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Numero do processo: 10665.000529/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002
COFINS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
Sendo a Recorrente parte beneficiária de mandado de segurança preventivo que visou afastar o pagamento da COFINS pelo alargamento da base de cálculo prevista no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, é interrompido o prazo prescricional para restituir/compensar de valores pagos a maior durante o andamento do processo até o trânsito em julgado do provimento favorável, começando o prazo de prescrição a fluir a partir dai, e encerrando-se com o decurso de 5 anos, nos termos do art. 168, inciso II, do CTN e art.219 do CPC.
COMPENSAÇÃO. COFINS.
Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3402-006.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) afastar o fundamento original do despacho decisório para considerar não prescrito o direito ao crédito relacionado aos pagamentos realizados entre 19/05/1999 e 15/07/2002 e (ii) determinar que a autoridade fiscal de origem apure, por meio de novo despacho decisório, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo quanto a este período (19/05/1999 e 15/07/2002).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO Sendo a Recorrente parte beneficiária de mandado de segurança preventivo que visou afastar o pagamento da COFINS pelo alargamento da base de cálculo prevista no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, é interrompido o prazo prescricional para restituir/compensar de valores pagos a maior durante o andamento do processo até o trânsito em julgado do provimento favorável, começando o prazo de prescrição a fluir a partir dai, e encerrando se com o decurso de 5 anos, nos termos do art. 168, inciso II, do CTN e art.219 do CPC. COMPENSAÇÃO. COFINS. Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) afastar o fundamento original do despacho decisório para considerar não prescrito o direito ao crédito relacionado aos pagamentos realizados entre 19/05/1999 e 15/07/2002 e (ii) determinar que a autoridade fiscal de origem apure, por meio de novo despacho decisório, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo quanto a este período (19/05/1999 e 15/07/2002). (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 05 29 /2 00 7- 48 Fl. 537DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: A contribuinte aqui identificada requereu em 30/08/2007 junto à Delegacia da Receita Federal em Divinópolis/MG, a compensação de valores recolhidos a título de Cofins nos períodos de apuração de 01/01/1999 a 30/06/2002, alegando ganho judicial em processo no qual questionou a alteração da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei nº 9.718, de 1998 (documentos de fls. 01/92). Para uso do mesmo crédito, também transmitiu as Dcomp de fls. 187/241. A DRF Divinópolis, por intermédio do Despacho Decisório de 04/09/2008, às fls. 274/275, a par de ratificar entendimento da própria contribuinte de que o pedido não está amparado por medida judicial, deferiu parcialmente o pedido nos seguintes termos: em relação à parte dos pagamentos (anteriores a cinco anos da data da declaração de compensação), o direito de pleitear a compensação já estava prescrito; em relação aos demais pagamentos (não prescritos), apurouse crédito menor do que o reclamado, em virtude de a contribuinte não haver considerado, na base de cálculo, os faturamentos relativos à receita com aluguel e venda de sucatas e óleo queimado (conta Rendas Diversas). Em seqüência, homologouse parcialmente as compensações, considerando o crédito de cada recolhimento, apurado conforme planilhas de fls. 265/272. Cientificada da decisão em 17/09/2008 (fl. 275v), a contribuinte manifestou sua inconformidade em 17/10/2008 (fls. 276/284), alegando, em síntese: em vista da decisão transitada em julgado que afastou a incidência das contribuições sobre a parcela de receitas que não corresponda ao faturamento, resta evidente que os valores dos recolhimentos sobre tais parcelas são classificados como “pagamento indevido de tributos administrados pela SRF”, e assim considerandose o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96, manifestase o seu direito de compensar tais valores; cita o § 10 do art. 26 da Instrução Normativa nº 600/05 para inferir que, se ao contribuinte que tenha apresentado pedido de restituição à SRF antes do transcurso do referido prazo (cinco anos), é deferida a possibilidade de apresentar a Declaração de Compensação, obviamente que se o mesmo comprovar que estava discutindo judicialmente a questão da incidência tributária, através de Mandado de Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10665.000529/200748 Acórdão n.º 3402006.143 S3C4T2 Fl. 538 3 Segurança, e o trânsito em julgado somente ter ocorrido em 2006, também poderá apresentar tal Declaração; cita, ainda, o parágrafo único do art. 219 do CPC, esposando o entendimento de que o início de ação judicial interrompe o prazo prescricional para a restituição dos valores indevidamente recolhidos; como os valores indevidamente recolhidos foram reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, e os recolhimentos foram efetuados após a impetração do Mandado de Segurança, tem a Requerente assegurado o direito à sua compensação, citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes; sobre as glosas procedidas pela DRF na apuração do crédito, alega que o Mandado de Segurança impetrado garantiulhe o direito de que a Cofins incidisse apenas sobre o Faturamento e não sobre a Receita Bruta. Assim, as receitas não operacionais não seriam incluídas na base de cálculo da Cofins; a requerente possui imóveis em seu patrimônio, mas não tem por objeto social a locação de imóveis. Assim, as receitas decorrentes dos alugueis são não operacionais, devendo as mesmas ser excluídas da base de cálculo da Cofins; a requerente possui ainda Sucatas, que são materiais utilizados em suas instalações e equipamento, e que, após desgastados deixam de ter utilidade para a requerente e são descartados. Esta sucata é revendida, mas por não fazer parte da atividade da Requerente, a receita obtida nesta operação também não é receita operacional; com relação ao óleo queimado, a Requerente informa que possui máquinas e caminhões, e quando da troca do óleo dos mesmos, este material é armazenado e posteriormente vendido para empresa autorizada pela Agência Nacional do Petróleo, para reciclagem evitando danos ao meio ambiente. . a presente defesa alcança as declarações de compensação, que devem permanecer com exigibilidade suspensa na forma preconizada no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96, cumulado com o artigo 151 do CTN, até decisão final do presente processo. Ato contínuo, a DRJBELO HORIZONTE (MG) julgou a Manifestação de Inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 COMPENSAÇÃO.COFINS. Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Solicitação Indeferida. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Fl. 539DF CARF MF 4 Em seu Recurso Voluntário, a Empresa se insurgiu apenas quanto a dois pontos relacionados ao mérito, a saber: a) Não homologação das compensações realizadas com créditos anteriores à 5 (cinco) anos; e b) Homologação parcial das compensações realizadas por meio de Per/dcomp cujos créditos são advindos da receita com aluguel e venda de sucatas e óleo queimado. É o Relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. No processo se discute a não homologação de compensação fundada em ganho judicial no qual se questionou a alteração da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei nº 9.718, de 1998 (documentos de fls. 01/92). Dois pontos são controvertidos nos autos que levaram ao indeferimento parcial do pleito da Recorrente: a) Não homologação das compensações realizadas com créditos anteriores à 5 (cinco) anos por ocorrência de prescrição do direito creditório; e b) Para o período não prescrito, homologação parcial das compensações realizadas por meio de Per/dcomp, cujos créditos são advindos da receita com aluguel e vendas de sucatas e óleo queimado. Devidamente delimitada a lide, passase a análise das questões postas. Prescrição do Direito Creditório A Autoridade Fiscal constatou que parte dos pagamentos (anteriores a cinco anos da data da declaração de compensação em 30/08/2007), referente ao período de 10/02/1999 a 15/07/2002, já havia sido atingido pela prescrição, conforme consta no Despacho Decisório de 04/09/2008, às fls. 274/275. Neste ponto, a Recorrente se defende alegando que efetuou a compensação dos seus débitos, com créditos de COFINS, adquiridos em função da sentença proferida no processo 1999.38.00.018923l. Nesse processo decidiuse que a COFINS incidiria apenas sobre o Faturamento, e não sobre a base de cálculo ampliada pelo no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 , ensejando um crédito a ser aproveitado pelo contribuinte. Argumenta a Recorrente que houve a interrupção da prescrição por força do ajuizamento da ação judicial na qual se discutiu a questão da incidência tributária da COFINS apenas sobre o Faturamento. Assim, o prazo prescricional só começaria a correr após o trânsito em julgado da referida ação, qual seja em 2006, conforme disposto no art. 219 do Código de Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10665.000529/200748 Acórdão n.º 3402006.143 S3C4T2 Fl. 539 5 Processo Civil e 202 do Código Civil. Uma vez que apresentou a Declaração de Compensação em 2007, nenhum dos seus pagamentos estaria atingido pela prescrição. Compulsando os autos, percebese que a referida ação trata de mandado de segurança preventivo impetrado em 19/05/1999 no qual se pede o afastamento da incidência das contribuições sobre as parcelas das receitas que não correspondam ao conceito de faturamento desde a data da impetração do MS. Independentemente do ajuizamento do mandado de segurança, a Recorrente continuou recolhendo as contribuições sobre a totalidade da receita bruta e depois que obteve provimento judicial favorável e transitado em julgado, apresentou Declaração de Compensação dentro do interstício de cinco anos a partir da data do trânsito em julgado. A Autoridade Tributária indeferiu o pedido de compensação sob o argumento de que teria ocorrido a prescrição dos valores recolhidos no período de 10/02/1999 a 15/07/2002, uma vez que já teriam transcorridos mais de 5 anos quando a empresa apresentou o pedido de compensação. Afirma também que o mandado de segurança não interrompeu o prazo prescricional uma vez que nele não se discutiu a restituição de direito creditório ou pedido de compensação de valores. Ocorre que o mandado de segurança utilizado pelo Contribuinte para afastamento do dispositivo legal (no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98) foi o da modalidade preventiva. Nessa modalidade, o Contribuinte antecipase ao início da cobrança do tributo, impetrando o mandado de segurança após a publicação da lei e antes da prática de ato administrativo ao qual pudesse ser atribuída a pecha de violador do direito líquido e certo. Uma vez ajuizada a demanda, se posteriormente o sujeito obtém a segurança em caráter definitivo para afastar a relação tributária decorrente do dispositivo legal questionado, todos os valores pagos indevidamente no transcorrer da ação geram um indébito passível de restituição/compensação que tem o seu prazo prescricional interrompido até que ocorra o trânsito em julgado da decisão. Caso prevalecesse o entendimento da Autoridade Fiscal, no sentido de não ocorrer a interrupção da prescrição, o Contribuinte ficaria a mercê da velocidade do judiciário para o deslinde do processo, ocorrendo o esvaziamento da tutela jurisdicional de conteúdo com risco de perecimento do direito pela prescrição. Assim, por força do provimento judicial, o Contribuinte tem direito sim a restituição/compensação dos valores indevidamente pagos após o ajuizamento do mandado de segurança, por ventura existentes, independentemente desses temas terem sido discutidos no mandamus, com fundamento no art.219 do CPC, in verbis: Art. 219. A citação válida torna prevento o juizo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição. (negritos nossos) Assim, aplicase ao caso o prazo prescricional previsto no inciso II do art.168 da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) de cinco anos, a partir do trânsito em julgado da decisão para aqueles valores recolhidos indevidamente após o ajuizamento da ação, in verbis: Fl. 541DF CARF MF 6 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. (negritos nossos) Aos valores recolhidos antes do ajuizamento do mandado de segurança (19/05/99) e não constante do pedido, confirmase a ocorrência de prescrição pela aplicação do prazo prescricional de restituição de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário, nos termos estabelecidos nos arts.165. e 168, da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Lei nº5.172/66 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Dessa forma, afastase a ocorrência de prescrição para aqueles recolhimentos ocorridos no período de 19/05/99 a 15/07/2002, em consequência, deve o processo retornar à Unidade de Origem para que apure, por meio de novo despacho decisório, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo nesse período. Glosa de créditos advindos da não inclusão de receita com aluguel, vendas de sucatas e óleo queimado na base da contribuição. Conforme já consignado, o Contribuinte propôs e obteve êxito em ação cujo pedido foi o reconhecimento do direito ao afastamento da incidência da COFINS sobre as parcelas das receitas que não correspondam ao conceito de faturamento, nos termos da LC nº 70/91, e a conseqüente declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº9.718/98. Com relação aos pagamentos não prescritos, a Autoridade Tributária entendeu que deveria compor a base de cálculo da COFINS os faturamentos relativos à receita com aluguel e venda de sucatas e óleo queimado registrados na contabilidade da Recorrente. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10665.000529/200748 Acórdão n.º 3402006.143 S3C4T2 Fl. 540 7 Segundo o entendimento do Auditor, o Mandado de Segurança impetrado garantiulhe o direito de que a Cofins incidisse apenas sobre o Faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Dessa forma, a exigência da contribuição deve ser afastada apenas sobre outras receitas não operacionais, inclusive receitas financeiras, devendo, por outro lado, incidir sobre as receitas registradas nas rubricas citadas por serem decorrentes da atividade econômica operacional típica da empresa. Consta no processo o objeto social da Recorrente (fl. 282) nos seguintes termos: “A exploração e o beneficiamento de jazidas minerais próprias no território nacional; indústria e comércio de brita, areia, cerâmica e/outros materiais básicos para construção civil; extração de minérios em jazidas de terceiros na condição de prestação de serviços; arrendamentos de jazidas minerais, de máquinas, equipamentos e instalações a terceiros ou de terceiros; podendo exercer paralelamente as atividades de transporte; indústria e comércio de produtos siderúrgicos e sucatas em geral; administração de projetos de reflorestamento próprios ou de terceiros e exportação de seus produtos.” (grifos não são do original) Resta evidente que as atividades de arrendamento de máquinas, equipamentos e instalações e comércio de sucatas fazem parte do seu objeto social. Se tais atividades são decorrentes da atividade econômica típica da empresa, devem compor o seu faturamento que servirá como base de cálculo da COFINS. Ademais, percebese que na contabilidade juntada aos autos as receitas decorrentes de aluguéis e sucatas são registradas assiduamente pela Recorrente e não de forma esporádica, o que confirma que se tratam, pois, de receitas inerentes a atividade empresarial típica da Recorrente. Nos termos da LC nº70/91 também há incidência da COFINS sobre a venda de óleo queimado, pois se trata no caso também de venda de subproduto compondo a base de cálculo da referida contribuição. Tal receita, da mesma forma, é registrada assiduamente pela Recorrente e não de forma esporádica, o que nos leva a crer que se trata, pois, de receita inerente a sua atividade empresarial típica. Ressaltese ainda, como bem disse o Julgador a quo, que o fato da atividade em questão não constar de seu contrato social, apesar de efetivamente exercida, não poderia uma irregularidade na situação jurídica oporse à Fazenda Pública, evitando a incidência de tributos, a teor do art. 118, I, do CTN. Ao refletir a atividade econômica em geral, consistente na realização de operações ou atividades, elevase o faturamento a verdadeiro espelho da efetividade empresarial, incluindo não apenas os empreendimentos mercantis, mas também aqueles que envolvam a prática de atos jurídicos com conteúdo econômico. Dessarte, entendo que a decisão judicial não se aplica sobre as receitas referentes a aluguel e venda de sucatas e óleo queimado, devendo, por isso, permanecer a cobrança da COFINS sobre tais parcelas de receitas. Fl. 543DF CARF MF 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13983.720233/2014-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública, que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
Numero da decisão: 2002-000.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública, que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1454; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 61 1 60 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13983.720233/201461 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.862 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 26 de março de 2019 Matéria IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Recorrente WALTER LUIZ BOSIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública, que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 3. 72 02 33 /2 01 4- 61 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13983.720233/201461 Acórdão n.º 2002000.862 S2C0T2 Fl. 62 2 Relatório Notificação de Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 8/13), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2012. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$4.540,48 para saldo de imposto a pagar de R$13.318,16. A NL noticia dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública (fl.11). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 20/11/2014, a NL foi objeto de impugnação, em 18/12/2014, às fls. 2/26 dos autos, na qual o contribuinte defende a dedutibilidade da pensão declarada, uma vez que decorrente de decisão judicial. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgoua procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 33/38): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. Somente são dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O colegiado decidiu por restabelecer a pensão no valor parcial de R$27.546,69. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 5/5/2017 (fl. 41), sextafeira, o contribuinte apresentou, em 5/6/2017 (fl.44), recurso voluntário (fls. 44/56), no qual alega que a decisão recorrida não teria considerado a pensão incidente sobre os rendimentos pagos pelo INSS. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13983.720233/201461 Acórdão n.º 2002000.862 S2C0T2 Fl. 63 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a pensão alimentícia judicial declarada pelo contribuinte. Nesse tocante, a regra é que os pagamentos efetuados a esse título podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que sejam decorrentes do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que sejam comprovados com documentação hábil, como dispõe o caput do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99 A autuação procedeu à glosa total do valor declarado, de R$31.918,82, por falta de comprovação de pagamento e ausência de decisão judicial. Ressalta que o dever do contribuinte teria sido exonerado em decisão proferida em 1998 (fl.11). Na apreciação da impugnação, o colegiado de primeira instância decidiu por restabelecer o valor de R$21.546,69, consignando: Em sua defesa, o impugnante sustenta que faz jus à dedução, pois a verdadeira beneficiária sempre foi a Sra. Adelina Pereira Bósio, sua exesposa, sendo depositado apenas na conta da filha do casal, Sra. Adriana Pereira Bósio Francsak, porque a aquela beneficiária alegou não possuir condições de manter a conta corrente em seu nome, à época. Diante de tal quadro, a autarquia previdenciária informou à RFB a filha do casal como beneficiária. Assistelhe razão, em parte, no entanto. Compulsando os autos (fls. 1426), verificase que a real titular do benefício é, de fato, a Sra. Adelina Pereira Bósio, conforme explicitado na Decisão Judicial de folha 23. Contudo, nas bases de dados da Receita Federal do Brasil, há informação da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil de que os valores efetivamente descontados do impugnante montaram R$27.546,69, não os R$31.918,82 líquidos declarados (R$34.267,75– R$2.348,93 de reembolso; fl. 32). Não há nos autos qualquer outro elemento probatório de que os valores repassados a título de alimentos tenha sido diferente daquele informado pela fonte pagadora supracitada. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13983.720233/201461 Acórdão n.º 2002000.862 S2C0T2 Fl. 64 4 Portanto, a DRJ manteve a glosa parcial da pensão por falta de comprovação do seu efetivo pagamento. Agora, em seu recurso, além do comprovante de rendimento emitido pela Previ (fl.50), consignando o valor da pensão já acatado, o recorrente junta extrato de benefício do INSS, relativo ao anocalendário 2011, o qual demonstra o desconto de pensão no valor de R$6.721,06 (fl.51). Registro que com a soma dos rendimentos da Previ com os do INSS chega se ao montante dos rendimentos tributáveis declarados pelo recorrente (fl.12). Dessa feita, diante dessa prova, é de se reformar a decisão recorrida, sendo de se cancelar a glosa da pensão. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando a glosa da pensão remanescente após a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720177/2012-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE NÃO CARACTERIZADAS. REJEIÇÃO.
