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Numero do processo: 10530.723942/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/2008 a 30/09/2008
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-002.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/07/2008 a 30/09/2008 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2008 a 30/09/2008 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 39 42 /2 00 9- 71 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Por meio de Pedido Eletrônico de Ressarcimento transmitido eletronicamente em 27/10/2008, a interessada, que atua no ramo de venda, no varejo, de combustíveis e lubrificantes, postulou o ressarcimento de saldo credor da Cofins apurado ao final do 3º trimestre de 2008 após a dedução, da soma dos créditos, do valor devido da contribuição em cada um dos períodos de apuração que compõem o referido trimestre. A DRF em Feira de SantanaBA indeferiu o pedido de ressarcimento sob o argumento de que os créditos em questão não se encaixam na norma prevista pelo artigo 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, podendo ensejar apenas sua utilização na diminuição do valor da contribuição devida. Na Manifestação de Inconformidade a interessada defendeu a utilização do crédito em compensação (sic) citando como base legal o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; os inciso I e II do artigo 16 da Lei nº 11.116, de 2005; o art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e o art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004. Reproduziu ementa de decisão do STJ sobre compensação de débitos, entendendo lhe socorrer, e, ao final, pediu o reconhecimento do crédito e a “extinção da dívida” (sic). A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em SalvadorBA manteve o indeferimento, na linha do entendimento da DRF. No Recurso Voluntário a interessada repetiu as mesmas argumentações de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10530.723942/200971 Acórdão n.º 3401002.176 S3C4T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Despacho da DRF em Feira de SantanaBA dá conta da tempestividade do Recurso Voluntário, que, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Inicialmente, de afastar da análise a aplicação dos dispositivos legais e infralegais, bem como decisão do STJ colacionada, equivocadamente invocados pela Recorrente em seu auxílio, porquanto não relacionados à matéria em julgamento. Refirome aqui ao artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; ao art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e ao art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004, visto que tratam eles de compensação de débitos, enquanto que o que está em julgamento é o ressarcimento de créditos da Cofins apurados sob o regime da nãocumulatividade. Créditos esses que, de acordo com as fichas do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) anexadas ao processo, tiveram como origem as aquisições no mercado interno e vinculadas à receita tributada no mercado interno, mais especificamente, sobre as rubricas Bens Adquiridos para Revenda, Despesas com Energia Elétrica, Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica, Despesas de Contraprestação de Arrendamento Mercantil, e Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado. Ou seja, os créditos em discussão não têm origem em operações que possuam vinculação com vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. Mas, a Recorrente entende que seu direito está lastreado nos seguintes dispositivos: à No art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. à Combinandoo com o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3 o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Ora, da leitura desses dois artigos, depreendese que o pedido de ressarcimento a que alude o inciso II do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, é para aquele saldo credor que cumpre duas condições cumulativas, quais sejam, a primeira, que tenha sido apurado na forma do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e, a segunda, que esse saldo credor tenha se acumulado em virtude da existência de créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. E, como dito acima, a segunda das condições não foi atendida neste caso, já que os créditos que ensejaram o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento estão vinculados apenas às operações de vendas tributadas. Ou, dito de outra forma, a interessada, acertadamente, não postula créditos calculados sobre as aquisições vinculadas às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, pelo simples fato de que, referindose elas a gasolina, óleo diesel e álcool, há vedação expressa nesse sentido, a teor do contido no inciso I, alínea “a”, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Vejamos de que tratam tais dispositivos: [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: [...] III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10530.723942/200971 Acórdão n.º 3401002.176 S3C4T1 Fl. 4 5 de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; [...] Vêse, pois, que o saldo credor em discussão submetese à regra geral de aproveitamento dos créditos do regime da nãocumulatividade, qual seja, o da diminuição da contribuição devida, consoante, aliás, preceitua o caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000201/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO COTA PATRONAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. RETROATIVIDADE. LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO PROCEDIMENTAL A FATOS GERADORES PRETÉRITOS À SUA EDIÇÃO. AÇÃO FISCAL POSTERIOR À ALUDIDA LEGISLAÇÃO. ARTIGO 144, § 1º, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Tratando-se de ação fiscal desenvolvida após a edição da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, a qual, além de contemplar os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, igualmente, estabeleceu novos procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social, impõe-se à observância desse novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à aludida lei, com esteio no artigo 144, § 1o, do
Código Tributário Nacional.
In casu, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura do presente auto de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, inclusive,
com o seu 1º Termo de Intimação Fiscal sido cientificado ao contribuinte bem após a vigência daquela lei, em 05/04/2010, deveria ter observado os procedimentos ali inscritos, exigindo um aprofundamento maior na matéria, ao rechaçar a condição de entidade isenta (auto enquadrada), dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e
para quais períodos, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra.
SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA E NÃO RECOLHIDA APURADA EM FOPAG 13 SALÁRIO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA
A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das
contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI. A mera alegação não desconstitui o lançamento, quando resta claro no lançamento, quais os fatos geradores lançados, o que permitiria ao recorrente apresentar os documentos capazes de desconstituir a AI de obrigação principal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.807
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir os débitos referentes aos Processo 16095.000201/201015, DEBCAD n. 37.227.3432
e Processo n° 16095.000202/201060 DEBCAD n° 37.259.4980.
Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO COTA PATRONAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. RETROATIVIDADE. LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO PROCEDIMENTAL A FATOS GERADORES PRETÉRITOS À SUA EDIÇÃO. AÇÃO FISCAL POSTERIOR À ALUDIDA LEGISLAÇÃO. ARTIGO 144, § 1º, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Tratando-se de ação fiscal desenvolvida após a edição da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, a qual, além de contemplar os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, igualmente, estabeleceu novos procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social, impõe-se à observância desse novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à aludida lei, com esteio no artigo 144, § 1o, do Código Tributário Nacional. In casu, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura do presente auto de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, inclusive, com o seu 1º Termo de Intimação Fiscal sido cientificado ao contribuinte bem após a vigência daquela lei, em 05/04/2010, deveria ter observado os procedimentos ali inscritos, exigindo um aprofundamento maior na matéria, ao rechaçar a condição de entidade isenta (auto enquadrada), dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e para quais períodos, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA E NÃO RECOLHIDA APURADA EM FOPAG 13 SALÁRIO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI. A mera alegação não desconstitui o lançamento, quando resta claro no lançamento, quais os fatos geradores lançados, o que permitiria ao recorrente apresentar os documentos capazes de desconstituir a AI de obrigação principal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir os débitos referentes aos Processo 16095.000201/201015, DEBCAD n. 37.227.3432 e Processo n° 16095.000202/201060 DEBCAD n° 37.259.4980. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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ISENÇÃO COTA PATRONAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. RETROATIVIDADE. LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO PROCEDIMENTAL A FATOS GERADORES PRETÉRITOS À SUA EDIÇÃO. AÇÃO FISCAL POSTERIOR À ALUDIDA LEGISLAÇÃO. ARTIGO 144, § 1o, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Tratandose de ação fiscal desenvolvida após a edição da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, a qual, além de contemplar os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, igualmente, estabeleceu novos procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social, impõese à observância desse novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à aludida lei, com esteio no artigo 144, § 1o, do Código Tributário Nacional. In casu, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura do presente auto de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, inclusive, com o seu 1º Termo de Intimação Fiscal sido cientificado ao contribuinte bem após a vigência daquela lei, em 05/04/2010, deveria ter observado os procedimentos ali inscritos, exigindo um aprofundamento maior na matéria, ao rechaçar a condição de entidade isenta (autoenquadrada), dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e para quais períodos, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA E NÃO RECOLHIDA APURADA EM FOPAG 13 SALÁRIO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 2 A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI. A mera alegação não desconstitui o lançamento, quando resta claro no lançamento, quais os fatos geradores lançados, o que permitiria ao recorrente apresentar os documentos capazes de desconstituir a AI de obrigação principal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir os débitos referentes aos Processo 16095.000201/201015, DEBCAD n. 37.227.3432 e Processo n° 16095.000202/201060 DEBCAD n° 37.259.4980. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, engloba os seguintes lançamentos de obrigação principal: • Processo 16095.000201/201015, DEBCAD 37.227.3432 tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, levantadas sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais no período de 01/2006 a 12/2007. • Processo n° 16095.000202/201060 Corresponde ao AI n° 37.259.4980, lavrado para o lançamento de crédito relativo As contribuições dos "Terceiros", destinadas ao Salário Educação (2,5 %), ao INCRA (0,2 %), ao SESC (1,5%) e ao SEBRAE (0,6 %), como se verifica do Relatório Fiscal (fls. 63 e 64), o qual, nos demais aspectos, reitera as informações prestadas em face do Processo Principal (AI n° 37.227.3432). • Processo n° 16095.000203/201012 Corresponde ao AI n° 37.259.4999, lavrado para o lançamento de crédito relativo a contribuição dos segurados empregados, como se verifica do Relatório Fiscal (fls. 57 e 58). Acrescenta esse relatório que essa contribuição foi descontada dos empregados, em face do pagamento do décimo terceiro salário de 2007, o que constitui, em tese, crime contra a Seguridade Social, previsto no inciso I, § 10 do art. 168A do DecretoLei no 2.848/1940, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.983/2000, que sera objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. Ressaltese, ainda, que conforme descrito no relatório fiscal, fl. 70 a 72 e seguintes o lançamento está consubstanciado nos Salários de Contribuição dos segurados empregados apurados em folhas de pagamento apresentadas pela empresa e constam declarados em GFIP Guia de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social, assim como os valores referentes aos pagamentos aos autônomos (contribuintes individuais). A empresa se declara na GFIP com o FPAS 639 (entidades filantrópicas com isenção), todavia o contribuinte teve sua isenção cancelada a pelo Ato 21.625/001/1999. Os efeitos dessa declaração incorreta, é que, não obstante a declaração dos fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, o sistema calcula apenas o débito referente a Segurados, com os descontos de saláriofamília e salário maternidade. A multa aplicada em relação aos AI de obrigação acessória e principal foram calculados pela nova sistemática da lei 11.941/2009. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 4 Importante, destacar que a lavratura do AIOP deuse em 28/04/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 05/05/2010. Não concordando com o lançamento, a entidade apresentou impugnação, fls. 81 a 94, para o Processo Processo 16095.000201/201015, DEBCAD n. 37.227.3432; fls. 129 a 142, para o Processo n° 16095.000202/201060 DEBCAD n° 37.259.4980 e fls. 177 a 181 Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999. A Decisão de Primeira Instância administrativa julgou procedente os lançamento efetuado, conforme fls. 218 a 224, tendo o resultado sido no seguinte sentido: “ACORDAM os membros da 9' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em considerar improcedentes as impugnações relativas aos AUTOS DE INFRAÇÃO— AI n° 37.227.3432 (processo n° 16095.000201/201015), n° 35.259.4980 (processo n° 16095.000202/201060) e no 37.259.4999 (processo no 16095.000203/201012), mantendose os créditos por meio deles constituídos, na forma do voto do Relator.” ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÃO AO SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao segurado empregado e contribuinte individual incide a contribuição previdenciária. Pelo que a empresa está obrigada ao correspondente recolhimento, na forma e no prazo estabelecidos em lei, sob pena de autuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fls. 261 a 277, para o Processo Processo 16095.000201/201015, DEBCAD n. 37.227.3432; fls. 278 a 294, para o Processo n° 16095.000202/201060 DEBCAD n° 37.259.4980 e fls. 295 a Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999. em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Nulo é o lançamento, pois o relatório fiscal não oferece quaisquer elementos técnicos ou fáticos, hábeis a identificar as razões que levaram a desconsiderar o código do FPAS utilizado, no caso, código 639; 2. Da mesma forma, não apresentou o acórdão recorrida, incorrendo no mesmo vicio apresentado pelo Relatório Fiscal, qual a fundamentação jurídica apta a descaracterizar o código utilizado, reenquadrando o Contribuinte em classificação diversa daquela correspondente as suas atividades. 3. Este Auto deve ser declarado improcedente em razão do cerceamento de defesa, tanto pela falta de motivação quanto ao novo enquadramento no FPAS, tanto por não ter sido observado o disposto nos §§ 3 o e 4 o do art. 111 da Instrução Normativa IN/RFB n° 971/2009. Consoante seus estatutos (cópia anexa) o código FPAS que mais se adapta à sua atividade é o 639; 4. Destacase, portanto, e neste ponto furtouse o acórdão de exarar seu entendimento, sua natureza de "entidade autônoma sem fins lucrativos..." (art. 2 ), requisito exigido pelo artigo 195, § 7 , da Constituição Federal. Denotase, ademais, que, diante das disposições Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 4 5 estatutárias do contribuinte, o códigoFPAS que mais de adapta à sua atividade institucional é o 639 e não o 574 atribuído pela fiscalização. 5. A entidade atende a todas as exigências previstas no Código Tributário Nacional CTN e aplicáveis na espécie. Sendo que já usufruía da desobrigação do recolhimento da cota patronal antes do advento do Decreto n° 1.572/1977; 6. A informação do fisco de que há um Ato Cancelatório, lavrado nos idos de 1999, não pode ser considerado como juridicamente suficiente para legitimar a cobrança ora contraditada; 7. É do conhecimento do fisco que o contribuinte possui o certificado CNAS, ou seja, o CEAS, para o ano de 2007, e que, portanto, preencheu os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991; 8. À época da lavratura, ou seja, em 21071999, o INSS não ostentava legítimo direito a promover a cassação da isenção do contribuinte, ante a liminar concedida, cm 1407 2009, na ADIN n° 20285 pelo Supremo Tribunal Federal STF; 9. É de se admitir que a concessão da isenção, conforme sinalizado de forma juridicamente falha no RF, é obrigação a ser atendida por entidades que não usufruem da isenção, o que não é o caso da defendente, que, inclusive, possui decisão judicial vigente e de conhecimento do fisco previdenciário (ainda pendente de transito em julgado), reconhecendo seu direito adquirido a não recolhimento da sua cota patronal, se atendidas os art. 09 e 14 do CTN. 10. Não se pode impor ao contribuinte, que inclusive tem ação judicial sentenciada a seu favor quanto a sua não obrigatoriedade aos recolhimentos da chamada "cota patronal. 11. Assim, sendo o que entendia o Contribuinte adequado de ser sustentado nesta pega recursal, mantémse na expectativa de acolhimento de seus termos, ante a indiscutível ocorrência de situações aptas a ensejar a nulidade do procedimento fiscal e, quanto ao mérito, seja reconhecida a improcedência do AI 37.227.3432, julgandose improcedente o feito. 12. Em relação ao Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999, na eventualidade de superada a preliminar, o ora defendente sustenta que nada é devido a titulo de contribuições retidas e não repassadas, no caso destes autos, restritas ao décimo terceiro de 2007. O que foi reconhecido como devido pelo contribuinte, foi efetivamente retido de seus empregados, e, repassado aos cofres públicos • previdenciários. 13. Aponta o fisco de forma genérica que, relativamente ao décimo terceiro de 2007, não houve a declaração/GFIP. Ora, se não houve a declaração/GFIP era em razão de não serem tais valores devidos, e, se eram indevidos, recolhimentos não ocorreram. De qualquer forma, fica a impugnação completa firmada pelo contribuinte quanto ao passivo levantado, por não ser ele devido. A unidade descentralizada da DRFB encaminhou o processo a este CARF. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 6 Voto Vencido Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 304. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Ressaltese que toda a argumentação em sede de recurso dos três processos ora sob julgamento, referese a sua alegada nulidade do reenquadramento do código FPAS, face sua condição de entidade imune, bem como ao entendimento que os descritos a título de 13 salário reconhecidos pelo recorrente foram retidos e repassados. QUANTO A NULIDADE FACE IMUNIDADE Não assiste razão à recorrente ao afirmar que era nula a autuação pelo suposto irregular enquadramento no código FPAS. A recorrente não possuía direito à isenção das contribuições previdenciária no período objeto do lançamento em virtude de decisão por meio do Ato Cancelatório n. 21.625/001/1999. Dessa forma, não possuindo direito à isenção, não cabe o enquadramento no código FPAS n. 639, sendo correto o enquadramento realizado pela fiscalização tributária. Não há qualquer irregularidade no procedimento adotado pelo Fisco, haja vista o relatório fiscal indicar precisamente o motivo do não enquadramento no código FPAS 639, conforme item 7 do relatório fiscal às fls. 63 e 64. O argumento de que a autuada teria direito adquirido à imunidade antes do Decreto 1.572 de 1977 é irrelevante, haja vista ter sido emitido o Ato Cancelatório em 1999. Dessa maneira, caberia à recorrente ter impugnado o ato de cancelamento. O direito à isenção das contribuições deveria ter sido resolvida nos autos próprios, e não nos presentes autos. Portanto, perante a Administração Tributária, a recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento. Assim, entendo regular o procedimento adotado, por entender que a partir da devida emissão do ato cancelatório não há de se falar em direito a isenção, salvo demonstrado pelo recorrente novo direito a isenção, o que não foi o caso. No intuito de melhor esclarecer a recorrente acerca do seu direito a isenção (dita pela empresa como imunidade de contribuições), faça uma análise de toda a legislação que abarca a matéria, para esclarecer acerca do seu direito de entidade filantrópica. Inicialmente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 5 7 Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social – CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: a) estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; b) cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; c) que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: I. As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: II. Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; III. Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; IV. As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: V. de declaração de utilidade pública; VI. de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Importante destacar que mesmo que a entidade em questão se enquadrasse em algum dos casos descritos acima, para enquadrarse como detentora do direito adquirido a isenção, a emissão de ato cancelatório lhe afastaria tal direito, pois o direito a isenção pode ser cassado, pelo descumprimento das obrigações inerentes as entidades filantrópicas. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Nesse sentido, entendo que a alegação do recorrente de que que o dispositivo constitucional determina o reconhecimento da imunidade de contribuições patronais não lhe confiro razão. Considerando que a legislação previdenciária descreve as exigências legais para a que a empresa considerese isenta e esteja desobrigada de recolher a parcela patronal e a destinada a terceiros, o descumprimento de qualquer dos dispositivos legais afasta o direito do recorrente. