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Numero do processo: 19515.721280/2014-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2010
APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO. NULIDADE.
É nulo, por vício material, o lançamento que não especifica de forma satisfatória, as rubricas que integram a base de cálculo utilizada para aferir o tributo devido.
RECOLHIMENTOS EFETUADOS. CONTRIBUINTES ESPECÍFICOS. GPS APROPRIADA.
Ainda que os registros do contribuinte apontem que o tributo devido relacionado a contribuinte específico foi recolhido, não há que alterar o lançamento se tais valores foram devidamente apropriados pelo Agente Fiscal.
DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NA DIRF.
Constatado erro de enquadramento de rendimento na DIRF que serviu de lastro para o lançamento de contribuições previdenciárias sobre rendimentos pagos a contribuintes individuais, já que se ajustar o lançamento excluindo-se os valores que, comprovadamente, não devem integrar a base de cálculo do tributo previdenciário.
Numero da decisão: 2201-004.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, também por unanimidade de votos, em conhecê-lo e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para afastar a imposição fiscal previdenciária incidente sobre os pagamentos efetuados à Sra. Sandra Soares de Souza Schulze, incluída no Levantamento CI - Contribuintes Individuais.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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LANÇAMENTO. NULIDADE. É nulo, por vício material, o lançamento que não especifica de forma satisfatória, as rubricas que integram a base de cálculo utilizada para aferir o tributo devido. RECOLHIMENTOS EFETUADOS. CONTRIBUINTES ESPECÍFICOS. GPS APROPRIADA. Ainda que os registros do contribuinte apontem que o tributo devido relacionado a contribuinte específico foi recolhido, não há que alterar o lançamento se tais valores foram devidamente apropriados pelo Agente Fiscal. DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NA DIRF. Constatado erro de enquadramento de rendimento na DIRF que serviu de lastro para o lançamento de contribuições previdenciárias sobre rendimentos pagos a contribuintes individuais, já que se ajustar o lançamento excluindose os valores que, comprovadamente, não devem integrar a base de cálculo do tributo previdenciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, também por unanimidade de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 80 /2 01 4- 25 Fl. 5242DF CARF MF 2 votos, em conhecêlo e, no mérito, darlhe provimento parcial para afastar a imposição fiscal previdenciária incidente sobre os pagamentos efetuados à Sra. Sandra Soares de Souza Schulze, incluída no Levantamento CI Contribuintes Individuais. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Recursos Voluntário e de Ofício em face do Acórdão nº 0835.146 6ª Turma da DRJ/FOR, fl. 5081 a 5090, que assim relatou a lide administrativa: Tratase de processo no nome da contribuinte em epígrafe, doravante mencionado simplesmente como contribuinte ou Accenture, por meio do qual foi formalizado crédito tributário. O processo se compõe dos seguintes Autos de Infração: a) Autos de Infração de Obrigações Principais: b) Auto de Infração com multa por descumprimento de obrigação acessória: Fl. 5243DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.242 3 Consta no Termo de Verificação Fiscal que: O Auto de Infração nº 51.063.1444 foi lavrado porque a empresa, depois de intimada a apresentar a folha de pagamento de contribuintes individuais, informou que não prepara essa folha. A multa foi aplicada com base na Lei nº 8.212/91, arts. 92 e 102, e no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, art. 283, I, “a”, em seu valor mínimo, atualizado pela Portaria PT/MPS/MF nº 19/2014. Não foram apuradas circunstâncias agravantes, tampouco atenuantes. Foram lançadas no levantamento “ND – DIFERENÇA FP E GFIP” as contribuições relativas a remunerações apuradas nas folhas de pagamento e contabilidade, não reconhecidas pela empresa como base de cálculo, tais como, férias, abono constitucional de férias e aviso prévio indenizado, todos especificados em planilha anexa. Tais valores não foram declarados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. No levantamento FP (Diferença de RAT e FAP), foram lançadas as diferenças de RAT decorrentes da constatação da declaração incorreta da alíquota (1%, ao invés de 2%) e do Fator Previdenciário Acidentário – FAP incorreto (1, ao invés de 1,7099). No levantamento CI (Contribuintes Individuais) foram lançadas as contribuições incidentes sobre bases de cálculo apuradas pela comparação dos valores informados pela empresa em Declaração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – DIRF (código de recolhimento 0588) com os valores declarados em GFIP na categoria 13. Foi constatada a existência, em tese, de crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, o que enseja a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais. A ciência da empresa ocorreu em 14/11/2014, conforme Aviso de Recebimento – AR juntado aos autos. Em 15/12/2014, foi apresentada impugnação, na qual foi alegado, em síntese, que: A impugnação é tempestiva. A Auditoria incorreu em erro na apuração do valor das férias e do terço constitucional de férias. Comparando os resumos das folhas de pagamento com a planilha da autoridade fiscal, a impugnante constatou que as contribuições foram calculadas sobre um valor duplicado dessas rubricas. Os valores de férias e terço constitucional de férias eram indicados inicialmente em uma folha de férias emitida no mês de início da fruição das férias, sendo nesse momento retido o Imposto sobre a Renda. Posteriormente, esses mesmos valores eram indicados na folha de pagamento mensal. A impugnante já recolheu as contribuições previdenciárias e as de terceiros incidentes sobre as rubricas férias, terço Fl. 5244DF CARF MF 4 constitucional de férias e aviso prévio indenizado conforme comprovam os seguintes documentos: resumo da folha de pagamento, cópia do comprovante de declaração GFIP/SEFIP, cópias das guias. Em face do grande número de documentos a serem analisados, fazse necessária a conversão do julgamento em diligência, para a verificação de todas as planilhas juntadas, visando à comprovação do erro no cálculo da fiscalização. Ainda que se entenda que o cálculo da Auditoria está correto, não pode ser mantido o lançamento, pois referidas rubricas constituem parcelas de natureza indenizatória e não representam rendimento do trabalho. Durante o gozo de férias, não há prestação de serviços ou disponibilidade do segurado empregado, não se enquadrando essa verba no conceito de salário. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.322.945/DF, que afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre o pagamento de férias gozadas. O terço constitucional de férias, verba destinada a reforçar as finanças do trabalhador no seu período de férias, tem a mesma natureza do abono pecuniário previsto no art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Esse abono, por não ser devido em contraprestação pelo trabalho realizado, também não tem natureza salarial, nos termos do art. 144 da CLT. Se o abono pecuniário não sofre incidência da contribuição previdenciária, conforme art. 28, §9º, “e”, da Lei nº 8.212/1991, da mesma forma não há incidência sobre o terço constitucional de férias. O Supremo Tribunal Federal – STF vêm decidindo que não há incidência da contribuição previdenciária sobre o adicional constitucional de férias, sob o fundamento de que somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor público têm incidência da exação. O mesmo raciocínio se aplica aos trabalhadores da iniciativa privada, aos quais deve ser dado tratamento isonômico. Ademais, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.230.957/RS em sede de recurso repetitivo, reconheceu que o adicional de férias gozadas possui natureza indenizatória/compensatória, não incidindo a contribuição previdenciária sobre ele. O aviso prévio indenizado é pagamento de indenização que não guarda relação com a prestação de serviços. A Lei nº 8.212/1991, na sua redação original, excluía expressamente o aviso prévio indenizado da incidência da contribuição previdenciária. Embora a redação atual não disponha a respeito, o Decreto nº 3.048/1999 explicitou que tal verba não integra a base de cálculo dessa contribuição. Mesmo com a revogação da alínea “f” do inciso V do §9º do art. 214 do Decreto nº 3.048/1999 pelo Decreto nº 6.727/2009, o aviso prévio indenizado, pela sua natureza, não sofre incidência da contribuição previdenciária, por ser verba indenizatória. A Fl. 5245DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.243 5 isenção da tributação do aviso prévio indenizado pelo Imposto sobre a Renda evidencia essa natureza. A jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais afastam a incidência da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado e a 1ª Seção do STJ, ao analisar o Recurso Especial nº 1.230.957/RS em sede de recurso repetitivo, reconheceu que essa verba não tem caráter remuneratório e não está sujeita a essa contribuição. O Supremo Tribunal Federal – STF recusou o Recurso Extraordinário com Agravo nº 745.901, ante a ausência de repercussão geral, por não se tratar de matéria constitucional, prevalecendo o entendimento do STJ. De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria nº 256/2009, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento de recursos. Não há diferença de RAT decorrente do recolhimento a menor em função da aplicação da alíquota de 1% no lugar de 2%, a qual foi apurada pela fiscalização para a competência 01/2010. A empresa já havia detectado esse equívoco e fez um recolhimento complementar da diferença entre a alíquota de 1% e a alíquota de 3,42% (arredondamento do percentual de 3,4198%). Para comprovar o alegado, a impugnante anexa planilha e cópia das Guias da Previdência Social – GPS complementares. Em razão do volume de documentos a serem analisados, reitera o pedido de diligência. Para as demais competências (02/2010 a 12/2010), houve o recolhimento do RAT com a alíquota de 2%, tendo sido lançada apenas a diferença decorrente do FAP. A impugnante entende, contudo, que o FAP utilizado é o correto, pois havia diversas inconsistências na formação desse índice. A empresa não pode ser penalizada com o cômputo do auxílio doença no FAP, já que esse benefício é concedido ao segurado que fica incapacitado por doença ou acidente que não guarda nexo com o trabalho. O Ministério da Previdência Social – MPS, contudo, computou no rol de “AuxílioDoença por acidente de trabalho – B91”, para o cálculo do FAP 2009 (vigência 2010), segurados empregados afastados por perceberem esse benefício. A metodologia do FAP prevê no cômputo para o cálculo do índice de frequência, todas as ocorrências acidentárias registradas por meio de Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT, o que inclui indevidamente eventos como simples assistência médica, afastamento inferior a 15 dias e acidente de trajeto ou doença profissional. Tal inclusão contraria a natureza desse índice, não tendo a empresa qualquer influência sobre as vias em que trafegam seus empregados no percurso para o trabalho. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região afastou os acidentes de trajeto do cálculo do FAP em caso semelhante em face dos mesmos argumentos. Fl. 5246DF CARF MF 6 É inconstitucional a delegação para o Poder Executivo estabelecer a metodologia de apuração do FAP, pois há afronta ao princípio da estrita legalidade. Ademais, o FAP vai de encontro aos princípios da Regra da Contrapartida, da Equidade na Forma de Participação no Custeio e do Equilíbrio Financeiro e Atuarial. Além disso, na forma em que foi disponibilizado o FAP, a empresa ficou impossibilitada de checar as informações. O STF, ao analisar o RE nº 684.261, reconheceu a existência da repercussão geral acerca do multiplicador do FAP, matéria que aguarda julgamento. No que diz respeito ao lançamento das contribuições incidentes sobre remunerações de contribuintes individuais, a impugnante esclarece que houve sim o recolhimento da contribuição previdenciária sobre parte dos pagamentos feitos e declarados em DIRF e, em relação a casos específicos, o recolhimento não ocorreu por não se tratar de verba sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Os pagamentos realizados ao Sr. Antônio Parente no ano de 2010 foram objeto de recolhimento da contribuição, conforme comprovam a cópia da GFIP, GPS, comprovante bancário e os outros documentos anexados (documento nº 17). O pagamento feito à Sra. Denise Duarte Damiani no valor de R$.576.865,00 referese à venda de suas quotas e à indenização pelo período de não concorrência previsto no contrato, não decorrendo de prestação de qualquer trabalho ou serviço. O pagamento pelas quotas foi realizado em uma única parcela, paga em 1º/12/2010. A base de cálculo do Imposto sobre a Renda foi no valor de R$ 574.730,14 em face de um pequeno desconto efetuado no momento do pagamento. O mesmo ocorreu com relação ao pagamento de R$ 576.615,00 efetuado ao Sr. Fernando Jimenez Boldrini pela venda de suas quotas e à indenização pelo período de não concorrência. Foramlhe pagas 11 prestações mensais, sendo a primeira em 30/09/2010, no valor de R$ 95.977,50 e as demais no valor de R$ 47.988,75, além do montante de R$ 750,00 pago em 30/09/2010. Assim, os três pagamentos no valor de R$ 47.305,96 indicados pela fiscalização corresponderam a três parcelas de um total de 11, acordadas no contrato de compra e venda de quotas. A base de cálculo do Imposto sobre a Renda sobre cada parcela foi no valor de R$ 47.305,96 em razão de pequeno desconto efetuado no momento do pagamento. Os pagamentos efetuados ao Sr. Nestor no ano de 2010 foram objeto de recolhimento de contribuição previdenciária, conforme comprovam a cópia da GFIP, a GPS, comprovantes bancários e outros documentos acostados (Doc. nº 20). Os pagamentos efetuados à Sra. Sandra Soares de Souza Schulze se deram a título de aluguel de um imóvel por três meses no ano de 2010, no valor mensal de R$.1.847,37. Não são, pois, pagamentos vinculados a prestação de serviço e não sofrem incidência de contribuição previdenciária. Houve equívoco no preenchimento da DIRF, tendo a impugnante indicado o código Fl. 5247DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.244 7 de receita 0588 (Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício), quando deveria ter indicado o código de receita 3208 (Aluguéis e royalties pagos a pessoa física), conforme constou no DARF de recolhimento do Imposto sobre a Renda. Para comprovar esse fato, junta cópia do informe de retenção do Imposto sobre a Renda sobre o valor de aluguel pago à Sra. Denise (Doc. nº 21). O Auto de Infração nº 51.063.1444 considerou como fatos geradores não declarados em GFIP os valores lançados no Auto de Infração nº 51.063.1452, objeto de questionamento na impugnação. Como foi comprovada a improcedência dos lançamentos relativos aos contribuintes individuais, a obrigação acessória deve seguir a mesma sorte, não havendo fundamento jurídico para a cobrança. Não havendo imputação específica a nenhuma das pessoas que têm vínculo com a empresa, não podem elas ser responsabilizadas de forma genérica, sem serem observados os requisitos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Assim, essas pessoas devem ser excluídas do Relatório de Vínculos anexo ao Auto de Infração. Ao final, a defendente requer seja acolhida e provida a sua impugnação, para que os Autos de Infração sejam julgados improcedentes. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente juntada de novos documentos ou quaisquer providências que se entendam necessárias. O julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 2.907, de 26/03/2015, para que a Auditoria Fiscal se manifestasse sobre a alegação de que houve valores de férias lançados em duplicidade, bem como elaborasse planilha com a discriminação das rubricas que compuseram o levantamento ND. A diligência foi efetuada, tendo a Auditoria emitido relatório em 26/08/2015, do qual a contribuinte teve ciência em 27/08/2015, conforme AR juntado aos autos. No relatório consta que na tabela de incidência da empresa, foi encontrada a relação de rubricas, tendo sido classificadas as rubricas relativas a férias e 1/3 de férias no código 9, que significa “outras bases de cálculo”. Por sua vez, o aviso prévio indenizado foi classificado no código 6, base de cálculo exclusiva do FGTS. O correto era a empresa ter classificado as rubricas no código 1, ou seja, base de cálculo de contribuições previdenciárias. Foram analisados, por amostragem, os resumos das folhas de pagamento apresentados da competência 01/2010, matriz e filial 2. A diferença encontrada entre folha e GFIP foi praticamente idêntica à lançada. Foi elaborada planilha onde constam, por estabelecimento e competência, a relação nominal dos segurados, o total de remuneração que constitui saláriode contribuição, os valores declarados em GFIP e a diferença não declarada. A planilha, anexada em CDRoom somente Fl. 5248DF CARF MF 8 contempla os segurados onde foram verificadas diferenças de valores não declarados em GFIP. Em 25/09/2015, a contribuinte apresentou peça impugnatória, na qual alega, em resumo, que: A fiscalização limitouse a dizer que as rubricas deveriam estar enquadradas no código 1, sem analisar todas as planilhas e demais documentos apresentados com a impugnação. Foram analisados os mesmos documentos disponíveis durante o período de fiscalização, com a realização do mesmo procedimento já efetivado anteriormente. A fiscalização verificou o resumo da folha em formato MANAD no qual constava o enquadramento incorreto. Como já dito, foram registradas férias e o terço de férias duas vezes, a primeira para fins de incidência de Imposto sobre a Renda e a segunda para fins de incidência de contribuição patronal, terceiros e FGTS. Na época, não havia validação que detectasse esse equívoco. A impugnante retificou os códigos e submeteu a folha novamente à validação, sendo zeradas as divergências. Já tinham sido pagas, pois, as contribuições previdenciárias patronais e destinadas a terceiros. Foi juntado aos autos o MANAD retificado, o qual não apontou qualquer divergência de recolhimentos a menor. Ocorreu a mesma coisa com o aviso prévio indenizado, o qual foi retificado, após o que restou demonstrado que não houve recolhimento a menor. Ao final, a impugnante requer que: (i) seja declarado que houve o recolhimento da contribuição patronal e daquela destinadas a terceiros incidentes sobre as rubricas de férias, terço constitucional de férias e aviso prévio indenizado; (ii) sejam julgados improcedentes os Autos de Infração 51.063.1452 e 51.063.1460 na parte relativa à ausência de recolhimentos das contribuições incidentes sobre o pagamento de férias, terço constitucional de férias e aviso prévio indenizado; (iii) reitera os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Debruçada sobre os termos da Impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, julgoua parcialmente procedente, lastreada nas razões que podem ser assim resumidas: Da Aplicação das Decisões Judiciais no Processo Administrativo Fiscal (...) Em resumo, a DRJ somente deve reproduzir na decisão de primeira instância administrativa a tese do Judiciário relativa a matéria objeto de decisão definitiva exarada no STJ ou no STF no rito dos arts. 543B (rito de repercussão geral) ou 543C (rito dos recursos repetitivos) na hipótese da comunicação da PGFN. Da Diferença de RAT/FAP A competência para atribuição do FAP às empresas ou equiparadas é do Ministério da Previdência Social, conforme Fl. 5249DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.245 9 definido no art. 202B do RPS, incluído pelo Decreto nº 7.126/2010, publicado em 04/03/2010. Conforme o mesmo dispositivo, §2º, da decisão proferida pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional caberá recurso, no prazo de trinta dias, para a Secretaria de Políticas de Previdência Social, que examinará a matéria em caráter terminativo. A Auditora Fiscal utilizou os FAP informados pelo Ministério da Previdência Social e qualquer contestação contra os índices deveriam ter sido dirigidos àquele Ministério, no rito estabelecido em regulamento. Nem a Auditora Fiscal, nem este colegiado tem competência para alterar o FAP estabelecido. Dos Contribuintes Individuais (...) ... A prova das alegações é imprescindível para que sejam acatadas. (...) Dessa forma, os argumentos relativos às contribuições incidentes sobre as remunerações de contribuintes individuais não são pertinentes, devendo ser mantido o lançamento. Do Auto de Infração 51.063.1444 (...) O argumento da impugnante é, pois, descabido uma vez que o fato de não haver lançamento dos demais valores pagos aos contribuintes individuais não a exime de incluílos nas folhas de pagamento. Do Relatório de Vínculos (...) O Relatório de Vínculos, que faz parte integrante do Auto de Infração, apenas identifica as pessoas de interesse da Administração Tributária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, não sendo o instrumento cabível para imputação de responsabilidade pelo crédito tributário. Das Férias e Do Aviso Prévio Indenizado (...) A descrição do fato gerador, com a delimitação da matéria tributável, é requisito expresso não só no art. 142 do CTN, mas também no art. 10, III, do Decreto nº 70.235/1972. No caso, o fato narrado pela Auditoria Fiscal não restou comprovado por ela, o que se evidencia ao se contrastar a planilha confeccionada com os demais dados disponíveis no banco de dados na Secretaria da Receita Federal do Brasil e apresentados pela contribuinte. Assim, o lançamento, na parte efetuada sob o levantamento ND está eivado de vício material, sendo nulo. Da Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte a impugnação e manter em parte o crédito tributário, declarando nulo por vício de natureza material o lançamento efetuado sob o levantamento ND – DIFERENÇA FP E GFIP, nos seguintes termos: Fl. 5250DF CARF MF 10 I) julgando procedente em parte o Auto de Infração nº 51.063.1452, com a exclusão dos valores constantes na tabela em anexo; II) julgando improcedente o lançamento efetuado por meio do Auto de Infração nº 51.063.1460, o qual fica integralmente exonerado. Contra a Decisão acima, foi interposto Recurso de Ofício, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no Decreto nº 70.235/72, art. 34, I, c/c artigo 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 07/01/2008. Cientificado do Acórdão de 1ª Instância administrativa em 15 de dezembro de 2016, conforme Termo de Ciência de fl. 5118, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 5120 a 5136, no qual reitera parte dos argumentos já expressos em sede de impugnação, os quais serão detalhados no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por preencher as condições de admissibilidade, conheço dos recursos de ofício e voluntário. Do Recurso de Ofício. Conforme se vê no Relatório supra, o julgamento em 1ª Instância foi convertido em diligência nos termos da Resolução de fl. 5017 a 5020. O objeto da diligência determinada está relacionado ao Levantamento ND Diferença entre Folha de Pagamento e GFIP, que compreende a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores identificados na contabilidade do autuado que, indevidamente, não teriam integrado a base de cálculo do tributo, os quais são relativos a férias, terço constitucional de férias e aviso prévio indenizado. A defesa alegou que as férias foram consideradas em duplicidade, já que emitia folha de controle de férias em paralelo aos valores lançados na folha de pagamento, a qual foi anexada aos autos. Assim, tendo em vista a grande quantidade de documentos a serem analisados, o Julgador de 1ª Instância entendeu que seria indispensável que a Fiscalização elaborasse planilha detalhada da base de cálculo do Levantamento ND, discriminando, por competência, todas as rubricas (férias, terço constitucional de férias, aviso prévio, etc). A Autoridade Fiscal, em cumprimento à diligência (fl. 5037/5040), relatou que apurou tributo sobre as verbas citadas no parágrafo precedente já que tais rubricas foram classificadas incorretamente (classificou nos códigos 6 e 9, quando deveria ter classificado no código 1), não tendo sido consideradas pela empresa no cálculo da contribuição previdenciária. No julgamento em 1ª Instância, foi exonerada parte do lançamento em razão da conclusão de que a Autoridade Lançadora, ainda que por amostragem, não cumpriu a Fl. 5251DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.246 11 diligência requerida, ao não especificar adequadamente as rubricas que compuseram as diferenças que justificaram a autuação. Cotejando os documentos apresentados com informações sistêmicas dos anos 2009 e 2010, o Julgador concluiu que a remuneração mensal dos segurados é compatível com o valor alegado pela empresa e que o montante lançado representaria aproximadamente o dobro do que seria devido. Firme em suas convicções, concluiu que o Levantamento ND está eivado de nulidade, por vício material, que alcança requisito fundamental do lançamento expresso no art. 142 do CTN, do que resultou a exoneração parcial do DEBCAD 51.063.1452 e integral do DEBCAD 51.063.1460, tendo sido formalizado o necessário Recurso de Ofício, em razão do valor exonerado. A diligência requerida decorre da verossimilhança dos argumentos da defesa e da necessidade de análise de vasta documentação apresentada no curso da impugnação, em particular aquelas relativas ao resumo de folha de pagamento e o seu cotejo com GFIP e GPS (doc. nº 5, 6 e 7). No Relatório Fiscal de Diligência contido em fl. 5037 a 5040, o Agente Fiscal pretendeu demonstrar a procedência do lançamento, afirmando que, analisando por amostragem (01/2010, filial 0001) o Resumo da Folha de Pagamentos apresentado pelo contribuinte e comparando com os valores declarados em GFIP, é possível constatar que as diferenças apuradas são compatíveis com o lançamento efetuado (Diferença identificada R$ 1.692.082,47; Valor lançado R$ 1.676.931,49. Não obstante, de fato, não apresentou planilha discriminando as rubricas que compõem o lançamento nos termos requeridos na Resolução de fl. 5017 e ss, o que, inicialmente, impossibilitou a formação de convicção do julgador quanto à procedência ou não das alegações relativas à duplicidade apontada em sede de impugnação. Diante de tal cenário, os membros da Turma de Julgamento de 1ª Instância, acatando por unanimidade as conclusões do voto do relator, que analisando documentos inseridos nos autos e informações contidas nos sistemas da RFB concluiu que os elementos disponíveis são suficientes à afirmação de ocorrência de erro na apuração da base de cálculo do tributo lançado, decidiram pela supracitada nulidade do Levantamento ND. Não identifico motivos que justifiquem a alteração das conclusões da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Afinal, ainda que haja uma parcela do valor lançado não alcançado pela alegada duplicidade (aviso prévio indenizado), sem que haja uma segregação de rubricas não é possível quantificar o que deve ou não ser mantido do lançamento. Constatase que o Agente Fiscal, no exercício de sua competência privativa, não se desincumbiu da obrigação da detalhar adequadamente os valores que compõem a base de cálculo do tributo lançado, o que impõe o reconhecimento da nulidade do Levantamento ND por vicio material, por macular a essência da atividade de lançamento, que seria a verificação da ocorrência do fato gerador, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante devido do tributo, a identificação do sujeito passivo, tudo nos termos do art. 142 da Lei 5.172/66 (CTN). Fl. 5252DF CARF MF 12 Assim, nego provimento ao Recurso de Ofício. Do Recurso Voluntário Do Recolhimento do SAT/RAT ajustada pelo FAP na competência janeiro de 2010 Afirma o Recorrente que a Fiscalização considerou incorreto o recolhimento da contribuição ao SAT/RAT com base na alíquota de 1% na competência de Janeiro de 2010, por entender que o correto seria 2%, além do ajuste pelo FAP de 1,7099, totalizando uma contribuição a este título no percentual de 3.4198%. Contudo, esclarece que comprovou, em sua impugnação, especificamente na competência de janeiro de 2010, que houve o recolhimento da diferença que está sendo exigida antes da lavratura do Auto de Infração. A DRJ não acatou os argumentos do contribuinte sob a alegação de que os valores recolhidos em GPS não têm vinculação específica às contribuições devidas a segurados, patronal, RAT, etc. Entendeu o Julgador que agiu corretamente a Fiscalização ao fazer convergir para as contribuições declaradas o montante recolhido e os valores de retenção destacados em notas fiscais de serviço, já que todas as guias apresentadas pela autuada (planilha de fl. 2040) foram aproveitadas pela Auditoria, conforme se pode ver no Relatório de Documentos Apresentados RDA, fl.387. Não há dúvidas de que o Agente Fiscal considerou os pagamento efetuados pelo contribuinte ao apurar os valores devidos do lançamento, é o que se verifica no Relatório de Documentos Apresentados inserido nos autos a partir de fl. 387. Tal aparente impropriedade decorre de que os recolhimentos são efetuados sem identificar a que contribuintes se referem, o que leva sua alocação ao débito de forma global, por código de recolhimento, razão pela qual considero o lançamento e a decisão recorrida procedentes. Inconsistências identificadas na metodologia de cálculo do Índice FAP 2009 (vigência ano de 2010). Alega o recorrente que, para os meses de fevereiro a dezembro de 2010, houve efetivo recolhimento considerando em 2% a alíquota SAT/RAT, tendo sido lançada apenas a diferença entre o FAP de 1 e 1,7099, do que resulta a cobrança do percentual correspondente a 1,4198 [(2 x 1,7099) 2]. Sustenta que o índice FAP 1 utilizado estaria correto, na medida em que existiam diversas inconsistências na formação do índice considerado pela fiscalização, sendo necessária a exclusão de determinados eventos que foram indevidamente considerados no cálculo do índice da Recorrente, razão pela qual entende que merece revisão a conclusão do Julgador de 1ª Instância, que alegou incompetência legal para tratar do tema, que estaria a cargo do Ministério da Previdência Social.. Após tecer considerações sobre a metodologia utilizada para cálculo do índice FAP, aponta os eventos que, em seu entendimento não poderiam ser computados. Fl. 5253DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.247 13 Em item imediatamente seguinte, a defesa questiona a legalidade e inconstitucionalidade do Índice FAP, por entender que é inconstitucional a atribuição de competência ao Poder Executivo para estabelecer a metodologia, sistemática, parâmetros e critérios para cálculo e aplicação do FAP, já que a matéria só poderia ser veiculada por lei, citando que o tema é objeto de Recurso Especial ainda em andamento, com repercussão geral reconhecida. Os temas em tela não merecem maiores considerações, pois não há dúvidas de que agiu bem a Autoridade recorrida, já que é sim possível a contestação do FAP atribuído às empresas, mas tal pleito deve ser objeto de demanda específica junto ao Ministério da Previdência Social, nos termos do art. 202B do Decreto 3.048/19991. Não há nos autos nenhum elemento que aponte que a citada contestação foi formalizada. Quanto à alegação de ilegalidade de tal alteração, conforme já dito alhures, não é matéria para tratamento em julgamento administrativo de 2ª Instância qualquer juízo sobre a inconstitucionalidade de leis tributária ou mesmo o afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto sob amparo de inconstitucionalidade, tudo conforme se vê nos comandos abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ricarf. Portaria MF 343/2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Portanto, não procedem os argumentos recursais. Improcedência da cobrança da contribuição previdenciária patronal incidente sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais Alega a defesa que a Fiscalização concluiu que não teria havido o recolhimento de contribuição previdenciária patronal incidente sobre os valores pagos a supostos contribuintes individuais, tendo chegado a tal conclusão a partir do cotejo das informações em DIRF, no código 0588 (rendimento do trabalho sem vínculo empregatício), e os valores declarados em GFIP (contribuintes individuais). Sustenta que houve sim recolhimento de contribuições previdenciárias sobre determinados pagamentos efetuados e, em relação a casos específicos, não houve pagamento por não se tratar de operação sujeita à incidência de contribuição previdenciária. A Delegacia de Julgamento entendeu improcedentes os argumentos de que há valores recolhidos não considerados pela fiscalização, já que todos os recolhimentos efetuados foram devidamente apropriados em caráter prioritário para fazer face aos valores declarados em GFIP. Quanto aos argumentos de que sobre as operações não deveriam incidir contribuições previdenciárias, não foram apresentadas provas inequívocas das alegações. 1 Art. 202B. O FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social poderá ser contestado perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial. (Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) Fl. 5254DF CARF MF 14 Passase à análise segregada dos argumentos. Antônio Meurer Parente Ribeiro e Nestor Cerveira Filho Alega o recorrente que efetuou os recolhimentos da contribuição previdenciária devida sobre os pagamentos realizados, tendo apresentando resumo de pagamentos e valores a recolher, fl. 4.909, bem assim as GPS de fl. 4910 a 4920, no caso do Sr. Antônio Meurer. Já em relação ao Sr. Nestor, os documentos constam de fl. 4954 e ss. Não obstante, os recolhimentos comprovados foram devidamente considerados pelo Auditor Fiscal no lançamento, é o que se verifica do cotejo das GPS apresentadas e os recolhimentos constantes do Relatório de Documentos Apresentados de fl. 387 e ss. Embora os registros do contribuinte indiquem que os valores das contribuições devidas sobre os pagamentos efetuados aos Srs. Antônio Meurer e Nertor Cerveira tenham sido recolhidos, ao final, não haveria diferença, pois caso alocados tais pagamentos especificamente para extinguir a obrigação relativa aos citados contribuintes individuais, valores equivalentes apurados teriam restado não recolhidos e, por tal razão incluídos no lançamento. Conforme já dito alhures, tal aparente impropriedade decorre de que os recolhimentos são efetuados sem identificar a que contribuintes se referem, o que leva sua alocação ao débito de forma global, por código de recolhimento, razão pela qual considero o lançamento e a decisão recorrida procedentes. Denise Duarte Damiani e Fernando Jimenez Boldrini Alega o recorrente que o valor bruto total de R$ 576.865,00 pago à Sra. Denise seria decorrente da aquisição de suas quotas na Sociedade Accenture Consultoria de Telecomunicações, Mídia e Serviços Financeiros Ltda, não decorrendo de qualquer prestação de serviço Os documentos apresentados pela defesa para este tópico estão contidos nos autos em fl. 4938 a 4952, nos quais é possível encontrar um contrato de compra e venda de quotas em que a Sra. Denise figura como vendedora e a Recorrente como compradora, bem assim um recibo relativo à operação. Em relação ao Sr. Fernando, a alegação é a mesma, com a diferença de as quotas transacionadas eram da Accenture Consultoria de Recursos Naturais Ltda, cujos documentos constam de fl. 4991 a 5005. A DRJ não reconheceu força probante para tais documentos por não apresentarem qualquer assinatura. Mesmo cientificado do teor do decidido em 1ª Instância, o recorrente não complementou a documentação de modo a robustecer suas alegações e o que se tem até agora nos autos são meras minutas de documentos que noticiam eventos que não se pode efetivamente dizer que ocorreram. Assim, não identifico motivos para alterar a Decisão recorrida, já que cabia exclusivamente ao contribuinte apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. O que não foi feito. Fl. 5255DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.248 15 Sandra Soares de Souza Schulze Alega o recorrente que os valores pagos à Sra. Sandra seriam decorrente de contrato de aluguel e que o valor lançado corresponderia a três meses, indevidamente lançados em dirf no código 0588 (Rendimentos sem Vínculo Empregatício), quando o correto seria 3208 (Aluguéis e Royalties). Juntou aos autos, em sede de impugnação, o comprovante de rendimentos de fl. 4953. A Delegacia de Julgamento entendeu que a Declaração de Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza – IRPF da Sra Sandra não se presta a provar que o valor pago a ela decorre de aluguel de imóvel de sua propriedade. Embora com alguma incorreção, já que o documento juntado não é uma declaração de rendimentos, mas um comprovante de rendimentos, a conclusão da DRJ está correta, já que tal documento não se presta à comprovação desejada pela defesa. Não obstante, após o recurso voluntário, foi juntado aos autos o contrato de locação que ampara o argumento recursal. Assim, neste tema, entendo que prosperam as razões da defesa, devendo ser afastada a imposição fiscal previdenciária incidente sobre os pagamentos efetuados à Sra. Sandra Soares de Souza Schulze, incluída no Levantamento CI Contribuintes Individuais. Auto de Infração nº 51.063.1444 Obrigação acessória. Insurgese o contribuinte contra a exigência amparada no argumento de que a autuação decorre do DEBCAD 51.063.1452, o qual já teria sido exonerado parcialmente, com a convicção da defesa de que as demais infrações estariam plenamente justificadas no recurso voluntário ora sob análise. Portanto, os argumentos recursais se limitam a pleitear, em relação à presente autuação, a aplicação do reflexos decorrentes da análise das infrações relativas às ocorrências capituladas nos AIOP resultantes do mesmo procedimento fiscal, esperando que todas as infrações imputadas fossem excluídas no curso do presente julgamento, o que, considerando o teor do voto acima, não se confirmou. Assim, considerando que o valor lançado não varia de acordo com a quantidade de infrações identificadas, a exigência fiscal deve ser mantida. Conclusão Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram o presente, voto por conhecer do recurso de ofício para negarlhe provimento. Quanto ao recurso voluntário, por conhecer e, no mérito, darlhe parcial provimento para afastar a imposição fiscal previdenciária incidente sobre os pagamentos efetuados à Sra. Sandra Soares de Souza Schulze, incluída no Levantamento CI Contribuintes Individuais. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 5256DF CARF MF 16 Fl. 5257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000028/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
AQUISIÇÃO. VEÍCULOS NOVOS, PEÇAS E ACESSÓRIOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das Contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador.
