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Numero do processo: 11080.008703/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IMPOSTO RETIDO NA FONTE – GLOSA INDEVIDA Não pode ser mantida a glosa do imposto retido na fonte uma vez que ficou comprovado nos autos a retenção e/ou recolhimento do imposto de renda.
Numero da decisão: 2202-002.005
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em da provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1253; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.008703/200734 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 220202.005 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2012 Matéria Omissão de Rendimentos Recorrente Luiz José Johnson Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: IMPOSTO RETIDO NA FONTE – GLOSA INDEVIDA Não pode ser mantida a glosa do imposto retido na fonte uma vez que ficou comprovado nos autos a retenção e/ou recolhimento do imposto de renda.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em da provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 11080.008703/200734 Acórdão n.º 220202.005 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Através da Notificação de Lançamento foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 2.120,45 (cod. 2904) e imposto a pagar no valor de R$ 3.130,07 (cód. 0211) relativos ao exercício de 2005, ern decorrência de omissão de rendimentos e glosa do impostoretido na fonte tendo em vista os valores informados em DIRF para o CPF do interessado.A descrição dos fatos e a legislação infringida constam da referida Notificação. 0 crédito tributário é de R$ 9.252,04. Inconformado com a exigência, o contribuinte, através de seu procurador (11.2) apresenta impugnação (11.1) esclarecendo que não houve a omissão de rendimentos apontada na notificação, pois os rendimentos oriundos da ação judicial do Instituto Nacional de Seguridade Social — INSS foram por ele informados na declaração de ajuste anual, porém, não constou a Caixa Econômica Federal como fonte pagadora. Esclarece que do total de R$ 16.336,50 recebidos foram descontados os honorários advocaticios pagos conforme documentos em anexo. Quanto a glosa do imposto retido na fonte de R$ 3.267,30 nada menciona. Junta os documentos de fls. 3/9. Requer a tramitação prioritária do presente processo com base no Estatuto do Idoso. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela procedência parcial do lançamento através do acórdão DRJ/POA n° 1022.949, de 02 de dezembro de 2009, cuja ementa está abaixo transcrita; Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS Excluído o montante lançado em processo de revisão, tendo em vista a constatação de que o contribuinte ofereceu a tributação os rendimentos oriundos de ação judicial. IMPOSTO RETIDO NA FONTE Mantida a glosa do imposto retido na fonte uma vez que não ficou comprovado nos autos a retenção e/ou recolhimento aos cofres da Unido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Devidamente cientificado dessa decisão em 07 de janeiro de 2010 (fls. 46) , ingressou o contribuinte com recurso voluntário em 28 de janeiro de 2010 (fls. 47), onde ratifica os argumentos apresentados na impugnação e traz documentos de fls.56 a 80 . Este é o relatório Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 11080.008703/200734 Acórdão n.º 220202.005 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. A matéria que restou a ser apreciada por esse colegiado, versa sobre a glosa do IRFonte no valor de R$ 6.195,42, que teria sido retido pela fonte pagadora Hotéis Itapuã, CNPJ 92.694.546/000106. O Recorrente não havia apresentado nenhum comprovante quando protocolou a impugnação, fazendoo agora em sede de recurso de fls. 56 a 80. Podemos verificar que há comprovação da retenção e recolhimento do imposto, conforme documento de fls. 57. Desta forma, conheço do recurso e no mérito dou provimento para reestabelecer o IRFonte no valor de R$ 6.195,42. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13603.901702/2008-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO A QUE CORRESPONDE, NA TIPI, A NOTAÇÃO NT. DERIVADO DE PETRÓLEO. PRODUTO IMUNE. CABIMENTO.
O chamado crédito presumido de IPI, concedido e disciplinado pelas Leis nos 9.363/96 e 10.276/01, alcança a exportação de produto submetido a processo industrial que, em razão da imunidade prevista pela CF/88, artigo 155, § 3o, corresponder à notação NT na TIPI.
Numero da decisão: 3403-001.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator) e Antonio Carlos Atulim. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Marcos Tranchesi Ortiz - Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO A QUE CORRESPONDE, NA TIPI, A NOTAÇÃO “NT”. DERIVADO DE PETRÓLEO. PRODUTO IMUNE. CABIMENTO. O chamado “crédito presumido de IPI”, concedido e disciplinado pelas Leis nos 9.363/96 e 10.276/01, alcança a exportação de produto submetido a processo industrial que, em razão da imunidade prevista pela CF/88, artigo 155, § 3o, corresponder à notação “NT” na TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator) e Antonio Carlos Atulim. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Marcos Tranchesi Ortiz Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 17 02 /2 00 8- 21 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 9 a 2011, buscando compensar saldo credor de IPI (R$ 699.130,46) apurado no 1o trimestre de 2004. Na composição do saldo credor, há créditos básicos e crédito presumido de IPI (fls. 14, 19 e 131). Por meio do Termo de Verificação Fiscal de fls. 262 a 270, concluise que: (a) a empresa adquire lacres para manter invioláveis os tambores que acondicionam seus produtos, que não podem ser considerados como material de embalagem, glosandose o crédito correspondente (R$ 98,80); e (b) no que se refere ao crédito presumido, parte dos produtos exportados (óleos lubrificantes) eram NT (nãotributados), devendo ser excluídos do cômputo, ocasionando glosas de R$ 35.870,97 e R$ 15.385,31. A autoridade local da RFB acata o Termo de Verificação Fiscal e indefere parcialmente o pleito (fls. 221), reconhecendo direito creditório de R$ 647.775,38. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 203 a 219), a empresa não questiona a glosa referente aos lacres, informando que efetuaria o correspondente pagamento, mas solicita reconhecimento total do crédito presumido, pois o art. 1o da Lei no 9.363/1996 não exige que as mercadorias sejam tributadas pelo IPI. Em 18/3/2011, no julgamento de primeira instância (fls. 330 a 377), analisa se exclusivamente a questão do crédito presumido (tendo a empresa pago o imposto relativo à matéria não contestada, referente à aquisição de lacres), acordandose: (a) pela falta de amparo legal para o reconhecimento do crédito de IPI para produtos exportados classificados na TIPI como “NT”; e (b) pelo reconhecimento de crédito presumido no valor de R$ 3.843,34, referente a créditos acumulados no quarto trimestre de 2003, segundo dados apurados pela fiscalização (demonstrativo de fl. 318), reduzindose a glosa a R$ 32.027,63. Cientificada da decisão em 2/5/2011 (fl. 340), a empresa apresenta recurso voluntário em 30/5/2011 (fls. 341 a 351), no qual argumenta que: (a) o objetivo do benefício estabelecido pela Lei no 9.363/1996, que tem origem na Medida Provisória no 948/1995, é desonerar as exportações, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros, não exigindo a lei que as mercadorias sejam tributadas pelo IPI, mas apenas que sejam mercadorias nacionais destinadas a exportação; (b) o ressarcimento é de “PIS” e COFINS e o mecanismo para tal ressarcimento é o crédito presumido de IPI, sendo irrelevante o fato de o produto exportado ser classificado como “NT” na TIPI; e (c) a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das receitas decorrentes de exportação de produtos classificados na TIPI como “NT” é tema pacificado no âmbito do CARF. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 377DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901702/200821 Acórdão n.º 3403001.908 S3C4T3 Fl. 377 3 Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A matéria controversa em sede de Recurso Voluntário restringese à oposição à glosa do crédito presumido pela autoridade fiscal, em virtude da exclusão das exportações de produtos “NT” da apuração do benefício. O crédito presumido em comento é estabelecido na Lei no 9.363/19962, que dispõe, nos arts. 1o, 2o, 3o e 6o que: “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art.2oA base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Art.3o (...) Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (...) Art.6oO Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais 2 A Lei no 10.276/2001 estabelece forma alternativa de creditamento, reconhecendo a aplicação subsidiária da Lei 9.363/96 em seu art. 1o, parágrafo 5o. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador.” (grifo nosso) Não há dúvidas de que o benefício criado pela Lei no 9.363/1996 objetivava desonerar as exportações, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros, como afirmado no Recurso Voluntário. Mas a simples leitura dos comandos legais já mostra que tal benefício não é amplo a ponto de abarcar quaisquer produtos nacionais exportados. Vejase que o caput do art. 1o fala em ressarcimento à empresa “produtora e exportadora” relativo a aquisições no mercado interno de bens para “utilização no processo produtivo”. Como se destaca na informação fiscal e no julgamento de piso, extraindose conceito da Lei do IPI (Lei no 4.502/64), com autorização expressa do parágrafo único do art. 3o da Lei no 9.363/1996, estabelecimento produtor é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Não é, assim, irrelevante o fato de o produto exportado ser não industrializado ou classificado como “NT” na TIPI. A Portaria MF no 64, de 24/3/20033, com autorização expressa da lei (art. 6o da Lei no 9.363/1996) estabeleceu, no inciso II do § 12 de seu art. 3o: “§ 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: (...) II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais;” (grifos nossos) É de se destacar, aqui, que o pedido que dá ensejo a este processo (DCOMP transmitida em 14/4/2004, e referente ao 1o trimestre de 2004) ocorre sob a égide da referida Portaria MF, na qual o Ministro da Fazenda usa regularmente da competência legalmente atribuída. Assim, não se pode admitir a inclusão dos produtos “NT” e não industrializados no cômputo da receita bruta de exportação. E percebase que não se está a violar o art. 111 do CTN, seja porque tal comando trata especificamente de isenções, ou simplesmente porque a interpretação apontada como restritiva ao benefício é expressamente autorizada pelo legislador ordinário. Aliás, esse é o entendimento explicitado pelo STJ, em julgados recentes: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVOS REGIMENTAIS NOS RECURSOS ESPECIAIS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. FORMA DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES REFERENTES A AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 993.164/MG. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. O STJ já se manifestou pela legalidade da limitação imposta pelas IN SRF 313/2003 e 419/2004, de cômputo dos valores referentes a exportação de produtos não tributados na base de 3 Disciplinada pelas IN SRF 313/2003 (Lei 9.363/96) e 315/2003 (alternativaLei 10.276/2001). Fl. 379DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901702/200821 Acórdão n.º 3403001.908 S3C4T3 Fl. 378 5 cálculo do crédito presumido do IPI, na medida em que, a própria Lei 9.363/96 admitiu a possibilidade de ampliação ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de hierarquia inferior. Precedentes: REsp 982.020/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 14/02/2011 e AgRg no REsp 1236305/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16/05/2011. 2. Tendo em vista que, além do reconhecimento do direito da contribuinte a computar, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores referentes aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, houve o deferimento da pretensão de correção monetária de tais valores, concluise que houve o decaimento da Fazenda em maior proporção.” 4 (grifo nosso) O STJ notoriamente comunga do entendimento pela regularidade da definição infralegal de “receita de exportação”: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º, 2º E 6º, DA LEI N. 9.363/96. (...). ILEGALIDADE DO ART. 2º, §2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 23/97. LEGALIDADE DO ART. 17, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 313/2003. CORREÇÃO MONETÁRIA. (...). (...) 2. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. 3. O art. 17, §1º, da IN SRF n. 313/2003, não viola o art. 2º, da Lei n. 9.363/96, pois encontra guarida no art. 6º, da mesma lei, que admitiu que o conceito de "receita de exportação" (componente da base de cálculo do benefício fiscal) ficaria submetido a normatização inferior, podendo, inclusive, ser restringido ou ampliado, conforme a teleologia do benefício e razões de política fiscal. 4. O tema da correção monetária dos créditos escriturais de IPI é matéria sumulada neste STJ (Súmula 411/STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco") e já foi objeto de julgamento pela sistemática para recursos repetitivos prevista no artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. Nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 4 AgRg no REsp 1239952/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, unânime, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 5. A compensação tributária submetese ao regime em vigor na data do ajuizamento da demanda. Tema que já foi objeto de julgamento no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.137.738 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.12.2009.” 5 (grifo nosso) Improcedente, então, o pleito de inclusão dos produtos NT e não industrializados no cômputo da receita bruta de exportação. Por fim, em relação à afirmação de que a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das receitas decorrentes de exportação de produtos classificados na TIPI como “NT” é tema pacificado no âmbito do CARF, inclusive na CSRF, incumbe ressaltar que os julgados apresentados se referem a apreciações feitas pelo tribunal na década passada (de 2002 a 2008), em grande parte sob a influência de normas como a Portaria MF no 38, de 27/2/1997 (revogada pela retrocitada Portaria MF no 64, de 24/3/2003), que contemplava de forma alargada o benefício. Em julgados mais recentes (e que se referem a períodos em que a Portaria MF no 64, de 24/3/2003 já estava vigente), verificase que a jurisprudência majoritária é no sentido oposto ao apontado pela recorrente (seja no que se refere a produtos “NT” ou a produtos não industrializados). Em que pese o fato de tais julgamentos (assim como os trazidos no Recurso Voluntário) não vincularem a presente decisão, é de se transcrever abaixo excertos de acórdãos recentes (inclusive desta Turma), que demonstram o exposto: “Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não tributados (NT) deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. (...)” 6 “Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003. (...) CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. DEFINIÇÃO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RESTRIÇÃO A BENS NÃO INDUSTRIALIZADOS. PROCEDÊNCIA. A definição de “receita de exportação” estabelecida nas Portarias do MF encontra expresso amparo no art. 6o da Lei n o 9.363/1996. (...)”7 “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE GOZO DO INCENTIVO. O caput do art. 1º da Lei 9.363/96, ao dispor que “a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados [...]” revela, de antemão, que o direito a aludido crédito se restringe a pessoa jurídica que, 5 REsp 982.020/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, unânime, julgado em 03/02/2011, DJe 14/02/2011. 6 Acórdão 3803003.586, CARF, 3a Turma Especial, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, Sessão de 23.out.2012. 7 Acórdãos 3403001.735, 736, 737 e 738, CARF, Terceira Turma Ordinária, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, maioria, Sessão de 26.set.2012. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901702/200821 Acórdão n.º 3403001.908 S3C4T3 Fl. 379 7 cumulativamente, satisfaça às seguintes condições: seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O alcance conceitual do termo “empresa produtora”, por expressa disposição legal contida no parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96, deverá ser aquele objeto da legislação do IPI, aplicável para a definição “[...] de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem”. Nesse âmbito, o artigo 6o da Lei no 10.451/02 exclui do campo de incidência do IPI os produtos relacionados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado). Ainda, o artigo 3o da Lei no 4.502/64 considera “estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Como os produtos gravados na TIPI como “NT” estão fora do campo de incidência do IPI, tais produtos, portanto, para fins do referido imposto, não podem ser considerados como advindos de um processo de industrialização, não sendo, pois, abrangidos, pelo incentivo de que trata o crédito presumido do IPI.” 8 “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO SUBMETIDAS A PROCESSO INDUSTRIAL. DESCABIMENTO. O chamado “crédito presumido de IPI”, concedido e disciplinado pelas Leis nºs 9.363/96 e 10.276/01, beneficia tãosomente o produtor exportador, assim compreendida a pessoa jurídica que realiza operação de industrialização segundo os conceitos definidos pela legislação do IPI.” 9 “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos nãotributados (NT).” 10 8 Acórdão 3802000.739, CARF, 2a Turma Especial, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Francisco José Barroso Rios, unânime, Sessão de 21.nov.2011. 9 Acórdão 3403001.295, CARF, Terceira Turma Ordinária, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, Sessão de 9.nov.2011. 10 Acórdão 9303001.450, CSRF, Rel. Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho, qualidade, Sessão de 30.mai.2011. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan Fl. 383DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901702/200821 Acórdão n.º 3403001.908 S3C4T3 Fl. 380 9 Voto Vencedor Segundo depreendo do voto do ilustre relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan, o crédito presumido do IPI a que se referem as Leis nos 9.363/96 e 10.276/01 não alcançaria a exportação de produtos quaisquer produtos, enfatizese aos quais corresponda, na TIPI, a notação “NT”. De minha parte, tenho orientado meus posicionamentos a respeito em sentido distinto. Parcialmente distinto, para ser mais exato. É o que procurarei expor a seguir. Realmente, as Leis nos 9.363/96 e 10.276/01, nas quais o incentivo foi instituído e disciplinado, impõem ao beneficiário o desempenho de “produção”. Confirase: “Art. 1o. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos. 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” “Art. 1o. Alternativamente ao disposto na Lei no. 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento.” A mesma Lei no 9.363/96 circunscreve o que se há de compreender por “produção”, para fins de determinação dos beneficiários do direito por ela outorgado. É o que se lê do seu artigo 3o, parágrafo único, segundo o qual o sentido do vocábulo coincide com aquele definido pela “legislação” do IPI. Vejase: “Art. 3o. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem.” Sendo este o contexto normativo em que se insere a pretensão, peço vênia para reproduzir aqui as considerações externadas pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, lançadas ao ensejo do julgamento de recurso voluntário interposto nos autos do processo no 13909.000124/200283, sob o qual se instalou controvérsia análoga à presente. Vejamos: Fl. 384DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 “Com isso, pareceme fora de qualquer discussão que o beneficiário do instituto criado em 1996 tem de ser um estabelecimento produtor na forma do que preceitua a legislação do imposto. (...) Ora, a legislação do IPI referida na norma tem como âncora a Lei no. 4.502 que, desde 1964, define o que seja produção para efeitos do IPI em seu artigo 3o: ‘Art. 3o. Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I – o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II – o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; III – o preparo de medicamentos oficiais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente a consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica; IV – a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas.’ Mas nesse contexto original, cabia sim interpretar o alcance das expressões ‘alterar o acabamento ou a apresentação do produto’. Os diversos decretos que aprovaram regulamentos do IPI (RIPI) delimitaram o alcance das expressões contidas na lei ao definir, com precisão, cinco modalidades de industrialização. No período das exportações promovidas pela recorrente, o que vigia era ainda o RIPI baixado pelo decreto de no. 87.981, de 1982. Seu artigo 4o. assim regulamentava a definição de industrialização (disposição repetida em todos os regulamentos posteriores): ‘Art. 4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei no. 4.502, de 1964, art. 3o, parágrafo único, e Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I – a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); Fl. 385DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901702/200821 Acórdão n.º 3403001.908 S3C4T3 Fl. 381 11 III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo qual a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados.’ Como se observa, a regulamentação, embora aprofundasse o alcance das expressões originais, ainda deixava aberto o campo de interpretação quanto aos limites das alterações que devem ser promovidas pelo ‘produtor’ sobre o produto para que se configure uma industrialização. Por este motivo, esta Câmara, por maioria, tem entendido possível ao contribuinte demonstrar o cumprimento dos requisitos previstos nesse dispositivo para enquadrarse como ‘produtor’, ainda que o seu produto esteja indicado na TIPI como NT. Dentre as modalidades ali definidas ressalvese que de modo exemplificativo duas parecem cogitáveis ao caso concreto: o beneficiamento e o acondicionamento. (...) Divirjo desse entendimento, embora deixando registrado que não concordo com o simples argumento de que basta o produto ser NT na TIPI para que o beneficio se torne incogitável. Cumpre esclarecer esse meu posicionamento. É que entendo que aquela tabela, igualmente baixada por meio de decreto regulamentar expedido pela Presidência da República, vem exatamente para impedir interpretações divergentes, no âmbito administrativo, acerca do que seja industrialização para efeito do IPI. (...) vêse que o que seja industrialização, mesmo com a definição que lhe deram tanto a Lei quanto o Decreto, pode ainda, em muitos casos, ser objeto de interpretações diversas. Para efeito de IPI, porém, toda discussão cessa diante da TIPI, pois é exatamente para dirimir qualquer dúvida nesse aspecto que ela é baixada. Não cabe, pois, ao agente administrativo considerar que o produto que ali esteja definido como não industrializado seja industrializado, ou viceversa. Trocando em miúdos, sempre que uma dada operação aparentemente puder enquadrarse como industrialização é aquela norma regulamentar que dirimirá, no âmbito das Fl. 386DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 12 obrigações atinentes ao IPI, o correto entendimento (ao menos, o correto na visão do Poder Executivo, de onde provém), e de forma vinculante a todos os aplicadores do direito integrantes de sua estrutura administrativa. E é claro que esse entendimento pode ser contestado pelos contribuintes, mas então há de ser objeto de apreciação pela instância constitucionalmente capaz: o Poder Judiciário. Nessa esteira é que entendo que não podem os aplicadores do direito não integrantes do Poder Judiciário ultrapassar as definições emanadas da TIPI no que se refere ao alcance do conceito de industrialização para efeito do IPI. Mas, como disse, esse posicionamento tampouco autoriza que se remeta automática e acriticamente à TIPI para desconfigurar o direito do postulante ao crédito presumido de que trata a Lei no. 9.363/96, apenas porque na TIPI o produto apareça como NT. E isso porque nem todos os produtos que ali aparecem com tal expressão o fazem por serem produtos não industrializados. De fato, muitos, sem dúvida a maioria, o são. Mas ao lado deles há também os casos da imunidade conferida a alguns produtos. Para eles também a TIPI reserva a expressão NT, desde que aquela não incidência não dependa de qualquer condição. No que respeita apenas à aplicação do IPI não faz qualquer diferença o motivo: sendo NT, o produto está fora do campo de incidência daquele imposto e quem o produz nenhuma obrigação tem com respeito ao tributo. Mas, quando se examina a TIPI com olhos no benefício da Lei no. 9.363/96, isso faz sim diferença, pois ela não exigiu, e nisso a recorrente tem inteira razão, que os produtos exportados estejam no campo de incidência do IPI. O que ela exige é que eles tenham sido submetidos a uma operação de industrialização. E, como espero ter deixado claro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.”. A notação “NT” da TIPI é, portanto, polissêmica. Designa prioritariamente mercadorias que, ao menos sob a perspectiva do Executivo Federal, não resultem de processo industrial. Mas designa residualmente também produtos que, conquanto industrializados, tenham sido postos à margem da competência impositiva em matéria de IPI por obra de regra imunizante. Digo, aliás, que a norma de imunidade, nestes casos, tem razão de ser justamente porque são industrializados os produtos nela mencionados. Fossem produtos in natura ou obtidos de processos não industriais, não teria cabimento imunizálos, já que por obra de pura e simples nãoincidência ficaram a salvo da imposição tributária. Pois é disso que se trata nestes autos. Os produtos a que a ora recorrente dá saída para exportação são óleos lubrificantes, derivados de petróleo que, embora originados de processo industrial, recebem a notação “NT” na TIPI justamente porque o artigo 155, § 3o da CF/88 lhes confere imunidade frente ao IPI. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901702/200821 Acórdão n.º 3403001.908 S3C4T3 Fl. 382 13 Com estas considerações, peço vênia ao ilustre relator para dele divergir neste particular, a fim de reconhecer o direito ao crédito presumido vindicado pela ora recorrente e de dar provimento a seu recurso voluntário. É como voto. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 388DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722864/2010-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
AUTO DE INFRAÇÃO SOB N 37.283.649-6 CONSOLIDADO EM: 01/12/2010 PERÍODO FISCALIZADO: 01 de 2008 a 12 de2009 COMPETÊNCIAS: 01/2008 a 13/2009.
