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Numero do processo: 13709.002949/94-08
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 1997
Numero da decisão: 202-01915
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-30T03:31:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-30T03:31:28Z; Last-Modified: 2010-01-30T03:31:28Z; dcterms:modified: 2010-01-30T03:31:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-30T03:31:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-30T03:31:28Z; meta:save-date: 2010-01-30T03:31:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-30T03:31:28Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-30T03:31:28Z; created: 2010-01-30T03:31:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-01-30T03:31:28Z; pdf:charsPerPage: 1601; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-30T03:31:28Z | Conteúdo => 2: (=c p.,. 1:4 0.1013 C ilet C. tt.tic. - E '7-etwo.0.4 -'400),,i s." r MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.- 10.675-000.498/87-19 JAN Sessão de 05 de julho de 19 88 ACORDÃO N.. 202-01.915 Recurso n.. 79.550 Recorrente POSTO PRATA() LTDA. Recorrid a DRF EM UBERLÂNDIA-MG PIS/PIS-FATURAMENTO - Comerciantes varejistas de pra dutos derivados de petrõleio e álcool etílico hidra= tado para fins carburantes participam ., do PIS-Fatura- mento. Lei Complementar n9 7/70 sobrepõe-se ã lei or dinãria, por isso que a regra do art. 74, § 29 .'d6 CTN não veda a exigenciá, nem tem aplicação á hip6te se. Penalidades aplicadas segundo as normas de reger] cia, exceto a do período anterior a agosto de 19837 Da-se provimento, em parte, ao recurso, para .. ex- cluir a multa de 50%, referente ao periodo , ; de 20.03.83 a 20.07.83. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por POSTO PRATÃO LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo 1,Conse- lho de Contribtlintes , por unanimidade de votos, em dar provimento par cial ao rectirso, para excluir da exigência ,a multa de 50%, referente' ao periodo de 20.03..83 a 20.07.83. Sala das Sessões, em 05 e julho de 1988 JOSE ALVES O s - FONSECA - PRESIDENTE - RELATOR / ,SEtAler-fà I, 1,./ T in i 41 t / ,. OLEG RIS L R * V. / DO. ANJOS -PROCURADOR-REPRESENTANTE DA FAZENDA NACIONAL VIST EM SESSÃO; DE 5 SET 1988 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros OSVAL- DO • TANCREDO DE OLIVEIRA,MAgIA HELENA JAIME, ELIO ROTHE, ALDE DA COS TA SANTOS JUNIOR, CARLOS MARIO DA SILVA VELLOSO FILHO e JOSE. LOPES FERNANDES.H4 - • MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.. 10.675-000.498/87-19 Recurso ma: 79.550 Acordeio n.°: 202-01.915 Recorrente: POSTO PRATA() LTDA. RELATORIO Precedendo o auto de infração (fls. 40), veio o termo de verificação fiscal de fls. 34134v9, no qual se tem o levantamen to do crédito tributário, apurado durante o período fiscalizado (a gosto de 1982 a dezembro de 1986),e estas observações: "1 - No período compreendido entre agosto de 1982 a dezembro de 1984, foram considerados como base de cál culo para a contribuição, os valores componentes da ri ceita bruta total, ou seja o somatório das receitas pr-6 provenientes da revenda de produtos derivados de pi tróleo e álcool etílico hidratado para fins carburaW tes e das receitas decorrentes da revenda de outrospr dutos. A partir de janeiro de 1985, foi excluída da b -a- se de cálculo a receita da revenda de derivados de trõleo e do álcool etílico hidratado para fins carbil rantes, para fins previstos na Portaria ME n9 238/84.— 2 - Os demonstrativos de fls. 29/33, 36/39, cita dos acima e este termo passam a fazer parte integrante do competente auto de infração, de fls. 40. 3 - Resumo das contribuições apuradas e não reco lhidas, referentes aos fatos geradores ocorridos nosife riodos citados: 1982 valor em Cz$ 724,58 1983 valor em Cz$ 4.208,26 1984 valor em CZ$ 15.105,77 1985 valor em Cz$ 17,09 1986 valor eiti Cz$ 1,80 20.057,50 4 - Sobre os valores das contribuições apuradas e segue- 95 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.675-000.498/87-19 02- Acórdão n9 202-01.915 não recolhidas serão adicionados os acréscimos legais previstos na legislação de regência." No dia 15 de julho de 1987, foi lavrado o auto de in fração de fls. 40, pela falta de recolhimento do PIS-Faturamento, apurados nos termos de verificação fiscal de fls. 34/5 demonstra tivos de fls. 36/9, no importe de Cz$ 20.057,50, propondo-se, nes sa peça bísica, as multas de 50%, para as parcelas de 20.03.83 a 20.07.83 (Resolução n9 174/71 do BACEN c/c o art. 21 do Decreto- lei n9 401/68); de 20%, para as parcelas do periodo de 20.08.83 a 20.06.86 (art. 19, inciso III do Decreto-Lei rt9 2.052/83; art. 19, parágrafo Unico do Decreto-lei n9 1.736/79, com a redação dada pe lo art. 39 do Decreto-lei n9 2.287/86 c/c o art. 112 do CTN) e de 50%, sobre as parcelas do periodo de 20.03.86 a 20.06.86 (art. 86, § 19 da Lei n9 7.450/86). ( Defendendo-se, a autuada apresentou a impugnação de fls. 43/49, sustentando a improcedência do auto de infração, aos argumentos de que é empresa com atividade na revenda de produtos derivados de petrOleo e ãlcool etilico p ara fins carburantes, mer cadorias essas sujeitas, apenas, à tributação pelo imposto sobre operaçães, na conformidade do artigo 74 do CTN. Replicando, veio a informação fiscal de fls. 51/55 sus tentando a procedencia do auto de infração, aos argumentos de que asexigencias ali feitas estão amparadas pela Portaria n9 238-MF/84, pela Lei Complementar n9 07/70 e Lei Complementar n9 17/73, bem como pelas demais normas legais mencionadas na peça bísica. A decisão singular (fls. 56/59) julgou procedente a ação fiscal e manteve a exigência, tal como lançada na peça bísi ca, aos fundamenttos expendidos às fls. 58, in verbis: "A alegação de ilegalidade da exigência não pode prosperar porquanto a Lei Complementar n9 07/70 ,trou xe no seu bojo os elementos descritotes defato juridi co e os dados prescritores da relação obrigacional, tendendo ao principio constitucional tributãrio da e -s- segue - /1°0 SERVIÇO PUBLICO FEOERAL Processo n9 10.675-000.498/87-19 03- Acórdão n9 202-01.915 trita legalidade acolhida no mandamento do artigo 153 § 29 da Constituição. No entanto, se a pretensão da autuada g arguir a insconstitucionalidade da lei acima citada, tal maté ria não pode ser discutida na esfera , adMinistrativ -a- por estravazar os limites de sua competgncia. A base de cálculo para a contribuição para o PIS, ex vi do artigo 39, letra b da Lei Complementar n9 07, 137 de setembro de 1970[ó a receita bruta tal como definida no caput do artigo 12 do Decreto-lei n9 1.598/77, com a exclusão do IPI, ficando afastada qual quer outra exclusão, seja qual for a sua natureza a qualquer titulo (Norma de Serviço CEF n9 451/78). Ressalte-se a propósito, que mediante a Portaria n9 238/84, o Ministro de Estado da Fazenda atribuiu ao fornecedor de derivados de petróleo e álcool etili co hidratado para fins carburantes o recolhimento do PIS-Faturamento devido pelos comerciantes varejiStas desses produtos. Conclui-se, ante o exposto, que, somente a par tir do recolhimento cuja base de cãlculo foi o faturi mento de janeiro de 1985 (item III da PMF n9 232784) e- que o impugnante deveria excluir da sua receita bruta o total das vendas dos produtos acima citados, sendo, portanto, subsistente o lançamento objeto do litígio." Com guarda do prazo legal (fls. 61 e 63), veio o re curso voluntário de fls. 63/67 renovando suas razões expendidas na impugnação, enfatizando a Recorrente que a contribuição PIS-Fa turamento é esp g cie de tributo, embora seja uma contribuição para fiscal. "r espécie de tributo. Toda espécie é oriunda de um gane ro. O género é o tributo." Destaca a Recorrente (fls. 65). Acrescenta ela que a Portaria—MF n9 238/84, ao atri buir aos fornecedores de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes, não reveste de legalidade o cré dito tributãrio impugnada, muito menos estende essa legalidade a parente a fatos pretéritos, ou seja, para alcançar fatos gerado res até dezembro de 1984. Para a Recorrente, a Lei Complementar n9 07/70 só se aplica áquelas situações não previstas no artigo 74 e seus parg grafos do CTN, os quais ficaram violados pela decisão recorrida, segue - tP) SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.675-000.498/87-19 04- Acórdão n9 202-01.915 bem como violada também ficou a Constituição Federal, em seu art. 153, § 29, ou seja: "Ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fa zer alguma coisa, senão em virtude de lei." — E o relatório. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR, SEBASTIAO BORGES TAQUARY O auto de infração e decisão singular não foram ataca dos pela peça recursal, no que concerne a valores e formas de apu ração do crédito tributário. A Recorrente não se conforma com a exigência, porque entende que sobre a revenda que faz, de produ tos derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins car burantes, não está sujeita incidência de PIS-Faturamento, por força do artigo 74 e seu 29 do CTN. Mas, esse entendimento não ó correto. A Lei Complemen tar n9 07/70, sobrepõe-se ã lei ordinária. Aliás, nem quis o le gislador, ao redigir aquele dispositivo do CTN, inibir o Estado de instituir novos tributos. Para mim e para os doutos, subsistem essa Lei Complementar e esse dispositivo do CTN, sem quaisquer conflitos entre eles. A exigéncia não dissente da lei. Ao contrário, com ela se harmoniza. Aliás, as penalidades propostas e mantidas estão, também, de acordo, em parte, com as normas de regências indicadas na peça básica, tanto que não foram impugnadas pela defesa ou pe lo recurso. Há, porém, de ser excluída a multa de 50% sobre as parcelas do período de 20.03.83 a 20.07.83, ã mingua de base le gal, para sua exigência, que adveio a partir de agosto de 1983, por força do Decreto-lei n9 2.052/83. Considero, pois, incensurável a decisão recorrida,que segue - SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.675-000.498/87-19 05- Ac6rdio n9 202-01.915 merece ser confirmada, em parte, por seus judiciosos fundamentos, os quais adoto como também minhas razões de decidir, para excluir da exifencia a multa de 50% sobre as parcelas- de20.03.83 a 20.07.83. Dou provimento, em parte, ao recurso. Sala das Sessões, em 05 de julho de 1988 ‘,3 •ÁgfrA0 *frsT;i4eA UAy
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000692/2009-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - PRECLUSÃO PROCESSUAL
A declaração de intempestividade da impugnação pelo Acórdão de primeira instância, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à questão da intempestividade
Numero da decisão: 2403-001.572
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - PRECLUSÃO PROCESSUAL A declaração de intempestividade da impugnação pelo Acórdão de primeira instância, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à questão da intempestividade
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto.
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ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 06 92 /2 00 9- 61 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0335.784 da 5ª Turma, que não conheceu da impugnação em função de intempestividade. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de AutodeInfração de Obrigação Principal — AIOP DEBCAD n° 37.264.7960, lavrado contra a empresa em epígrafe em 23/12/2009 (data da cientificação do contribuinte), no valor de R56.276.789,53 (seis milhões, duzentos e setenta e seis mil, setecentos e oitenta e nove reais e cinquenta e três centavos), referente às contribuições patronais devidas aos Terceiros (INCRA, SALÁRIOEDUCAÇAO, SENAC, SESC e SEBRAE), não declaradas em GFIP, , incidentes sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestaram serviços no período de março/2004 a 12/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 12/64, o contribuinte não declarou remunerações nem recolheu contribuições incidentes sobre algumas verbas pagas a seus trabalhadores (Remunerações pagas a empregados e diretores por empresas interpostas e Outras remunerações de Gerentes, Analistas, Programadores, Lideres de Projeto e Consultores); simulou contratos com empresas de empregados, com o intuito de burlar as legislações trabalhista, previdenciária e tributária; e, ainda, causou embaraço à ação da fiscalização ao tentar impedir a correta verificação dos tributos devidos. Diante desse quadro, foi necessária a realização de diligências, que foram efetuadas junto à Justiça do Trabalho, a pessoas jurídicas e pessoas fisicas. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que a notificação ocorreu após o horário de expediente normal no dia 23/12/2009 e que por essa razão só deveria ser considerado notificado no primeiro dia útil subseqüente, isto é, dia 28/12/2009 e que o auditor fiscal notificante enviou email para a empresa informando que o prazo para impugnação começaria a contar a partir de 28/12/2009. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000692/200961 Acórdão n.º 2403001.572 S2C4T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator A primeira instância não conheceu do recurso por entendêlo intempestivo. O recurso discute especificamente a questão da tempestividade. Abaixo analisarei a questão da tempestividade da impugnação. É incontroverso que a ciência dão lançamento ocorreu em 23/12/2009 e que a impugnação ocorreu em 27/01/2010. Conforme consta do relatório Instruções para o Contribuinte IPC, o prazo para impugnação é de 30 dias, sendo que a contagem inicia no 1º dia útil após a ciência. 3.3. Prazo para a apresentação da impugnação Recebido o Auto de Infração, o contribuinte terá o prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência para apresentação da impugnação. O prazo inicial fluirá a partir do 1 ° dia útil após a data da ciência, observando: a)na contagem dos prazos será excluído o dia da ciência e incluído o dia do vencimento; b)o dia do início e do vencimento da contagem dos prazos serão prorrogados para o 1º (primeiro) dia útil seguinte (com expediente normal), caso recaiam em dia em que não haja expediente integral na unidade de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil; c)os prazos são contínuos. Não se suspendem ou interrompem. Excepcionalmente, será admitida a suspensão por motivo de força maior, caso fortuito, greve ou outro fato que impeça o funcionamento das unidades de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou traga impedimento às partes. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Tal orientação está em harmonia com o estabelecido no Decreto 70.235/72. Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 15. A impugnação,. formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. O citado email do auditor fiscal trazido ao processo, folhas 194 e 195, informa que no dia 24/12/2009 não teria expediente normal e que o prazo para impugnação começaria a ser contado a partir da segundafeira, dia 28/12/2009. —Mensagem original—De: Andre Lima de Castro [mailto:andre.l.castro@receita.fazenda.gov.br] Enviada em: quartafeira, 23 de dezembro de 2009 18:31 Para: Kleuber Pereira Batista Cc: Christiano Vifíuales de Moraes Assunto: Prazos Senhores, Conforme solicitado, informo que amanhã, 24/12/2009, não é dia de expediente normal na Delegacia da Receita Federal de Brasília. Amanhã só haverá expediente até as 14h00. Assim, os prazos de 30 dias discriminados nos documentos que os senhores tiveram ciência na data de hoje só começam a contar a partir da próxima segundafeira, 28/12/2009. Atenciosamente, André Castro. Entendo correto o informado no email. Considerando a data inicial da contagem o dia 28/12/2009. o prazo de 30 dias encerrou em 26/01/2010. A impugnação foi apresentada dia 27/01/2010 sendo corretamente considerada intempestiva. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000692/200961 Acórdão n.º 2403001.572 S2C4T3 Fl. 4 5 CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 219DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000632/00-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1995
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS.
Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-001.484
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso (Suplente convocado), João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS. Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial requisito de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso (Suplente convocado), João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 06 32 /0 0- 08 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 171/179) interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 7º, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n° 147, de 25.7.2007. O presente processo administrativo é decorrente de auto de infração lavrado para exigência do IRPJ, PIS, COFINS e IRRF em razão da constatação da infração de omissão de receita, caracterizada pela não contabilização de pagamento a terceiro no valor de R$ 127.000,00 (cento e vinte e sete mil reais) realizado em 25/04/95. O referido auto de infração, em relação ao IRF, foi lavrado com base no artigo 44 da Lei n° 8.541/92, que dispunha: A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. Cumpre observar, ainda, que restou consignado no termo de verificação fiscal (fls. 29/30) que o contribuinte, ora recorrido, efetuou pagamento de dívida contraída junto a empresa Advance Indústria Têxtil Ltda no montante de R$ 127.000,00 (cento e vinte e sete mil reais), entretanto, a operação se deu à margem da escrituração contábil, razão pela qual caracterizouse a infração de omissão de receita e procedeuse ao lançamento de ofício. Assim, constou do auto de infração as seguintes informações: (1) fato gerador ocorrido em 31/12/1995, (2) valor Tributável de R$127.000,00 e (3) multa no percentual de 75%. Em sede de Recurso Especial a Recorrente insurgiuse contra o acórdão nº 10323105 (fls. 157/168), proferido pelos membros da Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso do contribuinte. O acórdão recorrido foi assim ementado: MATÉRIA DE FATO — Não colacionados aos autos documentos que comprovem as alegações recursais e ilidam a legitimidade da ação fiscal, é de rigor a manutenção dos lançamentos tributários. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO TEMPORAL DO FATO GERADOR — O artigo 142 do CTN estabelece que, para constituição do crédito Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13839.000632/0008 Acórdão n.º 9101001.484 CSRFT1 Fl. 258 3 tributário, a autoridade fiscal deve, entre outros procedimentos, verificar o momento adequado da ocorrência do fato gerador. O equivoco na identificação do aspecto temporal do fato gerador implica nulidade do lançamento e cancelamento da exigência respectiva. Recurso a que se dá parcial provimento. A Fazenda Nacional afirmou em suas razões recursais que no caso dos autos não houve erro na identificação temporal do fato gerador. Argumentou que o Imposto de Renda Retido na Fonte é complexivo, bem como que o seu período de apuração é anual e, por isso, o seu fato gerador ocorreu em 31 de dezembro do ano de 1995, sendo os recolhimentos mensais meras antecipação do pagamento, estando, portanto, correto o auto de infração. Afirmou que o acórdão recorrido acolheu o entendimento de que o fato gerador do Imposto de Renda Retido na Fonte é a data do pagamento, sendo este divergente do entendimento adotado pela Sexta Câmara do extinto Conselho de Contribuintes no sentido de que o fato gerador do IRF é anual e ocorre a cada 31/12 de cada ano e transcreveu a ementa do acórdão paradigma: IRF — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA — A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, assim, do prazo para requerer a restituição do indébito. O IR FONTE é mera antecipação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tributo complexivo, no qual o fato gerador só se ultima em 31.12. Sendo assim, o prazo previsto no art. 168, inciso I do CTN deve ser contado a partir desta data. (Acórdão 10614.909) Por fim, requereu a reforma da decisão recorrida no tocante ao Imposto de Renda Retido na Fonte. Conforme despacho de fls. 188/189, atendidos os requisitos de admissibilidade foi dado seguimento ao recurso da Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial às fls. 192/201. Preliminarmente, afirmou que o recurso não preenche os requisitos de admissibilidade, pois o recorrente não fundamentou a divergência argüida, não demonstrou o prequestionamento da matéria, bem como porque a matéria abordada no acórdão paradigma não se assemelha à matéria do caso concreto. Ademais, afirmou que a matéria versada no Recurso Especial interposto já se encontra pacificada junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais e citou os acórdãos Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 CSRF 40400.612 (Processo n.º:10280.002823/200547 e Recurso n.º 104148924) e CSRF 40400.593 (Processo n.º :10380.012920/200358 e Recurso n.º: 104143009). Argumentou, ainda, que o imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo fato gerador ocorre na data do efetivo pagamento ao beneficiário. Por fim, requereu o não provimento do recurso especial para manter a nulidade do lançamento de IRF por vício insanável em sua constituição decorrente da falta de observância do critério temporal do fato gerador da obrigação tributária. O contribuinte apresentou, também, Recurso Especial às fls. 193/212 contra a parte da decisão que manteve a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Entretanto, conforme exame de admissibilidade às fls. 244, foi negado seguimento ao recurso, nos seguinte termos: (...) Compulsando os autos, vêse que o primeiro acórdão paradigma trata da multa isolada no caso de pagamento de tributo após o vencimento do prazo e desacompanhado de multa de mora (art. 44, § 1 0, II, da Lei 9.430/96), e o outro diz respeito à multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal (art. 44, § 1 0, IV, da Lei 9.430/96), ao passo que o acórdão recorrido trata da multa de oficio que é lançada juntamente com o tributo (art. 44, § 1°, I, da Lei 9.430/96). A diferença entre essas penalidades fica ainda mais evidente quando se constata que, diferentemente do que ocorreu com as referidas multas isoladas, não houve qualquer modificação nos percentuais das multas de oficio que são lançadas juntamente com o tributo, o que compromete totalmente a divergência suscitada, uma vez que sua alegação se deu a partir de decisões fundadas em normas jurídicas distintas. Assim, no uso da competência estabelecida pelo § 1° do art. 68 do Anexo H do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, NEGO SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Contribuinte (...). Em sede de reexame de admissibilidade, às fls. 246/247, foi mantido o despacho que negou seguimento ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13839.000632/0008 Acórdão n.º 9101001.484 CSRFT1 Fl. 259 5 Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. Tratase de Recurso Especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 10323105, na parte que excluiu a exigência do IRRF sob o fundamento de que, no caso, em razão do equívoco na identificação temporal do fato gerador tornouse nulo o lançamento. O presente recurso especial é tempestivo, entretanto não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada pela Fazenda Nacional, senão vejamos. No acórdão recorrido restou consignado o entendimento de que o fato gerador do IRRF se concretiza na data do pagamento efetivo, razão pela qual no caso dos autos houve erro na identificação temporal do fato gerador, já que a autoridade fiscal considerou o fato gerador ocorrido em 31/12/1995. O entendimento proferido no acordão recorrido foi adotado porque o presente processo cuida de imposto de renda de terceiro retido na fonte pelo recorrente, ou seja, nos termos do artigo 44 da lei n 8541/92, houve presunção de que os valores pagos à título de empréstimo e não contabilizados foram distribuídos a terceiros e, diante da impossibilidade de tributálos em função da renda auferida, determinouse a retenção na fonte pagadora. Cumpre observar que neste caso o imposto de renda retido integraria a base de cálculo da apuração realizada pelo terceiro, pois é imposto que recai sobre suas operações. No caso dos autos, o recorrente atua como mero retentor do imposto. Por outro lado, o acórdão paradigma cuida de imposto de renda retido na fonte em razão de operações próprias, onde o recorrente é o contribuinte do tributo. No acórdão paradigma o contribuinte pretendia a restituição do imposto de renda próprio retido na fonte por terceiro (responsável tributário) e discutia o termo inicial do prazo para o pedido de repetição do indébito. Ressaltese, portanto, que o caso analisado pelo acórdão paradigma trata de pedido de restituição efetuado pelo próprio sujeito passivo direto da obrigação tributária. Desta forma, temse que as questões enfrentadas nos acórdãos cotejados são diversas, isto porque, a decisão recorrida trata de imposto de renda retido onde o recorrente é o responsável tributário e, por isso, o valor retido não integrará a base de cálculo para apuração do seu imposto, já a decisão do acórdão paradigma trata de imposto retido devido pelo próprio contribuinte (sujeito passivo direto da obrigação tributária) e, portanto, tal tributo deverá integrar a base de cálculo da apuração do seu imposto, pois recai sobre suas operações. Situações fáticas diferentes. Não há, portanto, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial pela ausência de similitude fática. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 6 É nesse mesmo sentido o entendimento adotado por este Conselho, conforme julgados cujas ementas seguem transcritas: RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. (Acórdão nº 9202001.784, de 28/09/2011) RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Do exposto, não comprovada a divergência jurisprudencial, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000741/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS.
A falta de comprovação da operação justifica a glosa de créditos suportados por notas fiscais reputadas inidôneas.
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO.
A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei.
DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
JUROS DE MORA. SELIC.
A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal.
MULTA QUALIFICADA.
Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a conduta dolosa.
Numero da decisão: 3302-001.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 04/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 04/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FFAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. A falta de comprovação da operação justifica a glosa de créditos suportados por notas fiscais reputadas inidôneas. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. MULTA QUALIFICADA. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a conduta dolosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 07 41 /2 01 0- 59 Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 04/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Ribeirão Preto: Em ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte em epígrafe, relativa ao anocalendário de 2005, foi efetuado lançamento para exigência de crédito |tributário no valor total de R$ 2.252.912,57 (dois milhões e duzentos e cinqüenta e dois mil e novecentos e doze reais e cinqüenta e sete centavos), conforme demonstrativo de fl. 1, tendo sido lavrado o auto de infração de fls. 2/11, para exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos seguintes termos: (...) Enquadramento legal: Regulamento do IPI, aprovado peló Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), arts. 34, II, 1J22, 127, 130, 164, I, 165, 195, 199, 200, IV, e 202, que correspondem aos arts. 35, II, 181, 186, 189, 226,1, 227, 256, 260, IV, e 262, do Decreto n° 7.212, de 15 dejunho de 2010. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.057/1.073 descreve e^m detalhes a ação fiscal e relata a constatação de que a fiscalizada lançou em sua escrita fiscal do anocalendário de 2005 créditos de IPI lastreados em notas fiscais inidôneas. Ressalta a fiscalização que, conforme termo de intimação fiscal de fl. 73, a contribuinte foi intimada a apresentar os originais das notas fiscais relacionadas na planilha de fls. 74/83, bem como foi notificada do entendimento fiscal de serem tais notas fiscais inidôneas e intimada a apresentar elementos hábeis e idôneos aptos a infirmar a inidoneidade apontada. Foram as seguintes razões apontadas pela fiscalização para considerar as notas fiscais inidôneas: a) em relação à Alfer Comércio e Construções Ltda., foi efetuada diligência no seu endereço cadastral e constatado que nos últimos oito anos jamais houve no local algum estabelecimento que promovesse o comércio de mercadorias, conforme se depreende da informação de vizinhos e da estrutura física do imóvel residencial edificado em terreno pequeno, insuscetível de abrigar comércio de mercadorias; Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15956.000741/201059 Acórdão n.º 3302001.774 S3C3T2 Fl. 1.151 3 b) em relação à Mascote Distribuidora de Produtos Siderúrgicos Ltda., foi efetuada diligência em seu endereço cadastral e constatado que ela jamais esteve estabelecida no local, bem como diligência ao Fórum de Ribeirão Preto da Justiça Comum do Estado de São Paulo, na qual se constatou que a empresa teve sua falência decretada, conforme editais publicados no Diário Oficial do Estado de São Paulo nos dias 16 e 17 de março de 2000; c) em relação à Fácil Importação e Exportação Ltda., foi constatado que o Ato Declaratório Executivo n° 23, de 2 de agosto de 2007, da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo, publicado na página 150 do jDiário Oficial da União (DOU) de 06/08/2007, declarou a inaptidão da inscrição CNPJ da empresa com efeitos a partir de 27/12/2004. Em resposta à intimação, a contribuinte solicitou prorrogação, de prazo por mais 60 (sessenta) dias uma vez que os livros e documentos solicitados se encontrariam em poder da Polícia Federal (fl. 84). A fiscalização enviou termo de intimação (fl. 85), solicitando que ela especificasse quais os elementos estariam em poder da Polícia Federal, comprovando sua entrega ou apreensão, tendo a intimada apresentado cópia do Auto Circunstanciado de Busca e Arrecadação IPL n° 650/2010, do Departamento de Polícia Federal (fls. 87/112), bem como afirmado que, em relação às constatações da fiscalização, realizou a operação dentro da licitude e boafé, inclusive, com documentos que respaldam o negócio jurídico realizado, e que resta impossível a ela fazer ponderações concretas com base nas constatações levantadas pelo Fisco, uma vez que estas não foram enviadas com os documentos que respaldam tal entendimento. Diante da alegação de boafé e de que os documentos comprobatórios da licitude das operações comerciais estariam em poder da Polícia Federal, foi envido ofício à Justiça Federal solicitando o acesso da fiscalização aos documentos apreendidos, o qual foi deferido. Examinando a documentação apreendida, a fiscalização constatou que não há documentos que se prestem a afastar o entendimento fiscal de inidoneidade das notas fiscais e que, ao contrário, os documentos existentes laboram em desfavor da contribuinte, conforme descrito no TVF. Ressaltou, ainda, o autuante que as fichas do Razão da empresa Fácil e as relações de cheques destinados à Alfer e Mascote constituem a documentação com que a fiscalizada pretende justificar a escrituração das notas fiscais inidôneas, documentação que não logra demonstrar a efetiva aquisição de mercadorias que respaldem os custos e despesas lastreados nestas notas fiscais. Acrescentou que nem mesmo as notas fiscais foram apresentadas, tornando impossível verificar se as mercadorias foram necessárias para os negócios da empresa. Acrescentou que foram obtidas junto ao Fisco do Estado de São Paulo cópias de notas fiscais emitidas pela Mascote (fls. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 350/477), muitas das quais informam mercadorias que não são insumos utilizados pela fiscalizada, conforme constatado em visita fiscal às unidades fabris (fls. 69/72). Constatou ainda a fiscalização a existência de duas notas diferentes com o mesmo número, emitidas com o nome Mascote (fls. 446/447), sendo a primeira registrada em 08/06/2005 pela matriz (fl. 229). Afirmou que os documentos em poder da Polícia Federal evidenciam que a empresa Fácil, inexistente de fato, era operada pela própria fiscalizada e servia de fachada para várias operações, inclusive com a movimentação financeira sendo feita pelo diretor financeiro da fiscalizada, assim as TEDs não servem para justificar a idoneidade das operações glosadas nem podem justificar os custos e despesas correspondentes. I Ressaltou o autuante que os cheques com os quais a interessada pretendeu comprovar a idoneidade das notas fiscais de emissão das empresas Alfer e Mascote constituemse em simulações de pagamentos, de forma que os documentos em poder da Polícia Federal não se prestam a comprovar o efetivo pagamento de mercadorias e tampouco a sua efetiva compra, seu ingresso na empresa, seu consumo ou sua aplicação no processo produtivo. Concluiu que, como nada foi apresentado pela fiscalizada que comprovasse a licitude das operações contestadas pela fiscalização, não logrando a empresa infirmar o entendimento fiscal de que são inidôneas as notas fiscais relacionadas, não tendo sido apresentados documentos que comprovem a efetividade das compras e das entregas das mercadorias, foram glosados os valores correspondentes lançados como custos em sua escrita contábil e fiscal. Foi aplicada a multa qualificada, prevista na Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, por considerar o autuante que restou comprovada a intenção da contribuinte de cometer fraudes em prejuízo do Fisco Federal, evidenciada pelo procedimento de fazer uso dej notas fiscais inidôneas, simular pagamentos dessas notas, fazer usos de petrechos de falsificação e manter operação de empresas de fachada. Considerou, ainda, o autuante que cabe o agravamento do percentual da multa, diante da falta de atendimento das intimações feitas, respondidas com meras alegações protelatórias. Notificada do lançamento em 23/12/2010, conforme autos de infração, a interessada, representada pelos advogados José Luiz Matthes e Fábio Pallaretti Calcini (procuração de fls. 89/90), ingressou, em 05/01/2011, com a impugnação de fls. alegando, em suma: • decadência, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 150, § 4o , relativamente ao período de janeiro a novembro de 2005; • o princípio da nãocumulatividade garante seu direito ao^ crédito sem restrições, sendo que o princípio da boafé vige nas relações jurídica: Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15956.000741/201059 Acórdão n.º 3302001.774 S3C3T2 Fl. 1.152 5 • a impugnante agiu de boafé, pois comprou diversos produtos industrializados das empresas Mascote, Alfer e Fácil, o que permitiu o lançamento dos créditos de IPI referentes a essas operações" • portanto, o Fisco não comprovou a suposta infração, na medida em que todos os créditos de IPI estão amparados em notas fiscais que foram devidamente contabilizadas, ficando claro que a inidoneidade apontada no auto de infração é descabida; • todas essas notas fiscais estavam munidas dos requisitos legais previstos à época das operações, sendo certo que as duas empresas se! encontravam regulares perante o Fisco Federal; • se essas pessoas jurídicas acabaram encerrando suas atividades posteriormente, tais situações jamais poderiam prejudicar a| autuada, que agiu de acordo com a legislação tributária que permitia as deduções e créditos realizados; • é certo que as operações praticadas são totalmente regulares, pois houve aquisição de produtos efetivamente utilizados na atividade empresarial da impugnante, e elas foram devidamente retratadas em notas fiscais, corretamente contabilizadas, tendo ocorrido o pagamento do valor total avençado; , ! • para que a fiscalização pudesse efetivamente recusar os lançamentos contábeis realizados, deveria existir uma prova robusta de que, em 2005, não existiram as operações entre a impugnante e as aludidas empresas; • todas as diligências da Receita Federal foram realizadas nojano de 2010, ou seja, depois de cinco anos da ocorrência das operações averiguadas, o que denota sua fragilidade para desconstituição de negócios jurídicos válidos; • diante das provas e da busca pela retroatividade de declarações de inaptidão, tais condutas jamais poderiam desconstituir as operações de aquisição de produtos que foram devidamente amparadas em notas fiscais e corretamente contabilizadas; • o ordenamento jurídico prestigia a boafé, que deve ser presumida até cabal prova em contrário; • para desconstituição dessa situação o Fisco jamais poderia ter se baseado tãosomente em declarações e na ausência de documentos que estavam apreendidos pela Polícia Federal; • o auto de infração encontrase fundamentado tãosomente em mera presunção, eis que se utiliza de impressões pessoais e na ausência de documentos que estavam no poder da Polícia Federal; a fiscalização não demonstrou, como era de sua competência, os elementos que compõem o fato jurídico tributário, pois o ônus de demonstrar os elerpentos que deram ensejo à ocorrência do fato gerador é do Poder Publico Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 • não se pode vaticinar o comportamento cômodo do Fisco que, ao invés de buscar a verdade material, escondese em frágeis presunções, jogando, abusivamente, para o contribuinte, deveres legais que lhe incumbiam, isso sem contar que a própria atuação admite que a empresa apresentou as notas fiscais e as contabilizou corretamente nos livros próprios; • contrapondo à presunção de boafé e todas as provas da contribuinte (notas fiscais, contabilização, pessoa jurídica com CNPJs ativos em 2005), a única prova diretamente relacionada à questão seria depoimentos e alguns documentos que estavam apreendidos pela Polícia Federal; • a incidência da Taxa Selic sobre o débito apontado não encontra respaldo jurídico, uma vez que deve ser observado o previsto no art. 161 do CTN; • a multa aplicada ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (CF, art. 5o , LIV) e da proibição do confisco (CF, art. 150, IV); • a multa deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20% (vinte por cento), de conformidade com a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 61, § 2o; • a multa há de ser reduzida uma vez que não houve qualquer prática de conduta por meio de fraude; • não houve a demonstração, comprovação e configuração! de condutas que possam ser qualificadas como de evidente intuito de fraude por parte da impugnante. Requereu seja anulado o lançamento ou ao menos reduzido o valor por ele cobrado, tendo em vista sua insubsistência. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem manter o lançamento, em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2005 GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. A falta de comprovação da operação justifica a glosa de créditos suportados por notas fiscais reputadas inidôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15956.000741/201059 Acórdão n.º 3302001.774 S3C3T2 Fl. 1.153 7 Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia j do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. MULTA QUALIFICADA. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a conduta dolosa. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ào legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá las nos moldes da legislação que a instituiu Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário, onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Contra o estabelecimento Matriz da Recorrente foi lavrado auto de infração em decorrência do registro em seus livros fiscais de créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos lastreadas em notas fiscais consideradas inidôneas pela fiscalização. Estas notas fiscais seriam relativas a aquisições efetuadas de três empresas específicas: (i) Alfer Comércio e Construções Ltda; (ii) Mascote Distribuidora de Produtos Siderúrgicos Ltda; e, (iii) à Fácil Importação e Exportação Ltda. A autoridade autuante informou que a empresa Alfer, após diligências realizadas ao seu endereço, não foi localizada, partir de informações coletadas com vizinhos do endereço, afirmou que a estrutura física do imóvel existente não comportaria as atividades comerciais. e, após informações coletadas com vizinhos do endereço, afirmou que a estrutura física do imóvel existente não comportaria as atividades comerciais. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES 8 Já em relação a empresa Mascote, informou que a mesma não foi localizada no endereço de cadastro e que após consulta ao Fórum de Ribeirão Preto verificou que a mesma teve a falência decretada em março de 2000. Por fim, a respeito da em presa Fácil aduziu que a Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório Executivo n° 23, de 2 de agosto de 2007, declarou a inaptidão da inscrição CNPJ da empresa com efeitos a partir de 27/12/2004. A partir destas constatações, a Recorrente foi intimada a apresentar documentos e informações que pudessem afastar as alegações efetuadas pelo auditor fiscal, bem como apresentar cópia das notas fiscais que se encontravam escrituradas em sua contabilidade. Para tal mister foilhe concedido o prazo de 20 dias. Em petição assinada por seus procuradores, a Recorrente requereu prazo de 60 dias para a apresentação dos documentos solicitados, informando que tais documentos estariam em posse da Polícia Federal. Após ter sido requisitada a descrição dos documentos de posse da Policia Federal, respondeu Recorrente que os documentos solicitados teriam sido juntados ao IPL 650/2010. Novas intimações são enviadas a Recorrente, reintimandoo para apresentação de diversos documentos, entre eles cópia das notas fiscais listadas, e em reposta, novamente informa a Recorrente que diversos documentos encontramse apreendidos pela policia Federal. São apresentados, contudo, copias de livros (Razão e entradas) e planilhas elaboradas pela Recorrente As fls. 224 e 226 encontramse expedientes encaminhados pela Receita Federal tanto à Polícia Federal quanto ao Juiz Federal responsável pela condução do IPL, questionando a existência, entre os documentos apreendidos, de notas fiscais e outros elementos que possam comprovar a existências das transações comerciais entre a Recorrente e as três empresas já citadas. Já nas folhas 234, consta decisão do Juiz Federal condutor do IPL que autoriza a fiscalização a analisar a documentação apreendida e, inclusive, tirar as cópias que achar necessárias. São trazidos a estes autos, diversos documentos, entre eles notas fiscais emitidas em 2005 pela empresa Mascote, cópias de cheques emitidos pela empresa SMAR em favor da empresa Mascote que, segundo declarações colhidas pela fiscalização, teriam sido sacados na “boca do caixa”. Restou constatado que, das diversas notas fiscais que teriam sido emitidas pela Mascote, mesmo depois da decretação de sua falência, muitas não se referiam a insumos a serem utilizados pela Recorrente. Estes são alguns dos “indícios” que corroboraram o entendimento da fiscalização para tornar as notas fiscas inidôneas. Ainda que não se admitisse tais conclusões, ainda resta uma questão que me parece de suma importância, qual seja, a prova de que as mercadorias que teriam sido adquiridas de fato permitiriam o creditamento que foi efetuado. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15956.000741/201059 Acórdão n.º 3302001.774 S3C3T2 Fl. 1.154 9 Neste sentido concordo com a afirmação constante do voto condutor do acórdão recorrido quando diz que: “ Pois bem, não se pode olvidar que a contribuinte silenciou (e ainda silencia) quando intimado a responder sobre as especificações quanto aos produtos comprados e a necessidade de sua utilização, ou seja, mesmo que não estivesse em questão a contabilização de notas fiscais inidôneas, a empresa fiscalizada deixou de comprovar que tais aquisições seriam MP, PI e ME adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados.” A verdade é que oportunidades não faltaram, e até o momento não há nenhum indício de que as mercadorias sequer foram recebidas nas dependências da Recorrente, uma vez que os lançamentos efetuados nos livros fiscais devem, por determinação legal, estar consubstanciados em documentos hábeis para fazer prova da veracidade das informações apontadas. Assim, entendo que neste ponto não há reparos a fazer na decisão recorrida, e considero que diante das provas colhidas pela fiscalização e diante da ausência de qualquer indício trazido aos autos pela Recorrente, em contrário, que as notas de fato são inidôneas e a Recorrente não pode ser considerada adiquirente de boafé. No tocante à majoração da multa aplicada por conta da existência do evidente intuito de fraude, também não assiste razão a Recorrente. A lei 9.430/96, assim determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Já a Lei 4.502/64, por sua vez, assim esclarece: Art. 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Ari. 72 — Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES 10 Art. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72 (grifei). Como tenho defendido nesta casa, em outros casos, a aplicação da pena prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96 depende, clara e inequivocamente, da comprovação de que houve o “evidente intuito de fraude”. Por isto é indispensável que a autoridade fiscal apresente esta prova. A este respeito, trazemos à baila importante ensinamento do renomado jurista Marco Aurélio Greco1, que assim trata o assunto: “À vista disso, entendo, neste ponto específico, que, pelo caráter absolutamente excepcional da previsão, os pressupostos de incidência da norma punitiva do inciso II (sem aqui examinar os relativos ao inciso I) devem ser fatos cuja qualificação jurídica deve ser incontroversa e resultar de aferição objetiva; vale dizer, desprovida de ponderações subjetivas ou de elementos metajurídicos. Em suma, havendo divergência relevante (dúvida razoável) quanto à cognição da qualificação jurídica dois fatos realizados, não cabe, a meu ver, aplicação do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96.” Ou seja, para ser imputada a multa deve, a autoridade fiscalizatória, promover prova contundente de que os atos praticados pelo contribuinte de fato estavam revestidos de evidente intuito de fraude. A meu ver, o extenso trabalho desenvolvido pela fiscalização de um lado e, de outro, a ausência de argumentos e provas capazes de, ao menos lançar uma dúvida razoável sobre as afrmações, levam a conclusão de que a havia de fato o evidente intuito de fraude. Neste contexto também dever ser afastada a alegação de decadência parcial do auto de infração lavrado, nos exatos termos determinados pelo art. 150 § 4º do CTN, que diz: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.. (...) § 4o Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco anos), a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, Tendo sido comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, deve ser aplicado o que dispõe o inciso I do art. 173 do CTN, in verbis: 1 In Revista Dialética de Direito Tributário nº 76 – Multa Agravada e em Duplicidade. Pag 152 Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15956.000741/201059 Acórdão n.º 3302001.774 S3C3T2 Fl. 1.155 11 Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Portanto, não há que se falar em decadência. Existe irresignação da Recorrente também quanto a alicação da taxa selic, bem como em relação ao caráter confiscatório das multas aplicadas. Como é cediço, é vedado ao julgador administrativo declarar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei vigente e eficaz, matéria que já se encontra inclusive sumulada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também se encontra sumulada a possibilidade de aplicação da SELIC: Súmula CARF nº 4: A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima transcrito em complemento as razões exposto no acórdão recorrido, as quais faço remissão nos termos do art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10120.011085/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE.