A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485, de 2002, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637, de 2002 e da Lei nº 10.833, de 2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que davam provimento. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 AQUISIÇÃO. VEÍCULOS NOVOS, PEÇAS E ACESSÓRIOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das Contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485, de 2002, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637, de 2002 e da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que davam provimento. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire).
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VEÍCULOS NOVOS, PEÇAS E ACESSÓRIOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das Contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485, de 2002, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637, de 2002 e da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 28 /2 01 1- 15 Fl. 139DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que davam provimento. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Relatório Tratase o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Restituição (PER) nº 24066.27640.210109.1.1.112967, efetuado através da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 38587.49150.240409.1.3.116030 (fls. 4/7), formulado pela empresa AUTOSTAR COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA., optante na forma de tributação pelo Lucro Real, referente ao 3º Trimestre de 2004, no valor de R$ 36.775,87. Segundo o despacho decisório, o Pedido de Ressarcimento eletrônico de n.° 24066.27640.210109.1.1.112967, não foi admitido pelo sistema de controle de compensações, uma vez que para o mesmo trimestre de 2004, já havia o pedido de ressarcimento de n.° 30088.96120.210907.1.1.110055 e que, neste último PER/DCOMP, cuja analise foi realizada através do PAF n.° 16349.000400/200961, o direito creditorio não foi reconhecido, com decisão mantida pela DRJ Sao Paulo I. "Compensação vinculada a crédito já apreciado e indeferido". Destacase que a Recorrente é uma pessoa jurídica de direito privado que tem por objeto social, a compra e venda de automóveis, importação de veículos automotores, comércio de peças e acessórios, entre outros, conforme descrito na clausula segunda do seu contrato social. Consta dos autos que a Recorrente impetrou liminar em Mandado de Segurança para apreciar Pedido de Ressarcimento (PER) (fls. 4/7), referente aos supostos créditos de Cofins do 3º trimestre de 2004. A DERAT/São Paulo (SP) indeferiu o pleito em Despacho Decisório que foi cientificado em 04/03/2011 (fls. 72/73). Irresignado com a decisão, em 26/04/2011 a Recorrente protocolou a Manifestação de Inconformidade (fls. 34/42), na qual a defesa argumenta, em resumo que “as operações realizadas por distribuidores, varejistas e atacadistas, relativas a bens inseridos no regime monofásico, ainda que submetidos ao sistema de tributação sujeitos à alíquota zero, não impedem o contribuinte de realizar a manutenção dos créditos de todas as aquisições por ele efetuadas, especialmente de seus próprios produtos destinados a revenda, como garante o artigo 17 da lei 11.033/04”. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16349.000028/201115 Acórdão n.º 3402005.103 S3C4T2 Fl. 140 3 Que com o advento da Lei nº 10.485/2002, a receita proveniente da venda de veículos automotores passou a sujeitarse à incidência monofásica do Pis e da Cofins, recaindo sobre o montador ou importador a responsabilidade pelo recolhimento dessas contribuições; b) a Lei nº 10.865/2004, ao alterar a Lei nº 10.485/2002 com reflexos nas leis nº 10.637/2002 (Pis) e nº 10.833/2003 (Cofins) se por um lado reduziu a zero a alíquota de ambas as contribuições relativamente às receitas auferidas pelas concessionárias com a comercialização dos produtos sujeitos ao regime monofásico, por outro lado vetou o aproveitamento dos créditos correspondentes a essas operações; c) as alterações introduzidas pelas leis nº 10.485/2002 e nº 10.865/2004, a par de criar “exação muito superior ao usual” e vetar a não cumulatividade (regime a que faz jus), criaram “carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional”(fl. 23); d) o art. 17 da lei nº 11.033/2004, oriunda da MP nº 206/2004, autorizou de forma expressa o aproveitamento dos créditos vinculados a operações comerciais de venda realizadas com alíquota zero. Requer, em suma, a reforma do despacho decisório impugnado, bem como o ressarcimento “dos valores relativos ao crédito vinculado de PIS e COFINS nos termos do art. 17 da Lei 11.033”. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 0957.003, de 04/03/2015, prolatado pela DRJ em Juiz de Fora (MG): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 PIS/PASEP COFINS. AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Não podem ser descontadas como crédito as aquisições de produtos para revenda sujeitos à tributação monofásica, ainda que sua receita de venda seja sujeita à alíquota zero. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 23/09/20153 (fl. 89) a Recorrente foi devidamente cientificada por meio da abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC DTE), e não resignada com a r. decisão, a empresa em 21/10/2015 (fl. 91), interpôs o presente recurso voluntário, (fls. 92/104) no qual, repisa os argumentos de sua impugnação, em suma, alegando as seguintes razões: (i) elabora uma digressão fática do processo, discorre sobre a legislação do PIS e da COFINS e aduz que o r. Acórdão, não aplicou o melhor direito à espécie, ensejando sua nulidade ou reforma para o recebimento, processamento e acolhimento do presente Recurso Voluntário, como melhor se depreende dos dizeres adiante citados; (ii) Do Direito: discorre sobre o regime da não cumulatividade, que a Recorrente é uma empresa de direito privado, está obrigada às determinações impostas nas Leis Fl. 141DF CARF MF 4 10.637/08 e 10.833/033, as quais sofreram alterações da Lei 10.865/04, futuramente alterada pela Lei 11.033/04, além disso, ainda esta sujeita às implicações da Lei 10.485/2002, que determina o recolhimento na forma monofásica, que na realidade constitui a substituição tributária, disfarçada; a) que ao negar o seu direito conforme despacho da DIORT e acórdão da DRJ/SP1, a Recorrente esta excluída desta sistemática, por estar subordinada ao determinado na Lei nº 10.485/02 e dos dispostos nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Esta sistemática instituída pelas leis em questão, na qual determina alíquota zero para a venda para Recorrente, onera a tributação excessivamente ou até mesmo ocorre um confisco; b) para afastar tais ilegalidades e inconstitucionalidades decorrentes da exigência nas leis, o poder executivo promulgou a MP 206/04, futuramente constituindo a Lei 11.033, de 2004, na qual modificou a legislação então em vigor, principalmente no que se refere ao artigo 17 da referida Lei; c) afirma que pelo entendimento do quanto descrito no referido artigo 17 da Lei 11.033/04, com as devidas modificações na Lei n°. 10.865/04, podemos concluir que as empresas, no caso a Recorrente, sujeitas a venda com alíquota zero, com relação às exações ao PIS/COFINS não cumulativos, podem aproveitar os créditos decorrentes de operações anteriores vinculadas ao seu faturamento. Diante de todo o exposto, pleiteia o reconhecimento do Recurso Voluntário, para que seja acolhido o pedido, reconhecendo que a Recorrente possa realizar a apuração do PIS/COFINS não cumulativos vincendos aproveitandose dos créditos vinculados decorrentes da compra de carros novos, "zero quilometro", peças e acessórios., determinando ainda, a autorização para determinação do crédito a aplicação das alíquotas de 1,65% e 7,60%, respectivamente para PIS e para a CONFINS, conforme disposto nas Leis. Por fim, tendo em vista o principio da verdade material e caso seja necessária a realização de instrução probatória, a Recorrente requer a produção de todos os meios de provas admitidos em direito. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2. Objeto da lide A discussão confinase ao Pedido de Ressarcimento (PER) efetuado pela Recorrente, com a premissa de que podem ser descontadas como crédito as aquisições de produtos para revenda, sujeitos à tributação monofásica (apuração do PIS/COFINS não cumulativos, aproveitandose dos créditos vinculados decorrentes da compra de carros novos, "zero quilometro", peças e acessórios), ainda que a pessoa jurídica adquirente esteja sujeita à nãocumulatividade e que seja receita de venda seja sujeita à alíquota zero. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16349.000028/201115 Acórdão n.º 3402005.103 S3C4T2 Fl. 141 5 3. Preliminar de nulidade A Recorrente aduz em seu recurso que "(...) o r. Acórdão, não aplicou o melhor direito à espécie, ensejando sua nulidade ou reforma para o recebimento, processamento e acolhimento do presente Recurso Voluntário, como melhor se depreende dos dizeres adiante citados". Pelo que se depreende do trecho acima, alega a Recorrente ser “ilegal e nula a exigência”, referindose, aparentemente, ao despacho denegatório proferido pela DERAT/SPO. Pois bem. No ambito do processo admnistrativo fiscal, as hipóteses de nulidade de despachos e decisões proferidas pelas autoridades, estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), o qual regulamenta o processo administrativo fiscal: “Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §§..........................................................................................” Manobrando os autos, no caso concreto, não se vislumbra a ocorrência de nenhuma das duas hipóteses acima. O Despacho Decisório (DD) de fls. 10/15, foi lavrado em 26/05/2009, por autoridade competente e se encontra bem fundamentado às fls. 11/13. O teor da Manifestação de Inconformidade demonstra pleno conhecimento do conteúdo do referido Despacho e a Recorrente defendeuse de todos os pontos atacados, demonstrando o pertfeito entendimento e conhecimento do indeferimento, o que elimina a possibilidade de cerceamento do direito de defesa. Desta forma, não que se falar em nulidade da decisão. 4. Arguições de ilegalidade e inconstitucionalidade Alega a Recorrente que "(...) Assim, para afastar tais ilegalidades e inconstitucionalidades decorrentes da exigência nas leis, o poder executivo promulgou a MP 206/04, futuramente constituindo a Lei 11.033, de 21 de dezembro de 2004, na qual modificou a legislação então em vigor, principalmente no que se refere ao artigo 17 da referida Lei, in verbis (...): (Grifei) A Recorrente invocando diversos princípios constitucionais, argúi de ilegal e inconstitucional a referida vedação aos créditos do PIS e da COFINS. No entanto, é necessário salientar que a apreciação de assuntos dessa natureza estão fora da alçada de competência das esferas administrativas de julgamento e devem ser levadas ao Poder Judiciário, se for o caso, a teor da Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Registrese ainda que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação da norma vigente, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhe deu a Lei nº 11.941/2009). Fl. 143DF CARF MF 6 Posto isto, não se pode adentrar ao mérito dos princípios constitucionais invocados pela Recorrente. 5. Quanto ao MÉRITO Aduz a Recorrente que "(...) possa realizar a apuração do PIS/COFINS não cumulativos vincendos aproveitandose dos créditos vinculados decorrentes da compra de carros novos, "zero quilometro", peças e acessórios, determinando ainda, a autorização para determinação do crédito a aplicação das alíquotas de 1,65% e 7,60%, respectivamente para PIS e para a CONFINS, conforme disposto nas Leis". "(...) Assim pelo entendimento do quanto descrito no referido artigo 17 da Lei 11.033/04, com as devidas modificações na Lei n°. 10.865/04, podemos concluir que as empresas, no caso a Recorrente, sujeitas a venda com alíquota zero, com relação às exações ao PIS/COFINS não cumulativos, podem aproveitar os créditos decorrentes de operações anteriores vinculadas ao seu faturamento" (fl. 103). Pois bem. Como relatado, a Recorrente é uma pessoa jurídica de direito privado que tem por objeto social, a compra e venda de automóveis, importação de veículos automotores, comércio de peças e acessórios, entre outros, conforme descrito na clausula segunda do seu contrato social, tendo realizado operações de revenda de produtos de incidência monofásica de PIS e COFINS, sujeitos, portanto, à alíquota zero na operação de revenda. Em relação ao PIS e da COFINS, os veículos automotores, bem como as autopeças mencionadas nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, estão sujeitos ao regime de tributação monofásica (concnetrada) desde o advento desse diploma legal, cujos arts. 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela lei nº 10.865/2004, trazem a seguinte redação: “Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos IndustrializadosTIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)” Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)” Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16349.000028/201115 Acórdão n.º 3402005.103 S3C4T2 Fl. 142 7 No caso, cabe ressaltar que os produtos em questão (carros zero quilômetro, peças e acessórios), objeto das vendas da Recorrente, são bens submetidos à alíquota zero, já que toda a tributação da cadeia econômica foi concentrada, pelo desenho legal, na indústria produtora ou nos importadores. Nos dispositivos transcritos acima, o regime de incidência monofásica instituído pela Lei nº 10.485/2002 atribuiu a qualidade de contribuinte exclusivamente aos fabricantes e importadores de veículos e das autopeças mencionadas em seus anexos I e II, concentrando neles, portanto, a tributação das receitas auferidas na comercialização desses produtos. Nesse diapasão, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. Cumpre informar que a sistemática da não cumulatividade das Contribuições para o PIS e COFINS está toda ela organizada nas Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, desde a composição da base de cálculo, às exclusões admitidas até a geração de créditos, não sendo possível ao intérprete alargar conceitos a fim de ver a geração de créditos admitida para outros dispêndios que não aqueles textualmente relacionados nesses diplomas. Quanto ao regime monofásico, a legislação impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com avenda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. E foi por essa razão que a Lei nº 10.485, de 2002, fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único. Ressaltase que tais dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833, de 2003. No que toca especificamente à COFINS, o art. 2º, §1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2004, instituidora do regime de apuração nãocumulativa dessa Contribuição, prevê de forma expressa, na redação dada pela lei nº 10.865/2004. Vejase: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Fl. 145DF CARF MF 8 III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005)” Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) (...); b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; (Grifos nosso) (...) Entendo que não se faz necessários maiores esforços de interpretação para se chegar a conclusão de que a alínea “b” do art. 3º acima citado, referese exatamente aos bens sujeitos à tributação concentrada, como aqueles revendidos pela Recorrente e que foram listados no §1º, III, do art. 2º da referida Lei nº 10.833, de 2002. Logo, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Tal vedação, por sinal, se acha também consignadas nos artigos 1º e 26, da IN SRF nº 594, de 26/12/2005, que consolidou a legislação acerca da incidência monofásica do PIS e da COFINS. Desta forma, as pessoas jurídicas sujeitas à incidência não cumulativa da COFINS não podem descontar do montante apurado créditos calculados em relação aos produtos em apreço, quando adquiridos para revenda, uma vez que estes estão sujeitos à tributação monofásica. Nessa linha, o STJ (Superior Tribunal de Justica), também vem decidindo nesta direção, conforme precedente abaixo reproduzido, que veda uso de créditos de PIS e Cofins em sistema monofásico: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A incidência monofásica do PIS e da COFINS não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Precedentes: AgRg no Resp 1.221.142/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler. Primeira Turma, julgado em 18/12/2012. DJe 04/02/2013; AgRg no REsp 1.227.544/PR. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 17/12/2012: AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/05/2012; AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/05/2012.” (REsp 1346181 / PE; DJe 04/08/2014; Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16349.000028/201115 Acórdão n.º 3402005.103 S3C4T2 Fl. 143 9 42. Colhese do voto do Ministro Sérgio Kukina a seguinte argumentação: “Em meu sentir, é correto o entendimento da impossibilidade de creditamento por parte do distribuidor que revende bem submetido à tributação monofásica. Com efeito, essa sistemática de apuração e cobrança consiste em concentrar em uma única fase (etapa de produção, fabricação e importação) a incidência de referidas contribuições, em que se fixam alíquotas superiores àquelas ordinariamente previstas e se desoneram as fases posteriores de comercialização. (...) Assim, não se revela possível o aproveitamento de créditos pelo contribuinte, na hipótese, o distribuidor, que, apesar de integrar o ciclo econômico, não sofre a incidência da exação.” (Grifei) Também alega a Recorrente em seu recurso que, "(...) Diante do exposto, o entendimento do nacórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I não merece prosperar, visto que a Recorrente possui DIREITO LIQUIDO E CERTO ao crédito vinculado, nos termos do art. 17 da Lei 11.033/04, respeitando assim a Lei em comento e não exija da Recorrente direito distinto do contido na legislação pertinente": Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo que esse dispositivo (art. 17, da Lei 11.033/04) não se aplica ao caso destes autos, uma vez que diz respeito tão somente ao direito de manutenção de créditos apurados, no caso de vendas em que não haja tributação por uma das razões nele previstas. Mas isso só se aplica, por óbvio, aos créditos passíveis de apropriação. Só se pode manter aquilo que se possui. Se existe vedação para apuração e apropriação de créditos nas aquisições para revenda de produtos sujeitos à tributação monofásica, não existe crédito a ser mantido, ou seja: (i) referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não incidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); e (ii) é regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Por fim, o art. 3º, I, da Lei nº 10.833/2004 não foi revogado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Este diploma legal, segundo disposição constante em seu art. 6º, alterou apenas os arts. 8º e 28 da Lei nº 10.865/2004, sem produzir nenhum reflexo na vedação prevista no art. 3º, I, "b", da Lei nº 10.833/2004, ou seja, não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. 6. Do pedido de Diligência Quanto ao pedido de diligência realizado na peça recursal para fins de instrução probatória. o mesmo há que ser indeferido, uma vez que a mesma seria desnecessária ao julgamento da presente lide. Fl. 147DF CARF MF 10 Embora a Recorrente requer em seu recurso que "(...) Por fim, tendo em vista o principio da verdade material e caso seja necessária a realização de instrução probatória, a Recorrente requer a produção de todos os meios de provas admitidos em direito". Ressaltase que o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, autoriza o julgador a determinar, de ofício ou a pedido, perícias ou diligências, quando considerálas necessárias para a instrução do processo e, consequentemente, para a solução do litígio. Desta forma, não há dúvidas quanto a legalidade do procedimento adotado pelo Fisco durante o procedimento fiscal. As informações apresentadas pela fiscalização e os elementos disponibilizado pela Recorrente, presentes neste processo, a meu ver, permitem que formemos convicção a esse respeito. O que se discute nos autos é matéria de direito. Portanto, em face da existência nos autos de elementos de provas suficientes para o julgamento do processo, tornase prescindível a realização de diligência ou perícia. Posto isto, voto por indefir o pedido de diligência solicitado. 7. Dispositivo Diante de tudo o que fora exposto, voto no sentido negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose hígida a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720227/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3102-000.184
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 23/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em função do descumprimento dos compromissos assumidos em relação às mercadorias importadas ao amparo do RECOF (Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado), abrangendo Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado a importação, COFINS e PIS/PASEP, tudo conforme tabela abaixo, no valor total de R$ 269.227.411,93 (duzentos e sessenta e nove milhões, duzentos e vinte e sete mil, quatrocentos e onze reais e noventa e três centavos). À folha 02 do relatório, 9.807 do processo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apresenta tabela contendo a discriminação dos valores do auto de infração sub judice, que, por questão de praticidade, não foi aqui transcrita. Fl. 8676DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/200901 Resolução n.º 3102000.184 S3C1T2 Fl. 2 2 Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Basicamente, contribuinte entende que o regime foi adequadamente extinto, mas auditor entende que não. As exportações foram feitas, porém através de uma empresa comercial exportadora (exportação indireta). O auditor acha que só cabe extinção do regime com exportação direta. Em fiscalização de tributos incidentes sobre o comércio exterior levada a efeito no contribuinte acima identificado, para fins de verificação da destinação de bens admitidos no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF), constatouse, conforme afirma a autoridade fiscal no Termo de Verificação, o descumprimento do regime em decorrência da adoção de providência extintiva não prevista na regulamentação (venda a empresa comercial exportadora, com fins específicos de exportação). O Auto de Infração referese às Declarações de Importação registradas no ano 2006, compreendendo saídas realizadas à Comercial Exportadora SIMM — SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MÓVEL BRASIL LTDA., CNPJ: 06.964.587/000135, e também para a COTIA TRADING S/A. Foram coletados dados indicando que a MOTOROLA realizou vendas transferências de mercadorias admitidas no regime especial (RECOF) às empresa acima referidas, com fins específicos de exportação, considerando essa saída como forma extintiva do RECOF. Conforme dados constantes no Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, o crédito tributário ora discutido pode ser distribuído entre as duas empresas da seguinte forma: (Tabela demonstrativa.) O contribuinte entendeu que vendas realizadas no mercado 1interno a empresa comercial exportadora, é forma ou modalidade de extinção do regime especial. Alegou ter por base dispositivos da legislação tributária e aduaneira que permitem concluir que tais operações se equiparam a exportação, com consonância com a própria definição do RECOF contida no art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 417/2004, que estabelece que o regime especial em comento "permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas á operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou ao mercado interno". Entende o contribuinte que: "Neste sentido e levandose em conta a própria redação do dispositivo legal que define o RECOF, uma venda a comercial exportadora com o fim específico de exportação nada mais é que uma operação cuja finalidade exclusiva é destinar um produto à exportação, tal qual previsto na norma regulamentadora do RECOF". Com fundamento no entendimento acima, a baixa dos insumos admitidos no RECOF foram efetivadas em decorrência da emissão das notas fiscais de saída relativas às vendas realizadas à empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exortação, não havendo, por conseqüência, o recolhimento de tributos incidentes nas importações e que estavam suspensos em vista da aplicação do regime especial. Tratou se a i venda como equivalente à exportação, para fins de extinção do RECOF. A autoridade fiscal não concordou com a tese de que venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação é uma das providências para extinção Fl. 8677DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/200901 Resolução n.º 3102000.184 S3C1T2 Fl. 3 3 do regime, pelas razões expostas em seu Relatório Fiscal (parte integrante do Auto de Infração). Podem ser assim resumidas as razões da autuação: 1) A enumeração do art. 31 da IN SRF n° 417/20 (e das demais instruções normativas) não é exemplificativa e sim taxativa, pois a palavra "urna" tem a função de restringir as hipóteses aceitas para fins de extinção do regime àquelas expressamente referidas; 2) Por sua vez, a exportação a que se refere o inciso I do mesmo art. 31 da IN SRF n° 417/2004 é a direta, isto é, aquela realizada pelo próprio beneficiário, na medida em que toda a estruturação do RECOF foi pensada não contemplando á participação de empresa comercial exportadora e de trading company na operacionalização ,do regime, salvo, quanto a esta última natureza de empresa, para fins de cômputo do compromisso de exportação que todo beneficiário deve cumprir (IN SRF n°417/2004, art. 6°, § 4°, inciso II): 3) Reafirmando a assertiva contida no item precedente, observase que a legislação tributária e aduaneira, quando prevê a participação de empresa comercial exportadora ou de trading company em qualquer situação específica, expressa e explicitamente referese a esse tipo de empresa, estabelecendo a extensão e os efeitos pretendidos com essa participação, fato não existente na normatização do RECOF; 4) O RECOF é um regime aduaneiro especial isencional (a suspensão dos tributos incidentes na importação configurase como uma isenção condicional); nesse sentido, a interpretação dos dispositivos que normatizam e regulamentam o regime deve ser realizada com observância do ditame contido no art. 111 do CTN; sob tal orientação, inaceitável a exportação indireta como meio extintivo do regime em questão, pelo simples fato da norma não contemplar tal hipótese. Ciente do teor do Auto de Infração em análise em 23/04/2009 (ciência pessoal — fls. 03 — 262 — 525 e 885), e inconformada com o mesmo, o impugnante apresentou seu arrazoado de defesa, tempestivamente, às fls. 1309/1320. Seus principais argumentos podem ser assim resumidos: 01) Que, de acordo com as condições onerosas do RECOF, a suspensão dos tributos devidos na importação tornase definitiva quando a mercadoria é exportada, seja no estado em que foi importada, seja compondo novo produto, resultante da incorporação das mercadorias, nacionais ou importadas pelo regime. Apenas nos casos ent que as mercadorias são destinadas ao mercado interno ou permanecem no regime até esgotar o prazo do RECOF é que os tributos suspensos por ocasião da importação deverão ser pagos com os devidos acréscimos legais, conforme dispõe o art. 37 da IN RFB n° 757/2007. 2) Que a grande maioria das exportações da impugnante é efetuada diretamente. Uma pequena parte dessas exportações passou a ser realizada por meio de empresas comerciais exportadoras, sendo que tais exportações tem o seguinte tratamento: as mercadorias são vendidas com o fim especifico de exportação e são efetivamente exportadas dentro dos prazos de permanência dos produtos no regime, o que da o cumprimento, com êxito, de todas as condições onerosas do RECOF. Quando a impugnante verifica que algum produto admitido no RECOF não foi utilizado no processo produtivo dentro do prazo do regime, ela recolhe todos os tributos devidos na importação. Fl. 8678DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/200901 Resolução n.º 3102000.184 S3C1T2 Fl. 4 4 03) O objeto do Auto de Infração ora impugnado foi justamente as exportações efetivadas por meio de empresas comerciais exportadoras, por ter a autoridade fiscal partido de premissas totalmente equivocadas e que inclusive desvirtuam por completo a finalidade do RECOF. 04) O presente lançamento foi lavrado considerando situações hipotéticas que , em tese, poderiam ter acontecido, mas que a própria autoridade fiscal declara que não ocorreram. Embora uma das modalidades inequívocas de extinção do UCOF seja a exportação, o Sr. Fiscal sustenta que a exportação indireta (uma das modalidades de exportação) não seria hipótese de extinção do RECOF, já que , nela, a exportação efetiva poderia não vir a ocorrer (mesmo tendo ficado comprovado que, 'na prática, todas as exportações ocorreram, e dentro do prazo de permanência das mercadorias importadas no regime). 05) Que a exportação indireta, via empresa comercial exportadora, tanto é modalidade de extinção do RECOF prevista em normas legais, que o art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 417/04, em seu parágrafo 4°, inciso II, dispõe que: "Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: II — realizadas a empresa comercial exportadora (...)". 6) Que no art. 31 da Instrução Normativa SRF n° 417/04, ao listar as providências que implicam na extinção do RECOF, o legislador colocou no inciso I a EXPORTAÇÃO, sem especificar se estava se referindo à exportação direta óu indireta. Porém, no artigo 6° da mesma norma, já deixara claro que a venda de mercadorias para empresa comercial exportadora poderia ser aceita para comprovação do adimplernento do regime. Portanto, a Instrução Normativa acata a exportação indireta como espécie do gênero "exportação", para fins de extinção do regime. 7) Que, da mesma forma que na exportação direta, as vendas para comerciais exportadoras precisam vir acompanhadas, após a saída da mercadoria com o fim específico da exportação, da prova de que a mesma efetivou a transposição de fronteira. Se comprovado ter a mercadoria transposto a fronteira dentro do prazo do RECOF, não há que se falar em pagamento dos tributos suspensos, por total falta de previsão legal. 8) Que, de acordo com os artigos 37 e 38 da Instrução Normativa SRF n° 417/04, o recolhimento dos tributos deve ocorrer em apenas duas hipóteses: (i) destinação das mercadorias para o mercado interno; ou (ii) extinção do regime pelo decurso de prazo, sem que a mercadoria tenha sido exportada, reexportada, destruída ou transferida para outro beneficiário. No caso concreto não se concretizou nenhuma das hipóteses de recolhimento dos tributos suspensos quando da admissão das mercadorias no regime, pelo que pleiteia o cancelamento da autuação. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 02/01/2006 a 29/12/2006 RECOF. EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. Para fins de comprovação de cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no RECOF, podem ser computadas as vendas realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de Fl. 8679DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/200901 Resolução n.