Os embargos de declaração não podem ser utilizados para provocar reexame de questões de mérito. A contradição passível de embargos é a contradição interna entre a decisão e os seus fundamentos. Os embargos não têm por escopo sanar contradição entre a decisão e as razões defendidas pela contribuinte.
Numero da decisão: 9101-004.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE NÃO CARACTERIZADAS. REJEIÇÃO. Os embargos de declaração não podem ser utilizados para provocar reexame de questões de mérito. A contradição passível de embargos é a contradição interna entre a decisão e os seus fundamentos. Os embargos não têm por escopo sanar contradição entre a decisão e as razões defendidas pela contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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EMPRESA VEÍCULO. Embargante NUMERAL 80 PARTICIPAÇÕES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE NÃO CARACTERIZADAS. REJEIÇÃO. Os embargos de declaração não podem ser utilizados para provocar reexame de questões de mérito. A contradição passível de embargos é a contradição interna entre a decisão e os seus fundamentos. Os embargos não têm por escopo sanar contradição entre a decisão e as razões defendidas pela contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 77 /2 01 2- 52 Fl. 4880DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 3 2 Tratase de embargos de declaração interpostos pela contribuinte acima identificada, visando sanar alegado vício de contradição que estaria presente no Acórdão nº 9101003.561, proferido por este colegiado na sessão de 05/04/2018. O acórdão embargado apresenta a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se as investidoras reais transferiram recursos a "empresas veículos" (ou avalizarem a obtenção de empréstimos bancários por estas) com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outras empresas e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve as pessoas jurídicas que efetivamente desembolsaram os valores (ou propiciaram sua obtenção ao avalizar a obtenção de empréstimos bancários) que propiciaram o surgimento dos ágios, ainda que as operações que os originaram tenham sido celebradas entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO À TURMA A QUO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais relativas às glosas das despesas de amortização de ágio, fazse necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, também, por unanimidade de votos, em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das matérias relacionadas a (i) decadência, (ii) inexistência de norma que determine a adição das parcelas de ágio amortizadas da base da CSLL, (iii) Fl. 4881DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 4 3 multa isolada pelo não recolhimento de estimativas encerramento do ano calendário e concomitância, (iv) compensação de prejuízos fiscais e bases negativas; (v) incorreta recomposição dos saldos de prejuízo e base negativa pela fiscalização; (vi) juros sobre multa e (vii) solidariedade. Acordam, ainda, por maioria de votos, que a matéria multa qualificada não deve ser apreciada pelo colegiado de origem, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto e Flávio Franco Corrêa, que entenderam que essa matéria deveria ser apreciada pela turma a quo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do §7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF 343/2015 (RICARF). O alegado vício no acórdão embargado foi assim identificado pela contribuinte: Da Contradição do Conceito de "Confusão Patrimonial" adotado pelo Voto Vencedor com relação às Parcelas Advindas de Financiamentos Investidas na Aquisição da Embargante pelas Empresas Vitex, Howland e Bilimbi. Os embargos foram admitidos e encaminhados ao colegiado para exame de seu mérito, conforme o despacho exarado em 28/11/2018 pela Presidente da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às efls. 4869/4878. Para o processamento dos embargos, a contribuinte apresenta os seguintes argumentos: conforme se verifica do voto vencedor do acórdão embargado, em que pese tenha reconhecido a existência de diferença entre os contextos fáticos do presente caso (acórdão n° 1302001.980) e o acórdão paradigma, concluiu que referidos acórdãos apresentariam semelhanças no que interessaria à discussão jurídica suscitada; de acordo com o voto vencedor do acórdão embargado, a divergência jurisprudencial entre os acórdãos consistiria na análise do cumprimento do requisito: "a absorção do patrimônio da investida pela investidora" para que o ágio associado à aquisição de participação societária pudesse ser utilizado para fins tributário, nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/1997. Confirase: [...]; notase dos trechos destacados acima, que o entendimento do voto vencedor partindo da premissa adotada no acórdão paradigma é que somente pode figurar como investidora originária ou real em cumprimento ao requisito da confusão patrimonial supostamente exigida pela legislação para fins de aproveitamento tributário do ágio a empresa que "efetivamente acreditou na mais valia do investimento (...) desembolsou os recursos para aquisição da participação societária"; posteriormente, o voto vencedor do acórdão embargado relata a origem dos recursos empregados pelas supostas empresas veículos Vitex, Hermosa, Bilimbi, Howland e Strelícia na aquisição da Embargante, in verbis: [...]; como se vê, no que diz respeito às empresas Vitex, Howland e Bilimbi, o voto vencedor do acórdão embargado reconhece expressamente que parte dos recursos Fl. 4882DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 5 4 utilizados para a aquisição da Embargante foram obtidos de financiamentos junto ao Credit Suisse, ou seja, adveio de recursos próprios (já que o empréstimos foi realizado por estas empresas); entretanto, em que pese o voto vencedor reconheça (i) que somente pode figurar como investidora originária ou real em cumprimento ao requisito da confusão patrimonial a empresa que "efetivamente acreditou na mais valia do investimento (...) desembolsou os recursos para aquisição da participação societária"; e (ii) que no caso concreto, parte dos recursos utilizados para aquisição da Embargante são provenientes de financiamentos (recursos tomados pelas adquirentes logo, recursos próprios) realizados pelas supostas empresasveículos, contraditoriamente, alega que no caso dos autos as investidoras reais não participaram da confusão patrimonial. Confirase: [...]; tratase de entendimentos, à toda evidência, absolutamente contraditórios; ora, se somente configura como investidora originária ou real em cumprimento ao requisito "confusão patrimonial" a empresa que efetivamente acreditou na mais valia do investimento e desembolsou os recursos para aquisição da participação societária e, no presente caso, uma parcela dos recursos utilizados na aquisição da Embargante foram obtidos por meio de financiamentos (logo, recursos próprios dos tomadores do empréstimo) realizados pelas supostas empresasveículos como reconhecido pelo próprio Voto Vencedor, por certo que a confusão patrimonial está configurada, mesmo levandose em conta a interpretação equivocada do acórdão embargado; ademais, nem se alegue, como faz crer o Voto Vencedor do acórdão embargado, que os empréstimos só ocorreram porque as dívidas estariam garantidas por empresas de grande porte (Embargante e empresas pertencentes aos grupos que a controlavam); tal entendimento é equivocado e não deverá prosperar; primeiramente, vale lembrar que as supostas empresas veículos estavam obrigadas a seguir os princípios de contabilidade geralmente aceitos por força do artigo 177 da Lei das S/A. Dentre tais princípios, está o princípio da entidade, segundo o qual o patrimônio da sociedade deve ser completamente separado do patrimônio dos seus sócios e acionistas; logo, não restam dúvidas que os valores advindos dos empréstimos realizados pelas empresas Vitex, Howland e Bilimbi e investidos na aquisição da Embargante representam recursos próprios de tais empresas, não sendo possível confundilos com o patrimônio de seus grupos controladores em respeito ao princípio da entidade e, muito menos, de seus garantidores; isto porque, como se sabe, os fiadores não têm qualquer poder de decisão sobre o negócio que estão garantindo, pois são meros garantidores da obrigação assumida por terceiro; logo, o Voto Vencedor do acórdão embargado (i) ao entender que somente configura como investidora originária ou real em cumprimento ao requisito "confusão patrimonial" a empresa que efetivamente acreditou na mais valia do investimento e desembolsou os recursos para aquisição da participação societária e, (ii) ao reconhecer que no presente caso, houve uma parcela dos recursos utilizada na aquisição da Embargante, obtida Fl. 4883DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 6 5 por meio de financiamentos (recursos próprios) realizados pelas Vitex, Howland e Bilimbi, mostrase contraditório à sua própria conclusão, vício que deve ser sanado, para que no fim seja consignado que as empresas Vitex, Howland e Bilimbi foram as investidoras reais da Embargante, ao menos, no montante dos financiamentos realizados por tais empresas, restando cumprido o requisito da "confusão patrimonial"; mas não é só; insta pontuar, que o voto vencedor do acórdão embargado recai em outra contradição, ao alegar que "Quanto as demais matérias, não cabe a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais se pronunciar antes que faça a Turma a quo, sob o risco de supressão de instância que pode vir a prejudicar alguma das partes". Confirase: [...]; isto porque, foi exatamente o que o Voto Vencedor fez ao enfrentar a matéria acerca dos recursos próprios oriundos de empréstimos, bem como da sua interpretação quanto aos garantidores de tais créditos, uma vez que referida matéria sequer foi enfrentada pelo acórdão n° 1302001.980, proferido pela Turma a quo; assim, a título argumentativo, caso esta E. CSRF entenda por não sanar a contradição, para reconhecer que as empresas Vitex, Howland e Bilimbi foram as investidoras reais da Embargante, ao menos nas parcelas oriundas dos financiamentos (fato não abordado pela Turma Ordinária), é inequívoca a necessidade do retorno dos autos à Turma a quo, para que a Turma Ordinária aprecie os efeitos dos empréstimos na aquisição do investimento, em respeito aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditória e ao duplo grau de jurisdição; ante o exposto, a Embargante requer sejam conhecidos e providos os Embargos de Declaração opostos, a fim de que seja sanada a contradição no Voto Vencedor do acórdão embargado, reformandose a decisão em questão, para reconhecer que as empresas Vitex, Howland e Bilimbi foram as investidoras reais da Embargante ao menos nas parcelas oriundas dos empréstimos , restando cumprido o requisito da "confusão patrimonial; caso assim não se entenda, o que se alega a título argumentativo, requerse que tal matéria seja apreciada pela Turma a quo, sob pena de evidente supressão de instância. É o relatório. Fl. 4884DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Os presentes embargos devem ser rejeitados. Aliás, penso que eles já poderiam ter sido rejeitados no exame de admissibilidade, na forma do §3º do art. 65 do atual RICARF. O acórdão embargado não incorreu no vício de contradição (apontado pela contribuinte), e nem no vício de obscuridade (sugerido no despacho que admitiu os embargos). Desde o início, a controvérsia instaurada nestes autos diz respeito à possibilidade ou não de dedução de despesas com amortização de ágio, em razão de ter havido participação de empresas veículos nas operações societárias que envolveram a geração e o aproveitamento do ágio. O voto vencedor que orientou o acórdão embargado explicita bem os contornos da referida controvérsia: Conforme adiantei na abertura deste voto, o ponto central do debate desenvolvido ao longo dos autos diz respeito à regularidade do procedimento adotado pela contribuinte SANTOS BRASIL, e condenado pela Fiscalização, de deduzir, nos anoscalendário 2006 a 2011, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, valores relativos a despesas de amortização de ágios registrados originalmente na contabilidade das empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI. A controvérsia reside no fato de a Fiscalização ter considerado tais pessoas jurídicas como meras empresas veículos, desprovidas de recursos próprios para investir na aquisição de participação societária na SANTOS BRASIL. Assim, a confusão patrimonial verificada ao final do processo de reorganização societária não seria apta a possibilitar o aproveitamento tributário do ágio, uma vez que não envolvia as reais investidoras adquirentes das ações com ágio. O voto que orientou a decisão de segunda instância administrativa (Acórdão nº 1302001.980, de 14/09/2016) também já apontava com precisão o tipo de controvérsia que havia se estabelecido nos presentes autos: DA INFRAÇÃO IMPUTADA Assim, essa é mais uma autuação que envolve discussões sobre a dedutibilidade da despesa com amortização do ágio por expectativa de rentabilidade futura, sendo importante ressaltar que o caso sub examine não se configura como operação casasepara nem envolve discussão sobre ágio interno, já que se resume unicamente à alegação de uso de empresas veículos na situação retro mencionada. [...] Fl. 4885DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 8 7 Da leitura do TVF, constatase que a infração imputada à recorrente tem como ponto fulcral a alegação de que as pessoas jurídicas Vitex, Bilimbi, Howland, Strelícia e Hermosa eram empresas “veículos” e, assim entendendo, os autuantes concluem que não teria ocorrido a incorporação que autorizaria a dedutibilidade da despesa com amortização do ágio na recorrente, pois quem teria efetivamente pago o ágio seriam a Multi STS (Grupo Fink), a OPP Fund (Grupo Opportunity) e a PW237 (Grupo Dório) e, não, as pessoas jurídicas (controladoras) que foram incorporadas pela recorrente (controlada). Vejamos, então, alguns trechos do TVF: [...] No entanto, os autuantes alegam que as Vitex, Bilimbi, Hermosa, Howland e Strelicia não tiveram despesas com dirigentes nem de qualquer outro tipo, inclusive com empregados, o que as configurariam como “empresas veículos”. Assim, vejamos agora como foi enquadrada a conduta das controladoras pelo uso das ditas empresas veículos. Observo que me refiro a “ditas empresas veículos”, pois falta à expressão “empresa veículo” uma base conceitual doutrinária e jurisprudencial, mas principalmente legal, razão pela qual o sucesso da autuação depende basicamente da demonstração, pelos autuantes, de que tal conduta se configura em algum ilícito previsto em lei. O Termo de Verificação Fiscal, por sua vez, desde o início esclarecia que as pessoas jurídicas tidas como empresas veículos, e que pagaram pelo ágio, eram empresas que não detinham capacidade patrimonial para fazer os investimentos que fizeram: 44. É importante, também, entendermos por que empresas recém constituídas, sem patrimônio, com baixo capital social, sem nome conhecido no mercado, que nunca tiveram empregados ou remuneraram seus administradores conseguiram levantar empréstimos bancários aproximados de R$ 306.000.000,00 (trezentos e seis milhões de reais) lastreados em Cédulas de Crédito Bancário — CCB por elas mesmas emitidas? 45. A resposta correta só poderia ser "devido às garantias e fiadores que estas CCB's possuíam". E tanto isto é verdade que no final das contas, em vista de suas incorporações pela Santos Brasil, os empréstimos contraídos acabaram sendo liquidados pela incorporadora, uma das fiadoras. E com recursos advindos da abertura de capital desta ocorrida em 17/10/2006. 46. E quais seriam os motivos para estes gastos desnecessários de tempo e dinheiro incorridos pelos Grupos Econômicos Opportunity, Fink e Dório? Seriam decisões enganosas, erros de estratégia ou coisas do tipo? Não. Analisandose as etapas vemos que todas as operações foram bem planejadas. Desde a oportunidade para aumentar a participação acionária em seguimento promissor, passando pela aquisição das empresas Vitex, Bilimbi, Strelícia, Hermosa e Howland, que comumente são chamadas no mercado como "empresas de prateleira", utilizaremnas como empresas veículos para transferência de recursos e do ágio decorrente da venda e compra de participações acionárias até a incorporação pela investida operacional. Os objetivos pretendidos eram as participações societárias e a amortização fiscal do ágio delas decorrente. Fl. 4886DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 9 8 Vale também registrar que o TVF traz um capítulo específico em que aponta o principal problema que a utilização de empresas veículos gera para a dedução do ágio, que é a não extinção das participações societárias detidas pelos reais investidores, ou seja, a falta da confusão patrimonial do investimento, conforme exigido pela lei: 8. DA NÃO EXTINÇÃO DAS PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DETIDAS PELOS INVESTIDORES OPPORTUNITY FUND, MULTI STS, RK PARTICIPAÇÕES E PW 237 PARTICIPAÇÕES NA SANTOS BRASIL 77. Como visto nos dispositivos legais acima tratados, a permissão legal para que a empresa resultante de reorganização societária de incorporação, fusão ou cisão, em que houver investimento em outra, adquirido com ágio, possa apropriar a amortização deste ágio como despesa dedutível, num prazo não inferior a 60 meses, impõe a absorção do patrimônio da incorporada, fusionada ou fundida. 78. De outra forma, no caso de permanecer o investimento, não se caracteriza a situação prevista na norma, que é de estabelecer uma regra de tributação para quando acontece a "confusão patrimonial do investimento", ou seja, o investimento adquirido com ágio se encontra com a investida que lhe deu causa. É o que nos ensina EDMAR OLIVEIRA ANDRADE FILHO ao tecer os seguintes comentários: [...]; 79. Desta feita, a dedução autorizada pelos artigos 7º da Lei n° 9.532/97, e 386 do RIR/99, decorrem do encontro num mesmo patrimônio da investida com o investimento, pago com ágio por ocasião da aquisição da participação societária, visto que o legislador entendeu que nesta situação o investidor perdeu o seu capital investido com ágio e, assim, poderia deduzir como despesa a "expectativa de rentabilidade" que ele havia pago por ocasião da aquisição societária. 