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Numero do processo: 10850.907656/2011-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
Numero da decisão: 3803-006.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
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APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 76 56 /2 01 1- 69 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907656/201169 Acórdão n.º 3803006.775 S3TE03 Fl. 422 2 Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de retorno dos autos da repartição de origem com os resultados da diligência determinada por esta 3ª Turma Especial quando da apreciação do Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do não reconhecimento do direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a plena restituição, alegando tratarse de indébito decorrente da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, considerando a inexistência de saldo credor, a inocorrência de retificação da DCTF, a ausência de efeitos erga omnes da decisão do STF e a falta de prova do alegado recolhimento a maior. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, argüindo que a retificação de declaração não podia se sobrepor ao direito substantivo, direito esse devidamente comprovado por meio de documentação idônea, e que as decisões de inconstitucionalidade proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal deviam ser observadas pelo Fisco. Ao apreciar o Recurso Voluntário, esta 3ª Turma Especial decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade administrativa auditasse a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como os documentos fiscais que a lastreiam, com vistas a se apurarem o faturamento e as demais receitas auferidas no período, bem como a contribuição devida, tendose em conta a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição. Cumprida a diligência, concluiu a repartição de origem que as receitas escrituradas pelo Recorrente não eram decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, tratandose, em sua totalidade, de receitas de origem financeira, receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica. Ressaltou a autoridade administrativa que caso o crédito objeto do presente Pedido de Restituição (PER) viesse a ser deferido, deverseia considerar que ele já havia sido quase totalmente utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP) nº 15236.62119.031208.1.3.049031, conforme demonstrava o cálculo efetuado no Sistema de Apoio Operacional (SAPO). Fl. 422DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907656/201169 Acórdão n.º 3803006.775 S3TE03 Fl. 423 3 Foi apensado ao presente o processo nº 10850.722716/201418, que cuida da Declaração de Compensação do crédito controvertido nestes autos. Cientificado dos resultados da diligência, o Recorrente destacou o reconhecimento do crédito pela própria Fiscalização, o que, segundo ele, viabilizava a homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição e de declaração de compensação relativos à contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A referida inconstitucionalidade foi proferida pelo STF1 em julgamento definitivo submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907656/201169 Acórdão n.º 3803006.775 S3TE03 Fl. 424 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento. Tendo a repartição de origem confirmado, em sede de diligência, que a totalidade do valor do crédito pleiteado neste processo decorria da apuração da contribuição sobre receitas financeiras, receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica, temse por comprovado o direito creditório pleiteado. Destaquese que referido crédito já foi quase totalmente utilizado na Declaração de Compensação identificada na planilha de cálculo efetuado no Sistema de Apoio Operacional (fls. 397 a 399), declaração essa controvertida no âmbito do processo administrativo nº 10850.722716/201418, processo esse apensado ao presente processo. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito creditório decorrente da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907656/201169 Acórdão n.º 3803006.775 S3TE03 Fl. 425 5 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000532/2004-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 19/12/1997
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL.
É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro país, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-003.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/12/1997 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro país, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Especial do Procurador Provido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-11-04T17:21:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-11-04T17:21:06Z; Last-Modified: 2014-11-04T17:21:06Z; dcterms:modified: 2014-11-04T17:21:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2014-11-04T17:21:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-11-04T17:21:06Z; meta:save-date: 2014-11-04T17:21:06Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-11-04T17:21:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-11-04T17:21:06Z; created: 2014-11-04T17:21:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2014-11-04T17:21:06Z; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-11-04T17:21:06Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 241 1 240 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10209.000532/200404 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.105 – 3ª Turma Sessão de 23 de setembro de 2014 Matéria II REDUÇÃO TARIFÁRIA ALADI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PETRóLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/12/1997 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro país, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 05 32 /2 00 4- 04 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000532/200404 Acórdão n.º 9303003.105 CSRFT3 Fl. 242 2 Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e da multa de ofício, no percentual de 75%, perfazendo, na data da autuação, um crédito Tributário no valor total de R$ 105.554,54, objeto do Auto de Infração fls. 01/06. Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação de no 97/11976404/ 001, em 19/12/1997, submeteu a despacho (1.601,838TM) de (G.L.P.BUTANO), classificável no código NCM 2711.13.00, mercadoria proveniente da Venezuela. No entanto, em revisão da DI acima mencionada, foi verificada a utilização indevida de redução tarifária prevista no Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica nº 27 (ACE27), instituído pelos Decretos nº 1.381, de 31/01/1995, e nº 1.400, de 21/02/1995, no percentual de 80%, relativamente à alíquota do Imposto de Importação, fixada em 11% e reduzida para 2,2%. Além disso, relata o agente autuante que foi detectada uma diferença entre a carga manifestada e aquela declarada no Porto de Belém no montante de 102,88TM, o que corresponderia a 2,23% do total. A negação à redução tarifária nos termos do ACE27, pleiteada na DI nº 97/11976404, foi justificada pela fiscalização com os fundamentos a seguir relatados: Esclarece a fiscalização, quanto à operação, o seguinte: “No Certificado de Origem apresentado, ALD 971200791CS, de 15/12/97, (...) é declarado que as mercadorias indicadas no presente certificado correspondem a fatura comercial 9711E085; A Fatura Comercial de nº BSLSB177/ 97, de 19/12/97 (...) que instruiu a declaração de importação em pauta, foi emitida pela BRASOIL BRASPETRO OIL SERVICES CO, empresa com endereço Bankamerica Building Fort Street, POBOX 156, Gerogetown G. Cayman – Cayman Island; Com a emissão da Fatura Comercial nº BSLSB177/ 97, pela BRASOILBRASPETRO OIL SERVICES CO., nas Ilhas Cayman, podemos afirmar S.M.J., que houve comercialização dessa mercadoria nesse país, e mais: a exportação concretizouse nas Ilhas Cayman, através da BRASOIL, que é portanto a empresa que verdadeiramente exportou o G.L.P. BUTANO para o Brasil, inclusive como declarado no Siscomex...; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000532/200404 Acórdão n.º 9303003.105 CSRFT3 Fl. 243 3 Com a exportação da mercadoria concretizandose nas Ilhas Cayman, podemos dizer que o Brasil importou essa mercadoria das Ilhas Cayman,, país reconhecidamente não membro da ALADI. Ficando assim o contribuinte em desacordo com o previsto no art.434, § único, (...) conseqüentemente tornandose sem efeito o Certificado de Origem ALD 971200791CS apresentado”;(sic)”; Além disso, relata o autuante que foi detectada uma diferença entre a carga manifestada e aquela declarada no Porto de Belém no montante de 102,88TM, o que corresponderia a 2,23% do total. Destaca ainda a fiscalização: “(...) em atenção ao despacho de fls. 49 do processo nº 10209.000570/200297, e tendo em vista o Acórdão DRJ/FOR nº 4.595, de 30 de julho de 2004, nos reportamos à infração relativa a descaracterização do benefício fiscal pleiteado (...).Quanto a segunda infração relativa a diferença entre as cargas manifestada e declarada, esclarecemos que o contribuinte, no caso o transportador, já foi autuado através do Auto de Infração nº 0217600/10402”. Cientificado do lançamento em 12/08/2004, conforme fls.05, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 13/09/2004 a impugnação de fls. 25/33, nos termos a seguir resumidos: destaca os fatos arrolados na ação fiscal e ressalta que em 11/10/2002, o AuditorFiscal lavrou auto de infração contra a impugnante, o qual foi declarado nulo pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, através do Acórdão 4.595, de 30/06/2004; em função da decisão da DRJ/FOR foi lavrado outro auto de infração contra impugnante em 09/08/2004, apontando inicialmente, no quadro denominado “DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO (S) LEGAL(IS)” ter a Impugnante realizado uma ‘IMPORTAÇÃO NÃO CONTEMPLADA COM O BENEFÍCIO FISCAL PLEITEADO”; a Petrobrás, através de empresa integrante de seu grupo adquiriu através da Braspetro Oil Services CO. – BRASOIL, sediada nas Ilhas Cayman, adquiriu butanos liquefeitos, produzidos na Venezuela, junto à empresa CORPOVEN S/A, filial da PDVSA, empresa sediada neste mesmo país, reduzindo a alíquota do imposto de importação em 80%, com base no ACE 27; o envolvimento de três empresas gerou a emissão de duas faturas comerciais, conforme descrito no Auto de Infração, uma expedida pela CORPOVEN, de nº 9711E034 e outra pela BRASOIL, de nº BSLSB177/ 97, sendo que esta última faz referência expressa à fatura originária emitida na Venezuela; Fl. 243DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000532/200404 Acórdão n.º 9303003.105 CSRFT3 Fl. 244 4 a triangulação comercial é prática internacional comum, adotada por razões de alongamento de prazo para pagamento e ampliação das fontes de recursos; não se pode afirmar que na importação não há intervenção de um operador de terceiro país, nos termos da Resolução nº 232, pois esta não define a figura do operador, bem como não informa como deve ser a operação, trazendo conteúdo meramente instrumental; a Coana, órgão da SRF responsável por orientar e controlar as atividades aduaneiras, bem como aplicar a legislação e baixar atos normativos, expediu a NOTA COANA/COLAD/DITEG nº 60, em 19/08/1997, que conclui pela regularidade da triangulação comercial, inclusive quando envolver preferência tarifária, considerando prática freqüente na ALADI, inexistindo exigência expressa de apresentação de duas faturas, não havendo riscos para a declaração de origem, mesmo antes da Resolução 232; esse entendimento está de acordo com a Resolução 78/87 e o Acordo 91/89 e com o próprio objetivo da ALADI, ou seja, de implantar um mercado comum latinoamericano, caracterizado pela adoção de preferências tarifárias; a impugnante procedeu em sua atividade, realizando comércio com os países integrantes da ALADI, mormente a Venezuela, utilizandose de suas subsidiárias, no caso a BRASOIL, sediada nas Ilhas Cayman, na qualidade de operadores comerciais e não de exportadoras; a BRASOIL sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a sua revenda, e o fato de na Declaração de Importação constar como exportadora a empresa BRASOIL e haver sido apresentada apenas a fatura por ela emitida, por ocasião do despacho, decorre de não existir previsão de procedimento específico, por parte da Receita Federal, a ser seguido nos casos de triangulação comercial; o Imposto de Importação é instrumento regulador do comércio exterior, possuindo função extrafiscal e não arrecadatória, sendo por isso permitido ao Poder Executivo alterar sua alíquota ou base de cálculo; invoca o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13 de 10/09/2002, a fim de seja afastada a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com esteio nos artigos 10 e 106 do Código Tributário Nacional CTN; requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC em face da impossibilidade de se utilizar a taxa SELIC como taxa de juros moratórios, dada que a mesma é taxa de remuneração de capital investido, assim quando o Fisco aplica a taxa SELIC sobre créditos em atraso, ele está, em verdade agindo como agente financeiro, ademais a aplicação da SELIC decorre da Lei Ordinária nº 9.065/95, quando é imperioso a utilização de lei Fl. 244DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000532/200404 Acórdão n.º 9303003.105 CSRFT3 Fl. 245 5 complementar para que a União aumente os juros de mora além dos limites fixados no CTN. protesta o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a documental ora apresentada. Conforme já relatado a exigência arrolada nos autos, foi objeto de auto de infração formalizado no processo nº 10209.000570/200297, o qual foi declarado nulo pela 2ª Turma de Julgamento através do Acórdão DRJ/FOR nº 4.594, de 30/06/1994 ensejando assim o presente lançamento, por força do art. 173, II do CTN. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/12/1997 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Estando a mercadoria corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, tornase incabível a exigência da multa de ofício capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, em consonância com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002. Lançamento Procedente em Parte Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não pende recurso de ofício da fração da decisão de primeira instância que afastou parcialmente a exigência. Considerando que a análise da fatura comercial relativa à operação entre a pessoa jurídica Capoven e a Brasoil seria essencial para decidir acerca do cumprimento dos requisitos inerentes à preferência tarifária pleiteada e que o Sujeito Passivo não foi intimado para apresentar tal fatura, decidiu esta Segunda Turma Ordinária, por meio da Resolução 3102000.141. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000532/200404 Acórdão n.º 9303003.105 CSRFT3 Fl. 246 6 converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que fosse providenciada a juntada desse documento. Cumprida tal providência, retornaram os autos para julgamento. Julgando o feito, o Colegiado recorrido deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/12/1997 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI. Triangulação. Cumprimento das Exigências Documentais. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido Irresignada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde defende a reforma do acórdão vergastado, e o restabelecimento da decisão de primeira instância O apelo fazendário foi por mim admitido, nos termos do despacho de fls. 186 e 187. Contrarrazões vieram às fls. 194 a 206. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. As questões trazidas a debate giram em torno dos efeitos da divergência entre certificado de origem e Fatura Comercial, e, também, do fato de o produto importado haver sido comercializado por terceiro país, não signatário de Acordo Internacional. As importações efetuadas ao abrigo benefício de redução tarifária entre os países membros da ALADI para gozarem do favor fiscal devem preencher todos os requisitos estabelecidos no respectivo acordo firmado pelos membros dessa Associação. Dentre esses requisitos apresentase como essencial a comprovação da origem da mercadoria, que, nas importações realizadas no âmbito da Aladi, a comprovação dessa origem dáse, exclusivamente, por meio do Certificado de Origem. Por conseguinte, O Fisco só pode Fl. 246DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000532/200404 Acórdão n.º 9303003.105 CSRFT3 Fl. 247 7 reconhecer o direito ao favor fiscal quando a importação for realizada ao amparo de toda a documentação exigida. Sendo que o ônus probatório da regularização documental compete ao importador. Assim, a apresentação da documentação exigida, dentre esta, o Certificado de Origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador. No presente caso, como oportunamente anotado pela decisão de primeira instância, observase que, embora o Certificado de Origem, fl. 17, tenha trazido, explicitamente indicado como Pais exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à fatura comercial de nº 9711E085, que teria sido emitida naquele país, ressalta Fiscalização que a fatura, que de fato instruiu a DI em destaque, foi a de n° BSLSB177/97, datada de 19/12/1997, fl. 18, emitida pela empresa Braspetro Oil Services CO. – BRASOIL, localizada nas Ilhas Cayman, estando referida empresa qualificada na declaração de importação em apreço como exportadora. Independente de qualquer apreciação quanto à legalidade da operação realizada pela impugnante, para efeito de fruição da redução tarifária prevista no Acordo da ALADI, constatase que há divergência documental relevante, vez que o certificado de origem traz informação discrepante com relação à fatura comercial apresentada e, por conseguinte, quanto ao país exportador da mercadoria, declarado na DI, o que por si só já inviabilizaria a pleiteada redução, pois o vício em comento, ao contrário do que quer fazer crer a autuada, não se trata apenas de erro formal, banal, sem importância. De outro lado, a teor do artigo 1o do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, promulgado pelo Decreto n° 98.836, de 1990, com a redação dada pela Resolução 232 da ALADI, apensa ao Decreto n° 2.865, de 07 de dezembro de 1998, não deixa margem à dúvida de que a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria. PRIMEIRO A descrição dos produtos incluídos no formulário que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá, coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI/SH, e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro. (Destaquei). A seu turno, o ACE 27, firmado entre Brasil e Venezuela, incorporado à legislação brasileira por meio dos Decretos n 1.381/95 e 1.400/95, adotou o Regime de Origem previsto na Aladi, consubstanciado na Resolução 78 e no Acordo 91. O Art. 7º dessa resolução assim dispõe: Artigo 7º – Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, os países membros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formulário – padrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000532/200404 Acórdão n.