º 3102000.184 S3C1T2 Fl. 5 5 novembro de 1972 (exportações indiretas). As saídas de produtos industrializados efetuadas para empresas que atuem no comércio exterior, mas que não se enquadrem nas condições estabelecidas nesse diploma legal, não podem ser computadas para efeito de comprovação do adimplemento do regime, conforme disposto na Instrução Normativa.SRF n° 417/2004, em seu art. 6°, parágrafo 4°, inciso II. Cabível a cobrança dos tributos / contribuições suspensos, além dos juros de mora e multa de ofício, quando descumpridas á condições e os requisitos exigidos pela legislação de regência, relativos ao regime especial de Entreposto Sob Controle Informatizado RECOF. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Acrescenta que a decisão ora recorrida altera os fundamentos da autuação ao decidir que as exportações indiretas são admitidas para fins de RECOF, ao contrário do que afirmava a fiscalização, qual fosse, que apenas as exportações diretas poderiam ser admitidas. Considera que as provas apresentadas constantes nos autos de que as exportações foram efetivamente realizadas dentro dos prazos legais foram desconsideras pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. E que a decisão recorrida faz confusão entre modalidades e formas de extinção do RECOF com compromissos de exportação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O litígio gira em torno da comprovação do adimplemento da condição para extinção do Regime de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado – RECOF, ao qual a empresa está habilitada, em relação a determinadas mercadorias que, conforme narrativa presente nos autos, foram vendidas a empresa comercial exportadora em lugar de serem diretamente exportadas pela Beneficiária. Discutese da possibilidade de que os produtos vendidos a essas empresas possam ser considerados exportados para fins de extinção do Regime e consequente desoneração tributária. Neste desiderato, a recorrente defende que tais operações foram realizadas de acordo com as condições préfixadas, enquanto a Secretaria da Receita Federal entende não ser possível admitir tal possibilidade. As razões do Fisco estão assim esclarecidas no voto. Portanto, notase que o referido dispositivo [IN SRF 417/04] prevê, como forma de comprovação de adimplemento do RECOF (cumprimento dos compromissos de exportação assumidos) a venda de mercadorias a empresa comercial exportadora, desde que a mesma tenha sido instituída nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972. Existe na Instrução Normativa em comento uma alusão clara à aceitação de exportações indiretas, mas somente através de empresa comercial Fl. 8680DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/200901 Resolução n.º 3102000.184 S3C1T2 Fl. 6 6 exportadora com características bastante precisas. A referência, na legislação tributária e aduaneira, a "empresa exportadora", ou "empresa comercial exportadora", sem qualificação ou restrição específica, abrange qualquer empresa exportadora registrada na Secex; somente quando o legislador restringe uma norma explicitamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos do DecretoLei n° 1.248, de 1972, ficam excluídas as demais empresas exportadoras. No caso em comento, o legislador restringiu a norma explicitamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos do Decretolei n° 1.248, de 1972. Portanto, ficam excluídas dela as demais empresas exportadoras (simplesmente registradas na SECEX). (grifos no original) Embora os autos já tenham sido instruídos com conteúdo didático suficiente à necessária compreensão do que vem a ser o RECOF e das particularidades do Regime, assim como das questões legais que interessam à solução da presente contenda, necessário trazer a lume os postulados que servirão de base à decisão aqui tomada. Oportuno rememorar os esclarecimentos contidos no voto condutor da decisão recorrida. O regime de entreposto industrial sob controle aduaneiro informatizado (RECOF) surgiu com a edição do Decreto n° 2.412/1997, revogado pelo Decreto n°4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro), tendo por base legal os arts. 89 a 91 e 93 do DecretoLei n° 37/1996; os artigos 59, 63, 76, 77 e 92 da Lei n° 10.833/2003; o art. 14, § 2° . da Lei n° 10..865/2004. O Regulamento Aduaneiro trata do regime nos arts. 372 a 380. Desde o surgimento do RECOF foram editadas diversas instruções normativas regulamentando o regime, sendo que, no período de 27/04/2004 a 25/07/2007 vigeu a IN SRF n° 417/2004, e deste então vige a IN RFB n° 757/2007. O RECOF é um regime aduaneiro especial cuja operacionalização requer prévia apresentação de pedido de habilitação pelo pretendente/beneficiário. Nisso se consubstancia a prática de ato de vontade, no qual está implícita a concordância do peticionário com o regramento aplicável à matéria. Portanto, habilitandose ao regime e nele admitindo mercadorias, submetese o beneficiário, por sua própria vontade, ao cumprimento das normas estabelecidas, com suas peculiaridades, definições e restrições. Se, por exemplo, a norma estabelece as formas de admissão de mercadorias e de extinção do regime, as mesmas devem ser observadas pelo beneficiário, que com elas anuiu quando requereu sua habilitação. Além disso, imperioso esclarecer que o RECOF tratase de um Regime idealizado dentro de uma lógica de cooperação entre a Administração e as empresas controladas. Uma vez demonstrada a implementação de um sistema informatizado capaz de controlar com precisão as operações industriais e comerciais realizadas pelo beneficiário, a Administração concede à empresa a prerrogativa do autocontrole de suas atividades e, principalmente, das consequências tributárias delas advindas, e passa, ela própria, a desempenhar um papel coadjuvante nesse processo, monitorando à distância informações disponibilizadas por sistema eletrônico de processamento de dados. No conceito, tratase de uma sistemática bastante alinhada às melhores expectativas de controle do Estado sobre a sociedade, mas sua efetividade depende de que certas engrenagens funcionem particularmente bem. Com efeito, a condição especialíssima de gerir os negócios com autonomia, à margem da sempre custosa burocracia estatal, tem como contrapartida a condição de que o Fl. 8681DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/200901 Resolução n.º 3102000.184 S3C1T2 Fl. 7 7 controle feito pela chancela do casoacaso possa ser substituído com eficácia e, principalmente, fidedignidade pelo monitoramento remoto de informações que permitam ao Fisco certificarse de que uma dada mercadoria ingressou em determinado momento na empresa, entrou no seu processo produtivo e foi exportada dentro do prazo, tudo adequadamente respaldado em documentos que atestem as informações colhidas. Feitas todas essas ponderações, entendo que sejam necessárias alguns esclarecimentos preliminares em relação ao caso concreto. De se destacar que está incorreta a afirmação contida no Recurso Voluntário dando conta de que a Instrução Normativa nº 417/2004, que à época da ocorrência dos fatos regulamentava o Regime, não restringia nem definia as modalidades de exportação que poderiam ser utilizadas para extinção do RECOF. Observese o conteúdo do Ato Normativo a esse respeito. Art. 6º Para a habilitação ao regime, a empresa industrial interessada deverá, ainda, assumir os compromissos de: I exportar produtos industrializados, com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no regime, no valor mínimo anual equivalente a: a) US$ 10.000.000,00 (dez milhões de dólares dos Estados Unidos da América), para as indústrias referidas nas alíneas "c" e "d" do inciso I do § 1o do art. 2o ; e b) US$ 20.000.000,00 (vinte milhões de dólares dos Estados Unidos da América), para as demais indústrias; e II aplicar anualmente pelo menos 80% (oitenta por cento) das mercadorias estrangeiras admitidas no regime na produção dos bens que industrialize. § 1o Para atendimento dos compromissos referidos no caput, serão computadas as operações realizadas a partir da data do desembaraço aduaneiro da primeira declaração de importação (DI) de mercadorias para admissão no regime. § 2o Os compromissos de exportação referidos no inciso I ficam reduzidos em cinqüenta por cento no primeiro ano da habilitação da empresa industrial. § 3o Na apuração dos montantes previsto no inciso I do caput: I será considerada a exportação ao preço constante da respectiva declaração de exportação; II serão subtraídos os valores correspondentes às importações de mercadorias admitidas em outros regimes aduaneiros vinculados a compromissos de exportação e utilizadas nos produtos exportados; III não serão considerados os valores correspondentes à: a) exportação ou reexportação dos produtos usados referidos nos incisos II e IV do § 4o do art. 2o; e b) exportação de partes e peças no mesmo estado em que foram importadas; e IV serão computados os valores relativos às exportações efetuadas ao amparo de todas as modalidades para as quais está habilitada a empresa, na hipótese de empresa industrial habilitada a mais de uma modalidade do regime. Fl. 8682DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/200901 Resolução n.º 3102000.184 S3C1T2 Fl. 8 8 § 4o Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: I de partes e peças fabricadas com mercadorias admitidas no regime, realizadas a outro beneficiário habilitado ao regime; e II realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972. (grifos meus) (...) Art. 31. A aplicação do regime se extingue com a adoção, pelo beneficiário, de uma das seguintes providências: I exportação: a) de produto no qual a mercadoria, nacional ou estrangeira, admitida no regime tenha sido incorporada; b) da mercadoria no estado em que foi importada; c) da mercadoria nacional no estado em que foi admitida; ou d) de produto ao qual a mercadoria estrangeira admitida no regime, sem cobertura cambial, tenha sido incorporada; II reexportação da mercadoria estrangeira admitida no regime sem cobertura cambial; III transferência de mercadoria para outro beneficiário, a qualquer título; IV despacho para consumo: a) das mercadorias estrangeiras admitidas no regime e incorporadas a produto acabado; ou b) da mercadoria no estado em que foi importada; V destruição, às expensas do interessado e sob controle aduaneiro; ou VI retorno ao mercado interno de mercadoria nacional, no estado em que foi admitida no regime, ou após incorporação a produto acabado, obedecido ao disposto na legislação específica. Ou seja, a comprovação do cumprimento do compromisso de exportar produtos industrializados pode ser feita considerandose, inclusive, os valores das vendas realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972. Noutro ponto, sendo a exportação destes produtos uma das formas de extinção do Regime, vêse que as disposições normativas cuidaram de incluir as vendas realizadas nas condições acima dentre as exportações aptas a extinguir o Regime. Assim, não vejo como acolher o entendimento proposto de que para a comprovação dos volumes de exportação possam “ser computadas as exportações via Trading Company, mas não podem ser computadas as reexportações, tampouco as exportações realizadas por meio de comercial exportadora”, tampouco de que o auto de infração e a decisão de piso estariam confundindo as condições de extinção do Regime com as de comprovação do cumprimento do compromisso de exportar determinados valores. Fl. 8683DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/200901 Resolução n.º 3102000.184 S3C1T2 Fl. 9 9 É importante observar que, tal como a própria recorrente alega, o artigo 31, ao referirse à extinção do Regime, não especifica as formas de exportação admitidas, se direta ou indireta, apenas elenca a exportação de produto no qual a mercadoria, nacional ou estrangeira, admitida no regime tenha sido incorporada, como uma das formas de extinção. Isso significa que, ao definir as providências para extinção do Regime, o Ato Normativa ainda não havia feito qualquer referência aos meios que seriam admitidos para comprovação da exportação, mas exclusivamente que a sua efetivação produziria tais efeitos. Mais adiante, porém, ao tratar da comprovação do cumprimento do compromisso de exportação assumido, deixou claro que poderiam ser computados os valores das vendas realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, com o que incluiu essas vendas nas formas de exportação admitidas. Ainda a esse respeito, não pode prosperar a sugestão de que para comprovação dos volumes de exportação possam ser computadas as exportações via Trading Company, mas não as reexportações e as exportações realizadas por meio de comercial exportadora. Conforme se depreende do texto normativo, o compromisso que precisa ser comprovado pela empresa é de exportar produtos industrializados, razão pela qual não podem ser consideradas as reexportações de mercadorias, mas por que não poderiam ser as exportações realizadas pelas comerciais exportadoras fossem elas admitidas para extinção do Regime? Tem razão a autuada ao esclarecer que as únicas duas hipóteses nas quais a suspensão não se converte em isenção acontecem (i) na destinação das mercadorias para o mercado interno e (ii) na extinção do regime pelo decurso de prazo, sem que a mercadoria tenha sido exportada, reexportada, destruída ou transferida para outro beneficiário. Contudo, equivocada a maneira de aplicar estas disposições ao fato concreto. No caso, chegandose à conclusão de que a venda das mercadorias para as empresas comerciais exportadoras, como foi feito, não é uma das operações admitidas como exportação, estáse diante da ocorrência da destinação das mercadorias para o mercado interno. E é essa, a meu ver, a decisão que precisa ser tomada. Se as vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras, notadamente não contemplada como hipótese de extinção do Regime pelo Ato Normativo disciplinador, pode ser considerada, ainda que dependa da posterior comprovação de sua efetividade, como uma venda para exportação. Quanto a isso, é de se afastar a alegada nulidade da decisão de primeira instância por ter deixado de analisar os documentos que, segundo afirma a recorrente, fariam prova da exportação das mercadorias dentro do prazo. É que, uma vez que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu que não seria possível admitir vendas realizadas nestas circunstâncias como exportações aptas a extinguir o Regime, não faz qualquer sentido esperar que os documentos sejam analisados, já que tal providência não teria nenhum efeito na solução da lide. Também não há que se falar em alteração na fundação jurídica do auto de infração pelo fato de a fiscalização ter glosado todas as exportações tidas como indiretas, enquanto que, na decisão de primeira instância, admitiuse a hipótese de que fossem computadas as exportações realizadas pela empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972. Conforme entendo, o que se discute, desde o começo, é se as vendas para empresas comerciais exportadoras que não as indicadas acima são aptas a extinguir a aplicação do Regime sem o pagamento dos Impostos e Contribuições normalmente incidentes nestas operações. Fl. 8684DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/200901 Resolução n.º 3102000.184 S3C1T2 Fl. 10 10 No mérito, há no voto condutor da decisão de piso importante esclarecimento sobre o que difere as empresas conhecidas como Trading Companys das empresas comerciais importadoras. Trading company e comercial exportadora: duas espécies de empresa. É importante não confundir a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decreto n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, também conhecida por trading company, com a empresa comercial exportadora constituída sem a necessidade de observância do regramento da referida norma legal. Com efeito, a empresa prevista no DecretoLei n° 1.248/11972 requer, para sua constituição e, conseqüentemente, geração dos efeitos fiscais próprios, a observância de requisitos específicos, situação também tratada no art. 229 do Decreto n° 4.543/2002.: (i) obtenção de registro especial n SECEX e na Receita Federal; (ii) constituição societária sob a forma de sociedade por ações; (iii) possuir capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. O Regulamento Aduaneiro trata da trading company nos arts. 228 a 232, em seção denominada "Das empresas Comerciais Exportadoras", que, em conjunto com situação de exportação com saída ficta (mercadoria exportada que permanece no país ) (arts. 233 e 234) integram o capítulo intitulado "Dos incentivos fiscais na exportação". Podese verificar que os arts. 228 a 232 do decreto prestaramse a regulamentar operações envolvendo essa natureza jurídica de empresa, na medida em que as matrizes legais foram todas do Decretolei n° 1.248/1972. Por sua vez, uma empresa comercial exportadora/importadora tem sua constituição regida pela mesma legislação utilizada na abertura de qualquer empresa comercial ou industrial, sem nenhuma exigência quanto à sua natureza, capital social ou registro especial. Nesse caso, para operar no comércio exterior, basta o objeto social da empresa prever atuação nesse segmento. Assim, a empresa comercial exportadora constituída sob a égide do Decretolei n° 1.248/1972 é uma trading company, ao passo que a não constituída conforme ditames do referido diploma legal é simplesmente uma empresa comercial exportadora comum. Acrescentese a isso que, conforme determina o artigo 5º do Decretolei nº 1.248/72, os impostos que forem devidos passam a ser de responsabilidade da Trading Company no caso de não efetivação da exportação após decorrido o prazo de um ano do depósito das mercadorias, atributo que lhes garante as condições suficientes para o desempenho da função que lhes é cometida. Art.5º Os impostos que forem devidos bem como os benefícios fiscais, de qualquer natureza, auferidos pelo produtorvendedor, acrescidos de juros de mora e correção monetária, passarão a ser de responsabilidade da empresa comercial exportadora nos casos de: a) não se efetivar a exportação após decorrido o prazo de um ano a contar da data do depósito; b) revenda das mercadorias no mercado interno; c) destruição das mercadorias. Fl. 8685DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/200901 Resolução n.º 3102000.184 S3C1T2 Fl. 11 11 § 1º Para os fins deste artigo, calcularseá o Imposto sobre a Renda, aplicandose a maior alíquota para tributação das pessoas jurídicas sobre o valor equivalente a 10% (dez por cento) do preço da compra a que se refere o art.1º deste DecretoLei. § 2º O recolhimento dos créditos tributários devidos, em razão do disposto neste artigo, deverá ser efetuado no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da ocorrência do fato que lhes houver dado causa. § 3º Nos casos de retorno ao mercado interno, a liberação das mercadorias depositadas sob regime aduaneiro extraordinário de exportação está condicionada ao prévio recolhimento dos créditos tributários de que trata este artigo. § 4º Ocorrida a hipótese prevista no item "a", independentemente do estipulado neste artigo, considerase abandonada a mercadoria na forma da legislação vigente. Neste diapasão, uma vez que fique claro que estamos tratando de dois tipos de empresas distintas, é de se reconhecer que, fossem aceitas essas operações com a naturalidade sugerida pela defesa e seria de se admitir que qualquer venda realizada dentro do mercado interno pudesse ser aceita como suficiente para comprovar a exportação das mercadorias, desde que, a posteriori, a empresa demonstrasse, ainda que depois de sucessivas vendas no mercado interno, que a mercadoria terminou por ser exportado, criando uma situação caótica e totalmente fora da lógica pretendida para o RECOF. Desses postulados decorre que a venda realizada pela recorrente às empresas comerciais exportadoras escapam aos liames do RECOF, às suas delimitações jurídicas e ao planejamento estrutural por meio do qual se pretende possam seus efeitos tributários ser controlados, não devendo ser aceitas como uma operação inserida dentre as hipóteses de extinção do Regime. Neste cenário, uma vez esclarecido que as operações não podem ser entendidas como uma das modalidades naturais de extinção do Regime, resta avaliar qual seja o efeito dos documentos acostados aos autos que, segundo a empresa, comprovam a exportação das mercadorias nos prazos determinados. Quanto a isso, necessário que se faça uma breve incursão no campo das provas. Como é cediço, em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa responsabilidades com base em idêntico critério. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Contudo, na relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado, o comando legal que atribui ao autor a responsabilidade por apresentar as provas do fato constitutivo do seu direito precisa ser aplicado tendose em conta o modelo sob o qual tais responsabilidades são Fl. 8686DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/200901 Resolução n.º 3102000.184 S3C1T2 Fl. 12 12 exercidas. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos cuja existência se pretende provar. E mais ainda. Dependendo da conformação própria do caso, poderá que a Administração exija do contribuinte a adoção de determinadas medidas, que, uma vez negligenciadas, terminam por constituir prova do inadimplemento da condição exigida em lei. É neste contexto que entendo estarem enquadradas as empresas beneficiárias do RECOF. O Sistema, como um todo, foi idealizado para que o controle pudesse ser feito de forma quase instantânea, mediante o cotejo de dados relacionais disponíveis em computador. Uma vez que as regras que lhe são próprias não sejam observadas, vêse comprometido todo o arcabouço estrutural colocado em funcionamento, e as provas, se admitidas, dependerão de um esforço adicional, imprevisto no ideário do Regime, na tentativa de atestar por outros meios que as mercadorias tiveram o destino previsto em lei. Foi presumivelmente com este objetivo que a recorrente afirmou em sede Recurso Voluntário que as exportações foram realizadas dentro do prazo previsto na legislação do RECOF, conforme atestam os documentos que instruíram a impugnação. A seguir transcrevo o teor da manifestação contida na defesa apresentada a este Conselho e na impugnação ao lançamento. 24. Comprovadas a exportação e o respeito ao prazo de permanência (e para tanto pouco importa a forma eleita para a exportação), não há que se falar em perda do beneficio da isenção ou não incidência dos tributos suspensos por ocasião da exportação. No caso dos autos nenhuma das hipóteses de obrigatoriedade de recolhimento dos tributos suspensos se verificou, uma vez que as mercadorias foram todas destinadas à exportação (venda à comercial exportadora com o fim específico de exportação) e não ao mercado interno e como tal efetivamente exportadas dentro do prazo legal (vide documentação que instrui a impugnação apresentada em primeira instância administrativa e que comprova esse fato). Na impugnação ao lançamento. 20. Nem mesmo a citação feita pelo Sr. Agente Fiscal acerca do eventual uso inadequado do prazo de 180 (cento e oitenta) dias que uma Comercial Exportadora teria para efetivamente exportar a mercadoria — de forma que isto gerasse indevida prorrogação do prazo de permanência dos bens no país — socorre o auto de infração ora impugnado. Conforme já antes salientado, esta mera suposição também não se confirma na prática, na medida em que TODAS as mercadorias exportadas pela Impugnante através da Comercial Exportadora SIMM deixaram o território nacional dentro dos prazos de permanência do RECOF, conforme se depreende do relatório de conciliação anexo (Doc. 05), elaborado com base nos documentos que comprovam a exportação das mercadorias, também anexos a esta defesa administrativa (Doc. 06). Esta hipótese de suposto uso irregular de um prazo excedente ao legalmente admitido para a permanência no regime, portanto, não se presta a justificar a autuação, posto que simplesmente não ocorrido na prática. Uma vez comprovada a efetiva exportação da mercadoria dentro do prazo de extinção do regime (sem o uso inadequado de qualquer prazo excedente), as hipóteses de que "a exportação poderia não ocorrer", ou de que "a exportação poderia ocorrer fora do prazo do RECOF" tornamse fundamentos vazios, que não podem justificar a lavratura de um auto de infração. O que importa não são as Fl. 8687DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/200901 Resolução n.º 3102000.184 S3C1T2 Fl. 13 13 hipóteses, mas os FATOS efetivamente ocorridos e todos eles vêm em socorro do direito da Impugnante. Compulsando os autos, percebese que os documentos apresentados pela defesa constituem a maior parte dos quarenta e oito volumes do processo. A partir da folha 1.343 (volume VI) até a folha 4.410 (volume XXI) encontrase o Relatório de Conciliação, no qual, segundo informa a empresa, “constam todas a informações de importação e posterior exportação das mercadoria, via SIMM (sic)”. Dali por diante, os documentos listados no Relatório. O Relatório de Conciliação é constituído por onze colunas denominadas NF MOTOROLA, DA CONSUMIDA, ADIÇÃO, DATA DE REGISTRO DA, VENCTO TP, INVOICE SIMM, RE SIMM, DDE SIMM, DATA AVERBAÇÃO, TP vs Averbação, NF SIMM. Não há nos autos quaisquer esclarecimentos quanto ao significado desses títulos, alguns de compreensão intuitiva, outros não. Também não há nenhuma quantificação dos valores informados, remissão às folhas onde encontramse os documentos de comprovação, tampouco uma explicação de como o todo comprova a efetivação das exportações glosadas pela fiscalização. Cotejando aleatoriamente os números anotados na coluna DA CONSUMIDA com as declarações de importação relacionadas no auto de infração, identificase provável coincidência, sugerindo que as informações contidas no Relatório dizem respeito às importações objeto de autuação. Contudo, em uma primeira inspeção não foi possível encontrar as notas fiscais iniciadas pelos algarismos 126 e 128 dentre os documentos anexados ao processo, assim como parece não terem sido listadas nas tabelas notas fiscais iniciadas pelo algarismo 090, encontrada na documentação apresentada. De se comentar que esse trabalho fica extremamente dificultado pela maneira como os dados foram apresentados, sem remissão às provas, sem organização rigorosa, quantificação etc. Por outro lado, não há como negar a existência de todo esse volume de documentos carreados aos autos, com os quais, ainda que de forma menos precisa do que o recomendável em tais circunstâncias, a recorrente pretendeu demonstrar que a condição eleita para extinção do Regime foi atendida. Ignorálos, em que pesem todas premissas expostas ao longo do vertente voto, terminaria por restringir a lide a uma discussão em torno de formalidades, em detrimento da investigação sobre os acontecimentos reais. De fato, penso que, nestas condições, seja recomendável uma solução que prestigie a verdade material, concedendo à empresa a oportunidade de adequar a instrução probatória apresentada dentro do prazo legal, de tal sorte que fique claro e incontroverso o adimplemento da condição de exportar. Assim, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a empresa, no prazo de trinta dias, esclareça as razões das imprecisões identificadas e organize a exposição dos dados de forma didática, remissiva, quantificada em subtotais, de tal sorte que seja viável interpretar os dados e atestar a efetiva exportação das mercadorias por amostragem e de forma aleatória. Após, o processo deve retornar à fiscalização da Unidade de Jurisdição para considerações que julgar pertinentes, em especial, quanto à fidedignidade, confiabilidade e consistências das informações prestadas pela recorrente, para só após retornar a este Conselho. Fl. 8688DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/200901 Resolução n.º 3102000.184 S3C1T2 Fl. 14 14 Sala de Sessões, 10 de novembro de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8689DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 19515.720246/2013-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA ANTES DO VENCIMENTO DO MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Sendo o Auto de Infração lavrado antes do prazo de vencimento do MPF, uma vez que este foi prorrogado, não há que se falar em vício do lançamento a ensejar a sua nulidade.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS.
O art. 42 da Lei n° 9.430/1996 presume como omissão de receitas a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Por se tratar de uma presunção relativa, caso comprovada a origem, pelo contribuinte, aquela presunção é afastada. É dever do contribuinte, contudo, essa comprovação, que deve ser feita através de documentação hábil e idônea. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários.
LANÇAMENTO FISCAL. SIMPLES NACIONAL. SISTEMA ÚNICO DE FISCALIZAÇÃO, LANÇAMENTO E CONTENCIOSO SEFISC. REGIME DE TRANSIÇÃO.
Enquanto não disponibilizado o Sefisc, deverão ser utilizados os procedimentos administrativos fiscais previstos na legislação de cada ente federado. Para tanto, deverão ser utilizados os documentos de autuação e lançamento fiscal específicos de cada ente federado, que deverão abranger tão-somente os tributos de sua competência.
LUCRO ARBITRADO. MEDIDA EXCEPCIONAL.
O arbitramento do lucro é medida excepcional e só se aplica nas restritas hipóteses elencadas na legislação. Como regra, deve-se apurar eventuais tributos devidos de acordo com a opção do contribuinte de tributação para o referido ano-calendário.
MULTA QUALIFICADA.
Não comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, não se admite a qualificação da multa de ofício, nos termos definidos pela legislação.
Numero da decisão: 1302-002.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO- Presidente.
(assinado digitalmente)
FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogerio Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Flavio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA ANTES DO VENCIMENTO DO MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Sendo o Auto de Infração lavrado antes do prazo de vencimento do MPF, uma vez que este foi prorrogado, não há que se falar em vício do lançamento a ensejar a sua nulidade. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. O art. 42 da Lei n° 9.430/1996 presume como omissão de receitas a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Por se tratar de uma presunção relativa, caso comprovada a origem, pelo contribuinte, aquela presunção é afastada. É dever do contribuinte, contudo, essa comprovação, que deve ser feita através de documentação hábil e idônea. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários. LANÇAMENTO FISCAL. SIMPLES NACIONAL. SISTEMA ÚNICO DE FISCALIZAÇÃO, LANÇAMENTO E CONTENCIOSO SEFISC. REGIME DE TRANSIÇÃO. Enquanto não disponibilizado o Sefisc, deverão ser utilizados os procedimentos administrativos fiscais previstos na legislação de cada ente federado. Para tanto, deverão ser utilizados os documentos de autuação e lançamento fiscal específicos de cada ente federado, que deverão abranger tão-somente os tributos de sua competência. LUCRO ARBITRADO. MEDIDA EXCEPCIONAL. O arbitramento do lucro é medida excepcional e só se aplica nas restritas hipóteses elencadas na legislação. Como regra, deve-se apurar eventuais tributos devidos de acordo com a opção do contribuinte de tributação para o referido ano-calendário. MULTA QUALIFICADA. Não comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, não se admite a qualificação da multa de ofício, nos termos definidos pela legislação.