80. Todavia, para que haja esse encontro num mesmo patrimônio do ágio com o investimento que lhe deu origem, é imprescindível que o ágio contabilizado tenha sido efetivamente suportado por alguma das pessoas que participa da "confusão patrimonial". O investidor deve se confundir com o seu investimento. 81. Assim, em outras palavras, no caso de uma incorporação, para que o ágio registrado seja dedutível nos termos dos artigos 7º da Lei n° 9.532/97, e 386 do RIR/99, deve a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento incorporar esse investimento, ou ser incorporada por ele. O ágio deve ser de fato pago por alguma das pessoas jurídicas que participam da incorporação, fusão ou cisão societária. Se assim não for, será impossível o ágio ir de encontro com o investimento que lhe deu causa. 82. Vejamos, resumidamente, a representação gráfica abaixo, que reproduz a sequência das reestruturações societárias no dia 30/05/2006: Começa com a situação existente no inicio do dia, a entrada da Bilimbi, Vitex, Hermosa, Howland e Strelícia no capital da Santos Brasil no correr do dia, e a incorporação destas pela controlada na noite deste mesmo dia. [...] Fl. 4887DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 10 9 83. Como se pode ver, no caso em tela, os Investidores: Opp Fund, Multi STS, RK Participações e PW 237 não deixaram de existir e em nenhum momento perderam seus investimentos na Santos Brasil. 84. Assim, procedendo a uma série de "reestruturações societárias", dotadas apenas de atos formais desprovidos de racionalidade econômica, os Investidores: Opp Fund, Multi STS, RK Participações e PW 237 conseguiram: i) permanecer com os seus investimentos na Santos Brasil intocados, apenas, agora, não mais apresentados contabilmente desdobrados em "investimento + ágio", e ii) constituir, na contabilidade da Santos Brasil, uma conta de ativo não circulante em valor igual ao ágio com que aumentaram ou adquiriram o seu controle acionário, de forma a poder amortizar esse ativo, no prazo previsto na legislação tributária, forçando as condições para reduzir o lucro tributável. 85. O único fim visado era a utilização do tratamento fiscal de redução da carga tributária na Santos Brasil, cujo permissivo condicionava à incorporação/fusão/cisão dos grupos Opp Fund, Multi STS ou PW 237 e a investida (Santos Brasil), ou viceversa. 86. Como não foi essa a situação ocorrida, nem era vontade dos detentores do controle acionário da Santos Brasil dela se desfazerem, engendrouse o artifício jurídico de interpor empresas pertencentes aos mesmos grupos econômicos, efêmeras (Vitex, Bilimbi, Strelícia, Howland e Hermosa), sem qualquer propósito negocial ou racionalidade econômica, aportar recursos financeiros para aquisição (aumento das participações já existentes ou aquisição de novas participações acionárias) com ágio por expectativa de rentabilidade futura, para logo em seguida, serem estas incorporadas pela sua controlada (Santos Brasil), e devolver as ações de sua emissão às suas controladoras originárias. 87. No comando dos artigos 7º da Lei n° 9.532/97, e 386 do RIR/99, a legislação tributária, para permitir a dedutibilidade da amortização do ágio, tem sua inteligência fundamentada na efetiva existência e extinção do investimento através dos institutos da fusão, cisão ou incorporação entre as empresas (investidoras originais e investida); ou seja, a legislação tributária instituiu um disciplinamento para tributação do resultado de um negócio jurídico particular que culmina numa "confusão patrimonial" o ágio de si mesmo. 88. No presente caso, não houve a requerida unificação patrimonial. Os Reais Investidores: Opp Fund, Multi STS, RK Participações e PW 237, detentores das ações da Santos Brasil tentaram se ajustar à letra da lei, sem atender à sua fundamentação; praticando uma série de "reestruturações societárias" sem qualquer motivação econômica para, ao final das operações, apresentarem a mesma estruturação societária de antes. Tudo não passando de um estratagema para se tentar conseguir ganho tributário em prejuízo do Fisco Federal. 89. De sorte que, se considerarmos a participação societária que os Investidores: Opp Funçk Multi STS, RK Participações e PW 237 possuíam na Santos Brasil em decorrência do exercício do Contrato de Compra de Ações, em 30/05/2006, essa mesma participação continuou existindo ao final do processo de reestruturação. Fl. 4888DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 11 10 Mas o que é importante ficar claro, no contexto dos presentes embargos, é que as questões relativas aos recursos aplicados no pagamento do ágio (tanto aos recursos diretamente repassados pelos reais investidores às empresas veículos, quanto aos recursos obtidos por estas no mercado financeiro, a partir de empréstimos contraídos com garantias e fianças dos reais investidores), e que guardam relação direta com a identificação dos "reais investidores", foram plenamente examinadas, na forma da controvérsia que se apresentou. O que se considerou, em resumo, é que esses recursos não pertenciam "verdadeiramente" às empresas veículos, nem mesmo aqueles contraídos por empréstimos tomados pelas empresas veículos junto ao Credit Suisse, mas com garantias e fianças dadas pelos reais investidores e pela própria investida. O voto vencedor que orientou o acórdão embargado não poderia ser mais claro em relação a isso: Os recursos empregados pelas empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI na aquisição de ações da SANTOS BRASIL, em 30/05/2006, tiveram as seguintes origens: VITEX R$ 163.652.256,54 foram obtidos por empréstimo junto ao CREDIT SUISSE (garantias e fianças da SANTOS BRASIL e de seus grupos controladores); R$ 21.827.733,00 foram integralizados como aumento de capital pela RK PARTICIPAÇÕES, empresa que detinha 99,99% das ações da VITEX. As empresas VITEX, RK PARTICIPAÇÕES e MULTI STS pertenciam ao grupo econômico FINK, controlado pela família Klien. HERMOSA R$ 9.348.909,00 foram integralizados como aumento de capital pela RK PARTICIPAÇÕES, empresa que detinha 99,99% das ações da HERMOSA. As empresas HERMOSA, RK PARTICIPAÇÕES e MULTI STS pertenciam ao grupo econômico FINK, controlado pela família Klien. HOWLAND R$ 39.665.793,10 foram obtidos por empréstimo junto ao CREDIT SUISSE (garantias e fianças da SANTOS BRASIL e de seus grupos controladores); R$ 5.500.000,00 foram integralizados como aumento de capital pela PW 237, empresa que detinha 99,99% das ações da HOWLAND. As empresas HOWLAND e PW 237 pertenciam ao grupo econômico DÓRIO, controlado por Dório Ferman. STRELICIA R$ 98.392.655,00 foram integralizados como aumento de capital pela PW 237, empresa que detinha 99,99% das ações da STRELICIA. As empresas STRELICIA e PW 237 pertenciam ao grupo econômico DÓRIO, controlado por Dório Ferman. BILIMBI Fl. 4889DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 12 11 R$ 118.397.291,34 foram obtidos por empréstimo junto ao CREDIT SUISSE (garantias e fianças da SANTOS BRASIL e de seus grupos controladores); R$ 585.000,00 foram integralizados como aumento de capital pela CITRINO, empresa que detinha 99,99% das ações da BILIMBI. As empresas BILIMBI, CITRINO e OPP FUND pertenciam ao grupo econômico OPPORTUNITY. Vêse, portanto, que as empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI não dispunham de lastro patrimonial próprio para custear o investimento realizado em ações da SANTOS BRASIL. Elas inclusive tinham sido recentemente constituídas, com irrisório capital social e sem quaisquer atividades até sua participação na reorganização societária vivenciada pela contribuinte. A participação destas pessoas jurídicas nas operações de aquisição de participação societária na SANTOS BRASIL somente foi possível porque elas receberam recursos das verdadeiras adquirentes: OPP FUND, MULTI STS, RK PARTICIPAÇÕES e PW 237. Tampouco os recursos recebidos por meio de empréstimo concedido pelo CREDIT SUISSE pertenciam verdadeiramente a estas empresas. Os valores milionários somente foram emprestados pela instituição bancária porque a dívida estaria garantida por empresas de grande porte (a contribuinte e empresas pertencentes aos grupos que a controlavam), que tinham lastro patrimonial para garantir o pagamento dos valores concedidos. Tanto isso procede que a verdadeira devedora dos valores emprestados pelo banco CREDIT SUISSE sempre foi a própria contribuinte. Como a sequência de operações societárias já estava totalmente arquitetada de antemão, já se sabia que as empresas VITEX, HOWLAND e BILIMBI seriam extintas por incorporação exatamente no mesmo dia em que viessem a receber os valores liberados pelo CREDIT SUISSE (30/05/2006). Assim, já era esperado que a dívida com o banco fosse honrada não pelos credores formais, mas pela SANTOS BRASIL, tanto porque ela era uma das fiadoras dos empréstimos quanto porque viria a ser a sucessora universal das obrigações das empresas incorporadas. E, de fato, foi a contribuinte que saldou tal dívida, em 17/10/2006 (menos de cinco meses após a liberação dos empréstimos), com recursos advindos da abertura de seu capital. Tais circunstâncias inclusive infirmam a alegação feita pela contribuinte de que a participação das empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI teria se dado por exigência da entidade bancária, que desejaria isolar o crédito em sociedades "limpas" e "sem passado". Perguntase: qual seria a utilidade de serem os credores originários empresas "limpas" se não tinham qualquer patrimônio a garantir as dívidas e ainda se já se sabia de antemão que uma das sociedades "com passado" (a própria contribuinte) é que viria a ser a responsável por pagar as obrigações? Nenhuma, obviamente. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram Fl. 4890DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 13 12 observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. Sendo assim, a contribuinte recorrida não fazia jus ao direito de deduzir as despesas decorrentes da amortização do ágio oriundo das operações de aquisição de suas próprias ações. Como não foram as pessoas jurídicas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI que desembolsaram o valores que deram origem aos ágios contábeis, restou desatendido o aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999. Os numerários que pagaram pela aquisição das ações da contribuinte recorrida saíram dos ativos das reais investidoras, OPP FUND, MULTI STS, RK PARTICIPAÇÕES e PW 237. Mesmo a fração dos recursos que adveio de empréstimo bancário somente teve sua obtenção viabilizada porque estas reais adquirentes e a contribuinte SANTOS BRASIL tinham lastro para garantir seu pagamento ao banco CREDIT SUISSE. As empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI, embora constem formalmente como as adquirentes das ações da contribuinte, não tinham lastro econômico para efetivamente realizarem algum sacrifício patrimonial que justificasse a criação dos ágios. Pertencia às empresas OPP FUND, MULTI STS, RK PARTICIPAÇÕES e PW 237 a capacidade econômica para levar adiante os negócios de aquisição das participações societárias e foram efetivamente estas empresas que desembolsaram recursos para a aquisição das ações da contribuinte. Também pertencia a estas empresas e à SANTOS BRASIL a solidez e a robustez necessárias para alavancar a concessão de empréstimos milionários, por meio da prestação de suficientes garantias e fianças. (destaques acrescidos) Ao longo do processo, ao tratar desses empréstimos, a contribuinte já vinha alegando que "os fiadores não tem qualquer poder de decisão sobre o negócio que estão garantindo". Que eles "são meros garantidores da obrigação, a qual, caso não venha ser adimplida pelo devedor principal, o será pelo seu solidário" (p. 52 do recurso voluntário da contribuinte). E agora nessa fase de embargos ao acórdão de recurso especial, ela invoca o Princípio da Entidade, pedindo para que se reconheça "que as empresas Vitex, Howland e Bilimbi foram as investidoras reais da Embargante ao menos nas parcelas oriundas dos empréstimos , restando cumprido o requisito da confusão patrimonial". O que a contribuinte pretende, na verdade, é rediscutir a matéria, e isso está fora do escopo dos embargos de declaração. Não há nenhuma contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Está bem claro no acórdão embargado as razões pelas quais as empresas que tomaram os referidos empréstimos (VITEX, HOWLAND e BILIMBI) não foram consideradas como reais investidores. A afirmação de que "somente pode figurar como investidora originária ou real em cumprimento ao requisito da confusão patrimonial a empresa que efetivamente Fl. 4891DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 14 13 acreditou na mais valia do investimento e desembolsou os recursos para aquisição da participação societária" deve ser examinada no contexto de toda a argumentação apresentada pelo acórdão embargado, e não isoladamente, como fez a contribuinte, na pretensão de demonstrar a alegada contradição. Em nenhum momento o acórdão embargado dá a ideia de que o simples desembolso seria suficiente para a identificação do real investidor. Aliás, não há nenhuma dúvida de que o desembolso se deu por aquele que detinha a titularidade do recurso naquele exato momento (ou seja, pelas empresas veículos). O que sempre se questionou e se examinou ao longo deste processo foi todo o conjunto dos fatos e da forma de obtenção dos recursos que possibilitaram o pagamento do ágio. Não há nenhuma dúvida sobre as razões pelas quais a alegada titularidade dos recursos desembolsados pelas empresas veículos (seja os recursos recebidos por empréstimo, seja os recebidos por integralização de capital) não serviu para que essas empresas fossem consideradas como os reais investidores. E os embargos de declaração não podem ser utilizados para rediscutir essas questões. A contradição passível de embargos é a contradição interna entre a decisão e os seus fundamentos, o que não ocorre aqui. Os embargos não tem por escopo sanar contradição entre a decisão e as razões defendidas pela contribuinte; ou ainda, não cabem embargos para afastar uma errônea conceituação do termo "desembolso" (o qual a embargante pretende que seja entendido como "saída direta de dinheiro"), tomado isoladamente e em desacordo com o racional empregado pelo voto embargado. Desse modo, rejeito os embargos em relação a este primeiro ponto. Da mesma forma, não se constata a segunda contradição apontada pela contribuinte. A alegação da contribuinte é de que, embora o acórdão embargado tenha determinado o retorno do processo à Turma a quo (segunda instância), para evitar a supressão de instância em relação a algumas matérias, ele acabou enfrentando diretamente "a matéria acerca dos recursos próprios oriundos de empréstimos, bem como da sua interpretação quanto aos garantidores de tais créditos", matéria que não teria sido examinada naquela fase processual anterior. Quanto a esse ponto, é preciso registrar que a decisão de segunda instância apresenta relatório minucioso, onde descreve todo o conjunto de fatos que levaram o Fisco a não aceitar a dedutibilidade do ágio. E o voto que orientou a referida decisão, ao afastar as hipóteses de simulação, abuso de direito e fraude à lei, validou todo o conjunto das operações societárias engendradas para a formação e o aproveitamento do ágio. A conclusão foi no sentido de que "se a aquisição tivesse se dado diretamente pela OPP Fund, Multi STS, RK e PW237, os arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 não vedariam o aproveitamento do ágio na recorrente caso ela incorporasse essas empresas", e que "o fundamento central da autuação – que Vitex, Bilimbi, Hermosa, Howland e Strelícia eram Fl. 4892DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 15 14 'empresas veículos' – demonstrouse frágil para justificar a desconsideração dos atos por elas praticados". Para a decisão de segunda instância, portanto, já que a aquisição direta poderia gerar o mesmo efeito fiscal, não haveria nenhum problema no emprego das referidas "empresas veículos", incluindose aí o seu histórico e as condições em que elas se apresentavam, a forma de obtenção dos recursos para pagamento do ágio, a incorporação delas pela recorrente, etc. Mas o acórdão embargado reverteu essa decisão, com fartos fundamentos para demonstrar que o ágio somente poderia ser deduzido se a aquisição tivesse se dado diretamente pelos reais investidores, com a incorporação destes (e não com a incorporação de empresas veículos). Vale novamente destacar que nunca esteve em questão a titularidade, do ponto de vista jurídico/formal, dos recursos desembolsados para o pagamento do ágio (seja os recursos recebidos por empréstimo, seja os recebidos por integralização de capital). O que sempre se questionou e se examinou ao longo deste processo foi todo o conjunto dos fatos e da forma de obtenção dos recursos que possibilitaram o pagamento do ágio, com a posterior incorporação das empresas veículos (e não dos reais investidores). E em relação a isso, não há nenhuma lacuna na decisão de segunda instância. Ela examinou todo o conjunto das operações societárias, validandoas, e considerou que o ágio poderia ser deduzido a partir da incorporação das empresas veículos, ao passo que o acórdão embargado decidiu justamente ao contrário disso. O acórdão embargado determinou o retorno dos autos para apreciação de matérias que realmente não foram tratadas naquele julgamento: (i) decadência, (ii) inexistência de norma que determine a adição das parcelas de ágio amortizadas da base da CSLL, (iii) multa isolada pelo não recolhimento de estimativas encerramento do ano calendário e concomitância, (iv) compensação de prejuízos fiscais e bases negativas; (v) incorreta recomposição dos saldos de prejuízo e base negativa pela fiscalização; (vi) juros sobre multa e (vii) solidariedade. Mas não procede a alegação de que há questões pendentes de julgamento em relação à titularidade dos recursos obtidos por empréstimos, que não se diferencia da titularidade dos recursos recebidos por integralização de capital. Como já esclarecido, a titularidade destes recursos (que a contribuinte tenta agora defender invocando o Princípio da Entidade), nem mesmo foi contestada pelo acórdão embargado (do ponto de vista jurídico formal). Desse modo, também rejeito os embargos de declaração em relação ao segundo ponto. Em resumo, voto por CONHECER e REJEITAR os Embargos. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 4893DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.005792/2005-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ.
