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Numero do processo: 10980.004674/2002-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.
Não se conhece de recurso especial quando os paradigmas apresentados não se prestam a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do art. 67, Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-004.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia De Carli Germano, Amelia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial quando os paradigmas apresentados não se prestam a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do art. 67, Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia De Carli Germano, Amelia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 511-517) em face do acórdão nº 1803-000.143, proferido pela 3a Turma Especial da 1a Seção em de 25 de agosto de 2009, o qual decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, tendo recebido as seguintes ementa e decisão: Acórdão recorrido: 1803-000.143, de 25 de agosto de 2009 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 46 74 /2 00 2- 11 Fl. 550DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.284 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10980.004674/2002-11 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. SIMPLES (Lei 9.317/96). A opção pela inclusão retroativa ao sistema de recolhimento simplificado - SIMPLES, permitida por provimento judicial, autoriza o encontro de contas entre os valores recolhidos sob o regime ordinário, de um lado, e os passivos atinentes à sistemática simplificada, de outro. Sobre estes débitos não incide, contudo, multa de mora, porquanto não há que se falar, na retroação de efeitos, em qualquer retardo no recolhimento das cifras devidas. DCOMP. DÉBITOS DO SIMPLES. EXCLUSÃO DE VALORES. Não tem amparo legal a pretensão de exclusão de valores devidos ao INSS, nos débitos de SIMPLES para efeito de compensação tributária, sob pretexto de recolhimentos através de GPS. Os recolhimentos por GPS devem ser requeridos na forma das normas regulamentares vigentes, não sendo oponíveis em manifestação de inconformidade por insuficiência de direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Walter Adolfo Maresch e José Sérgio Gomes que negaram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Cientificada em 25 de fevereiro de 2011 (intimação pessoal, fl. 506), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial em 23 de fevereiro de 2011 (fl. 511), alegando divergência jurisprudencial em relação ao conteúdo dos acórdãos n. 201-77.638, de 12 de maio de 2004, e n. 103-23.318, de 6 de dezembro de 2007, cujas ementas, quanto a essa matéria, são as seguintes: Acórdão paradigma 201-77.638 NORMAS PROCESSUAIS OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Ação judicial proposta pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional - antes ou após o lançamento do crédito tributário - com idêntico objeto impõe renúncia às instâncias administrativas. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SELIC. Compete ao Poder Judiciário apreciar as argüições de inconstitucionalidade das leis, sendo defeso a esfera administrativa apreciar tal matéria. PIS. SEGUNDO EXAME DE EXERCÍCIO FISCALIZADO ANTERIORMENTE. Uma vez outorgada autorização pela autoridade competente para realização de segundo exame de um mesmo período base, encontra-se habilitada a fiscalização a proceder ao lançamento sem outras restrições que não o prazo decadencial, consoante o que dispõe o art. 906 do RIR/99. DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Somente o depósito judicial integral e no prazo correto suspende a Fl. 551DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.284 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10980.004674/2002-11 exigibilidade do crédito tributário, desautorizando o lançamento dos juros de mora e multa de ofício. Recurso negado. Acórdão paradigma 103-23.318 Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 2000 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula 1º CC nº 1). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 2000 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Se no momento da lavratura inexistia qualquer das hipóteses do art. 151 do CTN, o Auto de Infração deve ser formalizado com exigência da respectiva multa de ofício e, na ausência de depósito no montante integral do débito, também dos juros de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4). O despacho de admissibilidade de fls. 532-535, de 28 de março de 2011, deu seguimento ao recurso especial, observando que, enquanto no acórdão recorrido "a maioria do colegiado entendeu pela não aplicação da multa de mora", "de acordo com os paradigmas, apenas o depósito do montante integral da exação permitiria a dispensa dos consectários legais". Intimada em 19 de abril de 2011 (fl. 538), a contribuinte apresentou contrarrazões em 3 de maio de 2011 (fls. 544-548), questionando a admissibilidade e o mérito do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano, Relatora. Admissibilidade recursal Fl. 552DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.284 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10980.004674/2002-11 O recurso especial é tempestivo. Passo a apreciar os demais requisitos para a sua admissibilidade. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Destaca-se, de início, que o alegado dissenso jurisprudencial se estabelece em relação à interpretação das normas, devendo, pois, a divergência, se dar em relação a questões de direito, tratando-se da mesma legislação aplicada a uma mesma situação fática. Acrescente-se, também, que, se os acórdãos confrontados examinaram normas jurídicas distintas, ainda que os fatos sejam semelhantes, não há que se falar em divergência de julgados, uma vez que a discrepância a ser configurada diz respeito à interpretação da mesma norma jurídica. Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidencia-se que a Recorrente não logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois, chegou-se a conclusões distintas à luz das mesmas normas jurídicas mas em situações fáticas substancialmente diferentes. O caso dos autos discute a incidência de multa de mora na seguinte e peculiar situação: originalmente, a contribuinte recolheu seus tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), relativos ao período de 1997 a 1999, no regime do lucro presumido. Em 1999 ela ajuizou ação declaratória objetivando seu enquadramento no SIMPLES, tendo efetivado, a partir daí, o depósito judicial dos seus tributos. Em 21 de maio de 2001, ocorreu o trânsito em julgado de provimento jurisdicional "declarando assim o direito da autora de gozar dos benefícios da Lei 9.317/96, enquanto essas vigorarem" (fl. 344). Diante disso, a contribuinte optou por se enquadrar retroativamente no SIMPLES, a partir de 1o de janeiro de 1997, tendo apresentado as respectivas declarações fiscais. Em seguida, apresentou pedidos de restituição, cumulados com declarações de compensação, visando a restituir as diferenças de tributos referentes aos períodos de apuração entre 01/1997 e 11/1999 -- isto é, diferença entre os valores efetivamente recolhidos, calculados com base lucro presumido, e valores devidos conforme apurados pelo SIMPLES. Ressalto que os valores de crédito que a contribuinte pretendeu ver compensados foram efetivamente recolhidos, em parte mediante recolhimento normal em parte mediante parcelamento. Assim, não se discute, nos presentes autos, os valores depositados judicialmente. Nos cálculos para apuração dos débitos a serem compensados, a contribuinte não considerou como devidos os encargos legais incidentes sobre os valores apurados segundo o Fl. 553DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.284 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10980.004674/2002-11 regime do SIMPLES. Observa, ademais, que, se comparados o montante dos pagamentos realizados no regime do lucro presumido (valor original incontroverso de R$ 77.476,51) e os valores devidos a título de Simples (estes em montantes originais e sem considerar a parcela devida ao INSS), haveria, de modo inequívoco, um saldo a favor da empresa. O acórdão recorrido concordou com o argumento da contribuinte. Por outro lado a Fazenda Nacional, em seu recurso especial, defende que a multa de mora é devida, argumentando que esta somente seria elidida caso tivesse havido depósito do montante integral dos tributos. Os acórdãos paradigma trazem situações em que os débitos estavam sendo discutidos em sede judicial e os valores devidos não haviam sido nem recolhidos nem depositados judicialmente. O acórdão 201-77.638 versou sobre situação em que o lançamento foi realizado em função de a contribuinte ter efetuado depósitos judiciais em valores menores dos que foram apurados pelo fisco. O voto condutor considerou que, não tendo sido efetuados os depósitos no montante integral do crédito tributário, não há o que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito, tampouco no afastamento da multa de oficio e dos juros de mora. Já no caso do acórdão 103-23.318, a contribuinte em questão contestou a multa de oficio pois havia efetuado o recolhimento de tributos amparada por decisão judicial transitada em julgado, no entanto tal decisão foi desconstituída por ação rescisória, de maneira que a contribuinte foi cobrada com os acréscimos legais. O voto condutor do acórdão entendeu que, diante do acórdão rescisório, apenas na ocorrência de uma das hipóteses do art. 151 do CTN a cobrança seria sustada. Assim, como não havia nos autos indicativo de que tal fato tenha se concretizado (observando-se que em nenhum momento a decisão proferida na ação rescisória teve seus efeitos suspensos), a multa foi considerada devida. Como se percebe, os paradigmas apresentados não se prestam a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do art. 67, Anexo II do RICARF. Diante do exposto, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto por não conhecer do recurso especial. (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 554DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.284 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10980.004674/2002-11 Fl. 555DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.901499/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 31/10/2005
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO.
No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.956
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/10/2005 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO. No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
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PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO. No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 14 99 /2 01 2- 11 Fl. 68DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.956 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901499/2012-11 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior, transmitido por meio de PER/Dcomp. A DRF de origem indeferiu o pedido, por meio do despacho decisório eletrônico, no qual aponta-se que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito do contribuinte. Devidamente cientificado, o recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade para alegar que teria refeito a apuração do PIS e a Cofins, tendo percebido que teria deixado de apropriar créditos autorizados em lei: Alega que a empresa, adquiriu insumos para revenda com incidência de PIS e Cofins, e promoveu a saída do produtos sujeitos à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins, mas, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das mesmas contribuições que lhe são autorizados conforme determinação do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente para PIS e Cofins, de forma que o registro destes créditos em DACON retifícadora resultou em pagamento indevido ou a maior de PIS e Cofins. Teria retificado o Dacon, mas não a DCTF, com o intuito de evidenciar o valor do pagamento efetuado, quando houvesse o cruzamento dos valores das duas declarações. Concluiu, para requerer a reforma do despacho decisório, com reconhecimento integral do direito creditório. A unidade de origem suscitou a intempestividade da manifestação de inconformidade. Contudo, como o dia 24/12/2012 não seria dia de expediente normal, para a contagem do prazo, a data da ciência deveria constar como 26/12/2012. Deste modo, a manifestação foi considerada tempestiva. Por seu turno, a DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade pelo fato de não haver identificado qualquer documentação contábil que provasse o alegado. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando o direito ao crédito, contudo deixou de juntar qualquer documento que pudesse comprovar o alegado. Fl. 69DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.956 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901499/2012-11 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.936, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 13227.901478/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.936): Trata-se de pedido de compensação de créditos tributários desacompanhado de documentos contábeis que sirvam de prova para as alegações. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento contábil ou nota fiscal que pudesse provar ou ao menos trouxesse indícios da veracidade dos argumentos nela trazidos. O Recurso Voluntário também veio desacompanhado de qualquer documento. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. O Recurso Voluntário limitou-se a afirmar que o recolhimento a maior teria decorrido de um "equívoco contábil", elaborando uma planilha das diferenças sem, todavia, provar as alegações. Assim, pelo fato da Recorrente não haver se desincumbido do ônus de produzir em momento oportuno as provas do direito creditório alegado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Isto porque no processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido, sendo que o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 70DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.956 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901499/2012-11 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.000146/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2018
RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO
Nega-se provimento ao recurso de ofício quando a autoridade julgadora aprecia o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos.
PROVA ILÍCITA POR DERIVAÇÃO. APROVEITAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não podem ser admitidas no processo administrativo provas consideradas nulas pelo Poder Judiciário. Ilicitude por derivação, teoria dos frutos da árvore envenenada fruits of the poisonous tree.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2018
IMPORTAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO VALOR DECLARADO. APURAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO COM BASE EM PROVA CONSIDERADA ILÍCITA. NULIDADE DA AUTUAÇÃO.
Estando presentes nos autos elementos suficientes para justificar a desconsideração do valor declarado em operação de comércio exterior, a superveniente decretação de ilicitude da prova emprestada do processo criminal utilizada para apuração da base de cálculo dos tributos e multa exigidos acarreta a nulidade do lançamento, por vício formal.
Numero da decisão: 3201-005.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2018 RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO Nega-se provimento ao recurso de ofício quando a autoridade julgadora aprecia o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos. PROVA ILÍCITA POR DERIVAÇÃO. APROVEITAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não podem ser admitidas no processo administrativo provas consideradas nulas pelo Poder Judiciário. Ilicitude por derivação, teoria dos frutos da árvore envenenada fruits of the poisonous tree. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2018 IMPORTAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO VALOR DECLARADO. APURAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO COM BASE EM PROVA CONSIDERADA ILÍCITA. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. Estando presentes nos autos elementos suficientes para justificar a desconsideração do valor declarado em operação de comércio exterior, a superveniente decretação de ilicitude da prova emprestada do processo criminal utilizada para apuração da base de cálculo dos tributos e multa exigidos acarreta a nulidade do lançamento, por vício formal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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NEGADO Negase provimento ao recurso de ofício quando a autoridade julgadora aprecia o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos. PROVA ILÍCITA POR DERIVAÇÃO. APROVEITAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não podem ser admitidas no processo administrativo provas consideradas nulas pelo Poder Judiciário. Ilicitude por derivação, teoria dos frutos da árvore envenenada “fruits of the poisonous tree”. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2018 IMPORTAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO VALOR DECLARADO. APURAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO COM BASE EM PROVA CONSIDERADA ILÍCITA. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. Estando presentes nos autos elementos suficientes para justificar a desconsideração do valor declarado em operação de comércio exterior, a superveniente decretação de ilicitude da prova emprestada do processo criminal utilizada para apuração da base de cálculo dos tributos e multa exigidos acarreta a nulidade do lançamento, por vício formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 01 46 /2 01 1- 14 Fl. 6504DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício em face de decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 0838.997 7ª Turma da DRJ/FOR, efls. 6372/6436, que julgou procedente a impugnação, para declarar a nulidade do lançamento por vício formal, exonerando integralmente o sujeito passivo do crédito tributário exigido. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Tratase de lançamento no valor total de R$ 23.519.263,33, referente ao auto de infração de fls. 03157, lavrado em 04/05/2011, contra a empresa ASIAN CENTER ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA, tendo sido apontada como responsável solidária no Relatório de Fiscalização, à fl. 245 do processo, a pessoa jurídica MOBILITÁ LICENCIAMENTOS DE MARCAS E PARTICIPAÇÕES LTDA, através do qual foram formalizadas exigências relativas a diferenças de tributos (Imposto sobre as Importações, IPI, PIS/PasepImportação e COFINSImportação, acrescidos de juros de mora e multa de ofício (150%); além da multa equivalente ao valor aduaneiro (Art. 105 do Decretolei nº 37/1966 e art. 23, §1º, do Decretolei nº 1455/1976) e multa de 100% da diferença entre o preço arbitrado e o declarado (art. 88, § único, da MP 2.15835/2001). No item 2 do Relatório de Fiscalização (ORIGEM DO PROCEDIMENTO FISCAL), os autuantes informam que a ação fiscal que resultou na autuação em epígrafe originouse a partir de representação formulada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Roberto Ahouagi Azevedo, que, em procedimento especial de fiscalização lastreado na IN SRF 228/2002, realizado em face da ora autuada ASIAN CENTER IMPORT EXPORT LTDA, CNPJ 35.750.512/000150, apurou a ocorrência de fatos que evidenciam a ocultação da pessoa jurídica MOBILITÁ COMÉRCIO INDÚSTRIA E REPRESENTAÇÕES LTDA., nas operações de importação de produtos de diversas marcas, realizadas pela pessoa jurídica importadora, ASIAN CENTER, a partir de setembro de 2002, restando, assim, caracterizada a ocorrência, segundo a Fl. 6505DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.505 3 fiscalização, do ilícito tributárioaduaneiro denominado interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior. A fiscalização afirma, à fl. 165: “Objetivando não perder nenhum detalhe do vasto conjunto de provas coletadas na investigação conduzida pelo AuditorFiscal Roberto Ahouagi Azevedo, acobertada pelo procedimento administrativo instaurado nesta IRFRJO, permitimonos reproduzir extrato do relatório do mencionado representante do Fisco, especialmente no que concerne aos passos adotados no procedimento administrativo conduzido nesta unidade, bem como às provas produzidas no curso daquela ação fiscal, a fim de submetêlas, uma vez mais, ao crivo do contraditório”. De acordo com os autuantes, esse procedimento administrativo anterior, acobertado pelo MPF 0715400.2009.000095, realizado em face da pessoa jurídica importadora, ASIAN CENTER, resultou na lavratura do auto de infração constante do processo 10074.000481/200990, com a aplicação da multa prevista no artigo 33 da Lei 11.488/2007, no valor de R$ 2.796.661,42, que teria sido integralmente pago pela apenada. No item 3 do Relatório, a fiscalização apresenta dados cadastrais e histórico de importações da ASIAN CENTER, e, no item 4, são apresentadas informações sobre como decorreu o procedimento especial que redundou na exigência da multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 à ASIAN CENTER. Neste item, a fiscalização informa, entre outras coisas, que, quando da cientificação do Termo de Início, não foi encontrado ninguém no endereço da empresa; que a sala comercial não tinha identificação do ocupante; que foi feita ciência do termo aos sócios e, posteriormente, à empresa. Continuando o item 4, a fiscalização afirma que a ASIAN CENTER, Respondendo à intimação inicial, apresentou cópias de alterações do contrato social e afirmou que o sócio Sr. Samuel Gorberg controlava e realizava os negócios em comércio exterior da empresa; que esta encontravase paralisada; que a presença de representantes e funcionários no endereço da sede era ocasional; e que os Livros de Registro de Entradas, Saídas, Documentos Fiscais e Inventário estavam de posse da Fazenda Estadual. Ainda neste item 4, os autuantes afirmam que, após intimação ao Sr. Samuel Gorberg para prestar esclarecimentos, este, na qualidade de sócioadministrador, é apontado como a pessoa à frente da empresa, sendo responsável pela colocação de pedidos junto à Speed, única exportadora com a qual ASIAN CENTER trabalhou, e a realização de contatos com departamento de compra da MOBILITÁ, bem como assinatura de contratos de câmbio, cujas cópias apresentadas efetivamente continham a assinatura do referido sócio. A sua atuação foi, segundo a fiscalização, confirmada no depoimento do Sr. Jorge Marcos Cruz, (fl. 77, Anexo I, fl. 564 do processo), funcionário de ASIAN Fl. 6506DF CARF MF 4 CENTER por 11 (onze) anos e em mensagens eletrônicas (fls.170 a 185, Anexo I, fls. 658673). Assim, segundo os autuantes, a atuação do Sr. Samuel Gorberg à frente da empresa restava incontroversa. Os fiscais afirmam que o depoimento e as mensagens eletrônicas retromencionados foram objeto de autorização judicial expressa para utilização em feitos administrativos da RFB, conforme fls. 69 a 76, Anexo I (fls. 556563 do processo). Após afirmar que a ASIAN CENTER foi intimada a dar diversas informações relacionadas à qualificação de suas operações e sua adequação aos conceitos de operação por conta própria ou por conta e ordem de terceiros, a fiscalização apresenta análise da evolução da legislação sobre interposição em comércio exterior. A fiscalização declara que, para obedecer a IN SRF 225/2002, na DI, o adquirente deveria obrigatoriamente ser identificado. A sua ocultação afastaria a incidência de IPI, resultante da equiparação à industrial, com prejuízo ao controle administrativo do comércio exterior e ao Erário. A inserção de declaração que não corresponde à verdade, na DI, caracteriza a simulação, defeito do negócio jurídico que leva à sua nulidade, tendo sido este, no caso em tela, segundo os autuantes, o meio utilizado para fraudar a correta aplicação da legislação tributária. À fl. 175, referindose à IN SRF nº 634/2006, que trata da importação por encomenda, a fiscalização aduz que, para haver este tipo de operação, os recursos utilizados devem pertencer àquele que adquire a mercadoria para revender, ou seja, à pessoa jurídica interposta, que registra a DI. De outra maneira, se os recursos pertencerem ao encomendante, haverá operação por conta e ordem. Em continuidade, os autuantes afirmam, à fl. 176, que, seja na qualidade de adquirente, seja na qualidade de encomendante, a pessoa jurídica estaria, como anteriormente já estava, obrigada a habilitarse no Siscomex e a equipararse à industrial, adimplindo com as obrigações tributárias principais e acessórias do IPI, PIS e Cofins, além de ser titular de responsabilidade solidária e por infrações, estas duas últimas em função das alterações introduzidas pela Lei 11.281/06 nos arts. 32 e 95 do Decretolei nº 37/66. Analisando as respostas da ASIAN CENTER a termo de intimação datado de 16/03/2009, à fl. 222 do Anexo I (fl. 763 do processo), a fiscalização refuta sua declaração no sentido de que negociava apenas com “utilidades domésticas”, já que no objeto social há itens diversos, como “aparelhos científicos”, assim como “serviços de reparação, manutenção e montagem de máquinas”. Além disso, segundo os autuantes, havia no objeto social a previsão de atividades típicas de pessoa jurídica que presta serviços como interposta, em comércio exterior (importação, exportação, serviços de assessoria e pesquisa de importação e exportação). Fl. 6507DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.506 5 Diante disso, a fiscalização aduz que, independentemente da data, mesmo que ASIAN CENTER efetivamente importasse um universo limitado de mercadorias, seu objetivo social previa a importação de qualquer sorte de mercadorias, já que ali constava a atividade de assessoria em importação. Exercitando esta atividade, exatamente a da empresa que se interpõe em comércio exterior, a importação de quaisquer bens estaria de acordo com seu objetivo social. À fl. 180, analisando resposta da ASIAN CENTER, no sentido que apenas fazia reposição de estoques de produtos já fornecidos, e não importação por conta e ordem ou por encomenda, a fiscalização afirma que a identificação da natureza jurídica da operação em comércio exterior, depende de se identificar quem detém o controle das definições básicas da operação, a saber, o quê e quando será importado; assim, se a pessoa que detém o controle destas variáveis não é aquela titular da declaração de importação (DI), haverá interposição. Outra abordagem, segundo os autuantes, consiste na retirada deste terceiro do cenário, se a operação de comércio exterior ainda assim continuar seu curso e efetivamente ocorrer, então a participação deste terceiro seria irrelevante, e a operação deveria ser considerada como em nome e por conta próprios. Analisando as provas contidas nos autos, a fiscalização afirma que verificouse que todas as DI’s registradas pela ASIAN CENTER no período de interesse (DI’s registradas entre 2002 e 2008 – fls. 08 a 17, Anexo I (fls. 495504 do processo), ocorriam em nome e por conta próprios. Além disso, nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIRPJ) dos anos calendário de 2002, 2006 e 2007, a ASIAN CENTER informou, como destinatária de produtos, somente a empresa MOBILITÁ; questionada sobre os anos faltantes, a ASIAN CENTER complementou informando que nos anos de 2003, 2004, 2005 e 2008 também somente realizou vendas de produtos importados à MOBILITÁ ( fls. 25, 28 e 224, Anexo I). Tendo sido perguntado à ASIAN CENTER a forma de pagamento dos despachos de importação que fazia para a MOBILITÁ, a fiscalização afirma que, apesar de ter sido inquirida de maneira específica, a ASIAN CENTER preferiu responder de maneira genérica, ignorando o pedido de descrição do "modus operandi", limitandose a informar que recebia através de depósito bancário e que estes lançamentos constavam de sua contabilidade e que não havia margem de lucro padronizada. Esta última afirmação, segundo os autuantes, não encontra respaldo na apuração realizada sobre as 25 DI’s selecionadas, já que, para estas, foi constatado que o valor unitário na nota fiscal de saída (VUNf) era exatamente o dobro do valor unitário por unidade na condição de venda (VUCV) na DI, desprezadas as variações ali mencionadas, inferiores a 10%, para mercadorias diversas e ao longo de cinco anos. Fl. 6508DF CARF MF 6 Questionada a respeito da existência de contrato escrito, a fiscalização afirma que a ASIAN CENTER apresentou “Contrato de Aquisição de Produtos”, explicando que, até outubro de 2006 não havia contrato, sendo a venda realizada através de amostras que MOBILITÁ conferia, e, se concordasse com o preço, a ASIAN CENTER importava por conta própria. Diante disso, a fiscalização entende que, se a MOBILITÁ controlava a operação, não se trata de importação por conta e risco de ASIAN CENTER, ou seja, não se trata de operação em nome e por conta próprios. Em relação ao “Contrato de Aquisição de Produtos” apresentado, a fiscalização aduz que o parágrafo primeiro da cláusula segunda do contrato, fazia com que uma promessa de compra emanada de MOBILITÁ vinculasse a empresa com a efetiva compra posterior do que fosse importado por ASIAN CENTER. Isso, segundo os autuantes, mais uma vez se amoldava perfeitamente à hipótese de importação com interposição, por determinação de terceiros. À fl. 186, a fiscalização declara que a ASIAN CENTER, questionada pelo fato de não ter aposto o nome da MOBILITÁ como adquirente nas DI´s, respondeu que não apôs porque não se tratava de importação por conta e ordem e que não havia garantia de que a ASIAN CENTER iria receber o preço ajustado. Quanto a isso, entendem os autuantes que essa última afirmação conflita com o compromisso estabelecido no parágrafo primeiro da cláusula segunda do contrato firmado, e, mesmo anteriormente à vigência do mesmo, em nada afeta o controle de MOBILITÁ sobre a operação. Quando a ASIAN CENTER, em continuidade ao mesmo questionamento, afirma que quando a mercadoria chegava no Brasil negociava com a MOBILITÁ, a fiscalização aduz que: “Quando o contribuinte afirma que "negociava", aparentemente devese entender "formalizava" a venda, posto que o mesmo afirmou anteriormente que os pedidos prévios partiam da própria MOBILITÁ. Em adição, informou que o conteúdo do container era vendido sem nem retirar o mesmo do Porto, indo direto para MOBILITÁ. Nas vinte e cinco DI’s selecionadas para exame em maior detalhe, ver lista e texto mais adiante, as notas fiscais de entrada em ASIAN CENTER e de saída para MOBILITÁ da totalidade da mercadoria foram emitidas no mesmo dia (exceto 1 nota), seguindo padrão típico de operação previamente determinada”. À fl. 188, os autuantes passam a comentar a respeito do relacionamento da ASIAN CENTER com o exterior, tendo sido feitas perguntas à empresa a esse respeito, conforme fl. 214 do Anexo I. Segundo a fiscalização, a ASIAN CENTER registrou 552 declarações de importação (DI’s) no período de interesse, e somente 17 destas não se originaram da exportadora estrangeira Speed Devepment Company, permitindose afirmar que ASIAN CENTER somente dela importava. Em adição, esta exportadora somente efetuou exportações para o Brasil endereçadas à ASIAN CENTER. Estes dados, segundo os fiscais, apontam para um Fl. 6509DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.507 7 comportamento típico de empresas que possuem uma afinidade superior, ou seja, indicam que não se trata de empresas que estão negociando abertamente no mercado, com parceiros aleatórios, desde que comercialmente ou, por outras razões, vantajosos. Afirma, ainda, a fiscalização, que, ao longo dos sete anos em exame, 2002 a 2008, ASIAN CENTER negociou mercadorias que, no local de embarque (VMLE), atingiram um valor de USD 6.864.326,41, exclusivamente com a Speed, e, intimada, nada soube responder sobre dessa pessoa jurídica. Não soube dizer a posição do representante da pessoa jurídica com o qual negocia, nem conhecia os sócios da mesma. Tendo sido a ASIAN CENTER, questionada sobre se a Speed só exportava para ela aqui no Brasil, já que as faturas seguiam uma sequência ordenada, sem saltos de numeração, a fiscalização declara que a ASIAN CENTER, em sua resposta, sugere que a Speed possa ter emitido notas fiscais de maneira não sequencial, portanto, paralela, segundo o destinatário. Os autuantes declaram que, sobre a República Popular da China não se sabe, mas tal prática é vedada pela legislação tributária nacional; a obrigatoriedade de emissão de nota fiscal consta, entre outros, do art. 283 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999); e a sequencialidade aparece no Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), arts. 323, 328 e 333, constituindo obrigações acessórias que visam a coibir práticas associadas à evasão de tributos. Em continuidade, a fiscalização, à fl. 190, afirma que, tendo sido negativa a resposta ao questionamento sobre se havia adiantamentos provenientes da MOBILITÁ para liquidação de impostos, capatazias e demais gastos de despacho, a ASIAN CENTER foi inquirida a respeito da forma de liquidação do câmbio, tendo sido confirmado que, efetivamente, a empresa praticou o regime “Pagamento à Vista Tot Prepond – Outros”. Questionada sobre se havia adiantamentos da MOBILITÁ para liquidação de câmbio, a resposta, segundo a fiscalização, foi negativa, tendo sido informado que os câmbios foram liquidados com meios originados de conta corrente própria e que o sócio administrador firmou todos os contratos. Tendo sido o contribuinte intimado a apresentar documentação de 25 DI’s selecionadas, a documentação aponta, segundo os autuantes, para a existência de uma troca de valores continuada, nos moldes de uma conta corrente, entre ASIAN CENTER e MOBILITÁ. Em 15/05/2009, a ASIAN CENTER, através de nova intimação, foi questionada sobre se havia contrato com a Speed, no que a resposta foi, segundo a fiscalização, negativa. Nessa mesma intimação, frente a um universo de 552 DI’s, os fiscais decidiram selecionar para cada ano as cinco com maiores valores da mercadoria no local de embarque (VMLE, fl. 247, Anexo I) e o questionamento foi centrado nesta amostra. Na sua resposta, Fl. 6510DF CARF MF 8 optou o contribuinte por apresentar somente a documentação relacionada aos períodos posteriores à maio de 2004. Aduz a fiscalização, com base na documentação, que a ASIAN CENTER deliberadamente inseriu em todas as DI’s que registrou no período de interesse declaração que não correspondia à verdade. Esta declaração nomeava ASIAN CENTER como adquirente de mercadorias, mas, na verdade, havia terceiro no controle da operação, determinando o quê e quando seria importado, terceiro este que adquiria imediatamente todas as mercadorias importadas. A simulação praticada é de gravidade pronunciada, e produz efeitos tributários, pois pretende afastar o correto recolhimento do IPI incidente sobre a cadeia de titulares da mercadoria, até a sua venda no varejo, com prejuízo ao Erário. O contribuinte informou também, segundo a fiscalização, que, para todas as cópias de extratos bancários apresentadas, a rubrica "TED SPB" se referia às transferências feitas por MOBILITÁ. A documentação consistia exclusivamente de cópias, com extratos bancários, comprovantes de importação, extrato de DI’s, faturas, conhecimentos de carga, packing lists, notas fiscais e avisos de débito, entre outros. À fl. 195, os autuantes passam a examinar alguns dados relevantes das DI´s constantes da amostra, de acordo com o ano de registro. A primeira é a DI nº 08/14191287, registrada em 10/09/2008. Esta DI recebeu o número de controle interno de ASIAN CENTER ACT1187, e fatura número SPD10062/08. O comprovante de importação foi emitido em 12/09/2008 e as notas fiscais de entrada, com números de 012179 a 012197, foram todas emitidas no dia 22/09/2008. Neste mesmo dia e no dia seguinte todas as mercadorias foram objeto de notas fiscais de saída, 012650 a 012655, para MOBILITÁ. Não houve menção a esta empresa nos documentos de instrução do despacho, como exigido pela legislação. O contrato de câmbio 08/577 incluiu a operação supra, tendo sido debitado à conta de ASIAN CENTER em 18/08/2008, no valor de R$ 481.523,75, mais taxa operacional. Seguindo padrão similar, conforme apresentado pela fiscalização, ocorreu com as DI´s 08/12106126 (nº controle interno MERC014A); 08/03897817; 08/01908905; 07/15620244; 07/14123832 (nº controle interno Merco13B e fatura 0432); 07/11851187 (nº controle interno Merco13A e fatura 0429); 07/10650374; 07/00995824; 06/15709944; 06/15711736; 06/15712228; 06/15711370; 06/15536276; 05/13526069; 05/11519561; 05/09619520; 05/09886048; 05/09918390 (nº controle interno Merco11B e fatura nº 290); 04/11970920; 04/09901860; 04/10790871; 04/09736095; 4/05050822. A DI 08/00524700 seguiu padrão similar, tendo como único traço distintivo o fato de que 100 peças importadas não foram para a MOBILITÁ. Em relação à DI 08/12106126, acima citada, enquanto as notas fiscais de entrada tinham data de 13/08/2008, as notas fiscais de saída foram emitidas em 13/08/2008 e 18/08/2008. Fl. 6511DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.508 9 Conforme os autuantes, no total foram apresentados extratos bancários referentes a 17 meses, nos quais procurouse observar padrões quanto às datas e valores (fl. 261 a 1202, Anexo I) das 45 transferências eletrônicas disponíveis (TED) realizadas. Na maioria dos meses havia uma ou mais TEDs para cada quinzena do mês. Aparentemente seus quantitativos não se associavam às liquidações de câmbio ou à DARFs específicos, e, por se tratar de relacionamento continuado, apontavam para a existência de um sistema de conta corrente entre as empresas. Comparando os valores atribuídos às mercadorias nas várias fases do negócio, a fiscalização aduz que nos valores que lhes foram atribuídos na DI, e nas notas fiscais de entrada e saída, é possível identificar um padrão. Das vinte e cinco DI’s selecionadas, comparouse o valor unitário na condição de venda (VUCV) declarado, para até três itens de maior representatividade (quantidade e valor considerados) e verificouse que o VUCV da DI multiplicado por dois, em praticamente todos os casos, resultava no valor unitário da nota fiscal de saída (VUNf), desprezadas as diferenças inferiores à dez por cento (tabela completa à fl. 1.203 a 1.207, Anexo I). Ao seguir um padrão, independentemente da mercadoria envolvida e do ano de exame, fica reforçada a caracterização da relação continuada entre as partes, que praticavam um diferencial remuneratório estável nas operações. À fl. 206, tratando da “ORIGEM LÍCITA, DISPONIBILIDADE E EFETIVA TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS”, a fiscalização declara, baseandose na documentação apresentada relativa às 25 DI’s que serviram de amostra, que o fato de a ASIAN CENTER ter apresentado extratos bancários que revelam o ingresso periódico de valores originados da MOBILITÁ, em sua conta bancária, associado ao fato de que todas as saídas da ASIAN CENTER foram direcionadas para MOBILITÁ, restou identificada a maneira de operar quanto aos valores utilizados, ou seja, os recursos para realização das operações em comércio exterior eram originados da MOBILITÁ, que remunerava ASIAN CENTER periodicamente pela prestação de serviços em comércio exterior, nos moldes de uma conta corrente, com depósitos aproximadamente quinzenais. Os extratos, fl. 261 a 1.202, Anexo I, naturalmente comprovam a disponibilidade e efetiva transferência. Ainda à fl. 206, tratando agora das “CONCLUSÕES EXTRAÍDAS DAS PROVAS COLETADAS NO CURSO DO PROCEDIMENTO REALIZADO EM FACE DA PESSOA JURÍDICA IMPORTADORA ASIAN CENTER”, os autuantes afirmam que provas documentais revelaramse consistentes, apontando em uma mesma direção, e significativas, caracterizando tratarse de relacionamento biunívoco, continuado e préarranjado. O cotejo entre as 25 DI’s selecionadas e as respectivas notas fiscais de entrada e saída da mercadoria revelou que a entrada e a saída da ASIAN CENTER ocorriam sempre no mesmo dia (exceto para 1 D.I.), e havia uma elevação de preços entre o valor unitário da DI (VUCV) e o Fl. 6512DF CARF MF 10 valor unitário na nota de saída (VUNf), fixo (tolerância de 10%), estável, independentemente da mercadoria ou do ano da importação. As provas testemunhais revelaram, segundo a fiscalização, um "modus operandi" que se compatibiliza com precisão à operação determinada por terceiros, na