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Numero do processo: 13749.720199/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/11/2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo.
Numero da decisão: 3302-005.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13749.720190/2011-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/11/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo.
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Recorrente INDÚSTRIA NACIONAL DE COLCHÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/11/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13749.720190/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 01 99 /2 01 1- 55 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13749.720199/201155 Acórdão n.º 3302005.875 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a FALTA/ATRASO NA ENTREGA DA DACON com exigência de crédito tributário no valor de R$ 500,00 e acréscimos legais. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação contra o lançamento alegando que em 2009 a empresa era optante pelo Simples Nacional e mudou o regime tributário para Lucro Presumido em Jan/2010, passando a ser obrigada a apresentação do Dacon mensal. Acrescenta que a empresa apresentou o Dacon espontaneamente, para a simples regularização de sua situação cadastral na RFB, uma vez que os impostos foram quitados no período. Ressalta o debate em torno do tema nos tribunais e a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso de confissão espontânea. Cita jurisprudência, o art. 138 do CTN, a Constituição Federal de 1988, o Decreto 2124/84 e a IN 124/86, em sua argumentação. Defende que a multa aplicada por atraso na entrega da Dacon não tem fundamento na lei e portanto é ilegal. A Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão nº 02041.460. Entendeu a Turma que: o argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Intimada do Acórdão de Impugnação, a contribunte ingressou com Recurso Voluntário alegando que: O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DACON, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regime passou a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DACON espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na Receita Federal, uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13749.720199/201155 Acórdão n.º 3302005.875 S3C3T2 Fl. 4 3 Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuintes quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar. Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen". DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.866, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13749.720190/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.866): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 03 de janeiro de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 25 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 04 de fevereiro de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta a questão da Denúncia Espontânea. Passase à análise. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13749.720199/201155 Acórdão n.º 3302005.875 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13749.720199/201155 Acórdão n.º 3302005.875 S3C3T2 Fl. 6 5 A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13749.720199/201155 Acórdão n.º 3302005.875 S3C3T2 Fl. 7 6 a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 44DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000413/2002-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9363/96. PORTARIA MF 38/97. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. METODOLOGIA DE CÁLCULO.
No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363, de 1996 e a Portaria MF nº 38, de 1997, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte incluem-se na composição tanto da Receita de Exportação - RE, quanto da Receita Operacional Bruta - ROB, refletindo nos dois lados do coeficiente de exportação - numerador e denominador.
Numero da decisão: 9303-007.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9363/96. PORTARIA MF 38/97. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. METODOLOGIA DE CÁLCULO. No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363, de 1996 e a Portaria MF nº 38, de 1997, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte incluem-se na composição tanto da Receita de Exportação - RE, quanto da Receita Operacional Bruta - ROB, refletindo nos dois lados do coeficiente de exportação - numerador e denominador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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LEI 9363/96. PORTARIA MF 38/97. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. METODOLOGIA DE CÁLCULO. No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363, de 1996 e a Portaria MF nº 38, de 1997, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte incluemse na composição tanto da Receita de Exportação RE, quanto da Receita Operacional Bruta ROB, refletindo nos dois lados do coeficiente de exportação numerador e denominador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 04 13 /2 00 2- 89 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13976.000413/200289 Acórdão n.º 9303007.531 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 330200018, proferido em 06/07/2009, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR. A receita de produtos adquiridos de terceiros e exportados deve ser excluída da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos. Cuida o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, referentes aos períodos de apuração de 01/01/2002 a 31/03/2002. O recurso especial da Fazenda Nacional pede que os valores referentes às receitas decorrente de produtos adquiridos de terceiros e exportados devem ser incluídos na composição da Receita Operacional Bruta. O recurso especial foi admitido nos termos do Despacho de Admissibilidade, efls. 357 e seg., pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Regularmente cientificado do acórdão, do recurso especial e de sua admissibilidade, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, efls. 363 e seg, nas quais pede o improvimento do recurso. É o relatório. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13976.000413/200289 Acórdão n.º 9303007.531 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O recurso especial de divergência atende aos pressupostos formais e materiais para o seu conhecimento. Embora esteja devidamente demonstrada a divergência, esta matéria já foi resolvida no âmbito do CARF, por meio da recente Súmula CARF nº 128, que possui a seguinte redação: Súmula CARF nº 128 No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363, de 1996 e a Portaria MF nº 38, de 1997, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte incluemse na composição tanto da Receita de Exportação RE, quanto da Receita Operacional Bruta ROB, refletindo nos dois lados do coeficiente de exportação numerador e denominador. A discussão do presente processo encaixase perfeitamente ao disposto na referida súmula. Pois tratase de receitas com produtos não industrializados pelo contribuinte e exportados por ele. Importante ressaltar que se trata também dos créditos presumidos apurados na vigência da Portaria MF nº 38/97. Todos os precedentes da súmula são decorrentes da aplicação da referida portaria, que teve vigência até a Portaria MF nº 64/2003, de 24/03/2003, a qual alterou a sistemática de cálculo do crédito presumido de IPI. A Fazenda Nacional pede em seu recurso que as referidas receitas componham somente a Receita Operacional Bruta, denominador do coeficiente de exportação. Porém, a determinação da súmula é que essas receitas componham tanto o numerador (Receitas de Exportação) quanto o denominador (Receita Operacional Bruta). Ocorre que no presente caso, a aplicação da súmula implica em piorar a situação da recorrente. O acórdão recorrido decidiu que essas receitas não poderiam compor nenhuma das partes do coeficiente. Portanto incabível o pedido da Fazenda em incluíla somente no denominador. Incluir nos dois lados do coeficiente de exportação, numerador e Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13976.000413/200289 Acórdão n.º 9303007.531 CSRFT3 Fl. 5 4 denominador, significa aumentar o coeficiente de exportação e por consequência o valor do crédito presumido de IPI requerido. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 374DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000078/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Não há omissão do acórdão, ocasionando a rejeição dos Embargos de Declaração, pois existiu a análise exauriente do procedimento da contribuinte, incluindo a ausência de prévia declaração de compensaçãoLIVRE CONVICÇÃO. APLICAÇÃO DO DIREITO.Uma vez superado o exame de admissibilidade, analisa-se o mérito, quando o julgador aplica o direito, com plena liberdade de interpretar a legislação tributária e de firmar sua convicção, não se restringindo aos fundamentos das partes ou de decisões anteriores proferidas na fase contenciosa.
Numero da decisão: 1201-002.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ester Marques Lins de Sousa que acolhiam os embargos.
(assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Não há omissão do acórdão, ocasionando a rejeição dos Embargos de Declaração, pois existiu a análise exauriente do procedimento da contribuinte, incluindo a ausência de prévia declaração de compensaçãoLIVRE CONVICÇÃO. APLICAÇÃO DO DIREITO.Uma vez superado o exame de admissibilidade, analisase o mérito, quando o julgador aplica o direito, com plena liberdade de interpretar a legislação tributária e de firmar sua convicção, não se restringindo aos fundamentos das partes ou de decisões anteriores proferidas na fase contenciosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ester Marques Lins de Sousa que acolhiam os embargos. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 78 /2 00 7- 41 Fl. 1391DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, argumentando a Fazenda Nacional, ora Embargante, uma omissão no acórdão nº 1803001.558, ementado abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PROVA. EXTINÇÃO DE DÉBITOS. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. (...) Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. De acordo com a Embargante, a omissão do acórdão embargado consiste em "não se pronunciar sobre a exigência legal para a apresentação de declaração no caso de compensação, nos termos da nova redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9430/96 pela Lei nº 10.637/2002, em vigência quando efetuado o encontro de contas pelo contribuinte em sua escrita", expondo a seguir seu arrazoado (efls. 1.377 a 1.379): Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados para a exigência de IRPJ e CSLL apurados em 31/12/2003. Ao apreciar o lançamento por força de impugnação, a DRJ decidiu julgálo procedente. Em análise ao feito, este colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, sob o argumento de que estaria comprovada a extinção do crédito tributário por meio de compensação realizada diretamente em sua escrituração contábil. Neste ponto, transcrevese o voto condutor: "A Recorrente argumenta que os valores exigidos pelo lançamento formalizado teriam sido compensados com créditos dos mesmos tributo, acumulados em exercícios anteriores, especificamente nos anoscalendário de 1997 a 1999, das empresas que lhe antecederam, ou seja, Voss Ltda., HelerTec Indústria é Comércio Ltda. e Voss HT Ltda. Acrescenta que apesar de ter esclarecido a autoridade fiscal sobre tais compensações, elas não foram formalizadas em Declarações de Compensação, tampouco em DCTF, providências estas que se constituíram em simples Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1201002.464 S1C2T1 Fl. 1.392 3 irregularidades formais, insuficientes para dar suporte ao lançamento. (...) Assim, os documentos apresentados mostramse suficientes para comprovar as compensações alegadas pela Recorrente. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário." No termo de verificação fiscal, consta ainda que: " Em relação às Provisões mensais de IRPJ e de CSLL do ano calendário 2002, o contribuinte informou que a falta de Recolhimento decorreu de compensações diretas na escrita contábil, de tributos de mesma espécie, sem requerimento administrativo, apresentando Cópia do Livro Razão com os lançamentos compensatórios efetuados em 01/01/2003 (vide fl.20). (...) Face às informações, verificamos que o contribuinte não apresentou DCOMP, nem informou as compensações em DCTF e observando que a DIPJ a partir do ano calendário 1999 é de natureza informativa, não alimentando os sistemas de cobrança da Receita Federal (de acordo com a Nota COFIS/COSAR n°002, de 30 de julho de 2001), verificamos que não cumpriu com as obrigações acessórias " Conforme se constata do trecho afirma, o contribuinte efetuou a compensação somente em sua escrita na data de 01/01/2003. Nesta época, já estava havia sido editada a Lei nº 10.637/2002, que conferiu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9430/1996, nos seguintes termos: (...) Verificase, portanto, que à época da alegada compensação, somente em sua escrita fiscal, já existia clara previsão legal sobre o adequado procedimento a ser adotado por meio de Declaração (DCOMP) para o ajuste contas entre créditos e débitos do contribuinte junto Fisco. Neste ponto específico, o acórdão incorre em omissão por não se pronunciar sobre a exigência legal para a apresentação de declaração no caso de compensação, nos termos da nova redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9430/96 pela Lei nº 10.637/2002, em vigência quando efetuado o encontro de contas pelo contribuinte em sua escrita. Em despacho da presidência da 4ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, existiu a admissibilidade dos Embargos de Declaração, identificando o pressuposto da omissão no acórdão recorrido (efls. 1.388 a 1.390): Fl. 1393DF CARF MF 4 A situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir, qual seja, por não se pronunciar sobre a exigência legal para a apresentação de declaração no caso de compensação, nos termos da nova redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9430, de 1996 pela Lei nº 10.637, de 2002, em vigência quando efetuado o encontro de contas pelo Sujeito Passivo em sua escrita. Em 25 de agosto de 2015, o acórdão nº 1803001.558 foi remetido à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, via processo digital, sobrevindo a interposição dos seus Embargos de Declaração em 22 de setembro de 2015. Considerando a extinção da 3ª Turma Especial desta 1ª Seção de Julgamento, mediante novo sorteio, fui designado relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O exame de admissibilidade dos Embargos de Declaração consta em despacho proferido pela presidência da 4ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, portanto, deles tomo conhecimento. Inicialmente, quanto à tempestividade dos Embargos de Declaração, esclarece a Fazenda Nacional, ora Embargante: De acordo com o art. 7º, § 5º, da Portaria MF nº 527/2010, tratandose de processo eletrônico, o prazo para a interposição do recurso pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da data prevista no § 3° [30 dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN] mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. Na hipótese, o despacho de encaminhamento dos autos do processo digital à PGFN data de 25/08/2015. Assim, a intimação presumida da PGFN ocorreria em 23/09/2015. Desse modo, é manifesta a tempestividade destes embargos de declaração. Portanto, existiu a interposição tempestiva dos Embargos de Declaração em 22.09.2015, visto que a intimação presumida ocorreria em 23.09.2015, termo inicial do prazo recursal de 5 (cinco) dias. O artigo 65 do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, prevê a interposição dos Embargos de Declaração quando o "acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar se a turma". Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1201002.464 S1C2T1 Fl. 1.393 5 Como antecipado no relatório acima, a Embargante contextualiza a omissão do acórdão embargado, ressaltando que "o contribuinte efetuou a compensação somente em sua escrita na data de 01/01/2003. Nesta época, já estava havia sido editada a Lei nº 10.637/2002, que conferiu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9430/1996", por fim, concluindo "que à época da alegada compensação, somente em sua escrita fiscal, já existia clara previsão legal sobre o adequado procedimento a ser adotado por meio de Declaração (DCOMP) para o ajuste contas entre créditos e débitos do contribuinte junto Fisco". A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (DRJ/CPS), proferindo o acórdão nº 0528.571, quando do julgamento improcedente da Manifestação de Inconformidade do contribuinte, descreveu o procedimento de compensação introduzido pelo referido artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, abrangendo inclusive o controvertido saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (efl. 1.289 e 1.290): 49. Enfim, os documentos apresentados mostramse insuficientes para comprovar as compensações alegadas. 50. Especificamente no que se refere às compensações dos débitos apurados a partir de setembro de 2002, nos meses de outubro a dezembro, a Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e a Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, alteraram a redação original do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. 51. O primeiro ato (MP n° 66, de 2002) estipulou que, a partir de 1° de outubro de 2002, toda compensação se daria mediante apresentação de Declaração de Compensação, para extinção do crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação pela autoridade administrativa, sendo que os Pedidos de Compensação pendentes de apreciação seriam considerados Declaração de Compensação, para os efeitos que lhe fossem cabíveis. "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n°10.637, de 2002) § 1 A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002)" 52. O segundo ato (MP no 135, de 2003) estipulou o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação, para a homologação da compensação, além de conferir à Declaração de Compensação o caráter de confissão de divida e instrumento hábil para exigência dos débitos Fl. 1395DF CARF MF 6 indevidamente compensados; bem como à Manifestação de Inconformidade, apresentada contra o ato de nãohomologação da compensação declarada, o condão de ser regida pelo Decreto n° 70.235, de 1972, e de suspender a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN. 53. Mediante tais alterações legislativas implementouse um controle efetivo do direito creditório utilizado em compensação, permitindo à Administração Tributária acompanhar a disponibilidade dos saldos apontados por todo e qualquer contribuinte em suas Declarações, alterandose totalmente as regras do procedimento de compensação. 54. Portanto, o documento apto a formalizar compensações seria a Declaração de Compensação, com as informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, cujo pleito estaria sujeito As demais normas jurídicas aplicáveis, inclusive no que se refere à limitação do prazo qüinqüenal previsto no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. 55. No entanto, não houve a apresentação de quaisquer Declarações de Compensação relacionadas aos débitos objeto de questionamento pela autoridade fiscal. A imposição do lançamento de ofício provém da "exigência do crédito tributário no valor de R$303.383,05 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real referente ao anocalendário de 2003", assim como da "exigência do crédito tributário no valor de R$134.832,98 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real referente ao anocalendário de 2003.", como relatado no acórdão embargado. Entretanto, ainda que sem os necessários instrumentos formais, incluindo a declaração de compensação (DCOMP), segundo o artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, o contribuinte demonstrou a liquidação de estimativas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), mediante escrituração fiscal. Em síntese, embora sem a observância de todas as formalidades, especificadas tanto no Termo de Verificação Fiscal como no acórdão nº 0528.571, prolatado pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (DRJ/CPS), concluiu o acórdão embargado que não era exigível o lançamento de ofício pela inexistência do respectivo crédito tributário. Neste sentido, avalio que com conhecimento do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, o acórdão embargado deu provimento ao Recurso Voluntário, ratificando a compensação escritural e comprovada documentalmente, in verbis (efls. 1.372 a 1.375): Caracterizase como falta de recolhimento de tributo a diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. (...) A Recorrente argumenta que os valores exigidos pelo lançamento formalizado teriam sido compensados com créditos dos mesmos tributo, acumulados em exercícios anteriores, Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1201002.464 S1C2T1 Fl. 1.394 7 especificamente nos anoscalendário de 1997 a 1999, das empresas que lhe antecederam, ou seja, Voss Ltda., HelerTec Indústria é Comércio Ltda. e Voss HT Ltda. Acrescenta que apesar de ter esclarecido a autoridade fiscal sobre tais compensações, elas não foram formalizadas em Declarações de Compensação, tampouco em DCTF, providências estas que se constituíram em simples irregularidades formais, insuficientes para dar suporte ao lançamento. Em relação às compensações das estimativas de junho a agosto, do IRPJ, bem como de abril a agosto, relativas a CSLL, as quais, segundo alegações da Recorrente, teriam sido compensadas de forma escritural, é importante esclarecer que a Recorrente informou nas DCTF originalmente entregues, em 14.08.2002, que parte delas teria sido compensada com saldo negativo do anocalendário de 1999. Conforme constam dos fundamentos da decisão recorrida, tem se que ao serem consultados os sistemas informatizados da RFB constatouse que a Recorrente não apurou qualquer saldo negativo, seja de IRPJ ou CSLL, na DIPJ do anocalendário de 1999. Verificase também que somente em alguns meses houve a declaração em DCTF de que haveria estimativas a pagar de IRPJ ou de CSLL. Dessa forma, a partir dos elementos disponíveis nos sistemas informatizados da RFB, e diante da inconsistência e contradições existentes entre eles, concluise que não houve, com as necessárias certeza e liquidez, a apuração de créditos compensáveis, com origem em saldo negativo do IRPJ ou da CSLL, no anocalendário de 1999. Posteriormente, em 18.01.2007, após de iniciado o procedimento de fiscalização, o qual se deu em 27.09.2006, com a ciência do "Termo de Inicio de Fiscalização", e, portanto, já não amparada pela espontaneidade, a Recorrente apresentou DCTF retificadora, informando que aquelas estimativas teriam sido compensadas com saldos negativos do anocalendário de 1997. A Recorrente, por outro lado, afirma que os débitos exigidos teriam sido extintos com créditos cuja origem seria o período de 1997 a 1999, sem especificar os créditos e débitos correspondentes. Acrescentese que os únicos saldos negativos apurados que constam em DIPJ referemse ao anocalendário de 1997, atinente o CNPJ 01.232.009/000190 (Voss Ltda), nas importâncias de R$7.253,97 para o IRPJ e R$151,52, da CSLL. Ademais, a existência dos pagamentos relacionados pela Recorrente em sua defesa, para todos os anoscalendário referidos (1997 a 1999) a confirmar a existência de tal saldo Fl. 1397DF CARF MF 8 negativo implica que ela, de fato, efetuou a compensação dos débitos objeto do lançamento nos Autos de Infração. A questão crucial para o deslinde da questão é a extinção dos débitos formalizados, para os quais a Recorrente evidencia terem sido compensados. A afirmação de que estavam extintas as estimativas em questão com créditos que teriam origem nos anoscalendário de 1997, 1999, ou de 1997 a 1999, é suficiente para a comprovação das compensações, porque está acompanhada da necessária comprovação documental e fundamentada em sua escrituração contábil. Da análise dos autos, o documento com origem na escrituração contábil da autuada é a cópia do Livro Razão Analítico, fls. 2324, onde consta, nas contas "2879 (21114108) IRPJ A PAGAR" e "2887 (2114109) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL A PAGAR" a provisão do IRPJ e CSLL referentes às estimativas de abril, maio, junho, agosto, outubro, novembro e dezembro. Depreendese também que em dezembro de 2002 apurouse um saldo de R$137.791,40 na conta de provisão do IRPJ e de R$60.311,77 na conta de provisão da CSLL. E no início do anocalendário de 2003, a Recorrente escriturou débitos nas importâncias de R$137.791,40 (IRPJ) e R$60.311,77 (CSLL), sob os seguintes históricos: "Transferência do IRPJ apurado Ano 2002 Transf do Imposto Compensado com o apurado no Ano" e "Transferência da CS apurada ano 2002 Transf do Imposto Compensado com o apurado no Ano". Consta ainda em tal documento a escrituração de que tais débitos apurados de forma escritural tenham sido efetivamente compensados com créditos ou saldos negativos com origem nos anoscalendário de 1997 a 1999, pois a Recorrente juntou os assentos das contas dos créditos com origem em saldo negativo que estavam acumulados em sua contabilidade. No que se refere ao Balancete Contábil da empresa Voss Ltda., CNPJ 01.232.009/000190, fls. 131202, que foi incorporada pela Recorrente, a existência de "Impostos a Recuperar" quando da incorporação em outubro de 2001, na importância de R$21.306,49 para o IRPJ e de R$5.241,95 para a CSLL, também são fornecidos indícios de que os débitos exigidos foram compensados com tais saldos. Assim, os documentos apresentados mostramse suficientes para comprovar as compensações alegadas pela Recorrente.(grifei) Portanto, não vislumbro a omissão do acórdão embargado, uma vez que houve a análise exauriente do procedimento da contribuinte, incluindo a ausência de declaração de compensação prévia, no entanto, concluiuse pela prevalência da escrituração fiscal, que evidenciou a inexistência de valor devido tanto do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) como da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1201002.464 S1C2T1 Fl. 1.395 9 Outrossim, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi expedido para auditoria do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), período de 10/2001 a 03/2002: O Termo de Verificação Fiscal relatou que "por força do Mandado de Procedimento Fiscal em epígrafe, em ação de Fiscalização, que tem por objeto a análise do processo administrativo em epígrafe, referente ao Pedido de Ressarcimento de Créditos excedentes de IPI,com base no art. 5° da Lei 9826/99 e art. 11 a Lei 9779/99, constatamos, nas Verificações Preliminares, provisões mensais de IRPJ e de CSLL, do ano calendário 2002, não declarados em DCTF, nem recolhidos aos cofres públicos." (fl. 671) Entretanto, o Auto de Infração compreendeu o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do anocalendário de 2003: O convencimento livre do acórdão embargado, opinando pela improcedência do Auto de Infração, harmonizase com a exposição jurídica do seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão nº 9101003.476): "Passandose pela primeira etapa, o exame de admissibilidade, a etapa seguinte, apreciação do mérito, demanda a aplicação do direito. Ou seja, não fica o julgador limitado estritamente aos fundamentos aduzidos pelas partes, ou por decisões proferidas anteriormente na fase contenciosa. Pelo contrário, tem liberdade para aplicar o direito ao caso concreto, o que lhe permite, inclusive, interpretar a legislação tributária de maneira diversa daquela defendida pela recorrente. Os limites dizem respeito à matéria." A extensão processual dos Embargos de Declaração é limitada, in casu, ao saneamento de eventual omissão, não proporcionado a rediscussão do mérito, típica de um recurso ordinário. Fl. 1399DF CARF MF 10 Isto posto, REJEITO os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 1400DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901859/2014-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Relatório
A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais.
O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional.
Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.812.
Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior.
Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa:
* Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios.
* Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ.
* Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003.
* Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma:
"O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência).
Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)."
* Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS.
* Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei.
* As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico.
É o relatório.
