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Numero do processo: 19515.722717/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
AUTOS DE INFRAÇÃO DECORRENTES DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da pretensa inobservância de obrigação acessória, cujas constatações foram apuradas em Autuação Fiscal pertinente ao descumprimento de obrigação principal, declarada improcedente, quanto aos fatos geradores vinculados a este processo, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente, nos estreitos limites do decisum.
Ao trazer o resultado do comando proferido nos lançamentos das obrigações principais aos das obrigações acessórias consubstanciadas no presente processo, o crédito tributário aqui se mantém, tendo em vista que as respectivas multas dos DEBCADs 51.000.298-6 (CFL 78) e 51.019.750-7 (CFL 34) já foram aplicadas nos quantitativos mínimos.
É de se observar, nessa toada, que no DEBCAD n° 51.000.298-6 (CFL 78) a multa aplicada foi de R$ 500,00 (quinhentos reais), em quantitativo mínimo por competência, conforme art. 32-A, caput, inciso I e §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212/91, respeitado o disposto no art. 106, II, c, do CTN. A mesma situação se verificou no DEBCAD n° 51.019.750-7 (CFL 34), tendo em vista que a multa aplicada já levou em consideração o patamar mínimo de R$ 17.173,58, conforme o inciso V do artigo 8° da Portaria MF/MPS n° 15, de 10 de janeiro de 2013 (DOU de 11/01/2013).
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO II, LEI Nº 8.212/91. NÃO CONFIGURAÇÃO.
O mero equívoco, somente constatado a partir da ação fiscal, no registro dos fatos geradores na contabilidade da contribuinte, em contas distintas, não tem o condão de ensejar o descumprimento da obrigação acessória sob análise, de maneira a caracterizar a infração à norma prevista no artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, não havendo, portanto, a subsunção do fato à norma, passível de justificar a imputação da penalidade ora aplicada, impondo seja decretada a sua improcedência.
DECADÊNCIA PARCIAL. INAPLICABILIDADE.
Não há que se falar em decadência quando o período supostamente decaído não foi objeto da acusação fiscal.
AUTO DE INFRAÇÃO. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.
A lavratura de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória não impede a lavratura de outros, em uma mesma ação fiscal, quando se constata que possuem períodos diversos e estão fundados em infrações de naturezas distintas, não configurando bis in idem.
GFIP. OBRIGATORIEDADE.
A mera discordância com a exigência de contribuições previdenciárias não é motivo suficiente para afastar a obrigação de declarar valores em GFIP, mormente quando os fatos integram a hipótese de incidência.
Numero da decisão: 2401-005.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. AUTOS DE INFRAÇÃO DECORRENTES DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. 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É de se observar, nessa toada, que no DEBCAD n° 51.000.2986 (CFL 78) a multa aplicada foi de R$ 500,00 (quinhentos reais), em quantitativo mínimo por competência, conforme art. 32A, “caput”, inciso I e §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212/91, respeitado o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN. A mesma situação se verificou no DEBCAD n° 51.019.7507 (CFL 34), tendo em vista que a multa aplicada já levou em consideração o patamar mínimo de R$ 17.173,58, conforme o inciso V do artigo 8° da Portaria MF/MPS n° 15, de 10 de janeiro de 2013 (DOU de 11/01/2013). AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO II, LEI Nº 8.212/91. NÃO CONFIGURAÇÃO. O mero equívoco, somente constatado a partir da ação fiscal, no registro dos fatos geradores na contabilidade da contribuinte, em contas distintas, não tem o condão de ensejar o descumprimento da obrigação acessória sob análise, de maneira a caracterizar a infração à norma prevista no artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, não havendo, portanto, a subsunção do fato à norma, passível de justificar a imputação da penalidade ora aplicada, impondo seja decretada a sua improcedência. DECADÊNCIA PARCIAL. INAPLICABILIDADE. Não há que se falar em decadência quando o período supostamente decaído não foi objeto da acusação fiscal. AUTO DE INFRAÇÃO. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. A lavratura de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória não impede a lavratura de outros, em uma mesma ação fiscal, quando se constata que possuem períodos diversos e estão fundados em infrações de naturezas distintas, não configurando bis in idem. GFIP. OBRIGATORIEDADE. A mera discordância com a exigência de contribuições previdenciárias não é motivo suficiente para afastar a obrigação de declarar valores em GFIP, mormente quando os fatos integram a hipótese de incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Fl. 366DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 367 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar o relatório já elaborado em ocasião anterior, pela 4ª Turma da DRJ/CGE e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 324/326): LANÇAMENTO: Tratamse de Autos de Infração lavrados pela AuditoraFiscal Lauren Sue Onishi Mizusaki, identificados pelos seguintes DEBCAD’s: DEBCAD nº 51.000.2986: descumprimento de obrigação acessória, código de fundamentação legal 78; DEBCAD nº 51.019.7507: descumprimento de obrigação acessória, código de fundamentação legal 34. Conforme Relatório Fiscal que integra o auto de infração (fls. 237), os fundamentos da autuação são: “ DEBCAD nº 51.000.2986: Da análise conjunta entre os valores declarados na GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) do mês de novembro/2008 e os lançamentos contábeis/notas fiscais, constatouse que o contribuinte cometeu a seguinte infração: deixou de declarar em GFIP a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, declarou na GFIP apenas parte das informações. O contribuinte não declarou em GFIP o valor de R$ 4.213.301,20 (quatro milhões e duzentos e treze mil e trezentos e um reais e vinte centavos) referente à comercialização da sua produção rural. Portanto, essa omissão verificada na empresa, caracteriza infração ao artigo 32, inciso IV da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Este artigo recebeu nova redação através da MP n° 449, de 03/12/2008, publicado no Diário Oficial da União DOU em 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009 de 27/05/2009, publicado no DOU de 28/05/2009. DEBCAD nº 51.019.7507: Constatamos que a empresa não contabilizou, em títulos próprios, a receita de prestação de serviço de confinamento Fl. 367DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 368 4 (modalidade Boitel). Estes pagamentos foram identificados na conta contábil "3.1.01.07.000000001 VENDA DE MATERIAIS", quando o correto seria ter contabilizado em conta de receita decorrente de sua atividade. Pois "Boitel" é um sistema de confinamento de bovino, no qual o produtor deixa seu gado aos cuidados de outrem para que este o engorde de modo eficiente, no menor tempo possível. E, para tanto, este cobrará do produtor diárias de permanência desse gado em suas dependências, conforme a idade e sexo do bovino. Estas diárias, pela sua essência, possuem natureza de receita decorrente da sua atividade rural. Diante disso, verificamos que o contribuinte cometeu a seguinte Infração: deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme determina a legislação. Dispositivo legal Infringido: artigo 32, Inciso II da Lei n° 8.212, de 24/07/91, combinado com o artigo 225, inciso II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99”. IMPUGNAÇÃO: A autuada apresentou a impugnação de fls. 295, que contém, em síntese, as seguintes razões de defesa: “ Julgamento Conjunto de Processos Interrelacionados: Nada obstante a descrição da infração ou seu relatório não sejam claros neste ponto, a suposta omissão ou incorreção que ensejou a aplicação da multa, se refere a verbas que a Impugnante não entende devidas e que são objeto de discussão no processo administrativo 19515.722716/2012 31 (DEBCADs 37.312.2063 contribuição previdenciária, 37.312.2071 contribuição ao SENAR e 37.291.9936 multa por descumprimento de obrigação acessória). Logo, imprescindível o julgamento em conjunto com aquele processo, pois o êxito lá obtido convalidará a entrega das retrocitadas GFIPs, exatamente nos moldes em que foram entregues. Cerceamento de defesa: Primeiramente, o auto de infração é nulo por cercear o direito de defesa da impugnante, na medida em que a fiscalização apresentou relatório com informações confusas e contraditórias. Ainda, em nenhum momento a fiscalização mencionou quais foram exatamente os campos em que foram supostamente procedidas as alegadas omissões, causando à impugnante Fl. 368DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 369 5 cerceamento e infringido princípios assegurados pela Constituição Federal, insculpidos no art. 5 °, inciso LV. Ora, um dos meios inerentes à ampla defesa não é outro senão o acesso à fiscalização, bem como a demonstração, clara e induvidosa dos motivos que levaram à lavratura do auto, possibilitando o confronto das informações lá contidas com os documentos da empresa, o que no caso não foi possibilitado. Nulidade. Inexistência de fundamentação para a autuação: Os autos de infração em tela foram lavrados com base nos elementos contidos no processo nº 19515.722716/201231, que trata da cobrança de contribuições previdenciárias e descumprimento de obrigação acessória. Ora mostrase inequívoca a nulidade da autuação na medida em que somente com a confirmação de que as referidas verbas são devidas é que seria cabível a retificação dos documentos fiscais, para a inclusão de tais rubricas. Como poderia a impugnante declarar valores que entende indevidos? Portanto incabível a aplicação de penalidade. Da Decadência Parcial: No caso em tela, o valor relativo ao período de apuração Janeiro/2008 encontrase alcançado pela decadência, a teor do disposto no art. 150, §4° c/c art. 156, V, ambos do CTN. Isto porque o lançamento ora combatido somente foi efetivado em 30/01/2013, isto é, após o encerramento do prazo decadencial de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário. Tendo em vista que as contribuições sociais estão sujeitas ao lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável é o disposto no artigo 150, § 4o do Código Tributário Nacional. Da Ofensa ao Princípio do "Non Bis In Idem": A infração também é insubsistente, vez que a multa relativa a infração em questão também está lançada nos autos do processo 19515.722716/201231, sendo que a multa exigida no presente lançamento configura latente ofensa ao princípio do "non bis in idem". Com efeito, as informações prestadas/declaradas em GFIP à época dos fatos refletem o que a Impugnante entende devido, ou seja, se a Impugnante entende ser indevida a exigência da Contribuição Previdenciária, obviamente não poderia declarar em GFIP tais valores. DOS PEDIDOS: Fl. 369DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 370 6 Por todo o exposto, requer que seja conhecida a presente Impugnação para julgar cancelada a autuação, seja em razão das diversas causas de nulidade apontadas, ou ainda, pelas razões de mérito. Outrossim, requer que, durante todo o curso do presente feito, todas as publicações e intimações sejam realizadas em nome de FABIO AUGUSTO CHILO, OAB/SP 221.616“. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0434.382 (fls. 322/330), de 05/12/2013, cujo dispositivo considerou improcedente a Impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Estando presentes todos os requisitos essenciais do auto de infração e inexistindo cerceamento de defesa, não há que se falar em sua nulidade. Questões de mérito não determinam a nulidade do lançamento, mas sim sua procedência ou improcedência. DA DISCUSSÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às situações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir constitucionalidade de atos legais. APRESENTAÇÃO DE GFIP INCORRETA Constitui infração punível com penalidade pecuniária a empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (i) Sobrestamento do julgamento do processo. (i.i) A impugnante solicita que a análise deste processo deva ser sobrestada, até que seja proferida decisão final a respeito do seu questionamento no processo administrativo 19515.722716/201231. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 371 7 (i.ii) Por força do art. 151, III, do CTN, a impugnação apresentada tem como efeito a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o que está sendo observado no presente processo, mas em nenhuma hipótese implica na suspensão da tramitação regular do processo administrativo fiscal, em especial do julgamento decorrente da instauração do contencioso. (i.iii) Além disto, ambos os processos foram distribuídos para a Quarta Turma desta Delegacia da Receita Federal de Julgamento, estando os mesmos designados para relatoria por este julgador, o que garantirá o julgamento conjunto destes. (ii) Cerceamento do direito de defesa. Nulidade. (ii.i) Analisando os autos de infração lavrados constatase que estes contém todos os requisitos formais e de conteúdo previstos no ato normativo, não observandose qualquer hipótese de nulidade. Está muito claro quais foram as omissões de informações realizadas pela empresa, pelo que rejeitase a argüição de nulidade do lançamento. (iii) Inexistência de fundamentação para a autuação. (iii.i) Conforme consta do Relatório Fiscal do Auto de Infração, tratase de exigência de multa formal em razão da entrega de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs, com informações omissas e de erro na contabilização de conta de receita da atividade. (iii.ii) Alega a impugnante que a suposta omissão ou incorreção que ensejou a aplicação da multa, se refere a verbas que a Impugnante não entende devidas e que são objeto de discussão administrativa. (iii.iii) Ao deixar de informar, por intermédio da GFIP, dados correspondentes a parte dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, a autuada infringiu o art. 32, inciso IV, e § 5º, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. (iii.iv) No caso em comento tratase de impugnação de lançamento de penalidade por descumprimento de obrigação acessória pela empresa, que, em síntese, apresentou GFIP com omissões ou incorreções de informações relacionadas aos fatos geradores da contribuição previdenciária. (iii.v) Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o julgamento do processo que trata da impugnação desse tipo de penalidade deve guardar coerência com o julgamento dos processos que tratem da impugnação à exigência da obrigação principal. (iii.vi) Em resumo, se não for mantida a exigência da contribuição, em geral não será mantida a exigência de multa que decorra dos mesmos fatos imponíveis. A exigência da obrigação principal que deu origem à aplicação da penalidade acessória está vinculada ao processo administrativo nº 19515.722716/201231 onde, conforme julgamento ocorrido em 28 de novembro de 2013, foram mantidas todas as exigências, portanto, por coerência, também deve ser mantida a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. (iv) Decadência parcial. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 372 8 (iv.i) Alega a impugnante que o valor relativo ao período de apuração Janeiro/2008 encontrase alcançado pela decadência, a teor do disposto no art. 150, §4° c/c art. 156, V, ambos do CTN. Isto porque o lançamento ora combatido somente foi efetivado em 30/01/2013 e, segundo o seu entendimento, teria ocorrido após o encerramento do prazo decadencial de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário. (iv.ii) Analisando os autos de infração lavrados verificase que em nenhum deles há lançamento de débito ou de penalidade para o período de janeiro de 2008. Desta forma, portanto, não há que se falar em decadência. (v) Lançamento em duplicidade. (v.i) Alega a impugnante que nos autos do processo nº 19515.722716/2012 31 também está lançada multa relativa a infração por descumprimento de obrigação acessória, sendo que a multa exigida no presente lançamento configura latente ofensa ao princípio do "non bis in idem". (v.ii) Neste processo consta o lançamento de penalidade, por meio do Debcad nº 51.000.2986, com fundamento no artigo 32A, “caput”, inciso I, e parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.212/1991; bem como por meio do Debcad nº 51.019.7507, com fundamento nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212/1991. (v.iii) Analisando o processo nº 19515.722716/201231 constatase o lançamento de penalidade, por meio do Debcad nº 37.389.9041, com fundamento no artigo 32, parágrafo 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997, e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social. (v.iv) Como podese observar os fundamentos para a aplicação das penalidades acessórias do presente processo são distintos dos fundamentos indicados nos lançamentos constantes do processo nº 19515.722716/201231, não havendo, portanto, que se falar em duplicidade de lançamento. (vi) Comunicação processual. (vi.i) A disciplina de todo processo administrativo fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal, inclusive sobre comunicação processual, é disciplinada no Decreto nº 70.235/72. (vi.ii) Em regra as comunicações processuais são feitas por via postal e, constatase, não há disposição legal que autorize o envio ao endereço do representante outorgado, cuja ciência gera efeitos quanto à possibilidade de pagamento com redução da multa, ao prazo para recurso, ao trânsito em julgado para fins de cobrança amigável e inscrição na Dívida Ativa. (vi.iii) Assim, haja vista a existência de prazos peremptórios cujo descumprimento poderia causar prejuízos à contribuinte, é de rigor legal que se mantenha a intimação deste Acórdão, se por via postal, ao seu endereço cadastrado na Receita Federal para estes fins, nada obstando que a comunicação pessoal, se adotada, se faça aos seus representantes devidamente identificados e expressamente habilitados para tanto. (vii) Conclusão. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 373 9 (vii.i) Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, voto por indeferir o pedido de sobrestamento do presente processo, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, julgar a impugnação improcedente, mantendo os créditos lançados. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 342/352), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: (1) Questão prejudicial. Julgamento dos autos de infração concernentes à contribuição previdenciária (DEBCAD 37.312.2063) e SENAR (DEBCAD 37.312.2071). (1.1) Conforme consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração, tratase de exigência de multa formal em razão da entrega de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIPs, com informações omissas ou incorretas. (1.2) Assim, nada obstante a descrição da infração ou seu relatório não sejam claros neste ponto, a suposta omissão ou incorreção que ensejou a aplicação da multa, se refere a verbas que a Impugnante não entende devidas e que são objeto de discussão no processo administrativo 19515.722716/201231 (DEBCADs 37.312.2063 – contribuição previdenciária, 37.312.2071 – contribuição ao SENAAR e 37.291.9936 – multa por descumprimento de obrigação acessória). (1.3) Logo, imprescindível o julgamento em conjunto com aquele processo, pois o êxito lá obtido convalidará a entrega das retrocitadas GFIPs, exatamente nos moldes em que foram entregues. Importante destacar que em sede de Recurso Voluntário, o processo n° 19515.722716/201231 foi parcialmente mantido. (2) Do cerceamento de defesa. (2.1) Primeiramente, o auto de infração é nulo por cercear o direito de defesa da impugnante, na medida em que a fiscalização apresentou relatório com informações confusas e contraditórias. Ainda, em nenhum momento a fiscalização mencionou quais foram exatamente os campos em que foram supostamente procedidas as alegadas omissões, causando à impugnante cerceamento e infringindo princípios assegurados pela Constituição Federal, insculpidos no art. 5°, inciso LV. (3) Da nulidade. Inexistência de fundamentação para a autuação. (3.1) O Auto de Infração em tela foi lavrado com base no processo administrativo relativo aos DEBCAD’s 37.312.2063, 37.312.2071 e 37.291.9936, nos quais é exigido da impugnante o recolhimento da contribuição previdenciária, SENAR e multa por descumprimento de obrigação acessória. Entendeu a fiscalização que tais verbas deveriam ter integrado a GFIP entregue no período de janeiro a novembro de 2008. (3.2) Ora, mostrase inequívoca a nulidade da autuação na medida em que somente com a confirmação de que as referidas verbas são devidas é que seria cabível a retificação dos documentos fiscais daquele período. Como poderia a impugnante “declarar” valores que entende indevido? Portanto, não há que se falar em subsunção do fato à norma penal, ou seja, inexistindo a obrigatoriedade de a impugnante declarar tais contribuições, mostrase impossível atribuir à esta a presente infração. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 374 10 (4) Da estrita aplicação do manual da GFIP. (4.1) Quanto ao mérito, a presente autuação não merece prosperar, tendo em vista a não informação dos mencionados dados na GFIP. Conforme constante do próprio manual da GFIP encontrado no endereço eletrônico do Ministério da Previdência Social, “A GFIP/SICAP tem natureza de confissão de dívida”. Portanto, ao prestar as informações “o empregador/contribuinte manifesta a sua concordância com a legitimidade das obrigações declaradas”. (4.2) Ora, se a impugnante entende que as contribuições mencionadas são inconstitucionais, conforme demonstrado no processo administrativo conexo (19515.722716/201231, relativo aos DEBCADs 37.312.2063, 37.312.2071 e 37.291.9936), logo não poderia concordar com a dívida, nem prestar, sob hipótese alguma, informações que possam manifestar sua concordância com a legitimidade das referidas contribuições. (4.3) A exigência da obrigação principal que originou os presentes autos está sendo discutida nos autos do processo administrativo n° 19515.722716/201231, que foi parcialmente mantida, conforme julgamento do dia 09/09/2014. Desta forma, como não foram mantidas todas as exigências no processo n° 19515.722716/201231, por coerência, também não deve ser mantido o presente processo na integralidade. (4.4) A mera discordância da recorrente com a exigência de tais contribuições, demonstrada com a apresentação de impugnação contra o crédito tributário, por si, justifica sua não declaração em GFIP, sobretudo por representar confissão de dívida. (5) Da decadência parcial. (5.1) O valor relativo ao período de apuração janeiro/2008, encontrase alcançado pela decadência, a teor do disposto no art. 150, § 4° c/c art. 156, V, ambos do CTN. Isto porque, o lançamento ora combatido somente foi efetivado em 30/01/2013, ou seja, após o encerramento do prazo decadencial de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário. (6) Da ofensa ao princípio do “non bis in idem”. (6.1) A infração também é insubsistente, vez que na obrigação principal questionada no processo n° 19515.722716/201231, também está lançada a multa relativa a infração em questão, sendo que a multa exigida no presente lançamento configura latente ofensa ao princípio do “non bis in idem”. (7) Do pedido. (7.1) Requer seja o Recurso Voluntário provido para determinar: (7.1.1) O sobrestamento do feito até o julgamento final dos autos de infração concernentes à contribuição previdenciária (DEBCAD 37.312.2063) e SENAR (DEBCAD 37.312.2071) – processo 19515.722716/201231. (7.1.2) O reconhecimento de nulidade por insegurança na determinação da infração e cerceamento de defesa. (7.1.3) Seja reconhecida a decadência relativa ao mês de janeiro de 2008. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 375 11 (7.1.4) Caso o entendimento seja diverso, seja julgada improcedente a autuação em razão da aplicação estrita do manual da GFIP. (7.2) Requer que as publicações e intimações sejam realizadas em nome de Fábio Augusto Chilo, OAB/SP 221.616, com escritório profissional situado à Avenida Marginal Direita do Tietê, 500, Vila Jaguara, São Paulo/SP, CEP 05118100, especialmente para se fazer presente no julgamento e realizar sustentação oral. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Fl. 375DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 376 12 Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 3. Mérito. A recorrente pontua que as multas por descumprimento de obrigações acessórias que fazem parte do presente processo administrativo, referemse a verbas que entende não serem devidas e que são objeto de discussão no Processo n° 19515.722716/2012 31 (DEBCADs 37.312.2063 – Contribuição Previdenciária; 37.312.2071 – Contribuição ao SENAR e 37.291.9936 – Multa por descumprimento de obrigação acessória). Nesse sentido, entende que tais processos devam ser julgados em conjunto, de modo que o êxito lá obtido irá convalidar a entregas das GFIPs, nos moldes em que foram entregues. E, ainda, pontua que no processo que se discute a obrigação principal foi dado parcial provimento ao recurso voluntário. Compulsando os autos, notadamente os Relatórios Fiscais de fls. 237/241 e 256/267, verifico que, de fato, os lançamentos tributários possuem origem no mesmo RPF/MPF de n° 08.1.90.002011014481 e possuem relação de conexão, nos termos do art. 6°, § 1°, I, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015. RPF/MPF PROCESSO DEBCAD COMPETÊNCIA DESCRIÇÃO RPF/MPF de n° 08.1.90.00 2011 014481 19515722717/2012 86 51.000.298 6 (AIOA CFL 78) 11/2008 O contribuinte não declarou em GFIP o valor de R$ 4.213.301,20 referente à comercialização da sua produção rural (11/2008). Dispositivo legal infringido: artigo 32, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 24/07/91 na redação da Lei n° 11.941/2009. Fundamentação legal: Lei n°8.212, de 24/07/91, art. 32A, “caput”, inciso I e §§ 2° e 3°, incluídos pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei n° 5.172, de 25/10/1996 – CTN, correspondendo a R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez infrações incorretas ou omitidas, observada a multa mínima de R$ 500,00 (quinhentos reais) por competência. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 377 13 51.019.750 7 (AIOA CFL 34) 07/2008 a 12/2008 A empresa não contabilizou, em títulos próprios, a receita de prestação de serviço de confinamento (modalidade Boitel). Estes pagamentos foram identificados na conta contábil “3.1.01.07.000000001 – VENDA DE MATERIAIS”, quando o correto seria ter contabilizado em conta de receita decorrente de sua atividade. Dispositivo legal infringido: artigo 32, inciso II da Lei n° 8.212, de 24/07/91, combinado com o artigo 225, inciso II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99. Fundamentação legal: Lei n° 8.212, de 24/07/91, artigos 82 e 102 e Regulamento da Previdência Social – RPS – aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99, artigo 283, inciso II, alínea “a” e artigo 373. 37.312.206 3 (AIOP) 07/2008 a 12/2008 Contribuição a cargo da empresa. 37.312.207 1 (AIOP) 07/2008 a 12/2008 Contribuição Destinada a Outras Entidades e Fundos (SENAR). 19515.722716/2012 31 37.291.993 6 (AIOA – CFL 68) 07/2008 a 10/2008 O contribuinte deixou de declarar em GFIP o valor da receita bruta da comercialização da produção rural, totalizando R$ 694.805,80 (seiscentos e noventa e quatro mil e oitocentos e cinco reais e oitenta centavos) de contribuição devida e não declarada. O quadro a seguir discrimina esta receita não declarada. Dispositivo legal infringido: art. 32, inciso IV, § 3° e 5° da Lei n° 8.212/91. Fundamentação legal: Lei nº 8.212, de 24/07/91, art. 32, §5º, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/99, art. 284, inciso II (com a redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 09/06/03) e art. 373. Dessa forma, entendo que a sorte dos DEBCADs de obrigações acessórias, que integram o presente Processo n° 19515722717/201286, por congruência lógica, deve Fl. 377DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 378 14 seguir o que restara decidido no Processo n° 19515.722716/201231 a respeito das correlatas obrigações principais. Partindo dessa premissa, cabe pontuar que em sessão do dia 09 de setembro de 2014, sobreveio o Acórdão n° 2302003.351, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento que, deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 EMPREGADOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 8.870/94. A contribuição do empregador rural pessoa Jurídica que se dedique à produção rural, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,5 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.770/94, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa, tampouco em nulidade, o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a motivação da autuação, bem como a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados, favorecendo o contraditório e a ampla defesa. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RURAIS A TERCEIROS. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Quando o produtor rural pessoa jurídica prestar serviços a terceiros, em condições que não caracterize atividade econômica autônoma, contribuirá sobre a remuneração dos segurados envolvidos na prestação de serviços a terceiros com as mesmas alíquotas e condições estabelecidas para as empresas em geral, enquadrandose no código FPAS de acordo com o serviço prestado. ATIVIDADE ECONÔMICA AUTÔNOMA. CONCEITO PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 379 15 Considerase atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviços, aquela exercida mediante estrutura operacional definida, em estabelecimento específico ou não, com a utilização de mãodeobra distinta daquela utilizada na atividade de produção rural ou agroindustrial, independentemente da atividade preponderante do produtor rural ou da agroindústria. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. As provas a serem produzidas mediante diligência têm como destinatária final a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendolhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Considerase não formulado o pedido de diligência que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 379DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 380 16 O Colegiado, naquela oportunidade, entendeu que malgrado a desconsideração de documentação apresentada pelo contribuinte encontre amparo legal no art. 148 do CTN c.c. art. 33 da Lei nº 8.212/91, tais dispositivos legais não autorizariam a transmutação da hipótese de incidência. No entender do colegiado, ao desconsiderar a documentação apresentada pelo Autuado, a Fiscalização poderia até apurar, mediante procedimento de aferição indireta, a remuneração dos segurados envolvidos na execução dos serviços prestados a terceiros, jamais modificar a hipótese de incidência tributária, como assim procedeu, ao considerar como receita bruta da comercialização da produção rural os valores constantes nas notas fiscais CFOP nº 5102 e 5124, e sobre ela fazer incidir as alíquotas previstas no art. 25 da Lei nº 8.870/94, no lugar dos percentuais previstos nos incisos I, II e III do art. 201 e art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, conforme assim determina o §22 do supracitado art. 201. Por tais razões, foram excluídos do lançamento das obrigações tributárias os Levantamentos intitulados “BO – Confinamento Sistema de Boitel CFOP 5102” ; “BO2 – Confinamento Sistema de Boitel CFOP 5102”; “CO – Confinamento CFOP 5124” e “CO2 – Confinamento CFOP 5124”. Contudo, observo que ao trazer o resultado do comando proferido nos lançamentos das obrigações principais aos das obrigações acessórias consubstanciadas no presente processo, verifico que o crédito tributário aqui se mantém. Isso porque, conforme consta no Relatório Fiscal do Processo n° 19515.722717/201286 (fls. 237/241), verifico que as respectivas multas dos DEBCADs 51.000.2986 (CFL 78) e 51.019.7507 (CFL 34) já foram aplicadas nos quantitativos mínimos. É de se observar, nessa toada, que no DEBCAD n° 51.000.2986 (CFL 78) a multa aplicada foi de R$ 500,00 (quinhentos reais), em quantitativo mínimo por competência, conforme art. 32A, “caput”, inciso I e §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212/91, respeitado o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN. A mesma situação se verificou no DEBCAD n° 51.019.7507 (CFL 34), tendo em vista que a multa aplicada já levou em consideração o patamar mínimo de R$ 17.173,58, conforme o inciso V do artigo 8° da Portaria MF/MPS n° 15, de 10 de janeiro de 2013 (DOU de 11/01/2013). Sobre os demais pontos ventilados no apelo recursal, entendo que agiu com acerto a decisão de piso, motivo pelo qual compartilho das mesmas razões de decidir: (a) Não há que se falar em nulidade do auto de infração, eis que contém todos os requisitos formais e de conteúdo previstos no Decreto n° 70.235/72, estando perfeitamente identificável o objeto da acusação fiscal. (b) Não há vício de fundamentação para a autuação, eis que está a se adotar no presente julgamento, por coerência, a decisão proferida no processo que exige a obrigação principal que deu origem à aplicação da penalidade acessória vinculada ao presente processo. (c) Não há que se falar em decadência parcial do valor relativo ao período de apuração janeiro/2008, por força do disposto no art. 150, § 4° c/c art. 156, V, do CTN, mormente considerando que não houve, na espécie, lançamento de débito ou penalidade para o período de janeiro/2008. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 19515.722717/201286 Acórdão n.º 2401005.732 S2C4T1 Fl. 381 17 (d) Não se constata bis in idem, eis que a penalidade aplicada no Auto de Infração DEBCAD 51.000.2986 (AIOA CFL 78) diz respeito apenas à competência 11/2008, período que não foi alcançado pela penalidade aplicada no Auto de Infração DEBCAD 37.291.9936 (AIOA – CFL 68), discutida no Processo n° 19515.722716/201231, e que diz respeito a 07/2008 a 10/2008. Em relação à penalidade consubstanciada no DEBCAD 51.019.7507 (AIOA CFL 34), esta fora integralmente afastada, inclusive por erro na capitulação legal, tornando prejudicado a análise deste argumento. E, ainda, a mera discordância da recorrente com a exigência de tais contribuições não é motivo suficiente para afastar a obrigação de declarar tais valores em GFIP, mormente quando os fatos integram a referida hipótese de incidência. Ademais, não há, nos autos, notícia de determinação judicial afastando, ainda que liminarmente, referida obrigatoriedade. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Fl. 381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.000123/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 01 23 /2 00 8- 69 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10183.000123/200869 Acórdão n.º 2402006.337 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10183.000123/200869 Acórdão n.º 2402006.337 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10183.000123/200869 Acórdão n.º 2402006.337 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator. Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000696/2010-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2007
Ementa:
PROCEDIMENTO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. EXERCÍCIO. MOMENTO.
No processo administrativo fiscal, o direito de defesa do contribuinte é exercido a partir da apresentação da impugnação, eis que essa, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, instaura a fase litigiosa do procedimento, ou seja, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência dos
créditos tributários, descabe falar em cerceamento de direito de defesa na fase investigativa da ação fiscal.
INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PROCEDÊNCIA.
Tendo a autoridade fiscal carreado aos autos provas robustas da interposição de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica fiscalizada, há que se decretar a procedência do Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES fundado nas disposições do inciso IV do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se
omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
INCONSTITUCIONALIDADES.
Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1302-000.821
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 Ementa: PROCEDIMENTO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. EXERCÍCIO. MOMENTO. No processo administrativo fiscal, o direito de defesa do contribuinte é exercido a partir da apresentação da impugnação, eis que essa, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, instaura a fase litigiosa do procedimento, ou seja, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários, descabe falar em cerceamento de direito de defesa na fase investigativa da ação fiscal. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PROCEDÊNCIA. Tendo a autoridade fiscal carreado aos autos provas robustas da interposição de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica fiscalizada, há que se decretar a procedência do Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES fundado nas disposições do inciso IV do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADES. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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DIREITO DE DEFESA. EXERCÍCIO. MOMENTO. No processo administrativo fiscal, o direito de defesa do contribuinte é exercido a partir da apresentação da impugnação, eis que essa, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, instaura a fase litigiosa do procedimento, ou seja, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários, descabe falar em cerceamento de direito de defesa na fase investigativa da ação fiscal. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PROCEDÊNCIA. Tendo a autoridade fiscal carreado aos autos provas robustas da interposição de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica fiscalizada, há que se decretar a procedência do Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES fundado nas disposições do inciso IV do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADES. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15586.000696/201098 Acórdão n.º 130200.821 S1C3T2 Fl. 2.284 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15586.000696/201098 Acórdão n.º 130200.821 S1C3T2 Fl. 2.285 3 Relatório FUTURA MÓVEIS E EQUIPAMENTOS PARA ESCRITÓRIO LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas a partir da apuração dos seguintes fatos: i) a contribuinte foi excluída do SIMPLES por meio do Ato Declaratório Executivo DRFB/VIT nº 76, de 15 de julho de 2010; ii) a referida exclusão foi feita com amparo nas disposições do inciso IV do art. 14 da Lei nº 9.317/96, haja vista a constatação de interposição de pessoas; iii) foi apurado que a gerência efetiva da contribuinte era exercida por AMADO PEREIRA DA COSTA e SANDRA LÚCIA DA SILVEIRA COSTA, que, com exclusividade, tinham a responsabilidade pela administração financeira (emissão de cheques e outros documentos) e ordenação de despesas, mantendo, para tanto, procuração com ilimitados poderes; iv) foi lavrado TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA relativamente às pessoas tidas como sócias de fato (AMADO PEREIRA DA COSTA e SANDRA LÚCIA DA SILVEIRA COSTA) e aplicada multa qualificada de 150%; v) no ano submetido ao procedimento fiscal (2006), a contribuinte declarou à Receita Federal receitas no montante de R$ 324.257,65, enquanto a movimentação financeira indicada pelas instituições financeira alcançou o valor de R$ 8.759.441,03; vi) a contribuinte não apresentou os Livros Diário e Razão, enquanto que o Livro Caixa disponibilizado revelouse imprestável, visto que não contemplou a expressiva movimentação bancária; vii) além da ausência e imprestabilidade dos livros de escrituração obrigatória, a contribuinte não apresentou a documentação relativa aos registros feitos no Livro Caixa, motivo pelo qual o IRPJ e a CSLL do período foram determinados com base no lucro arbitrado; viii) intimada a comprovar a origem dos créditos indicados nas suas contas bancárias, a contribuinte nada apresentou; ix) na apuração dos montantes devidos, foram subtraídos os valores recolhidos na sistemática do SIMPLES. Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15586.000696/201098 Acórdão n.º 130200.821 S1C3T2 Fl. 2.286 4 Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação à exclusão do SIMPLES (fls. 2.101/2.106) e aos lançamentos tributários (fls. 2.060/2.088), alegando, em apertada síntese, o seguinte: violação a princípios constitucionais em razão do impedimento do exercício do direito de defesa antes da exclusão do SIMPLES e do lançamento das exações; exercício efetivo do controle societário por parte dos sócios de direito (GILMAR SILVA DA CONCEIÇÃO e CLEOMÁRCIA SILVA DA CONCEIÇÃO); ausência de informações inverídicas no contrato social e de relação irregular entre os sócios e os seus procuradores; exigüidade de prazo para atendimento da intimação relativa à comprovação da origem dos créditos bancários; falta de exclusão, na apuração do montante de depósitos bancários, das transferências entre contas de mesma titularidade, dos cheques devolvidos e de outras operações financeiras; existência de contabilidade em conformidade com a legislação vigente; e natureza confiscatória da multa aplicada. A 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12 34.524, de 30 de novembro de 2010, pela procedência da exclusão e dos lançamentos dela decorrente. O referido julgado restou assim ementado: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Na fase que antecede o lançamento não cabem alegações de cerceamento do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA PROPORCIONAL. À autoridade administrativa falece competência para apreciar alegações de inconstitucionalidade da legislação tributária. EXCLUSÃO DA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. A constituição de pessoa jurídica por interposição de pessoas que não sejam os verdadeiros sócios é causa de exclusão do SIMPLES. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. Consolidamse administrativamente os efeitos do Termo de Sujeição Passiva, quando tratarse de matéria não impugnada. ARBITRAMENTO DO LUCRO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA CONTÁBIL. Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15586.000696/201098 Acórdão n.º 130200.821 S1C3T2 Fl. 2.287 5 A não apresentação dos Livros Contábeis à autoridade administrativa dá ensejo ao arbitramento do lucro. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/PASEP. COFINS. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da causa e do efeito que os vincula. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 2.166 e seguintes, por meio do qual renova os argumentos expendidos nas peças impugnatórias. É o Relatório. Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15586.000696/201098 Acórdão n.º 130200.821 S1C3T2 Fl. 2.288 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos, relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas a partir da exclusão da contribuinte fiscalizada do regime do SIMPLES. A exclusão do regime simplificado de pagamento de tributos e contribuições se deu com base nas disposições do inciso IV do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996, abaixo transcrito. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: ... IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; ... Inconformada com a decisão exarada em primeira instância, que manteve a exclusão do SIMPLES e os lançamentos tributários dela decorrentes, a contribuinte apresentou argumentos, em sede de recurso voluntário, os quais passo a apreciar. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DO ATO DECLARATÓRIO Alega a Recorrente ter havido ofensa ao princípio do devido processo legal (art. 5º, LV, da Constituição Federal), pois, quando da lavratura do auto de infração e do ato declaratório, não lhe foi oportunizada, antecipadamente, prazo para apresentação de defesa. Incorre em equívoco a Recorrente. Nos termos das normas processuais vigentes, a fase em relação a qual ela clama pelo exercício do direito de defesa, à evidência, não está representada pelo período em que os atos são praticados pelo agente fiscal incumbido de verificar o fiel cumprimento das leis tributárias, mas, sim, pelo que se inicia a partir da sua manifestação contra eventual acusação que lhe tenha sido imputada. Nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Absolutamente improcedente, portanto, a alegação de cerceamento do direito de defesa, eis que, no processo administrativo fiscal, o exercício do contraditório se dá pela apresentação das reclamações e recursos, na forma e nos termos previstos na lei processual vigente. Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15586.000696/201098 Acórdão n.º 130200.821 S1C3T2 Fl. 2.289 7 IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES – AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES INVERÍDICAS NO CONTRATO SOCIAL Sustenta a Recorrente que o seu controle societário é verdadeiramente exercido pelos Sr. Gilmar Silva da Conceição e Sra. Cleomárcia Silva da Conceição, nos exatos termos do contrato social. Diz que as alegações contidas no Relatório que fundamentou a autuação não passam de ilações, sem qualquer implicação fática ou jurídica hábeis a embasarem os lançamentos. Os elementos colacionados aos autos pela Fiscalização para demonstrar a interposição de pessoas no quadro societário da Recorrente, a meu ver, deixam fora de dúvida a ocorrência do fato, e, por decorrência, a procedência da expedição do ato declaratório de exclusão do simples, senão vejamos: i) todos os cheques emitidos pela fiscalizada no anocalendário de 2006 foram assinados, ou pelo Sr. AMADO PEREIRA COSTA, ou pela Sra. SANDRA LÚCIA DA SILVEIRA COSTA, na qualidade de procuradores; ii) em diligência no domicílio fiscal da Recorrente, a Fiscalização foi atendida pelo Sr. AMADO PEREIRA COSTA, que se apresentou como procurador da empresa; iii) no domicílio fiscal da empresa foi verificada a exibição da logomarca DISK MÓVEIS (consta dos autos, às fls. 147, reprodução fotográfica do fato); iv) consulta aos sistemas de informação da Receita Federal indicou a existência da empresa DISK MÓVEIS EQUIPAMENTO DE ESCRITÓRIO LTDA., cujos sócios são o Sr. AMADO PEREIRA COSTA e a Sra. SANDRA LÚCIA DA SILVEIRA COSTA; v) no domicílio fiscal da empresa DISK MÓVEIS restou constatada a existência de logomarca idêntica a encontrada no domicílio da Recorrente; vi) analisando as procurações colhidas no curso do procedimento, a Fiscalização constatou que, mesmo após a “transferência” da empresa para o Sr. GILMAR SILVA DA CONCEIÇÃO e para a Sra. CLEOMÁRCIA SILVA DA CONCEIÇÃO, o Sr. AMADO PEREIRA COSTA, a Sra. SANDRA LÚCIA DA SILVEIRA COSTA e o Sr. NOURIVALDO PEREIRA COSTA permaneceram como procuradores da Recorrente, com poderes ilimitados; vii) o Sr. GILMAR SILVA DA CONCEIÇÃO, indicado no contrato social como sócio da Recorrente, tem vínculo empregatício com a empresa DISK MÓVEIS, empresa do Sr. AMADO PEREIRA COSTA e da Sra. SANDRA LÚCIA DA SILVEIRA COSTA, desde 1º de março de 2000; viii) o Sr. SINVAL PEREIRA COSTA, irmão do Sr. AMADO PEREIRA COSTA, também foi sócio da Recorrente e, da mesma forma, deu procuração com poderes ilimitados para ele e para a Sra. SANDRA LÚCIA DA SILVEIRA COSTA; ix) o Sr. SINVAL PEREIRA COSTA, no período em que figurava como sócio da fiscalizada, tinha também vínculo empregatício com a empresa DISK MÓVEIS; Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15586.000696/201098 Acórdão n.º 130200.821 S1C3T2 Fl. 2.290 8 x) os sócios da fiscalizada no período de 27 de setembro 2001 a 13 de novembro de 2006 foram o Sr. SINVAL PEREIRA COSTA, antes referido, e a sua esposa, Sra. MARIA APARECIDA MONTEIRO COSTA, que, nos anos de 2005 e de 2006, declararam os seguintes rendimentos: MARIA APARECIDA MONTEIRO COSTA: R$ 0,00 SINVAL PEREIRA COSTA: R$ 14.665,37 e R$ 13.199,83, respectivamente; xi) os sócios da fiscalizada a partir de 13 de novembro de 2006, Sr. GILMAR SILVA DA CONCEIÇÃO e Sra. CLEOMÁRCIA SILVA DA CONCEIÇÃO, em 2005, apresentaram declaração de isento, e, em 2006, declararam os rendimentos de R$ 16.114,70 e R$ 12.000,00, respectivamente; xii) os rendimentos tributáveis declarados e a evolução patrimonial dos sócios indicados nos atos constitutivos da Recorrente mostramse absolutamente incompatíveis com a renda auferida pela fiscalizada, que, no anocalendário de 2006, movimentou R$ 8.759.441,03; xiii) os depoimentos prestados pelo Senhores SINVAL PEREIRA COSTA e GILMAR SILVA DA CONCEIÇÃO e pelas senhoras MARIA APARECIDA MONTEIRO COSTA e CLEOMÁRCIA SILVA DA CONCEIÇÃO, reproduzidos no Termo de Constatação e Verificação Fiscal, deixam claro que a titularidade de fato da fiscalizada é do Sr. AMADO PEREIRA COSTA e da sua esposa, Sra. SANDRA LÚCIA DA SILVEIRA COSTA; xiv) dos depoimentos referenciados no item anterior, merecem destaque as informações adiante descritas; o Sr. Sinval Pereira Costa declarou: que o Sr. AMADO PEREIRA COSTA havia lhe informado que tinha adquirido uma empresa e ia colocála em seu nome; que a Administração da empresa era feita exclusivamente pelo Sr. AMADO PEREIRA COSTA; que não tinha nenhum controle e nenhum conhecimento das operações realizadas pela empresa; que normalmente o seu irmão, Sr. AMADO PEREIRA COSTA, pedia para que ele assinasse vários documentos; que quem movimentava a conta bancária da empresa era o seu irmão, Sr. AMADO PEREIRA COSTA; que cedeu seu nome para figurar no contrato social da Recorrente; a Sra. Maria Aparecida Monteiro Costa declarou: que apenas cedeu seu nome para figurar no contrato social da fiscalizada, tendo sido convidada para entrar na sociedade pelo seu marido, Sr. Sinval Pereira Costa; que, embora figurassem no contrato social, nem ela nem seu marido eram os verdadeiros donos da fiscalizada; xv) o Sr. Gilmar Silva da Conceição e a Sra. Cleomárcia Silva Conceição1, apesar de reiteradamente intimados, não compareceram à Receita Federal para prestar esclarecimentos, contudo, o primeiro informou, por meio de correspondência, que toda e 1 Diligência promovida pela Fiscalização na residência do Sr. Gilmar e da Sra. Cleomárcia constatou que a casa encontravase totalmente inacabada, sem reboco, com área externa não edificada, evidenciando, assim, que referidas pessoas são humildes, com diminuta capacidade sócioeconômica (reprodução fotográfica às fls. 152/156). Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15586.000696/201098 Acórdão n.º 130200.821 S1C3T2 Fl. 2.291 9 qualquer informação deveria ser prestada pelo Sr. AMADO PEREIRA COSTA, e a segunda, por telefone, esclareceu que era empregada doméstica; xvi) de teor semelhante são as informações prestadas pelo Sr. Nourivaldo Pereira da Costa, que declarou que nunca praticou ato de gerência na fiscalizada, não abriu conta bancária, não pagou nenhuma despesa e não contratou empregados, apenas praticou atos por ordem e sob a orientação do Sr. AMADO PEREIRA COSTA. Como se vê, os fundamentos de que se serviu a autoridade fiscal para afirmar ter havido interposição de pessoas no quadro societário da Recorrente são robustos, e, diferentemente do alegado por ela, não são ilações, mas, sim, fatos, devidamente comprovados por documentos aportados ao processo. IMPROPRIEDADE DA CONSTATAÇÃO DE RECEITA DECLARADA A MENOR Argumenta a Recorrente que a autoridade fiscal, ao lavrar o auto de infração, incorreu em vários equívocos. Alega que a movimentação financeira, por ser muito mais ampla e englobar toda e qualquer atividade ocorrida em conta bancária, representa valor muito acima da receita bruta declarada por uma empresa. Afirma que, na medida em que o Fisco não levou em consideração a totalidade das operações financeiras realizadas por ela, o valor apurado foi demasiadamente exacerbado, não condizente com a realidade. Diz que sua contabilidade apresentase de acordo com o que estabelecem as normas aplicáveis ao recolhimento e lançamento de informações contábeis e tributárias. Equivocase, mais uma vez, a Recorrente. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, créditos em conta corrente bancária cujas origens não sejam comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos são considerados, por presunção da lei, omissão de receitas. E mais, tratandose de presunção estabelecida pela lei, o ônus probatório é invertido, isto é, à autoridade fiscal cabe, apenas, demonstrar a ocorrência do fato indiciário (crédito bancário de origem não comprovada), sendo ônus do fiscalizado fazer prova de que o fato presumido (omissão de receitas) não ocorreu. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15586.000696/201098 Acórdão n.º 130200.821 S1C3T2 Fl. 2.292 10 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A Recorrente afirma que a autoridade fiscal incorreu em equívocos, porém, não os indica na peça de defesa. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE – APURAÇÃO DO LUCRO EFETUADA POR ARBITRAMENTO Sustenta a Recorrente que, muito embora os parâmetros utilizados pela Fiscalização permitam uma maior agilidade na verificação da base de cálculo do tributo, os critérios de aferição não observam as características próprias de cada empresa no que diz respeito às técnicas de produção, índices de venda, porte da empresa, valores recebidos pela venda de móveis e materiais de informática. A partir de referência a manifestações jurisprudenciais, argumenta que o cálculo por arbitramento foi realizado à margem do que autoriza a legislação, vulnerando o princípio da legalidade tributária. Diz que a aferição indireta só se apresenta juridicamente possível diante da impossibilidade de constatação, por meio dos documentos do contribuinte, da correção do recolhimento do tributo. No caso vertente, o arbitramento do lucro foi efetivado com fundamento nas disposições do inciso II do art. 47 da Lei nº 8.981, de 1995, abaixo transcritas. Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: ... II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15586.000696/201098 Acórdão n.º 130200.821 S1C3T2 Fl. 2.293 11 A contribuinte fiscalizada não detinha escrituração completa (Livros Diário e Razão), tendo apresentado à autoridade fiscal apenas o Livro Caixa. Contudo, no referido livro não foi registrada a movimentação financeira, inclusive a bancária, o que levou a autoridade autuante a decretar, acertadamente, a imprestabilidade da citada escrituração. Ademais, a contribuinte não apresentou, também, os documentos que serviram de suporte para os registros feitos no Livro Caixa apresentado, o que, por si só, já representaria motivo para que o lucro fosse arbitrado (inciso III do art. 47 da Lei nº 8.981/95). Digo que a decretação da imprestabilidade da escrituração foi acertada, pois, em conformidade com o Termo de Constatação e Verificação Fiscal acostado aos autos (fls. 1.965/2.008), a contribuinte informou ao Fisco, por meio de DECLARAÇÃO ANUAL SIMPLIFICADA, que auferiu, no anocalendário submetido a exame (2006), receitas no montante de R$ 324.257,65, enquanto as instituições financeiras informaram que, relativamente a esse mesmo período, a movimentação bancária da fiscalizada foi de R$ 8.759.441,03, isto é, 96,30 % das receitas não foram escrituradas no Livro Caixa apresentado à Fiscalização. À evidência, uma escrituração que deixa de refletir mais de noventa por cento das receitas auferidas não pode ser aproveitada pelo Fisco para fins de aferição dos resultados fiscais declarados. Destaco que a linha de defesa adotada pela Recorrente não guarda relação direta com os elementos retratados no processo, seja por não tecer qualquer consideração acerca do fato de a forma de tributação aplicada pela Fiscalização ser legalmente prevista, seja por trazer manifestações jurisprudenciais, predominantemente relacionadas ao INSS, que não guardam pertinência com o arbitramento do lucro previsto pelo art. 47 da Lei nº 8.981, de 1995. MULTA DE OFÍCIO Fazendo alusão aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório, da razoabilidade, da proporcionalidade, da vedação ao confisco e da capacidade contributiva, a Recorrente contesta a multa de ofício aplicada. A sanção pecuniária aplicada pela autoridade fiscal encontrase prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e, em que pese as valiosas referências doutrinárias trazidas pela Recorrente acerca de uma suposta violação a preceito de índole constitucional, este Colegiado não é competente para apreciar as questões expendidas na peça recursal, conforme súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 31 de janeiro de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15586.000696/201098 Acórdão n.º 130200.821 S1C3T2 Fl. 2.294 12 Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10850.720622/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. INÉPCIA.