EMENTA DÉBITO CONFESSADO EM REQUERIMENTO DE PARCELAMENTO. Pedido de Parcelamento da Lei 11.941 de 2009 configura renúncia ao contencioso administrativo, na razão que o § 6o do artigo 12, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 22 de julho de 2009, importa em confissão irretratável do débito e configura confissão extrajudicial, de conformidade com os artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil.
Desta forma não cabe mais discussão sobre as exigências parceladas e o põe fim ao litígio nos exatos limites dos valores parcelados e implica renúncia ao contencioso administrativo.
EXCLUSÃO DO SIMPLES SEM A DEVIDA NOTIFICAÇÃO. Inadmissibilidade. Agressão ao devido processo legal, ampla defesa, publicidade e ao contraditório. A publicação na internet, de que trata o § 49 do ato regulamentar, é condição necessária para eficácia do ato de exclusão, em face do princípio da publicidade dos atos da administração, NÃO SENDO. ENTRETANTO. O MEIO VÁLIDO DE NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE, porquanto a notificação, nos termos do próprio ato regulamentar, há de ser feita conforme a legislação que rege o processo administrativo fiscal do ente federal responsável pelo processo de exclusão, que, no caso da União, é o Dec. N. 70.235 de 1972. REPRESENTAÇÃO FISCAL. O Auditor fiscal tem a obrigação legal de comunicar a pratica de crime, ainda que seja em tese.
O Colegiado não tem competência para julgar a legalidade ou não da representação fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.879
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os
Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Mauro José Silva, que votaram em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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EMENTA DÉBITO CONFESSADO EM REQUERIMENTO DE PARCELAMENTO. Pedido de Parcelamento da Lei 11.941 de 2009 configura renúncia ao contencioso administrativo, na razão que o § 6o do artigo 12, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 22 de julho de 2009, importa em confissão irretratável do débito e configura confissão extrajudicial, de conformidade com os artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil. Desta forma não cabe mais discussão sobre as exigências parceladas e o põe fim ao litígio nos exatos limites dos valores parcelados e implica renúncia ao contencioso administrativo. EXCLUSÃO DO SIMPLES SEM A DEVIDA NOTIFICAÇÃO. Inadmissibilidade. Agressão ao devido processo legal, ampla defesa, publicidade e ao contraditório. A publicação na internet, de que trata o § 49 do ato regulamentar, é condição necessária para eficácia do ato de exclusão, em face do princípio da publicidade dos atos da administração, NÃO SENDO. ENTRETANTO. 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ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Mauro José Silva, que votaram em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) MARCELO DE OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. Relatório Tratase de crédito tributário constituído contra a empresa PIRES E LESSA LTDA ME , por meio do AI n° 37.283.6496, no valor de R$ 247.482,34 (duzentos e quarenta e sete mil, quatrocentos e oitenta e dois reais e trinta e quatro centavos), consolidado em 01/12/2010. Os valores levantados no AI n° 37.283.6496 são referentes às contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, destinadas a outras entidades e fundos (TERCEIROS): FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE. O período do lançamento corresponde às competências 01/2008 a 12/2009. Conforme consta do Relatório Fiscal, foram analisados os seguintes documentos:1)Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP transmitidas pela empresa, e constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); 2) contratos sociais e resumo das folhas de pagamento em meio papel e as Guias de Recolhimento à Previdência Social GPS, constantes dos sistemas da RFB. No período objeto do presente auto de infração, a empresa declarou em GFIP como optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL). Entretanto, em consulta aos optantes pelo regime no sítio do SIMPLES NACIONAL (ANEXO IV do Relatório Fiscal), a empresa acima identificada, foi excluída do referido regime em 31/12/2007 por ato administrativo praticado pelo Governo do Distrito Federal. Cientificado do Auto de Infração em 02/12/2010, o contribuinte apresentou impugnação, na qual alega, em síntese, que o auto de infração não pode prosperar, na medida em que a exclusão do regime Simples Nacional, causa determinante do levantamento fiscal, Fl. 670DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10166.722864/201027 Acórdão n.º 2301002.879 S2C3T1 Fl. 670 3 não foi comunicado formalmente à empresa, assim como não recebeu qualquer notificação a respeito das pendências existentes, o que fere os princípios do contraditório e da ampla defesa. Assim, diante da ausência de notificação, entende a impugnante que é nulo o ato de exclusão e conseqüentemente a própria autuação referente a este auto de infração. Por fim, requereu o recebimento da impugnação, para contestar todos os termos do auto de infração, e ao final, que fosse reconhecida a nulidade do ato administrativo que determinou a exclusão do SIMPLES NACIONAL; Que a autuação fosse julgada insubsistente, bem assim o valor nela contido. Entretanto a DRJ de Brasília julgou procedente o auto de infração, exarando o seguinte Acórdão: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 A I O P T E R C E I R OS IMPUGNAÇÃO. PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. O pedido de parcelamento põe fim ao litígio nos exatos limites dos valores parcelados e implica renúncia ao contencioso administrativo. SIMPLES NACIONAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A empresa excluída do SIMPLES NACIONAL está sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A razão da decisão acima é que nos autos do processo sob n° 10166.722863/201082 (DEBCAD 37.283.6488), as contribuições apuradas já foram objeto de pedido de parcelamento do período de 01 de 2008 à 11 do mesmo ano (documento juntado às fls 215/217 daqueles autos). Aos demais período entende a DRJ que Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006, em seu artigo 39 e O § 3 o do art. 29 da mesma lei, tratou da competência do Comitê Gestor para excluir o contribuinte do regime Simples, na conformidade que foi procedido. A Recorrente foi regularmente notificada da decisão em 22 de marco de 2011 e em 19 de abril do mesmo ano interpôs o presente recurso voluntário com as seguintes alegações: 1) preliminarmente alega que as contribuições em comento não foram confessadas, mas tão somente formulado requerimento de parcelamento, mas que os valores ainda não foram especificados; 2) que o pedido de parcelamento não põe fim ao litígio; 3) ao argumento da exclusão do SIMPLES sem a devida e imperiosa notificação ao contribuinte é nula, por isto indevida a cobrança do período 12 de 2008 à 13 de 2009. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 É o relatório e síntese do necessário. Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, Relator Sendo tempestivo CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO aviado pela Recorrente e passo a análise da questão que envolve a testilha. Quanto ao período de janeiro à novembro de 2008, de fato, compulsando os autos vêse que há às fls. indicadas o pedido de parcelamento e requerimento de adesão â Lei 11.941 de 2009. A solicitação de parcelamento da totalidade dos débitos foi confirmada em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja tela consta da folha 216 destes autos. Neste sentido, de acordo com o § 6o do artigo 12, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 22 de julho de 2009, o pedido de parcelamento importa em confissão irretratável do débito e configura confissão extrajudicial, nos termos dos artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil. Por conseguinte, não cabe mais discussão sobre as exigências parceladas. Desta forma, o pedido de parcelamento referido põe fim ao litígio nos exatos limites dos valores parcelados e implica renúncia ao contencioso administrativo. Já quanto a exclusão unilateral do SIMPLES sem notificação ao contribuinte é uma heresia à Carta Maior e que abrange os débitos 12 de 2008 à 13 de 2009. Entretanto esta discusão cabe em processo próprio para este fim, não na presente ação fiscal. Cabe até mesmo em discusão judicial com pedido liminar para sobrestar o presente feito. Mas, não compete a este singelo Conselheiro analisar este quesito. Sobre a representação fiscal para fins penais, temse que é dever legal do auditorfiscal, sob pena de incorrer na contravenção penal tipificada no art. 66 do Decretolei n° 3.688 de 01 de outubro de 1941 (Lei cie Contravenções Penais), comunicar ao Ministério Público a ocorrência do ilícito que configura, em tese, crime contra a Seguridade Social, para que este promova ou não a Ação Penal. O dever de comunicar a ocorrência de crimes, também está previsto no art. 116 da Lei n° 8.112/90 (Regime Jurídico Único do funcionalismo público federal), repetindo o preceituado na Lei n° 1.711/92, art.. 194. De mais a mais, não compete a este colegiado analisar tal questão e, sobretudo, temse que o oferecimento de denúncia ou não compete ao Ministério Público e o Julgamento ao Judiciário, onde toda a questão será submetida aos princípios Constitucionais e ao procedimento da legislação CONCLUSÃO Fl. 672DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10166.722864/201027 Acórdão n.º 2301002.879 S2C3T1 Fl. 671 5 Assim, como o presente remédio processual atende os pressupostos de admissibilidade, tenho que o mesmo deve ser conhecido, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, já que uma parte do débito foi confessado através do pedido de parcelamento e deve ser mantido, haja vista que houve a renúncia tácita ao contencioso administrativo. e a outra parte que sobeja, pelo fato de ter sido excluída sumariamente do SIMPLES afrontando princípios pétreos da Carta Maior, deve ser anulado na JUSTIÇA, não cabendo ao CARF discutir a legalidade e ou tão pouco a Constitucionalidade do ato. E, quanto a representação fiscal, é obrigação da fiscalização comunicar a pratica de crime, ainda que em tese, e este Colegiado não tem competência para julgar tal questão. É como voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa Relator Fl. 673DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.000775/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL PARA OS PEDIDOS PROTOCOLIZADOS APÓS O INÍCIO DE VIGÊNCIA DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PRAZO DECENAL PARA OS PEDIDOS PRETÉRITOS A TAL LEI.
De acordo com o Pleno do Supremo Tribunal Federal (RE nº 566.621), é inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005, aduzindo que o prazo de restituição dos tributos por homologação é decenal para os pedidos feitos até o início da vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, sendo qüinqüenal se posterior.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-002.237
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para afastar a decadência, de forma que a Delegacia da Receita Federal do Brasil jurisdicionante aprecie as demais razões de mérito.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL PARA OS PEDIDOS PROTOCOLIZADOS APÓS O INÍCIO DE VIGÊNCIA DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PRAZO DECENAL PARA OS PEDIDOS PRETÉRITOS A TAL LEI. De acordo com o Pleno do Supremo Tribunal Federal (RE nº 566.621), é inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005, aduzindo que o prazo de restituição dos tributos por homologação é decenal para os pedidos feitos até o início da vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, sendo qüinqüenal se posterior. Recurso provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1902; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.000775/200411 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.237 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2012 Matéria IRPF RESTITUIÇÃO PDV Recorrente Adalberto Lima de Melo Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL PARA OS PEDIDOS PROTOCOLIZADOS APÓS O INÍCIO DE VIGÊNCIA DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PRAZO DECENAL PARA OS PEDIDOS PRETÉRITOS A TAL LEI. De acordo com o Pleno do Supremo Tribunal Federal (RE nº 566.621), é inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005, aduzindo que o prazo de restituição dos tributos por homologação é decenal para os pedidos feitos até o início da vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, sendo qüinqüenal se posterior. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para afastar a decadência, de forma que a Delegacia da Receita Federal do Brasil jurisdicionante aprecie as demais razões de mérito. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 28/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição da diferença de juros Selic incidentes sobre a restituição do IRRF decorrente de verbas pagas a título de adesão a Programa de Demissão Voluntária, no montante de R$ 13.148,42 ( treze mil cento e quarenta e oito reais e quarenta e dois centavos ). Argúi o interessado que os acréscimos da taxa SELIC são devidos a partir da data da retenção do imposto na fonte, e não da data prevista para a entrega da declaração. Considerando que o pagamento antecipado (IRRF) ocorreu em 08 de fevereiro de 1995 (fl. 03v) e o pedido foi protocolado em 29/10/2003, entendeu a autoridade da Delegacia jurisdicionante que decaíra a pretensão do interessado, pela fluência do prazo decadencial qüinqüenal para tanto. Inconformado com o indeferimento, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3ª Turma de Julgamento da DRJSalvador (BA), por unanimidade de votos, indeferiu a pretensão do contribuinte, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 15 14.911, de 16 de janeiro de 2008 (fls. 66 e seguintes), em decisão assim ementada: EXTINÇÃO DO DIREITO DE REQUERER A RESTITUIÇÃO. O direito de solicitar a restituição decai em cinco anos, a contar da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 24/03/2008 (fl. 70). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 07/04/2008 (fl. 72). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que são irrelevantes as datas da efetiva retenção e do pedido de restituição do IRRF no bojo de PDV, devendo ser restituído os valores pedido pelo recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 24/03/2008 (fl. 70), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 07/04/2008 (fl. 72), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 23/04/2008, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10510.000775/200411 Acórdão n.º 2102002.237 S2C1T2 Fl. 2 3 Antes de tudo, devese evidenciar que a data de retenção do IRRF e a do pedido de restituição são relevantes para definir se o direito do contribuinte ainda pode ser exercido, pois se deve lembrar que o tempo tudo apaga, extingue, notadamente as pretensões patrimoniais. Considerando que o direito do contribuinte foi rejeitado pela apreciação da prejudicial de mérito da decadência, nesta instância apenas se debaterá se o pedido do contribuinte encontrase, ou não, caduco. A contagem do prazo decadencial na repetição do indébito tributário foi resolvida definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621. Assim, na sessão de 04 de agosto 2011, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o mérito do RE nº 566.621, Relatora a Ministra Ellen Gracie, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º da LC 118/05, conforme publicado no Informativo nº 634, deste Tribunal. Confirase: É inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 [“ Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias apos sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional” ; CTN: “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade a infração dos dispositivos interpretados” ]. Esse o consenso do Plenário que, em conclusão de julgamento, desproveu, por maioria, recurso extraordinário interposto de decisão que reputara inconstitucional o citado preceito — v. Informativo 585. Prevaleceu o voto proferido pela Min. Ellen Gracie, relatora, que, em suma, assentara a ofensa ao princípio da segurança jurídica — nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso a Justiça, com suporte implícito e expresso nos artigos 1º e 5º, XXXV, da CF — e considerara válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente as ações ajuizadas apos o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9.6.2005. Os Ministros Celso de Mello e Luiz Fux, por sua vez, dissentiram apenas no tocante ao art. 3º da LC 118/2005 e afirmaram que ele seria aplicável aos próprios fatos (pagamento indevido) ocorridos após o término do período de vacatio legis. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que davam provimento ao recurso. Obviamente a decisão acima se aplica aos pedidos pendentes em processos administrativos fiscais, pois não há qualquer razão jurídica para tratar, com prazos decadenciais diversos, um pedido feito na Administração e outro feito no Poder Judiciário. Ambos se Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 encontram regidos pelo CTN e pela Lei complementar nº 118/2005, com mesmos prazos fatais para perseguição do direito. Como exemplo desse entendimento, vejase o REsp nº 1.089.356 – PR, relator o Min. Mauro Campbell Marques, que restou assim ementado: ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09.06.2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09.06.2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10510.000775/200411 Acórdão n.º 2102002.237 S2C1T2 Fl. 3 5 efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. (grifouse) Na forma acima, vêse que, para a restituição tributária, aplicase o prazo qüinqüenal para os processos administrativos protocolizados após 09/06/2005. Para os processos administrativos protocolizados em data anterior à citada, o prazo para solicitar a restituição é decenal. No caso destes autos, o contribuinte sofreu a retenção em 08/02/1995 (fl. 3v) e pediu a diferença de restituição em 29/10/2003, ou seja, dentro do prazo decenal para os pedidos administrativos anteriores a 09/06/2005. Por tudo, não se encontra caduco o pedido do contribuinte, não havendo falar em decadência do direito, como dito pela decisão recorrida, sendo de rigor DAR parcial provimento ao recurso para afastar a decadência, de forma que a Delegacia da Receita Federal do Brasil jurisdicionante aprecie as demais razões de mérito. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10120.906824/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/07/2004 a 30/09/2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP. VERDADE MATERIAL.
Comprovada a existência de erro no preenchimento de PER/Dcomp, de se considerar, à luz da documentação acostada aos autos, os valores corretos obtidos a partir do Reg. Apuração do IPI e do Livro Diário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-002.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP. VERDADE MATERIAL. Comprovada a existência de erro no preenchimento de PER/Dcomp, de se considerar, à luz da documentação acostada aos autos, os valores corretos obtidos a partir do Reg. Apuração do IPI e do Livro Diário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 68 24 /2 00 8- 48 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Por meio de PER/Dcomp entregue em 15/10/20041, a interessada acima identificada solicitou o reconhecimento de direito creditório correspondente a saldo credor de IPI apurado ao final do 3º trimestre de 2004 (art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999), no valor original de R$ 81.915,94, indicandoo para a compensação de débitos de R$ 4.270,63 (nessa mesma Dcomp), R$ 65.000,00 (na Dcomp nº 15331.06098.251004.1.3.012399) e de R$ 20.043,27 (na Dcomp nº 26994.72058.121104.1.3.017801), totalizando R$ 89.3l3,90, superior, portanto, em R$ 7.397,96 em relação ao crédito que havia sido indicado para tais compensações. Após a análise da Manifestação de Inconformidade, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de ForaMG afastou o vício de nulidade que fora apontado pela interessada, argumentando que o Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível que acompanhou o Despacho Decisório eletrônico permitiria identificar, facilmente, o motivo pelo qual a administração tributária reduziu o montante do saldo credor indicado no PER/Dcomp, isto é, a partir das informações prestadas pela interessada, os sistemas de processamento eletrônico tomaram como sendo um “débito de IPI”, o valor de crédito usado em PER/Dcomp transmitidas anteriormente. Quanto ao mérito, a instância de piso promoveu a um ajuste no montante do crédito a ser reconhecido (refez o Demonstrativo Corrigido de Apuração do Saldo Credor Ressarcível), de sorte que, em vez daqueles R$ 69.270,63 admitidos pelo Despacho Decisório, acresceu R$ 12.645,31, de modo que o total do crédito reconhecido à interessada foram os mesmos R$ 81.915,94 constantes do pedido original. Explicou a DRJ que esse ajuste se fez necessário porquanto o programa gerador de documento do PER/Dcomp, baseado no preenchimento equivocado da interessada do campo “Estorno de Créditos”, no valor de R$ 69.270,63 (o correto seria que esse valor tivesse sido indicado no campo “Ressarcimento de Créditos”, já que se refere ao valor utilizado pela empresa em PER/Dcomp transmitida anteriormente), tomouo como um “débito de IPI”. Acrescentou ainda a DRJ que, não obstante a interessada tivesse indicado créditos no montante de R$ 81.915,94, suas compensações declaradas o excederam em R$ 7.397,96, valor este que consistiu no montante não homologado das compensações e que ensejou a emissão da carta de cobrança. No Recurso Voluntário, a Recorrente argumentou que essa diferença de R$ 7.397,96 teria origem em dois equívocos de sua parte, isto é, em vez de indicar créditos no PER/Dcomp, correspondentes à 1ª e à 2ª quinzenas de setembro de 2004, respectivamente, nos valores de R$ 35.706,49 e R$ 31.571,54, o fizera nos montantes de R$ 28.528,70 e R$ 31.351,37. Alegou que os documentos que acostara ao processo (fichas do Raipi e do livro Diário) confirmariam as suas alegações de que incorrera em erro material. É o Relatório. 1 Per/Dcomp nº 40664.56988.151004.1.3.010900. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10120.906824/200848 Acórdão n.º 3401002.162 S3C4T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Cientificada da decisão da DRJ em 25/11/20011, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 21/12/2011, portanto, de forma tempestiva. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Do confronto entre as informações inseridas pela Recorrente no PER/Dcomp relativamente aos créditos da 1ª e da 2ª quinzena de setembro de 2004 e os registros constantes do Raipi e das folhas do Livro Diário, verificase ser procedente a sua alegação de que incorrera em erro material, resultante num aproveitamento em seu desfavor de um crédito da ordem de R$ 7.397,96, justamente o que enseja a presente divergência. E essa informação não fora levada ao conhecimento da DRJ, motivo pelo qual, certamente, não houve a homologação de todas as compensações declaradas. Partilho do mesmo entendimento defendido pela Recorrente de que a verdade material deva prevalecer em detrimento da prevalência de informações fornecidas equivocadamente pelo contribuinte ao Fisco. Especialmente neste caso, em que somente por ocasião da decisão da DRJ, é que a Recorrente pôde se inteirar das reais razões de seu pleito ter sido apenas parcialmente indeferido. Aliás, a própria decisão da DRJ superou o equívoco assumido pela Recorrente e, diante dos elementos constantes dos autos, procedeu ao ajuste do valor que fora originalmente reconhecido pela DRF por meio de despacho eletrônico. Pelo exposto, ratifico esse ajuste procedido pela instância de piso e, quanto ao Recurso Voluntário, doulhe provimento. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10675.903025/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração em que a embargante não logra demonstrar a omissão e a contradição arguidas.