Voto
Conselheiro Waldir Navarro Bezerra
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402-001.475):
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Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.812. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402-001.475):
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 01 85 9/ 20 14 -3 1 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13839.901859/201431 Resolução nº 3402001.488 S3C4T2 Fl. 3 2 O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08038.812. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PISCOFINS: artigos 149, 195, I "b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regramatriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13839.901859/201431 Resolução nº 3402001.488 S3C4T2 Fl. 4 3 de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/201427, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.475): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Da necessidade de diligência para julgamento do recurso Como observado pela 5ª Turma da DRJ/FOR em decisão recorrida, a análise da questão está relacionada à classificação das comissões pagas a representantes comerciais como insumos, que geram direito ao crédito das contribuições, ou como despesas necessárias à atividade da empresa, sem vinculação ao processo produtivo e incapazes de gerar crédito na sistemática nãocumulativa. Assim alega a Contribuinte: i) Que é pessoa jurídica de direito privado e, na consecução de suas atividades comerciais, procede à contratação de representantes comerciais para escoamento de sua produção própria, sendo que tal modalidade de venda representa aproximadamente 87% do faturamento. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13839.901859/201431 Resolução nº 3402001.488 S3C4T2 Fl. 5 4 ii) Que a função desempenhada por tais representantes é notadamente imprescindível para sua cadeia produtiva, na medida em que estes são responsáveis pela intermediação dos negócios, com a prospecção de clientes e desenvolvimento do mercado, assim como participam diretamente no processo negocial, lançando os pedidos aceitos no sistema e formatando as cargas. Além do mais, frequentemente efetua a contratação do transporte das mercadorias vendidas. iii) Em razão do critério da essencialidade, é incontestável que os valores desembolsados quanto à atividade realizada pelos representantes comerciais devem ser entendidos como insumo na cadeia de produção e vendas dos produtos que fabrica, conformando base de cálculo para a assunção de créditos escriturais relativos às contribuições destinadas ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), já que está sujeita à sistemática de apuração nãocumulativa das referidas contribuições. Outrossim, a Recorrente apresenta em razões de recurso, o seguinte comparativo entre empresas que não possuem representantes comerciais, em especial no tocante ao direito de crédito: (i) – as pessoas jurídicas sem representante comercial terão 100% da receita para si; (ii) – já aquelas que se utilizam dos representantes não terão 100% das receitas para si, uma vez que uma parte ficará com eles a título de comissão, sendo de total plausibilidade assim o crédito par a bater PIS e COFINS. Constatase que o fundamento pelo qual a DRJ/FOR julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade se atém ao critério estabelecido pelo artigos 2º e 3º, II da Lei nº 10.637/2002, bem como da INSRF nº 247/2002. Vejamos: No presente caso, as comissões pagas aos representantes comerciais não podem ser consideradas como aplicadas ou consumidas diretamente na fabricação de bens destinados à venda. Tampouco podem ser considerados serviços adquiridos de pessoas jurídicas para a consecução das atividades principais da empresa. Assim, as comissões pagas aos representantes comerciais são despesas que não se caracterizam como insumos, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Este também é o entendimento da Solução de Consulta nº 98, da SRRF07/Disit, transcrito abaixo: (...) 17. Dessa forma, os bens e serviços que forem necessários ou essenciais para o desempenho da atividade da empresa mas que não puderem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços não se caracterizam como “insumos”, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13839.901859/201431 Resolução nº 3402001.488 S3C4T2 Fl. 6 5 18. Isso distingue os “insumos” das despesas dedutíveis para efeitos de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, que, de acordo com o art. 299 do Decreto nº. 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), são todas aquelas despesas necessárias, usuais e normais para as operações da empresa. (...) Isso posto, julgo improcedente a manifestação de inconformidade. Inicialmente, consignase que o contribuinte do PIS e da COFINS nãocumulativos, segundo as Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04, tem direito de tomar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como “insumos” na fabricação de produtos destinados à venda. De fato havia divergências quanto ao conceito de insumos aplicável às contribuições sociais. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça concluiu através do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170 PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, que o conceito de insumo, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma dos artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Por este precedente, o STJ declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, invocada para fundamentar a decisão recorrida, bem como declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, as quais restringiam o direito de crédito aos insumos que fossem diretamente agregados ao produto final, ou que se desgastassem com o contato físico com o produto ou serviço final. Outrossim, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em data de 03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, aceitando o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme Ementa abaixo transcrita: Documento público. Ausência de sigilo. Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13839.901859/201431 Resolução nº 3402001.488 S3C4T2 Fl. 7 6 Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Em síntese, "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, são "todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes". Os critérios em referência devem ser aplicados casuisticamente, utilizandose do chamado “teste de subtração” do insumo, de modo a verificar a imprescindibilidade e a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Neste sentido, transcrevo os itens 14 a 17 da SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara m a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele i tem – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste d e subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13839.901859/201431 Resolução nº 3402001.488 S3C4T2 Fl. 8 7 Superada a discussão em referência, cabe a análise quanto à configuração da essencialidade ou relevância do representante comercial às atividades desenvolvidas pela empresa. Através do atos constitutivos, é possível verificar que a Recorrente tem por objeto social as seguintes atividades: Constatase, ainda, como atividade econômica principal a fabricação de artefatos de cimento para uso na construção (CNAE 23 30302) e, por atividade econômica secundária a seguinte descrição: CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 52.11799 Depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis 46.79604 Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente 23.49401 Fabricação de material sanitário de cerâmica 47.44001 Comércio varejista de ferragens e ferramentas 28.13500 Fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios Por sua vez, a Contribuinte argumenta desde a Manifestação de Inconformidade que mais de 80% (oitenta por cento) das vendas de produtos que comercializa ocorre por meio de representantes comerciais autônomos, que assumem papel imprescindível na consecução da atividade comercial da empresa, representando esta modalidade de venda em aproximadamente 87% (oitenta e sete por cento) do seu faturamento. Não obstante os fundamentos que embasam as razões recursais, o fato é que neste processo administrativo não há nenhuma prova que ateste a essencialidade da representação comercial na atividade da empresa Recorrente. Todavia, considerando a recente decisão proferida em sede de repercussão geral pelo Superior Tribunal de Justiça, resultando na incidência do artigo 62, § 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, em atenção à busca pela verdade material, fazse necessária a realização de diligência para uma melhor compreensão sobre as características da atividade desenvolvida pela empresa, possibilitando identificar se as despesas em análise configuram insumos que permitam o direito ao crédito em análise. Por tais motivos, nos termos previstos pelo artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13839.901859/201431 Resolução nº 3402001.488 S3C4T2 Fl. 9 8 Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.720175/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE RAZÕES E DOCUMENTOS EXPOSTOS PELO CONTRIBUINTE. DECISÃO ANULADA
São nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Numero da decisão: 2301-005.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, anular a decisão de primeira instância, pela caracterização do cerceamento do direito de defesa. Vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE RAZÕES E DOCUMENTOS EXPOSTOS PELO CONTRIBUINTE. DECISÃO ANULADA São nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, anular a decisão de primeira instância, pela caracterização do cerceamento do direito de defesa. Vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 01 75 /2 01 3- 78 Fl. 425DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário em face do Acórdão nº 1147.437 (efls 352/357), prolatado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife, em sessão de julgamento realizada em 28 de agosto de 2014. 1.1. Por bem representar aspectos da exigência fiscal, reproduzse o relatório contido no citado acórdão: Relatório Temse em pauta os seguintes Autos de Infração AIs: DEBCAD HISTÓRICO 37.378.9955 contribuições a cargo da empresa destinadas à Previdência Social, competência 08/2008. 37.378.9963 contribuições dos segurados, competência 08/2008. 37.378.9971 contribuições a cargo da empresa destinadas a terceiros, competência 08/2008. 37.378.9947 apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, competência 08/2008. CFL 68 A fiscalização da RFB verificou, através de notas fiscais, fls. 55/56, emitidas pela Expertise Comunicação Total S/S LTDA, empresa do segmento de cartões de crédito, a prestação de serviços à AVON COSMÉTICOS LTDA para implementar campanhas de incentivo, resultando em mecanismo de pagamento de prêmios a pessoas indicadas pelos contratantes, mediante a distribuição dos cartões com os respectivos créditos, possibilitando a esses beneficiários sacar em espécie o montante que lhe fora atribuído. Assim, aberta fiscalização na AVON COSMÉTICOS LTDA para apuração do saláriodecontribuição, a fiscalização utilizou o critério da aferição indireta, com respaldo no art. 33, § 3°, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, em razão da falta de identificação dos beneficiários do programa de gerenciamento de premiação, implementado através do cartão emitido pela Expertise Comunicação Total LTDA, bem como os respectivos valores atribuídos a cada um dos beneficiários, apesar de intimação fiscal neste sentido. Cientificada dos referidos AIs, em 28/08/2013, fl. 173, a interessada manejou impugnação, fls. 177/192, em 26/09/2013, fl. 177, argüindo, em síntese que: a) é tempestiva; b) os cartões de premiação, denominados customer card, foram distribuídos, única e exclusivamente, aos clientes da impugnante, como a própria denominação do cartão sugere, contemplados em sorteio decorrente de promoção registrada perante a Caixa Econômica Federal, contemplados na promoção de marketing naturais era tudo o que eu queria. Portanto, não há o que se falar em pagamento de salário indireto e, por conseqüência, na existência de débitos de contribuição previdenciária; Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10803.720175/201378 Acórdão n.º 2301005.534 S2C3T1 Fl. 426 3 c) inexistindo o elemento de conexão entre trabalho, labor da pessoa física e a empresa, não há incidência de contribuição social na forma da alínea "a" do inciso I, do art. 195, da Constituição Federal, regulamentado pelo art. 22, inciso I, e art. 28, inciso I, ambos da Lei 8.212/91; d) para que não reste dúvida de que apenas os consumidores dos produtos AVON foram os contemplados com os cartões customer card, acostouse aos autos a relação dos consumidores contemplados na promoção e o espelho da sua folha de salários do período em questão. Ante o exposto, requer a juntada posterior de documentação suplementar para apresentação das vias arquivadas dos regulamentos do valebrinde e do concurso e o cancelamento dos AIs 37.378.9955, 37.378.9963, 37.378.9971 e 37.378.9947. Com a impugnação apresentou: documento de identificação (fls. 194 e 208), contrato social (fls. 195/203), procuração (fls. 205/207), substabelecimento (fls. 209 a 2011), TEPF (fl. 213), AIs (fls. 214/217), Termo de Verificação e Conclusão Fiscal (fls. 218/224), Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 225), IPC (fls. 226/227), Relatório de Vínculos (fl. 228), DD (fls. 229/230, 234/235 e 239), FLD (fls. 231/232, 236/237 e 240/241), RL (fl. 233, 238 e 242), folha de solicitação/justificativa de contrato (fls. 244/245), contrato de prestação de serviço e outras avenças (fls. 246/249), regulamento da promoção (fls. 251/257), regulamento valebrinde e concurso (fls. 259/260), concurso (fls. 261/262), tabela com os premiados (fls. 264/265) e lista com nomes dos funcionários (fls. 266/334). Em 25/04/2014 foi emitido o Despacho de Diligência n° 3.340 devolvendo o processo em tela à DRF de origem para esta juntasse a intimação com a identificação dos beneficiários do programa de gerenciamento de premiação implementado através do cartão emitido pela Expertise Comunicação Total Ltda. Em resposta, a autoridade autuante informou que a intimação para identificação dos beneficiários dos cartões emitidos pela Expertise encontrase compreendida nas letras "a" e "b" do item 2.11 do Termo de Início do Procedimento Fiscal, fl. 39, na medida que no decorrer do procedimento fiscal restou caracterizado que os prêmios teriam sido pagos aos profissionais de vendas do contribuinte. O contrato firmado com a Expertise e apresentado pelo contribuinte relata, em seu item 1, letra "b", que o cartão incentivo foi instituído com a finalidade de ".. .promover as vendas da CONTRATANTE". Sabese que a tarefa de promover as vendas não é do consumidor e sim do agente que exerce a atividade de vendas. Além disso, a própria Expertise, em atendimento, à intimação da RFB, esclareceu que "... em linhas gerais, é contratada para desenvolver campanhas internas, com empregados, prestadores de serviços ou vendedores.". Ainda afirma que em nenhum momento se falou em consumidor. Nem mesmo o contribuinte, quando de sua manifestação perante o Termo de Início do Procedimento Fiscal, fez qualquer menção relativa aos critérios utilizado no programa de incentivo, bem como em relação ao público alvo. Cientificado, em 14/07/2014, do mencionado Despacho e do Relatório de Informação Fiscal, fls. 347/348, o sujeito passivo mantevese inerte. 1.2. Referido acórdão julgou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 Fl. 427DF CARF MF 4 REMUNERAÇÃO POR CARTÕES DE PREMIAÇÃO. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. A concessão de prêmios, pagos por via indireta, na forma de cartões de premiação, vinculados a resultados em campanhas de incentivo, produtividade e desempenho tem natureza remuneratória, integrando, por isso, o saláriode contribuição, sendo, conseqüentemente, devidas as correspondentes contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PEDIDO. INDEFERIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal, a prova documental será apresentada com a impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que haja motivo de força maior, ocorrência de fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, o que não ocorreu. 