qual ASIAN CENTER ocupava somente a posição de prestadora de serviços, sem controle sobre o quê ou quando se daria a importação, posição completamente dependente da vontade alheia. A atuação de ASIAN CENTER se limitou a ceder o nome e prestar o serviço. Assim sendo, os fiscais concluem que, ao amparo das provas diretas, documentais e testemunhais colhidas, foi possível constatar que ASIAN CENTER, em todas as DI’s registradas nos anos de 2002 a 2008, lista à fl. 1267 a 1276, Anexo I, não ocupava a posição de real adquirente das mercadorias negociadas, a empresa MOBILITÁ efetivamente ocupava tal posição, tratandose efetivamente estas importações de operações com interposição de pessoas. Em adição, a atuação da MOBILITÁ foi ocultada pela ASIAN CENTER ao deliberadamente inserir nas DI informação que não correspondia à verdade, eivando o negócio jurídico do defeito da simulação, valendose deste meio para prejudicar os Cofres Públicos, ao afastar a equiparação de MOBILITÁ à industrial, com repercussão no recolhimento do IPI, PIS e Cofins. Não se trata, então, segundo a fiscalização, de interposição graciosa, desprovida de efeitos tributários. Ao prejudicar o controle aduaneiro sobre as importações e o recolhimento do IPI, do PIS e do Cofins, fica clara atuação que objetivava fraudar a correta aplicação da legislação tributária, através da prática de interposição fraudulenta. Esta interposição efetivamente prejudicou o recolhimento de tributos, já que em pesquisa no sistema da SRFB "Sinal07", para os CNPJs da matriz de MOBILITÁ, final 0001, e da sua filial 0075, e para o período de 01/01/2002 a 31/12/2008, fl.s 1236 a 1253, Anexo I, não foram encontrados recolhimentos sob os códigos referentes ao IPI (exceto um único recolhimento para a filial 0075 em 14/01/2003, cód.1097). No item 6 do Relatório de Fiscalização (PROVAS ADICIONAIS), os fiscais mencionam a numeração sequencial de faturas da Speed Development Company para a ASIAN CENTER, indicando que absolutamente todas as importações de produtos exportados pela Speed, no período de 2002 a 2008, foram realizadas pela ASIAN CENTER. Além disso, conforme as DIPJ da ASIAN CENTER, todas as mercadorias importadas por ASIAN CENTER foram repassadas à MOBILITÁ (cliente único). Ainda no item 6, os autuantes afirmam que, como se não bastassem as contundentes provas produzidas no curso da ação fiscal realizada em face da pessoa jurídica importadora ASIAN CENTER, que resultou na lavratura do auto de infração constante do processo 10074.000481/200990, com a aplicação da multa prevista no artigo 33 da Lei 11.488/2007, no valor de R$ 2.796.661,42, que foi integralmente pago pela apenada, diversas outras provas foram colhidas nas investigações Fl. 6513DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.509 11 realizadas no bojo da operação denominada "Negócio da China", as quais puderam ser anexadas ao presente processo com base em autorização judicial expressa. A fiscalização informa que chegouse à ASIAN CENTER pela percepção de que diversos produtos comercializados pela CASA & VÍDEO (nome de fantasia da MOBILITÁ) possuíam etiqueta na qual constava como importador a empresa em tela, principalmente, artigos natalinos e pequena utilidades domésticas. SAMUEL GORBERG, sócio da ASIAN CENTER é exsócio da LCG ADMINISTRADORA DE IMÓVEIS, uma das proprietárias de imóveis onde estão instaladas as lojas da CASA & VÍDEO. Apesar de sua atividade declarada ser o comércio varejista, a ASIAN CENTER recebe, em diversos anos, pagamentos da MOBILITÁ a título de serviços prestados. À fl 211, os autuantes, trazem informações constantes do IPL 791/2006DELEFIN/SR/DPF/RJ. Segundo eles, conforme autorização judicial constante do Ofício n° OFC.0013.002155 0/2008, de 24 de novembro de 2008, da 2a Vara Federal Criminal/RJ, a RFB pode fazer uso dos materiais produzidos nessa investigação nos procedimentos administrativos e fiscais relacionados à CASA & VÍDEO e à ASIAN CENTER. À fl. 213, comentando cópia de email de fls. 212213, datado de 31/10/2008, de Maria Fernanda de Moura, do setor de Planejamento e Controle da MOBILITÁ, para Samuel Gorberg, da ASIAN CENTER, a fiscalização declara que esta comunicação deixa claro que a CASA & VÍDEO encomendava os produtos importados pela ASIAN CENTER, estipulando inclusive os valores dos produtos e o nome do fabricante, cujas iniciais eram SET. Em seguida SAMUEL GORBERG encaminha o pedido à empresa SHENZHEN EFFORT TRADING (SET), fabricante dos produtos na China, mencionando os mesmos códigos fornecidos pela CASA & VÍDEO e determinado como devem ser etiquetados (Arquivo denominado SET141st am.doc). Os autuantes, às fls. 219220, apresentam cópia de diálogo por email no qual, segundo eles, SAMUEL GORBERG confirma que realiza os pedidos diretamente com as fábricas na China e determina o encaminhamento das mercadorias para Hong Kong, onde é emitido novo documento pela empresa Speed Development Company. Em relação ao valor aduaneiro, a fiscalização, à fl. 228, afirma que, por tudo o que foi demonstrado no presente Relatório, restou assente a montagem de verdadeira estratégia fraudulenta de ocultação do efetivo adquirente das mercadorias em operações de importação, o que permite supor, numa primeira aproximação, a impossibilidade de utilização das regras do Acordo de Valoração Aduaneira para o adequado exame dos valores de transação das operações de importação ora sob fiscalização. Fl. 6514DF CARF MF 12 Segundo a fiscalização, intimada a se manifestar sobre questões afetas aos valores aduaneiros informados nas declarações de importação em apreço, a empresa fiscalizada não trouxe à colação qualquer informação que pudesse ao menos mitigar o quadro fraudulento já demonstrado, o que leva ao afastamento das regras do AVA/GATT. Conforme os autuantes, diante da ausência de credibilidade dos documentos que ampararam apenas formalmente as operações de importação sob exame, bem como do premente dever de buscar os corretos valores aduaneiros de tais operações de importação, cabe à fiscalização analisar os demais elementos que compõem o presente quadro fraudulento. A fiscalização aduz que, como anteriormente assentado, em sede de investigação e inquérito policial, restou evidente a participação efetiva da sociedade empresária MOBILITÁ nas operações de importação registradas pela empresa fiscalizada ASIAN CENTER, conclusão fartamente lastreada pelos elementos colhidos nas ações policiais autorizadas judicialmente, devidamente submetidos à perícia técnica da Polícia Federal. Segundo a fiscalização, com efeito, constatase que o sócio majoritário da empresa fiscalizada ASIAN CENTER mantém constante contato com a empresa estrangeira SPEED DEVELOPMENT COMPANY, que figura em suas declarações de importação como sua fornecedora, atuando exclusivamente para a real adquirente MOBILITÁ. Ademais, também sobressai o fato de que a SPEED DEVELOPMENT COMPANY não é a verdadeira fabricante dos bens importados, servindo, nas relações comerciais verificadas, apenas para substituir as faturas efetivamente emitidas em cada operação. Como exemplo cabal de tais evidências, cabe, segundo os autuantes, extrair do inquérito policial o caso do pedido de compra de bens formulado pela MOBILITÁ ao sócio majoritário da ASIAN CENTER, posteriormente encaminhado por este último à fabricante chinesa SHENZHEN EFFORT TRADING, passando então a ser identificado (o pedido) como SET14/COUNT1254, que o confirma, inclusive quanto aos valores unitários e quantidades dos produtos demandados. Em seguida, de acordo com a fiscalização, a fabricante chinesa emite a fatura em favor da SPEED DEVELOPMENT COMPANY, situada em Hong Kong, que emite nova fatura em favor da empresa fiscalizada ASIAN CENTER, com os mesmos bens, mas com valores unitários significativamente menores, conforme a Tabela de fl. 230. À fl. 230, os autuantes informam que, em sede de inquérito policial, cujos elementos e suportes probatórios foram colhidos com autorização judicial, verificouse intenso tráfego de informações financeiras estabelecido entre a empresa fiscalizada e a SPEED DEVELOPMENT COMPANY, cujas minúcias são indicadas na planilha eletrônica intitulada ACCOUNT2007. Além dessa planilha eletrônica, conforme afirmam os autuantes, o trabalho policial logrou apurar várias outras contendo Fl. 6515DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.510 13 informações pormenorizadas dos pedidos formulados pela fiscalizada ASIAN CENTER, em nome de MOBILITÁ, ao seu fornecedor estrangeiro. Com as informações dessas planilhas, bem como com os códigos das operações de importação, foi possível, conforme destaca a fiscalização à fl. 230: “o levantamento e o posterior cruzamento das operações de importações realizadas pela fiscalizada com as informações financeiras dos efetivos desembolsos por ela suportados”. Diante disso, entende a fiscalização que as faturas utilizadas para instruir as DI´s não correspondiam à verdade dos fatos, configurandose, uma vez mais, o uso de expediente fraudulento para o cálculo dos tributos incidentes na operação. A fiscalização, à fl. 232, declara que foi possível extrair, para cada pedido formulado pela empresa fiscalizada aos seus fornecedores estrangeiros, as devidas informações financeiras consignadas na planilha eletrônica ACCOUNT2007, convenientemente mantida entre a ASIAN CENTER e a SPEED DEVELOPMENT COMPANY, que, consoante apurado em sede de inquérito policial, tinham a função de emitir faturas com valores bem inferiores às daquelas emitidas pelos verdadeiros fornecedores. Segundo os autuantes, os efetivos desembolsos relacionado às importações sob análise, retirado das citadas informações financeiras, foi resumido, por DI, em planilha localizada às fls. 232235. Com base nas informações citadas, foram formalizadas, conforme já mencionado, exigências relativas a diferenças de tributos (imposto sobre as importações, IPI, PIS/Pasep e COFINSimportação), acrescidos de juros de mora e multa de ofício (150%); além da multa equivalente ao valor aduaneiro (Art. 105 do Decretolei nº 37/1966 e art. 23, §1º, do Decretolei nº 1455/1976) e multa de 100% da diferença entre o preço arbitrado e o declarado (art. 88, § único da MP 2.15835/2001). Às fls. 243243, a fiscalização trata da responsabilidade solidária da empresa Mobilitá, afirmando que, como foi extensamente debatido no Relatório de Fiscalização, a estratégia fraudulenta objetivou ocultar o verdadeiro adquirente de mercadorias de origem estrangeira, introduzidas em território nacional com preços ardilosamente subtraídos e que não corresponderam ao valor real de transação, sendo os respectivos despachos aduaneiros formalizados por meio de declarações de importação em que constou como efetivo importador dos bens empresa que apenas cedeu seu nome, de forma a afastar a responsabilidade tributária do efetivo proprietário dos produtos oriundos do exterior. Após citar e transcrever os artigos 121, 124, 125 e 128 do CTN, bem como os artigos 104 e 106 do Decretolei nº 37/1966, e ainda o artigo 674 do RA/2009, os autuantes afirmam que, observadas as regras mencionadas nos itens anteriores, impende Fl. 6516DF CARF MF 14 atribuir à pessoa jurídica MOBILITÁ COMÉRCIO INDÚSTRIA E REPRESENTAÇÕES LTDA. (CNPJ 32.121.766/000110) a responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário ora constituído, tendo em vista o seu interesse direto na estratégia fraudulenta exposta neste Relatório, com o objetivo escuso de reduzir a base tributável das declarações de importação examinadas no procedimento, bem como alterar irregularmente a sujeição passiva prevista na norma tributária. Para a devida comunicação da atribuição de responsabilidade tributária no procedimento fiscal concluído, foi formalizado Termo de Sujeição Passiva Solidária, encaminhado ao domicílio fiscal da pessoa jurídica mencionada, devidamente acompanhado de cópia integral do Relatório de Fiscalização e do Auto de Infração correspondente. Das Impugnações Cientificada do auto de infração em 03/06/2011 (fl. 2.118), pelos Correios, com aviso de recebimento, a empresa ASIAN CENTER apresentou impugnação em 01/07/2011 (fl. 2.092), na qual, após mencionar os fatos relacionados às infrações que redundaram na lavratura dos autos de infração e alegar tempestividade da impugnação, passa a refutar as conclusões da fiscalização: PRELIMINARMENTE houve cerceamento ao direito de defesa. Isso porque o Relatório de Fiscalização está incompleto (faz referência a folhas do processo, mas não as indica); além disso, a autuada não recebeu, junto com a ciência dos autos, o inteiro teor do processo e da representação fiscal para fins penais, e, ao requerêlos, em 15/06/2011, só os recebeu em 27/06/2011 e 22/06/2011, respectivamente; há ilegitimidade passiva da impugnante para a pena de perdimento convertida em multa, por falta de amparo legal. Não há no Relatório Fiscal menção a intimação da empresa MOBILITÁ a respeito do paradeiro das mercadorias ou a esclarecer se já teriam sido objeto de apreensão e perdimento em seus estabelecimentos. O Decretolei nº 1.455/1976 e a Lei nº 10.833/2003 não preveem a responsabilidade solidária do importador pela referida multa; sem previsão de solidariedade na aplicação da pena pela lei de regência, é juridicamente impossível a sujeição passiva do impugnante, além do quê se há de perquirir à Fiscalização e à MOBILITÁ se já não terá sido a mesma pena convertida em multa aplicada à dita MOBILITÁ ou a outrem; a impugnante somente pode responder pelas mercadorias que estavam em sua posse, já objeto da pena de perdimento nos autos dos processos administrativos nºs 10711.008285/200820, 10711001017/200969, 10711001169/200961, 10711 001170/200995, 10711001190/200966, 10711001278/2009 88, 10711001322/200950, 10711001735/200934, 10711001804/200918, e 10711.001826/200970. Nada mais. A interpretação no sentido da ilegitimidade passiva decorre do art. 112, inciso III, do CTN (intepretação da lei que defina Fl. 6517DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.511 15 penalidades ou comine penalidades, de modo mais favorável ao acusado); NO MÉRITO conforme será demonstrado, o arbitramento da base de cálculo dos tributos lançados e das multas, de ofício e "regulamentares", ofendem não só o Código Tributário Nacional, em seus artigos 97, inciso V; 112, incisos I, II e IV; 142; 146 e 148, como também o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, o DecretoLei n° 1.455/76, a Lei nº 10.833/2003 (art. 73), e o § 2 (g) do Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30/1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994; quanto à capitulação legal das multas ditas regulamentares, a Fiscalização faz tábua rasa dos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da especialidade, previstos e vinculantes para as autoridades administrativas na Lei nº 9.784/99, deixando de capitular e cominar as multas do modo mais favorável e menos gravoso para o acusado, conforme cânon de interpretação previsto no artigo 112 do CTN, bem como, ainda negou vigência ao artigo 100 do DecretoLei nº 37/1966; o conjunto dos tributos e multas lançados com base num mesmo fato assume dimensão confiscatória, o que é vedado pela Constituição Federal, conforme entendimento pacífico dos Tribunais; não há no Relatório anexo ao Auto de Infração qualquer indicação de que tenha seguido a ordem sequencial indicada, conforme MP nº 2.15835/2001 (art. 88) e o RA/2002 (art. 84). Há nulidade do arbitramento porque a fiscalização apenas aponta a suposta fraude, declara que é caso de arbitramento, invoca o RA/2009, mas não segue quaisquer dos métodos legais de arbitrar a base de cálculo dos tributos; não foi observado o art. 148 do CTN, tendo o procedimento fiscal violado o devido processo legal, pois, desde o início, já concluíra pela autuação, já que, no termo de início de ação fiscal havia a menção de “Anexo ao Auto de Infração” (fls. 410 412 e 158160); em vez de buscar mercadorias similares também provenientes da China, pelo Siscomex, ou basearse em laudo técnico, a fiscalização se utilizou planilha imprestável, apócrifa, sem assinatura de representante legal da empresa ou funcionário; documento eletrônico oriundo do exterior, cujo conteúdo não foi validado. Em assim agindo, a fiscalização estabeleceu novo valor aduaneiro arbitrário, vedado pelo §2º (g) do Art. 7º do Acordo para implementação do Art. VII do GATT/1994; o Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, em seu §1º, institui o chamado método da razoabilidade, e com base em dados disponíveis no País de Importação, mas o §2°(g) impede que o valor aduaneiro apurado Fl. 6518DF CARF MF 16 por tal método baseiese em "valores arbitrários ou fictícios”. Neste aspecto, convém lembrar o que diz a Opinião Consultiva 12.3 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da Organização Mundial do Comércio (Anexo único da IN SRF nº 318/2003); as informações constantes da planilha que embasou o arbitramento, “JAMAIS” tiveram sua veracidade ou exatidão comprovada pela Aduana, que simplesmente as presumiu, de modo arbitrário e fictício. Logo, nos termos da legislação tributária aplicável, essa planilha é absolutamente “IMPRESTÁVEL”, para quantificação dos tributos alegadamente devidos; o lançamento, que é ato privativo da autoridade administrativa, por força dos artigos 113, 116, inciso I, e 142 do CTN, depende de que a autoridade administrativa verifique a ocorrência do fato gerador, das suas circunstâncias materiais, vale dizer da sua materialidade, pois, além de ser juridicamente impossível tributar com base em elementos indiciários e inferências, cabe ao Fisco atestar a materialidade dessa ocorrência; somente os dados disponíveis no SISCOMEX poderiam ter sido o ponto de partida e o critério razoável para o arbitramento, jamais os dados constantes da planilha utilizada pela fiscalização, a qual é incapaz de servir de prova de identificação da matéria tributável e da quantificação dos tributos alegadamente devidos, estando, ademais, pendente de validação pelo resultado de processo judicial criminal; o lançamento, ainda que por arbitramento, é atividade privativa da autoridade administrativa (CTN, art. 142), não podendo estar sujeito a qualquer condição resolutiva em decorrência do resultado de processo judicial criminal ademais, tratase de documento eletrônico não traduzido para o vernáculo, sem qualquer força probante, incapaz de embasar qualquer lançamento por arbitramento, em vista dos dispositivos legais acima invocados; a multa do artigo 108 par. único, do DecretoLei nº 37/66, é específica para a qualificação jurídica dos fatos a que chegou a fiscalização, sendo de 100% sobre a diferença do imposto devido, em relação à alegada falsa declaração de valor, imputação que foi feita ao impugnante. Logo, a multa de ofício, proporcional ao valor do imposto, não é a de 150% do artigo 44, inc. I e §1º da Lei nº 9.430/1996; em caso de dúvida sobre a capitulação legal e gradação da pena, a lei deve ser interpretada da forma mais favorável ao acusado (CTN, art. 112, incs. I e IV); tendo natureza acessória à revaloração aduaneira, pelas mesmas razões acima expostas, que caracterizam a nulidade do arbitramento, a multa administrativa de 100% da diferença entre o preço declarado e o arbitrado não tem procedência alguma. Mas não é só; a aplicação ao Impugnante, além dos tributos, de multas de ofício, proporcionais ao valor dos tributos lançados, mais as Fl. 6519DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.512 17 multas administrativas do §3º do artigo 23 do D.L. nº 1.455/76; do par. único do artigo 88 da M.P. nº 2.15835/2001; e do artigo 33 da Lei nº 11.488/07, ofendem os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e a garantia do nãoconfisco. Tais multas, somadas, atingem quase 300% do valor das mercadorias, afetando porções do patrimônio do impugnante, as quais não têm vínculo com o montante dos tributos suplementares que ora lhes são cobrados. O STF já firmou seu entendimento sobre a inconstitucionalidade dos efeitos confiscatórios da tributação (MC na ADI nº 1.0751); também o STJ já se posicionou sobre o tema, em sede infraconstitucional, ao decidir pela impossibilidade jurídica da aplicação das multas de 100% previstas nos artigos 108, par. ún. do DL nº 37/66 e artigo 88 da MP nº 2.15835/2001, cumulada com a do perdimento de que trata o artigo 105, VI, do mesmo DL nº 37/66, em vista dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e especialidade; a fiscalização da Inspetoria da Receita Federal no Rio de Janeiro estabeleceu o tratamento jurídico dispensado à ASIAN, conforme despacho conclusivo do PAF nº 10074.000481/2009 90 (Anexo I destes autos fls. 1.277/1.310), onde a fiscalização imputou a terceiro (MOBILITÁ) o controle de todas as operações de importação realizadas pelo impugnante, jamais tendo acusado ao impugnante de falsidade ou adulteração de faturas comerciais; e, daquela fiscalização, resultaram dois autos de infração que formaram dois processos administrativos, os PAF’s. n°s 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931, com o lançamento de multas de 10% sobre o valor aduaneiro das mercadorias importadas ao amparo das DI’s registradas pela ASIAN, com base no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007; não obstante, a fiscalização, daquela feita, reconheceu, expressamente, que a Peticionária: (a) funcionava regularmente em seu estabelecimento, até dezembro de 2008; (b) logrou comprovar a origem lícita, disponibilidade e transferência dos valores empregados nas operações de importação, o que descaracteriza a chamada "interposição fraudulenta" de pessoas no comércio exterior; a fiscalização, para as infrações supostamente cometidas até 15/06/2007 (Anexo I, fls. 1.306), quando já havia, nas declarações de importação, campo próprio, para declarar o "adquirente", nas importações por conta e ordem, determinou a declaração de inaptidão do CNPJ e ajuntou multa, igual ao valor comercial da mercadoria, prevista pelo artigo 83 da Lei nº 4.502/64, por entender que a não indicação do "adquirente", naquele campo próprio da DI, caracterizaria importação irregular ou fraudulenta. Como o artigo 33, par. único, da Lei nº 11.488/2007, expressamente, estabeleceu que, à hipótese do caput, não se aplicava o disposto no artigo 81 da Lei nº 9.430/96, a fiscalização cominou multa de 10% sobre o valor da Fl. 6520DF CARF MF 18 operação, alegando ser, supostamente, mais benéfica a lei nova, invocando disposto no artigo 106, inciso II, alíneas a e c, do CTN, para fazer retroagir a referida Lei nº 11.488/2007; para as importações realizadas a partir de 15/06/2007 até dezembro de 2008, entendeu a fiscalização, nos autos do PAF nº 10074.000481/200990 (Anexo I, fls. 1.309/1.310), que as infrações seriam puníveis com a multa de 10% do valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista pelo artigo 33, da Lei nº 11.488/2007. A impugnante pagou, integralmente, as multas que lhe foram aplicadas, e solicitou sua devolução, nos PAF’s. nºs 10074000924/200942 e 10074.000926/200931. Todas as acusações que lhe foram feitas no PAF nº 10074.000481/200990, a ASIAN contestouas, tendo, ainda, fundamentado, no mesmo sentido, os respectivos pedidos de restituição, nos autos daqueles mesmos processos de nºs 10074 000924/200942 e 10074.000926/200931 (Anexos 04/07), pedidos esses que, até a presente data, não foram julgados, encontradose com carga para Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FlorianópolisSC; mas a fiscalização foi ainda mais criteriosa e didática no PAF nº 10074.000481/200990, expressamente reconhecendo que não era caso de aplicação da pena de perdimento com base no artigo 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76, ao impugnante, mas sim à dita "real adquirente", quando invocou a autoridade de acórdãos da Delegacia de Julgamento de São Paulo (cf. fls. 1.308 do Anexo I); da leitura de trecho da ementa de um desses acórdãos (Acórdão nº 1724.943), bem como das conclusões de fls. 1.310 do mesmo anexo, onde a autoridade administrativa determina a capitulação legal da conduta da impugnante, no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, fica incontroverso que, para todas as importações listadas às fls. 1208/1217, do Anexo I, que são as mesmas indicadas às fls. 158160 e 234238, dos autos principais, foi estabelecido um critério jurídico, um tratamento jurídicotributário, que excluía e exclui a aplicação da pena de perdimento com base no artigo 23, inciso V do D.L. nº 1.455/76 (RA de 2002, art. 618, XXII), ou sua conversão em multa, em vista do disposto no artigo 100 do DecretoLei nº 37/66, à pessoa da impugnante, excluindo, outrossim, a acusação de falsidade ou adulteração de quaisquer documentos e a respectiva pena do artigo 618, VI, do RA de 2002 (art. 105, VI, do D.L nº 37/66); dispõe o artigo 146 do CTN que as alterações de tratamento jurídico dispensado a um contribuinte somente se aplicam a fatos geradores futuros; nestes autos, temse um incompreensível caso de "modificação introduzida de ofício" pela autoridade administrativa, pois, agora, em relação aos mesmos fatos geradores, além de já não mais cogitar da pena de perdimento por ter supostamente ter ocorrido "importação de mercadoria estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a Fl. 6521DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.513 19 interposição fraudulenta de terceiros" (RA de 2002, art. 618, XXII DL nº 1.455/76, art. 23, V), a fiscalização resolve acusar impugnante de haver importado mercadoria "estrangeira na importação com documento necessário ao seu desembaraço falsificado ou adulterado" (RA, art. 618, VI); examinando os mesmíssimos documentos, a fiscalização anterior (PAF nº 10074.000481/200990 Anexo I, em apenso aos autos principais deste processo) não imputou à impugnante a falsificação de faturas comerciais, as quais foram elaboradas pelo exportador no estrangeiro, jamais tendo sido por ela alteradas ou adulteradas no Brasil. E o que é mais fantástico e incrível: a fiscalização não trouxe aos presentes autos as faturas comerciais que inquina de falsas ou adulteradas pela impugnante. Não há um corpo de delito, para uma infração que pressupõe a falsidade material de documento; para cúmulo da arbitrariedade, a fiscalização ainda invoca e transcreve o §3ºA do artigo 689 do R.A. de 2009, o qual foi introduzido no Regulamento em data posterior aos fatos, para dizer que o disposto nesse artigo "inclui os casos de falsidade ideológica na fatura comercial. Esse dispositivo regulamentar, que trata de norma tributária penal, sequer tem amparo legal, tendo sido, como foi, originado do Decreto nº 7.213, de 15 de junho de 2010, baixado pelo Presidente da República no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição. Além de ilegal, porque viola o artigo 97, V, do CTN, o aludido decreto é irretroativo, não podendo ensejar a penalização de quem quer que seja, muito menos por fatos ocorridos antes da sua vigência em junho de 2010, quando foi publicado no D.O.U.; pela falaciosa lógica da fiscalização teria ocorrido falsidade ideológica pela inserção de declaração falsa (valor menor do que o real), nas faturas comerciais. Mas como poderia ter impugnante inserido informações falsas nas faturas, se estas provieram do exterior, do exportador estrangeiro? Se houvesse qualquer falsidade ideológica imputável à impugnante, pelo princípio da especialidade, sem adulteração ou falsificação material de documento, em relação a valores, a multa aplicável seria aquela prevista no artigo 108 do DecretoLei nº 37/66, a qual exclui aquela do artigo 105, VI, do mesmo diploma legal, conforme já decidido pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça no Resp nº 1.217.708PR; em resumo, quanto à aplicação da pena perdimento convertida em multa, esta improcede, porque: (1º) há evidente caso de ilegitimidade passiva, nos termos da respectiva preliminar acima deduzida; (2º) foram alterados os critérios jurídicos do lançamento, restando ofendido o artigo 146 do CTN, em vista das conclusões do PAF nº 10074.000481/200990 e da respectiva capitulação legal dos fatos, depois de examinados os mesmíssimos documentos; Fl. 6522DF CARF MF 20 (3º) a imposição das multas do art. 33 da Lei nº 11.488/07 nos PAF nº 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 excluem e esgotam a aplicação de qualquer outra multa à ASIAN por força do art. 146 do CTN e do artigo 100 do DL nº 37/66; (4º) à luz a Jurisprudência do STJ, em casos em que há a imputação de mera declaração falsa ou falsidade ideológica, é ilegal a capitulação do fato no art. 105, VI , do D. L. nº 37/66 (art. 618, VI do RA de 2002), sendo possível apenas, de acordo com o Tribunal, aplicação do artigo 108, do D L nº 37/66 ou artigo 633, I, do RA de 2002; (5º) em qualquer hipótese as multas aplicadas aqui são incertas em vista da ilegalidade do arbitramento, que não seguiu a ordem sequencial do artigo 88 da MP nº 215835/2001 (artigo 84 do R.A. de 2002); na linha de argumentação acima deduzida, a exigência fiscal em geral é incerta, merecendo ser revista, não só quanto aos aspectos arguidos acima, em preliminar e no mérito, mas, também, quanto à sua quantificação; obviamente, toda a quantificação da exigência dos tributos e multas está vinculada à higidez do arbitramento do novo valor aduaneiro, o qual foi acima impugnado na sua integralidade. Contudo, há certos aspectos, específicos, que merecem ser destacados, para análise do julgador de 1ª Instância; EXCLUSÃO DE MERCADORIAS QUE JÁ FORAM OBJETO DE PENA DE PERDIMENTO. a impugnante suspeita que tenham sido incluídas, no cômputo geral, Declarações de Importação, cujas mercadorias já tenham sido objeto de pena de perdimento, como foi o caso de duas, as de nºs 08/18343111 e 08/18341305, nos processos nºs 10711 001804/200918 e 10711001278/200966 (Anexos 08/09); isso deve ter, provavelmente, ocorrido, em relação a Declarações de Importação de mercadorias que tenham sido declaradas perdidas, em processos movidos contra MOBILITÁ, ou contra outros adquirentes, para os quais a referida MOBILITÁ as possa ter revendido; também incerta deve ser a exigência fiscal, em razão de já haver sido aplicada à MOBILITÁ, ou a terceiros, a conversão de pena de perdimento em multa, sem que tenha sido o respectivo valor deduzido da cobrança veiculada na peça básica; DECLARAÇÃO DE SIMULAÇÃO NO PAF Nº 10074.000481/200990: RECOLHIMENTOS CONSEQUENTEMENTE INDEVIDOS NAS SAÍDAS PARA A MOBILITÁ. ao desclassificar as importações diretas levadas a efeito pela impugnante, no PAF N° 10074.000481/200990 e nos presentes autos, a fiscalização induz que esta teria recolhido IPI a maior, como também PIS e a COFINS, na medida em que emitiu notas fiscais de venda por preço superior ao custo de importação, diferentemente do que seria de se esperar de uma importação Fl. 6523DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.514 21 por conta e ordem, bem como, ainda, consequentemente, seus resultados tributados pelo lucro arbitrado, sobre seu faturamento, a título de IRPJ e CSLL; e, realmente, pelo critério da fiscalização, no período de jan/2007 a Nov/2008, feitas as contas, a impugnante teria recolhido indevidamente, aos cofres federais, a quantia de R$ 1.210.768,98 (um milhão, duzentos e dez mil, setecentos e sessenta e oito reais e noventa e oito centavos), a título de IPI, CSSL, PIS, COFINS e IRPJ. Esses valores necessariamente deveriam ter sido abatidos de qualquer cobrança levada a efeito nestes autos; DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS SUPLEMENTARES FEITOS SOB COAÇÃO EM JANEIRO DE 2009 as ações fiscais a que tem sido submetida a impugnante resultaram de persecução penal contra pessoas a ela relacionadas, as quais sofreram, inclusive, privação de seu direito de ir e vir; essas medidas coatoras levaram ao recolhimento suplementar de tributos que, no entender da impugnante, além de esgotar a matéria aqui versada, em vista da ilegalidade flagrante do arbitramento efetivado, deveria ter sido tomado em linha de conta na quantificação do lançamento, no mínimo por dedução, pois todos os documentos de arrecadação identificam as operações de importação a que se referem, conforme a planilha e cópia dos referidos documentos que compõem anexo desta petição para todos os efeitos legais; ressalta a impugnante que seu administrador procedeu a tais recolhimentos, não por entender que fossem devidos os tributos suplementarmente recolhidos, mas, sim, porque se encontravam pessoas relacionadas à empresa sob coação irresistível, de sorte que decidiu exercer seu legítimo direito individual de defesa contra a arbitrariedade a que foram ditas pessoas submetidas, o que não invalida o efeito de tais recolhimentos, nos termos do artigo 612, do RA de 2002, em vigor à época dos fatos; quando tais recolhimentos foram efetivados, em 06 de janeiro de 2009, a empresa não se encontrava sob ação fiscal, o que somente viria a ocorrer, em 15/01/2009, como é incontroverso nos autos, em vista do que consta de fls. 03 do Anexo I (apenso aos autos principais), produzindose os efeitos do citado artigo 612 do R.A. de 2002. Assim, devem ser deduzidos dos valores lançados a título de Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS os recolhimentos de 06/01/2009, arrolados no Anexo 10 desta petição, no montante geral de R$ 1.142.979,61, com exclusão das multas proporcionais e penalidades, inclusive aquelas ditas regulamentares lançadas nos itens 002 e 003 do A.I.Imposto de Importação, por força do disposto no artigo 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, na redação dada pela Lei nº 12.350/2010, que retroage para beneficiar o acusado, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN; DAS PROVAS Fl. 6524DF CARF MF 22 a impugnante junta em anexo os documentos que provam suas alegações quanto à existência de critério jurídico prévio, impugnado em processos administrativos regulares (Anexos nºs 04/07), bem como a prova de ser fundada sua suspeita de que tenham sido incluídos itens indevidos na quantificação da exigência fiscal, em razão da utilização de mercadorias que foram declaradas perdidas (Anexos nºs 08/09), as quais, a teor do disposto nos artigos 71, inciso III, e 250 do R.A. de 2009 e artigo 190, inciso I, do RIPI, não ensejam a incidência de quaisquer tributos aduaneiros, não ensejando, portanto, revaloração, nem tampouco a imposição das multas regulamentares aplicadas; a partir dessa suspeita, fundada em prova (Anexos nºs 08/09), requer a produção de diligência (C.F., art. 59, inc. XXXIV, "b", e Dec. Nº 70.235, art. 16, IV), para que a fiscalização certifique nos autos: “a) a existência ou não de Declarações de Importação cujas mercadorias tenham sido objeto de pena de perdimento na MOBILITÁ ou em estabelecimentos de terceiros e cujo valor revalorado tenha inadvertidamente composto a base de cálculo dos tributos e multas lançados na peça básica; e, b)a existência ou não de processos de conversão de pena de perdimento em multa contra a MOBILITÁ ou contra terceiros, relativamente às mercadorias internadas ao amparo das declarações de importação indicadas no Relatório de Fiscalização;” as informações cuja certificação se requer são essenciais ao exercício do direito à ampla defesa e não se encontram na posse, nem estão ao alcance, nem são do conhecimento do Impugnante, por se tratar de matéria coberta pelo sigilo fiscal e/ou serem da economia interna da MOBILITÁ e/ou de terceiros; produz desde logo a prova documental em anexo acerca dos recolhimentos suplementares realizados em 06/01/2009 (Anexos 10 e 11); DO PEDIDO ante todo o exposto, vem requerer: “a) deferir a produção das provas e diligências acima especificadas, dando vista dos autos à impugnante para que examine seu resultado e acompanhe a sua realização; b) deduzir dos valores lançados, a título de Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS, os recolhimentos efetuados em 06/01/2009, arrolados nos Anexos 10 e 11 desta petição, no montante geral de R$ 1.142.979,61 (um milhão, cento e quarenta e dois mil, novecentos e setenta e nove reais e sessenta e um centavos), com exclusão das multas proporcionais e penalidades, inclusive aquelas ditas regulamentares lançadas nos itens 002 e 003 do A.I. Imposto de Importação, por força do disposto no artigo 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, na redação dada pela Lei nº 12.350/2010, que retroage para beneficiar o acusado, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN; Fl. 6525DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.515 23 c) julgar integralmente improcedente o auto de infração em todos os seus termos.” A responsável solidária (MOBILITÁ LICENCIAMENTOS DE MARCAS E PARTICIPAÇÕES LTDA) foi cientificada em 03/06/2011 (fl. 1.940), também pelos Correios, com aviso de recebimento, tendo apresentando sua defesa em 05/07/2011 (fl. 1.866), na qual, após afirmar a tempestividade da peça impugnatória e mencionar os fatos ocorridos, passa a contestar o alegado pela fiscalização: III. DO DIREITO III.1. DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO QUE NÃO RESPEITOU CONDIÇÃO PROCEDIMENTAL PARA A LAVRATURA DA AUTUAÇÃO a ação fiscal foi iniciada em 08.12.2010 por ocasião da expedição do Mandado de Procedimento Fiscal em epígrafe lavrado contra Asian Center. No afã de legalizar o procedimento fiscal, a fiscalização deixou de expedir MPF contra a IMPUGNANTE, limitandose a expedir, no ano de 2010, como se pode inferir da própria numeração, o MPFFiscalização n° 07154002010014878 contra Asian Center, mas que, além de já ter transcorrido o prazo de cinco dias exigido pelo decreto, também não se coaduna com a exigência regulamentar (§ 1º do art. 2º, do Decreto nº 3.724/2001), que obriga a emissão de MPFEspecial; a constatação da ausência válida e regular do MPF torna nulo o lançamento tributário. Isto é, não se trata neste caso de eventual omissão ou incorreção do MPF, mas sim de falta de emissão do regular MPFE, nos termos exigidos pelo Decreto n.° 6.104/2007 e pela Portaria RFB n.° 11.371/2007; ademais, em manifesta violação aos princípios da segurança jurídica, proteção da confiança legítima e não surpresa a que faz jus a IMPUGNANTE, a Fiscalização logrou lavrar auto de infração oriundo de procedimento fiscalizatório levado a efeito em face de terceiro sem o conhecimento da IMPUGNANTE, contra quem a RFB já havia encerrado todos os MPF em curso, conforme cópias anexas; é, pois, inconteste, que o auto de infração está eivado de nulidade, não podendo prosperar o lançamento tributário ora em comento, não apenas porque deixou de expedir MPFE contra a Asian Center, mas, sobretudo, porque sequer expediu MPF Fiscalização contra a IMPUGNANTE, em conduta manifestamente divorciada das normas legais pertinentes; III.2. DA NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA IMPUGNANTE a ora IMPUGNANTE sequer teve conhecimento do desenrolar do procedimento fiscal que embasou a presente autuação, de forma que, uma vez cientificada do lançamento, por óbvio, é Fl. 6526DF CARF MF 24 fundamental a ciência do inteiro teor dos autos para o completo entendimento das conclusões da Fiscalização consubstanciadas no AUTO; nada obstante, a via do AUTO recebida pela IMPUGNANTE, juntamente com o Relatório, únicos instrumentos aptos a conferir dados bastantes a fundamentar sua defesa, foram recebidos pela via postal, com lacunas onde deveriam constar referências ao processo administrativo respectivo, bem como sem cópias do inteiro teor do processo; ao observar o período autuado, bem como as infrações e consequentes penalidades aplicadas, a IMPUGNANTE, aventando a possibilidade de equívoco da Fiscalização, vez que já existem em face dela IMPUGNANTE outros processos administrativos com aplicação de pena de perdimento de mercadorias ou sua conversão em multa, atinentes ao mesmo período e fatos, requereu vista dos autos para ter acesso ao inteiro teor das declarações de importação ("DI") colacionadas na planilha anexa ao AUTO, de modo a sanar qualquer possível dúvida; entretanto, embora conste nos autos, às fls. 401412 (DOCUMENTO 05), menção à entrega das cópias integrais das DI’s objeto do AUTO pela Asian Center, as referidas cópias não se encontram nos autos; como poderia a IMPUGNANTE identificar se mercadorias constantes das DI lançadas na presente autuação foram apreendidas em oportunidades anteriores se não pode saber a que produtos a autuação se refere? Assim, restou evidentemente prejudicada a defesa da IMPUGNANTE; além do exposto, cumpre ressaltar que todo o procedimento especial de fiscalização lastreado na IN SRF n.