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Numero do processo: 16403.000248/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. É intempestivo
recurso voluntário interposto em prazo superior a 30 (trinta) dias contados da intimação de acórdão proferido pela instância a quo.
Recurso voluntário não conhecido
Numero da decisão: 1102-000.726
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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TEMPESTIVIDADE. É intempestivo recurso voluntário interposto em prazo superior a 30 (trinta) dias contados da intimação de acórdão proferido pela instância a quo. Recurso voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Plínio Rodrigues Lima e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Relatório Fl. 153DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16403.000248/200914 Acórdão n.º 120100.726 S1C2T1 Fl. 2 2 Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba – PR assim ementado, verbis: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 600, DE 2005. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE CSLL. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF n° 600, de 2005, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de CSLL paga indevidamente ou a maior na dedução da contribuição devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE CSLL. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de CSLL como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Regularmente intimada do acórdão em 09.05.2011, a Contribuinte interpõe recurso voluntário em 10.06.2011, após decorrido, portanto, o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto n. 70.235/72 para o exercício dessa prerrogativa processual. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 154DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16403.000248/200914 Acórdão n.º 120100.726 S1C2T1 Fl. 3 3 Conforme se depreende dos documentos acostados aos autos, o recurso voluntário não pode ser conhecido por este Colegiado pelo fato de ter sido interposto após o prazo de 30 dias contados da intimação do acórdão proferido pela instância a quo, a teor do art. 33 do Decreto n. 70.235/72. De fato, como bem anotado pela Delegacia da Receita Federal de origem, a intimação da Contribuinte relativa ao acórdão recorrido ocorreu em 10.05.2011 e o recurso voluntário contra tal decisão foi interposto apenas em 10.06.2011. Nos termos regimentais, o prazo recursal encerrouse em 09.06.2011. Por tais fundamentos, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte por intempestividade. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723281/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL: INEXISTÊNCIA. Eventual equívoco ou deficiência no enquadramento legal da infração não acarreta a nulidade do auto de infração, exceto se demonstrado ocasionar cerceamento ao direito de defesa, o que não ocorreu no caso dos autos, tendo o contribuinte se defendido plenamente e demonstrado saber exatamente as razões de autuação. OMISSÃO DE PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E/OU FÍSICAS - DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUOS Inclui-se como rendimentos tributáveis, proveniente do trabalho sem vínculo empregatício, os valores recebidos de pessoas jurídicas e/ou pessoas físicas, não declarados espontaneamente pelo contribuinte, e detectados de ofício pela autoridade lançadora cuja origem não for justificada, através da apresentação de documentação hábil e idônea, se tratarem de rendimentos já tributados, isentos, ou não tributáveis. Assim, são tributáveis como rendimentos auferidos os valores recebidos de pessoa jurídica cuja natureza de mútuo foi descaracteriza pela falta de comprovação, através da apresentação de documentação hábil e idônea. Arguição de decadência acolhida.
Recurso Parcialmente Provido
Numero da decisão: 2202-001.924
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, desqualificando a multa de ofício acolher a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente e declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano- calendário de 2004 e, no mérito, desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL: INEXISTÊNCIA. Eventual equívoco ou deficiência no enquadramento legal da infração não acarreta a nulidade do auto de infração, exceto se demonstrado ocasionar cerceamento ao direito de defesa, o que não ocorreu no caso dos autos, tendo o contribuinte se defendido plenamente e demonstrado saber exatamente as razões de autuação. Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 OMISSÃO DE PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E/OU FÍSICAS DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUOS Incluise como rendimentos tributáveis, proveniente do trabalho sem vínculo empregatício, os valores recebidos de pessoas jurídicas e/ou pessoas físicas, não declarados espontaneamente pelo contribuinte, e detectados de ofício pela autoridade lançadora cuja origem não for justificada, através da apresentação de documentação hábil e idônea, se tratarem de rendimentos já tributados, isentos, ou não tributáveis. Assim, são tributáveis como rendimentos auferidos os valores recebidos de pessoa jurídica cuja natureza de mútuo foi descaracteriza pela falta de comprovação, através da apresentação de documentação hábil e idônea. Arguição de decadência acolhida. Recurso Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, desqualificando a multa de ofício acolher a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente e declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 2004 e, no mérito, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, JOSÉ MARCELO MATOS DE FREITAS , devidamente identificado nos autos, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), fls. 02/09, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, apurado no valor de R$ 980.956,57. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 04/06, e o Termo de Verificação Fiscal, fls. 10/29, foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, no valor de R$ 935.872,41, relativamente à Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2005, anocalendário 2004, e, também, foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, no valor de R$ 45.084,16, relativamente à Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2006, anocalendário 2005. O Imposto de Renda Pessoa Física do exercício financeiro de 2005, ano calendário 2004, e o Imposto de Renda Pessoa Física do exercício financeiro de 2006, ano calendário 2005, sujeitaramse a Multa de Ofício, no percentual de 150%, qualificada, por cometimento de infração de Omissão de Rendimentos com Fraude. Segundo ao Termo de Verificação Fiscal, tal como descrito pela autoridade recorrida: Verificouse recurso financeiro advindo de pessoa jurídica pertencente a grupo empresarial controlado pelo contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, grupo empresarial Marcelo Freitas, que transitou na conta corrente do contribuinte, integrando o seu patrimônio. Verificouse que o contribuinte mantinha relações comerciais, do tipo contrato de mútuo, com a pessoa jurídica emitente do recurso, e que, controlava um grupo de pessoas jurídicas, formado por pessoas jurídicas cujos sócios se relacionavam com o contribuinte, com vínculo familiar, do tipo: esposa e filhos. Intimado a comprovar a natureza do recurso, advindo da pessoa jurídica, creditado na sua conta corrente, o contribuinte utilizou se de atos comerciais, do tipo contrato de mútuo, para justificar o recebimento do recurso. No exame da operação comercial, a fiscalização descobriu simulação, lavrando Termo de Constatação e de Intimação, para que o contribuinte tomasse conhecimento e comprovasse a natureza do recurso. Não tem o contribuinte comprovado a natureza do recurso, a fiscalização considerou o recurso advindo da pessoa jurídica como rendimento tributável e imputou infração de omissão de rendimentos pelo fato do rendimento não ter sido informado na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 A fiscalização examinou, também, recurso financeiro advindo de pessoa jurídica pertencente ao grupo empresarial Marcelo Freitas que foi creditado na conta corrente da Construtora Montenegro Ltda, pessoa jurídica não pertencente ao grupo empresarial Marcelo Freitas. Nesse exame, a fiscalização constatou que o crédito estava vinculado a contrato de mútuo entre o contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, e a Construtora Montenegro Ltda, e que o empréstimo destinavase a financiamento de construção de imóveis (condomínio Village Del Leste, condomínio Village Del Maré e condomínio Village Costa Marina) A fiscalização considerou, também, nessa situação, o recurso creditado na conta corrente da Construtora Montenegro Ltda como rendimento tributável do contribuinte, uma vez que o contribuinte era o credor dos empréstimos e o adquirente de imóveis. Tendo o contribuinte se utilizado de ato simulado, com evidente intuito de esconder a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, a fiscalização imputou ao contribuinte o cometimento de fraude, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, crime contra a ordem tributária, lançando Multa de Ofício no percentual de 150% . Tendo em vista o cometimento de crime contra a ordem tributária, foi feita representação fiscal para fins penais. O crédito tributário totalizou, em 30/11/2009, o valor de R$ 3.013.538,74, compreendendo, Imposto de Renda, Multa de Ofício Qualificada e Juros de Mora, apurado com base na taxa selic, conforme demonstrativo abaixo: EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2005 ANOCALENDÁRIO 2004 Imposto de Renda Pessoa Jurídica 935.319,40 Multa de Ofício Qualificada 150% 1.402.979,09 Juros de Mora Taxa Selic até 30/11/2009 58% 542.391,72 TOTAL 2.880.690,21 EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2006 ANOCALENDÁRIO 2005 Imposto de Renda Pessoa Física 45.084,11 Multa de Ofício 150% 150,00% 67.626,16 Juros de Mora Taxa Selic até 30/11/2009 40,89% 18.434,89 TOTAL 131.145,16 O Auto de Infração decorreu de infração de omissão de rendimentos, caracterizada por presunção por falta de comprovação da natureza de recurso recebido de pessoa jurídica com a qual o contribuinte mantinha relações comerciais, tipificadas em contratos de empréstimos, figurando o contribuinte como mutuante, supridor financeiro, participante indireto, fazendo da pessoa jurídica parte integrante de um grupo econômico, grupo empresarial Marcelo Freitas, controlado pelo contribuinte. Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 3 5 Ainda no Termo de Verificação Fiscal: Na caracterização da infração, a fiscalização vem esclarecendo que os recursos financeiros, imputados como rendimentos omitidos, não se identificam com os rendimentos tributáveis e com os rendimentos isentos e não tributáveis informados na Declaração de Ajuste Anual, apresentada pelo contribuinte. Na Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte informa rendimentos tributáveis relacionados a aposentadoria, INSS, e a prólabore recebido da pessoa jurídica, FB Locadora e Serviços Ltda, pertencente ao grupo empresarial. O contribuinte informa, também, rendimentos isentos e não tributáveis relacionados a dividendos percebidos da pessoa jurídica, MF Marcelo Freitas Autopeças Ltda, pertencente ao grupo empresarial. Os recursos, materializados em cheques emitidos pela pessoa jurídica, em transferências bancárias, remetidas pela pessoa jurídica e em comprovantes de depósitos bancários, foram considerados como rendimentos tributáveis do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, percebidos de pessoas jurídicas, por não comprovação da natureza, envolvendo as seguintes pessoas jurídicas: Cobrex Cobranças Ltda, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, Fortbrasil Securitização de Recebíeis Ltda, Venopell Fomento Comercial Ltda e SRM Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e de Cosméticos Ltda. A fiscalização na descrição dos fatos, no Termo de Verificação Fiscal, faz um preâmbulo esclarecendo a relação do contribuinte com as pessoas jurídicas para as quais se vem imputando recebimento de rendimento tributável. Nesse preâmbulo, a fiscalização esclarece que o contribuinte não é identificado como sócio formal da pessoa jurídica, nos termos do contrato social. Entretanto o contribuinte é identificado como credor de recursos financeiros, através de contratos de empréstimos, onde o contribuinte figura como mutuante, e de investimentos financeiros, onde o contribuinte figura como investidor (debêntures da Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/A). Os recursos financeiros objeto de exame no procedimento de fiscalização foram extraídos de documentos disponibilizados pelo Departamento de Polícia Federal que os obteve através de Mandado de Busca e Apreensão, MBA, originado em processo judicial de apuração de crime de remessa ilegal de recurso para o exterior e retorno de recursos do exterior (processos judiciais nº 2006.81.00.0188850 e 2006.81.00.0171072). Nessas operações, foram utilizadas interpostas pessoas jurídicas no país de origem da remessa, Uruguai, quais sejam: Venopell Sociedad Anomina e Ticemill Sociedad Anomina. No Brasil, as operações envolveram diversas pessoas jurídicas pertencentes ao grupo empresarial Marcelo Freitas, tais como: MF Marcelo Freitas Autopeças, Freitas Empreendimentos Ltda, Scala Factoring Fomento Comercial Ltda, Ticemill do Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Brasil Ltda, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda e Venopell Fomento Comercial Ltda. Os documentos do Mandado de Busca e Apreensão também se relacionam com os exsócios da pessoa jurídica, Freitas Empreendimentos Ltda, sucessora das pessoas jurídicas, Scala Factoring Fomento Comercial Ltda, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, Ticemill do Brasil Ltda e Vonopell Fomento Comercial Ltda, que são: Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas, Felipe Teixeira de Freitas e Pedro Roberto Sampaio. Do exame dos documentos obtidos pelo Mandado de Busca e Apreensão, a fiscalização verificou que o contribuinte, nos anos calendário de 2004 e 2005, não figurava como sócios das pessoas jurídicas, Freitas Empreendimentos Ltda, Cobrex Cobranças Ltda, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, Fortbrasil Securitização de Recebíveis Ltda, Venopell Fomento Comercial Ltda, SRM Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e Cosméticos Ltda, Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda, Fortbrasil Digitalização de Serviços Ltda, FB Locadora e Serviços Ltda, Aaron Indústria de Etiquetas e Cartuchos Ltda, Fortbrasil Administradora de Cartões de Crédito Ltda e Halley Representação e Administração de Serviços Ltda. A fiscalização verificou, entretanto, que os documentos demonstravam a interferência do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, nessas pessoas jurídicas, como supridor de recursos financeiros, através de: 1) contrato de mútuo, feito entre o contribuinte e a pessoa jurídica pertencente ao grupo empresarial; 2) aquisição de quotas de capital, utilizando interposta pessoa; 3) aumento de capital, utilizando venda fictícia de imóvel de sua propriedade com doação para os efetivos sócios da pessoa jurídica, esposa e filhos; 4) aquisição de debêntures da pessoa jurídica pertencente ao grupo empresarial (Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/A – Fortbrasil Administradora de Cartões de Crédito S/A). Os documentos demonstravam, também, que o contribuinte financiava empreendimentos imobiliários, através da Construtora Montenegro Ltda, com recursos das pessoas jurídicas, SRM Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e Cosméticos Ltda, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda e Fortbrasil Securitização de Recebíveis Ltda, através de contratos de mútuos feitos em seu nome com a Construtora Montenegro Ltda. A fiscalização, consciente da situação do contribuinte dentro do grupo empresarial, intimouo a esclarecer a origem e a natureza dos recursos ingressados na conta corrente bancária, mantida em seu nome, ingressos feitos através de cheques emitidos por pessoa jurídica pertencente ao grupo empresarial. Os argumentos apresentados pelo contribuinte não foram aceitos Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 4 7 pela fiscalização pelo fato de não estarem condizentes com a realidade, tratandose de negócio jurídico confeccionado entre o contribuinte e os sócios das pessoas jurídicas, constituídos por esposa e filhos, com a finalidade de esconder o fato real de remuneração da pessoa jurídica para contribuinte, vislumbrandose ato simulado. A fiscalização considerou, também, como remuneração do contribuinte, os repasses de pessoas jurídicas, pertencentes ao grupo empresarial, para a Construtora Montenegro Ltda, como mútuo utilizado diretamente na construção de imóveis, uma vez que o contribuinte figurava como mutuante. Os recursos que foram objeto de intimação para comprovação da origem e da natureza do rendimento foram os seguintes: ANOCALENDÁRIO DE 2004 Fonte Remetente CNPJ Data Valor Venopell Fomento Comercial Ltda 06.216.712/000129 10/05/04 R$1.000.000,00 Venopell Fomento Comercial Ltda 06.216.712/000129 11/05/04 R$1.000.000,00 Cobrex Cobranças Ltda 05.670.301/000146 27/07/04 R$295.849,82 Fortbrasil Fomento Comercial Ltda 00.324.591/000152 02/12/04 R$246.255,88 Fortbrasil Fomento Comercial Ltda 00.324.591/000152 02/12/04 R$ 253.744,12 SRM Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e de Cosméticos Ltda 03.003.848/0001 62 25/06/04 R$234.500,00 Fortbrasil Fomento Comercial Ltda 00.324.591/000152 02/12/04 R$253.744,12 Fortbrasil Fomento Comercial Ltda 00.324.591/000152 15/12/04 R$104.000,00 Fortbrasil Sec. de Recebíveis S/A 07.035.086/000137 24/12/04 R$29.392,64 TOTAL R$3.417.486,58 ANOCALENDÁRIO DE 2005 Fonte Pagadora CNPJ Fato Gerador Rendimento Fortbrasil Fomento Comercial Ltda 00.324.591/000152 31/01/05 R$85.000,00 Fortbrasil Sec. de Reversíveis S/A 07.035.086/000137 23/02/05 R$98.398,12 TOTAL R$183.398,12 Conforme o Termo de Verificação Fiscal, o valor, comprovadamente,advindo da pessoa jurídica correlacionada, conforme tabela acima, foi considerado como rendimento tributável pago ao contribuinte, pelo fato de o contribuinte se relacionar com a pessoa jurídica, fato que se demonstra pelo suprimento financeiro advindo do contribuinte para a pessoa jurídica, fazendo com que a pessoa jurídica pertencesse a um grupo econômico, controlado pelo contribuinte, e, não ter o contribuinte comprovado a natureza do rendimento. A fiscalização ressalta, ainda, que os sócios da pessoa jurídica remetente do recurso são pessoas do ciclo familiar do Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 contribuinte: cônjuge e filhos. Ademais, todas as pessoas jurídicas estão localizadas em um único prédio, localizado na Avenida Bezerra de Meneses, nº100, e são todas representadas por uma única pessoa: Luciano Faria Bezerra. A vinculação do contribuinte com a pessoa jurídica e a infração de omissão de rendimentos pela não comprovação da natureza do recurso, relativamente a cada pessoa jurídica, pode ser resumida, conforme a seguir se relata: Depósito no valor de R$ 1.000.000,00, feito em 10/05/2004, na conta corrente em nome do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, Banco Bradesco, aplicado no Panamericano DTVM S/A. Depósito no valor de R$ 1.000.000,00, feito em 11/05/2004, na conta corrente em nome do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, Banco Bradesco, aplicado no Panamericano DTVM S/A. Depósito feito em cheque do Banco do Brasil emitido pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, nominal a Venopell Fomento Comercial Ltda. Segundo o contribuinte, em resposta à intimação da fiscalização, esse cheque foi recebido em pagamento de mútuo feito com a pessoa jurídica Freitas Empreendimentos Ltda. O cheque foi, posteriormente, objeto de depósito e aplicação financeira no Panamericano DTVM S/A, tudo conforme a Declaração de Ajuste Anual, rendimentos de aplicação financeira. A fiscalização considerou esse depósito com remuneração da pessoa jurídica, Venopell Fomento Comercial Ltda, CNPJ nº 06.216.712/000129. A pessoa jurídica, Venopell Fomento Comercial Ltda, tinha como sócia, no anocalendário de 2004, a pessoa jurídica Venopell Sociedad Anomina, situada no Uruguai, e o senhor Luciano Faria Bezerra. Relativamente a esses dois depósitos bancários, conforme o Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários. Na resposta à intimação, o contribuinte vem esclarecendo que os dois cheques foram recebidos da pessoa jurídica, Freitas Empreendimento Ltda, em pagamento de mútuo, apresentando o contrato de mútuo, recibos e folhas do Livro Diário da pessoa jurídica, Freitas Empreendimentos Ltda. Dado esse esclarecimento, a fiscalização fez diligência na pessoa jurídica, Freitas Empreendimentos Ltda, com a finalidade de averiguar as afirmações do contribuinte. Do exame de todos os documentos, apresentados pelo contribuinte e colhidos na diligência, a fiscalização vem explicando que os recibos emitidos pelo contribuinte e os contratos de mútuos não se relacionam com os dois cheques depositados na conta corrente do Banco Bradesco, apesar de o contribuinte ter informado na Declaração de Ajuste Anual crédito para com pessoa jurídica Freitas Empreendimentos Ltda, nos anoscalendário de 2003 e 2004. Os depósitos bancários foram feitos com cheques emitidos pela pessoa jurídica, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, nominal à Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 5 9 pessoa jurídica, Venopell Fomento Comercial Ltda. O contribuinte queria fazer crer que os dois cheques foram entregues à pessoa jurídica, Freitas Empreendimentos Ltda, e, posteriormente, repassados para o contribuinte, como pagamento de empréstimos. A fiscalização vem ressaltando que os documentos comprovam a existência de contrato de mútuo entre o contribuinte e a pessoa jurídica, Freitas Empreendimentos Ltda, mas não demonstram que os depósitos bancários estivessemvinculados a liquidação de contrato de mútuo por parte da pessoa jurídica, Freitas Empreendimentos Ltda. Ademais, a fiscalização vem demonstrando que as pessoas jurídicas envolvidas pertencem ao grupo empresarial Marcelo Freitas e que os documentos apresentados foram confeccionados com interferência do contribuinte e dos sócios das pessoas jurídicas do grupo empresarial, tidos como esposa e filhos e empregados da pessoa jurídica, com a finalidade de promover vinculação entre as operações de mútuo e a emissão dos dois cheques. No entendimento da fiscalização, o contribuinte usou a operação de contrato de mútuo, confeccionando recibos para justificar o recebimento dos dois cheques. A fiscalização não vislumbrou vínculo entre os recibos, os contratos de mútuos e os depósitos bancários, ressaltando o fato do cheque ser nominal à pessoa jurídica Venopell Fomento Comercial Ltda e ter sido emitido pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda. A fiscalização concluiu pela simulação, feita com a finalidade de esconde o fato real que consistiu no recebimento de remuneração da pessoa jurídica, Venopell Fomento Comercial Ltda, por parte do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas. Crédito no valor de R$ 295.849,82, feito em 27/07/2004, na conta corrente em nome do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, mantida no BICBANCO. Tratase de uma transferência eletrônica disponível, TED, para a conta corrente do contribuinte, tendo por remetente a Cobrex Cobranças Ltda. Material objeto do Mandado de Busca e Apreensão. A fiscalização intimou o contribuinte a comprovar a origem do crédito. O contribuinte, em reposta à intimação da fiscalização, respondeu que o referido crédito representa um recebimento de empréstimo feito com a senhora Maria Del Carmen de Amorim Tamurejo, sócia da pessoa jurídica Cobrex Cobranças Ltda. O contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, teria contraído um empréstimo, no valor de R$ 295.849,82, com a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo, na situação de mutuário. O contribuinte, também, informou que o recurso no valor de R$ 295.849,82 originouse de distribuição de lucro da Cobrex Cobranças Ltda, relativamente ao lucro do primeiro Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 semestre do anocalendário de 2004, recebida pela sócia Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo. Em decorrência dessas informações, a fiscalização realizou diligência contra a Cobrex Cobranças Ltda, pessoa jurídica, e contra a Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo, pessoa física, sócia da Cobrex Cobranças Ltda. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização ao examinar os documentos apresentados pelo contribuinte e os documentos colhidos da diligência (recibos, contrato de mútuo, contrato social da pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, autorização da senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo para a pessoa jurídica Cobrex Cobranças Ltda, transferindo o valor de R$ 295.849,82 para o senhor José Marcelo Matos de Freitas, e Declaração de Ajuste Anual da senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo) concluiu que o crédito não poderia corresponder a recebimento de empréstimo feito à senhora, Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo. A conclusão da fiscalização foi baseada nos seguintes motivos: 1) a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo era, no anocalendário de 2004, funcionária assalariada da pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, com rendimento anual no valor de R$ 4.500,00; 2) a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo participava do capital social da pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, com quota no valor de R$ 2.500,00, correspondente a 50% do capital social; 3) a pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, foi constituída em 20/05/2003, com capital social no valor de R$ 5.000,00, tendo dois sócios:a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo e o senhor Luciano Faria Bezerra. Cada sócio integralizou 50% do capital social; 4) existe autorização, assinada por Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo, para que a Cobrex Cobranças Ltda transferir recurso, no valor de R$ 295.849,82, para a conta corrente do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas. A data da autorização é anterior à apuração do lucro relativo ao primeiro semestre do ano de 2004; 5) o contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, é supridor de recursos financeiros para as pessoas jurídicas do grupo empresarial, sempre aparecendo como mutuante. Na Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2005, anocalendário 2004, o contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, informou crédito para com a Cobrex Cobranças Ltda, no valor de R$ 40.000,00; 6) na Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2005, anocalendário 2004, a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo informou, além dos rendimentos de trabalho assalariado pagos pela pessoa jurídica Cobrex Cobranças Ltda, no valor de R$ 4.500,00, ter recebido lucros Cobrex Cobranças Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 6 11 Ltda, no valor de R$ 295.849,82, relativamente ao ano calendário de 2003 e ao primeiro semestre do anocalendário de 2004. Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo informou, também, possuir dinheiro em cofre, em 31/12/2004, no valor de R$ 275.000,00; 7) o contrato de mútuo entre o senhor José Marcelo Matos de Freitas e a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo foi pelo prazo de 30 dias, utilizandose taxa equivalente a TJPL, para efeito de pagamento dos juros; 8) houve repasse direto da pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, através de Transferência Eletrônica Disponível, TED, para a conta corrente do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, no valor de R$ 295.849,82, mantida no BICBANCO; 9) no anocalendário de 2005, a pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, teve seu capital social aumentado em R$ 200.000,00, através de integralização por parte da senhora, Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo, que adquiriu quotas no valor de R$ 210.000,00, utilizandose do dinheiro em cofre; 10) no anocalendário de 2006, a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo cedeu suas quotas de capital, registradas no valor de R$ 210.000,00, pelo valor de R$ 10.000,00, para a senhora Neiva Lúcia Machado Diniz, que é empregada assalariada da pessoa jurídica, FBLocadora e Serviços Ltda, pertencente ao grupo empresarial Marcelo Freitas; 11) a senhora Neiva Lúcia Machado Diniz, para justificar a aquisição das quotas de capital pelo valor de R$ 10.000,00, recebeu empréstimo do senhor José Marcelo Matos de Freitas, no valor de R$ 12.000,00; 12) no entendimento da fiscalização, esses fatos demonstram que a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo foi interposta pessoa no quadro social da pessoa jurídica Cobrex Cobranças Ltda, e, que, a distribuição de lucro foi fabricada como condição para a saída do numerário da pessoa jurídica Cobrex Cobranças Ltda para a pessoa física do senhor Marcelo Matos de Freitas, sócio de fato da pessoa jurídica Cobrex Cobranças Ltda; 13) os contratos de mútuos e os recibos foram confeccionados, dentro das empresas do grupo empresarial, com a finalidade de justificar a saída de numerário da pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, para a pessoa física do contribuinte, através da senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo, escondendo o fato real que o recurso no valor de R$ 295.849,82 pertencia ao contribuinte e que se encontrava na Cobrex Cobranças Ltda. A fiscalização consciente desses fatos considerou o valor de R$ 295.849,82, creditado na conta corrente do contribuinte, mantida no BICBANCO, como rendimento tributável percebido da pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, por não comprovação da natureza do rendimento, afastando os fatos Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 relacionados à distribuição de lucro e os fatos relacionados ao contrato de mútuo com a senhora, Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo, por considerar fatos simulados. Depósito bancário no valor de R$ 246.255,88 e depósito bancário no valor de R$ 253.744,12, totalizando o valor de R$ 500.000,00, feitos em 02/12/2004, na conta corrente em nome do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, mantida no BICBANCO. Os dois depósitos foram feitos em cheque. Cada um dos cheques foi emitido pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda e nominal ao emitente. Material objeto do Mandado de Busca e Apreensão. A fiscalização intimou o contribuinte a comprovar a origem do depósito bancário. O contribuinte, em reposta à intimação da fiscalização, respondeu que o referido depósito representa um recebimento da alienação do apartamento nº 702, no Edifício Victor III, situado na rua Silva Jataí, nº 505, aldeota, Fortaleza, Ceará, que ocorreu em 30/11/2004. O referido imóvel foi alienado a Francisco Barrozo Neto, pelo valor de R$ 500.000,00, conforme Escritura de Compra e Venda, lavrada no cartório da comarca da cidade de Itaiçaba, Ceará. O valor da alienação foi recebido em dois cheques, um no valor de R$ 246.255,88 e outro no valor de R$ 253.744,12, em 02/12/2004. O contribuinte esclareceu, ainda, que apurou o correspondente ganho de capital e recolheu o Imposto de Renda apurado sobre o ganho de capital, conforme o anexo de apuração de ganho de capital da Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2005, anocalendário 2004. O contribuinte informou, ainda, que o produto da alienação do referido apartamento foi doado a Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas e Felipe Teixeira de Freitas, sócios da pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda. Os donatários recolheram o ITCD (imposto de transmissão “causa mortis” e doação) correspondente ao valor da doação, conforme Documento de Arrecadação Estadual DAE. Os sócios da referida pessoa jurídica eram: Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas, Felipe Teixeira de Freitas e Pedro Roberto Sampaio. A doação objetivava aumento de capital da pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda. O contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, esclareceu que esse fato pode ser confirmado pela documentação do Banco Central do Brasil relacionada ao aumento de capital da pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda, objeto do Mandado de Busca e Apreensão em poder da Polícia Federal do Brasil. A fiscalização examinando a documentação relacionada ao aumento de capital da pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda, relacionado ao Banco Central do Brasil, verificou que o aumento de capital não Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 7 13 ocorreu e que a não ocorrência se deu em virtude de desistência por parte dos sócios da pessoa jurídica. A desistência dos sócios da pessoa jurídica deuse pelo fato de o Banco Central do Brasil ter exigido a comprovação da origem dos recursos que serviriam para aumento de capital. Essa comprovação exigiria a apresentação do cheque emitido pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, nominal ao emitente. Tendo em vista esses fatos, a fiscalização iniciou diligência na pessoa física do adquirente do apartamento nº 702, no Edifício Victor III, situado na rua Silva Jataí, nº 505, aldeota, Fortaleza, Ceará, o senhor Francisco Barrozo Neto, que teria pago pelo apartamento o valor de R$ 500.000,00. Os fatos e documentos colhidos na diligência levaram à fiscalização o conhecimento dos seguintes fatos: 1) o senhor Francisco Barrozo Neto era sócio da pessoa jurídica Motocentro Ltda, situada cidade de Canindé, Ceará; 2) em 19/11/2004, o senhor Francisco Barrozo Neto transfere sua quota de capital na pessoa jurídica Motocentro Ltda, avaliada no valor de R$ 150.000,00, para a pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, pelo valor de R$ 700.000,00, recebendo o valor de R$ 500.000,00, na data da assinatura do Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas de Capital Social, e o restante quando da aprovação da Honda Motos do Brasil; 3) o senhor Francisco Barrozo Neto recebeu em 02/12/2004 o valor de R$ 500.000,00, em dois cheques emitidos pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda e nominais ao emitente, nos valores de R$ 253.744,12 e R$ 246.255,88; 4) os cheques foram entregues ao contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, em pagamento pela compra do apartamento nº 702, no Edifício Victor III, situado na rua Silva Jataí nº 505, em Fortaleza; 5) os sócios da pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda são os sócios da Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda, que são: Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas, Felipe Teixeira de Freitas e Pedro Roberto Sampaio; 6) houve desistência de aumento de capital da pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda, por parte dos sócios, apesar de a pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda ter recebido recursos dos sócios no valor total de R$ 504.000,00, através de depósito bancário na conta corrente da pessoa jurídica, feito em 07/12/2004, no BICBANCO; 7) em virtude da desistência do pretendido aumento de capital na pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Microempreendedor, houve o distrato do Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas de Capital Social da pessoa jurídica Motocentro Ltda, tendo o senhor Francisco Barrozo Neto devolvido à pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda o valor de R$ 500.000,00, conforme Termo de Distrato ao Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas em Capital Social da Motocentro Ltda e Recibo, datados de 27/12/2004; 8) na mesma data do distrato, 27/12/2004, a pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda compra do senhor Francisco Barrozo Neto o apartamento nº 702, no Edifício Victor III, situado na rua Silva Jataí nº 505, em Fortaleza, pelo valor de R$ 500.000,00, pagando em espécie; 9) o contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, recompra, em 03/02/2005, o apartamento nº 702, no Edifício Victor III, situado na rua Silva Jataí nº 505, em Fortaleza, da pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, pelo valor de R$ 500.000,00, com pagamento em espécie, conforme Recibo. A fiscalização realizou, além da diligência contra o senhor Francisco Barrozo Neto, suposto adquirente do apartamento, diligência contra o Cartório Único de Ofício de Notas e de Registro das Pessoas Naturais, na cidade de Itaiçaba, Ceará, onde teria sido lavrada a Escritura de Compra e Venda do apartamento. Nessa diligência, a fiscalização buscou localizar o registro da Escritura de Compra e Venda. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização não localizou o registro da escritura no livro indicado na escritura. No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização ressaltou, no final da descrição dessa infração, que, no dia 02/12/2004, a pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, emitiu dois cheques, nominais ao emitente, no valor de R$ 253.744,12. Um deles, do BICBANCO, foi objeto de depósito na conta corrente do contribuinte, no BICBANCO, e serviu para compor o valor de R$ 500.000,00, que foi doado à esposa, irmão filhos, para um pretendido aumento de capital na pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor, e o outro, do Banco do Brasil, foi objeto de depósito na conta corrente da Construtora Montenegro Ltda e que serviu de financiamento de unidade imobiliária, através de contrato de mútuo com o senhor contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, na situação de mutuante (empreendimentos imobiliários – Village Del Leste, Village Del Maré e Village Costa Marina, todos a cargo da Construtora Montenegro Ltda). Ainda, na finalização da descrição deste fato, a fiscalização ressaltou que o recurso, no valor de R$ 500.000,00, que ingressou na conta corrente do contribuinte, que foi repassado, a título de doação, para a conta corrente de Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas e Felipe Teixeira de Freitas, e que ingressou na conta corrente da pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito a Microempreendedor S/A, não retornou Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 8 15 para a origem, ou seja, para a pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, apesar dos atos formais de distrato e de recibos emitidos pela Fortbrasil Comercial Ltda. Por todos esses fatos, devidamente demonstrados por documentos, a fiscalização considerou que os depósitos, feitos em 02/12/2004, na conta corrente do contribuinte mantida no BICBANCO, através do cheque no valor de R$ 246.255,88 e do cheque no valor de R$ 253.744,12, correspondem a rendimentos tributáveis do contribuinte percebidos da pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda (factoring). O contribuinte não logrou comprovar a natureza do rendimento, exigência imposta pelo fato de o contribuinte participar da citada pessoa jurídica como financiador de recursos através de contratos de mútuos. Os fatos relacionados à alienação do apartamento nº 702, no Edifício Victor III, situado na Rua Silva Jataí nº 505, em Fortaleza, e à alienação de quotas de capital da pessoa jurídica Motocentro Ltda foram considerados como não ocorridos, tendo havido simulação de atos de compra e venda, com a finalidade de esconder o real fato de recebimento de rendimento tributável. 24 Transferências Eletrônicas Disponíveis (TED), no valor total de R$ 234.500,00, feitas em 25/06/2004, originadas da pessoa jurídica Sem Distribuidora de Produtos Far, CNPJ nº 03.003.848/000162, destinadas à conta corrente da Construtora Montenegro Ltda. Cheque do Banco do Brasil no valor de R$ 253.744,12, emitido em 02/12/2004, pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, CNPJ nº 00.324.591/000152, nominal ao emitente, depositado na conta corrente da Construtora Montenegro Ltda. Cheque do Banco do Brasil no valor de R$ 104.000,00, emitido em 15/12/2004, pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, CNPJ nº 00.324.591/000152, nominal à Construtora Montenegro Ltda. Cheque do Banco do Brasil no valor de R$ 29.392,64, emitido em 24/12/2004, pela pessoa jurídica Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/A, CNPJ nº 07.035.086/000137, nominal à Construtora Montenegro Ltda. Cheque do BICBANCO no valor de R$ 85.000,00, emitido em 31/01/2005, pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, CNPJ nº 00.324.591/000152, depositados na conta corrente da Construtora Montenegro Ltda. Comprovante de depósito bancário na conta corrente da Construtora Montenegro Ltda, no valor de R$ 98.398,12, feito em 23/02/2005, pela pessoa jurídica Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/A, CNPJ nº 07.035.086/000137. A fiscalização, considerando as transferências, os cheques e os depósitos, todos destinados à Construtora Montenegro Ltda, iniciou procedimento de diligência nessa pessoa jurídica Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 beneficiária dos recursos financeiros. A Construtora Montenegro Ltda, intimada a demonstrar a operação que motivou os recebimentos de recursos financeiros das pessoas jurídicas, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/A e SRM Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e de Cosméticos Ltda, informou que os recebimentos foram por conta de Contrato de Empréstimo com o senhor José Marcelo Matos de Freitas, e que os empréstimos destinavamse à construção de imóveis urbanos, tais como os projetos Village Del Leste, Village Del Mare e Village Costa Marina. A fiscalização constatou, então, que os cheques, acima, mencionados, foram repassados para a Construtora Montenegro Ltda, respaldando Contrato de Empréstimo, onde o contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, figurava como mutuante, e a Construtora Montenegro, como mutuaria. Os cheques, acima, mencionados, foram considerados como rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte pela pessoa jurídica emitente do cheque, pela mesma fundamentação legal dos outros valores, que foi a falta de comprovação da natureza do rendimento, uma vez que o contribuinte mantinha relações comerciais com as pessoas jurídicas Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/A e SEMDistribuidora de Produtos Farmacêuticos Ltda, figurando com supridor de recursos financeiros. Nessa situação, obrigavase o contribuinte a demonstrar a natureza de qualquer recurso percebido da pessoa jurídica, sob pena, do recurso recebido ser considerado rendimento tributável, mormente se utilizado na aquisição de bens, aumentando o patrimônio. Do crime de sonegação fiscal A fiscalização considerou todos esses recursos como rendimentos tributáveis percebidos de pessoas jurídicas e caracterizou infração de omissão de rendimentos pelo fato desses recursos não terem sido informados na Declaração de Ajuste Anual. Ademais a infração foi cometida com evidente intuito de fraude, tendo havido dolo, e que, restou configurado o crime de sonegação fiscal, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. A fiscalização rejeitou os fatos apresentados pelo contribuinte por considerar não condizentes com a realidade, tendo havido atos simulados, com o intuito de esconder o fato gerador do imposto de renda. No entendimento da fiscalização, todos esses recursos faziam parte do patrimônio do contribuinte, se encontravam em poder da pessoa jurídica e o contribuinte estava recebendo remuneração. Para esconder o fato real à fiscalização, o contribuinte utilizava os contratos de mútuos, confeccionados dentro do grupo empresarial, com participação dos sócios e dos funcionários da pessoa jurídica. Esses são os fatos que fundamentam o Auto de Infração lavrado contra a contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, sócio da pessoa jurídica, MF – Marcelo Freitas Autopeças e controlador do grupo empresarial Marcelo Freitas. Há de se ressaltar que a Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 9 17 fiscalização, antes da lavratura do Auto de Infração, lavrou Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal, comentando os argumentos e os documentos apresentados pelo contribuinte, expondo o entendimento dela sobre os argumentos e documentos, e, sempre intimando o contribuinte a comprar a natureza do rendimento. Em 22/12/2009, lavrouse o Termo de Encerramento Fiscal. Nessa mesma data, para efeito de intimação, o Auto de Infração foi encaminhado ao contribuinte no seu domicilio fiscal, conforme cadastro CPF, por via postal, com Aviso de Recebimento. Conforme Termo de Constatação Fiscal, lavrado em 28/12/2009, fls. 1787/1788, houve recusa em receber a correspondência por parte do porteiro do condomínio residencial EDIFÍCIO VITOR III, situado na Rua Silva Jataí, nº 505, aldeota, Fortaleza, Ceará, onde se localiza o apartamento nº 702, residência do contribuinte e domicilio fiscal, conforme cadastro CPF. A recusa do porteiro do condomínio em receber o envelope contendo o Auto de Infração deuse em 28/12/2009, conforme Aviso de Recebimento, fls. 1796, assinado pelo agente dos correios. Nessa, mesma data, 28/12/2009, a fiscalização lavrou Termo de Recusa, fls. 1789/1790, circunstanciando o fato, que foi assinado pelo Agente de Correios, como testemunha, e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, autor do procedimento de fiscalização. Conforme o Termo de Constatação Fiscal, fls. 1787/1788, em virtude da recusa, o envelope contendo o Auto de Infração foi deixado na Portaria do Condomínio, na mesma data, 28/12/2009, sem o recebimento espontâneo do porteiro do condomínio. A Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, autora do Auto de Infração, fez constar no seu Termo de Constatação Fiscal que, após o episódio da tentativa de entrega do envelope contendo o Auto de Infração, no mesmo dia 28/12/2009, recebeu uma ligação, em seu celular particular, originada de telefone celular, ocasião em que o interlocutor indagou que o envelope contendo o Auto de Infração poderia ser encaminhado no dia 05/01/2010, pelo fato de o contribuinte encontrarse viajando, e que o envelope, deixado na portaria, seria devolvido para a Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Fortaleza. Houve um diálogo entre a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil e o interlocutor sobre o episódio da recusa do porteiro do condomínio e a entrega do envelope na portaria do condomínio. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou, em 27/01/2010, impugnação, documentos anexados às fls. 1808/1849, através de procuração, instrumento anexado às fls. 1850/1851. Em síntese, o contribuinte argumentou: 1) a ciência do Auto de Infração deuse em 05/01/2010, quando o porteiro do condomínio entregou o envelope da Secretaria de Receita Federal do Brasil, SEDEX, contendo o Auto de Infração, à esposa do contribuinte, senhora Eveline Teixeira de Freitas, fato devidamente registrado no protocolo da portaria do condomínio; Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 2) no Processo Administrativo Fiscal não há previsão para se fazer intimação pelo forma adotada pela Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil quando deixou o envelope contendo o Auto de Infração na portaria do condomínio sem consentimento do porteiro. Encomenda SEDEX, tendo a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil acompanhado a entrega do SEDEX com o agente dos correios; 3) o contribuinte encontravase ausente, em 28/12/2009, e somente, em 05/01/2010, poderia tomar ciência do Auto de Infração; 4) nulidade do Auto de Infração. A fundamentação legal exposta no Auto de Infração é genérica, de amplo espetro, e não respalda os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal. Cerceamento do direito de defesa. A fundamentação legal disposta no Auto de Infração é relativa a todos os dispositivos legais relacionados ao Imposto de Renda Pessoa Física dispostos no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Há dificuldade em se saber contra qual o contribuinte cometeu infração. 