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Numero do processo: 10814.007087/2005-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 28/12/2000
ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS.
Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta-se o beneficio.
MOMENTO DO RECONHECIMENTO
Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-01.024
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afastase o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Wilson Sampaio Sahade Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI nº 00/12590996, em 28/12/2000, fls. 6/9, no valor de R$14.039,27. O pleito de reconhecimento de direito creditório está cumulado com o de compensação de tributos, conforme PER / DCOMP de nº 24156.98314.060905.1.3.42085,, cujo extrato está anexado às fls. 159/160, dos autos, transmitida em 06/09/2005. A seguir seguemse os fatos e fundamentações legais sobre o pleito. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs. 193924, de 06/01/00; 2068 37, de 27/12/00 e 206838, de 25/01/01, convertidas em Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Esse benefício consiste na redução de 40 % do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas no Siscomex, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Por entender que não se beneficiou de isenção a que fazia jus, tendo, recolhido tributos a maior que o devido, o contribuinte vinculou ao pleito de restituição o de compensação do mesmo com tributos diversos. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 28/12/2000, o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação nº º 00/12590996, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 01/09/2005, requereu, fls. 1/2, e pleiteou a restituição do valor que segundo a contribuinte teria recolhido a maior, no referido despacho de importação, no total de R$ 14.039,27, formulando Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007087/200548 Acórdão n.º 3102001.024 S3C1T2 Fl. 2 3 Anexou às fls. 19, documento comprobatório fornecido pelo Decex/SecexMDIC, de habilitação de duas unidades dessa empresa, para fins de fruição do benefício instituído pela Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000 (MP Nº 1.93924/2000, art. 5º). O processo teve seu exame inicial na Inspetoria da Receita Federal em São Paulo – IRF/SP, para revisão aduaneira e eventual retificação dessa Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da IN SRF nº 680/2006, o contribuinte foi intimado a comprovar que era detentor das certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) na data de registro da DI.. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, (Decreto nº 91.030/1985), combinado com o artigo 60 da Lei n 9.069/1995, a autoridade aduaneira entendeu que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada declaração de importação, para o pleito de redução pretendida, e que a comprovação deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando o disposto no art. 37, da Lei nº 9.784/99. Desse modo, ao final, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação nº 00/12590996, em conforme Despacho Decisório da IRF/SPO, proferido em 04/10/2007, fls. 59/60. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho, encaminhado ao InspetorChefe da IRF/SP, nos termos do § 4º . art; nº 45 da IN SRF nº 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso sob exame.. 01 Argumentou que a Lei nº 10.182/01 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex nº 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que, conforme já mencionado, não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 110/114, Despacho Decisório IRF/SPO nº 031/2009, de 12 de fevereiro de 2009. Tendo o interessado colocado diversos questionamentos quanto ao esgotamento administrativo de seu pedido de retificação de Declaração de Importação, após recurso ao Chefe da Unidade que o indeferiu inicialmente, foi solicitado o Parecer/DIANA/SRRF nº 035/09, de 18/03 2009, fls. 115/116, cujo texto segue parcialmente transcrito: “O rito processual para o caso específico de recurso contra decisão que denega pedido de retificação de declaração de importação encontrase na IN SRF nº 680/06, em seu artigo 45: Art. 45. A retificação de declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I – de ofício, na unidade da SRF onde for apurada (...) II – mediante solicitação do importador, formalizada em processo (...) § 4º Do indeferimento do pleito de retificação caberá recurso, interposto no prazo de trinta dias, dirigido ao chefe da unidade da SRF onde foi proferida a decisão, nos termos dos artigos 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. ......................................................... Entretanto não há amparo legal para nova apreciação do assunto, já que a esfera administrativa se esgotou na decisão do InspetorChefe, conforme se conclui do parágrafo 4º do artigo da IN SRF nº 680/2006, acima transcrito.” (grifei) PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO – INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento de seu pleito quanto à retificação da DI, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, a providência seguinte, nos termos do artigo 58 da IN RFB nº 900/2008, foi a apreciação relativa ao reconhecimento ou não do direito creditório e conseqüências. Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007087/200548 Acórdão n.º 3102001.024 S3C1T2 Fl. 3 5 posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório, fls. 118/120, Despacho Decisório IRF/SPO nº 80/09, de 18/06/2009. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO – NÃO HOMOLOGADA. O pleito de compensação de tributos consubstanciado na PER/DCOMP nº 247156.98314.060905.1.3.042085, cujo extrato encontrase anexado às fls 159/160, dos autos, também foi indeferido, já que estava vinculado ao reconhecimento do direito creditório aqui discutido, o que não ocorreu. A nãohomologação da compensação foi objeto do Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 39/2010,de 18 de janeiro de 2010, fls. 163/165. Inconformado com o indeferimento de seus pleitos (reconhecimento de direito creditório e compensação de débitos), o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 111/136 e 167/182, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 – A Lei nº 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime, feita junto ao Secex). 02 – Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei nº 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND’s quando da habilitação do benefício. 03 – Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei nº 10182/2001 teria prevalência sobre a Lei nº 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei nº 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 – Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei nº 9.784/99; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 05 – Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. 06 – Entende que, sendo legítimo seu pleito quanto ao reconhecimento do direito creditório referido, isso dá legitimidade a seu pleito a ele vinculado, de compensação de débitos diversos. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CND (Certidão Negativa de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 121/135 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CND (Certidão Negativa de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. O não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo interessado, tira a legitimidade de seu pleito de compensação de débitos. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/12/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PELA REDUÇÃO DA LEI Nº 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO PELA NÃO COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, conforme art. 165 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), não cabe a restituição de tributos, nem a compensação de tributos requerida, pois o não reconhecimento do direito creditório implica em nãohomologação do pleito de compensação. EXIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE CND NO ATO DO DESPACHO ADUANEIRO DA MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, conforme disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069/1995, no ato do despacho aduaneiro da mercadoria, quando do registro da declaração de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007087/200548 Acórdão n.º 3102001.024 S3C1T2 Fl. 4 7 importação, o que não ocorreu no caso, inviabilizando o direito ao benefício e o reconhecimento do crédito tributário requerido. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção O ponto fulcral do litígio, como se percebe da leitura da ementa da decisão recorrida, é definir se, no momento do reconhecimento da isenção, o sujeito passivo reunia as condições exigidas pela legislação de regência. Para se chegar a tal definição é necessário que se responda a duas indagações: se o art. 60 da Lei nº 9.069/951 incide sobre a modalidade de isenção debatida e, caso incida, em qual momento se dá o reconhecimento da isenção de caráter subjetivo. Definido tal momento, definese, por consequência, quando o sujeito passivo deverá comprovar a quitação dos tributos federais. A redução em litígio encontrase prevista no art. 5º da Lei nº 10.181, de 2001, que criou o que se convencionou denominar “Novo Regime Automotivo”, em substituição àquele disciplinado pela Lei nº 9.449, de 1997, transcrevoos: Art. 5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. §1oO disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: (...) X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. O parágrafo 2º acima transcrito, a meu ver, enumera taxativamente quais são as condições de caráter geral excepcionadas pela norma que disciplina especificamente os benefícios do Novo Regime Automotivo: exame de similaridade (art. 17 e 18 do DL nº 37/66)2 e transporte em navio de bandeira brasileira (art. 2º do DL nº 666/69)3: Como é possível verificar, o dispositivo é silente quanto às demais exigências de caráter geral, dentre as quais, evidentemente, está a comprovação da regularidade no pagamento dos tributos e contribuições, o que leva à conclusão de que tal exigência não foi afastada. Por outro lado, não vejo como aplicar a regra geral do art. 37 da Lei nº 9.784, de 19994 em detrimento da específica do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, categórico ao determinar que o ônus de fazer prova da quitação de tributos federais é do Administrado. Subsistiria, portanto, dúvida acerca do momento em que o benefício é reconhecido, máxime em razão de que, a lei que o instituiu prevê a realização de um procedimento de habilitação prévia do importador, disciplinada no do seu art. 6º, que reza: (os grifos não constam do original) Art.6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único.A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: Icomprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à 2 Art. 17 A isenção do impôsto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Art. 18 O Conselho de Política Aduaneira formulará critérios, gerais ou específicos, para julgamento da similaridade, à vista das condições de oferta do produto nacional, e observadas as seguintes normas básicas: 3 Art 2º Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. 4 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007087/200548 Acórdão n.º 3102001.024 S3C1T2 Fl. 5 9 montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. Diferentemente do que se tem invocado, não vejo como reconhecer que a comprovação levada a efeito no momento da habilitação ao regime dispense a importadora de comprovar a regularidade fiscal no momento do fato gerador. Para entender os efeitos da conclusão do procedimento realizado pela Secex, mais relevante do que o nome que lhe foi atribuído (habilitação) é preciso lembrar do que diz o art. 179 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Com efeito, como é possível concluir, a partir da leitura conjunta dos dois dispositivos, o procedimento de habilitação constituise mais uma exigência para reconhecimento da isenção e, não o próprio reconhecimento do benefício. Em primeiro lugar, a leitura do caput do art. 179, lido conjuntamente com seu parágrafo 1º, deixa claro que a autoridade competente para reconhecimento do benefício deve ser manifestar a cada fato gerador ou, tratandose de tributo lançado por período certo, antes do encerramento de cada período. Ora, como é cediço, nos termos do art. 23 do DL 37/665, para efeito de cálculo do imposto de importação incidente sobre mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da correspondente DI. Assim, ainda que se admita que a Secretaria de Comércio Exterior possuísse competência para conceder isenção, certamente a habilitação não preencheria a exigência do dispositivo insculpido no art. 179 do CTN. Como se percebe, a habilitação ocorre uma única vez. Finalmente, mesmo se superada a exigência de manifestação prévia, equiparando a habilitação ao despacho da autoridade competente, não haveria como reconhecer a definitividade dessa manifestação. Cabe relembrar o que dizem o parágrafo 2º do art. 179 e o art. 155 do CTN: § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. 5 Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Ou seja, ainda que se considerasse que a isenção teria sido previamente concedida, verificado que a recorrente deixara de atender um dos requisitos para a sua concessão, revogado estaria o benefício. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 5 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10932.000390/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/12/2001, 31/01/2002
MULTA ISOLADA POR RECOLHIMENTO INTEMPESTIVO
Com a nova redação dada ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, não há mais previsão legal para a exigência da multa isolada do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, no caso de não-pagamento da multa de mora em recolhimento intempestivo.
Recurso de ofício desprovido.
Crédito tributário exonerado.
Numero da decisão: 3102-00.874
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2001, 31/01/2002 MULTA ISOLADA POR RECOLHIMENTO INTEMPESTIVO Com a nova redação dada ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, não há mais previsão legal para a exigência da multa isolada do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, no caso de não-pagamento da multa de mora em recolhimento intempestivo. Recurso de ofício desprovido. Crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Nanci Gama. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA - Relatora Fl. 625DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa e Luciano Pontes Maya Gomes. Relatório O presente processo se refere lançamento de multa de ofício isolada em razão do recolhimento em atraso da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS em 31 de dezembro de 2001 e 31 de dezembro de 2002. Por bem relatar os fatos e o direito concernente à lide, adoto parte do relatório (fls. 265, verso à 268) proferido pela DRJ de origem: O Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 174 caracteriza a infração apurada nos seguintes dizeres: "Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA (COFINS) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, recolhida após o vencimento do prazo legal, sem o pagamento da respectiva multa moratória, conforme demonstrado no "Termo de Verificação e Constatação . Fiscal" em anexo. Data Valor Multa Isolada 31/12/2001 R$6.601.894,76 31/01/2002 R$1.270.577,46 Enquadramento Legal: Arts. 43, 44, 1°, inciso II, e 61, §,¢' 1°e 2°, da Lei n°9.430/96" O citado Termo de Verificação e Constatação Fiscal se acha acostado às fls. 169/170, dele constando todo o procedimento de auditoria, na seguinte descrição:"No exercício regular das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal e em cumprimento ao Procedimento Fiscal de Revisão Interna n° 0811900- 2006-00890-2 (Anexo II), determinado pelo Sr. Delegado da Receita Federal em São Bernardo do Campo, executamos os atos necessários para atender à Representação formalizada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária — SEORT, em relação ao Fl. 626DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 3 3 processo administrativo n° 13819.001750/2002-04, cujas conclusões passamos a expor: I) A empresa tem por objeto a indústria, comércio, representação, importação, exportação de automóveis e outros veículos a motor, motores, peças, acessórios e congêneres; bem como atividades conexas e correlatas ou subsidiárias que, direta e/ou indiretamente, se relacionem com a atividade declarada, cujos atos constitutivos e alterações estatutárias encontram-se devidamente registradas nos órgãos competentes, incluindo-se o registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) — artigo 214 do RIR/99, cuja situação encontra-se regular e ativa; 2) O contribuinte manifestou o interesse em compensar os débitos tributários relacionados no Anexo I, com o pedido de restituição postulado através do - processo administrativo n°13819.001707/00-34; 3) Como houve o indeferimento do crédito, desconstituiu- se, conseqüentemente, os pedidos de compensações vinculados a ele; 4) Em 31/07/2002, a empresa optou em recolher os débitos pendentes, utilizando-se do beneficio previsto no artigo 11 da Medida Provisória n° 38, de 14/05/2002; 5) Referidos paramentos foram efetuados apenas com os juros, sem a inclusão das respectivas multas moratórias; 6) A condição s ine quae non para a sua adoção, se oportuna, seria a comprovação da desistência da ação judicial em que se litigasse o referido tributo, contra a União, acompanhado do seu recolhimento; 7) Ressalve-se, entretanto, que a matéria abordada no Mandado de Segurança n°91.0654036-8, informado nos recolhimentos dos débitos do Anexo I, dizia respeito à diferença do fator de correção monetária (IPC/BTNF) utilizada na apuração do resultado do ano-calendário 1.990 (vulgo Plano Collor), repercutindo na análise dos fatos geradores relacionados ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido devida no exercício 1.991; 8) Não se vislumbrou a possibilidade de se estender os efeitos da renúncia desta medida para outros tributos, como PIS, COFINS, I.R.R.Fonte, I0F, IPI, etc., que não Fl. 627DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 4 4 foram abordados no âmbito do respectivo Mandado de Segurança; 9) Neste sentido, o despacho decisório n° 246/2003, do Sr. Delegado da Receita Federal em São Bernardo do Campo, que indeferiu o expediente utilizado pela empresa para extinguir os débitos do Processo n° 13819.001707/00-34, cuja fundamentação se aproveita aos débitos indicados no "Anexo I"; 10)Através de consulta realizada ao SEORT/DRF/SBCAMPO, cuja manifestação foi exarada em fl. 166 do processo administrativo 13819.001750/2002- 04, mantivemos a convicção, agora compartilhada pelo Serviço competente, de que é perfeitamente cabível a aplicação da multa de ficio (isolada, no caso) prevista no inciso Ido art. 44 da Lei n°9.430/96, em razão do disposto no inciso II do § 1° do mesmo art. 44, já que os recolhimentos foram efetuados sem as multas moratórias devidas (devendo ser lançada e cobrada multa de oficio) Diante do exposto, formalizamos, com base no artigo 142 do Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei Complementar n° 5.172/66, os lançamentos das multas de oficio devidas, conforme descrito nos Autos de Infração que seguem em anexo, cujo Termo de Verificação e Constatação Fiscal fará parte integrante e imprescindível dos mesmos. O crédito tributário devido se encontra resumido no quadro abaixo: TRIBUTO PROCESSO VALOR PIS 10932.000389/2006-20 R$ 2.334.568,79 COFINS 10932.000390/2006-54 R$ 7.872.472,22 IPI 10932.000391/2006-07 R$ 3.314.958,03 L R. R. FONTE 10932.000392/2006-43 R$ 1.935.346,76 IOF 10932.000393/2006-98 R$ 79.900,12 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO R$15.537.245,92 Fica ressalvado o direito da Fazenda Nacional de promover ulteriores verificações sobre a matéria aqui abordada ou qualquer outra, se, por razão de fatos ou circunstâncias não conhecidas ou cogitadas nesta oportunidade, não foram questionados. E, para constar e produzir seus efeitos legais, lavramos este termo em três vias de igual teor e forma, que vão assinados por mim, Fl. 628DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 5 5 Auditor Fiscal da Receita Federal, sendo que uma das vias será encaminhada ao contribuinte por remessa postal com Aviso de Recebimento." Inconformada com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 27/12/2006, conforme AR de fls. 180, a contribuinte, por seus advogados legalmente habilitados, interpôs, em 25/01/2007, impugnação de fls. 182/199, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 1) afirma, inicialmente, ser necessário traçar um histórico que remonta ao Plano Collor, para se compreender a autuação contestada, por sua vinculação com fatos passados; 2) diz que, em 2001, foi impetrado pela interessada, um Mandado de Segurança, para assegurar o direito de recolher o IRPJ e a CSLL, do ano-calendário de 1990, considerando a variação do IPC do período, em vez do BTNf, previsto na legislação, tendo obtido liminar favorável; 3) com a apuração de prejuízo fiscal, em decorrência da aplicação do IPC para correção monetária, os recolhimentos de IRPJ antecipados foram classificados como indevidos; 4) a fiscalização procedeu, então, ao lançamento dos valores das diferenças de tributos, originados da correção monetária pelo IPC, para prevenir a decadência, sem considerar as antecipações de IRPJ, realizadas ao longo do ano-calendário de 1990 (processo administrativo fiscal de n° 13819.004286/95-55); 5) Como não havia sido restituído, até o ano-calendário 2000, o valor do IRPJ recolhido a maior, foi apresentado o competente pedido e informadas diversas compensações de tributos, dando origem ao processo administrativo fiscal de n° 13819.001707/00-34; 6) Em meados de 2002 e considerando o precedente desfavorável do STF sobre o Plano Collor, além da entrada em vigor da Medida Provisória n° 38, de 14 de maio de 2002, a impugnante desistiu dos processos já citados, promovendo o pagamento dos tributos, com os benefícios previstos na citada Medida Provisória; 7) diz que a autoridade administrativa, ao verificar os pagamentos feitos, reconheceu a suficiência em relação aos Fl. 629DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 6 6 valores discutidos no processo 13819.004286/95-55, o mesmo não ocorrendo quanto aos débitos do segundo feito, que não estariam dentre as hipóteses previstas de serem pagos com os benefícios da MP 38, de 2002; 8) foi realizada, então, a imputação dos pagamentos, com a cobrança da multa moratória de 20%, não incluída nos recolhimentos, razão pela qual remanesceram débitos, que ainda estão sendo discutidos no processo n° 13819.001707/00-34, atualmente na Câmara Superior de Recursos Fiscais; 9) não obstante a existência do litígio descrito, a contribuinte foi surpreendida com a exigência da multa de ofício isolada, prevista no inciso I, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, que entende indevida, como se propõe a demonstrar; 10) esclarece que o presente feito é mera decorrência do processo n° 13819.001707/00-34, motivo porque solicita que a defesa já apresentada nesse último seja inteiramente considerada na apreciação dos autos de multa de ofício isolada; 11) enfatiza que a desistência no processo citado, bem como os pagamentos dos débitos a ele vinculados estavam cobertos pelos benefícios da MP n° 38, de 2002, que afastava qualquer multa, fosse moratória ou punitiva; 12) mesmo que assim não fosse, estaria caracterizada uma denúncia espontânea da infração, nos termos do artigo 138, do CTN, que exclui a responsabilidade e, com ela, as multas por mora ou de ofício; 13) reiterando que a presente exigência fiscal é mera decorrência do processo administrativo 13819.001707/00- 34, do qual transcreve parte do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, informa que, no feito original, a autoridade fiscal entendeu ser necessário o recolhimento da multa moratória de 20% sobre o total dos débitos envolvidos; 14) após decorridos quase 5 (cinco) anos, exige o Fisco pagamento de multa de ofício de 75% sobre os mesmos débitos, configurando alteração de critério jurídico, quanto a fato gerador ocorrido anteriormente à sua introdução, em desobediência ao artigo 146, do CTN, que reproduz; 15) cita doutrina, analisa o despacho decisório proferido nos autos originais e reproduz trecho do despacho do Fl. 630DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 7 7 SEORT, que reanalisou a matéria, verbis: "4) é perfeitamente cabível a aplicação da multa de ofício (..). Se lançadas as multas de ofício, para cada um dos pagamentos efetuados sem a moratória, devem ser cancelados os saldos remanescentes do processo n° 13819.001707/00-34, que, em tese, corresponderiam às multas moratórias não recolhidas." fls.168) 16) realça que a administração tributária, quando da imputação de pagamentos, com relação aos recolhimentos efetivados, já poderia ter optado pela aplicação da multa de ofício isolada, mas não o fez, preferindo cobrar a multa moratória de 20%, implícita nos cálculos de alocação dos valores pagos; 17) portanto, ao lançar a multa isolada de 75%, há clara mudança de entendimento jurídico sobre o mesmo fato, contrariando a doutrina e jurisprudência dominante, da qual transcreve algumas ementas de acórdãos proferidos pelo antigo Conselho de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; 18) diz que os débitos constantes do processo n° 13819.001707/00-34 , estão com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996, do que deriva a regularidade fiscal da contribuinte, impossibilitando a aplicação da multa punitiva de 75%, destinada aos contribuintes em situação de débitos fiscais em aberto, exigíveis e não recolhidos; 19) aduz que eventual multa, se cabível, seria a moratória de 20%, que corresponde exatamente à quantia que deixou de ser recolhida pela contribuinte, corroborada pela imputação de pagamentos, feita pela autoridade administrativa, citando trecho de voto proferido pelo Conselheiro Neycir de Almeida; 20) pondera, ainda, que, se devida fosse a multa de ofício de 75%, ela deveria ser aplicada apenas sobre os saldos remanescentes dos débitos compensados, apurados após a imputação de pagamentos; 21) resume, ao final, todos os argumentos expostos e solicita o cancelamento do auto de infração. Em expediente datado de 16/03/2009 (fls. 259/263), a contribuinte traz um aditamento à impugnação, em que, após fazer um breve resumo dos fundamentos da autuação, afirma ter havido alteração na legislação que rege o assunto, introduzida pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Reproduz o artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, pelo exame do qual se Fl. 631DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 8 8 conclui que não mais existe a redação que determinaria a cominação da multa de ofício de 75% no caso de pagamento ou recolhimento de tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. Transcreve a exposição de motivos da MP n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 2007, verbis: "8. A alteração do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de oficio, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela, pessoa física a título de carnê-leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pacamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora" (destaque da contribuinte) Transcreve ementas do antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como de algumas Delegacias de Julgamento da RFB, enfatizando que não se poderá efetivar a simples redução da multa isolada para multa moratória de 20%, tendo em vista que essa já está sendo exigida nos autos do processo de restituição/compensação n° 13819.001707/00-34, para não configurar dupla cobrança pela prática do mesmo suposto ilícito tributário, por ser incorreto. Requer, ao final, seja cancelado o auto de infração e reconhecida a extinção do crédito tributário, face à aplicação do princípio da retroatividade benéfica, previsto no artigo 106, II, "a" e "c", do Código Tributário Nacional, conforme a pacífica jurisprudência administrativa sobre o tema. Analisando a questão, a DRJ julgou improcedente o lançamento, por entender que “Com a nova redação dada ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, não há mais previsão nem fundamento legal para a exigência da multa isolada, no caso de não-pagamento da multa de mora em recolhimentos intempestivos” (fl. 270) Os autos vieram a reexame por este Conselho em sede de recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora Fl. 632DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 9 9 Observo que o lançamento pautou-se na legislação então vigente para exigir a multa de ofício no recolhimento em atraso do débito vencido no decorrer dos anos de 2001 e 2002, no qual não houve o acréscimo da multa de mora correspondente. No entanto, em 22 de janeiro de 2007, a redação do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, foi alterada pelo art. 14 da Medida Provisória n.° 351, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, afastando a possibilidade de manutenção da exigência da multa. Transcrevo o dispositivo legal: "Art. 14. O art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2° Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1°, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: 1- prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38." Fl. 633DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 10 10 Com a nova redação dada ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, não há mais previsão nem fundamento legal para a exigência da multa isolada, no caso de não-pagamento da multa de mora em recolhimentos intempestivos. Em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "a", do Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa isolada, tendo em conta a revogação do dispositivo legal que amparava sua exigência. Ressalto, por oportuno, que multa de mora que deveria ter sido recolhida quando do pagamento do principal encontra-se em discussão no processo administrativo fiscal de n° 13819.001707/00-34. - Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 10 de dezembro de 2010. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 634DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO
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Numero do processo: 10768.720161/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado ad hoc.
EDITADO EM: 30/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo, e Henrique Pinheiro Torres.
Relatório
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 30/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo, e Henrique Pinheiro Torres. Relatório
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Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 30/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo, e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls. 188 a 189): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .7 20 16 1/ 20 07 -8 0 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10768.720161/200780 Resolução nº 3101000.201 S3C1T1 Fl. 107 2 Em 12/08/2004, a interessada apresentou DCOMP de n° 02651.72737.120804.1.3.044780, na qual pretende compensar débito de COFINS mediante aproveitamento de crédito, objeto de análise do processo administrativo sob n° 13707.002565/9966. Em 30/01/2009, após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DERAT/Rio de Janeiro, fl. 27, com base no Parecer Conclusivo n° 34/2009 (fls. 26), não homologando a compensação. A decisão teve como fundamento as seguintes constatações: 1) O direito creditório não foi reconhecido em sede de análise no processo administrativo de n° 13707.002565/9966, conforme decisão acostada aos autos as fis. 17/25. 2) Logo, inexiste crédito para que sejam homologadas as compensações declaradas no presente processo. A interessada teve ciência da decisão em 11/03/2009 (AR fls. 32). Inconformada, apresentou, em 13/04/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 39/43, com os seguintes argumentos: • O Parecer Conclusivo n° 34/09 parte de premissas equivocadas, não havendo motivos para que a cobrança desse montante prossiga administrativamente. • A interessada se equivocou ao pretender compensar o referido "crédito" através da DCOMP n° 02651.72737.120804.1.3.044780. • O processo administrativo n° 13707.002565/9966, que discute crédito de IRPJ, nada tem a ver com o "crédito" de R$ 2.792.534,23, referente a COFINS de 01/99. • Esse processo tinha por objetivo compensar o crédito de IRPJ, no montante de R$ 10.838.089,95, relativo aos anos de 1996 e 1997, com débitos de COFINS, dos quais houve homologação tácita de algumas compensações, enquanto outros foram objeto de cobrança. Os débitos em cobrança naquele processo (COFINS — 01/2000 e PIS — 01/2000 e 02/2000) foram inscritos em divida ativa, cuja ação de execução fiscal se encontra embargada. • De plano, verificase que a quantia de R$ 2.792.534,23 não apresenta qualquer relação com o processo administrativo de n° 13707.002565/99 66, em que pese o equivoco no preenchimento. • O crédito seria proveniente do processo administrativo de n° 13707.002759/9883, tendo sido observado igualmente que tal valor não era o crédito, e sim débito, sendo certo que reconhece o equivoco cometido ao enviar a DCOMP n°02651.72737.120804.1.3.044780. • Ajuizou ação ordinária n° 94.00445865, visando compensar crédito de FINSOCIAL com débitos de COFINS, transitada em julgado, sendo apurado crédito de R$ 8.213.855,52. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10768.720161/200780 Resolução nº 3101000.201 S3C1T1 Fl. 108 3 • Apresentou pedido de revisão deste crédito, formalizando o processo administrativo n° 10768.514425/200504, ao qual foram juntados os processos de n° 13707.002400/9895, 13707.002756/9883 e 13707.000928/9947, para os procedimentos de compensação. • A compensação foi parcial, e os débitos estão em cobrança pela ação de execução fiscal n° 2007.51.01.5014968. • A Unido está exigindo duas vezes o valor de R$ 2.792.534,23, quer por meio deste processo, quer através da execução fiscal. • Requer o cancelamento da cobrança da quantia de R$ 2.792.534,23, relativo ao período de apuração de 01/99 da COFINS, tendo em vista que esta quantia não guarda qualquer relação com o processo administrativo de n° 13707.002565/9966, sendo certo ainda que a mesma já está em cobrança judicial por meio da execução fiscal de n°2007.51.01.5014968. A DRJ competente manteve o indeferimento do pleito e o contribuinte recorreu a este Conselho. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fls. 161, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar a Resolução 3101000.201, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original e pelos demais integrantes do colegiado. O presente processo não se encontra em condições de ser julgado por esse colegiado, tendo em vista a insuficiência de seu conjunto probatório. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência para que a autoridade lançadora se manifeste acerca da alegada duplicidade na cobrança da COFINS, período de apuração 01/99, no valor de R$ 2.792.534,23, e sua relação com o processo administrativo de n° 13707.002565/9966, inclusive quanto à cobrança judicial por meio da execução fiscal de n°2007.51.01.5014968, conforme Recurso às fls. 201 a 204. Após a manifestação da DRF, deverá ser intimado o contribuinte para, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, com posterior retorno dos autos para julgamento. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10768.720161/200780 Resolução nº 3101000.201 S3C1T1 Fl. 109 4 E essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator ad hoc Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000863/2004-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES FEDERAL INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, INSTALAÇÃO, REPAROS OU ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ATIVIDADE NÃO VEDADA. SÚMULA CARF N. 57.
Nos termos da Súmula CARF nº 57, a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Numero da decisão: 1102-001.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES FEDERAL INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, INSTALAÇÃO, REPAROS OU ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ATIVIDADE NÃO VEDADA. SÚMULA CARF N. 57. Nos termos da Súmula CARF nº 57, a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
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Exclusão por prática da atividade vedada. Recorrente BAÚ SERVIÇOS DE TORNO E SOLDA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES FEDERAL INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, INSTALAÇÃO, REPAROS OU ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ATIVIDADE NÃO VEDADA. SÚMULA CARF N. 57. Nos termos da Súmula CARF nº 57, a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 08 63 /2 00 4- 54 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13982.000863/200454 Acórdão n.º 1102001.129 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. Relatório A recorrente apresentou impugnação ao processo administrativo de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples Federal, efetivada através do Ato Declaratório Executivo n.° 552.273 (fls. 7), com efeito retroativo a data de 01/01/2002, por suposta prática de atividade vedada. Conforme o ADE DRF n.° 552.273, a empresa foi excluída do Simples Federal pela constatação de que a mesma estaria exercendo a atividade vedada de instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso especifico (CNAE: 2969 6/02). Da análise efetuada pela 4a Turma da DRJ/BHE (fls. 26 a 28), surgiu a necessidade de encaminhar o processo para diligência com a finalidade de identificar qual a prestação de serviço profissional exercida pela pessoa jurídica e mediante a qual a receita bruta é auferida a partir de 01/01/2002 (fls. 29 – 31). Foi juntado pelo contribuinte as notas fiscais do referido período às fls. 38 – 404. Às fls. 414 – 416, constam Informações da SECAT, descrevendo quais serviços foram discriminados nas notas fiscais juntadas aos autos, aduzindo quanto à prática de serviços para pessoas jurídicas e aplicados tanto em veículos automotores (automóveis e caminhões) quanto em máquinas e equipamentos industriais, a saber: Às fls. 433 – 439, há acórdão da 4a Turma da DRJ/BHE, indeferindo a solicitação da recorrente, mantendo o despacho declaratório de exclusão do SIMPLES, sob o argumento de que, “analisando as informações constantes nos autos, verificase que a requerente presta serviço de montagem e manutenção de equipamentos industriais, cuja atividade caracteriza prestação de serviço profissional de engenheiro. Logo, não lhe cabe razão”. Segue ementa do acórdão: serviço de torno; serviço de embuchamento; serviço de solda; recuperação bujão carter; recuperação de eixo; recuperação cubo; recuperação engrenagens; serviço de prensa; substituição espiga cardã; recuperação de ponteira escapamento; recuperação de pinhão; recuperação de rosca virabrequim; conserto de polia; serviço de retifica; conserto cortador de frios; serviço de usinagem. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13982.000863/200454 Acórdão n.º 1102001.129 S1C1T2 Fl. 4 3 Processo n° 13807.004162/200504 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Exercício: 2003 OPÇÃO Vedada a opção pelo Simples pela pessoa jurídica que presta serviço de montagem e manutenção de equipamentos industriais, cuja atividade caracteriza prestação de serviço profissional de engenheiro. Solicitação Indeferida. Contra esta decisão, interpôs a recorrente recurso voluntário às fls. 448 – 450, alegando que: A atividade da recorrente consiste em apenas prestar serviço de conserto, reparação, recuperação, substituição de peças e outros serviços de limpeza, lubrificação de máquinas agrícolas e veículos. A empresa não exerce atividade de instalação, montagem e manutenção de máquinas e equipamentos industriais; Apenas o código do CNAE29696/02 está inserido genericamente (instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso especifico). A empresa de 2002 a 2004, possuía apenas três (3) funcionários, um auxiliar de escritório com instrução 2° grau e dois auxiliares de mecânica, com instrução de 1º grau. Este é o relatório. Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Atendidos os pressupostos legais do recurso voluntário, é de se conhecêlo. Analisando a matéria em epígrafe, verificamos a existência da Súmula CARF n. 57 que traz a seguinte redação: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Nos termos do art. 72 da PORTARIA Nº 256, DE 22 DE JUNHO DE 2009, as Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do Conselho, de tal modo que se o conteúdo da Súmula acima se subsumir aos serviços prestados pela recorrente haverá Fl. 468DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13982.000863/200454 Acórdão n.º 1102001.129 S1C1T2 Fl. 5 4 de ser cancelado o Ato Declaratório Executivo n.° 552.273 que excluiu a recorrente do SIMPLES Federal. DAS SÚMULAS Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Assim em face da diligência realizada a pedido da 4a Turma da DRJ/BHE constatouse que os serviços prestados pela recorrente se tratavam de: serviço de torno, serviço de solda, recuperação de eixo, recuperação engrenagens, substituição espiga carda, recuperação de pinhão, conserto de polia, conserto cortador de frios, serviço de embuchamento, recuperação bujão Carter, recuperação cubo, serviço de prensa, recuperação de ponteira escapamento, recuperação de rosca virabrequim, serviço de retifica, serviço de usinagem. Assim considerando então que a situação em apreço (serviços prestados pela recorrente) se enquadra nos termos da Súmula n. 57 do CARF, resta cancelar o ato de exclusão, reintegrando a pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 469DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10840.723012/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. APLICABILIDADE DO ART. 135, CTN. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE SEUS REQUISITOS TAXATIVOS.
Comprovados os requisitos elencados pelo art. 135, do Código Tributário Nacional, é possível a responsabilização dos sócios pela integralidade das obrigações tributárias da empresa contribuinte.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONTADOR. PARTICIPAÇÃO VOLUNTÁRIA E CONSCIENTE NOS ATOS DOLOSOS.
Comprovada nos autos a participação voluntária e consciente do contador no esquema fraudulento que visava ao pagamento a menor de tributos federais, na qualidade de contador não apenas da autuada mas também de diversas outras empresas envolvidas, correta a atribuição de responsabilidade tributária, com fulcro no art. 135, inciso II, do CTN.
A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, inverte o ônus probatório, cabendo ao contribuinte realizar prova em contrário.
ALTERAÇÃO ESCRITA CONTÁBIL APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DE ESPONTANEIDADE.
A retificação da escrituração contábil pelo contribuinte ao tempo em que o procedimento de fiscalização já se encontrava em andamento não é capaz de afastar o lançamento tributário, mormente porquanto não se tenha recuperado a espontaneidade.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
Caracterizado o dolo mediante a constatação de conduta omissiva reiterada, somada à discrepância entre as declarações feitas à autoridade fazendária Federal e Estadual, figura-se a imposição da multa qualificada prevista em artigo 44, I, §1º, da Lei n.º 9.430/96.
A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária em sede de procedimento administrativo (súmula n. 2 do CARF).
Numero da decisão: 1302-001.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, em dar provimento ao recurso de ofício; b) por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte e do responsável tributário Shaady Cury Junior; e c) por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário do responsável tributário Raimundo Lemos Sá, vencido o Conselheiro Márcio Frizzo. O Conselheiro Waldir Veiga Rocha foi designado redator do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Rodrigo Frizzo - Relator.
(assinado digitalmente)
WALDIR VEIGA ROCHA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Márcio Rodrigo Frizzo e Waldir Veiga Rocha. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. APLICABILIDADE DO ART. 135, CTN. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE SEUS REQUISITOS TAXATIVOS. Comprovados os requisitos elencados pelo art. 135, do Código Tributário Nacional, é possível a responsabilização dos sócios pela integralidade das obrigações tributárias da empresa contribuinte. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONTADOR. PARTICIPAÇÃO VOLUNTÁRIA E CONSCIENTE NOS ATOS DOLOSOS. Comprovada nos autos a participação voluntária e consciente do contador no esquema fraudulento que visava ao pagamento a menor de tributos federais, na qualidade de contador não apenas da autuada mas também de diversas outras empresas envolvidas, correta a atribuição de responsabilidade tributária, com fulcro no art. 135, inciso II, do CTN. A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, inverte o ônus probatório, cabendo ao contribuinte realizar prova em contrário. ALTERAÇÃO ESCRITA CONTÁBIL APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DE ESPONTANEIDADE. A retificação da escrituração contábil pelo contribuinte ao tempo em que o procedimento de fiscalização já se encontrava em andamento não é capaz de afastar o lançamento tributário, mormente porquanto não se tenha recuperado a espontaneidade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Caracterizado o dolo mediante a constatação de conduta omissiva reiterada, somada à discrepância entre as declarações feitas à autoridade fazendária Federal e Estadual, figura-se a imposição da multa qualificada prevista em artigo 44, I, §1º, da Lei n.º 9.430/96. A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária em sede de procedimento administrativo (súmula n. 2 do CARF).
