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Numero do processo: 15889.000541/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 SERVIÇOS GRÁFICOS. NOTAS FISCAIS PERSONALIZADAS. PRODUTO QUE NÃO É OBJETO DE REVENDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI. MEDIDA JUDICIA. CONCOMITÂNCIA. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Suspende-se a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial, quando então esta poderá ser restabelecida ou o lançamento integralmente cancelado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 IPI. MULTA DE OFÍCIO. VALOR NÃO DESTACADO EM NOTA FISCAL OU VALOR DO IMPOSTO CONSTITUÍDO. No caso de falta de lançamento do imposto na nota fiscal, a multa de ofício é aplicada em duas parcelas: a primeira, proporcionalmente ao imposto que deixou de ser apurado ou recolhido, e a segunda, relativamente à parte do imposto não lançado acobertado por créditos escriturais. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.606
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 SERVIÇOS GRÁFICOS. NOTAS FISCAIS PERSONALIZADAS. PRODUTO QUE NÃO É OBJETO DE REVENDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI. MEDIDA JUDICIA. CONCOMITÂNCIA. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Suspendese a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial, quando então esta poderá ser restabelecida ou o lançamento integralmente cancelado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 IPI. MULTA DE OFÍCIO. VALOR NÃO DESTACADO EM NOTA FISCAL OU VALOR DO IMPOSTO CONSTITUÍDO. No caso de falta de lançamento do imposto na nota fiscal, a multa de ofício é aplicada em duas parcelas: a primeira, proporcionalmente ao imposto que deixou de ser apurado ou recolhido, e a segunda, relativamente à parte do imposto não lançado acobertado por créditos escriturais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Relatora. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Redator Designado. EDITADO EM: 07/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de três autos de infração, lavrados contra a Recorrente, constituindo créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) – apurados em relação ao período de Dezembro/02 a Dezembro/03 (fls.05/31), Janeiro/04 a Setembro/04 (fls. 71/83) e Outubro/04 a Dezembro/06 (fls. 115/139). Os valores foram constituídos com base em vendas de bobinas personalizadas (utilizadas para a impressão de cupons fiscais, pelos clientes da Recorrente), que no entender do contribuinte são resultado de sua prestação de serviços gráficos – não sujeitas ao IPI, mas ao ISS – mas que, no entender da autoridade fiscal, configuramse industrialização e, assim, seriam passíveis de incidência do IPI. Além do tributo foram lançadas multas punitivas (i) de 75% sobre o valor do IPI que, após a reconstituição da escrita, a fiscalização entendeu ser devido e (ii) 75% sobre o valor do IPI não lançado, neste caso entendese todo o valor que deveria ter sido lançado, mesmo aquele que não gerou valor a recolher nos presentes autos de infração em virtude da compensação dos créditos tributários apurados. Intimada sobre a lavratura dos autos de infração a Recorrente apresentou as respectivas Impugnações (fls. 307/327; 364/384 e 423/442), nas quais alegou em síntese que: suas atividades consistem em prestação de serviços gráficos, personalizados, cujo resultado (as bobinas) não é utilizado em nenhum processo de industrialização, tampouco se destinam à revenda, razão pela qual não se sujeita à incidência do IPI sobre a venda das bobinas personalizadas; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 15889.000541/200741 Acórdão n.º 330201.606 S3C3T2 Fl. 2 3 a multa aplicada é abusiva e confiscatória, além de ter sido lançada em duplicidade: (i) sobre o IPI supostamente devido (diferença entre saldo credor e devedor) e (ii) sobre o IPI não lançado/destacado nas notas fiscais. Às fls. 487 há um comunicado interno da Receita Federal – DRF de Bauru – através do qual foram juntadas aos autos cópias de documentos que constam do Processo Administrativo nº 15372.000056/200879, em que também é parte a Recorrente. Estas cópias (fls. 488/508) comprovam a existência de uma ação judicial ajuizada pela Recorrente, visando o reconhecimento da inexistência de relação jurídica entre ela e União, que a obrigue ao recolhimento do IPI sobre suas atividades gráficas. Na inicial do processo judicial a Recorrente menciona a existência dos 03 autos de infração, objeto deste processo administrativo, para cobrança justamente do IPI em discussão naqueles autos. Foram juntados a estes autos, também, por petição apresentada pela Recorrente (fls. 510/525), cópias de decisões judiciais e resposta à consulta exarada pela Receita Federal, que corroboram os argumentos apresentados em suas Impugnações. Após analisar as impugnações apresentadas a DRJ expediu acórdão (fls. 526/533) através do qual manteve a totalidade do lançamento por entender que a atividade da recorrente está sim sujeita à incidência do IPI. A questão da existência de uma medida judicial não foi objeto de análise pela DRJ. Irresignada com a decisão a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 542/572), no qual reitera os argumentos trazidos em suas impugnações, além de alegar a nulidade da decisão, por demora de mais de 360 dias em analisar as impugnações apresentadas. Esclarece, ainda, que o fato de possuir saldo credor de IPI, não implica em seu reconhecimento da legalidade da exigência do imposto sobre seus serviços gráficos, pois a existência do referido saldo se dá em virtude de desenvolver outras atividades (produção de etiquetas não personalizadas), estas sim reconhecidamente sujeitas ao IPI. Na seqüência, vieram os autos para decisão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Inicialmente de se destacar que o mérito deste processo administrativo é o mesmo discutido nos autos da ação judicial ajuizada pela Recorrente, para reconhecimento da inexigibilidade do IPI sobre seus serviços gráficos de confecção de bobinas. Referida medida judicial (Ação Ordinária Declaratória Processo nº Fl. 209DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 2008.61.08.0008203) ainda não tem decisão final transitada em julgado (embora já tenha sido proferida sentença, favorável ao contribuinte). De toda forma, em razão da concomitância dos fundamentos da referida ação judicial, e do fundamento dos autos de infração discutidos neste processo administrativo, bem como em razão da prevalência das decisões judiciais sobre aquelas proferidas na instancia administrativa, entendo que fica prejudicada a análise do mérito. Neste sentido, destaco Súmula deste Tribunal: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A única matéria, objeto destes autos, que não foi levada à apreciação do judiciário é a questão do lançamento das multas de 75%. Embora a DRJ tenha entendido que não houve duplicidade no lançamento da multa, mas fatos geradores distintos – uma lançada de ofício, apenas sobre o valor do IPI constituído pelos autos de infração e outra sobre a obrigatoriedade da Recorrente de declarar corretamente a escrita do IPI – a Recorrente insiste em alegar que houve duplicidade no lançamento da penalidade: (i) uma sobre o IPI constituído, isto é, entendido como devido e (ii) outra sobre o IPI que não foi lançado nas notas fiscais emitidas, o que incluiu, novamente, aquele valor que foi entendido como devido. Da análise dos autos de infração que são objeto deste processo administrativo constatase que, de fato, ambas as multas de 75% estão fundamentadas no artigo 80 da Lei nº 4.502/64. Importante registrar que estas duas multas foram aplicadas apenas em dois dos autos de infração, o constante às fls. 05/31, referente aos fatos geradores incorridos de Dezembro/02 a Dezembro/03 e aquele acostado às fls. 115/139, relacionado aos fatos incorridos de Outubro/04 a Dezembro/06. Da análise das fls. 04, constatase que para estes dois períodos foram lançadas as multas (i) multa proporcional e (ii) multa IPI não lançado com cobertura de crédito. Em relação a estes autos a multa de 75% foi lançada tanto em relação ao IPI a ser cobrado – após o ajuste de saldo devedor x saldo credor – como foi lançada, também em percentual de 75%, sobre o valor total do IPI que deixou de ser lançado. O auto de infração de fls. 71/83, trata apenas de lançamento de uma multa isolada de 75%, em virtude da não realização da declaração do valor devido a título de IPI. Neste aspecto, não há que se falar, in casu, em duplicidade. Conforme atestam os autos, a lavratura data de 12/02/2007. À esta época, vigorava,para o inciso I, artigo 80, da Lei nº 4.502/64, a redação conferida pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa Fl. 210DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 15889.000541/200741 Acórdão n.º 330201.606 S3C3T2 Fl. 3 5 moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (...)”– destaquei. Está claro que a fiscalização entendeu, talvez por causa da interpretação conjugada com o inciso I, que o caput do mencionado artigo 80 previu a possibilidade de três infrações diversas e autônomas. Todavia, ao meu sentir, a correta interpretação do dispositivo legal é que a administração fazendária poderá punir o contribuinte por incorrer em uma infração OU outra, não cumulativamente nas duas. A questão, inclusive, pareceme mais evidente agora, na nova redação do citado dispositivo 80, com a alteração trazida pela Lei nº 11.488/07, que revogou parte do dispositivo legal, a saber: “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I revogado pela Lei nº 11.488, de 2007. (...)” – destaquei. É de clareza solar que o legislador, ao escolher a conjunção coordenativa alternativa (ou disjuntiva) pretendeu expressar uma relação de alternância, seja por incompatibilidade dos termos ligados ou por equivalência dos mesmos. Caso houvesse a intenção de mencionar mais de uma infração, o legislador, obrigatoriamente, por ser regra de gramática, deveria utilizar uma conjunção coordenativa aditiva, que indica, por conclusão óbvia, uma adição, neste caso “a falta de lançamento E a falta de recolhimento”. Desta forma e, assim como assevera a própria DRJ em seu acórdão, a multa prevista no art. 80 da citada Lei nº 4.502/64 somente pode ser aplicada sobre o valor do IPI que deixou de ser destacado (lançado na nota fiscal) OU sobre o valor do IPI que deixou de ser recolhido (e que é cobrado via auto de infração). E se esta interpretação estava dúbia na época do lançamento, está clara no novo dispositivo legal, e deve ser aplicada ainda que por força dos artigos 1061 e 1122 do Código Tributário Nacional – CTN. 1 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 211DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 Sendo assim, o lançamento da multa de 75% sobre o valor que deixou de ser lançado e que está constituído nos autos de infração (“Multa IPI não lançado com cobertura de crédito”) – para cobrança, após ajuste de saldos credor e devedor – não pode prosperar. Logo, deve ser cancelado o lançamento da multa de oficio sobre os valores de IPI, constituídos nos autos de infração de fls. 05 e de fls. 115, mantendose apenas as multas sobre os valores de IPI que, supostamente, deveriam ser lançados (caso se confirme a exigibilidade do imposto, na medida judicial). Assim, considerando, por fim, que a exigibilidade da multa está atrelada à exigibilidade do principal, ou seja, ao resultado final da ação judicial que analisa a legalidade da cobrança do IPI, sobre os fatos que são objeto deste processo administrativo, nem a cobrança da multa (na parcela mantida) nem a cobrança do IPI podem ser efetuadas antes de decisão final nos autos do processo judicial nº 2008.61.08.0008203, ajuizado pela Recorrente. Ante o exposto, conheço do recurso posto que presentes os requisitos de admissibilidade para, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL para (i) não conhecer a matéria atinente à incidência de IPI na atividade da Recorrente, em virtude da concomitância com a discussão judicial e (ii) cancelar a multa em duplicidade, aplicada sobre o IPI cobrado nos autos de infração, lembrando que os valores mantidos nos autos em análise estão com a exigibilidade suspensa até decisão final a ser proferida nos autos da medida judicial ajuizada pela Recorrente, quando então, a depender do teor da decisão transitada em julgado, definirse á se o imposto é ou não devido. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 2 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 15889.000541/200741 Acórdão n.º 330201.606 S3C3T2 Fl. 4 7 Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redator Designado Apenas discordo do entendimento da Ilustre Relatora em relação à multa de ofício. A referida multa era inicialmente prevista no art. 80 da Lei n. 4.502, de 1964. Posteriormente, foi transportada para o art. 45 da Lei n. 9.430, de 1996. Com a Lei n. 11.488, de 2007, novamente voltou a compor a Lei n. 4.502, de 1964. Entretanto, as hipóteses de aplicação da multa não mudaram: “A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido”. A multa incide ou na falta de lançamento do imposto na nota fiscal (falta de destaque) ou na falta de recolhimento do imposto. Obviamente, a primeira hipótese pode implicar, também, a falta de recolhimento do imposto, uma vez que o não lançamento na nota implica o não lançamento no livro e a não inclusão do débito na apuração do imposto devido no período de apuração. Portanto, a segunda hipótese representa a falta de recolhimento quando não tenha havido falta de lançamento do imposto na nota fiscal. Assim, há duas possibilidades de incidência da multa: a falta de lançamento do imposto na nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto. A base de cálculo da multa é especificada depois: no primeiro caso (falta de lançamento) a base é o valor do imposto que deixou de ser lançado e, no segundo, é o valor do imposto que deixou de ser recolhido. Obviamente, no caso de imposto não lançado, a base de cálculo da multa pode ser maior, como se verá posteriormente, do que o valor do imposto lançado, uma vez que os créditos reduzem a última. No caso dos autos, como se trata da primeira hipótese, a multa deve incidir sobre o total do imposto que deixou de ser lançado nas notas fiscais e, sua base de cálculo será maior do que o valor do imposto lançado, uma vez que a Interessada tinha créditos que reduziram o valor do imposto devido. Esclareçase que a Fiscalização dividiu o auto de infração em três períodos distintos, porque, no período central, os créditos da Interessada acobertaram todo o imposto que deixou de ser lançado nas notas fiscais (saldo credor). Nos primeiro e terceiro períodos, os créditos não foram suficientes para acobertar todos os débitos apurados e, assim, resultaram valores de imposto devido em vários períodos de apuração (saldo devedor), tendo, nesses casos, a multa sido parcialmente cobrada Fl. 213DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 8 proporcionalmente ao imposto apurado. Somente em relação ao imposto não lançado nas notas fiscais que teve acobertamento de créditos é que a multa foi lançada separadamente. Para demonstrar o afirmado, basta somar o total do imposto não lançado nas notas fiscais (infração efetivamente apurado nos presentes autos) e calcular o valor total das mulas aplicadas, que deverá ser igual a 75% daquele valor. O total da base de cálculo do IPI não lançado relativamente ao primeiro período (primeiro auto de infração) foi de R$ 1.381.788,82 (fls. 15 a 17); ao segundo, R$ 966.607,91; e ao terceiro, R$ 3.190.179,95 A tabela abaixo demonstra a comparação dos valores: AI Multa Proporc. Multa isolada Multa total Base de cálculo IPI não lançado (15%) Multa (75%) 1 20.801,56 134.649,40 155.450,96 1381788,82 207.268,32 155.451,24 2 0,00 108.743,22 108.743,22 966.607,91 144.991,19 108.743,39 3 181.998,10 176.896,90 358.895,00 3.190.179,95 478.526,99 358.895,24 Os valores da coluna “Multa total” (valores lançados) equivalem, a não ser por erros de arredondamento, aos valores da multa apurada de 75% (última coluna). Portanto, o valor da multa aplicada está correto e não houve, de forma alguma, aplicação de multa sobre a mesma base de cálculo. Há que se notar, ademais, que, sistematicamente, nos primeiro e terceiros autos de infração, a Fiscalização subtraiu da multa aplicada sobre o imposto não lançado sem cobertura de crédito os valores do IPI apurados nos períodos de apuração. Por fim, esclareçase que se trata de interpretação da Receita Federal do disposto no art. 80, § 8º, da Lei n. 4.502, de 1964 (ou da respectiva redação anteriormente contida no art. 45 da Lei n. 9.430, de 1996): § 8° A multa de que trata este artigo será exigida: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) I juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido; (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II isoladamente nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) Como o inciso I diz que a multa deve ser lançada junto com o imposto, quando não recolhido (que é exatamente o caso eu ocorre na apuração de saldos devedores), então ela é calculada proporcionalmente a ele, calculandose de forma isolada quando há apuração de saldo credor. Notese que nunca o referido dispositivo acima citado reduz a base de cálculo da multa prevista no caput do artigo. Quanto ao princípio da vedação ao confisco, aplicase a Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF n. 2 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 15889.000541/200741 Acórdão n.º 330201.606 S3C3T2 Fl. 5 9 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, no que se refere às demais matérias, voto por negar provimento ao recurso, relativamente à matéria não objeto da ação judicial. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 215DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 13603.723613/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2006
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. INEXISTÊNCIA. FATO PERMUTATIVO. A apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, pelo confronto entre as origens e as aplicações de recursos, é um método indireto de quantificação da renda omitida, pois não será possível identificar a natureza do rendimento omitido. Se for possível identificá-los, estes submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2101-002.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral o patrono do recorrido Dr. Decio Lima Jardim - CRC MG-105020/0.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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INEXISTÊNCIA. FATO PERMUTATIVO. A apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, pelo confronto entre as origens e as aplicações de recursos, é um método indireto de quantificação da renda omitida, pois não será possível identificar a natureza do rendimento omitido. Se for possível identificálos, estes submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral o patrono do recorrido Dr. Decio Lima Jardim CRC MG105020/0. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 36 13 /2 01 0- 51 Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Relatório A 5ª Turma da DRJ Belo Horizonte recorre de ofício de sua decisão às fls. 987/995 (Acórdão nº 0233.922, de 12 de agosto de 2011), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação e cancelou o crédito tributário constituído através do Auto de Infração às fls. 02/09. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (10/21), o fato tributável originouse do aumento de R$ 59.135.328,00 na participação social do Sr. Domingos Costa na Empresa Interpar Participações Ltda, sem o devido respaldo, tendo em vista a descaracterização da reserva e ágio através do auto de infração constante do processo nº 10976.000713/200946. Referido Termo dispõe que: “O contrato social da Interpar e sua 1ª alteração contratual são provas suficientes e válidas dos fatos neles registrados”. “Houve aumento do patrimônio, portanto um ganho para o contribuinte, e a prova apresentada pelo autuado para comprovação dos recursos utilizados para isto foi glosada, inclusive o contribuinte aderiu ao parcelamento dos débitos na Pessoa Jurídica sobre o assunto. Caracterizada está a situação de acréscimo patrimonial a descoberto presumindose a ocorrência de omissão de rendimentos.” A defesa apresentada pelo contribuinte em sua impugnação ao lançamento foi resumida pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Reunião de Processos O presente auto de infração guarda correlação com os lançamentos efetuados contras as empresas Interpar Participações (13603.723217/201024) e Inter Participações e Empreendimentos S/A (13603.723111/201021). Requer sejam reunidos os processos citados, de acordo com o art. 29 da Lei nº 9.784/99 e Portaria RFB nº 666/2008. Caso seja negada a juntada, requer seja sobrestado o presente processo, retornando seu curso apenas quando da prolação de decisão definitiva nos autos dos processos já citados. Do Desfazimento dos Atos de Reorganização Societária. Afirma que foram desfeitos, pela fiscalização os atos que culminaram na constituição da Reserva Especial de Ágio, invalidando a própria reserva. Entretanto, o feito fiscal exige IRPF em virtude de acréscimo patrimonial decorrente exatamente dos efeitos jurídicos da capitalização da reserva tida como inexistente. Se a reserva é inválida também não possui eficácia a capitalização dos lucros acumulados que deram origem à tributação na pessoa física. No próprio auto de infração relativo à empresa Domingos Costa Indústria Alimentícia a fiscalização intima o contribuinte a ajustar os valores de seu capital social aos fatos ali constatados. O próprio autuante reitera a correlação entre as fiscalizações. Ou a operação é válida para todos os fins ou não é válida para nenhum. A desconsideração vale para todos os efeitos. A reorganização praticada não permite o registro da Reserva Especial de Ágio e consequentemente, não pode haver ganho em aumento de participação societária pela pessoa física fundamentado em tal reserva. Como não é cabível o registro do ágio, não houve aumento patrimonial na participação societária. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13603.723613/201051 Acórdão n.º 2101002.102 S2C1T1 Fl. 716 3 O fisco negou enfaticamente, em diversas oportunidades, a existência legal do valor da Reserva de Ágio que foi transferida para lucros acumulados, depois capitalizado, dando origem à suposta variação patrimonial a descoberto na pessoa física. Momento da Tributação da Reserva Constituída de Forma Ilegal Para o Fisco a Reserva Especial de Ágio no valor de R$ 59.135.328,00, que deu origem ao registro do aumento patrimonial registrado na DIRPF, foi constituída de forma ilegal. Perante a legislação do IR, o valor correspondente à Reserva efetuada ilegalmente ou irregular, deve ser adicionado ao lucro líquido do período de sua constituição. Portanto, de acordo com a lei o valor de R$ 59.135.328,00 passa a integrar o patrimônio líquido da Inter Participações e Empreendimentos S/A em 31/12/2004 como lucros acumulados. Esse fato valida o saldo da conta Lucros Acumulados, acrescido do valor da reserva, não havendo, aumento patrimonial não justificado da pessoa física. Por outro lado, se a Reserva não é válida legalmente, não há lucros acumulados e, conseqüentemente, não há aumento de capital ou distribuição de novas ações da Inter Participações à pessoa física autuada. Convalidação da Reserva pela sua Tributação Ao tributar a realização da reserva no auto de infração lavrado contra a empresa Inter Participações (processo nº 13603.723111/201021) o próprio Fisco convalidou a disponibilização dela como lucros livres para distribuição aos sócios. Distribuição de Lucros e Dividendos São isentos para a pessoa física os dividendos calculados com base no resultado de 2004, no qual estava incluído o valor da reserva constituída irregularmente, mesmo que o tributo correspondente não seja pago pela pessoa jurídica. O imposto devido pela pessoa jurídica não altera a natureza de não tributável do lucro ou dividendo distribuído. Não Ocorrência de Prejuízo ao Fisco Como a participação societária aumentada não foi alienada, o registro da elevação na Declaração de Bens e Direitos da pessoa física não trouxe prejuízo ao Fisco. Somente haveria relevância fiscal se tivesse ocorrido a alienação das quotas. Como não houve fluxo financeiro na operação não pode haver tributação. A tributação das pessoas físicas ocorre pelo regime de caixa, ocorrendo o fato gerador somente no momento em que o contribuinte efetivamente os receber em dinheiro, o que não ocorreu no presente caso. O que ocorreu foi um suposto aumento do valor de suas quotas em virtude de capitalização da Reserva Especial de Ágio. Decadência O crédito fiscal encontrase extinto pela decadência. Os valores supostamente omitidos devem ser tributados mensalmente. O prazo decadencial é de cinco anos contados do fato gerador. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração, protestando pelo direito de produzir provas que se fizerem necessárias, conforme art. 38 da Lei nº 9.784/99. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau, em votação unânime, julgou procedente a impugnação, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No lançamento de ofício do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, em se tratando de rendimentos sujeitos ao ajuste anual recebidos no anocalendário e, tendo havido antecipação do pagamento do imposto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, ou seja, 31 de dezembro do respectivo anocalendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. Não se tributam, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, quando não verificado o excesso das aplicações sobre as origens de recursos. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em face do montante exonerado ultrapassar R$1.000.000,00, de acordo com o art. 34 do Decreto 70.235/72, com as alterações introduzidas pela lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 3/2008, foi interposto recurso de ofício pelo Órgão julgador de primeiro grau. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o valor exonerado na decisão de primeiro grau ultrapassa o limite de alçada indicado na Portaria MF nº 3/2008. Inicialmente, cumpre observar que subscrevo integralmente os fundamentos da decisão recorrida no que tange às questões suscitadas em sede de impugnação, relacionadas à decadência e à reunião para julgamento em conjunto deste processo com os processos de números 13603.723217/201024 e 13603.723111/201021, ou ao sobrestamento do julgamento deste processo. Tais matérias foram decididas em sentido contrário às teses defendidas pelo sujeito passivo. Do exame das peças processuais, verificase que a matéria submetida a recurso de ofício foi corretamente analisada pela 5ª Turma da DRJ Belo Horizonte, estando os fundamentos indicados no voto condutor do Acórdão nº Acórdão nº 0233.922 (fls. 987/995), em consonância com reiterados pronunciamentos deste CARF, no que tange à necessidade de Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13603.723613/201051 Acórdão n.º 2101002.102 S2C1T1 Fl. 717 5 se comprovar, na acusação de acréscimo patrimonial a descoberto, o efetivo desembolso de numerário que deu causa ao incremento patrimonial. No presente caso, o aporte de recursos na empresa Interpar Participações Ltda foi meramente escritural. Foi lançado acréscimo patrimonial a descoberto decorrente do aumento de R$ 59.135.328,00 na participação do autuado no capital social da referida empresa. Em 12/04/2004 houve a transferência na empresa Interparticipações e Empreendimentos do valor de R$ 59.135.328,00 da conta Domingos Costa Industria Alimentícia (DOCIASA) para a conta Reserva Especial de Ágio pela integralização de capital na DOCIASA. Em janeiro de 2005 houve a transferência do mesmo valor da conta Reserva Especial de Ágio para a conta de Lucros Acumulados; Em 19 de julho do mesmo ano ocorreu a transferência do valor de R$ 67.910.812,00 da conta de Lucros Acumulados para o capital social da Interparticipações e Empreendimentos. Em 22/07/2005, foi criada a empresa Interpar Participações através do contrato social de folhas 152/156, tendo como sócios o Sr. Domingos Costa e a Sra. Patrícia Macedo Costa. Em sua primeira alteração contratual (fls. 157/164), os sócios deliberam pelo aumento do capital social da Interpar de R$ 10.000,00 para R$ 72.131.549,00. Deste valor, o sócio Sr. Domingos Costa subscreveu e integralizou R$ 72.111.550 quotas de R$ 1,00 com 99.998 ações da empresa Interparticipações e Empreendimentos S/A. Este fato patrimonial, de natureza permutativa – aumento na participação no capital social do Sr. Domingos Costa na empresa Interpar Participações com ações da empresa Interparticipações e Empreendimentos S/A – é que motivou a exigência tributária em exame. Contudo, não houve aumento do patrimônio do autuado nesta operação. Podese até questionar a reserva especial de ágio, a conta lucros acumulados e a posterior distribuição do lucro (momento em que houve aumento patrimonial), como aliás o fez a fiscalização através dos lançamentos discutidos nos processos de nºs 13603.723217/201024 e 13603.723111/201021. De fato, a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, pelo confronto entre as origens e as aplicações de recursos, é um método indireto de quantificação da renda omitida, pois não será possível identificar a natureza do rendimento omitido. Se for possível identificálos, estes submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos. Portanto, na integralização de capital com ações de outra empresa não há acréscimo patrimonial a descoberto, pois tratase de mera troca de ativos, sem qualquer contabilização de dinheiro novo. Tal fato era do conhecimento da fiscalização e foi expressamente relatado no Termo de Verificação Fiscal que integra o Auto de Infração. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007103/2004-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/1999 a 29/03/2004
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF.
Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.929
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Rodrigo Cardozo de Miranda
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BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões. Valmar Fonseca de Menezes Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Valmar Fonseca de Menezes. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 346 a 380) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 304 a 323) que, pelo voto de qualidade, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte para considerar tributáveis as receitas de vendas de mercadorias e serviços, excluindo da base de cálculo da COFINS as receitas financeiras. No presente caso, a contribuinte, em 05/08/2004, teve lavrado contra si auto de infração (fls. 03 a 26) em decorrência de procedimento de fiscalização (Mandado de Procedimento Fiscal MPF fls. 01 a 02) no qual foi constatada falta de recolhimento da COFINS, sendo formalizada cobrança do crédito total de R$ 1.135.506,40. Conforme exposto acima, o recurso voluntário foi parcialmente provido. A ementa do referido julgado, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte Ementa: COFINS. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. BOLSA DE VALORES. CONCEITO DE ATIVIDADE PRÓPRIA. A receita de exploração de atividade mercantil (venda de mercadorias e serviços) é tributada pela Cofins porque não se enquadra no conceito de receita da atividade própria da recorrente. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N° 9.718/98. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. A Lei n° 9.718/98 já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF. Não é possível considerar devida, pelo contribuinte, contribuição decorrente de lei nula. Recurso provido em parte. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.007103/200469 Acórdão n.º 930301.929 CSRFT3 Fl. 2 3 A Fazenda Nacional, em seguida, opôs embargos de declaração (fls. 327 a 333) requerendo o saneamento das omissões e contradições encontradas. Os embargos foram apreciados e rejeitados. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial objetivando a inclusão na base de cálculo da COFINS das receitas financeiras da contribuinte, com fulcro no § 1° do artigo 3° da Lei nº 9.718/98. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. Contrarrazões às fls. 404 a 466. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Inicialmente, mister destacar que a premissa da exigência e o cerne do recurso especial da Fazenda Nacional diz respeito ao disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, especificamente quanto à base de cálculo da COFINS. Este dispositivo, como se sabe, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle difuso de constitucionalidade, o que limita a eficácia da decisão às partes do litígio. É de se notar, todavia, que este entendimento já foi objeto de decisões reiteradas pela Excelsa Corte, tendo sido, inclusive, cristalizado de forma definitiva pelo seu órgão plenário, com a reafirmação da jurisprudência no julgamento do RE nº 585.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, pela edição de súmula vinculante: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. (grifos e destaques nossos) Fl. 472DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Aplicável à espécie, portanto, o disposto no parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997: Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: 1 não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em divida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento , da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 473DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.007103/200469 Acórdão n.º 930301.929 CSRFT3 Fl. 3 5 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal, proferida em sede de repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vale reforçar que, quanto à hipótese ora em discussão, a Excelsa Corte reafirmou a sua jurisprudência acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, determinando, ainda, a edição de súmula vinculante. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 474DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003075/2008-19
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. Será excluída do Simples a pessoa jurídica que tenha débitos junto à Fazenda Pública Federal com a exigibilidade não suspensa.
Numero da decisão: 1803-001.281
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1520; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 111 1 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.003075/200819 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180301.281 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria IRPJ Recorrente HYDRA TOOLS INDUSTRIAL COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. Será excluída do Simples a pessoa jurídica que tenha débitos junto à Fazenda Pública Federal com a exigibilidade não suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.003075/200819 Acórdão n.º 180301.281 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues. Ausente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, em relação ao Ato Declaratório Executivo DRF/SOR n° 148026, de 22 de agosto de 2008, o qual determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 01/01/2009, em decorrência da existência de débitos com a Fazenda Pública Federal com exigibilidade não suspensa. Aduz, em síntese, ter efetuado parcelamento para ingresso no Simples Nacional em 17 de agosto de 2007, com valor mensal para pagamento dos débitos fiscais de R$100,00. Informa ter encontrado dificuldade para confirmar a operação, pensando, porém, ter sido incluída no parcelamento, sendo, então, surpreendida com o despacho decisório propondo o seu indeferimento. Argumenta que os débitos são passíveis de parcelamento e que a empresa preenche todos os requisitos necessários para a concessão do benefício, invocando a aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Prossegue referindo não ser razoável imputar à empresa a responsabilidade pela falha no sistema da Receita Federal, que a impossibilitou de confirmar a operação. Avoca os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e refere que na decisão dada pelo delegado da Recita Federal não houve a aplicação dos tais princípios, uma vez que indeferiu sumariamente o seu pedido de inclusão no Parcelamento do Simples Nacional, por simples erro material. Por fim, requer que seja acolhida a manifestação de inconformidade para o fim de ser incluir a empresa no Simples Nacional. A autoridade de primeira instância entendeu por manter a exclusão. Em sua decisão o julgador observou que a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente faz remissão ao despacho decisório n° 333, o qual indeferiu o ingresso da mesma no Parcelamento Especial a que se refere a Lei Complementar n° 123/07, caso em que a análise dessa manifestação não estaria incluída na competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ. Porém, entendeu que o pedido formalizado na manifestação de inconformidade remete o leitor à exclusão da empresa do Simples Nacional, caso em que o assunto estaria abrangido na competência do órgão julgador. Assim, considerou o princípio do informalismo moderado, segundo o qual não deve ser exigido do contribuinte excessivo rigor de forma, de modo a rejeitar atos de defesa e recursos equivocadamente qualificados, e considerou, também, a ausência de previsão na legislação vigente acerca da possibilidade de apresentação de impugnação em relação ao Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.003075/200819 Acórdão n.º 180301.281 S1TE03 Fl. 113 3 despacho que indeferiu a adesão do contribuinte ao parcelamento, entendendo que a manifestação devia ser conhecida. No mérito, a autoridade a quo aduz que a recorrente foi excluída do Simples Nacional a partir de 01.01.2009 por possuir débitos junto à Fazenda Pública Federal com a exigibilidade não suspensa. Refere que o extrato anexado às fls. 58/61 dos autos demonstram os débitos previdenciários e não previdenciários que ensejaram a emissão do Ato Declaratório Executivo DR17SOR n° 148026, enquanto o documento de fls. 64/66 demonstra os débitos existentes após o prazo concedido para regularização das pendências, evidenciando a não regularização da totalidade das pendências existentes pela recorrente. Prossegue salientando que nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 587/2010, compete à Delegacia da Receita Federal, no âmbito da respectiva jurisdição, apreciar matéria relativa a parcelamentos, motivo pelo qual não apreciou os argumentos expostos pela recorrente nesse sentido. E, considerando a existência de débitos junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil com exigibilidade não suspensa, mesmo após o prazo concedido para regularização dos mesmos, deve ser mantido o Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 01/01/2009, motivo pelo qual manteve a referida Exclusão. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo sinteticamente que atualmente está com todos os débitos consolidados no parcelamento da forma prevista pela Lei n° 11.941/2009, sendo que não existe qualquer débito da mesma com a Fazenda Pública Federal o qual não esteja suspendo, pois todos estão parcelados. A recorrente junta os extratos do parcelamento, comprovando a consolidação de todos os débitos perante a Fazenda Pública Federal e alega que conforme dispõe o artigo 151, VI do Código Tributário, todos os débitos da recorrente estão com a exigibilidade suspensa. Razão pela qual não há motivo para manter a exclusão da recorrente do Simples Nacional. Entende que a manutenção da exclusão da recorrente do Simples Nacional é inconstitucional, posto que fere os determinantes da Carta Magna. O ato de exclusão do Simples Nacional consta como motivo da exclusão o inciso V do art. 17 d a LC 123/06, que trata das vedações ao ingresso no Simples Nacional (Capítulo IV, S e ç ã o II Das Vedações a o Ingresso no Simples Nacional), a alínea "d" do inciso II do art. 3°, combinada com o inciso I d o art. 5°, ambos da Resolução CGSN n. 15, d e 23 de julho de 2007. Prossegue argumentando também que além da inconstitucionalidade da exclusão do Simples Nacional das micro e pequenas empresas por falta de pagamento de tributos, a LC 123/06 trouxe consigo outro artigo inconstitucional, tratase do art. 29, incisos IX e X, que aborda a exclusão do Simples Nacional (Capítulo IV, S e ç ã o VIII Da Exclusão do Simples Nacional). E, nesta seara, discorre sobre o seu entendimento sobre a inconstitucionalidade do dispositivo em questão e da ordem econômica ferida das micro e pequenas empresas. Ainda, aduz que a exclusão das micro e pequenas empresas da sistemática do Simples Nacional, impondolhe a obrigatoriedade de optar por outra sistemática de tributação, Lucro Presumido ou Real, viola outro princípio constitucional, o da capacidade contributiva, pois, estas sistemáticas são muito mais onerosas que o Simples Nacional. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.003075/200819 Acórdão n.º 180301.281 S1TE03 Fl. 114 4 E neste caminho, discorre a recorrente sobre a violação dos princípios. Cita doutrinadores. Por fim, pede que seja cancelado o crédito tributário exigido. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente feito de Exclusão da Sistemática do Simples Nacional, através do Ato Declaratório Executivo DRF/SOR n° 148026, de 22 de agosto de 2008, o qual determinou a exclusão da empresa a partir de 01/01/2009, em decorrência da existência de débitos com a Fazenda Pública Federal com exigibilidade não suspensa. Alega a empresa que enfrentou problemas para incluir os débitos, efetivamente existentes na época dos fatos, no Parcelamento Especial, ocasionados pelo sistema operacional da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Por sua vez a autoridade julgadora entende não ser a autoridade competente para adentrar no mérito da questão do Parcelamento, restando atenta apenas ao fato de que a empresa fora intimada mais de uma vez a saldar a dívida, regularizando a situação e em não o fazendo, cumpria ao fisco aplicar a norma. No decorrer do procedimento administrativo fiscal, a empresa recorrente alega transgressões a princípios constitucionais. Atentamos para o fato de que a esfera administrativa não é a apropriada para tratar de assuntos constitucionais, posto não ter competência para dispor, aferir e decidir sobre assuntos em que somente o poder Judiciário poderá apreciar, tal como o desrespeito a princípios constitucionais. Neste caminho cumpre por bem frisar a Súmula CARF n° 2 que se debruça sobre o tema, senão vejamos: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Quanto ao mérito da questão, entendo que a norma referente ao feito é clara no sentido de vedar a permanência de empresas na sistemática do Simples que estejam com débitos junto à Fazenda Nacional, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Segundo disciplina a norma, atinente ao caso, qual seja Lei Complementar 123/06, em seu artigo 17, a vedação é expressa nesse sentido, senão vejamos: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.003075/200819 Acórdão n.º 180301.281 S1TE03 Fl. 115 5 V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Diante do exposto, voto no sentido de Negar provimento ao recurso. É o voto. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 10650.902457/2011-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A isenção da Contribuição para o PIS prevista no art. 14, § 1º, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, quanto às receitas decorrentes de vendas realizadas para sociedades empresárias domiciliadas na Zona Franca de Manaus, aplica-se apenas em relação às hipóteses dos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo, a partir de 18 de dezembro de 2000.