A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito.
NÃOCUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO.
Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. NÃOCUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 57 92 /2 00 5- 98 Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 13807.005792/200598 Acórdão n.º 3301005.714 S3C3T1 Fl. 1.178 2 Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1148 a 1155) interposto pelo Contribuinte, em 28 de outubro de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 10 46.337 (fls. 1142 a 1145), de 19 de setembro de 2013, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 265 a 277) apresentada pelo Contribuinte. Com o objetivo de elucidar o caso e por economia economia processual, adoto e cito o relatório do referido Acórdão: A empresa acima identificada protocolou Pedido de Ressarcimento (PER) em 30/08/2005 (fl. 3), solicitando o valor de R$ 5.091.553,73, decorrente de créditos de Cofins não cumulativa – exportação correspondente ao segundo trimestre de 2004. Após, transmitiu declarações de compensação (Dcomp), aproveitando valores do crédito em questão. A interessada tem como objeto principal a exploração de frigorífico, com atividades de abate, especialmente de bovinos e ovinos, e preparação de carnes, desossa e subprodutos do abate, bem como enlatados em geral. Uma parcela da produção é exportada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SPO), através do Despacho Decisório das fls. 229 a 243, apreciou o pleito e reconheceu parcialmente o direito ao ressarcimento no valor de R$ 4.890.681,95, homologando parcialmente as Dcomps até o limite do crédito reconhecido. A glosa somou R$ 200.871,95. Com base nos livros fiscais e arquivos digitais de custos e notas, foram confrontados os valores de compras registrados na escrita fiscal e os valores informados no Dacon. Quadro constante do despacho decisório contém os valores obtidos por código fiscal. As devoluções de vendas aproveitadas como base de cálculo para o crédito foram redistribuídas para crédito do mercado interno, uma vez que apenas os valores das vendas que ensejaram o recolhimento da contribuição poderão, quando da devolução, serem aproveitadas na formação do crédito. Também discorrese sobre a legislação que permite aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial, previsto, originalmente, nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. A empresa foi cientificada da decisão em 12/08/2010 (fl. 246). Em 13/09/2010, a interessada apresenta manifestação de inconformidade (fls. 265 a 311). Argumenta que os coeficientes utilizados para distribuição do crédito entre Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 13807.005792/200598 Acórdão n.º 3301005.714 S3C3T1 Fl. 1.179 3 aqueles vinculados ao mercado interno e ao mercado externo encontramse corretos. Questiona os critérios adotados pela administração para apurar os custos. Entende que, existente o direito a apuração de créditos para as empresas exportadoras, não há que se restringir o seu pleno aproveitamento. Argumenta que os agentes fiscais, no âmbito administrativo, devem tomar suas decisões com base na verdade real, não decidindo por livre convencimento. Por fim, requer que a manifestação de inconformidade seja julgada procedente para convalidar as compensações e pedidos de ressarcimento realizados pela empresa. A Derat/SP, na primeira folha da manifestação, apõe anotação indicando carência na documentação para atestar a regular habilitação dos procuradores. Em 28/09/2010 (fl. 315) a empresa apresenta documentação complementar “reratificando os poderes” dos procuradores. A Derat/SP junta a documentação, atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade, e encaminha à DRJ para apreciação. É o relatório. Diante da decisão proferida pela DRJ, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1046.337 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. NÃOCUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 13807.005792/200598 Acórdão n.º 3301005.714 S3C3T1 Fl. 1.180 4 O Contribuinte apresentou PER/DCOMP de créditos de COFINS não cumulativa exportação referente ao segundo trimestre de 2004. A autoridade administrativa fiscal, por intermédio do Despacho Decisório (fls 229 e seguintes) deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento e consequente compensação por entender que quando da devolução, apenas os valores das vendas que ensejaram o recolhimento da contribuição dão ensejo a crédito. No recurso voluntário o Contribuinte repisa os argumentos já expostos quando da Manifestação de Inconformidade, alegando que (fls. 1153): “(...) todos os coeficientes utilizados pela recorrente para redistribuição entre crédito vinculado à receita tributada no mercado interno e receita de exportação, foram aplicados corretamente, não devendo prevalecer o entendimento consignado no acórdão ora recorrido” Diante desta afirmação requer, em nome da busca da verdade real, do princípio da confiança, que seja reformada a decisão e homologado totalmente as compensações realizadas. Na interposição da Manifestação de Inconformidade, bem como do Recurso Voluntário, o Contribuinte não apresenta de forma pontual o alegado direito de crédito e sem confrontar o que assim ficou consignado no Despacho Decisório (fls. 231): Após análise dos documentos solicitados nos Termos de Intimação e dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, elaboramos planilhas demonstrativas da composição dos custos, de apuração da base de cálculo das contribuições, planilhas de apuração de créditos, onde consta o valor a ser ressarcido. As glosas efetuadas originaramse de custos lançados a maior, considerando o confronto entre os valores lançados no DACON e os constantes de seus registros contábeis Tomandose por base os maiores valores lançados a título de créditos conforme abaixo demonstrados e do rateio proporcional indevido dos valores referentes à devolução de vendas no mercado interno. (...) CÁLCULO DO CRÉDITO – DA REDISTRIBUIÇÃO DOS CRÉDITOS RELATIVOS A DEVOLUÇÕES DE VENDAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA Conforme art. 3º, inciso VIII da Lei nº 10.833/2003, pode o contribuinte apurar créditos oriundos de devoluções consignadas nestas rubricas. Contudo para que tenha direito a este crédito, é necessário que a saída desta mercadoria tenha sido originalmente tributada pela respectiva alíquota, ou seja, 1,65% (caso do PIS), ou 7,6% (caso da COFINS). Entendo, neste caso, não assistir razão ao Contribuinte, pois não comprova o seu direito ao crédito e não contesta o exposto no Despacho Decisório, apenas, de forma genérica requer crédito de COFINS. Acredito oportuno, para não restar dúvida desse entendimento, citar trecho da decisão ora recorrida que bem expressa a questão (fls. ): A empresa se insurge contra as restrições impostas ao pleno aproveitamento dos créditos pelos exportadores. Cita, sem se aprofundar no questionamento, o crédito Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 13807.005792/200598 Acórdão n.º 3301005.714 S3C3T1 Fl. 1.181 5 presumido. As pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, definidas na Lei, podem descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos insumos utilizados na sua fabricação quando adquiridos de pessoas físicas, portanto, mesmo em operações sem incidência da contribuição. A Lei 10.833/03, que criou a sistemática nãocumulativa da Cofins concedeu, originalmente, benefício de crédito presumido as pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal. Embora tenha sido necessário apurálo separadamente, nada é dito sobre a existência de repercussão específica do crédito presumido apurado no ressarcimento do período em questão. Ressaltese que o aproveitamento do crédito presumido para dedução da contribuição devida está previsto na lei e foi aceito na auditoria realizada. Por fim, com relação à devolução de vendas, também não possui razão a interessada. As vendas canceladas não integram a base de cálculo das contribuições, sendo deduzidas dentro do próprio mês. Já para devoluções, é prevista a apuração de créditos, via de regra em meses subsequentes, uma vez que o valor da venda devolvida sofreu a incidência de Cofins. Vejase os textos da legislação: (...) A possibilidade de ressarcimento e compensação prevista na Lei 10.833/03, art. 6º, referese aos créditos associados à receita de exportação. Assim, os créditos são apurados separadamente, entre mercado interno e exportação. A possibilidade de rateio do art. 3º, § 8º combinado com art 6º, § 3º da mesma Lei referese aos custos, despesas e encargos comuns. No caso da devolução de venda, o crédito é específico em relação ao PIS ou Cofins apurado na operação, portanto, decorrente do mercado interno. São estas as operações, para as quais foi apurado PIS e Cofins, cujas devoluções são passíveis de creditamento e, portanto, vinculadas diretamente ao mercado interno. A legislação de regência, no caso a Lei nº 10.833/2003 estabelece de forma precisa que o Contribuinte pode se creditar de devolução, desde que seja devolução de venda e que esta venda tenha integrado o faturamento do mês ou do mês anterior, obviamente que tenha sido tributada. Assim prescreve a referida Lei: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 20 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Assim, diante da legislação e dos autos do processo, voto por negar provimento ao recurso voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 13807.005792/200598 Acórdão n.º 3301005.714 S3C3T1 Fl. 1.182 6 Fl. 1182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725869/2014-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem analise o direito creditório da contribuinte considerando todos os documentos por ela apresentados nestes autos (422/828, 839/2975 e 3.025/3.095). Na seqüência, deve ser intimada a recorrente, para se manifestar acerca do resultado da diligência.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem analise o direito creditório da contribuinte considerando todos os documentos por ela apresentados nestes autos (422/828, 839/2975 e 3.025/3.095). Na seqüência, deve ser intimada a recorrente, para se manifestar acerca do resultado da diligência. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 3.099 1 3.098 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.725869/201444 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.854 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 10 de abril de 2019 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PER/DCOMP Recorrente SEVEN COMÉRCIO VAREJISTA DE PEÇAS E SERVIÇOS AUTOMOTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem analise o direito creditório da contribuinte considerando todos os documentos por ela apresentados nestes autos (422/828, 839/2975 e 3.025/3.095). Na seqüência, deve ser intimada a recorrente, para se manifestar acerca do resultado da diligência. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls 3.026/3.047), acompanhado de documentos comprobatórios, interposto contra o Acórdão 1544.395 7a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA – DRJ/SDR (efls. 2986/2981), que considerou improcedente, por unanimidade de votos, Manifestação de Inconformidade da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 86 9/ 20 14 -4 4 Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 10580.725869/201444 Resolução nº 2202000.854 S2C2T2 Fl. 3.100 2 contribuinte em face de Despacho Decisório que não homologou compensação informada em PER/DCOMP, pretendida pela agora Recorrente e relativa a créditos em razão de retenções sofridas sobre notas fiscais de prestação de serviços. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/SDR, o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade decorrente do indeferimento total de requerimento de restituição de contribuições previdenciárias, relativo a saldo remanescente de valores retidos, na forma da Lei 8.212/91, art. 31, parágrafo 5º, por tomador dos serviços do requerente para as competências 5/2009 a 3/2013 (período intercalado). Por conseguinte, o contribuinte foi devidamente intimado (antes da prolação do Despacho Decisório) e apresentou: os arquivos SEFIP das competências 5/2009, 7/2009 e 10/2009 a 12/2010, nos quais constam as retificações tão somente das retenções sofridas mas com valores corretos apenas nas duas primeiras; as RAIS dos anosbase 2011 e 2012 com retificação dos dados de 5 (cinco) trabalhadores; a Folha de Pagamento de Salários apenas do período 6/2011 a 12/2012, com valores de remuneração totalmente incompatível com a GFIP neste mesmo período (71%); e Última Alteração Contratual. Ademais, deixou de declarar em GFIP os fatos geradores de contribuições previdenciárias, omitidos nas competências 6/2011, 10/2011, 12/2011 e 7/2012 a 9/2012 provenientes da RAIS, mesmo após a apresentação da retificadora e da DIRF; também, de retificar as GFIP, para declarar corretamente as retenções sofridas em praticamente todo o período objeto do pedido (10/2009 a 3/2013) e de apresentar as GFIP das competências 5/2009, 7/2009, 10/2009 a 13/2010 (transmitidas porém Sem Movimento), com mão de obra compatível com o faturamento baseado nas notas fiscais informadas nos PER/DCOMP, conforme Modelo Analítico Dinâmico das Informações Gerais da GFIP, RAIS, DIRF e Relação das Notas Fiscais informadas nos PER/DCOMP (telas anexadas). Deixou de apresentar, também, na qualidade de tomador de serviços, os contratos, as notas fiscais e as respectivas GPS com Código de Pagamento 2631 dos serviços prestados por terceiros sujeitos à retenção, correspondentes aos valores informados nas DIPJ nos exercícios 2010 a 2014, no montante de R$ 2.341.732,05 (dois milhões, trezentos e quarenta e um mil, setecentos e trinta e dois reais e cinco centavos), conforme DIPJ anexada e na qualidade de prestador de serviços, as Notas Fiscais de Prestação de Serviços e os Contratos relacionados às Notas Fiscais de Prestação de Serviços que instruíram os PER/DCOMP, assim como, a Folha de Pagamento de Salários das competências 5/2009, 7/2009, 10/2009 a 5/2011 e 1/2013 a 3/2013 (tela anexada) e por fim, esclarecese que, a não apresentação do Livro Caixa impossibilitou a apuração de possíveis novos fatos geradores de contribuições previdenciárias e observase que, nas competências Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 10580.725869/201444 Resolução nº 2202000.854 S2C2T2 Fl. 3.101 3 5/2009 a 12/2010 (38,6% de todo o período pleiteado), há total ausência de mão de obra, seja própria ou terceirizada, informada nos sistemas previdenciários, conforme MAD Modelo Analítico Dinâmico das Informações Gerais da GFIP (tela anexada); por estas razões, indeferiuse o pedido amparado no que dispõe o artigo 31, da Lei 8.212/91 e os art 17 e 76 da IN RFB 1.300/2012, (e) proponho o indeferimento da restituição pleiteada. Cientificado do indeferimento do pedido, em 13/10/2014, por meio do aviso de recebimento (fl. 837), o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 10/11/2014 (fl. 839), na qual faz juntada de notas fiscais e outros documentos (fls. 366 a 2.940) e, em síntese, solicita deferimento do direito creditório do requerente e realização de diligência fiscal para exame de sua escrituração contábil e fiscal, no sentido de comprovar a exatidão das informações prestadas. É o relatório. 