° 228/2002, utilizado como fundamento precípuo para a presente autuação, se deu à revelia da IMPUGNANTE, realizado tão somente em face da Asian Center; a IMPUGNANTE foi compelida pelo decurso do prazo a elaborar defesa ao AUTO ora em apreço sem acesso a informações fundamentais. É mister ressaltar que o Relatório de Fiscalização vem anexo ao AUTO e é o responsável por esclarecêlo, faz várias referências em branco ao processo, processo este que tem ele próprio lacunas, vez que, a despeito de indicar que as cópias das DI deveriam constar de suas folhas, não contém as declarações autuadas; no caso em tela está clara a violação ao princípio da ampla defesa perpetrada pela administração pública que impossibilitou a IMPUGNANTE o acesso aos autos e às informações que embasaram a autuação, impossibilitando uma defesa técnica e fática; sendo assim, cerceamento maior ao direito de defesa da IMPUGNANTE não há, uma vez que foi impedida de ter acesso às informações sobre as quais foi construída a autuação; Fl. 6527DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.516 25 III.3. DA NULIDADE POR ERRO NA APURAÇÃO DO QUANTUM REFERENTE À EXIGÊNCIA DO AUTO III.3.A. DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE EM RAZÃO DE AUTUAÇÕES ANTERIORES COMPREENDENDO O MESMO PERÍODO DE APURAÇÃO AINDA EM DISCUSSÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA, LAVRADAS EM FACE DA IMPUGNANTE ao se deparar com o AUTO, a IMPUGNANTE pôde perceber que o período autuado, fevereiro de 2007 a novembro de 2008, já havia sido objeto de autuações anteriores, ainda em discussão na esfera administrativa, digase, fato que levou a IMPUGNANTE a aventar a possibilidade de se tratar de nova cobrança sobre fatos geradores objeto de lançamentos anteriores. Assim, buscou os autos de infração contra ela lavrados que compreendiam o referido período, concluindo que: “(i) nos autos do Processo Administrativo n.° 10707.000.784/201052, sem julgamento de primeira instância, a fiscalização lançou o IPI não destacado na saída de produtos tributados de estabelecimento supostamente caracterizado como equiparado a industrial; decorrentes de importações realizadas pela Asian Center para a IMPUGNANTE, referente ao período de 2005 a 2008, sem considerar o possível crédito a que faria jus a IMPUGNANTE (DOCUMENTO 06), pelo princípio constitucional da nãocumulatividade, de modo que a IMPUGNANTE já estaria sendo cobrada pelo IPI incidente em toda a cadeia, desde a importação, constituindo a presente autuação manifesta cobrança em duplicidade; (ii) nos autos do Processo Administrativo n.° 10074.000899/201031 igualmente em trâmite e sem julgamento em primeira instância, a fiscalização logrou cominar multa de conversão da pena de perdimento pela impossibilidade de apreensão das mercadorias no período de 2005 a 2008, compreendendo todas as DI novamente autuadas na presente autuação, conforme cópias anexas (DOCUMENTO 07), consistindo novamente cobrança em duplicidade dos valores referentes à multa de conversão da pena de perdimento; e (iii) por fim, há ainda a possibilidade de existirem DI’s abarcando mercadorias que hajam sido apreendidas em um dos doze processos de apreensão de mercadorias pela aplicação da pena de perdimento já instaurados em face da IMPUGNANTE atinentes às operações de importação realizadas pela Asian Center, o que não foi possível ser apurado desde logo pela IMPUGNANTE porque, como amplamente explanado nos itens acima, não havia cópias da íntegra das DI nos autos, de forma que a IMPUGNANTE pudesse averiguar a que mercadorias a presente autuação se refere”; III.3.B. DO ARBITRAMENTO INDEVIDO Fl. 6528DF CARF MF 26 é inegável que há no AUTO flagrante erro de determinação da base de cálculo utilizada para a determinação da exigência, pois ao arbitrar o valor tributável, a fiscalização utilizouse, conforme descrito no Relatório de Fiscalização anexo ao Auto de Infração, de planilha imprestável para esse fim, de natureza apócrifa, que sequer foi elaborada pela Asian Center, mas proveniente do exterior e sem qualquer validação para sua utilização como meio de prova; analisando o que estabelece o artigo 148 do CTN, verificase que o valor ou o preço de bens importados somente podem ser arbitrados pela autoridade fiscal se precedido de um processo regular, ou seja, devem ser observados os critérios específicos na legislação para o arbitramento dos preços e, ainda, ser dado conhecimento ao importador desses referidos critérios, para que seja dada a possibilidade ao mesmo de exercer o amplo direito de defesa em relação ao valor que lhe está sendo arbitrado pelo Fisco; a Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, determina os casos em que os valores das mercadorias importadas poderão ser arbitrados, bem como os critérios; muito embora o disposto na legislação supra citada, no caso do AUTO em questão, consoante se verifica da leitura do relatório fiscal, constatase que não foi observado pelo Fisco o disposto na legislação pertinente; como se depreende da mera leitura do Relatório, a Fiscalização passou ao largo da ordem sequencial indicada no RA e nas normas do GATT. A simples afirmação de que há suposta fraude que denote caso de arbitramento, invocando o RA não constitui razão bastante a legitimar arbitramento divorciado das normas legais que regulamentam a matéria; em vez de consultar os registros do SISCOMEX e obter o valor a partir da análise comparativa dos dados das mercadorias exportadas para o Brasil oriundas da China ou de obter laudo emitido por técnico ou entidade especializada, a Fiscalização arbitrou a base de cálculo de acordo com preços obtidos em planilha apócrifa; o § 2, g do Artigo 7º do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto n.° 1.355 de 30.12.1994, prevê que o valor aduaneiro não será baseado em valores arbitrários ou fictícios; adicionalmente, as informações constantes da planilha utilizada pela fiscalização como fundamento ao arbitramento não foram ratificadas pela Aduana, conforme determina a Opinião Consultiva 12.3 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da Organização Mundial do Comércio, veiculada pela IN SRF n.° 318/2003; diante de todo exposto, não restam dúvidas de que o arbitramento puro com base em planilha apócrifa, sem a obrigatória observância dos preceitos estatuídos no Acordo de Valoração Aduaneira, deve ser reputado ilegal, em total afronta aos Princípios da Legalidade, do Devido Processo Legal, da Fl. 6529DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.517 27 Ampla Defesa e do Contraditório, a ensejar a nulidade do Auto de Infração; III.3.C. DA INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E DE PROVA TENDENTE A CARACTERIZAR A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA QUE ORA SE ALEGA E A CONSEQUENTE FRAUDE APTA A ATRAIR O ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO E A RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA IMPUGNANTE segundo consta do Relatório de Fiscalização anexo ao Auto de Infração, à sua fl. 2, a interposição fraudulenta restou evidenciada em razão do pagamento integral de multa prevista no artigo 33 da Lei n.° 11.488/2007 realizado pela Asian Center, após lavratura de auto de infração constante do processo n.° 10074.000481/200990, resultante do procedimento administrativo da IN SRF n.° 228/2002; de início, cabe desde logo assinalar que o mero pagamento de uma autuação não importa sobremodo confissão quanto à matéria de fato, tampouco o reconhecimento da ilicitude da conduta analisada, ainda mais quando feito por um terceiro. De forma que a fiscalização jamais poderia concluir pela interposição fraudulenta, infração apta a gerar a penalidade mais gravosa ao suposto importador, pautada tão somente em decisão de cunho meramente gerencial, consistente no pagamento de um auto de infração pela sociedade autuada em processo administrativo diverso; até mesmo porque o referido processo ainda está em trâmite, sem decisão transitada em julgado; o mero pagamento do auto de infração constante do processo administrativo n.° 10074.000481/200990 em face de ASIAN não pode ter o condão de substituir o processo administrativo instaurado em face da IMPUGNANTE com o objetivo especifico de apurar a existência ou não dessa suposta ilicitude; importa destacar que a existência de meros indícios não deve ser suficiente para concluir pela interposição fraudulenta que, como se sabe, possui conseqüências gravíssimas para a autuada (ou autuadas), cabendo aos julgadores saber dirimir e distinguir as especificidades entre um caso e outro; na hipótese ora em análise, mesmo após amplo processo fiscalizatório, por meio do qual, em momento algum, restou comprovada a alegada ilicitude dos procedimentos levados a efeito pela IMPUGNANTE, a fiscalização entendeu por bem autuála, sugerindo a configuração de interposição fraudulenta de pessoas, com base em análise por amostragem das notas fiscais de entrada e saída da mercadoria de ASIAN e no argumento de que o modus operandi se compatibilizaria com a operação determinada por terceiros; vejase que as supostas provas da interposição fraudulenta se deram com base na análise por amostragem de apenas 25 declarações de importação, universo no qual não houve Fl. 6530DF CARF MF 28 unanimidade, e levaram à conclusão de que sempre havia entrada e saída da mercadoria no mesmo dia e com elevação de preço estável; o auto de infração lavrado para exigir multa decorrente da conversão da pena de perdimento está eivado de inconsistências e nulidades, posto que não há provas inequívocas para fundamentar a conclusão de que a IMPUGNANTE caracterizar seia como equiparada a industrial. Esses argumentos não são bastantes a comprovar a interposição fraudulenta, a qual somente poderia ser presumida se comprovado que as transferências de recursos realizadas pela IMPUGNANTE para a empresa ASIAN teriamse dado por ocasião de adiantamento para fechamentos de câmbio e pagamentos de tributos aduaneiros, relativos às operações descritas no AUTO; convenientemente, o relatório do ARFB menciona rapidamente a questão da transferência de recursos, às fls. 43/44, para dizer que identificou depósitos recorrentes da IMPUGNANTE, aproximadamente quinzenais, na conta bancária de ASIAN. Ora, por que outro modo deveriam então ser realizados os pagamentos pelas mercadorias adquiridas? Tal fato não comprova nada. Qualquer periodicidade pode ser entendida como "aproximadamente quinzenal", ou será em uma metade do mês ou na outra; absurda a forma como a Fiscalização força a exegese para justificar autuação pautada em arbitrariedade pura e simples, sem qualquer fundamentação na legislação de regência; para comprovar a interposição fraudulenta e a solidariedade da impugnante, os autuantes deveriam demonstrar que a importação foi feita por conta e ordem, sob fundamento de que houve adiantamento de recursos para fechamento dos contratos de câmbio, conforme letra do artigo art. 27 da Lei n° 10.637/2002, para assim justificar a exigência dos tributos incidentes na importação agora, como a cominação da pena de perdimento, convertida em multa nos autos do processo administrativo 10074.000899/201031, o que não foi levado a efeito nesta ocasião, tampouco naquela; cumpre esclarecer que a pena de perdimento consiste em penalidade aplicável quando da presença do intuito de causar dano ao erário, consistindo o dolo em elemento do tipo. O dolo está igualmente presente quando se trata de fraude em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação; deve ser observado pelo Estado, quando este vier a impor a sanção da pena de perdimento, nas hipóteses possíveis e naquilo em que couber, o conjunto daqueles princípios constitucionais existentes em torno da matéria tributária consagrados em nossa Carta Magna; devese restar claro, ainda, não se tratar o instituto em comento de um tributo, mas a ele, todavia, assemelhase, isso porque emana da vontade coativa do Estado, atingindo o patrimônio particular. Este último instituto, aliás, distinguese da pena de perdimento por não se constituir em uma penalidade decorrente Fl. 6531DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.518 29 da prática de um ato ilícito, uma vez que o fato descrito pela Lei o qual gera o direito de cobrálo, chamado de hipótese de incidência, será sempre algo lícito, distinto, pois, de uma fraude que atinge o fisco; como já explanado, é elemento do tipo a presença de fraude ou simulação, as quais, obviamente, não podem ser presumidas, mas provadas por quem as alega. No caso em tela, não há sequer uma prova de fraude. As importações em apreço são absolutamente regulares. assim como no Direito Penal, também no Tributário somente pode ser punido aquilo que corresponder exatamente ao fato típico, sob pena de violação ao princípio constitucional da legalidade, como se está a fazer no presente caso, pois está ausente elemento fundamental do tipo, qual seja: o dolo de dano ao erário; em momento algum a fiscalização logrou comprovar que a finalidade das transferências de recursos realizadas era de adiantamento para fechamento de câmbio e pagamento de tributos aduaneiros. Ao revés, as provas carreadas aos autos demonstraram tão somente que pagamentos foram realizados; nada mais; a fiscalização prefere defender a tese de que ao pagar o auto de infração lavrado para exigir multa por interposição fraudulenta de pessoa, estaria comprovada a falta de recursos da ASIAN, assim como a ilicitude das operações. Repisese: decisão gerencial de pagamento de autos de infração não constitui reconhecimento da matéria de fato, tampouco pode fazer prova contra outro contribuinte que sequer participou do procedimento, não tendo assegurado seu direito ao contraditório; ora, é forçar muito a exegese, crer que tal operação configura prova de fraude, em vez de ser o que de fato é: uma aquisição de mercadorias importadas no mercado interno. Assim, tratase de incomprovada presunção da fiscalização; assim, resta cristalino que a Fiscalização forçou a exegese tentando configurar como fraude a operação que, de início, notase que sequer apresentou os indícios necessários para que se conclua pelo adiantamento de recursos; não pode a Administração, sob argumento de querer justificar sua desconfiança de fraude, fazer acusações levianamente, sem demonstrar prova de seus fundamentos. E mais, aplicando a penalidade mais gravosa prevista em nosso ordenamento jurídico; a contabilização regular dos pagamentos das notas fiscais à Asian Center, sem adiantamento de recursos, faz prova a seu favor, sendo do fisco o ônus de, fundamentadamente, provar a inveracidade dos fatos contabilizados (§ 2º do art. 9º do DL n° 1.598/77); Fl. 6532DF CARF MF 30 é assente na jurisprudência o entendimento de que a boafé é que deve ser presumida quando o adquirente compra, no mercado interno, de empresa regularmente constituída e mediante nota fiscal, mercadoria importada, devendo a alegação de fraude ser comprovada pela Fazenda Pública; o Superior Tribunal de Justiça se manifesta ainda no sentido de que a boafé não deve ser desconsiderada, tendo em vista que a pena de perdimento não pode ser dissociada do elemento subjetivo; se não há prova do único elemento que de fato enseja a interpretação de interposição fraudulenta de pessoa, qual seja: a transferência de recursos com o fim de adiantamento para fechamento dos contratos de câmbio e pagamento dos tributos aduaneiros, estarseia dizendo que o possível subfaturamento das mercadorias, os quais não são sequer da alçada da IMPUGNANTE, deveria ter sido fiscalizado por ela, revelando exigência de transferência da responsabilidade de fiscalização para o particular; não é correto transferir a responsabilidade de fiscalização ou mesmo a responsabilidade penal e fiscal de eventual importação irregular a quem adquiriu de boa fé as referidas mercadorias, sem que a receita federal tenha produzido alguma espécie de prova que viesse a vincular a IMPUGNANTE à prática daquele ilícito; como a autoridade fiscal não se apercebeu desta verdade absoluta (até pela força dos precedentes do STJ), deve mesmo este AUTO ser declarado insubsistente, sob pena de continuar prevalecendo algo que é sabidamente injusto e inválido juridicamente; é, portanto, indiscutivelmente ônus do Fisco apresentar as razões e fundamentos que motivaram a autuação (fundamentos de direito e de fato), bem como a prova da ocorrência dos elementos configuradores do fato gerador do tributo. A presunção de legitimidade do ato administrativo praticado, que milita em favor da Administração Pública, não a exime de provar e demonstrar o fundamento (motivos de fato e de direito) e legitimidade de sua pretensão; assim, deve restar cabalmente fundamentado e comprovado pela autoridade administrativa que os pagamentos efetuados a ASIAN não se deram em decorrência da aquisição das mercadorias importadas no mercado interno, mas em razão de adiantamento para fechamento de câmbio. Sem estes elementos não pode haver imposição tributária; conforme o excerto do art. 924 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto 3.000/99), cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados na escrituração mantida pela pessoa jurídica, competência esta não exercida pelo ARFB que procedeu à lavratura do AUTO ora impugnado; o lançamento de ofício há de ser celebrado de maneira precisa e induvidosa, de modo a assegurar que os fatos que o ensejaram Fl. 6533DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.519 31 constituem, efetivamente, infração à legislação tributária. Se houver dúvida quanto à correta identificação das circunstâncias e da qualificação dos fatos, impõese a solução mais favorável ao sujeito passivo, consoante estabelece o inciso II do artigo 112 do CTN; ademais, da IMPUGNANTE não pode ser exigida nenhuma prova adicional, salvo se a lei impusesse forma especial de comprovação da despesa, o que não ocorre; ao contrário, o § 2º do art. 9º do DL n° 1.598/77 diz expressamente que compete ao fisco provar a inveracidade dos fatos contabilizados; a fiscalização conjectura sobre a relação íntima entre o IMPUGNANTE e a ASIAN, dizendo que o Sr. Samuel Golberg e sua esposa seriam exsócios da empresa LCG ADMINISTRADORA DE IMÓVEIS, a qual é proprietária de imóveis onde estão instaladas as lojas do IMPUGNANTE. Nos termos da IN 228/02, isso não se traduziria numa comprovação de que o importador não teria capacidade financeira para importar as mercadorias, de sorte a caracterizar, na forma da legislação, a interposição fraudulenta; para a fiscalização, o ponto derradeiro para a suposta caracterização da interposição fraudulenta, seria o fato de a ASIAN apenas importar mercadorias destinadas ao IMPUGNANTE. Ora, não há qualquer vedação na legislação tributária a que um importador independente comercialize seus produtos para um único cliente; nos termos da IN 228/02, isso não se traduziria numa comprovação de que o importador não teria capacidade financeira para importar as mercadorias, de sorte a caracterizar, na forma da legislação, a interposição fraudulenta; o art. 618 do Regulamento Aduaneiro e a IN 228/02 têm foco exclusivo na verificação da capacidade financeira do importador para adquirir as mercadorias estrangeiras; não caberia ao IMPUGNANTE, nem aqui, nem mesmo no curso de eventual ação fiscal sob a égide da IN 228/02, comprovar que a ASIAN teria origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se fosse o caso, dos recursos necessários à prática das operações por ela realizadas. Como visto, o ônus dessa prova deveria ter sido exigido da ASIAN, real importadora das mercadorias estrangeiras e responsável perante as autoridades fazendárias pelas operações por ela realizadas; uma vez que não está comprovada a conduta fraudulenta, tampouco a interposição fraudulenta, conforme se demonstrou amplamente no decorrer dessa peça impugnatória, tramitando inclusive um sem número de processos administrativos contra a IMPUGNANTE acerca desta temática, como poderá restar configurada a responsabilidade solidária? Com base em que dispositivo legal? não há em um só momento na presente autuação, indicação da Fiscalização de qual infração teria sido cometida pela Fl. 6534DF CARF MF 32 IMPUGNANTE e que ensejaria a conclusão de tratarse de interposição fraudulenta de terceira pessoa; considerando não haver fundamento para a aplicação da conversão da pena de perdimento em multa, para o arbitramento de base de cálculo, tampouco há para a atração do instituto da responsabilidade solidária; ante todo o exposto, seja pela nulidade do AUTO, seja pela sua improcedência, dúvidas não restam de que o lançamento baseado em valoração de fato tributário equivocada não deve subsistir, dado o seu incontestável caráter viciado, vez que não cumpre aos requisitos estabelecidos no artigo 10 do Decreto n° 70.235/72, quais sejam: a descrição dos fatos e fundamentos do lançamento e a determinação da exigência; III.4. DAS MULTAS APLICADAS EQUIVOCADAMENTE de início, podese questionar o enquadramento legal utilizado pela fiscalização para aplicação da multa de ofício, proporcional ao valor do imposto, prevista no artigo 44, I e § 1º da Lei n.° 9.430/96. Referida penalidade é aplicada em hipótese de falta de declaração ou declaração inexata e não de "falsa declaração correspondente ao valor", conforme se depreende do relatório fiscal; caso a autuação merecesse prosperar o que se admite apenas para efeitos de argumentação jamais deveria ser aplicada a multa proporcional de 150% do mencionado dispositivo. Quando muito, a fiscalização deveria ter invocado a multa própria para a hipótese dos autos, qual seja: 100%, prevista no artigo 108, parágrafo único do DecretoLei n.° 37/66; é cediço que, nos termos do artigo 112, incisos I e IV do CTN, em caso de dúvida relativa à capitulação legal e gradação da penalidade, a lei deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte; ademais, tendo sido manifestamente equivocado o arbitramento levado a efeito pela fiscalização, igualmente desarrazoada é a penalidade aplicada sobre a diferença entre o valor aduaneiro declarado e aquele "arbitrariamente" arbitrado. Se a diferença apurada não seguiu os ditames da legislação, não há que se falar em aplicação de penalidade calculada sobre esta diferença, posto que igualmente ilegal; a fiscalização atentou flagrantemente contra os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, incidindo em evidente confisco ao exigir, além dos tributos, montantes referentes a multas administrativas do § 3° do artigo 23 do DecretoLei n.° 1.455/76, do parágrafo único do artigo 88 da MP n.° 2.158 35/2001 e do artigo 33 da Lei n.° 11.488/07; vejase que todas essas multas somam quase 300% (trezentos por cento) do valor das mercadorias em comento; dolo é a vontade livre e consciente do agente em realizar a conduta proibida por lei. Assim, a aplicação da multa qualificada está inseparavelmente condicionada à constatação da conduta dolosa do contribuinte, devendo esta ser demonstrada pela fiscalização de forma inequívoca mediante Fl. 6535DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.520 33 provas e jamais podendo ser presumida, mormente quando a IMPUGNANTE é mero responsável solidário e não o contribuinte; a autuação ora atacada foi baseada na presunção de que a IMPUGNANTE figura como real adquirente de importações realizadas mediante interposição fraudulenta de pessoa, fato que não restou comprovado, conforme demonstrado no decorrer da peça impugnatória. Ao contrário, como já visto nas seções anteriores, o Fisco falhou com o seu ônus probante e daí elaborou suposições para embasar o lançamento; o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se firmou no sentido de que para a exasperação da multa, o dolo deve necessariamente ser provado; assim, a multa qualificada somente pode ser exigida quando for provado o evidente intuito de fraude tendente a suprimir ou reduzir tributo (sonegação). Portanto, uma vez que o AUTO apenas presumiu ter a IMPUGNANTE agido com dolo, a manutenção da multa qualificada ofenderia o princípio da "presunção de inocência", consagrado no art. 5°, LVII da CF/88; em suma, ainda que fossem ignoradas as falhas relatadas nas seções anteriores, a fiscalização não provou que a IMPUGNANTE agiu com a intenção de não pagar eventual tributo. Ao contrário, há no caso mera presunção sem qualquer prova nesse sentido; ademais, o artigo 137, do Código Tributário Nacional preleciona ser pessoal a responsabilidade do agente quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, como acontece no presente caso, onde foi instaurada representação fiscal para fins penais; assim sendo, não há como se atribuir ao responsável solidário essas infrações e, por conseguinte, as penalidades imputadas neste AUTO, por absoluta falta de amparo legal para tanto; o artigo 566, do Regulamento do IPI (Decreto n° 7.212/2010) estabelece que, se no processo se apurar a responsabilidade de mais de uma pessoa, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido (Lei n° 4.502, de 1964, art. 75); destarte, deve ser afastada a multa agravada, ante a carência dos requisitos básicos que suportam a aplicação desse dispositivo; IV.CONCLUSÃO E PEDIDO DA INSUSBSISTÊNCIA DO AUTO pugnase, ainda, pela apresentação de provas supervenientes devidamente justificadas, em especial pela realização de diligências consistente na verificação de duplicidade da multa de Fl. 6536DF CARF MF 34 100% resultante na conversão na pena de perdimento e do respectivo IPI incidente sobre essas DI’s, mediante requisição dos processos administrativos antes mencionados, de modo a que possam ser expurgadas as referidas cobranças em duplicidade ora arguidas pela IMPUGNANTE; também deve ser objeto de diligência a verificação se as mercadorias apreendidas anteriormente são objeto das DI’s que embasaram a presente autuação, sob pena de cerceamento do direito de defesa, como antes aduzido, bem como para que não haja cobrança sobre fatos fora do campo de incidência tributária; diante de todo o aduzido, das provas produzidas e por ser de direito e de justiça, é de requerer a determinação da nulidade dos Autos objetos da presente Impugnação, ou, se assim não se considerar, que se declare a improcedência de seus lançamentos e cobranças referentes ao Imposto de Importação II, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social COFINS/Importação e Contribuição ao Programa de Integração Social PIS/Importação, decretando, outrossim, a insubsistência, a anulação e o cancelamento dos referidos lançamentos e cobranças. Através da Resolução nº 082.502, de 25/06/2013, da Sétima Turma deste órgão julgador (fls. 2.5802.599), decidiuse converter o julgamento em diligência para o órgão de origem, solicitando a este as seguintes providências: “1) Indicar todas as folhas do processo a que, no Relatório de Fiscalização, estáse fazendo referência, mas não estão informadas no referido Relatório, a exemplo do que ocorre às fls. 208, 209, 220, 221 e 252; 2) Informar, identificando, se há alguma mercadoria, dentre as importadas através das DI’s objeto de autuação, atinentes às operações de importação realizadas pela ASIAN CENTER, e que tenham sido objeto de pena de perdimento em processos relativos à MOBILITÁ ou a outro adquirente; 3) Manifestarse sobre a afirmação da MOBILITÁ, às fls. 1.874 e 1.8771.878, relativa à existência de DI´s já objeto de multa de conversão nos autos do Processo Administrativo n.° 10074.000899/201031 e, novamente, no presente processo; informar, identificando, se há quaisquer outros processos de conversão de pena de perdimento em multa contra a MOBILITÁ ou contra terceiros, abrangendo mercadorias internadas ao amparo das declarações de importação indicadas no Relatório de Fiscalização; 4) Incluir nos autos cópia integral de todas as DI´s objeto de autuação, com as respectivas faturas instrutivas; 5) Prestar quaisquer outros esclarecimentos e anexar documentos que sejam relevantes para o deslinde da questão;” Fl. 6537DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.521 35 Em decorrência do solicitado, a unidade de origem anexou diversos documentos, apresentando, à fl. 3665, manifestação, na qual afirma: “1 Quanto às folhas onde constam os documentos juntados: a) Documento citado às fls. 208 tela reproduzida às fls.52/53 do V2. b) Documento citado às fis.209 autorização judicial transcrita às fls. 54 do V2. c) Documento citado às fis.209 foto do produto reproduzida às fls. 57 do V2. d) Documento citado às fls.220 termo de início juntado às fls.74/76 do V3. e) Documento citado às fls.221 resposta à intimação juntada às fls. 77/79 do V3. 2Desconhecese a existência de mercadorias objeto da pena de perdimento que tenham sido objeto da presente autuação. 3A presente aplicação da multa de 100% em face de ASIAN, referente às DI registradas em 2007 e 2008, encontrase fundada no disposto no inciso VI do artigo 105 do DecretoLei 37/66, já a autuação em face de MOBILITÁ, consubstanciada no processo 10074.000899/201031, referente às DI registradas por ASIAN entre 2002 e 2008, com ocultação de MOBILITÁ, foi fundamentada no disposto no inciso V do artigo 23 do DecretoLei 1455/76, a qual revelouse, posteriormente, realizada sobre bases totalmente subvaloradas, para as operações de importação realizadas nos anos de 2007 e 2008. 4Os extratos das DI encontramse acostados às fls.2603 a 3219, já as faturas encontramse às fls. 3502 a 3664 do presente processo Finalmente, ficam cientificados os sujeitos passivos do prazo de 30 dias para se pronunciarem sobre as informações aqui contidas.” A MOBILITÁ foi cientificada do resultado da diligência em 21/08/2013 (fls. 3.666 e 3.668), tendo apresentado sua manifestação em 20/09/2013 (fls. 3.6733.686), em que alega: deve ser veementemente rejeitada a afirmação da autoridade fiscal de que "desconhece a existência de mercadorias objeto de pena de perdimento que tenham sido objeto da presente autuação"; não apenas conhece, como estão praticamente todos na própria Inspetoria da Receita Federal no Rio de Janeiro; diferente do que tenta fazer crer, não pode a fiscalização se desincumbir de sua responsabilidade de apurar qual o conjunto de mercadorias que devem ser incluídas em sua autuação, Fl. 6538DF CARF MF 36 separandoas daquelas já objeto da pena de perdimento; pois, do contrário, estará agindo arbitrária e ilegalmente, adotando um procedimento de clara penalização bis in idem; a impugnante apresenta quadro descritivo dos dezesseis processos de aplicação de pena de perdimento de mercadorias constantes de seu estoque, adquiridas do Importador Asian Center (fls. 36773679); a questão de fundo deste e de outros autos de infração, lavrados em decorrência das circunstâncias aqui tratadas, consiste no fato de a Asian Center haver dirigido à Mobilitá a totalidade de mercadorias por aquela importadas; necessariamente, portanto, tanto as mercadorias deste auto de infração quanto aquelas já constantes dos estoques da Mobilitá provêm de importações objeto de Declarações de Importação registradas pela Empresa Asian; certo, também, é que o presente auto de infração pretende tributar todas as DIs da Empresa Asian, registradas nos anos de 2007 e 2008. Desta maneira, indubitável a necessidade de a Fiscalização excluir deste lançamento o valor aduaneiro, tal como arbitrado pelo Fisco, relativo a tais mercadorias já apreendidas e destinadas pela Receita Federal; além dessas, objeto de pena de perdimento, também as mercadorias já comercializadas pela Mobilitá e, posteriormente, objeto de auto de infração para a conversão da pena de perdimento em multa, devem ser excluídas da presente autuação; este é o caso das mercadorias e respectivas DIs, constantes dos autos do processo administrativo n° 10074.000899/201031, que englobou todas as DIs, de 2002 a 2008, também ora anexado; nesse processo, a autoridade administrativa pretende efetuar a cobrança de Multa igual a 100% do valor aduaneiro de mercadorias, a título de conversão da pena de perdimento, referentes a Declarações de Importação efetuadas pela Empresa Asian Center Importação e Exportação, no período de 06.9.2002 a 24.11.2008, alegando que todas as importações efetuadas por referida pessoa jurídica e vendidas para a Mobilitá ocorreram de forma irregular, visto que esta seria a real beneficiária da operação, caracterizando hipótese de operação com interposição fraudulenta; da leitura do auto de infração do citado processo, o Relatório daquela autuação e o do presente processo são, em tudo, idênticos. Apenas ao final do Relatório deste processo, a autoridade, supostamente amparada pelos fatos narrados, desvia suas conclusões para afirmar que a fraude decorrente da interposição serve de pretexto à desconsideração das faturas comerciais; ou seja: a motivação é absolutamente idêntica, sendo que a própria descaracterização das faturas comerciais, a imputação de fraude e a desconsideração do valor se dão por causa da suposta interposição. Está, portanto, clara a interseção das autuações; Fl. 6539DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.522 37 disso se conclui que, pelo critério da especialidade, todas as imputações levariam à infração de interposição fraudulenta de terceiros, com a respectiva aplicação das penas de perdimentos e/ou conversão destas em multa. Justamente essas penalizações ocorreram, em face da Mobilitá, através dos dezesseis processos de perdimento e do processo de conversão, listados acima e ora anexados; a pretensão de se aplicar outra pena de perdimento por uso de documento falso configura explícita desobediência ao critério da especialidade; sendo, portanto, totalmente, improcedente. Registrese, novamente, que a desconsideração das faturas comerciais e a consequente rejeição dos critérios de valoração constantes do AVA se deram em função de suposta fraude de interposição de pessoas, conforme Relatório Fiscal de todos os autos de infração lavrados; registrese que, em suas considerações pósdiligência, a própria Autoridade afirma que autuara a Empresa Mobilitá por interposição fraudulenta e que, constatando que as bases de 2007 e 2008 estariam subvaloradas, efetuou outro lançamento, este agora por uso de documento falso; ocorre que, ainda se o auditorfiscal estivesse correto em suas conclusões, caberia a este complementar o primeiro lançamento, e não autuar a empresa utilizando um fundamento legal diverso, qual seja, uso de documento falso. Se os fatos são os mesmos, não há suporte para, na tentativa de retificar o lançamento, autuar por outro motivo. Não é lógico nem correto o procedimento adotado; a mesma violação ao Princípio da Especialidade ocorre em relação à cumulação da multa de conversão de perdimento com a imposição de impostos, contribuições e multa por subfaturamento. Novamente, tendo sido aplicada a pena de perdimento (ou sua conversão), seja por uso de documento falso, seja por interposição, esgotase aí o apenamento aplicável; sendo, portanto, também improcedentes todas as demais cobranças impostas neste auto de infração; por outro lado, sob o prisma da existência do subfaturamento, considerando válidas as multas e diferenças de tributos decorrentes, não há de se falar em multa de conversão de pena de perdimento, por uso de documento falso, visto que a falsidade a que alude o artigo 105, do DL 37/66 é a falsidade material e, não, a invocada falsidade ideológica apontada pela Fiscalização. Em resumo, caso se entenda pela aplicação da penalidade por subfaturamento, a multa de conversão não prospera; conforme se observa em anexo, o auto de infração lavrado em face da Empresa Mobilitá (10074.000899/201031) considerou válido o lançamento sobre todas as Declarações de Importação, desde 2002 a 2008. Disto decorre que o mesmo critério deve informar a apuração do IPI e das Contribuições para o PIS e a Cofins; Fl. 6540DF CARF MF 38 assim, ainda que se considere correta cobrança de tais tributos, necessária se faz a compensação com o IPI e Contribuições recolhidos na saída das mercadorias da Empresa Asian para a Mobilitá, ou, ao menos, dos recolhidos por ocasião do registro de todas as Declarações Importação, anteriores ao período ora autuado. Esta necessidade imperiosa se dá em vista do princípio da não cumulatividade, o que não foi observado pela Autoridade Fiscal; em ignorando a necessária compensação, o presente lançamento desconsiderou as regras cogentes do artigo 142, do Código Tributário Nacional, o que torna imprestável a imposição tributária; ainda que não se considere, de plano, improcedente o lançamento, imperioso é o reconhecimento do direito à compensação dos créditos decorrentes dos tributos recolhidos anteriormente, seja nas saídas da Asian para a Mobilitá, seja, ao menos, no registro das DIs; inexiste prova de subfaturamento. Em relação à tabela denominada Account, que, supostamente, seria prova de subfaturamento de mercadorias pela Empresa Asian Center, mas que, na realidade, apresenta dados ininteligíveis e simplesmente replicados do inquérito policial, a título de prova emprestada, não foi demonstrada qualquer análise minudenciada que permitisse a compreensão de como referida tabela sustenta as conclusões acerca do valor aduaneiro das DIs objeto do auto; essas informações são de origem duvidosa, assim como, o critério de valoração adotado pela Fiscalização, calcado em suposto "algoritmo", construído não se sabe a partir de quais premissas; a valoração aduaneira de mercadorias é regida pelo Acordo de Valoração Aduaneira, GATT 94, sendo certo que, para a descaracterização do primeiro método com a aplicação de método substitutivo de valoração é necessária a fundamentação objetiva, clara e demonstrável dos novos valores utilizados, não bastando indícios ou generalizações, como a que pretendeu fazer nestes autos a Fiscalização; inexiste responsabilidade solidária da impugnante. Não há como extrair qualquer participação da recorrente na compilação dessas informações, tampouco que tenha usufruído de qualquer vantagem advinda de tais supostas operações. Ou seja, nenhum desses documentos mostra que a Mobilitá teve qualquer participação nas operações de importação, seja na formação do preço, seja nas relações com o exportador, seja na elaboração de planilhas de controle supostamente produzidas fora da contabilidade da Empresa Asian; de todas as considerações acima, não se pode inferir, portanto, que a Asian agia em nome e em benefício da Mobilitá nas importações que promovia, ocultandoa, nem que esta financiasse as operações de comércio exterior daquela. No que importa aos presentes autos, mesmo que se considerasse existente a prática de subfaturamento, não está caracterizada Fl. 6541DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.523 39 qualquer infração aduaneira relativa a valor cuja responsabilidade possa ser atribuída à Mobilitá; diante de tudo o que se expôs, requerse sejam acolhidas as razões da impugnação já apresentada, bem como das considerações pósdiligência fiscal para que seja declarada a total improcedência do lançamento. Alternativamente, caso não se entenda pela exclusão de todo o crédito: “a) Que se exclua a Requerente do polo passivo da obrigação; b) Excluamse da autuação os valores das mercadorias de todos os processos de imposição de pena de perdimento das mercadorias apreendidas nos depósitos da Mobilitá; c) Excluase da autuação os lançamentos em duplicidade constantes do processo administrativo n° 10074.000899/201031; d) Compensemse na autuação também os créditos de IPI e Contribuições anteriores às importações objeto desta autuação; e) Caso se entenda cabível a cobrança de tributos e multas decorrentes de subfaturamento, excluase a multa por conversão de perdimento, fundada no artigo 105, VI, do DL 37/66; f) Caso se entenda cabível a cobrança da multa por conversão de perdimento, fundada no artigo 105, VI, do DL 37/66, excluamse do lançamento os tributos e multas decorrentes de subfaturamento.” A ASIAN CENTER também foi cientificada do resultado da diligência em 21/08/2013 (fls. 3.666 e 3.668), tendo apresentado, em 19/09/2013 (fls. 4.6824.692), sua manifestação, afirmando: a diligência não esclareceu objetivamente aquilo que era preciso determinar, nos termos do artigo 142 do CTN; não esclareceu os detalhes das circunstâncias materiais do fato gerador, a matéria tributável relativa à imposição das multas, com sua capitulação limitada à qualificação jurídica dos fatos; sobre o item 1 do despacho de fls. 3.665, na cópia digital dos autos principais que recebeu da IRFRJO, não vieram o "V2" (fls. 52, 54, 54 e 57) e o "V3" (fls. 74 a 79) referidos nas alíneas "a" usque "e" do item 1 do despacho de fls. 3.665. Assim, lamentavelmente, sobre esses itens, a Peticionária nada pode