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Numero do processo: 35464.000898/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/01/1994, 01/03/1994 a 30/04/1994, 01/06/1994 a 31/07/1994, 01/11/1994 a 30/11/1994
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.261
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4º do CTN.
Nome do relator: Adriana Sato
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35464.000898/2007-28 Recurso n° 152.529 Voluntário Acórdão n° 2301-00.261 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2009 Matéria Decadência Recorrente COSNTRUBASE ENGENHARIA LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/01/1994, 01/03/1994 a 30/04/1994, 01/06/1994 a 31/07/1994,01/11/1994 a 30/11/1994 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido k(\/ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • .; Processo n°35464.000898/2007-28 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00261 Fl. 132 ACORDAM os membros da 3 Câmara /1 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Viti:. aco .anilaram o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, l • .. . , V Vwi 'I* .1:" VIEIRA GOMES * id Ar'V OXa " • • • A O ' elatora . • _ Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vida! (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n°35464.000898/2007-28 S2-C3TI Acórdão n.° 2301-00.261 Fl. 133 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 17/12/2004, cuja ciência da Recorrente ocorreu em 03/01/2005 (fls.35), de contribuições destinadas a Seguridade Social da parte empresa e empregados relativo a prestação de serviços. De acordo com o Relatório Fiscal de fls.22/25, a empresa tomadora de serviços responde solidariamente com a prestadora de serviços pelas obrigações previdenciárias decorrentes de mão-de-obra colocada a sua disposição. Os serviços foram prestados nas obras de construção civil nas CEI 21.904.06430/75, 21.904.06429/79, 2L165.04927/74 e 21.345.05703/79 cujas notas fiscais foram lançadas na contabilidade. A Recorrente apresentou impugnação às fls. 37/46, e as co-responsáveis foram cientificadas da lavratura da NFLD através de edital (fls.62). Às fls.72/76 consta uma determinação de diligência fiscal para que a fiscalização se manifestasse em relação a alíquota mínima dos segurados considerando a redução da CPMF. Às fls.79181 consta a informação fiscal e às fls.82/92 a DN julgou o lançamento procedente. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso, alegando em síntese: Cerceamento de defesa; Precária fundamentação legal; A fiscalização não pode materializar e sustentar a existência de um débito sem ter efetuado a devida fiscalização junto ao prestador de serviços; Aferição indireta sem justificativa hábil. É o relatório. 11-5 3 Processo n°35464.000898/2007-28 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.261 Fl. 134 Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatora Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e aplico de oficio a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 em decorrência da edição da Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo Material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantemse higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, conto os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CM. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: • "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas 4 . e Processo e 35464.000898/2007-28 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.261 Fl. 135 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pelo Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei # 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2° O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões "sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. . § r O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a 1 interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre essas e a 1administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se através do Discriminativo Analítico do Débito que o recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173,1 do CTN. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento em 103/01/2005, fls.34, ficam alcançadas pela decadência todas contribuições objeto da presente NFLD. Em razão do exposto, aplico de oficio a decadência para DAR PROVIMENTO ao recurso interposto. SIS. , às Sessõ i , 06 de maio de 2009 P 1',Á • 0 A D • .-. . I ATO - RelatoraI, . _ - — _ _ s • Page 1 _0027500.PDF Page 1 _0027600.PDF Page 1 _0027700.PDF Page 1 _0027800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10293.720040/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL/INTERESSE ECOLÓGICA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental - ADA, fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto.
VALOR DA TERRA NUA - VTN SUBAVALIAÇÃO Para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha do SIPT, exige-se Laudo de Avaliação firmado por profissional habilitado, com os requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado. Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.793
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Odmir Fernandes (Relator) e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a área de utilização limitada (reserva legal) declarada. Designado para redigir o voto o Conselheiro Nelson Mallmann.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA VTN SUBAVALIAÇÃO Para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha do SIPT, exigese Laudo de Avaliação firmado por profissional habilitado, com os requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Odmir Fernandes (Relator) e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a área de utilização limitada (reserva legal) declarada. Designado para redigir o voto o Conselheiro Nelson Mallmann. (Assinado digitalmente) Fl. 298DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 2 Nelson Mallmann – Presidente e Redator (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odair Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília/DF, que manteve a autuação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício de 2003, acrescido de multa de 75% e juros de mora, no valor de R$ 9.091.143,98, tendo por objeto o imóvel denominado “Fazenda Catiana/Fazenda Cirópoli” cadastrado na RFB sob o nº 4.551.3112, com área declarada de 25.704,0 há, localizado no Município de Sena Madureira/AC., decorrente da revisão da DITR/2003. A autuação ocorreu porque o contribuinte, intimado, não comprovou a área de reserva legal e o VTN Valor da Terra Nua, declarado na DITR/2003. Houve glosa integral da área de utilização de reserva legal declarada, de 20.563,0 ha, e alteração do Valor da Terra Nua VTN declarado de R$12.000,00 (R$0,47/ha), que se considerou subavaliado, com arbitramento do valor de R$19.278.000,00 (R$750,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras SIPT, instituído pela Receita Federal, com aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, resultando imposto suplementar de R$3.855.120,00, conforme demonstrado às fls. 13. A decisão recorrida de fls. 143/169, com ciência em 08/09/2011, rejeitou as preliminares e não admitiu a exclusão da área da área ambiental declarada do ITR de 20.563 ha, pela falta de averbação na matrícula do imóvel e pela falta do Ato Declaratório Ambiental ADA. Manteve o VTN de R$ 19.278.000,00 (R$ 750,00/há), arbitrado com base no Sistema de Preço de Terras – SIPT, pela ausência de comprovação do valor declarado. Recurso Voluntário a fls. 174/260, onde sustenta nulidade do procedimento administrativo. No mérito, pede a isenção da área de reserva legal e de preservação declaradas ao ITR; sustenta que o VTN arbitrado ao contrariar o valor declarado houve confisco pela impossibilidade da utilização da área de reserva legal e de preservação permanente, sem utilidade econômica. Pede o cancelamento da exigência ou a redução dos juros e da multa. É o breve relatório. Voto. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 4 Voto Vencido Conselheiro Odmir Fernandes, relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve e ser conhecido. Sustenta inicialmente nulidade do procedimento administrativo por falta de notificação do lançamento; cerceamento de defesa pela falta e oportunidade para apresentar os documentos comprobatórios das informações declaradas na DITR; e erro na capitulação da infração. As preliminares não procedem. Não há qualquer nulidade a sanar, cerceamento de defesa ou erro na capitulação da infração. Parte das preliminares envolve o mérito e assim serão decididas. Também não alegou e nem se demonstrou qual o prejuízo processual das supostas nulidades. Sem essa demonstração não cabe reconhecer qualquer nulidade, salvo se absoluta. No mérito, tratase de autuação do ITR relativo à glosa da área de reserva legal e do VTN – Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte, ora Recorrente, sem a devida comprovação no entender da autuação e da decisão recorrida. Passo ao exame de cada uma das infrações. VTN Valor da Terra Nua A glosa do VTN ocorreu por entender a fiscalização que o valor declarado pelo autuado estava subavaliado, com isso, sem outros elementos utilizou o sistema de preço da Receita Federal. O Recorrente juntou Laudo de avaliação para comprovar o valor declarado do preço da terra nua do imóvel em R$12.000,00 (fls.112). Contudo, referido Laudo foi elaborado em 2007, e a exigência é do ano de 2003 e não se especifica nesse Laudo se a avaliação alcança o ano de 2003. Mais. Sustentou a decisão recorrida, sem contrariedade, que o mesmo Laudo foi utilizado, com o mesmo preço da terra este o detalhe, nos três anos consecutivos, 2003, 2004 e 2005, com idêntico valor, sem qualquer justificativa desse procedimento da manutenção do preço, sem alteração de um ano para o outro. De fato, relatamos três processos do mesmo autuado e todos com o mesmo Laudo e com o mesmo valor da terra nua para os diferentes períodos de 2003, 2004 e 2005, são eles, 10293.720040/200761, ano de 2003; 10293.720043/200703, ano de 2004; e 0293.720047/200783, ano de 2005. Com isso, a prova técnica trazida aos autos nesse aspecto se tonou totalmente imprestável e sem qualquer crédito para comprovar o valor da terra nua. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 4 5 Em consequência, na ausência de outra prova segura do preço deve prevalecer o valor constante do Sistema de Preços de Terras SIPT, instituído pela Receita Federal. Diante disso, andou bem a decisão recorrida e deve prevalecer na apuração do VTN. Área de reserva legal A decisão recorrida não área de reserva legal por falta do ADA e da averbação na matricula do imóvel. Temos posição fixada sobre a matéria. Em nosso sentir, não é necessário o ADA para permitir exclusão das áreas de reserva legal, preservação permanente, interesse ecológico da tributação o ITR; e nem a averbação na matrícula do imóvel, se o contribuinte consegue comprovar, por outros meios de prova firmes e extreme de dúvidas, notadamente laudo pericial subscrito por profissional habilitado, a existência efetiva dessas áreas de exclusão do imposto. A exigência do ADA se fez pelo acréscimo do art. 17O, pela Lei n° 10.165, de 2000, alterando a Lei no 6.938, de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, cujo artigo possui a seguinte redação: “Art. 17O”. ... § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR). Contudo, a Lei do ITR n° 9.393, de 1996, no art. 10 § 7o, com a redação dada pela Medida Provisória 216667 de 2001, posterior à lei 10.165, de 2000, estabelece: § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). Ora, a Lei no 6.938, de 1981, com a alteração da Lei n° Lei n° 10.165, de 2000, exige a prévia comprovação pelo ADA, mas a Lei n° 9.393, de 1996, com a redação da MP 216667, de 2001, não faz a prévia exigência. Deixa a critério do contribuinte a comprovação, da reserva legal, preservação permanente e servidão florestal ou ambiental, se questionado pela fiscalização. Há assim aparente conflito ou antinomia de normas no tempo, norma supletiva, especial e geral, que devem ser compatibilizadas pelo interprete e aplicador da lei. A Lei no 6.938, de 1981 é norma supletiva ou geral em relação ao ITR e a sua alteração pela Lei n° 10.165, de 2000. Por ser lei supletiva não pode derrogar ou revogar a Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 6 disposição normativa especifica da lei especial do ITR, sob pena de afronta à regra de aplicação e interpretação prevista na Lei de Introdução ao Código Civil. Vejamos. O Decretolei n° 4.657, de 1942 (com força de lei), com a redação dada pela Lei n° 12.376 de 2010, estabelece: “Art. 2o.”... § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Ofende ainda a cronológica das leis. A exigência do ADA veio com a Lei n° 10.165, editada no ano de 2000, enquanto a regra especifica do ITR que não faz a exigência é do ano de 2001 (MP 216667). Dessa forma, prevalece a regra da Lei do ITR, estabelecendo: “A declaração para fim de isenção do ITR, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante”. De outro lado, a tributação busca o aspecto material, os fatos reais praticados ou realizados pelo contribuinte, ou presuntivos, se previstos em lei. A obrigação principal – pagamento do tributo não pode se condicionar à formalidade “do ADA tempestivo”, apenas a existência do fato real comprovado por prova seguras da restrição ambiental, notadamente laudo firmado por profissional habilitado, sem contrariedade, no sentido de o imóvel possuir área de preservação permanente, sem utilização econômica. O ADA é mero ato declaratório ambiental, não se constitui sequer em obrigação acessória do ITR ou condição para dispensa do tributo. Contudo, feita a comprovação pelo ADA temos a dispensa da produção de outras provas. A averbação na matricula da Reserva Legal é registro da restrição do direito de propriedade, causa da limitação do domínio útil e da posse. Feita a averbação cabe à fiscalização demonstrar situação inversa, ou seja, a inexistência da área de reserva. Com a limitação, o proprietário passa a deter apenas o domínio direto ou a nuapropriedade, fica destituído de parte do domínio, dos poderes de usar e gozar a propriedade, mas permanece com obrigação de zelar e conservar o imóvel. O conflito do ITR entre fisco e contribuinte com a exclusão da base de cálculo ou isenção das áreas de restrição ambiental, seja de preservação permanente, utilização limitada, reserva legal, interesse ecológico e outras, desperta situação curiosa. De um lado a fiscalização, com exigência do ADA, tempestivo. De outro o contribuinte, comprovando por provas firmes que o imóvel é de preservação permanente, possui interesse ecológico, restrição de uso, reserva legal e mesmo assim, sem ADA tempestivo ou a matrícula contemporânea ao fato gerador, exigese a tributação. O ITR tem como fato gerador, na expressão constitucional, a propriedade em seu sentido amplo (art. 153, IV, da CF/88) do direito real na clássica definição do Código Civil Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 5 7 de usar, gozar, dispor e reivindicar (cf. art. 1228), mas o Código Tributário Nacional estendeu a tributação da propriedade ao titular do domínio útil e da posse, ao seu possuidor (art.29 e 31 do CTN). Domínio exige registro dominial dessa condição de dono no registro imobiliário. Posse ou possuidor, no alcance da tributação ao ITR, corresponde à posse aquisitiva com animus domini do domínio, ou ad usucapionen; posse com os poderes e atributos da propriedade para se submeter à tributação. Nas áreas de restrição, seja de reserva legal, preservação permanente, interesse ecológico, não se cuida de domínio útil, pois este se constitui pelo registro e a posse, com poder do domínio, por isso útil. É certo que o titular do domínio continua com a posse, mas esta posse, com a limitação não é a posse do possuidor com os poderes e atributos da propriedade para se sujeição ao ITR. Esta posse com restrição é posse precária, é detenção. O ITR, ao admitir a exclusão das áreas com restrição, reconhece a ausência da propriedade, do domínio útil e da posse ao seu titular, não podendo se falar em tributação das áreas de restrição, pela ausência do aspecto material e sujeição passiva do imposto. Na hipótese em exame, há averbação da Reserva Legal na matricula do imóvel (AV5 2085), realizada em 14.05.2004, com reconhecimento da área de 20.563,20ha de reserva legal (fls. 124, PDF), exatamente a área declarada pelo contribuinte recorrente. O Laudo pericial de fls. 98 a 113, elaborado em 31.08.2007, comprova a existência da área de reserva legal. Assim, é necessário admitir a exclusão da área diante da comprovação feita. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de reserva legal declarada, mantida a autuação em relação ao VTN. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 8 Voto Vencedor Conselheiro Nelson Mallmann, Redator Designado Com a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Odmir Fernandes, permitome divergir quanto à exclusão da tributação a integralidade da área de utilização limitada (reserva legal), acompanhando o voto do relator nas demais questões. Entende o nobre relator, que no caso em concreto, no que diz respeito à área de utilização limitada (reserva legal), o recorrente preencheu os requisitos previstos na legislação de regência, em razão da apresentação de laudo técnico. Contudo, não posso acompanhar o raciocínio do nobre relator, já que discordo frontalmente no que diz respeito ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, exigência mútua para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), além da exigência concomitante da averbação da área de reserva legal nos Cartórios de Registro, pelos motivos abaixo expostos. Não restam duvidas de que se confirmou o não cumprimento de uma exigência aplicada às áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR, qual seja, que as áreas de utilização limitada (área de reserva legal) sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento (do ADA). Para fins de um melhor entendimento da presente matéria (isenção das áreas cobertas por florestas nativas), se faz necessário a transcrição da Instrução Normativa nº 5, de 25 de março de 2009, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, verbis: Art. 1o O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. Art. 2o São áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR: I Área de Preservação Permanente APP: a) aquelas ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, descritas nos arts. 2o e 3o da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, e não incluídas nas áreas de reserva legal, com as exceções previstas na legislação em vigor, bem como não incluídas nas áreas cobertas por floresta nativa; Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 6 9 II Área de Reserva Legal: a) deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, ou mediante Termo de Compromisso de Averbação de Reserva Legal, com firma reconhecida do detentor da posse, para propriedade com documento de posse reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA; III Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural, prevista na Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000; IV Área Declarada de Interesse Ecológico: a) para proteção dos ecossistemas, declarada mediante ato do Poder Público competente, que contemple as Unidades de Conservação Federal, Estadual ou Municipal, de proteção integral ou de uso sustentável, comprovadamente contidas nos limites da unidade de conservação, caracterizadas sua limitação ao exercício do direito de propriedade; b) localizada em propriedade particular e que foi nominada e delimitada em ato do Poder Público Federal e Estadual, que contenha restrição de uso no mínimo igual à área de reserva legal; e c) comprovadamente imprestável para a atividade rural, declarada mediante ato do órgão competente federal ou estadual; V Área de Servidão Florestal ou Ambiental, prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente; VI Área Coberta por Florestas Nativas, aquela onde o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, conforme Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006; VII Área Alagada para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público, conforme Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008. Parágrafo único. As áreas enumeradas nos incisos I, II, V e VI deste artigo devem estar com vegetação natural não degradada ou as frações em estágio médio ou avançado de regeneração. Art. 3o O IBAMA, a qualquer tempo, poderá solicitar que sejam informadas as áreas tributáveis constantes do Relatório de Atividades do Cadastro Técnico Federal, quais sejam: I construções, instalações e benfeitorias; II culturas permanentes e temporárias; III pastagens cultivadas e melhoradas; e Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 10 IV florestas plantadas, área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas. Parágrafo único. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, o ADA substituirá o Relatório de Atividades e poderá conter informações sobre as atividades desenvolvidas nas áreas descritas nos incisos I à IV deste artigo. Art. 4o Os imóveis rurais que possuem áreas de reserva legal, de servidão florestal ou ambiental e área coberta por florestas nativas como compensação de outros imóveis rurais, de acordo com as normas estabelecidas na legislação, farão jus à isenção do ITR sobre essas áreas. Parágrafo único. É vedada a utilização de isenção pelos adquirentes de áreas de compensação. Art. 5o O proprietário rural que se beneficiar da isenção prevista no art. 2o desta Instrução Normativa deverá recolher junto ao IBAMA, anualmente, a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 28 de janeiro de 2000, a título de vistoria. Parágrafo único. A taxa de vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a 10% (dez por cento) do valor da redução do imposto, proporcionada pelo ADA, e terá como base de cálculo a área total da propriedade. Art. 6o O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). § 1o Para a apresentação do ADA não existem limites de tamanho de área do imóvel rural. § 2o O declarante da pequena propriedade rural ou posse rural familiar definidas na Lei no 4771, de 1965, poderá dirigirse a um dos órgãos descentralizados do IBAMA, onde poderá solicitar seja efetuada a transmissão das informações prestadas no ADAWeb. § 3o O ADA deverá ser entregue de 1o de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Art. 7o. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Art. 8o. O ADA será devidamente preenchido conforme informações constantes do Documento de Informação e Atualização CadastralDIAC do ITR, Documento de Informação e ApuraçãoDIAT do ITR e da Declaração para Cadastramento de Imóvel RuralDP do INCRA. Parágrafo único. Será necessário um ADA para cada número do imóvel na Receita Federal N I R F. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 7 11 Art. 9o. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber. Art. 10. Deverão constar no ADA os imóveis rurais daqueles declarantes que pleiteiam autorizações ou licenças junto ao IBAMA. Não há dúvidas que, a princípio, por se tratarem de áreas não tributáveis pelo Imposto Territorial Rural, cabe destacar que as áreas assim declaradas estão sujeitas à comprovação para serem aceitas, de acordo com a situação em que se enquadrem: 1 Reserva Legal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício e que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela MP n° 2.166, de 2001, art. 1°). Definição: São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos, devendo estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, art. 1º; RITR/2002, art. 12; IN SRF nº 256, de 2002, art. 11). 2 Reserva Legal do Patrimônio Natural — RPPN — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário (Decreto n° 1.922, de 1996 e Lei nº 9.985, de 2000, art.. 21); que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 9.985, de 2000, art. 21; Decreto n° 4.382, de 2002, art. 13, parágrafo único). Definição: São áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo IBAMA. (Lei nº 9.985, de 2000, art. 21; RITR/2002, art. 13; IN SRF nº 256, de 2002, art. 12). 3 Interesse Ecológico – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; reconhecimento, em caráter especifico, para determinada área, de órgão competente federal ou estadual (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, "b" e "c"). Definição: São áreas de interesse ecológico, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente, as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 12 ou estadual, que sejam: I destinadas à proteção dos ecossistemas, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não será aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14) 4 Servidão Florestal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela MP n° 2.16667, de 2001, art. 2°). Definição: São áreas de servidão florestal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizadas fora das áreas de reserva legal e de preservação permanente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001, art. 2º; RITR/2002, art. 14; IN SRF nº 256, de 2002, art. 13). 5 Para as áreas de Preservação Permanente – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício ou reconhecimento da área através de Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal acompanhado da ART (Anotação da Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT. As áreas de Preservação Permanente são as descritas na Lei n° 4.771, de 1965, artigos 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989, artigo 1°. Definição: São áreas de preservação permanente, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente: I As florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: de trinta metros para os cursos d’água de menos de dez metros de largura; de cinquenta metros para os cursos d’água que tenham de dez a cinquenta metros de largura; de cem metros para os cursos d’água que tenham de cinquenta a duzentos metros de largura; de duzentos metros para os cursos d’água que tenham de duzentos a seiscentos metros de largura; de quinhentos metros para os cursos d’água que tenham largura superior a seiscentos metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais; Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 8 13 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados “olhos d’água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a quarenta e cinco graus, equivalente a cem por cento na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação. II As florestas e demais formas de vegetação natural, declaradas de preservação permanente por ato do poder público, quando destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. 6 As Áreas Cobertas por Florestas Nativas (artigo 10 da Lei Federal n° 9.393, de 1996). Para exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao IBAMA, no prazo lega e a cada exercício, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º). Definição: São áreas cobertas por florestas nativas aquelas nas quais o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, onde o proprietário conserva a vegetação primária – de máxima expressão local, com grande diversidade biológica, e mínimos efeitos de ações humanas, bem como a vegetação secundária – resultante dos processos naturais de sucessão, após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações humanas ou causas naturais. Assim, verificase que uma das exigências prevista para justificar a exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR/2005, qualquer que sejam as suas reais dimensões, não foi Fl. 310DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 14 providenciada de forma tempestiva, qual seja, não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada às áreas de interesse ambiental, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento. No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de interesse ambiental. Como é de notório conhecimento, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de interesse ambiental cobertas por florestas nativas e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, é necessário que seja atendida uma condição essencial que a informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das áreas cobertas por florestas nativas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema, áreas cobertas por florestas nativas, bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) apresentado para o exercício e de forma tempestiva. Não tenho dúvidas, de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 9 15 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA. § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei. § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2002, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, de forma tempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado para as áreas de utilização limitada. Não é do desconhecimento deste Relator, que as áreas cobertas por florestas nativas, foram introduzidas especificamente nas áreas de interesse ambiental pelo art. 48 da Lei Federal nº 11.428, de 2006, verbis: Art. 48. O art. 10 da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 10.(...). § 1o (...). II –(...). d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; Fl. 312DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 16 Assim se manifesta o art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1993: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental;(Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental, conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 10 17 Não obstante a pretensão do requerente de comprovar nos autos a efetiva existência da área de utilização limitada/reserva legal no imóvel (materialidade) por meio do documento “Laudo de Avaliação do Imóvel”, cabe ressaltar que essa comprovação, no meu entendimento, não é suficiente para que a lide seja decidida a seu favor, pois o que se busca nos autos é a comprovação do reconhecimento das referidas áreas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio ou, no mínimo, a comprovação da protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Enfim, a solicitação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada à área de utilização limitada/reserva legal glosada pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter a glosa efetuada pela fiscalização em relação à área de utilização limitada/reserva legal. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso nesta parte, acompanhando o voto do relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 314DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 18471.001026/2006-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa:CUSTOS OU DESPESAS NÃO LIGADAS À ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE.
As despesas e os encargos não relacionados à atividade empresarial e à manutenção da fonte produtora não podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
GLOSA DE DESPESA. REAJUSTE DO LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL.
A glosa de despesa enseja o reajuste do lucro real. O reajuste deve ser considerado no cálculo da compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Aplica-se à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito entre ambos.