Numero da decisão: 3402-001.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D"Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente-substituto).
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração em que a embargante não logra demonstrar a omissão e a contradição arguidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D"Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente-substituto).
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Embargante PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração em que a embargante não logra demonstrar a omissão e a contradição arguidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidentesubstituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D"Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidentesubstituto). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 25 /2 00 9- 24 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Tratase de embargos de declaração propostos pela ProcuradoriaFeral da Fazenda Nacional (PGFN) ao Acórdão n° 3402001.720, de 24 de abril de 2012, por meio do qual este colegiado, por unanimidade, decidiu prover o recurso voluntário interposto nestes autos, tendo em vista a existência de decisão judicial transitada em julgado, proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782. A embargante alegou, em suma, que a doutrina e a jurisprudência relativizam a coisa julgada em hipóteses análogas à aqui tratada, por isso o Acórdão embargado não poderia passar ao largo da discussão de mérito se escudando na coisa julgada e a melhor decisão seria o sobrestamento do feito até o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) n° 609096. Ao final, solicitou a embargante o conhecimento e o provimento dos seus embargos declaratórios para sanar a contradição e a omissão apontadas. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira Os embargos declaratórios são tempestivos, foram propostos por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera das competências regimentais da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), por isso devem ser conhecidos. Inicialmente, não tendo a embargante apontado objetivamente a omissão e a contradição que pretende ver sanadas, cabe registrar que concluiuse, do inteiro teor dos declaratórios apresentados, que a omissão estaria na ausência de pronunciamento deste colegiado sobre a relativização da coisa julgada e a contradição estaria caracterizada pelo fato de terse mencionado no voto a existência do RE n° 609096, com repercussão geral reconhecida e determinação de sobrestamento dos processos judiciais naquele RE, conforme despacho decisório do Ministro Ricardo Lewandowsk, e, não obstante, terse proferido o julgamento do recurso voluntário. Não vislumbro na peça embargada a contradição, tampouco a omissão arguidas. Quanto à omissão, ademais de tratarse de matéria que não compôs a lide delimitada pela manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada, tratase de construção jurisprudencial e doutrinária que de forma alguma se impõe no julgamento administrativo, não se configurando ponto sobre o qual o colegiado estivesse obrigado a se pronunciar, pois também não se trata de matéria de ordem pública, tampouco relacionada à legalidade do ato administrativo impugnado. A matéria trazida nos embargos de declaração, que, até então, não fora ventilada nestes autos, a meu ver, poderia ser cabível no âmbito do processo judicial, na hipótese de propositura de ação rescisória, que é o instrumento processual capaz de promover o abrandamento do rigor da coisa julgada ou a anulação dos efeitos produzidos pela decisão judicial já transitada em julgado. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 3402001.927 S3C4T2 Fl. 211 3 Sobre a contradição, notese que o voto condutor da peça embargada não espelha nenhuma contradição entre os seus fundamentos e a respectiva conclusão, pois, de fato, reconheceuse a existência de RE pendente de julgamento, nos termos da Portaria Carf n° 1, de 2011, contudo, tendose verificado que a recorrente, sobre a matéria em litígio nestes autos, possui decisão do próprio Supremo Tribunal Federal (STF), proferida para o seu caso individual e concreto, já transitada em julgado, não haveria de se cogitar o sbrestamento deste processo, mas impunhase a aplicação de tal decisão, à qual não se pode negar validade, sob pena de violação do princípio da segurança jurídica. Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720509/2009-05
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA
O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar do PIS não-cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço.
AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO
Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente.
APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS
Afasta-se a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do PIS, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo.
Numero da decisão: 3803-003.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou o creditamento relativamente aos gastos com manutenção de laboratórios e à aquisição de pallets.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar do PIS não-cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS Afasta-se a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do PIS, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou o creditamento relativamente aos gastos com manutenção de laboratórios e à aquisição de pallets. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
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CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS Afastase a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do PIS, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou o creditamento relativamente aos gastos com manutenção de laboratórios e à aquisição de pallets. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 05 09 /2 00 9- 05 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Cuidase de pedido de ressarcimento e compensação de créditos de PIS Não Cumulativo, correspondente ao quarto trimestre de 2007, também consta dos autos declarações de compensação vinculadas ao direito creditório em tela. Às fls. 75/83 consta o Relatório de Verificação Fiscal, por intermédio do qual o auditor fiscal propôs o reconhecido parcialmente o direito ao crédito e à fl. 83 consta Despacho Decisório contendo a seguinte decisão: Com base na informação retro; reconheço como legítimos os valores constantes da coluna "Valor Reconhecido" da tabela acima e autorizo o ressarcimento e/ou compensação dos valores pleiteados pelo contribuinte até o limite ora reconhecido. A decisão n.º 0121.038 – 3ª Turma da DRJ de Belém encontrase anexa às fls. 161/167, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II. do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Também descabe a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo e, ainda, quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado. COFINS NÃOCUMULATIVA.CRÉD1TOS. INSUMOS. No cálculo da Cofins NãoCumulativa somente podem ser computados créditos apurados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 3803003.725 S3TE03 Fl. 181 3 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUANTUM RECONHECIDO. A declaração de compensação, por vincularse à existência de determinado crédito, somente pode ser homologada na exata medida do direito creditório que tenha sua liquidez e certeza reconhecidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com a intenção de fornecer informações aos demais conselheiros, cumpre apontar que a Recorrente possui como objeto social a produção e venda de maçã para exportação e mercado interno e que com a incorporação da empresa Randon Agropecuária, a Interessada passou também a produzir e vender queijo, manteiga e nata para o mercado interno. Logo, a lide em discussão envolve tanto o processo produtivo de maças, como também o processo produtivo de leite e queijo. Conforme se retira da ementa acima colacionada, a DRJ glosou os créditos, com fundamento da redação da IN da SRF n.º 404/2004 e afastou o direito aos créditos referentes as seguintes despesas: 1) Despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): o contribuinte utiliza as empilhadeiras para atividades não relacionadas ao processo produtivo, ou seja: a) descarregamento da fruta vinda dos pomares; b) carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias; c) movimentação pelo pomar e d) carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento; 2) Despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção: grande parte dos combustíveis e lubrificantes é destinada a uso em tratores e estes tratores utiliza estes tratores tanto em pomares em produção, quanto em pomares ainda não produtivos. Além do que, constatouse que há gastos com combustíveis e lubrificantes em veículos próprios, mas para o transporte de maçã adquirida de terceiros, gastos na administração, na manutenção civil e elétrica, bem como em oficina de máquinas pesadas e nestes casos não constituem insumos; 3) Produtos sujeitos à alíquota zero: não gera crédito as aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero, por expressa vedação; 4) Bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado, despesas diversas): a glosa ainda recaiu sobre os créditos registrados na rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito” que consta nos DACONs. O agente fiscal informa que através da análise da memória de cálculo, constatouse que tais créditos provêm de despesas com serviços, partes e peças de manutenção de máquinas e equipamentos, entre outros. Glosou ainda outros valores lançados na rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, tais como: fita para enxerlia bem que destinado ao imobilizado; telhado, areia, palitos, lonas, detergentes, sabonetes, medicamentos e sucos de uva — bens que não têm as características de insumo; Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 5) Materiais de transporte: o agente fazendário glosou também embalagens de transporte de maçã, por considerar que se trata de embalagem de mero transporte. A Fazenda Glosou ainda cantoneiras; palieis e seus acessórios, pregos e etiquetas; fitas e amarras. 6) Crédito sobre bens do imobilizado: a DRJ não considerou nenhum valor lançado a titulo de crédito referente a encargos de depreciação no período sob análise, sob o argumento de que o contribuinte não constitui prova de seu direito e ainda faz confusão quando registra os valores de créditos em seus DACONS. Alerta a fiscalização que nos meses de junho, julho e dezembro 2006 e depois nos meses de fevereiro, março e maio a dezembro de 2007 esta confusão continua. A fim de ilustrar o seu argumento, cita ainda que o lançamento ocorrido em junho de 2006, por meio do qual se percebe que na memória de cálculo onde discrimina os valores dos créditos aproveitados mensalmente o contribuinte não registra nenhum valor a título de imobilizado neste mês. Depois no lançamento ocorrido em julho de 2006, mesmo tendo o contribuinte lançado este valor na sua memória de cálculo, o mesmo não faz prova da origem destes valores. O fiscal aponta que o contribuinte só poderia apurar créditos no prazo de 48 meses sobre o valor das aquisições de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Nos demais casos deveria calcular os seus créditos mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem. Entretanto, o contribuinte apura créditos no prazo de 1/48 avos sobre outros bens que não máquinas e equipamentos. Em resumo, a DRJ acatou na íntegra as conclusões existentes no Relatório de Verificação Fiscal. A DRJ ainda entende que as decisões administrativas trazidas pelo contribuinte não possuem eficácia normativa e que por não ter indicado os quesitos e não se tratar de caso obscuro, a perícia foi indeferida, nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72. Inconformado com o indeferimento, o contribuinte apresente recurso voluntário, por meio do qual rebate os argumentos da decisão “a quo”. Afirma que a decisão de primeiro grau parte do pressuposto equivocado de que o direito ao crédito se origina somente em relação aos produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. Deste modo, destaca o Recorrente que a DRJ aplicou o critério do conceito do IPI para apurar os créditos. O contribuinte não concorda ainda com a indeferimento do crédito referente as aquisições de material de embalagem para transporte, pois no seu entender deve dar direito a crédito inclusive as aquisições de cantoneiras utilizadas para garantir a boa apresentação do produto e evitar que danifiquem no transporte, pois em seu entender, o processo produtivo encerrase somente com a venda do produto. Nesta mesma linha de defesa, pleiteia o reconhecimento de créditos em relação as aquisições de pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Em relação aos créditos incidentes sobre os bens do imobilizado, o contribuinte afirma que a DRJ acolheu as conclusões do auditor fiscal, que simplesmente desconsiderou todos os créditos referentes as aquisições de imobilizados, por compreender que não gerava os referidos créditos, ora por não estarem de acordo com a DACON. Entretanto, o Recorrente afirma que as aquisições existem e foram contabilizadas pela empresa, ainda que isso tenha acontecido de maneira extemporânea. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 3803003.725 S3TE03 Fl. 182 5 Por fim, o Recorrente colaciona diversos julgados administrativos, com a finalidade de demonstrar o seu direito, principalmente em relação ao critério adotado para apurar os créditos e ver afasta a redação da IN da SRF n.º 404/2004. Depois, requer a procedência do pedido e o reconhecimento do direito ao crédito e m exame. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani Tratase de recurso voluntário tempestivo e por isso merece ser conhecido. O cerne da questão está em apurar o critério para definir o conceito de insumo, bem como definir onde inicia e conclui o processo produtivo de maçã. Conforme se extrai da decisão da DRJ citada no relatório, esta concluiu, com fundamento na IN da SRF n.º 404/2004, que: “no cálculo da contribuição nãocumulativa somente podem ser computados créditos apurados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços”. Entretanto, “data vênia”, a citada instrução normativa não oferece a melhor interpretação ao art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, fica a impressão de que a IN se utiliza da legislação do IPI para construir o conceito de insumo para a apuração do PIS/PASEP e da COFINS não cumulativos. Todavia, salvo engano, mostrase inadequado comparar materialidades distintas como ocorre entre o IPI, cujo critério material é a industrialização, com critério material da COFINS que é o auferimento de receita. Deste modo, creio que o conceito restrito de insumo não se concilia com a base econômica do PIS e COFINS, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção da receita com o produto ou serviço. Há quem defenda que o conceito de insumo aplicável ao PIS e COFINS deva ser o mesmo utilizado para o imposto de renda, visto que, para se auferir lucro, é necessário antes se obter receita. Aqueles que defendem esta tese argumentam no sentido de que o conceito de custos previsto na legislação do IRPJ, bem como o de despesas operacionais, é bem mais próprio de ser aplicado ao PIS e COFINS não cumulativos do que o conceito previsto na legislação do IPI. Por outro enfoque, o conceito amplo e irrestrito de insumo também não parecer ser a melhor interpretação da legislação, pois este visa incluir toda e qualquer despesa da empresa na obtenção do crédito da COFINS e PIS, ainda que totalmente desapegada de seu processo produtivo. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Em outras palavras, compreendo que o conceito de insumos mais adequado é aquele em que se aceita como créditos as despesas relacionadas inseparavelmente aos elementos produtivos que proporcionam a existência do produto ou serviço, ou seja, um conceito intermediário entre aquele adotado para o IR e o IPI. Empilhadeiras Em relação aos custos de aquisição de GLP e manutenção das empilhadeiras, o contribuinte tem razão. As despesas com os serviços de manutenção desses equipamentos, quando comprovados por notas fiscais, geram crédito em seu favor, pois é inegável que as empilhadeiras são utilizadas diretamente na produção de bens, pois sem empilhadeiras não há que se falar no produto final, ainda mais porque as maças não são colhidas diretamente pelo consumidor no pomar, mas sim adquiridos, quanto “in natura” nas prateleiras dos supermercados e feiras. Assim, como negar que as empilhadeiras tem função essencial para fazer chegar as frutas até o consumidor ? Deste modo, ainda que o fruto esteja formado no momento que é colhido, por outro lado, é verdade que o processo produtivo não encerra com a colheita, mas sim, com a venda. Logo, as despesas com a manutenção das empilhadeiras geram direito ao crédito, em razão deste equipamento contribuir com a produção da maça, pois auxilia no acondicionamento da fruta nos caminhões para transporte. Além do que, já manifestei este posicionamento no ao PAF n.º 13005.000077/200502, de minha relatoria, e por isso mantenho esta linha de pensamento. A mesma sorte ocorre com as despesas com gás liquefeito (GLP) utilizado como combustível para estas empilhadeiras. Com o propósito de fundamentar este entendimento, cito o Recurso n.º 507.948 no PAF n.º 10630.001,064/200588, julgado em 26.08.2010, na 3.ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 330100.653: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 (...) COFINS NÃO CUMULATIVA. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS, Os pagamentos referentes à aquisição de serviços de terraplanagem, topografia e outros, bem assim, a locação de máquinas, equipamentos e veículos conferem direito a créditos do PIS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na Solução de Consulta SRRF I 0 Disit n° 04/07.(grifo) Lubrificantes e Combustíveis Quanto a glosa referente aos lubrificantes e combustíveis, o auditor fiscal fundamenta o indeferimento do direito do contribuinte no argumento de que estes gastos são utilizados no transporte de maçã adquirida de terceiros, bem como na administração, manutenção civil e elétrica e na oficina de máquinas pesadas. Assim, considerando que o próprio contribuinte ilustra os autos com planilhas às fls. 52 e seguintes, por meio das quais discrimina os gastos com lubrificantes e combustíveis e neste documento informa de boafé que ocorreram gastos desses bens com Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 3803003.725 S3TE03 Fl. 183 7 manutenção civil e elétrica, oficina de máquinas pesadas e administração, deste modo, recomendo o não reconhecimento em relação aos gastos desta natureza, tendo em vista que não estão vinculados ao processo produtivo e não atendem o II do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003. Todavia, excluindo os gastos com lubrificantes e combustíveis relacionados a manutenção civil e elétrica, oficina de máquinas pesadas e administração, reconheço o direito ao creditamento em relação aos gastos especificamente vinculados a pomares e viveiros, já que esses estão relacionada ao processo produtivo. Na realidade, compulsando os autos, me parece que foi este o entendimento do agente fazendário quando comenta a respeito das despesas com combustível, fez constar no Termo de Verificação Fiscal o seguinte: Assim, de maneira análoga ao procedimento previsto no inciso II do parágrafo 8º do art. 3º das Leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002, método este adotado pela contribuinte, consoante DACONs apresentados, aplicamos aos valores de aquisição de combustíveis e lubrificantes constantes da memória de cálculo apresentada os percentuais de combustíveis e lubrificantes destinados aos pomares em produção e à formação de mudas, conforme tabela abaixo. Os valores finais, referentes a combustíveis e lubrificantes, após a aplicação dos percentuais estão dispostos na forma do anexo I. É evidente que o combustível não mantém contato direito com a maçã, e, nem poderia, entretanto, o combustível é indispensável para que o produção da maça aconteça, caso contrário os frutos apodreceriam nos pomares e não poderiam ser transportados. Além do que, os tratores são úteis para trabalhar o solo que será plantado, logo é preciso ter a percepção de que, em se tratando da atividade agroindustrial, o processo produtivo inicia com o preparo do solo e somente se encerra com a venda da fruta em bom estado de conservação. Cito, Acórdão n.º 330200.176, prolatado pela 2ª Turma da 3ª Câmara em data de 18/09/2009, que por sua vez tratou de diversos temas com destaque para os assuntos: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITO. OUTRAS DESPESAS. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. (...) COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com a aquisição de combustíveis, inclusive o GLP, e os lubrificantes usados no processo produtivo da adquirente dão direito ao crédito do PIS/Cofins naocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 8 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de GLP e lubrificantes para máquinas industriais. Publicado no DOU em: 22.07.2011 Alíquota Zero No tocante as aquisições de produtos com alíquotas zero, o contribuinte não tem razão, pois re reiterado é o entendimento da jurisprudência de que não se há falar em direito ao crédito de PIS e de COFINS relativo a operações de aquisição de produtos com alíquota zero, pois prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. Desta maneira, apenas os valores efetivamente pagos nas operações anteriores geram direito ao creditamento, quando não há pagamento, não falar em direito ao lançamento na escrita fiscal dos créditos em questão, pois a norma pressupõe a existência de cobrança na entrada produtos, o que não ocorre na hipótese de aquisição sujeita à alíquota zero. Bens Diversos Insurgese ainda quanto a glosa que recaiu sobre os créditos nas aquisições bens diversos, nos quais estão inseridos as despesas com a manutenção de máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores e pulverizadores, retroescavadeiras. Afirma que todos estes gastos são necessários a produção maçãs, queijos, e demais derivados do leite. Ressalta que inclusive promove a venda de animais. Argumenta que os produtos de higienização são aplicados nas ordenhas das vacas, onde sai o leite para produzir queijos e seus derivados, por isso reclama o crédito referente a aquisição de ordenhadeiras, medicamentos, remédios e despesas com laboratório, considerando que as vacas são as produtoras do leite e seus derivados que é o queijo, desta forma, todas as despesas no rebanho, é necessária e utilizada diretamente para a produção final do bem. Em relação as despesas de manutenção de máquinas e veículos, tratores, pulverizadores, assiste razão parcial ao contribuinte. Com efeito, não gera direito aos créditos as despesas com veículos de passeio, como, por exemplo, Gol, Meriva etc, pois estes são estão relacionados ao processo produtivo. Todavia, por outro lado, os gastos com manutenção de tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, ocorre de forma diversa, uma vez que estes maquinários são utilizados na lavoura, seja para preparar o solo, seja para pulverizar as plantas e desta maneira estão vinculados ao processo produtivo. Conseqüentemente, os gastos com manutenção destes equipamentos geram direito aos créditos pleiteados. Compreendo que também não há que se falar em reconhecimento ao direito de crédito em relação as despesas com material de limpeza e higienização, tendo em vista que o contribuinte não constituiu prova de que essas despesas decorreram de exigência de legislação específica da Vigilância Sanitária. Igualmente a mesma sorte em relação as despesas de brincos bovinos, instalação de telas e cercas para rebanho. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 3803003.725 S3TE03 Fl. 184 9 Já em relação as despesas com a conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes, penso que estão relacionados com o processo produtivo, principalmente quando se constata que se trata de empresa que tem por finalidade a produção e venda de animais e produção de frutas. Ora, deixar de considerar, por exemplo, que as despesas com a conservação de sêmen esteja vinculada com a produção animais, pareceme, “data vênia”, irrazoável e contrário ao que deseja a legislação. Material de Embalagem A mesma sorte ocorre em relação as aquisições relacionadas com material de embalagem para transporte, pois na Lei n.º 10.833/2003 não há restrição para o creditamento, pouco importa se a embalagem destinase a apresentação do produto, ou ao seu acondicionamento para transporte. Deste modo, o contribuinte tem direito aos créditos em relação as aquisições de insumos necessários para a elaboração dessas embalagens, como, por exemplo, as aquisições de pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Inclusive as aquisições de cantoneiras, ao meu sentir, geram direito ao crédito, pois estas mostraramse indispensáveis para garantir a boa apresentação do produto e evitar que danifiquem no transporte, caso contrário, ausentes as cantoneiras as frutas seriam esmagadas e chegariam até o ponto de venda sem valor comercial. Imobilizado Em relação aos créditos incidentes sobre os bens do imobilizado, o contribuinte afirma que a DRJ acolheu as conclusões do auditor fiscal, que simplesmente desconsiderou todos os créditos referentes as aquisições de imobilizados, por compreender que não gerava os referidos créditos, ora por não estarem de acordo com a DACON. Contudo, a Recorrente afirma que as aquisições existem e foram contabilizadas., ainda que isso tenha acontecido de maneira extemporânea. Acontece que analisando os autos, compreendo que não assiste razão o contribuinte, pois a empresa comete vários equívocos que impossibilitam ao reconhecimento dos créditos sobre bens do imobilizado, a exemplo, cito que a Recorrente apurou efetivamente estes créditos em relação a bens que não são máquinas e nem equipamentos, ou seja, televisão, cadeira etc. Ante o exposto, dou provimento parcial para reconhecer o direito aos créditos em relação as despesas de GLP e manutenção de empilhadeiras; manutenção de tratores e pulverizadores e retroescavadeiras; lubrificantes e combustíveis gastos com viveiros e pomares; conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes e material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 10 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 16707.003229/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