3. Destaquemse então, os trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/SDR, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade: Voto (...) Ressaltase que há sentença judicial procedente ao sujeito passivo, da lavra da 4ª Vara Federal de Ribeirão Preto – TRF 3ª Região, em sede do mandado de segurança 500407424.2017.4.03.6102, no sentido de determinar que a autoridade impetrada, no prazo de trinta dias, aprecie a manifestação de inconformidade referente ao presente processo administrativo fiscal. Ordem essa que, diligentemente, ora se cumpre. (...) Assim, a empresa prestadora de serviços que sofreu retenção de contribuições previdenciárias no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, que não optar pela compensação dos valores retidos, ou, que possuir, após a compensação, saldo em seu favor, poderá requerer a restituição do valor não compensado, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e declarada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Na falta de destaque do valor da retenção na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, a empresa contratada poderá receber a restituição pleiteada somente se comprovar o recolhimento do valor retido pela empresa contratante, conforme determina o art. 30, da Instrução Normativa RFB 1717/2017, em consonância com o §5º, do art. 31, da Lei 8.212/91. Compulsandose os autos observase, preliminarmente, que o pedido de restituição reivindicado pelo sujeito passivo e as genéricas razões lançadas em sua defesa (fls. 839/1.168) não procedem, haja vista que o Despacho Decisório 0457/2014, de 24/9/2014 da Equipe de Reembolso e Restituição Previdenciária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, é esclarecedor, fundamentado e corrobora, minunciosamente (fls. 829/836), as razões pelas quais o sujeito passivo não tem o direito creditório que alega, senão vejamos: Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 10580.725869/201444 Resolução nº 2202000.854 S2C2T2 Fl. 3.102 4 “Também em consulta ao SPED Sistema Público de Escrituração Digital verificase que a empresa não transmitiu a ECD Escrituração Contábil Digital no período objeto do pedido. Por conseguinte, considerando que o contribuinte foi devidamente intimado, limitandose apenas, a apresentar os arquivos SEFIP das competências 05/2009, 07/2009 e 10/2009 a 12/2010, nos quais constam as retificações tão somente das retenções sofridas assim mesmo com valores corretos apenas nas duas primeiras, as RAIS dos anosbase 2011 e 2012 com retificação dos dados de 05 (cinco) trabalhadores; a Folha de Pagamento de Salários apenas do período 06/2011 a 12/2012, com valores de remuneração totalmente incompatível com a GFIP neste mesmo período (71%) e Última Alteração Contratual e solicitar mais prazo para apresentação das Notas Fiscais em formato PDF, sem se manifestar sobre a totalidade dos demais documentos, informações e solicitações pedidas na Intimação SEORT/DRF/SDR de 26/08/2014 (telas anexas), abstendose de declarar em GFIP os fatos geradores de contribuições previdenciárias, omitidos nas competências 06/2011, 10/2011, 12/2011 e 07/2012 a 09/2012 provenientes da RAIS, mesmo após a apresentação da retificadora e da DIRF; também, de retificar as GFIP, para declarar corretamente as retenções sofridas em praticamente todo o período objeto do pedido (10/2009 a 03/2013) e de apresentar as GFIP das competências 05/2009, 07/2009, 10/2009 a 13/2010 (transmitidas porém Sem Movimento), com mão de obra compatível com o faturamento baseado nas notas fiscais informadas nos per/dcomp, conforme Modelo Analítico Dinâmico das Informações Gerais da GFIP, RAIS, DIRF e Relação das Notas Fiscais informadas nos PER/DCOMP (telas anexas); deixando de apresentar, também, na qualidade de tomador de serviços, os contratos, as notas fiscais e as respectivas GPS com Código de Pagamento 2631 dos serviços prestados por terceiros sujeitos à retenção, correspondentes aos valores informados nas DIPJ nos exercícios 2010 a 2014, no montante de R$ 2.341.732,05 (dois milhões, trezentos e quarenta e um mil, setecentos e trinta e dois reais e cinco centavos), conforme DIPJ em anexo e na qualidade de prestador de serviços, as Notas Fiscais de Prestação de Serviços e os Contratos relacionados às Notas Fiscais de Prestação de Serviços que instruíram os PERD/COMP, assim como, a Folha de Pagamento de Salários das competências 05/2009, 07/2009, 10/2009 a 05/2011 e 01/2013 a 03/2013 (tela anexa) e por fim, esclarecese que, a NÃO apresentação do Livro Caixa impossibilitou a apuração de possíveis novos fatos geradores de contribuições previdenciárias e observase que, nas competências 05/2009 a 12/2010 (38,6% de todo o período pleiteado), HÁ TOTAL AUSÊNCIA DE MÃO DE OBRA, SEJA PRÓPRIA OU TERCEIRIZADA, INFORMADA NOS SISTEMAS PREVIDENCIÁRIOS, conforme MAD Modelo Analítico Dinâmico das Informações Gerais da GFIP (tela anexa); por estas razões, concluo portanto, pela improcedência do pedido e amparado no que dispõe o artigo 31 da Lei 8.212/91 e os art 17 e 76 da IN RFB 1.300/2012, proponho o INDEFERIMENTO da restituição pleiteada.” Percebese da impugnação do sujeito passivo alegações genéricas, haja vista não atacar, competência a competência, os pedidos de restituição ora analisados e indeferidos fundamentadamente pelo Despacho Decisório 0457/2014. A impugnação se limita a afirmar, genericamente, que possui o direito de restituir valores que lhes foram retidos fazendo juntada aleatória de documentos (fl. 846) que em nada Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 10580.725869/201444 Resolução nº 2202000.854 S2C2T2 Fl. 3.103 5 suprem as deficiências encontradas e que motivaram o indeferimento do pleito de restituição pela Equipe de Reembolso e Restituição Previdenciária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador. Assim, de modo a comprovar a higidez da decisão proferida, no Despacho Decisório 0457/2014, em face do pedido de restituição do requerente podemos citar, como exemplo, a competência 5/2006 para a qual há um pedido de restituição no valor de R$ 178,92 (fls. 210 a 213) mas que a respectiva GFIP está identificada como sem movimento (número de controle JgSCB03Z1D200006) e sem nenhum trabalhador alocado. Fato este encontrado, também, para as competências 7/2009, 10/2009 a 7/2010, 9/2010 a 12/2010, consoante demonstrado pela fiscalização na folha 828. Ademais, o sujeito passivo faz juntada de notas fiscais (fls. 863 a 887) que não tem pertinência com os dados informados nas GFIP, senão vejamos: para a competência 7/2009, o contribuinte faz juntada de nota fiscal 4407 (fl. 863) do prestador Hábil Serviços Contábeis, CNPJ 04.565.661/000115, para o tomador Setcar Serviços Automotivos Ltda, CNPJ 07.318.754/000133, ou seja, a Seven não figura nem como tomadora e nem como prestadora dos serviços delineados na nota fiscal citada. Ressaltase que nas notas fiscais juntadas não há, em nenhuma delas, destaque da retenção da contribuição previdenciária. Na GFIP exportada pela Seven, para a mencionada competência (número de controle B3j37DMVvAN00008), só consta como tomador o próprio contribuinte. Nesse compasso, percebese que o sujeito passivo carreou aos autos um volume grande de documentos, mas sem alocar especificadamente valores e competências, as quais foram analisadas no Despacho Decisório 0457/2014, de modo a modificar e/ou extinguir as razões que fundamentaram o indeferimento do pedido de restituição pela Equipe de Reembolso e Restituição Previdenciária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador. Para comprovar isso conferimos as notas fiscais juntadas, aleatoriamente, às folhas 2.744 a 2.809, para as quais sequer houve o destaque da retenção de 11% das contribuições previdenciárias em face dos serviços prestados à tomadora Ford Motor Company Brasil Ltda, CNPJ 03.470.727/001607, consoante determina o art. 31 da Lei 8.212/91. Do pedido de perícia. Indeferimento. (...). Isto posto, indefiro o pedido de perícia, por inexistirem fatos cuja comprovação exija conhecimentos técnicos especializados e/ou que foram colocados em contradição pelo autuado. (...). Assim, constando dos autos todos os elementos necessários à convicção do julgador, não se justifica tal pretensão. De todo o exposto, diante da deficiência das declarações prestadas em GFIP, das notas fiscais carreadas aos autos e total ausência de mão de obra, seja própria ou terceirizada, informada nos sistemas previdenciários, com o não recolhimento das contribuições previdenciárias, concluise que o contribuinte não tem direito à restituição dos valores elencados na manifestação de inconformidade. Logo, rejeito totalmente a manifestação de inconformidade e mantenho íntegra a decisão contida no Despacho Decisório (fl. 829). Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 10580.725869/201444 Resolução nº 2202000.854 S2C2T2 Fl. 3.104 6 Recurso Voluntário 4. Cientificada da decisão a quo, e inconformada com a Decisão proferida, a contribuinte tempestivamente apresenta seu Recurso, do qual destacamse as alegações apresentadas a seguir, em sua síntese: a) apresenta resumo dos fatos, ressaltando que a DRF de origem não analisou devidamente os documentos e os argumentos apresentados; b) apresenta suas preliminares de nulidade, a saber: aduz que o Acórdão de Primeira instância não considerou a totalidade dos elementos constante na Manifestação de Inconformidade; supõe que o órgão julgador não se imbuiu na busca da verdade material, fato evidenciado nos trechos da Decisão que indicam análise parcial dos documentos juntados, por amostragem, e sequer reconhecendo a existência de crédito parcial; transcreve doutrina sobre legalidade; indica dispositivo legal do CPC (Art. 489 § lo) o qual aponta que não se considera fundamentada qualquer decisão judicial que não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de infirmar a conclusão adotada pelo julgador, o que considera aplicável ao Decreto no 70.235/1972, de modo a assegurar a segurança jurídica e o direito à ampla defesa e ao contraditório, derivados do princípio do devido processo legal. c) também preliminarmente invoca a verdade material: defende que a Decisão a quo é nula por não ter buscado a verdade material, por não ter perquirido os elementos comprobatórios do crédito e por ter indeferido requerimento para produção provas posteriormente, além da negativa de realização de diligência fiscal para exame de sua escrituração contábil e fiscal; cita doutrina sobre verdade material; cita o Decreto no 9.094/17, que fixou diretrizes nas relações entre os órgãos públicos e seus usuários dos serviços público, fixando em seu artigo primeiro a presunção de boafé e o compartilhamento de informações, nos termos da lei; sustenta que tal decreto fixou obrigação para que os órgãos e entidades federais promovam a obtenção de informações diretamente dos bancos de dados, próprios ou de outros órgãos, para atendimento das necessidades dos cidadãos; nesse sentido, observa que não se coaduna com a busca da verdade material a exigência imposta ao contribuinte na Instrução Normativa no 1.717/2017, em seu art. 30 e seguintes, de que, na ausência de destaque do valor da retenção na nota fiscal de prestação de serviços, a empresa contratada poderá receber a restituição pleiteada somente se comprovar o recolhimento do valor retido pela empresa contratante; entende que as retenções efetuadas pela Ford Motor Company Brasil Ltda., podem ser verificadas nos próprios sistemas de dados da Receita Federal do Brasil; d) já quanto ao mérito: acredita demonstrar que todas as provas aptas a autorizar seu pleito foram devidamente carreadas aos autos; Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 10580.725869/201444 Resolução nº 2202000.854 S2C2T2 Fl. 3.105 7 sustenta que o acórdão incorreu em erro ao mencionar a competência 5/2006, quando em verdade quis dizer 5/2009, pois o pedido de restituição no valor de R$ 178,92 (fls. 210 a 213), referese à competência de 5/2009. esclarece que nas competências de 5/2009, 7/2009 e 10/2009 a 7/2010, foi a empresa tomadora de serviços Ford Motor Company Brasil Ltda. quem recolheu a contribuição previdenciária, mediante retenção; defende que não necessariamente o mês de competência de recolhimento/retenção do tributo está atrelado ao mês de competência do processamento da GFIP, porque o trabalho realizado em um respectivo mês pela prestadora de serviços não necessariamente será remunerado e pago pela empresa tomadora no mesmo mês; e por isso nas competências acima indicadas não alocou efetivamente mão de obra pararealização dos serviços, motivo pelo qual a GFIP foi processada com a informação correta de sem movimento; adverte que por equívoco foram juntadas notas envolvendo as empresas Hábil Serviços Contábeis, e Setear Serviços Automotivos Ltda, que não possuem qualquer relação com este processo e em nada influenciam no deslinde do feito, devendo ser desconsideradas; reconhece que efetivamente as notas ficais manuais não trazem o mencionado "destaque" da retenção, mas a tomadora de serviços procedeu efetivamente à retenção atinente, consoante fazem provas as guias GPS que integram este Recurso;. sustenta que a partir da página 2.767 dos autos as notas deixam de ser somente manuais e passam a ser eletrônicas, contendo o referido destaque, o que, por si só, mostra ser inapropriado o indeferimento integral do pleito; no seu entendimento, para análise do deferimento do seu pedido basta a análise das Notas Fiscais de prestação de serviços, onde se observa a retenção, as GFIP e a folha de pagamentos, e destaca a orientação da RFB nesse sentido, conforme consulta do respectivo sítio desta na internet; sustenta que mesmo assim, em boafé, trouxe aos autos (juntamente com sua Manifestação de Inconformidade) toda a sua escrita fiscal relativa à apuração das contribuições sociais no período, quais sejam: Livro Caixa 2009 a 2013; Notas Fiscais de Prestação de Serviços Terceiros 2009 a 2013; Notas Fiscais de Serviços Prestado 2009 a 2013; RAIS 2011 e 2012; DIRF 2012, Folha de Pagamento 2011 a 2013, Retificação das GFIPs 2009 a 2013; e acredita que cabia à DRJ determinar a realização de diligência fiscal para verificar, mediante exame da escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, e não de plano indeferir o pleito do contribuinte; cf. art. 76 da IN RFB 1.300/2012. 5. Requer a contribuinte, por fim, o provimento do recurso, reformando o Acórdão, para que seja acolhido o pedido de restituição, ou o encaminhamento do direito creditório para compensação; solicita ainda o direito à produção de outras provas, com a juntada de outros documentos posteriormente, além da realização da diligência fiscal para exame de sua escrituração contábil e fiscal. 6. Nesta sede recursal, junta cópias dos seguintes documentos: guias da Previdência Social GPS de junho 2009 a junho de 2013. Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 10580.725869/201444 Resolução nº 2202000.854 S2C2T2 Fl. 3.106 8 VOTO Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima Relator 7. De plano, ao compulsar os presentes autos, verificase que a ora Recursante apresentou documentos relevantes em sede de impugnação, anexos à sua Manifestação de Conformidade, cf. efls. 863 a 1.168 e 1171 a 2.975, e muitos deles, notadamente os documentos contábeis, haviam sido solicitados durante os procedimentos prévios à emissão do Despacho Decisório de efls. 829 a 836; como não apresentados em tal momento, portanto também não apreciados pela DRF de origem para formação de seu convencimento. 8. Não se pode ouvidar que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual. Verifiquese o Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei no. 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei no. 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei no. 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei no. 9.532/97) 9. Por outro lado, já nesta sede recursal, foram apresentados novos documentos pela interessada, acostados ao presente às efls 3.059 a 3.093, os quais também obviamente não foram apreciados pela autoridade emissora do Despacho Decisório, mas que, com a devida valoração, são de interesse para o deslinde desta lide, podendo ser afastado instituto da preclusão, com base no Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º, c), uma vez que justamente foram documentos cuja ausência foi referenciada pelo Acórdão a quo. 10. Diante dos fatos, considero que o presente processo ainda não esteja em situação para prolação de Acórdão por este Conselho. A Autoridade Decisória na DRF de origem não teve acesso a documentos essenciais para formação de sua convicção, cuja analise é de seu interesse, cf. exposto em sua intimação pré Despacho e mesmo conforme exposto na prolação deste Despacho Decisório. 11. Dessa forma, entendo que embora a posteriori apresentados em relação à intimação prévia ao Despacho Decisório, tais documentos, pela significância contábil, devem ser pela DRF de origem analisados em Diligência, uma vez que podem possuir o condão de alterar o resultado da apreciação do pedido da ora Recorrente. Não se ignore também que um dos pedidos hodiernos da Recursante é a realização de Diligência que aprecie a totalidade dos documentos probatórios acostados aos autos. 12. Após esta análise, e utilizandose dos métodos e sistemas ora disponíveis à Fiscalização na DRF de origem, cabe conversão deste Julgamento em Diligência, a fim de que a Fiscalização proceda à reanálise dos documentos acostados junto à resposta de sua Fl. 3106DF CARF MF Processo nº 10580.725869/201444 Resolução nº 2202000.854 S2C2T2 Fl. 3.107 9 Intimação inicial, complementados pelos documentos contábeis apresentados junto à Impugnação (efls. 422/828 e efls. 839/2.975), os quais eram de seu interesse na apreciação do conjunto probatório previamente à prolação de seu Despacho, e que podem ter seu entendimento complementado com os documentos ora apresentados junto a este Recurso (efls. 3.025/3.095). Recomendase a elaboração de Relatório Fiscal conclusivo acerca de suas novas verificações, considerando as provas juntadas aos autos e externando os novos levantamentos porventura realizados, com manifestação sobre eventual impedimento à compensação pretendida. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem analise o direito creditório da contribuinte considerando todos os documentos por ela apresentados nestes autos (422/828, 839/2975 e 3.025/3.095). Na seqüência, deve ser intimada a recorrente, para se manifestar acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator. Fl. 3107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.720220/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 13/08/2013, 07/02/2014
COISA JULGADA EM AÇÃO ORDINÁRIA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS.