5) o fundamento da infração de omissão de rendimentos adotado pela fiscalização é entendimento próprio, subjetivo, não encontrando guarida na legislação fiscal e nem na legislação fiscal genérica descrita no Auto de Infração. Ao tipificar a infração, a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil usou das expressões “não entendemos”, “não aceitamos.” A tipificação foi determinada por exclusão, tendose usado a expressão: “restounos, como única opção o Lançamento de Ofício, através do presente Auto de Infração” ; 6) decadência quando a todos os meses fato gerador do ano calendário de 2004, ou quanto aos meses de maio, junho e julho do anocalendário de 2004; 7) os recursos financeiros, materializados nos cheques, objeto do Mandado de Busca e Apreensão, que foram objeto do Termo de Início de Fiscalização, não podem ser tomados como rendimento tributável do contribuinte, sem que haja prova inequívoca de que o recurso corresponde a uma remuneração paga pela pessoa jurídica ao contribuinte por um serviço prestado. A Auditora Fiscal se utiliza de um entendimento próprio, presunção formada sem respaldo na legislação fiscal, não tendo determinado a matéria tributável, nos termos do artigo 142 do CTN. A seguir transcrevemse trechos da impugnação. DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO O lançamento fiscal afirma que o impugnante auferiu rendimentos, nos anos de 2004 e 2005, não declarados à Receita Federal e sobre os quais não teria pago o Imposto de Renda respectivo. Notase, porém, que o Termo de Verificação Fiscal que, segundo o auto de infração, justificaria a cobrança, é concluído em toda a sua extensão com explícitos: “não entendemos” “não aceitamos”, e não na explicitação da efetiva subsunção de um fato concreto a alguma hipótese de incidência do fato gerador do imposto de renda. Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 10 19 Ora, evidente que o lançamento tributário não pode darse ao sabor da dúvida e da imprecisão. Porque, afinal de contas, o art. 112 do Código Tributário Nacional determina que, se dúvida houver, seja ela aplicada em favor do contribuinte. O sistema tributário nacional, a partir da CF (fazer ou deixar de fazer, senão em virtude de lei, art. 5º, inc. II da CF e art. 142 do CTN) não permite lançamento fiscal fundado em conjecturas do tipo “não entendemos”, “não aceitamos”. Assim dispõe o CTN: (transcreveu o artigo 142 do CTN). O fecho (ou desfecho) do Termo de Verificação Fiscal não determina o fato gerador tributável, assim o vejamos, no inicio da fl. 29: “Diante do exposto, e descartadas, (sic) as duas únicas possibilidades dos (sic) recursos não serem tributados por essa fiscalização, que seriam, (sic) estarem enquadrados em hipóteses de não tributação por serem isentos e/ou não tributáveis ou já terem sido tributados nas declarações (D1RPF/2005 e D1RPF/2006), correspondentes, restounos, como única opção o Lançamento de Ofício, através do presente Auto de Infração e, devido, (sic) a existência, no nosso entendimento, de simulação, efetuamos o lançamento da Multa de Ofício Qualificada. (Grifo do impugnante)” (criticou a descrição e comentou o tempo do procedimento de fiscalização, dezoito meses de fiscalização, iniciandose em 04/07/2008 e terminandose em 22/12/2009. Comentou sobre tempo em auditoria fiscal) No entanto, o mais grave não foi apenas a fundamentação do lançamento “por exclusão” «restounos, como única opção o Lançamento de Ofício, através do presente Auto de Infração», inicio de fl. 29 mas o ENQUADRAMENTO LEGAL, em “tipificação genérica”, de amplo espetro, dos procedimentos que a autoridade do lançamento dissera não ter entendido. Nestas condições, o lançamento efetuado é nulo por cercear a defesa do contribuinte. Ora, é impossível defenderse de generalidades. Assim será demonstrado a seguir. Mas antes, será comprovada a decadência do lançamento em relação aos supostos fatos geradores ocorridos no ano de 2004. (transcreveu os dispositivos do PAF) DA DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AOS FATOS GERADORES SUPOSTAMENTE OCORRIDOS EM 2004. Já se demonstrou o esbanjamento de tempo 18 meses para um trabalho, inconcluso, que, normalmente duraria umas poucas semanas. O tempo, inexorável, correndo. Prorrogação por sobre prorrogação. Somente em 22 de dezembro, todas as repartições federais em "recesso", a autoridade do lançamento dáse conta de que estava a perder mais um ano para lançar. Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 A fiscalização, iniciada em 4.7.2008, abrangia o ano de 2003, evidente, com os mesmos fatos continuados em 2004. A autoridade do lançamento deixouos decair. Não lhes faz referência no Termo de Encerramento de Fiscalização, quando deveria têlos referido, de modo que o contribuinte ficou sem saber se a autoridade “entendera” aqueles mesmo fatos de 2003 ou, tãosó para não revelar o ano em branco. Vejamos, em símile, o Termo de Inicio, com referencia a 2003. Silêncio total no Termo de Verificação Fiscal sobre 2003. (mostrou a fotografia do Termo de Início do Procedimento Fiscal, com a finalidade de demonstrar que a ação fiscal abrangia os anoscalendários de 2003, 2004 e 2005, e os fatos ocorridos nos anoscalendários de 2004 e 2005 são decorrentes dos fatos ocorridos no anocalendário de 2003) Diz a autoridade do lançamento, Termo de Constatação Fiscal, fls. 1.787: “8Para confirmação da entrega do Auto de Infração, pelos Correios, acompanhamos o procedimento de entrega, no endereço do contribuinte, onde presenciamos, em duas ocasiões, a recusa de recebimento da correspondência, por determinação do contribuinte fiscalizado, pelo porteiro do prédio Sr. David Guilherme da Silva, conforme Termo de Recusa anexo”. Entretanto, o documento dos Correios não diz isto. Pelo contrário, declara expressamente que objeto postal foi pedido de volta pela Receita Federal e lhe foi entregue, assim o vejamos: (mostrou a fotografia do extrato dos correios SEDEX). Vêse, acima documento oficial dos Correios, disponível para consulta no site da WWW, que em 28.12.2009, foi postado o objeto SJ112203581BR. O segundo registro: 09:59 “saiu para entrega”, naturalmente, pelo senhor carteiro. E, finalmente, às 12:22 o “Distribuído ao Remetente”. Em suma, o senhor Carteiro não entregou documento algum, porque já o havia devolvido à autoridade do lançamento. Esta, sim, pessoalmente, por suas próprias mãos, é que o colocou dentro da guarita do prédio, sob recusa ao porteiro, depois de ameaçálo de prisão. Muito razoável que os moradores, sobretudo em vésperas de se ausentarem, Natal e Ano Novo, dêem ordem a seus porteiros para não receberem notificações de AR, por envolverem matéria de prazo, impossível de cumprir durante a ausência. Foi o que aconteceu. A autoridade do lançamento literalmente jogou o envelope na guarita. Independentemente da violência ou da delicadeza, vejamos a validade desse tipo de notificação. Documentalmente, nos autos, a comprovação cabal de que o senhor porteiro somente fez chegas às mãos do impugnante o tal envelope no dia 5.1.2010. Vejamos: (mostrou fotografia do texto de protocolo do condomínio). Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 11 21 Em suma, nas anotações, ainda que toscas do Protocolo do Condomínio, a comprovação de que o envelope jogado na Portaria só chegou às mãos do impugnante no dia 5.1.2010. Nem poderia ter sido diferente: estava ausente de seu domicilio. No dia 28, em Cumbuco, praia vizinha. Nos dias seguintes, em viagem (mostrou fotografia de reserva de bilhete de viagem de hospedagem – Cruzeiro Marítimo). É certo que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sumulou: Súmula CARF n° 9 “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Chamase a atenção para o detalhe: notificação via postal. Não há, nos autos, consoante documentos dos Correios, notificação via postal, justo porque a encomenda postal fora devolvida à autoridade do lançamento. Ela é que a colocou usemos o eufemismo na guarita do prédio. Resta, mais que comprovado nos autos que o impugnante, ausente de seu domicilio, a prevalecer a notificação “nãopostal” não poderá usufruir do prazo legal de 30 dias. (transcreveu julgado do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que determina intimação pessoal nos casos de autuação fiscal). Assim dispõe o PAF: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997)” Já vimos que não se deu a notificação postal. A suposta notificação, pessoal, por conta do “autor do procedimento”, consistiu em jogar na portaria do prédio o envelope que retirara dos Correios. Evidente que um papel entregue nessas condições, sobretudo em não sendo o porteiro nenhum mandatário ou preposto do contribuinte, não pode produzir os efeitos válidos contra o patrimônio e a liberdade do impugnante. (Não se pode esquecer que a acusação, nos autos, é de sonegação, fraude ou conluio, com penalidade agravada a representação criminal; dai a ameaça ao direito fundamental). O fato é que as operações do ano de 2004, estão todas decaídas em face de a notificação fiscal terse dado tãosó quando do Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 comprovado recebimento pelo contribuinte, 5.1.2010. Tanto pela regra do art. 150, § 4°, como pela regra do inc. I do art. 173, ambos do CTN, deuse a decadência. Ainda que se entenda que a notificação do lançamento tenhase dado em 28.12.2009, os mesesgeradores de janeiro a novembro de 2004 estão decaídos. São estes, maio/94, jun/94 e jul/94, em símile: (mostrou fotografia de parte do Auto de Infração que discrimina o mês de ocorrência do fato gerador). Atentese que a expressão “fato gerador” não está sendo criada aqui, nesta impugnação; pelo contrário, expressão literal vide símile dos autos acima – da autoridade lançadora. Afinal de contas, o fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física é mensal ou anual? Já foi, em passado distante, anual. Era também por “declaração”, isto é, o contribuinte apresentava a sua declaração de rendimentos e ficava aguardando em casa, via correios, o respectivo lançamento. Aplicavaselhe, à época, perfeitamente a regra do art. 173 do CTN: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” Quem efetuava o lançamento era o Fisco, a partir dos dados apresentados na declaração de rendimentos pelo contribuinte. Digamos, o anobase de 1970 e havia, corrente, a expressão anobase, depois suprimida em prol de períodobase, pois bem, as operações do anobase de 1970 haviam de ser declaradas em abril de 1971. Em seguida, o Fisco fazia o lançamento, com mais tempo ou menos tempo, tendo assim todo o ano de 1971 para fazêlo. Razoável, pois que a lei garantisse ao Fisco um período maior, até o fim do ano, para lançar, iniciandose assim a decadência somente no primeiro dia de 1972. Contudo, mudança radical no Imposto de Renda, física e jurídica, adveio com a adoção do sistema de bases correntes. Na pessoa física, o imposto passou a ser mensal, assim o vejamos: “Art. 2° O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (Lei 7.713/88, grifo do impugnante).” E, evidente que, imposto “devido mensalmente” não o seria se o fato gerador respectivo, a cada mês, não se houvesse completado. A lei 7.713 não alterou a obrigação de declarar anualmente, mas a declaração não é, nunca foi, nem jamais será fato gerador do imposto de renda, aliás, de nenhum tributo. A declaração – obrigação acessória mais tem a ver com o lançamento do que com o fato gerador. Quando o Fisco percebeu que, com o sistema de bases correntes (renda do mês, fato gerador do mês) encurtara o prazo Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 12 23 decadencial que, anterior, davase no primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado; bom, encontraram os burocratas do Fisco a engenhosa idéia de passar a perna no contribuinte, em amplo sentido. A primeira “pernada”, no contribuinte que sofre antecipação (Constituição Federal, art. 150, § 7º) a maior do tributo. A sua restituição, em vez de ser corrigida aos índices dos meses respectivos, sêloá tãosó com os índices de abril do outro ano, um retardo entre 16 a 4 meses de prejuízo financeiro. O pior a segunda “pernada” em cima do contribuinte é que se este constatar que deixou de recolher o tributo num mês qualquer, haverá de fazer o recolhimento com as multas e juros do atraso, justamente porque o tributo é mensal e não anual, muito menos com vencimento em abril do outro ano. O problema materializouse com os autos de infração considerando o fato gerador em cada mês e cobrando o juro de mora no respectivo vencimento. Digamos, janeiro de 2004, lançado em dezembro de 2004, e terseá uma contagem de 71 meses de atraso, o que ultrapassa de pronto o prazo de cinco anos. Mais uma vez, os homens do Fisco deram um jeito: através de normas internas, “deliberam” que os juros de mora haveriam de contar da data fixada para a entrega da declaração 30.4.2005. Ora, a declaração não é fato gerador; tem a ver com o lançamento; com o fato gerador, não que há muito se completara. A lei da decadência é explicita: contagem a partir do fato gerador e não do lançamento. “Art. 150. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fraude? Sequer o fato gerador, nos autos, está descrito! Não dá para presumir fraude. Quanto mais quando a lei exige a comprovação do “evidente intuito de fraude”, vide art. 44 da Lei 9.430/1996. Em síntese, é de se reconhecer a decadência do direito de lançar do Fisco no que pertine as supostas rendas adquiridas pelo impugnante no ano de 2004 seja pela aplicação do art. 150, parágrafo 4º, ou art. 173, parágrafo I do CTN, vez que a notificação válida do mesmo se deu somente em 05/01/2010, quando este recebeu a autuação assinou o protocolo do condominio, ora acima colacionado. Não há como se entender pela notificação ocorrida em 28/12/2009, primeiro, porque Auditora fiscal responsável se reporta em seu relatório somente à esposa do contribuinte, e não ao impugnante, VERDADEIRO CONTRIBUINTE e DESTINATÁRIO da autuação, segundo, porque, não é caso de se aplicar a Súmula CARF n° 9, vez que a notificação supostamente ocorrida no dia 28/12/2009 não se efetuou pela via postal e, terceiro, conforme se demonstrou Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 acima e, inclusive afirmado pela própria fiscal, o impugnante estava viajando e só teve conhecimento da autuação em 05/01/2010. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002 de 24/08/2001 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO – ENQUADRAMENTO GENÉRICO DE SUPOSTO FATO GERADOR – CERCEAMENTO À AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. O Auto de infração, como qualquer ato administrativo, há de submeterse ao princípio da fundamentação e, evidente, o “restounos, como única opção o Lançamento de Ofício” não fundamenta coisa alguma. O lançamento não é um “resto’, um restolho, um resíduo; muito pelo contrário, é o “principal”, cifrado que há de ser na estrita correspondência entre a hipótese fática (prevista em lei, o fato gerador) e o acontecimento determinado que há de ser temporal, físico, material, específico, “a” menos ‘b”, com os seus descritores de modo a garantir a liquidez e a certeza do montante do crédito fazendário, vide art. 142 do CTN, a se resumir nesta expressão: determinar a matéria tributável, de todo incompatível com o “restounos, com única opção o Lançamento de Ofício”. Por conta da expressão acima, grifada, “restounos, como única opção o Lançamento de Ofício” à autoridade do lançamento enquadrar o contribuinte em todo o Regulamento de “a” a “z”, como se o lançamento tributário fosse escopeta de cano grosso, multifocal, a esmo. Vejamos no Auto de Infração o Enquadramento Legal: (mostrou foto da transcrição do enquadramento legal no Auto de Infração). Convertendo a imagem em texto: Enquadramento legal: Arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134/90; arts. 1º a 3º, e §§ da Lei nº 7.713/88; Arts 37, 38, 43, 55, incisos, I a V, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/99; Art. 1º da Lei nº 10.451/2002; Art. 1º da Lei nº 11.119/2005. Eis transcrição de cada um dos dispositivos Enquadramento Legal: Lei 8.134/90: (transcreveu o dispositivo legal). Lei 7.713/88 (transcreveu o dispositivo legal). Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 13 25 Art. 37 (transcreveu o dispositivo legal). Art. 38 (transcreveu o dispositivo legal). Art. 43. São Tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como: (transcreveu todos os incisos e os comentou) Impõese aqui a indagação fundamental: o lançamento acusa o contribuinte de quê? Acusao da omissão de salários (Inciso I)? Ou seria de suposta licença prêmio, do Inciso III, como se servidor público? Acaso teria ele omitido pensões civis e militares, do Inciso XI?! Paciência! Acusamno do impossível. A tipificação fiscal “a granel” coadunase perfeitamente com a indeterminação da matéria tributável, o oposto do caput do art. 142 do CTN. Os absurdos não pararam aí. Vejamolos (art. 55 do Regulamento do Imposto de Renda) Art. 55. São também tributáveis (transcreveu o dispositivo legal, comentou os incisos, inclusive os incisos ausentes no Auto de Infração). Concluise, pois que: 1) se o auto de infração, em seu Termo de Verificação Fiscal, exclui expressamente a hipótese de aquisição de patrimônio a descoberto; 2) se não há, nos descritores dos procedimentos do autuado, nenhuma operação que traduza ganho de salários ou de capital; 3) indagase: destinouse a quê o lançamento? Por certo, a justificar o princípio da “nãoeficiência”: um ano e seis meses para uma fiscalização de três ou quatro semanas. Vimos que o lançamento impugnado fundamentouse na “exclusão” “restounos, como única opção o Lançamento de Ofício, através do presente Auto de Infração”. Não pode ser assim: A capitulação não foi apenas prejudicada pela generalidade; faltoulhe, isto sim, a coerência entre o “tipo fiscal” (fato gerador, em sua previsão legal) e os fatos supostamente ocorridos (quais?) (transcreveu vasta jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF sobre a nulidade do Auto de Infração envolvendo a descrição dos fatos e o enquadramento legal) A nulidade do lançamento tributário é manifesta, pois impediu, ou no mínimo, limita os argumentos de defesa do contribuinte. É Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 26 que o termo de verificação fiscal não aponta qual o tipo de renda tributável adquirido pelo impugnante e o motivo por que é tributável. A tributação assim como o foi transfere ao impugnante a tarefa de se defender de fato gerador indeterminado, verdadeira “prova diabólica” denominada pela doutrina processualista como prova impossível ou excessivamente difícil de ser produzida, como a prova de fato negativo indeterminado, o que é o caso. DAS RAZÕES DE MÉRITO QUE SE CONFUDEM COM A IMPOSSIBILIDADE DE DEFENDERSE Por fim, alguns destaques do Termo de Verificação Fiscal: Vejase as disparidade entre os valores citados e o valor do capital inicial da empresa (R$ 5.000,00) que nem integralizado totalmente foi. (fl. 11, 3° parágrafo). Não há regra no direito fiscal brasileiro para o limite de capital, integralizado ou não. Ao largo, pois, de qualquer fato gerador do IR. Observamos, ainda, que em alguns dos documentos ditos como “Recibo de Transferência de Debênture”, citados, apresentados pelas empresas Freitas Empreendimentos LTDA e Fortbrasil Fomento Comercial LTDA (através de sua incorporadora Freitas Empreendimentos LTDA), que o mesmo Sr. Pedro Roberto Sampaio assina o mesmo documento duas vezes, uma pela empresa Fortbrasil Fomento Comercial LTDA, confirmando o recebimento do valor, e outra pela empresa Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/ A, dando o “De acordo”. Inexiste norma legal impedindo que uma mesma pessoa represente duas ou mais empresas num mesmo contrato. Também não configura fato gerador do IR. Esse fato, que, no nosso entendimento, chega a ser exagerado (já que o documento acaba por demonstrar que uma pessoa fez um acordo consigo própria), juntamente com inúmeros outros documentos apresentados, tanto pelo contribuinte fiscalizado como pelos diligenciados que fazem parte do Grupo Econômico, demonstram a quantidade enorme de documentos elaborados internamente pelo grupo, para justificar as transações entre os mesmos, sem a existência de intervenção de agentes externos, como os bancos, por exemplo, que poderiam comprovar as operações examinadas. «Exagerado»? «Quantidade enorme de documentos»? Decididamente um linguajar estranho ao que se entender por lançamento fiscal. Tudo isso se torna ainda mais gritante, quando observamos as cifras dos valores envolvidos nas operações. Uma “valoração” absolutamente impertinente. Afinal, o lançamento não cuida de um possível tributo sobre grandes fortunas... Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 14 27 Nas DIRPF/2005 e DIRPF/2006 o Sr. José Marcelo Matos de Freitas não declarou nenhum mútuo em que ele constasse como MUTUÁRIO. Não há como declarar operações patrimoniais (mútuo) que se iniciam e encerramse dentro do anobase. Obrigação, pois, impossível de exigir. Esses poucos exemplos também dão uma mostra da complexidade e infinidade de transações que ocorrem entre os diversos membros do grupo. Complexidade? Infinidade? Razão maior em prol da objetividade, da não adjetivação, do tom profissional, nãopassional que se há de esperar de um Termo de Verificação Fiscal. Fundamental, por certo, a indicação do dispositivo de lei (princípio da reserva legal) que obrigasse o contribuinte a um mínimo (quantas?) de transações. Fazêlas, muitas ou poucas, não constitui, por si mesmo, fato gerador de tributo algum. Não! Não há imposto de renda “por cabeça”. Informamos ainda que conforme PROCESSO N° 2007.81.00.0071847, de Ação Ordinária (Matéria Fiscal), que tem como autor a empresa Freitas Empreendimentos Ltda e como Réu a União (FAZENDA NACIONAL), que tramita sobre Segredo de Justiça, a Empresa Freitas Empreendimentos LTDA foi incluída como coresponsável, nas inscrições de Dívida Ativa pertinentes à empresa Marcelo Freitas Autopeças, onde a Fazenda Nacional justifica a coresponsabilidade em decorrência de informações, prestadas pela Receita Federal, resultantes de investigações feitas pelo órgão, onde se apurou a existência de irregularidades envolvendo as duas empresas e outras do grupo FORTBRASIL. A informação acima, gratuita, de pura peçonha, não caracteriza qualquer fato gerador do Imposto de Renda. O fato de haver processo, ainda que de Matéria Fiscal, não autoriza, sem fundamentação, nem vinculação, nenhuma outra ilação ou cobrança. Há, no Brasil, o principio da autonomia processual. Para finalizar essa contextualização, informamos que várias das empresas do grupo encontramse localizadas no mesmo prédio (Avenida Bezerra de Meneses, número 100). No direito tributário brasileiro, empresas no mesmo endereço não produzem, só por isto mesmo, nenhum fato gerador do imposto de renda. Produzem, sim, mera facilidade aos senhores carteiros e cobradores a centralizar a entregar da correspondência. Aquele velho e batido princípio da reserva legal: «fazer ou deixar de fazer, senão por força da lei», CF, 5º, II. No nosso entendimento, ainda, consideramos muito confuso o fato de empresas trabalharem com repasses de cheques, de mão Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 28 em mão, principalmente de valores elevados, pois os valores transacionados teriam que ser exatamente iguais, pois, caso contrário, os envolvidos teriam que, ou passar "troco" dos cheques, ou complementar os mesmos. Não entendemos também a defesa do cheque nominal a si próprio. No nosso entendimento, estamos, novamente, diante de fatos graves, por serem estes, também, fatos impossíveis de acontecer, em situações normais, o que mais uma vez, caracteriza, em tese, a existência de fraude, por afigurarse na espécie, o evidente intuito de fraude. E, com todo o destaque: No decorrer dessa fiscalização, não foi possível, mesmo com toda documentação de que se dispõe, identificar a verdadeira natureza dos recursos... Se não foi possível identificar, como ousou lançar? Emérito Julgador, a autoridade do lançamento dispôs de quase dois anos para fiscalizar. Confessa que não entendeu. O art. 142 do CTN impõe: determinar a matéria tributável, que, evidente, nada tem a ver com o “não entendemos”, acima. Como se observa, no extrato bancário apresentado não consta informação sobre quem teria sido o beneficiário do cheque, informação essa que o contribuinte poderia ter conseguido no próprio banco. A autoridade do lançamento cria, acima, a obrigação de o contribuinte, ele mesmo autofiscalizarse. Dispôs, a autoridade, de todo o tempo, mais que o tempo, e ainda coloca a “culpa” no contribuinte. Não há, na assertiva da autoridade, qualquer fato gerador do Imposto de Renda. Não entendemos de que modo essas informações relacionadas poderiam ser úteis para comprovação da informação dada pelo contribuinte de que “Os dois cheques referidos na diligencia foram recebidos pelo diligenciado da empresa Freitas Empreendimentos Ltda, a título de pagamento de empréstimos.”