Numero da decisão: 3803-003.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira (Relator) e Jorge Victor Rodrigues. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente Substituto
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira Relator
[assinado digitalmente]
Hélcio Lafetá Reis Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente).
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. A isenção da Contribuição para o PIS prevista no art. 14, § 1º, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, quanto às receitas decorrentes de vendas realizadas para sociedades empresárias domiciliadas na Zona Franca de Manaus, aplica-se apenas em relação às hipóteses dos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo, a partir de 18 de dezembro de 2000.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira (Relator) e Jorge Victor Rodrigues. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa Presidente Substituto [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator [assinado digitalmente] Hélcio Lafetá Reis Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente).
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ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. A isenção da Contribuição para o PIS prevista no art. 14, § 1º, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, quanto às receitas decorrentes de vendas realizadas para sociedades empresárias domiciliadas na Zona Franca de Manaus, aplicase apenas em relação às hipóteses dos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo, a partir de 18 de dezembro de 2000. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira (Relator) e Jorge Victor Rodrigues. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente Substituto [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira – Relator [assinado digitalmente] Hélcio Lafetá Reis – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 24 57 /2 01 1- 11 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS 2 Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição (PER) transmitido em 29/03/2004 no valor de R$ 1.107,41 relativo ao recolhimento do PIS/PASEP, período de apuração 09/2002, calculado sobre receitas de venda para clientes domiciliados na Zona Franca de Manaus. A DRF/Uberaba/MG emitiu despacho decisório eletrônico que indeferiu o pedido da contribuinte alegando inexistência de crédito. Irresignado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade sumarizada no acórdão da 1ª Turma da DRJ/JFA que compõe o processo que transcrevemos a seguir: “a) Preliminarmente, o contribuinte requer a nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa, alegando que sequer tem certeza quanto ao motivo pelo qual o seu direito creditório foi indeferido, dado que o débito de PIS/PASEP apurado foi comprovadamente recolhido a maior e declarado na DCTF. Afirma que está impossibilitado de atacar, de forma certeira, o fundamento da glosa perpetrada. b) Alega que não constam, no Despacho Decisório, informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas pelo contribuinte, evidenciando a nulidade do ato administrativo em apreço. c) No mérito, solicita a restituição do PIS e da Cofins incidentes sobre as vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus. Discorre sobre a criação da Zona Franca de Manaus, sua manutenção por meio do ADCT, art. 40, da Constituição Federal de 1988, concluindo que as vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus equivalem a exportações para o estrangeiro, gozando as operações de todos os benefícios destas, inclusive a isenção do PIS e da Cofins. d) Afirma que dentre as exclusões expressamente previstas em lei, a Medida Provisória nº 18586 determinava que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas de exportação de mercadorias para o exterior são isentas do PIS e da Cofins. e) Aduz que a limitação constante na Medida Provisória de que a isenção supra não alcançaria as receitas de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus foi contestada perante o Supremo Tribunal Federal, na Medida Cautelar nº 2.2161. f) Afirma que o STF, Tribunal que dita o Direito, decidiu que não é permitido à lei/medida provisória suprimir direitos que foram outorgados constitucionalmente aos contribuintes. g) Com relação ao direito creditório, aduz que o suposto erro formal contido na DCTF, por ter declarado débitos equivocadamente majorados, não é capaz de extinguir o direito Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10650.902457/201111 Acórdão n.º 3803003.943 S3TE03 Fl. 140 3 creditório originado de pagamentos comprovadamente recolhidos a maior. h) Invoca os princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade i) Solicita, ao final, com respaldo no disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto n.° 70.235/72, a realização de diligência, para que se comprove a existência do crédito pleiteado. Formula os seus quesitos. j) Solicita que, na remota hipótese de o direito creditório não ser reconhecido, que seja declarada a nulidade do despacho decisório.” A DRJ/JFA em seu acórdão de resposta à manifestação de inconformidade julgou improcedentes os pedidos da contribuinte e manteve a decisão de não homologar o referido PER. Não compactua com a tese do sujeito passivo de que a equiparação das vendas realizadas a ZFM com exportações seja abrangente a ponto de gerar isenção nas contribuições para o PIS/PASEP. Tem como fundamentação a Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002. Inconformada a contribuinte apresentou Recurso Voluntário onde com relação ao mérito apresenta os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade e pede que seja reconhecido o direito creditório bem como homologado o PER apresentado. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo referese à incidência do PIS sobre as vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, ou se há imunidade, como pretende a recorrente, por entender que estas vendas devem ser equiparadas a exportação. De se lembrar que o período de apuração da contribuição cujo alegado recolhimento a maior que ora se discute é o de novembro de 2001. Destacamos a legislação referente à matéria. No tocante especificamente a Zona Franca de Manaus O art. 4º do Decreto Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967 prescreve uma “equiparação” entre as exportações e as remessas de mercadorias nacionais para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, para efeitos fiscais e nos termos da legislação em vigor, verbis: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS 4 “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” A Constituição Federal de 1988 estabeleceu que as contribuições sociais não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação, nos termos do artigo abaixo transcrito: “Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.(...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;” No Ato das Disposições Constitucionais Transitórias em seu art. 40 está previsto a manutenção dos incentivos fiscais pelo prazo de vinte e cinco anos, albergando as vendas realizadas pela contribuinte: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Posteriormente, foi editada a Medida Provisória n° 202, publicada em 26 de julho de 2004, convertida na Lei n° 10.996, de 2004, cujo art. 2° reduziu a zero as alíquotas de PIS e da Cofins sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM, verbis: “Art. 2 o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM.” Conclusão A isenção da PIS encontra respaldo na combinação das regras constantes do art. 4º do DecretoLei nº 288/67, do art. 40 do ADCT e do art. 149, § 2º, da Constituição Federal. O fato da legislação especifica do PIS não trazer nada acerca da isenção requerida não muda o disposto no Decreto Lei nº 288/67. A simples observação da legislação vigente nos leva à conclusão de que as vendas a empresas sediadas na ZFM são equiparadas a exportação, e como tal gozam de isenção do PIS. Para tanto, recorro ao voto proferido pelo Ministro Teori Albino Zavascki no Recurso Especial nº 1.084.380RS, assim ementado Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10650.902457/201111 Acórdão n.º 3803003.943 S3TE03 Fl. 141 5 “(...)4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida "com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição". Ora, entre as "características" que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto lei 288/67, segundo o qual "a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1ª T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1ª T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) “ Grifamos Pelo exposto voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso e homologar o pedido de restituição. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado De início, registrese que, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), interpretase literalmente a norma tributária que institui outorga de isenção. Nada obstante o art. 4° do DecretoLei n° 288/1967 ter equiparado a venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus (ZFM) a uma exportação para o estrangeiro, ressalvese que tal determinação se aplicava aos fatos tributários disciplinados pela legislação então vigente, não estendendo seus efeitos às normas supervenientes de regência da matéria. A Medida Provisória n° 2.15835/2001 estabelece, em seu art. 14, que a isenção da Cofins e da Contribuição para o PIS se aplica às hipóteses elencadas em seus incisos I a IX, não havendo referência expressa ou literal à Zona Franca de Manaus, fato esse que, por si só, já afastaria a isenção pleiteada. Portanto, seriam aplicáveis ao presente caso somente as hipóteses de isenção dos incisos IV, VI, VIII e IX, a seguir discriminadas: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo le bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS 6 b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei n° 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o DecretoLei n° 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Tais hipóteses de isenção da Cofins e da Contribuição para o PIS não se aplicam aos fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 a 17 de dezembro de 2000 – período esse que não alcança o presente processo –, pois, nesse interregno, vigia a redação original do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586/1999 – dicção essa que constou do dispositivo até a edição da Medida Provisória n° 2.03724/2000 –, que, expressamente, excluía as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus da previsão legal isentiva. A medida liminar que foi deferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI n° 2.3489/2000 suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus" que constava do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.03724/2000, que, após inúmeras reedições, se tornou a Medida Provisória n° 2.15835/2001, mas apenas com efeitos ex nunc, não alcançando, portanto o período acima identificado. Inobstante tal decisão do STF, remanesceu no dispositivo legal (inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.03724/2000) o afastamento da isenção em relação às vendas realizadas para “empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio” (grifei). Considerando que, de acordo com o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a Zona Franca de Manaus é uma área de livre comércio, temse que a isenção sob comento permaneceu afastada nos casos da espécie. Além disso, em 9 de novembro de 2004, a Lei n° 10.996 inovou em relação a essa matéria nos seguintes termos: Art. 2°. Ficam reduzidas a O (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM §1° Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. §2° Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do §2° do art. 3° da Lei nº 10.637, de 30 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10650.902457/201111 Acórdão n.º 3803003.943 S3TE03 Fl. 142 7 de dezembro de 2002, e do incisoIIi do §2° do art. 3° da Lei n°10.833, de 29 de dezembro de 2003. Constatase do excerto acima que, a partir de sua vigência – que não alcança o caso sob análise –, as alíquotas das contribuições foram reduzidas a zero, o que denota a inexistência de isenção anterior, uma vez que não haveria justificativa que sustentasse uma alíquota zero relativamente a fatos isentos, dada a incompatibilidade de convivência dos institutos. Portanto, concluise pela atuação escorreita da autoridade fiscal quanto ao não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10930.006777/2008-04
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. DESPESAS COM AÇÃO JUDICIAL.
Comprovado nos autos que o valor lançado como omissão de rendimentos corresponde às despesas com ação judicial, inclusive com advogados, necessárias ao recebimento de verbas trabalhistas devidamente tributadas na declaração de ajuste anual do contribuinte, impõe-se exclusão do valor corresponde da base de cálculo apurada pela Notificação de Lançamento. Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo apurada pela Notificação de Lançamento, de fls. 20 a 22, o valor de R$ 20.116,80 (vinte mil, cento e dezesseis reais e oitenta centavos), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. DESPESAS COM AÇÃO JUDICIAL. Comprovado nos autos que o valor lançado como omissão de rendimentos corresponde às despesas com ação judicial, inclusive com advogados, necessárias ao recebimento de verbas trabalhistas devidamente tributadas na declaração de ajuste anual do contribuinte, impõese exclusão do valor corresponde da base de cálculo apurada pela Notificação de Lançamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo apurada pela Notificação de Lançamento, de fls. 20 a 22, o valor de R$ 20.116,80 (vinte mil, cento e dezesseis reais e oitenta centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 67 77 /2 00 8- 04 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, de fls. 19 a 22 e 28 a 33, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual, correspondente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005, em virtude dedução indevida com dependente e omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista. O interessado apresentou impugnação de fls. 01 a 03, acompanhada dos documentos de fls. 04 a 22, alegando, em síntese, que: Não houve omissão de R$ 20.116,80 em relação à fonte pagadora CNPJ 60.701.190/000104 Banco Itaú S/A, pois a diferença apurada é proveniente de valores pagos a advogado em processos trabalhistas, conforme notas fiscais de serviços n°s. 026 e 027 de W L MORAES E ADVOGADOS ASSOCIADOS, nos valores de R$ 12.000,00 e R$ 10.500,00, respectivamente, bem como ao Contador Perito Judicial CRC 144726/03, no valor de R$360,00. Alega que, em relação aos honorários advocatícios e despesas judiciais, foi aplicada a proporcionalidade (Perguntas e Repostas, n° 407), sendo cabível a dedução (Decreto n° 3.000/99, art. 56). Quanto aos cálculos periciais homologados judicialmente, não foi possível obter cópias do processo na 3ª Vara do Trabalho de LondrinaPr, em virtude do recesso nestas repartições. Apreciando essas alegações, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR decidiu pela improcedência da impugnação, conforme seguinte ementa descrita no Acórdão de fls. 65 e 66: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de descaracterizar os pressupostos de fato do lançamento, impõese a improcedência da impugnação.” Cientificado em 13/04/2011, fls. 71, o interessado interpôs recurso voluntário em 13/05/2011, fls. 72, alegando que junta aos autos: a) recibo de pagamento dos honorários advocatícios, referente às notas fiscais nºs 026 e 027; b) cópia de alguns documentos dos processos 01481/2002 e 01400/2004, que alega comprovar a existência de processo trabalhista; c) cópia do acordo do processo 01481/2002, devidamente assinado pelos dois advogados,e; d) cópia do acordo do processo 01400/2004, devidamente assinado pelos dois advogados. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10930.006777/200804 Acórdão n.º 2802002.099 S2TE02 Fl. 136 3 É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Sendo tempestivo o presente recurso e preenchidos os requisitos para o seu recebimento; dele tomase conhecimento. Observese, inicialmente, que não se instaurou o litígio em relação à glosa da dedução indevida com dependente. Portanto, a presente análise se restringe tão somente à matéria relacionada à omissão de rendimentos decorrente de ação trabalhista. A decisão de primeira instância não acatou a documentação que instruiu a impugnação ao argumento de que as cópias das petições para realização de acordo trabalhista não estavam autenticadas, foram assinadas apenas por um advogado e pela reclamante, bem como pelo fato de não constar das cópias qualquer indício do número da página dos autos das reclamatórias e nem do protocolo na Justiça do Trabalho. Para o relator do voto do acórdão recorrido, no caso não foi apresentada a homologação do acordo e nem a homologação dos cálculos pela Justiça do Trabalho, para se apurar a natureza das parcelas envolvidas (tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou não tributáveis). Por outro lado, entendeu que a Planilha de fls. 11, por ter sido elaborada pelo próprio contribuinte, não tem o condão de substituir os cálculos homologados pela Justiça do Trabalho. Em sede de recurso voluntário o contribuinte apresenta cópia autenticada do acordo trabalhista firmada por dois advogados, fls. 76 a 78, cópia da homologação do acordo, fls. 85 e 98, cópias dos relatórios de Atualização Trabalhista, fls. 86 a 88 e 92 a 94, guia do depósito judicial no valor de R$ 115.693,17, fls. 95, cópia dos comprovantes de recolhimento do INSS e IRRF, este no valor de R$ 21.560,98 e das custas judiciais e honorários do contador, fls. 103 a 109, todas extraídas diretamente do processo judicial nº 01400/2004. Relativamente ao processo judicial nº 01481/2002, junto a petição de homologação de acordo às fls. 110 a 112, cópia da homologação judicial, fls. 114, cópia do DARF relativo ao recolhimento do IRRF no valor de R$ 24.978,74, fls. 115, honorários do contador e custas judiciais, fls. 117 a 119 a 123. A análise desses documentos, bem como das notas fiscais, fls. 12 e 13, e respectivo recibo, fls. 73, corrobora a planilha elaborada pelo contribuinte às fls. 11, a qual apropriou o valor dos honorários advocatícios proporcionalmente à natureza de cada verba trabalhista homologada em acordo judicial. Portanto, pelo fato de ficar comprovado nos autos que o valor lançado como omissão de rendimentos corresponde, de fato, às despesas com ação judicial, inclusive com advogados, há que se acatar o pleito da Recorrente, uma vez que a dedução destas despesas, para fins de apuração das verbas trabalhistas tributadas na declaração de ajuste anual do contribuinte, possui autorização expressa no parágrafo único do art. 56, do Decreto nº 3000, de 1999 – RIR/99. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Voto por dar provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo apurada pela Notificação de Lançamento, de fls. 20 a 22, o valor de R$ 20.116,80, considerado como rendimento omitido. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004155/2006-71
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS. ERRO MATERIAL. CONTRADIÇÃO.
Justifica o acolhimento de embargos para retificação do acórdão e conseqüente correção de erro material e contradição.
EXCLUSÃO DE MULTA DE OFÍCIO NÃO APLICADA NOS AUTOS. ERRO MATERIAL. CONTRADIÇÃO.
Considerar erro escusável um erro não cometido e excluir multa não aplicada constitui erro material e leva a contradição, vícios a serem corrigidos por embargos de declaração.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2802-002.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os Embargos de Declaração para re-ratificar o Acórdão 2802-00.464, de 22 de setembro de 2010, que passa a ter a seguinte parte dispositiva: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesa médica no valor de R$4.758,48 (quatro mil, setecentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e oito centavos), nos termos do voto do relator."