º 9303003.105 CSRFT3 Fl. 248 8 Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar, certificada em todos os casos por uma repartição oficial ou entidade de classe com personalidade jurídica, credenciada pelo Governo do país exportador. É de clareza meridiana que a exegese das normas internacionais insertas nos dispositivos transcritos linhas acima, é no sentido de ser indissociável a vinculação existente entre o Certificado de Origem da mercadoria e a fatura comercial correspondente. Não é por outro motivo que o formuláriopadrão, adotado para a mencionada certificação, possui campo próprio destinado à informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Por conseguinte, cada Certificado de Origem referese, exclusivamente, à mercadoria constante da fatura comercial nele indicada. Assim, não resta a menor dúvida de ser o vínculo entre Certificado de Origem e a fatura comercial o que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do Acordo e legitima o gozo do benefício tarifário quanto à mercadoria importada. Aqui, peço licença para transcrever a conclusão da ilustre relatora do acórdão da DRJ, com as quais comungo. Cumpre lembrar que a relação jurídica decorrente da operação de importação se estabelece entre a União e o importador, sendo deste a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária. Assim, a fruição do beneficio de redução tarifária importa a observância das condições e requisitos estabelecidos no acordo internacional. Portanto, o reconhecimento pelo Fisco de um benefício tributário pactuado entre países implica a constatação de que a importação ocorreu pelos exatos termos acordados, cuja prova documental de cumprimento de ais requisitos deve necessariamente ser inquestionável. Inferese das normas de regência que, se o beneficio acordado entre os países signatários dá acordo está calcado na origem da mercadoria, a apresentação do Certificado de Origem é pressuposto de validade para que o beneficio pactuado seja reconhecido pelo país importador, pela imprescindibilidade deste documento, conforme está cristalinamente disciplinado no Regime de Origem: "os paísesmembros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formuláriopadrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem...". Ademais, além de serem apresentados os certificados de origem, deve a operação de importação estar de conformidade com as regras estabelecidas no Regime de Origem. Com efeito, os acordos no âmbito da ALADI visam estabelecer, a longo prazo e de maneira gradual e progressiva, um mercado comum latinoamericano, que culmine com a eliminação das tarifas e outras barreiras ao comércio entre os países que dela participam. Neste mister evidenciase de suma importância o estabelecimento das normas acerca do Regime Geral de Origem, pela Resolução n.° 78, de 24 de novembro de 1987, visto que, Fl. 248DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000532/200404 Acórdão n.º 9303003.105 CSRFT3 Fl. 249 9 para a efetividade desses acordos, a caracterização da origem deve ser inequívoca, sob pena de invalidar os benefícios da redução tarifária acordada entre os países signatários. Esclareçase, por oportuno, que não há contrariedade entre a posição aqui adotada e a Nota COANA/COLAD/DITEG n°. 60/1997, a que alude a autuada. Ao contrário do alegado no recurso voluntário, a nota em apreço diz expressamente que ALADI não havia regulamentado tal situação até então, porém, a manifestação Fazendária sustenta exatamente a necessidade de correlação entre a fatura comercial e o Certificado de Origem, nos termos hoje preconizados na Resolução 232 acima citada. Em outro giro, além da apresentação de Certificado de Origem e fatura comercial, em conformidade com as normas previstas no acordo internacional, a importação das mercadorias deve obedecer as demais regras determinadas nos Acordos de regência. O escopo de se condicionar a redução de tarifa às importações amparadas por certificado de origem emitido, nos termos e na forma prevista pela Aladi é para prevenir operações comerciais que, pela sua natureza, poderiam, de modo ilegítimo, estender o benefício fiscal às importações de terceiros países não signatários do tratamento preferencial. Assim, à exceção de operações em que intervenha operador de terceiro país, para que haja o benefício fiscal, devese demonstrar que o produto acreditado pelo certificado de origem é o efetivamente negociado com o emissor da fatura comercial do país produtor, sendo considerado exportador, para esse fim, o Paísmembro da ALADI signatário do Acordo. Vale aqui transcrever a norma inserta no art. 4o da Resolução ALADI/CR n° 78, de 1987: QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i)o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii)não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii)não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. De outro lado, não se pode olvidar que, com a globalização, é cada vez mais freqüente as operações comerciais que envolvam mais de 2 países, denominadas de operações triangulares. A par dessas mudanças nas relações comerciais internacionais, o Comitê de Fl. 249DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000532/200404 Acórdão n.º 9303003.105 CSRFT3 Fl. 250 10 Representantes da ALADI editou a Resolução 232, que veio a ser incorporada na legislação brasileira pelo Decreto n° 2.865, publicado em 08/12/1998. Essa resolução alterou o Acordo 91, no sentido de modificar o regime de origem, passar a permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI, da seguinte forma: SEGUNDO Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino." Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Todavia as disposições acima não se aplicam à espécie dos autos, posto que, da documentação carreada aos autos, não se verifica a participação de um operador, nos moldes previstos na Resolução acima transcrita. A uma porque a falta de vinculação entre Certificado de origem e a fatura comercial, ilide a prova da intermediação de um operador de terceiro país. A única evidência extraída da documentação juntada pela autuada é de que houve participação de sociedade empresária situada nas Ilhas Cayman, que fatura e exporta para o Brasil mercadoria, para a qual se pretende aplicar preferências tarifárias pactuadas entre este e a Venezuela, com base nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. A duas porque a alegada operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação. Ressaltese que, em se tratando de redução tarifária no âmbito de acordo bilateral, as regras são rígidas e devem ser atendidas expressamente, sob pena de inviabilizar o acordo comercial e econômico entre os paísesmembros. Assim, não cabe ao intérprete ou ao julgador decidir pela prescindibilidade ou não de atendimento aos requisitos previstos no acordo internacional. De tudo que aqui foi exposto, podese concluir que a importação realizada pela impugnante não está amparada pelos referidos acordos internacionais, conseqüentemente, inaplicável ao caso o tratamento preferencial pretendido. Isso porque, frisese mais uma vez, tratase de operação comercial realizada entre sociedade empresária brasileira e outra das Ilhas Cayman, sem respaldo em certificado de origem. Assim, não há como invocar a redução tarifária prevista no ACE 27, firmado no âmbito da ALADI, porque reside na essência das normas que disciplinam o regime de origem, a vedação pretensa redução tarifária, quando não atendidos os requisitos previstos nos Acordos de regência. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000532/200404 Acórdão n.º 9303003.105 CSRFT3 Fl. 251 11 Em outro giro, devese ter presente que a legislação do comércio exterior envolve uma série de controles a serem implementados pelos países participantes, sendo os ritos e formas previstos nos acordos internacionais imprescindíveis para uniformizar os procedimentos em cada um dos signatários, bem como assegurar o cumprimento fiel das regras estabelecidas no respectivo acordo. Em razão disso, tornase bastante restrito o campo de aplicação dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. De outro lado, não se pode olvidar que, no presente caso, ainda que a sociedade empresária Braspetro Oil Services CO. – BRASOIL se enquadrasse, de fato, como operadora, seria necessário, nos termos da Resolução nº 232, acima citada, que o produtor ou exportador do país de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a “observações”, que a mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro país, identificando além do nome, denominação ou razão social do operador, o domicílio do mesmo, ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro país, o importador deveria apresentar à administração alfandegária correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, na qual deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação.o que não ocorreu. Por derradeiro, transcrevo, excerto da decisão de primeira instância, que bem enfrenta a questão aqui em debate: Fazendose uma interpretação lógicosistemática, das normas que regem o Regime de Origem, pactuadas que foram como diretrizes a serem observadas pelos países integrantes da ALADI, podese inferir que a vedação expressa no dispositivo acima citado, quanto' ao trânsito de mercadorias objeto de tratamentos preferenciais junto a países não signatários não se circunscreve apenas ao trânsito físico de mercadorias, mas também à qualquer interveniência de um terceiro país, uma vez que a natureza intrínseca do acordo é o tratamento! bilateral entre os países signatários. A vedação à interveniência de um terceiro pais não signatário, ainda que por uma motivação de ordem econômicofinanceira, advém da própria natureza dos acordos que sendo eminentemente bilaterais, estão assentados nas preferências e condições acordadas entre os dois países signatários. Portanto constatase de forma inequívoca, da dicção do dispositivo acima mencionado, que mesmo as mercadorias originárias de países signatários, destinadas a paísmembro, não se beneficiarão dos tratamentos preferenciais quando comercializadas com terceiros países não integrantes da ALADI. Neste contexto, assume particular relevância para o caso em tela, a preponderância do aspecto econômico e jurídico que envolve a operação comercial, sobre o aspecto meramente físico, de deslocamento da mercadoria. Por conseguinte, o fato é que uma empresa sediada nas Ilhas Cayman, integrada, portanto, à economia de terceiro país Fl. 251DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000532/200404 Acórdão n.º 9303003.105 CSRFT3 Fl. 252 12 não signatário do Acordo, não pode negociar mercadorias, exportandoas para o Brasil sob os auspícios de um tratamento tarifário preferencial para operações comerciais entre os países membros do Tratado de Montevidéu. Portanto, sob qualquer ângulo que se veja a questão, não se sustenta a alegação do contribuinte de que o produto importado deve gozar do beneficio de redução tarifária previsto no ACE 27. Do exposto podese inferir que a empresa em epígrafe realizou uma operação não respaldada nas normas vigentes ao tempo da importação, conforme concluiu a fiscalização, às fls.09/14. Aclarese ainda que qualquer situação excepcional só pode ser acatada se expressamente prevista na legislação. Se existe atualmente nas regras de certificação de origem previsão para interveniência de um terceiro país esse fato só vem a corroborar a tese defendida na presente peça, de vedação à operação realizada pelo impugnante à época das importações em tela. Assim, à época das importações, era aplicável a regra do Acordo 91 (Decreto n° 98.836/1990), sem a alteração reclamada, que disciplinava as condições e prazos de emissão dos certificados de origem pelos países membros da ALADI uma vez que inexistia outra norma específica. Esta era a norma imperativa, válida e eficaz para a produção dos efeitos jurídicos do acordo pactuado pelo Brasil. De relevo assinalar que a disposição normativa sobre a certificação de origem deixa evidente que o Regime Geral de Origem, tem o escopo de assegurar perante as partes que a mercadoria negociada é efetivamente originária e procedente do pais declarante. Nesse mister, a necessária correspondência entre a o Certificado de Origem e a Fatura Comercial nele indicada, longe de ser mera formalidade, tal como dispõe a defesa, traduzse na essência material objetivaria pelo acordo, na medida em que constitui o elemento probatório da origem perante o pais importador, conforme já salientado na presente peça. Cabível, portanto, a exigência de imposto de importação. haja vista que o produto foi importado de um terceiro pais, estranho ao Acordo citado, o que implicou perda do beneficio de redução do imposto. De todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 252DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000157/2003-20
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
DECADÊNCIA - o prazo decadencial para constituir penalidade e de 5 anos contados do 1o. dia do ano seguinte a que poderia ser efetuado.
MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR
ESTIMATIVA. A penalidade após o encerramento do período de apuração é aplicável até o limite do resultado do período.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência da multa isolada até 10/97. Os Conselheiros Carlos Pelá e Sérgio Luiz Bezerra Presta votam pelas conclusões. No mérito, em primeira votação, pelo voto de qualidade, rejeitar a proposta de cancelamento integral da penalidade suscitada pelo Conselheiro Carlos Pelá, vencidos os Conselheiros Sérgio Luiz Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que o acompanhavam; e, em segunda votação, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para manter a multa isolada do IRPJ e da CSLL até o limite do valor apurado como ajuste, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado; vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que mantinha o lançamento
Nome do relator: ANTÔNIO JOSÉ PRAGA DE SOUZA
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MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. A penalidade após o encerramento do período de apuração é aplicável até o limite do resultado do período. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência da multa isolada até 10/97. Os Conselheiros Carlos Pelá e Sérgio Luiz Bezerra Presta votam pelas conclusões. No mérito, em primeira votação, pelo voto de qualidade, rejeitar a proposta de cancelamento integral da penalidade suscitada pelo Conselheiro Carlos Pelá, vencidos os Conselheiros Sérgio Luiz Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que o acompanhavam; e, em segunda votação, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para manter a multa isolada do IRPJ e da CSLL até o limite do valor apurado como ajuste, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado; vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que mantinha o lançamento. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Edijalmo Antônio da Cruz, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório ANTONIO MORO & CIA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada foram lavrados os autos de infração de fls. 504/513 e 514/523, que exige os montantes de R$ 387.831,80 e R$ 226.166,48 de multa isolada pela falta de recolhimento do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, e da Contribuição Social - CSLL, respectivamente, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da Receita Bruta, apurada durante procedimento de verificações obrigatórias - enquadramento legal: IRPJ - art. 889, III e IV, do RIR/1994 - aprovado pelo Decreto n° 1.041/1994; arts. 2 o , 43, 44, § I o , IV, da Lei n° 9.430/1996; arts. 222, 841, III e IV, 843, e 957, parágrafo único, IV, do RIR/1999 - Decreto n° 3.000/1999; CSLL - arts. 29, 30, 43, 44, § Io, IV, da Lei n° 9.430/1996, e art. 841, do RIR/1999. Cientificada em 28/01/2003, a interessada apresentou tempestivamente em 26/02/2003 a impugnação de fls. 544/549, trazendo as alegações a seguir, em síntese. Preliminarmente alega a decadência relativa ao período de janeiro a dezembro de 1997, tendo como fundamento o art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional - CTN, que fixa o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para se considerar homologado o auto-lançamento que promoveu, No mérito, argumenta que não procede a aplicação de multa isolada, na área do Imposto de Renda - Pessoa Jurídica, após o encerramento do exercício social, com base no art. 44, § Io, IV, da Lei n° 9.430/1996. Que o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda tem sistematicamente repelido a aplicação de multas isoladas, conforme jurisprudência que transcreve. Reclama que o auto de infração exigiu multa isolada sobre valores que apenas foram escriturados no final do exercício, apesar de, em trabalho paralelo, a empresa ter computado tais créditos tributários. Citando jurisprudência judicial e doutrina a respeito, alega o caráter confiscatório da multa aplicada, portanto, sendo nulo o auto de infração. . O acórdão de 1 a . Instância traz a seguinte ementa e decisão: DECADÊNCIA - Multa Isolada A perda do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco Fl. 2DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10940.000157/2003-20 Acórdão n.º 1402-00.219 S1-C4T2 Fl. 2 3 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. PRAZO O direito de proceder ao lançamento relativo à Contribuição Social sobre o Lucro extingue-se após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. Cabível a imposição da penalidade, quando o contribuinte sujeito ao recolhimento por estimativa nos termos da legislação que rege a matéria deixar de fazê-lo, a teor do que determina o art. 44, inciso I, e seu § Io, inciso IV, da Lei 9.430/1996. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A alegação de ofensa ao princípio da vedação de confisco diz respeito à inconstitucionalidade da lei, matéria cuja apreciação não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da Ia Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, por unanimidade de votos, acatar parcialmente a preliminar de decadência do IRPJ, relativamente aos períodos de janeiro a outubro de 1997, e no mérito julgar parcialmente procedente o lançamento da multa isolada do IRPJ, excluindo o valor de R$ 116.168,57 para os mencionados períodos, e mantendo a exigência de R$ 271.663,23 para os demais, e integralmente a multa isolada da CSLL no valor de R$ 226.166,48.” Cientificado via postal, o contribuinte apresentou recurso voluntário repisando as alegações da peça impugnatória. Ato continuo, o processo foi encaminhado a este conselho para julgamento em segunda instância administrativa. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza – Relator O recurso voluntário é tempestivo, dele conheço. Inicio pela preliminar de decadência. Alega o contribuinte que o prazo para constituição do credito tributário da multa isolada deve ser contado na forma do art. 150, §4 o . do CTN, tal qual o tributo. Assim não entendo. As penalidades, sejam por descumprimento de obrigação acessórias, sejam isoladas por infração à legislação tributária, somente podem ter o crédito tributário constituído de oficio, nos termos no art. 149 do CTN. Logo, em se tratando de lançamento de oficio, o prazo é contado na forma do art. 173, inciso I, do CTN. Portanto, a multa isolada até outubro/97, que poderia ser constituída naquele mesmo ano, deve ser cancelada, pois o lançamento somente foi cientificado em 2003. No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ sobre estimativas, após o encerramento do ano-calendário, verifica-se que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1 o , inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: .Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” ................................................................................................... § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I-- juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos ................................................................ IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente;” (Grife0 Por sua vez, o art. 2 o , referido no inciso IV do § 1 o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10940.000157/2003-20 Acórdão n.º 1402-00.219 S1-C4T2 Fl. 3 5 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário. (...)” Do exame desses dispositivos pode-se concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105-141498, Processo n° 13629.000292/2003-04, Acórdão CSRF/01-05.838, verbis: “As remissões relevantes são as seguintes: Art. 35 (Lei nº 8.981/95) – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) §2º - Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano-calendário. Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaram-se no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei nº 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 6 Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizá-lo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. Na verdade, Kelsen já dizia que toda norma legal deriva de uma vontade pré- jurídica (um querer), mas a dificuldade do intérprete repousa na identificação de o que se reputará como sendo essa vontade. No dizer de Marçal Justen Filho, não há qualquer caráter predeterminado apto a qualificar o interesse como público. Sustenta que “o processo de democratização conduz à necessidade de verificar, em cada oportunidade, como se configura o interesse público, Sempre e em todos os casos, tal se dá por meio da intangibilidade dos valores relacionados aos direitos fundamentais”. 