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Numero do processo: 16682.721545/2013-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2009
REMESSA. ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO.
A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita nos casos é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços.
BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. GROSS UP.
O valor do IRF incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da CIDE, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento.
Numero da decisão: 9303-008.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que não conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita nos casos é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. GROSS UP. O valor do IRF incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da CIDE, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 15 45 /2 01 3- 94 Fl. 27487DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 3 2 conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela FAZENDA NACIONAL (efls. 27.050 a 27.061) e pelo Contribuinte PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS (efls. 27.137 a 27.213) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3302003.095 (efls. 27.003 a 27.048) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 15 de março de 2016, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da CIDE Contribuição de Intervenção no domínio econômico o IRRF Imposto de renda retido na fonte, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009 ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita nos casos é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante Fl. 27488DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 4 3 e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. CIDE. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. DESNECESSIDADE DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. A incidência da CIDE na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia, de acordo com o §2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000. CIDE. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Nos termos do art. 2º da Lei nº. 10.168/2000, a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE corresponde exclusivamente à quantia efetivamente remetida ao exterior a título de remuneração, o que não inclui os valores recolhidos a título de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Exonerado em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo da CIDE o Imposto de Renda Retido na Fonte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araújo e Ricardo Paulo Rosa, que negavam provimento ao Recurso e os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que davam integral provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. (grifouse) Após intimada do acórdão que deu parcial provimento ao recurso voluntário, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (efls. 27.050 a 27.061), alegando divergência jurisprudencial com relação à exclusão da base de cálculo da CIDE dos valores relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, nos termos do art. 2º, §3º da Lei n.º 10.168/2000. Visando comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma os acórdãos n.º 3301001.764 e 3201001.518. Em suas razões recursais, sustenta, em síntese, que: (a) a empresa em epígrafe foi autuada em decorrência do não recolhimento da Cide incidente sobre remessas, para o exterior, de valores concernentes a Fl. 27489DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 5 4 pagamentos decorrentes de contratos de fretamento ou aluguel, no período de 01.01.2009 a 31.12.2009; (b) a DRF incluiu na base de cálculo da CIDE os valores pagos pela autuada a título de IRRF, por entender que o fato de ter a empresa brasileira assumido contratualmente o ônus pela retenção e pagamento daqueles tributos não altera a natureza destes valores que representam remuneração e integram o valor bruto pago ou creditado a residente ou domiciliado no exterior; (c) com o advento da EC nº 33/01, a Constituição Federal especificou, como bases de cálculo elegíveis pelo legislador ordinário, quando da instituição de tal exação, o faturamento, a receita bruta, o valor da operação ou o valor aduaneiro. Com isso, afirmase que o disposto no artigo 149, § 2°, III da CF traz uma norma permissiva com um conteúdo restritivo, na medida em que limita as opções do legislador ordinário somente a uma das bases de cálculo que indica de forma exaustiva; (d) consoante art. 2º, da Lei n.º 10.168/2000, a contribuição incide sobre a remuneração decorrente da cessão dos direitos de comercialização, e por remuneração entendese todos os valores pagos, devidos ou creditados em decorrência de determinada obrigação contratual; (e) presente processo a autuada assumiu contratualmente a obrigação de reter e recolher os valores devidos a título de IRRF, assumindo, assim o ônus do imposto de renda devido pelo beneficiário. (f) ao final, requer o provimento do recurso especial. O apelo especial da Fazenda Nacional foi admitido nos termos do despacho s/nº, de 17/06/2016 (efls. 27.063 a 27.065), por se ter entendido como comprovada a divergência quanto à exclusão do IRRF sobre remessas ao exterior da base de cálculo da CIDE. Devidamente intimado, o Contribuinte interpôs embargos de declaração (efls. 27.079 a 27.088) alegando a existência do vício de omissão no acórdão n.º 3302003.095 por não ter sido enfrentado o argumento relativo à impossibilidade de lhe ser exigida a CIDE da Lei n.º 10.168/2000, por já contribuir de forma específica para o programa de amparo à pesquisa científica e ao desenvolvimento tecnológico administrado pelo FNDCT Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Na mesma oportunidade, o Sujeito Passivo apresentou contrarrazões (efls. 27.093 a 27.112) ao recurso especial da Fazenda Nacional postulando, preliminarmente, o seu não conhecimento e, no mérito, a sua negativa de provimento. Os embargos de declaração opostos pelo Contribuinte foram admitidos, consoante despacho s/nº, de 14 de julho de 2017 (efls. 27.119 a 27.122), e acolhidos para sanar a omissão alegada e integrar o acórdão embargado com a fundamentação relativa à inaplicabilidade do bis in idem em razão da contribuição para o FNDCT por meio do pagamento de royalties, sem atribuição de efeitos infringentes. O julgamento dos aclaratórios Fl. 27490DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 6 5 resultou no Acórdão n.º 3302004.780, de 28 de setembro de 2017 (efls. 27.123 a 27.126), cujos fundamentos foram sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado. CONTRIBUIÇÃO PARA O FNDCT VIA PARCELAS DOS ROYALTIES BIS IN IDEM INAPLICABILIDADE. A contribuição para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, mediante parcela dos royalties pagos, não afasta a cobrança da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de contratos de prestação de serviços técnicos e de assistência técnica. Não ocorre "bis in idem", pois os pagamentos possuem naturezas jurídicas distintas. Embargos acolhidos. [...] Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolhe os embargos de declaração para sanar a omissão alegada e integrar o acórdão embargado com as razões acima expostas, sem contudo imprimir lhe efeitos infringentes. [...] Após intimada, a Fazenda Nacional manifestouse nos autos (efl. 27.128) requerendo o processamento do recurso especial interposto, tendo em vista que não houve atribuição de efeitos infringentes aos embargos de declaração. Na sequência, após devidamente intimado, o Contribuinte interpôs recurso especial de divergência (efls. 27.137 a 27.213), insurgindose com relação à interpretação do art. 1º da Lei n.º 9.481/97 no que se refere à normalidade ou ao artificialismo da bipartição em contrato de afretamento e prestação de serviços relativamente às embarcações destinadas à prospecção e exploração de petróleo. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.º 2401005.149 e 3201003.150, ambos proferidos em processos administrativos da mesma Contribuinte e tratando, em grande parte, dos mesmos contratos de afretamento relativos às mesmas embarcações. Como supedâneo para a reforma do acórdão recorrido no ponto em que atacado, a Contribuinte desenvolve ao longo da peça recursal, em síntese, os seguintes argumentos: Fl. 27491DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 7 6 (a) das alterações do art. 1º da Lei n.º 9.481/97, introduzidas pela Lei n.º 13.043/2014, em especial do §2º do dispositivo, depreendese que no ramo das atividades de prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, a bipartição dos contratos de afretamento e de prestação de serviços e a contratação simultânea entre empresas vinculadas é operação corriqueira, não havendo a artificialidade apontada pela Fiscalização; (b) reconhecida pelo § 2º do artigo 1º da Lei nº 9.481/97 a absoluta normalidade da contratação simultânea com empresas vinculadas de afretamento de embarcação destinada à prospecção e exploração de petróleo, não faz qualquer sentido pressupor que o fornecimento da unidade afretada seria apenas “parte integrante e instrumental dos serviços contratados”; (c) o interesse da Recorrente na contratação do afretamento de embarcações e a prestação dos serviços com empresas vinculadas entre si justificase pela intenção de proporcionar maior grau de segurança na garantia do fornecimento concomitante dos dois objetos contratuais, pois não haveria execução dos serviços sem plataformas, assim como não se mostra útil o afretamento da plataforma sem a prestação de serviços; (d) ainda, o acórdão recorrido corroborou o entendimento da Fiscalização no sentido da bipartição artificial sob o argumento da desproporção entre os valores atribuídos ao contrato de afretamento (90%) e prestação de serviços (10%), considerandose a soma total dos dois contratos. No entanto, não ficou comprovado que a proporção foi de fato adotada no caso concreto, bem como que não espelharia o real custo de afretamento das embarcações e dos serviços prestados; (e) o equívoco da suposição está demonstrado no art. 1º, §2º, incisos I a III da Lei n.º 9.481/97, que estabelece percentuais de proporção entre o valor do afretamento e da prestação de serviços, sendo os mais elevados sempre relativos ao afretamento. Portanto, as proporções praticadas pela Recorrente, antes mesmo de o legislador estabelecer qualquer limite, mostramse razoáveis; (f) no caso concreto, não concordando o Fiscal com os percentuais, deveria ter lançado mão do arbitramento previsto no art. 148 do CTN para segregar da suposta remuneração por serviços prestados, sujeita à CIDE, a remuneração pelo afretamento das embarcações, que não integra a sua base de cálculo, ao invés de fazer incidir sobre 100% dos valores remetidos ao exterior, resultando em nulidade do lançamento; (g) § 12 do art. 1º da lei nº 9.481/97 e o artigo 3º da Lei nº 13.586/17 demonstram definitivamente a improcedência da tesa fazendária de que os parágrafos do artigo 1º da Lei nº 9.481/97 que foram introduzidos pela Lei nº 13.043/14 não se aplicariam a fatos geradores anteriores a 31/12/2014; (h) discorre, ainda, sobre as Soluções de Consulta COSIT n.º 225/2014 e 12/2015, que têm efeito vinculante para a Administração Tributária e endossam a conduta da Recorrente, aplicandose a fatos geradores anteriores por força do art. 17 da Instrução Normativa RFB n.º 1.396/2013; Fl. 27492DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 8 7 (i) não se pode presumir que a totalidade do preço pago pela Recorrente às fretadoras referese à prestação de serviços e nada correspondendo ao afretamento, razão pela qual deveria ter a Autoridade Fiscal procedido ao arbitramento dos valores consoante art. 148 do CTN, o que não tendo sido feito, acarreta a nulidade do auto de infração. A própria Lei nº 13.043/14, ao acrescentar diversos parágrafos ao artigo 1º da Lei nº 9.481/97, reconhece que na execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, os montantes destinados à remuneração pela embarcação afretada são naturalmente muito superiores aos valores correspondentes à remuneração pelos serviços em questão; (j) em face de lançamento idêntico ao dos presentes autos, também lavrado em face da Petrobrás, nos autos do processo administrativo n.º 16682.721162/201235, julgado procedente pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi proferida decisão pelo Poder Judiciário determinando a suspensão de sua exigibilidade, por ter entendido como excessiva a lavratura do auto de infração tomando por base o valor total dos contratos, sem indicação dos limites que excederam o percentual de isenção, nos termos do §6º, art. 1º da Lei n.º 9.481/97, com redação da Lei n.º 13.043/2014, citando ainda como fundamentos as Soluções de Consulta Cosit n.º 225/2014 e 12/2015; (k) com relação ao acórdão recorrido, aduz que acórdão 3403002.702 a que por sua vez faz referência o voto transcrito pelo Relator é exatamente aquele proferido antes do advento da Lei nº 13.043/14, cujo crédito tributário teve sua exigibilidade suspensa por liminar já confirmada pelo TRF da 1ª Região; (l) todo os supostos indícios invocados no voto acolhido como fundamento do v. acórdão recorrido para justificar a alegada existência no caso de um único contato de prestação de serviços, artificialmente desmembrado em um contrato de afretamento e outro de prestação de serviços, na verdade ou bem são absolutamente naturais em se tratando de contratos coligados, sem qualquer prejuízo à sua autonomia, ou então decorrem exclusivamente de uma interpretação equivocada de determinadas cláusulas contratuais, além de se mostrarem de todo modo irrelevantes à luz das Leis nº 13.043/14 e 13.586/2017; (m) com relação à natureza dos contratos, afirma que no caso concreto, embora os contratos tenham sido firmados em instrumentos separados e com pessoas jurídicas distintas, tratase de contratos que por vontade das partes contratantes e/ou imposição legal foram unidos/vinculados com dependência recíproca, de modo que um contrato não exista sem o outro. A união de contratos é figura reconhecida pelo Direito Privado, nada tendo de ilegal, tanto que está prevista expressamente em determinados instrumentos normativos, como por exemplo, na IN RFB n.º 884/2008 do REPETRO; (n) as embarcações em causa – navios, navios sonda e plataformas – em razão de sua complexidade técnica são bens de vultoso valor e absolutamente necessários ao desenvolvimento da atividade a que se destinam, Fl. 27493DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 9 8 representando, portanto, o seu afretamento efetivamente a maior parcela do valor total da licitação. Assim, se cabível a unificação, seria muito mais lógico e coerente que o afretamento abarcasse a prestação de serviços, do que o contrário como pretende o Fisco; (o) o contrato de afretamento pode ou não envolver prestação de serviços náuticos (gestão náutica), dependendo da modalidade escolhida, e nem por isso se transforma em contrato de prestação de serviços: continua sendo o típico contrato de afretamento. As embarcações objeto dos contratos de afretamento elencados pela fiscalização são embarcações especiais do tipo navio e plataformas construídas, dentre outras, para a finalidade de pesquisa, sondagem, perfuração e exploração de recursos minerais, no caso de petróleo e gás. Quando a Recorrente firma tais contratos de afretamento (seja casco nu ou a tempo) a ela é transferido o direito de utilizar as embarcações nessas finalidades econômicas (gestão comercial). Desse modo, poderia perfeitamente a Recorrente exercer tais atividades de forma direta – utilizandose de seus próprios técnicos, empregados ou autônomos por ela remunerados – ou de forma indireta – mediante contratação de empresa especializada, como ocorreu no caso concreto; (p) a coincidência de datas revelase absolutamente natural, sendo certo que operacionalmente os contratos de afretamento e de prestação de serviços devem ter os mesmos termos iniciais e finais já que a existência de uma plataforma desprovida de quem efetue os serviços de perfuração e exploração é economicamente inútil e a efetuação dos referidos serviços sem uma plataforma é fisicamente impossível. Tal premissa justifica, inclusive, que a rescisão do contrato de serviços seja base para rescisão do contrato de afretamento; (q) a normalidade do fornecimento de tripulação pela fretadora de embarcações sem que tal fato desnature para fins tributários o contrato de afretamento foi atestada pela COSIT na Solução de Consulta nº 64, de 30 de dezembro de 2013, com efeitos vinculantes para a administração; (r) argumenta, por fim, que a Fiscalização e o acórdão recorrido estão alterando a forma e a substância de contratos típicos de direito privado e com isso violando os artigos 109 e 110 do CTN e do 170 da CF/88. Após destacar trechos dos acórdãos paradigma com a finalidade de reforçar a sua tese, requer seja provido o recurso especial. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo, consoante despacho S/Nº, de 21 de março de 2018 (efls. 27.452 a 27.454), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender que foi devidamente comprovada a divergência jurisprudencial quanto à interpretação do art. 1º, da Lei n.º 9.481/97, no âmbito da ocorrência do fato gerador da CIDE nos afretamentos contratados pela Recorrente. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 27.456 a 27.484), requerendo a negativa de provimento ao recurso especial da Contribuinte. Fl. 27494DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 10 9 O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade 1. Recurso especial da Fazenda Nacional O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Insurgese a Fazenda Nacional em face da exclusão do IRRF da base de cálculo da CIDE, exigida por meio de auto de infração relativamente aos valores remetidos ao exterior pela Petrobrás como pagamento pelo afretamento de embarcações utilizadas na prospecção e exploração de petróleo, sob o argumento da Fiscalização de que os valores não estariam remunerando o afretamento de embarcações, mas sim os serviços de prospecção e exploração prestados nas embarcações à Recorrida. A Contribuinte sustenta em suas contrarrazões a impossibilidade de conhecimento do apelo especial com fulcro em duas razões: (a) ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigma, pois tratam de situações fáticas diversas e, por conseguinte, (b) as decisões confrontadas não divergem entre si, e sim apresentam resultados convergentes, não havendo de se falar no necessário dissenso jurisprudencial. Nessa esteira, a PETROBRÁS rememora em seu arrazoado julgamento proferido por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em processo idêntico de seu interesse processo n.º 16682.721162/201235 no sentido de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, consoante razões explicitadas no Acórdão n.º 9303 004.314, de relatoria do Ilustre Conselheiro Demes Brito, decisão esta acompanhada pela maioria deste Colegiado. Na ocasião, esta Conselheira apresentou declaração de voto consignando as razões pelas quais não se conheceu do recurso especial da Fazenda Nacional, as quais inequivocamente amoldamse à demanda em análise. Pertinente a transcrição dos termos da manifestação apresentada naquela ocasião, passando a integrar o presente voto como razões de decidir pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, in verbis: [...] Fl. 27495DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 11 10 A controvérsia posta no recurso especial interposto pela Fazenda Nacional delimitase à possibilidade de inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE e à exigência dos juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício. Para comprovação da divergência jurisprudencial, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 3301 001.683 e 910100.539. O acórdão nº 3403002.702, ora recorrido, proveu parcialmente o recurso voluntário da Contribuinte, tendo recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRATO DE “AFRETAMENTO” DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PRODUÇÃO E PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO. NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. A bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (naviossonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos ditos de “afretamento” sujeitamse à incidência da Contribuição. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. ILEGALIDADE. A base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior estipulada em contrato, sendo ilegais tanto a adição quanto a exclusão do IRRF da sua base de cálculo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Fl. 27496DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 12 11 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conforme bem destacado pelo Ilustre Relator no julgamento, há de se conhecer parcialmente do recurso especial da Fazenda Nacional, posicionamento acompanhado pelas conclusões expostas no voto do nobre Conselheiro Relator e na presente declaração de voto. Com relação à matéria relativa à inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE, ponto sobre o qual se restringirá a presente declaração de voto, o recurso especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido, pois os acórdãos recorrido e o apontado como paradigma não guardam a necessária similitude fática a ensejar a divergência jurisprudencial. Além disso, da análise das decisões verificase não divergirem entre si, e por isso não pode ser utilizado o paradigma para demonstrar o dissenso interpretativo. Trata o caso dos autos da lavratura de auto de infração para exigência de CIDE referente a valores remetidos ao exterior pela Contribuinte como pagamento pelo arrendamento de embarcações utilizadas na prospecção e exploração de petróleo. Argumentou a Fiscalização que as quantias remetidas prestarseiam a remunerar os serviços de prospecção e exploração prestados à Petrobrás nas embarcações, e naão ao seu afretamento. Conforme esclarecido nos autos, o valor efetivamente remetido ao exterior (valor líquido) pela Recorrida no caso dos autos, em razão de suas obrigações contratuais, foi exatamente ao valor contratado (valor bruto), pois entendeu a Contribuinte que, sendo a alíquota zero prevista para o IRF no art. 1º da Lei nº 9.481/97, nada haveria a ser retido. Portanto, no caso em exame, o valor relativo ao IRF não foi incluído na base de cálculo da CIDE, não em razão da discussão se deve ou não integrála, mas sim porque o valor a pagar do referido imposto era "zero", em razão da aplicação da alíquota "zero". Assim, a Contribuinte não procedeu ao recolhimento nem ao recolhimento do IRF. Ainda, concluiu o acórdão recorrido que "a base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior estipulada em contrato, sendo ilegais tanto a adição quanto a exclusão do IRRF da sua base de cálculo". Fl. 27497DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 13 12 No caso do acórdão paradigma, diversamente, a discussão deuse em torno de ser ou não cabível a inclusão do IRF na base de cálculo da CIDE, adotando como base de decidir premissas diversas daquelas existentes nos presentes autos: (a) o IRF sobre o valor dos pagamentos contratados foi retido e recolhido pelo autuado em nome da licitante, por isso os valores de IRF integraram o valor creditado à mesma; e (b) os valores de IRF retidos e recolhidos não podem ser deduzidos da base de cálculo da CIDE por falta de amparo legal. Restou consignado, portanto, no acórdão paradigma não haver base legal para a exclusão do IRF da base de cálculo da CIDE. Da comparação entre as decisões recorrida e aquela apontada como paradigma, emerge a ausência de similitude fática, requisito indispensável à caracterização da divergência jurisprudencial. Isso porque no caso dos autos sequer houve o recolhimento e/ou a retenção do IRF pela Contribuinte, por entender como aplicável a alíquota zero. Já no caso do acórdão paradigma, houve o pagamento e a retenção do IRF pelo autuado, não tendo sido excluído da base de cálculo da CIDE por ausência de previsão legal. Por se tratarem de situações fáticas distintas e que se embasaram em premissas igualmente diversas, não há como empreender a mesma solução jurídica, razão pela qual não preenchido requisito indispensável à comprovação da divergência jurisprudencial para ter prosseguimento o recurso especial. Nesse sentido, já se manifestou este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa do acórdão nº 9202003.679, proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa se deu nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Fl. 27498DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 14 13 Além disso, verificase dos acórdãos confrontados haver convergência nas soluções jurídicas emprestadas aos casos. Isso porque restou consignado em ambas as decisões não haver base legal para excluir o IRF da base de cálculo da CIDE quando o imposto for retido e recolhido pelo remetente, tendo sido afastada a cobrança no caso dos autos apenas pela inexistência de retenção e/ou recolhimento de IRF pela Recorrida. No acórdão apontado como paradigma, o contribuinte procedeu à retenção na fonte e ao recolhimento do valor do IRF relativo à remessa para o licitante no exterior, buscando a exclusão da base de cálculo da CIDE do valor do IRF por ele retido, tendo sido sua pretensão negada pois, segundo a decisão paradigmática, a Lei nº 10.168/00 e o Decreto nº 4.195/02 não previam a exclusão. De outro lado, no caso dos autos, a Recorrida não pleiteou a exclusão da base de cálculo da CIDE do valor de IRF, pois o mesmo não foi retido nem recolhido, mas sim buscou não ver incluído o valor que lhe fora exigido com base no art. 725 do RIR/99 (no processo administrativo específico do IRF). Portanto, não há soluções jurídicas divergentes, mas sim convergentes, entre os acórdãos recorrido e paradigma, não restando comprovado o dissídio jurisprudencial também por essa razão. Com base nessas considerações, entendeuse pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional quanto à matéria relativa à inclusão do IRF na base de cálculo da CIDE. [...] Entendese, portanto, assistir razão à Contribuinte quando alega a impossibilidade de prosseguimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Para corroborar o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, transcrevese ainda a declaração de voto apresentada pelo Ilustre Conselheiro Júlio César Alves Ramos, também quando do julgamento que resultou no Acórdão n.º 9303004.314, in verbis: [...] Considerei oportuno registrar as razões por que votei pelo não conhecimento do recurso da Fazenda especialmente por força da ótima sustentação oral proferida pela Procuradora. É que a questão da base de cálculo da CIDE remessas ficou mesmo assentada neste colegiado: é ela a remuneração bruta devida. Remuneração bruta, em qualquer caso, corresponde ao valor que é devido à pessoa no exterior somado ao IRRF devido. Daí que duas situações padrão se Fl. 27499DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 15 14 têm apresentado: ou a empresa sediada no Brasil assume o ônus do tributo ou não. No primeiro caso, deve ser adicionado ao valor remetido o IRRF que foi assumido. No caso oposto, esse IRRF, que já terá sido deduzido pela empresa no Brasil quando fez a remessa, não pode ser deduzido da base de cálculo. A situação discutida nos autos, porém, apresenta uma singularidade: embora a empresa brasileira não tenha assumido o ônus do imposto, também não o abateu do valor remetido. E a razão é que ela entendia que a alíquota seria zero. Destarte, se o IRRF for mesmo devido, o que ocorreu foi que ela remeteu mais do que deveria. Isso, no entanto, não traz qualquer consequência do ponto de vista da CIDE, pois a remuneração bruta já foi tributada. Por isso, entendi, tal situação não está contemplada no paradigma. Ele trata daquela situação padrão acima indicada: a empresa deduziu o imposto e quis considerar esse valor deduzido como base de cálculo. Ele seria aplicável, a meu sentir, se tivesse entendido como registrado no voto vencido da decisão recorrida que o imposto deve ser adicionado independente de ter havido a assunção do ônus. Fosse essa a tese do paradigma poderíamos aceitar a divergência, pois se poderia considerar que mesmo não tendo havido a assunção do ônus, se, no caso concreto, o IRRF for devido, ele deve ser adicionado. Ocorre que não é isso que registra o paradigma. Ademais, mesmo o voto vencido tendo dito isso, tanto a solução de consulta SRF quanto a posição doutrinária citada em seu favor pelo dr. Alexandre Kern não confirmam aquela sua conclusão. Com efeito, ambas apenas ratificam o entendimento predominante no CARF naquelas duas situações padrão. [...] Nos presentes autos, em ambos os paradigmas indicados pela Fazenda, acórdãos n.º 3201001.518 e 3301001.764, embora se discuta a possibilidade de exclusão do IRRF da base de cálculo da CIDE, não há a característica presente nesse caso, de que o ônus do IRRF não foi suportado nem pela fonte pagadora nem pelos beneficiários dos pagamentos, pois o Sujeito Passivo considerouo como sendo indevido. As ementas dos julgados paradigmáticos evidenciam a assertiva: Acórdão 3201001.518 Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Período de apuração: 07/05/2005 a 20/12/2005 PROGRAMAS DE COMPUTADOR. LICENÇA DE USO. COMERCIALIZAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. Fl. 27500DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 16 15 Até 31 de dezembro de 2005, a empresa signatária de contratos de cessão de licença de uso e de direitos de comercialização de programa de computador (software), independentemente de estarem atrelados à transferência de tecnologia, era contribuinte da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico relativamente às remessas efetuadas ao exterior. CIDE. BASE DE CÁLCULO. IRRF. O imposto de renda na fonte devido pelo beneficiário, cujo ônus tenha sido assumido pela pessoa jurídica detentora de licença de uso compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, por integrar o valor da remuneração paga. Acórdão n.º 3301001.764 Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 VALORES DECLARADOS. VALORES DEVIDOS. DIFERENÇAS. As diferenças entre os valores da contribuição declarados nas respectivas DCTFs e os efetivamente devidos, apurados com base na escrita contábil, estão sujeitos a lançamento de ofício. BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO. Inexiste amparo legal para se excluir da base de cálculo da CIDE o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados e/ ou remetidos a residentes/domiciliados no exterior. ROYALTIES. DIREITOS DE TRANSMISSÃO DE SINAIS DE TELEVISÃO POR ASSINATURA. VALORES PAGOS, CREDITADOS E/ OU REMETIDOS PARA O EXTERIOR. INCIDÊNCIA. Os valores pagos, creditados e/ ou remetidos a residentes/domiciliados no exterior, a título de pagamento de serviços de transmissão de sinais de televisão por assinatura, são classificados com royalties e estão sujeitos à CIDE, nos termos da legislação tributária vigente. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS INTERNACIONAIS. CRITÉRIOS DE APURAÇÃO. A base de cálculo, em reais, de valores pagos, creditados e/ ou remetidos a residentes no exterior, deve ser apurada com base na maior cotação de venda da moeda dentre aquela do segundo útil imediatamente anterior à da contratação da operação ou a do próprio dia da operação. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da intimação do Fl. 27501DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 17 16 sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente a exigência do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte (grifouse) Dos argumentos expendidos, conclusão inarredável é pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional por ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas e, por conseguinte, a não comprovação da divergência jurisprudencial, requisitos necessários ao seguimento do apelo. 2. Recurso especial da Contribuinte Petrobrás O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRÁS atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anterior Portaria MF n.º 256/09), devendo, portanto, ter prosseguimento. Em sede de sustentação oral, a Procuradoria da Fazenda Nacional suscitou a preliminar de não conhecimento do recurso especial da Contribuinte, com base nas seguintes alegações: (a) o primeiro paradigma, acórdão n. 2401005.149, proferido nos autos do processo administrativo n.º 16682.721161/201291 não seria válido pois a Contribuinte teria desistido da discussão administrativa, para inclusão no parcelamento previsto no art. 3º da Lei n.º 13.586/17; e (b) com relação ao segundo paradigma, acórdão n.º 3201003.150, não se prestaria a comprovar a divergência jurisprudencial porque teria sido resolvido com base no percentual inferior a 80% (78/22%) com aplicação dos parâmetros alterados pela Medida Provisória nº 795/2017, bem como que abrange contratos em que não é parte a Petrobrás, e a autuação estaria embasada em provas totalmente diversas dos presentes autos. Com a devida vênia, entendese não assistir razão à Procuradoria da Fazenda Nacional, devendo ter prosseguimento o recurso especial, porque: (a) o acórdão n.º 2401005.149, indicado como primeiro paradigma, trata de situação absolutamente idêntica à dos presentes autos, envolvendo contratos idênticos envolvendo as mesmas embarcações autuadas neste caso. Tanto é assim que a fundamentação do auto de infração é a mesma para os dois processos administrativos. Além disso, quanto à questão da desistência ocorrida naqueles autos, não há prejuízo à validade do acórdão proferido como paradigma pois não enquadrável na hipótese Fl. 27502DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 18 17 prevista no art. 67, §15º do RICARF: "Não servirá como paradigma o acórdão que na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente". A desistência, ato voluntário, traz efeitos tão somente para o processo administrativo em que ela foi pleiteada, e tem a finalidade de deixar claro que, em razão da desistência total, não mais subsiste a decisão favorável ao contribuinte naquele processo em específico. A reforma da decisão, por sua vez, não decorre de ato voluntário e, essa sim, tem o efeito de desconstituir aquela decisão no mundo jurídico, não se podendo equiparála à desistência do processo. Importa mencionar, ainda, que mesmo para os casos em que há a reforma do acórdão indicado como paradigma, ele permanece válido se prolatada a nova decisão posteriormente à interposição do recurso especial. Nesses termos é o Manual de Admissibilidade: [...] Considerase como data de reforma do paradigma a data da publicação do acórdão reformador (de Recurso Especial ou de Embargos) no sítio do CARF na Internet, independentemente da data do respectivo julgamento. Destarte, ainda que a sessão de julgamento do acórdão reformador do paradigma seja anterior à data da interposição do Recurso Especial, se a respectiva publicação no sítio lhe for posterior, o paradigma pode ser considerado, desde que não haja outro óbice ao seu exame. Consoante alegado pela Contribuinte em memoriais complementares, no Manual não consta nenhuma orientação com relação à desistência do processo em que foi prolatado o paradigma. (b) de outro lado, o segundo acórdão indicado como paradigma também deve ser considerado como válido, porque preenche todos os requisitos do art. 67 do RICARF, havendo a necessária similitude fática, ainda que não absolutamente idênticos, e demonstra a divergência de entendimentos entre as turmas com relação aos contratos de afretamento. Diante do exposto, deve ser conhecido o recurso especial da Contribuinte. Mérito 1 . Recurso especial do Contribuinte O exame de mérito iniciase pela análise do recurso especial do Contribuinte, que postula o afastamento da incidência da CIDE, por ser prejudicial à discussão veiculada no Fl. 27503DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 19 18 recurso especial da Fazenda Nacional reajustamento da base de cálculo da referida contribuição. No mérito, a Contribuinte insurgese quanto à interpretação conferida ao art. 1º da Lei n.º 9.481/1997 frente aos contratos de afretamento e de prestação de serviços conexos, firmados com empresa sediada no exterior e com outra pessoa jurídica do mesmo grupo sediada no Brasil, respectivamente. Defende a inocorrência do fato gerador da CIDE, tendo em vista que os valores remetidos ao exterior não remuneram serviço, mas sim a operação de afretamento, havendo plena legalidade dos pactos relativos ao afretamento e à prestação de serviços relativos à prospecção e exploração de petróleo, sendo possível a bipartição dos contratos. O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário neste ponto por ter desqualificado os contratos de afretamento, considerando toda a operação como de prestação de serviços, invocando como razões de decidir o acórdão n.º 2202003.063, do processo n.º 16682.721312/201391 (com auto de infração de IRRF originado do mesmo mandado de procedimento fiscal nº 07.1.85.002013000238), que assim conclui quanto à bipartição dos contratos de afretamento e de prestação de serviços: "[...] os contratos firmados entre a Petrobrás e as empresas sediadas no exterior cujas remessas estão sendo tributadas tratam na realidade de prestação de serviços de exploração de petróleo e gás, sendo o afretamento parte integrante e indissociável do serviço, que é único, nos termos da legislação vigente à época dos fatos. Os serviços contratados exigem a utilização de plataformas e outros equipamentos pelo prestador, não havendo que se falar em repartição de valores relativos a afretamento e a prestação de serviços, como pretende a Recorrente, porquanto se trata de um único contrato de prestação de serviços, apesar de formalmente dividido em dois." Com a devida vênia à decisão proferida pelo Colegiado a quo, entendese que a mesma merece ser reformada, reconhecendose a validade da execução simultânea dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, sendo a sua bipartição natural e não artificial, o que enseja o afastamento da incidência da CIDE. Para contextualizar o litígio, a controvérsia originouse da lavratura de auto de infração (efls. 26.684 a 26.688) para cobrança da CIDE, em razão da alegada insuficiência de recolhimento da referida contribuição incidente sobre a remessa de valores ao exterior. Consoante se depreende do Termo de Verificação Fiscal (efls. 26.543 a 26.663), a partir da análise de 162 (cento e sessenta e dois) contratos de afretamento e de prestação de serviços firmados pela Petrobrás, a Fiscalização efetuou o lançamento com base em 73 (setenta e três) contratos de afretamento de embarcações com empresas sediadas no exterior e o mesmo número de contratos de prestação de serviços pactuados com empresas sediadas no Brasil. Após análise dos contratos, a Fiscalização não reconheceu trataremse de dois contratos distintos, firmados com pessoas jurídicas igualmente diversas o contrato de afretamento pactuado com empresa sediada no exterior e o contrato de prestação de serviços com pessoa jurídica situada no Brasil, mas sim que existiria um único contrato, cuja bipartição seria artificial. O Termo de Verificação Fiscal delimitou o escopo do procedimento fiscal e as infrações apuradas nos seguintes termos, in verbis: [...] Fl. 27504DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 20 19 2. Da Origem e do Escopo do Procedimento Fiscal O procedimento de fiscalização, respaldado pelo MPF 07.1.85.002013 000238, teve por escopo inicial apurar a possível incidência de Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos em favor de empresas estrangeiras, a título de afretamento de plataformas, navios e sondas para pesquisa/exploração de petróleo e gás (doravante chamadas "unidades"). (...) 5. Das Infrações Conforme antecipamos, tratase de contratações em que a prestação de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços foi artificialmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante PETROBRAS, e de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária. Os serviços são prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação (unidade) fornecida pelo grupo próprio econômico que presta os ditos serviços. A maior parte do preço pago pela PETROBRAS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte e sem o recolhimento da CIDE, enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços, paga no Brasil, e tributada na fonte. É de se notar que, no contexto concreto destas contratações, em que pese a repartição formal em dois contratos, não há que se falar em afretamento autônomo. Nos casos examinados, o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Entender o contrário seria admitir, por exemplo, que uma empresa contratada para a retirada de entulho de uma obra cobrasse um valor pela retirada e outro pelo uso do seu caminhão de entulho. Pois não se pode perder de vista que, nos casos descritos a seguir, a unidade de perfuração/sondagem/exploração “pertence” à própria empresa contratada para prestar os serviços de perfuração/sondagem/exploração, ou à sua controladora estrangeira seja a título de propriedade, seja por detenção do direito de exploração comercial da unidade. As Contratadas são empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, que assumem direitos e obrigações recíprocos, com responsabilidade solidária, dividindo receitas e custos segundo a sua conveniência, ou segundo a conveniência da contratante, não importa, pois o que de fato importa é que a contratante PETROBRAS está perfeitamente ciente da vinculação entre as contratadas e de sua atuação conjunta no desempenho dos contratos, pois a intenção da primeira e das segundas é a mesma: firmar contrato de prestação de serviços com o menor impacto tributário. Com efeito, as contratações descritas adiante obedecem a verdadeiro modelo de contratação adotado pela PETROBRAS, minuciosamente delineado nos Convites, em seus procedimentos licitatórios, ou mesmo em negociação direta, sem licitação. Esta conc1usão se impõe pela evidente semelhança entre as situações descritas a seguir e as constatadas em procedimentos fiscais anteriores, relatados no item 3 deste Termo de Verificação Fiscal. Fl. 27505DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 21 20 Para melhor entendimento, descreveremos as contratações separadamente, identificandoas pelo nome da unidade. Cópias integrais dos contratos serão anexadas ao processo fiscal que formaliza este auto de infração. Ressaltaremos os pontos comuns aos diversos contratos, relevantes para caracterização da infração, bem como eventuais particularidades que confirmem, em cada caso, o que se pretende demonstrar que os valores pagos às empresas estrangeiras, a título de afretamento, correspondem, de fato, a remuneração pela prestação de serviços. Apenas a título de observação, registrese que, em alguns casos, ainda que os pagamentos se referissem a simples afretamento, o IRRF seria devido de qualquer forma, à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), em razão de a beneficiária ser empresa estrangeira sediada em paraíso fiscal/país de tributação favorecida. A seguir, analisaremos as características das diversas contratações (do número 001 ao 162) identificadas pelo nome da unidade. As análises de cada equipamento trazem uma numeração de referência que se reporta à Planilha “Seleção de Beneficiários de Pagamento ao Exterior a Título de Afretamento”, anexa a este Termo de Verificação Fiscal. [...] 6. Da Base Legal para o Lançamento de Ofício [...] Por todo o exposto, fica claro que os serviços contratados pela Petrobrás, perante os beneficiários selecionados, correspondem à definição de "serviços técnicos". Por esta razão, sujeitamse à incidência do IRRF à alíquota de 15% (quinze por cento) e da CIDE à alíquota de 10% (dez por cento), com exceção apenas dos beneficiários sediados em países com tributação favorecida, sujeitos ao IRRF à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). Esta alíquota diferenciada decorre do art. 8º da Lei nº 9.779/99: [...] Os países de tributação favorecida são aqueles relacionados na Instrução Normativa SRF 188/2002. 7. Da Apuração do Crédito Tributário Lançado de Ofício Com base em todo o exposto, concluímos pelo lançamento de ofício do IRRF e da CIDE, incidentes sobre pagamentos efetuados pela contribuinte a empresas estrangeiras, a título de afretamento, no ano de 2009. Os tributos lançados de ofício foram calculados sobre os pagamentos selecionados pela fiscalização, com as características descritas na inferência fiscal, ou seja, em que o suposto afretamento é parte integrante e indissociável dos serviços prestados pelo grupo econômico contratado pela PETROBRÁS vide Planilha "Seleção de Beneficiários de Pagamentos ao Exterior à Título de Afretamento", anexo a este Termo. [...]” Fl. 27506DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 22 21 No que tange à base legislativa, o lançamento foi amparado pela Fiscalização, dentre outros, no art. 1º da Lei n.º 9.481/97, dispositivo cuja interpretação suscitou a divergência trazida pela Contribuinte e que à época dos fatos (anocalendário de 2009) possuía a seguinte redação: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenha sido aprovadas pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias. [....] Posteriormente, referida norma foi alterada pelas Leis n.ºs 13.043/2014 e 13.586/2017, reforçando a correção do procedimento adotado pela Contribuinte, bem como ser improcedente o argumento da bipartição artificial dos contratos. Nessa esteira, o art. 106 da Lei n.º 13.043/2014 acrescentou ao art. 1º da Lei n.º 9.481/97 parágrafos de cujos enunciados extraise a hipótese da execução simultânea dos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviços, relacionados à prospecção e exploração do petróleo ou gás natural, celebradas com pessoas jurídicas vinculadas entre si. O dispositivo passou a ter, então, a seguinte redação, in verbis: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) II comissões pagas por exportadores a seus agentes no exterior; III valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos para o exterior: (Redação dada pela Lei nº 11.774, de 2008) a) em decorrência de despesas com pesquisas de mercado, bem como aluguéis e arrendamentos de stands e locais para exposições, feiras e conclaves semelhantes, inclusive promoção e propaganda no âmbito desses Fl. 27507DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 23 22 eventos, para produtos e serviços brasileiros e para promoção de destinos turísticos brasileiros; (Incluído pela Lei nº 11.774, de 2008) b) por órgãos do Poder Executivo Federal, relativos à contratação de serviços destinados à promoção do Brasil no exterior; (Incluído pela Lei nº 11.774, de 2008) IV valores correspondentes a operações de cobertura de riscos de variações, no mercado internacional, de taxas de juros, de paridade entre moedas e de preços de mercadorias (hedge); V valores correspondentes aos pagamentos de contraprestação de arrendamento mercantil de bens de capital, celebrados com entidades mercantil de bens de capital, celebrados com entidades domiciliadas no exterior; VI comissões e despesas incorridas nas operações de colocação, no exterior, de ações de companhias abertas, domiciliadas no Brasil, desde que aprovadas pelo Banco Central do Brasil e pela Comissão de Valores Mobiliários; VII solicitação, obtenção e manutenção de direitos de propriedade industriais, no exterior; VIII juros decorrentes de empréstimos contraídos no exterior, em países que mantenham acordos tributários com o Brasil, por empresas nacionais, particulares ou oficiais, por prazo igual ou superior a quinze anos, à taxa de juros do mercado credor, com instituições financeiras tributadas em nível inferior ao admitido pelo crédito fiscal nos respectivos acordos tributários; IX juros, comissões, despesas e descontos decorrentes de colocações no exterior, previamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil, de títulos de crédito internacionais, inclusive comercial papers, desde que o prazo médio de amortização corresponda, no mínimo, a 96 meses; X juros de desconto, no exterior, de cambiais de exportação e as comissões de banqueiros inerentes a essas cambiais; XI juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações. XII valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos para o exterior pelo exportador brasileiro, relativos às despesas de armazenagem, movimentação e transporte de carga e emissão de documentos realizadas no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.774, de 2008) § 1º Nos casos dos incisos II, III, IV, VIII, X, XI e XII do caput deste artigo, deverão ser observadas as condições, as formas e os prazos estabelecidos pelo Poder Executivo. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 13.043, de 2014) § 2o Para fins de aplicação do disposto no inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço relacionados à exploração e produção de petróleo ou de gás natural, Fl. 27508DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 24 23 celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação sobre o valor total dos contratos dos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) I 85% (oitenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) II 80% (oitenta por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) III 65% (sessenta e cinco por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) § 3o Para cálculo dos percentuais a que se referem os §§ 2o, 9o e 11 deste artigo, o contrato celebrado em moeda estrangeira deverá ter os valores contratados convertidos para a moeda nacional pela taxa de câmbio da moeda do país de origem fixada para venda pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data da apresentação da proposta pelo fornecedor, que é parte integrante do contrato. § 4o Na hipótese de repactuação ou reajuste dos valores de quaisquer dos contratos, as novas condições deverão ser consideradas para fins de verificação do enquadramento do contrato de afretamento ou aluguel de embarcação marítima nos limites previstos nos §§ 2o, 9o e 11 deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) § 5o Para fins de verificação do enquadramento das remessas de afretamento ou aluguel de embarcação marítima nos limites previstos nos §§ 2o, 9o e 11 deste artigo, deverão ser desconsiderados os efeitos da variação cambial. (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) § 6o A parcela do contrato de afretamento ou aluguel de embarcação marítima que exceder os limites estabelecidos nos §§ 2o, 9o e 11 deste artigo sujeitase à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), exceto nos casos em que a remessa seja destinada a país ou dependência com tributação favorecida ou em que o fretador, arrendante ou locador de embarcação marítima seja beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, hipóteses em que a totalidade da remessa estará sujeita à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) § 7º Para efeitos do disposto nos §§ 2o, 9o e 11 deste artigo, a pessoa jurídica fretadora, arrendadora ou locadora de embarcação marítima sediada no exterior será considerada vinculada à pessoa jurídica prestadora do serviço, quando: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) I for sua matriz, filial ou sucursal; (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) Fl. 27509DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 25 24 II a participação societária no capital social de uma em relação à outra a caracterize como sua controladora ou coligada, na forma definida nos §§ 1o e 2o do art. 243 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976; (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) III ambas estiverem sob controle societário ou administrativo comum ou quando pelo menos 10% (dez por cento) do capital social de cada uma pertencer a uma mesma pessoa física ou jurídica; (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) IV em conjunto com a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, tiver participação societária no capital social de uma terceira pessoa jurídica, desde que a soma das participações as caracterize como controladoras ou coligadas desta, na forma definida nos §§ 1º e 2º do art. 243 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; ou (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) V for sua associada, na forma de consórcio ou condomínio, conforme definido na legislação em vigor, em qualquer empreendimento. (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) § 8o Ato do Ministro de Estado da Fazenda poderá elevar em até dez pontos percentuais os limites de que tratam os §§ 2o, 9o e 11 deste artigo, com base em estudos econômicos. § 9o A partir de 1o de janeiro de 2018, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte, na hipótese prevista no § 2o deste artigo, fica limitada aos seguintes percentuais: (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) I 70% (setenta por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017 II 65% (sessenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) III 50% (cinquenta por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) § 10. O disposto nos §§ 2o e 9o deste artigo não se aplica às embarcações utilizadas na navegação de apoio marítimo, definida na Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997, vedada, inclusive, a aplicação retroativa do § 2o deste artigo em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei no 13.043, de 13 de novembro de 2014. (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) § 11. Para fins de aplicação do disposto no inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço relacionados às atividades de transporte, movimentação, transferência, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito, celebrados entre pessoas jurídicas vinculadas entre si, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto de renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação do percentual de Fl. 27510DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 26 25 60% (sessenta por cento) sobre o valor total dos contratos. (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) § 12. A aplicação dos percentuais estabelecidos nos §§ 2º, 9º e 11 deste artigo não acarreta a alteração da natureza e das condições do contrato de afretamento ou aluguel para fins de incidência da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) de que trata a Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, e da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (PIS/Pasep Importação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação), de que trata a Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) (grifouse) Com a inserção do §2º, art. 1º da Lei n.º 9.481/97 acima transcrito, ficou reconhecida na legislação a normalidade da contratação simultânea de empresas vinculadas de afretamento de embarcação destinada à prospecção e exploração de petróleo, e de prestação de serviços relacionados à prospecção de petróleo e gás. Nesse ponto, entendese pertinente a transcrição da lição de Marcus Lívio Gomes e Fábio Fraga1 ao tratarem do tema dos contratos de afretamento, que claramente trazem qual foi o intuito de criação da referida legislação pelo Governo Federal, evidenciada pela discussão empreendida no Congresso Nacional, quando da aprovação da MP n.º 1.563/97, convertida na Lei n.º 9.481/97, afirmando os congressistas que se tratava de fundamental adequação da legislação concentrada e moderna de inserção na diminuição do custo Brasil. O governo, portanto, tinha plena consciência de que estava abrindo mão de uma arrecadação significativa com o objetivo maior de atrair investimentos estrangeiros para o país. Ao tratar mais especificamente dos contratos relacionados às atividades de exploração e produção de petróleo, acrescentam referidos autores serem os instrumentos contratuais divididos em dois: "[...] i) contrato de afretamento, entre a operadora nacional e a proprietária da unidade, situada no exterior; e ii) contrato de prestação de serviços entre a operadora nacional e a empresa brasileira." Nessa esteira, ao tratarem da tributação incidente (ou não) sobre referidas operações, sustentam, ainda, que: "No caso do contrato de afretamento, não há a incidência do imposto de renda retido na fonte, em virtude da aplicação da alíquota zero prevista no art. 1º da Lei n.º 9.481/97, conforme visto acima. Não há, ainda, a tributação pela CIDE por não haver a prestação de serviços exigida no fato gerador do art. 2º, §2º, da Lei 10.168/2000. E, por último, também não ocorre a tributação pelo PIS/COFINS, seja pela alíquota zero prevista no art. 8º, §14, da Lei nº 10.865/2004, seja por não caracterizar serviço e, portanto, não estar incluído no fato gerador do art. 3º, II, da mesma Lei n.º 10.865/2004." 1 FRAGA, Fábio. GOMES, Marcus Lívio. A Tributação dos Contratos de Afretamento na Indústria do Petróleo. In: A Tributação na Indústria do Petróleo e do Gás Natural/ Marcus Lívio Gomes, Ricardo Lodi Ribeiro, coordenadores. p. 1546. São Paulo: Almedina, 2016. Fl. 27511DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 27 26 No caso dos autos, a Fiscalização e o acórdão recorrido consideraram que houve a bipartição artificial dos contratos apoiandose também em indícios de que o contrato de afretamento envolvia "grandes valores" (cerca de 90% da soma dos dois contratos firmados), enquanto o contrato de prestação de serviços celebrado no país previa pagamentos da ordem de apenas 10%. Com a leitura dos incisos I a III, do §2º do art. 1º da Lei n.º 9.481/97, concluise que a premissa adotada com relação aos percentuais não foi a mais adequada, tendo em vista que a própria legislação previu a aplicação de alíquota zero do IRF quando o valor pago pelo afretamento corresponder a 85% do total das duas contratações, para os casos de afretamento de plataforma; e nos percentuais de 80% e 20%, nas hipóteses em que a embarcação afretada for navio sonda. Demonstrou o legislador entender que as proporções são razoáveis, ficando demonstrado que o custo do afretamento efetivamente excede em muito àquele da prestação de serviços, inclusive pelos elevados valores das embarcações afretadas. Além disso, há previsão expressa na nova redação do dispositivo em comento de que poderão ser elevados os percentuais em até 10%, com base em estudos econômicos, por meio de ato do Ministro de Estado (§8º), elucidando que até mesmo a proporção de 95% referente ao contrato de afretamento plataformas e de 90% para os naviossonda, enquadra se no limite da razoabilidade. A alegação de desnaturação dos pactos em razão da impossibilidade de aplicação retroativa da referida norma também não se sustenta, isso porque anteriormente, a Instrução Normativa RFB nº 941/2009, amparava a contratação estabelecida pela Recorrente, conforme bem apontado em voto vencedor, da lavra da Ilustre Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, nos autos do processo n.º 10872.720152/201692, cujo julgamento resultou no Acórdão n.º 3301004.592, do qual se extrai a seguinte passagem: [...] A acusação fiscal fundamentase nos seguintes pilares: a) a contratação segregada entre afretamento e prestação de serviços é indevida, uma vez que o afretamento seria parte indissociável da prestação de serviços; b) a contratação segregada entre afretamento e prestação de serviços é artificial, pois a empresa contratada para prestar os serviços não possuiria capacidade operacional para esse fim e c) o negócio jurídico teria o único objetivo de afastar a tributação, através do enquadramento na norma que instituiu benefício de alíquota zero. Por sua vez, o acórdão primoroso da DRJ foi construído sobre os seguintes pilares: I Quanto à contratação segregada entre afretamento e prestação de serviços, não há falarse em contratação indevida, porquanto a IN RFB nº 941/2009 já a admitia. II Necessária verificação da existência de elementos que evidenciam haver abusividade na contratação segregada, ou seja, análise da prova de que a Fl. 27512DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 28 27 empresa teria executado planejamento tributário abusivo para escapar da incidência tributária de maneira dissimulada. Conclui ao final que não houve a abusividade por parte da empresa. III Afasta um a um dos pontos em que se fundamentou a autoridade fiscal, para concluir pela licitude da conduta da empresa: “(i) a previsão de serviços no contrato de afretamento é a prova de que, na realidade, não se trata de afretamento; (ii) a falta de capacidade operacional das empresas contratadas para a prestação de serviços evidencia a artificialidade da contratação; e (iii) a desproporção observada entre os valores pagos a título de afretamento e de prestação de serviços, viabilizada pela contratação envolvendo pessoas vinculadas, é o indício final que caracteriza uma “manobra dissimuladora utilizada para retirar receitas do campo de incidência dos tributos”.” Assim, considerando que: a) A conduta da Recorrida de celebração de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, estava amparada pela legalidade, mesmo antes da Lei nº 13.043/2014. b) A validade do planejamento é aferida após verificação de adequação da conduta no campo da licitude ou da ilicitude. Assim, a opção negocial do contribuinte no desempenho de suas atividades, quando não integrar qualquer hipótese de ilicitude, é perfeitamente possível e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa para fins de tributação. c) Para que haja simulação que legitime a desconsideração do negócio jurídico, é necessário: (i) conluio entre as partes; (ii) divergência entre a real vontade das partes e o negócio por elas declarado; e (iii) intenção de lograr o Fisco. d) O lançamento tributário com a desconsideração do negócio jurídico realizado e a exigência do tributo incidente sobre a suposta “real” operação, deve estar acompanhado de provas cabais dos fatos nele constituídos. e) Não logrou êxito a fiscalização em comprovar a abusividade na contratação segregada. f) Os temas foram abordados no voto condutor da DRJ de forma minuciosa. Por conseguinte, nos termos do art. 57, § 3º, do RICARF, com redação a Portaria n° 329/2017 e do art. 50, §1o da Lei n° 9.784/99, adotase como razões de decidir, os fundamentos do acórdão n° 0739.244 da 3ª Turma da DRJ/FNS, verbis: Em análise à defesa referente à acusação de que a contratação segregada do afretamento em relação à prestação de serviços seria, por si só, indevida, entendo que assiste razão à Impugnante. Em outras palavras, entendo que a contratação segregada do afretamento em relação à prestação de serviços encontra amparo na legislação tributária do País, inclusive à época dos fatos abrangidos pelo lançamento. Fl. 27513DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 29 28 Conforme restou claro, a Autoridade Fiscal entendeu que a segregação dos contratos é indevida haja vista que “o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados”, de modo que “tratase de uma só contratação, cujo fundamento econômico é o serviço de produção de petróleo de petróleo e gás natural”. Em sua extensa e bastante didática defesa, a Contribuinte esclareceu a natureza diversa e o objeto próprio de cada um dos contratos – de afretamento e de prestação de serviços de operação e manutenção (O&M) –, que justificam a celebração de contratos coligados (e não um único contrato de prestação de serviços abrangendo a disponibilização da unidade flutuante). Depois, demonstrou que há razões para que a contratação seja realizada com empresas vinculadas entre si, e também que é natural que haja cláusulas contratuais recíprocas entre contratos coligados. A Contribuinte também esclareceu que a existência de certos serviços não desnatura o contrato de afretamento por tempo, embora aqui há que se registrar a confusão que existe entre a denominação prevista nos contratos (“afretamento a casco nu” – Bare Boat Charter) e a essência de “afretamento por tempo”, ou time charter, que neles é encontrada e, inclusive, reconhecida diversas vezes na própria peça impugnatória. A eventual consequência dessa confusão entre a denominação do contrato e sua essência será objeto de análise mais adiante neste mesmo Voto. Voltando à questão da legalidade do arranjo contratual utilizado, da mesma forma que a Impugnante, entendo que a própria Receita Federal, mesmo antes de 2011, já considerava legítima a coexistência de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, pois nas suas Instruções Normativas expressamente admite a celebração de contratos dessa natureza por parte de um único concessionário de exploração de petróleo e gás, inclusive quando as contrapartes são pessoas jurídicas vinculadas, conforme passo a demonstrar. Para esclarecer esse ponto, cumpre recuperar a legislação do REPETRO. Com amparo no parágrafo único do art. 79 da Lei nº 9.430, de 1996, o Presidente da República editou o Decreto nº 3.161, de 1999, instituindo o REPETRO, nos seguintes termos: [...] Embora o Decreto instituidor do REPETRO não tenha sido acima reproduzido na íntegra, há que se registrar que nele apenas se conferiu as linhas gerais dos benefícios abrangidos pelo regime. E, como restou claro na transcrição acima, ele delegou à Secretaria da Receita Federal a expedição de normas estabelecendo a disciplina do regime. Fl. 27514DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 30 29 Em obediência ao comando contido no Decreto instituidor do REPETRO, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF nº 112, de 1999, abaixo reproduzida na parte pertinente ao que aqui se pretende demonstrar: [...] Como se nota, a Instrução Normativa SRF nº 112, de 1999, foi o primeiro ato normativo que identificou os possíveis beneficiários do REPETRO. Naturalmente, havia previsão de que a concessionária autorizada a exercer as atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural poderia requerer o enquadramento no regime (art. 10, § 1º). Mas, além da concessionária, a IN SRF nº 112, de 1999, deixou claro que a pessoa jurídica subcontratada pela concessionária para executar as atividades de pesquisa ou produção de petróleo ou gás natural também poderia requerer o enquadramento no regime (art. 6º, § 2º). De qualquer forma, como restou bem claro nesse primeiro ato normativo que disciplinou o acesso ao REPETRO, somente poderia se enquadrar como beneficiária do regime a pessoa jurídica que estivesse diretamente envolvida com as atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, fosse ela a própria concessionária ou a pessoa jurídica por ela subcontratada para exercer essas atividades. Nessa Instrução Normativa SRF nº 112, de 1999, também é importante notar que no § 2º do seu art. 10 havia a primeira referência que se fez na legislação do REPETRO a “embarcação estrangeira”. Notase que se trata, apenas, da especificação de uma condição adicional relacionada à embarcação passível de ser abrangida pelo REPETRO, importada por pessoa jurídica beneficiária do regime. Nesse caso, antes de importar embarcação estrangeira, a beneficiária do regime deveria providenciar autorização, expedida pelo Ministério da Marinha, para que a referida embarcação pudesse operar no mar territorial brasileiro. Nada além disso. [...] Apenas com a alteração promovida pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009, a Instrução Normativa RFB nº 844, de 2008, passou a se referir expressamente aos contratos de afretamento. E o mais importante é notar que, com essa alteração, a Receita Federal expressamente admitiu que a mesma pessoa jurídica contratada pela concessionária para a prestação de serviços pudesse providenciar o fornecimento de bem necessário a essa execução, amparado em contrato de afretamento distinto do contrato de serviços, desde que tivessem execução simultânea. Tratase da previsão contida no § 3º do art. 5º da Fl. 27515DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 31 30 Instrução Normativa RFB nº 844, de 2008, incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009: [...] Ou seja, com esse § 3º incluído no art. 5º da IN RFB nº 844, de 2008, pela IN RFB nº 941, de 2009, a própria Receita Federal admitiu que a concessionária da exploração de petróleo pudesse celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. [...] Importante referir que em seu art. 3º, a Lei nº. 13.586/2017 (que alterou o art. 1º da Lei n.