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LUCRO REAL. Os custos ou despesas operacionais serão dedutíveis na apuração do lucro real desde que comprovadamente efetivas e se atendidas as condições gerais de necessidade, normalidade e usualidade. Sendo insuficientes os elementos apresentados pelo contribuinte para comprovação da necessidade, normalidade e usualidade das despesas realizadas, incabível o afastamento das glosas de despesas realizadas pela autoridade fiscal. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, inverte o ônus probatório, cabendo ao contribuinte realizar prova em contrário. ALTERAÇÃO ESCRITA CONTÁBIL APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DE ESPONTANEIDADE. A retificação da escrituração contábil pelo contribuinte ao tempo em que o procedimento de fiscalização já se encontrava em andamento não é capaz de afastar o lançamento tributário, mormente porquanto não se tenha recuperado a espontaneidade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Caracterizado o dolo mediante a constatação de conduta omissiva reiterada, somada à discrepância entre as declarações feitas à autoridade fazendária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 30 12 /2 01 1- 39 Fl. 4017DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.018 2 Federal e Estadual, figurase a imposição da multa qualificada prevista em artigo 44, I, §1º, da Lei n.º 9.430/96. A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária em sede de procedimento administrativo (súmula n. 2 do CARF). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. TRIBUTO REFLEXO. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE MATÉRIA PENAL NO CARF. Não é possível, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a análise de matéria penal, conforme Súmula CARF nº 28. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. APLICABILIDADE DO ART. 135, CTN. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE SEUS REQUISITOS TAXATIVOS. Comprovados os requisitos elencados pelo art. 135, do Código Tributário Nacional, é possível a responsabilização dos sócios pela integralidade das obrigações tributárias da empresa contribuinte. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONTADOR. PARTICIPAÇÃO VOLUNTÁRIA E CONSCIENTE NOS ATOS DOLOSOS. Comprovada nos autos a participação voluntária e consciente do contador no esquema fraudulento que visava ao pagamento a menor de tributos federais, na qualidade de contador não apenas da autuada mas também de diversas outras empresas envolvidas, correta a atribuição de responsabilidade tributária, com fulcro no art. 135, inciso II, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, em dar provimento ao recurso de ofício; b) por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte e do responsável tributário Shaady Cury Junior; e c) por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário do responsável tributário Raimundo Lemos Sá, vencido o Conselheiro Márcio Frizzo. O Conselheiro Waldir Veiga Rocha foi designado redator do voto vencedor. Fl. 4018DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.019 3 (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator. (assinado digitalmente) WALDIR VEIGA ROCHA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Márcio Rodrigo Frizzo e Waldir Veiga Rocha. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Primeiramente, cuidase nos presentes autos de Recurso de Ofício submetido ao CARF em virtude do afastamento da responsabilidade solidária do Sr. PAULO CÉSAR RACHID CURY. Concomitantemente, houve a interposição de Recursos Voluntários, os quais foram apresentados conjuntamente por METALCURY FUNDIÇÃO INDUSTRIAL LTDA., RAIMUNDO LEMOS DE SÁ, PAULO CESAR RACHID CURY e SHAADY CURY JUNIOR contra o Acórdão no 0250.951, de 31/10/2013, emitido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte (fls. 3.852/3.868). Por bem descrever o ocorrido, valhome de excerto do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, conforme a seguir transcrito: I –DOS AUTOS DE INFRAÇÃO – fls. 3.365 a 3.379 Mediante o processo em epigrafe foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativos ao ano calendário de 2007, para exigência de crédito tributário no montante de R$1.157.411,02, sob o fundamento de custos ou despesas não comprovadas – glosa de custos. II – DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL .fls. 3.386 a 3.405 O Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades registra que a empresa fora excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos a partir Fl. 4019DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.020 4 de 01/01/2007 e que a partir de do segundo semestre deste mesmo ano já havia optado pela sistemática de Lucro Real. Afirma que foi constatado ausência de escrituração da movimentação financeira no valor de R$14.472.283,32, registrada depois do início da fiscalização. Apresenta ainda quadro concluindo pela omissão de receitas de vendas, apurada pela diferença entre as receitas escrituradas e as receitas oferecidas à tributação. Destaca que estes valores foram corretamente informados ao Governo do Estado de São Paulo. Complementa que mesmo retificando a sua escrita, a fiscalizada passou a apurar resultados contábeis e fiscais negativos ou reduzidos, motivando a investigação das apropriações dos custos e despesas. Intimada a apresentar os documentos comprobatórios, a fiscalizada não logrou comprovar as operações com as empresas Edson Rivaldo de Lima Ferroso – CNPJ 07.785.985/000157, José Roberto Duarte Ferroso CNPJ 06.274.434/000166 e Edson Luiz Giollo Metasul – CNPJ 07.871.168/000111. Complementa que, mesmo concedido prorrogação do prazo e reiteradamente intimada, a empresa não apresentou os documentos solicitados. Aprofundando a investigação, constatou que a pessoa física Edson Rivaldo de Lima Ferroso esteve concomitantemente trabalhando para a fiscalizada enquanto sua empresa fornecia matéria prima e produtos. A pessoa física José Roberto Duarte Ferroso, titular da empresa individual José Roberto Duarte Ferroso CNPJ 06.274.434/000166, esteve concomitantemente registrado com funcionário da empresa Edson Luiz Giollo Metasul, fornecendo, tal qual a empresa que o empregava, matéria prima e produtos para a fiscalizada. Não foram apresentadas quaisquer provas do efetivo fornecimento, quer pela fiscalizada, quer pela empresa fornecedora, ressaltando que durante todo o período as empresas Edson Rivaldo de Lima Ferroso – CNPJ 07.785.985/000157 e José Roberto Duarte Ferroso CNPJ 06.274.434/000166 encontravamse inabilitadas pela Secretaria de Fazenda de SP para a emissão de documentos fiscais. No que diz respeito a empresa individual Edson Luiz Giollo Metasul, foram apresentados comprovantes para 5 (cinco) notas fiscais no montante de R$136.056,98 enquanto o valor registrado como aquisição de produtos totalizou R$735.055,75, discriminados em 21 (vinte e uma) notas fiscais. Conclui pela constatação de omissão de receitas e de aproveitamento irregular de custos e despesas em todos os meses Fl. 4020DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.021 5 do ano de 2007, em decorrência de ausência de comprovação da efetividade das operações, quer pelos fornecedores, quer pela fiscalizada, que não apresentou os documentos fiscais e os comprovantes do efetivo pagamento das citadas operações. Observa que “para o efeito de apuração dos valores devidos, a partir do LALUR, é desnecessária a adição das receitas omitidas, visto que a escrituração contábil foi refeita em fevereiro de 2010, passando a admitir tais receitas.” Por entender ocorrido crime contra a ordem tributária ao omitir receitas de vendas e escriturar despesas e custos não comprovados, reduzindo seus resultados contábeis e fiscais, mediante conluio e conduta dolosa dos representantes legais da fiscalizada, aplicou se o percentual de 150% para a multa de ofício. Destaca as declarações do sócio administrador Sr. Shaady Cury Júnior afirmando que a apresentação de declarações com diferença entre as apresentadas aos fisco estadual e federal deveuse a opção da empresa, sob seu comando, devido a dificuldades financeiras, portanto, de forma intencional, e do contador Sr. Raimundo Lemos Sá, que calculava e preenchia a menor os DARFS par recolhimento dos tributos federais por ordem do Sr. Shaady Cury Júnior, declarando textualmente: “o proprietário dizia quanto queria pagar de imposto e o declarante (contador) efetuava os cálculos.” Finalizando, foram lavrados termos de sujeição passiva solidária para os sócios da fiscalizada, Senhores Paulo César Rachid Cury (fls. 3.382/3.383) e Shaady Cury Junior (fls. 3.409/3410), e para o contador Sr. Raimundo Lemos Sá (fls. 3.384/3.385) e representação fiscal para fins penais (processo 10840.723013/201183, apensado). Encerrada a fiscalização, os recorrentes tiveram ciência do auto de infração em 30/11/2011 (fl.3.408/3.412). Na sequência, apresentaram impugnações em 06/01/2012 (fl. 3.415/3.844), as quais foram julgadas parcialmente improcedentes, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 3.852/3.868): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem Fl. 4021DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.022 6 proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. FASE DE AUDITORIA. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente, pois tais direitos só se estabelecem após a ciência do lançamento ou após a respectiva impugnação, conforme o caso, ainda mais quando todos os fatos que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O cancelamento de multa de ofício aplicada fundado no acolhimento do argumento de sua natureza confiscatória exigiria o exame da constitucionalidade do dispositivo legal que a instituiu e essa atividade é estranha ao contencioso administrativo, inserindose no âmbito da competência exclusiva do Poder Judiciário. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO PROVAS As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. RECEITA OMITIDA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CUSTOS OU DESPESAS – DEDUTIBILIDADE. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivas e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. Fl. 4022DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.023 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 Falta de recolhimento O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento da CSLL o qual compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhe recomenda tratamento diverso. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Intimados da decisão supratranscrita em 16/12/2013 (fl. 3.878/3.881), os recorrentes apresentaram, então, recursos voluntários em 14/01/2014 (fl. 3.885/4.007), no quais ventilam as seguintes razões, em resumo: (i) Que não há como sustentar a inidoneidade das notas fiscais apresentadas pelas empresas fornecedoras – EDSON RIVALDO DE LIMA FERROSO – ME, JOSÉ ROBERTO DUARTE FERROSO – ME e EDSON LUIZ GIOLLO METALSUL – ME – posto que todos os requisitos formais intrínsecos a tais documentos se viam presentes, não havendo como a empresa Recorrente realizar qualquer controle quanto à legalidade e adequação das ditas notas emitidas por seus fornecedores; (ii) Que, por conta disso, não pode a Recorrente se ver penalizada por descumprimento à legislação por suas empresas fornecedoras; (iii) Que as razões do lançamento não devem prevalecer, uma vez que estariam embasadas apenas sobre “presunções” do AFRFB, o qual, conforme exposto pela Recorrente, não teria carreado nenhuma matéria probatória capaz de indicar de maneira cabal a efetiva ocorrência das infrações verificadas; (iv) Que não seria devida certa cobrança em relação ao ICMS, em virtude do princípio da nãocumulatividade; (v) Que as conclusões do AFRFB acerca da ocorrência de prática de omissão de receitas seria equivocada, ao passo em que a Recorrente não teve êxito na retificação da DIPJ/2007 em virtude de impossibilidades impostas pela própria RFB; (vi) Que não teria havido aproveitamento de custos e despesas não comprovadas, apresentando notas fiscais referentes a operações com as empresas fornecedoras; (vii) Que a multa imposta não seria devida, posto que possuiria caráter confiscatório, afrontando contra disposição expressa da Constituição; (viii) Que a responsabilização solidária dos sócios teria se dado de maneira errônea, pois carece da comprovação do dolo efetivo por parte dos sócios; Fl. 4023DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.024 8 (ix) Mais ainda, que a responsabilização solidária seria irregular, na medida em que, sendo a Lei 8.620 de 1993 uma lei de caráter ordinário, não se aplicariam as disposições da dita Lei ao caso em questão; (x) Que a representação para fins penais seria indevida, posto que os documentos carreados ao processo demonstrariam a total inexistência de conduto delituosa; Ao fim, a Recorrente ainda requereu prazo não inferior a 30 (trinta) dias para proceder a juntada de documentos angariados junto a seus fornecedores que reforcem suas alegações. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. O Recurso de Ofício também atende aos requisitos legais, pelo que também dele conheço. Antes que se passe à análise específica dos motivos apresentados pela empresa Recorrente, peço vênia para esclarecer que, uma vez que houve a apresentação de quatro Recursos Voluntários calçados nas mesmas razões de direito, a presente decisão se destina a alcançar todos os Recursos interpostos, valendo tanto para a pessoa jurídica METALCURY FUNDIÇÃO INDUSTRIAL LTDA., quanto para as pessoas físicas solidariamente responsabilizadas, senhores RAIMUNDO LEMOS DE SÁ, PAULO CESAR RACHID CURY e SHAADY CURY JUNIOR. 1. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 1.1 Da Delimitação Da Matéria Controvertida. Inicialmente, importa destacar que, no transcorrer dos Recursos Voluntários que ora se discutem, as Recorrentes tratam de combater certa cobrança de ICMS que, em seu entender, não se mostram adequadas em face do princípio da nãocumulatividade tributária (vide item II.3 dos Recursos interpostos). No entanto, em virtude de tal tributo pertencer à competência da esfera estadual, nada tendo a ver com o lançamento tributário ora combatido ou com a matéria adstrita a competência deste conselho, tais alegações não serão apreciadas no presente voto, o qual se focará unicamente nas questões tangentes aos tributos de esfera federal – IRPJ e tributos reflexos. Fl. 4024DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.025 9 Outrossim, notase que as Recorrentes ainda argumentam sobre a improcedência da representação para fins penais levada a cabo pela autoridade fiscalizadora (vide item II.9 dos Recursos apresentados) alegando, em síntese, a inocorrência de conduta delituosa. Todavia, também aqui se verifica que não cabe a este conselho apreciar a matéria quanto à ocorrência ou não do crime contra a ordem tributária, posto que esta também extrapolam os limites da competência que lhe é atribuída, consoante ditames da súmula CARF n. 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim, tendo em vista que tanto as questões suscitadas em relação à não cumulatividade do ICMS quanto as referentes à procedência da Representação Fiscal para Fins Penais se mostram alheias à esfera de competência deste Conselho, o presente voto não apreciará estas matérias. 1.2 Da Glosa Sobre O Aproveitamento De Despesas Inexistentes/Sem Comprovação. Durante o procedimento de fiscalização, temse que a autoridade fazendária concluiu no sentido de que teria a empresa Recorrente se aproveitado de despesas inexistentes, a fim de reduzir o montante das receitas tributáveis e, assim, evadirse de suas obrigações relativas ao IRPJ e tributos reflexos. Mais especificamente, o AFRFB constatou, mediante a análise da documentação contábil e fiscal prestada pela Recorrente no transcorrer do procedimento fiscal, que a empresa teria computado uma série de despesas relacionadas a operações de aquisição de insumos provenientes das microempresas EDSON RIVALDO DE LIMA FERROSO, JOSÉ ROBERTO DUARTE FERROSO e EDSON LUIZ GIOLLO METASUL, sendo tais operações desamparadas de qualquer documentação hábil e idônea que as pudesse comprovar. Em face disso, argumenta a Recorrente no sentido de que não procedem as constatações apresentadas pelo AFRFB, na medida em que as operações de aquisição por ela escrituradas teriam, de fato, ocorrido, conforme demonstram as notas fiscais juntadas em anexo III da Impugnação outrora apresentada (fls. 3.535/3.844). Nesse rumo, fez constar a pessoa jurídica Recorrente em seu Recurso Voluntário (fls. 3.945/3.977): II.5 – APROVEITAMENTO DE CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADAS De acordo com o ANEXO III, contrariando a afirmação do AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, fica demonstrado que não existe falta de comprovação de despesas pois os documentos encontramse todos anexos. Fl. 4025DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.026 10 Importante frisar, desde logo, que consoante se percebe do trecho acima transcrito, a Recorrente fundamenta toda sua defesa perante esse egrégio Conselho Administrativo unicamente no conjunto de notas fiscais apresentado em ANEXO III do instrumento de Impugnação. No entanto, a despeito do que aduz a Recorrente, não há como reconhecer que essa logrou êxito em comprovar a efetiva ocorrência das operações de aquisição que deram causa à glosa do AFRFB. Isso porque, muito embora a empresa Contribuinte tenha apresentado as notas fiscais que supostamente se refeririam às transações averiguadas pelo AFRFB, a análise conjunta dos fatos apurados durante o procedimento de fiscalização torna, no mínimo, temerária a conclusão quanto à idoneidade dos documentos apresentados. Mesmo que desconsideremos o impedimento apontado pelo auditor fiscal quanto à prerrogativa de emitir documentos fiscais que recaía sobre as empresas EDSON RIVALDO DE LIMA FERROSO e JOSÉ ROBERTO DUARTE FERROSO durante todo o período fiscalizado – fato relatado em Termo de Verificação Fiscal, fls. 3.394 e 3.395 e reforçado pelos extratos do sistema SINTEGRA juntados às fls. 328/329 e 347/348 – ainda se mostraria relevante considerar que tanto a empresa Recorrente quanto as supostas empresas fornecedoras foram repetidamente intimadas para apresentar tais documentos sem que houvesse qualquer resposta durante a fase inquisitória do procedimento de fiscalização. Ademais, frisese que as notas fiscais apresentadas pela Recorrente correspondem apenas às empresas JOSÉ ROBERTO DUARTE FERROSO e EDSON LUIZ GIOLLO METASUL, nada se referindo à empresa EDSON RIVALDO DE LIMA FERROSO – ME, cujas operações também foram referidas como fraudulentas pela autoridade fiscalizadora. Não bastasse isso, conforme também ficou asseverado pelo AFRFB, diversos indícios apontam no sentido de que as três empresas fornecedoras acima citadas se tratariam, na realidade, de pessoas jurídicas criadas com a finalidade específica de praticar conduta fraudulenta, possibilitando à empresa Recorrente computar despesas que nunca teriam existido para, assim, reduzir o montante de receitas tributáveis pela sistemática do lucro real. A reforçar essa percepção dos fatos, destaquese que, no caso das pessoas jurídicas JOSÉ ROBERTO DUARTE FERROSO e EDSON LUIZ GIOLLO METASUL, tem se que essas se tratam de empresas individuais fundadas e geridas em nome dos senhores Edson Rivaldo de Lima e José Roberto Duarte, os quais, conforme restou constatado, faziam parte do quadro de funcionários da empresa Recorrente durante todo o período fiscalizado (vide documentos carreados às fls. 367/368 e 345/346). Somado a isso, notese que, no transcorrer da fiscalização, ainda restou constatado que a empresa JOSÉ ROBERTO DUARTE FERROSO – ME desenvolve suas atividades no mesmo endereço da empresa Recorrente, valendose, inclusive, do mesmo endereço eletrônico e possuindo nome fantasia que remete ao da Contribuinte fiscalizada, qual seja “Metalcury Service” (vide documentos de fls. 330/334). Ou seja, a meu ver restou evidente a constatação de utilização fraudulenta de interpostas pessoas, criadas tãosomente para gerar despesas inexistentes a fim de que a recorrente pudesse pagar menos imposto, uma vez que seu registro na contabilidade influenciou negativamente no resultado da recorrente. Fl. 4026DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.027 11 Ademais, sobre o assunto, a DRJ realizou de maneira louvável algumas ponderações sobre a argumentação da recorrente, as quais merecem ser reproduzidas abaixo: (...) para comprovar esta existência é obrigação dos contribuintes manterem em ordem todos os documentos comprobatórios e apresentálos quando intimados. Constatase que esta apresentação não aconteceu durante os procedimentos de fiscalização, mesmo tendo sido concedido prorrogação dos prazos. (...) A fiscalização constatou que a pessoa jurídica escriturou despesas com aquisição de mercadorias e, em decorrência de ausência de comprovação da efetividade das operações, quer pelos fornecedores, quer pela fiscalizada, que não apresentou os documentos fiscais e os comprovantes do efetivo pagamento das citadas operações, glosou os valores escriturados como despesa. Portanto, visivelmente não se trata de suposição, mas de constatação inequívoca dos fatos. Na apresentação de sua defesa, os impugnantes afirmam trazer aos autos a comprovação da efetividade das operações. No Anexo I apresenta cartão CNPJ, cópia alteração contrato social, CPF e RG do sócioadministrador. O Anexo II apresenta o título “Documentos que comprovam que as empresas estavam ativas no exercício de 2007”, com a observação: “Serão juntadas posteriormente conforme pedido de prazo, pois até o presente momento os fornecedores ainda não apresentaram os documentos ora requeridos, que são fundamentais para o julgamento.” Na verdade, para efeito de comprovação da efetividade das operações, questionar se os fornecedores estavam ou não regular perante os órgãos públicos, tornase irrelevante. Se comprovada a efetividade das operações, naturalmente o contribuinte de boafé não poderia ser penalizado por erros de terceiros, com os quais não tenha pactuado. Esta circunstância passa a ter serventia para demonstrar ou não se houve conluio entre as partes. Esta análise será feita oportunamente. O Anexo III apresenta o título “Cópias autenticadas – notas fiscais faltantes”. Estas notas fiscais, isoladamente, não se prestam para provar a efetividade da operação. Indicam apenas que foram emitidas. Para tal comprovação haveria de se demonstrar efetivamente a realização da operação, não sendo nem mesmo suficiente a apresentação de documentos referentes ao pagamento de tais aquisições, mormente diante do quadro descrito pela fiscalização no que diz respeito às circunstâncias das empresas fornecedoras, constituídas por empregados da própria pessoa jurídica fiscalizada. Estes fornecedores encontravamse Fl. 4027DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.028 12 impedidos de emitir documentos fiscais por ato da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. A tentativa de desqualificar este impedimento sob argumentos de cunho subjetivo (fiscal ganha mais do que médico, procedimentos inadequados do poder público, parcialidade da esfera administrativa, etc) não favorece aos impugnantes. O Anexo IV, com o título “Documentos que comprovam que as empresas foram consideradas inidôneas após o exercício de 2007 com data retroativa”, apresenta a seguinte observação: “Serão juntadas posteriormente conforme pedido de prazo, pois até o presente momento os fornecedores ainda não apresentaram os documentos ora requeridos, que são fundamentais para o julgamento.” O Anexo V apresenta documentos que pretendem subsidiar os seus argumentos de que “devido aos controles internos da própria SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL que impedia a geração da DIPJ para o exercício de 2007, porque a mesma ainda constava com optante do simples vide ANEXO V. Diante disso os livros fiscais que a impugnante passou a ser obrigada a entregar a partir de 01/01/2007 a 31/12/2007, a mesma teve ciência apenas em 2010, conforme comprova também a correspondência “importante salientar que o nome do contribuinte está errado na correspondência vide ANEXOV.” Estes argumentos e documentos não oferecem qualquer subsídio para deslinde da questão. Não existe qualquer questionamento no procedimento fiscal sobre a entrega da declaração. A fiscalização, analisando os documentos e livros contábeis/fiscais da pessoa jurídica constatou a ausência de escrituração de depósitos bancários e de despesas sem lastros em documentos. Este é o cerne da questão. Ademais, constatou ainda que a pessoa jurídica, para o segundo semestre de 2007, havia optado pela sistemática do lucro real. Excluída do Simples com efeitos a partir de 01/01/2007, a fiscalização adotou, para apuração do quantum tributável, a mesma sistemática de apuração de lucro escolhida pela empresa. Sendo assim, a entrega das respectivas declarações deveria ter sido providenciada durante o ano subsequente ao ano calendário de 2007, ou seja, 2008 e não em 2010. De qualquer maneira, repitase que tais circunstâncias não oferecem qualquer interferência na análise da matéria. O Anexo VI, com o título “Contas correntes dos fornecedores comprovando que os mesmos declararam ao fisco federal suas movimentações” apresentam telas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. As telas referentes a Edson Luiz Giollo Metalsul, CNPJ 07.871.168/000l11, indicam que foi baixada em 13/02/2008, Fl. 4028DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.029 13 histórico de inclusão e exclusão do Simples Federal e Nacional e débitos em cobrança. As referentes a José Roberto Duarte Ferroso, CNPJ 06.274.434/000166, indicam o ter sido suspensa em 04/08/2008, histórico de inclusão e exclusão do Simples Federal e Nacional, débitos em cobrança e inscrição em dívida ativa da União, pela PGFN. Para a empresa Edson Rivaldo de Lima Ferroso, CNNPJ 07.785.985/000157, as telas indicam situação ativa e histórico de inclusão e exclusão do Simples Federal. Para todas elas indicase que não existe ausência de declarações para o anocalendário de 2007. Apenas isto. Não significa que elas declaram ter recebido valores da pessoa jurídica impugnante, até porque esta informação não é exigida nos formulários que as pessoas jurídicas devem entregar a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esta circunstância deve constar dos respectivos registros contábeis fiscais para a comprovação da efetividade das operações. E esta efetividade, os impugnantes não logram comprovar. O Anexo VII apresenta “Conta correntes da impugnada (sic) comprovando que a mesma incluiu todos os débitos no parcelamento da Lei 11.941/2009.” Outra circunstância que não oferece qualquer subsídio ao exame do mérito. Dessa forma, à luz do conjunto de informações e provas juntadas aos autos, não há como reconhecer a idoneidade das notas fiscais apresentadas para comprovar as despesas glosadas pelo Fisco. Noutros dizeres, não há como este Conselho, ante a todos os indícios levantados pelo procedimento de fiscalização, desconsiderar as constatações e glosas levadas a cabo pela autoridade fazendária, mediante minucioso procedimento inquisitório, em virtude da apresentação de notas fiscais que, frisese, não se remetem à totalidade das empresas fornecedoras, limitandose às empresas JOSÉ ROBERTO DUARTE FERROSO e EDSON LUIZ GIOLLO METASUL, as quais tinham por titulares funcionários da própria recorrente e, como endereço comercial, o mesmo endereço da recorrente. Assim, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto para manter a decisão recorrida. 1.3 Da Omissão De Receita No decorrer do procedimento de fiscalização, a autoridade fazendária ainda verificou que a empresa ora Recorrente praticou conduta caracterizada pela omissão de receitas tributáveis a qual restou verificada a partir da constatação acerca de significativa discrepância entre os valores declarados pela empresa e as movimentações financeiras por ela mantidas no período fiscalizado. Fl. 4029DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.030 14 Nesse sentido, fez constar o AFRFB em termo de verificação fiscal de fls. 3.386/3.405: 3.1 Conforme informações contidas na DCPMF (Dossiê Integrado, fls. 79/88) a fiscalizada declarou à RFB para 2007 o valor de R$ 822.732,41 a título de receita vendas, ao passo que, movimentou no mesmo período R$ 14.746.493,62 em suas contas bancárias, ou seja, um valor 18 vezes maior que o declarado. [...] 5.1.4 O cotejamento dos valores das receitas de vendas escriturados (quadro 1), apurados por esta fiscalização e resumidos na segunda coluna do quadro 2, abaixo, contra os valores das receitas oferecidas à tributação, conforme declarado na PJSI (1º semestre de 2007) e a DIPJ (2º semestre de 2007) e resumidos mensalmente na terceira coluna do mesmo quadro, indica existência de omissão de receitas para todos os meses do ano de 2007. O mencionado quadro, que se encontra na sequencia do texto, demonstra a omissão das receitas de vendas, apurada pela diferença entre as receitas de vendas escrituradas e as receitas de vendas oferecidas à tributação. Observase, ainda, que a omissão de receitas, comprovada pelo exame da escrituração, mostrase compatível com os indícios do item 3. (grifo original) Cabe salientar, ao bem da clareza da presente análise, que, conforme também consta do TVF acima referido, a empresa Requerente efetuou, após o início do procedimento de fiscalização que originou o auto de infração ora em tela, a retificação de sua escrituração contábil, consoante se denota do trecho seguinte: 5.1.1 Tendo em vista as motivações definidas no item 3, ou seja, a investigação de possível omissão de receitas tributáveis pela fiscalizada, a fiscalização iniciouse pelo exame da escrituração contábil. Tal exame revelou que, embora a fiscalizada tenha declarado à RFB receita de vendas (Dossiê, fl. 79) no valor de R$ 822.732,41 (ano 2007), valor muito inferior ao observado em sua movimentação bancária (R$ 14.746.493,62, Dossiê fl. 79), a mesma, posteriormente ao início do procedimento fiscal, alterou a sua escrita contábil para registrar tais receitas em montante compatível com a movimentação financeira observada para o período, vide Livro Razão (fls. 511/3264), Balancete de Verificação no Livro diário (fls. 3276/3278) e LALUR (fls. 3265/3274). (grifo original) Dito isso, eis que a Recorrente buscou refutar as verificações tecidas pelo AFRFB alegando, em síntese, que não seria possível se falar em qualquer omissão de receitas, posto que a retificação de seus documentos contábeis foi efetuada e aceita pela autoridade fiscalizadora. Nesse rumo, a Contribuinte ainda afirma que apenas realizou a retificação mencionada após o inicio da fiscalização, posto que até então não teria ciência acerca da obrigatoriedade em manter sua escrituração contábil, já que se encontrava inscrita no regime especial de tributação do SIMPLES Nacional. Fl. 4030DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.031 15 No entanto, a despeito do que aduz a parte Recorrente, também aqui penso que deve subsistir o lançamento realizado pelo AFRFB, posto que, muito embora a empresa Contribuinte tenha realizado a retificação da escrituração contábil, não há como sustentar que esta, por si só, seja suficiente para desconsiderar a omissão de vultosas quantias até o início do procedimento de fiscalização. Ademais, devese esclarecer, desde logo, que consoante se verifica dos acontecimentos relatados nos autos, a retificação acima referida se deu ao tempo em que o procedimento de fiscalização já se encontrava em pleno andamento, não se verificando qualquer desídia da autoridade fiscalizadora quanto à observação dos prazos previstos em artigo 7º, §§ 1º e 2º do Decreto 70.235 de 1972. Assim, importa relembrar o que prescreve o dispositivo acima mencionado: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (grifo não original) Dessa forma, por força da normativa acima transcrita, é certo que os atos de fiscalização praticados durante o procedimento inquisitório possuem validade de 60 dias, sendo que a inércia da fiscalização pelo lapso temporal superior a tal período implica na reaquisição da espontaneidade do Contribuinte para, querendo, valerse do instituto tributário da Denúncia Espontânea e expurgar quaisquer multas que lhe sobrevenham ao adimplir o débito tributário pendente, acrescido dos juros de mora sobre ele incidentes. Por oportuno, notese que esse é o entendimento firmado por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: PRAZO 60 DIAS. ART. 7º, §2º, DECRETO 70.235/72. ESPONTANEIDADE. O prazo de 60 dias, prorrogável por igual termo, previsto no §2º do art. 7º do Decreto 70.235/72 é referente ao tempo no qual fica excluída a espontaneidade do contribuinte. Não há limite para o número de prorrogações de procedimento fiscal. (...) (CARF, Acórdão n. 2202002.313 do processo n. 11052.720017/201159, Cons. Rel. RAFAEL PANDOLFO, data da publicação: 19/08/2013). Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.032 16 Reaquisição da Espontaneidade A reaquisição da espontaneidade pelo decurso do prazo de 60 dias entre o último ato de ofício e a lavratura do auto de infração, por si só, não é motivo para invalidar o lançamento. É necessário que o sujeito passivo, após a reaquisição da espontaneidade, promova o pagamento ou pelo menos a confissão da dívida. (...) (CARF, Acórdão n. 3102001.763 do processo n. 10932.000186/200803, Cons. Rel. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, data da publicação: 13/06/2013). Todavia, notese que no presente caso não há como atribuir caráter de espontaneidade da Recorrente pela retificação da sua documentação contábil no presente caso, eis que não houve o esgotamento do lapso temporal imposto pelo artigo 7º do decreto 70.234 de 1972, o qual, ao contrário, se via vigente na data da retificação. Pontualmente, destaquese que o MPF n. 08.1.09.002009015199, o qual instrui o início do procedimento de fiscalização foi emitido em 28/10/2009, com validade até a data de 25/02/2010, sendo que a Contribuinte foi devidamente cientificada a seu respeito em 29/10/2009 (fls. 04/06). Em seguida, eis que o AFRFB intimou a empresa Recorrente a apresentar sua documentação contábil em 25/01/2010, consoante se vê do Termo de Intimação Fiscal n. 0030, juntado aos autos em fls. 230/231. Por fim a empresa Recorrente acabou por retificar a documentação contábil equivocada em 08/02/2010, fato ocorrido, portanto, apenas 15 dias após o ato administrativo pelo qual foi intimada pela autoridade fiscal a apresentar a documentação necessária – período esse em que ainda valia o prazo previsto no tratado artigo 7º do Decreto 70.234 de 1972. Por esse motivo, em não havendo espontaneidade no ato de retificação levado a cabo pela Recorrente, subsiste a conclusão de que tal retificação não se revela suficiente à descaracterização do lançamento realizado pelo AFRFB. Outrossim, ainda que a Recorrente tivesse realizado a dita retificação em período posterior ao esgotamento da validade do ato administrativo, prevaleceria o lançamento, posto que a mesma retificação não foi acompanhada de qualquer pagamento por parte da Empresa. Portanto, muito embora a empresa Contribuinte tenha, de fato, efetuado a retificação de sua escrituração contábil, adequandoa aos valores reais das operações que mantinha, segundo constatado pelo AFRFB durante a fiscalização, essa se realizou apenas após início da fiscalização e, outrossim, não houve quaisquer pagamentos referentes à nova quantia declarada (receita até então omitida) – muito superior à anterior. Quanto à observação do AFRFB de que para efeito de apuração dos impostos devidos não seria necessário a adição das receitas omitidas, uma vez que refeita a escrituração contábil da recorrente, temse apenas que a pretensão era deixar claro que tais receitas não estariam sendo consideradas duas vezes, nos termos já bem esclarecidos pelo acórdão da DRJ, conforme excerto abaixo: Os impugnantes transcrevem trechos do Termo de Verificação Fiscal que assinalam o registro contábil, depois do início da ação fiscal, do valor de R$14.472.283,52, referentes aos depósitos bancários não escriturados e que, para efeito de Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.033 17 apuração dos valores devidos, a partir do Lalur, seria desnecessária a adição desta receita omitida. Os impugnantes não explicam o motivo de tal transcrição. No entanto, esclareçase que estes trechos do Termo de Verificação Fiscal têm o único objetivo de deixar claro que a fiscalização ao recompor o lucro tributável considerou os registros do Lalur, deixando patente que não adicionou em duplicidade os valores dos depósitos bancários não contabilizados no momento oportuno. Por consequência, tão somente a glosa das despesas foi adicionada. Assim, tendo em vista o conjunto de constatações no procedimento de fiscalização, não há como chancelar as alegações da Recorrente, pelo que voto em negar provimento ao recurso voluntário também neste ponto. 1.4. Da Multa Qualificada No que se refere à multa qualificada que se aplicou no presente caso, temse que essa decorreu das constatações do AFRFB quanto à ocorrência de omissão de receitas tributáveis por parte da Recorrente, a qual, conforme já explicitado, declarou à RFB quantia muito inferior àquela efetivamente auferida, consoante movimentação financeira analisada pela autoridade fiscalizadora. Ademais, a exação imposta ainda se fundou na constatação do AFRFB acerca de despesas inexistentes, contabilizadas pela empresa Recorrente com intuito de reduzir a base tributável das receitas que obtinha mediante operações de aquisição de insumos advindos de empresas que, ao que ficou indicado nos autos, não desempenham efetivamente atividades produtivas. Dessa forma, entendeu o AFRFB pela configuração do ilícito doloso de sonegação, conforme Termo de Verificação Fiscal (3.386/3.405), realizando o lançamento da multa qualificada de 150%, com fulcro no art. art. 44, I, §1º, da Lei n.º 9.430/96 c/c art. 71, da Lei n.º 4.502/64, in verbis: L. n.º 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifo não original) Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.034 18 L. n.º 4.502/64 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. (grifo não original) Analisando os autos, entendo que restou comprovado no procedimento fiscal o ato volitivo da contribuinte de cometer o ilícito doloso fiscal de sonegação. Explico. Consoante restou cabalmente demonstrado nos autos, a Recorrente, de maneira reiterada durante todo o anocalendário fiscalizado, deixou de informar à RFB a integralidade de suas receitas auferidas, apresentando sempre declaração a menor nos fechamentos dos exercícios. Nesse sentido, destaquese o que ficou observado pelo AFRFB no Termo de Verificação Fiscal lavrado: 5.1.4 O cotejamento dos valores das receitas de vendas escriturados (quadro 1), apurados por esta fiscalização e resumidos na segunda coluna do quadro 2, abaixo, contra os valores das receitas oferecidas à tributação, conforme declarado na PJSI (1º semestre de 2007) e a DIPJ (2º semestre de 2007) e resumidos mensalmente na terceira coluna do mesmo quadro, indica existência de omissão de receitas para todos os meses do ano de 2007. O mencionado quadro, que se encontra na sequencia do texto, demonstra a omissão das receitas de vendas, apurada pela diferença entre as receitas de vendas escrituradas e as receitas de vendas oferecidas à tributação. Observese, ainda, que a omissão de receitas, comprovada pelo exame da escrituração, mostrase compatível com os indícios do item 3. (grifo original) Mais ainda, importante destacar que as práticas constatadas pela autoridade fiscalizadora ainda foram enfáticas ao elucidar que a omissão de receitas cometida pela Recorrente não se evidenciam unicamente em virtude da discrepância descrita, sendo que também decorrem do fato de a empresa Contribuinte ter declarado valores consideravelmente menores à Receita Federal, tendo, ao contrário, declarado corretamente os valores movimentados à receita estadual do Estado de São Paulo, conforme se vê do seguinte trecho: 5.1.5 Merece destaque, o fato de que a conduta adotada pela fiscalizada (omissão de receitas tributáveis) foi direcionada exclusivamente à União (através da omissão de informações à RFB), uma vez que, a fiscalizada informou corretamente ao Governo do Estado de São Paulo os valores relativos às operações que praticou a título de venda de produtos, conforme pode ser observado pelo exame das GIAs (Guia de Informações e Apuração do ICMS), fls. 131/229, ao passo que, reiteradamente Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.035 19 informou valores reduzidos à RFB (declarações de fls. 18/44) (grifo original) Noutros dizeres, notase claramente no presente caso, que a empresa detinha todas as informações quanto aos reais valores a declarar – tanto é que os declarou efetivamente à receita estadual de São Paulo – mas, mesmo assim, incorreu reiteradamente conduta omissiva quanto às mesmas receitas em face da União. Nesse mesmo entendimento, outrossim, não se pode perder de vista as vultosas diferenças encontradas entre as receitas declaradas ao Fisco estadual e à RFB, como apontado na tabela confeccionada pelo próprio AFRFB (fl. 3.392) e reproduzida abaixo: MÊS RECEITAS DE VENDAS (escrituração – Tabela 1) RECEITA DECLARADA (PJSI/DIPJ – 2008) OMISSÃO DE RECEITA (Diferença) OMISSÃO (%) jan/07 674.700,79 198.363,59 476.337,20 70,6 fev/07 633.057,57 164.042,22 469.015,35 74,09 mar/07 680.659,51 161.515,25 519.144,26 76,27 abr/07 692.315,51 0,00 692.315,51 100,00 mai/07 716.529,94 62.912,46 653.617,48 91,22 jun/07 645.958,00 96.796,18 549.161,82 85,02 jul/07 851.463,26 0,00 851.463,26 100,00 ago/07 1.876.365,79 0,00 1.876.365,79 100,00 set/07 1.856.781,89 0,00 1.856.781,89 100,00 out/07 2.594.369,02 0,00 2.594.369,02 100,00 nov/07 1.983.067,06 0,00 1.983.067,06 100,00 dez/07 1.267.014,98 0,00 1.267.014,98 100,00 TOTAL 14.472.283,32 683.629,70 13.788.653,62 95,28 Assim, é clarividente que a Recorrente omitiu dolosamente o valor real de suas receitas a fim de aproveitarse indevidamente do regime simplificado de tributação em boa parte do período fiscalizado, bem como buscou a todo instante reduzir o montante do imposto devido, caracterizando de maneira inegável o intuito volitivo de sonegação. Em arremate, cabe notar que a Recorrente, em seu Recurso Voluntário, alegou no sentido de que a multa aplicada seria indevida em virtude de se tratar de exação de natureza confiscatória. Como acontece em defesas dessa natureza, a insurgência ataca a previsão abstrata da lei. Isto significa que votar pela procedência do recurso implicaria afastar uma lei vigente, o que somente poderia ser feito se houvesse vício de inconstitucionalidade reconhecido por uma das formas previstas no art. 26A, §6º, Dec. 70.235/72, o que não é o caso. Portanto, por força da competência deste Conselho, tal provimento não é possível, nos termos dispostos pela súmula nº 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tendo em vista que a recorrente se insurge contra a lei posta, e não quanto à sua aplicação, isto é, invoca o princípio do nãoconfisco para combater a previsão legal da multa, temse a impossibilidade deste Conselho de realizar qualquer juízo de valor sobre o tema, razão pela qual voto pelo desprovimento do recurso neste ponto. Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.036 20 Dessa forma, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário para manter o lançamento da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). 1.5 Da Sujeição Passiva Solidária Outrossim, temse que, em decorrência do conjunto probatório angariado no transcorrer do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscalizadora efetuou a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária, onde estendeu a responsabilidade tributária da pessoa jurídica fiscalizada às pessoas dos sócios Srs. PAULO CESAR RACHID CURY e SHAADY CURY JUNIOR, bem como ao contador da empresa, Sr. RAIMUNDO LEMOS SÁ. Posteriormente, o auto de infração foi reformado em sede de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte, a qual afastou a responsabilidade do senhor PAULO CESAR RACHID CURY, conforme, inclusive, será tratado no item 2 (recurso de ofício) do presente voto. Mais especificamente, o AFRFB fundamentou a lavratura dos termos de Sujeição Passiva Solidária nas disposições do artigo 135, III e 137, I do Código Tributário Nacional, os quais, ao bem da coesão e clareza do presente voto, seguem transcritos: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.037 21 c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas. Dessa forma, vejase que pela leitura combinada dos dispositivos acima transliterados, concluise que a razão que motivou a lavratura do termo de sujeição passiva solidária corresponde à constatação, por parte do AFRFB, acerca da prática de conduta atentatória à lei, incorrida pelos sócios da empresa Recorrente. Em face disso, tanto a pessoa jurídica fiscalizada quanto as próprias pessoas físicas solidariamente responsabilizadas alegaram em Recursos Voluntários que ora se analisam, em síntese, que a sujeição que se operou não mereceria trânsito, posto que as condutas verificadas pela autoridade da Receita Federal do Brasil não se mostrariam suficientes para caracterizar o dolo dos sócios em praticar quaisquer operações atentatórias à legislação nacional. Assim sendo, as Recorrentes ainda sustentam que a mera omissão de receita que se constatou não seria suficiente, de per si, para amparar a pretensão da fiscalização em estender a responsabilidade pelo crédito tributário lançado. Importa esclarecer, antes de adentrar no mérito da matéria, a necessidade de analisar separadamente a responsabilização dos sócios da empresa e a responsabilização do contador daquela, muito embora estejam fundadas nos mesmos preceitos legais. Quando aos sócios da empresa recorrente, em que pesem suas alegações, entendo que estas não merecem prosperar, posto que, conforme já exposto em item precedente, os elementos de prova angariados pelo AFRFB durante o procedimento inquisitório deixam claro que as praticas omissivas da empresa fiscalizada ocorria de maneira reiterada, sendo operada de maneira consciente quanto à irregularidade que lhe era inerente. Nesse rumo, repisase que, conforme ficou exaustivamente apresentado pelo AFRFB, tanto a conduta omissiva, ilustrada na relevante discrepância entre os valores movimentados e os efetivamente declarados, quanto a computação de despesas inexistentes para fins de redução de base tributável do IRPJ, deramse reiteradamente durante todo o período compreendido pela fiscalização. Ademais, como também ficou descrito, a empresa fiscalizada tanto tinha ciência da discrepância narrada que não deixou de declarar os valores reais de suas vendas ao erário estadual de São Paulo, cujas declarações se encontram em harmonia com os valores apurados pela fiscalização em movimentações financeiras. Portanto, tendo em vista todos esses indícios, não há como amparar a pretensão das sócios da empresa recorrente quanto ao afastamento de sua responsabilidade solidária, haja vista que se mostra igualmente impossível desconsiderar o evidente dolo dos responsabilizados nas práticas levadas a cabo pela pessoa jurídica fiscalizada. Noutro viés, quanto à responsabilização solidária do contador da empresa, Sr. Raimundo Lemos Sá, entendo que deve ser afastada, pois se trata de profissional autônomo que não exerce qualquer atividade de preposto ou administrador da empresa, pelo menos não Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.038 22 que se tenha comprovado nos autos, restando desta maneira inaplicável o art. 135, III, ou mesmo o art. 137, ambos do CTN, ao contador. Neste sentido já julgou este Conselho: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONTADOR. IMPOSSIBILIDADE. Em que pese todos os esforços da recorrente em imputar ao profissional da contabiliza por ela contratada a responsabilidade pelos créditos tributários discutidos nestes autos, essa somente seria possível na hipótese de configuração de circunstâncias próprias estabelecidas pelas específicas normas de regência, o que, no presente caso, efetivamente não se verifica. (CARF. Acórdão n.º 1301001.268. Rel. Carlos Augusto De Andrade Jenier. Sessão de 07/08/2013) Vale destacar o seguinte excerto do voto condutor do acórdão supracitado: Em que pese todo o hercúleo esforço apresentado, entretanto, é relevante destacar que, conforme muito bem apresentou a r. decisão de primeira instância, a possibilidade de aplicação da responsabilidade tributárias a terceiros encontra, em nosso ordenamento jurídico pátrio, especifico e especial tratamento, destacandose, a seu respeito, inclusive, as limitadas hipóteses trazidas pelos art. 134 e 135 do CTN, que, como se sabe, assim especificamente apontam: (...) Da leitura dessas disposições, verificase que, ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente, inexistem meios em nosso ordenamento jurídico legal – voltados à possibilidade de transmissão da responsabilidade tributária da própria pessoa jurídica ao respectivo profissional contábil, sobretudo em face da ausência de indicação de que a contribuinte não teria, de alguma forma, sido “beneficiada” por essa suposta conduta indesejada. Assim, voto por negar provimento neste ponto quanto ao recurso voluntário apresentado pelo sócio da empresa recorrente, Sr. SHAADY CURY JUNIOR, mantendoo no polo passivo da obrigação tributária ora combatida. Por outro lado, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contador da empresa, Sr. RAIMUNDO LEMOS SÁ, a fim de afastar sua responsabilidade pela obrigação tributária ora combatida, exonerandoo integralmente quanto ao lançamento e seus consectários legais. 1.6 Da Juntada De Provas Por fim, a Recorrente postula pela concessão de prazo para que possa efetuar a juntada de novas provas ao presente processo administrativo fiscal, alegando, em síntese, a impossibilidade de encontrar documentos que comprovem as operações realizadas com as empresas EDSON RIVALDO DE LIMA FERROSO e JOSÉ ROBERTO DUARTE FERROSO. Fl. 4038DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.039 23 Entendo que poderia ser aceito qualquer cotejo probatório nos autos até o presente julgamento, em defesa do princípio da verdade material – o que não se verificou inclusive –, mas não há como estender o procedimento para além do presente momento processual, pelo que descabido o requerimento formulado. Por essa razão, voto pela negativa do requerimento formulado pela Recorrente quanto à concessão de prazo para a apresentação de novas provas. 2. DO RECURSO DE OFÍCIO Viuse nos presentes autos a apresentação de Recurso de Ofício submetido a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em virtude do afastamento, em sede de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belho Horizonte, da responsabilidade solidária do sócio administrador da empresa Recorrente, Sr. PAULO CÉSAR RACHID CURY. Nesse sentido, ocorreu que a douta DRJ compreendeu que a autoridade fiscalizadora não logrou êxito em comprovar a efetiva participação do mencionado sócio na perpetração das condutas fraudulentas que ensejaram a responsabilização tanto do senhor SHAADY CURY JUNIOR – também integrante do quadro societário da empresa na qualidade de administrador – quanto do contador da empresa, Sr. RAIMUNDO LEMOS SÁ. Especificamente, fez constar a DRJ em sua decisão (fls. 3.852/3.868): Por outro lado, no que diz respeito ao Sr. Paulo César Rachid Cury, entendo que a fiscalização não logrou apresentar provas de sua participação nas ações engendradas pelos senhores Shaady Cury Junior e Raimundo Lemos Sá, que evidenciaram o interesse comum unicamente deste dois últimos, visando a omitir receita tributável e aproveitar despesas inexistentes com a intenção explicita de reduzir o pagamento de tributos. Todavia, computandose os autos não há como compreender a razão que levou a DRJ a estabelecer qualquer distinção quanto à responsabilização de ambos os sócios da empresa Recorrente, sendo, portanto, impossível sustentar a decisão quanto ao afastamento da responsabilidade solidária do Sr. PAULO CÉSAR RACHID CURY. Ao contrário, é possível verificar que a sociedade empresária Contribuinte foi constituída pelos senhores PAULO CÉSAR RACHID CURY e SHAADY CURY JUNIOR, os quais, inclusive, sempre detiveram participações equivalentes no capital social da empresa, bem como desfrutavam conjuntamente das prerrogativas de administradores da mesma. Nessa esteira, ressalto o teor da cláusula VI da primeira alteração do contrato social da Contribuinte, presente em fls. 10/17 dos presentes autos, a qual determina, in verbis: VI – DA ADMINISTRAÇÃO A administração da sociedade cabe a ambos os sócios, com poderes e atribuições de realizar todas as operações para a consecução de seu objetivo social, representando a sociedade Fl. 4039DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.040 24 ativa e passiva, judicial e extrajudicialmente, e autorizado o uso do nome empresarial, isoladamente, vedado, no entanto, em atividades estranhas ao interesse social ou assumir obrigações seja em favor de qualquer dos quotistas ou de terceiros, bem como onerar ou alienar bens imóveis da sociedade, sem autorização do outro sócio. Dessa forma, fica claro que ambos os sócios detinham igualdade entre si no que se refere à administração da empresa Contribuinte, não havendo qualquer distinção quanto às atribuições e responsabilidades de cada um. Não bastasse isso, importa destacar que os atos omissivos constatados ao término do procedimento de fiscalização se tratam de condutas deveras complexas, com a utilização de terceiras pessoas jurídicas para a computação de despesas não comprovadas e a consequente redução de vultosas quantias da base de receitas tributáveis pelo lucro real. Ora, não há como reconhecer que tais atos foram totalmente arquitetados e operados por apenas um dos integrantes do quadro societário da empresa sem que houvesse a anuência ou, ao menos, a ciência do outro sócio. Por essa razão, e tendo em vista todos os motivos já apresentados em sede do item 1.5 deste voto, entendo que a respeitável decisão prolatada pela DRJ de Belo Horizonte merece ser reformada, na medida em que não há como sustentar, pelo conjunto de fatos constatados durante a fiscalização, que a extensão da responsabilidade solidária pelos débitos tributários glosados não alcance o Sr. PAULO CÉSAR RACHID CURY, o qual desfrutava de todas as prerrogativas operacionais e societárias, durante todo o período fiscalizado, não havendo qualquer indício nos autos que aponte para a responsabilização isolada dos senhores SHAADY CURY JUNIOR e RAIMUNDO LEMOS SÁ nos atos que ensejaram o lançamento. 3. DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento aos recursos voluntários interpostos para afastar a responsabilidade solidária do contador, Sr. RAIMUNDO LEMOS SÁ, pelo lançamento tributário combatido, mantendo os créditos tributários lançados a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem como a multa de ofício qualificada (150%), quanto a empresa recorrente e seus sócios, nos termos do relatório e voto. Outrossim, voto pelo provimento do Recurso de Ofício a fim de reformar a decisão proferida pela DRJ de Belo Horizonte, especificamente no que se refere ao afastamento da responsabilidade solidária do sócio PAULO CÉSAR RACHID, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Voto Vencedor Fl. 4040DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.041 25 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, exclusivamente no que tange à responsabilidade tributária imputada ao Sr. Raimundo Lemos Sá. Passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. Ao incluir o Sr. Raimundo Lemos Sá no polo passivo da relação jurídico tributária, na qualidade de responsável, oAuditorFiscal autuante assim se manifestou (Termo de Verificação Fiscal, fls. 3401/3402: 8.2 Além disso, ficou igualmente comprovado que o Sr. Raimundo Lemos Sá, [...], contador da empresa fiscalizada durante o ano de 2007, procedeu aos cálculos para o recolhimento dos tributos devidos pela empresa fiscalizada no mesmo período, conforme termo de declarações e esclarecimentos, sito às fls. 122/124, sabidamente errados (reduzidos). O mesmo contador controlou, ainda, a contabilidade de todas as empresas envolvidas na “fabricação de custos e despesas”, conforme descrito no item 5.2. O mesmo contador afirmou que prestava serviços para a empresa de forma autônoma, portanto, sem relação de submissão hierárquica (fls. 122/124. [...] 8.4 O art. Nº 135, III, do mesmo CTN, estabelece a responsabilidade pessoal, implicando a “Sujeição Passiva Solidária”, pelo cometimento de atos praticados com infração de lei, ao dispor que: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...); II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. [...] 8.7 Por todo o exposto, resta caracterizada a sujeição passiva solidária, relativamente aos administradores e ao contador da fiscalizada, todos relacionados abaixo, tendo em vista os motivos ali destacados, observando que, será lavrado e entregue a estes o devido Termo de Sujeição Passiva Solidária, para que possam exercer regularmente o direito de defesa, garantido pela Constituição Federal. [...] · Sr. Raimundo Lemos Sá, CPF 674.868.94815, contador da fiscalizada tendo em vista a sua colaboração para a prática de sonegação fiscal (por omissão de receitas em declaração de rendimentos e por aproveitar despesas e custos não comprovados – inexistentes –, a fim de reduzir no todo ou em parte o pagamento de tributos); prática contrária à lei e definida por esta como crime contra a ordem Fl. 4041DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.042 26 tributária, conforme rezam os artigos 135, II e 137, I, todos da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e tendo em vista a responsabilidade do contabilista, conforme o § único do artigo 1.177 da Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Novo Código Civil Brasileiro). Em primeira instância, essa imputação foi mantida. Em seu recurso voluntário, o Sr. Raimundo Lemos Sá trata da matéria no item II.8 de sua peça recursal (fls. 3996/4004), sob o título SUJEIÇÃO PASSIVA – DA INCLUSÃO DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES E CONTADOR NO PÓLO PASSIVO. No entanto, ao contrário do que se poderia esperar, o conteúdo das nove páginas desse item consiste exclusivamente em razões para a não inclusão dos sócios administradores no pólo passivo. À exceção do primeiro parágrafo (que sintetiza o procedimento do Fisco) e do último parágrafo (que sintetiza o pedido), em momento algum são trazidas quaisquer razões ou fundamentos para a reforma da decisão recorrida, quanto à responsabilidade tributária imputada ao Contador Sr. Raimundo Lemos Sá. Em outras palavras, temse um pedido, desprovido de razões para o seu atendimento. Por outro lado, verificase a procedência da decisão de primeira instância. O recorrente busca, em alguns momentos, fazer crer que o apurado pelo Fisco não teria passado de mera inadimplência, o que não é verdade. Do exame dos autos, ressalta a existência de um esquema fraudulento, envolvendo outras pessoas jurídicas e a utilização de domentos fiscais inidôneos. Esse foi o entendimento deste Colegiado, acompanhando o ilustre Conselheiro relator em seu voto, que não ficou vencido, quanto a este ponto, confirase: Ou seja, a meu ver restou evidente a constatação de utilização fraudulenta de interpostas pessoas, criadas tãosomente para gerar despesas inexistentes a fim de que a recorrente pudesse pagar menos imposto, uma vez que seu registro na contabilidade influenciou negativamente no resultado da recorrente. [...] Dessa forma, à luz do conjunto de informações e provas juntadas aos autos, não há como reconhecer a idoneidade das notas fiscais apresentadas para comprovar as despesas glosadas pelo Fisco. Diante dessa constatação, inclusive, foi mantida a multa qualificada aplicada ao lançamento. Também foi decisiva para tanto a constatação da habitualidade na omissão de receitas ao longo dos doze meses do anocalendário 2007, em percentuais que variavam de 70% a 100%, apuradas por via direta, sem o emprego de presunção legal, o que afasta completamente a possibilidade de mero erro ou equívoco. O recorrente Sr. Raimundo Lemos Sá passa ao largo de suas próprias declarações, prestadas à fiscalização e reduzidas a termo, às fls. 122/124. Não é demais transcrever alguns excertos: 1 – Perguntado se foi funcionário da Metalcury Fundição Industrial Ltda ou era Contador Independente durante os anoscalendário de 2006 e 2007, foi respondido que prestou serviços de contabilidade à referida empresa na qualidade de contador independente durante o período de janeiro de 2004 a junho de 2007. [...] 5 – Perguntado sobre quem fez a escrituração comercial da já mencionada empresa nos anoscalendário de 2006 e 2007 o declarante respondeu que foi ele próprio que Fl. 4042DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.723012/201139 Acórdão n.º 1302001.705 S1C3T2 Fl. 4.043 27 elaborou, entretanto, quem assinou sempre foi o próprio Sr. Shaady Cury Jr. 6 – Perguntado por que motivos não assinou a escrituração comercial que elaborou, o declarante respondeu, porque não condiziam com a realidade. [...] 9 – Perguntado sobre quem fez o cálculo dos tributos federais e preencheu os DARFs durante os anos de 2006 e 2007, o declarante respondeu que ele próprio fazia os cálculos sobre a base fornecida pelo Sr. Shaady Cury Jr, ou seja, o proprietário dizia quanto queria pagar de imposto e o declarante efetuava os cálculos. [..]. Diante disso, é inegável a participação voluntária e consciente do Sr. Raimundo Lemos Sá no esquema fraudulento que visava ao pagamento a menor de tributos federais, na qualidade de contador não apenas da Metalcury Fundição Industrial Ltda., mas também das demais empresas envolvidas. Ao atuar como Contador Independente, prestando serviços de contabilidade de forma autônoma, sem vínculo empregatício, correto o enquadramento feito pelo Fisco no inciso II do art. 135 do CTN, que trata de “mandatários, prepostos e empregados”. Com esses fundamentos, a decisão do colegiado foi no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do Sr. Raimundo Lemos Sá, mantendo a decisão recorrida e também a responsabilidade tributária que lhe foi imputada. Nos demais aspectos, não houve divergência quanto ao que consta do voto do ilustre Conselheiro Relator. Por todo o exposto, em conclusão, a decisão do Colegiado foi no sentido de: i) dar provimento ao recurso de ofício; ii) negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte Metalcury Fundição Industrial Ltda., ao recurso voluntário do responsável Shaady Cury Júnior e ao recurso voluntário do responsável Raimundo Lemos Sá. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 4043DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10880.012542/98-99
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Recurso não conhecido, face à intempestividade.
INTIMAÇÃO - CIÊNCIA DO LANÇAMENTO - A lei administrativa processual não exige que a ciência de recebimento de auto de infração seja dada por representante legal da empresa. Assim, havendo a recusa do recebimento do "AR" no endereço da contribuinte sob este argumento, legal a intimação procedida por edital.
PAF - INTIMAÇÃO POR EDITAL - DATA DA INTIMAÇÃO - Comprovado nos autos que tentativa de intimação por via postal resultou improficua, pode a intimação ser feita por meio de edital. Neste caso, considera-se feita a intimação quinze dias após a publicação do edital.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso não conhecido Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada).
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BASTOS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Recurso não conhecido, face à intempestividade. INTIMAÇÃO CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A lei administrativa processual não exige que a ciência de recebimento de auto de infração seja dada por representante legal da empresa. Assim, havendo a recusa do recebimento do "AR" no endereço da contribuinte sob este argumento, legal a intimação procedida por edital. PAF INTIMAÇÃO POR EDITAL DATA DA INTIMAÇÃO Comprovado nos autos que tentativa de intimação por via postal resultou improficua, pode a intimação ser feita por meio de edital. Neste caso, considerase feita a intimação quinze dias após a publicação do edital. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso não conhecido Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada). (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 25 42 /9 8- 99 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 2 Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BASTOS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase, no processo, de recurso especial interposto pela contribuinte, cujo despacho de admissibilidade contém relato por demais suficiente para entender os fatos, razão pela qual o transcrevo, a seguir,em excertos: “Tratase de examinar a admissibilidade de recurso especial de divergência interposto por DUCTOR IMPLANTAÇÃO DE PROJETOS S/A, contra o Acórdão no 110 100.094, de 15/05/2009, proferido pela l a Camara do (extinto) 1° Conselho de Contribuintes (fls. 125/137), o qual negou provimento ao recurso voluntário por unanimidade de votos. Cientificada em 06/08/2009 (fl. 144), a recorrente interpôs recurso especial, em 21/09/2009 (fls. 332/338), alegando divergência jurisprudencial em relação aos requisitos para o emprego de edital para dar ciência de acórdão de primeira instância. A recorrente argumenta, em síntese, que, em seu recurso voluntário, havia sustentado que a intimação por edital seria nula porque não ficou caracterizada tentativa improfícua, por via postal ou pessoal. Na única tentativa de intimála, feita por via postal, teria havido desentendimento entre um seu funcionário esporádico e o agente da Empresa de Correios e Telégrafos, que provocou o equivoco de considerar o recebimento foi recusado. A recorrente considera que seriam necessárias no mínimo duas tentativas para caracterizar a impossibilidade de emprego da via postal, e indica dois acórdãos paradigmas para demonstrar a divergência alegada: o Acórdão n° 10247.824 (fls. 169/191), de 16/08/2006, da (extinta) 2 a Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, e o Acórdão n°. 10616028 (fls. 196/199), de 07/12/2006, da (extinta) 6 a Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Os pressupostos recursais constam dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, in verbis: Art. 67. Compete a CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 3 § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3 0 0 recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria pre questionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 40 Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5 0 Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos especificos no acórdão recorrido. § 70 0 recurso deverá ser instruido com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sitio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9° As ementas referidas no § 70 poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.(NR) § 10. 0 acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma especifica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de oficio. (NR) Art. 68. 0 recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data da ciência da decisão. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 4 § 1° Interposto o recurso especial, compete ao presidente da câmara recorrida, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negarlhe seguimento. § 2° Se a decisão contiver matérias autônomas, a admissão do recurso especial poderá ser parcial. Verificouse que os pressupostos de tempestividade e legitimidade estão atendidos, o que autoriza a apreciação da admissibilidade da divergência. No que tange à matéria a ser analisada, nas ementas dos acórdãos apresentados como paradigmas, está declarado que: Acórdão n° 10247.824 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO CIÊNCIA POR EDITAL Até a vigência da Lei 11.196/2005, somente era cabível a intimação do lançamento por edital quando restassem improfícuas tanto a ciência pessoal quanto a postal. Verificado nos autos que a fiscalização não esgotou os meios ordinários de ciência, é nulo o edital. (...) Acórdão n°10616.028 INTIMAÇÃO POR EDITAL VALIDADE REQUISITOS. Para que a intimação por edital seja válida, a autoridade fiscal deve ter esgotado, sem sucesso, as tentativas de intimação pessoal ou por via postal. Inteligência do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72. (...) Já na ementa do acórdão recorrido está declarado que: "NORMAS PROCESSUA1S. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n. 70.235/72. Recurso não conhecido,face à intempestividade. INTIMAÇÃO. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. A lei administrativa processual não exige que a ciência de recebimento de auto de infração seja dada por representante legal da empresa. Assim, havendo a recusa do recebimento do "AR" no endereço da contribuinte sob este argumento, legal a intimação procedida por edital. PAF — INTIMAÇÃO POR EDITAL — DATA DA INTIMAÇÃO — Comprovado nos autos que tentativa de intimação por via postal resultou improfícua, pode a intimação ser feita por edital. Neste caso,considerase feita a intimação quinze dias após a publicação do edital. Recurso voluntário não conhecido". Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 5 Tanto o acórdão recorrido quanto os acórdãos indicados como paradigmas fazem menção ao uso de edital para intimação, que é o cerne da matéria discutida. Contudo, o artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, que versa sobre os meios de intimação no âmbito do processo administrativo fiscal, sofreu alterações, das quais, reproduzemse as de interesse: “Art. 23. Farseá a intimação: I pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) II por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) § 1º O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 6 I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) § 2º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II na data do recebimento, por via postal ou telegráfica; se a data for omitida, quinze dias após a entrega da intimação à agência postaltelegráfica; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) III trinta dias após a publicação ou a afixação do edital, se este for o meio utilizado. III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 7 IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) § 4º Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) (...)” Em face das alterações legais, é imprescindível verificar qual a norma aplicada para analisar a matéria em cada acórdão. No recorrido, a decisão de considerar correto o procedimento de intimar por edital (de n° 219/2007) embasouse na redação do art, 23 do Decreto n° 70.235/72 com as mudanças promovidas até 2005, ou seja, incorporando as alterações da Lei no 11.196, de 2005 (fl. 134). No caso do Acórdão n° 10247.824, a decisão não adotou as mudanças promovidas pela Lei n° 11.196/2005, conforme se pode verificar em sua ementa. Assim sendo, esse acórdão paradigma não interpretou a mesma lei tributária que o acórdão recorrido, descumprindo requisito de admissibilidade (art 67, caput, do RICARF). No que tange ao Acórdão n ° 10616.028, a decisão levou em conta as mudanças da Lei n° 11.196/2005, sendo, assim, é passível de comprovar a divergência. No caso, o contribuinte foi intimado simultaneamente por meio postal e por edital, em 14/12/2005. A Delegacia da Receita Federal, manteve contatos com ele por telefone, com a finalidade de Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 8 solicitar ao contribuinte o comparecimento à repartição para ser pessoalmente intimado, tendo o último telefonema ocorrido em 19/12/2005. Foi encaminhada nova correspondência para o endereço postal a qual retornou com a informação "Destinatário ausente" e no dia 23/12/2005 o recebimento da correspondência foi recusado. Considerando que houvera afixação do edital de intimação em 14/12/2005, a autoridade fiscal adotou esta data como a da efetiva intimação, fato contestado pelo interessado. O relator dessa decisão paradigma assim se posiciona, tendo sido seguido por seus pares por maioria de votos: “Na visão deste julgador, apenas quando se constatou que as formas de intimação previstas no artigo 23, incisos I e II, do Decreto n° 70.235/72 (pessoal ou por via postal) resultaram infrutiferas, o que ocorreu no dia 23/12/2005, é que poderiam ser adotadas asprovidências necessárias à Intimação por edital, ou seja, a afixação do edital de intimação somente seria válida e estaria de acordo com a regra acima transcrita se tivesse ocorrido a partir do dia 23/1212005. (...) No caso, a autoridade lançadora não respeitou as determinações do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, pois o edital de intimação DRF/JPA n° 195 (fls. 371) foi afixado em data anterior (14/12/2005) constatação de que resultou improfícua a intimação pessoal ou por via postal (23/12/2005). A intimação por edital, na hipótese em apreço, não pode surtir efeitos. Segundo penso, a ciência do lançamento se deu apenas em 09/01/2006, de acordo com o documento de fls. 410, nos termos do artigo 23, inciso I, do Decreto n° 70.235/72. (...)” Como se constata, a razão de julgar foi a necessidade de cumprimento do artigo 23, incisos I e II, do Decreto n° 70.235/72. Na decisão ficou claro que só quando esgotadas as tentativas de intimação pessoal ou por via postal, se poderia adotar a Intimação por edital. A recorrente considera que o fato de ter havido mais de uma tentativa de entrega da correspondência pelo agente do correio demonstra que essa circunstância foi essencial para a decisão do acórdão paradigma. Além de outra tentativa via postal, foi tentada a intimação pessoal. Ao se considerar o dia 23/1212005 como data em que resultaram infrutíferas as tentativas de intimação, considerouse que era necessário todo o tramite de reenviar correspondência e de telefonar para o contribuinte, aguardando seu comparecimento à repartição fiscal. Em ambos os casos, na decisão recorrida e no Acórdão 106 16.028, a recusa do recebimento da correspondência foi considerado fato suficiente para demonstrar que a intimação via postal foi improfícua. No entanto, no paradigma, até o momento da recusa, várias tentativas foram feitas no sentido de intimar o contribuinte, enquanto que no julgado recorrido, com o primeiro retorno da correspondência, adotouse a afixação do edital, sem oferecer nova oportunidade ao sujeito passivo de ser intimado Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 9 pessoalmente ou por via postal. Ou seja, sem o esgotamento das vias primárias de intimação. Poderseia entender que a primeira intimação por edital teria sido rejeitada pelo simples fato de ter sido concomitante com a primeira intimação por via postal, no entanto, não é isso que se depreende pela leitura do voto condutor do acórdão paradigma. Nele fica clara a posição do julgador ao registrar seu entendimento sobre a necessidade do esgotamento das tentativas de intimação pessoal ou por via postal. De outro modo, no acórdão recorrido, ficou decidido que uma única tentativa de intimação por via postal é suficiente para se adotar a intimação por edital. Constatase, nesse ponto, a divergência de entendimentos entre as duas decisões, sendo esse o ponto crucial para a verificação do dissenso jurisprudencial. Assim, por todo o exposto, e num exame prelibatório como é o de admissibilidade de recurso especial, entendo que os fatos acima descritos são capazes de comprovar a divergência argilida, devendo o processo subir para julgamento pela CSRF. Considerando que restaram preenchidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, entendo que deve ser dado seguimento ao recurso especial. (...)” É o relatório, no que considero essencial para a solução da lide. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator Preliminarmente, vejamos os pressupostos de admissibilidade. Dispõe o relator do acórdão recorrido: “Inicialmente, cumpre analisar a preliminar de tempestividade do recurso voluntário apresentado, suscitada pela contribuinte em sua defesa, por considerar que a fiscalização não poderia intimála por edital após uma única recusa do recebimento do A.R., por pessoa que nem mesmo integrava seu quadro de funcionários, não restando, portanto, improfícuos os meios ordinatórios previstos no art. 23, I e II do Decreto n° 70.235/72. Não obstante o longo arrazoado apresentado pela contribuinte em sua defesa, objetivando demonstrar a nulidade do Edital n° 219/2007, fls. 92, tenho para mim que não merece prosperar o seu inconformismo. Isto porque, não obstante a intimação por edital seja medida excepcional, ela pode ser utilizada quando restar improficuo uma das outras formas de intimação previstas nos incisos I e II do art. 23 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: "Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 282DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 10 (...) § 1 Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (...)” Ora, da simples leitura do artigo anteriormente transcrito, bem como da análise dos presentes autos, constatase que o Fisco enviou para o domicilio fiscal eleito pela contribuinte, por via postal, coin prova de recebimento, cópia da decisão proferida pela DRJ lhe dando ciência da manutenção dos lançamentos. Dessa forma, diante da recusa expressa do Sr. Pardini, fls. 91, em receber a correspondência, correto o procedimento adotado pelo Fisco ao determinar a intimação por Edital. (..)” Por outro lado, dispõe o relator do acórdão paradigma, à fl. 196, considerado para admissão do presente recurso: “A intimação por edital Segundo a legislação que rege a matéria, a intimação no processo administrativo fiscal deve ser feita de forma pessoal, por via postal, por meio eletrônico (alteração introduzida pela Lei n° 11.196/2005) ou por edital. A matéria está prevista no artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, da seguinte forma: Art. 23. Farseà a intimação: (...) § 1°. Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no Caput deste artiqo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (...)” Na visão deste julgador, apenas quando se constatou que as formas de intimação previstas no artigo 23, incisos I e II, do Decreto n° 70.235/72 (pessoal ou por via postal) resultaram infrutíferas, o que ocorreu no dia 23/12/2005, é que poderiam ser adotadas as providências necessárias à intimação por edital, ou seja, a afixação do edital de intimação somente seria válida e estaria de acordo com a regra acima transcrita se tivesse ocorrido a partir do dia 23/12/2005. (...) No caso, a autoridade lançadora não respeitou as determinações do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, pois o edital de intimação DRF/JPA n° 195 (fls. 371) foi afixado em data anterior (14/12/2005) à constatação de que resultou improfícua a intimação pessoal ou por via postal (23/12/2005). Fl. 283DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 11 A intimação por edital, na hipótese em apreço, não pode surtir efeitos.” O relator do acórdão paradigma, decidiu ser ineficaz o edital pelo fato de ter sido publicado antes à constatação em referência e não levando em conta quantas vezes houve tentativa de intimar a contribuinte. Verificase, pois, de forma cristalina, que ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, se utilizam da mesma base legal e a interpretam de igual forma para afirmar que a intimação poderá ser feita por edital quando restar comprovado que resultou improfícua a intimação por um dos meios previstos no caput do artigo 23 do Decreto 70.235/72. Observese que ambos os relatores transcrevem o trecho da legislação. Apenas, por uma questão de fato, o relator do acórdão paradigma considerou ineficaz a intimação por edital por “apenas quando se constatou que as formas de intimação previstas no artigo 23, incisos I e II, do Decreto n° 70.235/72 (pessoal ou por via postal) resultaram infrutíferas, o que ocorreu no dia 23/12/2005, é que poderiam ser adotadas as providências necessárias à intimação por edital”, nas suas próprias palavras. Na verdade, os acórdãos em referência não são divergentes: antes, convergem para um mesmo entendimento. Não há, pois, dissídio jurisprudencial a ser dirimido por esta Colenda Corte. Não conheço do recurso. E como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000835/98-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 17 00:00:00 UTC 2004
Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA — VALORES PAGOS POR IMPORTADORAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS
Os valores pagos por concessionárias às detentoras do uso da marca no pais, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no pais, não constituem acréscimo ao Valor Aduaneiro da mercadoria, para cálculo dos tributos na importação.
Inteligência dos artigos 1° - 8° e 15° do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto n° 92.930, de 16/07/86, e das Decisões COSIT n° 14 e 15/97.
PROVA PERICIAL
É de ser indeferida quando desnecessária para a formação da prova e do processo de convicção da decisão.
Revisão Aduaneira
A revisão aduaneira é ato expressamente autorizado na lei, enquanto não decair o direito da Fazenda Nacional. Inteligência do artigo 173 do Código Tributário Nacional.
SOLIDARIEDADE
Inaplicabilidade do Art. 124 do Código Tiibutário Nacional. Tendo o comissário — importadora — agido em nome próprio por conta e ordem do comitente — concessionárias - não há qualquer evidência, nem prova nos autos, que caracterize a alegada solidariedade de terceiros na operação.
Não obstante, são inaplicáveis ao feito as normas da solidariedade da Medida Provisória 2.158, de agosto de 2001 e Lei 10.137/2002, por envolverem matéria de direito substantivo, de aplicação retroativa vedada, eis que o fato gerador das
- obrigações apuradas ocorreram em 1994, e o lançamento realizado em 1998.