Se a peça de defesa não abriga contestação às razões de decidir do ato tido como recorrido, limitando-se a descrever as formas utilizadas para extinguir os débitos que pretendeu compensar, descabe conhecê-la.
Numero da decisão: 1302-000.716
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por inépcia.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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INÉPCIA. Se a peça de defesa não abriga contestação às razões de decidir do ato tido como recorrido, limitandose a descrever as formas utilizadas para extinguir os débitos que pretendeu compensar, descabe conhecêla. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por inépcia. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Relatório Fl. 189DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10850.720622/200947 Acórdão n.º 130200.716 S1C3T2 Fl. 189 2 CITER CONSTRUTORA IRMÃS TERRUGGI LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto, São Paulo. Trata o processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, transmitida em 1º de outubro de 2007, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 2001. O Despacho Decisório de fls. 15/16 indica que o indeferimento se deu em virtude de não se ter constatado apuração de saldo negativo no ano indicado na declaração transmitida pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/02), por meio da qual sustentou: que a decisão recorrida entendeu que, tendo em vista a não homologação do PER/DCOMP primitivo, de n° 22404.17918.290803.1.3.020804, entregue em 29/08/2003, retificado pelo de n° 15918.11279.101006.1.7.028249, de 10/10/2006, em razão da não apuração de crédito, seria irrelevante a entrega do terceiro PER/DCOMP, qual seja, o de n° 04796.81243.011007.1.3.024191, ocorrida em 01/10/2007, posto que já havia sido objeto de análise e de não reconhecimento, conforme despacho datado de 28/05/2008, devendo ser salientado que o referido despacho, objeto do processo n° 10850.901017/200622, encontrar seia sob análise de recurso em instância superior; que, muito embora tenha o processo n° 10850.901017/200622 o mesmo objeto do presente, porquanto trata de pedido de homologação de crédito do exercício 2002, ano calendário 2001, fato é que o PER/DCOMP entregue naquela oportunidade realmente continha falhas de lançamentos, tendo sido orientada pela Fiscalização local a entregar novo documento com os recolhimentos efetuados, visando a homologação, o que foi feito por meio do PER/DCOMP n° 04796.81243.011007.1.3.024191, entregue em 01/10/2007; que tãosomente procedeu conforme orientação da Fiscalização para efeito de reconhecimento da inequívoca contribuição realizada, fartamente comprovada pelas guias de recolhimento em anexo (DARF), com vistas a compensação dos débitos do exercício de 2002; que entendia que não haveria possibilidade de homologação do crédito requerido nos autos do processo n° 10850.901017/200622, visto que, de fato, a declaração entregue continha falha no lançamento, devendo ser reconhecido o PER/DCOMP entregue espontaneamente em 01/10/2007, que substitui o anterior; que todos os recolhimentos a serem homologados estariam cabalmente comprovados e devidamente discriminados no PER/DCOMP objeto do presente processo, eis que recolheu mensalmente estimativas de IRPJ no ano calendário de 2001, perfazendo a soma de R$ 18.626,24, conforme as guias de recolhimento (DARF) que instruíam sua defesa; que informou no PER/DCOMP de que tratam estes autos o saldo negativo do IRPJ, conforme detalhamento na DIPJ, no valor de R$ 6.258,15; Fl. 190DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10850.720622/200947 Acórdão n.º 130200.716 S1C3T2 Fl. 190 3 que, se o Fisco entende que existe processo anterior com o mesmo objeto, requeria que ambos fossem reunidos para análise única do pedido de homologação, ou, ainda, que fosse cancelado o PER/DCOMP n° 22404.17918.290803.1.3.020804, entregue em 29/08/2003, retificado pelo de n° 15918.11279.101006.1.7.02 8249, de 10/10/2006; que a reunião de ambos os processos teria a finalidade de se evitar decisões divergentes sobre o mesmo objeto e conseqüente prejuízo ao contribuinte, que tem inequívoco direito ao crédito e que por uma simples falha de declaração poderia ser condenado a pagar novamente tributo que não seria devido. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro analisou a manifestação de inconformidade apresentada e, por meio do acórdão nº. 1231.993, de 30 de junho de 2010, indeferiu a solicitação. O referido julgado restou assim ementado: PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM OUTRO PROCESSO. A compensação de débitos de estimativa de IRPJ com crédito já reconhecido em outro processo administrativo, oriundo de saldo negativo, enseja o não reconhecimento do direito credit6rio pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos. Ciente da Decisão de primeira instância em 27 de julho de 2010, conforme aviso de recebimento de folha 163, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 20 de agosto de 2010, conforme registro de recepção de folha 164, cujo teor transcrevo abaixo. Em face da decisão que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP n° 4796.81243.011007.1.3.024191, Exercício 2002, ano base 01/01/2001 a 31/12/2001, pelas seguintes razões a seguir expostas. 01. Conforme extrato do processo temos a relatar: DÉBITO DO IRPJ PERD/COMP 04796.81243.011007.1.3.024191 RECEITA 2362 PERÍODO APURAÇÃO 02/2002 VALOR R$ 575,21 VENCIMENTO 28/03/2002 *QUITAÇÃO DE PARTE CONFORME PROCESSO N° 10850.900065/200865 DE RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ CONFORME SEGUE. RECEITA 2362 PERÍODO DE APURAÇÃO – 02/2002 VALOR R$ 385,21 Fl. 191DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10850.720622/200947 Acórdão n.º 130200.716 S1C3T2 Fl. 191 4 VENCIMENTO 28/03/2002 CONFORME DOCUMENTO ANEXO. *QUITAÇÃO DE SALDO CONFORME DARF ANEXO RECEITA 2362 PERÍODO DE APURAÇÃO 02/2002 VALOR R$ 190,00 VENCIMENTO 28/03/2002 CONFORME DARF ANEXO. PORTANTO DEBITO QUITADO. 02. DEBITO DO IRPJ PERD/COMP 04796.81243.011007.1.3.024191 RECEITA 2362 PERÍODO DE APURAÇÃO 03/2002 VALOR R$ 2.889,79 VENCIMENTO 30/04/2002 Valor lançado no PERD/COMP N° 28991.66904.150705.1.3.029203 e retificadora de N° 34445.34728.101006.1.7.025956, ainda em analise. 03. Deste modo, cumpridas as formalidades legais a vista do exposto, requer que seja acolhido o presente recurso, para que seja reformada a r.decisão, cancelando os débitos e a PER/DCOMP n° 04796.81243.011007.1.3.024191, Processo nº 10850.720.622/200947. É o Relatório. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10850.720622/200947 Acórdão n.º 130200.716 S1C3T2 Fl. 192 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator O presente processo, protocolizado em 17 de novembro de 2009, tem por peça inaugural PER/DCOMP transmitido em 1º de outubro de 2007 cujo crédito referenciado já foi objeto de análise por meio do processo administrativo nº 10850.901017/200622. Em razão de tal fato, a Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto proferiu o despacho decisório de fls. 15/16, do qual releva transcrever os seguintes excertos: ... Da análise ao crédito apresentado, conforme verificado, este já havia sido objeto de análise e de "Não Reconhecimento" (conforme despacho decisório cientificado em 28/05/2008), com o seguinte enquadramento legal: Parágrafo 1° do art. 6° e art. 28 da Lei n° 9430, de 1996. Art. 5° da IN SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (cópia ás fls.07). Desta forma, observado o não reconhecimento do direito credit6rio no despacho decisório proferido no processo administrativo de n° 10850.901.017/2006 22, proponho que a referida Declaração de Compensação inicialmente relacionada, transmitida no dia 01 de outubro de 2007 (fls.01 a 05) seja considerada não homologada. O voto condutor da decisão exarada em primeira instância, por sua vez, assinalou: 7. Cumpre salientar inicialmente, que em 29/08/2003 a interessada transmitiu o PER/DCOMP n° 22404.17918.290803.1.3.020804, objeto do processo n° 10850.901017/200622, para o qual também fui designado relator, transmitindo em 10/10/2006, o PER/DCOMP retificador de n° 15918.11279.101006.1.7.028249. Porém, em pesquisa efetuada no sistema SIEFWeb, verificase a não admissão desse último PER/DCOMP (fls. 142), em face do aumento do valor dos débitos, o que não é permitido pela legislação pertinente. Por essa razão, continuam prevalecendo as informações prestadas no PER/DCOMP n° 22404.17918.290803.1.3.020804. 8. Por meio do PER/DCOMP n° 04796.81243.011007.1.3.024191, objeto do presente processo, a interessada promoveu a compensação de débitos de IRPJ com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2001. Em decisão exarada no Despacho Decisório contestado de fls. 15/16, da qual tomou ciência em 26/11/2009, a autoridade administrativa da DRF/São José do Rio Preto SP considerou não homologada a compensação declarada, pelo fato de o crédito informado no referido PER/DCOMP já ter sido objeto de análise e não reconhecimento pela mencionada autoridade administrativa, através de outro Despacho Decisório, proferido nos autos do processo n° 10850.901017/200622, cuja cópia encontrase às fls. 07 do presente. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10850.720622/200947 Acórdão n.º 130200.716 S1C3T2 Fl. 193 6 9. A interessada admite que em ambos os PER/DCOMP o de n° 22404.17918.290803.1.3.020804 e o de n° 04796.81243.011007.1.3.024191 o crédito informado corresponde ao saldo negativo do ano calendário de 2001. 10. Entretanto, do exame dos autos do processo n° 10850.901017/200622, que trata do PER/DCOMP n° 22404.17918.290803.1.3.020804, reconheci o direito da interessada ao saldo negativo (credor) do ano calendário de 2001, no valor de R$ 6.258,15, para compensação de débitos no montante de R$ 16.702,64, após efetuadas as devidas alterações no Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real (Ficha 12A) com vistas à inclusão das estimativas recolhidas no período, nos termos do Acórdão n° 31992, de 30/06/2010, proferido por esta Turma de Julgamento, cuja cópia juntei a estes autos às fls. 144/149. 11. Desse modo, uma vez esgotado o saldo negativo do ano calendário de 2001, inexiste crédito remanescente passível de compensação com os débitos informados no PER/DCOMP de que tratam estes autos. 12. À vista do exposto, voto no sentido de NÃO RECONHECER o crédito informado no PER/DCOMP n° 04796.81243.011007.1.3.024191 e NÃO HOMOLOGAR as compensações nele declaradas. Em sede de recurso, a contribuinte limitase a informar que os débitos indicados no PER/DCOMP de fls. 01/05 (estimativas mensais de IRPJ dos períodos de apuração de fevereiro e março de 2002 – R$ 575,21 e R$ 2.889,79) foram extintos por crédito reconhecido em outro processo administrativo (10850.9000651/200865), pagamento e compensação efetivada através de PER/DCOMP que ainda se encontra sob análise. Vêse, pois, que a peça recursal não abriga contestação de qualquer natureza contra a decisão exarada em primeira instância, revelandose, dessa forma, absolutamente inepta. Diante de tais circunstâncias, sou pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 194DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 10680.003466/2005-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
NORMAS PROCESSUAIS DO CARF. DISCUSSÃO JUDICIAL
CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO.