Numero da decisão: 1301-001.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, em NEGAR provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa:CUSTOS OU DESPESAS NÃO LIGADAS À ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE. As despesas e os encargos não relacionados à atividade empresarial e à manutenção da fonte produtora não podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. GLOSA DE DESPESA. REAJUSTE DO LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. A glosa de despesa enseja o reajuste do lucro real. O reajuste deve ser considerado no cálculo da compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Aplica-se à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito entre ambos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, em NEGAR provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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As despesas e os encargos não relacionados à atividade empresarial e à manutenção da fonte produtora não podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. GLOSA DE DESPESA. REAJUSTE DO LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. A glosa de despesa enseja o reajuste do lucro real. O reajuste deve ser considerado no cálculo da compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Aplicase à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito entre ambos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, em NEGAR provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 26 /2 00 6- 98 Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratase de auto de infração com ciência ao interessado em 20/10/2006, para exigência de IRPJ de R$ 25.879.185,29 e CSLL de R$ 9.320.870,60 mais acréscimos legais, totalizando o crédito tributário de R$ 85.356.867,23 (fls. 2). No curso do procedimento fiscal, a autoridade administrativa lançadora, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal IRPJ (fl. 334/338) e na descrição dos fatos do auto de infração, constatou as seguintes irregularidades: I — Custo ou despesas não comprovadas — glosa de despesas: caracterizada pela prática de operação mercantil que apresenta, conforme descrito no Termo de Verificação, "características distorcidas quando comparadas com o usual", no total de R$ 3.891.180,06; II — Custo, despesas operacionais e encargos não necessários: decorrente da apropriação ao resultado do montante de R$ 99.999.000,00 de despesas não necessária, cuja operação originária não foi comprovada. Anota a autoridade autuante que "a origem dessas despesas corresponde a disponibilidade inicial, de R$ 20.000.000,00 em 2001, cujo fluxo financeiro não foi comprovado"; Destaca ainda que "a partir de 01/01/1996, a legislação tributária realçou o conceito de despesa necessária, assegurando a dedutibilidade das mesmas tão somente quando estiverem intrinsecamente vinculadas com a área de produção ou comercialização". Conclui, constatando que "no caso efetivo, onde sequer o fato originário (entrada/utilização dos recursos disponibilizados em 31/012001) teve consecução — fls. 134, 209, 325, torna mais evidente a incompatibilidade da dedução desses valores..."; O enquadramento legal da autuação encontrase descrito às fls. 335, 336, 340 e 348/349. O interessado, apresenta impugnação (fls. 368/397), na qual faz um relato sobre sua história e as circunstâncias que julga relevantes para o entendimento do caso alegando, em síntese, que: Custo, despesas operacionais e encargos não necessários Desde 1999, encontravase tecnicamente falida; em função da crise de 1999, decidiu ajuizar medida judicial requerendo o reconhecimento ao direito do crédito prêmio de IPI, a fim de afastar a crise financeira que atravessava, obtendo decisão em primeira. instância a seu favor; A dificuldade na venda desses créditos, fez com que aceitasse proposta do empresário/investidor, Alejandro Young Sienra, pela qual seria pago ao interessado R$ 20.000.000,00 por uma participação de 50% no eventual resultado da venda de créditos prêmio Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 13 4 de IPI a terceiros, até um total de R$ 100.000.000,00. O recebimento da quantia seria imediato e não haveria obrigação de devolver o valor recebido do investidor, se não lograsse êxito na venda dos créditos de IPI, sendo o negócio fechado em 31/01/2001; O investidor transferiu para o interessado R$ 20.000.000,00 em quotas do Fundo Italtrust Preference, custodiados no exterior (Montevidéu/Uruguai). O interessado alega ter dado, imediatamente, a INTERPART (credora do interessado no exterior) as referidas quotas em garantia de dívida, renegociando o prazo de pagamento de seus débitos com a referida empresa; Em cumprimento ao acordado, o investidor e o interessado constituíram em 2001 a sociedade denominada DACMO, cujo capital foi subscrito no valor de R$ 30.000.000,00 pelo interessado, sendo em seguida cedido 100% (menos uma quota) ao investidor; Para melhor esclarecer, registro que além da subscrição feita pelo interessado no montante de R$ 30.000.000,00 (R$ 29.999.000,00 cedidas ao investidor) em 2001 (fls. 126/131), ocorreram mais duas subscrições efetuadas integralmente pelo interessado e cedidas ao investidor nos valores de R$ 25.000.000,00 e R$ 45.000.000,00 em 2002 (fls. 191/206). Esses valores foram apropriados ao resultado a título de "Prejuízo na Cessão de Créditos", fato que resultou na glosa procedida pela fiscalização no montante de R$ 99.999.000,00, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal IRPJ (fls. 334/338); Continua o interessado em sua impugnação alegando que: As despesas foram necessárias, pois se tal procedimento não fosse feito, provavelmente o interessado não sobreviveria até hoje; é irrelevante a alegação do fiscal autuante de que os R$ 20.000.000,00 não ingressaram no Brasil. Tal fato ocorreu por exigência do credor no exterior, para quem a aplicação financeira foi dada em garantia. A dívida está reconhecida e registrada junto ao Banco Central e na contabilidade; As perdas tiveram origem no recebimento dos R$ 20.000.000,00 em janeiro de 2001. Essa receita foi tributada e integrada uma única e indissociável operação com as perdas; se as perdas não fosse dedutíveis, somente poderiam ter sido lançado o resultado da operação R$ 20.000.000,00 menos R$ 100.000.000,00 (receita — perdas); ao glosar as perdas vinculadas aos recebimentos, a fiscalização deveria retificar de oficio as receitas, para que os ingressos decorrentes das cessões de crédito prêmio de IPI passassem a ser classificados como meros adiantamentos contabilizáveis no passivo circulante ou realizável a longo prazo até o trânsito em julgado da ação judicial; Custo ou despesas não comprovadas — glosa de despesas É irrelevante a experiência prévia no tipo de serviço prestado (intermediação de cessão de créditoprêmio de IPI); As sociedades prestadoras de serviço estavam aptas no CNPJ, embora estivessem inativas em exercícios precedentes e tenham tomado a ficarem inativas em exercícios subseqüentes; Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 14 5 Os pagamentos feitos não divergem de qualquer outro padrão de comissionamento e foram condicionados ao auferimento de recursos pelo interessado; Há documentação de suporte (contratos, recibos e notas fiscais); Compensação de prejuízos e base de cálculo negativa de CSLL A apuração da exigência fiscal deve ser refeita, para considerar os prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL acumulados. Pedido Encerra requerendo: o cancelamento integral do auto de infração ou; a retificação do lançamento para que somente a diferença do resultado da operação que gerou as perdas seja tributada ou; sejam compensados os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa de CSLL acumulados. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RIO DE JANEIRO I) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1213.388, de 28/02/2007 (fls.605), julgando procedente em parte o lançamento, tendo sido prolatada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS. A dedução dos dispêndios realizados a título de custos e despesas operacionais requer a prova documental, hábil e idônea, das respectivas operações e da necessidade às atividades da empresa. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS. Não comprovada a necessidade das despesas glosadas, deve ser mantido o lançamento. GLOSA DE DESPESA. REAJUSTE DO LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. A glosa de despesa enseja o reajuste do lucro real. O reajuste deve ser considerado no cálculo da compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Aplicase à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito entre ambos. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas RECURSO DE OFÍCIO Acatando as argumentações da recorrente que a apuração da exigência fiscal deve ser refeita, para considerar os prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL acumulados a Turma julgadora de primeiro instância, verificando no auto de infração que a autoridade fiscal ao proceder às glosas objeto do auto de infração lançado, não efetuou a compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL e, constatando a existência de saldos acumulados, entendeu que deve ser refeito o cálculo do montante apurado, para a realização das compensações até o limite de 30% sobre o valor das glosas efetuadas, desde que não ultrapasse 30% da nova base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O valor do crédito exonerado supera o limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, que revoga, a Portaria MF nº 375, de 2001, razão pela qual, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei 9.532/97, deve a decisão ser submetida à revisão necessária. Conheço do recurso. As inconsistências foram cuidadosamente analisadas pelo Relator do voto condutor do Acórdão recorrido e, considerando, assim, que a redução da matéria tributável conforme demonstrado no Quadro Demonstrativo Sintético ao final do voto, está em consonância com a legislação aplicável e com a jurisprudência deste Conselho, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Na peça recursal a autuada após relatar sobre sua história e as circunstância que julga relevantes para o entendimento do caso, em especial, a história do Crédito Prêmio de IPI, repete as argumentações iniciais (da impugnação) aduzindo sobre os tópicos (I) Custos, Despesas Operacionais e Encargos Não Necessários – ITEM 002 do AI, e (II) Custos ou Despesas Não Comprovadas – ITEM 001 do AI, os quais passo a analisar (na mesma ordem): 1) DOS AUTOS DE INFRAÇÃO (ITEM 002) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS. Neste tópico a autoridade fiscal constatou redução (baixa) no Passivo Circulante (financiamento de curto prazo) no montante de R$ 100.000.000,00 (Termo Fiscal de fl.323 e TVF as fls. 334). A recorrente alega tratarse de operação realizada com o empresário/investidor Sr. Alejandro Young Sienra, o qual pagaria a quantia de R$ Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 16 7 20.000.000,00 pelo direito de receber 50% da venda do Crédito Prêmio de IPI efetuado pela empresa recorrente a terceiro, limitado ao montante de R$ 100.000.000,00. A fim de dar cumprimento ao contrato, a interessada subscreveu quotas de capital da empresa DACMO Holding Ltda, no montante de R$ 30.000.000,00, em 2001 (fls. 126/131), de R$ 25.000.000,00 e R$ 45.000.000,00, em 2002 (fls. 191/206), cedendoas imediatamente ao investidor. Esses valores foram apropriados ao resultado do exercício pelo interessado a título de "Prejuízo na Cessão de Créditos" (débito) e registrado no passivo (crédito). Informa a interessada, que recebeu do investidor R$ 20.000.000,00, mediante transferência de quotas do Fundo Itautrust Preference, as quais foram dadas em garantia de dívida pelo interessado a um credor estrangeiro. A autoridade autuante em seu Termo de Verificação Fiscal informa que intimado a comprovar o ingresso no Brasil dos R$ 20.000.000,00, a interessada não o fez. Desta forma, o autuante concluiu que os recursos não foram internados no Brasil, não houve o efetivo trânsito de numerário e que os recursos nunca foram utilizados pelo interessado (fls. 334/338). Alega a interessada que é irrelevante o ingresso dos recursos no Brasil e que tal fato não ocorreu, por exigência do credor estrangeiro, para quem a aplicação financeira foi dada em garantia. Afirma que a dívida está reconhecida e registrada junto ao Banco Central e na contabilidade e que aceitou as condições especiais de negociação com o investidor, realizada em 2001, haja vista a delicada situação financeira que atravessava desde 1999. Com relação a este item do auto de infração, extraio a seguinte conclusão do voto condutor: “Da análise dos argumentos e da documentação acostada aos autos pelo interessado, verificase que de fato a operação financeira inicial recebimento pelo interessado do montante de R$ 20.000.000,00 que serviu de suporte ao registro das despesas/perdas, não restou comprovada. Quanto às quotas do fundo de investimento, no valor de R$ 20.000.000,00, a interessada, apesar de alegar, não traz aos autos documentos que comprovem a transferência de titularidade: nem do investidor para o interessado, nem deste para o credor estrangeiro. No que tange ao registro da dívida no Banco Central e na contabilidade, há de se esclarecer que esse fato não permite concluir que as quotas do fundo de investimento foram dadas em garantia da dívida com credor estrangeiro, tampouco que os recursos financeiros tenham sido entregues ao interessado. Ressaltese ainda que a referida dívida não tem relação direta com a glosa efetuada pela autoridade autuante. Ademais, o valor a ser pago pelo investidor (R$ 20.000.000,00) está intimamente ligado ao resultado obtido com a venda de créditoprêmio de IPI. Se o interessado subscreveu capital da DACMO Holding Ltda e em seguida cedeu ao investidor, assumindo perdas nessa cessão, essas jamais poderiam ser dedutíveis, por caracterizarem mera liberalidade do interessado. Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 17 8 Ainda que se admitisse a apropriação dessa perda, é importante ressaltar que não há nos autos comprovantes de que a negociação do créditoprêmio de IPI, que ensejou a subscrição de capital da empresa DACMO Holding Ltda (item 2.a, fl. 122), efetivamente tenha ocorrido, assim como falta comprovação de que a referida receita de venda de créditoprêmio de IPI foi escriturada e oferecida à tributação. Nesse momento, devese registrar que a receita referente ao créditoprêmio de IPI (Linha 06A/02 da DIPJ) que integra a base de cálculo do IRPJ e da CSLL não se refere à venda para terceiros. Decorre do valor de créditosprêmio de IPI concedidos pela exportação de produtos, conforme se observa na orientação contida no manual de preenchimento do IRPJ, a seguir transcrita: [...] Quanto à alegação do interessado de que ofereceu à tributação os recursos recebidos do investidor/empresário (R$20.000.000,00), devese esclarecer que esse fato não autoriza a apropriação ao resultado de perdas/despesas em montante equivalente a cinco vezes a receita reconhecida (R$100.000.000,00), sem que haja a comprovação da ocorrência efetiva da operação. Ademais, nos autos, não há como concluir que a referida receita compôs a base de cálculo do IRPJ e CSLL. Observando a DIPJ do anocalendário 2001, verificase pela informação mensal de faturamento/receita bruta do mês de janeiro da COFINS/PIS (obs: a operação ocorreu em janeiro de 2001 fls. 122/123) que o montante declarado está abaixo dos R$ 20.000.001,00 (fls. 95 e 101).” Ressaltese, que neste ponto, os membros da Sétima Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, julgando exatamente os autos do presente processo, resolve, por unanimidade, converter o julgamento em diligência (Resolução 1070707 as fls. 1045), para se verificar junto à escrituração contábil e fiscal da recorrente se o valor de R$ 20.000.000,00, de fato, foi ou não oferecido à tributação (ano calendário de 2001). Consta do Termo de Intimação Fiscal de fl. 1057: “Apresentar escrituração contábil e fiscal, acompanhada de documentação de respaldo, referente ao reconhecimento de R$ 20.000.000,00 como receita tributável no anocalendário 2001, ou seja, o intimado deverá apresentar toda documentação que julgue necessária para comprovar a efetiva tributação do mencionado valor; Identificar, caso proceda, a correlação desse valor (R$ 20.000.000,00) com a rubrica CRÉDITO PRÊMIO DE IPI — conta 3207001.00896 e com o declarado na DIPJ 2002 — ficha A. linha 03”. Conclusão do Relatório Fiscal de diligência de fls.1105/1106: “da análise efetiva do caso, em 31/01/2001 (fls. 329) foi apresentada cópia do RAZÃO onde o valor de R$ 20.000.000,00 é lançado à DEBITO da conta 1103062/ITAUTRUST S/A e à CRÉDITO da conta 3207001/ CRÉDITO PRÊMIO DE IPI; o lançamento contábil comprovaria, segundo o impugnante, o oferecimento desse valor à tributação, conforme documento datado de 12/12/2008 (fls. 1070 e seguintes). Nessa mesma peça, é apresentado quadro demonstrativo da apuração da conta Receita de Crédito Prêmio de IPI na DIPJ (fls. 83), no total declarado de R$ 76.898.910,36, sendo que neste quadro demonstrativo temos a totalização de R$ Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 18 9 76.765.853,38, diferente do declarado na DIPJ 2002 (apontado no VOTO do Conselheiro JAYME JUAREZ GROTTO Relator fls. 1050, 5o. Parágrafo). da Intimação fiscal de fls.1057, datada de 14/11/2008, foi solicitada "... documentação que julgue necessária para comprovar a tributação do mencionado valor...)"; no atendimento ao referido termo, não foram apresentados dados que justificassem a falta de tributação do valor de R$ 20.000.000,00 quanto ao PIS (fls. 95), bem como da COFINS (fls. 101), solução que pode ser configurada quando da reabertura de prazo para manifestação do impugnante referente à presente peça, e que daria maior respaldo a suas pretensões. outrossim, é de forte constatação o intento do contribuinte em pleitear a redução dos R$ 20.000.000,00 dos valores glosados e que seriam oriundos dessas aplicações financeiras no exterior (recursos esses que NUNCA ingressaram no país, NUNCA foram aqui aplicados tendo, entretanto, gerado deduções equivalentes a CINCO VEZES seu valor e cuja contrapartida dessas "disponibilidades" — vultosas despesas deduzidas — eram aplicadas ao belprazer do impugnante – na capitalização da DACMO HOLDING LTDA. Entendo, s.m.j., que o intento do legislador (art. 299 do RIR/99) em autorizar a dedução de despesas e encargos na pessoa Jurídica, seja que o empreendedor reduza o valor empregado no empreendimento, ou seja, que estabeleça o lucro agregado quanto ao valor aplicado na geração da riqueza tributável. No caso em questão NÃO EXISTE DÚVIDA que tal preceito não foi verificado. O lançamento de Oficio teve origem nas glosas das despesas oriundas desse numerário nunca internado no Brasil e que nunca gerou receitas; ainda, se o valor originário de R$ 20.000.000,00 foi oferecido à tributação no Exercício 2002 , como pode o impugnante pleitear a redução desse montante do valor glosado como despesa a ele referente? Como, também, pode pleitear dedução de um valor que nunca transitou no país? É o que tenho a relatar.” Manifestação da recorrente com relação ao Relatório Fiscal da diligência, trecho do essencial (fls.110): “06. A diligência em questão tinha por objetivo único verificar se o valor de R$ 20 milhões haviam sido oferecidos à tributação, como de fato foram. 07. Ocorre que, ao invés de apresentar resposta concreta à questão formulada, o r. fiscal que levou a diligência a efeito restringiuse a afirmar que o auto de infração estaria correto porque os R$ 20 milhões recebidos inicialmente não ingressaram no Brasil e nem foram aqui aplicados. Vale registrar que a diligência foi conduzida pelo mesmo fiscal que lavrou o auto de infração, o que não é vedado, mas não se trata de uma boa política. 08. Como se percebe, a sustentação do d. fiscal não responde à concreta pergunta formulada na Resolução: os R$ 20 milhões foram tributados? A resposta é sim. Como se pode averiguar isso? Respondese: mediante análise da conta em que o valor foi registrado, a conta de resultado 32.07.001 Crédito Prêmio de IPI. Se o valor nela creditado não restou posteriormente debitado e se não houve exclusão via Lalur, o valor foi oferecido à tributação. Para tanto, apresentase outra vez cópias dos Livros Diário e Razão, bem como do Plano de Contas e do LALUR. 09. Vale notar que é irrelevante a entrada do capital no Brasil. A RECORRENTE é uma Trading Company cujas operações com o exterior sempre foram a regra. Ademais, como já esclarecido, o valor foi dado em garantia de Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 19 10 vultosas dívidas acumuladas com os parceiros comerciais da RECORRENTE, no exterior. 10 . E, por fim, para que não fique sem registro, a RECORRENTE não conseguiu identificar a razão da diferença entre o saldo de R$ 76.765.853,38 constante da Conta receita de CréditoPrêmio de IPI e os R$ 76.898.910,36 que ofereceu à tributação, conforme mencionado no voto do relator de fls. 1050. Com efeito, isso resultou em um oferecimento a maior à tributação de R$ 133.056,98, ou 0,1733% do resultado dessa operação.” Retorna os autos a julgamento. Em que pese considerar irrelevante ao deslinde do ponto crucial neste tópico – Glosa de Despesas Desnecessárias, tenho para mim que não restou comprovado, nos autos, o oferecimento à tributação da receita no valor de R$ 20.000.000,00 contabilizada no Razão apresentado conta 32.07.001Crédito Prêmio de IPI. Na DIPJ do ano calendário de 2001, Ficha 06A, (Receita Crédito Prêmio de IPI), registrase o valor de R$ 76.898.910,36 (fl. 83), e no Quadro Demonstrativo apresentado consta o valor de R$ 76.765.853,38, cuja diferença a recorrente não consegue aclarar, muito menos identificar se os R$ 20.000.000,00, de fato, compõe este saldo, mesmo porque conforme já registrado a receita referente ao créditoprêmio de IPI (Linha 06A/02 da DIPJ) que integra a base de cálculo do IRPJ e da CSLL não se refere à venda para terceiros. Nesta linha da DIPJ são registrados os valores de créditosprêmio de IPI concedidos pela exportação de produtos, conforme se observa na orientação contida no manual de preenchimento do IRPJ. Convém lembrar que, caso se trate de venda a terceiros ocorre a incidência da tributação da Cofins e da contribuição ao Pis. De se ressaltar que, quando um gasto não corresponder a algo recebido, a hipótese tributária caracterizarseá como redução indevida do resultado do exercício. Ademais, como bem assentado no voto combatido, o valor a ser pago pelo investidor (R$ 20.000.000,00) está intimamente ligado ao resultado obtido com a venda de créditoprêmio de IPI. Se o interessado subscreveu capital da DACMO Holding Ltda e em seguida cedeu ao investidor, assumindo perdas nessa cessão, essas (perdas) jamais poderiam ser dedutíveis, por caracterizarem mera liberalidade do interessado. Quanto à alegação do interessado de que ofereceu à tributação os recursos recebidos do investidor/empresário (R$20.000.000,00), devese esclarecer que esse fato não autoriza a apropriação ao resultado de perdas/despesas em montante equivalente a cinco vezes a receita reconhecida (R$100.000.000,00), sem que haja a comprovação da ocorrência efetiva da operação. Por pertinente, transcrevo o art. 299, do RIR/1999: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei 4.506, de 1964, art. 47). O Código Nacional da Atividade Econômica (CNAE) da empresa autuada traz como sua atividade “Representação Comercial a Agente do Comércio de Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo”. Com alteração do objeto social, em 30/04/2007, da Companhia passando o Art.3° a ter a seguinte redação: "A Companhia tem por objetivo a exportação e importação, por conta própria ou de terceiros, comércio atacadista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, o transporte, o armazenamento, a comercialização e distribuição de matériasprimas, de produtos Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 20 11 manufaturados, industrializados e agropecuários, a prestação de serviços e representações comerciais por conta de terceiros, podendo ainda Companhia participar de outras sociedades, como sócia ou acionista." Como se vê, houve toda uma estruturação de negócios no sentido de reduzir a carga tributária. Não se discute que o empresário pode gerir seus negócios com inteira liberdade, inclusive sendo lícito e até desejável fazêlo de forma a obter maior economia de tributos possível. Há, todavia, uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam exclusivamente reduzir artificialmente a carga tributária. No presente caso, a essência da acusação é de que a fiscalizada assumiu os ônus de perdas ao ceder quotas que integralizou na DACMO Holding Ltda. Apenas considerou que os encargos dele decorrentes são indedutíveis por desnecessários. Por todo o até aqui exposto, reputo legítima a glosa pois os valores decorrentes da assunção contratual pela pessoa jurídica recorrente, por fugirem aos conceitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos na legislação de regência, e violarem os pressupostos de estrita conexão com atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. 2) DOS AUTOS DE INFRAÇÃO (ITEM 001) CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Os argumentos da recorrente são os mesmos já trazidos em sede de impugnação, e que foram devidamente afastados pela decisão recorrida. Peço vênia para transcrever, a seguir, argumentos do voto condutor do acórdão, com os quais concordo e, desde já, adoto como razões de decidir. “No curso do procedimento fiscal a autoridade administrativa glosou o montante de R$ 3.891.180,06, apropriados como "despesas de vendas 3202108/comissões", referente às notas fiscais emitidas pelas empresas Vertex Empreendimentos S/C Ltda e Fronteira Assessoria e Empreendimentos Ltda. 63 Intimado a prestar esclarecimentos sobre os valores registrados na referida conta (fls. 258), o interessado informou que as citadas empresas prestadoras de serviços assessoraram o interessado na transferência de créditoprêmio de IPI para algumas empresas, auferindo comissão conforme contratos juntados às fls. 262/269. 64 Em procedimento de diligência junto à empresa Fronteira Ltda, a autoridade autuante solicitou diversos documentos e esclarecimentos (fl. 277), relatando em seu Termo de Verificação Fiscal IRPJ (fls. 334/338) os fatos constatados, que entendeu relevantes para a glosa da despesa, dentre os quais se deve destacar: 65 — a empresa Fronteira Ltda, constituída em 06/02/1998, auferiu receita apenas no ano calendário de 2003, emitindo somente 4 (quatro) notas fiscais, dentre as quais 2 (duas) em nome do interessado; essas totalizaram R$ 3.441.180,06. Nos anos calendários 2000, 2001, 2002 e 2005 apresentou DIPJ como Inativa; em 2004, como lucro presumido, declarou receita bruta igual a zero; Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 21 12 66 — a referida empresa intimada a descrever sucintamente os serviços que prestou, esclareceu que se referia a "comissionamento pela venda de crédito tributário autorizada judicialmente"; 67 através do Livro Registro de Empregados, o autuante constatou a ausência de empregados, destacando o fato de a empresa apresentarse como Fronteira Distribuidora de Combustíveis Ltda (fls. 314/316); 68 — dentre os documentos apresentados pela Fronteira Ltda, o autuante junta à fl. 320, cópia de cheque datado de 07/11/2003, no valor de R$ 28.451,70, nominal a SIMAB S/A (interessado); recibo de depósito, com mesma data e valor; documento onde se verifica o seguinte histórico: "devolução de retenção de IR". Cabe observar que R$ 28.451,70 corresponde a 1,5% de R$ 1.896.780,06, valor constante na nota fiscal emitida por Fronteira Ltda em favor de SIMAB S/A (fl. 318). 69 Da análise dos autos, verificase que de fato as despesas apropriadas a título de comissão estão respaldadas em documentos que deixam dúvidas acerca da efetiva prestação de serviços. 70 Em sede de impugnação, o interessado alega que a experiência prévia no tipo de serviço prestado é irrelevante, que as sociedades prestadoras de serviço estavam aptas no CNPJ e que os pagamentos feitos não divergem do padrão de comissionamento e foram condicionados ao auferimento de recursos pelo interessado. 71 Tais argumentos não afastam inverossimilhança apontada pela autoridade autuante. 72 O fato de estar ativa não impede que empresas emitam notas fiscais sem que a prestação de serviços tenha se efetivado. 73 Em se tratando de operação cujo volume financeiro do negócio envolvido ultrapassa R$ 70.000.000,00, conforme documentos juntados pelo interessado (fls. 496/529), entendo que é indispensável a experiência prévia no tipo de serviço prestado, mesmo que condicionado ao auferimento de resultados. 74 Difícil crer que a empresa Fronteira Distribuidora de Combustível Automotivo Ltda, inativa, depois de alterar o nome empresarial, repentinamente fatura em 4 (quatro) operações R$ 4.357.701,54, prestando serviços de "comissionamento pela venda de crédito tributário autorizada judicialmente" e posteriormente volta à inatividade, abandonando negócio de vultoso faturamento, o qual dispensa inclusive contratação de empregados (fls. 313/319). 75 Outro fato não menos curioso, destacado pela autoridade autuante, é a devolução de Imposto de Renda efetuada pela Fronteira Ltda em favor de SIMAB S/A (fls. 320). 76 O interessado alega que a devolução ocorreu em virtude de o pagamento da prestação de serviço ter sido efetuado integralmente à Fronteira Ltda sem a devida retenção do IRRF. Informa que em seguida procedeu ao recolhimento e que a prestadora de serviço lhe restituiu o valor, pois representaria pagamento em duplicidade. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 22 13 77 Embora alegue, o interessado não comprova nem o pagamento efetuado de forma integral (incluindo o IRRF), isto é, no montante de R$ 1.896.780,06, tampouco o recolhimento do IRRF de R$ 28.451,70. 78 Cabe observar que o interessado junta aos autos solicitações de transferências bancárias às fls. 526 e 528, referentes às notas fiscais juntadas às fls. 525 e 527 respectivamente, mas não acosta aos autos sequer o referido documento relativo à nota fiscal de R$ 1.896.780,06 (fl. 529). 79 Sendo assim, ante as características apontadas assiste razão à fiscalização a considerar inverossímil a operação realizada entre as empresas Vertex Empreendimentos S/C Ltda (contratada cedente), Fronteira Assessoria e Empreendimentos Ltda (contratada cessionária) e SIMAB S/A (contratante), implicando a glosa de despesas no montante de R$ 3.891.180,06 (fls. 260/275).” Entendo, neste item, que a fiscalização reuniu provas ou mesmo indícios, de que os serviços não foram ou não poderiam ter sido prestados. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face a legislação do imposto de renda, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. Pelos fatos discorridos mantenho a glosa. LANÇAMENTO DECORRENTE À exigência reflexa (CSLL), aplicase o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito entre ambos. Por tudo o quanto exposto,conduzo meu voto no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, devendo permanecer as exigências discriminadas no quadro IRPJ MANTIDO e CSLL MANTIDA do voto condutor. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 12267.000131/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2002
CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS - PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR - NATUREZA SALARIAL - RECOLHIMENTO DA PARTE DO CRÉDITO REMANESCENTE - RECONHECIMENTO DA DÍVIDA.