VALORAÇÃO ADUANEIRA
Não provada a vinculação ou a ocorrência de situações que justifiquem os ajustes previstos no artigo 8°, do Acordo de Valoração Aduaneira, impõe-se a aceitação dos valores de transação, nas operações de importação.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 303-31.148
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros João Holanda Costa, Anelise Daudt Prieto e Zenaldo Loibman.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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TERCEIRO CONSELHO DE:CONTRIBUINTES • -- — - ' a' -- - . -•._ . .., .. . . - • TERCEIRA CÂMARA • • • • . . . .• . • • . • PROCESSO N° • : 12466.000835/98-12 • • • • . • • • • SESSÃO DE •: 17 de fevereiro de 2004' • • . . . i ACÓRDÃO N° : 303-31.148 • . . RECURSO N° : 125.889 .. . . ._• • RECORRENTE : CIA. IMPORTADORA E EXPORTADORA COIIVIEX . . ,..., , . RECORRIDA : DRJ/FLORLANÓPOLIS/SC • ... . . •:- • - VALORAÇÃO ADUANEIRA — VALORES PAGOS POR •• • IMPORTADORAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS Os valores pagos por concessionárias às detentoras do uso da marca no pais, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no pais, não constituem acréscimo . Z;;.. ao Valor Aduaneiro da mercadoria, para cálculo dos tributos na importação. • r., ra . Y • Inteligência dos artigos 1° - 8° e 15° do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto n° 92.930, de 16/07/86, e das Decisões COSIT n° 14 e • 15/97. . PROVA PERICIAL É de ser indeferida quando desnecessária para a formação da prova e do processo de convicção da decisão. . I- Revisão Aduaneira ' • . • . A revisão aduaneira é ato expressamente autorizado na lei, enquanto não decair o • ...: direito da Fazenda Nacional. Inteligência do artigo 173 do Código Tributário Nacional. i• . ... SOLIDARIEDADE • Inaplicabilidade do Art. 124 do 'Código Tiibutário Nacional. Tendo o comissário —. • • • importadora — agido em 'nome *próprio por conta e ordem do comitente — " • • . concessionárias - não há qualquer evidência, nem prova nos autos, que caracterize a alegada solidariedade de terceiros na operação. Não obstante, são inaplicáveis ao feito as normas da solidariedade da Medida Provisória 2.158, de agosto de 2001 e Lei 10.137/2002, por envolverem matéria de direito substantivo, de aplicação retroativa vedada, eis que o fato gerador das • 1 ! - obrigações apuradas ocorreram em 1994, e o lançamento realizado em 1998. . VALORAÇÃO ADUANEIRA Não provada a vinculação ou a ocorrência de situações que justifiquem os ajustes previstos no artigo 8°, do Acordo de Valoração Aduaneira, impõe-se a aceitação dos valores de transação, nas operações de importação. . . . - RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. . .. • •. ._ • ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, na forma do . relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros :., João Holanda Costa, Anelise Daudt Prieto e Zenaldo Loibman. . .. • . . • Brasília-DF, em 17 de fevereiro de 2004 • • - .. •. •• . .. . . • , . • . . - . • . . . • . . • • __... . . • . • -,. • . . . . . ., • • • • • . . . . . . : . • - - MINISTÉRIO DA F • -AP 'A - . • • . . - .-.. • , ', . - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . . - . . - • '1 t.1CÉIRA CÂMARA • • . . - , . . -. . . . .• • .. - . • .• . .. - • . . • . - • - . RECURSO N° . : 125.889 . • • i ---:•--- • • - - ACÓRDÃO N° • • .,; _30331.148 . . . . . . . .1. - . •._ ...: . . . . • . . • • . . . , • .. - . •, . . - • , . • . . . JOA01-19 ANDA . COSTA • i ,. . Presidenti/ • . ', . • . - . • •• . -• . .. . . . ..-• . .. .. .. . •. • -._ . - • . . . • • . . .. . •• _ . . ' L9l'ON BARTO . - • . . elator • . ' . ..... • ‘ - s Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: IRINEU .. - BIANCHI, PAULO DE ASSIS e FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE. • Ausente o Cohselheiro CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS. Esteve V ,I • presente a Procuradora da Fazenda Nacional ANDREA KARLA FERRAZ. • , , ,. • ',,;, - ,.•>..":' ',.. . . . • • - • . • • „.., •- -• • • , • :=--. - :w - - •, .. . . - .. . . • • . - • . ,k' •. . • • • • ' • . • ki • Ir •/• .1 s- ••:.• " .'.. 1•;'4i • • • 1f • ''''.t . k•• n i'' .. S • . • . • . -.- ... .., i- . i• • • • • . . • . • •. . •• { , • •. . • . • • t • • . • . . • . . . . Y. • - • • ._. . . • i •- • . t • • t ' ... • ... •• . . . •• • , • . . . .. • . • • - . .. • -. . . . • * • . • • •. • • • • . . .. . , • • . • •. . .... •. . . • • • . - . . • . - ; • .• .• • . . . • • • t . • 1. • • . . .. . . • • • • • ' . • • • .. . . • t - • •• • • . _ _ _._ .... • • • . ' 1 - . - "' . • . . . • .:. . . • •. . . .. .• • . . ., . . . . . • • . • . . . ' ,....,.' ..- MINISTÉRIO DA FAZENDA • ' - • • . • , - - . . . . • - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . - • . . • • - • - TERCEIRA CÂMARA • . . . , •• :, . . . . .• • • - • . • z - . RECURSO N° . * :. 125.889 • , * • .- * 7',"; ' - .-. . . • " - • ..- • -. • -ACORDA0 N° - .: -303-31448•_:— ,_- - - . -. ...e. . ... _,. . .. .. .. . . . .. .. .. . - . . • - . 1 - RECORRENTE ..: . • : . 'CIA. IMPORTADORA 'E EXPORTADORA COIMEX . • • . - ' * '. ., , ' RECORRIDA- • . . • : DRJ/FLORIANÓPOLIS/SC '.- . ' • * • • . . . • - .- . • • " — ‘. RELATOR(A) -.. : NILTON LUIZ•BARTOLI • ' . - - . - ..' - • - . • - • . • . • .- . • , . . . . i • - . . - • . • . .. 'RELATÓRIO .. • . • .. • . . •. .• . . . , - . • • . • •. .. . s . - . — • - • • • - — . .. .. • • • - 3 A ALF/Vitória/ES procedeu junto à Recorrente Coime; à revisão• . • . aduaneira relativamente ás importações de. veículos i:era transporte de passageijos da marca Mitsubishi, amparadas pelas Declarações de Importação relacionadas às fls. . , 09/20, tendo constatado que havia motivos e fundamentos suficientes para considerar • 4t .. ) que.a existência de vincu1ação entre importador e exportador havia influenciado no preço da transação..- - - . , • • .. .. .. . . Considerando tais evidências a fiscalização procedeu à intimação da - t',.::-7P;•.. 4 Coimex e da empresa IvEMC Automotores do Brasil Ltda., para que fornecessem, .., ... . • . como ocorreu, os seguintes documentos, acostados aos autos: . 1) Contrato • entre f:a i,.* • --'.• ,-.... _. . Coirnez e as reven.dedotes Mitsubishi, tendo como interveniente tácito a MMC ' ;̀0, • . ‘, 5 AutOmotores do Brasil Lida., que comprova que a transação era. feita entre a,; . . :-.. p-, Mitisubishi Motor Co. e a MMC Automotores do Brasil Ltda., atuando a Caba-lex:. . • .como mera intermediária para obtenção dos beneficios.do Fundap, caracterizado bem, t ., , .= .4, • as. responsabilidades tri- butárias dos revendedores e. da MMC Automotáres do Bras4... „. •, Á Ltda., bem como sei.' poder de mando na operação, pois' a Coixnex agia sempre a conta. fk . .0,. e ordem da mesma. Neste contrato 'está firmado que a MIVIC é que efetuara osç • • •,' pagamentos e que repassara as cartas de crédito ao exportador; 2) Contratos assinadoS ., entre a Brabus Auto Sport e depois pela MMC Automotores do Brasil Ltda., com a ' . Mitsubishi Motim Corporation, em que a primeira é nomeadamente Distribuidora da . ã ,'marca no Brasil, explicitando que as transações serão feitas-sempre entrei MIVIC do - c-,.. . • exterior e a MMC Automotores do Brasil, inclusive pagamentos; 3) Listas de preços do fabricante no exterior, emitidas pela Mitsubishi Motors Corporation válidas para a • -. , MIVIC Automotores do Brasil Ltda.. Como fabricante, aparecem a própria Mitsubishi " e; no caso do modelo Eclipse, a epresa "Diamond Trading Co."; 4) Faturas. .; _ comerciais, que instruíram inclusive declarações de iraportação e remessas cambiais, • ._ emitidas pela Mitsubishi Corporation para a MivIC Automotores do Brasil Ltda.; e * • :. Cópias de Notas Fiséais, faturas de serviços, emitidas 'Pela MIvIC Automotores do • • I . Brasil Ltda., para seus revendedores, em que são cobrados dos mesmas importância . a título de "comissão pelo usõ da marca". • . ... . . .... . . • - Depreendeu a fiscalização. dos documentos, que. a transação fora'\ •• .:. . . realizada entre a MIV1C Automotores • do Brasil Ltda., e a . Mitsubishi Motor Co., 1 • . . • atuando a Coimex como mera.intermediária pára obtenção dos beneficios do Fundap, •. .. . X. • . . • , ....• ... . r . . . . — . _ • •. • 2 . .. . . '.. . . . . . _ . • . • • -. .- . . . . • .• ,• . • . . -. • • . i • • .. • • • • • • • . , • -- -- •, • . . • , , • . • L-7.-....': - . . . • -. ' . :.' .•''.. ...* .. •'.., •• • . . - • ' * . • 9 4 . - : . . ..... ::•. , '‘ -'-', ........ . • • '. - MINISTÉRIO DA FAZENDA " • .. - • • .. '..--. w: .• .' ,- - ... '- TÉRCEIRO CONSELEIOD•E CONTRIBUINTES • .. - • . . . . • . . • -• It. , '• : : , , ' *TERCEIRA CÂMARA ' ', *, - . ••• . " . . - ..•, .• • • . • . . . • ":: ••- "' .RECURSO N° : i25.889. • - • . • • . . • : . • .4 ' : . • ... - ----•••ACÓRDÃO • N9 --- : 503-31.148. • . . •• . . ...• • • . ... • . ,_. . ._ . . • * • • ._ . i • • • .. . . .. . . caracterizando as responsabilidades tributárias . dos reVencledores e da MMC • • 2 . . • Automotores do Brasil Ltda.. . • .• • • • • - - • • . . • . . ' . ,. . . . • . • . .. e . 1 • Estabelecida a vinculação e conseqüentemente a responsabilidade .- • .• . • • solidária, entendeu a fiscalização que por força do Artigo 8, parágrafo 1, alínea "a7., - • . • . • • ""iticiso i, do Acordo sobre a implemen• tação . do Artigo VII do Aco'rdo Geral sdbre . . . • Tarifas Aduaneiras e Comércio (Acordo de Valoiação Aduaneira) promulgado pelo - Decreto n° 92.930, de 16/07/86, deveriam ser acrescidos aos valores declarados na - importação os valores relativos às comissões pagos aos representantes do exportador . * pela importaçko, ou seja, no caso, as comissões * pagas pelas. cbncessionárias/. .- • revendedoras à MMC Automotores do Brasil Ltda.. - . . N ) . Diante dessas verificações a fiscalização lavrou auto de infração . • ,. . contra a CIA. IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX (Coimex), intimando - I • a MMC Automotores do Brasil Ltda.; como responsável tributária solidária, tendo por • • ., . enquadramento legal para o Imposto de Importação os artigos 89, inciso II; 220; 499 e. 11 “ '.• 542 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91.030/85, e com relação "4o, 4. • - . Imposto sobre Produtos Industrializados, enquadrou-se nos artigos 55, inciso I, alínea N'; . • , ,. "a", 63, inciso I, aliiiea "à" e 112, inciso I, do' RIPI, aprovado pelo Decreto 87.981/82. . • . .. -• . . --._ . . Intimadns as . Recorrentes apresentaram suas respectivas •.' . _ ,. • .., impugnações em 30 de junho de 19 .98 e 01 de julho de 1998, nas quais alegam, em- • - • • • 'Y , ,.. , .sumau que segue: •. • .. . . . : , . . . . . , 3. . . • . Ji o . -: • . , ' Da Impugnação da MMC Automotores do Brasil Ltda.: . :,'•- , - •.. . I. ilegitimidade passiva da MMC do Brasil, uma vez que inexiste . qualquer vinculação ou associação em negócios que objetivasse. f 3 influenciaio valor das operações de importação, uma vez que sua • - - atividade consiste na prestação de serviços, no mercado interno, • decorrente de contrato de distribuição firmado com a empresa japonesa ("Mitsubishi Motor Co."), em razão do qual tem o • . . , direito•de liso da marca "Mitsubishi" no Brasil. Ainda em função* • .• deste. mesmo contrato, por ser responsável pela criação e • . manutenção da rede de concessionários, recebe remuneração de .. • • . • seus concessionários, pelos sei-viços de garantia, .treinamento, • _ - • assistência técnica, etc.:., *ressaltando que .não importa veículos, ' nem tão pouco foi intermediária nas importações realizadas pele\ •Coimex, com quem não tem qualquer vinculação, mas apenas - .• detém o direito ao uso da marca "Mitsubishit- no - território . nacional; . . .• _ . . . . • . . . . . • . • • -. . . . . . . • - . • ' . ,,. . . . .. . . . .. . . . . . • - • . . . 3.. . • . • - - . ., . .-, . . . . IR. . . . . ... • - . • -,- . • • , . - • * . .. . . • • • *" . . .• • • • . v ---- .. . : • - • • .. . • • •, . . . . • • • . • , . .. • . .. . • • E.-W:r • -• • • •: *.' '.. •• -'• - - - • • . • • : •• . •• , ...•• • .• ...'. : • •-.• *, • - . •: ... ' : -: . • i -.., ': ., .., . ..„.„.. . . ..,„ r_ .. . .•.. ,•...,............ .••., MINISTÉRIO DA FAZENDA , . . . . . • - - - • • . - ...7---- • ; * :: TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .. - • • . . . . • •- .*.r )11 .. . - TERCEIRA CÂMARA' " _ • • , : • . - . . . . • . • . . .-, . . •. •• . : .:. RECURSO N° ... . : 125.889 • : • '• . " .• 'ACÓRDÃO N° • : . 303-31.148-- - — - - - -- ...2 • • _ • .. • ...; ••• ••n , •• • • • • • • • .n • • ... • , . • . • . . • n • . . • • • • • . • **' .. ... , . • . • II. não possui nenhum contrato com a importadora, mas sim 'com a . . • - • . • . . • • rede *de concessionários da marca. Ressalta que como detém; com_ •• . • • • • • • • exclusividade, o direito sobre referida marca, a • cada vez que um . .. veículo "Mitsubishi" for importado- pela Coimex, a pedido de um . , .. • concessionário, à MMC Biasil caberá a remuneração pelos . I. . . • serviços que efetivamente presta, 'consistentes :ern .garantia, . I. i_ . treinamento, assistência téctica, dentre outros; . . • . , _ . , • ' III. como sua atuação se restringe'a mercado interno, não.há como • lhe imputar qualquer responsabilidade por suposta diferença de • . ., valor na importação de veículos "Mitsubishi", já que é parte •, ilegítima para figurar no pólo passivo da acusação fiscal; . W. de acordo com o artigo 447 do Regulamento Aduaileiro, após t • realizada a conferência documental e fisica dos produtos importados, a fiscalização, caso aceite o valor aduaneiro • declarado, fixa em definitivo a base de cálculo dos tributos ,. Se - . • • houver discordância quanto ao valor declarado, tem .o Fisco o,''; • :'!,." :'--:. - ... . •...- • . - prazo de 5 dias para impugna-lo, sob pena de preclusão. No caso, ;-; : • • , . = . ._ ., •• já se passaram anos da conferência aduaneira dos bens .. . importados, de sorte que a fiscalização decaiu do direito de: . . • impugnar o valor aduaneiro declarado pela importadora, de modo . . • que a exigência em causa é intempestiva por violação ao arligo .: • f'''.1,.. . • . • . . :,‘ :, •- • . 50 do Decreto-Lei no 37/66 e artigo 447 . do Regulamento' . . -1.;,' •• • • . , Aduaneiro; . •-.,!;? :t., .t ..; - " V.. não poderia a fiscalização pretender a revisão do lançamento fiscal em causa, com base em suposto erro de direito, uma vez, '') ... não estarem presentes nenhuma das hipóteses previstas nos • artigos 145 ou 149 do CTN, não podendo ser efetuado "novo . lançamento na ausência de erro ou fraude da firma importadora, • • • • nem omissão ou inexatidão em suas declarações de importação", . . 'entendimento firmado pela jurisprudência citada; . . .. . • VI.. pela seqüência, dos procedimentos -fiscais, "na Medida em que a. . ... . . _ fiscalização limitou-se a requerer -que o contribuinte produzise • . . • . provas negativas para, em não o fazendo, sujeitar-se à exigência em causa, o auto de infração configura cerceamento ao direito d • : defesa, além de violação à - legalidade estrita por falta de \ • - motivação suficiente e des cumprimento ao devido processo legal, j . . .: • • • donde se impõe o reconhecimento de sua nulidade; . . .. . . • . . . • -. .. . . . . . 1 .. • • • • . .. .. . . .. . . . .. . . . - .• . . .. . • • •r . . • • . . . • . • • . • • , ' .. . - • . • . • • -. • - • . . . • . . . • . - . . . • • - • . . , • • ,C":77,:-.W••••• .1 . . * • . ." • .. • • *:' • - '''' = "'",.• --- ..- ••• : • • ... . • • _ . • . • . ' • ' • :. .. • _ : - . -' - ' ''• : -- - • * • Y MINIS.TÉR/0 DA FAZENDA, ... " . '. • ' • • . . . • • • . . • . ' TERCEIRO *CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • • . .. - • * ' - • . • - • * . - TERCEIRA- CÂMARA . : - !s: . • • . -* ' • . . . . .. . •. ' - . -RECURSO N° • : 125.889 . _ . . • _ . . •. . . • . -- ACÓRDÃO_ N°. ..:. -,... : 303-31: f.4$ . • .... .• . • . " '. . -.. •• • • - . • . • - ..- • . • .. •, - -._. .. . • .• ...• • • • • .- - • • . -. .- . . •. • •- • , • •• . • . . VII." quem é o contribuinte dos impostos e realiza a nacionalização das - • ., •'• • - . • • • • mercadorias importadas é a . empresa Coiinex, que . tem • . .. . . . . • • .* • • características especiais *de empresa • Fundapialia,. atuando ' • . .. • - segundo - as normas pertinentes que regulam essa atividade, ._ , .• .emanadas; inclusive, do DECEX, conforme a Portatia.n° 08/91, . ... . • .. . ' , portanto, a Impugnante não possui qualqueririnculação, direta ou- . - . , .. •indireta, com: a empresa Mitsubishi, com sede no Japão ou nos•" .. ...- • • EUA, não• se enquadrando em qualquer das hipóteses contidas no • . artigo 15 do Acordo de Valoração Aduaneira; .. . . • ' " - • . . . . . . VIII. a prova de existência do suposto vínculo cabia ao Fisco, o que não foi feito, já que se atribuiu ao administrado a . responsabilidade pela realização de prova de natureza negativa, o i )•. que é impossível; . ._ _ . . DC. "a alegação de vinculação tanto não faz sentido que a autuada -. • (Coimex) realiza a importação dos mais variados produtos, e • -:-. •-' ' ,• diversas marcas de veículo, das mais vastas procedências, pelo . .• que se afiguraria inaceitável, e até absurdo, que ela estivesse . • - • ': :::.. • • •,-_- vinculada a todos os seus exportadores, • ..., ._ . , ... • .,-..,• X • "quanto a questão do valor aduaneiro declarado, a 1mpugaant-e, • • por não . realizar operações de importação, - não dispõe de - •• • ... .. ? . ' '1 • • elementos relativoss ao mesmo. Todavia, endossa na sua • • •• *;.-.. '. w ..1 - • integralidade a argumentação aduzida pela importadora .. . • (Coimex), por explicar de forma ímpar a improcedência do aulo -., .., . de infração lavrado.", transcrevendo o teor da defesa da Coimex;'' • . .• - . . . . . XI. "a pretensão fiscal veiculada pelo presente auto de infração já foi . •1 -tt afastada pela Eg. Coor-denadoria-Geral do Sistema de- Tributação . (COS11), impondo-se o cancelamento do lançamento, à vista de_ o mesmo contrariar orientação fiscal expressa em sentido diverso • • . ao . do entendimento . governamental, sob pena de violação . ao art.• . . . 37 da Constituição Federal (STF, RE n° . 131.741-8-SP, *de • • 09/04/96, Rel. Min. Marco Aurélio)"; . . . • . . . . . . . .. . • . . • XII. as Decisões COSIT n?s 14 e 15, de 1997, são conclusivas no _ - .. .sentido de que os valores pagos pelas concessionárias às . . detentoras do uso da Marca não integram a base de cálculo dos • . impostos devidos na operação de importação. . . .. • • - - :Pelos' fundamentos expostos, requerpela improcedência da au• tuação .. . .- • . • e conseqüente • cancelamento do Auto de .Infração lavrado, reiterando ainda o . • • .. • . • • •• .- ' . . . . . .. . • . • • •. . s . .. • . . . . .. • . •• •- • .. • . . . . . . • . • . • . .• - . . - • • • - -: . - . .• • ., •. • . • .. -- . . • , _ a • • { ‘ • • . . . • • II . •.. • • • . • . , . . . . • : • : • •• • ' • •• • •,. - '-,-•:• -• ..' , '... • *-: . • =,-:',ilirxr.;7‘,.t ...•-•,.• •••••• ,- ••• ... • :* " -' . • •. - :-... • .-••• -• .': , ... s.,. --....*•.•• '..,,,-: • -"•'' 2' - • -. .' - - 4 • , : ..." '' .-.•''':- -,' - - 1- . '• - • . * • 4 • . -• .. : -- - • :', -- 1 '''.. --- ,• . • •. „ . . . . . . .. •• -• ' . , . - - MINISTÉRIO DA FAZENDA • , .. . • . . . • . -• • -.. . . - • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , • . . • • . • • • • - ,, TERCEIRA CÂMARA . - " • - . • ' . • . - • - . - .. . • . - •. . - . .. .. .. - . .. .. . RECURSO N° : 125.89. • " . . . ., ;ACÓRDÃO N° • : - 303-31.14&L, , . _ ,z_ : ,,,,. • . _ ' • • - •• • - .. - - •. .. . . _ ._ • ,. ._ • • .. • . • • •. . . . • , • requerimento de prova pericial formulado pelaimportadora, Coirnex, *para que 'ao • -. . - ' - final, seja dado procedência à impugnação. • • • ' . • . • • . • ' - • . • . • . . . - Das alegações apresentadas pela Cia. Importadora e Exportadora -, . - • • • • • Coimex, em suma: . .• -• . _ • • • • . . .. •• . • .. - . . . . . . . .. .. . • • . I. o auto de infração é nulo, uma vez já haver operado a decadência • • do • direito. do Fisco de proceder . à revisão do lançamento, já que a • revisão pretendida diz respeito a suposto erro de direito, estando. . - • . em desacordo com o prazo estabelecido pelo artigo 50 do• . , - Decreto-Lei n° 37/66, ressalvado no artigo 447 do Regulamento .. • Aduaneiro. Neste sentido, inúmeros acórdãos proferidos pelo . ,N ,, • Tribunal. Federal de Recursos; . . • •• _ - ••. • II. declarou corretaMente o valor aduaneiro dos produtos importados • -• o nas declarações de importação, o que foi verificado pela — ,. • .. --•• autoridade fiscal, sendo encerrado o procedimento de lançamento , •• . •, . , • previsto no artigo 142 do CTN; . '• 5 .'.,• ` :'.,'. . . • . ., . • ' • • . . . ,.•. • • • •,. III. terminada a coiferência e, pois; ultimado o procedimento a quê . *"•- • '•'• .. • . . alude o artigo 142 do CFN, não pode Mais haver revisão do ato, . . „... administrativo, salvo ocorrência de erro de fato, sendo que, "a ... . •••*- ,-. • . doutrina e .a jurisprudência são unânimes . ao inadmitir a revisão , • , do lançamento fundada en.1 erro de direito, pois, -desde que;o. • .‘, regime legal abstrato tenha . sido concretainente 'aplicado a u-m? , - contribuinte pelo lançamento, este ato administrativo terá criado . • • uma situação jurídica individual e imutável: a de o contribuinte •• • . só pagar. o montante .do tributo lançado, salvo erro de fato.", em . • observância ao- disposto nos artigos 145 e 149 do CTN é no mesmo sentido o entendimento doutrinário; . • •. •- IV. "as citações de doutrinana e jurisprudência demonstram que, no . . . . • • .. • caso p•résente, não poderia ser efetuado novo lançamento 'Sois • ' . , • . não .houve "erro ou fraude" da autuada, nem omissão ou . ... - • inexatidão em suas declarações de importação. Ao contrário, as • . , ••.. . • informações quanto aos fatos foraiii corretamente prestadas* * ao _. • . . - • Fisco, sendo que este corheteu suposto erro na valoração de tais • , .1 - . i • fatos. O alegado não se altera pelo fato de ter a autuada adiantado seu entendimento nas declarações: já que, ao recebe-las e ao _ - • - •-• • terminar o procedimento onde o agente fiscal atesta que . conferiu . . . ' • e internou os volumes, o Fisco aceitou (5 critério meramente'‘ . • • • pro.posto 'Selo contribuinte, passando ele próprio; se tanto for i . • • • •. • 1 . - 1 • . •• • • - . . . . . . . ,. . .. . ,. . • . ,/1- .• . .- . 6. • • . . . . . • • • ..-. _.. • ••. . • •-• .1 .• . •. . , 1• . . • • • • • . . • • ' . . . • .• - • - . . . .. . . .. ..- - •,. . • • • • , • . • • •. . : • . •kr7V.r-Jr- - •*: • . - 't • - - • . . . . . .. .. .~.''. . • . .. • , ._ .• - - • . MINISJIÈRIO DA FAZENDA . • . • • .'• . • • • • -'-- - • ' - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . • ' * • • . . • • . TERCEIRA CÂMARA . • . .- . • - . - • • .. . • , . '. .. . , . r . • RECURSO N''). • : 125.889 . -. . . • • • • . . AOUDÃO N°_ : ,. : 303;31.148. .... . : . • . . - . • . • • . • • • . • . • • • ..- . . • . • • - - ' • . . . ._ . ..... . • ... . .. . . ._ d • .• . . . . . .. . . . • • admitido, a .cometer errei de direito, mesmo porque o lançamento . • - • - , .. . ê ato 'privativo da Administração; não dos administradoS."; * . • • . • . . • • - • • • • •. . .. ' - V. é ainda nulo o lançamento, por não ter atendido o devido • -. • processo legal, nos terrno do artigo 1°, • § 1°- do Decreto n° - •. . . . • 92.930/86, uma vez que não foi Permitido ao .c.ontribuinte sequer. .• , .. . se. defender ou justificar os procedimentos adotados, já que • ' - procedimento adotado pela fiscalização subverte o "iter" previsto . na lei, atribuindo ao contribuinte, a responsabilidade, pela • produção de provas negativas, o que se afigura incompatível com - • . o ordenamento jurídico vigente; _ ,,..• • . VI. "a exigência feita ao contribuinte de -realizar prova negativa . i • ' atenta e viola os mais comezinhos princípios 'atinentes ao_ . i '. , - lançamento tributário, desrespeitando o preceito invocado como fundamento, art. 1°, § 2°, letra "a" do Código de Valoração • , - Aduaneira, além de negar vigência ao art. 142 do' Código - - .. , • • • Tribuálio Nacional."; . ' . .. . . • . • . • ' . • . • .. , - •. ._._ VII "se o fisco pretende cobrar diferença 'de imposto porque as - . operações, no seu entender, teriam o seu valor aduaneiro afetado . ...... . : por suposta vinculação existente entre importador (autuada): e ..1 • • . ... '. • • . exportador, 'a ele (fisco) cabe a proya.desse fato e que tal . teria " , • ‘. . '. ocorrido por conduta imputável à Peticionaria. E não exigir que o.• . contribuinte faça unia prova negativa.";. ,,-•- , . ,. . VIII. "caberia à fiscalização, antes da lavratura de qualquer . Auto .. . • realizar diligências visando apurar os elementos que lhe foram — _ - r; • '', •-• fornecidos para, (1) concluindo p-ela existência de influência de preços pela suposta vinculação, (2) conceder ao . contribuinte/importador prazo razoável para se defender, e (3) só depois, entendendo cabível, lavrar o auto de infração. Somente . . . • . .. . • ' assim restaria obedecido o Processo previsto* em lei."; . . . . • D.C. - não tem qualquer vinculaçáo com a empresa, estrangeira. . •• expOrradora e também não é intermediária da importação "opera • ._ _ , . • normalmente como empresa fundapiana, adquirindb mercadorias imPortadaS de diversas procedências e empresas, promovendodo a • sua venda no mercado interno para várias e diversificadas • . . •• • - . empresas, praticando preço real e efetivo das mercadorias e • efetuando o recolhiniento dos impostos incidentes na importação • .. . •• • . • sobre o valor real da transação, razão pela 'qual não se justifica a 1 • . . . st.iposição.de vinculação formulada pelo fisco."; . N. .. . . . • - - . - -.." 7 • • . • . . • • • .. . • • . •._ . . .. . -. . . . - • . • •. • • . •. . . . . • • • • • . • • • • • • • • . _ __. • ,,_ . _ . ,. _, . - . . . • • • . -•••• . . .. .. . ... - . . . - . . . .. • • • •.. ,' . . . . . . . 11"""-it " • • - ' • • • - - • ' • • . : • • -- -.. .. . . . • ... .. •• . • . - . Ni-MISTÉRIO DA FAZENDA .: • • • ...' . . .. . ' • 2"'""." - . • . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • . -• . . .. :.'. - • • TERCEIRA CÂMARA - • . . " . . • . . - . . . .. . . . . . J . . .. . • -. : . . RECURSO N°•- . . : 125.8'89 . . • . • • . • _ ACÓRDÃO N°-. • • : 303-.31.148 ,••--:- — - --- — •-- --.., - -_ - -- - - . - • , . - -. ,..• • . .. . • . _. . • . • • . • • . ' • . • • - ._ . • .• • .• • • • • .. .._ . .• . . . • • .• . • • ••. . . • - . . X para . a . determin. ação de existência de vinculação, deverá ser • . ',• •. . . - • - • • - • apurada a ocorrência de uma das' hipóteses previstas no artigo 15, • • • .. , ... . • §§ 4° e 5°, do Código de Valoração Aduaneira, contudo, inexiste . - • • • ' •_ - qualquer contrato entre importador e exportador, já que a .. • •• . • ' • • empresa que:detém no Brasil a licença' de uso e comeicializ.ação ••• . .. • . da marca 'Mitsubishi não procedeu a qualquer importação, no • • • •. . • . . . - período compreendido pelo Auto de Infração, o que sempre foi. - . feito pela autuada, que compra os bens importados, revendendo- os para os concessionários Mitsubishi."; . •, . ,. • ,. XI. "a alusão à figuração de MMC Brasil como interveniente no • . ., . . . contrato entre autuada e concessionários Mitsubishi se dá, única e • exclusivamente,, em razão de a MMC Brasil, na qualidade de . • . . distribuidora de veículos Mitsubishi no Brasil, e responsável pela • • criação e manutenção da rede de concessionários, prestar serviços de assistência técnica, dar garantia do bem importado e permitir o ., uso da marca. Daí porque, inclusive, são emitidas as notas fiscais , ... • . . . de serviços referidas pela auto. Referem-se estas notas fiscais, %,, • • • • . • :.-_. poii, à dobrança pela licença de uso da marca Mitsubishi; cuja . . . . .... titularidade, no Biasil, pertence à MMC Brasil, e pela prestação ' , •- . ••''. -.de serviços de garantia e assistência técnica."; • . • .. .. . . .. . . • • • XII. a vinculação tanto não faz sentido que a autuada; Coimex, realiza. , -. • , •. , . • •7 • a importação dos mais variados produtos e diversas 'marcas de ... • • • veículo, das mais vastas procedências, pelo que Se afiguraria ., • inaceitável, e até absurdo, que ela estivesse vinculada a todos os • seus exportadores; - •. . - .• _ _ - ti't . XIII. "bem ressalta á inexistência de vinculação o fato de que as Leis •. - • nos 9.440 e 9.449, de 14.03.1997 (regime automotivo), previram, . desde junho/95 (MP n° 1.024/95), o conceito de importação - • • • indireta, segundo o qual as montadoras nacionais poderiam . • . efetuar suas iniportações através de "trading companies", sem ' • é . - perder o beneficio da redução de 50% (cinqüenta por cento) do • . . • -- imposto de importação (art. l, § 2°)."; • • . . - . •_ __ . I • . XIV. "a teor do Acordo de .Valoráção Aduaneira, o valor da transação• . é aceitável para fins aduaneiros, quando ó preço de venda é o i valor de mercado, com pequenas variações.", no presente caso, o i.. . valor .da transação "se aproxima do vigente no mesmo tempo ao . . • . valor de transação em vendas de mercadorias idênticas °ui, • • •. similares, assim, "j)roiiada a inexistência. de vinculação• • ou ••. • •• • • ". associação legal em negócios, bern como que o preço praticado é • . . . • .- • • .. ... , • • . • • • - • ... . . .... / ' . . . • • • • • • ,. . . •. .. • - • • • - • - • • . .. . . . , . •, . . , .. --- . - - •. . • . - - .. .. .. . • .• • • . . • -.• . . 4 • . , • . . •• • • .. • • . MINISTÉRIO DA FAZENDA • ' • . . • • - . • - . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . . . • . .. . * - • . * • . " * , . , . .. . . . . ._ • . - • • • -_ . RECURSO N° .-. : 125.889 • • ' . •• - . - ACÓRDÃO isr° . - -- : 303-31.148 • ; , -- — •. • • • . • . . ,._ .... . . _. _.:_..i ,,..... . • • . . . . • , . . .. • - • • • . . • . • • - - •. . , , - . • . • • . • • . . .-• • . -- ._ , . . •• * • - • • • •• •.. • •• • - * aceitável para fins aduaneiros, incide e regra do art. 10 do Acordo • • - •. • • de Valoração Aduaneira, excluídas de aplicação •as • disposk. ões • . -. . . . • • , dos arts. 5°, .6° e .15; .. • • • .• • • .• . .. .. . .• XV. de acordé . com *o artigo 1°, • § .2°, letra `..`a", do. Código de . . • • . - • - . . • . Valoração Aduaneira, a yinculação; por Si só, não ésia' ficiente • . . - para se des •considerar o valor aduaneiro declarado, devendo, Se o • -. _ . ' caso, a administração investigar se o . valor aduaneiro declarado 1• . seria efetivamente inferior ao real, o que não foi feito pela • • • . fiscalização, já que não consta do auto de infração nenhum • documento comprobatório de que o valor aduaneiro declarado teria sofrido influência da suposta vinculação; .. . • -,. XVI. "ainda que, admitindo-se para argumentar, houvessem diferenças - - I. . • de impostos passíveis de cobrança, não poderia .o •Fisco arbitrar * • valores, sem fundamento nas operações de fato ocorridas e sem prova da existência dos pressupostos a que .se referem o Código • - , de Valor Aduaneirá objeto de impugnação nos itens ,: • • • ., . • • antecedentes. ._Efetivainente, o . quadi-o . levanta& pela , d:f: ._ • . . ... , •.7 fiscalização, por si só, não é auto-explicativo, dá-sorte que dele .: - • . .. não se consegue extrair qual a metodologia adotada para `se-,-• • . • -;•. . • . chegar aos ajustes pretendidos."; .- • . • , • ' -• ,, . . . • . . . . : . , . . . • • .,-E._ XVII. a exigência de- DPI por suposto • ajuste do valor aduaneira:, • • ' . declarado viola o princípio •da não cumulatividade, porque os . bens importados já foram vendidos no mercado interno, em - operações que se submeteram à incidência .do IPI, de sorte que o. . saldo apurado foi recolhido à União, uma vez que, em tratando-se ., -.... - de mercadoria para revenda, mesmo que o imposto devido pela.- importação 'não. tivesse sido pago, o fato de as mercadorias" • - • . importadas já terem sido vendidas implicou no pagamento total . - . do tributo devido, e conseqüente extinção da obrigação tributária, • •• - . ' nos termos do artigo 156; I, do . Código Tributário Nacional; •• . . • • XVIII. ressalta -que. a nível adminisirativo„ eni matéria de ICM, o Eg. .. . . •_ Tribunal de kapostos e Taxas .já decidiu favoravelmente ao. • • - •, •contribuinte nos processos DRT 13-6080/68, 15-6996/69 'e 1- .• . . 3174/85, sendo qiie neste último, decidiu-se, após realizada • . diligência nos livros fiscais da autuada que, realmente, a etapa . .. . . '.. . • postenor de circulação do bem, absorveu as anteriores; • . . . .• ' . XIX. a •teor • das decisões • COSIT n's • 14 ' e 15, de 1997, 9 . • . . prosseguimento do processo encontra-se impedido, uma vez que._ . • • . . . . . - • /• - . Q• *. . • • • • . • • • . ..5"-'_ . . . . ... . , . - . : • ' • . . . . . . . 4 - • • • • . . • ' • • • - . . .. • . ", .....- • . • • ,. ,„ . .. . . • . • • ., • ".,.. • . • • . • . . • I •• - . • . • • • ' • . • • • • ' .-er, Z • • . • • • . • 11 . • . , • o . .. .. • •. • - • . . • ". . NiTNISTERIO DA FAZENDA ' • • • • - ç • . • . . , . . . - • - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUNTES • ... " • -, ,. • " • • . TERCEIRA CÂmARA ., . - , . • . . . .. . . . • • , . • .. • . , . • .• _ •.-:-'4 • . °RECURSO N : 125.889 . . • .. . . ••. .• , . „ . :---:-.•' - - •--- ._ ACÓRDÃO,..N°-- • :. • 303-31-.148 . * . ..... . .....;,. ._. ... __ • • . • -. - • .. . .. - . ., , ., ...... . , . . • •._. • • .. •... • • . - . - • • -. . • . • • . nós termos do artigo 37 dá Constituição Federai, o entendimento..., . , da Adáinistraçãó, que vincula todos .os .seus ófgãoS, impede a •. • • . • . - emissão de atos com ele desconsoantes. • • • •. . , . . . - . ••-•- - • • • . • • Requer a insubsistência..do Auto de Infração, pelos fundamentos • 1 ' - expostos, pleiteando* pela realização de prova pericial, caso os . mesmos não sejam - . • , . , -.suficientes. ' . • 1. ._ . . . • • • .. . Posteriormente, a MMC Automotores do Brasil _ S/A apresenta aditamento à• sua impugnação, pelo qual aponta irregularidades materiais nas planilhas . de cálculo constantes da autuação, pois a fiscalização, ao invés de discriminar Cada guia de importação,. detalhando o valor declarado nas mesmas, baseou-se em dados ii• • • gerais dos movimentos mensais de importação de veículos, utilizando-se de uma t•,-*1 '- - UFIR média, geando uma distorção nos cálculos, acarretando em iliquidez e incerteza do lançamento fiscal. . • . .. - Remetidos os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento , -.•::: •,. . • em Florianópolis --SC, o lançamento foi julgado procedente pelo julgador de primeira ,, '',-.2 •., _instância, nos termos da. seguinte ementa: . ., ._ . • _.-._ -z. -. . • , . "Assunto: Processo Administrativo Fiscal. . . • Período de apuração: 05/04/1994 a 20/0511994 . - . .„ • . . • . -.. Ementa: NULIDADE DA AÇA0 FISCAL. .. • : , Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se " . -'• ' - " falar em nulidade. _ i. • DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. •• Estando o procedimento -fiscal realizado em estrita observância às . , T suas normas de regência, - não há quê se falar em cerceamento do 'direito de defesa. _ • . IMPUGNAÇÃO. ADITAMENTO. ALEGAÇÕES . . . INTEMPESTIVAS. INADMISSD3ILIDADE. . .•• „ Deixa-sede apreciar razões de defesa complementares, trazidas em . . aditamento, que foram aprçsentadas cinco meses após encerramento. . . - . do prazo legal de impugnação, face à ausência de* dispositivo legal •, . ,_ • que autorize, o acolhimento de alegações intempestivas. ' . _ . PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. COMPLEMENTAÇÃO. • • Dispensável a complementar produção de provas,, por meio de perícia, quando os elementos que integram os autos revelam-se . - suficientes para formação da convicção e conseqüente julgamento . • • . , - • do feito.. .. . - . - . • - . . . . . . • . . . ' . ... . . • • . • • - .• . . ... . • - • . : •• . . . io . . • • . . • •. • . . . . • .. • . ••. , ' . • •. . - ' -. . . • . • . • * . . . . . . . . • . " . . • • . • • • . '.. .. I, • • • • • • • • • • • " • . . . • . • . . • _ .: MINISTÉRIO "PÁ FAZENDA . . • . ' • . . • . .. .. • - • - i . • . • • TERCEIRO CONSELHO. DE-COdánItJINTES : s. • • • • - • • . •... i . . • rERCÉLRA CÂMARA • . . . ' • • . . " . •. . . • . . • • , .. o • . • , • . . • • 7 , • ' .. RECURSO N° •" : 125.889 • . . .. • . •. • • • • . - ACÓRDÃO N" • - - • — -30331-:14.8. . .-- •-- - - • • - . .„.. ...... . ...• .....• . . . . . . . .. . • • .. . . .. ._- • • ... • • -. . -. • . . • . • . . . , • . • .- ARGÜIÇÃO • DE . . ILEGALIDADE. • .. E . • •• • . - • INCONSTITUCIONALIDADE. • INCOMPETÊNCIA • - DAS . . • • • INSTÂNCIAS ADMINISTRATFVAS PARA APRECIA •ÇÃO. • • • - • . . , As autoridades • administrativas estão obrigadas à - observância da . ..• . • • le• gislação tribútária vigente no ' País, sendo iné.ompetentes para a • . • . . . . apreciação de -argüições de. inconstitucionalidade e ilegalidade . de• • . • . . . . • . -. atos legais regularmente editados. - •-. . . • Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário • • . . . • Período de apuração: 05/04)1994a 20/05/1994 Ementa: SOLIDARIEDADE PASSIVA Caracteriza-se a solidariedade passiva tributária entre o . ç..; - • representante exclusivo para comercialização de • veículos de . .determinada marca e terceiro importador (mandatário para os efeitos . . • ' legais), -quando este terceiro, ainda que seja uma trading, realiza em • . _ nome próprio importações e revendas de veículos dessa marca. Contratos firmados entre a representante exclusiva e diversas . . concessionárias, mencionando a intervenção desse terceiro. nas -. • . . .. . • • . , • • ..., transações comerciais reforçam a comprovação da solidariedade. •• '. • •.- ., . , , , • PRAZO DECADENCIAL. VALOR ADUANEIRO. • ' '. .• FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA. , . .. • Nós lançamentos por homologação, o direito de a Fazenda Pública . , • -z., * • • . apurar e constituir seus créditos relativos aos tiibútos aduaneiros , • ,* ' :- `- extingue-se depois de cinco anos, .contados do fato gerador. . , 1•• ,= .• • r ,t O Valor Aduaneiro encontra-se no escopo das matérias atinentes ao -,, • •despacho aduaneiro passíveis de revisão por parte da autoridade • fiscal. - . - . - . • . _O prazo de cinco dias para a liberação da mercadoria anteriormente_ ao desembaraço, traía-se de período de tempo procedimental, - • relativo somente ao despacho aduaneiro, não se constituindo em prazo decadencial de formalização da exigência tributária. - . . . REVISÃO DE OFíCIO.. . . . , 'Agindo o contribuinte em desacordo com a legislação tiibutária • - • . aplicável, a . autoridade administrativa, por. dever .de oficio, deve. - proceder à revisão e* se for o caso, exigir, por meia do lançamento, . . • • . -os tributos que deixaram de ser pagos, além dos demais acréscimos • legais cabíveis. ' • • -. . ' • • Assunto: Imposto sobre a Importação – II - .. . • Período. de apuração: 05/04/1994 a.20/05/1994 •• - . . .. . Ementa: VALOR ADUANEIRO. AJUSTES AO VALOR D91 . . • - . TRANSAÇÃO. ACRÉSCIMO. CABIMENTO.. • N.i • . . . •• . . • - . . . . . . ....• . . . . • • •. . . . 11 . . • • • • . . . . . . .. . . . . • • - • • • „ • . .. . • • • • . . • .._ . • • ., . . — . ._ . - .. • - . . . . . . • .. . . . , •.. . • • • .* • , . . . . . - -. •• '. . • MINISTÉRIO DA FAZÊ .NDA . - . - • • . . . : ". • . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . - • . - .. . • - . . • . • . - " • . , ... . TERCEIRA • . . . CÂMARA - . . . ..,•. . . . . . . . . . .. . • : . . . ., RECURSO N° : - 125.889 • - -. - • . • 7- •-•". 'ACÓRDÃO -Nc4' - - :. 303-31.148 • - • . - "-.• - - - • .. -.... .. - - ..._. .._ .. . • • . ,. . • . •. . . . . . . • ‘. • . . • . - • . . • . - ' •._ .. ._ . . ._ . • . •. . . . . ... • • . • Integram - . o valor -: aduaneiro, • as . parcelas cobradas das . •-.. . . . , - - • • •- concessionárias, sempre vinculadas . à revenda •de veículos. •• . . . ..• . . . . • importados,. tendo por objeto a .prestação de serviços pela. _ . . representante da, exportadora no - País a essas concessionárias,. • • .. . relativos .às4 atividades comerciais .de concessão comercial de" • . 1. . .• . • veídulos automotores de vias terrestres, notadamentç, ao , • • licenciamento do -uso diversificado da marca, expressões e sinais . de_ • propaganda dentre outros. • • • DECISÕES DA COSIT EM PROCESSO DE CONSULTA. . As D•ecisões da COSIT em processo de consulta iiroduzem . efeitos . . somente em relação à matéria nelas tratada. Tais tipos de Decisões, • por se constituírem exegese de textos legais específicos, não .. • .... kl a • • comportam interpretação extensiva. . " •INCIDÊNCIA DO IPI NA IMPOItTAÇÃO. MA.TORAÇÃO DA _ n - BASE DE CÁLCULO. FATO GERADOR. . O fato gerador do IPI na importação constitui o desembaraço . • :,,' aduaneiro de produto de procedência estrangeira, cuja base . de • . • • cálculcr:é o valor que servir ou que serviria de base para o Cálculo •'•;_'•••1' ,-- - - • . • • . - dos tributos aduaneiros; po• r ocasião do. despacho de importação, . ': . • :-.' - ' ., acrescido do montante desses tributos: e dos encargos cambiais '...,.‘" ...r . .. ' • efetivamenteH pagos pelo importador ou dele exigíveis. Uma vez ',- , . . .- . - . majorado o " valor da transação de mer• cadoria importada, em • ;-. • . - " decorrência 'doi ajustes previsto no• AVA, resta exigir de oficio •a . ' ., . . diferença do respectivo crédito tribu•tário.. ..,. ... ......, . . Lançamento Procedente." . ..., . ..•. - A decisão singular, em sua fundamentação, negou inicialmente •. conhecimento do aditamento à impugnação apresentado pela MMC-Automóveis, por •91. #.iratempestiva, e a seguir rebateif todas as preliminares e teses formuladas pelas - Impugnações; entendendo que: • . . .- Qu2nto à prova pericial requerida, entendeu que as interessadas • • . pleiteiam prova pericial de caráter testemunhal e documental, para que se avalie a correção das exigências .fiscais e não para apuração de fatos controversos.Aduz que o - • . assunto envolve matéria de competência dos auditores fiscais e mesmo do juizo -• administrativo, entendendo assim, inexistirem razõeS para a chamada •de outros • _ , -téCnicos (fis: 625). . •. • . . • . Quanto à impossibilidade de revisão de lançamento por ter havido , suposto erro de direito em relação ao valor e por ter sido ultrapassado o prazo legal de .. : _ 5 dias, previsto no art. 50 do Decreto-lei n° 37/66, a decisão posicionou-se no sentido -. . de que não se pode cOnfundir com o 'dispositivo previsto no art. 447; do RA.; dilação • • . :para liberar a mercadoria, Com o dispositivo do artigo. 