A pronúncia sobre o mérito de auto de infração, objeto de contraditório administrativo, fica inibida quando, simultaneamente, foi submetido ao crivo do Poder Judiciário. A decisão soberana e superior do Poder Judiciário é que determinará o destino da exigência tributária em litígio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.353
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.003466/200521 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 330201.353 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de novembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE INFORMÁTICA E EM SERVIÇOS LOGÍSTICOS LTDA MULTICOOP Recorrida DRJBELO HORIZONTE/MG Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 NORMAS PROCESSUAIS DO CARF. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. A pronúncia sobre o mérito de auto de infração, objeto de contraditório administrativo, fica inibida quando, simultaneamente, foi submetido ao crivo do Poder Judiciário. A decisão soberana e superior do Poder Judiciário é que determinará o destino da exigência tributária em litígio. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente. (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator. (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 14/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. e Alexandre Gomes. Fl. 325DF CARF MF 2 Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem representar a contenda: “Contra a interessada foi lavrado o auto de infração de fls. 2/11 com exigência de crédito tributário no valor de R$679.324,35 a titulo de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juro de mora e multa proporcional de 75% por insuficiência de recolhimento para os períodos relacionados nas fls. 4 e 5. A Fiscalização, no seu Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 12 a 14, relata que a contribuinte impetrou mandado de segurança para que se abstivesse da exigência da contribuição nos moldes da MP n° 1.8586, de 1999, e reedições. Entretanto a mesma não logrou êxito, tendo a decisão de primeiro grau e o recurso sido julgados improcedentes. A Fiscalização constatou que não houve declaração, tampouco recolhimento de qualquer valor a título de PIS e Cofias para o período autuado. Assim, com base no Livro Razão e nos demonstrativos apresentados pela contribuinte, foi constituído o presente crédito tributário. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do referido auto de infração. Irresignada, tendo sido cientificada em 15/03/2005, a empresa apresentou, em 13/04/2005, o arrazoado de fls. 166 a 190, acompanhado dos documentos de fls. 191/246, com as suas razões de defesa a seguir reunidas sucintamente. A impugnante alega que a cobrança não tem o menor suporte jurídico, pois o PIS, instituído pela Lei Complementar n° 7, de 1970, incide tãosomente sobre a folha de pagamento dos seus empregados, e não, sobre os valores atribuídos aos seus associados. "Ademais, a Medida Provisória n° 1.858/99 (que alterou a Lei n° 9.718/98), no seu artigo 15, determina que serão excluídos da base de cálculo do PIS das cooperativas os valores provenientes dos repasses aos associados, o que torna essas parcelas não incidentes do tributo. A impugnante, como cooperativa singular, atua exclusivamente no repasse aos seus associados (cooperados) das quantias recebidas dos usuários inerentes à sua atividade objeto." Em seguida, a defendente tece um arrazoado acerca das características das cooperativas (mormente as de trabalho) e da legislação que as regem. Alega que a MP n° 1.858, de 1999, e reedições, revogou a isenção contida no inc. I do art. 6° da LC n° 70, de 1991, mas essa revogação teria sido considerada inconstitucional pelo STJ. E mesmo que não se invocasse essa inconstitucionalidade, afirma a impugnante que em face de uma interpretação sistemática (e não meramente gramatical) do inc. I do art. 15 da citada medida provisória, não haveria incidência da contribuição. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10680.003466/200521 Acórdão n.º 330201.353 S3C3T2 Fl. 2 3 A contribuinte afirma que as cooperativas não possuem receita bruta ou faturamento relativamente à sua atividade objeto (prestação de serviços), pois a receita não é sua, mas dos cooperados. "O termo "produto" escrito no inciso I, do artigo 15, da Medida Provisória, também é entendido juridicamente como a "soma de trabalhos produzidos", como define o "Vocabulário Jurídico" de De Plácido e Silva (...) Mesmo porque, a referida norma não poderia valer apenas para um ramo das sociedades cooperativas, pois deve ser interpretada em coalescência com o principio que se compõe do art. 150, inciso II, da Constituição Federal, (..)" Narrando sobre as características da cooperativa de trabalho, a requerente assegura que "não atua no objeto das contratações que realiza em nome de seus sócios, não se confundindo com uma prestadora nem com uma tomadora de serviços, eis que limitase a praticar o "ato cooperativo", propiciando a reunião de seus sócios para uma atividade econômica de interesse exclusivo destes". "Ainda, de acordo com a definição da citada Lei n° 5.764/71 (art. 79), deve ser exposto que o ato cooperativo não implica operação de mercado e não coloca a cooperativa como sujeito passivo de obrigação tributária. (...) Ainda que a Lei Complementar (por conter matéria não reservada a este tipo de Lei) pudesse ser alterada por Lei Ordinária, o referido dispositivo, editado de acordo com o art. 146, inciso III, letra "c" da Constituição Federal, não poderia ser objeto dessa revogação. Dessa forma, ainda que as demais alterações possam ser consideradas válidas, a isenção às cooperativas ainda integram expressamente o sistema positivo brasileiro." Para corroborar todo o entendimento anteriormente esposado, a defendente cita e transcreve por toda peça impugnatória legislação, doutrina e jurisprudência a respeito. Requer, ao final, a anulação da autuação e "que o Órgão Julgador se digne de decretar que não incide o PIS sobre os valores provenientes da atuação dos sócios da Impugnante, (...)". Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, declarando, sendo assim, definitiva, na esfera administrativa, a exigência fiscal. Intimada em 24/03/2006, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 25/04/2006. É o relatório. Voto Fl. 327DF CARF MF 4 Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso não preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele não conheço, pelas razões a seguir elencadas. Normas Processuais do CARF. Concomitância. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Conforme Ato Declaratório COSIT nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, a propositura de qualquer ação judicial pelo contribuinte, importaria em renúncia à instância administrativa. Não poderia ser diferente, pois uma vez transitada em julgado a decisão judicial deve ser cumprida pela autoridade fiscal, sobrepondose àquilo que eventualmente já havia sido decidido em sede administrativa, por força do princípio da intangibilidade da coisa julgada. Nosso sistema jurídico não comporta que uma mesma questão seja discutida, simultaneamente, na via administrativa e na via judicial, Porque, conforme exposto, uma vez que o monopólio da função jurisdicional do Estado é exercido através do Poder Judiciário, o processo administrativo nesses casos perde sua função. Consequentemente, o ingresso na via judicial para discutir determinada matéria implica abrir mão de fazêlo pela via administrativa. Alberto Xavier, em “Do Lançamento – Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário” – Forense1999, expõe: “O que o direito brasileiro veda é o exercício cumulativo dos meios administrativos e jurisdicionais de impugnação: como a opção por uns ou outros não é excludente, a impugnação administrativa pode ser prévia ou posterior ao processo judicial, mas não pode ser simultânea. O principal da não cumulação opera sempre em benefício do processo judicial: a propositura do processo judicial determina “ex lege” a extinção do processo administrativo; ao invés, a propositura de impugnação administrativa na pendência de processo judicial conduz a declaração de inadmissibilidade daquela impugnação, salvo ao de desistência expressa do processo judicial pelo particular” Neste sentido em face da existência do Mandado de Segurança nº 2000.38.000003657, o qual ainda não transitou em julgado, em face da interposição de recursos aos Tribunais Superiores, reconheço a concomitância e não conheço do presente recurso deixando de analisar seu mérito. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de Novembro de 2011 GILENO GURJÃO BARRETO (Assinado Digitalmente) Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10680.003466/200521 Acórdão n.º 330201.353 S3C3T2 Fl. 3 5 Fl. 329DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.907924/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 275 a 283) interposto pelo Contribuinte, em 15 de julho de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1441.738 (fls. 258 a 261), de 30 de abril de 2013, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 07 92 4/ 20 09 -7 4 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13839.907924/200974 Resolução nº 3301000.752 S3C3T1 Fl. 319 2 Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão deste processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela empresa CASP S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, CNPJ 61.106.043/000140, em contrariedade à decisão que homologou apenas parte das compensações declaradas nas DCOMP (quadro abaixo) que utilizaram o crédito de ressarcimento de IPI, relativamente ao 4º trimestre de 2004, no montante de R$ 233.000,00 (duzentos e trinta e três mil reais). Do crédito pleiteado foram reconhecidos R$ 108.000,00 (cento e oito mil reais), montante insuficiente para homologar integralmente todas as compensações. PER/DCOMP CRÉDITO PLEITEADO CRÉDITO RECONHECIDO SITUAÇÃO DA COMPENSAÇÃO 13808.09399.280205.1.3.01 0038 108.000,00 108.000,00 Homologada 14383.43407.310305.1.3.01 2525 55.000,00 0,00 Não Homologada 14437.12875.260405.1.3.01 6417 70.000,00 0,00 Não Homologada De acordo com o despacho decisório (fls. 10 e 13), o valor pleiteado não foi integralmente reconhecido em face da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento demonstrado era inferior ao valor pleiteado, e de utilização, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Instruindo o despacho decisório no sentido de evidenciar as mencionadas constatações, os pertinentes demonstrativos de apuração (fls. 14/17) foram disponibilizados à interessada no sítio eletrônico da RFB, conforme se informa no corpo do despacho decisório. Cientificada da decisão em 15/03/2010 (fl. 239), a interessada manifestou a sua inconformidade em 06/04/2010 (fls. 4/5), aduzindo, em síntese, que, ao analisar o PER/DCOMP nº 13808.09399.280205.1.3.010038, que contem o Demonstrativo de Crédito referente ao 4º trimestre de 2004, a Auditoria Fiscal da Receita Federal reconheceu como crédito apenas o valor da compensação declarada nesse PER/DCOMP, ao invés do total do crédito propriamente dito do trimestre. Tendo em vista a decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/RPO que julgou improcedente a Impugnação, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário como intuito de reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13839.907924/200974 Resolução nº 3301000.752 S3C3T1 Fl. 320 3 O Recurso Voluntário em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 14 41.738 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A PRETENSÃO. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito. Cabe à postulante o ônus da comprovação do direito alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte alega que em respeito ao princípio da verdade material é possível constatar que foi legítimo o procedimento de compensação, uma vez que o erro formal na alocação do valor do estorno relativo ao ressarcimento de créditos no campo incorreto não deve acarretar no perecimento do direito de crédito e de compensação. O ponto central na decisão ora recorrida cingese a questão de que não houve, por parte do Contribuinte, a apresentação de documentos comprobatórios do direito alegado e que não restou demonstrado a ocorrência do erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP, conforme se verifica em trechos do voto (fls. 259 a 261): (...) Inicialmente, deve ser consignado que a manifestante não apresenta nenhum fundamento a embasar a sua discordância da decisão proferida pela DRF/Jundiaí. Não menciona nada a respeito dos motivos que deram causa à redução do direito creditório (saldo credor passível de ressarcimento demonstrado inferior ao valor pleiteado, e, utilização, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP). Sua contestação se resume nos seguintes termos (fls. 4/5): A empresa ora impugnante, apresentou o PER/DCOMP COM O DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO N. 13808.09399.280205.1.3.010038, relativo ao quarto trimestre de 2004, no valor de R$326.411,41, e no mesmo documento como permitia a versão do programa 1.5 da Receita Federal, o pedido de compensação no valor de R$ 108.000,00. Do saldo de R$218.411,41, a peticionária ora impugnante apresentou, posteriormente, os pedidos de compensação de ns. 14383.43407.310305.1.3.01 2525; e 14437.12875.260405.1.3.016417, no tal (sic) de R$125.000,00, portanto, inferior ao saldo credor remanescente, Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13839.907924/200974 Resolução nº 3301000.752 S3C3T1 Fl. 321 4 após a primeira compensação, demonstrando desta forma que não houve nenhuma insuficiência de crédito compensado. Assim, ficou demonstrado, que ao analisar o PER/DCOMP com DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO N. 13808.09399.280205.1.3.010038, no valor de R$326.411,41, e o pedido de compensação no valor de R$ 108.000,00, a Auditoria Fiscal da Receita Federal reconheceu indevidamente ( como crédito ) o valor da compensação e não do total do crédito propriamente dito. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito. Cabe à postulante o ônus da comprovação do direito alegado. Tratase de postulado do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 1973), adotado de forma subsidiária na esfera administrativotributária: (...) Também não restou evidente a ocorrência de erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP, que poderia ensejar sua correção de ofício e a conseqüente reforma do despacho decisório. O que se observa, examinando os demonstrativos que instruem o despacho decisório, é que a redução do saldo credor passível de ressarcimento foi significativa nos períodos de outubro de 2004 e fevereiro de 2005. De acordo com as informações constantes dos PER/DCOMP nº 13808.09399.280205.1.3.010038 e nº 42222.70514.310505.1.3.012510, os débitos estão assim compostos (fls. 35 e 251): Outubro/2004 Fevereiro/2005 Por Saídas de Mercadorias 199.179,30 224.636,80 Estorno de Créditos 235.125,37 353.389,67 Ressarcimentos de Créditos 0,00 0,00 Outros Débitos 0,00 0,00 Origem das Informações (PER/DCOMP) 13808.09399.280205.1.3.01 0038 42222.70514.310505.1.3.01 2510 Importante lembrar que, no caso de ressarcimento de créditos, o estorno deve ser informado no campo “Ressarcimento de Créditos” desta mesma Ficha. Consta que, em outubro de 2004, a interessada apresentou o PER/DCOMP nº 23515.92301.291004.1.3.01. 5248, pleiteando R$ 235.120,12 de ressarcimento de créditos (fl. 256) e, em fevereiro de 2005, apenas o PER/DCOMP nº 13808.09399.280205.1.3.010038 de que trata o presente processo. Entretanto, conforme se vê no quadro acima, não houve os respectivos estornos nos campos em que deveriam. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório nos termos em que proferido. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13839.907924/200974 Resolução nº 3301000.752 S3C3T1 Fl. 322 5 O Contribuinte entende que a decisão supracitada se deu em um contexto por ele construído, ou seja, por erro formal na alocação indevida dos valores correspondentes a Pedidos de Ressarcimento no campo “estornos de créditos”. Assim aduz (fls. 280 e 281): O Contribuinte para fundamentar suas alegações traz ao processo prova documental (Docs. 02 e 03), às folhas 287 a 312, e ressalta o seguinte em seu recurso (fl. 280): Diante do alegado pelo Contribuinte, voto por converter o julgamento em diligência para que autoridade de origem verifique a correção do alegado no recurso voluntário acerca da existência de erro, com ciência para o Contribuinte se manifestar no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 322DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.007428/2005-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. ADVOGADO.
Não pode optar pelo Simples Federal e está sujeita a exclusão desse sistema a pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços de advocacia.
Numero da decisão: 1001-000.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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ATIVIDADE VEDADA. ADVOGADO. Não pode optar pelo Simples Federal e está sujeita a exclusão desse sistema a pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços de advocacia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Ato Declaratório DRF/BH n° 504.686, de 02 de agosto de 2004 (efl. 47), através do qual o contribuinte referenciado foi excluído do SIMPLES FEDERAL em razão de constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação à opção pela sistemática AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 74 28 /2 00 5- 48 Fl. 79DF CARF MF 2 tributária em questão, no caso, prestação de serviços de advocacia, por força do artigo 9°, inciso XIII, da Lei 9.317/96. Por bem resumir o litígio reproduzo a seguir o Relatório da decisão recorrida (efls. 50/55): De acordo com os elementos consignados no Ato Declaratório Executivo DRF/BH n° 504.686, de 02 de agosto de 2004 (cópia de fls. 44), a contribuinte foi excluída do sistema simplificado a partir de 01/01/2002, em razão do exercício de atividade econômica vedada, a saber, a prestação de serviços advocatícios. Em 27 de setembro de 2004, a interessada apresentou Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão SRS (cópia de fls. 25/35). Naquele pedido, a contribuinte questiona a constitucionalidade do art. 9° da Lei n° 9.317/96, que veda a opção pela sistemática do Simples às sociedades civis prestadoras de serviços. Em seu entendimento, tal artigo fere os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva, uma vez que, para a definição e o enquadramento nos sistemas, a Constituição Federal de 1988 se restringe ao critério econômico e não cria outro requisito, principalmente em razão da ocupação profissional ou fimção exercida. Alega que a exclusão prejudica o ato jurídico perfeito da opção pelo Simples e, ainda, que seus efeitos não poderiam retroagir, pois isso violaria os princípios da anterioridade, da hierarquia das leis, e o disposto no an. 103, I do Código Tributário Nacional. Cita jurisprudência e doutrina. Conforme doc. de fls. 36, o pedido foi indeferido nos seguintes termos “Atividade Vedada. O contribuinte alega questão de direito, incompatível com a SRS. Exclusão mantida”. Após a ciência do resultado da SRS em 4 de maio de 2005 (fls. 38 e 43v), a interessada apresentou manifestação de inconfonnidade, em 2 de junho de 2005 (doc. de fls.01/16). Nesse documento, repete as alegações anteriormente trazidas, acrescentando que a cobrança tributária, do modo com que pretende a administração, fere frontalmente o princípio da vedação ao confisco e, ainda, que contraria o § 6° do art. 22 da Instrução Normativa SRF n° 34, de 20 de março de 2001. Alega também que, com a exclusão do Simples, a interessada passa a ser indevidamente considerada inadimplente em relação aos tributos que deveriam ter sido quitados e às obrigações acessórias a cumprir caso não fosse integrante do Simples, e que isso se daria por culpa da Administração Pública, o que contraria o princípio constitucional da moralidade. Por fim, reitera seu pedido de anulação da exclusão do Simples. Eventualmente, pede que a exclusão não produza efeitos Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.007428/200548 Acórdão n.º 1001000.735 S1C0T1 Fl. 80 3 retroativos e, caso seja confinnada a retroatividade, que a contribuinte seja declarada devedora apenas da obrigação principal, sem que lhe sejam cobradas as obrigações acessórias. É o relatório. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/09/2008 (efl. 56) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 17/10/2008 (efl. 57), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Complementa a Recorrente que conforme o § 3° do art. 5° da Lei n° 9.317/96, somente com a expedição do competente Ato Declaratório é que efetivamente ocorre a exclusão, não podendo, pois a mesma retroagir. Assim entendeu a Decisão de n° 3166, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, e a doutrina que cita; a própria Receita Federal confirmou a possibilidade de inscrição da Recorrente e a aplicação do Sistema SIMPLES ao seu caso, uma vez que analisou todos os documentos antes de deferir seu pedido. Lado outro, como se não bastasse entender que incorreu em erro anos depois, tentase cobrar o valor que seria supostamente devido de maneira retroativa. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo. Dele conheço. Quanto ao mérito, o artigo 9°, inciso XIII, e art. 13, II, "a" da Lei n.° 9.317/96, prescrevem sobre o impedimento da opção e a obrigatoriedade da exclusão quando constatado que houve opção indevida: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (..) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida" (Destaquei)". (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: Fl. 81DF CARF MF 4 (...) II Obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Já os efeitos da exclusão foram fixados a partir de 1° de janeiro de 2002 conforme o disposto no art. 15, II, "a" da Lei 9.317/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9°; Conforme bem destacado pela decisão de piso, se o dispositivo legal transcrito fosse aplicado ao caso em tela, a data para a exclusão seria 01/02/2000, visto que, conforme consta do ADE DRF/BlIE n° 504.686, a empresa optou pelo regime simplificado em 01/01/2000. Contudo, a Instrução Normativa SRF n° 355, de 29 de agosto de 2003, em seu art. 24, veio beneficiar as empresas que se encontravam nessa situação: Ressaltese que alegações de excesso inconstitucional do legislador ordinário deve ser levado a apreciação do Poder Judiciário, a quem cabe a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. E no mesmo sentido cabe a atenção da autoridade administrativa aos dispositivos legais, não cabendo seu afastamento por apelo à doutrina ou à jurisprudência não vinculante. Assim propriamente destacou pela decisão de piso, Com relação à doutrina trazida pela impugnante, cabe ressaltar que a autoridade administrativa não pode se furtar ao cumprimento das determinações da legislação tributária, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disposições do art. 3° e parágrafo único do art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Assim, foram adotadas as orientações estabelecidas na legislação tributária de regência da matéria. No que diz respeito à jurisprudência administrativa e judicial invocada pela contribuinte, valer esclarecer que o entendimento administrativo sobre a matéria é o exposto no presente voto, na apreciação do mérito. Salvo as exceções previstas na Lei, a eficácia das decisões limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo, não aproveitando em relação a outra ocorrência senão aquela objeto do litígio. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.007428/200548 Acórdão n.º 1001000.735 S1C0T1 Fl. 81 5 Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720313/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 07/11/2006
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. DANO AO ERÁRIO.