º 9.481/97), previu a aplicação dos percentuais dos §§ 2º e 12º do art. 1º da Lei 9481/97, aos fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2014, hipótese na qual se enquadra os presentes autos. Pertinente a transcrição do verbete: Art. 3º Aos fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2014, aplicase o disposto nos §§ 2º e 12 do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, e a pessoa jurídica poderá recolher a diferença devida de imposto sobre a renda na fonte, acrescida de juros de mora, no mês de janeiro de 2018, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício. § 1º Para fazer jus ao tratamento previsto no caput deste artigo, a pessoa jurídica deverá comprovar a desistência expressa e irrevogável das ações administrativas e judiciais que tenham por objeto os débitos de que trata este artigo e renunciar a qualquer alegação de direito sobre a qual se fundem as referidas ações. § 2º A desistência de que trata o § 1o deste artigo poderá ser parcial, desde que o débito objeto da desistência seja passível de distinção dos demais débitos discutidos no processo administrativo ou judicial. § 3º É facultado o pagamento do débito consolidado de que trata o caput deste artigo em até doze parcelas mensais, iguais e sucessivas, e a primeira parcela será vencível em 31 de janeiro de 2018 e as demais, no último dia útil dos meses subsequentes. § 4º As parcelas a que se refere o § 3º deste artigo serão acrescidas de juros equivalentes: I à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir de 1o de fevereiro de 2018 até o último dia do mês anterior ao do pagamento; e II de 1% (um por cento), no mês do pagamento. Fl. 27516DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 32 31 § 5º Na hipótese de incorporação, de fusão ou de cisão ou de extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação, as parcelas vincendas devem ser pagas até o último dia útil do mês subsequente ao do evento. § 6º A extinção da ação nos termos do disposto no § 1o deste artigo dispensa o pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais. § 7º O disposto no caput deste artigo não se aplica às embarcações utilizadas na navegação de apoio marítimo, definida na Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997, as quais se encontram expressamente excepcionadas do disposto nos §§ 2º e 9º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, conforme o disposto no § 10 do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. (grifouse) De outro lado, a possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, sem que isso se caracterize em bipartição artificial dos contratos com o intuito de se furtar à tributação, vem reconhecida nas Soluções de Consulta Cosit n.º 225/2014 (elaborada antes da publicação da Lei n.º 13.043/14) e 12/2015 (proferida na vigência da Lei nº 13.043/14), ambas confirmando a correção da conduta da Contribuinte. Da Solução de Consulta Cosit n.º 225/2014, são extraídas importantes conclusões acerca da validade dos negócios jurídicos efetuados pela Recorrente: (i) o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de navios sonda está sujeito à alíquota zero do IRRF; (ii) reconhece que a contratação dos naviossonda para operação no Brasil dar seá por meio de dois contratos distintos: contrato de afretamento e contrato de prestação de serviços, sendo o primeiro celebrado entre a empresa domiciliada no exterior e uma empresa brasileira da área de petróleo e gás; e o segundo, contrato de prestação de serviço para operação do navio sonda, será efetuado entre a empresa brasileira da área de petróleo e gás e uma empresa operadora brasileira; (iii) assume a premissa de que as empresas são livres para administrar seus negócios e realizarem contratações de modo a otimizar as suas operações e a obtenção de lucros, desde que observados os limites da lei, e conclui que, em princípio, não se vislumbra nenhum óbice à contratação em separado, de empresas distintas, uma para afretamento do bem e outra para a sua operação. A Solução de Consulta Cosit nº. 12, de 09/02/2015, emitida à luz da Lei n.º 13.043/14, por sua vez, reiterou as conclusões da Solução de Consulta Cosit nº 225/14, bem como deixou de fazer a ressalva relativa à possibilidade de o Fisco descaracterizar os negócios jurídicos celebrados pela Contribuinte no caso de desproporção da remuneração e de ausência de propósito negocial. Também consigna que o entendimento nela esposado aplicase aos contratos celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, quando a fretadora Fl. 27517DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 33 32 estrangeira e a prestadora de serviços domiciliada no Brasil pertencerem ao mesmo grupo econômico. A solução de consulta foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF EMENTA: AFRETAMENTO DE PLATAFORMAS SEMISSUBMERSSÍVEIS POSSIBILIDADE DE APLICAÇÇÃO DA ALÍQUOTA ZERO DE IRRF SOBRE OS VALORES REMETIDOS PARA O EXTERIOR. O pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de plataforma semissubmerssível está sujeito à alíquota zero do IRRF. A parcela relativa ao contrato de afretamento estará limitada à 80% do valor global do contrato, quando houver execução simultânea de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si. DISPOSITIVOS LEGAIS: inciso I do art. 1º e inciso II do § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, e inciso I do art. 691 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999). (grifouse) Com a publicação das Soluções de Consulta, portanto, a Administração mais uma vez legitimou a possibilidade de bipartição dos contratos, corroborando a razoabilidade da forma contratual no tipo específico da demanda e sua indevida descaracterização dos contratos de afretamento. Essa foi a conclusão que também prevaleceu no julgamento do processo n.º 16682.721161/201291, idêntico ao dos presentes autos, tratando da exigência do IRRF, emergindo o Acórdão n.º 2401005.149, de relatoria da nobre Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, in verbis: [...] Pois bem. Inicialmente, ante a desconsideração por parte da fiscalização da natureza dos contratos de afretamento, há de se fazer uma análise do fato conhecido e comprovadamente existente (pagamentos em favor de empresas estrangeiras a título de afretamento de plataformas) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (pagamentos a empresas estrangeiras por prestação de serviços técnicos). Deve ser verificado se os parâmetros adotados pela fiscalização configuram indícios para a artificialidade dos contratos, sua descaracterização e a absorção dos afretamentos pelos contratos de prestação de serviços. Conforme se constata do TVF, a razão para que a fiscalização entendesse que existia uma artificialidade nos contratos de afretamento e os considerasse como de prestação de serviço técnico foi a coligação dos contratos de afretamentos com os de prestação de serviços por empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico e o percentual adotado nos contratos relativos ao afretamento. Fl. 27518DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 34 33 A acusação fiscal constatou que os contratos firmados pela Petrobras para obtenção de unidade de pesquisa e exploração de petróleo/gás, inseremse em uma estrutura complexa de contratos interligados envolvendo empresas nacionais e estrangeiras, no entanto entendeu ser artificial a relação percentual entre o custo do afretamento e dos serviços adotados. [...] Notoriamente, os contratos que ensejaram a exigência fiscal ora em debate foram firmados pela Petrobras através de contratos distintos, porém coligados, pela própria natureza e complexidade do negócio e dos objetos contratuais. O fato da pessoa jurídica que faz o afretamento pertencer ao mesmo grupo econômico da pessoa jurídica que faz a prestação de serviços não caracteriza, por si só, simulação ou abuso de direito, pela própria liberdade de contratar, conforme disciplinado no Código Civil: Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. Nesse diapasão, os chamados contratos coligados são dependentes entre si, embora preservem sua autonomia. Segundo Maria Helena Diniz: [...] Dessa forma, o fato de haver necessidade de serem executados simultaneamente contratos de afretamento e de prestação de serviços (fls. 15.257/15.335), de nenhum modo traz indicativo de inexistência ou artificialidade de negócio jurídico, mas tão somente da existência de contratos coligados de modo a garantir a segurança e eficácia dos objetos negociais sem os desnaturar como contratos distintos. Conforme bem destacou a Recorrente em razões recursais (fls. 16024/16025): Quando a Recorrente forma tais contratos de afretamento (seja casco nu ou a tempo) a ela é transferido o direito de utilizar as embarcações nessas finalidades econômicas (gestão comercial). Desse modo, poderia perfeitamente a Recorrente exercer tais atividades de forma direta – utilizandose de seus próprios técnicos, empregados ou autônomos por ela remunerados – ou de forma indireta – mediante contratação de empresa especializada, como ocorreu no caso concreto. Essa empresa especializada pode ser terceira pessoa ou mesmo o próprio fretador, mas os contratos serão sempre diversos: o primeiro de afretamento (a casco nu ou por tempo envolvendo serviços náuticos) e o segundo de prestação de serviços. Assim, seja qual for a forma pela qual a Recorrente exerça a gestão comercial da embarcação, é absolutamente incabível e equivocado sustentar que o afretamento faz parte de um serviço que a Recorrente desenvolve para si mesma – diretamente ou de forma terceirizada. Fl. 27519DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 35 34 Prova disso é que se a Recorrente estivesse desenvolvendo a gestão comercial de forma direta, com técnicos seus empregados, o contrato de prestação de serviços com a empresa nacional inexistiria e nem por isso o contrato de afretamento perderia efeito ou deixaria de ser necessário, tudo a evidenciar a sai absoluta autonomia em relação a esse outro contrato ao qual a fiscalização pretende assimilálo, fundilo ou integrálo. A caracterização de contrato de afretamento como sendo de prestação de serviços técnicos, por presunção, sem trazer motivação sólida e prova robusta e adequada da acusação, de modo a afastar a autonomia dos contratos e a liberdade na gestão dos negócios da empresa, não pode prevalecer. O lançamento foi efetuado tomando como base a totalidade dos valores remetidos ao exterior a título de afretamento das embarcações como se não existissem referidos contratos e sem comprovação de ausência de propósito negocial. Sendo assim, estarseia afirmando que foram cedidas plataformas sem pagamento de qualquer valor, ou que os serviços poderiam ser realizados sem a plataforma. Não verifico base fática e legal para se considerar 100% (cem por cento) do valor do afretamento como prestação de serviços técnicos. O fato dos contratos terem sido pactuados com empresas do mesmo grupo não autorizaria essa presunção. Da mesma forma, a existência de cláusulas contratuais estabelecendo a vinculação dos contratos de afretamento e de prestação de serviços não transformaria todos os valores pagos em prestação de serviços técnicos remetidos ao exterior. Tendo em vista que a constituição do crédito tributário é atividade administrativa plenamente vinculada, não pode a fiscalização lançar mão de presunções, sem autorização em lei, para a cobrança de tributo. A complexidade do negócio jurídico envolvido demandaria da autoridade Fiscal uma análise mais aprofundada da ocorrência do fato gerador para se chegar à conclusão de que os valores remetidos ao exterior decorreram da prestação de serviços e não do pagamento dos afretamentos. A vinculação na execução simultânea de contratos de afretamento e de prestação de serviços é perfeitamente legítima e não autoriza a desconsideração dos contratos pactuados da forma como efetivada no lançamento. No caso em apreço constatase que a presunção lançada pela fiscalização para descaracterizar os contratos de afretamento não encontra respaldo na Lei nº 9.481/97, com as alterações estabelecidas pela Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, que trouxe em seu bojo a bipartição de contratos como consequência natural do negócio jurídico, conforme se destaca: [...] Conforme se vê do diploma legal, no caso de execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos, a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e Fl. 27520DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 36 35 descarga, podendo referido percentual ser elevado em até 10 % (dez por cento). Referida lei apenas corroborou situação já existente em face de negócios jurídicos firmados em que envolviam a prospecção e exploração de petróleo em águas profundas no mar, por envolver afretamento de plataforma de custos elevadíssimos, equipadas com tecnologia específica para a tal exploração e que prepondera significativamente sobre o valor do serviço, tanto que o próprio legislador considerou as proporções percentuais razoáveis. Desse modo, se o próprio legislador trata da execução simultânea do contrato de afretamento de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural por pessoas jurídicas vinculadas entre si, inclusive estabelecendo o limite da parcela relativa ao afretamento, que poderá chegar a 95% (§ 8º, do art. 1º da Lei nº 9.481/97), verificase que a presunção configurada na acusação fiscal sobressai totalmente insubsistente. A uma, porque não se pode motivar o lançamento por presunção não estabelecida em lei; a duas, porque não há ilegitimidade na contratação de afretamento na forma como pactuada; a três, porque dentro do conjunto dos contratos, independente se foi feito de forma conjunta ou separada, deveria o fiscal ter excluído da base de incidência o que efetivamente não configura a prestação de serviços. Não há motivação razoável para a interpretação a que chegou a fiscalização. Nesse diapasão, a Coordenação Geral de Tributação (COSIT) publicou a Solução de Consulta nº 225, de 19 de agosto de 2014, antes mesmo das alterações introduzidas na Lei nº 9.481/97, pela Lei nº 13.043/2014, em que respalda o procedimento adotado pela Recorrente no que tange a liberdade das empresas na forma de montar os seus negócios e de contratação, em especial para a exploração de petróleo. [...] Já sob a égide das alterações introduzidas pela Lei nº 13.043/2014, foi exarada a Solução de Consulta nº 12, de 9 de fevereiro de 2015 que trata da alíquota zero de IRRF sobre os valores remetidos ao exterior a título de afretamento de plataformas semissubmerssíveis, conforme se destaca a seguir: [...] Mais uma vez a Administração reafirma a legitimidade na bipartição dos contratos, o que corrobora a razoabilidade da forma contratual no tipo específico da atividade objeto da demanda e a indevida descaracterização dos contratos de afretamento. Além da clara insuficiência da configuração do fato gerador da forma como inserida na acusação fiscal, até mesmo por força da existência de contratos distintos e perfeitamente hígidos, necessário se faz ainda trazer à reflexão a distinção da natureza dos contratos. Enquanto que o afretamento tem por objeto uma obrigação de dar, o contrato de prestação de serviços tem por objeto uma obrigação de fazer. Também nesse ponto encontrase configurada a naturalidade na distinção contratual. Fl. 27521DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 37 36 Importante nesse ponto trazer à colação entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Reclamação 14.290, quando do voto da Ministra Relatora Rosa Weber, traz em destaque os debates ocorridos para a aprovação da Súmula Vinculante nº 31 relativa ao ISS sobre locação de bens móveis, em que se discutiu a distinção da incidência tributária quando ocorre a locação de serviços juntamente com a prestação de serviços, em firmando entendimento de que a cobrança de forma conjunta não desnatura a distinção entre os contratos Vejamos: [...] No caso em exame, o contrato de afretamento não poderia ter sido tratado como um contrato único de prestação de serviços. O que a fiscalização poderia ter feito, mas não o fez, seria o arbitramento da base de cálculo, nos termos do art. 148 do CTN, para refletir apenas o vulto econômico da prestação de serviços, sem a parcela relativa ao valor do afretamento No entanto, por entender que poderia existir potencialmente a realização do fato gerador, resolveu aferir a base tributável sobre a totalidade dos valores, sem a efetiva constatação da ocorrência do fato jurídico tributário. Conforme bem destaca a Recorrente à fl. 16.019, as embarcações em causa – navios, navios sonda e plataformas – em razão da complexidade técnica são bens de vultoso valor e essencial ao desenvolvimento da atividade a que se destinam, representam a maior parcela do valor contratado. Nesse contexto, se cabível a unificação, seria mais lógico e coerente que o afretamento abarcasse a prestação de serviços do que o contrário como pretendeu o Fisco. Quando muito, o que caberia, caso a fiscalização tivesse comprovado atribuição irreal de preços aos contratos – o que no caso sequer se cogitou – seria eventual glosa de excesso de custo de afretamento ou tributação de parte como serviço, nada justificando ou autorizando a desqualificação do contrato de afretamento para atribuirlhe a natureza de prestação de serviços e com isso tributálo integralmente como tal. Falta à acusação fiscal elementos de prova que ratifiquem as razões que a levaram para fundamentar a tese de que todos os valores pagos de afretamento são, na verdade, prestação de serviços, afastando a alíquota zero do IRRF, conforme determinação contida no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: [...] Tendo em vista o entendimento ora firmado de que no presente caso não houve a comprovação de que os contratos de afretamento se tratavam de prestação de serviços, restou prejudicada a análise concernente a não tributação dos valores pagos a beneficiários localizados em países signatários de tratados para evitar a dupla tributação. [...] Pertinente, ainda, citar que no interregno entre as sessões de julgamento de janeiro e fevereiro de 2019, foi proferido o acórdão n.º 3401005.806, pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 29 de janeiro de 2019, de relatoria do Fl. 27522DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 38 37 Ilustre Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, dando provimento ao recurso voluntário da Petrobrás para afastar a cobrança da CIDE, em caso absolutamente idêntico ao dos presentes autos, cuja ementa segue abaixo transcrita: Ementa(s) Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE. Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO. Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro. Da fundamentação do acórdão n.º 3401005.806 extraise os seguintes trechos, que passam a também integrar o presente voto como razões de decidir, in verbis: [...] 42. A nova redação dada ao § 2º do art. 5º da IN RFB nº 844/2008 deixa claro que a prestadora de serviço contratada pela concessionária também pode ser parte no contrato de afretamento. Com isso, podese afirmar que a RFB admite que a concessionária da exploração de petróleo possa celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos: um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. Com a diferença que agora essa pessoa jurídica poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, sendo parte ou não deste contrato. [...] 45. A partir da análise da legislação e das provas coletadas, verifico que as conclusões da Autoridade Tributária mostramse equivocadas. A alegação de artificialidade (simulação ou planejamento tributário abusivo) na Fl. 27523DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 39 38 bipartição dos contratos não restou comprovada no procedimento fiscal. Além disso, esta possibilidade de bipartição contratual está expressamente prevista na legislação do Repetro, sendo justamente o modelo construído pelo legislador para possibilitar que as empresas se utilizem deste regime aduaneiro especial. O art. 5º, §§ 3º e 8º, c/c o art. 17, § 9º, todos da IN RFB nº 844/2008 (e alterações), determinam o seguinte: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (...) § 3º O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de prestação de serviços. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) (...) § 8º Na hipótese prevista no § 9º do art. 17, as pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 1º poderão ser habilitadas ao Repetro com base no contrato de prestação de serviços, desde que haja execução simultânea com os contratos de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) (...) Art. 17. A solicitação do regime será formulada mediante apresentação do Requerimento de Concessão do Regime (RCR), de acordo com o modelo constante do Anexo II à Instrução Normativa SRF no 285, de 2003. (...) § 9º Na hipótese de disponibilização de bem pela concessionária ou autorizada à empresa contratada para a prestação de serviços, será aceito, para fins de concessão do regime de admissão temporária, contrato de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, firmado entre a concessionária ou autorizada e a empresa estrangeira, desde que: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) I esteja vinculado à execução de contrato de prestação de serviços, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) Fl. 27524DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 40 39 II conste cláusula prevendo a transferência da guarda e da posse do bem. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) 62. Apesar de restar claro, a meu ver, que a utilização do regime aduaneiro Repetro para fins de suspensão dos tributos incidentes na admissão temporária das plataformas de exploração de petróleo pressupõe que a contratação destas esteja prevista em contrato distinto daquele referente à prestação de serviços, devese ter em conta que a artificialidade da "bipartição" ainda assim poderia realmente ocorrer, mas, neste caso, teria o AuditorFiscal que demonstrar que não ocorreu o afretamento, ou que a empresa estrangeira não existia, ou demonstrar a falta de capacidade operacional de alguma das empresas contratadas, ou divergência entre a real vontade das partes e o negócio por elas declarado, ou que havia manipulação dos contratos com a finalidade de distribuir custos e receitas de forma a diminuir, fraudulentamente, a incidência dos tributos. 63. Apesar do TVF conter uma extensa análise das cláusulas contratuais, não vislumbro a identificação de qualquer destas situações, ou de outras que pudessem comprovar a artificialidade alegada. Vejamos, a seguir, os fatos que foram destacados pela Autoridade Fiscal, a partir das cláusulas contratuais, como indícios da simulação. 64. Em relação ao fato de que as empresas contratadas pela Petrobrás pertencem a um mesmo grupo econômico, tal situação deve ser levado em conta apenas para uma análise mais cuidadosa dessa operação mas, por si só, isoladamente, não tem o condão de indicar uma simulação nessas contratações. Devese levar em conta que o § 2º do art. 5º da IN RFB nº 844/2008 deixa claro que a prestadora de serviço contratada pela concessionária também pode ser parte no contrato de afretamento, ou seja, a concessionária da exploração de petróleo possa celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos: um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. 65. Se tal combinação é admitida expressamente, não se pode imaginar que o fato das empresas contratantes pertencerem a um mesmo grupo econômico seja impeditivo para a separação dos contratos, já que poderia até mesmo haver apenas uma empresa sendo parte em ambos os contratos. 66. Ademais, a Lei nº 13.043, de 2014, ao alterar a Lei nº 9.481/97, para tratar da execução simultânea dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, admitiu expressamente a possibilidade de que estes contratos sejam celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si. Os limites percentuais lá estabelecidos, inclusive, só são aplicáveis justamente quando existir tal vinculação. 67. Nesse sentido, a seguinte decisão da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no Acórdão nº 3301004.592 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 17/04/2018: [...] 68. Quanto a estas empresas, pertencentes ou não ao mesmo grupo econômico, assumirem direitos e obrigações recíprocos, entendo que tal situação se mostra perfeitamente compatível com um modelo de contratação Fl. 27525DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 41 40 no qual os contratos, por exigência legal, devem possuir execução simultânea. Afinal, o inadimplemento de uma poderá acarretar a inviabilidade material de cumprimento contratual pela outra. Sem os serviços, de nada serve a plataforma; sem a plataforma, não há como ser executado o serviço. 69. Aliás, esta é uma característica geral dos contratos: estabelecer direitos e obrigações recíprocos; entendo que andou mal o Fisco ao não detalhar quais seriam estes direitos e obrigações recíprocos que tornariam artificial a bipartição contratual efetivada. 70. Quanto à responsabilidade solidária, também me parece uma consequencia natural da interdependência e complementariedade existente entre os contratos e o tipo de atividades. Tanto o afretador quanto o prestador de serviços estão sujeitos à ocorrência de acidentes de trabalho que possa vitimar um funcionário de alguma das contratadas; ou de algum acidente ambiental. Em tais casos, pode ser muito difícil identificar o responsável, ou mesmo ambos podem ser responsáveis. Pode decorrer de uma falha da plataforma ou de sua má utilização pelos prestadores de serviço. 71. Pelas mesmas razões, nada vejo de irregular no fato dos contratos de afretamento declararemse vinculados a contratos de prestação de serviços, e que ambos sejam assinados na mesma data, visto que a legislação determina exatamente isso: os contratos devem estar vinculados e ter sua execução simultânea, conforme IN RFB nº 844/2008, art. 5º § 3º, c/c art. 17, § 9º, inciso I. Daí porque as prorrogações de prazo do afretamento, por meio de aditivos, são espelhadas por iguais prorrogações do contrato de serviços, por meio de aditivos assinados nas mesmas datas. 72. Na mesma linha, o fato de alguns contratos de afretamento estipularem que a medição do afretamento se dará por meio de Boletins de Medição assinados por ambas as partes, à semelhança do que ocorre com os contratos de serviços, também não indica uma simulação contratual ou um abuso de formas. É natural que o período de medição do afretamento seja o mesmo adotado para a medição dos serviços: do primeiro ao último dia do mês de competência. 73. As plataformas possuem uma capacidade operacional, a qual vai influenciar no preço do contrato. Logicamente, existem plataformas com diferentes níveis tecnológicos e capacidade de produção. Da mesma forma, existem prestadores de serviço mais eficientes que outros, com maior expertise e que conseguem, com uma mesma plataforma, alcançar diferentes níveis de produtividade. 74. Me parece natural uma operação de exploração de petróleo em que o afretante deseje estipular o pagamento dos contratos com base na produção, ou seja, no desempenho da plataforma e da equipe contratada para operála. Logo, entendo que estipular o pagamento de ambos os contratos com base em Boletins de Medição seja, inclusive, a forma mais eficaz de garantir o retorno do contratante pelo valor desembolsado para a empreitada global. 75. Sobre a rescisão do contrato de serviços ser base para a rescisão do contrato de afretamento, tratase de consequencia natural da vinculação entre os contratos e a necessidade de sua execução simultânea, tendo em vista que a prestação de serviços não pode se dar sem a plataforma fretada, Fl. 27526DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 42 41 ao mesmo tempo que a plataforma de nada serve sem a prestação do serviço de perfuração. 76. Nesse sentido, a seguinte decisão da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no Acórdão nº 3301004.592 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 17/04/2018: [...] 77. Pelo mesmo fato das empresas pertencerem a um mesmo grupo e de terem, assim, vantagens pela sinergia existente; e por conta da exigência imposta pela legislação de execução simultânea dos contratos, também entendo perfeitamente normal que as empresas fretadoras figurem como coseguradas em seguros de responsabilidade civil firmados pelas prestadoras de serviços e, da mesma forma, que estas, nos contratos de afretamento, assinem, como solidariamente responsáveis com as Contratadas (Fretadoras). O AuditorFiscal não se aprofundou sobre o porquê deste fato implicar uma simulação ou artificialidade das contratações. 78. No tocante às cláusulas dos contratos de afretamento dizerem que a responsabilidade, operação, movimentação e administração da unidade ficarão sob controle e comando exclusivo das Fretadoras ou seus prepostos, também não vejo qualquer irregularidade, pois tais operações não se confundem com a prestação dos serviços de perfuração, objeto do segundo contrato. Além disso, estão expressamente previstas na definição de afretamento por tempo, contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado, diferenciandose do afretamento a casco nú, contrato em virtude do qual o afretador em a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação, conforme art. 2º, incisos I e II, da Lei nº 9.432, de1997: [...] 87. Ora, a afirmação de que a proporção dos pagamentos foi de 90% para o contrato de afretamento e 10% para o de serviços, bem como a tese de que o serviço prestado absorve o afretamento, constam, no Termo de Verificação Fiscal, no tópico "3. Da Legislação Pertinente à Alíquota Zero de IRRF no Afretamento de Embarcações Procedimentos Fiscais Anteriores Jurisprudência Administrativa", e se referem a outras ações fiscais. No presente processo, entretanto, a Autoridade Tributária não lança mão da tese da atividade meio; e aborda a questão da proporção dos pagamentos de forma bastante superficial. 88. De qualquer sorte, mesmo que esta fosse a proporção da divisão de receitas entre os contratos no presente caso, ainda assim entendo que não haveria qualquer abusividade a ensejar a qualificação de artificial para o arranjo contratual realizado pelo Recorrente, ou a demonstrar, isoladamente, a existência de uma simulação. Isso porque tal divisão se mostra perfeitamente compatível com o custo dos contratos. 89. Plataformas de exploração de petróleo envolvem altíssima tecnologia e seu custo é muito elevado. Para se ter uma idéia, a plataforma P57, construída no Brasil, custou, segundo reportagem do jornal O Globo, acessado pela internet através do link Fl. 27527DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 43 42 https://oglobo.globo.com/economia/construcaodeplataformanobrasiljate mcustomenorquenoexterior2942610, cerca de US$ 1,2 bilhão de dólares. Os contratos de prestação de serviços envolvem, em geral, apenas custo de mãodeobra relacionado diretamente à exploração de petróleo e equipamentos de menor valor, como computadores, laboratório, etc. Os contratos de afretamento da Petrobrás são "por tempo", logo ainda envolvem a tripulação que deixará a plataforma "armada", bem como toda a parte de manutenção desta, incluindo pessoal especializado e materiais de reparo e manutenção. Logo, tratase de situação peculiar, na qual entendo razoável a desproporção entre as remunerações dos contratos. 90. Deve ser destacado também que a própria legislação estabeleceu parâmetros de avaliação do que seria uma proporção razoável entre esses contratos, conforme se depreende do art. 1º da Lei nº 9.481/97, com redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017: [...] 95. Em resumo, o meu entendimento é que, para demonstrar que houve uma simulação, um conluio entre os contratantes, ou um planejamento tributário abusivo, de forma a tornar "artificial" a bipartição contratual, teria o AuditorFiscal que demonstrar que parte do valor global da empreitada, que deveria corresponder a pagamento pela prestação de serviços, foi pago através do contrato de afretamento, com o objetivo de evitar fraudulentamente a incidência de tributos. 96. Poderia valerse de laudo técnico sobre quantidade de pessoal necessário para a empreitada, tendo em vista que a prestação de serviços tem como custo, basicamente, despesas com mão de obra. Teria ainda a opção de realizar essa apuração indo pessoalmente à plataforma (em operação em alto mar) e verificar in loco as operações e os funcionários responsáveis por cada tarefa, acompanhado de profissionais de ambos os contratantes. 97. Entretanto, em todo o TVF, não se verifica a existência de provas deste deslocamento de receitas entre os contratos, muito menos da sua quantificação. Apesar de listar uma grande quantidade de cláusulas sob suspeição, o objetivo da Autoridade Fiscal é, nitidamente, tentar comprovar sua tese de que o contrato de serviços absorve o de afretamento, que não existiria de forma autônoma. Nenhuma destas cláusulas se presta a demonstrar que valores do contrato de serviços estaria sendo pago através do contrato de afretamento. 100. Assim, haveria uma base de comparação com o valor estipulado em contrato e, caso fosse apurado que este valor havia sido subfaturado, a diferença poderia ser lançada através de Auto de Infração. Neste ponto, inclusive, reside mais um equívoco grave da autuação. [...] 102. Na verdade, tal decisão mostrase coerente com a linha de autuação, segundo a qual não há afretamento autônomo, sendo a bipartição contratual uma artificialidade e, portanto, todo o valor da empreitada seria, unicamente, prestação de serviços. O afretamento seria apenas uma atividade meio, um custo necessário para a execução do serviço. Por esse Fl. 27528DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 44 43 raciocínio deveria existir apenas um contrato, o que justificaria o lançamento ter por base de cálculo todo o valor do projeto. 103. Obviamente tal tese não deve prevalecer, pois já demonstrada a legalidade da arquitetura contratual adotada. Além do mais, usar todo o valor do afretamento como base de cálculo para o lançamento significa concluir que o incentivo do Repetro não poderia ser utilizado pelo recorrente, sem qualquer base jurídica. O incentivo existe, o recorrente a se habilitou a utilizálo conforme as regras da Receita Federal, e se algum abuso de formas existiu, deveria ter sido devidamente quantificado, e não simplesmente adotar a solução mais fácil, qual seja, autuar todo o valor. [...] (grifouse) Consoante as razões expostas, entendese assistir razão à Contribuinte, com o provimento do recurso especial para reconhecer como válida a bipartição dos contratos de afretamento e de prestação de serviços e, por consequência, afastar a exigência da CIDE sobre os valores remetidos ao exterior. 2. Recurso especial da Fazenda Nacional Na hipótese de ser ultrapassado o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, o que se admite por argumentação, no mérito, negase provimento à sua pretensão, com fulcro nos argumentos expendidos no acórdão recorrido, conforme autorizado pelo art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99. No caso dos autos, sequer houve o recolhimento de IRRF por ter entendido a Contratante estar a operação isenta de tal tributo, razão pela qual, ainda que fosse incluído na base de cálculo da CIDE não acarretaria qualquer alteração do montante sobre o qual a mesma incidiria, pois o valor do IRRF seria igual a zero. Para complementar a fundamentação, além disso, acrescentase que o art. 149 da Constituição Federal estabelece três espécies de tributos denominadas como contribuições: contribuições sociais, contribuições de intervenção no domínio econômico e contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas. O mesmo dispositivo outorgaas à União, para utilização como instrumento de atuação em cada uma das áreas correspondentes. As contribuições de intervenção no domínio econômico, objeto de análise dos presentes autos, destinamse apenas a instrumentalizar a ação da União no domínio econômico, alcançandolhe recursos para fazer frente aos custos e encargos pertinentes. Nesse campo, a atuação do Poder Público foi moldada pelo art. 174 da Constituição Federal, o qual dispõe que o planejamento do Estado, em relação ao setor privado, é meramente indicativo. Fl. 27529DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 45 44 Nesse contexto, a Lei nº. 10.168, de 29 de dezembro de 2000, instituiu a contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) para financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, tendo este como objetivo principal "estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediantes programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo". Dispõe o art. 2º da referida lei: Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. § 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo. § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. § 6º Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a Fl. 27530DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 46 45 servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. (grifouse) Para regulamentar a Lei nº 10.168/2000 e a Lei nº 10.332/2001, foi editado o Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2001, que em seu art. 10 especifica as hipóteses de incidência da CIDE instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168/2000. A Lei nº 10.168/2000, em seu art. 2º, §3º, com redação da Lei nº 10.332/2001, estabeleceu como base de cálculo da CIDE os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, a cada mês, como remuneração das obrigações contratadas. Da análise do dispositivo, verificase ter a lei previsto a incidência da CIDE tão somente sobre o valor da remuneração estipulada em contrato pactuado com o fornecedor domiciliado no exterior, não compreendida nessa o montante relativo ao IRRF ou quaisquer outros acréscimos. Importa mencionar que remuneração é o valor estipulado no contrato como a contraprestação devida pelo Contribuinte (contratante) às prestadoras de serviços estrangeiras, obrigação contraída pelas contratadas no âmbito dos contratos internacionais. O IRRF não faz parte da remuneração estabelecida entre as partes, constituindo se em parcela de valor já transferida ao Poder Público quando da remessa da contraprestação ao exterior pela Contratante à Contratada, não sendo cabível a sua tributação pela CIDE. Além disso, independentemente de qual das partes, se contratante ou contratado, assuma o ônus pelo IRRF, fazer incidir a CIDE sobre base de cálculo na qual esteja incluído o valor relativo ao imposto referido, e não somente sobre a remuneração conforme estabelecido pelo art. 2º, §3º da Lei nº 10.168/2000, é incorrer em flagrante violação ao princípio da estrita legalidade. A questão é tratada, ainda, de forma bastante elucidativa em declaração de voto apresentada pela Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, no Acórdão n.º 9303004.142, cujos termos são abaixo transcritos e passam a integrar o presente voto, in verbis: [...] Importante trazer, a priori, que a CIDE é uma contribuição que tem como sujeito passivo o tomador do serviço, e não o prestador de serviço residente no exterior, conforme os seguintes dispositivos da Lei 10.168/00 (Grifos meus): “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Decreto nº 6.233, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. Fl. 27531DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 47 46 § 1o A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) [...]” Ou seja, é diferente do IRF incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior, pois, nesse caso (CIDE), o contribuinte é o próprio prestador do serviço não residente. Ora, o próprio beneficiário da importância a ser recebida é o sujeito passivo. Tanto é assim que, em geral, após a recepção da “Invoice” pelo tomador do serviço, o tomador quando da liquidação do câmbio para pagamento ao não residente pela prestação de serviço, deve apresentar DARF à Instituição Financeira autorizada a fechar o câmbio comprovando que reteve e recolheu 15% de IRRF sobre tal remessa direcionado ao prestador. Não obstante às situações corriqueiras, vêse que, eventualmente, por questões comerciais e, por conseguinte, contratuais, pode ser firmado “Agreement" entre o tomador do serviço e prestador de serviço não residente, prevendo a assunção do ônus do IRF devido pelo prestador ao tomador. Mas, em ambos os casos, o sujeito passivo continua claramente sendo o não residente. Tanto é assim, que na DIRF do tomador do serviço, deve constar o CNPJ e a NIF – Número de Identificação Fiscal do prestador de serviço não residente. Eis a IN SRF 1587/2015, que dispõe sobre a DIRF: “Art. 22. Na hipótese prevista no § 2º do art. 2º, a Dirf 2016 deverá conter as seguintes informações sobre os beneficiários residentes e domiciliados no exterior: I Número de Identificação Fiscal (NIF) fornecido pelo órgão de administração tributária no exterior; II indicador de pessoa física ou jurídica; III número de inscrição no CPF ou no CNPJ, quando houver; IV nome da pessoa física ou nome empresarial da pessoa jurídica beneficiária do rendimento; Fl. 27532DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 48 47 V endereço completo (rua, avenida, número, complemento, bairro, cidade, região administrativa, estado, província etc); VI país de residência fiscal; VII natureza da relação entre a fonte pagadora no País e o beneficiário no exterior, conforme Tabela constante do Anexo II desta Instrução Normativa; VIII relativamente aos rendimentos: a) código de receita; b) data de pagamento, remessa, crédito, emprego ou entrega; [...] Parágrafo único. O NIF será dispensado nos casos em que o país do beneficiário residente ou domiciliado no exterior não o exija ou nos casos em que, de acordo com as regras do órgão de administração tributária no exterior, o beneficiário do rendimento, remessa, pagamento, crédito, ou outras receitas, estiver dispensado desse número.” Continuando, temse que, quando, por questões comerciais, o tomador, responsável tributário por reter e recolher o IRF, assume o ônus do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, deve observar para o cálculo do IRF, a base de cálculo descrita no art. 725 do RIR/99, in verbis (Grifos Meus): “Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art. 5º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, § 2º).” Sendo assim, caso haja previsão contratual de assunção do ônus do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, o tomador deve “grossapar” o IRF – com o intuito de o beneficiário efetivamente receber o valor contratado sem os efeitos fiscais impostos pela autoridade fazendária do país do tomador. Não é demais ressaltar que o art. 725 do RIR/99 é plenamente aplicável para a hipótese de o tomador do serviço assumir o ônus do IRRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, pois, por óbvio, abarcou essa hipótese ao expressar literalmente o termo “ônus do imposto DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO”. No que tange à CIDE, nos termos da Lei 10.168/00, vêse que o contribuinte/sujeito passivo não é o prestador de serviço não residente, mas sim o tomador do serviço. O que faz todo o sentido ser assim, vez que essa contribuição foi instituída com a pretensão de se estimular o desenvolvimento tecnológico e produtivo brasileiro. E para que haja tal estímulo deverseia imputar um “ônus financeiro” às pessoas jurídicas residentes no país que deixassem de contratar um residente para tomar serviço Fl. 27533DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 49 48 de um não residente, vez que, agindo dessa forma, desestimularia o setor produtivo no país desviando o “investimento” (recurso) ao exterior. Sendo assim, resta claro que o sujeito passivo da contribuição é o tomador de serviço – ou seja, que A CONTRIBUIÇÃO É DEVIDA PELO TOMADOR, e não pelo beneficiário do recurso (remuneração pela prestação do serviço), tal como ocorre com o IRRF. O que, a rigor, é de se afastar a aplicação do art. 725 do RIR/99 no cálculo de apuração da CIDE. Notase que faz todo o sentido aplicar o art. 725 do RIR/99 para a base de cálculo do IRRF, tendo em vista que se trata de tributo sujeito a retenção na fonte devido pelo beneficiário do recurso objeto da incidência desse imposto. E que, portanto, seria passível, por questões comerciais, de ter o ônus financeiro do imposto assumido pelo despendedor do referido recurso a ser remetido. O que, aplicar tal dispositivo à CIDE, extrapolaria matematicamente, economicamente, contabilmente e juridicamente a base de cálculo dessa contribuição, vez ser uma contribuição devida efetivamente pelo tomador do serviço prestado. E não se trata de contribuição a ser retida na fonte. A Cide não oneraria o prestador – o que, por óbvio, não há que se falar em assunção desse ônus, pois não é devido pelo beneficiário da remuneração, mas sim por seu despendedor. Para melhor elucidar, importante trazer ainda à baila o art. 2º, § 3º, da Lei 10.168/00, in verbis (Grifos meus): Art. 2º [...] §3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. [...]” Nos termos do dispositivo, vêse claro que a base de cálculo da CIDE é a remuneração dos serviços prestados – remuneração essa prevista no contrato. Ora, quando é firmado um “Agreement" entre o tomador e prestador, há uma clausula específica de remuneração – que traz um valor mensurável de remuneração e outra cláusula, no caso de se optar pelo “grossup”, de “disposições gerais” que traz expressamente a assunção pelo tomador do serviço do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO da remuneração. Sendo assim, ainda que haja previsão contratual determinado o “grossup” do IRF devido pelo beneficiário, a remuneração não Fl. 27534DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 50 49 se altera com tal disposição e, por conseguinte, a BASE DE CÁLCULO da contribuição. Não se altera a remuneração, em respeito à literalidade da Lei e aos termos contratuais (declaração de vontade das partes). A base de cálculo da CIDE não deve ser “reajustado”, pois sua base de cálculo é simplesmente a remuneração do prestador. Ora, reajustar a base de cálculo da CIDE, seria extrapolar as normas que regem sua instituição. E nem há previsão legal para tanto. E caso, por equívoco, se pretenda aplicar o art. 725 do RIR/99 por analogia, importante trazer os dizeres do art. 97 do CTN, in verbis (Grifos meus): “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.” Considerando o enunciado, temse que aplicar por analogia o art. 725 do RIR/99 feriria gravemente o art. 97 do CTN, vez que aumentaria o valor da contribuição, bem como extrapolaria a base de cálculo definida pela própria Lei 10.168/00 – que DEFINIU A BASE DE CÁLCULO COMO SENDO A REMUNERAÇÃO PELA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. E, ainda, caso se entenda que a legislação pertinente ao IR poderia ser aplicada subsidiariamente à CIDE, invocando o art. 3º, parágrafo único da Lei 10.168/01, in verbis: “Art. 3º Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a fiscalização da contribuição de que trata esta Lei. Fl. 27535DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 51 50 Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, previstas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis.” Não há que se aplicar ainda assim o art. 725 do RIR/99, pois o parágrafo único do art. 3º traz sua aplicação da legislação do IR apenas quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis. Em respeito à ciência do direito, a aplicação subsidiaria “no que couber” só pode dar em matéria na qual a Lei 10.168/00 for omissa, o que não ocorre quanto à base de cálculo da CIDE, fixada no § 3º do art. 2º dessa lei. A omissão existe quando houver apenas lacunas normativas – o que não ocorreu na legislação da CIDE, pois o legislador quando da feitura da Lei 10.168/00 trouxe claramente que a base de cálculo da CIDE é a remuneração pela prestação do serviço. Em vista de todo o exposto, entendo que não há que se falar em “grossapar” o IRRF na base de cálculo da CIDE. O que, por conseguinte, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. [...] Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para determinar a exclusão do IRF da base de cálculo da CIDE. 3. Dispositivo Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial do Contribuinte e nega se provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 27536DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 52 51 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado 1 Recurso Especial da Fazenda Nacional 1.1 ADMISSIBILIDADE Insurgese a Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3302003.095, proferido pela 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 3a Seção de Julgamento do CARF, que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte para excluir da base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE os valores referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. O dissídio jurisprudencial que enseja a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. Interpretando o art. 2o da Lei nº 10.168, de 2000, o Colegiado a quo concluiu que a base de cálculo da CIDE corresponde exclusivamente à quantia efetivamente remetida ao exterior a titulo de remuneração, descartando o gross up aplicado no Auto de Infração. Ora, interpretando o mesmo dispositivo, os acórdãos nºs 3201001.518 e 3301001.764, indicados como paradigmas no apelo fazendário, decidiram em sentido oposto, confirmando a legalidade do reajuste da base de cálculo da CIDE pela adição do IRRF devido pelo beneficiário da remessa. Subscrevendo o entendimento do Presidente da 3ª Câmara, plasmado no Despacho nº S/N° 3a Câmara, de 17 de junho de 2016, efls. 27.063/27.065, a maioria qualificada do Colegiado formouse em torno da cognoscibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional. 1.2 MÉRITO O valor do Imposto de Renda na Fonte – IRRF incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da CIDE, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. Esse é o entendimento da Administração Tributária, manifestado na Solução de Divergência Cosit nº 17, de 29 de junho de 2011. Fl. 27537DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 53 52 Esse entendimento encontra respaldado na melhor doutrina. A propósito, transcrevo a lição de Higushi2: Dúvidas têm surgido na remessa de rendimentos, ao exterior, sujeitos ao pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE quando a fonte pagadora assumiu o ônus do imposto de renda na fonte. Para resolver a dúvida é necessário examinar a natureza da despesa representada pelo imposto de renda na fonte assumido pela fonte pagadora de rendimentos. O § 3o do art. 344 do RIR/99 dispõe que a dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do Imposto. A redação é infeliz porque quando a fonte pagadora do rendimento não assumir o ônus do imposto de renda não há que falar da dedutibilidade ou indedutibilidade do tributo. A origem daquele parágrafo está no Parecer Normativo CST n° 2/80 cuja ementa diz: Integra o montante do custo ou despesa, e como tal é dedutível, o imposto de renda devido na fonte quando a pessoa jurídica assuma o ônus do imposto e o rendimento pago ou creditado a terceiro seja dedutível como custo ou despesa. Quando a fonte pagadora de rendimentos assumir o ônus do imposto de renda, a legislação considera o tributo como parte integrante do rendimento pago ou creditado. Se pagou royalty e assumiu o imposto, este é considerado parte integrante de royalty. Se pagou remuneração de serviços técnicos e assumiu o imposto, este é parte integrante daquela remuneração. Como o imposto de renda assumido pela fonte pagadora de rendimentos passa a ter a mesma natureza do rendimento pago, a dedutibilidade ou indedutibilidade do imposto de renda assumido depende da natureza da despesa. Com isso, se pagou royalty dedutível, o imposto de renda assumido também é dedutível a título de royalty. Se a legislação do imposto de renda considera o imposto assumido pela fonte pagadora de rendimento como despesa de mesma natureza da despesa paga, a base de cálculo da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico CIDE é o rendimento líquido pago acrescido do imposto de renda assumido pela fonte pagadora, independente da dedutibilidade da despesa. O § 3o do art. 2° da Lei nº 10.168/00, com nova redação dada pelo art. 6o da Lei nº 10.332, de 191201, dispõe que a contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo. Nas expressões valores pagos ou creditados está compreendido o valor do imposto de renda assumido pela fonte pagadora de rendimentos. Isso porque o art. 123 do CTN dispõe que salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das 2 HIGUSHI, Hiromi; HIGUSHI, Fábio Hiroshi e HIGUSHI, Celso Hiroyuki. O IMPOSTO DE RENDA DAS EMPRESAS. Interpretação e prática. 36ª ed. São Paulo: IR Publicações. 2011. p.929 e 930. Fl. 27538DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 54 53 obrigações tributárias correspondentes. Isso significa que o sujeito passivo do imposto de renda na fonte é sempre o beneficiário do rendimento, salvo disposição de lei em contrário. Nos pagamentos sujeitos à CIDE a alíquota do imposto de renda é sempre de 15%, salvo no caso de beneficiário residente no Japão e o rendimento enquadrar na alíquota de 12,5%. Assim, no pagamento de R$ 500.000,00 de royalty pela licença de exploração de patente, com imposto de renda assumido pela fonte pagadora, a base de cálculo da CIDE será de: 500.000,00 + (100 15) = R$ 588.235,29 A alíquota de CIDE de 10% incidirá sobre o rendimento reajustado de R$ 588.235,29. É interessante notar que o ônus tributário modificou de acordo com as cláusulas contratuais existentes entre o beneficiário do rendimento e a fonte pagadora. Se o ônus do imposto de renda na fonte era do beneficiário do rendimento na forma da lei, este passou a ter menor ônus porque a alíquota do imposto foi reduzida de 25% para 15%. O ônus da fonte pagadora aumentou com a instituição da CIDE à alíquota de 10%. Se o ônus do imposto de renda era por conta da fonte pagadora, não houve alteração para o beneficiário do rendimento, mas houve pequena redução da carga tributária para a fonte pagadora. Isso porque, na remessa de R$ 75.000,00 o imposto de renda na fonte à alíquota de 25% era calculado sobre o rendimento reajustado de R$ 100.000,00 que resultava no imposto de R$ 25.000,00. Com a redução da alíquota do imposto de renda para 15% o rendimento reajustado passa para R$ 88.235,29. Neste caso, o imposto de renda à alíquota de 15% resulta em R$ 13.235,29 enquanto a CIDE à alíquota de 10% resulta em R$ 8.823,52 cuja soma resulta em R$ 22.058,81 em vez de R$ 25.000,00 quando não tinha CIDE. A Solução de Divergência da COSIT nº 17 (DOU de 050711) diz que o valor do imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento, crédito ou remessa ao exterior compõe a base de cálculo da CIDE, independente de a fonte pagadora assumir o ônus do IRRF. A decisão é correta e tem base legal. A jurisprudência deste Colegiado, superando entendimentos equivocados do passado, orientase no sentido de que o IRRF e a CIDE, embora recaiam sobre a mesma base de cálculo, são tributos autônomos, não havendo superposição entre eles no que diz respeito ao cálculo do valor devido a título de cada um. Portanto, o valor correspondente ao IRRF, sendo o seu ônus assumido ou não pela fonte pagadora, compõe a base de cálculo da CIDE, nas hipóteses em que esta seja devida. Vejase, por exemplo, as decisões nº 9303005.982, de 29, de novembro de 2017, e nº 9303007.400, de 18 de setembro de 2018, ambas da lavra do ínclito Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, a última delas assim ementada: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Período de apuração: 05/06/2003 a 21/12/2004 BASE DE CÁLCULO. CIDEREMESSAS AO EXTERIOR. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO, INCLUINDO O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO PELO DESTINATÁRIO. FATOS GERADORES E Fl. 27539DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 55 54 SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS, MAS COM INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA. O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Caberá ao adquirente, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o devido pelo beneficiário no exterior em razão da obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização. A jurisprudência judiciária também caminha na mesma direção. Vejase, por exemplo esta decisão do TRF da 3a Região, Apelação/Reexame Necessário N° 0016434 92.2011.4.03.6100/SP, Rel. Des. Federal Johonsom di Salvio, Publicação em 20/04/2016: APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO DO IRRF DA BASE DE CALCULO DA CIDEROYALTIES PREVISTA NA LEI 10.168/00. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA SIMULTÂNEA, ENVOLVENDO SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS CONCEITO DE RENDA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. SEGURANÇA DENEGADA, (grifei) 1. Nos termos da Lei 10.168/00, a CIDE tem por objetivo o custeio do Programa de Estimulo à Interação Universidade Empresa para o Apoio à Inovação, tendo por fato gerador a transferência onerosa de tecnologia detida por residente ou domiciliado no exterior para pessoa jurídica. Sua base de cálculo será a contraprestação ofertada, a titulo de remuneração pela transferência. 2. O imposto de renda retido na operação, por força do art. 710 do RIR/99, tem por fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica da renda auferida pelo residente no exterior, tendo por base de cálculo também a contraprestação alcançada pela transferência. 3. Na espécie, não obstante terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento pela transferência da tecnologia. Caberá ao adquirente da tecnologia, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e. na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda, tomando por base de cálculo de ambos o pagamento efetuado 4. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o que seria devido pelo titular da tecnologia no exterior pela obtenção da renda, já no Fl. 27540DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 56 55 momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização. 5. Entendimento obediente do previsto no art. 43 do CTN, pois nosso ordenatnento adota um conceito de renda amplo para fins de tributação, bastando a sua disponibilidade econômica ou jurídica para a incidência tributária, independentemente do valor efetivamente auferido pelo contribuinte. Apesar do artigo questionado referirse ao imposto de renda, é plenamente aplicável à CIDE ROYALTIES, visto se valer do mesmo conceito ao caracterizar a base de cálculo da contribuição, como se percebe da redação idêntica utilizada no art. 2o, § 3o, da Lei 10.168/00 e no art. 710 do RIR/99. Ademais, o legislador não instituiu a dedução do IRRF do valor da operação para fins de incidência da CIDE, ou o inverso, até porque os contribuintes não são os mesmos. 6. Recurso de apelação e reexorne necessário providos, denegandose a segurança com cassação da liminar. Assim, amparado pela doutrina de Higuchi e acompanhando a jurisprudência referida, dou provimento ao recurso especial fazendário. 2 Recurso Especial do Sujeito Passivo 2.1 ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial da Petrobrás suscitou dissídio jurisprudencial quanto à legalidade da bipartição dos contratos de afretamento de equipamentos marítimos de exploração de petróleo e gás e à inocorrência do fato gerador da CIDE em decorrência do modelo de contratação. Faço esse destaque, porque, ao contrário do consignado no Despacho que admitiu o recurso especial do contribuinte (fls. 27.453), no Relatório (folha 9 desta decisão) e no Voto Vencido (item 2. Recurso especial da Contribuinte Petrobrás, folha 17), o dissídio suscitado pelo contribuinte não se deu em torno da interpretação do art. 1° da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, que dispõe sobre a incidência de IRRF sobre rendimentos de beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, e jamais trata da CIDE. A atestar tal fato, o voto condutor da decisão recorrida (Ac. nº 3302003.095) jamais refere o dispositivo nem mesmo a Lei citada como divergentemente interpretada. O Colegiado acompanhou o voto da Relatora, que ratificou o Despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara. 2.2 MÉRITO – A LEGALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE AFRETAMENTO DE EQUIPAMENTOS MARÍTIMOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS E A INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA CIDE EM DECORRÊNCIA DO MODELO DE CONTRATAÇÃO 2.2.1 O equívoco fundamental do Voto Vencido Convém de pronto destacar os equívocos do Voto Vencido. Fl. 27541DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 57 56 De acordo com as alegações recursais, no âmbito dos afretamentos contratados, inocorreu o fato gerador da CIDE. tendo em vista que os valores remetidos ao exterior não remuneram serviço, e sim afretamento. Tratase, portanto de divergência de interpretação da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, que instituiu a Contribuição. Evidenciase, assim, o equívoco cometido pela Relatora, ao fundamentar seu voto na exegese do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997. Confirase (fls. 19 desta decisão, sublinhado e negritado pela Relatora): (...) No que tange à base legislativa, o lançamento foi amparado pela Fiscalização, dentre outros, no art. 1º da Lei n.º 9.481/97, dispositivo cuja interpretação suscitou a divergência trazida pela Contribuinte e que à época dos fatos (anocalendário de 2009) possuía a seguinte redação: (...) A partir dessa falsa premissa, a Relatora analisa a evolução legislativa da tributação do IRRF, para dela extrair conclusões inaplicáveis à matéria efetivamente controvertida nos presentes autos. Observese (sublinhei): (....) Com a inserção do §2º, art. 1º da Lei n.º 9.481/97 acima transcrito, ficou reconhecida na legislação a normalidade da contratação simultânea de empresas vinculadas de afretamento de embarcação destinada à prospecção e exploração de petróleo, e de prestação de serviços relacionados à prospecção de petróleo e gás. No caso dos autos, a Fiscalização e o acórdão recorrido consideraram que houve a bipartição artificial dos contratos apoiandose também em indícios de que o contrato de afretamento envolvia "grandes valores" (cerca de 90% da soma dos dois contratos firmados), enquanto o contrato de prestação de serviços celebrado no país previa pagamentos da ordem de apenas 10%. Com a leitura dos incisos I a III, do §2º do art. 1º da Lei n.º 9.481/97, concluise que a premissa adotada com relação aos percentuais não foi a mais adequada, tendo em vista que a própria legislação previu a aplicação de alíquota zero do IRF quando o valor pago pelo afretamento corresponder a 85% do total das duas contratações, para os casos de afretamento de plataforma; e nos percentuais de 80% e 20%, nas hipóteses em que a embarcação afretada for naviosonda. Demonstrou o legislador entender que as proporções são razoáveis, ficando demonstrado que o custo do afretamento efetivamente excede em muito àquele da prestação de serviços, inclusive pelos elevados valores das embarcações afretadas. (...) Fl. 27542DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 58 57 Com a publicação das Soluções de Consulta, portanto, a Administração mais uma vez legitimou a possibilidade de bipartição dos contratos, corroborando a razoabilidade da forma contratual no tipo específico da demanda e sua indevida descaracterização dos contratos de afretamento. Essa foi a conclusão que também prevaleceu no julgamento do processo n.º 16682.721161/201291, idêntico ao dos presentes autos, tratando da exigência do IRRF, emergindo o Acórdão n.