveria haver tal registro, pois no mesmo diário e dia encontra-se venda relativa à nota fiscal n"0039 e o respectivo pagamento no valor de R$ 120.000,00 (11s. 229). A fiscalização, apesar de toda a comprovação em contrário, considerou que a impugnante teria recebido o valor e o não consignado em sua contabilidade; - No momento, a impugnante somente pode evidenciar essas impropriedades por meio do exame do auto de infração e de seus anexos, urna vez que não tem acesso a sua. própria documentação. Seguramente, se a tivesse disponível, poderia elidir todas as acusações feitas, de forma improcedente, pela fiscalização; - Contesta-se, com veemência, a pretensão da fiscalização de glosar custos, sob a presunção de inidoneidade das notas fiscais de aquisição; - Protesta-se, com a mesma veemência, contra a aplicação da multa isolada sob a alegação de insuficiência na. base de cálculo do IRP.T e da CSI.,1; por estimativa. As pretensos diferenças foram geradas pelo ato fiscal de glosar despesas e de .considerar valores não pagos como receitas omitidas, O que evidentemente, é incabível, além de constituir bis in idem, uma vez que a glosa de custos ,já teria sido gravada com multa; - É descabido ainda, aplicar nrulta agravada sobre parcelas de custos glosadas e, ainda mais, considerar os valores glosados como pagamentos a beneficiários não identificados, sujeitos ao [RIU em bases ajustadas; \i(%- Ao final, a glosa de custos de aquisição de mercadorias levou ao paradoxo mde que a impugnante conseguiu vendei que não são de sua produção, sem que antes as tivesse adquirido, mercadorias, diga-se de passagem, vendidas sob intensa vigilância, fiscalização e controle dos órgãos federais, um dos quais é . a própria Receita Federal; - O cerceamento de defesa, no caso, é de clarividência solar.. Nenhuma oportunidade de defesa fbi dada à empresa de se defender adequadamente desde a Operação Carbono. A magnitud.e dessa arrasadora operação pode ser medida pelos danos irreparáveis causados à empresa, que de um momento para outro se viu despojada de seus bens, valores, Processo n" 10680 01512 V2007-5 1--1-Eo".3 Aárrao n." 1803-00402 16 _ equiparn.e.n.tos, livros e documentos :fiscais, saldos bancários e infOrmações constantes de seus arquivos de back-tp que se encontravam nos com.putadotes apreendidos e também nos computadores do seu contador, () episódio equivale a uni tsunarni. A empresa está aniquilada paia sempre-, - Em mandado de segurança impetrado perante o Fribunal Regional Federal da Primeira Região, com o propósito de conseguir a liberação da docurne.n.tação fiscal e bens do seu estoque regular,ilbram expostos fatos e fundamentos que se relacionam com a presente autuação e que se seguem; - A impetrante vem operando ha vários anos na exportação de diamantes com absoluta regularidade fiscal e está regularmente inscrita perante as repartiçõesfirscais de todos os três níveis de governo; - No exercício de suas atividades, yen] cumprindo religiosamente todas as obrigações tributárias e suas operações -pelo critério da rigorosa legalidade, de maneira que não havia motivos para sua in.clusão entre os alvos da Operação Carbono; - A Obtenção do Certificado Kimberley do Departamento Nacional de Produção Mineral DNPM -- do .Ministério das Minas e Energia passa obrigatoriamente pela fiel observai:leia da legislação discriminada na iinpugnaçã.o. Sendo assim, todas as exportações de diamantes realizadas pela empresa deste a instituição do Certificado Kimberley, por meio da Lei n" 10 743, de 0(..)10.2003, 'foram regalares; - FM todas as exportações realizadas pela impetrante tóram cumpridos OS mandamentos legais, de maneira que não houve urna só exportação clandestina; -Nunca houve da parte da impetrante o menor interesse na expoitação ilegal de diamantes. Primeiramente, poi que os ganhos obtidos coni a exportação regular de diamantes para importadores europeus sempre foram considerados suficientes, Em segundo lugar, porque a administradora da impeli ante sempre palitou sua vida pela honestidade e legalidade, e logrou ótimo conceito comercial no exterior pela seriedade de suas transações e pela competência (:.lemonstra.da ao lon.go de anos na classificação de avaliação de diamantes, além de ser considerada no Brasil e no exterior uma autoridade na classificação de diamantes, qualidade que nem os graduados em geologia têm; A situação da impetrante perante a Receita Federal só não está totalmente regularizada porque ela ficou impedida de funcionar a partir de 10/02/06, em virtude da Operação Carbono. Ficc.ru impossibilitada, também, de apresentar declarações de rendimentos dos exercícios de 2006 e 2007; -Não existem débitos inscritos em divida ativa nem -processo instaurado com base em autuação fiscal 1 txistenr débitos que estão sendo pagos por meio de parcelamento, os quais foram apurados pela própria impetrante ao rever suas declarações de rendimentos anteriores ao exercício de 2005; -Com. vistas à compiovação de que nada deve ao .Frário Federal, ressalvados os débitos confessados espontaneamente, e firme na convicção de que não incorreu em. nenhuma infração no desempenho de suas atividades, a impetrante requereu certidões à Receita Federal e ao Banco Central; - Como prova de suas afirmações, a impetrante instrui. o pedido com cópias de alguns dos processos de exportação, salientando que enfrentou imensas dificuldades para. obter as cópias, em virtude da apreensão de todos os seus documentos. `Lambem apresenta os documentos que obteve, coiri as mesmas dificuldades, da Receita Federal, da Justiça Federal e Processo 10680 015423/2007-51 SI-1 E03 A cói dSí n 1803 -0W402 ii 7 da empresa cledenciada como despachante, em franca demonstração de que empresa é séria e com prom etida com a legalidade: - Já se passaram 21 meses desde a apreensão Pedidos de restituição foram feitos e indeferidos pela Justiça Fedeial. O cerceamento de defesa é gritante, violento, desumano, injuddico, inconstitucional, ilegal, intolerável. Por esse motivo, as autuações fiscais padecem do vicio insanável de nulidade pelo cerceamento de defesa: - Considerando: a) que a fiscalização extrapola ao cobrar multa isolada calculada sobre o valor tomado como reajuste do IRP:f e da CS Li originado na glosa dos custos de aquisição; b) que as vendas de mercadorias feitas pela impugnante são examinadas e fiscalizadas pelo DNPM e pela Receita Federal, que atestam a sua ocorrência; c) que a impugnante não é empresa mineradora, mas compra suas mercadorias no mercado; d) que a glosa de custos de mercadorias conduz ao paradoxo de que seja possível vender produto que não tenha sido compiado; e) e tudo mais que consta dos autos; a impugnante protesta pela nulidade do processo, -uma vez que não lhe é facultado o amplo direito de defesa. Protesta mais pela fbt ma como foi têita a apuração fiscal e determinadas as bases de calculo dos tributos A impugnante requer que o processo seja declarado nulo, por infringir os preceitos constitucionais da ampla defesa, consubstanciado no Código Tributário Nacional e em normas reguladoras do processo administrativo fiscal, uma vez que lhe Cotam negadas as condições mínimas indispensáveis para que pudesse contrapor-se à exigência fiscal Ao analisar os argumentos apresentados na citada impugnação, a .3" TURMA - DR1 EM BELO HORIZONTE, — MG .julgou inteiramente procedente o lançamento, ementando sua decisão nos seguintes termos: "ASSUNTO. iMPOSIO SOBRE A RENDA .DE PESSOA JURÍDICA - Ano-calendário 2002, 2003, 2005 MULTA ISOLADA - FALTA OU INSUFICIENCIA DO RECOLIIIMENTO DEVIDO POR EsTwArn7/1 Verificada, após o término do ano-calendário, a là ha ou insnficiència do recolhimento devido pai estimativa, o contribuinte sujeita-se ao lançamento de oficio de multa isolada sobre os valores não recolhidos 0A4LS',Sli0 DE RECEITA - PA GA MENIO N.O CONTA B LIZADO Tmlbuta-se corno ornis,siio de receita o valor dos pagamentos eomprovadarnerne efetuados mas que não foram escriturados pela pessoa jurídica pagadora. ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano- calendário- 2002, 2003, 2004 CERCEAMENTO DE DEFESA — CARACIERIZA(ÃO Somente cabe declamar a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, se ficar comprovado que o pleno exercício do direito de Mesa pelo sujeito passivo tiver sido tolhido em virtude de aio da autoridade administrativa" Processo n" 10680 015423/2007-51 SI-! If:0.3 Aein dão n " 1803-00..402 PI. 8 Cientificado do acórdão, o contribuinte apresentou recurso a este conselho, aduzindo, em suma, argumentos símiles aos ventilados na peça impugnatória, focados no pretenso cerceamento de defesa incorrido. E o relatório do essencial Voto Conselheiro Benedicto Celso Beincio Júnior, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço, (.1) Do cercumiento dc cieftsa e da aventada nulidade do ti abalho Em sede preliminai, o contribuinte argumenta ter sido vítima de cerceamento de defesa, em virtude do fato de seus livros e documentos contabil-fiscais terem sido apreendidos, preteritamente, pela Policia Federal do Brasil, no âmbito da assim denominada "Operação Carbono". Neste sentido, argumenta que a indisponibilidade de tal documentação teria tomado impossível, à autuada, identificar elementos capazes de demonstrar a irrealidade da autuação debatida, em afronta aos princípios processuais constitucionais cabíveis. Nada mais incorreto, em meu ver. No que pertine ao objeto especifico do presente processo - identificado, exclusivamente, com a imposição de multa isolada, derivada do não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ dos anos-calendários de 2002 a 2004 - é de taci] constatação a inviabilidade da tese da recorrente É verdade que a limitação ao direito de defesa do contribuinte importa, em principio, na potencial nulidade do trabalho lazendario, nos termos do artil,,o 59 do "Decreto .n" 70.235/72 Para que tais atos sejam preteridos, no entanto, é essencial, na forma do artigo 60 do mesmo diploma, que deles tenha redundado eletivo prejuízo ao sujeito passivo, não sanado a tempo e a contento. 'Pai entendimento se encontra consagrado na ,jurisprudência deste Conselho: - ('Elk.TAMEN10 DO DIREITO DE 1 )EPES/1- 1NOCORRÊNCIA - ,S'etn a precisa identificação do politizo ao livre exercício do direito ao contraditório e da ampla de/es. não há razão para se declarar a nulidade do piocesso administrativo. ausente a prova de violação aos princípios constitucionais que asseguram esse direito (Ac I" CC— 104-23.028/08r "21,7T/LIIM.DE C'ER(.I.7A11.4E1117'0 DO DIREITO IJE DEFESA - So há nulidade do lançamento por preterição de eito de &lesa quando reste efe tivamenle demonstrado pelo contribuinte 0 prejuízo que 1201.Vellitil lhe tenha sido causado Assim, ao contes/ar O mérito, o contribuinte demonsti a conhecer todos os falas relativos ao lançamento, O que está a indicar, pelo contrário, (JUL' teve ampla possibilidade de defender-se das infrações a ele imputadas e que 05 Jatos alegados não lhe troin:crain 121quízos na defesa (Ac 1"CC 104-23 274100" Proceso n' 10680 015423/2001-51 si-1" F.03 Acórdão ri " 1.803-011.402 -VI 9 No caso, restou evidente que o contribuinte irão sofreu nenhum prejuízo. A inacessibilidade de seus livros e documentos, apreendidos por determinação do Poder Judiciário, não influiu, em nada, na análise da presente autuação, já que a falta de pagamento de estimativas mensais pretéritas — cerne das multas isoladas em discussão - encontra amparo na simples análise das DIPT -s entranhadas aos autos Nesse cenário, não custa repisar que a receita bruta original, empregada. pelo autuante, tem, em sua totalidade, substrato nas declarações entregues pelo próprio contribuinte, integralmente .juntadas aos autos, As demais receitas adicionadas, derivadas de pagamentos não contabilizados à •ezzlni Minerais Preciosos Lida , também se encontram, por sua vez, esgotadamente discriminadas pelo ter no de verificação fiscal de lis. 06/07, com lidero nos documentos instrutórios que seguem nos autos. Levando-se em conta a completa instrução das diligências fazendárias, e tendo-se em vista não ter. sido Obstado à recorrente o amplo acesso ao processo, sob as condições definidas em rei, não lrá que se falar em qualquer nulidade oriunda de cerceamento de defesa. Revestida de validade, pois, é a. peça acusatória em estudo, remanescendo em aberto apenas a análise de sua correção substancial. (.2) Da cominação de multas isoladas decorrentes de não recolhimento de estimativas mensais-. No respeitante ao m.érito, vale a pena iterar que os presentes autos cuidam, somente, da aplicação de multa isolada, originada do não recolhimento, pelo contribuinte, das estimativas mensais de IRP,I devidas nos anos-calendário de 200.2 a 2004. Todas as demais matérias agitadas pela recorrente devem, pois, ser sumariamente relevadas, por serem estranhas ao pleito., Conforme sedimentada exegese deste colegiada o regime de estimativas representa mero mecanismo legal de adiantamento dos tributos. Noutras palavras, a quitação, mês a mês, de valor estimado, calculado sobre as receitas brutas parciais, configura simples adiantamento de pecúnia, em prol do Fisco, impassível de confusão com o definitivo recolhimento das exações. Os montantes de IRP.I efetivamente devidos, assim, só são consolidados, complexivamente, ao fim do período de apuração.. Deles se pode deduzir, por óbvio, os valores estimados pagos, na forma garantida pela legislação. Em face dessas ilações, e cristalino o entendimento de que, uma vez findo o ano-base, não há mais razão para se cogitar do recolhimento das estimativas Estas, noutras palavras, tão-logo se apure o lucro real ou o prejuízo fiscal definitivo, perdem seu objeto, restando inócuas as obrigações referentes ao seu pagamento. Não obstante isso, entendo válida, mesmo depois de depois de findo o ano- calendário coa dato, a cominação da multa isolada derivada do não recolhimento das estimativas mensais. Uste posicionamento, todavia., deve ser excetuado sempre que o contribuinte, ao final do ano-calendário, apure prejuízo fiscal, com n o conseqüente saldo negativo de imposto a recolher. Neste diapasão viceja a . jui isprudência deste Conselho, conlbrine ementas abaixo reproduzidas: "JIA/LIA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIA/lb:NT° DAS ESTIA/IATIVAS - A multa isolada por . fillta de recolhimento da estimativa de que trata o art. 2" da Lei n" 9..430/96 não tem lugar quando aplicada após o . 