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 8 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. Por meio da Lei n ° 8.909 de 06/07/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993, prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. A Lei n.º 9.429 de 26/12/1996, reabriu o prazo até 25/06/1997 para requerimento da renovação do CEFF e de recadastramento no CNAS, para as entidades possuidoras do título e do registro com validade até 24/07/1994, que haviam perdido o prazo de solicitação da renovação e recadastramento. Além disso, essa Lei revogou os atos cancelatórios e as decisões emitidas pelo INSS, contra as entidades que não apresentaram renovação do pedido de renovação do CEFF até 31/12/1994; extinguiu os créditos decorrentes de contribuições sociais devidas a partir de 25/07/1981, pelas entidades que cumpriram, nesse período, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91. Para a empresa em questão, não se aplicou o disposto na Lei n ° 9.249 em virtude de até a publicação dessa Lei a entidade não ter cumprido os requisitos da Lei n ° 8.212/1991. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 6 9 A Lei n° 9.249, alterou o inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, exigindo concomitantemente o registro e o atestado de entidade de fins filantrópicos, e não mais a exigência alternativa, nestas palavras: Art. 55 (...) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26 de dezembro de 1996) Em 1997, por meio da Lei n.º 9.528 de 10/12/1997, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 1.5239 de 27/06/1997, foi alterado o inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91, estabelecendo a exigência de apresentação de relatório anual das atividades ao INSS e não mais ao CNAS; prorrogandose o prazo de apresentação do relatório para 30 de abril de cada ano, nestas palavras: Art. 55 (...) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADIn 2.0285/1999. Aplicandose portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Já em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/02/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, sendo a existência de débito motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal. Dispõe o art. 195, § 3º da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. A redação em vigor atualmente do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991 é a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 314DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 10 IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IVnão percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2ºA isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Conforme comprovado nos autos, e apreciado pela autoridade julgadora a recorrente não comprovou ter requerido a isenção junto ao INSS, após a emissão do ato cancelatório que constitui um dos pontos basilares para o reconhecimento da isenção pretendida. A Constituição Federal é clara no art. 195, § 7º ao prever que o benefício fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. Assim, não procede o argumento da recorrente de que tal direito não sofre qualquer limitação. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 7 11 É necessário distinguir o papel de cada órgão em relação ao reconhecimento da isenção. O CNAS possui a competência para expedição do Certificado e do Registro, um dos pressupostos para que o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) reconheça o direito à isenção. Nesse sentido dispõe o Parecer n ° 2.272/2000: EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE INSS E CNAS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS E PEDIDO DE ISENÇÃO. Ao CNAS compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998, para obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos. Ao INSS compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para obter a isenção das contribuições. Corroborando a competência do INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) segue ementa do Parecer CJ/MPS n ° 3.093/2003, aprovado pelo Ministro da Previdência Social: EMENTA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. ÓRGÃO COMPETENTE PARA A CONCESSÃO E PARA O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS. 1. Ao INSS compete julgar os pedidos de concessão de isenção das contribuições para a seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, e regulamentada pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 2. Compete ao INSS cancelar, a qualquer momento, a isenção das entidades que não estejam cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, ainda que possuam CEBAS em vigor. 3. A competência do INSS para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições para a seguridade social, com fundamento nos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, existe desde a publicação deste diploma legal no Diário Oficial da União. Aliás, esse foi o raciocínio já explicitado pela autoridade julgadora de primeira instância, afastando o direito do recorrente, face o descumprimento dos preceitos legais, vejamos trecho da decisão: Notese que é relatado que o contribuinte declarou incorretamente na GFIP o código do FPAS, como sendo 639, quando o correto deveria ser 574. Pois, aquele código se refere à Entidade Filantrópica que usufrui da isenção de que tratava o art. 55 (vigente à época da infração) da Lei n° 8.212/1991. O que não é o caso da "Sociedade Guarulhense", a qual teve a isenção cancelada, conforme Ato Cancelatório n° 21.625./001/1999. Quer dizer, consta do Relatório Fiscal, diversamente do alegado, a motivação, ou seja, a demonstração do motivo, que corresponde ao cancelamento da isenção, na forma do Ato que Fl. 316DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 12 identifica. Razão pela qual não há que se falar em cerceamento de defesa, até porque sua impugnação ataca todos os aspectos relacionados à isenção, incluído aí o mencionado Ato Cancelatório, o que permite afirmar que fez uso da ampla defesa e do contraditório. De outro lado, é imprópria a alegação de que a fiscalização não observou os §§ 3 o e 4 o do art. 111 da IN/RFB n° 971/2009, relativos à cientificação de reenquadramento na Tabela de Códigos FPAS, isto porque não houve revisão do FPAS por parte da fiscalização. Pois, a AuditoraFiscal apenas se deparou com uma situação perda da isenção já cientificada por intermédio do Ato Cancelatório n° 21.625./001/1999, a qual o contribuinte não desconhece, como se denota dos termos de sua impugnação. E, que, portanto, o contribuinte estava impossibilitado de se utilizar do código FPAS 639, isto porque já não mais detém o direito à isenção. (...) Desse modo, após discorrer sobre os temas "Da pretensa isenção das contribuições previdenciárias" e "Do direito adquirido", resta claro que, para se beneficiar da isenção das contribuições previdenciárias, a SOCIEDADE GUARULHENSE DE EDUCAÇÃO deveria ter atendido o disposto no artigo 55 da Lei n° 8.212/91. Porém, ao consultar o cadastro dessa "Sociedade", junto à esta Secretaria, verificamos que teve a isenção cancelada, em razão de REMUNERAR SEUS DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES, BENFEITORES OU EQUIVALENTES POR QUALQUER FORMA OU TÍTULO, consoante Ato Cancelatório n° 21.625/001/199, como relatado pela fiscalização. Dessa forma, a decisão proferida encontramse em perfeita consonância com com a exigência legal, mesmo que se atenda ao argumento do recorrente quanto ao encontrar se previsto na constituição, tratarseia de imunidade, fato é que não cumpriu os limites legais para que se usufrua do benefício, o que não conseguiu o recorrente demonstrar ao descumprir um dos preceitos do art. 55 da lei 8212/91. Contudo, entendo que exista ou ponto que merece ser enfrentado. Os efeitos da aplicação da lei 12.101/2009, ao caso concreto, considerando que quando da lavratura do AI, a referida lei já se encontrava em vigor. Nesse sentido, importante visualizar a competência distinta de cada um dos órgãos envolvidos no processo de enquadramento de uma entidade como isenta, para que ao fim se determine a legitimidade ou não do não recolhimento da parcela patronal de contribuições previdenciárias. A competência para conceder os títulos de utilidade pública federal, estadual e municipal, bem como o registro e concessão do CEBAS, antes da entrada em vigor da Lei 12.101 de 2009, era realizada por cada um dos órgãos envolvidos, dentro de seus limites de competência. É sabido que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, por exemplo, era processado no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, bem com os certificados de Utilidade Pública era, concedidos no âmbito de cada poder competente, seja, no Fl. 317DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 8 13 âmbito Federal, Estadual e Municipal. Porém a lei deixa claro que a isenção, mesmo que cumpridos todos os requisitos anteriormente mencionados era adstrita ao INSS e a partir da edição da lei 11.457, de 2007 à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em nome do INSS, de acordo com o art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais, mas dentre elas, encontravase expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB), quanto ao necessário “pedido” e manifestação daquele órgão quanto a efetiva concessão do benefício. Assim, não haverseia de confundir a obtenção de documentos (digase também previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado perante o INSS”para obtenção do benefício fiscal. Frisese que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil restringiase à concessão, manutenção e cancelamento da isenção, verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos. Assim, entendo legítimo o procedimento do INSS que determinou o cancelamento da isenção, por meio de regular a emissão do Ato Cancelatório, que oportunizou ao recorrente, naqueles autos, a interposição de defesa. Dessa forma, a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, ao constatar que a entidade, quando da ocorrência dos fatos geradores, deixava de cumprir quaisquer dos requisitos legais, para usufruir da isenção (ou mesmo imunidade descrita pelo recorrente) procedeu ao lançamento das contribuições devidas. Portanto, restando claro, que as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, são legítimas, e, por conseguinte, a isenção deve ser requerida ao órgão da previdência social (inclusive após a emissão de regular ato cancelatório, concluise que, para usufruto desse beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, decretos de filantropia ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios de suas receitas e despesas. Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55, qualificassem o contribuinte a solicitar a isenção, a mesma não se dava de forma automática, considerando que da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 para regular concessão seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Com base no mesmo raciocínio, não entendo que a publicação da lei 12.101/2009, tenha afastado dita exigência em relação a períodos anteriores a sua entrada em vigor. Portanto, até 29/11/2009, era legalmente exigível o pedido de isenção, cabendo à. Secretaria da Receita Federal do Brasil (anteriormente ao INSS) verificar o cumprimento dos requisitos exigidos em lei e o devido enquadramento da entidade para fins de isenção de contribuições previdenciárias, reconhecendo ou não o direito, sujeitandose, ainda, a entidade à verificação periódica da manutenção desses requisitos, da qual poderia resultar em cancelamento do beneficio. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 14 Não demonstrou o recorrente ter ingressado com o pedido de isenção, após a emissão do Ato cancelatório em 1999, assim, como já mencionado na decisão de primeira instância. Destacou ainda a autoridade julgadora que não há registros nos arquivos da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou do INSS de que a entidade tenha adentrado com pedido de isenção nesses órgãos, como já informara o Auditor Fiscal no relatório fiscal. Assim, por falta de prova do cumprimento de condição indispensável, não há que se falar em isenção ou imunidade até 29/11/2009. Entendo que os efeitos da lei 12.101/2009, e por consequência, as regras ali contidas, não possuem efeito retroativo, valendo até a sua entrada em vigor, as regras dispostas no art. 55 da lei 8.212, com o texto até então em vigor . Notese que mesmo em grau de recurso não trouxe o recorrente qualquer prova do cumprimento do referido requisito. Já a partir de 30/11/2009, a isenção/imunidade em relação as contribuições previdenciárias passou a ser regulamentada pela Lei 12.101, de 2009. Assim, a partir da dita lei é que o usufruto da isenção não mais depende de requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (ou INSS), bastando a posse do certificado emitido pelo órgão do Ministério da respectiva área de atuação e o cumprimento dos requisitos elencados no seu art. 29 abaixo descritos: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capitulo II fará jus isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou titulo, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; Fl. 319DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 9 15 VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar n 2 123, de 14 de dezembro de 2006. Notese que de acordo com o art. 31 da mesma lei, o direito à isenção poderá ser exercido a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, mas não podemos falar que dita previsão afastaria as exigências legais vigentes até a alteração legislativa. Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capitulo. Todavia, identificamos que o lançamento em questão envolve apenas competências anteriores a publicação da lei 12.101, razão porque correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar contribuições revidenciárias. Entendo dessa forma, que a autoridade julgadora bem enfrentou a questão, inclusive afastando a pretensão de direito adquirido em seu arrazoado, não cabendo qualquer reparação no julgado, razão porque adotoo como razões de decidir. QUANTO AO FATO GERADOR Quanto ao fato gerador também não há de se acatar qualquer argumento de nulidade do lançamento, considerando que a autoridade fiscal identificou devidamente o fato gerador no documento fiscal, destacando, inclusive que os valores foram apurados e individualizados por meio dos documentos fornecidos pelo próprio recorrente. Notese que apenas em relação ao Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999, argumentou o recorrente ser indevida a contribuição lançada, em relação ao 13 salário. No relatório DAD é possível identificar todas as competências em que foram identificados os fatos geradores, bem como no relatório FLD encontramos a legislação correlata no tempo a cada fato gerador apurado. Sendo assim, em relação aos processos para o Processo 16095.000201/2010 15, DEBCAD n. 37.227.3432; para o Processo n° 16095.000202/201060 DEBCAD n° 37.259.4980 como não houve recurso expresso aos pontos da Decisãode primeira instância presumese a concordância da recorrente com referida decisão. Uma vez que houve concordância em relação aos valores apurados como fato gerador, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a decisão proferida. PROCESSO N° 16095.000203/201012 DEBCAD N° 37.259.4999 Em relação a esse AI insurgiuse o recorrente nos seguintes termos: Em relação ao Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999, na eventualidade de superada a preliminar, o ora defendente sustenta que nada é devido a titulo de Fl. 320DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 16 contribuições retidas e não repassadas, no caso destes autos, restritas ao décimo terceiro de 2007. O que foi reconhecido como devido pelo contribuinte, foi efetivamente retido de seus empregados, e, repassado aos cofres públicos • previdenciários. Aponta o fisco de forma genérica que, relativamente ao décimo terceiro de 2007, não houve a declaração/GFIP. Ora, se não houve a declaração/GFIP era em razão de não serem tais valores devidos, e, se eram indevidos, recolhimentos não ocorreram. De qualquer forma, fica a impugnação completa firmada pelo contribuinte quanto ao passivo levantado, por não ser ele devido. Em primeiro lugar, independente do julgamento de ter ou não a entidade direito a isenção de contribuições, dito fato em nada interfere no resultado dos fatos geradores descritos no processo em questão. A obrigação da empresa em reter e repassar à Previdência Social os valores das contribuições retidas independe na condição de entidade isenta. Isto posto, competiria a recorrente demonstrar a improcedência dos fatos geradores, o que digase não é feito por mera argumentação desprovida de elementos de prova. Não apresentou o recorrente a guia com o recolhimento das contribuições retidas sobre o 13 salário, o que torna válido o lançamento efetuado, uma vez que não fez prova da sua regularidade. O auditor em seu relatório deixou claro do que se tratava o AI, bastando para determinar sua improcedência, a apresentação da GPS correspondente. Trata o presente Auto de Infração de contribuições previdenciérias que foram descontadas dos segurados empregados quando do pagamento do 13 °. salário de 2007 pela empresa, e que não foram recolhidas, nem declaradas em GFIP. 4. No lançamento do valor apurado referente a Segurados, foram deduzidos os valores pagos pela empresa a titulo de SalárioMaternidade. 5. 0 lançamento referese A competência 13/2007, com débito consolidado em 28/04/2010, no valor de R$ 104.107,20. 6. Tal procedimento por parte da empresa, caracteriza em tese, crime contra a Seguridade Social, previsto no inciso I , parágrafo 1°, do artigo 168A , da Parte Especial do Decreto Lei N°2.848, de 07.12.1940 —Código Penal Brasileiro — com as alterações introduzidas pela Lei N°9.983, de 14.07.2000, e será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. Notese que a fl. 07 do Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999, consta a relação de todas as GPS apresentadas, sendo que não consta recolhimento para a competência 13/2007, nem mesmo identificase recolhimento a maior em 12/2006, para cobrir os valores da contribuição do 13 salário (já que muitas vezes, por equivoco, o contribuinte recolhe junto com a competência dezembro. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 10 17 Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão de primeira instância, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DOS RECURSOS (Processo 16095.000201/201015, DEBCAD n. 37.227.3432;Processo n° 16095.000202/201060 DEBCAD n° 37.259.4980 e Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999), para no mérito NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 18 Voto Vencedor Não obstante as sempre bem fundamentadas razões de fato e de direito da ilustre Conselheira Relatora, ouso divergir de seu entendimento, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada no voto encimado, somente em relação aos processos n°s 16095.000201/201015 (DEBCAD n° 37.227.3432 – Parte Empresa) e 16095.000202/201060 (DEBCAD n° 37.259.4980 – Parte destinada a Terceiros), capaz de ensejar a decretação da improcedência do feito, como passaremos a demonstrar. De início, impende registrar que acompanhamos as conclusões da Relatora, relativamente ao processo n° 16095.000203/201012 (DEBCAD n° 37.259.4999), um vez exigir contribuições previdenciárias concernentes à parte dos segurados, não surtindo qualquer efeito a condição de entidade isenta da contribuinte. Afora as alegações no sentido de que faz jus ao direito adquirido ou mesmo quanto à pretensa nulidade do auto de infração e à aplicabilidade do artigo 14 do CTN em detrimento do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, a contribuinte, por ocasião da sustentação oral, suscitou fato novo, escorado na legislação de regência hodierna, que nos fez refletir sobre a matéria, sobretudo em relação ao procedimento a ser adotado na constituição de créditos tributários/previdenciários de entidades isentas ou aquelas que assim se enquadram, a partir da edição da Lei nº 12.101, de 27 de Novembro de 2009. Antes mesmo de contemplar as razões meritórias propriamente ditas, impende trazer à baila breve evolução dos dispositivos constitucionais/legais que regulamentam a matéria, com o fito de melhor elucidar a questão posta nos autos. Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigência definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 323DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 11 19 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para a fruição da isenção da cota patronal dos tributos em epígrafe novos regramentos a serem observados pelos contribuintes e autoridades fazendárias. De início, registrase a edição da Medida Provisória nº 446/2008, que dispôs sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social e procedimentos a serem adotados com a finalidade de sua obtenção objetivando fazer jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, apartando os campos de atuação da entidade para efeito de usufruto do benefício fiscal (Saúde, Educação e Assistência Social), estabelecendo, ainda, a competência para análise do cumprimento dos requisitos legais para concessão e cancelamento de referida certificação. Dentre as alterações que causaram maior discussão, destacamse os preceitos contidos no artigo 37 da MP nº 446/2008, que assim estabeleceu: “Art. 37. Os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social protocolizados, que ainda não tenham sido objeto de julgamento por parte do CNAS até a data de publicação desta Medida Provisória, consideramse deferidos. Parágrafo único. As representações em curso no CNAS propostas pelo Poder Executivo em face da renovação referida no caput ficam prejudicadas, inclusive em relação a períodos anteriores.” Posteriormente, fora editada a Lei nº 12.101, de 27/11/2009, igualmente, contemplando os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, bem como os procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 20 Relativamente ao tema posto em debate, mister ressaltar o disposto nos artigos 31 e 32 daquele Diploma Legal, constantes da Seção II – “Do Reconhecimento e da Suspensão do Direito à Isenção”, que assim prescrevem: “Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente.” Repousa exatamente nos dispositivos encimados a discussão aventada pela contribuinte e que nos fez repensar sobre o tema, para lhe conferir direito, senão vejamos. Como se observa, com o advento da Lei nº 12.101/2009, o procedimento fiscal tendente a verificar o cumprimento dos requisitos do favor legal que ora cuidamos fora submetido a nova ordem, passando a entidade a usufruir da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a partir da publicação da concessão da certificação, conquanto que observados os demais pressupostos para tanto, inseridos na Seção I da mesma Lei. Por seu turno, rechaçando os atos cancelatórios, determinouse que a fiscalização e a eventual constatação do descumprimento dos requisitos do benefício fiscal em comento deveria ser formalizada com a lavratura do auto de infração, contendo relatório demonstrando a inobservância de tais pressupostos em relação ao período objeto da fiscalização. Extraise daí a celeuma que permeia a presente demanda. De um lado, a autoridade lançadora achou por bem reenquadrar a entidade como não isenta, desconsiderando o seu autoenquadramento naquela condição, inferindo para tanto simplesmente que assim procedeu em razão da emissão de Ato Cancelatório nº 21.625/001/1999. Em outra via, pretende a contribuinte seja decretada a insubsistência do feito, aduzindo para tanto que a autoridade fiscal deveria ter observado os novos procedimentos contemplados pela Lei nº 12.101/2009, entendimento compartilhado por este Conselheiro. Isto porque, o artigo 144, parágrafo 1º, do Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a aplicação da legislação no tempo, é por demais enfático ao preceituar que deverá ser aplicado ao lançamento legislação posterior à ocorrência dos fatos geradores quando tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ou seja, novos procedimentos fiscalizatórios, in verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 12 21 § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Foi precisamente o que ocorrera no caso vertente. Destarte, em que pese a ação fiscal terse iniciado em 30/09/2009, consoante Termo de Início de Procedimento Fiscal, fora conduzido basicamente após a edição da Lei nº 12.101/2009, uma vez que o Termo de Intimação Fiscal nº 01, somente fora expedido em 31/03/2010, com ciência em 05/04/2010, ressaltando, ainda, que o lançamento somente fora consolidado/efetuado em 05/05/2010, com a ciência da contribuinte constante da folha de rosto do Auto de Infração. Com o fito de rechaçar qualquer dúvida quanto à matéria, impende suscitar que o próprio Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, o qual regulamentou a Lei nº 12.101/2009, encampou tal entendimento ao determinar que os Atos Cancelatórios e Pedidos de Isenção pendentes de julgamento deveriam ser remetidos para as Delegacias da Receita Federal competentes, com a finalidade de verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, consoante se infere dos artigos 44 e 45, que assim preceituam: “Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei no 12.101, de 2009. Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” Melhor elucidando, se o próprio Decreto que regulamentou a Lei nº 12.101/2009, na linha do disposto no artigo 144, parágrafo 1º, do CTN, contemplou a retroatividade dos novos procedimentos para verificação da observância dos pressupostos para fruição da isenção da cota patronal para os processos contemplando pedidos de isenção e cancelamento ainda pendentes de julgamentos, quiçá para os casos de ação fiscal em curso, como aqui se vislumbra. E mais, se os Atos Cancelatórios ainda pendentes de julgamentos perderam os efeitos e objeto, com a determinação da remessa às unidades da Receita Federal de origem, Fl. 326DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 22 para nova análise do cumprimento dos requisitos da isenção, não se pode admitir que um Ato Cancelatório, dos idos de 1999, possa repercutir no processo em referência. Mister ressaltar, porém, que somente os procedimentos fiscalizatórios posteriores ao advento da Lei nº 12.101/2009 deverão observar os novos regramentos inseridos naquele Diploma legal, devendo verificar, no entanto, os requisitos do benefício fiscal em comento de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Em outras palavras, a questão procedimental deverá observar a legislação hodierna inscrita na Lei nº 12.101/2009, mas a questão material (os pressupostos em si da isenção) deve observância aos dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores. Com mais especificidade, não é demais lembrar que o entendimento estampado acima, se aplica exclusivamente aos novos procedimentos, iniciados ou já em curso após o advento da Lei nº 12.101/2009, não alcançado, portanto, aqueles que se findaram antes da edição de referida lei, mesmo porque as autoridades fazendárias não poderiam adivinhar os novos regramentos que seriam contemplados pela legislação futura. A propósito da matéria, dissertou com muita propriedade o ilustre Conselheiro Marco André Ramos Vieira, reconhecendo a aplicabilidade da Lei nº 12.101/2009 retroativamente aos fatos geradores anteriores à edição de referido Diploma legal, sobretudo no que tange as normas procedimentais, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN, conforme se depreende do julgado exarado nos autos do processo administrativo nº 10120.002408/201093, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REGIME JURÍDICO. O direito à isenção de contribuições previdenciárias de que trata o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme sacramentado pelo Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. PERDA DO DIREITO À ISENÇÃO. A percepção direta ou indireta de remuneração, vantagens ou benefícios, sob qualquer forma ou título, pelos diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores, ou equivalentes, de Entidade Beneficente de Assistência Social, implica a suspensão automática do direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 da Lei nº 12.101/2009, durante o período em que se constatar o descumprimento do requisito essencial em apreço, devendo a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrar o auto de infração relativo ao período correspondente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre Fl. 327DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 13 23 matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão nº 230201.597 – 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª SJ do CARF – Sessão de 19/01/2012) (grifamos) Na esteira desse entendimento, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura dos presentes autos de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, inclusive, com o seu 1º Termo de Intimação Fiscal sido cientificado ao contribuinte bem após a vigência daquela lei, em 05/04/2010, deveria ter observado os procedimentos ali inscritos, exigindo um aprofundamento maior na matéria, ao rechaçar a condição de entidade isenta (autoenquadrada), dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e para quais períodos. Assim não o tendo feito, na forma que determina a legislação de regência, não há como prosperar os lançamentos fiscais consubstanciados nos processos n°s 16095.000201/201015 (DEBCAD n° 37.227.3432 – Parte Empresa) e 16095.000202/201060 (DEBCAD n° 37.259.4980 – Parte destinada a Terceiros). Por todo o exposto, estando os Autos de Infração sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam o tema, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, decretando a insubsistência dos créditos previdenciários exigidos nos autos dos processos n°s 16095.000201/201015 (DEBCAD n° 37.227.3432 – Parte Empresa) e 16095.000202/201060 (DEBCAD n° 37.259.4980 – Parte destinada a Terceiros), pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA
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Numero do processo: 10830.008341/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Jun 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de Apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI N° 9.363/96. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS, ADQUIRIDOS PARA A SIMPLES REVENDA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA, EXCLUSÃO EM AMBAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não industrializados pela beneficiária deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-001.560
Decisão: Acordam os membros do colegiado, a unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 92 1 91 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.008341/200951 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301001.560 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2012 Matéria PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. Recorrente ROBERT BOSCH LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de Apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI N° 9.363/96. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS, ADQUIRIDOS PARA A SIMPLES REVENDA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA, EXCLUSÃO EM AMBAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não industrializados pela beneficiária deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, a unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que manteve integralmente o Auto de Infração e Imposição de Multa, por entender que não se incluem no cálculo do crédito presumido, a título de receita de exportação, os valores relativos aos produtos exportados adquiridos para revenda, devendo estes integrarem a receita bruta operacional.. A ora Recorrente foi intimada da lavratura de Auto de Infração para exigir a importância de R$ 4.008.670,39. De acordo com a fiscalização, a contribuinte teria escriturado em junho de 2005, no campo "OUTROS CRÉDITOS", o montante de R$ 5.581.249,50 a título de diferença de recalculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363/96, relativo ao período de junho/2000 a dezembro/2003. Entretanto, pelos cálculos da fiscalização, o valor correto a se creditar seria de R$ 2.064.389,91, resultando em glosa de crédito no valor de R$ 3.516.859,59. A diferença entre o cálculo da fiscalização e o do contribuinte referese ao método de apuração da "Receita Bruta Operacional". Segundo a fiscalização, a Recorrente teria utilizado no período de junho/2000 a dezembro/2003 o conceito de receita operacional bruta definido pelo art. 3º, § 12, I, da Portaria MF n° 64/2003. Entretanto, entendeu o fiscal que a referida Portaria somente vigorou a partir de 25/03/2003 e que, para o período de junho 2000 até essa data, a apuração deveria ser feita com base no conceito de receita bruta disposto no art. 3º, § 15, I, da Portaria MF n° 38/97, vigente à época. Em decorrência desta divergência de interpretação, foi identificado suposto pagamento a menor. Como consequência, foi realizada a reconstituição da escrita fiscal, tendo em vista que no referido período havia um saldo credor de R$ 1.734.198,32, o qual fora abatido do valor ora exigido. Quanto ao saldo credor utilizado para absorver parte da glosa, esclareceu a fiscalização que ele foi objeto de pedido de ressarcimento no processo administrativo n° 10830.721030/200981. Como foi integralmente absorvido neste processo, o pedido de ressarcimento foi totalmente indeferido. Inconformada com a exigência fiscal, a ora Recorrente apresentou impugnação, alegando que (i) efetuou a apuração do crédito extemporâneo em junho/2005, baseandose na Portaria MF 64/2003, então vigente; (ii) o valor das exportações decorrentes de produtos adquiridos para a revenda não é incluído na receita de exportação, mas também não pode ser incluído na receita operacional bruta, como pretende a fiscalização; (iii) a alegação subsidiária da fiscalização quanto ao cálculo da receita bruta de janeiro a maio de 2000 não procede, porque esse período não foi objeto de recalculo pela impugnante; (iv) a alegação subsidiária da fiscalização quanto às diferenças no valor das receitas brutas nos DCPs não pode prosperar porque a fiscalização não demonstrou a divergência apontada. Por fim, requereu o cancelamento do auto de infração, o cancelamento da exigência de estorno dos créditos de IPI no valor de R$ 1.734.198,32, e o cancelamento da determinação de que os valores relativos ao pedido de ressarcimento não retornem ao livro fiscal, alertando que o indeferimento do pedido de ressarcimento será impugnado através de instrumento próprio. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10830.008341/200951 Acórdão n.º 3301001.560 S3C3T1 Fl. 93 3 A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente impugnação apresentada, nos seguintes termos: CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. No período de junho de 2000 a 25/03/2003 não se incluem no cálculo do crédito presumido, a título de receita de exportação, os valores relativos aos produtos exportados adquiridos para revenda, devendo estes integrarem a receita bruta operacional. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na impugnação, dando ênfase ao argumento de que, para fins de apuração do crédito presumido do IPI, o conceito de receita operacional bruta abrange somente as receitas atinentes a operações com produtos industrializados pelo contribuinte e acrescentando que esta é a única interpretação capaz de compatibilizálo com a funcionalidade do crédito presumido do IPI. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, o deslinde da presente controvérsia gira em torno da definição da possibilidade de incluir os valores relativos à exportação de produtos adquiridos exclusivamente para revenda, ou seja, que não sofreram processo de industrialização, no cômputo (i) da receita operacional bruta; (ii) da receita de exportação; (iii) de ambas; ou de nenhuma delas, para fins de apuração do crédito presumido de IPI prescrito na Lei nº 9.363/96. Pois bem. Com o objetivo de desonerar as exportações dos valores relativos à exigência do PIS e da COFINS, tornando a mercadoria brasileira mais competitiva no mercado externo, o legislador instituiu o crédito presumido do IPI para ressarcimento dessas contribuições por meio da MP n° 948, de 23.05.95, convertida na Lei n° 9.363, de 16.12.96, nos seguintes termos: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (destacouse). Logo em seguida estabeleceu este mesmo diploma legal que, para fins de apuração do benefício, devese utilizar a definição de receita operacional bruta, de receita de exportação oferecida pelas leis de regência da Contribuição ao PIS e da COFINS e, subsidiariamente, do Imposto sobre a Renda. No que se refere aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, prescreveu o legislador a necessidade de observância da definição apresentada pela legislação do IPI. Eis o texto legal: Art. 3º. Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Fazendo súmula dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que a base de cálculo do crédito presumido equivale ao valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, definidos de acordo com a legislação do IPI, multiplicado pelo percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor (industrial) exportador, definidos, por sua vez, nos termos das leis de regência do PIS/COFINS e do IR. Referidas disposições foram, inicialmente, regulamentadas pela Portaria MF nº 38/97, a qual, relativamente à definição dos conceitos de receita operacional bruta e receita de exportação, assim estabeleceu: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10830.008341/200951 Acórdão n.º 3301001.560 S3C3T1 Fl. 94 5 II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Posteriormente, esta Portaria foi revogada pela Portaria MF nº 64/2003, a qual, relativamente a este tema, dispôs o seguinte: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Por conta de apenas a Portaria MF nº 64/03 ter associado o termo “industrializados” à expressão “produto da venda” ao definir o conceito de receita operacional bruta, a fiscalização e a DRJ entenderam que apenas após a sua edição é que os valores relativos à simples revenda de mercadorias para o exterior (i) deveriam ser incluídos na receita operacional bruta e (ii) não incluídos na receita bruta de exportação. Ocorre que os valores relativos às exportações de mercadorias adquiridas de terceiros unicamente para a revenda, ou seja, exportadas sem que tenham sofrido qualquer processo de industrialização pelo exportador, independentemente da fórmula literal da Portaria, jamais poderiam ser incluídos quer na receita operacional bruta, quer na receita de exportação do Recorrente, por força da própria prescrição dos arts. 1° a 3º da Lei n° 9.363/96, que é o fundamento de validade do presente incentivo fiscal. Com efeito, referidos dispositivos legais, ao se referirem à empresa produtora exportadora, deixam claro que estão regulando apenas os produtos exportados que sofreram industrialização. Da mesma forma, a parte final do caput do art. 1º da Lei 9.363/96, ao usar a expressão “para utilização no processo produtivo” esclarece que apenas as matérias Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo de industrialização compõem a base de cálculo do incentivo. Não bastasse isso e o parágrafo único do art. 3° confirma a ideia de que esta é a única interpretação que se pode atribuir a estes enunciados normativos, ao prescrever que se deve aplicar, subsidiariamente, a legislação do IPI na definição do conceito de produção. O Acórdão nº 340100.915, da 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária desta Seção, ao enfrentar este mesmo tema, deixou assentado que este termo "produção" , empregado tãosomente no referido parágrafo e não repetido em qualquer outro trecho da Lei n° 9363/96, é sinônimo de "processo produtivo." De quem? Da empresa produtora e exportadora. Daí o crédito presumido do IN não beneficiar a empresa que apenas exporta, sem que antes submeta, ela própria, as mercadorias a algum processo de industrialização. Como somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados no processo de industrialização integram a base de cálculo do crédito presumido, concluise que os produtos não industrializados, bem assim os não tributados conforme a legislação do IPI, não fazem jus ao incentivo, não podendo, por esta mesma razão, compor a receita operacional bruta e a receita de exportação para este específico fim. Foi também neste sentido que foi emitido o Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n° 139, de 22/04/96, que em seu subitem 4.11 esclarecia o seguinte: 4.1 1. O contribuinte produtorexportador de produtos com alíquota zero ou isentos tem direito ao crédito, ainda que não tenha débito de IPI. Não tem direito ao crédito presumido o exportador de produtos não tributados pelo IPI (produtos NT), isto é, produtos que não são industrializados, pois neste caso ele não é contribuinte do IPI. Neste ponto, bem esclareceu o Conselheiro Maurício Taveira e Silva, ao julgar o Processo nº 11543.002755/200117, que admitir interpretação em sentido contrário, ou seja, entender que as receitas de revenda pudessem compor a receita operacional bruta, implicaria distorções no resultado do benefício, nos termos demonstrados em tabela analítica: Para se calcular o beneficio, aplicase o percentual de 5,37% sobre o valor das aquisições de insumos relacionados às exportações. Visando se determinar, por sua vez, qual seria o valor de tais insumos relacionados à exportações, a lei determina que seja feita a proporção entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor. Assim, em não havendo exportações, não há que se falar em crédito, eis que a relação entre a receita de exportação e a receita bruta resultaria em valor igual a zero, conforme hipótese do exemplo 1. Se a receita do produtor adviesse exclusivamente de exportação, em tese, todo o valor despendido com o PIS e a Cofins na aquisição dos insumos no mercado interno seria ressarcido ao contribuinte, consoante exemplo 2, na tabela abaixo. Caso metade da produção fosse comercializada no mercado interno, o percentual a ser aplicado sobre os insumos corresponderia a 2,685% (50% de 5,37), conforme exemplo 3. Por outro lado, se receitas de revenda compusessem a receita operacional bruta o resultado seria distorcido, conforme se depreende do exemplo 4, abaixo. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10830.008341/200951 Acórdão n.º 3301001.560 S3C3T1 Fl. 95 7 Exemplo 1 Exemplo 2 Exemplo 3 Exemplo 4 Rec. Exp. 0 Rec. Exp. 100 Rec. Exp. 100 Rec. Exp. 100 Rec. Merc. Inter 100 Rec Revenda 900 Rec Oper. Bruta 100 Rec Oper. Bruta 100 Rec Oper. Bruta 200 Rec Oper. Bruta 100 % sobre insumos 0 % sobre insumos 5,37 % sobre insumos 2,685 % sobre insumos 0,537 De fato, a relação dada por esses dois valores (receita bruta de exportação e receita operacional bruta) visa a identificar o percentual dos produtos industrializados que foi exportado. No fator que expressa tal relação, a parte corresponde à parcela de produtos industrializados exportada; o todo, representa o total dos produtos industrializados, na forma da legislação do IPI. Se os produtos decorrentes de simples revenda não se enquadram no conceito de produtos industrializados para fins do IPI, não devem integrar o cálculo do incentivo inclusive no denominador da fração, sob pena de distorcer a relação. Daí a necessidade de ajuste da receita operacional bruta e da receita bruta de exportação, na qual não devem constar os valores relativos aos produtos não industrializados pelo exportador. Tratase, como visto pelo exemplo acima transcrito, de condição inafastável para se alcançar a finalidade da lei. Neste contexto, verificase que a Portaria MF nº 64/03 apenas explicitou o que já estava apenas implícito na Portaria MF n° 38/97. Não houve qualquer inovação jurídica, tendo em vista que, reafirmese, esta é a única interpretação que se ajusta às determinações da Lei nº 9.363/96. Entendimento em sentido contrário implica, necessariamente, concluir que a Portaria nº 38/97 transborda as prescrições da lei que lhe dá fundamento de validade, o que não se pode admitir. Este entendimento foi prestigiado pelo Acórdão nº 340100.915, que deixou evidente que sendo esta a mens legis da Lei 9.363/96, seria desnecessária a existência de dispositivo determinando expressamente a exclusão das mercadorias não industrializadas da receita bruta operacional, para fins de apuração do beneficio: A meu ver os atos acima não inovaram na regulamentação do beneficio em tela, tendo apenas procedido à melhor interpretação da Lei n° 9.363/96. Inclusive, é despiciendo dispositivo legal determinando expressamente a exclusão dos valores das mercadorias não industrializadas ou não tributadas no cálculo do beneficio. Mesmo antes do ADN COSIT n° 13, de 02/09/98, da Portaria MF n° 64/2003 e da IN SRF n° 313/2003, e independentemente do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n° 139, de 22/04/96, o crédito presumido, tal como estabelecido pela Lei n° 9.363/93, não comportava a inclusão das mercadorias não industrializadas ou NT em sua base de cálculo. Estendo seja esta a mens legis. Sendo assim a conclusão é única: as quantias relativas à exportação de produtos não industrializados pela Recorrente não devem ser incluídas no valor da receita de exportação, tampouco na receita operacional bruta. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar integralmente o Auto de Infração e Imposição de Multa, por reconhecer o direito de a contribuinte, na apuração do crédito presumido de IPI prescrito pela Lei nº 9.363/96, incluir apenas os valores decorrentes da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora no cômputo da receita operacional bruta. Como consequência, deve se, ainda, cancelar a determinação do estorno dos créditos de IPI no valor de R$ 1.734.198,32 (saldo credor). [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 283DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721396/2009-30
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
BOLSAS DE ESTUDO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO.