º 2401 005.149, de relatoria da nobre Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, in verbis: (...) Consoante as razões expostas, entendese assistir razão à Contribuinte, com o provimento do recurso especial para reconhecer como válida a bipartição dos contratos de afretamento e de prestação de serviços e, por consequência, afastar a exigência da CIDE sobre os valores remetidos ao exterior. Penso que não se pode estender à Contribuição em apreço – a CIDE – disposições legais estabelecidas para o IRRF. Deve ser analisado, em verdade, a Lei n° 10.168, de 2000; o Decreto n° 4.195, de 11 de abril de 2002, que a regulamentou; a Instrução Normativa SRF n° 252, de 3 de dezembro de 2002, e o art. 8° da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que se referem à incidência da CIDE. O Voto Vencido, repitase, interpretando legislação atinente à incidência de IRRF, concluiu que, com a introdução do § 2° ao art. 1° da Lei nº 9.481, de 1997, promovida pela Lei n° 13.467 de 13 de julho de 2017, “...ficou reconhecida na legislação a normalidade da contratação simultânea de empresas vinculadas de afretamento de embarcação destinada à prospecção e exploração de petróleo, e de prestação de serviços relacionados à prospecção de petróleo e gás.” Ora, a possibilidade jurídica de bipartição de contratos de afretamento e de prestação de serviços e de sua execução simultânea jamais esteve em questão. Ainda que fosse essa a matéria da divergência a ser solucionada, não me parece que a melhor exegese dos dispositivos referidos pela Relatora permita a conclusão a que chegou, sobretudo diante da exceção estabelecida no § 12 do mesmo art. 1° da Lei nº 9.481, de 1997, introduzido pela Lei n° 13.586, de 28 de dezembro de 2017: (...) § 12. A aplicação dos percentuais estabelecidos nos §§ 2º, 9º e 11 deste artigo não acarreta a alteração da natureza e das condições do contrato de afretamento ou aluguel para fins de incidência da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) de que trata a Lei no. 10.168, de 29 de dezembro de 2000, e da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (PIS/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), de que trata a Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) Fl. 27543DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 59 58 A Lei nº 13.586, de 2017, e sua exposição de motivos fazem questão de esclarecer que os percentuais estabelecidos, assim como os anteriormente fixados, são limitados à aplicação de alíquota zero do IRRF, não acarretando alteração da natureza e das condições do contrato de afretamento ou aluguel para fins de incidência da...CIDE. da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação". Disso, há que se concluir que: (a) nos casos de contratos de afretamento de embarcação estrangeira vinculados a contratos de prestação de serviços, incumbe ao Fisco, mediante solicitação de informações à empresa, apurar se a proporção da remuneração pactuada entre os distintos contratos, entre outros aspectos, reflete a realidade da operação, efetuando, em caso negativo, o lançamento correspondente, no que se refere aos tributos federais incidentes (e.g.. Contribuição para o PIS/PASEP, inclusive importação, COFINS, inclusive importação, CIDE e IRRF); (b) a partir de 01/01/2015, para o IRRF, o legislador, na Lei nº 13.043, de 2014, estabeleceu limites percentuais a partir dos quais sequer é necessária apuração de eventual desproporção, por parte do Fisco. Tais percentuais, referentes ao IRRF, foram alterados a partir de 01/01/2018, conforme Lei nº 13.586, de 2017; e (c) a edição da Leis nº 13.043, de 2014, e da Lei n°13.586, de 2017, não trata de tributos diversos do IRRF, nem impede a Fiscalização de apurar se a proporção da remuneração pactuada entre os distintos contratos, entre outros aspectos, reflete a realidade da operação. Tais observações se prestam para confirmar a impossibilidade de aplicação dos percentuais fictícios estabelecidos das disposições legais supervenientes às espécies tributárias distintas de IRRF, e, por outro, para revelar que as conclusões a que chegou a Relatora, no sentido de que a legislação superveniente teria reconhecido “...a normalidade da contratação simultânea de empresas vinculadas de afretamento de embarcação destinada à prospecção e exploração de petróleo, e de prestação de serviços relacionados à prospecção de petróleo e gás”, não têm amparo na própria legislação. É que, se o art. 1° da Lei nº 9.481, da 1997, cria a ficção jurídica de que, independentemente da idade e da complexidade do equipamento; do local de operação; da profundidade da lámina d’água; da eficiência da prestadora de serviços e de outros tantos fatores materiais que efetivamente influenciam no custo do afretamento de embarcação destinada à prospecção e exploração de petróleo, e de prestação de serviços relacionados à prospecção de petróleo e gás, os contratos terão seus custos distribuídos segundo os percentuais fixados nos §§ 2°, 9° e 11 daquele artigo, para fins de incidência de IRRF, essa ficção jurídica não desnatura a materialidade dos contratos que forem celebrados, sendo cabível portanto a investigação de sua natureza, em se tratando, no caso concreto, de incidência de CIDE. 2.2.2 Os contratos celebrados Quanto aos contratos celebrados, não há divergência fática, mas apenas nas leituras jurídicas das partes sobre o que efetivamente ocorreu. Dos 163 contratos analisados, em 68 (sessenta e oito) deles, a Fiscalização concluiu inexistirem ilícitos tributários nas remessas ao exterior a eles relacionadas. Fl. 27544DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 60 59 Na planilha abaixo, sintetizo as contatações da Fiscalização a respeito dos equipamentos e dos contratos cujas remessas foram objeto do lançamento de ofício (cfe. Termo de Verificação Fiscal, fls. 026.543 a 026.663): Equipamento Contratos Observações da Fiscalização 1. DIAMOND OFFSHORE DRILLING (UK) LTD. OCEAN ALLIANCE CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.023.00 DATA DE ASSINATURA: 21/06/2000 FRETADORA: DIAMOND OFFSHORE DRILLING UK LTD. (Londres) INTERVENIENTE: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. CNPJ 42.101.311/000197 PRAZO AFRETAMENTO: 1.095 dias, prorrogáveis. OBJETO: afretamento da unidade para perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover" de poços de petróleo e gás. DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade semissubmersível de posicionamento dinâmico OBS: contratado sem licitação. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.024.004 Mencionado nos itens 3.15.1, 3.15.3, 10.1.9 e 16.1 do contrato de afretamento. DATA DE ASSINATURA: 21/06/2000 CONTRATADA: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. CNPJ 42.101.311/000197 • Contrato de afretamento declarase vinculado a contrato de prestação de serviços assinado, na mesma data, entre PETROBRAS e BRASDRIL (cláusula 16.1 do contrato de afretamento). • A Fretadora DIAMOND OFFSHORE figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços BRASDRIL (cláusula 3.15.1 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES (cláusula 17.1). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de OCEAN ALLIANCE, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que. no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade OCEAN ALLlANCE foi de fato fornecida por empresa do Grupo DIAMOND, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo DIAMOND foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo DIAMOND forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 2. DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. OCEAN YATZI CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.010.980 DATA DE ASSINATURA: 06/04/1998 FRETADORA: DIAMOND OFFSHORE DRLLING (OVEPSEAS) iNC (Houston. EUA). substituída pela DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. (Holanda) a partir do Aditivo 1,de 04/06/2003 INTERVENIENTE: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA., CNPJ 42.101.311/000197 PRAZO: 1.825 dias, prorrogáveis. OBJETO: afretamento da unidade para perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover" de poços de • Contrato de afretamento declarase vinculado a contrato de prestação de serviços assinado, na mesma data, entre PETROBRAS e BRASDRIL (cláusula 16.1 do contrato de afretamento). • A Fretadora DIAMOND OFFSHORE figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços BRASDRIL (cláusula 3.15.1 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES (cláusula 17.1). • A cláusula 9.2 do contrato de afretamento diz que a responsabilidade, operação, movimentação e administração da unidade Fl. 27545DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 61 60 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização petróleo e gás. DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade semisubmersível de posicionamento dinâmico. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.011.983 Mencionado nos itens 3.15.1,3.15.3, 16.1 e 17.1 do contrato de afretamento. DATA DE ASSINATURA: 06/04/1998 CONTRATADA: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. CNPJ 42.101.311/000197 ficarão sob controle e comando exclusivo da Fretadora ou seus prepostos. • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.12 do contrato de afretamento). • O Anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Torrista, Auxiliar Torrista, etc. • O arquivo pdf fornecido pela contribuinte, identificado como Aditivo 4 ao contrato de afretamento 101.2.010.980, inclui, ainda, cópia do Aditivo 4 ao contrato de prestação de serviços 101.2.011.983. Os referidos Aditivos, assinados na mesma data, promovem igual prorrogação dos respectivos contratos, por mais 1.825 dias. • No ano de 2009, a BRASDRIL pertencia às empresas DIAMOND OFFSHORE HOLDINGS LLC (74,75%) e DIAMOND OFFSHORE BRAZIL LLC (25,25%), ambas sediadas nos EUA (dados da DIPJ). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de OCEAN YATZl, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade ó parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade OCEAN YATZY foi de fato fornecida por empresa do Grupo DIAMOND, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo DIAMOND foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo DIAMOND forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 3. DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. OCEAN CLIPPER CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.037.999 DATA DE ASSINATURA: 09/09/1999 (vido cláusula 1.1 do Aditivo 2) FRETADORA: DIAMOND OFFSHORE DRILLING (OVERSEAS) INC. (Houston, EUA), substituída pela DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. (Holanda) a partir do Aditivo 2. de 04/06/2003 INTERVENIENTE: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. • Contrato de afretamento declarase vinculado a contrato de prestação de serviços assinado, na mesma data, entre PETROBRAS e BRASDRIL (cláusula 16.1 do contrato de afretamento). • A Fretadora DIAMOND OFFSHORE figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços BRASDRIL (cláusula 3.15.1 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES (cláusula Fl. 27546DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 62 61 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização CNPJ 42.101.311/000197 PRAZO: 1.095 dias. prorrogáveis. OBJETO: afretamento da unidade para perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou ' workover" de poços de petróleo e gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade flutuante de posicionamento dinâmico CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.038.991 Mencionado nos itens 3.15.1,3.15.3,16.1 e 17.1 do contrato de Afretamento DATA DE ASSINATURA: 09/09/1999 CONTRATADA: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. CNPJ 42.101.311/000197 17.1). • A cláusula 9.2 do contrato de afretamento diz que a responsabilidade, operação, movimentação e administração da unidade ficarão sob controle e comando exclusivo da Fretadora ou seus prepostos. • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.9 do contrato de afretamento). • No ano de 2009, a BRASDRIL pertencia às empresas DIAMOND OFFSHORE HOLDINGS LLC (74,75%) e DIAMOND OFFSHORE BRAZIL LLC (25,25%), ambas sediadas nos EUA (dados da DIPJ). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de OCEAN CLIPPER, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade OCEAN CLIPPER foi de fato fornecida por empresa do Grupo DIAMOND, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo DIAMOND foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo DIAMOND forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 4. DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. OCEAN WINNER CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 186.2.004.042 DATA DE ASSINATURA; 09/03/2004 FRETADORA: DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. (Holanda) INTERVENIENTE: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. CNPJ 42.101.311/000197 PRAZO: 700 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover" de poços de petróleo e gás VINCULADO AO CONVITE n° 186.8.019.034 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 20500001079.04.2 Mencionado nos itens 11.1.13,18.1 e 23.1.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 09/03/2004 CONTRATADA: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES • Os contratos de afretamento e de prestação de serviços foram assinados na mesma data. com o mesmo prazo. • A prestadora de serviços BRASDRIL ó Interveniente no contrato de afretamento, enquanto a Fretadora DIAMOND OFFSHORE é Interveniente no contrato de prestação de serviços. • Os contratos de afretamento e de prestação de serviços declaramse vinculados ao Convite n° 186.8.019.034. • Contrato de afretamento declaramse mutuamente vinculados (cláusula 18.1, tanto no contrato de afretamento como no contrato de prestação de serviços); • A Fretadora DIAMOND OFFSHORE figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços BRASDRIL (cláusula 23.1.1 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada Fl. 27547DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 63 62 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização LTDA. CNPJ 42.101.311/000197 INTERVENIENTE; DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. (Holanda) PRAZO: 700 dias, prorrogáveis. OBJETO: prestação dos serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover" de poços de petróleo e gás. utilizando a unidade OCEAN WINNER VINCULADO AO CONVITE n° 186.8.019.034 (Fretadora), a empresa BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES. No contrato de prestação de serviços assina, como solidariamente responsável com a Contratada, a empresa DIAMOND OFFSHORE (cláusula 19.1, tanto no contrato de afretamento como no de prestação de serviços). • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.13 do contrato de afretamento). • No caso de despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar, a responsabilidade conjunta recai sobre a Fretadora DIAMOND OFFSHORE e sobre a Prestadora de Serviços BRASDRIL (cláusula 14.1.1, tanto no contrato de afretamento como no de prestação de serviços). • O Anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • No ano de 2009, a BRASDRIL pertencia às empresas DIAMOND OFFSHORE HOLDINGS LLC (74,75%) e DIAMOND OFFSHORE BRAZIL LLC (25,25%), ambas sediadas nos EUA (dados da DIPJ). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de OCEAN WINNER, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade OCEAN WINNER foi de fato fornecida por empresa do Grupo DIAMOND, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo DIAMOND foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo DIAMOND forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 5. DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. OCEAN YORKTOWN CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0031892.07.2 DATA DE ASSINATURA: 16/08/2007 FRETADORA: DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. (Holanda) EMPRESA SOLIDÁRIA: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. CNPJ 42.101.311/000197 • O contrato de afretamento tem execução sempre simultânea ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data (cláusulas 2.2.1.1 e 17.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusulas 11.1.10 e 11.3.3 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como Fl. 27548DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 64 63 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização PRAZO: 1.925 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou manutenção de poços de petróleo e gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade semisubmersível de perfuração CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0031894.072 Mencionado nas cláusulas 2.2.1.1,17.1 e 21.1.1 do contrato de afretamento. DATA DE ASSINATURA: 16/08/2007 CONTRATADA: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. CNPJ 42.101.311/000197 solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. (cláusula 17.1). • A Fretadora DIAMOND OFFSHORE figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços BRASDRIL (cláusula 21.1.1 do contrato de afretamento). • No ano de 2009, a BRASDRIL pertencia às empresas DIAMOND OFFSHORE HOLDINGS LLC (74,75%) e DIAMOND OFFSHORE BRAZIL LLC (25,25%), ambas sediadas nos EUA (dados da DIPJ). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de OCEAN YORKTOWN, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade OCEAN YORKTOWN foi de fato fornecida por empresa do Grupo DIAMOND, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo DIAMOND foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo DIAMOND forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 6. DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. OCEAN WHITTINGTON CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0031896.072 DATA DE ASSINATURA: 06/06/2007 FRETADORA: DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. (Holanda) EMPRESA SOLIDÁRIA: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. CNPJ 42.101.311/000197 PRAZO: 1.825 dias, prorrogáveis. OBJETO: afretamento da unidade para perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou manutenção de poços de petróleo e gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade semisubmersível de perfuração CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0031898.072 Mencionado nas cláusulas 2.2.1.1, 11.1.10, 11.3.3, 17.1 e 21.1.1 do contrato de afretamento. DATA DE ASSINATURA: 06/06/2007 • O contrato de afretamento tem execução sempre simultânea ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data (cláusulas 2.2.1.1 e 17.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento {cláusulas 11.1.10 e 11.3.3 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. (cláusula 17.1). • A Fretadora DIAMOND OFFSHORE figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços BRASDRIL (cláusula 21.1.1 do contrato de afretamento). • No ano de 2009, a BRASDRIL pertencia às empresas DIAMOND OFFSHORE HOLDINGS LLC (74,75%) e DIAMOND OFFSHORE BRAZIL LLC (25,25%), ambas sediadas nos Fl. 27549DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 65 64 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização CONTRATADA: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. CNPJ 42.101.311/000197. EUA (dados da DIPJ). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento do OCEAN WHITTINGTON, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade OCEAN WHITTINGTON foi de fato fornecida por empresa do Grupo DIAMOND, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços do perfuração; c) empresa do Grupo DIAMOND foi contratada para prestar serviços utilizando unidade. d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim do evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 7. DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. OCEAN CONCORD CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 20500034168.072 DATA DE ASSINATURA: 16/08/2007 FRETADORA: DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. (Amsterdam) EMPRESA SOLIDÁRIA: PRAZO AFRETAMENTO: 1.825 dias, prorrogáveis. OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou manutenção de poços de petróleo e/ou gás, em áreas em que a PETROBRAS seja concessionária. DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade de perfuração CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0034169.072 DATA DE ASSINATURA: 16/08/2007 CONTRATADA: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. CNPJ 42.101.311/000197 • O contrato de afretamento tem execução sempre simultânea ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data (cláusulas 2.2.1.1 e 17.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusulas 11.1.10 e 11.3.3 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. (cláusula 17.1). • A Fretadora DIAMOND OFFSHORE figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços BRASDRIL (cláusula 21.1.1 do contrato de afretamento). • No ano de 2009, a BRASDRIL pertencia às empresas DIAMOND OFFSHORE HOLDINGS LLC (74,75%) e DIAMOND OFFSHORE BRAZIL LLC (25,25%), ambas sediadas nos EUA (dados da DIPJ). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de OCEAN CONCORD, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade OCEAN CONCORD foi de fato fornecida por empresa do Grupo DIAMOND, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira Fl. 27550DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 66 65 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo DIAMOND foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo DIAMOND forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 8. DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. OCEAN WORKER CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0039685.08.2 DATA DE ASSINATURA: 28/02/2008 FRETADORA: DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS B.V. (Holanda) INTERVENIENTE: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. CNPJ 42.101.311/000197 PRAZO: 2.191 dias, prorrogáveis. OBJETO: afretamento da unidade para perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover" de poços de petróleo e gás Destaques do contrato: De execução simultânea junto com o contrato de prestação de serviços (2.2.1.1.) Caso haja a rescisão do contrato de prestação de serviços, a Petrobras poderá rescindir unilateralmente, sem indenização à fretadora, o contrato de afretamento (11.1.10) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS N° 2050.0039687.08.2 Mencionado nos itens 21.11 e 17.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 07/04/2008 CONTRATADA: BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. CNPJ 42.101.311/000197 • A Fretadora DIAMOND OFFSHORE figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços BRASDRIL (cláusula 21.1.1 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES (cláusula 17.1). • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.10 do contrato de afretamento). • No ano de 2009, "a BRASDRIL pertencia às empresas DIAMOND OFFSHORE HOLDINGS LLC (74,75%) e DIAMOND OFFSHORE BRAZIL LLC (25,25%), ambas sediadas nos EUA (dados da DIPJ). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de OCEAN WORKER, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade OCEAN WORKER foi de fato fornecida por empresa do Grupo DIAMOND, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo DIAMOND foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo DIAMOND forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 9. DOLPH1N DRILUNG LIMITED BORGNY DOLPHIN CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050003290807.2 DATA DE ASSINATURA: 11/02/2008 FRETADORA: DOLPHIN DRILLING LIMITED, localizada em Aberdeen – UK INTERVENIENTE: Navis Drilling Ltda PRAZO: 1825 dias. OBJETO: afretamento da unidade para perfuração e/ou avaliação e/ou • A Fretadora DOLPHIN DRILLING LIMITED figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços Navis Drilling (cláusula 21.1.1 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa Navis Drilling (cláusula 17.1). Fl. 27551DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 67 66 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização completação e/ou "workover" de poços de petróleo e gás Destaques do contrato: De execução simultânea junto com o contrato de prestação de serviços (2.2.1.1.) Caso haja a rescisão do contrato de prestação de serviços, a Petrobras poderá rescindir unilateralmente, sem indenização à fretadora, o contrato de afretamento (11.1.10) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS N° 2050.0032909.07.2 Mencionado nos itens 21.11 e 17.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 11/02/2008 CONTRATADA: Navis Drilling Ltda. CNPJ 03.741.603/000132 • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.10 do contrato de afretamento). • A Prestadora de serviços pertence a empresa fretadora, conforme consta na base do cnpj: Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de BORGNY DOLPHIN, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que. no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade BORGNY DOLPHIN foi de fato fornecida por empresa do Grupo DOLPHIN DRILLING, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo DOLPHIN DRILLING foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo DOLPHIN DRILLING forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 10. ESPADARTE MV14 BV FPSO CIDADE DO RIO DE JANEIRO MV14 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2100.0013183.052 DATA DE ASSINATURA: 21/07/2005 FRETADORA: originalmente, MODEC INC. (Tókio, Japão),sucedida por ESPADARTE MV14 B.V. (Amsterdam), em virtude de cessão de direitos, sendo que a Cedente permanece responsável solidária, ao lado da Cessionária (vide Aditivo 1, sem data, e sem assinatura de testemunhas) INTERVENIENTE: MODEC SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA., CNPJ 05.217.376/000176 PRAZO AFRETAMENTO: 2.922 dias a partir da aceitação, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade a ser utilizada na produção, processamento, estocagem e transferência de óleo e gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de óleo FPSO VINCULADO AO CONVITE n° 0011990048, de 23/11/2004 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2100.0013184.052 Data da Assinatura: 21/07/2005 Prazo: 2.922 dias Contrato mencionado nas cláusulas 3.9.2, 3.15.1, 3.15.3, 11.1.10 e 17.1 do contrato • Contrato de afretamento estreitamente vinculado ao contrato de prestação de serviços de operação da unidade (cláusula 17.1 do contrato de afretamento). • A rescisão verificada em um contrato é base para o mesmo efeito no outro (cláusulas 11.1.10 e 17.1 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa MODEC SERVIÇOS DE PETRÓLEO DO BRASIL LTDA. (cláusula 19.1). • A cláusula 3.9 prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar, a responsabilidade conjunta recai sobre a Fretadora MODEC INC. e sobre a Interveniente (e prestadora de serviços) MODEC SERVIÇOS. • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusula 3.13 do contrato de afretamento). • A Fretadora MODEC INC. figura como co segurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços MODEC SERVIÇOS (cláusula 3.15.1 do contrato de afretamento). • A cláusula 8.6 do contrato de afretamento diz que a Contratada (Fretadora) deverá fornecer á PETROBRAS "Folha de Pagamento de seus empregados que estiverem envolvidos na prestação dos serviços contratados (grifo Fl. 27552DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 68 67 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização de afretamento. CONTRATADA: MODEC SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 05.217.376/000176 Contrato de Serviços: Cláusula 11.1.10: rescisão do contrato vinculada a rescisão do afretamento; Cláusula 15.1: vinculação expressa entre os contratos de afretamento e serviços; nosso). • Pesquisas no site da MODEC INC. na internet revelam que a empresa é a proprietária e operadora da unidade, a serviço da PETROBRAS. No ano 2009, a MODEC SERVIÇOS era controlada pela MODEC INTERNATIONAL LLC, sediada nos EUA, que detinha 99% de seu capital (dados da DIPJ). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento do FPSO CIDADE DO RIO DE JANEIRO, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade FPSO CIDADE DO RIO DE JANEIRO foi de fato fornecida por empresa do Grupo MODEC, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo MODEC foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo MODEC forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 11. ETESCO DRILLING COMPANY B.V. NAVIO SONDA PEREGRINE I CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0013711.052 DATA DE ASSINATURA: 10/09/2005 FRETADORA: inicialmente TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres), sucedida pela ETESCO DRILLING COMPANY B.V. (Holanda) a partir do Aditivo 1, de 16/11/2007 INTERVENIENTE: inicialmente TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278.681/000179, sucedida pela ETESCO CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. CNPJ 61.329.181/000199, a partir do Aditivo 1, de 16/11/2007 PRAZO AFRETAMENTO: 1.095 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: plataforma semisubmersível ou navio sonda CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0013712.052 • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data entre PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 18.1). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.13 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente (cláusula 19.1). • A Fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente (sendo a Interveniente a contratada para prestar serviços com a unidade, conforme cláusula 23.1.1 do contrato de afretamento). • As cláusulas 3.18.1 e 14.1.1 do contrato de afretamento prevêem que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a Fretadora e a Interveniente (sendo esta última a contratada para os serviços de perfuração). • A cláusula 3.28 do contrato de afretamento prevê que a operação da unidade ficará sob o controle e comando exclusivo da Fretadora ou seus prepostos. • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fl. 27553DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 69 68 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização Mencionado nas cláusulas 11.1.3, 18.1 e 23.1.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 10/09/2005 Prazo: 1.095 dias CONTRATADA: inicialmente TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278.681/000179. No Aditivo 1 do contrato de Serviços, há a cessão da parte da TRANSOCEAN BRASIL para Etesco Const. E Com Ltda CNPJ 61.329.181/000199. Contrato de Serviços: Cláusula 11.1.13: rescisão do contrato vinculada a rescisão do afretamento; OBS: a cessão operada pelo Aditivo 1 ao contrato de afretamento dependia da venda da unidade para a empresa MMEER CAYMAN LTD. ou uma de suas filiadas. Fretadora (cláusulas 3.3.1, 3.3.2, 3.3.3 e 3.37 do contrato de afretamento). A Fretadora deve apresentar a certificação em controle de poço de determinados profissionais (cláusula 3.3.6). O Anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • Segundo informações extraídas da DIPJ, no ano de 2009 a ETESCO CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO detinha 100% do capital de ETESCO DRILLING COMPANY B.V., sua controlada. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de PEREGRINE I, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade PEREGRINE I foi de fato fornecida por empresa do Grupo ETESCO, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo ETESCO foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo ETESCO forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 12. HIBERNIA MARINE C.V. LOUISIANA (SS51) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.155.96.0 DATA DE ASSINATURA: 30/12/1996 FRETADORA: inicialmente SAFE JASMINA INC, com sede na Libéria, sucedida pela Lousiana Overseas (aditivo 1), sucedida finalmente pela Hibernia Marine (aditivo 4). INTERVENIENTE: inicialmente PETROSERV AS, CNPJ 30.508.345/000111, depois substituída pela Ventura Petróleo CNPJ 01.785.706/000179 (aditivo 1). PRAZO AFRETAMENTO: 2.555 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: plataforma semisubmersível CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.156.96.3 • Contrato de Serviços: Cláusula 11.1.12: rescisão do contrato vinculada a rescisão do afretamento; vinculação de contratos de afretamento e serviço na cláusula 15.1. • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data entre PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 16.1). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.12 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente (cláusula 17.1). • Cláusula 3.15.1: A contratada pelo afretamento é cosegurada na apólice de seguro que a interveniente (prest. de serviço) fez por conta do item 3.12 do contrato de prestação de serviços. Ligação entre as empresas fretadora e a prestadora de serviços: • No contrato de afretamento, respondem pela SAFE JASMINA INC e pela Lousiana Overseas Fl. 27554DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 70 69 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização DATA DE ASSINATURA: 30/12/1996 Prazo: 2.555 dias, prorrogáveis. CONTRATADA: inicialmente PETROSERV AS CNPJ 30.508.345/000111, depois substituída pela Ventura Petróleo CNPJ 01.785.706/000179. os senhores Tobias Cepelowicz e Roberto Jessourun. A sucessora final, Hibernia Marine, é representada por Dimas Calani. As prestadoras de Serviços Petroserv e sua Sucessora, Ventura Petróleo, pertencem a Tobias Cepelowicz e Roberto Jessourun. E o representante da Hibernia no Brasil, Dimas Calani, era, no ano de 2009, funcionário assalariado da empresa Petroserv, ou seja, era empregado dos sócios das empresas prestadoras de serviços. Fica claro que a Hibernia, fretadora, e as prestadoras de serviços formam um único grupo econômico, pertencentes aos sócios das empresas nacionais. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de Lousiana, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade Lousiana I foi de fato fornecida por empresa do Grupo proprietário das empresas fretadoras e prestadoras de serviços; c) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 13. HIBERNIA MARINE C.V. ATLANTIC ZEPHYR CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 170.2.009.01.2 DATA DE ASSINATURA: 19/09/2001 FRETADORA: Hibernia Marine CV. INTERVENIENTE: inicialmente PETROSERV AS CNPJ 30.508.345/0001 11 PRAZO AFRETAMENTO: 2.737 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: plataforma semisubmersível Atlantic Zephyr CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.156.96.3 DATA DE ASSINATURA: 30/12/1996 Prazo: 2.737 dias, prorrogáveis CONTRATADA: PETROSERV AS CNPJ 30.508.345/000111 Contrato de Serviços; Cláusula 11.1.12: rescisão do contrato vinculada a rescisão do afretamento; vinculação de contratos de afretamento e serviço na cláusula 15.1. • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data entre PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 21.1). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 12.1.10 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente (cláusula 20.1). • Ligação entre as empresas fretadora e a prestadora de serviços: no contrato de afretamento, o senhor Roberto Jessourun responde pela Hibernia Marine (fretadora) e pela segunda empresa interveniente, Zephir Overseas. O mesmo ocorre no contrato de afretamento. • A prestadora de Serviços Petroserv pertence a Tobias Cepetowicz e Roberto Jessourun. Fica claro que a Hibernia, fretadora, e a prestadora de serviços formam um único grupo econômico, pertencentes aos sócios das empresas nacionais. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de Atlantic Zephyr, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples Fl. 27555DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 71 70 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade Atlantic Zephyr foi de fato fornecida por empresa do Grupo proprietário das empresas fretadoras e prestadoras de serviços; c) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 14. KS FRONTIER SEILLEAN FPSO SEILLEAN CONTRATO DE AFRETAMENTO 2300.001O3Q8.05.2 DATA DE ASSINATURA: 22/03/2005 FRETADORA: KS FRONTIER SEILLEAN (Noruega) EMPRESA SOLIDÁRIA: Frontier Drilling do Brasil CNPJ 04.698.482/000156 PRAZO: 1.460 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para produção, processamento, estocagem e transferência de óleo e gás. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2300.0010309.05.2 Mencionado nas cláusulas 3.18, 10.1.18 e 16.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 22/03/2005 CONTRATADA: Frontier Drilling do Brasil CNPJ 04.698.482/000156 • O contrato de afretamento tem execução sempre simultânea ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data. • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusulas 10.1.8 do contrato de afretamento e 11.1.8 do contrato de prestação de serviço). • Há uma vinculação expressa entre os dois contratos (cláusulas 16.1 do contrato de afretamento e 15.1 do contrato de prestação de serviço). Fica claro que a KS FRONTIER SEILLEAN, fretadora, e a prestadoras de serviço formam um único grupo econômico. A prestadora de serviços pertence e tem como sem seu quadro social a fretadora no exterior. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de FPSO SEILLEAN, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade FPSO SEILLEAN foi de fato fornecida por empresa do Grupo Seillan, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo Seillan foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo Seillan forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 15. NOBLE DRILLING (NEDERLAND) B.V. NOBLE PAUL WOLF SS53 (AMOS RUNNER) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.038.975 DATA DE ASSINATURA: 02/07/1997 FRETADORA: inicialmente NEDRILL NEDERLAND B.V. (Holanda), renomeada NOBLE DRILLING NEDERLAND B.V. (Holanda) a partir do Aditivo 1 INTERVENIENTE; inicialmente NEDRILL DO BRASIL S/C LTDA. • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data entre PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 16.1). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.12 do contrato de afretamento). Segundo informação extraída da DIPJ do ano 2009, naquele ano a NOBLE DO BRASIL era controlada pela NOBLE DRILLING HOLDING Fl. 27556DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 72 71 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização CNPJ 40.330.078/000199, depois renomeada NOBLE DO BRASIL S/C LTDA. PRAZO; 2.190 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: plataforma semisubmersível ou navio sonda VINCULADO AO EDITAL DE CONCORRÊNCIA n° 101.0.025.961 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.039.978 Mencionado nas cláusulas 3.15.1,10.1.12 e 16.1 do contrato de afretamento. DATA DE ASSINATURA: 02/07/1997 CONTRATADA: NOBLE DO BRASIL S/C LTDA. CNPJ 40.330.078/000199 LLC (99,99%). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de NOBLE PAUL WOLF, sem retenção de 1RF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade NOBLE PAUL WOLF foi de fato fornecida por empresa do Grupo NOBLE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo NOBLE foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo NOBLE forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 16. NOBLE DRILLING (NEDERLAND) B.V. NOBLE ROGER EASON NS15 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 186.2.013.045 DATA DE ASSINATURA: 06/09/2004 FRETADORA: NOBLE DRILLING NEDERLAND B.V. (Holanda) INTERVENIENTE: NOBLE DO BRASIL S/C LTDA. CNPJ 40.330.078/000199 PRAZO: 700 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: plataforma semisubmersível ou navio sonda VINCULADO AO CONVITE n° 186.8.012.043 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2050.0003914.04.2 Mencionado nas cláusulas 11.1.3,18.1 e 23.1.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: mesma data do contrato de afretamento CONTRATADA: NOBLE DO BRASIL S/C LTDA. CNPJ 40.330.078/000199 • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data entre PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 18.1). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.13 do contrato de prestação de serviço e de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente (cláusula 19.1). • A Fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente (sendo a Interveniente a contratada para prestar serviços com a unidade, conforme cláusula 23.1.1 do contrato de afretamento). • As cláusulas 3.18.1 e 14.1.1 do contrato de afretamento prevêem que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a Fretadora e a Interveniente (sendo esta última a contratada para os serviços de perfuração). • A cláusula 3.28 do contrato de afretamento prevê que a operação da unidade ficará sob o controle e comando exclusivo da Fretadora ou seus prepostos. • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusulas 3.3.1, 3.3.2, 3.3.3 e 3.37 do contrato de afretamento). A Fretadora deve apresentar a certificação em controle de poço de determinados profissionais (cláusula 3.3.6). O Anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação Fl. 27557DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 73 72 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. Segundo informação extraída da DIPJ do ano 2009, naquele ano a NOBLE DO BRASIL era controlada pela NOBLE DRILLING HOLDING LLC (99,99%). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de NOBLE ROGER EASON, sem retenção de 1RF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade NOBLE ROGER EASON foi de fato fornecida por empresa do Grupo NOBLE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo NOBLE foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo NOBLE forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 17. NOBLE DRILLING (NEDERLAND) B.V.NOBLE MURAVLENKO CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0007877.04.2 DATA DE ASSINATURA: 30/09/2004 FRETADORA: NOBLE DRILLING NEDERLAND B.V. (Holanda) INTERVENIENTE: NOBLE DO BRASIL S/C LTDA. CNPJ 40.330.078/000199 PRAZO: 160 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: plataforma semisubmersível ou navio sonda VINCULADO AO CONVITE n° 186.8.015.041 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0007798.04.2 (antigo 2050.0004424.042 ) Mencionado nas cláusulas 11.1.13,18.1 e 23.1.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 30/09/2004 CONTRATADA: NOBLE DO BRASIL S/C LTDA. CNPJ 40.330.078/000199 PRAZO: 160 dias, prorrogáveis VINCULADO AO CONVITE n° 2050.0007877.04.2 • O contrato de afretamento e o contrato de serviços declaramse vinculados ao mesmo Convite da PETROBRAS, de n° 2050.0007877.04.2. • Os contratos de afretamento e de serviços foram assinados nas mesmas datas, prevendo o mesmo prazo. • O contrato de afretamento e o contrato de prestação de serviços declaramse mutuamente vinculados (cláusula 18.1, em ambos contratos). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.13 do contrato de afretamento). • No contraio de afretamento assina, como Interveniente, a contratada para a prestação de serviços. No contrato de prestação de serviços assina, como Interveniente, a empresa contratada para fornecer o afretamento. Ambas empresas pertencem ao mesmo grupo econômico. • A Fretadora e a prestadora de serviços assinam como solidariamente responsáveis, pelas obrigações assumidas (cláusula 19.1, em ambos contratos). • A Fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente (sendo a Interveniente a contratada para prestar serviços com a unidade, conforme cláusula 23.1.1 do contrato de afretamento). • No caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a Fl. 27558DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 74 73 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização Fretadora e a prestadora de serviços (cláusula 3.18.1, tanto no contrato de afretamento como no de prestação de serviços). • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusulas 3.3.1, 3.3.2, 3.3.3 e 3.37 do contrato de afretamento). A Fretadora deve apresentar a certificação em controle de poço de determinados profissionais (cláusula 3.3.6). O Anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • A cláusula 3.28 do contrato de afretamento prevê que a operação da unidade ficará sob o controle e comando exclusivo da Fretadora ou seus propostos. No contrato de prestação de serviços, a mesma cláusula prevê que a operação da unidade ficará sob controle e comando exclusivo da prestadora de serviços ou seus propostos. Segundo informação extraída da DIPJ do ano 2009, naquele ano a NOBLE DO BRASIL era controlada pela NOBLE DRILLING HOLDING LLC (99,99%). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de NOBLE MURAVLENKO, sem retenção do IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos; a) nâo se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade NOBLE MURAVLENKO foi de fato fornecida por empresa do Grupo NOBLE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo NOBLE foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo NOBLE forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 18. NOBLE DRILLING (NEDERLAND) B.V. NOBLE LEO SEGERIUS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 187.2.127.011 DATA DE ASSINATURA: 23/08/2001 FRETADORA: NOBLE DRILLING NEDERLAND B.V. (Holanda) INTERVENIENTE: NOBLE DO BRASIL S/C LTDA. CNPJ 40.330.078/000199 PRAZO: 1.095 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para • Os contratos de afretamento e de prestação de serviços foram assinados na mesma data, prevendo o mesmo prazo. • Os contratos de afretamento e de prestação de serviços declaramse vinculados ao mesmo Convite PETROBRAS n° 187.8.042.019. • O contrato de afretamento e o contrato de prestação de serviços declaramse mutuamente vinculados (cláusula 16.1 no contrato de afretamento e 15.1 no de prestação de serviços). Fl. 27559DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 75 74 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: plataforma semisubmersível ou navio sonda VINCULADO AO CONVITE n° 187.8.042.019 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n°187.2.128.014 Mencionado nas cláusulas 3.15.1,10.1.9 e 16.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 23/08/2001 CONTRATADA: NOBLE DO BRASIL S/C LTDA. CNPJ 40330.078/0001 99 PRAZO: 1.095 dias, prorrogáveis VINCULADO AO CONVITE n° 187.8042.019 • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.9 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como Interveniente, a contratada para a prestação de serviços. No contrato de prestação de serviços assina, como Interveniente, a empresa contratada para fornecer o afretamento. Ambas empresas pertencem ao mesmo grupo econômico. • A Fretadora e a prestadora de serviços assinam como solidariamente responsáveis, pelas obrigações decorrentes de ambos contratos (cláusula 17.1 no contrato de afretamento e 16.1 no de prestação de serviços). • A Fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente (sendo a Interveniente a contratada para prestar serviços com a unidade, conforme cláusula 3.15.1 do contrato de afretamento). • A cláusula 3.6.2 do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a Fretadora e a prestadora de serviços (cláusula 3.6.2 do contrato de afretamento e 3.21.2 do de prestação de serviços). • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusula 3.10 do contrato de afretamento). O Anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. Segundo informação extraída da DIPJ do ano 2009, naquele ano a NOBLE DO BRASIL era controlada pela NOBLE DRILLING HOLDING LLC (99,99%). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de NOBLE LEO SEGERIUS, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade NOBLE LEO SEGERIUS foi de fato fornecida por empresa do Grupo NOBLE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo NOBLE foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo NOBLE forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente Fl. 27560DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 76 75 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 19. NOBLE DRILLING (NEDERLAND) B.V.NOBLE THERALD MARTIN SS62 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0013082.052 DATA DE ASSINATURA: 04/01/2006 FRETADORA: NOBLE DRILLING NEDERLAND B.V. (Holanda) INTERVENIENTE: NOBLE DO BRASIL S/C LTDA., CNPJ 40.330.078/000199 PRAZO: 1.460 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: plataforma semisubmersível ou navio sonda CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2050.0013085.05.2 Mencionado nas cláusulas 11.1.13,18.1 e 23.1.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 04/01/2006 CONTRATADA: NOBLE DO BRASIL S/C LTDA. CNPJ 40.330.078/000199 • O contrato de afretamento deciarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data entre PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 18.1). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.13 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente (cláusula 19.1). • A Fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente (sendo a Interveniente a contratada para prestar serviços com a unidade, conforme cláusula 23.1.1 do contrato de afretamento). • A cláusula 3.18.1 do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a Fretadora e a Interveniente (sendo esta última a contratada para os serviços de perfuração). • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusulas 3.3.1, 3.3.2, 3.3.3 e 3.37 do contrato de afretamento). A Fretadora deve apresentar a certificação em controle de poço de determinados profissionais (cláusula 3.3.6). O Anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador. Assistente de Sondador, Torrista, etc. • A cláusula 3.28 prevê que a operação da unidade ficará sob o controle e comando exclusivo da Fretadora ou seus prepostos. Segundo informação extraída da DIPJ do ano 2009. naquele ano a NOBLE DO BRASIL era controlada pela NOBLE DRILLING HOLDING LLC (99,99%). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de NOBLE THERALD MARTIN, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados: b) a unidade NOBLE THERALD MARTIN foi de fato fornecida por empresa do Grupo NOBLE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo NOBLE foi contratada para Fl. 27561DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 77 76 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo NOBLE forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 20. SPE OPPORTUNITY MV18 B.V. FPSO CIDADE DE NITERÓI CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2200.0029881.07.2 DATA DE ASSINATURA: 31/05/2007 FRETADORA: SPE OPPORTUNITY MV18 B,V. UNIDADE AFRETADA: FPSO Cidade de Niterói MV18 PRAZO AFRETAMENTO: 3285 dias OBJETO: afretamento de plataforma que "execute produção, processamento e estocagem de óleo e gás. Valor do Contrato: US$ 785.541.456,60 referentes a afretamento. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2200.0029882.07.2 DATA DE ASSINATURA: 31/05/2007 CONTRATADA PARA OS SERVIÇOS: MODEC SERVIÇOS DE PETRÓLEO DO BRASIL LTDA. INTERVENIENTE: PETROBRAS NETHERLANDS PNBV PRAZO: 3285 dias OBJETO: recebimento, processamento e armazenamento de petróleo na unidade afretada. • A Fretadora no contrato de afretamento é solidária com a empresa prestadora de serviços em seu contrato com a Petrobrás (cláusula 15), e em contrapartida a prestadora de serviços é solidária no contrato de afretamento com a Fretadora (cláusula 17). • Consta do contrato de afretamento determinação de que este deve ser executado simultaneamente com o contrato de prestação de serviços (cláusula 2.2.2). Há estreita vinculação entre o contrato de afretamento e o de serviços, de tal modo que a rescisão, suspensão ou força maior no contrato de serviços acarreta a rescisão, suspensão ou força maior no contrato de afretamento (cláusula 11.1.11, tanto no contrato de afretamento como no de prestação de serviços). Observese que, caso o afretamento tivesse existência autônoma, a rescisão do contrato de serviços não acarretaria, necessariamente, a rescisão do afretamento, pois a PETROBRÁS poderia simplesmente contratar outra prestadora de serviços. • Observase confusão entre os contratos de afretamento e de serviços, visto que o contrato de prestação de serviços contém diversas disposições pertinentes ao fornecimento da plataforma. Concluise que a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento, sem a retenção de Imposto de Renda na Fonte e da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que o fornecimento da unidade era parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) como visto, o contrato de prestação de serviços contém diversas disposições relativas ao fornecimento da unidade; d) A empresa prestadora de serviços MODEC SERVIÇOS DE PETRÓLEO DO BRASIL LTDA, pertence à empresa estrangeira MODEC International Inc. Esta, por sua vez, é a proprietária do equipamento afretado, FPSO Cidade de Niterói MV18; e) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 21. PETROBRAS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0049488.09.2 • A Fretadora no contrato de afretamento é Interveniente no contrato de prestação de Fl. 27562DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 78 77 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização NETHERLANDS B.V. STENA DRILLMAX I DATA DE ASSINATURA: 27/02/2009 FRETADORA: PETROBRAS NETHERLANDS PNBV (embora esta não seja a proprietária da unidade; sua condição de fretadora devese a contrato internacional firmado com empresa do Grupo STENA) PRAZO AFRETAMENTO: 150 dias (prorrogáveis), contados a partir do recebimento e aceitação da plataforma OBJETO: afretamento de plataforma que "execute trabalhos de perfuração com relação ao prospecto Guará no bloco BM S9, na Bacia de Santos" DESCRIÇÃO DA UNIDADE: navio de perfuração (driliship) com posicionamento dinâmico, construído em 2007 pelo Estaleiro Samsung Heavy Industries da Coréia do Sul (Apêndice 9 do contrato de afretamento) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 20500049489.09.2 DATA DE ASSINATURA: 06/03/2009 CONTRATADA PARA OS SERVIÇOS: STENA SERVICES BRASIL LTDA. INTERVENIENTE: PETROBRAS NETHERLANDS PNBV PRAZO: da data de assinatura até a data de complementação (indefinido no contrato) OBJETO: prestação de serviços de perfuração utilizando unidade fornecida pela Interveniente, STENA DRILLMAX I serviços. • Consta do contrato de afretamento determinação de que este deve ser executado simultaneamente com o contrato de prestação de serviços. Há estreita vinculação entre o contrato de afretamento e o de serviços, de tal modo que a rescisão, suspensão ou força maior no contrato de serviços acarreta a rescisão, suspensão ou força maior no contrato de afretamento (cláusula 7.5, tanto no contrato de afretamento como no de prestação de serviços). Observese que. caso o afretamento tivesse existência autônoma, a rescisão do contrato de serviços não acarretaria, necessariamente, a rescisão do afretamento, pois a PETROBRAS poderia simplesmente contratar outra prestadora de serviços. • A cláusula 4.12.3 do contrato de afretamento diz que a medição do afretamento se dará por meio de Relatórios de Medição assinados por ambas as partes. A cláusula 4.12.4 do contrato de serviços também prevê a medição dos serviços por meio de Relatórios de Medição. O período de medição do afretamento é o mesmo adotado para a medição dos serviços. Observase confusão entre os contratos de afretamento e de serviços, visto que o contrato de prestação de serviços contém diversas disposições pertinentes ao fornecimento da plataforma, como passamos a relatar. • A cláusula 4.12.1 .m) ii) do contrato de prestação de serviços diz que, caso PETROBRAS deixe de pagar pelos serviços prestados, STENA poderá retirar a plataforma (RIG), pondo fim ao contrato. Comprovase que o afretamento é parte integrante da prestação de serviços; caso contrário, como se admitiria que uma prestadora de serviços retirasse plataforma que a PETROBRAS afretara, em contrato supostamente independente? • A cláusula 7.1.3.d) do contrato de prestação de serviços diz que, finda a execução dos serviços, PETROBRAS deverá devolver a plataforma no estado em que a recebeu, com o desgaste natural. Mais uma vez fica demonstrado que o fornecimento da unidade é parte integrante da prestação de serviços, a cargo do Grupo STENA. • A cláusula 11.5 do contrato de prestação de serviços dispõe sobre "ÔNUS SOBRE EQUIPAMENTO DA CONTRATADA", e diz que a CONTRATADA (STENA) "se compromete a não criar ou praticar qualquer ato, compromisso ou coisa que resulte na criação de qualquer ônus sobre o EQUIPAMENTO DA CONTRATADA, impedindo (ou que possa de qualquer forma impedir) a CONTRATADA de desempenhar os SERVIÇOS diligentemente e de acordo com este CONTRATO e/ou que possa ferir o exercício apropriado pela COMPANHIA Fl. 27563DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 79 78 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização de seus direitos sob as disposições de penhora por erro da CONTRATADA. Para que se evitem dúvidas, o indicado acima não impede a CONTRATADA ou qualquer de suas AFILIADAS de oferecer garantias a respeito da PLATAFORMA com relação a financiamento no curso normal dos negócios "{gníos nossos). Vejase que estas disposições, embora extraídas do contrato de serviços, têm relação com o regular fornecimento da plataforma pelo Grupo STENA, livre de quaisquer ônus. Embora a PNBV assine como Fretadora, no contrato de afretamento, os dispositivos contratuais indicam claramente que a unidade STENA DRILLMAX pertencia ao Grupo STENA, ou ao menos que o Grupo STENA detinha os direitos de sua exploração comercial. Informações extraídas da internet revelam que a unidade pertencia à empresa STENA INTERNATIONAL S.A.R.L, sediada em Luxemburgo. A STENA INTERNATIONAL S.A.R.L., por sua vez, detinha 99% do capital de STENA SERVICES BRASIL LTDA. no ano 2009 (dados da DIPJ), quando esta última foi contratada para prestar serviços de perfuração com a plataforma STENA DRILLMAX. Concluise que a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de STENA DRILLMAX, sem a retenção de Imposto de Renda na Fonte e da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que o fornecimento da unidade era parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) como visto, o contrato de prestação de serviços contém diversas disposições relativas ao fornecimento da unidade; c) a unidade STENA DRILLMAX foi de fato fornecida por empresa do Grupo STENA, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; d) empresa do Grupo STENA foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo STENA forneceu; e) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 22. PETROBRAS NETHERLANDS B.V. FPSO CIDADE DE SÃO MATEUS UNES CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2300.0050143.09.2 DATA DE ASSINATURA: 03/04/2009 FRETADORA: PETROBRAS NETHERLANDS B.V. UNIDADE AFRETADA: FPSO CIDADE DE SÃO MATEUS UNES No contrato de prestação de serviço, a cláusula 11.1.11 Rescisão do Contrato de Afretamento, firmado entre a PETROBRAS e a empresa que assinou o contrato de Afretamento, independentemente da causa. Fica evidente que a Petrobras Netherlands firmou um contrato de afretamento com a Prosafe, de n° Fl. 27564DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 80 79 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização PRAZO AFRETAMENTO: 3285 dias OBJETO: afretamento de plataforma que "execute produção, processamento e estocagem de óleo e gás. Valor do Contrato: US$ 728.289.916,98 referentes a afretamento. US$ 3.703 700.00 referentes a mobilização da unidade. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2300.0028837.07.2 DATA DE ASSINATURA: 29/06/2007 CONTRATADA PARA OS SERVIÇOS: PROSAFE PRODUCTION DO BRASIL LTDA. CNPJ: 04.672.503/000164 INTERVENIENTE: PROSAFE GFPSO I B.V. PRAZO: 3285 dias OBJETO: RECEBIMENTO, PROCESSAMENTO E ARMAZENAMENTO DE PETRÓLEO NA UNIDADE AFRETADA. Obs: apesar de a Petrobras Netherlands constar como fretadora, no contrato de prestação de serviços, abaixo comentado, há referência a um contrato de número 2300.0028836.07.2 (cláusula 15.1 do contrato de prestação de serviço), no qual a contratada é a PROSAFE GFPSO I B.V., interveniente no referido contrato de prestação de serviços. 2300.0028836.07.2, e que esta faz parte do mesmo grupo da empresa prestadora de serviços. É a mesma forma de operar que vemos nos outros contratos: afretase o equipamento de urna empresa estrangeira e contrata o serviço atrelado ao equipamento de uma empresa nacional, do mesmo grupo da empresa estrangeira. Pagase quase a totalidade do valor do como afretamento, e o restante fica com a empresa nacional. A diferença, neste caso, é que a Petrobras fez um contrato de afretamento com a PNBV, tentando descaracterizar a operação de afretamento da prestação de serviços. Ocorre, porém, que o próprio contrato de prestação de serviço desmascara a operação: a diversas referências á empresa fretadora de fato PROSAFE GFPSO I B.V., ela consta como interveniente e, para solapar de vez a figuração da PNBV, há menção expressa ao contrato que não foi fornecido, onde a PROSAFE GFPSO I B.V. é a fretadora do equipamento. A PNBV fez um contrato com a Prosafe GFPSO de afretamento do equipamento FPSO Cidade de São Mateus, cujo início (03.04.2009) e término (31.03.2018) coincidem exatamente com os contratos citados acima. Provase, assim, o que foi defendido no parágrafo anterior. As contratações de serviços e compras das empresas do Sistema PETROBRAS são disciplinadas pelo Decreto no 2.745, de 24/08/98 Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado da PETROBRAS, conforme estabelece a Lei no 9.478, de 06/08/97 Concluise que a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento, sem a retenção de Imposto de Renda na Fonte e da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que o fornecimento da unidade era parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) como visto, o contrato de prestação de serviços contém diversas referâncias ao contrato de afretamento com a PROSAFE GFPSO I B.V.; d) A empresa prestadora de serviços PROSAFE Production do Brasil, pertence à empresa estrangeira PROSAFE GFPSO I B.V. e) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobro a maior parto da remuneração. e) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. Fl. 27565DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 81 80 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização 23. PGS GEOPHYSICAL AS NAVIO SÍSMICO RAMFORM SOVEREIGN CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2010.0040960.08.2 DATA DE ASSINATURA: 06/06/2008 FRETADORA: PGS GEOPHYSICAL AS Netherlands, CNPJ 05.715.527/000116 INTERVENIENTE: PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda CNPJ 07.785.858/000158 PRAZO AFRETAMENTO: 730 dias, prorrogáveis OBJETO: Levantamento de dados geofísicos DESCRIÇÃO DA UNIDADE: Navio sísmico CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2010.0040962.08.2 Mencionado nas cláusulas 11.1.10 (rescisão) , 17.1 (solidariedade) e 21.1.1 (cosegurada) do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 06/06/2008 CONTRATADA: PGS Sunorte Loaístico e Serviços Ltda CNPJ 07.785.858/000158 • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.10 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente (cláusula 17.1). • A Fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente (sendo a Interveniente a contratada para prestar serviços com a unidade, conforme cláusula 21.1.1 do contrato de afretamento). • A prestadora de serviço consta como filial da fretadora no site desta. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de NAVIO SÍSMICO RAMFORM SOVEREIGN, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade NAVIO SÍSMICO RAMFORM SOVEREIGN foi de fato fornecida por empresa do Grupo PGS, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo PGS foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 24. PRA1 MV15 BV FPSO CIDADE DE MACAE CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2200.0013256.05.2 DATA DE ASSINATURA: 05/12/2005 FRETADORA: originalmente, MODEC INC. (Tókio, Japão), sucedida por PRA1 MV15 B.V. (Amsterdam), em virtude de cessão de direitos, sendo que a Cedente permanece responsável solidária, ao lado da Cessionária (vide Aditivo 1, sem data, e sem assinatura de testemunhas) INTERVENIENTE: MODEC SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 05.217.376/000176 PRAZO AFRETAMENTO: 7.300 dias a partir da aceitação, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade a ser utilizada na produção, processamento, estocagem e transferência de óleo e gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de óleo FPSO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE • Contrato de afretamento estreitamente vinculado ao contrato de prestação de serviços de operação da unidade (cláusula 17.1 do contrato de afretamento). • A rescisão verificada em um contrato é base para o mesmo efeito no outro (cláusulas 11.1.10 e 17.1 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa MODEC SERVIÇOS DE PETRÓLEO DO BRASIL LTDA. (cláusula 20.1). • Pesquisas no site da MODEC INC. na internet revelam que a empresa é a proprietária e operadora da unidade, a serviço da PETROBRAS. Verificase que a empresa estrangeira, sediada em Tóquio (Japão), tem escritórios principais naquela cidade, em Houston e em Singapura, além de escritórios regionais, um dos quais no Brasil, aberto em 2003. No ano 2009, a MODEC SERVIÇOS era Fl. 27566DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 82 81 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização SERVIÇOS n° 2200.0013257.05.2 Data da Assinatura: 21/07/2005 Prazo: 2.922 dias Contrato mencionado nas cláusulas 12.1.9 (rescisão simultânea) e 20.1 (vinculação dos contratos) do contrato de afretamento. CONTRATADA: MODEC SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 05.217.376/000176 controlada pela MODEC INTERNATIONAL LLC, sediada nos EUA, que detinha 99% de seu capital (dados da DIPJ). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento do FPSO CIDADE DE MACAÉ, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade FPSO CIDADE DE MACAÉ foi de fato fornecida por empresa do Grupo MODEC, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo MODEC foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo MODEC forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 25. PRIDE FORAMER SAS PRIDE SOUTH AMERICA SS47 (AMETHYST/EN SCO 6000) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.016.0960 DATA DE ASSINATURA: 01/04/1996 FRETADORA: inicialmente DIVING WORKOVER CONTRACTORS AMETHYST N.V. (Curaçau, Antilhas Holandesas), substituída pela PRIDE FORAMER SAS (Franca) INTERVENIENTE: inicialmente SEDCO FOREX PERFURAÇÕES MARÍTIMAS LTDA. CNPJ 34.263.392/000101, substituída por PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA.) PRAZO AFRETAMENTO: 1.825 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na avaliação e/ou completação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: plataforma semisubmersível de posicionamento dinâmico CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 101.2.017.96.3 Mencionado nas cláusulas 3.15.1, 10.1.2, e 16.