1 Nessa trilha de raciocínio, iniciaremos pelo exame das formulações literais, isolando os enunciados prescritivos e sua estrutura lógica, para depois alcançar as significações normativas e, como produto final, a regra jurídica. Norma não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática dos textos2. Nesse sentido, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 prescreve, de forma sintética, o seguinte: HIPÓTESE CONSEQUÊNCIA Dado que houve falta de pagamento ou recolhimento, recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. Pagar multa de 75% ou 150% 3 calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (art. 44, caput, inciso I e II) ; Dado que pessoa jurídica está sujeita ao pagamento do IR de forma estimada, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no ano correspondente. Pagar multa isolada de 75% calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (caput, art. 44, §1º, IV); Dado que a pessoa jurídica prova, por meio de balanço ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período. Dispensar recolhimento por estimativa (art. 44. §1º, IV c/c art. 35, §2º, da Lei 8981/95). O exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa seja calculada “sobre a totalidade ou diferença de tributo”. Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1º, IV, referem-se todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo, ao contrário, do quer fazer crer a Procuradoria da Fazenda Nacional. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo - só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em 1 MARÇAL, Justen Filho. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005, p.43/44. 22 Ricardo Guastini citado por Humberto Ávila em Teoria dos Princípios, São Paulo: Malheiros, 2005, p.22. 3 A hipótese de majoração da multa de ofício para 150% está prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 caso identificado verdadeiro intuito de fraude. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10940.000157/2003-20 Acórdão n.º 1402-00.219 S1-C4T2 Fl. 4 7 que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportando-me a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, a semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita refere-se ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo não-recolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, deve-se investigar se uma das Fl. 7DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 8 sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano- calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ”pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passando-se de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave...” E prossegue “no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave”. 4 Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra-se apenas a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de ofício de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades – de mora e de ofício – na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dossimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de ofício pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo a penalidade isolada não deve mais incidir sobre “sobre a totalidade ou diferença de tributo”, mas apenas sobre “valor do pagamento mensal” a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6º). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de ofício em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. 4 Instituições de Direito Penal, Parte Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, págs. 276 e 277 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10940.000157/2003-20 Acórdão n.º 1402-00.219 S1-C4T2 Fl. 5 9 No caso presente, em relação ao ano-calendário de 1998 a 2002, o relatório indica que a empresa foi autuada para exigir principal e multa de ofício em relação ao imposto de renda não recolhido ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como exposto, essa dupla aplicação, por força do princípio da consunção, não pode subsistir.” Portanto, a multa pode ser aplicada após o encerramento do ano calendário, estando rigorosamente de acordo com a lei, desde que não seja concomitante com a multa proporcional de oficio sobre o tributo devido e que, evidentemente, seja apurado saldo de tributo a pagar no final do período de apuração. Diante do exposto dou provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência da CSLL até outubro de 1997 e no mérito, excluir da base de calculo da penalidade (IRPJ e CSLL) os valores acima do saldo de tributo a pagar no final de cada período de apuração anual. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912944/2012-54
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 94 4/ 20 12 -5 4 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o dirito creditório da Recorrente. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 29), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 09247.72741.260209.1.2.048041, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência/insuficiência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do CSLL, PA 31/12/2004, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 18/12/2012 (AR fl. 35). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Gustavo Froner Minatel), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 9) em 16/01/2013, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e, em síntese, argumenta o seguinte: inicialmente no trimestre em análise apurou débito de CSLL, quitado da seguinte forma: (i) parte por retenções sofridas; e (ii) parte com DARF; revendo a apuração da CSLL, constatou que estava aplicando o percentual incorreto de presunção do lucro (32%), tendo em vista sua atividade ser enquadrada como serviços hospitalares, previsto no art. 15, §1°, III, combinado com o art. 20 da Lei n° 9.249/95. Diante do equívoco, aplicou o percentual correto (12%), e apurou CSLL devida de no trimestre, resultando pagamento a maior, e retificou a DIPJ do período para demonstrar o valor correto da CSLL; do valor pago, parte foi utilizada para liquidar a CSLL devida no trimestre e o restante pago a maior, pediu a restituição. No entanto, a DRF/Campinas indeferiu o pedido de restituição no despacho decisório, em flagrante desrespeito à legislação tributária, especialmente a que trata de necessidade de lançamento e de restituição (Arts. 142 e 165 do CTN) devendo ser reformado, porque não foi Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 4 3 considerado a DIPJ retificadora apresentada antes da emissão do despacho decisório; a autoridade fiscal não pode, a seu critério, efetuar lançamento ou deixar de fazêlo, porque sua atividade é vinculada e obrigatória. Com efeito, o artigo 15, parágrafo 1º, Inciso III, alínea "a" da Lei n° 9.249/951, vigente à época dos fatos, determinava que os prestadores de serviços hospitalares poderiam utilizar na apuração da CSLL na sistemática do lucro presumido percentual de 12% sobre a receita bruta (art. 20 da Lei 9.249/95); apesar da clareza na redação no que concerne à aplicação do percentual de 12% sobre a receita bruta na prestação de serviços hospitalares, o legislador não definiu o que seriam considerados serviços hospitalares para fins de aplicação do aludido percentual, questão essa central para o deslinde da controvérsia ora analisada; na busca de uma interpretação do alcance da norma, foram editados pela Receita Federal do Brasil uma série de atos normativos para regulamentar a questão e tentar definir o que seriam "serviços hospitalares", sendo o primeiro deles a IN SRF n° 306/2003 que em seu artigo 23 conceituou "serviços hospitalares" para fins do disposto no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95; a sua atividade estava expressamente listada no artigo 23, inciso V, alíneas "i" e "k", da IN SRF n° 306/2003, vigente à época dos fatos, e atendia a todos os requisitos mencionados no referido dispositivo, vez que os serviços eram prestados por pessoa jurídica que possuía estrutura física condizente para a execução e desenvolvimento das atividades de radioterapia e quimioterapia, tanto que autorizado seu funcionamento pela ANV1SA, o que confirma a aplicação do percentual de 12% na apuração da base de cálculo da CSLL apurado no anocalendário de 2004; assim, com base no artigo 15, § 1o, inciso III, alínea "a", da Lei n° 9.249/95 (redação original), confirmada pela IN SRF n° 306/03, refez o cálculo da CSLL de 2004, aplicando o percentual de 12% e constatou recolhimento a maior, devendo assim o crédito ser reconhecido e o pedido de restituição integralmente deferido; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 5 4 diante de apuração, não desconstituída pelo Fisco, os valores de CSLL recolhidos a maior caracterizam se indébitos tributários, pois extrapolam o critério quantitativo da sua base de cálculo. Nesse sentido, são esclarecedoras as palavras do ilustre professor Paulo de Barros Carvalho. No PEDIDO, requer seja conhecida a Manifestação de Inconformidade, declarandose a ineficácia da decisão, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório com a consequ ente restituição do valor pleiteado, acrescido de juros SELIC, nos termos da legislação de regência. É o breve relatório.” A DRJ de Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 05/11/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 04/12/2013. No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exerado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A presente lide consiste na interpretação da Delegacia da Receita Federal em Brasília que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 12%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. De acordo com o entendimento da fiscalização, a Lei nº 10.684/2003 criou a alíquota de 32% para a apuração da CSLL para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha continuado a utilizar a alíquota de 12%. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 7 6 Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 8 7 definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 9 8 DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 10 9 pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 11 10 interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. “Seguindo este raciocínio, pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 12 11 prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, devese avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 13 12 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: (...) Frise se: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 14 13 disso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tãosomente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria da Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 15 14 A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912944/201254 Resolução nº 1802000.605 S1TE02 Fl. 16 15 que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pera ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Concluída a diligência fiscal, a DRF deverá intimar a Recorrente para, querendo, se manifestar e lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10882.002889/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acatar despesas médicas no montante de R$ 7.496,21, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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DESPESAS MÉDICAS. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acatar despesas médicas no montante de R$ 7.496,21, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 9ª Turma da DRJ/SP2/SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 28 89 /2 00 9- 81 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.002889/200981 Acórdão n.º 2801003.901 S2TE01 Fl. 98 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 28 a 31, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2006, exercício 2007, que lhe exige crédito tributário no montante de RS 2.604,66, sendo R$ 1.285,94 referentes ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 964,45 à multa de ofício e R$ 354,27 aos juros de mora (calculados até 30/10/2009). 2. No anexo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" é informado que: 2.1 Foi efetuada a glosa do valor de R$ 10.361,04 indevidamente deduzido a título de "Despesas Médicas", por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução: 2.1.1 Glosa da parcela que excedeu aos comprovantes apresentados: "Porto Seguro"R$2.919,96; 2.1.2 Glosa por falta de comprovação o contribuinte não apresentou os comprovantes referentes à "UN1MED Paulistana" R$ 7.441,08; 2.2 Foi efetuada a glosa do valor de R$ 570,93 indevidamente deduzido a título de "Contribuição à Previdência Privada e Fapi", por falta de comprovação, ou cujo ônus não tenha sido do contribuinte, ou cujo benefício não tenha sido deste ou de seus dependentes. DA IMPUGNAÇÃO 3. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/02 através da qual alega, em síntese, que: 3.1 É usuário titular da "UNIMED Paulistana" desde o ano 2000 e tem realizado seus pagamentos regularmente em todos esses anos. Não pode aceitar a alegação de que não pode apresentar os comprovantes de pagamento. Inclusive, todos estão anexos à impugnação. Destaca ainda que o valor constante da Declaração é de R$ 7.496,21 e não R$ 7.441,08 como constou. 3.2 Ao declarar a assistência médica "Porto Seguro Saúde", cometeu erro de digitação. Deveria ter lançado R$ 324,44, ao invés dos R$ 3.244,40 declarados. 3.3 No que se refere à "Devolução Indevida de Previdência Privada e Fapi", segue anexo comprovante do Banco do Brasil da quantia no valor exato do que foi lançado no momento da declaração, sendo que a mesma está dentro das previsões legais e orientações na própria Secretaria da Receita Federal.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 40/42, que restou assim ementado: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.002889/200981 Acórdão n.º 2801003.901 S2TE01 Fl. 99 3 ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R PF Anocalendário: 2006 GLOSA DE DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Mantida a glosa de despesas médicas, haja vista que o direito à sua dedução condicionase à comprovação dos pagamentos declarados. GLOSA DE DEDUÇÃO COM PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI Não havendo o contribuinte comprovado ter efetuado os pagamentos declarados, é de se manter a glosa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele Acórdão em 13/05/2011 (AR fl. 43), o interessado interpôs o recurso de fl. 45, em 14/06/2011. Em sua defesa, pretende sejam consideradas as despesas médicas referentes a Unimed Paulistana, conforme novos instrumentos comprobatórios em anexo. Conforme Resolução 2801000.180, às fls. 61/64, o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem a fim de que o contribuinte fosse intimado a comprovar a relação de dependência de Sirlene Aparecida Aarão e Caio Eduardo Aarão Fonseca, bem como informar se os referidos dependentes apresentaram declaração em separado para o exercício 2007, anocalendário 2006; pleiteando dedução a título de despesas médicas efetuadas junto à Unimed Paulistana. Se ficasse comprovada a relação de dependência, deveria a fiscalização averiguar a veracidade da informações prestadas pelo contribuinte, esclarecendo se os possíveis dependentes apresentaram declaração em separado para o exercício 2007, anocalendário 2006; pleiteando dedução a título de despesas médicas efetuadas junto à Unimed Paulistana. Cumprida a referida diligência, conforme documentos de fls. 72/92, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.002889/200981 Acórdão n.º 2801003.901 S2TE01 Fl. 100 4 No caso, a alegação da defesa é de que teria o direito de deduzir a título de despesas médicas, no anocalendário em exame, o valor de R$ 7.496,21 referente ao pagamento que efetuou do plano de saúde Unimed Paulistana. Conforme “Declaração de Pagamento” emitida pela Unimed Paulistana, à fl. 47, ficou demonstrado que o contribuinte pagou o referido montante, no anocalendário de 2006, relativamente a ele próprio com titular e aos seguintes dependentes: Sirlene Aparecida Aarão e Caio Eduardo Aarão Fonseca. Verificase que tais dependentes não constam relacionados na declaração em tela. Quanto à essa matéria, assim orientava a Receita Federal em seu “Manual de Perguntas e Respostas”, quanto ao preenchimento da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2007, anocalendário de 2006: “PLANO DE SAÚDE — DECLARAÇÃO EM SEPARADO 356 O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? Como regra geral, somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Contudo, na hipótese em que o outro cônjuge ou os filhos constarem do plano, e, embora podendo ser considerados dependentes perante a legislação tributária, apresentarem declarações em separado no modelo completo, o valor integral pago ao plano pode ser deduzido na declaração de ajuste do titular do plano, desde que não seja utilizado como dedução nas declarações do outro cônjuge ou filhos. No caso de apresentação de declaração em separado no modelo simplificado pelo outro cônjuge ou pelos filhos, na qual todas as deduções a que estes teriam direito são substituídas pelo desconto simplificado, a parcela do plano de saúde correspondente ao outro cônjuge ou aos filhos é considerada indedutível na declaração do titular do plano.” Portanto, face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem a fim de que o contribuinte fosse intimado a comprovar a relação de dependência de Sirlene Aparecida Aarão e Caio Eduardo Aarão Fonseca, bem como informar se os referidos dependentes apresentaram declaração em separado para o exercício 2007, anocalendário 2006; pleiteando dedução a título de despesas médicas efetuadas junto à Unimed Paulistana. Se ficasse comprovada a relação de dependência, deveria a fiscalização averiguar a veracidade das informações prestadas pelo contribuinte, esclarecendo se os possíveis dependentes apresentaram declaração em separado para o exercício 2007, ano calendário 2006; pleiteando dedução a título de despesas médicas efetuadas junto à Unimed Paulistana. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.002889/200981 Acórdão n.º 2801003.901 S2TE01 Fl. 101 5 Em atendimento, foram anexados os documentos de fls. 72/79, acompanhados da Informação Fiscal de fls. 90/92, que assim concluiu: Em suma, respondendo objetivamente à diligência requerida pelo CARF, concluímos que: a) Caio Eduardo Aarão Fonseca e Sirlene Aparecida Aarão se enquadram no conceito de dependente apresentado no art. 77, parágrafo 1°, incisos I e III, do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda); b) Os pagamentos efetuados à Unimed Paulistana no ano calendário de 2006 por Eduardo de Freitas Fonseca (fl. 84) não foram apresentados como dedução a título de despesas médicas na DIRPF 2007 de Sirlene Aparecida Aarão ou de Caio Eduardo Aarão Fonseca. Como se vê, a esposa e o filho do Contribuinte se enquadram nas condições da pergunta 356, pois Caio Eduardo Aarão Fonseca consta como dependente de Sirlene Aparecida Aarão em sua DIRPF 2007, na qual não houve dedução de despesa com a Unimed Paulistana. Desta forma, é de se admitir a dedução dos pagamentos feitos à Unimed, no anocalendário de 2006, no montante de R$ 7.496,21. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para acatar despesas médicas no montante de R$ 7.496,21. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10166.904915/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO.
Não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido por pessoas jurídicas submetidas aos regimes de apuração do lucro real, presumido ou arbitrado, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária. Não obstante, eventuais pleitos desse quilate merecem ser tratados sob a ótica de saldo negativo de IRPJ, fruto da contraposição das antecipações que se pretendeu repetir com o imposto de renda apurado no final do período de apuração em que ocorreu a retenção.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à repetição ou à compensação, incumbe ao sujeito passivo.
COMPROVAÇÃO DA OFERTA À TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS QUE GERARAM A RETENÇÃO.
O reconhecimento do direito à dedução do IRRF na apuração do valor do imposto a pagar, eventualmente gerando saldo negativo, reclama a comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a retenção, não constituindo óbice ao reconhecimento deste direito o eventual mero descompasso entre o período em que os rendimentos foram oferecidos à tributação e o período em que houve a retenção.