O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. RENDIMENTOS EXCLUSIVOS DA ATIVIDADE RURAL.
Comprovado que o contribuinte somente tem rendimentos provenientes da atividade rural, deve-se tributar a quinta parte, a base tributável decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Na espécie, o fisco tem o ônus de provar a fonte dos rendimentos para desclassificá-la, se for o caso, para a tributação normal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-002.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir 80% da base de cálculo remanescente do acórdão recorrido. Vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Assinado digitalmente.
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 14/09/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. RENDIMENTOS EXCLUSIVOS DA ATIVIDADE RURAL. Comprovado que o contribuinte somente tem rendimentos provenientes da atividade rural, devese tributar a quinta parte, a base tributável decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Na espécie, o fisco tem o ônus de provar a fonte dos rendimentos para desclassificála, se for o caso, para a tributação normal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 10 85 /2 00 8- 12 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 11 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir 80% da base de cálculo remanescente do acórdão recorrido. Vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 14/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 277 a 298: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 150/161), referente ao exercício 2005 ano calendário 2004, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/GoiâniaGO. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores (fl. 150): Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar 1.395.790,94 Multa de Ofício (passível de redução) 1.046.843,20 Juros de Mora (cálculo válido até 31/07/2008) 611.077,27 Total do Crédito Tributário 3.053.711,41 O lançamento acima foi decorrente da(s) seguinte(s) infração(ões): Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas bancárias de sua titularidade, mantidas no Banco Bradesco S/A e no Banco do Brasil S/A, em relação aos quais o sujeito passivo, regulamente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 12 3 Fato Gerador Valor tributável ou Imposto Multa 31/01/04 324.590,58R$ 75% 29/02/04 438.994,20R$ 75% 31/03/04 536.381,97R$ 75% 30/04/04 467.204,00R$ 75% 31/05/04 295.697,53R$ 75% 30/06/04 383.774,48R$ 75% 31/07/04 495.843,69R$ 75% 31/08/04 276.647,00R$ 75% 30/09/04 387.941,85R$ 75% 31/10/04 250.854,00R$ 75% 30/11/04 434.958,30R$ 75% 31/12/04 789.924,18R$ 75% O contribuinte apresenta impugnação, protocolada em 22/10/2008 (fls.176/189), acompanhada da documentação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: A intimação do lançamento foi feita aos 22.09.2008, findandose o prazo para impugnação aos 22 de outubro de 2008. Portanto, tempestivo o presente recurso. DOS FATOS O Impugnante é pessoa simples, produtor rural e microempresário, que labuta com dificuldade nos rincões do Pará, tendo sempre se pautado pela honestidade e boa fé em seus negócios e obrigações fiscais. No entanto, por falta de adequada orientação técnica, outorgava a elaboração e entrega de suas declarações de imposto de renda a contador local, o qual cometeu muitos de erros de lançamento dos dados fiscais. Também por falta de conhecimento e orientação, desconhecia as implicações de movimentar dinheiro de terceiros em suas contas correntes, realizando diuturnamente operações de venda de gado de terceiros que estavam em seu poder, repassando tais valores a seus titulares. Ocorre que, na região onde o Impugnante exerce sua atividade rural, em propriedade arrendada, existem inúmeros assentamentos rurais e projetos de colonização feitos pelo Governo Federal, no qual existem muitos pequenos proprietários, que criam gado e plantam, sempre em pequenas quantidades. Devido às dificuldades de deslocamento na região e às condições de pobreza destes assentamentos, o Impugnante tinha com os colonos, em 2004, acordo de parceria agrária verbal, sendo que, quando os mesmos precisavam vender alguma cabeça de gado, levavam a mesma para a propriedade do Impugnante, que, quanto o número de animais atingia uma quantidade suficiente para completar a carga de um ou mais caminhões, levava os animais ao frigorífico para abate, recebendo o valor da mercadoria e repassando aos colonos, mediante percentual do valor para cobrir suas despesas de manutenção e transporte do gado. Cabe destacar que, por ser sócio de pequeno estabelecimento comercial de materiais de construção, muita vez o Impugnante descontava do valor a repassar aos colonos as mercadorias que estes encomendassem. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 13 4 Também com o Frigorífico o Impugnante mantinha conhecimento e confiança, sendo que aquele fazia depósitos regulares na conta corrente do Impugnante, conforme suas disponibilidades de caixa. Importa considerar que, na sua região, a maioria dos negócios era feita apenas de forma verbal, baseado na confiança e amizade existente entre as pessoas. Daí a dificuldade de produção de provas das alegações, passados tantos anos da ocorrência dos fatos geradores. Assim, o lançamento fiscal em tela é totalmente improcedente, pois tributa valores que não são considerados renda do Impugnante, mas valores de terceiros que transitaram por sua conta corrente. Entretanto, intimado a apresentar documentos fiscais, o Impugnante remeteu os documentos solicitados ao contador, que os entregou a advogado que prometera resolver o problema, sendo que este nada fez, expirando o prazo para a apresentação das justificativas devidas e, se não alertado a tempo, quase se esgotando o prazo de apresentação da presente Impugnação. Deste modo, em face do longo tempo decorrido e da dificuldade de localizar os parceiros de outrora, assim como de identificar nos depósitos bancários e nos pagamentos realizados listados os efetivos depositantes e destinatários, o Impugnante apresenta os documentos que possui, requerendo, desde já, a autorização para demonstrar a realidade material do lançamento mediante novas provas a serem apresentadas posteriormente. PRELIMINAR DE INSEGURANÇA JURÍDICA E CERCEAMENTO DE DEFESA Não deve prevalecer o lançamento de ofício em comento. Falta ao lançamento a devida segurança jurídica, pois a autoridade fiscal não enquadrou corretamente os dispositivos legais embasadores dos lançamentos. O procedimento fiscal foi realizado com cerceamento do direito de ampla defesa, uma vez que foi realizado fora da Região Fiscal do Impugnante, sem a devida expedição de Ordem de Serviço pela Autoridade Competente. Quando foi realizada a notificação do sujeito passivo do lançamento fiscal, aos 22.09.2008, o processo fiscal contendo os documentos e relatórios que embasaram o crédito tributário lançado foi remetido pelo serviço de fiscalização da DRFGoiâniaGO para a Seção de Arrecadação e Cobrança da DRFMarabáPA aos 08.10.2008, ou seja, no curso do prazo para apresentação de defesa, comprometendo o acesso do Impugnante aos autos do processo. No caso em tela, o Auto de Infração foi tipificado de forma incompleta, gerando insegurança jurídica em relação à autuação, pois a Autoridade Fiscal não indicou o dispositivo legal correspondente ao lançamento, fazendoo de forma indevida, ao citar apenas a norma infralegal que consolida a legislação (RIR), mas não indicando qual o dispositivo de lei que embasaria seu lançamento, o qual é a norma legal consolidada no RIR. A princípio, cabe considerar que o RIR Regulamento do Imposto de Renda, foi instituído pelo Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999, o qual não é norma legal, apreciada e votada pelo Legislativo, mas ato infralegal, expedido pelo Poder Executivo, com a finalidade de consolidar a legislação sobre a matéria. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 14 5 Tanto assim é que os artigos do RIR fazem menção expressa da norma legal que os embasa, ao fim de cada dispositivo. Por outro lado, há que considerar que o artigo do RIR citado (art. 849), além de inválido, para fins de enquadramento legal, não indica o inciso ou parágrafo do artigo citado que embasaria o lançamento, fazendo com que a defesa fique seriamente prejudicada, pois tem o Impugnante de "imaginar" qual seria a intenção do agente, correndo o risco de, não adentrando ao mérito, ver sua preliminar rejeitada e, discutindo o mérito, estar fazendoo com base em norma tributária infralegal e diferente daquela devida. Por fim, o Enquadramento legal faz referência a artigo de Medida Provisória que, ao tempo do fato gerador, de há muito já havia sido convertida em lei e, embora cite a lei de conversão, não determina especificamente o dispositivo legal desta que embasaria o lançamento. Portanto, demonstrada a ausência ou insuficiência de tipificação legal do lançamento, com a errônea indicação do enquadramento legal, deve ser anulado o Auto de Infração, nos termos do art. 59,I do Decreto n° 70.235/72, pois gera o cerceamento do direito de ampla defesa e a conseqüente nulidade do Auto de Infração. Transcreve jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. O procedimento de fiscalização foi formalizado por órgão da administração tributária que não o que jurisdiciona o domicílio fiscal do Impugnante. Tal fato se deve, em parte, em razão de erro do sujeito passivo que, como antes informado, deixava suas declarações de renda a cargo de contador de sua cidade natal, o qual não alterou o domicílio fiscal do Impugnante nas declarações anteriores, continuando a informar endereço de Pires do Rio GO. No entanto, cabe destacar que, aos 28.04.2007, foi apresentada DIRPF/2007 pelo Impugnante, informando o endereço correto, sendo que o procedimento fiscal em tela só teve início aos 15.10.2007, como a lavratura do MPF. Assim, considerando que o procedimento de cobrança de tributos é plenamente vinculado (art. 3° do CTN, in fine) e que a Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, estabelece: Art. 6o O MPF será emitido, observadas suas respectivas atribuições regimentais, peias seguintes autoridades: § 2o A autorização para a realização de procedimento de fiscalização na jurisdição de outra Região Fiscal, mediante utilização de mãodeobra subordinada ao Superintendente solicitante, darseá por intermédio de Ordem de Serviço, ou ato equivalente, expedida peias autoridades de que tratam os incisos I a III do caput, conforme o caso, a partir de solicitação fundamentada. § 3o Na hipótese do § 2o, a Superintendência de jurisdição do sujeito passivo emitirá o MPFF, após a expedição da respectiva Ordem de Serviço, ou ato equivalente. § 4o Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 15 6 mesma Região Fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente, ao qual caberá a emissão do MPF. Fica evidente que o procedimento fiscal em tela padece de vício insanável, pois no momento do início do procedimento fiscal a jurisdição fiscal do sujeito passivo era o da DRF de MarabáPA, pertencente à 2a Região Fiscal, sendo que a instauração do procedimento de fiscalização pela DRF/Goiânia dependeria, conforme estabelecido acima, de Ordem de Serviço de uma das Autoridades referidas nos incisos I a III do art. 6°, supracitado. E, no presente caso, houve efetivo prejuízo do Impugnante, pois, fiscalizado por unidade fiscal localizada em outro Estado e Região que não a sua, o Impugnante teve de contratar advogado localizado em Goiânia, como provam os envelopes de correspondência anexos, dificultando a comunicação e a verificação do trabalho destes profissionais, o que resultou a falta de atendimento das requisições do Fisco. De todo modo, o CTN estabelece que a atividade de cobrança do tributo é expressamente vinculada (art. 3o) e o procedimento de fiscalização e verificação das obrigações tributárias compõe esta atividade, devendo ser respeitado o disposto no art. acima transcrito, sob pena de invalidação de todo o procedimento fiscal. Outra nulidade procedimental, esta mais ofensiva ainda do que a anterior, ocorreu nos presentes autos. Acontece que, feita a notificação do lançamento pela Autoridade Fiscal de Goiânia, aos 22 de setembro de 2008, esta não aguardou o comparecimento do Impugnante à repartição fiscal, para ciência e vista dos autos, remetendoo à DRF/Marabá aos 08 de outubro de 2008, sendo que os autos ainda não chegaram à Marabá até hoje, 22.10.2008, como faz prova o extrato do Comprot anexo . Transcreve jurisprudência. É patente a insegurança jurídica do presente Auto de Infração, cerceando o direito subjetivo do Impugnante de ampla defesa e de ter ciência dos documentos que embasam a exigência fiscal. Isto não foi feito no presente lançamento, determinando sua completa nulidade. DO MÉRITO Da Omissão de Rendimentos A Autoridade fiscal apurou omissão de rendimentos no montante de R$5.082.811,78, no anocalendário de 2004. No entanto, uma simples avaliação do patrimônio do Impugnante é bastante para constatar a completa incompatibilidade entre a receita alegada como omitida e a situação patrimonial do mesmo, sendo inconcebível presumir que um rendimento desta magnitude se traduza em um patrimônio de umas poucas quotas sociais, um fusca, uma camioneta S10 e um caminhão velho. Tal realidade se traduz em uma prévia análise das planilhas elaboradas pela fiscalização, cópias anexas, que consolidam as entradas e saídas das contas correntes do Impugnante no período fiscalizado. Podese perceber, claramente, que os valores de entrada e saída, em cada mês, são muito semelhantes, o que demonstra, claramente, que são, na verdade, valores pertencentes a terceiros ou, provavelmente, se referem a pagamento de aquisições de gado ou despesas da atividade rural do Impugnante. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 16 7 Porém, somente uma análise detalhada de cada ingresso e cada saída poderá, efetivamente, demonstrar a realidade que sobressai da constatação acima, o que o tempo exíguo do prazo de contestação, agravado pela demora dos primeiros assistentes técnicos em atender às solicitações do cliente e à natural dificuldade de se defender em órgão da Receita Federal localizado em outro Estado da Federação, com certeza, não permitiram fazer. Neste sentido, o Impugnante solicitou às instituições bancárias citadas os microfilmes dos cheques compensados em suas contas correntes e a identificação dos destinatários e depositantes dos valores transferidos on line, mas, no entanto, tais informações não foram fornecidas, ainda, por tais instituições, e serão apresentadas antes do julgamento do presente recurso. D'outra feita, assim como a RFB tem o poder de solicitar aos bancos os extratos de contas correntes do Impugnante, em fragrante quebra de seu sigilo bancário, poderia, igualmente, realizar diligência no sentido de solicitar a efetiva identificação dos depositantes e beneficiários dos valores creditados e debitados nas contas do Impugnante. É o que se Requer. De todo modo, a Autoridade Fiscal deve, na análise dos fatos geradores dos tributos, em que pese a previsão do art. 42 da Lei n° 9.430/96, reconhecer a existência de outros fatores relativos a estes fatos e, diante da evidente dúvida sobre a efetiva ocorrência dos fatos geradores da omissão de rendimentos ora apontada, aplicar o disposto no art. 112, II do CTN. Tal dúvida é efetiva, pois demonstrada pelos ingressos e saídas semelhantes, mês a mês, nas contas correntes do Impugnante, o que demonstra, aparentemente, operações casadas de circulação de numerário pelas mesmas contas, sendo realidade que a grande maioria destes "rendimentos" nada mais são do que valores recebidos em nome de terceiros e imediatamente repassados, não se constituindo em renda tributável do Impugnante. Portanto, deve ser anulado o Auto de Infração, por dúvida real na efetiva existência de renda tributável, em face da completa ausência de crescimento patrimonial do Impugnante no período de 2004 e anos posteriores. Da Atividade Rural do Impugnante Destaca que o Impugnante é produtor rural, como se observa de suas declarações de rendimentos, onde é preenchido o anexo da Atividade Rural. Neste sentido, como acima alegado, mesmo que tais "rendimentos" pudessem ser considerados como omitidos (não são rendimentos), deveriam ser tributados como se fossem rendimentos da atividade rural e lançados com base na legislação especial que informa a atividade rural. Neste sentido, cabe destacar que o Impugnante localizou em seus documentos Notas Fiscais do Frigorífico Industrial Eldorado Ltda (FRISAMA), CNPJ n° 04.792.861/000100, referente à entrada de várias partidas de gado entregues ao Frigorífico pelo Impugnante, Tais Notas Fiscais estão assim configuradas, sendo que os pagamentos a eles referentes foram feitos pelo Frigorífico em valores parcelados, conforme consta dos Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 17 8 extratos bancários constantes dos autos e que serão devidamente identificados com a resposta dada pelos bancos: Operação Nº Nota Fiscal Data QTD Cabeças Valor Compra p/ Industrialização 005951 25.04.200 200 250.000,00 Compra p/ Industrialização 007291 28.06.200 200 250.000,00 Compra p/ Industrialização 007013 29.06.200 100 125.000,00 Compra p/ Industrialização 007500 18.07.200 100 125.000,00 Compra p/ Industrialização 007398 28.07.200 100 125.000,00 Compra p/ Industrialização 009574 11.11.200 100 125.000,00 Total 1.000.000,0 É certo que estas não são os únicos documentos fiscais que embasam os rendimentos ditos "omitidos" pela Fiscalização, sendo os demais serão apresentados assim que obtidos, mas, por si, já demonstram que tais rendimentos não devem ser tributados diretamente na Tabela Progressiva, mas apurados como rendimentos da atividade rural do Impugnante. Outra evidência neste sentido é dada pelas Fichas de Controle do Rebanho, para fins de controle sanitário, da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (ADEPARA), cópias anexas, apontando 1480 cabeças vacinadas em junho de 2004 e 1400 cabeças em novembro de 2004. De se ressaltar que no final do ano o contador do Impugnante informou um saldo de 212 cabeças no imóvel rural do Impugnante, sendo que tal informação não está correta, uma vez que as DIRPF feitas não expressam a verdade material do lançamento, como demonstram os comprovantes de vacina. Por fim, prova definitiva do exercício da atividade rural do Impugnante e de que as alegadas omissões de rendimento são decorrentes da venda de gado feita em nome do Impugnante por parceria com terceiros é encontrada nas anexas Guias de Transporte Agropecuário GTA, expedidas pela Secretaria de Estado da Fazenda do Pará, tanto de remessas do Impugnante para Frigoríficos e terceiros, como recebimento deste mesmo gado de terceiros, sendo mais uma evidência de que sua movimentação financeira nada mais é do que o recebimento de gado de terceiros para serem vendidos em lotes maiores para os frigoríficos e outros criadores. De todo modo, mesmo que não aceito o argumento de venda em nome de terceiros, tal movimentação financeira deve ser tributada exclusivamente como receita da atividade rural, aplicando o arbitramento do resultado, conforme autoriza a legislação de regência (Lei n° 8.023/90), que estabelece: Art. 5o A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no anobase. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3o implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase. Do exposto, caso não acolhidas as alegações anteriores, devem os recursos ditos como "omitidos" ser tributados como rendimento da atividade rural do Impugnante, arbitrandose o resultado nos termos do art. 5o e § único da Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990. DO PEDIDO Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 18 9 Diante de todo o exposto, requer aos Nobres Julgadores, seja a presente impugnação conhecida, por tempestiva, para: 1) Em preliminar, anular o Auto de infração, pela ocorrência do cerceamento do direito de ampla defesa da Impugnante e erro de procedimento de cobrança, em razão de: · Erro insanável de enquadramento legal das infrações apontadas, conforme demonstrado, apontando norma infralegal (ao contrário do que dispõe o PAF), além de não especificar os incisos e §§ relativos ao lançamento e citar MP de há muito convertida em lei; · Alternativamente, erro insanável do procedimento de exigência do crédito tributável, pela instauração do procedimento por órgão que não o da jurisdição do domicílio fiscal do Impugnante, no momento de autorização do MPF, violando o disposto no art. 3° do CTN, in fine, bem como o disposto no art. 6o, § 2o da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007; · Ainda de forma alternativa e sucessiva, erro insanável no procedimento fiscal, em razão de falta de disponibilidade dos autos do processo administrativo no órgão autuante, assim como no órgão de jurisdição do domicílio do Impugnante durante o prazo de impugnação; 2) Caso assim não entenda a Autoridade Julgadora, seja restabelecido o prazo de impugnação, disponibilizando vistas ao processo na DRF/GOI, pelo prazo de 30 dias a contar da data de ciência da decisão ora requerida; 3) No mérito, caso não acatadas as preliminares acima colocadas, improcedência total do lançamento, pois eivado de vícios e ilegalidades, bem como contrário ao entendimento do Egrégio Conselho de Contribuintes, em especial quanto: · A inexistência de base legal para realizar o lançamento, demonstrada a absurda incompatibilidade entre a movimentação financeira do Impugnante e sua evolução patrimonial, bem como a evidência de que os valores ingressantes são similares às saídas, evidenciando a transição de recursos de terceiros; · Alternativamente, o reconhecimento de que tais depósitos são decorrentes de negócios intermediados pelo Impugnante, sendo que, neste caso, as provas documentais de tais operações serão juntadas assim que obtidas; · Ainda de forma alternativa e sucessiva, caso não acatados os pedidos anteriores, o reconhecimento de que tais valores são decorrentes da atividade rural do Impugnante e devem ser tributados na forma prevista no art. 5o, § único da Lei n° 8.023/90; Obs.: Observouse, nos autos, que o contribuinte fora cientificado do Termo de Intimação Fiscal nº 342/2008, no dia 22/09/2008, em seu domicílio fiscal eleito (Canaã dos Carajás – PA). Contudo, a partir dos documentos de folhas 165, 174/176, verificouse que os autos estavam em trânsito de Goiânia – GO para aquela localidade no dia 08/10/2008, ou seja, quando estava em curso o prazo para pagamento ou impugnação. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 19 10 Entendendo que apesar da ciência adequada do Auto de Infração, no domicílio fiscal eleito, da impugnação tempestiva e do ateste de que o contribuinte já solicitara cópia do processo, em 04/11/2008 (após o prazo legal para impugnação, fls. 171/172), é hipoteticamente possível que, no(s) dia(s) do deslocamento dos autos de uma localidade para outra, tenha ocorrido a solicitação de vistas do processo. Compulsando os autos, verificouse também não haver prova documental que permitisse elucidar a questão de requisição de vistas durante esse período de trânsito, tãosomente a alegação do contribuinte de que isso lhe prejudicara. Assim sendo, diante desse fato que, em tese, dificultaria ou mesmo reduziria o tempo disponível para preparar a sua defesa, o processo retornou para que fosse novamente cientificado o contribuinte, no domicílio fiscal por ele eleito, ficando à sua disposição, integralmente, conforme o solicitado, bem como houve a reabertura do prazo legal para impugnação, inclusive com a possibilidade de aditar novas razões de defesa e anexar outros documentos a ela necessários. É o relatório. Diante desses fatos, das alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou as preliminares arguidas e no mérito, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhados de provas suficientes, , especialmente a ausência de comprovação dos depósitos de maneira individualizada, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o contribuinte apresentála em outro momento, a menos que ou demonstre motivo de força maior, ou se refira a fato ou direito superveniente, ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 306 a 315, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume no seguinte: Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 20 11 1) preliminar, reformar o acórdão recorrido e anular o Auto de infração, pela ocorrência do cerceamento do direito de ampla defesa do Recorrente, em razão de: a. Erro insanável de enquadramento legal das infrações apontadas, conforme demonstrado, apontando norma infralegal (ao contrário do que dispõe o PAF), além de não especificar os incisos e §§ relativos ao lançamento e citar MP de há muito convertida em lei; b. Alternativamente, erro insanável do procedimento de exigência do crédito tributável, pela instauração do procedimento por órgão que não o da jurisdição do domicílio fiscal do Impugnante, no momento de autorização do MPF, violando o disposto no art. 3° do CTN, in fine, bem como o disposto no art. 6°, § 2° da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007; 2) No mérito, caso não acatadas as preliminares acima colocadas, seja declarada a improcedência total do lançamento, pois contrário realidade material dos fatos e em confronto com os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, bem como contrário ao entendimento do Egrégio Conselho de Contribuintes, em especial quanto: a. A. inexistência de base legal para realizar o lançamento, demonstrada a absurda incompatibilidade entre a movimentação financeira do Recorrente e sua evolução patrimonial, evidenciando a transição de recursos de terceiros ou a existência de operações de compra e venda de gado, não se constituindo em acréscimo patrimonial tributável, como fez o auto de infração; b. De forma sucessiva, nulidade do lançamento em face do erro de lançamento, ao considerar os rendimentos ditos omitidos como receitas da pessoa física e não da atividade rural, como claramente provado; c. Ainda de forma alternativa e sucessiva, caso não acatados os pedidos anteriores, o reconhecimento de que tais valores são decorrentes da atividade rural do Recorrente e devem ser tributados na forma prevista no art. 5°, § único da Lei n° 8.023/90; Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINARES NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 21 12 Em sede de recurso, o contribuinte repetiu as preliminares apresentadas na impugnação sem novos elementos para contestar os argumentos utilizados pelo relator do voto do acórdão da DRJ. De outro lado, acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fática para que seja aceita a tese da defesa de nulidade do lançamento, conforme se vê nos seguintes excertos do julgado de primeira instância que transcrevo livremente: (...) Tipificação ou Enquadramento Legal O próprio impugnante demonstra conhecer o conceito desse ato administrativo, cuja competência é do Presidente da República, entretanto, parece demonstrar que não se deu ao trabalho de consultar o dispositivo apontado no Auto de Infração (art. 849 do RIR/1999). Caso o fizesse, observaria que, ao final do texto, está apontada explicitamente a norma que está regulamentando, bem como o artigo correspondente, isto é, Lei nº 9.430/1996, art. 42. Ambos, o Decreto e Norma que é regulamentada por aquele ato normativo estão intimamente ligados. Não é demais dizer que não há qualquer decretação de ilegalidade do Decreto ora em análise, inquinandoo como contrário à norma regulamentada ou que foi além do nela disposto. Ora, se esse ato administrativo, regulamenta, explica, detalha a aplicação de determinada norma, explicitada flagrantemente em seu bojo, naturalmente, a sua indicação é, por óbvio, a da lei que o sustenta. Mais ainda, facilitase prontamente o entendimento do dispositivo legal infringido, já que ali está o seu detalhamento. Quanto à alegação de que foi citada Medida Provisória, ipsis litteris, “que há muito já havia sido convertida em lei e, embora cite a lei de conversão, não determina especificamente o dispositivo legal desta que embasaria o lançamento”, mais uma vez demonstra o impugnante que não verificou, de forma minudente, o Auto de Infração, muito menos as duas normas. Se assim o fizesse, observaria que o Auditor Fiscal não somente apôs, claramente, o dispositivo legal: art. 1º, mas explicou que esse dispositivo, originalmente contido na convertida MP nº 22/2002, encontrase na Lei 10.451/2002 (fl. 156). Assim, não prevalece a alegação de nulidade. Fica ultrapassada a preliminar por ausência ou insuficiência de tipificação legal, não ocorrendo cerceamento de defesa. Procedimento fiscal foi realizado fora da Região Fiscal do contribuinte De plano, cumpre deixar em destaque que o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, quando do início da ação fiscal, localizavase na R. Benedito Gonçalves de Araújo, 128, Centro, Pires do Rio, GO, CEP 75.200000 (fls. 259/261). Dito isso, compulsando os autos, bem como as informações constantes das bases de dados da Receita Federal do Brasil – RFB, verificase que a Autoridade Fiscal competente, o Delegado da Receita Federal do Brasil, DRFGoiânia, não somente determinou o início do procedimento fiscal, em conformidade com a legislação tributária, inclusive mencionada no bojo do MPFF, mas também todas as Intimações, MPFF, Termos, Auto de Infração, enfim, todos os documentos Fl. 341DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 22 13 pertinentes foram encaminhados ao domicílio fiscal eleito pelo contribuinte (fls. 05, 119, 259/262). A afirmação de que o alterou, através da DIRPF 2007, em 28/04/2007, não procede, pois se verifica que não informou à Receita Federal do Brasil, assinalando quadro obrigatório em sua Declaração, de que o endereço era diferente do anterior (fls. 271/275). Tal erro, por parte do contribuinte, operaria apenas em seu prejuízo. Contudo, apesar de tãosomente em 09/05/2008 efetivamente alterar o seu domicílio fiscal para a cidade de Canaã dos CarajásPA, fato imediatamente identificado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável (fls. 06 e 165), também lhe foram enviados para esse endereço o Termo de Intimação Fiscal 310/2008, bem como o Auto de Infração (fls. 131/132 e 161/162). Destaquese que, em todas as ocasiões, seja no domicílio anterior, no Estado de Goiás, seja no Pará, houve o recebimento e a confirmação da ciência dos documentos encaminhados, por meio das cópias dos Avisos de RecebimentoAR, apostos nas folhas supracitadas. Na autuação, adotouse o critério legal e normativo de apuração do tributo e não é crível que a contribuinte possa não ter entendido os procedimentos adotados e as provas que deveriam ser produzidas por ele. Da análise dos autos, verificase que o interessado foi intimado em diversas vezes, v.g. fl. 118 e 131, a apresentar documentação comprobatória da origem dos seus depósitos e com base nos documentos e provas trazidos aos autos fezse o lançamento. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações. Sendo assim, tendo sido facultado ao interessado o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, que lhes são assegurados pelo art. 5.