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 01/04/1996 CONTRATADA: PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data, entre a PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 16.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.2 do contrato de afretamento). • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusula 3.10 do contrato de afretamento). • A cláusula 3.6.2 do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a Fretadora e a Interveniente (sendo esta última a contratada para os serviços de perfuração). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente (cláusula 17.1). • A Fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente (sendo a Interveniente a contratada para prestar serviços com a unidade, conforme cláusula 3.15.1 do contrato de afretamento). Segundo informação extraída da DIPJ de 2009, naquele ano a PRIDE DO BRASIL era controlada pela PRIDE INTERNATIONAL LTD., das Ilhas Virgens Britânicas (99,99%). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de PRIDE SOUTH AMERICA, sem retenção de IRF e sem Fl. 27567DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 83 82 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA.) o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade e parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade PRIDE SOUTH AMERICA foi de fato fornecida por empresa do Grupo PRIDE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo PRIDE foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo PRIDE forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 26. PRIDE FORAMER SAS PRIDE BRAZIL (ENSCO 6002) CONTRATO DE AFRETAMENTO n" 187.2.006.012 DATA DE ASSINATURA: 22/01/2001 FRETADORA: PRIDE FORAMER SAS (França) INTERVENIENTE: PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA.) PRAZO AFRETAMENTO: 1.825 dias. prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade semisubmersível de posicionamento dinâmico CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 187.2.009.01.5 Mencionado nas cláusulas 3.15.1, 10.1.9, 16.1 e 17.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 22/01/2001 CONTRATADA: PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA.) • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data (cláusula 16.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato do serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.9 do contrato do afretamento). • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusula 3.10 do contrato de afretamento). O Anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • A cláusula 3.6.2 do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a Fretadora e a Interveniente (sendo esta última a contratada para os serviços de perfuração). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente (cláusula 17.1). • A Fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente (sendo a Interveniente a contratada para prestar serviços com a unidade, conforme cláusula 3.15.1 do contrato de afretamento). Segundo informação extraída da DIPJ de 2009, naquele ano a PRIDE DO BRASIL era controlada pela PRIDE INTERNATIONAL LTD., das Ilhas Virgens Britânicas (99,99%). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de PRIDE BRAZIL, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: Fl. 27568DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 84 83 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade PRIDE BRAZIL foi de fato fornecida por empresa do Grupo PRIDE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo PRIDE foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo PRIDE forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 27. PRIDE FORAMER SAS SS PRIDE CARLOS WALTER (ENSCO 6001) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 187.2.010.016 DATA DE ASSINATURA: 22/01/2001 FRETADORA: PRIDE FORAMER SAS (França) INTERVENIENTE: PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA.) PRAZO AFRETAMENTO: 1.825 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade semisubmersível de posicionamento dinâmico CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 187.2.011.01.9 Mencionado nas cláusulas 3.15.1, 10.1.9,16.1 e 17.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 22/01/2001 CONTRATADA: PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA.) • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data (cláusula 16.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.9 do contrato de afretamento). • A tripulação deve ser fornecida e mantida peta Fretadora (cláusula 3.10 do contrato de afretamento). O Anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • A cláusula 3.6.2 do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a Fretadora e a Interveniente (sendo esta última a contratada para os serviços de perfuração). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente (cláusula 17.1). • A Fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente (sendo a Interveniente a contratada para prestar serviços com a unidade, conforme cláusula 3.15.1 do contrato de afretamento). Segundo informação extraída da DIPJ de 2009, naquele ano a PRIDE DO BRASIL era controlada pela PRIDE INTERNATIONAL LTD., das Ilhas Virgens Britânicas (99,99%). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de PRIDE CARLOS WALTER, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o Fl. 27569DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 85 84 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade PRIDE CARLOS WALTER foi de fato fornecida por empresa do Grupo PRIDE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo PRIDE foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo PRIDE forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 28. PRIDE FORAMER SAS PRIDE RIO DE JANEIRO (ENSCO 6003) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0011673.052 DATA DE ASSINATURA: 10/07/2005 FRETADORA: PRIDE FORAMER SAS (França) INTERVENIENTE: PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA.) PRAZO AFRETAMENTO: 1.825 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: plataforma semi submersível CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2050.0011670.05.2 Mencionado nas cláusulas 11.1.13,18.1 e 23.1.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 10/07/2005 CONTRATADA: PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA.) • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.13 do contrato de afretamento). • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusulas 3.3.1, 3.3.2, 3.3.3 e 3.37 do contrato de afretamento). A Fretadora deve apresentar a certificação em controle de poço de determinados profissionais (cláusula 3.3.6). O Anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • A cláusula 3.28 do contrato de afretamento prevê que a operação da unidade ficará sob controle e comando exclusivo da Contratada (Fretadora) ou seus prepostos. • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente (cláusula 19.1). • A Fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente (sendo a Interveniente a contratada para prestar serviços com a unidade, conforme cláusula 23.1.1 do contrato de afretamento). Segundo informação extraída da DIPJ de 2009, naquele ano a PRIDE DO BRASIL era controlada pela PRIDE INTERNATIONAL LTD., das Ilhas Virgens Britânicas (99,99%). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de PRIDE RIO DE JANEIRO, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade PRIDE RIO DE JANEIRO foi do fato fornecida por empresa do Grupo PRIDE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de Fl. 27570DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 86 85 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização perfuração; c) empresa do Grupo PRIDE foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo PRIDE forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 29. PRIDE FORAMER SAS PRIDE PORTLAND (ENSCO 6004) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0011676.052 DATA DE ASSINATURA: 10/07/2005 FRETADORA: PRIDE FORAMER SAS (França) INTERVENIENTE: PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA.) PRAZO AFRETAMENTO: 1.825 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: plataforma semisubmersível CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2050.0011671.05.2 Mencionado nas cláusulas 11.1.13,18.1 e 23.1.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 10/07/2005 CONTRATADA: PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA.) • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data entre a PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 18.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.13 do contrato de afretamento). • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusulas 3.3.1, 3.3.2, 3.3.3 e 3.37 do contrato de afretamento). A Fretadora deve apresentar a certificação em controle de poço de determinados profissionais (cláusula 3.3.6). O Anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador. Assistente de Sondador, Torrista, etc. • A cláusula 3.28 do contrato de afretamento prevê que a operação da unidade ficará sob controle e comando exclusivo da Contratada (Fretadora) ou seus prepostos. • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente (cláusula 19.1). • A Fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente (sendo a Interveniente a contratada para prestar serviços com a unidade, conforme cláusula 23.1.1 do contrato de afretamento). Segundo informação extraída da DIPJ de 2009, naquele ano a PRIDE DO BRASIL era controlada pela PRIDE INTERNATIONAL LTD., das Ilhas Virgens Britânicas (99,99%). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de PRIDE PORTLAND, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade PRIDE PORTLAND foi de fato fornecida por empresa do Grupo PRIDE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; Fl. 27571DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 87 86 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização c) empresa do Grupo PRIDE foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo PRIDE forneceu; \ d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 30. PRIDE FORAMER SAS PRIDE SOUTH ATLANTIC (ENSCO 5005) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0027341.062 DATA DE ASSINATURA: 13/06/2007 FRETADORA: PRIDE FORAMER SAS (França) EMPRESA SOLIDÁRIA: PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA. PRAZO AFRETAMENTO: 1.825 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou manutenção de poços de petróleo e/ou gás, em áreas em que a PETROBRAS seja concessionária DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade de perfuração CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0027343.062 Mencionado na cláusula 17.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 13/06/2007 CONTRATADA: PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA.) • O contrato de afretamento tem execução sempre simultânea ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data (cláusulas 2.2.1.1 e 17.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusulas 11.1.10 e 11.3.3 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. (cláusula 17.1). • A Fretadora PRIDE FORAMER SAS figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços PRIDE DO BRASIL (cláusula 21.1.1 do contrato de afretamento). Segundo informação extraída da DIPJ de 2009, naquele ano a PRIDE DO BRASIL era controlada pela PRIDE INTERNATIONAL LTD., das Ilhas Virgens Britânicas (99,99%). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de PRIDE SOUTH ATLANTIC, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade PRIDE SOUTH ATLANTIC foi de fato fornecida por empresa do Grupo PRIDE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo PRIDE foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo PRIDE forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 31. PRIDE FORAMER SAS PRIDE MÉXICO (ENSCO 5000) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0032903.072 DATA DE ASSINATURA: 31/01/2008 FRETADORA: PRIDE FORAMER SAS (França) EMPRESA SOLIDÁRIA: PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. • O contrato de afretamento tem execução sempre simultânea ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data (cláusulas 2.2.1.1 e 17.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de prestação de serviços ê base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusulas 11.1.10 e 11.3.3 do contrato de afretamento). Fl. 27572DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 88 87 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA.) PRAZO AFRETAMENTO: 1.825 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou manutenção de poços de petróleo e/ou gás, em áreas em que a PETROBRAS seja concessionária DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade de perfuração CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0032906.072 DATA DE ASSINATURA: 31/01/2008 CONTRATADA: PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 04.336.088/000178 (depois denominada ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA.) • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. (cláusula 17.1). • A Fretadora PRIDE FORAMER SAS figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços PRIDE DO BRASIL (cláusula 21.1.1 do contrato de afretamento). Segundo informação extraída da DIPJ de 2009, naquele ano a PRIDE DO BRASIL era controlada pela PRIDE INTERNATIONAL LTD., das Ilhas Virgens Britânicas (99,99%). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de PRIDE MÉXICO, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade PRIDE MÉXICO foi de fato fornecida por empresa do Grupo PRIDE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo PRIDE foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo PRIDE forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 32. RXT MANAGEMENT AS OCEAN PEARL CONTRATO DE AFRETAMENTO nQ 2100.0042567.08.2 DATA DE ASSINATURA: 02/06/2006 FRETADORA: RXT MANAGEMENT AS (Noruega) INTERVENIENTE: RTXTec de Exploração Ltda. CNPJ 08.386.193/000172 PRAZO AFRETAMENTO: 730 dias, prorrogáveis OBJETO: Levantamento de dados geofísicos DESCRIÇÃO DA UNIDADE: Navio sísmico CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2100.0042568.08.2 Mencionado nas cláusulas 11.1.10, 17.1 e 23.1.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 02/06/2006 CONTRATADA: RTX Tec de Exploração Lda. CNPJ 08.386.193/000172 • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.10 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente (cláusula 17.1). • A Fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente (sendo a Interveniente a contratada para prestar serviços com a unidade, conforme cláusula 21.1.1 do contrato de afretamento). • Em 2009, o representante legal da RXT MANAGEMENT AS era também sócio e representante da prestadora de serviços, o que demonstra a ligação direta entre as duas empresas. Vide tela abaixo: Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de Ocean Pearl, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: Fl. 27573DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 89 88 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade Ocean Pearl foi de fato fornecida por empresa do Grupo RTX. mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo RTX foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 33. PRIDE FORAMER SAS FPSO CIDADE DE VITÓRIA CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2300.0014992.052 DATA DE ASSINATURA: 23/09/2005 FRETADORA; SAIPEM FPSO SpA, sucedida pela SAIPEM ENERGY SERVICES SpA a partir do Aditivo 5, de 28/07/2008. que por sua vez foi sucedida pela SAIPEM SpA a partir do Aditivo 9. de 21/05/2012 (todas localizadas no mesmo endereço, na Itália) INTERVENIENTE: SAIPEM DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 05.101.651/000191 PRAZO AFRETAMENTO: 3.285 dias, prorrogáveis. OBJETO: afretamento da unidade a ser utilizada na produção, processamento, estocagem e transferência de óleo e gás. VINCULADO AO CONVITE INTERNACIONAL n° 0028114058, de 18/02/2005 CONTRATO DE SERVIÇO n° 2300.0014986.05.2 Mencionado nas cláusulas 3.8.2, 3.14.1, 3.14.3, 17.1 e Aditivo 5 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 23/09/2005 CONTRATADA: SAIPEM DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. CNPJ 05.101.651/000191 • Contrato de afretamento estreitamente vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data entre PETROBRAS e SAIPEM DO BRASIL (cláusula 17.1 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa SAIPEM DO BRASIL (cláusula 19.1). • A cláusula 3.8.2 prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar, a responsabilidade conjunta recai sobre a Fretadora SAIPEM SpA e sobre a Interveniente (e prestadora de serviços) SAIPEM DO BRASIL • A Fretadora SAIPEM SpA figura como co segurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços SAIPEM DO BRASIL (cláusula 3.14.1 do contrato de afretamento). • A Fretadora SAIPEM SpA figura como co segurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços SAIPEM DO BRASIL (cláusula 3.14.1 do contrato de afretamento). • A cláusula 8.6 do contrato de afretamento diz que a Contratada (Fretadora) deverá fornecer á PETROBRAS "Folha de Pagamento de seus empregados que estiverem envolvidos na prestação dos serviços contratados" (grifo nosso). • A rescisão do contrato de prestação de serviços è base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.10 do contrato de afretamento). • O Anexo E do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Superintendente de Produção e Supervisor de Produção. Informações extraídas da internet comprovam que SAIPEM SpA projetou e opera o FPSO CIDADE DE VITÓRIA, de forma que SAIPEM Fl. 27574DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 90 89 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização DO BRASIL funciona como um braço de SAIPEM. No ano 2009, a SAIPEM DO BRASIL era controlada pela SAIPEM ENERGY SERVICES SpA, que detinha 99,99% de seu capital (dados da DIPJ). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento do FPSO CIDADE DE VITORIA, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade FPSO CIDADE DE VITORIA foi de fato fornecida por empresa do Grupo SAIPEM, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo SAIPEM foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo SAIPEM forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 34. SBM DO ESPIRITO DO MAR B.V. FPSO GOLFINHO (CAPIXABA) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2300.009461.052 DATA DE ASSINATURA; 25/04/2005 FRETADORA: originalmente, SBM ESPIRITO DO MAR INC. (Suíça), sucedida por SBM ESPIRITO DO MAR B.V. (Amsterdam), em virtude de cessão de direitos, sendo que a Cedente permanece responsável solidária, ao lado da Cessionária (vide Aditivo 2) INTERVENIENTE: SBM GOLFINHO OPERAÇÕES MARÍTIMAS LTDA. CNPJ 06.341.155/000178 (depois renomeada SBM CAPIXABA OPERAÇÕES MARÍTIMAS LTDA.) PRAZO AFRETAMENTO: 2.555 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade a ser utilizada na produção, processamento, estocagem e transferência de óleo e gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de óleo FPSO VINCULADO AO CONVITE INTERNACIONAL n° 162.8.005.047, de 06/05/2004 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2300.0009462052 Contrato mencionado nas cláusulas 3.14.3, 3.19.3 e 16.1 do contrato de afretamento. • Contrato de afretamento estreitamente vinculado ao contrato de prestação de serviços de operação da unidade n° 2300.0009462.052, assinado na mesma data (cláusula 16.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.10 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa SBM GOLFINHO OPERAÇÕES MARÍTIMAS (cláusula 18.1). • A cláusula 3.8.2 prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar, a responsabilidade conjunta recai sobre a Fretadora SBM ESPIRITO DO MAR e sobre a Interveniente (e prestadora de serviços) SBM GOLFINHO. • A Fretadora SBM ESPIRITO DO MAR figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços SBM GOLFINHO (cláusula 3.14.1 do contrato de afretamento). • A cláusula 7.6 do contrato de afretamento diz que a Contratada (Fretadora) deverá fornecer á PETROBRAS "Folha de Pagamento de seus empregados que estiverem envolvidos na prestação dos serviços contratados" (grifo nosso). • O Anexo E do contrato de afretamento traz a Fl. 27575DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 91 90 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização DATA DE ASSINATURA: 25/04/2005 CONTRATADA: SBM GOLFINHO OPERAÇÕES MARÍTIMAS LTDA. CNPJ 06.341.155/000178 (depois renomeada SBM CAPIXABA OPERAÇÕES MARÍTIMAS LTDA.) relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Superintendente de Produção. Supervisor de Produção e Técnico de Produção. Há evidências de que tanto a empresa Fretadora SBM ESPIRITO DO MAR como a Prestadora de Serviços SBM CAPIXABA pertencem ao grupo econômico liderado por SBM OFFSHORE. Pesquisando o site da SBM OFFSHORE na internet, verificase que esta se apresenta como especialista em operações de lease and operate, que conjugam o fornecimento e a operação de equipamentos. No mesmo site, obtivemos relatório denominado "Corporate Social Responsibility Report * CSRR 2008", cuja página 09 exibe quadro descritivo da frota empregada em operações de lease and operate em 2008. Este quadro informa que a unidade FPSO CAPIXABA pertence à joint venture FPSO CAPIXABA VENTURE S.A., formada por SBM OFFSHORE (80%) e STAR (20%). SBM OFFSHORE também consta como encarregada da operação da unidade (operational management) em favor do cliente PETROBRAS. Link para o documento na internet; Confirmando as informações obtidas na internet, verificase que, no ano 2009, a SBM CAPIXABA era controlada pela FPSO CAPIXABA VENTURE S.A., que detinha 99,90% de seu capital (dados da DIPJ). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento do FPSO GOLFINHO, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram dovidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade FPSO GOLFINHO foi de fato fornecida por empresa do Grupo SBM, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo SBM foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo SBM forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 35. SBM SEATECH INC FPSO CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 191.2.001.09.6 DATA DE ASSINATURA: 03/03/2003 • Contrato de afretamento estreitamente vinculado a contrato de prestação de serviços assinado na mesma data (vide cláusula 16.1 do Fl. 27576DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 92 91 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização MARLIMSUL FRETADORA: SBM SEATECH INC. (Suíça) INTERVENIENTE: SBM SERVIÇOS S/C LTDA. CNPJ 05.009.889/000191 PRAZO AFRETAMENTO: 2.859 dias a partir da aceitação, prorrogáveis OBJETO; afretamento da unidade para ser utilizada na produção, processamento, estocagem, etc, de óleo e gás na Bacia de Campos DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência FPSO MARUMSUL Vinculado ao CONVITE INTERNACIONAL n° 191.8.010.020, de 06/08/2002 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 191.2.002.03.8 Mencionado no item 16.1 do contrato de afretamento. DATA DE ASSINATURA: 03/03/2003 CONTRATADA: SBM SERVIÇOS S/C LTDA., CNPJ 05.009.889/000191 contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.10 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa SBM SERVIÇOS S/C LTDA. (cláusula 18.1). • A cláusula 7.6 do contrato de afretamento diz que a Contratada (Fretadora) deverá fornecer à PETROBRAS "Folha de Pagamento de seus empregados que estiverem envolvidos na prestação dos serviços contratados" (grifo nosso). • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusula 3.12 do contrato de afretamento). O Anexo E do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Superintendente de Produção, Supervisor de Produção, Técnico de Produção, etc. Há evidências de que tanto a empresa Fretadora SBM SEATECH como a Prestadora de Serviços SBM SERVIÇOS pertencem ao grupo econômico liderado por SBM OFFSHORE. Pesquisando o site da SBM OFFSHORE na internet, verificase que esta se apresenta como especialista em operações de lease and operate, que conjugam o fornecimento e a operação de equipamentos. No mesmo site, obtivemos relatório denominado "Corporate Social Responsibility Report CSRR 2008", cuja página 09 exibe quadro descritivo da frota empregada em operações de lease and operate em 2008; este quadro informa que a unidade FPSO MARLIM SUL pertence integralmente à SBM OFFSHORE, também encarregada do sua operação (operational management) em favor do cliente PETROBRAS. No ano 2009, a prestadora de serviços SBM SERVIÇOS era controlada pela empresa SBM HOLDING INC., que detinha 99,90% de seu capital (dados da DIPJ). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento do FPSO MARLIM SUL, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade FPSO MARLIM SUL foi de fato fornecida por empresa do Grupo SBM, mesmo Fl. 27577DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 93 92 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo SBM foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo SBM forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 36. SBM SERVICES INC. S.A. FPSO ESPADARTE CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.108.986 DATA DE ASSINATURA: 15/01/1999 FRETADORA: inicialmente IHC INC S/A (renomeada SBM HOLDING INC. S.A., da Suíça), depois substituída pela SBM SERVICES INC SA (Suíça) a partir do Aditivo 3 INTERVENIENTE: SBM DO BRASIL LTDA, CNPJ 01.662.868/000110 PRAZO AFRETAMENTO: 2 920 dias. prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para ser utilizada na produção, procossamento, estocagem o transferência de óleo e gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade flutuante de produção, armazenamonto o descarga de óleo. VINCULADO AO EDITAL DE CONCORRÊNCIA 101.0.010.987 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n" 101 2.109.980 Mencionado nas cláusulas 3.14.1,10.1.10 e 16.1 do contrato de afretamento. A fiscalizada apresentou cópia em pdf do Aditrvo 8 ao contrato de prestação de serviços. DATA DE ASSINATURA: 15/01/1999 CONTRATADA SBM DO BRASIL LTDA. CNPJ 01 662 868/000110 INTERVENIENTE: SBM SERVICES INC S.A. (Suíça) • Contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data (cláusula 16.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.10 do contrato de afretamento). • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusula 3.12 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente SBM DO BRASIL LTDA. (cláusula 19.1, introduzida a partir do Aditivo 3). • A Fretadora (Contratada) figura como co segurada em seguro de responsabilidade civil firmado em razão do contrato de prestação de serviços firmado com PETROBRAS (cláusula 3.14.1 do contrato de afretamento). Há evidências de que tanto a empresa fretadora SBM SERVICES como a prestadora de serviços SBM DO BRASIL pertencem ao grupo econômico liderado por SBM OFFSHORE. Pesquisando o site da SBM OFFSHORE na internet, verificase que esta se apresenta como especialista em operações de lease and operate, que conjugam o fornecimento e a operação de equipamentos. No mesmo site, obtivemos relatório denominado "Corporate Social Responsibility Report CSRR 2008", cuja página 11 exibe quadro descritivo da frota empregada em operações de lease and operate em 2008. Este quadro informa que a unidade FPSO ESPADARTE pertence à SBM OFFSHORE. SBM OFFSHORE também consta como encarregada da operação da unidade (operational management) em favor do cliente PETROBRAS. No ano 2009, a SBM DO BRASIL era controlada pela SBM HOLDING INC. S.A., que detinha 99,99% de seu capital (dados da DIPJ). Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento do FPSO ESPADARTE, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: Fl. 27578DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 94 93 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização a) nao se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade FPSO ESPADARTE foi de fato fornecida por empresa do Grupo SBM. mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo SBM foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo SBM forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 37. SBM SYSTEMS INC. FPSO BRASIL CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 191.2.014.01 2 DATA DE ASSINATURA: 05/06/2001 FRETADORA: SBM SYSTEMS INC. (Suíça) INTERVENIENTE: SBM DO BRASIL LTDA. CNPJ 01.662.868/000110, substituída por SBM OPERAÇÕES S/C LTDA., CNPJ 04.808.261/000193. a partir de 07/01/2002, conforme Aditivo 1 ao contrato de afretamento PRAZO AFRETAMENTO: 2.007 dias a partir da aceitação, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para ser utilizada na produção, processamento, estocagem, etc, de óleo e gás na Bacia de Campos DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência FPSO BRASIL CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 191.2.015015 Mencionado na cláusula 1.1 do Aditivo 1 ao contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 05/06/2001 CONTRATADA: SBM DO BRASIL LTDA., substituída por SBM OPERAÇÕES S/C LTDA. CNPJ 04.808.261/000193, a partir de 07/01/2002 (vide Aditivo 1 ao contrato de afretamento) • Contrato de afretamento declarase vinculado ao Contrato de Prestação de Serviços n° 191.2.015.015, assinado na mesma data (vide cláusula 16.1 do contrato de afretamento e cláusula 1.1 de seu Aditivo 1). • A rescisão do contrato de prestação de serviços ê base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.10 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa SBM DO BRASIL LTDA. (cláusula 18.1). • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusula 3.12 do contrato de afretamento). O contrato menciona a existência de Anexo E contendo a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora). Há evidências de que tanto a empresa Fretadora SBM SYSTEMS como a Prestadora de Serviços SBM OPERAÇÕES pertencem ao grupo econômico liderado por SBM OFFSHORE. Pesquisando o site da SBM OFFSHORE na internet, verificase que esta se apresenta como especialista em operações de lease and operate, que conjugam o fornecimento e a operação de equipamentos. No mesmo site, obtivemos relatório denominado "Corporate Social Responsibility Report CSRR 2008", cuja página 09 exibe quadro descritivo da frota empregada em operações de lease and operate em 2008; este quadro informa que a unidade FPSO BRASIL pertence à joint venture FPSO BRASIL VENTURE S.A., formada por SBM OFFSHORE (51%) e MISC BERHAD (49%). SBM OFFSHORE também consta como encarregada da operação da unidade [operational management) em favor do cliente PETROBRAS. No ano 2009, a prestadora de serviços SBM OPERAÇÕES era controlada pela joint venture FPSO BRASIL VENTURE S.A., que detinha 99,50% de seu capital (dados da DIPJ). Fl. 27579DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 95 94 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento do FPSO BRASIL, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade FPSO BRASIL foi de fato fornecida por empresa do Grupo SBM, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo SBM foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo SBM forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 38. SCORPION NEDERLANDSE B.V. – OFFSHORE DEFENDER CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2070.0035396.07.2 DATA DE ASSINATURA: 07/01/2008 FRETADORA: SCORPION NEDERLANDSE B.V. EMPRESA SOLIDÁRIA: Scorpion Serviço Offshore., CNPJ 09.024.591/000101 PRAZO AFRETAMENTO: 720 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade de perfuração semisubmersível CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2070.0035390.07.2 Mencionado nas cláusulas 11.3.3,17.1 e 21.1.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 07/01/2008 CONTRATADA: Scorpion Serviço Offshore. CNPJ 09.024.591/000101 • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data, entre PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 17.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.3.3 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa Scorpion Serviço Offshore, (cláusula 17.1). • A Fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado Interveniente, em razão de contrato de prestação de serviços firmado entre esta e PETROBRAS (cláusula 21.1.1 do contrato de afretamento). • A cláusula 14.1.1 do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a Fretadora e a Interveniente (sendo esta última a contratada para os serviços de perfuração). A empresa prestadora de sen/iço pertence à Scoprpion International LtD, empresa do grupo da fretadora. Ademais, a mesma pessoa, Carlos Amsler Moura, representa tanto a fretadora quanto a prestadora de serviços Concluise, portanto, que ambas as empresas fazem parte do mesmo Grupo Econômico Scorpion. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de OFFSHORE DEFENDER, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: Fl. 27580DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 96 95 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade OFFSHORE DEFENDER foi de fato fornecida por empresa do Grupo Scorpion, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo Scorpion foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo Scorpion forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 39. SEADRILL OFFSHORE AS WEST TAURUS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0048094.08.2 DATA DE ASSINATURA: 12/01/2009 FRETADORA: SEADRILL OFFSHORE AS (Noruega) EMPRESA SOLIDARIA: Seadrill Serviços de Petróleo Ltda PRAZO AFRETAMENTO: 2.190 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0048179.08.2 Mencionado nas cláusulas 2.2.1.1 (vinculação entre os contratos de afretamento e prest. De serviços), 11.1.10 (rescisão simultânea entre os contratos), 17.1 (solidariedade entre as empresas prestadora de sen/iço e afretadora) do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 12/01/2009 CONTRATADA: Seadrill Serviços de Petróleo Ltda, CNPJ 09.521.059/000108 • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data, entre a PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 2.2.1.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.10 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento, a Interveniente assina como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), conforme cláusula 17.1. • A prestadora de serviços tem como sócia a empresa fretadora, conforme comprova a tela do sistema CNPJ abaixo reproduzida: Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de WEST TAURUS, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade WEST TAURUS foi de fato fornecida por empresa do Grupo SEADRILL, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo SEADRILL foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo SEADRILL forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 40. SEADRILL OFFSHORE AS WEST EMINENCE CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0048273.08.2 DATA DE ASSINATURA: 12/01/2009 FRETADORA: SEADRILL OFFSHORE AS EMPRESA SOLIDARIA: Seadrill • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data, entre a PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 2.2.1.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de prestação de serviços Fl. 27581DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 97 96 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização Serviços de Petróleo Ltda PRAZO AFRETAMENTO: 2.190, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0048274.08.2 Mencionado nas cláusulas 2.2.1.1 (vinculação entre os contratos de afretamento e prest. De serviços), 11.1.10 (rescisão simultânea entre os contratos), 17.1 (solidariedade entre as empresas prestadora de serviço e afretadora) do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 12/01/2009 CONTRATADA: Seadrill Serviços de Petróleo Ltda, CNPJ 09.521.059/000108 è base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.10 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento, a Interveniente assina como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), conforme cláusula 17.1. • A prestadora de serviços tem como sócia a empresa fretadora, conforme comprova a tela do sistema CNPJ abaixo reproduzida: Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de WEST EMINENCE, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade WEST EMINENCE foi de fato fornecida por empresa do Grupo SEADRILL, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo SEADRILL foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo SEADRILL forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 41. SEADRILL OFFSHORE AS WEST POLARIS Os contratos de afretamento e de prestação de serviços foram, primeiramente, firmados entre Seadrill Offshore AS e Seadrill Serviços de Petróleo Ltda, respectivamente, e a empresa Esso Exploração Santos BrasileiraLtda. Posteriormente, houve uma cessão de direitos por parte da Esso para a Petrobras em ambos os contratos de afretamento e prestação de serviços. CONTRATO DE AFRETAMENTO n°A2114989 DATA DE ASSINATURA: 24/06/2008 FRETADORA: SEADRILL OFFSHORE AS EMPRESA INTERVENIENTE (Intervening Party): Seadrill Serviços de Petróleo Ltda Ambas as empresas, pertencentes ao mesmo grupo econômico, se comprometem solidariamente a cumprir as obrigações perante a ESSO, que posteriormente cedeu seus direitos à Petrobras. O Anexo L (Exhibit L) declara que uma empresa do Grupo (Seadrill Limited, Bermuda) servirá como garantidora do contrato por parte das duas empresas fretadoras e prestadora de Da mesma forma que o contrato de afretamento, no contrato de prestação de serviço ambas as empresas, pertencentes ao mesmo grupo econômico, se comprometem solidariamente a cumprir as obrigações perante a ESSO, que posteriormente cedeu seus direitos à Petrobras. O Anexo L (Exhibit L) declara que uma empresa do Grupo (Seadrill Limited, Bermuda) servirá como garantidora do contrato por parte das duas empresas fretadoras e prestadora de serviço. Por todo o exposto, fica evidente que a Esso fez um contrato de serviço técnico e, convenientemente em termos tributários, o desmembrou em dois contratos explicitamente ligados com duas empresas do mesmo grupo. Posteriormente, fez uma cessão de direitos à Petrobras em relação aos dois contratos. Com isto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a titulo de afretamento de WEST POLARIS, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade WEST POLARIS foi de fato Fl. 27582DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 98 97 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização serviço. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° A2114995 CONTRATADA: Seadrill Serviços de Petróleo Ltda, CNPJ 09.521.059/000108 DATA DE ASSINATURA: 24/06/2008 fornecida por empresa do Grupo SEADRILL, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 42. SOUTHERN WESTERNGECO S.R.L. WESTERN NEPTUNE/GEC O TAU/ASTRO DOURADO e BIG JOHN CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2200.0046010.08.2 DATA DE ASSINATURA: 02/12/2008 FRETADORA: SOUTHERN WESTERNGECO S.R.L. (Uruguai) EMPRESA SOLIDÁRIA: WESTERNGECO SERVIÇOS DE SÍSMICA LTDA, CNPJ 04.612.284/000128 PRAZO AFRETAMENTO: 730 dias, prorrogáveis OBJETO: contratação de serviços técnicos de levantamento geofísico a ser realizado com a utilização das embarcações WESTERN NEPTUNE/GECO TAU/ASTRO DOURADO e BIG JOHN CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2200.0046011.08.2 Mencionado nas cláusulas 11.1.13,18.1 e 23.1.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 02/12/2008 CONTRATADA: WESTERNGECO SERVIÇOS DE SÍSMICA LTDA CNPJ 04.612.284/000128 • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 12.1.11 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa prestadora de serviço no Brasil Westerngeco (cláusula 19.1). • A prestadora de serviços no Brasil tem como sócio a Westerngeco Intl e Westerngeco Sismic Holding, empresas do grupo ao qual pertence a fretadora, conforme tela do sistema CNPJ reproduzida abaixo. Ambas são representadas pela mesma pessoa, Mario Reinaldo Gageiro Kieling. Fica evidente que ambas pertencem ao mesmo grupo econômico. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento em tela, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) as unidades afretadas foram de fato fornecidas por empresa do Grupo Westerngeco, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo Westerngeco foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo Westerngeco forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 43. ALASKAN STAR SS39 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.003.983 DATA DE ASSINATURA: 29/04/1998 FRETADORA: STAR INTERNATIONAL DRILLING LTD. (lhas Cayman), representada pelo seu presidente sr. Antônio Augusto de Queiroz Galvão INTERVENIENTE: QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES LTDA (depois renomeada QUEIROZ GALVÃO ÓLEO E GÁS QGOG) OBJETO: afretamento da unidade para • O contrato de afretamento foi assinado na mesma data em que o contrato de serviços, prevendo ambos o mesmo prazo. • As sucessivas prorrogações de prazo do afretamento, por meio de aditivos, são espelhadas por iguais prorrogações do contrato de serviços, por meio de aditivos assinados nas mesmas datas. • O contrato de afretamento declarase estreitamente vinculado ao contrato de prestação de serviços, e vice versa (cláusula 16.1 do contrato de afretamento e 15.1 do contrato de prestação de serviços). A rescisão verificada em Fl. 27583DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 99 98 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização utilização na perfuração, avaliação, completação ou "work over" de poços de petróleo e/ou gás, na plataforma continental brasileira ou águas internacionais PRAZO: 1.825 dias (prorrogáveis) DESCRIÇÃO DA UNIDADE: plataforma semisubmersível (internet e contrato) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.004.98.6 DATA DE ASSINATURA: 29/04/1998 CONTRATADA: QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES S/A [depois renomeada QUEIROZ GALVÃO ÓLEO E GÁS QGOG) INTERVENIENTE: STAR INTERNATIONAL DRILLING LTD. OBJETO: prestação de "serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "work over" de poços de petróleo e/ou gás (...) mediante o uso da plataforma semisubmersível ALASKAN STAR" PRAZO: 1.825 dias (prorrogáveis) um contrato é base para o mesmo efeito no outro (cláusula 10.1.11 no contrato de afretamento e 11.1.12 no contrato de prestação de serviços). • A STAR INTERNATIONAL DRILLING figura como Fretadora no contrato de afretamento, e como Interveniente no contrato de prestação de serviços. A QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES figura como Contratada no contrato de prestação de serviços, e como Interveniente no contrato de afretamento. • No contrato de afretamento, assina como solidariamente responsável a empresa QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES (cláusula 17.1), que figura como Contratada no contrato de serviços. Já no contrato de prestação de serviços (cláusula 16.1), assina como empresa solidária a STAR INTERNATIONAL DRILLING LTD., que é Fretadora no contrato de afretamento. • As cláusulas 6.1 e 6.2 do contrato de afretamento dizem que a medição do afretamento se dará por meio de Boletins de Medição assinados por ambas as partes (cópias apresentadas em resposta à intimação não estão assinadas). As cláusulas 7.1 e 7.2 do contrato de serviços também prevêem a medição dos serviços por meio de Boletins de Medição. O período de medição do afretamento é o mesmo adotado para a medição dos serviços: do primeiro ao último dia do mês de competência. • Na época da assinatura dos contratos, a Fretadora STAR INTERNATIONAL DRILLING era subsidiária integral da prestadora de serviços QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES, conforme revelam as DIPJ do período de 1995 a 2001. Observese que, no contrato de afretamento, quem assina em nome da STAR INTERNATIONAL DRILLING é o seu presidente, Sr. Antônio Augusto de Queiroz Galvão. • Pesquisas na internet revelam que a plataforma ALASKAN STAR pertence à empresa brasileira QUEIROZ GALVÃO ÓLEO E GÁS (antes QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES), que a adquiriu em 1994, conforme informação prestada no site da própria empresa. • Portanto, na data de assinatura do contrato de afretamento (1998), a fretadora estrangeira era subsidiária integral da prestadora de serviços QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES (hoje QUEIROZ GALVÃO ÓLEO E GÁS), que, por sua vez, era a proprietária da plataforma ALASKAN STAR. Observese que o contrato de afretamento da unidade ALASKAN STAR indica, como Fretadora, empresa estrangeira sediada em paraíso fiscal (Ilhas Cayman), o que, em princípio, já acarretaria a incidência do Imposto de Renda na Fonte à alíquota de 25%, na forma Fl. 27584DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 100 99 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização do art. 8o da Lei 9.779/99. Intimada, a contribuinte justifica a nâoretenção do imposto com base no disposto no AD SRF 008/99, segundo o qual o art. 8o da Lei 9.779/99 não se aplicaria a contratos assinados antes de 31/12/1998, prevalecendo, no caso, a alíquota zero prevista no art. 1o da Lei 9.481/97. Ocorre que o AD SRF 008/99, de natureza meramente interpretativa, foi expressamente revogado pela IN SRF 252/2002, como visto no item 3 deste Termo de Verificação Fiscal. Aplicável, portanto, a alíquota de 25% de IRF, pelo fato de a beneficiária dos pagamentos ser sediada em paraíso fiscal. De qualquer modo, ressaltese que a Lei 9.481/97 atribui alíquota zero aos pagamentos, a empresas estrangeiras, relativos a frete, afretamento, aluguel ou arrendamento de embarcação marítima ou fluvial estrangeira. No caso da plataforma ALASKAN STAR, a impropriedade é patente, uma vez que a unidade afretada pertence a empresa brasileira. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de ALASKAN STAR, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade ALASKAN STAR pertencia à empresa brasileira, precisamente a empresa contratada para prestar serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "work over" de poços, mediante o fornecimento da unidade; c) a QGOG foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que a própria empresa forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração; e) ainda que se tratasse de afretamento, o que se admite apenas para efeito de argumentação, incidiria IRF à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), pelo simples fato de a beneficiária ser sediada em paraíso fiscal (Ilhas Cayman), visto que expressamente revogado o AD SRF 008/99. Não bastassem estas considerações, a Secretaria da Receita Federal do Brasil tem questionado o enquadramento de plataforma como "embarcação", para efeito de aplicação da alíquota zero de IRF, conforme relatado no item 3 do presente Termo. Assim sendo, considerando que os pagamentos Fl. 27585DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 101 100 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização foram de fato remetidos para o exterior, tendo por destino paraíso fiscal, o IRF deve ser calculado à alíquota de 25%. 44. ATLANTIC STAR CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.005.98.9 DATA DE ASSINATURA: 29/04/1998 FRETADORA: STAR INTERNATIONAL DRILLING LTD. (lhas Cayman), representada pelo seu presidente sr. Antônio Augusto de Queiroz Galvão INTERVENIENTE: QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES LTDA., partir do Aditivo 2, de 05/01/2001 {depois renomeada QUEIROZ GALVÃO ÓLEO E GÁS QGOG) OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração, avaliação, completação ou "work over" de poços de petróleo e/ou gás, na plataforma continental brasileira ou águas internacionais. PRAZO: 1.460 dias (prorrogáveis) DESCRIÇÃO DA UNIDADE: plataforma semisubmersível (internet e contrato) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.006.98.1 DATA DE ASSINATURA: 29/04/1998 CONTRATADA: QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES S/A a partir do Aditivo 3, de 05/01/2001 {depois renomeada QUEIROZ GALVÃO ÓLEO E GÁS QGOG) INTERVENIENTE: STAR INTERNATIONAL DRILLING LTD. OBJETO: "prestação de serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "work over" de poços de petróleo ou gás (...) mediante o uso da plataforma semisubmerslvel FALCON STAR" PRAZO: 1.460 dias (prorrogáveis) • O contrato de afretamento foi assinado na mesma data em que o contrato de serviços, prevendo ambos o mesmo prazo. • As sucessivas prorrogações de prazo do afretamento, por meio de aditivos, são espelhadas por iguais prorrogações do contrato de serviços, por meio de aditivos assinados nas mesmas datas. • A partir de Aditivos assinados em 2001, a QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES assume a posição de Interveniente no contrato de afretamento, e do Contratada no de prestação de serviços. De modo que a Fretadora STAR INTERNATIONAL DRILLING permaneceu como Interveniente no contrato de prestação do serviços, e a prestadora de serviços QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES passou a ser Interveniente no contrato de afretamento • O contrato de afretamento declarase estreitamente vinculado ao contrato de prestação de serviços, e vice versa (cláusula 16.1 do contrato de afretamento e 15.1 do contrato de prestação de serviços). A rescisão verificada em um contrato é base para o mesmo efeito no outro (cláusula 10.1.11 no contrato de afretamento e 11.1.12 no contrato de prestação de serviços). • No contrato de afretamento, assina como solidariamente responsável a empresa QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES (cláusula 17.1 e Aditivo 3), que figura como Contratada no contrato de serviços. Já no contrato de prestação de serviços (cláusula 16.1), assina como empresa solidária a STAR INTERNATIONAL DRILING LTD., que é Fretadora no contrato de afretamento. • As cláusulas 6.1 e 6.2 do contrato de afretamento dizem que a medição do afretamento se dará por meio de Boletins de Medição assinados por ambas as partes (cópias apresentadas em resposta à intimação não estão assinadas). As cláusulas 7.1 e 7.2 do contrato de serviços também prevêem a medição dos serviços por meio de Boletins de Medição. O período de medição do afretamento é o mesmo adotado para a medição dos serviços: do primeiro ao último dia do mês de competência. • Na época da assinatura dos contratos, a fretadora STAR INTERNATIONAL DRILLING era subsidiária integral da prestadora de serviços QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES, conforme revelam as DIPJ do período de 1995 a 2001. Observese que, no contrato de afretamento, quem assina em nome da STAR INTERNATIONAL DRILLING é o seu presidente, Sr. Antônio Augusto de Queiroz Fl. 27586DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 102 101 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização Galvão. • Pesquisas na internet revelam que a plataforma FALCON STAR pertence à empresa brasileira QUEIROZ GALVÃO ÓLEO E GÁS (antes QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES), que a adquiriu em 1998, conforme informação no site da própria empresa. • Portanto, na data de assinatura do Aditivo 3 do contrato de afretamento (2001), a fretadora estrangeira era subsidiária integral da prestadora de serviços QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES (hoje QUEIROZ GALVÃO ÓLEO E GÁS), que, por sua vez, era a proprietária da plataforma FALCON STAR. Observese que o contrato de afretamento da unidade FALCON STAR indica Fretadora estrangeira sediada em paraíso fiscal (Ilhas Cayman), o que, em princípio, acarretaria a incidência do Imposto de Renda na Fonte à alíquota de 25%, na forma do art 8o da Lei 9.779/99. Intimada, a contribuinte justificou a nãoretenção do imposto com base no disposto no AD SRF 008/99, segundo o qual o art. 8o da Lei 9.779/99 não se aplicaria a contratos assinados antes de 31/12/1998, prevalecendo, no caso. a alíquota zero prevista no art. 1o da Lei 9.481/1997. Ocorre que o AD SRF 008/99, de natureza meramente interpretativa, foi expressamente revogado pela IN SRF 252/2002, como visto no item 3 deste Termo de Verificação Fiscal. Aplicável, portanto, a alíquota de 25%, pelo fato de a beneficiária ser sediada em paraíso fiscal. De qualquer modo, cumpre ressaltar que a Lei 9.481/97 atribui alíquota zero aos pagamentos, a empresas estrangeiras, relativos a frete, afretamento, aluguel ou arrendamento de embarcação marítima ou fluvial estrangeira. No caso da plataforma FALCON STAR, a impropriedade é patente, uma vez que a unidade afretada pertence a empresa brasileira. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de FALCON STAR, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade ó parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade FALCON STAR pertencia a empresa brasileira, precisamente a empresa contratada para prestar serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "work over" de poços, mediante o fornecimento da unidade; c) a QGOG deve prestar serviços utilizando Fl. 27587DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 103 102 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização unidade que a própria empresa forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração; e) ainda que se tratasse de afretamento, o que se admite apenas para efeito de argumentação, incidiria IRF à alíquota de 25%, pelo simples fato de a beneficiária ser sediada em paraíso fiscal (Ilhas Cayman), visto que expressamente revogado o AD SRF 008/99. Não bastassem estas considerações, a Secretaria da Receita Federal do Brasil tem questionado o enquadramento de plataforma como "embarcação", para efeito de aplicação da alíquota zero de IRF. Assim sendo, considerando que os pagamentos foram de fato remetidos para o exterior, tendo por destino paraíso fiscal, o IRF deve ser calculado à alíquota de 25%. 45. STOLT OFFSHORE BV (SUBSEA 7 INTERNATION AL) SEAWAY CONDOR (ACERGY CONDOR) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 184.2.022.01.6 DATA DE ASSINATURA: 21/09/2001 FRETADORA: STOLT OFFSHORE BV EMPRESA INTERVENIENTE: STOLT OFFSHORE SA CNPJ 42.153.155/000108 PRAZO AFRETAMENTO: 1.460 dias, prorrogáveis OBJETO: contratação de serviços técnicos de lançamento e recolhimento de linhas flexíveis, reparos de instalações submarinas e outras operações. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 184.2.023.01.9 DATA DE ASSINATURA: 27/09/2001 CONTRATADA: STOLT OFFSHORE SA, CNPJ 42.153.155/000108 • A rescisão do contrato de afretamento ô base para a rescisão do contrato de prestação de serviços (cláusula 17.1.15 do contrato de prestação de serviços). • A prestadora de serviços no Brasil e a fretadora são representadas pela mesma pessoa, Philippe Lamoure. Fica evidente que ambas pertencem ao mesmo grupo econômico. • O representante da afretadora 6 sócio da empresa prestadora de serviços. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento em tela, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) as unidades afretadas foram de fato fornecidas por empresa do mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços; c) empresa brasileira foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que a empresa estrangeira pertencente ao mesmo grupo da brasileira forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 46. STOLT OFFSHORE BV (SUBSEA 7 INTERNATION AL) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0020438.06.2 DATA DE ASSINATURA: 04/06/2006 FRETADORA: STOLT OFFSHORE BV EMPRESA INTERVENIENTE: STOLT OFFSHORE SA, • A rescisão do contrato de afretamento ê base para a rescisão do contrato de prestação de serviços (cláusula 17.1.11 do contrato de prestação de serviços). • A cláusula 22.1 determina a vinculação dos contratos de afretamento e prestação de serviços. Fl. 27588DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 104 103 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização PERTINÁCIA CNPJ 42.153.155/000108 PRAZO AFRETAMENTO: 2.190 dias, prorrogáveis OBJETO: contratação de serviços técnicos de lançamento e recolhimento de dutos flexíveis, reparos de instalações submarinas e outras operações. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2050.0030439.06.2 Citado nas cláusulas 17.1.11 (rescisão simultânea dos contratos), 27.1 (vinculação dos contratos) DATA DE ASSINATURA: 04/06/2006 CONTRATADA: STOLT OFFSHORE SA CNPJ 42.153.155/000108 • A prestadora de serviços no Brasil e a fretadora são representadas pela mesma pessoa, Philippe Lamoure. Fica evidente que ambas pertencem ao mesmo grupo econômico. • O representante da afretadora ó sócio da empresa prestadora de serviços: Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento em tela, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) as unidades afretadas foram de fato fornecidas por empresa do mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços; c) empresa brasileira foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que a empresa estrangeira pertencente ao mesmo grupo da brasileira forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 47. ACERGY INTERNATION AL LIMITED (SUBSEA 7 INTERNATION AL) ACERGY HARRIER CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0036791 07.2 DATA DE ASSINATURA: 19/10/2007 FRETADORA; ACERGY INTERNATIONAL LIMITED EMPRESA INTERVENIENTE: ACERGY BRASIL AS, CNPJ 42.153.155/000108 PRAZO AFRETAMENTO: 1.095 dias, prorrogáveis OBJETO: contratação de serviços técnicos de mergulho saturado, utilização do ROV e mergulho com sinos. Cláusula de solidariedade, 26.1: afretadora e prestadora de serviços declaram solidariedade no contrato de afretamento. Cláusula 16.1.17: rescisão simultânea entre contratos de prestação de serviço e afretamento CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2050.0036789.07.2 DATA DE ASSINATURA: 19/10/2007 CONTRATADA: ACERGY BRASIL AS, CNPJ 42.153.155/000108 • A rescisão do contrato de afretamento é base para a rescisão do contrato de prestação de serviços (cláusula 17.1.18 do contrato de prestação de serviços). • Cláusula de solidariedade, 22.1: afretadora e prestadora de serviços declaram solidariedade no contrato de afretamento. • A prestadora de serviços no Brasil e a fretadora são representadas pela mesma pessoa, Philippe Lamoure. Fica evidente que ambas pertencem ao mesmo grupo econômico. • O representante da afretadora é sócio da empresa prestadora de serviços: Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento em tela, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) as unidades afretadas foram de fato fornecidas por empresa do mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços; c) empresa brasileira foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que a empresa estrangeira pertencente ao mesmo grupo da Fl. 27589DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 105 104 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização brasileira forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 48. ACERGY INTERNATION AL LIMITED (SUBSEA 7 INTERNATION AL) ACERGY HARRIER CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0048873.09.2 DATA DE ASSINATURA: 19/10/2007 FRETADORA: ACERGY INTERNATIONAL LIMITED EMPRESA INTERVENIENTE: ACERGY BRASIL AS, CNPJ 42.153.155/000108 PRAZO AFRETAMENTO: 90 dias, prorrogáveis OBJETO: contratação de serviços técnicos de instalação do Manifold. Cláusula de solidariedade, 27.1: afretadora e prestadora de serviços declaram solidariedade no contrato de afretamento. Cláusula 17.1.17: rescisão simultânea entre contratos de prestação de serviço e afretamento CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2050.0048874.09.2 DATA DE ASSINATURA: 19/10/2007 CONTRATADA: : ACERGY BRASIL AS CNPJ 42.153.155/000108 • A rescisão do contrato de afretamento é base para a rescisão do contrato de prestação de serviços (cláusula 17.5 do contrato de prestação de serviços). • Cláusula de solidariedade, 22.1: afretadora e prestadora de serviços declaram solidariedade no contrato de afretamento. • A prestadora de serviços no Brasil e tem como responsável a mesma pessoa que responde pela fretadora, Gilles René Lafaye. Fica evidente que ambas pertencem ao mesmo grupo econômico. • O representante da afretadora é sócio da empresa prestadora de serviços. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento em tela, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) as unidades afretadas foram de fato fornecidas por empresa do mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços; c) empresa brasileira foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que a empresa estrangeira pertencente ao mesmo grupo da brasileira forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 49. SUBSEA MARINE LLC SKANDI NAVICA, LOCHNAGAR, KOMANDOR 3000, MV NORMAND SEVEN CONTRATOS DE AFRETAMENTO EMPRESA INTERVENIENTE: SubSea 7 do Brasil Serviços, CNPJ 04.954.351/000192 PRAZO AFRETAMENTO: Diversos OBJETO: contratação de serviços técnicos de lançamento e recolhimento de dutos flexíveis, reparos de instalações submarinas e outras operações. CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: diversos DATA DE ASSINATURA: diversas, sempre coincidente com os respectivos contratos afretamento de vinculados aos contratos de prestação de sen/iço Prestadora de Serviços: SubSea 7 do Brasil Serviços, CNPJ 04.954.351/0001 92 Cinco contratos de afretamento com as mesmas características que os vinculam aos respectivos contratos de prestação de serviços: rescisão simultânea, vinculação expressa, prazos idênticos e, sobretudo, ligação direta entre a fretadora e a empresa de prestação de serviços, ambas pertencendo a um mesmo grupo econômico/empresarial. A título de exemplo, repare na reprodução abaixo: o responsável pela empresa prestadora de serviços responde por ela e também pela empresa fretadora. A fretadora SubSea 7 é sócia da empresa prestadora de serviços. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento em tela, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes Fl. 27590DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 106 105 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização EMPRESA INTERVENIENTE: SUBSEA MARINE LLC PRAZO: Diversos OBJETO: contratação de serviços técnicos de lançamento e recolhimento de dutos flexíveis, reparos de instalações submarinas e outras operações. fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) as unidades afretadas foram de fato fornecidas por empresa do mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços; c) empresa brasileira foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que a empresa estrangeira pertencente ao mesmo grupo da brasileira forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 50. TEEKAY PETROJARL OFFSHORE SIRI AS FPSO CIDADE RIO DAS OSTRAS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2100.0025657.06.2 DATA DE ASSINATURA: 27/09/2006 FRETADORA: inicialmente, PGS Production AS, substituída pela Teekay Petrojarl Offshore Siri AS (aditivo 2) EMPRESA SOLIDÁRIA: Petrojarl Produção Petrolífera do Brasil Ltda, CNPJ 08.258.193/000197 PRAZO AFRETAMENTO: 730 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade flutuante de produção e estocagem de óleo. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2100.0025605.06.2 Mencionado nas cláusulas 11.1.10 (rescisão simultânea), 17.1 (vinculação expressa do contrato de afretamento com o de prestação de serviços), e 19.1 (interveniência da prestadora de serviços) DATA DE ASSINATURA: 27/09/2006 CONTRATADA: Petrojarl Produção Petrolífera do Brasil Ltda, CNPJ 08 258.193/000197 • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data, entre PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 17.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.10 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa prestadora de serviços. • A mesma pessoa representa a afretadora e a prestadora de serviços: Luiz Germano Bodanese (veja quadro abaixo). • E finalmente, a PGS production AS, empresa que inicialmente fretou o equipamento, é sócia da empresa prestadora de serviços, conforme reprodução abaixo. Por lodo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento em tela. sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) as unidades afretadas foram de fato fornecidas por empresa do mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços; c) empresa brasileira foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que a empresa estrangeira pertencente ao mesmo grupo da brasileira forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. Fl. 27591DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 107 106 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização 51. TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres) SEDCO 707 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.051.969 DATA DE ASSINATURA: 12/06/1996 FRETADORA: inicialmente SEDCO FOREX INTERNATIONAL SERVICES SA (Panamá), substituída pela TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres) a partir do Aditivo 8 INTERVENIENTE: inicialmente SEDCO FOREX PERFURAÇÕES MARÍTIMAS LTDA. CNPJ 34.263.392/000101, substituída pela TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278.681/000179, a partir do Aditivo 6 PRAZO AFRETAMENTO: 1.460 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade de flutuante de posicionamento dinâmico VINCULADO AO EDITAL DE CONCORRÊNCIA 101.0.015.956 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.052.961 Mencionado nas cláusulas 3.15.1 e 16.1 do contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 12/06/1996 CONTRATADA: TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278.681/000179 • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data, entre a PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 16.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.2 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento, a Interveniente assina como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), conforme cláusula 17.1. • A Fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente, em razão de contrato de prestação de serviços firmado entre esta e a PETROBRAS (cláusula 3.15.1 do contrato de afretamento). • A cláusula 3.6.2 do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a Fretadora e a Interveniente (sendo esta última a contratada para os serviços de perfuração). • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusula 3.10 do contrato de afretamento). O Anexo E do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • Segundo informações extraídas da DIPJ, no ano de 2009 a TRANSOCEAN BRASIL pertencia à SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC., do Panamá (99,99%), e à TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES LTD., das Ilhas Cayman (0,01%). Estas empresas integram o Grupo TRANSOCEAN. Em 1999 ocorreu a fusão entre TRANSOCEAN OFFSHORE INC. e SEDCO FOREX, e a empresa resultante passou a se chamar TRANSOCEAN SEDCO FOREX, que em 2007 se fundiu a GLOBAL SANTAFE. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de SEDCO 707, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade SEDCO 707 foi de fato fornecida por empresa do Grupo TRANSOCEAN, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo TRANSOCEAN foi Fl. 27592DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 108 107 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo TRANSOCEAN forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 52. TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres) TRANSOCEAN DRILLER CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 186.2.012.042 DATA DE ASSINATURA: 24/08/2004 FRETADORA: TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres) EMPRESA SOLIDÁRIA: TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278681/000179 PRAZO AFRETAMENTO: 700 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou complotação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade de perfuração semisubmersível CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2050.0003914.04.2 Mencionado nas cláusulas 11.1.13,18.1 e 23.1.1 do contrato de afretamento. DATA DE ASSINATURA: 24/08/2004 CONTRATADA: TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278.681/000179 • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data, entre PETROBRAS e a Interveniente (cláusula 18.1 do contrato de afretamento). • A cláusula 3.28 do contrato de afretamento prevê que a operação da unidade ficará sob o controle e comando exclusivo da Fretadora ou seus prepostos. • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusulas 3.3.1, 3.3.2, 3.3.3 e 3.37 do contrato de afretamento). A Fretadora deve apresentar a certificação em controle de poço de determinados profissionais (cláusula 3.3.6). O Anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.13 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa TRANSOCEAN BRASIL LTDA. (cláusula 19.1). • A Fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado Interveniente, em razão de contrato de prestação de serviços firmado entre esta e PETROBRAS (cláusula 23.1.1 do contrato de afretamento). • A cláusula 14.1.1 do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a Fretadora e a Interveniente (sendo esta última a contratada para os serviços de perfuração). • Segundo informações extraídas da DIPJ, no ano de 2009 a TRANSOCEAN BRASIL pertencia a SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC., do Panamá (99,99%) e a TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES LTD., das Ilhas Cayman (0,01%). Estas são empresas que compõem o Grupo TRANSOCEAN. Em 1999 ocorreu a fusão entre TRANSOCEAN OFFSHORE INC. e SEDCO FOREX, e a empresa resultante passou a se chamar TRANSOCEAN SEDCO FOREX, que em 2007 se fundiu a GLOBAL SANTAFE. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao Fl. 27593DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 109 108 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização exterior, a título de afretamento de TRANSOCEAN DRILLER, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade TRANSOCEAN DRILLER foi de fato fornecida por empresa do Grupo TRANSOCEAN, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo TRANSOCEAN foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo TRANSOCEAN forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 53. TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres) SEDCO 710 SS43 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 187.2.108.013 DATA DE ASSINATURA: 29/08/2001 FRETADORA: TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres) INTERVENIENTE: inicialmente TRANSOCEAN SEDCO FOREX BRASIL LTDA. CNPJ 03.410.013/000127, substituída por TRANSOCEAN BRASIL LTDA., CNPJ 40.278.681/000179, a partir do Aditivo 2 PRAZO AFRETAMENTO: 1.825 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade semisubmersível de posicionamento dinâmico CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) Mencionado nas cláusulas 3.15.1,10.1.9 e 17.1 do contrato de afretamento. DATA DE ASSINATURA: 29/08/2001 CONTRATADA: TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278.681/000179 • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data, entre PETROBRAS e a interveniente (cláusula 16.1 do contrato de afretamento). • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela Fretadora (cláusula 3.10 do contrato de afretamento). O Anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc.) • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.9 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a Interveniente (cláusula 17.1). • A Fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado Interveniente, em razão de contrato de prestação de serviços firmado entre esta e PETROBRAS (cláusula 3.15.1 do contrato de afretamento). • Segundo informações extraídas da DIPJ, no ano de 2009 a TRANSOCEAN BRASIL pertencia a SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC., do Panamá (99,99%), e a TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES LTD., das Ilhas Cayman (0,01%). Estas são empresas que compõem o Grupo TRANSOCEAN. Em 1999 ocorreu a fusão entre TRANSOCEAN OFFSHORE INC. e SEDCO FOREX, e a empresa resultante passou a se chamar TRANSOCEAN SEDCO FOREX, que em 2007 se fundiu a GLOBAL SANTAFE. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a Fl. 27594DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 110 109 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de SEDCO 710, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade SEDCO 710 foi de fato fornecida por empresa do Grupo TRANSOCEAN, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo TRANSOCEAN foi contratada para prestar serviços utilizando unidade quo o próprio Grupo TRANSOCEAN forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 54. TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres) DEEPWATER NAVIGATOR CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0013707.052 DATA DE ASSINATURA: 10/09/2005 FRETADORA: TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres) INTERVENIENTE: TRANSOCEAN BRASIL LTDA., CNPJ 40.278.681/0001 79 PRAZO AFRETAMENTO: 1.460 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou workover de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade de perfuração CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 20500013709052 Mencionado no item 2.2 do Aditivo 2 ao contrato de afretamento DATA DE ASSINATURA: 10/09/2005 CONTRATADA: TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278.681/000179 • O contrato de afretamento declarase vinculado ao Contrato de Prestação de Serviços n° 2050.0013709.052. assinado, na mesma data, entre PETROBRAS e TRANSOCEAN BRASIL (cláusula 18.1 do contrato de afretamento e item 2.2 de seu Aditivo 2). • Segundo a cláusula 3.2.8 do contrato de afretamento, a Fretadora deve elaborar Atestado Diário de Operações ADO segundo instruções contidas no item 1.7 do Anexo IV do contrato de prestação de serviços. A cláusula seguinte determina que este documento terá quatro vias, sendo duas para a PETROBRAS e as outras duas para a Contratada, isto é, a Fretadora. Resta claro que a Fretadora se confunde com a prestadora de serviços. • A cláusula 9.3.4 do contrato de afretamento prevê multa de 20% sobre a taxa diária de operação no caso de nãoatendimento ao item 1.8 do Anexo IV do contrato de prestação de serviços. Mais um indício da confusão entre o afretamento e a prestação de serviços. • A rescisão do contrato de serviços 6 base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.13 do contrato de afretamento). • A cláusula 14.1.1 do contrato de afretamento prevê que. no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a Fretadora TRANSOCEAN UK e a Interveniente TRANSOCEAN BRASIL (sendo esta última a contratada para os serviços de perfuração) • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa TRANSOCEAN BRASIL LTDA. (cláusula 19.1). Fl. 27595DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 111 110 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização • A Fretadora TRANSOCEAN UK figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços TRANSOCEAN BRASIL (cláusula 23.1.1 do contrato de afretamento). • Segundo informações extraídas da DIPJ, no ano de 2009 a TRANSOCEAN BRASIL pertencia a SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC., do Panamá (99,99%), e a TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES LTD., das Ilhas Cayman (0,01%). Estas são empresas que compõem o Grupo TRANSOCEAN. Em 1999 ocorreu a fusão entre TRANSOCEAN OFFSHORE INC. e SEDCO FOREX, e a empresa resultante passou a se chamar TRANSOCEAN SEDCO FOREX, que em 2007 se fundiu a GLOBAL SANTAFE. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de DEEPWATER NAVIGATOR, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade DEEPWATER NAVIGATOR foi de fato fornecida por empresa do Grupo TRANSOCEAN, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo TRANSOCEAN foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo TRANSOCEAN forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 55. TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres) FALCON 100 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0034726.072 DATA DE ASSINATURA: 14/11/2007 FRETADORA: TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres) EMPRESA SOLIDÁRIA: TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278.681/000179 PRAZO AFRETAMENTO: 1.825 dias, prorrogáveis OBJETO: afretamento da unidade para utilização na perfuração e/ou completação e/ou avaliação e/ou manutenção de poços de petróleo e/ou gás DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade de perfuração semisubmersível CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0034727.072 Mencionado na cláusula 17.1 do contrato • O contrato de afretamento tem execução sempre simultânea ao contrato de prestação de serviços 2050.0034727.072, assinado na mesma data (cláusulas 2.2.1.2 e 17.1 do contrato de afretamento). • A rescisão do contrato de prestação de serviços è base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.10 do contrato de afretamento). • No contrato de afretamento assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa TRANSOCEAN BRASIL LTDA. (cláusula 17.1). • A Fretadora TRANSOCEAN UK figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços TRANSOCEAN BRASIL (cláusula 21.1.1 do contrato de afretamento). • Segundo informações extraídas da DIPJ, no ano de 2009 a TRANSOCEAN BRASIL pertencia a Fl. 27596DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 112 111 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização de afretamento DATA DE ASSINATURA: 14/11/2007 CONTRATADA: TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278.681/000179 SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC., do Panamá (99.99%). e a TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES LTD., das Ilhas Cayman (0.01%). Estas são empresas que compõem o Grupo TRANSOCEAN. Em 1999 ocorreu a fusão entre TRANSOCEAN OFFSHORE INC. e SEDCO FOREX, e a empresa resultante passou a se chamar TRANSOCEAN SEDCO FOREX, que em 2007 se fundiu a GLOBAL SANTAFE. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de FALCON 100, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade FALCON 100 foi de fato fornecida por empresa do Grupo TRANSOCEAN, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo TRANSOCEAN foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo TRANSOCEAN forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 56. TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres) DEEPWATER MILLENIUM CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0050042.09.2 DATA DE ASSINATURA: 13/03/2009 FRETADORA: Inicialmente, Devon Energy do Brasil CNPJ 02.873.528/000109, depois no aditivo 1 assume a TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres) INTERVENIENTE: TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278.681/000179 PRAZO AFRETAMENTO: variável, de acordo com a necessidade do serviço. OBJETO: Deepwater Discovery DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade de perfuração CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0050046.09.2 DATA DE ASSINATURA: 13/03/2009 CONTRATADA: Inicialmente, Devon Energy do Brasil CNPJ 02.873.528/000109, depois no aditivo 1 assume a TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278.681/0001 79 • Segundo informações extraídas da DIPJ, no ano de 2009 a TRANSOCEAN BRASIL pertencia a SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC., do Panamá (99,99%), e a TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES LTD.. das Ilhas Cayman (0,01%). Estas são empresas que compõem o Grupo TRANSOCEAN. Em 1999 ocorreu a fusão entre TRANSOCEAN OFFSHORE INC. e SEDCO FOREX, e a empresa resultante passou a se chamar TRANSOCEAN SEDCO FOREX, que em 2007 se fundiu a GLOBAL SANTAFE. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de DEEPWATER MILLENIUM, retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade DEEPWATER MILLENIUM foi de fato fornecida por empresa do Grupo TRANSOCEAN, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de Fl. 27597DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 113 112 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização serviços de perfuração; c) empresa do Grupo TRANSOCEAN foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo TRANSOCEAN forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 57. TRANSOCEAN UK LIMITED DEEPWATER DISCOVERY CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0050042.09.2 DATA DE ASSINATURA: 13/03/2009 FRETADORA: Inicialmente, Devon Energy do Brasil CNPJ 02.873.528/000109, depois no aditivo 1 assume a TRANSOCEAN UK LIMITED (Londres) INTERVENIENTE: TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278.681/000179 PRAZO AFRETAMENTO: variável, de acordo com a necessidade do serviço. OBJETO: Deepwater Discovery DESCRIÇÃO DA UNIDADE: unidade de perfuração CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0050046.09.2 DATA DE ASSINATURA: 13/03/2009 CONTRATADA: Inicialmente, Devon Energy do Brasil CNPJ 02.873.528/000109, depois no aditivo 1 assume a TRANSOCEAN BRASIL LTDA. CNPJ 40.278.681/000179 • Segundo informações extraídas da DIPJ, no ano de 2009 a TRANSOCEAN BRASIL pertencia a SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC. do Panamá (99,99%), e a TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES LTD., das Ilhas Cayman (0,01%). Estas são empresas que compõem o Grupo TRANSOCEAN. Em 1999 ocorreu a fusão entre TRANSOCEAN OFFSHORE INC. e SEDCO FOREX, e a empresa resultante passou a se chamar TRANSOCEAN SEDCO FOREX, que em 2007 se fundiu a GLOBAL SANTAFE. Por todo o exposto, a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de DEEPWATER DISCOVERY, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade DEEPWATER DISCOVERY foi de fato fornecida por empresa do Grupo TRANSOCEAN, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo TRANSOCEAN foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo TRANSOCEAN forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 58. TURASORIA S.A. LLC DelawareEUA SC LANGER CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 187.2.122.01.8 DATA DE ASSINATURA: 25/09/2001 FRETADORA: TURASORIA S.A. LLC OBJETO: perfuração, completação e warkover de poços de petróleo. PRAZO: 1.095 dias corridos (prorrogáveis) Cláusulas que o vinculam ao contrato de prestação de serviços: rescisão mútua (10.1.9, Solidariedade entre as empresas fretadora e prestadora de serviço 17.1. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 187.2.123.01.0 DATA DE ASSINATURA; 25/09/2001 CONTRATADAS: Schahin Engenharia • O contrato de afretamento e o de prestação de serviço são assinados pela mesma pessoa Salim Taufic Schahin, representando a fretadora e a prestadora de serviços. • Há estreita vinculação entre o contrato de afretamento e o de serviços, de tal modo que a rescisão de um contrato é base para o mesmo efeito no outro (cláusula 11.1.9 do Contrato de prest. De serviços). • A cláusula 15. do contrato de prestação de serviços vincula, expressamente, este ao de afretamento. • Conforme afirmado acima, o diretor da afretadora (Turasoria S.A. LLC) é sócio da empresa brasileira prestadora de serviços, Fl. 27598DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 114 113 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização LTDA.. CNPJ 61.226.890/000149 OBJETO: prestação de serviços técnicos na unidade BLUE SHARK, de fraturamento, restauração, estimulação e outros serviços correlatos em poços, linhas e dutos, com fornecimento de produtos químicos, nas áreas em que a PETROBRAS for concessionária PRAZO: PRAZO; 1.095 dias corridos (prorrogáveis) conforme mostra tela abaixo reproduzida: Concluise que a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de SC LANGER, sem retenção de Imposto de Renda na Fonte e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que o fornecimento da unidade era parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade SC LANCER foi fornecida pelo Grupo Schahin, através da empresa Turasoria LLC, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços; e) verificase que empresa do Grupo Schahin deve prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo Schahin, através da empresa fretadora cujo diretor representante é o sócio da empresa prestadora de serviços; f) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto do renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 59. BJ SERVICES INTERNATION AL S.A.R.L. BLUE SHARK CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0024563.06.2 DATA DE ASSINATURA: 01/09/2006 FRETADORA: BJ SERVICES INTERNATIONAL S.A.R.L (Luxemburgo) embora esta não seja a proprietária da unidade, sua condição de Fretadora decorre de contrato de afretamento original firmado com a real proprietária, a empresa NAUTICAL VENTURES LLC (EUA), já com intenção declarada de subafretamento para a PETROBRAS (cláusulas 1, 2 e 8.1 do ANEXO VII) OBJETO: afretamento por período de embarcação WSSV (Well Stimulation Support Vessef), para utilização em áreas em que a PETROBRAS seja concessionária PRAZO: 1.460 dias corridos, a partir da primeira autorização de serviço (prorrogáveis) DESCRIÇÃO DA UNIDADE: well stimulation support vessel (nos termos do contrato) OBS: A empresa DELBA MARÍTIMA NAVEGAÇÃO S/A (Rio de Janeiro) figura como Contratada, no contrato de afretamento. Questionada sobre o papel de DELBA, a fiscalizada informou que sua inclusão visou a atender exigência da legislação brasileira, segundo a qual a embarcação estrangeira deveria ser representada, na ANTAQ, por Empresa Brasileira de Navegação EBN (resposta ao Termo de Intimação 10). • O contrato de afretamento foi assinado na mesma data em que o Aditivo 5 do contrato de serviços, prevendo ambos o mesmo prazo. • O contrato de prestação de serviços atribui, às Contratadas, obrigações de ARMAÇÃO DA EMBARCAÇÃO, devendo estas fornecer a tripulação, operar a unidade e regularizar sua permanência no Brasil, obtendo avais e fianças (cláusula 3.2 do Aditivo 5). Registrese que tais atribuições normalmente recairiam sobre o Fretador, em contratos de afretamento por tempo, como é o caso do contrato n° 2050.0024563.06.2. • Há estreita vinculação entre o contrato de afretamento e o de serviços, de tal modo que a rescisão de um contrato é base para o mesmo efeito no outro (cláusulas 2.3 e 13.6.3 do Contrato n° 2050.0024563.06.2). • A prorrogação do contrato de prestação de serviços acarretou idêntica prorrogação no contrato de afretamento (Aditivo 7 do contrato de serviços e Aditivo 2 do contrato de afretamento, ambos assinados em 03/09/2010). • No contrato de afretamento, assina como solidariamente responsável a empresa BJ SERVICES DO BRASIL (cláusula 29.1), que figura como Contratada no contrato de serviços. Já no contrato de prestação de serviços (Aditivo 5, cláusula 23.1), assina como empresa solidária a BJ SERVICES INTERNATIONAL S.A.R.L., que é Fretadora no contrato de afretamento. • A cláusula 6.1 do contrato de afretamento diz que a medição do afretamento se dará por meio de Relatórios de Medição assinados por ambas as Fl. 27599DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 115 114 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 181.2.044.01.1 OBS: Originalmente, o contrato se intitulava "de afretamento E prestação de serviços", formato este definido no Convite da PETROBRAS, n° 187.8.036.014, de 01/06/2001. O Adendo E do referido Convite previa a divisão do valor do contrato em duas parcelas, a primeira de 90%, em dólares americanos, a ser depositada em conta da contratada no exterior, e a segunda de 10%, em reais, a ser depositada em contacorrente nacional, em favor de representante da contratada no país. A partir do Aditivo 5, assinado em 01/09/2006, o contrato passou a ser apenas de serviços, com novos valores, transferindose o afretamento para contrato em separado. DATA DE ASSINATURA: 01/09/2006 (data de assinatura do Aditivo 5, dispositivo em vigor no período fiscalizado vide observação acima) CONTRATADAS: BJ SERVICES DO BRASIL LTDA. e BJ QUÍMICA DO BRASIL LTDA. OBJETO: prestação de serviços técnicos na unidade BLUE SHARK. de fraturamento, restauração, estimulação e outros serviços correlatos em poços, linhas e dutos, com fornecimento de produtos químicos, nas áreas em que a PETROBRAS for concessionária PRAZO: 1.460 dias corridos, a partir da primeira autorização de serviço (prorrogáveis) partes. A cláusula 7.1 do contrato de serviços (Aditivo 5) também prevê a medição dos serviços por meio de Relatórios de Medição. O período de medição do afretamento é o mesmo adotado para a medição dos serviços: do 26° dia do mês anterior até o 2& dia do mês de competência. • Tanto em 2006 como em 2009, a prestadora de serviços BJ SERVICES DO BRASIL era controlada pela BJ SERVICES INTERNATIONAL S.A.R.L., fornecedora da unidade BLUE SHARK. A Fretadora BJ SERVICES INTERNATIONAL S.A.R.L., por sua vez, é subsidiária integral da BJ SERVICES CO LLC (Delaware, EUA). Concluise que a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de BLUE SHARK, sem retenção de Imposto de Renda na Fonte e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que o fornecimento da unidade era parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) aliás, originalmente, o contrato n° 181.2.044.01.1 firmado em 2002, entre PETROBRAS e a empresa brasileira BJ SERVICES DO BRASIL, tinha o duplo objeto de afretamento e prestação de serviços; apenas a partir do Aditivo 5, de 01/09/2006, o afretamento foi "transferido" para instrumento em separado, o contrato n° 2050.0024563.06.2, firmado entre PETROBRAS e a empresa estrangeira BJ SERVICES INTERNATIONAL SARL; c) o contrato de afretamento n° 2050.0024563.06.2 declarase de "afretamento por período" (ou por tempo), modalidade em que normalmente a Fretadora disponibiliza a unidade devidamente tripulada; no entanto, o contrato de serviços prevê que a prestadora de serviços nacional fornecerá a tripulação; d) a unidade BLUE SHARK foi fornecida pelo Grupo BJ, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de estimulação de poços e correlatos; e) verificase que empresa do Grupo BJ deve prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo BJ forneceu; f) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. 60. BJ SERVICES INTERNATION AL S.A.R.L. BLUE ANGEL CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0036124.07.2 DATA DE ASSINATURA: 19/10/2007 FRETADORA: BRAM OFFSHORE TRANSPORTES MARÍTIMOS LTDA. • O contrato de afretamento foi assinado na mesma data em que o contrato de serviços, prevendo ambos o mesmo prazo. • O contrato de prestação de serviços atribui, às Contratadas, obrigações de ARMAÇÃO DA Fl. 27600DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 116 115 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização (Rio de Janeiro) CONTRATADA: BJ SERVICES INTERNATIONAL S.A.R.L. (segundo este contrato, sediada na Suiça) OBJETO: afretamento de embarcação WSSV (Well Stimulation Support Vessel), para utilização om áreas em que a PETROBRAS soja concessionária PRAZO: 1.805 dias corridos, contados da autorização de afretamento (ANEXO I) DESCRIÇÃO DA UNIDADE: well stimulation vessel (internet), well stimulation support vessel (contrato) OBS: cumpre observar que quem detinha direitos de exploração comercial de BLUE ANGEL era a empresa BJ SERVICES INTERNATIONAL S.A.R.L, em virtude de contrato de afretamento original firmado entre esta e a propnetàha da unidade, BOURBON OFFSHORE NORWAY A/S (Noruega), o qual já previa expressamente o subafretamento para BRAM OFFSHORE e/ou PETROBRAS (vido documentos que compõem o ANEXO VII, em especial a cópia do contrato de afretamento original, cláusula 5.2) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0036126.07.2 DATA DE ASSINATURA: 19/10/2007 CONTRATADA: BJ SERVICES DO BRASIL LTDA. OBJETO: prestação de serviços de ARMAÇÃO DA EMBARCAÇÃO, e de serviços técnicos do contenção de areia, acidificação, tratamentos químicos, estimulação e correlatos, em poços, linhas e dutos, com fornecimento de produtos químicos, em áreas em que a PETROBRAS for concessionária. PRAZO: 1.825 dias corridos, a partir da autorização do serviço EMBARCAÇÃO, devendo estas fornecer a tripulação, operar a unidade e regularizar sua permanência no Brasil, obtendo avais e fianças (cláusula 3.2). • Há estreita vinculação entre o contrato de afretamento e o de serviços, de tal modo que a rescisão verificada em um contrato é base para o mesmo efeito no outro (cláusula 13.6.3 do contrato de afretamento e 17.1.16 do contrato de serviços). • No contrato de afretamento, assina como solidariamente responsável a empresa BJ SERVICES DO BRASIL (cláusula 29.1), que figura como Contratada no contrato de serviços. Já no contrato de prestação de serviços (cláusula 29.1), assina como empresa solidária a BJ SERVICES INTERNATIONAL S.A.R.L, que é Contratada no contrato de afretamento. • A cláusula 6.1 do contrato de afretamento diz que a medição do afretamento se dará por meio de Relatórios de Medição assinados por ambas as parles (cópias apresentadas em resposta a intimação não estão assinadas). A cláusula 7.1 do contrato de serviços também prevê a medição dos serviços por meio de Relatórios de Medição. O período de medição do afretamento é o mesmo adotado para a medição dos serviços: do 26° dia do mês anterior até o 25° dia do mês de competência. • A prestadora de serviços BJ SERVICES DO BRASIL era controlada pela BJ SERVICES INTERNATIONAL S.A.R.L., detentora dos direitos de afretamento da unidade BLUE SHARK (cedidos pela proprietária BOURBON OFFSHORE NORWAY A/S, no contrato de afretamento original). A BJ SERVICES INTERNATIONAL S.A.R.L é subsidiária integral da BJ SERVICES CO LLC (Delaware, USA) Vimos que, embora o contraio de afretamento indique, como Fretadora, a empresa brasileira BRAM OFFSHORE TRANSPORTES MARÍTIMOS, a efetiva detentora dos direitos de exploração comercial/operacional de BLUE ANGEL era a Contratada BJ SERVICES INTERNATIONAL S.A.R.L.. Concluise que a PETROBRAS infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento de BLUE ANGEL, sem retenção de IRF e sem o recolhimento da CIDE. Os tributos eram devidos em razão dos seguintes fatos: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que o fornecimento da unidade era parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) os contratos de afretamento e serviços foram o resultado de procedimento de licitação único, Fl. 27601DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 117 116 Equipamento Contratos Observações da Fiscalização representado pelo Convite PETROBRAS n° 028.961.706.8, o qual denominava indistintamente, como "LICITANTE", o fornecedor da unidade e o prestador dos serviços; c) O Grupo BJ detinha os direitos de exploração comercial/operacional de BLUE ANGEL, e o Grupo BJ inclui a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de estimulação de poços e correlatos, com a unidade BLUE ANGEL; d) verificase que empresa do grupo BJ deve prestar serviços utilizando unidade que o próprio grupo BJ forneceu; e) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre parte da remuneração. Destaco algumas das particularidades pontuadas pela Fiscalização naquilo que chamou de “modelo de contratação da Petrobrás": I. As contratadas são empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico; II. As contratadas assumem direitos e obrigações recíprocos, com responsabilidade solidária, dividindo receitas e custos (e.g. há cláusula que estabelece a possibilidade de a fretadora retirar a plataforma do campo caso a Petrobrás deixe de pagar pelos serviços prestador); III. Os contratos são celebrados simultaneamente; IV. Os contratos são executados simultaneamente e a prorrogação ou a rescisão de um implica a prorrogação ou a rescisão do outro (tivessem existência autônoma, a rescisão do contrato de serviços não acarretaria, necessariamente, a rescisão do afretamento, pois a PETROBRAS poderia simplesmente contratar outra prestadora de serviços); V. Cláusulas do contrato de afretamento prevêem obrigações inerentes aos contratos da prestação de serviço (e.g., a elaboração de relatórios diários de controle da prestação dos serviços segundo instruções contidas no contrato de prestação de serviços; fornecimento de pessoal especializado para a prestação de serviço como de operadores de equipamentos de perfuração, sondadores, torristas, tool pushers etc.; penalidades para a fretadora em caso de falhas inerentes à prestação de serviço, como, por exemplo, derramamento de óleo ao mar; comprovar certificação em controle de poço de determinados profissionais e até, em alguns casos, atribuição da responsabilidade pela prestação do serviço exclusivamente à fretadora); VI. Cláusulas do contrato de afretamento prevêem); VII. Cláusulas do contrato de prestação de serviços preevêm obrigações que são típicas do contrato de afretamento (e.g., armação da embarcação, regularização da presença da embarcação perante a Capitania dos Portos, contratar o seguro da embarcação etc.) Fl. 27602DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 118 117 A vedação constante dos arts. 109 e 110, caput, do CTN é frequentemente brandida contra os arroubos arrecadatórios da legislação tributária. Está sacramentado: os princípios gerais de direito privado podem ser utilizados para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas jamais para a definição dos respectivos efeitos tributários, e a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, penso ser importante relembrar os institutos de direito privado envolvidos. Para tanto, valhome de excertos do Acórdão n° 3403002.702, de 12/02/2014, em que se procedeu a estudo exauriente sobre a matéria. Transcrevo somente os conceitos, excluindo as afirmações valorativas contidas no original: Contrato de Afretamento: Como tal se designa o contrato pelo qual, mediante um preço ou aluguel ajustado (frete), um dos contratantes, proprietário de um navio ou qualquer embarcação (fretador) concede ou aluga a outro contratante (afretador) o uso parcial ou total do navio ou da embarcação, para transporte de mercadorias ou de outros objetos. Também se diz fretamento, nome aliás mais vulgarmente empregado, e o instrumento, em que semelhante contrato se formula, recebe a denominação de cartapartita ou carta de fretamento. 3 “Fretamento ou afretamento é o contrato pelo qual uma pessoa, o fretador, coloca à disposição de outra pessoa, o afretador, seu navio ou partes dele, mediante o pagamento de uma soma denominada de frete. É um contrato misto de locação de coisas e prestação de serviços, variando os dois conforme a modalidade que se apresente” São duas as espécies do gênero contrato de afretamento: contrato de afretamento a casco nu; contrato de afretamento por tempo. Contrato de Afretamento a Casco Nu (Bareboat ou Demise Charter Party) Contratos de afretamento a casco nu (bareboat ou demise charter parties) são aqueles que se caracterizam pela utilização (arrendamento) do navio, por um tempo determinado, no qual o proprietário dispõe de seu navio ao afretador a casco nu, o qual assume a posse e o controle do mesmo, mediante uma retribuição – hire – pagável em intervalos determinados durante o período do contrato. É um contrato de utilização do navio. O navio é tomado em afretamento desprovido do comandante, tripulação, e demais itens inerentes necessários à navegação. Quer significar que o comandante e às vezes alguns tripulantes (chefe de máquina, principalmente) poderão ser indicados pelo proprietário, porém contratados e controlados, e por conseqüência empregados, do afretador a casco nu. Contrato de Afretamento por Tempo (Time Charter Party) 3 SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Atualizadores Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho. 27ª ed, Rio de janeiro: Forense. 2008, p. 75. Fl. 27603DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 119 118 Contrato de afretamento por tempo (time charterparty) caracterizase pela utilização (arrendamento) do navio, por um tempo determinado, no qual o proprietário ou armador disponente coloca o navio completamente armado, equipado e em condição de navegabilidade, a disposição do afretador por tempo, o qual assume a posse a o controle do mesmo (gestões náutica e comercial) mediante uma retribuição – hire – pagável em intervalos determinados durante o período do contrato. É um contrato de utilização dos serviços do navio. 4 Toca agora buscar definição do que seja embarcação. Comecemos pelos principais dicionários da língua portuguesa. a) Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa5: n substantivo feminino 1. Estatística: pouco usado. m.q. embarque 2. Rubrica: termo de marinha. qualquer estrutura flutuante destinada ao transporte de pessoal e/ou carga 2.1. Rubrica: termo de marinha. qualquer meio flutuante de pequeno porte b) Novo Dicionário Aurélio6: Designação comum a toda construção destinada a navegar sobre água. c) Nova Enciclopédia Barsa7: Denominase embarcação todo veículo flutuante, feito de madeira, metal, ou outros materiais, que se desloca sobre as superfícies das águas para transportar carga ou passageiros, servindose do vento, de remos ou motores para sua propulsão. Os submarinos, destinados à navegação sob a superfície do mar, também são considerados embarcação. d) Iêdo Batista Neves: 8 Embarcação — dizse de qualquer veículo de pequena tonelagem, capaz de se locomover n'água para atender aos fins a que se destina. Embarcação mercante dizse daquela que se usa como meio de transporte por água destinada à indústria da navegação, quaisquer que sejam as suas características e o lugar de tráfego. 4 ANJOS, J. Haroldo dos, GOMES, Carlos Rubens Caminha. Curso de direito marítimo. Rio de Janeiro: Renovar, 1992. p.184. 5 v. 1.0, 2001. 6 2ª ed, revista e aumentada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 630. 7 Rio de Janeiro: Encyclopédia Britannica do Brasil. 1998 8 NEVES, Iêdo Batista. Vocabulário Prático de Tecnologia Jurídica, São Paulo: Edições Fase, 1990. Fl. 27604DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 120 119 e) De Plácido e Silva9: Possuindo dois sentidos distintos, é, por este motivo, tido o vocábulo como derivado de embarcar (embarcoar) e do espanhol embarcación. Como derivado de embarcar, em sentido amplo, é empregado para designar todo ato ou ação de colocar qualquer veículo, transporte ou meio de condução, coisas ou pessoas, para que sejam transportadas ou conduzidas de um lugar a outro. Nesta acepção, no entanto, é mais vulgarizado o vocábulo embarque, embora se considere embarcação melhor vernáculo. E também se diz embarcamento, de um modo geral, quando se trata de coisas ou pessoas, e carregamento, propriamente, para o embarque de coisas. Embarcação. No sentido que lhe empresta a derivação espanhola, é designação genérica dada a toda espécie de barco, sem coberta, movido a remos, a velas ou a motor. Mas, na terminologia do Direito Marítimo, não se faz essa distinção, sendo embarcação qualquer espécie de navio ou barco, de qualquer natureza, destinado à navegação ou ao transporte em águas navegáveis. Desse modo, tenha ou não convés, qualquer espécie de barco ou nau, é genericamente considerada embarcação, formando, no entanto, as espécies, que os distinguem entre si: navio, barco, barcaça, bote, batel, canoa, jangada, etc. f) Leandro Pereira10: “Espécie do gênero embarcação, construção flutuante de natureza móvel, destinada a uma navegação que habitualmente o submete aos riscos do mar, sendo necessário que tenha robustez para enfrentar as fortunas das viagens marítimas, personalidade, nacionalidade e nome. A Convenção Internacional para Unificação de Certas Regras em Matéria de Conhecimentos Marítimos, em seu art. 1°, define navio como sendo “toda embarcação destinada ao transporte de mercadorias por mar”. (Pereira) g) Osvaldo Agripino Castro Jr11: A embarcação, por sua vez, de acordo com o item 0108 da NORMAM 0312, expedida pela Diretoria dos Portos e Costas, ao regulamentar a Lei 9.537, de 11 de dezembro de 1997, que dispõe sobre a segurança do tráfego aquaviário – LESTA, “é qualquer construção inclusive as plataformas flutuantes e as 9 SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Atualizadores Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho. 27ª ed, Rio de janeiro: Forense. 2008, p. 514. 10 PEREIRA, Leandro. A responsabilidade civil do transportador nos contratos de transporte marítimo internacional de mercadoria. Monografia submetida à Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Direito. Itajaí, SC:2006. Disponível em <http://www.siaibib01.univali.br/pdf/Leandro%20Pereira.pdf>. Acesso em 30/08/2013. 11 CASTRO JR, Osvaldo Agripino. Introdução ao direito marítimo In: CASTRO JR, Osvaldo Agripino de. (org.) Temas Atuais de Direito do Comércio Internacional, vol. I. Florianópolis: OAB/SC, 2004. p. 105. 12 NORMAS DA AUTORIDADE MARÍTIMA PARA AMADORES, EMBARCAÇÕES DE ESPORTE E/OU RECREIO E PARA CADASTRAMENTO E FUNCIONAMENTO DAS MARINAS, CLUBES E ENTIDADES DESPORTIVAS NÁUTICAS NORMAN03/DPC. Fl. 27605DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 121 120 fixas, quando rebocadas, sujeitas à inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas”. No caso de embarcação de esporte ou recreio, o seu registro de propriedade, conforme item 0209, da NORMAM 03, será deferido à pessoa física residente e domiciliada no País, às entidades públicas ou privadas sujeitas às leis brasileiras, e aos estrangeiros, mesmo aqueles não residentes nem domiciliados no País, de acordo com a Lei n° 7.652/88 alterada pela Lei n° 9.774/98” Celso D. de Albuquerque Mello 13: Esse autor registra que "a legislação brasileira que 'regula a execução dos contratos de hipoteca de navio' (Decreto n° 15.788/22) define o navio como sendo 'toda construção náutica destinada à navegação de longo curso, de grande ou pequena cabotagem, apropriada ao transporte marítimo ou fluvial...", e que "...talvez seja a melhor definição a que está consagrada no art. 11, da Lei n° 2.180, de 05/02/54: 'considerase embarcação mercante toda construção utilizada como meio de transporte por água, e destinada à indústria de navegação, quaisquer que sejam as suas características e lugar de tráfego". Ressalta, ainda, que, no Direito Internacional Público, "a palavra navio é empregada em sentido amplo (...), isto é, abrangendo os navios propriamente ditos e as embarcações", definidas como "toda construção destinada a correr sobre as águas, reservando a palavra navio para a embarcação utilizada na indústria da navegação". i) Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias e suas Notas Explicativas (do Conselho de Cooperação Aduaneira). No Sistema Harmonizado, o capitulo 89 compreende as "Embarcações e Estruturas Flutuantes". O capítulo separa os dois tipos de mercadorias: (I) embarcações, por certo nas posições 89.01 a 89.04 e 89.06 (outras embarcações); (II) estruturas flutuantes, nas posições 89.05 e 89.07 (outras estruturas flutuantes). Ainda, na posição 89.08, classificamse embarcações e outras estruturas flutuantes, para demolição. Todas as embarcações guardam como característica a função de moverse sobre água no transporte de pessoas ou mercadorias. São embarcações: os transatlânticos (8901.10.00), os naviostanque (8901.20.00), os barcos de pesca (8902.00), os iates e outras embarcações de recreio ou de esporte (8903) e, ainda, os rebocadores e empurradores (8904). São estruturas flutuantes as dragas (8905.10.00) e as plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis (8905.20.00); 89.07 13 MELLO, Celso D. de Albuquerque. Curso de Direito Internacional Público. Rio de Janeiro: Renovar, 1997, p. 11031121. Fl. 27606DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 122 121 Outras Estruturas — exemplos: as balsas, reservatórios, caixões, bóias de amarração, bóias de sinalização. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, a respeito de cada posição, destacam os seguintes pontos: 89.01 TRANSATLÂNTICOS, BARCOS DE CRUZEIRO, "FERRYBOATS", CARGUEIROS, CHATAS E EMBARCAÇÕES SEMELHANTES, PARA O TRANSPORTE DE PESSOAS OU DE MERCADORIAS. A presente posição compreende todas as embarcações para o transporte de pessoas ou de mercadorias, destinadas à navegação marítima ou à navegação interior (em lagos, canais, rios, estuários, por exemplo), exceto as embarcações da posição 89.03 e os barcos salvavidas, que não sejam a remos, os navios para o transporte de tropas e os navioshospitais (posição 89.06). 89.02 BARCOS DE PESCA; NAVIOSFÁBRICAS E OUTRAS EMBARCAÇÕES PARA O TRATAMENTO OU CONSERVAÇÃO DE PRODUTOS DA PESCA. Esta posição compreende os barcos de pesca de todos os tipos, concebidos para a pesca profissional, no mar ou em águas interiores exceto, todavia, os barcos a remos utilizados para pesca da posição 89.03. Podem citarse, a titulo de exemplo, as chinchas, os barcos para a pesca de atum, bem como os barcos armados para pesca de baleias. 89.03 IATES E OUTROS BARCOS E EMBARCAÇÕES DE RECREIO OU DE ESPORTE; BARCOS A REMOS E CANOAS. Classificamse aqui todas as embarcações que se destinam à navegação de recreio ou de esporte, bem como todos os barcos a remos e canoas. Podem citarse, a título de exemplo, os iates, os jetskies e outros barcos à vela ou de motor, lanchas e escaleres, barcos de regata, ioles, caiaques, botes de dois remos, esquifes pedalinhos, os barcos de pesca esportiva, os barcos infláveis e as embarcações dobráveis ou desmontáveis. 89.04 REBOCADORES E BARCOS CONCEBIDOS PARA EMPURRAR OUTRAS EMBARCAÇÕES. A presente posição compreende: A. Os rebocadores, que são barcos especialmente concebidos para tração de outras unidades. Podem ser do tipo que sé utiliza no mar ou para navegação interior, e diferenciamse das outras embarcações pelo seu aspecto particular, seu casco reforçado de forma especial, suas possantes máquinas motoras e diversos equipamentos para movimentação e engate dos cabos, amarras, etc. Fl. 27607DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 123 122 B. Os barcos concebidos para empurrar outras embarcações, que são barcos especialmente concebidos para empurrar barcaças ou alijos14, entre outros. Caracterizamse essencialmente pela sua proa achatada, concebida para empurrar, bem como pela posição particularmente elevada da cabina do timoneiro, que pode ser telescópica. 89.05 BARCOSFARÓIS, BARCOSBOMBAS, DRAGAS, GUINDASTES FLUTUANTES E OUTRAS EMBARCAÇÕES EM QUE A NAVEGAÇÃO É ACESSÓRIA DA FUNÇÃO PRINCIPAL; DOCAS OU DIQUES FLUTUANTES; PLATAFORMAS DE PERFURAÇÃO OU DE EXPLORAÇÃO, FLUTUANTES OU SUBMERSÍVEIS. 8905.10 – Dragas 8905.20 Plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis 8905.90 – Outros A presente posição compreende: A) Os barcosfaróis, barcosbombas, dragas, guindastes flutuantes e outras embarcações em que a navegação é acessória da função principal. Entre estas embarcações, geralmente estacionárias quando desempenham a sua função, podem citarse: os barcosfaróis, barcosperfuradores, barcosbombas, dragas de todos os tipos (dragas com alcatruzes, dragas com aspiradores, etc.), barcos que se destinam a fazer flutuar os navios afundados, barcos bóias de salvamento, batiscafos, pontões equipados com instrumentos de elevação ou de movimentação (derricks, guindastes, elevadores de cereais, etc.) montados sobre portões, bem como os pontões especialmente concebidos para servir de base a esses instrumentos. Os barcoshabitações, os barcoslavanderias e os moinhos flutuantes classificamse também neste grupo. B) As docas ou diques flutuantes. As docas ou diques flutuantes são verdadeiras oficinas flutuantes que se destinam a substituir, as docas secas dos portos. Compõemse de uma estrutura cuja seção transversal apresenta geralmente a forma de U. Graças aos lastros de que são providas, estas docas ou diques submergem parcialmente a fim de permitir a entrada dos navios a reparar; podem também ser rebocados. Outros tipos de docas ou diques flutuantes funcionam de maneira análoga e são também equipados de poderosos órgãos 14 Embarcação que acompanha um navio para receber a carga por ele alijada; alijamento. Fl. 27608DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 124 123 motores que permitem o seu próprio deslocamento. Utilizamse então para a reparação de veículos anfíbios ou de outras embarcações que transportam. C) As plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis. São geralmente concebidas para pesquisas ou explorações de jazidas de petróleo ou de gás natural. Estas plataformas comportam, além do material necessário à perfuração ou exploração, como derricks, guindastes, bombas, unidades de cimentação, silos, etc., locais de habitação para o seu pessoal. Estas plataformas, rebocadas ou eventualmente autopropulsionadas até o local de exploração, podem ser deslocadas por flutuação até outro lugar de trabalho e pertencem a um dos seguintes grupos: 1) Plataformas autoelevadoras que compreendem, independentemente da própria plataforma de trabalho, dispositivos (cascos, caixões, etc.) que lhes permitem flutuar e pilares retráteis que, no local de trabalho, se rebaixam de modo a apoiarem se no fundo do mar e, desta forma, elevar a plataforma de trabalho acima do nível da água. 2) Plataformas submersíveis cuja infraestrutura se encontra submersa nos locais de trabalho para que os seus caixõeslastros repousem no fundo a fim de assegurar uma grande estabilidade à plataforma de trabalho, que se mantém acima do nível da água. Os caixõeslastros podem ser equipados de saias ou pilares que penetram mais ou menos profundamente no solo. 3) Plataformas semisubmersíveis, análogas às plataformas submersíveis, mas diferenciamse destas pelo fato de que as partes imersas não repousam no fundo. Estas plataformas mantêmse, no decurso do trabalho, em posição fixa, por meio de cabos de ancoragem ou por estabilização dinâmica. 89.06 OUTRAS EMBARCAÇÕES, INCLUÍDOS OS NAVIOS DE GUERRA E OS BARCOS SALVAVIDAS, EXCETO OS BARCOS A REMO. Esta posição compreende todas as embarcações que não se classificam mais especificamente nas posições 89.01 a 89.05. 89.07 OUTRAS ESTRUTURAS FLUTUANTES (POR EXEMPLO: BALSAS, RESERVATÓRIOS, CAIXÕES, BÓIAS DE AMARRAÇÃO, BÓIAS DE SINALIZAÇÃO E SEMELHANTES). Fl. 27609DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 125 124 Esta posição compreende diversas estruturas flutuantes, exceto as que possuem características de barcos. São geralmente fixas e compreendem, em particular: 1) Os caixões cilíndricos ocos que se utilizam para sustentar as pontes provisórias, etc. Os pontões que apresentam as características de embarcações classificamse nas posições 89.01 ou 89.05. 2) Os viveiros flutuantes, crivados de orifícios, utilizados para conservar vivos os crustáceos e peixes. 89.08 EMBARCAÇÕES E OUTRAS ESTRUTURAS FLUTUANTES, PARA DEMOLIÇÃO. Esta posição compreende apenas as embarcações e outras estruturas flutuantes que se classificam nas posições 89.01 a 89.07, quando apresentadas para serem desmanteladas. Tratase geralmente de embarcações que sofreram avarias, embarcações fora de uso por serem muito antigas, desprovidas, às vezes, de seus aparelhos de navegação, de seus órgãos motores, etc. A par dessas acepções técnicas, há ainda definições de ordem legal, consubstanciadas na Lei nº 9.537, de 11 de dezembro de 1997, que dispõe sobre a segurança do tráfego aquaviário em águas sob jurisdição nacional. Os incisos V e XIV de seu art. 2º estabelece os seguintes conceitos e definições: V Embarcação qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita à inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas; XIV Plataforma instalação ou estrutura fixa ou flutuante, destinada às atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo; Analisando as definições legais, recém transcritas, pareceme evidente que os conceitos de embarcação e de plataforma não se confundem e são mutuamente excludentes, já que, topologicamente, constam de incisos diferentes de um mesmo artigo. As embarcações, conforme definidas no inciso V, devem necessariamente conter três características fundamentais: serem uma construção; estarem sujeitas à inscrição na autoridade marítima; serem suscetíveis de se locomover na água, transportando pessoas ou cargas. Considerada a essência do conceito, a definição do inciso V não criou algo que não estivesse contido na definição dos dicionários, acima transcritos, que consolidam o entendimento lingüístico do termo: ou seja, devem ter a propriedade de flutuar e devem ter a finalidade de transportar cargas e/ou pessoas. Isso fica ainda mais patente quando se lê o inciso XIV da referida norma legal, que define as plataformas. Apesar de se admitir nelas a propriedade de flutuar, a finalidade a que se destinam não se relaciona com transporte ou navegação, mas apenas com pesquisa, exploração e explotação de recursos marítimos, fluviais e do subsolo. De tudo que até aqui se registrou – conceitos técnicos, definições legais, interpretação jurisprudencial , penso ter ficado evidente que as unidades petrolíferas de que se Fl. 27610DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 126 125 trata não se confundem com embarcações. Embarcações são destinadas ao transporte de pessoas e/ou carga sobre ou sob a água. As plataformas são instalações ou estruturas marítimas para as atividades relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação de recursos petrolíferos. Eventualmente, até se locomovem na água, mas jamais se destinarão ao transporte de pessoas ou coisas. O Fisco não defende ser formalmente inválido ou inexistente um ou outro contrato, apenas informa que deve ser observada a realidade da operação, perante o Fisco. E não poderia ser diferente. As disposições do REPETRO, tão enfaticamente bradadas pelo contribuinte e pela Relatora, reconhecem a possibilidade de haver dois contratos, um referente ao arrendamento dos equipamentos admitidos no regime e outro relacionado à prestação de serviço. A legislação civil recém vista ampara tal reconhecimento: em havendo efetivamente afretamento e prestação de serviços, os respectivos contratos podem ser bipartidos e executados simultaneamente. O presente processo, o lançamento, repitase, não teve como alicerce a impossibilidade formal de contratação bipartida, mas, ultrapassando tal discussão, a Fiscalização buscou verificar a realidade da operação, e se esta estava refletida na contratação formalmente bipartida. As disposições contratuais destacadas pela Fiscalização estabelecem, por exemplo, que os contratos de afretamento, entre recorrente e a empresa estrangeira, e de prestação de serviços, entre a recorrente e empresa nacional do mesmo grupo da estrangeira, são vinculados (com execução simultânea e interdependência), e que a rescisão no contrato de serviços ocasiona o direito de rescisão do contrato de afretamento (digase, entre pessoas jurídicas distintas, inclusive de nacionalidade diversa). Há diversas outras cláusulas que demonstram a interpenetração de um contrato no outro. Essa mescla entre os contratos se converte em prova do artificialismo da bipartição quando se percebe que a própria execução dos contratos obedece a critérios pouco compatíveis com os seus objetos. Por exemplo: como se pode atribuir ao afretador a culpa civil por derramamento de óleo decorrente de imperícia na prestação de serviços? Como se pode atribuir ao dono da embarcação (fretador) a responsabilidade excluiva pela operação da unidade, isso é, pela própria prestação do serviço contratado, como, por exemplo, consta da cláusula 3.28 do contrato de afretamento n° 2050.0011673.052? As idiossincrasias das cláusulas dos contratos apontadas pela Fiscalização levam à conclusão de que os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos de afretamento não poderiam ser atribuídos, exclusivamente, ao aluguel das unidades porque a sua utilização era parte integrante indissociável, inerente ao serviços contratados. Os pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras correspondiam, de fato, à remuneração pelos serviços de perfuração e produção de petróleo prestados, causa econômica última da contratação. Observese que os contratos ditos de afretamento, contratos típicos não são, pois não têm como objeto embarcação. Ademais, as unidades de perfuração e de produção de petróleo offshore, objeto dos contratos de afretamento, não são meras estruturas metálicas, sobre as quais desembarcam e atuam os operadores da companhia prestadora de serviço contratada. Em absoluto. As unidades são, justamente, os equipamentos que serão operados para a consecução do objetivo último da Petrobrás, que é a perfuração ou produção do poço de petróleo. E, penso ser evidente, tratase de equipamentos sofisticados, construídos sob encomenda, com projeto único, que incorpora, em geral, o último estágio de desenvolvimento Fl. 27611DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 127 126 da tecnologia. Nesse sentido, seus operadores são designados já durante a fase de construção, no estaleiro, tamanha é a intimidade com osequipamentos requerida para operálos. Saliento esse aspecto porque, ainda que se considere a natureza genérica dos contratos, como contrato de aluguel de bens, o que sobressai é que tal contratação é absolutamente dispensável. Bastaria que a Petrobrás celebrasse contrato único, de prestação de serviços, fosse com a nacional ou com a empresa estrangeira, ainda assim as unidades seriam fornecidas, simplesmente, porque não há como prestar os serviços sem elas. Aliás, esse é exatamente o modelo de contratação para a perfuração e produção de petróleo em terra. A Petrobrás, em terra, não se dá ao trabalho de contratar o aluguel de uma sonda de perfuração de terra SPT e, simultaneamente, contratar a prestação do serviço, pois é ilógico, desnecessário, antieconômico15. E, se ainda assim, por qualquer razão que se nos escape, a Petrobrás insistisse nesse modelo de contratação, a hipotética locatária dos equipamentos jamais admitiria que eles fossem operados por terceiros. Portanto, pareceme que a conclusão a que chegou a Fiscalização a respeito da essência desses contratos está correta. A bipartição do contrato em “afretamento” e prestação de serviços– a também, por óbvio, a sua coligação voluntária16 – no caso concreto, é artificial, desnecessária, sem propósito. Isso não implica, enfatizese, a descaracterização formal de um contrato, ou sua invalidade perante as partes, mas apenas obsta a oposição de seus efeitos perante o Fisco, diante da realidade detectada e do artificialismo da bipartição. E não está o Fisco a alterar conceitos de direito privado, presentes na legislação civil, mas exatamente a aplicar tais conceitos à realidade evidenciada, que não corresponde à formalmente descrita. Assim como são as partes livres para contratar, sob a denominação e a forma por elas eleita, tais contratações devem refletir a realidade das operações pactuadas. E, se verifica a Fiscalização que não refletem, e que os efeitos fiscais da real operação são diversos, cabível o lançamento. A bipartição contratual anterior (assim como a posterior) ao art 106 da Lei n° 13.043, de 2014, é admitida pela legislação, obviamente, desde que corresponda à realidade da operação. E o que a nova legislação estabeleceu foram parâmetros, com base nas práticas internacionais, justamente para adequar as contratações (evitando deturpações nacionais, reiteradamente vistas neste tribunal), e dar segurança jurídica às próprias empresas do ramo (ainda que a novel legislação tenha sido limitada a um tributo IRRF). O recorrente nessa hora bradará princípios constitucionais como da Livre Iniciativa (art. 1º, IV), da Livre Concorrência (art. 170, IV) ou mesmo da Propriedade Privada (art. 170, II), e que o ordenamento jurídico brasileiro outorga ao contribuinte o direito de organizarse de forma que se lhe imponha a menor carga tributária possível. Pugnará por que se analisem os contratos celebrados sob uma concepção estritamente formal da legalidade. Enfim, invocará a clássica cantilena liberal formalista que leva à (equivocada) conclusão de que, em 15 No insight de Michael J. Graetz, "...a deal done by very smart people that, absent tax considerations, would be very stupid". Disponível em <http://www.nytimes.com/2008/09/10/business/businessspecial3/10TAX.html?pagewanted=all&_r=0> Acessado em 31/08/2013. 16 A recorrente invoca a doutrina de Orlando Gomes sobre coligação de contratos para justificar as peculiaridades do clausulamento dos contratos de afretamento e de prestação de serviços. Se é certo que o instituto explica a execução simultânea e a sua mútua dependência, não ampara, sob qualquer ângulo que se adote, a confusão das cláusulas, por exemplo, de fornecimento de pessoal especializado para a prestação de serviço ou de multa por derramamento de óleo no mar num contrato de afretamento. Fl. 27612DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 128 127 matéria de planejamento tributário, tudo o que não estiver expressamente proibido é lícito ao contribuinte. Marciano Seabra de Godoi diagnostica que essa postura parte de certos valores arraigados e que não mais se compatibilizam com o atual estado de arte da dogmática constitucional e tributária nacional, quais sejam, o tributo visto como uma agressão ou um castigo que se aceita mas não se justifica; a segurança jurídica como um valor absoluto; a aplicação mecânica e não valorativa da lei como um mito sagrado; o individualismo e a autonomia da vontade sobrevalorizados e hipertrofiados, como se vivêssemos em pleno século XIX17. Atualmente, as bases da tributação são liberdade, igualdade e solidariedade. Neste cenário, a interpretação dos atos jurídicos e das operações não se pode valer da máxima de hipossuficiência dos contribuintes frente ao todopoderoso Estado, sob pena de se obstar a aplicação de outros princípios constitucionais. Há diversos outros que podem ser tolhidos caso planejamentos sejam indiscriminadamente considerados válidos e legítimos tãosomente porque adotaram forma jurídica prevista em texto de lei (Dignidade da Pessoa Humana, Função Social da Propriedade, Isonomia). O planejamento tributário deve ser analisado “não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos igualdade, solidariedade social e justiça” 18. Enfim, exigese, para além de uma economia de tributos, um propósito negocial. A doutrina propõe um teste para se constatar ausência de propósito negocial 19: a) o elemento temporal: já que muitas vezes se verifica que o planejamento, em geral atividade pensada e preparada, é realizada às pressas, com a assinatura de vários documentos em um único momento, alguns desfazendo transações que se celebram no mesmo instante; b) a independência ou não das partes, eis que muitas fusões, cisões e incorporações se dão apenas como forma de alocar perdas e ganhos entre empresas de mesmo grupo, sempre visando à redução da tributação; c) ausência de coerência, quando se realizam transações que não se inserem na rotina da empresa ou na lógica empresarial. Marco Aurélio Greco20 revela os indícios de mera tentativa despropositada de economia de tributo: 17 apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 173. 18 GRECO. Marco Aurélio. Planejamento tributário. 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2011, p. 195. 19 SCHOUERI, Luís Eduardo. O desafio do planejamento tributário. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (coord.); FREITRAS, Rodrigo de (org,). Planejamento tributário e o “propósito negocial”. São Paulo: Quartier Latin, 2010, apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 187. 20 GRECO, Marco Aurélio. Perspectivas teóricas do debate sobre planejamento tributário. Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, ano 7, n. 42, ano 2009. Apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 187. Fl. 27613DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 129 128 a) operações estruturadas em seqüência, em que uma etapa não tem sentido a não ser quando vista a partir do conjunto de etapas [...]; b) operações invertidas, no sentido de serem realizadas ao contrário do que indica o juízo comum, por exemplo, a incorporação da controladora pela controlada; c) operações entre partes relacionadas, pois nestas é mais rigoroso o juízo sobre os critérios de eqüitatividade em que devem ser feitas certas operações quando comparadas com operações com terceiros; d) o uso de pessoas jurídicas para realizar determinadas operações, pois além de poderem configurar uma interposta pessoa, estas sociedades podem se apresentar como meros instrumentos de passagens de recursos destinados a terceiros (conduint companies) ou assumirem a condição de sociedade aparentes, fictícias ou efêmeras; e) operações que impliquem deslocamento da base tributável para o exterior, pois isto afeta a soberania e a imperatividade da norma tributária; f) as substituições ou montagens jurídicas em que as formas contratuais são construídas meramente para vestir determinado conteúdo sem que haja razões reais e efetivas que as justifiquem. O modelo de contratação da Petrobrás sucumbe em todos os testes que lhe são pertinentes: a) Quanto ao aspecto temporal, revelase a simultaneidade da celebração dos pares de contratos; b) A interdependência das partes contratantes é nota característica: a prestadora dos serviços nacional é controlada pela “fretadora” estrangeira; c) Ausência de coerência: a Petrobrás não reproduz o modelo de contratação bipartida, mutatis mutandis, nas suas operações terrestres; d) Deslocamento da base tributável para o exterior: a Petrobrás atribui ao contrato de afretamento, celebrado com a empresa estrangeira, 90% do valor total da causa dos contratos (a exploração dos poços de petróleo); e) Montagem jurídica: a bipartição de contrato que tem causa unitária – a exploração de poços de petróleo – é artificial e despropositada. 2.3 CONCLUSÃO Como exposto ao longo deste voto, a realidade da operação detectada pela Fiscalização, e aqui endossada, foi no sentido de que os pagamentos efetuados em favor da Fl. 27614DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 130 129 empresa estrangeira correspondem, de fato, à remuneração por serviços prestados, nitidamente técnicos, sujeitos à incidência da CIDERemessas. Conforme resta claro, nos comandos presentes na Lei n° 10.168, de 2000, incide a CIDERemessas nas remessas de valores ao exterior como contraprestação de serviço prestado, como os aqui analisados. Com estas considerações, a maioria qualificada do Colegiado inclinouse por conhecer e dar provimento ao recurso especial fazendário e negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 27615DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 9303008.340 CSRFT3 Fl. 131 130 Declaração de Voto Conselheiro Demes Brito Em que pese concordar com o excelente fundamento da Ilustre Relatora, a presente declaração de voto, tem por objetivo esclarecer meu entendimento quanto a incidência da CIDE no caso em espécie, não se confunde com outros julgados de minha relatoria. Com efeito, a decisão recorrida entendeu que houve a bipartição artificial dos contratos, com fundamento de que os contratos de afretamento envolvia "grandes valores" (cerca de 90% da soma dos dois contratos firmados), enquanto o contrato de prestação de serviços celebrado no país previa pagamentos da ordem de apenas 10%. Discordo, de uma leitura detida dos incisos I a III, do §2º do art. 1º da Lei n.º 9.481/97, concluise que a premissa adotada com relação aos percentuais não foi correta, a própria legislação previu a aplicação de alíquota zero do IRF quando o valor pago pelo afretamento corresponder a 85% do total das duas contratações, para os casos de afretamento de plataforma; e nos percentuais de 80% e 20%, nas hipóteses em que a embarcação afretada for naviosonda. Demonstrou o legislador entender que as proporções são razoáveis, restando comprovado que o custo do afretamento efetivamente excede em àquele da prestação de serviços, inclusive pelos elevados valores das embarcações afretadas. Além disso, há previsão expressa na nova redação da norma de que poderá ser elevado os percentuais em até 10%, com base em estudos econômicos, por meio de ato do Ministro de Estado (§8º), elucidando que até mesmo a proporção de 95% referente ao contrato de afretamento plataformas e de 90% para os naviossonda, enquadrase no limite da razoabilidade. Destarte, o art. 3º, a Lei nº. 13.586/2017, que alterou o art. 1º da Lei n.º 9.481/97, previu a aplicação dos percentuais dos §§ 2º e 12º do art. 1º da Lei 9481/97, aos fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2014, hipótese na qual se enquadra os presentes autos. Diante do exposto, entendo como válida a bipartição dos contratos de afretamento e de prestação de serviços e, por consequência, afasto a exigência da CIDE sobre os valores remetidos ao exterior. É como voto (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 27616DF CARF MF
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Numero do processo: 13062.001227/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não há ilegalidade no procedimento adotado pela Fiscalização ao exigir a
comprovação ou justificação de todas as deduções pleiteadas pelo
contribuinte em sua declaração de ajuste.
INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR A INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS OU DE ATOS E PROCEDIMENTOS PREVISTOS EM LEI.
Este Conselho não tem competência para se manifestar sobre a
constitucionalidade de atos e procedimentos previstos em lei.
Aplicação da Súmula CARF n.º 2.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo
contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos orrespondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas
médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os
documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela
legislação do imposto sobre a renda de pessoa física.
Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar as despesas declaradas.
Numero da decisão: 2101-001.671
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de ilegalidade de procedimentos e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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INOCORRÊNCIA. Não há ilegalidade no procedimento adotado pela Fiscalização ao exigir a comprovação ou justificação de todas as deduções pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR A INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS OU DE ATOS E PROCEDIMENTOS PREVISTOS EM LEI. Este Conselho não tem competência para se manifestar sobre a constitucionalidade de atos e procedimentos previstos em lei. Aplicação da Súmula CARF n.º 2. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar as despesas declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de ilegalidade de procedimentos e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Contra a contribuinte em epígrafe foi lavrada Notificação de Lançamento, na qual houve glosa de deduções com despesas médicas. Segundo relato da Fiscalização (fls. 9), a contribuinte, intimada, não comprovou, o efetivo pagamento do montante de R$ 9.170,00, correspondente a despesas declaradas com os Drs. Claudio, Aramis e Edson. A despesa com Dra. Mirela foi comprovada parcialmente, mediante a apresentação da Nota Fiscal de Prestação de Serviços n.º 8116, no valor de R$ 170,00. Em 9.11.2007, a contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 a 6), alegando, em síntese, que juntou comprovantes das despesas médicas em observância ao disposto no artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999, que os recibos são hábeis para comprovar o desembolso porque contam com a indicação do nome, endereço e CPF, e que efetuou os pagamentos em “dinheiro espécie”, não tendo como produzir “prova negativa”. Além do mais, no seu entendimento, somente “na falta de documentação” é que poderá ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, e, na presente hipótese, os pagamentos foram realizados em dinheiro. Requer seja desconsiderada a glosa referente ao pagamento das despesas com os profissionais Cláudio Joaquim Paiva Wagner, Aramis José Dal Molin e Edson M. Cechin. A 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria (RS) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1812.016, de 26 de março de 2010, mediante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas está condicionada a comprovação da efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Impugnação Improcedente Fl. 56DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13062.001227/200774 Acórdão n.º 210101.671 S2C1T1 Fl. 44 3 Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 35 a 39, no qual sustenta que a decisão administrativa de primeira instância deve ser reformada, eis que emitida ao arrepio da lei e da jurisprudência. Esclarece que as inconstitucionalidades arguidas quando da sua impugnação não se tratavam de questionamentos referentes à inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis, mas sim de sua inobservância pelas autoridades administrativas, razão pela qual reputa equivocada a alegação da autoridade julgadora no sentido de que não são suscetíveis de apreciação na via administrativa quaisquer arguições de inconstitucionalidade de leis tributárias ou fiscais. A autoridade deveria, a seu ver, terse manifestado sobre estas questões, mas não o fez. Sendo assim, por ser omissa, a decisão a quo deve ser afastada. Reitera as razões de impugnação, sustentando que a autoridade fiscal e a autoridade julgadora, além de não aceitarem os esclarecimentos prestados, autuaram e mantiveram a autuação sem qualquer elemento de prova capaz de retirar a idoneidade e veracidade das despesas médicas comprovadas através de recibos emitidos em observância aos dispositivos legais aplicáveis. Invoca os artigos 924 e 845 do Decreto n.º 3.000, de 1999, e o artigo 108 do Código Tributário Nacional, transcreve trechos e ementas de julgados administrativos e judiciais, requerendo, ao final, seja julgado procedente o recurso. É o Relatório. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Da ilegalidade e da inconstitucionalidade dos procedimentos praticados pela autoridade fiscalizadora e pelo julgador administrativo de primeira instância Preliminarmente, a recorrente sustenta que a autoridade fiscalizadora e o julgador administrativo de primeira instância agiram ao arrepio da lei e da Constituição, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada. Cumpre salientar, primeiramente, que o lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda. Tal dispositivo prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à Fl. 57DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III). (g.n.) Os dispositivos acima transcritos autorizam a autoridade fiscalizadora a exigir esclarecimentos sobre o conteúdo da declaração de ajuste do contribuinte. Além disso, mais especificamente, o artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, que tem por matriz legal o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, autorizaa a exigir comprovação ou justificação de todas as deduções pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste, nos seguintes termos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). [...]. (g.n.) E, com fulcro no artigo 4.º do DecretoLei n.º 352, de 1968, aquele diploma regulamentar dispensa o contribuinte de juntar, à declaração do imposto sobre a renda, os documentos comprobatórios das deduções pleiteadas, mas não o exime de exibilos à autoridade fiscalizadora sempre que esta assim entender necessário. Vejamos o disposto no Decreto n.º 3.000, de 1999: Dispensa de Juntada de Documentos Art.797. É dispensada a juntada, à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigandose, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário (DecretoLei nº 352, de 17 junho de 1968, art. 4º). Desse modo, se o contribuinte pretende beneficiarse de deduções da base de cálculo do imposto sobre a renda a título de despesas médicas, deve manter em boa guarda todos os documentos comprobatórios das despesas nas quais incorreu; deve estar apto a comprovar tanto a prestação dos serviços de saúde para si ou para seus dependentes quanto o seu efetivo pagamento, mesmo que tais comprovantes não sejam anexados à declaração. Tal cuidado, previsto em lei, opera em benefício do próprio contribuinte. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13062.001227/200774 Acórdão n.º 210101.671 S2C1T1 Fl. 45 5 Como se pode observar a partir da legislação transcrita, a autoridade fiscal, ao exigir a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas pela contribuinte para justificar deduções da base de cálculo do imposto sobre a renda, agiu dentro de suas prerrogativas legais, sob autorização expressa do artigo 4.º do DecretoLei n.º 352, de 1968, e dos artigos 11, § 3.º e 74 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943. Sua atuação se deu de acordo com a lei. No tocante à legalidade da Notificação de Lançamento, analisemos o que estipula o artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Constatase, do exame da Notificação de Lançamento que integra o presente processo, que todos os requisitos estão presentes. A recorrente entende ainda ter sido equivocada a alegação da autoridade julgadora no sentido de que não são suscetíveis de apreciação na via administrativa quaisquer arguições de inconstitucionalidade de leis tributárias ou fiscais, haja vista que as inconstitucionalidades arguidas quando da sua impugnação não se tratavam de questionamentos referentes à inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis, mas sim de sua inobservância pelas autoridades administrativas. O julgador deveria, a seu ver, terse manifestado sobre estas questões, mas não o fez, tornando omissa a decisão. Da análise dos autos, não se constata qualquer omissão na decisão recorrida. O relator do voto condutor do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria (RS) enfrentou o tema, analisando os argumentos suscitados pela interessada frente às provas dos autos e à legislação tributária e manifestouse de acordo com a sua convicção. Vejamos excerto do Voto: “Não são suscetíveis de apreciação na via administrativa quaisquer arguições de inconstitucionalidade de leis tributárias ou fiscais, isso porque as autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o Legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal. Noutras palavras, as autoridades administrativas não podem negar aplicação As leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 reservada aos órgãos do Poder Judiciário (art. 102 da Constituição Federal, de 1988). [...] A autoridade tributária, tanto a lançadora quanto a julgadora, encontrase cingida aos estritos termos da legislação fiscal, estando impedida de ultrapassar tais fronteiras para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em tela, uma vez que às autoridades tributárias cabe apenas cumprir e aplicar a lei. A presente autoridade julgadora, portanto, não possui a prerrogativa de pronunciarse acerca da constitucionalidade de um dispositivo legal. Excluídos os casos em que há sentença judicial determinando a não aplicação da norma especificamente para o contribuinte, a autoridade administrativa tributária só poderá deixar de exigir o cumprimento de uma lei quando esta tiver sua aplicação suspensa por ato do Senado Federal (Constituição Federal de 1988, art. 52, X), ou quando existir ato do Secretário da Receita Federal dispensando sua aplicação, nos casos previstos pela Lei n° 9.430. de 27 de dezembro de 1996, art. 77, disciplinada pelo Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997.” Pelos motivos aqui colocados, verificase que não assiste razão à contribuinte. Uma vez demonstrada a legalidade dos procedimentos, não há como haver manifestação administrativa quanto à sua constitucionalidade. É que tal análise demandaria, necessariamente, um juízo de constitucionalidade da lei, e este Conselho não é competente para se pronunciar sobre o assunto. O tema da competência para deliberar sobre a constitucionalidade de leis no âmbito administrativo já foi amplamente discutido neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, das discussões e de reiteradas decisões no mesmo sentido, resultou a Súmula CARF n.º 2, a seguir transcrita: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2. Das glosas de despesas médicas Sobre a forma como devem ser comprovadas as despesas médicas utilizadas como deduções, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física de ajuste, vejamos o que diz o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13062.001227/200774 Acórdão n.º 210101.671 S2C1T1 Fl. 46 7 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...]. Depreendese, da legislação acima, em particular dos incisos II e III do § 2.º, que a Lei n.º 9.250, de 1995, exige que tanto a prestação dos serviços médicos quanto os pagamentos com base nos quais foram feitas deduções a esse título sejam comprovados de forma específica pelo contribuinte que dessas deduções pretenda se beneficiar. E a despesa dedutível restringese àquela feita pelo contribuinte com tratamento de saúde próprio e de seus dependentes. Sobre a comprovação das suas despesas médicas, a recorrente informa, na peça impugnatória, que, durante o procedimento fiscal, foi intimada a apresentar originais e cópias ou cópias autenticadas de cheque nominal compensado, do extrato bancário, ordens de pagamento, transferência bancária etc, a fim de comprovar o efetivo pagamento aos profissionais Cláudio Joaquim Paiva, Wagner, Aramis José Dall Molin e Edson M. Cechin. Observase, do exame dos autos, que os documentos comprobatórios do efetivo pagamento das despesas médicas não foram apresentados e, por essa razão, foi feita a glosa da respectiva dedução. Ante a manutenção da glosa pela decisão a quo, a contribuinte alegou, em sede de recurso voluntário, que (i) não houve falta de comprovação das despesas dedutíveis, (ii) os recibos são hábeis para comprovar o desembolso de despesas médicas, eis que contam com a indicação do nome, do endereço e do CPF, (iii) os respectivos pagamentos foram feitos “em dinheiro espécie”, (iv) inexiste possibilidade jurídica de se produzir uma “prova negativa”, e (v) critérios subjetivos não podem se sobrepor às provas concretas. Acrescenta que, conforme o inciso III, do parágrafo 1.º, do artigo 80 do RIR/99, somente “na falta de documentação” é que poderá ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Sendo assim, pretender desconsiderar os recibos apresentados é ato praticado ao arrepio da lei. O artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995, acima transcrito, estipula quais as informações que devem necessariamente constar dos documentos comprobatórios das despesas médicas deduzidas. Diferentemente do entendimento manifestado pela recorrente, a lei não restringe a estas as informações que podem ser exigidas pela autoridade administrativa no exercício de sua função fiscalizadora. Mesmo que os recibos médicos preencham todos os Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 requisitos exigidos no referido dispositivo legal, podem ser solicitadas outras provas para justificar as deduções com despesas médicas, conforme se verifica da legislação pertinente, já analisada. O julgador administrativo também não fica obrigado a aceitar recibos médicos como prova única e inquestionável das despesas deduzidas. Durante a fiscalização e, posteriormente, com a impugnação ao lançamento, o contribuinte pode apresentar as provas que entender necessárias para comprovar suas alegações quanto à efetividade das despesas deduzidas. Em seu próprio benefício, deve apresentar documentos hábeis e idôneos que demonstrem, de forma inequívoca, o seu direito à dedução pleiteada, e isto compreende a prova da efetiva prestação do serviço médico, ao próprio contribuinte ou a dependente seu e do efetivo pagamento das despesas correspondentes. No caso de glosa de despesas médicas, convém que, além dos recibos emitidos na forma prevista em lei, o contribuinte acoste também outros documentos, tais como pedidos de exames, fichas e receitas médicas, declarações dos profissionais de saúde, nas quais conste o diagnóstico e o tratamento, dentre outros, e também aqueles relacionados na intimação feita pela fiscalização, consistentes em cópias de cheques, comprovantes de transferências bancárias ou extratos bancários nos quais se constate haver saques em valores e datas compatíveis com as despesas declaradas, no caso de pagamento em dinheiro. Na hipótese, a contribuinte acostou aos autos a nota fiscal n.º 8116 (R$ 170,00), emitida em 20.12.2004 por SDE – Serviço de Diabetes e Endocrinologia do Rio Grande do Sul Ltda., e a nota fiscal n.º 8189 (R$ 170,00), emitida pela mesma pessoa jurídica, em 7.5.2001. A primeira foi acatada pela Fiscalização e a dedução da despesa respectiva não foi objeto de glosa. A segunda nota fiscal não foi emitida em 2004, não podendo, portanto, comprovar a realização de despesas dedutíveis nesse anocalendário. Apresentou ainda recibos emitidos por: a) Aramis José Dall Molin, cirurgiãodentista (fls. 13, 14 e 18), no valor total de R$ 3.000,00, cada recibo com valor individual e R$ 1.000,00. Nenhum deles indica quem foi o destinatário do serviço médico. Os recibos referemse, cada um, a quatro meses: o primeiro recibo engloba os meses de maio a agosto de 2004, o segundo, os meses de setembro a dezembro e o último os meses de janeiro a abril de 2004; b) Edson M. Cechin, médico (fls. 15, 16 e 17), no montante total de R$ 3.000,00, cada recibo com valor individual de R$ 1.000,00. Nenhum deles indica o destinatário do serviço. Os recibos referemse, cada um, a quatro meses: o primeiro recibo engloba os meses de janeiro a abril de 2004, o segundo, os meses de maio a agosto e o último os meses de setembro a dezembro de 2004; c) Claudio Joaquim Paiva Wagner, médico (fls. 19, 20 e 21), no montante total de R$ 3.000,00, cada recibo com valor individual de R$ 1.000,00. Nenhum deles indica o destinatário do serviço. Os recibos referemse, cada um, a quatro meses: o primeiro recibo engloba os meses de janeiro a abril de 2004, o segundo, os meses de maio a agosto e o último os meses de setembro a dezembro de 2004. Não foram apresentados quaisquer outros documentos comprobatórios da prestação dos serviços. As provas resumemse às notas fiscais e aos recibos dos médicos e do cirurgiãodentista. Mesmo intimada, a contribuinte não comprovou que os serviços médicos foram prestados a ela própria ou a dependente seu, assim como também não comprovou o Fl. 62DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13062.001227/200774 Acórdão n.º 210101.671 S2C1T1 Fl. 47 9 efetivo pagamento dos montantes que alega ter pago aos profissionais indicados, tal como solicitado pela Fiscalização. Por essas razões, entendo que devem ser mantidas as glosas. A contribuinte sustenta ainda que autoridade lançadora não apontou a existência de vícios nos recibos apresentados pelo contribuinte, nem indicou quaisquer fatos que possam amparar a afirmação de que os recibos não são idôneos para a comprovação de despesas médicas. Dos fatos descritos neste processo, não se pode, a meu ver, concluir que a Fiscalização tenha considerado inidôneos os recibos anexados pela recorrente. É que, nos casos em que a Fiscalização encontra indícios de falsidade ou inidoneidade nos documentos exibidos, a multa de lançamento de ofício é qualificada, nos termos do artigo 44, § 1.º, da Lei n.º 9.430, de 1996. Mas tal não ocorreu. Isso significa dizer que a fiscalização não identificou indícios de sonegação, fraude ou conluio, previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, justificadores da qualificação da multa. Sendo assim, segundo o meu entendimento, os recibos não foram considerados inidôneos, tal como entendeu a recorrente, mas apenas foram reputados insuficientes para comprovar as despesas, nos termos da lei, para o fim de dedução dos respectivos valores da base de cálculo do imposto sobre a renda. Conclusão Ante todo o exposto, voto por afastar a preliminar de ilegalidade de procedimentos e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 63DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19647.002302/2003-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INTIMAÇÃO DE CO-TITULARES. SÚMULA CARF Nº 29.
Os co-titulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os co-titulares.
Hipótese em que os co-titulares apresentaram declaração de rendimentos em conjunto.
Numero da decisão: 9202-007.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INTIMAÇÃO DE COTITULARES. SÚMULA CARF Nº 29. Os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os cotitulares. Hipótese em que os cotitulares apresentaram declaração de rendimentos em conjunto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 23 02 /2 00 3- 04 Fl. 2444DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física relativo ao anocalendário de 1.998 e por meio do qual foram apuradas duas infrações: i) omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrentes do trabalho sem vinculo empregatício, e ii) omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas bancárias para as quais, mesmo intimado, o contribuinte não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, na sua integralidade, a origem dos recursos depositados. Após o trâmite processual, superada a discussão acerca da aplicação do art. 11, §3º da Lei nº 9.311/96 com redação dada pela Lei 10.174/2001 (Súmula CARF nº 35), a 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao Recurso Voluntário entendendo, entre outros pontos, pela exclusão da base de cálculo do lançamento dos valores relativos às contas conjuntas mantidas pelo Contribuinte e sua esposa e filho. O acórdão 2102003.261 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, e somente então é possível falar em ampla defesa ou cerceamento dela. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 19647.002302/200304 Acórdão n.º 9202007.690 CSRFT2 Fl. 3 3 Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APROVEITAMENTO DE “SOBRAS” DE UM DETERMINADO MÊS PARA O MÊS SEGUINTE. IMPOSSIBILIDADE. O entendimento deste Conselho já se consolidou no sentido de que na tributação da omissão de rendimentos por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. Aplicação da Súmula CARF nº 30. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COTITULARES. INTIMAÇÃO. Nos termos do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96, devem todos os titulares das contascorrentes ser intimados para comprovar a origem dos depósitos lá efetuados, sob pena de nulidade do lançamento fundado na presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. IRPF. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Aplicação da Súmula CARF nº 38. Contra decisão a Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração que foram rejeitados. Ato contínuo, foi apresentado recurso especial ao qual foi dado parcial seguimento devolvendo a este Colegiado a discussão acerca da necessidade de intimação dos cotitulares de contas bancárias para explicar os depósitos apurados. Defende a recorrente que a intimação se faz necessária para verificar se é o caso de aplicação do rateio disposto no §6º, art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo que no caso dos autos é patente a irrelevância da intimação de co titular que consta como dependente do contribuinte, uma vez que independentemente da sua intimação, não haverá o rateio da tributação entre os cotitulares, já que não houve a entrega de declaração de rendimentos em separado. Intimado o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 2446DF CARF MF 4 O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de recurso interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão que excluiu da base de cálculo do lançamento os valores apurados nas contas bancárias mantidas pelo Contribuinte em conjunto com outra pessoas física as quais não foram intimadas do lançamento. O acórdão recorrido ao enfrentar tema assim se manifestou: Com efeito, os extratos do Banco Real (acostados às fls. 89 dos autos) demonstram que a conta poupança 111067805 tinha como titulares João Alves Barbosa Filho e/ou João Alves Barbosa Neto. Já os extratos acostados às fls. 113 e seguintes (ainda do Banco Real) demonstram que a conta poupança 002701876 tinha como titulares João Alves Barbosa Filho e/ou Martha S V Muniz. Idêntica é a situação dos extratos de fls. 159 e seguintes, que também demonstram que a Sra. Martha era cotitular da conta corrente (de numeração idêntica à da conta poupança já referida). Por outro lado, não consta dos autos qualquer informação acerca da intimação da Sra. Marta ou do Sr. João Alves Barbosa Neto para que comprovassem a origem dos depósitos efetuados nas contas das quais eram cotitulares, sendo certo que o Recorrente foi o único intimado a fazêlo. Tendo adotado tal postura, fica claro que a autoridade fiscal deixou de respeitar o que determina o art. 42 da Lei nº 9.430, verbis: (...) Isto porque, sendo conjuntas as referidas contascorrentes, deveriam todos os cotitulares das contas ter a oportunidade de apresentar documentos que comprovassem a origem dos valores lá depositados, previamente à efetivação do lançamento o que não ocorreu na hipótese em exame. Não existe a figura do “titular principal” da conta, todos os titulares são aptos a movimentar as contas bancárias conjuntas na forma que desejarem, razão pela qual se enquadram no conceito de “titular” constante do art. 42 acima transcrito e devem ser também intimados para fins de comprovação da origem dos depósitos efetuados, sob pena de não se configurar a presunção legal contida na mencionada norma. E citando a Súmula CARF nº 29, concluiu o Colegiado a quo pela exclusão da base de cálculo do montante total de R$ 188.796,50, correspondente à soma de R$ 23.450,00, da conta poupança e R$ 165.346,50, da conta corrente. Embora o acórdão recorrido faça citação à Súmula CARF nº 29, é importante destacar que esta foi recentemente alterada, adaptando sua redação ao entendimento firmado nos acórdãos paradigmas que lhe deram origem. O entendimento trazido pela recorrente reflete exatamente o sentido da súmula, cuja nova redação deixa claro que a intimação do cotiltular Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 19647.002302/200304 Acórdão n.º 9202007.690 CSRFT2 Fl. 4 5 somente se faz necessária quando cada um dos titulares apresentar a sua própria Declaração de Ajuste Anual. Vejamos: Súmula CARF nº 29 Os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os co titulares. Neste cenário, considerando que não há nos autos qualquer apontamento acerca da existência de declarações em separado, na verdade como destacado pela recorrente o próprio contribuinte na fase de investigação afirmou ser o exclusivo titular dos valores transacionados, fato reforçado pela indicação da cotitular Martha S.V. Muniz, como sua dependente, conforme Declaração de Ajuste Anual de efls. 1705/1708, deve o acórdão recorrido ser reformulado. Por fim, quanto a conta poupança 111067805 mantida pelo contribuinte em conjunto com Sr. João Alves Barbosa Neto, também é importante acrescentar que nos termos do relatório fiscal, especificamente no item d.1 descrito às efls 17, tal conta não faz parte do trabalho fiscal uma fez que não foram identificados depósitos na mesma. Vale citar: d.1) RMF n° 0410100 2003 000010, enviada ao Banco ABN AMRO Real S/A (fls. 70 e 71), em que solicitamos os extratos de movimentação financeira. Em atendimento, o Banco nos enviou a carta resposta de fl. 72, juntamente com as fichas cadastrais de fls. 73 a 76 e os extratos relativos à movimentação financeira ocorrida, durante o ano calendário 1998, na conta corrente n° 2.7018761, agência 0749 (fls. 119 a 148) e na conta de poupança n° 002701876, agência 0749 (fls. 90 a 118), ambas em cotitularidade com Martha S.V. Muniz (dependente do fiscalizado). Foram apresentados também os extratos da conta de poupança n° 111067805 , ag. 0116 (fls. 84 a 89) em que não houve depósitos. Assim, diante de todo o exposto, com fundamento na Súmula CARF nº 29, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 2448DF CARF MF 6 Fl. 2449DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.903336/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
PROVAS. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-006.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 33 36 /2 01 2- 37 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10735.903336/201237 Acórdão n.º 3302006.674 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito (s) nele discriminado(s) com crédito de Cofins, decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior que o devido. A compensação não foi homologada, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: que o despacho decisório não preencheu os requisitos do ato administrativo, faltandolhe a forma e objeto; que a compensação pleiteada originouse de sobra de valores de Cofins pago a maior e não retificado em DCTF, sendo que, persistindo a não homologação da DCOMP apresentada, estará sendo obrigado a pagar tributos em duplicidade, em flagrante desrespeito a legislação pátria vigente e que a DCTF é apenas informativa; que é ilegal a aplicação da taxa SELIC para correção monetária do crédito tributário constituído, sendo que o correto seria aplicar o percentual de 1%, conforme CTN; que a multa aplicada fere o "princípio da proporcionalidade razoável" e possui caráter confiscatório. O colegiado a quo julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 02051.790. Inconformado com a decisão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário ora em apreço, no qual repisa os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.663, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10735.903325/201257, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.663): Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10735.903336/201237 Acórdão n.º 3302006.674 S3C3T2 Fl. 4 3 "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Nulidade do despacho decisório. O recorrente reproduziu a preliminar de nulidade apresentada na manifestação de inconformidade, alegando vícios no despacho decisório capazes de macular sua existência e determinar sua nulidade. Como não há elemento novo sobre o tema no recurso voluntário, e me filio à decisão proferida pela instância a quo, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, in verbis: O Decreto 70.235, de 1972 prevê as hipóteses de nulidade no processo administrativo: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ................................................... Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." O despacho contestado não é nulo, pois não se configura nenhuma das hipóteses do inciso II do art. 59 acima transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente – Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo – e não houve preterição do direito de defesa – é no processo administrativo que ora se instala que esse direito é exercido. O fundamento de fato para o indeferimento do pedido é a insuficiência do crédito utilizado na compensação e o despacho decisório demonstra isso. No quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” está indicado o débito (código da receita e período de apuração de tributo) quando o Darf foi utilizado para pagamento de tributo declarado pelo contribuinte, ou o número do PerDcomp quando o Darf foi utilizado em outro processo de compensação ou restituição. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10735.903336/201237 Acórdão n.º 3302006.674 S3C3T2 Fl. 5 4 O fundamento legal também esta informado no despacho. Portanto, não há como se acatar a preliminar de nulidade. Diante do quadro exposto, resta claro que o despacho decisório não contém vícios que possam ensejar sua nulidade. Tampouco, podese falar em cerceamento ao direito de defesa, pois os motivos determinantes que levaram ao indeferimento foram bem definidos, de tal forma que o próprio recorrente foi capaz de se insurgir contra eles. Sendo assim, nego provimento ao capítulo referente à nulidade do despacho decisório. Compensação. Ônus da prova. Alega o recorrente que utilizou créditos de Cofins, oriundo de pagamentos indevidos que resultaram em sobra de valores, referente ao período de apuração 31/12/2009. A Autoridade Fiscal afirma que os créditos utilizados na compensação pretendida pelo recorrente já havia extinguido outro débito tributário, não restando saldo para utilização. Portanto, a pedra angular do litígio posta nos autos cingese em avaliar a existência de provas suficientes ou no mínimo que dê verossimilhança às alegações do recorrente, de que o crédito por ele utilizado na compensação não havia sido aproveitado para extinguir outro débito tributário. Contudo, antes de entrar na análise das provas, cabe tecer algumas linhas sobre provas no processo. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10735.903336/201237 Acórdão n.º 3302006.674 S3C3T2 Fl. 6 5 § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10735.903336/201237 Acórdão n.º 3302006.674 S3C3T2 Fl. 7 6 relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10735.903336/201237 Acórdão n.º 3302006.674 S3C3T2 Fl. 8 7 interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixá los em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, o recorrente não apresentou um único documento, seja planilha, livros fiscais, DARF, que comprovasse ou, como dito, levantasse uma fumaça do bom direito. Não foi por falta de oportunidade, pois tanto no despacho decisório como na manifestação de inconformidade foi Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10735.903336/201237 Acórdão n.º 3302006.674 S3C3T2 Fl. 9 8 identificado que o crédito que estava sendo utilizado na compensação por ele pretendida já havia sido aproveitado na extinção de outro tributo. Cabia ao contribuinte demonstrar que essa afirmativa não refletia a realidade. Não obstante, sua atitude foi de fazer alegações gerais, sem nenhum documento probante. Diante dos fatos, cabe a esse Colegiado apreciar o pedido de compensação com as provas contidas nos autos. No caso, nenhuma. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para manter a decisão de piso sobre o tema. Taxa SELIC. Multa de Mora O recorrente alega que a correção do crédito tributário pela taxa SELIC é ilegal. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 04, publicada no DOU de 22/12/2009: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com base no enunciado de Súmula CARF nº 4, nego provimento a esse capítulo recursal. Multa de Mora. Afirma o recorrente que o percentual da multa de mora não é razoável, sendo flagrantemente confiscatório. Ocorre que a multa de mora está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Não consta na jurisprudência que o artigo tenha sido declarado inconstitucional pelo STF, nem que tenha sido revogado. Portanto, ele subsiste. Para afastar a aplicação do cânone legal citado, deve esse Colegiado declarar a inconstitucionalidade do artigo, algo vedado no nosso ordenamento jurídico. Consoante noção cediça, os Órgãos judicantes do Poder Executivo não têm competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10735.903336/201237 Acórdão n.º 3302006.674 S3C3T2 Fl. 10 9 Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na linha do entendimento exposto, nego provimento ao recurso quanto à possibilidade de afastar o art. 61 da Lei nº 9430/96, sob o fundamento de inconstitucionalidade." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 176DF CARF MF
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Numero do processo: 13154.000048/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo
contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas
médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os
documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física.
Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar nem a efetiva prestação dos serviços nem a realização dos pagamentos correspondentes.
Numero da decisão: 2101-001.641
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar nem a efetiva prestação dos serviços nem a realização dos pagamentos correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra a contribuinte em epígrafe, na qual foi feita glosa de despesas médicas no valor de R$ 73.000,00, por falta de comprovação ou de previsão legal para a dedução. Segundo relato da Fiscalização (fls. 45), foram glosados os seguintes valores seguintes, em relação aos quais a contribuinte, intimada não comprovou o efetivo pagamento, nem apresentou outros elementos para comprovar o efetivo tratamento: Arlindo Parigi Junior, CPF 156.116.06873, Dentista. Valor R$ 10.000,00 Roseli Moreno Sarro, CPF 120.217.80813, Dentista. Valor R$ 30.000,00 Cristiane L Cristovão, CPF 838.563.66172, Dentista. Valor R$ 10.000,00 Renato Monteiro de Barros Gondim, CPF 629.915.90300, Fisioterapeuta: valor R$ 12.000,00 Sandra Santos Pereira, CPF 864.276.87115, Fisioterapeuta. Valor R$ 11.000,00 Em 10.1.2008, a contribuinte impugnou lançamento (fls. 1 e seguintes), sustentando, em síntese, que: a) comprovou todas as despesas médicas declaradas, de acordo com a legislação, tendo apresentado, além dos recibos, fichas clinicas e/ou relatórios lavrados pelos profissionais que executaram os serviços médicoodontológicos informados; b) ao glosar as despesas médicas, a autoridade fiscal agiu com abuso de poder, haja vista que a dedução declarada tem previsão legal e a documentação apresentada atende a todos os requisitos previstos na legislação; c) a notificação de lançamento não aponta quais os fatos que geraram a convicção de que o lançamento deveria realmente se concretizar, principalmente no tocante à documentação apresentada; d) a recusa em aceitar a documentação é arbitrária e ilegítima, visto que todas as informações prestadas coadunamse com a legislação vigente. Requer que seja anulado o lançamento. A 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 0419.461, de 27 de janeiro de 2010, com a seguinte ementa: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13154.000048/200871 Acórdão n.º 210101.641 S2C1T1 Fl. 151 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, não podendo ser acolhidos recibos que não indicam o paciente, não tendo sido provados o efetivo pagamento e a prestação do serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 126 a 136, no qual, citando e transcrevendo ementas de julgados no âmbito administrativo e judicial, alega que: a) a interpretação da legislação, adotada pela Recorrida não condiz com a situação fática, pois a documentação apresentada pela Recorrente preenche todos os requisitos legais; b) é ilegal e arbitrária a exigência de comprovação do efetivo desembolso; que só deve ser feita quando constatada a falta de documentação comprobatória da prestação dos serviços médicosodontológicos, o que não ocorreu no presente caso; c) a atitude da Recorrida afronta o principio da legalidade, já que amplia os efeitos da lei ao seu juízo. Se a lei estabelece requisitos que devem ser cumpridos na dedução de despesas médicas, a administração pública deve se ater estritamente ao que esta dispõe; d) o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é uníssono em reconhecer a legalidade de documentos que atendam aos requisitos mencionados; f) todo e qualquer litígio pode ser levado à apreciação do judiciário, cuja jurisprudência é pacifica e uníssona no tocante ao assunto, de forma favorável à Recorrente. Requer, ao final, seja reformada a decisão de primeiro grau, determinando a improcedência do lançamento, bem como a extinção do crédito tributário constante da Notificação de Lançamento n.º 2005/601450576274095. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda. Tal dispositivo prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." Os dispositivos acima transcritos autorizam a autoridade fiscalizadora a exigir esclarecimentos sobre o conteúdo da declaração de ajuste do contribuinte. Além disso, mais especificamente, o artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, que tem por matriz legal o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, autorizaa a exigir comprovação ou justificação de todas as deduções pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste, nos seguintes termos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). [...). Sobre a forma como devem ser comprovadas as deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física de ajuste, com despesas médicas, vejamos o que diz o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13154.000048/200871 Acórdão n.º 210101.641 S2C1T1 Fl. 152 5 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) (g. n.) Depreendese, dos dispositivos acima transcritos, que a comprovação de despesas médicas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, deve ser apta a demonstrar tanto a prestação do serviço propriamente dita, ao próprio contribuinte ou a dependente seu, quanto o seu efetivo pagamento, feito ao profissional, pelo contribuinte, em valor correspondente à referida prestação, tudo de forma especificada. Na presente hipótese, a contribuinte, desde o início do procedimento fiscal, foi instada a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas, para si e para seus dependentes, tal como se verifica do Termo de Intimação Fiscal, às fls. 38. Esclareceu, às fls. 39, o seguinte: • Pagamento efetuado em dinheiro a Arlindo Parigi Junior, CPF 156.116.068 73, conforme demonstrativo de prontuário do tratamento em anexo, assinado e reconhecido pelo odontólogo. • Pagamento efetuado em dinheiro a Roseli Moreno Sarro, CPF 120.217.808 13, conforme demonstrativo de prontuário do tratamento e declaração em anexo, assinado e reconhecido pela odontóloga. • Pagamento efetuado em dinheiro a Cristiane L. Cristóvão, CPF 838.563.66172, conforme demonstrativo de prontuário do tratamento em anexo, assinado e reconhecido pela odontóloga. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 • Pagamento efetuado em dinheiro a Renato Monteiro de Barros Gondim, CPF 629.915.90300, conforme declaração do efetivo tratamento em anexo assinado e reconhecido pelo fioterapeuta. • Pagamento efetuado em dinheiro a Sandra Santos Pereira, CPF 864.276.87115. Esta fisioterapeuta, mudouse de Rondonópolis, ficando impossível sua localização, porém segue em anexo recibo fornecido por ela. As provas acostadas consistem em recibos e declarações das profissionais, os quais passamos a apreciar a seguir: a) Arlindo Parigi Junior, CPF 156.116.06873, Dentista. Valor R$ 10.000,00 A fim de comprovar a despesa declarada, a contribuinte apresentou recibos e ficha odontológica. Confrontandose os recibos às fls. 49 a 52 com a ficha odontológica, às fls. 53, frente e verso, constatase que os recibos foram emitidos mensalmente, a partir de fevereiro de 2004, até novembro do mesmo ano, todo dia 23. Todavia, a informação da ficha é que o tratamento só teve início em 17 de abril daquele ano, demonstrando haver uma incongruência entre recibos e ficha odontológica, que não foi explicada pela recorrente. Apesar da alegação que os pagamentos foram todos feitos em dinheiro, não foram apresentadas provas que corroborassem essa alegação tais como cópias de extratos bancários nos quais constem saques em datas e valores compatíveis com os recibos apresentados, ou qualquer outro documento hábil e idôneo que comprovasse o efetivo pagamento. A contribuinte também não conseguiu apresentar provas robustas da efetiva prestação dos serviços, tais como pedidos de exames, receitas médicas, assim como qualquer outro documento hábil e idôneo. Observase que a ficha odontológica não está assinada pelo cirurgião dentista; além disso, nem os recibos nem a ficha odontológica contêm o endereço do profissional, requisito expressamente previsto no artigo 8.º, § 2.º, inciso III, da Lei n.º 9.250, de 1995. b) Roseli Moreno Sarro, CPF 120.217.80813, Dentista. Valor R$ 30.000,00 A contribuinte, que sustenta ter pago pelos serviços desta profissional em dinheiro, apresentou recibos correspondentes ao montante de R$ 30.000,00, emitidos cada um no valor de R$ 2.500,00, no dia 10 de cada mês, de janeiro a dezembro de 2004 (fls. 55 a 58). Acostou “declaração” (fls. 59), na qual a profissional afirma que os tratamentos descritos foram realizados e, por eles, recebeu em moeda o valor de R$ 30.000,00 e registrou os rendimentos em livrocaixa. A “declaração”, em seu bojo, não especifica quais os tratamentos atesta, nem quem é o paciente, e não esclarece de quem foram recebidos os R$ 30.000,00 em moeda. Foram apresentadas as seguintes fichas odontológicas: (i) Jonas Sarro Moreira, datada de 14.1.04, fls. 60, frente e verso; (ii) Julio Sarro Moreira, datada de 16.1.04 (data rasurada), fls. 73; (iii) Maria Fernanda Moreno Sarro, datada de 11.6.2004, fls. 75, frente Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13154.000048/200871 Acórdão n.º 210101.641 S2C1T1 Fl. 153 7 e verso; (iv) Túlio Sarro Moreira, datada de 16.1.04, fls. 76, frente e verso. Nenhuma dessas fichas foi assinada pela cirurgiãdentista. Foram ainda acostadas cópias de exames odontológicos de Jonas Sarro Moreira, com data de emissão 14.1.2004 (fls. 61 a 72), e “Laudo Radiográfico” de Julio Sarro Moreira, emitido em 16.1.2003 (um ano antes da data informada como sendo a da prestação dos serviços). Nem a recorrente nem a profissional informou qual a correlação entre os exames e os tratamentos relacionados nas fichas. Não foram apresentadas provas que corroborassem a alegação de que os pagamentos foram feitos em dinheiro tais como cópias de extratos bancários nos quais constem saques em datas e valores compatíveis com os recibos apresentados, ou qualquer outro documento hábil e idôneo que comprovasse o efetivo pagamento. Os recibos anexados aos autos não indicam os destinatários dos tratamentos e as fichas odontológicas não foram assinadas pela profissional. A “declaração” emitida por Roseli Moreno Sarro é imprecisa, não indicando, em seu bojo, quais os tratamentos e os pacientes aos quais se refere, e, por esse motivo, nada acrescenta ao conjunto probatório. Observase ainda que a recorrente não fez uma correlação entre os tratamentos odontológicos que declara que ela própria e seus dependentes sofreram e os recibos apresentados. Não ficou explicada a razão de o primeiro recibo ter data anterior às datas dos tratamentos informados nas fichas odontológicas. c) Cristiane L Cristovão, CPF 838.563.66172, Dentista. Valor R$ 10.000,00 A contribuinte apresentou dez recibos emitidos pela cirurgiãdentista, todos no valor de R$ 1.000,00, datados de: 16 de janeiro, 15 de fevereiro, 15 de março, 16 de abril, 17 de maio, 16 de junho, 16 de agosto, 17 de setembro e 15 de outubro, todos de 2004. Às fls. 83 anexou “Ficha Clínica”. Alegou ter pago pelos serviços em dinheiro. Não foram apresentadas provas que corroborassem a alegação de que os pagamentos foram feitos em dinheiro tais como cópias de extratos bancários nos quais constem saques em datas e valores compatíveis com os recibos apresentados, ou qualquer outro documento hábil e idôneo que comprovasse o efetivo pagamento. A contribuinte também não conseguiu apresentar provas robustas da efetiva prestação dos serviços, tais como pedidos de exames, receitas médicas, assim como qualquer outro documento hábil e idôneo. Os recibos apresentados não indicam o destinatário dos serviços. O nome do beneficiário está discriminado na “Ficha Clínica”, mas tal documento não foi assinado pela cirurgiãdentista. Há uma incongruência entre as datas dos recibos e as datas do tratamento informadas na “Ficha Clínica”. Não ficou explicada a razão de as datas de emissão dos dois primeiros recibos serem anteriores às datas constantes das referidas fichas. d) Renato Monteiro de Barros Gondim, CPF 629.915.90300, Fisioterapeuta: valor R$ 12.000,00 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 A contribuinte apresentou seis recibos emitidos pelo fisioterapeuta, todos no valor de R$ 2.000,00, datados de: 12 de fevereiro, 18 de março, 20 de abril, 30 de maio, 23 de junho e 30 de setembro, todos de 2004 (fls. 85 a 87). Às fls. 88, anexou “Relatório” emitido pelo profissional, no qual está declarado que a contribuinte esteve em tratamento fisioterapêutico no período de fevereiro de 2004 a julho de 2004 para reabilitação cinético funcional e postural, devido escoliose tipo "S" em coluna tóracolombar. A recorrente alegou ter pago pelos serviços em dinheiro. Não foram apresentadas provas que corroborassem a alegação de que os pagamentos foram feitos em dinheiro tais como cópias de extratos bancários nos quais constem saques em datas e valores compatíveis com os recibos apresentados, ou qualquer outro documento hábil e idôneo que comprovasse o efetivo pagamento. Os recibos apresentados não indicam o beneficiário dos serviços, mas o “Relatório” supre essa falha. Todavia, nem nos recibos nem no “Relatório” foi indicado o endereço do profissional, requisito expresso do inciso III do § 2.º do artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995. A contribuinte também não conseguiu apresentar provas robustas da efetiva prestação dos serviços, tais como pedidos de exames, receitas médicas, assim como qualquer outro documento hábil e idôneo. Há ainda um descompasso entre as datas dos recibos e datas do tratamento informadas no “Relatório”: neste, o profissional informa que o tratamento fisioterapêutico foi realizado no período de fevereiro a julho de 2004; no entanto, os recibos foram emitidos em fevereiro, março, abril, maio, julho e setembro. Não ficou explicada a razão de as datas de emissão dos recibos não serem coincidentes com as datas informadas no Relatório. e) Sandra Santos Pereira, CPF 864.276.87115, Fisioterapeuta. Valor R$ 11.000,00 Foram anexados oito recibos emitidos pela fisioterapeuta, datados de: 29 de janeiro (R$ 2.000,00), 19 de fevereiro (R$ 1.500,00), 20 de março (R$ 2.000,00), 22 de abril (R$ 1.500,00), 25 de maio (R$ 1.000,00), 25 de agosto (R$ 1.000,00), 21 de setembro (R$ 1.000,00) e 22 de outubro (R$ 1.000,00), todos de 2004 (fls. 90 a 93). A recorrente alegou ter pago pelos serviços em dinheiro. Não foram apresentadas provas que corroborassem a alegação de que os pagamentos foram feitos em dinheiro tais como cópias de extratos bancários nos quais constem saques em datas e valores compatíveis com os recibos apresentados, ou qualquer outro documento hábil e idôneo que comprovasse o efetivo pagamento. A contribuinte também não conseguiu apresentar provas robustas da efetiva prestação dos serviços, tais como pedidos de exames, receitas médicas, assim como qualquer outro documento hábil e idôneo. Os recibos apresentados não indicam nem o beneficiário dos serviços nem o endereço do emitente, requisitos expressos do inciso III do § 2.º do artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995. Considerações Gerais Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13154.000048/200871 Acórdão n.º 210101.641 S2C1T1 Fl. 154 9 Do exame dos autos, verificase, no cômputo geral, que (i) os argumentos da recorrente não mantêm coerência com as provas apresentadas; (ii) as datas de emissão dos recibos nem sempre são compatíveis com as datas de realização dos tratamentos, informadas pelos profissionais responsáveis; (iii) os documentos com os quais se pretende comprovar as despesas nem sempre cumprem os requisitos mínimos estipulados na Lei n.º 9.250, de 1995; (iv) a alegação de pagamento em dinheiro não ficou comprovada por meio de documentos hábeis e idôneos. Ademais, constatase, às fls. 30, na Declaração de Bens e Direitos correspondente ao exercício em análise, que a contribuinte é “sócia quotista” de diversas empresas da área médica e odontológica, conforme Declaração de Bens e Direitos de sua declaração de ajuste anual, às fls. 30, e informações da Secretaria da Receita Federal do Brasil, fls. 99, dentre as quais a Somed Cooperativa de Assistência Médica Odontológica e Administradora de Planos de Saúde Ltda., CNPJ 02.699.832/000173. O fato de ser “sócia responsável” de uma administradora de planos de saúde (médicos e odontológicos), por si só, não impede que a contribuinte incorra em elevados dispêndios com tratamento odontológico e fisioterápico, seu e de seus dependentes, com prestador diverso, tal como declarado. Todavia, nos casos em que isso ocorre, a fim de convencer o julgador de que os pagamentos foram efetivamente realizados para os fins declarados, é necessário que o contribuinte seja particularmente cuidadoso na produção das provas da despesa efetuada, com o objetivo de justificar a opção pela não utilização dos serviços oferecidos pela própria cooperativa de serviços médicos da qual é associado e responsável, preferindo realizar tratamento com outro prestador, ainda mais quando se trata de montantes elevados, tratamento prolongado e quando se alega que todos os pagamentos foram feitos “em dinheiro”, tal como ocorreu na hipótese. Em seu próprio benefício, nesses casos, o contribuinte deve instruir os autos do processo administrativo fiscal com provas boas o suficiente para respaldar seus argumentos. É que a convicção do julgador não é formada por meras alegações, nem por uma única prova isolada, mas por todo o conjunto probatório juntado aos autos. Sendo assim, é de suma importância que os argumentos apresentados sejam coerentes e, confrontados com as provas, demonstrem, de forma inequívoca, que os fatos ocorreram da forma descrita. No presente caso, como já apontado na análise específica feita acima, as informações prestadas nos documentos com os quais a recorrente pretende comprovar os gastos com os tratamentos de saúde declarados são vagas, inespecíficas e, em alguns casos, desencontradas. Além dos documentos acostados, a contribuinte poderia ter trazido outros, para complementar as provas dos autos, de modo a não deixar qualquer dúvida que os serviços de saúde foram prestados, e, igualmente importante, deveria ter trazido provas do efetivo pagamento dos serviços, tal como exigido desde o início do procedimento fiscal. Na hipótese, os documentos apresentados foram insuficientes para comprovar o alegado. Por fim, ao longo da peça recursal, a contribuinte cita e transcreve ementas de decisões dos Tribunais e de julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF que entende virem ao encontro de seus argumentos. Sobre este tema, saliento que as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não estão vinculadas a decisões administrativas ou judiciais válidas somente Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 entre as partes integrantes do processo. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida, baseada na lei, tenha por supedâneo o argumento que entender razoável ou cabível ao caso concreto, desde que devidamente fundamentada, explicitadas as razões de fato e de direito que o levaram a tal convicção. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13609.720114/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. No entanto, é exigida a averbação da reserva no registro de imóveis. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional.
GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de preservação permanente, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do ADA junto ao IBAMA ou órgão conveniado. A não comprovação da área de preservação permanente, por meio de laudo técnico acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), ato do poder público ou certidão de órgão público ligado à preservação ambiental afasta a isenção.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO DO ITR COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
É pertinente o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando observado o requisito legal de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
Numero da decisão: 2301-005.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO para: 1) por unanimidade de votos, excluir do lançamento a área de reserva legal; 2) por maioria de votos, negar provimento nas demais matérias, vencidos os conselheiros Wesley Rocha, que deu provimento integral e os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e José Alfredo Duarte Filho que deram provimento em relação à área de preservação permanente.
João Maurício Vital - Presidente.