. A autoridade repete à enésima vez o “não entendemos”. Em vez de encerrar a fiscalização sem resultados, justo porque resultados não apurou nenhum, preferiu o «restounos, como única opção o Lançamento de Ofício». No nosso entendimento a documentação relacionada aos valores examinados, foi constituída dentro do grupo, sem intervenção de agentes externos, com o evidente intuito de dissimular o verdadeiro fato, que seria o recebimento de recursos tributáveis, por parte do Sr. José Marcelo Matos de Freitas, das empresas pertencentes ao Grupo que ele comanda. Recursos tributáveis? Quais? Por quê? Admitase, apenas em prol do direito de argumentar, fosse verdadeira a afirmação de que teria havido o repasse de recursos das empresas do impugnante para si. Cumpria, em primeiro, comprovar fossem eles tributáveis. Salários? Isto não foi comprovado! Lucros? Se fossem lucros, em qualquer hipótese, “lucro real”, “presumido” ou Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 15 29 “arbitrado” não seriam tributados, eis que lucros deixaram de ser tributados a partir da Lei 9.249/95. Admitase, ainda ao sabor do argumento, que o suposto recebimento não tenha sido de lucros, mas de capital mesmo. Ainda assim, a possível retirada de capital, parcial ou total, não é fato gerador do Imposto de Renda. Realmente, depois que o Presidente Fernando Collor acabou com os títulos ao portador, o capital das empresas passou a ser registrado nome de seu titular. Retirálo, de volta, não constitui fato gerador do Imposto de Renda porque afinal de contas ninguém paga imposto sobre aquisição patrimonial de um patrimônio que já é seu, onde a empresa é mera extensão de seu patrimônio. Em suma, como retirada empresarial, os supostos recebimentos (não comprovados nos autos) jamais constituiriam fato gerador do Imposto de Renda, fosse como lucro, empréstimo ou retirada de capital. Além de ser totalmente estranho que uma pessoa, com a magnitude de patrimônio pessoal que tem o Sr. José Marcelo Matos de Freitas, contraia mútuos, Estranho? Seria fundamental a indicação do artigo de lei que impusesses, digamos, o “de joelhos” para as atitudes da vida. Mais uma vez o velho e batido princípio da reserva legal. O desfazimento das operações que envolveram o Sr. Francisco Barrozo Neto, o Sr. José Marcelo Matos de Freitas e a empresa Fortbrasil Fomento Comercial LTDA, qual seja, alienação de participação societária e aquisição de unidade imobiliária, era providência esperada, mesmo porque nunca existiram de fato e de direito as operações “de ida”. Os documentos que as representam são meros instrumentos do procedimento simulatório que pretendeu tirar recursos da Fortabrasil Fomento Comercial Ltda para os bolsos do Sr. José Marcelo Matos de Freitas. O fato gerador, no direito brasileiro, é um acontecimento “ao passado”, isto é, ocorrido. A pretensão de fato gerador ao futuro não constitui fonte da obrigação tributária porque não autoriza qualquer lançamento. Não existe o fato gerador intentado. Vejamos o que a autoridade do lançamento disse, acima, com todo o respeito, autêntica heresia fiscal: Os documentos que as representam são meros instrumentos do procedimento simulatório que pretendeu tirar recursos da Fortabrasil Fomento Comercial Ltda para os bolsos do Sr. José Marcelo Matos de Freitas. Lembramos, novamente, que somente após retificação efetuada em suas declarações, DIRPF/2005 e DIRPF/2006, o contribuinte fiscalizado declarou o contrato de mútuo com a Construtora Montenegro Ltda, na relação de Bens e Direitos, o que confirma que havia intenção de que a operação não aparecesse para o fisco. Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 30 A autoridade do lançamento ataca o instituto de retificação de declaração. Contudo, não é este o tratamento dado pela SRFB à Declaração Retificadora: Art. 54. O declarante obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente; (Instrução Normativa n° 15, de 6 de fevereiro de 2001, DOU de 8.2.2001) DO PEDIDO Ante o exposto: a) requerse o reconhecimento da decadência do lançamento efetuado em relação aos fatos geradores supostamente ocorridos em 2003 e 2004, vez que o a notificação do impugnante deuse somente em 05/01/2010, portanto, ultrapassado o prazo qüinqüenal previsto pelo art. 150, parágrafo 4º do CTN (ou art. 173, inciso I, no caso de se entender pela sua aplicação). Caso se entenda, em remota hipótese, que a notificação do impugnante tenha se dado em 28/12/2009, que se reconheça a decadência do lançamento referente aos meses de janeiro a julho de 2004, conforme já acima explicitado; b) que se declare a nulidade do lançamento efetuado ante a impossibilidade de o contribuinte defenderse de acusações a esmo e do enquadramento legal de todo o Regulamento do Imposto de Renda, como se isto fosse possível, isto é, “sonegá lo” por inteiro; c) que se descaracterize qualquer incidente gravoso, posto que a fraude não se presume, quanto mais o “evidente intuito de fraude”. E, finalmente quanto ao mérito, se declare a inexistência nos autos de qualquer fato gerador (rendimento tributado não declarado ou aumento patrimonial a descoberto). Na impugnação, o contribuinte utilizou como elemento de prova o próprio Termo de Verificação Fiscal, destacando trechos, que, no seu entender, levam à nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e a inexistência de fato gerador do imposto de renda e, também, inexistência de fraude que caracterizasse crime contra a ordem tributária. A DRJ – Fortaleza ao apreciar as razões do contribuinte, julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 16 31 RECURSO FINANCEIRO DE PESSOA JURÍDICA CREDITADO/DEPOSITADO NA CONTA CORRENTE BANCÁRIA.BENEFICIÁRIO DO RECURSO MANTÉM RELAÇÃO COMERCIAL COM A PESSOA JURÍDICA REMETENTE DO RECURSO FINANCEIRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DO RECURSO FINANCEIRO. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Verificandose que o depósito bancário ou o crédito é originário de pessoa jurídica com a qual o contribuinte mantém relações comerciais e possui vínculo familiar com os sócios, do tipo cônjuge e filhos, o recurso financeiro se sujeita à comprovação da natureza, sob pena do recurso ser considerado rendimento tributável, submetendose ao confronto com os rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual e à infração de omissão de rendimentos. SIMULAÇÃO RELATIVA. A simulação se caracteriza pela divergência entre o ato aparente, realização formal, e o ato que se quer realizar, oculto. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Caracteriza simulação relativa o fato de contribuinte confeccionar documentos (contratos de mútuos, recibos de contrato de mútuo, contrato de compra e venda), não condizentes com a realidade dos fatos, para justificar, perante o fisco, recebimento de recurso financeiro de pessoa jurídica, escondendo o fato gerador do Imposto de Renda. O ato simulado é nulo nos termos do atual Código Civil. Para os efeitos tributários é ato típico de evasão fiscal e de lançamento de ofício. No âmbito do direito tributário, o negócio jurídico formal (simulado) não pode prevalecer se não representar o fato real ocorrido, mormente se esse fato real é tipificado como fato gerador do imposto de renda, devidamente comprovado pela inconsistência dos atos comerciais, confeccionados entre pessoas com interesse comum dentro de um grupo empresarial. SIMULAÇÃO. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de ocultar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada, conforme o art. 44, inciso II, da Lei nº. 9.430, de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 INTIMAÇÃO VIA POSTAL. RECUSA DO PORTEIRO EM RECEBER A ENCOMENDA. Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 32 A recusa do porteiro do condomínio em receber a encomenda do agente da ECT não descaracteriza a intimação por via postal. A ciência dáse na data do Termo de Recusa, assinado pelo autor do procedimento de fiscalização e testemunhado por agente da ECT. Essa intimação é legal, nos termos do Processo Administrativo Fiscal, dado que o Auto de Infração foi enviado para o domicilio tributário do contribuinte, onde todas as intimações foram recebidas. A recusa do porteiro caracteriza a vontade do contribuinte em não receber a intimação, haja vista que o porteiro é um preposto do condomínio perante a ECT, não podendo recusar o recebimento de correspondência de condômino morador, sob pena de falta funcional. NULIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O enquadramento legal genérico não é causa de nulidade por cerceamento do direito de defesa, quando a descrição dos fatos é bastante elucidativa quanto à infração cometida pelo contribuinte. No procedimento de fiscalização, houve lavratura de Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, esclarecendose o motivo da rejeição dos argumentos e intimandose para apresentação de novos argumentos, sob pena de ser considerado o recurso financeiro, disponibilizado na conta corrente bancária, como rendimento tributável e possível imputação de infração de omissão de rendimentos à luz da Declaração de Ajuste Anual. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Aplicase a súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARF, com efeito vinculante conforme Portaria do Ministro da Fazenda nº 383, de 2010. A presente defesa de nulidade do auto de infração não é amparada por nenhuma das súmulas com efeito vinculante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FATO GERADOR ANUAL. DECADÊNCIA. Nos tributos que comportam lançamento por homologação, ocorre a decadência do direito de lançar quando transcorridos cinco anos a contar do fato gerador, ainda que não tenha havido a homologação expressa. Nos termos da legislação do Imposto de Renda Pessoa Física, o fato gerador é anual, considerandose ocorrido em 31 de dezembro do anocalendário, em que ocorram a percepção do rendimento e o pagamento do Imposto de Renda, sob a forma de IRRF ou Carnêleão. Nos casos de dolo, fraude ou simulação não ocorre homologação tácita, caracterizada depois de decorridos os cinco anos do fato gerador, sem pronunciamento da autoridade administrativa sobre os Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 17 33 pagamentos efetuados pelo contribuinte. Nessa situação, a decadência do direito de lançar ocorre depois de transcorridos cincos anos, contados a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido lançado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito o interessado apresenta recurso reiterando as razões da impugnação. Enfatiza os seguintes pontos: que seja reconhecida a decadência do lançamento efetuado em relação aos fatos geradores supostamente ocorridos no período de 01.01.2004 a 31.12.2004, uma vez que a notificação do recorrente deuse somente em 05/01/2010 previsto pelo art. 150 do CTN (ou art. 173, inciso I, no caso de entender pela sua aplicação); que se declare a nulidade do lançamento efetuado ante a impossibilidade do o contribuinte defenderse das acusações a esmo e do enquadramento legal de toda a legislação do imposto de renda; que se descaracterize qualquer incidente gravoso , posto que a fraude não se presume, quanto mais o evidente intuito de fraude; que ao mérito se declare a existência nos autos de qualquer fato gerador, bem como se reconheça que todo os esclarecimentos solicitados foram a tempo atendidos, tanto isto é verdade que não houve agravamento da penalidade; que se mande baixar o processo em diligência para que a autoridade lançadora identifique com precisão o tipo tributário. É o relatório. Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 34 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. A discussão, nesta fase recursal, engloba as preliminares de decadência e a de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa arguida pelo recorrente, tendo em vista não ter entendido do lançamento. No mérito a discussão está centrada na omissão de rendimentos provenientes de valores recebidos, através de depósitos nominais ou creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituições financeiras, dos quais o suplicante alegando serem decorrentes de contratos de mútuos, foram pela fiscalização desconsiderados, e lançados como omissão de rendimento, bem como a discussão sobre a aplicação da multa qualificada. Antes de apreciar a preliminar de decadência, cabe enfrentar a qualificação da multa. Da Qualificação da Multa Quanto à aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada tenho a seguinte posição: Verificase na peça defensória que o suplicante entende ser improcedente a aplicação da multa qualificada, amparado na convicção de que é incabível o agravamento da multa, quando não comprovado nos autos, que a ação ou omissão do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizandose de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude. No caso concreto em análise, a multa qualificada baseouse no fato de ter a autoridade lançadora verificado à omissão de rendimentos provenientes de mútuos não comprovados, que no entendimento da fiscalização tratavamse de atos simulados. A autuante fundamentou a aplicação da multa de 150% sob a consideração de que ficou evidenciado o intuito de fraude, na medida em que o contribuinte não declarou a totalidade de seus rendimentos omitindo total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes da pessoa jurídica de direito privado interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos devidos por lei, utilizandose para isso a simulação e pessoas interpostas. A aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, atualmente aplicada de forma generalizada pela autoridade lançadora, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 18 35 Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual ou a falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, no caso em questão, o fato de o contribuinte não ter logrado comprovar a efetividade dos contratos de mútuos realizados, por si só, não caracteriza o evidente intuito de fraude a que se refere o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples omissão de rendimentos não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito empenhouse em induzir a autoridade administrativa em erro, quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Em suma, qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A falta de inclusão como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores recebidos de pessoa jurídica contabilizados como se mútuos fossem, dos quais o contribuinte não logrou a comprovação, através da apresentação de documentação hábil e idônea, da sua efetividade, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do inciso II do art. 992, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° . 1.041, de 1994. Deste modo entendo injustificada a manutenção da multa qualificada de 150%. Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 36 Da Preliminar de Decadência Para apreciar a questão da decadência cabe apontar a data em que ocorreu a ciência do auto de infração. Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, seria o de verificar quando ocorreu a ciência do auto de infração, se ocorreu em 28/12/2009, quando da recusa do porteiro em receber a mesma, ou apenas no ano subsequente no dia 05/01/2010, quando o recorrente teve acesso ao auto de infração e apresentou sua impugnação em 27/01/2010. Assim sendo, resta necessário se determinar qual seria a data da ciência do lançamento, já que o agente fiscal não procedeu de acordo com que usualmente preceitua o artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF). Ora, a legislação que rege a forma de promover as intimações é cristalina, conforme podemos constatar no Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que quando trata de intimação, especificamente no art. 23, com nova redação editada por leis posteriores. Como se depreende do dispositivo legal, a intimação deve ser feita por uma das seguintes formas: pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, provada com a assinatura do sujeito passivo; por via postal telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; por meio eletrônico; ou por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos anteriormente. Assim, o simples ato de disponibilizar a intimação, pelo autor do procedimento, na guarita do prédio de correspondência do endereço do domicílio fiscal do sujeito passivo, não valida a intimação, já que não existe a prova de recebimento no domicilio eleito pelo sujeito passivo. É claro nos autos, de que o agente fiscal não tomou as devidas precauções para cientificar o contribuinte do lançamento. Desta forma, é de se considerar como ciência da intimação do lançamento à data em que o suplicante veio se manifestar nos autos, qual seja: a data da protocolização da peça impugnatória (27/01/2010). Neste aspecto, nada mais há para se discutir e, por via conseqüência, só posso considerar que o contribuinte tomou ciência do lançamento já no anocalendário de 2010, quando veio a se manifestar no processo. Nestes termos e tendo em vista a falta da prova de recebimento da intimação no domicilio eleito pelo sujeito passivo, posicionome no sentido de aceitar como data da ciência do Auto de Infração a data da interposição da peça recursal que ocorreu durante o ano calendário de 2010 Ante ao exposto, na apreciação da decadência, no caso concreto, como não cabe a qualificação da multa aplicarseá para apreciar a decadência do lançamento, o art. 150 do CTN e dentro desse contexto, é de se considerar o lançamento decadente, tal como explicado anteriormente, quando da apreciação da preliminar. Acolhese, portanto a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte no que toca ao ano calendário de 2004. Nessa senda, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para os, deduções indevidas e infrações tributárias que ocorreram ao longo do ano de 2004, Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 19 37 considerando a existência de pagamento, está previsto no art. 150, parágrafo 4º, do CTN é de 1º de janeiro de 2005, posto que é o 1º dia após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, o lançamento poderia ser realizado até a data de 31/12/2009, para que pudesse alcançar os valores percebidos no anocalendário de 2004. Como o auto de infração foi encaminhado ao contribuinte e este teve ciência do auto de infração apenas em 27/01/2010, entendo que nessa data já havia decaído o direito da fazenda constituir o referido crédito tributário no que toca ao ano calendário 2004. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constituise o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verificase, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplicase o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrandose as insuficiências ou apurandose os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declarase à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Importante frisar que o recorrente apresentou declaração de ajuste anual, tendo imposto retido na fonte no ano de 2004, no valor de R$ 359,70, tal como se nota as fls. 31. Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 38 Devese registrar que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. No que toca a decadência, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 20 39 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 40 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 21 41 de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 42 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se ressaltar, que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal”. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de março inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Uma vez que ao presente caso houve o pagamento de imposto antecipado, tal como se depreende de sua declaração, entendo ser irrelevante continuar a discussão. Em suma, no meu entendimento cabe considerar o lançamento do ano de 2004 como decadente. Caso o auto de infração tivesse sido cientificado ao recorrente ainda no ano de 2009, estaria afastada essa hipótese. Da Preliminar de Nulidade pela Imprecisa Capitulação Legal – Cerceamento do Direito de Defesa A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, a sua declaração de nulidade , se a acusação fiscal estiver detalhadamente descrita e propiciar ao contribuinte dela se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Entendo, que no caso concreto, não resta caracterizada presunção ou ofensa à segurança jurídica, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, identifica a MATÉRIA tributada e demonstra a base de cálculo adotada. Deste modo não se aceita a nulidade por capitulação legal imprecisa, não se identificando o cerceamento do direito de defesa. Do Mérito Com a decadência do ano calendário de 2004, nos restam a apreciar dois rendimentos descrito no Termo de Verificação Fiscal Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 22 43 Em 31/05/2005. Valor R$. 85.000,00, referente a Cheque BIC 007211, repassado pele empresa FORTBRASIL FOMENTOS COMERCIAL LTDA. Em 23/02/2005, Valor R$ 98.398,12, referente a Comprovante de Depósito em C/C, repassado pela empresa FORTBRASIL FOMENTOS COMERCIAL LTDA. Cabe ao suplicante o ônus da prova de que resgatou os mútuos efetuados, não se trata de prova negativa, se trata de apresentar os documentos hábeis da efetiva transferência dos recursos para o resgate dos mútuos efetuados. A simples negação de que nada compreendeu o entendeu, não socorre o recorrente. Os argumentos apresentados, por si só, não tem o condão de comprovar a efetividade da operação. Deveria estar lastreada por prova cabal que o mesmo corresponda a verdade dos fatos, a exemplo de comprovar a efetiva transferência dos recursos para o credor nas datas e valores alegados. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes é clara a respeito do ônus da prova. Pretender a inversão do ônus da prova, como formalizado na peça recursal, agride não só a legislação, como a própria racionalidade. Assim, se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador. Ora, não é lícito obrigarse a Fazenda Nacional a substituir o particular no fornecimento da prova que a este competia. Como se sabe, no caso, em discussão, os valores recebidos caracterizam presunção, do tipo condicional ou relativa (júris tantum) que não tem caráter de verdade indiscutível, valendo enquanto prova em contrário não a vier desfazer ou mostrar sua falsidade. Observese que as presunções júris tantum, embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidilas. Teve o suplicante, seja na fase fiscalizatória, seja na fase impugnatória ou na fase recursal, oportunidade de exibir documentos que comprovem as alegações apresentadas. Ao se recusar ou se omitir à produção dessa prova, em qualquer fase do processo, a presunção "júris tantum" acima referida, necessariamente, transmudase em presunção "jure et de jure", suficiente, portanto, para o embasamento legal da tributação, eis que plenamente configurado o fato gerador. Não há qualquer possibilidade de dispensa da tributação em razão do silêncio ou omissão do contribuinte em indicar a efetiva transferência dos recursos. O fisco adotou essa forma de cobrança do tributo por ser a que melhor se adapta ao sistema de tributação do imposto de renda vigente nesse período. Caberia, sim, ao suplicante, em nome da verdade material, contestar os valores lançados, apresentando as suas contra razões, porém, calcadas em provas concretas, e não, simplesmente, apresentar meia dúzia de argumentos, num universo de contradições, para pretender derrubar a presunção legal apresentada pelo fisco, já que o dever da guarda dos Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 44 contratos, juntamente com a informação dos valores pagos/recebidos é do próprio suplicante, não há como transferir para a autoridade lançadora tal ônus. Deveria, no mínimo, apresentar cópias dos cheques utilizados para resgatar os mútuos efetuados, que são razoáveis para se acatar os argumentos do suplicante. Ante ao exposto, desqualificando a multa de ofício, voto por acolher a preliminar de decadência para o ano calendário 2004, rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício para 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11516.003636/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO.