CONTRIBUINTE SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS. DEMISSÃO POR ACUMULAÇÃO ILÍCITA DE CARGO PÚBLICA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
O fato gerador do imposto de renda se aperfeiçoa quando o contribuinte tem a disponibilidade jurídica ou econômica dos rendimentos (art. 43 do Código Tributário Nacional), pouco importando uma incerta e futura devolução dos valores recebidos. Percebidos, como se viu nestes autos, incide o imposto de
renda. Eventual devolução futura não tem qualquer implicação sobre o imposto devido no momento do recebimento. Indo mais além, no caso concreto destes autos, apreciando a Portaria de demissão do recorrente dos quadros do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, vê-se que a demissão ocorreu em decorrência de acumulação ilícita de cargo público, não havendo qualquer indício que o recorrente venha a devolver quaisquer dos valores recebidos, os quais foram auferidos em contraprestação do trabalho, de caráter alimentício. Ademais, no Recurso Extraordinário nº 577.123RN,
interposto pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte para manter o ato demissório junto ao Supremo Tribunal Federal, vê-se
que o Órgão estadual não logrou êxito, havendo ordem de definitiva de reintegração do recorrente ao cargo de Auditor Fiscal do Estado do Rio Grande do Norte, a indicar que
não há qual fumaça de uma possível devolução dos valores recebidos do Estado, ao revés, os valores recebidos são definitivos e integraram o patrimônio do contribuinte, devendo sofrer a incidência do imposto de renda.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-002.107
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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RENDIMENTOS RECEBIDOS. DEMISSÃO POR ACUMULAÇÃO ILÍCITA DE CARGO PÚBLICA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. O fato gerador do imposto de renda se aperfeiçoa quando o contribuinte tem a disponibilidade jurídica ou econômica dos rendimentos (art. 43 do Código Tributário Nacional), pouco importando uma incerta e futura devolução dos valores recebidos. Percebidos, como se viu nestes autos, incide o imposto de renda. Eventual devolução futura não tem qualquer implicação sobre o imposto devido no momento do recebimento. Indo mais além, no caso concreto destes autos, apreciando a Portaria de demissão do recorrente dos quadros do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, vêse que a demissão ocorreu em decorrência de acumulação ilícita de cargo público, não havendo qualquer indício que o recorrente venha a devolver quaisquer dos valores recebidos, os quais foram auferidos em contraprestação do trabalho, de caráter alimentício. Ademais, no Recurso Extraordinário nº 577.123RN, interposto pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte para manter o ato demissório junto ao Supremo Tribunal Federal, vêse que o Órgão estadual não logrou êxito, havendo ordem de definitiva de reintegração do recorrente ao cargo de Auditor Fiscal do Estado do Rio Grande do Norte, a indicar que não há qual fumaça de uma possível devolução dos valores recebidos do Estado, ao revés, os valores recebidos são definitivos e integraram o patrimônio do contribuinte, devendo sofrer a incidência do imposto de renda. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/07/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte JOÃO MARIA FERNANDES GOMES DA SILVA, CPF/MF nº 043.860.51449, já qualificado neste processo, foi lavrada, em 28/05/2007, notificação de lançamento, em decorrência da revisão de sua DIRPFexercício 2004, com autuação procedido pelo AuditorFiscal Francisco Marconi de Oliveira. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 11.736,65 MULTA DE OFÍCIO R$ 8.802,48 Ao contribuinte foram imputadas duas omissões de rendimentos, uma proveniente da Prefeitura de Natal (rendimento de R$ 80.479,13, com IRRF de R$ 11.504,56) e outra do Governo do Estado do Rio Grande do Norte (rendimento de R$ 41.998,62, com IRRF de R$ 4.263,27). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deduzindo as seguintes razões: 1. foi demitido pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte, com efeito retroativo à data da nomeação (conforme cópia de Ato expedido pela Governadora do Estado, à fl. 03), descaracterizando, portanto, toda sua atividade laborativa, o que torna passível de devolução a remuneração correspondente; 2. o ato demissional e suas conseqüências jurídicas estão sendo questionados judicialmente, através do Mandado de Segurança nº 2003.0041150 perante o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte, onde somente após o transito em julgado se concluirá pela legalidade ou ilegalidade da demissão, com implicações de tornarem próprios os vencimentos recebidos ou devolvidos ao erário estadual; Fl. 31DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16707.003229/200763 Acórdão n.º 210202.107 S2C1T2 Fl. 2 3 3. a Notificação de Lançamento se reporta a rendimentos auferidos suscetíveis de não sêlos, estando tais rendimentos condicionados a decisão final do Poder Judiciário, onde somente a sentença transitada em julgado, se for o caso, determinará a tributação dos rendimentos auferidos. A 6ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1131.159, de 22 de dezembro de 2010. A decisão acima considerou não impugnada a omissão de rendimentos proveniente da Prefeitura de Natal (RN). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 14/12/2010 (fl. 23). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 22/12/2010 (fl. 27). No voluntário, o recorrente repisou as razões da impugnação, agregando que o debate judicial sobre sua demissão dos quadros do Governo do Estado do Rio Grande do Norte se encontra no Supremo Tribunal Federal (RE 577.123). É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 14/12/2010 (fl. 23), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 22/12/2010 (fl. 27), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 13/01/2011, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Toda a controvérsia centrase sobre os rendimentos percebidos do Governo do Estado do Rio Grande do Norte (RN), para os quais o recorrente busca afastar a imposição tributária, ao argumento de que foi demitido pelo Governo do Estado citado, podendo ser obrigado a devolver os estipêndios recebidos, o que impediria a incidência tributária. Antes de tudo, o fato gerador do imposto de renda se aperfeiçoa quando o contribuinte tem a disponibilidade jurídica ou econômica dos rendimentos (art. 43 do Código Tributário Nacional), pouco importando uma incerta e futura devolução dos valores recebidos. Percebidos, como se viu nestes autos, incide o imposto de renda. Eventual devolução futura não tem qualquer implicação sobre o imposto devido no momento do recebimento, podendo, no máximo, aquele que devolve pugnar por fazêlo em um valor líquido (estipêndios menos o imposto de renda). Indo mais além, no caso concreto destes autos, apreciando a Portaria de demissão do recorrente dos quadros do Governo do Estado do Rio Grande do Norte RN (fl. 26), vêse que a demissão ocorreu em decorrência de acumulação indevida de cargo público, Fl. 32DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 não havendo qualquer indício que o recorrente venha a devolver quaisquer dos valores recebidos, os quais foram auferidos em contraprestação do trabalho, de caráter alimentício. Ademais, no Recurso Extraordinário nº 577.123RN, interposto pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte para manter o ato demissório junto ao Supremo Tribunal Federal, vêse que o Executivo estadual não logrou êxito, havendo ordem de reintegração do recorrente ao cargo de Auditor Fiscal do Estado do RN (disponível em http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=2592556. Acesso em 28 de junho de 2012), a indicar que não há qual fumaça de uma possível devolução dos valores recebidos do Estado, ao revés, os valores recebidos são definitivos e integraram o patrimônio do contribuinte, devendo sofrer a incidência do imposto de renda. Com as considerações acima, voto no sentido de NEGAR provimento. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 33DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10314.001023/2001-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA IPI
Data do fato gerador: 28/02/2001
JÓIAS SEM PUNÇÃO. PERDIMENTO.Os fabricantes, os licitantes e os importadores dos produtos classificados nas posições e nos códigos 7113,7114, 7115, 9101, 9103, 9111.10.00 Ex 01, 9112.10.00 Ex 01 e 9113 (somente os de metais preciosos) da TIPI,
marcarão cada unidade, mesmo quando eles se destinem a
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três últimos algarismos de seu número de inscrição no
CNPJ, e o teor, em milésimos, do metal precioso
empregado ou da espessura, em mícrons, do respectivo
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de 1964, art. 43, § 2º e 46, sob pena de sujeitarseão
à pena de perdimento das mercadorias, quando não for
comprovada a origem das mercadorias.
Numero da decisão: 3201-000.946
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PERDIMENTO. Os fabricantes, os licitantes e os importadores dos produtos classificados nas posições e nos códigos 7113, 7114, 7115, 9101, 9103, 9111.10.00 Ex 01, 9112.10.00 Ex 01 e 9113 (somente os de metais preciosos) da TIPI, marcarão cada unidade, mesmo quando eles se destinem a reunião a outros produtos, tributados ou não, por meio de punção, gravação ou processo semelhante, com as letras indicativas da Unidade Federada onde estejam situados, os três últimos algarismos de seu número de inscrição no CNPJ, e o teor, em milésimos, do metal precioso empregado ou da espessura, em mícrons, do respectivo folheado, conforme o caso, inteligência da Lei n.º 4.502, de 1964, art. 43, § 2º e 46, sob pena de sujeitarseão à pena de perdimento das mercadorias, quando não for comprovada a origem das mercadorias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando,Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de fls. 01/05, com fundamento no art. 202 c/c o artigo 484III do RIPI/98. Segundo o Termo de fls. 27/28, a fiscalização, depois de vistoriar a empresa, constatou o seguinte: Após as jóias serem examinadas quanto a existência de marcação (punção), todos os produtos identificados como não sendo de sua fabricação ou sem punção, forma separados, em seguida solicitado a documentação fiscal regular. Diante da falta de apresentação, naquele momento, dos documentos solicitados, procedemos a sua retenção, mediante termo (cópia em anexo), na qual forma discriminados num total de 20 itens, dandolhes prazo de 24 (vinte e quatro) horas para comprovação de sua regularidade. Quanto as mercadorias de fabricação própria, estarem ou não em situação irregular, não foi possível detectar em operação de blitz... Tempestivamente, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 43/48 alegando, em síntese, que: 3.1 A fiscalização não acatou suas explicações para o fato, quais sejam: (a) a punção pode se desgastar com o tempo e (b) esta pode ser feita, no caso de produtos nacionais até antes da ocorrência do fato gerador. 3.2 Neste último caso, também deve ser considerado que o fato gerador, na forma da venda das jóias, ou seja, a sua saída do estabelecimento, só ensejaria a geração do imposto se o produtor estivesse enquadrado em regime diferente do SIMPLES, que é o caso da impugnante, a qual não é obrigada a destacar o IPI em suas vendas. 3.3 Relativamente à pena de perdimento, esta seria extremamente incoerente, pois, a origem das mercadorias pode Fl. 216DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10314.001023/200141 Acórdão n.º 3201000.946 S3C2T1 Fl. 2 3 ser comprovada através de seus livros, que estão à disposição do Fisco. Encerrou requerendo que a autuação seja julgada ineficaz. O acórdão de fls. 73/77 julgou procedente a autuação, contudo, constou no acórdão texto padrão que falava em cobrar quantias lançadas, o que gerou dúvidas no órgão de origem, conforme despacho de fl. 93, ocasionando o retorno do presente processo para esclarecimentos. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO no 1422.652, de 18/03/2009, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 28/02/2001 ACÓRDÃO REVISOR. Este julgamento revisa o anterior, que continha conflito no Acórdão. JÓIAS SEM PUNÇÃO. PERDIMENTO. Sujeitarseão à pena de perdimento da mercadoria os estabelecimentos que possuírem ou conservarem produtos das posições 71.02 a 71.04, 71.06 a 71.11, 71.13 a 71.16, 91.01 e 91.02 da TIPI, cuja origem não for comprovada. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Lançamento Procedente.” O julgamento foi no sentido de julgar procedente o lançamento. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim Fl. 217DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de auto de infração e termo de apreensão e guarda fiscal de mercadorias decorrente de infração ao IPI. Cabe o registro que nos casos de mercadorias apreendidas com base na legislação do IPI, aplicase o dispositivo do Decreto n° 70.235/72. Inicialmente, não cabem as alegações em sua defesa, pela empresa, relativas ao regime tributárioSIMPLES. Pois, o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) é um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às pessoas jurídicas consideradas como microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), nos termos definidos na Lei n° 9.317, de 1996, e alterações posteriores. Ou seja, uma forma simplificada e unificada de recolhimento de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos aplicados sobre uma única base de cálculo, a receita bruta. Assim sendo, ainda que não se destaque o IPI nas notas Fiscais, o fato gerador do imposto continua ocorrendo, para a empresa, nos momentos definidos pela legislação, ou seja, a ocorrência do litígio, é a falta de observância nas obrigações acessórias, com fins de controle. A Lei nº 4.502, de 1964, em seus arts. 43, § 2º e 46, dispõe: “Art . 43. O fabricante é obrigado a rotular ou marcar seus produtos e os volumes que os acondicionarem, em lugar visível, indicando a sua firma ou a sua marca fabril registrada, a situação da fábrica produtora (localidade, rua e número) a expressão "Indústria Brasileira" e outros dizeres que forem necessários à identificação e ao controle fiscal do produto, na forma do regulamento. § 1º Os produtos isentos conterão ainda, em caracteres visíveis, a expressão "Isento do Imposto de Consumo" e a marcação do preço de venda no varejo quando a isenção decorrer dessa circunstância; as amostras de produtos farmacêuticos, conterão a expressão "Amostra Grátis". § 2o As indicações do caput deste artigo e de seu § 1o serão feitas na forma do regulamento, podendo ser substituídas por outros elementos que possibilitem a classificação e controle fiscal dos produtos. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Art . 46. O regulamento poderá determinar, ou autorizar que o Ministério da Fazenda, pelo seu órgão competente, determine a rotulagem, marcação ou numeração, pelos importadores, arrematantes, comerciantes ou repartições fazendárias, de produtos estrangeiros cujo controle entenda necessário, bem como prescrever, para estabelecimentos produtores e comerciantes de determinados produtos nacionais, sistema diferente de rotulagem, etiquetagem obrigatoriedade de numeração ou aplicação de selo especial que possibilite o seu controle quantitativo. § 1º O selo especial de que trata este artigo será de emissão oficial e sua distribuição aos contribuintes será feita gratuitamente, mediante as cautelas e formalidades que o regulamento estabelecer. § 2º A falta de rotulagem ou marcação do produto ou de aplicação do selo especial, ou o uso de selo impróprio ou aplicado em desacordo com as normas Fl. 218DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10314.001023/200141 Acórdão n.º 3201000.946 S3C2T1 Fl. 3 5 regulamentares, importará em considerar o produto respectivo como não identificado com o descrito nos documentos fiscais.; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 3º O regulamento disporá sobre o controle dos selos especiais fornecidos ao contribuinte e por ele utilizados, caracterizandose, nas quantidades correspondentes: (Incluído pelo DecretoLei nº 34, de 1966) a) como saída de produtos sem a emissão de notafiscal, a falta que for apurada no estoque de selos; (Incluído pelo DecretoLei nº 34, de 1966) b) como saída de produtos sem a aplicação do selo, o excesso verificado. (Incluído pelo DecretoLei nº 34, de 1966) § 4º Em qualquer das hipóteses das alíneas a e b , do parágrafo anterior, além da multa cabível, será exigido o respectivo imposto, que, no caso de produtos de diferentes preços, será calculado com base no de preço mais elevado da linha de produção, desde que não seja possível identificarse o produto e o respectivo preço a que corresponder o selo em excesso ou falta. (Incluído pelo DecretoLei nº 34, de 1966)” Por sua vez, o Decreto n° 2.637/98, em seu art. 200 disciplina, vigente à época: “Art. 200. Os fabricantes, os licitantes e os importadores dos produtos classificados nas posições e nos códigos 7113, 7114, 7115, 9101, 9103, 9111.10.00 Ex 01, 9112.10.00 Ex 01 e 9113 (somente os de metais preciosos) da TIPI, marcarão cada unidade, mesmo quando eles se destinem a reunião a outros produtos, tributados ou não, por meio de punção, gravação ou processo semelhante, com as letras indicativas da Unidade Federada onde estejam situados, os três últimos algarismos de seu número de inscrição no CNPJ, e o teor, em milésimos, do metal precioso empregado ou da espessura, em mícrons, do respectivo folheado, conforme o caso (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 43, § 2º e 46). § 1º As letras e os algarismos poderão ser substituídos pela marca fabril registrada do fabricante ou marca registrada de comércio do importador, desde que seja aplicada nos produtos pela forma prevista neste artigo e reproduzida, com a necessária ampliação, na respectiva nota fiscal. § 2º Em casos de comprovada impossibilidade de cumprimento das exigências deste artigo, o Secretário da Receita Federal poderá autorizar a sua substituição por outras que também atendam às necessidades do controle fiscal. § 3º A punção deve ser feita antes de ocorrido o fato gerador do imposto, se de produto nacional, e dentro de oito dias, a partir da entrada no estabelecimento do importador ou licitante nos casos de produto importado ou licitado. § 4º Os importadores puncionarão os produtos recebidos do exterior, mesmo que estes já tenham sido marcados no país de origem. § 5º A punção dos produtos industrializados por encomenda dos estabelecimentos referidos no inciso IV do art. 9º, que possuam marca fabril registrada, poderá ser feita apenas por esses estabelecimentos, no prazo de oito dias do seu recebimento, ficando sob sua exclusiva responsabilidade a declaração do teor do metal precioso empregado. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 § 6º Os industriais e os importadores que optarem pela modalidade de marcação prevista no § 1º deverão conservar, para exibição ao Fisco, reprodução gráfica de sua marca, do tamanho da que deve figurar nas suas notas fiscais. § 7º A punção da marca fabril ou de comércio não dispensa a marcação do teor, em milésimo, do metal precioso empregado. Um objeto de metal precioso está legalmente marcado quando este tem as duas marcas de punções: o punção de fabricação e punção ou punções de Contrastaria. O punção de fabricação é uma marca que corresponde, dentro de um perímetro, a primeira letra do nome da empresa, importador ou indústria, e a um símbolo pessoal exclusivo. O punção de Contrastaria é a marca feita pela contrastaria que confirma a avaliação do objeto pelo controle de qualidade, a autenticidade do metal precioso. Logo, observase que os fabricantes, os licitantes e os importadores de jóias confeccionadas com metais preciosos, marcarão cada unidade, mesmo se tributados ou não, por meio de punção, gravação ou processo semelhante, com letras indicativas da Unidade Federada onde estejam situados, os três últimos algarismos de seu número de inscrição no CNPJ, e o teor, em milésimos, do metal precioso empregado ou da espessura, em mícrons, do respectivo folheado, conforme o caso. O Termo de Fiscalização descreve que as jóias apreendidas não eram de fabricação da empresa e, conforme avaliação de fls. 29/32, não foi detectado qualquer desgaste por exposição ao sol ou outro efeito do tempo, pelo contrário, as jóias que continham os dizeres gravados as palavras “BUCHERON” ou “LOVE” estavam perfeitamente legíveis. Destarte, se as jóias apreendidas não eram de fabricação da empresa, ou já deveriam ter entrado no seu estabelecimento puncionadas, ou, se por eles importadas, o prazo para efetuar a punção seria dentro de oito dias, a partir da entrada no estabelecimento do importador ou licitante nos casos de produto importado ou licitado. Logo, não se sabe a origem de tais produtos. Normalmente, um objeto de metal precioso está legalmente marcado quando tem punção de fabricação, que é uma marca que corresponde, dentro de um perímetro, a primeira letra do nome da empresa, importador ou indústria, e a um símbolo pessoal exclusivo. Bem como, existe ainda um outro tipo de punção que confirma a avaliação do objeto pelo controle de qualidade, a autenticidade do metal precioso. Conforme se constata no Termo de Fiscalização, naquela ocasião a empresa não comprovou a regularidade da entrada das jóias que estavam expostas à venda, ou no estoque de produtos acabados, sendo que, em fases recursais, colocou, tão somente, seus livros, que já foram examinados pela fiscalização. Para concluir, o ônus da prova, como dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10314.001023/200141 Acórdão n.º 3201000.946 S3C2T1 Fl. 4 7 Mércia Helena Trajano DAmorim Relator Fl. 221DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10840.720219/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA.