Reginaldo Paixão Emos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: REGINALDO PAIXAO EMOS
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. No entanto, é exigida a averbação da reserva no registro de imóveis. Tal entendimento alinhase com a orientação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional. GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de preservação permanente, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do ADA junto ao IBAMA ou órgão conveniado. A não comprovação da área de preservação permanente, por meio de laudo técnico acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), ato do poder público ou certidão de órgão público ligado à preservação ambiental afasta a isenção. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO DO ITR COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. É pertinente o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando observado o requisito legal de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 01 14 /2 00 7- 57 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13609.720114/200757 Acórdão n.º 2301005.977 S2C3T1 Fl. 184 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO para: 1) por unanimidade de votos, excluir do lançamento a área de reserva legal; 2) por maioria de votos, negar provimento nas demais matérias, vencidos os conselheiros Wesley Rocha, que deu provimento integral e os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e José Alfredo Duarte Filho que deram provimento em relação à área de preservação permanente. João Maurício Vital Presidente. Reginaldo Paixão Emos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do exercício de 2003, constante às efls. 02 a 7. O lançamento decorreu dos trabalhos de revisão da Declaração do Imposto Territorial Rural (DITR) do exercício de 2003. Inicialmente, o contribuinte foi intimado a apresentar cópia do Ato Declaratório Ambiental (ADA), Laudo Técnico acompanhado de ART registrada no CREA, certidões, matrícula do registro imobiliário, dentre outros, conforme Termo de Intimação Fiscal de efls 8 a 9. Após análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2003, a fiscalização decidiu lavrar a presente Notificação de Lançamento, glosando totalmente as áreas declaradas como sendo de preservação permanente e as de utilização limitada (reserva legal), de 1.013,6 ha e 508,0 ha, respectivamente, além de alterar o VTN declarado de R$ 400.000,00 (R$128,60/ha) para R$ 2.886.419,58 (R$ 927,96/ha), com base no SIPT, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável e do VTN tributável/alíquota de cálculo, e disto resultando o imposto suplementar de R$172.572,21, conforme demonstrativo às efls. 06. Contra a Notificação de Lançamento, foi apresentada impugnação de efls. 88 a 96, cujos argumentos, nos termos do acórdão de 1ª instância, foram os seguintes: o imóvel teve sua área de utilização limitada reserva legal (508,0 ha) averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de ParacatuMG, sob a matrícula 10.990 Av. 13, em 01/06/1993, de acordo com a legislação pertinente; a área de reserva legal, devidamente averbada à margem da matrícula do imóvel é isenta do pagamento do Imposto Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13609.720114/200757 Acórdão n.º 2301005.977 S2C3T1 Fl. 185 3 Territorial Rural, nos termos da Lei 9.393 de 19 de dezembro de 1996; o imóvel possui 1.013,6 ha distribuída entre margens de riachos, grotas e veredas e áreas montanhosas, com índice de inclinação superior a 45°, áreas estas protegidas por lei, cuja utilização, por qualquer modo, é proibida, consideradas como de preservação permanente (Lei 4.77165); estas áreas foram devidamente vistoriadas e medidas por equipe técnica da Superintendência Regional de Minas Gerais SR06/MG do INCRA, conforme relatório de levantamento de dados e mapas emitidos pelo INCRA em 04.08.1997; de acordo com o relatório emitido pelo INCRA o imóvel possui relevo: plano em 30% da área; suave ondulado em 35% da área e fortemente ondulado ou acidentado onde ocorre presença de matas intransponíveis 35%; além da área de preservação permanente estar delimitada no mapa e no relatório de levantamento de dados, o próprio relevo do imóvel nos leva a conclusão de que grande parte do imóvel é composto de áreas consideradas como de preservação permanente, com inclinação superior a 45°; em razão da existência de fato da área de preservação permanente, da comprovação de sua existência atestada por vistoria feita por órgão governamental (INCRA), também são isentas do pagamento do ITR por disposição legal; cita entendimentos dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda no sentido de que a falta de apresentação ou apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental não é fundamento válido para glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (Reserva Legal); informa que compartilham do mesmo entendimento nossos Tribunais, e transcreve ementas; as áreas de preservação permanente e de utilização limitada não estão mais sujeita a prévia comprovação pelo declarante, por meio de Ato Declaratório Ambiental, conforme disposto no art. 3° da MP 2,166/9, que alterou o art. 10 da Lei n° 9.393/96, cuja aplicação o fato pretérito à sua edição encontra respaldo no art. l06, II, "c" do Código Tributário Nacional; ressalta que o impugnante já providenciou a entrega do Ato Declaratório Ambiental ADA, junto ao IBAMA, através do processo número 1073 13101261 57; apresenta um quadro mostrando a alteração do VTN do imóvel e conclui que atribuíram valores (VTN) diferenciados para terras do mesmo imóvel, como se terra nua pudesse ter valores diferentes; Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13609.720114/200757 Acórdão n.º 2301005.977 S2C3T1 Fl. 186 4 a lei determina que o valor da terra nua do imóvel será determinado pelo valor de mercado pelo somatório dos valores do solo, matas nativas, florestas naturais e pastagens naturais; ao atribuírem o valor de R$ 1.500,00, por hectare de área de pastagens, fizeram incidir também sobre áreas de pastagens plantadas, quando deveriam fazer incidir tão somente sobre as áreas de pastagem natural, caso pudéssemos considerar possível a diferenciação de valor; de acordo com a declaração feita pelo impugnante e comprovada pelo Relatório de Levantamento de dados emitido pelo INCRA, a área de pastagem nativa do imóvel é de apenas 238,2 hectares; ainda que consideremos possível a valoração diferenciada entre terras nuas de campos e de pastagens, o valor de R$ 1.500,00 deveria incidir tão somente sobre as áreas de pastagens nativas, já que as pastagens plantadas são áreas de campos nas quais foram incorporados os melhoramentos e o aumento de seu valor deve ser considerado como valor de benfeitorias; o Valor da Terra Nua encontrado pela fiscalização não possui nenhum amparo. E, ainda que consideremos os valores calculados com base no SIPT, este deve ser calculado de acordo com a realidade do imóvel, fazendose incidir sobre o total da área o mesmo valor R$ 500,00 por hectare, o que resultaria no montante de R$ 1.555.250,00; ainda que consideremos também que as áreas de pastagem natural pudessem ter valor maior, este valor deve incidir tão somente sobre 238,2 hectares, o que resultaria no valor de terra nua de R$ 1.793.450,00; Auto de Infração ITR 2003, não merece ser mantido integralmente, vez que as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, consideradas isentas do pagamento do ITR estão devidamente comprovadas, através de documento emitido por órgão governamental (INCRA), e cópia de matricula do imóvel com averbação da reserva legal, além do que já foi protocolado o ADA junto ao IBAMA, e o Valor da Terra Nua encontrada pela fiscalização não está de acordo com a realidade do imóvel, pelo que a impugnante requer que o mesmo seja julgado parcialmente improcedente, para excluir do lançamento as áreas de preservação permanente (1.013,6 hectares) e reserva legal (508,0 hectares), mantendose o lançamento tão somente sobre a diferença do Valor da Terra Nua, fazendose incidir sobre o valor de R$ 1.555.250,00, ou ainda, caso entendam que as pastagens nativas possuam VTN diferente, sobre o valor de R$ 1.793.450,00. Em seguida, a 1ª Turma de julgamento da DRJ Brasília (DF) proferiu o acórdão de nº 0328.813 (efls. 137 a 147), considerando o lançamento procedente, com a seguinte ementa: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13609.720114/200757 Acórdão n.º 2301005.977 S2C3T1 Fl. 187 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. Nos termos exigidos pela fiscalização e observada a legislação de regência, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos valores apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, em consonância com as normas ABNT, demonstre, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2003, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos, que pudessem justificar o valor pretendido. Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário às efls. 155 a 168, argumentando o seguinte que as áreas de preservação permanente, num total de 1.013,6 ha, foram constatadas pelo próprio Incra, conforme relatório juntado, sendo áreas protegidas por lei, não utilizáveis e que, por isso, são isentas do ITR; que a área de reserva legal de 508,0 ha foi averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de ParacatuMG, sob a matrícula 10.990, AV 13 e que essa área, devidamente averbada, é isenta de ITR; que a falta de apresentação ou a apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) não é fundamento válido para glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal, conforme precedentes administrativos e jurisprudência; que o Valor da Terra Nua (VTN) será determinado pelo valor de mercado, nos termos da lei, pelo somatório dos valores do solo, matas nativas, florestas naturais e pastagens naturais; que não poderia ter sido atribuído o valor de R$ 1.500,00 por hectare de área de pastagens sobre as áreas de pastagens plantadas e que a área de pastagens nativas do imóvel é de apenas 238,2 ha; que a recorrente concordou com o lançamento atribuindo à terra nua o valor de R$ 1.555.250,00, equivalente a R$500,00 por hectare, valor este superior à média dos demais imóveis do município (R$ 465,21/ha) e que tal valor já está sendo cobrado em processo desmembrado deste; Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13609.720114/200757 Acórdão n.º 2301005.977 S2C3T1 Fl. 188 6 que não há lógica ou previsão legal que possa dar sustentação à valorização diferenciada para terra nua existente no mesmo imóvel; que o débito seja cancelado; É o relatório. Voto Conselheiro Reginaldo Paixão Emos. O recurso é tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgálo. Do Mérito Da Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal As áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal declaradas não foram aceitas pela fiscalização em razão da ausência de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Esse foi o motivo reportado na "Descrição dos Fatos" da Notificação Fiscal de Lançamento. Argumenta a recorrente que teria direito à isenção de ITR em relação às áreas declaradas como de Preservação Permanente e de Reserva Legal e que tais áreas foram reconhecidas pelo próprio Incra. Quanto ao Ato Declaratório Ambiental (ADA), como requisito para gozo da isenção do ITR nas Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, este Conselho enfrentou recentemente essa questão no Acórdão nº 2401005.483 4ª Câmara / 1ª Turma, de relatoria do Conselheiro Cleberson Alex Friess. Nesse julgado administrativo, foi decidido o afastamento dessa exigência. Transcrevo abaixo a decisão e adoto como minhas suas razões de decidir: 16. A autoridade fiscal efetivou a glosa das áreas declaradas pelo recorrente a título de preservação permanente e reserva legal, equivalentes, respectivamente, a 771,2 ha e 3.484,8 ha, sob a justificativa de que, após regularmente intimado, deixou de comprovar o cumprimento dos requisitos para usufruir da isenção tributária sobre as áreas de conservação ambiental do imóvel (fls. 110/112). 16.1 Quanto a essas áreas do imóvel rural, o recorrente assevera que a apresentação do ADA não é condição necessária e obrigatória para a fruição da redução do valor a pagar do imposto. 17. Pois bem. Verifico do acórdão recorrido que manteve a exigência da protocolização tempestiva do ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente, além da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel rural, até a data de ocorrência do fato gerador do imposto. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13609.720114/200757 Acórdão n.º 2301005.977 S2C3T1 Fl. 189 7 18. As áreas de preservação permanente e de reserva legal estão excluídas da tributação pelo ITR, segundo previsto na alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Reproduzo a redação do dispositivo de lei na redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarse á: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) 19. Nada obstante, para fins de afastar a tributação no tocante às áreas não tributáveis a que alude a lei, inclusive de preservação permanente e de reserva legal, é necessária, como regra geral, a informação tempestiva da respectiva área ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por intermédio do ADA, a cada exercício, nos prazos definidos na legislação infralegal. 19.1 Nesse escopo interpretativo, o texto expresso do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13609.720114/200757 Acórdão n.º 2301005.977 S2C3T1 Fl. 190 8 I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. (...) (GRIFEI) 20. Em nível de lei ordinária, a apresentação do ADA para efeito de redução da área tributável, antes opcional, passou a ser obrigatória com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) (GRIFEI) 21. A exclusão da tributação de determinadas áreas de interesse de preservação e de caráter limitado quanto ao seu aproveitamento econômico ficou condicionada à informação tempestiva ao Ibama, permitindo o controle e a verificação delas pelo órgão nacional responsável pela proteção ambiental. 22. Segundo o ponto de vista pessoal, o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, revogado pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, não quis tornar inexigível a apresentação do ADA para o reconhecimento das áreas não tributáveis, em detrimento ao conteúdo do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981: Art. 10 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13609.720114/200757 Acórdão n.º 2301005.977 S2C3T1 Fl. 191 9 comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis 22.1 A meu ver, o texto do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, cuidou de explicitar apenas que o ITR é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ficando dispensada, no momento da entrega da declaração, a comprovação da informação da área em ADA. 23. Como argumento de reforço, sublinho que a interpretação da lei acima está alinhada com o entendimento dado pelo Poder Executivo quando da regulamentação da matéria, por meio do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 2002, antes reproduzido. 24. Nada obstante, a despeito da opinião acima, é mister dizer que o Poder Judiciário tem inúmeros precedentes, aplicáveis a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, a qual aprovou o Novo Código Florestal, no sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastálas da tributação do ITR, a partir de um determinado viés interpretativo para o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24.1 Com essa finalidade, inclusive, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), órgão responsável pela defesa em juízo do crédito tributário da União, elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, em que dispensa o Procurador da Fazenda Nacional, relativamente a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, de contestar e recorrer nas demandas judiciais que versem sobre a necessidade de apresentação do ADA para fins do reconhecimento do direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal. 24.2 Tal orientação foi incluída no item 1.25, "a", da Lista de dispensa de contestar e recorrer, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). 25. À vista disso, embora o entendimento não tenha caráter vinculante no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a falta de ADA não deve ser considerada impeditiva à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mantendo, desse modo, coerência com a conduta que seria adotada pela Procuradoria da Fazenda Nacional caso a questão controvertida fosse levada à apreciação do Poder Judiciário. 26. (...) 27. Desse modo, cabe restabelecer a Área de Preservação Permanente de 771,2 ha declarada pelo sujeito passivo. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13609.720114/200757 Acórdão n.º 2301005.977 S2C3T1 Fl. 192 10 (...) A área de Preservação Permanente (APP) declarada foi reconhecida pelo Incra em laudo de 04/11/1997, acostado às efls. 35 a 44. No entanto, o lançamento referese ao ITR do exercício de 2003. Em 2001 houve alteração do Código Florestal (lei 4.771/65) pela Medida Provisória nº 2.16667/2001, inclusive com relação a definições da APP. entendo que seria necessária a apresentação de laudo contemporâneo para atestar a existência da área de preservação permanente, a fim de que a mesma pudesse gozar da isenção legal do ITR. Em relação à área de Reserva Legal, o requisito de averbação à margem do registro do imóvel, para gozo da isenção, foi comprovado por meio da certidão de inteiro teor de efls. 22 a 23, em que consta a averbação cód. AV13, matr. nº 10.990, de 15/03/1993, com anotação da Reserva Legal de 508,00ha. Portanto, assiste parcial razão à recorrente, devendo ser aceita como não tributável a área declarada como de Reserva Legal (de 508,00ha), haja vista o afastamento da exigência de apresentação do ADA e a existência de averbação dessa área à margem da matrícula do imóvel. Do Valor da Terra Nua (VTN) A fiscalização considerou o VTN declarado de R$ 400.000,00 (R$128,60/ha) subavaliado e arbitrou esse VTN no valor de R$ 2.886.419,58 (R$927,96/ha VTN médio por hectare). A recorrente se insurgiu contra esse procedimento, tendo sido apresentado, inclusive laudo técnico de efls. 45 a 60, que apontou um valor de VTN de R$ 590.609.77 (R$215,87/ha). Ocorre que o Valor de Terra Nua a ser utilizado para cálculo do ITR devido, tendo em vista que a Lei nº 9.393/96, em seu art. 14, previu a criação de um sistema de preços de terras a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal, bem como a Portaria SRF nº 447, de 28/03/2002, regulamentou o Sistema de Preços de Terras, em seus artigos 1º ao 4º. Considerando o disposto nos art. 14, § 1º da Lei nº 9.396/1996, combinado com o art. 12 da Lei 8.629/1993, temse por factível o arbitramento pelo SIPT somente quando efetuado com utilização do VTN médio que leve em consideração também o fator de aptidão agrícola. Seguem os artigos: Lei 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13609.720114/200757 Acórdão n.º 2301005.977 S2C3T1 Fl. 193 11 realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(g.n.) Lei 8.629/93 Art.12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada MP nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada MP nº 2.18356, de 2001)(g.n.) (GRIFEI) III dimensão do imóvel;(Incluído dada MP nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada MP nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada MP nº 2.18356, de 2001) (grifei) §1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada MP nº 2.18356, de 2001) §2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada MP nº 2.18356, de 2001) No presente caso, foi utilizado, para fins de arbitramento pela autoridade fiscal, o VTN por aptidão agrícola para o município do imóvel rural, não havendo qualquer inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins do arbitramento realizado. O VTN utilizado na declaração e no laudo, por sua vez, são inferiores ao VTN médio obtido das DITR referentes ao município de ParacatuMG, de R$ 465,21, que consta da tela do Sistema SIPT de efls. 10. Cumpre destacar que foi noticiado pela recorrente, às efls. 168 do recurso, a concordância parcial com o débito lançado. A confissão reconheceu um valor de VTN superior aos valores de VTN declarados na DITR e aos valores de VTN informados no laudo técnico. Segue a informação prestada no recurso: Vejase que o recorrente concordou com o lançamento atribuindo à terra nua o valor de R$ 1.555.250,00, o que equivale a R$ 500,00 (quinhentos reais) por hectare, valor este superior à média dos demais imóveis do município (R$ 465,21/h a), conforme relatado na fl. 138. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13609.720114/200757 Acórdão n.º 2301005.977 S2C3T1 Fl. 194 12 O valor referente a parte não impugnada, foi desmembrado do presente processo e está sendo cobrado em processo 13609.000.633/200967, conforme comprovante anexo. Em resumo, após a confissão, temse a seguinte situação: § VTN declarado na DITR...............: R$ 400.000,00 (R$128,60/ha) § VTN arbitrado no lançamento.......: R$ 2.886.419,58 (R$927,96/ha) § VTN apontado no laudo................: R$ 590.609,77 (R$215,87/ha) § VTN confessado/em cobrança ......: R$ 1.555.250,00 (R$500,00/ha) A recorrente afirma que o VTN arbitrado pela fiscalização não possui nenhum amparo legal e pleiteia o recálculo do tributo com base no VTN confessado, de R$ 1.555.250,00 (R$500,00/ha). Entende que não poderia ter sido atribuído o valor de R$ 1.500,00 por hectare de área de pastagens sobre as áreas de pastagens plantadas e que a área de pastagens nativas do imóvel é de apenas 238,2 ha. De fato, às efls. 42, no laudo do Incra, de dezembro/1997, consta a informação de que as pastagens naturais perfazem 238,2ha. Por sua vez, às efls. 58, no Laudo Técnico de setembro/2007, consta a informação de que as pastagens artificiais perfazem 1087,97, que subtraídos do total de pastagens declarado, perfaz 243,03ha de pastagens naturais. No entanto, equivocase a recorrente, pois a existência de área de pastagem natural não atrai a atribuição de VTN diferenciado para essa área. Isso por que a legislação acima transcrita, em especial o art. 12, inciso II, da lei 8.629/93, estabelece como um dos aspectos a serem observados o da aptidão agrícola. A decisão de 1ª instância abordou muito bem esse questionamento. Por isso, dela transcrevo o trecho abaixo e adoto como minhas suas razões de decidir: A esse respeito cabe esclarecer que o critério utilizado pela autoridade fiscal levou em consideração a aptidão agrícola das terras do imóvel, de acordo com a sua forma de utilização, conforme informado na correspondente DITR/2003, pressupondose que as terras destinadas para pastagens realmente tenham originariamente essa aptidão, independentemente de terem sido beneficiadas pelo proprietário do imóvel, visando melhorar o seu aproveitamento na atividade pecuária. Assim, o valor apontado no SIPT para áreas de pastagens/pecuária, diz respeito ao VTN médio atribuído a terras com essa aptidão agrícola, não levando em consideração possíveis valores incorporados a essas áreas de terras, visando melhor aproveitamento das mesmas. Ao contrário do que defende a recorrente, a legislação ampara o procedimento de arbitramento adotado pela fiscalização e que resultou num VTN de R$927,96/ha. O caput do art. 14 da Lei 9.393/96, acima transcrito, aborda justamente tal procedimento, ao estipular que a fiscalização determinará o ITR com base no Sistema de Preços de Terras, em havendo subavaliação. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13609.720114/200757 Acórdão n.º 2301005.977 S2C3T1 Fl. 195 13 Quanto ao valor confessado, correspondente a um VTN de R$500,00/ha, este valor ainda está abaixo do VTN médio obtido com base no Sistema SIPT, conforme cálculo demonstrado às efls 4 e tela do Sistema SIPT às efls. 10. Nem o recurso, nem o laudo técnico apresentado apontaram particularidades do imóvel, em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, que evidenciassem, de forma convincente, que o mesmo possui características desfavoráveis, diferentes das características gerais da microrregião de sua localização, para fins de justificar um valor significativamente abaixo da média informada no Sistema de Preços de Terras (SIPT). Ao contrário disso, a própria recorrente, em sua peça (e fls. 159), relata as boas condições do imóvel. Transcrevo: Importa esclarecer ainda que a parte plana do imóvel é extremamente fértil com boas pastagens o que possibilita uma boa lotação de animais de grande porte (rebanho bovino), como se pode comprovar nas cópias dos Cartões de Controle Sanitário. No anobase de 2002 (ano de referência para o lançamento de 2003) o imóvel manteve média de gado superior a 1.000 (mil) cabeças, o que demonstra o alto Grau de Utilização das áreas aproveitáveis. (GRIFEI) Assim, entendo que resta hígido o VTN arbitrado no lançamento com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT). Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir do lançamento a área de reserva legal (508,0ha), no cálculo do ITR. É como voto. Reginaldo Paixão Emos Relator Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.902424/2008-62
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO
SALDO NEGATIVO DE CSLL. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O prazo para o Fisco analisar os valores compensados, somente se iniciam quando é efetivada a compensação. O prazo para que o Fisco analise a compensação declarada é de 5 anos a contar da data de entrega da declaração, nos termos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL
Indefere-se a compensação de débito fiscal com saldo negativo não comprovado.
Numero da decisão: 1003-000.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. O prazo para o Fisco analisar os valores compensados, somente se iniciam quando é efetivada a compensação. O prazo para que o Fisco analise a compensação declarada é de 5 anos a contar da data de entrega da declaração, nos termos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL Indeferese a compensação de débito fiscal com saldo negativo não comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 24 24 /2 00 8- 62 Fl. 67DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 0824.290, de 27 de novembro de 2012, da 4ª Turma da DRJ/FOR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 39412.12270.220507.1.3.038497 em 22/05/2007, efls. 3236, utilizandose do crédito relativo a saldo negativo de CSLL, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao exercício 2006 (01/01/2005 a 31/12/2005), para compensação dos débitos ali confessados. As compensações pleiteadas não foram homologadas pela DRF Teresina por não ter sido apurado saldo negativo na DIPJ (efl. 5): Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, julgada pela DRJ/FOR em acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL Indeferese a compensação de débito fiscal com saldo negativo não comprovado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A DRJ verificou que o pedido de restituição/compensação foi realizado com base em pagamentos de estimativa de CSLL dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005. Nos sistemas da Receita Federal verificouse que a contribuinte, ora Recorrente, apresentou DCTF relativa ao 1° semestre de 2005 e confessou valores a pagar das antecipações de CSLL (meses de janeiro, fevereiro e março de 2005 fl. 26), e informou como opção da forma de apuração do lucro a sistemática de estimativa em função da receita bruta (fl.25). Na DIPJ, a DRJ verificou que a Recorrente não demonstrou a apuração do saldo negativo da CSLL relativo ao anocalendário de 2005 (Ficha 17 fls 2730). Também deixou de computar as receitas dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005. Entendeu que, pela falta de demonstração do saldo negativo na DIPJ, bem como pela inconsistência referente a omissão de receitas na apuração do resultado do exercício, o pedido da Recorrente deveria ser indeferido por falta de liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado. Quanto a alegação da Recorrente que o PER/DCOMP não deveria ser objeto de Despacho Decisório, mas sim de uma solicitação de retificação do PER/DCOMP ou considerar a compensação não declarada, de acordo com o art. 4° da IN SRF376, a DRJ rebateu a afirmativa, esclarecendo que o referido art. 4° da IN SRF376 foi editado na implantação da emissão eletrônica da declaração de compensação (PER/DCOMP), de modo a impedir as antigas declarações de compensação formuladas em papel. Como a Recorrente transmitiu a PER/DCOMP por meio eletrônico, o artigo 4° seria inaplicável ao seu caso. Quanto a retificação do PER/DCOMPa DRJ esclareceu que os arts. 6°, 7° e 8° da Instrução Normativa SRF n° 376 de 2003, dispõe que a correção do documento está sob a Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10384.902424/200862 Acórdão n.º 1003000.657 S1C0T3 Fl. 68 3 iniciativa do contribuinte, desde que: (a) a declaração se encontre pendente de decisão administrativa na data do envio da retificadora, (b) que tenha havido inexatidões materiais no preenchimento da declaração e (c) a retificadora não tenha por objeto a inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado. Concluiu que não há regra que determine que Fisco deva solicitar a retificação do PER/DCOMP antes da emissão d despacho decisório. Quanto ao argumento de que a análise das declarações de compensação no prazo limite da decadência do crédito tributário traria insegurança no meio empresarial, a DRJ alegou que Fisco tem um prazo de 5 anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, com prazo inicial a partir da entrega da declaração de compensação, esclarecendo que até o final do prazo de homologação e antes da emissão do despacho decisório o contribuinte poderá retificar a declaração, rechaçando o argumento de insegurança jurídica, afirmando que no presente caso o Fisco agiu legalmente dentro do prazo estabelecido pelas normas. Cientificada do acórdão em 14/12//2012 (efl. 42), irresignada a Recorrente apresentou recurso voluntário em 14/01/2013 (efls. 4652), no qual alega o seguinte: Preliminarmente : Que os fatos geradores presentes nos autos foram realizados no ano calendário de 2005, que resultaram na não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP de 22/05/2007, no valor de R$ 6.319,58, conforme Despacho Decisório de 24/11/2008, que o lapso temporal entre a data dos fatos geradores (anocalendário 2005) até o julgamento de primeira instância (27/11/2012) ou da ciência do acórdão, em 14/12/2012 teriam se passado mais de 7 anos, e que portanto nos termos do art. 174 do CTN, teria ocorrido a prescrição para a cobrança dos débitos Que não há hipótese de interrupção do prazo para contagem do tempo da prescrição nos casos de impugnação e recursos administrativos, concluindo que aperfeiçoado o ato jurídico do lançamento com a ciência do sujeito passivo, iniciarseia a contagem do prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário; Que requer seja reconhecido a prescrição para a cobrança dos débitos, com base no art. 156 do CTN. Quanto ao mérito alega o que segue: Que tendo o contribuinte quitado os seus débitos por compensação, o mesmo dever ser considerado extinto para todos os fins; Que não seria lícito à autoridade fiscal reduzir o crédito fiscal que tem como origem saldo negativo de CSLL ao singelo argumento de que o mesmo é formado por outras compensações ainda pendentes de análise. Que os recursos impetrados contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação tem efeito suspensivo quanto a cobrança do débito compensado, conforme os §§ 7° a 10° da Lei n° 9.430/1997 e art. 151, inciso III do CTN; Fl. 69DF CARF MF 4 Que enquanto houver recurso administrativo pendente de decisão, o débito compensado tem sua exigibilidade suspensa, mediante redução do saldo negativo apurado ao final do período de apuração. Requer ao final seja declarado nulo o r.acórdão, com o reconhecimento da prescrição, ou caso não o seja, que seja reformada no sentido de ser cancelado o o débito fiscal e homologado as compensações pleiteadas. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Quanto a preliminar suscitada pela Recorrente de que teria ocorrido a prescrição do direito do Fisco de realizar a cobrança dos débitos confessados, tendo em vista o lapso temporal entre a data dos fatos geradores (anocalendário 2005) até o julgamento de primeira instância (27/11/2012) ou da ciência do acórdão, em 14/12/2012 teriam se passado mais de 5 anos. Não assiste razão a Recorrente, pois por tratar de compensação, a extinção do crédito tributário operase sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento, conforme o disposto no § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O prazo para que o Fisco analise a compensação declarada é de 5 anos a contar da data de entrega da declaração, nos termos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No presente caso, o pagamento do crédito tributário foi através de compensação, confessada através da DCOMP encaminhada em 22/05/2007. Após a análise do crédito informado pela Recorrente na PER/DCOMP nº 39412.12270.220507.1.3.038, o Fisco conclui, tempestivamente, pela não homologação do pedido, pela não homologação do pedido, com a lavratura do Despacho Decisório em 24/11/2008 A Recorrente teve ciência do Despacho Decisório em 05/12/2008. Portanto não ocorreu a prescrição do direito do Fisco cobrar os débitos confessados na DCOMP, uma vez que o lapso temporal entre o encaminhamento da PER/DCOMP e a ciência do Despacho Decisório não homologando a compensação pleiteada foi de menos de 2 anos. Com efeito, o prazo para o Fisco analisar os valores compensados, somente se iniciam quando é efetivada a compensação. Esta a jurisprudência deste Conselho: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano Calendário: 2013 (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. GLOSA DE PREJUÍZO FISCAL COMPENSADO. SALDO INSUFICIENTE. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10384.902424/200862 Acórdão n.º 1003000.657 S1C0T3 Fl. 69 5 O prazo decadencial que o Fisco tem para verificar e glosar um determinado procedimento de compensação de prejuízo fiscal iniciase com a efetiva compensação. (CARF – 4ª Cãmara/ 2ª T – Processo 19515.720229/201668 – Recurso de Ofício e Voluntário – Acórdão 1402002.776 sessão de 17/10/17) Quanto a suspensão da cobrança dos débitos até a decisão administrativa final, essa condição está prevista no art. 151 , inc. III do CTN. Quanto a alegação de que não há hipótese de interrupção do prazo para contagem do tempo da prescrição nos casos de impugnação e recursos administro, a jurisprudência do CARF é pacífica quanto a inexistência da prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo tributário, tendo sido a matéria consolidada na Súmula n° 11 vinculante, assim enunciada: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal" Portanto rejeito a preliminar de prescrição arguida pela Recorrente. Quanto ao mérito, a Recorrente não apresentou provas ou argumentos para refutar a decisão proferida no acórdão recorrido, que entendo estar correto e portanto não carece de revisão. Dessa forma, conheço do recurso, rejeito a preliminar e no mérito voto por NÃO DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.000929/2002-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado: i) por voto de qualidade, rejeitar a arguição de decadência do direito de revisar o crédito pleiteado, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; e ii) por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado: i) por voto de qualidade, rejeitar a arguição de decadência do direito de revisar o crédito pleiteado, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; e ii) por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 00 92 9/ 20 02 -0 3 Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.157 2 Relatório O litígio remonta ao Despacho Decisório EQPIR/PJ/DIORT /DERAT/SP DE 27/02/2007 (fls. 441/455), que deferiu parcialmente o pleito da recorrente, conforme reprodução abaixo: Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade perante a Turma Julgadora de 1º Piso (fls. 541/561) requerendo o deferimento integral do direito creditório. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.158 3 Por bem resumir os elementos fáticos presentes nos autos, sirvome do relatório da decisão a quo, prolatada pela 4ª Turma da DRJ/SP1, em sessão de 29 de maio de 2012 (fls. 901/976). DO DESPACHO DECISÓRIO Inicio pelo resumo das argumentações que embasaram o DD (fls. 441/455 – os destaques são do original): “3.1. O processo referese a um Pedido de Restituição no valor de R$11.491.313,61, protocolado em 18/01/2002, motivado pela existência de “CSOCIAL paga a maior durante o anocalendário de 2001” (DIPJ/2002). (...) IV. Da apuração dos saldos credores: 3.12. O suposto saldo credor é decorrente de pagamentos indevidos ou a maior no AC 2001. Tais pagamentos indevidos ou a maior são resultantes dos pagamentos feitos ao longo do ano pelo Regime de Estimativa. Ao longo dos itens seguintes serão detalhadas as inconsistências encontradas entre as Declarações apresentadas pelo contribuinte (DIPJ e DCTF) e as informações coletadas em outros sistemas (por exemplo: DIRF), além de informações apresentadas pelo contribuinte através do atendimento de Intimações. 3.13. Fazse necessário ressaltar ainda que, em conformidade com o Princípio da Economia Processual, dados constantes de outros processos do mesmo contribuinte (13804.000928/200251) instruíram o presente processo (fls. 261 a 281). Notese que tal princípio não poderá ser utilizado pela empresa com o fito de se eximir de apresentar documentos em processos futuros, ou através de intimações. V. Da Auditoria das Declarações 3.14. A fim de se verificar a autenticidade dos valores e informações constantes nas DIPJ apresentadas pelo contribuinte, Intimações foram enviadas (fls. 129; 140; 198 a 200), as quais foram devidamente respondidas pela empresa. Os dados apresentados nas Declarações feitas pela empresa também foram cruzados com informações obtidas em outros sistemas. 3.15. A DIPJ/2002 apresentou, como será demonstrado agora, muitas inconsistências. Com o propósito de se apurar o exato saldo credor da empresa, foi feita uma simulação da DIPJ/2002. Vale ressaltar que tal simulação não implica em Retificação de Ofício desta Declaração, sendo apenas utilizada para efeito de apuração do correto valor da Restituição. 3.16. Tanto a DIPJ/2002 entregue pelo contribuinte como a simulação feita por esta auditoria encontramse nas folhas 404 a 416. Algumas linhas em negrito da coluna da simulação serão detalhadas a seguir; outras, como por exemplo a linha 06A/41 (LUCRO OPERACIONAL), estão em negrito uma vez que, representando somas de linhas anteriores, estão em desacordo com o valor apresentado originalmente pela empresa (fl. 407). (...) Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.159 4 V.1. Linha 06A/21 GANHOS AUFERIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL, EXCETO DAYTRADE 3.17. O valor originalmente apresentado foi de R$ 0,00. Na Intimação, o contribuinte foi intimado a responder sobre a existência de operações de SWAP: "Informação da existência de rendimentos auferidos em operações de SWAP pela empresa Cargill Agrícola S. A., justificando os motivos da não declaração em DIP J/2002, ou indicando em que ficha e linha da DIP J/2002 ele foi declarado;" 3.18. Em resposta a tal intimação, o contribuinte alega não existir tais operações, apesar de constar na DIPJ entregue pelo mesmo contribuinte na sua Ficha 43 DEMONSTRATIVO DE IRRF (código 5273): "Não existem rendimentos auferidos em operações de SWAP pela empresa Cargil Agrícola S/A no anocalendário de 2001." 3.19. Após consulta ao sistema SIEF/DIRF, encontramos ganhos auferidos em operações de SWAP (código 5273) no valor total de R$ 5.369.071,70. Este valor foi utilizado em detrimento do valor original, alterado. V.3. Linha 06A/23 RECEITAS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO 3.20. O valor originalmente apresentado foi de R$ 0,00. Após consulta ao sistema SIEF/DIRF, encontramos receitas de juros sobre o capital próprio (código de receita 5706) no valor total de R$ 285,26. Este valor foi utilizado em detrimento do valor original, alterado. V.5. Linha 17/02 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS 3.21. O valor originalmente apresentado foi de R$1.462.373,91 (fl. 412). Sobre despesas indedutíveis da Base de Cálculo da CSLL diz o art. 13 da Lei n° 9.249, de 26/12/95: (...). 3.22. Analisandose o LALUR apresentado pela empresa (fls. 317 a 355), encontramos, em 31/12/2001, duas provisões que compõem a base de cálculo da CSLL: 3.22.1. Provisões não dedutíveis – Previdência Privada: R$1.087.448,80 (fl. 335); 3.22.2. Provisões para Contingência (Ciagua): R$374.925,11 (fl. 335). 3.23. Analisandose o Balancete Geral Sintético apresentado pela empresa (fl. 360 a 379), encontramos mais uma provisão que compõe a base de cálculo da CSLL: 3.23.1. Provisão para Devedores Duvidosos (PDD): R$10.907.431,36 (fl. 373). 3.24. Somandose os valores citados, chegamos a um total de R$12.369.805,27. Este valor, por ser superior ao constante da DIPJ, foi utilizado em detrimento do valor original, alterado. V.6. Linha 17/10 AJUSTES POR DIMINUIÇÃO NO VALOR DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO 3.25. O valor originalmente apresentado foi de R$23.135.154,83 (fl. 412). Para o preenchimento desta linha, a Ajuda do programa menciona as seguintes instruções: Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.160 5 "Linha 17/10 Ajustes por Diminuição no Valor de Investimentos Avaliados pelo Patrimônio Líquido Valores informados na Linha 09A/I0." "Linha 09A/10 Ajustes por Diminuição no Valor de Investimentos Avaliados pelo Patrimônio Líquido Corresponde aos valores informados nas Linhas 06A/38 e 06A/39." 3.26. A soma dos valores apresentados nas Linhas 06A/38 e 06A/39 (fl. 407) é de R$65.114.993,02. Este valor foi utilizado em detrimento do valor original, alterado. V.7. Linha 17/25 VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVASOPERACÕES LIQUIDADAS 3.27. Existem dois métodos para se contabilizar as Variações Cambiais: 3.27.1. Pelo Regime de Competência: a apuração das variações cambiais independe do momento da liquidação da operação. Não existem Adições ou Exclusões neste regime, pois tais variações já devem ter sido contabilizadas na Apuração do Resultado. 3.27.2. Pelo “Regime de Caixa”: a apuração das variações cambiais é feita no momento da liquidação da operação. Ou seja, toda a Variação Cambial Ativa e toda a Variação Cambial Passiva de Operações Liquidadas são contabilizadas como Exclusões e toda a Variação Cambial Passiva e toda a Variação Cambial Ativa de Operações Liquidadas são contabilizadas como Adições. Esta forma de apuração encontrase regrada no art. 30 da MP nº 1.85810, de 1999: (...). 3.28. Intimado a esclarecer que regime de apuração foi utilizado na declaração, o contribuinte manifestouse afirmando ter utilizado o Regime de Competência (fl. 295). Decorrência deste fato são os valores nulos para todas as linhas de Adição e Exclusão. Todavia, o valor originalmente apresentado na linha 17/25 foi de R$11.333.856,77 (fl. 412). 3.29. O contribuinte também se manifestou a respeito do porquê do preenchimento apenas desta linha em detrimento das demais, afirmando que tal valor é referente a “variação cambial passiva liquidada no anocalendário anterior” (fl. 296). Decorre daí que tal ajuste deveria ter sido feita no AnoCalendário correspondente. Conseqüentemente, o valor de R$ 0,00 foi utilizado em detrimento do valor original, alterado. V.8. Linha 17/38 CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA 3.30. Foi feito um comparativo entre os valores apurados na DIPJ, os valores declarados em DCTF e os valores pagos em DARF sob o regime de estimativa de CSLL no AC em estudo (fl. 245). Como se pode observar, existem inúmeras inconsistências entre os valores apresentados mês a mês. 3.31. Através de consulta aos DCTF do AC em questão (fl. 171), foi constatado que ocorreram Compensações sem DARF; segue a análise destas Compensações: 3.31.1. Compensação sem processo no valor de R$9.966,09 utilizando créditos de SNCSLL apurado no AC 2000: Após análise da DIPJ/2001, constatase que inexiste saldo credor apurado de CSLL naquele AC (fl. 403). Logo, o valor é passível de alteração. 3.31.2. Compensação através do processo N° 13811.000077/200176 no valor de R$750.292.44 utilizando créditos de SNIRPJ apurado no AC 2000: O valor já se encontra declarado conforme consta no sistema PROFISC (fl. 197), apesar da pequena Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.161 6 discrepância de valores (R$ 0,05). Não cabe a alteração deste valor uma vez que se configura uma Compensação Declarada, extinguindose sob condição resolutória de ulterior homologação quando da decisão do referido processo, conforme regrado na Lei no 9.430/96 no seu §2° do art. 74 com redação dada pela Lei n° 10.637 de 30/12/2002: (...). 3.32. Para se averiguar os valores declarados e pagos pelo regime de estimativa de CSLL no AC em questão, o contribuinte foi Intimado a apresentar esclarecimentos. Através do LALUR apresentado pelo mesmo, verificouse que os valores lá constantes (fls. 317 a 355) conferem com os apresentados na DIPJ (fl. 409), atestando a veracidade dos mesmos. Daí concluise que os pagamentos em DARF (fls. 05 e 06) referentes aos meses indicados na DIPJ/2002 são suficientes para quitar os valores apurados. 3.33. O valor constante originalmente na Linha 17/38 de R$1.362.785,52 foi alterado, sendo substituído pela soma dos valores pagos em DARF no AC dos meses com Imposto apurado pelo regime de Estimativa, e também do valor compensado através do processo N° 13811.000077/200176, limitado ao valor declarado na DIPJ (R$703.568,60), além do valor pago no Exterior (R$318.212,10) resultando no valor de R$1.021.780,70. O cálculo deste valor encontrase à folha 412. 3.34. Os pagamentos em DARF efetuados pelo contribuinte nos meses em que não foram apurados Tributos a Pagar pelo regime de Estimativa (fl. 245) não foram incluídos neste cômputo uma vez que, não tendo sido apurados nos respectivos meses na DIPJ, configuramse como Pagamento Indevido, não fazendo parte do Saldo Credor. (...) V. 11. Linha 17/42 CSLL A PAGAR 3.35. Ao final da Ficha 17 (fl. 412), chegase ao valor da CSLL a Pagar no valor de R$6.604.148,32. VI. Pagamento Indevido ou a maior 3.36. O Pagamento Indevido ou a Maior configurase quando o tributo (ou parte dele) não deveria ter sido recolhido ao Estado. No caso em tela, em desconformidade com o LALUR e com a DIPJ, CSLL apurado pelo regime de Estimativas Mensais foram pagas em meses em que não havia Tributo a Recolher como consta na Tabela comparativa à folha 245. 3.37. O contribuinte pagou indevidamente valores de CSLL pelo Regime de Estimativa como detalhado na tabela abaixo: Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.162 7 3.38. Segundo consta no Pedido de Restituição à folha 01, o contribuinte pleiteia “Restituição da CSOCIAL paga a maior durante o anocalendário de 2001”. Constam do “Demonstrativo da CSLL paga a maior” (folha 02) os pagamentos Indevidos referentes aos meses de janeiro, maio, julho e agosto, atestando no mesmo sentido do pedido feito à folha 01. VII. Considerações finais: 3.39. Verificase que, no caso vertente, o contribuinte PAGOU INDEVIDAMENTE OU A MAIOR, CSLL pelo regime de Estimativa no valor de R$11.166.483,69 no AC 2001. 3.40. Verificase ainda que, o contribuinte NÃO APUROU saldo credor de CSLL no AC 2001, mas CSLL a Pagar no valor de R$6.604.148,32. Da diferença algébrica dos valores citados, chegase ao valor da CSLL a Restituir de R$4.562.335,37”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Na peça de defesa (fls. 541/561) a impugnante alega em preliminares ter havido a decadência do direito do Fisco, assentando: Ø que o crédito tributário de CSLL, relativo ao fato gerador ocorrido em 31/12/2001, encontrase extinto pela decadência pois a Recorrente foi intimada do indeferimento do presente pedido de restituição e da constituição de crédito tributário de CSLL em 09/03/2007, ou seja, após o decurso do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Ø que, passados cinco anos, com inércia do Fisco, os pagamentos de CSLL foram tacitamente homologados, consumandose assim a decadência e a consequente extinção do crédito tributário exigido no momento da restituição dos valores aqui pleiteados, visto que a CSLL é tributo sujeito ao lançamento por homologação e que a constituição do crédito tributário se deu em 09/03/2007. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.163 8 Ø que, assim, consoante entendimento consolidado pela jurisprudência firmada tanto pelo E. Conselho de Contribuintes, como pelo Superior Tribunal de Justiça, é inequívoca a extinção do suposto crédito tributário de CSLL apurado pela fiscalização na simulação da DIPJ/2002 entregue pela Recorrente, dado que a sua constituição se deu após o decurso do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador ocorrido em 31/12/2001, estando desta maneira extinto o crédito tributário exigido pela fiscalização no valor de R$ 6.604.148,32. No mérito contrapõese, item a item, às colocações feitas pelo DD na parte que indeferiu seu pedido, para concluir requerendo “o provimento da presente manifestação de inconformidade, com o conseqüente reconhecimento da extinção do crédito tributário Da CSLL apurado pela fiscalização no valor de R$4.562.335,37, dados os efeitos da decadência, bem como das ilegalidades praticadas durante a simulação da DIPJ/2002 entregue pela Recorrente, julgandose, assim, integralmente procedente o pedido de restituição da CSLL paga a maior e indevidamente durante o ano de 2001, no valor total de R$11.491.313,61”. Sequencialmente os autos foram objeto de diversos encaminhamentos e providências, incluindo DD rerratificador, conversão em diligência, nova MI da contribuinte, Informação Fiscal e Resposta da interessada, sendo, depois, enviado à DRJ/SP1 para distribuição e julgamento. DA DECISÃO RECORRIDA Distribuídos os autos à apreciação da 4ª Turma da DRJ/SP1, os Julgadores prolataram a decisão assim ementada (fls. 901/976): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2001 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:2001 DIREITO CREDITÓRIO. Foi apurado crédito em favor do contribuinte, referente à CSLL calculada sobre base de cálculo estimada indevidamente recolhida no anocalendário de 2001, em valor superior ao já reconhecido pela Autoridade Administrativa, mas inferior ao pleiteado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em suas razões de decidir, em profundo e substancioso voto, depois de analisar, comentar e resumir todos os eventos havidos no processo, o Relator de 1º Grau concluiu que o litígio “circunscrevese às glosas” (fls. 945) que foram identificadas quando da emissão do DD e do DD rerratificador, assentando quanto ao mais presente na lide: “19.1.1. Esclareçase, por oportuno, que compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do direito creditório, a fim de demonstrar a Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.164 9 certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, conforme exigido no art. 170, do CTN. Nesse sentido é a jurisprudência abaixo: (...) 19.1.2. Portanto, verificase que o contribuinte tem direito à restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que atenda aos requisitos legais e faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda pública. 19.2. Outro ponto importante a distinguir diz respeito ao “lançamento” e a “pedido de compensação” (DCOMP). 19.2.1. Lançamento é ato administrativo vinculado, declaratório da obrigação tributária e constitutivo do crédito tributário. Ele é o modo por meio do qual a Fazenda constitui o crédito, permitindo que venha a ser cobrado do sujeito passivo. (...) 19.2.3. Assim, passado o prazo descrito no § 4º do art. 150 (lançamento por homologação), ou no artigo 173 (regra geral), ambos do CTN, sem que a Fazenda Pública tenha efetuado o lançamento ou se pronunciado sobre aquele realizado pelo contribuinte, há que considerálo extinto, não ficando o contribuinte, por conseguinte, após tal fato, obrigado a guardar documentos relativos a estes períodos. 19.2.4. Situação distinta é a referente aos casos em que o contribuinte pleiteia a análise de pedido seu (no caso, de repetição de indébito/compensação). 19.2.4.1. Assim, embora a Fazenda Pública possa identificar a ocorrência de fato gerador, se transcorridos os prazos referidos no subitem 19.2.3., não mais poderá efetuar o lançamento; já em relação ao pedido de restituição/compensação, terá que verificar a existência de crédito líquido e certo do contribuinte e se manifestar antes do prazo previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. 19.2.4.2. E é cediço que o ônus da prova cabe a quem pleiteia. No caso em tela, incumbe ao contribuinte manter documentação que respalde os lançamentos contábeis e fiscais efetuados, e que serviram de base para os valores informados nas declarações apresentadas. 19.2.4.3. Neste ponto, releva destacar que a pessoa jurídica tributada com base no lucro real deve manter escrituração contábil com observância das leis comerciais e fiscais, além de documentos e papéis relativos a sua atividade, a teor do disposto nos artigos 251, 259 e 264 do RIR99: (...) Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.165 10 19.2.4.4. Portanto, havendo dúvida na análise do crédito pleiteado, cabe ao contribuinte o ônus de esclarecêla, apresentando os documentos que serviram de base aos valores apontados nas declarações apresentadas, não havendo que se falar em prazo prescricional para a manutenção desses documentos. 19.2.4.5. Assim, há que se notar que não estamos a falar de lançamento, mas em provar, o contribuinte, a titularidade do direito líquido e certo que pleiteia. Portanto, a ele compete a guarda e manutenção da documentação pertinente ao direito alegado, enquanto não transitar em julgado a decisão administrativa correspondente. (...) 19.3.1. Portanto, a Declaração de Compensação (DCOMP) entregue constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados (indevidamente compensados). 19.4. Feitas essas considerações, passase a examinar o mérito. 20. Em relação à preliminar de decadência do direito da Autoridade Administrativa examinar a DIPJ/2002, não assiste razão à Recorrente (subitem 19.2.), visto que não houve constituição de CSLL a pagar, mas apuração do valor do saldo negativo de CSLL apurado em relação ao AC 2001 (não pago nem compensado), a ser deduzido do pagamento indevido eventualmente comprovado. 21. A seguir serão apreciadas as questões de mérito relativas ao direito creditório ora pleiteado. 21.1. LINHA 06A/21 GANHOS AUFERIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL, EXCETO DAYTRADE 21.1.1. Embora o contribuinte tenha informado, mediante reposta à Intimação, que não houve rendimentos auferidos em operações de SWAP no AC 2001 (a serem indicados na linha 06A/21), em sua Manifestação de Inconformidade alegou que os rendimentos financeiros dessas operações foram contabilizados em contas contábeis diversas (linhas 06A/24 e 06A/30). 21.1.2. Em resposta ao questionamento realizado na diligência para verificar se os rendimentos financeiros auferidos em operações de SWAP no valor de R$5.369.071,70 foram ou não oferecidos à tributação, a autoridade diligenciante assim se expressou: “A empresa não deixou de declarar tais rendimentos, bem como o IRFonte a eles correspondentes, porém, o fez em outras contas e em outros campos da DIPJ do anocalendário em questão, conforme comprovantes juntados e acima mencionados”. 21.1.3. Assim, de acordo com a conclusão da diligência efetuada, há que se manter o valor de R$0,00 informado na Linha 06A/21. Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.166 11 21.2. LINHA 06A/23 – RECEITAS DE JSCP 21.2.1. O valor apresentado nesta linha foi de R$ 0,00. Consulta ao sistema SIEF/DIRF indicou receitas de JSCP no valor total de R$ 285,26. A Recorrente alega que não obstante ter deixado de indicado tal valor na linha correta da DIPJ/2002, o informou na linha 06A/24. 21.2.2. Na diligência foi questionado se este valor foi contabilizado na linha 06A/24. A resposta não foi conclusiva sobre o oferecimento da receita de JSCP na DIPJ/2002. Os documentos trazidos pela Recorrente não são hábeis a comprovar que o valor de R$285,26 compôs o indicado na Linha 06A/24 (Outras Receitas Financeiras). 21.2.3. Ademais, não é provável que existindo a Linha 06A/23 (Receitas de Juros sobre o Capital Próprio), o valor correspondente tenha sido informado na Linha 06A/24. 21.2.4. Assim, o valor a ser considerado na Linha 06A/23 é de R$285,26. 21.3. LINHA 17/02 – PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS 21.3.1. O valor informado foi de R$1.462.373,91. Além desse, foi encontrado valor indedutível de R$10.907.431,36, totalizando R$12.369.805,27. Este montante correspondeu à soma dos seguintes valores: (i) PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS PREVIDÊNCIA PRIVADA: R$1.087.448,80; (ii) PROVISÕES PARA CONTINGÊNCIA: R$374.925,11; e (iii) PROVISÃO PARA DEVEDORES DUVIDOSOS: R$10.907.431,36. 21.3.2. A Recorrente alega que informou na linha 17/02 o valor de R$1.462.373,91, referente às provisões não dedutíveis do lucro real, cujo valor foi adicionado ao lucro real. 21.3.3. A Fiscalização localizou mais uma suposta provisão no valor de R$10.907.431,36, a qual deveria, em tese, ser adicionada ao lucro real. Ocorre que na realidade estes valores referemse, segundo a Recorrente, a efetivas perdas no recebimento de créditos, conforme documentos contábeis anexos. 21.3.4. Na diligência foi levantada a seguinte questão: houve a efetiva perda no valor de R$10.907.431,36 ? 21.3.5. Neste ponto, releva notar as orientações contidas no “Ajuda” da DIPJ/2002: (...) 21.3.6. Na DIPJ/2002 e na “Simulação” (apuração feita pelo auditor) foram informados os seguintes valores: Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.167 12 21.3.7. Verificase que foram apontadas, no Despacho Decisório original, as seguintes provisões: (i) para Contingência (R$374.925,11); (ii) Providência Privada (R$1.087.448,80); e (iii) para Devedores Duvidosos (R$10.907.431,36). 21.3.8. A primeira foi informada na Ficha 04A (Custo dos Bens e Serviços Vendidos), linha 11; a segunda provisão foi indicada na Ficha 05A (Despesas Operacionais), linha 23; e a terceira provisão foi tratada, na DIPJ/2002, como despesa dedutível, e informada somente na linha 05A/21 (parcela dedutível). 21.3.9. Em relação à provisão para devedores duvidosos, releva notar a conclusão da diligência efetuada, que possui a seguinte dicção: “Embora dispensada de fazêlo, os comprovantes apresentados demonstram que, mesmo em relação a valores relativamente pouco relevantes, a empresa promoveu ajuizamento para cobrança, conforme documentos anexos ... dado o volume desses documentos de crédito ... além da comprovação contábil dos valores deduzidos (lançamentos efetuados), totalizados por “faixa” de dedução, foram juntados, por amostragem, alguns “jogos completos” que demonstram os procedimentos observados pela diligenciada para a tentativa de cobrança de seus créditos, documentos comprobatórios de fls. 1181/1360 do Volume VI, fls. 1363/1561 do Volume VII, fls. 1564/1579 do V. VIII.” 21.3.10. Desse modo, com base nas verificações efetuadas pelo diligenciante, se aceitará o argumento da Recorrente de que, de fato, o valor de R$10.907.431,36 se refere a perdas efetivas, e não a uma provisão. 21.3.11. Assim, concluise pela manutenção dos valores indicados nas linhas 05A/21 (parcela não dedutível = R$0,00) e 17/02 (R$1.462.373,91) da DIPJ/2002. 21.4. LINHA 17/10 – AJUSTES POR DIMINUIÇÃO VALOR DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO 21.4.1. O valor apresentado foi de R$23.135.154,83. Conforme o “Ajuda”, esta linha corresponde aos valores informados nas linhas 06A/38 e 06A/39, que no caso somaram R$65.114.993,02. 21.4.2. A Recorrente afirma que também devem ser declaradas na linha 06A/38 as amortizações de ágio nas aquisições de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido (conforme “Ajuda”). Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.168 13 21.4.2.1. E é exatamente isto que se encontra demonstrado na linha 17/10 da DJPJ/2002 em análise, uma vez que a Recorrente declarou nesta linha: (i) R$23.118.018,07 referentes aos ajustes por diminuição no valor de investimentos avaliado pelo patrimônio líquido; e (ii) R$17.136,76 referentes à amortização do ágio pago na aquisição da empresa São Valentin, totalizando, assim, o montante de R$23.135.154,83. 21.4.2.2. Ressalta que absorveu o patrimônio de outras três empresas (São Valentin, Japinha S/A e Fertinal). Neste contexto, sabese que o fundamento econômico do lançamento contábil do ágio é o valor da rentabilidade da controlada ou coligada, com base em previsão dos resultados dos exercícios futuros (artigo 385, § 2°, inciso II do RIR/99). Assim, passou a considerar dedutível a amortização do ágio lançada na demonstração do resultado registrado posteriormente à incorporação. 21.4.2.3. Desse modo, o valor de R$41.979.838,19 (diferença entre o valor declarado nas linhas 06A/38 e 17/10) diz respeito à amortização de ágio considerado dedutível para determinação do lucro real. 21.4.3. Em relação ao tema, observase que a diligência nada esclarece. (...) 21.4.4.1. Inicialmente, resta claro do excerto acima que o valor indicado na linha 06A/38 (já que nada foi informado em relação à linha 06A/39, na DIPJ/2002) deveria ter sido o mesmo informado na linha 17/10. 21.4.4.2. Neste ponto, importa contextualizar a questão relativa ao ágio e ao benefício fiscal introduzido pela legislação ao permitir sua dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. (...) 21.4.4.2.6. Conforme acima demonstrado, a amortização do ágio não será considerada dedutível para efeitos fiscais: porém, no caso da investidora incorporar a empresa investida, aquela trará este ágio para seu patrimônio e poderá considerar a amortização do ágio como dedutível para efeito do imposto de renda, conforme prevê o artigo 386 do RIR/99, in verbis: (...) 21.4.4.2.13. Como o foco de exame é a sua eficácia perante o Fisco, na análise de uma determinada conduta cumpre verificar não apenas a circunstância de haver previsão legal de sua realização, tal como a incorporação de uma sociedade, mas também o efeito que aquela operação acarreta em função do perfil que apresenta em determinado caso concreto. Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.169 14 21.4.4.2.14. Assim, não é porque o ato encontra proteção em outro campo da disciplina jurídica que essa proteção é transferida para o âmbito fiscal. O fato de satisfazer a legislação setorial (como a das sociedades anônimas e de valores mobiliários, no caso) não significa que os atos praticados pela interessada sejam automaticamente eficazes perante o Fisco. (...) 21.4.4.2.18. Assim, cabe verificar se “in casu” se está diante de uma operação que possua fundamentação econômica (e em que a amortização do ágio gerado encontra amparo na legislação tributária), ou, se na verdade, tratase de artifício criado para reduzir os tributos devidos, sem que tenha havido real motivação econômica (e, por conseqüência, a amortização do ágio gerado nessas operações não esteja ao albergue desta legislação), o que se passa a verificar. 21.4.4.3. Quanto ao mérito, é de se dizer, inicialmente, que é legítimo o desejo do contribuinte de menor impacto tributário. No entanto, há que se verificar, conforme referido acima, se esta foi a única motivação ou se houve fundamentação econômica nas operações sob análise (que geraram o ágio). 21.4.4.3.1. Visando comprovar o valor alegado de R$41.979.838,19 (amortização de ágio considerado dedutível), a Recorrente anexou documentos. Dentre eles, destaco: (...) 21.4.4.3.3. Ora, observamos que: (i) as AGE trazidas dão conta da contratação de empresa visando elaborar Laudo de Avaliação; (ii) não foram trazidos os Laudos de Avaliação que justificassem o ágio alegado; e (iii) as operações ocorreram entre empresas do mesmo grupo, ou seja, com sócios em comum, algumas funcionando no mesmo endereço. 21.4.4.3.4. Ademais, releva notar que para fazer sentido a amortização de ágio porventura existente, subentendese que se trata de relações entre empresas totalmente independentes. 21.4.4.3.5. No presente caso, como visto, não é isto que ocorre. É de suma importância o fato de que o reconhecimento de um ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico não encontra respaldo na Contabilidade. 21.4.4.3.6. Deve ficar claro que não restou comprovada, nas operações referidas, uma incorporação de uma forma normal, ou seja, entre partes independentes, com recursos monetários (incluindo o ágio) despendidos com este fim. Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.170 15 21.4.4.3.7. Neste contexto, de se destacar que o Conselho Federal de Contabilidade editou a Resolução CFC nº 1.110/2007, que, em seu item 120, assim determina: (...) 21.4.4.3.8. Este entendimento já era aceito anteriormente pela boa técnica contábil. 21.4.4.3.9. Neste sentido caminha o parecer dos professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior em “A Incorporação Reversa com ágio gerado internamente: Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade”, consoante excerto que segue transcrito: (...) 21.4.4.3.10. De se ressaltar que a CVM também condena o reconhecimento de ágio em operações realizadas dentro do mesmo grupo econômico. O OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de 14 de fevereiro de 2007, em conformidade com outros atos anteriores, expressa esse entendimento: (...) 