2. Interposto em 25/06/2009, o Recurso Voluntário (efls 367/397). 2.1. Depois de fazer breve síntese da exigência fiscal e da decisão recorrida (efls 370/372), diz que o entendimento da fiscalização se mostra equivocado, pois "os cartões de premiação, denominados Customer Card, foram distribuídos única e exclusivamente aos clientes da Recorrente como a própria denominação sugere, contemplados em sorteio decorrente de promoção devidamente registrada perante a Caixa Econômica Federal, portanto, não havendo que se falar no pagamento de salário ou remuneração indiretos e, por conseqüência, na existência de débitos de contribuição previdenciária" (efls 373). 2.2. Com relação ao lançamento diz: "O que se percebe, em realidade, foi a preocupação da Receita Federal em formalizar "qualquer espécie" de autuação fiscal em decorrência da investigação iniciada na empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda. antes da consumação da decadência, visto que a intimação da Recorrente se deu em 08.08.2013 em relação a fatos geradores supostamente praticados no mês de agosto de 2008." (efls 373) 2.3. Salienta as premissas que considera equivocadas na decisão de primeira instância reconhecer que os cartões de premiação teriam sido entregues aos profissionais de vendas do Recorrente, numa construção sem conexão com os elementos probatórios carreados aos autos, dado que a manifestação da empresa Expertise Comunicação Total Ltda. não permite tal ilação. 2.4. Nas razões dispostas no item 3, e nos subitens (efls 377/380) sustenta inexistir o elemento de conexão trabalho, labor da pessoa física, para incidência da contribuição previdenciária. 2.5. Sustenta que os cartões de premiação, denominados Customer Card, foram distribuídos apenas e tão somente aos clientes da Recorrente, contemplados na promoção de marketing Naturais Era Tudo que eu Queria. Cita e junta o contrato celebrado (documento n° 04 da Impugnação, referido no relatório da decisão de primeira instância). Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10803.720175/201378 Acórdão n.º 2301005.534 S2C3T1 Fl. 427 5 2.6. Ainda ao tempo da impugnação foi anexado o Regulamento "Promoção Avon Naturais Era tudo o que eu Queria" claramente afirma que serão contemplados os consumidores dos produtos AVON (documento n° 05 da Impugnação): 2.7. Diz, ainda (efls 386/387): Nesse diapasão, para que não restem dúvidas de que apenas os consumidores dos produtos AVON foram contemplados com o cartão Customer Card por forca da "Promoção Avon Naturais Era tudo o que eu Queria", razão pela qual não há que se cogitar do pagamento de salário indireto, a Recorrente acosta (i) a relação dos consumidores contemplados na promoção e (ii) o espelho da sua folha de salários do período em questão (documentos n° 07 da Impugnação). O simples cotejo da referida documentação atesta que nenhum empregado da Recorrente recebeu o cartão Customer Card, ou seja, apenas os consumidores dos produtos AVON foram contemplados com o cartão Customer Card por força da "Promoção Avon Naturais Era tudo o que eu Queria". 2.8. Cita decisão do CARF ao analisar processo versando sobre fatos semelhantes: Acórdão n° 2401002.664 Processo Administrativo n° 11330.000295/200783 Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Sessão em 29.09.2012). 2.9. Por fim,, formula o pedido para o Colegiado reformar o Acórdão n° 1147.437, para o cancelamento dos Débitos de Contribuição Previdenciária DEBCAD n°s 37.378.9947, 37.378.9955, 37.378.9963 e 37.378.9971, objeto deste processo administrativo, visto que os cartões de promoção de marketing denominados Customer Card destinaramse apenas aos consumidores dos produtos AVON, portanto, não havendo que se falar em pagamento de salário/remuneração indiretos. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 3. O recurso voluntário é tempestivo e preenche demais requisitos de admissibilidade. 4. Os Autos de Infração lavrados decorreram da premiação concedida pela autuada a seus empregados no período fiscalizado, através de créditos em cartões eletrônicos efetivados por intermédio da empresa EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA. 5. A parte controvertida da questão passa pela verificação do pretenso vínculo entre a Recorrente e as pessoas físicas contempladas na premiação, com lista nominal anexada às efls. 264/265. 6. Como se pode observar o "documento nº 07" (efls 263/337) da impugnação já apresentara um relação nominal das pessoas contempladas com o cartão "Customer Card" Fl. 429DF CARF MF 6 e um documento que denomina "espelho da folha de salários" referente ao período do lançamento. 7. Ao compulsar os autos, e detendonos na informação produzida pela autoridade fiscal (efls 347/348), antes da prolatação da decisão de primeira instância, depreendese que os documentos anexados pelo Recorrente ao tempo da impugnação, parecem não ter sido analisados. Isso porque a referida informação fiscal se circunscreveu a relacionar citações e informações colhidas durante a fase oficiosa do procedimento. 8. Ou seja, os documentos juntados ao tempo da impugnação, essenciais ao deslinde da questão controvertida (estabelecer se os pagamentos feitos por meio do Cartão Customer Card teriam sido feitos a clientes da contribuinte) não chegaram a ser examinados pelo Fisco e, ato subseqüente, foi prolatado acórdão de procedência total do débito. 9. Em nossa visão, o exame dos documentos anexados ao tempo da impugnação, destacadamente o "documento 07", o aprofundamento das pesquisas por meio dos sistemas informatizados à disposição dos auditoresfiscais da RFB (informações cadastrais da Pessoa Física, consulta de trabalhadores por meio dos sistemas previdenciários como o "Gfipweb"), já poderia ser suficiente para indicar com relativo grau de certeza, a existência ou não do vínculo (segurado obrigatório da Previdência Social, previsto no artigo 12, inciso I, da Lei nº 8.212/1991) entre as pessoas contempladas e a Recorrente. 10. No processo administrativo fiscal as causas de nulidade estão enumeradas nos incisos I e II do artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) 11. No caso dos autos, deve ser anulada a decisão de primeira instância pela falta de apreciação da questão controvertida em vista dos documentos anexados ao tempo da impugnação e que poderiam ser determinantes ao deslinde da questão central, acerca da natureza do pretenso vínculo das pessoas contempladas com a premiação e a ora Recorrente. Tratase de causa de nulidade fundamentada no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, com patente prejuízo ao direito de defesa do ora Recorrente. . Conclusão 12. . Voto pela anulação da decisão de primeira instância. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10803.720175/201378 Acórdão n.º 2301005.534 S2C3T1 Fl. 428 7 (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 431DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901136/2015-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1302-003.189
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.901127/2015-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente A.A.DE MELO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.901127/201546, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 36 /2 01 5- 37 Fl. 134DF CARF MF 2 Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão da decisão de primeira instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito informado em declaração de compensação, não se homologam as compensações vinculadas. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende compensar pagamento indevido/a maior de IRPJ. A declaração não foi homologada pela DRF/Piracicaba, pois o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois não foram apresentados os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e sequer provas, de forma a demonstrar que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Após ciência da decisão, foi apresentado recurso voluntário com as seguintes alegações: constataram erro na apuração dos impostos devidos em 2012, onde foram efetuados pagamentos a maior de IRPJ, sendo a diferença utilizada para compensar débitos de IRPJ e CSLL do ano de 2013. deixaram de apresentar as DCTF retificadoras, tendo como conseqüência que todos os pedidos foram indeferidos. afirma que possui o direito de compensar nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, aduzindo que as divergências foram corrigidas, motivo pelo qual requer o reconhecimento do direito creditório. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13888.901136/201537 Acórdão n.º 1302003.189 S1C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.180, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901127/2015 46, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.180): "O recurso é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. A recorrente reprisa suas alegações no recurso voluntário, afirmando que teria constatado erro no cálculo dos tributos devidos, mas que teria deixado de retificar as DCTF, fato que deu origem ao indeferimento do pedido. Para comprovar o seu direito creditório, apresentou planilha de cálculo e DCTF retificadora. Esta mesma defesa foi trazida na impugnação, analisada pela decisão recorrida, que não acatou as razões apresentadas pela ausência da demonstração do erro cometido, assim como falta de apresentação de provas. De fato, não basta alegar que pagou tributo a maior. Para comprovação do erro, seria necessário demonstrar como foi feita a primeira apuração, o que estaria incorreto, as retificações necessárias, com a nova apuração do tributo devido. A apresentação de DCTF retificadora, após a ciência da decisão negando o pedido, não se presta para comprovação do erro cometido e que teria efetuado recolhimento a maior. A recorrente chegou a elaborar planilha de cálculo onde informa a receita bruta, o tributo que seria devido, o valor pago e a diferença a maior. Mas a planilha, desacompanhada de qualquer elemento probatório que comprove os valores nela constantes, principalmente no que concerne à receita bruta, também não é suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, requisitos necessários previstos no artigo 170 do CTN. É importante salientar que a decisão recorrida apontou a insuficiência de provas trazidas aos autos, principalmente no que concerne os documentos contábeis e fiscais que respaldem a diferença existente entre o valor supostamente devido e do DARF recolhido." Fl. 136DF CARF MF 4 Pelo exposto, como não foi comprovada a certeza e liquidez do crédito que pleiteia, cujo ônus é da recorrente, voto por não dar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 137DF CARF MF
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Numero do processo: 16151.000069/2006-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2003
ATIVIDADE VEDADA. OBJETO SOCIAL. ATIVIDADE EFETIVA.
ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Após declarar uma atividade econômica vedada no CNAE, de acordo com seu ato constitutivo, cabe ao contribuinte o ônus de comprovar que não exerce tal atividade durante o período em que pretende optar pelo SIMPLES.
EFEITOS DA EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE.
No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de
2002. (Súmula CARF nº 56)
Numero da decisão: 1202-001.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 ATIVIDADE VEDADA. OBJETO SOCIAL. ATIVIDADE EFETIVA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Após declarar uma atividade econômica vedada no CNAE, de acordo com seu ato constitutivo, cabe ao contribuinte o ônus de comprovar que não exerce tal atividade durante o período em que pretende optar pelo SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE. No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. (Súmula CARF nº 56)
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LOPES ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 ATIVIDADE VEDADA. OBJETO SOCIAL. ATIVIDADE EFETIVA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Após declarar uma atividade econômica vedada no CNAE, de acordo com seu ato constitutivo, cabe ao contribuinte o ônus de comprovar que não exerce tal atividade durante o período em que pretende optar pelo SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE. No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. (Súmula CARF nº 56) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 00 69 /2 00 6- 43 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16151.000069/200643 Acórdão n.º 1202001.051 S1C2T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta e Meigan Sack Rodrigues. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16151.000069/200643 Acórdão n.º 1202001.051 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, contra os fatos resumidos no relatório do acórdão recorrido, o qual se adota, com a vênia do colegiado, abaixo: Trata o presente processo, formalizado em 07/02/2006, de exclusão do Simples, em razão da emissão, em 07/08/2003, do Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 486.260, tendo por situação excludente o exercício de atividade econômica vedada (evento 306 do CNPJ), relacionada ao CNAEFiscal 9211802 (Atividades de produção de filmes e fitas de vídeo, exceto estúdios cinematográficos), com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002 e data de ocorrência em 18/09/2000 (a interessada optou pelo regime na data de sua constituição, em 18/09/2000 – fls. 3 e 44). 2. A fundamentação legal foi amparada nos artigos 9º, inciso XIII, 12, 14, inciso I, e 15, inciso II e § 3º, da Lei nº 9.317, de 05/12/1996; art. 73 da Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001; artigos 20, inciso XII, 21, 23, inciso I, 24, inciso II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 250, de 26/11/2002. 3.Consignouse, ainda, no art. 2º do ADE em comento, que a exclusão do Simples surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.317/1996, e suas alterações posteriores. 4. Cientificada do ADE em 26/08/2003 (fl. 4), inicialmente a interessada apresentou, em 23/09/2003, a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS – fls. 1 e 2, acompanhada de anexos às fls. 3 a 24), com a alegação de que desenvolve a atividade de produção de filmes e fitas de vídeo, que no seu entendimento não encontra óbice no regime simplificado (fl. 23). 5. A solicitação foi considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, em despacho exarado em 15/12/2005, nos seguintes e exatos termos: “ADE Nº 486.260 (10) – EXCLUSÃO MANTIDA por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado. Os documentos que instruíram esta solicitação são insuficientes para demonstrar que a CNAE informada no Cadastro não correspondia à atividade mencionada nos estatutos sociais. A alteração de atividade foi feita APÓS a exclusão.” 6. Cientificada do indeferimento em 30/12/2005 (fl. 27 verso), a requerente apresentou manifestação de inconformidade em 17/01/2006 (razões às fls. 28 a 36 e anexos às fls. 37 a 41). Alega, em síntese, que: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16151.000069/200643 Acórdão n.º 1202001.051 S1C2T2 Fl. 5 4 6.1. O Contrato Social da recorrente consigna que suas atividades consistem em produção e comércio de fitas de vídeo. 6.2.A produção e comércio (montagem e venda) de fitas de vídeo, atividade desenvolvida pela empresa, não guarda nenhuma relação com os serviços prestados por produtor de filmes e fitas de vídeo, tampouco produção de filmes e fitas de vídeo. 6.3.Tal atividade consiste em montagem de fitas de vídeo (a peça e não o filme) e sua venda. 6.4.O CNAE 9211802 (Atividades de produção de filmes e fitas de vídeo, exceto estúdios cinematográficos) foi o único aceito pela RFB, pois não havia um CNAE específico para montagem de fitas de vídeo. 6.5.A Solução de Consulta nº 757/1997, publicada em 07/11/1997 pela Superintendência Regional da Receita Federal na 6ª Região Fiscal, se relaciona perfeitamente ao caso vertente tendo em vista que sua ementa registra que a pessoa jurídica que explora a atividade de prestação de serviços de filmagem para vídeos, produções, gravações, fotografias e compra e venda de equipamentos não está impedida de aderir ao Simples (transcreve a referida Solução de Consulta à fl. 29). 