54, dó Decreto-lei n° 37/66; ^ . •. . •. . • • . • • ., • . . - ..,....-1._., . -_ • • .12 . • •. • - . .•. . . . . , .. . - • . ... • . . . . . • . ..... .. • • • • • • . . • •.. . . . ... •.. .. • . - , _ • • .. • -• _ • .. . . .. ........ .. . . .. • .. . .. . • . , . . .. . .. . • • . .• . . . . . . • T • MINISTÉRIO DA FAZENDA'.. ' . -. ' • . . .. . • • - . : .. , ' • '. TERCEIRÓ. RECURSO N° : 125.88§ CONSELHO DE CONTRIBUINTES . - . • . . • • • r ., ..... - TERcERAcÂmArus. • .. . . .... . . . . . . . - . . : . . t -, - . , , . •.• ' . . ' . . . . , •, -. . . . _ l.i:. • . - ACORPAP -,— :-:.-- 303-34 .448 -- •••••. ••-• -- .-- - . • . ... —.• ...,_ ...... . . • • • .. • • . - • - • . . . .... . . . . . . • • . . -1 . -no sentido de que a revisão aduaneira é legítima durante os cinco anos posteriores ao . - . • •• • .regis.tro da declaração de importação, socorrendo-se,•ainda .., das abalizadas opiniões de • •• . • Alioni,ar Baleeira e Hugo de Brito Machado. : • . • ..• • • . - . •_ . . . • Quanto à nulidade do auto de. infração . Por violação 'do devido .. • . . . • . processo legal, ressalta a • autoridade julgadora que tanto a Coimex como a IVEVIC, • , 4 . • . foi-am intimadas (fls. 198 e 199); do início das, apurações com respeito às importações, - . í:como também, participaram exaustivamente do respectivo processamento (fls.190/197), tendo-lhes sido dada a oportunidade para se manifestarem • reiteradamente, e as- exigências que lhe foram feitas estão determinadas no Acordo de • , . . Valoração Aduaneira, não se caracterizando o alegado cerceamento de defesa, desde --logo desmentido pelas alentadas e detalhadas peças de impugnação. , ) . . . . - • No mérito, ao exame da vinculação, descarta, por inexistê• ncia de . , . provas, a -caracterização de vinculação entre a autuada— Cia. Imp.Exp.Coimex e a - exportadora Mitsubishi Motors Corporation, o que teria determinado a aceitação do ." - ;4 • - ; valor de transaçãoação. Adiaiita que o real motivo do lançamento deveu-se a constatação, ..- • s .- pela fiscalização, de haver parcela acrescida ao produto já nacionalizado, destinada à '-''',, 1 ,'i . • . • . MMC Antomotores, na . revenda feita pela importadora às concessionárias, que as • ". . : . • impugnantes consideram devidas por "autorização pelo uso da marca." ,.. • • ii: , Considera inaplicáveis ao lançamento - em exame, as decisões, . . - • -,,, • • COSIT!n's - 14 e 15 de 1997, porque decorrentes de consulta formulada pela': . -,. • ,- Confederação Nacional do Comércio, que representam entendimento específico da ' 1 • .1., , n . ,. Administração que hão devem ser estendidos a outros dispositivos, ainda que do' mesmo artigoartigo de lei. Versam sobre matéria distinta da tratada neste feito, eis que '''' ..i embasadas no art. 63 - I- "a" do RIPI/82, - 89 -do Regulamento Aduaneiro e 8° — I — i . i "a" do Acordo de Valoração Aduaneira, enquanto que_ a presente autuação está - .... • 4 fundamentada no art. 1° "c" e 8° - 1— "d" ;ambos do Gatt. . .. ..- •• - -• •. i - Esclarece que não se discute se as transações foram realizadas pelo ,.... ,. .• preço real, ,mas se devem ou não . ser adicionadas. parcelas ora 'denominadas" - -.- . ' remuneração pelo usó da marca,' ora de "comissões", e se elas beneficiam ou não a ' • • - exportadora Mitsubishi Motors.Corporation. • i • . . . • - .. ,. . - • . Anota que, do exame dõ contrato, verifica. -Se a obrigatoriedade do _.- ' pagamento de um percentual sobre o valor do fattiramento à MMC Automotores a i. - cada venda da importadora Coimex de um veículo à concessionária, referente a . prestação de - serviços, que se destinam ao fortalecimento da marca "Mitsubishi • ... ' i • . -Motors", Valores que se definem çomo resultado de revenda das mercadorias . 1 • importadas, que revertem direta ou indiretamente, devido ao. conceito já consolidado •. . i. , . . dos bens intangíveis, conto as marcás. Após extensa digressão, ilustrada- . - . •doutrinariamente, sobre a avaliaçãb contábil de bens intangíveis, concluí que aqueles _.4 13 ' .• . . • . •. - . . . • • . • . . t •. . . . .. . • ... . . . . • - • • . . . . .. . . . • . . . • • • • •• .. • . - • • , .. . . - • . - • • ' , .. ._. ._ .. . _ _ -• . . . - . . . • ,_ • ,__... __ 0, _ • .. , .. .• . - . . . • • . ., . . , . -• . • • . —5-.,-.'.•,-;:, -,,kr- • . • .. y.' • ., •• • ... . . - -. :. - -. . • .• „ . • , ....•. .. . .. •••••• .. . . • • . e • . . „ • • ', . . • . • • ••• • - idNISTÉ1110 DA FAZENDA .: . . • . .. • . • • . - - . - :- • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBMTES ..- TERCEIRA CÂMARA •. . . .. - . . . . , . ,• . . . • . - ,. .• • - . . . - -RECURSO N° • • : 125.889 . . . • • - . - ,, • '" .' ' - . ACÓRDÃO N°--. • ; '. :-' .303-31..148 . • . .. . • -- - — - - - -. • -- ' . . .- : • '•• . ....... . . .... . . .. . . . . . . • . • . . . ._ . .. . , . . •• • • -. • •• • . • . valores visam ao fortalecimento da marca Mitsubiáhi no Brasil, constituindo um . • acréscimo ao yalpr. da impbrtaçao, calculado pela fiscalização em 13,41 .°41: . . • - . . _ . . Entende demonstradatrada a solidariedade entre a M/VIC Automotores e a •. . 4 . aduada, - Cia. Im. Exp. Coimex, já que esta operaria sob -comando .daquela, • . constituindo-se a tarefa cometida à importadora, mera simulação contemplada no. art. - . • • 102; do *Código_ Civil, para eximir responsabilidades. Fundamenta suas conclusões no • . art. 1307 do Código Civil, e no art. 150 do Código COMercial, texto último que . transcreve, pára concluir caracterizada a solidariedade prevista no artigo . 124, do . • • Código Tributário Nacional. Confirma a configuração da autuada Coimex, como importadora, contribuinte a quem foram exigidos os tributos, mas adicionalmente . • considera a MMC Automotores, como solidária nas operações. * . ji . . . ., - .No que se refere às imputações de inconstitucionalidade, excluiu-se de apreciá-las, áob fundamento de que não são oponíveis na esfera administrativa,. . com apoio em manifest,ações doutrinárias e jurisprudenciais.. ' • ,• • ,. .. • Com•re.ferência ao I.P.I. exigido, considera que, majorado o valor de _ . •. . transação da mercadoria, impõe-se exigir a diferença do credito tributário, • •• . • .: .... . . ., . ..- .Conclui, rejeitando as preliminares e os argumentos de mérito, . : • • julgando procedente o lançamento 'efetuado. . .:.. . . . . . . •• • .. • • . • • . • . •,; . • Intimada, a Coirnex apresenta tempestivo Recurso Volufitário, onde •• vem reiterar os fundamentos já apresentados, levantando ainda em preliminar, a .. nulidade do processo administrativo, tendo em vista o indeferimento de seu pedido de i. . realização de provas periciais, o que viola seu direito constitucional de ampla defesa, preyisto no artigo 5°, LW e LV da Constituição Federal, desatendendo ainda o 4 . princípio do devido processo legal. . É o relatório. . • • . . •. . . .. . .. . - . • - . . • • . • . • . • . . - '. . . ._ . ._._• - . • _. . . . . . . . • . .. ....... . - • • • . • . • •, • . • •. . . • . . • .. . . . .. - 1:t . . . . . . . . . • . .. . • . . . , • •. • . . . . . . .. . . . . .. • • _ _ - . . . . ... .. . . . -. • . . .. . ... . . . . _ . ., . • --.e..., r: .., • • , ..? . . . . ... . , . ... ... . . - . . . • • • • • .. • . , • - MINISTÉRIO DA FAZENDA . . • . . • . •• . • . •TERCEIRO' CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • . . ••• . . • " • . . • . -.: • . • '• •• , . ' TERCEIRA CÂMARA . - • • . . . ,. . , . " •..- RECURSO N° : 125.889 - • - . . . • - - ACÓRDÃO N° . • • : ,303-31-.148.- -- - 1— - — • . . . • --- •-• • • _..... ..._ ...... . . .._ . • • • •. •_ • ••_ • • - . .._. . • . . . . . •• . . .. . . . . . . ... • -• •. ' •. • • .• •. . • VOTO . - . • .• • - • . . • . • •. • •. . . . . . • . _ • • • - ? „ -. . . • • • •. . • •• • . • . • .• . • - •. . • •• . .. . . • . PrimeiraMente, antes mesmo de adentrar na análise do processo em , •• • comento, por •oportuno, cabe ressaltar que a matéria objeto do presente litígio, já • _ .. • esteve por inúmeras vezes sob apreciação -da Primeira, - Segunda e Terceira Câmaras • • do Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo que, o entendimento a respeito já ,-.. encontra-se pacíficõ. •. .. , , Desta feita, a fim de ilustrar o presente processo, demonstrando o . 1 • entendimento ora firmado por esta Eg. Câmara, cito o voto prolatado nos autos do • , - Processo 12466.001649/96-10, ensejando no Acórdão 03-29051, quando por . . , . unanimidade de votos, julgou-se: . "Preliminarmente há que se fazer uma análise apurada do conteúdo . • • ontológico do Acordo de Valoraoão Aduaneira, cuja efetiva . . ' • . aplica vem demonstrando • que há certas limites a .serem • . -._... . - . _ - observados na intervenção do Estado nas relações comerciais internacionais entre empresas vinculadas ou não. .. .. • . - . • . . . . • . •. , . • . • • ,. 4 destiriação da narina internacionalmente firmada é sem dúvida - . . . coibir a realização de operações comerciais internacionais com o • • nítido objetivo de burlar o pagamento de impostos relativos à • importação ou propiciar vantagens ilícitas ao importador ou ao . . exportador suportadas pelo poder econômico ou pela influência que •• :. . possa exercer na fixação do preço da operação. • , •_ Portanto, os limites da aplicação das normas do Acordo de . .. Valoração Aduaneira devem centrar-se às operações de importação e exportação, tendo.-se como raio de visão as diversas outras. • . . . , .. operações correlatas que possam influenciar a 'operação central. . . . . .. . . . • Tal fixação de objeto é necessária,.pois. o Acordo de Vaiara •. . .. •Aduaneira prescinde -de uma . abordagem dos aios. e fatos. - , . • • * . relacionados com as operações regidas pelo Direito Privado, e .. assim; necessário separar-se as operações que estão diretamente relacionadas com o ato de comércio internacional (importação e • • • - exportação) e os atos preliminares e/ou posteriores necessários à -• • consecuçãç, pelo importador do objetivo interno que pretende com - 1! •. .. • • • ' . . a importação que realizà. • . . ' - • . . - .,/,1. • •. . . . . . . . . . . . . . . .. • . - - . .,...-• .1 .. . 15 . . •. • . . • • . • • • • • . . . . .. . • • • , • .. . • ; - • . • . . • . . • . • • • . • '..' . . . . . • ., • . • - . - . - - • • '' . •.. . .... - • • • ,.- . . . . . • • - .•. . . . . . • • - .. . . ^ • • • . . • , .. . . . . . , • „ " MINISTERIO DA FAZENDA .. - - - . , • . . . ' .. . . • • . .. . . • . • - . " .. .. . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUR N1TES .. . . • . • • . . - ,.• . . . • - • TERCEIRA CÂMARA . . . , .. . . . , . .. ! •. . .. .. . • .-• --RECURSO N° • : • 125.889 • - . . * • . .. - •' - ' 14:ÇÓRD .ÃO NE" * • • * -.. 30331:148 : -;* • .. • '. : . :7- --. - -- - - - - . _. ... ._ . • . .- .. •• . . , - . • • - . •-. . . • . • .. • • No que tange- especificamente ao mercado automobilística cujos- • • ' ' . •• carácterísticas particulares gálgaranz, - :no Brasil, legislação • . • especial (Lei n° 6.729, - de 28/11/1979 - DOU 29/11/1979 r . Dispõe. . ..- . .. . . • . sobre a Concessão Comercial entre..Produtores e Distribuidor. es de. .. . • . . Veiculai- Automotores de Via Terrestre) as operações èomerciais .. .. . internacionais também merecem tratamento particularizado, • uma •. .. vez que as Marcas, - sejam 'nacionais Como internacionais, têm. • . grande influência no sucesso ou não das vendas aos consumidères finais. . • .•• . . .• • . . Nesse contexto, a divisão das operações relativas à importação de • . veículos e as operações relativas «. divulgação, proteção e ., .ft ' representação da * Marca ou ainda outros serviços , a ela . •• relacionados tais como assistência técnica, garantia, treinamento: , de pessoal visando o padrão internacional, é fundamental para • compreensão de quais elementos devem compor o valor aduaneiro e • • quais elemento que não devem compô-lo, ou seja, quais elementos • ,'. . . - , • • estão relacionados com a operação de importação e quais os que ' ",. • 2.--. , .:..- . • - estão relacionados.,com as operações de venda ao consumidor • - ;,1 • ..' .'. ...' . _ .• . interna •, .), _ , ' . . • - • . _ •. • A propósito á própria Lei n° 6729/79; que dispõe sobre a ...- ' • - .. .. . . . . . .._ , . - Concessão Comercial entre Produtores e Distribuidores de•Veículos .,I - . • . ..-= • • Automotores de Via Terrestre, com as alterações trazidos pela Lei 7,- .. . • . n° 8.132/90, define o objeto da constituição da concessão, os critérios do realização do contrato de concessão e a vedação de. . . fixação do preço ao consumidor final, pelo concedente, conforme ._ . art. 13: ._ 't • . hr • " - - . Art. 13 - É livre o preço de venda do concessionário ao consumidor, • • relativamente aos bens e serviços objeto da concessão dela . . • decorrentes.. • - . ••• ' . . . • . . • .. _ . • § I° OS valores do frete, seguro e outros encargos variáveis de . -... ._ re.messa da mercadoria ao concessionário e deste ao yespectivo . adquirente deverão ser discriminadõs, individualmente, nos - • documentos fiscais pertinentes. . -- • •. . '. . • § .2° Cabe ao concedente fixar o preço de venda aos ... . • concessionários, preservando sua uniformidade e condições de -. . . . .• s pagamento para toda a. rede de distribuição.. . • . .. . . . . . . . _ • . . . . / N. . . . . - 16 • .. . • . .-. . . . • . . . . . • • • . • . .. ., . . • . .. . - . . . • . '. ' •- . "• • . •. . . -, ., ' . . • . . . . '.. . -' . . •• . . , • ,. .. , .. . , . ,..,. ' , MINISTÉRIO DA.FAZENDA .. • - .. . • . • • . . .... ziatr7r - .. , TERCELKO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . • • '• • • •' .• . • ....,- .,,-- • . , TERCEIRA CAMARA I • . - . • . '• . .. _. . - • • - • ' .. . • .X'• - • - - RECURSO N° . :. 125.889 . . , .. . - . . --- - ACÓRDÃO N°'. .... . ..-.. -303-31,:14.8,-.--- ''- .--r. — - .„-• „... , . . -. . • . - " - . • . - . . . . . . . . . .., . • 7 N . - Note-se que apesar de lavre o preço de venda do concessionário ao - _ • • . • .: . . • • : . . consiortfdor, cabe . do .concedente fixar o preço de'venda'aoS - . • .. . . . ' .ioncessiondrios, preservando .sua uniformidade - e condições de - . • • ... • pagamento para toda a rede de distribuição. - - • •. . • - .. . . ,. • . ...- •, , . A primeira' vista parece contraditório, mas a interpretação que se . • ,. .. . • • - dá a locução "fixar o preço de venda" é sugerir o preço_máximo de . . •. . ., . venda, afim de dar uniformidade à rede. , . . . . . . . • • . . Tal introdução cognitiva ao . mercado automotivo é necessário ao . . deslinde da questão, uma vez que, como já falado tal segmento é- .• •- 4- caracterizado por sua especificidade e pela particularidade das • , •. ..:01 . - relações jurídicas ,entre o fabricante, o concessionário e o . Consumidor final, tanto no que pertine ao objeto corpóreo como aos- ' •-: -- outros elementos de direitos e obrigações, como a . marca a • ., assistência técnica. e a garantia • ,• : ', • . Quanto aos fatos do caso em tela, temos que o fabricante não e ' dámiciliado no .Pais, sendo a legislação supracitada aplicada( •; -...: . . subsidiariamente no que for pertinente à relação de conãssão. '• -' , - -- , . .... ., . _. . .- . , . • Trata-se de importação realizada pela . empresa Coim4vc, que; -' • - - ,. . • l' • revendeu os-veiculos para as concessionárias da marca HONDA no:, • Brasil, conforme consta do "Contrato de Compra e 'Venda d. Produtos Importados", operação esta realizada com os beneficios, . .. • •• da FUNDAP, sob a égide da Portaria D.BCEX n° 08/91. - . . . . . •. . . . . ,, . • A concessão é advinda de contrato especifico mantido com a Moto ..;i• . _ II . Honda da Amazônia Ltda., que é detentora do direito de-exploração . da marca Honda e das atividades de comercialização dos produtos industrializados pela empresa sediada no Japão ( Honda Motor Co. . • • . . . . • Ltda) ou por suas subsidiárias em outros. . . . • ,,- • • • Com relação , às preliminares levanodas entendo que não têm o • - condão de. proclama.r a nulidade do auto de infração, isto porque, • . '. - em. relação ao art. 477 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pélo • *., • .. Decreto n° 91.030/85, cuja previsão seria impeditiva da revisão aduaneira, ultrapassado o prazo de cinco dias úteis, não pode - . • . . prosperar face à previsão dos artigos art. 455 e 456 do.. . . • Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85,- in . • . verbis: .. . . • . • • . . . . - 4. • . .. . .. ,.. . . • • •. . . .. . ... .. . ••. . . . ..• • ... ... ..•..„,. . . •• . .• . ..•. •.. •• . •.. .•....• • ..•„... . •..•.. . • ••.. •. . ..•.• . ., , . . • • . . • . ,i-: ..- *: - • . • • . .. .. _. . • • .._ , .. . . • . . . .. • • -. . • • . .. . . . . . . . • .. , . . . • -. . . . . • • . • , . - •- -,:::, - MINISTÉRIO DA FAZENDA • . ... . • •- • . • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES " . .. • " . . . . . . _ . • • _ . . .' .... ' RECURSO N° - : 125.889 . • - . . •-• -- ' ` ACORDM) N° • .:- 303-31.148 • • . ,- , . .•" • • .. .._. , . . • • . ._- - •- ._ ‘ v , • ' Art. 455. Revisão aduaneira é o ato peto qual a autoridade fiscal, - " • - . . . após o -desembaraço dci .mercadotia, • reexamina -o despacho .. . . . - aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade .da importaçã'o ou exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, _ 1411' • . . inclusive o cabimento-de beneficio fiscal apli_cado (DL n°37/66, art. . 54) - • ,;,,• .. .Art. 456. A revisão poderá ser realizada enquanto não decair o • .; .•.,.„ • • - ' direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário (Lei n° 5.172/66, art. 149, § único). .. . Por certo não pode haver antinomia de normas entre o que estabelece o art. 477 e o que estabelecem os arts. 455 e 456, uma vez que seria impossível a aplicação simultânèa de ambas. .. .. , Ao interpretar tais normas necessário visualizar em que contexto cada qual se aplica. A meu ver a norma contida no art. 477 está , vinculada à verificação do despacho, exclusivamente, tanto que seu - parágrafo 2° prevê que "a não observância do prazo de que trata a •,_ este artigo implicará a utorização para entrega da mercadoria antes do desembaraço, assegurados os meios de prova necessários, .. . e sem prejuízo de posterior formalização de exigência". . . . , Ora .a interpretação que deve ser dada ao art. 447 é a de que' , , " * , ' quando da conferência e desembaraço aduaneiro, verificada peia fiscalização eventual exigência tributária em relação ao valor -• aduaneiro, classificação ou 'outros, elementos do despacho, a . fiscalização deverá, no prazo máximo de 5 dias úteis, da 1 . _conferência (aquela realizada na presença do importador ou de ' quem o represente), sob pena de ser obrigada a liberação da • mercadoria. - . . O prazo de 5 dias úteis está relacionado ao período 'que a' - • - . fiscalização aduaneira pode reter a mercadoria para fazer a . • • . exigência e não como prazo decadéncial para constituição do. . . crédito tributário. - ,. - Por outro lado, considerando que o imposto . de importação é constituído através de lançamento por homologação, não há que se ... socorrer aos artigos 145 e 149 do Código Tributário Nacional, . • para alegar. que não é possível o ato administrativo do lançamento - . . • por erro de direito, uma vez que tal ato, privativo da autoridadè . • . . . . • . . . - .. ., . . .' •":•:" • . • •. ,. , - - • . . . ..- . . --.. . • . .. . ill 1 1 1 ,: W . . - ' • . ' . . . • , . •- . . . . . . . . . .. •,ix.a.,: - - • • . • • • . . ._ .. , • • . _ • . • . . _ . . . . _ , • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO bONSELHÕ DE CONTRIBUINTES " . •. • . - • • . .TERCEIRA CÂMARA . -. . . . . .. ., -. - . , . . . • .. . - . - - - RECURSO N° . : .125.889 . • . . • . --- - - • - ACÓRDÃO N° ' : • .:,. 303-31.148_ _ _...: ,,•_. • ' . . .• . • • . • . • • . • ., .... . • . - . .• . ••._ . ,. . . ._ " • • _ ,• • . _. . administrativa de fzscalização, • não foi piáticado no momento do • .• despácho aduanéiro. •. • .. . . . • ' .,. . . , . A Revisão Aduaneira é Ato Administrativo com previsão legal . . •expressá e,.portanto, procedimento juridicamente legítimo enquanto. . . não decair o direito . de a Fazenda Nacional constituir o crédito • • . • tributário ex vi do art. 455 e 456 do RA e art. 149, IV. e 173 do CIN. . • • Assim rejeita-se as preliminares relativas à decadência do prazo• - para lançamento do crédito :tributário, consoante a vasta e • consolidada jurisprudência deste Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes. No que tange à preliminar de cerceamento de defesa, esta não pode - , ser levantada, uma vez que a Recorrente Coimex foi, por diversas ..,, •-.: •vezes intimada a se manifestar quanto às importações realizadas, tr sendo-lhe garantido o direito de ampla defesa e do contraditório:n - , t • WN‘ • ç ,, • -:".• . , k Analisemos; • então, a vincula entre a Concedente e:,c2._ . .. Importadora dos veículos, ou seja, entre a Moto Honda e a'Coimex, •Z, '.4 recorrentes, como fulcro de responsabilidade tributária solidárick, . • 2i : . -• -,•,,, • . • •1•., . *• O *fundamento de que o vínculo entre as partes, capaz de. constitiiir • :1 • . ,; ,,. a responsabilidade solidária prevista no art. 124 do Códzgo, ,. . Tributário Nacional é, a meu ver, uma suposição não comprovada ,• nos autos. Ao fundamentar a solidariedade a fiscalização busca' alicerce no art. 80 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Derreto n° . 91.030/85, no art. 128 do Código Tributário Nacional, conduzindo seu raciocínio para concluir que como a Recorrente Moto Honda, . por ser credora da comissão convencionada com a concessionária, seria na forma do art. 124, 1, pessoa que teria interesse' comum na. • • situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. • • . - • .Ocorre que a responsabilidade solidária não se presume, _como se • .• apreende da interpretação da norma contida no art. 128 do Código • Tributário Nacional, in verbis: • .. . Art. 128. (Responsabilidade Tributária — transferência a terceiro) . Sem prejuízo do disposto neste capítulo. , a lei pode atribuir de modo • . expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira \ • - • . pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação,N, . - . 19 • , • • • • 1. . . • . • . • . .. . . • . . - - - . .. • -• . .... . , . .• • •. . . .. , '11 11," l n "• -, .. . . • ..• ki,:-r:f.;;S:' • •, - - - • , . . . • • ..' " . *, • • _ - . . ,.... •• - . , ..,. • MINISTÉRIO DA FAZENDA __: • . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • .. ' • • • • - . . TERCEIRA CÂMARA . • - . . , • - ' " • • • , •• . • • .__ RECURSO N° • - : 125.889 . .. • • . . . ''• ACORDAO N° • : 303-31.148 • ., .- . . • . • • . . - ._ • ... • • - • .._ • • . - • . •_ .. . -- excluindo a respon.sabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este • . em caráter . supletivo, cumprimento- total ou paréial da referida • • - . , - •, • • • obrigação. (grifos acrescidos) • • • , . - . . •• • . Quanto à responsabilidade tributária • especifica e diretamente o . • ' . . Código Tributário Nacional enumera as pessoas que tem a . responsabilidade solidária nos artigos 134 e seguintes, nos quais _a_. • está prevista.transação em questão não es •. . Com efeito o Decreto-lei n°37/66, em seus artigos 31 e 32 define os • • contribuintes do imposto e os que solidariamente respondem por seu pagamento, sem, contudo, prever que o concedente do direito de,, . 15 • comercialização e distribuição de produtos esteja enquadrado como responsável tributário da operação de importação. • ; Conclui-se, assim, que a responsabilidade solidária não se -, presume, há que ser prevista em lei, e que, por força da legislação ..,.. ,0 4 • vigente, não é possível vincular a pessoa do . concedente (recorrente , Moto Honda) com a operação de importação, porquanto não ten ,..t ha • • • - participado dela. Há ausência de .tipicidade para caracterizála • como responsável solidária das obrigações tributárias relativa, à,.. ' • ,.•,, importação dos veículos da marca HONDA, realizadas pela-.,-,, recorrente Coimex, por força de Contrato de Compra . e Venda: gde • 'k Produtos Importados estabelecidos .entre a importadora e ;,?as .., . ...concessionárias . da marca HONDA. . 1. Salvo o caso que simulação, _fraude ou conluio, que seriam capazes ' 1 de desconsiderar os fatos da forma que são declarados, para a 1 constituição de uma outra realidade hão se poderia descaracterizar a operação da forma que se apresentou, para atribuir responsabilidade tributária à Moto Honda. . • • • Note-se que se analisarmos 'a operação de Concessão do direito comercializar e distribuir veículos automotores sob a égide da Lei •- .n° 6.729/79, o contrato realizado entre a recorrente Moto Honda e . suas concessionárias é plenamente válido e não configura qualquer .- • - vínculo entre a recorrente e a operação de impórtação impugnada. Aliás, pelo que dos autos consta, a fiscalização não logroui êxito em . . - .- comprovar que este vínculo, limitando-se a mera presunção de que . o vínculo existisse, utilizando-se que argumentos que a própria • . • - . legislação especifica cónsidera-os cotizo pertencentes ao mercado . , - . automotivo, .uma vez que o cá ntrole que a concedente tem sobre as. • .. . 20 .. • . . . --. 4.n . • . • • . --. . . .-- .. • • ' • S'' " "" • . . _ . - - - • ,, - . . . . • • * . . . .1.1114 ' • . ' ' • •1, 1 11 iiiiiii , . .. • • • . . . . • . • •• . . .. _ . • • • • • , . . ' . • r. • MINISTÉRIO DA FAZENDA . • • . - " TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA. • • - . . . . _ • • . _. . RECURSO N° : . 125.889 . . .• •, _.,....., ACÓRDÃO N° :. _ _393-31.148 • . . . . ,, .- 3 -._ • • - operações da Uoncessionáfia pertinem à preservação da imagem da -- . .• • - . - • .marca e das garántias que a legislação de proteçã o • ao consumidor • , . . . , • • exigem. • . . . .. . . . • - • • . . . . O que se verifica, então, é, de um lado, um contrato de concessão . tendente ao controle da exploração das atividades comercias que a. . • Aloto Honda realiza' em relação às suas concessionárias' com •o fim . . . de proteger a marca que representa e garantir concomitantemente o • ! . consumidor, e, de outro lado, um contrato e* ntre as concessioná. rias - da marca HONDA, com a importadora, (Coimex), que visa ao . . • aproveitamento dos beneficios ficais garantidos pelo projeto Fundap. • .- ,.• , Independentemente do nome que é dado à comissão incorporada, • k.r. r ok,i • como ajuste da valoração aduaneira, há que se verificar a essência ., , e conteúdo dessa comissão, a fim de que seja ela o quantum ,... , pretendido da minoração do preço de importação, ou seja, a 4 ..1,.- • !; redução do preço ocorrida por força da influência que a vinculação ¥_. •,,-,,• entre o importador e o exportador. A fiscalização não demonstrou t,,- .+ % • • (:`, ' . . tal vincula ção (ou . qualquer butra), nem que. a comissão, X I. . . . corresponde a=qualquer parcela do valor de transação que tenha •.;..' . -.. , sido indevidamente deduzida e transferida ao exportador. * '` : Y. . ••; V Outra questão que salta aos olhos, é ,o fato de a fiscalização; ter .* • .... .,• elaborado uma composição do valor das comissões devidas' pe'los . ,' . . .. ,.., ,. . e‘• - • concessionários' à recorrente Moto Honda, estabelecendo 1.7nia média de 12%, sem contudo constituir um demonstrativo cabal e convincente de que essa comissão foi cobrada em todos os casos. . • O Aliás, não- colacionou aos autos as guias de importação para que fosse possíveL comprovar a relação entre os valores das • importações e os valores das comissões, estabelecendo as relações necessárias à efetiva comprovação de que a comissão seria parte . sonegada do preço da mercadoria. . . . .. .. Não se está querendo dizer que não há vínculo entre a recorrente • Moto Honda e as concessionárias e que indiretamente há um • . vinculo entre a Moto Honda e a recorrente Coimex, mas este • vinculo, pelo -que se çlepura dos auto, não seria capaz de - ._. . • influenciar o preço da transação, cujo valor será mais detalhadamente analisado mais adiante. ..- • Assim, faz-se necessário a interpretação do art. 15, P. arágrafo 4°„ • alínea "e" e parágrafo 5°, do Acordo de Valoração .Aduaneira . • •.• • (implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas • " . . .1 ,• .• . 21 , . . . . . . _.,,T ,_ •. . ._.:_,_ , . • ,.. _ . . • • . . , 2 . • • : . . • . . . . .. . . . , . • . . . • ., .. • .. • . • .- • mINISTÉRIO DA FAZENDA • . . *. - . . . , • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIWINTES . .. • .. • , , ' -'-• TERCEIRA CÂMARA, i . • -. . , , . . • . . ,. , • • • .. . RECURSO N° * : : 125.889 • • . ACÓRDÃO N° : 303-31.148 ' • . • . -• - - • -, . - . , • • • . • • . • • • • - . . . . • • . • •• .. . .• . - . • — . .- . . Aduaneiras e Comércio), aprovado pelo Decreto n° 92.930, de . . --16.07.86, que consagra o seguinte: • .: . .• ._. • . • . - . . .. . • , _ • Art. 15. Neste acordo: . .. .. . .. . ... _ . . • 4. Para • os fins deste Acordo, tzs . pess.°. as serão • consideradas vinculadas somente se: . • • .• . _ • ... . - • (e) uma delas, direta ou indiretamente, controlar a outra forem legalmente reconhecidas como associadas em negócios; ' •. .. .•. _ • -, ..., 5. As pessoas que foram associadas em negócios, pelo fato de uma . • ,,, ser o agente, o distribuidor ou o concessionário exclusivo da outra,,. ,,,. r •• -,1, qualquer que - seja a denominação utilizada, •serão consideradas . vinculadas para os fins deste Acordo, desde que se enquadrem em alguns dos critérios do parágrafo 4' deste Artigo. ". k .. , ‘.i • . .0 O vinculo indireto entre a exportadora fabricante dos veículos e-os, concessionários é evidente, como demonstrado pelós contratos- . . . ; . .., entre a Moto H.onda da Amazônia Ltda e suas concé ssionáriézs, . .. . ., , • bem como, pela própria capacidade (faculdade) de a Moto Hond'f a,., ; -•. ,' 4 - poder intervir no caso de inadimplimento de suas concesszonarias,,v • junto à recorrente Coimex, o que denota os mecanismos re .--. • estabeleceu para proteção da marca HONDA.. Se:* ..,, ,.., - --. Não há, portanto, o que se discutir a respeito da vincula ção, pois esta existe e é inegável. Porém não se trata da vincula ção a que . alude o Acordo de Valoração Aduaneira, que trata exclusivamente: da vincula ção entre Importador e Exportador. Contudo, a vincula ção não é capaz de caracterizar a responsabilidade solidária pela obrigação tributária, como. • entendeu a r. decisão às fls. 295/296, que ao tratar da vinculação-- • • alçou fundamento no art. 80, inciso I, á linea "a" do Rigulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n'.91.030/85, para concluir que a recórrente Coimex era mera intermediária da operação de • 1 _ importação. Vejamos o art. 80, • in verbis: _ .. Art. 80. É contribuinte do imposto: •• 1- de Importação (DL n° 37/66, .art. 31): .. .- • • • a) o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova • a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; / • , - • ---1" . • . . . . • • . __. _.. .. _ . . . .. . " _. _-- . ' ••RIMI _ .... . . • • • . • • . • . . - • • • . • :,11 iii , gllio: - . ' -* . , . . .. . . -'' • . - • .. . ., . _ • • , • rt . ,• , . • , • •.. .. .• • ,• .• , •• • • . . • • • • , tr • • . . . . . • . . . • . . • . • . . . . . . 01 . . ¡varásTÉRio IA FAZENDA ' • • . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .. . . • • •-.. , ' • 'TERCEIRA CÂMARA : • • . • . _ , . . • . . . - . . . . • , RECURSO N° : 125.889 . • . . -. - .• ` . ACÓRDÃO N° . : • 303=31.148 - — L. , • . - _ . . ., . . . ._ . ..• . . . b) o adquirente, em. . licitação,:de mercadoria es• trangeira; • . •- . • .- • . . • .• . II • - de Èxportação, o exportador, 'assim considerada . qualquer_ pessoa que promova a sáída de Mercadoria do território aduaneiro • cr - (DL n°1.578/77, art. 50).. . . . . .. . • - Parágrafo único. É Contribuinte do imposto de importação também t • - - o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente, conforme estabelecerem os atos • . - internacionais pertinentes. . , Ora, o que se percebe é que apesar de a recorrente Moto Honda ter vinculaçêío com a exportadora e a destinatária final da mercadoria, 4 t ela não pode ser considerada como contribuinte do imposto, por •t..r . . . não se enquadrar ao tipo definido pelo regulamento aduaneiro, ou . seja, o importador, assim considerada qualquer pessoa que.,- e '.. . 4. promova a entrada . de mercadoria estrangeira no território aduaneiro.. • • . *',..i"' :, ,., . .. . No que tange ao Valor da Operação, a Recorrente Moto Honcla;- , • - ,,..., colacionou aos autos provas cabais de que o preço das exportações,,, ' • ,._. . •• : dos veículos realizadas pela American Honda Motor Co., Inc. 'é :1 -- plenamente compatível se comparada às exportações realizadaS^ '.. . . , com mercado semelhante ao brasileiro, tendo sido justificadas as .• . , eventuais diferenças. - , 4. Nas Notas Interpretativas do Acordo de Valoração Aduaneira, aó- • _ ser abordado o art. 1°, § 2°, a NOTA 3 esclarece: . • # 3. Se a administração ãduaneira não puder aceitar o valor de transação sem investigações complementares, deverá dar ao • importador uma oportunidade de fornecer informações mais - . detalhadas, necessárias para capacitá-la a examinar as circunstâncias da venda. Nesse contexto, a administração • . - _ aduaneira deverá estar preparada para examinar os aspectos • • . relevantes da transação, inclusive a maneira pela qual o • . comprador e o vendedor, organizam suas relações comerciais e a . _. maneira pela qual o preço em • questão foi definido, com 'a finalidade de determinar se a vinculação influenciou o preço. Quando ficar demonstrado que o comprador e o vendedor, embora vinculados conforme as disposições do Artigo 15, compram e • vendem um do outro como se não fossem vinculados, isto . . . comprovará que o preço não influenciado pela vincula ção. Como • í ' • • - . . . . • . . 1 ---i • . . .1. . 23 . _..4 . . . • • • . . .. . _ • . . . —.....r. . . •. . . •_. • . . • • • . .. . .. . • , . • . . .. . •-41.19d ',,Ar • . — . . • .. .. . . , . . .flt - . -- - . miNISTERIO DA FAZENDA • . . .. • - . •TERCEIRO CONSELHO DÉCONTRIBUINTES . .. - • TERCEIRA CÂMARA . * • . . • • . .. . .. , . . - • • • RECURSO N° . : • 125.889 . . , - ------, •• , ACÓRDÃO N° . : 303-31.148. •• -- -._ . _ _ • ..... ..... . . • . • . .._ . • -.-_-., . - . • . • --.. • . • • exemplo, se o preço .tivesse sido determinado de maneira -y. • • compatível cbm as práticas normais de fixação de preços do setor' •. . • industrial em questão ou com a maneira pela qual o vendedor fixa -,.. . .. - seus preços para os compradores não vinculados a ele, isto,Ã demonstrará que o preço não foi influenciado pela vinculação. - .. . . • . I . • • .. _ (grifos acrescidos ao original) . . . Nesse contexto verifica-se a pertinência de lançar mão da legislação especifica do setor automotivo, no que diz respeito à concessão de distribuição e venda a consumidor final, Lei n°. .. ' ; 6.729/79. .. . -ai S• No que diz respeito às práticas de fixação de preços com outros compradores não' vinculados, as provas colacionadas aos autos • seriam suficientes para descaracterizar qualquer influência da ., • •; , vincula ção entre as efetivas importadoras e a exportadoras na fixação do preço da transação. Contudo, a questão não se cinge na -. •,‘ , eventual influência na fixação do preço da transação, mas sim no . : • imperativo ajuste do valor aduaneiro- de mei-cadoria, por força d' a••,. .. . -interpretação conjunta dos artigos I e 8 do Acordo .de Valoraça O•-.• --: Aduaneira (implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre • , ; •.' . Tarifas Aduaneiras e Comércio), aprovado pelo Decreto n°92.930, . . • de 16.07.86, in verbis: . - • k:-. .. 1) "O valor aduaneiro de * mekadorias importadas será ' á valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para ._. o país de importação, ajustado de acordo com as disposições O - do Artigo 8, desde que: ., , a) não haja restrições à cessão ou à utilização das mercadorias •-• pelo comprador, ressalvadas as que: . . • . - • I. sejam impostas ou exigidas por lei ou pela administração pública • do pais de. importação; .. . - . . II. limitem a área geográfica na quál as mercadorias podem ser -... revendidas; ou . ' • . : III. não afetem substancialmente o valor das mercadorias;— .• - • b) . a venda ou o preço não estejam. sujeitos a alguma condição ou1 -,. . ' .contra-prestação para 'a. qual não se possa determinar um valovalor,'. • •em relação às mercadorias objeto de valoração; ns , • ..._ , . . .. • • J _ • - • . • 24 . . -.--: • •. . , • . • • . . • _ •• . • . • ...3. • . . . _... _•n . . - ,_ • • .. . .. 3.--1 • . . ..• ;ma.. , • - . .. . • . :. • , . , . . . • . . . " • ' . MINISTÉRIO DA FAZENDA t: - lp • • TEICEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • . . • . - - . TERCEIRA CÂMARA . . . . . . • - • RECURSO N° : 125.889 . • .., . - ` - ACÓRDÃO N° • . : 303-31.148 • • . -. . . . . _ .. _ . , . .. . . • • • • . • -._ . ... .•. -.._ . .- - • • . •. . . _ -. . - • c) . nenhuma parcela do resultadá de qualquer revenda, çessão ou • . . . . • utilização • subseqüente das mercadoriás pelo comprador .. . . • - • . beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos guie um . . ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as . disposições do _artigo 8; e . . • .. . .• • . . ,. . _ d) não haja vincula ção entre o comprador e o vendedor . ou se ..: houver, que o' valor de transação seja aceitável para fins • aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste. , . • • Artigo: . • . ., 2) Ao se determinar se o valor de transação é aceitável para os • fins do parágrafo 1, o fato de haver vincula ção entre oN, - comprador e o vendedor, nos termos do Artigo 15, não • constituirá, por si só, motivo suficiente para se considerar o ,....,-.- valor de transação inaceitável. Neste caso, as circunstâncias ., . da venda serão examinadas e o valor de transação será aceito,., , .• ,- desde que a vincula ção não tenha influenciado o preço. Se 'a -.-, ,•-..,•„ ‘.•,, . ,,,,y • .. • administração aduaneira, com • base em informações .. .: , prestadas pelo importador,'--Ou por outros meios, tiver motivos --, .: . , para considerar que a vincula ção influenciou o preço, devera, comunicar tais motivos ao. importador, a quem dará -i- • oportunidade razoável para contestar. Havendo solicitação' do .: • ' . • . , importador, os motivos, lhe serão comunicados por escrito.:.".; .., Cabe, neste ponto fazer breve referência à preliminar argüida Rela -;Recorrente Coimex, que apoia-se nesse parágrafo 2 do Artigo 1,. . para pleitear o vício quanto ao Devido Processo Legal, ou seja, ; 4 _ reclama que não foi comunicadcrpor escrito quanto aos motivos que ' levaram a fiscalização a considerar que o preço havia sido influenciado pela vincula ção. Contudo inaplicável ao caso, vez que • os ajustes relacionados no Artigo 8, independem da vinculaçã o • • entre o importador e o • expó rtador, mas sim, dizem respeito aos . pagamentos indiretos ou benefícios indiretos que apesar de não• . 1 • terem sido incluídos ao valor aduaneiro a ele reservam ligação.. . . . .__ • Em continuação, veremos as normas que cántempla o Artigo 8: "Artigo 8 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições . - do Artigo I, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente • •.. pago ou a pagar pelas mercadorias importadas (Note-se que, • • •I . . . . .25• • .•... . , . •• . . . .. . • • . . . •. • • - . .. . • . •. . •• -- . _ • - • • .. • •,. . . . , • • . . .•. . . • . •• . • . - ,I I, .4•,1 ,-•• '• • •• • •• • , - .• ' " . • • • . . • • . . • • • • . • . • • . miNISTER/0 DA FAZENDA • .. _ . • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES' . . • - , - -TERCEIRA CÂMARA• - _ , .. . - ' . • . • • - - • • 7 . - . RECURSO N° : 125.889. . .ACORDÃO N° . : 303-31.148 - ' • . . .• . . • .. , • - . . - . . • • • - •. . • . . • • . • independentemente • de vinculação entre o comprador - e o *-- • • '' • , . • • vendedor, - . ou inaceitabilidade . do valor aduaneiro • apresentado): • * • . .. . .. . . . • • ,, . 1 a) Os seguintes elementos, na . medida em que sejam suportados • . . pelo •• comprador mas não estejam incluídos no preço . • , . efetivamente pago ou apagar pelas mercadorias: ' • . . L - comissões -e corretagens, excetuadas as . comissões de. compra; - (Nota: que são referidas nas Decisões COSIT n° 14/97 e n° , • • 15/97, como adiante); . H. o custo de embalagens e recipientes considerados, para fins ., aduaneiros, como formando um • todo com as mercadorias em • . questão; . , •. . . , 111. o custo de embalar, compreendendo os gastos com mão-de- : obra e com materias; t .%,.• . •,,`., .. , '•,fb) o .valor, devidamente atribuído, dos seguintes bens e serviços,. • ,: . . . - tdddesde que fornecidos direta ou indiretamente pelo comprador, , . -. gratuitamente ou a preços reduzidos, para serem utilizados na • • e: - ,,,, .,. ,,. produção e na venda para exportação das mercadorias •:,- - , importadas, é na medida em que tal valor não tiver sido ri; • =, ,• .,• incluído no preço efetivamente pago ou a pagar:..."., ' ‘ • • • • .. ,,, • . • O que se depura da interpretação sistemática de tais artigos, em s, - .2.•:... relação às comissões e outros valores sujeitos ao ajuste, é que hã. .. .. uma nítida separação dos valores que possam influenciar no preço •00 da mercadoria no momento da importação e os valores que.. influenciam o preço da mercadoria em eventual comercialização futura, ou seja, após a importação. . - . Assim, todo yalor que cause impacto no custo da importação deve• . : ser considerado como ajuste do valor aduaneiro da mercadoria. i Doutro lado, os valores relativos às relações jurídicas, posteriores• i • à importação e que com ela não guardam vínculo, não podem. .• .1 • • ' • . • impactar o valor aduaneiro. A Nota Interpretativa ao Artigo 1, em' seu parágrafo 3, destaca que: . 2) O valor aduaneiro não incidirá os seguintes enbargos ou custos, desde que estés sejam destacados do preço efetivamente pago ou • , • • apagar pelas mercadorias importadas: . -•. . 