São dedutíveis dos rendimentos tributáveis os valores relativos aos dependentes relacionados na legislação tributária, indicados na declaração de ajuste, desde que comprovada a relação de dependência. Na hipótese, a relação de dependência não ficou comprovada.
DEDUÇÕES. DESPESAS COM EDUCAÇÃO DE DEPENDENTE.
Comprovada a relação de dependência, é possível deduzir despesas efetuadas com a educação do dependente, demonstradas por meio de documentação hábil e idônea. Hipótese em que não ficou comprovada nos autos a relação de dependência.
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA DE DEPENDENTE. ACORDO
PARTICULAR. MERA LIBERALIDADE. Somente podem ser deduzidos a título de pensão alimentícia os valores fixados em decisão judicial. Tratando-se de um simples acordo particular, tal
como na hipótese, o pagamento constitui mera liberalidade e sua dedução não é autorizada pela lei.
DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÕES. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.
No cômputo da base de cálculo do imposto sobre a renda, não são dedutíveis as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no país, no denominado Vida Gerador de Benefícios Livres VGBL, durante a fase de acumulação dos recursos.
DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA.
Desde que escriturados em Livro Caixa e comprovados mediante
documentação hábil e idônea, podem ser deduzidos dos rendimentos do trabalho não assalariado decorrente do exercício da atividade profissional do contribuinte: (i) as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora; (ii) a remuneração paga a terceiros, com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; e (iii) os emolumentos pagos a terceiros.
Na hipótese, somente parte dos dispêndios escriturados em Livro Caixa é dedutível e ficou comprovada.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA.
MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE DOLO. INEXISTÊNCIA.
A apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do intuito de fraude do sujeito passivo.
Aplicação da Súmula CARF n.° 14.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO.
CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Incabível a aplicação da multa isolada pelo não pagamento do imposto de renda como antecipação mensal Carnê-Leão quando
em concomitância com a multa de ofício exigida juntamente com o imposto apurado no ajuste anual, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF N° 2.
Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2101-001.859
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para (i) restabelecer deduções em Livro Caixa no valor de R$ 193,75; (ii) desqualificar as multas lançadas e (iii) excluir a multa isolada. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por dar provimento parcial em menor extensão, mantendo a multa isolada.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. São dedutíveis dos rendimentos tributáveis os valores relativos aos dependentes relacionados na legislação tributária, indicados na declaração de ajuste, desde que comprovada a relação de dependência. Na hipótese, a relação de dependência não ficou comprovada. DEDUÇÕES. DESPESAS COM EDUCAÇÃO DE DEPENDENTE. Comprovada a relação de dependência, é possível deduzir despesas efetuadas com a educação do dependente, demonstradas por meio de documentação hábil e idônea. Hipótese em que não ficou comprovada nos autos a relação de dependência. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA DE DEPENDENTE. ACORDO PARTICULAR. MERA LIBERALIDADE. Somente podem ser deduzidos a título de pensão alimentícia os valores fixados em decisão judicial. Tratandose de um simples acordo particular, tal como na hipótese, o pagamento constitui mera liberalidade e sua dedução não é autorizada pela lei. DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÕES. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. No cômputo da base de cálculo do imposto sobre a renda, não são dedutíveis as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no país, no denominado Vida Gerador de Benefícios Livres VGBL, durante a fase de acumulação dos recursos. DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Desde que escriturados em Livro Caixa e comprovados mediante documentação hábil e idônea, podem ser deduzidos dos rendimentos do trabalho não assalariado decorrente do exercício da atividade profissional do contribuinte: (i) as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora; (ii) a remuneração paga a terceiros, com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; e (iii) os emolumentos pagos a terceiros. Na hipótese, somente parte dos dispêndios escriturados em Livro Caixa é dedutível e ficou comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE DOLO. INEXISTÊNCIA. A apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do intuito de fraude do sujeito passivo. Aplicação da Súmula CARF n.° 14. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a aplicação da multa isolada pelo não pagamento do imposto de renda como antecipação mensal CarnêLeão quando em concomitância com a multa de ofício exigida juntamente com o imposto apurado no ajuste anual, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para (i) restabelecer deduções em Livro Caixa no valor de R$ 193,75; (ii) desqualificar as multas lançadas e (iii) excluir a multa isolada. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por dar provimento parcial em menor extensão, mantendo a multa isolada. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Fl. 469DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 2 3 Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor do contribuinte ANTONIO LUIZ FRANÇA DE LIMA, advogado, foi emitido o Auto de Infração integrante dos autos deste processo. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, que faz parte do Auto de Infração, a Fiscalização apontou as seguintes infrações à legislação tributária: 1) Omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 187.077,63; 2) Dedução indevida da base de cálculo, a título de previdência oficial, no valor de R$ 1.728,00; 3) Dedução indevida da base de cálculo com dependente, no valor de R$ 1.272,00; 4) Dedução indevida da base de cálculo com pensão judicial, no valor de R$ 48.000,00; 5) Dedução indevida de despesas de livrocaixa, no valor de R$ 112.718,22; 6) Dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 1.998,00; 7) Dedução indevida de previdência privada/FAPI, no valor de R$ 4.430,79; 8) Falta de recolhimento de antecipação (carnêleão). Com exceção das infrações apuradas em LivroCaixa, as demais multas impostas foram agravadas em função de o contribuinte não ter atendido as intimações, e a fiscalização entendeu ter havido conduta dolosa em razão de o contribuinte ter omitido rendimentos, supervalorizado despesas dedutíveis e informado imposto a pagar apenas no final do anocalendário, disso decorrendo restituição indevida. Em 18 de maio de 2009, foi apresentada Impugnação, na qual o contribuinte alega serem improcedentes as glosas perpetradas, assim como o agravamento e a qualificação da multa. Entende que, dos valores lançados como omissão de receita, devem ser deduzidos os montantes de R$8.000,00 e R$12.000,00, pois foram declarados. Sustenta ainda que a multa é inconstitucional, por agredir os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Ao examinar o pleito, a 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto decidiu pela procedência parcial da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 1431.222, de 14 de fevereiro de 2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 470DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Exercício: 2004 DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA OFICIAL. DEPENDENTES. DESPESAS COM EDUCAÇÃO. As deduções de despesas informadas na declaração de ajuste anual estão sujeitas à comprovação quando solicitada pela autoridade fiscal. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. São dedutíveis dos rendimentos tributáveis os valores relativos aos dependentes relacionados na legislação tributária quando devidamente comprovada a relação de dependência. DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÕES. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. São dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda apenas as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social, no denominado Plano Gerador de Benefícios LivresPGBL. DEDUÇÃO. LIVRO CAIXA. Somente poderão ser deduzidas as despesas que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora e que estejam devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea. MULTA AGRAVADA. PRESSUPOSTOS LEGAIS. DESCABIMENTO. Descabe o agravamento da multa quando não se encontrarem materializados, de forma inequívoca, os seus pressupostos legais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de ofício qualificada, de 150%, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artifícios dolosos, visando a sonegação fiscal. CARNÊLEÃO. IMPOSTO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. Incide multa isolada sobre o imposto que deixou de ser recolhido, no prazo legal, a título de carnêleão. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. Argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Impugnação Procedente em Parte Fl. 471DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 3 5 Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 30 de dezembro de 2010, no qual pede a reforma do Acórdão proferido pelos seguintes motivos: a) Dependente e instrução de dependente Afirma que as deduções com a dependente Márcia Danielle Ribeiro Dias e sua instrução são aceitáveis porque o artigo 77, § 1.º, inciso I do Regulamento do Imposto de Renda autoriza a dedução como dependente do companheiro ou companheira, que entende ter ficado comprovada. b) Previdência privada Alega que podem ser deduzidas as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social e, no seu caso, suportou os pagamentos dos valores de previdência privada, e não houve qualquer resgate na forma preconizada pelo§ 2.º do artigo 82 do RIR/99. Além disso, seu plano de previdência é PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre, e não VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre, tal como alega a Fiscalização. c) Pensão alimentícia Admite que os valores deduzidos com pensão alimentícia não constam de decisão judicial, mas afirma ter ajuizado ação de divórcio direto litigioso, que diz comprovar com a Petição Inicial anexa aos autos e na peça de resistência apresentada nos autos do processo judicial. Entende que, com isso, fica comprovado estar separado desde 2001 e vem pagando pensão alimentícia desde então. d) LivroCaixa Expõe que, sem a instalação de rede de computadores não seria possível desempenhar sua profissão, por isso a glosa da dedução da despesa a esse título é indevida. Além disso, a seu ver, também foram glosadas indevidamente as deduções a partir dos gastos com: material de uso e consumo do escritório, que correspondem a reciclagem de cartuchos de impressoras e aos próprios cartuchos, que não são incorporados ao capital; condomínio do escritório; Instituto Goiano de Direito do Trabalho, referentes à sua participação em Congressos e eventos voltados para a sua área de atuação; livros essenciais à manutenção da sua atividade profissional, desenvolvida na área de Direito do Trabalho; imunização contra pragas e insetos, por serem necessários à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora; Fl. 472DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 propaganda da sua atividade profissional, porque o PN CST n.º 358/70 autoriza a dedução de despesas com publicações em favor de profissionais liberais visando aumentar seus rendimentos ou a manutenção da fonte produtora; associação dos advogados do Estado de São Paulo, tendo em vista que os serviços prestados por essa entidade são de primazia à verificação de prazos junto aos processos judiciais nos quais atua; AASP, porque é praticamente impossível manter processos sem a utilização dos serviços por ela prestados, sendo estes essenciais à sua atividade profissional. e) Omissão de Receitas Alega terem sido indevidamente considerados omitidos rendimentos já declarados de R$ 8.000,00 em novembro e de R$ 12.000,00, no mês de dezembro. f) Multa Agravada Entende que a multa agravada, mesmo com a redução admitida na decisão da DRJ, não encontra supedâneo legal junto aos fatos descritos no lançamento, haja vista não ter havido, a seu ver, qualquer atitude sua a frustrar os trabalhos da fiscalização. Requer a substituição da multa agravada por multa de 75%. g) Multa Isolada Com base no artigo 105 do CTN, argumenta que a Fiscalização não poderia ter aplicado o artigo 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007 a fatos geradores ocorridos no ano base 2004, como é o seu caso. Além disso, entende que tal multa importa em bis in idem, pois incide sobre a mesma base de cálculo do imposto, assim como a multa de ofício. h) Inconstitucionalidade da multa Entende inconstitucional a aplicação das multas, por ferir a proporcionalidade e a razoabilidade, além de sustentar que a multa de mora não foi recepcionada pela Constituição nem pelo Código Tributário Nacional. Transcreve trechos de julgados do STF. Requer, ao final, seja julgado improcedente o lançamento, por não ter praticado qualquer infração. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento veiculado por meio do Auto de Infração constante deste processo originouse de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações Fl. 473DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 4 7 tributárias do sujeito passivo. No procedimento fiscal levado a efeito, foram apuradas as infrações ao final apontadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante do Auto de Infração, que se resumem em: (i) omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas físicas; (ii) dedução indevida da base de cálculo, a título de previdência oficial; (iii) dedução indevida da base de cálculo com dependente; (iv) dedução indevida da base de cálculo com pensão judicial; (v) dedução indevida de despesas de livro caixa; (vi) dedução indevida de despesas com instrução; (vii) dedução indevida de previdência privada/FAPI; (viii) falta de recolhimento de antecipação (carnêleão). 1. Da comprovação das despesas declaradas Todas as despesas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte devem estar comprovadas e justificadas, de acordo com o que prevê a legislação do imposto sobre a renda. O Regulamento do Imposto de Renda – Decreto n.º 3.000, de 1999, ao tratar do tema, assim prescreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). [...]. Art. 797. É dispensada a juntada, à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigandose, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário (DecretoLei nº 352, de 17 junho de 1968, art. 4º). [...] Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74). [...]. § 4º. O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício de que trata o art. 841 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, §3º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, inciso III). No caso sob análise, o contribuinte deduziu despesas com dependente e sua instrução, pensão judicial, previdência privada e oficial, além de despesas escrituradas em Livro Caixa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto (SP), ao apreciar o pleito, restabeleceu a dedução com previdência oficial, nos seguintes termos: “Suas alegações são procedentes, haja vista que a informação inicialmente fornecida pela Dataprev noticia a inexistência de pagamentos relacionados como número de CPF 315.902.50125. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Entretanto, à luz das cópias das Guias de Previdência Social apresentadas pela contribuinte, verificase que no Cadastro Nacional de Informações Sociais o controle dos recolhimentos é feito por outro identificador, no caso o n.º 1.121.250.7104. Consulta ao sistema, neste ato anexada aos autos do processo, dá conta de que os recolhimentos no decorrer do anocalendário de 2004 são suficientes para absorver a dedução pleiteada. Assim, a importância de R$1.728,00 deve ser deduzida da base de cálculo do tributo lançado.” Das deduções feitas em Livro Caixa, glosadas pela Fiscalização, foram restabelecidas, pela DRJ, as seguintes: Datafax Equipamentos Eletro Eletrônicos Ltda.: R$ 851,55, referentes aos documentos fiscais de n.º 261, no montante de R$ 551,55, n.º 998, de R$50,00 e n.º 282, de R$250,00, lançados em 13.1.2004, 28.2.2004 e 30.6.2004, respectivamente. Livros e revistas técnicos, tal como consignado no voto condutor da decisão a quo: “Assim, os gastos que se enquadram no permissivo antes descrito devem ser deduzidos como despesas e, consequentemente, abatidos da base de cálculo tributável. Tais importâncias referemse aos lançamentos de: 28/02/2004 (fl. 122/4); porém, deve ser considerado o valor de R$495,60 que representa a soma do documento fiscal de fl. 121 (R$250,00) com o pedido de fls. 123/4, de R$245,60. O documento fiscal de fl. 122 é cópia do de fl. 121 e, portanto, deve ser desconsiderado; 30/06/2004 (fl. 152), no valor de R$70,50; 31/07/2004 (fls. 172/177), no total de R$390,00, com a ressalva de que tais gastos referemse à assinatura da revista jurídica a que alude o contrato de fl. 153.” As demais deduções feitas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, glosadas pela Fiscalização e mantidas na decisão a quo, serão analisadas a seguir. a) Despesas com dependente e com sua instrução: A Lei n.º 9.250, de 1995, ao determinar as pessoas que podem ser consideradas dependentes, para os fins de deduções da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física, assim estipula: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: [...] II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; [...] Fl. 475DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 5 9 O contribuinte, no anocalendário 2004 (exercício 2005) informou que Márcia Danielle Ribeiro Dias era sua dependente na condição de filha ou enteada universitária ou cursando escola técnica de segundo grau, até 24 anos (código 22) e deduziu, em sua declaração de ajuste, despesas correspondentes a dependente e instrução de dependente. Em 9 de outubro de 2008, intimado a apresentar documentação hábil e idônea referente à condição de dependência da referida pessoa, assim como a documentação correspondente aos pagamentos de despesas com sua instrução (fls. 32 a 34), o contribuinte não se manifestou (fls. 275 – Termo de Constatação Fiscal). Intimada pela Fiscalização, a UNAERP – Universidade de Ribeirão Preto, por meio de seu Departamento de Contabilidade, informou que Márcia Danielle foi aluna da instituição nos anos de 2004 e 2005, tendo efetuado os pagamentos relacionados. Em sua defesa, o contribuinte sustenta que Márcia Danielle era, na verdade, sua companheira, e, para provar o alegado, apresenta fotografias do casal. Alega ainda que efetivamente efetuou pagamentos à Universidade de Ribeirão Preto no ano de 2004, com instrução de sua companheira. Ocorre que, para que seja aceita a dedução de companheiro ou companheira como dependente, a legislação tributária exige a comprovação da convivência por mais de cinco anos ou então, por período menor, se da união resultou filho, a teor do que prescreve o inciso II do art. 35 da Lei n. 9.250, de 1995, acima transcrito. A comprovação da condição de companheiro pode ser feita por qualquer meio de prova, desde que demonstre, de forma cabal, que essa condição existia, de fato. No caso vertente, a única prova apresentada consiste em fotografias do casal, o que é insuficiente para comprovar a efetiva relação de dependência. Por essa razão, não é possível restabelecer a dedução a esse título. Pelo mesmo motivo, isto é, uma vez não comprovada a relação de dependência, não se pode restabelecer a dedução, da base de cálculo do imposto sobre a renda, com despesa com a sua instrução. b) Das despesas com previdência privada O recorrente declarou, no campo relativo a pagamentos e doações efetuados de sua declaração de ajuste, o pagamento da importância de R$ 4.430,79 (R$1.200,00 + R$3.230,79) à Caixa Vida e Previdência (fls. 23), deduzindo a mesma importância a título de contribuição à previdência privada e Fapi. Intimado pela Fiscalização a comprovar a dedução pleiteada, não apresentou os documentos solicitados. Foi, então, a Caixa Econômica Federal intimada a comprovar os pagamentos feitos pelo contribuinte, e, em resposta, noticiou a existência, em 2004, das contribuições no valor declarado, ou seja, R$ 4.430,79, correspondentes aos certificados n.º 009061459 e n.º 000323253. Informou também que essas contribuições referemse a aplicações em plano VGBL. O contribuinte impugnou o lançamento decorrente da glosa perpetrada, alegando que os pagamentos foram integralmente suportados por ele e que não fez qualquer resgate na forma preconizada pelo § 2.º do artigo 82 do Regulamento do Imposto sobre a Fl. 476DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 Renda. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, contudo, não acolheu seus argumentos e manteve a glosa. No recurso voluntário, o interessado volta a sustentar que os pagamentos dos valores de previdência privada foram integralmente suportados por ele e não houve qualquer resgate na forma preconizada pelo§ 2.