O pagamento de bolsas de estudo em desacordo com a legislação previdenciária - alínea tdo § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, se constitui em salário de contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os Conselheiros Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato. Ausente momentaneamente o conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 BOLSAS DE ESTUDO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. O pagamento de bolsas de estudo em desacordo com a legislação previdenciária - alínea tdo § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, se constitui em salário de contribuição. Recurso Voluntário Negado
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BASE DE CÁLCULO. O pagamento de bolsas de estudo em desacordo com a legislação previdenciária alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, se constitui em salário de contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os Conselheiros Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 13 96 /2 00 9- 30 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721396/200930 Acórdão n.º 2803002.064 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato. Ausente momentaneamente o conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721396/200930 Acórdão n.º 2803002.064 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos de bolsas de estudos aos dependentes dos segurados empregados, as quais foram consideradas como salário de contribuição – parte terceiros. A DecisãoNotificação – fls 181 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando a Notificação lavrada devido a decadência reconhecida. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : · Já havia sido fiscalizada em junho de 2005, quando não foram apurados débitos, sendo que tal situação só poderia ser revista nas hipóteses do art. 145,146 e 149 do CTN · Os valores referentes às bolsas de estudo não são tributáveis. Isto porque são de educação básica, encontrandose na exceção da alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91 · A natureza jurídica da bolsa de estudos não é salário. · Pugna pelo provimento do recurso, com a declaração de improcedência do lançamento e, alternativamente, o afastamento do lançamento pelo fato de bolsas de estudo não serem base de cálculo de contribuição patronal previdenciária. É o relatório. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721396/200930 Acórdão n.º 2803002.064 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra Acerca de preclusão alegada, temos que não assiste razão a recorrente. O fato de já ter sido fiscalizada em 29.06.2005 em nada altera a ocorrência do fato gerador sub examine. A fiscalização tributária, a qualquer momento, constatando a ocorrência do fato gerador, pode efetuar o lançamento, sendo irrelevante a ocorrência de outros procedimentos fiscais com o mesmo desiderato, inclusive os Termos de Encerramento entregues aos contribuintes sob ação fiscal, sempre ressalvam que, a qualquer tempo, importâncias consideradas devidas podem ser apuradas. Acrescentese que, como pontuado pela recorrente, na ação anterior não houve lançamento algum, o que indica que não estamos a falar de revisão de lançamento, ou lançamento em duplicidade, quando se poderiam discutir as razões das supostas imperfeições do lançamento anterior. Quanto ao mérito, tenho que a interpretação do Auditor autuante está de acordo com o previsto na lei 8.212/91. O pagamento de bolsas aos dependentes dos empregados não se enquadra na exceção prevista na alínea “t” do Art. 28 § 9° da prefalada norma legal, senão vejamos. Art. 28 .... § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ( ... ) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica. nos termos do Art. 21 da Lei n° 9.394. de 20 de dezembro de 1996. e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Alínea acrescentada pela MP n° 1.59614, de 10/11/97 e convertida na Lei n° 9.528, de 10/12/97 Redação dada pela Lei n° 9.711, de 20.11.98 Do exposto, não vislumbro como enquadrar as verbas pagas na exceção legal, que diz respeito a bolsas oferecidas aos próprios empregados e não a seus dependentes. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721396/200930 Acórdão n.º 2803002.064 S2TE03 Fl. 6 5 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 16095.000266/2006-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário: 2001
Ementa: TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009).
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2001
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA. ARBITRAMENTO.
A apuração de omissão de receitas, como decorrência da não escrituração de notas fiscais em volume muito superior à receita declarada, torna inábil a escrituração da empresa e implica na necessidade de arbitramento do lucro. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano calendário: 2001
Ementa: CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica se ao lançamento tido como reflexo o resultado do julgamento proferido em relação à exigência que lhe deu origem.
PIS .COFINS. EMPRESA DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. RECEITA
BRUTA.
Os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins.
(STJ AgRg no REsp 1267811 / PR, 2ª Turma, Ministro Castro Meira, Sessão de 03/05/2012, Dje 10/05/2012)
Numero da decisão: 1402-001.123
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: 1) Dar provimento parcial ao recurso de ofício para determinar a apuração do IRPJ e da CSLL mediante aplicaçao do percentual de 38,4% sobre a receita bruta apurada pela autoridade lançadora e: 2) Dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a decadência relação aos fatos geradores ocorridos até 31/08/2001, inclusive, para o PIS e a Cofins.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 Ementa: TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA. ARBITRAMENTO. A apuração de omissão de receitas, como decorrência da não escrituração de notas fiscais em volume muito superior à receita declarada, torna inábil a escrituração da empresa e implica na necessidade de arbitramento do lucro. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2001 Ementa: CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento tido como reflexo o resultado do julgamento proferido em relação à exigência que lhe deu origem. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 2 2 PIS .COFINS. EMPRESA DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. RECEITA BRUTA. Os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. (STJ AgRg no REsp 1267811 / PR, 2ª Turma, Ministro Castro Meira, Sessão de 03/05/2012, Dje 10/05/2012) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: 1) Dar provimento parcial ao recurso de ofício para determinar a apuração do IRPJ e da CSLL mediante aplicaçao do percentual de 38,4% sobre a receita bruta apurada pela autoridade lançadora e: 2) Dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a decadência relação aos fatos geradores ocorridos até 31/08/2001, inclusive, para o PIS e a Cofins. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Trata o presente processo de Autos de Infração relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 11.471.628,02, com os acréscimos legais cabíveis até 31/08/2006, em virtude de receitas não declaradas no anocalendário 2001, conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal às fls. 150/152. A autoridade lançadora aplicou multa no percentual de 112,5%, e formalizou representação fiscal para fins penais, autuada sob n° 16095.000268/200673, a qual segue em processo apenso ao presente, mas sem qualquer referencia das circunstâncias ali relatadas no Termo de Verificação Fiscal ou nos Autos de Infração. Cientificada da exigência em 28/09/2006, a empresa autuada, por seus advogados e procuradores, apresentou em 27/10/2006 a impugnação de fls. 224/252, na qual alega, em síntese, o que segue: Argúi a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, mormente porque o contribuinte optou pela forma de tributação do lucro real e, como é sabido e ressabido que no ano de 2001 — que corresponde ao período do presente auto de infração — a forma de apuração era trimestral. Reportase à insegurança jurídica que penalizará ainda mais contribuinte com exações estapafúrdias com reflexos irradiados para as atividades desenvolvidas por ele, e menciona que a Decadência ocorre mês a mês, vale dizer, dos meses mais antigos para os mais recentes. Aduz que mantevese à disposição, na medida do possível, para fornecer informações e documentos necessários ao cumprimento do dever legal do agente fiscal em exercício, somente deixando de apresentar o livro diário que fora extraviado. Ainda, o arquivo magnético que servia de backup do livro sofreu rompimento de informações gravadas. Diante destas circunstâncias, relata que: Examinando o trabalho do fisco na confecção do lançamento, observamos uma série de incongruências normativas e funcionais no ponto de vista técnico contábil, o que invariavelmente desnuda a realidade de que o lançamento não presta aos fins a que se destina. Dentre os pontos de divergência técnicos contábeis destacamos: Aplicação das aliquotas do IRPJ e adicionais e, também, a CSLL utilizandose sobre base de cálculo o valor chamado de difèrença tributária de 11.450.000,00 Lançamento ter sido constituído sob o fundamento de receita bruta sem a consideração/diminuição dos custos e despesas utilizandose, para tanto, o critério de apuração e determinação tributária de lucro real. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 4 4 Aferição de valores sobre total da nota fiscal para o cálculo de recolhimento de PIS e COFINS. Desconsideração de crédito do contribuinte perante a receita no caso de coadunar se com a possibilidade de tributar pelo valor total da nota, desconsiderandose a subdivisão dos salários + encargos Aborda o principio da verdade material, menciona que o julgador é livre na investigação das provas, como forma de atender ao interesse público primário e à preservação da ordem jurídica. Por esta razão, sua defesa tem por objetivo uma reinterpretação da escritura contábil da impugnante com o objetivo único de provar que esta não sonegou informações, muito menos esquivouse do pagamento de tributos. • Defende a regularidade de sua escrituração contábil, asseverando que todas notas fiscais e demais livros estiveram e ainda estão a disposição do fisco, com exceção do Livro Diário que não pôde reescriturar no prazo determinado porque as notas fiscais correspondentes estavam em poder da Fiscalização. Desta feita, comprometese a concluir os lançamentos contábeis em 90 dias e opõese à tributação sem a consideração das despesas do período. • No que tange às exigências da Contribuição ao PIS e da COFINS, houve utilização inadequada da base de cálculo, na medida em que se incluiu folha de salário e outros encargos discriminados nas notas fiscais, o que indubitavelmente majorou de forma descomunal o presente auto de infração. • Restringe a dúvida ao critério quantitativo da regra matriz, na medida em que sua atividade é o gerenciamento de pessoal, é o gerenciamento e administração do obreiro e somente dispõe de know how em administração — gerenciamento de pessoas, em diversos ramos de atividade. Em conseqüência, o critério quantitativo no caso da impugnante é a taxa administrativa. E, a respeito do tema, cita o processo 2002.61.19.0048795 que tramita na justiça Federal da Cidade de Guarulhos/SP. • No âmbito do IRPJ, aduz que o auditor fiscal julgou imprestáveis os lançamentos contábeis e, por via de extensão, desclassificou a escrita, no entanto sem descrever minuciosamente os critérios utilizados. Entende que se o fisco, no exercício de seu poder dever de investigação, tiver meios de comprovar as parcelas de lucro erroneamente escrituradas pelo contribuinte, deve ele suprir oficiosamente tal vicio, erro ou deficiência, restaurando a verdade material e efetuando as necessárias retificações. • Afirma que sua escrituração não é imprestável, aduz que a verdade material s6 é alcançada quando o Fisco dispõe de meios técnicos suficientemente precisos, admitindo a prova indiciária apenas em casos extremos. Defende que a base de cálculo do IRPJ é o lucro, o que impõe a obrigatória aceitação dos registros contábeis como prova a favor do contribuinte, pois se o fato gerador da obrigação tributária passa a ser qualquer número que esteja diante do fisco, há total insegurança jurídicotributária. . Reportase à determinação de seu lucro refletida em sua contabilidade e na DIPJ, e conclui que definir como base de cálculo para IRPJ todo o numerário do movimento do exercício é noutras palavras; desfazer de todas as informações prestadas ao fisco via GuiasEspecificas dirigidas ao fisco. . Assevera que o agente fiscal tem uma infinidade de caminhos para perseguir afim de encontrar os elementos de ordem numérica que constituem a contabilidade dos contribuintes e mencionando o fato de que apenas os recolhimentos de contribuições previdenciárias já alcançam a quase totalidade do lucro apurado pelo Fisco, questiona quem efetuou o pagamento dos salários dos funcionários e os encargos inerentes a atividade do obreiro gerido pela impugnante junto a empresa contratante de mãodeobra. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 5 5 . Questiona o alargamento da base de cálculo, na medida em que se deve considerar as normas atinentes à realidade que o contribuinte está inserido, descrevendo a natureza dos valores que compõem as notas fiscais emitidas, a titulo de reembolso de salários, encargos e taxa administrativa. . Cita que o relaxamento da definição de fatura e faturamento já gerou inúmeras discussões judiciais, e argumenta que a falibilidade do alargamento da base de cálculo está sendo repelida pelo Supremo Tribunal Federal e na presciência disto apontamos este vicio com as mãos limpas de um contribuinte sincero e honesto perante o fisco. Neste sentido, reportase a doutrina que estabelece faturamento como sendo a receita bruta definida pela legislação do imposto de renda, distinto, assim, do numerário que porventura tenha passado pelas mãos do contribuinte. . Na seqüência, acrescenta: No presente caso, tratamos da tributação de uma empresa jurídica de direito privado que exerce atividades no ramo da prestação de serviços com administração de mãodeobra, em regra não especializada, onde através de contrato formulado com outra empresa de diverso ramo de atividade ou ente público, concretizam uma relação comercial na qual a ora impugnante comprometese a fornecer a mãodeobra e administrar a mesma, responsabilizandose inclusive com o pagamento de salários, recolhimento de contribuições previdenciárias entre outras obrigações trabalhistas inerentes a qualquer empregado. Para tal administração de pessoal de mãodeobra a impugnante cobra da empresa contratada um determinado valor. Assim, a nota fiscal emitida a esta empresa contratada é constituída pelo salário do obreiro que estará à disposição da empresa contratada, mais os encargos diretos e indiretos do salário deste obreiro, e, por fim, separadamente descrito em nota o valor cobrado pela impugnante pela administração e gerenciamento deste obreiro. 0 fato tributário revelase, aqui, no valor percebido pela impugnante quando da disponibilização e gerenciamento de obreiro para empresa e ente público contratante. Este valor cobrado para o gerenciamento desmembrarseá na contabilidade da impugnante em pagamento de funcionários, custos de funcionamento, impostos e havendo sobejo este será o lucro da impugnante que obviamente será tributado. . No proceder da fiscalização, a incidência se dá sobre o salário dos obreiros, agredindo a natureza de cada um dos tributos (IRPJ, PIS, COFINS e CSSL). Opõesse a tais circunstâncias, mencionando que a definição da base de cálculo deve ser construída sob sólidas bases de entendimento do fato tributário, o anseio arrecadatório do fisco não pode fazer com que os conceitos de direito tributário e natureza das atividades comerciais sejam modificadas ou elasticamente interpretadas para que sejam e estejam ao alcance da tributação. Dai a importância do fisco compreender o exercício da atividade do contribuinte. Esperase isto do fisco, uma atitude legitima e legal, sem o inchaço de pretensões vorazes da arrecadação imoderada, que busca metas a todo custo, certamente esta não é a visão deste zeloso fisco a que é dirigida esta impugnação, antes seu trabalho tem sido reconhecido pela legitima aplicação da norma fiscal. • Prossegue na argumentação contra a incidência sobre o valor total das notas fiscais, firmando que tal é um descalabro dos mais absurdos, e reportandose ao dever do Fisco de buscar a verdade material. • Cita o art. 153, III da Constituição Federal e o art. 219 do RIR199, que definem a incidência do imposto de renda sobre o lucro, e questiona o fato de o IRPJ, PIS, COFINS e CSLL tributarem o salário do funcionário, ou mesmo valores de contribuição social, de SAT, tragando um paralelo entre sua atividade, remunerada Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 6 6 com taxa de administração, e a atividade de uma instituição financeira, remunerada com juros. • Relata a constatação de extravio do Livro Diário e da imprestabilidade do arquivo magnético correspondente, mencionando que não fez boletim de ocorrência para a confecção de outro livro, pois achou mais prudente aguardar a devolução dos documentos que estavam em poder do fisco para iniciar o trabalho de reconstrução do livro perdido. Mas ressalva que o Fisco poderia ter buscado as informações necessárias em outras fontes, tais quais os clientes da impugnante, o fisco previdenciário, além dos demais documentos entregues ao agente fiscal. • Novamente comprometese em apresentar o Livro Diário de 2001, mas agora requer a abertura de prazo de 180 (cento e oitenta) dias para tanto. • Argúi a nulidade do demonstrativo do faturamento, na medida em que os nomes dos clientes não coincidem com aqueles constantes da nota fiscal, até mesmo os valores estão em descompasso com as notas fiscais verdadeiras, razão pela qual os demonstrativos de faturamento, por uma questão de justiça, devem ser ignorados. • Requer, assim, que as preliminares sejam aceitas e julgadas procedentes, ou que se aceite os elementos contábeis que a impugnante deseja apresentar, em especial porque os relatórios informativos numéricos confeccionados pelo agente fiscal são imprestáveis ao fim que se destinam, fato que fica evidente com a quantidade de notas fiscais em valores e informações erradas usadas pelo agente em seu relatório. Obviamente, que tais informações não podem seguir adiante sequer por força de resposta cardíaca do mais misericordioso homem. Além disso, devese asseverar a necessidade do contribuinte alicerçar ainda mais suas posições através de sólidos elementos de sua escrituração. • Requer, ainda, que seja reconhecida a taxa administrativa como base de cálculo para tributação de PIS e COFINS, e por via de continuidade que a tributação de IRPJ seja conferida nos termos que o contribuinte já apresentou em sua escrituração e reafirmará através de toda sua escrituração contábil. Caso o fisco não entenda desta maneira, e considere como tributável o valor total da nota, requerse que considere que tal aplicabilidade gera inegavelmente créditos em favor da impugnante, os quais assemelhamse e ou ultrapassam o valor do pretenso débito, o que resulta na operação créditodébito que liquidamse "de per si". • Por fim, reitera o pedido de prazo de 180 (cento e oitenta) dias para confecção de novo livro diário. Em 17/01/2007 os autos retornaram em diligência A. DRF/Guarulhos, nos seguintes termos: Dentre as informações constantes do Termo de verificação e constatação fiscal o auditor fiscal aponta que, à vista das notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, foi elaborado o Demonstrativo do Faturamento Mensal em 2.001 (fis. 150/187), apurandose a diferença tributável de R$ 10.407.340,59. Na impugnação o contribuinte alega, entre outras razões de defesa, que os nomes dos clientes, valores da taxa de administração, de reembolso e da seguridade social constantes dos demonstrativos de faturamento não coincidem com aqueles constantes das notas fiscais emitidas, razão pela qual afirma que o demonstrativo é imprestáivel para servir como base de cálculo de lançamento de um tributo e requer sua nulidade. Anexa notas fiscais as fls. 274/285 e relatório comparativo as fls. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 7 7 286/306, cuja totalização difere daquela constante do Demonstrativo de fls. 154/174 apresentado pela fiscalização. Do cotejo entre as notas fiscais apresentadas com o "Demonstrativo do Faturamento Mensal em 2.001" verificase que há, de fato, descompasso entre os documentos e as planilhas elaboradas pela fiscalização. Por outro lado, observase que os valores constantes das notas fiscais juntadas pelo interessado constam do Demonstrativo e esteio vinculados a outras notas fiscais, conforme quadro abaixo. [fl. 358] Nesse contexto, SOLICITO o retorno dos autos à DRF/Guarulhos para que se resolva sobre a adequação entre as notas fiscais emitidas e os dados consolidados nos Demonstrativos de Faturamento elaborados pela fiscalização. O contribuinte deverá ser cientificado do resultado da presente diligência, inclusive quanto a sua repercussão nos valores exigidos, sendolhe reaberto o prazo de impugnação para, se for de seu interesse, complementar suas razões iniciais. Em atendimento, a autoridade lançadora solicitou ao contribuinte a apresentação dos talonários de notas fiscais de serviços prestados, bem como do Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados (fl. 363), elaborou os demonstrativos de fls. 365/395 e juntou cópia das notas fiscais nos Anexos I a X destes autos. As fls. 396/397 relatou que elaborou demonstrativo das diferenças apuradas nas bases de cálculo da Contribuição ao PIS e do COFINS, bem como que identificou receita operacional de R$ 12.965.151,88, a qual, considerando o lucro real declarado de R$ 3.528.407,53, resulta em diferença tributável de R$ 9.436.744,35. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas prolatou o Acórdão 0522.476 por meio do qual deu provimento parcial à impugnação para cancelar a exigência do IRPJ e da CSLL, por entender que não apresentação da escrituração comercial e fiscal implicaria na necessidade de apuração do resultado pela sistemática do lucro arbitrado. Quanto à exigência do PIS e da Cofins, foram mantidas na integralidade, apenas com a adequação ao resultado da diligência efetuada. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando a argüição de decadência e os fundamentos pelos quais entende que a tributação do PIS e da Cofins deveria incidir apenas sobre a taxa de administração. É o Relatório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 8 8 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO RECURSO DE OFÍCIO A decisão recorrida cancelou os lançamentos do IRPJ e da CSLL por entender que as circunstâncias dos autos implicariam na necessidade da apuração do resultado por arbitramento e não pelo lucro real, como efetuado pela autoridade lançadora. De fato, a Fiscalização informou que até a lavratura do auto de infração os livros Diário, Razão e Registro de Prestação de Serviços não teriam sido apresentados. Assim, faltariam os elementos necessários para a apuração do resultado pelo lucro real. Conforme bem acentuado pelo Acórdão hostilizado, na ausência dos livros contendo a escrituração não há como afirmar que os custos e despesas estão presumidamente contabilizados, ou que a incidência se fez sobre o lucro liquido ajustado pela receita omitida. Ainda, não há como imputarlhe as conseqüências da ausência de prova documental dos custos e despesas pretendidos, pois isto decorre da reconhecida inexistência de escrituração já à época do procedimento fiscal, o que caracteriza o contexto fático que impõe o arbitramento dos lucros. Na lavratura da intimação, onde requeria no prazo estabelecido a escrituração do livro Diário até então não apresentado, a Fiscalização ressaltou que o não atendimento implicaria no arbitramento do lucro. Tal previsão não se concretizou pois a autoridade lançadora, em sentido diverso ao estabelecido no mencionado termo, efetuou a apuração do resultado pelo lucro real. Além disso, a omissão representada pela diferença entre a receita declarada e aquela efetiva, representada pelo valor integral da nota fiscal, é muito significativa. O arbitramento do lucro nesse caso é um instrumento de adequação da exigência fiscal à proporcionalidade dos fatos pois, na impossibilidade de verificar a contabilização do custo correspondente, a aplicação do percentual evita a tributação da receita como se lucro fosse. Por outro lado, o entendimento desta turma julgadora está consolidado no sentido de que o cancelamento total da autuação não é a melhor solução para o caso, pois implicaria em aceitar a infração cometida sem o estabelecimento de qualquer tipo de sanção. Nessa linha, e considerando o tipo de atividade exercida pela interessada, meu voto é no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício para aplicar o percentual de arbitramento de 38,4% sobre a base de cálculo apurada pela Fiscalização, e restabelecer a exigência do IRPJ e da CSLL obtido a partir daí. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 9 9 RECURSO VOLUNTÁRIO Em relação à decadência, pauto minha linha de raciocínio no sentido de o prazo decadencial foi definido como regra geral no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (.....) Por outro lado, dentre as modalidades de lançamento definidas pelo CTN, o art. 150 trata do lançamento por homologação. Nesse caso, o § 4º do dispositivo estabeleceu regra específica para a decadência: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (......) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Hodiernamente, a grande maioria dos tributos submetese ao lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ. Assim, circunstancialmente, aquilo que representava uma regra específica tornouse norma geral para efeitos de contagem do prazo decadencial. No que se refere às contribuições sociais sua natureza tributária colocaas, no gênero, como espécies sujeitas ao lançamento por homologação. Aplicamse a elas, portanto, as disposições do art. 150 do Código Tributário Nacional. O já mencionado § 4º do mencionado artigo autoriza que a lei estabeleça prazo diverso dos cinco anos ali determinados. Foi assim que a Lei nº 8.212, de 26 de julho de 1991, regulamentando a Seguridade Social, tratou do prazo decadencial das contribuições sociais da seguinte forma: “Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada.” (grifo nosso) Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 10 10 A mencionada lei determina expressamente quais as contribuições sociais, a cargo da empresa, que tenham base no lucro e no faturamento: Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22 são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: (......) II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. (........). O DecretoLei nº 1.940/82 regulamenta o Finsocial. Posteriormente, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991 criou a Cofins e determinou que essa contribuição seria cobrada em substituição àquela. Assim dispõe o art. 9º da LC: Art. 9° A contribuição social sobre o faturamento de que trata esta lei complementar não extingue as atuais fontes de custeio da Seguridade Social, salvo a prevista no art. 23, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual deixará de ser cobrada a partir da data em que for exigível a contribuição ora instituída. (grifo nosso). Vêse, portanto, que sob a ótica da Lei 8.212/91 a contribuição para a Seguridade Social calculada sobre o faturamento é o Finsocial, posteriormente substituído pela Cofins e a contribuição calculada sobre o lucro é a CSLL. Não há menção ao PIS. É certo que o CTN concedeu à lei ordinária a possibilidade de estabelecer prazo decadencial diferente daquele originariamente previsto no § 4º do art. 150 daquele diploma legal. No entanto, não se pode perder de vista que se trata de uma excepcionalidade. Sob essa ótica, constatandose que a Lei nº 8.212/91 em nenhum de seus dispositivos trata do PIS, considerarse que o prazo decadencial previsto no art. 45 daquela norma aplicarseia a essa contribuição seria um abuso interpretativo à concessão feita pelo CTN. O tema do prazo decadencial tem grande importância na relação fisco contribuinte, inclusive pelo impacto no princípio da segurança jurídica. Sendo assim, o tratamento da matéria é prerrogativa da norma positivada. Não havendo disposição expressa no texto legal, não se pode definir o prazo decadencial com base em interpretação do alcance da lei. Entendo, destarte, que ao prazo decadencial do PIS deve ser aplicada a regra geral qüinqüenal estabelecida no § 4º do art. 150 do CTN. Por outtro lado, a CSLL e a Cofins estão elencadas entre as contribuições submetidas às regras da Lei nº 8.212/91, incluindo aí o prazo decadencial definido no art. 45 desse diploma legal. Entretanto, com a edição da Súmula Vinculante nº 8 o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o mencionado dispositivo legal. Assim, a Cofins submetese Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 11 11 ao prazo decadencial nas mesmas regras que os demais tributos sujeitos ao lançamento por homologação: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Do exposto, na inexistência de dolo fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para os impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação deveria ocorrer sob as regras do parágrafo 4º, do art. 150, do CTN. Registrese que, no presente caso, o sujeito passivo informou valores devidos de todos os tributos que integraram o lançamento, valores esses que não foram questionados pelo Fisco. Isso significa que devese considerar a existência de pagamentos , ainda que parciais, o que implica na inaplicabilidade do entendimento do STJ relativamente à regra do inciso I, do art. 173, do CTN. Pelo exposto, com ciência da autuação em 28/09/2006, no caso do IRPJ e da CSLL, com fato gerador em 31/12/2001, a caducidade só teria ocorrido em 31/12/2006. Em relação ao PIS e à Cofins, com fato gerador mensal foram atingidos pela caducidade os fatos geradores ocorridos até 31/08/2001, inclusive. Quanto ao mérito, a interessada traz uma linha argumentativa onde mistura os conceitos de faturamento e lucro, sem atentar que a base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins não é o lucro, mas o faturamento definido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da denominação ou classificação contábil. A atividade que a empresa de trabalho temporário executa não tem qualquer relação com o trabalho executado propriamente dito. Presta ela um serviço específico consistente em colocar o trabalhador à disposição da empresa que dele necessita. Nessas condições, a contratante deseja absterse de selecionar, capacitar e contratar diretamente o trabalhador e aceita pagar à outra o usufruto dessa comodidade. Pode –se dizer então que na questão sob discussão existem duas “prestações de serviço” absolutamente distintas efetuados à contratante: Aquele exercido pelo trabalhador e aquele prestado pela empresa de trabalho temporário consistindo em tornar o trabalhador apto técnica e formalmente ao exercício da tarefa buscada pela contratante O cerne da querela envolve a abrangência do serviço prestado pela empresa de trabalho temporário. Ilustrando o caso inicialmente sob a ótica da contratante, podese imaginar a atividade de um funcionário voltada para a venda de determinado produto. A receita daí obtida integrará a base de cálculo do PIS e da Cofins e, obviamente, do lucro presumido se for essa a sistemática de apuração do resultado. Isso, independentemente do custo da mão de obra aplicada, que não seria dedutível. Caso opte pela contratação da empresa de trabalho temporário, essa arcará com aquele custo e à contratante caberão os custos pela seleção, treinamento e colocação prestados por aquela. Sem dúvida que esses custos serão maiores tendo em vista que neles está embutida uma parcela do ganho da empresa de trabalho temporário. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 12 12 Em outras palavras, a contratação da empresa de trabalho temporário transfere para essa última os custos da mão de obra. Para usufruir dessa comodidade a contratante terá o ônus do custo decorrente da contratação da empresa de trabalho temporário, ou seja, custo para aquela e receita para esta. A assunção do custo pela empresa de trabalho temporário não se descaracteriza pelo fato do trabalhador prestar serviços em outra empresa pois a natureza da atividade está perfeitamente definida pela cessão do empregado, origem da receita que a remunera. Perfeitamente delineado está o custo pela obrigatoriedade de registro dos empregados em seu nome, implicando na responsabilidade pelas obrigações trabalhistas correspondentes. A empresa de trabalho temporário tem a responsabilidade pelo pagamento dos trabalhadores e, pela assunção dessa obrigação, tem o direito de cedêlos mediante contrato e cobrar por isso um valor correspondente a esses custos e a outros encargos mencionados no documento fiscal mais uma comissão, montante que corresponde à receita bruta. Do até aqui exposto penso que, no caso das contribuições ao PIS e à Cofins, as argumentações da interessada implicam em desvirtuamento da base de cálculo pela intenção de se tributar o lucro, ou seja, receita menos custos. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes é remansosa quanto ao tema: PIS. BASE DE CÁLCULO. EMPRESA DE TRABALHADOR TEMPORÁRIO. CUSTO COM MÃODEOBRA. INCLUSÃO. Incluemse na base de cálculo do PIS os valores recebidos por empresa de trabalho temporário, fornecedora de mãodeobra, para pagamento de salários, custos sociais e demais despesas com pessoal. NOTA FISCAL. PREÇO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. O valor total consignado na nota fiscal ou fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente, independentemente da destinação dos recursos recebidos. (2ºCC, 3ª Câmara, Acórdão 20311.486, Sessão de 07/11/2006). COFINS. BASE DE CÁLCULO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EMPRESA TRABALHO TEMPORÁRIO. A base de cálculo da COFINS é o valor decorrente da receita própria. A receita bruta da pessoa jurídica que fornece mãodeobra contratada temporariamente é o total contratado e faturado com os tomadores de serviços. Valores pagos a título de reembolso integram a base de cálculo da COFINS. Recurso negado. (2º CC, 4ª Câmara, Acórdão 20400105, Sessão de 17/05/2005) Em decisão recente o STJ confirmou esse entendimento que, na verdade, já havia sido objeto de manifestações anteriores desse Tribunal na mesma linha (AgRg no REsp 1267811 / PR, 2ª Turma, Ministro Castro Meira, Sessão de 03/05/2012, Dje 10/05/2012) RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. SALÁRIOS E ENCARGOS PAGOS AOS TRABALHADORES CEDIDOS. INCIDÊNCIA. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 13 13 IRPJ E CSLL COBRADOS PELA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO. INCIDÊNCIA. 1. Os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. Questão já decidida sob a sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008 (REsp 1.141.065/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º.02.10). (.........) Como mencionado no Acórdão supra transcrito, o tema foi decidido sob a sistemática do recurso repetitivo (art. 543C) o que torna a decisão de aplicação obrigatória no CARF, nos termos do art. 62A, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. De todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso exclusivamente para acolher a decadência do PIS e da Cofins em relação aos fatos geradores ocorridos até 31/08/2001, inclusive. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 13DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10680.900703/2009-28
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 07 03 /2 00 9- 28 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900703/200928 Acórdão n.º 1801001.269 S1TE01 Fl. 88 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 15.02.2005, fls. 0610, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$44.162,25 de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 2362, efetuado em 31.03.2004. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 11, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 04.03.2009, fl. 27, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 03.04.2009, fls. 0105, com os argumentos abaixo sintetizados. Suscita que o valor pleiteado em verdade referese ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, em conformidade com a Ficha 12 da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Diz que equivocadamente indicou na Per/DComp que possuía direito creditório de pagamento indevido. Esclarece que pelo princípio da razoabilidade (art. 37 da Constituição Federal) esta informação deve ser retificada. Defende que apresentou a Per/DComp retificadora tãosomente para correção desse erro e não para a inclusão de novo débito, tampouco alterar o valor do débito confessado. Alega esta formalidade não deve afastar seu direito ao reconhecimento do direito creditório assegurado pelo art. 165 do Código Tributário Nacional. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Pelo exposto, uma vez caracterizada a existência do saldo negativo no valor de R$43.725,00 [...] requer: (i) A reforma do despacho decisório ora combatido, para que se reconheça e homologue a compensação declarada [...]; (ii) A retificação da aludida PER/DCOMP, para que se altere o tipo de crédito de "pagamento indevido", fazendo constar como "saldo negativo"; (iü) A imediata suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto da compensação não homologada, nos termos § 5º do art. 66 da IN RFB nº 900/2008 e inciso III do art. 151 do CTN. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900703/200928 Acórdão n.º 1801001.269 S1TE01 Fl. 89 3 Seja o presente processo administrativo distribuído a uma das Turmas da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte MG, para ulterior análise. Nesses termos, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0233.470, de 12.07.2011, fls. 3034:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Notificada em 14.11.2011, fl. 38, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls. 4155, em 15.12.2011, fl. 85, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que mero erro formal não pode resultar em perda do direito creditório, em observância ao princípio da verdade material. Expõe a possibilidade de retificação de ofício da Per/DComp, nos termos no art. 142, art. 147 e art. 149 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos legais de sua admissibilidade, merece ser apreciado, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida e que deve ser declarada a suspensão da exigibilidade dos débitos confessados. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900703/200928 Acórdão n.º 1801001.269 S1TE01 Fl. 90 4 débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional1. Verificase no presente caso que os débitos confessados na Per/DComp estão com a exigibilidade suspensa pela apresentação regular do recurso voluntário. O regime de tributação com base no lucro real, trimestral ou anual, prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor pago sobre a base de cálculo estimada. O pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais que faz prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais. Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar sua alegação. O reconhecimento do direito à homologação da compensação não prescinde de restar comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição. Por esta razão, para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal2. A RFB, no exercício de sua competência de regulamentar da matéria, determina que a Per/DComp não pode ser retificada caso a sua análise não mais se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Excepcionalmente, todavia, o pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor da IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, que pode ser analisado como uma parcela a compor a formação do saldo negativo de IRPJ no encerramento do anocalendário. E isto porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual da IRPJ. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período3. No presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar4. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Embora lhe 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. 4 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900703/200928 Acórdão n.º 1801001.269 S1TE01 Fl. 91 5 fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de que tem direito ao reconhecimento do valor de R$43.725,00 a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, uma vez que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante somente pode ser admissível mediante comprovação do erro em que se funde (art. 147 do Código Tributário Nacional). A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000478/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2005
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para
determinação do lucro presumido em relação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço de locação de containers, serviço de queima de madeira, contratação de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tratou de construção civil com emprego de materiais.