materialmente declarar; sobre o item 2 do despacho de fls. 3.665, em vista do disposto pelo artigo 142 do CTN, não parece ser possível (juridicamente) que a autoridade lançadora desconheça as circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária; Fl. 6542DF CARF MF 40 nos autos deste processo, está provado que, no mínimo, duas partidas de mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento, conforme arguido na Impugnação, sendo que a prova documental produzida com a Defesa, como Anexos 08 e 09, acostada aos autos às fls. 2.164/2.180 (Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n 0717600/0050/2009) e às fls. 2.206/2.223 (Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal ns 0717600/0049/2009), foi corroborada pelo auditorfiscal autuante. Este, em cumprimento à Resolução de fls. 2.580, juntou os extratos das Declarações de Importação das Mercadorias apreendidas às fls. 3213/3216 (DI nº 08/1834130 5) e fls. 3.217/3.219 (DI nº 08/18343111); a ASIAN sabe, em razão de ação penal em curso, que foram lavrados autos de infração e apreensão e guarda de mercadorias contra MOBILITÁ, mas a impugnante ASIAN não tem acesso a outras informações além dessas. A fiscalização as têm, podendo determinar exatamente quais mercadorias correspondiam a cada D.I., nos processos administrativos nºs 18203.000643/2009 89,18203.000742/200961,18203.000750/2009 15,18203.000715/200998, 18203.000749/200982, respectivamente AITAGFs nºs 0715400/9073/2009, 0715400/9074/2009, 0715400/9076/2009 e 0715400/9077/2009; somente a Fiscalização e a MOBILITÁ teriam condições de dizer que mercadorias correspondem a que DI’s, no quadro do estoque daquela empresa, em vista da cronologia de entradas e escrituração das respectivas notas fiscais, mercadorias essas apreendidas e fulminadas pela pena de perdimento, na pessoa da MOBILITÁ; a imposição de pena de perdimento, como é sabido, impede a cobrança de tributos aduaneiros. O mesmo não ocorre quando há conversão dessa pena de perdimento em multa. Mas uma vez lançada a multa de conversão, outra multa de conversão não poderá ser lavrada em relação à mesma importação, sob pena de bis in idem; daí porque baixou o feito em diligência para esclarecer o que de fato ocorrera, se havia, ou não, nesse aspecto bis in idem. Mas isso a diligência não esclareceu, preferindo dizer que desconhecia a matéria, e deixando de retificar a autuação nesses pontos, que são de fácil verificação, porque constam do sistema de informática da Receita Federal, ao qual todos os auditores sabidamente têm acesso; não obstante, mesmo juntando as DI’s de fls. 3.213/3.219, o auditorfiscal autuante declara, valendose de sujeito indeterminado ou indefinido, que desconhece a existência de DI’s que tenham sido objeto de pena de perdimento, o que não é aceitável, nem corresponde à realidade dos fatos provados nos autos; sobre o item 3 do despacho de fls. 3.665, de plano cabe notar que a peticionária desconhece o conteúdo do PAF nº 10074.000899/201031. A cópia dos presentes autos, recebida da repartição preparadora, não incluiu a cópia do PAF ns 10074.000899/201031, embora esse tivesse sido expressamente Fl. 6543DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.524 41 citado no item 3 do despacho de fls. 3.665. A peticionária não é, nem nunca foi parte nesse PAF. Logo, não conhece seus termos; pelo que se pode depreender da dicção do item 3 em comento, o auditorfiscal autuante declara e informa que a mesma IRF autuou: (a) a MOBILITÁ, impondolhe a multa de conversão de perdimento pelo valor aduaneiro com fundamento no inciso V do art. 23 do D.L. n9 1.455/76, por todas as DI’s, de 2002 a 2008; e, (b) a ASIAN impondolhe a multa de conversão de perdimento pelo valor aduaneiro com fundamento no inciso VI do art. 105 do D.L. nº 37/66, pelo período de 2007 a 2008; os fundamentos são diferentes. As DI’s são as mesmas. Os períodos interseccionamse. Logo, há algo de profundamente errado no raciocínio do autuante, que desafiou dois dos três princípios do pensamento lógico: o princípio da identidade e o do terceiro excluído. Desses princípios se extrai que não se pode ser e não ser ao mesmo tempo, e que, ao definirse alguma coisa, determinandose sua identidade, excluise automaticamente aquilo que essa coisa não é; da observância desses princípios lógicos depende a correta capitulação legal das infrações ao ordenamento jurídico. É preciso dizer a qualificação legal dos fatos, isto é, o que uma coisa ou um ato significam para o Direito. Um mesmo fato ou um mesmo ato não podem ser e não ser ao mesmo tempo, com diferentes tratamentos, em cada processo aberto para apurar os mesmos atos e fatos, em virtude e ao sabor das conveniências das mesmíssimas autoridades tributárias. do item 3, resta incontroverso que as conversões de pena de perdimento em multa, num e noutro processos: (a) recaíram sobre as mesmas mercadorias; (b) tiveram fundamentos legais diferentes, apesar de versarem sobre as mesmas importações. considerandose que a MOBILITÁ, incontroversamente, já recebera a pena de perdimento, por conversão em valor aduaneiro, nos termos do D.L. nº 1.455/76 por todas as mercadorias não localizadas, importadas de 2002 a 2008; como pode a mesma autoridade administrativa querer autuar outro contribuinte, por outro valor aduaneiro? Não teria sido o caso de em 2010 já ter arbitrado valor aduaneiro diferente? Quantos outros autos de infração ainda quererá lavrar fiscalização, sempre que mudar de idéia sobre o valor aduaneiro e ainda não houver escoado o prazo decadencial?; é evidente e óbvio que a presente autuação ofende o artigo 146 do CTN, representando ainda violação ao princípio geral do non bis in idem. Quando a fiscalização autuou a MOBILITÁ por todas as importações, de 2002 a 2008, nestas incluídas as de 2007 a 2008, poderia ter arbitrado outro valor aduaneiro, mas reconheceu o valor anterior; essa multa, é sabido, não impede que a autoridade administrativa cobre os tributos que entender pela diferença de valor aduaneiro que vier a arbitrar, mas isto não significa, que Fl. 6544DF CARF MF 42 possa a fiscalização sair autuando a torto e a direito, este e aquele contribuintes, cumulando penalidades com fundamento em dispositivos legais diferentes; no item 3, a d. Fiscalização declara que autuou a ASIAN por infração ao inciso VI do art. 105 do D.L. nº 37/66 (mercadoria estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado). Para a MOBILITÁ, foi interposição fraudulenta. Para a ASIAN, falsificação ou adulteração de documento; mas os documentos inquinados de falsos ou adulterados, somente foram juntados aos autos, agora, quando a peticionária foi intimada a fazêlo (fls. 3.502 a 3.664); tratandose de documentos hígidos, originários do exterior. Logo, seja por estarem fora dos presentes autos, quando da autuação, seja por serem originários do exterior, seja por que são hígidos, a imputação não procede. Aliás, é inconcebível que a fiscalização não tenha jamais examinado as comercial invoices, e concluído que tais faturas comerciais eram falsas ou que tinham sido adulteradas. Prova disto é que teve de requisitar esses documentos à peticionária para poder juntálos aos autos deste processo; além disso, o artigo 105 do D.L. nº 37/66, exclui a conversão da perda da mercadoria em multa, por falta de amparo legal. A previsão para converterse em multa a perda de mercadoria com fundamento no artigo 105 do D.L. nº 37/66, a exemplo do disposto no artigo 23 do D.L. nº 1.455/76, foi introduzida num § 19 ao referido artigo 105 do D.L. nº 37/1966, pela Medida Provisória nº 38, de 14 de maio de 2.002, a qual perdeu eficácia nos termos do Ato Declaratório do Congresso Nacional, de 10 de outubro do mesmo ano; portanto, a imposição da multa de 100% do valor aduaneiro arbitrado, em substituição à perda das mercadorias importadas não localizadas ou consumidas, com base no artigo 105 do D.L. nº 37/66, não é juridicamente possível à luz do que dispõe o artigo 97, inciso V, do CTN; é certo, contudo, que está, também, provado nos autos haverem as mercadorias importadas sido enviadas à MOBILITÁ; seja por declarações da Fiscalização, seja pelas notas fiscais de remessa (fls. 3.233 a 3500). Logo, o destino das mercadorias era sabido e, na MOBILITÁ, todas essas mercadorias já tinham sido objeto de autuação, conforme a informação lançada no item 3 do despacho de fls. 3.665; sobre o item 4 do despacho de fls. 3.665, as DI’s foram juntadas pela fiscalização, a partir de cópias existentes no sistema da Receita Federal. As faturas (comercial invoices) somente agora vieram aos autos, depois de requisitadas à peticionária, conforme o Termo de Intimação de fls. 3.500; em conclusão, a diligência não logrou esclarecer plenamente aquilo que foi requerido pela impugnante como meio de prova, pois não lhe foi aberta vista prévia para quesitos, não lhe sendo Fl. 6545DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.525 43 permitido saber o motivo da baixa dos autos à origem, nem tampouco o teor da Resolução nº 082.502, para bem exercitar seu direito a mais ampla defesa, ao atender as intimações da fiscalização; apesar disso, certo é que a fiscalização confirmou: “a) a existência de mercadorias sobre as quais recaiu pena de perdimento, quando juntou os extratos das respectivas DD.II.; b) a existência de um PAF no qual foi imposta à MOBILITÁ multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias importadas pela ASIAN, o que exclui nova imposição da mesma multa, seja porque o princípio do non bis in idem o impede, seja ainda porque NÃO tinha a fiscalização trazido ao processo ao tempo da autuação a cópia dos documentos inquinados de falsos ou adulterados, seja finalmente porque tais documentos jamais poderiam ter sido falsificados ou adulterados pela Impugnante, originários que são do exterior, não havendo, ademais, amparo legal para a multa de conversão para a hipótese versada, ante a perda de eficácia da M.P. nº 38/2002, segundo declaração do Congresso Nacional de 14 de maio de 2002;” a peticionária reitera plenamente suas razões de defesa, ratificaas e às mesmas se reporta para todos os efeitos legais, rogando aos julgadores que as considerem como se estivessem aqui transcritas; Como ainda restaram dúvidas acerca de certos fatos, através da Resolução nº 082.676, de 08/05/2014, da Sétima Turma deste órgão julgador (fls. 4.6954.707), decidiuse converter o julgamento em diligência para o órgão de origem, solicitando a este as seguintes providências: “1) Considerando que para fins de apuração da multa aplicada no processo administrativo nº 10074.000899/2010 31 (fls. 3.8223.824), o qual abrange DIs que também são objeto do presente processo, a fiscalização abateu do valor aduaneiro das mercadorias os valores daquelas que haviam sido apreendidas: 1.a) Verificar os processos administrativos nº 18203.000750/200915, 18203.000643/200989, 18203.001508/200951, 18203.000715/200998, 18203.000749/200982, 18203.000826/200902, 18203.000742/200961, da empresa MOBILITÁ, e os processos nºs 10711.001278/200988 e 10711.001804/200918, da ASIAN, e informar se há mercadorias que já foram objeto de pena de perdimento nos citados processos, ou em outros que porventura sejam de conhecimento da fiscalização, e que também sejam objeto da autuação no presente processo; Fl. 6546DF CARF MF 44 1.b) em caso positivo, apresentar demonstrativo indicando os valores aduaneiros das mercadorias, os valores referentes à mercadorias que tenham sido objeto da pena de perdimento, e a correspondente diferença, para fins de apuração da multa equivalente ao valor aduaneiro; 1.c) anexar cópias dos processos mencionados no subitem “1.a” acima; 2) Em relação aos DARF´s e pagamentos indicados pela ASIAN às fls. 2.1512.163 e 2.1822.196: 2.1) informar se foram deduzidos, dos valores lançados no auto de infração, as quantias apontadas pela impugnante, que, segundo alega, teriam sido pagas a título de impostos e contribuições incidentes nas importações (fls. 2.1512.163 e 2.1822.196), apresentando, se for o caso, os correspondentes demonstrativos de cálculo referentes aos valores apurados, os valores abatidos e as diferenças devidas; 2.2) caso a resposta ao subitem acima seja negativa, confirmar a autenticidade dos DARF´s e pagamentos indicados às fls. 2.1512.163 e 2.1822.196; 2.3) acaso confirmados os citados pagamentos, informar a que se referem e estabelecer, se for o caso, a correlação com as DIs objeto do presente processo, apresentando os correspondentes demonstrativos; 2.4) em seguida, verificar se os pagamentos indicados pela impugnante estão disponíveis no sistema de controle do crédito tributário e, conforme o caso, providenciar sua alocação aos débitos de que trata este processo, atualizando os dados no sistema Sief; 2.5) por fim, ultrapassadas as providências acima, e caso os alegados pagamentos não tenham sido abatidos dos valores lançados quando da lavratura do auto de infração, elaborar demonstrativo, por DI, em que constem os valores apurados, os valores comprovadamente pagos antes da autuação e as diferenças a recolher; 3) Em relação à multa equivalente ao valor aduaneiro, elaborar planilha demonstrando a correlação entre as DIs objeto do presente processo e as DIs objeto do auto de infração relativo ao processo nº 10074.000899/201031, juntamente com os correspondentes valores aduaneiros utilizados como base de cálculo da citada multa em cada um dos processos, contendo, no mínimo, as seguintes informações: número da DI, data do fato gerador, valor aduaneiro correspondente ao presente processo, valor aduaneiro correspondente ao processo nº 10074.000899/201031). 4) Prestar quaisquer outros esclarecimentos e anexar documentos que sejam relevantes para o deslinde da questão. Fl. 6547DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.526 45 Por fim, com vista a garantir o exercício do contraditório e da ampla defesa, cabe cientificar os sujeitos passivos acerca do conteúdo da presente Resolução, assim como da diligência efetuada, assegurandolhes o prazo de trinta dias para se pronunciarem sobre as informações e os documentos trazidos aos autos, decorrentes das providências acima solicitadas, conforme art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 9.532/1997, c/c art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011.” Em decorrência do solicitado, a unidade de origem anexou diversos documentos, apresentando, às fls. 6.2816.283, Despacho que se atém ao item 2 da Diligência: “A DRJ Fortaleza, em sua Resolução, elenca várias solicitações (fls. 4.706 a 4.707), este despacho se aterá, primordialmente, aos itens 2.2 e 2.4 e dará subsídios às respostas dos itens 2.3 e 2.5. No item 2.1, a resolução se remete aos comprovantes de pagamentos (Darf) apresentados pelo contribuinte (fls. 2.151 a 2.163) e à tabela (planilha) de fls. 2.182 a 2.196, ambos apresentados no pedido de impugnação. Foram apresentados, também no pedido de impugnação, Darf de fls. 2.237 a 2.563 Todos os Darf anexados ao p.p. se encontram já consignados na planilha de fls. 2.182 a 2.196, totalizando 547 pagamentos. Todos os 547 pagamentos foram efetuados nas datas de 05/01/2009 e 06/01/2009. O Sistema “Sief Documentos de Arrecadação – Consultas – Pagos” apresenta, para este CNPJ, para este período e para os Códigos de Receita 0086, 5602, 5629 e 1038, um total de 1.511 pagamentos. Foram criadas as planilhas de fls. 6.266 a 6.280 para que se efetuasse a correlação entre os dados apresentados pelo contribuinte e os extraídos dos Sistemas da RFB. Foram anexados os extratos de pagamentos da consulta do Sief Documentos de Arrecadação, período de 05 e 06/01/2009 e Códigos de Receita 0086, 5602, 5629 e 1038 (fls. 4.710 a 5.936), estando todos disponíveis (não utilizados). As planilhas de fls. 6.266 a 6.280, relacionam as informações e comprovações da seguinte forma: nº de DI – coluna B, colunas J e K relacionam as cópias dos Darf (coluna J) com a informação da planilha apresentada na Impugnação (coluna K) e, por fim, os extratos de pagamentos do sistema Sief (coluna I) com os apresentados na Impugnação (coluna K). Todos os pagamentos referidos na Impugnação apresentada no p.p. foram comprovados e estão disponíveis. Fl. 6548DF CARF MF 46 Resposta ao item 2.2 – Foram comprovados todos os pagamentos elencados na tabela de fls. 2.182 a 2.196 (planilha de fls. 6266 a 6280). Resposta parcial ao item 2.3 – As cópias de Darf apresentadas veem com a inscrição, efetuada em algum tempo, do nº da DI em campo que não sofre crítica, ou registro, do sistema (mero campo de observação). Como não há registro no sistema, não há como afirmar, informar, “a que se referem” os pagamentos apresentados. O que se pode afirmar, por meio do preenchimento do “Campo 05 – Número de Referência” com o código da IRF/RJORJ (0715400), é que todos os pagamentos estão direcionados à IRF Rio e que todos teem Códigos de Receita de tributos aduaneiros (0086, 5602, 5629 e 1038). A correlação entre os pagamentos efetuados à DI correspondente, manifestada pelo contribuinte, foi registrada nas planilhas de fls. 6.266 a 6.280 (coluna B e K). Todas as DI elencadas pelo contribuinte foram objeto de lançamento nos AI do p.p. (fls. 232 a 241). Os créditos tributários foram cadastrados no sistema SiefProcesso agregados pelo Período de Apuração (PA). O valor original lançado para cada PA é sempre superior ao valores originários pagos apresentados para o mesmo PA. Resposta ao item 2.4 – Os valores pagos pelo contribuinte estão disponíveis (não utilizados) no Sistema Sief, são pagamentos ditos “soltos” por não terem nenhum registro que crie o vínculo necessário com crédito tributário. Não há como alocar estes valores aos débitos lançados no p.p. posto que as datas de pagamentos (05 e 06/01/2009) são anteriores à data de lavratura (04/05/2011), há impedimento do sistema, a utilização dos valores pagos deve se dar, neste caso, por Compensação e, para tanto, os créditos devem estar na situação “devedor”, ou seja, fora do contencioso administrativo e, após efetuada a compensação, não poderão sofrer alteração (ficarão extintos por pagamento) a não ser que se desfaça a compensação. Subsídio ao item 2.5 Ao vincular os pagamentos apresentados aos créditos tributários lançados o contribuinte deu aos mesmos a característica de “débito declarado”. Se o julgado alterar o crédito tributário lançado tendo por base os pagamentos apresentados deve, então, determinar, em seu acórdão, a utilização dos pagamentos por meio de compensação de ofício para que os mesmos não sejam passíveis de reutilização (“Darf solto”), para tanto deve tratar materialmente das multas vinculadas aos créditos tributários lançados, já que os pagamentos foram efetuados com multa de mora de 20%.” Mais adiante, a unidade de origem apresenta, às fls. 6.286 6.288, outro Despacho no qual são respondidos os demais quesitos da Diligência: “Preliminarmente, cabe lembrar que a presente aplicação da multa de 100% em face de ASIAN, referente às DI Fl. 6549DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.527 47 registradas em 2007 e 2008, encontrase fundada no disposto no inciso VI do artigo 105 do DecretoLei 37/66. Já a autuação em face de MOBILITÁ, consubstanciada no processo 10074.000899/201031, referente às DI registradas por ASIAN entre 2002 e 2008, com ocultação de MOBILITÁ, foi fundamentada no disposto no inciso V do artigo 23 do DecretoLei 1455/76, a qual revelouse, posteriormente, realizada sobre bases subvaloradas, pelo menos para as operações de importação realizadas nos anos de 2007 e 2008. 1 Só foi possível à Fiscalização abater da multa de 100% sobre o valor aduaneiro aplicada no processo 10074.000899/201031 o valor aduaneiro dos bens apreendidos constantes dos processos 18203.000750/2009 15, 18203.000643/200989, 18203.001508/2009¬51, 18203.000715/200998, 18203.000749/200982, 18203.000826/200902, 18203.000742/2009¬61 porque a penalidade aplicada recaía sobre a totalidade dos bens importados por ASIAN no período de 2002 a 2008. Não houve, portanto, a necessidade de se identificar o ano de importação dos bens apreendidos, o que seria impossível, uma vez que os objetos importados ao longo dos anos de atuação de ASIAN como interposta pessoa jurídica de MOBILITÁ (2002 a 2008) não possuíam número de série e, na maioria das vezes, apresentavam a mesma descrição nesses diversos anos. 1.a) Já com relação à penalidade aplicada no presente processo, que se restringe aos anos de 2007 e 2008, não há como determinar quais mercadorias apreendidas (processos 18203.000750/200915, 18203.000643/200989, 18203.001508/200951, 18203.000715/200998, 18203.000749/200982, 18203.000826/200902, 18203.000742/200961) foram importadas no citado período, porquanto, reprisese, os objetos importados ao longo dos anos de atuação de ASIAN como interposta pessoa jurídica de MOBILITÁ (2002 a 2008) não possuíam número de série e, na maioria das vezes, apresentavam a mesma descrição nesses diversos anos. Há que se registrar, ademais, que a própria descrição dos bens apreendidos, consignada nos processos de perdimento (Processos n° 18203.000750/200915, 18203.000643/200989, 18203.001508/200951, 18203.000715/200998, 18203.000749/200982, 18203.000826/200902, 18203.000742/200961), por vezes não se identifica com qualquer descrição usada nas declarações de importação de ASIAN. No que concerne aos processos 10711.001278/200988 e 10711.001804/200918, de fato há a identificação das declarações de importação n° 08/18341305 e 08/1834311 1, sendo possível, neste caso, a dedução dos valores aduaneiros das mencionadas DI. Fl. 6550DF CARF MF 48 1.b) Não obstante o fato de se revelar impossível a precisa identificação do ano de importação de cada bem objeto do perdimento, pelas razões acima expostas, é imperioso registrar que, caso entenda a egrégia Turma que o valor lançado no processo 10074.000899/201031, somente no que diz respeito às DI de 2007 e 2008, deva ser abatido na presente autuação, poderia ser considerado que todos os bens apreendidos tenham sido importados em 2007 e 2008, o que se coadunaria com o critério PEPS da contabilidade (os bens importados entre 2002 e 2006 já teriam saído do estoque por ocasião da apreensão). Assim, chegaríamos à conclusão que o valor lançado no processo 10074.000899/201031 somente para as DI de 2007 e 2008 seria igual a R$3.966.483,74 menos R$1.135.035,27 (valor aduaneiro das mercadorias apreendidas já descontadas no referido processo fls.115 do processo 10074.000899/2010 31). Teríamos, desta forma, o seguinte cálculo: Valor a ser deduzido no presente processo = Valor aduaneiro declarado das mercadorias albergadas pelas DI de 20007 e 2008 constantes do processo 10074.000899/201031 valor aduaneiro das mercadorias apreendidas (fls.115 do processo 10074.000899/201031). Valor a ser deduzido = 3.966.483,74R$1.135.035,27 = 2.848.537,38 (valor lançado no processo 10074.000899/201031 referente apenas às DI de 2007 e 2008, considerando que as mercadorias apreendidas foram importadas em 2007 e 2008). 3 Quanto à planilha solicitada no item 3, cabe informar que já há, às fls. 80/84 do volume V2 do presente processo, tabela contendo os dados solicitados, devendo ser consignado que a coluna "CIF R$ (apurado)" contém os valores que serviram para o lançamento da multa neste processo e a coluna "CIF R$ (declarado)" contém os valores que serviram de base para o lançamento constituído no processo 10074.000899/201031. As datas de registro das DI de 2007 e 2008 encontramse às folhas 9/12 do "Anexo parte 1" do presente processo. 4 Ratificando a informação prestada no item 1.b), caso a Egrégia Turma entenda razoável a aplicação do critério PEPS para a definição do ano de importação dos bens apreendidos, haja vista a descrição sumária das mercadorias nas DI e nos autos de perdimento, o que impossibilita que se faça qualquer correspondência entre os bens, seria possível concluir que o lançamento realizado no processo 10074.000899/201031 referente às DI registradas em 2007 e 2008, deduzido do valor aduaneiro das mercadorias apreendidas (que já foi devidamente descontado no citado processo), pudesse ser abatido do lançamento da multa de 100% aplicada no presente feito. Finalmente, encaminhese à SACAT a fim de que sejam cientificados os sujeitos passivos do prazo de 30 dias para Fl. 6551DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.528 49 se pronunciarem sobre as informações aqui contidas. Posteriormente, encaminhese à DRJ/FOR.” A ASIAN CENTER foi cientificada do resultado da segunda diligência em 08/04/2016 (fls. 6.2996.300), tendo apresentado, em 06/05/2016 (fls. 6.3216.331), sua manifestação, afirmando: “De plano, cabe lembrar que, no Relatório de Fiscalização, em anexo ao A.I., às fls. 241 dos autos eletrônicos, os Srs. Autuantes fundamentaramse no artigo 689, inciso VI do R.A., para impor multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias, em substituição à pena de perdimento, nos termos do §1° do mesmo artigo 689 do R.A. Portanto, incompreensível, data venia, a justificativa da d. Fiscalização, suscitada em "preliminar", segundo a qual a multa de 100% do valor aduaneiro arbitrado, aqui aplicada contra a ASIAN e a MOBILITÁ, teria fundamento no D.L. n° 37/66, artigo 105, VI, e aquela aplicada somente à MOBILITÁ, nos autos do PAF 10074.000899/201031, teria sido fundamentada no artigo 23, V, do D.L. n° 1.455/76. Pura arbitrariedade contra os contribuintes ditos solidários. Com tal alegação, buscam os ii. Autuantes superar a proibição de bis in idem, de que ninguém pode ser pelo mesmo fato acusado e julgado duas vezes. Se as mercadorias são as mesmas; se há solidariedade de sujeitos passivos; se a multa substitutiva do perdimento está prevista no mesmo dispositivo do R.A.; não pode o mesmo fato ter duas qualificações jurídicas diferentes. Pelo princípio da identidade lógica e do terceiro excluído, ou improcede a primeira autuação, ou improcedem ambas, ou a segunda é nula pelo princípio do non bis in idem. A d. fiscalização insiste nessa tecla, na qual já bateu às fls. 3665 (item 3 daquele despacho), quando anterior e deficientemente cumpriu a primeira diligência determinada pela DRJ/FOR. Ocorre que o inciso VI do artigo 105 do D.L. n° 37 e o inciso V, do artigo 23 do D.L. n° 1.455/76, têm, respectivamente, a seguintes redações: (...) Se examinarmos as redações dos respectivos diplomas legais, veremos que, somente no caso do artigo 23 do D.L. n° 1.455/76 há expressa hipótese de substituição da pena de perdimento pela multa de 100% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, conforme a dicção do §3° do mesmo artigo. Sob o D.L. n° 37/66, não há previsão dessa multa substitutiva, a qual improcede, por falta de amparo legal, e pelas regras do artigo 112, incisos I e IV, do CTN, segundo as quais: ‘A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação’. Fl. 6552DF CARF MF 50 Além disso, como já se disse anteriormente, a acusação original foi a de haver suposta falsidade ideológica das faturas, hipótese em que a invocação do inciso VI do artigo 105, do D.L. n° 37/66 só é possível, mediante equiparação feita por decreto, o que é vedado pelo princípio da reserva legal, nos termos do artigo 97, inciso V, do CTN. Realmente o CTN fulmina o §3°A, do art. 689, do R.A., introduzido ex post facto por mero Decreto, o de n° 7.213/2010. Assim, a aplicação da multa de 100% sobre o valor aduaneiro das mercadorias é, em si mesma, juridicamente impossível; seja porque já fora aplicada à MOBILITÁ anteriormente, com fulcro no artigo 23, V, do DecretoLei n° 1.455/76; seja porque o DecretoLei n° 37/66, não prevê a aplicação substitutiva de tal multa à pena de perda prevista no inciso VI de seu artigo 105; seja porque, ainda, decorreria de uma equiparação da falsidade ideológica à falsificação ou à adulteração de documentos o que jamais ocorreu neste caso concreto , por força de mero decreto regulamentador, em violação à reserva legal, imposta pelo CTN, como acima se disse. E há mais duas causas impeditivas da aplicação dessa multa de 100%: se o amparo legal agora é esse, o do artigo 105, VI, do D.L. n° 37/66 (adulteração ou falsificação de faturas), aqui, realmente, essa multa não pode prevalecer, pois as faturas, inquinadas de falsas ou adulteradas, somente vieram a ser juntadas, aos autos do processo e exibidas à fiscalização, DEPOIS de a DRJ/FOR haver determinado às fls. 2599 que tal se fizesse, na 1ª Diligência, em 2013 (cf. fls. 3221 TIAF e fls. 3222, 3233/3499. A juntada das faturas inquinadas de falsas só ocorreu depois, portanto, da lavratura do auto de infração. Como pode ter a d. fiscalização chegado à conclusão de que as faturas teriam sido falsificadas ou adulteradas pela ASIAN, sem que as tivesse previamente examinado? Há realmente clara violação do artigo 142 do CTN. Há, ainda, a derradeira causa impeditiva: o princípio da especialidade. Tem entendido o Eg. S.T.J. que, nos casos em que é imputada ao importador a falsidade ideológica da fatura, com subfaturamento, não é cabível a pena de perdimento do artigo 105, VI, do D.L. n° 37/66, mas sim a pena de multa de 100% sobre a diferença entre o valor declarado e o valor arbitrado, prevista no artigo 108, caput e parágrafo único do mesmo diploma. Neste sentido, confiramse os RREEsp. n°s 1.341.312/PR, 1.242.532/RS, 1.217.708/PR, 1.218.798/PR, das EE. 1ª e 2ª Turmas do C. S.T.J.. Ora, se não se aplica o perdimento, a fortiori, não se aplica a sua multa substitutiva, de 100% do valor da mercadoria. *** No item 1 do despacho de cumprimento da diligência (fls. 6.286), afirma a d. fiscalização que teria sido possível abater do PAF n° 10074.000899/201010, em que é parte a MOBILITÁ, exclusivamente, o valor aduaneiro dos bens apreendidos em sete (07) processos (processos fiscais por dano ao erário com perdimento de bens), em que também só a referida MOBILITÁ Fl. 6553DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.529 51 foi parte, porque a penalidade aplicada recaia sobre a totalidade dos bens importados por ASIAN no período de 2002 a 2008. A d. fiscalização, contudo, alega não ter sido necessário identificar o ano de importação dos bens apreendidos, o que reputa impossível, pois os objetos importados não possuíam números de série. Como então, pode a d. fiscalização afirmar que os valores aduaneiros daqueles processos de perdimento teriam sido abatidos do PAF n° 10074.000899/201010? É evidente a contradição, pois, se este processo de n° 10074.000899/201010 recaíra sobre a totalidade dos bens importados, como lograram os Srs. Autuantes abater valores aduaneiros de mercadorias, se quanto a estas não as sabem determinar no tempo? No subitem "1.a", ainda às fls. 6.286, a d. fiscalização recusase a determinar se as mercadorias apreendidas nos sete (07) processos de perdimento dos quais é parte somente a MOBILITÁ, também se referem, ou não, ao caso concreto. As dd. autoridades fiscais justificam a indefinição, alegando que o caso presente abrange, apenas, os anos de 2007 e 2008. Ora, a ASIAN não é parte nos referidos processos de perdimento, mas sabe que à autoridade administrativa compete determinar a matéria tributável, a teor do artigo 142 do CTN. A ASIAN não tem poderes investigatórios, nem pode ter vista de autos de processos dos quais não é parte, em razão do sigilo fiscal. Portanto, no que concerne à ASIAN, o seu direito de defesa resta cerceado, porque, como parte neste processo, não tem como se defender de suposta matéria tributável, cuja determinação a autoridade administrativa alega ser impossível. Vejase o absurdo: PASSADOS CINCO ANOS DA AUTUAÇÃO, OS SRS. AUTUANTES ALEGAM NÃO SER POSSÍVEL DETERMINAR O QUE FOI OU NÃO AUTUADO! O ordenamento jurídico impõe uma obrigação aos exatores de saber o que é devido. Para satisfazer essa obrigação funcional, é preciso que o exator saiba e determine, precisa e objetivamente, a matéria tributável, como manda o Código Tributário Nacional, em seu artigo 142. Aqui, neste processo, que abrange importações realizadas em 2007 e 2008, há discriminação de declarações de importação, onde estão indicadas as mercadorias importadas. Portanto, é plenamente cognoscível a identificação das mercadorias importadas, sendo possível conciliar as mercadorias do processo 10074.000146/201114, com aquilo que a própria fiscalização reconhece haver apreendido naqueles sete processos de perdimento de que era parte a MOBILITÁ; mas a ASIAN está impossibilitada de fazêlo, porque não tem, como já disse, os poderes investigatórios da d. fiscalização, para imiscuirse na contabilidade da MOBILITÁ, nem tampouco pode ter vista de processos administrativos fiscais dos quais não é parte. Fl. 6554DF CARF MF 52 A mesma fiscalização, contraditoriamente, a um só tempo, declara às fls. 6286: (a) as mercadorias apresentavam ‘a mesma descrição nesses diversos anos’; e, (b) ‘a própria descrição consignada nos processos de perdimento, por vezes não se identifica com qualquer descrição usada nas declarações de importação’. Essas proposições são contraditórias e revelam, data venia, incapacidade ou falta de vontade de determinar a matéria tributável, sendo, portanto, o crédito tributário INCERTO. Esta situação de contradição e incerteza, data venia, desclassifica e desqualifica o trabalho levado a efeito pela d. fiscalização, fulminando de nulidade o auto de infração. Acresce que a tarefa inquinada de impossível, não o parece ser, bastando, por exemplo, comparar, cotejar e conciliar os documentos, como no caso de fls. 4165 e 3090, onde há indicação de mercadorias importadas pelo respectivo código: na D.I. de fls. 4165, COD NCM 95051000 (enfeite natalino árvore natal), no discriminativo do Termo de Apreensão de fls. 3090 COD NCM 9505.10.00 (artigos para festas de Natal). Não há como deixar de concluir que a d. fiscalização não responde conclusivamente ao quesito 1.a da Resolução n° 08 2.676, nem demonstra, data venia, ter tido interesse em determinar corretamente a matéria tributável, em violação ao artigo 142 do CTN. *** Em sequência, a d. fiscalização assevera, relativamente aos processos 10711.001278/200988 e 10711.001804/200918, haver menção às declarações de importação, e que seria possível a dedução dos valores aduaneiros das mencionadas declarações. É realmente curioso que, na diligência passada, às fls. 3665, a mesma fiscalização asseverou peremptoriamente: "Desconhece se a existência de mercadorias objeto de pena de perdimento que tenham sido objeto do presente auto de infração" (sic). Mais uma vez, há de se denunciar a afronta ao artigo 142 do CTN, ao princípio da boafé, e, também, principalmente, ao artigo 1°, §4°, inciso III, do DecretoLei n° 37/66, o qual proclama não incidir o imposto sobre mercadoria que tenha sido objeto de pena de perdimento. As declarações incertas, dúbias, inexatas e inverazes da d. fiscalização criam obrigações e prejudicam direitos dos contribuintes envolvidos, verificandose a existência de declarações diversas das que deveriam ter sido escritas, alterando a verdade sobre fatos juridicamente relevantes. É preciso perquirir em que medida o mero equívoco ou desconhecimento, já se não traduz em ação deliberada para constituir e cobrar crédito tributário que se revela indevido ab ovo pela sua incerteza. Num arremedo de tentativa de esquivarse das consequências de suas evasivas e de cobranças indevidas, a d. fiscalização propõe, tãosó a título de argumentação, o eventual abatimento dos valores autuados no processo n° 10074.000899/201031, Fl. 6555DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.530 53 segundo o princípio contábil PEPS, donde haveria o abatimento do total do valor aduaneiro das mercadorias ‘albergadas pelas DI de 2007 e 2008 constantes do processo 10074.000899/2010 31’, menos ‘o valor aduaneiro das mercadorias apreendidas (fls. 115 do processo 10074.000899/201031). Valor a ser deduzido = 3.966,483,74 R$1.135.035 = 2.848.537,38’. Essa proposta da d. fiscalização contempla a exclusão de valores lançados no processo 10074.000899/201031, onde alega haver deduzido o valor das mercadorias apreendidas, sem esclarecer, nem demonstrar cabalmente que, neste PAF 10074.000146/201114, não se incluíram as mercadorias apreendidas à MOBILITÁ. A ASIAN assiste estarrecida a essa atitude da d. fiscalização, pois somente ela, dita fiscalização, e a MOBILITÁ podem determinar se há ou não mercadorias que tenham sido objeto de perdimento nestes autos do PAF 10074.000146/201114, além daquelas mercadorias relativas aos processos 10711.001278/200988 e 10711.001804/200918 de que foi parte a ASIAN. A MOBILITÁ alega às fls. 3677 a 3679 que há 16 processos de perdimento contidos na presente autuação. A d. fiscalização em relação a isso nada diz, limitandose às evasivas e dubiedades acima indicadas. Onde a MOBILITÁ alega haver 16 (dezesseis) processos de perdimento a serem excluídos desta atuação, a d. Fiscalização reconhece 07 (sete), que teriam sido excluídos do processo de n° 10074.000899/201031, mas não demonstra, como deveria têlo feito em sede de cumprimento de diligência, nem mesmo se aqueles 07 (sete) processos teriam sido deste PAF n° 10074 000146/201114; e, em qualquer hipótese, a d. fiscalização deixou de dar conta dos outros 11 (onze) processos de perdimento também arguidos pela MOBILITÁ às fls. 3677/3679. Também aqui não há como se deixar de concluir que a d. fiscalização não responde conclusivamente ao quesito "1.b" da Resolução n° 082.676, como aliás não responde coisa alguma, pois não faz, nem elabora a conciliação requisitada pela d. DRJ/FOR. *** "Também o requisitado no subitem quesito 1.c da Resolução n° 082.676 restou incumprido. Pelo menos na parte dos autos que foi franqueada à ASIAN, fls. 4695 a 6.97, não há traço, nem vestígio das cópias dos processos, cujas cópias foram requisitadas pela d. DRJ/FOR, mesmo depois de consumidos 22 meses para realização da diligência. É de notarse que a d. Fiscalização, desde sempre, nestes autos, referiase às DD.II., mas não as juntava. Inquinava de falsas e adulteradas as faturas comerciais, mas não as examinava, nem as juntava aos autos. E, agora, instada a juntar os autos de outros processos para exame do julgador, também não o faz. *** Fl. 6556DF CARF MF 54 A diligência foi cumprida parcialmente, relativamente ao quesito 2. Senão, vejamos. Embora reconheça o órgão a quo que os pagamentos alegados pela ASIAN foram feitos e são autênticos, estando os respectivos valores disponíveis no "sistema", o órgão preparador envereda por divagações que fogem ao propósito da diligência, relativamente ao que fazer e como proceder para o aproveitamento dos valores. Reconhecido que houve pagamentos, e que nos DARF estão indicadas as declarações de importação a que se referem; reconhecidas, ainda, as datas em que foram feitos os pagamentos; e, também, reconhecidos os códigos dos tributos a que se referem; cumpria à d. autoridade a quo proceder o abatimento dos pagamentos. Mas tal não foi feito. Neste aspecto, apesar de terem sido elaboradas planilhas de localização dos DARF nos autos do processo e juntadas as telas do "sistema" SIEF, faltou à fiscalização elaborar a planilha relacionada às DD.II., e imputar os pagamentos, para os abater dos valores lançados. Quesito 2.1: o órgão preparador limitase a dizer que foram feitos os pagamentos, e esclarece não haverem sido deduzidos da autuação, sem, contudo, elaborar a planilha requisitada naquele quesito de fls. 4706. Quesito 2.2: foi confirmada a autenticidade dos DARF's de fls. 2.115/2163 e 2182/2196, conforme fl. 6282. Quesito 2.3: foi respondido. Quesito 2.4: entende o órgão preparador que não pode alocar os pagamentos no sistema, porque houve recolhimento anterior ao auto de infração; e remete o contribuinte para compensação, o que não procede. Não é definitivamente caso de compensação. A ASIAN considera que os pagamentos foram feitos, em relação às DD.II. autuadas, enquanto havia espontaneidade. Logo, tais recolhimentos, devem ser abatidos dos valores lançados, pelo principal, considerando que foram recolhidos os acréscimos moratórios até as datas dos respectivos pagamentos, de sorte que se impõe o recálculo, com o abatimento dos valores, não sendo caso de compensação. Quesito 2.5: não foi respondido, no pressuposto de que seria o caso de compensação, o que não é exato. ASIAN pede vênia para juntar a planilha requestada pela DRF/FOR. *** O quesito 3 não foi respondido. A DRJ/FOR, neste ponto, requisitou o seguinte: (...) A d. fiscalização declara que, ‘Quanto à planilha solicitada no item 3, cabe informar que já há, às fls. 80/84 do volume V2 do presente processo, tabela contendo os dados solicitados...’ Fl. 6557DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.531 55 A ASIAN recebeu, ao longo dos anos, cópias dos autos eletrônicos digitalizados, com numeração sequencial de fl. 02 a fl. 6297. A capa do volume II (não encontrou o contribuinte volume 2, arábico), encontrase à fl. 158. Não há, pelo menos, tanto quanto pode verificar o contribuinte, fls. 80/84, no volume II. A resposta dada DRJ/FOR pelos signatários do documento público em questão, no mínimo, fere o direito de defesa da ASIAN; no máximo, parece conter mais uma declaração inexata, para não se usar expressão mais veemente. O processo tem numeração sequencial. Logo, é inaceitável que os signatários do documento de fls. 6286/6288, usem outras referências, senão a numeração sequencial dos autos do processo digital. A resposta ao quesito 3, ademais, parece inveraz por contraditar as declarações dos mesmos funcionários, lançadas anteriormente no mesmíssimo documento público, no item 1 e no subitem 1.a (fls. 6286). Essa contradição é ainda mais gritante, quando se lê o documento trazido aos autos pela MOBILITÁ às fls. 3824, onde os mesmos signatários do documento de fls. 6286/6288, asseveram haver resgatado ‘os valores dos bens apreendidos declarados nas DI de ASIAN CENTER’. Se resgataram lá nas DD.II. esses valores, como agora alegam ser impossível conciliar as mercadorias apreendidas e as DD.II. a que se referem? E mais: às fls. 3823/3824, os mesmos signatários esclarecem que na peça básica do PAF n° 10074.000899/201031 aplicaram multa de 100% sobre o valor comercial das mercadorias e não sobre o valor aduaneiro. Aliás, no documento de fls. 3823, os signatários fazem remissão a um alegado anexo onde estaria a lista das importações que davam origem ao PAF n° 10074.000899/201031. Aparentemente, isto serviria para esclarecer a correlação entre as multas daquele feito e as que são cobradas neste processo. Mas isto não é juntado, nem à ASIAN franqueouse vista desses documentos. Além disso, se os signatários autuaram a MOBILITÁ pelo valor comercial das mercadorias, esse valor já compreendia evidentemente a diferença de valor aduaneiro ora cobrada, não se justificando de modo algum a autuação pela multa substitutiva de perdimento e a multa de 100% sobre a diferença entre o valor aduaneiro declarado e o valor aduaneiro ilegalmente arbitrado, sendo inconcebível e juridicamente impossível esse sobreposição de autuações, quando a acusação original era a da ‘ocultação do real importador’, acusandose a ASIAN de agir supostamente por conta e ordem de MOBILITÁ. *** Fl. 6558DF CARF MF 56 A autoridade administrativa a quo finaliza com a ratificação da informação prestada em parágrafo antecedente, às fls. 6287, no subitem 1.a, reiterando a sugestão da aplicação do critério contábil PEPS para a definição do ano de importação dos bens apreendidos, in verbis: ‘haja vista a descrição sumária das mercadorias nas DI e nos autos de infração de perdimento, o que impossibilita que se faça qualquer correspondência entre os bens, seria possível concluir que o lançamento realizado no processo 10074.000899/201031 referente às DI registradas em 2007 e 2008, deduzido do valor aduaneiro das mercadorias apreendidas (que já foi devidamente descontado no citado processo), pudesse ser abatido do lançamento do lançamento da multa de 100% aplicada no presente feito’. Mais uma vez indagase estão, ou não estão, no presente feito, incluídas as mercadorias apreendidas e que foram objeto de pena de perdimento? Isto os signatários de fls. 6287 não respondem, não dizem sim, nem dizem não; deixando implícito que tais mercadorias também possam ter sido objeto de autuação aqui, o que se reflete na cobrança dos tributos aduaneiros pela diferença, ilegalmente, pois é cediço que, sobre tais mercadorias, esses tributos não podem incidir, por força de expressas disposições legais. Nessa ordem de ideias parecerá forçoso concluir que estão a cobrar tributos que sabem ou deveriam saber indevidos. *** A ASIAN pede vênia para notar que o PAF n° 10074.000899/201031 encontrase pendente de julgamento até hoje no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo se colhe do sistema COMPROT. *** Finalmente, há alguns aspectos que recomendam e indicam que as autoridades administrativas deveriam retificar de imediato o auto de infração para providenciar seu cancelamento de ofício, com apoio no artigo 149, inciso VI, do CTN: O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior. Pelo que se pode depreender do resultado da diligência, as autoridades autuantes ALEGAM NÃO TER CONHECIMENTO de que havia, como há: (a) sobreposição de multas substitutivas de perdimento em relação ao processo 10074.000899/201031; (b) inclusão indevida de mercadorias sobre as quais já recaíra a pena de perdimento em diversos processos, levando não somente à imposição de multas indevidas, como também, à cobrança de tributos que deveriam saber indevidos; Fl. 6559DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.532 57 (c) recolhimento suplementar de tributos, sob o manto da espontaneidade. A PLANILHA ACCOUNT2007 FOI DECLARADA PROVA ILÍCITA PELO JUDICIÁRIO Sendo agora a primeira vez que se lhe permite falar nos autos, desde 2013, a ASIAN pede vênia para notificar as autoridades administrativas de que há decisão do Eg. S.T.J., nos autos do HC n° 160.622/RJ (confirmada pelo Eg. S.T.F. nos autos do R.E. n° 879.362), declarando a ilicitude da prova constante das informações e documentos colhidos pela Polícia Federal no IPL 791/2006DELEFIN/DRCOR/SR/DPF/RJ, referidos expressamente como base para a presente autuação de que trata este PAF n° 10074.0001146/201114, conforme declararam os Srs. Autuantes às fls. 211 a 221, 228 a 233, sendo certo que a Eg. 2ª Turma Especializada do T.R.F. da 2ª Região, julgando as apelações criminais n°s 2006.5101.5237229 e 2011.5101.8022050, estendeu a ilicitude, por derivação, a todos os elementos probatórios decorrentes do mencionado inquérito, fulminando a ILEGAL base do arbitramento, a planilha ACOUNT2007, dali obtida pela Receita Federal como prova "emprestada". EM CONCLUSÃO Ante todo o exposto, a Impugnante pede e espera que seja o auto de infração anulado, por flagrantes deficiências na determinação da matéria tributável, sem que tenham sido tais deficiências sanadas pelas conclusões da 2ª Diligência, tudo agora também devendo ser declarado nulo em razão da nulidade da prova colhida em sede de inquérito policial, e utilizada indevidamente para a lavratura da peça básica.” A MOBILITÁ foi cientificada do resultado da segunda diligência em 24/05/2016 (fl. 6.306), tendo apresentado sua manifestação em 24/06/2016 (fls. 6.3626.369), em que, após tratar de tempestividade e transcrever os itens da Diligência, traz suas alegações, requerendo: “a) Que se exclua a Requerente do polo passivo da obrigação; b) Excluamse da autuação os valores das mercadorias de todos os processos de imposição de pena de perdimento das mercadorias apreendidas nos depósitos da Mobilitá; c) Excluase da autuação os lançamentos em duplicidade constantes do processo administrativo n° 10074.000899/201031; d) Compensemse na autuação também os créditos de IPI e Contribuições anteriores às importações objeto desta autuação; Fl. 6560DF CARF MF 58 e) Caso se entenda cabível a cobrança de tributos e multas decorrentes de subfaturamento, excluase a multa por conversão de perdimento, fundada no artigo 105, VI, do DL 37/66; f) Caso se entenda cabível a cobrança da multa por conversão de perdimento, fundada no artigo 105, VI, do DL 37/66, excluamse do lançamento os tributos e multas decorrentes de subfaturamento.” É o relatório. A Ementa do Acórdão de primeira instância administrativa fiscal proferido pela DRJ, foi assim publicada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A competência do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para o lançamento tributário tem origem na lei. O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal e eventuais falhas na sua execução não configuram motivo suficiente para abalar a constituição do crédito tributário, se esta se deu conforme os ditames dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 142 do CTN. ARGUIÇÃO DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Tendo a impugnante tomando ciência da imputação das infrações e apresentado defesa em relação a elas, e estando presentes os pressupostos do lançamento, não há que se falar em nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008 IMPORTAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO VALOR DECLARADO. APURAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO COM BASE EM PROVA CONSIDERADA ILÍCITA. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. Estando presentes nos autos elementos suficientes para justificar a desconsideração do valor declarado em operação de comércio exterior, a superveniente decretação de ilicitude da prova emprestada do processo criminal utilizada para apuração da base de cálculo dos tributos e multa exigidos acarreta a nulidade do lançamento, por vício formal. Em conjunto com a decisão de primeira instância a DRJ recorreu de ofício e após isto, os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. Fl. 6561DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.533 59 Relatório proferido. Voto Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo O Recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso de Ofício. O cerne da questão consiste na apuração do valor aduaneiro com base em prova considerada ilícita. Da leitura dos autos, depreendese o entendimento da fiscalização de que as faturas utilizadas pela Recorrente ASIAN CENTER para instruir as DI´s não correspondiam à verdade dos fatos, configurandose, o uso de expediente fraudulento para o cálculo dos tributos incidentes na operação de importação. Para a fiscalização, consoante apurado em inquérito policial, a empresa exportadora SPEED DEVELOPMENT COMPANY emitia todas as faturas com valores inferiores ao emitidos pelos verdadeiros fornecedores. A fiscalização, à fl. 232, declara que foi possível extrair, para cada pedido formulado pela empresa fiscalizada aos seus fornecedores estrangeiros, as devidas informações financeiras consignadas na planilha eletrônica ACCOUNT2007, convenientemente mantida entre a ASIAN CENTER e a SPEED DEVELOPMENT COMPANY, que, consoante apurado em sede de inquérito policial, tinham a função de emitir faturas com valores bem inferiores às daquelas emitidas pelos verdadeiros fornecedores. Segundo os autuantes, os efetivos desembolsos relacionado às importações sob análise, retirado das citadas informações financeiras, foi resumido, por DI, em planilha localizada às fls. 232235. Com base nas informações citadas, foram formalizadas, conforme já mencionado, exigências relativas a diferenças de tributos (imposto sobre as importações, IPI, PIS/Pasep e COFINSimportação), acrescidos de juros de mora e multa de ofício (150%); além da multa equivalente ao valor aduaneiro (Art. 105 do Decretolei nº 37/1966 e art. 23, §1º, do Decretolei nº 1455/1976) e multa de 100% da diferença entre o preço arbitrado e o declarado (art. 88, § único da MP 2.15835/2001). (efl. 6382) A autoridade julgadora em seu voto explana quanto a origem as investigações que deram origem aos procedimentos de fiscalização. Tratase de fiscalização derivada de trabalho investigatório realizado pela Polícia Federal. Fl. 6562DF CARF MF 60 No curso das investigações realizadas pela Polícia Federal, envolvendo a empresa MOBILITÁ, ASIAN CENTER, seus sócios, e pessoas relacionadas, formalizadas por meio do Inquérito policial nº 791/2006DELEFIN/DRCOR/SR/DPF/RJ, foram autorizadas judicialmente medidas envolvendo interceptações telefônicas dos acusados, relativas a crimes de descaminho e outros, e, com base nas informações colhidas ao longo dessas interceptações, foi desencadeada, em 2008, a denominada “Operação Negócio da China”, por meio da qual foram obtidos os elementos probatórios que fundamentaram tanto a ação penal movida perante o Juízo da Justiça Federal do Rio de Janeiro, quanto o processo administrativo ora em exame. (efl. 6422) Diante do exposto, cabe assinalar que os materiais produzidos nas investigações da Polícia Federal foram utilizados nos processos de fiscalização da RFB. Ou seja, a autoridade fiscal, para dar suporte ao lançamento, utilizou documentos e provas provenientes das investigações da Polícia Federal. Ocorre que como constam dos autos a Recorrente obteve decisão favorável em habeas corpus (arquivado definitivamente no STJ em 19/08/2015), nos termos do voto vencedor (excerto transcrito a seguir): “(...) Concedo, porém, a ordem, de ofício, para anular as provas produzidas nas interceptações telefônica e telemática, por constituírem provas ilícitas (arts. 5º, LVI, da CF e 157 do CPP), determinando, ao Juízo de 1º Grau, o desentranhamento integral do material colhido, bem como o exame da existência de prova ilícita por derivação, nos termos do art. 157, §§ 1º e 2º, do CPP, procedendose ao seu desentranhamento da Ação Penal 2006.51.01.5237229.” 2 (HC 160.662 – STJ – Sexta Turma, julgamento em 18 de fevereiro de 2014, Processo nº 2010/00153608, Relatora: Ministra Assusete Magalhães, Resultado: A Sexta Turma, por unanimidade, não conheceu da ordem em relação à paciente Rebeca Daylac por não integrar o writ originário, no mais, não conheceu do writ por substitutivo de Recurso Ordinário, mas expediu ordem de ofício em relação ao paciente Luis Carlos Bedin, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Dje: 17/03/2014. Arquivado definitivamente: 19/08/2015 (efl. 6423) Assim, verificase que boa parte das provas das investigações da Polícia Federal foram anuladas pelo STJ. Em consequência, estes mesmos elementos de prova também foram anulados no processo administrativo. Dentre os elementos de prova anulados está a planilha eletrônica ACCOUNT2007 que respaldou os valores utilizados no lançamento. Nesse sentido, reproduzo a comunicação da Recorrente constante do relatório de primeira instância. A PLANILHA ACCOUNT2007 FOI DECLARADA PROVA ILÍCITA PELO JUDICIÁRIO Sendo agora a primeira vez que se lhe permite falar nos autos, desde 2013, a ASIAN pede vênia para notificar as autoridades administrativas de que há decisão do Eg. S.T.J., nos autos do HC Fl. 6563DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.534 61 n° 160.622/RJ (confirmada pelo Eg. S.T.F. nos autos do R.E. n° 879.362), declarando a ilicitude da prova constante das informações e documentos colhidos pela Polícia Federal no IPL 791/2006DELEFIN/DRCOR/SR/DPF/RJ, referidos expressamente como base para a presente autuação de que trata este PAF n° 10074.0001146/201114, conforme declararam os Srs. Autuantes às fls. 211 a 221, 228 a 233, sendo certo que a Eg. 2ª Turma Especializada do T.R.F. da 2ª Região, julgando as apelações criminais n°s 2006.5101.5237229 e 2011.5101.8022050, estendeu a ilicitude, por derivação, a todos os elementos probatórios decorrentes do mencionado inquérito, fulminando a ILEGAL base do arbitramento, a planilha ACOUNT2007, dali obtida pela Receita Federal como prova "emprestada". (efl. 6418) Em seu voto, a autoridade julgadora descreve esta mesma alegação que levaria a impossibilidade de utilização do documento. Além de outras alegações, as empresas MOBILITÁ e ASIAN CENTER defenderam a impossibilidade de utilização da planilha eletrônica ACCOUNT2007, obtida das investigações da Polícia Federal, para embasar os lançamentos. Além disso, a ASIAN CENTER, em sua manifestação relativa ao resultado da segunda diligência, mencionou, às fls. 6.3306.331, a decisão definitiva do STJ no HC 160.662, a qual segundo a empresa, acabou “fulminando a ILEGAL base do arbitramento, a planilha ACOUNT2007, dali obtida pela Receita Federal como prova ‘emprestada’”. (efl. 6423) Tratase em suma de julgamento acerca da ilicitude da prova. A prova foi declarada ilícita no poder judiciário, sendo que compete analisar a repercussão da ilicitude na esfera administrativa. Sobre o assunto, verifico que a autoridade julgadora tece importantes considerações e acosta jurisprudência, concluindo que no caso em questão as provas utilizadas na esfera administrativa foram atingidas pela decisão judicial. Assim, quando as esferas administrativa e penal estiverem diante de idêntica situação fática e houver compartilhamento de provas, como no caso que se apresenta, ainda que, de modo geral, sejam independentes e autônomas entre si, sobrevindo sentença judicial considerando as provas ilícitas, tal decisão, inevitavelmente, atingirá as provas gêmeas, postas no litígio administrativo, que deverão, também, ser consideradas ilícitas, uma vez que o princípio da inadmissibilidade da prova ilícita, por descender de um preceito constitucional, aplicase em qualquer espécie de processo. (efl. 6424) De fato, cabe concordar com a autoridade julgadora de primeira instância e ressaltar que existem mais casos com jurisprudência do CARF nesse mesmo sentido. Tomo a liberdade de citar alguns a título exemplificativo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROVA ILÍCITA. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. NULIDADE. Havendo decisão Fl. 6564DF CARF MF 62 judicial, transitada em julgado, considerando ilícito o mesmo conjunto probatório utilizado pela Autoridade Fiscal para constituir o crédito tributário, deve ser anulado o lançamento de ofício. (CARF, Acórdão nº 1402002.469 do Processo 11020.003766/200971, de 12/04/2017) PROVA ILÍCITA. APROVEITAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não podem ser admitidas no processo administrativo provas consideradas nulas pelo Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. (CARF, Acórdão nº 3403002.249 do Processo 19647.000022/200949, de 23/05/2013) AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada “Operação Dilúvio” (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal. Recurso de ofício negado e recurvo voluntário provido. (CARF, Acórdão nº 3401004.465 do Processo 19647.005870/201088, de 17/04/2018) Da jurisprudência colecionada verificase que o entendimento do CARF quanto a impossibilidade de utilização de provas consideradas nulas pelo Poder Judiciário para respaldar a autuação no processo administrativo. Na doutrina o tema é tratado como ilicitude por derivação, teoria dos frutos da árvore envenenada “fruits of the poisonous tree”. Diante do exposto, corroboro o entendimento da DRJ quanto a nulidade dos valores da base de cálculo dos tributos e multas, no caso concreto a utilização de valores oriundos da planilha eletrônica ACCOUNT2007. Portanto, por entender que a superveniente declaração de ilicitude da prova emprestada acabou por prejudicar a higidez do lançamento, no tocante ao procedimento de apuração da base de cálculo dos tributos e multas exigidos, mas não comprometeu os resultados obtidos com base na investigação fiscal realizada, que já apontavam para a desconsideração dos valores informados nas declarações de importação analisadas, considero que o vício que macula o lançamento sob exame é de natureza formal. (efl. 6436) A título de ensinamento para o futuro, verificado o esquema fraudulento, compete a fiscalização realizar o arbitramento dos valores com base nos elementos do art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. CONCLUSÃO. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (assinatura digital) Leonardo Correia Lima Macedo Relator Fl. 6565DF CARF MF Processo nº 10074.000146/201114 Acórdão n.º 3201005.369 S3C2T1 Fl. 6.535 63 Fl. 6566DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.913097/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
O pedido de restituição ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido.
Numero da decisão: 3401-006.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ÔNUS DA PROVA. O Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 30 97 /2 01 2- 42 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.913097/201242 Acórdão n.º 3401006.172 S3C4T1 Fl. 162 2 Relatório 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica nº 23802.79174.161210.1.3.042817, transmitida em 16/12/2010, por meio da qual o contribuinte solicita compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de COFINS no valor original de R$157.671,56 (utilizou nesta DCOMP parcela deste valor, no montante de R$66.261,07, sendo R$11.819,53 para extinguir débito de PIS e R$54.441,54 para extinguir débito de COFINS). 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF CXL) decidiu pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório emitido em 01/02/2013, às folhas 96/99, com base na constatação da inexistência do crédito pleiteado, tendo em vista que foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) um pagamento com o DARF indicado na DCOMP integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. 3. Regularmente cientificada, a empresa apresentou, em 19/03/2013, a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/08, alegando que a compensação não foi homologada em decorrência do seu equívoco em não ter retificado nem a DCTF e nem o DACON, mas que efetivou tais retificações em 27/02/2013, após tomar conhecimento do Despacho Decisório. Alegou, ainda, que seus registros contábeis já indicavam o pagamento a maior: 4. A DRJ Fortaleza (DRJ/FOR), em sessão de 17/10/2014, proferiu o Acórdão nº 0831.372, às fls. 106/110, através do qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório só se admite mediante comprovação do erro em que se funda com base em escrituração e documentos. 5. A ciência deste Acórdão pelo contribuinte se deu em 17/12/2014, conforme “Termo de Abertura de Documento” à fl. 122. Irresignado com a decisão da DRJ FOR, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/01/2015, às fls. 125/136, basicamente repetindo os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. 7. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.913097/201242 Acórdão n.º 3401006.172 S3C4T1 Fl. 163 3 8. Do quanto exposto, verifico que a DRJFOR fez a correta análise quanto às conseqüências da retificação da DCTF antes ou após o Despacho Decisório. Realmente, quando o contribuinte apresenta DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório de não homologação, ou mesmo antes deste, só se admite a redução do débito mediante comprovação do erro incorrido na DCTF original, demonstrado pelo contribuinte, com base em escrituração contábil/fiscal e documentos de suporte, como notas fiscais. Esta é a regra estabelecida pelo art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 9. E nos processos em que o contribuinte reivindica um direito de crédito contra a Fazenda Nacional, temse que o Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição, ressarcimento ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido. 10. Ocorre que, da análise dos autos, verifico que o recorrente não anexou qualquer documento que pudesse servir a tal comprovação. Limitouse, tanto na Manifestação de Inconformidade quanto no Recurso Voluntário, a insistir na tese de que a retificação do DACON, mesmo após a ciência do Despacho Decisório, juntamente com a escrituração do referido crédito no Livro Razão, já seriam provas suficientes do seu direito. 11. Nesse aspecto, mais uma vez correta a decisão da DRJFOR ao afirmar que “A retificação do DACON e da DCTF para que seja considerada apta para fazer prova de que existiu um pagamento indevido ou a maior de PIS/PASEP e COFINS tem que vir acompanhada da escrituração contábil e respectiva documentação que lhe deu suporte e que justifique a alteração das declarações”. 12. O DACON é um documento preenchido pelo próprio contribuinte, que é livre para inserir nele os dados que entender sejam os corretos. O Fisco, entretanto, mais do que um poder, tem o dever, atribuído pela Constituição Federal, de verificar a correção de tais informações. O recorrente insiste em que o Fisco confirme as informações prestadas no DACON a partir do próprio DACON, o que evidentemente é redundante. 13. Para realizar tal análise, deve a Autoridade Tributária se valer da escrituração contábil para conferir as receitas e, assim, apurar os débitos das contribuições, bem como conferir as aquisições de bens e serviços e, do mesmo modo, apurar os créditos da não cumulatividade para, ao final, apurar a existência de saldo credor ou devedor. Nesse mister, pode inclusive verificar as notas fiscais de entrada e de saída, que dão suporte fático à escrituração contábil, e realizar circularização de informações junto a fornecedores e clientes do sujeito passivo. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.913097/201242 Acórdão n.º 3401006.172 S3C4T1 Fl. 164 4 14. No entanto, o contribuinte fornece unicamente uma cópia do Livro Razão onde consta o registro contábil do crédito pleiteado, sem apresentar os demais registros contábeis que poderiam evidenciar a verdadeira questão aqui tratada, que é descobrir qual o motivo para o contribuinte ter reduzido seu débito, bem como comprovar que o valor correto do PIS é o que consta na DCTF retificadora, e não aquele informado na DCTF original. 15. A DRJFOR deixou bastante claro que o fundamento para a sua decisão foi essa carência probatória, inclusive explicitando qual a documentação que o recorrente deveria ter apresentado em sua defesa. Mesmo assim, ao apresentar este Recurso Voluntário, o sujeito passivo nada acrescenta em termos de provas, apenas repisando os argumentos anteriores. 16. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.927044/2009-92
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2006
NULIDADE DECISÃO DA DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DO RECORRENTE. RETORNO DOS AUTOS PARA NOVA DECISÃO.
Uma vez constatado que a DRJ deixou de analisar argumentos apresentados pelo Recorrente, em razão da adoção de fundamentação legal inaplicável ao caso vertente, há de ser reconhecida a sua nulidade, nos termos do disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972.
Tendo em vista que já se encontra pacificada a possibilidade de reconhecimento na esfera administrativa da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, os autos deverão retornar à DRJ para que sejam analisados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente no que tange à existência do crédito tributário pleiteado, inclusive quanto à sua certeza e liquidez.
Numero da decisão: 3002-000.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, acatando a preliminar suscitada, para fins de decretar a nulidade da decisão recorrida e determinar que os autos retornem à DRJ para que esta aprecie o mérito da presente contenda, em especial no que tange à certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2006 NULIDADE DECISÃO DA DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DO RECORRENTE. RETORNO DOS AUTOS PARA NOVA DECISÃO. Uma vez constatado que a DRJ deixou de analisar argumentos apresentados pelo Recorrente, em razão da adoção de fundamentação legal inaplicável ao caso vertente, há de ser reconhecida a sua nulidade, nos termos do disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Tendo em vista que já se encontra pacificada a possibilidade de reconhecimento na esfera administrativa da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, os autos deverão retornar à DRJ para que sejam analisados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente no que tange à existência do crédito tributário pleiteado, inclusive quanto à sua certeza e liquidez.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DO RECORRENTE. RETORNO DOS AUTOS PARA NOVA DECISÃO. Uma vez constatado que a DRJ deixou de analisar argumentos apresentados pelo Recorrente, em razão da adoção de fundamentação legal inaplicável ao caso vertente, há de ser reconhecida a sua nulidade, nos termos do disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Tendo em vista que já se encontra pacificada a possibilidade de reconhecimento na esfera administrativa da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, os autos deverão retornar à DRJ para que sejam analisados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente no que tange à existência do crédito tributário pleiteado, inclusive quanto à sua certeza e liquidez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, acatando a preliminar suscitada, para fins de decretar a nulidade da decisão recorrida e determinar que os autos retornem à DRJ para que esta aprecie o mérito da presente contenda, em especial no que tange à certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 70 44 /2 00 9- 92 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10980.927044/200992 Acórdão n.º 3002000.711 S3C0T2 Fl. 45 2 (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 29 dos autos: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da compensação declarada por meio da Dcomp nº 00939.91078.111006.1.3.043106. Na aludida Dcomp a contribuinte indicou um suposto direito creditório que adviria de um pagamento efetuado em 15/08/2002, sob o código 2172, no valor de R$ 2.209,11, para quitar um débito indicado nessa declaração. A DRF/Curitiba emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, assim fundamentado: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Cientificada em 14/07/2009, a interessada apresentou, em 20/07/2009, manifestação de inconformidade, na qual diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, que entende pertinente ao caso, e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Consta dos autos despacho do Seort/DRF/Curitiba atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade. O contribuinte juntou, com a manifestação de inconformidade, procuração, documentos de identificação do procurador e atos constitutivos da empresa (fls. 12/26). Ao analisar o caso em sessão de julgamento realizada em 28/09/2011, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada (fls. 28/31): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.927044/200992 Acórdão n.º 3002000.711 S3C0T2 Fl. 45 3 Data do fato gerador: 11/10/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 21/05/12 (vide AR à fl. 35 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 08/06/2012, Recurso Voluntário (fls. 37/41). Em seu recurso, o contribuinte argumentou ser equivocado o entendimento da primeira instância, pois, com base no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, a decisão do STF proferida sob o regime de repercussão geral no RE 585235 QORG/MG deveria ser reproduzida no presente processo, aplicandose a tese da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ou seja, da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS. Além da inconstitucionalidade, também haveria ilegalidade na cobrança. Com base nisto, requer que os valores recolhidos indevidamente sejam compensados, homologandose a declaração de compensação. Não juntou novos documentos em seu recurso. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ao analisar a decisão da DRJ, contatase que aquela instância de julgamento não adentrou no mérito da presente contenda, relativo à existência ou não do crédito tributário pleiteado, inclusive no que tange à sua certeza e liquidez, tendo limitado as suas razões de decidir na incompetência da autoridade administrativa de se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de dispositivos legais. É o que se infere da transcrição a seguir: A interessada pleiteia a homologação da compensação, alegando que o seu crédito encontra respaldo em decisão do STF que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 (RE 357950). As questões apresentadas, no entanto, não podem ser apreciadas no presente âmbito. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.927044/200992 Acórdão n.º 3002000.711 S3C0T2 Fl. 45,5 4 Com efeito, por conta do caráter vinculado da atividade administrativa, considerações sobre a inconstitucionalidade de dispositivos legais não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando, portanto, margem a conjecturas atinentes a juízos de valor. Nesse contexto, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, no caso o Poder Judiciário. É verdade que, sob certas condições, o julgador administrativo deve afastar a aplicação de norma inconstitucional. Estas condições, no entanto, são as que se encontram expressas no Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, que dispõe: Art. 1.º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto. (...) Art. 4.º Ficam o Secretário da Receita Federal e o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (Grifouse) Ou seja, apesar de não ser esse o entendimento da contribuinte, claro está que a atribuição dos julgadores está limitada a afastar a aplicação apenas de leis declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de forma inequívoca e definitiva, atendendo ainda a determinação do Secretário da Receita Federal. É de se ressaltar contudo que, no caso em análise, apesar da existência de entendimentos do STF, expressos em julgamentos proferidos, não foram comprovadas as condições descritas no citado decreto para a sua aplicação, afinal, as decisões mencionadas foram proferidas apenas em relação a casos específicos envolvendo, também, partes específicas (que não a contribuinte). Sobre o assunto, aliás, é oportuno mencionar também o que dispõe o enunciado nº 2 do CARF do MF: Súmula CARF nº 2 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.927044/200992 Acórdão n.º 3002000.711 S3C0T2 Fl. 46 5 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desse modo, e não cabendo à autoridade administrativa de julgamento acatar as alegações da impugnante, já que a exigência em questão encontra respaldo em leis válidas e vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada – com os efeitos erga omnes – pelo STF, não deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado (pois não restou caracterizado o pagamento a maior). Quanto à jurisprudência apresentada, não há como considerálas, seja pela inexistência de norma legal para lhes conferir eficácia normativa, seja pelo seu caráter inter partes. Verificase, contudo, que a DRJ equivocouse em seus fundamentos. Isso porque, ao contrário do que afirma, quando a decisão recorrida fora proferida (28/09/2011), já havia decisão judicial proferida pelo STF em processo com repercussão geral reconhecida (RE 585.235, cujo acórdão fora publicado em 28/11/2008). Sendo assim, não procede a fundamentação de que as decisões até então proferidas pelo STF possuíam caráter tão somente inter partes. Relevante constatar, ainda, que, diante de decisão proferida pelo STF na sistemática de repercussão geral, apresentase inaplicável a súmula nº 02 do CARF, em razão do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.927044/200992 Acórdão n.º 3002000.711 S3C0T2 Fl. 46,5 6 c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da Advocacia Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei 73 Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Como se não bastasse, observese que a obrigatoriedade da aplicação pelo CARF das decisão do STF proferidas em sede de repercussão geral já se encontrava em vigor quando da decisão proferida pela DRJ, conforme se extrai da Portaria CARF 586, publicada em 22 de dezembro de 2010. Ocorre que, em razão da linha de argumentação adotada (impossibilidade de análise de argumento atinente à inconstitucionalidade de lei tributária), a DRJ deixou de adentrar na análise meritória relacionada à existência ou não do crédito tributário alegado. Ao assim proceder, findou por cercear o direito de defesa do Recorrente, incorrendo na hipótese de nulidade disposta no art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Sendo assim, apresentase imperativo que os autos retornem àquela instância de julgamento, para que, superada a suposta impossibilidade de reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, a qual já fora decretada pelo STF em decisão definitiva erga omnes, aquela instância de julgamento analise e se manifeste sobre a existência do direito creditório pleiteado, inclusive no que concerne à sua certeza e liquidez. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.927044/200992 Acórdão n.º 3002000.711 S3C0T2 Fl. 47 7 Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente, para fins de decretar a nulidade da decisão recorrida e determinar que os autos retornem à DRJ para que esta aprecie o mérito da presente contenda, em especial no que tange à certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 50DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.934151/2016-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/09/2011
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.468
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 41 51 /2 01 6- 81 Fl. 53DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10680.934151/201681 Acórdão n.º 3401006.468 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 55DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10680.934151/201681 Acórdão n.º 3401006.468 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 57DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.724286/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO DO VALOR VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PORTARIA MF Nº 63. SÚMULA CARF Nº103. RECURSO CONHECIDO.
A verificação do limite de alçada, para fins de recurso de ofício, dá-se em dois momentos: primeiro, quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento -DRJ, para fins de interposição de recurso de ofício, observando-se a legislação da época e, por último, quando da apreciação do recurso pelo CARF, em preliminar de admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente.
Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".
In casu, cabível o conhecimento do Recurso de Ofício, pois o valor do crédito tributário exonerado pela decisão a quo é superior ao limite de alçada de R$ 2.500.000,00 instituído pela Portaria MF n° 63, de 2007, ato normativo infralegal vigente na data da decisão de primeira instância, e que persiste vigente na data desta decisão de segunda instância.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO FORMAL E MATERIAL. PRELIMINAR REJEITADA.
Não há que se falar em decretação de nulidade do ato administrativo de lançamento fiscal, quando revestido dos requisitos legais exigidos, como: critério material, espacial, temporal, pessoal e quantitativo (Decreto nº 70.235/72, art. 10 e CTN, art. 142).
De modo que não há razão para se cogitar de ofensa ao direito à ampla defesa e ao contraditório.
Não é toda inexatidão na base de cálculo que acarreta vício insanável, passível de nulidade, mas tão somente aquela que atinge a própria metodologia de cálculo (regime de apuração do tributo), cujo refazimento é medida que demanda uma nova estruturação para a determinação do critério quantitativo.
Como não se trata de refiscalização do mesmo exercício, logo não há que se falar em autorização para segundo exame de que trata o art. 906 do RIR/99.
DECADÊNCIA. CONTRATOS DE MÚTUO. RECEITAS FINANCEIRAS (JUROS). TERMO INICIAL. PRELIMINAR REJEITADA.
É legítima a análise de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela decadência. Contudo, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a juros auferidos em contrato de mútuo, deve ter início quando verificada sua repercussão na apuração do tributo em cobrança.
OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. CONTRATOS DE MÚTUOS. EMPRESAS LIGADAS. PERÍODO DE CARÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO E TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS DE JUROS INCORRIDOS. JUROS COMPOSTOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA DE CONTA CORRENTE
Não restando caracterizado contrato de conta corrente entre empresas ligadas, mas sim contratos de mútuos, entre empresas ligadas, pela comprovação nos autos, mediante juntada dos instrumentos contratuais, as receitas financeiras (juros auferidos, incorridos), em contratos de mútuos, inclusive os incorridos/auferidos no período de carência, sujeitam à tributação pelo regime de competência, e não pelo regime de caixa, no caso de contribuinte sujeito à apuração do lucro real.
AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS FINANCEIRAS
Cabível a exclusão da base de cálculo dos juros os valores das exclusões comprovadas nos autos.
EXCLUSÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS
Devem ser excluídos da omissão de receitas financeiras os valores não objeto do lançamento.
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL.
Por decorrer dos mesmos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente, o lançamento reflexo segue a sorte do lançamento principal.