º do artigo 82 do RIR/99. Além disso, esclarece que seu plano de previdência é PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre, e não VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre, tal como alega a Fiscalização. Sobre este tema, importante salientar que, tanto o PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre quanto o VGBL Vida Gerador de Benefício Livre são planos previdenciários que permitem que se acumulem recursos por um prazo contratado, a fim de garantir um rendimento no futuro. Em qualquer uma dessas modalidades, durante o período de acumulação de recursos, o dinheiro depositado é investido e rentabilizado pela seguradora; o período de benefício começa a partir do momento eleito pelo interessado e a forma do recebimento dos recursos também é por ele escolhida. A principal distinção entre PGBL e VGBL está na forma de tributação. Somente no caso de aplicação em PGBL é que o aplicador pode deduzir o valor das contribuições da sua base de cálculo do Imposto de Renda, com limite de 12% da sua renda bruta anual. A incidência de imposto de renda se dá sobre os valores posteriormente resgatados ou recebidos como renda. Neste caso, para ter direito à dedução, limitada a 12% do total dos rendimentos tributáveis, é preciso informar os valores pagos durante o ano no quadro Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da DIRPF modelo completo. Já no VGBL, não existe dedução de imposto de renda durante a fase de acumulação dos recursos. No momento do resgate, a tributação incide apenas sobre os rendimentos obtidos e não sobre o valor total acumulado, tal como acontece no PGBL. No VGBL, o valor nominal da aplicação deve constar na Declaração de Bens e Direitos da declaração de imposto de renda de ajuste do anocalendário correspondente. Conforme explicitado, as importâncias aplicadas em planos da espécie VGBL, como é o caso do Recorrente, não são dedutíveis nas declarações de ajuste, motivo pelo qual não há como acolher as alegações deduzidas. c) Pensão alimentícia O recorrente sustenta, em sua peça recursal, que o valor declarado a título de pensão alimentícia destinavase a seu filho, mas tal pensão não constava em decisão judicial, haja vista que havia se separado da mãe de seu filho sem que tivesse sido realizada a separação consensual segundo as normas do direito de família. Complementa, esclarecendo que propôs ação de divórcio cuja petição inicial acosta aos autos. A Fiscalização já havia solicitado busca sobre registro de distribuição de ação judicial, visando a esclarecer a existência, no período de dez anos até a data do pedido (6.10.2008), de possível distribuição de ação de separação judicial ou alimentos em nome de Silvia Helena Peres Buzatto de Lima, esposa do Recorrente. Todavia, nada foi localizado. A Diretora do Cartório Distribuidor do Fórum da Comarca de Ribeirão Preto atestou não existir qualquer ação de separação ou alimentos em nome da pessoa apontada. Para determinar a base de cálculo do imposto sobre a renda, pode ser deduzido o valor pago a título de pensão alimentícia, em face das normas do direito de família, desde que em cumprimento de acordo ou decisão judicial. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 6 11 Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: [...] II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; [...] (g.n.) Tendo em vista a exigência do artigo 4.º, inciso II, da Lei n.º 9.250, de 1995, com a redação vigente na época dos fatos, para que se possa efetuar a dedução com pensão alimentícia é necessária decisão ou acordo judicial. Outros montantes, mesmo que efetivamente pagos, que não se enquadrem nas condições estipuladas na lei, não podem ser deduzidos a esse título, pois constituem mera liberalidade. Não há, por conseguinte, como acolher o pedido do Recorrente, já que, no presente caso, não ficou comprovada manifestação jurisdicional apta a suportar sua pretensão. d) Das despesas lançadas em LivroCaixa A dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa encontrase regulada no Artigo 75 do Decreto n.º 3.000, de 1999, cuja matriz legal é o artigo 6.º da Lei n.º 8.134, de 1990, o qual assim prescreve: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (Vide Lei nº 8.383, de 1991) I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9° e 10 da Lei n° 7.713, de 1988. § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Fl. 478DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 12 livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. § 3° As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano base, não será transposto para o ano seguinte. § 4° Sem prejuízo do disposto no art. 11 da Lei n° 7.713, de 1988, e na Lei n° 7.975, de 26 de dezembro de 1989, as deduções de que tratam os incisos I a III deste artigo somente serão admitidas em relação aos pagamentos efetuados a partir de 1° de janeiro de 1991. Durante a ação fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar documentação hábil e idônea para comprovar todas as receitas e despesas lançadas no Livro Caixa, coincidentes em datas e valores. Ante a documentação apresentada pelo contribuinte e também dos dados obtidos mediante diligências, a Fiscalização procedeu a glosa das seguintes deduções lançadas no LivroCaixa, algumas restabelecidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, conforme indicado: QUADRO DEMONSTRATIVO DAS GLOSAS DE DESPESAS LANÇADAS NO LIVROCAIXA N.° Data Nome Valor (R$) Motivo para a glosa JANEIRO 1 10.1.2004 Honorários adv. Adriana Breganholi 1.000,00 Despesa em desacordo com o inc.I do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 e sem comprovação 2 13.1.2004 Datafax NF n.º 000261 551,55 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano. Restabelecida pela DRJ. 3 31.1.2004 Papa Serviços de Alimentação 1.241,19 Despesa com alimentação, falta de previsão legal específica 4 31.1.2004 Samuel Tintas 117,60 Recibo sem valor fiscal, bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 5 31.1.2004 Marmoraria Mundial 125,00 Recibo sem valor fiscal, bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 6 31.1.2004 Marmoraria Mundial 125,00 Sem comprovação, bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 7 31.1.2004 Marmoraria Mundial 125,00 Sem comprovação, bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano Subtotal janeiro 3.285,34 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 7 13 QUADRO DEMONSTRATIVO DAS GLOSAS DE DESPESAS LANÇADAS NO LIVROCAIXA N.° Data Nome Valor (R$) Motivo para a glosa FEVEREIRO 8 10.2.2004 Honorários adv. Adriana Breganholi 1.000,00 Despesa em desacordo com o inc.I do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 e sem comprovação 9 28.2.2004 Papa Serviços de Alimentação 481,90 Despesa com alimentação, falta de previsão legal específica 10 28.2.2004 Inst. Goiano Dir. Trabalho 195,90 Sem especificação da natureza 11 28.2.2004 LTM Serviços Ltda 143,00 Aluguel escritório não comprovado/ escritório próprio 12 28.2.2004 Datafax NF n.º 0998 50,00 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano. Restabelecida pela DRJ. 13 28.2.2004 Associação Comercial Ribeirão Preto mensalidade 30,00 Despesa não necessária ao exercício da profissão liberalidade 14 28.2.2004 Livros Nota Fiscal e Pedidos vlr total lançado 604,60 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano. Restabelecida em parte pela DRJ (R$ 495,00) 15 28.2.2004 Calhas Garcia 200,00 Orçamento sem valor fiscal, bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano. 16 28.2.2004 Tok de Classe 58,10 Extrato sem valor fiscal, despesa com alimentação, falta de previsão legal específica. 17 28.2.2004 Conta ap. telefônico móvel em nome de terceiro 259,95 Despesa sem previsão legal Subtotal fevereiro 3.023,45 MARÇO 18 10.3.2004 Honorários adv. Adriana Breganholi 1.000,00 Despesa em desacordo com o inc.I do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 e sem comprovação 19 31.3.2004 Papa Serviços de Alimentação 2.160,00 Despesa com alimentação, falta de previsão legal específica 20 31.3.2004 Royal Cartuchos 192,00 Orçamento sem valor fiscal. Subtotal março 3.352,00 ABRIL 21 10.4.2004 Honorários adv. Adriana Breganholi 1.000,00 Despesa em desacordo com o inc.I do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 e sem comprovação 22 30.4.2004 ImuniWom 256,00 Recibo sem valor fiscal de despesa com prestação de serviço 23 30.4.2004 Provedor Terra em nome de terceira 61,90 Despesa em desacordo com o inc. III do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 24 30.4.2004 Mídia Publicações 510,00 Recibo sem valor fiscal de despesa com prestação de serviço. Despesa em desacordo com o inc.III do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 25 30.4.2004 Papa Serviços de Alimentação 768,59 Despesa com alimentação, falta de previsão legal específica Subtotal abril 2.596.49 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 14 QUADRO DEMONSTRATIVO DAS GLOSAS DE DESPESAS LANÇADAS NO LIVROCAIXA N.° Data Nome Valor (R$) Motivo para a glosa MAIO 26 11.5.2004 Honorários adv. Adriana Breganholi 1.000,00 Despesa em desacordo com o inc.I do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 e sem comprovação 27 31.5.2004 Papa Serviços de Alimentação 737,47 Despesa com alimentação, falta de previsão legal específica 28 31.5.2004 Comercial Elétrica 408,30 Não tem documento fiscal, bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano. 29 31.5.2004 Royal Cartuchos 100,00 Despesa sem comprovação de pagamento e orçamento sem valor fiscal 30 31.5.2004 Serviços Elétricos 355,00 Recibo sem valor fiscal, bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano. 31 31.5.2004 LTM Serviços Ltda 288,00 Mat. Escritório sem documento fiscal, lançamento n.º 77 32 31.5.2004 Siscontel NF n.º 001696 90,00 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano. 33 31.5.2004 Barsa Planeta NF n.º 456.799 129,00 Despesa em desacordo com o inc. III do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 34 31.5.2004 Material Escritório contas diversas 4.624,62 Lançamento n.º 85 sem documentos de comprovação Subtotal maio 7.732,39 JUNHO 35 10.6.2004 Honorários adv. Adriana Breganholi 1.000,00 Despesa em desacordo com o inc.I do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 e sem comprovação 36 30.6.2004 Absolut Material de Escritório 4.228,00 Sem comprovação com documentação hábil e idônea 37 30.6.2004 Comercial Elétrica 367,00 Não tem documento fiscal, bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 38 30.6.2004 Papa Serviços de Alimentação 1.199,83 Despesa com alimentação, falta de previsão legal específica 39 30.6.2004 Associação Comercial Ribeirão Preto mensalidade 60,00 Despesa não necessária ao exercício da profissão liberalidade 40 30.6.2004 Moto Taxi 401,00 Despesa não necessária ao exercício da profissão liberalidade 41 30.6.2004 Siscontel NF n.º 001765 90,00 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 42 30.6.2004 LTM Serviços Ltda 144,00 Material de escritório sem documento fiscal – lançamento n.º 113 43 30.6.2004 Livraria Cultura NF n.º 211670 70,50 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano. Restabelecida pela DRJ. 44 30.6.2004 Livraria e Editora Nacional de Direito 390,00 Assinatura de revista – documento sem valor fiscal 45 30.6.2004 Datafax Telecomunicações NF n.º 000282 250,00 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano. Restabelecida pela DRJ. Subtotal junho 8.200,33 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 8 15 QUADRO DEMONSTRATIVO DAS GLOSAS DE DESPESAS LANÇADAS NO LIVROCAIXA N.° Data Nome Valor (R$) Motivo para a glosa JULHO 46 10.7.2004 Honorários adv. Adriana Breganholi 1.000,00 Despesa em desacordo com o inc.I do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 e sem comprovação 47 31.7.2004 Material Escritório contas diversas 1.160,49 Aviso de débito autenticado para autenticar várias contas, duplicidade. 48 31.7.2004 Papa Serviços de Alimentação 667,08 Despesa com alimentação, falta de previsão legal específica 49 31.7.2004 Inst. Goiano Direito Trabalho 90,00 Sem especificação e comprovação da natureza da despesa 50 31.7.2004 Datafone Telecomunicações 300,00 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 51 31.7.2004 Dataserv Telecomunicações 50,00 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 52 31.7.2004 Royal Cartuchos 75,00 Orçamento sem valor fiscal – lançamento n.º 145 53 31.7.2004 Day Express Serviços de Entregas 19,20 Despesa não necessária ao exercício da profissão liberalidade 54 31.7.2004 Associação Comercial Ribeirão Preto mensalidade 60,00 Despesa não necessária ao exercício da profissão liberalidade 55 31.7.2004 Provedor Terra em nome de terceira 67,80 Despesa não necessária ao exercício da profissão liberalidade 56 31.7.2004 LTM Serviços Ltda. 144,00 Mat. Escritório sem documento fiscal – lançamento n.º 113 57 31.7.2004 Livraria Cultura NF vários 216,00 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 58 31.7.2004 Nacional de Direito Livraria e Editora Ltda. 390,00 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano. Restabelecida pela DRJ. 59 31.7.2004 Leroy Merlin – Mat. Conserv. e limpeza 7.785,25 Não tem comprovantes fiscais – lançamento n.º 158 60 31.7.2004 Leroy Merlin – Mat. Conserv. e limpeza 166,77 Não tem comprovantes fiscais – lançamento n.º 160 61 31.7.2004 Livraria Saraiva lançamento n.º 155 44,90 Despesa parcial não dedutível DVD O Último Samurai NF n.º 23.607 62 31.7.2004 Livraria Saraiva lançamento n.º 155 44,90 Despesa parcial não dedutível DVD O Último Samurai NF n.º 23.607 63 31.7.2004 Livraria Saraiva lançamento n.º 155 30,60 Despesa parcial não dedutível História Geral 2.º Grau volume único 64 31.7.2004 Associação dos Advogados de São Paulo 225,50 Sem documento hábil de comprovação e comprovação de pagamento 65 31.7.2004 EBCT – Correios Lançamento n.º 159 55,00 Sem documento hábil de comprovação e comprovação de pagamento Subtotal julho 12.592,49 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 16 QUADRO DEMONSTRATIVO DAS GLOSAS DE DESPESAS LANÇADAS NO LIVROCAIXA N.° Data Nome Valor (R$) Motivo para a glosa AGOSTO 66 10.8.2004 Honorários adv. Adriana Breganholi 1.000,00 Despesa em desacordo com o inc.I do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 e sem comprovação 67 31.8.2004 Barbosa Contabilidade 258,00 Documento sem valor fiscal e sem comprovação de pagamento 68 31.8.2004 Absolut lançamento n.º 170 4.288,00 Sem documento hábil de comprovação e comprovação de pagamento 69 31.8.2004 Comercial Elétrica VM Ltda 392,10 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 70 31.8.2004 Papa Serviços de Alimentação 488,02 Despesa sem previsão legal específica e sem comprovação 71 31.8.2004 Contas diversas lançamento n.º 177 2.800,00 Sem documento hábil de comprovação e comprovação de pagamento 72 31.8.2004 Lanches LP NF n.º 109861 50,00 Sem previsão legal específica 73 31.8.2004 Barbosa Contabilidade – lançamento n.º 179 258,00 Lançamento em duplicidade e sem documento específico 74 31.8.2004 Associação Comercial Ribeirão Preto mensalidade 20,00 Despesa não necessária ao exercício da profissão liberalidade 75 31.8.2004 Livraria Cultura NF vários 83,77 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 76 31.8.2004 Barbosa Contabilidade – lançamento n.º 191 258,00 Lançamento em duplicidade e sem documento específico 77 31.8.2004 CES Instalador NF n.º 301 650,00 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 78 31.8.2004 Comercial Elétrica VM Ltda. lançamento n.º 189 392,10 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 79 31.8.2004 Compra de material escritório com nota 4.288,00 Lançamento n.º 192 e sem documentos de comprovação Subtotal agosto 15.225,99 SETEMBRO 80 10.9.2004 Honorários adv. Adriana Breganholi 1.000,00 Despesa em desacordo com o inc.I do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 e sem comprovação 81 30.9.2004 Material escritório diversos 5.726,45 Sem documento hábil de comprovação e comprovação de pagamento 82 30.9.2004 Papa Serviços de Alimentação 1.045,27 Despesa sem previsão legal específica 83 30.9.2004 Livraria Cultura NF n.º 251350 69,14 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 84 30.9.2004 Sweden Food NF n.º 001367 22,00 Despesa sem previsão legal específica alimentação 85 30.9.2004 Absolut NF n.º 001065 – aquis. computador 4.288,00 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 86 30.9.2004 Absolut – Certificado de Garantia n.º 00517 249,00 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano 87 30.9.2004 Telemundo NF n.º 00019 aquis. aparelho celular 199,00 Lançamento em duplicidade n.º 10 e n.º 216. Glosado um; o outro, desp. indedutível 88 30.9.2004 Absolut 249,00 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano lançamento em duplicidade n.º 215 89 30.9.2004 Material de escritório diversos 7.726,45 Sem documento hábil de comprovação e comprovação de pagamento 90 30.9.2004 Papa Serviços de Alimentação 1.045,27 Lançamento em duplicidade e sem documento específico 91 30.9.2004 Barbosa Contabilidade 150,00 Sem valor fiscal e em nome de terceira Fl. 483DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 9 17 QUADRO DEMONSTRATIVO DAS GLOSAS DE DESPESAS LANÇADAS NO LIVROCAIXA N.° Data Nome Valor (R$) Motivo para a glosa SETEMBRO (continuação) 92 30.9.2004 Livraria Cultura NF n.º 251350 lançamento n.º 222 69,14 Em duplicidade 93 30.9.2004 Sweden Food NF n.º 001367 – lançamento n.º 223 22,00 Em duplicidade 94 30.9.2004 Royal Cartuchos 65,00 Orçamento sem valor fiscal 95 30.9.2004 Material de escritório diversos – lançamento n.º 230 6.585,41 Sem documento hábil de comprovação e comprovação de pagamento 96 30.9.2004 Conta telefone celular Claro 310,39 Em nome de terceira 97 30.9.2004 Provedor Terra 67,80 Em nome de terceira Subtotal setembro 28.889,32 OUTUBRO 98 9.10.2004 Honorários adv. Adriana Breganholi 1.000,00 Despesa em desacordo com o inc.I do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 e sem comprovação 99 30.10.2004 Conexão Terra – lançamento n.º 249 67,80 Em nome de terceira 100 30.10.2004 Barbosa Contabilidade 366,00 Sem valor fiscal e sem comprovação de pagamentos 101 30.10.2004 Material de escritório diversos – lançamento n.º 259 3.311,41 Sem documento hábil de comprovação e comprovação de pagamento 102 30.10.2004 Conexão Terra – lançamento n.º 264 67,80 Em nome de terceira. Lançamento em duplicidade. 103 30.10.2004 Barbosa Contabilidade – lançamento n.º 265 366,00 Sem valor fiscal e sem comprovação de pagamentos. Em duplicidade. 104 30.10.2004 Lançamentos n.º 266, n.º 267 e n.º 268 558,78 Despesas dedutíveis lançadas em duplicidade anteriormente. Subtotal outubro 5.737,79 NOVEMBRO 105 10.11.2004 Honorários adv. Adriana Breganholi 1.000,00 Despesa em desacordo com o inc.I do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 e sem comprovação 106 30.11.2004 Material de escritório diversos – lançamento n.º 274 1.910,28 Sem valor fiscal e sem comprovação de pagamentos. 107 30.11.2004 Papa Serviços de Alimentação 657,14 Despesa sem previsão legal específica. 108 30.11.2004 Barbosa Contabilidade 50,00 Sem valor fiscal e sem comprovação de pagamentos. 109 30.11.2004 Bio Nuclear Laboratório 382,00 Despesa em desacordo com o inc. III do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 110 30.11.2004 Material de escritório diversos – lançamento n.º 282 1.285,00 Sem documento hábil de comprovação e comprovação de pagamento 111 30.11.2004 LTM Serviços 288,00 Despesa sem comprovação da finalidade 112 30.11.2004 Epil Editora Pesquisa – Lista Telefônica propaganda 98,48 Sem comprovação lançamento n.º 284 113 30.11.2004 Provedor Terra 67,80 Em nome de terceira. Despesa em desacordo com o inc. III do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 114 30.11.2004 Leroy Merlin – Pedido nº 437097 933,21 Bens e serviços para aplicação de capital. Sem previsão legal específica. 115 30.11.2004 Sky – TV a cabo 66,90 Despesa em desacordo com o inc. III do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 e sem comprovação. 116 30.11.2004 Serviços de Entrega 700,00 Vedação contida no inciso II do parágrafo único do artigo 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 18 QUADRO DEMONSTRATIVO DAS GLOSAS DE DESPESAS LANÇADAS NO LIVROCAIXA N.° Data Nome Valor (R$) Motivo para a glosa NOVEMBRO (continuação) 117 30.11.2004 CPFL conta de fornecimento 594,90 Em nome de terceiro. Glosa parcial, despesa indedutível. 118 30.11.2004 Itacuã Pneus e Plena Multimarcas 4.793,16 Despesa em desacordo com o inc. III do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999. 119 30.11.2004 Material de escritório diversos 3.674,33 Sem comprovação – lançamento n.º 301 (4 documentos indedutíveis) Subtotal novembro 16.501,20 DEZEMBRO 120 10.12.2004 Honorários adv. Adriana Breganholi 1.000,00 Despesa em desacordo com o inc.I do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999 e sem comprovação 121 31.12.2004 Material de escritório diversos 443,00 Inclui documentos identificados com “lançamento 309” indedutíveis 122 31.12.2004 Pia de granito – lançamento n.º 310 880,00 Bens e serviços para aplicação de capital – sem valor fiscal 123 31.12.2004 Aluguel do escritório 1.200,00 Recibo sem valor fiscal/ sem comprovação de pagamento/ imóvel próprio 124 31.12.2004 Prestação serviços contabilidade 800,00 Recibo sem valor fiscal/ sem comprovação de pagamento/ despesa de terceiro 125 31.12.2004 Seguro de veículo 365,63 Despesa em desacordo com o inc. III do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999. 126 31.12.2004 Royal Cartuchos 75,00 Orçamento sem valor fiscal de R$ 25,00 + Boleto quitado em novembro 127 31.12.2004 Osvaldo Torres NF n.º 3051 250,00 Bens e serv. aplicação de capital vida útil superior a 1 ano. 128 31.12.2004 Associação Comercial de Ribeirão Preto 20,00 Despesa não necessária ao exercício da profissão 129 31.12.2004 Provedor Terra 67,80 Despesa em desacordo com o inc. III do art. 75 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Em nome de terceira. 130 31.12.2004 LTM Serviços Ltda. 144,00 Sem identificação da natureza. 131 31.12.2004 Relevo Ind. Gráficas NF n.º 16647 e 16648 336,00 Despesa não necessária ao exercício da profissão. Cartões de Natal e envelopes. Subtotal dezembro 5.581,43 TOTAL GERAL 2005 112.718,22 d.1) Bens e serviços para aplicação de capital, com vida útil superior a 1 ano O recorrente sustenta que os bens adquiridos são essenciais ao exercício profissional, já que recebe rendimentos de advogado e, sem a instalação de rede de computadores não seria possível desempenhar sua profissão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando a documentação apresentada pelo contribuinte, entendeu por bem restabelecer as deduções a seguir especificadas: Despesas com Datafax Equipamentos Eletro Eletrônicos Ltda., no total de R$ 851,55: Janeiro de 2004 (item 2): R$551,55 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 10 19 Fevereiro de 2004 (item 12): R$50,00 Junho de 2004 (item 45): R$250,00. No recurso voluntário, o interessado nada argumentou sobre as demais glosas mantidas pela DRJ em Ribeirão Preto a título de bens e serviços correspondentes a aplicação de capital, com vida útil superior a um ano. O tema das despesas de custeio indispensáveis à percepção da renda e à manutenção da fonte produtora foi tratado pelo Parecer Normativo CST n.º 60/78, no qual a Secretaria da Receita Federal manifestou o seguinte entendimento: “3. No que concerne à aquisição de bens indispensáveis ao exercício da atividade profissional devese identificar quando se trata de despesa, para distinguila da aplicação de capital, tendo em vista que a primeira é dedutível integralmente quando realizada no anobase considerado, e que a segunda é passível de depreciação anual (§ 2º do art. 48). 3.1 Na sistemática adotada pela legislação do imposto de renda considerase aplicação de capital o dispêndio com a aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapassa o período de um exercício e que não sejam consumíveis, isto é, não se extingam com sua mera utilização. Para exemplificar, constituem aplicação de capital os valores despendidos na instalação de escritórios ou consultórios, na aquisição e instalação de máquinas, equipamentos, aparelhos, instrumentos, utensílios, mobiliários, etc., indispensáveis ao exercício de cada atividade profissional em particular. 