A Lei nº 7.713/88 no parágrafo 3º do artigo 3º, dispõe que na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição.
Numero da decisão: 2101-001.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. A Lei nº 7.713/88 no parágrafo 3º do artigo 3º, dispõe que na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição.
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APURAÇÃO. A Lei nº 7.713/88 no parágrafo 3º do artigo 3º, dispõe que na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 36 36 /2 00 9- 66 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 O Recorrente teve lavrado contra si, auto de infração, originado do cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização (MPFF), o qual determinou exame do imposto de renda pessoa fisica no período de 01/01/2004 a 31/12/2004. Assim, em 10/12/2008 foi formalizado Termo de Inicio de Ação Fiscal e, em 02/07/2009, o Recorrente foi cientificado do referido auto de infração. Os auditoresfiscais entenderam que houve desajuste na correlação dos dados consignados em suas declarações de imposto de renda do período citado com os documentos encaminhados pelo Impugnante. Em relação a omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício recebido de pessoa jurídica e venda da casa situada na Rua das Hortênsias em Santa Rosa/RS, o recorrente requereu parcelamento, se insurgindo contra a autuação relativa a venda do Lote nr. 4 Qd 9B, Loteamento Praia de Jurere I em Florianópolis/SC. Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 242/249), por meio do qual reitera as razões apresentadas na impugnação à quo, relativamente à parte controversa, a saber: segundo a fiscalização, fls. 4/10 do "Termo de Verificação Fiscal" as frações ideais dos imóveis foram adquiridas por R$ 20.000,00, em 23/07/03, e vendidas porR$ 98.766,00, em 06/12/04, gerando um ganho de capital não tributado no valor deR$ 78.766,00. Conforme se constata na escritura pública de compra e venda (fls. 77/83) o valor de R$ 20.000,00foi relativamente apenas (fls.79) à fração ideal do terreno, por se tratar de obra não concluída, sendo o valor efetivo da transação a importância de R$ 160.000,00, conforme contrato de compra e venda. Por fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 261, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Nas preliminares, o recorrente afirma em resumo que a autoridade fiscal não pode ignorar as provas apresentadas, alegando que no âmbito do procedimento administrativo, a prova há de ser feita em toda a sua extensão, consoante esquemas rígidos, de tal modo que assegure, com todas as garantias possíveis, as prerrogativas constitucionais de que desfruta o contribuinte brasileiro. Assim, não poderia a DRFJ/Florianópolis ignorar o contrato anexado aos autos, por se tratar de ato jurídico perfeito. No mérito a controvérsia se resume à apuração do custo de aquisição do Lote nº 4, Quadra 9B, do Loteamento Praia de Jurerê I, Florianópolis – SC. A julgadora à quo aponta o valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), conforme Escritura Pública de Compra e Venda (fls. 77/83) enquanto o Recorrente, pugna pelo valor do Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de Frações Ideais de Terreno e de Construção de Unidades Autônomas vinculadas a Empreendimento Imobiliário por Administração, cujo montante é de R$ 160.000,00 (cento e sessenta mil reais). Extraise do acórdão recorrido o seguinte trecho: Fl. 264DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.003636/200966 Acórdão n.º 2101001.993 S2C1T1 Fl. 264 3 “Quanto ao Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de fls. 143 a 146, apresentado pelo contribuinte em sede de impugnação, observase que o mesmo não foi registrado e sequer houve o reconhecimento das firmas das testemunhas nem dos signatários, portanto, não tem validade perante terceiros.” Ocorre entretanto que o contrato referido é relativo as unidades 101,201,202,306 e 401, não contemplando a unidade 405, objeto do presente contencioso. Ademais verificase que na DIRPF do recorrente não foi declarado a aquisição do terreno, nem o pagamento de R$ 160.000,00 através de cheque do Banco Safra, alegado pelo recorrente. Ressaltese que na cronologia dos fatos temse que: 1º. A aquisição da fração ideal do Lote nº 4, Quadra 9B, do Loteamento Praia de Jurerê I, Florianópolis – SC, se deu em 23 de julho de 2003 (fls.84); 2º. O Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de Frações Ideais de Terreno e de Construção de Unidades Autônomas Vinculadas a Empreendimento Imobiliário por Administração, em cujo objeto se vê a condição de obra inacabada e o compromisso do adquirente em custear a construção do saldo de obra de 79%, cujas frações ideais correspondem ao apartamento 405 e vaga autônoma nº 14, é datado de 10 de junho de 2003 (fls.154); 3º. A venda da fração ideal relativa ao imóvel a ser construído, promovida pelo Recorrente, a Emerson Philippi de Almeida, se deu em 06 de dezembro de 2004 (fls.91); 4º. A averbação do imóvel Apartamento 405 e Vaga nº 14, ocorreu em 02 de maio de 2007. Dessa forma, não há reparos a fazer na decisão a quo, de forma que nego provimento ao recurso. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 12709.000523/2009-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. Período de Apuração: 17 de setembro de 2009. Ementa: LANÇAMENTO. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR REVOGADA. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO. EXIGIVEL. Revogada em sentença à liminar concedida em mandado de segurança afastado o óbice à constituição do crédito tributário, que deve ser constituído com exigibilidade. Recursos interpostos em sede judicial não possuem condão de causar efeitos de inexigibilidade do crédito tributário. Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.702
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Período de Apuração: 17 de setembro de 2009. Ementa: LANÇAMENTO. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR REVOGADA. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO. EXIGIVEL. Revogada em sentença à liminar concedida em mandado de segurança afastado o óbice à constituição do crédito tributário, que deve ser constituído com exigibilidade. Recursos interpostos em sede judicial não possuem condão de causar efeitos de inexigibilidade do crédito tributário. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Fl. 181DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Tratase de Auto de Infração para exigência de crédito tributário a título de COFINS e PIS decorrente da falta de pagamento incidente sobre importação de produtos – DI de 17 de setembro de 2009 pela aquisição de um aparelho de contrapulsação Intra Aórtíca, amparado por liminar concedida no bojo do mandado de segurança nº 2004.70.00.018741 5/PR, 5ª Vara Federal de Curitiba, revogada quando do julgamento do mérito, oportunidade que se efetivou o lançamento. O objeto do mandado de segurança girou em torno da imunidade da instituição. Aduz a recorrente que o lançamento é nulo por conter erro material quanto à determinação da exigência, deveria, segundo o entendimento expressado, ter sido concretizado não para exigir o crédito tributário, mas sim para estancar o prazo decadencial em razão da discussão judicial relativa à imunidade. No mais sustenta, em que pese à sentença tenha sido contra os interesses da Recorrente, há recurso em exame perante o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. A preliminar argüida de que o lançamento é nulo por conter erro material em relação à exigência do crédito tributário, que esse só poderia ter sido concretizado com objetivo de evitar o prazo decadencial decorrente do ajuizamento de ação judicial relativamente à imunidade, tenho que a mesma se confunde o mérito. Assim sendo, examinarei esse assunto conjuntamente com o mérito. Apesar dos brilhantes argumentos trazidos pela Recorrente, não pode o seu apelo prosperar. A liminar concedida autorizou o desembaraço aduaneiro condicionado os seus efeitos à assinatura de termo de depósito do bem importado pelo diretor presidente da sociedade, sobreveio à denegação da ordem, quando foi lavrados o auto de infração com exigência do crédito tributário. O provimento judicial concedido não inibia atividade fiscal, apenas autorizava o desembaraço aduaneiro nas condições estipuladas. Portanto, preservou o direito do fisco de constituir o crédito. Inexistindo depósito do quanto discutido e diante da sentença negatória de provimento positivo, o recurso de apelação por si só não possui o condão de afastar o lançamento com exigibilidade do crédito tributário. Outros recursos, especial e ordinário ou extraordinário, são despidos de efeito suspensivo, apenas possui caráter devolutivo, e se não há Fl. 182DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 12709.000523/200912 Acórdão n.º 3403001.702 S3C4T3 Fl. 2 3 demonstração de concessão de liminar em medida cautelatória atribuindo efeitos suspensivos, os argumentos trazidos estão vazios de respaldo jurídico. Tenho que a decisão não merece reparo, pois atividade fiscal encontrava plenamente desimpedida, portanto, poderia efetuar o lançamento atento à obrigatoriedade da atividade vinculada prevista do art. 142 do CTN. A jurisprudência desse egrégio Colendo Conselho Administrativo autoriza a constituição do crédito tributário por lançamento, mesmo que esteja suspensa a exigibilidade com o propósito de evitar decadência, neste caso, porém, lançase sem a multa e tampouco será cobrada, em obediência a norma contida no caput do art. 63 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996, dispõem: “art. 63 – Na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos I e V do art. 151 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício...” Como se sabe a ocorrência de qualquer uma das causas que impedem a exigibilidade, a exceção das reclamações e dos recursos, que apenas suspendem a exigibilidade do crédito tributário, o depósito impede que a exigibilidade se forme. No caso concreto não havia depósitos – judicial ou administrativo e tampouco provimento judicial, assim inexistia óbice constituir o crédito tributário com a suspensão da exigibilidade. O que é assegurado ao contribuinte, diante de decisão contrária aos seus interesses, revogação de liminar e sentença, o pagamento do tributo no prazo de trinta dias sem a exigência da multa de mora. Deixo de acolher o pleito da recorrente tanto quanto do cancelamento do lançamento em decorrência do direito da Fazenda Pública poder lançar, pois, é assim que penso, e, face de que inexistia impedimento e restou afastado diante da sentença que denegou a ordem. É diferente de quando há posicionamento em caráter preventivo, no caso deste caderno processual o auto de infração foi efetivado quando sequer prevalecia a liminar. Assim, tenho como certo que o lançamento deve ser mantido em razão da inexistência de provimento judicial capaz de obstacularizar a atividade fiscal. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 183DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10855.904490/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO.
Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito do contribuinte e homologada a compensação a extinção torna-se definitiva.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF.
Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3401-002.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Júlio Cesar Ramos, que negava provimento.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO. Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito do contribuinte e homologada a compensação a extinção torna-se definitiva. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF. Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF.