º, inciso LVI, da Constituição, inexiste o alegado cerceamento, muito menos de se requerer qualquer nulidade por essa razão. Coadunome aos entendimentos esposados acima e rejeito, portanto, as preliminares indicadas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. O entendimento consolidado neste Conselho de Contribuintes é de que o MPF constituise um instrumento de controle da administração tributária. A falta deste ou vícios em sua emissão/prorrogação não traz qualquer prejuízo ao processo administrativo fiscal, tampouco se trata de um vício formal passível de correção, quando muito seriam faltas funcionais, sujeita a penalidades administrativas ao servidor. Nesse sentido destacase o seguinte julgado, dentre outros: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma Fl. 342DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 23 14 infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. EXIGÊNCIA FISCAL. FORMALIZAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 7º, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem.” (Acórdão nº 20308.483 de 16/10/2002). Afasto, pois, essa alegação de nulidade. MÉRITO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Tratamos no o presente Recurso de Depósitos Bancários remanescentes do acórdão recorrido nos seguintes valores como mostra o Auto de Infração e reproduzimos a seguir: Fato Gerador Valor tributável ou Imposto Multa 31/01/04 324.590,58R$ 75% 29/02/04 438.994,20R$ 75% 31/03/04 536.381,97R$ 75% 30/04/04 467.204,00R$ 75% 31/05/04 295.697,53R$ 75% 30/06/04 383.774,48R$ 75% 31/07/04 495.843,69R$ 75% 31/08/04 276.647,00R$ 75% 30/09/04 387.941,85R$ 75% 31/10/04 250.854,00R$ 75% 30/11/04 434.958,30R$ 75% 31/12/04 789.924,18R$ 75% Auditados os extratos bancários, a autoridade compilou todos os créditos bancários cuja origem não foi comprovada e intimou o contribuinte a indicar as suas respectivas fontes. Por sua vez, o contribuinte poderia ter demonstrado as respectivas origens dos recursos até no curso desse contencioso fiscal, contudo, não o fez demonstrando apenas que alguns valores guardam liame com a sua atividade de produtor agropecuário. Importante observar que dos depósitos remanescentes o contribuinte não atacou as omissões de forma individual, demonstrando de forma inequívoca, quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. Ressalto que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 obriga o contribuinte a comprovar a origem dos depósitos bancários, de forma individualizada, sob pena deles serem presumidos como rendimentos omitidos. É inconteste nos autos que o Recorrente não identificou em nenhum momento de forma individualizada a origem dos depósitos. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 24 15 De outro lado, está patente que a atividade do contribuinte é a de Produtor Rural na exploração agropecuária, como indicado à Procuração de fl. 10, DIRPF, fls. 145 a 149, notas fiscais de fls. 240 a 251, Fichas de Vacinação 253/254 e que pela compatibilidade dos números de cabeças de gado pertencentes ao contribuintes, entendo que as Receitas decorrente da atividade agropecuária são na verdade a origem dos depósitos que deram origem ao lançamento. Além disso, do que consta nos autos não há qualquer outro indício que haveria qualquer outra atividade comercial exercida pelo recorrente senão a de pecuarista. Nesse sentido, entendo que as receitas objeto desse recurso lançadas como omissão decorrente de depósitos bancários não identificados, estão sim identificados como decorrentes da atividade rural do interessado e assim deveriam ter sido lançados, na razão de 20% da receita bruta, RIR/99, art.60, § 2.°. Da mesma forma entendeu o i.julgador Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão 10616.716, de 22 de janeiro de 2008: (...) Assim, como anteriormente informado, todas as provas dos autos indicam que as fontes de rendimentos do recorrente provêm da atividade rural. Vejamse as declarações de rendimentos, as cédulas rurais comprobatórias de empréstimos rurais, o resumo de notas fiscais emitido pelo fisco estadual tendo o recorrente como emitente, levantamentos da fiscalização na mensuração do APD do anocalendário de 2003, bem como o levantamento de receitas e despesas do anocalendário 2002 igualmente feito pela fiscalização. Tudo a indicar que o recorrente tem suas rendas provenientes exclusivamente da atividade rural. Por tudo, em uma abordagem que formalmente difere da propugnada pelos Acórdãos antes transcritos, porém que se iguala nos valores do imposto a serem exigidos, entendo que quando o contribuinte somente tem rendimentos provenientes da atividade rural, devese excluir da base de cálculo dos depósitos bancários de origem não comprovada um percentual de 80% das receitas omitidas. Assim, permanece hígida a autuação, em sua fundamentação legal, com a mera exclusão na base de cálculo do auto de infração de 80% dos valores originados dos depósitos bancários. No tocante ao valor da liquidação das CPR nºs 11.051, R$ 102.900,00 (conta do Banco do Brasil, em 10/11/2000), 1001044, R$ 65.598,00 (conta do Banco do Brasil, em 29/01/2001), e 1001930, R$ 107.460,00 (conta do Banco do Brasil, em 12/02/2001), estas devem ser consideradas no rol dos rendimentos omitidos, com a exclusão de 80% de seu valor, já que se tratam de receitas da atividade rural. Devemse, pois, excluir 80% da base de cálculo do imposto de renda lançado com base nos valores oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada nos anoscalendário 2000 e 2001, independentemente de o recorrente ter revelado a origem de alguns dos depósitos originalmente não comprovados, pois, como amplamente demonstrado, o contribuinte nada tinha ofertado à tributação nos anos calendário 2000 e 2001. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, para excluir 80% da base de cálculo remanescente do acórdão recorrido. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.011085/200812 Acórdão n.º 2102002.209 S2C1T2 Fl. 25 16 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10380.006731/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.318
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE MARACANAÚ em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada, do período de 01/04/2005 a 31/12/2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 06 73 1/ 20 10 -7 5 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.006731/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.318 S2C3T1 Fl. 560 2 2. Narra o relatório fiscal que o auto de infração teve como objeto as contribuições devidas, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações de servidores comissionados, temporários, agentes políticos e também as remunerações pagas aos contribuintes individuais da categoria de autônomos e transportadores autônomos, além das contribuições incidentes sobre o valor de diárias pagas e que ultrapassam a 50% da remuneração do trabalhador. Integra também o objeto do lançamento as contribuições correspondentes aos valores compensados pelo órgão declarados em GFIP e para os quais o órgão, apensar de intimado, não apresentou a prova de seu efetivo direito a essa compensação. As contribuições correspondem a: a) à parte da empresa (quota patronal); b) ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (também conhecido por Seguro de Acidente de Trabalho – SAT); c) valor da GLOSA da compensação indevida ou cuja regularidade da compensação não foi provada pelo órgão; d) diferenças de acréscimos legais por recolhimento de GPS fora do prazo legal.” 3. Pelo que dispõe o Relatório, ff. 89/94, os procedimentos adotados pela fiscalização foram os seguintes: “EM RELAÇÃO À FOLHA DE PAGAMENTO GERAL APRESENTADA EM RESUMO a) O órgão apresentou sua folha de pagamento em resumo de todo o período da auditoria (04/2005 a 12/2006 e 13°salário de 2005 e 2006); b) A auditoria solicitou no termo inicial e em termo específico datado de 04/05/2010 que o órgão apresentasse relatório extraído do sistema de folha de pagamento que indicasse, para cada código de verba da folha, a sua incidência tributária, com vistas a averiguar quais as verbas tributáveis e as não tributáveis. Tal relatório não foi apresentado; c) Mesmo sem essa informação, a auditoria procurou avaliar pelo título do código de verba a sua incidência para a contribuição previdenciária. Partindo do valor bruto da folha de pagamento, deduziu todas as verbas que, segundo sua ótica, seriam verbas não incidentes, chegando, assim, ao valor BASE DE CÁLCULO da contribuição previdenciária de cada competência. Em anexo, relação dos códigos para os quais a auditoria atribuiu a condição de não incidente ou de valor dedutível do bruto da folha de pagamento.” 4. Neste caso, foi lançada a diferença encontrada entre a base de cálculo da folha de pagamento e a base de cálculo declarada pela empresa em Guias de Fl. 560DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.006731/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.318 S2C3T1 Fl. 561 3 Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). 5. Dispõe ainda o Relatório: “EM RELAÇÃO A DIÁRIAS QUE EXCEDERAM A 50% DA REMUNERAÇÃO a) A auditoria apurou os valores pagos de diárias na contabilidade do órgão e intimou para apresentação de relatório que demonstrasse o montante das diárias pagas em comparação com a remuneração de cada trabalhador e tal relatório não foi apresentado.” 6. Na situação descrita, o valor integral da rubrica foi considerado base de cálculo da contribuição previdenciária, tendo sido a contribuição do segurado apurada à alíquota mínima. 7. Continua o Relatório: “EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL a) A auditoria apurou os valores liquidados para contribuintes individuais das categorias de autônomos e transportadores autônomos na contabilidade do órgão, uma vez que estes não foram incluídos na folha de pagamento do órgão, tampouco foi apresentada folha de pagamento específica para tais segurados.” 8. Neste procedimento também foi lançada a diferença encontrada entre a base de cálculo apurada e a base de cálculo declarada pela empresa em GFIP. 9. Além disso, trouxe o Relatório: “EM RELAÇÃO AOS VALORES DEDUZIDOS NA GFIP A TITULO DE COMPENSAÇÃO e) A auditoria constatou que o órgão deduziu valores a título de COMPENSAÇÃO no período de 08/2006 a 12/2006 e 13°salário de 2006; f) O órgão foi intimado a apresentar demonstrativo da memória de cálculo dessa compensação, incluindose a motivação, ou seja, a origem dos valores que levaram à COMPENSAÇÃO. Tal documentação não foi apresentada, motivo pelo qual a auditoria lançou todos os valores compensados como GLOSA DE COMPENSAÇÃO.” Fl. 561DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.006731/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.318 S2C3T1 Fl. 562 4 10. Os elementos que serviram de base para o lançamento foram folhas de pagamento, lançamentos contábeis, notas de empenho e notas de liquidação. Foram juntados documentos pela autoridade lançadora às fls. 97/207. 11. O acórdão de primeira instância refutou os argumentos trazidos pelo contribuinte, restando ementado nos termos que transcrevo abaixo: “CONTRIBUIÇÕES A CARGO DO ÓRGÃO PÚBLICO INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS. A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 12. Buscando reverter a decisão a quo, que manteve o lançamento do débito, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando em síntese: a) nulidade absoluta do processo, sobre o argumento de que o prazo de apenas 30 dias para a apresentação de 8 recursos impossibilita o contraditório e a ampla defesa nos moldes em que devem ocorrer; b) os valores pagos aos empregados nos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou invalidez ou como auxílioacidente não integram o saláriodecontribuição, por não terem natureza salarial; c) a auditoria não poderia ter utilizado como base de cálculo as informações constantes do Sistema de Informações Municipais (SIM), quando o recomendável seria verificar os reais valores nas notas fiscais e nos contratos; d) os valores das contribuições incidentes sobre a remuneração de exercentes de mandatos eletivos deveriam ter sido compensados com as contribuições porventura devidas, com base na Instrução Normativa SRP n.º 15 de 2006, procedimento que não foi adotado pela auditoria; e) o termo de parcelamento foi assinado em 2001, com base na medida Provisória 2.187/2001, em que autorizava o INSS a efetuar a retenção dos Fl. 562DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.006731/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.318 S2C3T1 Fl. 563 5 valores correspondentes às suas obrigações previdenciárias correntes diretamente do Fundo de Participação dos Municípios, não cabendo o recolhimento das referidas contribuições; f) a competência para descobrir e definir os valores reais devidos e efetuar as respectivas retenções seria do INSS, não podendo o sujeito passivo ser penalizado com multa e juros. 8. Não houve apresentação de contrarrazões pelo fisco e os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. Alega o contribuinte, em seu recurso voluntário, que os valores pagos aos empregados nos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou invalidez ou como auxílioacidente não possuem natureza salarial, e, portanto, não integram o saláriodecontribuição. 3. A decisão recorrida analisou os argumentos do recorrente e firmou entendimento jurídico no sentido de que sobre as rubricas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias: “Quanto à discussão acerca da natureza não salarial das verbas pagas nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado, devese esclarecer que tais verbas não se encontram relacionadas no §9º do art. 28 da Lei n.º 8.212/91, a qual explicita, de forma taxativa, as parcelas que não integram o saláriode contribuição. Dessa forma, tais verbas integram a base de cálculo da contribuição previdenciária.” 4. Contudo, examinando o relatório fiscal (ff. 89/93) e os anexos trazidos pela fiscalização restam sérias dúvidas quanto à inclusão no lançamento fiscal de débitos relativos aos pagamentos dos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou invalidez ou como auxílioacidente. No mesmo sentido, consta que parte do lançamento referese a diferenças de acréscimos legais incidentes sobre GPS recolhidas fora do prazo legal, o que pode gerar dúvidas quanto à natureza do débito principal. 5. Ademais, o lançamento fiscal adotou a totalidade da folha salarial para levantar o débito, sem explicitar cada uma das rubricas, fato este que ocasionou dúvidas acerca da rubrica “quinze dias de afastamento por motivo de doença ou invalidez ou como auxílio acidente”. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.006731/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.318 S2C3T1 Fl. 564 6 6. Desta feita, considerando o acima exposto e observando o princípio do contraditório e da ampla defesa, entendo que o presente processo deva ser reencaminhado para a primeira instância para que o fisco traga informações complementares que possibilite a averiguação da existência ou não da cobrança do auxílioacidente e do auxíliodoença, ante ao posicionamento sobre a questão exposto no acórdão recorrido. 7. Após esse procedimento, dêse vista do resultado da diligência ao contribuinte para que, no prazo de 30 dias, caso queira, manifestese sobre o documento produzido pelo fisco. CONCLUSÃO 8. Por todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência, para que seja procedida a juntada de documentos pelo fisco, com a comprovação da exigência no lançamento fiscal das verbas relativas aos quinze primeiros dias de afastamento por motivo de doença ou invalidez e do auxílioacidente, conforme relatado no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 564DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 15504.012973/2008-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2003 a 28/02/2004
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. TICKET ALIMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados, estando ai compreendida a concessão de alimento via ticket alimentação.