26. . . . • • . • •. . • • .. • • . •,_ _ . . _ • • • • • . . . . • _ • • • - . . . • . . ali • • . . . . - . . ' . . •. . . . • . . , . . • , , , is•-• MINISTÉRIO DA FAZENDA • r ' • • , , .. . . . , ,. . -- . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . . • • •TERCEIRA CÂMARA. . ., . . ". . .. ._ . • . . . RECURSO N° * : 125.889 ' ACÓRDÃO N°. : 303-31.148 .. . • _. ,. . , . , . • . . . . -- _ . .. .. •- • - • _ .. . . . . . . . • • .. • . • . a encargos relativos " à construção, instalação, montagem, . • manutençãó ou assistência técnica, executados após a . ,r,t- . • . . importação, reldcionados com as mercadorias importadas., tais . . • como instalações, máquinas ou equipamentos industriais; . - • . .. . . .. . ' • - b. o cu:sto de transporte após a importação; ..... , . ' . -• c. direitos aduaneiros e impostos. . incidentes no • país • de • importação. _ • ; . O que se verifica é que a Recorrente Moto Honda, exerce as. atividades de assistência técnica às concessionárias, bem comi • • gerencia a marca HOIVDA, sob sua responsabilidade no País. Todas operações ou serviços prestados após a importação que -, pouco ou nada se reportam à importação, senão pelo fato de tais serviços somente serem prestados porque as .mercadorias foram importadas. • .. , . • • .Tal situação veio ser reconhecida como a correta interpretação do ',-,. -;' - . Acordo de V.aloração Aduaneira, sendo que recentemente • a 1. - - • -, Coordenação do Sistema de Tributação - COSIT,. exarou duas 4, . - • decisões (Decisões n's 14 e 15/97) que interpretam a incidência de -t.'. ... ,, . .. .. . Imposto de Importação e Imposto sobre „Produtos Industrializados ,, nas operações de importação de veículos, nas quais a -;-. • . N . e. • , Concessionária paga às Detentoras do Uso da Marca no País valor 2: - relativo à prestação de serviços de pesquisa mercadológica, IZ .-.. ..,treinamento de pessoal, divulgação, sustentação e representação frik, da marca no País. , . , .. . As decisões têm como fundamento o art. 8, parágrafo 1, alínea "a" do Acordo de Valoração Aduaneira (implementação do Artigo VII . do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio - GAIT • ' . 1994), aprovado pelo Decreto n°92.930, de 16/07/86. • . Oportuno transcrever as decisões da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, publicadas no Diário Oficial da União, em. , - . 22.12.97, por serem de suma relevância no deslinde da questão:._ 'Decisão n° 14, de 15 de dezembro de 1997 ._ . ASSUNTO: Imposto de Importação - II €n • EMENTA: VALORAÇÃO ADUANEIRA - Os valores pagos por • • lConcessionárias às Detentoras do Uso da Marca no País, pelos . . •. . • . .. .• -. . . 27 . • . • • . •_. . . . • . • • . _ ___ __. •. '_ . , • . . • . . • - _ _ '. •_ _ _ . - . - - _ • . ,,_.s . , • • - .___._ . .- . - — . r,'"»,'',:, . • • . , .. • . . • ...•. • . • . _ . .. .... - . . ---....4 . "Á, ' a • • . , : '','. irg ': • 4„/". ti' ,7, • • • • • • , . • • • • ' .•• r.,g.1%•T . • • . • • MINIS 1 riu() DA FAZENDA • , . • TERCEÉR.0 CONSELHO DE CONTRIBUINTES . • . • .. .. . . . TERCEIRA CÂMARA . _ .. . . . . .. et - .• RECURSO N° : 125.889 . . - . . --- ' ACÓRDÃO N° : 303-51.148 . • . . .. • , • • • • . . • . . . . . - . .._ - • • • •-• . . _.,... . • . serviços, efetivamente * contratados e prestados no Brasil, não - • •. _ . constituirão acréscimos ao valor ciduaneiro da mercadoria, para . ... . . . cálculo do Imposto de Importação. . . . • i .. As comissões pagas pela Importadora às Detentoras do Uso da .- . . ... • . ,Marca no País, pelo agenciamento de compras de veículos, no •• . .....;•1 . . . exterior, não serão acrescidas ao valor da transação, para fins de cálculo de Imposto de Importação, se comprovado que esses valores . , foram pagos diretamente pelo importador ao agente de compra" ' • • . DISPOSIÇÕES LEGAIS: Artigo 89 do 'Regulamento Aduaneiro, . aprovado pelo Decreto n° 91.030/85; Artigo 8°, I, "a", e 15 do : Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral • . , . sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio — GA77' 1994 (Acordo de . . çValoraão Aduaneira)" ._ , • "Decisão n°15, de 15 de dezembro de 1997 , • ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI - , . ....,- EMENTA: BASE DE CÁLCULO DO IPI NA IMPORTAÇÃO --;:,• .f. . • Os valores pagos por Concessionárias às Detentoras do Uso da. . . . Marca no País, em retribuição aos serviços de pesquisa -1, *--,. ` mercadológica, treinamento de pessoal, divulgação, sustentação e' , . - •,. - . representação da marca no País, não integram a base de cálculo do IPI incidente nas . importações de mercadorias, ainda que as . . , . Dententoras do . Uso da Marca no País tenham atuado como ' 'k• • -, ,, •) • . Agentes de Compra das Importadoras. Os valores pagos Pelas Importadoras às Detentoras do Uso da , Marca no País, integrarão a base de cálculo do IPI incidente na . importação, sempre que esses valores forem acrescidos ao valor de - . • I, transação da mercadoria, para fins de cálculo do Imposto de . Importação." DISPOSIÇÕES LEGAIS: Artigo 63, • inciso I, alínea "a", do .. RIPI/82; Artigo 89 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo ;. • Decreto n° 91:030185; Artigo 8°, 1, "a", e 15 do Acordo sobre a • . .. Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas • Aduaneiras e Comércio — GATT 1994 (Acordo de Valoração • Aduaneira)" _ •. _ • • n • Assim sendo, é de se reconhecer que: • : • .. I. apesar de existir vincula ção indireta entre o exportador e o ' concessionário contratante do Importador, (Coimex) na forma\ ... • do árt. 15, parágrafo 4, alínea "e", o preço da transação 'não :4 - •• . . foi influenciado pela vinculação; . . •. . . - . • 28 • • . • , . . . -------- . . .. • • • •. .. . . _ . • • . _ • • • • - 13. • • . , . . . , • . . ... . . , .. . . • . . . • .,• ; • . • , . . • • • • • • • .. • r l; 1 'O . . , . ' ' . • -.. • . . • . , • NfiNISTERIO DA FAZENDA . .. . . . • • • ' -'•.: : - - TERC5R0 CONSELHO DE CONTRIBUINTES . .. .. TERCEIRA CÂMARA • • • . • • . . . , 4.4. _ - ••• -. - • °RECURSO N - : 125.889 . . ., . .. . - ACÓRDÃO N° . ,. : : • 303;3 1.148 _. • • . _ . . ... . ,, •,: ' :',.: . ;__ • • • •. . • - •._ . . . ' . • • . - • ••_, ,, H. apesar de existir vincula ção indireta entre a Recorrente Moto . ' • . Hondcl, o exportador. e o concessionário contratante do• • . • • Iniportador, não é possível estender á conceito ele vihculação - para daí deduzir responsabilidade solidária de obrigação . • tributária, • por absoluta ausência de hipótese legal; . . . • . •,, . — • III as comissões pagas pelo concessionário à Recorrente Moto • Honda, não pertinem à importaçã á, mas sim à prestação de serviços posteriores, não devendo serem consideradas como ' ajuste na _forma do Artigo 8, parágrafo 1, alínea "a" do ., Acordo de Valoração Aduaneira; ,er'.1•- , M Diante de tais argumentos e dos relevantes fundamentos jurídicos expostos, julgo' procedente os Recursos Voluntários para III 1` desconstituir a responsabilidade solidária das obrigações tributárias formalizadas no auto de infração, e no mérito, paça -4',, .. descaracterizar as comissões pagas pelas concessionárias ;'à .. ,,,, ,`:•- ,concedente, uma vez que não-. podem ser consideradas como 7 : ,i: • * ". i r• "ajustes", pois não .são pertinentes- à importação dos veículos, e, ãssim, julgar insubsistente o auto de infração, excluindo osE. lançamentos tributários e respectivos consectários legais, nele veiculados." . ., - . FIE.,_' . . . - . • Demonstrado o entendimento ora manifestado, passo à análise do J,..; •. , ,: recurso em julgamento. • ,:‘) .....• 'Â rsC, fr,:-...n. . • Registro inicialmente irregularidade formal no processamento do ' r , feito, vício que ensejaria a exclusão do contribuinte a quem foi imputado inicialmente o instituto da solidariedade tributária. cat -,,, .. Isap?Z O artigo 142, do Código Tributário Nacional, preceitua que o E. crédito tributário é constituído pelo lançamento, procedimento administrativo que L. .. identifica o fato gerador, a matéria tributável e o sujeito passivó. lidiffir . No processo ern exame, o sujeito passivo identificado e qualificado • • E.•;,,......_ em seu preâmbulo, é a Cia. Importadora e Exportadora Coimex. - . - —. NU -- Ç Extrai-se da confusa, conflitante e insegura menção à empresa MMC-Automotores do Brasil, rio relato sobre as diligências do alongado período de apuração, as se nes arma es. verbis; responsabilidade,o a kes onsaemb bemem -seguintes fi 5 rbi " — uç Cl 13 i, presente na operação comercial, depende de interpretação da lei tributária , pois a . ETC mesma diz: "outras pessoas expressamente indicadas na legislação vigente (fls. 03) -; . • . (é. - muito embora pudéssemos . invocar a MMC - Automotores do Brasil como. 1— 1._,-r,", . .. 29 • . . . . . : • • - • . . . • -- . • _ _ _ , * !Ir-- • . . llè, • *•. 4 - . . • . * . _ o t: • • • . ' , . . . . • • • • . •• . . • • . • • . . , . . • . • ., . . .- . .. . . n • - 4 . . ' • '' . •• .• MINISTÉRIO DA FAZENDA . . . . • . . - - • . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • • . .• • ' . CÂMARAÂMARA • • . ., . . . • .- • . • . .. . • _ . , , . • - RECURSO N° : 125.889 • • . . .,ACÓRD.ÃOJNI° • : ..303-31.148 . • .. 4 e v....• ..... _ „„,,, . .... .. • „, ,, .. .. 4 • . • . . . • • • • • . ' . .r -‘ - ..*.._ . - -. . -- . . • . . . . . . . - . . . .. , ' , • • , . . . - contribuinte do imposto; ou imputar mia responsabilidade em virtude dos documentos . . Comerciais 'que acompanham a operação, - seguimos- sem que se excluam essas . . . poásibilidades no decorrer do litígio o caminho de que a declaração de lançamento de • . impostos foi feita pela Cia. Importadora e Exportadora Coimex, . e estamos .. • procedendo a revisão daquele lançamento, imputando porém a solidariedade do -. . . mesmo, sendo . que providenciaremos para que seja esta última . intimada a tomar • ciência do presente para os efeitos legais." (sic.— fls.- .03/04). "- como introduziu os veículos no, território nacional, a MMC Automotores do Brasil é contribuinte do IPI, • devendo por este fato ter adotado uma série de obrigações fiscais"; como no presente • Auto de Infração, está sendo lançado o IPI correspondente com os acréscimOs legais, . não fizemos lançamento no momento para a MMC, mas registre-se o direito da Fazenda Nacional de fazê-lo durante o litígio." (sic — os grifos não são do oriiinal — • . ..N.,,,,- • )fls . 04 . • ,. ....•. ..... • • 4.• a. Verifica-se que a peça que dá vitalidade à exigência do crédito tributário, em nenhum momento individualizou, titulou e qualificou a empresa MMC - Automotores no pólo passivo da imputação fiscal, e disso deu expressa , demonstração no prolixo, titubeante e inseguro texto da descrição dos fatos, .confon4e se yê doá excertos acima arrolados, onde evidenciou de modo expresso, dúvidas solife . a materialização da responsabilidade, que entende depender de interpretação 'da lei ,. tetributária, comodamente reservando o direito da Fazenda em defini-lo posteriormente, t• e sugerindo, quanta a solidariedade, mera cien̂ cia para os efeitos legais. • . . . .', .... • •.., • • • -W • Tais dúvidas e insegurança, após cerca de 32 meses de apuraçdo, • 4(que propõe suprir ao longo do litígio, no momento exato e apropriado de formulara • imputação identificar e qualificar o pólo passivo com clareza e objetivar com liquidez . a exigência, macula de vício capaz de questionar a legitimidade processual, porque• viola expresso dispositivo contido no art. 10, do Decreto 70.235/72, onde se O..)A -determina que o auto de infração conterá obrigatoriamente a qualificação do autuado. . A anomalia tem ainda reflexos maiores nos registros cadastrais do ' . . crédito fiscal e sua adimplência, eis que, em qualquer pesquisa que se faça, jamais aparecerá o nome da empresa MMC - Automotores, ' porque, em verdade, não sofreu • autuação regular, eis que a imputação está, titulada na empresa Coimex, como se . percebe até dà formalização dos registros da capa deste processo. • '_ . .. • '_ . A titulação de ambas as empresas, se tanto se guisesse, poderia ser realizada no mesmo auto com a individualização e qualificação de ambas, ou em autos processados em apenso, com a tarja de solidariedade. E isso porque, diferente da ... situação de contribuinte e responsável, • em que este supre a omissão ou substitui • aquele, na solidariedade a obrigação é conjunta de todos os solidários, eis que não - comporta beneficio de ordem, como determina o artigo 124, parágrafo único do ‘, • . . . . • . . 30 . . • .. . . . • • • . ... . . .. . . • • . , • .. •. _"_ -. . • ..41 . • • . . _ . - . • • - . . • . , J 4., ,, • ... . W.,: "• ': ' --:,• . • • • • . '• ••. •• * • .. • • • . . . • . „ • . • . ,... • • , ., • • , , . MINISTÉRIO DA FAZENDA • • - .-- TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . • . • • • . ..,• - . • ,*--- . .TERCEIRA CÂMARA .. . . • " '. . . , RECURSO N° : 125...889 - • .. . . , • ACÓRDÃO N° ••• 303-31.148 . • • . • • • • . . . . ._ . . ' Código Tributário Nacional, vale dizer, qualquer deles, pode ser chamado a solver o * • • débito total, sem respeito a qualquer preferência. • . ... Ademais, se considerada comofoi , como solidária, impunha-se não • excluir a MMC - Automotores do Brasil, da possibilidade processual do pedido de . . reconsideração, prerrogátiva apenas concedida a Coimex. . . • .. . . ' Inobstante, ambas as empresas foram notificadas da autuação, ofertaram impugnações, repelidas pela decisão de fls. 891/936, que manteve os • f lançamentos. • • Feitas essas considerações preliminares, anoto que do r. decisório, . ; somente foi intimada a empresa titular da imputação, Cia. Importadora e Exportadora. - Coimex, cuja peça recursal preenche os requisitos de admissibilidade, e passo a examinar. •. • g. r • 1 — PRELIMINARES ., "I' , ,`,,, ",:•• ., • . • . • 0'). ..•- . .- . -.,.. • • A recorrente argúi nulidade do auto, por violação do processo legal, •face ao indeferimento da períci. , A preliminar arguida carece de embasamento legal e fática e foi berá . - -,--, - repelida pela decisão recorrida, já que nulidade do processo administrativo sc(.)-é ,..- ..•. ,• , . • admitida nas duas hipóteses elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235/72, ou seja, no . :.•• -,.. . . , caio de ato praticado por pessoa incompetente, ou com preterição do direito }té '.• 7,,;;...,' defesa. 4). — ,... •, . • Examinando o alegado cerceamento de defesa, verifica-se que a 4 recorrente indicou experto contador e formulou quesitos que não só envolvem - apreciação de matéria jurídica, para cujá apreciação o profissional indicado não tem qualificação, como também objetivam obter opinião sobre subjetividades e não sobre . a constatação de fatos. Acresce-se que as questões formuladas — vinculação, • aceitabilidade de valor de transação, - constituem matéria de mérito, relevando 'anotà.r. . que a reiterada troca de informações e a juntada de documentos ao longo de mais de - dois anos de processamento, permite obter • dados suficientes e conclusivos para o • • • desate da matéria questionada, tornando a postulação pericial prescindível, na forma _ • do art. 18 do Decreto 70.235/72. • • Anoto por oportuno, que a prova pericial é repelida por . • O desnecessária e não porque a matéria é do domínio dos auditores fiscais que ^ unilateralmente a supririam, como equivocadamente refere a r. decisão à fls. 908. . . . • -. . . . . • . __ . • . .1 . . . . • • . . . • • 31 • . . . • .. • . .• .. . • • • . . _ _ . . . ---- 1II. . . • . • . . • . • • . . - . , .. . . ... . . . . . .. . . . • • • • • ',..,, • . • • • . . . . • - . •. . . .1 • . • • - -. -' • MINISTÉRIO DÁ FAZENDA . • .. • . . . • • , . : TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • . ' . TERCEIRA CÂMARA . . . - •- . -. . . - RECURSO N b : -125.889 -. • ACÓRDÃO N° : 303-31:148 - . - • - • • • - • • . _. . . Convém ter presente que é fundamento • da legitimidade do • . • contencioso administrativo, a observância estrita do princípio do contraditório, vale • • dizer, instaurado. o litígio. , o contribuinte tem o direito de postular a produção de prova • , • pericial e indicar experto de sua confiança, que se necessária, deve ser deferida, 1 independente da reconhecida competência dos agentes., do Fisco, .representantes da. . parte adversa na relação processual. .. _ • A) EXIGÊNCIA DE PROVA NEGATIVA. - • • Reitera i recorrente arguição de nulidade da pretensão fiscal •por . cerceamento do direito de defesa, que teria ocorrido ante a inversão do ônus probatório, eis que a imputação lhe exigia a produção de prova negativa, ou seja, demonstração de que não tinha vinculação com o fabricante dos veículos, e que os preços não foram influenciados pela vificulação, em ofensa às determinações do .. artigo 142, do Código Tributário Nacional, que comete o encargo privativamente a autoridade administrativa., t' , • X-,' S • Ainda aqui, a pretensão não pode prosperar. Sem embargo de que; a . • • matéria envolve o cerne do mérito do litígio e não se enquadra nas restritas hipótesges .. . de., milidade do procedimento, acima e retro enunciadas,'- : releva anotar que 4.2aS, ' intimações atenderam as prescrições do artigo 1° - 2. a, do Acordo de Valoração .... • Aduaneira, aprovado pelo Decreto Legislativo 09, de 08/05/85, cuja execução no • ,.. . Brasil foi autorizada pelo Decreto n° 92.930/86, determinando que: y. _ . . .,--s •:',1.., .. . .41 - X"se a administração aduaneira tiver .motivos para considerar qiie . a • vinculação influenciou o preço, deverá comunicar tais motivosao ,. importador, a quem dará oportunidade razoável para contestar." „ '1•P - A forma redac .io nal das intimações, ao propor que a recorrente . provasse que não tinha vinculação com o fabricante e que os preços não foram influenciados pela vinculação, poderia ensejar a caracterização da exigência de prova negativa, evento que, quando materializado, transfere o ônus para a parte contrária, ' segündo a melhor doutrina do processo civil. Entretanto, na verdade, o que e• se extrai do processado era a ' pretensão fiscal de cump• rit o dispositivo do artigo 1° - 2 - .a, do Acordo de ValOração . . Aduaneira, transcrito, que a recorrente apreendeu com suficiência, consoante se vê 1 das suas inúmeras manifestações e do manancial de documentos com que instruiu o • Jfeito. •- . -- . . , B) - IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO LANÇAMENTO — 4. • . . ERRO DE DIREITO. . , - . 1 '. . .. . . . i . 32 . . • —4 • • . • • . , , _. _Ti • • .. . - . .. .. ..1 . . . . .. . * . • . . . . • - - - ---- • • • • , ' . , . . s , . • . .. • i, Ir uneue~reee . . .. . . . .. • '• • - . . .. • - . • , • , • .• - • . .. . . t . . , . MINISTÉRIO DA FAZENDA . • ' ., r TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • . • • • . , .. . 'TERCEIRA CÂMARA.. . •. . . . . * • • -. RECURSO N° : 125.889 * . ." • . ' - ACÓRDÃO N° • : 303-31.1 .48 . • • . , . • - • • . . ., ,. ._ . . • - . • -. . • ,., Igualmente carece de fomento legal, a arguição de que o lançamento • • * só comporta revisão quando ocorrer erro de fato, face ab disposto no- artigo 447 do .. . * ' Regulam' ento Aduaneiro,, que autoriza ,a providência somente ,se formalizada em 5 • . * dias do término da conferência, bem como, que houve nova valoração jurídica para • . erro de direito, vedada pela jurisprudência e .doutrina, que, arrola, eis que a hipótese .• . . não se enquadraria em nenhuma dás causas previstas nos artigos.145 e 149 do Código. • . . - Tributário Nacional. ' . - . . .,_ . . Como é acaciano, não se presumem dispositivos conflitantes em um mesmo repertório legal. . - A jurisprudência administrativa já pacificou o entendimento de que o prazo previsto no art. 447, do Regulamento.Aduaneiro, se refere a dilação para a . . • liberação da mercadoria sob conferência, enquanto que as prescrições dos artigos 145 e 149, aludem ao momento e em que condições o lançamento pode ser alterado. O ato , de revisão encontra legitimidade no artigo 54, do Decreto-Lei 37/66, alterado pelo Decreto-Lei 2.472/88, artigos 455/456, do Regulamento Aduaneiro, e pode ser , .,• . , N i, • exercitado enquanto não decair o direito da Fazenda Nacional, cujo prazo é de 5 anos, ',...,- . • --, ' segundo o disposto no artigo 173', do Código Tributário Nacional. . z -- • .. -: , - •...- . . 5 ..,: .. ,..-' • . . , Por oportuno impõe-se ainda examinar, que na hipótese não se trata • de nova valoração jurídica, para erro de direito, mas sim, - nova valoração jurídica, 1 para nova situação de fato, que estaria configurada, no . caso, de novos fatos, • consistentes em verbas a serem adicionadas ao valor de transação, por omissão ou e', ., . - n .., %.4 inexatidão, eventos que encontram,agasalho no disposto expressamente no artigo 149 - o'-' . - ..,. ; - VI, do Código Tributário Nacional. - k , , Repelidas as preliminares, passo ao exame do mérito. . I '..à ... :: Na busca da necessária objetividade, ante a prolixidade do libelo inaugural, a fundamentação do r. Acórdão recorrido, e o arrazoado recursal de fls. . . 941/976, verifico que a matéria litigiosa de mérito, se circunscreve a decisão se: ,. - • .. 1. nas operações de importação feitas pela recorrente, houve • vinculação para fins de valoração aduaneira, com a exportadora, -. . • ou e•com a empresa MMC - Automotores do Brasil; -. _ • . 2. em havendo vinculação, os valores das transações, para fins aduaneiros, eram ou não, aceitáveis; - '. -• 1 . 3. Mesmo não havendo vinculação, as verbas cobradas e recebidas - pela firMa MMC - Automotores, intituladas, comissões, uso da • . . marca, etc., dáem ser adicionadas ao valor de transação; • —1 • 33 • .- • • , - . . • _ _ , • --- - . _ • • _ . _ • .. • . .. . . - • • '. . . . . . . 1 NII I • ._ ________. , .~ i ii Fli :Niiilig~ NINTO Np , . ... .. -- • - . ., . . . . . . . • . . • • • • • , . • . - • - —,. . • . . . ,... • , , . . „ • • . • . . .. .. - ,, • . , • - ' " • • • MINISTERIO DA FAZENDA , IERCE.IRO. CONSELHO DE CONTRIBUINTES . • • - • • . • . - . ' TERCEIRA CÂMARA . , - . . . • . • •. • , - • •. . . . . , . - RECURSO N° : - * : . 125.889 , . • - --• - - ACORDÃQ-Nil .. . ... - . 303731.148 . • . . ,.. . , . , • . . • • . •- • • - .•- . . • .. • . - .. . ._ . . •• . . • • •. , . - 4.. a vinculação. estaria -configurada também pela associação de . . . - negócios. . . • - ,. . . .. .. , . . • - • r • - _ . Examinando a vinculação entre a recorrente e a empresa MMC - AutoMotores, o auto de infração, eni seu texto afirma: . .- • . , . . .. . .. . • "quanto a vinculação, ela existe, como se provará a seguir, pois • existe uma associação legal de negócios entre a Coimex e a MMC - .• . Automotores do Brasil" (fls. 02) '.. .., • ' "a operação por si só demonstra a vinculação entre exportador e importador, mas coloca um intermediário, na tentativa de declarar- não vinculada". (fls. 03). • •. .. _ "resta dizer que embora a vinculação exista neste caso específico, o acordo não dispõe que para haver ajustes no artigo oitavo, deve haver vinculação entre as partes interessadas nos ajustes." (fls.08). . . gr- • Tem-se; pois, que o Auto de Infração afiima e reitera existir f,•'; i vinculaç'ão entre as partes. Inicialmente, entre exportador -fabricante e Importador,t vale dizer, entre Mitsubishi Motors Corporation e Coimex, aludindo estranha e ., . confusamente a existência de terceiro intermediário, que no desenho da operação seria jr.','.. a própriarCoimex e não a MMC - Automotores. Ao longo do texto refere a vinculação -. 5. v •.. • entre a •importadoia, Coimex e a 1VIMC - Automotores Brasil, distribuidora dos ''''•:-. veículos no Brasil. il'og • É inegável, que a peça inaugural reitera a vinculação ora entre exportador e importador, ora entre este e a firma MMC - Automotores do Brasil, ora , de forma genérica e conflitante, admite que para a imputação de ajustes é desnecessária a configuração dá vinculação. • . . . . O r. Acórdão recorrido dando retoque e na tentativa de sanear a imputação inaugural, desqualifica a existência • de vinculação, 'preservando a exigência, agora face às parcelas acrescidas ao produto já nacionalizado, sob a rubrica de autorização pelo uso da maica (fls. 918). . .. . . Paradoxalmente, aduz que o exame da vinculação perde _relev'ància "- na medida em que foi aceito, como visto anteriormente, para a composição do valor • I aduaneiro, o valor de transação declarado,"- (fls. 918)., •• Na avença contratual entre a Mitsubishi Motors Corporation - ‘ • fabricante/exportadora e a Brabus Autospor Ltda., hoje • MMC - Automotores do I , , •• . .. . Brasil anexada ao feito, e no. que •pertilie ao litígio, dispôs-se . no, Contrato de . • . -Z,. Distribuição: . 34 . . . •. . . . • • ,. . . • . . . , .. • •• , . • ' • . • •- • . . ,.....................____________, . .. .. . . .. . .. . . .. . . . ,., . . • . . . .. •. . • -. .. , .• • • . • . . - . •. . • . • •• • . • •• . , • • - • . . • .... • .: , .. 7. . • * . . . MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .. . . . .. - . TERCEIRA CÂMARA'. • . • , . .. . • • • . . . . , .. - • ' °RECURSO N. : 125.889 • •..„... , . , • ACÓRDÃO N° . -. . : 303-31.148 — - . ... _ .,. • . . ..._ ,. ._, . - . . - • .• • • • • - • • • • ._ , . •. .. . . . • • • • - ._ . art 2°- sujeita aos termos e condições deste. contrato; a mitsubishi ' . • • 1 • . .• • motOrs cotporation designa, por este instrumento, o distribuidor, • . como importador e distribuidor dos Produtos no território; em uma . • .i . . . . •• base não exclusiva". (fls. 539). . . . . • • .• ,• .. - . . • °"art. 4 - 8 – a: nenhuma das condições declaradas ou garantias .. .7. serãO feitas ou consideradas como feitas pela MMC (fabricante) . .. com respeito aos produtos vendidos". (fls. 544). • • .,. . . "art. 40 - 10 - o distribuidor deverá, por sua própria conta, obter ou providenciar seguro de responsabilidade do produto" Ç. • "art. 6° -.o distribuidor concorda em treinar, instruir e supervisionar . . • cada concessionário e deverá ter total respOnsabilidade pelas_ atividades de tais concessionários, e deverá proteger, defender, -, .• reembolsar, indenizar e manter a MMC isenta de e contra todas as reclamações e processos resultantes dessas atividades". ,.̀ .•.. . .. .,,. ,..•% ' . • • • '. li,l'; :. ..,-„.,., . -- • "art. 11 -.às. ,suas custas o . distribuidor deverá proporcionar um : ::¡:` • '' ' 1'.Y)_ , programa de treinamento de serviço e • fornecer auxílios de , :f,-,,, '.. -,;;••••••• treinamento suficientes para os seus concessionários".. •. , . . .- . . ' "art. 13 –o distribuidor concorda em assumir tais responsabilidades !:., t Il. - . de propaganda e apresentar a_IvIMC, para aprovação descrição geral,' de sua estratégia." ,4.,. , - Nos contratos-padrão entre a MMC - Automotores do Brasil,i,i,' distribuidora, avençados com as concessionárias, se estabelece regramento sob p a prestação de serviços no desenvolvimento de campanha publicitária, uso da marca,a -- assistência técnica através de treinamento de pessoal, dispondo a cláusula 2a parágrafos, que tais atendimentos seriam ressarcidos à distribuidora valoresea's constantes da lista de preços, mediante a emissão de nota fiscal (fls. 494/495) - Na avença entre a Cia. Coimex - recorrente e as concessionárias, . cujo exemplar constitui o documento de fls. 494/500, que tem por objeto a compra e . , ...,.... £ •• venda por encomenda de Produtos importados "Mitsubishi", a empresa MMC - _ Automotores do Brasil comparece como interveniente, na qualidade de distribuidora • da marca no país, com incumbência formal de solicitação de documentos ao . fabricante dos veículos. .. i..\ • Todas as obrigações contratuais referentes a importação de veículos, no que respeita a valores e responsabilidade pelos pagamentos, estão regradas apenas • • - . . .. . -•-n •, . ' 35 .. .. • • - .. .. . . .. . . • • . . - • . -: - • . . . • - . • . . - - •--- • • .. .. . .. . . . , . ... •. #. . • . . • - .... .. . . . . , • • . ,.. • • •. • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA ... . . . - . . . • , • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . - , • .• - -TERCEIRA CÂMARA .. .. . - . . .. . - . ,..,___ - .RECURSO N° : • 125.889 . • -.. . . -. • • • ACÓRDÃO" N° - ; - 303-31 ..148 „.„,......... • • • .... -. - . .- . • . . . , . . .. .. . entre - as partes contratuais, a Coimex, - • recorrente • -, e as Concessionárias - .. . encomendantes. (fls. 494/500).- . • . .. . . ... ,• . . . . . - Registro,. preambularmente, que não há, no alentado e demorado . • - processamento, qualquer evidência de se examinar as operações, com a utilização. do • . ., 1° critério de valoração, através da comparação, por exemplo, entre o valor de . transação das importações feitas pela recorrente, com os da empresa Cotia - Trading, , ou mesmo de outros importadores, ainda que . individuais ou particulares, observados - os devidos ajustes de nível de comercialização. Se tal comparação, em se obtendo os paradigmas, se exercitasse, poder-se-ia concluir, se os valores de transação eram . aceitáveis, independente da eventual e alegada vinculação. t ..Ademais, importa registrar que é da doutrina que instrumenta o. , Sistema de Valoração, que a apuração se circunscreve às verbas indispensáveis e ., justificadas que oneram a importação, até a liberação da mercadoria, vale dizer, até o . . momento do seu ingresso no território aduaneiro importador, bem assim, que direta ou .‘, .., ,. indiretamente beneficiem o exportador-vendedor, circunstância que legitimaria o . ajuste, havendo ou não vinculação. .. ,. - •- . • • )? ,.. . , Essa é a mensagem do Acordo de Valoração Aduaneira, como se vê, • do, art. :1° - o valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação 4. ,, . • desde que: . . , , .•. . . •,,. ! ,. ,..s. . . • , "c — nenhumã parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou • ç utilização subsequente das mercadorias pelo comprador, beneficie .::4`...f. ; 4. - , 1 direta ou indiretamente o vendedor." f, . , "art. 8° - _na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do artigo 1°, deverão ser acrescentados ao preço . • efetivamente pago ou a pagar, pelas mercadorias importadas : d) -• o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, . cessão ou utilização subsequente das mercadorias importadas, 'que -• ieverta direta ou indiretamente ao vendedor .". . . . . . - Nota interpretativa —.ao art. 1 0 - anexo 1: Nota Geral do Acordo de_ • Valoração Aduaneira: . . . . - o preço efetivamente pago ou a pagar é o pagamento total efetuado • ' ou a ser efetuado Pelo comprador, ao vendedor, em beneficio deste, • • pelas mercadorias importadas". "as atividades desempenhadas pelo . comprador, por sua própria conta, excetuadas aquelas para as quais 4 . . • .• tenha -sido previsto um ajuste no art. 8° não serão conSideradas, . . . . , • 36 .: . . . • • • • . . ,, . . • • . --: • .. • 1 . -:_i _ - . • • • . .. . • • 4 . • _. - . . ... .,„,„,.• • • . . ..- - - . • : - ... ,., _. • .. • • .• • 4 ..• • . • • o . . . • . • . • • • . •• . II . • . • • e • • , . é n 4 • •• . " . - . MINISTÉRIO DA FAZENDA • • • . , , • "TERCEIRO CONSEL110 DE CONTRD3UINTES • " . • • • . • .. . . . • TERCEIRA CÂMARA ' • • ' ' RECURSO N° : 125.889 ACÓRDÃO N°: . .303-31.148 . .. ... • .. . . - . . . • . . . . .- . . . • ., _ • . ._ . • - como uni pagamento indireto 'ao vendedor, mesmo que sejam. -consideradas como em beneficio deste." • • •. • . • Ainda mais. Nota Explicativa ao art: 8°,§ 1°, "c":.. -• - . . .. • "c- 2 -: os pagamentos efetuados pelo comprador. pelo direito de - distribuir ou revender as mercadorias importadas, não serão . acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso• • não sejam tais pagamentos uma condição de venda, para ... ., exportações para o Pais de importação das mercadorias." Ao exame das avenças e da volumosa documentação coligida, verifica-se que inexiste prova, ou mesmo indicio, de que os valores cobrados pela • distribuidora, MMC -, dos concessionários, reverteram direta ou indiretamente ao vendedor exportador da mercadoria. Aliás, os dispositivos desses pactos retro transcritos, estabeleceram expressamente que tais custos e respectivas cobranças, seriam efetivados pela MMC - Automotores, distribuidora, dos concessionários. ._ À mingua de provas, não seria crível presumir; que uma empresa :: . • internacional, com a organização e o porte da Mitsubishi Motors estabelecesse . via ‘, contrato as condições de operação de uma distribuidora, traçando normas expressas ,.,', •!' . sobre 'ônus de propaganda, treinamento e garantia, e . silenciasse, como silenciou, em. . . • dispOr sobre a sua participação nessas receitas, se delas tencionasse beneficiar-se. ., 1 k • '. ': Tem-se, pois, que os valores cobrados pela empresa MNIC - • Automotores, distribuidora, dos concessionários, jamais beneficiaram o vendedor/exportador ou sensibilizaram o valor das transações. _ Com respeito a recorrente, efetiva importadora, não há sequer noticia em todo o processado, de relacionamento com o exportador/vendedor, que enseje prova ou mera presunção de remessa ou crédito, de valores alheios aos que • • compõem o preço das importações. Assim, a alegada vinculação insistentemente afirmada pela peça . _. .1. - vestibular, entre a importadora, ora recorrente, a exportadora e a distribuidora, carece do mínimo, de suporte legal, face as taxativas e exclusivas hipóteses previstas no artigo 15, do Acordo de yaloração Aduaneira, para caracterizar a Vinculação, de cujo elença, importa transcrever a constante do item 5: . "art. 15 - 5 -: as pessoas que forem associadas em negócios, pelo • fato de um ser o agente o distribuidor ou o concessionário exclusivo • da outra, ou por terem qualquer outra forma de associação . .. • - exclusiva, serão consideradas vinculadas". j? .•. . • 37 . . • . .n • . . . . • . • 4 • . n . , .-., . • . • • . • V • . . . •• .i •, . • • . . • • • • ' . . . .. . .. .. . , . . . • . • • • . • • • . . .. . . • • • . • - . . f• • • r . MINISTÉRIO DA FAZENDA ,. - • . _ • • '. TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . . . • . , _, -. TERCEIRA CÂMARA . , .. . . . , . RECURSO N° : .125.889 • . . _ • - • ACÓRDÃO N° :- 303-31.148' .. . .. .. . ._ . • . ... ,. . . .. . • . ._. . . . - ,f• • Ora, o contrato entre a exportadora e .a distribuidora MMC -• . • ' . . • Automotores do• Brasil, é expresso na clausura retro transcrita, ao afirmar, que a . representação da marca, concedida é nãu exclusiva. • • , Por seu turno; igualmente irtexiste vinculaçãO por exclusividade ,•. • . 'entre a recorrente e a MMC - Automotores, como demonstram as peças processuais • . i • -• coligidas, por onde se constata que a Coimex presta seus serviços na importação das • 4 mais diversificadas Mercadorias, para inúmeros importadores, tais como .Peugeot, - 1 • Moto Honda, e outras, meramente pela sua condição de empresa "fundapeana", j.. objetivando' a fruição de beneficios fiscais concedidos 'pelo Estado do Espírito Santo. .., • Além de inexistir exclusividade, excluindo a vinculação, igualmente carece de legitimidade a pretensa arguição de "associação em negócios", com a •, recorrente, consoante se vê da "Opinião Consultiva" 21.1., emanada do Comitê • • Técnico de Valoração Aduaneira, (DOU-17/02/98): "o artigo 15, parágrafo 4 — b -, considera as pessoas comos;•.,. . vinculadas se forem legalmente reconhecidas como associadas em .:', • '. ,:,',. , • negócios. O dicionário Webster • define a palavra sócio como: ‘,.- ,',t: k. . • ••,:.t, ,.. i. , t alguém que é associado a uma ou mais pessoas no mesmo negócio,,.:.... 4 -•.: l e partilha com ela seus lucros. um membro de uma sociedade. — a ,...• ..... ,. , -,.. palavra sociedade é por seu turno definida como: "uma associação •,;r:. de duas ou mais pessoas que contribuem com dinheiro ou bens, para 3 . • realizar um negócio conjunto e • que dividem lucros e perdas em- . ,,,!* ;J‘•••)-',_ ffir'. certas proporções." . A clareza dos textos permite desde logo concluir a inexistência de ,--/•• vinculação por associação em negócios, eis que a prova produzida não demonstrou . qualquer liame societário, ou. participação de resultados da recorrente com a exportadora e ou a distribuidora. • Abstraída a vinculação, entende o r. Acordão recorrido computáveis - ao valor de transação,. os valores verb.is; acrescidos ao produto já nacionalizado, recebidos pela MMC - Automotores, com fundamento em autorização do uso da , ' i•-;':.'j ..::, 1 i • • marca. Adiciona que a vinculação perde relevância na medida era que foi aceito, i • como visto anteriormente, para a composição do.valor aduaneiro o valor de transação . . 1 declarado- (acórdão — fls. 918). -•. ._ • 1 . Édo. inequivoca a cl. -•istorçao em que labora o processo de convicção do r. Acórdão recorri As verbas repassadas pelas concessionárias à • distribuidora, estão explicitadas nas avenças contratuais e- além do uso da marca, se referem a prestação \. i • - • de serviços de garantia, assistência técnica e treinamento de pessoal. i — : . *. . • 38 i . . t. • . . . • I • • . . .. i . . , . ... • . •.. . - - - - - • - • • - •...4 . • .. . • •... .• •• .. . . . . •. . .. • . • . . . •. • •. . . . • • .. . •••• . ,• . . , . 4 . , ..'... 'PI * ' . ' . • • . " MINISTÉRIO DA FAZENDA - • • - -: - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • . .. • . . . • '• • . • TERCEIRA CÂMARA . . -. . • . - . , " RECURSO N° : 125.889 • - • . . ACÓRDÃO N° : .303-31.148 • . -.-••.,-. . ,- ..., • . ,.• -• .• • •• • - _ • - - . . .. . . . . . .. . ._ . . . . ..... . .. ... . .. . Assevera o julgado que tais parcelas foram acrescidas ao "produto já .. ' • . nacionalizado", e que o "valor de transaçâo declarado fora aceito para efeito do valor . . • * aduaneiro".• . .• • •. . . - . . Ora, se o valor declarado já fora aceito para efeito do valor ., • aduaneiro, nada haveria a ajustar, notadámente, após o produto já ter sido . . nacionalizado, . eis 'que verbas recebidas por terceiros alheios a importação' não • ' poderiam sensibilizar o processo *de valoração. • * •. . •• • Na vei-dade, os ajus.tes autorizados pelo artigo 8° do AVA, somente . se legitimam se sensibilizam a mercadoria no 'e até a sua nacionalização, como ' • extenuantermente se demonstrou, com o aporte de manifestações interpretativas e q explicativas da matéria, retrotranscritas. . • J . . - Igualmente carece de suporte e contraria a prova produzida, a . assertiva feita pelo r. Acórdão recorrido à fls. 640, de que tais verbas constituem "resultado de revenda subseqüente das mercadorias importadas, que reverte direta ou •: ,...r..,, . indiretamente ao vendédor/exportador". (fls. 923). '..,. • •: ).-,.. N • 1 . • . • . i 4: •.:,, Por oportuno, é de se examinar o Comentár' io n° 9.1, emanado . dó! Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, de observância obrigatória pela? . • • adniinistração, anexo a Instrução Normativa n° 17/98 — DOU' de 17/02/98: .."44 • ,Ç: • • • 1", l'n • .. • . •:•-j ' • l', "tratamento aplicável aos custos daS atividades executadas no paiS!, , 4r 1. . - • : • de importação: - .È... '..n t 3) a esse respeito, para determinar o valor aduaneiro, de conformidade com o artigo 1° do Acordo, os custos das . atividades executadas após a importação, quando não estiverem incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar, não devem ser incluídos no valor aduaneiro, salvo disposição em contrário do artigo 8°." Ademais, os textos contratuais transcritos, que em inteiro teor estão . , .,.... - • - •,-- .... i . anexados ao feito, notamente o pactuado • entre o exportador/fabricante, e a • distribuidora MMC Automotores, dispõe de modo- expresso, que os custos de publicidade; treinamento, etc., serão suportados por esta última, inexistindo qualquer * disposição, que evidencie repasse de quaisquer valores ao fabricante, nem há prova ou •sequer indício que autorize tão enfática afirmação. . .. . . A argumentação do julgado de que o pagamento de valores à guisa de liso da marca refletem indiretamente em beneficio do fabricante, alongando-se em extenso, elogioso e didático levantamento doutrinário sobre a apropriação para fins_ - i . 39 . • . . . -1 . . • . • . - . . . .. . . ••••• . Áts„.... . .. . . . . . . . - ' , _ . . . . . . . . .. .. . ... .. , . • . • _ • •'. . • • . . • . . • . • . • • • • • • •. .• e ., . issIJNISTÉRIO DA FAZENDA • • ,. s. •- --: - • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUIN . . • TES • • .. . . ; . . .• TERCEIRA CÂMARA • • • . . .. . . . • • • .• .•— RECURSO N° : . 125.889 • ACÓRDÃO N° : 303-31.148 -- • . • - • .. • . „ . . . . . • ._ " . . contábeis, de bens intangíveis, é:inaplicável para os efeitos da valoração. aduaneira, •. • . • que exige, dados objetivos e valores quantificáveis, (art. 8° -. 3- do AVA) impossíveis . . • • de aferir. •. .•. . . • • . Além do mais, se tal beneficio fosse q. uantificável para fins * aduaneiros, deveria ser. incluído 'também o vàlor da propagação da marca. 1:dos . • • .. • clientes consumidores, que circulam diariamente.no país com veículos Mitsubishi. - - • Na verdade, a utilização da marca reverte em beneficio imediato de • quem aufere lucros comerciando os veículos, mais imediatamente os concessionários, eis que os'referentes ao fabricante exportador, já estão inseridos &computados no seu preço de exportação. r i A imputação de solidariedade passiva à empresa MMC - • . Automotores, no crédito tributário exigido da recoriente, constitui matéria de interesse daquela empresa, que não foi intimada para conhecer do acórdão e integrar o feito na • . ' fase recursal. >,..,.•., ,,,,,, • . < Entretanto, considerando a abordagem da matéria no r. Acórdão, -* l' -: • ; • - para opinar no- sentido de que, face ao manancial probatório carreado para os autos, :•:. ._ 14 não me parece configurada, a alegada solidariedade. 1 ' # . O instituto está, regrado no artigo 124 do Código Tributário . . • ..i. . J . Nacional, que dispõe: y, ••• • .: , .fr` • N • . "são solidariam .' I . ente obrigadas: • I. as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; • - II. as pessoas expressamente designadas pela lei." Ora, o fato gerador da obrigação, no caso, é a entrada dos veículos no território nacional, vale dizer, o processo de importação, de interesse exclusivo d !s'a' • ‘ • Coimex recorrente, como atesta a documentação produzida, e nele não se evidencia a menor interferência da empresa MMC - Automotores do Brasil. - • ..' .