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 21/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS. ERRO MATERIAL. CONTRADIÇÃO. Justifica o acolhimento de embargos para retificação do acórdão e conseqüente correção de erro material e contradição. EXCLUSÃO DE MULTA DE OFÍCIO NÃO APLICADA NOS AUTOS. ERRO MATERIAL. CONTRADIÇÃO. Considerar erro escusável um erro não cometido e excluir multa não aplicada constitui erro material e leva a contradição, vícios a serem corrigidos por embargos de declaração. Embargos acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os Embargos de Declaração para re-ratificar o Acórdão 2802-00.464, de 22 de setembro de 2010, que passa a ter a seguinte parte dispositiva: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesa médica no valor de R$4.758,48 (quatro mil, setecentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e oito centavos), nos termos do voto do relator." (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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EMBARGOS Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM CUIABÁ MT Interessado ONÉSIMO NUNES ROCHA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS. ERRO MATERIAL. CONTRADIÇÃO. Justifica o acolhimento de embargos para retificação do acórdão e conseqüente correção de erro material e contradição. EXCLUSÃO DE MULTA DE OFÍCIO NÃO APLICADA NOS AUTOS. ERRO MATERIAL. CONTRADIÇÃO. Considerar erro escusável um erro não cometido e excluir multa não aplicada constitui erro material e leva a contradição, vícios a serem corrigidos por embargos de declaração. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os Embargos de Declaração para reratificar o Acórdão 280200.464, de 22 de setembro de 2010, que passa a ter a seguinte parte dispositiva: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesa médica no valor de R$4.758,48 (quatro mil, setecentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e oito centavos), nos termos do voto do relator." (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/02/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 41 55 /2 00 6- 71 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Em sessão de 22 de setembro de 2010 este Colegiado proferiu o acórdão 280200.464 cuja decisão foi: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, RESTABELECER a dedução de despesa médica no valor de R$4.758,48 e, por maioria, EXCLUIR a multa de ofício em face de erro escusável. A Delegacia da Receita Federal em Cuiabá opôs Embargos de Declaração em razão de dúvida no cumprimento do acórdão, em síntese, alegou que houve a exclusão da multa de ofício em relação à parcela recebida como auxíliomoradia, sendo que a parte remanescente do lançamento decorreu exclusivamente de glosa de despesas médicas, uma vez que o auxílio moradia foi declarado pelo contribuinte como tributável e, portanto, não houve apuração de omissão de rendimentos em relação a essa verba. Os embargos foram admitidos pelo Presidente da Turma para apreciação pelo Colegiado. É o relato do essencial. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator A exata compreensão da contradição existente do acórdão embargados requer analisar o voto vencedor que conduziu o acórdão: A meu sentir, é fato inconteste que o não recolhimento do imposto pelo Recorrente decorreu da classificação dada ao rendimento sob foco (“AUXÍLIOMORADIA”) pela fonte pagadora, Tribunal de Justiça. Esta, a todo rigor, ao considerar a verba como não tributável, concorreu decisivamente para a conduta do Recorrente, que nada mais fez do que declarar o rendimento de acordo com a mesma natureza atribuída por sua fonte pagadora... (...) Por essas razões, voto pela exclusão da multa de ofício sobre a matéria “verbas de auxíliomoradia” cuja tributação remanesceu. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.004155/200671 Acórdão n.º 2802002.112 S2TE02 Fl. 253 3 Sem adentrar em juízo de valor acerca da tese vencedora no tocante à prática de um erro escusável, ao investigarse o caso concreto verificase que não houve erro algum, pois o contribuinte não informou rendimentos como não tributáveis por ter sido influenciado pela conduta da fonte pagadora. Ao contrário, o contribuinte declarou os rendimentos como tributáveis, daí que não lhe foi exigida multa de ofício referente à omissão de rendimentos a título de auxílio moradia (até porque essa omissão não ocorreu). A autuação decorreu de glosa de despesas médicas e a multa de ofício aplicada decorreu desta infração. Tratase de um erro material que levou a contradição no acórdão, o que tem nos Embargos o meio adequado para sua reparação. Em virtude de, neste caso concreto, ser inaplicável a tese do erro escusável sobre o saldo de tributo remanescente, o acórdão embargado deve ser retificado para que seja excluído da parte dispositiva a exclusão da multa de ofício. Diante do exposto, devese ACOLHER os Embargos de Declaração para re ratificar o Acórdão 280200.464, de 22 de setembro de 2010, que passa a ter a seguinte parte dispositiva: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesa médica no valor de R$4.758,48 (quatro mil, setecentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e oito centavos), nos termos do voto do relator.” (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 244DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15504.720495/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
BASE DE CÁLCULO. SEGURADORAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA
A base de cálculo da Cofins para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividade-fim.
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO O STF DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998.
As receitas financeiras e as receitas de imóveis de renda não devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins das empresas seguradoras, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.
Ro Negado e RV Negado
Numero da decisão: 3302-001.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto acompanharam a relatora pelas conclusões quanto ao conceito de faturamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 20/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; José Antônio Francisco e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. SEGURADORAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA A base de cálculo da Cofins para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividade-fim. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO O STF DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. As receitas financeiras e as receitas de imóveis de renda não devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins das empresas seguradoras, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Ro Negado e RV Negado
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SEGURADORAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA A base de cálculo da Cofins para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefim. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO O STF DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. As receitas financeiras e as receitas de imóveis de renda não devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins das empresas seguradoras, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Ro Negado e RV Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto acompanharam a relatora pelas conclusões quanto ao conceito de faturamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 04 95 /2 01 1- 54 Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 20/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; José Antônio Francisco e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Tratase simultaneamente de Recurso de Ofício interposto pela Fazenda Nacional e de Recurso Voluntário interposto pela Companhia de Seguros Minas Brasil, CNPJ 17.197.385/000121, em face do Acórdão n° 0234.805, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 26/09/2011, que julgou procedente em parte a impugnação, para excluir da base do cálculo do lançamento as receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, e as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro” e manter parcialmente o lançamento da COFINS. O Recurso de Ofício decorreu do fato de o Acórdão ter exonerado crédito tributário em limite superior ao estabelecido em lei, fazendose necessário submeter à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. A Lavratura do Auto de Infração de COFINS, contra a empresa acima identificada, CNPJ 17.197.385/000121, para exigir R$. 10.952.188,43 de COFINS, R$ 3.716.153,33 de juros de mora calculados até 31/05/2011, R$ 8.214.141,21 de multa proporcional ao valor da contribuição, representando um crédito tributário total consolidado de R$ 22.882.482,97, decorreu do fato de se ter verificado insuficiência de recolhimento ou declaração da contribuição no período de 01/01/2007 a 31/12/2008, em face de a contribuinte ter efetuado a apuração da contribuição, utilizandose de base de cálculo a menor, em face de ter promovido exclusões de algumas receitas operacionais, oriundas de sua atividade empresarial típica, conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 14/19, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 20/21. A COMPANHIA DE SEGUROS MINASBRASIL é uma empresa de direito privado cujo objeto social é a exploração de seguros dos ramos elementares e de vida, em quaisquer de suas modalidades ou formas, conforme consta no art. 3º de seu Estatuto Social, fls. 29 a 36. No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização esclarece que as seguradoras e demais empresas financeiras, conforme rol estabelecido no art. 22, §1º da Lei nº 8.212/1991, Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.699 3 tem a base de cálculo e exclusões estabelecidas em regramento próprio, diferente das demais empresas comerciais e prestadoras de serviços, levandose em conta as especificidades dessas atividades e destaca que a empresa COMPANHIA DE SEGUROS MINASBRASIL possui duas ações judiciais relativas à COFINS. Em uma delas, no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022, foi reconhecida a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pelo STF, cujo acórdão transitou em julgado. O contribuinte também impetrou o Mandado de Segurança nº 2003.38.00.0453010 para que fosse garantido o seu direito de continuar a recolher a Cofins à alíquota de 3%, sem a majoração para 4%. O pedido foi julgado improcedente e denegada a segurança. Foi negado provimento à apelação e, contra tal decisão, o contribuinte apresentou recurso extraordinário, cujo julgamento encontrase sobrestado em função do precedente de repercussão geral reconhecido. Destaca, também, que foram utilizados como base de cálculo para o lançamento de ofício os valores consignados nas planilhas fornecidas pela contribuinte, conforme modelo da IN SRF 247/2002, em resposta à intimação fiscal, que estão de acordo com a decisão judicial que o ampara e com o Parecer PGFN nº 2.773, de 2007, já que não foi incluída nenhuma receita contábil iniciada em 38 (receitas não operacionais), ou seja, o lançamento foi efetuado sobre a receita operacional bruta da empresa. Foi aplicada a alíquota de 4%, conforme decisão judicial, e deduzidos da contribuição apurada os valores declarados em DCTF. Não existindo causa que determine a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, foi aplicada a multa de ofício de 75%. Devidamente cientificada da autuação, a contribuinte, irresignada, apresenta impugnação, acatada pela autoridade de 1ª instância e cujos argumentos copiase do Acórdão recorrido por bem resumir as razões de defesa: “Afirma, inicialmente, que os débitos exigidos foram apurados com base em receitas que extrapolam o conceito de “faturamento”, base de cálculo da Cofins nos termos da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022. A referida ação judicial foi ajuizada em 05/03/1999 visando a garantir o seu direito de não recolher a contribuição devido à revogação da isenção conferida às instituições financeiras ou, quando menos, o direito de recolher a Cofins em relação ao seu“faturamento”, conforme definição do art. 2º da LC nº 70, de 1991 (receita de prestação de serviços e vendas de mercadorias). A segurança foi denegada em 1ª instância e a sentença foi confirmada pelo TRF da 1ª Região, mas o STF conheceu e deu provimento ao seu recurso extraordinário. O trânsito em julgado deuse em 05/10/2006. É, portanto, indiscutível que possui em seu favor decisão judicial que reconheceu o seu direito de recolher a Cofins sobre o seu faturamento, e não sobre a totalidade de suas receitas, tendo sido declarado inconstitucional, de maneira incidental, o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Considerando o teor da decisão citada, passou a recolher a Cofins com base na legislação anterior à edição da Lei nº 9.718, de 1998, posto que o §1º do art. 3º foi declarado inconstitucional Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 no seu caso concreto. Mas, devido à existência de um parecer genérico da PGFN, cujo entendimento a respeito da base de cálculo do PIS e da Cofins difere de toda a legislação e jurisprudência pertinentes ao caso, foram efetuadas as autuações sob a alegação de vinculação da RFB por força de lei ao posicionamento desse parecer. No entanto, as diferenças apuradas são originadas do recolhimento da Cofins feito com a base de cálculo reduzida por determinação judicial. Afirma que a autuação fiscal desconsiderou totalmente a decisão transitada em julgado e pretende relativizar o conceito de “faturamento” para o caso específico das instituições financeiras e seguradoras, em evidente confronto com a coisa julgada. Argumenta ser falha a interpretação da fiscalização de que a decisão transitada em julgado teria afastado apenas a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mantendo intactos os demais dispositivos dessa Lei (art. 2º e caput do art. 3º). Se fosse correto o entendimento da PGFN e da RFB de que mesmo antes da Lei nº 9.718, de 1988, a base de cálculo já era a totalidade de suas receitas com as exclusões legalmente autorizadas, não haveria o “inequívoco direito creditório” mencionado pelo Ministro do STF no julgamento do recurso extraordinário interposto. O auto de infração procedeu a uma indevida interpretação da decisão judicial e, com base no Parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 2007, sobre a situação das instituições bancárias e seguradoras, quer fazer prevalecer o entendimento no sentido de que a base de cálculo das contribuições deve ser composta das receitas oriundas do seu objeto social (empresa seguradora) e não do “faturamento”, considerado como receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias. Assim, a base de cálculo da Cofins não deve ser extraída da interpretação do fisco sobre os demais dispositivos da Lei nº 9.718, de 1998, não declarados inconstitucionais, e sim unicamente do art. 2º da LC nº 70, de 1991, que delimita de forma rígida quais receitas devem ser computadas no conceito de faturamento. A fiscalização olvidou que a Fazenda Nacional empreendeu todos os esforços para fazer valer nos autos da ação judicial o entendimento manifestado no parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 2007, mas prevaleceu a decisão do STF, que determinou inequivocamente que a base de cálculo da Cofins dever ser o faturamento, entendido como as receitas decorrentes de prestação de serviços e venda de mercadorias. Ademais, os leading cases da matéria não analisaram a questão sob a ótica das atividades desenvolvidas pelas empresas, mas sim pelo conceito que deve ser depreendido de “faturamento”, que não deve ser relativizado quanto à atividade operacional do contribuinte. A fiscalização não só ignorou a decisão proferida no caso concreto, mas toda a jurisprudência do STF, que se firmou no sentido da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins pretendida pela Lei nº 9.718, de 1998, e que definiu, desde o julgamento do Finsocial, que a equiparação de faturamento e receita bruta só é possível desde que sejam Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.700 5 entendidos restritivamente como receitas decorrentes da venda de mercadorias, serviços, ou ambos. Observa que a tentativa do fisco de equiparar o faturamento a todas as receitas decorrentes do exercício das atividades previstas no contrato social implica em tributação das receitas de prêmios de seguros, de forma a extrapolar o conceito legal de “faturamento” e esvaziar completamente os efeitos da decisão judicial proferida em seu favor. Em seguida, explica o conceito de faturamento de acordo com a jurisprudência do STF (valor das receitas de uma empresa passíveis de serem registradas mediante faturas; valor que mede, que quantifica o “ato de faturar”, o qual está ligado a determinados tipos de receita: da venda de bens e mercadorias, em operação própria ou em conta alheia, e a receita da prestação de serviços) e registra os entendimentos adotados por esse Tribunal no julgamento da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Ressalta que o STF não fez distinção sobre a variedade de ramos de atividade econômica dos contribuintes, determinando, de forma indistinta, que “faturamento” equivale à receita decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, receita financeira ou receita de prêmios de seguros não passam a ser faturamento pelo fato de serem auferidas por pessoas de distinto objeto social. Desse modo, a base de cálculo da Cofins não pode ser modificada em função da atividade desenvolvida pela empresa. No seu caso, a receita mais significativa auferida é oriunda dos pagamentos dos prêmios de seus segurados, a qual está absolutamente abrangida pelo êxito obtido na ação judicial, pois não é decorrente da venda de uma mercadoria ou da prestação de um serviço, mas sim da assunção de um risco por parte da seguradora. O comprometimento da seguradora se limita a uma contraprestação que pode ou não ocorrer, não constituindo tal atividade prestação de serviço, que é uma obrigação de fazer e não de dar, nos termos do entendimento doutrinário que transcreve. Assim, considerando que a operação e o contrato de seguro configuram uma obrigação de dar, caso se implemente uma condição, e não uma obrigação de fazer, a receita de prêmio direto não pode ser tributável pela Cofins, nos termos da decisão do STF transitada em julgado. O STF, por sua vez, adota conceito restritivo de prestação de serviços, tanto é que julgou inconstitucional a tributação, pelo ISS, da “locação de bens móveis”, por considerar que se tratava de uma “obrigação de dar”. Para ser considerado “serviço”, este deve preencher os requisitos do conceito jurídico, que é “obrigação de fazer” e, para ser tributável, deve sempre existir um “preço”. E a operação de seguro também não implica venda de mercadorias, pois, conquanto exista por parte da seguradora uma obrigação de dar, tratase de obrigação condicionada a um Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 evento futuro e incerto (indenização) e não presente e certa, como é o caso da entrega de uma mercadoria mediante contraprestação. Explica que o único bem material que a seguradora transmite ao segurado é a apólice, que é remunerada por um valor específico pago pelo segurado quando de sua emissão, verba que integra o faturamento de uma seguradora por ser uma prestação de serviço. E a própria Constituição reconhece a natureza financeira do contrato de seguro, que deve ser tributado essencialmente pelo IOF (art. 153, V), e não está sujeito ao ICMS e ao ISS. Destaca que a jurisprudência já não considera nem a venda de bens sinistrados, que pode ser equiparada à venda de mercadorias, como passível de tributação pelo ICMS, por se tratar de receita que compõe o contrato de seguro, que tem natureza sui generis. E se a receita decorrente dessa operação deve ser considerada como rendimento do contrato de seguro, com mais razão tal qualificação se aplica à receita de prêmios, que é a receita típica do contrato de seguro. Assim, a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das seguradoras engloba todos os tipos de taxas e comissões cobradas por elas para prestar serviços, correspondentes às seguintes contas: custo na emissão de apólice, comissão de coseguros e resseguros e salvados (receitas da carteira de seguros); e gestão de fundos e taxa de carregamento dos planos de previdência (receitas da carteira de previdência privada complementar). Por outro lado, as seguintes contas estão fora do conceito de “faturamento” determinado pelo STF: prêmio direto, co seguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações (receitas da carteira de seguros); e receitas financeiras, que têm duas naturezas distintas: a remuneração do próprio capital, pela aplicação em operações no mercado financeiro, como forma de buscar maior rentabilidade e evitar a perda do poder aquisitivo da moeda, e as aplicações financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, cujos rendimentos estão fora do âmbito de tributação da Cofins também por não corresponderem ao faturamento, nos termos da medida judicial interposta. Entende que há falta de razoabilidade ou proporcionalidade entre a gravidade da suposta infração cometida e o vulto da penalidade aplicada, sendo ela praticamente equivalente ao valor da contribuição devida. Não tendo ocorrido dolo ou sonegação fiscal, a penalidade foge ao seu objetivo educativo, desrespeitando também o princípio constitucional do não confisco. Tais princípios devem ser observados tanto pelo legislador quanto pelo agente administrativo, conforme jurisprudência do STF que transcreve. Pede, assim, que seja cancelada ou reduzida a multa aplicada, sob pena de ofensa aos arts. 150, IV, e 5º, LIV, da CF/1988. Por fim, requer seja cancelada integralmente a autuação, por contrariar o conteúdo da decisão transitada em julgado. Caso se Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.701 7 entenda devido algum valor, seja excluída ou reduzida a multa imposta no percentual de 75%.” A DRJ em Belo Horizonte/MG, em 26/09/2011, por meio do Acórdão n° 02 34.805 prolatado pela 1ª Turma da DRJ/ BHE julga procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 A base de cálculo da Cofins para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefim. As receitas financeiras e as receitas de imóveis de renda não devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins das empresas seguradoras, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. No caso de lançamento de ofício, o autuado está sujeito ao pagamento de multa sobre os valores do tributo devido, nos percentuais definidos na legislação de regência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Tendo exonerado parcialmente o Crédito Tributário constituído, a 1ª Turma de Julgamento da DRF Belo Horizonte submete o Acórdão DRJ/BHE nº 0234.805 de 26/09/2011 à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em face do disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. Ressalva que a exoneração parcial do crédito procedida por aquele acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Por sua vez, a contribuinte tomou ciência do Acórdão DRJ/BHE nº 0234.805 em 18/10/2011, por meio da Intimação nº 1782/2011, conforme Aviso de Recebimento de fl. 1.660. Assim, devidamente cientificada, ainda não concordando com a decisão de 1ª instância, apresentou recurso voluntário, em 16/11/2011, no qual refuta as razões de decidir da autoridade julgadora a quo e repisa os argumentos já efetuados na impugnação, exceto naquilo em que já teve reconhecido o seu pedido pela autoridade de 1ª instância, requerendo ao final que seja dado provimento ao presente recurso, reformandose integralmente o Acórdão DRJ/BHE nº 0234.805 de 26/09/2011, para que seja cancelado o lançamento discutido nos autos, pois, segundo alega, estáse diante de flagrante afronta ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado em favor do contribuinte no Mandado de Segurança nº 1.999.38.00.0085022, bem como, subsidiariamente, requer o sobrestamento deste feito com base no art. 16 do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em razão da Repercussão Geral da questão constitucional suscitada no recurso Extraordinário nº 609.096. Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Na forma regimental, os recursos de ofício e voluntário foram a mim distribuídos. É o Relatório. Voto Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele bse conhece. Conforme se vê do relatório, a questão aqui discutida diz respeito ao conceito de faturamento para as empresas seguradoras, como base de cálculo do COFINS, nos termos previstos no art. 2º da LC nº 70, de 1991, e, no caso específico, em observância da decisão judicial em favor da contribuinte prolatada no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022, que declarou inconstitucional, de maneira incidental, o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A autoridade lançadora assevera que a base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício da COFINS, apurada por meio dos valores consignados nas planilhas fornecidas pela contribuinte, conforme modelo da IN SRF 247/2002, em resposta à intimação fiscal, está de acordo com a decisão judicial que o ampara e com o Parecer PGFN nº 2.773, de 2007, já que não foi incluída nenhuma receita contábil iniciada em 38 (receitas não operacionais), ou seja, o lançamento foi efetuado sobre a receita operacional bruta da empresa. A contribuinte, no entanto, alega que a base de cálculo da COFINS assim apurada extrapola o conceito de “faturamento”, nos termos da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022. Que a autoridade lançadora, sobre a situação das instituições bancárias e seguradoras, quer fazer prevalecer o entendimento no sentido de que a base de cálculo das contribuições deve ser composta das receitas oriundas do seu objeto social (empresa seguradora) e não do “faturamento”, considerado como receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias, e que, assim, a base de cálculo da Cofins não deve ser extraída da interpretação do fisco sobre os demais dispositivos da Lei nº 9.718, de 1998, não declarados inconstitucionais, e sim unicamente do art. 2º da LC nº 70, de 1991, que delimita de forma rígida quais receitas devem ser computadas no conceito de faturamento. A autoridade julgadora de 1ª instância, entendendo que a questão da inclusão ou não das receitas decorrentes da atividade empresarial típica de seguradora no conceito de faturamento não foi objeto de contestação nas ações judiciais impetradas pela contribuinte, decidiu pela manutenção parcial do lançamento, para excluir da base de cálculo, unicamente as receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro”, e as receitas classificadas como “Receitas de Imóveis de Renda”. Conclui que as receitas geradas pelas atividades típicas das seguradoras, oriundas da carteira de seguros e da carteira de previdência privada complementar, incluemse na base de cálculo da Cofins que deve ser adotada pelo contribuinte, nos termos da decisão judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022. E afirma que devem ser incluídas Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.702 9 na base de cálculo da contribuição, além das taxas/comissões cobradas pela seguradora, os valores registrados nas contas denominadas prêmio direto, coseguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações. RECURSO DE OFÍCIO Analisase, inicialmente, o recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de 1ª instância, em face da exoneração parcial do crédito tributário lançado, decorrente exatamente da exclusão na base de cálculo da COFINS das receitas imediatamente acima mencionadas. Como já ressaltado, o Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022 declarou inconstitucional, de maneira incidental, o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, nos seguintes termos: “(...) Assim, conheço e dou parcial provimento ao recurso (art. 557, §1ºA, do CPC) para afastar a aplicação do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. (...)”. Mas, não afastou os demais artigos dessa lei. O referido §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que pretendia ampliar o conceito de receita bruta, assim dispunha: “Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Afastada a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mas permanecendo válidos os demais artigos, conforme decidido judicialmente, não restam dúvidas de que se encontra afastada a possibilidade de se tributar como base de cálculo da COFINS as receitas da contribuinte que não sejam receitas operacionais, assim consideradas as decorrentes da atividade empresarial típica de seguradora, a exemplo das receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro”, e as receitas classificadas como “Receitas de Imóveis de Renda”, posto que tais receitas efetivamente não são provenientes do exercício de sua atividadefim, isto é, da exploração de seguros em suas diversas modalidades, conforme definido em seu Estatuto Social (fls. 29/36). Portanto, não há reparos a se fazer no Acórdão n° 0234.805, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 26/09/2011, quanto à exoneração parcial do crédito tributário decorrente das exclusões na base de cálculo das mencionadas receitas e cujos valores encontramse devidamente totalizados no demonstrativo de fls. 1.647 e 1.648. RECURSO VOLUNTÁRIO Antes da análise do mérito do litígio objeto deste recurso voluntário, mister se faz analisar o incidente de sobrestamento suscitada pela contribuinte, sob a alegação de reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 609.096. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Assim, no tocante à questão de sobrestamento de recursos interpostos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Regimento Interno do referido conselho, RICARF (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, alterada pela Portaria MF n. 586, de 2010), assim prescreve: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Portaria MF nº 586/2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Portaria MF nº 586/2010) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (AC) (Portaria MF nº 586/2010). O Art. 543 – B do Código de Processo Civil – CPC estabelece: “Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006).” Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.703 11 Por sua vez, a Portaria CARF nº 01, de 03 de Janeiro de 2012, visando à uniformização, determinou os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que tratam o §1º do art. 62 A do anexo II do RICARF, nos seguintes termos: “Art. 1°. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso”. Com base na análise da legislação acima posta e não obstante o entendimento pessoal de que o sobrestamento de recursos extraordinários que tratam de matéria similar àquela que já tenha sido reconhecida a repercussão geral pelo o STF se dá automaticamente por força da regra estabelecida no parágrafo 1º do art. 543 –B do CPC, é certo que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, visando à uniformização dos procedimentos, determinou que o sobrestamento de julgamento de recursos em tramitação do CARF somente ocorrerá nos casos em que “tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso.” Assim, no caso em questão, com o fim de decidir sobre o incidente de sobrestamento suscitado pela recorrente, fazse necessário analisar se o aludido RE 609.096 trata de igual matéria do discutido neste processo; em caso positivo, se foi reconhecida pelo o STF a repercussão geral da matéria ali tratada e, principalmente – por ser o ponto que poderá, ou não, conduzir ao sobrestamento do julgamento do mérito do presente recurso voluntário, se houve no referido recurso extraordinário a determinação expressa proferida pelo o STF de sobrestamento de processos que tratem da mesma matéria, independentemente do reconhecimento da repercussão geral. Neste sentido, consoante pesquisa efetuada no sítio do STF, vêse que o RE 609.096 trata de recursos extraordinários interpostos pela a União e pelo o Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Portanto, no meu entender, há coincidência com a matéria sob litígio neste processo, haja vista que aqui se discute a definição da amplitude do conceito de “faturamento” para as seguradoras, ou seja, de quais receitas auferidas por seguradoras integram, ou não, como receitas operacionais, o faturamento dessas instituições. Passase, então, à análise do segundo ponto acerca do reconhecimento da repercussão geral do RE 609.096, sobre o qual se constata que efetivamente o plenário do STF, em 03/03/2011, reconheceu a repercussão geral da matéria tratada no recurso referido, Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 consoante se demonstra pelo o acompanhamento do processo retirado do sítio do STF, a seguir transcrito e destacado em negrito: RE609096 RECURSO EXTRAORDINÁRIO (Processo físico) Origem:RS RIO GRANDE DO SUL Relator:MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RECTE.(S)MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES)PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S)UNIÃO PROC.(A/S)(ES)PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S)BANCO SANTANDER BANESPA S/A ADV.(A/S)MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVESE OUTRO(A/S) AM. CURIAE.FEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS BANCOS FEBRABAN ADV.(A/S)ANTONIO CARLOS DE TOLEDO NEGRÃOE OUTRO(A/S) DataAndamentoÓrgão JulgadorObservaçãoDocumento 07/07/2011Conclusos ao(à) Relator(a) 07/07/2011Juntada a petição nº37236/2011.37236/2011 07/07/2011Certidãode reautuação em razão do despacho de 10/06/2011. 05/07/2011Recebimento dos autos 01/07/2011Petição37236/2011 01/07/2011 FAZENDA NACIONAL REQUER A JUNTADA DE DOCUMENTOS. 27/06/2011Autos emprestadosCLÁUDIA APARECIDA DE SOUZA TRINDADE PFN Guia = 5557 / 2011 16/06/2011Publicação, DJEDJE nº 115, divulgado em 15/06/2011 Despacho 10/06/2011DespachoNa Pet 73.745/2010: "(...) defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido." 02/05/2011Publicado acórdão, DJEDATA DE PUBLICAÇÃO DJE 02/05/2011 ATA Nº 20/2011 DJE nº 80, divulgado em 29/04/2011 29/04/2011Conclusos ao(à) Relator(a) Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.704 13 27/04/2011Juntadado comprovante de restituição do processo emprestado. 27/04/2011Juntadado comprovante de restituição do processo emprestado. 18/04/2011Recebimento dos autos 14/04/2011Autos emprestadosà ProcuradoriaGeral da República para fins de intimação. 07/04/2011Recebimento dos autos 29/03/2011Autos emprestadosCLÁUDIA APARECIDA DE SOUZA TRINDADE PFN Guia = 1993 / 2011 28/03/2011Recebimento dos autos 24/03/2011Autos emprestadosRODOLFO TSUNETAKA TAMANAHA Guia = 1890 / 2011 23/03/2011Publicação, DJEDJE nº 54, divulgado em 22/03/2011 Despacho 18/03/2011Certidãode reautuação, em cumprimento ao despacho de fls. 1034. 17/03/2011PrejudicadoMIN. RICARDO LEWANDOWSKI(...) uma vez afastado o sobrestamento, julgo prejudicado o agravo regimental de fls. 637642. (em 16/3/2011) 04/03/2011Decisão pela existência de repercussão geral PLENÁRIO VIRTUALDecisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Luiz Fux, Joaquim Barbosa e Ellen Gracie. 11/02/2011Iniciada análise de repercussão geral 04/01/2011Conclusos ao(à) Relator(a) 04/01/2011Juntada a petição nº73745/2010.73745/2010 15/12/2010Petição73745/2010 15/12/2010 FEBRABAN Federação Brasileira de Bancos REQUER INGRESSO COMO "AMICUS CURIAE". 22/11/2010Conclusos ao(à) Relator(a) 22/11/2010Juntada a petição nº65094/2010.65094/2010. 12/11/2010Petição65094/2010 12/11/2010 BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A REQUER O RECONHECIMENTO DA REPERCUSSÃO GERAL E O NÃO CONHECIMENTO DO RE. 17/09/2010Conclusos ao(à) Relator(a) Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 14 17/09/2010Juntada a petição nº49963/2010.49963/2010 13/09/2010Petição49963/2010 09/09/2010 SUBPROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA REQUER O SOBRESTAMENTO DO FEITO. 18/08/2010Vista à PGRPara fins de intimação, em 05.08.2010 29/06/2010Recebimento dos autos 24/06/2010Autos emprestadosCLÁUDIA APARECIDA DE SOUZA TRINDADE PFN Guia = 1475 / 2010 18/06/2010Interposto agravo regimentalJuntada Petição: 34915/2010 17/06/2010Petição34915/2010 17/06/2010 BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A AG.REG. 15/06/2010Publicação, DJEDJE nº 107, divulgado em 14/06/2010 Despacho 08/06/2010SobrestadoMIN. RICARDO LEWANDOWSKI Aguardando Julgamento:RE/400479.Em 1º/6/2010. 28/05/2010Conclusos ao(à) Relator(a) 28/05/2010Juntada a petição nº30294/2010.30294/2010. 26/05/2010Petição30294/2010 25/05/2010 BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A APRESENTA MANIFESTAÇÃO E REQUER O NAO CONHECIMENTO DO FEITO. 25/05/2010Conclusos ao(à) Relator(a)com parecer da PGR pelo provimento de ambos recursos. 28/04/2010Vista à PGREm 26/4/10. 20/04/2010Conclusos ao(à) Relator(a) 20/04/2010Juntada a petição nº21400/2010.21400/10. 14/04/2010Petição21400/2010 14/04/2010 A FAZENDA NACIONAL REQUER SEJA RECONHECIDO NO FEITO À REPERCUSSÃO GERAL. 18/03/2010Conclusos ao(à) Relator(a) 18/03/2010Juntada a petição nº10975/2010.10975/2010 09/03/2010DistribuídoMIN. RICARDO LEWANDOWSKI 03/03/2010Petição10975/2010 02/03/2010 BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A REQUER JUNTADA DE PROCURAÇÃO E/OU SUBSTABELECIMENTO E INDICA NOME PARA INTIMAÇÕES/PUBLICAÇÕES/NOTIFICAÇÕES. 25/02/2010Autuado Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.705 15 Resta, então, verificar o último ponto que se refere à determinação expressa do STF sobre o sobrestamento de processos que tratem de igual matéria ao do RE 609.096. Neste ponto, cabe destacar o teor do despacho (DJE nº 115, divulgado em 15/06/2011), naquilo que interessa à presente discussão, de autoria do relator, Ministro Ricardo Lewandowski, proferido em face da Petição 73745/2010STF da Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN, no curso do RE 609.096, que solicitava “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos”: “Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011.” Da análise que se faz, constatase a existência de expresso indeferimento para suspensão de processos que tratam da mesma matéria versada no RE 609.096 que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição. Caso queira se entender que a exigência contida na legislação do CARF (§1º do art. 62 A do RICARF c/c parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 01, de 03/01/2012) referese à determinação expressa de sobrestamento de Recursos Extraordinários pelo o STF e não do processo em si, em qualquer que seja a fase processual, temse a destacar que, não obstante existir menção do relator no despacho acima mencionado ao sobrestamento automático dos recursos extraordinários por força do próprio art. 543 – A, efetuada para fundamentar o indeferimento do pedido de suspensão dos processos, não se vislumbra a existência no referido RE 609.096 de expressa determinação proferida pelo o STF para sobrestamento dos demais recursos extraordinários que versem sobre a mesma matéria. Diante do acima exposto, entendo que não foi cumprido o requisito exigido pelo o §1º do art. 62 A do RICARF c/c o parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 01, de 03/01/2012, motivo pelo o qual conduzo o meu voto no sentido de se negar o incidente de sobrestamento suscitado. DO MÉRITO E, assim votando, passo a efetuar a análise do mérito do presente litígio, já acima destacada. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 16 Em resumo, no recurso voluntário a contribuinte alega que tendo o Acórdão n° 0234.805, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 26/09/2011, ao manter o lançamento da COFINS, tendo como base de cálculo as receitas operacionais oriundas do seu objeto social (empresa seguradora), pretende relativizar e, assim, extrapola o conceito de “faturamento”, base de cálculo da Cofins, para o caso específico das instituições financeiras e seguradoras, em evidente confronto com a coisa julgada, nos termos da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022. Ressalva o direito de recolher a COFINS em relação ao seu “faturamento”, conforme definição do art. 2º da LC nº 70, de 1991 (receita de prestação de serviços e vendas de mercadorias), no qual se exclui as receitas de prêmio direto, coseguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações (receitas da carteira de seguros). Como relatado, repisa os mesmos argumentos da impugnação. Preliminarmente, cabe analisar a alegação de que o lançamento, bem como o acórdão recorrido, mantendo parcialmente o lançamento, afrontou a coisa julgada no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022. A decisão proferida no referido Mandado de Segurança, consoante se verifica pela leitura da cópia contida às fls. 1.358 e 1.359, foi, unicamente, no sentido de afastar a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em conformidade com a petição inicial da ação judicial, na qual a contribuinte discute a constitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS promovida pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com o objetivo de que a base de cálculo seja calculada sobre o seu faturamento, permanecendo válidas as regras dos demais artigos, inclusive a do art. 2º e a do caput do art. 3º, que prescrevem: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001).” A contribuinte não questionou explicitamente se as receitas decorrentes das operações relacionadas aos contratos de seguros receita de prêmios, por exemplo por ele desenvolvidas integram, ou não, ao lado daquelas representadas pela cobrança de taxas/comissões, o conceito de faturamento para a base de cálculo da Cofins. E, não havendo questionamento na esfera judicial de igual matéria sob litígio na esfera administrativa, esta tem que ser analisada e decidida pela autoridade julgadora administrativa. O Recurso voluntário, então, no concernente à preliminar de ofensa do lançamento e do acórdão recorrido à coisa julgada, não merece provimento, haja vista verificarse que o Acórdão nº 0234.805, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 26/09/2011, decidiu pela exclusão na base de cálculo da Cofins das receitas financeiras e as receitas de imóveis, tendo em vista exatamente a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mantendo o lançamento da Cofins apenas sobre a receita bruta, justificando que esta corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefim, tudo em conformidade com o decidido no Mandado de Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.706 17 Segurança nº 1999.38.00.0085022, com a jurisprudência firmada pelo o STF, com o disposto no Parecer da PGFN/CAT/Nº 2.773, com a Lei nº 9.718/88. Passase assim, ao mérito da questão, qual seja, analisar e decidir qual exatamente a composição da base de cálculo da COFINS das empresas seguradoras, a partir da edição da Lei nº 9.718/88. Tendo em vista o caput do art 3º de referida lei, acima transcrito, percebese que se trata de interpretar a expressão receita bruta, tarefa polêmica já enfrentada no judiciário e sobre a qual já se tem jurisprudência firmada. Até a edição da Lei nº 9.718, de 1998, a base de cálculo da COFINS era o faturamento, cujo conceito restringiase às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, nos termos do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 pretendeu ampliar esse conceito para nela fazer inserir toda e qualquer receita, de qualquer natureza, abrangendo assim, as receitas financeiras.“ Tal pretensão levou o judiciário a pronunciarse sobre a jurisprudência já firmada acerca do conceito de faturamento para incidência da Cofins, em decorrência das diversas ações impetradas pelos contribuintes, entre eles as empresas do setor financeiro e seguradoras, que não se conformaram com o término da isenção que possuíam até a edição dessa lei. O STF no julgamento do RE 346.0846 Paraná, que teve como redator, o Ministro Marcos Aurélio, em 09/11/2005, julgou pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 , cuja ementa abaixo se transcreve: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO 346084/PR PARANÁ Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO Redator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 09/11/2005 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Ementa “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 18 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (grifouse) Entendendose o alcance do conceito de receita bruta como sendo faturamento no sentido de venda de mercadoria e serviços, verificase que o conceito dado pelo STF, à luz da Lei nº 9.718, de 1998, e da LC nº 70, de 1991, é, definitivamente, o de receita operacional. Nos debates que então se desenvolveram na sessão.” Nos debates que então se desenvolveram na sessão do Tribunal Pleno que julgou o RE nº 346.084/PR, conforme ementa acima transcrita, os Ministros explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo da Cofins no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida como resultante de sua atividade principal. O Acórdão recorrido fez menção aos posicionamentos dos Ministros explicitados no referido debate: “O Ministro César Peluso, no RE nº 346.084/PR, expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa e acrescentou que, se determinadas instituições têm receitas financeiras como atividade empresarial típica, tais receitas ingressam no conceito de receita bruta como faturamento, in verbis: ‘Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social.Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.707 19 própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’.’ (grifouse) O Ministro Marco Aurélio, por sua vez, expressou entendimento, no mesmo RE nº 346.0846/PR, reproduzindo voto que proferira anteriormente, no sentido da constitucionalidade do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, exceto para o §1º que expandira em demasia o conceito de receita bruta para fins de tributação da Cofins, e que a receita bruta, como sinônimo de faturamento, referese à atividade principal da empresa, in verbis: ‘O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. (...) Operacional. (...)’ (grifouse) Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto consignou no RE nº 346.0846/PR a identidade entre faturamento e receita operacional, esta constituída por ingressos que decorrem da razão social da empresa, que foi o sentido de faturamento expresso no art. 2º da LC nº 70, de 1991, in verbis: ‘A Constituição de 88, pelo seu art. 195, I, redação originária, usou do substantivo ‘faturamento’, sem a conjunção disjuntiva ‘ou’ receita. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art. 22, parágrafo 1º, “a”, assim redigido (...): ‘Art. 22. (...) §1º (...) a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;’ Por isso, estou insistindo na sinonímia ‘faturamento’ e ‘receita operacional’, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio,enfim. (...) Esse tratamento normativo do faturamento como receita operacional foi reproduzido pela Lei Complementar 70/91, cujo artigo 2º assim dispõe (....). Ou seja, mais claro, impossível.”(grifouse) Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 20 Na mesma linha, o Ministro Sepúlveda Pertence, no RE nº 346.0846/PR, pontuou que a identidade entre receita bruta e faturamento deve ser buscada na legislação do Finsocial, o Decretolei nº 2.397, de 1987. O art. 22, caput, e a alínea b desse Decreto determinavam que o Finsocial (criado pelo Decretolei nº 1.940, de 1982, e que antecedeu à Cofins) incidiria sobre as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas. E concluiu que a lei tributária chamou receita bruta o que é faturamento, in verbis: ‘Recordemse, na conformidade do referido DL 2.397/87, a nova redação do §1º e o § 4º esse, então acrescentado ao art. 1º do DL 1.940/82, regente do FINSOCIAL sobre a receita bruta das empresas: ‘Art. 22 (...) Parágrafo 1º A contribuição social de que trata este artigo será de 0,5% (meio por cento) e incidirá mensalmente sobre: (...); b) as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (...); c) as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas.’ (...) FINSOCIAL, é na legislação desta [contribuição], e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam: (...), essa é a solução imposta, no ponto, pelo postulado da interpretação conforme a Constituição. (...) No prosseguimento da discussão, (...), acentuei RTJ 149/287; ‘(...) . O que tentei mostrar no meu voto, a partir do Decretolei nº 2.397, é que a lei tributária, ao contrário, para o efeito de FINSOCIAL, chamou receita bruta o que é faturamento. E, aí, ela se ajusta à Constituição.’ Essa interpretação conforme veio a ser a base da definição de receita como base de cálculo da COFINS, na Lei Complementar 70, cuja constitucionalidade se declarou na ADC nº 1, Moreira Alves. (...)” (grifouse) Do próprio Recurso de Apelação da contribuinte no curso do Mandado de Segurança citado (cópia anexada às fls. 1.263), em face da sentença nº 844/99 de primeiro grau que denegara a segurança pleiteada , item III DA JURISPRUDÊNCIA APLICÁVEL se extrai trechos da jurisprudência dos Tribunais Regionais, transcritas pela própria recorrente, no sentido de demonstrar que a jurisprudência firmada era de que Faturamento era compreendido como Receita Bruta, assim entendida a receita originária empresarial, de acordo com o objetivo societário, excluindose as receitas financeiras. Vejamos: Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.708 21 No julgamento do Agravo de Instrumento nº 1999.01.00.024444.5/DF, cuja relatora era a Exma. juíza Eliana Calmon, na qual se discutia o aumento de alíquota e ampliação da base de cálculo estabelecido pela lei 9.718/98, a mesma ressalvou que: “Receita bruta é sinônimo de faturamento pelo o STF, entendendose como tal o total das vendas, de serviços e de mercadorias e serviços (Precedentes do STF – RE 150.746, RE 150.755, ADCnº01/DF). Em outras palavras, tudo o que se originar da atividade empresarial, de acordo com o seu objetivo societário é Receita Bruta ou faturamento. Fora do contexto ficavam o emprego do capital empresarial em investimentos mobiliários, ou especulação cambial, porque tais ganhos não poderiam ser rubricados como Faturamento ou Receita Bruta. Era uma zona ‘gris’, que sofria a tributação do Imposto de Renda, naturalmente, mas escapava à incidência da Cofins. Com a Lei nº 9.718/98 não somente pretendeuse estabelecer em diploma legislativo a identidade já assumida pelo o STF – Receita Bruta – Faturamento – mas ampliarse o conceito de Receita bruta para nela abrigar os investimentos mobiliários e de Câmbio. E, tanto é verdadeira a assertiva, que foi preciso explicitar o que se incluía no conceito de Receita Bruta (operações em mercados futuros e operações de câmbio). Consequentemente, a alteração ocorreu no sentido de darse ao conceito Receita Bruta, interpretada até então como o só resultado empresarial de suas atividades.” No julgamento do Agravo de Instrumento nº 1999.04.01.0022003.0/SC, cuja relatora era a Exma. juíza Tânia Escobar, do TRF da 4º região, DJU 2, de 31/05/1999, p.269, a mesma menciona que: “...mesmo considerando que foi com a entrada em vigor da Emenda Constitucional nº 20/98 que formalmente se viabilizou a criação de contribuições sociais sobre a receita bruta, a cargo do empregador, já no regime anterior à referida emenda a Cofins já incidia sobre receitas, não decorrentes de faturamento , ex vi do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, tendo essa sistemática sido convalidada pela Suprema Corte no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1 1/DF, onde prevaleceu o entendimento de que ‘conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços coincide com o de faturamento, que, para efeitos fiscais, foi sempre entendido como o produto de todas as vendas, e não apenas das vendas acompanhadas de fatura, formalidade exigida tão somente nas vendas mercantis a prazo.’ (trecho do voto do relator, Ministro Moreira Alves, citando o votto do Ministro Ilmar Galvão no julgamento do RE 150.764/PE).” Assim, entendo, em conformidade com a jurisprudência firmada, que, de forma geral, o termo “faturamento”, ao longo de sua utilização na legislação tributária e das discussões doutrinárias e jurisprudenciais, afastouse do seu sentido inicial meramente mercantil, considerado como o ato de faturar, para alcançar as receitas decorrentes de todas as vendas de mercadorias, não só as faturadas, de mercadorias e serviços e de serviços, decorrentes das atividades típicas da empresa, que são aquelas constantes do objetivo social da empresa. Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 22 A Lei n° 9.718, de 1998, por meio de seu §6° do art. 3° abaixo transcrito, introduzido pelo art. 2º da Medida Provisória nº 1.807, de 28 de janeiro de 1999 (atualmente, art. 2º da MP n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001), determinou a base de cálculo do PIS e da Cofins devidos pelas Seguradoras: “§6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no §1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no §5º, poderão excluir ou deduzir: (...) II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos”. A Instrução Normativa (IN) SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, normatizando o dispositivo legal citado, explicitou em seus arts. 28 e 96: “Art. 28. As empresas de seguros privados, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor: I do coseguro e resseguro cedidos; II referente a cancelamentos e restituições de prêmios que houverem sido computados como receitas; III da parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e IV referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de coseguros e resseguros, salvados e outros ressarcimentos. Parágrafo único. A dedução de que trata o inciso IV aplicase somente às indenizações referentes a seguros de ramos elementares e a seguros de vida sem cláusula de cobertura por sobrevivência. (...) Art. 96. As empresas de seguros privados, as empresas de capitalização e as entidades abertas e fechadas de previdência complementar deverão apurar o PIS/Pasep e a Cofins de acordo com as planilhas de cálculo constantes dos Anexos II e III, conforme o caso.” Conforme bem destacado pelo o Acórdão ora recorrido, da leitura dos dispositivos acima, depreendese que, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins, as seguradoras podem efetuar uma série de deduções necessárias ao auferimento das receitas derivadas da exploração de sua atividadefim, resultando que, ao final, tributase, basicamente, o resultado ou ganho líquido, e não a totalidade da receita. Tratase de situação sui generis, devido às especificidades e particularidades da atividade econômica desenvolvida pelo impugnante. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.709 23 Especificamente sobre a composição do faturamento, base de cálculo da Cofins, para pessoa jurídica incluída no rol do §1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de Julho de 1991 (instituições financeiras e assemelhadas), o acórdão recorrido traz à lume a decisão prolatada pela 2ª Turma do STF em 29/11/2005 (DOU de 09/12/2005), de lavra do Ministro César Peluzo, nos autos do RE nº 400.479, que traduz o entendimento do Excelso Pretório acerca da aplicação do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, para aquelas pessoas, isto é, instituições financeiras e assemelhadas , no tocante à incidência das contribuições sociais para o PIS e Cofins e que se transcreve a seguir: “1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão proferido por Tribunal Regional Federal, acerca da constitucionalidade de dispositivos da Lei nº 9.718/98. 2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). (...) 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento da recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.” (grifouse) Tal decisão foi objeto de agravo, sob os argumentos de que:a) a lide revela especificidades que não se exaurem com a decisão alcançada pelo o Plenário da Corte declarando a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98: b) a limitação do conceito de faturamento às receitas de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços resultou na isenção das empresas seguradoras das contribuições para o PIS e COFINS, exatamente por não apresentarem nenhuma dessas receitas; c) as receitas de prêmio não podem ser tributadas pea COFINS por nãointegrarem sua base de cálculo, o contrato de seguro não envolve vendas de mercadorias e nem tão pouco prestação de serviços. O relator do agravo, o Ministro Cezar Peluso, apresenta, em 10/10/2006, o seu voto nos seguintes termos: “1. A decisão agravada invocou e resumiu o entendimento invariável da Corte, cujo teor subsiste invulnerável aos Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 24 argumentos do recurso, os quais nada acrescentaram à compreensão e ao desate da quaestio iuris. Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas do contrato de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência para as contribuições para o PIS e a COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 dada pelo o Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. É oportuno, aliás, advertir que o disposto no art. 544,§§ 3º e 4º , e no art.557, ambos do Código de Processo Civil, desvela o grau da autoridade que o ordenamento jurídico atribui, em nome da segurança jurídica, às súmulas e, posto que não sumuladas, à jurisprudência dominante, sobretudo desta Corte, as quais não podem ser desrespeitadas e nem controvertidas sem graves razões jurídicas capazes de lhes autorizar revisão ou reconsideração.De modo que o inconformismo sistemático, manifestado em recursos carentes de fundamentos novos, não pode deixar de ser visto senão como abuso do poder recursal. Ao presente recurso, que não traz argumentos consistentes para editar eventual releitura da orientação assentada pela Corte, não sobra, pois, senão caráter abusivo. 2. Isto posto, nego provimento ao recurso, mantendo a decisão agravada pelos seus próprios fundamentos”. Inferese das diversas manifestações dos Ministros do STF que, ao contrário do argumentado pela ora recorrente, o faturamento ou receita bruta que a LC nº 70, de 1991, e a Lei nº 9.718, de 1998, elegeram como base de cálculo da Cofins e do PIS, corresponde à receita operacional da pessoa jurídica, a qual equivale aos ingressos decorrentes de sua atividade típica. Também, diante da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 pelo o STF, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) proferiu o entendimento de que as receitas oriundas das atividades empresariais devem compor a base de cálculo das contribuições, conforme consta da Nota Técnica Cosit nº 21, de 28 de agosto de 2006, elaborada pela CoordenaçãoGeral de Tributação: “Considerando que o artigo 195 da Constituição Federal, em sua redação originária, anterior à Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, somente previa a incidência de contribuição sobre o faturamento, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que conceituou o termo ‘faturamento’ como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da classificação fiscal ou contábil adotada. Em resumo, o STF decidiu que, sob o sistema constitucional em que aquela Lei foi promulgada, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.710 25 Seguridade Social (Cofins) era o faturamento, aí compreendido o produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, independentemente da emissão de fatura. Dessa forma, a partir da referida decisão, a interpretação possível é a de que, no período de vigência da Lei nº 9.718, de 1998, as receitas financeiras, dentre outras que não se caracterizem como receitas de vendas de mercadorias ou de prestação de serviços, deixaram de compor a base de cálculo das contribuições. 2. A decisão do STF foi proferida no exercício do controle difuso de constitucionalidade. Aplicase, portanto, somente às empresas que integraram o pólo ativo da lide. Entretanto, é inegável que esta decisão constituise em verdadeiro leading case, que irá orientar futuros julgamentos sobre a questão. As pessoas jurídicas que ingressarem no judiciário com pleito semelhante certamente obterão sucesso em suas ações. Por sua vez, os processos ainda em andamento estão fadados a terem desfecho desfavorável para a União. 3. Após a decisão do STF, diversos questionamentos foram levantados sobre a aplicação da referida decisão às instituições financeiras e às seguradoras, sob o argumento de que tais entidades não possuem ‘faturamento’, propriamente dito, pois argumentam as entidades que a palavra faturamento teria acepção própria, tecnicamente construída, e corresponderia, taxativamente, ao conjunto de receitas obtidas pela pessoa jurídica na venda de mercadorias e na prestação de serviços. Não se confundiria, nem se equipararia, com receitas outras, como as receitas financeiras das pessoas jurídicas que se dedicam à indústria, ao comércio ou à prestação de serviços. 4. Como decidido pela Suprema Corte, foi afastada a ampliação da base de incidência definida no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Entretanto, resta equivocado o entendimento dado pelas instituições do setor financeiro, com base no argumento referido no item 3 desta Nota, no sentido de que deverão recolher esses tributos apenas sobre as tarifas de emissão de extratos ou de talões de cheque, entre outras assemelhadas, considerandoas unicamente como receitas de serviços. 4.1. As instituições financeiras, em sustentação de sua tese, alegam que a maior parte de suas receitas não decorrem da prestação de serviços ou da venda de mercadorias, mas sim de atividades estritamente financeiras. Argumentam, ainda, que não importa que essas receitas financeiras sejam consideradas operacionais, já que o conceito de faturamento não é maleável a ponto de sofrer ampliações em função da natureza das atividades do contribuinte, visto que, como já decidiu o STF, tratase de conceito obtido em ciência própria, que como tal deve ser respeitado. 5. O argumento das empresas de seguros não é diferente, posto que alegam que receitas de prêmios de seguros também não se enquadram no conceito de faturamento por não se tratar de venda de serviços, de mercadorias e de serviços e mercadorias. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 26 6. Ocorre que a interpretação lógica decorrente da citada decisão do STF é no sentido de que as instituições financeiras e de seguros não estão obrigadas a recolher a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins sobre receitas que não compõem o seu faturamento. No caso, que não se refiram à efetiva prestação de serviços. Não devendo ser computadas, portanto, as receitas que não se enquadrarem no conceito de receitas de serviços. 6.1. No caso de instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil inclusive empresas de arrendamento mercantil (leasing), por terem sido consideradas como instituições financeiras enquadradas no inciso III do art. 8º da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para fins do benefício da alíquota zero de CPMF, transitada em julgado não devem ser consideradas na apuração da base de cálculo as receitas não operacionais previstas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif), tais como rendas de aluguel e outras rendas não operacionais. Entretanto, receitas da atividade própria dessas instituições se constituem no próprio faturamento destas, reconhecidas inclusive como operacionais pelo próprio Cosif. 6.2. No caso de instituições regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados, não devem ser consideradas as receitas referentes às aplicações financeiras de recursos próprios. 7. O fato da incidência dessas contribuições sobre a totalidade das receitas somente ter sido autorizada com o advento da Emenda Constitucional nº 20/98 é pouco relevante para as instituições financeiras e seguradoras, posto que essas entidades continuam sujeitas à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, de acordo com a Lei nº 9.718, de 1998. 8. Portanto, são frágeis os argumentos das instituições financeiras e seguradoras no que tange à não incidência dessas contribuições sobre suas receitas financeiras, sem que antes seja examinada a natureza jurídica dessas receitas em relação às suas atividades. 9. Com efeito, o enquadramento da atividade de bancos e de seguros no setor terciário da economia (serviços) é contemplado no Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado durante a rodada de negociações multilaterais promovidas no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994) Rodada Uruguai, promulgada pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. 9.1. O Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS) pode ser subdivido em dois grandes blocos. O primeiro é o próprio texto do Acordo contendo as regras e as obrigações aplicáveis a todos os Membros da OMC. O segundo é composto pelos anexos que tratam de problemas específicos de alguns setores. São eles: o anexo referente ao movimento de pessoas físicas fornecedoras de serviço, o anexo sobre os serviços de transportes aéreos e os Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.711 27 de transportes marítimos, o anexo sobre serviços financeiros, e, finalmente, os anexos concernentes a telecomunicações. (...) 10. Assim, entendese que, sendo essas atividades caracterizadas como serviços, as receitas delas provenientes são receitas de serviços, e, portanto, integrantes do faturamento. 11. Ressaltese que o impacto dos tratados internacionais sobre a legislação tributária é disciplinado pelo art. 98 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, in verbis: ‘Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.’ 12. Por todo o exposto, propõese o encaminhamento de consulta à PGFN para avaliação da natureza jurídica das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros à luz da decisão do STF.” (grifouse) Instada a dar o seu parecer sobre a base de cálculo da Cofins a ser utilizada pelas instituições financeiras e assemelhadas, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, emitiu, em 13 de dezembro de 2007, o Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773, nos seguintes termos: “O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras. O Ministro Cezar Peluso, relator do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 400.4798 Rio de Janeiro, expôs com clareza meridiana o pensamento que vem sendo defendido no presente trabalho no voto proferido no referido feito, ao afirmar que “seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 28 da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (grifouse)” Mesmo considerando o afastamento do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e diante do que foi acima exposto, podese inferir que relativamente às seguradoras, as receitas vinculadas à carteira de seguros e da carteira de previdência privada complementar, especialmente os prêmios diretos, são receitas operacionais, que compõem a base de cálculo da Cofins e, ao contrário do que alega a recorrente, devem ser incluídas na base de cálculo da contribuição, além das taxas/comissões cobradas pela seguradora, os valores registrados nas contas denominadas prêmio direto, coseguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações. Creio que as considerações feitas acima são elucidativas o bastante para concluir pela procedência do decidido no acórdão recorrido, no qual os fundamentos utilizados foram extensivos, claros, e, por corroborar com os mesmos, adotoos e ratificoos, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Portanto, concluise que o acórdão recorrido em nada merece ser alterado. CONCLUSÃO Tendo em conta a análise e fundamentos efetuados acima, bem como os fundamentos proferidos no voto do acórdão recorrido, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, e, no que se refere ao recurso voluntário, indeferir o incidente de sobrestamento suscitado pela contribuinte, rejeitar a preliminar de ofensa pelo acórdão recorrido à coisa julgada e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora Declaração de Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Pedi vista destes autos para melhor me inteirar sobre as questões fáticas. Após a sustentação oral do patrono, fiquei com dúvidas em relação ao teor do processo judicial, assim como no que se refere ao teor das decisões proferidas. Ainda, atenteime para a particularidade da atividade de seguro que poderia resultar em conduta não típica da tributação pretendida. Ao analisar os autos constatei que as questões em discussão são: Quanto ao Recurso de Ofício, o cancelamento do auto de infração no que se refere à parte incidente sobre as receitas financeiras (aluguéis, receitas de investimento próprio e demais receitas, distintas do faturamento e do conceito de receita operacional da Recorrente). Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.712 29 No que se relaciona ao Recurso Voluntário, inicialmente, por ser (i) preliminar, há a discussão sobre a possibilidade da matéria estar em Repercussão Geral, o que impediria o julgamento deste processo. Após, há a questão da (ii) afronta à coisa julgada, em virtude dos termos das decisões judiciais e (iii) da incidência do PIS e Cofins nas receitas das operadoras de seguro. Analisei os autos e a decisão da I. Relatora. É de se admitir que o voto proferido foi realizado com excelência, tendo todos os argumentos sido analisados de maneira detalhada e fundamentada. Concordo com os argumentos apresentados pela d. Relatora no que se refere ao Recurso de Ofício. É pacífico neste tribunal administrativo a impossibilidade da tributação de receitas financeiras próprias e outras receitas desatreladas do faturamento se a empresa estiver sob a égide da Lei nº 9.718/98. É o efeito da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal quando da análise do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Ainda, no tocante ao Recurso Voluntário, estou de acordo com quase a totalidade dos termos do voto da Relatora, excetuando apenas o item (iii), no qual acompanho a Conselheira pelas conclusões. Realmente, em relação à preliminar, assim como a Relatora, sou da opinião de que a matéria (conceito de faturamento para empresas de seguros e financeiras) está em discussão em sede de Repercussão Geral, e entendo que a exposição minuciosa do voto condutor não deixa dúvidas em relação a este fato. Todavia, assim como também pontuado pela Relatora, a Portaria CARF nº 1 impede que o presente julgamento fique suspenso, razão pela qual passo a analisar o mérito. Após analisar os documentos referentes ao processo judicial, constatei a mesma coisa que a Relatora, que o processo não esmiuçou o conceito de faturamento para a atividade da Recorrente, inclusive, nos termos da exordial do mandado de segurança percebe se que o pedido realizada pela Recorrente foi, em relação a este tópico, genérico: “...seja ao final concedida a segurança, garantindose a impetrante do direito de não recolher a COFINS (revogação espúria da isenção conferida às instituições financeiras), ou quando menos, o direito de recolher a COFINS sobre o seu “faturamento”, entendido tal como nos termos do artigo 2º da lei Complementar nº 70/91 (receita de prestação de serviços e venda de mercadorias), declarandose incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 3º, caput e seu §1º da Lei nº 9.718/98.” (fls. 1219) Não há aqui questionamento acerca da conceituação de “prestação de serviços” para a atividade de seguradora. Ante estes fatos, concordo com a Relatora no sentido de que a autuação não afrontou a coisa julgada, uma vez que a fiscalização analisou as receitas auferidas pela Recorrente e entendeu que estas receitas decorriam de seu faturamento. Todavia, não posso concordar com a fundamentação utilizada pela DRJ e avalizada pela Ilustre Relatora acerca do conceito de faturamento para as empresas de seguro. A despeito da bem colocada argumentação trazida a lume, meu entendimento é no sentido de que a Corte Suprema ainda não se manifestou sobre o assunto, tanto é assim que – conforme esclarecido em sede de preliminar se encontra pendente, em sede de Repercussão Geral, o leading case acerca da matéria. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 30 O que existe – e inclusive consta do voto da Relatora – são discussões entre os Ministros da Suprema Corte e alguns posicionamentos de Ministros neste sentido, que constam de notas taquigráficas mas, quando muito, representam o pensamento destes Ministros naquela oportunidade. Inclusive, alguns destes Ministros inclusive já encontramse aposentados, razão pela qual sequer estarão presentes no julgamento do leading case. Não vejo meios, portanto, de aplicar o entendimento de identidade entre faturamento e receita operacional. Ainda neste sentido mister registrar que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, inclusive, emitiu Parecer interpretando o julgamento do Supremo, para o fim de concluir que o conceito de faturamento entendido pela Suprema Corte era a receita bruta operacional. Se o julgado fosse exatamente neste sentido, não haveria necessidade de interpretação por parte da Procuradoria. Por outro giro, entendo a tese apresentada pela Recorrente. A questão trazida referese ao fato de que a natureza do contrato firmado entre a Recorrente e seus beneficiários ser de seguro, e não de prestação de serviços. Nos termos do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal – STF – no julgamento do Recurso Extraordinario nº 346.084, leading case que analisou a (in)constitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, pretendido pelo artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, o conceito de faturamento legal e constitucional não é o de “totalidade de receitas”, mas sim o simples faturamento entendido como a “receita de vendas de mercadorias e/ou serviços”. Aqui está a controvérsia trazida aos autos. A Recorrente não presta serviços, mas fornece seguros e o PIS/Cofins incide apenas sobre a venda de mercadorias e serviços. De fato, a Recorrente, ao firmar contratos com seus clientes, obrigase a cobrir eventos aleatórios, representativos de custos que podem ou não vir a ocorrer. Em troca, seus clientes pagam um valor fixo a titulo de premio. O contrato de seguro é aquele em que uma parte se obriga com a outra a defender seus interesses na ocorrência de riscos prédeterminados, mediante o recebimento de um pagamento. Percebese, portanto, que a principal característica do contrato de seguro é exatamente o pagamento desta indenização acerca do prejuízo resultante da ocorrência dos eventos previstos no contrato. Indiscutível que, ao contrario do contrato de prestação de serviços, o contrato de seguro é contrato aleatório, pois uma das prestações é sempre incerta, podendo inclusive não ocorrer, vez que sua ocorrência depende de evento futuro. Neste sentido ecoa a doutrina: “é o aleatório o contrato em que as prestações de uma ou de ambas as partes sao incertas, porque a sua quantidade ou extensão esta na dependência de um fato futuro e imprevisível (alea) e pode redundar em numa perda, ao invés de lucro. Exemplos: o contrato de seguro...” (Washington de Barros Monteiro, in Curso de Direito Civil, Direito das Obrigacoes, Vol. II, Saraiva, 1967, pag.30) “Contrato aleatório, por excelência, é o seguro, e que a prestação do segurado é certa e do segurador incerta, dependendo da realização de uma condição.” (Arnold Wald, in Curso de Direito Civil Brasileiro, 1969, pag.196) Admitida esta premissa, sendo atividade da Recorrente típica de seguro, cabível a tese pleiteada. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720495/201154 Acórdão n.º 3302001.873 S3C3T2 Fl. 1.713 31 Conforme ementa do acórdão proferido na ocasião do julgamento do leading case (Recurso Extraordinário nº 346.084), resta evidente o conceito de faturamento atualmente admitido pelo Supremo Tribunal Federal, para tributação por meio da Lei nº 9.718/98, verbis: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (destaquei) Neste sentido, uma vez que a Suprema Corte apresentou entendimento, pelo Pleno de seu Tribunal, no sentido que faturamento é apenas receita de venda de “produtos e serviços”, plausível o entendimento trazido pela Recorrente. Todavia, existe um senão no caso em análise. A questão é que de seguros está prevista da lista de serviços da Lei Complementar 116/031, sendo, portanto, passível de exigência de ISS pelos Municípios. Isto é, existe uma legislação que expressamente define como “prestação de serviço”, a atividade da Recorrente. Ocorre que é defeso a este tribunal administrativo julgar a constitucionalidade de lei. Neste sentido, independente da discussão acerca da incidência do PIS e Cofins; se no termos da Lei nº 9.718/98 incide sobre “faturamento” entendido como “receita de venda de produtos ou serviços” como o Supremo já declarou ou “receita operacional”, fato é que a LC 116/03 definiu que a atividade da Recorrente é de prestação de serviços. 1 "Lei Complementar 116/03: ... 10 – Serviços de intermediação e congêneres. 10.01 – Agenciamento, corretagem ou intermediação de câmbio, de seguros, de cartões de crédito, de planos de saúde e de planos de previdência privada." Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 32 Ante o exposto, voto com a Conselheira Relatora, ainda que pelas conclusões, para manter o auto de infração da forma como lançado. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001336/00-27