A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário.
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Presume-se por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele (art. 27 da Lei nº 10.637/2002).
MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DA MERCADORIA.
Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente.
INFRAÇÃO. MULTA. REPONSABILIDADE.
A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Exegese do art. 95 do Decreto-lei nº 37/1966.
INTERESSE COMUM. REPONSABILIDADE. DEMONSTRAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. FISCO.
Na imputação de responsabilidade por interesse comum, com fundamento no art. 124 do Código Tributário Nacional, incumbe ao fisco demonstrar efetivamente tal interesse comum, na autuação.
PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE.
O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir multas expressas na lei, não havendo desrespeito a estes princípios quando a autuação se pauta pelo princípio da legalidade. Exegese do art. 142 do CTN. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa.
Numero da decisão: 3401-005.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial do recurso, da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para afastar as alegações de nulidade e para reconhecer que a multa deve ser calculada utilizando a taxa de câmbio da data do registro da DI; e (ii) por maioria de votos, para excluir do pólo passivo a empresa UNISYS, por carência probatória a cargo do fisco, vencida a relatora (Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Em análise da preliminar referente a erro no registro do resultado do julgamento da DRJ (maioria, ao invés de unanimidade), a relatora, que propunha reenvio à DRJ alterou seu voto, superando a questão em prol da análise de mérito, no que foi acompanhada unanimemente pelos demais conselheiros.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial do recurso, da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para afastar as alegações de nulidade e para reconhecer que a multa deve ser calculada utilizando a taxa de câmbio da data do registro da DI; e (ii) por maioria de votos, para excluir do pólo passivo a empresa UNISYS, por carência probatória a cargo do fisco, vencida a relatora (Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Em análise da preliminar referente a erro no registro do resultado do julgamento da DRJ (maioria, ao invés de unanimidade), a relatora, que propunha reenvio à DRJ alterou seu voto, superando a questão em prol da análise de mérito, no que foi acompanhada unanimemente pelos demais conselheiros. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares e Tiago Guerra Machado.
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OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele (art. 27 da Lei nº 10.637/2002). MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. INFRAÇÃO. MULTA. REPONSABILIDADE. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Exegese do art. 95 do Decretolei nº 37/1966. INTERESSE COMUM. REPONSABILIDADE. DEMONSTRAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. FISCO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 03 13 /2 00 7- 43 Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.738 2 Na imputação de responsabilidade por “interesse comum”, com fundamento no art. 124 do Código Tributário Nacional, incumbe ao fisco demonstrar efetivamente tal “interesse comum”, na autuação. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir multas expressas na lei, não havendo desrespeito a estes princípios quando a autuação se pauta pelo princípio da legalidade. Exegese do art. 142 do CTN. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial do recurso, da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para afastar as alegações de nulidade e para reconhecer que a multa deve ser calculada utilizando a taxa de câmbio da data do registro da DI; e (ii) por maioria de votos, para excluir do pólo passivo a empresa “UNISYS”, por carência probatória a cargo do fisco, vencida a relatora (Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Em análise da preliminar referente a erro no registro do resultado do julgamento da DRJ (maioria, ao invés de unanimidade), a relatora, que propunha reenvio à DRJ alterou seu voto, superando a questão em prol da análise de mérito, no que foi acompanhada unanimemente pelos demais conselheiros. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Relatório Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.739 3 Cuidase de auto de infração em face do importador Adaime Importação e Exportação LTDA (Adaime) e responsáveis solidários Unisys Brasil Ltda (Unisys) e Jas do Brasil Transportes Internacionais (Jas) pela ocultação do real adquirente das mercadorias mediante interposição fraudulenta. Foi aplicada a pena de perdimento da mercadoria que foi convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro pela não localização das mercadorias importadas. A empresa Adaime realizou diversas importações por conta própria, sem cobertura cambial, no período de 10/2002 a 06/2006, sendo constatado que na verdade eram importações por conta e ordem de terceiros. A empresa estrangeira Nortel Networks (Nortel) exportava peças de reposição em garantia para suprir o mercado brasileiro e a Adaime atuava como importadora por conta própria. Previamente ao desembaraço a empresa Jas do Brasil, representante da empresa estrangeira Jas Forwarding INC, remetia recursos financeiros para a Adaime para pagamento dos tributos, despesas de armazenagem, transporte, etc. Imediatamente após o desembaraço as mercadorias seguiam para a empresa Unisys, que mantinha contrato de prestação de serviços de assistência técnica com a Nortel Networks. A Adaime não possui contrato com a Nortel ou com a Unisys e não presta assistência técnica aos equipamentos desta, atuando como mera prestadora de serviços de despacho aduaneiro, não tendo realizado operações de compra e venda destas mercadorias. As impugnações foram julgadas improcedentes pela DRJ São Paulo, acórdão nº 1666896, de 19 de março de 2015. Regularmente cientificadas as empresas apresentaram Recurso Voluntário. 1) Adaime: a. Foi subcontratada pela Nortel para efetuar a importação, nacionalização, armazenagem e distribuição para as mercadorias que seriam utilizadas em substituição em garantia; b. Que os bens importados não são considerados mercadorias já que não se destinam a comercialização por conta e ordem de terceiros, mas sim à assistência técnica e manutenção gratuita para clientes finais; c. Não houve intuito doloso, foram pagos os impostos, não há que falarse na ocultação do sujeito passivo ou prejuízo ao erário; d. Nulidade para os fatos geradores ocorridos de 01/02 a 10/02 já que a IN 225/02 foi publicada em 22/10/02 e a MP 66/02 só foi convertida na Lei 10637/02 e, 13/12/02; e. Que foi aplicada a taxa de câmbio para conversão do dólar em R$1,7325 para o cálculo das mercadorias apreendidas e para o cálculo das importações foi utilizado a taxa de câmbio da data da nacionalização, o que gerou uma multa maior que o devido; Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.740 4 f. Que a aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias configura bitributação, sendo um adicional ao imposto de importação; g. Violação dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, confisco e capacidade contributiva. 2) Jas: a. A fiscalização deixou de apontar em quais as importações efetuadas pela Adaime ocorreram a ocultação, partindo de presunções e indícios; b. A existência de fraude ou simulação é condição para a ocorrência de interposição, devendo ser provada pela fiscalização; c. A presunção de solidariedade só é admitida se acompanhada dos elementos do tipo infracional: entrada efetiva da mercadoria sem documento fiscal, existência do remetente, conluio, interesse comum de beneficiarse ilicitamente da operação e dolo especifico de sonegar o imposto; d. A solidariedade deve ser rechaçada pois não foi observado o real vínculo e a função de cada empresa envolvida; e. Não houve prejuízo ao erário, os tributos foram recolhidos, foi emitida nota fiscal de saída; f. Ocorreu típica prestação de serviços. A recorrente é transportadora das cargas. Os valores de pequena monta adiantados não representa dano ao erário e fazem parte da prática comercial; g. Incorreta a aplicação do perdimento estipulado no art. 105, inciso VI, do DecretoLei 37/66 já que não há que se falar em adulteração nem em falsificação de documento. Não há crime antecedente que comprovem a origem ilícita dos recursos; h. Multa confiscatória; i. Deverá ser mantida a empresa Unisys como responsável solidária. 3) Unisys: a. Preliminarmente solicita a retificação do acórdão recorrido com vistas a indicar que houve a manutenção do lançamento por maioria de votos, restando vencidos os auditores Amilton Rodrigues Fonseca e Regina Coeli de Vasconcelos Louvise que votaram pela improcedência da atribuição de responsabilidade solidária a recorrente, fls. 45 e 46; Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.741 5 b. A relação existente entre a Nortel e a recorrente era de prestação de serviços não havendo que se falar em transferência de titularidade dos bens remetidos pela Nortel à recorrente; c. Nulidade da autuação ilegitimidade passiva da recorrente para figurar no polo passivo da autuação; d. Utilização de dispositivo legal estranho à capitulação da responsabilidade solidária; e. Inexistência de responsabilidade solidária da recorrente; f. Inocorrência de dano ao erário; g. Ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade; h. Equivoco quanto ao critério para o cálculo da multa. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Mara C. Sifuentes, Relatora. Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem as demais condições de admissibilidade, por isso deles tomo conhecimento. Resumidamente, segundo se depreende do relato das recorrentes, a empresa Nortel era exportadora para o Brasil de equipamentos e para atender seus clientes, em contrato de assistência técnica, contratou as empresas Adaime, Jas e Unisys para atenderem diferentes etapas da prestação de assistência técnica. A Nortel contratou a empresa Adaime para importar as partes e peças necessárias à assistência técnica, armazenar e distribuir as mercadorias quando solicitada; firmou contrato com a empresa JAS, transportadora de cargas, para efetuar a logística de importação; e Contratou a empresa Unisys para prestação de serviço de assistência técnica. A empresa Nortel acionava a empresa Unissys para efetuar assistência técnica em algum cliente, que utilizava as mercadorias entregues anteriormente pela empresa Adaime. Para a fiscalização a empresa Unisys era a verdadeira importadora das mercadorias e a empresa Adaime efetuou as importações, por conta e ordem de terceiros, mas sem identificar o real adquirente, que seria a Unisys. A empresa JAS adiantou recursos para a Adaime pagar tributos e outras despesas aduaneiras. O modus operandi, para a fiscalização caracterizou a interposição de terceiros, operando a responsabilidade solidária das empresas. As empresas Adaime, Jas e Unisys apresentaram recursos voluntários separados, por isso a análise será efetuada para cada recurso individualmente. Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.742 6 Preliminarmente a empresa Unisys solicita a retificação do acórdão recorrido com vistas a indicar que houve a manutenção do lançamento por maioria de votos, restando vencidos os auditores Amilton Rodrigues Fonseca e Regina Coeli de Vasconcelos Louvise que votaram pela improcedência da atribuição de responsabilidade solidária a recorrente, fls. 45 e 46. A Unisys alega que apesar de constar às fls. 1508 que a ementa acima transcrita refletiria entendimento unânime da DRJ, em verdade, o acórdão recorrido dispôs de 2 (dois) votos favoráveis à exclusão da recorrente do pólo passivo da autuação, por entender não caracterizada a responsabilidade solidária. Segundo dispositivo do acórdão recorrido consta que: Acordam os membros da 11ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedentes as impugnações, mantendose o crédito tributário exigido, no valor de R$ 1.044.539,99 (um milhão e quarenta e quatro mil, quinhentos e trinta e nove reais e noventa e nove centavos). Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002. Cientifiquese os interessados. Sala de Sessões, São Paulo, em 19 de março de 2015. Wagner Teixeira Vaz AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil Relator – Matr. 7885 Amilton Rodrigues Fonseca AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil – Presidente Participaram ainda do presente julgamento os julgadores Regina Coeli de Vasconcelos Louvise, Cecília Miyiuki Ishida e Iolan Geraldo Andrade de Sá. De fato consta no acórdão recorrido, ao final, declaração de voto em nome de dois julgadores da DRJ nos seguintes termos: Tratase de declaração de voto, onde eu Amilton Rodrigues Fonseca, julgador desta 11a. Turma da DRJSP, expresso meu entendimento e da julgadora Regina Coeli de Vasconcelos Louvise, sobre o voto proferido pelo julgador Wagner Teixeira Vaz neste processo. De início, consideramos correto o entendimento do relator sobre a improcedência da impugnação da autuada ADAIME IMPORTAÇÃO e EXPORTAÇÃO LTDA, assim como a decisão em relação ao responsável solidário JAS DO BRASIL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA. Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.743 7 A nossa discordância se dá em relação à responsabilidade solidária aplicada à empresa.UNISYS BRASIL LTDA. Entendemos que o fato da empresa UNISYS prestar serviços à exportadora, como representante da mesma no Brasil, não a coloca necessariamente na posição de interveniente aduaneiro, responsável pela operação de importação. Pois conforme consta do auto de infração não existe nenhum contrato ou qualquer tipo de pagamento, empréstimo de recurso financeiro da UNISYS para a ADAIME responsável pela importação. Como mencionado no auto de infração, os pagamentos que deram sustentação às importações de que tratam este auto de infração, foram todos realizados pela JAS INTERNACIONAL LTDA. A responsabilidade solidária discutida, expressa neste auto de infração decorreu do fato da UNISYS possuir contrato de prestação de serviços com o exportador, que segundo a fiscalização responsável pelo auto de infração, mostraria que a UNISYS teria interesse comum na importação. Sobre a aplicação da solidariedade tributária aplicada diante o interesse comum, que tem sua origem legal no artigo 124, Inciso I do CTN, é entendimento de vários juristas, que este julgador adota, que a obrigação solidária das pessoas não decorre do interesse econômico no resultado, assim entendido a vantagem econômica adquirida com a situação que constituí o fato gerador, mas sim da solidariedade jurídica, que decorre da realização conjunta da situação que constituí o fato gerador. Sobre o fato gerador que é a interposição fraudulenta, observa se que a importação que na verdade se faz por conta e ordem da exportadora do exterior, tem como pessoa que financia a operação a empresa JAS, e como empresa interposta a empresa ADAIME, que no caso participam do fato jurídico mencionado. A JAS conforme consta do auto de infração seria a empresa contratada pela exportadora no exterior, para realizar as importações, logo o importador de fato, sendo que a UNISYS somente receberia a mercadoria importada, entregue a JAS por ordem da exportadora para realizar trabalhos de manutenção, decorrente de contrato. Desta forma como enquadrar a UNISYS como responsável solidário, se a infração decorreu da não observância a legislação pela empresa interposta a ADAIME (autuada) e a JAS real importadora. Diante do exposto voto pela improcedência da atribuição de Responsabilidade Solidária à empresa UNISYS BRASIL LTDA, em relação ao crédito tributário julgado neste processo. Fica constatada a partir da leitura dos textos reproduzidos que houve uma discrepância entre o dispositivo do acórdão e o que consta na declaração de voto. Da leitura da declaração de voto concluise pelo procedência do alegado pela recorrente. Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.744 8 Esclareço que houve apenas a mudança de votação pela improcedência da impugnação por unanimidade de votos para por maioria de votos, não havendo outras repercussões. Por isso, acolho a preliminar suscitada pela empresa Unisys e voto para que seja retificado o acórdão recorrido com vistas a indicar que houve a manutenção do lançamento por maioria de votos, restando vencidos os auditores Amilton Rodrigues Fonseca e Regina Coeli de Vasconcelos Louvise que votaram pela improcedência da atribuição de responsabilidade solidária a recorrente. Superada a preliminar suscitada pela empresa Unisys, passo a análise das alegações individuais das empresas. 1) Recurso da empresa Adaime. 1.1) Da alegação de interposição fraudulenta. A recorrente Adaime alega inicialmente que foi subcontratada pela Nortel para efetuar a importação, nacionalização, armazenagem e distribuição para as mercadorias que seriam utilizadas em substituição em garantia, que os bens importados não são considerados mercadorias já que não se destinam a comercialização por conta e ordem de terceiros, mas sim à assistência técnica e manutenção gratuita para clientes finais, que não houve intuito doloso, foram pagos os impostos, não há que falarse na ocultação do sujeito passivo ou prejuízo ao erário. Resta claro, após a análise dos elementos que constam do processo administrativo que houve um planejamento complexo e completo (administrativo, financeiro e tributário), envolvendo as empresas Adaime, Jas, Unisys e Nortel com o objetivo de atender clientes no Brasil. As empresas buscaram uma especialização de funções onde cada uma exercia um papel específico na rede do planejamento desenvolvido. Resta saber se o objetivo era ludibriar a fiscalização tributária, o que foi imputado nos autos. Foi imputada às recorrentes o perdimento das mercadorias por ocorrência de dano ao erário e aplicada a multa substitutiva à pena de perdimento por não terem sido localizadas as mesmas. A Lei nº 10.637, de 30/12/2002 dispõe sobre a presunção de importação por conta e ordem e a pena aplicada por dano ao erário: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001. ... Art. 59. O art. 23 do DecretoLei no1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 23. ................................................................ Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.745 9 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. § 4oO disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional."(NR) (grifos nossos) E assim ficou o art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 após as alterações produzidas pela Lei nº 10.637/2002: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) ... § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no70.235, de 6 de março de 1972.(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.746 10 importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Segundo o art. 27 a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem. Na importação por Conta e ordem de terceiro, a empresa importadora atua como prestadora de serviços, e os recursos são provenientes de terceiro. O terceiro é o responsável, inclusive, pelo valor do fechamento do câmbio (i.e., pelo pagamento das mercadorias ao exportador estrangeiro). A Importação por Conta e Ordem se caracteriza pela vinculação das duas empresas envolvidas (importadora e terceiro que pode ser adquirente) para realização de processo de importação onde ambas são responsabilizadas pela operação, o que se concretiza pela obrigação de ambas ao lançamento de seus nomes e CNPJ na emissão de todos os documentos de importação, não apenas, mas inclusive, na DI (Declaração de Importação), conforme consta na Instrução Normativa SRF nº 225, de 18/10/02: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.747 11 Comparando as outras modalidades de importação, direta e por encomenda, apenas na modalidade “por conta e ordem” é que se admite adiantamentos de recursos à empresa importadora, ou o pagamento direto por terceiro. Nas duas outras modalidades, não se admite nem adiantamentos nem o pagamento das mercadorias por quem não figure na operação. O objetivo do disciplinamento normativo é estabelecer controles sobre os verdadeiros adquirentes das mercadorias importadas, a fim de que sobre eles se exerçam as fiscalizações necessárias para se detectar a origem lícita dos recursos empregados, o devido recolhimento dos tributos internos incidentes sobre tais operações fiscais, inibindose, dessa forma, que empresas inidôneas venham a competir de forma desleal com aquelas legalmente estabelecidas e observadoras da legislação vigente. É farta a documentação no processo que demonstra que as importações realizadas pela empresa Adaime foram efetuadas com recursos provenientes da empresa JAS. A empresa ADAIME declarouse como importadora nas DI (Declarações de Importação) relacionadas planilha fls. 1475 a 1504, na modalidade de "importador por conta própria" (importação direta). Da análise das declarações prestadas pela empresa ADAIME à fiscalização, análise de sua contabilidade e livros fiscais, ficou demonstrado que a empresa JAS DO BRASIL efetuou adiantamentos de valores para a ADAIME, para fazer frente às importações, para o pagamento dos tributos incidentes nas operações de importação, pagamento de despesas de armazenagem, de transporte, e demais despesas relativas aos despachos aduaneiros. Não houve adiantamento para o pagamento das mercadorias porque as operações foram realizadas “sem cobertura cambial”. A fiscalização apresentou exemplos do procedimento de importação utilizado pelas empresas envolvidas, às fls. 25 e 26 dos autos, onde está demonstrado como era realizado o adiantamento de recursos, com as devidas remissões, em todos os dados, dos correspondentes documentos comprobatórios. Configurada que as importações foram realizadas por conta e ordem de terceiros, e não sendo essa ocorrência informada à RFB nas declarações e nos documentos apresentados, temos que ocorreu a ocultação do sujeito passivo, ou do real comprador. O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 estipula os casos em que ocorre dano ao erário, e a ocultação do real comprador das mercadorias está enumerada entre as hipóteses de dano. O dispositivo tipificador da conduta estipula duas partes para que a imputação se complete. A primeira parte, ocultação do real comprador, resta configurada. A segunda parte da tipificação estipula que a conduta deve ser praticada mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Coaduno com a linha de raciocínio adotada pela DRJ que conclui pela simulação ocorrida nas transações realizadas pela recorrente. Em síntese o acórdão da DRJ desenvolve uma argumentação para chegar a conclusão que restou configurada a interposição fraudulenta de terceiros. A simulação pode ser constatada pela divergência entre a vontade real e a vontade declarada, é uma declaração enganosa da vontade, sendo uma deformação voluntária para escapar à disciplina normal do negócio. Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.748 12 Esse é o entendimento expresso por diversos doutrinadores, entre eles Orlando Gomes, na obra Introdução ao Estudo do Direito, Rio de Janeiro, Forense: ...em um negócio jurídico se verifica intencionalmente divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar a terceiros No Dicionário Aurélio interposição de pessoa aparece definido como: ...simulação que consiste em ocultar o verdadeiro interessado num ato jurídico, fazendo aparecer um terceiro em seu lugar. A interposição de pessoa pode ser regular ou não. Ela é considerada fraudulenta quando praticada por meio de artifício ou simulação para encobrir a real manifestação de vontade ou ocultar o verdadeiro interessado nos negócios jurídicos praticados. Para efeitos fiscais, esta consolidada a definição que a interposição fraudulenta ocorre quando uma pessoa, física ou jurídica, aparenta ser o responsável por uma operação que não realizou, interpondose entre uma parte (o Fisco) e outra (o real beneficiário — responsável pela operação de comércio exterior), para ocultar o sujeito passivo. Assim discorre a DRJ no acórdão recorrido sobre o caso concreto, posição que acompanho e por isso reproduzo: No caso concreto dos presentes autos, a empresa ADAIME figurou nas DI (Declarações de Importação) relacionadas planilha fls. 1475 a 1504, como importadora, na modalidade de "importador por conta própria" (importação direta). Entretanto, restou comprovado, tanto por declarações prestadas pela empresa ADAIME, quanto pela análise de sua contabilidade, que a empresa JAS DO BRASIL efetuou adiantamentos de valores para a ADAIME, para fazer frente às importações, no caso específico para o pagamento dos tributos incidentes nas operações de importação, pagamento de despesas de armazenagem, de transporte, e demais despesas relativas aos despachos aduaneiros. Somente não para o pagamento das mercadorias propriamente ditas, pois as operações eram “sem cobertura cambial”. A Fiscalização Aduaneira, com fundamento nas declarações dos contribuintes fiscalizados (prestadas em resposta às Intimações Fiscais) e em provas acostadas aos autos (como cópias dos livros fiscais), esclareceu a forma de atuação das referidas empresas, nos termos seguintes: “em função da necessidade da empresa estrangeira NORTEL NETWORKS suprir o mercado brasileiro de peças de reposição em garantia, para os produtos aqui comercializados, a empresa ADAIME foi contatada para atuar como importadora destas mercadorias. Assim, a ADAIME realizou diversas importações na modalidade "sem cobertura cambial", atuando como importador por conta própria, tendo como exportador a empresa NORTEL NETWORKS. Nestas operações, previamente ao desembaraço aduaneiro, a empresa JAS DO BRASIL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.749 13 CNPJ 36.181.089/000187 (representante da empresa estrangeira JAS FORWARDING INC.) remetia recursos financeiros a ADAIME para que esta enfrentasse o pagamento dos tributos incidentes, despesas de armazenagem, transporte etc. Imediatamente após o desembaraço, as mercadorias seguiam para a empresa UNISYS BRASIL LTDA, CNPJ 33.426.420/000940, permitindo que cumprisse seu contrato de prestação de serviços de assistência técnica firmado com a NORTEL NETWORKS CORPORATION (USA)”. Tal modo de atuação se encontra estampado às fls. 21 e 22 dos autos; gráfico à fl. 22 do eprocesso demonstra tais operações. (acórdão DRJ) 1.2) Da alegação de nulidade dos fatos geradores ocorridos antes da publicação da IN SRF nº 225/02 A empresa Adaime alega que ocorreu nulidade para os fatos geradores ocorridos de 01/02 a 10/02 já que a IN 225/02 foi publicada em 22/10/02 e a MP 66/02 só foi convertida na Lei 10637/02 em 13/12/02. A Lei n° 10.637/2002, base legal para a IN SRF nº 225/2002, é resultante da conversão da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002. As DI (Declarações de Importação) objeto do presente auto de infração foram registradas entre 13/11/2002 e 02/06/2006 (vide planilha acostada aos autos às fls. 1475 a 1504). Constava no art. 29 da MP nº 66/2002 a presunção de operação de comércio exterior por conta e ordem quando realizada mediante a utilização de recursos de terceiros: Art.29. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. A MP nº 2.15835, de 24/08/2001 citada no art. 29 da MP nº 66/2002 trazia as seguintes disposições: Art.77.O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.32.................................................... Parágrafo único.É responsável solidário: Io adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; IIo representante, no País, do transportador estrangeiro; IIIo adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art.78.O art. 95 do DecretoLei nº37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.750 14 "Vconjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art.79.Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art.80.A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art.81.Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Assim, carece de fundamentação a alegação de nulidade para os fatos geradores ocorridos de 01/02 a 10/02 sob a argumentação que a IN 225/02 foi publicada em 22/10/02 e a MP 66/02 só foi convertida na Lei 10637/02 em 13/12/02. Pela leitura dos dispositivos reproduzidos acima, constantes da MP 2.15835/2001 podemos concluir que desde a edição dessa primeira MP já havia determinações legais sobre a figura da importação por conta e ordem. 1.3) Da alegação sobre a aplicação da Taxa de Câmbio A empresa alega também que foi aplicada a taxa de câmbio para conversão do dólar em R$1,7325 para o cálculo das mercadorias apreendidas e para o cálculo das importações foi utilizado a taxa de câmbio da data da nacionalização, o que gerou uma multa maior que o devido. Segundo o art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976: § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. E observese o que estabelece o art. 24 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.751 15 registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. ... Art.24 Para efeito de cálculo do imposto, os valores expressos em moeda estrangeira serão convertidos em moeda nacional à taxa de câmbio vigente no momento da ocorrência do fato gerador. Pela leitura dos dispositivos acima citados temos que a ocorrência do Fato Gerador verificase na data de registro da DI e o valor aduaneiro é obtido utilizandose a taxa de câmbio do dia do registro da DI. A multa, portanto, deve ser calculada sobre o valor aduaneiro da mercadoria, que foi calculado utilizandose a taxa de câmbio da data do registro da DI. Acato portanto a alegação da empresa e voto pela utilização do valor aduaneiro da mercadoria para cálculo da multa. O valor aduaneiro deve ser calculado utilizando a taxa de câmbio da data do registro da DI, conforme art. 24 do Decretolei nº 37, de 1966. 1.4) Da aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro. Outra alegação apresentada pela empresa é que a aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias configura bitributação, sendo um adicional ao imposto de importação. A multa aplicada esta prevista no DecretoLei nº 1.455/76, e também está prevista a conversão da pena de perdimento em multa nos casos de não localização da mercadoria: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1oO dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.752 16 equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no70.235, de 6 de março de 1972.(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4oO disposto no § 3onão impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) O CARF já se pronunciou diversas vezes pelo cabimento da multa equivalente ao valor aduaneiro, vide Acórdão nº 30133630, .... 1.5) Da violação de princípios constitucionais. Por fim, a empresa apresenta a alegação de que houve violação dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, confisco e capacidade contributiva. Em relação a tais alegações, cabe lembrar que às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não é dada a atribuição de apreciar questões que tanjam à constitucionalidade de qualquer lei ou ato normativo. Esse assunto já restou sumulado pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Concluo pelo não acatamento da alegação. 2) Das alegações da empresa Jas. 2.1) Da utilização de presunção. Para a empresa Jas, a fiscalização deixou de apontar em quais as importações efetuadas pela Adaime ocorreram a ocultação, partindo de presunções e indícios. Ao contrário do afirmado pela empresa Jas o TVF é farto em apresentar detalhes sobre as importações efetuadas pela empresa ADAIME nas quais ela declarouse como importadora e que houve adiantamento de recursos pela empresa JAS. A fiscalização inclusive relaciona as DI (Declarações de Importação) em planilha fls. 1475 a 1504, anexa ao TVF. 2.2) Da existência de fraude ou simulação A existência de fraude ou simulação é condição para a ocorrência de interposição, devendo ser provada pela fiscalização. Conforme amplamente discorrido no item 1.1) acima, a fiscalização logrou provar que houve simulação nos atos praticados pela empresa Adaime conjuntamente com a Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.753 17 empresa JAS, já que a Adaime utilizou recursos da JAS para custear o pagamento das despesas de importação das mercadorias. 2.3) Da solidariedade entre as empresas A recorrente JAS alega que a presunção de solidariedade só é admitida se acompanhada dos elementos do tipo infracional: entrada efetiva da mercadoria sem documento fiscal, existência do remetente, conluio, interesse comum de beneficiarse ilicitamente da operação e dolo especifico de sonegar o imposto. E por consequência a solidariedade deve ser rechaçada pois não foi observado o real vínculo e a função de cada empresa envolvida. O tema solidariedade entre as empresas já foi objeto de inúmeros acórdãos nesse Conselho. E na seara aduaneira ele esta disciplinado pelo DecretoLei nº 37/1966, não fazendo distinção à responsabilização solidária, se a operação é por conta e ordem ou por encomenda: Art. 95. Respondem pela infração: I Conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica. VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. Ficou comprovado nos autos que a empresa JAS DO BRASIL participou financeiramente das Importações analisadas, efetuando depósitos na conta corrente da ADAIME, relativos a recursos que foram utilizados por esta última nas operações de importação, e promovendo os adiantamentos de recursos necessários às despesas com as operações de importação, o que a lei prevê como sendo motivo suficiente para a presunção da ocorrência de interposição fraudulenta de terceiro. Resta configurada a responsabilidade solidária da empresa JAS por ter concorrido para sua prática ou dela se beneficiado por qualquer forma e também pela aplicação do inciso V do art. 95: Art. 95. Respondem pela infração: V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica. A recorrente também alega que deve ser mantida a empresa Unisys como responsável solidária. A empresa UNISYS também apresenta Recurso Voluntário quanto a esse ponto, que devido estar os pleitos conectados analiso por antecedência. Ela argumenta que é incontroverso que possui contrato com o exportador, Nortel, para prestação de assistência Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.754 18 técnica aos clientes da Nortel, e que, em decorrência deste contrato, recebeu diretamente as mercadorias importadas pela Adaime. Entretanto, isso não significa seu interesse nas importações, sendo que o interesse quanto à adequada chegada das peças no Brasil é da Nortel e de seus clientes no Brasil. Discordo da alegação da recorrente já que o seu interesse está demonstrado nos autos. A fiscalização demonstrou que as mercadorias após desembaraçadas seguiam diretamente para a empresa UNISYS, e a empresa ADAIME não mantinha depósito de mercadorias. As mercadorias importadas permitiam que a UNISYS conseguisse cumprir o seu contrato de prestação de serviços com o exportador, realizando as assistências técnicas (com reposição de peças importadas) no Brasil. A UNISYS prestava serviços de assistência técnica com substituição de peças importadas, e essas peças eram primordiais para a prestação de serviço de assistência técnica. Sem a substituição de peças a UNISYS não poderia cumprir seu contrato com a NORTEL, conforme pode ser conferido no contrato. Afigurase evidente que a UNISYS compactuava de interesse comum com a exportadora NORTEL, pois sua atividade dependia do recebimento das peças de reposição importadas. Tal circunstância se amolda perfeitamente no previsto no acima transcrito art. 95, inciso I, do Decretolei n° 37/1966: Art. 95. Respondem pela infração: I Conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Acompanho e reproduzo o posicionamento da DRJ: Não é passível de dúvida que a UNISYS possuía interesse direto no recebimento das mercadorias importadas, pelo que é de se manter sua figuração como responsável solidária, nos termos do art. 95, I, do Decretolei n° 37/1966. 