O pagamento da parte remanescente do crédito, importa reconhecimento do debito, determinando a concordância com a NFLD lavrada, não havendo o que ser apreciado no recurso.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2002 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NFLD - RECURSO DE OFÍCIO - VALOR DE ALÇADA
O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais). Recurso de Ofício e Voluntário Não Conhecidos
Numero da decisão: 2401-002.360
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) não conhecer do recurso de ofício; e II) não conhecer do recurso voluntário.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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O pagamento da parte remanescente do crédito, importa reconhecimento do debito, determinando a concordância com a NFLD lavrada, não havendo o que ser apreciado no recurso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2002 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RECURSO DE OFÍCIO VALOR DE ALÇADA O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais). Recurso de Ofício e Voluntário Não Conhecidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) não conhecer do recurso de ofício; e II) não conhecer do recurso voluntário. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 12267.000131/200819 Acórdão n.º 2401002.360 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente NFLD, lavrado sob o n. 37.086.1264, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os seguintes sobre os pagamentos feitos aos segurados empregados conforme descrito no relatório fiscal, fls. 86 a 89: O lançamento envolve o período de 09/2001 a 11/2002. Conforme descrito no relatório fiscal a ação fiscal tem por escopo a verificação de FATO GERADOR ESPECÍFICO: Auditoria Básica na remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. A empresa é constituída sob a forma de sociedade anônima, tendo por objeto social: "... a instalação e exploração de estações radio difusoras (rádio e televisão), serviços auxiliares de radiodifusão e serviços de telecomunicações de qualquer natureza, de acordo com os atos de outorga, permissões ou concessões, que venha a obter do Governo Federal. A execução. Em 14/09/2007 e em 17/10/2007 foram entregues novos TIAD, mais específicos, solicitando, dentre outros, os seguintes documentos: > Contrato celebrado com UNIBANCO AIG S/A Seguros e Previdência, relativo ao Plano de Previdência Privada (empregados, diretores e gerentes); > Relação dos valores descontados dos segurados e aportes efetuados pela empresa, relativos ao Plano de Previdência Privada (discriminados por segurado). 8. Não foram identificados, na contabilidade ou nas FP, quaisquer descontos relativos a participação dos segurados no custeio do referido plano. Indagada sobre a questão, a empresa confirmou a não participação dos mesmos. Com relação aos aportes efetuados, a empresa deixou de exibir a relação individualizada, por segurado, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração AI DEBCAD N° 37.086.1280: Em suma, o aporte de recursos efetuado pela provedora constitui base de cálculo para incidência da contribuição previdenciária oficial, uma vez que tem natureza assistencial e está desprovido de caráter isentivo, pois não previsto no rol taxativo do § 9o do art. 28 da Lei N° 8.212/91. 45. Acrescentese, a título de nota, que em todos os sistemas de previdência, onde há a existência de patrocinadora, deve haver a contribuição ou cota individual e a respectiva contrapartida Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 empresarial ou patronal. Assim, inclusive, está disposto no art. 202 da Lei Maior: "§ 3 o E vedado o aporte de recursos a entidade de previdência privada pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, suas autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista e outras entidades públicas, salvo na qualidade de patrocinador, situação na qual, em hipótese alguma, sua contribuição normal poderá exceder a do segurado. " (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) 46. A competência do órgão fiscalizador tributário, não se confunde com a do órgão fiscalizador atuarial. Este tem por finalidade primordial constatar a análise e evolução atuarial para que a entidade de previdência complementar, aberta ou fechada, tenha capacidade de saldar o compromisso de pagamento dos benefícios previstos nos respectivos programas de previdência; aquele tem o poderdever de verificar o cumprimento das obrigações fiscais, identificando o fato gerador da exação previdenciária, prevista, em regra, na Lei de Custeio. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 29/10/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 30/10/2007. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls126 a 164. Da Análise Constitucional 1. A previdência privada possui características diferentes da previdência social, pois conforme prevê o art. 202 da CF, é um sistema meramente complementar à proteção previdenciária social, onde os segurados têm a faculdade de ingressar em um modelo de capitalização diverso e, ao assim escolherem, obrigamse a constituir uma reserva específica que, irá subvencionar os benefícios por eles contratados. Assim, o sistema previdenciário privado se pauta pela facultatividade, podendo ou não ter natureza contributiva. 2. O que distingue os dois sistemas é a composição de um fundo de onde sairão os recursos que irão financiar os benefícios. Se a contribuição for destinada ao fundo criado pelo Regime Geral de Previdência Social, para financiamento do bem estar social, estamos diante da previdência social. Por outro lado, se a contribuição for destinada a um fundo complementar e específico, administrado por uma entidade aberta ou fechada de previdência complementar, estamos diante da previdência privada, sistema este que não deve ser confundido com o sistema assistencial. 3. O artigo 204 da CF não deixa dúvidas de que há uma contributividade indireta ao sistema assistencial, cujo financiamento não advirá de um fundo específico, mas sim dos cofres da União, diferentemente do que ocorre com o sistema previdenciário complementar, que conta com recursos advindos exclusivamente das contribuições efetuadas pela instituidora (empregador) e pelo participante(empregado), conforme o caso Da Análise da lei Complementar 5.4. A característica contratual dos planos de previdência complementar obedece ao princípio da autonomia da vontade, pelo qual é garantido aos particulares contratarem entre si a extensão, limites ou efeitos de seus negócios jurídicos, ressalvadas algumas premissas previstas na legislação contratual. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 12267.000131/200819 Acórdão n.º 2401002.360 S2C4T1 Fl. 3 5 4. A lei define a generalidade, mas caberá às partes contratarem livremente, respeitados os limites legais. No que toca à questão da contribuição, a lei complementar não institui qualquer limitação ou determina qualquer forma específica, restando, portanto, à vontade das partes, decidirem como será formada a reserva da qual sairão os pagamentos dos benefícios previdenciários futuros.A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. 5. Em relação aos planos de previdência complementar adquiridos pelas pessoas jurídicas de natureza privada, excluindose aqui as de economia mista e as empresas estatais, é dada a possibilidade de estabelecer livremente o critério de custeio dos planos. As relações de previdência complementar são consubstanciadas por contratos por meio dos quais os participantes (empregados) e a instituidora (empregadora), conforme o caso, contribuem para um plano de previdência complementar no intuito de que tais recursos sejam revertidos aos respectivos participantes, através do benefício previdenciário, nos termos e condições estabelecidas contratualmente. Da natureza assistencial dos planos administrados pelas entidades fechadas de previdência complementar 6. A fiscalização pretendeu dar ares de legitimidade às suas alegações, quando cita no item 40 do relatório fiscal trecho do livro de Wladimar Novaes Martinez, onde ele supostamente definiria a natureza assistencial quando há custeio integral do plano de previdência complementar pela empresa, Tal alegação não se mantém em face da realidade dos fatos e do contexto do trecho transcrito. 7. O trecho citado não trata sobre natureza jurídica do plano de previdência como um todo, mas sim da natureza jurídica dos pagamentos assistenciais que podem ser oferecidos por entidades Fechadas de previdência complementar. Tratase de benéfico supletivo ao programa de previdência complementar, compreendendo a assistência social e a saúde, de caráter facultativo para o patrocinador. 8. Não é o caso do plano contratado pela ora Impugnante, que prevê apenas a contratação do plano previdenciário, não havendo qualquer referência ao plano de natureza assistencial, o que nem poderia ocorrer, pois estes planos, conforme previsto no art 76 da Lei Complementar 109/01 somente poderiam ser administrados por entidades Fechadas de previdência complementar, o que não é o caso do Unibanco AIG. 9. O autor apenas diz que quando as entidades fechadas de previdência complementar fizerem pagamentos relativos a serviços assistências ( assistência médica, farmacêutica, etc), estes pagamentos têm natureza assistencial, mas não diz em momento algum que o plano de previdência custeado integralmente pela empresa teria suposta natureza assistencial. 10. É até mesma oportunista a fiscalização utilizar tal trecho retirado de seu contexto, pois induz os julgadores a erro, dando a impressão de se tratar de uma assertiva, que na verdade não existe. Do sistema Nacional de Seguros Privados 11. Como asseverou a fiscalização, compete a ela fiscalizar os benefícios aos empregados, analisando se estes estão ou não sujeitos à tributação pelas contribuições previdenciárias. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Por força do disposto no art 110 do CTN não cabe à fiscalização modificar a natureza de institutos consagrados apenas com a finalidade de exigir tributos. 12. O instituto em discussão é um plano de previdência complementar, criado e administrado por entidade aberta de previdência privada (Unibanco AIG), cujo regramento está delimitado inicialmente pela Constituição Federal e, mais especificamente pela Lei Complementar 109/01. Da competência dos Órgãos Fiscalizador e Normalizador 13. É inquestionável que o CNSP e a SUSEP possuem competência para estabelecer as regras infralegais concernentes às operações e seguros e previdência complementar aberta, observados os limites estabelecidos em lei. Dos Normativos Expedidos pelos Órgãos Regulador e Fiscalizador 14. Como bem ressaltou a fiscalização nos itens 20 e 21 do auto de infração, cabe à fiscalização analisar e interpretar a legislação. Contudo, tal interpretação não pode criar normas limitadoras que não foram trazidas por lei, sob pena de se incorrer em discricionariedade indevida do Poder Executivo. 15. Não há qualquer sombra de dúvida de que o plano contratado pela Impugnante atende integralmente às disposições legais caracterizando como um plano previdencial e não assistencial e que o tratamento atribuído pela fiscalização contraria a natureza jurídica deste instituto. Da Autorização de Funcionamento do Plano 16. Os planos de previdência complementar, nos termos do artigo 6o da LC 109/01 só poderão ser instituídos com a devida autorização dos órgãos competentes. 17. Havendo o reconhecimento pelo órgão fiscalizador da natureza previdenciária do plano utilizado é evidente que a fiscalização não pode aduzir que ele tem características assistenciais, sob pena de infração ao disposto ao artigo 110 do CTN. 18. Como se demonstrou a natureza do plano utilizado é previdenciária e não houve qualquer outro elemento apontado pela fiscalização que indique que este plano foi utilizado indevidamente. Da hipótese qualificada de não incidência 19. A norma constitucional, artigo 202, parágrafo segundo, exclui da hipótese de incidência tributária das contribuições previdenciária, de forma expressa e incontroversa, toda e qualquer contribuição efetuada pelo empregador destinada a uma entidade de previdência complementar. 20. Nem se cogite alegar que a norma supracitada possuiria eficácia contida ou limitada em virtude da disposição "nos termos da lei" Nem se diga que a Impugnante não obedeceu ao disposto pela Lei 8212/91, pois, como se verá, os preceitos da legislação foram integralmente atendidos. 21. Da aplicação da alínea "p" do Parágrafo 9o do artigo 28 da Lei 8212/91 5.23. Tal dispositivo não determina que o benefício concedido seja exatamente igual a todos os participantes do plano, especialmente porque a natureza e finalidade de um plano de Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 12267.000131/200819 Acórdão n.º 2401002.360 S2C4T1 Fl. 4 7 previdência complementar é garantir complemento previdenciário para manuntenção do nível de vida, quando cada um destes trabalhadores deixarem de prestar serviços. Como forma de complementação do nível de vida, o conceito da previdência complementar traz em seu bojo o princípio da isonomia, por meio do qual são tratados igualmente os iguais, mas também desigualmente os desiguais. Da Decadência 22. De acordo com o art 146 da Carta Magna, o artigo 45 da Lei 8212/91 jamais poderia estender o prazo decadencial das contribuições previdenciárias para 10 anos. 23. O prazo decadencial para a constituição de crédito tributário deve ser contatado de acordo com o artigo 150, § 4 o do CTN. Do Descabimento da Taxa Selic 24. A taxa SELIC foi criada para medir a variação aportada nas operações do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. E, portanto, uma taxa de juros remuneratórios, que visa a premiar o capital investido pelo aplicador em títulos da dívida pública federal. 25. Jamais poderia ser utilizada como juros moratórios, uma vez que possui natureza jurídica totalmente diferente da mora por parte do devedor, qual seja, a remuneratória. 26. Não foi criada e definida em lei, mas por Resoluções do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil, o que ofende ao princípio constitucional da legalidade, bem como ao disposto no artigo 161, §1° do CTN. 27. Considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não há que se admitir a utilização da mesma, no presente caso, com a natureza de juros de mora. Da Ilegal Inclusão dos Diretores no Pólo Passivo 28. Apenas à Impugnante deveria ser imputada a responsabilidade pelo pagamento do crédito em questão, pois ela, e somente ela, neste momento processual, seria a possível responsável pelo seu pagamento. 29. Requer a improcedência do lançamento e/ou que seus diretores sejam excluídos do pólo passivo da autuação fiscal. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 180 a 194, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2002 C O N T R I B U I Ç Õ E S PREVIDENCIÁRIAS E C O N T R I B U I Ç Õ E S DESTINADAS A OUTRAS E N T I D A D E S D E C A D Ê N C I A . Com a edição da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008, publicada no DOU n° 117 de 20/06/2008, que Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei 8212/91, o prazo decadencial das contribuições sociais previdenciárias passou a ser regido pelo Código Tributário Nacional, ou seja, passou de 10 para 5 anos. Considerando que a fundamentação dos julgados que acarretaram a Súmula Vinculante n° 08 do STF encontrase no prazo de 5 anos estabelecido pelo Código Tributário Nacional para decadência de créditos tributários, tal prazo aplicase também as contribuições destinadas a outras entidades, haja vista a natureza tributária de tais contribuições. C O N T R I B U I Ç Ã O PREVIDENCIÁRIA. C U S T E I O . P R E V I D Ê N C I A C O M P L E M E N T A R. Os valores pagos a título de previdência complementar sofrem incidência de contribuições previdenciárias, quando não disponíveis à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa Art. 28, §9°, "p", da Lei 8.212/91. T A X A SELIC. A aplicação de juros equivalentes à taxa referencial SELIC decorre do artigo 34 da Lei n°. 8.212/91 que determina expressamente seu caráter irrelevável. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS A Relação de Co Responsáveis não atribui responsabilidade tributária aos representantes legais da empresa, apenas os enumera de acordo com os respectivos períodos de atuação. Lançamento Procedente em Parte Devidamente cientificada, o recorrente encaminhou ofício a unidade da Receita Federal nos seguintes termos: A Requerente foi intimada acerca da lavratura do auto de infração em tela, por meio do qual se pretendia a exigência de contribuições previdenciárias supostamente devidas e não recolhidas. Apresentada a competente impugnação, foi a autuação fiscal julgada parcialmente procedente para reconhecer a extinção da maior parte do crédito tributário pelo decurso do lapso decadencial (Súmula Vinculante n° 08 STF), remanescendo em cobrança exclusivamente as competências de 10 e 11/2002, conforme se verifica do DADR Discriminativo Analítico do Débito Retificado, recebido com o acórdão. / / Em razão da manutenção de parte inexpressiva do débito, a Requerente entendeu por bem recolher o saldo remanescente, utilizandose do benefício da redução de 30% sobre o valor da multa quando recolhido o crédito tributário após a prolação da decisão administrativa de primeira instância (art. 6o , III, da Lei 8.218/1991, com redação dada pelo art. 28 da Lei 11.941/09). Nesse sentido, a Requerente logrou calcular o montante atualizado do débito, com juros equivalentes à taxa selic acumulada no período e multa reduzida em 30%, realizando o respectivo recolhimento dentro de 30 dias contados da Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 12267.000131/200819 Acórdão n.º 2401002.360 S2C4T1 Fl. 5 9 intimação1 comprovante anexo , requerendose seja reconhecida a vinculação desse pagamento ao débito remanescente objeto destes autos (10 e 11/2002) e, posteriormente, a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória do não acolhimento do recurso de ofício interposto2. É o Relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 184. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DA ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO Primeiramente cumprenos apreciar o Recurso de Ofício. Quanto a esse entendo passível de conhecimento uma vez que valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor de um milhão de reais, o que se coaduna com o processo em questão, já que só restaram do total de R$ 1.035.564,88, mantidas duas competência, no montante atualizado de R$ 23.180,64. Portaria MF 3/2008: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Contudo, embora inicialmente ao apreciar o valor exonerado, tenhase a impressão de que o julgado cumpre os requisitos para cabimento do recurso de ofício, devese avaliar de forma mais detida a norma. O art. 1 da referida portaria acima transcrito, descreve que é cabível recurso de ofício, sempre que a decisão exonerar do pagamento tributo( +) encargos de multa em valor superior a R$ 1.000.000,00. Notese, que as fls. 08, identificamos que o total do valor do tributo originário é de R$ 463.320,35 e multa R$ 138.996,11, perfazendo um total de R$ 602.316,46 . Ressaltese que R$ 433.248,42 referese a juros e segundo o próprio art. 1 da Portaria n. 03 não entre no cálculo. O valor remanescente após a exoneração pela decisão de primeira instância foi R$ 11.036,83 e multa R$ 3.311,05 Face o exposto, entendo que não restaram preenchidos os requisitos para a analise do recurso de Ofício, face o valor exonerado (valor original mais multa), ser inferior ao valor de alçada. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 12267.000131/200819 Acórdão n.º 2401002.360 S2C4T1 Fl. 6 11 DA APRECIAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme se depreende do ofício encaminhado a Delegacia da Receita Federal após a cientificação do recorrente do Acordão proferido pela DRJ, o mesmo procedeu ao reconhecimento do crédito, com o recolhimento da parte remanescente, razão porque não existe matéria quanto ao mérito a ser apreciada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, face o valor de alçada, bem como NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, face o reconhecimento da dívida devido ao recolhimento do valor remanescente. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 251DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000490/2001-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1993 a 30/09/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO.
