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Numero do processo: 10860.001798/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF
Nº 68.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física Súmula
CARF n° 68.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.497
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física Súmula CARF n° 68. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10860.001798/200715 Acórdão n.º 2101001.497 S2C1T1 Fl. 58 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 4 a 6, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para lançar infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, formalizando a redução do Imposto a Restituir IAR de R$6.372,05 para R$1.885,29. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resume assim os argumentos do recurso (fl. 47): 1. “A Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física Ano Calendário 2004 Exercicio 2005 foi Retificada, alterando os Rendimentos Tributáveis amparado pelas Leis, 7713/88e 8852/94, Art. 1 Inciso III letras “b”, “j” e “n” desta última”; 2. “como o informe de rendimentos da fonte pagadora não excluiu os rendimentos tributáveis como determina as Leis, 7713/88 e 8852/94, art. I Inciso III, letras “b”, “j” e “n”, o contribuinte achase no direito de excluilo, sem querer com isto obter alguma vantagem”; 3. “fundamentado na Lei 7713/88 e 8852/94, discordo do RESULTADO DA SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTOSRL 2005/608405167522075 e peço reconsiderar minha contestação.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 46 a 50): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei nº 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, em obediência ao princípio da legalidade em matéria tributária, disposição legal específica. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10860.001798/200715 Acórdão n.º 2101001.497 S2C1T1 Fl. 59 3 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 18/08/2009 (fl. 52v), o contribuinte apresentou, em 16/9/2009, o recurso de fls. 53 a 55, onde reafirma os argumentos da impugnação, ressaltando a natureza não tributável dos rendimentos declarados. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 56, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte declarou originalmente, em sua declaração anual de ajuste do exercício de 2004, ter recebido R$72.044,31 de rendimentos tributáveis, sem auferir rendimentos isentos (fl. 25). Mas, em 21/04/2007, enviou declaração retificadora reduzindo os rendimentos tributáveis para R$55.729,05 e aumentando os isentos para R$16.315,46 (fls. 19 a 22). A diferença foi tributada, na notificação de lançamento em análise, como omissão de rendimentos. O sujeito passivo argumenta que a diferença lançada corresponde a rendimentos isentos nos termos das alíneas “b”, “j” e “n”, do inciso III, do art. 1o da Lei nº 8.852, de 4 de fevereiro de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, e dá outras providências. Transcrevemse os dispositivos legais: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I como vencimento básico: a) a retribuição a que se refere o art. 40 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, devida pelo efetivo exercício do cargo, para os servidores civis por ela regidos; (Vide Lei nº 9.367, de 1996) b) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.21510, de 31.8.2001) c) o salário básico estipulado em planos ou tabelas de retribuição ou nos contratos de trabalho, convenções, acordos ou dissídios coletivos, para os empregados de empresas Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10860.001798/200715 Acórdão n.º 2101001.497 S2C1T1 Fl. 60 4 públicas, de sociedades de economia mista, de suas subsidiárias, controladas ou coligadas, ou de quaisquer empresas ou entidades de cujo capital ou patrimônio o poder público tenha o controle direto ou indireto, inclusive em virtude de incorporação ao patrimônio público; II como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; (...) j) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; (...) n) adicional por tempo de serviço; (...) Em suma, defende o recorrente que a ajuda de custo, a indenização de transporte, e os adicionais de férias e por tempo de serviço são isentos do imposto de renda por terem sido excluídos do conceito de remuneração da Lei nº 8.852, de 1994. Entretanto, essa lei não trata de hipóteses de isenção ou de não incidência de imposto de renda, servindo apenas ao propósito de fixar os limites de remuneração dos servidores públicos, nos termos dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal. Assim, as verbas recebidas pelo recorrente encontramse incluídas no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, §1°, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Esse entendimento já está consolidado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a publicação da Súmula CARF n° 68, que determina que “a Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10860.001798/200715 Acórdão n.º 2101001.497 S2C1T1 Fl. 61 5 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001244/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004
As pessoas jurídicas já cadastradas no CNPJ exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral efetivada até o último dia útil do mês de janeiro do ano-calendário.
Não há nos autos a materialidade da intenção do contribuinte em se sujeitar ao recolhimento dos tributos no ano de 2004 sob o regime do Simples. A despeito da entrega da FCPJ, o contribuinte em nenhum momento, salvo com a entrega da DIPJ de 2005, relativa ao ano de 2004, materializou sua intenção de aderir ao Simples.
Recurso negado.
Numero da decisão: 1201-000.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O conselheiro Marcelo Cuba Netto declarou-se
impedido.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2004 As pessoas jurídicas já cadastradas no CNPJ exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral efetivada até o último dia útil do mês de janeiro do ano-calendário. Não há nos autos a materialidade da intenção do contribuinte em se sujeitar ao recolhimento dos tributos no ano de 2004 sob o regime do Simples. A despeito da entrega da FCPJ, o contribuinte em nenhum momento, salvo com a entrega da DIPJ de 2005, relativa ao ano de 2004, materializou sua intenção de aderir ao Simples. Recurso negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 As pessoas jurídicas já cadastradas no CNPJ exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral efetivada até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário. Não há nos autos a materialidade da intenção do contribuinte em se sujeitar ao recolhimento dos tributos no ano de 2004 sob o regime do Simples. A despeito da entrega da FCPJ, o contribuinte em nenhum momento, salvo com a entrega da DIPJ de 2005, relativa ao ano de 2004, materializou sua intenção de aderir ao Simples. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O conselheiro Marcelo Cuba Netto declarouse impedido. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10640.001244/200541 Acórdão n.º 120100.630 S1C2T1 Fl. 69 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias, Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares de Queiroz, João Bellini Junior Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de pedido de inclusão de empresa no regime do Simples, protocolada em 10/06/2005, retroativo ao ano calendário de 2004, sob o fundamento de que a empresa, a despeito de não ter formalizado pedido de inclusão no programa, porém argumenta que guardava em 2004 todas as condições de se adequar ao programa do Simples segundo a legislação vigente à época, seja pelo objeto social alterado em setembro de 2003 para “reciclagem de materiais plásticos em geral”, seja por que o faturamento atendia os limites legais. Na declaração da pessoa jurídica entregue em maio de 2005, o contribuinte declarou que a empresa encontrase inativa. Já em junho de 2005, através de Declaração Retificadora declarou auferimento de receita a partir de agosto de 2004. A solicitação foi indeferida, tendo o contribuinte sido intimado em 04/01/2007. Apresentou simplória Manifestação de Inconformidade, na qual foi indeferida pela DRJ de Juiz de Fora, conforme decisão abaixo transcrita: De pronto, deve ser esclarecido que o Parecer CST 60/1999, o ADI SRF 16/2002 e a SCI 21/2003 tratam de opção retroativa para empresas que podiam estar no Simples e não foram enquadradas por erro de fato no preenchimento da FCPJ, quando da opção por aquela sistemática de apuração. Portanto, o citado ato não mantém relação com a situação de empresas que preencheram corretamente a FCPJ e estavam enquadradas no Simples até sua exclusão de oficio por vedação legal à opção exercida. Dito isso, a solução da pendenga está delineada no artigo 8° da Lei 9.317/1996, abaixo transcrito. Art. 8°Á opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da FazendaCGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: 1 especificação dos impostos, dos quais é contribuinte (IPI, ICMS ou ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10640.001244/200541 Acórdão n.º 120100.630 S1C2T1 Fl. 70 3 ,§ 1° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. § 2° A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. Para esclarecer as disposições contidas no artigo supra, a IN SRF 34/2001 traz que: A pessoa jurídica, inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) formalizará sua opção para adesão ao Simples, mediante alteração cadastral efetivada até o último dia Útil do me de janeiro do anocalendário. (§ 1°, art. 16, IN SRF n°34/2001) As opções e alterações cadastrais relativas ao Simples serão formalizadas mediante preenchimento da FCPJ. (§ 3°, art. 16 da IN SRF n.° 34/2001). De acordo com a legislação anteriormente transcrita, como a empresa apresentava DIPJ com base no lucro presumido até o anocalendário de 2003, teria que formalizar alteração cadastral mediante preenchimento da FCPJ, até 31/01/2004, para exercer opção pelo Simples a partir daquele anocalendário. Importa registrar que a alteração contratual da empresa só produz efeitos a partir da data de seu registro na JUCEMG, 17/02/2004 (fls. 07/09). A empresa poderia efetivar alteração na FCPJ registrando tão somente sua opção pelo Simples, como definido na legislação, e posteriormente, de posse da alteração contratual devidamente registrada, realizar nova alteração da FCPJ. Poderia ter requerido sua inclusão no Simples, protocolando pedido em papel, durante o mês de janeiro de 2004. Poderia ainda ter requerido sua inclusão no Simples, protocolando pedido em papel, em 18/02/2004, ou seja: no dia seguinte ao seu registro na JUCEMG. Situação que poderia ser considerada nessa esfera administrativa, por caracterizar a dificuldade apontada em sua argumentação. Ocorre que seu pedido para inclusão retroativa no Simples, a partir de 01/01/2004, só foi entregue em 10/06/2005 (documento de fl. 01). Assim, seu pedido deve ser considerado entregue fora do prazo para o exercício de opção no anocalendário de 2004. Por outro lado, no contrato social, às fls. 02/04, no item DO OBJETIVO DA SOCIEDADE, resta caracterizada a inclusão de Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10640.001244/200541 Acórdão n.º 120100.630 S1C2T1 Fl. 71 4 atividade que veda o exercício de opção pelo Simples, em conformidade com inciso V do art. ° da Li 9.317/1996. Inconformada com o entendimento da DRJ, que teve a participação do ilustre relator Marcelo Cuba Netto, entendeu por bem o contribuinte a protocolar Recurso Voluntário, em 24/12/2008, alegando que: O Acórdão n° 0921.209 concluiu que não houve tentativa de opção pelo SIMPLES via FCPJ, e que se houvesse, mesmo que com erro, poderia ser aceito. Porém, como se verifica no Recibo anexo, houve uma tentativa de entrega de FCPJ na data de 30/01/2004, recepcionado pelo SERPRO às 16:50:58, com recibo de número: 34.21.57.38.28. No Relatório de indeferimento emitido pela SACAT/DRF/JFA/MG, à folha 2, § 2°, lêse: "No despacho decisório de fls. 14/15, o indeferimento foi motivado porque não houve opção pelo Simples e não por erro no preenchimento da FCPJ." Diante do exposto a referida empresa vem, mui respeitosamente, requerer deferimento do processo. O documento juntado se refere a recibo de entrega de CNPJ em disquete, em nome da contribuinte, com entrega ao Serpro no dia 30/01/2004, conforme protocolo n° 1183001107 e código de acesso n° 34.21.57.38.28. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto ao mérito, entendo que não encontrase nos autos a materialidade da intenção do contribuinte em se sujeitar ao recolhimento dos tributos no ano de 2004 sob o regime do Simples. Isso porque, como bem foi contatado nos autos, o indeferimento foi motivado porque não houve opção pelo Simples e não por erro no preenchimento da FCPJ. Com isso, a despeito da entrega da FCPJ, o fato é que o contribuinte, em nenhum momento, salvo com a entrega da DIPJ de 2005, relativa ao ano de 2004, materializou sua intenção de aderir ao Simples. Não se pode aceitar a intenção de um contribuinte sem que este traduza em linguagem competente sua intenção. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10640.001244/200541 Acórdão n.º 120100.630 S1C2T1 Fl. 72 5 As opções e alterações cadastrais relativas ao Simples foram formalizadas mediante preenchimento da FCPJ (§ 3°, art. 16 da IN SRF n.° 34/2001). Se na Ficha Cadastral não se fez nenhuma menção da opção do Simples, a despeito da sua entrega, conforme documento apontado pelo contribuinte em seu Recurso, não pode a fiscalização presumir que o contribuinte naquele momento gostaria de ter recolhido seus tributos pelo Regime Simplificado, seja pela falta de recolhimento de tributos, seja pela falta de comunicação ao fisco federal pelas vias procedimentos corretas. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 13839.001554/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2002
RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL.