OMISSÃO DE RECEITA DECLARAÇÃO COM VALORES ZERADOS RECEITAS
CONTABILIZADAS NO LIVRO CAIXA Trata-se de omissão de
receitas a falta de oferecimento à tributação das receitas decorrentes de prestação de serviços, comprovadas pelas Notas Fiscais de Serviço emitidas pela autuada, e devidamente contabilizadas no Livro Caixa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.027
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pela.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido em relação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço de locação de containers, serviço de queima de madeira, contratação de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tratou de construção civil com emprego de materiais. OMISSÃO DE RECEITA DECLARAÇÃO COM VALORES ZERADOS RECEITAS CONTABILIZADAS NO LIVRO CAIXA Trata-se de omissão de receitas a falta de oferecimento à tributação das receitas decorrentes de prestação de serviços, comprovadas pelas Notas Fiscais de Serviço emitidas pela autuada, e devidamente contabilizadas no Livro Caixa. Recurso Voluntário Negado.
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PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido em relação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço de locação de containers, serviço de queima de madeira, contratação de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tratou de construção civil com emprego de materiais. OMISSÃO DE RECEITA DECLARAÇÃO COM VALORES ZERADOS RECEITAS CONTABILIZADAS NO LIVRO CAIXA Tratase de omissão de receitas a falta de oferecimento à tributação das receitas decorrentes de prestação de serviços, comprovadas pelas Notas Fiscais de Serviço emitidas pela autuada, e devidamente contabilizadas no Livro Caixa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pela. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório META CENTRAL DE SERVICOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração, com ciência em 29/06/2009 (AR – fls. 1.412), fls. 1390/1408, para cobrança dos seguintes tributos relativos ao ano calendário de 2005: Principal Juros de Mora * Multa Total IRPJ 266.235,59 125.422,32 199.676,67 591.334,58 CSLL 100.565,10 46.994,88 75.423,81 222.983,79 TOTAL 814.318,37 * Juros de Mora até 29/05/2009 DO AUTO DE INFRAÇÃO De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 1354/1389, foram feitas as seguintes constatações: • A autuada apresentou DIPJ/2006, anocalendário 2005, com base no Lucro Presumido, sem informação de valores (em branco), assim como não apresentou as DCTF deste período. • Durante a ação fiscal, a autuada não comprovou a afirmação de que seria prestadora de serviços na área de construção civil com emprego de material. • Dos contratos apresentados, apenas o de n° CFSSMWG00103 continha a assinatura das partes interessadas. • Foi emitido o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, com ciência em 12/02/2009, pelo qual a autuada foi cientificada que não havia atendido satisfatoriamente os Termos de Intimação Fiscal anteriores, vista não ter apresentado qualquer documento que comprovasse suas alegações de ter prestado serviços de construção civil com emprego de materiais, e que somente o contrato de nº CFSSMWG00103 continha a assinatura das partes interessadas. • Em resposta, a autuada alegou que: “Conforme protocolos anteriores (em anexo) a empresa apresentou à Fiscalização todas as notas fiscais de serviços originais, Livro de ISS, Demonstrativo Analítico dos Tomadores de serviços com as respectivas retenções, Medições dos Serviços demonstrando o material empregado na execução dos serviços e o Livro Caixa, evidenciando, com essa documentação, ainda de posse da Fiscalização, a natureza dos serviços prestados. “Prestador de serviços na área de construção civil com emprego de material”. Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 4 3 “Para evidenciar ainda mais e comprova a natureza dos Serviços prestados pela empresa, segue em anexo todas as notas fiscais originais de compra de material utilizados no serviço no período de 2005.” • Informou ainda que: “Quanto aos contratos, a empresa foi contratada no período de 2005 pela VERACEL CELULOSE S.A., conforme contrato nº CFSSMWG00103, já apresentado. No decorrer de alguns trabalhos, a empresa era sub contratada de outros empreiteiros através de Ordem de Serviços expedida pela VERACEL, (em anexo às Notas Fiscais), ficando, as partes, dispensadas da assinatura, por se tratar de tarefas de curto prazo.” • A fiscalização contestou as alegações da autuada, aduzindo o que segue: o documento intitulado “Relatório Analítico” não incluiu as “Medições de Serviços”, tampouco demonstrou o material empregado na execução dos mesmos. Não foi demonstrada a ligação entre os materiais adquiridos e os serviços prestados. Há notas fiscais de compra que não tem relação com a área de construção civil. em suma, não comprovou a alegação de ter prestado serviços na área de construção civil com emprego de materiais. dentre as despesas escrituradas no Livro Caixa, poucas mencionam aquisição de materiais que podem ser utilizados em construção civil e, mesmo nesses casos, muitas vezes referem a despesas particulares. O contrato apresentado nº CFSSMWG00103 se refere ao período de 01/08/2003 a 31/12/2003, anterior ao período fiscalizado, anocalendário de 2005. Mesmo na hipótese de prorrogação, não comprovada pela autuada, o contrato trata de locação de mãodeobra e consultoria. A fiscalização esclareceu que, com relação ao percentual aplicado para determinar o Lucro Presumido, com base nos artigos 518 e 519 do RIR/99, do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 6, de 13 de janeiro de 1997, IN SRF nº 480/2004, alterada pela IN SRF nº 539/2005, somente as receitas decorrentes da construção por empreitada com fornecimento, pelo empresário, dos materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, estariam sujeitas à alíquota de 8%. As receitas oriundas de construção por empreitada unicamente de mão de obra estariam sujeitas à aplicação do percentual de 32%, como é o caso da autuada, já que, com base nas Notas Fiscais apresentadas, ficou evidenciado que as receitas auferidas decorrem de prestação de serviço em geral. Logo, cabível a aplicação do percentual de 32%, conforme artigo 15, §1º, III da Lei nº 9.249/1995. Assim, constatouse que a autuada deixou de informar em sua DIPJ/2006, e de oferecer à tributação, receitas decorrentes de serviços prestados, visto não ter apresentado as DCTF do anocalendário de 2005. Também verificouse que a autuada não incluiu na base de cálculo do Imposto de Renda e demais tributos, a totalidade dos rendimentos de aplicação financeira de renda fixa auferidos no anocalendário de 2005. Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 5 4 Em conseqüência, foram lavrados os lançamentos para constituição dos créditos tributários de IRPJ e CSLL, sendo compensado o imposto de renda na fonte referente a Receita de Prestação de Serviços Prestados e sobre os Rendimentos de Renda Fixa auferidos. Enquadramento Legal: artigos 224, 518, 519, §1º, III, “a”, e §§ 4º a 7º e 521, todos do RIR/99. Inconformada, a autuada apresentou impugnação em 28/07/2009, fls. 1413/1419, alegando: cabia à auditoria verificar se os materiais empregados constavam das notas fiscais de serviços, porque em nenhum lugar da lei estabelece que o Contribuinte que emprega material na execução de serviços de construção tenha que “amarrar” a compra com o serviço. Os serviços não são executados dentro do mesmo mês, podendo um material comprado ser usado e faturado em vários meses dependendo do andamento das obras. Com a entrega das Notas Fiscais de Compra de Mercadorias e a entrega das Notas Fiscais de Serviços com destaque do emprego das mercadorias, restaram provadas as alegações da autuada. As Notas Fiscais que não se referem à aquisição de materiais de construção foram apresentadas à fiscalização porque foram lançadas no Livro Caixa. Toda documentação ficou à disposição da auditoria. Não houve capacidade da auditoria de analisar a documentação. Não está obrigada a manter contratos com seus clientes, podendo os serviços ser contratados por telefone. A auditoria não intimou os clientes para corroborar suas declarações de serviços de construção com emprego de material. Foram relacionadas as Notas Fiscais, mencionando o tipo de trabalho, ignorando a forma adequada da apuração do lucro presumido, considerando todo e qualquer serviço prestado como de qualquer natureza, deixando de considerar a realidade da Nota Fiscal. Se a fiscalização omite o principal ponto de discussão no presente processo, está cerceando o direito de defesa e induzindo o julgador a erro na avaliação dos fatos contidos na ação fiscal. Não foi levada em consideração sua atividade, que seria aplicação de 8% sobre a receita bruta, considerando como empresa prestadora unicamente de serviços de qualquer natureza, com aplicação de 32%. Anexa relação dos empregados cujas funções correspondem a profissionais da área da construção civil. Traz ementa de Solução de Consulta no sentido que, para atividades de prestação de serviço de construção civil, na determinação do lucro presumido, o percentual é Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 6 5 de 32%, quando houver unicamente emprego de mãodeobra, mas 8% com houver emprego de materiais. Se o entendimento da auditoria fiscal foi de que havia atividades diferenciadas, o procedimento também teria que ser diferenciado, conforme ADN COSIT nº 6/97. Requer o cancelamento dos auto de infração; caso entendam pela tributação diferenciada, que seja determinado um novo levantamento para apuração de possíveis débitos tributários. A decisão recorrida está assim ementada: OMISSÃO DE RECEITA DECLARAÇÃO COM VALORES ZERADOS RECEITAS CONTABILIZADAS NO LIVRO CAIXA Tratase de omissão de receitas a falta de oferecimento à tributação das receitas decorrentes de prestação de serviços, comprovadas pelas Notas Fiscais de Serviço emitidas pela autuada, e devidamente contabilizadas no Livro Caixa. OMISSÃO DE RECEITAS RENDIMENTOS FINANCEIROS Tratase de omissão de receitas a falta de oferecimento à tributação das receitas decorrentes de aplicações financeiras, comprovadas pelas DIRF apresentadas pelas instituições financeiras. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido em relação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço de locação de containers, serviço de queima de madeira, contratação de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tratou de construção civil com emprego de materiais. DECORRÊNCIA. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos: Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 7 6 Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 8 7 (...) É o relatório. Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Consoante relatado, o presente lançamento decorre da constatação de receita de prestação de serviços escrituradas e não declaradas. Durante a ação fiscal, a autuada apresentou as Notas Fiscais por ela emitidas, totalizando no anocalendário de 2005 o montante de R$ 4.108.352,86, referente à receita decorrente de prestação de serviços. Também foi verificado que a autuada auferiu rendimentos das aplicações financeiras no montante de R$ 220.945,59. Todavia, a despeito de estes valores estarem escriturados, a autuada apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica com os valores todos iguais a zero, além de não ter apresentado as Declarações de Crédito e Tributos Federais, todas concernentes ao anocalendário de 2005. Vejamos os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido: Durante a ação fiscal, a autuada informou que atuaria na área de construção civil e serviços auxiliares da construção civil com emprego de materiais, cabendo a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta. Entretanto, a fiscalização concluiu que se tratava de prestação de serviços em geral, já que as Notas Fiscais apresentadas continham as seguintes descrições: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço de locação de containers, serviço de queima de madeira, contratação de funcionários, dentre outros. Ademais, não houve correlação entre o material adquirido e os serviços prestados, sendo que várias Notas Fiscais de compra não se refere a material de construção. Com relação aos contratos apresentados, apenas um estava devidamente assinado pelas partes, mas era de um período anterior ao fiscalizado, e o objeto de contratação era a locação de mãode obra e consultoria. Logo, apurou o lucro presumido com a aplicação do percentual de 32%. No recurso, a contribuinte reitera a alegação de que não possuía a obrigação de vincular os materiais empregados na prestação de serviços, e que constavam nas Notas Fiscais. Afirma que caberia à fiscalização intimar os clientes para confirmarem as afirmações de serviços de construção com emprego de material, cabendo a aplicação de 8% sobre a receita bruta. Requer o cancelamento do lançamento, uma vez que os documentos apresentados comprovam suas alegações. Passo à análise. Primeiramente, verifico que a omissão das receitas decorrentes das Notas Fiscais apresentadas não foi contestada. Tanto é assim que a autuada traz, ao final de sua impugnação, fls. 1964/1965 e 1979/1980, planilhas com os valores de IRPJ e CSLL que entende serem devidos, tendo como base de cálculo as receitas apuradas pela fiscalização, e com aplicação do percentual de 8%. Apenas com relação aos rendimentos financeiros que constato haver divergências. Com relação ao pedido de cancelamento do lançamento, afasto de pronto, pois a possível redução do percentual aplicado implica a procedência em parte, e não na total improcedência. Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 10 9 O argumento de que caberia à fiscalização intimar os clientes para comprovação de suas afirmativas não tem cabimento. A autuada que deve possuir todos os documentos hábeis e idôneos de modo a comprovar suas alegações e os valores escriturados em sua contabilidade. A recorrente alega que os serviços podem ser requisitados por telefone, não tendo obrigação de ter contratos com todos os clientes. De fato, pelo Código Civil, um negócio jurídico pode ser acordado verbalmente, mas não terá efeitos perante terceiros, que necessita da formalidade do contrato, de modo a externalizar todas as condições em que a prestação de serviço foi realizada. Além disso, diz o art. 610 do Código Civil que “o empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais” e o seu §1ª completa dizendo que “a obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes”. Portanto, se no contrato de empreitada de construção civil não houver cláusula expressa quanto ao fornecimento (ou não) de materiais, além da mãodeobra, e esse fornecimento não puder ser deduzido da lei, devese presumir que a empreitada é apenas a de lavor. Acerca dos percentuais aplicados na determinação do Lucro Presumido, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, dispõe o seguinte: Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º): (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos qualquer natureza. (...) Portanto, quando a atividade econômica consistir na prestação de serviços em geral, o percentual a ser adotado na apuração da base de cálculo do IRPJ, segundo o regime do lucro presumido, é de 32% (trinta e dois por cento) como regra geral. Todavia, há exceções, como no caso de atividade de construção por empreitada, conforme esclarece o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, que define os percentuais a serem aplicados sobre a receita bruta na determinação da base de cálculo presumida ou estimada do imposto de renda: “O COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições (...), e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 11 10 normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãode obra, ou seja, sem o emprego de materiais. (...)” (grifos acrescidos) Assim, quando a prestação de serviços envolver a atividade de construção por empreitada e nela houver o emprego de materiais, o percentual a ser aplicado na apuração da base de cálculo do IRPJ deixa de ser 32% e passa a ser 8%. Já o artigo inciso II, do § 7º, do art. 1º, da IN SRF nº 480, de 2004), dispõe que: § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: (...) II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.” [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. Portanto, a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta, para determinar o Lucro Presumido, depende da comprovação de que a atividade da autuada seria de construção por empreitada com fornecimento dos materiais indispensáveis à sua execução, sendo estes materiais incorporados à obra. Em sua defesa, a autuada anexa todas as Notas Fiscais, e elabora planilhas relacionandoas, descrevendo os serviços prestados, com o objetivo de comprovar sua atividade. Primeiramente, repito que a utilização de material não se presume. É necessário que o contrato de empreitada de construção civil contenha cláusula expressa quanto ao fornecimento (ou não) de materiais. O acordo verbal entre as partes não é prova perante terceiros. Logo, a apresentação de Notas Fiscais de compra de materiais, sem qualquer demonstração de sua utilização nos serviços de construção civil contratados, não é suficiente para comprovação de suas alegações. Da análise dos documentos, constam nas Notas Fiscais da prestação de serviços, apenas a menção de gastos com material e equipamentos, sem qualquer discriminação. Registro que, conforme II, do § 9º, do art. 1º, da IN SRF nº 480, de 2004, a utilização de equipamentos não são considerados como materiais incorporados à obra. Como exemplo, a Nota Fiscal nº 317, fls. 1786, consta pagamento a título de material do valor de R$ 29.040,00. Para justificar este valor, o Relatório de Obras emitido em 04/07/2005, fls. 1787, discrimina os equipamentos usados e o número de Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 12 11 horas. Na verdade, o gasto foi com aluguel de veículos tais como Trator e Retro Escavadeira, que não é considerado material a ser incorporado na obra. Além disso, na maior parte dos relatórios com a discriminação dos serviços, não consta a relação dos materiais utilizados. Não há como verificar se os mesmos foram ou não incorporados na execução da obra. Como exemplo, os Relatórios VERACEL – Dezembro/2004 fls. 1557, Janeiro/2005 – fls. 1563/1570, consta apenas “Material comprado”, sem qualquer discriminação. Ainda, da análise das planilhas apresentadas na defesa, intituladas “Planilha de Apuração com material 8%”, fls. 1949/1978, verifico que a maior parte trata de prestação de serviços administrativos, de consultoria, assim como bem descreveu a autoridade fiscal. A título de exemplo, no mês de janeiro, das 61 Notas Fiscais emitidas, 26 contém a descrição de “Ser Auxiliar com Equipamento e Material”, 14 tratam de “Serviço em Geral”, e uma relativa ao Evento (Nota Fiscal nº 61) que trata da recepção de autoridade do governo. Dos contratos apresentados, consta o contrato nº 4500030166, de fls. 1987/1996, assinado em 20 de dezembro de 2005, que tem por objeto “a implantação do Sistema de Central de Serviços do Projeto terceira Pelotização na unidade de Germano, Mineroduto e Ubu”. Ainda consta que os serviços prestados compreendem: registro funcional, emissão de crachás, acompanhamento de mãodeobra, fiscalização, serviço de limpeza, alojamento e pousadas, transportes, comunicação com obra, administração do centro social dos canteiros, relações sindicais, controle de acesso e serviço social. Ora, nenhum destas atividades está relacionado com construção civil. Já os demais contratos não estão assinados, ou referese ao anocalendário de 2003. Portanto, correto o procedimento da fiscalização quanto à aplicação do percentual de 32% para determinação do lucro presumido. (Grifei) Os fundamentos acima transcritos, não merecerem reparos, pelo que peço vênia para adotar como razões de decidir. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
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Numero do processo: 10510.721651/2011-00
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplica-se a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfizer fora dos prazos determinados em lei.