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS COM VALORES CREDITADOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA (TICKET ALIMENTAÇÃO). MULTA. DESCABIMENTO. Uma vez que restou verificada a condição de isenção ao pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores concedidos aos empregados via ticket alimentação, sem a inscrição no PAT, deve ser anulado o Auto de Infração, por ter a mesma deixado de incluir tais valores em folha de pagamentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2003 a 28/02/2004 AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. TICKET ALIMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados, estando ai compreendida a concessão de alimento via ticket alimentação. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS COM VALORES CREDITADOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA (TICKET ALIMENTAÇÃO). MULTA. DESCABIMENTO. Uma vez que restou verificada a condição de isenção ao pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores concedidos aos empregados via ticket alimentação, sem a inscrição no PAT, deve ser anulado o Auto de Infração, por ter a mesma deixado de incluir tais valores em folha de pagamentos. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrente MILLENIUM PROMOTORA DE VENDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 28/02/2004 AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. TICKET ALIMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados, estando ai compreendida a concessão de alimento via ticket alimentação. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS COM VALORES CREDITADOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA (TICKET ALIMENTAÇÃO). MULTA. DESCABIMENTO. Uma vez que restou verificada a condição de isenção ao pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores concedidos aos empregados via ticket alimentação, sem a inscrição no PAT, deve ser anulado o Auto de Infração, por ter a mesma deixado de incluir tais valores em folha de pagamentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 29 73 /2 00 8- 53 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012973/200853 Acórdão n.º 2402002.749 S2C4T2 Fl. 180 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por MILLENIUM PROMOTORA DE VENDAS LTDAEPP, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.171.1460, lavrado para a cobrança de multa por ter deixado a recorrente de lançar em folhas de pagamento a concessão de salário in natura fornecido aos seus empregados sob a forma de tíquete alimentação. O lançamento compreende o período de 06/2003 a 02/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 22/07/2008 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 164/167), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que levou a efeito a correção da falta e fez a sua comprovação no prazo de defesa, mediante a juntada das GFIP`s retificadas com a inclusão dos pagamentos efetuados a título de tíquete alimentação a seus segurados, motivo pelo qual não haveria necessidade para a retificação das folhas de pagamento, já que é a GFIP o meio próprio de informação ao Estado das informações acerca das contribuições previdenciárias; 2. requereu, portanto, a relevação da multa; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO Inicialmente cumpre asseverar que em momento algum a recorrente impugnou expressamente a infração que lhe fora imputada, alegando não ter deixado de arrecadar as contribuições incidentes osbre a parcela alimentação mediante o desconto. Em que pesem os fundamentos contidos no Recurso Voluntário, tenho que a matéria objeto do lançamento já fora recentemente regulada por meio do parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, mediante o qual a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional passou a reconhecer estar definitivamente vencida quanto no que se refere a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores de alimentação in natura, concedida pelos empregadores a seus empregados, conforme consolidada jurisprudência do STJ. O parecer restou assim ementado: Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Entretanto, referido parecer claramente dita que : “Por outro lado, quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.” No caso dos autos, consta que a recorrente fornecia a seus empregados tíquete alimentação, não considerado por esta Turma como pagamento em espécie ou mesmo creditado em contacorrente. Logo, pelo parecer supra citado deve ser considerado como forma de alimentação in natura. Está configurada, portanto, a situação de isenção preconizada pelo art. 28, 9o, “c”, da Lei 8.212/91, a seguir: 'Art. 28 ... § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012973/200853 Acórdão n.º 2402002.749 S2C4T2 Fl. 181 5 Previdência Social, nos termos da Lei no 6.321, de 14 de abril de 1976;' Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.903843/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato gerador: 15/12/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Declarou-se impedida a conselheira Andréa Medrado Darzé.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jose Adão Vitorino de Morais Redator - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato gerador: 15/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Declarou-se impedida a conselheira Andréa Medrado Darzé. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jose Adão Vitorino de Morais Redator - Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
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O reconhecimento, por parte da recorrente, de que o crédito financeiro declarado e utilizado na compensação pleiteada, é inexistente, implica ilíquidez e incerteza do valor reclamado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato gerador: 15/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Declarouse impedida a conselheira Andréa Medrado Darzé. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jose Adão Vitorino de Morais – Redator Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 38 43 /2 00 8- 54 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito tributário de Cofins, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 04/08, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior de contribuição para o PIS, referente à competência de julho de 2003, recolhida em 15/08/2003. A Derat no Rio de Janeiro não homologou a compensação do débito declarado sob o argumento de que o alegado pagamento a maior foi integralmente utilizado para extinguir o débito do PIS declarado para aquela competência, não restando crédito disponível passível de repetição/compensação, conforme Despacho Decisório às fls. 10. A recorrente descordou daquele despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 12/17), insistindo na homologação da compensação alegando, razões assim resumidas por aquela DRJ: “O crédito utilizado na compensação efetuada tem origem nas apurações da sociedade. No momento da transmissão da declaração de compensação, compensou um débito de Cofins no valor original de R$ 154.996,01, com crédito de PIS, decorrente de valor pago a maior contido em um Darf de R$ 672.678,63. Após a apresentação do PER/DCOMP, foram realizadas novas apurações dos períodos considerados, de modo que, posteriormente, as declarações fiscais (DCTF) foram retificadas, transmitidas e recepcionadas. Com base nas apurações, o crédito de PIS no período de julho/2003 foi de R$ 52.608,49, diferente do montante de crédito utilizado na DCOMP. Assim, as DCTF foram retificadas. A DCTF retificadora, referente ao 3º trimestre de 2003, recepcionadas em 20.02.2008, está em consonância com as apurações da sociedade. O crédito apurado para o período em questão é de R$ 52.605,49, e não de R$ 154.996,01, como informado no PER/DCOMP. O referido crédito foi utilizado para quitar parte do débito da Cofins, do mês de novembro de 2003. O PER/DCOMP em questão foi preenchido incorretamente não apenas em ralação ao crédito informado, mas também em relação ao débito apurado, cujo valor lançado na DCOMP foi maior que o débito efetivamente existente conforme apurações e declarações fiscais (DCTF). A correta compensação realizada foi informada em DCTF, que vinculou o novo crédito e o valor do débito por ele compensado à PER/DCOMP objeto do presente processo. Por um descuido, houve retificação das DCTF sem a contrapartida no PER/DCOMP. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.903843/200854 Acórdão n.º 3301001.648 S3C3T1 Fl. 158 3 A retificação da DCTF deixa clara a existência do pagamento efetuado a maior, o que gerou o crédito aproveitado na compensação requerida nestes autos. Entende que se o erro no preenchimento da declaração anterior impedia a visualização de um crédito em favor, uma vez retificada a declaração e apurado o crédito, este deve ser reconhecido. A retificação da DCTF, mesmo que em momento posterior à entrega da DCOMP, não impede o reconhecimento do crédito, ate porque foi efetuada antes de qualquer ato fiscal questionando a declaração entregue pela contribuinte. Esta retificação deve ser aceita em razão do princípio da verdade material. A retificação das DCTF (de origem do crédito e de seu aproveitamento) deve ser observada e homologada a compensação, já que nela está demonstrado que materialmente o crédito existe e ele foi utilizado para quitar parte do débito de Cofins apurado em 114/2003. Na eventualidade de não ser julgada procedente a presente manifestação afirma a impossibilidade de cobrança da multa e dos juros por entender não haver mora ou descumprimento de qualquer dever legal até o momento em que é proferido o despacho decisório. Ao final requer a juntada posterior de documentos que se façam necessários, visto a impossibilidade de se obter toda a documentação necessária em tempo hábil, face o porte da empresa, do período e por se tratar de crédito de sociedade incorporada pela requerente.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 1329.626, datado de 31/05/2010, às fls. 73/79, sob as seguintes ementas: “JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. O contribuinte deve instruir a peça impugnatória com todos os documentos comprobatórios de suas alegações, sob pena de preclusão, exceto em situações específicas previstas na legislação pertinente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. MULTA DE MOR. A mora surge com o inadimplemento da obrigação no prazo fixado para o seu vencimento. JUROS DE MORA O CTN expressamente determina a aplicação de juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento.” Fl. 159DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (84/92), requerendo “seja arquivado o presente processo administrativo, com a extinção da PER/DCOMP por perda de objeto, extinguindose o crédito tributário relacionado no despacho decisório a fim de se evitar o enriquecimento ilícito da União diante da possível duplicidade de recolhimento de Cofins apurado/devido no mês de novembro de 2003”, e, caso seja entendimento desta Turma, seja o julgamento convertido em diligência para produção de prova para melhor se apurar o quanto se alega por meio de documentos e perícia. Para fundamentar seu recurso voluntário (pedido), alegou, em síntese, que o crédito financeiro e o débito, declarados na Dcomp, de fato não existem. Após a realização de apuração da contribuição devida referente aos períodos de competência informados na Dcomp, verificouse a inexistência do débito da Cofins, naquela declaração. Já o crédito financeiro declarado foi utilizado para compensar outro débito tributário. Discorreu, ainda, sobre a busca da verdade real no processo administrativo, concluindo que “houve um erro formal da Requerente, que deixou de pleitear a desistência da presente PER/DCOMP ou, de efetuar sua retificação” e que um erro contábil não pode implicar a constituição de crédito tributário a favor do Fisco. Ao final solicitou a realização de perícia visando identificar a existência de crédito tributário de Cofins, em favor do Fisco, referente à competência de novembro de 2003; se houve utilização do crédito financeiro informado na Dcomp, objeto deste processo; e se a cobrança determinada no despacho decisório procede. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. O presente processo trata exclusivamente da homologação da compensação do débito de Cofins (21721), no valor de R$163.768,79, vencido na data de 15/12/2003, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior de PIS (8109), na data de 15/08/2003, no valor original de R$154.996,01, declarados na Dcomp às fls. 04/08. A Derat no Rio de Janeiro não homologou a compensação do débito declarado sob o fundamento de que o valor recolhido foi integralmente utilizado para extinguir o débito declarado na respectiva DCTF e, ainda, intimou a recorrente a pagar o débito não compensado, conforme Despacho Decisório às fls. 10. Inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 12/17, alegando, em síntese, que a Dcomp foi preenchida incorretamente em relação ao crédito e ao débito informado. O crédito apurado seria de R$52.605,49 e não de R$154.996,01; já o débito seria de R$52.605,49, mesmo valor do indébito e não os R$163.768,78 confessados. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a recorrente não apresentou documentos comprovando o crédito financeiro. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.903843/200854 Acórdão n.º 3301001.648 S3C3T1 Fl. 159 5 No entanto, nesta fase recursal, a recorrente inovou a matéria suscitada na manifestação de inconformidade, julgada em primeira instância, alegando, em síntese, que o crédito financeiro e o débito, declarados na Dcomp, de fato não existem. Afirmou que, depois de transmitida a Dcomp, realizou nova apuração e constatou a inexistência do débito da Cofins, declarado. Já o crédito financeiro declarado foi utilizado para compensar outro débito tributário. No processo de Dcomp, o litígio se restringe à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado e utilizado na compensação, tendo em vista que o débito é confessado pelo próprio contribuinte. No presente caso, levandose em conta que a própria recorrente informou, nesta fase recursal, que o crédito financeiro declarado, de fato, não existe, não há que se falar em homologação da compensação declarada. Quanto à alegação de que o débito declarado também não existe e à solicitação do cancelamento de sua cobrança, não compete a esta Turma se manifestar a respeito. Tais questões devem ser opostas à autoridade administrativa competente, Delegado da Derat no Rio de Janeiro. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais – Relator. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13227.000671/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/09/2007
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. CFL 35.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III da Lei n° 8212/91 c/c art. 283, II, b do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse desta Autarquia, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
A inobservância de obrigação tributária acessória constitui-se fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada.
AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR DA MULTA. REAJUSTAMENTO.