Não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial onde se discutia o débito combatido na instância administrativa. Ante a supremacia da instância judicial, não há, na hipótese aqui tratada, que se falar em concomitância, mas sim em aplicação dos efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do correlato processo administrativo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-006.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para aplicar a decisão judicial transitada em julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo (relator), Marcos Antônio Borges (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra que não conheciam do Recurso Voluntário em razão da concomitância. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. Não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial onde se discutia o débito combatido na instância administrativa. Ante a supremacia da instância judicial, não há, na hipótese aqui tratada, que se falar em concomitância, mas sim em aplicação dos efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do correlato processo administrativo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para aplicar a decisão judicial transitada em julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo (relator), Marcos Antônio Borges (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra que não conheciam do Recurso Voluntário em razão da concomitância. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 02 20 /2 01 4- 15 Fl. 1654DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado). Relatório Trata a lide de auto de lançamento fiscal decorrente de identificação da prática de subfaturamento em operação de importação, realizada por meio da Declaração de Importação (DI) nº 13/15726981, registrada em 13/8/2013 e desembaraçada em 7/2/2014. A partir de uma série de indícios que levavam à possibilidade da apresentação ao Fisco de valores subfaturados para importação das mercadorias acobertadas pela DI retrocitada, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) que lavrou as autuações efetuou levantamento nos sistemas da RFB e arbitrou valores para as mercadorias importadas, com fulcro no art. 88, I, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, acrescentando o valor do frete declarado e chegando ao valor convertido de R$ 177.868,65 para a operação. Partindo da premissa de que a informação de valor subfaturado configurou a apresentação de uma fatura falsa ao Fisco, por força da legislação vigente, foi aplicada multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, por esta já ter sido entregue ao importador e não ser mais possível localizála para aplicação da pena de perdimento. Ainda, haja vista o arbitramento ter resultado em valores superiores aos declarados, foram cobradas as diferenças dos tributos incidentes na operação, acrescidos de multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora. A Blue Sky Distribuidor Atacadista Ltda – EPP apresentou tempestivamente sua impugnação. Preliminarmente, alegou ausência de provas por entender não ser admissível pesquisa de preço médio junto ao sistema Alice Web do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, tampouco as pesquisas de preços efetuadas junto a exportadores chineses (por ignorar aspectos comerciais, por não haver tradução juramentada e por suposta falsidade ideológica no encaminhamento dos pedidos de cotação). Também alegou haver vício de motivação por entender que a margem de contribuição bruta calculada não é indício para o subfaturamento, haja vista o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) ter se pronunciado pela ilegalidade da IN SRF nº 243/02 e porque “(...) a Autoridade Fiscal assentou suas premissas em um artigo publicado pela Deloitte Touche Tohmatsu intitulado ‘Margem Bruta de Lucros das empresas brasileiras’” (fl. 1192). Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 10907.720220/201415 Acórdão n.º 3402006.325 S3C4T2 Fl. 1.565 3 No mérito, aduz ser inadmissível a imposição de severas penalidades em razão de subfaturamento inexistente, constatado após meras consultas genéricas sobre preços praticados, com relação a produtos que não sejam exatamente iguais àqueles adquiridos pela importadora. Discorre sobre a diferenciação entre subfaturamento e subvaloração, afirmando que, na inexistência de provas de fraude, estarseia, quando muito, diante de hipótese de subvaloração; razão pela qual o Fisco deveria ter constituído crédito tributário mediante aplicação de um dos métodos substitutivos do Artigo VII do GATT (afastando o método do valor da transação) e exigindo a diferença do crédito tributário, acrescido apenas de juros e da multa de ofício de 75%. Invoca a incidência do art. 112 do CTN, verdadeiro freio à atividade estatal desmesurada e destituída de provas; e argumenta estar sendo tolhido de seus bens por conta de atividade fiscalizatória excessiva, de cunho arbitrário e de caráter nitidamente confiscatório. Sustenta ainda a inaplicabilidade da pena de perdimento aos casos de subfaturamento diante da existência de normas específicas que prevêem a incidência da penalidade da multa de 100% da diferença entre o valor declarado e o valor arbitrado (art. 108 do DecretoLei 37/66). Em 2/7/2014 foi o processo baixado em diligência para que se pudesse verificar suposta concomitância entre o presente e a ação judicial ordinária nº 5000090 32.2014.404.7000/PR. Para fins de cumprir a diligência restou apensado ao presente processo o de nº 10907.720274/201472. Ato contínuo, a DRJFLORIANÓPOLIS (SC) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 13/08/2013, 07/02/2014 IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. Comprovada a fraude decorrente de subfaturamento do valor aduaneiro das mercadorias importadas, aplicável pena de perdimento (ou multa de 100% do valor aduaneiro caso tenham sido as mercadorias consumidas), cobrança da diferença dos tributos incidentes nas operações e multa de ofício qualificada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso, a Empresa suscitou questões preliminares e de mérito, apresentando as mesmas argumentações da sua impugnação. Em 18 de abril de 2018, a Empresa, por meio de petição juntada aos autos, informou a existência de fato novo, referente a julgamento de recurso de apelação pelo Tribunal Regional Federal, nos autos nº 5004.637042017.404.7003/PR, onde restou reconhecida a completa nulidade das penalidades aplicadas em desfavor da contribuinte no PAF em epígrafe, conforme decisão judicial anexada aos autos. Fl. 1656DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Sousa Bispo. O Recurso Voluntário é tempestivo, porém não atende a todos requisitos de admissibilidade, como se verá adiante, razão pela qual dele não se deve conhecer. Conforme já consignado, o presente processo trata de auto de infração de subfaturamento, haja vista que o Contribuinte supostamente teria se utilizado de uma fatura falsa na importação. Então, foi aplicada multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, por esta já ter sido entregue ao importador e não ser mais possível localizála para aplicação da pena de perdimento. Ainda, haja vista o arbitramento ter resultado em valores superiores aos declarados, foram cobradas as diferenças dos tributos incidentes na operação, acrescidos de multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora. A DRJ não acolheu as pretensões do Contribuinte, mantendo integralmente a exação fiscal. Posteriormente, a Recorrente, após a apresentação de Recurso Voluntário, trouxe fato novo aos autos, informando que foi beneficiária de decisão transitada julgado em recurso de apelação (nº5004.637042017.404.7003/PR), no qual se afastaram as exigências contidas no auto de infração nº10907.720220/201415, razão pela qual pugnou para que seja dado total provimento do Recurso Voluntário, a fim de que o crédito tributário em comento seja extinto. Para comprovar o fato, juntou aos autos o acórdão do recurso de apelação. Com efeito, resta analisar se o referido processo judicial tem identidade de objeto com o discutido no presente processo administrativo de lançamento fiscal, o que pode ensejar o reconhecimento da existência de concomitância entre os processos. Reproduzo a seguir trechos da apelação em ação ordinária que denotam o seu objeto: Mérito Consta que, em 13/08/2013, a empresa autora registrou a Declaração de Importação nº 13/15726981 visando à internalização de 6.970 unidades de cartuchos de toners de impressoras a laser, compatíveis com os originais (p. 41/45 PROCADM4 Evento 1). Parametrizada para o canal cinza de conferência aduaneira, a DI foi submetida, em 23/08/2013, ao Procedimento Especial de Controle Aduaneiro regulado pela IN nº 1.169/2011 por suspeita quanto à "autenticidade, decorrente de falsidade material ou ideológica, de documento comprobatório apresentado na importação, inclusive quanto ao preço pago ou a pagar" (Termo de Início de Fiscalização p. 53/56 PROCADM4 Evento 1). Ao final do PECA, foi lavrado o Auto de Infração nº 0917800/00403/13 (PAF nº 10907.720.220/201415), que concluiu pelo subfaturamento da operação mediante uso de documento falso. Foi, então, determinada a incidência da pena de perdimento às mercadorias importadas (substituída por Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 10907.720220/201415 Acórdão n.º 3402006.325 S3C4T2 Fl. 1.566 5 multa de 100% do valor aduaneiro, com base no § 3º do art. 23 do DecretoLei 1.455/1976, tendo em vista a entrega das mercadorias por força de decisão judicial), e a cobrança dos tributos devidos sobre a diferença entre o valor arbitrado e o valor declarado acrescidos de multa de ofício de 150% (p. 2/22 PROCADM4 Evento 1). Com base no entendimento de que o mero subfaturamento mediante falsidade ideológica não enseja o perdimento das mercadorias e diante da ausência de provas da ocorrência de fraude, o magistrado a quo julgou parcialmente procedentes os pedidos formulados na inicial, determinando o afastamento da pena de perdimento, mas mantendo, todavia, as demais penalidades pecuniárias aplicadas pelo Fisco. Com efeito, cumpre transcrever trechos da fundamentação utilizada pela autoridade no Relatório Fiscal para embasar a conclusão pelo subfaturamento com o uso de documento falso (p. 23/40 PROCADM4 Evento 1): "2) CONTEXTO 2.1. Margem Bruta Pegandose como referência um item da DI nº 13/07351168, registrada pela BLUE SKY em 17.04.2013, e calculandose o valor do item já acrescido dos tributos de importação, teremos os seguintes valores em Reais: (...) De acordo com planilha apresentada pela BLUE SKY, o valor de referência de venda é R$ 23,51 para o item SCHB285AC. Comparandose o valor de referência de venda com o custo do item conforme dados da Declaração de Importação, verificase que o valor de venda do item SCHB285AC é 7,4 vezes superior ao custo, o que representa uma diferença expressiva entre valor venal e custo de importação. Para fins de facilitar a comparação e deixar mais claro o quanto essa diferença é irreal em termos de mercado vamos usar um artigo publicado pela Deloitte Touche Tohmatsu e intitulado “Margem Bruta de Lucro das empresas brasileiras". (...) Tomandose por base o estudo o efetuado pela Deloitte, a margem bruta de lucro da BLUE SKY de 82,4% é indício de que há algo de errado, haja vista que nem os setores mais rentáveis da economia brasileira chegaram perto de uma margem bruta assim tão alta. 2.2. Valor Das Mercadorias A DI nº 13/15726981 contém apenas uma adição na qual as mercadorias foram classificadas no código NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) nº 8443.99.33, referente a cartuchos de revelador (toner) para impressoras. O valor FOB (Free on Board) total declarado destas mercadorias foi de US$ 12.832,80, e o peso líquido das mercadorias é de 7.145,98 Kg, resultando numa relação entre valor FOB e peso líquido de US$ 1,80/Kg. Pesquisa ao sistema Alice Web 2 do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior revelou que a média de importações da China de mercadorias declaradas com o código 8443.99.33 entre os meses de janeiro e julho de 2013 foi de US$ 18,88/Kg. Ainda que os valores obtidos do sistema sejam apenas uma média Fl. 1658DF CARF MF 6 de valores de produtos semelhantes, a diferença entre a média (18,88) e o quociente obtido na DI em análise (1,80) é muito grande para ser desconsiderada. (...) Considerando que os cartuchos de toners importados pela BLUE SKY não são os modelos originais mas sim modelos novos compatíveis com os originais, buscouse cotações deste tipo de mercadoria junto a fabricantes e exportadores chineses. A quantidade de mercadorias utilizada no pedido de cotações é a constante no quadro abaixo. Ainda que as quantidades sejam diferentes das quantidades importadas pela BLUE SKY, estas quantidades já são suficientes para caracterizar compra no atacado e portanto os valores podem ser comparados aos valores declarados pela BLUE SKY. (...) As cotações obtidas foram resumidas no quadro abaixo: Percebese que os valores declarados pela BLUE SKY estão muito inferiores a todas as cotações obtidas. Tamanha diferença não se explica por diferença de marca nem por quantidade de toner no cartucho. O quadro abaixo exibe a média dos valores obtidos pelas cotações, o valor declarado pela BLUE SKY e a porcentagem que o valor declarado representa em relação à média dos valores (o quociente entre o valor declarado e a média): Pela tabela acima é possível verificar que o valor declarado pela BLUE SKY representa de 12% a 22% da média das cotações obtidas, ou seja, os valores estão em média subfaturados em 78% a 88%. Nota: para cálculo do subfaturamento, a variação de valor é calculada em relação ao valor original, neste caso representado pelo valor médio das cotações. 2.3. Nota Fiscal De Entrada E Planilha De Preço De Venda Um dos documentos solicitados ao importador com vistas ao esclarecimento dos valores praticados na importação foi o demonstrativo dos custos na importação e da Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 10907.720220/201415 Acórdão n.º 3402006.325 S3C4T2 Fl. 1.567 7 formação dos preços na revenda das mercadorias. A documentação apresentada, contudo, contém diversas irregularidades. Inicialmente, a análise perfunctória dos valores que constam nas notas fiscais de entrada que formalizam a entrada das mercadorias importadas demonstra que o campo “Valor total da nota” está com valor incorreto. Tomando por base a Declaração de Importação nº 13/07351168, temos estes custos para compor a nota fiscal de entrada: (...) Já a nota fiscal de entrada nº 21.750 relativa a esta DI apresenta como valor total da nota o montante de R$ 82.643,16, um valor aproximadamente 20% superior ao esperado. Este valor maior que o esperado se reflete na planilha apresentada pelo importador, onde o custo unitário do produto importado aparece com um valor maior do que o correto. (...) A planilha de custos na importação apresentada pela BLUE SKY parte de um valor inicial que é superior ao valor da mercadoria informado na fatura comercial e ainda assim é acrescido dos tributos, fretes e despesas aduaneiras, o que demonstra que aparentemente houve inserção redundante de alguns valores. O item SCHB285AC (DI nº 13/07351168), por exemplo, foi declarado a US$ 1,14 (R$ 2,26), embora o valor unitário utilizado no início da planilha de custos na importação para este item tenha sido R$ 3,3971 e o valor constante na nota fiscal de entrada foi de R$ 4,1293. (...) Na planilha de formação de preços na revenda das mercadorias foram encontradas algumas irregularidades. Neste sentido, por meio do Termo de Intimação nº 189 o importador foi intimado a detalhar a natureza das colunas com as rubricas “frete” e “despesas aduaneiras” constantes na tabela de formação de preços na revenda (vide tabela abaixo) e foi especificamente intimado a descrever como chegou ao valor de R$ 3,3971 constante na planilha detalhando a nota fiscal de entrada nº 21.750. Em relação às colunas “frete” e “despesas aduaneiras”, o importador apresentou nova planilha, apenas para a DI nº 13/07351168, sem as colunas questionadas, utilizando apenas os valores constantes na nota fiscal de entrada, o que leva a crer que estas rubricas estavam sendo indevidamente utilizadas no cálculo. Além disso, não foi explicado como se chegou ao valor unitário de R$ 3,3971. (...) Em função das diversas irregularidades encontradas, não é possível utilizar estas planilhas como referência para a formação dos preços na revenda das mercadorias. 2.4. Auto De Infração Nº 0915200/04932/13 – PAF 15165723382/201361 Foi lavrado em outubro de 2013 o auto de infração nº 0915200/04932/13, formalizado no PAF nº 15165723382/201361, em nome de BLUE SKY pelo uso de documento falso no despacho. Este auto de infração foi lavrado na Inspetoria da Receita Federal do Brasil em CuritibaPR. Em resumo, a fiscalização obteve duas versões da mesma fatura comercial de número SCI1307A. Uma foi apresentada junto com os documentos instrutivos do despacho, no valor de US$ 5.084,50, e a Fl. 1660DF CARF MF 8 outra foi encontrada por acaso durante procedimento de verificação física das mercadorias, no valor de US$ 5.195,05 (vide figuras abaixo). Embora a diferença de valor entre as faturas seja pequena, o que é realmente importante é uma combinação de dois fatores: a existência de duas faturas distintas e o fato de na segunda fatura, a que não foi apresentada à fiscalização, o campo relativo à data conter o valor de US$ 41.485,00 ao invés de conter a data. Notese que o valor maior, US$ 41.485,00, é aproximadamente 8 vezes maior que o valor de US$ 5.195,05. Se considerarmos que US$ 41.485,00 é o valor real da fatura, o valor informado de US$ 5.195,05 constitui um subfaturamento na ordem de 87%. Cumpre lembrar que as mercadorias descritas na fatura SCI1307A são justamente cartuchos para impressoras, à semelhança das mercadorias objeto deste Auto de Infração. Logo, percebese que teria sido aplicado na fatura SCI1307A o mesmo nível de subfaturamento encontrado na fatura SCTC1305212 objeto de discussão neste Auto de Infração. (...) 2.5. Valor Aduaneiro Considerado Dos Bens Considerandose falso o documento apresentado como sendo a Fatura Comercial necessária ao despacho de importação, conforme as razões expostas anteriormente, impõese a necessidade de se estabelecer o valor aduaneiro dos bens objeto das operações, assim entendido como a base de cálculo do Imposto de Importação (conforme Art. 75 do Decreto nº 6.759/2009) e, por consequência, dos demais tributos e contribuições devidos pela nacionalização de mercadoria estrangeira: IPI vinculado à importação, PIS/Pasep Importação, Cofins Importação e ICMS. (...) Desta forma procedeuse à pesquisa nos sistemas da RFB em busca de importação de mercadoria idêntica ou similar realizada à mesma época que pudesse atender o primeiro critério elencado no dispositivo legal acima. Para tanto foi realizada pesquisa com as seguintes características: Código NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul): 84439933; País de Procedência: China; Nível Comercial: Atacado (Grande quantidade); e Data de registro da DI: entre janeiro/2013 e agosto/2013; Com base em tais critérios foram encontradas as seguintes mercadorias utilizadas como paradigma para o arbitramento do valor: Para o item de código SCSCX6555T foi atribuído o valor US$ 42,13 encontrado na DI nº 1314469799; Para o item de código SCBB360 foi atribuído o valor US$ 4,23 encontrado na DI nº 1320243403; Para o item de código SCBB410/420/450 foi atribuído o valor US$ 9,60 encontrado na DI nº 1313693555; Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 10907.720220/201415 Acórdão n.