1;rí Processo n" 106W 015123/2007-51 S1-1 E03 Acórdi.io n " 1803-00.402 11 10 enceri (Inierli0 (10 1!Xel CICIO, sendo apurado pi (juizo ou base de cálculo negativa Outrossim, descabe a concomitância da refivida multa com a pi oporcional ao imposto devido, tendo ambas as multas se baseado nos mesmos latas, sob pena de aplicar-se dupla penalidade sobre uma mesma infração, (Ac. 1° CC -- 107-09 191/07/' "IRRI e CSLL - Ia hROCIO FISCAL DE 2004 - RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - MULTA ISOLADA - Confoi me pt ceedernes desta E Canora (e g., Recurso 124 946), a evigência da multa de lançamento de oficio isolada, sobre diftrenças de IRPJ e CSEL não recolhidos mensalmente, somente faz sentido se operada no curso do próprio ano-calendário ou, se após o Seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menoi) residia! prejuízo 00 fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado O ano-calendatio, de ti ibuto devido Inalai do que o recolhido pol. estimativa. (Ac 1" C(11' — /03-23356/05)" l iSta hipótese excepcional corresponde, exatamente, à situação em apreço A recorrente contabilizou, de fato, nos anos-calendários de 2002 a 2004, prej uízos sca is consideráveis, nos termos das fichas das DIPJ 's postas às Ils. 55, 64 e 86 Ainda que ditos resultados negativos tenham sido glosados pela li azenda, âmbito dos trabalhos fiscais que ensejaram autuações de IR PJ (processo IV 10680 015404/2007-24), PIS (processo n`-' 10680.015404/2007-24), COF1NS (processo n" 10680.015404/2007-24), CS -LL (processo n°10680015404/2007-24), IRRF (processo n" 10680.015404/2007-24) e IOF (processo n" 10680.015422/2007-14), não se pode admiti] a manutenção da multa isolada em tela, vez que esta espécie de penalidade não pode coexistir com as multas de oficio, impostas em autos innacionais, em tespeito à proibição do bis in idem. Tal interpretação também já foi objeto de cediça deliberação do CARI, consoante o ilustrativo precedente adiante copiado: "Aí U1,7.'A DE 01 ,k 70 ISOLADA - EA HA DE RE(.'01,1 II4'IEN10 - PA G /1 ME 1V10 P01? ESTIMAll VA - CVIVCVMITÂNCIA - Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece o quindim] do tributo efetivamente devido (mui ado no ajuste A evigência concomitante da multa isolada e da multa de configura dupla incidência de penalidade sobre uma mesma infração. (Au I" CC - 108-09 735/087 Isto posto, DOU- PROVIMENTO ao recurso, para cancelar o auto de infração guerreado Benedicto Celso Benicio Júnior „ MINIS 11 RIO DA FAZENDA CONSEI,II0 ADMINISTRATIVO DF. ncuRsos FISCAIS 01.1./1 R1AC AMARA - PR IMEI R A SEÇÃO Plocess,o n" : I 0680 015423/2007-51 Acórdão n" : 1803-00.402 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Pioeuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciado no acOulão suma, nos termos do alt 81, 3, do anexo 11, do Regimento Interno do CAIU, apt ovado pela Portaria Minisk_sr ial ri." 256, de 22 de junho de 2009 -.133.astlia, 09 de julho de 2010 . isiiàrei alq'eUàf Seereiát ia da Caiu ata Ciência Data: / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encarninhamenio da PFN: "I apenas com ciência; .1 com Recurso Especial; 1 com F.nibaigos de Dedal ;Ação. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF Processo n° . 10680015423/2007-51 Interessado(a) VIVIANE SANTOS CLASSIFICAÇÃO DE PEDRAS LTDA. TERMO DE JUNTADA i a Seção Declaro que juntei aos autos original do acórdão n° 1803-00.402 (fls ), e codifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para ciência do acórdão. Em ASSINATURA
score : 1.0
Numero do processo: 13607.000240/2002-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1990
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
O prazo prescricional do pedido de restituição de indébito, quando efetuado antes de 9 de julho de 2005, é de 10 anos contados do fato gerador.Aplicação da Súmula Carf nº 91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Vinícius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1990 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional do pedido de restituição de indébito, quando efetuado antes de 9 de julho de 2005, é de 10 anos contados do fato gerador.Aplicação da Súmula Carf nº 91. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13607.000240/2002-05
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948044
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.655
nome_arquivo_s : Decisao_13607000240200205.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13607000240200205_5948044.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Vinícius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7570554
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419089567744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13607.000240/200205 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.655 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria FINSOCIAL COMPENSAÇÃO Recorrente CERÂMICA MARBETH LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1990 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional do pedido de restituição de indébito, quando efetuado antes de 9 de julho de 2005, é de 10 anos contados do fato gerador.Aplicação da Súmula Carf nº 91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Vinícius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 00 02 40 /2 00 2- 05 Fl. 219DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos da Contribuição para o Finsocial, no valor de R$ 57.452,85, combinado com pedido de compensação de débitos de Cofins. Instruem o processo o pedido de restituição de fl. 3, referente ao período de setembro de 1989 a dezembro de 1990, o pedido de compensação de fl. 4, a planilha de apuração de créditos de fl. 8 e os Darfs de fls. 9/21. Em função de adesão ao PAES, os débitos objeto do pedido foram incluídos naquele programa, remanescendo apenas o pedido de restituição. A DRF de Contagem/MG, por meio do despacho decisório de fls. 162/165, indeferiu a solicitação da contribuinte, em razão de ter sido ultrapassado o prazo legal para o pedido, considerando as datas de recolhimento. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 174/179, alegando que o prazo, no caso, deve ser contado a partir da MP nº 1.110, de 31/08/1995, ato em que o Poder Executivo reconheceu “o caráter indevido do recolhimento do Finsocial a alíquota superior a 0,5%”. E mais, em se tratando de pedido protocolado em 08/04/2002 – antes portanto da Lei Complementar nº 118/2005 –, a ele se aplica a tese dos “cinco mais cinco”. Citou a jurisprudência do STF a respeito do prazo, requerendo o acolhimento de sua manifestação. A 4ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão 1465.418, de 20/04/2017, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1990 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. O pedido administrativo de restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, protocolado até 08/06/2005, alcança os indébitos relativos aos fatos geradores dos dez anos anteriores à solicitação. O prazo reconhecido pela decisão é de 10 anos do fato gerador, mas mesmo assim, alcançando todos os indébitos peticionados. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13607.000240/200205 Acórdão n.º 3201004.655 S3C2T1 Fl. 3 3 No Recurso Voluntário, a empresa reforça sua tese de que o termo inicial da contagem do prazo prescricional deveria ser a data da publicação da MP 1.110, de 31/08/1995, que reconheceu a inconstitucionalidade do recolhimento de Finsocial a alíquotas maiores de 0,5%. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O pedido administrativo de restituição, formulado antes de 09/06/2005, tem prazo prescricional de 10 anos, conforme Súmula Carf nº 91: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. As súmulas Carf são vinculantes para suas Turmas, nos termos do artigo 72 do regimento interno. Assim, considerando as datas dos fatos geradores, 09/89 a 12/90 (fl. 8), o pedido, em 08/04/2002 (fl. 3), foi intempestivo, posto que ultrapassado o prazo prescricional. Pelo exposto,voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002767/2006-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2003
PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o autor de transferências bancárias no exterior, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo.
DECADÊNCIA.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
JUROS DE MORA.
Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC, sendo cabível sua utilização, por expressa disposição legal. Súmula CARF nº4.
Numero da decisão: 2402-006.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2003 PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o autor de transferências bancárias no exterior, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. JUROS DE MORA. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC, sendo cabível sua utilização, por expressa disposição legal. Súmula CARF nº4.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.002767/2006-03
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5957483
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-006.874
nome_arquivo_s : Decisao_19515002767200603.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : GREGORIO RECHMANN JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19515002767200603_5957483.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7589701
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419133607936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 496 1 495 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002767/200603 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.874 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2019 Matéria IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Recorrente ISMAR ARLINDO GRECHI ROMANI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2003 PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o autor de transferências bancárias no exterior, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. JUROS DE MORA. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sendo cabível sua utilização, por expressa disposição legal. Súmula CARF nº4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 67 /2 00 6- 03 Fl. 496DF CARF MF Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2402006.874 S2C4T2 Fl. 497 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 9ª Tuma da DRJ/SPOII, consubstanciada no Acórdão nº 1729.024 (fls. 309), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do Acórdão de Recurso Voluntário de fls. 402, temse que: Contra ISMAR ARLINDO GRECHI ROMANI foi lavrado Auto de Infração, fls. 214/220, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2001 e 2003, exercícios 2002 e 2004, no valor total de R$ 683.854,88, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 205/210, foi acréscimo patrimonial a descoberto, nos meses de outubro e dezembro de 2001, junho a outubro de 2003 e dezembro de 2003, caracterizado por excesso de aplicações sobre origens, em decorrência de remessas realizadas para o exterior em dólares. No que tange à movimentação de recursos no exterior há de se esclarecer que os fatos trazidos aos autos foram apurados durante as investigações do “Caso Banestado”, momento em que se identificou a empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 225/237, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, por unanimidade de Fl. 497DF CARF MF Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2402006.874 S2C4T2 Fl. 498 3 votos, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1729.024, de 02/12/2008, fls. 247/261. Cientificado da decisão de primeira instância, em 23/01/2009, fls. 268, o contribuinte apresentou, em 20/02/2009, recurso voluntário, fls. 270/298, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Da ilegitimidade passiva – O recorrente não é titular da disponibilidade dos rendimentos aplicados no MTB Hudson, supostamente provenientes do Citibank, razão pela qual não poderão tais valores ser considerados como dispêndios seus. O recorrente sempre foi correntista do Banco Bradesco, única instituição financeira com a qual trabalhou e, por consequência, jamais poderia ter remetido recursos ao MTB Hudson Bank via Citibank. Para corroborar tal fato requereuse na impugnação a intimação do Citibank para declarar se o recorrente está ou esteve na condição de correntista da referida instituição financeira, contudo, a autoridade julgadora de primeira instância indeferiu o pedido. A simples menção do nome do recorrente não constitui prova para que seja considerado o titular dos recursos, sobretudo porque a conta movimentada não lhe pertence. Da decadência do Direito de Constituir Crédito Tributário – O tributo exigido (IRPF) é sujeito ao lançamento por homologação e a constituição do crédito ocorreu em 06/12/2006. Logo, o fato gerador ocorrido no mês de outubro de 2001 foi lavrado após o término do lapso temporal da decadência. Registrese que o fato gerador do IRPF ocorre mensalmente. Da exigência da Produção de Prova Negativa – O Auditor Fiscal exigiu do recorrente a produção de prova negativa. Tal prova é praticamente impossível, pois, não bastasse o sigilo bancário, fiscal e de informações, notadamente no exterior, não há meios jurídicos para que se comprove a “não prática” de determinado ato. Somese a isso o indeferimento do pedido do recorrente para que o Citibank fosse intimado. Utilização indevida de presunções – A fiscalização presumiu que o recorrente teria omitido rendimentos, pois entendeu que recursos utilizados para realização de créditos efetuados na conta do MTB Hudson Bank seriam de sua titularidade. É evidente que não restou comprovado, por meio das provas admitidas em Direito, que o recorrente é titular de quaisquer contas ou valores existentes no exterior e de que houve créditos por conta e ordem do recorrente, passíveis de serem tributados nos termos da legislação pátria. Da Prova no Direito Tributário – Ainda que se admita que os recursos remetidos para o exterior fossem de titularidade do recorrente, não foi comprovado pela Fisco quais são os valores movimentados, com apresentação dos extratos bancários ou Fl. 498DF CARF MF Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2402006.874 S2C4T2 Fl. 499 4 documentos equivalentes, tampouco a sua natureza, de modo que jamais poderia ser admitida a inclusão de tais valores no fluxo de caixa mensal do recorrente. A Auditora Fiscal juntou aos autos apenas planilhas elaboradas pela própria Receita Federal, com informações obtidas de suposta mídia eletrônica fornecida pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque. Não consta dos autos a transcrição da mídia eletrônica que foi realizada pelos peritos criminais, há apenas um relatório que nada diz quanto ao recorrente. Não existe nos autos a fonte da qual a RFB extraiu as supostas informações que deram lastro ao relatório gerado pelo sistema eletrônico do Fisco. Não basta ao Fisco apenas supor a existência de omissão de rendimentos, mas sim provala. No caso em questão sequer foi juntado aos autos o extrato bancário que revela os alegados depósitos, bem como não foi juntada a transcrição da mídia pelos peritos criminais. Além disso, não se pode equiparar as supostas transferências financeiras a depósitos bancários não comprovados. Há que se comprovar, mediante aprofundamento da investigação fiscal, que essa transferência financeira configurou acréscimo patrimonial do contribuinte. Da taxa Selic – Considerandose a natureza remuneratória da taxa Selic, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não há que se admitir a sua utilização com a natureza de juros Selic. A DRJ julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 17 29.024 (fls. 309), cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2003 PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o autor de transferências bancárias no exterior, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. O prazo para o Fisco efetuar o lançamento do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos pelas pessoas físicas é de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2402006.874 S2C4T2 Fl. 500 5 Restando comprovado nos autos o acréscimo patrimonial a descoberto cuja origem não tenha sido comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente. TAXA SELIC. São devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Lançamento Procedente Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 332, reiterando os termos da impugnação apresentada. Na sessão de julgamento realizada em 13/08/2014, os membros da d. 2ª Turma da 1ª Câmara deram provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 2102003.065 (fls. 402), conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2004 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010). Recurso Voluntário Provido Contra a referida decisão, a PGFN interpôs o competente recurso especial, o qual restou provido pela CSRF – Acórdão nº 9202006.260 (fls. 443), nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2004 REQUISITOS PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA CONTRA ACÓRDÃO QUE APLICOU SÚMULA. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Contra acórdão que aplicou entendimento de súmula é cabível recurso especial cujo objeto seja a discussão acerca da aplicabilidade do entendimento sumulado ao caso concreto. O recurso será admitido, desde que o paradigma, posterior à edição da súmula e tratando de situação similar à do recorrido, Fl. 500DF CARF MF Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2402006.874 S2C4T2 Fl. 501 6 deixe de aplicar o entendimento nela veiculado, justificando tal posicionamento. IRPF. SÚMULA CARF 67. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LANÇAMENTO DECORRENTE DE AMPLO PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO. Incabível a aplicação da Súmula CARF 67 aos lançamentos de APD quando restar comprovado por "Demonstrativo da Variação Patrimonial" e ainda por meio de outras provas a existência de incremento patrimonial do contribuinte. A parte dispositiva do referido acórdão recebeu a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais matérias constantes do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram analisados por ocasião do seu julgamento em agosto/2014, conforme Acórdão nº 2102003.065 (fls. 402). Conforme demonstrado no relatório supra, o presente processo retornou para este Colegiado em face da decisão da CSRF (Acórdão nº 9202006.260, fls. 443) que deu provimento ao apelo especial da Fazenda Nacional e determinou o retorno dos autos ao Colegiado a quo para análise das demais questões postas no Recurso Voluntário. Pois bem!! O contribuinte, reiterando os termos da impugnação apresentada, aduziu, em sua peça recursal, as seguintes matérias defensivas, em síntese: A) Ilegitimidade Passiva; B) Decadência; C) Da exigência da Produção de Prova Negativa D) Utilização indevida de presunções; E) Da Prova no Direito Tributário; e F) Da Taxa SELIC. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2402006.874 S2C4T2 Fl. 502 7 No que tange aos itens c), d) e e) supra, verificase que estes se tratam de alegações gerais que tangenciam o mérito do lançamento fiscal, estando englobados nas razões de decidir objeto do Acórdão 2102003.065 (fls. 402). Assim, passase à análise das demais matérias não apreciadas por ocasião do julgamento do recurso voluntário realizado em agosto/2014. Da Preliminar de Ilegitimidade Passiva Neste ponto, sustenta o Recorrente que não é titular da disponibilidade dos rendimentos aplicados no MTB Hudson, supostamente provenientes do Citibank, razão pela qual não poderão tais valores ser considerados como dispêndios seus. Prossegue afirmando que é e sempre foi correntista do Banco Bradesco, única instituição financeira com a qual trabalhou. Para demonstrar tal fato — de que jamais foi correntista do Citibank e, por consequência, jamais poderia ter remetido recursos ao MTB HUDSON BANK entrou em contato com essa Instituição, requerendo que declarasse se havia qualquer relacionamento entre eles, mas, como esperado, o Citibank recusouse a entregar qualquer declaração ao Recorrente. Como se vê, o contribuinte nega ter realizado as infrações tributárias tipificadas no presente Auto de Infração, ou seja, não assume ter efetuado as remessas para o exterior, calcando sua defesa numa alegação de que não foi ordenante das transações apontadas pela fiscalização, posto que nunca foi correntista do Citibank. Pede, ainda, que o banco seja intimado a trazer tal informação. Sobre a matéria, a DRJ pontuou que: Conforme documentos acostados ao processo, no decorrer das investigações de remessas monetárias para o exterior no conhecido "Caso Banestado", a empresa Beacon Hill Service Corporation (BHSC), sediada em Nova York, Estados Unidos da América, foi identificada como uma das maiores beneficiárias de recursos oriundos daquele banco brasileiro. Desse modo, no curso do inquérito instaurado, o Departamento de Polícia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de CuritibaPR a quebra do sigilo bancário no exterior da BHSC, após o que a Promotoria do Distrito de Nova York apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros da referida empresa. De posse dessa documentação, o Departamento de Polícia Federal emitiu Laudos Periciais a fim de trazer elementos de provas necessários a subsidiar os esclarecimentos dos fatos relativos às movimentações financeiras, sendo que os dados obtidos no afastamento de sigilo e na investigação criminal foram transferidos à Secretaria da Receita Federal mediante autorização judicial. Com base nesses elementos, evidenciouse que vários contribuintes brasileiros enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior, à revelia das autoridades monetárias e fiscais, Fl. 502DF CARF MF Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2402006.874 S2C4T2 Fl. 503 8 ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos, mediante a utilização de contas e subcontas mantidas, dentre outras, no MTB Hudson Bank, pela empresa Beacon Hill Service Corporation. No presente caso, têmse os extratos das operações os quais comprovam que o impugnante figurou como ordenante, conforme documentos de fls. 63 — verso, 64/98 verso e anverso, cujas informações foram obtidas a partir dos dados e arquivos eletrônicos disponibilizados à Secretaria da Receita Federal — SRF pela Justiça Federal, cuja autenticidade foi confirmada pelos Laudos de Exame EconômicoFinanceiro n° 1412/2005 (fls. 99/104), 196/2006 (fls. 105/109), 2171/2005 (fls. 110/115) e 1630/2005 (fls. 116/122), elaborados pelos Srs. Peritos Criminais Federais do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal. No item denominado "Anexos em Mídia Computacional" dos respectivos Laudos é esclarecido que as planilhas foram gravadas em um tipo de mídia óptica que permite a gravação permanente de informações sem a possibilidade de alterações posteriores, tendo sido procedida, inclusive, a uma autenticação eletrônica dos arquivos. Portanto, a mídia gravada e transcrita às fls. 63 — verso, 64/98 verso e anverso, representam fielmente as remessas de dólares americanos efetuadas pelo contribuinte, até pela impossibilidade de sua alteração, conforme salientado pelos Peritos Criminais Federais. Além disso, os mencionados Laudos são minuciosos em esclarecer todos os procedimentos de análise de que decorreram suas conclusões. Tanto assim que os Srs. Peritos tiveram o cuidado de oferecer, em vernáculo, o significado das expressões em língua estrangeira e dos códigos eletrônicos utilizados nas ordens de pagamento. Conquanto o contribuinte alegue que não é titular da conta no MTB Hudson Bank de NY, essa não é a verdade dos autos, uma vez que nas ordens de pagamento o seu nome consta expressamente no campo denominado "ordenante" de transações, todas mantidas junto ao MTB Hudson Bank, na conta n° 3982071688, denominada Abalone Investiments INC., no anocalendário 2003 (fl. 92anverso, 93anverso e 95verso), na conta n° 71685, denominada AZTECA, no anocalendário 2002 (fls. 85verso, e 86verso), na conta n° 030173019, denominada DIGITAL DERABOIX, nos anoscalendário 2002 e 2003 (fls. 83/84verso e anverso, 85/86anverso, 87/91verso e anverso, 92verso, 93verso, 94, 95anverso, 96/98), e na conta n° 030171954, denominada JAZZ, nos anos —calendário 2001 e 2002 (fls. 63verso, 64/82verso e anverso). Aditese que alguns dos citados documentos trazem, ainda, a indicação do endereço "Rua Leopoldo Couto Magalhães, 1400", conforme informado nas Declarações de Ajuste Anual de fls. 3/1 9 como bem pertencente ao contribuinte. Outro endereço que consta no Fl. 503DF CARF MF Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2402006.874 S2C4T2 Fl. 504 9 referido documento é o da Rua Mendes Caldeira, n° 245. Analisandose a Declaração de Bens 2002/2004, verificamos a indicação de um imóvel nesse mesmo endereço, mas em outro número. Ressaltese ainda que, considerando todas as cautelas que costumam cercar as operações dessa natureza, não há nenhum indício concreto que possa levar à conclusão de que alguém tivesse se enganado, consciente ou inconscientemente, quanto ao nome do contribuinte. Também não há indicação de que ele tenha tomado qualquer medida, seja perante a Polícia ou o Poder Judiciário, para verificar a suposta utilização indevida de seu nome nestas operações fraudulentas, providência que seria natural caso se sentisse realmente lesado. Assim, tendo em vista os fatos acima, e a absoluta e inconteste idoneidade dos dados constantes dos Laudos n° 1412/2005, 196/2006, 2171/2005 e 1630/2005 (fls. 99/122), elaborado por peritos do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal — que, por sua vez, procederam à análise de documentos e mídias eletrônicas encaminhados pelo Department of Homeland Security DHS, cujos dados não poderiam ter qualquer possibilidade de sofrer alterações posteriores , contendo anexos gravados em