Numero da decisão: 1301-000.858
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a
preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2002 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001554/200617 Acórdão n.º 130100.858 S1C3T1 Fl. 161 2 MACCAFERRI DO BRASIL LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Jundiaí/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Trata o presente processo de Pedido de Restituição de fl. 01, protocolado em 23 de maio de 2006, por meio do qual a interessada solicita a restituição de valores recolhidos como Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, no montante de R$ 213.848,46, relativo ao anocalendário de 2001. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pedido, nos termos do Despacho Decisório de fls. 14/16, que se transcreve, parcialmente: “RELATÓRIO Através do presente o interessado, identificado às fls. 05 a 11, formalizou Pedidos de Restituição em 23/05/2006, 02/06/2006, 09/06/2006 e 05/07/2006, às fls. 01, por meio dos quais solicita restituição de valores recolhidos a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL , dos anoscalendário AC 2001 a 2004, nos valores cf. segue: AC R$ (valor original) 2001 213.848,46 2002 226.365,04 2003 171.231,63 2004 160.683,53 Estes valores seriam referentes à incidência da alíquota da CSLL sobre receitas decorrentes de exportação. Às fls. 02 juntou planilha com a qual pretende demonstrar o valor do pretenso crédito; às fls. 03 apresentou cópia da Ficha 8 da DIPJ/2002 (2003, 2004, 2005), Demonstração do Lucro da Exploração do AC 2001 (2002, 2003, 2004); às fls. 04 apresentou cópia da Ficha 17 da DIPJ/2002 (2003, 2004, 2005), cálculo da CSLL do AC 2001 (2002, 2003, 2004). É o relatório. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A imunidade tributária sobre receitas decorrentes de exportação, relativamente às contribuições sociais, está prevista no inciso 1, § 2°, do art. 149 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), como segue: “Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, 1 e III, e sem Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001554/200617 Acórdão n.º 130100.858 S1C3T1 Fl. 162 3 prejuízo do previsto no art. 195, § 6° relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1°... § 2°. As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) Na Demonstração do Lucro da Exploração do AC 2001 (2002, 2003, 2004), às fls. 03, verificase que, de fato, o interessado informa ter auferido receitas decorrentes de exportações, no valor de R$ 2.376.093,95 (R$ 2.515.167,11, R$ 1.902.573,64, R$ 1.785.372,58). Ao ser aplicada a alíquota da CSLL (9%) sobre este valor, obtémse os R$ 213.848,46 (R$ 226.365,04, R$ 171.231,63, R$ 160.683,53) pleiteados pelo interessado. Entretanto, em análise do cálculo da CSLL do AC 2001 (2002, 2003, 2004), às fls. 04, verificase que, na Linha 26 da Ficha 17 da DIPJ/2002 (2003, 2004, 2005), a título de "Outras Exclusões", o interessado deduziu da base de cálculo da CSLL do AC 2001 (2002, 2003, 2004) os R$ 2.376.093,95 (R$ 2.515.167,11, R$ 1.902.573,64, R$ 1.785.372,58) que obteve com exportações. Portanto, o interessado observou, ao calcular a CSLL devida no AC 2001 (2002, 2003, 2004), a imunidade tributária sobre as receitas decorrentes de exportações. Dessa forma, concluise que não existe crédito a favor do interessado. Isso posto, proponho o indeferimento dos Pedidos formalizados. (...) DECISÃO À vista da informação supra, e no uso das atribuições do art. 243 da Portaria MF n° 95/2007 e da Portaria DRF/Jundiaí n° 81 de 22/05/2007, e com fundamento no art. 47 da IN SRF 600/2005, indefiro os Pedido formalizados. 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 17, em 31 de julho de 2007, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 29 de agosto de 2007, fls. 18/21, com as alegações que se seguem. 3.1. Afirma que a autoridade fiscal, ao proferir o Despacho Decisório, considerou equivocadamente que as fichas da DIPJ anexadas ao Pedido de Restituição, seriam as fichas autênticas da declaração de rendimentos entregue. No entanto, tais fichas serviram, tão somente, para evidenciar a forma de apuração dos créditos pleiteados, sendo anexadas como modelo. Em suas palavras: “Na verdade, as fichas válidas, que compõem as DIPJ’s entregues conforme seus respectivos recibos de entrega, não Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001554/200617 Acórdão n.º 130100.858 S1C3T1 Fl. 163 4 excluíram os efeitos decorrentes das receitas de exportação para a correta apuração da contribuição, razão pela qual formalizou os pedidos de restituição! Este fato poderia e pode ser verificado com a simples consulta destas DIPJ’s nos sistemas informatizados da Receita Federal, bem como nas cópias anexas, as quais demonstram que a Recorrente não deduziu ou excluiu quaisquer importâncias decorrentes dos efeitos da exportação, para apuração da contribuição social devida. Assim, uma vez reconhecido o direito à exclusão das receitas decorrentes da exportação da base de cálculo da contribuição, conforme o despacho decisório, os Pedidos de Restituição devem ser deferidos, pois a recorrente, conforme demonstrado e comprovado, ainda não excluiu referidas receitas da base de cálculo da contribuição.” 3.2. Conclui, requerendo que o Despacho Decisório seja reformado, visando sanar o equívoco da autoridade fiscal, bem como deferido o Pedido de Restituição, ou, ainda, em caso de mora na restituição, autorizada a compensação do crédito com débitos vencidos ou vincendos. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0521.850, de 08/05/2008 (fls. 141/144), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. O inciso I, do §2º, do artigo 149, da Constituição Federal, introduzido pela Emenda Constitucional n.º 33, de 2001, prescreve imunidade tributária sobre as receitas de exportação, no caso das contribuições sociais cujo elemento material da regra matriz de incidência seja a receita. No entanto, o lucro líquido ajustado, base de cálculo da CSLL, e as receitas, são realidades inconfundíveis, segundo as diretrizes delineadas na Lei Fundamental, razão pela qual não há como sustentar a tese de que as receitas de exportação foram excluídas da incidência dessa contribuição. Ciente da decisão de primeira instância em 23/06/2008, conforme documento de fl. 146, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 22/07/2008 (registro de recepção à fl. 147, razões de recurso às fls. 147/158), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Preliminarmente, alega a nulidade do acórdão recorrido, por julgamento extrapetita1. Por sua ótica, seu direito creditório já teria sido reconhecido no Despacho 1 Certamente por equívoco, a recorrente se refere ao acórdão nº 0521.851, proferido em outro processo. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001554/200617 Acórdão n.º 130100.858 S1C3T1 Fl. 164 5 Decisório proferido pela DRF Jundiaí, o qual ao final veio a negar a restituição apenas em virtude de equívoco quanto às fichas da DIPJ, equívoco esse que veio a ser desfeito em sede de manifestação de inconformidade. A DRJ Campinas teria, então, proferido julgamento extra petita, “já que analisou o mérito do pedido, o qual, ressaltese, que já havia sido deferido pelo despacho decisório”. Reforça seus argumentos de que a DRF de origem teria externado a conclusão pelo direito à exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL diante do fato de que, se assim não fosse, o AuditorFiscal que analisou o pedido teria providenciado a lavratura dos autos de infração para cobrança dos respectivos valores, o que não ocorreu. Colaciona jurisprudência administrativa que entende favorável a sua tese, e acrescenta que, entre as competências das Delegacias de Julgamento, não se encontra a revisão de ofício das decisões proferidas pelas Delegacias da Receita Federal. No mérito, a recorrente reitera seus argumentos de que “as alterações promovidas pela Emenda Constitucional nº 33 ao artigo 149 da Constituição abrangem igualmente a CSLL, do que se conclui que as receitas e, conseqüentemente, o lucro decorrentes de exportação são imunes à tributação da CSLL desde 12 de dezembro de 2001”. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Cabe apreciar, inicialmente, a alegação da recorrente de nulidade do acórdão combatido, por julgamento extrapetita. O seguinte excerto, que consta do Despacho Decisório às fl. 14/15, bem esclarece sobre o fundamento adotado pela DRF Jundiaí ao negar a restituição pretendida: A imunidade tributária sobre receitas decorrentes de exportação, relativamente às contribuições sociais, está prevista no inciso I, § 2°, do art. 149 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), como segue: [...] Na Demonstração do Lucro da Exploração do AC 2001 (2002, 2003, 2004), às fls. 03, verificase que, de fato, o interessado informa ter auferido receitas decorrentes de exportações, no valor de R$ 2.376.093,95 (R$ 2.515.167,11, R$ 1.902.573,64, R$ 1.785.372,58). Ao ser aplicada a aliquota da CSLL (9%) sobre este valor, obtémse os R$ 213.848,46 (R$ 226.365,04, R$ 171.231,63, R$ 160.683,53) pleiteados pelo interessado. Entretanto, em análise do cálculo da CSLL do AC 2001 (2002, 2003, 2004), às fls. 04, verificase que, na Linha 26 da Ficha 17 da DIPJ/2002 (2003, 2004, 2005), a titulo de "Outras Exclusões”, o interessado deduziu da base de cálculo da Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001554/200617 Acórdão n.º 130100.858 S1C3T1 Fl. 165 6 CSLL do AC 2001 (2002, 2003, 2004) os R$ 2.376.093,95 (R$ 2.515.167,11, R$ 1.902.573,64, R$ 1.785.372,58) que obteve com exportações. Portanto, o interessado observou, ao calcular a CSLL devida no AC 2001 (2002, 2003, 2004), a imunidade tributária sobre as receitas decorrentes de exportações. Dessa forma, concluise que não existe crédito a favor do interessado. Duas conclusões podem ser daqui obtidas. A primeira é de que a Autoridade Administrativa estava, ainda preliminarmente, verificando se havia registro, na DIPJ da interessada, de que as receitas de exportação efetivamente teriam integrado e onerado a base de cálculo da CSLL. Tal verificação foi feita com base nos documentos de fls. 03 e 04, acostados aos autos pela própria interessada, consistentes em cópias das fichas 08 e 17 da DIPJ 2002 (AC 2001). A análise sumariamente empreendida levou à conclusão de que inexistia qualquer crédito a ser restituído, posto que as receitas de exportação já haviam sido excluídas pela interessada da base de cálculo da CSLL. A segunda conclusão é de que a análise parou nesse ponto. A Autoridade Administrativa considerou desnecessário avançar na apreciação do mérito do pedido, visto que, qualquer que fosse a decisão quanto ao direito em tese, o crédito já se havia revelado inexistente. Não consigo extrair do último parágrafo da transcrição acima, tido em seu contexto, o alcance que lhe pretende emprestar a interessada, de que o mérito de seu pedido já teria sido reconhecido. Em nada auxilia a interessada o argumento de que o AuditorFiscal deveria ter providenciado a lavratura de auto de infração, caso houvesse discordado do alcance da imunidade na forma do entendimento da interessada. Tal hipotética providência não teria necessariamente ocorrido dentro dos autos deste processo, e não há como afirmar sobre sua existência ou inexistência. Na sequência, instaurado o litígio mediante a manifestação de inconformidade, e esclarecido que os documentos de fls. 03 e 04 não correspondiam à DIPJ efetivamente apresentada, mas tão somente àquilo que a interessada entendia correto, a Autoridade Julgadora em primeira instância apreciou o mérito do pedido de restituição, e fundamentadamente o indeferiu. Não vejo como tal procedimento possa ser tido como julgamento extrapetita, menos ainda como causa de nulidade. Rejeito, pois, a argüição de nulidade do acórdão recorrido. No mérito, melhor sorte não socorre a interessada. Peço vênia para transcrever excerto da decisão recorrida, à qual não faço reparos e que, por sua clareza e concisão, adoto também aqui como razões de decidir: 17. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, é uma contribuição que visa atender a seguridade social. A questão a ser dirimida, portanto, cingese a sua inserção entre as contribuições que incidem sobre receita de exportação. 18. O termo incidência tem significação própria na Ciência do Direito. Segundo Alfredo Augusto Becker (in Teoria Geral do Direito Tributário, São Paulo: 3ª ed., Lajus, 1998, p. 83/84), quando o direito tributário usa esta expressão, ela significa incidência da regra jurídica sobre sua hipótese de incidência realizada (‘fato gerador’). Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001554/200617 Acórdão n.º 130100.858 S1C3T1 Fl. 166 7 19. Com efeito, o inciso I, do § 2º , introduzido no texto do art. 149 da CF por meio da EC nº 33, de 2001, referiuse apenas as contribuições sociais que incidem sobre as receitas de exportação, hipótese cuja materialidade pressupõe as diversas operações de venda de mercadoria e serviços, diferindo de outras exações cuja hipótese de incidência assentase no lucro. 20. A incidência sobre lucro pressupõe o resultado de diversos negócios jurídicos realizados, ou seja, buscase aferir o saldo positivo de diversas operações de compra e venda efetuadas em determinado período (receitas menos custos e despesas). 21. O próprio artigo 195 da Carta Suprema, ao definir as competências impositivas, separou as hipóteses de incidência possíveis para as contribuições sociais, permitindo a criação de uma sobre o lucro e outra sobre receita. Não se poderia inferir que, em outro dispositivo do mesmo texto, o legislador utilizasse um conceito pelo outro, ou seja, ao tratar da “receita de exportação” estivesse se referindo “ao lucro na operação de exportação”. 22. A conclusão que se retira de todo o exposto anteriormente e da observação do Texto Constitucional por inteiro é que a CF prescreve cada imunidade tributária buscando atingir um fim específico. Isso quer dizer que a imunidade instituída sobre receita de exportação visa desonerar as exportações, mas não alcançar o lucro da empresa exportadora, que expressa a sua capacidade contributiva com relação à seguridade social, que, como está expresso no texto constitucional, deve ser suportada por toda a sociedade. 23. Portanto, o inciso I, do § 2º, introduzido no texto do art. 149 da CF por meio da EC nº 33, de 2001, prescreve imunidade com fim de aliviar as receitas decorrentes de exportação da incidência das contribuições sociais cuja hipótese de incidência seja a receita, deixando de fora a CSLL, já que essa contribuição incide sobre o lucro. No âmbito administrativo, este CARF e, antes dele, o Primeiro Conselho de Contribuintes vem reiteradamente decidindo que as receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. A título de exemplo, confiramse os acórdãos nº 10197.077, nº 10323.524, nº 10195.858, nº 10323.178, nº 10196.207 e nº 140200.594. Vejase a ementa deste último, mais recente2: CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Também o Poder Judiciário já decidiu sobre o mérito da questão, nos autos do Recurso Extraordinário nº 474.1323, em 12/08/2010, restando o acórdão assim ementado: Recurso extraordinário. 2. Contribuições sociais. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF). 3. Imunidade. Receitas decorrentes de exportação. Abrangência. 4. A imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição, introduzida pela Emenda Constitucional nº 33/2001, não alcança 2 Acórdão 140200.594, de 30/06/2011, Relator Cons. Antônio José Praga de Souza. 3 DJe nº 231, Divulgação 30/11/2010, Publicação 01/12/2010. Relator Min. Gilmar Mendes. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001554/200617 Acórdão n.º 130100.858 S1C3T1 Fl. 167 8 a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), haja vista a distinção ontológica entre os conceitos de lucro e receita. 6. Vencida a tese segundo a qual a interpretação teleológica da mencionada regra de imunidade conduziria à exclusão do lucro decorrente das receitas de exportação da hipótese de incidência da CSLL, pois o conceito de lucro pressuporia o de receita, e a finalidade do referido dispositivo constitucional seria a desoneração ampla das exportações, com o escopo de conferir efetividade ao princípio da garantia do desenvolvimento nacional (art. 3º, I, da Constituição). 7. A norma de exoneração tributária prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição também não alcança a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), pois o referido tributo não se vincula diretamente à operação de exportação. A exação não incide sobre o resultado imediato da operação, mas sobre operações financeiras posteriormente realizadas. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. A matéria foi, ainda, discutida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 564.4138, com a seguinte conclusão4: IMUNIDADE – CAPACIDADE ATIVA TRIBUTÁRIA. A imunidade encerra exceção constitucional à capacidade ativa tributária, cabendo interpretar os preceitos regedores de forma estrita. IMUNIDADE – EXPORTAÇÃO – RECEITA – LUCRO. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras. LUCRO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – EMPRESAS EXPORTADORAS. Incide no lucro das empresas exportadoras a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha 4 DJe nº 209, Divulgação 28/10/2010, Publicação 03/11/2010, Relator Min. Marco Aurélio. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001554/200617 Acórdão n.º 130100.858 S1C3T1 Fl. 168 9 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10166.906395/2009-63
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 31/05/2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que
jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.862
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe transmitiu Per/Dcomp para restituição/compensação de IRPJ/CSLL paga a título de estimativa mensal, a maior ou indevida. Pelo Despacho Decisório, eletrônico, de fls. 38 a Per/Dcomp foi considerada improcedente e não homologada, por tratarse de pagamento de estimativa. A empresa manifestouse contrariamente ao despacho denegatório por tratar se de vedação prevista em Instrução Normativa e não de natureza legal. Ataca veemente a redação do artigo 10 da IN SRF nº 600/05, por falta de substrato legal. Às fls. 78 e seguintes, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF exarou o Acórdão nº 0339.167/10 mantendo o indeferimento do pedido de restituição e conseqüente compensação, por tratarse de estimativa mensal, consoante ementa do aresto ora transcrita: IRPJ POR ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO A MAIOR. ANTECIPAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. O IRPJ recolhido a título de estimativa é considerado antecipação no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente podendo ser utilizado na dedução do imposto de renda devido no ajuste anual, momento em que se aperfeiçoa o fato gerador. Somente saldo credor porventura gerado é passível de restituição. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, tornase prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia. Tempestivamente a empresa interpôs o Recurso de fls. 89 e seguintes reprisando os termos da defesa inicial, requerendo a nulidade do despacho decisório por fundamentarse em ato infralegal, sem respaldo em norma tributária vigente. Fez sustentação oral pela recorrente o dr. João Marques Neto, OAB/BA nº 22.082. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906395/200963 Acórdão n.º 180100.862 S1TE01 Fl. 139 3 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débitos, oriundo de estimativa de tributo paga a maior ou indevidamente. Esta turma julgadora já se defrontou com a matéria e firmou posição bem retratada em voto da conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que passo a transcrever1: “A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada ano calendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. 1 Processo nº 19647.010657/200610, Acórdão nº 180100.597, em 28/06/11. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906395/200963 Acórdão n.º 180100.862 S1TE01 Fl. 140 5 estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906395/200963 Acórdão n.º 180100.862 S1TE01 Fl. 141 7 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, conclui se que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906395/200963 Acórdão n.º 180100.862 S1TE01 Fl. 142 9 A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906395/200963 Acórdão n.º 180100.862 S1TE01 Fl. 143 11 Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 “Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação.” Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade do pedido de restituição/compensação cujo objeto é o pagamento de estimativas em valor indevido, ou a maior do que o devido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc. Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio. Observo que a empresa tem outros processos que versam sobre Per/Dcomp cujos créditos tributários são estimativas recolhidas durante o mesmo anocalendário, devendo ser analisados conjuntamente pela autoridade a quo. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.002703/2001-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998
IRPJ E REFLEXOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ART. 40, DA LEI 9.430/96. COMPROVAÇÃO.