º 3402006.325 S3C4T2 Fl. 1.568 9 Para o item de código SCBB580/650 foi atribuído o valor US$ 10,56 encontrado na DI nº 1317815302; Para o item de código SCBB720/750 foi atribuído o valor US$ 8,13 encontrado na DI nº 1319418203; Para o item de código SCBD580 – DR 520 foi atribuído o valor US$ 12,28 encontrado na DI nº 1318957976; Para o item de código SCHB7553A/5949A foi atribuído o valor US$ 8,60 encontrado na DI nº 1309731286; Para o item de código SCSC4095 – CLT 409 foi atribuído o valor US$ 7,35 encontrado na DI nº 1321887428; Para o item de código SCXB3045 foi atribuído o valor US$ 4,60 encontrado na DI nº 1305846305; Notase que estes valores encontrados na pesquisa aos dados das mercadorias importadas por outras empresas estão compatíveis com os valores obtidos nas cotações recebidas. (...)" Da leitura do Relatório Fiscal, em especial dos trechos acima transcritos, e da análise dos documentos acostados ao processo administrativo, observase que não há prova de subfaturamento na operação de importação registrada sob a DI nº 13/15726981. Tanto o tópico "Margem Bruta" quanto o "Nota Fiscal de Entrada e Planilha de Preços De Venda" são fundamentados em dados referentes à DI 13/07351168, registrada pela empresa autora em 17/04/2013 (p. 200/202 PROCADM6 Evento 1), e que sequer era objeto do procedimento fiscalizatório em tela. Por outro lado, o Fisco não demonstra a existência das mesmas irregularidades com relação à DI nº 13/15726981, não sendo possível presumilas em razão da ocorrência em operação anterior. As informações contidas no tópico "Auto de Infração Nº 0915200/04932/13 PAF 15165723382/201361" são, do mesmo modo, irrelevantes para demonstração de subfaturamento na operação de importação em questão. O referido auto de infração foi lavrado com relação à DI nº 13/16455035, registrada em 22/08/2013, que visava a internalização de mercadorias adquiridas de exportador diverso, Supricolor Image Limited (p. 141150 PROCADM10; e p. 111 PROCADM11 Evento 1). Cumpre salientar, ainda, que na ação judicial nº 5047698 60.2013.404.7000 foi afastada a pena de perdimento aplicada administrativamente, pois constatada a inocorrência de falsidade documental . No tópico "Valor das Mercadorias", a fiscalização afirma que a relação entre o valor FOB da operação (US$ 12.832,80) e o peso líquido das mercadorias (7.145 kg) é de US$ 1,80/kg, muito inferior à relação média observada de importações da China de mercadorias declaradas sob o código NCM 8443.99.33 entre os meses de janeiro e julho/2013, de US$ 18,88/kg, obtida a partir de pesquisa ao sistema Alice Web 2 do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; e que a diferença é muito grande para ser desconsiderada. Todavia, comparando a relação preço FOB/peso líquido da operação em questão (DI nº 13/15726981) com a das outras declarações de importação registradas pela empresa autora no período de maio/2012 a julho/2013 cujos Fl. 1662DF CARF MF 10 documentos foram solicitados e apresentados no curso do PECA não se observa tal discrepância. Nesse passo: a) DI 12/09708916, relação de US$ 3,75/kg (p. 24 PROCADM7 Evento 1); b) DI 12/11629130, relação de US$ 2,73/kg (p. 17 PROCADM7 Evento 1); c) DI 12/21682824, relação de US$ 2,07/kg (p. 8 PROCADM7 Evento 1); d) DI 13/07351168, relação de US$ 3,16/kg (p. 196 PROCADM6 Evento 1); e) DI 13/11937929, relação de US$ 2,89/kg (p. 1 PROCADM7 Evento 1); f) DI 13/13084176, relação de US$ 1,76/kg (p. 217 PROCADM6 Evento 1); g) DI 13/14131330, relação de US$ 2,44/kg (p. 203 PROCADM6 Evento 1); A conclusão de que os valores declarados pela empresa autora estão, em média, de 78 a 88% subfaturados decorre unicamente do fato de que representam de 12 a 22% dos valores informados nas cotações obtidas pela fiscalização (p. 121/128 PROCADM10 Evento 1). As mencionadas cotações, entretanto, não servem de prova da ocorrência de subfaturamento. Essas foram buscadas através de endereço de email criado por agentes fazendários em nome de pessoa física fictícia (Érico da Silva); o que, a despeito de não configurar prova ilícita, não podem ser valoradas como absolutas. Como bem destacado pela apelante, tendo em vista o poder de compra de uma pessoa física, é evidente que o valor ofertado na importação é superior ao ofertado a um atacadista, inclusive em razão da quantidade a ser adquirida. E, enquanto a DI nº 13/15726981 visava à importação de 6.970 unidades de cartuchos de toners compatíveis com os originais, foi solicitada cotação de preço com relação a 1.625 unidades, aproximadamente 1/4 do total, sem qualquer preocupação em especificar a qualidade do produto (p. 121/128 PROCADM10 Evento 1). Ainda, não se verifica grande diferença se levados em consideração os valores declarados para produtos idênticos importados pela autora em operações anteriores, a partir do mesmo exportador (faturas comerciais: p. 211 PROCADM6, p. 1 PROCADM7 e p. 196 PROCADM6 Evento 1). Além disso, a empresa apresentou cotações efetuadas juntamente a exportadores consultados pela fiscalização, em que se observam diferentes faixas de preço a depender da qualidade do produto, os quais são compatíveis com os valores declarados na DI nº 13/15726981 (p. 73/82 PROCADM13). Não há, portanto, prova de que tenha havido subfaturamento da operação. A empresa autora apresentou, ainda, cópia dos emails da negociação com o exportador (p. 71/81 PROCADM4 Evento 1), em que encontramse exatamente os mesmos valores que constam da Fatura Comercial e que foram informados na Declaração de Importação (p. 41/45 e 47 PROCADM4 Evento 1). Em momento algum a fiscalização apresenta elementos objetivos que autorizem a conclusão de que tenha havido falsificação dos documentos que instruíram a DI nº 13/15726981, tampouco de que os valores informados não condizem com o preço efetivamente praticado pelo exportador. Os documentos Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 10907.720220/201415 Acórdão n.º 3402006.325 S3C4T2 Fl. 1.569 11 do processo administrativo e os argumentos despendidos no Relatório Fiscal não permitem essa conclusão, como exaustivamente demonstrado acima. A autoridade simplesmente presume, a partir de irregularidades constatadas em operações anteriores e de cotações obtidas por meios não oficiais, a falsidade da fatura comercial apresentada na DI nº 13/15726981 e passa, automaticamente, a arbitrar valor às mercadorias importadas, com base em preços declarados em DIs de outras empresas e que sequer foram acostadas ao processo administrativo. Não havendo prova concreta do subfaturamento da operação, há de se reconhecer a nulidade das penalidades pecuniárias aplicadas (multa do art. 88 da MP 2.15835/2001 acrescida da multa de ofício do art. 44, I, § 1º da Lei 9.430/1996) no AI nº 0917800/00403/13 (PAF nº 10907.720220/201415). (...) Conclusão A apelação da parte autora foi provida para o fim de: a) declarar a nulidade das penalidades aplicadas no AI nº 0917800/00403/13 (PAF nº 10907.720220/201415); e b) redistribuir os ônus sucumbenciais, condenando a União ao pagamento de honorários advocatícios calculados com base no proveito econômico obtido (R$ 241.493,99); observados, na aplicação do § 5º, os percentuais mínimos previstos para cada faixa do § 3º. Dispositivo Ante o exposto, voto por dar provimento à apelação. A Recorrente informa, ainda, nos autos, que a decisão transitou em julgado no dia 07 de maio de 2018, fato comprovado em consulta no site do TRF4, no link: https://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_resultado_pesquisa &txtValor=50046370420174047003&selOrigem=TRF&chkMostrarBaixados=&todasfases= &selForma=NU&todaspartes=&hdnRefId=&txtPalavraGerada=&txtChave=&numPagina=1 . Restando comprovado que no processo judicial se discute a mesma matéria na qual se fundou a autuação, este Colegiado fica impedido de analisar matérias que foram levadas para o judiciário pela Empresa com a mesma identidade e objeto com o processo administrativo. Como se sabe, a discussão de determinada matéria na esfera judicial implica, necessariamente, na renúncia ao recurso administrativo quanto a mesma matéria, uma vez que o poder Judiciário detém o monopólio da jurisdição. Nesse sentido, a Súmula Carf nº1 preceitua: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 1664DF CARF MF 12 (negrito nosso) Diante de todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário interposto em razão da concomitância, devendo o processo retornar à unidade de origem para aplicação da decisão judicial definitiva. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Voto Vencedor Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Em sessão, ousei em divergir do I. Relator vez que, como atestado em seu voto, a decisão judicial que anulou o presente Auto de Infração transitou em julgado em 07/05/2018. A decisão transitada em julgado expressamente declarou "a nulidade das penalidades aplicadas no AI nº 0917800/00403/13 (PAF nº 10907.720220/201415)" (processo judicial n.º 5004.637042017.404.7003/PR). Como já julgado por esta turma e me valendo, novamente, das palavras do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro exaradas nos Acórdãos n.º 3402005.549 (Sessão 29/08/2018) e 3402004.987 (Sessão 21/03/2018), "não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial". Nesta hipótese, não se trata de concomitância, mas de "aplicação dos efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do correlato processo administrativo." Com efeito, como bem elucidado pelo Conselheiro: "(...) para que haja concomitância de instâncias é imprescindível existir duas ou mais lides análogas que tramitem conjuntamente, afinal, um dos escopos da concomitância é evitar o advento de decisões contraditórias entre si. Acontece que, com o superveniente trânsito em julgado da demanda judicial antes do término da instância administrativa, referida concomitância deixou de existir, havendo, em verdade, a necessidade de se sobrepor a decisão lá proferida em razão da supremacia da instância judicial em detrimento da instância administrativa." (Acórdão 3402005.549, de 29/08/2018 grifei) Assim, com o superveniente trânsito em julgado da demanda judicial ocorrida no presente caso, afastase a concomitância reconhecida pela r. decisão da DRJ e pelo I. Relator, passando a ser necessário analisar os reflexos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do presente processo administrativo. No presente caso, a lide quanto à exigência insculpida no presente Auto de Infração foi definitivamente resolvida no sentido de sua nulidade. Esta decisão judicial, final e de mérito, revestese da qualidade de coisa julgada material, com a produção dos efeitos a ela inerentes na exata forma do art. 502 do Código de Processo Civil de 2015, aprovado pela Lei n.º 13.105/2015: Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 10907.720220/201415 Acórdão n.º 3402006.325 S3C4T2 Fl. 1.570 13 "Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso." (grifei) Como leciona Humberto Theodoro Júnior, "a coisa julgada material, revelando a lei das partes, produz seus efeitos no mesmo processo ou em qualquer outro, vedando o reexame da res in iudicium deducta, por já definitivamente apreciada e julgada."1 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o Auto de Infração. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. 1 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Coisa julgada. In: THEODORO JÚNIOR, Humberto. OLIVEIRA, Fernanda Alvim Ribeiro de. REZENDE, Ester Camila Gomes Norato (coords.). Primeiras lições sobre o novo direito processual civil brasileiro (de acordo com o Novo Código de Processo Civil Lei 13.105, de 16 de março de 2015). Rio de Janeiro: Forense, 2015, p. 346. Fl. 1666DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.653320/2016-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3201-005.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/2016-45.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 20 /2 01 6- 28 Fl. 642DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pelo conselheiro relator, contra o Acórdão nº 3201004.218, de 25/09/2018, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta 3ª Seção. Conforme suscitado, houve uma contradição entre os fundamentos do voto condutor do acórdão embargado e a sua parte dispositiva, especificamente quanto à matéria relativa à glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Com efeito, o acórdão embargado incorreu numa inequívoca contradição, uma vez que, na decisão nele transcrita, proferida nos autos do processo administrativo nº 19311.720238/201645, não obstante negado provimento, na integralidade, ao Recurso de Ofício, conforme parte dispositiva do acórdão, mantevese a redação original do voto levado à sessão de julgamento que lhe dava provimento quanto ao direito aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". Eis o excerto em que a matéria é apreciada: Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Todavia, durante o julgamento do processo nº 19311.720238/201645, modificamos o nosso entendimento e passamos a adotar a decisão proferida pela DRJ com relação à matéria, cujos fundamentos ora reproduzimos, uma vez que, Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canade açúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10880.653320/201628 Acórdão n.º 3201005.129 S3C2T1 Fl. 643 3 DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Ante o exposto, voto por ACOLHER os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 644DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.005013/2005-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005
PIS/COFINS. STJ. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO.
O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa.
O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência.
A relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva, seja por imposição legal, distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência na produção ou na execução do serviço.
SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO COMO INSUMO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não são considerados como insumos os serviços contratados que não se enquadram no conceito de essencialidade e relevância, conforme definido pelo STJ, devidamente comprovados.
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o creditamento na aquisição de bens sujeitos a alíquota zero, nos termos do § 2º, II, da Lei 10.833/2003. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
ACUMULAÇÃO DE CRÉDITO. PEDIDO ÚNICO. POSSIBILIDADE PARA FATOS ANTERIORES À EDIÇÃO DA IN SRF 600/2005.
A determinação de que cada pedido de ressarcimento deve referir-se a um único trimestre-calendário foi trazida pela IN SRF 600/2015, não podendo ser aplicada retroativamente para fatos anteriores à sua edição, por ausência expressa de tal determinação na INSRFnº460/2004.
Numero da decisão: 3402-006.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a validade do pedido de compensação atinente a valores apurados em períodos anteriores ao 3º trimestre/2005, cujos valores deverão ser analisados pela unidade de origem.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 PIS/COFINS. STJ. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. A relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva, seja por imposição legal, distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência na produção ou na execução do serviço. SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO COMO INSUMO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não são considerados como insumos os serviços contratados que não se enquadram no conceito de essencialidade e relevância, conforme definido pelo STJ, devidamente comprovados. CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens sujeitos a alíquota zero, nos termos do § 2º, II, da Lei 10.833/2003. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. ACUMULAÇÃO DE CRÉDITO. PEDIDO ÚNICO. POSSIBILIDADE PARA FATOS ANTERIORES À EDIÇÃO DA IN SRF 600/2005. A determinação de que cada pedido de ressarcimento deve referir-se a um único trimestre-calendário foi trazida pela IN SRF 600/2015, não podendo ser aplicada retroativamente para fatos anteriores à sua edição, por ausência expressa de tal determinação na INSRFnº460/2004.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a validade do pedido de compensação atinente a valores apurados em períodos anteriores ao 3º trimestre/2005, cujos valores deverão ser analisados pela unidade de origem. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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STJ. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. A relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva, seja por imposição legal, distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência na produção ou na execução do serviço. SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO COMO INSUMO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não são considerados como insumos os serviços contratados que não se enquadram no conceito de essencialidade e relevância, conforme definido pelo STJ, devidamente comprovados. CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 50 13 /2 00 5- 10 Fl. 7596DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.597 2 É vedado o creditamento na aquisição de bens sujeitos a alíquota zero, nos termos do § 2º, II, da Lei 10.833/2003. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. ACUMULAÇÃO DE CRÉDITO. PEDIDO ÚNICO. POSSIBILIDADE PARA FATOS ANTERIORES À EDIÇÃO DA IN SRF 600/2005. A determinação de que cada pedido de ressarcimento deve referirse a um único trimestrecalendário foi trazida pela IN SRF 600/2015, não podendo ser aplicada retroativamente para fatos anteriores à sua edição, por ausência expressa de tal determinação na INSRFnº460/2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a validade do pedido de compensação atinente a valores apurados em períodos anteriores ao 3º trimestre/2005, cujos valores deverão ser analisados pela unidade de origem. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife, até aquela fase processual: Tratase de Manifestações de Inconformidade, protocolizadas aos 06/12/2010, fls. 143/1561, e aos 04/07/2011 (segundafeira), fls. 732/746, interpostas contra os Despachos Decisórios de fls. 137/138 e 728/729, respectivamente, dos quais a contribuinte foi cientificada, pela ordem, aos 05/11/2010 (sexta feira) e aos 02/06/2011 (fls. 138 e 731). 2. O Despacho Decisório de fls. 137/138 aprovou o Parecer SAFIS nº 34/2010, fls. 135/136 (que, por seu turno, embasouse no Relatório Fiscal de fls. 118/135) e decidiu reconhecer, parcialmente em relação ao montante de R$ 1.040.536,78, direito creditório em favor da contribuinte atinente a ressarcimento da COFINS nãocumulativa do 3º trimestre de 2005 (o valor do crédito indicado pela contribuinte à fl. 04 é de R$ 6.987.341,91). Fl. 7597DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.598 3 3. Como se extrai de supradito Relatório, foram glosados créditos apurados pela contribuinte: 3.1. sobre produtos adquiridos com alíquota zero (defensivos agrícolas classificados na posição 38.08 da NCM e adubos e fertilizantes classificados no capítulo 31 da NCM); 3.2. sobre os seguintes serviços que teriam sido utilizados como insumos no processo produtivo: auditoria de demonstrações financeiras – DF; auditoria de renovação de Certificado ISO 4001:1996; comissão pela intermediação na venda de álcool e de açúcar; serviços de mudança de usados “diversos” e transporte de pessoal, de trabalhadores rurais e de funcionários e de estudantes (escolar). 4. A glosa do item 3.1. acima, fundamentada na Lei nº 10.925/2004, art. 1º, incisos I e II; no Decreto nº 5.195/2004 e no Decreto nº 5.630/2005 e, ainda, na Solução de Consulta nº 351, SRRF/8ª Região (cuja ementa foi transcrita), deveuse ao fato de que os produtos ali referidos não estão submetidos ao pagamento do tributo (incidência à alíquota zero). 5. Por outro lado, a glosa dos créditos apurados sobre os serviços mencionados no item 3.2 deriva da conclusão do Relatório Fiscal, amparada em diversas soluções de consulta cujas ementas nele foram reproduzidas, no sentido de que tais serviços não se enquadram no conceito de insumo aplicado no processo produtivo. 6. Ademais, consigna mencionado Relatório que uma parte dos supostos créditos tratados nos presentes autos teria sido apurada em períodos anteriores ao 3º trimestre/2005, quando “o contribuinte somente poderia ter utilizado na compensação, ou no ressarcimento, créditos vinculados ao saldo apurado em um único trimestrecalendário” e, assim, deverseia “obstacular o pleito na parte que tange aos créditos apurados em períodos anteriores, os quais deveriam ter sido, isto sim, objeto de pedidos ao final dos respectivos trimestres”. Estribase, no particular, nos arts. 1º, 22, 24, 26, 27, 29 e 76, da Instrução Normativa – IN SRF nº 460, de 18/10/2004 (e alterações); outrossim, remetese aos arts. 21, 22 e 26, da IN SRF nº 600, de 28/12/2005, na qual afirma ter ficado estabelecido “que cada pedido de ressarcimento, referente a créditos do PIS/Pasep e COFINS não cumulativos, deverá referirse ao saldo credor remanescente após o encerramento de um único trimestrecalendário”. 