21.4.4.3.11. A CVM ressalva que essas operações, entre empresas do mesmo grupo, podem até ter sido efetuadas de acordo com o procedimento previsto na lei societária, isto é, precedidas de protocolo e justificação de incorporação, avaliação e assembléias das companhias envolvidas, formalidades que, todavia, não alteram o fato de que elas não se revestem de substância econômica passível de registro pela Contabilidade, consoante o excerto do mesmo OfícioCircular: (...) 21.4.4.3.12. Portanto, se o ágio intragrupo não é reconhecido pela lei societária e pela Contabilidade, também não o será pela lei tributária, por força do disposto nos artigos 247 do RIR/1999 e 275 da Lei nº 6.404/1976. (...) 21.4.4.3.13. Conseqüentemente, não assiste razão à Recorrente quando alega que a amortização desse ágio (não comprovado) constituise em despesa dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, consoante previsto no art. 386 do RIR/1999, cuja matriz legal advém dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, com as alterações da Lei nº 9.718/1998: (...) Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.171 16 21.4.4.3.14. Conforme as observações anteriormente feitas, o reconhecimento da dedução de despesa de amortização de ágio – caso existente para fins tributários somente é possível, caso o ágio tenha sido efetivamente pago por terceiros independentes. 21.4.4.3.14.1. Neste ponto, releva notar que a diligenciante assim informou (subitem 12.15.): “Os Fundamentos do Ágio, segundo afirma a empresa, são decorrentes de rentabilidade futura ... juntando para amparar suas afirmações os documentos ... relativamente à Empresa São Valentim Agroind. Ltda, a Diligenciada apresentou apenas Dados Contábeis das Operações em Análise ... alegando que os Documentos Comprobatórios teriam sido extraviados”. (grifei). 21.4.4.3.15. Portanto, não sendo aplicável à Recorrente a especial norma de dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2° do RIR/99, também por este motivo há que se alterar o valor informado na linha 17/10 de R$23.135.154,83 para R$65.114.993,02. 21.5. Linha 17/25 VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS OPERAÇÕES LIQUIDADAS 21.5.1. A Autoridade Administrativa informou que existem dois métodos para se contabilizar as Variações Cambiais: Regime de Competência (em que não existem Adições ou Exclusões) ou Regime de Caixa (onde toda a Variação Cambial Ativa e toda a Variação Cambial Passiva de Operações Liquidadas são contabilizadas como Exclusões e toda a Variação Cambial Passiva e toda a Variação Cambial Ativa de Operações Liquidadas são contabilizadas como Adições). 21.5.1.1. Informou ainda que a Recorrente, intimada a esclarecer que regime de apuração foi utilizado na declaração, afirmou ter utilizado o Regime de Competência. Afirmou ainda que o valor indicado nessa linha é referente a “variação cambial passiva liquidada no AC anterior”. Em face dessa resposta, concluiu que tal ajuste deveria ter sido feito no AC correspondente. 21.5.1.2. Assim, como decorrência, entendeu que são nulos os valores para todas as linhas de Adição e Exclusão. Todavia, o valor originalmente apresentado na linha 17/25 foi de R$11.333.856,77. Conseqüentemente, utilizou o valor de R$ 0,00 nesta linha. 21.5.2. A Recorrente afirma que o cerne do equívoco cometido encontrase na interpretação dada pela Fiscalização à informação por ela prestada: afirmou que tais valores referemse à VCP do ano de 2000, cuja obrigação foi liquidada em 2001. Porém, a Fiscalização entendeu que tais valores referemse “à variação cambial passiva liquidada no ano calendário anterior”. A obrigação que originou o montante de VCP no valor de R$11.333:856,77 foi registrada e adicionada na base de cálculo do IRPJ de 2000, e só foi liquidada em 2001, o que justifica sua exclusão neste ano. No ano de 2000 foi feita a opção pelo regime de caixa para a variação cambial. Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.172 17 21.5.3. Em relação ao tema, observase que a diligência não esclareceu as questões levantadas. 21.5.4. Neste ponto, oportuno notar as orientações contidas no “Ajuda”, disponível na DIPJ/2002: (...) 21.5.5. Pelo acima exposto, concluise o seguinte: (i) quem optou pelo regime de competência informa o valor das VCP (Variações Cambiais Passivas) somente na linha 06A/32; e (ii) quem optou pelo regime de caixa, informa o valor das VCP apurado por competência na linha 06A/32, adiciona este valor na linha 17/08 (para neutralizar seu efeito), e indica o valor das VCP apurado pelo regime de caixa na linha 17/25. 21.5.6. A Recorrente afirma que utilizou o regime de caixa no AC 2000, e o de competência no de 2001, razão pela qual, “a obrigação que originou o montante de variação cambial passiva no valor de R$11.333.856,77 foi registrada e adicionada na base de cálculo do IRPJ de 2000, e só foi liquidada em 2001, o que justifica sua exclusão neste ano”. 21.5.7. No entanto, consulta ao Sistema IRPJ/Cons indica que a Recorrente entregou duas DIPJ referentes ao AC 2000: (i) declaração original, em 29/06/2001 (Número da Declaração 1050836); e (ii) retificadora (“ativa”), em 14/07/2004 (Número da Declaração 1211796). 21.5.7.1. Nas declarações citadas foram informados os seguintes valores: Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.173 18 21.5.7.2. Portanto, observase que na declaração original referente ao AC 2000 os valores de VCA e VCP foram informados segundo o regime de caixa. Por outro lado, a declaração retificadora (que cancelou a anterior) foi preenchida segundo o regime de competência, o que aumentou o prejuízo fiscal (passível de compensação pela Recorrente, em períodos posteriores, com lucro real positivo), de R$9.461.651,34 para R$24.286.206,36, e a base de cálculo negativa da CSLL (também compensável), de R$11.570.550,94 para R$26.395.105,96. 21.5.7.3. Desse modo, resta claro que a Recorrente não poderia se aproveitar (excluir), na DIPJ/2002, do valor de R$11.333.856,77, sob pena de utilizálo duas vezes, ou seja, ao alterar o regime de caixa para competência na DIPJ/2001, deveria também ter retificado a DIPJ/2002 para zerar o valor informado nas linhas 09A/31 e 17/10. 21.5.8. Assim, correto o Despacho decisório que considerou o valor zero na linha 17/10. 21.6. Linha 17/38 – CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA 21.6.1. No Despacho Decisório, a Autoridade Administrativa efetuou comparação entre os valores apurados na DIPJ, os valores declarados em DCTF e os valores pagos em DARF sob o regime de estimativa de CSLL no AC 2001, tendo constatado inúmeras inconsistências entre os valores apresentados mês a mês. 21.6.1.1. Identificou compensações sem DARF informadas em DCTF e: (i) observou que houve compensação sem processo no valor de R$9.966,09 com SNCSLL AC 2000, mas segundo a DIPJ/2001, inexistiu SNCSLL naquele AC, razão pela qual este valor não foi considerado; (ii) manteve a compensação do valor de R$750.292,44 efetuada mediante o processo 13811.000077/200176; e (iii) decidiu não incluir neste cômputo os pagamentos em DARF efetuados pelo contribuinte nos meses em que não foram apurados Tributos a Pagar pelo regime de Estimativa, uma vez que, não tendo sido apurados nos respectivos meses na DIPJ, configuramse como Pagamento Indevido, não fazendo parte do Saldo Credor. 21.6.1.2. Assim, alterou o valor constante originalmente na Linha 17/38 de R$1.362.785,52 pela soma do valor compensado aceito, limitado ao valor declarado na DIPJ (R$703.568,60), com o valor pago no Exterior (R$318.212,10) resultando no valor de R$1.021.780,70, (R$703.568,60 + R$318.212,10). 21.6.2. A Recorrente alega que a Fiscalização deixou de considerar valor recolhido pela Recorrente a título de antecipação da CSLL devida no mês de dezembro de 2001 no valor de RS341.004,82, por meio de compensação realizada com o recolhimento a maior realizado no mês de janeiro de 2001, no valor de RS46.723,89, acrescido de SELIC e através de parte do pagamento realizado por meio de DARF, referente ao mês de janeiro/2001, no valor de RS750.467,98 acrescido de SELIC. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.174 19 21.6.3. Verificase que a discordância se resume à utilização ou não do valor de R$341.004,82 relativo a mês de dezembro (R$1.362.785,52 – R$1.021.780,70 = R$341.004,82). 21.6.3.1. Conforme informado na DIPJ/2002, Ficha 16 (Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa), foi realizado balancete de suspensão/redução em dezembro. Neste mês foram apurados os seguintes valores (em Real): (...) 21.6.1.1. Identificou compensações sem DARF informadas em DCTF e: (i) observou que houve compensação sem processo no valor de R$9.966,09 com SNCSLL AC 2000, mas segundo a DIPJ/2001, inexistiu SNCSLL naquele AC, razão pela qual este valor não foi considerado; (ii) manteve a compensação do valor de R$750.292,44 efetuada mediante o processo 13811.000077/200176; e (iii) decidiu não incluir neste cômputo os pagamentos em DARF efetuados pelo contribuinte nos meses em que não foram apurados Tributos a Pagar pelo regime de Estimativa, uma vez que, não tendo sido apurados nos respectivos meses na DIPJ, configuramse como Pagamento Indevido, não fazendo parte do Saldo Credor. 21.6.1.2. Assim, alterou o valor constante originalmente na Linha 17/38 de R$1.362.785,52 pela soma do valor compensado aceito, limitado ao valor declarado na DIPJ (R$703.568,60), com o valor pago no Exterior (R$318.212,10) resultando no valor de R$1.021.780,70, (R$703.568,60 + R$318.212,10). 21.6.2. A Recorrente alega que a Fiscalização deixou de considerar valor recolhido pela Recorrente a título de antecipação da CSLL devida no mês de dezembro de 2001 no valor de RS341.004,82, por meio de compensação realizada com o recolhimento a maior realizado no mês de janeiro de 2001, no valor de RS46.723,89, acrescido de SELIC e através de parte do pagamento realizado por meio de DARF, referente ao mês de janeiro/2001, no valor de RS750.467,98 acrescido de SELIC. 21.6.3. Verificase que a discordância se resume à utilização ou não do valor de R$341.004,82 relativo a mês de dezembro (R$1.362.785,52 – R$1.021.780,70 = R$341.004,82). 21.6.3.1. Conforme informado na DIPJ/2002, Ficha 16 (Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa), foi realizado balancete de suspensão/redução em dezembro. Neste mês foram apurados os seguintes valores (em Real): (...) 21.6.3.2. Acompanhando o Pedido de Restituição de R$11.491.313,61 apresentado pela Recorrente (fl. 01), consta à fl. 02 “Demonstrativo da CSLL Paga a Maior”, anocalendário 2001, que assim informa: Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.175 20 21.6.3.3. Na DCTF retificadora (“ativa”; entregue em 06/05/2008), referente a dezembro/2001, foi informado que o débito de R$341.004,82 foi compensado com pagamento indevido ou a maior (código 2484; período de apuração janeiro/2001; valor R$581.037,46). Na retificadora entregue em 10/05/2007, foi indicado que o pedido de compensação foi formalizado no presente processo. 21.6.3.3.1. Ora, o pagamento no código 2484, referente a janeiro/2001 (principal = R$581.037,46; total = R$750.467,98) faz parte do direito creditório pleiteado. Portanto, a informação prestada na DCTF “ativa” colide com a pretensão ora sob exame, ou seja: (i) ou houve a compensação informada na DCTF, e neste caso devese reduzir este valor do pleiteado; ou (ii) não houve a compensação indicada, e o montante de R$341.004,82 permanece sem pagamento/compensação. Foi adotada, no presente voto, esta segunda opção, conforme subitem 21.6.3.6. a seguir. 21.6.3.4. Em relação aos pagamentos da CSLL calculada por estimativa referentes ao AC 2001, consulta aos Sistemas IRPJ, DCTFGER, Sinal08 e aos documentos anexados aos autos indicam o quanto segue. Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.176 21 21.6.3.5. Das tabelas acima, extraise que o valor de restituição pleiteado (R$11.491.313,61) não leva em consideração compensação da estimativa a pagar apurada em dezembro/2001 (R$341.004,82), visto que: (i) o total recolhido mediante DARF somou R$11.604.435,92 (considerando os acréscimos); e (ii) este valor somado ao que foi compensado (R$750.292,49) e deduzido do apurado de CSLL devida (R$863.414,80) totalizam o valor pleiteado (R$11.491.313,61). 21.6.3.6. Portanto, observase que o montante de R$341.004,82 não pode compor o valor a ser informado na linha 17/38 (CSLL Mensal Paga por Estimativa). Assim, há que se manter o valor apurado no Despacho Decisório, de R$1.021.780,70. 21.7. Linha 17/42 CSLL A PAGAR 21.7.1. No Despacho Decisório foi apurado CSLL a Pagar no valor de R$6.604.148,32, conforme segue (Ficha 17; fl. 412). 21.7.2. Refazendo o cálculo das Fichas 06A e 17, a partir do acima decidido, obtémse o montante de R$5.139.263,04 de “CSLL a Pagar” (linha 17/42), conforme tabela a seguir. Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.177 22 21.8.1. No Despacho Decisório foi apurado que o contribuinte pagou indevidamente valores de CSLL pelo Regime de Estimativa como detalhado na tabela abaixo: (...) 21.8.3. Esse tema não foi objeto da diligência. Em relação a ele, observase que, em tese, assiste razão à Recorrente, visto que no caso de comprovação de pagamento indevido, todo o valor assim pago (inclusive multa e juros) comporá o direito creditório. Passase à análise de cada um dos meses. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.178 23 (...) 21.8.4. Assim, obtémse que foi comprovado o pagamento indevido de R$6.465.172,88, conforme a seguir explicitado: R$750.467,98 + R$414.888,18 + R$2.684.309,86 + R$7.754.769,90 – R$5.139.263,04 (CSLL devida). 22. De se observar que o segundo Despacho Decisório (rerratificador) manteve as glosas anteriormente efetuadas e, com base nas informações prestadas pela Recorrente em declarações retificadoras, concluiu por: (i) admitir DCOMP retificadoras; (ii) convalidar parcialmente compensações sem processo; (iii) indeferir o Pedido de Restituição; e (iv) não homologar as compensações constantes dos processos 13804.000929/200203, 13804.007977/200214 e 13804.009122/2002 28. 22.1. Em relação ao Despacho Decisório rerratificador, a Recorrente não se opõe no que se refere a admissão das DCOMP retificadoras; alega somente que a Fiscalização não alterou as glosas efetuadas no despacho original”. Cientificada da decisão supra em 24/08/2012, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 979/1000) no qual rebate as conclusões do Acórdão da DRJ naquilo que lhe foi desfavorável, contesta novamente o que consta no DD e no DD rerratificador e, no mais, reafirma basicamente todos os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade e foca sua defesa em dois tomos centrais: 1. decadência, tema sobre o qual discorre longamente, insistindo ter havido “extinção do suposto crédito tributário de CSLL apurado pela fiscalização na simulação da DIPJ/2002 (...), dado que a sua constituição se deu após o decurso do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador em 31 de dezembro de 2001, estando desta maneira extinto o crédito tributário exigido pela fiscalização no valor de R$ 6.604.148,32, devendo o indébito reconhecido ser restituído à Recorrente, sem a dedução do crédito tributário apurado pela fiscalização” (RV – fls. 992); 2. ajustes relativos aos investimentos avaliados pelo Patrimônio Líquido, afirmando que o valor de R$ 23.135.154,83 que constou da Ficha 17 – Linha 10, da DIPJ do anocalendário/2001 – ex/2002 está correto e não, como quiseram a Autoridade Fiscal no DD e a decisão de 1ª Instância elevando tal montante a R$ 65.114.993,02, ou seja, um diferença de R$ 41.979.838,19 que “diz respeito à amortização de ágio considerado dedutível para determinação do lucro real” (RV – fls. 982). 3. que referido montante está assim constituído (RV – fls. 994): Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.179 24 4. cita que a Fiscalização, quando da diligência realizada, concluiu: 5. todavia, a DRJ ao proferir o Acórdão, menosprezou o resultado da diligência, limitandose a analisar os documentos juntados às fls.883/927, concluindo que não teriam sido trazidos aos autos os laudos de avaliação que justificassem o ágio alegado e que as operações ocorreram entre empresas do mesmo grupo, ou seja, com sócios em comum, tratandose, portanto “de ágio gerado dentro do mesmo grupo econômico (ágio interno)”. 6. que, entretanto, esta não seria a situação real, como buscou demonstrar. 7. em relação à aquisição de São Valentim, esta foi feita junto a terceiros (Lina Participações e Administração Ltda. e Alberto Zuzzi) em 1996 e incorporada pela recorrente em 2001, não se tratando, portanto de ágio interno. 8. na mesma linha, a aquisição acionária de Fertinal foi feita de terceiros, partes independentes, em 2000 e sua incorporação deuse em janeiro de 2001. 9. por fim, em relação ao terceiro ágio, este ocorreu “após a Recorrente efetuar a aquisição da empresa Japinha diretamente da empresa Grupasso S/Aa”,ou seja, ágio gerado na aquisição de terceiros e não internamente (RV – fls. 998). Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.180 25 Ao final, conclui seu raciocínio e requer (RV fls. 999/1000): É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.181 26 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do acórdão recorrido em 24/08/2012 – protocolização do RV em 24/09/2012 – fls. 979), a representação da recorrente está corretamente formalizada (fls. 1001/1018) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Há preliminar de decadência. Passo à sua análise. Sem maiores digressões, carece de razão a recorrente. Não se está diante de lançamento de ofício, norma tratada no artigo 142, do CTN e que tem sujeição aos ditames dos artigos 150, § 4º ou 173, I, do mesmo diploma legal, para fins de contagem do prazo decadencial Ao revés, o que se cuida nestes autos é de pedido de restituição/compensação, o que implica que a Fazenda Pública tem o poder/dever de verificar a existência de crédito líquido e certo do contribuinte e se manifestar antes do prazo previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, posto que não se está falando em constituição de crédito tributário, via lançamento, mas apuração do valor do saldo negativo de CSLL que a recorrente intenta aproveitar, pelo ressarcimento, ou compensar com outros débitos que possua junto ao Poder Público Federal. Com efeito, uma coisa é dizer que o Fisco não poderia, depois de ultrapassado o prazo decadencial, constituir crédito tributário, lançando diferença de tributo recolhido a menor em consequência de compensação ilegal de prejuízos fiscais. Outra coisa completamente diferente é dizer que, na aferição do montante do indébito, o Fisco, no prazo que tem para homologar o pedido de compensação, não pode apurar a liquidez e certeza do crédito apontado pelo contribuinte. Observese que a tese defendida pela Recorrente, consistente na aplicação do prazo decadencial para a revisão de saldo negativo em sede de compensação, enseja a conclusão de que os contribuintes podem alegar o que quiserem em pedidos de compensação quanto a períodos pretéritos, desde que antes de 5 (cinco) anos, e as alegações serão impossíveis de análise de veracidade, submetendo o Fisco a possíveis impropriedades e até irregularidades. Isso porque, como se trata de Declaração de Compensação, invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar seu direito líquido e certo. Dentro do prazo para homologação determinado no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, não há que se falar em decadência do direito de se aferir o pleito de compensação, que exige o cumprimento dos requisitos de liquidez e certeza do crédito informado, não sendo lógico ou lícito concluir que a autoridade fiscal deva aprovar o saldo negativo de IRPJ/CSLL demonstrado na DIPJ correspondente, e decidir pela homologação da compensação, sem a verificação prévia da liquidez e certeza do indébito tributário que lhe dá suporte. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.182 27 A norma específica que versa sobre Dcomp não deixa dúvidas quanto à limitação da homologação tácita somente às compensações, e não ao crédito em si. Assim, é dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Digase, nada impede que o Fisco perscrute, a qualquer tempo, os elementos formadores de um crédito reclamado por um contribuinte. O limite temporal está fixado no prazo para o contribuinte pleitear seu direito de repetição e, exercendoo por meio da compensação, no prazo para o Fisco homologar a correspondente declaração. Desde que dentro deste último prazo, o Fisco pode exigir a comprovação dos elementos formadores do crédito indicado. Em suma, os prazos a que aludem os artigos 150, § 4º e 173, I, do CTN e o artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430, são prazos independentes que não se comunicam mesmo nas situações em que o Fisco realiza a correta apuração do lucro real ou da base de cálculo da CSLL para fins de verificação do direito creditório consubstanciado por um saldo negativo de IRPJ ou CSLL. Doutrinariamente, oportuno transcrever excerto de artigo científico, retirado de da lição de Leandro Paulsen (in Direito Tributário, CONSTITUIÇÃO E CÓDIGO TRIBUTÁRIO à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed., Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2010. pg. 1161): “... a homologação da compensação regulada pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96 constitui procedimento análogo ao da homologação do lançamento, prevista no artigo 150 do Código Tributário Nacional, com a única diferença de que, enquanto na homologação do lançamento a autoridade administrativa deve apenas verificar se é exato o débito calculado pelo contribuinte, na homologação da compensação a autoridade deve também verificar se é exato o crédito apurado pelo sujeito passivo”. (TROIANELLI, Gabriel Lacerda. Compensação tributária: homologação do procedimento e o dever de investigar. RDDT 165/26, jun/09). Na jurisprudência do CARF, o minucioso e sólido voto do Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, tratando do tema: “Quando se trata de compensação, não se está a tratar de lançamento, e tampouco é o crédito tributário o foco. Ao contrário, o foco é o crédito que venha a ser alegado pelo sujeito passivo, sendo certo, portanto, que é a este que cabe fazer a prova do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, o prazo decadencial apropriado à espécie a ser considerado é, antes de mais nada, o do artigo 168 do CTN, que versa sobre o direito do sujeito passivo de pleitear a restituição do tributo pago a maior ou indevidamente. Uma vez formalizada em tempo hábil a compensação, deve o sujeito passivo ter instrumentos hábeis a comprovar a regularidade do direito invocado, cabendo ao Fisco verificar a consistência das informações necessárias ao procedimento de homologação da compensação. Aliás, o artigo 170 do CTN é expresso ao atribuir à lei o poder de autorizar a compensação tão somente com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública, e sob as condições e garantias que a própria lei vier a estipular. Assim, é somente a partir da formalização da compensação que há sentido em se falar em prazo para que a autoridade administrativa se pronuncie acerca do direito alegado. Neste sentido, cumpre observar que o art. 74 da Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.183 28 Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/03, veio a suprir lacuna antes existente na legislação, no sentido de que não havia um prazo estabelecido em lei para a análise do pleito. E o prazo que foi estabelecido pela lei para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96)” (Acórdão nº 110200.432, Sessão de 25/05/11). E consolidadamente na Câmara Superior de Recursos Fiscais: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. DECADÊNCIA CONTRA O FISCO. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende aplicar os prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, para fins de reconhecer direito creditório e homologar compensação tributária, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pela contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. (Ac. 9101003.708 – Sessão de 09/08/2018 Relator Rafael Vidal de Araújo). Preliminar de decadência que se afasta. Antes de adentrar ao mérito, quero fazer três observações. A primeira, a respeito do afirmado pela recorrente de que o Fisco, ao proceder a uma simulação da DIPJ, teria, automaticamente, retificado de ofício a original. Ora, sem necessidade de maiores digressões, o reclamo é absolutamente inconsistente e vazio. O Fisco não retificou DIPJ alguma, apenas e tão somente lançou mão da citada simulação para melhor mostrar os pontos controversos. Ou seja, um trabalho acadêmico e que poderia ter sido feito em uma planilha Excel, mas que, para melhor visualização, fezse sobre a plataforma da DIPJ. Só isso! Pretender transformar esta simulação (no fundo, um autêntico “papel de trabalho, procedimento comum em auditoria) como se fosse uma retificação de ofício é verdadeiro exercício imaginativo. O segundo ponto diz respeito às inúmeras vezes em que a recorrente requer a “extinção do crédito tributário”. Na verdade, não se trata em momento algum de “crédito tributário constituído”, mas, sim, de procedimento de homologação de direito creditório e homologação de compensação, nada havendo, pois, a ser extinto. Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.184 29 Finalmente, uma palavra sobre o fecho do RV (fls. 999/1000) quando a recorrente, requer o provimento do recurso com a consequente “extinção do crédito tributário” e aí complementa “do IRPJ apurado pela fiscalização no valor de R$ 8.462.628,13”. Pois bem, não se trata de crédito tributário constituído (já visto antes) e muito menos de IRPJ (aqui se cuida de CSLL); além disso, é citado o valor de R$ 8.462.628,13 que não tem nenhuma relação com os presentes autos, provavelmente tendo sido tais colocações feitas pela recorrente por evidente engano e possivelmente dizendo respeito a outro processo. Feitas estas observações, passo ao mérito. MÉRITO O período a que se refere o crédito buscado pela recorrente é 2001 e o seu julgamento em 2ª Instância Administrativa ocorre em 2019. Ou seja, passaramse, desde os fatos iniciais até esta sessão de julgamento, nada mais nada menos que 18 anos! Durante todo este interregno temporal, muitos eventos ocorreram e atingiram o auto em apreço e, ainda assim, vejo que o mesmo não se encontra em condições de ser julgado e proferida uma decisão de mérito por faltarem informações cruciais e relevantes para o deslinde da lide e atingirse a verdade material que se exige dos processos administrativo tributários. Em outro dizer, há informações incompletas e esclarecimentos que precisam de confirmações que só podem ser buscados na sua origem, ou seja, na unidade que prolatou a decisão expressa no Despacho Decisório, sendo absolutamente inexequível que este Relator (e presumivelmente os demais Conselheiros), que somente acessam os autos em sua fase final, possam exprimir suas convicções em razão da falta deste melhor encaminhamento processual. Em decorrência desta situação fática, meu voto estará sendo direcionado para converter o julgamento em diligência a fim de suprir as lacunas instrumentais e informativas, como abaixo se demonstrará. Todavia, é preciso, antes, delimitar os contornos do que ainda permanece em julgamento, após o DD original,o DD rerratificador, a manifestação de inconformidade, a diligência realizada, a informação fiscal que a acompanhou, a resposta da recorrente, a decisão de 1º Piso e o recurso voluntário. Neste contexto, resumese: a) pleito original R$ 11.491.313,61 b) valor reconhecido pela DRJ R$ 6.465.172,88 O valor reconhecido pela decisão a quo está assim decomposto, conforme voto do Relator de 1ª Instância (Ac. DRJ fls. 975): “assim, obtémse que foi comprovado o pagamento indevido de R$6.465.172,88, conforme a seguir explicitado: R$750.467,98 + R$414.888,18 + R$2.684.309,86 + R$7.754.769,90 – R$5.139.263,04 (CSLL devida)”. Por sua vez, em relação à parte não reconhecida do crédito, a decisão a quo elaborou demonstrativo (já reproduzido antes) mostrando as rubricas que apresentaram Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.185 30 distorção entre a DIPJ entregue pela recorrente e os números apurados no voto do Relator da DRJ e que abaixo se resumem (os itens referemse à Ficha 17, da DIPJ – Cálculo da CSLL): Ou seja, 4 linhas: Ø Linha 10 – Ajustes para Diminuição Valor Inv. Av. PL; Ø Linha 25 – Variações Cambiais Passivas;da recorrente Ø Linha 38 – CSLL Mensal Paga por Estimativa; e, Ø Linha 42 – CSLL A PAGAR. Destas quatro rubricas, a recorrente insurgiuse apenas em relação à primeira delas, no caso, Linha 10, cuja distorção entre uma e outra posição é flagrante: para a recorrente o valor a ser adicionado a este título seria R$ 23.135.154,83; para o voto condutor da DRJ, a adição comportaria R$ 65.114.993,02, ou seja, uma diferença de R$ 41.979.838,19 expressamente reconhecida pela contribuinte, dizendo respeito “à amortização de ágio considerado dedutível para determinação do lucro real” (RV – fls. 982). Deste modo o quadro é claro: a discussão só permanece em relação a esta divergência. Pois bem, para elaborar este Demonstrativo e em cima dele orientar seu voto, o Relator de 1º Grau louvouse parcialmente em “Informação Fiscal” (fls. 878/888) redigida em cumprimento a diligência determinada (para este e outros processos que com este guardam Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.186 31 relação), oportunidade em que os diligenciadores esmiuçaram todas as rubricas que sofreram questionamentos por parte dos julgadores, alinhando uma a uma, suas posições. Naquilo que é pertinente e permanece em litígio – Ajustes por Diminuição no Valor de Investimentos Avaliados pelo Patrimônio Líquido valores referentes à Ficha 17 – Linha 10, da DIPJ , assim se manifestaram os responsáveis pela diligência: “O RPF — Diligência supra mencionado determina a realização de diligência para apurar a correção das alegações da contribuinte na impugnação aos procedimentos da DERAT/SPO, nas glosas efetuadas no Processo Administrativo n° 13804.000928/200251 de Restituição de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do Ano Calendário de 2001 a este processo foi apensado o de n° 13804.000929/200203, cujo objeto é a Restituição de Contribuição sobre Lucro Liquido do mesmo período. As verificações relativas ao processo de restituição de Imposto de Renda já tinham sido anteriormente efetuadas pelo AFRFB Silvio Massao Araki, W Matricula 25.316, que, em sua Informação Fiscal anexada nas fls. 416/418 (Volume II), confirmou a correção do valor da restituição pleiteada pela empresa, demonstrandoo como segue: (...) O AFRFB diligenciante, entretanto, apenas pronunciouse sobre os valores do IRFonte e dos Recolhimentos efetuados a titulo de antecipação de IRPJ, conforme previsto no RPF em questão, não tendo, portanto, analisado o IRPJ Devido, pois isso implicaria em fiscalização de IRPJ do ano calendário questão encaminhando em seguida a sua Informação Fiscal à DERAT/SPO. De posse das Informações Fiscais, o AFRFB Edward Ishikawa, Matricula Nº 1.293.667, procedeu à "revisão" da DIPJ da empresa, alterando o Lucro Real, bem como o IRFonte declarado em decorrência, resultou majoração d do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL no Ano Calendário. (...) Após o exame das Informações Fiscais do AFRFB Silvio M. Araki e do AFRFB Edward Ishikawa, em confronto com a Impugnação da Empresa discordando das "glosas" efetuadas pela DERAT/SPO, resumimos os pontos controversos a seguir enumerados: (...) 6) Adição na Demonstração do Lucro Real a Titulo de "Ajustes por Diminuição Valor de Investimentos Avaliados pelo Patrimônio Liquido (Ficha 09 A Demonstração do Lucro Real, Item 10), R$ 41.979.838,19; (...) Em diligência efetuada junto à empresa foram apuradas, item a item, as situações abaixo relatadas, devidamente amparadas com os esclarecimentos e documentação apresentados pela diligenciada. (...) Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.187 32 VI AJUSTES POR INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO PATRIMONIO LÍQUIDO Em relação ao item "c" acima, o AFRFB, que procedeu à revisão, • adicionou, na apuração do lucro real, a titulo de "Perdas com Investimentos Avaliados pela Equivalência" a importância de R$ 41.979.838,19, assim totalizando a linha 38 (Resultados Negativos de Participação Societária), a importância de R$ 65.114.993, entretanto, a empresa afirmou tratarse o valor adicionado de ágio dedutível, muito embora o tenha informado na Ficha 06 A (Demonstração de Resultado), tal procedimento, segundo a diligenciada, foi adotado por não haver um campo especifico para o seu registro. Cumpre ressaltar, por oportuno, que os valores que ali já estavam declarados linha 38 da Ficha 06 A", a qual montava a importância de R$ 23.135.154,83, foi confirmado pela empresa como sendo efetivamente de "Perdas com Investimentos Avaliados pela Equivalência, conforme DIPJ entregue, sendo esse o valor correto das perdas com investimentos avaliados pelo Patrimônio Liquido. Os ágios deduzidos relacionamse, conforme documentação fornecida 975/977, 1090/1092, 1117 do Volume V, fls. 1580/1758 do Volume VIII e fls. 1765/1787 do Volume IX), com a incorporação das empresas abaixo discriminadas: Os Fundamentos do Ágio, segundo afirma a empresa são decorrentes de rentabilidade futura, previsto no art. 385, § 2°, inciso II, do Decreto n° 3000, de 26/03/1999 (RIR199), e, cujo tratamento tributário encontrase no art. 386, inciso III do mesmo Regulamento, juntando para amparar suas afirmações os documentos (Atas das Assembléias de Incorporação das Empresas adquiridas e os Laudos Técnicos de Empresa de Auditoria, com Discriminação da Natureza do Ágio Pago na Transação) anexos nos Volumes já citados – relativamente Empresa São Valentim Agroind. Ltda, a Diligenciada apresentou apenas Dados Contábeis das Operações em Análise (fls. 1581/1584 do Volume VIII) alegando que os Documentos Comprobatórios teriam sido extraviados. Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.188 33 Dessa forma, e considerando ainda a contabilização da dedução contábil do ágio correspondente lançamentos contábeis efetuados em seu livro diário, nas contas de n° 204008999.790201.001.204, 204008999.790201.001.260, 204008999.790201.001.290 (fls. 1652/1668 e 1726/1762 do Volume VIII), a empresa acredita ter demonstrado que, ao contrário do que presumiu o Auditor Fiscal revisor, tratase de dedução de ágio e não de perdas em participações societárias avaliadas pela equivalência patrimonial, tendo juntado para tanto os documentos acima mencionados”. (negrito e sublinhado acrescidos). Antes de prosseguir, relembrese que, para fins de preenchimento da Ficha 17 – Linha 10, da DIPJ, previa o “ajuda” do referido programa da Receita Federal: “Linha 17/10 – Ajustes por Diminuição no Valor de Investimentos Avaliados pelo Patrimônio Líquido Valores informados na Linha 09A/10. Linha 09A/10 – Ajustes por Diminuição no Valor de Investimentos Avaliados pelo Patrimônio Líquido Corresponde aos valores informados nas Linhas 06A/38 e 06A/39. Linha 06A/38 – Resultados Negativos em Participações Societárias Indicar, nesta linha: a) as perdas por ajustes no valor de investimentos relevantes avaliados pelo método da equivalência patrimonial, decorrentes de prejuízos apurados nas controladas e coligadas. O valor indicado deverá ser adicionado ao lucro líquido, para determinação do lucro Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.189 34 real;Atenção: Considerase controlada a filial, a agência, a sucursal, a dependência ou o escritório de representação no exterior, sempre que os respectivos ativos e passivos não estejam incluídos na contabilidade da investidora, por força de normatização específica. b) as amortizações de ágio nas aquisições de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido. O valor amortizado deverá ser adicionado ao lucro líquido, para determinação do lucro real, e controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real, até a alienação ou baixa da participação societária, quando, então, poderá ser excluído do lucro líquido, para determinação do lucro real.Atenção: Deverão, também, ser indicados nesta linha os resultados negativos derivados de participações societárias no exterior, avaliadas pelo patrimônio líquido. Incluemse nestas informações as perdas apuradas em filiais, sucursais e agências da pessoa jurídica localizadas no exterior. Linha 06A/39 – Resultados Negativos em SCP Esta linha será utilizada pelos sócios ostensivos, pessoas jurídicas, de sociedades em conta de participação, para indicar as perdas por ajustes no valor de participação em SCP, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. O valor dessas perdas deverá ser adicionado ao lucro líquido na determinação do lucro real (Linha 09A/10)”. Segundo textuais palavras da recorrente em sua manifestação de inconformidade (fls. 554/556), o preenchimento da Ficha 17 – Linha 10, da DIPJ, foi feito da forma seguinte: “Originalmente, a Recorrente declarou na linha 17/10 como valor, referente aos ajustes por diminuição no valor de investimento avaliado pelo patrimônio líquido o montante de R$23.135.154,83. Conforme bem observado pela fiscalização, de acordo com as instruções do programa de preenchimento da DIPJ/2002, o preenchimento da “linha 17/10 ajustes por diminuição no valor de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido" deve "corresponder aos valores informados nas linhas 09A/10”. Além disto, ainda de acordo com as instruções do programa de preenchimento da DIP J/2002, além das perdas por ajustes no valor de investimentos relevantes avaliados pelo método da equivalência patrimonial, também devem ser declaradas na linha 17/10 as amortizações de ágio nas aquisições de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido. Desta forma, os valores amortizados a título de ágio deverão ser adicionados ao lucro líquido para determinação do lucro real, e controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), até a alienação ou baixa da participação societária, momento em. que poderá ser excluído para determinação do lucro real. E é exatamente isto que se encontra demonstrado na linha 17/10 da DIPJ/2002 em análise, uma vez que a Recorrente declarou nesta linha: Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.190 35 a) RS 23.118.018,07 referentes aos ajustes por diminuição no valor de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido (equivalência patrimonial devedora); e, b) R$17.136,76 referentes à amortização do ágio pago na aquisição da empresa São Valentin até a data de alienação da sua participação societária, conforme documentos societários e lançamentos contábeis anexos (doc. 06), totalizando, assim, o montante de R$23.135:154,83, informado na linha 17/10. Cumpre ressaltar que a Recorrente absorveu o patrimônio de outras três empresas (São Valentin, Japinha S/A e Fertinal), em períodos distintos, conforme documentos societários anexos, nas quais detinha participação acionária adquirida com ágio. Neste contexto, sabese que o fundamento econômico do lançamento contábil do ágio é o valor da rentabilidade, da controlada ou coligada, com base em previsão dos resultados dos exercícios futuros (artigo 385, §2°, inciso II do RIR/99). Assim, com base no fundamento acima, e no disposto no artigo 386 inciso III do RIR/99, a Recorrente passou a considerar (dedutível a amortização do ágio lançada na demonstração do resultado registrado posteriormente à incorporação das empresas, respeitando a proporcionalidade prevista na razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Assim, o valor de R$41.979.838,19, conforme abaixo demonstrado, referente à diferença entre o valor declarado na linha 06A/38 e o declarado na linha 17/10, diz respeito à amortização de ágio considerado dedutível para determinação do lucro real, pois é lançamento contábil ocorrido após a alienação da participação societária, de acordo com o artigo 386 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99”. Quadro que se fecha com a sua manifestação acerca da diligência realizada (fls. 894): “De fato, foi informado na Ficha 06A, linha 38 — Resultados Negativos em Participações Societárias, o valor de R$. 65.114.993,02 enquanto que na Ficha 09A, linha 10 — Ajustes por Diminuição Valor de Invest. P/PL, foi informado o valor de R$ 23.135.154,83. A diferença de R$. 41.979.838,19 referese à amortização de ágio que por preencher os requisitos de dedutibilidade deixou de ser informado para fins de apuração do lucro real”. Em síntese e traduzindo em números, o que a recorrente entendeu como sujeito a adição (por isso indedutível), foi o resultado negativo por equivalência patrimonial (R$ 23.135.154,83) enquanto que o DD e a decisão recorrida fincaram posição de que o montante Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.191 36 total sujeito à indedutibilidade seria R$ 65.114.993,02, portanto, uma diferença de R$ 41.979.838,19, fruto de “amortização de ágio” na forma do quadro acima. Ou seja, enquanto a contribuinte sustenta que a despesa de amortização do ágio seria dedutível, a Autoridade Fiscal e a DRJ pensam exatamente de forma reversa. Pois bem, ainda que processo semelhante ao atual, dizendo respeito aos mesmos fatos, apenas mudando o tributo de CSLL (aqui analisado) para IRPJ tenha sido, nesta parte, decidido favoravelmente à tese da recorrente (Ac. 1401001.601), com a devida vênia penso que as informações relativas à constituição do ágio e sua posterior dedução como despesa dedutível carecem de maior aprofundamento. Explico. Embora a recorrente procure dar a entender em todas as suas manifestações já transcritas e também no RV (fls. 994/996) que a diligência teria colocado uma pá de cal no assunto, dando validade às amortizações, vejo que, ao contrário, o procedimento realizado (Informação Fiscal – fls. 878/888) neste caso específico do ágio, ficou apenas na tangência do tema, limitandose a RELATAR FATOS, sem emitir qualquer juízo de valor. Em outro dizer, sempre que tiveram que se exprimir – ainda que brevemente sobre o tema – os diligenciadores citaram manifestações e informações da recorrente. Vejase: Ø Informação Fiscal (fls. 883) “Os Fundamentos do Ágio, segundo afirma a empresa” Ø Informação Fiscal – fls. 884 “Dessa forma, e considerando ainda a contabilização da dedução contábil do ágio correspondente aos lançamentos contábeis efetuados em seu livro diário, nas contas de nº(...), a empresa acredita ter demonstrado que”, Ou seja, não se trata de parecer emitido pelos diligenciadores firmado em suas convicções pessoais, mas de mero relato dos fatos, sob a ótica da documentação e informação vindas da contribuinte. Ora, o que aqui se cuida é de analisar uma despesa que envolve a constituição de ágio, tema recorrente neste Colegiado e objeto de inúmeras demandas e decisões que só são prolatadas após um longo e minucioso trabalho de valoração de provas, argumentos e pesquisas, tudo de forma a definir se a amortização deste investimento (que certamente é despesa sob o ângulo contábil), seria igualmente dedutível à luz da legislação fiscal. A dizer, não se trata de uma simples despesa para a qual eventualmente se exija o documento comprobatório ou a confirmação de que o IRRF que se pretende compensar teve suas receitas oferecidas à tributação, mas situação que exige aprofundamento nos registros contábeis e documentos que levaram aos eventos societários de aquisição e incorporação, tudo de forma a avaliar os reflexos tributários que deles decorrem. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.192 37 Mais a mais, não se deve olvidar, diligências existem e são determinadas justamente para permitir e possibilitar aos julgadores (que, como dito antes, só manuseiam os autos em sua fase final) firmar convicção para declinarem seus votos. No instante em que este requisito básico e fundamental não se completa, evidentemente a diligência restou incompleta para os fins propostos e deve ser suprida mediante a realização de novo procedimento. Todo este cenário foi perspicazmente observado pelo Relator da decisão de 1º Piso que assim se manifestou sobre a diligência (Ac. DRJ – fls. 954): Todavia, na sequência, ainda que sobre esta falha tenha literalmente se pronunciado – e até provavelmente por isso , o condutor do voto na DRJ passou à análise dos eventos à luz do que presente nos autos e de acordo com suas convicções pessoais prosseguiu no julgamento e declinou seu voto com o entendimento de que a amortização do ágio não seria passível de dedução, por isso sua obrigatória inclusão – como adição – na Ficha 17 – Linha 10, da DIPJ. Fotografias do voto condutor do Acórdão mostram o caminho assumido pela DRJ: Em resumo, as informações cruciais para as quais a diligência foi determinada acabaram por não se fazer presente nos autos. Portando, dito tudo o que atrás se mostrou, entendo imprescindível a conversão do julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem determine procedimento específico para esclarecer: Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 13804.000929/200203 Resolução nº 1402000.846 S1C4T2 Fl. 1.193 38 a) se os ágios alegados pela recorrente relativamente às aquisições das participações societárias de Japinha S/A, São Valentim Agro Industrial Ltda. e Fertinal Adm. Empr. e Part. foram devidamente registrados na escrituração da contribuinte e se os documentos que lhes deram suporte atendem às normas sobre a matéria; b) se o valor de R$ 41.979.838,19 alegado pela recorrente tratarse de “despesa com amortização de ágio” está correto em termos de cálculo matemático e, principalmente, se os requisitos exigidos para sua dedutibilidade restaram todos devidamente observados, mormente os prescritos pelos artigos 386 e 299 do RIR/1999; c) após, elaborar relatório pormenorizado descrevendo o procedimento e destacando, expressamente, o seu entendimento acerca da dedutibilidade ou não das referidas despesas de amortização de ágio e que somaram, nestes autos, R$ 41.979.838,19; d) esclarecer, se necessário, outros eventuais pontos que julgue de interesse para fins de julgamento; e) do relatório citado no item precedente, dar ciência à recorrente para que, querendo, sobre ele – e exclusivamente sobre ele – se manifeste no prazo de trinta dias. Transcorrido o trintídio legal, com ou sem manifestação da recorrente, os autos devem voltar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1193DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.723075/2016-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEPENDENTES. DEDUÇÃO. SOGROS.
O sogro ou a sogra não podem ser dependentes, salvo se seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual nem estejam declarando em separado.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
Numero da decisão: 2002-000.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de dependente de R$ 2.063,64 e a dedução de despesas médicas de R$ 44.019,37, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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DEDUÇÃO. SOGROS. O sogro ou a sogra não podem ser dependentes, salvo se seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual nem estejam declarando em separado. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de dependente de R$ 2.063,64 e a dedução de despesas médicas de R$ 44.019,37, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 30 75 /2 01 6- 47 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10730.723075/201647 Acórdão n.º 2002000.984 S2C0T2 Fl. 278 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 08/15) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014 (efls. 114/136), onde se apurou Dedução Indevida com Dependentes de R$ 2.063,64, Dedução Indevida de Despesas Médicas de R$ 44.458,20 e Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de R$ 33.684,70. O contribuinte apresentou Impugnação (efls. 107/109), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 144/145): a) dependentes – R$ 2.063,64 – refere que a sra. Yoshiko Ono é mãe de sua esposa, possuindo idade avançada. Que o nome correto é Yoshiko Tesima; b) despesas médicas – no total de R$ 44.458,20 1 – R$ 5.797,26 informou estar apresentando o comprovante da dependência da pessoa indicada; 2 – R$ 20.305,20 O valor contestado se refere às despesas médicas glosadas por falta de comprovação do efetivo pagamento, para as quais informou estar apresentando os documentos, tais como extratos bancários, cheques, comprovantes de depósito(s) bancário(s), transferência(s) bancária(s) e/ou outro(s), com vistas à comprovação do efetivo pagamento das despesas. Segundo referiu, os pagamentos foram todos realizados conforme boletos e comprovantes de pagamentos efetuados pela pessoa física registrados em suas contas bancária dos bancos Itau e Citibank. Destacou o fato de ser sócio majoritário e administrador da empresa KESSHIN Representação Comercial Ltda, conforme contrato social. 3 R$ 18.355,74 CNPJ: 86.878.469/000143 SUL América Seguro Saúde S.A O valor contestado referese às despesas médicas glosadas por falta de comprovação do efetivo pagamento informou estar apresentando documentos, tais como extratos bancários, cheques, comprovantes de depósito(s) bancário(s), transferência(s) bancária(s) e/ou outro(s), com vistas à comprovação do efetivo pagamento das despesas. c) compensação indevida de imposto retido na fonte – no valor de R$ 33.684,70 fonte pagadora: Núcleo de Saúde e Ação Social Salute Sociale – aluguéis para o CPF 814.027.83868 – Erlindo Eiji Uemoto. Segundo afirmou, o valor contestado foi Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10730.723075/201647 Acórdão n.º 2002000.984 S2C0T2 Fl. 279 3 retido e informado na declaração de rendimentos em outro CNPJ e nome da outra fonte pagadora. Apresenta os seguintes argumentos: valor do aluguel bruto R$ 15.000,00, conforme cláusula primeira do contrato de locação; valor líquido recebido pelo contribuinte conforme depósito em conta bancaria do locador (Banco CITIBANK, Agencia 0001, Conta 53038665), conforme extrato consolidado do Banco CITIBANK em anexo, no qual estão indicados os valores líquidos recebidos em de 2013. A locatária (Núcleo de Saúde e Ação Social – Salute Sociale) reteve mensalmente o valor dos impostos a serem recolhidos. Juntamente com a defesa, apresentou cópias de documentos que foram anexados aos autos. A Impugnação foi julgada procedente em parte pela 4ª Turma da DRJ/POA em decisão assim ementada (efls. 143/148): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 DEDUÇÃO. DEPENDENTES.GLOSA.SOGRA. Não se tratando de declaração em conjunto com o cônjuge, é inadmissível a dedução de sogra, a título de dependente. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Devem ser mantidas as glosas das despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual, quando não comprovadas mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. COMPENSAÇÃO DE IRRF.CANCELAMENTO GLOSA. As informações apresentadas pela fonte pagadora em DIRF são prova dos rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte e do IRRF. Cientificado do acórdão de primeira instância em 18/09/2017 (efls. 151), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 11/10/2017 (efls. 153/154), acompanhado de documentos, com os argumentos a seguir sintetizados. Afirma que é casado em regime de comunhão parcial de bens, onde tudo que foi adquirido durante o casamento com salário ou investimentos de um ou de ambos é partilhável e pertence ao casal, ainda que o bem esteja no nome só do marido ou só da esposa. Alega que na declaração constam rendimentos de aluguéis e os imóveis são bens comuns do casal, não sendo possível dizer que a mesma não foi feita em conjunto. Sustenta que as despesas com a Sul América Seguro Saúde foram efetivamente pagas. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10730.723075/201647 Acórdão n.º 2002000.984 S2C0T2 Fl. 280 4 Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado por este Colegiado recai somente sobre as glosas de dependente e de despesas médicas mantidas na decisão recorrida. Sobre a dedução de dependentes, aplicase o disposto no art. 77 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, vigente à época, sendo R$ 2.063,64 o valor individual previsto para o ano calendário 2013, nos termos da Lei 9.250/95, art. 8º, II, "c", com redação dada pela Lei 12.469/11. No caso em exame a glosa referese à dependente Yoshiko Tesima, sogra do sujeito passivo. O julgamento de primeira instância manteve a infração apurada conforme razões a seguir reproduzidas (efls. 146/147): Relativamente à indicação da sogra como dependente na declaração de ajuste do contribuinte do exercício 2014, por inexistir previsão legal autorizadora nesse sentido deve ser mantida. Poderseia considerar a sogra como dependente da esposa, caso a declaração em referência fosse em conjunto. Mas, definitivamente, não é esse o caso dos autos, não tendo a cônjuge auferido rendimentos próprios nem rendimentos provenientes de bens comuns no anocalendário de 2013. Declaração de ajuste anexada às fls. 114/136 dos autos. Convém referir ser este o entendimento da jurisprudência administrativa. A seguir reproduzo a orientação da RFB, publicada no Manual de Orientação IRPF – Perguntas e Respostas 2014 PIR – Programa do Imposto sobre a Renda – 2014, que assim refere: SOGRO (A) 335 — A sogra ou sogro podem ser considerados dependentes na declaração do genro ou nora? De acordo com a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 35, os pais podem ser considerados dependentes na declaração dos filhos, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual (R$ 20.529,36). O sogro ou a sogra não podem ser dependentes, salvo se seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10730.723075/201647 Acórdão n.º 2002000.984 S2C0T2 Fl. 281 5 limite de isenção anual (R$ 20.529,36), nem estejam declarando em separado. O sogro ou a sogra podem ser dependentes na hipótese do seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual (R$ 20.529,36), nem estejam declarando em separado. E, ainda, que o filho ou a filha tenha auferido rendimentos e oferecido à tributação na declaração do cônjuge. Portanto, é de se manter a glosa da dedução da dependente, referente à sogra, no valor de R$ 2.063,64, por não constar na declaração do contribuinte constante nos autos, rendimento da filha, esposa do contribuinte. Também não constam rendimentos em seu nome nos sistemas da RFB. Em seu Recurso o interessado alega que existem rendimentos de aluguéis decorrentes de bens comuns informados na declaração em exame (efls. 115), o que de fato pode ser confirmado pelos documentos por ele apresentados: Certidão de Casamento onde consta que o seu matrimônio com Mikiko Tesima foi realizado em 1975 sob o regime de comunhão de bens (efls. 155), Escritura de Compra e Venda do imóvel situado à Av. Rio Branco 133 indicando que ele foi adquirido em 2005 (efls. 98/101) e Contrato Particular de Locação de Imóvel Comercial apontando a empresa Núcleo de Saúde e Ação Social como locatária do referido imóvel nos anos calendário 2012 a 2017 (efls. 91/97). Assim, tendo em vista que Mikiko Tesima apresentou declaração em conjunto com o sujeito passivo, uma vez que os rendimentos decorrentes de aluguel de bem comum do casal foram oferecidos à tributação na declaração em exame, cabe o restabelecimento da dependente Yoshiko Tesima no presente julgamento. Relativamente à dedução de despesas médicas, disciplinada pelo art. 80 do RIR/99, observase que a decisão de piso manteve a glosa dos valores declarados para a Sul América Seguro Saúde por falta de identificação dos beneficiários do plano e para a Prevent Senior Private por se tratar de plano de saúde de Yoshiko Tesima, dependente cuja glosa fora mantida pelo Colegiado a quo (efls. 147): O contribuinte, por ocasião da defesa, apresentou cópia do comprovante de despesas com plano de saúde (PREVENT) em nome de Yoshiko Tesima às fls. 18. Às fls. 19/41, constam cópias de boletos bancários e comprovantes de pagamentos. Os documentos citados não foram considerados por não ter sido comprovada a condição de dependente da citada pessoa. Glosa mantida no valor de R$ 5.797,26. Despesas com Sul América Saúde de R$ 20.305,20 e de 18.355,74 – conforme relatado pela fiscalização, os valores foram glosados em razão das despesas terem sido pagas pela empresa Kesshin Representação Comercial Ltda e não ter ficado comprovado os reembolsos à mesma. O contribuinte apresentou cópias de documentos quais sejam: boletos de pagamentos o plano de saúde do ano calendário 2013, comprovantes de pagamentos, declaração da Sul América Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10730.723075/201647 Acórdão n.º 2002000.984 S2C0T2 Fl. 282 6 Saúde em 2013, bem como movimentação bancária com o valor das mensalidades em nome do contribuinte. Convém referir, porém, não ter sido comprovado quais foram os beneficiários do plano de saúde. Observo que o contribuinte foi intimado por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 2014/790732177511225, datado em 02/08/2016, às fls. 113, que registra relação de documentos necessários para a comprovação das informações declaradas. O documento informa que relativamente à comprovação da despesa com plano de saúde “os valores devem estar discriminados por beneficiário”. O contribuinte não apresentou documento fornecido pela empresa Sul América com a identificação dos beneficiários do plano de saúde e os valores correspondentes. A ausência referida não permitiu confirmar se os dependentes tributários indicados na declaração de ajuste anual são os mesmos beneficiários do plano de saúde. Pelas razões expostas, fica mantida a glosa de R$ 44.458,20. Do exame dos documentos acostados ao Recurso verificase que o recorrente e sua esposa são os beneficiários do plano de saúde Sul América informado na declaração objeto do lançamento (efls. 219/242), devendo ser afastada a glosa dessa despesa. Por outro lado, ainda que a dependente Yoshiko Tesima tenha sido restabelecida no presente julgamento e que não mais exista a motivação apontada na decisão recorrida, observase que os boletos e seus comprovantes bancários demonstram o pagamento total de R$ 5.358,43 para a Prevent Senior Private no ano calendário 2013 e não o montante de R$ 5.797,26 declarado pelo contribuinte (efls. 244/268), cabendo portanto o restabelecimento parcial dessa despesa. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para restabelecer a dedução de dependente de R$ 2.063,64 e a dedução de despesas médicas de R$ 44.019,37. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911422/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1402-003.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.911414/2009-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.911414/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 14 22 /2 00 9- 29 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10580.911422/200929 Acórdão n.º 1402003.778 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório SOLL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de não confirmado na medida em que o recolhimento correspondente teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do despacho decisório antes do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da entrega da Declaração de Compensação DCOMP, a contribuinte alegou que teria prestado informação equivocada em DCTF, fato evidenciado depois que foi apresentada a Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) pertinente àquele ano. Assim, não assistiria razão para a não homologação da compensação, mesmo existindo erro na DCTF, em razão da Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) que fora feita e inteiramente acatada pela Receita Federal. Entendeu que a Receita Federal poderia promover tal correção, na medida em que emite notificações para cobrança quando constatadas divergências, e assim deveria observar o mesmo critério na compensação. Acrescentou que a DCTF foi retificada e pleiteou prazo complementar para trazer aos autos maiores informações e documentos. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos observando que a DCTF é confissão de dívida, e assim sua retificação somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se fundo, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo. Neste contexto, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado no pedido de restituição é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, mormente tendo em conta o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. Assim, como o erro não foi provado documentalmente por ocasião da manifestação de inconformidade, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Afirmou, ainda, o cabimento de encargos moratórios sobre débitos não pagos no vencimento, e observou que o prazo solicitado para anexação de novos documentos já havia se esgotado, sem que nada fosse apresentado. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10580.911422/200929 Acórdão n.º 1402003.778 S1C4T2 Fl. 4 3 acrescenta que, para sanear o processo, a Recorrente, além da DIPJ apresentada, traz outros documentos que sustentam o pleito, a saber: Demonstrativo do Lucro Real e Demonstração do Resultado transcrito no Livro Diário, correspondente ao trimestre in casu, bem como, os Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário contemporaneamente registrado na Junta Comercial. Observa que as normas que tratam da matéria não elencam documento obrigatório que seja prova suficiente da existência de direito de crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido, e reportandose ao art. 18 do Decreto nº 70.235/72, defende que o Julgador ao considerar a DIPJ como prova insuficiente para sua convicção, deveria, então, requerer em diligências a produção de provas ou mera confirmação dos créditos. Pede, assim, frente às provas apresentadas, que seja reconhecido o direito creditório e determinados os procedimentos necessários para a homologação dos débitos fiscais apresentados na PER/DCOMP in casu. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.767, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10580.911414/2009 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.767): O recurso voluntário é dotado dos pressupostos de admissibilidade e assim deve ser conhecido. O exame da DCOMP sob análise evidencia que o indébito utilizado em compensação, apesar de integrar pagamento totalmente vinculado a débito declarado em DCTF à época da edição do despacho decisório, é inferior à diferença entre o recolhimento indicado e o débito correspondente informado em DIPJ apresentada antes da edição do despacho decisório e contemporaneamente à transmissão da DCOMP. Confirmase, assim, a alegação da recorrente de que o indébito foi constatado por ocasião da apresentação da DIPJ, devendo apenas se ressalvar que tal se deu por ocasião da retificação da DIPJ original, mas ainda assim apresentada quase dois anos antes da análise pela autoridade fiscal que resultou no despacho decisório de não homologação sob debate. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.911422/200929 Acórdão n.º 1402003.778 S1C4T2 Fl. 5 4 A autoridade julgadora de 1ª instância expressou o entendimento de que, nos termos dos arts. 26 e 27 do Decreto nº 7.574/20111, faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, e que, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Observou que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, e que, na forma do art. 147, §1º do Código Tributário Nacional, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante depende da comprovação do erro em que se funde, e deve ser promovida antes da notificação do ato fiscal. Sob esta ótica, entendeu imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Em recurso voluntário, a contribuinte apresenta cópia do Livro Diário no qual está reproduzida a demonstração de resultado do período, bem como os ajustes correspondentes no LALUR, dos quais resulta o lucro real que, informado na DIPJ retificadora, origina os tributos devidos em valor inferior aos recolhidos e informados em DCTF. Contudo, desnecessária se mostra a confirmação da regularidade da escrituração fiscal e contábil assim apresentada, dado que esta Conselheira já apreciou litígio semelhante, assim decidindo nos termos do voto condutor do Acórdão nº 110100.536: Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.911422/200929 Acórdão n.º 1402003.778 S1C4T2 Fl. 6 5 nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.911422/200929 Acórdão n.º 1402003.778 S1C4T2 Fl. 7 6 declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.911422/200929 Acórdão n.º 1402003.778 S1C4T2 Fl. 8 7 § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.911422/200929 Acórdão n.º 1402003.778 S1C4T2 Fl. 9 8 § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.911422/200929 Acórdão n.º 1402003.778 S1C4T2 Fl. 10 9 Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.911422/200929 Acórdão n.º 1402003.778 S1C4T2 Fl. 11 10 período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. É certo que o entendimento assim exposto foi reformado pela 1ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9101002.766, que deu provimento a recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, consolidando seu entendimento na seguinte ementa: DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Todavia, o fato é que, embora não retificada a DCTF antes do procedimento de análise da compensação, a DIPJ retificada contemporaneamente à apresentação da DCOMP evidenciava débito inferior ao recolhido, em medida suficiente para justificar o indébito utilizado em compensação, conduta esta que o Fisco não poderia alegar desconhecimento, e que assim se presta a exigir verificação antes de se negar a existência do indébito correspondente a tributo sujeito a demonstração em DIPJ. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10580.911422/200929 Acórdão n.º 1402003.778 S1C4T2 Fl. 12 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 90DF CARF MF
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