Numero da decisão: 1102-000.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer como saldo negativo do 2º trimestre de 2001 o valor de R$ 687.093,75, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé (relator) e Ricardo Marozzi Gregório, que reconheciam o crédito no valor de R$ 523.212,68. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Baeta Ippolito Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Manoel Mota Fonseca.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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COMPENSAÇÃO. Recorrente GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. Não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido por pessoas jurídicas submetidas aos regimes de apuração do lucro real, presumido ou arbitrado, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária. Não obstante, eventuais pleitos desse quilate merecem ser tratados sob a ótica de saldo negativo de IRPJ, fruto da contraposição das antecipações que se pretendeu repetir com o imposto de renda apurado no final do período de apuração em que ocorreu a retenção. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à repetição ou à compensação, incumbe ao sujeito passivo. COMPROVAÇÃO DA OFERTA À TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS QUE GERARAM A RETENÇÃO. O reconhecimento do direito à dedução do IRRF na apuração do valor do imposto a pagar, eventualmente gerando saldo negativo, reclama a comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a retenção, não constituindo óbice ao reconhecimento deste direito o eventual mero descompasso entre o período em que os rendimentos foram oferecidos à tributação e o período em que houve a retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 49 15 /2 00 8- 12 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer como saldo negativo do 2º trimestre de 2001 o valor de R$ 687.093,75, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé (relator) e Ricardo Marozzi Gregório, que reconheciam o crédito no valor de R$ 523.212,68. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Documento assinado digitalmente. Marcelo Baeta Ippolito – Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Manoel Mota Fonseca. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A, contra a decisão prolatada no Acórdão n° 0337.192, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília–DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação de tributos pleiteada pela recorrente. Na Declaração de Compensação apresentada, foi informado como origem do crédito o pagamento indevido ou a maior de IRRF no valor original de R$ 787.500,00. De acordo com o Despacho Decisório nº 791154459 (fls. 63), não foi confirmada a existência do crédito informado, porque o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Na manifestação de inconformidade, aduziu o contribuinte, em síntese, o seguinte. Em abril de 2001 a BASF S/A e a recorrente celebraram transação judicial consubstanciada na Escritura Pública de Transação sob Condição suspensiva (doc. 02 da impugnação) por meio da qual a BASF se comprometeu a pagar à recorrente o montante de R$ 15.750.000,00, tendo o referido valor sido por ela contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, a BASF S/A recolheu a quantia de R$ 787.500,00 a título de imposto de renda retido na fonte, incidente à alíquota de 5% sobre o valor da indenização paga, valor este que deveria ter sido considerado como dedução do imposto devido no 1o trimestre (sic) de 2001, mas que, contudo, não o foi, por lapso no Fl. 367DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 4 3 preenchimento da declaração (DIPJ/2002 – doc. 03 da impugnação), de sorte que não foi utilizado como componente do saldo negativo do imposto. A negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, vez que a receita correspondente foi tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não foi utilizado até o envio das Declarações de Compensação. A administração não pode indeferir sumariamente pedidos de compensação sem se ater à verdade real contida em tais pedidos, independentemente da forma utilizada para pleitear as compensações. Ao inadmitir as declarações, com base em uma análise prefacial e rasteira, a Fazenda não cumpriu o seu dever de análise, penalizando o contribuinte, que pode vir a ser obrigado a efetuar novo pedido de compensação, tendo que se submeter aos acréscimos legais pelos quais não foi responsável. Finaliza requerendo o restabelecimento do crédito utilizado e a homologação das compensações pleiteadas, e protesta por todos os meios de provas admitidos em direito. A 2ª Turma da DRJ/Brasília julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ao fundamento de que o tipo de crédito utilizado pela contribuinte para pleitear a compensação dos débitos por ela confessados no PER/DCOMP foi “pagamento indevido ou a maior”, mas que, entretanto, pelo teor das suas alegações de defesa, a origem do crédito que deveria ter sido informado no PER/DCOMP seria “saldo negativo de IRPJ”. Ou seja, o que o contribuinte estaria pleiteando, de fato, seria uma retificação das informações contidas no PER/DCOMP transmitido, no caso, no tipo de crédito informado, o que faria com que fosse modificado substancialmente o objeto da decisão proferida pelo Despacho Decisório, sendo necessária a emissão de uma decisão completamente nova, motivo pelo qual não poderia tal retificação ser aceita. O procedimento correto seria o cancelamento do PER/DCOMP original e a emissão de um novo PER/DCOMP com as informação corretas. A decisão está assim ementada: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O TIPO DE CRÉDITO DECLARADO NO PER/DCOMP. A retificação da informação referente ao tipo de crédito informado no PER/DCOMP faria com que fosse modificado substancialmente o objeto da decisão proferida pelo Despacho Decisório, sendo necessária a emissão de uma decisão completamente nova. Nesses casos, o procedimento correto seria o cancelamento do PER/DCOMP original pela contribuinte e a emissão de outro PER/DCOMP, com as informação corretas.” Cientificada desta decisão em 29.06.2010, conforme AR de fls. 79, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 29.07.2010, fls. 81 a 104, no qual alega, em síntese, o seguinte: Fl. 368DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 5 4 Contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade de que, ao final do exercício, cometeu o equivoco de não incluir como antecipação do imposto devido no 1º trimestre (sic) de 2001 o montante de R$ 787.500,00 de IRRF, ocorre que não houve nenhum erro. Isto porque, sendo a Recorrente optante pela tributação do IRPJ na modalidade de lucro presumido no ano de 2001, e não tendo mais nada a adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos, não cometeu nenhum equivoco, e não deveria aquele valor ter sido considerado como antecipação do devido. Diferentemente do que supõem os ilustres julgadores da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o procedimento de utilizar o crédito como “pagamento indevido ou a maior” foi a única opção da Contribuinte, pois como a mesma estava no regime fiscal de Lucro Presumido não há de se falar em base negativa. Não se está pleiteando, de fato, uma retificação de informações contidas no PER/DCOMP transmitido, conforme assevera o relator da decisão recorrida, uma vez que a Recorrente é ciente da legislação sobre o assunto, que não permite a retificação das declarações de compensação pela Autoridade Fazendária. A Recorrente notificou extrajudicialmente a fonte pagadora para que se pronunciasse sobre o repasse/recolhimento dos valores aos cofres da Receita Federal do Brasil. Em ContraNotificação Extrajudicial da BASF S.A (doc. 02 do recurso), a mesma reafirma que o valor retido foi objeto de recolhimento em 25 de abril de 2001, dentro do prazo legal, nos termos do Ato Declaratório Executivo COSAR nº 25, de 28 de março de 2001, e anexa comprovante de arrecadação emitido pela Receita Federal do Brasil. Ocorre que o referido comprovante de recolhimento apresenta os mesmos elementos do DARF recolhido originalmente e utilizado pela Contribuinte no seu pedido de compensação, com exceção do código de receita “5204 – IRRF – JUROS INDENIZAÇÕES LUCROS CESSANTES” que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, através de REDARF, para o código de receita “1708 – IRRF – REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA”, conforme informações complementares no comprovante (“*Registro original alterado”). A alteração procedida pela fonte pagadora penalizou a Recorrente, vez que a RFB não localizou nos seus sistemas o referido documento de arrecadação. Tal fato justifica o reexame dos pedidos com o deferimento de diligência para verificar a existência do crédito demonstrado com a consequente quitação do débito cobrado sem a incidência de nenhum encargo legal. Em 1o de fevereiro de 2012, em face de novos elementos apresentados pela patrona da recorrente na própria sessão de julgamento, o colegiado determinou a sua conversão em diligência. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 6 5 Em síntese, asseverou a recorrente, naquela ocasião, que a receita correspondente (indenização paga pela BASF S/A à recorrente) fora na verdade apropriada contabilmente não em 2001, mas sim no ano calendário de 2000, em atenção ao regime de competência. Além das cópias de algumas folhas do livro Diário, que acompanharam o memorial apresentado, apresentou também em sessão o livro Diário original, no qual consta o lançamento que alegou ser do valor daquela receita, já descontado dos honorários advocatícios (o valor escriturado é de R$ 14.800.000,00). Além disto, em nova ContraNotificação Extrajudicial da BASF S.A, recebida somente após o protocolo da peça recursal, e anexa ao memorial (fls. 123124), consta o reconhecimento, por parte da BASF S.A, de que a alteração no código do DARF, bem como a sua não inclusão em DIRF, decorreu de equívoco de sua (BASF) exclusiva responsabilidade, e a informação de que ela estaria tentando junto à Receita Federal do Brasil a retificação do código de receita no DARF, bem como da própria DIRF. A diligência foi para determinar que a autoridade fiscal de jurisdição do contribuinte adotasse as providências que a seguir transcrevo daquela decisão: 1. Diligencie para apurar se a receita relativa à indenização paga pela BASF S/A à recorrente foi de fato contabilizada, bem como corretamente oferecida à tributação, no ano calendário de 2000, bem como intime a empresa a esclarecer o(s) motivo(s) de ter assim procedido e a apresentar o(s) documento(s) que lastrearam a determinação do valor do lançamento assim efetuado; 2. Diligencie para apurar se o IRRF retido, no valor de R$ 787.500,00, e recolhido em 25.04.2001, não foi objeto de dedução do valor do imposto devido em qualquer período de apuração em 2000 ou 2001, ou mesmo de dedução do valor eventualmente lançado em auto de infração que tenha sido lavrado contra a recorrente, referente a estes anos, tendo em vista ter a patrona, também da tribuna, informado que a empresa sofrera fiscalização abrangendo tais períodos. 3. Acrescente os documentos comprobatórios obtidos no cumprimento dos itens 1 e 2 acima, bem como outros documentos e/ou informações que considerar relevantes. Do relatório de diligência, extraímos, em síntese, o seguinte: Com relação ao primeiro item, alegou o contribuinte que, conforme registro contábil efetuado à página 206 do Livro Diário 155 do mês de janeiro de 2000, com histórico “Receitas Diversas – Valor Referente a Processo BASF”, foi apropriado neste mês o valor de RS 14.800.000.00, tendo por base a sentença judicial, deferida em dezembro de 1999, que lhe concedeu o direito de receber, a título de indenização, a quantia de R$ 10.595.484.50, com data base de dezembro de 1996, e que este valor, atualizado pelo INPC para janeiro de 2000 e acrescido taxa de juros de 6% ao ano, atingiu o montante ajustado de R$ 14.800.000.00. Afirma o contribuinte que este valor foi incluído na Ficha 11 da DIPJ – “Cálculo do Imposto de Renda mensal por estimativa”, bem como nas fichas 19A e 20A (Apuração do PIS e da COFINS), todas de janeiro de 2000, tendo sido, portanto, oferecido à tributação naquele ano. E que, na liquidação da sentença em abril de 2001, por meio de Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva no valor de RS 15.750.000,00, restou apenas a diferença de R$ 950.000.00, a qual foi apropriada no ano de 2001 e oferecida a tributação conforme DIPJ/2002, Ficha 14A – “Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Fl. 370DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 7 6 Presumido”, referente ao 2º trimestre de 2001, compondo o montante da receita ali declarada, de RS 1.882.642,13. A autoridade diligenciante confirmou a escrituração do montante de R$ 14.800.000,00 na contabilidade (Livro Diário 155, de janeiro de 2000, registrado na Junta Comercial do Distrito Federal em 13/08/2002, com o histórico “Receitas Diversas – Valor Referente a Processo BASF”. Contudo, tendo em vista que o contribuinte, apesar de intimado a tanto, não apresentou nem o Livro Razão, nem sequer o plano de contas contábeis, concluiu que não restou comprovado que o citado rendimento tenha feito parte da base de cálculo do IRPJ no mês de janeiro de 2000. Com relação à parcela de R$ 950.000,00 que teria sido apropriada em abril de 2001, tendo em vista que o contribuinte não apresentou qualquer livro contábil daquele ano, alegando que, devido ao longo tempo decorrido entre o evento e a solicitação da documentação em diligência, cerca de 12 anos, os livros contábeis não haviam sido localizados, concluiu que também não restou comprovado que o citado rendimento tenha feito parte da base de cálculo do IRPJ apurado no 2º trimestre de 2001. Quanto ao solicitado no item 2 da diligência, a autoridade fiscal verificou que, de acordo com as DIPJ apresentadas, o contribuinte não se utilizou de qualquer IRRF a título de dedução, seja na apuração das estimativas, seja na apuração anual do IRPJ do ano calendário 2000, seja na apuração trimestral do IRPJ pelo lucro presumido no anocalendário 2001. E que tampouco houve a dedução de IRRF nos valores lançados em auto de infração de IRPJ (processo nº 10168.006.172/200216), no qual o contribuinte teve o seu lucro arbitrado com relação aos anos de 1999 e 2000, em vista da falta de apresentação dos livros e documentos da sua escrituração. Elaborou ainda o fiscal diligenciante uma tabela (fls. 347) na qual relacionou os diversos PER/DCOMP que se utilizaram do mesmo crédito aqui alegado. Dentre eles constam os cinco processos que ora estão em julgamento nesta Turma, além de diversos outros que aguardam julgamento em segunda instância, de dois processos em que a decisão de não homologação dada no despacho decisório tornouse definitiva, uma vez que o contribuinte não apresentou manifestação de inconformidade, e de um que foi tacitamente homologado pelo decurso do prazo fatal. Cientificado do teor do relatório de diligência, que concluiu não ser legítimo o direito creditório pleiteado, manifestouse o contribuinte, reprisando seus argumentos de defesa, já aqui expostos, e afirmando que a documentação já acostada aos autos demonstra cabalmente a existência do crédito, e que não poderia o fisco, a pretexto de verificar a existência de saldo a restituir, reabrir a análise de fatos ocorridos em períodos já abrangidos pela decadência, sendo absurda, portanto, a exigência fiscal de apresentação dos livros de sua escrituração. Ademais, a diligência comprovou que o crédito não foi por nenhuma outra forma aproveitado, que não pelas compensações indeferidas. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 8 7 E, ainda, foi confirmado pelo auditor fiscal que a tributação do ano de 2000 foi feita pela fiscalização pelo arbitramento, com base no valor do ativo total da contribuinte. O valor base tomado para o arbitramento (R$ 106.847.809,07, em cada um dos quatro trimestres) é muito superior ao valor da receita alegadamente não oferecida à tributação, pelo que não pode subsistir a argumentação de que o crédito não foi devidamente tributado. Se os fiscais adotaram uma presunção legal para fazer o arbitramento, lhes é vedado valerse de dados da escrituração, por eles mesmos rejeitada, para indeferir a compensação pleiteada. Finaliza requerendo a reforma integral da decisão recorrida, com a validação do seu crédito e o deferimento da compensação efetuada. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O crédito informado no PER/DCOMP é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRRF. Entretanto, conforme sustenta a recorrente desde a inicial, e também o comprova a cópia do DARF anexo aos autos, a retenção se deu em virtude da indenização paga pela BASF S/A à recorrente (retenção sob o código 5204 – IRRF – JUROS E INDENIZAÇÕES POR LUCROS CESSANTES). Assim dispõe o art. 60 da Lei nº 8.981, de 1995 sobre o assunto (grifei): “Art. 60. Estão sujeitas ao desconto do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de cinco por cento, as importâncias pagas às pessoas jurídicas: I a título de juros e de indenizações por lucros cessantes, decorrentes de sentença judicial; Parágrafo único. O imposto descontado na forma deste artigo será deduzido do imposto devido apurado no encerramento do períodobase.” Tratase, portanto, de imposto retido na fonte a título de antecipação do IRPJ devido, o que define, em primeiro lugar, a competência desta Primeira Seção de Julgamento para a análise do pleito, nos termos do Regimento Interno do CARF. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 9 8 Em segundo lugar, por tudo o quanto já exposto no relatório, por certo não se trata de retenção indevida ou a maior que o devido, pois é incontroverso que a indenização recebida deveria submeterse à incidência do imposto na fonte, e no exato valor em que foi feita. Cediço que, não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido na fonte a título de antecipação do IRPJ devido, por si só, não é passível de restituição. Apenas o saldo negativo eventualmente decorrente da contraposição dessas retenções ao valores declarados como devidos, nos respectivos períodos de apuração, é que pode ser objeto de restituição. Neste sentido, os seguintes precedentes do CARF, sendo um deles desta Turma de julgamento: Acórdão 110200174, sessão de 07.04.2010, relator José Sérgio Gomes: IRPJ. SALDO NEGATIVO. Os recolhimentos mensais em bases estimadas efetuadas pela empresa optante do regime de tributação do lucro real anual, bem assim o imposto de renda retido por fontes pagadoras (IRRF), caracterizam meras antecipações do tributo devido no final do período de competência e, tomadas isoladamente, são inservíveis para eventual compensação tributária que não na composição do próprio IRPJ do período. Acórdão 19500.021, sessão de 16.09.2008, relator Benedicto Celso Benício Junior: COMPENSAÇÃO IRRF O imposto de renda retido na fonte incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, não pode ser compensado diretamente com tributos e contribuições Os valores retidos devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando o pagamento de imposto em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo de IRPJ . O IRRF não é, por si só, passível de restituição/compensação. Portanto, inapropriado falarse, no caso em análise, em restituição de imposto de renda retido na fonte. Não obstante, eventuais pleitos desse quilate não podem ser indeferidos, pura e simplesmente, em razão do equívoco na formulação, senão antes devem ser tratados sob a ótica de saldo negativo de IRPJ, fruto da contraposição das antecipações que se pretendeu repetir com o imposto de renda apurado no final do período de apuração. Esta, aliás, foi a tese da defesa apresentada em sede de manifestação de inconformidade. Na ocasião, sustentou a recorrente que o valor do IRRF, que deveria ter sido considerado como antecipação do devido, não o foi, por mero lapso no preenchimento da DIPJ, e asseverou que a receita correspondente fora tributada juntamente com os demais rendimentos. Em análise da DIPJ/2002 acostada aos autos (doc. 03 da impugnação), é possível verificar que, de fato, o IRRF de R$ 787.500,00 recolhido em 25.04.2001 não foi incluído na apuração do 2º trimestre daquele ano calendário, pois a linha 25 da ficha de apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido, relativa à dedução do Imposto de Renda Retido na Fonte acusa valor igual a zero. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 10 9 Entretanto, a mesma ficha aponta valores declarados de receita neste trimestre iguais a tão somente R$ 1.882.642,13 (receitas submetidas a percentual de presunção do lucro) e R$ 77.078,78 (demais receitas acrescidas à base de cálculo do lucro), enquanto que o valor da indenização auferida monta a R$ 15.750.000,00. As alegações de impugnação, portanto, não foram confirmadas. Contudo, conforme já relatado, em sede recursal a recorrente alterou a sua linha de defesa, aduzindo que não cometera nenhum erro de preenchimento na DIPJ, ao entendimento de que o referido imposto não deveria ser considerado como antecipação do devido, e que nada teria a adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos. E que, como estava submetida ao regime do Lucro Presumido em 2001, não haveria de se falar em base negativa, de sorte que sua única opção de utilização do crédito seria “pagamento indevido ou a maior”. Tais argumentos, contudo, não prosperam, pois “saldo negativo” de imposto nada mais é do que outra forma de denominar o saldo de imposto a ser compensado, sendo que este pode aflorar qualquer que seja a forma de apuração do lucro: real, presumido, ou mesmo arbitrado. Assim, as afirmativas de que a sua única opção de utilização do crédito seria como “pagamento indevido ou a maior”, e de que a retenção não deveria ser considerada como antecipação do devido, contrariam não apenas as razões iniciais de defesa da própria recorrente, bem como, de modo frontal, a legislação de regência da matéria, já acima citada. Nada obstante a inconsistência entre as teses esposadas na impugnação e no recurso, e, ainda, por fim, a nova alteração nos argumentos de defesa, feita na sessão de janeiro de 2012, agora para asseverar que substancial parte da receita correspondente à indenização paga pela BASF S/A já teria sido apropriada não em 2001, mas sim em 2000, tendo em vista os novos elementos de prova apresentados naquela oportunidade, entendeu por bem o Colegiado determinar a realização de diligência, a fim de verificar se as receitas relativas à indenização paga pela BASF à recorrente haviam sido de fato contabilizadas e oferecidas à tributação na forma e montantes em que alegado, exigência esta necessária para que a fonte possa ser deduzida do saldo do imposto a pagar no encerramento do período de apuração, consoante dispõe a legislação de regência e a jurisprudência do CARF, exemplificativamente aqui referenciada pelos seguintes acórdãos: Acórdão 10243.952, sessão de 21.10.1999, relator Antonio de Freitas Dutra: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF — COMPENSAÇÃO — Imposto de renda retido na fonte sobre receitas financeiras somente poderão ser objeto de compensação com o IRPJ, e assim, passível de restituição quando estas receitas tenham sido oferecidas à tributação na declaração de ajuste. Acórdão 10419.556, sessão de 11.09.2003, relator José Pereira do Nascimento: IRRF — RESTITUIÇÃO — O imposto de renda de pessoa jurídica, retido na fonte como antecipação, somente é restituível mediante á entrega da declaração de rendimentos, relativo ao ano calendário da retenção e desde que observado as regras que disciplinam a matéria. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 11 10 Por sua vez, o eventual descompasso entre o período em que os rendimentos foram oferecidos à tributação e o período em que houve a retenção não constitui óbice ao reconhecimento do direito creditório, desde que feita a comprovação da oferta dos rendimentos à tributação. Neste sentido, cito o seguinte precedente desta Turma (Acórdão 110200.438, sessão de 26 de maio de 2011): RECEITAS FINANCEIRAS. RETENÇÃO NA FONTE. TRIBUTAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Em razão da adoção do regime de competência para o reconhecimento das receitas financeiras, pode haver descompasso temporal entre a tributação das mesmas pelo imposto de renda ao final do respectivo período de apuração, e a efetiva retenção do imposto na fonte, circunstância esta que não invalida a plena dedução do imposto de renda retido no período de apuração em que ocorrer a retenção, entretanto, é necessário que seja feita a prova, com elementos da escrituração comercial e fiscal da requerente, de que as receitas foram de fato oferecidas à tributação em períodos anteriores. E. ainda, no mesmo sentido, este precedente de outro Colegiado: Acórdão 10709.303, sessão de 05.03.2008, relator Jayme Juarez Grotto: SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Mostrase equivocada a decisão que negou aproveitamento de parte do IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras ao argumento de que, no mesmo ano calendário, as receitas de aplicações financeiras declaradas foram inferiores ao que seria de se esperar em face dos valores retidos e considerada a aliquota de 20%. Sendo os rendimentos oferecidos à tributação pelo regime de competência, parte das receitas correspondentes foram tributadas em períodos anteriores, como demonstrado pela recorrente. Na diligência, restou confirmado que o montante de R$ 14.800.000,00 foi efetivamente lançado na contabilidade (livro Diário), a crédito da conta “Receitas Diversas”, no mês de janeiro de 2000, com o histórico “Valor Referente a Processo BASF”. Ademais, o lançamento contábil feito em janeiro de 2000 (tendo a retenção ocorrido somente em abril de 2001) se justifica em razão da sentença judicial ter sido deferida em dezembro de 1999. Tanto a recorrente quanto a autoridade diligenciante, contudo, preocuparam se em demonstrar a inclusão (ou não inclusão) do referido valor no cálculo da estimativa do mês de janeiro de 2000, sem qualquer preocupação com a sua inclusão ou não na base do imposto efetivamente apurado no ano de 2000, que é o que realmente importa. É evidente que a demonstração de que o valor teria integrado a base de cálculo da estimativa de janeiro seria forte indício de sua consideração também na base de cálculo anual, contudo, nesta parte, há que se dizer que falhou a recorrente em demonstrálo adequadamente, e esta foi também a conclusão da autoridade diligenciante. De fato, a recorrente apenas argumentou que o valor de R$ 14.800.000,00 compunha o montante de R$ 69.156.649,26, informado no mês de janeiro de 2000 nas fichas Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 12 11 19A e 20A da DIPJ, bem como que estaria incluído na base de cálculo oferecida à tributação na ficha 11 da DIPJ, mas sequer se preocupou em demonstrar de que forma isto se deu. As fichas 19A e 20A tratam apenas da apuração do PIS e da COFINS, não servindo para a finalidade almejada. Já a ficha 11, que trata da apuração do imposto devido por estimativa, indica que em janeiro de 2000 a recorrente optou pela forma de apuração com base na receita bruta e acréscimos, o que correspondeu a uma base de cálculo de R$ 5.659.231,25, mas não há qualquer demonstração do seu cálculo, e nem é possível inferir, a partir desta base informada, que o valor da receita de R$ 14.800.000,00 estaria lá incluso. Tampouco se pode dar guarida ao derradeiro argumento apresentado pela recorrente em sua manifestação acerca da diligência efetuada, no sentido de que, por ter ela sido submetida ao arbitramento do seu lucro pela fiscalização no ano de 2000, haveria que se reputar ter sido aquela receita integralmente tributada. Ora, o arbitramento do lucro não constitui um “cheque em branco” que permita concluir que toda e qualquer receita auferida pelo sujeito passivo, até mesmo as eventualmente omitidas, tenham sido alcançadas pela tributação do imposto, senão antes trata se o arbitramento de medida extrema, aplicada nos casos em que impossível a apuração do lucro por outra forma. No caso concreto, inclusive, o que se colhe das cópias acostadas aos autos dos autos de infração e do relatório fiscal relativos ao arbitramento feito (que é objeto de outro processo), é que não somente o arbitramento foi necessário em razão da falta de apresentação dos livros por parte do contribuinte, como sequer foi possível fazer o arbitramento valendose da receita bruta conhecida. Ou seja, o arbitramento foi feito tomando se por base o valor do ativo total do contribuinte, aplicandose os coeficientes previstos em lei, e isto, por certo, não constitui prova alguma de que aquela receita de indenização recebida pela recorrente tenha sido oferecida à tributação. Entretanto, em que pese a deficiência na demonstração por parte da recorrente de que teria oferecido a receita à tributação em janeiro de 2000, bem como a inconsistência das demais alegações recursais, com base em elementos diversos, entendo haver prova suficiente nos autos de que pelo menos parte daquele valor restou oferecido espontaneamente à tributação pela recorrente no ano de 2000. Explico. Conforme dito, restou confirmado que o montante de R$ 14.800.000,00, com o histórico “Valor Referente a Processo BASF”, foi lançado a crédito da conta “Receitas Diversas” em janeiro de 2000. Por sua vez, na cópia autêntica da Demonstração do Resultado do Exercício em 31.12.2000 apresentada pela recorrente (fls. 250), consta a conta “Receitas Diversas” com valor informado de R$ 13.741.721,02. A diferença a menor pode ser decorrente de inúmeras razões, que não cabe aqui especular, e tampouco há elementos nos autos que possam esclarecêlo. Entretanto, e em que pese se saiba que, em sede de restituição ou compensação, a prova do indébito tributário incumba ao sujeito passivo, em razão de todas as peculiaridades do caso concreto já exaustivamente relatadas, entendo que deva ser reconhecido que a parcela de R$ Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 13 12 13.741.721,02, daquela receita de indenização, foi oferecida à tributação pelo imposto de renda pelo próprio contribuinte em 2000. Isto porque, na mesma Demonstração do Resultado do Exercício já referida, verificase que o lucro líquido contábil do ano de 2000, no qual está incluída aquela parcela de R$ 13.741.721,02, foi de ()R$ 842.108,46 (prejuízo). E, ao consultarmos a DIPJ referente àquele ano, na ficha 06A – Demonstração do Resultado, vemos que o valor do lucro líquido do período informado pelo contribuinte é rigorosamente o mesmo (R$ 842.108,46), e que este foi também o valor base para a apuração do lucro real na ficha 09A da mesma DIPJ, ao qual foram agregadas tão somente adições (nenhuma exclusão ou compensação), resultando em lucro real declarado. Por outro lado, com relação à parcela de R$ 950.000,00, que teria sido apropriada pela recorrente em abril de 2001, não há como discordar das conclusões da autoridade diligenciante, que reputou não ter sido comprovada a alegação feita. De fato, a recorrente limitase a alegar que a referida parcela compõe o montante de R$ 1.882.642,13, correspondente à base de cálculo do IRPJ apurado no 2º trimestre de 2001, conforme a DIPJ apresentada, contudo, não apresenta qualquer elemento de prova que dê respaldo a tal afirmação. Neste contexto, mais uma vez lembrando que a prova do indébito, fato jurídico a dar fundamento ao direito, cabe ao sujeito passivo que o alega, concluo não ter sido comprovada a oferta da referida parcela à tributação. Descabida é a alegação recursal de que não poderia mais o fisco exigir a apresentação dos livros de sua escrituração, após o decurso do prazo de cerca de 12 anos desde os fatos a serem analisados, pois, conforme dito, é ao contribuinte que incumbe o ônus de provar o seu direito. Do quanto até aqui exposto, temos, portanto, que, da receita total de R$ 15.750.000,00, houve a comprovação do oferecimento à tributação da parcela de R$ 13.741.721,02, o que corresponde ao percentual de 87,25%, o qual deve, então, ser aplicado à retenção sofrida (R$ 787.500,00), gerando o valor de retenção, passível de dedução do saldo a pagar do imposto de renda, de R$ 687.093,75. Tal valor, conforme já referido, deve ser oposto ao valor do imposto de renda apurado no período em que ocorreu a retenção, a fim de que se verifique: (i) a redução do saldo do imposto a pagar; ou então (ii) a apuração do eventual saldo credor, também denominado de saldo negativo do imposto. Neste sentido, a diligência solicitada por este colegiado confirmou que a referida retenção não foi objeto de dedução, pelo contribuinte, do valor do imposto devido em qualquer período de apuração em 2000 ou 2001, e nem tampouco de dedução, pela autoridade fiscal, do valor lançado em auto de infração lavrado contra a contribuinte, de sorte que remanesce íntegro o seu direito ao aproveitamento na dedução do imposto apurado no 2º trimestre de 2001, o qual ora se reconhece. Tendo em vista os dados constantes na DIPJ referente a este período de apuração (fls. 214), temos que o contribuinte apurou um imposto a pagar de R$ 163.881,07, e não deduziu a referida retenção. Se o tivesse feito, apuraria um valor de saldo negativo, ou de imposto a restituir, de R$ 523.212,68. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 14 13 Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer que o montante do crédito de saldo negativo de imposto de renda do 2º trimestre de 2001 equivale a R$ 523.212,68, devendo a autoridade administrativa reconhecer a homologação das compensações declaradas até o montante do crédito assim reconhecido, nos termos da legislação de regência da matéria. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. Com a vênia devida ao Nobre Conselheiro Relator, divirjo parcialmente do entendimento exposto no v. voto proferido especificamente no que se refere ao quantum do saldo negativo pleiteado que é passível de restituição. Com efeito, na conclusão do Nobre Conselheiro Relator, quanto ao direito do Contribuinte ao crédito de saldo negativo de imposto de renda do 2º Trimestre de 2001, não merece reparos. No entanto, entendo que não deva ser excluído o valor de R$ 163.881,07. De acordo com o entendimento do Nobre Conselheiro Relator, uma vez que o que se busca é a restituição do saldo negativo e que este apenas surge quando as antecipações/retenções forem superiores ao montante devido no período, para a definição do montante passível de restituição, deveria ser refeita a apuração do imposto devido no 2º trimestre de 2001. Neste sentido, considerando que no 2º trimestre de 2001 o contribuinte teria apurado um valor de Imposto de Renda a pagar no montante de R$ 163.881,07, o valor do saldo negativo passível de restituição deveria ser deduzido deste valor. No entanto, partindose da premissa de que, seja quando do despacho decisório, seja no decorrer do presente processo, mesmo após a realização de diligência, em momento algum foi apontada a existência de débito no 2º trimestre de 2001, não há como se considerar que o valor em questão esteja em aberto e, portanto, deva ser deduzido do montante do saldo reconhecido. De fato, às fls. 214 da DIPJ apresentada pelo contribuinte, consta a existência de saldo a pagar de IRPJ no montante de R$ 163.881,07. Ocorre que, neste momento, não é cabível a análise sobre a exigibilidade deste valor. O que se discutiu no presente processo e restou comprovado, dentro dos limites apresentados pelo Nobre Conselheiro Relator, é que, primeiro, parte significativa das receitas que serviram de base para a retenção do Imposto de Renda foram oferecidas à tributação e, segundo, as retenções sofridas pela Recorrente, em virtude da receita auferida e no montante por ela oferecido à tributação, não foram utilizadas na dedução do imposto a pagar. Neste sentido, se os valores tiveram sua retenção confirmada e não foram utilizados pela Recorrente, ainda que o pedido tenha sido formulado de maneira equivocada, em homenagem ao princípio da verdade material e de forma a se evitar o enriquecimento sem causa do Erário, é certo que o crédito em questão existe sendo passível de restituição. Ainda que se pudesse admitir a análise do valor em questão, deveria ter sido oportunizado à Recorrente a comprovação de sua quitação de forma a afastar a dedução pretendida pelo Nobre Conselheiro Relator. Contudo, não foi dada a oportunidade ao Contribuinte de comprovar a quitação deste débito, por exemplo, pela apresentação de DARF ou de PER/DCOMP. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904915/200812 Acórdão n.º 1102000.997 S1C1T2 Fl. 16 15 Exigir neste momento esta quantia do Contribuinte, ainda que por meio de dedução do valor de seu crédito, sem que ele tenha tido a oportunidade de apresentar prova de que o valor encontrase extinto, configuraria cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, o valor de R$ 163.881,07, se devido, deveria ser objeto de lançamento, por meio da entrega, pelo Contribuinte, de DCTF. Se o contribuinte, por outro lado, não procedeu à entrega deste documento, o qual constitui o débito, caberia à Receita Federal lançalo de ofício, por meio da lavratura de Auto de Infração. Tendo ocorrido o primeiro caso, ou o contribuinte efetuou o pagamento, ou o débito foi encaminhado à Dívida Ativa para cobrança judicial. Tendo ocorrido o segundo caso, o débito é ou foi objeto de procedimento administrativo próprio. Contudo, independentemente do ocorrido, repisese, não houve qualquer menção a este valor quando do despacho decisório ou, ainda, nas oportunidades dadas à D. Fiscalização no decorrer dos presentes autos. Não se pode admitir, assim, que este C. Conselho quando da prolação de seu julgamento, inove nos autos, procedendo à cobrança de valor que sequer há provas de ser devido. Dessa forma, entendo que o crédito de saldo negativo de imposto de renda do 2º trimestre de 2001, passível de restituição, equivale a R$ 687.093,75, nos termos da fundamentação exarada pelo voto do Nobre Relator. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer a legitimidade do crédito pleiteado no valor de R$ 687.093,75, homologandose, por consequência, as compensações realizadas nos limites do crédito reconhecido. É como voto. Documento assinado digitalmente. Marcelo Baeta Ippolito – Redator designado. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME
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Numero do processo: 10830.724368/2012-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS PESSOA JURÍDICA. INFORMAÇÕES EQUIVOCAS PRESTADAS FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. MULTA DE OFÍCIO. NÃO APLICABILIDADE.