Constatada contradição entre o relatório, por um lado, e o voto e resultado do acórdão, por outro, decorrente de erro nestes no tocante à contagem do prazo decadencial, cabe retificação em sede de embargos de declaração, com efeitos infringentes porque da eliminação da divergência decorre alteração no resultado do julgado.
Numero da decisão: 3401-002.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ângela Sartori.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1993 a 30/09/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. Constatada contradição entre o relatório, por um lado, e o voto e resultado do acórdão, por outro, decorrente de erro nestes no tocante à contagem do prazo decadencial, cabe retificação em sede de embargos de declaração, com efeitos infringentes porque da eliminação da divergência decorre alteração no resultado do julgado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ângela Sartori.
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Embargante ASSOCIAÇÃO DE ENSINO DE RIBEIRÃO PRETO Interessado ASSOCIAÇÃO DE ENSINO DE RIBEIRÃO PRETO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1993 a 30/09/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. Constatada contradição entre o relatório, por um lado, e o voto e resultado do acórdão, por outro, decorrente de erro nestes no tocante à contagem do prazo decadencial, cabe retificação em sede de embargos de declaração, com efeitos infringentes porque da eliminação da divergência decorre alteração no resultado do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS – Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ângela Sartori. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 04 90 /2 00 1- 03 Fl. 850DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 Tratase dos Embargos de Declaração de fl. 845, interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional no Acórdão nº 220100.028 (fls. 840/842), já admitidos pelo Presidente deste Colegiado conforme despacho de fls. 847/848. É apontada contradição na contagem do prazo decadencial, por ter sido declarada a decadência dos fatos geradores anteriores a 12/1996, mas, em face da ciência em 02/03/2001 (o relatório informa, corretamente, a lavratura do auto de infração em março de 2001) e conforme o art. 150 do CTN, empregado nos fundamentos do voto, o reconhecimento da decadência deve ser para os fatos geradores até 02/1996 (ou anteriores a março de 1996). É o Relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Verifico a contradição apontada, já que os fundamentos do voto, ao empregar o art. 150, § 4º, do CTN e a Súmula Vinculante nº 8, do STF, não deixam dúvida quanto ao intervalo de cinco anos contados de cada fato gerador, “independentemente de ter havido ou não recolhimento da COFINS” (fl. 841, in fine). O mesmo voto informa, no terceiro parágrafo (fl. 841), que “a recorrente foi cientificada do Auto de Infração em março de 2001”, nesta parte em consonância com o relatório e tudo que os autos contêm. Todavia, o referido parágrafo do voto deduz, em seguida, que estariam decaídos os fatos geradores anteriores a dezembro de 1996, num erro que pode ser tido como proveniente de lapso manifesto. O engano involuntário é repetido no final do voto e no resultado do Acórdão, pelo que, para sua correção, os Embargos foram admitidos. Não há dúvida, a par dos fundamentos do voto e da ciência em 02/03/2001 (ver fl. 11), que a decadência atinge os fatos geradores anteriores ao mês de março, cinco anos antes – ou até 12/1996, como dito pela douta Procuradora da Fazenda Nacional. Daí o acolhimento pleno dos Declaratórios, com efeitos infringentes porque a eliminação da contradição acarreta o resultado do Acórdão.. Pelo exposto, voto por acolher os Embargos para sanar a contradição, retificando o Acórdão com efeitos infringentes de modo que trecho dos fundamentos do voto (no terceiro parágrafo, na fl. 841), o seu dispositivo e o resultado passam a ser os seguintes (alterações em negrito sublinhado): FUNDAMENTOS Pois bem, a recorrente foi cientificada do Auto de Infração em março de 2001, referente aos fatos geradores 31/10/1993 a 30/09/1997. Em sendo assim e adotando a jurisprudência da composição plenária da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja reunião ocorreu em 15/12/2008, considero decaídos os fatos geradores anteriores a março de 1996, inclusive, por aplicação do artigo 150, parágrafo 4°, do CTN, independentemente de ter havido ou não recolhimento da COFINS; e na espécie não. DISPOSITIVO Fl. 851DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10840.000490/200103 Acórdão n.º 3401002.206 S3C4T1 Fl. 850 3 Voto, portanto, por declarar a decadência dos fatos geradores anteriores a março de 1996, inclusive, objetos da autuação levada a efeito... RESULTADO ... para declarar a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o credito tributário referente aos fatos gerador ocorridos antes de 03/1996 na linha da súmula 08 do STF. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 852DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003535/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. PAF - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA Sem a precisa identificação do prejuízo ao livre exercício do direito ao contraditório e da ampla defesa, não há razão para se declarar a nulidade do processo administrativo, ausente a prova de violação aos princípios constitucionais que asseguram esse direito. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional.
DEDUÇÕES AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Firmase plena convicção de que restam indevidas as deduções pleiteadas
pela contribuinte e glosadas pela Fiscalização, porquanto ausentes os elementos de comprovação de suas efetivas realizações.Preliminares rejeitadas.JUROS TAXA
SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios
incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da ReceitaFederal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELICpara títulos federais.
(Súmula CARF nº 4).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O
CARF não écompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária(Súmula CARF nº 2).
Rejeitar as preliminares.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.559
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. PAF CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA Sem a precisa identificação do prejuízo ao livre exercício do direito ao contraditório e da ampla defesa, não há razão para se declarar a nulidade do processo administrativo, ausente a prova de violação aos princípios constitucionais que asseguram esse direito. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 DEDUÇÕES AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Firmase plena convicção de que restam indevidas as deduções pleiteadas pela contribuinte e glosadas pela Fiscalização, porquanto ausentes os elementos de comprovação de suas efetivas realizações.Preliminares rejeitadas. JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar as preliminares. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10840.003535/200789 Acórdão n.º 220201.559 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, FLAVIO DE OLIVEIRA, foi lavrado o lançamento de fls. 38 e seguintes, emitido em 09/10/07, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas DIRPF EX2003/AC2002, que glosou os valores pleiteados, na declaração de ajuste: Dedução de despesas médicas, pensão alimentícia, dependentes e instrução. Totalizando R$ 19.699,46 de deduções glosadas (R$2.872,56 +R$8.288,90 +R$2.544,00 +R$5.994,00, respectivamente). Omissão de rendimentos relativo a resgate de contribuições A previdência privada (R$1.950,00). Cientificado do lançamento em 20/11/2007, fls.50, apresenta impugnação às fls. 01 e seguintes se requer, em síntese, sem prejuízo da leitura integral da impugnação: 1 o reconhecimento da decadência, citando jurisprudência. 2 a nulidade do lançamento em razão do cerceamento de sua defesa, pelas razões que expõe, citando jurisprudência. 3 o restabelecimento dos valores glosados, defendendo o entendimento de que a documentação juntada comprovaria o direito a dedução (pensão alimentícia, dependentes, instrução e médica), alegando que a desconsideração dos recibos seria arbitrária e que o ônus da prova caberia a Fazenda, trazendo doutrina e arrazoando. 4 a aplicação da Taxa SELIC seria ilegal e inconstitucional, pelas razões que expõe. 5 insurgese contra a aplicação da multa de oficio, pelas razões que expõe. 6 solicita prazo para juntada de prova. 7 pede pela improcedência do lançamento. A DRJ São Paulo II ao apreciar as razões, julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. 0 direito a dedução é condicionado a comprovação do requisitos exigidos em lei. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 PENSÃO JUDICIAL. GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos em lei. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE.GLOSA O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos em lei. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.GLOSA O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos em lei. OMISSÃO DE RENDIMENTO. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeita, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação. Que podem ser assim sintetizadas: Da nulidade por cerceamento do direito de defesa; Da decadência; Da dedução de despesas médicas e odontológicas; Da dedução de pensão alimentícia e dependentes; Da Dedução de despesas de instrução, que deveria ser todas dedutíveis pois o ensino é gratuito; Da taxa selic; Da multa aplicada. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10840.003535/200789 Acórdão n.º 220201.559 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Da Preliminar de Nulidade – Cerceamento de Direito de Defesa Quanto a preliminar de nulidade do lançamento, de que o lançamento seria dúbio. Neste ponto cabe esclarecer que a matéria apreciada vinculase a questão tributária, ficando a autoridade restrita a observâncias das normas tributária. Em assim sendo, entendo, que o procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Enfim, no caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Deste modo, voto por rejeitar a preliminar suscitada pelo recorrente. Da Preliminar de Decadência O lançamento se refere aos anos calendários 2002. Uma vez que a ciência do lançamento ocorreu em 20/11/2007, não há que se falar em decadência, mesmo que tivesse existido algum pagamento antecipado, que não é o caso da contribuinte. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano calendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Isto posto, no caso concreto não há como acolher a preliminar decadência pleiteada pela recorrente. Das Dedução Pleiteadas Da análise dos autos notase que preferiu o contribuinte discutir sobre a plausibilidade das deduções que pretendia, sem ao mesmos trazer prova das mesmas. Os contribuintes devem manter em boa guarda os comprovantes de deduções e outros valores pagos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário. Não comprovada documentalmente a despesa dedutível registrada na declaração de ajuste anual, escorreita a glosa perpetrada pela autoridade autuante. Adicionalmente, não faz sentido apreciar a argumentação sobre a validade de despesas em tese, quando o contribuinte não acostas prova da realização das mesmas. Da dedução de despesas médicas e odontológicas Nenhum documento relativo as despesas médicas foi trazido aos autos. Mantenho a glosa. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10840.003535/200789 Acórdão n.º 220201.559 S2C2T2 Fl. 4 7 Da dedução de pensão alimentícia e dependentes; Não há comprovação por meio de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente sua condição de alimentante. Da dedução de despesas de instrução, que deveria ser todas dedutíveis pois o ensino é gratuito; Sem a prova da dependência de Nathalia Meirelles R. de Oliveira, o documento de fl.31 não pode ser aceito para fins de dedução de despesas de instrução. O documento de fl. 30 não é conclusivo a respeito da natureza do curso ministrado. A tese da gratuidade da educação e da dedução ilimitada de despesas de instrução não merece ser apreciada, pois não há qualquer comprovação da realização das despesas. Da Inconstitucionalidade das Normas – Multa Confiscatória No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Portanto em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Ante ao exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 19515.003468/2003-35
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/05/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
É de quem alega o ônus de provar as alegações. Ao não se desincumbir do mesmo, a parte se sujeita às conseqüências. Alegação não provada é alegação não efetuada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-17845
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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CCO2/CO2 Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA , , Processo n° 19515.003468/2003-35 Recurso n° 136.789 Voluntário , , Matéria Cofins aerl" vadat da União Publicado no ID .LaL.1_043____ Acórdão n° 202-17.845 de_112---1 lb 1 Rubrica ,...,.- Sessão de 27 de março de 2007 MF-Segundo Con. s I ode Contribuintes Recorrente JOHNSON & JOHNSON COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. Recorrida DRJ em São Paulo - SP Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/05/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É de quem alega o ônus de provar as alegações. Ao não se desincumbir do mesmo, a parte se sujeita às conseqüências. Alegação não provada é alegação não efetuada. Recurso negado. j .'" . MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONIM.:U11.41 ES CONFERE COM O ORIGINAL Brasifia, 04 / li 2/ I Andrezza Nasc nto Schnicikal gn, Mat. Si 1377389 ...._.....1 ()' Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Processo n.° 19515.003468/2003-35 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-17.845 Fls. 2 ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. , • f MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRISkii; nITES. ANTONIO CARLOS A ULIM CONFERE COM O OFOGINA.! Brasília 041 J Presidente Andrezza scimento ãehrucikal Pifai Siapc 1377389 \ GU "iik' L ALENCAR Relak r Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Ricardo Accioly Campos (Suplente), Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martinez López. • •n•••••••••n • Processo n.° 19515.003468/2003-35 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTMUU n NTES CCO2/CO2Acórdão n.° 202-17.845 CONFERE COM O ORiGiNAL Fls. 3, Brasília, 04 1 4-2, i W011 Relatório Andrezza Na. 1 lento Sehnicikal Mat. Siapc 1377389 "5. Trata-se de Auto de Infração de fls. 275/278, em que foi constituído o crédito tributário com a exigibilidade suspensa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor total de R$ 10.540.212,11 (dez milhões, quinhentos e quarenta mil duzentos e doze reais e onze centavos), incluindo o valor de juros calculados até 29/08/2003 e enquadrado nos art. 1° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, arts. 2°, 3° e 8° da Lei n°9.718/1998 com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/1999 e reedições, com as alterações da Medida Provisória n°1.858/1999 e suas reedições. 6. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fis. 279/286) o contribuinte questionou judicialmente a alteração da alíquota e da base de cálculo da COFINS através do processo n°1999.61.00.009758-2 em trâmite na 7" Vara Federal em São Paulo — Mandado de Segurança Preventivo, até a presente data ainda pendente de decisão final, com o objetivo de reconhecer a nulidade e inconstitucionalidade dos arts. 3° e 8° da Lei n° 9.718/1998 e para que pudesse proceder ao recolhimento das contribuições ao PIS e COFINS nos termos da Lei n°9.715/1998 e Lei Complementar n° 70/1991, respectivamente, sendo que a liminar concedida não condicionou o depósito judicial para garantia da discussão, todavia o contribuinte efetuou espontaneamente depósitos judiciais referentes ao período de apuração de fevereiro a setembro de 1999, declarando não ter se aproveitado do beneficio instituído pelo artigo 21 da Medida Provisória n° 66, de 29/08/2002. 7. Informa ainda o Termo de Verificação, que o contribuinte não recolheu a contribuição devida a COF1NS por vários motivos tais como, não ter informado alguns meses em DCTF, ter efetuado compensação parcial sem mencionar a mesma em DCTF e não ter incluído na base de cálculo da contribuição o total dos valores correspondentes a vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus — ZFM. 8. Diz também o Termo que considerando que a contribuição ora exigida está "sub judice", o lançamento foi efetuado objetivando a constituição do crédito tributário destinado a prevenir a decadência conforme dispõe o art. 63 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela MP n°2.158-35/2001, de 24/08/2001. 9. Em conseqüência, foi elaborado o presente lançamento de oficio que decorre da insuficiência de recolhimentos em virtude de divergências entre os valores de débitos apurados e declarados da contribuição conforme demonstrado nas planilhas de fis.280/282. relativamente às receitas auferidas nos meses fevereiro a setembro de 1999, maio, outubro e dezembro de 2001, maio, julho, agosto e outubro a dezembro de 2002. 10. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 18/09/2003, o contribuinte protocolizou em 16/10/2003, a impugnação (fls. 289/297), acompanhada de documentos (fls. \298/367) na qual se insurge com as seguintes alegações: , Processo n.