6.6.Na mesma linha dispõe a Decisão em processo de consulta nº 04/2001, publicada em 14/05/2001 pela Superintendência Regional da Receita Federal na 6ª Região Fiscal, que assevera que produtora de vídeos pode optar pelo Simples, desde que atenda as demais exigências da legislação de regência (transcreve a supracitada Decisão à fl. 29). 6.7.Embora a Solução de Consulta somente vincule a consulente, não tendo efeito erga omnes, o entendimento da RFB em relação à opção pelo Simples não pode ser alterado de acordo com o que lhe é conveniente. Assim, uma vez divulgado pela RFB que a atividade exercida pela contribuinte encontrase no rol daquelas que possuem o direito à opção e permanência na sistemática em questão, não há que se falar em desenquadramento. 6.8.A atividade exercida pela empresa não está prevista nas vedações elencadas na Lei nº 9.317/1996; assim, não há base legal que fundamente a sua exclusão do Simples. 6.9.O ato de exclusão em comento afrontou diretamente o princípio da legalidade tributária previsto no art. 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988, tendo em vista que a União somente pode majorar tributos com amparo na Lei, nunca por meio de ato de exclusão (transcreve o dispositivo constitucional à fl. 29 e doutrina de Roque Antonio Carraza e Hugo de Brito Machado às fls. 32 e 33). 6.10.Portanto, a exclusão do Simples por ADE, fato que gera indiscutível aumento de carga tributária, afronta o supracitado princípio da legalidade. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16151.000069/200643 Acórdão n.º 1202001.051 S1C2T2 Fl. 6 5 6.11.O lançamento suplementar perpetrado carece de respaldo no ordenamento jurídico brasileiro, sendo descabidas as exigências dele decorrentes, por descumprirem o disposto no art, 150, inciso I, da CF/1988. 6.12.De acordo com a última alteração conduzida pelo art. 73 da Medida Provisória nº 2.15834/01, o art. 15 da Lei nº 9.317/1996 dispõe que a exclusão do Simples, nas condições de que tratam os arts. 13 e 14, surtirá efeito a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º, da Lei nº 9.317/1996 (transcreve o dispositivo legal à fl. 34). 6.13.Cabe destacar que tal alteração não produzirá efeito até o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, 1 de janeiro de 2002. 6.14.O aumento da carga tributária deve obedecer ao princípio constitucional da anterioridade, de forma que somente produzirá efeitos no ano seguinte àquele em que a tributação foi majorada. Assim, a ocorrência de situação excludente antes de 01/01/2002 não ensejará a cobrança de impostos até a referida data. 6.15.No caso da cobrança de impostos a partir de 01/01/2002, como pode a RFB cobrálos se até o momento aceitou o pagamento na sistemática simplificada ? 6.16.É evidente que esse direito não cabe ao Fisco, pois o pagamento pelo Simples durante o período questionado implica em aceitação tácita da União, não subsistindo o direito do ente público em exigir o recolhimento dos impostos de maneira mais onerosa, com o acréscimo de multa e juros. 6.17.Não há que se permitir tal absurdo, pois o contribuinte não pode ser penalizado em razão da morosidade do ente administrativo, tampouco ser compelido a recolher valores que a RFB entende como devidos, adicionados a juros e multa do período. 7.Ao final postula que seja declarada suspensa a exigibilidade do crédito, nos termos do art. 16 da Lei nº 9.317/1996, até o julgamento final da presente lide. A DRJ decidiu nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 PRODUTOR DE FILMES. VEDAÇÃO. Está impedida de usufruir a sistemática do Simples a pessoa jurídica que produzir filmes e fitas de vídeo, por essa atividade estar equiparada à produção de espetáculos. Não havendo provas suficientes nos autos que possibilitem a desconstituição Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16151.000069/200643 Acórdão n.º 1202001.051 S1C2T2 Fl. 7 6 do indicado em sua Declaração de Firma Individual, correta a emissão do ato de exclusão. EFEITOS DA EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. A pessoa jurídica que optou pelo SIMPLES até 27/07/2001, e foi excluída por atividade econômica vedada a partir de 2002, tem o efeito da exclusão retroagido para 01/01/2002, na hipótese de situação excludente ocorrida até 31/12/2001. Cientificada da decisão, em 21/01/2010 (fl.64), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário ao CARF, em 12/02/2010 (fls.65 e ss.), alegando as mesmas razões apresentadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16151.000069/200643 Acórdão n.º 1202001.051 S1C2T2 Fl. 8 7 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e assente em lei, sendo conhecido. Da exclusão do SIMPLES A exclusão do SIMPLES se deu com fundamento no inciso XIII do art. 9º, da Lei nº 9.317/96, que dispõe: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII – que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida;”(destacouse) Vale lembrar que a legislação do SIMPLES, por regular um benefício fiscal, deve ser interpretada restritivamente, à luz do art. 111 do CTN. A recorrente alega que a atividade desenvolvida pela empresa é a produção e comércio (montagem e venda) de fitas de vídeo, o qual se distingue dos serviços de produção de filmes e fitas, consideradas vedadas ao SIMPLES. Segundo ela, teria havido um erro no enquadramento do CNAE. Sobre o motivo da exclusão, assim se manifestou a DRJ: 24.Alega a defendente que a produção e comércio (montagem e venda) de fitas de vídeo, atividade desenvolvida pela empresa, não guarda nenhuma relação com os serviços prestados por produtor de filmes e fitas de vídeo, tampouco produção de filmes e fitas de vídeo, esclarecendo que tal atividade consiste em montagem de fitas de vídeo (a peça e não o filme) e sua venda. 25.Ressaltese que não restou evindenciado nos autos que a empresa presta exclusivamente serviços de montagem de fitas de vídeo (a peça e não o filme, atividade que permitiria a sua permanência no Simples), o que poderia ser provado por meio de um conjunto de Notas Fiscais que abarcasse um período Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16151.000069/200643 Acórdão n.º 1202001.051 S1C2T2 Fl. 9 8 completo de faturamento (na seqüência correta), Contratos de prestação de serviços eventualmente firmados, etc. 26.Assinalese que na Declaração de Firma Individual, particularmente no que tange ao objeto social, domina a vontade do contribuinte, chancelada, a propósito, por ato de terceiro desinteressado, isto é, pelas repartições públicas do Registro do Comércio ou do Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Significa isto que a D.F.I é meio de prova vigoroso para efeito de mais precisa aproximação sobre a real atividade desempenhada pela interessada. Não se precisaria dizer, mas uma coisa é o que vai escrito, documentado, e outra, bem diferente, é aquilo que realmente sucede na realidade objetiva. Pelo menos, isto é uma possibilidade (de descompasso entre o documentado e o real objetivo). De fato, após declarar uma atividade econômica vedada (CNAE 92118/02: Atividades de produção de filmes e fitas de vídeo, exceto estúdios cinematográficos), cabe à recorrente o ônus de comprovar que não exerce tal atividade, a teor do art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário. Decisões de consulta apenas vinculam o próprio consulente, não podendo ser estendidas para outros contribuintes. A análise de cada caso concreto é que vai determinar se cabe ou não a opção pelo SIMPLES. Diferentemente da solução de consulta apresentada na fase recursal, cuja conclusão derivou da prova dos respectivos autos, compulsandose os autos deste processo, não se verifica a comprovação da efetiva prestação exclusiva de serviços de montagem e confecção do objeto fita de vídeo, como alega a recorrente. Para tanto, bastaria juntar o conjunto completo e sequencial das notas fiscais emitidas no período em que pretendia se manter no SIMPLES, o que não ocorreu em nenhum momento. Inexiste nos autos qualquer início de prova que permitisse aos julgadores vislumbrar a possibilidade de enquadrar a recorrente no SIMPLES. Diante da ausência de elementos comprobatórios, descabe reformar o ato declaratório de exclusão. Dos efeitos da exclusão A recorrente também questiona sua exclusão com efeitos retroativos a 01/01/2002. Sem razão, contudo. Vigorava, à época da exclusão, o art.15, inciso II, da Lei nº 9.317/96, com a redação dada pelo art. 73 da MP nº 215834, de 27/07/2001, determinando que a exclusão se dava com efeitos retroativos à data da situação excludente, abaixo: Art. 73 O inciso II do art. 15 da Lei nº 9.317, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: (...) Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16151.000069/200643 Acórdão n.º 1202001.051 S1C2T2 Fl. 10 9 II – a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º; (destacouse) Assim, como bem observou a decisão recorrida, considerando que a opção pela sistemática do SIMPLES é válida para o ano todo, a exclusão com efeitos retroativos, inserida no ordenamento jurídico, para o presente caso, em julho de 2001, somente poderá surtir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido em data anterior, como no caso concreto. Nesse sentido, está pacificada a jurisprudência do CARF, nos termos da Súmula CARF nº 56: No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Ante o exposto, negase provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 13161.001369/2007-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.562
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 13 69 /2 00 7- 13 Fl. 681DF CARF MF 2 É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13161.001369/200713 Acórdão n.º 9303007.562 CSRFT3 Fl. 565 3 tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Fl. 683DF CARF MF 4 Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.263, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que: · Por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925; · Por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito; · Pelo voto de qualidade, negou provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero; · Por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais; · Por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo; · Por maioria de votos, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita; · Por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento. O Colegiado a quo, assim, consignou a seguinte ementa: Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13161.001369/200713 Acórdão n.º 9303007.562 CSRFT3 Fl. 566 5 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. Fl. 685DF CARF MF 6 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13161.001369/200713 Acórdão n.º 9303007.562 CSRFT3 Fl. 567 7 sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de adubos, fertilizantes, corretivos e sementes; (iii) previsão legal para a incidência da Selic. Em Despacho às fls. 619 a 629, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Irresignado com o exame de admissibilidade, o sujeito passivo interpôs Agravo, expondo as divergências dos arestos recorrido e indicados como paradigma por matéria, requerendo a admissibilidade de todos os pontos do Recurso Especial propostos. Em Despacho às fls. 655 a 662, o agravo foi acolhido para dar seguimento ao Recurso Especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e mercadorias entre estabelecimentos”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes)” e “correção dos créditos pela taxa Selic”. Fl. 687DF CARF MF 8 Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente Fl. 688DF CARF MF Processo nº 13161.001369/200713 Acórdão n.º 9303007.562 CSRFT3 Fl. 568 9 [...] Essa fundamentação alcança as três matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero (fertilizantes e sementes); 2) correção dos créditos pela taxa SELIC O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma Fl. 689DF CARF MF 10 divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às três matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Vale o registro de que a essa mesma conclusão, de comprovação da divergência com respeito a essas três matérias, chegou o mesmo Presidente da Terceira Câmara ao analisar diversos outros dentre aqueles 56 processos da empresa acima mencionados, cujos recursos especiais traziam, quanto a elas, os mesmos paradigmas e tinham a mesma redação. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 13161.001369/200713 Acórdão n.º 9303007.562 CSRFT3 Fl. 569 11 Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos"; "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero (fertilizantes e sementes)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC" Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: Fl. 691DF CARF MF 12 · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda Fl. 692DF CARF MF Processo nº 13161.001369/200713 Acórdão n.º 9303007.562 CSRFT3 Fl. 570 13 quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matéria prima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303 005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303 006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303 006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303006.111, 9303005.135, 9303 005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303 005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Fl. 693DF CARF MF 14 Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 13161.001369/200713 Acórdão n.º 9303007.562 CSRFT3 Fl. 571 15 Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a Fl. 695DF CARF MF 16 apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13161.001369/200713 Acórdão n.º 9303007.562 CSRFT3 Fl. 572 17 Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Fl. 697DF CARF MF 18 Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13161.001369/200713 Acórdão n.º 9303007.562 CSRFT3 Fl. 573 19 As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): Fl. 699DF CARF MF 20 “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13161.001369/200713 Acórdão n.º 9303007.562 CSRFT3 Fl. 574 21 b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o Fl. 701DF CARF MF 22 produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13161.001369/200713 Acórdão n.º 9303007.562 CSRFT3 Fl. 575 23 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade Fl. 703DF CARF MF 24 do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13161.001369/200713 Acórdão n.º 9303007.562 CSRFT3 Fl. 576 25 operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Fl. 705DF CARF MF 26 E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13161.001369/200713 Acórdão n.º 9303007.562 CSRFT3 Fl. 577 27 Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: Fl. 707DF CARF MF 28 “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722779/2010-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1996 a 28/02/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL.
Auto de infração com insuficiência na indicação dos fundamentos legais da exigência está eivado de vício formal e não material, mormente quando o relatório fiscal descreve adequadamente a infração, com a devida fundamentação legal.