Para elidir a presunção de receita em razão da constatação de passivo fictício, é mister a comprovação através de documentação hábil dos pagamentos realizados, ônus do qual não se desincumbiu o contribuinte.
PREJUÍZOS FISCAIS. ABSORÇÃO SOBRE VALOR LANÇADO.
Não afastada a caracterização de passivo fictício, devem ser revertidos os prejuízos fiscais apurados em decorrência da infração.
Numero da decisão: 1102-000.325
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barretto
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Recorrida 4ª TURMA DRJ/RJ I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998 IRPJ E REFLEXOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ART. 40, DA LEI 9.430/96. COMPROVAÇÃO. Para elidir a presunção de receita em razão da constatação de passivo fictício, é mister a comprovação através de documentação hábil dos pagamentos realizados, ônus do qual não se desincumbiu o contribuinte. PREJUÍZOS FISCAIS. ABSORÇÃO SOBRE VALOR LANÇADO. Não afastada a caracterização de passivo fictício, devem ser revertidos os prejuízos fiscais apurados em decorrência da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator. Fl. 2728DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRET, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRET, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIR Processo nº 15374.002703/200191 Acórdão n.º 110200.325 S1C1T2 Fl. 2.729 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (presidente da turma), João Carlos de Lima Júnior (vicepresidente),João Otávio Opperman Thomé, José Sérgio Gomes (suplente convocado) e Manoel Mota Fonseca (suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto com o fito de cancelar Autos de Infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 133/150), lavrados em razão da constatação de omissão de receitas no ano calendário de 1997, decorrente da ausência de comprovação de parte do saldo da conta “fornecedores”, e consequente caracterização de passivo fictício, além de efetuada a reversão do prejuízo fiscal apurado em 31/12/98, por força de tal constatação. Na Impugnação apresentada (fls. 157/164), a Recorrente aduziu, em síntese, que a autoridade fiscal teria presumido a inexistência de outros fornecedores e desprezado a possibilidade de comprovação do passivo por outros meios, além de duplicatas, conforme faculta o art. 228, do RIR/94, requerendo a produção de provas, inclusive pericial, indicando perito e quesitos, além de jurisprudência do Conselho de Contribuintes. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro indeferiu o pedido de perícia e manteve o lançamento Acórdão no 7058/2005 (fls. 387/396) – com base nos seguintes fundamentos: i) a Recorrente deveria ter acostado aos autos a prova da inexistência de passivo fictício; ii) a presunção de omissão de receita levada a cabo pelas autoridades autuantes decorre de imperativo legal – art. 40, da Lei n.° 9.430/96 e art. 228, do RIR/94 e – deve ser mantida diante da não apresentação de qualquer documento capaz de demonstrar que os pagamentos das obrigações realizaramse no exercício subseqüente; iii) apenas foi acostado aos autos requisições feitas a instituições financeiras para apresentação de microfilmagem de cheques emitidos no anocalendário de 1998 que comprovariam os pagamentos registrados na contabilidade, contudo, após a Impugnação nada foi adicionado aos autos; iv) não houve a juntada sequer dos extratos bancários com a indicação de datas e valores,o que caracteriza desobediência ao art. 195, do CTN que impõe a guarda e conservação de comprovantes de lançamentos; v) considerando que o valor tributável no anocalendário de 1997 é superior ao prejuízo acumulado, a Recorrente não Fl. 2729DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRET, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRET, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIR Processo nº 15374.002703/200191 Acórdão n.º 110200.325 S1C1T2 Fl. 2.730 3 poderia ter compensado prejuízo no anocalendário de 1998. Devidamente intimada do acórdão da DRJ (fls.387/396), a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, reiterando as razões expostas em sua Impugnação, e apresentando cópias de microfilmagens recebidas de bancos, que confirmariam a emissão de cheques no anocalendário de 1998, no valor de R$ 3.067.022,09, relativos à liquidação de obrigações com fornecedores. Acrescenta ainda que aguarda o fornecimento de mais cópias pelos bancos que serão apresentadas assim que possível. Após a interposição do Recurso, a Recorrente requereu a juntada de extratos e correspondências (fl. 694). É o relatório. Voto Conselheiro Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos legais, passo a apreciálo. Insurgese a Recorrente contra acórdão da DRJ que manteve lançamento de IRPJ e reflexos, em razão da ausência de comprovação de obrigações escrituradas no ano calendário de 1997, no montante de R$ 2.283.326,57, sob a alegação de que, apesar de solicitado aos diversos bancos em que fez movimentações financeiras, não recebeu a totalidade das informações necessárias à comprovação da quitação das obrigações no anocalendário de 1998. Não merece reparos a decisão recorrida, em razão da necessária aplicação do comando do art. 40, da Lei Ordinária n.° 9.430/96 e do art. 228, do RIR/94 (vigente à época), que disciplinam o tratamento tributário a ser dado na hipótese de não comprovação de obrigações escrituradas, verbis: “Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita.” RIR/94 “Art. 228. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção (Decreto Lei n° 1.598/77, art. 12, § 2°). Parágrafo único. Caracterizase, também, como omissão de receitas: Fl. 2730DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRET, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRET, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIR Processo nº 15374.002703/200191 Acórdão n.º 110200.325 S1C1T2 Fl. 2.731 4 a) a falta de registro na escrituração comercial de aquisições de bens ou direitos, ou da utilização de serviços prestados por terceiros, já quitados; b) a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada.” Malgrado seja permitida a comprovação em contrário da omissão de receita por parte de contribuinte, não se pode olvidar que o contribuinte deve trazer provas claramente contundentes e idôneas para que possa afastar a referida presunção de receita. Contudo, a Recorrente direciona a sua defesa na necessidade de análise por parte do Fisco de todos os cheques por ela emitidos no anocalendário de 1998, para comprovar alegados pagamentos a fornecedores que seriam relativos a obrigações assumidas no exercício anterior, sem, contudo, apresentar qualquer documento que permita a ligação entre o valor escriturado em 1997 e os pagamentos efetuados no ano subsequente. Além de não demonstrar que os cheques acostados ao Recurso Voluntário tem qualquer ligação com as obrigações assumidas no anocalendário de 1997, o Recorrente pugna por prazo e apresenta requerimentos efetuados perante instituições financeiras para comprovar ter requerido extratos e cópias de cheques, quando se trata de lançamento levado a cabo há mais de 9 (nove) anos, daí a impertinência do pleito de concessão de prazo ou diligência para busca de mais documentos. Ademais, o contribuinte sequer apresentou a escrituração de pagamentos ou qualquer registro contábil para comprovar os referidos pagamentos no anocalendário de 1998, os quais são imprescindíveis para afastar a presunção de omissão de receita prevista nos artigos 40 da Lei 9.430/96 e 228 do RIR/94. Nesse sentido, não é demais lembrar que o contribuinte deve manter sob seus cuidados os documentos fiscais, como os registros contábeis, para demonstrar claramente a transações realizadas, conforme preceitua o parágrafo único, do art. 195 do CTN. Diante da manutenção do lançamento, e do registro de prejuízo fiscal no ano subseqüente – 1998 – cujo valor é integralmente absorvido pela receita tida como omitida, inexorável a conclusão de que o Recorrente não poderia ter feito a compensação de 30% (trinta por cento). Por fim, destaco que não merece prosperar o argumento de que não seriam devidos PIS e COFINS, caso confirmada a infração de passivo fictício, porquanto tratase de conduta caracterizada como omissão de receitas, base de cálculo das referidas contribuições. Diante do exposto, em razão das provas carreadas nos autos não terem o condão de afastar a presunção da omissão de receita por falta de conectividade com os fatos aludidos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Relator Relator Fl. 2731DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRET, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRET, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIR Processo nº 15374.002703/200191 Acórdão n.º 110200.325 S1C1T2 Fl. 2.732 5 Fl. 2732DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRET, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRET, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIR
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Numero do processo: 13056.000394/2007-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA.