3.1.1 Esses bens devem ser relacionados, destacadamente, na declaração de bens devendo se informar nas colunas próprias o preço de aquisição; esse custo poderá constituir dedução do rendimento bruto através de cotas de depreciação em função da expectativa de vida útil do bem conforme prática reiterada e com coeficientes consagrados pela jurisprudência. Como a depreciação tem seu total acumulado limitado ao custo deverá o contribuinte proceder ao registro das quotas deduzidas através do próprio livrocaixa, depois de efetivados todos os lançamentos de fluxo financeiro do anobase, mencionandose a depreciação para cada bem com a respectiva data de aquisição. 3.1.2 Sendo para as pessoas físicas uma faculdade, poderá o contribuinte deixar de deduzir quotas de depreciação, em um ou mais exercícios, sem que isso importe na perda do direito de utilizála até alcançar o valor total de custo. Porém, a não utilização da quota normal de depreciação de um exercício não autoriza a utilização desta quota com a do ano seguinte para dedução acumulada em apenas um exercício. 3.2 São despesas as quantias despendidas na aquisição de bens próprios para o consumo, tais como: material de escritório, material de conservação e limpeza, materiais e produtos de qualquer natureza usados e consumidos nos tratamentos, reparos, consertos, recuperações, etc., e, portanto, integralmente Fl. 486DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 20 dedutíveis quando realizadas no anobase considerado, obedecidos os demais requisitos legais e normativos.” Passamos, a seguir, a apreciar, frente aos documentos acostados aos autos e à legislação de regência, as glosas mantidas na decisão a quo por configurarem dispêndios com bens e serviços correspondentes a aplicação de capital. Faremos referência a cada uma das glosas analisadas pelo item ao qual correspondem no quadro acima. O dispêndio declarado com Samuel Tintas, no valor de R$ 117,60 (item 4), referese a aquisição de tintas e verniz. Segundo o item 3.2 do Parecer Normativo CST n.º 60/78, poderia ser classificado como despesa de custeio, por caracterizar material consumido na recuperação do imóvel. No entanto, para justificar o desembolso, foi apresentado um único documento, que, não tem valor fiscal. Sendo assim, a dedução não pode ser restabelecida. O contribuinte deduziu, como despesa de custeio, com Marmoraria Mundial, três vezes o valor de R$ 125,00 (itens 5, 6 e 7). Segundo documentos que anexa, tratase de aquisição de “bancada em granito natural”. Esse desembolso é incompatível com o conceito de despesa de custeio paga, necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Tratase de aplicação de capital, caracterizada pelo dispêndio com a aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapassa o período de um exercício e que não sejam consumíveis. Além disso, para justificar as despesas, foi apresentado um único recibo, que não tem valor fiscal, e duas dessas despesas não têm respaldo em qualquer documento. Os valores lançados no Livro Caixa a título de despesa dedutível com Calhas Garcia (item 15), no montante de R$ 200,00 diz respeito à aquisição de proteção para ar condicionado, rufos e condutores. Tratase de aquisição de material que, a ser utilizado no imóvel onde se localiza o escritório do recorrente, tem vida útil superior a um exercício. Não pode, portanto, ser visto como despesa de custeio paga, necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, conforme o entendimento do Parecer Normativo CST n.º 60/78. A dedução do valor desembolsado com livros, no total de R$ 604,60 (item 14) (lançamento n.º 27 do Livro Caixa), lançado como “Material de escritório LTR Editora”, glosado pela Fiscalização por constituir bem ou serviço correspondente a aplicação de capital, com vida útil superior a um ano, foi parcialmente restabelecida pela DRJ (R$ 495,00). A diferença de R$ 109,60 não se respalda em qualquer documento hábil e idôneo que a justifique. Os valores lançados no Livro Caixa a título de despesa com “Material de conservação e, limpeza do escritório”, com Comercial Elétrica V.M. Ltda., nos montantes de R$ 408,30 (item 28), R$ 367,00 (item 37) e R$ 392,10 (item 69) não ficaram devidamente comprovados. Foram acostados aos autos Boletos de Pagamento quitados, nos valores declarados. No entanto, não há discriminação dos bens adquiridos, o que, por si só, impossibilita o enquadramento dos dispêndios como despesas dedutíveis. O montante destinado a Comercial Elétrica V.M. Ltda., de R$ 392,10, em agosto (item 78), declarado como despesa, apesar de ter ficado comprovado por meio da Nota Fiscal Fatura n.º 000769, corresponde a dispêndio com material elétrico a ser incorporado ao imóvel, a exemplo de reatores, fita isolante, soquetes para lâmpada fluorescente, tomadas de embutir. Segundo o entendimento exarado no Parecer Normativo CST n.º 60/78, que adotamos, o valor despendido, por corresponder à aquisição de material que se incorpora ao imóvel e tem vida útil superior a um exercício, não pode ser entendido como despesa de custeio necessária à Fl. 487DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 11 21 percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, tal como previsto no inciso III do artigo 6.° da Lei n.° 8.134, de 1990. O dispêndio de R$ 355,00, correspondente a Serviços Elétricos (item 30), foi justificado pelo contribuinte por meio de um recibo emitido por pessoa física. Nele, não consta a discriminação dos serviços prestados, de modo a permitir a sua identificação, ressaltandose ainda que não é possível identificar nem mesmo o emitente do mencionado recibo. O gasto não pode, portanto, ser classificado como despesa dedutível. Já as duas despesas de R$ 90,00, com Siscontel (itens 32 e 41) ficaram, a meu ver, comprovadas. Tratase de despesa com a realização de serviços técnicos de manutenção de telefone, lastreadas nas Notas Fiscais n.º 001696 e n.º 001765. Entendo que os dispêndios enquadramse no inciso III do artigo 6.º da Lei n.º 8.134, de 1990, que admite a dedução das despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Os dispêndios declarados com Datafone Telecomunicações Ltda. e Dataserv Telecomunicações Ltda., nos montantes de R$ 300,00 e R$ 50,00, respectivamente (itens 50 e 51), não ficaram devidamente comprovados. Foram acostados aos autos Boletos de Pagamento quitados, no valor declarado. No entanto, neles, não há discriminação da natureza dos serviços prestados. Não é possível, portanto, enquadrálos como despesas dedutíveis em Livro Caixa, nos termos da lei. O dispêndio declarado com Livraria Cultura, no valor total de R$ 216,00 (item 57), glosado pela Fiscalização por referirse a bens e serviços para aplicação de capital, com vida útil superior a 1 ano, corresponde a aquisição de livros que não se relacionam com a atividade profissional do contribuinte, razão pela qual a glosa deve ser mantida. Por outro lado, do montante de R$ 83,77, despendido com Livraria Cultura em agosto (item 75), há que se restabelecer a dedução de metade do valor da Nota Fiscal Fatura n.º 21498, (R$ 13,75) (vide fls. 182), já que uma das obras (“Conheça tudo sobre o empregado doméstico”) no valor de R$ 10,00, está relacionada com a atividade profissional do contribuinte, que diz atuar como advogado especializado em Direito do Trabalho. Sendo assim, tratase de despesa dedutível, nos termos do artigo 6.° da Lei n.° 8.134, de 1990. O dispêndio declarado com CES Instalador, no valor de R$ 650,00 (item 77), correspondente a troca de fiação, interruptores, tomadas e lâmpadas, comprovado por meio da Nota Fiscal n.° 301, não se enquadra como despesa dedutível, conforme previsto no inciso III do artigo 6.º da Lei n.º 8.134, de 1990. Apesar de o dispêndio ter ficado comprovado por meio da Nota Fiscal mencionada, não pode ser entendido como despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, de acordo com o entendimento do Parecer Normativo CST n.º 60/78, que adotamos. Os dispêndios com Absolut – Celulares, Informática e Telefones (itens 85 e 86), justificados por meio das Notas Fiscais n.° 00517 e n.° 001065, acostadas aos autos, correspondem a certificado de garantia de scanner e a aquisição de bens de capital, com vida útil superior a um exercício, tais como: microcomputador, estabilizador, monitor, caixas de som. Sua dedução, da base de cálculo do imposto sobre a renda, como despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, não encontra respaldo na legislação de regência. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 22 O dispêndio de R$ 249,00, com Absolut (item 88) foi lançado em duplicidade no Livro Caixa (lançamentos n.º 9 e n.º 215) (o dispêndio a que se refere o item 88 é o mesmo a que se refere o item 86). Por esse motivo, não há que se cogitar sua dedutibilidade. O dispêndio com Leroy Merlin, no valor de R$ 933,21 (item 114), deduzido como despesa no Livro Caixa, não ficou comprovado como tal. Foi justificado por meio de um “pedido” de material de construção (piso e filete de cerâmica, bacia e cuba de apoio oval, alça de apoio e assento sanitário), no qual consta endereço de entrega diferente do endereço do escritório do contribuinte. Mesmo que se aceitasse o “pedido” como comprovação da aquisição do material, o que não é o caso, tratase de material com vida útil superior a um exercício, a ser incorporado a imóvel que não é nem mesmo o escritório do contribuinte, haja vista o endereço para a sua entrega, consignado no “pedido”. A dedução correspondente não pode, assim, ser restabelecida. A despesa declarada no lançamento n.º 310 do Livro Caixa, no montante de R$ 880,00 (item 122), corresponde a compra de “uma pia de granito preto”. Sua dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não encontra respaldo na legislação de regência, segundo o entendimento adotado, que segue aquele exarado pela Secretaria da Receita Federal no Parecer Normativo CST n.º 60/78. Além disso, o endereço que consta do recibo (“Rua Belmonte”) não coincide com o do escritório do contribuinte. Além disso, não há documento fiscal a comprovar a despesa; foi acostado um recibo, no qual não se identifica ao menos o emitente. O dispêndio com conserto e instalação de fechaduras e troca de chaves, no valor de R$ 250,00 (item 127), comprovado por meio da Nota Fiscal de Serviços n.° 3051, emitida por Osvaldo Torres, corresponde a serviço feito no imóvel, e tem vida útil superior a um exercício. Não pode, por conseguinte, ser entendido como despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, tal como previsto no inciso III do artigo 6.° da Lei n.° 8.134, de 1990, segundo o entendimento do Parecer Normativo CST n.º 60/78. d.2) Material de uso e consumo do escritório, cartuchos de impressoras e sua reciclagem O Recorrente sustenta ter havido glosa indevida de valores referentes a material de uso e consumo do escritório, que correspondem à reciclagem de cartuchos de impressoras e aos próprios cartuchos, que não são incorporados ao capital. Sobre o assunto, ressaltase, mais uma vez, que o contribuinte pessoa física que perceber rendimentos de trabalho não assalariado e mantiver Livro Caixa pode deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, os valores correspondentes às despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. Primeiramente, deve ser esclarecido que, a fim de comprovar as despesas declaradas com Royal Cartuchos, referentes a cartuchos de tinta (itens 20, 29, 52, 94 e 126), o contribuinte acostou unicamente “orçamentos”, sem valor fiscal. Sendo assim, essas despesas não podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto sobre a renda do contribuinte, por não estarem lastreadas em documentação hábil e idônea. Os demais dispêndios declarados como “Material de Escritório” no Livro Caixa serão analisadas a seguir. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 12 23 Os montantes lançados no Livro Caixa a título de despesa com “material de escritório”, com LTM Serviços Ltda., correspondentes a R$ 288,00 (item 31), R$ 144,00 (item 42), R$ 144,00 (item 56), R$ 288,00 (item 111) e R$ 288,00 (item 130), não estão respaldados em documento fiscal; além disso, o único documento a justificar o lançamento no Livro Caixa, em cada caso, é um recibo que indica “serviços referentes ao mês”, sem especificação da sua natureza. O lançamento n.º 85 do Livro Caixa (item 34), no valor de R$ 4.624,62, declara despesas com “Material de Escritório – Contas Diversas” sem lastro em qualquer documento que as comprove. O desembolso de R$ 4.228,00, com Absolut Material de Escritório (item 36) não ficou comprovado por meio de qualquer documento. O lançamento a título de despesa com “Material de Escritório – contas diversas”, no valor de R$ 1.160,49 (lançamento n.º 135 do Livro Caixa) (item 47), não encontra lastro em documentação hábil e idônea. Os gastos declarados com Leroy Merlin, nos valores de R$ 7.785,25 e R$ 166,67 (respectivamente, lançamentos n.º 158 e 160 do Livro Caixa) (itens 59 e 60) não encontram respaldo em qualquer documento hábil e idôneo que os comprove. O dispêndio lançado como despesa no Livro Caixa, com Absolut, no valor de R$ 4.288,00 (item 68), a título de “Material de escritório” (lançamento n.º 170) não se respalda em documentação hábil e idônea, assim como o gasto declarado como “Material de Escritório – Contas diversas” (lançamento n.º 177 do Livro Caixa), no valor de R$ 2.800,00 (item 71) e “Material de Escritório – compra de material de escritório c/ nota”, no valor de R$ 4.288,00 (item 79). O mesmo ocorre com os desembolsos lançados como despesas no Livro Caixa, a título de “Material de escritório – diversos”, nos valores de R$ 5.726,45 (item 81), R$ 7.726,45 (item 89) e R$ 6.585,41 (item 95) (Livro Caixa, lançamentos n.º 217 e 230, respectivamente): não encontram lastro em documentação hábil e idônea. Da mesma forma, por não se respaldarem em documentação hábil e idônea os dispêndios lançados no Livro Caixa como despesas com “Material de escritório – diversos”, no valor de R$ 3.311,41 (lançamento n.º 259 do Livro Caixa) (item 101), e nos valores de R$ 1.910,28 (item 106), R$ 1.285,00 (item 110) e R$ 3.674,33 (item 119) (Livro Caixa, lançamentos n.º 274, 282 e 301, respectivamente) não podem ser considerados despesas dedutíveis. O dispêndio lançado sob o n.º 216, no Livro Caixa, a título de aquisição de linha e aparelho celular, no valor de R$ 199,00, com Telemundo Celular (item 87), não pode ser considerado, haja vista estar lançado em duplicidade (Livro Caixa, lançamentos n.º 10 e n.º 216). O valor lançado como despesa no Livro Caixa, a título de “Material de escritório – diversos”, de R$ 433,00 (Livro Caixa, lançamento n.º 309) (item 121) foi associado, pela Fiscalização, aos dispêndios com (i) serviço de TV a cabo para endereço do escritório (Sky TV) e para endereço diverso (DirecTV); (ii) despesa com bateria para automóvel; (iii) serviços de contabilidade não comprovados por documento fiscal e (iv) serviços telefônicos para endereço diverso daquele no qual se localiza o escritório. Nenhum desses valores pode ser entendido como despesa dedutível da base de cálculo do imposto sobre Fl. 490DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 24 a renda, ou por não estar comprovada por meio de documentação hábil e idônea ou por não estar enquadrada em uma das hipóteses de dedução previstas no artigo 6.° da Lei n.° 8.134, de 1990, conforme o entendimento do Parecer Normativo CST n.º 60/78. O montante despendido com Relevo Indústrias Gráficas, no valor de R$ 336,00 (item 131), justificado por meio das Notas Fiscais n.º 16467 e n.º 16648, referese a “cartão de Natal personalizado” e “reimpressões”. Tendo em vista que os dispêndios com cartões de Natal personalizados e reimpressões não configuram despesas necessárias ao exercício da atividade profissional do contribuinte e não se enquadram em qualquer outra categoria de despesa dedutível, prevista em lei, não é possível restabelecer a dedução pleiteada. d.3) Despesas com serviços e com aluguel/condomínio Da análise dos autos, foram encontradas duas glosas a título de despesa com aluguel, correspondentes aos lançamentos n.º 25 e n.º 311 do Livro Caixa (itens 11 e 123 da tabela), ambas mantidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto. O recorrente esclarece que se trata, na verdade, de despesas com condomínio, já que o imóvel utilizado para seu escritório profissional é próprio, e enseja essas despesas, por se localizar em edifício comercial. Para demonstrar a veracidade dos seus argumentos e comprovar o lançamento n.º 25 do Livro Caixa (Aluguel do escritório/consultório – LRM Serviços) (item 11), foi juntado aos autos boleto do Banco Itaú, no qual consta o valor de R$ 143,00. Todavia, o documento, no qual a LTM Serviços Ltda figura como cedente, não especifica os serviços prestados, o que significa dizer que não comprova que a despesa se refere nem a pagamento de aluguel, tal como lançado no Livro Caixa, nem como condomínio, tal como alega o recorrente. Não foi anexado aos autos qualquer outro documento hábil e idôneo que possa vincular a despesa declarada a aluguel ou condomínio do imóvel onde se localiza o escritório. Para justificar a despesa deduzida em dezembro com aluguel, no montante de R$ 1.200,00 (Livro Caixa, lançamento n.° 311 – “Aluguel do escritório/consultório”, Histórico: Ribe Imóveis) (item 123), foi acostado aos autos um recibo correspondente ao período de 8 de janeiro a 8 de junho de 2004. O contribuinte, contudo, afirma que o imóvel onde se localiza seu escritório é próprio, e a despesa é de condomínio. No entanto, o documento acostado, emitido por Ribe Imóveis, não confirma a alegação do recorrente, pois declara que se trata de pagamento de aluguel. Por outro lado, também não foi anexado aos autos qualquer outro documento hábil e idôneo que possa vincular a despesa declarada a condomínio do imóvel onde se localiza o escritório. A despesa declarada não ficou, portanto, comprovada. O recorrente nada alega quanto às despesas de alimentação e outras despesas com equipamentos e serviços deduzidas em seu Livro Caixa, cuja glosa foi mantida pela decisão a quo. Neste aspecto, primeiramente, impende salientar que, por falta de previsão legal específica, as despesas com alimentação não são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física nos casos de profissional liberal que escriture Livro Caixa. Sendo assim, ficam mantidas as glosas das deduções com as despesas declaradas a esse título, com Papa Serviços de Alimentação (itens 3, 9, 19, 25, 27, 38, 48, 70, 82, 90 e 107), Tok de Classe (item 16), LP Lanches (item 72) e Sweden Food (itens 84 e 93). As demais deduções glosadas, mantidas na decisão administrativa de primeira instância, serão analisadas a seguir. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 13 25 O dispêndio de R$ 259,95, com serviço telefônico móvel (item 17 da tabela), não configura dispêndio do contribuinte. A conta anexada aos autos está em nome de terceira pessoa. Tratase, portanto, de despesa indedutível, por falta de previsão legal. Para comprovar a realização da despesa deduzida com ImuniWom, a título de desinsetização do escritório (item 22), foram juntados contrato e recibo dos serviços prestados a esse título, no valor de R$ 256,00. Constatase, todavia, que, apesar de se tratar de pessoa jurídica, não houve comprovação da prestação do serviço por meio de documento hábil, no caso, a Nota Fiscal de Serviços. Foi apresentado somente um recibo de “prestação de serviços na área de desinsetização”. Sendo assim, à vista dos documentos apresentados, não é possível restabelecer a dedução pleiteada. Não ficou, igualmente, comprovado, que o dispêndio de R$ 510,00, com Mídia Publicações e Eventos (item 24), constitui despesa dedutível. O recibo anexado aos autos, único documento apresentado para comprovar o gasto declarado, nem mesmo especifica a natureza do serviço ao qual se refere. Sendo assim, não é possível afirmar que se trata de despesa de custeio paga, necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, requisito legal para a sua dedutibilidade. Os dispêndios declarados com Provedor Terra, a título de serviços de internet, nos montantes de R$ 61,90 (item 23) e de R$ 67,80 (itens 55, 97, 99, 102, 113 e 129) estão em nome de terceira pessoa. São indedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda do contribuinte, por falta de previsão legal. Além disso, dois desses valores, declarados como pagos a Provedor Terra, no valor de R$ 67,80 cada, correspondentes aos lançamentos n.º 249 e n.º 264, do Livro Caixa, a título de prestação a serviços de internet, são, na verdade, um só, que está declarado em duplicidade (itens 99 e 102). Os dispêndios com serviço de entregas (itens 40, 53 e 116), por não serem essenciais ao desenvolvimento da atividade profissional do contribuinte, não configuram despesas dedutíveis, por falta de previsão legal. Sendo assim, não é possível deduzir, da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física, a despesa declarada com Moto Taxi, no valor de R$ 401,00 (item 40), Day Express Serviços de Entregas, no valor de R$ 19,20 (item 53) e Serviços de Entrega (DR Express), no montante de R$ 700,00 (item 116). O dispêndio lançado sob o n.º 159, no Livro Caixa, a título de “Emolumentos pagos a terceiros, Histórico: EBCT” (item 65), não foi comprovado por qualquer documento hábil e idôneo. Os serviços de contabilidade, por não serem essenciais ao desenvolvimento da atividade profissional do contribuinte, não podem justificar despesas dedutíveis, por falta de previsão legal. Por esse motivo, os montantes declarados a esse título (itens 67, 73, 76, 91, 100, 103, 108 e 124) não podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto sobre a renda do contribuinte. Além disso, algumas dessas despesas foram lançadas em duplicidade no Livro Caixa e a despesa no valor de R$ 150,00 (item 91 da tabela) está em nome de terceira pessoa. A Nota Fiscal Fatura de prestação de serviços de telecomunicação no qual se fundamenta a despesa glosada de R$ 310,39, como “Conta telefone Celular Claro” (item 96) está em nome de terceira pessoa. Não é possível, portanto, deduzirse o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física do contribuinte, por falta de previsão legal. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 26 Dispêndios com serviços de laboratório, a exemplo do declarado com Bio Nuclear Laboratório, no valor de R$ 382,00 (item 109), não são dedutíveis no Livro Caixa. Neste, podem ser lançadas e deduzidas somente as despesas previstas no artigo 6.º da Lei n.