2.4) Do prejuízo ao erário É apresentada também a alegação de que não houve prejuízo ao erário, já que os tributos foram recolhidos e foi emitida nota fiscal de saída. O art. 23, V, do DecretoLei nº 1.455/1976 incide para considerar dano ao Erário a infração denominada interposição fraudulenta de terceiros, a qual por sua vez restou configurada por haver sido provada a utilização, pela importadora (ADAIME, que figurou nas DI como importadora por conta própria) de recursos de terceiros (enviados à ADAIME pela empresa JAS DO BRASIL) nas operações: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (…) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, co real vendedor, Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.755 19 comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude, simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros; (...) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (...) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Ocorre que o dano ao Erário decorre da lei, e deve ser entendido não apenas como dano material comensurável, mas também como o dano decorrente de qualquer dificuldade imposta à Fiscalização Aduaneira, conforme aliás entendimento jurisprudencial do E. STJ: “Se o perdimento não prescinde da demonstração do dano para sua aplicação, não é menos verdade que, por vezes, o dano está caracterizado pela dificuldade imposta pela conduta do importador à fiscalização aduaneira, cuja incumbência é, por norma constitucional, da Receita Federal.” REsp nº 954.526. Min. Teori Albino Savascki, julgado em 28/08/12 (grifos ora acrescidos). Também o assunto já foi discutido em vários acórdãos desse Conselho, conforme acórdão n° 3102001.239 exemplificativo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/01/2004 a 09/12/2004 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado. em quaisquer efeitos as alegações de defesa de que todos os tributos foram recolhidos ou de que não foi obtida qualquer vantagem ilícita, pois, conforme visto, a obtenção de vantagem não está presente como requisito para a consumação da interposição fraudulenta de terceiros, que é infração aduaneira de mera conduta. 2.5) Da prestação de serviços Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.756 20 A recorrente alega que ocorreu típica prestação de serviços, por ser ela transportadora das cargas, e que os valores de pequena monta adiantados não representam dano ao erário e fazem parte da prática comercial. Sobre esse tema já restou superado pela apresentação de todo modo de operação das empresas e suas consequências no item 1.1 acima. Deixo de acatar as alegações. 2.6) Da aplicação errada da pena de perdimento O Recurso Voluntário continua sua defesa alegando ser incorreta a aplicação da pena de perdimento estipulada no art. 105, inciso VI, do DecretoLei nº 37/66 já que não há que se falar em adulteração nem em falsificação de documento. Não há crime antecedente que comprovem a origem ilícita dos recursos. Socorrendonos da leitura dos dispositivos legais citados, observamos que o art. 105, inciso VI, do DecretoLei nº 37/66 trata da aplicação a pena de perdimento para os casos de falsificação ou adulteração dos documentos necessários ao desembaraço aduaneiro: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: ... VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; A dicção do art. 4º da IN SRF 225, de 2002, e que se funda no art. 105, inciso VI, do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, combinado com art. 23, inciso V, do Decretolei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, veio esclarecer o alcance do dispositivo legal: Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); Não resta dúvida, conforme já discorrido nos itens anteriores, que houve inserção de informação diferente do que ocorreu na realidade na medida em que a empresa ADAIME se declara importador por conta própria quando de fato não foi isso que ocorreu. Correta pois a aplicação art. 105, inciso VI, do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, combinado com art. 23, inciso V, do Decretolei n° 1.455, de 7 de abril de 1976 2.7) Da alegação de ser a Multa confiscatória Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.757 21 A recorrente alega ter a multa caráter confiscatório e portanto não poderia ser aplicada. Repiso a argumentação já discorrida no item 1.1 acima, no qual afirmo que em relação a tais alegações, cabe lembrar que às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não é dada a atribuição de apreciar questões que tanjam à constitucionalidade de qualquer lei ou ato normativo. Não cabendo a esse tribunal administrativo questionar o conteúdo das leis. Esse assunto já restou sumulado pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3) Do Recurso Voluntário da empresa Unisys. 3.1) Da solicitação de retificação do acórdão recorrido Preliminarmente a recorrente solicita a retificação do acórdão recorrido com vistas a indicar que houve a manutenção do lançamento por maioria de votos, restando vencidos os auditores Amilton Rodrigues Fonseca e Regina Coeli de Vasconcelos Louvise que votaram pela improcedência da atribuição de responsabilidade solidária a recorrente. Esse pleito já foi analisado nas preliminares desse voto e acatado. 3.2) Das outras alegações Alega a recorrente que: a relação existente entre a Nortel e ela era de prestação de serviços não havendo que se falar em transferência de titularidade dos bens remetidos pela Nortel à recorrente; existe nulidade da autuação pela ilegitimidade passiva da recorrente para figurar no polo passivo da autuação; Inexistência de responsabilidade solidária da recorrente; Utilização de dispositivo legal estranho à capitulação da responsabilidade solidária; Inocorrência de dano ao erário; Ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade; Equivoco quanto ao critério para o cálculo da multa. Todos esses pontos já foram debatidos no voto, restando superados. Deixo de acatar as alegações. Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.758 22 Pelo exposto voto por conhecer dos recursos voluntários e no mérito por dar provimento parcial para: retificar o acórdão recorrido com vistas a indicar que houve a manutenção do lançamento por maioria de votos, restando vencidos os auditores Amilton Rodrigues Fonseca e Regina Coeli de Vasconcelos Louvise que votaram pela improcedência da atribuição de responsabilidade solidária a recorrente; e que seja utilizado o valor aduaneiro da mercadoria para cálculo da multa. O valor aduaneiro deve ser calculado utilizando a taxa de câmbio da data do registro da DI, conforme art. 24 do Decretolei nº 37, de 1966. (assinado digitalmente) Mara C. Sifuentes Relatora Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.759 23 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Designado, Externo no presente voto minhas razões de divergência em relação ao posicionamento da relatora, e que acabaram por prevalecer no seio do colegiado, especificamente no que se refere à imputação de responsabilidade à empresa UNISYS Brasil LTDA (doravante “UNISYS”). Nos demais temas, acompanho o posicionamento da relatora. A imputação básica do autuante é de que a “UNISYS” estaria sendo ocultada pela “ADAIME”, de quem recebia as mercadorias (sem cobertura cambial) para prestar serviço de assistência técnica, como se percebe do esquema gráfico que consta à fl. 22: Na autuação, a participação da “UNISYS” é detalhada no item 4.8 (fl. 27), integralmente transcrito a seguir, e sem qualquer adendo do autuante, de forma a confirmar ou rechaçar as informações prestadas pela empresa: Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.760 24 Ou seja, a autoridade fiscal não traz qualquer elemento objetivo (limitandose ao excerto exposto e a conjectura a partir do nome de um arquivo em excel enviado pela “ADAIME” – “Projeto JAS NORTEL ADAIME UNISYS”) para imputar responsabilidade à empresa “UNISYS”, fundamentada em suposto “interesse comum” (fls. 28/29), que restou distante de ser comprovado. Se não restou dúvida à autoridade fiscal, a este julgador abundaram dúvidas, assim como a julgador da instância de piso, que assim se manifestou em declaração de voto (fls. 1551/1552): Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 10830.720313/200743 Acórdão n.º 3401005.159 S3C4T1 Fl. 1.761 25 Pode até ser que a empresa “UNISYS” tivesse alguma participação, ou efetivo interesse econômico na operação. No entanto, isso não restou demonstrado pelo autuante, detentor do ônus probatório de suas alegações. Assim, entendemos que deve ser excluída do polo passivo a empresa “UNISYS”, por carência probatória a cargo do fisco. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1761DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.004593/2004-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO.
Apenas a infração de presunção de omissão de receitas com base em depósitos não comprovados restou caracterizada, adequando-se ao tipo objetivo da norma. Não tendo sido demonstrado o intuito doloso na conduta, cabe ser afastada a qualificação da multa no percentual de 150%.
Numero da decisão: 9101-003.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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EPP ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO. Apenas a infração de presunção de omissão de receitas com base em depósitos não comprovados restou caracterizada, adequandose ao tipo objetivo da norma. Não tendo sido demonstrado o intuito doloso na conduta, cabe ser afastada a qualificação da multa no percentual de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 45 93 /2 00 4- 02 Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11543.004593/200402 Acórdão n.º 9101003.848 CSRFT1 Fl. 621 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Relatório Tratase de recurso especial (efls. 520/530) de contrariedade à lei ou evidência de prova, interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 10196.184 (efls. 499/516), da sessão de 25 de maio de 2017, proferido pela Primeira Câmara do Primeira Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício. A autuação fiscal, de IRPJSimples e reflexos (efls. 289/356) tipificou as infrações de (1) presunção de omissão de receitas com base em depósitos de origem não comprovada, que teve a multa qualificada para 150%. Por consequência, a infração (2) tratou da insuficiência de recolhimento, na medida em que os valores de receita bruta apurados na infração (1) ocasionaram um ajuste no coeficiente para determinação da base de cálculo do SIMPLES. A infração (2) teve a multa proporcional de 75%. A decisão de primeira instância (efls. 407/426), ao apreciar a impugnação apresentada (efls. 360/360), julgou os lançamentos fiscais procedentes. Foi interposto recurso voluntário (efl. 454/488) pela Contribuinte, cujo provimento foi parcial nos termos da ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE APLICAÇÃO DA SÚMULA 1CC N° 02. SIGILO BANCÁRIO — TRANSFERÊNCIA — AUTORIDADE ADMINISTRATIVA — IRRETROATIVIDADE DE LEI não há ilegalidade na aplicação retroativa de lei que inova no caráter procedimental da ação fiscal, tese confirmada pela jurisprudência que se forma no Superior Tribunal de Justiça. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. O artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, de que o titular, regularmente intimado não faça prova de sua origem, por documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida, Mormente quando tais valores não tiverem sido registrados na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11543.004593/200402 Acórdão n.º 9101003.848 CSRFT1 Fl. 622 3 MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE O lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 . 'e 73 da Lei nº 4.502/64. A falta de comprovação da origem dos recursos depositados em contacorrente bancária caracteriza falta simples de presunção de omissão de receias, porém, não caracteriza o evidente intuito de fraude a ensejar a exasperação da multa de ofício prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL TAXA SELIC JUROS DE MORA APLICAÇÃO DA SÚMULA 1CC Nº 4. A PGFN interpôs recurso especial de contrariedade à lei ou evidência de prova, para tratar da matéria sobre a qualificação da multa de ofício (150%). Protesta pelo restabelecimento da multa qualificada, vez que restou claro o dolo do sujeito passivo em omitir informações do Fisco para não recolher tributo. Requer pela reforma do acórdão recorrido e pelo provimento do recurso especial. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 532/533) deu seguimento ao recurso especial. Despacho de unidade preparadora informou que a ciência via postal não foi concluída (efl. 592). Na sequência, houve intimação por meio de Edital (efls. 593). Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Sobre a admissibilidade, adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade de efls. 532/533, para conhecer do recurso especial da PGFN. Passo ao exame do mérito. A qualificação da multa de ofício deuse na infração denominada "presunção de omissão de receitas com base na falta de comprovação de depósitos bancários", com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, assim descrita pela autoridade fiscal: Pelo relato e provas ficou evidenciada a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Além disso, ficou claro que os sócios da empresa ocultaram do Fisco a verdadeira movimentação dos valores Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11543.004593/200402 Acórdão n.º 9101003.848 CSRFT1 Fl. 623 4 destas receitas, com o intuito de impedir o conhecimento da Fazenda Pública do seu real movimento financeiro. Isso porque, desde o início da fiscalização, foi intimada a apresentar os extratos bancários, sendo a resposta da empresa a de que "não possui escrituração bancária", o que é confirmado pela inexistência de registro de movimentação bancária nos seus livros contábeis. Ao deixar de efetuar tais registros nos seus livros, furtase a apresentar à fiscalização o recebimento de numerários provenientes da receitas de vendas de bens ou de serviços. Somente quando a empresa teve ciência do Termo de Constatação e Intimação nº 01, no qual foram discriminados os depósitos da sua conta corrente não declarada, é que alegou que tais depósitos correspondiam à movimentação financeira particular do sócio Nelson Lorenzoni, que atua na intermediação de café. No entanto, conseguiu comprovar que apenas pequena parte dos depósitos tem essa origem. Ficou caracterizado assim que as manobrar adotadas pela empresa, através dos seus sócios, indubitavelmente visaram a produzir efeito que iludisse a Fazenda Nacional, a fim de se esquivaram do pagamento dos tributos devidos. Com a devida vênia à interpretação dada aos fatos pela autoridade autuante, entendo que o que restou plenamente demonstrado foi a subsunção à presunção de omissão de receitas. A omissão de receitas pressupõe a não escrituração das receitas, precisamente o que ocorreu no caso concreto. E, valendose do permissivo do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, foi possível apurar o montante presumido de receitas omitidas. Aqui se trata de situação de presunção de omissão de receitas por depósitos bancários, e não de uma omissão de receitas direta. Para se caracterizar o dolo, há que restar demonstrado um plus na conduta da Contribuinte. Devese ultrapassar o tipo objetivo da norma tributária. É quando se consuma a presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o intuito doloso, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT1: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constatase que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizála. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, a vontade, que não pode existir sem aquele. Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 2 discorre com didática: 1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 267. 2 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11543.004593/200402 Acórdão n.º 9101003.848 CSRFT1 Fl. 624 5 Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 3: A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. Por exemplo, é o que ocorre quando se descobre que, não obstante declaração de contribuinte ao Fisco Estadual de valores de receita corretos, informase ao Fisco Federal valores inferiores de maneira sistemática e reiterada, demonstrando a consciência e vontade de omitir informações. Ou quando se verifica a interposição de pessoas, a utilização de empresas fictícias e artificiosas para se omitir as receitas, fraude em documentos fiscais ou sociais, movimentos visando ocultar o endereço da empresa, ou a localização dos sócios para prestar esclarecimentos, dentre outros. Contudo, no caso concreto, o que se verifica é estritamente o tipo objetivo da norma sendo preenchido: depósitos bancários com origem não comprovada cujos valores apurados são presumidas receitas tributáveis. Não há nada além na conduta tipificada, razão pela qual não há que se falar em dolo. Cabe, portanto, ser mantida a decisão recorrida, para afastar a qualificação da multa de ofício. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinatura digital) André Mendes de Moura 3 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11543.004593/200402 Acórdão n.º 9101003.848 CSRFT1 Fl. 625 6 Fl. 625DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.996341/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 63 41 /2 01 2- 10 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.996341/201210 Acórdão n.º 1201002.540 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de CSLL referente ao 3º trimestre/2006. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 12% para CSLL, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 12%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.996341/201210 Acórdão n.º 1201002.540 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.996341/201210 Acórdão n.º 1201002.540 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.996341/201210 Acórdão n.º 1201002.540 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 143DF CARF MF
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