Restando comprovado que o contribuinte, ao elaborar espontaneamente sua Declaração de Imposto de Renda, fora induzido a erro a partir de informações equivocadas prestadas pela fonte pagadora, é de se admitir que incorreu em erro escusável, passível de rechaçar a multa de ofício aplicada.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 17/12/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcelo Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS PESSOA JURÍDICA. INFORMAÇÕES EQUIVOCAS PRESTADAS FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. MULTA DE OFÍCIO. NÃO APLICABILIDADE. Restando comprovado que o contribuinte, ao elaborar espontaneamente sua Declaração de Imposto de Renda, fora induzido a erro a partir de informações equivocadas prestadas pela fonte pagadora, é de se admitir que incorreu em erro escusável, passível de rechaçar a multa de ofício aplicada. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 43 68 /2 01 2- 90 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 2 EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcelo Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório JOÃO FLORÊNCIO BASTOS FILHO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 24/09/2002 (AR fl. 107), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em razão de trabalho com vínculo empregatício, bem como de dedução indevida a título de livro caixa, em relação ao anocalendário 1999, conforme peça inaugural do feito, às fls. 05/11, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Fortaleza/CE, consubstanciada no Acórdão nº 089.469/2006, às fls. 135/143, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Especial, em 10/03/2010, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2802 00.226, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA D E PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS LEVANTADA PELO SIMPLES CRUZAMENTO DE INFORMAÇÕES. O princípio da verdade material dos fatos vige no processo administrativo tributário. Em assim sendo, se não restar demonstrada pela autoridade fiscal a efetiva ocorrência da omissão de rendimentos levantada mediante o simples cruzamento eletrônico de informações, a qual foi contestada pelo contribuinte, não há esta que prevalecer. LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda somente são dedutíveis as despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, ainda assim desde que devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 229DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.724368/201290 Acórdão n.º 9202003.471 CSRFT2 Fl. 229 3 Exercício: 2003 MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora que quantificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 179/184, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Em defesa de sua pretensão, sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, traduzida no Acórdão n° 10247.268, ora adotado como paradigma, impõe que a declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, é causa para aplicação da multa de ofício, independentemente da intenção do agente, ao contrário do que restou assentado pelo decisum recorrido, entendendo que o contribuinte fora induzido a erro pela fonte pagadora. Reitera que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente, razão pela qual não deve ser afastada a penalidade por força de um suposto erro do contribuinte. Contrapõese ao Acórdão atacado, por entender que a eventual informação incorreta prestada pela fonte pagadora não tem o condão de macular o lançamento fiscal, cabendo ao contribuinte, a princípio, requerer o ressarcimento em face da empresa, sobretudo por inexistir dispositivo legal dispensando a aplicação da multa de ofício, não podendo a Câmara recorrida assim proceder, sob pena de afronta ao artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Assevera que, ao excluir a multa de ofício, em virtude de um suposto erro do contribuinte, a Turma a quo deixou de aplicar uma norma vigente com base em um subjetivismo, malferindo o disposto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, c/c artigo 136 do CTN, sendo defeso ao aplicador da lei, de forma discricionária, deixar ou não de aplicar a multa, a partir de mera conveniência. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem não admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar a observância dos pressupostos para conhecimento da peça recursal, conforme Despacho n° 220000.302/2011, às fls. 187/189, ratificado pelo Despacho n° 920200.302, de fl. 190, da lavra do nobre Presidente da CSRF, em face de reexame necessário. Ainda inconformada, a Procuradoria interpôs Pedido de Reexame de Admissibilidade, às fls. 194/197, suscitando a ocorrência de erro material nos Despachos que Fl. 230DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 4 negaram seguimento ao Recurso Especial, tendo em vista ter considerado o recurso como escorado no artigo 7°, inciso I, da Portaria MF n°147/2007, por contrariedade à lei, enquanto o correto é que se amparou no artigo 67, anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, em face de divergência jurisprudencial. Levado, novamente, à análise da observância dos requisitos do Recurso Especial, o Presidente da CSRF acolheu o pleito da Fazenda Nacional, dando seguimento à peça recursal, por entender que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, consoante Despacho n° 920200.315/2011, às fls. 198/200. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou suas contrarrazões. Diante da não interposição de Recurso Especial pelo contribuinte em face da parte do crédito tributário em que não logrou êxito em segunda instância, a autoridade fazendária entendeu por bem desmembrar o débito, seguindo para cobrança à parte não recorrida, nos autos do processo original sob o n° 10830.009283/200214, transferindose o crédito que remanesce em discussão por conta do Recurso Especial da Fazenda Nacional para os presentes autos (PAF n° 10830.724368/201290), conforme se depreende do Despacho de fl. 227. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da Câmara Superior de Recurso Fiscais, em face de pedido de reexame, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face do contribuinte fora lavrado Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, bem como de dedução indevida a título de livro caixa, em relação ao anocalendário 1999. Por sua vez, a Turma recorrida entendeu por bem rechaçar em parte a exigência fiscal, excluindo a multa de ofício, utilizando como fundamento ao decisum o fato de o contribuinte ter agido de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, ensejando a interposição do recurso especial da Procuradoria. Pretende a recorrente seja reformado o decisum em vergasta, alegando ter contrariado a jurisprudência administrativa a respeito do tema, representada pelo Acórdão n° 10247.268, ora adotado como paradigma, o qual impõe que a declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, é causa para aplicação da multa de ofício, independentemente da intenção do agente, ao contrário do que restou assentado pelo decisório recorrido, entendendo que o contribuinte fora induzido a erro pela fonte pagadora. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.724368/201290 Acórdão n.º 9202003.471 CSRFT2 Fl. 230 5 A fazer prevalecer seu entendimento, aduz que a eventual informação incorreta prestada pela fonte pagadora não tem o condão de macular o lançamento fiscal, cabendo ao contribuinte, a princípio, requerer o ressarcimento em face da empresa, sobretudo por inexistir dispositivo legal dispensando a aplicação da multa de ofício, não podendo a Câmara recorrida assim proceder, sob pena de afronta ao artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Acrescente que, ao excluir a multa de ofício, em virtude de um suposto erro do contribuinte, a Turma a quo deixou de aplicar uma norma vigente com base em um subjetivismo, malferindo o disposto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, c/c artigo 136 do CTN, sendo defeso ao aplicador da lei, de forma discricionária, deixar ou não de aplicar a multa, a partir de mera conveniência. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Com efeito, essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a respeito da matéria, decidindo por afastar a multa de ofício nos lançamentos em que restou comprovado que o contribuinte fora induzido à erro diante da informação prestada pela fonte pagadora, conforme se extrai do decisum da lavra do ilustre Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, exarado nos autos do processo nº 10245.000821/200116, Acórdão nº 920200.106 (Sessão de 18/08/2009), o qual peço vênia para transcrever ementa e excerto do voto e adotar como razões de decidir, in verbis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000 IRPF MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL. Tendo a fonte pagadora (Assembléia Legislativa do Estado de Roraima) prestado informação equivocada aos deputados estaduais com relação à natureza dos valores pagos a título de ajuda de custo, o erro cometido pelo contribuinte no preenchimento das declarações de ajuste anual é escusável. Assim, o lançamento que reclassificou ditos rendimentos de isentos e não tributáveis para tributáveis não comporta a exigência da penalidade de ofício. Recurso negado. [...] Voto O procedimento adotado pelo sujeito passivo, de informar em suas declarações de ajuste anual como isentos e não tributáveis os rendimentos recebidos a título de ajuda de custo da Assembléia Legislativa do Estado de Roraima, CNPJ n° 34.808.220/000168, inquestionavelmente decorreu de Fl. 232DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 6 orientação emitida pela fonte pagadora, conforme evidenciam os comprovantes de rendimentos juntados aos autos às fls. 4346. Sob minha ótica, a omissão de rendimentos apurada pela autoridade lançadora ocorreu em razão de erro da fonte pagadora, a qual, cumpre destacar, faz parte da Administração Pública. Sendo assim, tenho como indiscutível que o contribuinte, utilizandose das informações fornecidas por sua fonte pagadora, que faz parte da Administração Pública, foi induzido a erro escusável no preenchimento de suas declarações de ajuste anual, motivo pelo qual a penalidade de ofício deve ser afastada com relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. O contribuinte não pode suportar a multa de ofício nesta situação. Segundo penso, tal raciocínio é corroborado pelo princípio constitucional da moralidade e pelo princípio da razoabilidade, previstos, respectivamente, no artigo 37 da Carta da República e no artigo 2° da Lei n° 9.784/99. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, dá sustentação ao posicionamento ora defendido, conforme demonstram as ementas dos seguintes acórdãos: MULTA DE OFÍCIO – DADOS CADASTRAIS – O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Quarta Turma, Recurso Especial n° 102129.390, Acórdão CSRF/04 00.409, Relator Conselheiro Remis Almeida Estol, julgado em 12/12/2006) Ementa: IRPF LANÇAMENTO DE OFÍCIO COMPETÊNCIA DA UNIÃO FEDERAL Somente entes políticos dotados de poder legislativo têm competência para instituir tributos, sendo tal poder indelegável. A competência constitucional para instituir o imposto de renda é da União Federal, cujo lançamento é atribuído por lei aos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. Assim, mesmo no caso de tributos sujeitos à repartição constitucional das receitas tributárias da União Federal para Estados e Municípios, a União é a entidade que detém competência sobre o imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUSÊNCIA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA DO IMPOSTO DE RENDA QUE INCIDIRIA SOBRE RENDIMENTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL NA DECLARAÇÃO DO Fl. 233DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.724368/201290 Acórdão n.º 9202003.471 CSRFT2 Fl. 231 7 BENEFICIÁRIO Transposto o limite temporal da entrega da declaração pelo beneficiário pessoa física, a sujeição passiva deslocase da fonte pagadora para o beneficiário. Inteligência da Súmula nº 12 do Primeiro Conselho de Contribuintes. RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO AJUDA DE GABINETE E AJUDA DE CUSTO PAGAS COM HABITUALIDADE A MEMBROS DO PODER LEGISLATIVO ESTADUAL COMPROVAÇÃO DOS GASTOS TRIBUTAÇÃO ISENÇÃO Ajuda de gabinete e ajuda de custo pagas com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual estão contidas no âmbito da incidência tributária e, portanto, devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração Ajuste Anual, quando não comprovado que ditas verbas destinamse a atender despesas de gabinete, despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. MULTA DE OFÍCIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº. 4). Recurso voluntário provido parcialmente. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso Voluntário n° 160.638, Acórdão n° 10617.167, Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, julgado em 06/11/2008) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FALTA DE RETENÇÃO RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ä respectiva retenção (Súmula 1 CC n 12). RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO AJUDA DE GABINETE E AJUDA DE CUSTO PAGAS COM HABITUALIDADE A MEMBROS DO PODER LEGISLATIVO ESTADUAL COMPROVAÇÃO DOS GASTOS TRIBUTAÇÃO ISENÇÃO Ajuda de gabinete e Fl. 234DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 8 ajuda de custo pagas com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual estão contidas no âmbito da incidência tributária e, portanto, devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração Ajuste Anual, quando não comprovado que ditas verbas destinamse a atender despesas de gabinete, despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL O fato de o produto da arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte pelos Estados e Municípios, integrar sua receita orçamentária por força de disposições constitucionais, não implica na atribuição de competência às unidades da Federação para ditar normas a respeito de sua fiscalização e cobrança. MULTA DE OFÍCIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1º CC nº. 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº. 4). Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, Recurso Voluntário n° 151.070, Acórdão n° 10422.716, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgado em 17/10/2007) Com esses fundamentos, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada, pois a exigência referente à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas (ajuda de custo percebida junto à Assembléia Legislativa do Estado de Roraima) não comporta a penalidade de ofício. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. [...]” No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou a respeito da matéria, senão vejamos: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ART. 45, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN, ART. 46 DA LEI N. 8541/92 E ART. 103 do DECRETOLEI N. 5844/43. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DA FONTE PAGADORA QUE, EMBORA RECONHECIDA, NÃO AFASTA A OBRIGAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.724368/201290 Acórdão n.º 9202003.471 CSRFT2 Fl. 232 9 [...] IV Por outro lado, tendo o contribuinte sido induzido a erro, ante o não lançamento correto, pela fonte pagadora, do tributo devido, resta descaracterizada a sua intenção de omitir certos valores da declaração do imposto de renda, motivo a desamparar o interesse da Fazenda, no tocante à imposição de multa ao contribuinte (cf.REsp n. 411.428/SC, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 21.10.2002; REsp n.644.223/SC, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25.04.2005).” (RECURSO ESPECIAL Nº 374.603 SC (2001/01634129), Relator Min. Francisco Falcão) “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. [...] 5. A ausência de participação do contribuinte para o equívoco no lançamento, ao lado de militar a seu favor o fato de que a própria fonte pagadora apresentou os comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda, sem incluir as diferenças salariais percebidas, retira o substrato da imposição da sanção imposta pelo art. 4º, caput e inciso I, da Lei 8.218/91, verbis: "Art. 4º Nos casos de lançamento de ofício nas hipóteses abaixo, sobre a totalidade ou diferença dos tributos e contribuições devidos, inclusive as contribuições para o INSS, serão aplicadas as seguintes multas: I de cem por cento, nos casos de falta de recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte" 6. Recurso especial parcialmente provido para determinar a aplicação das alíquotas vigentes à época em que eram devidas as verbas decorrentes do reajuste salarial com base na URP, bem como afastar a multa imposta. (RECURSO ESPECIAL Nº 789.029 SC (2005/01703851), Relator Min. Luiz Fux) É exatamente o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde a contribuinte fora induzida a erro a partir das informações prestadas por sua então fonte pagadora, Caterpillar Brasil Ltda., com o fornecimento do “Comprovante Anual de Rendimentos Pagos”, de fl. 12, lastro da Declaração do autuado. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 10 Ato contínuo, a fonte pagadora transmitiu para a Receita Federal do Brasil DIRF retificadora, utilizada na constituição do crédito tributário sob análise, mas que não fora entregue ao contribuinte, que sequer tinha conhecimento de aludida retificadora. Constatase, assim, que o contribuinte, ao elaborar sua Declaração de Imposto de Renda, informando os rendimentos recebidos, fora induzido a erro pelas informações prestadas pela Fonte Pagadora, o que faz incidir a hipótese de erro escusável, passível de rechaçar a multa de ofício aplicada, na linha do que restou decidido no Acórdão recorrido. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000670/2007-96
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/03/2006
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS.
Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE
O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II c, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, dessa feita o valor referente a competência 12/03 seja alterado para R$ 500,00(quinhentos reais). Os valores das demais competências não sofrem alteração.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.909
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que o valor referente a competência 12/03 seja alterado para R$ 500,00(quinhentos reais). Os valores das demais competências não sofrem alteração.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fábio Pallaretti Calcini, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 21/03/2006 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II c, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, dessa feita o valor referente a competência 12/03 seja alterado para R$ 500,00(quinhentos reais). Os valores das demais competências não sofrem alteração. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Obrigação Acessória Recorrente WF Comércio de Mármores e Granitos Ltda ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/03/2006 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, dessa feita o valor referente a competência 12/03 seja alterado para R$ 500,00(quinhentos reais). Os valores das demais competências não sofrem alteração. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que o valor referente a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 06 70 /2 00 7- 96 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 2803003.909 S2TE03 Fl. 3 2 competência 12/03 seja alterado para R$ 500,00(quinhentos reais). Os valores das demais competências não sofrem alteração. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fábio Pallaretti Calcini, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 2803003.909 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por ter a empresa apresentado GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/2002 a 08/2004. O r. acórdão – fls 34 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Ocorre que a empresa esta com sua atividade paralisada desde 2003, assim data vênia os lançamentos do ano de 2005/2006, são totalmente indevidos. · A recorrente deixou de apresentar as guias negativas referente ao período sem empregado, por não possuir o mínimo necessário para manter a mensalidade junto ao escritório que realizava a contabilidade. · Por outro lado, não houve nenhuma constituição do credito previdenciário, assim a multa no valor de R$8.327,86 é totalmente indevida, pois como já dito acima, não houve nenhuma contribuição no mencionado período. · Requer o provimento do recurso com o julgamento improcedente do auto lavrado. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 2803003.909 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Do que consta dos autos, temos que o contribuinte foi autuado pela entrega de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias no período de 01/2002 a 08/2004. As peças impugnatórias traz relevante contradição, pois a defesa informa que as atividades foram paralisadas em janeiro de 2005, já o recurso informa que foram paralisadas "desde 2003". Tudo sem a devida comprovação documental. Na peça recursal apresentada, a recorrente não trouxe elementos que desconstituísse a r.decisão ou que demonstrasse a paralisação das atividades da empresa no período da autuação. Assim sendo, demonstrada a entrega de GFIP com ausência de fatos geradores, tenho como procedente a atuação lavrada, com a retificação de valor conforme a seguir. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 2803003.909 S2TE03 Fl. 6 5 cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A multa mínima a ser aplicada, por competência, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), consoante o inciso II do parágrafo 3º do mesmo artigo legal. Seguindose a metodologia acima, apenas a competência 12/03 deve ser revista, passando o valor de R$ 549,62 para R$ 500,00. As demais competências não sofrem alteração. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que o valor referente a competência 12/03 seja alterado para R$ 500,00(quinhentos reais). Os valores das demais competências não sofrem alteração. assinado digitalmente Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 2803003.909 S2TE03 Fl. 7 6 Oséas Coimbra Relator. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010322/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL RECONHECIMENTO POR ATO DO PODER PÚBLICO. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL. POSTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INDEFERIMENTO DA ISENÇÃO NO ÂMBITO DO ITR.
A Reserva Particular do Patrimônio Natural deve ser reconhecida por ato do poder público ambiental e averbada no Cartório de Registro de Imóveis antes do fato gerador.
Numero da decisão: 2201-002.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao Julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL RECONHECIMENTO POR ATO DO PODER PÚBLICO. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL. POSTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INDEFERIMENTO DA ISENÇÃO NO ÂMBITO DO ITR. A Reserva Particular do Patrimônio Natural deve ser reconhecida por ato do poder público ambiental e averbada no Cartório de Registro de Imóveis antes do fato gerador.