ATIVIDADES VEDADAS. Mantém-se o indeferimento do pedido de inclusão retroativa se o contribuinte não infirma o exercício das atividades de incorporação de imóveis e de projetos de engenharia, expressos em seu contrato social, e excluídos apenas de seu cadastro junto ao CNPJ
Numero da decisão: 1101-000.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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INSTALADORA ELÉTRICA LTDA (nova denominação social de ENGELUX CONSTRUÇÕES LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADES VEDADAS. Mantémse o indeferimento do pedido de inclusão retroativa se o contribuinte não infirma o exercício das atividades de incorporação de imóveis e de projetos de engenharia, expressos em seu contrato social, e excluídos apenas de seu cadastro junto ao CNPJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13056.000394/200787 Acórdão n.º 110100.716 S1C1T1 Fl. 88 2 Relatório I.E.E. INSTALADORA ELÉTRICA LTDA (nova denominação social de ENGELUX CONSTRUÇÕES LTDA), já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu seu pedido de inclusão no SIMPLES Nacional. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: O presente processo trata de manifestação de inconformidade contra a Decisão DRFNHO/SECAT/SIMPLES NACIONAL n° 167/2008, de fls. 26, que indeferiu o pedido de inclusão no Simples Nacional Regime Especial Unificado de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) de que trata o artigo 12 da Lei Complementar (LC) n° 123/2006, com data retroativa a 01/07/2007. Em 05/10/2007 o interessado apresentou sua solicitação de inclusão no Simples Nacional, fls. 01, alegando: 1 a atividade que impediu sua opção, que consta do Termo de Indeferimento como sendo "atividade de incorporação de imóveis", embora conste de seu contrato social, não é exercida pela empresa; 2 em 03/07/2007 e em 24/07/2007 entrou com pedido de alteração de atividade na Receita Federal de Taquara, porém os mesmos não foram processados por problemas no sistema de informática da Receita Federal. Sem êxito, continuou enviando os pedidos de alteração cadastral; e 3 em 28/08/2007, quando já havia passado o prazo de opção pelo Simples Nacional, o problema foi solucionado. Anexou ao processo, além do contrato social, de fls. 02 a 07, cópia do DBE solicitando a alteração do cadastro CNPJ, cópia da nova ficha cadastral da empresa e pedido de parcelamento para ingresso no Simples Nacional. Em 25/04/2008, o Parecer DRFNHO/SECAT/Simples Nacional n° 167/2008, fls. 25, indeferiu a pretensão do contribuinte de participar do sistema simplificado de tributação uma vez que a atividade vedada constante do Termo de Indeferimento de fls. 23 apesar de não constar do contrato social da empresa, estava registrada no CNPJ da mesma: manutenção de redes de distribuição de energia elétrica. O indeferimento decorreu desta atividade e não da incorporação de imóveis, informada pelo interessado. Em 08/05/2008 o contribuinte tomou ciência deste Parecer, fls. 28, e em 04/06/2008 apresentou manifestação de inconformidade conforme fls. 29, informando que não exerce as atividades de incorporação e nem de elaboração de projetos e que já providenciou sua alteração contratual na Junta Comercial do RGS, excluindo estas atividades de seus objetivos sociais. As atividades hoje exercidas são exclusivamente de construção e comércio de materiais de construção e de materiais elétricos, assim como a manutenção em instalações elétricas, as quais não impedem que a empresa pague os seus impostos nos termos da Lei do Simples Nacional. Requer, ao final, o deferimento de sua solicitação, para ingresso no Simples Nacional. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13056.000394/200787 Acórdão n.º 110100.716 S1C1T1 Fl. 89 3 A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • O art. 17, inciso VII da Lei Complementar nº 123/2006 veda o ingresso no SIMPLES Nacional de empresa que seja geradora, transmissora, distribuidora ou comercializadora de energia elétrica. E no presente caso, as solicitações da contribuinte, apresentadas em 16/07/2007 e 09/08/2007 foram indeferidas por incorrer em atividade econômica vedada: transmissão de energia elétrica, CNAE 035123/00 e pendência cadastral ou fiscal com o município de Igrejinha, fls. 39 a 43. • O exercício de atividade impeditiva veda a adesão ao SIMPLES Nacional, e no Anexo I da Resolução CGSN nº 6/2007 consta o CNAE da atividade secundária, relacionado na FCPJ de fls. 15, anexada pelo próprio interessado: manutenção de redes de distribuição de energia elétrica. • O ato de indeferimento questionado esclarece que esta é a atividade vedada, mas na manifestação de inconformidade o contribuinte continua alegando que não exerce as atividades de incorporação e nem de elaboração de projetos. • Destaca que o art. 111 do CTN determina a interpretação literal da norma que disponha sobre outorga de isenção, de modo que se o inciso VII do art. 17 Lei Complementar n° 123/2006, dispõe literalmente que o favor fiscal não alcança a pessoa jurídica que seja geradora, transmissora, distribuidora ou comercialize energia elétrica, não é dado ao intérprete dispor de outra forma. Acrescenta, ainda, que os servidores públicos têm o poder dever de agir conforme as determinações positivadas no ordenamento jurídico. Cientificada da decisão de primeira instância em 01/03/2010 (fl. 58), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 24/03/2010 (fls. 59/64), no qual volta a afirmar que teve seu pedido de inclusão no SIMPLES NACIONAL indeferido em razão de exercer atividade de elaboração de projetos e incorporação de imóveis, compreendidas nos CNAE 71120/00 e CNHAE 41107/00, atividades que seriam exclusivas de engenheiro, entendimento este mantido no Parecer DRFNHOSECAT/Simples nº 167/2008, mas inovado na decisão recorrida, que reportouse à atividade de manutenção de redes de distribuição de energia elétrica, não exercida pela contribuinte, que pratica manutenção de instalações elétricas, a qual não representa atividade impeditiva. Considera incoerente, ilegal e arbitrária a inovação, e reportase a julgados do CARF para firmar que ao ser indeferido o pedido da recorrente de adesão ao SIMPLES por determinada causa, não pode a Receita Federal, depois de sanada a irregularidade, alegar outro impedimento, sob pena de cercear o direito da recorrente. Afirma exercer as atividades de execução e manutenção de instalações elétricas; comércio varejista de artigos de iluminação, de materiais elétricos para construção, de materiais elétricos e eletrônicos e de matérias de construção em geral, execução, compra, venda e construção de imóveis, e acrescenta que a atividade de manutenção de redes de energia elétrica não consta em seus contratos sociais. A atividade de manutenção de instalações elétricas em muito se distingue da atividade alegada, e consiste em realizar a manutenção de instalações elétricas residenciais, prédios comerciais e residenciais, e não em redes de alta tensão. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13056.000394/200787 Acórdão n.º 110100.716 S1C1T1 Fl. 90 4 Pede, assim, que seja dado efeito suspensivo à exclusão e que seja reconhecida a sua manutenção no SIMPLES. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13056.000394/200787 Acórdão n.º 110100.716 S1C1T1 Fl. 91 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O documento de fl. 23, intitulado Detalhamento da Solicitação de Opção, indica que a contribuinte solicitou seu ingresso no SIMPLES Nacional em 16/07/2007, e na mesma data seu pedido foi indeferido por incidir em situação de vedação ao ingresso no Simples Nacional, acusandose pendências com municípios. Em sua petição de 24/10/2007, a contribuinte aduz que sua opção pelo Simples NACIONAL foi vedada em razão da atividade de incorporação de imóveis constar de seu cadastro, cuja alteração foi solicitada inicialmente em 03/07/2007. Documento de fl. 12 indica que em 24/07/2007 ainda estava em análise solicitação do contribuinte, e à fl. 13 consta Pedido de Parcelamento para ingresso no SIMPLES Nacional apresentado em 26/07/2007. À fl. 23 consta Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES Nacional, em face de solicitação apresentada em 09/08/2007, indicando o exercício de atividade econômica vedada (CNAE 35123/00 – Transmissão de Energia Elétrica). Alerta o referido Termo que é possível impugnar o indeferimento, mas, caso a pendência seja regularizada no período de 02/07/2007 a 20/08/2007, a pessoa jurídica deverá, se for de seu Interesse ingressar no Simples Nacional, formalizar nova opção até às 20 horas (horário de Brasília) do dia 20 de agosto de 2007. O pedido em análise nestes autos não decorre de impugnação ao Termo de Indeferimento de Opção acima indicado. Tratase de solicitação de inclusão com efeitos retroativos a 01/07/2007, sob o fundamento de que a alteração cadastral necessária à formalização da opção até 20/08/2007 somente foi implementada pela Receita Federal em 28/08/2007. O SECAT da DRF/Novo Hamburgo reconheceu que as alterações solicitadas pela contribuinte tardaram a ser efetuadas, e estão registradas nos sistemas informatizados da Receita Federal com data retroativa a 21/06/2007. Para maior clareza, transcrevese o que disse a autoridade administrativa: De qualquer modo, a empresa entrou com pedido de atualização cadastral em 03.07.2007, fls.08 e 09, solicitando a alteração do nome empresarial, das atividades econômicas efetivamente exercidas e de seu quadro societário. Por algum motivo esta solicitação não foi processada pela ARF em Taquara, fazendo com que o contribuinte enviasse novo pedido em 28.08.2007, f1.14. As fls.15 à 18 trazem a íntegra das alterações cadastrais solicitadas e nelas verificase que foram incluídas como atividades exercidas o "Comércio varejista de material elétrico (47423/00); Comércio varejista de materiais de construção em geral (47440/99); Manutenção de redes de distribuição de energia elétrica (42219/03); e Obras de alvenaria (43991/03)". Estas alterações foram efetivadas no sistema com data retroativa à 21.06.2007 (data da alteração contratual), conforme fls.24 e 24v. (destaques do original). Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13056.000394/200787 Acórdão n.º 110100.716 S1C1T1 Fl. 92 6 Contudo, observouse no Parecer lavrado naquela ocasião que a atividade Manutenção de redes de distribuição de energia elétrica permanecia incluída no cadastro da pessoa jurídica, mantendo o impedimento à opção pelo SIMPLES Nacional. Preliminarmente a autoridade administrativa também registrou que no contrato da empresa (datado de 21.06.2007) constam como objeto social as atividades de "Projeto, execução e manutenção de instalações elétricas; comércio varejista de artigos de iluminação, material elétrico para construção, materiais elétricos e eletrônicos; e materiais de construção em geral; projeto, execução, compra, venda, construção e incorporação de imóveis", sendo que estas atividades grifadas estão compreendidas no CNAE 71120/00 — Serviços de Engenharia e no CNAE 41107/00 — Incorporação de Empreendimentos Imobiliários, respectivamente, e são vedadas ao Simples Nacional por disposição da Lei Complementar n°123, de 14.12.06, art.17, incisos XI (atividade de natureza técnica exercida por engenheiros) e inciso XIV. Em suma, o indeferimento do pedido da contribuinte se fez sob dois argumentos: a atividade impeditiva indicada no indeferimento da opção inicial subsistia no cadastro no CNPJ e outras atividades impeditivas constavam do contrato social da interessada. Logo, não houve qualquer inovação na decisão recorrida. Quanto ao primeiro argumento, tem razão a contribuinte: a atividade não consta de seu objeto social e, por sua natureza, não seria exercida por uma empresa de pequeno porte, como se infere a partir de seu capital social de (R$ 60.000,00), de sua formação societária (sócios Volnei Walmor Linden, administrador e Luciane Leila Linden, filha deste) e do endereço de seu estabelecimento (Rua Emílio Lamb, 64, Bairro XV de Novembro, Igrejinha/RS). É razoável admitir que a empresa em questão equivocouse ao indicar este código de atividade econômica para retratar os serviços que efetivamente afirma prestar: manutenção de instalações elétricas residenciais, prédios comerciais e residenciais. Quanto ao segundo argumento, assevera a recorrente, desde a manifestação de inconformidade, que promoveu as alterações cadastrais necessárias para excluir as atividades vedadas. Contudo, assim procedeu apenas em relação ao registro das atividades perante o CNPJ, pois seu contrato social continuou a expressar que: Cláusula V O objeto da sociedade passa a ser as atividades de projeto, execução e manutenção de instalações elétricas, comércio varejista de artigos de iluminação, material elétrico para construção, materiais elétricos e eletrônico; e materiais de construção em geral, projeto execução, compra, venda, construção e incorporação de imóveis. A razão social da empresa, antes denominada ENGELUX ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA, passou a ser ENGELUX CONSTRUÇÕES LTDA, e à época do recurso voluntário constaria como I.E.E. INSTALADORA ELÉTRICA LTDA. Junto à peça recursal está juntada alteração contratual posterior à de 17/05/2007 (analisada pela autoridade preparadora), assinada em 29/05/2008, da qual constam as seguintes cláusulas contratuais: PRIMEIRA DA DENOMINAÇÃO Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13056.000394/200787 Acórdão n.º 110100.716 S1C1T1 Fl. 93 7 A sociedade opera sob o nome empresarial de ENGELUX CONSTRUÇÕES LTDA. EPP e o seu nome fantasia será LW EMPREENDIMENTOS. SEGUNDA DOS OBJETIVOS O objetivo social da empresa passa a ser o de execução e manutenção de instalações elétricas, comércio varejista de artigos de iluminação, de material elétrico para construção, de materiais elétricos e eletrônicos e de materiais de construção em geral, execução, compra, venda e construção de imóveis. Como se vê, apesar de excluir as referências a projetos e incorporação, foram mantidas as atividades de execução, compra, venda e construção de imóveis, e a empresa passou a adotar o nome de fantasia LW EMPREENDIMENTOS. A autoridade administrativa, para indeferir o pedido de inclusão retroativa, classificou as atividades de acordo com a tabela da CONCLACNAE 2.0, concluindo que elas estavam compreendidas no CNAE 71120/00 — Serviços de Engenharia e no CNAE 4110 7/00 — Incorporação de Empreendimentos Imobiliários, respectivamente. É o que consta das pesquisas juntadas às fls. 21/22: Seção: F CONSTRUÇÃO Divisão: 41 CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS Grupo: 411 INCORPORAÇÃO DE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS Classe: 41107 INCORPORAÇÃO DE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS Subclasse 41107/00 INCORPORAÇÃO DE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS [...] Esta Subclasse compreende: a realização de empreendimentos imobiliários, residenciais ou não, provendo recursos financeiros, técnicos e materiais para a sua execução e posterior venda [...] Seção: M ATIVIDADES PROFISSIONAIS, CIENTÍFICAS E TÉCNICAS Divisão: 71 SERVIÇOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA; TESTES E ANÁLISES TÉCNICAS Grupo: 711 SERVIÇOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA E ATIVIDADES TÉCNICAS RELACIONADAS Classe: 71120 SERVIÇOS DE ENGENHARIA Subclasse 71120/00 SERVIÇOS DE ENGENHARIA Esta Subclasse compreende: os serviços técnicos de engenharia, como a elaboração e gestão de projetos e os serviços de inspeção técnica nas seguintes áreas: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13056.000394/200787 Acórdão n.º 110100.716 S1C1T1 Fl. 94 8 engenharia civil, hidráulica e de tráfego . engenharia elétrica, eletrônica, de minas, química, mecânica, industrial, de sistemas e de segurança, agrária, etc. engenharia ambiental, engenharia acústica, etc. a supervisão de obras, controle de materiais e serviços similares a supervisão de contratos de execução de obras a supervisão e gerenciamento de projetos a vistoria, perícia técnica, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico de engenharia a concepção de maquinaria, processo e instalações industriais As vedações às quais reportase a autoridade administrativa estão assim prescritas na Lei Complementar nº 123/2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] XI que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; [...] XIV que se dedique ao loteamento e à incorporação de imóveis; [...] Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte apenas afirma que suas atividades são exclusivamente de construção e comércio de materiais de construção e de materiais elétricos e manutenção em instalações elétricas. Já em seu recurso voluntário, limita se a reproduzir seu objeto social, afirmando que este engloba execução, compra, venda e construção de imóveis, mas omitindo as referências nele contidas a projeto e incorporação. Eventualmente poderseia questionar se o objeto social da empresa alcança as atividade de incorporação de imóveis no sentido definido pela CONCLA para a atividade 41107/00: realização de empreendimentos imobiliários, residenciais ou não, provendo recursos financeiros, técnicos e materiais para a sua execução e posterior venda. De toda sorte, ainda que a atividade da empresa esteja circunscrita à construção de imóveis por empreitada, não se pode olvidar que seu objeto social expressamente se reportava a projetos neste sentido, atividade vedada nos termos do art. 17, inciso XI da Lei Complementar nº 123/2006. A alteração promovida em 2008, embora possivelmente tenha se destinado a retirar estes traços de seu objeto social, expressou nome fantasia associando a atividade da pessoa jurídica à realização de empreendimentos imobiliários. Na medida em que a interessada limitouse a negar o exercício das atividades que lhe foram imputadas pela autoridade administrativa, sem juntar qualquer prova que sustentasse seu pedido de inclusão retroativa no SIMPLES Nacional, impõese concluir que não foram desconstituídos integralmente os motivos que resultaram no indeferimento de seu pedido. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13056.000394/200787 Acórdão n.º 110100.716 S1C1T1 Fl. 95 9 Por estas razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13056.000394/200787 Acórdão n.º 110100.716 S1C1T1 Fl. 96 10 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 11080.008354/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005, 2006
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FALTA DE ENERGIA NO ESCRITÓRIO DO PATRONO. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO ART. 183 DO CPC. DESCABIMENTO.
Correta a decisão de primeira instância que não conheceu das impugnações apresentadas no dia seguinte ao encerramento do prazo legal para a prática do ato administrativo. Descabida a aplicação subsidiária do art. 183 do CPC, por não haver, no caso, lacuna a ser preenchida. É dever do interessado cercar-se de todos os cuidados para a prática do ato processual, dentro do prazo.
Ademais, a alegação de falta de energia elétrica no escritório do patrono, no último dia do prazo, não foi cabalmente provada.