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS ANTERIORES A 09/06/2005. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICABILIDADE. APLICABILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DA LEI nº 5.869/1973 - CPC.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62-A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.002.932 - SP, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito tributário, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua se observando a tese dos cinco mais cinco, porém, o prazo para a interposição da ação de repetição do indébito ficará limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova.
Numero da decisão: 9900-000.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS ANTERIORES A 09/06/2005. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICABILIDADE. APLICABILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 CPC. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 13 36 /0 0- 27 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10820.001336/0027 Acórdão n.º 9100000.376 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório A contribuinte apresentou em 31 de agosto de 2000, o Pedido de Restituição de fls. 02 das parcelas da Contribuição para o PIS, relativas ao período de 10/1988 a 10/1995, instituídas pelos Decretoslei nº 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF. Após ter sido rejeitado o pedido pela repartição de origem, bem como pela DRJ/Ribeirão Preto, nos termos do Acórdão nº 5.998, de 2 de setembro de 2004 (fls. 283/292), a colenda Quarta Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes acolheu parcialmente o pleito da contribuinte, cuja decisão foi confirmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o Recurso Extraordinário de fls. 376/390, contra a mencionada decisão proferida pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais, consubstanciada no Acórdão nº 0202.733, de 02 de julho de 2007 (fl. 370/373), que negou provimento ao seu Recurso Especial, por entender que o termo inicial do prazo prescricional de 5 (cinco) anos para se pleitear a compensação somente se deu com a edição da Resolução do Senado, que declarou inconstitucionais os DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, conforme se extrai de sua ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1990 a 31/08/1995 PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O termo inicial do prazo prescricional de cinco anos para a compensação do PIS recolhido a maior, por julgamento da inconstitucionalidade dos DecretosLeis ns 2.445/88 e 2.449/88, flui a partir do nascimento do direito à compensação/restituição, no presente caso, a partir da data de publicação da Resolução n° 49/95, do Senado Federal. Recurso Especial do Procurador Negado. Cientificada da referida decisão em 25 de abril de 2011, e com ela não se conformando, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário, com os seguintes argumentos: a) o acórdão recorrido diverge frontalmente da jurisprudência mantida pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – acórdão CSRF/930300.080, já que neste se entendeu que a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico os decretosleis declarados inconstitucionais encontrase totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina; b) a resolução senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa Fl. 477DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio; colaciona diversos julgados e trechos doutrinários que abonam sua tese; c) conforme linha de entendimento que norteou o acórdão do STF no MS nº 17.976, relator Min. Amaral Santos, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional. d) tratase de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito; e) “Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e milito menos desfeitas de modo automático.” Ministro Teori Albino Zavascki, em voto proferido no EREsp nº 423.994/MG; f) Colaciona entendimento do Ministro Gilmar Ferreira Mendes sobre os efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle de constitucionalidade:“Não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. [...] De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade.” g) menciona posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp nº 423.994/MG38: “[...] Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.”; h) não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade ou da Resolução Senatorial; Isto significaria atribuir eficácia constitutiva àquela declaração e atrelar o início do prazo prescricional não a um termo, mas a uma condição (fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e, sim, condição suspensiva. “Equivaleria a eliminar a existência do prazo prescricional Fl. 478DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10820.001336/0027 Acórdão n.º 9100000.376 CSRFPL Fl. 4 5 de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo “a quo”, o termo “ad quem” será indeterminado”. i) O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos; Admitido o presente Recurso Extraordinário, conforme se verifica às fls. 426/427, a Interessada apresentou contrarrazões (fls. 433/447, v. 2), com os seguintes argumentos: j) O argumento utilizado pela Procuradoria da Fazenda Nacional para cabimento de Recurso Extraordinário é um paradigma acerca de tributo totalmente adverso daquele pretendido pelo contribuinte; k) O contribuinte pretende ver reconhecido direito acerca da declaração de inconstitucionalidade do PIS enquanto que o Recurso Extraordinário traz a tona acórdão acerca do ILL (imposto sobre lucro líquido), inclusive, com causas de pedir bastante adversas entre si; l) Em momento algum restou comprovado o requisito fundamental para a propositura do presente recurso, senão a interpretação divergente dada à lei tributária. Não restou comprovada tal divergência na interpretação da lei tributária, o que derruba toda pretensão quanto ao cabimento do RE, devendo, portanto, ser negado; m) Por fim, pugna pelo não provimento do RE da PFN, eis que não houve efetiva caracterização de interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da CSRF ; Seja mantido o Acórdão vergastado que deferiu o pedido de restituição de crédito, com o termo “a quo” para o contribuinte que requereu a restituição/compensação dos tributos recolhidos a título de PIS, no período de 1990 a 1995, em virtude da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Lei 2445/88 e 2449/88; É o relatório. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator O recurso apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo e foi admitido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A questão colocada para apreciação deste Tribunal Administrativo diz respeito a contagem do prazo decadencial do direito de pleitear indébito tributário. A decisão recorrida entendeu, que o termo inicial do prazo prescricional de cinco anos para a compensação do PIS recolhido a maior, por julgamento da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, flui a partir do nascimento do direito à compensação/restituição, no presente caso, a partir da data de publicação da Resolução n° 49/95, do Senado Federal. Por outro lado, a Fazenda Nacional entende que o acórdão recorrido diverge frontalmente da jurisprudência mantida pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – acórdão CSRF/930300.080, já que neste se entendeu que a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico os decretosleis declarados inconstitucionais encontrase totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina É de se observar, ainda, a possibilidade de aplicação retroativa dos efeitos da Lei Complementar 118, de 2005, sendo aplicável ao presente caso a prescrição decenal. O entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a par das ações de repetição de indébito propostas pelo contribuinte que têm por objeto os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é no sentido de considerar que o prazo prescricional (de 05 anos) acrescidos de 05 anos para a homologação expressa ou tácita dos tributos sujeitos a este tipo de lançamento. Com isso, se aplica a teoria dos "cinco anos mais cinco". Como visto, a discussão inicial versa sobre o prazo extintivo para repetição do indébito tributário. Ou seja, qual seria o prazo decadencial do direito de se pleitear o indébito tributário. Ora, assim como a Fazenda esbarra numa limitação temporal para exercer seus direitos de constituição e cobrança do crédito tributário, o contribuinte também está adstrito à observância de um prazo para reaver aquilo que pagou indevidamente ao Fisco, a título de tributos. Mas se faz necessário salientar, que embora o pagamento seja a forma mais natural para extinguir o crédito tributário, outras formas extintivas, tais como a compensação e a conversão do depósito em renda, por exemplo, podem dar ensejo à repetição. Assim, dispõe o art. 165, do Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 480DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10820.001336/0027 Acórdão n.º 9100000.376 CSRFPL Fl. 5 7 I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II – erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. No tocante ao prazo para o exercício do direito de repetição, consideremos os dispositivos que tratam do tema: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art. 3º da LC nº 118, de 2005) II – na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Art. 169. Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição. Parágrafo único. O prazo de prescrição é interrompido pelo início da ação judicial, recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data da intimação validamente feita ao representante judicial da Fazenda Pública interessada. Desta forma, em regra, terá o prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário (que em regra se dá com o pagamento) para pleitear a repetição. Mas devemos destacar que o art. 168, II, trata da hipótese do ter recolhido valores a título de pagamento de tributos, em virtude de alguma decisão administrativa ou judicial impositiva de pagamento. Nesse sentido, devese contar o prazo para o pedido de restituição da anulação, reforma, revogação ou rescisão de referida decisão. A questão da contagem do prazo de cinco anos, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, já foi objeto de grande controvérsia na jurisprudência e na doutrina durante algum tempo. Hoje, parece que a questão já está pacificada, tendo em vista o advento da Lei Complementar nº 118, de 2005. Conforme já exposto, nos lançamentos por homologação, a Fazenda possui o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologar o pagamento antecipado realizado pelo sujeito passivo. O prazo para pleitear a repetição de tributos indevidamente pagos, inclusive aqueles sujeitos ao lançamento por homologação, é de cinco anos, contados da extinção do Fl. 481DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 crédito tributário, de acordo com os termos do art. 168, I. Ocorre que o art. 156, do Código Tributário Nacional, que dispõe sobre as causas extintivas do crédito tributário, ao tratar da extinção dos créditos constituídos por lançamento por homologação fala em “pagamento antecipado e homologação do lançamento”. Dessa forma, questionavase: os cinco anos previstos pelo art. 168 deveriam ser contados do pagamento antecipado ou da homologação de referido pagamento que, na prática, se dá sempre de forma tácita, após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador da respectiva obrigação tributária? A “tese dos cinco mais cinco”, consagrada pela Primeira Seção do STJ ERESP nº 435.835/SC, de 24/03/2004 , fundouse justamente nessa questão. Necessário salientar, que referida tese vigorou no STJ por quase uma década e veio a ser abandonada somente com o advento do art. 3º, da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005,segundo o qual: Art. 3º. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Assim, com referida lei, que entrou em vigor após cento e vinte dias da data de sua publicação, em 09/06/2005, o prazo de cinco anos para repetição seria contado a partir do pagamento antecipado, tido por indevido. A controvérsia, contudo, não foi totalmente dirimida. Restaram dúvidas ainda quanto aos pagamentos realizados anteriormente à vigência da lei complementar, já que o art.4º tentou conferir natureza interpretativa à norma contida no art. 3º, objetivando que sua aplicação se desse a fatos e atos pretéritos. Confirase: Art. 4º. Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. De acordo com os termos do art. 4º, portanto, o art. 3º deveria aplicarse retroativamente, de modo que os pagamentos antecipados tidos por indevidos, realizados antes de 09/06/2005, constituiriam termo inicial para a contagem do prazo prescricional de repetição de indébito. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça, em Argüição de Inconstitucionalidade suscitada em virtude da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário 482.090, declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º, da Lei Complementar nº 118, de 2005, entendendo que a norma do art. 3º, na pretensão de “interpretar o enunciado do art. 168, I, c/c art. 156, VII, do Código Tributário Nacional, além de ter conferido sentido e alcance diversos do atribuído pelo Tribunal que detém a atribuição constitucional de interpretação das leis federais, também inovou no plano normativo. Assim, ao dispor o art. 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005, que a norma do art. 3º possuiria natureza interpretativa e, portanto, se aplicaria a situações pretéritas, violou os princípios da autonomia e independência dos poderes e da garantia ao direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10820.001336/0027 Acórdão n.º 9100000.376 CSRFPL Fl. 6 9 A consequência da declaração da inconstitucionalidade de parte da norma contida no art. 4º, da Lei Complementar nº 118, de 2005, foi a seguinte: como referido diploma legal entrou em vigor em cento e vinte dias, contados da data de sua publicação, que se deu em 09/02/2005, somente a partir de 09/06/2005, as datas dos recolhimentos realizados a título de pagamento de tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, passaram a constituir o termo a quo do prazo quinquenal para o pedido de repetição de indébito. Antes de 09/06/2005, o termo a quo para a contagem do prazo prescricional de dez anos (cinco mais cinco), para repetição de valores recolhidos a título de pagamento de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, continuaria a ser o momento da ocorrência do fato gerador. Entretanto, com todas as vênias necessárias, entendo que continuar esta discussão neste Tribunal Administrativo seria improdutivo, diante do fato que, em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 10 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a incidência de imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de decisão judicial é um destes temas. O Superior Tribunal de Justiça firmou posicionamento, em 25 de novembro de 2009, através da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, utilizandose da nova metodologia de julgamento de recursos repetitivos, prevista no art. 543C do CPC, no julgamento do REsp 1.002.932/SP (Rel. Min. Luiz Fux), concluiu que, “em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco”, cuja ementa se transcreve: RECURSO ESPECIAL Nº 1.002.932 SP (2007/02600019) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). Fl. 484DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10820.001336/0027 Acórdão n.º 9100000.376 CSRFPL Fl. 7 11 (...). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de Documento: 7442536 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 18/12/2009 Página 3 de 4 Superior Tribunal de Justiça decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (Data do Julgamento: 25 de novembro de 2009). Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto, o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme as transcrições abaixo: Processual civil. Tributário. Controvérsia acerca do prazo prescricional para se pleitear a repetição do indébito, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Aplicação Fl. 485DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 12 da tese dos “cinco mais cinco”. Orientação firmada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.002.932/SP (Rel. Min. Luiz Fux), utilizandose da nova metodologia de julgamento de recursos repetitivos, prevista no art. 543C do CPC. Recurso especial provido. (...) 2. Assiste razão à recorrente. Acerca do termo inicial para contagem do prazo prescricional, o Código Tributário Nacional, em seu art. 168, I, estabelece: “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (…)“. O art. 165, I, possui o seguinte teor: “O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (…)“. Já o art. 156 prevê a seguinte modalidade de extinção do crédito tributário: “VII – o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; (…)“. Confirase, ainda, a redação do caput do art. 150 e a de seus §§ 1º e 4º: (…) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A Corte Especial, ao julgar a Arguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644.736/PE (Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 27.8.2007), sintetizou a interpretação conferida por este Tribunal aos dispositivos legais acima, interpretação que deverá ser observada em relação às situações ocorridas até a vigência da Lei Complementar 118/2005, conforme consta do seguinte trecho da ementa do citado precedente: “Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de Fl. 486DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10820.001336/0027 Acórdão n.º 9100000.376 CSRFPL Fl. 8 13 indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador.” Ao declarar a inconstitucionalidade da expressão “observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional” , constante do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005, a Corte Especial ressalvou: “(…) com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova.” Por fim, na assentada do dia 25 de novembro de 2009, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, utilizandose da nova metodologia de julgamento de recursos repetitivos, prevista no art. 543C do CPC, analisou caso análogo ao dos autos, no Resp 1.002.932/SP (Rel. Min. Luiz Fux), concluindo que, “em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco” . 3. À vista do exposto, com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, dou provimento ao recurso especial (Data do Julgamento:, 18 de dezembro de 2009. RE no RECURSO ESPECIAL Nº 1.002.932 SP (2007/0260001 DECISÃO). No julgamento do RE n.º 566.621/RS (Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 11/10/2011), submetido ao regime da Fl. 487DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 14 repercussão geral, o e. Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/05, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, nos termos da seguinte ementa: "DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a Documento: 21907449 Despacho / Decisão Site certificado DJe: 14/05/2012 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10820.001336/0027 Acórdão n.º 9100000.376 CSRFPL Fl. 9 15 Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Recurso extraordinário desprovido (Data do Julgamento: 30 de abril de 2012. Como visto, a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que, com o advento da Lei Complementar nº 118, de 2005, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09/06/05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Resta claro, que a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria por ocasião do julgamento do RESP nº 1.002.932/SP, o qual foi submetido ao rito dos recursos repetitivos, previsto no art. 543C do CPC, pelo qual a decisão tem o efeito de impedir na origem (2ª instância) a interposição de recursos especiais que estejam em confronto com o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça. Na presente situação, resta claro, que a requerente protocolou Pedido de Restituição, datado de 31/08/2000, onde declarou os possíveis indébitos tributários de PIS, relativo ao período de 01/08/1990 a 31/08/1995. Assim sendo, a requerente cumpriu os requisitos exigidos pela jurisprudência de regência de que a teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.002.932 – SP, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito tributário, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua se observando a tese dos “cinco mais cinco”, porém, o prazo para a interposição da ação de repetição do indébito ficará limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Neste contexto, não assiste razão a Fazenda Nacional no que se refere ao prazo decadencial do direito de pleitear indébitos tributários. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para enfrentamento do mérito. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 16 (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Fl. 490DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA
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Numero do processo: 13896.002588/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 1997
IRRF. REVISÃO DE DCTF. VALORES DECLARADOS EM DUPLICIDADE. REVISÃO DO LANÇAMENTO.