mídia que também não poderia ter sofrido alteração, não pode ser aceita a argumentação do contribuinte, caracterizada exclusivamente em uma suposta ausência de prova cabal e inconteste contra ele. Do exame dos autos, constatase que o impugnante está claramente identificado como o responsável pela movimentação financeira no exterior na qualidade de ordenante das transferências ao beneficiário final das transações descritas. Portanto, é de se indeferir seu pedido de intimar o CITIBANK para informar sobre a existência de conta corrente em seu nome. Não há reparos a serem feitos na decisão de piso!! De fato, o fato gerador atribuído ao contribuinte como acréscimo patrimonial restou caracterizado pela fiscalização em razão da remessa de valores pra contas bancárias de instituições financeiras localizadas no exterior. Tomouse como informações os dados compartilhados entre a Receita Federal do Brasil, a Polícia Federal e órgãos do Poder Judiciário em investigação que ficou conhecida como operação BANESTADO. Diante dos dados analisados pela fiscalização o APD foi assim apurado: Buscouse apurar eventual acréscimo patrimonial a descoberto correspondente ao excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. Para este fim, mensalmente, cotejouse todas as disponibilidades do fiscalizado (declaradas ou não) com as aquisições de patrimônio, os dispêndios efetuados e outras aplicações de recursos. Assim, analisouse a evolução patrimonial alicerçandoa nas informações recuperadas dos sistemas informatizados desta Secretaria e nas coletadas de fontes externas, especificamente, Fl. 504DF CARF MF Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2402006.874 S2C4T2 Fl. 505 10 das informações trazidas sobre a remessa de dólares para o exterior tendo como instituição financeira de origem CITIBANK e destinatária HUDSON BANK USA. Por fim, cabe esclarecer que: a) alocaramse as aplicações de recursos, com data de realização indefinida, no mês de dezembro, por ser este o mês mais favorável à fiscalizada no cômputo final da análise. Da mesma forma, os recursos, com data de realização indefinida, foram alocados no início do anocalendário, mês de janeiro, por ser este o mês mais favorável à fiscalizada (art. 112 do Código Tributário Nacional); b) foram considerados e lançados no demonstrativo da evolução patrimonial e financeira, como recursos/origens (anexos): os rendimentos tributáveis valores percebidos das fontes pagadoras e de pessoas físicas, insertos na Declaração de Ajuste Anual (Dirpl) dos exercícios sob exame, apresentada pelo fiscalizado; os rendimentos isentos e não tributáveis lucros e dividendos distribuídos, também inserto nas Dirpf; os rendimentos tributados exclusivamente na fonte: 13° salário, rendimentos em aplicações em renda fixa; os empréstimos recebidos; a alienação de fração ideal de imóvel em construção; a alienação de veículo; a alienação de quotas de capital de empresa; os rendimentos considerados omitidos, provenientes de depósitos bancários, objeto do Auto de Infração, protocolizado sob n° 19515002193/200665. c) foram considerados e alocados no demonstrativo da evolução patrimonial c financeira, como dispêndios/aplicações (anexos): as deduções como: dependentes, despesas com instrução e despesas médicas, efetuadas nas Dirpf dos exercícios em exame; os empréstimos pagos; as aquisições de imóveis como terrenos e casa; as transferências e doações relacionadas na Dirpf; as remessas realizadas para o exterior em dólares convertidos para reais, pela tabela de cotação de compra do dólar dos Estados Unidos, fixados pelo Banco Central do Brasil, em vigor no dia da ocorrência do fato gerador da obrigação (art. 143 do CTN Lei 5172/66), conforme demonstrativo (...). Fl. 505DF CARF MF Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2402006.874 S2C4T2 Fl. 506 11 Feito o "Demonstrativo da Variação Patrimonial" fundada nas informações coletadas pela fiscalização, revelouse excessos de gastos não justificados com os rendimentos declarados, presumindose rendimentos auferidos e não submetidos à tributação, nos meses de 10 e 12/2001, 06, 07, 08, 09, 10 e 12/2003. Registrese, mais uma vez, que o presente lançamento, como dito acima, é resultado de um amplo aparato de investigação que envolveu diversos órgãos nacionais e estrangeiros, tendo sido deflagrada grande operação de movimentação de recursos à margem do sistema financeiro nacional com a participação de centenas de contribuintes. Neste contexto, negase provimento ao recurso voluntário neste ponto. Da Preliminar de Decadência Aduz o Recorrente que, conforme demonstrado na peça impugnatória, parte do presente lançamento foi atingida pelo instituto da decadência, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, relativamente aos períodos de apuração anteriores a dezembro de 2001, haja vista que o Recorrente somente tomou ciência do lançamento no dia 08/12/2006. A DRJ, como pontuado pelo próprio Contribuinte em sua peça recursal, concluiu que, não havendo recolhimentos antecipados e nem obrigatoriedade legal de que assim se proceda, não se pode falar em lançamento por homologação e o termo inicial da contagem do prazo decadencial se dá conforme artigo 173, inciso I. Com vistas a contrapor a fundamentação da decisão de piso, defende o Recorrente que não é o fato de ter ou não havido o pagamento antecipado do tributo que determina a modalidade de seu lançamento. O que efetivamente determina a modalidade do lançamento é a legislação tributária (e não o caso em concreto), sobretudo, na hipótese de lançamento por homologação, se houver a previsão de que o sujeito passivo deva proceder à apuração do quantum debeatur e efetuar pagamento se for o caso, sem exame prévio do Fisco (...) Ademais, registrese que, ao contrário do que entendeu a D. Turma Julgadora, o fato gerador do IRPF ocorre mensalmente (e não no final do ano). Razão não assiste ao Recorrente! Isto porque, ainda que fosse aplicável a regra especial para a contagem do lustro decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, não haveria que se falar em decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário no caso em análise. É cediço que o fato gerador do IRPF, ao contrário do quanto defendido pelo Recorrente, é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Assim, e sem mais delongas, como o caso vertente tem por objeto o IRPF referente aos AnosCalendários de 2001 e 2003, o fato gerador mais antigo é, pois, aquele datado de 31/12/2001, nos termos da Súmula CARF nº 38. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2402006.874 S2C4T2 Fl. 507 12 Como o contribuinte foi cientificado da autuação no dia 08/12/2006 (fls. 282), ainda que se contasse o prazo decadencial pela regra do art. 150, § 4º, do CTN, não seria o caso de se falar em decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento fiscal, já que este teria, pela regra do referido dispositivo legal, até o dia 31/12/2006 para lançar o crédito tributário em análise. Assim, não há reparos a serem feitos no julgado de primeira instância neste particular. Da Taxa SELIC Neste ponto, aduz o Recorrente que a Taxa SELIC jamais poderia ser utilizada como “juros moratórios”. Portanto, considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não há que se admitir a utilização da mesma, no presente caso, com a natureza de juros de mora. Sobre o tema, cumpre transcrever as Súmulas CARF nºs 2 e 4, de observância obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Neste contexto, voto por negar provimento ao recurso voluntário neste particular. Conclusão Por todo o exposto, concluo o voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 507DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.939991/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.939991/2011-41
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5950484
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-000.742
nome_arquivo_s : Decisao_10980939991201141.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 10980939991201141_5950484.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7575938