Numero da decisão: 1301-003.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência; e (ii) por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) excluir R$ 39.007.051,82 da base de cálculo dos juros referente a reclassificações contábeis, conforme indicado no demonstrativo de fl. 28.056; e, b) excluir da omissão de receitas de juros os valores de juros referentes aos contratos de 2006 a 2008 relativos aos períodos do 4º trimestre de 2006 ao 4º trimestre de 2008 - e indicados na planilha 9 da fl. 29.076 - por se referirem a valores não exigidos no presente lançamento. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel (relator) que votou para dar provimento parcial em menor extensão, adotando como valor da Omissão de Receitas Financeiras o total de R$ 84.381.435,32, conforme apurado em diligência. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel - Relator
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO DO VALOR VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PORTARIA MF Nº 63. SÚMULA CARF Nº103. RECURSO CONHECIDO. A verificação do limite de alçada, para fins de recurso de ofício, dá-se em dois momentos: primeiro, quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento -DRJ, para fins de interposição de recurso de ofício, observando-se a legislação da época e, por último, quando da apreciação do recurso pelo CARF, em preliminar de admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, cabível o conhecimento do Recurso de Ofício, pois o valor do crédito tributário exonerado pela decisão a quo é superior ao limite de alçada de R$ 2.500.000,00 instituído pela Portaria MF n° 63, de 2007, ato normativo infralegal vigente na data da decisão de primeira instância, e que persiste vigente na data desta decisão de segunda instância. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO FORMAL E MATERIAL. PRELIMINAR REJEITADA. Não há que se falar em decretação de nulidade do ato administrativo de lançamento fiscal, quando revestido dos requisitos legais exigidos, como: critério material, espacial, temporal, pessoal e quantitativo (Decreto nº 70.235/72, art. 10 e CTN, art. 142). De modo que não há razão para se cogitar de ofensa ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Não é toda inexatidão na base de cálculo que acarreta vício insanável, passível de nulidade, mas tão somente aquela que atinge a própria metodologia de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 42 86 /2 01 2- 68 Fl. 29083DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 cálculo (regime de apuração do tributo), cujo refazimento é medida que demanda uma nova estruturação para a determinação do critério quantitativo. Como não se trata de refiscalização do mesmo exercício, logo não há que se falar em autorização para segundo exame de que trata o art. 906 do RIR/99. DECADÊNCIA. CONTRATOS DE MÚTUO. RECEITAS FINANCEIRAS (JUROS). TERMO INICIAL. PRELIMINAR REJEITADA. É legítima a análise de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela decadência. Contudo, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a juros auferidos em contrato de mútuo, deve ter início quando verificada sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. CONTRATOS DE MÚTUOS. EMPRESAS LIGADAS. PERÍODO DE CARÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO E TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS DE JUROS INCORRIDOS. JUROS COMPOSTOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA DE CONTA CORRENTE Não restando caracterizado contrato de conta corrente entre empresas ligadas, mas sim contratos de mútuos, entre empresas ligadas, pela comprovação nos autos, mediante juntada dos instrumentos contratuais, as receitas financeiras (juros auferidos, incorridos), em contratos de mútuos, inclusive os incorridos/auferidos no período de carência, sujeitam à tributação pelo regime de competência, e não pelo regime de caixa, no caso de contribuinte sujeito à apuração do lucro real. AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS FINANCEIRAS Cabível a exclusão da base de cálculo dos juros os valores das exclusões comprovadas nos autos. EXCLUSÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS Devem ser excluídos da omissão de receitas financeiras os valores não objeto do lançamento. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Por decorrer dos mesmos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente, o lançamento reflexo segue a sorte do lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência; e (ii) por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) excluir R$ 39.007.051,82 da base de cálculo dos juros referente a reclassificações contábeis, conforme indicado no demonstrativo de fl. 28.056; e, b) excluir da omissão de receitas de juros os valores de juros referentes aos contratos de 2006 a 2008 relativos aos períodos do 4º trimestre de 2006 Fl. 29084DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 ao 4º trimestre de 2008 - e indicados na planilha 9 da fl. 29.076 - por se referirem a valores não exigidos no presente lançamento. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel (relator) que votou para dar provimento parcial em menor extensão, adotando como valor da Omissão de Receitas Financeiras o total de R$ 84.381.435,32, conforme apurado em diligência. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Nelso Kichel - Relator (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Relatório Trata-se do: a) Recurso Voluntário (e-fls. 24930/25050) apresentado em face do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (e-fls. 24889/24920) que julgou a impugnação procedente em parte; b) Recurso de Ofício quanto ao crédito tributário exonerado pela decisão a quo (principal e multa ofício) que suplantou o limite de alçada. Quanto aos fatos: - que, em 04/12/2012, a Fiscalização da DRF/Aracajú lavrou Autos de Infração do IRPJ e reflexo - CSLL, anos-calendário 2007, 2008 e 2009, regime de apuração do lucro real trimestral, ao imputar as seguintes infrações (e-fls.02/58): (...) 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO COMPROVADAS Fl. 29085DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 Despesas não comprovadas, apuradas conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL em anexo. Fato Gerador Valor Tributável Apurado (R$) Multa (%) 31/03/2009 409.716,23 75 30/06/2009 546.790,56 75 30/09/2009 985.560,01 75 31/12/2009 2.000.173,25 75 ENQUADRAMENTO LEGAL: (...) Art. 3º, §§ 1º ao 4º, da Lei 9.249/95; Art. 247 e §§, 248, 249, I, 251, 274, § 1º, 277, 278, 279, §§1º e 2º, 300 do RIR/99. 002 RECEITAS FINANCEIRAS E/OU VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS Omissão de receita financeira caracterizada pela falta de contabilização de juros, gerando, em consequência, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL em anexo. Fato Gerador Valor Apurado - Omissão de Receitas (R$) Multa (%) 31/12/2007 12.776.028,24 75 31/03/2008 13.395.387,81 75 30/06/2008 13.395.387,81 75 30/09/2008 13.542.589,89 75 31/12/2008 13.542.589,89 75 31/03/2009 18.084.251,49 75 30/06/2009 18.433.609,36 75 30/09/2009 18.803.512,28 75 31/12/2009 18.994.203,02 75 ENQUADRAMENTO LEGAL: (...) Art. 3º, §§ 1º ao 4º da Lei 9.249/95; Arts. 247 e §§, 248, 249, II, 251, 274, § 1º, 277, 278, 288 e 373 do RIR/99. (...) - que, continuando a descrição dos fatos, consta do Termo de Verificação Fiscal - TVF (e-fls. 61/74), in verbis: (...) Fl. 29086DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 3. Infração - Despesas Não Comprovadas O contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar toda a documentação comprobatória (notas fiscais, contratos, pagamentos, etc.) que embasaram os lançamentos contábeis efetuados a título de despesas financeiras, para o ano- calendário de 2009, relacionados com a empresa CIA Agro Industriai de Goiana, no montante de R$ 3.942.240,05 (três milhões, novecentos e quarenta e dois mil, duzentos e quarenta reais e cinco centavos). Conforme já descrito, o contribuinte declarou, por escrito, que toda documentação solicitada já tinha sido entregue a AFRFB responsável pela fiscalização anterior, ou seja, quando na época foi intimado não entregou os contratos solicitados, limitando-se a apresentar meros documentos produzidos internamente, sem assinatura e sem regular identificação do emitente. Deve-se ressaltar que a infração de glosa de despesas ou custos sem comprovação, para o ano-calendário de 2008, foi objeto da fiscalização anterior, MPF n° 05.01.00.2010.002213, sendo lavrado o respectivo Auto de Infração (Processo Administrativo Fiscal n° 10510.722643/2011-72), cujo julgamento da 2 o Turma da DRJ/SDR, através do Acórdão 15.28.741, foi favorável a Fazenda Pública. (...) (...) Na contabilidade do ano-calendário de 2009, verifica-se que a Conta 221070004 - Cia Agro Industrial de Goiana - do Passivo Exigível a Longo Prazo, contrapartida dos encargos financeiros levados ao custo contabilizado, parte de um saldo inicial de R$42.342.333,65 (quarenta e dois milhões, trezentos e quarenta e dois mil, trezentos e trinta e três reais e sessenta e cinco centavos), onde só existiram lançamentos a crédito no valor de R$11.335.677,46 (onze milhões, trezentos e trinta e cinco mil, seiscentos e setenta e sete reais e quarenta e seis centavos). Por sua vez, também foi constatado um mútuo no Ativo, Conta 1.02.01.01 - CRÉDITOS EM INTERLIGADAS, perante a mesma empresa (ora devedora, portanto), cujo saldo inicial, já superava os R$ 83 milhões, ao ser intimado a demonstrar o reconhecimento da receita financeira correspondente, o contribuinte esclareceu: "Não houve cobrança de juros no período mencionado " . A documentação apresentada não confere segurança e liquidez à operação e não logrou comprovar os valores contabilizados em conta de custo, sugerindo provir de fonte meramente interna, dadas as características do documento impresso, contendo um sinal sequer qualificável como rubrica, sem indicação do signatário emitente ou qualquer elemento de sustentação da trilogia operacional da necessidade, usualidade e normalidade, que permita a dedutibilidade da despesa na ótica do IRPJ; Tratando-se de despesa financeira, que é um tipo despesa operacional, deve-se preencher todos os requisitos previstos para a dedutibilidade, quais sejam os contidos no art. 299, § 1 o e § 2 o do RIR/99. Assim, para conformar-se ao conceito técnico de despesa, no especial sentido que lhe dá a Legislação do Imposto de Renda, deverá o dispêndio, simultânea e inequivocamente, ser lícito, necessário, usual ou normal, efetivo e Fl. 29087DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 documentado. A ausência ou falha em qualquer dos requisitos retro elencados impossibilita o incurso do ato ou fato econômico à categoria de despesa, permanecendo mero dispêndio, aquém da possibilidade de dedução no sistema jurídico-tributário de determinação do lucro tributável. Observa-se que a Itaguassú contabilizou a débito, o valor de R$ 3.942.240,05 (três milhões, novecentos e quarenta e dois mil, duzentos e quarenta e cinco centavos), a título_de_pagamentos das despesas fínanceiras para a Cia Agro Industrial de Goiana, na conta de resultado Juros e Descontos Passivos, código nº 6210-10001, da Demonstração de Resultados do Exercício, cujos dados foram extraídos da sua escrituração para o ano-calendário de 2009, gerando a Memória de Cálculo Trimestral das Despesas não Comprovadas Também, da análise contábil realizada, para o ano-calendário de 2009, ficou constatado que o valor acima referido integra o resultado contábil da Itaguassú, mas não é adicionado no LALUR, bem como nas Fichas: 09 A - Demonstração do Lucro Real - PJ em Geral e 17 - Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da DIPJ/2010, 1 o ao 4 o trimestre de 2009, consequentemente o efeito tributário foi a diminuição da Base de Cálculo do IRPJ. Diante do exposto, conclui-se que a contabilização das despesas financeiras da Cia Agro Industrial de Goiana, no valor de R$ 3.942.240,05 (três milhões, novecentos e quarenta e dois mil, duzentos e quarenta reais e cinco centavos) no ano-calendário de 2009, deve ser glosado da apuração da Base de Cálculo do IRPJ. Acrescente-se que a glosa em questão se deu em razão da constatação de despesas financeiras consideradas desnecessárias e, assim,(...) indedutíveis, também, da base de cálculo da Contribuição Social (...). 4. Infração - Omissão de Receitas Financeiras Pela escrituração digital do contribuinte dos anos-calendário de 2007 a 2009, verificou-se a existência de mútuos, contabilizados no Ativo, Conta 1201010000 - CRÉDITOS EM INTERLIGADAS. Após ter sido intimado e reintimado, o contribuinte apresentou os arquivos digitais do período de 1997 a 2009 e cópias dos contratos de mútuo com empresas interligadas firmados no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2009, que modificaram a situação patrimonial, em virtude da respectiva receita financeira auferida. No caso em análise, todos os contratos de mútuo firmados e apresentados entre o contribuinte e as empresas interligadas prevêem, na cláusula terceira, a incidência de juros equivalentes a 6% (seis por cento) ao ano, computados, desde a sua contratação, inclusive durante o prazo de carência, conforme citação in verbis: TERCEIRA - A DEVEDORA pagará à CREDORA a dívida de que trata este mútuo, depois de vencido o prazo de carência anteriormente referido, em 96 (noventa e seis) prestações mensais, iguais e sucessivas, acrescidas dos juros de 6% (seis por cento) ao ano, computados inclusive no prazo de carência, capitalizados de acordo com a lei. Fl. 29088DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 Conforme já foi descrito, o contribuinte foi intimado a esclarecer e justificar a não contabilização das receitas financeiras referentes aos juros dos Créditos com Interligadas e declarou que não houve cobrança de juros no período mencionado. A contabilização, pelo regime de competência, independe da data do efetivo recebimento das receitas auferidas e do efetivo pagamento das despesas incorridas. Em relação a todos os contratos firmados estão previstos o efetivo pagamento em 96 prestações mensais, incluindo os juros, mesmo no período de carência, sendo que a contribuinte não apresentou qualquer indicação referente às contas escrituradas e ao momento em que se dá a tributação dessas receitas. A alegação do contribuinte de que não houve cobrança de juros no período mencionado não resiste a uma simples análise, pois fere a lógica não exercer o direito de cobrança dos juros previstos nos contratos, ao tempo em que continua firmando sucessivas operações idênticas, em todas prevendo a incidência dos encargos financeiros a seu favor, os quais ficam garantidos, inclusive, em eventual conversão da dívida em participação societária para seu investimento junto a mutuaria. Quanto à hipótese de postergação tributária, não se aplica ao caso, pois não houve a tributação posterior das receitas financeiras omitidas; (...). Por outro lado, na apuração do lucro real, os fatos contábeis devem ser registrados com base no regime de competência, ou seja, na medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos e as despesas incorridas, independentemente da sua realização em moeda, com respaldo no já citado art. 274 do RIR/1999 e no art. 177 da Lei n° 6.404, de 1976, que dispõe sobre a sociedade por ações, bem como na Resolução do Conselho Federal de Contabilidade n° 750, de 1993,(...). Portanto, é perfeitamente cabível a adição, aos resultados da empresa das receitas financeiras sobre mútuos, previstas nos contratos firmados com empresas interligadas, independentemente de seu efetivo recebimento por parte do contribuinte, já que tais receitas foram auferidas, segundo o regime de competência, mas não foram registradas em sua contabilidade e, conseqüentemente, não foram oferecidas à tributação. (...) Com o objetivo de mensurar os valores mensais da receita financeira omitida, foram elaborados Demonstrativos Diários - Receita Financeira s/contratos Fl. 29089DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 de mútuos - auferidos por trimestre/ano sobre o somatório das importâncias entregues às mutuárias em cada data, do período de 1997 a 2009, com base no Razão Analítico do Ativo e nos Contratos de Mútuo firmados e apresentados pelo contribuinte com pessoas jurídicas Interligadas. Assim, para a consolidação final foi elaborado a Memória de Cálculo da Omissão de Receita Financeira do período do 4 o trimestre/2007 ao 4 o trimestre/2009, referente aos contratos de mútuos. (...) - que o crédito tributário lançado de ofício, anos-calendário 2007, 2008 e 2009 (autos de infração do IRPJ e da CSLL), perfaz o montante de R$ 103.445.830,78, assim discriminado por exação fiscal: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até ) (R$) Multa de Ofício de 75% Total IRPJ 35.889.273,75 13.253.357,85 26.916.955,31 76.059.586,91 CSLL 12.922.298,54 4.772.221,42 9.691.723,91 27.386.243,87 Total 103.445.830,78 Ciente do lançamento fiscal em 06/12/2012 - quinta-feira, conforme assinatura aposta nos próprios autos de infração pelo representante legal - Gerente Financeiro, a contribuinte apresentou Impugnação em 07/01/2013 - segunda-feira (e-fls. 18165/18205), cujas razões estão resumidas no relatório da decisão recorrida (e-fls. 24889/24920), in verbis: (...) A interessada tomou ciência dos lançamentos em 06/12/2012 e apresentou, em 07/01/2013, a impugnação de fls. 18.165/18.205, acompanhada dos documentos de fls. 18.207/18.625, com as seguintes alegações, em síntese: DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: o presente auto de infração fere o princípio do contraditório, por não descrever pormenorizadamente o fato gerador dos respectivos tributos, não discriminando quais os contratos que foram levados em conta para a composição da base de cálculo e o período em que foram celebrados, se foram considerados os recebimentos dos empréstimos ou os juros contabilizados a partir do prazo de carência de 48 meses; o acesso a todas as informações relativas ao lançamento é necessário para que se possa dar às partes tempo hábil para demonstrar se praticaram ou não determinada conduta, logo, vedar ou limitar esse prazo ou acesso a tais informações caracteriza inequívoco cerceamento ao direito de defesa, o que não pode ser admitido; a nulidade a ser reconhecida é de natureza material, uma vez que está relacionada ao conteúdo do lançamento, e não à sua forma; DA POSTERIOR JUNTADA DE DOCUMENTOS À PRESENTE IMPUGNAÇÃO: Fl. 29090DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 a impugnante esclarece que, devido ao exíguo prazo para apresentação das razões de impugnação, em função da complexidade da matéria e do período em que foi realizada a notificação (festividades de final de ano), apresentará posterior emenda à presente, assim como complemento probatório; a interessada contratou empresa de inigualável destaque nacional e internacional na elaboração de laudos necessários à elucidação dos fatos, os quais serão juntados assim que entregues à impugnante e antes que seja prolatada a decisão por esta DRJ, a fim de se respeitar o princípio da verdade material; DA DECADÊNCIA: outra anormalidade de maior monta se apresenta com a tributação do IRPJ e da CSLL com base em “omissão de receitas financeiras” sobre contratos de mútuo celebrados entre 01/01/1997 e 30/12/2005 (docs. 03 a 340), com valores alocados no curso dos anos-calendário de 2007 a 2009, sem que se saiba a razão, a base ou o fundamento que levou à alegação de suposta omissão de receitas de períodos anteriores ao ano- calendário de 2007; sobre essa questão, não consta no Termo de Verificação Fiscal qualquer elemento que permita conhecer a regularidade do lançamento na espécie, existindo apenas a vaga referência a contratos de mútuo, que nada esclarece sobre os contratos anteriores ao ano-calendário de 2006; a despeito disso, consta do lançamento uma planilha intitulada “Memória de Cálculo de Omissão de Receita”, em que se apresentam os valores da alegada omissão, nos quais estão incluídas as capitalizações de períodos anteriores, em face da previsão contratual de cobrança de juros de 6% a.a., dos exercícios de 1997 a 2005, nos respectivos períodos de apuração. Trata-se de projeção no tempo dos efeitos dos contratos de mútuo celebrados no passado, sob a falsa percepção de que, independentemente do efetivo auferimento de receitas financeiras, a contabilização deveria ser realizada observando-se o regime de competência; ainda que viesse a se admitir a incidência de IRPJ e CSLL sobre expectativa de renda, com base em mera previsão contratual, mesmo assim, os efeitos da capitalização de juros ocorridos no passado, no que supera os 5 anos da data em que o lançamento poderia ter sido realizado, estariam efetivamente alcançados pela decadência; seguindo o falso entendimento de que o IRPJ e a CSLL incidem sobre situação fática/jurídica que não reflete renda, forçoso seria reconhecer que em cada período de apuração, entre os anos-calendário de 1997 a 2005, por observância do regime de competência, a receita financeira deveria ser reconhecida e, por conseguinte, oferecida à tributação e, como isso não ocorreu, se configurou a decadência do direito de constituir o lançamento, uma vez que a situação base de incidência ocorrida entre 1997 e 2005 não pode ser alcançada por lançamento realizado em 06/12/2012; os valores arrolados na citada planilha “Memória de Cálculo de Omissão de Receita”, se já fossem insubsistentes por não refletirem operações que se enquadrem no campo de incidência do IRPJ e da CSLL, conforme se demonstrará, configuram valores aleatórios, que nada têm a ver com omissão de receitas; o autuante, ao realizar capitalização do lançamento nos períodos de 1997 a 2007, eleva exponencialmente a base de cálculo, maquiando a realidade, como se estivesse realizando uma operação de juros sobre juros. O acumulado do período decaído deve ser excluído do cálculo dos não alcançados pela decadência, sob pena de se contaminar todo o período lançado, travestindo de tempestivo o intempestivo; Fl. 29091DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 a situação fática descrita pela autoridade lançadora, no que toca à alegada omissão de receitas, não tem pertinência nem consistência com os valores que se apresentam no lançamento, se constituindo em lançamento sobre fato incerto e improvável, além de ter sido alcançado pela decadência; DA REFISCALIZAÇÃO SOBRE O MESMO FATO: a matéria posta é a mesma já analisada em fiscalização pretérita, ou seja, a autoridade lançadora resolveu fazer fiscalização sobre fatos e procedimentos já fiscalizados no passado, para apuração dos mesmos tributos (IRPJ e CSLL); a defendente, em 20/07/2011, foi cientificada de lançamentos de IRPJ e CSLL sobre alegada omissão de receitas, dada a não contabilização de juros sobre contratos de mútuo, demonstrados na planilha anexada (docs. 341 a 367), que resultaram em exigibilidade de R$22.277.578,28. Apesar disso, essas mesmas operações de mútuo foram consideradas no presente lançamento, conforme planilha em anexo (docs. 368 a 391), de modo que a empresa está sendo submetida a exigibilidades de IRPJ e CSLL em duplicidade; o mais grave é que a autoridade lançadora resolveu fiscalizar período já fiscalizado, para cobrança dos mesmos tributos, sem comprovar os requisitos necessários para tal procedimento, na forma estatuída pelo art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN. Nesse sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais e o CARF já decidiram que, em caso de refiscalização, não comprovados os fatos ensejadores da revisão do lançamento, é de ser considerada improcedente a autuação, conforme ementas de decisões reproduzidas (Acórdão CSRF nº 02-02.922, de 28 de janeiro de 2008, e Acórdão nº 2401-00888, de 28 de janeiro de 2010); a nulidade em razão da refiscalização é de natureza material, por atingir elemento essencial ao lançamento, como decidiu recentemente a 4ª Câmara da 1ª Turma da Segunda Seção do CARF, conforme Acórdão nº 2401-01.353, de 19 de agosto de 2010, reproduzida na impugnação; as Delegacias Regionais de Julgamento vêm decidindo da mesma maneira, e até de forma mais rígida, destacando a necessidade de ordem escrita do Superintendente da RFB para tal desiderato, conforme julgado da 5ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I, também reproduzida na impugnação; portanto, há de ser considerado nulo de pleno o presente lançamento, em razão da inobservância dos critérios necessários para que se procedesse à refiscalização; DO ERRO NO CÁLCULO DOS JUROS LANÇADOS PELA FISCALIZAÇÃO: a planilha elaborada pelo agente fiscal não possui coluna abatendo os valores recebidos pela impugnante, o que demonstra a total nulidade do lançamento; a base imponível imputada na planilha elaborada pela fiscalização, que é de R$140.967.559,00, cairá para R$33.834.553,19 com o abatimento dos valores dos mútuos recebidos; além disso, a impugnante também deixou de contabilizar os juros passivos dos empréstimos que fez com outras empresas do grupo, que totalizam R$23.923.839,65; fazendo um simples cálculo matemático, o valor lançado pela fiscalização como base de cálculo do IRPJ e da CSLL redundará no montante de R$9.910.713,54, ou seja, uma Fl. 29092DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 redução de pelo menos 93%, o que não deixa alternativa para a autoridade julgadora se não for o total cancelamento dos autos de infração; DO CÁLCULO, REVISÃO E CONFRONTO DOS JUROS ATIVOS SOBRE MÚTUO: de acordo com os registros contábeis, operações denominadas de “Mútuos Ativos”, realizadas entre a Itaguassu Agro industrial e respectivas empresas do mesmo grupo econômico, ocorridas entre janeiro de 1997 e dezembro de 2009, encontram-se demonstradas em planilha à fl. 18.180. Procedendo-se ao cálculo dos juros ativos, nos moldes estabelecidos nos contratos, ou seja, de 6% ao ano, encontra-se um total de pouco mais de 155 milhões de reais, conforme planilha à fl. 18.181; a técnica aplicada para a apuração desses valores é a dos juros simples, incidindo diariamente sobre o saldo principal das operações e devidamente alocados de acordo com o princípio da competência; considerando que há períodos em que a decadência impede a apropriação dos juros ativos, resulta, como demonstrado em planilha à fl. 18.182, um montante de juros ativos da ordem de R$59.062.490,87. Considerando que os fatos-geradores ocorridos entre os anos de 2006 a 2008 já foram objeto de lançamento em auto de infração anterior, sendo incabível o reconhecimento desses juros novamente, o cálculo efetuado pela impugnante demonstra um total de juros ativos, não reconhecidos nos registros contábeis, de R$33.834.553,19, de acordo com planilha à fl. 18.183; reitera-se a necessidade de exclusão dos juros ativos no valor de R$25.227.937,68, demonstrados na referida planilha, pois as operações correspondentes foram objeto de auto de infração em que a Itaguassú, após julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reconheceu os débitos remanescentes e os parcelou (Processo nº 10510.722643/2011- 72); por fim, em confronto com o valor reclamado na atual fiscalização, encontra-se um total de R$107.133.006,60 lançado a maior, como demonstrado à fl. 18.184; tal diferença é justificada por inúmeros equívocos no cálculo efetuado pela fiscalização, tais como: a) a fiscalização considerou como base de cálculo dos juros os valores dos empréstimos/mútuos, mas não fez o abatimento dos pagamentos ocorridos, que diminuem a base de cálculo dos juros e, conseqüentemente, a receita financeira apurada; b) a técnica aplicada foi a dos juros compostos, ou seja, foi procedida a capitalização do valor original sem nenhum abatimento, mas sim com o acréscimo dos próprios juros calculados em períodos anteriores; e c) a fiscalização, por não considerar os pagamentos dos mútuos, assim como os respectivos saldos remanescentes, impõe a cobrança sobre operações já liquidadas; com isso, conclui-se que o valor apurado não é líquido e certo, tendo havido tributação indevida sobre o patrimônio; DO CÁLCULO, REVISÃO E CONFRONTO DOS JUROS PASSIVOS SOBRE MÚTUO: Fl. 29093DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 o processo de revisão das operações de mútuo e da respectiva exigência fiscal demonstra que, em nenhum momento, foram considerados os juros passivos incidentes sobre as operações em que a contribuinte assumiu a posição de mutuária. Por essa razão, procedeu-se ao cálculo dos juros passivos sobre tais operações, nos anos de 2007 a 2009, na forma demonstrada em planilha à fl. 18.185, na qual obtém-se um total de R$28.325.547,44; os registros contábeis evidenciam que, durante o mesmo período, já houve o reconhecimento de R$4.401.707,79 como juros passivos, conforme planilha à fl. 18.186, resultando um saldo de juros passivos alocado em cada período de apuração nos valores discriminados em planilha à fl. 18.187, cujo total equivale a R$23.923.839,65, montante este que ainda não representa o valor líquido, já que a empresa contabilizou corretamente, a título de despesas financeiras, no ano de 2009, R$3.942.240,05, que se encontra demonstrado na planilha anexada à fl. 18.185. Com isso, chega-se a um valor líquido de R$19.981.599,60; com base no exposto, a interessada, através de demonstrativo à fl. 18.187, encontra um valor tributável da ordem de R$13.852.953,59, ao invés de R$140.967.559,79, como apurado pela fiscalização; a omissão na apuração dessas operações compromete sobremaneira a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; DO MÉRITO: DA GLOSA DE DESPESAS: o autuante alega que não houve comprovação de despesas para fins de dedução do imposto de renda, entretanto, as despesas e seus requisitos de dedutibilidade estão devidamente comprovados, conforme documentos anexos a presente impugnação, os quais alcançam a totalidade dos valores tidos como não comprovados, conforme tabela à fl. 18.188; as despesas realizadas pela empresa, ou seja, todas as obrigações assumidas para a aquisição de bens, serviços e utilidades, devem ser consideradas dedutíveis, se feitas com o propósito de manter em funcionamento a fonte produtora dos rendimentos. Ademais, não existe um conceito de despesa indedutível, mas apenas uma conclusão por negação daquelas que não seguem o critério descrito no art. 299 do RIR/1999 (transcreve); devem ser consideradas dedutíveis, portanto, as despesas: a)necessárias para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica; b) usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa; c) comprovadas por meio de documentação idônea; mediante a documentação trazida ao processo e os comentários contidos na impugnação, percebe-se que as despesas não fogem aos requisitos da dedutibilidade, não podendo ser desconsideradas, na forma pela qual foi feita pela fiscalização; DA AUSÊNCIA DO FATO GERADOR DO IRPJ E DA CSLL: o autuante se baseou em deduções realizadas a partir de sua íntima convicção, sem respaldo legal e ao arrepio dos princípios gerais de direito administrativo (reproduz trecho do Termo de Verificação); Fl. 29094DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 a impugnante promoveu diversos empréstimos para empresas coligadas, operações que foram formalizadas através de contratos de mútuo, tendo, no entanto, abdicado de seu direito de haver os frutos do negócio, os juros. Portanto, não se trata de omissão de receita financeira, já que essa infração pressupõe o efetivo recebimento/auferimento do encargo da parte contrária; o fato de haver o contrato, com previsão de juros, não comprova, por si só, o recebimento de verbas, tendo em vista que os contratos são um antecedente existencial e de validade que visam o momento futuro da contraprestação, que pode sofrer modificações anteriores ao seu termo; inexiste obrigatoriedade de a mutuante cobrar os juros, mesmo que estipulados, da mutuaria, conforme leciona Hiromi Higushi; o tratamento dado pelo fiscal é como se tivesse a recorrente recebido receitas financeiras e, deliberadamente, não as tivesse escriturado e oferecido à tributação; o fato gerador do imposto de renda, nos termos do art. 43 do CTN, é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, ou de proventos de qualquer natureza, como os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito anterior. Não tendo havido esse recebimento, uma vez que acordado posteriormente que não se receberia aquele valor, não há como declarar haver omissão de receita, agora sim por ferir a lógica; a caracterização de omissão de receitas se dá na forma do art. 281 do RIR/1999 (transcreve), que não se coaduna com os fatos ocorridos no caso em tela; segundo Edmar Oliveira Andrade Filho, as hipóteses legais de omissão de receitas requerem, na prática, dois tipos de prova. A primeira espécie de prova deve ser produzida pela fiscalização, que tem o dever de demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, não bastando a consideração mecânica das hipóteses legais, pois o lançamento tributário deve ser pautado pela certeza da ação contrária à lei, cabendo à contribuinte provar os fatos que apresenta em sua defesa, de acordo com a lei e com o Direito; na situação vertente, caberia à autoridade lançadora provar a existência das receitas financeiras para, então, cogitar de omissão (transcreve doutrina que trata do ônus da prova no processo administrativo fiscal); nesse sentido tem sido os julgados do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como da própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, conforme ementas reproduzidas; portanto, não resta alternativa a esta DRJ, se não a declaração de improcedência do lançamento efetuado, haja vista não ter ocorrido o fato gerado do IRPJ e da CSLL; DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO: o art. 273 do RIR/1999 (transcreve) determina que, quando o contribuinte computar na apuração do lucro real uma receita que deveria ter sido reconhecida no período-base anterior, aplica-se a regra relativa à postergação do pagamento; sendo assim, uma vez caracterizada a postergação do reconhecimento dos ganhos de capital relativos a juros decorrentes de contratos de mútuo, deveria a fiscalização ter aplicado o instituto da postergação do pagamento do tributo, tal como previsto no dispositivo legal citado; Fl. 29095DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 destaque-se que é dever da fiscalização aplicar o art. 273 do RIR/1999, e não uma opção. Esse, inclusive, é o procedimento contido no Parecer Normativo COSIT nº 2, de 1996 (reproduz), que é de aplicação obrigatória pelas autoridades federais e que deve ser observado no presente caso, ante a alegada inobservância do regime de competência na escrituração das receitas; a Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestou-se no sentido de que deve ser reconhecida a nulidade do lançamento nos casos em que a fiscalização deixa de observar os procedimentos legais pertinentes à postergação de pagamento do imposto, conforme ementa reproduzida; pelo exposto, diante dos equívocos cometidos nos cálculo utilizados pela fiscalização e da inobservância das regras aplicáveis à postergação de pagamento do imposto e da contribuição social, é forçoso se concluir pela improcedência do lançamento ou, ao menos, pela necessidade de recálculo dos valores de receita supostamente omitidos; DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA. DA VIOLAÇÃO AOS PRECEITOS DA LEI Nº 9.784, DE 1999: a multa lançada, de 75% do valor do tributo, é excessiva e extrapola a proporcionalidade, ou a razoabilidade, em função da natureza da infração, que consiste, nos termos em que se alega no lançamento, em mera falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL; segundo Hugo de Brito Machado, as multas, como as sanções em geral, devem ser limitadas pelos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade (cita trecho extraído da Revista Dialética nº 166, p. 93/113); os dispositivos capitulados contrariam o disposto nos arts. 5º, inciso XXII, 150 e 170, inciso II, da Constituição Federal, de modo que cabe ao julgador, em respeito a essas garantias constitucionais, afastar a aplicação de penalidade de tal monta; nas situações em foco não se cogita de fraude, conluio ou outra ilicitude grave, a ponto de comportar tal penalidade, mas, induvidosamente, de simples falta de recolhimento de tributo; a prevalecer a cobrança de multa que alcança 75% do tributo, estará a defendente, em contrariedade à Constituição Federal e aos princípios estatuídos na Lei nº 9.784, de 1999, sendo afetada irremediavelmente em sua propriedade, posto que a multa, excedendo, em muito, qualquer ganho obtido com a operação, alcança, inexoravelmente, o patrimônio, causando verdadeira redução da capacidade de continuidade do empreendimento; o STF, por diversas vezes, julgou inconstitucional a aplicação de multa exorbitante, que extrapola o limite da razoabilidade e da proporcionalidade, a exemplo dos julgados reproduzidos na impugnação; no caso, não se trata de pretensão de ver reconhecida a inconstitucionalidade de lei na esfera administrativa, mas de inaplicabilidade de lei que, além de ferir a Constituição Federal, fere o disposto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, por ser desproporcional e nada razoável; o efeito confiscatório da multa ainda se apresenta pelo fato de a Fazenda Pública dispor da taxa Selic para atualização monetária da dívida e indenização pelo atraso do pagamento, não havendo razoabilidade na aplicação de penalidade tão elevada; a multa de 75% do valor do tributo só se justificaria em situação excepcional, de grave ilicitude, a título de sanção de natureza comportamental, e não para situação de mera falta de recolhimento; Fl. 29096DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é pela inconstitucionalidade da multa de 300% do valor do tributo, conforme trecho de julgado reproduzido na impugnação; dessa maneira, a multa de 75% é desproporcional em relação à natureza da infração e, no caso, se procedente fosse o lançamento, teria que se adequar à situação fática, dado o efeito confiscatório, com sua redução; DOS PEDIDOS: em face do exposto, requer: a) a nulidade do auto de infração, em razão do comprovado cerceamento do direito de defesa; b) a análise dos complementos probatórios a serem juntados, em observância ao princípio da verdade material; c) a declaração de nulidade do lançamento, em razão da refiscalização realizada, sem a observância dos requisitos legais e procedimentais; d) a declaração da decadência e a conseqüente nulidade total material do auto de infração, nos moldes expostos; e) o reconhecimento da nulidade total material do auto de infração, em razão da refiscalização realizada sem a observância do art. 149 do CTN e das normas procedimentais pertinentes; f) a nulidade material do auto de infração, haja vista a falta de certeza e liquidez do fato gerador apontado pelo fiscal e os inúmeros erros constantes nas planilhas elaboradas e presentes no auto de infração, não tendo o fiscal abatido os valores dos mútuos recebidos pela impugnante, bem como por ter desconsiderado os juros passivos dos empréstimos realizados pela impugnante a outras empresas do grupo; g) o reconhecimento da dedutibilidade das despesas tidas como indedutíveis, por restarem comprovadas e caracterizadas sua necessidade, usualidade, normalidade, causalidade e transparência; h) caso superadas as preliminares acima, a improcedência da autuação quanto à suposta omissão de receitas, uma vez que não houve o recebimento dos juros dos contratos de mútuo; i) a improcedência da autuação por não ter o fiscal observado a postergação do pagamento do IRPJ e da CSLL, nos termos do art. 273 do RIR/1999; j) caso ultrapassados todos os pedidos acima, requer o recálculo da multa, tendo em vista os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, nos termos da Lei nº 9.784, de 1999. Através do Despacho nº 47 – 2ª Turma da DRJ/SDR, de 21 de junho de 2013 (fls. 18.649/18.650), foi solicitada a realização de diligência, para que a contribuinte fosse intimada a apresentar demonstrativos discriminando os valores recebidos dos contratos de mútuo celebrados nos anos de 1997 a 2009, totalizados na planilha de fl. 18.180, indicando os lançamentos contábeis correspondentes e os contratos a que se referem, bem como a documentação comprobatória do efetivo recebimento dos valores contabilizados como recebidos no referido período. Efetuada a diligência, foram acostados aos autos os documentos de fls. 18.654/24.854, sendo que a interessada apresentou o expediente de fls. 18.666/18.688, que tem o seguinte teor, em síntese: Fl. 29097DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 1. DA ALTERAÇÃO DOS VALORES E FUNDAMENTOS CONTIDOS NA IMPUGNAÇÃO: - conforme destacado na impugnação, devido ao exíguo prazo para a apresentação de suas razões e da complexidade da matéria, a impugnante ficou de apresentar, posteriormente, emenda à citada impugnação, bem como complemento probatório dos argumentos tecidos ao longo de sua defesa; - nesse contexto, foram contratadas duas empresas de Auditoria e Consultoria Tributária para auxiliar a empresa nessa demanda, a Tax Accounting Auditoria e Consultoria Tributária e a Ernest Young Terco, que detalharam os valores utilizados pela fiscalização para fins de cálculo dos juros de mútuo, bem como analisaram os documentos comprobatórios que lastreavam tais operações e os procedimentos contábeis adotados pela sociedade para o registro dos casos na escrituração mercantil; - no processo, confirmaram que os valores inicialmente apresentados na impugnação não estavam dotados de precisão matemática e deveriam ser ajustados para refletir a verdade material identificada na empresa; - o resultado do trabalho realizado pelas empresas contratadas foi sintetizado em Laudos Periciais juntados por meio da presente petição, nos quais constam os valores adequados que devem ser assumidos no processo em questão; - para as informações aqui relatadas, primordialmente as de cálculo, será tomado como referência o trabalho realizado pela Tax Accounting Auditoria e Consultoria Tributária, uma vez que ocorreu uma pequena variação em razão da técnica aritmética realizada pela Ernest Young Terco, como se percebe da fl. 03 do seu laudo; - o laudo da Tax Accounting Auditoria e Consultoria Tributária é composto do parecer e seus anexos, em 582 folhas (fls. 18.691/19.274) e o da Ernest Young Terco está disposto em 7 páginas (fls. 22.837/22.843) e possui um DVD-ROM com planilhas em formato .xls que dão suporte às suas conclusões; - conforme abordado nos laudos elaborados pelas citadas empresas de auditoria, a impugnante, por estar inserida em um grupo econômico composto por diversas empresas, trabalha, na sua essência, com contas correntes contábeis, nas quais ocorre o registro de diversas operações, de débito e crédito, de natureza sucessiva e constante, configurando relação creditícia entre as partes envolvidas, como pode ser facilmente percebido a partir da análise dos Anexos I e II da Tax Accounting Auditoria e Consultoria Tributária (fls. 18.713/18.944); - assim, durante a vigência dessas contas contábeis, a movimentação financeira nelas contida acaba por incluir diversos débitos e créditos, que compõem uma massa única e homogênea e, consequentemente, o saldo devedor verificado ao final de cada período de apuração; - na escrituração mercantil da sociedade, quando a impugnante remete dinheiro às empresas ligadas adota o histórico “importância que entregamos nessa data” e, quando ocorre a transação de devolução do numerário anteriormente remetido, isso ocorre com o histórico “recebido para seu crédito”; - em ambos os casos, os históricos adotados não indicam referência a qualquer contrato de mútuo, apenas evidencia a relação creditícia entre as partes, que pertencem a um mesmo grupo econômico; - daí a impossibilidade de atender à solicitação descrita no Termo de Diligência, na forma como foi colocada, já que a impugnante, quando recebe os valores das empresas interligadas, o faz como quitação de parte do saldo devedor, que se formou ao longo do Fl. 29098DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 tempo (conta corrente contábil), e não como liquidação de determinado contrato de mútuo especificamente; - é inviável a vinculação entre os valores movimentados com os contratos de mútuo, uma vez que, conforme Instrumento Particular de Contrato de Mútuo Anexo IV, este não possui qualquer controle ou numeração de referência. A cada movimentação financeira, a empresa instrumentalizava um documento que intitulou de contrato de mútuo, prevendo cobrança de juros, na forma da lei, os quais, na verdade, se sabia que jamais seriam cobrados; - no cenário apresentado, os contratos de mútuo abordados pela fiscalização não guardam relação com os procedimentos operacionais e contábeis adotados pela sociedade, por terem sido elaborados para acobertar operações individuais, quando ocorre na prática a formação, o gerenciamento e a manutenção de contas correntes contábeis com pessoas ligadas; - os julgadores, a partir dos laudos contábeis juntados, devem analisar os fatos sob o prisma do princípio da primazia da realidade sobre a forma, da verdade material, conforme entendimentos de tributaristas reproduzidos (James Marins, em Direito Processual Tributário Brasileiro, e Maria Rita Ferragut e Marcos Vinícius Neder, em A Prova no Processo Tributário); - esse entendimento também é pacífico no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme precedentes reproduzidos; - diante disso, não há que se falar em exigibilidade de juros entre empresas coligadas, pois se trata, na verdade, de conta corrente contábil, em essência, e não tipicamente contrato de mútuo, o que afasta a imputação de omissão de receitas; - resta claro que não há correlação entre o contrato de conta corrente e o contrato de mútuo, pois este é instituto jurídico diverso daquele, conforme as claras palavras do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no voto vencedor do Acórdão 3101-001.094, do CARF, nos autos do Processo nº 11080.015070/2008-00, conforme trecho reproduzido; 2. DOS NOVOS NÚMEROS DECORRENTES DOS TRABALHOS DE PERITAGEM: - os trabalhos de peritagem identificaram a necessidade de se alterar valores apresentados em sede de impugnação, o que abrange a planilha apresentada como Anexo ao Termo de Diligência (fl. 18.657), que deve ser substituída pelo quadro anexado à fl. 18.675, contido na fl. 12 do Laudo Pericial Contábil da Tax Accounting Auditoria e Consultoria Tributária (fls. 18.691/18.712); - os valores objeto de exclusão contidos no referido quadro, que totalizam R$174.653.824,21, correspondem aos seguintes fatores: a) Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Crédito: nessa condição se refere o montante de R$132.290.000,00; b) Transferência entre Contas Contábeis: nessa condição se refere o montante de R$39.007.051,82; c) Outros Eventos: o montante de R$3.356.772,39 incorpora eventos diversos como estornos de lançamentos, valores referentes a notas de débito, bem como depósitos e recebimentos; - os registros em referência não envolveram movimentação financeira, por não se tratarem de eventos que tenham esse condão (com exceção dos eventos sob os seguintes históricos: notas de débitos, depósitos e recebimentos), como se pode aferir facilmente da análise da escrituração mercantil da sociedade; Fl. 29099DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 - no caso de estornos de lançamentos indevidos e de transferências entre contas contábeis, por se tratarem de procedimentos internos, os próprios registros contábeis comprovam essa situação e foram verificados e validados durante os trabalhos realizados pelos auditores contratados; 3. DAS ALTERAÇÕES NECESSÁRIAS NA IMPUGNAÇÃO DECORRENTES DOS TRABALHOS DE PERITAGEM: - em sendo ultrapassados os argumentos expedidos, referentes à inexistência de juros em razão de a essência do negócio ser de conta corrente contábil e não de mútuo, há inconsistências consideráveis no que tange ao cálculo da base tributável, identificadas nos trabalhos de peritagem, conforme Laudo Contábil da Tax Accounting Auditoria e Consultoria Tributária; - com isso, os itens 2.5, 2.5.1 e 2.5.2 da impugnação anteriormente apresentada foram alterados, em valores ou no texto inicialmente apresentado, conforme exposto às fls. 18.679/18.687; 4. DO REQUERIMENTO: - a impugnante, em resposta à diligência fiscal, requer a juntada dos laudos periciais contábeis em anexo e o regular processamento do feito, para que seja declarada a improcedência do auto de infração, uma vez que, na verdade, não há contratos de mútuo celebrados, mas sim conta corrente contábil entre as empresas coligadas. Acaso superado esse pedido, reitera, subsidiariamente, os pleitos da improcedência anteriormente formulados, adequando-os à nova realidade fática apresentada. (...) Na sessão de 07/05/2014, a 2ª Turma da DRJ/Salvador julgou a Impugnação procedente em parte (e-fls. 24889/24920), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE. O procedimento fiscal efetuado por servidor competente, no exercício de suas funções, contendo os demais requisitos exigidos pela legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, tais como o enquadramento legal e a perfeita descrição dos fatos, não pode ser considerado nulo. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. O afastamento da aplicabilidade de lei ou ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando a sua inconstitucionalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 Fl. 29100DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 NORMAS DE CONTABILIDADE. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. A escrituração da pessoa jurídica deve ser mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e aos Princípios de Contabilidade geralmente aceitos, inclusive o de competência, segundo o qual as receitas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, independentemente do seu recebimento. MÚTUO. RENDIMENTOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. LUCRO REAL. Na determinação do resultado do exercício, devem ser computados os rendimentos ganhos no período, estipulados no respectivo contrato de mútuo, segundo o regime de competência, independentemente de sua realização em moeda. REGISTROS CONTÁBEIS. COMPROVAÇÃO. A escrituração contábil deve ser acompanhada da comprovação documental das operações nela registradas. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. São indedutíveis os dispêndios não comprovados com documentos hábeis e idôneos ou que não atendam aos requisitos legais de normalidade e necessidade à manutenção da fonte produtora. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Em se tratando de base de cálculo originária das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para o lançamento decorrente o que foi decidido para o matriz, no que couber. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (...) Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação apresentada pela pessoa jurídica, rejeitando as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, mantendo parcialmente os lançamentos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no montante de R$33.645.230,62 (trinta e três milhões, seiscentos e quarenta e cinco mil, duzentos e trinta reais e sessenta e dois centavos), e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no montante de R$12.114.443,01 (doze milhões, cento e quatorze mil, quatrocentos e quarenta e três reais e um centavo), acrescidos de multa de ofício, de 75%, e juros de mora, nos termos do voto do relator. (...) RECORRO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, e em conformidade com o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. (...) Fl. 29101DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 Ciente desse decisum em 10/06/2014 - por decurso de prazo - Domicílio Tributário eletrônico - Caixa Postal, Modulo e-CAC do Site da Receita Federal (e-fl. 24929), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 26/06/2014 (e-fls. 24930/25050), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1 - Nulidade do presente processo em razão de refiscalização sobre o mesmo fato. A primeira fiscalização gerou o Processo nº 10510.722643/2011-72: - que o segundo procedimento de fiscalização mostra-se equivocado, por duas razões: a) requer autorização por escrito do Superintendente da RFB, Delegado ou Inspetor, conforme art. 906 do RIR/99; que não houve autorização expressa para tanto; b) que autoridade lançadora resolveu fiscalizar período já fiscalizado, para cobrança dos mesmos tributos - IRPJ e CSLL, sem comprovar os requisitos necessários, conforme art. 149 do CTN. 2 - Nulidade em decorrência dos diversos erros nos cálculos dos juros lançados pela fiscalização/Iliquidez e incerteza do lançamento fiscal: - que a recorrente possui contrato de conta corrente com empresas ligadas; - que a Fiscalização possui o dever legal de apurar corretamente os valores supostamente devidos a título do IRPJ e da CSLL, sob efeito de invalidade do lançamento fiscal por iliquidez e incerteza do lançamento fiscal; - que a omissão de receitas, conforme planilha da Fiscalização, é de R$ 140.967.559,00. Contudo, refazendo a planilha, com abatimento dos valores recebidos e dos eventos não característicos de relação creditícia financeira, o valor da omissão de receitas cairá para R$ 28.556.339,36; - que a recorrente também deixou de contabilizar os juros passivos dos empréstimos com outras empresas do Grupo. Esses juros passivos perfazem o montante de R$ 192.281,63; - que, então, o valor da omissão de receitas seria R$ 28.364.057,73, ou seja, 79,88% a menor do que aquele valor apurado pela Fiscalização. Diferença absurdamente alta, e que não deixa outra alternativa para a autoridade julgadora que não o cancelamento dos autos de infração; - que tal diferença decorre do procedimento - para o cálculo dos juros - adotado pela Fiscalização e pelas empresas de auditoria: enquanto a Fiscalização limitou-se a calcular os valores lançados a débito da conta contábil 1201010000 - Créditos em Interligadas e utilizando- se de critérios equivocados, as empresas de auditoria efetuaram os cálculos dos juros sobre os saldos diários das contas contábeis representativas desses mútuos; Fl. 29102DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 - que tais cálculos estão analiticamente demonstrados nos Laudos de Avaliação elaborados pela EY e pela Tax Accouting, bem como no Adendo ao Laudo da Tax Accouting ora juntado, o qual leva em consideração a parcela do lançamento cancelada pela DRJ; - que o lançamento é ilíquido e incerto pelos seguintes equívocos no cálculo dos supostos juros (omissão de receitas): a) a Fiscalização não considerou os pagamentos/amortizações dos mútuos lançados a crédito na conta contábil 1201010000 - Créditos em Interligadas; b) a Fiscalização considerou lançamento a débito da conta contábil 1201010000 - Créditos em Interligadas que não se referem a mútuos; c) a Fiscalização aplicou, de forma totalmente arbitrária, juros compostos sobre os mútuos; d) a Fiscalização não calculou os juros passivos da conta contábil 221070004; e) a Fiscalização calculou os juros sobre período já decaído (CTN, art. 150, § 4º). 3 - Quanto ao mérito: 3.1 - Glosa das despesas: - que a DRJ/Salvador entendeu que os documentos acostados à Impugnação são insuficientes à comprovação da efetividade da despesa; - que, entretanto, tal entendimento está equivocado, haja vista que a despesa e seus requisitos de dedutibilidade estão devidamente comprovados, conforme documentos anexos à Impugnação; - que os documentos que comprovam as despesas foram elaborados pela Cia Agro Industrial de Goiânia, e alcançam a totalidade dos valores tidos como não comprovados pela Fiscalização e pela decisão recorrida. 3.2 - Da omissão de receitas/ Da conta corrente contábil/Da ausência de fato gerador do IRPJ/CSLL/Da prevalência da essência sobre a forma. - que o registro de diversas operações, de débito e crédito, de natureza sucessiva e constante realizadas pela recorrente e empresas ligadas possui natureza de conta corrente, e não de relação de mútuo; - que tais fatos podem ser facilmente percebidos a partir da análise: a) do Anexo I - Detalhamento da Base de Cálculo das Receitas Omitidas, elaborado pela Fiscalização; Fl. 29103DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 b) do Anexo III - Movimentação Financeira, do Laudo da Tax Accouting. - que a DRJ não afastou a natureza de conta corrente contábil das operações ora tributadas; - que o presente lançamento fiscal deu-se em razão do equivocado procedimento adotado pela recorrente de a cada movimentação financeira ocorrida, instrumentalizar um documento que intitulou de contrato de mútuo, prevendo em sua maioria a cobrança de juros na forma da lei que, na verdade, se sabia que jamais seria cobrado; - que, portanto, os contratos de mútuo abordados pela Fiscalização não guardam relação com os procedimentos operacionais e contábeis adotados pela sociedade, por terem sido elaborados para acobertar operações individuais quando ocorre na prática a formação, gerenciamento e manutenção de contas correntes contábeis, com pessoas ligadas; - que a partir da análise dos Laudos contábeis juntados deve-se analisar os fatos sob o prisma do princípio da primazia da realidade sobre a forma, invocando precedente do CARF quanto à aplicação desse princípio citado; - que, assim, não há que se exigir juros entre empresas coligadas, pois se trata na verdade de conta corrente contábil entre sociedades ligadas e não tipicamente contrato de mútuo; - que deve ser afastada a imputação da infração omissão de receitas. Por fim, a recorrente, em suma, pediu: (...) Fl. 29104DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 (...) Na sessão de 06/04/2016, conforme Resolução nº 1301-000.323 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, ou seja, esta Turma, com outra composição na época, converteu o julgamento em diligência (e-fls. 28101/28118), cujo voto condutor transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Constata-se do extenso e minucioso relatório e auto de infração, que a empresa recorrente foi autuada pela não comprovação de despesas relativas a fatos geradores do ano calendário de 2009 e, por omissão de receitas financeiras pela falta de contabilização de juros dos créditos relativos a contratos de mútuo com empresas interligadas, para fatos geradores de 31/12/2007 e, todo ano calendário de 2008 e 2009. Apreciando a defesa inicial a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, exonerando parte do lançamento de ofício, pelo recorre de ofício. Nesta Sessão de Julgamento, antes até mesmo da análise de mérito, a Turma Julgadora apreciando os fatos e documentação apresentada pela recorrente, mesmo aqueles (documentos) apresentados após o julgamento de primeira instância, resolveu por aceitá-los por ser complementar aos apresentados até à fase da impugnação e, em consequência, torna-se necessário converter o julgamento em diligência para que a Fl. 29105DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 unidade de origem analise toda a documentação pertinente, em especial, relativamente aos Anexos I, II, III e IV ao Laudo Pericial Contábil da Tax Accountig juntados ao recurso voluntário (doc. 2), esclarecendo, em relatório circunstanciado: I) Qual o montante das amortizações dos mútuos realizados (conta contábil do ativo 1201010000 Créditos em Interligadas); e, II) Dessa mesma conta quais valores não representam operações de mútuo, mas, sim, "Operações de Cessão de Crédito", "Transferências entre Contas Correntes" e "Outros Eventos". A contribuinte deverá ser cientificada do relatório que ora se solicita para, se quiser, aditar razões. Em seguida retorne-se os autos do presente processo a esta Corte Administrativa para o julgamento. (...) O Relatório de Diligência, de 27/06/2016, foi juntado aos autos pela DRF/Aracajú (e-fls. 28809/28813) . A contribuinte foi intimada do resultado do Relatório de Diligência e apresentou sua manifestação nos autos em 28/07/2016, apontando incongruências (e-fls. 28816/28819) e juntou documentos (e-fls. 28845/28848). Na sessão de 20/02/2018, esta E. Turma, conforme Resolução nº 1301-000.472 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, novamente, converteu o julgamento em diligência (e-fls. 28970/28990). Realizada a diligência solicitada pelo CARF, conforme Relatório juntado pela Fiscalização da DRF/Aracajú, de 19/10/2018 (e-fls. 29070/29077). A Contribuinte intimada do Relatório - Resultado de Diligência Fiscal apresentou sua manifestação nos autos em 14/09/2018 (e-fls. 29065/29069). Os autos retornam ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário restou conhecido em outra oportunidade, por ocasião da primeira conversão do julgamento em diligência pelo CARF (e-fls. 28101/28118). Realizada a segunda e última diligência fiscal solicitada pelo CARF, então os autos retornaram para julgamento. Fl. 29106DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 Quanto ao Recurso de Ofício, cujo limite de alçada deve ser verificado nesta instância recursal, constato que, nesta data de julgamento, o valor exonerado do crédito tributário (principal e multa de ofício) pela decisão a quo (e-fls. 18165/18206) persiste acima do limite de alçada de que trata a Portaria MF nº 63, de 2017. Veja. Quanto ao crédito exonerado pela primeira instância de julgamento consta da conclusão do voto condutor do acórdão recorrido, in verbis: (...) Logo, VOTO por julgar PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação apresentada pela pessoa jurídica, rejeitando as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, mantendo parcialmente os lançamentos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no montante de R$33.645.230,62 (trinta e três milhões, seiscentos e quarenta e cinco mil, duzentos e trinta reais e sessenta e dois centavos), e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no montante de R$12.114.443,01 (doze milhões, cento e quatorze mil, quatrocentos e quarenta e três reais e um centavo), conforme demonstrativo a seguir, acrescidos de multa de ofício, de 75%, e juros de mora: (...) Fl. 29107DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 Portanto, conheço do Recurso de Ofício, pois o crédito tributário exonerado pela decisão a quo (principal + multa de ofício) superou o limite de alçada de R$ 2,5 milhões. LANÇAMENTO FISCAL: Conforme relatado, a controvérsia objeto deste processo envolve a exigência de crédito tributário pelo Fisco - Autos de Infração do IRPJ e reflexo (CSLL), atinentes aos anos- calendário 2007 (4º trimestre), 2008 e 2009, pela imputação pelo Fisco das seguintes infrações: a) glosa de despesas - despesas não comprovadas (RIR/99, arts. 299 e 300): - Despesas financeiras para o ano-calendário de 2009, relacionados com a empresa CIA Agro Industrial de Goiana (empresa ligada), no montante de R$ 3.942.240,05: Fato Gerador Valor Tributável Apurado (R$) 31/03/2009 409.716,23 30/06/2009 546.790,56 30/09/2009 985.560,01 31/12/2009 2.000.173,25 TOTAL 3.942.240,05 - A autuada contabilizou a débito o valor de R$ 3.942.240,05 a título_de_pagamentos de despesas fínanceiras para a Cia Agro Industrial de Goiana, na conta de resultado Juros e Descontos Passivos, código nº 6210-10001, da Demonstração de Resultados do Exercício, cujos dados foram extraídos da sua escrituração para o ano-calendário de 2009, gerando a Memória de Cálculo Trimestral das Despesas não Comprovadas; b) Omissão de receitas financeiras (RIR/99, art. 288 e Lei 9.249/95, art. 24): - Falta de contabilização de juros - contratos de mútuos concedidos a empresas ligadas, com cláusula expressa de cobrança de juros, taxa de juros 6% a.a, inclusive no período de carência; - O sujeito passivo auferiu receitas de juros sobre contratos de mútuo e não lançou na conta de resultado: Fato Gerador Valor Apurado - Omissão de Receitas (R$) 31/12/2007 12.776.028,24 31/03/2008 13.395.387,81 Fl. 29108DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 30/06/2008 13.395.387,81 30/09/2008 13.542.589,89 31/12/2008 13.542.589,89 31/03/2009 18.084.251,49 30/06/2009 18.433.609,36 30/09/2009 18.803.512,28 31/12/2009 18.994.203,02 Total 140.967.559,80 Obs: o Fisco apurou o montante de R$ 832.898.713,74 a título de contratos de mútuo concedidos a empresa ligadas, no período de 1997 a 2009 - empréstimos concedidos para pagamento em 12 anos ou 144 meses, conforme Demonstrativos Diários -Receita Financeira sobre Contratos de Mútuo: a) Contratos de Mútuo de 2009, cujas receitas de juros não foram oferecidas à tributação em 2009 (1º a 4º trimestres), regime de competência (e-fls.158/163); b) Contratos de Mútuo de 2008, cujas receitas de juros não foram oferecidas à tributação em 2009 (1º a 4º trimestres) , regime de competência(e-fls. 1972/1979); c) Contratos de Mútuo de 2007, cujas receitas de juros não foram oferecidas à tributação em 2009 (1º a 4º trimestres), regime de competência (e-fls. 3142/3149); d) Contratos de Mútuo de 2006, cujas receitas de juros não foram oferecidas à tributação em 2009 (1º a 4º trimestres), regime de competência (e-fls. 4796/4803); e) Contratos de Mútuo de 2005, cujas receitas de juros não foram oferecidas à tributação em 2009, 2008, 2007 (4º trimestre), regime de competência (e-fls. 6463/6470); f) Contratos de Mútuo de 2004, cujas receitas de juros não foram oferecidas à tributação em 2009, 2008 e 2007 (4º trimestre), regime de competência (e-fls. 7504/7511); g) Contratos de Mútuo de 2003, cujas receitas de juros não foram oferecidas à tributação em 2009, 2008, 2007 (4º trimestre), regime de competência (e-fls. 8842/8849); h) Contratos de Mútuo de 2002, cujas receitas de juros não foram oferecidas à tributação em 2009, 2008, 2007 (4º trimestre), regime de competência (e-fls. 9952/9955); i) Contratos de Mútuo de 2001, cujas receitas de juros não foram oferecidas à tributação em 2009, 2008 e 2007 (4º trimestre), regime de competência (e-fls. 11533/11538). j) Contratos de Mútuo de 2000, cujas receitas de juros não foram oferecidas à tributação em 2009, 2008 e 2007 (4º trimestre), regime de competência (e-fls. 13426/13432); k) Contratos de Mútuo de 1999, cujas receitas de juros não foram oferecidas à tributação em 2009, 2008 e 2007 (4º trimestre), regime de competência (e-fls. 15250/15256); l) Contratos de Mútuo de 1998, cujas receitas de juros não foram oferecidas à tributação em 2009, 2008 e 2007 (4º trimestre), regime de competência (e-fls. 16803/16810); m) Contratos de Mútuo de 1997, cujas receitas de juros não foram oferecidas à tributação em 2009, 2008 e 2007 (4º trimestre), regime de competência (e-fls. 17874/17881). Consta do TVF (e-fls. 61/67): (...) Fl. 29109DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 Com o objetivo de mensurar os valores mensais da receita financeira omitida, foram elaborados Demonstrativos Diários - Receita Financeira s/contratos de mútuos - auferidos por trimestre/ano sobre o somatório das importâncias entregues às mutuárias em cada data, do período de 1997 a 2009, com base no Razão Analítico do Ativo e nos Contratos de Mútuo firmados e apresentados pelo contribuinte com pessoas jurídicas Interligadas. Assim, para a consolidação final foi elaborado a Memória de Cálculo da Omissão de Receita Financeira do período do 4 o trimestre/2007 ao 4 o trimestre/2009, referente aos contratos de mútuos. (...) DECISÃO RECORRIDA: A decisão a quo: a) manteve a glosa das despesas financeiras com empresa ligada; b) manteve, em parte, a omissão de receitas financeiras, pelos seguintes ajustes na base de cálculo dos juros , conforme Acórdão (e-fls. 24889/24920): (i) - CRÉDITO - Operações financeiras credoras registradas na conta “Créditos em interligadas” (extenso demonstrativo contido no Anexo III do laudo pericial - e- fls. 18946/19095). O sujeito passivo alegou pagamentos/amortizações dos mutuários relacionados aos contratos de mútuos da mutuante, no montante de R$ 222.466.874,50 (fls. 18.675 e 19.095), mas apresentou documentos comprobatórios de apenas uma parte dessas operações - documentos anexados nas fls. 19139/19152, que totalizam R$13.347.363,40, como demonstrado a seguir: (...) Fl. 29110DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 (...) Assim, do montante de Operações financeiras credoras registradas na conta “Créditos em interligadas” R$ 222.446.874,50 - conforme decisão a quo - o sujeito passivo comprovou R$ 13.347.363,40, e que foram abatidos do valor dos contratos de mútuos, base de cálculo dos juros. (ii) EXCLUSÕES: - o sujeito passivo pediu exclusão da base de cálculo dos juros, o montante de R$ 174.653.824,21, demonstrados no Quadro III do laudo pericial da Tax Accounting, à fl. 18.702, cujo valor é formado pelas seguintes itens: a) Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Crédito, no montante de R$132.290.000,00; b) Transferências entre Contas Contábeis, no montante de R$ 39.007.051,82; c) Outros Eventos, tais como estornos de lançamentos, valores referentes a notas de débito e depósitos e recebimentos, no montante de R$3.356.772,39. a) Cessão de crédito e assunção de dívidas: (...) (...) Fl. 29111DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 Portanto, em relação ao item “a” Cessão de Crédito e assunção de dívidas, do montante de R$132.290.000,00 - que corresponde a 7 (sete) lançamentos a débito da conta “Créditos em Interligadas”, listados pela impugnante na planilha de fl. 19253, transcrita acima -, apenas restaram comprovados e excluídos da base de cálculo dos juros pela decisão a quo os valores de R$ 8.000.000,00 e R$ 20.600.000,00. Obs: A assunção de dívidas pela recorrente de terceiros com terceiros não foram excluídas, pois não estão relacionadas com os contratos de mútuo objeto dos autos. b) Transferências entre contas contábeis: Em relação ao item “b”, o sujeito passivo listou diversos lançamentos descritos na contabilidade como transferências entre contas contábeis, listados às fl. 19.251/19.253 e sintetizados à fl. 19.270 (Anexo V do laudo pericial da Tax Accounting), no montante de R$ 39.007.051,82, os quais, no seu entender (sujeito passivo), se tratam de procedimentos internos, e que os próprios registros contábeis juntados seriam suficientes como prova desses ajustes. Aqui, a decisão a quo nada excluiu, pois - segundo o entendimento da decisão de primeira instância - o sujeito não logrou êxito em demonstrar suas alegações. Não acatou os referidos registros contábeis. c) Outros: No item “c”, o total de R$ 3.356.772,39 correspondeu a registros contábeis a título de notas de débitos (fls. 19.271/19.272), estornos de lançamentos (fl. 19.273) e depósitos e recebimentos (fl. 19.274), também sem apresentação, por parte do sujeito passivo, de qualquer documento comprobatório. Segundo a decisão recorrida, apenas os relativos a estornos de lançamentos indevidos dispensam a comprovação por parte da contribuinte, devendo tais parcelas ser excluídas na apuração das receitas financeiras, no montante de R$ 223.324,98, como demonstrativo resumo, a seguir: (...) Fl. 29112DF CARF MF Fl. 31 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 (...) Em síntese: como visto a contribuinte, na instância a quo, pediu retirada ou exclusão da base de cálculo dos juros o montante de R$ 397.120.698,71 (CRÉDITO: R$ 222.466.874,50 + EXCLUSÕES: R$ 174.653.824,21); porém, conforme decisão recorrida, somente comprovou na instância a quo exclusões no montante de R$ 42.170.688,38, conforme demonstrativo consolidado (resumo), a seguir: (...) Fl. 29113DF CARF MF Fl. 32 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 (...) RECURSO VOLUNTÁRIO NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. Nesta instância recursal, nas razões do recurso, na parte que restou vencido na instância a quo, o sujeito passivo buscou a reforma da decisão recorrida, aduzindo: 1) - Preliminar de nulidade do lançamento fiscal, quanto à infração imputada omissão de receitas financeiras: a) Refiscalização sobre o mesmo fato: - que a primeira Fiscalização gerou o Processo nº 10510.722643/2011-72: Fl. 29114DF CARF MF Fl. 33 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 - que o segundo Procedimento de Fiscalização mostra-se equivocado, por duas razões: (i) requer autorização por escrito do Superintendente da RFB, Delegado ou Inspetor, conforme art. 906 do RIR/99; que não houve autorização expressa para tanto; (ii) que autoridade lançadora resolveu fiscalizar período já fiscalizado, para cobrança dos mesmos tributos - IRPJ e CSLL, sem comprovar os requisitos necessários, conforme art. 149 do CTN. b) Existência de diversos erros nos cálculos dos juros lançados pela fiscalização/Iliquidez e incerteza do lançamento fiscal: - que a recorrente possui contrato de conta corrente com empresas ligadas; - que a Fiscalização possui o dever legal de apurar corretamente os valores supostamente devidos a título do IRPJ e da CSLL, sob efeito de invalidade do lançamento fiscal por iliquidez e incerteza do lançamento fiscal; - que a omissão de receitas, conforme planilha da Fiscalização, é de R$ 140.967.559,00. Contudo, refazendo a planilha, com abatimento dos valores recebidos e dos eventos não característicos de relação creditícia financeira, o valor da omissão de receitas cairá para R$ 28.556.339,36; - que a recorrente também deixou de contabilizar os juros passivos dos empréstimos que ela fez com outras empresas do Grupo . Esses juros passivos perfazem o montante de R$ 192.281,63; - que, então, o valor da omissão de receitas seria R$ 28.364.057,73, ou seja, 79,88% a menor do que aquele valor apurado pela Fiscalização. Diferença absurdamente alta, e que não deixa outra alternativa para a autoridade julgadora que não o cancelamento dos autos de infração; - que tal diferença decorre do procedimento - para o cálculo dos juros - adotado pela Fiscalização e pelas empresas de auditoria: enquanto a Fiscalização limitou-se a calcular os valores lançados a débito da conta contábil 1201010000 - Créditos em Interligadas e utilizando- se de critérios equivocados, as empresas de auditoria efetuaram os cálculos dos juros sobre os saldos diários das contas contábeis representativas desses mútuos; - que tais cálculos estão analiticamente demonstrados nos Laudos de Avaliação elaborados pela EY e pela Tax Accouting, bem como no Adendo ao Laudo da Tax Accouting ora juntado, o qual leva em consideração a parcela do lançamento cancelada pela DRJ; - que o lançamento é ilíquido e incerto pelos seguintes equívocos no cálculo dos supostos juros (omissão de receitas): a) a Fiscalização não considerou os pagamentos/amortizações dos mútuos lançados a crédito na conta contábil 1201010000 - Créditos em Interligadas; Fl. 29115DF CARF MF Fl. 34 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 b) a Fiscalização considerou lançamento a débito da conta contábil 1201010000 - Créditos em Interligadas que não se referem a mútuos; c) a Fiscalização aplicou, de forma totalmente arbitrária, juros compostos sobre os mútuos; d) a Fiscalização não calculou os juros passivos da conta contábil 221070004; Não procede a irresignação da recorrente. Rejeito, de plano, a preliminar de nulidade suscitada, pelo seguinte: Não há que se falar em decretação de nulidade do ato administrativo de lançamento fiscal, quando revestido dos requisitos legais exigidos, como: critério material, espacial, temporal, pessoal e quantitativo (Decreto nº 70.235/72, art. 10 e CTN, art. 142). O auto de infração lavrado está revestido dos requisitos exigidos para o lan- çamento tributário, dentre eles a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos, base de cálculo, demonstrativos, alíquota e valor dos tributos apurados (art. 10, Decreto nº 70.235/72 a art. 142 do CTN). De modo que não há razão para se cogitar de ofensa ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Não é toda inexatidão na base de cálculo que acarreta vício insanável, passível de nulidade, mas tão somente aquela que atinge a própria metodologia de cálculo (regime de apuração do tributo, por exemplo), cujo refazimento é medida que demanda uma nova estruturação para a determinação do critério quantitativo. Como não se trata de refiscalização do mesmo exercício, não há que se falar em segundo exame, nem autorização, de que trata o art. 906 do RIR/99. Quanto à suposta refiscalização (segundo exame) do mesmo exercício financeiro: Consta do Processo nº 10510.722643/2011-72 que houve imputação pelo Fisco de Omissão de Receitas Financeira, pois o sujeito passivo auferiu receitas de juros sobre contratos de mútuo e não lançou na conta de resultado, quanto aos anos-calendário 2006, 2007 e 2008. Naquele processo citado, consta da fundamentação do voto condutor do Acórdão nº 1402-001.197 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 13/09/2012, que foram objeto da Omissão de Receitas imputada os juros atinentes aos Contratos de Mútuo celebrados a partir de 02 de janeiro de 2006 a 23 de dezembro de 2008, entre empresas do mesmo Grupo Econômico; que os contratos têm prazo de carência de 4 (quatro) anos, razão pela qual - alega a autuada - os juros não terem sido oferecidos à tributação, na época. Os juros devem ser oferecidos à tributação pelo regime de competência, inclusive no período de carência. No caso dos presentes autos, em relação esses contratos de mútuos - celebrados em janeiro/2006 a dez/2008 - não foram calculados juros para as competências 2006, 2007 e Fl. 29116DF CARF MF Fl. 35 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 2008 (já foram objeto do citado processo), mas apenas os juros para competência 2009 (efeitos gerados na competência desse ano). Isto está claramente ressalvado, explicado, explicitado, pela Fiscalização no TVF (e-fls. 61/74), in verbis: (...) (...) Ainda, como dito antes, a lide naquele processo já foi julgada neste CARF na Câmara Baixa, e a infração omissão de receitas financeiras - contrato de mútuo concedido a empresas do mesmo Grupo Econômico foi mantida (empresas ligadas), porém com redução da multa de ofício de 150% para 75%. Nos presentes autos, apenas os efeitos tributários dos contratos de mútuo celebrados em 2006, 2007 e 2008 - os juros correspondentes à competência 2009 - foram objeto do lançamento fiscal objeto deste processo. Logo, não há que se falar em segundo exame, nem necessidade de autorização para refiscalização (segundo exame), pois não houve refiscalização de que trata o art. 906 do RIR/99: Art.906.Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º,§2º, eLei nº 3.470, de 1958, art. 34). Fl. 29117DF CARF MF Fl. 36 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 Diante do exposto, não procede alegação da recorrente de que o mesmo ano- calendário teria sido refiscalizado e o mesmo valor tributável teria sido exigido neste processo e naquele processo citado. No que concerne aos pretensos erros na base de cálculo da apuração dos juros: - necessidade de ajustes: No que concerne aos alegados erros, equívocos, na base de cálculo da omissão de receitas - juros de mútuos concedidos a empresas ligadas e não oferecidos à tributação, regime de competência, não se trata de matéria a ser enfrentada em sede preliminar, pois trata-se de matéria de mérito. Ajustes na base de cálculo para apuração dos juros não configuram vícios que pudessem macular o lançamento fiscal de nulidade. O julgador pode, de ofício, ajustar a base de cálculo da infração, se o sujeito passivo comprovar, com prova apta, idônea, cabal, tal necessidade. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento fiscal. DECADÊNCIA. CONTRATOS DE MÚTUOS. RECEITAS FINANCEIRAS (JUROS). TERMO INICIAL. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. O sujeito passivo alegou que Fiscalização calculara os juros sobre períodos já decaídos (CTN, art. 150, § 4º), em face de contratos de mútuo celebrados desde o ano-calendário 1997 Desde 1997 o sujeito passivo tem celebrado contratos de mútuo com empresas, ligadas ou interligadas em profusão, funcionando como verdadeiro agente financeiro. Só em 2009 foram mais de 1200 (hum mil e duzentos) contratos de mútuo concedidos a empresas interligadas - relação e -fls. 133/157). Computados todos os contratos de mútuos concedidos desde 1997 a 2009 superam a 12 (doze) mil. Os autos do processo - computando as cópias dos contratos - superam 29 (vinte nove) mil folhas. A irresignação da recorrente não tem respaldo legal. É legítima a análise pelo Fisco de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela decadência. Contudo, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a juros auferidos em contrato de mútuo, deve ter início quando verificada sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Os contratos de mútuo foram celebrados por prazo de 12 (doze) anos, ou seja, 144 meses, para pagamento em 96 prestações, a partir do prazo de carência de 04 anos. Fl. 29118DF CARF MF Fl. 37 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 Os contratos de mútuo, os mais antigos, celebrados em 1997 possuem efeito, reflexo, patrimonial por 12 (doze) anos, até 2009. A contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal em 06/12/2012 - quinta-feira, quanto aos anos-calendário 2007 (4º trimestre), 2008 e 2009. Como se trata de lançamento de diferença do IRPJ e CSLL, anos calendário 2007 (4º trimestre), 2008 e 2009, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Então, o Fisco tinha 5 (cinco) anos para lançamento fiscal do ano-calendário 2007 (4º trimestre), ou seja, até 31/12/2012, cujo fato gerador ocorrera em 31/12/2007. Porém, a recorrente tomou ciência do lançamento fiscal em 06/12/2012, ou seja, antes de transcorrido os citados cinco anos. Portanto, rejeito a preliminar de decadência suscitada, pois todos os períodos lançados estão a salvo da alegada caducidade. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. CONTRATOS DE MÚTUOS COM CLÁUSULA DE JUROS CAPITALIZADOS (JUROS COMPOSTOS). EMPRESAS LIGADAS OU INTERLIGADAS. PERÍODO DE CARÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO E TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS DE JUROS INCORRIDOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA DE CONTA CORRENTE. No mérito, o sujeito passivo, desde a primeira instância, alega: - que não haveria juros a tributar, pois empréstimos entre empresas ligadas, interligadas, no caso, teria natureza de conta corrente; - que a Fiscalização aplicou juros capitalizados (compostos), quando seria juros simples; - que há ainda necessidade de ajustes na base de cálculo dos juros - infração Omissão de Receitas Financeiras; que se pode, resumir, assim ajustes requeridos: - CRÉDITO: R$ 222.446.874,50 - montante das amortizações dos mútuos realizados. Ou seja: montante de Operações financeiras credoras registradas na conta “Créditos em interligadas” R$ 222.446.874,50; - EXCLUSÕES: R$ 174.653.824,21 Fl. 29119DF CARF MF Fl. 38 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 a) Cessão de Crédito do montante de R$ 132.290.000,00 correspondente a 7 (sete) lançamentos a débito da conta “Créditos em Interligadas; b) Transferências entre contas contábeis: o sujeito passivo listou diversos lançamentos descritos na contabilidade como transferências entre contas contábeis, listados às fl. 19.251/19.253 e sintetizados à fl. 19.270 (Anexo V do laudo pericial da Tax Accounting), no montante de R$ 39.007.051,82, os quais, no seu entender, se tratam de procedimentos internos, como comprovariam os próprios registros contábeis; c) Outros: - que o total de R$ 3.356.772,39 correspondem a registros contábeis a título de notas de débitos (fls. 19.271/19.272), estornos de lançamentos (fl. 19.273) e depósitos e recebimentos (fl. 19.274). Pois bem. Passo a enfrentar o mérito. Ajustes de base de cálculo dos juros e da omissão de receitas financeiras (juros): a) Inocorrência de contrato de conta corrente. Houve contratos de mútuo celebrados com cláusulas de carência e de juros capitalizados, inclusive no período de carência: As alegações da recorrente de que os empréstimos - contratos de mútuo - entre empresas ligadas ou interligadas, teriam natureza de conta corrente e os juros seriam simples (não capitalizados) não merecem prosperar. O contrato de conta corrente tem natureza diversa do contrato de mútuo. Os contratos de conta corrente aceitos são os firmados entre duas pessoas jurídicas, que estabelecem - através de cláusulas - fazer remessas entre si de valores (bens, ou dinheiro), registrando os créditos em uma conta contábil para futura análise do saldo a pagar ou a receber. No caso, não houve celebração, formalização, de contrato de conta corrente entre pessoas jurídicas ligadas ou interligadas. Pelo contrário, todos os instrumentos de contratos apresentados à Fiscalização (e constantes dos autos), celebrados pela recorrente e empresas ligadas, são contratos de mútuos Fl. 29120DF CARF MF Fl. 39 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 concedidos pela recorrente para empresas ligadas ou interligadas com cláusulas de carência e de juros capitalizados (compostos), inclusive no período de carência. Desde 1997 o sujeito passivo tem celebrado contratos de mútuo com empresas ligadas ou interligadas em profusão, funcionando como verdadeiro agente financeiro das empresas do Grupo Econômico, concedendo crédito. Computados todos os instrumentos de contratos de mútuos concedidos pela recorrente (juntados aos autos), desde 1997 a 2009, superam 12 (doze) mil contratos. Os autos deste processo - com as cópias desses instrumentos de contratos de mútuos concedidos - superam 29 (vinte nove) mil folhas. Obs: Apenas a título de exemplo:Só em 2009 foram mais de 1200 (hum mil e duzentos) contratos de mútuo concedidos a empresas interligadas - relação (e -fls. 133/157); em 2005, mais de 1000 (hum mil) contratos - relação (e-fls. 6442/6462); em 2004 mais de 1400 (hum mil e quatrocentos) contratos, relação (e-fls. 7476/7503); em 2003 mais de 1000 (hum mil) contratos - relação (e-fls. 8807/8841); em 2002 em torno de 1000 (hum mil) contratos - relação (e-fls. 9932/9951); em 2001 em torno de 1000 (hum mil) contratos, relação (e-fls. 11513/11532); em 2000 em torno de 1000 (hum mil) contratos, relação (e-fls. 13392/13425), em 1999 em torno de 1050 (hum mil e cinquenta) contratos, relação (e-fls. 15229/15249); em 1998 torno de 1000 (hum mil) contratos, relação (e-fls. 16772/16802) e em 1997 em torno de 600 (seiscentos) contratos, relação (e-fls. 17855/17874). A propósito, transcrevo as Cláusulas 2ª, 3ª, 4ª e 5ª desses Instrumentos de Contratos de Mútuos concedidos, cuja cópias constam dos autos: ano 2009 (e-fls. 164/1375), ano 2008 (e-fls. 1980/2953), ano de 2007 (e-fls 3190/4590), ano 2006 (e-fls. 4804/5675 e 5799/6440), ano 2005 (e-fls.6471/7474), ano 2004 (e-fls. 7512/8805), ano 2003 (e-fls. 8850/9930), ano 2002 (e-fls. 9956/11511), ano 2001 (e-fls. 11540/13390), ano 2000 (e-fls. 13433/15227), ano 1999 (e-fls. 15253/16770), ano 1998 (e-fls. 16811/17853) e 1997 (e-fls. 17882/18162) , in verbis: (...) (...) Fl. 29121DF CARF MF Fl. 40 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 Portanto, diversamente do alegado pela recorrente não restou comprovado contrato de conta corrente. Pelo contrário, todos os contratos apresentados são de Instrumento Particular de Contrato de mútuo com cláusulas de juros capitalizados, inclusive no prazo de carência. b) Ajustes: Ainda, em face da irresignação da recorrente com a decisão a quo em relação à base de cálculo dos juros e da Omissão de Receitas Financeiras (a recorrente alega que a decisão recorrida efetuou ajustes muito aquém dos valores que teria comprovado nos autos), então: a) o CARF, na sessão de 06/04/2016, conforme Resolução nº 1301-000.323 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, ou seja, esta Turma, com outra composição na época, converteu o julgamento em diligência (e-fls. 28101/28118). Realizada a diligência fiscal, a contribuinte rebateu as conclusões da diligência fiscal, conforme já relatado; b) o CARF, na sessão de 20/02/2018 esta E. Turma, conforme Resolução nº 1301- 000.472 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, outra vez, converteu o julgamento em diligência (e- fls. 28970/28990), para que a Fiscalização, de forma derradeira, pudesse analisar as provas e produzir novo relatório circunstanciado, sem as incongruências do anterior. Considerados os valores dos ajustes na base de cálculo dos juros (exclusões acatadas pelo Resultado do Relatório de Diligência Fiscal, de 19/10/2018 (e-fls. 20070/20077), que abarca, computa, as exclusões deferidas pela decisão a quo), tem-se, a seguir, o quadro consolidado dos ajustes efetuados pela Fiscalização da unidade de origem (já computados os valores das exclusões efetuadas pela decisão a quo): Resumo dos Ajustes Deferidos pela Decisão a quo e pelo Resultado da Diligência Fiscal - quadro consolidado: (...) Fl. 29122DF CARF MF Fl. 41 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 (...) Explicitando os ajustes da base de cálculo dos juros, transcrito retro: CRÉDITOS: O sujeito passivo alegou que teria como provar CRÉDITOS - montante das amortizações dos mútuos realizados - Operações financeiras credoras registradas na conta “Créditos em interligadas” de R$ 222.446.874,50. Entretanto, consta do Relatório de Diligência Fiscal que a contribuinte comprovou - documentos juntados aos autos pela recorrente - CRÉDITOS de R$ 210.927.155,04, conforme demonstrativo acima., já computados os valores deferidos pela decisão a quo. EXCLUSÕES: a) Cessão de Créditos: Fl. 29123DF CARF MF Fl. 42 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 O sujeito passivo alegou que teria como provar, comprovar, o montante de R$ 132.290.000,00 correspondentes a 7 (sete) lançamentos a débito em conta "Créditos em Interligadas): Porém, consta do Relatório de Diligência Fiscal que a contribuinte comprovou - documentos juntados aos autos pela recorrente - CESSÃO DE CRÉDITOS - apenas 39.210.000,00 = (R$ 20.600.000,00 + R$ 8.640.000,00 + R$ 8.000.000 + R$ 1.970.000,00), conforme demonstrativo consolidado - Resultado da Diligência (transcrito anteriormente), já computados os valores deferidos pela decisão a quo. b) Transferências entre contas contábeis: - O sujeito passivo listou diversos lançamentos descritos na contabilidade como transferências entre contas contábeis, listados às fl. 19.251/19.253 e sintetizados à fl. 19.270 (Anexo V do laudo pericial da Tax Accounting), no montante de R$ 39.007.051,82, os quais, no seu entender, se tratam de procedimentos internos, e que esses próprios registros contábeis seriam suficientes para comprovação. Nada foi deferido ou excluído pela decisão recorrida e pelos Relatórios de Diligência Fiscal, de 27/06/2016 e 19/10/2018 (e-fls. 28808/28813 e 29070/29077). Como visto, além desses registros contábeis (lançamentos contábeis entre contas contábeis), o sujeito passivo não produziu outras provas hábil, idônea, cabal, que pudesse justificar exclusão do citado valor da base de cálculo dos juros. c) Outros: Fl. 29124DF CARF MF Fl. 43 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 O sujeito passivo alegou que o total de R$ 3.356.772,39 corresponde a registros contábeis a título de notas de débitos (fls. 19271/19272), estornos de lançamentos (fl. 19.273) e depósitos e recebimentos (fl. 19274). A decisão recorrida deferiu ajuste, exclusão, de R$ 223.324,98 (estornos), como já demonstrado alhures. Os Relatórios de Diligências de 27/06/2016 e 19/10/2018, além do valor já deferido pela decisão a quo R$ 223.324,98, não deferiram valor outro neste tópico (e-fls. 28808/28813 e 29070/29077). Como visto, o valor dos contratos de mútuos concedidos ficou reduzido de R832.898.713,74 para R$ 582.538.233,72, conforme demonstrativo transcrito anteriormente. Com isso, o valor dos juros auferidos - não oferecidos à tributação (omissão de receitas) - ficou reduzido de R$ 140.967.559,80 para R$ 84.381,435,32, conforme resultados das diligências (já computadas as exclusões deferidas pela decisão a quo). Ainda, quanto à última diligência do CARF, que sistematizou todas as exclusões comprovadas nos autos (computou os resultado das diligências, inclusive as exclusões deferidas pela decisão de primeira instância), a contribuinte foi intimada do resultado - Relatório de Diligência, de 19/10/2018 (e-fls. 29070/29077). Intimada do Relatório - Resultado da Diligência Fiscal, a recorrente assim se manifestou nos autos em 23/11/2018 (e-fls. 29000/29051), in verbis: (...) 