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SILVICULTURA LTDA Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETOSP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO. Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito do contribuinte e homologada a compensação a extinção tornase definitiva. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF. Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Júlio Cesar Ramos, que negava provimento. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 44 90 /2 00 8- 83 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico homologando em parte a Declaração de Compensação (DCOMP) nº 32827.67016.151204.1.3.043318, transmitida em 15/12/2004, com crédito do PIS não cumulativo e débitos da mesma Contribuição e da Cofins vencidos na data de transmissão da DCOMP referida. Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte requer o cancelamento da cobrança do saldo devedor, alegando que o indébito foi “atualizado” (referese à aplicação da Selic) e não resta nada a recolher. O Colegiado da DRJ manteve a homologação parcial, observando que não há controvérsia sobre o valor original do crédito da contribuinte porque esse foi julgado integralmente procedente. A divergência reside tãosomente no valor do débito compensado da Cofins ao tempo da transmissão da DCOMP, em face do acréscimo da multa de mora. Como o contribuinte deixou de incluir a multa de mora e segundo o acórdão recorrido estes são devidos, haja vista o art. 28 da IN SRF nº 460/2004 e o art. 61 da Lei nº 9.430/96, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente. No Recurso Voluntário, tempestivo, a interessada insiste na compensação integral, sem o cômputo da multa de mora aplicada até a data de transmissão da DCOMP, invocando a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Destaca ter transmitido a DCOMP antes da DCTF retificadora, argüindo que de acordo com a jurisprudência do STJ resta caracterizada a denúncia espontânea, vez que (i) a quitação/compensação foi realizada após o vencimento do débito, (ii) foram acrescidos juros de mora ao débito compensado, (iii) a entrega da DCOMP se deu antes da entrega da DCTF e (iv) de qualquer procedimento de fiscalização. Argúi ainda não haver mora, já que possuía um crédito a ser compensado, apenas aguardando homologação, pelo que, se inaplicável o art. 138 do CTN, de todo modo deve ser afastada a multa de mora. Este Colegiado determinou diligência, visando verificar se o valor do débito compensado, e que se encontrava em atraso na data de transmissão do PER/DCOMP (por isto a contribuinte incluiu na compensação os juros de mora), já constava da DCTF original ou se foi informado apenas na DCTF retificadora. O resultado da diligência informa que no 3º trimestre de 2004 a DCTF foi entregue em 12/11/2004, não houve retificadora e que o montante compensado não foi informado antes da transmissão da primeira DCOMP em 09/11/2004 (a de nº 27661.36700.091104.1.3.041496, anterior à DCOMP do presente processo). Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904490/200883 Acórdão n.º 3401002.107 S3C4T1 Fl. 99 3 Cientificada do resultado da diligência, a Recorrente não se manifestou. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O resultado da diligência informa não ter havido DCTF retificadora do 3º trimestres de 2004, que contempla o período de apuração 07/2004, e que a original foi transmitida em 12/11/2004. Assim, a DCOMP nº 27661.36700.091104.1.3.041496, transmitida em 09/11/2004 e que originou a insuficiência do crédito necessário aos débitos compensados na DCOMP deste processo, é anterior. O litígio, como já definido com precisão no voto que resultou da diligência, versa unicamente sobre a exigência (ou não) da multa ofício, na situação em que a contribuinte transmite PER/DCOMP compensando débito em atraso, quando considerada a data da transmissão. Para a Recorrente a denúncia espontânea restou caracterizada e, por isso, descabe a multa de mora, de modo que deviam ser exigidos apenas o principal e os juros de mora incidentes entre a data de vencimento do débito compensado e a de transmissão do PER/DCOMP. Reconhecendo que o tema é controverso e já adotei interpretação diversa em julgamentos anteriores, curvome à interpretação do STJ quanto à exclusão da multa de mora na hipótese da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, que na situação dos autos vejo caracterizada por não haver dúvida quanto ao crédito da Recorrente. A Turma da DRJ, ao manter a homologação parcial, observou que não há controvérsia sobre o valor original do crédito da contribuinte porque esse foi julgado integralmente procedente. A divergência reside tãosomente no valor do débito compensado ao tempo da transmissão da DCOMP, em face do acréscimo da multa de mora. Sendo certo o reconhecimento do crédito informado na DCOMP, a compensação declarada nos termos da Medida Provisória nº 66, convertida na Lei nº 10.637, ambas de 2002, equiparase ao pagamento por não restar mais dúvida quanto à extinção do crédito tributário. Assim, as condições exigidas pelo art. 138 do CTN, para fins de caracterização da denúncia espontânea defendida pela Recorrente, e consoante interpretação do STJ em Recurso Repetitivo, estão satisfeitas: o débito constante da DCOMP (no caso, a Cofins sob o Código 58561) não foi informado antes à Receita Federal e houve a sua liquidação por meio da compensação (no lugar do pagamento a que se refere o texto do citado art. 138) Caracterizada a denúncia espontânea, a multa moratória deve ser excluída por ser obrigada a aplicação da jurisprudência do STJ, como determinada pelo art. 62A do Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 RICARF (Anexo II da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, modificado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010)1. Segundo julgamentos do STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, a exemplo do Recurso Especial nº 1149022SP, temse o seguinte, verbis: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.(AC) Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904490/200883 Acórdão n.º 3401002.107 S3C4T1 Fl. 100 5 de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp 1149022, unânime, Relator Min. Luiz Fux, trânsito em julgado em 30/08/2010) Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, homologada a compensação de débito antes não declarado à administração tributária, a extinção tornase definitiva (antes era precária por se submeter a ulterior homologação, nos termos do regime introduzido pela Medida Provisória nº 66, convertida na Lei nº 10.637, ambas de 2000). Na sistemática da compensação introduzida pela MP nº 66, 2002, em que a compensação extingue o crédito tributário, há de se admitir que o contribuinte pode, no lugar do pagamento, preferir compensar o que deve com o crédito que possui. Afinal, não se pode exigir do contribuinte detentor de crédito junto à Fazenda Pública que efetue, a fim de caracterizar a denúncia espontânea, pagamento que pode ser suprido pela compensação. À opção dele, pode ser feito o pagamento do débito confessado espontaneamente ou declarada a compensação a extinguir o débito, extinção esta que poderá ficar sem efeito caso não homologada a compensação. A corroborar a interpretação ora adotada, o Acórdão sob o nº 340101.045, desta Turma sob a relatoria do ilustre Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, processo nº 11516.002888/200714, sessão de 30/09/2010. Destacando que naquela ocasião adotei posição diversa, transcrevo os fundamentos daquele julgado, que é orientado, inclusive, por julgado do STJ, tudo conforme adiante: Inicialmente, de se ressaltar duas características da Dcomp, quais sejam, a de que, nos termos do parágrafo 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002, “A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.” (grifei), e a de que, nos termos do parágrafo 6º do mesmo art. 74, acrescentado pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, “A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.” (grifei) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 Para mim, embora o artigo 138 do CTN refirase a pagamento e a compensação seja apenas uma forma de extinção do crédito tributário, que não o pagamento, há que se considerar os efeitos idênticos em ambos os casos, ou seja, ambos, o pagamento e a compensação, quando homologados, extinguem o crédito na data em que realizados, isto é, respectivamente, na data do pagamento e na data da entrega da Dcomp. Para referendar a minha linha de raciocínio, lembro o teor do parágrafo 1º do art. 150 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”. (grifei) A relevância das observações constantes dos parágrafos acima está no fato de que, neste caso, haverá a prevalência dos efeitos da entrega das Dcomp (pagamento) sobre os decorrentes da entrega das DCTF (confissão), visto que a entrega daquelas ocorreu antes da entrega dessas. Explicando melhor e situando os fatos no contexto da discussão, o “pagamento” do PIS/Pasep do período de apuração de dezembro de 2004, vencido em 14/01/2005, ocorreu por meio das Dcomp entregues no dia 31/01/2005, enquanto que a entrega da DCTF do 4º trimestre de 2004, que também é forma de constituição dos créditos tributários, só veio ao conhecimento do Fisco em 11/02/20052, após, portanto, a ocorrência do “pagamento” que ocorreu, frisese, acrescido dos juros de mora. Esclarecimento adicional não menos importante se faz necessário em faz das retificações havidas nas Dcomp originais, isto é, embora as retificadoras tenham sido entregues em 05/05/2005, o encontro de contas, ou as compensações, levou em conta a data de entrega das Dcomp originais, ou seja, em 31/01/2005. Assim, no presente caso, em que a interessada, antes de apresentar a DCTF indicando os débitos em atraso e antes de qualquer iniciativa do Fisco relacionada à cobrança desses débitos, procedeu, janeiro de 2005, via entrega da Dcomp, à confissão e à “extinção” daqueles débitos vencidos em 12/11/2004, com juros de mora, resta caracterizada a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, na linha do entendimento manifestado pelo STJ, que, à propósito e em situação semelhante a esta, assim se manifestou no AgRg no REsp 1136372/RS, T1, Ministro Hamilton Carvalhido, votação unânime, julgamento em 04/05/2010, Dje 04/05/2010: ‘AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. (...). 2 Vide "Consulta Declarações DCTF", por mim anexado ao eprocesso. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904490/200883 Acórdão n.º 3401002.107 S3C4T1 Fl. 101 7 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido.’ Colhese da referida decisão a informação de que o Recurso Especial então interposto pela Fazenda Nacional atacara o Acórdão da Primeira Turma do TRF da 4ª Região, assim ementado: ‘TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO INTEGRAL DO TRIBUTO MEDIANTE GUIAS DARF E COMPENSAÇÃO DECLARADA À RECEITA FEDERAL. EXCLUSÃO DA MULTA.COMPENSAÇÃO. 1. O pagamento espontâneo do tributo, antes de qualquer ação fiscalizatória da Fazenda Pública, acrescido dos juros de mora previstos na legislação de regência, enseja a aplicação do art. 138 do CTN, eximindo o contribuinte das penalidades decorrentes de sua falta. 2. O art. 138 do CTN não faz distinção entre multa moratória e multa punitiva, aplicandose o favor legal da denúncia espontânea a qualquer espécie de multa. 3. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados em DCTF e pagos com atraso, o contribuinte não pode invocar o art. 138 do CTN para se exonerar da multa de mora, consoante a Súmula nº 360 do STJ. Tal entendimento deriva da natureza jurídica da DCTF, GFIP ou outra declaração com idêntica função, uma vez que, formalizando a existência do crédito tributário, possuem o efeito de suprir a necessidade de constituição do crédito por meio de lançamento e de qualquer ação fiscal para a cobrança do crédito. 4. Todavia, enquanto o contribuinte não prestar a declaração, mesmo que recolha o tributo extemporaneamente, desde que pelo valor integral, permanece a possibilidade de fazer o pagamento do tributo sem a multa moratória, pois nesse caso inexiste qualquer instrumento supletivo da ação fiscal. 5. A exegese firmada pelo STJ é plenamente aplicável às hipóteses em que o tributo é pago com atraso, mediante PER/DCOMP, antes de qualquer procedimento do Fisco e, por extensão, da entrega da DCTF. A declaração de compensação realizada perante a Receita Federal, de acordo com a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637/2002, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Até que o Fisco se pronuncie sobre a homologação, seja expressa ou tacitamente, no prazo de cinco anos, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 8 6. A multa, por força do art. 113, § 1º, do CTN, é alçada à categoria de obrigação tributária principal, submetendose ao mesmo regime de constituição, inscrição em dívida ativa e execução dos tributos. Tornandose irrelevante a distinção doutrinária quanto à natureza jurídica da multa, é possível a compensação, desde que o encontro de contas seja feito perante o ente responsável pela arrecadação, fiscalização e lançamento do tributo’ E que os argumentos lançados pela Fazenda Nacional para fustigar o mérito do referido Acórdão foram os de que teriam sido violados os artigos 138 e 113, parágrafos 2º e 3º do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, porque: ‘(...) Ora, não efetuado o pagamento do tributo devido, mas apenas o pagamento de valor que a parte entendeu como correto, ou seja, sem a multa moratória, descabida a aplicação da denúncia espontânea, em frontal afronta ao disposto nos artigos retro transcritos. A recorrida entende indevida a multa moratória, alegando que, no caso de mera inadimplência, ao efetuar o pagamento em momento anterior a qualquer atividade do Fisco, estaria caracterizada a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. Sem razão, contudo, considerando que a multa moratória não deve ser excluída em face da denúncia espontânea, que, consoante estabelece o artigo 138, está relacionada à responsabilidade por infrações. Isto porque a multa moratória não se constitui em penalidade por infração à legislação tributária, como refere o eminente tributarias Ruy Barbosa Nogueira: (...) Não merece prosperar, portanto a pretensão da recorrida de eximirse do pagamento da multa moratória, sob a alegação de que efetuou o pagamento espontaneamente. Ora, o recolhimento do tributo se deu fora do prazo, estando sujeito ao acréscimo da multa moratória, não se tratando, no caso, de aplicação de multa de ofício, hipótese em que deveria ser observado o disposto no artigo 138 do CTN. Tratase no presente caso, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo montante foi recolhido fora do prazo legalmente previsto, mas espontaneamente pago pelo contribuinte. Em tal hipótese, não há se falar em multa punitiva, mas, sim, de aplicação da multa moratória, porque prevista em lei, como medida de garantia indenizatória. (...) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904490/200883 Acórdão n.º 3401002.107 S3C4T1 Fl. 102 9 Outrossim, vale seja recordado que a legislação prevê que em casos como o dos autos, em que exista débito tributário impago e informado pelo contribuinte, através de declaração de compensação, não é necessário o lançamento do débito, uma vez que devidamente confessado. Desse modo, havendo previsão normativa afirmando a suficiência da declaração do contribuinte a respeito de sua situação fiscal, é legítima a recusa da Fazenda em reconhecer a espontaneidade do recolhimento. Porque a espontaneidade implica, isto sim, em pagamento do débito ao mesmo tempo que o confessa. Assim, se há legislação tornando dispensável o lançamento e considerando formalizado o crédito tributário, em documento que se tem o valor de confissão de dívida, não há como se exigir o lançamento fiscal para caracterizar a exigibilidade da multa. De outro viés, fica afastada, por certo, eventual multa de ofício, eis que o contribuinte declarou dever o tributo. Mas, como já dito acima, multa de ofício não se confunde com multa moratória, esta última devida simplesmente pelo pagamento a destempo, da mesma forma como é devida a multa nas hipóteses em que se atrasa o pagamento de prestações outras, tais como cartões de crédito, condomínio, prestações habitacionais, etc. (...)’ Negando seguimento ao referido Recurso Especial, assim se manifestou a autoridade Judicial: ‘(...) Tudo visto e examinado, decido. Esta é a letra do acórdão recorrido, particularmente a parte em que o Tribunal a quo afirma que o contribuinte efetuou o pagamento do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório do Fisco ou antes, sequer, da entrega da respectiva declaração tributária: (...) A exegese firmada pelo STJ é plenamente aplicável às hipóteses em que o tributo é pago com atraso, mediante PER/DCOMP, antes de qualquer procedimento do Fisco e, por extensão, da entrega da DCTF. O que ocorre, na verdade, é que a declaração de compensação realizada perante a Receita Federal, de acordo com a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637/2002, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Na sistemática dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a compensação equivale ao pagamento antecipado, visto que o sujeito passivo, ao invés de recolher o valor do tributo em pecúnia, registra na escrita fiscal o crédito oponível ao Fisco e o informa na PER/DCOMP. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 10 Em outras palavras, até que o Fisco se pronuncie sobre a homologação, seja expressa ou tacitamente, no prazo de cinco anos, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado. Este entendimento coadunase com a jurisprudência deste Tribunal e do STJ, consoante os acórdãos a seguir transcritos: (...) In casu, a autora promoveu o pagamento em guias DARF e a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal. Resta configurada, por conseguinte, a denúncia espontânea, fazendo jus à restituição dos valores pagos a título de multa moratória. (...)" Nesse passo, verificase estar caracterizada a denúncia espontânea, eis que não houve a constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos. Ademais, a compensação efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar a ocorrência de algum erro na operação de compensação.’ (...) No tocante à validade e eficácia imediata do pedido de compensação, colaciono os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECIDIDO PELO FISCO SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POSSIBILIDADE. 1. O pedido de compensação na esfera administrativa, mesmo anteriormente à nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, suspende a exigibilidade do crédito tributário porque enquanto pendente discussão administrativa, a dívida carece de certeza (existência) e exigibilidade. Precedente da Primeira Seção. 2. A processualidade administrativa é instrumento de acertamento do crédito tributário, além de conferir legitimidade ao título extrajudicial fazendário (CDA) pela participação em contraditório do contribuinte, razão pela qual se lhe deve render toda a eficácia possível. 3. Recurso especial provido." (REsp 972.531/AL, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/10/2009, DJe 27/11/2009). TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – COMPENSAÇÃO –HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA PELA ADMINISTRAÇÃO – RECURSO ADMINISTRATIVO PENDENTE –SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904490/200883 Acórdão n.º 3401002.107 S3C4T1 Fl. 103 11 – FORNECIMENTO DE CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. 1. As impugnações, na esfera administrativa, a teor do CTN, podem ocorrer na forma de reclamações (defesa em primeiro grau) e de recursos (reapreciação em segundo grau) e, uma vez apresentadas pelo contribuinte, têm o condão de impedir o pagamento do valor até que se resolva a questão em torno da extinção do crédito tributário em razão da compensação. 2. Interpretação do art. 151, III, do CTN, que sugere a suspensão da exigibilidade da exação quando existente uma impugnação do contribuinte à cobrança do tributo, qualquer que seja esta. 3. Nesses casos, em que suspensa a exigibilidade do tributo, o fisco não pode negar a certidão positiva de débitos, com efeito de negativa, de que trata o art. 206 do CTN. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 850332/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/05/2008, DJe 12/08/2008). Uma vez configurada a denúncia espontânea no presente caso, passo à análise da outra questão suscitada pela recorrente, qual seja, a de que a denúncia espontânea não exclui o contribuinte do pagamento da multa moratória. Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça possui firme entendimento de que o artigo 138 do CTN, ao ressalvar o contribuinte do pagamento de multa, não fez diferenciação entre multa punitiva e a multa moratória, motivo pelo qual não cabe ao intérprete fazêlo, pena de restrição indevida do âmbito de incidência normativo’. Nas suas razões de Agravo, a Procuradoria da Fazenda Nacional alegou: ‘(...) De início, ponderase acerca da legalidade do julgamento monocrático da presente causa, uma vez que a matéria objeto desta demanda não se enquadra nas hipóteses no art. 557, do CPC (...) Perceba Excelência que a decisão não poderia ter sido proferida monocraticamente, eis que não se afigura presente qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no art. 557, do CPC. A pretensão recursal deduzida pela União não contraria súmula ou entendimento jurisprudencial predominante deste STJ, nem do STF, muito menos de qualquer outro Tribunal Superior. (...) Ademais, mesmo no mérito, a r. Decisão agravada merece reparos (...) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 12 Com efeito, vêse que a caracterização do instituto da denúncia espontânea demanda o pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Em tese, é possível que se considere o pedido de compensação como efetivo pagamento, caso se paute por uma concepção genérica do termo pagamento. Todavia, da detida análise do CTN, aferese que o referido Código pautase por uma concepção estrita dos referidos termos, uma vez que diferencia pagamento e compensação (...) Outrossim, o Capítulo IV do Código Tributário Nacional é subdividido em seções, sendo que o pagamento e a compensação são tratados em seções distintas, nas quais são esmiuçadas as particularidades das referidas formas de extinção do crédito tributário . Ora, diante da concepção restrita do termo pagamento propugnada pelo Código Tributário Nacional, não cabe o alargamento de seu conceito, de modo a permitir que o contribuinte que formalize pedido de compensação possa beneficiarse do instituto da denúncia espontânea. Destarte, se o art. 138 do CTN exige pagamento do tributo e dos juros de mora, e o mesmo Código diferencia pagamento de compensação, é de se concluir que não se configura hipótese de denúncia espontânea no caso em que o contribuinte formaliza pedido de compensação de tributos’. E, finalmente, enfrentandoas, o Ministro Hamilton Carvalhido, acompanhado pelos Ministros Luiz Fux, Teori Albino Zavascki e Benedito Gonçalves (Presidente), assim se posicionou: ‘(...) In casu, negouse seguimento ao recurso especial interposto, com fulcro na jurisprudência dominante, por "(...) estar caracterizada a denúncia espontânea, eis que não houve a constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos." Tal entendimento se compatibiliza com as hipóteses traçadas no artigo 557, caput, do Código de Processo Civil, que autoriza o Relator a negar seguimento a recurso, quando contrário à jurisprudência dominante do respectivo tribunal, restando consolidado, ainda com mais força, o entendimento dominante do Superior Tribunal de Justiça. De resto, merece prevalecer a decisão ora agravada, posto que, uma vez configurada a denúncia espontânea no presente caso, passo à análise da outra questão suscitada pela recorrente, qual seja, a de que a denúncia espontânea não exclui o contribuinte do pagamento da multa moratória. (...) Pelo exposto, nego provimento ao agravo regimental. É O VOTO.’ Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904490/200883 Acórdão n.º 3401002.107 S3C4T1 Fl. 104 13 Assim, repito, no presente caso, em que a interessada, por meio da entrega da Dcomp extinguiu o débito em atraso antes de ter levado ao conhecimento do Fisco tal fato, resta caracterizada a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, na linha do entendimento manifestado pelo STJ e das demais considerações por mim expostas acima. Pelo exposto, dou provimento ao Recurso. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.916360/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. NECESSÁRIA. SUFICIENTE. VERDADE MATERIAL. IDENTIFICÁVEL EM ATO DE SIMPLES VERIFICAÇÃO.
A prova trazida apenas no recurso voluntário em descumprimento ao que dispõe a regra do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, precisa estar consubstanciada na escrituração contábil/fiscal e ressalte a verdade material em ato de simples verificação, para que tenha a sorte suplantar a preclusão do direito do recorrente de tê-la apresentado a destempo.
Numero da decisão: 3803-003.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Presidente substituto e Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. NECESSÁRIA. SUFICIENTE. VERDADE MATERIAL. IDENTIFICÁVEL EM ATO DE SIMPLES VERIFICAÇÃO. A prova trazida apenas no recurso voluntário em descumprimento ao que dispõe a regra do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, precisa estar consubstanciada na escrituração contábil/fiscal e ressalte a verdade material em ato de simples verificação, para que tenha a sorte suplantar a preclusão do direito do recorrente de tê-la apresentado a destempo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. NECESSÁRIA. SUFICIENTE. VERDADE MATERIAL. IDENTIFICÁVEL EM ATO DE SIMPLES VERIFICAÇÃO. A prova trazida apenas no recurso voluntário em descumprimento ao que dispõe a regra do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, precisa estar consubstanciada na escrituração contábil/fiscal e ressalte a verdade material em ato de simples verificação, para que tenha a sorte suplantar a preclusão do direito do recorrente de têla apresentado a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Presidente substituto e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 63 60 /2 00 9- 13 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0231.685, da DRJ/Belo Horizonte, de 4 de abril de 2011, fls. 63/65 (da imagem digitalizada), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. O processo foi constituído a partir da DComp transmitida em por meio da qual a Contribuinte acima identificada compensou os débitos nela declarados, com crédito proveniente de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador encerrado em 30 de setembro de 2005. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, fl. 2, mediante o qual não homologou a compensação pleiteada, fundada no fato de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Em manifestação de inconformidade apresentada, de fl. 1, alegou possuir créditos referentes ao PIS e à Cofins recolhidos a maior no período de novembro 2002 a setembro 2005, e que, após a constatação da existência de tais créditos, em dezembro de 2005, procedeu a sua compensação com impostos federais, por meio de PER/Dcomp, conforme legislação em vigor. Ressaltou que, por conta do equívoco incorrido quanto às informações que figuraram na DCTF entregue em 22 de maio de 2006, retificada em 21 de maio de 2009, demonstrando a existência do crédito. Em julgamento da lide a DRJ/Belo Horizonte constatou que a DCTF foi retificada após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Pela intempestividade da retificação e na ausência de prova que demonstrasse a existência do direito creditório, declarou a improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão em 13 de janeiro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 02 de fevereiro de 2012, em que indica o valor das receitas do mês de setembro de 2005 com peças tributadas à alíquota zero e anexa relatórios, sintético e analítico, em que lista os clientes a quem efetuara as vendas, notas fiscais correspondentes e respectivos valores. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como se vê do relatório, o desprovimento da manifestação de inconformidade centrouse na retificação da DCTF que extrapolou o prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador e ma falta de prova da alegação da existência do crédito utilizado na DComp. Na pretensão de estar suprindo a falha da defesa na primeira instância a Recorrente anexa os documentos acima referidos. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10680.916360/200913 Acórdão n.º 3803003.921 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 Consignese, antes do mais, que as provas do direto alegado devem vir acompanhadas da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o impugnante fazê lo em outro momento processual, por força do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, ressalvadas as hipóteses das letras “a”a “c”, deste parágrafo. A Recorrente não alega nenhuma das impossibilidades para a anexação dos elementos na manifestação de inconformidade, ou após a entrega desta, a requerimento perante a autoridade julgadora de primeira instância, documentos com que a Recorrente pretende provar sua alegação de legitimidade do crédito. Portanto, está, em tese, precluso o direito de fazêlo nesta instância, a menos que a prova trazida aos autos seja singela, de simples, direta e pontual verificação, em virtude do que sobrelevaria privilegiar o princípio da verdade material, que deve informar o processo administrativo fiscal. Contudo, no presente caso, a defesa não cuidou de apresentar o direito em que se funda a sua alegação, segundo os fundamentos jurídicos. Ademais, apreciando os documentos eles nada dizem com a escrituração contábil/fiscal, não são documentos contábeis, são anexos de algo não identificado, não são assinados, indicam clientes, não peças, portanto, não trazem qualquer comprovação do direito alegado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 13055.000037/2001-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
Tratando-se de ressarcimento o ônus de provar a existência do direito é do contribuinte, pelo que se mantém indeferimento de Crédito Presumido do IPI cujos pagamentos das aquisições de insumos não restaram comprovados.