Numero da decisão: 1803-001.416
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1524; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 111 1 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.721651/201100 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180301.416 – 3ª Turma Especial Sessão de 07 de agosto de 2012 Matéria IRPJ Recorrente ALFREDO MIGUEL GRISTELLI ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplicase a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfizer fora dos prazos determinados em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721651/201100 Acórdão n.º 180301.416 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de notificação de lançamento exigindo multa pelo atraso na entrega da DCTF, com base no art. 7º da Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. O presente auto de infração diz respeito ao período referente ao mês julho de 2010, com data final de entrega em 22/09/2010 e que foi entregue em 10/03/2011, com sete meses de atraso. Inconformada com a exigência, a recorrente apresenta suas razões de inconformidade, alegando, de forma sintética, que a multa imposta era inconstitucional por ferir vários dispositivos constitucionais, tais como o da capacidade contributiva, o princípio da legalidade entre outros. Requer, a recorrente, o cancelamento da multa exigida, em face da ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência de apresentação da DCTF. Isso porque, segundo o seu entendimento, a mesma foi instituída através de Instrução Normativa, quando tal obrigação somente poderia ter sido instituída através de lei, em sentido formal e material. Prossegue, a recorrente, referindo que, de acordo com o ordenamento jurídico vigente, é ilegal a previsão de multa pela não apresentação ou apresentação da declaração com informações inexatas, incompletas ou omissas. Neste sentido, transcreve doutrina e jurisprudência judicial que entende corroborarem com seus argumentos. A autoridade julgadora a quo, ao decidir, entendeu por bem manter o lançamento, posto que refere encontrarse equivocada a empresa recorrente ao asseverar a inexistência de lei que possibilite a cobrança da multa pelo atraso na entrega da DCTF, já que o artigo 7º da Lei 10.426/2002, mencionado no auto de infração, dispõe a determinação legal de o fazer. Completa aduzindo que a entrega da declaração é uma obrigação de fazer, em prazo certo, e o seu descumprimento, demonstrado nos autos, resulta em inadimplementos às normas jurídicas obrigacionais, sujeitando o responsável às sanções previstas no art. 7º supracitado, base legal do lançamento. Salienta o julgador de primeira instância que a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado. Assim, ter entregue a declaração tão só, não exime a recorrente da penalidade, uma vez que esta está claramente definida em lei, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Complete referindo que qualquer entendimento em contrário implicaria em tornar letra morta o dispositivo legal em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721651/201100 Acórdão n.º 180301.416 S1TE03 Fl. 113 3 Aduz que as Instruções Normativas editadas pela RFB estabelecendo a obrigatoriedade da entrega da DCTF têm respaldo legal tanto na Lei nº 9.779/99, quanto no Decreto lei nº 2.065/83. Cita jurisprudência nesse sentido. Finaliza seu posicionamento, referindo que a autoridade administrativa está obrigada ao cumprimento das normas, limitando a aplicálas, sem emitir juízo de valor quanto à constitucionalidade. A empresa devidamente cientificada da decisão de primeiro grau apresenta suas razões de inconformidade, através do Recurso Voluntário, de forma tempestiva, argumentando, em apertada síntese o já disposto em seara de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração para cobrança de multa decorrente da apresentação em atraso da DCTF. A empresa recorrente insurgese alegando ser a multa descabida por ferir preceitos constitucionais, tais como da capacidade contributiva, da legalidade, da justiça tributária, entre outros. Primeiramente, há que se atentar para o fato de que discussão referente à constitucionalidade de lei ou mesmo de artigo de lei não é da competência dessa esfera administrativa, posto cumprir ao Poder Judiciário analisar e determinar a constitucionalidade de norma a ser aplicada no sistema jurídico pátrio. Nesse contexto, deixo de abordar as argumentações da empresa recorrente no tocante à constitucionalidade da aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF, haja vista esta estar preceituada no dispositivo legal elencado no auto de infração: art. 7º da Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Já tocante ao mérito da demanda, qual seja: multa pelo atraso na entrega da DCTF, temos que a autuação está correta, haja vista que a empresa entregou a DCTF com Fl. 48DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721651/201100 Acórdão n.º 180301.416 S1TE03 Fl. 114 4 atraso, de forma intempestiva, sete meses após o prazo regulamentar, definido pela legislação e determinado a todos os contribuintes. A norma determinada no artigo 7° da Lei n° 10.426/2002, é clara ao disciplinar: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Em outras palavras, o sujeito passivo que deixar de apresentar DCTF nos prazos fixados sujeitarseá às multas dispostas na legislação de regência, no caso em tela, a disciplinada no artigo supracitado. Neste caminho, não podemos olvidar de destacar que a entrega da DCTF fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea, sendo essa a é a posição da Súmula Carf nº 49, tal como segue: Fl. 49DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721651/201100 Acórdão n.º 180301.416 S1TE03 Fl. 115 5 “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. De igual modo, importa em citar a jurisprudência pacífica, em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculada diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo Fl. 50DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721651/201100 Acórdão n.º 180301.416 S1TE03 Fl. 116 6 determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJE 19/02/2009)” Desse modo, voto por NEGAR provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 51DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 11065.100321/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/Pasep não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO.
Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de Contribuição para o PIS/Pasep, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003, por força do disposto no art. 15, VI da mesma Lei.
Numero da decisão: 3403-001.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/Pasep não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de Contribuição para o PIS/Pasep, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003, por força do disposto no art. 15, VI da mesma Lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 03 21 /2 00 9- 11 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento (fls. 11 a 5) relativo a saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa apurado no período de 1/1 a 31/3/2009, no valor de R$ 237.781,09. Ao analisar a solicitação (fls. 117 e 118), a unidade local efetua glosa parcial (reconhecendo crédito de R$ 217.035,49), referente a “outras operações com direito a crédito” (detalhadas pelo contribuinte como assistência médica e farmacêutica a empregados, benefícios a empregados, transporte próprio de funcionários, assistência odontológica, programa de alimentação ao trabalhador, materiais de limpeza higiene e proteção, gastos com veículos, tratamento de resíduos industriais, serviços de terceiros com exportação, comissões sobre venda no mercado externo, comissões sobre venda no mercado interno, despesas com feiras e eventos, propaganda e publicidade, serviços de terceiros análise de situação cadastral, e honorários profissionais de PJ). Cientificada da decisão da unidade local (em 17/11/2009 fl. 130), a empresa apresenta manifestação de inconformidade (em 14/12/2009 fls. 131 a 145). Na peça apresentada, discorda da glosa efetuada, alegando que o conceito de insumo “engloba todo o arcabouço de mercadorias e atividades intrínsecas ao ramo de atividade”, tais como as comissões (por representação comercial), depesas de marketing, serviços de consultoria, serviços de limpeza, vigilância, assistência médica e odontológica, transporte de pessoal, pagamentos a empresas de refeição coletiva, tratamento de resíduos industriais, despesas de exportação e manutenção de software, equipamento de limpeza e de proteção, uniformes, formação profissional dos funcionários, etc. Em suma, entende por insumo “todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa”, desde que tenha havido incidência das contribuições na etapa anterior, opondose ao conceito de insumo indicado na IN SRF no 247/2002 (com as alterações da IN SRF no 358/2003), que entende violar o princípio constitucional (art. 195, § 12) da nãocumulatividade. Solicita, por fim, que seja computada a atualização pela Taxa SELIC do mês de apuração do pedido até o efetivo ressarcimento. Em 17/3/2011, no julgamento de primeira instância (fls. 171 a 176), acorda se que “existe vedação legal ao creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de PIS e COFINS”. Em relação à Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento restringese aos casos previstos no art. 3o da Lei no 10.637/2002, e se encontra regulada pela IN SRF no 247/2002. Entre as despesas glosadas não se encontrou nenhuma que pudesse ser enquadrada como insumo nesse contexto. No que se refere à correção, informouse que é 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.100321/200911 Acórdão n.º 3403001.896 S3C4T3 Fl. 197 3 expressamente vedada por dispositivo legal para a COFINS (art. 13 da Lei no 10.833/2003), tendo a vedação sido estendida à Contribuição para o PIS/Pasep pelo art. 15 da mesma Lei. Cientificada da decisão em 4/5/2011 (fl. 178), a empresa apresenta recurso voluntário em 13/5/2011 (fls. 179 a 193), basicamente reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. As matérias controversas em sede de Recurso Voluntário resumemse à inclusão ou não das despesas glosadas no conceito de insumos, e à (im)possibilidade de correção do montante a ser ressarcido pela Taxa SELIC. Do conceito de insumo O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com alicerce no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR. Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois o conceito expresso na legislação do IPI é demasiadamente restrito, e o encontrado na legislação do IR é demasiadamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegase à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, explicita em seu art. 3o que podem ser descontados créditos em relação a: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, (...)” (grifo nosso) A mera leitura do dispositivo legal já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este tribunal carece de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Não poderia cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. A recorrente é empresa dedicada à fabricação de calçados. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada na confecção dos calçados (v.g. o couro) constitui um insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto, das atividades da empresa e do processo produtivo permitirá um enquadramento mais preciso. A glosa (mantida pelo julgador a quo) é efetuada em relação às seguintes despesas, detalhadas pela própria contribuinte no curso da fiscalização (fls. 133/134): “Assistência médica e farmacêutica a empregados, benefícios a empregados, transporte próprio de funcionários, assistência odontológica, programa de alimentação ao trabalhador, materiais de limpeza higiene e proteção, gastos com veículos, tratamento de resíduos industriais, serviços de terceiros com exportação, comissões sobre venda no mercado externo, comissões sobre venda no mercado interno, despesas com feiras e eventos, propaganda e publicidade, serviços de terceiros (análise de situação cadastral Equifax), honorários profissionais PJ”. No recurso voluntário, argumentase que os seguintes custos são intrinsecamente necessários à atividade da empresa (alertandose que a lista é exemplificativa): “assistência médica e odontológica” (para promover a saúde física dos funcionários), “comissões s/ vendas” (para pessoas jurídicas que praticam a intermediação nas vendas), “tratamento de resíduos industriais” (por obrigação legal), “transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas” (pagos a empresas credenciadas perante o programa de alimentação ao trabalhador, para fornecer refeições coletivas aos funcionários), “despesas de exportação e manutenção de software” (a empresas intermediárias na exportação e empresas que prestam manutenção a software). A recorrente ainda relaciona outras despesas que enquadra como insumos (o material empregado na limpeza, os uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, os valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, formação profissional dos funcionários, etc.), poupandose elaborar relação exaustiva por entender como insumos “todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa”. 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.100321/200911 Acórdão n.º 3403001.896 S3C4T3 Fl. 198 5 Não é preciso muito esforço para perceber que tal conceito não se coaduna com a disposição legal que trata da matéria. Nas relações não exaustivas apresentadas pela recorrente encontramse somente zonas de certeza negativa em relação à lei que rege a matéria. Sequer se visualiza “zona de penumbra”. Todas as atividades relacionadas podem até ter alguma relação com o objeto social da empresa (fabricação de calçados), mas não com o processo produtivo/fabril. Não há, assim, como acatar a argumentação da recorrente, no sentido de um alargamento do conceito de insumos que transbordaria o dispositivo legal que rege a matéria. Do montante a ser ressarcido Pleiteia ainda a recorrente a correção pela Taxa SELIC do montante a ser eventualmente ressarcido. Agrega em seu favor precedentes administrativos dos anos de 2002 e 2003. Há que se destacar, entretanto, que há expressa vedação legal à correção, introduzida pelo art. 13 da Lei no 10.833/2003, combinado com o art. 15, VI da mesma Lei: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores” “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (grifo nosso) É exatamente por existir tal vedação legal que não foi encontrada jurisprudência posterior a 2003. Inadmissível, assim, a argumentação da recorrente nesse tópico. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10280.906745/2009-85
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DO PEDIDO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA: Admitida a retificação da declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação tácita será a data de apresentação da declaração de compensação retificadora. SALDO NEGATIVO DE CSLL DO ANO-CALENDÁRIO DE 1996. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. O cerne da homologação ou não-homologação se refere à existência e suficiência do direito creditório, sendo a DIPJ apenas um dos meios pelo qual tais fatos podem ser verificados. O erro constante dela não pode ser a única razão para negativa do direito creditório, se há comprovação por outros documentos fiscais e contábeis. SALDO NEGATIVO DO ANO-CALENDÁRIO DE 2000. SUFICIÊNCIA PARA COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS INFORMADOS EM DCOMP. O saldo negativo da CSLL do ano-calendário de 2000 é suficiente para compensar os débitos indicados na DCOMP, se considerados os valores dos saldos negativos da CSLL dos anos-calendários de 1996 (integral) e 1997 (remanescente) para compensação dos débitos de CSLL de out/2000 a dez/2000, desde que o contribuinte não tenha utilizado esses valores em outras compensações.