1. Do Relatório realizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracajú (SE): Em suma o relatório conclui que: Após recalculado de ofício os juros dos créditos relativos a contratos de mútuo, com a aplicação da fórmula dos juros compostos, que são os valores lançados como base de cálculo trimestral do Auto de Infração, na infração 0002 – Receitas Financeiras e/ou Variações Monetárias Ativas –Omissão de Receitas Financeiras, deste processo, já descontando todos os valores a título de estorno de lançamento indevido, transferência de crédito comprovada e mútuo pago/amortizado comprovado, que já foram aceitos pelo Acórdão nº 15-35.435 da DRJ/SDR e/ou pela Diligência de 27 de Julho de 2016 (PLANILHA 09), e desse resultado, abatendo-se a receita financeira dos valores do Anexo I – Movimentação Credora por Pagamentos/Amortizações de Saldo Devedor Mutuo, que foram efetivamente comprovados, PLANILHA 3, obteve-se os seguintes resultados mensais (PLANILHA 9 – PLANILHA 3 = PLANILHA 10 = DIF): Fl. 29125DF CARF MF Fl. 44 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 2. Da razão para Impugnação de tal relatório. De forma direta e resumida, em geral, concordamos com grande parte do exposto no relatório de diligência confeccionado pelo Sr. Auditor Paulo dos Santos Galvão, entretanto, há apenas um ponto de extrema relevância que merece ser pontuado. Trata-se da sistemática de cálculo dos juros. Entendemos, conforme deduzido nas defesas administrativas, que deveria ser aplicado no cômputo das receitas financeiras o cálculo dos juros simples, e não compostos como foi realizado pelo senhor auditor. Isso porque, não consta dos contratos de mútuo juntados aos autos a previsão de cálculo por juros compostos, não podendo, assim, a fiscalização substituir a vontade dos contratantes. Essa observação, inclusive, está pontuada em dois momentos no próprio relatório de diligência (no item “I) INTIMAÇÕES E RESPOSTAS”). Sendo assim, solicitamos que tal argumento seja considerado, uma vez que a aplicação da fórmula dos juros compostos onera demasiadamente os valores da base de cálculo do auto de infração e de forma indevida, visto que os contratos de mútuo firmados à época não estabeleciam juros compostos, apenas se referiam aos juros capitalizados conforme a lei, o que entendemos ser a sistemática de juros simples. Concluindo, ressaltamos que a empresa não concorda com o método de aplicação dos juros compostos sobre as operações financeiras realizadas. Corroborando todas as defesas apresentadas até o momento, entendemos que a incidência dos juros deve ser realizada no formato de juros simples. Quanto às bases utilizadas para o cálculo das receitas financeiras e as deduções em relação aos valores comprovadamente amortizados, entendemos estarem adequadas em relação ao que fora definido nos últimos julgados. No entanto, ainda há alguns documentos que serão analisados, quando do julgamento do recurso voluntário, os quais comprovam que alguns valores não se tratam de contratos de mútuo, que poderão reduzir ainda mais a base para cálculo das receitas financeiras e, por conseguinte, dos tributos lançados. A questão dos juros: a matéria já foi enfrentada anteriormente. Diversamente do alegado pela recorrente os Instrumentos de Contrato de Mútuo, em cláusula expressa já transcrita naquela oportunidade, estabelece a incidência de juros capitalizados, logo, são juros compostos, sim! Base de cálculo dos juros: Em sua manifestação nos autos em 28/07/2016 (e-fls. 28815/28819), após ciência do Relatório - resultado da primeira diligência fiscal solicitada pelo CARF, de 27/06/2016 (e-fls. 28808/28813), a contribuinte argumentou: Fl. 29126DF CARF MF Fl. 45 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 (...) (...) Pois bem. A irresginação da recorrente não merece prosperar. Cópias dos contratos de cessão de dívida (e-fls. 28045/28046, 28047/28048 e 28051/28052). Na verdade, não houve apenas assunção de dívida, houve novo mútuo, porém dissimulado. A Fiscalização - no relatório- resultado da 1ª diligência solicitada pelo CARF - enfrentou adequadamente a questão (e-fls. 28808/28813), in verbis: Fl. 29127DF CARF MF Fl. 46 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 (...) (...) Entendo correto o entendimento da Fiscalização. Por isso, não cabe excluir os citados valores da base de cálculo dos juros, em face das citadas cláusulas contratuais. A Fiscalização - no relatório- resultado da 1ª diligência solicitada pelo CARF - enfrentou adequadamente a questão (e-fls. 28808/28813), in verbis: (...) Fl. 29128DF CARF MF Fl. 47 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 (...) Portanto, deve ser mantido o entendimento da Fiscalização. Fl. 29129DF CARF MF Fl. 48 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 Não procede a irresginação da recorrente. A Fiscalização - no relatório- resultado da 1ª diligência solicitada pelo CARF - enfrentou adequadamente a questão (e-fls. 28808/28813), in verbis: Fl. 29130DF CARF MF Fl. 49 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 (...) Portanto, não cabe exclusão do citado valor da base de cálculo dos juros. Valor da omissão de receitas financeiras remanescente (após ajustes): Após o resultado da realização das duas diligências solicitadas pelo CARF (já computados os valores de ajustes deferidos pela decisão recorrida), o valor da Omissão de Receitas Financeiras dos anos-calendário 2007 (4º trimestre), 2008 e 2008 ficou reduzida de R$ 140.967.559,79 para R$ 84.381.435,32. Nessa parte transcrevo a conclusão da Fiscalização constante do Relatório - resultado da diligência fiscal de 19/10/2018 (e-fls. ), in verbis: (...) (...) Apenas para argumentar, o valor da redução da Omissão de Receitas Financeiras, inclusive, ficou superior ao valor pedido pelo sujeito passivo, na reposta que dera à Fiscalização no procedimento de diligência - durante a realização da segunda diligência solicitada pelo CARF, manifestação recebida pela Fiscalização em 14/09/2018 (e-fls. 29065//29069), in verbis: (...) Fl. 29131DF CARF MF Fl. 50 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 (...) Por tudo o exposto, quanto à infração Omissão de Receitas Financeiras do ano- calendário 2007 (4º trimestre/2007), 2008 e 2009, por não acolher nenhum dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo quanto às parcelas não excluídas da base de cálculo dos juros pela Fiscalização (diligências realizadas), adoto, por conseguinte, como fundamento deste Voto, o resultado das diligências fiscais (que já computou, inclusive, as exclusões deferidas pela decisão a quo), para reduzir o montante da Omissão de Receitas Financeiras de R$ 140.967.559,79 para R$ 84.381.435,32, conforme planilha já transcrita anteriormente. INFRAÇÃO GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS NÃO COMPROVADAS Segundo a Fiscalização, a contribuinte deixou de comprovar, com documentos hábeis, idôneos, despesas financeiras no montante de R$3.942.240,05, relacionadas à Cia. Agro Industrial de Goiana, no ano-calendário de 2009, tendo em vista que, intimada, a interessada limitou-se a declarar que toda a documentação solicitada já tinha sido apresentada em fiscalização anterior, entretanto, naquela Fiscalização, a contribuinte não entregou os contratos solicitados, apresentando apenas meros documentos produzidos internamente, sem assinatura e sem regular identificação do emitente. A decisão a quo manteve a infração. Nas razões do recurso, a recorrente alegou: - que a DRJ/Salvador entendeu que os documentos acostados aos autos são insuficientes à comprovação da efetividade da despesa; - que, entretanto, tal entendimento está equivocado, haja vista que a despesa e seus requisitos de dedutibilidade estão devidamente comprovados, conforme documentos constantes dos autos. - que os documentos - que comprovam as despesas - foram elaborados pela Cia Agro Industrial de Goiânia, e alcançam a totalidade dos valores tidos como não comprovados pela Fiscalização e pela decisão recorrida. Não procede a irresignação. Fl. 29132DF CARF MF Fl. 51 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 A questão já foi bem enfrentada pela decisão a quo e, por isso, adoto como fundamentação, in verbis: (...) Os documentos apresentados pela requerente, no entanto, não demonstram os fatos alegados. Tratam, aparentemente, de simples comunicações entre as empresas Itaguassu e Cia. Agro Industrial de Goiana, anexados pelo autuante às fls. 18.039/18.055, com o histórico genérico de “Valor que levamos a seu débito referente aos encargos financeiros de s/responsabilidade”, o que não é suficiente para a comprovação da efetividade da despesa, ainda mais considerando que se referem a operações efetuadas entre pessoas ligadas, o que exige mais cuidado por parte da contribuinte em promover a devida comprovação, já que sequer os supostos contratos que embasariam tais operações foram apresentados, nem tampouco os comprovantes das transações financeiras decorrentes. Apesar de alegar em sua impugnação que estaria anexando documentos comprobatórios, tais documentos não foram encontrados no processo, entre todos os apresentados na fase impugnatória (fls. 18.165/18.625). Ademais, como bem demonstrado pelo autuante no Termo de Verificação Fiscal, à época da contabilização dos encargos de juros em questão a autuada era credora da mesma Cia. Agro Industrial de Goiana (ora devedora, portanto), também através de contratos de mútuo, Conta 1020101 – CRÉDITOS EM INTERLIGADAS, cujo saldo inicial já superava os 83 milhões de reais, o que tornaria indedutível tal despesa, por ser totalmente desnecessária, mesmo que a contribuinte tivesse logrado fazer prova dessa despesa, o que não aconteceu, como já exposto. Portanto, por falta de comprovação da despesa em análise, bem como por não atender ao requisito de necessidade, nos termos do art. 299 do RIR/1999, cabível sua glosa na apuração da base tributável do IRPJ (...) Nesta instância recursal, também, a recorrente não juntou outras provas para elidir, arrostar, essa infração imputada. Portanto, deve ser mantida a infração. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Por decorrer dos mesmos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente, o lançamento reflexo segue a sorte do lançamento principal. RECURSO DE OFÍCIO. A decisão a quo, como já visto, fez ajustes na base de cálculo dos juros, excluiu R$ 42.170.688,38 do montante de contratos de mútuos, o que implicou redução da omissão de receias e do crédito tributário (principal do IRPJ e da CSLL e multa de ofício) acima do limite de alçada. Fl. 29133DF CARF MF Fl. 52 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 Como restou já demonstrado neste Voto, os ajustes na base de cálculo dos juros pela decisão recorrida foram necessários, justificados e confirmados pelas diligências solicitadas pelo CARF. Não há reparo a fazer na decisão a quo quanto ao crédito tributário exonerado. Deve ser negado provimento ao recurso de ofício. Por tudo que foi exposto, voto para: a) negar provimento ao recurso de ofício; b) rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir o valor da Omissão de Receitas Financeiras de R$ 140.967.559,79 para R$ 84.381.435,32. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Voto Vencedor Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Redatora Designada. Em que pese as dignas considerações do nobre Relator, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, acatando aquilo que foi verificado após a realização da diligência, a maioria do Colegiado entendeu por dar provimento em maior extensão, nos seguintes pontos: 1) Excluir da base o valor de R$39.007.051,82, fls. 28.056, já que efetivamente comprovado que se tratam de transferências de mesma titularidade, conforme lançamentos contábeis de fls. 28.057 e ss. Apenas como exemplo, o primeiro lançamento referenciado, que já representa 57% da totalidade. Como se verifica, por se tratarem de transferência de mesma titularidade, devem ser excluídos da base que compôs a omissão de receitas. Fl. 29134DF CARF MF Fl. 53 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 2) Excluir também, da omissão de receitas de juros os valores de juros referentes aos contratos de 2006 a 2008 relativos aos períodos do 4º trimestre de 2006 ao 4º trimestre de 2008 - e indicados na planilha 9 da fl. 29.076 - por se referirem a valores não exigidos no presente lançamento. A planilha 9 mencionada, foi a que retornou da última diligência fiscal: Conforme se verifica do TVF, fls. 72/73, o próprio fiscal autuante excluiu valores referentes aos anos-calendários de 2006 a 2008, pois esses valores já foram autuados em fiscalização anterior, como se vê dos trechos abaixo: No entanto, quando o processo retornou em diligência, em seu resultado, planilha 9, o fiscal que realizou o trabalho, não excluiu tais valores, como mencionado em TVF, por equívoco, ocasionando a duplicidade de valores, devendo, portanto, aqui serem desconsiderados, já que foram lançados anteriormente. Assim, os valores referentes aos contratos de 2006 a 2008 relativos aos períodos do 4º trimestre de 2006 ao 4º trimestre de 2008 devem ser excluídos da referida planilha. Fl. 29135DF CARF MF Fl. 54 do Acórdão n.º 1301-003.902 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.724286/2012-68 Dessa forma, o Colegiado votou por DAR PARCIAL PROVIMENTO para: a) excluir R$ 39.007.051,82 da base de cálculo dos juros referente a reclassificações contábeis, conforme indicado no demonstrativo de fl. 28.056; e, b) excluir da omissão de receitas de juros os valores de juros referentes aos contratos de 2006 a 2008 relativos aos períodos do 4º trimestre de 2006 ao 4º trimestre de 2008 - e indicados na planilha 9 da fl. 29.076 - por se referirem a valores não exigidos no presente lançamento. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 29136DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.002182/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para identificar os valores referentes aos descontos previstos na MP 2.158/2001 e juntar aos autos a ação judicial referente à discussão da base de cálculo da Recorrente.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para identificar os valores referentes aos descontos previstos na MP 2.158/2001 e juntar aos autos a ação judicial referente à discussão da base de cálculo da Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão 0943.308 2ª Turma da DRJ/JFA (fls 831/846): Contra o interessado foi lavrado auto de infração de Cofins no valor total de R$ 3.138,731,33, cuja exigibilidade se encontra suspensa, em função das irregularidades que se encontram descritas no Relatório Fiscal (RF) de fls. 25/29; A empresa apresenta impugnação, na qual alega, em síntese, que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 02 18 2/ 20 10 -5 1 Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10640.002182/201051 Resolução nº 3301001.087 S3C3T1 Fl. 1.012 2 a) DA DECADÊNCIA PARCIAL DO PRAZO QÜINQÜENAL PREVISTO NO ARTIGO 150, § 4° do CTN; b) DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE EM FACE DOS DEPÓSITOS JUDICIAIS E ACÓRDÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA; c) DA INAPLICABILIDADE DE JUROS NA HIPÓTESE DE "LANÇAMENTO PREVENTIVO DE DECADÊNCIA"; d) DA COMPATIBILIZAÇÃO DO AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO FACULTADO ÁS OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE EM FACE DA REALIDADE SOCIETÁRIA DE COOPERATIVA; d.1) DA INCIDÊNCIA RESTRITA À TAXA DE ADMINISTRAÇÃO PROPORCIONAL AOS ATOS NÃO COOPERATIVOS; d.2) DA REALIZAÇÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS A MAIOR NECESSIDADE DE APROPRIAÇÃO ÀS RESPECTIVAS COMPETÊNCIAS; e) DA REALIDADE OPERACIONAL DA IMPUGNANTE DE OPERADORA DE PLANOS AS EXCLUSÕES NA BASE DE CALCULO DETERMINADAS PELA MP N.° 2.15835/01; e.1) DAS EXCLUSÕES PREVISTAS NA MP N.° 2.15835/2001; e.2) DA MOTIVAÇÃO DAS EXCLUSÕES CONCEDIDAS PELA MP N.° 2.15835/2001; e.2.1) Coresponsabilidades Cedidas; e.2.2) Eventos Ocorridos; e.2.3) Transferência de Responsabilidades; e.3) DA IMPRESCINDIBILIDADE DAS DEDUÇÕES NA BASE DE CÁLCULO DA COF1NS EM FUNÇÃO DA DIFERENÇA ENTRE "ENTRADAS" E "RECEITA"; f) DA NATUREZA JURÍDICO SOCIETÁRIA DE COOPERATIVA DA IMPUGNANTE A NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA SOBRE 0 ATO COOPERATIVO; f.1) DA DELIMITAÇÃO DA NÃO INCIDÊNCIA POSTULADA; f.1.1) Do Atendimento MédicoHospitalar; f.1.2) Do Intercâmbio como Ato Cooperativo Perfeito; f.1.3) Das Sobras Cooperativistas; f.2) DA POSIÇÃO JURISPRUDENCIAL ACERCA DA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS; Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fl. 831): Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10640.002182/201051 Resolução nº 3301001.087 S3C3T1 Fl. 1.013 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999, a base cálculo da Cofins passou a ser a receita bruta proveniente de atos cooperativos e nãocooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo da Cofins. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi apresentado Recurso às fls. (fls. 851/958), no qual a Recorrente repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. No voto, será abordado cada um dos argumentos. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrrente apresentou as seguintes questões: II.1 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE EM FACE do ACÓRDÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA; II.2 DA INAPLICABILIDADE DE MULTA E JUROS NA HIPÓTESE DE "LANÇAMENTO PREVENTIVO DE DECADÊNCIA"; II.3 DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE ADMINISTRAÇÃO DE PLANO DE SAÚDE INEXISTÊNCIA DE REVENDA DE SERVIÇOS ASSISTENCIAIS DE SAÚDE II.3.1 DA COMPREENSÃO DA DIFERENÇA ENTRE OS CONCEITOS DE INGRESSO E RECEITA OPERACIONAL/FATURAMENTO IMPOSSIBILIDADE DE REGRAS CONTÁBEIS ALTERAREM CONCEITOS JURÍDICOS II.3.2 DA INTERMEDIAÇÃO POR OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE DE SERVIÇOS PRESTADOS POR TERCEIROS II. 3.3 DAS EXCLUSÕES PREVISTA NO § 9o DO ARTIGO 3o DA LEI NO. 9.718/98 ARTIGO 2O DA MP No 2.15835/2001 Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10640.002182/201051 Resolução nº 3301001.087 S3C3T1 Fl. 1.014 4 II.3.4 DO POSICIONAMENTO JUDICIAL ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS NA ATIVIDADE DE OPERAÇÃO DE PLANOS DE SAÚDE II.4 DA NATUREZA JURÍDICO SOCIETÁRIA DE COOPERATIVA DA RECORRENTE A NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA SOBRE O ATO COOPERATIVO; II.4.1 DA DELIMITAÇÃO DA NÃO INCIDÊNCIA POSTULADA; II.4.2 DA POSIÇÃO JURISPRUDENCIAL ACERCA DA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS; III DA DEDUÇÃO DAS SOBRAS COOPERATIVAS V DA IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO VI DA MULTA APLICADA CARÁTER CONFISCATÓRIO E DESOBEDIÊNCIA AO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA VII DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Vejamos: II.1 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE EM FACE DE ACÓRDÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA; Alega a Recorrente que acórdão favorável do STJ suspendeu a exigibilidade do crédito; defende que nessa situação não corre o prazo decadencial e que não poderia ter sido realizado o lançamento. II.2 DA REALIZAÇÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS A MAIOR NECESSIDADE DE APROPRIAÇÃO ÀS RESPECTIVAS COMPETÊNCIAS; Defende a Recorrente que diante do acórdão favorável do STJ não poderiam também ter sido lançados a multa e os juros de mora. Em relação ao mérito, a Recorrente apresentou os seguintes pontos: II.3 DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE ADMINISTRAÇÃO DE PLANO DE SAÚDE INEXISTÊNCIA DE REVENDA DE SERVIÇOS ASSISTENCIAIS DE SAÚDE II.3.1 DA COMPREENSÃO DA DIFERENÇA ENTRE OS CONCEITOS DE INGRESSO E RECEITA OPERACIONAL/FATURAMENTO IMPOSSIBILIDADE DE REGRAS CONTÁBEIS ALTERAREM CONCEITOS JURÍDICOS Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10640.002182/201051 Resolução nº 3301001.087 S3C3T1 Fl. 1.015 5 II.3.2 DA INTERMEDIAÇÃO POR OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE DE SERVIÇOS PRESTADOS POR TERCEIROS II. 3.3 DAS EXCLUSÕES PREVISTA NO § 9o DO ARTIGO 3o DA LEI NO. 9.718/98 ARTIGO 2O DA MP No 2.15835/2001 II.3.4 DO POSICIONAMENTO JUDICIAL ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS NA ATIVIDADE DE OPERAÇÃO DE PLANOS DE SAÚDE II.4 DA NATUREZA JURÍDICO SOCIETÁRIA DE COOPERATIVA DA RECORRENTE A NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA SOBRE O ATO COOPERATIVO; II.4.1 DA DELIMITAÇÃO DA NÃO INCIDÊNCIA POSTULADA; II.4.2 DA POSIÇÃO JURISPRUDENCIAL ACERCA DA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS; III DA DEDUÇÃO DAS SOBRAS COOPERATIVAS IV DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DA COFINS E DO PIS SOBRE OS INGRESSOS ESTRANHOS AO CONCEITO DE FATURAMENTO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNTO DO CARF Cumpre, contudo, citar trecho ao Auto de Infração (fl. 28): Informou também que está em curso o processo 200.38.01.0022434 COFINS e que efetuou depósitos judiciais. A fiscalizada impetrou Mandado de Segurança contra a fazenda Nacional pretendendo provimento judicial que suspendesse a exigibilidade da COFINS sobre atos cooperativos próprios de sua finalidade. O pedido de liminar foi indeferido, mas logrou êxito no STJ, estando o processo ainda pendente de decisão definitiva. Transcrevemos também trecho da impugnação (fls. 97/: Neste contexto, com a distribuição do Mandado de Segurança 2000.38.01.0022434 e tendo em vista a controvérsia instaurada junto ao Fisco Federal, a Impugnante pleiteou a concessão de segurança para o reconhecimento da não incidência da COFINS sobre a prática de atos cooperativos, procedendo ao depósito judicial daquela contribuição calculada sobre a integralidade de sua receita/taxa de administração (alcançando assim a totalidade de seus atos cooperativos e, ainda, a receita tributável de seus atos não cooperativos), suspendendo a exigibilidade de tal parcela, nos termos do artigo 151, II do Código Tributário Nacional. (...) A despeito da realidade material e processual narrada, a Impugnante foi surpreendida, no dia 27 de julho de 2010, com a notificação da lavratura de dois autos de infração de COFINS, referentes a todo o período de junho de 2005 a abril de 2010 autos de infração, um com o Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10640.002182/201051 Resolução nº 3301001.087 S3C3T1 Fl. 1.016 6 objetivo de exigir a contribuição sobre os repasses deduzidos pela Impugnante (objeto de defesa própria) e outro, exigindolhe a COFINS sobre os depósitos judiciais realizados (objeto da presente defesa), totalizando, este último auto de infração, a titulo de principal e juros de mora, os seguintes valores. (...) Percebese, no entanto, que a fiscalização desconsiderou a vigência da decisão favorável Mandado de Segurança 2000.38.01.0022434 e que suspende a exigibilidade do crédito exigido no presente auto de infração, da mesma forma que 4/ os créditos exigidos em lançamento apartado (objeto de defesa própria), cuja exigibilidade se encontra suspensa por força daquela decisão, bem como em decorrência dos depósitos judiciais. É neste contexto, que se percebe que o Fisco, além de exigir suposto crédito com a exigibilidade suspensa por força de depósito e acórdão favorável, também não absorveu a essência da atividade realizada pela Impugnante, que está a merecer uma interpretação consentânea com a sua realidade (cooperativa de trabalho médico e operadora de planos de saúde), sob pena da completa inviabilização da atividade, como será analisado pormenorizadamente. A percepção da necessidade de ajuste da base de cálculo considerandose as referidas realidades encontra respaldo não apenas na jurisprudência, mas também em medidas judiciais manejadas pela própria Unimed Muriaé: acórdão favorável proferido pelo STJ, referente à não incidência da COFINS sobre a prática de atos não cooperativos (Mandado de Segurança 2000.38.01.0022434); recentissima sentença proferida pela Justiça Federal em Minas Gerais, que restringiu a incidência do PIS sobre a taxa de administração, deduzidos todos os repasses indistintamente e provisões técnicas, em período anterior à edição da MP n.° 2.15835/01, o que demonstra o caráter meramente interpretativo desta norma (Ação Ordinária n.° 2008.38.00.0021688). (...) Dessa forma, cumpre observar que a Recorrente é parte da ação judicial mencionada. IV DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Por fim, a Recorrente solicita diligência para aclaramento da sua realidade e das operações tributáveis. No entanto, entendese que houve preclusão do direito de apresentar provas. CONCLUSÕES Destarte, tendo em conta o exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para identificar os valores referentes aos descontos Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10640.002182/201051 Resolução nº 3301001.087 S3C3T1 Fl. 1.017 7 previstos na MP no. 2.158/2001 e juntar aos autos a ação judicial referente à discussão da base de cálculo da Recorrente. . (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 1017DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.001859/2008-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2003
SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITAS NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INCORREÇÕES NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Tem-se por inexistente cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, não servindo à caracterização de nulidade do procedimento o indeferimento de perícia defeituosamente formulado, ou a rejeição de pedido de prorrogação de prazo para a
apresentação de documentação, justificada pela necessidade de "reconstrução" da escrita contábil e fiscal e da inabilidade do contador contratado.
LANÇAMENTO CALCADO NA CONSTATAÇÃO DE DIVERGÊNCIA DOS VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL E A RECEITA FEDERAL.
ADMISSIBILIDADE.
Tem este Conselho posicionamento firmado no sentido de que, tratando-se de omissão de receitas, é válido o lançamento ancorado em informações colhidas no âmbito da Administração Tributária Estadual, mormente quando não se cogita de
prova emprestada - adoção de conclusões, presunções ou conclusões construídas em sede de procedimento administrativo -, e sim de utilização de informações prestadas pelo próprio contribuinte para apuração do crédito tributário.
SIMPLES. SERVIÇO DE TRANSPORTE. CUSTO PERTINENTE A SERVIÇOS
DE TERCEIROS. INDEDUTIBILIDADE.
"A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o prep dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os
descontos incondicionais concedidos. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do SIMPLES, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados". Precedentes.
Numero da decisão: 1103-000.783
Decisão: Acordam os membros do colegiado„ por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Hugo Correia Sotero
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FAZENDA NACIONAL c C) -ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2003 SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITAS NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INCORREÇÕES NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Tem-se por inexistente cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, não servindo à caracterização de nulidade do procedimento o indeferimento de perícia defeituosamente formulado, ou a rejeição de pedido de prorrogação de prazo para a apresentação de documentação, justificada pela necessidade de "reconstrução" da escrita contábil e fiscal e da inabilidade do contador contratado. LANÇAMENTO CALCADO NA CONSTATAÇÃO DE DIVERGÊNCIA DOS VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL E A RECEITA FEDERAL. ADMISSIBILIDADE. Tem este Conselho posicionamento firmado no sentido de que, tratando-se de omissão de receitas, é válido o lançamento ancorado em informações colhidas no âmbito da Administração Tributária Estadual, mormente quando não se cogita de prova emprestada - adoção de conclusões, presunções ou conclusões construídas em sede de procedimento administrativo -, e sim de utilização de informações prestadas pelo próprio contribuinte para apuração do crédito tributário. SIMPLES. SERVIÇO DE TRANSPORTE. CUSTO PERTINENTE A SERVIÇOS DE TERCEIROS. INDEDUTIBILIDADE. "A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o prep dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do SIMPLES, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados". Precedentes. 17 Fl. 327DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09127.66P5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11060.001859/2008-11 S1 -C1T3 Acórdão n.° 1103-000.783 1:1. 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado„ por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Aloysi+osaerci --r da-Silva - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mario Sérgio Fernandes Barroso (Presidente em exercício A época do julgamento), Marcos Shigueo Takata, Hugo Correia Sotero, Andrada Márcio Canuto Nadal e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório A Recorrente foi autuada por insuficiente recolhimento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), na sistemática do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. Segundo descreve o Termo de Verificação Fiscal, detectou a autoridade lançadora incompatibilidade entre os recolhimentos efetuados pela Recorrente e o faturamento por ela declarado A Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul (RS), tendo a Recorrente informado A autoridade fazenddria estadual faturamento superior àquele indicado A Secretaria da Receita Federal. Notificada do lançamento, apresentou a Recorrente impugnação (fls. 101/105), arguindo: a) inabilidade do contador responsável; b) impropriedade do lançamento efetuado exclusivamente corn base nas informações prestadas A Secretaria da Fazenda, afirmando ser essencial procedimento de correção da escrituração fiscal; c) inexistência de má-fé; d) as diferenças descritas no relatório fiscal evidenciam equivoco contábil, vez que a empresa não poderia ter faturamento tão expressivo, principalmente se considerado o pequeno número de veículos utilizados; e) no caso dos serviços terceirizados, entende que o montante auferido com a atividade não pode ser considerado integralmente como faturamento, sendo obrigatorio o abatimento das despesas de praxe, inclusive dos custos do frete. Na impugnação requereu a Recorrente a outorga de prazo para apresentação de documentos e a realização de perícia técnica para comprovação dos argumentos. Fl. 328DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09127.66P5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11060.001859/2008-11 SI -C1T3 Acórdão n.° 1103-000.783 Fl. 4 A impugnação foi rejeitada pela Delegacia de Julgamento de Santa Maria (RS), tendo sido a decisão assim ementada: "PERÍCIA CONTÁBIL. Considerar-se não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993. PROVAS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. IMPUGNAÇÃO. ONUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL A impugnação deve estar instruída coin todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Meras alegações sem a devida produção de provas não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. BASE DE CÁLCULO. A empresa optante pelo Simples, que exerce a atividade de prestação de serviços de transporte, tem como base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos pelo Simples os valores correspondentes a sua receita bruta. IRP1 SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A verificação de diferença na base de cálculo ou insuficiência de recolhimento do imposto pela sistemática do SIMPLES constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. Estando presentes os pressupostos legais para sua aplicação, não cabe autoridade julgadora declarar indevida a sua exigência. JUROS DE MORA. SELIC. A utilização da taxa SELIG' no cálculo dos juros moratários encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. LANÇAMENTOS DECORRENTES 4 3 Fl. 329DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09127.66P5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11060.001859/2008-11 Sl-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.783 Fl. 5 Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS/PASEP - Simples, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL - Simples, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS - Simples e Contribuição para Seguridade Social - INSS - Simples, A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ - Simples, aplica-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa." Em face da decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 284/318, argumentando, para além das questões suscitas na impugnação, (i) a nulidade do lançamento; (ii) que, exceção das Guias de Informação e Apuração do ICMS (GM), não há nos autos prove efetiva da ocorrência de operações mercantis das quais a receita delas resultante tenha sido omitida ou mesmo relacionada a desvios outros que evidenciassem a pi -Mica, ainda que esporádica, de quaisquer formas de evasão ou elisão fiscal que pudessem dar causa a um lançamento de oficio; (iii) irregularidades no mandado de procedimento fiscal; (iv) cerceamento do direito de defesa. E* o relatório. Voto Conselheiro Hugo Correia Sotero Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Conheço, inicialmente, das preliminares de nulidade suscitadas. A despeito de ter arguido a nulidade do procedimento fiscal, a ocorrência de cerceamento do direito de defesa e a existência de irregularidades no mandado de procedimento fiscal, não verteu o recurso voluntário, de forma precisa e objetiva, as causas determinantes da nulidade, valendo-se de argumentação excessivamente genérica e sem qualquer correlação com a situação de fato descrita no Termo de Verificação Fiscal e na decisão atacada. de se ressaltar a afirmação de que a Recorrente foi "surpreendida" pela formalização de 9 autos de infração, quando o mandado de procedimento fiscal se referia a apenas um tributo, o que atesta a inconsistência do argumento, dada a natureza do lançamento - insuficiência de recolhimentos ao SIMPLES, sistemática que abarca a totalidade dos tributos e contribuições devidos pelo contribuinte - e a possibilidade de formalização de lançamentos reflexos. Digo de nota, de igual modo, a inexistência de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, não servindo à caracterização de nulidade do procedimento o indeferimento de perícia defeituosamente formulado, ou a rejeição de pedido de prorrogação de prazo para a apresentação de documentação, justificada pela necessidade de "reconstrução" da escrita contábil e fiscal e da inabilidade do contador contratado. Saliente-se que o lançamento pautou-se ern incompatibilidade entre Fl. 330DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09127.66P5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11060.001859/2008-11 S1-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.783 Fl. 6 as receitas declaradas pela própria Recorrente A Receita Federal e A Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, tendo a autoridade lançadora se valido, para confecção do lançamento, exclusivamente das informações prestadas pela própria Recorrente. Ora, se a situação se resumia a mera incorreção de declaração, a inconsistência das informações prestadas ao Fisco Estadual seria facilmente comprovavel por documentos e pelos lançamentos constantes da escrituração da Recorrente, não sendo necessário, se fosse essa a hipótese, de dilatação de prazo para apresentação de documentos e para que fosse refeita A escrituração. Nesse contexto, não visualizo, do que consta nos autos, cerceamento do direito de defesa da Recorrente que determinasse a anulação do procedimento fiscal, assim como não se identifica incorreções nas formalidades atinentes A instauração e desenvolvimento da fiscalização que justificassem a desconsideração do lançamento. Rejeito, portanto, as preliminares suscitadas. Quanto ao mérito, identificam-se duas questões de relevo: (a) validade do lançamento ancorado exclusivamente em informações prestadas pelo contribuinte A Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul; e, (b) abatimento de despesas com a subcontratação de terceiros para realização dos serviços de transporte. Em relação A possibilidade de formalização de lançamento com base exclusivamente em informações prestadas A autoridade fazenddria estadual, tem este Conselho posicionamento firmado no sentido de que, tratando-se de omissão de receitas, é válido o lançamento ancorado em tais informações. No caso, há de se ressaltar que não se cogita de prova emprestada - adoção de conclusões, presunções ou construídas em sede de procedimento administrativo -, e sim de utilização de informações prestadas pelo próprio contribuinte (faturamento declarado) para apuração do crédito tributário. Nesse sentido a jurisprudência deste Conselho: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO PROCESSO NÃO CARACTERIZAÇÃO. Os constrangimentos e prejuízos alegados pela Contribuinte, e suas eventuais conseqüências, em razão da inscrição dos débitos em Divida Ativa e principalmente da instauração de ação penal antes que fosse proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente, contrariando o disposto no art. 83 da Lei 9.430/1996, não são matérias a serem examinadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, sem prejuízo de que tais alegações sejam examinadas nas esferas competentes, visando a apuração das causas da falha administrativa, a reparação de eventuais danos, etc. Tais fatos, contudo, não implicam na nulidade do processo administrativo, que trata especificamente da constituição de crédito tributário, e que retomou seu curso normal após a verificação do problema. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2003, 2004, 2005 5 Fl. 331DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09127.66P5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11060.001859/2008-11 SI -C1 T3 AcOrd -do n.° 1103-000.783 Fl. 7 AUTUAÇÃO COM BASE EM INFORMAÇÕES COLHIDAS JUNTO AO FISCO ESTADUAL Não havendo apropriação de conclusões ou inferências desenvolvidas em processos fiscais da Fazenda Estadual, nem autuação por omissão de receitas verificadas por aquele outro Fisco, e tampouco autuação de SIMPLES fundada em lançamento de ICMS, mostra-se improcedente a alegação de uso de prova emprestada. Os registros efetuados nos livros de 1CMS são peifeitamente válidos para a caracterização de operações de vendas de mercadorias, que, nessa condição, dão ensejo ao auferimento de receitas." (Acórdão n°. 1802-001.071, 2°. Turma, 1°. Seção, rel. José de Oliveira Ferraz Correa) "IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÁO DE RECEITAS. Valores de vendas insertos no livro "Registro de Apuração do ICMS", isoladamente, não transitados por contas contábeis de resultados, caracterizam prova direta de omissão de receitas e subtração do crivo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), que tem o lucro como base de cálculo.. Decota-se da exigência, contudo, os valores que a contribuinte logra comprovar submissão ao tributo, consoante, inclusive, apuração da própria autoridade lançadora quando da realização de diligências fiscais requeridas pela autoridade julgadora de primeiro grau. As exclusões procedidas no lançamento principal, na seara do IRPJ, igualmente colhem o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), já que formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele." (Acórdão n°. 1103-000.645, Câmara, Seção, rel. José Sérgio Gomes) No que concerne à impugnação do lançamento em relação ao abatimento dos custos pertinentes à subcontratação de terceiros, assim se pronunciou a Delegacia de Julgamento: "0 valor do frete indicado no Conhecimento de Transporte a base de cálculo para apuração dos tributos devidos no regime tributário do SIMPLES. 0 valor que a empresa pagou a terceiros para que estes executassem o transporte não constitui parcela a ser excluída dessa base de cálculo. Também não é passível de ser excluída a parcela correspondente ao ICMS incidente sobre o valor desse frete. Nesse sentido a resposta dada na questão n° 61 do Boletim Central - Cosit n° 55, de 24 de março de 1997, da Receita Federal, sobre diversas Perguntas e Respostas sobre o SIMPLES, que se transcreve como segue: ...Assim, em relação ao preço dos serviços prestados, representado no caso especifico, pelo valor do frete cobrado conforme "Conhecimentos de Transporte", constitui este frete a receita bruta para fins de aplicação dos percentuais do SIMPLES e apenas as vendas canceladas e os descontos incondicionais podem ser excluídas dessa base de cálculo e não há previsão legal para exclusão de qualquer outra parcela da base de cálculo do Simples. 6 Fl. 332DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09127.66P5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11060.00185912008-11 SI-CI T3 Acórdão n.° 1103-000.783 Fl. 8 Na Impugnação a contribuinte não contesta o valor apurado pelo fiscalização a titulo de omissão de receita. Como já referido, o argumento da interessada é no sentido de que devem ser reduzidas as "despesas de praxe", inclusive dos custos do frete. Não subsistindo os argumentos contra o montante da receita apurado pela fiscalização e na impossibilidade de qualquer parcela a titulo de "despesas de praxe" ou custos do frete terceirizado, conclui-se que estão corretas tanto a base de cálculo quanto ou quanto ao percentual utilizado para apuração do montante devido ao Simples. Logo, não há qualquer alteração a ser feita em relação ao montante do crédito tributário apurado no presente processo." Irretocável, no aspecto, a decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento, visto que os recolhimentos devidos mensalmente ao SIMPLES são calculados sobre o montante do faturamento da empresa de transporte (valor declarado nos conhecimentos de transporte), não havendo, nessa sistemática, amparo normativo para abatimento de custos incorridos pelo contribuinte (procedimento pertinente à apuração pelo lucro real). Neste sentido: "AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que os Autos de Infração foram formalizados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei não há que se falar em nulidade. SIMPLES. RECEITA BRUTA, PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de. bens e serviços nas operações de conta própria, o prep dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Na presta cão de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do SIMPLES, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro presumido, não apresentar a escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou o livro Caixa contendo toda a movimenta cão financeira, inclusive a bancaria. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existentes entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICUS e as receitas informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, constitui omissão de receita passível de tributação. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. Correta a aplicação da multa no percentual de 225%, quando i'estar demonstrado que o Contribuinte, além de não atender as intimações elaboradas pela Fiscalização, agiu de forma dolosa, oferecendo à tributação parcela ínfima da receita auferida, ocultando o efetivo valor da obrigação tributária principal. Recurso [ Voluntário Negado." li Fl. 333DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09127.66P5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11060.001859/2008-11 81-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.783 Fl. 9 (Acórdão n°. 1402-001.039, 4" • Ccimara, 1". Seção, rel. Antônio José Praga de Souza) Ainda que assim no fosse, tratando-se de lançamento calcado em omissão de receitas e não tendo a Recorrente apresentado qualquer documento comprobatório, não se faz possível acatar a exceção dos abatimento suscitada. Com estas considerações, conheço do recurso voluntário para negar-lhe provimento. 8 Fl. 334DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09127.66P5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE ANTONIO DA SILVA em 05/03/2015 15:14:00. Documento autenticado digitalmente por JOSE ANTONIO DA SILVA em 05/03/2015. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/07/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.0719.09127.66P5 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 36980733E0E2AC44C2423B7B36441AECCE7FF881 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11060.001859/2008-11. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10865.902864/2015-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2012 a 31/12/2012
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.289
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 28 64 /2 01 5- 36 Fl. 71DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário requerendo a reforma de decisão de primeira instância para que seja declarada a nulidade do despacho decisório por haver sido proferido com ausência de fundamentação e homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.261, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.901009/201427. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.261): "A Recorrente acusa o despacho decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, por ausência de fundamentação, uma vez que este não teria indicado as razões da inexistência de crédito disponível. Ora, verificase que a referida decisão deixou de homologar a compensação pelo fato de o valor do DARF ter sido integralmente alocado à quitação de outro débito. Este fundamento era suficiente para a negativa, sobretudo porque, como a própria Recorrente veio a informar na Manifestação de Inconformidade, a DCTF só fora retificada Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10865.902864/201536 Acórdão n.º 3401006.289 S3C4T1 Fl. 3 3 posteriormente e o DACON também, de sorte que os sistemas da Receita Federal não dispunham de outra informação que não aquela constante do DCTF original. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade do despacho decisório por carência de fundamentação, visto que analisou acertadamente o direito creditório à luz da circunstância fática vigente à época, que incluía a confissão do débito em DCTF no seu valor original.. Ademais, a posterior retificação da DCTF com o fito de reduzir o valor do débito não tem, per si, o condão de comprovar o direito creditório da Recorrente se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que suportem as alterações realizadas. Em se tratando de pedidos de compensação/ressarcimento, o ônus probatório incumbe ao postulante, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) "“CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a Fl. 73DF CARF MF 4 respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.” (Acórdão 3401005.460 – paradigma, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2018) Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente veiculou genericamente a alegação de ter se valido de uma base de cálculo ampliada para o PIS/COFINS, com a inclusão de receitas que não comporiam o faturamento, o que ensejara a retificação da DCTF, sem carrear aos autos qualquer documentação que comprove o alegado, desejando transferir à fiscalização o ônus de perscrutar a origem do crédito pleiteado. No presente Recurso Voluntário, limitase à alegação de nulidade do despacho decisório, mesmo ciente de que o mesmo foi proferido antes da retificação que promovera na DCTF, o que já se refutou, silenciando quanto à origem e quantificação do crédito. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10865.902864/201536 Acórdão n.º 3401006.289 S3C4T1 Fl. 4 5 Fl. 75DF CARF MF
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