Restando comprovado que a contribuinte declarou em duplicidade débitos de IRRF em razão da apresentação equivocada de DCTF complementar, deve ser revisto o lançamento, excluindo deste os valores sabidamente exigidos em duplicidade.
MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CTN.
A Medida Provisória nº 351/2007 alterou o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 e excluiu das hipóteses de aplicação de multa de ofício isolada, o recolhimento do tributo após o vencimento sem o acréscimo da multa de mora. Aplicação retroativa da norma mais benéfica, nos termos do que dispõe o art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional.
IRRF. DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
A questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por
homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizando-se da sistemática prevista no art. 543-C
do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Obrigatoriedade de aplicação deste entendimento, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno deste Conselho.
TAXA SELIC
Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários.
Numero da decisão: 2102-002.129
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR parcial provimento ao recurso voluntário, neste excluindo apenas os fatos geradores ocorridos em janeiro de 1997.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 IRRF. REVISÃO DE DCTF. VALORES DECLARADOS EM DUPLICIDADE. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Restando comprovado que a contribuinte declarou em duplicidade débitos de IRRF em razão da apresentação equivocada de DCTF complementar, deve ser revisto o lançamento, excluindo deste os valores sabidamente exigidos em duplicidade. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CTN. A Medida Provisória nº 351/2007 alterou o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 e excluiu das hipóteses de aplicação de multa de ofício isolada, o recolhimento do tributo após o vencimento sem o acréscimo da multa de mora. Aplicação retroativa da norma mais benéfica, nos termos do que dispõe o art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional. IRRF. DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. A questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Obrigatoriedade de aplicação deste entendimento, nos termos do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho. TAXA SELIC Fl. 577DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR parcial provimento ao recurso voluntário, neste excluindo apenas os fatos geradores ocorridos em janeiro de 1997. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 25/06/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face da pessoa jurídica acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 09/10, acompanhado dos anexos de fls. 11/57. O lançamento decorreu de revisão interna nas DCTFs apresentadas pela contribuinte em relação ao 1º, 3º e 4º trimestres de 1997. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 1/4, acompanhada de documentos, por meio da qual alegava que os créditos tributários exigidos por meio do lançamento já haviam sido extintos por pagamento – inclusive com os devidos acréscimos nos casos de pagamento a destempo. Requereu que, na hipótese de o lançamento não ser integralmente cancelado, um novo fosse efetuado, agora com todos os esclarecimentos necessários quanto à ocorrência dos fatos geradores do IRRF exigido. Em face da Impugnação apresentada, foi lavrado o parecer de fls. 375/379, por meio do qual a DRF de Osasco propunha a revisão parcial do lançamento, tendo em vista que os débitos foram gerados em duplicidade, em razão da apresentação de DCTF Complementar pela Impugnante, no lugar de DCTF Retificadora. Eis a conclusão do referido parecer, que foi aprovado pelo despacho decisório de fls. 380: Com base no Parecer supra que aprovo, defiro parcialmente o pleito do contribuinte, mediante a retificação dos créditos tributários principais, bem como das multas e juros vinculados, deles decorrentes, conforme acima demonstrado, tendo em vista a caracterização de erro de fato no preenchimento dos valores informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF COMPLEMENTAR do 1°,3° e 4° Trimestre de 1997 e ratificação da manutenção das características dos demais Fl. 578DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13896.002588/200211 Acórdão n.º 210202.129 S2C1T2 Fl. 532 3 débitos ora integrantes nos demonstrativos (ANEXO III e IV) do Auto de Infração n° 5.488. Às fls. 422/423 foi proposta a exclusão de novos débitos. Como, a despeito das exclusões efetuadas, ainda restassem débitos exigíveis e a Interessada apresentara Impugnação ao lançamento, o processo foi enviado à DRJ em Campinas para julgamento. Lá, a Impugnação foi considerada parcialmente procedente, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. DCTF. Presentes indícios suficientes a caracterizar possível erro de preenchimento da DCTF complementar pela contribuinte, que indicou débitos de idêntico valor aos declarados na DCTF original, cancelase parte do crédito tributário. Permanecem os débitos exigidos para os quais não houve caracterização de duplicidade de declaração ou não foram apresentados os recolhimentos correspondentes. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do principio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de oficio, para débitos já declarados em DCTF. DIFERENÇA DE JUROS DE MORA. 0 vencimento do IRRF, código de receita 0588, ocorre no terceiro dia útil da semana subseqüente ã de ocorrência do fato gerador da obrigação. Quanto o recolhimento é efetuado no mês posterior ao vencimento da obrigação, e não pagos os juros de mora devidos, cabível é sua exigência por meio do lançamento de oficio. Lançamento Procedente em Parte O valor exonerado foi superior ao previsto na Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001, razão pela qual foi interposto Recurso de Ofício a este Conselho. Além disso, inconformada com a parcial manutenção do lançamento, a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 520/527 por meio do qual alegou que a parcela remanescente do lançamento não poderia prosperar em razão da decadência (considerando que os fatos geradores ocorreram em janeiro de 1997 e a ciência do lançamento se deu somente em 20.03.2002). Além disso, alegou que não poderiam ser exigidos juros de mora com base na variação da taxa Selic, sendo que o percentual máximo dos referidos juros deveria ser de 1%, nos termos do art. 161, §1º do CTN. Ao final requereu: Em razão do exposto, requerse seja o presente recurso conhecido e provido, reformandose o v. acórdão mediante o reconhecimento da extinção do crédito tributário pela decadência ou, alternativamente, o cancelamento dos juros de Fl. 579DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 mora sobre a multa, para declarar nula a autuação fiscal por sua total improcedência, procedendose ao arquivamento dos autos, bem como a baixa do suposto crédito tributário junto aos terminais da Receita Federal do Brasil. Os autos foram então remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora Conforme relatado, tratase de Recursos de Ofício e Voluntário, interpostos em face de decisão que manteve parcialmente lançamento originado de revisão interna de DCTFs apresentadas pela pessoa jurídica GTECH Brasil ao longo do ano de 1997. Passase à análise de cada um deles em separado. DO RECURSO DE OFÍCIO A decisão recorrida deu parcial provimento à Impugnação ofertada pela Recorrente, cancelando parte do lançamento aqui analisado, por dois motivos diversos. O primeiro motivo que ensejou a revisão do lançamento foi a constatação de que a contribuinte apresentara equivocadamente em DCTF complementar os mesmos débitos já informados em DCTF original, o que gerou uma duplicidade de cobrança para somente um pagamento. Neste caso, assim foi fundamentada a decisão recorrida: (...) 26. Em consulta ao sistema DCTF, fls. 455/479, verificase que a empresa apresentou as DCTF originais relativas ao ano calendário de 1997 no decorrer daquele período e em 06/07/2001 apresentou DCTF complementar. 27. Da análise das DCTF complementares apresentadas, constatase que a maioria dos débitos declarados inicialmente nas DCTF originais foi declarada novamente, com os mesmos períodos de apuração, montantes e datas de vencimento dos recolhimentos a serem feitos, conforme dados das informações complementares. 28. Para melhor elucidação, o extrato da DCTF, fls. 456/467, demonstra de forma clara que a maioria dos débitos exigidos encontrase declarada em duplicidade, na DCTF original e na complementar, indicando que, provavelmente, houve erro de preenchimento de tal documento pela contribuinte. 29. Enfim, se não houve alteração de grande parte dos débitos apurados relativos ao IRRF, declarados inicialmente em DCTF original, não caberia nova declaração deles em DCTF Complementar, fato esse que implicou a nãolocalização dos Fl. 580DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13896.002588/200211 Acórdão n.º 210202.129 S2C1T2 Fl. 533 5 pagamentos tidos por inexistentes e a lavratura do auto de infração. 30. Portanto, os indícios levantados levam a conclusão de que, possivelmente, houve erro de preenchimento da DCTF complementar pela contribuinte, o que retira a certeza e liquidez dos débitos exigidos, impondo o cancelamento de parte do crédito tributário formalizado. 31. Em vista da duplicidade de declaração, excluemse os débitos correspondentes, conforme demonstrativo: (...) Da leitura do trecho acima transcrito, resta clara a correção da decisão recorrida. Ora, se o débito exigido era decorrente de declaração em duplicidade, e sanado o equívoco, não há qualquer motivo para exigir da contribuinte um crédito tributário inexistente. Deve por isso ser mantida a decisão neste ponto. Além da exclusão dos débitos que comprovadamente estavam sendo exigidos em duplicidade, a decisão recorrida também determinou a exclusão da multa de ofício vinculada em razão da aplicação retroativa do art. 90 da Medida Provisória n.° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Eis a fundamentação da decisão quanto a este ponto: 54. Em relação a estes débitos remanescentes do julgamento, no tocante à de multa de oficio vinculada, o art. 90 da Medida Provisória n.° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, determinava o lançamento de oficio de todas as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrente de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados. 55. Referida sistemática perdurou até a edição da Medida Provisória n.° 135, de 30 de outubro de 2003, cujo art. 18 derrogou o art. 90 da MP n.° 2.15835, de 2001, estabelecendo que o lançamento de oficio de que trata esse artigo limitarseá h imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964. 56. Muito embora a MP n.° 135, de 2003, tenha dispensado o lançamento face o restabelecimento da sistemática de exigência dos débitos confessados exclusivamente com fundamento no documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário (DCTF), os lançamentos que foram efetuados constituemse atos perfeitos, segundo a norma vigente h data em que elaborados. 57. No entanto, no julgamento, em face do principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 —Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de Fl. 581DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 lançamento de oficio, sempre que não tenha sido verificada nenhuma das hipóteses previstas no art. 18, da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 58. Portanto, excluise a multa de oficio vinculada à falta de recolhimento do imposto, sem prejuízo da exigência dos juros e da multa de mora. (...). Aqui também não merece reparos a decisão recorrida, pois está de acordo com o entendimento esposado por este Conselho, como demonstra o julgado abaixo transcrito: RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO DE TRIBUTO DESACOMPANHADO DE MULTA DE MORA – MULTA DE OFÍCIO ISOLADA – INAPLICABILIDADE – RETROATIVIDADE BENIGNA – Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna (Lei nº 11.488, de 2007, e art. 106 do CTN).Recurso Especial do Contribuinte Provido. (Ac. CSRF/0400.902, Rel. Cons. Maria Helena Cotta Cardozo, julgado em 27.05.2008) Diante do exposto, deve ser negado provimento ao Recurso de Ofício e mantida a decisão recorrida quanto aos fundamentos acima. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 14.04.2008, como atesta o AR de fls. 519. O Recurso Voluntário foi interposto em 14.05.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, o lançamento que originou a discussão travada nestes autos decorre de revisão de DCTFs, e o Recurso Voluntário se limita a dois questionamentos: a) a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento, considerando que os fatos geradores do IRRF exigido ocorreram em janeiro de 1997 e a ciência do lançamento se deu em março de 2002; e b) a impossibilidade da exigência de juros com base na variação da taxa Selic. No que diz respeito à decadência, é de se ressaltar que em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a matéria teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. De acordo com este entendimento, somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, como determina o art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13896.002588/200211 Acórdão n.º 210202.129 S2C1T2 Fl. 534 7 Por outro lado, o art. 62A do Regimento Interno este Conselho estabelece que devem ser obedecidas pelas turmas julgadoras as decisões proferidas pelo Eg. STJ quando a matéria julgada o tiver sido com base na sistemática do art. 543 (‘B’ e ‘C’) do CPC, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Exatamente o caso da discussão em tela. Por isso, para que se possa analisar em cada caso concreto julgado por este Conselho a efetiva ocorrência, ou não, da decadência, é preciso que se analise antes de mais nada se houve o pagamento antecipado do imposto, nos termos do que restou decidido pelo Eg. STJ. Somente então é que se pode analisar qual a forma do cômputo do prazo decadencial: se com base no art. 150 ou 173 do CTN. No caso que ora se analisa, a Recorrente suscita a decadência do lançamento quanto a fatos geradores ocorridos ao longo do ano de 1997. Quanto a este período, é inquestionável que foram efetuados diversos recolhimentos de IRRF por ela, tanto é que tais recolhimentos ensejaram o cancelamento da maior parte dos créditos originalmente exigidos no lançamento. Tais recolhimentos, conforme entendimento esposado pelo Eg. STJ, devem ser considerados como antecipação do pagamento, e implicam em que seja usado aqui o art. 150 § 4º do CTN para fins de cômputo do prazo decadencial. Como se trata da exigência de IRRF, o prazo decadencial deverá ser computado a partir do mês da ocorrência do fato gerador, exatamente como requereu a Recorrente. No entanto, diversamente do que afirmado por ela, os fatos geradores remanescentes no lançamento ocorreram nos 1º, 3º e 4º trimestres de 1997 (e não somente em janeiro), como demonstra a tabela de fls. 505. Assim, considerando que a ciência do lançamento se deu em março de 2002, estariam extintas pela decadência somente as exigências relativas a fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 1997. Diante disso, o reconhecimento da extinção por decadência não atinge a totalidade do crédito tributário remanescente aqui exigido, mas somente o período acima definido. Deve ser então reconhecida a extinção parcial do crédito tributário, relativamente aos fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 1997. No caso, como de acordo com a tabela de fls. 506/507v., somente restaram créditos tributários exigíveis com fatos geradores ocorridos no mês de janeiro, somente estes é que deverão ser excluídos por ocasião deste julgamento. Já o segundo pedido da Recorrente diz respeito à impossibilidade de aplicação da taxa Selic sobre o crédito tributário remanescente. Tal pedido, porém, não merece acolhida em face do disposto na Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo a qual: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Fl. 583DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 SELIC para títulos federais.”. Assim, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, deixo de acolher o pedido de afastamento da referida taxa. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer que a decadência extinguiu os créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos no mês de janeiro de 1997. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 584DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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