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LAVRATURA ANTES DO VENCIMENTO DO MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Sendo o Auto de Infração lavrado antes do prazo de vencimento do MPF, uma vez que este foi prorrogado, não há que se falar em vício do lançamento a ensejar a sua nulidade. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. O art. 42 da Lei n° 9.430/1996 presume como omissão de receitas a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Por se tratar de uma presunção relativa, caso comprovada a origem, pelo contribuinte, aquela presunção é afastada. É dever do contribuinte, contudo, essa comprovação, que deve ser feita através de documentação hábil e idônea. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários. LANÇAMENTO FISCAL. SIMPLES NACIONAL. SISTEMA ÚNICO DE FISCALIZAÇÃO, LANÇAMENTO E CONTENCIOSO SEFISC. REGIME DE TRANSIÇÃO. Enquanto não disponibilizado o Sefisc, deverão ser utilizados os procedimentos administrativos fiscais previstos na legislação de cada ente federado. Para tanto, deverão ser utilizados os documentos de autuação e lançamento fiscal específicos de cada ente federado, que deverão abranger tãosomente os tributos de sua competência. LUCRO ARBITRADO. MEDIDA EXCEPCIONAL. O arbitramento do lucro é medida excepcional e só se aplica nas restritas hipóteses elencadas na legislação. Como regra, devese apurar eventuais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 46 /2 01 3- 52 Fl. 801DF CARF MF 2 tributos devidos de acordo com a opção do contribuinte de tributação para o referido anocalendário. MULTA QUALIFICADA. Não comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, não se admite a qualificação da multa de ofício, nos termos definidos pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogerio Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Flavio Machado Vilhena Dias. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte GRUPO ALC TURISMO E VIAGENS LTDA EPP, ora Recorrente, que é optante pelo regime de tributação simplificado do Simples Nacional. No referido Auto de Infração, a fiscalização constituiu créditos tributários com base na opção de tributação do contribuinte, por supostas omissões de receitas e/ou rendimentos identificadas através da movimentação bancária. A fiscalização se iniciou em 05/07/2012, sendo emitidos, até a data de lavratura do Auto de Infração, termos de intimação para que, em um primeiro momento, a Recorrente apresentasse suas declarações, livros contábeis e notas fiscais emitidas no período fiscalizado (2008), bem como extratos bancários das contas de sua titularidade, mantidas em diversas instituições financeiras. Posteriormente, identificada uma discrepância grande entre os valores creditados em sua conta corrente e os valores declarados e levados à tributação, a Recorrente foi intimada, nos termos da legislação, a comprovar a origem dos créditos identificados nos extrato bancários. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 19515.720246/201352 Acórdão n.º 1302002.781 S1C3T2 Fl. 802 3 Em atenção a intimação recebida, a Recorrente apresentou contratos que previam, em alguns casos, a remuneração no importe de 1,5% dos valores dos serviços turísticos que comercializava (passagens aéreas, diárias de hotéis, translados, etc.), em outros previam um valor fixo de remuneração e em alguns não havia nenhuma pactuação quanto à remuneração a que faria jus a Recorrente. De posse desses documentos, a fiscalização constatou que a Recorrente não levou à tributação nenhum dos valores pactuados nos contratos em que havia a fixação de percentual ou remuneração fixa pelos serviços prestados. Atestou, ainda, a falta de comprovação de parte dos depósitos havidos nas contas correntes da Recorrente, uma vez que alguns contratos não tinham, como mencionado, a forma de remuneração pelos serviços prestados. Neste ponto, a única documentação apresentada pela Recorrente foi uma declaração própria, atestando que os seus serviços (intermediação dos negócios) seriam remunerados no percentual de 1,5% incidente sobre o total do serviço turístico contratado pelo cliente. Assim, o cliente faria o depósito do valor integral, cabendo à Recorrente o repasse dos valores aos reais prestadores dos serviços turísticos (companhias aéreas, hotéis, empresas de transportes terrestres, etc.), sendo retido o valor correspondente àquele percentual, para remuneração dos seus serviços. A fiscalização, portanto, constatando que (i) valores, mesmo tendo comprovada a sua origem, não foram levados à tributação, quando deveriam, por se tratar de receita decorrentes dos serviços prestados pela Recorrente e também (ii) valores cujas origens não foram comprovadas, lavrou o Auto de Infração combatido. Na referia autuação, além da constituição do crédito tributário, recalculouse os valores recolhidos pela Recorrente no anocalendário autuado, uma vez que, com as novas receitas, alterouse os percentuais das alíquotas devidas no Simples Nacional, além de ter sido aplicada multa qualificada por suposta pratica de condutas dolosas praticadas pela fiscalizada. Devidamente intimada, a Recorrente apresentou impugnação administrativa, na qual alegou diversas inconsistências e nulidades do Auto de Infração. Estas alegações foram assim sintetizadas pelo julgador a quo: 3.1. Preliminarmente, alega que o auto de infração foi lavrado com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) ineficaz, porque já extinto pelo decurso de seu prazo de validade. Relembra que o caput do artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 exige, como condição primeira para sua validade, que o agente da administração responsável por sua lavratura tenha competência administrativa para tanto. 3.1.1. Por sua vez, aduz que a Portaria RFB n° 3.014/2011 estabeleceu a obrigatoriedade do MPF para o início dos trabalhos de fiscalização sendo, portanto, constituindo o instrumento pelo qual o Auditor Fiscal é investido da competência administrativa para realizar uma ação fiscal concreta, relativa a um determinado sujeito passivo. 3.1.2. Argumenta que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPFF) de n° 08.1.90.002012026262 tinha o prazo de validade até 04/10/2012 e foram realizadas duas prorrogações cujas datas de vencimento foram, respectivamente, 01/02/2013 e Fl. 803DF CARF MF 4 31/05/2013. No entanto, as mencionadas prorrogações foram inseridas na Internet após o prazo de validade do MPFF, ou seja, foram publicadas na Internet após a data de vencimento do MPFF anterior. 3.1.3. Sustenta que a lei dá a competência genérica ao servidor ocupante do cargo de AFRFB para constituição do crédito tributário e, portanto, lavratura de auto de infração (art. 142 do CTN). Todavia, existe a competência administrativa específica, consubstanciada no MPF regularmente emitido pela autoridade responsável, pela qual a determinado Auditor Fiscal é atribuída à competência para efetuar determinados procedimentos em relação a um determinado sujeito passivo. 3.2. Estando extinto o MPF pelo transcurso do prazo estabelecido no inciso II do art. 14 da Portaria RFB n° 11.371/2007, somente seria possível novo exame mediante ordem escrita, conforme previsão contida no artigo n° 906, do RIR/99. 3.3. Alega que o AuditorFiscal cometeu erro na apuração da base de cálculo dos tributos vez que, embora tenha confirmado o ingresso nas contas bancárias da empresa de valores pagos pelos clientes em vários contratos de prestação de serviços, informou que na relação de depósitos bancários de suposta origem não comprovada foram subtraídas apenas as receitas mensais declaradas pelo contribuinte na DASN. 3.3.1. Refuta o método adotado pela fiscalização ao considerar apenas os contratos apresentados pelo contribuinte, mas desprezando as informações prestadas por escrito descrevendo que, pela intermediação dos negócios, a empresa recebia a quantia equivalente a 1,5% do total dos serviços contratados, a título de comissão. 3.3.2. Destaca, por entender pertinente, que a entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo o débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensando qualquer outra providência por parte do fisco (STJ Súmula n°436 14/ 04/2010 DJe 13/05/2010). 3.3.3. Conclui que os fatos mencionados neste item caracterizam o chamado erro de fato na elaboração do auto de infração no que se refere à determinação do quantun debateur (base de cálculo) e, consequentemente, do montante dos tributos lançados. Relativamente a todos esses erros, o art. 53 da Lei n° 9.784/99, que trata do processo administrativo no âmbito da administração pública federal, impõe que a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. 3.4. Sustenta que a dúvida não pode beneficiar o Fisco. Se não há resposta segura para inevitáveis indagações que surgem da análise das operações praticadas pela contribuinte, é de se aplicar à norma do art. 112 do CTN, que determina a interpretação mais favorável ao acusado da lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, em caso de dúvida quanto: à capitulação legal do fato; à natureza ou às Fl. 804DF CARF MF Processo nº 19515.720246/201352 Acórdão n.º 1302002.781 S1C3T2 Fl. 803 5 circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. 3.5. Alega que a Constituição Federal de 1988 estabelece que o auto de infração fiscal, bem como a decisão administrativa que julgar a impugnação do contribuinte, devem ser fundamentados e não podem ser realizadas com base em meras presunções. Nesse sentido, afirma que a autoridade fiscal presumiu que, na apuração da base de cálculo, poderia computar em duplicidade os valores a tributar como depósitos de suposta origem não comprovada e como créditos decorrentes da prestação de serviços com suposta falta de emissão de notas fiscais. 3.5.1. Entende que cabia à fiscalização a efetiva prova de omissão de receitas, não sendo elemento bastante e suficiente para a configuração do ilícito o simples cotejo de declaração e/ou informações prestadas pelo contribuinte. A exigência fiscal do tributo não pode estar assentada unicamente em extratos ou comprovantes de depósitos bancários, porque estes por si só não constituem fato gerador do imposto de renda, porquanto não caracterizam disponibilidade econômica e jurídica de renda ao abrigo do que dispõe o art. 43 da Lei n° 5.172/66 (CTN). Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes em processos de omissão de receitas baseada em sinais exteriores de riqueza de que tratava o art. 6º da lei nº 8.021/90 e sustenta que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF adotará idêntica postura em relação ao atual art. 42 da Lei n° 9.430/96, uma vez que as razões que motivaram a rejeição ao primeiro diploma legal subsistem para que o segundo tenha igual tratamento. 3.6. Afirma que a interpretação dada pela Autoridade Fiscal autuante para eleger base de cálculo carece de fundamento legal, pois não é possível eleger base de cálculo que não esteja definida em lei. Este procedimento fere integralmente a disposição contida no art. 150 da Constituição Federal (Princípio da Legalidade), tornando nulo o auto de infração. 3.7. Requer o sobrestamento do julgamento em razão da decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 389.808 Paraná pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à matéria objeto do processo fiscal em epígrafe, por força das disposições contidas no art. 62A da Portaria MF nº 256/2009. 3.8. Alega que não procede a alegação da Autoridade Fiscal de que o contribuinte não apresentou nenhuma justificativa para os depósitos relacionados no Anexo IV do Auto de Infração. Quem deixou de verificar se as informações estavam corretas foi a própria Autoridade, que negligenciou no exame das provas. 3.9. Entende que, de acordo com as regras previstas na Resolução CGSN nº 94/2011, a omissão de receitas/saídas deverá ser tributada na forma do Simples Nacional. Para fins de cálculo do imposto e multa devidos pela ME ou EPP optante pelo Simples Nacional, deverão ser observadas as alíquotas do ISS previstas nos anexos III ou IV da Lei Fl. 805DF CARF MF 6 Complementar n° 123/06 (entre 2% e 5%, de acordo com a faixa de receita bruta), e as penalidades previstas na legislação do imposto de renda. 3.9.1. Considerando o exposto, defende que a Autoridade Fiscal incorreu em erro material ao descumprir norma legal (LC n° 123/06) vez que não foi aplicada a alíquota única relativa a todos os tributos que fazem parte da atividade do impugnante (Tabela do Anexo III da LC n° 123, de 2006), ou seja, lançou individualmente cada um dos tributos federais sem considerar a imputação tributária pertencente ao município (ISS). 3.10. Acrescenta que o lançamento teria que ser precedido do ADE de exclusão do Simples Nacional, sob pena de se ferir o princípio da adequação do ato de lançamento que exige que este deva respeitar a sistemática do tributo lançado, vez que o lançamento do crédito tributário no montante apresentado é incompatível com a sistemática de tributação adotada pelo Simples Nacional. O crédito fiscal nesse montante somente poderia ter sido constituído depois da exclusão da empresa do Simples Nacional e de lhe ter sido oportunizada a opção de apuração pelo Lucro Real ou Presumido. 3.11. Apresenta argumentação de que a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não se aplica quando conhecida a origem dos recursos depositados nas contas bancárias. No caso concreto, a Fiscalização relatou o conhecimento de que os recursos transitados nas contas bancárias da Fiscalizada tinham origem nas atividades desenvolvidas pelo autuado, revestindo tal fato de prova irrefutável de que o Fisco conhecia a origem dos valores depositados a ponto de descrever esta situação em seu TVF. 3.11.1. Uma vez conhecedora da origem dos valores movimentados pela defendente, a Fiscalização deveria ter direcionado seu trabalho para a prova direta da omissão de rendimentos/receitas, renunciando à presunção legal contida no citado art. 42 da Lei nº 9.430/96. 3.12. Afirma que a discrepância apurada pela fiscalização deveria resultar na declaração de imprestabilidade da escrita por falta de sua apresentação, bem como, pela falta de apresentação do livro caixa, o que acarretaria na necessidade de realizar o arbitramento do resultado do exercício por inteiro. Dessa forma, a Autoridade Fiscal deveria, em primeiro lugar, excluir o contribuinte do Simples Nacional (art. 28 da LC 123/06) para, a seguir, aplicar o arbitramento na empresa autuada, porque ela não possuía escrituração contábil, tampouco livro caixa, que permitisse a tributação da empresa com base no lucro real ou presumido. 3.13. Citando as Súmulas do CARF nº 12, 14 e 25, argumenta que a conduta do contribuinte, ao esclarecer a origem dos depósitos bancários originados de contratos de prestação de serviços, comprova sua boa fé e não é compatível com conduta dolosa que possa justificar a acusação de comportamento delituoso e consequentemente, não haveria embasamento para a aplicação da multa qualificada. Somente se praticada de forma reiterada evidenciaria a intenção dolosa do agente no Fl. 806DF CARF MF Processo nº 19515.720246/201352 Acórdão n.º 1302002.781 S1C3T2 Fl. 804 7 cometimento da infração, o que não se verifica nas hipóteses aventadas no auto de infração em tela. Colaciona julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 3.14. Por fim, a recorrente solicita a declaração de nulidade do presente auto de infração em razão das argumentações declinadas na presente Impugnação. Alternativamente, requer sejam feitas todas as correções apontadas no mérito e a redução da multa aplicada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), ao analisar os argumentos e fundamentos apresentados pela Recorrente em sede de Impugnação, os refutou na integralidade, julgando improcedente a Impugnação, mantendo, na totalidade, o crédito tributário constituído via Auto de Infração. Devidamente intimada do acórdão proferido por aquela DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisa, na íntegra, os argumentos e fundamentos apresentados em sua Impugnação e que foram reproduzidos acima. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE. Como se denota dos autos, o Recorrente teve ciência do acórdão recorrido no dia 06/11/2013, apresentando o seu Recurso Voluntário no dia 29/11/2013, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado por GRUPO ALC TURISMO E VIAGENS LTDA EPP , ora Recorrente. E, por cumprir os pressupostos para o seu manejo, esse deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR EXTINÇÃO DO MPF. Após tecer longo relato acerca do princípio da legalidade e suas implicações no Direito Tributário, bem como relatar de forma pormenorizada os fatos que ensejaram na lavratura do Auto de Infração, a Recorrente alega a nulidade deste, uma vez que a autuação supostamente só foi lavrada após o vencimento do Mandado de Procedimento Fiscal. Aduz, em síntese, que o agente fiscal, sem o devido MPF válido, não teria competência para lavrar a autuação e, por isso, esta deve ser declarada como nula. Alega, ainda, que, como houve o suposto vencimento do MPF, se estaria fiscalizando novamente o mesmo período e isso só poderia acontecer mediante ordem escrita, nos termos do artigo 906 do RIR/99, o que não aconteceu. Fl. 807DF CARF MF 8 Contudo, não assiste razão à Recorrente neste ponto. Como relatado no próprio Recurso Voluntário apresentado e da análise do MPF nº 08.1.90.002012026262, este foi prorrogado em duas oportunidades, sendo que na segunda prorrogação a sua validade foi postergada para o dia 31/05/2013. Tendo o Auto de Infração sido lavrado em 20/02/2013 (data de intimação do contribuinte), não há que se falar em lavratura da autuação após expirado o prazo do MPF. Pelo contrário: esse foi lavrado bem antes de expirar o prazo daquele MPF. Por outro lado, apenas para argumentar, cumpre registrar que, há muito esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afasta a alegação de nulidade da autuação quando expirado o prazo do MPF. Pela jurisprudência que prevaleceu no CARF, o MPF é um instrumento de controle interno da Receita Federal do Brasil e ele não dá competência ao agente fiscal autuante, muito menos a retira quando do seu vencimento. Vejase, neste sentido, a ementa de julgado proferido: Acórdão: 1802002.539 Número do Processo: 10580.720634/200818 Data de Publicação: 08/06/2015 Contribuinte: COMPACT LIGHT ILUMINACAO LTDA ME Relator(a): Nelso Kichel Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SimplesAnocalendário: 2004Ementa:PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO NA EXECUÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA.O Mandado de Procedimento FiscalMPF de que trata o Decreto nº 6.104/2007, regulamentado pela Portaria nº 4.066, de 02 de maio de 2007 e Portaria nº 11.371, de 12 dezembro de 2007, tem apenas a função de planejamento e controle interno da Administração Tributária e não tem o condão de modificar a competência legal, privativa, do Auditor Fiscal de efetuar o lançamento de ofício (CTN, art. 142 e Lei nº 10.593/2002, art. 6º, com redação dada pela Lei nº 11.457/2007).O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi prorrogado sem lapso temporal, e com a regular cientificação do sujeito passivo, inocorrendo pois qualquer vício ou irregularidade. Mesmo que houvesse ocorrido o vencimento do prazo do MPF, sem sua regular prorrogação, isso não constituiria hipótese legal de nulidade do lançamento, visto que o MPF é instrumento de planejamento, controle interno da atividade de fiscalização da Administração Tributária e de informação ao contribuinte de que está sendo objeto de fiscalização pela RFB. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. (...) (destacouse) Portanto, independentemente do vencimento do MPF (o que não aconteceu no presente caso, reiterese), não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, por suposta ausência de competência do agente autuante. Rejeito, assim, a preliminar de nulidade arguida no Recurso Voluntário ora analisado. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 19515.720246/201352 Acórdão n.º 1302002.781 S1C3T2 Fl. 805 9 No que tange as demais preliminares alegadas ("erro de fato" e "interpretação benigna"), estas se confundem com o mérito do Recurso Voluntário e serão analisadas a seguir, em conjunto com as alegações de mérito lançadas pelo Recorrente. DO MÉRITO. DA POSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DE RECEITAS COM BASE NOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO RESTOU COMPROVADA. No Recurso Voluntário apresentado, a Recorrente alega que caberia à fiscalização comprovar a origem das supostas receitas omitidas, que foram identificadas em suas contas bancárias. Para tanto, argumenta que a "exigência fiscal do tributo não pode estar assentada unicamente em extrato ou comprovantes de depósito bancários, porque estes por si só não constituem, na realidade, fato gerador do imposto de renda, porquanto não caracterizam disponibilidade econômica e jurídica de renda ao abrigo do que dispõe o artigo 43 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional)." Ainda, para supostamente corroborar com os seus argumentos, cita julgados do antigo Conselho de Contribuintes, que foram proferidos antes do advento da Lei 9.430/96, mais precisamente do artigo 42 do referido diploma legal. Os julgados tinham como base legal o artigo 6º da Lei 8.021/90. Neste ponto, importante destacar que a Lei nº 9.430/96, que é posterior ao entendimento administrativo até então consolidado, presume que a existência de depósito bancários, sem que haja a comprovação da origem dos recursos por parte do contribuinte, pode ser considerada como omissão de receita pela fiscalização. É o que determina, expressamente, o artigo 42 da citada lei. Vejase: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A adequação deste dispositivo aos comandos da Constituição Federal de 1988, notadamente aos princípios que balizam e limitam o poder de tributar dos entes competentes para instituir e cobrar tributos, dentre eles o da Capacidade Contributiva, é questionável. Tanto que o Supremo Tribunal Federal reconheceu, em 2015, a repercussão geral da discussão nos autos do RE 855.649, nos termos da ementa a seguir transcrita: IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855.649 RG, Relator(a): Min. MARCO Fl. 809DF CARF MF 10 AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015 ) Contudo, não havendo, até o presente momento, nenhuma declaração de inconstitucionalidade, tampouco a suspensão liminar da eficácia do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, cabe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aplicálo, desde que estejam presentes os requisitos para se imputar a presunção de renda, com base nos valores creditados em conta de depósito ou investimento do contribuinte. Ressaltese, ainda, que, pela leitura do dispositivo legal transcrito, podese observar que não há uma presunção absoluta na caracterização de omissão de receita pelo simples crédito de valores nas contas do contribuinte. Pelo contrário: a presunção é relativa, na medida em que o contribuinte, após ser intimado para tanto, pode demonstrar através de documentação hábil e idônea a origem e o lastro dos recursos identificados e que transitaram em contas correntes e de investimentos mantidos junto às instituições financeiras. Entretanto, não fazendo prova cabal da origem daqueles recursos, é dever da fiscalização caracterizar a omissão de receita e, se for o caso, lavrar a autuação, constituindo, assim, o crédito tributário em desfavor do contribuinte. Por outro lado, no que tange especificamente ao IRPJ, também devese deixar claro que, uma vez caracterizada a omissão das receitas, não há que se falar em necessidade de comprovação, por parte do fisco, do acréscimo patrimonial a ensejar a incidência do referido tributo. Neste sentido, já se pronunciou este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJExercícios: 2004 e 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.Com a edição da Lei n° 9.430/96, a partir de 01/01/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos o lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS E ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO. ESPÉCIES DISTINTAS.A disposição legal acerca da omissão de rendimentos, em face de valores creditados em conta sem a comprovação de suas origens, prescinde para a sua aplicação de que haja a ocorrência de acréscimo patrimonial, mormente o fato de a interessada consistirse em pessoa jurídica, quando a ausência de escrituração e dos documentos que a amparam enseja o arbitramento do lucro, com base na receita tida por omitida. MULTA DE OFICIO.Na ausência de descrição dos fatos que ensejaram a qualificação da multa de 150%, deve a mesma ser reduzida ao percentual de 75%.LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS.Os lançamentos reflexos, uma vez que nada específico a esses foi contraditado, seguem a sorte do lançamento principal (IRPJ).Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Número do Processo 12963.000069/200719 Contribuinte MANHATTAN FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 12/11/2010 Relator(a) Paulo Jakson da Silva Lucas Nº Acórdão 1301000.446) Fl. 810DF CARF MF Processo nº 19515.720246/201352 Acórdão n.º 1302002.781 S1C3T2 Fl. 806 11 Este entendimento é, inclusive, o objeto da súmula 26 do CARF, não podendo ser interpretado de outra forma por este colegiado administrativo. Confirase: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fixadas essas premissas, será legítimo a autuação pela fiscalização com base nos valores creditados em conta corrente ou de investimento do contribuinte, desde que reste comprovado (i) os valores que circularam nas contas de depósito ou de investimentos do contribuinte e (ii) que seja dada oportunidade a este de demonstrar a origem dos recursos e que estes não são, efetivamente, renda tributável ou que já foram levados à tributação. Assim, passase a analisar, concretamente, os fatos e documentos dos presentes autos, para, ao final, se verificar se deve ou não ser dado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. DA ATIVIDADE DA EMPRESA GRUPO ALC TURISMO E VIAGENS LTDA EPP. E A AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS (CRÉDITOS) EM SUAS CONTAS CORRENTES. Como se denota dos autos, em especial do contrato social (5ª alteração contratual) da Recorrente, o seu objeto social é a "a exploração do ramo de: Assessoria na solicitação de vistos consulares, passaportes e documentação de estrangeiros; assessoria na liberação de cargas junto aos órgãos competentes,; Agência de viagens e Organizadores de Viagens de Turismo, venda de passagens de Viagens para qualquer fim, organização de programas turísticos." Ainda, pelo o que se denota da resposta do Recorrente à intimação da fiscalização, a empresa recebe dos seus clientes a integralidade dos valores dos serviços contratados (passagens aéreas, diárias de hotéis, transportes terrestres, etc.) e os repassa aos reais prestadores dos serviços. Assim, aduz, a Recorrente, que "cobra da contratante 1,5% sobre o total dos serviços contratados a título de comissão". Pois bem. Pela análise do objeto social e da declaração apresentada, não restam dúvidas quanto ao serviço prestado pela Recorrente. Contudo, na documentação acostada aos autos, não se pode aferir a veracidade da informação de que o seu "comissionamento" é mesmo de 1,5% do serviço efetivamente contratado, nem que os valores identificados em seus extratos bancários se referem, na totalidade, a operação que foi relatada. Cumpre ressaltar que, quando da apresentação dos contratos que previam o pagamento do aludido percentual ou que previam um valor fixo na remuneração dos serviços, a fiscalização teve o cuidado de cotejar cada um desses recebimentos e indicar como receita tributável apenas os valores efetivamente recebidos pela Recorrente. Nestes casos, inclusive, houve a constatação de que os valores não haviam sido levados à tributação. Com relação às demais rubricas, a Recorrente não trouxe aos autos (nem em atendimento às intimações à fiscalização, nem quando da apresentação da sua Impugnação) qualquer documento que pudesse comprovar o seu argumento de que recebia apenas um percentual sobre os valores creditados em suas contas. Fl. 811DF CARF MF 12 Não há nos autos contratos com os tomadores dos serviços que evidenciem a afirmação de que era apenas comissionada e quais os valores efetivamente recebeu. Por outro lado, não há comprovação dos repasses realizados, por exemplo, às companhias aéreas, aos hotéis, que pudessem evidenciar (e comprovar) as afirmações da Recorrente. As afirmações estão apenas nas declarações e recursos apresentados, sem qualquer prova documental por parte do contribuinte. Não se pode perder de vista que, como mencionado alhures, a presunção de renda quando da constatação de omissão de receitas é relativa, cabendo ao contribuinte provar que os créditos indicados em suas contas correntes não são renda tributável e, se o são, que já foram levados à tributação. São elucidativas, neste ponto, as conclusões a que chegou o douto relator do acórdão recorrido, quando argumenta que caberia à Recorrente comprovar, com documentação hábil e idônea, os créditos em suas contas correntes. Pedese venia para transcrever trecho da decisão: 7.1. Portanto, o contribuinte optante pelo Simples Nacional deve escriturar ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação financeira inclusive bancária, bem como manter em boa ordem e guarda, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos, e que comprovam as informações apresentadas anualmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio da declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais (DASN). 7.1.1. Não tendo a interessada qualquer cautela em demonstrar adequadamente os fatos econômico/tributários ocorridos na entidade, ficam por sua conta e risco as consequências de tal negligência. Relembrese que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme vaticinado no artigo 136 do Código Tributário Nacional. A Recorrente não teve o cuidado de comprovar a origem da totalidade dos créditos identificados em suas contas correntes. Só o fez em relação a alguns e, quando o fez, estes foram confirmados pela fiscalização, apesar de não terem sido levados à tributação, ensejando autuação também com relação a eles. Devese ressaltar, ainda, que as diferenças apuradas pela fiscalização são consideráveis, na medida em que foram identificados ingressos na ordem de R$ 36.676.987,65, sendo que a receita bruta declarada espontaneamente no período foi de apenas R$ 183.154,82. E admitir, com base em simples alegações, sem qualquer comprovação, que, dessa diferença relevante, só 1,5% referese ao que efetivamente ficou com a Recorrente, é, no mínimo, questionável. Apenas como um exercício de argumentação, se as afirmações do Recorrente estivessem coerentes como o que foi declarado à fiscalização, esta deveria ter apresentado como rendimento tributável o valor de R$550.154,81, que corresponde a 1,5% do total dos ingressos em suas contas bancárias, ou seja, R$36.676.987,65 X 1,5%. Contudo, o valor declarado de forma espontânea é consideravelmente menor. Como mencionado, a declaração foi de "apenas" R$183.154,82. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 19515.720246/201352 Acórdão n.º 1302002.781 S1C3T2 Fl. 807 13 Não se está aqui, ressaltese, questionando a veracidade das declarações do contribuinte, principalmente, quando levado em consideração o seu objeto social. Contudo, caberia a ele, contribuinte, nos termos da legislação em vigor, a prova das suas alegações, ainda mais quando a legislação impõe esse ônus expressamente, com no caso das omissões de receita. E a Recorrente teve a oportunidade de demonstrar e comprovar à fiscalização, de forma individualizada, a origem daqueles créditos identificados em suas contas bancárias, mas não o fez. Não se pode perder de vista ainda que a comprovação das movimentações financeiras deve ser realizada de forma individualizada. Entretanto, em nenhum momento, seja nas respostas às intimações, seja nos recursos apresentados, a Recorrente conseguiu comprovar a origem dos créditos identificados em suas contas bancárias e quais os valores efetivamente eram rendimentos passíveis de tributação. Quando o fez, repitase, a fiscalização os considerou. Portanto, não merece provimento o Recurso Voluntário do Recorrente, devendo, neste ponto, ser mantido a autuação combatida. DA AUTUAÇÃO COM BASE NO SIMPLES NACIONAL. Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente alega que a fiscalização incorreu em erro na apuração dos tributos devidos, uma vez que não apurou o valor do ISS, tributo este que compõe os valores que englobam o Simples Nacional. Assim, aduz pela nulidade da autuação, uma vez que, em suas palavras, "o lançamento do crédito tributário no montante apresentado no auto de infração é incompatível com a sistemática de tributação adotada pelo Simples Nacional". Para corroborar com a suas argumentações, cita dispositivos da Resolução CGSN nº 94/2011, que, a princípio, impõe a constituição de crédito tributário relativo ao ICMS e ao ISS, devidos às outras unidades da federação. Ocorre que, como demonstrado na bem fundamentada decisão da DRJ, ora recorrida, não assiste razão à Recorrente neste ponto. É que, a citada Resolução CGSN nº 94/2011, que se aplica ao presente caso, estipula, expressamente, que, até o dia 31/12/2013, poderão ser utilizados "alternativamente os procedimentos administrativos fiscais previstos na legislação de cada ente federado" (§ 8º, do artigo 129 da Resolução CGSN nº 94/2011). Ressaltese, inclusive, que aquele prazo foi prorrogado por resoluções posteriores. E o mencionado artigo 129 da Resolução é expresso quanto a necessidade de constituição do crédito tributário apenas dos tributos de competência do ente autuante. Confira se a sua redação: Art. 129. Enquanto não disponibilizado o Sefisc, deverão ser utilizados os procedimentos administrativos fiscais previstos na legislação de cada ente federado, observado o disposto nos arts. 125 e 126. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 33, § 4º) Fl. 813DF CARF MF 14 § 1º As ações fiscais abertas pelos entes federados em seus respectivos sistemas de controle deverão ser registradas no Sefisc. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 33, § 4º) § 2º A ação fiscal e o lançamento serão realizados tãosomente em relação aos tributos de competência de cada ente federado. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 33, § 4º) Não se pode perder de vista que a fiscalização das empresas optantes do Simples Nacional é de competência de todos os entes federados, que devem obedecer os ditames da Lei Complementar 123/06 e eventuais resoluções do Comitê Gestor CGSN. E o próprio comitê gestor deu alternativa à fiscalização de constituir créditos tributários relativos aos tributos de sua competência, até a disponibilização efetiva do SEFISC. Portanto, tendo a fiscalização agido de acordo com a legislação e, em especial, com os normativos que regulam e limitam a sua atividade, não há reparos a se fazer no Auto de Infração neste ponto. DA INAPLICABILIDADE DA AUTUAÇÃO SIMPLES NACIONAL. Em tópico específico, a Recorrente alega que incorreu em erro a fiscalização ao lavrar Auto de Infração com base no Simples Nacional, quando, na verdade, ante a ausência (não entrega) de livro caixa, deveria ter se "valido do arbitramento do resultado do exercício por inteiro ". Assim, aduz pela nulidade da autuação, face o suposto erro na apuração do agente autuante. Sem razão a Recorrente. Primeiramente, devese pontuar que o regime de apuração da Recorrente no ano de 2008 ano objeto da autuação era o Simples Nacional. Em que pese haver notícia nos autos que, após a autuação, foi proposta a exclusão do contribuinte daquele regime, caso prevaleça a exclusão, esta só terá validade no exercício seguinte. Esta é a inteligência do 32, § 2º, da Lei Complementar nº 123/06, como muito bem pontuado no acórdão recorrido. Confira se a redação do mencionado dispositivo legal: Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim, no ano de 2008, a Recorrente está sujeita ao regime de tributação do Simples Nacional e é com base nesse regime que a constituição do crédito tributário deveria ter sido feita. São irreparáveis as conclusões do acórdão neste sentido. Vejase: 8.1. Isto porque, constatada a omissão de receitas, o lançamento de ofício decorrente deverá ser formalizado considerandose o regime de tributação a que estiver submetido o contribuinte no anocalendário, nos termos do caput do art. 24 da Lei nº 9.249/95, in verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 19515.720246/201352 Acórdão n.º 1302002.781 S1C3T2 Fl. 808 15 Por outro lado, não se pode dar guarida aos argumentos da Recorrente, que, data venia, tenta se valer da própria torpeza, quando alega que a não entrega da livro caixa, ensejaria, necessariamente, no arbitramento do lucro. Quer, a Recorrente, fazer prevalecer o argumento de que a sua recusa em entregar os livros que deveria manter à disposição da fiscalização é motivo para nulidade da autuação. Devese pontuar que, na apuração dos tributos pelo Simples Nacional, o controle feito pelo livro caixa é quase que irrelevante, tendo em vista que a base de cálculo dos tributos devidos será a receita da entidade, como determina o parágrafo 3º, artigo 18 da Lei Complementar 123/2006: Art. 18. O valor devido mensalmente pela microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional será determinado mediante aplicação das alíquotas efetivas, calculadas a partir das alíquotas nominais constantes das tabelas dos Anexos I a V desta Lei Complementar, sobre a base de cálculo de que trata o § 3o deste artigo, observado o disposto no § 15 do art. 3o. (Redação dada pela Lei Complementar nº 155, de 2016) (...) § 3o Sobre a receita bruta auferida no mês incidirá a alíquota efetiva determinada na forma do caput e dos §§ 1o, 1oA e 2o deste artigo, podendo tal incidência se dar, à opção do contribuinte, na forma regulamentada pelo Comitê Gestor, sobre a receita recebida no mês, sendo essa opção irretratável para todo o anocalendário. Assim, em que pese ser dever do contribuinte a guarda do livro caixa e entrega deste sempre que devidamente intimado pela fiscalização para tanto, a inexistência desse livro é prescindível na aferição da movimentação bancária, uma vez que esta pode ser constatada pela análise dos extratos bancários, como ocorreu no presente caso. E as receitas passíveis de tributação, quando da constatação de movimentações financeiras sem a devida comprovação, são presumidas, como restou assentado acima. Como se não bastasse, a apuração do lucro pelo arbitramento, nos termos dos artigos 529 e seguintes do RIR/99, se dará para aqueles contribuintes optantes pelo lucro real ou presumido, que incorrerem em uma das hipóteses elencadas nos dispositivos do regulamento. Sendo a opção do Recorrente pela apuração na sistemática do Simples Nacional, sem que haja a sua exclusão, a constituição do crédito tributário de ofício pela fiscalização tem que se dar pelo Simples. Desta forma, também neste ponto, devese negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado. DA MULTA QUALIFICADA. Por fim, cumpre analisar a imposição de multa qualificada de 150% pela fiscalização, pela suposta conduta dolosa do contribuinte. No Recurso Voluntário, a Recorrente alega que não restou comprovada nenhuma conduta dolosa que pudesse ensejar a qualificação da multa. Fl. 815DF CARF MF 16 De pronto, devese esclarecer que, como já pacificado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a simples omissão de receitas não é suficiente para se fundamentar a qualificação da multa. Há, inclusive, súmula neste sentido: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, para a qualificação da multa, cabe ao agente autuante comprovar a prática, pelo contribuinte, das condutas descritas na legislação. No presente caso, como se denota termo de verificação fiscal, a única justificativa para a qualificação da multa seria o fato de o contribuinte ter deixado de levar à tributação receitas, que posteriormente foram identificadas como tributáveis pelo agente fiscal. Vejase trecho neste sentido: No que se refere à infração "Omissão de receitas receitas não escriturada", a multa de ofício foi aplicada em dobro, nos termos do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, tendo em vista a constatação de que, não obstante a empresa admitir que se tratam de receitas de prestação de serviços, não foram emitidas as correspondentes notas fiscais, ficando caracterizada a situação prevista no artigo 71, I, da Lei nº 4.502/1964. Pelo o que se percebe do trecho transcrito (e esta é a única fundamentação para a qualificação da multa, ressaltese) e de toda a documentação carreada nos autos, não houve, por parte da fiscalização, imputação e/ou comprovação de condutas dolosas praticadas pelo contribuinte a ensejar a qualificação da multa. Como sabido, o parágrafo 1º do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, determina a aplicação da penalidade em dobro quando constatada a prática de alguma das condutas previstas no artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Citase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez, os dispositivos da Lei nº 4.502/64 que autorizam a qualificação da multa são os seguintes: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 816DF CARF MF Processo nº 19515.720246/201352 Acórdão n.º 1302002.781 S1C3T2 Fl. 809 17 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72 Repisese: não há nos autos qualquer imputação e/ou comprovação de condutas dolosas praticadas de acordo com os dispositivos acima transcritos. É fato, é claro, que o contribuinte deixou de levar à tributação algumas receitas que seriam tributáveis, mas não se pode olvidar que este mesmo contribuinte apresentou à fiscalização todos os elementos para que estas receitas pudessem ser identificadas. Assim, a única conclusão a que se pode chegar é que não houve conduta dolosa. Se estivesse agindo com dolo, ao certo, que nem os contratos em que a fiscalização apurou omissão de receitas seriam entregues, muito menos os extratos bancários. Ainda, não se pode olvidar a orientação da citada súmula CARF nº 14, que é de aplicação vinculada pelos órgãos colegiados do conselho, e que preceitua a necessidade de comprovação das condutas dolosas do contribuinte, no caso de omissão de receitas, a ensejar qualificação da multa. Portanto, deve ser afastada a qualificação da multa, por ausência de comprovação pela fiscalização das condutas dolosas praticadas pelo contribuinte. Por todo o exposto, voto por REJEITAR A PRELIMINAR e no mérito pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do Recurso Voluntário, decotando da autuação apenas a aplicação da multa qualificada. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 817DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.726323/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante.
TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplica-se retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa.
Numero da decisão: 3301-004.277
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I - por unanimidade de votos, em dar provimento para: a) retificar o percentual da alíquota reduzida de 35% para 60% sobre as aquisições de bens sujeitos à alíquota zero que fazem jus ao crédito presumido; b) reconhecer o direito ao crédito presumido no percentual de 60% sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas e utilizados na produção de mercadorias de origem animal; c) reverter as glosas de graxa, combustíveis e lubrificantes, utilizados no processo produtivo da recorrente; d) reverter as glosas referentes a: balde pp para banha, bandeja branca b3/m4 funda, big bags, capa pallet pe 117x98x150, corda trançada polipropileno, sacos e plástico utilizado na proteção da matéria-prima; e) reverter as glosas referentes aos produtos utilizados no sistema de refrigeração ou aquecimento de caldeiras e fornos industriais: e.1) água para indústria; e.2) gás glp 45 kg; e.3) gás glp granel; e.4) gás p13; e.5) briquete de bagaço de cana; e.6) briquets industrial; e.7) cavaco de lenha - m3; e.8) dispersante e inibidor; e.9) lenha; e.10) óleo combustível bpf tipo 2a; e.11) óleo de xisto; e e.12) amônia; e f) reverter as glosas de produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho: aditivo bioquímico aha, antiespumante aquaplan ae 20, coagulante orgânico, polímero aniônico, polímero catiôncio, sulfato de alumínio, ácido muriático, água sanitária, álcool 96º para uso desinfectante, caulim, formol, fornecimento de água, serragem, gás cloro, etc.; II - por maioria de votos, em dar provimento para: a) reverter as glosas de créditos relativos a frete de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho; e b) reverter as glosas de frete para transporte de insumos e matéria-prima no sistema de parceria (integração), salvo para o CFOP 5503 (devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação) para o qual manteve-se a glosa. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen e Ari Vendramini que divergem para conceder o crédito também para o CFOP n. 5503; III - por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto: a) ao crédito presumido de agroindústria na aquisições de insumos de pessoas jurídicas, por falta de comprovação dos créditos alegados; ao ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS, nos termos da Lei n° 12.350/2010, por ser incabível o ressarcimento ou compensação com outros débitos da recorrente, do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004; c) às glosas de serviços prestados- "serv c/ despachantes impor", "armazenagem terc monitoram", "transporte de matérias-prima" e "serviço de transporte", por ausência de comprovação; d) às glosas de créditos sobre comissões de vendas; e) às glosas de créditos sobre despesas de armazenagem; e f) às glosas de créditos da atividade de prestação de serviço de transportes realizada pela Recorrente e subcontratações; e IV - por voto de qualidade, em negar provimento quanto às glosas de caibro de madeira, estrado madeira e estrado madeira Arlog. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e Ari Vendramini. José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Edudarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplica-se retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I - por unanimidade de votos, em dar provimento para: a) retificar o percentual da alíquota reduzida de 35% para 60% sobre as aquisições de bens sujeitos à alíquota zero que fazem jus ao crédito presumido; b) reconhecer o direito ao crédito presumido no percentual de 60% sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas e utilizados na produção de mercadorias de origem animal; c) reverter as glosas de graxa, combustíveis e lubrificantes, utilizados no processo produtivo da recorrente; d) reverter as glosas referentes a: balde pp para banha, bandeja branca b3/m4 funda, big bags, capa pallet pe 117x98x150, corda trançada polipropileno, sacos e plástico utilizado na proteção da matéria-prima; e) reverter as glosas referentes aos produtos utilizados no sistema de refrigeração ou aquecimento de caldeiras e fornos industriais: e.1) água para indústria; e.2) gás glp 45 kg; e.3) gás glp granel; e.4) gás p13; e.5) briquete de bagaço de cana; e.6) briquets industrial; e.7) cavaco de lenha - m3; e.8) dispersante e inibidor; e.9) lenha; e.10) óleo combustível bpf tipo 2a; e.11) óleo de xisto; e e.12) amônia; e f) reverter as glosas de produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho: aditivo bioquímico aha, antiespumante aquaplan ae 20, coagulante orgânico, polímero aniônico, polímero catiôncio, sulfato de alumínio, ácido muriático, água sanitária, álcool 96º para uso desinfectante, caulim, formol, fornecimento de água, serragem, gás cloro, etc.; II - por maioria de votos, em dar provimento para: a) reverter as glosas de créditos relativos a frete de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho; e b) reverter as glosas de frete para transporte de insumos e matéria-prima no sistema de parceria (integração), salvo para o CFOP 5503 (devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação) para o qual manteve-se a glosa. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen e Ari Vendramini que divergem para conceder o crédito também para o CFOP n. 5503; III - por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto: a) ao crédito presumido de agroindústria na aquisições de insumos de pessoas jurídicas, por falta de comprovação dos créditos alegados; ao ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS, nos termos da Lei n° 12.350/2010, por ser incabível o ressarcimento ou compensação com outros débitos da recorrente, do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004; c) às glosas de serviços prestados- "serv c/ despachantes impor", "armazenagem terc monitoram", "transporte de matérias-prima" e "serviço de transporte", por ausência de comprovação; d) às glosas de créditos sobre comissões de vendas; e) às glosas de créditos sobre despesas de armazenagem; e f) às glosas de créditos da atividade de prestação de serviço de transportes realizada pela Recorrente e subcontratações; e IV - por voto de qualidade, em negar provimento quanto às glosas de caibro de madeira, estrado madeira e estrado madeira Arlog. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e Ari Vendramini. José Henrique Mauri - Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Edudarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I por unanimidade de votos, em dar provimento para: a) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 63 23 /2 01 1- 83 Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.889 2 retificar o percentual da alíquota reduzida de 35% para 60% sobre as aquisições de bens sujeitos à alíquota zero que fazem jus ao crédito presumido; b) reconhecer o direito ao crédito presumido no percentual de 60% sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas e utilizados na produção de mercadorias de origem animal; c) reverter as glosas de graxa, combustíveis e lubrificantes, utilizados no processo produtivo da recorrente; d) reverter as glosas referentes a: balde pp para banha, bandeja branca b3/m4 funda, big bags, capa pallet pe 117x98x150, corda trançada polipropileno, sacos e plástico utilizado na proteção da matériaprima; e) reverter as glosas referentes aos produtos utilizados no sistema de refrigeração ou aquecimento de caldeiras e fornos industriais: e.1) água para indústria; e.2) gás glp 45 kg; e.3) gás glp granel; e.4) gás p13; e.5) briquete de bagaço de cana; e.6) briquets industrial; e.7) cavaco de lenha m3; e.8) dispersante e inibidor; e.9) lenha; e.10) óleo combustível bpf tipo 2a; e.11) óleo de xisto; e e.12) amônia; e f) reverter as glosas de produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho: aditivo bioquímico aha, antiespumante aquaplan ae 20, coagulante orgânico, polímero aniônico, polímero catiôncio, sulfato de alumínio, ácido muriático, água sanitária, álcool 96º para uso desinfectante, caulim, formol, fornecimento de água, serragem, gás cloro, etc.; II por maioria de votos, em dar provimento para: a) reverter as glosas de créditos relativos a frete de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho; e b) reverter as glosas de frete para transporte de insumos e matériaprima no sistema de parceria (integração), salvo para o CFOP 5503 (devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação) para o qual mantevese a glosa. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen e Ari Vendramini que divergem para conceder o crédito também para o CFOP n. 5503; III por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto: a) ao crédito presumido de agroindústria na aquisições de insumos de pessoas jurídicas, por falta de comprovação dos créditos alegados; ao ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS, nos termos da Lei n° 12.350/2010, por ser incabível o ressarcimento ou compensação com outros débitos da recorrente, do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004; c) às glosas de serviços prestados "serv c/ despachantes impor", "armazenagem terc monitoram", "transporte de matériasprima" e "serviço de transporte", por ausência de comprovação; d) às glosas de créditos sobre comissões de vendas; e) às glosas de créditos sobre despesas de armazenagem; e f) às glosas de créditos da atividade de prestação de serviço de transportes realizada pela Recorrente e subcontratações; e IV por voto de qualidade, em negar provimento quanto às glosas de caibro de madeira, estrado madeira e estrado madeira Arlog. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e Ari Vendramini. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Edudarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.890 3 Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 1656.4586ª Turma da DRJ/SP1 (fls 2704/2740): 4. O processo em exame versa sobre pedido de ressarcimento de crédito de Cofins pertinente a receitas de exportação, no montante de R$ 20.056.825,60,, o qual teria sido apurado no 2° trimestre de 2008 pelo regime nãocumulativo. 5. Ao referido pedido se acham vinculadas diversas declarações de compensação. 6. Em despacho decisório exarado nas fls. 2.430/2.462, a Equipe especial de Auditoria (EQAUD) da DERAT/SPO deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o crédito de R$ 5.382.744,57, e homologou até esse valor as compensações declaradas. 7. Intimada da decisão por via postal em 03/04/2012 (fl. 2.466), apresentou a contribuinte em 27/04/2012 — tempestivamente portanto — a manifestação de inconformidade anexa às fls. 2.474/2.520, cujo teor resumo a seguir, acompanhada de alguns documentos. Resumo da impugnação I. Dos créditos sobre bens sujeitos à alíquota zero (fls. 3/6 do recurso) a) Alega basicamente que os bens sujeitos à alíquota zero trazem embutidos em seu preço tanto o Pis quanto a Cofins, visto que, incidindo nas etapas anteriores da comercialização, essas contribuições oneram em cascata o custo do produto final, que é adquirido como insumo pela empresa. b) Assim prossegue ainda que tenha adquirido insumos tributados à alíquota zero, é fato incontestável tratarse de operações sujeitas ao pagamento dessas contribuições, de modo que não incide no caso o óbice a que alude o art. 3o, § 2o, da lei n° 10.833/2003. c) Cita em seu favor jurisprudência do STJ e do CARF, afirmando tratarse de posicionamento unânime nos tribunais administrativos e judiciais. d) Argumenta ainda que caso se entenda não lhe assistir direito aos créditos integrais decorrentes da aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero — devese reconhecer nesse caso seu direito ao crédito presumido previsto no art. 8o da lei n° 10.925/2004, calculado sobre o valor dos bens citados no art. 3o, II, da lei n° 10.833/2003. II. Do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais Insumos adquiridos de pessoas físicas (fls. 6/11 do rec.) Fl. 2890DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.891 4 e) Esclarece inicialmente que, segundo o entendimento da autoridade administrativa, na apuração do crédito presumido relativo às aquisições de pessoas físicas, a recorrente “deveria aplicar a alíquota de 35% previstas (sic) no inciso III do §3° do artigo 8° da Lei n° 10.925/04 de acordo com cada insumo adquirido”. f) Acrescenta que, ainda segundo a referida autoridade, a contribuinte “teria utilizado, equivocadamente, a alíquota de 4,56% sobre as aquisições de alguns insumos”, quando, na verdade, deveria ter aplicado a alíquota de 2,66%. g) Discordando dessa tese, alega em síntese que os percentuais de crédito presumido previstos no art. 8° da lei n° 10.925/2004 devem ser aplicados em função dos produtos elaborados (no caso produtos de origem animal, sobretudo carne de suínos e aves, classificados no capítulo 2 da TIPI) e não como afirma a autoridade administrativa em função dos insumos utilizados (no caso, além de insumos vegetais, animais vivos, classificados no capítulo 1). h) Assim, prossegue, as empresas agroindustriais que fabricam produtos de origem animal, como é o seu caso, têm direito ao crédito presumido calculado à alíquota de 60% (art. 8°, § 3°, I), pouco importando se os insumos adquiridos de pessoa física ou pessoa jurídica são de origem animal ou vegetal, da mesma forma que as fabricantes de bens de origem vegetal, independentemente da natureza dos insumos utilizados, devem creditarse com base na alíquota de 35% (art. 8°, § 3°, III), relativa a produtos vegetais. i) Escudada em tal raciocínio e considerando a alíquota de 7,6% prevista no art. 2o da lei n° 10.833/2003, contesta a glosa dos créditos presumidos por ela apropriados à alíquota de 4,56% (60% X 7,6%), glosados por entender a autoridade fiscal que a alíquota aplicável seria 2,66% (35% X 7,6%). [Vide a esse respeito o item 33 na fl. 13 do despacho decisório] j) Observa que sua interpretação do art. 8o está de acordo com o pronunciamento da Receita Federal no processo de consulta n° 134/09, da 8a Região Fiscal, cuja ementa reproduz nas fls. 9/10 do recurso. j1) Argumenta ainda que a intenção do legislador teria sido conceder aos produtores de bens de origem animal maior percentual de crédito presumido devido ao fato de sua cadeia de custos ser mais onerada pelo Pis e pela Cofins do que a cadeia de custos relativa à produção de bens de origem vegetal. j2) Pondera também que, se a intenção do legislador fosse realmente conceder o direito ao crédito presumido com base nas entradas, teria incluído no inciso I do § 3° do art. 8° os animais vivos, visto tratarse do “principal insumo de parte significativa da agroindústria de alimentos de origem animal”. Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.892 5 j3) Concluindo, contesta as glosas realizadas, declarando corretos os procedimentos que adotou para apropriarse do crédito presumido sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas. III. Do conceito de insumo (fls. 11/19 do recurso) K) Em longa dissertação entremeada de citações de doutrina e jurisprudência administrativa, salientando a ausência de positivação do conceito de insumo nas leis que disciplinam o regime nãocumulativo do Pis e da Cofins e invocando os arts. 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda, advoga a tese de que o referido termo deve ser entendido em acepção ampla, abarcando todos os custos de produção e despesas operacionais necessários à atividade geradora de receita da pessoa jurídica, tais como matériasprimas, máquinas, equipamentos, capital, mãodeobra, energia elétrica, marketing, produtos intermediários, arrendamentos, etc. l) Assevera que qualquer outra interpretação que se aplique à nãocumulatividade do Pis e da Cofins implicaria afronta à Constituição Federal, particularmente aos princípios da isonomia tributária, do nãoconfisco e da capacidade contributiva. m) Nesse sentido, salientando a impossibilidade de restringir o conceito de insumo a determinadas operações, para fins de tomada de créditos, visto estar ligado aos custos e despesas inerentes à atividade ensejadora de receita tributável, alega que as instruções normativas n° 247/2002 (art.66) e n° 404/2004 (art.8°) — em que, abusivamente, se fundam diversas respostas a consulta — extrapolam a competência regulamentar do Poder Executivo, “aplicando restrições que não encontram respaldo no sistema de nãocumulatividade criado para o PIS/COFINS”. IV. Das glosas resultantes do conceito de insumo adotado pela autoridade fiscal (fls. 19/46 do recurso) n) Esclarece de início que a autoridade administrativa glosou créditos oriundos da aquisição dos bens indicados na linha 2 do DACON por entender que não se enquadram no conceito de insumo delimitado no artigo 8° , § 4°, inciso I, alíneas " a " e " b", da IN SRF n° 404/2004. o) Discordando da glosa, sob a alegação de que tais bens teriam sido consumidos no processo produtivo, protesta pela posterior juntada de laudos técnicos que demonstrarão de forma detalhada sua utilização no referido processo, mencionando especialmente os seguintes insumos: a) Combustíveis e lubrificantes; b) Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas; c) Produtos utilizados no sistema de Verdadrefrigeração/aquecimento; d) Serviços prestados; e) Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho. IV. 1 Da utilização da graxa no processo produtivo (fls. 20/22) Fl. 2892DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.893 6 p) Afirma que a “graxa”, assim como o “óleo lubrificante”, é uma espécie do gênero “lubrificante”, tendo portanto previsão legal o direito ao crédito sobre sua aquisição, visto que o art. 3o, II, da lei n° 10.833/2003 menciona expressamente os “combustíveis e lubrificantes”. q) Com base em excerto transcrito do despacho decisório, assevera que o próprio auditor fiscal admite que a “graxa” é um “lubrificante”, acrescentando que em momento algum a referida lei limitou o direito ao crédito apenas aos “óleos lubrificantes”, como afirma a dita autoridade. r) Ressalta ainda ser a “graxa” essencial a seu processo produtivo, tendo fundamental importância para manter em pleno funcionamento as máquinas e equipamentos nele utilizados. IV. 2 Das despesas de comissões sobre vendas (fls. 27/29) s) Reconhece que, embora as despesas de comissões sobre vendas devessem constar da linha 03 das fichas 06A e 16A do DACON, as registrou indevidamente na linha 07 como despesas com armazenagem. t) Entretanto, prossegue, como tais despesas também são insumos, devem ser reclassificadas na referida linha 03, devendo se reconhecer os créditos delas decorrentes. u) Retomando alguns dos argumentos expendidos ao discutir o conceito de insumo, observa que as despesas com comissão de vendas, ou seja, as comissões pagas a representantes comerciais autônomos de acordo com os pedidos de compra que obtenham, constituem insumos porque são essenciais à atividade da empresa, viabilizandolhe a comercialização das mercadorias produzidas. IV. 3 Das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda (fls. 22/27 e 29/46) v) Inicialmente relata, de forma bastante pormenorizada, as várias fases da auditoria realizada pela autoridade fiscal no tocante a este tópico, bem como as conclusões a que ela chegou (fls. 22/27). x) Passa em seguida a examinar individualmente cada uma das rubricas glosadas, aduzindo diversos argumentos: 1a Rubrica: Créditos relativos a armazenagem (fl. 27) y) Reconhece que, de fato, parte do montante registrado como despesa com armazenagem se refere a aluguéis pagos a pessoas jurídicas que foram indevidamente classificados na linha 07. z) A seu ver, tais parcelas devem ser consideradas como créditos nas linhas 05 e 06 das fichas 06A e 16A dos DACON do período fiscalizado, tratandose portanto de “mera reclassificação na declaração e não de glosa a afetar o valor do pedido de ressarcimento analisado”. Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.894 7 2a Rubrica: Créditos relativos a frete sobre transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa (fls. 29/35) aa) Retomando argumentos já expendidos ao tratar do conceito legal de insumo, refuta novamente a legitimidade da IN SRF n° 404/2004, sob a alegação de que as leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 jamais o definiram nem tampouco “previram a aplicação subsidiária de uma outra norma”. bb) Afirma, em síntese, que as transferências de mercadorias entre centros de distribuição (CD) ou entre estes e lojas varejistas não têm outro propósito senão a operação de venda, constituindo etapa essencial à atividade econômica da pessoa jurídica, de modo que todas essas operações geram direito ao creditamento do frete e não apenas o “deslocamento da mercadoria da loja varejista para o consumidor final, como querem fazer crer as autoridades fiscais”. cc) Acrescenta que “o «frete transferência» compõe o custo de produção ou comercialização de uma mercadoria, dentro da acepção de insumo já plenamente defendida nesta manifestação de inconformidade” e que o legislador, ao valerse da expressão “operação de venda” em vez de referirse à “venda” propriamente dita, não teve outro intuito senão o de “conferir crédito de PIS e COFINS sobre o frete para transporte de mercadorias, sempre que este transporte estiver relacionado à atividade de venda”. dd) Cita em seu favor um excerto de doutrina, uma sentença judicial e um acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). ee) Assinala que as Soluções de divergência mencionadas no despacho decisório se originam não apenas de decisões desfavoráveis, senão também de decisões favoráveis aos contribuintes, como o demonstra a Solução de Consulta n° 71/2005, da 9ª Região Fiscal, cuja ementa reproduz na fl. 32 da manifestação de inconformidade. ff) Alega ainda que “as manifestações da RFB em respostas a consulta sobre IMPOSSIBILIDADE de creditamento sobre o valor incorrido a título de fretes entre estabelecimentos de uma mesma empresa não encontra[m] supedâneo legal e transgride[m] elementos nevrálgicos ínsitos a não cumulatividade do PIS/COFINS, razão pela qual a glosa procedida deve ser revertida”. gg) Concluindo as considerações a respeito deste tópico, observa haver juntado à manifestação de inconformidade, como forma de provar o alegado, “cópia de demonstrativo contendo resumo das entradas e saídas por CFOP envolvendo os CDs da fiscalizada nas filiais abaixo citadas nos períodos de 10 a 12/2007, 10 a 12/2008, 10 a 12/2009 (docs): SP CD JANDIRA FILIAL 147; DF CD BRASILIALFILIAL 163; BA CD SIMOES FILHO FILIAL 345”. Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.895 8 3a Rubrica: Créditos relativos a frete pago na subcontratação de transporte de carga (fls. 35/39) — Tese 1 hh) Afirma constar de seu objeto social a atividade de “transporte rodoviário de mercadorias próprias e de terceiros” (fl. 2.525) e que possui filiais em diversos estados habilitadas perante a ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) para o exercício dessa função (fls. 2.553/2.558). ii) Como não dispõe de frota própria — prossegue —, subcontrata transportadores autônomos (pessoas físicas) e transportadoras (pessoas jurídicas), utilizandoos não apenas para atividade de transporte interno, mas também para transportar mercadorias de terceiros, conforme documentos anexos às fls. 2.551/2.552, o que corrobora “a efetividade de seu objeto social quanto a prestação de serviços de transporte rodoviário de carga”. jj) Conclui daí, em vista de “sua legítima atividade de transporte”, assistirlhe direito ao creditamento dos custos com a contratação de transportadores, seja por meio de crédito ordinário, consoante o art. 3o, II, das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 (subcontratação de pessoa jurídica), seja por meio de crédito presumido, na forma do art. 3o, § 19, II, e § 20, da lei n° 10.833/2003 (subcontratação de pessoa física). Reproduz em parte o referido art. 3o na fl. 36 da manifestação de inconformidade. kk) Alega que o fato de haver enquadrado, por equívoco, o custo em causa na linha 07 dos DACON entregues (“frete na operação de venda”) não significa a inexistência de direito a crédito, cabendo à autoridade fiscal alocar e considerar o dito custo nas linhas 03 (“insumo – contratação de transportador PJ”) e 18 (“crédito presumido – contratação de transportador PF”) das fichas 06A e 16A, “conforme amplamente demonstrado durante a auditoria fiscal e também nesta manifestação”. ll) Quanto à afirmação de que a atividade de transporte por ela exercida não gera receita, contida na fl. 31, item 103, do despacho decisório, afirma não haver nenhuma exigência legal que condicione à geração de receita o direito ao crédito, sujeito apenas às condições previstas no art. 3o, §§ 2o e 3o, das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, as quais enumera na fl. 38 da manifestação de inconformidade. mm) Em remate, argumenta que na hipótese de os custos com subcontratação de transportadoras não serem aceitos como insumos da atividade de serviços de transporte é manifesta a possibilidade de enquadrálos, alternativamente, como insumos da atividade agroindustrial, no que toca às “aquisições de serviços de transporte junto a pessoas jurídicas”, como mostrará a seguir. Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.896 9 3a Rubrica: Créditos relativos a frete pago no transporte de insumos e matériaprima no sistema de parceria (fls. 39/46) Tese 2 nn) Discorrendo sobre o conceito de integração vertical ou verticalizada (agrupamento de diversas fases da cadeia produtiva dentro de uma mesma empresa), observa adotar, em suas atividades agroindustriais, a chamada “integração para trás”, controlando a produção de seus “inputs” (insumos), bem como seus canais de distribuição. oo) Descreve de maneira pormenorizada as diversas fases do processo produtivo, assim como o sistema de parceria que lhe é inerente, procurando demonstrar a existência de “uma série de movimentos logísticos de insumos e matériasprima” necessários ao ciclo de produção. pp) Afirma não se resumir sua atividade ao abate e processamento de carne, visto que seu processo produtivo abarca, “além da planta industrial de abate, as fabricas de rações, os domicílios rurais dos parceiros agrícolas, os custos com medicação, vacinas, veterinário, assistência técnica aos produtos parceiros”, etc. qq) Assim, no seu entender, “os fretes incorridos nos deslocamentos de insumos e matériasprimas da Seara para o produtor parceiro e viceversa fazem parte do seu custo de aquisição de mercadorias para fabricação de produtos destinados a venda”. rr) Informa terem sido objeto de glosa os CFOP de saída, acrescentando que, embora não tenham a denominação de venda, estão diretamente vinculados à venda ou ao processo produtivo, sendo incontestável que geram crédito de Pis e Cofins. ss) Relaciona a seguir alguns CFOP que deram origem a fretes cujo crédito foi glosado, explicando por que, a seu ver, lhe dariam direito a crédito: 5151 Transferência de Produção do Estabelecimento (Vide fl. 43). 5451 Remessa de Animal ou de Insumo p/ Estabelecimento Produtor (Vide fl. 43). 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação (Vide fls. 43/44). 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (Vide fl. 44). 5503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação (Vide fl. 44). 5905/6905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral (Vide fl. 44). Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.897 10 5923 Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem ou em operações com armazém geral ou depósito fechado (Vide fls. 44/45). 6151 Transferência de produção do estabelecimento (Vide fl. 45). 7949 Outra Saída de Mercadoria ou Prestação de Serviço Não Especificada (Vide fl. 45). tt) Assevera ser “notório que todas as atividades acima discriminadas estão vinculadas ao processo produtivo, não havendo justificativa plausível para a glosa realizada pela fiscalização”. uu) Em remate, afirma que os citados fretes constituem insumos de sua atividade produtiva, nos termos do art. 3o, II, das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 tomado o termo insumo na acepção já exposta e portanto geram direito a crédito do Pis e da Cofins, conforme o demonstra o acórdão do CARF cuja ementa reproduz na fl. 46. V. Do Pedido (fls. 46/47 do recurso) vv) Por fim, dando por encerrada a exposição de suas razões de defesa, requer: 1. a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; 2. o reconhecimento integral do crédito pleiteado, bem como a homologação total das compensações que realizou; e, 3. na hipótese de este órgão julgador não se convencer de seus argumentos, a conversão do julgamento em diligência. ddd) No mais, “protesta pela juntada de novos documentos a fim de corroborar todas as argumentações acima expostas”. 8. Posteriormente, em 29/06/2012, apresentou a recorrente um aditamento à manifestação de inconformidade (fls. 2.569/2.596), cujo teor resumo abaixo, acompanhado de alguns documentos. Resumo do aditamento à manifestação de inconformidade I. Do conceito de insumo e glosas a ele vinculadas (fls. 2/17 do rec.) a) Informa que como já observou na manifestação de inconformidade a autoridade administrativa glosou créditos oriundos da aquisição dos bens indicados na artigo 8°, § 4°, inciso I, alíneas " a " e " b ", da IN SRF n° 404/2004. b) Tais bens, acrescenta, relacionados nas fls. 17/21 do despacho decisório, foram agrupados pela referida autoridade nos seguintes itens: a) Combustíveis e lubrificantes; b) Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas; c) Produtos utilizados Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.898 11 no sistema de refrigeração/aquecimento; d) Serviços prestados; e) Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho. c) Contestando as glosas em apreço, afirma que os produtos citados devem ser considerados como insumos utilizados no processo produtivo, porquanto “foram integralmente consumidos durante o processo de produção das mercadorias comercializadas”. d) Argumenta que, ao contrário do que afirma a fiscalização, “o conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do PIS e da COFINS deve ser entendido como qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é diversa da materialidade do PIS e da COFINS”. e) “Desse modo, prossegue, a legislação atinente à não cumulatitividade da apuração do PIS e da COFINS permite o creditamento em relação à aquisição de todo e qualquer insumo, sem limitações, sendo inaplicável ao presente caso, portanto, o conceito de insumo atinente à apuração e recolhimento do IPI.” f) Observando que a autoridade tributária glosou os créditos relativos a uma extensa gama de produtos, listados nas fls. 3/4 do recurso em exame, considera improcedente essa glosa, por tratar se de “combustíveis aplicados em seu processo produtivo, no qual sofrem desgaste físico que legitima, inquestionavelmente, o creditamento efetuado”. g) Ressalta que tanto o art. 3o, II, da lei n° 10.833/2003 quanto o art. 8°, I, “b”, da IN SRF n° 404/2004 admitem “o creditamento de combustíveis utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou prestação de serviços”, donde conclui ser “de todo arbitrária, ilegal e inadmissível” a glosa realizada. h) Em seguida, nas fls. 5/6 do recurso, apresenta sucinta descrição dosprodutos citados nas fls. 3/4 (exceto a soda cáustica), indicando seu emprego no processo produtivo. i) Observa, além disso, ter juntado “aos autos laudo técnico que discrimina a destinação dos produtos adquiridos e a sua utilização como insumo no processo produtivo”. j) Cita ainda em seu favor uma Solução de Consulta da 9ª Região Fiscal, uma Solução de Divergência da Cosit e um acórdão relativo à própria Seara Alimentos S/A, proferido pela DRJ 2 do Rio de Janeiro, o qual, segundo se depreende do trecho transcrito, versa sobre “óleo diesel para geradores de combustível utilizado no processo produtivo da empresa” (fls. 7/8 do recurso). k) Apoiada sobretudo nesse acórdão, assinala que “a própria Secretaria da Receita Federal admite o crédito de COFINS sobre Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.899 12 a aquisição de combustíveis em processo produtivo ou prestação de serviços”. l) Nas fls. 9/15 do recurso em exame, apresenta nova listagem de produtos, com a descrição de suas características e utilização, alegando tratarse de insumos empregados em seu processo produtivo que também teriam sido objeto de glosa por parte da fiscalização. m) Tais produtos podem ser divididos em 5 categorias: 1ª. Produtos incluídos pela autoridade fiscal na tabela do item 49.b do despacho decisório (Produtos Utilizados na Movimentação e Armazenagem de Cargas); 2ª. Produtos incluídos pela autoridade fiscal na tabela do item 49.c do despacho decisório (Produtos Utilizados no Sistema de Refrigeração / Aquecimento de caldeiras e fornos industriais); 3ª. Serviços incluídos pela autoridade fiscal na tabela do item 49.d do despacho decisório (Serviços Prestados — Serviços não considerados como insumos); 4ª. Produtos incluídos pela autoridade fiscal na tabela do item 49.e do despacho decisório (Produtos Químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho); 5ª. Produtos não mencionados pela autoridade fiscal. n) Retomando argumentos já expostos na manifestação de inconformidade a respeito da acepção “ampla” que entende se deva atribuir ao termo “insumo”, afirma que o “conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS não cumulativo deve abranger todo e qualquer custo e despesa necessária à atividade da empresa, conforme é previsto na legislação do IRPJ, devendo ser afastada, portanto, o conceito trazido pela legislação do IPI”. o) Cita em seu favor alguns acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), acrescentando tratarse de tese já abraçada pelo próprio STJ. p) Concluindo este tópico, reitera acharse anexado “ao presente aditamento laudo técnico que comprova a destinação dos insumos adquiridos no 2° trimestre de 2008, os quais deram origem aos créditos glosados, corroborando os argumentos apresentados pela Manifestante”. II. Do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais Insumos adquiridos de pessoas jurídicas (fls. 17/23 do rec.) q) No tocante aos insumos adquiridos de pessoas físicas, reitera os argumentos já expendidos na manifestação de inconformidade, alegando em síntese que, “se uma empresa agroindustrial comercializa produtos de origem animal, suas aquisições de insumos de pessoa física devem gerar crédito Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.900 13 presumido à alíquota de 60%, pouco importando se o insumo adquirido para o processo produtivo é animal ou vegetal”. r) Passando a discorrer sobre o crédito presumido decorrente de insumos adquiridos de pessoas jurídicas, previsto no art. 8o, III, da lei n° 10.925/2004, alega que, segundo afirma a própria autoridade fiscal, só geram direito a essa modalidade de crédito os insumos adquiridos em venda realizada com suspensão da exigibilidade da Cofins, nos termos do art. 9° desse diploma legal. s) Observa que o aproveitamento da referida suspensão está condicionado ao cumprimento da formalidade prevista no § 2° do art. 2° da IN SRF n° 660/2006, assim redigido: “§ 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão «Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS», com especificação do dispositivo legal correspondente”. t) Assim, fiandose no pressuposto de ser “requisito obrigatório para a suspensão da exigibilidade do PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as vendas dos produtos agropecuários” a inclusão da expressão citada na nota fiscal de venda, conclui que “o não atendimento desse requisito implica na renúncia do aproveitamento dessa suspensão da exigibilidade pelo vendedor dos produtos agropecuários, culminando, ainda, na obrigatoriedade do recolhimento das aludidas contribuições”. u) Em outras palavras, continua, a pessoa jurídica que tenha vendido produtos agropecuários sem informar nas notas fiscais que a venda foi efetuada com suspensão da exigibilidade do Pis e da Cofins “renunciou ao aproveitamento desse benefício, sujeitandose assim ao pagamento das contribuições sobre essas vendas em sua integralidade”. v) Voltando à afirmação de que só há direito ao crédito presumido a que alude, em seu inciso III, o art. 8° da lei n° 10.925/2004 se a venda se der com a suspensão da exigibilidade das contribuições em apreço, declara ser “inquestionável que as vendas não amparadas pela aludida suspensão dão direito ao creditamento integral das aludidas contribuições”. Isso porque nesse caso os fornecedores estão sujeitos ao pagamento integral do Pis e da Cofins. x) Feitas essas considerações, informa que, no caso em estudo, ao examinar as notas fiscais de venda de insumos agropecuários adquiridos de pessoas jurídicas, verificou a ausência da expressão «Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS». y) Observa que, diante desse fato, “apurou créditos de PIS/COFINS sobre as aquisições de insumos realizadas no período de apuração em destaque, mediante a aplicação da alíquota integral de 1,65% (PIS/PASEP) e 7,6% (COFINS), os quais são pleiteados no presente pedido de ressarcimento”. Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.901 14 z) Afirma que, ao assim proceder, “agiu com total boafé e dentro do que determina a legislação”, visto que, dada a ausência da informação em apreço nas notas fiscais de vendas, não tinha como pressupor que os insumos adquiridos estavam acobertados pelo benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições. aa) Reitera que realizou o creditamento do Pis e da Cofins pela alíquota integral em evidente boafé, “não podendo ser penalizada com as glosas em questão por suposto creditamento indevido, como no presente caso”. bb) Desviandose do assunto em causa, declara eivado de “nulidade absoluta” o “lançamento do crédito tributário” praticado pelo Fisco, por “imputar responsabilidade a terceiro que age em estrita boafé”. cc) Afirma ser possível inferir “por conclusão lógica que as aquisições de insumos agropecuários de pessoa jurídica vinculadas ao caso em tela sofreram a tributação pela COFINS, o que pela sistemática da nãocumulatividade” lhe confere plenos direitos de apropriarse integralmente de créditos dessa contribuição sobre as referidas aquisições. Cita em seu favor uma Solução de Consulta na fl. 22 do recurso. dd) Por essa razão, ausente a suspensão da exigibilidade, entende que “as aquisições dos insumos agropecuários glosadas deveriam ter sido incluídas pela fiscalização na rubrica correspondente aos bens utilizados como insumos adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, as quais estariam sujeitas à incidência dessas contribuições, gerando crédito normal calculado à alíquota de 1,65% PIS/PASEP e 7,6% COFINS”. ee) Reiterando seu direito ao crédito da Cofins mediante aplicação da alíquota integral, “sob pena de ofensa ao princípio da nãocumulatividade, uma vez que tais insumos foram devidamente tributados na etapa anterior”, “protesta pela posterior juntada das notas fiscais relativas às vendas dos insumos comercializados por pessoa jurídica domiciliada no País, das quais deixou de constar a expressão «Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS», razão pela qual houve apropriação dos créditos em seu valor integral”. III. Do ressarcimento do crédito presumido (fls. 23/28 do recurso) ff) Afirma que o art. 16 da lei n° 11.116/2005 instituiu a possibilidade legal de ressarcimento ou compensação do crédito presumido apurado nos termos dos arts. 8° e 15 da lei n° 10.925/2004, quando não tenha sido utilizado em sua totalidade, pela pessoa jurídica adquirente, na dedução do Pis e da Cofins por ela devidos a cada mês. gg) Alega que o ADI n° 15/2005 e a IN SRF n° 660/2006, ao vedarem o ressarcimento e a compensação do saldo credor do Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.902 15 referido crédito, feriram os princípios da legalidade e da hierarquia das leis, visto que, além de contrariarem o disposto no art. 16 da lei n° 11.116/2005, citado acima, impuseram restrições não previstas na mencionada lei n° 10.925/2004. hh) Conclui que, por essas razões, “deve ser reconhecido o direito ao ressarcimento e compensação do saldo de créditos presumidos apurados na forma do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, para os períodos em discussão”. ii) Ad argumentandum, caso não sejam acolhidas as alegações respeitantes à ilegalidade dos atos normativos citados, recorre a novo argumento, discorrendo sobre a possibilidade de ressarcir ou compensar o crédito presumido em causa com base na lei n° 12.350/2010, “cujos artigos 55, e § 7° e 56A introduziram no ordenamento jurídico a permissão legal para o ressarcimento e compensação dos saldos de créditos presumidos apurados nos termos do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004”. jj) Pondera que, muito embora tenha a referida lei entrado em vigor apenas em 20/12/2010 e estabeleça que somente a partir de 01/01/2011 se poderá formalizar os pedidos de ressarcimento de créditos apurados no anocalendário de 2008, tratase de “mera questão temporal”, não podendo impedir a recorrente de reaver os créditos a que faz jus. Isso porque essa lei teria convalidado o procedimento adotado pela empresa. kk) É que, no seu entender, conquanto tenha formalizado o pedido de ressarcimento de saldo de crédito presumido relativo ao 2° trimestre de 2008 quando ainda não havia previsão legal para tanto, a posterior edição da lei n° 12.350/2010, que introduziu a possibilidade do ressarcimento, lhe convalidou o ato praticado. ll) Assim, assevera que, não havendo embasamento para a glosa do crédito em questão, deve, quanto a ele, ser integralmente reconhecido o pedido de ressarcimento formulado pela empresa. mm) Em arremate a suas razões de defesa, reitera os termos da manifestação de inconformidade já apresentada, requerendo seja julgada procedente e integralmente reconhecidos os créditos de Cofins vinculados a operações de exportação apurados no 2° trimestre de 2008. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negoulhe provimento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. É legítima a glosa do crédito pleiteado sempre que a requerente deixar de observar as normas que disciplinam a matéria. Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.903 16 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma tributária regularmente editada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 2744/2870), no qual foram apresentados pela Recorrente seus argumentos, que serão analisados mais adiante neste Voto, divididos nos seguintes tópicos: II.2. AQUISIÇÕES DE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO II.3. CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS AQUISIÇÕES DE BENS DE PESSOA FÍSICA PARA PRODUÇÃO DE CARNE E SEUS DERIVADOS II.4 DO CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO II.5 CRÉDITO PRESUMIDO DE AGROINDÚSTRIA AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS JURÍDICAS II.6DO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS/COFINS NOS TERMOS DA LEI N° 12.350/2010 II.7 GLOSAS REFERENTES AOS DEMAIS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS II.7.1. UTILIZAÇÃO DA GRAXA NO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE II.7.2. DEMAIS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE 1 Combustíveis e lubrificantes 2 Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas 3 Produtos utilizados no sistema de refrigeração ou aquecimento de caldeiras e fornos industriais 4) Produtos químicos (Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho) 5) Serviços prestados II.8. DOS CRÉDITOS SOBRE COMISSÕES DE VENDAS Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.904 17 II.9. DOS CRÉDITOS SOBRE DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDAS 1. Dos Créditos sobre Despesas de Armazenagem 2. Dos Créditos Relativos a Frete de Transferência de Mercadorias entre Estabelecimentos 3. Fretes Utilizados como Insumo nos Serviços de Transporte 3.1. Da Atividade de Prestação de Serviço de Transportes Realizada pela Recorrente e do Direito a Crédito nas Subcontratações 3.2. Frete para Transporte De Insumos e Matéria Prima no Sistema de Parceria (Integração É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto ao pedido de sobrestamento do processo, mantém o entendimento da decisão recorrida no sentido de que não merece acolhida em razão de falta de fundamento legal. Quanto ao mérito, analisarseá um a um os tópicos apresentados pela Recorrente em seu Recurso Voluntário. II.2. AQUISIÇÕES DE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO A Recorrente se insurge contra as glosas referentes à aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero, pois, conforme acredita, estariam sujeitos à incidência em cascata do PIS/Cofins nas etapas anteriores da circulação. Segundo entende, não se tratariam de operações não sujeitas ao pagamento das contribuições, e por isto não incidiria o óbice previsto no artigo 3°, §2° da Lei 10.833/2003, com a redação dada pelas Leis n° 10.684/03 e 10.865/04. Ocorre que o artigo 3°, §2° da Lei 10.833/2003, transcrito abaixo, é bastante claro ao estabelecer que não dará direito ao crédito da Cofins a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento desta contribuição: Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.905 18 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) (grifouse) Assim, sendo incontroverso que os bens foram adquiridos pela recorrente com alíquota zero, não estão sujeitos ao pagamento da contribuição e, portanto, em face da disposição expressa em lei, não dão direito ao creditamento da Cofins, não havendo que se aventar sobre o eventual valor das contribuições embutido no preço dos bens adquiridos. A jurisprudência colacionada pela recorrente não lhe socorre, vez que trata de matéria diferente, qual seja, do direito ao crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins das aquisições de não contribuintes, cuja restrição está disposta apenas em Instrução Normativa. Requer, a Recorrente, de forma alternativa, o reconhecimento do direito ao crédito presumido previsto no artigo 8° da Lei n° 10.925/2004, vez que seriam insumos adquiridos pela Recorrente, na qualidade de produtora de mercadorias de origem animal destinados à alimentação humana, os quais foram utilizados na fabricação de produtos por ela fabricados e destinados à venda. No entanto, para aquelas aquisições de bens com alíquota zero da Cofins que faziam jus ao crédito presumido a fiscalização já o reconheceu, conforme demonstra o trecho abaixo do despacho decisório (fl. 2.357): BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS 16.Analisando os registros constantes dos arquivos magnéticos de notas fiscais e planilhas de cálculo fornecidas pelo contribuinte, identificamos aquisições de bens utilizados como insumos com alíquota da contribuição reduzida a zero e com direito a crédito presumido, além de bens adquiridos para industrialização não caracterizados como insumos no molde das Instruções Normativas SRF 247/2002 e 404/2004. Dessa forma, apuramos a base de cálculo dos bens utilizados como insumos e com direito aos créditos integrais do PIS e da COFINS excluindo da base os bens não sujeitos ao pagamento (alíquota zero), os sujeitos ao crédito presumido e os não caracterizados como insumos. 17. Importante ressaltar que o contribuinte não informou nos DACONs mensais os créditos presumidos, assim, sobre os montantes excluídos da base de cálculo referentes ao crédito presumido aplicamos a alíquota reduzida equivalente a 35% da alíquota integral: 2,66% (35% de 7,6% da COFINS e de 1,65% do PIS). (grifouse) Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.906 19 Desta forma, como a recorrente não informou e comprovou quais outras aquisições com alíquota zero que dariam direito ao crédito presumido, além daquelas já aceitas pela fiscalização, seu pedido alternativo há de ser indeferido. Assim, devem ser mantidas as glosas relativas às aquisições de bens sujeitos à alíquota zero da Cofins. II.3. CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS AQUISIÇÕES DE BENS DE PESSOA FÍSICA PARA PRODUÇÃO DE CARNE E SEUS DERIVADOS Alega a Recorrente que os percentuais de crédito presumido previstos no art. 8° da lei n° 10.925/2004 devem ser aplicados em função dos produtos por ela elaborados, e não como entendem a fiscalização e o julgador de primeira instância, em razão dos insumos utilizados no processo produtivo. Aduz que, com a publicação da Lei 12.865/2013, restaria comprovado o seu direito ao crédito presumido no percentual de 60% sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas e utilizados na produção de mercadorias de origem animal. Com razão a recorrente, pois o §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, acrescentado pela Lei nº 12.865/2013, publicada em 10/10/2013, trouxe norma para interpretação do §3º, I desse artigo: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.907 20 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei no11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013) (grifouse) De forma que, o novo dispositivo da Lei adota o entendimento defendido pela Recorrente, de que os percentuais de crédito presumido previstos no art. 8° da lei n° 10.925/2004 devem ser aplicados em função dos produtos elaborados, e, como se trata de norma expressamente interpretativa, aplicase retroativamente ao presente caso concreto, nos termos do art. 106, I do CTN. Nessa esteira, após a publicação da Lei nº 12.865/2013, que acrescentou a referida norma interpretativa, tem sido adotado no CARF adotado o entendimento nela constante de norma interpretativa, conforme ementa do Acórdão nº 3402002.809 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, da qual transcrevemos excerto: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 Ementa: (...) CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. Assim, o crédito presumido de Cofins não cumulativa a que a recorrente faz jus deverá ser recalculado pela fiscalização aplicandose as alíquotas em função dos bens produzidos e não dos insumos adquiridos, em conformidade com a interpretação trazida pelo §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. II.4 DO CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.908 21 Em relação ao conceito de insumo, sustenta a Recorrente que se deve considerar para fins de creditamento os dispêndios diretamente vinculados à geração de receita, sem os quais não se consiga proceder à criação, à apresentação e à venda de bens para circulação econômica. Nessa linha, colaciona precedentes deste CARF com o posicionamento de que, para a definição de insumos para aproveitamento dos créditos das contribuições sociais não cumulativas, deverseia adotar legislação do IRPJ. Ocorre que, atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Assim, segundo o entendimento consolidado neste CARF, temse aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra excerto da ementa do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. Não há, portanto, como acolher a pretensão de ordem genérica da recorrente de, em sede de julgamento, ter reconhecido o direito ao crédito sobre todos os dispêndios de bens e serviços sob o entendimento de que todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa gerariam o referido direito creditório. Com efeito, incumbe analisar as glosas expressamente contestadas no âmbito do presente recurso voluntário, dentro do princípio da livre persuasão racional deste órgão Fl. 2908DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.909 22 julgador, segundo o entendimento acima exposto, o que será feito mais a frente, conforme os itens do Recurso Voluntário. II.5 CRÉDITO PRESUMIDO DE AGROINDÚSTRIA AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS JURÍDICAS Neste tópico, argumenta a recorrente, em síntese, que, nas notas fiscais de venda de insumos agropecuários por ela adquiridos de pessoas jurídicas, não havia a inscrição «Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS», que seria uma formalidade exigida para a concessão da suspensão da exigibilidade da Cofins, nos termos do § 2° do art. 2° da IN SRF n° 660/2006, de forma que lhe seria cabível o creditamento das contribuições sobre essas aquisições, não beneficiadas pela suspensão. No entanto, como a recorrente não apresentou as referidas notas fiscais, comprovando o alegado, apenas "protesta pela posterior juntada das notas fiscais relativas às vendas dos insumos comercializados por pessoa jurídica domiciliada no País, das quais deixou de constar a expressão 'venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Em consequência, tornase prejudicada a análise da eventual procedência desse argumento. Cumpre ter presente que incumbe à recorrente a prova de suas alegações em conformidade com o art. 36 da Lei nº 9784/99. Assim, diante da ausência de prova da alegação da recorrente como elemento modificativo à decisão que indeferiu nessa parte seu pleito, as glosas relativas ao crédito presumido das aquisições com suspensão da Cofins devem ser mantidas. II.6DO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS/COFINS NOS TERMOS DA LEI N° 12.350/2010 Alega a recorrente que o art. 16 da lei n° 11.116/2005, que segue abaixo, teria instituído a possibilidade de ressarcimento ou compensação do crédito presumido apurado nos termos dos arts. 8° e 15 da Lei n° 10.925/2004, quando não tenha sido utilizado em sua totalidade na dedução do Pis e da Cofins devidos a cada mês: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o Fl. 2909DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.910 23 último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. (grifouse) No entanto, conforme se vê, a autorização legal acima não diz respeito ao crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004, ao qual a recorrente faria jus na qualidade de produtora de mercadorias de origem animal destinadas à alimentação humana, mas somente ao crédito apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei no 10.865/2004. Também a Lei nº 12.350/2010 não pode socorrer a Recorrente, eis que, conforme disposto no seu art. 56A, incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011, a possibilidade de ressarcimento ou de compensação com outros débitos do saldo de crédito relativo ao 2º trimestre de 2007 somente seria cabível para pleitos efetuados "a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei", sendo que, no caso presente, o pedido da recorrente foi protocolizado em 15/08/2008: Art. 56A . O saldo de créditos presumidos apurados a partir do anocalendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011 ) I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; ( Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011 ) II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. ( Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011 ) § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: ( Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011) I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011 ) II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2009 e no período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1º de janeiro de 2012. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011) Também não merece acolhida a alegação de que o artigo acima, acrescido à Lei nº 12.350/2010, teria convalidado o seu entendimento, vez que, não obstante o legislador ordinário tenha disposto sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação para saldos apurados no anocalendário de 2007, restringia, expressamente, "somente" para pedidos a serem formulados após a publicação da Lei. Fl. 2910DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.911 24 O crédito presumido da agroindústria estava previsto originariamente nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto, no caso de exportação, gozava nessa época do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Ocorre que o crédito presumido previsto nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi expressamente revogado a partir de agosto de 2004 pelo art. 16, I, "a" e “b”, da Lei nº 10.925/2004, passando a constar dos arts. 8º e 15 dessa mesma lei. De forma que, por opção do legislador ordinário, passouse a restringir o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, nos termos do art. 8° da lei n° 10.925/2004, ou seja, decorrentes de atividades agroindustriais, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. (grifouse) Fl. 2911DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.912 25 Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, cuja ementa transcrevemos, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições": 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2006.72.00.0078654/SC RELATORA : Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA EMENTA: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ARTS. 8º E 15 DA LEI N.º 10.925/04. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO. NORMAS INFRALEGAIS. 1. Os artigos 17 da Lei n.º 11.033/2004 e 16 da Lei n.º 11.116/2005 tratam de saldos credores do PIS e da COFINS apurados na forma do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, de créditos gerados a partir da sistemática da não cumulatividade e inerentes a ela, calculados em relação aos bens e serviços descritos nos seus incisos, não alcançando os créditos previstos nos artigos 8º e 15 da Lei n.º 10.925/2004. 2. As próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes crédito o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições. 3. Tanto os artigos 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 15/2005 como o § 6º do artigo 3º da Instrução Normativa SRF n.º 636/2006 (substituído pelo art. 5º da IN SRF n.º 660/06), ao vedarem expressamente outra forma de devolução do montante do crédito presumido apurado, vieram somente a esclarecer aquilo que a lei já trazia em seu conteúdo. Assim, tais dispositivos infralegais possuem cunho meramente interpretativo, de modo que não "inovaram", desbordando de sua competência regulamentar. Nessa mesma linha, o Superior Tribunal de Justiça manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa colacionada: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" Fl. 2912DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.913 26 (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Assim, não merece reforma a decisão recorrida na parte em que entendeu incabível o ressarcimento ou compensação com outros débitos da recorrente do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. II.7. GLOSAS REFERENTES AOS DEMAIS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS II.7.1. UTILIZAÇÃO DA GRAXA NO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE Insurgese a Recorrente em face das glosas dos créditos oriundos das aquisições de graxas, uma vez que seria essencial no seu processo produtivo, bem como que o direito ao crédito restaria previsto expressamente em lei. Aduz que a graxa seria de fundamental importância para manter em pleno funcionamento as máquinas e equipamentos utilizados na atividade principal da Recorrente, qual seja, o abate de animais vivos e o processamento da carne dela decorrente. A fiscalização glosou os créditos relativos às aquisições de graxa, tendo em vista não se tratar de insumos diretos e não haver disposição expressa na Lei de direito a creditamento como um insumo indireto, como ocorre, por exemplo, em relação aos combustíveis e aos lubrificantes. No entanto, conforme entendimento consolidado neste CARF, insumos para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, que sejam neles empregados direta ou indiretamente. No caso presente, a fiscalização reconheceu a condição da graxa como um insumo indireto, sendo incontroverso no processo que é utilizada nas máquinas e do seu processo produtivo, mas sem contato direto com o produto em fabricação, de forma que, segundo o entendimento consolidado neste CARF, cabível é o creditamento relativo às aquisições de graxa, devendo a glosa correspondente ser revertida. Fl. 2913DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.914 27 II.7.2. DEMAIS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE Indicase no Recurso Voluntário que a decisão recorrida manteve a glosa dos seguintes insumos: 1 Combustíveis e lubrificantes (óleo diesel e graxa); 2 Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas (auxílio no transporte de cargas, baldes, bandejas, bigbags etc); 3 Produtos utilizados no sistema de refrigeração ou aquecimento de caldeiras e fornos industriais (gás GLP 45 kg, gás GLP granel, gás P13, briquete de bagaço de cana, briquets industrial, cavaco de lenha, dispersante e inibidor, lenha, óleo combustível tipo 2A, óleo de xisto tipo eote, amônia etc); e 4 Produtos químicos 5 Serviços prestados. Passase a analisar as glosas expressamente contestadas neste tópico sob a classificação adotada pela fiscalização. 1 Combustíveis e lubrificantes A fiscalização assim justificou a exclusão desses itens: a. Combustíveis e lubrificantes: A auditoria não aceitou como base para créditos os valores utilizados com gastos discriminados como óleo diesel para empilhadeiras, pois, efetivamente não foram aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda. Os gastos com esse ou outros combustíveis utilizados na atividade de transporte de matéria prima, produtos intermediários ou produtos em elaboração, entre as diversas etapas do processo produtivo, não geram direito a crédito a ser descontado na sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS/PASEP e Cofins, por não se subsumirem no conceito de insumos para fins do disposto no art. 3o, II, da Lei nº 10.637, de 2002 e lei 10.833/03, art. 3º, II e Solução de Consulta 323 de 25/10/2010 da 8ª RF. ; Concluímos, no entanto, na esteira do entendimento deste CARF sobre insumos, que óleo diesel para empilhadeiras, que é utilizado nas empilhadeiras para movimentação de produtos dentro do abatedouro, configura bem pertinente e essencial ao processo produtivo, ainda que não tenha contato direto com o produto em fabricação, e, portanto, deve ser considerado insumo que dá direito ao crédito da contribuição social não cumulativa. Dessa forma, assiste razão à recorrente nesta parte, não sendo cabível a exclusão desse item da base de cálculo da Cofins efetuada pela fiscalização. 2 Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas Sob essa rubrica, a fiscalização excluiu da base de cálculo da Cofins por não considerálos insumos os seguintes itens: Fl. 2914DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.915 28 BALDE PP PARA BANHA, BANDEJA BRANCA B3/M4 FUNDA, BIGBAGS, CAIBRO DE MADEIRA, CAPA PALLET PE 117X98X150, CORDA TRANÇADA POLIPROPILENO, ESTRADO MADEIRA e ESTRADO MADEIRA ARLOG Esses bens possuem a função de "auxílio no transporte de cargas". Segundo a recorrente, esses itens possuem as seguintes funções: · Balde PP para banha Recipiente para armazenar banha suína. Utilizado para acondicionamento de produto resultante do abate de suínos e que será comercializado ou utilizado no processo produtivo como insumo. · Bandeja Branca B3/M4 Funda Recipiente para uso na sala de cortes de aves para colocar as porções de carnes advindas das desossas das carcaças de aves, como coxa, sobrecoxa, peito, miúdos a fim de proceder pesagem do produto e congelamento. · BigBags Para armazenar e transportar matérias primas em fabricas de rações e produtos embalados ou não em abatedouros e indústria de carnes. · Sacos grandes que acondicionam insumos para utilização na fabricação de ração e também para acondicionar insumos utilizados no processo produtivo dos abatedouros. · Caibro de madeira sustentação de ninhos de matrizes em produção e sustentação de furneiros para defumações de produtos cárneos em geral, como salames. Age juntamente com as ripas na distribuição das cargas sobre todo o madeiramento, como forma de sustentação dos ninhos das matrizes de produção de ovos e no processo de defumação de produtos industrializados (salames). Capa Pallet PE 117X114X140 · Capa plástica para proteger pallet em big bag para transporte de CMS (carne mecanicamente separada), CMR (Carne Mecanicamente recuperada) e carnes em geral, assegurando proteção ao risco de corpos estranhos à matéria prima cárnea, produtos em processo e produtos de transferência para plantas de processamento. · Plástico utilizado na proteção da matériaprima transportada internamente ou entre filiais e utilizada no processo produtivo dos produtos industrializados (salsichas, mortadelas, etc). · Corda trançada Polipropileno Cordão para movimentação de cortina de aviários de matrizes produtoras de ovos férteis a fim de prevenir o stress térmico pelo frio ou pelo calor das aves. Corda plástica para acionar a abertura e o fechamento das cortinas dos aviários de matrizes de produção de ovos. · Estrado 1,0X1,20X0,138 MCD, Estrado 1200X800X140, Estrado de Madeira 1,1X1,IX, Estrado MAD 1,1X0,9X0,14 LI, Estrado MAD Fl. 2915DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.916 29 1.2X1X0.135 TRAT, Estrado MAD 1200X1000X162 BE, Estrado Madeira 1200X1000X13, Estrado Madeira 1200X1000X14, Estrado Madeira, PALLET 1000X1200X137 TIP PBR base de madeira, plástico ou papelão, para sustentar pallete formados por caixas plásticas, contendo produtos cárneos para consumo final ou matéria prima para transferência à industrialização. Entendese que pode ser considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, o material de embalagem ou transporte, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. Nesse sentido, já foi decidido por esta 3ª Seção, conforme trecho do Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão nº 3302001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Após análise dos autos constato que o único item possível para o crédito do PIS e COFINS não cumulativo tratase da embalagem para transporte. Em relação a este item, ouso divergir do parecer apresentado pelo ilustre Conselheiro Relator. Pareceme claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente. (...) Além dos materiais de embalagem e transporte, os itens relativos à movimentação e à armazenagem dos produtos em elaboração também podem ensejar o creditamento das contribuições sociais não cumulativas desde que não se tratem de bens ativáveis. Com relação aos itens: CAIBRO DE MADEIRA, ESTRADO MADEIRA e ESTRADO MADEIRA ARLOG não há provas nos autos, que incumbiria à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/72, de que eles não seriam de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda/99. De forma que, incabível o reconhecimento do direito creditório na forma pleiteada pela recorrente, pelo custo total da aquisição desses bens. Conforme já foi decidido por este Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3403002.648, de 27/11/2013, para fins de creditamento da contribuição não cumulativa, nos termos do art. 3º, II da Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o bem deve ser aplicado no processo produtivo e não ser passível de ativação obrigatória, sendo que, na hipótese de o bem ser de ativação obrigatória, o crédito deveria ser apropriado com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Nessa linha, este CARF também já decidiu que os paletes utilizados para transporte ensejam o creditamento da Cofins somente pela despesa depreciação: Fl. 2916DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.917 30 Acórdão nº 3403001.935 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/11/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. Os materiais utilizados como insumo, durante o processo produtivo, geram direito a crédito de PIS e COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PALETES E BARROTES DE MADEIRA NÃO CARACTERIZAÇÃO COMO MATERIAL DE EMBALAGEM. Os bens incorporados ao ativo não circulante só geram direito a crédito de PIS e COFINS via depreciação, nos termos do inciso III do §1º do art. 3º da Lei 10.833/03. (...) Assim, conforme exposto neste item, relativamente à rubrica Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas, foi indevida a exclusão da base de cálculo efetuada pela fiscalização somente dos seguintes bens: BALDE PP PARA BANHA, BANDEJA BRANCA B3/M4 FUNDA, BIGBAGS, CAPA PALLET PE 117X98X150 e CORDA TRANÇADA POLIPROPILENO. 