Numero da decisão: 3401-001.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, conhecer e acolher, com efeitos infringentes, os embargos de declaração para retificar o acórdão nº 3401-00.715, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Jean Cleuter Simões Mendonça Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratando-se de ressarcimento o ônus de provar a existência do direito é do contribuinte, pelo que se mantém indeferimento de Crédito Presumido do IPI cujos pagamentos das aquisições de insumos não restaram comprovados.
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Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado CORTUME KRUMENAUTER S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. COMPLEMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. EFEITOS INFRINGENTES. DECORRÊNCIA DA SUPRESSÃO DA OMISSÃO. Constatada omissão no julgado relativo a embargos de declaração anteriores, por ter desprezado que a primeira instância já se pronunciara sobre matéria remetida neste grau recursal à unidade de origem, cabe acolher os novos embargos de declaração para completar o acórdão e, com efeitos infringentes, modificar o resultado do acórdão original em decorrência da supressão da omissão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratandose de ressarcimento o ônus de provar a existência do direito é do contribuinte, pelo que se mantém indeferimento de Crédito Presumido do IPI cujos pagamentos das aquisições de insumos não restaram comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, conhecer e acolher, com efeitos infringentes, os embargos de declaração para retificar o acórdão nº 340100.715, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Jean Cleuter Simões Mendonça –Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 5. 00 00 37 /2 00 1- 33 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13055.000037/200133 Acórdão n.º 3401001.912 S3C4T1 Fl. 190 2 Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório Tratase dos Embargos de Declaração de fls. 183/186, interpostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) no Acórdão nº 340100.715 (fls. 179/180), relativo a embargos anteriores da mesma PFN no Acórdão nº 20312.576 (fls. 165/170). Alega a Embargante que o último Acórdão persistiu em omissão apontada anteriormente, além de haver também inexatidão material, esta provocada por “lapso manifesto na análise na análise do acórdão de primeira instância.” Explica, referindose aos arts. 59 da Lei nº 9.069/951 e 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/962: 1 Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. 2 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13055.000037/200133 Acórdão n.º 3401001.912 S3C4T1 Fl. 191 3 Em seguida transcreve trecho do Acórdão dos primeiros embargos (o de nº 340100.715), segundo o qual o Acórdão original (de nº º 20312.576) remeteria às instâncias inferiores a análise acerca das provas do pagamento dos insumos adquiridos – e por isso este Colegiado, ao julgar os primeiros embargos, considerou não caracterizada a omissão já apontada naquela oportunidade , e aponta o lapso manifesto: “... ambos os acórdãos embargados deixaram de observar que a análise das provas requeridas pelo art. 82 da Lei nº 9.430/96 já foi feita pelo acórdão da DRJ (fls. 141/142)!”. Argúi, então, o seguinte: Ao final requer seja suprida a omissão e a inexatidão material apontadas, com eventuais efeitos modificativos, após arguir o seguinte: É o Relatório. Voto Fl. 192DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13055.000037/200133 Acórdão n.º 3401001.912 S3C4T1 Fl. 192 4 Apesar de no julgamento dos primeiros embargos a omissão ter sido descartada, desta feita verifico que restou devidamente caracterizada. O trecho do acórdão da DRJ, para o qual chama atenção a Embargante, evidencia que a primeira instância analisou e rejeitou, sim, as provas do pagamento apresentadas com a manifestação de inconformidade. Por terem desprezado essa análise da DRJ, tanto o acórdão original do Recurso Voluntário quanto o dos primeiros embargos incorreram na omissão apontada novamente pela douta Procuradora. Daí o recebimento dos presentes Embargos, visando completar o Acórdão eliminandose a omissão. Cabe repetir o trecho da DRJ que interessa de perto (fls. 141/142): (...) Fl. 193DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13055.000037/200133 Acórdão n.º 3401001.912 S3C4T1 Fl. 193 5 O Acórdão original desta Turma, sob o nº 20312.576, baseandose em outros processos da mesma Recorrente (no voto são mencionados os Recursos Voluntários nºs 129.555, 128.308 e 133.510), reputou contemplada a hipótese do parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430/96, sem atentar que a DRJ havia tratado da questão e mantido. Como demonstrado pelo trecho acima transcrito, a primeira instância manteve o indeferimento do Crédito Presumido do IPI considerando, também, que a contribuinte deixou de comprovar os pagamentos dos insumos. Dessarte, em vez de remeter a questão ao órgão de origem, como fez inicialmente esta Turma, cabe investigar e decidir se houve ou não comprovação dos pagamentos, de modo a satisfazer, ou não, a hipótese prevista no parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430/96. Como já informa o relatório do Acórdão nº 20312.576, tãosomente “reitera suas razões apresentadas perante as instâncias inferiores” (fl. 168, in fine). A referendar o relato fidedigno, observo que na peça recursal (146/153) a contribuinte, ao tratar dos pagamentos, apenas se reporta ao item 8 da manifestação de inconformidade (fls. 52/53), onde relaciona diversos pagamentos ao Sr. Pedro Reginaldo Bueno. Todavia, a primeira instância cuidou desses pagamentos e não os acatou como prova a invalidar a inidoneidade das notas fiscais porque “não foram efetuados para o pretenso fornecedor (Pedro Reginaldo Bueno), como deveria, mas sim para outras pessoas...” (item 4.2 do voto da DRJ, acima transcrito). Somente o pagamento correspondente a uma nota fiscal (a de nº 310, de R$ 17.070,00) foi efetuado ao Sr. Pedro Reginaldo Bueno. Como no Recurso Voluntário nada é acrescentado em relação aos aludidos pagamentos, o acórdão da DRJ não deve ser reformado. Assim como aquela instância, também entendo que as aquisições de insumos não tiveram seus pagamentos comprovados e, por isto, cabe dar efeitos infringentes a estes Embargos de modo a se manter o indeferimento. Quando se trata de pedido de restituição ou ressarcimento, o ônus de provar a existência do indébito ou direito a ressarcir é do contribuinte. Na situação dos autos, a ausência de comprovação dos pagamentos das aquisições de insumos constitui óbice ao ressarcimento pretendido. Cabia à Recorrente trazer aos autos tal comprovação, mas assim não foi feito. Assim, mantémse o indeferimento. Pelo exposto, admito os presentes Embargos de Declaração e os acolho com efeitos infringentes para retificar o Acórdão objeto dos presentes Embargos, sob o nº 3401 00.715, bem como o Acórdão original, de nº 20311.759, de modo que nego provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13055.000037/200133 Acórdão n.º 3401001.912 S3C4T1 Fl. 194 6 Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 195DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13890.000522/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
CÔNJUGE QUE APRESENTA DECLARAÇÃO NO MODELO SIMPLIFICADO. IMPOSSIBILIDADE DO OUTRO CÔNJUGE DEDUZIR DESPESAS DAQUELE QUE APRESENTOU DECLARAÇÃO EM SEPARADO.
Apresentada a declaração em nome do cônjuge mulher no modelo simplificado, fruindo do desconto simplificado que substitui todas as despesas dedutíveis (art. 10 da Lei nº 9.250/95), inclusive as despesas médicas, não poderia o esposo pinçar alguma das despesas da esposa, deduzindo-as na declaração auditada, sob pena de um duplo benefício, qual seja, a fruição do desconto simplificado na declaração dela (que substitui todas as despesas dedutíveis) e a dedução das despesas dela na declaração do marido. Assim, no momento foi apresentada a declaração da esposa no modelo simplificado, todas as despesas dedutíveis em nome dela estão absorvidas pelo desconto simplificado (exceto a despesa de parto do filho comum, que favorece ambos os conviventes).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-002.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 26/02/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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IMPOSSIBILIDADE DO OUTRO CÔNJUGE DEDUZIR DESPESAS DAQUELE QUE APRESENTOU DECLARAÇÃO EM SEPARADO. Apresentada a declaração em nome do cônjuge mulher no modelo simplificado, fruindo do desconto simplificado que substitui todas as despesas dedutíveis (art. 10 da Lei nº 9.250/95), inclusive as despesas médicas, não poderia o esposo pinçar alguma das despesas da esposa, deduzindoas na declaração auditada, sob pena de um duplo benefício, qual seja, a fruição do desconto simplificado na declaração dela (que substitui todas as despesas dedutíveis) e a dedução das despesas dela na declaração do marido. Assim, no momento foi apresentada a declaração da esposa no modelo simplificado, todas as despesas dedutíveis em nome dela estão absorvidas pelo desconto simplificado (exceto a despesa de parto do filho comum, que favorece ambos os conviventes). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 0. 00 05 22 /2 01 0- 56 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Ao contribuinte foram imputadas duas infrações, a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual do exercício 2008, quais sejam: · glosa de despesa médica de R$ 24.926,37, em nome da esposa Clotilde Amélia Riani Costa, não dependente, que apresentou declaração em separado, no modelo simplificado; · glosa de dedução com incentivo, no importe de R$ 300,00, referente a pagamentos ao GACC, APAE e Educandário Santa Maria Goretti, entidades não controladas pelos Conselhos municipais, estaduais ou nacional dos direitos das crianças e adolecentes. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 10ª Turma de Julgamento da DRJSão Paulo II (SP), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1752.065, de 06 de julho de 2011. O contribuinte foi intimado da decisão acima em 05/08/2011. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 1º/09/2011. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. a apresentação da declaração em separado da esposa somente aconteceu após o falecimento dela, por exigência do INSS. Aqui se ressalta que ela sequer teria condições de suportar a despesa médica, pois recebia um salário mínimo de aposentadoria, não auferindo pro labore da minilivraria que detinha. Para pagamento da despesa médica o contribuinte se valeu de empréstimo, com hipoteca da residência; II. a declaração em separado foi apresentada por equívoco e, assim, aqui se requer a juntada da declaração do marido e da esposa. É o relatório. Voto Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13890.000522/201056 Acórdão n.º 2102002.462 S2C1T2 Fl. 3 3 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Recurso voluntário tempestivo e que atende as demais exigências legais, razão que me leva a conhecêlo. O debate se circunscreveu à glosa das despesas médicas, única infração debatida na impugnação e no recurso voluntário. Apesar das alegações do contribuinte de que somente apresentou a declaração da esposa por exigência do INSS ou de que ela não tinha rendimentos para fazer frente às despesas glosadas, vêse que tais alegações não restaram comprovadas documentalmente nos autos, não havendo a juntada sequer da declaração em separado da esposa, para se confrontar os rendimentos dela em face da despesa médica glosada. Na linha acima, no momento em que a autoridade fiscal asseverou que as despesas médicas glosadas tinham como beneficiário sua esposa Clotilde Amélia Riani Costa, que apresentou declaração no modelo simplificado, caberia ao contribuinte auditado produzir uma robusta prova documental, a demonstrar o equívoco na apresentação da declaração em separado da esposa, o que não ocorreu neste processo. Inclusive sequer o contribuinte incluiu sua esposa como dependente, a demonstrar sua ciência da apresentação das duas declarações. Dessa forma, apresentada a declaração da Sra. Clotilde no modelo simplificado, fruindo do desconto que substitui todas as despesas dedutíveis (art. 10 da Lei nº 9.250/95), inclusive as despesas médicas, não poderia o fiscalizado pinçar alguma das despesas do cônjuge, colocando na declaração auditada, sob pena de um duplo benefício, qual seja, a fruição do desconto simplificado na declaração dela (que substitui todas as despesas dedutíveis) e a dedução das despesas dela na declaração do marido. Assim, no momento foi apresentada a declaração da esposa no modelo simplificado, todas as despesas dedutíveis em nome dela estão absorvidas pelo desconto simplificado (exceto a despesa de parto do filho comum, que favorece ambos os conviventes). Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15504.007178/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007
LUCRO ARBITRADO. Não sendo o arbitramento uma sanção, mas mera modalidade de apuração do IRPJ e CSLL, aplicável quando impossível se apurar o lucro real e a base ajustada, o que se deve verificar é se os documentos e livros que puderam de ser coligidos pela autoridade fiscal, com ou sem a ajuda da recorrente, o obrigava ou não ao arbitramento do lucro, para poder calcular o IRPJ e a CSLL.
IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. O § 1º do art. 674 do RIR/99 prevê a incidência do IRRF sobre pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Deve ser excluída da base do IRRF os pagamentos que estiverem comprovados por documentos idôneos.
MULTA QUALIFICADA. Revela o dolo de impedir o conhecimento pelo Fisco das verdadeiras condições pessoais da recorrente o fato de o Instituto se travestir de entidade filantrópica, para se dedicar a fins políticos, pois materialmente não se constituía em uma instituição de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico, nem muito menos estava prestando os serviços para os quais foi instituída.
Numero da decisão: 1302-001.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Paulo Roberto Cortez..
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 12/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, PAULO ROBERTO CORTEZ, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006, 2007 LUCRO ARBITRADO. Não sendo o arbitramento uma sanção, mas mera modalidade de apuração do IRPJ e CSLL, aplicável quando impossível se apurar o lucro real e a base ajustada, o que se deve verificar é se os documentos e livros que puderam de ser coligidos pela autoridade fiscal, com ou sem a ajuda da recorrente, o obrigava ou não ao arbitramento do lucro, para poder calcular o IRPJ e a CSLL. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. O § 1º do art. 674 do RIR/99 prevê a incidência do IRRF sobre pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Deve ser excluída da base do IRRF os pagamentos que estiverem comprovados por documentos idôneos. MULTA QUALIFICADA. Revela o dolo de impedir o conhecimento pelo Fisco das verdadeiras condições pessoais da recorrente o fato de o Instituto se travestir de entidade filantrópica, para se dedicar a fins políticos, pois materialmente não se constituía em uma instituição de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico, nem muito menos estava prestando os serviços para os quais foi instituída.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Paulo Roberto Cortez.. EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. EDITADO EM: 12/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, PAULO ROBERTO CORTEZ, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. .
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Não sendo o arbitramento uma sanção, mas mera modalidade de apuração do IRPJ e CSLL, aplicável quando impossível se apurar o lucro real e a base ajustada, o que se deve verificar é se os documentos e livros que puderam de ser coligidos pela autoridade fiscal, com ou sem a ajuda da recorrente, o obrigava ou não ao arbitramento do lucro, para poder calcular o IRPJ e a CSLL. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. O § 1º do art. 674 do RIR/99 prevê a incidência do IRRF sobre pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Deve ser excluída da base do IRRF os pagamentos que estiverem comprovados por documentos idôneos. MULTA QUALIFICADA. Revela o dolo de impedir o conhecimento pelo Fisco das verdadeiras condições pessoais da recorrente o fato de o Instituto se travestir de entidade filantrópica, para se dedicar a fins políticos, pois materialmente não se constituía em uma instituição “de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico”, nem muito menos estava prestando os serviços para os quais foi instituída. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Paulo Roberto Cortez.. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 71 78 /2 01 0- 68 Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 EDITADO EM: 12/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, PAULO ROBERTO CORTEZ, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. . Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte e (doc. a fls. 503 e segs.), em face do Acórdão n˚ 0229.941 da 4ª Turma da DRJ/BHE (doc. a fls. 473), cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007 São lícitas as provas colhidas no cumprimento de ordem judicial e, em sua apreciação, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. LUCRO ARBITRADO O IRPJ será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, sendo válido, para conhecer sua receita bruta, o emprego de registros extracontábeis. DOLO Evidencia intuito doloso a simulação de natureza de pessoa jurídica beneficente com o objetivo de ocultar atividades distintas da benemerência. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFCIADOS Sujeitase à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou sua causa. LANÇAMENTO REFLEXO Mantida em sua integridade o lançamento principal, igual sorte deve caber a seus consectarios, em face da relação que os vincula. Impugnação Improcedente Os objetos do referido acórdão foram os seguintes autos de infração: a) Imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos sem causa/operações não comprovada, no montante de R$ 273.632,70, mais multa de ofício qualificada e juros de mora, totalizando R$ 812.714,27; b) Imposto de renda pessoa jurídica sobre lucro arbitrado com base nas receitas auferidas pela recorrente nos anoscalendários de 2005 e 2006, no montante de R$ 47.801,94, mais multa de ofício qualificada e juros de mora, totalizando R$ 302.675,24; Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15504.007178/201068 Acórdão n.º 1302001.021 S1C3T2 Fl. 3 3 c) Contribuição social sobre o lucro líquido sobre o lucro arbitrado com base nas receitas auferidas pela recorrente nos anoscalendários de 2005 e 2006, no montante de R$ 47.801,94, mais multa de ofício qualificada e juros de mora, totalizando R$ 141.702,90. No seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta as seguintes razões de defesa: a) que a recorrente não é parte no processo judicial n˚ 2007.38.00.032208 70/2008.38.00.038500, do qual a presente fiscalização teve origem; b) que consta, nos autos deste processo administrativo,cópia da decisão judicial que estendeu a quebra de sigilo a ReceitaFederal, contudo nela não consta o nome do impugnante como réu no processo, como denunciado ou qualquer parte no processo; c) que o compartilhamento de dados deferido pelo Juízo Criminal é entre os réus daquele processo e a Receita Federal, logo, se a ora recorrente não é parte no processo, não poderiam seus dados serem compartilhados com a Receita Federal, já que o despacho do Juiz Criminal não irradia efeitos em relação a um terceiro, estranho ao processo criminal; d) que, assim, os documentos que serviram de base para o lançamento teriam sido obtidos por meios ilícitos, já que não existe ordem de compartilhamento de dados com eficácia jurídica na relação estabelecida entre o Fisco e a recorrente; e) que o mandado de busca e apreensão acostado aos autos tinha fins penais, e visava colher "elementos de prova, relativos à prática dos crimes relacionados à manutenção do esquema de blindagem patrimonial", portanto, a finalidade não era colher elementos de prova para lançamento tributário e, acrescese ainda, que para o Impugnante não existe decisão judicial que o estenda para fins tributários, logo, resta evidente que os documentos apreendidos quando da busca e apreensão não podem ser utilizados pelo Fisco para embasar lançamentos tributários em desfavor do recorrente; f) que, o ministro Celso de Mello já havia decidido no Habeas Corpus 82.788, que não é admissível a apreensão de documentos em escritórios sem mandado judicial; g) que a operação da Policia Federal tinha cunho eminentemente fiscal tributário e, portanto, os documentos fiscais e contábeis do Instituto foram os principais alvos de apreensão, logo, é lógico que a primeira coisa que a Policia Federal fez foi apreender os documentos e livros fiscais, como provam os documentos e livros fiscais que o Fisco encontrou e que embasou o lançamento fiscal ora contestado; h) que o Fisco não poderia ter arbitrado o lucro, mas considerado como correto todas as declarações apresentadas, uma vez que os documentos fiscais que foram apreendidos pela Policia Federal não estavam em poder do recorrente e, portanto, não poderiam ser apresentados; i) que o IRRF somente poderia ser exigido se tivesse havido pagamento, logo, não existindo o denominado pagamento sem causa, não existe fato ferador do tributo; j) que Fisco Federal, com base em documentos que não retratam a realidade, suspendeu a imunidade[sic] do Instituto ora Recorrente, ou seja, uma planilha apócrifa, sem nenhum documento vinculado; Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 l) que não vai neste momento discutir a referida suspensão da imunidade, pois interessalhe agora, os documentos e fatos que embasaram a referida suspensão de imunidade; m) que a planilha com pagamentos efetuados pela recorrente, que embasou o lançamento do IRRF, tem beneficiário identificado e causa demonstrada; n) se houve suspensão da imunidade exatamente por causa destes pretensos pagamentos, ele deve ser considerado como beneficiário identificado, pois não foi a recorrente que disse que tal pagamento foi para tal finalidade, mas o próprio Fisco que determinou para onde foram efetuados tais pagamentos; o ) que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ( à época Conselho de Contribuintes), tem entendimento no sentido de que se o próprio fisco identifica para quem foram feitos os pagamentos e para que foram efetuados, não se pode considerar que houve pagamento sem causa; p) auditores fiscais impuseram multa de 150% sem nenhum fundamento fático ou jurídico; q) que é dantesco, grotesco a imposição de multa qualificada simplesmente porque foi encontrado uma planilha apócrifa, que traz informações dúbias sem certeza dos valores que pudessem efetivamente ter sido pagos pelo Instituto e se foram pagos, porque não existe um único comprovante dos pagamentos alegados; r) que os pagamentos efetuados pelo Instituto foram declarados por meio da DIPJ, conforme ressaise dos documentos acostados aos autos, logo, em momento algum o recorrente tentou esconder da fiscalização as despesas incorridas, razão pela qual deve ser expurgada a multa qualificada indevidamente aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário do contribuinte deve ser conhecido, pois atende aos pressupostos de admissibilidade. Inicialmente, salientese que, em 16/08/2010 , a recorrente tomou ciência do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 310/2010 (doc. a fls. 251 a 253 do vol. I), que lhe suspendeu o gozo da isenção de que trata o art. 15 da Lei nº 9.532/97, e não apresentou impugnação. Vale trazer à colação o seguinte excerto da decisão proferida pelo Juiz da 4ª Vara Criminal da Justiça Federal em Minas Gerais (doc. a fls. 02 d0 Anexo I), nos autos do Processo n° 2007.38.00.03220870, in verbis: “Extensão da quebra de Sigilo à Receita Federal Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15504.007178/201068 Acórdão n.