° 19515.003468/2003-35 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-17.845 Fls. 4 11. Alega que não há o que se falar na existência de débito uma vez que a legislação de que trata o assunto, Lei n° 9.718/1998 está repleta de ilegalidades e inconstitucionalidades e que a impugnante não está obrigada a atender as determinações da legislação em virtude de depósito judicial e medida liminar obtida. 12. Após fazer comentários sobre a inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/1998, se insurge contra a incidência da COFINS nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus e que a Medida Provisória n° 2037-23/2000 afronta diretamente o disposto pelo sistema Constitucional Tributário Brasileiro e cita decisões do ST1 para corroborar seu entendimento de que as operações efetuadas para ZFM possui regime igual ao que se aplica às exportações brasileiras lum) efetuadas para o exterior. 7o. 13. Por fim encerra sua petição informando que a cobrança do referido c"; valor não deve prosperar, haja vista a inconstitucionalidade na 5 :(ti 7.;exigência do COFINS tanto no que se refere ao disposto na Lei n° 9.718/1998 quanto ao que se refere as receitas advindas das vendas c2 CD N•-• r- O %..0 efetuadas para a ZFM e requer que se determine a improcedência do 5 2 ...C- it 7 presente Auto de Infração cancelando o débito fiscal. Lu O c É. : zO rsai Z • 14. Em 05/03/2004 o processo foi encaminhado a DIFIC/Comércio (fl. I) 03:"" O LL. 2 371/372) com a finalidade para que se verificasse se as vendas efetuadas pela autuada se enquadrasse nas hipóteses previstas nos 8 c..) incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14 da Medida Provisória n° 2037- ej 24/2000 para o beneficio de isenção da contribuição. U. 15. Intimado o contribuinte a se manifestar sobre o assunto, o mesmo respondeu 378/380) que as vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus, nos períodos em questão, não atenderam o disposto nos incisos IV, VI, VIII e IX da MP 2037-25/2000, sendo na verdade vendas efetuadas para distribuição e consumo interno na própria Zona Franca de Manaus." Remetidos os autos à DRJ em São Paulo - SP, foi o lançamento mantido, em decisão assim ementada: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cotins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/1999, 01/05/2001 a 31/05/2001, 01/10/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002 Ementa: FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Constatada falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, "ex vi legis". PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. - A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, cçm o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Processo n.° 19515.003468/2003-35 CCO2/CO2 Acórdão n.°202-17.845 Fls. 5 Quando forem difèrentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS — O Decreto-Lei 288/1967 estabeleceu um beneficio fiscal aplicável aos tributos e contribuições existentes à época de sua publicação, não alcançando a Cofins que foi criada em 1991.A partir de 18 de dezembro de 2000, foram excluídas da base de cálculo da Cofins as receitas provenientes de vendas para Zona Franca de Manaus nos termos do disposto nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória 2.158-35, necessário, entretanto, que haja efetiva comprovação dessas vendas para que seja implementada a referida exclusão. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS - As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade." Inconformada, apresenta a contribuinte recurso voluntário no qual questiona unicamente a item relativo às receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. É o Relatório. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONFERE COM O ORIGAL Brasília, 04 1 Andrezza Na. i Actuo Sehmeikal Mai. Siape 1377389 I Processo n.° 19515.003468/2003-35 ••n•••nn•••n••••••nn•n~P~i/iImoi1~..., CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-17.845 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 6 CONFERE COM O OR!GINAL Brasília, o4 i 4-t i Voto. .Attdrezza Na *mento Sehmehal Mat. Siapc 1377389 Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator Conheço do recurso por preenchidos os requisitos de admissibilidade. A questão limita-se à análise da aplicação ou não das legislações que prevêem a isenção da Cofins para os casos em que ocorra a venda do produto à Zona Franca de Manaus — ZFM, em períodos alternados de janeiro de 2001 a dezembro de 2002. Outrossim, verifico que inexistem provas nos autos de que as referidas operações foram, de fato, operações destinadas à Zona Franca de Manaus, razão pela qual fico impossibilitado de proferir julgamento neste caso. O ônus da prova é de quem alega, e deste ônus o recorrente não se desincumbiu, razão pela qual nego provimento ao recurso por falta de provas, considerando prejudicados os demais argumentos do recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de março de 2007. GUS 11) KE....1(7_,ALENCAR , — Page 1 _0026700.PDF Page 1 _0026800.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027000.PDF Page 1 _0027100.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002895/2005-68
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/03/2000 a 30/04/2000, 31/07/2000 a 30/11/2000, 31/01/2001 a 30/09/2001
Ementa: PIS/Pasep e COFINS. DECADÊNCIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212.
O exame da constitucionalidade da norma transborda a competência dos Conselhos de Contribuintes.
PIS/Pasep E COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO. DEZ ANOS. LEI No 8.212/91.
O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS é de dez anos a contar da ocorrência do fato gerador, consoante o art. 45 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-12.531
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos. I) pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso, afastando-se a decadência da Cofins; II) por maioria de votos, negou-se provimento afastando-se a decadência do PIS. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Sílvia de Brito Oliveira, Mauro Wasilewski (Suplente) e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda que consideravam decaídos os períodos anteriores a outubro de 2000. Esteve presente ao julgamento, o Dr Anete Nair Medeiros.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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CCO2/CO3• Fls. 716 MINISTÉRIO DA FAZENDA XI; . • It7 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA 1 . Processo n° 19515.002895/2005-68 Recurso u° 140.463 Voluntário „tos Matéria Cofins e Pis - Auto de Infração 6e a cov:ata '. dr--- egu oAcórdão n° 203-12.531 oc NO1 açs a(P 0'3: -1"; -- bit) i, 04.Sessão de 19 de outubro de 2007 1P° 1,00' an cy re.fr GR 5,59 • to Recorrente SKY BRASIL SERVIÇOS LTDA. • tAl" dó . -Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP _ _ *4/ri-fr. OcIt)13). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cotins Período de apuração: 31/03/2000 a 30/04/2000, 31/07/2000 a 30/11/2000,31/01/2001 a 30/09/2001 Ementa: PIS/Pasep e COFINS. DECADÊNCIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212. mr-sEcuntor) CONSELHO DE COOnTeBUINTESI_ c CalFERE COM O ORECariAl øm*.. Ce 0 1 42 1 0; fie leatie .t.• no de Cclive,ra MB, f.hije c7 , r t n O exame da constitucionalidade da norma transborda a competência dos Conselhos de Contribuintes. PIS/Pasep E COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO. DEZ ANOS. LEI l‘P 8.212/91. O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS é de dez anos a contar da ocorrência do fato gerador, consoante o art. 45 da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos. I) pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso, afastando-se a decadência da Cofins; II) por maioria de votos, negou-se provimento afastando-se a decadência do PIS. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Sílvia de Brito Oliveira, Mauro Wasilewski (Suplente) e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda que consideravam decaídos os Processo n.° 19515.002895/2005-68 CCO2/CO3• Acórdão n.° 203-12.531 Fls. 717 períodos anteriores a outubro de 2000. Esteve presente ao julgamento, o Dr Anete Nair Medeiros. ANTONIgERRANETO Presidente 0QAssi G&Ori'untzoNip. L O Rela r Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Silvia de Brito Oliveira, Mauro Wasilewslci (Suplente), Luciano Pontes de Maya Gomes e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. o Ur: contaattelPa 4goutto o osnotAt 00t4IW1/4E`" enema -. Mailde Cursm, c,1 - roffl 1.11. Processo n.° 19515.002895/2005-68 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.531 Fls. 718 Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração cuja ciência se deu no dia 17/10/2005, um para a exigência da Cofins e outro para a exigência do PIS/Pasep, ambos relativos aos períodos de apuração de março, abril, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2000, e janeiro a setembro de 2001, no montante de R$ 11.731.496,24 e R$ 1.001.418,84, respectivamente, neles incluídos o valor original das contribuições e o valor dos juros moratórios. Em ambos os lançamentos consta expressamente que a sua exigibilidade se encontra suspensa em virtude de liminar obtida pela empresa no Mandado de Segurança n° 2000.61.00.008915-2, motivo pelo qual, inclusive, não foi lançada a multa de oficio. O provimento judicial provisório obtido pela autuada foi no sentido de não se _ ver obrigada a recolher a Cofms e o Pis que não sem os efeitos da Lei n°9.718, de 1998, ou seja, incluindo nas respectivas bases de cálculo apenas as receitas decorrentes do faturarnento de bens e/ou de serviços e a aplicação da alíquota de 2% para a Cofins. Impugnações feitas separadamente pela autuada pugnaram pela nulidade do lançamento, em face de irregularidades na lavratura (ficou em dúvida quanto à data da lavratura do auto de infração, bem como por conter emendas quanto a identificação dos fatos geradores); pela decadência, que teria atingido aos períodos de apuração de março a setembro de 2000, em face dos cinco anos; e pela improcedência de todo o lançamento, já que os valores foram obtidos a partir de uma base de cálculo que não levou em conta somente o faturamento, e sim a receita bruta, bem como pelo fato de ter sido aplicada a alíquota de 3%, e não a de 2%, que entende como correta. Decisão da DRJ em São Paulo, Acórdão n° 169.972, de 10/08/2006, considerou ambos os lançamento procedentes, afastando a prejudicial de nulidade, alegando, primeiro, que os equívocos apontados realmente ocorreram, mas que, devidamente sanados, não acarretaram prejuízo à defesa e que a decadência das referidas contribuições é de dez anos, nos termos do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, e ratificando os termos do lançamento em face do caráter vinculado do ato administrativo, estabelecido no artigo 142 do CTN. No Recurso Voluntário a empresa não mais suscita a nulidade e apenas insiste na-argumentação-de que-a-decadência-teria-atingido aus-fatos-geradores-do-Pis-e-da-Cofins-de — março a setembro de 2000, juntando jurisprudência administrativa e judicial em seu favor, inclusive se reportando a recente julgado do STJ quanto à inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212, de 1991, no qual se fundou o entendimento da DRJ. Arrolamento à fl. 652. É o Relatório. ~Rumo CONSELHO DE rnNTRIatoges CONFERE COM O uRICINAL Ma 4910 / 0 13 • Matem d. riberr. mar,;:44 Fil. O Processo n.• 19515.002895/2005-68 CCO2/CO3 Acórdão n.• 203-12331 b„,..sEsuNDoptp:incit.:: i rRjubUE):% Fls. 719 Baseie, or0 o 1- ' Vot o MalleCurno cl6 ousaMal Si^ 910:3 Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, merecendo ser conhecido. No Recurso Voluntário a interessada ressalta que o mesmo se refere apenas à matéria que não é objeto da ação judicial, a qual, por sua vez, em que pugna, em resumo, por proceder ao recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins sem as alterações impostas pela Lei n° 9.718, de 1998, no que se refere ao alargamento da base de cálculo e ao aumento da alíquota da Cofms, de 2%, para 3%. Assim, tendo renunciado às instâncias administrativas, resta a este Colegiado deliberar apenas quanto à decadência suscitada para parte do lançamento efetuado a título de Pis e Cofins, mais especificamente em relação aos períodos de apuração anteriores a 17/101.2000, nos quais se incluem os lançamentos dos meses de março, abril, julho, agosto e setembro de 2000. Inicialmente, há que se enfrentar a prejudicial de decadência suscitada pela recorrente, já que alega terem sido alcançados pela mesma os períodos de apuração anteriores a 17/10/2005, em face dos cinco anos. Entende a recorrente que, por se tratar de lançamento por homologação, e que efetuara recolhimentos de PIS/Pasep e da Cofins, o prazo para o Fisco lançar as diferenças que julga devidas é de cinco anos, contados do fato gerador, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN. Assim, mostra-se improcedente o fimdamento utilizado pela DRJ de que o prazo seria de dez anos, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser realizado, nos termos do artigo 45, da Lei n°8.212, de 1991. Alega que o citado artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, padece de inconstitucionalidade, haja vista, inclusive, posicionamento do STJ nesse sentido em julgamento de incidente de inconstitucionalidade. Não obstante reconheça tenha havido a votação final do REsp 616.348 pelo STJ na Sessão de 15/08/2007, em que, por unanimidade de votos restou reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, seus efeitos, por ora, estão limitados àquela parte interessada. Ademais disso, a teor de inúmeros julgados, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Assim, exponho a seguir o meu entendimento sobre o prazo decadencial que cerca as contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, no sentido de rebater o primeiro argumento utilizado pela empresa, de que caberia a aplicação do disposto no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN. O artigo 23 da Lei n2 8.212191, em consonância com o comando contido no art. 56 do ADCT da CF/88, discrimina as contribuições a cargo da empresa provenientes do wfr-sEGUICO COrktiti000cERV4TREWINTES caewt COM Processo n.° 19515.002895/2005-68 Barna oaP, O 01• CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.531 Fls. 720 iltadn CdArine de Otinka Mel em 91600 faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, e dentre elas está o PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, sucessora do Finsocial. Verbis: "Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22 são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: 1- 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1° do art. 1° do Decreto-Lei n° 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decreto-Lei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; (Redação original. Alterado pela Lei Complementar n° 70/91) - 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do período-base antes da - provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2° da Lei n° £034, de 12 de abril de 1990. (Redação original. Alterado pela Lei n°9.249/95) § 12 No caso das instituições citadas no § 1° do art. 21 desta lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). (Redação original. Alterado pela Lei Complementar n° 70/91 e pela Lei n°9.249/95). § 22 O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25." Também a Lei Complementar n2 70/91, em seu artigo 10, determina que o produto da arrecadação da Cofins integra o Orçamento da Seguridade Social. Verbis: "Art 10. O produto da arrecadação da contribuição social sobre o faturamento, instituída por esta lei complementar, observado o disposto na segunda parte do art. 33 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, integrará o Orçamento da Seguridade Social." Integrando o PIS/Pasep e a Cofins a receita da Seguridade Social, por força do art. 56 do ADCT e legislação acima citada, há que se submeter à legislação que organiza a Seguridade Social e dispõe sobre o seu Plano de Custeio. Tal regulamentação foi incluída no ordenamento jurídico pátrio com a edição da Lei n2 8.212, de 24/07/1991, onde, em seu art. 45, fixa em 10 anos o prazo para a Seguridade Social constituir o crédito tributário pelo lançamento: "Art 45. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada." Por fim, devo enfatizar que a boa técnica legislativa reza que uma norma jurídica não deve encerrar contradição entre seus próprios dispositivos. Evidentemente, se o § 42 do art. 150 do CTN autoriza o legislador ordinário fixar outro prazo, que não o de cinco • Processo n.° 19515.002895/2005-68 CCO2/CO3• Acórdão 203-12.531 Fls. 721 anos, para homologar o lançamento é porque dentro deste outro prazo é possível efetuar o lançamento daquilo que o Fisco entender que não mereça homologação. O contrário seria um contra-senso. E este prazo não pode se contraditar com o prazo fixado no art. 173, I, do mesmo CTN. Se assim não fosse, para quê estabelecer essa faculdade de fixar outro prazo para homologação? Em face do exposto, afasto a prejudicial de decadência e nego provimento ao recurso, ressalvando que a execução do presente Acórdão deverá atentar para a solução da lide em trâmite junto ao Poder Judiciário. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2007 -71\ DASSI GUERZONI HO AlF-SEOUND"--- 0€ •WnvmsuitarscONFERE COM O ORIGNAL - EtsdraL_QeSa WS. Cate Oehnirs Met. Sbve 91650 Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018000.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018200.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1
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Numero do processo: 13869.000021/00-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
CRÉDITO PRESUMIDO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de provar que o valor pleiteado a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor.