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419141996544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.939991/201141 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.742 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de outubro de 2018 Assunto PER/DCOMP Recorrente CIA DE CIMENTO ITAMBE Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo integralmente o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 39 99 1/ 20 11 -4 1 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10980.939991/201141 Resolução nº 1402000.742 S1C4T2 Fl. 3 2 ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição". Em sua Manifestação de Inconformidade, alegou a Recorrente que efetuou diversos pagamentos espontâneos de tributos devidos, anteriormente a qualquer procedimento de fiscalização ou cobrança, o que motivou a apresentação do pedido de restituição visando a devolução dos valores indevidamente exigidos a título de multa moratória; Entende que faz jus à devolução da multa de mora, já ser mera conseqüência da denúncia espontânea havida com o pagamento do débito antes de qualquer procedimento fiscalizatório e anteriormente à retificação de DCTF. Alega que conforme o art. Nº 138 do CTN, que dispensa o pagamento de multa, seja ela qual for, em casos de denúncia espontânea apresentada antes de o início de qualquer procedimento administrativo, não há que se cogitar na espécie de multa de qualquer natureza. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório, com o entendimento que "aplicase a multa de mora aos pagamentos efetuados em atraso, não se considerando como crédito, compensável, os valores abarcados pela tese da espontaneidade prevista no art. Nº 138 do CTN". Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em que reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.739, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10980.939894/201149, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.739): "O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrente alega que a previsão legal contida no artigo 138, do CTN, bem assim a jurisprudência pátria, inclusive na esfera administrativa, contemplam a exclusão da responsabilidade por força da denúncia espontânea e, consequentemente, a inexigibilidade de qualquer multa sobre os valores recolhidos em atraso, seja ela de mora ou de ofício. Afirma que tratandose a hipótese subexamine de procedimento espontâneo da Contribuinte (quitação de tributo, antes da inclusão do pagamento e da entrega da DCTFRetificadora ou de qualquer ato fiscalizatório), a multa de mora cobrada é de todo indevida, razão pela qual a sua devolução é medida que se impõe. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10980.939991/201141 Resolução nº 1402000.742 S1C4T2 Fl. 4 3 Aduz que tendo em vista tais premissas fáticas e legais motivadoras do pedido de restituição ora em debate, temse por configurado o "pagamento a maior ou indevido", passível de aproveitamento, nos termos do artigo 74, da Lei 9.430/96 (com a redação da pela Lei n° 10.637/02), razão pela qual merece reforma o v. acórdão recorrido, a fim de reconhecer o direito creditório da Empresa. Verificase que em relação ao mérito há uma questão fundamental ao deslinde da questão, que é a comprovação da alegada denúncia espontânea. Entendeu o STJ que nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, esse pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximirse da exigência da multa moratória. Diante da decisão sobre denúncia espontânea do STJ, que é de repercussão geral, fazse necessário para a comprovação da mesma, que se verifique se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Pelos fatos expostos, apresentase a necessidade de diligência para confirmar se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Após a realização da diligência, prestados os esclarecimentos, poderseá formar definitivamente a convicção necessária ao julgamento meritório deste feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para: 1. Pronunciarse sobre a procedência da alegação de espontaneidade apresentada pela recorrente, verificando se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. 2. Juntar ao processo a DCTF com o respectivo comprovante de sua entrega, a fim de se comprovar a pertinência ou não do pagamento da multa e aproveitamento do crédito. 3. Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. 4. Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10980.939991/201141 Resolução nº 1402000.742 S1C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720416/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Cabível a homologação da compensação se o direito creditório declarado existir.
Numero da decisão: 3401-005.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso .
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Cabível a homologação da compensação se o direito creditório declarado existir.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.720416/2010-17
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5964362
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.778
nome_arquivo_s : Decisao_10830720416201017.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARA CRISTINA SIFUENTES
nome_arquivo_pdf_s : 10830720416201017_5964362.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso . Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
id : 7619149
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419145142272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 535 1 534 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720416/201017 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.778 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria IPI Recorrente MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Cabível a homologação da compensação se o direito creditório declarado existir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso . Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório que consta na Resolução CARF nº 3401000.492, de 26/06/2012, que converteu o julgamento em diligência para que a unidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 16 /2 01 0- 17 Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10830.720416/201017 Acórdão n.º 3401005.778 S3C4T1 Fl. 536 2 de origem aguardasse o julgamento do Processo nº 10830.014190/201011, que trata do recolhimento do IPI a menor , cuja apuração se deu mediante a reconstituição da escrita fiscal, a qual resultou em saldo credor a menor do aquele originalmente constante do Livro Registro de Apuração do IPI: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de IPI (saldo credor apurado conforme o artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e IN SRF nº 33 de 1999), relativo ao 2º trimestre de 2009, no valor de R$ 6.310.362,99, o qual foi formulado mediante a entrega de PER/Dcomp em 15/09/2009, ao qual foram vinculadas declarações de compensação de débitos mediante a entrega de Dcomp em datas posteriores e em montante equivalente ao crédito postulado. A DRF em Campinas SP, todavia, acolhendo parecer emitido pelo seu Serviço de Fiscalização, reconheceu apenas de forma parcial o montante do crédito pleiteado, de sorte que não homologou todas as compensações declaradas. Na Informação Fiscal em que baseado o Despacho Decisório da DRF, observase que a glosa parcial decorreu da constatação de “falta de lançamento do IPI”, o que, por sua vez, teria se originado no “uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei nº 8.248/91 e suas alterações, uma vez que não foram encontradas portarias conjuntas MCT/MF, em nome do contribuinte, identificando esses produtos/modelos”.(sic) Esclarece ainda a autoridade fiscal na sua informação que esse IPI recolhido a menor fora objeto de lançamento de oficio por meio de auto de infração autuado em outro processo administrativo, qual seja, o de nº 10830.014190/201011, cuja apuração se dera mediante a reconstituição da escrita fiscal, a qual resultou em saldo credor a menor do aquele originalmente constante do Livro Registro de Apuração do IPI. Assim, o crédito reconhecido montou a R$ 2.567.732,24 e foi esse o limite utilizado para a homologação das compensações declaradas, de sorte que os débitos exsurgidos foram objeto de cartas de cobrança. Na Manifestação de Inconformidade a interessada, preliminarmente, pediu a unificação do presente processo àquele em que autuado o mencionado lançamento de ofício do IPI, sob o argumento de que, ocorrendo o cancelamento do auto de infração, a reconstituição de seu saldo credor e que implicou na glosa ora em discussão também deixaria de existir. Para tanto, invocou a aplicação da regra contida no § 2º do art. 29 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e no inciso II do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008. Ad argumentandum, pediu, alternativamente, que se sobrestasse o julgamento do presente feito até que se tenha uma decisão quanto aos rumos do referido processo nº 10830.014190/201011. Quanto ao mérito, a interessada reproduziu os seus argumentos de defesa lançados na impugnação ao referido lançamento de Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10830.720416/201017 Acórdão n.