º 1302001.021 S1C3T2 Fl. 4 5 Como é sabido, a novel jurisprudência do E. Supremo Tribunal Federal acerca dos crimes contra ordem tributária exige o término do processo administrativo fiscal, isto é, a constituição definitiva do crédito tributário como condição (justa causa) para o oferecimento da ação penal. Tal orientação inovadora impõe, por sua vez, uma interpretação diferenciada das normas processuais que disciplinam a formação da prova nos crimes contra a ordem tributária. Desta forma, ao seguirse o entendimento do STF, apontase manifesto que nos delitos tributários a ‘apuração das infrações penais e da sua autoria’ (art.4°. do CPP) foi transferida para as Administrações Tributárias. O inquérito policial só será necessário caso haja crimes conexos como formação de quadrilha, crimes financeiros, etc. Tal conclusão se impõe pois ao tomar o processo administrativo fiscal indispensável para a realização do tipo penal, toda prova colhida judicialmente que indique a presença de fatos geradores de obrigações tributárias deve ser compartilhada com a Receita Federal para que instaure a necessária ação fiscal e comprovando o não recolhimento ou a sonegação, que lavre o auto de infração (art 142 do CTN). Isso posto, no que concerne à extensão em favor da Secretaria da Receita Federal de Minas Gerais das quebras de sigilo fiscal, bancário, telefônico, informático e telemático, bem como dos documentos apreendidos durante a busca e apreensão, entendo que este compartilhamento mostrase imprescindível uma vez que há indícios da prática de ilícitos contra a ordem tributária e consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal a consumação (e o início da prescrição) dos crimes materiais contra a ordem tributária encontrase condicionada à constituição definitiva do crédito tributário pelo fisco. Assevero, outrossim, que o compartilhamento destes dados sigilosos tem previsão no ordenamento jurídico por meio da Lei Complementar n° 105/2001: Nesse sentido: Art. 1 (...) § 3° Não constitui violação ao dever de sigilo: (...) III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art 11 da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996. IV A comunicação às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer atividade criminosa.' Ademais, só podem ser aproveitados pela autoridade fiscal aqueles dados pertinentes à administração tributária, isto é, pertinentes à fiscalização para efeito de constituição de crédito tributário, sendo certo que, por dever de Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 ofício, a autoridade administrativa, está obrigada a preservar o sigilo dos dados a que tenha acesso, configurando infração penal a eventual divulgação que venha a ser feita. Desse modo, determino a intimação do Superintendente da Receita Federal em Minas Gerais, a fim que designe equipe para analisar os autos relativos às quebras de sigilo telefônico, bancário, informático e telemático, bem os malotes derivados das apreensões realizadas nestes autos e acautelados nesta secretaria, a fim de subsidiar eventual instauração de ações fiscais ou ainda instruir ações já instauradas. Autorizo, desde já, a carga dos malotes pela Receita Federal pelo prazo de 60 dias quando então deverão ser devolvidos à Secretaria, com termo nos autos.”. Como se vê, as provas que instruíram o lançamento tributário em tela foram encaminhadas para a Receita Federal por expressa determinação judicial, logo, não cabe a esta esfera administrativa de julgamento analisar questionamentos, apresentados pela recorrente, sobre o acerto da referida decisão judicial. Noutro ponto, confundese a recorrente, quando sustenta que as provas só poderiam ser utilizadas para verificação de obrigações tributárias dos réus do referido processo judicial. Ora, a determinação judicial é clara ao asseverar “que toda prova colhida judicialmente que indique a presença de fatos geradores de obrigações tributárias deve ser compartilhada com a Receita Federal para que instaure a necessária ação fiscal e comprovando o não recolhimento ou a sonegação, que lavre o auto de infração”. Ademais, os tipos penais ali tratados só podiam ser imputados a pessoas físicas, ainda que elas tenham se valido da recorrente pessoa jurídica para praticar a conduta delitiva. Por sua vez, a eventual responsabilidade tributária decorrente das situações (que constituam fato gerador tributário) demonstradas pelo referido conjunto probatório recai na pessoa jurídica recorrente, embora, pudesse a autoridade fiscal ter imputado também a responsabilidade tributária solidária das pessoas físicas que tivessem interesse comum em tais situações. A recorrente também desqualifica o valor probatório da planilha “Fluxo de Caixa em Espécie” encontrada durante a busca e apreensão e que serviu de base para os lançamentos em tela. Neste ponto, também, não procede as alegações da recorrente, primeiro porque a referida planilha foi encontrada em poder dela e é de uma riqueza de detalhes que, caso não correspondesse à verdade dos fatos, a recorrente poderia facilmente demonstrar a improcedência dos dados, mas limitouse a desqualificála genericamente sem apresentar qualquer prova em contrário. Ademais, conforme a seguir restará demonstrado, também foram apreendidos documentos que lastreiam lançamentos da referida planilha (por exemplo, a nota fiscal a fls. 165 e o lançamento na planilha a fls. 357), restando assim evidente a sua veracidade. Do lançamento do IRRF – pagamento sem causa O lançamento do IRRF foi fundamentado no § 1º do art. 674 do RIR/99, o qual prevê a incidência desse tributo sobre pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Assim, o caso em tela, há que se perquirir se constam dos autos documentos idôneos que comprovem as operações discriminadas na Planilha elaborada pela Fiscalização e intitulada “Pagamento sem causa”. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15504.007178/201068 Acórdão n.º 1302001.021 S1C3T2 Fl. 5 7 Antes disso, porém, há que se esclarecer que o objetivo da norma em tela é tributar o beneficiário do pagamento ou repasse de recurso, o qual não seria alcançado pela tributação por falta de comprovação da operação ou da própria identificação do beneficiário. Notese que ser ou não ser a despesa dedutível é irrelevante para fins do lançamento do IRRF, pois o que se visa é alcançar tributariamente o beneficiário do pagamento ou do repasse do recurso. Assim, a existência de documento fiscalmente idôneo, para comprovar a existência da operação e responsabilizar o beneficiário do pagamento pelos tributos sobre ele incidente, ainda que a despesa não fosse dedutível para fins de IRPJ, afasta a aplicação da norma em tela, uma vez que os elementos do fato imponível estarão perfeitamente identificados. Logo, no caso em tela, sustento que são documentos idôneos: notas fiscais, nas quais constem a recorrente como destinatária dos bens e serviços, ou recibos emitidos por terceiros profissionais autônomos, em ambos os casos, desde que possível relacionar a operação neles indicadas com alguma daquelas constantes da lista de “Pagamentos sem causa” elaborada pela Fiscalização. Assim, ao se compulsar os volumes I e II dos autos, constatase a existência de alguns documentos que atendem a tais condições, de tal forma que devem ser excluídos da base tributável do IRRF os seguintes valores: 1. pagamento feito no valor de R$ 1.050,00 a Caetano Esporte (Caetano de Paula Ferreitra Silva), em 29/06/2006, o qual gerou a base tributável de R$ 1.615,38, pois a Nota Fiscal nº 009046, a fls. 138 do vol. I, no valor de R$ 3.150,00, indica claramente um pagamento parcelado com prestações no valor de R$ 1.050,00; 2. pagamento feito no valor de R$ 540,00 a Fundação Expansão Cultural, em 07/07/2006, o qual gerou a base tributável de R$ 830,77, pois há a Nota Fiscal nº 0010475, a fls. 159 do vol. I, no valor de R$ 540,00; e 3. pagamento feito no valor de R$ 270,00 a RDR Impressão Digital e Acabamentos Ltda., em 26/06/2006, o qual gerou a base tributável de R$ 415,38, pois há a Nota Fiscal nº 003894, a fls. 162 do vol. I, e o aviso de cobrança a fls. 164. Constam, dos volumes I e II dos autos, outras notas fiscais e recibos, os quais deixo de considerar, por não poder relacionar, em data ou valor, com lançamentos feitos na planilha em tela. Do arbitramento do lucro Quanto à alegação de que o arbitramento do lucro seja indevido, por estar a documentação fiscal da contribuinte em poder da Polícia Federal, a autoridade fiscal rechaça, de plano, tal alegação nos ites 22 e 23 do Termo de Verificação de Infração a fls. 335 do vol. I, quando informa que: “22. Tendo em vista as alegações sucessivas do contribuinte de que os documentos fiscais e contábeis haviam sido apreendidos em decorrência da denominada Operação Castelhana deflagrada pela Polícia Federal, cumpre a esta fiscalização esclarecer que em nenhum Auto de Apreensão lavrado pela Polícia Federal em função dos diversos Mandados de Busca e Apreensão decorrentes da Operação Castelhana, vinculados ao IPL no. 3.338/2006 SR/DPF/MG – Processo n. 2006.357980, consta que tenham sido apreendidos Livros Fiscais e/ou Comerciais do fiscalizado.Tal circunstância Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 também foi constatada pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil que compareceram na sede do Ministério Público Federal em Minas Gerais. Nesta ocasião foram lavrados, na presença de servidores do Ministério Público Federal, diversos Termos de Deslacração, Exame de Documentos, Constatação e Lacração, sendo que nenhum Livro Fiscal ou Comercial da empresa em tela foi encontrado na documentação apreendida pela Polícia Federal. 23. Cópia dos Mandados de Busca e Apreensão, Autos de Apreensão lavrados pela Polícia Federal, da decisão judicial no processo 2007.38.00.03220870 que estende a quebra de sigilo à Receita Federal, da Certidão emitida pela 4 a Vara da Justiça Federal de 1 o . Grau em Minas Gerais no processo 2008.38.00.0038500 e dos Termos de Deslacração, Exame de Documentos, Constatação e Lacração realizados por Auditores da SRFB na presença de funcionários do MPF encontramse nos anexos I e II deste processo administrativo fiscal 15504.007178/201068 e revelam através de uma leitura atenta e minuciosa que não há o registro de apreensão de qualquer Livro Fiscal ou Comercial da empresa fiscalizada.Portanto não pode prosperar a tese do fiscalizado de que seus Livros Fiscais e Comerciais estariam em poder da União Federal, tentando com isso eximirse da responsabilidade pela não entrega dos mesmos;” Com efeito, ao se compulsar os anexos I e II dos autos, não se verifica, entre os autos de apreensão e os termos de deslacração, exame de documentos, constatação e lacração qualquer referência a livros contábeis ou fiscais. Nesse sentido, vale ressaltar que alguns autos de apreensão fazem referência genérica a documentos contábeis e fiscais, o que não se confunde com livros contábeis e fiscais. Aliás, há vários documentos contábeis e fiscais nos autos, sejam notas fiscais, planilhas de fluxo de caixa elaborada pela recorrente, recibo de depósito bancário etc., todos eles apreendidos na ação da Polícia Federal, mas insuficientes para a apuração do lucro real e da base ajustada. Por outro lado, a recorrente disso informada, persistiu em afirmar que os livros contábeis e fiscais estavam em poder da União. Ora, não sendo o arbitramento uma sanção, mas mera modalidade de apuração do IRPJ e CSLL aplicável quando impossível se apurar o lucro real e a base ajustada, o que se deve verificar é se o que pôde ser coligido pela autoridade fiscal, com ou sem a ajuda da recorrente, o obrigava ou não ao arbitramento do lucro, para poder calcular o IRPJ e a CSLL devida pela recorrente. Assim, não tendo a recorrente disponibilizado os livros contábeis e fiscais nem estando os livros em poder da Polícia Federal, procedente o arbitramento do lucro, pois, desta forma, impossível apurar o lucro real e a base ajustada dos anoscalendários de 2005 e 2006. Da multa de ofício qualificada O Instituto Juvenil Alves foi formalmente constituído para manter, sustentar e ajudar obras sociais, beneficentes e famílias carentes, razão pela qual gozava das isenções do IRPJ e da CSLL de que trata o art. 15 Lei nº 9.532/97. Todavia, o conjunto probatório dos autos é robusto no sentido de apontar a utilização da entidade filantrópica para fins políticos partidários do Sr. Juvenil, como provam os gastos realizados pela entidade e o documento de fls. 74, apreendido durante a Operação Castelhana, no qual revelase a orientação dos seus dirigentes de que a verdadeira finalidade do Instituto não venha à tona, se não vejamos: Instituto Juvenil Alves [...] Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15504.007178/201068 Acórdão n.º 1302001.021 S1C3T2 Fl. 6 9 NOTA: É VEDADA A VINCULAÇÃO DO INSTITUTO A POLÍTICA, SOB PENA DE PERDA DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. PARA EMPRESA MAIOR RISCO É PREJUÍZO FINANCEIRO PARA JUVENIL EFEITOS NEGATIVOS NA IMAGEM E PROBLEMAS COM LEGISLAÇÃO ELEITORAL. Ora, a utilização de uma entidade filantrópica para fins eminentemente político, sabendo que, assim atuando, não gozaria da isenção tributária do IRPJ/CSLL, revela claramente o dolo de impedir o conhecimento pelo Fisco das verdadeiras condições pessoais da recorrente, já que materialmente não se constituía em uma instituição “de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico”, nem muito menos estava prestando os serviços para os quais foi instituída, conforme determina o indigitado art. 15 para o gozo da isenção. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento PARCIAL ao recurso voluntário da contribuinte, para excluir das bases tributáveis do Imposto de Renda Retido na Fonte os seguintes valores: a) do fato gerador de 26/06/2006, excluir da base tributável R$ 415,38; b) do fato gerador de 29/06/2006, excluir da base tributável R$ 1.615,38; c) do fato gerador de 07/07/2006, excluir da base tributável R$ 830,77. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 . Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11080.009099/2005-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3201-000.289
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Mércia Helena Trajano D'Amorim Presidente substituta e relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Winderley Morais Pereira e Luciano Lopes de Almeida. Ausentes justificadamente Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Maris Gudiño. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de lançamento de ofício de PIS cumulativo e não cumulativo envolvendo períodos desde maio de 2001 até dezembro de 2004 (fls. 03 a 12 e Relatório de Ação Fiscal de fls. 574 a 594). A fiscalização se Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.009099/200500 Resolução nº 3201000.289 S3C2T1 Fl. 2 2 iniciou em 15/06/2005 (fls. 01 e 13 e 14), sendo o contribuinte cientificado do lançamento em 21/11/2005. No procedimento fiscal foi constatado o seguinte: omissão de rendimentos recebidos por serviços prestados, falta de declaração e pagamento de valores devidos, não tributação de receitas financeiras e utilização indevida de créditos pela sistemática não cumulativa do PIS e Cofins. Neste processo, foi lançado o valor de principal de PIS de R$ 194.845,90 e valor total, incluindo a multa de ofício de 75% e juros moratórios, de R$ 405.351,36 (a Cofins consta do processo 11080 009.098/200557). Ressalta, a fiscalização, que confirmou valores recebidos com os principais clientes da empresa, os órgãos públicos DAER, Metroplan e Secretaria do Planejamento do Estado – RS, e que considerou as receitas pelo regime de caixa, de acordo com o critério utilizado pela empresa. As deduções de créditos não foram consideradas por referiremse a despesas com serviços e insumos utilizados em obras da atualidade, enquanto as receitas referemse a obras de períodos anteriores. A empresa apresentou, em 20/12/2005, tempestivamente, impugnação ao lançamento (fls. 610 a 759). Considera que o auto de infração possui erros ao desconsiderar valores informados em DCTF e pagamentos. Aborda cada período separadamente, argumentando também pela inexistência de omissão, sustentando que a tributação deve ser diferida até o efetivo pagamento no caso de obras de caráter público. Sobre os pagamentos efetuados em atraso de forma espontânea, argumenta que devem ser considerados sem qualquer imposição de multa moratória. Transcreve decisões do STJ e Conselho de Contribuintes em favor deste entendimento. Argumenta também pelo afastamento da tributação das receitas financeiras introduzida no art. 3º da Lei 9.718/98, em desacordo com o art. 110 do CTN, “alargando” o conceito de faturamento. Sobre o assunto, considera já existirem manifestações suficientes do STF pela inexigência. Em relação a exclusão dos créditos, indica ser sua desconsideração sem fundamento, já que o lançamento nada demonstra ou comprova, nem sequer exemplifica. Ainda com relação a este item, protesta pela inexistência dos dispositivos legais infringidos. Por fim, requer o cancelamento integral do lançamento. A unidade de jurisdição considera tempestiva a impugnação e encaminha o processo para apreciação da DRJ. É o relatório.” O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1025.006 de 23/04/2010, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2004 NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nula a parte do auto de infração que não cumpriu o requisito prescrito como obrigatório no inciso III do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, quando implicar cerceamento ao direito de defesa, nos termos do inciso II do art. 59 do mesmo decreto. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.009099/200500 Resolução nº 3201000.289 S3C2T1 Fl. 3 3 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2004 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. BASE DE CÁLCULO DA LEI 9.718/98. A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. OMISSÃO DE RECEITAS. Iniciado o procedimento fiscal, compete à fiscalização constituir de ofício eventuais créditos tributários, cuja gênese decorra de receitas subtraídas à tributação e que não tenham sido declarados. O pagamento efetuado antes da lavratura do auto de infração, por sujeito passivo que perdera a espontaneidade, não tem o condão de suspender o curso normal da ação, devendo ser lançada a totalidade do crédito tributário com a imposição de multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito tributário Mantido em Parte.” O julgamento foi no sentido de considerar nulo parte do lançamento decorrente da infração de creditamento indevido na sistemática da não cumulatividade, bem como considerar procedente em parte a impugnação para reduzir os valores lançados na forma da planilha apresentada na Conclusão do Voto do Acórdão. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, denominando recurso voluntário parcial, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Insiste que efetuou vários pagamentos, antes da fiscalização, e devem ser considerados, para fins de exclusão da multa moratória, tendo em vista Ag Rg no Recurso Especial 851.381RS. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. VOTO Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de lançamento de ofício de PIS cumulativo e não cumulativo envolvendo períodos desde maio de 2001 até dezembro de 2004. Constatouse o seguinte: omissão de rendimentos recebidos por serviços prestados, falta de declaração e pagamento de valores devidos, não tributação de receitas financeiras e utilização indevida de créditos pela sistemática não cumulativa do PIS e Cofins. Não obstante o resultado do julgamento, o qual foi no sentido de considerar nulo parte do lançamento decorrente da infração de creditamento indevido na sistemática da Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.009099/200500 Resolução nº 3201000.289 S3C2T1 Fl. 4 4 não cumulatividade, bem como considerar procedente em parte a impugnação para reduzir os valores lançados na forma da planilha apresentada na Conclusão do Voto do Acórdão. Diante dos fatos relevantes, tendo em vista os argumentos postos no recurso voluntário e para minha convicção, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM, no intuito de: 1) em relação às receita financeiras, PIS e COFINS, verificar, nos períodos quando a recorrente utilizou da sistemática cumulativa e quando da não cumulativa. 2)quanto à alegação de denuncia espontânea: a fiscalização deve informar se a empresa estava já sendo fiscalizada de PIS e COFINS, na época dos pagamentos espontâneos, bem como informar se eles foram integrais (afora a multa), e se eles foram informados em DCTF. Realizada a diligência, devese dar vista ao contribuinte e também a PGFN e querendo manifestaremse no prazo de 30 (trinta) dias; após, encaminhados os autos para prosseguimento no julgamento. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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