Numero da decisão: 9202-007.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL. Auto de infração com insuficiência na indicação dos fundamentos legais da exigência está eivado de vício formal e não material, mormente quando o relatório fiscal descreve adequadamente a infração, com a devida fundamentação legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 79 /2 01 0- 71 Fl. 383DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2403001.657, proferido na sessão de 16 de outubro de 2012, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1996 a 28/02/2001 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO ORIGINÁRIO POR VÍCIO MATERIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º ou do art. 173, I do CTN, a depender da antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal; assim como quando o lançamento substituir um lançamento considerado nulo por vício material. Recurso Voluntário Provido A decisão foi assim registrada: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso em face de decadência por quaisquer dos critérios estabelecidos no CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carolina Wanderley Landim. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Segundo o Relatório Fiscal (efls. 15 a 27) o lançamento objeto do processo destinase a formalização da exigência de “Contribuição Previdenciária DOS SEGURADOS QUE A EMPRESA DEVE RETER E RECOLHER AO INSS (Lei 8212/91 art 30 inciso I, letras “a” e “b”), devida por RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA e calculada por aferição indireta (...) na forma das legislações e normas instruídas no presente relatório fiscal”. E foi realizado com o objetivo de “restabelecer a exigência anulada por vício formal dos Lançamentos Fiscais constituídos pelas NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2) conforme ementa da 4ª CAJ – CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS”, conforme ementa: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” O recurso visa rediscutir as seguintes matérias: Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11080.722779/201071 Acórdão n.º 9202007.310 CSRFT2 Fl. 3 3 a) Limites da coisa julgada – possibilidade de reapreciação pela Turma a quo da natureza do vício que anulou o lançamento anterior, para fins de verificação da regra de contagem do prazo decadencial; b) Natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento, para fins de definição da regra de contagem do prazo decadencial. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional apenas em relação à matéria “b” Natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento, para fins de definição da regra de contagem do prazo decadencial. A decisão foi submetida à apreciação do Presidente do CARF, conforme determinava o art. 71, §3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, que ratificou a decisão. Em suas razões recursais, quanto à matéria que teve seguimento, a Fazenda Nacional aduz que o entendimento exarado pelo acórdão recorrido de que a falta de indicação da fundamentação legal do arbitramento enseja a anulação do lançamento por vício material não merece prosperar, pois se trata de mera irregularidade na exteriorização do lançamento; que da leitura do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1.972 percebese que a indicação do fundamento legal do arbitramento constitui aspecto formal do lançamento; que à luz da doutrina, que cita, um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensável à existência do ato; que no caso sob análise, entendeuse que houve deficiência na indicação do fundamento legal do arbitramento; que a infração tributária, todavia, restou devidamente evidenciada nas NFLDS, que também se fizeram acompanhar dos devidos documentos comprobatórios dos fatos ali noticiados; que essa é a jurisprudência do CARF. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 13/06/2014 (AR, efls. 301) o Contribuinte apresentou, em 01/07/2014 (Carimbo, efls. 303), tempestivamente, as Contrarrazões de efls. 303 a 312 no qual aduz, em síntese que “um ponto intransponível a obstar o conhecimento do presente recurso é o fato de que o acórdão recorrido acolheu a preliminar suscitada julgando procedente o recurso voluntário do contribuinte para aplicar a decadência total por qualquer critério do CTN”, nos termos do art. 67, § 2º do RICARF; que não restaram satisfeitos os pressupostos de admissibilidade; que, quanto ao mérito, aduz que a discussão sobre a contagem do prazo decadencial, embora relevante de maneira geral, não são essenciais ao deslinde da presente controvérsia, haja vista que o Recorrido não pode ser enquadrado como responsável solidário. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 385DF CARF MF 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Não procedem as objeções levantadas pela Contribuinte nas suas contrarrazões, simplesmente porque não se aplica ao caso em apreço a restrição do § 2º, do art. 67 do RICARF. O referido dispositivo trata de decisão que anule decisão de primeira instância, o que não se tem neste caso. Aqui, a decisão cuja nulidade foi declarada é a de segunda instância. No mais, restaram efetivamente demonstradas as divergências apontadas do recurso. Quanto ao mérito, registrese, inicialmente, que a autuação objeto do processo se deu em razão de deliberação contida no Acórdão nº 748TCUPlenário, proferida no processo nº 019.636/20051, que determinou a revisão de ofício dos acórdãos que anularam os débitos previdenciários, e de que a Receita Federal deveria proceder às correções formais, restabelecendo a exigência e emitindo novo relatório de Fundamentos Legais do Débito ao Contribuinte, de modo a sanar o vício que motivou a nulidade apontada. Transcrevo, por pertinente à matéria ora em discussão, excertos do voto condutor do acórdão do nº 748TCUPlenário: Como se observa no Relatório que precede a este Voto, o processo em questão teve origem em denúncia versando sobre possíveis irregularidades ocorridas na anulação de diversas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD, em todo o Brasil, pelo Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS. 2. Após ações de saneamento promovidas pela 4ª Secex, restou demonstrado que as anulações teriam ocorrido devido ao entendimento do CRPS de que faltou nas NFLD a indicação específica de normativo aplicável ao débito, prejudicando a ampla defesa do contribuinte. Baseouse, também, em dispositivo do Código Tributário Nacional CNT que impede o saneamento do débito após julgamento de primeira instância, razão pela qual mencionado Conselho teria concluído ser impossível salvar o débito, porque a falta cometida teria preterido o direito de defesa e comprometido a caracterização do fato gerador. [...] 5. Já o denunciante traz a tese de que tal razão não seria suficiente para anulação do lançamento, até porque os contribuintes sequer citam tal falta em seus recursos, e ainda, porque o artigo 33 da Lei 8.212/91 está indicado no relatório do fiscal e na capa do processo, só não havendo a indicação específica do § 3º (que diz que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou a sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF, podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário). Acrescenta ainda que a falta do dispositivo poderia ser reparada com o envio ao contribuinte de relatório aditivo informando sobre tal parágrafo. 6. Entendo ser razoável o posicionamento defendido pelo denunciante no parágrafo acima. De fato existem meios, inclusive previstos no regimento do Conselho, que permitem Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11080.722779/201071 Acórdão n.º 9202007.310 CSRFT2 Fl. 4 5 suprir a falta de indicação completa do fundamento legal do lançamento e com isso evitar anulações desnecessárias e prejudiciais à Previdência. Como visto, a existência do débito não foi contestada e nem questionada. A única falha existente nos lançamentos anulados era formal, não sendo, portanto, razoável a adoção da decisão pela simples anulação, enquanto cabível a opção pelo saneamento. 7. Da mesma forma foi inadequada a utilização do Código Tributário Nacional CTN (artigo 203 do CTN), pois o referido dispositivo é aplicável à Dívida Ativa, isto é, a débitos em cobrança judicial, que não é o caso dos processos submetidos à apreciação do CRPS, que é instância administrativa. 8. Quanto à alegada impossibilidade de salvar o débito lançado, como visto, também não se sustenta. Nos casos em questão seria possível, sim, o saneamento dos processos, vez que não há vedação expressa ao encaminhamento posterior de relatório aditivo que indique termo faltante ao processo original. A anulação, nos termos das normas que regem o processo administrativo, somente se dá quando ocorre uma nulidade absoluta, a exemplo da lavratura de ato por pessoa incompetente, cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, nãoobediência à forma prescrita em lei, mesmo assim nos casos em que o ato, se realizado de outro modo, não alcançar a finalidade, o que não ocorreu na hipótese ora em análise. [...] 18. Como visto na instrução à fl. 325, a unidade técnica propôs “que fosse determinado ao CRPS e à SRFB que, de modo a evitar a anulação definitiva dos débitos, com vistas a evitar prejuízos para a Administração, em respeito aos princípios constitucionais da eficiência, economicidade e legalidade, procedam, conjuntamente, ao saneamento dos processos listados nas fls. 71/102 e outros cujos débitos também tenham sido anulados pela falta do termo “§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91” no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, mediante os seguintes procedimentos: a) O CRPS, utilizandose da prerrogativa do artigo 53, § 1º, do Regimento Interno, bem como dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, recepcionado com força de lei, reverta as anulações e converta os processos em diligências; b) A SRFB proceda às correções formais quanto à inclusão do normativo aplicável e apresente novo relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD ao contribuinte, de modo a elidir a falha formal causa das anulações.” 19. Quanto à adequação da proposta, cabe inicialmente salientar que o CRPS é instância recursal administrativa, integrante da estrutura do Ministério da Previdência Social MPS, a qual compete decidir, em última instância, sobre Fl. 387DF CARF MF 6 recursos de interesse dos beneficiários e contribuintes do Regime Geral da Previdência Social. 20. Sendo órgão administrativo colegiado, suas deliberações são imputadas ao corpo deliberativo e não a cada qual de seus componentes. Suas decisões são terminativas na esfera administrativa. Apesar dessas características, não resta afastado o constitucional mister do TCU para exercer sobre o órgão a fiscalização de atos que envolvam recursos públicos federais ou qualquer procedimento que possa causar dano aos cofres públicos federais. 21. Partindo da análise dos princípios constitucionais envolvidos, observase que compete ao Tribunal de Contas da União não somente a proteção do Erário por danos diretos ou indiretos. Competelhe, também, ainda que não isoladamente, a guarda dos princípios da legalidade, da legitimidade, da moralidade e da economicidade (art. 37, cabeça, c/c os arts. 70 e 71 da Constituição Federal). [...] 24. Ante essas considerações, entendo pertinente acolher a proposta da unidade técnica quanto à determinação a ser efetivada ao CRPS e à SRFB para que procedam, conjuntamente, ao saneamento dos processos listados nas fls. 71/102 e outros cujos débitos também tenham sido anulados pela falta do termo “§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91” no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD. 25. No entanto, entendo pertinente realizar pequeno ajuste no que tange aos fundamentos da deliberação, visto que não se sustenta a proposta para que o próprio órgão proceda a anulação utilizandose das prerrogativas previstas nos os artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, visto que as deliberações cuja anulação se pretende foram adotadas pelo colegiado administrativo competente por provocação da parte passiva no exercício do contraditório e ampla defesa (esfera recursal). 26. O mais razoável é a utilização da competência deste Tribunal para o exercício do controle administrativo da legalidade dos atos praticados pelo CRPS, visto que restou comprovado que houve ilegalidade e lesão à Administração, podendo, portanto, este Tribunal, no exercício de sua função corretiva, assinalar prazo para que o Conselho em questão adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei (art. 45 da Lei nº 8.443, de 16 de julho de 1992), revertendo as anulações efetivadas e convertendo os processos em diligências, utilizandose da prerrogativa do artigo 53, § 1º, do Regimento Interno daquele conselho. 27. Acolho, também, a proposta no sentido de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB proceda às correções formais quanto à inclusão do normativo aplicável e apresente novo relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD ao contribuinte, de modo a elidir a falha formal causadora das anulações. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11080.722779/201071 Acórdão n.º 9202007.310 CSRFT2 Fl. 5 7 Registrese, todavia, que, atendendo a pedido de reconsideração interposto pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, foi proferido pelo TCU o Acórdão nº 2474/2010, na sessão de 22/09/2010, com o seguinte teor: ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão Plenária, com fundamento no art. 48 da Lei n° 8.443/1992 e diante das razões expostas pelo relator, em: 9.1. conhecer do presente pedido de reexame para, no mérito, darlhe provimento, de modo a tornar insubsistentes os subitens 9.2, 9.3 e 9.5 do Acórdão nº 748/2008TCUPlenário; 9.2. manter em seus exatos termos os demais itens da deliberação recorrida; 9.3. dar ciência do inteiro teor deste acórdão, acompanhado do relatório e do voto que o fundamentam, ao recorrente e à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Eis os itens tornados insubsistentes pela decisão: “9.1. conhecer da denúncia, uma vez que atende aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 235 do Regimento Interno do TCU; 9.2. com fundamento no art. 71, inciso IX, da Constituição Federal e art. 45 da Lei nº 8.443, de 16 de julho de 1992, fixar o prazo de 90 (noventa) dias para que o Conselho de Recursos da Previdência Social e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, em respeito aos princípios constitucionais da eficiência, economicidade e legalidade, procedam, conjuntamente, ao saneamento dos processos listados no Anexo 1 deste Acórdão e outros processos cujos débitos também tenham sido anulados pela falta do termo ‘§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91’, utilizandose da prerrogativa do artigo 53, § 1º, do Regimento Interno do CRPS; 9.5. determinar ao Ministério da Previdência Social a abertura de procedimento administrativo visando a apurar responsabilidades pela anulação indevida dos débitos apontados neste processo; No pedido de Reconsideração do CRPS alegou, dentre outras razões, o seguinte: 5.14. As causas que comprometem a validade do lançamento não são exclusivamente as indicadas no art. 59 do Decreto 70.235/72, segundo declarado pelo Manual do Contencioso e consoante algumas decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (fls. 76/78, anexo 4). A doutrina também entende que deva ser decretada a nulidade do lançamento quando ausentes os seus pressupostos de validade. A jurisprudência judicial igualmente oferece proteção ao entendimento adotado pelo CRPS, declarando a nulidade de Fl. 389DF CARF MF 8 CDAs desprovidas dos requisitos de validade, um dos quais o fundamento legal. 5.15. As decisões do CRPS não feriram o princípio da legalidade nem acarretaram prejuízo ao erário. Se o Relatório de Fundamento Legal é o elemento que “alimenta” a CDA, no que concerne aos fundamentos legais da notificação, então a ausência de um dispositivo essencial no relatório viciaria a CDA. A unidade julgadora, buscando evitar custos desnecessários a título de sucumbência judicial, decidiu anular os lançamentos. 5.16. Não houve prejuízo ao erário, pois a maioria das notificações já foram refeitas, sendo certo que o tempo dispensado nessas novas ações fiscais é mínimo, haja vista todos os dados já estarem armazenados, bastando, apenas, a inclusão do fundamento legal correto. 5.17. As decisões de nulidade por vício interrompem o prazo decadencial, conforme preceitua o art. 45, II, da Lei 8.212/91. Assim, o fisco detém novo prazo decadencial para lavrar nova notificação fiscal corrigindo o equívoco incorrido no lançamento original. 5.18. A maioria dos processos já foi refeita ou não pode ser refeita, pelo fato de alguns deles estarem enquadrados em impedimentos, como é o caso da não caracterização de solidariedade decidida pelo Parecer AGU 055/2006. 5.19. Como grande parte das notificações anuladas já foi substituída por novos lançamentos com a devida correção do vício formal, na hipótese de haver o “saneamento” dos lançamentos originários, tramitarão dois processos distintos para o mesmo fato gerador, o que é repudiado pelo ordenamento jurídico pátrio. 