Numero da decisão: 1802-001.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em DAR provimento recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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RETIFICAÇÃO DO PEDIDO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA: Admitida a retificação da declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação tácita será a data de apresentação da declaração de compensação retificadora. SALDO NEGATIVO DE CSLL DO ANOCALENDÁRIO DE 1996. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. O cerne da homologação ou nãohomologação se refere à existência e suficiência do direito creditório, sendo a DIPJ apenas um dos meios pelo qual tais fatos podem ser verificados. O erro constante dela não pode ser a única razão para negativa do direito creditório, se há comprovação por outros documentos fiscais e contábeis. SALDO NEGATIVO DO ANOCALENDÁRIO DE 2000. SUFICIÊNCIA PARA COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS INFORMADOS EM DCOMP. O saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2000 é suficiente para compensar os débitos indicados na DCOMP, se considerados os valores dos saldos negativos da CSLL dos anoscalendários de 1996 (integral) e 1997 (remanescente) para compensação dos débitos de CSLL de out/2000 a dez/2000, desde que o contribuinte não tenha utilizado esses valores em outras compensações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em DAR provimento recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 325 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 326 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA (“DRJBEL”), que julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão recorrido, verbis: “Versa o presente processo sobre declaração de compensação DCOMP n° 36765.85921.031106.1.7.039543 (fls.29/54), a qual retificou a DCOMP 21607.78767.231204.1.3.037027 (fls.1/26) em que o contribuinte indica crédito de saldo negativo CSLL ano calendário 2000 no valor de R$ 183.201,31 para compensar débitos próprios. Ainda segundo consta da DCOMP, o direito creditório seria originado por pagamento de estimativa mensal CSLL, 2484, arrecadação 31/01/2001, R$ 183.201,31. Por intermédio do Despacho decisório de 10/12/2009, n° 854489059 e anexos (fls.73/75), o direito creditório não foi reconhecido e as compensações, nãohomologadas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que "... a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo". Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 24/12/2009 (fl.101), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade dia 21/01/2010 (fls.102/103), via procuradora (fls.105/113), alegando em síntese que: 1. A Titular da Unidade do sujeito passivo não homologou a compensação declarada por não ter confirmado o valor original do saldo negativo de CSLL; 2. Esse montante de R$ 183.201,31 corresponde ao saldo credor de CSLL do sujeito passivo, decorrente de pagamentos efetuados a maior que o efetivamente devido de conformidade com as declarações de ajuste anual, nos anoscalendário de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000 conforme demonstrativo e comprovantes que compõem os Anexos II, III, IV, V, VI, VII, VIII e IX, a saber: antecipações mensais CSLL, CSLL retida na fonte por Órgãos Públicos, créditos de Finsocial compensados com débitos de CSLL conforme processo n° 10280.004236/9796, crédito de CSLL referente a 1/3 da Cofins paga, crédito de pagamentos a maior proveniente de saldo credor de CSLL de anos anteriores e CSLL efetivamente Fl. 326DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 327 4 devido de conformidade com as Declarações de Ajuste Anual — DIPJ. Isso corresponde ao saldo credor de CSLL do ano calendário; 3. Considerando ainda o saldo credor de CSLL acumulado até o final do ano calendário anterior, o crédito de pagamentos a maior proveniente de saldo credor de CSLL de anos anteriores compensados com débitos das antecipações mensais de CSLL do próprio anocalendário e o saldo credor de CSLL do próprio anocalendário chegamos ao saldo credor de CSLL acumulado ao final de cada anocalendário; 4. O saldo credor de CSLL do anocalendário 2000, referente a pagamentos a maior que o efetivamente devido, no montante de R$ 183.201,31, é suficiente para fazer face ao débito compensado; 5. Houve transcurso do prazo de cinco anos de homologação das compensações efetuadas, quer considerando a data dos respectivos fatos geradores, período de janeiro/2002 a outubro/2004, quer considerando a data de vencimento dos débitos compensados ou quer considerando a data de entrega da PER/DCOMP original; 6. Requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: cópia de documentos do processo administrativo 10280.720439/200953 (fls.76/96), Despacho SEORT/DRF/BEL n° 0929 de 19/11/2009 (fls.94/96), Informação SEORT/DRF/BEL n° 05 3 5 de 05/10/2009 (fls.88/90), telas das DIPJ's anoscalendário 1996 a 2000 (fls.116/153), telas do SINAL — pagamentos CSLL (fls.154/159), telas das DCTF's 1997 e 1998 (fls.160/173), telas do COMPROT e SIEF/PERDCOMP (fls.174/176), telas de DIRF (fls.177/195), telas da DIPJ/2000 anocalendário 1999 — apuração Cofins (fls.196/207), telas do SINAL pagamentos Cofins (fls.208/209), telas de DCTF — Cofins — janeiro a dezembro 1999 (fls.210/221) e Termo de Juntada (fl.222). Este processo administrativo ainda possui os Anexos I e II, conforme descrito a seguir: Anexo I (fls. l a 221) — documentos relevantes: Demonstrativos de Apuração/Utilização Saldo Negativo CSLL anoscalendário 1996 a 2000 (fls.2/6), cópias DIRPJ's 1997 (fls.62/85) e 1998 (fls.86/117), cópias DIPJ's 1999 (118/179) e 2000 (fls.180/220). Fl. 327DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 328 5 Anexo II (fls.l a 127) — documentos relevantes: cópias DIPJ 2001 (fls.2/35), telas DCTF's anoscalendário 1999 e 2000 (fls.36/77), cópias de DARF's (fls.78/113), Informação SESAR n° 21/98 — processo administrativo 10280.004236/9776 (fls.114/115) e Demonstrativo de Compensação processo administrativo 10280.004236/9776 (fls.118/126).” Em sua decisão, a DRJBEL, através do Acórdão n° 0120.990, reconheceu o direito creditório referente a saldo negativo CSLL anocalendário 2000 no valor de R$ 141.306,03 e declarou parcialmente homologadas as compensações, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2000 SALDO NEGATIVO CSLL. RECONHECIMENTO PARCIAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Tendo sido o crédito pleiteado constituído por pagamentos de estimativa CSLL, CSLL retida na fonte e estimativas compensadas com saldo negativo de período anterior e sendo o saldo negativo do ano calendário 1999 insuficiente para homologar todas as compensações, o direito creditório foi reduzido na parte correspondente às compensações não homologadas. O direito creditório reconhecido foi insuficiente para homologar todos os débitos compensados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte.” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em breve síntese, o que segue: Homologação tácita das compensações em análise, pois houve transcurso do prazo de cinco anos até o Despacho Decisório; Necessidade de se reconhecer o direito creditório apurado no anocalendário de 1996, no valor de R$ 36.659,04, uma vez que erro formal no preenchimento da DIPJ não pode ferir o princípio da verdade material; Confirmação do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000 no montante de R$ 183.201,31 bem como homologação das compensações efetuadas por meio das PER/DCOMP. É o relatório, passo a decidir Fl. 328DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 329 6 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Da Inexistência de Homologação Tácita Aduz a Recorrente que as compensações em análise foram homologadas tacitamente, em virtude do transcurso do prazo de cinco anos conferido pela legislação para que as compensações sejam homologadas. Analisando os autos observo que foram apresentadas duas Declarações de Compensação, a primeira de n° 21607.78767.231204.1.3.037026 (fls. 01/26) foi apresentada em 23/12/2004 e, posteriormente, foi apresentada DCOMP Retificadora de n° 36765.85921.031106.1.7.039543 em 03/11/2006 (fls. 29/54). De acordo com a legislação vigente à época da apresentação da DCOMP original, artigos 29 e 59 da Instrução Normativa SRF nº 460 de 2004, o prazo para homologação da compensação declarada iniciase na data da entrega da respectiva declaração. No entanto, em caso de apresentação de retificação de DCOMP, a contagem do prazo é reiniciada, e o termo se inicia no momento em que a DCOMP retificadora foi apresentada. Eis o teor desse dispositivo: “Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 1º Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no art. 48. § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação.” (...) “Art. 59. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 29 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora.(...)” (grifouse). Fl. 329DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 330 7 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre o tema, nos seguintes termos: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O prazo de cinco anos para o Fisco verificar a legitimidade de crédito objeto de pedido de restituição e compensação iniciase na data da formulação do pedido e não na época do fato gerador do crédito pleiteado. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DO PEDIDO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Admitida a retificação da declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação tácita será a data de apresentação da declaração de compensação retificadora. (...)” (Acórdão nº 140100.342, 1ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, julgado em 10/11/2010.) (grifouse). Dessa forma, considerando que a DCOMP retificadora foi apresentada em 03/11/2006 e que o despacho Decisório foi proferido em 10/12/2009, ou seja, dentro do prazo de cinco anos, entendo que o Fisco pronunciouse tempestivamente sobre a nãohomologação da DCOMP discutida nestes autos. Da apuração de Saldo Negativo de CSLL nos anoscalendários de 1996 a 2000 A Recorrente pleiteia em seu Recurso a confirmação do crédito de R$ 183.201,31 (cento e oitenta e três mil, duzentos e um reais e trinta e um centavos), proveniente do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000, bem como requer sejam homologadas as compensações efetuadas por meio da DCOMP retificadora. A homologação das compensações necessariamente passa pela análise dos créditos declarados. Assim, constatandose que o saldo negativo de CSLL informado pela Recorrente abrange um período de 1996 a 2000, iniciase a análise de cada um dos créditos no referido período. Do Saldo Negativo de CSLL no anocalendário de 1996 A Douta DRJ de Belém não reconheceu o direito creditório de saldo negativo da CSLL do anocalendário de 1996, no valor de R$ 36.659,04 (trinta e seis mil, seiscentos e cinquenta e nove reais e quatro centavos), em função da falta de sua indicação na DIPJ. Contudo, a Recorrente afirma que: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 331 8 os valores informados na DIPJ/1997 foram erroneamente inseridos, tratandose de erro formal, já que o recolhimento por estimativa realizado naquele ano foi de R$ 95.928,32 (noventa e cinco mil novecentos e vinte oito reais e trinta e dois centavos); a própria DRJ confirmou o recolhimento por estimativa da quantia de R$ 95.928,32, comprovado pelas telas SINAL (fls. 154/155); a diferença entre o total das estimativas de CSLL recolhidas de R$ 95.928,32 e a CSLL devida de R$ 59.268,60 corresponde exatamente ao saldo negativo pleiteado no anocalendário de 1996, qual seja, R$ 36.659,04; o não reconhecimento do crédito pela sua indicação equivocada na DIPJ 2007 fere o princípio da verdade material. Percebese, então, que o cerne da homologação ou nãohomologação se refere à existência e suficiência do direito creditório, sendo a DIPJ apenas um dos meios pelo qual tais fatos podem ser verificados. O erro constante dela não pode ser razão da negativa do direito creditório, se há nos autos a sua comprovação por outros documentos fiscais e contábeis. Vale ressaltar, inclusive, que, com base no princípio da verdade material que rege a atividade estatal, qualquer espécie de prova, desde que lícita, pode ser utilizada para demonstrar a verdade dos fatos alegados. Nesse sentido, estabelece o art. 24 do Decreto n. 7.574/2011, in verbis: “Art. 24. São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito. Parágrafo único. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos.” Logo, na esteira do quanto dispõe o art. 26 do mesmo diploma legal, conclui se que as telas do SINAL (fls. 154/155) fazem prova em favor do sujeito passivo, juntamente com o débito indicado em DIPJ, os quais, inclusive, foram ratificados pela decisão de primeira instância. No caso em tela, verificase que a autoridade julgadora, muito embora tenha analisado a documentação apresentada pela Recorrente, atevese somente às informações que constam na DIPJ. O posicionamento adotado no acórdão recorrido está equivocado, na medida em que neste Conselho tem prevalecido a verdade material dos fatos sobre as meras formalidades. O julgado descrito abaixo demonstra esse entendimento: “ASSUNTO: Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido. AnoCalendário: 1999 SALDO NEGATIVO DE CSLL. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO EXCLUI O DIREITO DE APROVEITAR O SALDO NEGATIVO EFETIVAMENTE APURADO EM EXERCÍCIO ANTERIOR. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 332 9 Nos anos de 1996, 1997 e 1998, a empresa apurou saldo negativo de CSLL. No ano de 1999, a recorrente continuou com prejuízo e, por consequência, não apurou CSLL a pagar. Assim, o saldo negativo existente no final de 1998, mesmo sem considerar qualquer recolhimento a título de estimativas no ano seguinte, continuou a existir no final de 1999, podendo ser utilizado, para fins de compensação, com débitos fiscais da competência de novembro de 2003 e seguintes. Não será pelo fato da recorrente ter cometido erro na entrega da DCTF, relativa ao ano de 1999, que perderá o direito de utilizar o saldo negativo existente no final do anocalendário de 1998, para compensar débitos da competência relativa aos meses que compõem o ano de 2003.” (Acórdão nº 1402 00.430, 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, julgado em 23/02/2011.) (grifouse). Assim, resta claro que o descumprimento de obrigação acessória não tem o condão de retirar ou anular o direito de crédito do contribuinte. Sob hipótese alguma, é justificável o não ressarcimento de valores recolhidos a maior ou indevidamente junto aos cofres públicos, vez que a devolução dos mesmos corresponde ao interesse público, que deve sempre ser buscado pela Administração. Por conseguinte, reconheço o direito creditório no importe de R$ 36.659,04 (trinta e seis mil, seiscentos e cinquenta e nove reais e quatro centavos), relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1996, para utilização na compensação de períodos posteriores, excluindose desse valor, o montante de R$ 2.398,50, compensado em 1997. Do Saldo Negativo de CSLL nos anoscalendários de 1997, 1998 e 1999 Para os anoscalendários de 1997, 1998 e 1999, a DRJ de Belém reconheceu direito creditório referente a saldo negativo de CSLL diferente do apurado pela Recorrente. As diferenças de valores, entre o apurado pela Recorrente e reconhecido pela DRJ no período, são decorrentes da documentação insubsistente apresentada, sendo que os valores das divergências são diminutos. A Recorrente não conseguiu comprovar nos autos parcela das retenções de CSLL por órgãos públicos, e ainda deixou de explicitar a diferença existente entre o montante declarado na tabela que discrimina o saldo negativo de CSLL e o declarado nas DIPJs juntadas aos autos. Insta ainda salientar que o Recurso Voluntário apresentado (fls. 258 a 264) atevese a repisar aos mesmos argumentos anteriores, especialmente no sentido de que possuía direito creditório no anocalendário de 1996, sem, contudo, juntar aos autos novas provas que pudessem rebater o direito creditório concedido pela DRJ nos demais anos. Nesse sentido, mantenho o entendimento da DRJ de Belém para os anos calendários de 1997, 1998 e 1999, reconhecendo o direito creditório de saldo negativo de CSLL nos seguintes montantes: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 333 10 anocalendário de 1997: R$ 64.087,78 anocalendário de 1998: R$ 61.705,03 anocalendário de 1999: R$ 123.760,67 Acrescento apenas que o saldo negativo da CSLL, do anocalendário de 1997, não foi integralmente utilizado no anocalendário de 1998. Na verdade, dos R$ 64.087,78, somente foram utilizados R$ 5.000,00, para compensação com a CSLL estimada de dezembro de 1998, restando, portanto, R$ 59.087,78 (cinquenta e nove mil, oitenta e sete reais, setenta e oito centavos) para compensação em períodos posteriores. Vide, a propósito, a planilha de fl. 04 e o trecho da DIPJ 1999 de fls. 142/153, constantes do Anexo I, bem como os demonstrativos de compensação de fls. 223/224 e 226/227 e o próprio acórdão recorrido (Tabela 04, os quais comprovam que o saldo negativo de 1997, remanescente não foi utilizado para compensação com as estimativas mensais de CSLL de 1999 e 2000). Do Saldo Negativo de CSLL no anocalendário de 2000 Finalmente, passo a analisar o saldo negativo de CSLL anocalendário de 2000. Nesse período a Recorrente apurou crédito de saldo negativo CSLL no montante de R$ 183.201,31 (cento e oitenta e três mil, duzentos e um reais e trinta e um centavos), originado por recolhimentos de estimativa CSLL, CSLL retida na fonte e compensações com saldo negativo de períodos anteriores. No entanto, a DRJ de Belém reconheceu o direito crédito de R$ 141.306,03 (cento e quarenta e um mil, trezentos e seis reais e três centavos). A diferença entre o apurado pela Recorrente e o reconhecido pela DRJ é explicada principalmente pelo fato do acórdão recorrido ter homologado as compensações das estimativas da CSLL do anocalendário de 2000, apenas com o limite do saldo negativo existente para o anocalendário de 1999. Vide, a propósito, o trecho do acórdão que trata do assunto (fls. 306/307): “Os pagamentos de estimativa CSLL estão ratificados pelas telas do SINAL (fls. 158/159). No anocalendário de 2000 foram localizados (fls. 177/188) diversas retenções sob os códigos 6147 e 6150 (retenção de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS por órgãos públicos). Com relação a esses códigos, a retenção era disciplinada pela IN SRF/STN/SFC nº 003/1998. O Anexo I estabelece a retenção de 1% como CSLL sobre o valor pago. Portanto, aplicando esse percentual temos CSLL retida na fonte por órgãos públicos no total de R$ 1.823,23. Considerando que conforme Fl. 333DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 334 11 Tabela 11 o contribuinte se utilizou de CSLL retida órgãos públicos estão ratificadas. No que se refere às compensações das estimativas CSLL referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2000 com saldo negativo de períodos anteriores, tais compensações constam das DCTF`s (fls. 59/77 – Anexo II). Notese que em todas as compensações realizadas o crédito é de saldo negativo CSLL anocalendário 1999. Considerando que foi reconhecido direito creditório de saldo negativo CSLL ano calendário de 1999 de R$ 123.760,67, este crédito será utilizado nas compensações. O demonstrativo de compensação (fls. 226/228) revela que o crédito reconhecido é insuficiente para compensar todas as estimativas de CSLL compensadas sem processo. As seguintes estimativas compensadas sem processo não foram homologadas: CSLL, out/2000, R$ 8.205,98; CSLL, Nov/2000, R$ 16.690,89; CSLL, dez/2000, R$ 16.998,41.” (grifouse) Verificase, então, que o motivo do não reconhecimento integral do direito creditório foi ausência de compensação das estimativas mensais da CSLL, de 2000, em razão da utilização exclusiva do limite do saldo negativo do anocalendário de 1999, de R$ 123.760,67, que a DRJ entendeu ser o existente em tal período. Entretanto, entendo que aludidas estimativas mensais podem ser homologadas com os créditos do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1996 (R$ 34.260,54), ora reconhecido e, também, com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997, reconhecido pela decisão recorrida mas não integralmente utilizado (R$ 59.087,78), resultando em um total de crédito de R$ 93.348,92. O fato das DCTFs de fls. 59/77 (Anexo II) mencionarem que a data da apuração do saldo negativo da CSLL utilizado para compensação das estimativas mensais da CSLL do período (janeiro a dezembro de 2000), foi 31/12/1999, não veda a possibilidade de utilização dos saldos negativos de anos anteriores (1996 e 1997), mesmo porque na parte de discriminação do tipo do crédito está clara a seguinte informação: “Saldo Negativo per. Anteriores – Próprio”. Na verdade, a discriminação contida em referidas DCTFs deixa muito evidente que a intenção do contribuinte foi a compensação das estimativas mensais da CSLL com o crédito de saldo negativo da CSLL de anos anteriores existentes até 31/12/1999. Importante esclarecer que a presente decisão não está avalizando o procedimento da Recorrente mencionado na decisão recorrida, qual seja, “ao saldo credor de determinado período é adicionado o saldo acumulado até o final do anocalendário anterior” (fl. 288). Fl. 334DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 335 12 Muito pelo contrário, o que este acórdão reconhece é a existência de saldo negativo de anos anteriores e a possibilidade de sua utilização para compensação de débitos de períodos posteriores, observado o prazo legal do exercício desse direito (5 anos). Os saldos negativos de CSLL dos anoscalendários de 1996 e 1997, foram utilizados para compensação com débitos de CSLL de 2000. Assim, tendo em vista que os débitos não homologados da CSLL do ano calendário de 2000, no valor total de R$ 41.895,28, é inferior ao saldo negativo dos anos calendários de 1996 (R$ 34.260,54) e 1997 (R$ 59.087,78), no montante total de R$ 93.348,32, inclusive sem contar os acréscimos legais incidentes (taxa SELIC), reconheço integralmente o direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000, no valor de 183.201,31 (cento e oitenta e três mil, duzentos e um reais e trinta e um centavos), homologandose as compensações realizadas pela Recorrente, ressalvando apenas o direito da autoridade administrativa competente de certificar se os saldos negativos da CSLL mencionados no início deste parágrafo não foram utilizados em outras compensações. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de homologação tácita das compensações efetuadas e, no mérito, DAR provimento ao Recurso Voluntário, reformandose a r. decisão combatida. Marco Antonio N. Castilho (documento assinado digitalmente) Fl. 335DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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