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AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL. POSTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INDEFERIMENTO DA ISENÇÃO NO ÂMBITO DO ITR. A Reserva Particular do Patrimônio Natural deve ser reconhecida por ato do poder público ambiental e averbada no Cartório de Registro de Imóveis antes do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 03 22 /2 00 9- 71 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao Julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10980.010322/200971 Acórdão n.º 2201002.513 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração (fls. 33 a 45) por falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurada através de revisão interna (malha valor) da declaração do exercício 2005, relativa ao imóvel de NIRF 13665740, denominado Reserva Natural do Itaqui, localizado no município de Antonina/PR. A autuação se refere à glosa das áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural de 6.643,2 de hectares, além da avaliação do Valor da Terra Nua, que passou de R$ 2.339.519,36 para R$ 3.991.920,00 (fl. 34), apurandose o imposto de R$ 798.368,21, com multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem juros de mora. Consta do auto de infração, cuja apuração ocorreu no período de setembro a dezembro de 2009, que foram efetuadas consultas na base de dados do IBAMA, porém não foi localizado o protocolo referente ao Ato Declaratório Ambiental para tais áreas do imóvel, não havendo, portanto, elementos que comprovasse que o contribuinte tenha requerido o benefício de redução do ITR. Ainda, que haveria informações no sentido de que 3.526,37 hectares e 392,37 hectares da área total do imóvel já teriam sido transformadas em RPPN, conforme Portarias do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), respectivamente n° 157 de 300807 e 160 de 300807, o que em princípio já indicaria que a instituição das RPPN se deu após o fato gerador do ITR O contribuinte apresentou a impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim relatados no acórdão recorrido (fl. 390) : [...] É invocada a preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, em síntese,. sustenta que o ADA é mera formalidade, cujo nãoatendimento não pode ensejar a cobrança de imposto suplementar. Argumenta que o fundamental é que as áreas de preservação ambiental existem no imóvel, em respeito ao que dispõe o Código Florestal. Afirma que as áreas constam de Laudo Técnico. Defende que as áreas devem ser acatadas como isentas. Alega que deve ser analisado o conjunto probatório apresentado e não ficar restrito à formalidade de apresentação de ADA. Informa que o imóvel está localizado no Bioma da Mata Atlântica. Argumenta, ainda, que existem várias certidões, emitidas por Órgãos ambientais, que comprovam que a área é de interesse ambiental. Solicita que seja aceito o valor da terra nua veiculado por Laudo Técnico de Avaliação. Os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS), por unanimidade de votos, julgaram a impugnação procedente em parte para reduzir o VTN ao valor declarado no Laudo Técnico, de R$ 2.479.094,71. Cientificado em 30 de agosto de 2012 (fl. 411), o contribuinte interpôs o recurso voluntário no dia 20 do mês subsequente (fls. 412 a 434), portanto, tempestivo, no qual argui como razão para a reforma da decisão recorrida os seguintes pontos: 1 – Ausência de domínio útil: a área objeto da ação fiscal seria de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), como demonstrado na documentação juntada aos autos; o ADA seria mera formalidade; a área pertenceria ao bioma da Mata Atlântica, a qual abriga uma considerável quantidade de espécies de plantas e animais exclusivos; a propriedade teria como propósito, perpétuo, Fl. 473DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 proteger a natureza existente no bioma da Mata Atlântica, da qual faz parte, sendo vedada a exploração, inclusive sustentável; na RPPN, conforme preceitua o § 2º do art. 21 da Lei nº 9.985, de 2000, não seria permitido o desenvolvimento de nenhuma atividade econômica; a RPPN deveria ser excluída da área tributável do imóvel, conforme dispõe o Decreto nº 5.746, de 2006; haveria de fato a Reserva Natural Rio da Cachoeiras, que se situa dentro da Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba, instituída pelo Decreto nº 90.833, de 1995, antes da criação da RPPN; o ITR seria um tributo extrafiscal que leva em conta a função ambiental da propriedade; e, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.393, de 1996, combinado com os art. 1.228 do Código Civil, a posse implicaria a efetiva faculdade de usar, gozar e dispor da propriedade, o que não seria o caso da propriedade fiscalizada, que se encontra com ônus reserva natural; 2 – Desnecessidade de apresentação do ADA: o ato é meramente declaratório e sua falta não poderia ser utilizada como fundamento para não autorizar o gozo da isenção, já que a área está averbada na matricula do imóvel como RPPN, como provam os documentos juntados aos autos, que seriam suficientes para comprovação das áreas de interesse ecológico; o Decreto que regulamenta as RPPN não condiciona a fruição do benefício tributário ao cumprimento de qualquer requisito. Em 2007 teria sido emitido o ADA pelo IBAMA, que, em função da verdade material, deveria ser reconhecido como documento hábil para o cancelamento da exigência fiscal. Apesar de a área ter sido reconhecida como RPPN em 2007, em 2005 já detinha todos os atributos necessários para a sua caracterização. Além da averbação, colacionou a Certidão emitida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que certificou ser a área “Considerada pelo Ministério do Meio Ambiente como área prioritária para a conservação da biosiversidade, com prioridade de conservação entre muito alta a extremamente alta”, bem como a Certidão do IBAMA certificando que a área seria de interesse ecológico na proteção dos ecossistemas nelas existentes. Ainda no curso da ação fiscal, apresentou um Laudo Técnico. Por fim, argui que a jurisprudência pátria reforçaria o entendimento de que, quando apresentado outra comprovação capaz de demonstrar a real destinação conferida a determinada área, seria desnecessária a entrega do ADA ao IBAMA. 3 – Preenchimento dos requisitos necessários para fruição da isenção do ITR – Para que uma determinada área seja declarada como de interesse ecológico, seria suficiente a declaração de um Órgão Publico regulador/fiscalizador, seja ele federal, estadual ou municipal. Não haveria necessidade de apresentação de um Laudo Técnico descriminando as áreas que efetivamente pertençam à APA, tendo em vista o expresso reconhecimento pelo órgão da Administração Pública. Todavia, de qualquer forma, teria apresentado o referido laudo. É o relatório. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10980.010322/200971 Acórdão n.º 2201002.513 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. A questão em debate trata da necessidade da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e da averbação para as áreas declaradas como de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), localizadas dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba e do bioma Mata Atlântica. As RPPN estão disciplinadas no art. 21 da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, como sendo “uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. O gravame da área deve constar de termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, que verificará a existência de interesse público, somente sendo permitida as atividades de pesquisas cientificas e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais. A averbação à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis é obrigatória. Para que uma área seja caracterizada como de RPPN, integral ou parcialmente, o proprietário do imóvel rural deve manifestar seu interesse perante o Poder Público, nos termos do Decreto n.º 1.922, de 1996, que dispõe sobre o reconhecimento das Reservas Particulares do Patrimônio Natural, in verbis: Art. 1° Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN é área de domínio privado a ser especialmente protegida, por iniciativa de seu proprietário, mediante reconhecimento do Poder Público, por ser considerada de relevante importância pela sua biodiversidade, ou pelo seu aspecto paisagístico, ou ainda por suas características ambientais que justifiquem ações de recuperação. Mais adiante, o Decreto prevê os prazos e exigências para o reconhecimento da RPPN, conforme disposto no art. 6º: Art. 6° O órgão responsável pelo reconhecimento da RPPN, no prazo de sessenta dias, contados da data de protocolização do requerimento, deverá: I emitir laudo de vistoria do imóvel, com descrição da área, compreendendo a tipologia vegetal, a hidrologia, os atributos naturais que se destacam, o estado de conservação da área proposta, indicando as eventuais pressões potencialmente degradadoras do ambiente, relacionando as principais atividades desenvolvidas na propriedade; II emitir parecer, incluindo a análise da documentação apresentada e, se favorável, solicitar ao proprietário providências no sentido de firmar, em duas vias, o termo de compromisso, de acordo com o modelo anexo a este Decreto; III homologar o pedido por meio da autoridade competente; IV publicar no Diário Oficial ato de reconhecimento da área como RPPN. 1° Após a publicação do ato de reconhecimento, o proprietário deverá, no prazo de sessenta dias, promover a averbação do termo de compromisso, a que se refere o inciso II do art. 6° deste Decreto, no Cartório de Registro de Imóveis competente, Fl. 475DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 gravando a área do imóvel reconhecida como Reserva, em caráter perpétuo, nos termos do que dispõe o art. 6° da Lei 4.771/65, a fim de ser emitido o título de reconhecimento definitivo. 2° O descumprimento, pelo proprietário, da obrigação referida no parágrafo anterior importará na revogação da portaria de reconhecimento. Assim, pelo que se vê, é necessário, entre outras, a obrigação de que o ato de reconhecimento seja publicado no DOU e a área seja averbada no prazo de sessenta dias, sob a pena de revogação da portaria. Compulsando os autos, verificase a contribuinte apresentou diversos documentos para comprovar a existência da RPPN, localizadas dentro da Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba e dentro do bioma Mata Atlântica, bem como das áreas de interesse ecológico. Esses documentos são anteriores ao lançamento, cuja ciência do Termo de encerramento ocorreu em 12 dezembro de 2009 (fl. 47), mas posterior ao fato gerador. Senão vejamos: a) em 30 de agosto de 2007 foram publicadas as Portarias IAP nº 160/2007 e 157/2007, que reconheceram o interesse público, mediante registro no Cadastro Estadual de Unidades de Conservação, respectivamente, das área de 3.92,37 hectares e 3.526.37 hectares como de RPPN (fl.189 e 190); b) em 1º de agosto de 2007 foi averbada em caráter de perpetuidade no Cartório de Registro competente a área de 3.926,37 hectares como RPPN (fl. 153). Porém, de fato, não consta nos autos o ADA; c) em 27 de outubro de 2009 (fl. 136) foi emitida a Certidão do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) declarando que as áreas são de preservação ambiental; d) em 24 de setembro de 2007 foi emitido o Ofício 428/2007 – Gab/IBAMA/PR informando que parte do imóvel foram transformadas em RPPN. O contribuinte também apresentou o Laudo Técnico exigido no curso da ação fiscal, devidamente assinado e acompanhado da respectiva ART, no qual consta o detalhamento das áreas (fls. 193 a 209), Porém, como se observa na legislação em vigor, para a RPPN é imperativo o reconhecimento das áreas por ato do poder público ambiental, averbada no Cartório de Registro de Imóveis, antes do fato gerador. Como a reserva somente foi reconhecida posteriormente, não pode ser considerada para fins de exclusão da base de cálculo do ITR no exercício 2005. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 476DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10980.010322/200971 Acórdão n.º 2201002.513 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 16707.006988/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos dos tributos cujo lançamento é por homologação, e for constatado o pagamento antecipado do tributo, aplica-se o prazo previsto no art. 150, §4º, do CTN, isto é 5 anos a contar do fato gerador. Não há no caso dos autos a ocorrência de decadência.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Deve-se manter a exigência quando os argumentos trazidos na fase recursal são insuficientes para ilidirem o feito.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 2202-002.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO AO CONHECIMENTO DO RECURSO: Por maioria de votos, conhecer o recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábio Brun Goldschmidt (Relator) e Rafael Pandolfo, que não conheciam o recurso por inexistência de objeto. Designada para redigir o voto vencedor nessa parte a Conselheira Dayse Fernandes Leite. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite, Marcio de Lacerda Martins e Antonio Lopo Martinez acompanharam o Conselheiro Relator pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Jimir Doniak Junior que provia parcialmente o recurso para afastar os juros sobre a multa de ofício.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Fabio Brun Goldschmidt - Relator.
(Assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Redatora designada.
EDITADO EM: 20/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Fabio Brun Goldschmidt
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos dos tributos cujo lançamento é por homologação, e for constatado o pagamento antecipado do tributo, aplica-se o prazo previsto no art. 150, §4º, do CTN, isto é 5 anos a contar do fato gerador. Não há no caso dos autos a ocorrência de decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Deve-se manter a exigência quando os argumentos trazidos na fase recursal são insuficientes para ilidirem o feito. Recurso voluntário negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO AO CONHECIMENTO DO RECURSO: Por maioria de votos, conhecer o recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábio Brun Goldschmidt (Relator) e Rafael Pandolfo, que não conheciam o recurso por inexistência de objeto. Designada para redigir o voto vencedor nessa parte a Conselheira Dayse Fernandes Leite. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite, Marcio de Lacerda Martins e Antonio Lopo Martinez acompanharam o Conselheiro Relator pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Jimir Doniak Junior que provia parcialmente o recurso para afastar os juros sobre a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt - Relator. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Redatora designada. EDITADO EM: 20/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos dos tributos cujo lançamento é por homologação, e for constatado o pagamento antecipado do tributo, aplicase o prazo previsto no art. 150, §4º, do CTN, isto é 5 anos a contar do fato gerador. Não há no caso dos autos a ocorrência de decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Devese manter a exigência quando os argumentos trazidos na fase recursal são insuficientes para ilidirem o feito. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO AO CONHECIMENTO DO RECURSO: Por maioria de votos, conhecer o recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábio Brun Goldschmidt (Relator) e Rafael Pandolfo, que não conheciam o recurso por inexistência de objeto. Designada para redigir o voto vencedor nessa parte a Conselheira Dayse Fernandes Leite. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite, Marcio de Lacerda Martins e Antonio Lopo Martinez acompanharam o Conselheiro Relator pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Jimir Doniak Junior que provia parcialmente o recurso para afastar os juros sobre a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 69 88 /2 00 9- 40 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 16707.006988/200940 Acórdão n.º 2202002.689 S2C2T2 Fl. 12 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Redatora designada. EDITADO EM: 20/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Relatório Tratase de auto de infração (Fls. 04/16), no qual foi averiguado o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, correspondente ao anocalendário 2004, exercício 2005, exigindo o crédito tributário, no valor de R$ 2.324.008,70, já incluída a multa qualificada de 150% e juros de mora. Na descrição dos fatos e enquadramento legal, informa o Fisco (fls 06/12), que o crédito tributário foi constituído em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, obtidos por meio de Requisição de Movimentação Financeira RMF n.° 04.2.01.002008000189, 04.2.01.002008000235 e 04.2.01.002009000042. Informou a fiscalização que o autuado, apesar de ter declarado em relação ao anocalendário de 2004 rendimentos tributáveis no valor de R$ 36.450,00, movimentou junto à instituições financeiras o montante de R$ 1.349.363,71 (sendo R$ 1.042.512,13 através do Banco Rural e R$ 306.851,58 por meio do Banco Sudameris). Aponta também, a utilização por parte do contribuinte de interposta pessoa. Tal acusação fundamentase, principalmente, em Laudo de Exame Documentoscópico emitido pelo Departamento de Policia Federal, (fls. 141/144) e em Termo de Declaração da Sra. Iraci Batista da Silva, (fls. 145/146), que, entre outras informações, atestou ser empregada do Fl. 589DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 16707.006988/200940 Acórdão n.º 2202002.689 S2C2T2 Fl. 13 3 contribuinte em questão, residente em fazenda de propriedade deste e nunca ter possuído conta bancária. Segundo a autoridade autuante, utilizandose de dados pessoais da Sra. Iraci, o impugnante teria aberto conta bancária e movimentado, durante o anocalendário objeto de fiscalização, a quantia de R$ 880.820,15. Foram ainda expedidas diversas intimações a contribuintes que se encontravam nominalmente indicados em cheques supostamente emitidos pela Sra. Iraci (Fls. 61/122), tendo vários destes confirmado que não a conheciam e que os mencionados cheques foram emitidos em função de transações de empréstimos financeiros firmados com o autuado. Em vista das constatações elencadas acima, a multa de ofício foi majorada para 150%, por entender a fiscalização que houve intenção do contribuinte em fraudar o fisco. Impugnação Irresignado com a autuação fiscal, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 164/185, onde, em síntese, alega que: a) os fatos geradores teriam ocorrido mensalmente ao longo do anocalendário de 2004, ou mesmo diariamente no caso da omissão de rendimentos, e, por isso,tratandose o IRPF de tributo sujeito ao lançamento por homologação e não tendo havido comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deveriam ser aplicados ao caso os dispositivos dos arts. 156, V, e 150, § 4°, ambos do CTN. Tais circunstâncias implicariam na decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento, considerandose a data da notificação (24/12/09). Cita doutrina e jurisprudência administrativa, em apoio a sua alegação; b) as conclusões da fiscalização seriam insuficientes para caracterizar a utilização de interposta pessoa por parte do impugnante. O laudo da Policia Federal apenas atestaria que as assinaturas nos cheques emitidos não pertencem a Sra. Iraci Batista da Silva, mas não comprovariam ser elas do autuado; c) os depoimentos que fundamentam as conclusões da fiscalização, além de não ter sido possibilitado ao autuado contraditálos, seriam insuficientes para caracterizar a utilização de interposta pessoa, pois que foram tomados de terceiros, todos interessados em manterse afastados da imputação; d) a relação entre o impugnante e a Sra. Iraci era estritamente laboral, nada impedindo que, por liberalidade, cheques emitidos pela referida fossem descontados por seus funcionários; e) a fundamentação da autuação estaria em descordo com o principio da verdade material, posto que baseada em indícios e conclusões precipitadas. Tais circunstâncias caracterizariam a imputação como abusiva, despótica e violenta, sendo mais do que plausível que fossem, no âmbito do julgamento administrativo, rechaçadas as arbitrariedades praticadas pela autoridade autuante. Para sustentar sua alegação, faz uso de entendimento doutrinário e de excerto de julgado administrativo; Fl. 590DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 16707.006988/200940 Acórdão n.