-,,, „.. ' • 1 • •. - . . • 1 . • A prova disso é que , a autuação elegeu como • contribuinte a - recorrente, como não poderia deixar de ser, e só a ela foi dado ciência do r. Acórdão. (fis. 938). . • - . Observe-se a própria disposição do artigo 150, do Código Comercial - que dispõe ' sobre o contrato de mandato mercantil, transcrita no Ácórdão recorrido, • por onde se verifica que, "ficará o mandatário pessoalmente obrigado se obrar em seu ‘ • • . . nrónria nome, ainda que o negócio seja na conta do comitente" • / _ •• ....- .40 •• .• .. —1 • • . . • • • . . . • . . • • . • .. . . • ••. • , ._ —• . , _ , - • ... ,. - . . , . isi.i......„ . - . . • •. . . .. . . . . •• . . . , , • ' - . . .. . . .. • . . . • . . .. ,k. . . . .. . • •. .. .. . . ... . . . . -. . • " - '' • isfiNISTERIO DA FAZENDA . '• . • • • - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.• . . . •• ---' ,- TERCEIRA CÂMARA . . . • . . . -- , - . . . . • . . . • •. -. . RECURSO N° • : 125.889 . • - ACÓRDÃO N° :303-31.148 .. • • -..- __.-.. •• •. . .. . • . ., ..- - • • . . . • • . • •. • . - - • • - • E *de notar-se que a . posição da recorrente na tiperação, tem maior . similitude com a figura do comissário, no contrato de comissão meréantil - art. 165 do• . ' " • Código Comercial -,- eii que opera em seu próprio nome, por ordem do comitente, • . . assumindo a responsabilidade' pelos atos que praticar e com •as iiessoas com quem contratar. . • . - • . . .._ . . - Como a recorrente, no caso, enfeixa a figura do comissário, agindo . . . em nome próprio - importadora -, por conta e ordem do comitente — concessionárias — . ., • não há qualquer evidência, nem prova nos autos, que caracterize a alegada - solidariedade de terceiros na operação se vislumbra. . ' '• Registre-se, a propósito, que são inaplicáveis ao feito, as normas da solidariedade da Medida Provisória 2158, de agosto de 2001 e Lei 10.137/2002, por envolverem matéria de direito substantivo, de aplicação retroativa vedada, eis que o fato gerador das obrigações .apuradas ocorreram em 1994, e o lançamento realizado .. em 1998. • . . . ,.,.,. A recorrente questiona mais o r. Acórdão recorrido, por haver se ., o... ...• recusado a aplicar as decisões Cosit ifs 14 e 15, de 1997, que abordam a matéria e _ ....• s =, , . transmitas a fls. 919/920, sob b fundamento de que:. . :i. . , '• ' . , • "decisões exaradas em processos de consulta, representam0. „ - ..- _.. . entendimentos específicos da administração e não devem serA •.• • ., • estendidos a outros dispositivos legais, "ainda que sejam meraslf, ... ., • variações de incisos ou parágrafos dó niesfao artigo de lei”. As.t N. . Decisões n°14 e 15 versam sobre matéria distinta daquela que".,:é>i,, .-• .,.... v , tratada no presente processo, os dispositivos que embasaram as ,.. , decisões foram o art. 63 - i do RIPI/82, o art. 89 do Regulamen% .1 Aduaneiro, enquanto que os elementos fáticos que sedimentarami á -II _ presente autuação, encontram-se embasados no artigo 10 "c" do art. 8° - i — d , ambos do GATT/1994. . O omisso e inusitado contorcionismo semântico a que se submeteu o • decisório, não faz. justiça aos princípios éticos que devem informar a .atuação da administração pública. . • • .. . • A uma, porque a consulta, quando, como no caso, é realizada por entidade --de classe ou de categorias profissionais (art. 46 §- único do Decreto 70.235/72), a que provavelmente.pode pertencer a recorrente, estende os efeitos aos . seus respectivos componentes associados. . .. . . A duas, porque as decisões, embora fundamentadas em dispositivos -; • diversos dos da autuação, dispuseram de modo expresso, claro e inquestionável, o ,t,.., • entendimento dá administração superior, sobre o regramento que deve presidir • . ' . . . • •---.1 • . . 41 . . • • . . • . . , * • • • • .. • : • 1 _ . . - - - -- - • - • . • • .. , . , • • ••• • • • • , • . . • , - , • . ' MINISTÉRIO DA FAZENDA . •• . . , • .. •.- ,' ' . - - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • . . . • . . - • . . TERCEIRA CÂMARA ‘ . . • • - . - • , 1 • : • " RECURSO N° : 125.889 ' • . • . , : • ‘ ACÓRDÃO N° • 303-31.148 . . • - ., . . . . ._ . • • , . . . . - • . - • • .• .• . V.--- 1 • . . exatamente a matéria que constitui o cerne do litígio sob desate neste feito, ao dispor ' . ._ • • • . . .. na Decisão .Cosit - n° 14; que: -• .. . - • . . . • . . • . , . • . ". • - ' • . '"valoração — o5 valores pagos pelas concessionárias às detentoras do • • • , uso da marca no país,- pelos serviços efetivamente contratados_ eli. prestados no Brasil, não constituirão acréscimos ao valor aduaneiro ... . da mercadoria, para cálculo do valor do imposto de importação. • -' • Examinando a exigência-do IPI, dispôs a Decisão Cosit n° 15: - , • "base de cálculo do IPI na importação - os valores pagos pelas concessionárias às detentoras .- do uso da marca no 'país, em retribuição aos serviços de pesquisa mercadológica, treinamento de - pessoal, divulgação, sustentação e representação da marca no país, . não integram a base de' cálculo do IPI nas importações realizadas pela importadora, ainda que as detentoras do uso da marca no país .-. tenham atuado como agente de compras das importadoras.."._ -- . . . Por derradeiro, cumpre assinalar, que as decisões de órgãos •f^ ,' , . superiores, por constituirem manifestações formais do entendimento e orientação 'da s_ , •:, .... 4', .. _ k . . administração, devem ser observadas pelos órgãos subordinados, em homenagem. , a I., uniformização de procedimentos e a segurança jurídica que devem presidir - ,. 5+ '. relacionamento da administração pública com os contribuintes jurisdicionados. . , .,t• . , . .. ‘‘‘ ' • • Finalmente opõe-se a recorrente a exigência do Imposto sobre • . • :',-,,. Produtos Industrializados, arguindo que seu valor teria sido incluído no recolhimento =2: • . ":,-':;: pelo total do débito, feito pela concessionária, ao comercializar o veículo com (6 ,,,.• .. consumidor. .4 , 1.2-'-'' • ., .' . A arquitetura teórica da equação guarda coerência, mas carece de legitimidade e prova, em cada operação. • O IPI é imposto indireto, que embora lançado e recolhido pelo contribuinte de direito, tem o seu ônus efetivo suportado pelo contribuinte de fato, no. . • . caso, o consumidor. ., • . 1. • O imposto lançado e recolhido por ocasião do desembaraço' aduaneiro, realmente constitui crédito .do _importador, que Se debitará pelo devido na •_ 1 _ • venda do veículo. • • I Nada autoriza desde logo, certificar que se acrescido por ocasião do desembaraço, a operação de faturamento final, . em conseqüência, não teria valor -1 superior ao efetivamente realizado. . • I• . • . . • • I • • -. .. • • • i . 42 • . • . . 1 • . . - . . . *• • • . . • . • . - . . . . • . •• . . _. .- , • . . . . . . . . -,,::' ', . • - . • " • . .. — - • . L • + • • • . : ", • • - • . : . • • • • - ' ' • NUNISTÉRIO DA FAZENDA • . '. .., . ' . • • . , . . • . , TERCEIRO CONSELHO . DE CONTRIBUIINiTES • • '. . .. , -- TERCEIRA CÂMARA . . • • • -. . .. . . _ • . .- , • . • • . ' . RECURSO N° :• • 125.889 • . • .. ACÓRECÃO N° . . : 303-31.148. • •..... . . I - . • . -- - -, - • • . . - • • • • - . • .-- , ,..,, , • - • - Alem disso, mesmo que recolhido na comercialização final, haveria . .- • . •• encargos da mota, multas, etc., pela intempestividade do devido • no ato do . •desembaraço, apenas recolhido na etapa final. . . • • . . • , À mingua de prova sobre o valor devido em cada caso, a correção se , Cl. • faria, quando devida, mediante o pagamento .pela importadora, que o utilizaria como crédito na escrita fiscál, para futuras operações. Face ao exposto, considerando que a prova pericial põde e deve ser indeferida, quando desnecessária à instrução do feito e ao processo de convicção para • o julgamento; Considerando que a revisão aduaneira é procedimento legalmente autorizado, enquanto não ocorrer a decadência do direito da Fazenda Nacional para o lançamento, cujo prazo é de 5 anos, na forma do disposto no artigo 173 do Código . . . - 1 Tributário Nacional; . . Considerando que os valores pagos pelas concessionárias . às 5, 7 ,..,detentoras do uso da marca, por serviços prestados no pais, após a nacionalização: dosi- .., . • :- •bens, não constituem ajustes ao valor aduaneiro da. mercadoria, para cálculo dosr ... 4.,. , tributos; -.,- - .4, ...• ' Considerando que o relacionamento contratual entre às empresasz.. ., • exportadora, importadora e distribuidora • da marca, não caracterizou a vinculaçao , . , -- • - preceituada no artigo 15, do Acordo de Valoração Aduaneira; • , :., 5: • '; ',:•I'' ' ''' '. .., • 4.- . 1. 1•„ . Considerando que a prova produzida ao longo de todo o process4;:lo, .../ não conseguiu evidenciar a ocorrência de situações que autorizassem os ajustes previstos no art. 8° do Acordo de Valoração Aduaneira e elidir a aceitabilidade do valor de transação nas operações efetuadas; " , , Considerando que as decisões Cosit - 14 e 15/97, examinando a ., matéria, repeliram a inclusão no valor aduaneiro dos produtos importados, as importâncias 'pagas no país pelas concessionárias às detentoras do uso da marca; • •, Considerando tudo o mais que dos autos consta; •. . . .. .. . Voto por dar provimento ao Recurso Voluntário dé fls.655/695, • concluindo pela insubsistência da imputação vestibular de fls. 01/08. - • .. • Sala das Sessões, em 17 de fevereiro de 2004 • _ . _ , . • . • •• c...5 „......--- ---- . - • NXTON L . BARTOÃ - Relator • •. . • • - ' ., •-1 • • - 43 . • • . • " .. . • • • . • • . , • • • . • • •. - .. . _ _______. _. - • - .. • . .- • • . - . 1 ': 't .:! . - • • .• Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022200.PDF Page 1 _0022300.PDF Page 1 _0022400.PDF Page 1 _0022500.PDF Page 1 _0022600.PDF Page 1 _0022700.PDF Page 1 _0022800.PDF Page 1 _0022900.PDF Page 1 _0023000.PDF Page 1 _0023100.PDF Page 1 _0023200.PDF Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023500.PDF Page 1 _0023600.PDF Page 1 _0023700.PDF Page 1 _0023800.PDF Page 1 _0023900.PDF Page 1 _0024000.PDF Page 1 _0024100.PDF Page 1 _0024200.PDF Page 1 _0024300.PDF Page 1 _0024400.PDF Page 1 _0024500.PDF Page 1 _0024600.PDF Page 1 _0024700.PDF Page 1 _0024800.PDF Page 1 _0024900.PDF Page 1 _0025000.PDF Page 1 _0025100.PDF Page 1 _0025200.PDF Page 1 _0025300.PDF Page 1 _0025400.PDF Page 1 _0025500.PDF Page 1 _0025600.PDF Page 1 _0025700.PDF Page 1 _0025800.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF _0026300.PDF _0026400.PDF _0026500.PDF _0026600.PDF _0026700.PDF _0026800.PDF _0026900.PDF _0027000.PDF _0027100.PDF _0027200.PDF _0027300.PDF _0027400.PDF _0027500.PDF _0027600.PDF _0027700.PDF _0027800.PDF _0027900.PDF _0028000.PDF _0028100.PDF _0028200.PDF _0028300.PDF _0028400.PDF _0028500.PDF _0028600.PDF _0028700.PDF _0028800.PDF _0028900.PDF _0029000.PDF _0029100.PDF _0029200.PDF _0029300.PDF _0029400.PDF _0029500.PDF _0029600.PDF _0029700.PDF _0029800.PDF _0029900.PDF _0030000.PDF _0030100.PDF _0030200.PDF _0030300.PDF _0030400.PDF _0030500.PDF _0030600.PDF _0030700.PDF
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Numero do processo: 10909.000740/2011-37
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 18/06/2008
PROVA. NULIDADE. AFASTAMENTO. CORRESPONDÊNCIAS ELETRÔNICAS. E-MAILS. EXTRAÇÃO. ARQUIVOS. COMPUTADOR DE TERCEIRO PARTICIPANTE DA RELAÇÃO COMUNICATIVA. ACESSO FRANQUEADO À FISCALIZAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Se o acesso às correspondências eletrônicas foi franqueado aos auditores no curso do procedimento fiscal, não há que se falar em quebra de sigilo, mas de disponibilização voluntária de e-mails comerciais por uma das partes da relação comunicativa. A inviolabilidade, prevista no art. 5º, XII, da Constituição Federal de 1988, alcança apenas o intercâmbio de mensagens, e não documentos de efeitos comerciais arquivados em computador de uma das partes para fins de registro dos termos do negócio jurídico mercantil e que foram disponibilizados livremente no curso do procedimento fiscal. Os e-mails disponibilizados, ademais, constituem mera formalização dos termos e das condições que efetivamente nortearam as operações de comércio exterior fiscalizadas, revelando quais foram as partes envolvidas, o preço das mercadorias importadas, as condições de pagamento de comissões, entre outras informações relacionadas ao negócio jurídico. Não se trata, portanto, de informação relacionada à intimidade ou à vida privada do contribuinte, mas de documentos comerciais, que podem (e devem) ser examinados pela Autoridade Fazendária, de acordo com o art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 34 e 35 da Lei nº 9.430/1996.
MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. AFASTAMENTO.
Sendo identificado o importador oculto, este responderá solidariamente com o importador ostensivo pelo pagamento da multa substitutiva, na condição de coautor da infração ex vi art. 95, I, do Decreto-Lei nº 37/1966. Também responde solidariamente qualquer outra pessoa que, sem ser coautor, se beneficie com a infração, ou se enquadre dos demais incisos do art. 95 do Decreto-Lei nº 37/1966. Não há que se falar em ilegitimidade passiva.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-004.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 18/06/2008 PROVA. NULIDADE. AFASTAMENTO. CORRESPONDÊNCIAS ELETRÔNICAS. E-MAILS. EXTRAÇÃO. ARQUIVOS. COMPUTADOR DE TERCEIRO PARTICIPANTE DA RELAÇÃO COMUNICATIVA. ACESSO FRANQUEADO À FISCALIZAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Se o acesso às correspondências eletrônicas foi franqueado aos auditores no curso do procedimento fiscal, não há que se falar em quebra de sigilo, mas de disponibilização voluntária de e-mails comerciais por uma das partes da relação comunicativa. A inviolabilidade, prevista no art. 5º, XII, da Constituição Federal de 1988, alcança apenas o intercâmbio de mensagens, e não documentos de efeitos comerciais arquivados em computador de uma das partes para fins de registro dos termos do negócio jurídico mercantil e que foram disponibilizados livremente no curso do procedimento fiscal. Os e-mails disponibilizados, ademais, constituem mera formalização dos termos e das condições que efetivamente nortearam as operações de comércio exterior fiscalizadas, revelando quais foram as partes envolvidas, o preço das mercadorias importadas, as condições de pagamento de comissões, entre outras informações relacionadas ao negócio jurídico. Não se trata, portanto, de informação relacionada à intimidade ou à vida privada do contribuinte, mas de documentos comerciais, que podem (e devem) ser examinados pela Autoridade Fazendária, de acordo com o art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 34 e 35 da Lei nº 9.430/1996. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. AFASTAMENTO. Sendo identificado o importador oculto, este responderá solidariamente com o importador ostensivo pelo pagamento da multa substitutiva, na condição de coautor da infração ex vi art. 95, I, do Decreto-Lei nº 37/1966. Também responde solidariamente qualquer outra pessoa que, sem ser coautor, se beneficie com a infração, ou se enquadre dos demais incisos do art. 95 do Decreto-Lei nº 37/1966. Não há que se falar em ilegitimidade passiva. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
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NULIDADE. AFASTAMENTO. CORRESPONDÊNCIAS ELETRÔNICAS. EMAILS. EXTRAÇÃO. ARQUIVOS. COMPUTADOR DE TERCEIRO PARTICIPANTE DA RELAÇÃO COMUNICATIVA. ACESSO FRANQUEADO À FISCALIZAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Se o acesso às correspondências eletrônicas foi franqueado aos auditores no curso do procedimento fiscal, não há que se falar em “quebra” de sigilo, mas de disponibilização voluntária de emails comerciais por uma das partes da relação comunicativa. A inviolabilidade, prevista no art. 5º, XII, da Constituição Federal de 1988, alcança apenas o intercâmbio de mensagens, e não documentos de efeitos comerciais arquivados em computador de uma das partes para fins de registro dos termos do negócio jurídico mercantil e que foram disponibilizados livremente no curso do procedimento fiscal. Os e mails disponibilizados, ademais, constituem mera formalização dos termos e das condições que efetivamente nortearam as operações de comércio exterior fiscalizadas, revelando quais foram as partes envolvidas, o preço das mercadorias importadas, as condições de pagamento de comissões, entre outras informações relacionadas ao negócio jurídico. Não se trata, portanto, de informação relacionada à intimidade ou à vida privada do contribuinte, mas de documentos comerciais, que podem (e devem) ser examinados pela Autoridade Fazendária, de acordo com o art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 34 e 35 da Lei nº 9.430/1996. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. AFASTAMENTO. Sendo identificado o importador oculto, este responderá solidariamente com o importador ostensivo pelo pagamento da multa substitutiva, na condição de coautor da infração ex vi art. 95, I, do DecretoLei nº 37/1966. Também responde solidariamente qualquer outra pessoa que, sem ser coautor, se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 07 40 /2 01 1- 37 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 beneficie com a infração, ou se enquadre dos demais incisos do art. 95 do DecretoLei nº 37/1966. Não há que se falar em ilegitimidade passiva. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado (fls. 637 e ss.): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 18/06/2008 IRREGULAR IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. Não atendidos os requisitos legais para caracterizar importação regular em uma de suas modalidades possíveis. Revelouse simulação de importação direta, isto é, no caso constatouse irregular importação por conta e ordem de terceiros ocultados, reais provedores dos recursos que custearam a operação de importação focada. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DA MERCADORIA IMPORTADA. Em face da não localização das mercadorias, foi convertida a pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas irregularmente e entregues a consumo. Os valores que servem de base para a aplicação desta multa correspondem aos valores efetivamente praticados nas referidas importações, apurados no Relatório Fiscal anexo ao Auto de Infração. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10909.000740/201137 Acórdão n.º 3802004.293 S3TE02 Fl. 702 3 ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. DEVER DE COLABORAÇÃO COM O FISCO. DADOS COMERCIAIS. PROCEDIMENTO REGULAR. No caso, observada a legislação regente, a suposta “coação” da fiscalização, para obter provas documentais e dados comerciais constantes em arquivos magnéticos ou eletrônicos de empresas prestadoras de serviço de despacho aduaneiro, não passa de referência ao que, na forma da lei, constitui o regular exercício da atividade fiscalizadora e do controle aduaneiro. A referência, pela autoridade fiscal, ao dever legal de colaboração do contribuinte, informando as conseqüências que decorreriam do não cumprimento desse dever, vinculase diretamente ao texto legal. É a chamada coação legal o que leva as empresas diligenciadas a colaborar com a auditoria realizada e a disponibilizar ao Fisco o acesso aos pertinentes documentos e arquivos, magnéticos, eletrônicos, ou em papel, existentes nos computadores das respectivas empresas, inclusive emails com correspondência comercial e planilhas Excel. Os dados comerciais obtidos são pertinentes ao objeto da investigação fiscal e serviram à identificação dos reais adquirentes das mercadorias importadas sob a fachada daquela que se apresentou como importadora ostensiva. Esses documentos foram lícita e legitimamente obtidos nas diligências fiscais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. O auto de infração impugnado cominou à Titan Trading Importação e Exportação Ltda. (que não apresentou impugnação) a multa prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, em solidariedade com as empresas Sermontec Construção Civil e Serviço de Montagens Técnicas Ltda. e Al Sistemas Construtivos Ltda. ME. Por bem descrever a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese parte do relatório da decisão recorrida: No curso do Procedimento Especial de Fiscalização para investigar suspeita de interposição fraudulenta da empresa TITAN TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (TITAN) em operações de importação de mercadorias, supostamente na modalidade de importação direta (por conta própria), mas sendo apurado tratarse de empresa inidônea, sem disponibilidade de recursos suficientes para custear tais operações optouse, no caso concreto, pelo aprofundamento das investigações sobre a importação registrada por meio da DI nº 08/09157564, de 18/06/2008, chegandose ao nome das empresas PARTNER TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (PARTNER) e SOULLER ASSESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR LTDA (SOULLER), e a partir de informações colhidas nos documentos e arquivos magnéticos fornecidos por essas, a investigação identificou as empresas SERMONTEC CONSTRUÇÃO CIVIL E SERVIÇOS DE MONTAGENS TÉCNICAS LTDA (SERMONTEC) e AL SISTEMAS CONSTRUTIVOS LTDA – ME (AL SISTEMAS) como reais adquirentes das mercadorias importadas, beneficiárias da importação investigada, mas que se mantiveram ocultas sob a fachada da TITAN, suposta importadora por conta própria. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 A PARTNER era administrada por exsócio e exempregado da TITAN (respectivamente AUGUSTO CÉSAR RAMOS e PAULO CÉSAR KAUER), cuja baixa do CNPJ foi solicitada de ofício, pela constatação de sua inexistência de fato, conforme apurado no processo administrativo fiscal nº 10909.004265/201097, estando à época da conclusão da fiscalização de que trata o presente processo na situação cadastral, perante a RFB, de empresa com CNPJ SUSPENSO. No curso da diligência fiscal realizada na PARTNER, o Sr. AUGUSTO CÉSAR RAMOS tomou ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls.62), por meio do qual foi cientificado da aplicação do procedimento especial de fiscalização amparado por MPF e intimado a disponibilizar à fiscalização, com base na legislação em vigor, o acesso às mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis com efeitos comerciais ou fiscais, inclusive aos mantidos em arquivos magnéticos ou computadores, relativos às operações de importação efetuadas pela pessoa jurídica no período de 03/2006 a 09/2010, sendo solicitado que acompanhasse o procedimento ou designasse pessoa para fazêlo. Ato contínuo, a PARTNER franqueou acesso às dependências do seu estabelecimento para acesso e conhecimento da documentação solicitada. Na ocasião, foram coletados documentos e arquivos magnéticos, os quais foram retidos e lacrados, conforme Termo de Retenção e Lacração (fls.63) e Termo de Extração de Arquivo Magnético e Gravação em Unidade de HD para Análise Fiscal (fls.64/65). Nos respectivos Termos referidos, o contribuinte foi intimado a comparecer na DRF/Itajaí, nas datas e horários especificados, para acompanhar os respectivos procedimentos de deslacração dos arquivos e identificação do material que foi retido. Em ambos os termos constou a advertência de que no caso de não comparecimento os respectivos procedimentos seriam realizados na presença de testemunhas. Os arquivos de interesse fiscal foram gravados em 01 (uma) unidade de HD, na presença dos Srs. AUGUSTO CÉSAR RAMOS e PAULO CÉSAR KAUER. Este HD foi inserido em um envelope de papel pardo, fechado com adesivo e recebeu o lacre da Aduana/RF de nº 05/2010 a fim de garantirse a inviolabilidade dos dados. A empresa diligenciada foi intimada para acompanhar os procedimentos de deslacração dos volumes, extração de cópias dos arquivos magnéticos contidos no HD modelo ST380011A, nº de série 5JVVT6Z2, o qual foi novamente lacrado para servir como contraprova, sendo colocado em um envelope pardo, fechado com fita adesiva e aposto o lacre da Aduana/RF nº 08/2010, rubricado pelo AFRFB Rolf Abel, Matrícula 676300, e pelo representante da PARTNER presente, o Sr. RODRIGO DE SOUZA, CPF nº 038.210.10908 – Analista de Comércio Exterior (cf Termos de Deslacração e Retenção às fls. 66 /68 e fls.69). A autoridade Fiscal Aduaneira efetuou diligências também ao endereço da SOULLER onde, no exercício da função fiscalizadora, requisitou a apresentação de documentos, correspondência comercial, inclusive os constantes de arquivos magnéticos que estavam em computadores nesse endereço comercial, o que lhes foi disponibilizado. Nesta diligência, realizada ao amparo do MPFDiligência nº 09.2.06.002010004209, conforme Termo de Realização de Diligência (fls.72), foram coletados documentos e arquivos, os quais foram retidos e lacrados conforme Termo de Retenção e Lacração (fls. 73/74), bem como Termo de Extração de Arquivo Magnético e Gravação em Mídia para Análise Fiscal (fls.75/78), em procedimentos acompanhados por representante legal da empresa, o qual recebeu DVDR com o conteúdo extraído, e acompanhou a lacração em envelopes de outro DVDR de contraprova, sendo intimado a comparecer na DRF/Itajaí para acompanhar também o procedimento de deslacração. Para acompanhar a deslacração do volume e identificação do material retido na SOULLER ASSESSORIA, compareceu o Sr. MÁRCIO DE SOUZA CPF nº 834.764.82987, então sócio administrador da empresa 4 (cf Termo de Deslacração e Retenção às fls. 79/82). Fl. 704DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10909.000740/201137 Acórdão n.º 3802004.293 S3TE02 Fl. 703 5 Segundo a descrição feita pela autoridade fiscal, fatos narrados no RF anexo ao AI, a empresa TITAN TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (TITAN) submeteu a despacho aduaneiro a Declaração de Importação (DI) n° 08/09157564, declarandose como IMPORTADORA E ADQUIRENTE da mercadoria, quando as efetivas responsáveis pela compra internacional e pelo aporte de recursos financeiros para custear a operação de importação foram as empresas SERMONTEC CONSTRUÇÃO CIVIL E SERVIÇOS DE MONTAGENS TÉCNICAS LTDA (SERMONTEC) e AL SISTEMAS CONSTRUTIVOS LTDA ME (AL SISTEMAS). A acusação fiscal produzida é de que essas três pessoas jurídicas, em conluio, promoveram a referida importação mediante INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA, dissimulando o negócio jurídico verdadeiramente ocorrido. Caracterizada na investigação fiscal a prática de interposição fraudulenta na operação de importação, tratase de conduta “tipificada”, a qual sujeita os infratores à pena administrativa de perdimento das mercadorias importadas, mas não tendo estas sido localizadas em poder das destinatárias/reais adquirentes AL SISTEMAS e SERMONTEC, e possivelmente tendo sido consumidas ou revendidas, tal penalidade foi convertida, nos termos da lei regente, em multa equivalente ao Valor Aduaneiro das mercadorias entregues a consumo. [...]. As Recorrentes, nas razões de fls. 661698, alegam a ilicitude das provas colhidas nas empresas PARTNER e SOULLER. Sustentam que não participaram do procedimento de fiscalização realizado naquelas empresas, que há erro na identificação do sujeito passivo, bem como que não foi respeitado o princípio constitucional da individualização da pena. Por fim, sustentam o afastamento da responsabilização solidária, por não estarem contemplados os requisitos do art. 124 do Código Tributário Nacional. Requerem, por fim, o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn As Recorrentes foram intimadas em 10/10/2014 (fls. 656 e ss) tendo dado ciência em 17/10/2014 (fls. 658 e ss), interposto recurso tempestivo em 13/11/2014 (fls. 661). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o recurso deve ser conhecido. A preliminar de nulidade do auto de infração por erro na indicação do sujeito passivo confundese com o mérito, razão pela qual será apreciada em conjunto com este. Os Recorrentes também pleiteiam a declaração de nulidade das provas que lastrearam o auto de infração, notadamente as correspondências eletrônicas (emails) obtidas no computador da empresa PARTNER. Isso porque as Recorrentes, além de não terem participado do processo de retenção, lacração e extração dos arquivos, não autorizaram a divulgação dessas correspondências. A admissão da prova, assim, violaria a regra de sigilo prevista no art. 5º, X e XII, da Constituição Federal. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Art. 5º. [...] X são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; [...] XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; Entendo que a preliminar suscitada não pode ser acolhida. Com efeito, as correspondências eletrônicas a que se referem os Recorrentes têm conteúdo eminentemente comercial. Por outro lado, o seu acesso foi franqueado aos Auditores no curso do procedimento fiscal. Portanto, não há que se falar em “quebra” de sigilo, mas de disponibilização voluntária de emails comerciais por uma das partes da relação comunicativa. Ademais, o sigilo de correspondências não tem o conteúdo pretendido pelos Recorrentes. A inviolabilidade, prevista no art. 5º, XII, da Constituição Federal, alcança apenas o intercâmbio de mensagens (a relação comunicativa), e não documentos de efeitos comerciais arquivados em computador de uma das partes para fins de registro dos termos do negócio jurídico mercantil; e que – consoante já ressaltado – foram disponibilizados livremente. Ao arquivar esses emails, a empresa PARTNER promoveu a formalização dos termos e das condições que efetivamente nortearam as operações de comércio exterior fiscalizadas, revelando quais foram as partes envolvidas, o preço das mercadorias importadas, as condições de pagamento de comissões, entre outras informações relacionadas ao negócio jurídico. Não se trata, portanto, de informação relacionada à intimidade ou à vida privada dos Recorrentes, mas de documentos comerciais, que podem (e devem) ser examinados pela Autoridade Fazendária, de acordo com o art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 34 e 35 da Lei nº 9.430/1996: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não tem aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Art. 34. São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida. Art.35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos. §1° Constituindo os livros ou documentos prova da prática de ilícito penal ou tributário os originais retidos não serão devolvidos, extraindose cópia para entrega ao interessado.” Fl. 706DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10909.000740/201137 Acórdão n.º 3802004.293 S3TE02 Fl. 704 7 No mérito, a fim de evitar equívocos de ordem semântica, cumpre inicialmente verificar o sentido em que os termos simulação, fraude e interposição fraudulenta são empregados no art. 23, V, do DecretoLei nº 1.455/1976. Assim, importa destacar que, segundo ensina a doutrina civilista, simulação constitui um defeito do negócio jurídico (vício social) no qual as partes, agindo em conluio, emitem declaração de vontade enganosa no intuito produzir efeitos jurídicos diversos dos ostensivamente indicados1. Se a simulação visa prejudicar terceiros, no que também está compreendida a intenção de lesar o fisco, será denominada maliciosa ou fraudulenta2. A interposição de pessoas, por sua vez, nada mais é do que uma espécie de simulação, caracterizada pela presença de um testadeferro denominado prestanome ou homem de palha ou, em linguagem mais atual, laranja que adquire, extingue ou modifica direitos para um terceiro oculto3. Ambas não se confundem com a fraude, porque nesta o negócio jurídico praticado é real, e não simulado. As partes pretendem o que declararam, cumprindo a lei em sua literalidade, porém, violandoa finalisticamente4. A partir dessa diferenciação, notase que a parte final inciso V do art. 23, quando faz referência aos meios de ocultação (“mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros”) não está tratando propriamente da fraude no sentido empregado pela doutrina civilista. Mas da simulação fraudulenta ou, mais precisamente, da simulação fraudulenta por interposição de pessoas, uma vez que, na fraude, não há uma ocultação, mas um negócio jurídico real. Vale lembrar que o propósito do tipo infracional é coibir a ocultação do real adquirente da mercadoria na importação ou do vendedor da mercadoria na exportação. Tratase de regra de especial relevância, à medida que a ocultação dos sujeitos envolvidos nas operações de comércio exterior pode estar associada à prática de crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, tipificados na Lei nº 9.613/1998. Além disso, ao dificultar o controle da valoração aduaneira e do preço de transferência praticado entre partes relacionadas, a ocultação proporciona a redução indevida dos tributos incidentes da importação (IPI, II, PIS/Pasep, Cofins, Icms), do IPI devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada (quebra da cadeia do IPI) e do Irpj e da Csll. É evidente, portanto, que o dispositivo, ao pressupor a ocultação ilícita, se refere à simulação fraudulenta. Logo, nas operações de importação, a infração é caracterizada sempre que um determinado sujeito passivo denominado importador oculto , visando à evasão dos órgãos de fiscalização, age em conluio com outrem importador ostensivo para que este figure formalmente como importador e omita a identificação do real adquirente perante as autoridades competentes. 1 “Como o erro, a simulação traduz uma inverdade. Ela caracterizase pelo intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, no sentido de criar, aparentemente, um ato jurídico que, de fato, não existe, ou então oculta, sob determinada aparência, o ato realmente querido. Como diz CLOVIS, em forma lapidar, é a declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostentivamente indicado.” (MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil: parte geral. 31. ed. São Paulo: Saraiva, v.1, 1993, p. 207). Na mesma linha, cf.: VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: parte geral. 5. ed. São Paulo: Atlas, v. 1, 2005, p. 547 e ss.; RODRIGUES, Silvio. Direito civil: parte geral. 27. ed. São Paulo: Saraiva, v. 1, 1997, p. 220; DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: teoria geral do direito civil. 14. ed. São Paulo: Saraiva, v. 1, 1998, p. 288. 2 RODRIGUES, op. cit. p. 225: "Se as partes, todavia, foram conduzidas à simulação com o propósito de prejudicar terceiros, ou de burlar o fisco, ou de ilidir a incidência de lei cogente, surge a figura da simulação maliciosa ou culpada, também chamada fraudulenta". 3 VENOSA, op. cit., p. 552. 4 RODRIGUES, op. cit., p. 226; VENOSA, op. cit., p. 559. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 A natureza fraudulenta pode ser provada por qualquer meio admitido pela ordem jurídica, sendo presumida, nos termos do § 2º do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976, sempre que o importador não for capaz de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação: Art. 23. [...] § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Com base nesse dispositivo, alguns julgados do Carf têm operado com a diferenciação entre interposição fraudulenta comprovada e interposição fraudulenta presumida (cf. nesse sentido, Acórdãos nº 310200.582 e nº 310200.589 3ª S. 1ª C. 2ª TO). Entendese, contudo, que não há duas modalidades de interposição. O § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 apenas estabelece uma regra de presunção relativa, que constitui uma técnica de inversão do ônus da prova e não implica qualquer consequência no regime jurídico do instituto. Aplicase, em qualquer caso, com ou sem presunção, a pena de perdimento da mercadoria ou, nas hipóteses do § 3º do art. 23, a multa substitutiva ao importador ostensivo. Por outro lado, sendo identificado o real adquirente (importador oculto), este responderá solidariamente com o importador ostensivo pelo pagamento da multa substitutiva, na condição de coautor da infração ex vi art. 95, I, do DecretoLei nº 37/1966: Art. 95. Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Também responde solidariamente pelo pagamento da multa qualquer outra pessoa que, sem ser coautor, se beneficie com a infração, ou se enquadre dos demais incisos do art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, quando aplicáveis. Nessa linha, destacase o seguinte julgado da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento do Carf: [...] INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PELA INFRAÇÃO. Caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros, uma vez que não houve comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados por parte de todas as empresas que participaram da operação de importação, respondem solidariamente pela penalidade aplicada todas as empresas que concorreram para sua prática, ou dela se beneficiaram. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 320100.168. 3ª S. 2ª C. 1ª TO. Rel. Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto. S. 30/08/2011. gn.) Além da pena substitutiva, o importador ostensivo está sujeito à multa de 10% da operação acobertada, nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com Fl. 708DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10909.000740/201137 Acórdão n.º 3802004.293 S3TE02 Fl. 705 9 vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19965. Ambas aplicamse cumulativamente, consoante interpretação igualmente adotada nos seguintes julgados da 1ª e 2ª Turmas Ordinárias da 1ª Câmara: [...] ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos de habilitação para operar no comércio exterior, bem assim na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado. Descabida, por outro lado, a pretensão de condicionar a caracterização da inflação à conclusão do processo administrativo de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica apontada como responsável pela ocultação. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. HIPÓTESES. A conversão da Pena de Perdimento em multa poderá ser levada a efeito sempre que as mercadorias sujeitas àquela penalidade tiverem sido dadas a consumo, por meio da sua comercialização. REFLEXO DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488, DE 2007 SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à 5 "Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato . § 1º Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior." Fl. 709DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência. Recursos de Ofício Provido e Voluntário Negado. (Acórdão nº 310200.662 3ª S. 1ª C. 2ª TO. Rel. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. S. 24/05/2010). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Período de apuração: 10/09/2003 a 08/06/2005 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS, DANO AO ERÁRIO, CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. O dano ao erário nas infrações enumeradas no caput do artigo 23 do Decretolei 1.455, de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637, de 2002, não é fato típico para a exigência da multa cominada no artigo 33 da Lei 11.488, de 2007, substitutiva da inaptidão do CNPJ de sociedades empresárias inidôneas. Recurso de Oficio Provido. (Acórdão 310100.431. 3ª S. 1ª C. 1ª TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campeio Borges. S. 25/05/2010). Desse modo, não sendo possível a cominação da pena de perdimento da mercadoria, em razão da mesma já ter sido consumida, sendo identificado o importador oculto, o importador ostensivo estará sujeito à multa de 10% da operação (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e à multa substitutiva correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria importada (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º). Esta será devida solidariamente pelo importador oculto, na condição de coautor, ou por qualquer outra pessoa que se enquadre nas demais hipóteses de responsabilização solidária do art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, notadamente aquele que se beneficia com a prática da infração. O mesmo se aplica na hipótese de não identificação do importador oculto, quando a interposição fraudulenta for caracterizada em decorrência da aplicação da regra de presunção prevista no § 2º do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976. A única diferença é que ficará prejudicada a aplicação da responsabilidade solidária ao coautor da infração (Decreto Lei nº 37/1966, art. 95). No presente caso, as Recorrentes não questionam a ausência dos pressupostos de caracterização da infração, mas apenas o suposto erro na identificação do sujeito passivo. Entretanto, não há que se falar em ilegitimidade passiva. Isso porque, consoante destacado, sendo identificado o importador oculto, este responderá solidariamente com o importador ostensivo pelo pagamento da multa substitutiva, na condição de coautor da infração ex vi art. 95, I, do DecretoLei nº 37/1966. Por outro lado, também responde solidariamente qualquer outra pessoa que, sem ser coautor, se beneficie com a infração, ou se enquadre dos demais incisos do art. 95 do DecretoLei nº 37/1966. Com efeito, o exame dos autos mostra que a empresa Titan Importação e Exportação Ltda, ao figurar formalmente na documentação de importação, agiu como Fl. 710DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10909.000740/201137 Acórdão n.º 3802004.293 S3TE02 Fl. 706 11 importadora ostensiva de mercadorias destinadas às empresas Sermontec e Al Sistemas Construtivos (importadores ocultos). Assim, tendo sido constatada a impossibilidade de cominação da pena de perdimento, a fiscalização, à luz da legislação aplicável e dos precedentes do CARF acerca da interposição fraudulenta, deve cominar à importadora ostensiva (Titan Importação e Exportação) a multa de 10% da operação acobertada (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e a multa substitutiva do perdimento (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º); esta última, em solidariedade com os importadores ocultos Sermontec Construção Civil e Serviço de Montagens Técnicas Ltda. e Al Sistemas Construtivos Ltda. ME, que, no caso, não só adquiriu, mas coordenou e auferiu vantagem financeira com a operação, concorrendo e se beneficiando com a prática do ato. Votase, assim, pelo conhecimento do recurso e pelo seu integral desprovimento, mantendose o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn – Relator Fl. 711DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16349.000324/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
LEGISLAÇÃO. NORMAS PROCESSUAIS. APLICAÇÃO.