INSUMOS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Súmula CARF nº 20).
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de provar que o valor pleiteado a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor. INSUMOS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Súmula CARF nº 20). Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 9. 00 00 21 /0 0- 11 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP, que julgou improcedente o pedido de ressarcimento da ora Recorrente, sintetizado na ementa do acórdão a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em saídas nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente . Direito Creditório Não Reconhecido. De acordo com a informação fiscal, um dos fundamentos do indeferimento foi o fato de a empresa ter apresentado somente os livros referente ao estabelecimento matriz e que, pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, os documentos entregue deveriam ser do estabelecimento detentor do crédito. Sendo o caso de pedido de ressarcimento de saldo credor de IP I, este deve conter relação com a discriminação dos diversos insumos empregados na industrialização, sua classificação fiscal, cópia do Livro Registro de Apuração do IPI referente ao período de apuração, contendo inclusive o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado, cópias de notas fiscais de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais embalagens utilizados, a exclusão do crédito de IPI de insumos usados em produtos nãotributados e a proporção do uso dos insumos quando utilizados na industrialização de produtos NT Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13869.000021/0011 Acórdão n.º 3301001.743 S3C3T1 Fl. 258 3 (nãotributados), relação dos produtos comercializados, sua classificação fiscal e alíquota, entre outros, sendo passível de exame toda a escrituração da empresa. Ao constatar saídas de produtos nãotributados pelo IPI, intimou a contribuinte, sem lograr êxito, para informar o valor a estornar dos créditos relativos aos insumos utilizados nesses produtos e a apresentar demonstrativos evidenciando a apuração do estorno, juntando documentos hábeis a sustentar estes valores. Ademais, tanto a Lei nº 9.779/99, quanto a IN SRF nº 33/99, não contemplam a possibilidade de utilização do saldo credor do IPI, decorrente da aquisição de insumos, quando o produto industrializado for nãotributado (NT). A referida Instrução Normativa vai além, ao impor o estorno dos créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos nãotributados. Afirma ainda, ser é sólida a jurisprudência sobre o assunto, citandose, entre outros, o Acórdão nº 20215269, publicado no DOU, de 20 de julho de 2004, do 2º Conselho de Contribuinte, como se vê abaixo: IPI – CRÉDITOS BÁSICOS – RESSARCIMENTO O princípio da nãocumulatividade aplicase apenas aos produtos tributados incluídos no campo de incidência desse imposto. Não gozam direito a créditos de IPI as aquisições de insumos aplicados em produtos que correspondem à notação NT (Não Tributados) na tabela de incidência TIPI. Recurso ao qual se nega provimento. Cientificada em 09/03/2012 (AR – fl. 242), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 09/04/2012 (fls. 244/254), em síntese, reiterando as alegações apresentadas na fase exordial, sustentando não haver justificativa para a negativa do direito creditório, asseverando que a documentação apresentada comprova o direito pleiteado, não podendo a autoridade administrativa escusarse a reconhecer o direito creditício do contribuinte. Alega também que não teve condições de apresentar parte de seus livros e documentos requeridos porque estavam apreendidos pela fiscalização estadual. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido dos demais pressupostos legais necessários, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, tratase de pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI, relativo aos períodos de apuração do 4º trimestre de 1999, protocolado em 16/02/2000 (fl. 1), os quais não foram deferidos em razão da não comprovação quanto aos insumos utilizados na industrialização de produtos não tributados. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Embora a Recorrente tenha afirmado que parte dos documentos solicitados se encontravam com o Fisco Estadual, todavia, não logrou comprovar a efetiva entrega desses documentos à fiscalização. Em diversos outros recursos apreciados neste Egrégio CARF a empresa não logrou comprovar o direito creditório, sendo que, em alguns casos, as compensações foram homologadas por decurso de prazo (e não pela confirmação do direito creditório), como ocorreu com o processo nº 13807.013135/200191, julgado na sessão de 22/08/2012, pelo Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Acórdão nº 3403001.742, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de provar que o valor pleiteado a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário provido em parte. No presente processo, não estão sendo analisados declaração de compensação, tratandose tão somente de pedido de ressarcimento, conforme declaração à fl. 03 dos autos. Apesar de a Recorrente afirmar que entregou todos os documentos necessários à comprovação do crédito alegado, a mesma afirma que a mesma está “incompleta”, vez que “teve grande parte de seus livros e documentos apreendidos pela própria fiscalização, o que lhe impediu de atender integralmente ao solicitado”. Dessa forma, não tendo a Recorrente comprovado o direito creditório não há como deferir o seu pleito, sobretudo porque, parte dos insumos foram utilizados na produção de produtos nãotributáveis, os quais não conferem qualquer direito creditório, estando o assunto inclusive sumulado no âmbito do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13869.000021/0011 Acórdão n.º 3301001.743 S3C3T1 Fl. 259 5 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10980.908558/2008-68
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 08 55 8/ 20 08 -6 8 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.908558/200868 Resolução nº 1802000.167 S1TE02 Fl. 60 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação cujo crédito está em pagamento indevido/a maior de IRPJ (2362) do período de apuração de 01/2000 e débito compensado parcialmente de COFINS (2172) do período de apuração 12/2002. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, colaciono a seguir o Relatório proferido pela 1a Turma da DRJ/CTA, através do Acórdão n° 0632.701, constante às efls 38/39: Na data de 16/09/2004 o interessado transmitiu o PER/DCOMP nº 32995.58872.160904.1.3.040065, de fls.0610, postulando compensação de Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior IRPJ, Receita 2362, informando Crédito Original na Data da Transmissão no valor de R$ 5.715,03. 2 Como origem do Crédito foi mencionado o DARF de fls. 08, PA 31/01/2000, IRPJ Receita 2362, com valor principal e total de R$ 5.715,03, Data de Vencimento 29/02/2000 e Data da Arrecadação 29/02/2000. 3 Em 12/08/2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba emitiu o Despacho Decisório de fls. 02, cientificado em 22/08/2008 (fls. 05), não homologando o PER/DCOMP em questão, estatuindo: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 5.715,03 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. PER APURAÇÃO CÓD DE REC VR TOT DARF DATA ARRECAD 31/01/2000 2362 5.715,03 29/02/2000 Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. 4 Em 19/09/2008, o contribuinte interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 1121, instruída com os documentos de fls. 22 30, que sendo tempestiva e reunindo os pressupostos de admissibilidade, deve ser analisada. 5 O manifestante, em prima facie, procura demonstrar que a interposição de Manifestação de Inconformidade suspende a exigibilidade dos Débitos resultantes da não homologação de seu Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.908558/200868 Resolução nº 1802000.167 S1TE02 Fl. 61 3 PER/DCOMP, arrolando legislação, e com isso pretendendo que seja reconhecido tal efeito. 6 No mérito, argumenta que a nãohomologação não procede porque ao gerar e transmitir sua compensação, declarou Débito de PIS (na verdade é COFINS, cf. fls. 9) incluindo valores de principal e juros, mas sem a multa moratória, haja vista entender ser a mesma indevida em razão do instituto da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, já que antecipou, pela compensação, a extinção de sua dívida tributária antes de qualquer procedimento de ofício. Porém a Secretaria da Receita Federal ao analisar a compensação incluiu, indevidamente, o valor da multa, razão pela qual o valor do Crédito restou insuficiente para a quitação integral do Débito. A partir daí, reproduz acórdãos que promanam na tese que esposa. 7 Ao final, requer o reconhecimento do direito de promover a compensação sem a incidência de multa moratória sobre seu Débito, com a conseqüente homologação da compensação e extinção do Crédito Tributário devido. Sintetizando sua interpretação, a nobre turma julgadora definiu a seguinte ementa (efls 37): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 Ementa: PER/DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A Multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão em casos de denúncia espontânea. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada em 03/08/2011 e irresignada com a manutenção da não homologação de sua compensação, interpôs recurso voluntário em 30/08/2011 (efls. 46/54), alegando em síntese que à compensação levada a efeito, cabível a aplicação da denúncia espontânea, consoante art. 138 do Código Tributário Nacional no débito compensado. Requer sustentação oral. É o relato do essencial. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.908558/200868 Resolução nº 1802000.167 S1TE02 Fl. 62 4 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Devido ao pleito recursal da recorrente, ressaltase que o recurso administrativo apresentado tempestivamente suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN) – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. (Grifouse) Assim, os respectivos débitos controlados pelo processo administrativo fiscal não podem ser exigidos, até que consolidados definitivamente, não podendo restar obstruída a emissão de certidão positiva com efeitos de negativa de débitos, nos termos do art. 206 do mesmo códice: Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa. Com relação à exigência, extraise do relatório que o contribuinte efetuou declaração de compensação, informando crédito de tributo pago a maior (IRPJ), atualizado pela taxa SELIC até a data de transmissão, com débito de COFINS, já vencido, também atualizado pela taxa SELIC até a data de transmissão, mas sem o cômputo da multa de mora (0,33% ao dia com teto de 20%). Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.908558/200868 Resolução nº 1802000.167 S1TE02 Fl. 63 5 Diante deste fato, a autoridade fiscal veio a homologar parcialmente a compensação, entendendo não aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN: Art.138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Em que pese a irresignação da recorrente no sentido de que há punição daqueles que se declaram espontaneamente devedores, mas não daqueles que omitem do Fisco suas dívidas, já está pacificado o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no sentido de que, a aplicação do instituto da denúncia espontânea só tem cabimento quando o tributo não estiver declarado pelo contribuinte, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art.543 C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 962.379/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Como destacado no próprio Acórdão, a matéria já está inclusive sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça (Súmula STJ n° 360), com o entendimento de que o débito declarado impede a aplicação do instituto da denúncia espontânea. No âmbito federal, vários são os instrumentos em que o débito é declarado: DACON, DCTF e DIRPJ são algumas das obrigações acessórias com esta finalidade. Assim, se o contribuinte declara o débito e não paga até o seu vencimento, o atraso é onerado com a multa de mora, independente se através de ação fiscal, ou se por espontaneidade do contribuinte. Assim como no pagamento, as outras espécies de extinção como no caso, a compensação, também devem refletir a multa pelo atraso na quitação do débito que declarado, está sendo adimplido fora do prazo. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.908558/200868 Resolução nº 1802000.167 S1TE02 Fl. 64 6 O instituto da denúncia espontânea serve de incentivo ao contribuinte na regularização de seus débitos com o Fisco, mas não na hipótese daquele que ardilosamente deixa de fazêlo e sim, daquele que dandose conta de um erro de critério em suas apurações, da qual não teve intenção, acerta e arrecada o tributo que entendeu devido, antes do início de qualquer procedimento fiscal. Ocorre que, não está demonstrado se antes de ter realizado o pedido de compensação em análise, o débito estava declarado pelo contribuinte. Às efls 32, consta que o contribuinte entregou a DCTF original em 29/12/2003, efetuando a primeira retificação em 21/09/2004, ou seja, depois de ter realizado o pedido de compensação (feito em 16/09/2004) e procedeu por fim a última entrega em 16/03/2005. Às efls 33/34 constam os débitos declarados na última DCTF retificadora entregue em 16/03/2005, que não conduz à correta identificação acerca da possibilidade de albergar ao caso, o instituto da denúncia espontânea. Assim, converto o presente julgamento em diligência, solicitando o envio à origem para que disponibilize o relatório “Resumo Geral de Débitos e Créditos da Declaração” (DCTF), da declaração original entregue em 29/12/2003. Após a juntada desse documento, retornemse os autos. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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