3 Produtos utilizados no sistema de refrigeração ou aquecimento de caldeiras e fornos industriais Os itens dessa rubrica foram excluídos da base de cálculo de crédito pela fiscalização sob os seguintes fundamentos: c. Produtos Utilizados no Sistema de Refrigeração / Aquecimento: Não gera direito a crédito, por não haver caracterização como insumo, os gastos com materiais e produtos utilizados no processo industrial para o resfriamento ou aquecimento de máquinas, equipamentos e moldes, bem assim para a lavagem ou limpeza desses bens. Também não há que se cogitar de direito a crédito relativamente à água utilizada no funcionamento de máquinas e equipamentos para aquecimento ou resfriamento. Base Legal: Ementa da Solução de Consulta 8ª RF, no 439/2003, Lei 10833/03, art 3, inciso II; Lei 10637/02, art 3; IN SRF 404/2004, art 8, &4, inciso II, alínea B; IN SRF 247/2002, art.66 &5, inciso II, alínea B. Conforme consta na decisão recorrida, as características e o emprego de cada produto dessa rubrica são os seguintes: a) Água para indústria – É utilizada como desinfetante na higienização de frigoríficos e outros ambientes, de modo que não pode ser considerada insumo. Vejase, a este respeito, a Solução de Divergência n° 12/2007 da Cosit, já mencionada. Embora esta aluda a “materiais de limpeza de equipamentos e máquinas”, aplicase, por analogia, a qualquer produto utilizado em atividades de limpeza e higienização, as quais não estão diretamente ligadas ao processo produtivo. b) Gás GLP 45 kg – Tratase de combustível empregado no aquecimento de aviários. Não sendo aplicado ou consumido no processo produtivo, não pode ser considerado insumo. Fl. 2917DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.918 31 c) Gás GLP granel – Verificase neste caso flagrante contradição entre as informações do aditamento à manifestação de inconformidade e aquelas contidas no laudo técnico. Segundo o primeiro documento, tratase de combustível usado no aparelho chamuscador, ao passo que, de acordo com o laudo, seu emprego se dá em processos de cozimento de carnes e na incineração de aves mortas. Dada essa incongruência nos dados fornecidos pela própria empresa, entendo que não pode ser caracterizado como insumo. d) Gás P13 – É utilizado no cozimento de carnes e na incineração de aves mortas. Apenas a primeira atividade está relacionada ao processo produtivo. e) Briquete de bagaço de cana – É utilizado como combustível nas caldeiras para aquecimento de água, a qual se destina a dois usos: peletização da ração e geração de vapor para depilagem de suínos e depenagem de aves. Apenas esta segunda atividade está ligada ao processo produtivo. f) Briquets industrial – Aplicase a este produto o que foi dito do briquete de bagaço de cana, visto terem sido incluídos pela recorrente na mesma rubrica. g) Cavaco de lenha – M3 – Tratase de combustível usado na caldeira para geração de vapor, o qual se destina a três usos distintos: alimentação de digestores utilizados no cozimento de resíduos de aves; depilagem de suínos e depenagem de aves; e peletização de rações. Esta última atividade, como já assinalei, não tem relação com o processo produtivo. h) Dispersante e inibidor – Não pode ser considerado insumo, visto ser utilizado para impedir a corrosão e incrustação do sistema de resfriamento de água, sendo aplicado portanto na manutenção deste sistema e não no processo produtivo em si. i) Lenha – Tanto a manifestação de inconformidade quanto o laudo técnico referemse a “lenha eucalipto”, informando tratar se de combustível utilizado em caldeiras para aquecimento de água, a qual se destina à peletização da ração e à geração de vapor para a depilagem de suínos e a depenagem de aves. A primeira atividade não guarda relação com o processo produtivo. j) Óleo combustíve BPF tipo 2A – Assim como outros óleos incluídos pela recorrente na mesma rubrica, é empregado na movimentação de máquinas, como empilhadeiras, em tratores que efetuam a limpeza externa das granjas e matrizes e em equipamentos, como caldeiras para aquecimento de água. As duas primeiras atividades não tem relação com o processo produtivo. Por outro lado, a empresa não esclarece a que uso se destina a água nem informa a que equipamentos, além das caldeiras, se refere e qual a função destes. Assim, justificase plenamente sua descaracterização como insumo. Fl. 2918DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.919 32 k) Óleo de xisto tipo eote – Incluído pela recorrente na mesma rubrica, aplicase a este produto o que foi dito do óleo combustíve BPF tipo 2A. l) Amônia – Segundo a recorrente, é empregada como desinfetante em várias “etapas do processo produtivo”, entre as quais a desinfecção de pneus de veículos, a desinfecção de recipientes e meios de transporte das aves e suínos até o abatedouro, etc. Como já foi visto, as atividades de limpeza e higienização diferentemente do que alega a interessada não fazem parte do processo produtivo, cabendo aqui citar uma vez mais a Solução de Divergência n° 12/2007 da Cosit. Não se trata, portanto, de insumo. Segundo o conceito de insumo adotado neste Voto, todos os dispêndios dessa rubrica, relativos a produtos utilizados para aquecimento, resfriamento ou limpeza de máquinas, equipamentos e moldes, ainda que não tenham contato direto com o produto em fabricação, são essenciais e pertinentes ao processo produtivo da recorrente e dão direito ao creditamento da Cofins. De forma que entendo que devem ser revertidas todas as exclusões da fiscalização sob a rubrica Produtos utilizados no sistema de refrigeração/aquecimento. 4) Produtos químicos (Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho) Entendeu a fiscalização, conforme trecho abaixo transcrito, que não ensejaria crédito como insumos a aquisição dos seguintes produtos químicos descritos como aditivo bioquímico aha, antiespumante aquaplan AE 20, coagulante orgânico, polímero aniônico, polímero catiôncio, sulfato de alumínio, ácido muriático, água sanitária, álcool 96º para uso desinfectante, caulim, formol, fornecimento de água, serragem, gás cloro, etc. e. Produtos Químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho: Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com materiais e produtos químicos utilizados no tratamento de água efluente do processo industrial, por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda. Esses insumos não foram considerados por não agregarem ao produto em fabricação, não se incorporando a ele e não perdendo suas propriedades físicas ou químicas em decorrência do contato com o produto em fabricação. Dispositivos legais: art. 3o da Lei 10.637/02, art. 66 e 67 da IN SRF no 247/02 com alterações da IN SRF no 358/03 e Lei 10.833/03; Lei 10.865/04, IN SRF no 404/04 e Solução de Consulta 323/SRRF/8a RF de 25/10/2010. O julgador de primeira instância, em cotejo das informações fornecidas pela recorrente sobre os referidos produtos químicos com o laudo técnico, chegou a conclusão que: 106. SERRAGEM – Consta na citada tabela que a serragem é empregada para fins de forração. Já a recorrente incorre em contradição mais uma vez, ora afirmando empregála como combustível nas caldeiras (laudo), ora alegando que a utiliza Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.920 33 como combustível em estufa para queima e defumação de produtos. Neste caso, se a própria empresa não é capaz de informar com exatidão o uso que dá ao produto, agiu bem a autoridade fiscal ao excluílo da base de cálculo de créditos de Cofins. 107. Excluída portanto a serragem, podese afirmar, sem contestação possível, que todos os produtos listados na tabela do item 49.e do despacho decisório são empregados pela contribuinte quer na higienização e limpeza de máquinas ou ambientes, quer no tratamento de águas e de esgoto. 108. Tais atividades, naturalmente, não têm relação direta com o processo produtivo da empresa, de modo que os produtos químicos em apreço não se enquadram no conceito de insumo a que alude o § 4o do art. 8o da IN SRF n° 404/2004. Além disso, não há previsão legal que autorize as empresas a creditarse sobre os valores pagos em sua aquisição. Não obstante a recorrente não tenha esclarecido qual seria a efetiva aplicação da serragem, tanto o emprego dela como combustível nas caldeiras ou como em estufa, para queima e defumação de produtos, dariam direito a crédito, eis que essenciais e pertinentes ao processo produtivo da recorrente. O mesmo ocorre em relação aos produtos químicos utilizados "quer na higienização e limpeza de máquinas ou ambientes, quer no tratamento de águas e de esgoto", que são considerados insumo, conforme o entendimento exposto esposado neste Voto. Assim, concluise que devem ser revertidas todas as exclusões dos créditos da base de cálculo de créditos da Cofins sob a rubrica Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho. 5) Serviços prestados A fiscalização indeferiu alguns serviços sob os seguintes fundamentos: Serviços Prestados: d. O termo "serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto" não pode ser interpretado como todo e qualquer serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Assim sendo, não foram aceitos os créditos dos serviços apresentados no quadro abaixo por não se enquadram nesse conceito: (...) Os serviços cujos créditos foram excluídos da base de cálculo da Cofins foram os seguintes: Fl. 2920DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.921 34 A recorrente nada acrescentou, no recurso voluntário, relativamente à exclusão desses serviços, apenas repisou a descrição já constante no processo: Armazenagem Terc Monitoramento e Armazenagem Termômetro de monitoramento do perfil térmico de produto aplicado nos produtos para definir o comportamento térmico durante a armazenagem e atestar ao serviço de Inspeção federal o cumprimento dos valores requeridos pela legislação de 8°C para produtos resfriados em armazenamento e 12 para produtos congelados e 18°C para produtos ultra congelados como a carne mecanicamente separada. Equipamento utilizado para controlar a temperatura do produto resultante do abate até o seu destino e atender o previsto na legislação. (...) Serv. com despach. Azeite GALLO , serv. c/ Despachantes Impor. serv. de armazenagem, transporte de matérias prima Aquisição de insumos industriais como óleos de origem vegetal para preparação dos alimentos cárneos e sua saborização. O azeite é utilizado como insumo na produção de alguns produtos que compõem a linha de produtos comercializados pela empresa. Serv. de transporte mudança, serv. movimentação matéria, serviço de transporte, transportes de matérias prima transferência de equipamentos e matérias para compor linhas de produção. Os denominados "SERV C/ DESPACHANTES IMPOR", ao que tudo indica, seriam serviços utilizados na importação de azeite para posterior utilização no processo produtivo da recorrente, e não são considerados serviços "utilizados como insumo (...) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", não ensejando o correspondente creditamento. O serviço "ARMAZENAGEM TERC MONITORAM" não foi tampouco descrito pela recorrente, não obstante a observação do julgador de primeira instância de que "Tratase, aparentemente, não de um serviço, mas de um equipamento utilizado pela empresa". Como já observado, incumbiria à recorrente trazer aos autos a prova dos fatos alegados, razão pela qual incabível o direito creditório. Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.922 35 Também os serviços de "TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMA" e "SERVIÇO DE TRANSPORTE", à mingua de uma melhor descrição e da demonstração, a cargo da recorrente, de que são serviços efetivamente "utilizados como insumo (...) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", não cabe o creditamento respectivo. Assim, no que concerne aos "serviços prestados", nada há a reparar na decisão que manteve a exclusão dos correspondentes créditos. II.8. DOS CRÉDITOS SOBRE COMISSÕES DE VENDAS Sobre a exclusão dos créditos sobre comissões de venda assim se pronunciou o julgador de primeira instância: 122. A autoridade fiscal glosou créditos sobre quantias pagas a título de comissões de venda, as quais haviam sido indevidamente incluídas na linha 07 da ficha 16A dos DACON, relativa às despesas com armazenagem. 123. Reconhecendo o erro, requer a empresa a reclassificação desses valores na linha 03 da referida ficha, por entender tratarse de insumos. 124. Como observei anteriormente, o conceito de insumo para fins de creditamento da Cofins se encontra no § 4o do art. 8° da IN SRF n° 404/2004. No que respeita especificamente a serviços, segundo o inciso I, alínea “b” do referido parágrafo, consideram se insumos apenas “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. 125. Ora, os serviços em questão foram prestados por representantes comerciais autônomos, segundo informe da própria empresa, os quais constituem pessoas físicas, e não jurídicas. Além disso, tratase de serviço prestado na fase de comercialização dos produtos prontos, etapa bastante posterior ao término do processo de produção. 126. Logo, não se trata de insumos, devendo ser mantida a glosa realizada pela autoridade tributária. No Recurso Voluntário, alegou a recorrente, em síntese, que as referidas despesas seriam essenciais para o desenvolvimento das atividades da empresa e ensejariam o creditamento como insumo, cabível em relação aos "bens, serviços e encargos que se transformam em custos de produção ou em despesas operacionais, mormente quando tais custos e despesas estão intrinsecamente vinculados à obtenção das receitas tributáveis pelas contribuições sociais". Aduz a recorrente que "é empresa que produz, processa e comercializa, em grande parte para o mercado externo, carnes de aves, suínos e termoprocessados in natura (carcaças e cortes)", sendo assim, "incorre em dispêndios com representante comerciais autônomos, encarregados de fomentar as vendas dos itens produzidos, ou seja, remunera esses Fl. 2922DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.923 36 profissionais, na medida em que estes consigam gerar pedidos de compra a serem atendidos pela empresa e efetivamente concretizados por meio da tradição da mercadoria". Não obstante as diversas interpretações do conceito de insumo existentes na doutrina e jurisprudência, incabível o correspondente creditamento por disposição expressa da Lei nº 10.833/2003, no seu art. 3º, §2°, I, de que "Não dará direito a crédito o valor: I de mão deobra paga a pessoa física". De forma que nada há a reparar na exclusão dos créditos sobre comissões de venda. II.9. DOS CRÉDITOS SOBRE DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDAS 1. DOS CRÉDITOS SOBRE DESPESAS DE ARMAZENAGEM Sob esta rubrica foram excluídos pela fiscalização os seguintes dispêndios: 58. Das Despesas com Armazenagem. Analisando a Planilha L 07.1 apresentada pela interessada contendo o Memorial de Cálculo das Despesas com Armazenagem, constatamos que além das Despesas com Armazenagem a interessada creditouse também de outras despesas como ALUGUEL/ARRENDAMENTO; COMISSÃO SOBRE VENDAS – AVES, IND E SUÍNOS; FRETE CROSS DOCKING; FRETE DISTRIBUIÇÃO; SERVIÇO DE TRANSPORTE DE CONTAINER, SERVIÇO DE FRETE DE CONTAINER; SERVIÇO DE MOVIMENTAÇÃO CROSSD, tais despesas para fins de creditamento na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/PASEP e a COFINS não são passiveis de creditamento a título de “Despesa com Armazenagem” por ausência de previsão legal, nesse sentido segue a seguinte jurisprudência: (...) Sobre os gastos com “ALUGUEL/ARRENDAMENTO”, incluídos indevidamente sob esta rubrica, o julgador da DRJ decidiu pela manutenção da correspondente exclusão por ausência de provas: 131. Ora, em primeiro lugar convém esclarecer que o contrato de arrendamento não se confunde com o de aluguel. E, desde que a rubrica citada pela autoridade fiscal se refere tanto a aluguel quanto a arrendamento, deveria a recorrente ter discriminado os valores relativos a cada uma dessas despesas. 132. Por outro lado, a contribuinte não apresentou os contratos de aluguel e tampouco os registros contábeis e bancários relativos aos supostos aluguéis pagos, de modo que não é possível saber se, no trimestre em exame, teria de fato realizado dispêndios com o aluguel de imóveis, se estes eram utilizados em suas atividades e se os locadores eram pessoas físicas ou jurídicas. Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.924 37 133. Assim posto, dada a ausência de provas, devese manter a glosa em apreço. Protesta ainda a recorrente, no Recurso Voluntário, "pela posterior juntada dos contratos de aluguéis, bem como registros contábeis e bancários relativos aos aluguéis pagos", o que não tem qualquer cabimento, em face da fase processual em que se encontra o processo; da preclusão para a produção de provas e da concentração das provas no recurso, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72; bem como do seu ônus processual de comprovar o alegado, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Assim, diante da ausência de comprovação, a cargo da recorrente, de qualquer elemento modificativo da decisão da DRJ, ela há de ser mantida nesta parte. 2. DOS CRÉDITOS RELATIVOS A FRETE DE TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento das contribuições não cumulativas i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3o , IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. No entanto, o transporte de produto acabado, tais como os fretes indicados pela recorrente neste tópico, entre centros de distribuição ou entre esses e as lojas varejistas, depois de concluído o processo produtivo, não se enquadra em quaisquer das outras hipóteses permissivas de creditamento acima mencionadas, vez que não se refere ao transporte do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente e nem de produto inacabado. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 3403001.556, 25 de abril de 2012, conforme trecho transcrito abaixo da ementa, que somente na hipótese de produtos inacabados pode haver o creditamento do frete pago relativamente ao transporte entre estabelecimentos do contribuinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2006 (...) PIS. NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.925 38 dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. De forma que, não obstante os argumentos da recorrente, conforme acima exposto, o frete de produtos acabados entre os seus estabelecimentos não encontra amparo na legislação pertinente para o creditamento como insumo, razão pela qual foi correto o entendimento da fiscalização do julgador da DRJ que não reconheceu o crédito da Cofins correspondente. 3. FRETES UTILIZADOS COMO INSUMO NOS SERVIÇOS DE TRANSPORTE 3.1. Da Atividade de Prestação de Serviço de Transportes Realizada pela Recorrente e do Direito a Crédito nas Subcontratações A subcontratação de serviço de transporte está regulada no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 da seguinte forma: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...) § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por:(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifouse) O julgador de primeira instância entendeu que os serviços de transporte descritos pela contribuinte não se enquadrariam na situação tipificada acima, primeiro porque ela não é uma empresa de serviço de transporte rodoviário de carga, eis que sua atividadefim é a industrialização e comercialização de produtos alimentícios; segundo porque não se verifica a hipótese de subcontratação, mas da contratação, por suas filiais, de pessoas físicas ou jurídicas para realizar o transporte de suas mercadorias. Alega a recorrente que exerce a atividade de transporte rodoviário de mercadorias próprias e de terceiros, conforme consta no seu objeto social, por meio de suas filiais, que, para esse fim, subcontratam transportadores autônomos ou transportadoras. Aduz Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.926 39 que os gastos com tais subcontratações são insumos da atividade de serviços de transporte, cabendo o correspondente creditamento da Cofins. Acrescenta que inexiste impedimento legal para que uma filial preste um serviço de transporte para outra filial/matriz do mesmo titular, mesmo porque para fins do ICMS os estabelecimentos são autônomos, havendo independência no tocante às atividades por eles realizadas. Segundo entende, o fato de a quitação desse serviço se dar por meio de lançamento entre centros de custo da recorrente não afeta a natureza do serviço prestado. No entanto, o permissivo legal está expressamente direcionado para a "empresa de serviço de transporte rodoviário de carga", qual seja, aquela que preste serviço desta natureza como atividadefim a outras empresas ou pessoas físicas. Embora a recorrente tenha essa atividade incluída em seu objeto social e possa eventualmente prestar esses serviços, essa não é sua atividadefim, como já esclareceu a decisão recorrida. Caso o legislador ordinário quisesse incluir os serviços de transporte prestados por qualquer empresa, não teria feito a ressalva sobre o tipo de empresa faz jus ao benefício. Além disso, para que houvesse a subcontratação para fruição do benefício, farseia necessária uma primeira contratação para a prestação do serviço de transporte entre a recorrente e a outra pessoa jurídica, o que não ocorreu, vez que sua filial não é considerada uma outra pessoa jurídica. Desta forma não merece qualquer reparo a decisão recorrida no que concerne à exclusão dos créditos relativos à subcontratação de transporte. 3.2. Frete para Transporte De Insumos e MatériaPrima no Sistema de Parceria (Integração) Explica a recorrente que seu processo produtivo envolve uma série de movimentos logísticos de insumos e matériasprimas, não se resumindo apenas ao abate e processamento da carne. Desta forma, os fretes incorridos nos deslocamentos de insumos e matérias primas da Seara para o produtor parceiro e viceversa fazem parte do seu custo de aquisição de mercadorias para fabricação de produtos destinados a venda. Aduz que foram objeto de glosa os CFOP de saída abaixo, os quais, embora não tenham a denominação de venda, estão diretamente vinculados às vendas ou ao processo produtivo, sendo incontestável, a seu ver, a geração do crédito de PIS/COFINS: 5151 Transferência de Produção do Estabelecimento Transferência de produto industrializado ou produzido no estabelecimento para outro estabelecimento da mesma empresa. Tratase basicamente das remessas enviadas das fábricas aos CD Centro de Distribuição. Este frete inicial é indispensável para que aconteça efetivamente o frete da venda, gerando assim o crédito. 5451 Remessa de Animal ou de Insumo p/ Estabelecimento Produtor Fl. 2926DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.927 40 Classificamse neste código as saídas referentes à remessa de animais e de insumos para criação de animais no sistema integrado, tais como: pintos, leitões, rações e medicamentos. Tratase de uma despesa de frete diretamente relacionada ao processo produtivo (insumo), visto que a Recorrente pratica o sistema de "parceria" com seus produtores integrados. Evidente, portanto, o crédito de COFINS sobre esse frete. 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação. Saída de produto industrializado ou produzido pelo estabelecimento, remetido com fim específico de exportação a "trading company", empresa comercial exportadora ou outro estabelecimento do remetente. Tratase de frete para fins de formação do lote de exportação, ou seja, relacionado à venda de exportação, ou seja, dá direito a crédito. 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros Mercadoria adquirida ou recebida de terceiros para industrialização, comercialização ou utilização na prestação de serviço e que não tenha sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, transferida para outro estabelecimento da mesma empresa. Tratase de mercadoria/insumo recebido por uma unidade e transferida à outra para revenda/industrialização. Esta despesa de frete na transferência da respectiva mercadoria/insumo é legítima, sendo também legítimos os créditos apurados sobre referido frete. 5503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação Referemse a devoluções efetuadas por trading company, empresa comercial exportadora ou outro estabelecimento do destinatário, de mercadorias recebidas com fim específico de exportação, cujas entradas tenham sido classificadas no código 1.501 Entrada de mercadoria recebida com fim específico de exportação. Tratase de devolução dos produtos recebidos conforme CFOP 5501 (acima). 5905/6905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral Classificamse neste código as remessas de mercadorias para depósito em depósito fechado ou armazém geral. Tratase de frete relacionado à despesas de armazenagem, que conseqüentemente é passível de créditos. 5923 Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem ou em operações com armazém geral ou depósito fechado. Classificamse neste código as saídas correspondentes à entrega de mercadorias por conta e ordem de terceiros, em vendas à ordem, cuja venda ao adquirente originário foi classificada nos códigos "6.118 Venda de produção do estabelecimento entregue ao destinatário por conta e ordem do adquirente originário, em venda à ordem" ou "6.119 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros entregue ao destinatário por conta e ordem do adquirente originário, em venda à ordem". Também serão classificadas neste código as remessas, por conta e ordem de terceiros, de mercadorias depositadas ou para Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.928 41 depósito em depósito fechado ou armazém geral. Tratase de triangulação por conta e ordem de terceiro, originária de uma venda, ou seja, o crédito procede normalmente. 6151 Transferência de produção do estabelecimento Produto industrializado ou produzido no estabelecimento e transferido para outro estabelecimento da mesma empresa. Trata se basicamente das remessas enviadas das fábricas aos CD Centro de Distribuição. Este frete inicial é indispensável para que aconteça efetivamente o frete da venda, gerando assim o crédito (idem 5151). 7949 Outra Saída de Mercadoria ou Prestação de Serviço Não Especificada Classificamse neste código as outras saídas de mercadorias ou prestações de serviços que não tenham sido especificados nos códigos anteriores. Tratase da operação que a empresa internamente chama de 'Nota Fiscal Global', ou seja, é emitida uma NF principal de venda com o valor total desta operação (global) no momento da realização da exportação para um determinado cliente. Posteriormente, as mercadorias saem em diversos momentos da empresa para formação do lote que compõe o total desta Nota Fiscal global, e são essas as remessas emitidas com o CFOP 7949. Ou seja, é neste momento que as mercadorias são efetivamente transportadas e que ocorre a despesa do frete, gerando direito à apropriação dos créditos de PIS/COFINS. A autoridade fiscal glosou as despesas com frete não ligadas a operações de venda, que foram indevidamente incluídas pela contribuinte na linha 07 das fichas 06A e 16A do DACON. Em análise documental para validar os requisitos exigidos pela legislação para o creditamento das "Despesas com Frete na Operação de Venda", quais sejam, (1) comprovação de que o ônus foi suportado pelo vendedor e (2) se o serviço foi pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, constatou a fiscalização que: 79. Analisando os documentos apresentados nos chamou atenção o fato de a SEARA figurar como emissora dos conhecimentos de transportes na maioria dos documentos analisados. Sendo a própria SEARA a prestadora do serviço de transporte não se teria uma despesa incorrida, no máximo, uma mudança de centro de custos entre os estabelecimentos da empresas, pois a SEARA estaria prestando o serviço de transporte para ela mesmo por intermédio de suas filiais transportadoras. 80. Ademais, os conhecimentos de transportes apresentados referiamse a cargas que não condiziam com os produtos de venda finais da SEARA como ração. Questionada informou que a documentação entregue não se referia a fretes sobre operações de venda e sim a frete sobre compras de insumos, o que também se demonstrou não ser verdadeiro, pois se tratavam de operações de fomento aos parceiros onde a SEARA enviava, por exemplo, ração e matrizes de aves aos seus parceiros para que estes procedessem ao manejo e a engorda das aves devolvendo ou vendendo à SEARA os animais após a engorda, assim a ração seria insumo para os parceiros, por obvio, os fretes a eles Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.929 42 relacionados comporiam o custo de aquisição dos parceiros e não da SEARA. (grifouse) Além do frete na operação de venda (arts. 3o , IX e 15, II da Lei n° 10.833/03), existem outras três possibilidades de creditamento das contribuições não cumulativas do frete pago a outra pessoa jurídica: a) frete como insumo na produção (inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03); b) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; c) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Não se vislumbra o creditamento das contribuições relativamente à transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa, mas tão somente de produtos inacabados dentro do seu contexto produtivo. Também, não se tratando os CFOP´s acima de deslocamento entre o estabelecimento produtor e o comprador, não se trata de frete na operação de venda. Na hipótese de envio de produtos aos seus parceiros (CFOP 5451 Remessa de Animal ou de Insumo p/ Estabelecimento Produtor), como, por exemplo, ração e matrizes de aves para manejo e a engorda, os fretes relacionados compõem o custo de aquisição dos parceiros, como já esclareceu a fiscalização, não dando direito ao creditamento para a recorrente. Quanto ao CFOP 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, que se trata de "mercadoria/insumo recebido por uma unidade e transferida à outra para revenda/industrialização", referese ao frete (serviço) relacionado a operação posterior (para revenda) ou anterior (para industrialização) ao processo produtivo, não cabendo o correspondente creditamento. Assim, nada há a reparar da decisão recorrida que manteve as glosas dos créditos relativos aos fretes que não integravam a operação de venda. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório sob litígio e homologar as compensações correspondentes nessa proporção, na seguinte forma: a) reconhecer o crédito presumido em conformidade com a interpretação trazida pelo §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, aplicandose as alíquotas em função dos bens produzidos, e não dos insumos adquiridos antes efetuado pela fiscalização; b) reconhecer o crédito relativo às aquisições de graxa e óleo diesel. c) relativamente aos itens sob a rubrica Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas, reconhecer o direito creditório relativamente aos seguintes bens: BALDE PP PARA BANHA, BANDEJA BRANCA B3/M4 FUNDA, BIGBAGS, CAPA PALLET PE 117X98X150 e CORDA TRANÇADA POLIPROPILENO; d) reconhecer os créditos relativos a todos os itens sob as rubricas Produtos utilizados no sistema de refrigeração/aquecimento e Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho. Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301004.277 S3C3T1 Fl. 2.930 43 Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 2930DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35226.001822/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
RECURSO VOLUNTÁRIO RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO.
O recurso voluntário apresentado, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30 (trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Não podendo ser conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 RECURSO VOLUNTÁRIO RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO. O recurso voluntário apresentado, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30 (trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Não podendo ser conhecido.
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NÃO CONHECIDO. O recurso voluntário apresentado, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30 (trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Não podendo ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 22 6. 00 18 22 /2 00 6- 41 Fl. 668DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento de contribuições previdenciárias parte segurados incidentes sobre a remuneração de segurados comissionados que prestaram serviços nos gabinetes dos vereadores da Câmara Municipal de Teresina, cujos salários de contribuição foram declarados em GFIP. O lançamento abrangeu o período de 13º salário de 2001 e agosto a outubro de 2004. Após encerramento da fiscalização e antes da ciência do contribuinte foi verificada a existência de pagamento, sendo o débito retificado para a exclusão das competências 08 a 10/2004, conforme Despacho Decisório nº 16.401.4/0017/2005 (efls. 67/69). Assim o valor do crédito constituído, consolidado em 28/10/2005, passou de R$ 23.701,75 para R$ 756,46. Apresentada impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ em Fortaleza nos termos do Acórdão nº 0812.958 (efls. 646/651), nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001,01/08/2004 a 31/10/2004 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD). SERVIDORES PÚBLICOS EXCLUSIVAMENTE COMISSIONADOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO DESCONTADAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA EMPRESA. FATO SUPERVENIENTE. REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR. REABERTURA DO PRAZO EXORDIAL. ADITAMENTO À DEFESA. REABILITAÇÃO DE PETIÇÃO INTEMPESTIVA. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Os ocupantes de cargos exclusivamente comissionados são segurados do regime geral de previdência social, na categoria de empregados. O desconto das contribuições devidas pelos segurados empregados é responsabilidade tributária da empresa. Fatos comprovados após o encerramento da ação fiscal ensejam revisão de oficio do crédito tributário. A confecção de relatório fiscal complementar enseja reabertura de prazo inaugural. A apresentação de aditamento à defesa torna hábil defesa dantes declarada intempestiva. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá a realização de diligência considerada prescindível. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que seja demonstrada uma das restritas hipóteses autorizadoras. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 35226.001822/200641 Acórdão n.º 2301005.242 S2C3T1 Fl. 669 3 Lançamento Procedente Cientificada da decisão de 1ª instância em 12/03/2008, conforme AR à efl. 655, apresentou Recurso Voluntário (efls. 658/662), protocolado em 14/04/2008, alegando em síntese: a) nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa, pela falta de indicação precisa de quais trabalhadores estariam, sujeitos ao Regime Geral de Previdência Social; b) subsidiariamente, a necessidade de realização de diligências perante os Institutos próprios de Previdência do Município de Teresina, do Estado do Piauí e da União para verificar se os servidores que foram considerados como sendo segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência estão, ou estiveram durante o período fiscalizado, vinculados a regimes próprios de previdência. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora TEMPESTIVIDADE Analisando os autos e conforme relatado acima, a ciência do acórdão da DRJ ocorreu no dia 12/03/2008 (efl. 655) e o recurso voluntário foi protocolado no dia 14/04/2008, conforme documentos de efls. 657 e 659. O prazo para interposição do recurso voluntário do contribuinte é de 30 dias da ciência da decisão de 1ª instância, nos termos do artigo 33 do decreto nº 70.235/72: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Ultrapassado este prazo, o recurso é considerado intempestivo. Verificase que da data da ciência da decisão de 1ª instância até a protocolização do recurso voluntário pelo contribuinte transcorreram 33 dias, contrariando o disposto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Consta dos autos despacho de intempestividade às efls. 665. Assim, não preenchendo os requisitos de admissibilidade, o recurso voluntário não pode ser conhecido. É como voto. Andrea Brose Adolfo Fl. 670DF CARF MF 4 Fl. 671DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.001083/2009-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos do parque industrial.
PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA COMPOSIÇÃO DO CUSTO DO PRODUTO FABRICADO. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS COM REMOÇÃO DE RESÍDUOS. IMPOSSIBILIDADE.
Somente dão direito a crédito do tributo os gastos com insumos necessários à fabricação do produto e que, portanto, componham seu custo de produção. O serviço de remoção de resíduos, por ser posterior à fabricação do produto, não integra o custo e, assim, não enseja o direito ao crédito do tributo.
Numero da decisão: 9303-006.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, (i) por maioria de votos, em negar-lhe provimento quanto ao restabelecimento da glosa sobre os créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento; e (ii) por voto de qualidade, em dar-lhe provimento para restabelecer a glosa em relação aos créditos originados das despesas com remoção de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator Designado
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos do parque industrial. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA COMPOSIÇÃO DO CUSTO DO PRODUTO FABRICADO. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS COM REMOÇÃO DE RESÍDUOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito do tributo os gastos com insumos necessários à fabricação do produto e que, portanto, componham seu custo de produção. O serviço de remoção de resíduos, por ser posterior à fabricação do produto, não integra o custo e, assim, não enseja o direito ao crédito do tributo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos do parque industrial. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA COMPOSIÇÃO DO CUSTO DO PRODUTO FABRICADO. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS COM REMOÇÃO DE RESÍDUOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito do tributo os gastos com insumos necessários à fabricação do produto e que, portanto, componham seu custo de produção. O serviço de remoção de resíduos, por ser posterior à fabricação do produto, não integra o custo e, assim, não enseja o direito ao crédito do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, (i) por maioria de votos, em negarlhe provimento quanto ao restabelecimento da glosa sobre os créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados em frota AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 10 83 /2 00 9- 62 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11065.001083/200962 Acórdão n.º 9303006.621 CSRFT3 Fl. 3 2 própria para transporte de insumos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento; e (ii) por voto de qualidade, em darlhe provimento para restabelecer a glosa em relação aos créditos originados das despesas com remoção de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator Designado (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3403002.783, proferido pela 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer: (a) a não incidência da contribuição em relação a créditos de ICMS transferidos a terceiros (reproduzindo decisão definitiva do STF no RE no 606.107/RSRG) ; (b) os créditos da contribuição em relação a combustíveis utilizados na frota da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos; e (c) os créditos da contribuição em relação a despesas de remoção de resíduos industriais. O provimento é parcial porque são mantidas as glosas em relação a combustíveis utilizados nas "kombis" da empresa, que transportam funcionários. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Versa o presente sobre pedido de ressarcimento (fls. 1 a 51) relativo a saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa apurado no período de 1/10 a 31/12/2008. Do valor total solicitado, são reconhecidos pela unidade local da RFB R$ 150.175,37, glosandose a quantia de R$ 13.314,92 (cf. Despacho Decisório de fls. 68 a 72), basicamente por cômputo incorreto de receitas com créditos de ICMS transferidos a Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11065.001083/200962 Acórdão n.º 9303006.621 CSRFT3 Fl. 4 3 terceiros, pela utilização indevida de créditos sobre despesas com combustíveis e sobre despesas com remoção de resíduos industriais. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, conseqüentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, alegando divergência referente à (1) à incidência das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS) na cessão de créditos de ICMS a terceiros, (2) à geração de crédito nas aquisições de combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e (3) à geração de créditos em relação às despesas de remoção de resíduos industriais. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta, como paradigmas, os Acórdãos nºs 10322.937, 330200.707, 20312.448, 380100.470. Em seguida, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento parcial ao Recurso, referente à discussão sobre "combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos", e "despesas de remoção de resíduos industriais. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11065.001083/200962 Acórdão n.º 9303006.621 CSRFT3 Fl. 5 4 Houve reexame de admissibilidade, o Presidente do CARF manteve o despacho do Presidente da 4º Câmara. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões. No essencial é o Relatório. Voto Vencido Demes Brito Conselheiro Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. As matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, relacionados aos combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e serviço de remoção de resíduos Com efeito, em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11065.001083/200962 Acórdão n.º 9303006.621 CSRFT3 Fl. 6 5 totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, verifico que a Contribuinte tem como atividade o curtimento, a industrialização, a comercialização e a exportação de peles e tapetes, de móveis (sofás), de capas de couro bovino e de outros materiais para sofás. Neste sentido, por força do que dispõe o art. 5°, I, da Lei n. 10.637/02, ela está dispensada do recolhimento do PIS/PASEP sobre as operações de exportação de mercadorias para o exterior, e tem assegurado o direito de crédito da mesma contribuição, na forma disposta pelo art. 30, do mesmo diploma legal. Deste modo, penso que o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do PIS e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Dessa forma, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11065.001083/200962 Acórdão n.º 9303006.621 CSRFT3 Fl. 7 6 a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Como visto, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, referente a combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos. SERVIÇOS DE TERCEIROS PARA REMOÇÃO DE LIXO INDUSTRIAL Quanto aos serviços de terceiros para remoção de lixo industrial, na acepção do conceito de insumo, como demonstrado amplamente junto aos autos, entendo essencial ao Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11065.001083/200962 Acórdão n.º 9303006.621 CSRFT3 Fl. 8 7 processo produtivo, considerandose a imprescindibilidade e importância do serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Portanto, nos termos do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, dessa forma, entendo capaz de gerar créditos de PIS referente aos dispêndios de serviços de terceiros para remoção de lixo industrial. Para que não se alegue, contrariedade, obscuridade e omissão, utilizo subsidiariamente a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, para que não reste, dúvida quanto aos fundamentos empregados no decisum. in verbis: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585). Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Voto Vencedor Luiz Eduardo de Oliveira Santos Conselheiro. Em que pese a clareza e objetividade do voto do Conselheiro Relator, peço vênia para dele discordar em parte. Esclareço que apenas discordo quanto à questão do creditamento do gasto com retirada de resíduos industriais, acompanhando o Conselheiro Relator nas demais matérias enfrentadas neste recurso. Meu entendimento é o de que não cabe crédito sobre o valor do serviço de retirada de resíduos que são gerados pela produção, por que essa retirada ocorre após o momento em que o produto está pronto para a venda. Salientese que, em que pese, durante o processo industrial poder ocorrer simultaneamente fabricação e retirada de resíduos, do ponto Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11065.001083/200962 Acórdão n.º 9303006.621 CSRFT3 Fl. 9 8 de vista lógico, os resíduos são a consequência da produção e, assim, os resíduos retirados se referem a resíduos gerados por unidades prontas, ainda que novas unidades estejam sendo produzidas. Pois bem, uma vez pronto o produto, qualquer gasto posterior, ainda que necessário para à atividade da entidade, em geral, não configura custo necessário a sua produção. Com a produção completa e acabada no momento em que o produto é fabricado, em tese, nada impede que um cliente adquirisse aquele produto, antes da retirada dos resíduos gerados por sua fabricação. Ora, isso afasta a necessidade do gasto para fabricação do produto. Reforça esse entendimento a Solução de Divergência Cosit n° 26 de 30/05/2008, que, analisando o gasto com transporte de produtos acabados, também utiliza, como razão de decidir a desnecessidade do gasto para que o produto esteja apto à venda. A seguir, encontrareproduzida a ementa da referida solução de divergência: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. Portanto, ficam excluídos dos créditos da Cofins não cumulativa os gastos com a retirada de resíduos decorrentes da atividade de produção. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900382/2009-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1996 a 31/10/1996
VÍCIO NA REPRESENTAÇÃO. FALTA DO INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO. INTIMAÇÃO NÃO ATENDIDA. INCAPACIDADE PROCESSUAL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC.
Constatando-se que o processo não está devidamente instruído com o instrumento de procuração, deve a autoridade intimar o contribuinte a sanar o vício em seu recurso. Não atendida a intimação, resta configurada a incapacidade processual e, portanto, aplica-se o art. 76, § 2º, II, do CPC.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3002-000.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1996 a 31/10/1996 VÍCIO NA REPRESENTAÇÃO. FALTA DO INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO. INTIMAÇÃO NÃO ATENDIDA. INCAPACIDADE PROCESSUAL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC. Constatando-se que o processo não está devidamente instruído com o instrumento de procuração, deve a autoridade intimar o contribuinte a sanar o vício em seu recurso. Não atendida a intimação, resta configurada a incapacidade processual e, portanto, aplica-se o art. 76, § 2º, II, do CPC. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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FALTA DO INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO. INTIMAÇÃO NÃO ATENDIDA. INCAPACIDADE PROCESSUAL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC. Constatandose que o processo não está devidamente instruído com o instrumento de procuração, deve a autoridade intimar o contribuinte a sanar o vício em seu recurso. Não atendida a intimação, resta configurada a incapacidade processual e, portanto, aplicase o art. 76, § 2º, II, do CPC. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 82 /2 00 9- 01 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10865.900382/200901 Acórdão n.º 3002000.158 S3C0T2 Fl. 60 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP retificador 27125.64313.160207.1.7.049014 (fl. 02/06), transmitido em 16/02/2007, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. O PER/DCOMP original foi transmitido em 11/03/2005. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 07), pelos seguintes motivos: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal." Ou seja, baseado nas informações sobre o documento de arrecadação, prestadas pela própria contribuinte em seu pedido de compensação, não foi possível confirmar a existência de tal pagamento, levando ao indeferimento do pleito. Após ser intimada da decisão em 03/03/2009, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 13/18), na qual informou que o Darf não foi localizado, porque o programa gerador da Dcomp não possibilitava informar a real data de arrecadação. Esclareceu, ainda, que a data de arrecadação é a data de vencimento informada e que estava juntando aos autos a cópia do Darf informado na Dcomp para análise. Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10865.900382/200901 Acórdão n.º 3002000.158 S3C0T2 Fl. 61 3 Direito Creditório Não Reconhecido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (30/49), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados e acrescentando novos argumentos, assim como jurisprudência e doutrina. Em 25/10/13, a contribuinte é intimada (fl. 56), pela Agência da Receita Federal em São João da Boa Vista (ARFJBV), a apresentar os documentos listados em 8 dias: "Original e cópia simples ou cópia autenticada da Carteira de Identidade expedida pela Secretaria de Segurança Pública ou documento equivalente, que permita reconhecer por cotejo a assinatura constante no objeto de defesa, ou seja, Recurso Voluntário, protocolado em 14/10/2013, sob nº Prot. Aux. 1453/13/ARFJBV; • Original e cópia simples ou cópia autenticada do instrumento procuratório, com firma reconhecida, a fim de demonstrar a legitimidade do subscritor do Recurso Voluntário, para atuar em nome da empresa (se for o caso), além dos poderes que lhe foram outorgados, nos termos da lei". Após certificar que não houve o cumprimento da intimação para a comprovação da representatividade do signatário do Recurso Voluntário, a unidade de origem encaminha os autos ao CARF. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo, contudo, não preenche todos os requisitos formais de admissibilidade. Por oportuno, transcrevese caput e § 2º do art. 56, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10865.900382/200901 Acórdão n.º 3002000.158 S3C0T2 Fl. 62 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10865.900382/200901 Acórdão n.º 3002000.158 S3C0T2 Fl. 63 5 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifo nosso) Conforme assentado na doutrina e na jurisprudência, o próprio sujeito passivo pode subscrever impugnações e recursos em processos administrativos, ao contrário do que ocorre, em regra, no judicial, entretanto, resolvendo o fazer através de procurador, deverá ser anexado instrumento de procuração ao processo. Além disso, a representação processual no processo administrativo fiscal demanda procuração com poderes específicos, não sendo passível de aceitação aquela emitida com poderes para o foro em geral. A falta de apresentação do instrumento de procuração impede o conhecimento do recurso, pois não havendo a comprovação da regular representação, o signatário do recurso não possuirá, então, capacidade processual. Porém, há entendimento majoritário nesta Corte, do qual compartilho, no sentido da aplicação subsidiária do art. 76 do Código de Processo Civil (CPC) ao processo administrativo, que assim dispõe: Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício. § 1o Descumprida a determinação, caso o processo esteja na instância originária: I o processo será extinto, se a providência couber ao autor; II o réu será considerado revel, se a providência lhe couber; III o terceiro será considerado revel ou excluído do processo, dependendo do polo em que se encontre. § 2o Descumprida a determinação em fase recursal perante tribunal de justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator: I não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente; II determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido. Assim, entendo que, no processo administrativo, tal comando está direcionado para qualquer das instâncias julgadoras, assim como para a unidade preparadora e, portanto, podendo ser satisfeito por qualquer uma delas. No presente caso concreto, a unidade preparadora percebeu a falta de apresentação do devido instrumento de procuração e, em decorrência, intimou a contribuinte a Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10865.900382/200901 Acórdão n.º 3002000.158 S3C0T2 Fl. 64 6 apresentálo. Dessa forma, foi privilegiado o Princípio da Ampla Defesa, pois oportunizada a possibilidade da contribuinte vir a sanar o vício cometido. Ainda assim, como já mencionado, o sujeito passivo não respondeu à intimação neste processo. Nesse ponto, esclareçase que a contribuinte apresentou vários PER/DCOMP´s, referentes a supostos pagamentos indevidos ou a maior realizados em 1996, os quais deram origem a vários processos, que se encontram para relatoria deste conselheiro. Em todos eles, a contribuinte foi intimada a apresentar a procuração, que comprovava a representatividade do signatário do Recurso voluntário. Da mesma forma, em todos eles, a contribuinte deixou de atender à intimação no prazo estipulado. Porém, no processo 10865.900380/200912 foi enviada, após o prazo, pelos correios, postagem em 07/01/2014, resposta à intimação, conforme abaixo: Embora se refira a outro processo, no intuito de novamente privilegiar o direito de defesa da recorrente, considero a resposta acima como tendo sido dada também à intimação do presente processo. Como se percebe no documento acima, a recorrente informou que estava apresentando os documentos solicitados, isto é, cópia da carteira de identidade do signatário do Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10865.900382/200901 Acórdão n.º 3002000.158 S3C0T2 Fl. 65 7 Recurso Voluntário e cópia do instrumento de procuração, que comprovava a devida representação, e informou, ainda, que tais documentos já haviam sido entregues juntamente com sua Manifestação de Inconformidade. Com efeito, as afirmações da recorrente não procedem. De início, esclareça se que não foi entregue nenhum desses documentos juntamente com a Manifestação de Inconformidade apresentada em nenhum dos processos sob análise. Ademais, embora a recorrente tenha informado que estava enviando a procuração, de fato, esta não foi encontrada no interior do envelope postado, conforme se verifica do despacho (fl. 67 do processo retrocitado) da unidade de origem: "Tendo sido apresentada resposta à Intimação 13841/JBV/3582013, com data de postagem em 07/01/2014, esclareço que, embora tenha sido elencado pelo contribuinte o envio do instrumento procuratório, o mesmo não estava dentro do conteúdo do envelope de postagem." (grifo nosso) Assim, em realidade, apenas cópias de dois documentos de identidade, dos signatários do recurso e da resposta à intimação, foram remetidas pela recorrente para serem anexados ao processo anteriormente mencionado. Importante salientar que, além de não serem encaminhados todos os documentos solicitados, a recorrente somente enviou a resposta 74 dias após a ciência da intimação. Desta forma, não há como negar que a recorrente deixou de cumprir a determinação para sanar o vício em seu recurso, embora tenha sido intimada a fazêlo, em conformidade com o art. 76 do CPC. Em decorrência, restou configurada a incapacidade processual, logo, o Recurso Voluntário apresentado não preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, aplicase o disposto no art. 76, § 2º, II, do CPC. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário e, por conseguinte, não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720323/2008-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DIVERSAS DE TRANSPORTE DO PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE.
No sistema de apuração não cumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos de transporte do produto acabado sob a alegação de que tratam-se de insumos empregados no processo produtivo.
Numero da decisão: 9303-006.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DIVERSAS DE TRANSPORTE DO PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE. No sistema de apuração não cumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos de transporte do produto acabado sob a alegação de que tratam-se de insumos empregados no processo produtivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1495; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10665.720323/200819 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.716 – 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria COFINS CONCEITO DE INSUMOS Recorrente FERDIL PRODUTOS METALÚRGICOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DIVERSAS DE TRANSPORTE DO PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE. No sistema de apuração não cumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos de transporte do produto acabado sob a alegação de que tratamse de insumos empregados no processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 03 23 /2 00 8- 19 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10665.720323/200819 Acórdão n.º 9303006.716 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3402001.486, de 1º de setembro de 2011 (efolhas 118 e segs), que recebeu a seguinte ementa: COFINS NÃO CUMULATIVIDADE – RESSARCIMENTO – EXPORTAÇÃO GLOSA DE CRÉDITOS LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade do PIS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “bens e serviços utilizados como insumo” empregada pelo legislador, designa cada um dos elementos necessários ao processo de produção de bens ou serviços, o que obviamente exclui a possibilidade de crédito relativamente aos custos incorridos nas etapas anterior e posterior à produção. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 140 e segs) diz respeito a abrangência do termo insumo empregado pelo legislador na regulamentação do sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 168 e segs. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 171 e segs. pede que não seja admitido o recurso interposto pelo contribuinte e, no mérito, que lhe seja negado provimento. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10665.720323/200819 Acórdão n.º 9303006.716 CSRFT3 Fl. 4 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Liminarmente, é importante que se relate a existência de inúmeras razões para glosa dos créditos do contribuinte: insumos adquiridos de pessoas físicas, insumos para os quais não houve comprovação do pagamento, insumos adquiridos de pessoas jurídicas declaradas inaptas, aluguéis de veículos, mercadorias que não foram utilizadas no processo produtivo etc. Contudo, a recorrente, em sede de recurso especial, contesta apenas o conceito daquilo que, segundo a decisão recorrida, não foi considerado insumo para efeito de apropriação de créditos. E, de fato, como se confirma do excerto que segue, extraído do despacho de admissibilidade do recurso especial, apenas esse assunto foi admitido. Dessarte, a decisão recorrida exclui o direito de crédito em relação a despesas com combustíveis, lubrificantes, pneus, câmaras de ar, acessórios e peças empregadas em veículos próprios e locados, bem como, o próprio dispêndio com aluguel destes veículos, por não considerálos bens e serviços utilizados na produção. O aresto paradigma, por seu turno, emprestou um conceito mais amplo ao termo “insumo”, vinculandoo aos custos e despesas incorridas na produção e venda do produto exportado, ainda que não tenham sido empregados diretamente na produção, o que se verifica, por exemplo, na admissão dos gastos com combustíveis e lubrificantes Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10665.720323/200819 Acórdão n.º 9303006.716 CSRFT3 Fl. 5 4 Examinase, portanto, no mérito, exclusivamente a abrangência do conceito de insumos, conforme terminologia empregada pelo legislador nas Leis que regulamentam as Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins e seus efeito na vertente lide. Mérito Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. O conceito de insumos que a recorrente pretende ver acolhido não é condizente com esse entendimento. O excerto que segue, extraído do corpo do recurso especial, bem demonstra a pretensão da parte. Percebese da ementa transcrita, precisamente onde há os destaques feitos pela recorrente, que são passíveis de ressarcimento os créditos de PIS relativos a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, ou seja, são considerados insumos no âmbito do PIS e da Cofins qualquer custo ou despesa necessários na produção de bens ou serviços, incorridos antes, depois ou durante o processo produtivo. Assim, deve ser, de imediato, rejeitada a interpretação sugerida pela recorrente. No que diz respeito aos itens glosados por não terem sido considerados insumos empregados no processo produtivo, valhome da descrição contida no acórdão recorrido. Com base nela, é possível avaliar se tratam ou não de produtos e/ou serviços empregados no processo produtivo da empresa. Não foram consideradas as aquisições de pneus, câmaras, peças e acessórios para veículos próprios ou locados, utilizados no Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10665.720323/200819 Acórdão n.º 9303006.716 CSRFT3 Fl. 6 5 transporte de produtos acabados, lançados no grupo TRANSPORTE PRÓPRIO OUTROS CUSTOS, por não se enquadrarem no conceito de insumos previsto no artigo 66, § 5°, inciso I, alínea a, da IN SRF no 247/2002. (...) b) Aquisição de combustíveis e lubrificantes: Quanto a este item, não foram considerados os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos próprios ou alugados, no transporte de produtos acabados, lançados no grupo TRANSPORTE PRÓPRIO OUTROS CUSTOS. (...) Não foram considerados os dispêndios com manutenção, reparos e peças dos veículos próprios ou alugados, utilizados no transporte de produtos acabados, lançados no grupo TRANSPORTE PRÓPRIO OUTROS CUSTOS. Todos os dispêndios glosados por não se enquadrarem no conceito de insumos dizem respeito a gastos com o transporte de produtos acabados. Como é de amplo conhecimento, a legislação que regulamenta o sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins admite apenas gastos com frete e armazenagem do produto acabado, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Transcrevo abaixo o que dispõe o inc. IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Observe que a Lei é clara em estabelecer a possibilidade de crédito em relação ao frete na operação de venda. Portanto as despesas mencionadas no objeto do recurso Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10665.720323/200819 Acórdão n.º 9303006.716 CSRFT3 Fl. 7 6 não se tratam de fretes e foram dispêndios aplicados após o fim do processo produtivo e, portanto, não se encaixam também no conceito de insumos utilizados na fabricação do produto. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 200DF CARF MF
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Numero do processo: 10814.010082/2005-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/06/2003
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA.
Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte.
BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE.
O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de tê-lo.
O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho.
Numero da decisão: 9303-006.656
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/06/2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA. Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE. O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de têlo. O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 00 82 /2 00 5- 01 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10814.010082/200501 Acórdão n.º 9303006.656 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 380200.989, que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição de imposto de importação protocolado pelo Contribuinte. Sustenta que pagou a maior imposto de importação por não haver aplicado o benefício fiscal de 40% previsto na legislação, notadamente na Lei n° 10.182/01. Mediante despacho decisório o pedido de restituição foi indeferido por não atender todas as condições legais no momento de ocorrência do fato gerador do imposto (CTN, art. 179, L. 9.069/95 art. 60, Dec. 4.543/2002, art. 109). Inconformado com a decisão, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: habilitouse junto ao SISCOMEX para fruição dos benefícios da Lei 10.182/2001. Para tal, uma das condições era a comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais, tendo apresentado ao DECEX todas as CNDS (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal); posteriormente, com fundamento no art. 60, da Lei nº 9.069/95, a requerente foi compelida à apresentação de CND a cada importação, visando demonstrar sua regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais. Assim, nos períodos nos quais se encontrava impossibilitada de apresentar a competente CND, segundo suas palavras, acabava não usufruindo o benefício fiscal da Lei nº 10.182/01, para o qual já se encontrava habilitada. diante do cenário exposto, o II referente à importação registrada na DI tratada neste processo foi integralmente recolhido, ou seja, a requerente não se valeu do benefício fiscal de redução do imposto do qual era detentora por estar, reiteradamente, sendo compelida a apresentar a respectiva CND e, naquele momento, encontrarse impossibilitada de apresentála; menciona a título de jurisprudência a Solução de Consulta SRF n° 10, de 04 de junho de 2003, referente à Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990 e ementas de dois julgados do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n° 413.934 e Recurso Especial n° 434.621) , ambos relacionados ao regime aduaneiro de “drawback”. Argumenta que o caso ora discutido guarda correlação com os tratados na jurisprudência mencionada; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10814.010082/200501 Acórdão n.º 9303006.656 CSRFT3 Fl. 4 3 na Lei 10.182/2001 não há previsão para apresentação de CND’s (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal) a cada despacho; à época do fato gerador já havia cumprido todos os requisitos e condições exigidos legalmente para usufruir a redução de caráter especial, e pagou indevidamente o imposto integral. Menciona o art. 109, III, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2001), para comprovar que caberá redução total ou parcial do imposto pago indevidamente, em diversos casos, entre os quais: “... III verificação de que o contribuinte , à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei 5.172/66, art. 144)”. Contudo, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ e, na sequência, o recurso voluntário apresentado teve o provimento negado pelo colegiado a quo. O Contribuinte interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência quanto à exigência de apresentação da Certidão Negativa de Débito em cada um dos processos de importação que utilizaram benefício tributário. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, mediante despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.633, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 10314.010742/200586, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.633): "Da Admissibilidade Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10814.010082/200501 Acórdão n.º 9303006.656 CSRFT3 Fl. 5 4 O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 234 e 235. Do Mérito A questão trazida a debate versa sobre o momento em que se deve exigir a certidão de regularidade fiscal para fruição da redução tarifária trazida no Regime Automotivo previsto na Lei n.º 10.182/01. De um lado, o sujeito passivo defende que a certidão negativa de débito deve ser apresentada, apenas, por ocasião do pleito do benefício, ou seja, no momento da concessão do benefício fiscal perante SECEX/MIDCT, enquanto a Fazenda Nacional exige que tal comprovação seja feita a cada despacho aduaneiro das mercadorias importadas ao abrigo desse regime." (...)1 "Em que pesem os robustos argumentos trazidas à colação pela i. Relatora do processo, ouso divergir da decisão que encaminhava, pelas razões que a seguir passo a declinar. De plano, releva destacar que o recurso especial repetitivo nº 1.041.237/SP, de lavra do Ministro Luis Fux, assim como a súmula 5692 do Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam ao caso concreto. Para maior clareza, transcrevo a seguir a ementa do REsp nº 1.041.237. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a 1 Deixouse de transcrever o voto vencido por não se aplicar à solução do litígio neste processo, uma vez que o entendimento nele expresso restou vencido. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303 006.633). 2 Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa de débito no desembaraço aduaneiro, se já apresentada a comprovação da quitação de tributos federais quando da concessão do benefício relativo ao regime de drawback. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10814.010082/200501 Acórdão n.º 9303006.656 CSRFT3 Fl. 6 5 comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Como não é difícil perceber, o REsp nº 1.041.237 decidiu sobre o tratamento que deve ser concedido às importações processadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, o que, definitivamente, não é o caso dos autos. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. Assim, ainda que a cognição lógica da decisão tomada no REsp nº 1.041.237 sugira uma linha de entendimento que pudesse afetar a matéria ora controvertida, o fato é que naquele discutiase a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Especial de Drawback, enquanto, neste, discutese a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Automotivo. Não sendo o caso vertente um retrato fiel da matéria decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, afastase a aplicação do REsp nº 1.041.237. E não tem melhor sorte a recorrente quando se adentra à essência da lide. Concessa venia, o art. 60 da Lei 9.069/95 não deixa margem de dúvidas sobre o momento no qual será exigida do contribuinte a comprovação da quitação dos tributos e contribuições federais. Tal como se lê, há expressa menção a dois momentos: o momento da concessão e o momento do reconhecimento, se não vejamos. “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” (grifos acrescidos) Mais uma vez pedindo vênia, entendo que a leitura empregada pela i. Relatora do voto vencido, no sentido de que a locução ou significa "num ou noutro momento", nunca nos dois, não me parece consentânea com a intenção do legislador ordinário. Por certo, o que pretendeu foi estabelecer uma exigência que estivesse de acordo com os ditames do Código Tributário Nacional, que atribui ao administrado o dever de comprovar o preenchimento dos requisitos e condições não somente no momento da concessão do benefício fiscal, mas também no da fruição do mesmo, sob pena de revogação do mesmo. Observese. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos acrescidos) Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10814.010082/200501 Acórdão n.º 9303006.656 CSRFT3 Fl. 7 6 § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. (grifos acrescidos) Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. A toda evidência, a disciplina veiculada nas normas tributárias de hierarquia superior deixa claro que o benefício fiscal é concedido mediante prova apresentada pelo interessado do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato, não gera direito adquirido e será revogado não somente quando ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor, mas também quando deixou de tê lo. Ou seja, aplicandose essas premissas à lide, concluise que a empresa beneficiada pelo Regime Automotivo deve atestar a regularidade de que ora se trata (i) no momento em que lhe é deferido o direito a participar do Programa, (ii) durante o despacho aduaneiro e (ii) depois dele. E nem se diga que o princípio da especificidade atrai a aplicação da Lei nº 10.182/2001, afastando a exigência contida no art. 60 da Lei 9.069/95. Não há nenhuma incompatibilidade entre as disposições normativas contidas num e noutro diploma legal. Definitivamente, não vejo como pudesse prosperar uma interpretação que remeta à uma espécie de revogação tácita do disposto no art. 60 da Lei 9.069/95 com a edição da Lei nº 10.182/2001. Outra questão de relevo, no caso concreto, é o fato de que a importação objeto da lide foi desembaraçada no canal verde de conferência. Neste canal, como se sabe, as mercadorias são liberadas sem qualquer tipo de controle ou verificação. Em tais circunstância, o preenchimento das condições e requisitos para a concessão do benefício fiscal somente poderá ser atestado em momento posterior. Por fim, em relação á referência feita pela relatora ao voto do conselheiro Winderley, observo que naqueles votos, conforme transcrito pela relatora, deu se o entendimento de que não cabia à unidade da Receita Federal exigir do contribuinte um documento, no caso a CND, cuja emissão é de sua responsabilidade, mas que o benefício fiscal somente poderia ser negado mediante comprovação de que o interessado não detinha a "regularidade fiscal", ou seja, a Receita Federal não tem que pedir ao contribuinte um documento emitido por ela própria, mas concessa venia, ele não afastou a necessidade de comprovar a regularidade fiscal para fruição do benefício. Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10814.010082/200501 Acórdão n.º 9303006.656 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 254DF CARF MF
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