Os valores das penalidades pecuniárias decorrentes de Auto de Infração, expressos em moeda corrente, serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. CFL 35. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III da Lei n° 8212/91 c/c art. 283, II, ‘b’ do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse desta Autarquia, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A inobservância de obrigação tributária acessória constituise fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR DA MULTA. REAJUSTAMENTO. Os valores das penalidades pecuniárias decorrentes de Auto de Infração, expressos em moeda corrente, serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 06 71 /2 00 7- 42 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: Janeiro/2005 a dezembro/2006. Data da lavratura do Auto de Infração: 24/09/2007. Data da Ciência do Auto de Infração: 01/10/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no art. 32, III da Lei n° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de não haverem sido apresentadas as informações contábeis da empresa, em meio digital, de acordo com o padrão previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP (IN MPS/SRP n° 12, de 20/06/2006), conforme destacado no relatório fiscal a fl. 09. CFL 35 Deixar a empresa de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Também não foram apresentados os seguintes Documentos Fiscais em meio digital, de acordo com o leiaute definido na Portaria INSS/DIREP n° 42, de 24/07/2003: a) Arquivo Mestre de Mercadorias/Serviços Notas Fiscais de Saída/Entrada Emitidas pela Pessoa Jurídica; b) Arquivo Itens de Mercadorias/Serviços Notas Fiscais de Saída/Entrada Emitidas pela Pessoa Jurídica; c) Arquivo Mestre de Mercadorias/Serviços (Entradas) Emitidas por Terceiros; d) Arquivo Itens de Mercadorias/Serviços (Entradas) Emitidas por Terceiros. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13227.000671/200742 Acórdão n.º 2302002.123 S2C3T2 Fl. 66 3 A multa foi aplicada em conformidade com a cominação nos artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, II, ‘b’ e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, com o seu valor mínimo atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 142, de 11 de abril de 2007, conforme destacado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 10. Informa a Autoridade Lançadora que, em razão da agravante prevista no art. 290, IV do Regulamento da Previdência Social, o valor básico acima citado houve por elevado em duas vezes, em conformidade com o art. 292, III do RPS, de modo que o valor da multa aplicada foi de R$ 23.902,42. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 26/31. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa corporificada no Acórdão a fls. 46/51, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 05 de maio de 2009, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 53. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 54/58, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que a ação fiscal extrapolou os limites assentados no MPF, uma vez que a autorização para a ação fiscalizadora compreendia, tão somente, o exame do fato gerador das contribuições previdenciárias rurais; · Que a ação fiscal se desenvolveu com procedimentos incorretos, maculando princípios legais; Ao fim requer o cancelamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 05/05/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 02 de junho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO ESCOPO DA AÇÃO FISCAL FIXADO NO MPF. Alega o Recorrente que a ação fiscal extrapolou os limites assentados no MPF, uma vez que a autorização para a ação fiscalizadora compreendia, tão somente, o exame do fato gerador das contribuições previdenciárias rurais. Como será que o Recorrente vislumbra se proceder ao exame de fatos geradores de contribuições previdenciárias de empresas rurais? Haveria alguma outra forma senão pelo exame de documentos da empresa? Seria através de entrevista com os bovinos antes do abate? Ou mediante a colocação de fiscais na porta do abatedouro contando, um a um, os animais que entram para o sacrifício? Em primeiro lugar, mostrase auspicioso trazer à balha os termos inscritos no MPF nº 09407183F00, a fl. 14, o qual determinou a fiscalização na empresa recorrente. PROCEDIMENTO FISCAL: FISCALIZAÇÃO TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES/OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS: Contribuições sociais previstas no art. 11, Parágrafo Único, alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ da Lei nº 8.212/91, e contribuições por lei devidas a terceiros, provenientes de empresas ou equiparados, na forma da Lei nº 11.457, de 16/03/2007. (grifos nossos) PERÍODO DE APURAÇÃO: janeiro/2005 a dezembro/2006. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS: Verificação do cumprimento das obrigações relativas às contribuições sociais administradas pela RFB, conforme determina o art. 2º da Lei nº 11.457, de 16/03/2007, e àquelas relativas a terceiros, conforme determina o art. 3º da Lei nº 11.457, de 16/03/2007. (grifos nossos) XII – Verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e fundos – comercialização de produtos rurais – contribuições devidas por adquirente na condição de subrogados. (grifos nossos) Como se observa, o escopo de investigação fixado no MPF encampa não somente o exame do fato gerador das contribuições previdenciárias rurais, como assim alega o Recorrente, mas, também, as contribuições sociais previstas no art. 11, Parágrafo Único, alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ da Lei nº 8.212/91, e contribuições por lei devidas a terceiros, e a verificação do cumprimento das obrigações relativas às contribuições sociais administradas pela RFB, obrigações essas que podem ser principais ou acessórias, indistintamente. Em segundo lugar, se revela norteador destacar que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a Fl. 68DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13227.000671/200742 Acórdão n.º 2302002.123 S2C3T2 Fl. 67 5 competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi atribuída pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Igualmente, não é demasiado cuidado relembrar que a imposição de obrigação acessória não demanda a promulgação de lei stricto sensu, podendo elas ser introduzidas no ordenamento jurídico mediante as espécies normativas encartadas nos artigos 96 e 100 ambos do CTN, assim inseridas no conceito de “Legislação Tributária”, na denominação adotada pelo codex. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as Fl. 69DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, foi confiada à Lei nº 8.212/91, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, os artigos 32 e 33 da citada lei de custeio da Seguridade Social estabeleceram uma série de obrigações instrumentais a serem observadas pela empresa, dentre elas, a obrigação instrumental positiva de elaborar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, a obrigação de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, a obrigação de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, além do dever jurídico de exibir ao Fisco todos os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, bem como o de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do seu interesse, na forma por ele estabelecida, e os esclarecimentos necessários à fiscalização. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os Fl. 70DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13227.000671/200742 Acórdão n.º 2302002.123 S2C3T2 Fl. 68 7 padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. (grifos nossos) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. (grifos nossos) Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Conforme destacado, a Lei de Custeio da Seguridade Social exige que as empresa informem mensalmente ao Fisco Federal, por intermédio de GFIP, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Além disso, dentre tantas outros deveres instrumentais, a citada lei federal obriga a empresa a lançar mensalmente em títulos Fl. 71DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados a seu serviço, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, etc. Mas não pára por aqui. Há mais. Avulta como prerrogativa da autoridade fazendária o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados, a teor do art. 195 do CTN c.c. art. 33, §1º da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Tem mais: Determina a Lei de Organização da Seguridade Social, de forma expressa, que a empresa é obrigada a prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do INSS, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Ora, sendo as obrigações acessórias deveres instrumentais de índole positiva ou negativa fixados na legislação tributária no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, deflui da conjugação dos dispositivos legais acima apontados que a investigação da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias pode ser empreendida mediante o exame dos documentos fiscais suso selecionados, como assim, com efeito, procurou proceder a fiscalização ao intimar o sujeito passivo em foco a exibir um diversidade de documentos “indispensáveis à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias” no padrão previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP (IN MPS/SRP n° 12, de 20/06/2006), ou de acordo com o leiaute definido na Portaria INSS/DIREP n° 42, de 24/07/2003. Tais obrigações acessórias evidenciamse como contínuas, não se extinguindo com a mera apresentação de documentos. Ela pressupõe o dever de prestar esclarecimentos à Fiscalização a qualquer tempo, de molde que, mesmo após a apresentação de documentos, caso a Fiscalização solicite novos esclarecimentos, à empresa não é concedida a faculdade de se furtar a cumprir o objeto da intimação, tampouco se escudar na pueril suposição de que eventuais documentos já exibidos anteriormente seriam suficientes e bastantes, eis que a mera exibição de documentos não supre nem exclui qualquer demanda ulterior por esclarecimentos de ordem verbal ou escrita. Conforme destacado no item 1.1., in fine, do Relatório Fiscal da Infração, a fl. 09, o vertente Auto de Infração houvese por lavrado em razão de a empresa, apesar de regularmente intimada, por duas vezes, mediante Termos próprios, ter deixado de apresentar à fiscalização diversos documentos indispensáveis à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias, na forma estabelecida pelo sujeito ativo da relação jurídico tributária. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13227.000671/200742 Acórdão n.º 2302002.123 S2C3T2 Fl. 69 9 No caso em apreciação, faz prova o Auto de Infração em desfavor do Recorrente que este, apesar de regularmente intimado, fracassou em apresentar, no padrão exigido, os documentos elencados no Relatório Fiscal da Infração a fl. 09. A não observância das obrigações tributárias exigidas pela legislação de regência frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores abarcados no escopo do Mandado de Procedimento Fiscal acima aludido. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, III do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o art. 92 do mesmo Pergaminho Legal em foco aviou norma sancionatória prevendo a punição do obrigado em caso de infração de qualquer dispositivo dessa Lei, sujeitando o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da infração, conforme disposição analítica assentada no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Ancorado no dispositivo legal acima revisitado, a alínea ‘b’ do inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social especificou a inflição de penalidade pecuniária a ser aplicada à empresa que deixar de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesse Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira, in verbis: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado ad hoc, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13227.000671/200742 Acórdão n.º 2302002.123 S2C3T2 Fl. 70 11 § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; Nesse contexto, em 12 de abril de 2007, foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria Interministerial MPS/MF nº 142 que fixou em R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinquenta e um Reais e vinte e um centavos) o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social. PORTARIA MPS/MF nº 142, de 11 de abril de 2007 Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: (...) VI o valor da multa indicado no inciso II do art. 283 do RPS e de R$ 11.951,21 (onze mil novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos); Fl. 75DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 No episódio em estudo, havendo a empresa incorrido na agravante prevista no inciso IV do art. 290 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, o valor da multa aplicada é elevado em duas vezes, como assim estabelece o art. 292, III do RPS. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) III as agravantes dos incisos III e IV do art. 290 elevam a multa em duas vezes; Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação acessória violada, a conduta omissiva que profanou a obrigação tributária em apreço, fazendo constar, nos relatórios que compõem o presente Processo Fiscal os critérios adotados para quantificação da penalidade pecuniária aplicada. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAD, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao autuado. Não vislumbramos, pois, qualquer vício na formalização do presente Auto de Infração a amparar a alegação de que a ação fiscal tenha extrapolado os limites assentados no MPF, razão pela qual impende repelir peremptoriamente tal preliminar, tão veementemente sustentada pelo Recorrente. 2.2. DOS PROCEDIMENTOS EMPREENDIDOS PELA FISCALIZAÇÃO Pondera o Recorrente que a ação fiscal se desenvolveu com procedimentos incorretos, maculando princípios legais. Esqueceuse de elencar o Recorrente, todavia, quais foram os procedimentos violados e qual a conduta perpetrada pela fiscalização que teria resultado em mácula a princípios legais, os quais, por sua vez, também não foram indicados. O Recorrente limitouse a transcrever dispositivos legais do Decreto nº 3.969/2001, referentes ao MPF, assim como o art. 661 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, referente ao Relatório Fiscal, sem adentrar aos fatos concretos que teriam sido praticados pela fiscalização os quais teriam supostamente aviltado princípios legais, estes igualmente, não revelados pelo Autuado. Extraímos, nada obstante, das provas coligidas aos autos que os procedimentos adotados pela Autoridade Lançadora foram conduzidos em perfeita harmonia com os preceitos normativos que regem a matéria, estando ao Auto de Infração revestido de todas as formalidades legais e regulamentares atávicas ao Código de Fundamentação Legal nº 35. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13227.000671/200742 Acórdão n.º 2302002.123 S2C3T2 Fl. 71 13 Com efeito, a ação fiscal em comento houvese por precedida do competente Mandado de Procedimento Fiscal, a fl. 14, tendo a fiscalização exigido, no âmbito de sua competência, por duas vezes, mediante Termos próprios a fls. 15/17, os documentos indispensáveis à verificação do regular cumprimento das obrigações tributárias compreendidas no escopo da investigação fixado no MPF. Compulsando os autos do processo verificase que o Relatório Fiscal, a fls. 09/10, descreve de forma clara e precisa, a obrigação tributária acessória violada, a conduta omissiva perpetrada pelo Recorrente, os documentos que a empresa não apresentou no padrão exigido pela fiscalização, assim como toda a fundamentação legal que oferece esteio jurídico à autuação ora em julgo, com especial destaque aos diplomas normativos que estabeleceram a forma como as informações contábeis deveriam ter sido prestadas em meio digital, ao dispositivo legal que impôs a obrigação acessória ora ultrajada bem como à norma que comina a penalidade correspondente. Na sequência, o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, a fl. 10, destaca o valor mínimo da multa aplicada, a legislação de reajustamento do valor das penalidades por infração de qualquer dispositivo da Lei nº 8.212/91, as agravantes em que incorreu a empresa, bem assim como a memória de cálculo da multa efetivamente impingida ao sujeito passivo. Das provas dos autos avulta não merecer reparos a decisão ora recorrida. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 77DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13832.000136/99-55
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1989 a 31/10/1995
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM:21/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1989 a 31/10/1995 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005). No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso Extraordinário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM:21/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1989 a 31/10/1995 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA. Ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1989 a 31/10/1995 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 01 36 /9 9- 55 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso Extraordinário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM:21/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13832.000136/9955 Acórdão n.º 9900000.572 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 02 03.705, proferido pela 2ª Turma da CSRF em 26/11/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial. Segue abaixo sua ementa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO DECADÊNCIA. Somente após a publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em Ação Declaratória de Inconstitucionalidade é que se forma o indébito e, portanto, iniciase o prazo decadencial para sua repetição, "dies a quo". Recurso especial negado.” A Fazenda Nacional afirma que o acórdão recorrido diverge dos paradigmas que apresenta no ponto em que considerou que a contagem da prescrição ao direito à restituição teve início apenas com a publicação de decisão em ação direta de inconstitucionalidade ou publicação da resolução do Senado Federal nº 49/1995, momento em que o contribuinte passou a fazer jus à restituição dos valores pagos indevidamente. Segue abaixo as ementas dos paradigmas: “RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Em razão da determinação contida no artigo 3º da Lei Complementar nº 118/05 que, em caráter interpretativo do disposto no inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional, determina que a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado, prescindindo da homologação dos procedimentos efetuados pelo administrado, é no momento do pagamento que se inicia a contagem do prazo de cinco anos para que o contribuinte possa pleitear a restituição. Recurso especial negado.” (AC CSRF/01 05.858) “RESTITUIÇÃO. O prazo extintivo do direito de pleitear a repetição de tributo indevido ou pago a maior, sujeito a lançamento por homologação, esgotase com o decurso de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos precisos termos dos arts. 156, I, 165, I, 168 e 150, §§1º e 4º, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado.” (AC CSRF/01 05.773) “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Fl. 826DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” (AC CSRF/0400.810) Explica que os acórdãos paradigmas acima colacionados suscitam a tese de que tributos pagos indevidamente, como é o caso dos presentes autos, podem ser objeto de pedidos de restituição, desde que não esgotado o prazo prescricional de cinco anos contados da data do pagamento antecipado. O voto condutor do terceiro paradigma entende que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. No mérito, afirma que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido, conforme inteligência dos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, e 156, inciso I, do CTN. Diz que decisão recorrida respaldouse em posicionamento superado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, pois a referida Corte é unânime em sufragar que a declaração de inconstitucionalidade do tributo não influi no prazo decadencial para a repetição do indébito. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 910000.290, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Requer a rejeição do recurso da Fazenda ante a falta de interesse de agir e carência da ação. Afirma que a tese dos cinco mais cinco já foi pacificada pelo STJ. Observa que, no que diz respeito aos pagamentos anteriores ao advento da LC 118/05, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Ao final, requer que o recurso extraordinário em análise não seja conhecido. Eis o breve relatório. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13832.000136/9955 Acórdão n.º 9900000.572 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações Fl. 828DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP Fl. 829DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13832.000136/9955 Acórdão n.º 9900000.572 CSRFPL Fl. 5 7 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” Fl. 830DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (03/09/1999), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional e darlhe parcial provimento, para não acolher o direito de repetição de indébito do contribuinte para os fatos geradores ocorridos anteriormente à 03/09/1989. É como voto. Elias Sampaio Freire Fl. 831DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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