Numero da decisão: 1301-000.804
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao
recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier e Diniz Raposo e Silva, que
davam provimento.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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(contribuinte), RÔMULO BARBERI LISBOA, HUMBERTO CASTILHO PINHEIRO, JOÃO PAULO SOSTER e LUCIANE FAVERO BIMBATO (responsáveis tributários solidários) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005, 2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FALTA DE ENERGIA NO ESCRITÓRIO DO PATRONO. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO ART. 183 DO CPC. DESCABIMENTO. Correta a decisão de primeira instância que não conheceu das impugnações apresentadas no dia seguinte ao encerramento do prazo legal para a prática do ato administrativo. Descabida a aplicação subsidiária do art. 183 do CPC, por não haver, no caso, lacuna a ser preenchida. É dever do interessado cercarse de todos os cuidados para a prática do ato processual, dentro do prazo. Ademais, a alegação de falta de energia elétrica no escritório do patrono, no último dia do prazo, não foi cabalmente provada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier e Diniz Raposo e Silva, que davam provimento. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 991DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.008354/200912 Acórdão n.º 130100.804 S1C3T1 Fl. 974 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Diniz Raposo e Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório JOÃO PAULO SOSTER, CPF nº 422.086.10091, e LUCIANE FAVERO BIMBATO, CPF nº 913.528.94149 (responsáveis tributários solidários), já qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 1030.689, de 31/03/2011, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, recorrem voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Esclareço que constam como interessados no processo, além das duas pessoas físicas já mencionadas, a pessoa jurídica R. BARBIERI & CIA LTDA., CNPJ nº 02.836.725/000140 (contribuinte) e as pessoas físicas RÔMULO BARBERI LISBOA, CPF nº 010.076.32194 e HUMBERTO CASTILHO PINHEIRO, CPF nº 010.076.52110 (responsáveis tributários solidários), nenhum dos quais apresentou recurso. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir reproduzido: Trata o presente processo de impugnação a Autos de Infração (AI) de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 645/651), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 660/666), Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 673/677) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 684/688). Os valores dos tributos originários nos AI montam a R$ 694.460,85, que acrescidos de multas de ofício e juros moratórios (calculados até 30/11/2009) totalizam R$ 2.150.800,98. As descrições dos fatos e da base legal da autuação estão postas nas folhas dos AI acima indicados, levando à apuração de infrações no período compreendido entre março de 2004 e dezembro de 2005 No relatório da ação fiscal, às fls. 695/711, ficou demonstrado que a empresa, tributada pela sistemática do Simples, omitiu reiteradamente receitas nos anos 2004 e 2005, sendo a omissão apurada a partir de créditos bancários de origem não comprovada, em agência do Banco Real em Porto AlegreRS e do Bradesco em MarcelândiaMT. Em razão da falta de apresentação dos livros e documentos, bem assim da prática reiterada de infração à legislação tributária, a contribuinte foi excluída do Simples através de Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/POA nº 094 de 11/12/2009 (fl. 642), com efeitos retroativos a 01/01/2004; não houve apresentação de manifestação de inconformidade contra este Ato. No AI, foi realizado arbitramento do lucro para efeito do cálculo do IRPJ e CSLL, com lançamento de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS com base nas receitas declaradas e nas omitidas. Além de envidar esforços para não ser localizada e responsabilizada, a conduta da empresa evidenciou intenção de impedir, ou no Fl. 992DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.008354/200912 Acórdão n.º 130100.804 S1C3T1 Fl. 975 3 mínimo retardar, o conhecimento do fato gerador e sua real magnitude, sendo a multa de ofício qualificada para 150%. Em razão da suposta sonegação, houve representação fiscal para fins penais e lavratura de termos de sujeição passiva solidária para sócios (não localizados) , administradores de fato e procuradores (fls. 766/773). A contribuinte e os sujeitos passivos solidários tiveram ciência dos AI através de editais e de Avisos de Recebimento – AR, conforme tabela abaixo: Ciência por AR Ciência por Edital NOME Situação CPF/CNPJ AI*/ADE/TSP AI/ADE** TSP*** Rômulo Barbieri Lisboa Sócio 010.076.32194 Ausente 30/12/2009 12/02/2010 Humberto Castilo Pinheiro Sócio 010.076.52110 Ausente 30/12/2009 12/02/2010 João Paulo Soster Procurador Administrador de fato 422.086.10091 04/01/2010 30/12/2009 Luciane Favero Bimbato Procuradora Movimentação de recursos no banco Bradesco. 913.528.94149 30/12/2009 30/12/2009 R Barbieri & Cia. Ltda. Empresa 02.836.725/0001 40 30/12/2009 30/12/2009 * AI Auto de Infração ** ADE Ato Declaratório Executivo *** TSP Termo de Sujeição passiva Foram protocoladas duas impugnações apenas: • de João Paulo Soster (fls. 793/807), em 04/02/2010; e • de Luciane Fávero Bimbato (fls. 812/827), também em 04/02/2010. João Paulo Soster e Luciane Fávero Bimbato são procuradores da empresa, sendo esta ligada às movimentações financeiras da empresa junto ao Banco Bradesco e aquele ligado às movimentação bancárias do Banco Real. A impugnação de João Paulo se centra em três pontos: a) nulidade do procedimento por alegada falta de renovação do mandado de procedimento fiscal; b) decadência de parte do lançamento relativa ao PIS e à COFINS; c) arbitramento que não afasta o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. A impugnação de Luciane Bimbato também tem foco em três pontos: a) tempestividade da impugnação protocolada em 04/02/2010, um dia após o prazo final para sua entrega, em face de justa causa havida pela falta de energia elétrica das 13:30 às 19:00 do dia 03/02/2010 que afetou o bairro onde se encontra o escritório de seu procurador; b) sua ilegitimidade passiva por não exercer função de gestão, baseada no primado da presunção de inocência; Fl. 993DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.008354/200912 Acórdão n.º 130100.804 S1C3T1 Fl. 976 4 c) nulidade do procedimento por alegada falta de renovação do mandado de procedimento fiscal. A 5ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS analisou as impugnações apresentadas e, por via do Acórdão nº 1030.689, de 31/03/2011 (fls. 848/850), delas não tomou conhecimento, em decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 JUSTA CAUSA. FALTA DE ENERGIA. Não se considera justa causa para a dilação de prazo da impugnação a falta de energia no escritório do mandatário da parte. O prazo para interposição de impugnação é de trinta dias. Ao programarse para cumprilo nos últimos instantes último dia, o impugnante assume o risco da demora, não se admitindo que casos fortuitos ocorridos nos momentos finais justifiquem o descumprimento de prazo peremptório. INTEMPESTIVIDADE. DEFINITIVIDADE. A impugnação não instaura o contraditório quando é protocolada em prazo superior a trinta dias da ciência do auto de infração, tornando se definitivo o lançamento na esfera administrativa. A ciência da decisão de primeira instância foi dada ao contribuinte e responsáveis por via postal ou por edital, conforme quadro abaixo: NOME Ciência por AR Ciência por Edital Data da Ciência Fls. Data da Ciência Fls. Rômulo Barbieri Lisboa Devolvido 869 23/09/2011 875 Humberto Castilho Pinheiro Devolvido 870 23/09/2011 875 João Paulo Soster 15/08/2011 871 Luciane Favero Bimbato 19/08/2011 872 R Barbieri & Cia. Ltda. Devolvido 856 02/06/2011 858 A pessoa jurídica R. BARBIERI & CIA LTDA. e as pessoas físicas RÔMULO BARBERI LISBOA e HUMBERTO CASTILHO PINHEIRO não apresentaram recurso. Os responsáveis tributários solidários JOÃO PAULO SOSTER e LUCIANE FAVERO BIMBATO apresentaram recurso voluntário em conjunto em 01/09/2011, conforme carimbo de recepção à fl. 876. No recurso interposto (fls. 877/886), os interessados aduzem razões em favor da tempestividade de suas peças impugnatórias protocoladas em 04/02/2010. Em apertada síntese, os recorrentes reiteram a falta de luz ocorrida em diversos bairros de Porto Alegre, inclusive no local onde situados os escritórios de seus procuradores, até o final da tarde do dia 03/02/2010, último dia para impugnação do lançamento. Por sua ótica, estarseia diante de evento imprevisto, alheio à vontade da parte, a Fl. 994DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.008354/200912 Acórdão n.º 130100.804 S1C3T1 Fl. 977 5 constituir justa causa para a apresentação das impugnações somente no dia seguinte, cabendo aplicar analogicamente o art. 183 do Código de Processo Civil. Os interessados combatem a decisão recorrida, afirmando a impossibilidade de redigir os documentos a mão ou mediante o uso de máquina de datilografia, bem assim a inviabilidade prática de proceder, naquelas circunstâncias, à “desinstalação de servidores, demais computadores e impressoras para, deslocandose para outra parte da cidade”, imprimir os documentos. Também discordam de que se lhes possa imputar, ou aos seus mandatários, imprevidência, desídia ou falta de cautela. Desde que a lei lhes faculta prazo de trinta dias, esse prazo deve poder ser utilizado em sua inteireza. Os recorrentes colacionam doutrina que entendem suportar sua tese, bem assim decisões judiciais em situações que consideram substancialmente semelhantes. No que toca ao recorrente João Paulo Soster, reclamam ainda que “seus procuradores tiveram o acesso ao processo retardado por praticamente uma semana pela atuação indevida da Autoridade processante quando do requerimento de vista do feito (fl. 776)”. Concluem com o pedido de “provimento desse recurso para o fim de, reconhecida a justa causa para o não protocolo das impugnações no último dia do prazo, tê las por tempestivas, determinando o retorno dos autos ao Juízo a quo para enfrentamento do mérito das razões expostas”. Em 16/09/2011, os mesmos recorrentes protocolaram documento (fls. 887/902) intitulado RAZÕES COMPLEMENTARES ao Recurso Voluntário. Ali, são aduzidas razões sob os seguintes títulos: • Ausência de responsabilidade tributária dos recorrentes – Os recorrentes não suportam o ônus pelo pagamento dos tributos e não participaram do fato gerador dos tributos – Limites do artigo 124 do CTN. • Os recorrentes não são vinculados ao fato gerador – Ausência de exclusão da responsabilidade do sujeito passivo da relação tributária – Limites dos artigos 128, 134 e 135 do CTN. • Da ilegalidade da ação fiscal – movimentação financeira incompatível • Da absoluta nulidade do auto de infração por efetuar lançamento com base em valores constantes em extratos bancários. • Da nulidade do auto de infração por ausência de comprovação de efetivo acréscimo patrimonial dos recorrentes – Movimentação bancária não se confunde com renda. • Da decadência dos créditos – Lançamento consumado em 28/12/2004 alcança fatos geradores dos cinco anos pretéritos. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.008354/200912 Acórdão n.º 130100.804 S1C3T1 Fl. 978 6 • Da multa confiscatória e os princípios da capacidade contributiva e da capacidade econômica. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso conjunto interposto por JOÃO PAULO SOSTER e LUCIANE FAVERO BIMBATO, responsáveis tributários solidários, é tempestivo e dele conheço. Inicialmente, deve ser definida a abrangência da lide nesta instância. Desde que a Turma Julgadora a quo não tomou conhecimento das impugnações apresentadas pelos responsáveis tributários acima nominados, por considerálas intempestivas, o que deve ser aqui decidido é quanto à correção, ou não, daquela decisão. Em consequência, as razões recursais de que aqui se conhece são aquelas de fls. 876/886, que tratam dessa matéria. Quanto ao documento (fls. 887/902) intitulado RAZÕES COMPLEMENTARES ao Recurso Voluntário, seus questionamentos tratam de preliminares e mérito do lançamento, não foram conhecidos em primeira instância e sua análise nesta fase processual implicaria supressão de instância, motivo pelo qual dele não conheço. Os recorrentes não questionam que o vencimento do prazo para apresentação das peças impugnatórias se deu no dia 03/02/2010, quartafeira, à luz do art. 5º do Decreto nº 70.235/1972, e também não negam que as impugnações foram, de fato, interpostas no dia seguinte, 04/02/2010, quintafeira. Sua pretensão é a aplicação ao seu caso, de forma analógica, do art. 183 do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/1973). Eis o dispositivo em comento: Art. 183. Decorrido o prazo, extinguese, independentemente de declaração judicial, o direito de praticar o ato, ficando salvo, porém, à parte provar que o não realizou por justa causa. § 1o Reputase justa causa o evento imprevisto, alheio à vontade da parte, e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. § 2o Verificada a justa causa o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que Ihe assinar. A justa causa, pela ótica dos recorrentes, seria a falta de energia elétrica em diversos bairros da cidade de Porto Alegre, inclusive naquele onde se situa o escritório de seus patronos1, até o final da tarde do último dia do prazo para impugnar os lançamentos. Como prova do ocorrido, faz juntar aos autos (fls. 830/831) cópia do jornal Zero Hora de quintafeira, 4 de fevereiro de 2010 (fls. 830/831), que assim noticia o ocorrido no dia anterior: 1 Já na peça impugnatória da Sra. Luciane Favero Bimbato, a interessada afirma (fl. 826) que o escritório de seu procurador se localiza no Bairro Higienópolis, “onde houve interrupção no fornecimento de energia das 13:30 as 19:00 horas do dia 03 de fevereiro de 2010”. No rodapé desse documento há confirmação do endereço. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.008354/200912 Acórdão n.º 130100.804 S1C3T1 Fl. 979 7 [...] cinco bairros da Capital sofreram cortes no abastecimento à tarde, atingindo cerca de 5 mil consumidores. AES Sul e RGE informaram que não houve problema em suas áreas de concessão. Segundo o Grupo CEEE, responsável pela distribuição em Porto Alegre, o serviço foi normalizado até o final da tarde nos bairros Navegantes, Floresta, Higienópolis, Mont’Serrat e Moinhos de Vento. [...] Observo que o pleito seria descrito mais adequadamente como aplicação subsidiária, em lugar da aplicação analógica. A subsidiariedade do Código de Processo Civil, em relação ao Decreto nº 70.235/1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, é amplamente reconhecida na doutrina e na jurisprudência, cabendo invocar dispositivos daquele diploma legal sempre que necessário o preenchimento de lacunas deste, de situações não expressamente dispostas. Na situação sob exame, entretanto, não vislumbro lacuna a ser preenchida. O Decreto nº 70.235/1972 dispõe expressamente sobre os prazos processuais e sua contagem, confirase: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. A única ressalva, no que toca ao vencimento, seria a situação em que o expediente no órgão administrativo não fosse normal, do que aqui não se cogita. Não há qualquer disposição acerca de situações que envolvam exclusivamente o sujeito passivo, o que leva ao entendimento manifestado pela Autoridade Julgadora em primeira instância, com o qual estou de acordo, de que o interessado deve se cercar de todas as cautelas necessárias para garantir, de sua parte, o cumprimento do ato processual dentro do prazo legal, sob pena de preclusão. Em reforço a esse entendimento, é de se observar que o art. 6º do referido Decreto nº 70.235/1972 trazia a possibilidade de prorrogação do prazo para impugnação, em atendimento a circunstâncias especiais2. No entanto, tal dispositivo se encontra há muito expressamente revogado, o que demonstra que não há aqui qualquer lacuna a ser preenchida com a aplicação subsidiária do art. 183 do CPC, mas sim a intenção do legislador de impedir, no âmbito do processo administrativo fiscal, a extensão dos prazos para a prática de atos processuais por quaisquer outras situações além daquela prevista no parágrafo único do art. 5º. Por si só, o exposto já seria motivo suficiente para negar provimento ao recurso voluntário. Adicionalmente, observo que o recorte de jornal trazido pelos interessados, cujo excerto reproduzi acima, não faz prova cabal de que, no escritório de seus patronos tenha 2 Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado:(Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência;(Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 997DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.008354/200912 Acórdão n.º 130100.804 S1C3T1 Fl. 980 8 havido interrupção de energia, nem durante quanto tempo. O fato de que o bairro Higienópolis tenha sido atingido não implica, necessariamente, que todos os consumidores daquele bairro tenham sofrido com o corte. Da mesma forma, se o serviço foi normalizado em todos os bairros atingidos até o final da tarde, daí não se pode deduzir que o restabelecimento da energia tenha sido feito para todos os consumidores, ao mesmo tempo, e ao final do dia. Concluo, assim, que, ainda que por hipótese se pudesse admitir a aplicação subsidiária do art. 183 do CPC, não haveria prova nos autos de que no domicílio do patrono dos recorrentes tenha havido falta de energia elétrica no último dia do prazo por período tão extenso que pudesse caracterizar a “justa causa” a que se refere a lei. Finalmente, no que tange à reclamação de que o interessado João Paulo Soster (ou seu procurador) teria tido o acesso ao processo retardado por uma semana, “pela atuação indevida da Autoridade processante quando do requerimento de vista do feito (fl. 776)”, também aqui não assiste razão à recorrente. O documento mencionado (fl. 776) não é um pedido de vista, mas sim um pedido de cópia integral do processo administrativo. Ali estão registradas tão somente as datas do protocolo do pedido (13/01/2010) e de recebimento das cópias (20/01/2010). Não vejo caracterizada qualquer demora indevida que possa ser imputada à autoridade preparadora, nem qualquer negativa de vista do processo, que pudesse constituir cerceamento ao direito do interessado à ampla defesa. Em conclusão, não faço reparos à decisão de primeira instância que considerou intempestivas as impugnações apresentadas por JOÃO PAULO SOSTER e LUCIANE FAVERO BIMBATO, responsáveis tributários solidários, e voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 998DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000474/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. À luz do art. 33 do
Decreto 70.235/1972, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias contados da ciência da Decisão da DRJ. No caso dos autos, sem trazer qualquer justificativa, o contribuinte protocolizou o recurso no trigésimo primeiro dia, razão pela qual, por ser intempestivo, não preenche os requisitos de admissibilidade.