º 8.134, de 1990. O valor de R$ 66,90, despendido com Sky – TV a cabo (item 115), também é indedutível, por falta de previsão legal (não se enquadra em qualquer uma das hipóteses do artigo 6.º da Lei n.º 8.134, de 1990). O dispêndio declarado com CPFL, no valor de R$ 594,90 (item 117) não pertence ao contribuinte. Por estar em nome de terceiro, é indedutível da base de cálculo do imposto sobre a renda do recorrente, por falta de previsão legal. Os gastos declarados com Itacuã Pneus e Plena Multimarcas, no montante de R$ 4.793,16 (item 118), não guardam qualquer relação com a atividade profissional desempenhada pelo contribuinte. Tratase de despesas com autopeças e serviços de manutenção de veículos, indedutíveis por força do que determina o artigo 6.º, §1.º, alínea “b”, da Lei n.º 8.137, de 1990. O dispêndio declarado com seguro de veículo, no valor de R$ 365,63 (item 125) não pode ser deduzido da base de cálculo do imposto sobre a renda do contribuinte , por falta de previsão legal d.4) Despesas com livros e revistas técnicas A Fiscalização procedeu à glosa de deduções pleiteadas pelo contribuinte em Livro Caixa, lançadas como despesas a título de livros e publicações de natureza técnica. Algumas dessas deduções foram restabelecidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP). Em sua defesa, o recorrente argumenta que as glosas são indevidas, já que o PN CST n.º 358/70 autoriza a dedução de despesas com publicações em favor de profissionais liberais visando a aumentar seus rendimentos ou a manutenção da fonte produtora. Sobre o assunto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do seu “Perguntas e Respostas – Programa IRPF 2012”, com base no Parecer Normativo CST nº 60, de 20 de junho de 1978, assim esclarece: “403 O profissional autônomo pode deduzir as despesas com aquisição de livros, jornais, revistas, roupas especiais etc.? Sim, caso o profissional exerça funções e atribuições que o obriguem a comprar roupas especiais e publicações necessárias ao desempenho de suas funções e desde que os gastos estejam comprovados com documentação hábil e idônea e escriturados em livrocaixa.” De acordo com esse entendimento, é possível para o profissional liberal deduzir, em Livro Caixa, as despesas comprovadamente feitas com livros, revistas e outras publicações de natureza técnica, necessários ao desempenho de sua atividade profissional, desde que tais despesas fiquem comprovadas. O contribuinte pleiteou, em seu Livro Caixa, a dedução de várias despesas a título de aquisição de livros e revistas técnicas, algumas das quais glosadas pela Fiscalização. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 14 27 Dessas, como anteriormente visto, foram restabelecidas, pela DRJ, as seguintes, no total de R$ 956,10: Fevereiro de 2004 – item 14 (parte): R$ 495,60, que representa a soma do valor da Nota Fiscal Fatura n.º 114218, emitida por LTR Editora Ltda (R$250,00) com o Pedido de Edições n.º 194556, emitido pela mesma pessoa jurídica, no montante de R$245,60 (vide item d.1) Junho de 2004 – item 43: R$70,50; Julho de 2004 – item 58: R$390,00, com a ressalva de que tais gastos referemse à assinatura da revista jurídica a que alude o contrato de fl. 153. As demais deduções pleiteadas a esse título, glosadas pela Fiscalização, foram mantidas na decisão a quo, e serão em seguida analisadas. O contribuinte declarou ter despendido R$ 129,00 com Barsa Planeta (item 33), e, para justificar o gasto declarado, apresentou a Nota Fiscal n.º 456.799, comprovando a aquisição da obra “Book of the Year 2004 Brown”. Todavia, essa obra não só não é indispensável como também não guarda relação com a atividade exercida pelo contribuinte (advocacia trabalhista). Sendo assim, devese manter a glosa. Conforme apontado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em sua decisão, a importância de R$ 390,00, correspondente a assinatura de revista técnica, com Livraria Editora Nacional de Direito (item 44), foi lançada em duplicidade, pois se refere a aquisição de assinatura de revista, inicialmente deduzida com base em contrato e posteriormente lançada de novo, em julho de 2004, distribuída em 6 pagamentos de R$65,00. Tendo em vista que, conforme constatado, esta despesa foi lançada em duplicidade no Livro Caixa (lançamentos n.º 117 e n.º 156, ambas a título de “Material de Escritório – Nac. de Direito Livraria e Editora Ltda”) e considerando que a DRJ já restabeleceu uma das despesas lançadas (julho de 2004), não há que se restabelecêla duplamente. A despesa declarada com Livraria Saraiva, lançada no Livro Caixa em julho de 2004 (lançamento n.º 155), de R$ 313,20, foi glosada parcialmente pela fiscalização (itens 61, 62 e 63), sob a alegação que se trata de despesa com DVD “O Último Samurai” (R$ 44,90 e R$ 44,90) (itens 61 e 62) e com o livro “História Geral 2.° Grau volume único”. Por sua vez, o contribuinte não logrou comprovar que as despesas glosadas referemse a livros técnicos ou publicações especializadas na sua área de atuação profissional. O dispêndio de R$ 69,14, com Livraria Cultura, correspondente à Nota Fiscal n.º 251350 (itens 83 e 92), foi lançado em duplicidade, e referese ao livro “Nelson Freire”. Tal obra não só não é indispensável como também não guarda relação com a atividade exercida pelo contribuinte. Tal gasto não pode, portanto, ser deduzido da base de cálculo do seu imposto sobre a renda. d.5) Demais deduções pleiteadas O inciso I do caput do artigo 6.º da Lei n.º 8.134, de 1990, admite que o contribuinte que perceba rendimentos do trabalho não assalariado deduza, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, a remuneração paga a terceiros, desde que haja vínculo empregatício, e sejam pagos os encargos trabalhistas e previdenciários. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 28 O contribuinte lançou como despesas dedutíveis os honorários advocatícios que declara ter pago à advogada Adriana Breganholi, no valor de R$ 1.000,00 por mês, no ano calendário sob análise (itens 1, 8, 18, 21, 26, 35, 46, 66, 80, 98, 105 e 120). Ocorre que não ficou comprovado nos autos haver vínculo empregatício da referida advogada com o contribuinte no período. Por esse motivo, o valor declarado não pode ser deduzido, porque não se enquadra na hipótese prevista no inciso I do caput do artigo 6.º da Lei n.º 8.134, de 1990. As deduções pleiteadas com Associação Comercial de Ribeirão Preto, nos valores de R$ 30,00 (item 13); R$ 60,00 (item 39); R$ 60,00 (item 54); R$ 20,00 (item 74) e R$ 20,00 (item 128) não ficaram caracterizadas como despesas necessárias ao desempenho da atividade profissional do contribuinte (advogado da área trabalhista). Por esse motivo, os dispêndios não caracterizam despesas dedutíveis. Instituto Goiano de Direito do Trabalho: O Recorrente sustenta que os dispêndios declarados com Instituto Goiano de Direito do Trabalho referemse à sua participação em Congressos e eventos realizados pelo referido Instituto, na sua área de atuação. Tratase dos documentos relacionados no item 10 R$195,90 (LivroCaixa, lançamento n.º 24, fevereiro) e item 49 R$90,00 (LivroCaixa, lançamento n.º 138, julho), glosados sob o fundamento de ausência de especificação acerca da natureza do desembolso. Em que pese o contribuinte ter alegado que as despesas relacionamse à sua participação em eventos relacionados com sua atividade profissional, não há como acatar sua pretensão, tendo em vista que constam dos autos apenas boletos bancários, sem qualquer especificação acerca da natureza do dispêndio efetuado. Associação dos Advogados de São Paulo O contribuinte pleiteou dedução de despesa com Associação dos Advogados de São Paulo, no valor de R$ 225,50 (item 64 da tabela), glosada pela Fiscalização e mantida na decisão a quo. Em seu recurso voluntário, argumenta que os serviços prestados por essa entidade são fundamentais para a verificação dos prazos dos processos judiciais nos quais atua, sendo praticamente impossível manter processos sem a utilização dos serviços por ela prestados. Por isso, tratase de serviço essencial à sua atividade profissional. Além do mais, alega, essas entidades não são obrigadas a emitir documento fiscal, e os boletos apresentados comprovam as despesas. No entanto, não foi acostado aos autos qualquer documento, fiscal ou não, que comprove que a despesa foi efetivamente realizada. Outras despesas pleiteadas A Fiscalização glosou as despesas lançadas no Livro Caixa sob os números 266, 267 e 268, no valor total de R$ 558,78 (item 104). O lançamento n.º 266 do Livro Caixa, no valor de R$ 309,50 corresponde a dispêndio declarado com energia elétrica do escritório – CPFL. Ocorre que o mesmo dispêndio já havia sido lançado anteriormente (lançamento n.º 251 do Livro Caixa). Tendo em vista que uma despesa só pode ser deduzida uma única vez, a dedução correspondente ao lançamento n.º 266 não pode ser restabelecida. O mesmo ocorre com as despesas lançadas no Livro Caixa sob os números 267 (R$ 34,28, a título de “Água do escritório – Daerp”) e 268 (R$ 215,00, a título de “Material de escritório – Royal Cartuchos”), que já haviam sido lançadas anteriormente no Livro Caixa, sob os números 252 e 253. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 15 29 Por fim, o valor lançado no Livro Caixa a título de despesa com “Material de escritório Epil Editora Pesquisa e Indústria”, no valor de R$ 98,48 (lançamento n.º 248) (item 112) não está lastreada em documento hábil e idôneo. 2. Da omissão de rendimentos A Fiscalização apurou ter havido omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas físicas, no montante de R$ 170.361,33, a seguir discriminados: Mês Nome do pagador Valor declarado (R$) Valor apurado pela Fiscalização (R$) Valor omitido (R$) Março Roberto Oliveira Ignacchitti 32.276,20 32.276,20 Abril Roberto Oliveira Ignacchitti 5.500,00 32.276,20 26.776,20 Abril Mário Lucio Camargo 2.978,38 2.978,38 Abril Mário Lucio Camargo 700,18 700,18 Abril Mário Lucio Camargo 733,99 733,99 Abril Mário Lucio Camargo 391,28 391,28 Julho Patrícia Maria A. Moreira 30.918,80 30.918,80 Novembro Mário Lucio Camargo 8.000,00 (8.000,00) Dezembro Mário Lucio Camargo 29.302,61 70.302,61 41.000,00 Dezembro Roberto Oliveira Ignacchitti 12.000,00 (12.000,00) Dezembro Eva Maria Gonçalves Mesquita 37.870,00 37.870,00 Dezembro Fernando César Isola 16.716,30 16.716,30 Totais 54.802,61 225.163,94 170.361,33 Em sede de impugnação, o contribuinte sustenta que não pode prosperar o lançamento com base na omissão de rendimentos de R$ 8.000,00, em novembro e R$ 12.000,00 no mês de dezembro, porque esses rendimentos já haviam sido declarados por ele. A DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões do contribuinte e manteve integralmente o lançamento, assim se manifestando: “A alegação de que os valores de R$8.000,00 e R$12.000,00 foram lançados em duplicidade é improcedente, em vista de que tais importâncias foram declaradas pelo próprio contribuinte e não foram consideradas na apuração da base de cálculo. Ademais, verificase que na apuração dos valores omitidos a autoridade fiscal deduziu as importâncias declaradas pelo contribuinte, quando houve tal circunstância. Ocorre que nos meses de novembro e dezembro, em que o contribuinte declarou os valores acima referidos, não fora Fl. 496DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 30 detectada omissão, por conseguinte, não houve dedução da base de cálculo. Ressaltese que as importâncias que de fato serviram para a imposição tributária encontramse descritas no demonstrativo de fls. 5 e 7 e retratam cada um dos valores apurados como omissão e registrados no quadro de fl. 6. A finalidade do demonstrativo de fl. 6 é a de detalhar as importâncias que serviram de base para apurar a omissão de receita, objeto do lançamento e seu fim é apenas o de demonstrar o que fora declarado espontaneamente em confronto com o que fora apurado. Portanto, na parte do lançamento que se refere à alegada omissão de receita, não há reparos a serem feitos ao procedimento do Fisco.” Fica bem claro, da análise do quadro elaborado pela Fiscalização, acima transcrito, que o argumento do contribuinte carece de fundamento. É possível observar que os valores que ele entende terem sido considerados indevidamente, pela Fiscalização, como rendimentos omitidos, não integram o montante de rendimento omitido utilizado para o cálculo do imposto lançado. Neste ponto, portanto, a decisão administrativa de primeira instância não merece reparos. 3. Da multa agravada O recorrente sustenta que a multa agravada, mesmo com a redução admitida na decisão da DRJ em Ribeirão Preto, não encontra supedâneo legal junto aos fatos descritos no lançamento. A seu ver não há, nos autos, quaisquer atitudes a frustrar os trabalhos da fiscalização. Conforme alega, a ausência de resposta à intimação datada de 18.8.2009 não pode ser tida como motivo para o agravamento da multa, já que em tal intimação a Fiscalização apenas estava informando quanto às ilegalidades constatadas e as diligências realizadas. Por isso, preferiu aguardar e apresentar impugnação. Requer, em sede de recurso voluntário, a substituição da multa agravada por multa de 75%. Do exame da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, podese concluir que o pedido do recorrente já foi atendido, haja vista que o agravamento da multa não prevaleceu. Neste ponto não há, portanto, matéria a ser apreciada nesta instância. 4. Da multa qualificada Confundindo multa qualificada com multa agravada, o recorrente sustenta que, no tocante às omissões de rendimentos verificadas pela Fiscalização e com relação às glosas de deduções, foi aplicada multa “agravada”. Todavia, complementa, não há prova nos autos de qualquer atitude do contribuinte visando a frustrar os trabalhos de fiscalização. A Fiscalização aplicou a multa qualificada sobre o imposto de renda apurado, com base no § 1.º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, que assim prescreve, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 497DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 16 31 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Os casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502, de 1964 são os seguintes: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Verificase, no texto do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n.º 0001, item 20, que a qualificação da multa deuse em virtude do entendimento que o dolo necessário foi comprovado a partir da análise geral da Declaração de Ajuste Anual apresentada tempestivamente, na qual o contribuinte “omitiu rendimentos, supervalorizou despesas dedutíveis, algumas inexistentes, declarou imposto a pagar somente no final do anocalendário, efetivamente recolhido no exercício de 2005, apurando restituição indevida da quase totalidade do declarado como devido, efetivamente creditada no processamento eletrônico da declaração alguns meses após”. Das razões da Fiscalização, observase que a multa lançada sobre o imposto apurado na ação fiscal foi qualificada por vários motivos, entre eles a omissão de rendimentos. A qualificação da multa foi afastada, em parte, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto. Sobre o assunto, o Relator do voto condutor da decisão a quo assim discorreu: “Entendo que essa vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciada e provada nos autos relativamente aos honorários advocatícios que o impugnante Fl. 498DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 32 recebeu e omitiu tanto para o cálculo do imposto de renda na fonte quanto na informação anual prestada na declaração de ajuste, cuja soma alcançou o valor de R$261.610,20, enquanto fora declarada a importância de R$74.532,57 (item 16, fl. 276). Tais atos praticados pelo impugnante demonstram o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, obtendo como resultado a redução do montante do tributo devido, materializando a hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Observase, ademais, que não se trata de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo impugnante. Discutível seria o caso se estivéssemos diante de uma operação isolada, envolvendo valor de pequena monta, não reincidente; neste caso, poderseia concluir pela ocorrência de um erro eventual, de ordem meramente material, passível de tributação sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento. Mas, como visto, não é este o caso aqui constatado. No que se refere às deduções consignadas na declaração de ajuste e naquelas lançadas no livrocaixa, tenho comigo que não é hipótese de se qualificar a multa, pois não está caracterizada a existência de dolo.” Nesses termos, ficou mantida a qualificação da multa lançada correspondente ao imposto apurado sobre a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física a título de honorários advocatícios. Do voto condutor da decisão a quo, trouxemos os dados que integram o seguinte quadro, que indica as multas qualificadas mantidas: Mês Rendimento omitido (“Base de Cálculo”) Multa mantida pela DRJ Março 32.276,20 150% Abril 31.580,03 150% Julho 30.918,80 150% Dezembro 95.586,30 150% Para a correta aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150%, conforme previsto no § 1.º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, é preciso que haja descrição e comprovação razoável da ação ou omissão dolosa do contribuinte, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, na forma dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, acima transcritos. No entanto, conforme se observou da justificativa apresentada pela Fiscalização para a qualificação da multa, não existe descrição específica da ação ou omissão dolosa do contribuinte, na qual tenha ficado patente o intuito de praticar sonegação, fraude ou conluio, no caso da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. As alegações da Fiscalização de que o contribuinte “declarou imposto a pagar somente no final do ano calendário, efetivamente recolhido no exercício de 2005, apurando restituição indevida da quase totalidade do declarado como devido, efetivamente creditada no processamento eletrônico da declaração alguns meses após” não constituem, a meu ver, descrição razoável de prática dolosa. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 17 33 Também não encontrei, nos autos, comprovação inequívoca da intenção dolosa do contribuinte de omitir esses rendimentos, a configurar a prática de sonegação, fraude ou conluio, de modo a justificar a aplicação da multa qualificada. Neste ponto, compete salientar que este Conselho já firmou o entendimento que a omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, a teor da Súmula n.° 14. Vejamos: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Diante do que, sobre o tema, se explicitou, considerando que não há, nos autos, comprovação de que o contribuinte, na omissão de rendimentos recebidos de pessoa física a título de honorários advocatícios, agiu ardilosamente a fim de burlar o fisco, tenho para mim que não há razão para manter a qualificação da multa. 5. Da Multa Isolada Com base no artigo 105 do CTN, o recorrente argumenta que a Fiscalização não poderia ter aplicado o artigo 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007, a fatos geradores ocorridos no ano base 2004, como é o seu caso. Além disso, entende que tal multa importa em bis in idem, pois incide sobre a mesma base de cálculo do imposto, assim como a multa de ofício. A fim de sustentar seu entendimento, transcreve ementas de decisões do Conselho de Contribuintes. Neste tema, impende ressaltar que este Conselho tem decidido, de forma reiterada, que a multa isolada pela falta de recolhimento do CarnêLeão não pode ser exigida em conjunto com a multa de oficio quando as mesmas incidirem sobre a mesma base de cálculo. É o que se verifica dos seguintes julgados, cujas ementas a seguir transcrevemse: MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO Incabível a aplicação da multa isolada, quando em concomitância com a multa de oficio. (CSRF, 2.ª Turma. Acórdão n.° 9202001.816, de 30.11.2011) MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. (CSRF, 2.ª Turma. Acórdão n.° 9202001.976, de 16.2.2012) Assim também entendo. No presente caso, em razão da concomitância da aplicação destas duas multas (isolada e de oficio), sobre a mesma base de cálculo, há de se excluir do lançamento a multa isolada. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 34 6. Da inconstitucionalidade da multa Por fim, o recorrente alega que os percentuais das multas aplicadas ferem a proporcionalidade e a razoabilidade, sendo sua cobrança incompatível com o artigo 150, IV, da Constituição Federal. Além disso, entende que a multa de mora não foi recepcionada nem pela Constituição nem pelo Código Tributário Nacional. Conforme explicitado anteriormente, as multas incidentes sobre o imposto de renda apurado no Auto de Infração integrante do presente processo fundamentamse no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, que especificamente fixa os percentuais da multa a ser aplicada nos casos de que trata. Uma vez constatada infração à legislação tributária em procedimento fiscal, tal como ocorreu na hipótese, o crédito tributário apurado deve vir acompanhado da multa de lançamento de oficio nos percentuais previstos em lei. Determinar os percentuais de multa a serem aplicados no caso de infração à legislação tributária é atribuição do legislador, e não do agente da Fiscalização. Não cabe à autoridade fiscal analisar se os percentuais de multa que a lei estipula são ou não são confiscatórios, afastando a sua aplicação quando entender pertinente. Os órgãos administrativos de julgamento também não se revelam como sede apropriada para discutir e deliberar sobre os temas relativos aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade no tocante aos percentuais de multa estipulados pelo legislador, por envolverem necessariamente a análise da constitucionalidade da lei que os fixou. Já está pacificado, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que este não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, tal como prevê a Súmula CARF nº 2, a seguir transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Consolidado esse entendimento, é de se aplicar, ao presente caso, a Súmula CARF n.° 2. A segunda alegação do recorrente, que versa sobre multa de mora, é totalmente impertinente, haja vista não haver cobrança a esse título neste processo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso para (i) restabelecer deduções em Livro Caixa no valor de R$ 193,75; (ii) desqualificar as multas lançadas e (iii) excluir a multa isolada. Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 501DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.720219/200937 Acórdão n.º 2101001.859 S2C1T1 Fl. 18 35 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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