º 3401005.778 S3C4T1 Fl. 537 3 oficio, os quais, em apertadíssima síntese, clamam pela nulidade da autuação por falha na busca da verdade dos fatos [ a fiscalização não teria demonstrado interesse em apurar a inexistência de produtos comercializados sem o benefício da isenção fiscal de que trata a Lei 8.248/91], e, quanto ao mérito, que nenhum dos produtos/modelos escolhidos pelo Fisco para motivar a imputação [não inclusão na portaria ministerial para a fruição do benefício] deixou de constar do referido ato infralegal, de sorte que a reconstituição de sua escrita fiscal não poderia ser dada como certa. A 8a Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP, todavia, considerou improcedentes os termos da Manifestação de Inconformidade. Para afastar a regra constante do inciso II, do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008, de que “Serão objeto de um único processo administrativo: [...] II –...a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes;”, esclareceu a instância de piso que o referido processo nº 10830.014190/201011, que trata do auto de infração de IPI, “não decorreu da não homologação das compensações, como é o caso da multa isolada ou de glosas de créditos, ao contrário, a não homologação das compensação é que é decorrente do lançamento efetivado e da consequente diminuição do saldo credor de IPI, [...]”. Quanto ao pedido da interessada para a juntada ou anexação dos processos, alegou a DRJ não existir qualquer dispositivo legal a prever tais hipóteses, e, quanto ao pedido de sobrestamento, esclareceu não existir essa figura jurídica no processo administrativo tributário. No mérito, a instância de piso assim se manifestou, verbis: “[...]Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco. [...]”E foi justamente invocando os termos da decisão que essa mesma 8ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP proferira no Acórdão nº 14032.958, de 22/03/2011, no bojo do referido processo administrativo nº 10830.014190/201011, ou seja, mantendo na íntegra no auto de infração, que a DRJ manteve as glosas e a não homologação das compensações tratadas no presente processo. No Recurso Voluntário a interessada, preliminarmente, suscitou a nulidade do “Despacho Decisório” (sic) [na verdade, pretendeu referirse ao Acórdão da DRJ, ora vergastado] sob o argumento de que não fora cientificada em tempo hábil [o fora em 06/05/2011] dos termos daquele Acórdão nº 14032.958, de sorte que sua defesa teria sido cerceada na medida em que não teve acesso aos fundamentos que, na verdade, foram utilizados Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10830.720416/201017 Acórdão n.º 3401005.778 S3C4T1 Fl. 538 4 para manter o indeferimento de seu pleito contido na Manifestação de Inconformidade. Esclareço eu que, na verdade, a Recorrente pediu um novo prazo para a apresentação de suas considerações, desta feita, levando em conta os termos do Acórdão da DRJ proferido no processo que versa sobre o auto de infração. A Recorrente insistiu na juntada dos processos [este e o do auto de infração], ou, alternativamente, no sobrestamento do presente julgamento até que se decida sobre os rumos da lide envolvendo o auto de infração, de modo a se evitar prejuízo de sua parte. Explica que esse prejuízo ocorreria no caso de obter uma decisão desfavorável neste processo, situação que o obrigaria ao recolhimento imediato dos débitos cuja compensação não fora homologada, e, de outra parte, caso futuramente venha obter uma decisão favorável no processo que trata do lançamento dos débitos do IPI, o que evidenciaria a improcedência das glosas dos créditos; assim, teria havido um locupletamento ilegal por parte do Fisco. A DRF Campinas, em 08/06/2015, devolveu o processo ao CARF sob a seguinte argumentação: A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o SOBRESTAMENTO do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. Em não havendo diligência a ser tomada a cabo por esta DRF, retornese ao CARF para, se julgado conveniente, seja feita a análise em conjunto do presente com o que lhe precede. Nesse ínterim o Processo nº 10830.014190/201011 foi julgado procedente conforme acórdão CARF nº 3201003.372, de 31/01/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS. Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática, os produtos cujas alterações no processo fábril não implicam em alteração do modelo.conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT. Recurso Voluntário Provido Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10830.720416/201017 Acórdão n.º 3401005.778 S3C4T1 Fl. 539 5 Em resumo, as razões de decidir do acórdão citado foram: A teor do relatado tratase de processo que discute o benefício da isenção prevista na lei de informática a telefones celulares fabricados pela Recorrente. A Fiscalização da Receita Federal entendeu que os produtos apresentavam alterações nos seus modelos que desqualificavam a habilitação inicial, promovida pela Motorola junto aos órgãos públicos e formalizada na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. A extinta segunda turma ordinária desta Câmara, ao apreciar o recurso resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse elaborado Parecer Técnico para avaliar se as alterações promovidas nos modelos de celulares desqualificariam os produtos para fruição do benefício da lei de informática. O Parecer Técnico nº 000.956/2013, elaborado pelo INT, concluiu que as modificações promovidas nos telefones celulares não foram suficientes para alterar o modelo dos referidos equipamentos, estando estes novos equipamentos qualificados nos modelos previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. ... O Parecer Técnico elaborado pelo INT conclui que os telefones celulares produzidos pela Recorrente e que foram objeto do presente lançamento, tratamse do mesmo produto e modelo daqueles previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01, destarte não pode prosperar o lançamento fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes , Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. A questão crucial do presente processo foi a não existência de crédito para homologar as compensações declaradas, conforme explicado na Resolução que converteu o julgamento em diligência: A Recorrente tem razão quanto à necessidade de se aguardar o desfecho na esfera administrativa da lide por ela instaurada em face do auto de infração contido no processo nº 10830.014190/201011. É que, embora não se tenha carreado para este processo os termos lavrados pela fiscalização naqueloutro, que trata da Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10830.720416/201017 Acórdão n.º 3401005.778 S3C4T1 Fl. 540 6 autuação de débitos do IPI, é certo que lá é que estão detalhados todos os procedimentos adotados pelo Fisco e que culminaram na reconstituição da escrita fiscal da autuada e que resultou, de um lado, na apuração de saldo credor diferente [a menor] daquele constante do Livro Reg. Apuração do IPI, e, de outro, na necessidade de constituição de ofício de valores de IPI supostamente tidos como recolhidos a menor, em face da alegada utilização indevida de alíquota reduzida, por sua vez, resultante de uma alegada fruição também indevida dos benefícios da Lei nº 8.248, de 1991, para alguns produtos e modelos fabricados e comercializados. Então, não obstante a Recorrente aqui apresente contestação às glosas efetuadas em seu pedido de ressarcimento de IPI, o fato é que o fez reproduzindo as suas alegações lançadas na Impugnação apresentada naquele processo, que trata do auto de infração de IPI. Como relatei acima, a própria DRJ considerou que, verbis, “Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco”. Além disso, uma outra questão prejudicial suscitada pela Recorrente é, referindose aos procedimentos adotados pelo Fisco na auditoria fiscal que resultou no auto de infração, de que a autoridade fiscal teria incorrido em “patente falha na busca da verdade dos fatos”, e contra ou a favor desse argumento não é possível a este Relator apresentar considerações, haja vista a inexistência, neste processo, dos elementos e documentos necessários para tanto. Vêse, portanto, que a presente lide está na inteira dependência do que restar definitivamente decidido no processo que trata do auto de infração, pois, repitase, é lá que estão todos os fundamentos lançados pela fiscalização para vislumbrar uma fruição indevida de benefício fiscal e que resultou na reconstituição de ofício dos saldos credores apurados pela interessada. Portanto concluído no julgamento do processo que trata da autuação fiscal pela correção das anotações efetuadas pela recorrente no Livro de IPI, e pela existência do crédito alegado é de se homologar as compensações declaradas, já que esse foi o único impedimento para tanto. Pelo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito por dar lhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10830.720416/201017 Acórdão n.º 3401005.778 S3C4T1 Fl. 541 7 Fl. 541DF CARF MF
score : 1.0