5.20. Ainda que as decisões da unidade julgadora não retratassem a melhor interpretação jurídica a respeito do assunto, esgotada a instância administrativa, o acórdão deveria ter sido cumprido pelo INSS/SRP, a teor do art. 57 do Regimento Interno do CRPS (Portaria MPS 88/2004) e do art. 308, § 2º, do Decreto 3.048/99. O cumprimento das decisões do CRPS, imediatamente e em todos os casos mencionados no acórdão recorrido, evitaria qualquer eventual imputação de dano. Por sua vez, em sua razões de decidir o Relator aduz o seguinte: 10. Quanto ao mérito da matéria de fundo em si, assiste razão ao CRPS, pois, conforme apropriadamente aponta a Serur, embora as decisões que deram ensejo ao Acórdão ora combatido, não representarem, a priori, a “melhor solução jurídica”, não foram frontalmente ilegais, vez que tomadas nos limites interpretativos permitidos pelos normativos então vigentes. [...] 15. Contudo, como afirma a Serur, “(...) a pacificação do assunto após a Consulta 696 (1ª instância) e o Enunciado 29 (2ª instância) não significa que tenham sido ilegais as decisões Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11080.722779/201071 Acórdão n.º 9202007.310 CSRFT2 Fl. 6 9 anteriores que manifestaram entendimento diverso” pois, ao anularem os lançamentos questionados por esta Corte, os Conselheiros do CRPS observaram, a rigor, o que prescreve o art. 202, inciso III, do Código Tributário Nacional, o qual determina que a Certidão de Dívida Ativa contenha a disposição de lei que fundamente o crédito tributário. 16. Assim, considerando a limitação do sistema informatizado, que não permitia lançar o citado fundamento legal (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991), não seria possível emitir uma CDA livre de vício, que a macularia no âmbito judicial. Ademais, embora esse vício pudesse ser sanado até o julgamento de 1ª instância na esfera judicial (art. 203 do CTN), entendo, assim como a Serur, ser razoável tomar providências para corrigilo ainda na esfera administrativa, para evitar a dependência da Procuradoria Federal. 17. Demais disso, vejo que, para demonstrar o quanto a matéria em exame era controversa – tanto que originou a mencionada Consulta 696 e o referido Enunciado 29, o que, per si, já é razão suficiente para dar provimento ao presente recurso –,o recorrente apresenta em seu pedido de reexame lançamentos tributários idênticos aos ora questionados, não só no âmbito do CRPS, mas também na 1ª instância do fisco previdenciário, conforme demonstram algumas DecisõesNotificações anexadas às fls. 37/52 e 59/63, anexo 4. Ante o exposto, acompanhando a manifestação da Secretaria de Recursos, VOTO por que este e. Tribunal Pleno aprove o Acórdão que ora submeto à sua consideração. Enfim, o que se tem configurado é que o CRPS declarou a nulidade de autuações por vicio formal insanável em razão de incompletude na fundamentação legal da autuação, mais especificamente pela ausência na fundamentação legal da exigência da menção ao § 3º do art. 33, da Lei nº 8.212, de 1991; que o TCU, embora tenha acolhido inicialmente a denúncia de irregularidade dos Acórdãos nºs 2.338/2005 e 2.339/2005, que declararam a nulidade dos lançamento e determinado sua reparação, acolheu posteriormente pedido de reconsideração da CRPS sob o fundamento de que o procedimento daquele Colegiado tinha amparo nas normas que disciplinavam o processo administrativo e de que providências já haviam sido tomadas para a recomposição da exigência das contribuições. Cumprenos, portanto, considerado o quadro descrito acima, e ultrapassada a questão dos efeitos da coisa julgada administrativa matéria que não teve seguimento decidir se o vício que ensejou a declaração da nulidade dos lançamentos originais pelo CRPS era formal ou material. Entendeu o Recorrido que se trata de vício material, pois “os lançamentos originários ocorreram sem a devida fundamentação legal, não atendendo, por conseguinte, a legislação tributária, inclusive o direito de defesa da Recorrente”, e que a fiscalização não informou ao contribuinte a fundamentação legal para embasar o arbitramento”. Ora, que há uma irregularidade no lançamento, caracterizada pela imprecisão/insuficiência na fundamentação legal da exigência é fato incontroverso e o acórdão que declarou originalmente a nulidade do lançamento o fez em razão deste. O que se discute é se esse defeito configura vício formal ou material. O acórdão do antigo CSRF declarou a Fl. 391DF CARF MF 10 nulidade por vício formal, conforme consta de sua ementa e posteriormente corroborado pela manifestação apresentada perante o Tribunal de Contas da União. Conforme extensamente referido, o vício consiste na ausência, na fundamentação legal da autuação, da referência ao § 3º do art. 33, da Lei nº 8.212, de 1991, que na redação em vigor à época previa o seguinte: Art. 33 [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Ocorre que, se é certo que se o referido dispositivo não foi mencionado na especificação dos dispositivos legais que fundamentaram a autuação, o foi na descrição dos procedimentos adotados pela fiscalização. Confirase: DA SITUAÇÃO ENCONTRADA E DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS 5. Relacionamse abaixo, por levantamento fiscal específico, a situação e os procedimentos adotados: I ( ... )* II – Levantamento: “SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999”: Foi solicitada pela Auditoria Fiscal a relação de contratos de obras de construção civil realizados pelo Banco do Brasil a partir de MAIO de 1995, assim como os respectivos processos físicos. Em resposta ao pedido, a Instituição Financeira informou que os dados referentes aos contratos de construção/reforma/acréscimo, bem como as respectivas parcelas de pagamento, notas fiscais/faturas/recibos, são cadastrados no sistema informatizado SISPAG, fato comprovado pela Auditoria Fiscal através da confrontação das informações contidas no SISPAG com a documentação física dos processos. Nesse contexto, utilizaramse as informações contidas nesse sistema subsidiariamente nos casos de apresentação deficiente dos documentos solicitados, conforme determina o §3o, do art.33, da Lei no 8.212/91. (destaquei) Não é certo, portanto, afirmar que o procedimento adotado pela fiscalização não se baseou em fundamento legal ou sequer que os autuados não foram informados desse fundamento. Houve sim, falha na reprodução desse dispositivo legais, como se fez com outros dispositivos legais, no capítulo o próprio da fundamentação legal. Tratase, sem dúvida, de vício de natureza formal, pois localizado na exteriorização do ato, no substrato do instrumento de autuação, na sua forma, enfim. Também não se cogita de cerceamento de direito de defesa, posto que os autuados foram plenamente cientificados do procedimentos adotado e de seus fundamentos e tanto é assim que a contribuinte pode exercitar o contraditório com desenvoltura. E não é desprezível o fato de que, Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11080.722779/201071 Acórdão n.º 9202007.310 CSRFT2 Fl. 7 11 em momento algum, a contribuinte arguido cerceamento de direito de defesa ou mesmo dificuldade no exercício desse direito em razão desse defeito do instrumento de autuação. Pareceme, pois, inadequado o acórdão recorrido invocar cerceamento de direito de defesa quando a própria parte não denunciou o prejuízo ao exercício desse direito. Ao contrário, demonstra conhecer os fundamentos da autuação e exerce plenamente o direito ao contraditório. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento para afastar a decadência declarada pelo acórdão recorrido, devendo o processo retornar à instância a quo par analise do mérito. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 393DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.000256/2008-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
TEMPESTIVIDADE.
São tempestivos embargos de declaração opostos no prazo de cinco dias previsto no art. 65, Anexo II do RICARF.
TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. PARTE INTEGRANTE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
O Termo de Verificação Fiscal - TVF é parte integrante do Auto de Infração. Uma vez apresentado relatório pela autoridade fiscal, com descrição detalhada dos fatos, motivação objetiva e tipificação precisa das infrações, mero erro na transcrição do fato gerador em texto do Auto de Infração não altera a autuação fiscal. Deve prevalecer a descrição dos fatos, a tipificação das infrações e a identificação dos fatos geradores apresentada pelo TVF.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO.
Sem que seja verificada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, são rejeitados os embargos de declaração.
Numero da decisão: 9101-003.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração opostos pelo titular da Delegacia da Receita Federal de Uberlândia contra o Acórdão nº 9101-003.001, de 08 de agosto de 2017, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado), que não conheceram e por unanimidade de votos, acordam em rejeitá-los. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 TEMPESTIVIDADE. São tempestivos embargos de declaração opostos no prazo de cinco dias previsto no art. 65, Anexo II do RICARF. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. PARTE INTEGRANTE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O Termo de Verificação Fiscal TVF é parte integrante do Auto de Infração. Uma vez apresentado relatório pela autoridade fiscal, com descrição detalhada dos fatos, motivação objetiva e tipificação precisa das infrações, mero erro na transcrição do fato gerador em texto do Auto de Infração não altera a autuação fiscal. Deve prevalecer a descrição dos fatos, a tipificação das infrações e a identificação dos fatos geradores apresentada pelo TVF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. Sem que seja verificada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, são rejeitados os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração opostos pelo titular da Delegacia da Receita Federal de Uberlândia contra o Acórdão nº 9101003.001, de 08 de agosto de 2017, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 02 56 /2 00 8- 69 Fl. 3886DF CARF MF Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 9101003.886 CSRFT1 Fl. 3.887 2 Feitosa (suplente convocado) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado), que não conheceram e por unanimidade de votos, acordam em rejeitálos. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto. Relatório Tratase de processo julgado por esta Turma da CSRF, conforme acórdão n. 9101003.001, contendo a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. INADMISSIBILIDADE. Não há que se falar em divergência de interpretação da legislação tributária entre os acórdãos recorrido e paradigma quando envolvem situações fáticas distintas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Fl. 3887DF CARF MF Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 9101003.886 CSRFT1 Fl. 3.888 3 IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTAS ISOLADAS E DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 105. De acordo com a Súmula CARF n. 105, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 não pode ser exigida cumulativamente com a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, devendo subsistir apenas a segunda. A Procuradoria foi intimada de tal acórdão (3.786), como também o contribuinte Em prosseguimento, a unidade de origem elaborou informação fiscal (fls 3.806) em 01/02/2018 com cálculo dos valores remanescentes. O contribuinte foi intimado quanto ao acórdão acima citado, como também quanto aos cálculos em 08/02/2018. Diante disso, o contribuinte apresentou manifestação (fls. 3.824) na qual alega equívoco da unidade preparadora, requerendo o cancelamento da cobrança de multa isolada e a reconsideração dos cálculos elaborados pela unidade de origem. O chefe substituto da SAFIS / DRF Uberlândia, decidiu manter a exigência de multa isolada, rejeitando o pedido de reconsideração formulado pelo contribuinte. O contribuinte foi intimado desta decisão em 27/02/2018 (fls. 3.843) O contribuinte novamente peticionou, em 09/03/2018, na forma de recurso hierárquico ao Delegado da Receita Federal em Uberlândia. Assim, o processo foi remetido ao Delegado da RF (fls. 3.853) em 14/03/2018. Nesse panorama, e 15/03/2018, o Delegado da RF em Uberlândia apresentou embargos de declaração, em síntese, alegando: A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fundamento na Súmula CARF n.º 105, cancelou a exigência da multa isolada de forma concomitante com a multa de ofício, restando consignado na decisão que apenas a segunda penalidade poderia prevalecer. (...) Ocorre que no presente caso a multa isolada aplicada referese aos encargos de amortização de prêmio pago na subscrição de debêntures indevidamente deduzidos no período de janeiro a novembro de 2005 e glosados no procedimento de ofício, em relação aos fatos geradores incorridos no período de janeiro a novembro de 2005. Essa matéria tributável não foi objeto de lançamento de ofício de IRPJ/CSLL na apuração anual, pois o contribuinte reconheceu a sua indedutibilidade e adicionou na apuração do lucro real anual de 2005. A multa de ofício aplicada sobre o IRPJ/CSLL na apuração anual de 31/12/2005 referese a dedução indevida de despesas com utilização de aeronaves, fato esse distinto da matéria tributável sobre a qual incidiu a multa isolada de janeiro a novembro de 2005. Fl. 3888DF CARF MF Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 9101003.886 CSRFT1 Fl. 3.889 4 Assim, entendemos que, com base na Súmula 105 do CARF, a exclusão da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ/CSLL, quando há multa de oficio lançada na apuração anual do IRPJ/CSLL, somente se dá quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado no procedimento fiscal, o que, à evidência, não é o caso presente, no tocante ao encargos de amortização de prêmio pago na subscrição de debêntures indevidamente deduzidos no período de janeiro a novembro de 2005. Dessa forma, à vista da não concomitância dos fatos, deve ser mantida a cobrança da multa isolada de IRPJ e CSLL das competências de janeiro/2005 a novembro/2005, relativas aos encargos de amortização de prêmio pago na subscrição de debêntures indevidamente deduzidos e glosados no procedimento de ofício. Os Embargos de Declaração foram admitidos pela Presidente da CSRF, conforme decisão às fls. 3.870: Como visto no trecho acima transcrito, o Delegado de Uberlândia atesta que tomou ciência do acórdão em 14 de março de 2018 e que interpôs os embargos tempestivamente. Com efeito, consta no eprocesso a informação de que a peça recursal e a planilha de cálculo mencionada pela referida autoridade foram juntados em 15 de março, dentro, portanto, do prazo legal de cinco dias, razão pela qual os embargos devem ser considerados tempestivos. Nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), os embargos visam a sanar as omissões, contradições ou obscuridades verificadas entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos ou, ainda, as omissões do Colegiado acerca de ponto sobre o qual deveria se manifestar. O relato da autoridade embargante suscita obscuridade/omissão no acórdão, ao afirmar que não foi apreciada pelo Colegiado a circunstância de que parte das multas isoladas não é concomitante à multa de ofício, motivo que ensejou, inclusive, a cobrança desse valor do interessado, que, por seu turno, contra esta se insurgiu nas duas petições mencionadas (fls. 3.824 e 3.846). (...) Verificase que o fundamento para o afastamento da multa isolada utilizou como única referência o teor da Súmula 105 do CARF, o que nos leva a concluir que realmente caberia ao Colegiado pronunciarse sobre a tese de concomitância no caso em que não houve lançamento de ofício, como aduz a Embargante. Assim, assiste razão à Embargante quanto à matéria suscitada, posto que a Delegacia de Uberlândia afirma que parte do Fl. 3889DF CARF MF Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 9101003.886 CSRFT1 Fl. 3.890 5 lançamento relativo às multas isoladas não encontra simetria com as respectivas multas de ofício. Nesse contexto, pareceme relevante que o Colegiado se manifeste sobre o alcance do enunciado da Súmula 105 ou, alternativamente, apresente os fundamentos para a aplicação da tese de concomitância nas hipóteses em que somente se exige a multa isolada. Isso servirá, inclusive, para atender ao pleito do próprio contribuinte, que em suas petições questiona a exigência dos valores remanescentes de multas isoladas justamente em função do entendimento que lhes foi conferido pela delegacia encarregada de executar a decisão deste Conselho. Em síntese e conclusão, por todo o exposto, e com fulcro no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), ADMITO os embargos de declaração interpostos, para que seja sanada a questão relativa à possibilidade de aplicação da Súmula 105 nos casos em que não houve lançamento da multa de ofício. O processo foi, assim, a mim sorteado para julgamento dos citados aclaratórios. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora. O prazo para apresentação de embargos de declaração esgotase em 5 dias, nos termos do artigo 65, do RICARF (Portaria MF 343/2015), em redação atual, conferida pela Portaria MF nº 153, de 19/04/2018: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: V pelo titular da unidade de administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Em redação anterior, vigente ao tempo da apresentação dos embargos, o inciso V também previa que a possibilidade de oposição de embargos de declaração pelo "pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão". Fl. 3890DF CARF MF Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 9101003.886 CSRFT1 Fl. 3.891 6 Com efeito, os embargos de declaração, foram apresentados pelo Delegado da Receita Federal (unidade de origem) em 15/03/2018, tendo tal autoridade legitimidade para sua oposição. A despeito disso, entendo pela intempestividade destes embargos apresentados em 15/03/2018 , eis que em 01/02/2018 já consta dos autos informação fiscal da unidade de origem (fls 3.806). Concluise, portanto, que a unidade de origem titularizada pelo Delegado da Receita Federal desde 01/02/2018 tinha pleno conhecimento do acórdão proferido neste autos. Ressalto que o RICARF menciona a "unidade de administração tributária", na qual certamente está inserido o Chefe de Equipe de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Uberlândia que apresentou informaão acima referida. Diante disso, já em fevereiro a unidade de administração tributária teria conhecimento do acórdão desta Turma da CSRF e, assim, poderia apresentar embargos de declaração nas hipóteses do artigo 65. Em caso similar, embora com composição distinta, decidiu esta Turma da CSRF por não conhecer dos embargos de declaração da unidade de origem, opostos após o transcurso do prazo de 5 dias: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. São cabíveis embargos inominados, que não se sujeitam ao prazo de 5 (cinco) dias, na hipótese de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto ou erros de escrita ou de cálculo, nos termos do art. 66, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015). OMISSÃO, OBSCURIDADE E CONTRADIÇÃO. O saneamento de omissão, obscuridade ou contradição na decisão embargada só é possível quando interpostos embargos de declaração no prazo de 5 (cinco) dias. (acórdão 9101 002.216) Por tal razão, não conheço dos embargos de declaração, por sua intempestividade. Caso vencida no conhecimento, passo a apreciar o mérito. O Delegado da RF em Uberlândia apresentou embargos de declaração, em síntese, alegando: A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fundamento na Súmula CARF n.º 105, cancelou a exigência da multa isolada de forma concomitante com a multa de ofício, restando consignado na decisão que apenas a segunda penalidade poderia prevalecer. (...) Ocorre que no presente caso a multa isolada aplicada referese aos encargos de amortização de prêmio pago na subscrição de debêntures indevidamente deduzidos no período de janeiro a novembro de 2005 e glosados no procedimento de ofício, em Fl. 3891DF CARF MF Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 9101003.886 CSRFT1 Fl. 3.892 7 relação aos fatos geradores incorridos no período de janeiro a novembro de 2005. Essa matéria tributável não foi objeto de lançamento de ofício de IRPJ/CSLL na apuração anual, pois o contribuinte reconheceu a sua indedutibilidade e adicionou na apuração do lucro real anual de 2005. A multa de ofício aplicada sobre o IRPJ/CSLL na apuração anual de 31/12/2005 referese a dedução indevida de despesas com utilização de aeronaves, fato esse distinto da matéria tributável sobre a qual incidiu a multa isolada de janeiro a novembro de 2005. Assim, entendemos que, com base na Súmula 105 do CARF, a exclusão da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ/CSLL, quando há multa de oficio lançada na apuração anual do IRPJ/CSLL, somente se dá quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado no procedimento fiscal, o que, à evidência, não é o caso presente, no tocante ao encargos de amortização de prêmio pago na subscrição de debêntures indevidamente deduzidos no período de janeiro a novembro de 2005. Dessa forma, à vista da não concomitância dos fatos, deve ser mantida a cobrança da multa isolada de IRPJ e CSLL das competências de janeiro/2005 a novembro/2005, relativas aos encargos de amortização de prêmio pago na subscrição de debêntures indevidamente deduzidos e glosados no procedimento de ofício. Ressalto que consta do Auto de Infração de IRPJ o seguinte descritivo para o lançamento do tributo e multa de ofício: Valor apurado em decorrência da glosa de despesas com utilização de aeronaves (anoscalendário 2003, 2004 e 2005), glosa de despesas financeiras com encargos de juros (ano calendário 2003) e glosa de despesas com encargos de amortização (anocalendário 2004), conforme detalhado em Relatório Fiscal anexo, peça integrante do presente Auto de Infração (fls. 3.142 a 3.173). O Auto de Infração, portanto, deixa clara a exigência de IRPJ e multa de ofício sobre despesas com aeronaves quanto ao ano de 2005. O lançamento de multa isolada (conforme Autos de Infração) mencionam os períodos de apuração novamente mencionando que no ano de 2005 só teriam sido lançadas multas isoladas sobre as estimativas relacionadas à utilização de aeronaves (volume 16, pdf. 177 e 197): Falta de pagto do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de calculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, em decorrência da glosa de despesas com utilização de aeronaves (anoscalendário 2003, 2004 e 2005), glosa de despesas financeiras com encargos de juros (anocalendário 2003) e glosa de despesas com encargos de amortização (anocalendário Fl. 3892DF CARF MF Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 9101003.886 CSRFT1 Fl. 3.893 8 2004), conforme detalhado em Relatório Fiscal anexo, peça integrante do presente Auto de Infração (fls. 3.142 a 3.173). O Embargante sustenta que não haveria concomitância quanto aos meses de janeiro a novembro de 2005 relativamente aos encargos de amortização de prêmio pago na subscrição de debêntures. Assim, pede sejam seus embargos acolhidos para confirmar a exigência da multa isolada nesse período, que teria sido lançada sem concomitância com multa de ofício. Ocorre que o Auto de Infração somente descreve multa isolada no ano de 2005 quanto às despesas com aeronaves, havendo plena concomitância neste ponto da autuação, que legitima a aplicação da Súmula 105. Assim, não haveria qualquer vício no acórdão embargado. Noto uma contradição entre auto de infração e TVF (que menciona multa isolada quanto ao ano de 2005 não cumulada com multa de ofício despesa com prêmios de debêntures a despeito de tal exigência não constar do descritivo do Auto de Infração). Não obstante isso, os embargos de declaração a esta CSRF não são o meio adequado para corrigir incoerência no lançamento tributário. Com efeito, o Termo de Verificação Fiscal menciona a exigência de multa isolada e multa de ofício quanto a três infrações: (i) glosa de despesas com prêmio pago na subscrição de debêntures, quanto aos meses de fevereiro de 2004 a novembro de 2005 e (ii) glosa das despesas com encargos de juros, com exigência de multa isolada relativa aos meses de julho a dezembro de 2003; (iii) glosa de despesas com aeronaves, com multa isolada imposta no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005. Destacase trecho do TVF nesse sentido (volume 16, pdf 158): 2.3 — Da infração: 2.3.1 — Da glosa das despesas com encargos de amortização de ativo prêmio pago na subscrição de debêntures incorporado em processo de cisão parcial: (...) Portanto, resta cabalmente demonstrada a ilicitude da dedução das despesas de amortização do prêmio pela fiscalizada em relação a base de cálculo do IRPJ. E pelos mesmos fundamentos, tais despesas também se apresentam indedutíveis da base de cálculo da CSLL, a teor do previsto no art. 13, caput e inciso III, da Lei n° 9.249/95. Semelhante disposição também esta prevista no já transcrito art. 25 da IN SRF n. 11/96. Por todas as razões acima expostas, impõese o presente lançamento de oficio do IRPJ e da CSLL no anocalendário 2004, cumulado com aplicação de multa isolada no período de fevereiro de 2004 a novembro de 2005, tendo em vista a insuficiência de recolhimento dos referidos tributos, apurados com base em balancetes mensais de suspensão/redução, em decorrência da glosa das despesas com encargos de amortização, ressaltandose que no anocalendário de 2005, a partir do mês de dezembro, a empresa fiscalizada reconheceu a sua indedutibilidade, adicionandoas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. (...) Fl. 3893DF CARF MF Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 9101003.886 CSRFT1 Fl. 3.894 9 3.2 Da infração: 3.2.1 — Da glosa das despesas com encargos de juros incorridos em função de contratos celebrados em 07/07/2003 entre Arcom S/A e Arcom Participações Ltda., denominados "Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Divida com Anuência do Credor":(...) Destarte, extraise que as despesas relativas aos dispêndios com encargos de juros decorrentes do contratos de cessão e transferência de dividas, celebrados entre Arcom S/A e Arcom Participações Ltda. em 07/07/2003, são destituídos de causas econômicas reais e não encontram amparo em nenhum propósito negocial. Portanto, não constituemse em custos ou despesas operacionais dedutiveis, devendo as mesmas serem glosadas para efeito de determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ. Por todas as razões acima expostas, impõese o presente lançamento de oficio do IRPJ no anocalendário 2003, cumulado com aplicação de multa isolada no período de julho a dezembro de 2003, tendo em vista a insuficiência de recolhimento do IRPJ apurado com base em balancetes mensais de suspensão/redução, em decorrência da glosa das despesas com encargos de juros. (...) 4.2 Da infração: 4.2.1 Da glosa das despesas com aeronaves: (...) Não sendo dedutiveis na determinação do lucro real, as despesas com aeronaves deveriam ser adicionadas ao lucro liquido, conforme disposto na legislação retrocitada. Pelas razões acima expostas, impõese o presente lançamento de oficio do IRPJ e da CSLL correspondente aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, cumulado com aplicação de multa isolada no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, tendo em vista a insuficiência de recolhimento do IRPJ e CSLL apurados com base em balancetes mensais de suspensão/redução, em decorrência da glosa das despesas com aeronaves objeto de arrendamento mercantil. Nos termos do artigo 9º, do Decreto nº 70.235/1972, o Auto de Infração é o documento apto à constituição do crédito tributário. Assim, foi devidamente lançado o tributo conforme consta do auto de infração. Diante disso, entendo inexistir qualquer vício (omissão, obscuridade ou contradição) no acórdão recorrido. Assim, rejeito os embargos de declaração. Pondero que, à unanimidade, este Colegiado entendeu por rejeitar os embargos de declaração. A despeito da unanimidade quanto ao resultado, as conclusões de 5 (cinco) conselheiros da Turma, incluindo a Presidente, são distintas do voto desta Relatora apresentado à ocasião do julgamento. Assim, são sinteticamente consignadas tais razões no presente parágrafo, em observância ao artigo 63, § 8º, do Anexo II do RICARF (Portaria MF Fl. 3894DF CARF MF Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 9101003.886 CSRFT1 Fl. 3.895 10 343/2015)1. Com efeito, entenderam os Conselheiros, em entendimento predominante, que não haveria qualquer vício no acórdão embargado por duas razões: (i) a matéria devolvida ao Colegiado, por recurso especial, foi integralmente decidida; (ii) o Termo de Verificação Fiscal (TVF) é parte integrante do auto de infração. No caso concreto, em razão do apresentado pelo relatório da autoridade fiscal, com descrição detalhada dos fatos, motivação objetiva e tipificação precisa das infrações, restou evidenciado um erro de transcrição no auto de infração. Portanto, deve prevalecer a descrição dos fatos, a tipificação das infrações e a identificação dos fatos geradores apresentada pelo TVF. Conclusão: Por tais razões, voto por não conhecer dos embargos de declaração. Caso vencida no conhecimento, voto por rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa 1 Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Fl. 3895DF CARF MF Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 9101003.886 CSRFT1 Fl. 3.896 11 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado Peço vênia para divergir a I. relatora, em relação ao conhecimento dos embargos de declaração. Os embargos de declaração não foram conhecidos porque foram considerados intempestivos, vez que teriam sido opostos em prazo superior aos cinco dias previstos no art. 65, Anexo II do RICARF. Transcrevo o dispositivo: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: (...) V pelo titular da unidade de administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. (Grifei) Os embargos foram opostos em 15/03/2018. E consta Informação Fiscal nos autos, da "unidade de administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão" (cujo titular é o Delegado da Receita Federal, legitimado para oposição do recurso), com data de 01/02/2018 (efl. 3806, informação extraída do sistema eprocesso, opção "PalavrasChave"). Assim, o lapso temporal de cinco dias teria restado superado, tendo como consequência a intempestividade dos embargos de declaração. Ocorre que consta outro documento nos autos (efl. 3853), o despacho da "unidade de administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão", a DRFUberlândia, nos seguintes termos: Ao Delegado da DRF/UBL para ciência do Acórdão de Recurso Especial de fls. 3770 a 3784 e posteriores manifestações juntadas ao presente processo. DATA DE EMISSÃO : 14/03/2018 Evidenciase que o documento é expresso no sentido de que o Delegado da DRF, o titular da unidade de administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, tomou ciência do embargos de declaração no dia 14/03/2018. Fl. 3896DF CARF MF Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 9101003.886 CSRFT1 Fl. 3.897 12 Caso o legislador pretendesse que a ciência fosse do órgão, seriam dispensáveis as palavras "pelo titular da". Bastaria positivar o legitimado como "a unidade de administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão". Ou os dizeres "pelo titular da" seriam palavras vazias na norma? Situação similar em relação à legitimação foi apreciada em outro julgado pelo presente Colegiado, no Acórdão nº 9101003.027, do qual transcrevo excerto do voto: Ocorre que, no caso em tela, os embargos não foram opostos pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, qual seja, o Delegado da DRFLIMEIRA. (...) Nesse sentido, em razão de previsão regimental expressa, não há como se acolher os embargos. Como se pode observar, caso os embargos de declaração, em vez de serem opostos pelo titular da unidade, sejam encaminhados com a assinatura de outro servidor (sem que haja a devida Portaria de designação de competência), não devem ser conhecidos, por ausência de legitimação. Assim, na mesma medida, o racional do Acórdão nº 9101003.027 deve ser aplicado ao presente caso. No caso concreto, encontrase nos autos documento específico dando ciência ao titular da unidade. O despacho deu ciência aos embargos ao Delegado da DRF no dia 14/03/2018, e o recurso foi oposto no dia 15/03/2018, dentro do prazo previsto, sendo tempestivos. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos de declaração. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 3897DF CARF MF
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