Em se tratando de normas processuais, aplica-se a legislação vigente na data em que são tomadas as decisões proferidas no âmbito do Processo Administrativo Fiscal.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, o contribuinte deve apresentar as provas solicitadas pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INCORRÊNCIA.
A homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo ocorre cinco anos após a formalização do pedido, contados da data da entrega da declaração de compensação.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Não há que se falar em realização de diligência para complementação da instrução processual quando demonstrado que o contribuinte deixou, sem motivos, de apresentar as provas no momento oportuno e, ainda mais, afirma reiteradamente não mais dispor dos documentos solicitados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.162
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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NORMAS PROCESSUAIS. APLICAÇÃO. Em se tratando de normas processuais, aplicase a legislação vigente na data em que são tomadas as decisões proferidas no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, o contribuinte deve apresentar as provas solicitadas pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INCORRÊNCIA. A homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo ocorre cinco anos após a formalização do pedido, contados da data da entrega da declaração de compensação. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Não há que se falar em realização de diligência para complementação da instrução processual quando demonstrado que o contribuinte deixou, sem motivos, de apresentar as provas no momento oportuno e, ainda mais, afirma reiteradamente não mais dispor dos documentos solicitados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 09/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama, ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba que nãohomologou as compensações solicitadas no presente processo administrativo. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar refere se ao saldo credor do IPI de que trata o artigo 11 da Lei n° 9.779/99, no montante de R$ 59.915,37 relativo ao 1º trimestre de 2001, a ser aproveitado na compensação declarada pela Dcomp n° 09563.05000.300603.1.3.013158, transmitida em 30/06/2003 (processo anexo n° 1804.003093/200291). A Delegacia de origem, em 02/06/2008, mediante despacho decisório, indeferiu o pedido de ressarcimento, sem análise do mérito, em razão de a contribuinte, ter deixado de apresentar, embora intimada, os documentos solicitados com o fim de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido e não homologou as compensações relacionadas no processo de representação fiscal. Acrescentou que a empresa declarou que, nos anos de 2001 e 2002, creditou se de valores de IPI referente a créditoprêmio, por força de liminar em mandado de segurança e, que referida liminar foi revogada em 2005, com efeito "extunc", portanto tais valores não poderiam constar do saldo credor em questão. Regularmente cientificada, em 04/06/2008 (doc fls. 217 e 218), do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: • O estabelecimento matriz solicitou o ressarcimento do saldo credor de IPI conjuntamente com todas as filiais por existir uma centralização na apuração do crédito do IPI em tal localidade, respeitando as determinações vigentes à época contidas na IN SRF n° 21/1997. O regime jurídico de apuração dos créditos do IPI da IN 21/97 difere do atual regime previsto na IN n° 600/2005, porque enquanto naquele existia a possibilidade da apuração centralizada, nesta última, por força do artigo 16, § 2°, a apuração é realizada por cada estabelecimento filial e somente o pedido de ressarcimento é realizado pelo estabelecimento matriz, que atua em nome das filiais cujas operações deram origem ao crédito; • Em 14 de maio de 2004, a DIFIS/SP expediu Termo de Intimação Fiscal solicitando ao estabelecimento matriz da recorrente a apresentação de diversos documentos para apurar a existência do direito ao crédito do IPI objeto do supracitado pedido de ressarcimento. Em decorrência desta intimação, a matriz da recorrente apresentou todos os documentos necessários para a apuração da Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000324/200721 Acórdão n.º 310201.162 S3C1T2 Fl. 2 3 existência do direito creditório. Em razão deste fato, a DIFIS/SP expediu Termo de Informação Fiscal contendo lista dos documentos apresentados e ao final o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 587.518,73. • Não obstante a adequada e completa fiscalização realizada pela DIFIS/SP, foi defendida a necessidade de reexame de alguns elementos materiais constitutivo do crédito pleiteado, sem justificativa, e a interessada foi intimada a apresentar, em curtíssimo prazo, inúmeros documentos, abrangendo muito mais do que os necessários para se apurar as circunstâncias descritas da representação fiscal. Em busca de tais documentos, a requerente descobriu que estes (referentes ao período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002) haviam sido incinerados, apresentando esta justificativa na petição. Em 31 de janeiro de 2008 a empresa protocolou requerimento solicitando prazo de 30 dias para reimprimir os documentos solicitados, tendo o pleito sido indeferido pelo ARFRB sem apresentar nenhuma justificativa; • Considerando a apuração de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, a autoridade competente para apreciar a solicitação é o Delegado da DERAT em São Paulo; • Para realizar nova fiscalização farseia necessário ter sido expedida uma Portaria pelo Delegado da Receita Federal que jurisdiciona a Recorrente; • O despacho decisório merece ser cancelado porque a fiscalização realizada pelos servidores vinculados à DRF/Araçatuba foi totalmente irregular, por ir além do autorizado na Representação e porque desconsiderou ter a empresa apresentado à DIFIS/SP diversos documentos necessários para a apreciação do pedido de ressarcimento, desconsiderando, em conseqüência diversas provas e documentos relacionados ao pedido de ressarcimento; • A empresa não foi intimada a se manifestar sobre o fim da instrução processual conforme determina o artigo 44 da Lei n° 9.784/99; • Não existe legislação garantindo a possibilidade do indeferimento do pedido de ressarcimento pelo motivo descrito. De acordo com a IN 600/2005 se depreende ser somente possível o indeferimento do pedido caso o contribuinte não possua efetivamente o direito ao ressarcimento do "crédito presumido do IPI". A existência do direito creditório foi atestada por uma das mais experientes equipes de fiscalização da Receita Federal do Brasil, a DIFIS/SP; • Erro e falta de motivação no despacho decisório por desconsiderar, a existência de informação fiscal emitido pela DIFIS/SP e ter a recorrente apresentado os documentos comprobatórios do direito creditório na época solicitados. Sendo assim, a fundamentação adotada está totalmente incorreta; • Cerceamento do direito de defesa, por não permitir a compreensão de como pode ter sido desconsiderada totalmente a fiscalização realizada anteriormente e não analisados os documentos que já haviam sido apresentados pela empresa como prova do direito creditório pleiteado; • O despacho decisório deve ser reformado por ter o estabelecimento matriz apresentado diversos documentos, fato que gerou a análise favorável da DIFIS/SP, no Termo de Informação Fiscal. Pelo princípio da verdade material, para decidir, a autoridade deve realizar todos os atos necessários para apurar de forma real e verdadeira as circunstâncias envolvendo o direito do contribuinte e analisar todos os argumentos comprobatórios disponíveis para verificação; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 • O procedimento fiscal realizado desconsideraram totalmente os documentos fornecidos pela recorrente e que estavam juntados ao processo administrativo n° 13804.003093/200291, bem como não foi solicitado nenhum esclarecimento sobre os trabalhos fiscais praticados no termo de informação fiscal original; • O despacho decisório também deve ser cancelado por ofender o princípio da proporcionalidade e razoabilidade ao negar o direito de ressarcimento da recorrente, pois desconsiderou profunda análise fiscal realizada anteriormente, e a solicitação para apresentação de documentos após 5 anos da protocolização do pedido. • A empresa jamais teve a intenção de embaraçar os trabalhos fiscais, porque desde o início da fiscalização buscou cumprir com as solicitações fiscais, solicitando inclusive prorrogação de prazo para apresentação, o qual foi indeferido de forma injustificada; • Na hipótese de a fiscalização necessitar de verificar outros documentos ou atestar a veracidade dos ora anexados a recorrente informa que localizou em seu arquivo morto diversas notas fiscais que estão à disposição da fiscalização ou de eventual perícia e diligência. Para os documentos que foram efetivamente incinerados, muitos possuem cópias simples, que foram analisadas pelos AFRFB, sua autenticidade foi verificada pela DIFIS/SP, não podendo ser desconsiderado; • Em relação à questão envolvendo o créditoprêmio de IPI, esta não merece ser considerada, por não possuir qualquer relação com o pedido de ressarcimento e ainda não ser possível ser efetuada qualquer glosa, considerando os efeitos da decadência, conforme o próprio parecer SAORT; • O despacho decisório deve ser reformado porque não homologou as compensações que já haviam sido homologadas tacitamente, nos termos do artigo 74, § 5° da Lei n° 9.430/1996; Por fim, solicitou a realização de diligência ou perícia, nomeando perito e elaborando quesitos; o reconhecimento da incidência da taxa selic sobre o valor dos créditos pleiteados', e o julgamento em conjunto das manifestações apresentadas nos processos desmembrados do original (Processo administrativo n° 13804.003093/200291). Requereu, ainda, a intimação da ciência dos autos ao advogado signatário da manifestação de inconformidade no endereço mencionado. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. MATRIZ E FILIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma empresa deve cumprir separadamente suas obrigações tributárias. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF, Derat ou IRFClasse Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000324/200721 Acórdão n.º 310201.162 S3C1T2 Fl. 3 5 RESSARCIMENTO DE IPI. REQUISITOS. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e não da data do pedido de ressarcimento ou restituição. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Referese, uma vez mais, à incompetência da DRF/Araçatuba para emissão do Despacho Decisório sobre o Pedido de Ressarcimento formulado, por ter sido o direito creditório apurado de forma centralizada (cita o artigo 43 da IN 600/05). Argumenta que a DRJ equivocouse quando, ao examinar o assunto, referiuse à autonomia dos estabelecimentos e à transferência de créditos, porque jamais teria defendido a inexistência da primeira e nunca promoveu a transferência de créditos entre estabelecimentos, apenas sustenta a incompetência da DRF/Araçatuba para apreciar o pedido de ressarcimento. Neste sentido, que a IN 33/99, ao regulamentar a Lei 9.799/99, determinou que o pedido fosse feito nos termos da IN 21/97, que, por sua vez, orientava pela centralização. Ao assim proceder, protocolou o requerimento na jurisdição da empresa matriz, jurisdicionada pela DERAT/SP, razão pela qual a decisão não poderia ter sido proferida pela DRF/Araçatuba. Que para a realização de uma nova fiscalização seria necessário Portaria do Delegado da Receita Federal da jurisdição. Que a representação que deu origem ao novo procedimento solicitou apenas a complementação das verificações fiscais, e jamais autorizou a realização de nova fiscalização com foi feito, razão pela qual requer a nulidade do procedimento. Também alega não terem sido considerados diversos documentos apresentados à DIFIS/SP que comprovariam o direito pleiteado. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Assevera não ter sido respeitado o prazo de dez dias para manifestação do administrado, conforme determinado no artigo 44 da Lei 9.784/99, o que, segundo entende, tratase de um “flagrante vício neste processo administrativo gerador da nulidade insanável do r. Despacho Decisório e motivo de reforma do Acórdão ora recorrido”. Que a legislação não prevê a possibilidade do indeferimento do Pedido de Ressarcimento pelo motivo descrito no texto do Despacho Decisório, mas apenas pela ausência do direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI. Falta de motivação do Despacho Decisório guerreado. Nulidade do Despacho Decisório por preterição ao direito de defesa, na medida em que este não permite “a compreensão de como pode ter sido desconsiderada totalmente a fiscalização realizada pela DIFIS/SP e não analisados os documentos que já haviam sido apresentados pela empresa como prova do direito creditório pleiteado”. Afronta ao princípio da verdade material, segundo o qual deveriam ter sido levados em conta “todos os atos necessários para apurar de forma real e verdadeira as circunstâncias envolvendo o direito do contribuinte e analisar todos os elementos comprobatórios disponíveis para verificação”. O que, sempre conforme entende, não foi feito, “porque tanto os documentos já apresentados pelo estabelecimento matriz da Recorrente, quanto as conclusões da DIFIS/SP foram desconsideradas para fins de apreciação do pedido de ressarcimento”. Argumenta que “pleiteou a concessão de 30 (trinta) dias de prazo para buscar em seus arquivos as informações e dados solicitadas pela fiscalização considerando o grande período fiscalizado abrangendo períodos anteriores a 5 (cinco) anos, nos termos da anexa petição”, no que não foi atendida. Que houve ofensa aos Princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade. Que a inexistência de elementos de suporte documental acusada pela fiscalização como motivação para negativa ao pleito decorre do fato destes estarem no processo original, analisado pela DIFIS/SP. Relembra que, conforme afirmado na Manifestação de Inconformidade, os documentos fiscais estavam disponíveis para análise, o que foi desconsiderado pela DRJ. Reafirma “jamais ter existido embaraço a fiscalização por parte da Recorrente, porque somente não conseguiu cumprir com as Solicitações da fiscalização pelo curto prazo concedido, grande volume de documentos solicitados e indeferimento de seus pedidos de prorrogação de prazo”. No mérito, considera que o desmembramento dos processos foi irregular e que toda a análise deveria ter sido feita com base nos elementos presentes no processo original, o Processo Administrativo n° 13804.003093/200291. Neste sentido, requer o julgamento conjunto de todos os processos originados do processo desmembrado. Requer a realização de novo julgamento, à luz de todos os elementos de prova, inclusive os que constam no Processo Administrativo n° 13804.003093/200291 e informa terem sido localizados no seu arquivo morto diversos materiais relacionados a apuração do direito creditório. Assevera que a legislação determina manutenção da guarda de documentos apenas pelo prazo de do prazo de decadência dos tributos. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000324/200721 Acórdão n.º 310201.162 S3C1T2 Fl. 4 7 Que houve homologação tácita de determinadas compensações. Mais uma vez alega preterição ao direito de defesa, ante a negativa do pedido de diligência, pois “documentos relacionados ao direito creditório e existentes no estabelecimento da Recorrente os quais, por serem em grande volume, não estão sendo anexados na presente Manifestação de Inconformidade”. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Tal como se depreende da Representação que inicia o processo e em diversas outras peças processuais, a lide tem origem no desmembramento do processo administrativo 13804.003093/200291, no qual fora veiculado o pedido de ressarcimento de forma agregada para diversas filias, em diversos processos. Assim esclarece a fiscalização da Secretaria da Receita Federal. O contribuinte em epígrafe formalizou, em 17/05/2002, o processo administrativo de nº 13804.003093/200291, solicitando o ressarcimento de crédito de IPI no montante de R$ 587.518,73 (quinhentos e oitenta e sete mil e quinhentos e dezoito reais e setenta e três centavos), referente ao 1º trimestre de 2001, no CNPJ da matriz (01.597.168/000199). O suposto crédito de IPI decorre da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados em seu processo de fabricação, por força do art. 11 da Lei 9779/99. Ocorre que ao verificar os livros fiscais planilha de cálculos apensas aos autos constatouse que o pretenso crédito de IPI se distribui entre várias filiais, a saber: (...) Em cumprimento à citada Instrução, o processo original, nº 13804.003093/2002 80, foi desmembrado em 14 (quatorze) processos de representação, para que o crédito de IPI seja analisado pela Delegacia da Receita Federal de sua jurisdição, bem como a homologação das compensações vinculadas ao mesmo. Entendo que seja importante, desde logo, indagar quanto às razões para que o procedimento tenha sido conduzido inicialmente de uma forma e, mais tarde, de outra, assim como do acerto ou não da Administração ao determinar novas providências, em detrimento da decisão anterior de admitir o pedido centralizado. Preliminarmente, devese reconhecer que os termos da IN SRF nº 21/97 deixavam larga margem para o entendimento de que o pedido de ressarcimento pudesse ser Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 feito de forma centralizada, já referiase apenas à pessoa jurídica e ao dever de que o mesmo fosse analisado pela unidade de jurisdição do estabelecimento requerente. Ressarcimento Art. 8º O ressarcimento dos créditos relacionados no art. 3º será efetuado, inicialmente, mediante compensação com débitos do IPI relativos a operações no mercado interno. § 1º Na hipótese de total impossibilidade de compensação, o ressarcimento será efetuado em espécie, a requerimento da pessoa jurídica, apresentado no formulário "Pedido de Ressarcimento", constante do Anexo II. (grifos meus) § 2º Compete à autoridade administrativa da DRF ou da IRFA, do domicílio fiscal da pessoa jurídica, proferir despacho decisório quanto ao crédito pleiteado e autorizar o seu pagamento, na forma da Instrução Normativa Conjunta SRF/STN nº 117, de 1989, integral ou na parte em que for favorável o despacho. (grifos meus) Não havendo qualquer menção à pessoa jurídica detentora do direito, ou mesmo à individualização do pedido por estabelecimento, perfeitamente possível entender que este fosse protocolado pelo estabelecimento matriz, competindo à unidade de jurisdição a análise do pleito. O excerto abaixo transcrito do voto condutor da decisão recorrida indica que a Delegacia da Receita Federal de julgamento não entendeu de forma diversa. Referida Instrução Normativa, quando estabelece que a pessoa jurídica pode pedir o ressarcimento, não diz que a matriz tem direito ao ressarcimento de créditos apurados pela filial, mas que pode pedir o ressarcimento em nome dela (filial) ou usar este direito creditório para compensar impostos e contribuições administrados pela SRF (o que respeita o princípio da autonomia dos estabelecimentos). No entanto, pedir ressarcimento em nome de outro estabelecimento não é o mesmo que transferir saldo credor de IPI de um estabelecimento a outro e solicitar tal crédito como se seu fosse. Assim, segundo me parece, agiu de acordo com a legislação a fiscalização de São Paulo, analisando o pedido protocolado pela empresa de forma centralizada. Uma vez procedidas as verificações necessárias deuse por concluído o procedimento de competência da fiscalização e o processo foi encaminhado Divisão de Orientação e Análise Tributária para prosseguimento. Ocorre que, na data em que o processo foi encaminhado à Divisão de Orientação e Análise Tributária, já vigia há muito a IN SRF n° 210/2002, que assim estabelecia: Art. 32. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF, Derat ou IRFClasse Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. Parágrafo único. O ressarcimento ou a compensação de oficio de créditos do IPI com débitos da pessoa jurídica para com a Fazenda Nacional caberá ao titular da unidade da SRF de que trata o caput que, à data do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000324/200721 Acórdão n.º 310201.162 S3C1T2 Fl. 5 9 Por força das disposições acima, o processo foi encaminhado à Seção de Orientação e Análise Tributária de Araçatuba, para decisão. Isso feito, ao examinar os elementos obtidos do procedimento fiscal, a Seção de Orientação e Análise Tributária de Araçatuba detectou a ausência de informações necessárias à tomada de decisão, que exigiam “o reexame dos elementos materiais constitutivos do crédito pleiteado nos presentes autos”, razão pela qual decidiu pelo retorno do processo em diligência para complementação das informações coletadas pela fiscalização. Pelo exposto, resta incontroverso que na data em que as decisões acima foram tomadas, as disposições contidas nos atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal foram rigorosamente observadas, não havendo como acolher a alegação da recorrente de que a DRF/Araçatuba não detinha competência para emissão do Despacho Decisório sobre o Pedido de Ressarcimento formulado. Ainda no que concerne à decisão tomada pela Delegacia da Receita Federal em de Julgamento em relação ao procedimento adotado, entendo que assiste razão à autuada quanto alega, em protesto às considerações contidas no voto condutor da decisão recorrida, não terse referido, na impugnação, à transferência de créditos. Contudo, à luz dos fatos acima narrados, isso não tem qualquer consequência, estando claro que o procedimento adotado atendia as disposições legais contidas na legislação de regência, tal como decidido em primeira instância. Outrossim, como também fica claro, a IN 21/97, não “orientava que o pedido fosse feito de forma centralizada”, mas apenas dava margem a essa interpretação e, como se disse, na data em que foi apurada a necessidade de complementação das informações contidas no processo, competia, sim, à DRF/Araçatuba a decisão a esse respeito. Também não há que se falar em nova fiscalização e consequente necessidade de Portaria do Delegado da Receita Federal autorizando o procedimento, a uma, porque tratase de complementação de informações no âmbito de um mesmo procedimento, a duas, porque as questões de cunho administrativo não devem ser sobrepostas às informações trazidas aos autos pela autoridade fiscal dando conta de investigações quanto à procedência ou não do pleito apresentado pela empresa, pressuposto aplicável também ao argumento de que a representação que deu origem ao novo procedimento teria apenas a solicitado a complementação das verificações fiscais, sem jamais autorizar a realização de nova fiscalização. Fosse isso verdadeiro e ainda assim estarseia diante de informações indispensáveis à tomada de decisão e que, portanto, precisam necessariamente ser levadas em conta. Não ocorreu também o alegado desrespeito ao prazo de dez dias para manifestação do administrado, conforme determinaria o artigo 44 da Lei 9.784/99, não havendo que se falar em “flagrante vício neste processo administrativo gerador da nulidade insanável do r. Despacho Decisório e motivo de reforma do Acórdão ora recorrido”, isso porque a própria Lei 9.784/99 é bastante clara ao referirse aos processos administrativos regidos por legislação própria, nos seguintes termos. CAPÍTULOXVIII DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 10 Não há como acolher as alegações tendentes à caracterização da nulidade do Despacho Decisório, seja pela falta de motivação, ou por qualquer tipo de imprecisão nos termos em que foi redigido. A leitura do Despacho e do Parecer SAORT que lhe dá suporte permitem compreender detalhadamente todas as razões por que a Secretaria da Receita Federal tomou a decisão objeto da lide. Claro está que a ausência do direito ao crédito devese à falta de comprovação do mesmo. Quanto a isso, o que se observa da leitura dos autos é que as reiteradas intimações da fiscalização com vistas à instrução processual não foram atendidas. O Termo de Encerramento Parcial de Fiscalização de folhas 187 a 192 contextualiza bem esta circunstância. Como se vê, em 29 de dezembro de 2007, deuse ciência à fiscalizada de que deveria apresentar a relação de documentos contida no Termo de Início de Fiscalização – folhas 92 a 95 do processo. A empresa respondeu à intimação em 21 de janeiro de 2008, nos seguintes termos. BERTIN LTDA, estabelecida na Avenida São Paulo, 1805, município de Lins SP, inscrita no CNPJ sob n° 01.597.168/001080, em resposta a IDENTIFICAÇÃO MPFDILIGÊNCIA N° 08.1.02.002007003796, vem informar que os documentos; solicitados referente aos períodos de 01/99 a 12/02 já foram incinerados pela empresa, devido prescrição de 5 anos. Informamos ainda, que os documentos solicitados do período de 01/03 a 06/04, estão sob fiscalização da Secretaria Estadual de São Paulo. Apurouse, mediante contato com o Fisco Estadual, que apenas o Livro de Registro de Entradas correspondente ao ano de 2003 estava em poder do Órgão. A solicitação de apresentação de provas foi reiterada. Foi lavrado Termo de Embaraço à fiscalização ante a dificuldade encontrada na obtenção dos documentos necessários à análise do pleito, assim como da recusa dos funcionários da empresa em franquear acesso ao estabelecimento. Embora em 31 de janeiro de 2008 tenha requerido prorrogação (não concedida) do prazo, a leitura da correspondência datada de 24 de março de 2008 às folhas 130 do processo remete à inevitável conclusão de que a empresa, de fato, nunca disponibilizou tais documentos, vejase como se manifesta. A sociedade empresária qualificada, em atenção ao termo de ocorrência, vem, perante Vossa Senhoria, informar que, conforme já exposto anteriormente, não é possível apresentar a documentação exigida, pelo fato de ser prática desta sociedade empresária, após 05, (cinco) anos os documentos são destruídos. Com relação aos arquivos da informática, estes não foram recuperados em virtude das atualizações constantes no sistema. Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999. Em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa responsabilidades com base em idêntico critério. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000324/200721 Acórdão n.º 310201.162 S3C1T2 Fl. 6 11 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado, entendo que o comando legal que atribui ao autor a responsabilidade por apresentar as provas do fato constitutivo do seu direito precisa ser aplicado tendose em conta o modelo sob o qual tais responsabilidades são exercidas. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos cuja existência se pretende comprovar. Não sendo da natureza das relações fiscocontribuinte que o primeiro guarde consigo os documentos firmados pelo segundo e mesmo que o fato constitutivo do direito tenha sido formalmente pactuado, a comprovação depende de que o administrado seja intimado a apresentar os documentos que a lei o obriga a produzir e manter em bom estado, ou que manifeste sua vontade por meio de declaração contida em documentos previamente elaborados ou perante a própria fiscalização que a colhe a termo, ou, ainda, pela obtenção desses ou verificação da ocorrência de fatos no local de funcionamento da empresa. Em todas estas situações, a obtenção das provas depende quase sempre de que o administrado exerça em sua plenitude a função de anotar e manter em boas condições os registros contábeis e fiscais e os apresente ao fisco quando exigido. Sem essa providência, salvo algumas poucas exceções, não haverá como comprovar a ocorrência ou inocorrência de um fato. Há que se admitir, então, que, nas relações fiscocontribuinte, a obtenção e a apresentação das provas do fato constitutivo do direito do autor depende de o contribuinte colocálas à disposição do fisco, sendolhe negado o direito de negligenciar tal função, sob pena de responsabilidade pela ausência de provas no processo e, corolário, o próprio ônus probante. No caso presente, devese ainda acrescentar que tratase um pedido de iniciativa do próprio contribuinte, para o qual, necessariamente, o mesmo deve possuir e apresentar as provas correspondentes. Ainda mais, a legislação tributária, já trazida aos autos pela i. Julgador de Primeira Instância, é taxativa quanto a obrigatoriedade de guarda de documentos quando, sobre o assunto, existam ações não prescritas pertinentes. Seção IV Conservação de Livros e Comprovantes Art.264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 49. Por todo o exposto, não há que se falar em afronta ao princípio da verdade material, segundo o qual deveriam ter sido levados em conta “todos os atos necessários para Fl. 11DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 12 apurar de forma real e verdadeira as circunstâncias envolvendo o direito do contribuinte e analisar todos os elementos comprobatórios disponíveis para verificação”. Com efeito, se alguma coisa deixou de ser levada em conta, isso aconteceu exatamente porque a recorrente não apresentou os documentos solicitados pela fiscalização. Causa estranheza a afirmação de que os documentos solicitados pela fiscalização estariam no processo original, analisado pela DIFIS/SP. Em nenhum momento essa explicação consta das respostas dadas à fiscalização. Como já foi dito, a recorrente afirmou reiteradamente no processo, ter incinerado parte dos documentos e que outros estariam em poder do Fisco Estadual, em nenhum momento que eles estariam no processo 13804.003093/200291. Por outro lado, a renumeração de folhas e a própria representação que inaugura o presente demonstram que os documentos do processo original foram reproduzidos neste. Ainda mais, importante destacar que há muito pouca coincidência entre o que foi requerido pela fiscalização de São Paulo e o que foi solicitado, mais tarde, pela fiscalização de Araçatuba. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manifestouse a respeito das provas contidas no processo acima. Como se vê, o processo foi instruído com as cópias de todos os documentos apresentados no processo original referentes ao estabelecimento, inclusive da informação fiscal da DIFIS/SPO. A afirmação de que foram localizados no seu arquivo morto diversos materiais relacionados à apuração do direito creditório está em contradição com todas as declarações até aqui comentadas. Por outro lado, nada de novo foi trazido aos autos e o prazo para apresentação de provas já está esgotado, conforme preceitua o Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Por estas razões também não vejo como acolher as alegações de preterição de direito de defesa em face da negativa ao pedido de diligência, tampouco percebo qualquer necessidade na sua realização. Finalmente, não houve a homologação tácita das compensações. Como bem apontado no voto condutor da decisão recorrida, que transcrevo a seguir, o Despacho Decisório foi lavrado ante do prazo de cinco anos estipulado pela legislação de regência. Da análise dos documentos juntados aos autos vêse que Declaração de Compensação Dcomp n° 09563.05000.300603.1.3.013158, foi emitida em 30/06/2003, portanto, a autoridade administrativa teria até 29/06/2008 para apreciar a compensação declarada em tal instrumento, momento em que transcorreria o prazo do § 5° do artigo 74 da Lei n° 9430/96. O despacho decisório foi proferido em 02/06/2008 e a contribuinte foi cientificada, em 04/06/2008, e, sendo assim, a decisão que nãohomologou a compensação foi proferida antes do transcurso do prazo de 5 anos e portanto, não ocorreu a homologação tácita, conforme fez crer a manifestante. Pelas razões acima esclarecidas, considerando que a recorrente não logrou comprovar o direito ao crédito pleiteado, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 10 de agosto de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000324/200721 Acórdão n.º 310201.162 S3C1T2 Fl. 7 13 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 15374.916987/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IOF. PAGAMENTO A MAIOR. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A DEVOLUÇÃO.
Nos termos do art. 166 do Código Tributário Nacional, somente possui legitimidade para repetir o indébito, seja pela via da restituição ou da compensação, o contribuinte que, tendo repassado o ônus econômico a terceiros, receber autorização destes. Assim, para que o responsável possa pleitear restituição em seu nome, deverá obter autorização junto a quem sofreu o ônus econômico, juntando-a ao processo administrativo para fins de prova.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi (Relator), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IOF. PAGAMENTO A MAIOR. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A DEVOLUÇÃO. Nos termos do art. 166 do Código Tributário Nacional, somente possui legitimidade para repetir o indébito, seja pela via da restituição ou da compensação, o contribuinte que, tendo repassado o ônus econômico a terceiros, receber autorização destes. Assim, para que o responsável possa pleitear restituição em seu nome, deverá obter autorização junto a quem sofreu o ônus econômico, juntando-a ao processo administrativo para fins de prova. Recurso Voluntário Negado.
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IOF. PAGAMENTO A MAIOR. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A DEVOLUÇÃO. Nos termos do art. 166 do Código Tributário Nacional, somente possui legitimidade para repetir o indébito, seja pela via da restituição ou da compensação, o contribuinte que, tendo repassado o ônus econômico a terceiros, receber autorização destes. Assim, para que o responsável possa pleitear restituição em seu nome, deverá obter autorização junto a quem sofreu o ônus econômico, juntandoa ao processo administrativo para fins de prova. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 87 /2 00 9- 51 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi (Relator), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 133), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente, PRECE – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR, insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1238.673, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro –DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra o referido contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: Tratase do Despacho Decisório n° 831256405, de 09.04.2009, da então Delegacia Especial de Instituições Financeiras Deinf/RJO (fls.6), que, sob o fundamento de que o Darf já havia sido integralmente utilizado, não homologou a seguinte Declaração de CompensaçãoDcomp: (...) vide quadro. Em Manifestação de InconformidadeMI (fls.11/16), instruída com os documentos de fls. 17/66, o interessado afirma que é entidade fechada de previdência complementar, tendo por objeto instituir plano de previdência complementar e pagar aposentadorias complementares, e, ainda, que: a) o crédito utilizado teve "origem na apuração de equivoco no procedimento adotado para cálculo do IOF nas operações de empréstimos, conforme laudo técnico em anexo (doc.01)"; b) equivocouse no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e não demonstrou a existência de crédito de I0F, e "declarou como devido exatamente o valor recolhido"; c) os equívocos nas declarações não criam tributos, e não podem, comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária; d) "se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário"; e) se o valor confessado não corresponde às hipóteses de incidência, "a confissão de divida e o consequente pagamento Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15374.916987/200951 Acórdão n.º 3802001.976 S3TE02 Fl. 135 3 são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária". 3. O interessado alega que "o valor realmente devido para esta competência é de R$ 2.776,91, e não R$ 5.093,22, como erroneamente declarado em DCTF". Sustenta que "a existência deste crédito pode ser facilmente observada, bastandose comparar os valores apresentados como devidos (...), conforme planilha em anexo (doc.2), com a guia de recolhimento da mesma competência (doc.3)". 4. Afirma que, "desta forma, fica clara a existência de simples equívoco no preenchimento da DCTF (...) e a existência do crédito, bem como a consequente extinção do débito ora indevidamente imputado". 5. Pede que a Manifestação de Inconformidade seja julgada procedente, bem como, que se homologue a compensação procedida, extinguindose o crédito tributário cobrado. 6. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.69/83. 7. Relatados. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/RJ1 resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a impugnação apresentada. Vejase: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2002. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IOF. ANOCALENDÁRIO 2002. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão supra, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário reafirmando as alegações já trazidas na manifestação de inconformidade, e enfatizando a legitimidade para pleitear a compensação, por ter ocorrido decisão do Conselho da Recorrente nesse sentido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 133), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado a reconhecer a validade da compensação realizada pelo sujeito passivo, que alega, na qualidade de responsável pela retenção do IOF junto a seus segurados, haver adotado procedimento equivocado para cálculo do imposto nas operações de empréstimos que realizou. A Recorrente atua como responsável pela retenção e recolhimento do IOF incidente sobre os contratos de crédito celebrados com seus clientes, nos termos da legislação aplicável, mormente o Decreto nº 4.494, de 2002, que, regulamentando o IOF à época da ocorrência dos fatos geradores, permitenos analisar a questão de modo objetivo. O contribuinte do IOF crédito, nos termos do art. 4º do antigo RIOF, é o tomador do crédito, seja este pessoa física ou jurídica. Todavia, o art. 5º do mesmo diploma atribui a responsabilidade pela retenção (a norma se refere a “cobrança”, mas em verdade referese a retenção) e recolhimento do IOF às instituições financeiras que efetuarem operações de crédito, empresas de factoring adquirentes do direito de crédito e pessoas jurídicas que concederem o crédito, nas operações correspondentes a mútuo de recursos financeiros. A situação, portanto, está bem posta. A Recorrente, na qualidade de entidade fechada de previdência complementar, ao realizar empréstimos atua como responsável tributário do IOF – cujo ônus econômico pertence não a si, mas ao contribuinte tomador do crédito. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15374.916987/200951 Acórdão n.º 3802001.976 S3TE02 Fl. 136 5 Logo, ao perceber que houve cálculo a maior do IOF, seguramente houve retenção a maior do imposto, não somente um recolhimento a maior do que fora retido junto aos contribuintes. Pelo menos, não consta dos autos qualquer prova que leve a uma presunção em contrário. Ora, havendo retenção do imposto a maior, cada cliente dos financiamentos realizados pela Recorrente tornase passível de repetição do indébito de IOF, pois são os efetivos contribuintes do imposto, e que sofreram oneração econômica indevida. Estes, portanto, os legítimos pleiteantes de restituição junto à RFB. A Recorrente, ao seu turno, na qualidade de responsável pela retenção e recolhimento do imposto, não sofre qualquer prejuízo, carecendo sua legitimidade para buscar o indébito. Essa situação lógica é refletida no art. 166 do Código Tributário Nacional, o qual confere a legitimidade para pleitear repetição do indébito apenas àquelas pessoas que demonstrarem ter sofrido o ônus econômico do tributo. A única exceção permitida pelo CTN diz respeito aos casos nos quais os prejudicados autorizem expressamente um terceiro (no caso, a Recorrente) a buscar, em seu nome, o justo indébito tributário. Para provar, portanto, legitimidade no seu pleito, a Recorrente deveria ter primeiramente apresentado autorização de cada cliente seu, objeto de retenção a maior do IOF, para que esta efetuasse o pedido. No entanto, em seu recurso informa que, "(...) Assim é que mediante decisão do Conselho da Recorrente ficou decidido que a ora Recorrente estaria autorizada a buscar a repetição do indébito tributário objeto do presente processo e em contrapartida, assim que houvesse a recuperação destes valores, devolveria aos participantes (...)". Não me parece suficiente, portanto, que uma deliberação do Conselho da Recorrente faça as vezes de instrumento autorizador de indébito tributário, em nome de particulares. Até porque, dos documentos juntados ao Recurso Voluntário não enxergo nem mesmo a referida deliberação – somente consta a deliberação de 26/01/2005 para executar auditoria de empréstimos, e uma resposta de 29/03/2005 a memorando em que expressamente o Diretor de Seguridade da Recorrente entende ser “necessária consulta à SRF, para dirimir dúvidas quanto aos detalhes técnicos”, a fim de que se faça a “recuperação dos valores pagos a maior”, ainda que “de uma só vez, mediante pedido de restituição junto à Receita Federal”. Uma vez não demonstrada a legitimidade da Recorrente para buscar o indébito do IOF, resta prejudicada até mesmo a análise da materialidade do crédito. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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