Numero da decisão: 1402-001.035
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos,não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Esteve presente ao julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Indústria Comércio e Importações de Pneumáticos Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. À luz do art. 33 do Decreto 70.235/1972, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias contados da ciência da Decisão da DRJ. No caso dos autos, sem trazer qualquer justificativa, o contribuinte protocolizou o recurso no trigésimo primeiro dia, razão pela qual, por ser intempestivo, não preenche os requisitos de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos,não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Esteve presente ao julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.000474/200823 Acórdão n.º 1402001.035 S1C4T2 Fl. 0 2 . Relatório Por sintetizar a controvérsia dos autos adoto o relatório do acórdão recorrido de fls. 175 e seguintes, que assim resume a matéria: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração (fls.135 a 140) o qual lhe exige a importância de R$ 38.636,61, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, sob as regras do Lucro Presumido e relativo ao ano calendário de 2005, acrescido de multa de oficio de 150% e juros de mora à época do pagamento. Segundo consta na Descrição dos Fatos do lançamento de IRPJ, a exigência de imposto decorre da omissão de receita por conta de depósito bancário de origem não comprovada, com base no art.42 da Lei 9.430/96. Em decorrência deste lançamento, foram ainda lavrados os Autos de Infração a título de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls.141 a 147), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls.148 a 154), e de Contribuição Social sobre o Lucro — CSLL (fls.155 a 160), nas importâncias de R$ 17.782,41, R$ 82.072,87 e de 29.546,23, respectivamente, acrescidas da multa de oficio de 150% e de juros de mora à época do pagamento. A interessada apresentou sua impugnação (fls.163 a 167) ao lançamento, onde aduz que (i) as informações obtidas junto às instituições financeiras onde mantém conta bancária, pelos agentes do Fisco, se baseiam em lei inconstitucional (LC 105/2001) e, como tal (ii) é nulo o Auto de Infração, pois sua origem é ilícita (prova ilícita), uma vez que os extratos bancários obtidos pelo Fisco o foram sem autorização judicial, em afronta à CF/88. Quanto ao mérito dos lançamentos, disso não tratou, portanto de se considerar tal matéria como não impugnada, nos termos do que dispõe o art.17 do Decreto n° 70.235/72. O acórdão de fls. 175 e seguintes julgou procedente o lançamento, sendo que desta decisão a parte interessada foi intimada em 20012009 (fl. 184) e em 20022009 ingressou com o recurso de fls. 196 e seguintes por meio do qual reitera os argumentos constantes da impugnação sustentando, com base neles, a insubsistência do lançamento. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.000474/200823 Acórdão n.º 1402001.035 S1C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Inicio verificando os pressuposto de admissibilidade e tenho que o recurso não os preenche por ser intempestivo. Ao tratar do recurso das decisões da DRJ. O artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Segundo as regras contidas no artigo 210 do CTN, no artigo 66 da Lei n° 9.784, de 2001 e artigo 5° do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, abaixo transcritos, os prazos são contados segundo a sistemática “dies a quo non computator in término”, ou seja, desconsiderase o “dies a quo”, contase o “dies ad quem”, sendo que nenhum deles pode iniciar ou acabar em dia não útil ou sem expediente normal. A contagem dos prazos fixados no CTN. “Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou na legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” A contagem dos prazos disciplinados na Lei n° 9.784, de 2001. “Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento. § 1º. Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes da hora normal. § 2º. Os prazos expressos em dias contamse de modo contínuo. § 3º. Os prazos fixados em meses ou anos contamse de data a data. Se no mês do vencimento não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, temse como termo o último dia do mês.” A contagem dos prazos disciplinados no Decreto n° 70.235, de 1972. “Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.000474/200823 Acórdão n.º 1402001.035 S1C4T2 Fl. 0 4 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” O artigo 210 do CTN, diferentemente de diversos outros dispositivos do Código Tributário Nacional (por exemplo, os arts. 116, 120, 161, § 1°), não admite disposição em contrário. Ou seja, não se trata de mera norma de aplicação subsidiária, a ser utilizada na falta de dispositivo específico nas legislações federais, estaduais e municipais. Obriga a todos, de modo que a legislação – qualquer que seja – não pode dispor em contrário. Por sua vez, o artigo 5º do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece que “os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento”. A expressão “prazos contínuos” prevista no artigo 5° do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, quer dizer em dias corridos, sem interrupção pelos domingos e feriados. Em síntese, o prazo recursal de trinta dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 começa a fluir no primeiro dia útil subsequente a intimação do interessado, sendo que esta pode ser pessoal, via postal ou por meio eletrônico. No caso dos autos, a recorrente, tomou ciência do acórdão de primeira instância em 20/01/2009, terçafeira (fl. 184) e protocolizou seu recurso em 20/02/2009, sexta feira (fl.195). Não há nos autos e também não localizei qualquer indicativo de feriado local ou inexistência de expediente normal no dia seguinte ao da notificação ou na data em que venceu o trintídio legal ou nos dias e seguintes. Em assim sendo, considerando que o mês de janeiro tem 31 dias, o recurso protocolizado em 20/02/2009 deuse fora do prazo legal, razão pela qual não pode ser conhecido. ISSO POSTO, voto por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 11128.002358/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Fato gerador: 27/03/2008
EMBARAÇO OU IMPEDIMENTO À AÇÃO DA FISCALIZAÇÃO.
O impedimento do acesso de veículo oficial da RFB, conduzido por
Auditores Fiscais da Receita Federal em regular exercício de suas funções, à área portuária caracteriza a conduta típica prevista no art. 104, IV, “c” do Decreto-lei nº 37/66 embaraçar,
dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira.
A autoridade aduaneira, dentro de suas áreas de competência, tem
precedência sobre os demais setores administrativos, nos termos do inciso XVIII, artigo 37, CF/88.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.451
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em negar provimento, pelo voto de
qualidade, ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Adriene Maria de Miranda Veras e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Designado como redator o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri.
Nome do relator: Não Informado
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O impedimento do acesso de veículo oficial da RFB, conduzido por Auditores Fiscais da Receita Federal em regular exercício de suas funções, à área portuária caracteriza a conduta típica prevista no art. 104, IV, “c” do Decretolei n. 37/66 embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira. A autoridade aduaneira, dentro de suas áreas de competência, tem precedência sobre os demais setores administrativos, nos termos do inciso XVIII, artigo 37, CF/88. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em negar provimento, pelo voto de qualidade, ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Adriene Maria de Miranda Veras e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Designado como redator o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator Fl. 47DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11128.002358/200812 Acórdão n.º 3202000.451 S3C2T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Adriene Maria de Miranda Veras e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em 15.08.2011, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (“DRJSP2”), que julgou improcedente a Impugnação (fls. 14/19) apresentada, em 04.06.2008, por Severino Batista da Silva (“Recorrente”). Referida impugnação fora proposta em face do Auto de Infração (fls. 01/06), lavrado em 28.03.2008, cuja fundamentação se embasou na ocorrência de embaraço ou impedimento à ação da fiscalização. Tal ato se enquadraria na hipótese prevista no art. 107, inciso IV, alínea ‘c’ do Decretolei n. 37/66, que comina a aplicação de multa ao infrator no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Conforme consta do Termo de Constatação anexo ao Auto de Infração, o Auditor Fiscal autuante narrou os fatos justificadores da lavratura nos seguintes termos: “No exercício das funções de servidores da carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil, constatamos os seguintes fatos que ocorreram nesta data, 27/03/2008, às 15:40 h: Seguíamos em diligência a recinto alfandegado para verificação de carga de exportação com suspeita de conter entorpecentes, quando ao ingressar pelo Portão 7 da Codesp, a fim de chegar mais rápido ao destino tendo em vista o grande tráfego de veículos, e de reforçar o caráter presencial da Receita Federal na faixa portuária, fomos barrados pela Guarda Portuária, impedidos de entrar na área portuária. Com efeito, os guardas portuários Severino Batista da Silva, CPF 006.791.24861, e Edvaldo Roberto dos Santos, CPF 049.286.99874, se recusaram a abrir a cancela para a passagem da viatura, eles exigiram que todos os servidores descessem da viatura para passagem pela roleta. Ressalto que todos os servidores abaixo assinados estavam devidamente uniformizados e portavam o crachá de identificação da Codesp que foi devidamente apresentado aos guardas que controlavam a entrada. Todavia, apesar da apresentação dos crachás de identificação, os servidores da guarda portuária se recusaram a abrir a cancela e exigiram novamente que os servidores descessem da viatura e passassem pela roleta. Nossa Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11128.002358/200812 Acórdão n.º 3202000.451 S3C2T2 Fl. 3 3 entrada só foi autorizada, algum tempo depois, com a chegada do inspetor substituto Antonio Sergio dos Santos, CPF 049.286.99874. Após o ocorrido retornamos a esta Alfândega para lavratura do presente termo, o que frustrou a diligência mencionada.” Em sua decisão, a DRJSP2 houve por bem manter o lançamento através do Acórdão n° 1751.929, de 27 de junho de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: “Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27.03.2008 Embaraço à fiscalização. Impedir acesso da Fiscalização ao recinto portuário restrito. Falta de instruções para os agentes da Guarda Portuária não descaracteriza a infração. Impugnação improcedente.” Inconformada com a decisão, o Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário, objetivando reformar a decisão em tela, alegando, em breve síntese, o quanto segue: a) O motivo pelo qual a passagem dos auditores fiscais não foi permitida, em primeiro momento, se refere a um erro sistêmico, já que seus cartões de identificação não foram liberados pela SRF; b) O impedimento da entrada do veículo em que eles se encontravam se deu em razão de ordens da CODESP, empresa concessionária de serviços de guarda portuária, que é sua empregadora e exerce poder diretivo sobre o Recorrente; c) O procedimento adotado pelo Recorrente se embasava em exigências do ISPSCODE, novo sistema de segurança do Porto de Santos, que havia sido implementado naquele mesmo dia; d) Embora a passagem do veículo tenha sido impedida, a entrada dos auditores fiscais foi permitida, sob a condição que eles acessassem a área primária pelos torniquetes; e) É parte ilegítima desta autuação, pois, ao impedir a entrada do veículo, o Recorrente estava apenas agindo em estrita obediência de ordem não manifestamente ilegal emanada de seu superior hierárquico; e f) Ainda que discordasse da orientação passada pela CODESP, o Recorrente não possuía competência para ignorála e agir de forma diversa. É o relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11128.002358/200812 Acórdão n.º 3202000.451 S3C2T2 Fl. 4 4 Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Primeiramente, tendo em vista que a discussão aqui travada se refere à matéria de fato, cumpre esclarecer quais circunstâncias seriam capazes de configurar a infração ora analisada. Somente assim é possível verificar se o caso concreto se enquadraria nesta hipótese. Conforme dispõe do art. 107, IV, ‘c’ do Decretolei n. 37/66, a penalização deve ser dirigida “a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal.” Ou seja, a infração se configura quando alguém, por qualquer meio, obstaculizar, impor empecilhos ou impedir que a fiscalização exerça sua função. Porém, tais barreiras devem, necessariamente, ser a causa do impedimento da atuação fiscalizadora. Não basta que determinados atos causem transtornos para a configuração desta infração, é necessário que o dano seja efetivo e tenha ocorrido em decorrência deles. Meros aborrecimentos que ocorrem no diaadia não são capazes de caracterizála nem justificam sua imputação a quem os tenha dado causa. No presente caso, o Recorrente foi autuado por ter supostamente causado embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, em razão de ter impedido o acesso do veículo da equipe aduaneira à área primaria do Porto de Santos. Tal fato se deu em virtude da orientação passada à Guarda Portuária, a qual estabelecia que, quando houvesse algum problema sistêmico para identificação de credenciais, o procedimento adequado seria a entrada pelos torniquetes. Ora, este motivo de maneira alguma justifica a autuação. Tal fundamento seria plausível somente se o veículo fosse indispensável para a atividade fiscalizatória, o que evidentemente não é o caso, já que consta da própria narração feita pelo Auditor Fiscal que ele estava sendo utilizado com a finalidade de “chegar mais rápido ao destino, tendo em vista o grande tráfego de veículos, e de reforçar o caráter presencial da Receita Federal na faixa portuária”. As prerrogativas conferidas aos membros da Receita Federal do Brasil visam facilitar seu acesso às áreas portuárias, dando maior efetividade à fiscalização. Isso não significa que haja autorização para penalizar quem tenha causado algum incômodo ou dissabor inerente à atividade exercida ou a que qualquer um esteja sujeito habitualmente. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11128.002358/200812 Acórdão n.º 3202000.451 S3C2T2 Fl. 5 5 O simples fato de o Auditor Fiscal não concordar com os procedimentos adotados pela CODESP, sob a justificativa de que ir andando ao local da fiscalização demanda mais tempo ou que não é suficiente para reforçar o caráter presencial da RFB na faixa portuária, não caracteriza embaraço ou impedimento à sua atividade. Além disso, vale ressaltar que o acesso em si não foi negado, mas somente o meio de transporte. Sendo que, após a chegada do inspetor substituto, Sr. Antonio Sergio dos Santos, superior hierárquico do Recorrente, a entrada do veículo foi liberada. Verificase, portanto, que é flagrante o excesso na autuação ora em análise. Outrossim, o argumento de que a diligência restou frustrada em razão da necessidade de retorno dos Auditores Fiscais para lavratura do presente Auto de Infração também não deve prosperar, vez que tal ato nem sequer ocorreu no mesmo dia. A suposta infração se deu em 27.03.2008, enquanto que a autuação foi feita somente em 28.03.2008. Por fim, embora os fundamentos supramencionados já sejam suficientes para embasar esta decisão, cumpre tecer alguns esclarecimentos a respeito da responsabilidade do funcionário que atua a mando de seu empregador. Como não há tratamento específico para este tema na legislação administrativa, fazse necessário analisar outros ramos do Direito, aplicandose a analogia. Em âmbito civil, a responsabilidade civil in eligendo determina que os empregadores respondem objetivamente pelos danos causados por seus empregados, desde que os mesmos tenham ocorrido durante a execução de suas funções ou decorram diretamente delas. Já em âmbito penal, excluise a responsabilidade do empregado se o fato for cometido em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico. Notase, portanto, que em ambos os casos a responsabilidade não é imputada ao funcionário. Assim, ainda que os ramos sejam independentes e que o Direito Administrativo possua regulamentação autônoma, é admissível a aplicação analógica de tais preceitos ao presente caso. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, reformandose a decisão da DRJ/SP2 com base nos fundamentos acima expostos, para cancelar o Auto de Infração em tela. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11128.002358/200812 Acórdão n.º 3202000.451 S3C2T2 Fl. 6 6 Voto Vencedor Como bem descrito pelo ilustre Conselheiro Relator, o litígio decorre do seguinte evento: o sr. Severino Batista da Silva – funcionário da CODESP, empresa concessionária de serviços de guarda portuária – impediu o acesso do veículo oficial da Receita Federal que transportava Auditores Fiscais da Receita Federal, em regular exercício de suas funções, quando tentavam adentrar à faixa portuária, através do Portão 7 da Codesp, com o intuito de efetuarem um procedimento fiscal (diligência para verificação de carga de exportação com suspeita de conter entorpecentes). No meu entender, totalmente descabida a exigência do guarda portuário, ora Recorrente, imposta aos Auditores Fiscais ao solicitar que “descessem do veículo e que acessassem à área primária pelos torniquetes, explicando que tal procedimento deviase ao cumprimento de exigências do ISPSCODE, e que apenas o motorista deveria permanecer” (vide folhas 14/15). As autoridades aduaneiras devem ter livre acesso aos locais onde deverão exercer suas atividades. Como muito bem descrito no auto de infração (fls. 2/3), a livre circulação da autoridade aduaneira na zona primária faz parte da rotina dos trabalhos de fiscalização e não pode ser impedida, retardada ou dificultada, sob o risco de se inviabilizar a realização de seus trabalhos, com sérios danos ao Estado brasileiro e, por conseguinte, à sociedade. A autoridade aduaneira tem por missão, além de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, também o controle aduaneiro, que envolve tráfico de drogas, contrafação/pirataria de mercadorias, questões de saúde pública, meio ambiente, etc... A essencialidade e a relevância desta atividade foram expressamente reconhecidas pela Constituição Federal nos termos do que prescrevem os artigos 237 e 37, inciso XVIII, verbis: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Artigo 37, inciso XVIII – A administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei. Por sua vez, o DecretoLei 37/66 regulamentou o exercício das atividades de fiscalização aduaneira em seus artigos 35 e 36, verbis: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11128.002358/200812 Acórdão n.º 3202000.451 S3C2T2 Fl. 7 7 Art. 35 Em tudo o que interessar à fiscalização aduaneira, na zona primária, a autoridade aduaneira tem precedência sobre as demais que ali exercem suas atribuições. Art. 36. A fiscalização aduaneira poderá ser ininterrupta, em horários determinados, ou eventual, nos portos, aeroportos, pontos de fronteira e recintos alfandegados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o A administração aduaneira determinará os horários e as condições de realização dos serviços aduaneiros, nos locais referidos no caput. Entendo, assim, que não há como justificar o impedimento do acesso imediato das autoridades aduaneiras ao recinto alfandegado, notadamente, quanto estavam em procedimento de fiscalização para verificação de carga de exportação com suspeita de conter entorpecentes, o que por si só já demonstra o caráter de urgência do procedimento. E por óbvio, o deslocamento no recinto de um porto, como o de Santos (com aproximadamente 13 km de extensão), em muitos casos, tem que ser efetuado utilizandose veículo! Não se pode tolerar o embaraço ao agente do Fisco em regular desempenho de suas funções. Destaquese que os agentes estavam em uma viatura oficial da RFB (portanto, perfeitamente identificada e de fácil reconhecimento) e que “estavam devidamente uniformizados e portavam o crachá de identificação da Codesp que foi devidamente apresentado aos guardas que controlavam a entrada” (folha 6). Irrelevante, ao meu sentir, a alegação que é parte ilegítima e assim estava apenas agindo em estrita obediência de ordem seu superior hierárquico. Quem praticou a conduta infracional foi o próprio Recorrente, que deveria conhecer as normas inerentes à função que desempenha, dentre as quais identificar autoridades aduaneiras que têm livre acesso ao recinto alfandegado (quando muito, caberia uma “ação de regresso”, contra o seu empregador, caso não o tenha orientado corretamente ou não tenha fornecido treinamento adequado para o desempenho de suas funções.) Diversos dispositivos legais prescrevem o direito de acesso dos agentes do Fisco aos locais onde será efetuado um procedimento de fiscalização, dentre os quais citamos os artigos 37, XVIII e 237 da CF/88, artigo 194/CTN, os artigos 35 e 36 do DL 37/66, dentre muitos outros, não podendo qualquer outra norma (como o caso, da alegada norma da “ISPS CODE”) ser oposta ao seu direito de examinar mercadorias, livros ou documentos (artigo 195/CTN). Deste modo, o Recorrente ao impedir, de forma imediata, o acesso das autoridades aduaneiras com a viatura oficial da RFB ao recinto alfandegado do porto, praticou a conduta típica descrita no art. 107, IV, ‘c’ do Decretolei n. 37/66, punível com a multa de R$ 5.000,00, qual seja : “a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11128.002358/200812 Acórdão n.º 3202000.451 S3C2T2 Fl. 8 8 dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal.”. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 26/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 18471.000907/2007-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário:2002
Ementa:
GLOSA DE DESPESAS DE VIAGEM. DESPESAS DESNECESSÁRIAS.
DEDUTIBILIDADE
A dedutibilidade dos gastos a título de despesas operacionais, requer a prova
documental hábil e idônea de que foram realizados em benefício da fonte
produtora. Não tendo sido apresentada qualquer prova, mas, meras alegações,
independentemente da despesa ser de pequeno valor, deve a glosa ser
mantida.
GLOSA DE DESPESAS. BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR. SERVIÇOS
TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. LIMITE DE
DEDUTIBILIDADE.
Não havendo provas nos autos que os serviços técnicos contratados envolvem
transferência de tecnologia, não se aplicam, para fins de dedutibilidade da
despesa, as restrições estabelecidas no artigo 355 do RIR/99.
Numero da decisão: 1402-000.877
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para excluir do valor tributável, a glosa de despesas, no valor de R$ 311.867,08, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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DESPESAS DESNECESSÁRIAS. DEDUTIBILIDADE A dedutibilidade dos gastos a título de despesas operacionais, requer a prova documental hábil e idônea de que foram realizados em benefício da fonte produtora. Não tendo sido apresentada qualquer prova, mas, meras alegações, independentemente da despesa ser de pequeno valor, deve a glosa ser mantida. GLOSA DE DESPESAS. BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR. SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. LIMITE DE DEDUTIBILIDADE. Não havendo provas nos autos que os serviços técnicos contratados envolvem transferência de tecnologia, não se aplicam, para fins de dedutibilidade da despesa, as restrições estabelecidas no artigo 355 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do valor tributável, a glosa de despesas, no valor de R$ 311.867,08, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Tratase de lançamentos do IRPJ e da CSLL relativos ao anocalendário de 2002. Um item do lançamento referese a glosa de despesas indedutíveis, em razão de gastos particulares do diretor da empresa, em cidade turística americana (Salt Lake City, EUA) , registrada como receita operacional, no valor de R$ 2.704,60, assim como, gastos com brindes, no valor de R$ 2.050,00, que foram considerados como liberalidade da fiscalizada, não podendo ser incluídos como necessários à manutenção da fonte produtora (art. 299 do RIR/99). O outro item do lançamento diz respeito a inobservância dos requisitos legais para a dedutibilidade de despesas com assistência técnica, científica ou tecnológica (beneficiários no exterior) – art. 354 e 355 do RIR/99, ou seja, a autuada desrespeitou o limite de 5% do valor da receita líquida do produto fabricado ou vendido por ano, com gastos de assistência técnica, por conta de contrato firmado, em 01.09.2000, com a Solid Geophysical (Canadá) averbado no INPI, e no aditivo, de 31.08.2001. A fiscalização salienta que no aditivo ao contrato, de 31.08.2001, observou se que o contrato de prestação de serviço de assistência técnica, originariamente assinado com a Solid Geophysical (Canadá) foi transferido por cessão à sócia controladora da fiscalizada, a Grant Geophysical (Int1), INC, estabelecida na cidade de Houston, e que os pagamentos remetidos ao exterior totalizam R$ 1.590.337,18 (serviços técnicos). A diferença glosada corresponde a R$ 311.867,08. Transcrevo da decisão de primeira instância, as razões contidas na impugnação: preliminar de nulidade: a fiscalização deve promover a recomposição do lucro real da empresa mediante utilização adequada de prejuízos fiscais de exercícios anteriores; o mérito: é empresa prestadora de serviços na área da pesquisa sísmica, sendo, por vezes, necessária a contratação de pessoal especializado; os contratos, embora registrados no INPI, "por excesso de zelo", apenas remuneravam a utilização de pessoal especializado, não havendo transferência de tecnologia que viesse a justificar o regime definido pelo art. 355 do RIR199, conforme doutrina e jurisprudência; a Portaria MF n° 436/58 cuida de percentuais aplicáveis às atividades industriais; demais infrações: o gênero despesa de viagem sempre foi dedutível; Salt Lake City não é exclusivamente turística; a despesa foi necessária por guardar conexão com encontros profissionais dos administradores do Grupo Grant Geophysical; o valor é ínfimo em relação ao faturamento; são igualmente Fl. 497DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000907/200772 Acórdão n.º 140200.877 S1C4T2 Fl. 2 3 irrisórias as despesas com festividades do final de 2002, nas quais ofereceu uns poucos brindes a funcionários; a jurisprudência reconhece a dedutibilidade. O lançamento foi considerado procedente em parte, tendo sido proferidas as seguintes ementas: DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a titulo de despesas requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações e da necessidade às atividades da empresa. DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA. BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR.. LIMITE DE DEDUTIBLIDADE. Os gastos com assistência técnica, que envolva transferência de tecnologia, sujeitamse às restrições estabelecidas nos artigos 354 e 355, do RIR/1999. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO E DE BASE NEGATIVA. Nos lançamentos de oficio, deve ser observada a compensação de prejuízo e de base negativa. A ciência da decisão de primeira instância se deu em 13.08.2010 e o recurso voluntário foi interposto em 26.08.2010. Argumenta a recorrente, que na busca do bom atendimento ao seu cliente SFR Petróleo do Brasil Ltda, e primando pela qualidade na prestação de serviço, contratou serviços especializados da empresa Solid State Geophysical Inc., estabelecida no Canadá, tendo firmado em 01.09.2000, o contrato de serviços técnicos, e em agosto de 2011, foi firmado um aditivo contratual, prorrogandose seu prazo e acrescentando serviços de processamento de dados sísmicos, e ainda se registrou a cessão do contrato por parte da contratada (documentos apresentados na impugnação). Aduz que tal contrato se referia somente à aquisição de mão de obra técnica, especializada em serviços de geofísica ajustados pela recorrente com o cliente. Afirma que não havia qualquer exploração de direitos intelectuais, patentes, suprimento de equipamentos, ou suposta aquisição de tecnologia. Ressalta que nunca houve qualquer transferência de tecnologia, e que estava expresso no contrato que a recorrente seria responsável pelos técnicos, suportando suas despesas de viagem e manutenção no Brasil, mas que os salários dos técnicos seriam de responsabilidade da prestadora de serviços, não havendo no contrato qualquer ressalva relacionada com aquisição de tecnologia, compra de equipamentos que viesse a justificar o regime típico de assistência técnica, como o definido pelo art. 355 do RIR/99. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 Destaca que o fato do contrato estar registrado no INPI, não determina que o mesmo seja relativo a transferência de tecnologia. Explica que o registro se deu, porque a recorrente acreditava que este procedimento era necessário para amparar a remessa dos pagamentos dos serviços ou a dedutibilidade fiscal dos valores pagos, e também para valer contra terceiros, face ao registro público no INPI. Acrescenta que não pode pagar por excesso de zelo, e que após o contrato averbado descobriu ser o registro desnecessário. Salienta que a doutrina e a legislação da época, IN 252/02, levam à conclusão que os serviços técnicos são distintos para efeitos fiscais, de serviços de assistência técnica, onde ocorre transferência de tecnologia paga de modo fixo ou percentual de receita ou lucro. Aduz que o contrato firmado entre a recorrente e a Solid State tinha a finalidade da empresa canadense prestar serviços de geofísica para atendimento ao contrato então existente, entre a recorrente e seu cliente, da área de exploração de petróleo; havia apenas serviços de medições no solo e repasse de resultados para o cliente final contratante da recorrente. Cita o acórdão 10175.250/84 e decisão da 7ª RF, nº 124/99. Argumenta que ainda que se verificasse que a dedutibilidade dos pagamentos dos serviços contratados pela recorrente devesse ter observado o limite de 5% do produto vendido pela impugnante (só poderia ser a prestação de serviços de engenharia geofísico, vendido pela mesma, a empresas domiciliadas no Brasil, em face de sua atividade social), ainda assim, não seria possível enquadrálos na Portaria 436/58, que cuida da definição dos percentuais aplicáveis às atividades industriais. Quanto às parcelas relativas a “gastos particulares do diretor da empresa registrada como despesa operacional, assim como gastos com brindes”, além desse valor ser ínfimo em relação ao faturamento, a despesa seria necessária às atividades, planos, projetos, programas e negócios da recorrente, pois o ponto de encontro dos executivos da sócia majoritária da recorrente, que tem sede em Houston, Texas, EUA, se deu em Salt Lake City. Cita jurisprudência. Em relação aos lançamentos referentes a brindes de final de ano, afirma que a jurisprudência administrativa contempla a dedutibilidade desse tipo de despesa, mormente, quando vinculada a festividades de Natal. Este é o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamento do IRPJ e da CSLL, relativo ao anocalendário de 2002, em razão de glosa de despesas. Em relação à glosa relativa aos gastos do diretor da empresa com despesas de viagem, caracterizados pela fiscalização, como gastos particulares em cidade turística (Salt Lake City, EUA), a mesma ocorreu, em razão de referidos gastos terem sido considerados Fl. 499DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000907/200772 Acórdão n.º 140200.877 S1C4T2 Fl. 3 5 como mera liberalidade, e consequentemente, não dedutíveis, por não serem necessárias à fonte produtora. Para que os gastos de viagem sejam dedutíveis, é necessária a prova da vinculação da viagem aos objetivos da empresa, entretanto, enquanto a fiscalização acusa a recorrente de que se trata de gastos particulares do diretor da empresa em cidade turística, a recorrente, apenas argumenta que Salt Lake City foi ponto de encontro dos executivos da sócia majoritária da recorrente, e que a despesa seria necessária às atividades, planos, projetos, programas e negócios da recorrente, sem apresentar qualquer prova documental. A dedutibilidade dos gastos a título de despesas operacionais, requer a prova documental hábil e idônea de que foram realizados em benefício da fonte produtora. Não tendo sido apresentada qualquer prova, mas, meras alegações, independentemente da despesa ser de pequeno valor, deve a glosa ser mantida. Em relação aos brindes, conforme consignou a Turma Julgadora, as mesmas são indedutíveis, nos termos do art. 13, VII, da Lei 9.249/95, independentemente de serem de pequeno valor. Logo, esse item do lançamento deve ser mantido. Quanto à glosa das despesas caracterizadas pela fiscalização, como despesas de assistência técnica, por inobservância dos requisitos legais para a dedutibilidade de despesas com assistência técnica, científica ou tecnológica, por terem extrapolado o limite de 5% sobre a receita líquida do produto fabricado ou vendido, estabelecido no art. 355 do RIR/99, por conta do contrato firmado com a Solid Geophisical (Canadá), inicialmente, transcrevo os artigos 354 e 355 do RIR/99: Art.354.As importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quer fixas, quer como percentagem da receita ou do lucro, somente poderão ser deduzidas como despesas operacionais quando satisfizerem aos seguintes requisitos (Lei nº 4.506, de 1964, art. 52): Iconstarem de contrato registrado no Banco Central do Brasil; IIcorresponderem a serviços efetivamente prestados à empresa através de técnicos, desenhos ou instruções enviadas ao País, ou estudos técnicos realizados no exterior por conta da empresa; IIIo montante anual dos pagamentos não exceder ao limite fixado por ato do Ministro de Estado da Fazenda, de conformidade com a legislação específica. (...) Art.355.As somas das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido (art. 280), ressalvado o disposto nos arts. 501 e 504, inciso V (Lei nº Fl. 500DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 6 3.470, de 1958, art. 74, e Lei nº 4.131, de 1962, art. 12, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 6º). §1ºSerão estabelecidos e revistos periodicamente, mediante ato do Ministro de Estado da Fazenda, os coeficientes percentuais admitidos para as deduções a que se refere este artigo, considerados os tipos de produção ou atividades reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade (Lei nº 4.131, de 1962, art. 12, §1º). §2ºNão são dedutíveis as quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria e de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, que não satisfizerem às condições previstas neste Decreto ou excederem aos limites referidos neste artigo, as quais serão consideradas como lucros distribuídos (Lei nº 4.131, de 1962, arts. 12 e 13). §3ºA dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados)somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade IndustrialINPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. A seguir transcrevo da decisão de primeira instância, as razões que levaram a Turma Julgadora a manter esse item do lançamento: Os royalties pagos ou creditados pela exploração de patentes de invenção, processo e fórmulas de fabricação e pelo uso de marcas têm limites de dedutibilidade do lucro tributável fixados pelo Ministro da Fazenda. A dedutibilidade das despesas de assistência técnica, cientifica, administrativa e semelhantes está condicionada aos mesmos requisitos exigidos para a dedução de royalties, diferenciando apenas em alguns aspectos. De acordo com as soluções de consulta n. 252/1998, 274/1998 e 124/1999, da SRRF/7a. RF, somente estão sujeitas As restrições estabelecidas pelos artigos 354 e 355, do RIR/1999, as somas das quantias devidas a titulo de remuneração que envolva transferência de tecnologia. Em se tratando de dispêndios com outros serviços que não tenham a referida classificação, aplica se o disposto no artigo 299, do mesmo regulamento, que trata, de forma genérica, da dedutibilidade das despesas operacionais. Os serviços prestados por conta dos contratos firmados com a SOLID GEOPHYSICAL (CANADA), contrato original e prorrogação do contrato com acréscimo de serviços, fls. 156/166, relacionamse a fornecimento de profissionais especializados necessários à execução dos serviços de geofisica e de processamento de dados sísmicos a serem contratados pelo interessado com empresas petrolíferas sediadas no Brasil. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000907/200772 Acórdão n.º 140200.877 S1C4T2 Fl. 4 7 Os contratos foram celebrados considerando que a SSGI é "detentora exclusiva do uso de várias tecnologias de grande aplicação em serviços de exploração geofisica"; que "no Brasil esses produtos e serviços são dificilmente encontrados no mercado e que a SSGI possui ainda os equipamentos, programas de computador, pessoal especializado e outros recursos necessários à execução dos serviços necessários à execução dos serviços especializados que a GGB pretende realizar no Brasil"; que "a GGB necessita de certos serviços técnicos, a fim de que possa executar as suas operações diárias e desenvolver os serviços, para assegurar continuidade e continuada melhoria de suas operações nos contratos firmados aqui no Brasil (...)". Os contratos foram averbados no INPI. Nos Certificados de Averbação consta que estes foram emitidos "em conformidade com o artigo 211 da Lei n° 9.279 de 14 de maio de 1996 — Lei da Propriedade Industrial". Entendo que os contratos firmados pelo interessado se coadunam ao conceito de assistência técnica, com transferência de tecnologia. Os gastos com assistência técnica, que envolva transferência de tecnologia, sujeitamse As restrições estabelecidas nos artigos 354 e 355, do RIR/1999. O lançamento deste item é, então, procedente. Transcrevo parte do contrato relativo à contratação de serviços técnicos, assinado em 01.09.2000, por 14 meses: CONSIDERANDO que a SSGI, é empresa especializada em pesquisa e prospecção de petróleo, com operação a nível mundial, e detentora exclusiva do uso de várias tecnologias de grande aplicação em serviços de exploração geofísica; CONSIDERANDO que no Brasil esses produtos e serviços são dificilmente encontrados no mercado e que a SSGI, possui ainda os equipamentos, programas de computador, pessoal especializado e outros recursos necessários à execução dos serviços especializados que a GOB pretende realizar no Brasil; CONSIDERANDO que a GGB necessita de certos serviços técnicos, a fim de que possa executar as suas operações diárias e desenvolver os serviços, para assegurar continuidade e continuada melhoria de suas operações nos contratos firmados aqui no Brasil com a SFR Petróleo do Brasil Ltda, para a exploração e produção de hidrocarbonetos no Bloco BPOT2, na Bacia Potiguar (RN), e na aquisição de dados sismicos não exclusivos no Bloco BPOT10, na Bacia Potiguar, que serão posteriormente comercializados. Assim, à vista dessas considerações e premissas, as partes resolvem, de mútuo e comum acordo, celebrar um Contrato de Serviços Técnicos, que será regido pelas seguintes cláusulas: Fl. 502DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 8 I) A SSGI fornecerá à GGB os profissionais especializados necessários à execução dos serviços de geofisica a serem contratados pela GGB com empresas petroliferas sediadas no Brasil. II) A GGB ficará responsável pelos técnicos da SSGI., enquanto estiverem a serviço da GGB, suportando despesas de viagens e manutenção, hospedagem, transporte e obtenção de vistos. III) Como remuneração pelos serviços técnicos prestados, a GGB pagará à SSGI, em bases mensais, em Dólares Norte Americanos, as quantias demonstradas na" Lista Homem/Dia" anexa, quando de sua efetiva realização. (...) V) (...) Todos os pagamentos devidos à SSGI, nos termos deste Contrato, deverão ser efetuados pelo valor efetivamente pactuado, arcando a GGB, com o Imposto de Renda incidente sobre as remessas e quaisquer impostos, taxas, encargos, custos ou ônus no Brasil, devidos em função das operações entre ambas as empresas; VI) Os salários e encargos trabalhistas dos profissionais especializados a serviço da GOB serão de exclusiva responsabilidade da SSGI, não cabendo a GGB nenhum ônus a titulo de remuneração desses profissionais. VII) 0 prazo do presente contrato será de quatorze (14) meses, a contar de 01/09/2000, data do inicio dos serviços técnica, sabendose, entretanto, que qualquer das Partes poderá cancelar ou terminar o presente Contrato a qualquer tempo durante o prazo inicial ( ou em qualquer outra renovação de prazo), notificando a outra Parte com antecedência de trinta (30) dias; Pelo termo aditivo nº 1, o prazo foi prorrogado, para mais 24 meses, a partir de 01.11.2001; a contratada cedeu o contrato para sua controladora, com sede no Texas (GRANT GEOPHYSICAL INTL. INC, EUA); foram acrescentados os serviços de processamento de dados sísmicos. O aditivo contratual foi registrado no INPI. A autuada tem por objetivo social a realização de serviços de prospecção geofísica e outros serviços técnicos relacionados ao estudo geológico e geofísico do solo e subsolo, processamento e interpretação de dados,bem como a locação de equipamentos, máquinas e instrumentos técnicos e científicos e a prestação de serviços de assistência técnica a maquinas, equipamentos e instrumentos técnicos. Somente estão sujeitas às restrições estabelecidas pelos artigos 354 e 355 do RIR/99 os valores devidos a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante). Em se tratando de contratação de empresa domiciliada no Canadá, que coloca à disposição da contratante serviços técnicos especializados, para serem executados em empresa petrolífera brasileira, cliente da contratante, aplicase o disposto no art. 299 do RIR/99, que estabelece, a dedutibilidade de despesas operacionais, com a observância dos requisitos da necessidade e usualidade das despesas. Para se falar em transferência de tecnologia, deveria estar claro nos autos a obrigação da contratada em transmitir conhecimento, visando a assimilação dos elementos de tecnologia por parte da empresa contratante, entretanto, não vislumbro do teor do contrato Fl. 503DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000907/200772 Acórdão n.º 140200.877 S1C4T2 Fl. 5 9 celebrado, que tenha sido contratada a transferência de tecnologia, mas apenas, serviços técnicos especializados. O fato do contrato ter sido registrado no INPI, isoladamente, não é prova suficiente para caracterizar a efetiva transferência de tecnologia, e não há nos autos outras provas que caracterizem que efetivamente houve transferência de tecnologia. Deixo de apreciar os demais argumentos da recorrente por não serem necessários à solução da lide. Tratandose dos mesmos fatos, aplicase o decidido em relação ao tributo principal à CSLL, por decorrência, em razão da estreita relação de causa e efeito. Do exposto, oriento meu voto para dar provimento parcial ao recurso, para excluir do valor tributável, a glosa de despesas, no valor de R$ 311.867,08. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 504DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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