º 2202002.689 S2C2T2 Fl. 14 4 f) teria havido equívoco da fiscalização, quando da capitulação legal da multa agravada em 150%, em virtude de ter sido indicado o art. 44, inciso II, da Lei n°9.430/96. Em vista disso e de que não ficou comprovada a ocorrência de fraude, dolo, conluio ou simulação, deveria ser aplicado ao caso o art. 112 do CTN que impõe, em caso de dúvidas, a interpretação mais favorável ao contribuinte. Além disso, o equivoco que teria sido perpetrado pela fiscalização, feriria o principio da legalidade (art. 37 da CF) e acarretaria em erro de direito e, conseqüentemente, em nulidade do lançamento. Em seu apoio, transcreve jurisprudência administrativa; g) a multa agravada somente se justificaria nas hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, circunstância que não haveria se configurado, uma vez que a autoridade lançadora não teria descrito nem comprovado a hipótese de fraude. A ausência de comprovação da conduta dolosa afastaria a possibilidade de imputação da multa qualificada.Faz uso de ementas de julgados administrativos, para fortalecimento da sua tese; h) a imposição da multa de 150% violaria o principio da capacidade contributiva e teria caráter confiscatório. Sobre a questão, transcreve excerto doutrinário. Acórdão da DRJ A 6a Turma de Julgamento da DRJ/PE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 197208), referindo em síntese: a) que não haveria decadência do direito de o Fisco proceder o lançamento dos créditos tributários, uma vez que o fato gerador somente se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário, conforme Solução de Consulta Interna Cosit n° 26 de 01/11/2005; b) que a presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação da omissão de rendimentos, mediante a comprovação da origem dos recursos, sendo que, no presente caso, a autuação configurase a partir de dois cenários distintos, quais sejam, aquele oriundo da movimentação bancária em contascorrentes pertencentes ao autuado, e outro fruto também de movimentação bancária em contacorrente realizada por meio de utilização de interposta pessoa, no caso a Sra. Iraci Batista da Silva, mas que foi atribuída ao imputado; c) que para chegar as suas conclusões, no que concerne aos valores movimentados pelo sujeito passivo, e daí estabelecer os créditos tributários a serem lançados, a fiscalização solicitou às instituições bancárias, por meio de Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMFs), toda a movimentação bancária, efetuada no anocalendário de 2004, pelo Sr. Fritz (autuado) e pela Sra. Iraci (interposta pessoa), mas que teria o autuado passado ao largo da questão que envolve a movimentação bancária, nada contestando a tal respeito, alegando somente que as provas apresentadas aos autos seriam insuficientes para determinar que ele teria feito o uso de meio ilícito; Fl. 591DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 16707.006988/200940 Acórdão n.º 2202002.689 S2C2T2 Fl. 15 5 d) que pesam contra o autuado, além do depoimento da Sra. Iraci, o fato de ela ser sua empregada, circunstância que é ratificada, além de vários cheques que teriam sido por ela emitidos e que terminaram por ser vinculados ao autuado, em face do depoimento de vários contribuintes que estavam indicados como beneficiários dos tais cheques e que foram intimados no decorrer da fiscalização, sendo assim os indícios fortes neste sentido, servindo os mesmos à livre convicção da autoridade julgadora; e) que em havendo informações contidas nos autos e ante a ausência de provas hábeis apresentadas para contradizêlas, a autoridade julgadora entendeu consistente o auto de infração; f) que não houve cerceamento de defesa, pois teve o contribuinte, no prazo de impugnação, a possibilidade de apresentar as razões de sua discordância e documentação hábil para comprovar o seu direito; g) que a multa ser aplicada no caso dos autos é a qualificada (150%), pois houve ação dolosa por parte do autuado. Recurso Voluntário Intimado em 17/04/2012, (Fl. 543), insatisfeito com a decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 546577, em 16/05/2012, narrando situação fática (e correspondentes argumentos de defesa) diversa daquela constatada no presente processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt Decadência Destacase que a questão da decadência será analisada, unicamente, pela obrigação dessa Corte no controle de legalidade dos atos administrativos, já que ao analisar os fatos descritos no ponto tocante ao mérito da peça recursal apresentada pelo recorrente, verificouse que não condizem com os narrados no auto de infração e com os descritos no relatório do Acórdão da DRJ. Isto é, o recorrente tratou de fatos diversos aos tratados no lançamento e aos julgados na 1ª instância, o que será demonstrado em ponto específico. Sustenta o recorrente a ocorrência da decadência do crédito tributário, uma vez que, de acordo com o seu entendimento, o IR deve ser apurado mensalmente, com base na Lei 7.713/88 (método das bases correntes). Quanto à apuração mensal do IRPF, teço algumas considerações. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 16707.006988/200940 Acórdão n.º 2202002.689 S2C2T2 Fl. 16 6 Em que pese a determinação do artigo 2˚ da Lei 7.713/88 quanto à apuração do IR no sistema de bases correntes (apuração mensal do imposto devido), não podemos deixar de dar a devida atenção à Lei 8.134/90, que, também no seu art. 2˚, deixa clara a necessidade de ajuste anual, situação na qual o saldo de imposto a pagar ou a restituir será verificado. Sendo assim, a regra é de que o imposto é apurado anualmente, mesmo que haja a antecipação mensal, porquanto as antecipações realizadas durante o ano (mês a mês) não são definitivas, a não ser nos casos expressamente previstos em lei que não se sujeitam ao ajuste anual, como, por exemplo, o ganho de capital na alienação de bens e direitos. Ainda, para que não pairem dúvidas, ao analisar o RIR/99, referente às pessoas físicas, conferese que o artigo 88, que cuida do imposto a pagar, situase no Capítulo I, intitulado “Apuração Anual do Imposto”. Portanto é inquestionável que o aspecto temporal do Imposto de Renda das Pessoas Físicas se verifica em 31 de dezembro do anocalendário, devendo ser ajustado até 30 de abril do ano subsequente, verificando o imposto e os proventos efetivamente devidos, compensandose o montante já adiantado (carnêleão ou retenções), apurandose, então o saldo a restituir ou a pagar. Nesse sentido, já decidiu esse E. Conselho: ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTODE RENDA CONSUMADO EM 31/12 DO ANO CALENDÁRIO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 42, §4°, DA LEI 9430/96.Sendo certo que o aspecto temporal do IRPF é anual, afigurase equivocada a interpretação conferida pelo Recorrente ao art. 42, §4°, da Lei n.° 9.430/96. O disposto pelo artigo citado, ao contrário, apenas corrobora o sistema de apuração do IRPF existente desde a edição da Lei n.° 7.713/88, de bases correntes, impondo o dever de anteciparse o recolhimento do imposto em conformidade com a percepção dos rendimentos ao longo do anocalendário. Nesse sentido, é preciso lembrar que os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando,então, apurase o imposto devido, a partir do confronto entre os fatosacréscimos e os fatosdecréscimos. O fato, portanto, de a legislação determinar a sujeição dos depósitos à tabela progressiva, portanto, poderia no máximo ensejar uma eventual autuação do contribuinte para cobrança de multa isolada, nas hipóteses em que inexistissem tributos devidos ao final do anocalendário. (CARF 19515.001109/200777, ACO 210100.416) Dito isso, cumpre analisar se de fato houve a decadência do direito do fisco em lançar o crédito tributário. De antemão, antecipo meu entendimento no sentido de não acolher a alegação recursal, já que, como muito bem exposto pela DRJ no trecho que segue, não houve a extinção do crédito lançado por meio da decadência, por não ter transcorrido os 5 anos do fato gerador (art. 150, § 4º CTN). Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 16707.006988/200940 Acórdão n.º 2202002.689 S2C2T2 Fl. 17 7 Vejase: “No caso concreto, tendo em vista que o objeto da autuação é o anocalendário de 2004, o prazo decadencial, de acordo com o art. 150, § 4º, do CTN, somente alcançaria lançamentos constituídos após 31 de dezembro de 2009. Como a ciência do Auto de Infração em questão deuse em 24 de dezembro de 2009, conforme se verifica por meio do AR de fls. 158, o lançamento impugnado não se encontra alcançado pela decadência. Dessa forma, mostrase desnecessária a análise da aplicação ao caso do art.173, I, do CTN, que prevê regra de contagem a ser empregada quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e cujo prazo para constituição do crédito tributário é ainda mais dilatado. Assim, deve ser afastada a preliminar de decadência arguida pelo impugnante.” (fl. 201). Isso posto, sem maiores digressões quanto à discussão que permeia a decadência, afasto a preliminar suscitada. Omissão de Rendimento Decorrente de Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada – Fatos estranhos ao Auto de Infração/Decisão da DRJ O recorrente apresentou tempestivamente recurso voluntário às fls. 546/577, referindo corretamente o número do processo administrativo e do Acórdão da DRJ que trata do lançamento em questão. No entanto, ao se defender do mérito, recorreu de fatos/fundamentos diversos daqueles narrados no auto de infração e, consequentemente, dos analisados pela DRJ. Como já referido no “Relatório”, foi lavrado contra o recorrente auto de infração em decorrência de omissão de rendimentos, relativamente ao exercício de 2005 (ano calendário 2004) decorrentes de depósitos bancários sem origem comprovada, junto aos bancos Sudameris e Rural, com uso de interposta pessoa/“laranja” (Sra. Iraci), conforme trecho que segue (fls. 6 e 10/12): “No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 04.2.01.002008006020, datado de 06 de junho de 2008, e na forma dos artigos 835, 844, 904, 907, 927 e 928 do Decreto 3000 de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR), analisei as informações contidas nos Sistemas Informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e verifiquei que o contribuinte acima identificado apresentou a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física no anocalendário 2004 exercício 2005, com as seguintes informações: (...) Portanto, as informações prestadas pela contribuinte Iraci Batista da Silva, corroboradas com as declarações e informações prestadas pelos beneficiários dos cheques Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 16707.006988/200940 Acórdão n.º 2202002.689 S2C2T2 Fl. 18 8 supostamente emitidos por ela, atestam que o contribuinte Fritz Emerson Torquato Fontes, C.P.F.096.214.40459 6 o titular de fato da conta Banco Sudameris do Brasil S/A CNPJ: 60.942.638/000173 Conta corrente 24356642005 Agência 0265, renumerada em 22.10.2004 para Conta corrente 82435601 Agência 1543. Em decorrência dessa comprovação, os recursos financeiros movimentados em nome da Sra. Iraci Batista da Silva C.P.F. 626.816.99487, devem ser tributados em nome do contribuinte Sr. Fritz Emerson Torquato Fontes C.P.F. 096.214.40459, consoante previsto no parágrafo 5° do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Em razão dessa constatação e em observância ao previsto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, em 04/12/2009 o contribuinte Fritz Emerson Torquato Fontes foi intimado às fls. 143/156 para apresentar a comprovação da origem dos depósitos bancários realizados junto ao Banco Sudameris do Brasil S/A CNPJ: 60.942.638/000173 – Conta corrente 24356642005 Agência 0265, renumerada em 22.10.2004 para Conta corrente 82435601 Agência 1543. Foi também intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários que deram origem a movimentação financeira no Banco Rural S/A – Conta corrente 880007111 Agência 048 e no banco Sudameris S/A Conta corrente 2434842001 Agência 0265, renumerada para Conta corrente 6243480 Agência 1543 Destacamos que nas planilhas anexas ao citado Termo de Intimação, encontramse individualizados cada um dos créditos que o contribuinte foi intimado a comprovar. Para a elaboração dessa planilha, foram excluídos do total dos créditos constatados nas contas correntes aqueles com origem comprovada, tais como, empréstimos contraídos, resgates de aplicações financeiras, valores estornados e cheques devolvidos.” (grifamos) No acórdão recorrido, a DRJ assim consignou (fls. 197/208): “De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais de fls. 04/11, que é parte integrante do auto de infração em apreço, foi apurada pela fiscalização a seguinte infração: 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 16707.006988/200940 Acórdão n.º 2202002.689 S2C2T2 Fl. 19 9 Informou a fiscalização que o autuado, apesar de ter declarado, em relação ao anocalendário de 2004, rendimentos tributáveis no valor de R$ 36.450,00, movimentou junto a instituições financeiras o montante de R$ 1.349.363,71 (sendo R$ 1.042.512,13 através do Banco Rural e R$ 306.851,58 por meio do Banco Sudameris). Aponta também a fiscalização a utilização por parte do contribuinte de interposta pessoa. Tal acusação fundamentase, principalmente, em Laudo de Exame Documentoscópico emitido pelo Departamento de Policia Federal, anexado is fls. 137/140, e em Termo de Declaração da Sra. Iraci Batista da Silva, is fls. 141/142, que, entre outras informações, atestou ser empregada do contribuinte em questão, residente em fazenda de propriedade deste e nunca ter possuído conta bancária. Segundo a autoridade autuante, utilizandose de dados pessoais da Sra. Iraci, o impugnante teria aberto conta bancária e movimentado, durante o anocalendário objeto de fiscalização, a quantia de R$ 880.820,15. Foram ainda expedidas diversas intimações a contribuintes que se encontravam nominalmente indicados em cheques supostamente emitidos pela Sra. Iraci, tendo vários destes afiançado que não conheciam a referida e que os mencionados cheques foram emitidos em função de transações de empréstimos financeiros firmadas com o autuado. Também foi levantada, em relação ao anocalendário em questão, toda a movimentação financeira do contribuinte e da Sra. Iraci, junto aos bancos Rural e Sudameris (anexos I e II).” (grifamos) Vejase, no entanto, que o recorrente, ao apresentar seu recurso voluntário, discorreu sobre fatos e fundamentos diversos daqueles lançados em auto de infração e na decisão recorrida, referindose a (i) a outro anocalendário (qual seja, o ano de “2003”, diversamente do caso em julgamento que trata de imposto relativo ao anocalendário de “2004”), (ii) outra interposta pessoa (qual seja, o “Sr. Silvio Celestino de Oliveira”, ao invés da “Sra. Iraci Batista da Silva”, referida nos presentes autos) e (iii) conta bancária de outra instituição financeira (qual seja, “BNC”, ao invés de “Sudameris” e “Banco Rural”, objeto do processo em análise). Vejamos os seguintes trechos do recurso voluntário: “O processo em epígrafe consubstancia o lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, tomando por referência o anocalendário de 2003, em razão da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, conforme Descrição dos Fatos e enquadramento Legal do auto de infração.” (fl. 547; grifamos); “O lançamento albergado no presente ofício tem a sua gênese no confronto dos depósitos realizados nas contas bancárias do Sr. Silvio Celestino de Oliveira – CPF nº 425.573.38491, que o ilustre autuante elegeu como sendo interposta pessoa do impugnante. Com isso, atribui ao impugnante a titularidade dos Fl. 596DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 16707.006988/200940 Acórdão n.º 2202002.689 S2C2T2 Fl. 20 10 depósitos efetuados na contacorrente do BNC como sendo de titularidade do impugnante”. (fl. 555; grifamos). Diante disso, e, uma vez que o recurso voluntário é o meio através do qual o recorrente devolve a este Conselho a matéria decidida pela DRJ, deve, portanto, “impugnar” tal decisão, demonstrando sua irresignação, o que não foi feito no caso concreto, pois não foram atacados os fatos e os fundamentos da decisão recorrida. Em sendo assim, e considerando o artigo 17 do PAF que prevê: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”, deixo de conhecer o recurso voluntário interposto pelo recorrente. É nesse sentido o entendimento deste Conselho: Processo nº 13771.000968/200731 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.854 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente VANDA LIRIO BUSSOLOTTI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 RECURSO. OBJETO. MATÉRIAS PASSÍVEIS DE DISCUSSÃO. O recurso deve contraporse aos fundamentos da decisão recorrida, razão pela qual não se conhece deste que trata de matérias diversas das abordadas no acórdão da autoridade julgadora de primeira instância. Recurso Não Conhecido.(Cons. Relatora Alice Grecchi) Processo nº 10935.002622/200921 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.472–1ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2014 Matéria: IRPF Recorrente: ANTONIO CARLOS MARQUES RIBEIRO Recorrida: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 Fl. 597DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 16707.006988/200940 Acórdão n.º 2202002.689 S2C2T2 Fl. 21 11 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDÊNTICO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não Conhecido. (Cons. Relator Marcelo Vasconcelos de Almeida) Neste contexto, não conheço do recurso. Caso assim não se entenda, voto pelo NÃO PROVIMENTO do recurso voluntário pelos mesmos motivos em que deixo de conhecêlo, qual seja a impertinência quanto ao objeto. (assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Voto Vencedor Permitome discordar do Ilustre Relator, Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, apenas no que toca ao não conhecimento do recurso voluntário, vez que foram analisados os argumentos apresentados pelo recorrente. Entretanto tais argumentos, realmente são insuficientes para ilidirem o feito. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Redatora Designada. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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