7. Também quanto ao temário emoldurado no parágrafo antecedente, anota que a contribuinte, em seu pedido, “não se serviu do formulário próprio, consoante preconizado no formulário contido no Anexo II da Instrução Normativa RFB nº 563, de 23 de agosto de 2005; a norma vigente à época da compensação indicada no processo 10410.005013/200510, protocolizado em 14.11.2005. Tivesseo feito, na forma apropriada, evidenciaria o que foi aqui narrado: [...]” 8. E, depois de reproduzir ementas de decisões proferidas por Delegacias de Julgamento em torno da questão abordada nos itens 6 e 7 acima, o Relatório Fiscal apresenta explicações sobre a apuração do crédito, no montante de R$ 1.040.536,78, cujo reconhecimento ao sujeito passivo foi proposto. 9. Por intermédio da Manifestação de Inconformidade de fls. 143/156, a recorrente aduz haver sido desrespeitado o prazo de 360 dias, estabelecido pelo art. 24, da Lei nº 11.457, de 16/03/20072, e alega que o STJ já teria consolidado o entendimento de que não pode o contribuinte ficar à mercê do Fisco quanto às suas solicitações, porquanto a indefinição dificulta, sobremaneira, o planejamento da empresa, que fica na “eterna incerteza” da Fl. 7598DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.599 4 conformação de suas práticas. Quanto ao assunto, reproduziu ementa do acórdão proferido por este Tribunal no RESP nº 1.138.206/RS, e assevera que “o julgado supra foi claro em determinar a aplicação do prazo desde o protocolo já tendo se expirado, há muito, o prazo legal para que houvesse resposta do Fisco quanto aos créditos apurados pela empresa”. 10. Sustenta que a mora desestabilizaria a segurança jurídica, a qual não pode ser relativizada, agredindo expressas normas constitucionais concernentes ao processo e lembra que “a atual sistemática já foi feita de forma que o contribuinte ficasse responsável pelas práticas compensatórias, cabendo ao Fisco – apenas – a análise a posteriori para confirmação , ou não, do procedimento, e, em não havendo a ratificação em tempo hábil, a compensação compreende instituto apto à extinção do crédito tributário” conforme dispõe o art. 156, II, do CTN. 11. Finaliza a questão dizendo que “uma vez operada a compensação, o crédito restou definitivamente extinto, tendo o Fisco descumprido o prazo legal para análise e retorno ao contribuinte, o que se apresenta ilegal face ao comando da ‘novel’ norma (a então Lei nº 11.457/07) que previu o prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) para tal”. 12. Avante, a recorrente se opõe às restrições ao creditamento, pois muitas delas teriam sido impostas não por lei, mas por Instruções Normativas, que não têm tal autorização. 13. Defende que a EC nº 42 atribuiu nãocumulatividade à contribuição aqui analisada, não cabendo sequer à lei ordinária impor restrições que conduzam à inocuidade do sistema, não podendo instruções e portarias criar limitações não dispostas em normas legais. 14. Argumenta que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (e as que lhe sobrevieram) implementaram a sistemática da nãocumulatividade, mas que não poderiam descaracterizar o princípio que visa, prioritariamente, evitar o efeito em cascata do tributo. 15. Fala que a forma “taxativa” encontrada pelo legislador ordinário para descrever a forma de creditamento não significa que possa impedir que sobre a aquisição de bens ali não descritos não possa haver creditamento e pondera que seria impossível ao legislador ordinário estipular todas as hipóteses de aquisição para, então, enumerálas exaustivamente, eis que certamente ficariam de fora determinadas situações que, se não gerassem creditamento, poderiam tornar excessiva a carga tributária de forma a neutralizar o sistema da nãocumulatividade. 16. Comenta que as glosas perpetradas em razão das espécies dos créditos seriam descabidas, porque o conceito de insumos no âmbito da RFB já foi alterado ao longo dos tempos, pois antes “se vinculava ao desgaste com o produto final passando a exigir que houvesse a aplicação do referido ‘fato’ no processo produtivo do Contribuinte” e que agora se pretendia “negar o crédito de diversos acontecimentos de suma importância para o processo produtivo da empresa fazendo, ao que se denota, uma confusão com a sistemática do IPI – o que não se apresenta correto, visto que há uma grande distinção entre a não cumulatividade do IPI e da COFINS; é que neste se aplica o método substrativo indireto enquanto naquele (IPI) se aplica o método de crédito de Imposto”. 17. Diferencia que, no caso do IPI, o valor a ser aproveitado é exatamente o do imposto destacado na operação anterior, enquanto, no caso da COFINS, corresponde aos valores pagos a título de bens e serviços, sendo irrelevante o Fl. 7599DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.600 5 montante da carga tributária que incidiu na operação; assim, reputa que as glosas feitas não se assentam em fundamento legal e razoável, o que exemplifica em relação ao transporte de trabalhador rural, responsável pela atividade que diz quiçá a mais importante do processo produtivo, pois sem o cultivo da canadeaçúcar jamais poderia se falar nos produtos finais da manifestante. 18. Aponta que, a despeito da glosa do creditamento acima, a RFB já teria acatado o crédito de frete pago na aquisição de insumos e de peças de reposição e questiona a razão por que tal transporte ensejaria direito a creditamento e o de pessoas para trabalhar no processo produtivo não. 19. Depois de vazar excerto de acórdão proferido pelo TRF da 5ª Região, a contribuinte passa a comentar a glosa do creditamento sobre defensivos agrícolas e argúi que para tanto o Fisco teria se fundamentado no Decreto nº 5.630/2005, que afirma ser posterior à apresentação da Declaração de Compensação, ocorrida aos 22/12/2005. 20. Também se insurgiu a recorrente contra a glosa de créditos apurados em períodos anteriores ao 3º trimestre de 2005, pois a IN SRF nº 460/2004 não apresenta disposição proibitiva do creditamento de saldos anteriores ao trimestre e diz que o art. 22, caput, desta norma autoriza o ressarcimento dos créditos acumulados ao final do trimestre, mas não obstaria, textualmente, o aproveitamento dos períodos anteriores e que, tratandose de direito público, não cabe ao intérprete determinar o que a norma não o fez. 21. Pondera que a disposição limitante à utilização do saldo apurado em um único trimestrecalendário que consta da IN SRF nº 600/2005 não poderia retroagir para alcançar a Declaração de Compensação aqui tratada, entregue antes da edição desta norma. Quanto à impossibilidade de retroação de normas limitantes dos direitos dos contribuintes a recorrente colacionou ementas de julgados judiciais. 22. Sustenta, também, que o art. 74, da Lei nº 9.430/96, permite, de forma genérica, a compensação de créditos e que restrições de ordem temporal ferem garantias do contribuinte concernentes ao direito adquirido, à irretroatividade e à segurança jurídica e que, ainda que sobreviesse norma legal restritiva quanto ao assunto, deveria ser observado o prazo nonagesimal. 23. Aduz, por fim, que a própria Fiscalização notificou a manifestante a apresentar, tãosomente, dados relacionados ao períodobase relativo ao último trimestre de 1995 (sic), o que geraria nulidade, pois lhe cumpriria observar a documentação de todo o exercício de 1995 (sic) e, sendo assim, requer a juntada de “documento comprobatório do crédito dos períodos anteriores através da apuração do PIS e da COFINS (doc. 03)” (tal documento, consiste em planilha em que é demonstrada a apuração de alegados créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos meses de janeiro a setembro de 2005). 24. Ao final, requereu a manifestante: 24.1. que se julgue “o Parecer e o respectivo despacho decisório intempestivos, vez que não foi cumprido o prazo legal (360 dias) para resposta (...) sendo consideradas as compensações realizadas como definitivas”; 24.2. que se julgue “a ação fiscal iniciada em 20.07.2010 nula, visto que não foi objeto de análise os créditos apurados no primeiro e segundo trimestres de 1995 (sic)”; Fl. 7600DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.601 6 24.3. caso superadas as preliminares, que seja julga procedente a Manifestação de /Inconformidade (...) para que reconheça, integralmente, os créditos apostos na Declaração de Compensação em comento”; 24.4. requereu, ainda, “provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a posterior juntada de documentos (o que se fará em caso de necessidade)”. 25. Ao apreciar inicialmente os presentes autos, este Relator apresentou proposta, acatada pela então Presidente desta Turma a realização de diligência no sentido de (fls. 189/193): 25.1. informar se porventura foi expedido Despacho Decisório, com a devida ciência do sujeito passivo, quanto às compensações dos débitos realizadas com o crédito pleiteado nos correntes autos; 25.2. na hipótese de resposta positiva à indagação acima, anexar aos correntes autos o Despacho Decisório, com a com a respectiva ciência pelo sujeito passivo e, se negativa, expedir, com urgência, Despacho Decisório expresso quanto às compensações declaradas com o crédito aqui tratado, dando ciência imediata ao sujeito passivo, e anexar aos correntes autos os correlatos documentos comprobatórios; 25.3. informar o que couber quanto aos processos administrativos nº 10410.005549/200535 e 10410.000122/200621 e proceder aos ajustes acasos necessários nos sistemas “COMPROT” e “EPROCESSOS”, bem como adotar as demais medidas necessárias para saneamento do controle processual destes dois processos; 25.4. proceder à disjuntada deste processo administrativo do de nº 10410.720079/200967, e, em seguida, juntar o processo administrativo nº 10410. 720079/200967 ao presente processo (o qual deverá figurar como processo “raiz”), lavrando os necessários “Termo de Juntada” e “Termo de Disjuntada” e realizando os acertos cabíveis nos sistemas informatizados de controle processual. 26. Às fls. 717/727 foi proferido o Parecer SAORT/DRF/ MAC/AL nº 157/2011, que noticia a regularização da situação dos processos administrativos n 10410.005549/200535 e 10410.000122/200621 e 10410.720079/200967 e propõe que “sejam efetivadas as homologações .das compensações declaradas, na forma descrita no Anexo I, inserido ao final deste Parecer”, o que foi acatado pelo Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Maceió pelo Despacho Decisório de fls. 728/729. 27. Contra o Despacho Decisório de fls. 728/729, a contribuinte interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 732/746, na qual, além de repisar os argumentos do primeiro recurso: 27.1. defende que a determinação prevista no Despacho de Diligência desta 2ª Turma, foi no sentido de converter “o processo em diligência para que fossem efetivados procedimentos, dentre elas (sic), a apuração de houve a cientificação do sujeito passivo sobre os despachos decisórios”, sendo que o “item 2.2 do Parecer do Sr. Auditor, confirma que a empresa não foi cientificada, corretamente, das decisões sobre suas compensações, pois apenas houve a mera referência às compensações, no despacho decisório relativo ao referido processo”; 27.2. afirma, a partir do que consta acima, que o processo administrativo estaria eivado de nulidade, pois “não se tomou (sic) todas as medidas para a cientificação escorreita do sujeito passivo quanto às compensações efetivadas Fl. 7601DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.602 7 em 2005, tendose expirado o prazo para tais comunicações, conforme a legislação prevê, devendo as compensações serem consideradas como definitivas, em razão de tal inércia”; 27.3. ressalta que “o próprio despacho admite que todas as compensações efetivadas não foram objeto de análise individual, tendo a ora manifestante sido informada no presente processo nº 10410.005013/200510”. 28. Encerrando o recurso de fls. 732/746, acresceu, aos pleitos antes já deduzidos por meio da Manifestação de Inconformidade de fls. 143/156, requerimento no sentido de que fossem consideradas homologadas as compensações em que não houve intimação específica da contribuinte no prazo de 05 (cinco) anos. Por meio do acórdão nº 1144.092, de 28 de novembro de 2013 (fls. 7543 a 7563), a 6ª Turma da DRJ Recife, por unanimidade de votos, julgou improcedente as Manifestações de Inconformidade, exceto no que se refere à discussão em torno da possibilidade de incluir, no Pedido de Ressarcimento do 3º trimestre de 2005, créditos originados em períodos de apuração anteriores (1º e 2º trimestre de 2005), questão em relação à qual um dos julgadores votou no sentido de dar provimento aos recursos. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO APENAS POR MEIO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO DO CORRESPONDENTE TRIMESTRECALENDÁRIO. Os créditos da nãocumulatividade da COFINS somente podem ser ressarcidos por meio de Pedido de Ressarcimento correspondente ao trimestrecalendário em que apurados. SERVIÇOS NÃO PRESTADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO DE FABRICAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS. INVIABILIDADE. Inviável o desconto de créditos da COFINS devida pela sistemática não cumulativa em relação aos serviços não prestados diretamente no processo de fabricação do produto destinado à venda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. 360 DIAS. ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. NORMA PROGRAMÁTICA. SANÇÃO. INEXISTÊNCIA. A norma do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007 é meramente programática, inexistindo sanção decorrente de seu descumprimento pela Administração Tributária, muito menos o reconhecimento tácito do suposto direito pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 7602DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.603 8 Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls.7567 a 7590), alegando, em síntese: I. Do conceito próprio de insumo para fins do PIS e COFINS; II. Da possibilidade de considerar como insumo os valores de comissão pela intermediação de vendas de açúcar e álcool, transporte de trabalhadores rurais e demais funcionários, e o custo de auditoria contratada para emissão de certificado ISO 4001; III. Do direito ao crédito em relação aos defensivos agrícolas, que possuem alíquota zero; IV. Possibilidade de acumulação de diversos trimestres em um único pedido. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Do conceito próprio de insumo para fins do PIS e COFINS Quanto ao conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição para o PIS e a COFINS, o julgador a quo aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004, no sentido de restringir o crédito apenas nas situações relacionadas nos referidos atos infralegais. A questão já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Transcrevo a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). Fl. 7603DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.604 9 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, a presente análise considerará o conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância definido pelo STJ, sujeito às análises que faço nos tópicos a seguir. Fl. 7604DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.605 10 Do direito ao crédito em relação aos valores de comissão pela intermediação de vendas de açúcar e álcool, transporte de trabalhadores rurais e demais funcionários, e o custo de auditoria contratada para emissão de certificado ISO 4001 A recorrente alega a possibilidade de apropriação de créditos das contribuições em relação aos valores de comissão pela intermediação de vendas de açúcar e álcool, transporte de trabalhadores rurais e demais funcionários, e o custo de auditoria contratada para emissão de certificado ISO 4001. Ainda que se adote o conceito de insumo definido pelo STJ, não é possível reconhecer o direito ao crédito à recorrente para os referidos dispêndios. Em primeiro lugar, porque a recorrente não apresentou qualquer elemento que poderia comprovar a relevância e essencialidade para o seu processo produtivo em relação a tais despesas. Consta, de seu recurso voluntário, apenas indagações e considerações acerca da possibilidade de crédito em relação a tais serviços, por entender como essenciais e fundamentais a seu processo produtivo. Em segundo lugar, porque tais dispêndios são configurados como despesas, e mesmo com o novo entendimento do STJ não podem ser configurados como insumos essenciais ou relevantes para o processo produtivo, por absoluta falta de prova de sua essencialidade e relevância. Nenhuma prova foi feita no sentido de que (i) valores de comissão pela intermediação de vendas de açúcar e álcool, (ii) transporte de trabalhadores rurais e demais funcionários, e (iii) custo de auditoria contratada para emissão de certificado ISO 4001 são essenciais ao processo produtivo ou mesmo relevante. Dessa forma, mantenho a glosa efetuada pela autoridade fiscal pela descaracterização dos dispêndios como sendo insumos passíveis de gerar crédito das contribuições. Do direito ao crédito em relação aos defensivos agrícolas, que possuem alíquota zero A recorrente alega a possibilidade de apropriação de créditos em relação à aquisição de defensivos agrícolas, que possuem alíquota zero. Segundo seu entendimento, o artigo 17 da Lei 11.033/2004 daria embasamento legal para compensar os créditos decorrentes da venda de produtos com suspensão, isenção, alíquota zero e nãoincidência das contribuições; e o artigo 16 da Lei 11.116/2005 passou a permitir a compensação de saldos credores com demais tributos administrados pela RFB. Não assiste razão à recorrente. Incialmente, passo a transcrição do dispositivo legal da Lei nº10.833/2003 que trata da possibilidade de creditamento em relação às aquisições de bens para revenda (dispositivo similar encontramos na Lei nº 10.637/2002): Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 7605DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.606 11 a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) [...] § 2º. Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. O art. 3º, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar do valor apurado na forma do art. 2º créditos calculados em relação a bens adquiridos para revenda, com as seguintes exceções: (a) em relação às mercadorias e produtos referidos no inciso III do § 3º do art. 1º, ou seja, mercadorias sujeitas à substituição tributária; e (b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º, ou seja, na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica. O texto legal é expresso também na impossibilidade de crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. A recorrente alega que o artigo 17 da Lei 11.033/2004, regulou a situação, permitindo a manutenção dos créditos vinculados às saídas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Transcrevo o referido dispositivo legal: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo que tal dispositivo legal não trouxe nenhuma nova regra à apuração das contribuições, mas apenas esclareceu situações porventura controversas, conforme expressamente dispõe a exposição de motivos da MP 206/2004, que originou tal norma. Trata se apenas da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados às operações com saídas não sujeitas ao pagamento da contribuição. Não se trata de permissão para creditamento de aquisições de produtos que não se sujeitaram ao pagamento das contribuições, mas permitir a manutenção do crédito das contribuições que efetivamente foram pagas nas aquisições daqueles produtos que se sujeitarão a saídas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Ou seja, os créditos vinculados às vendas são mantidos, não criados. Tratase daqueles créditos já previstos pela norma, com as exclusões impostas, não novas possibilidades de créditos. Dessa forma, não é possível a apropriação de créditos em relação à aquisição de defensivos agrícolas, que possuem alíquota zero, por expressa vedação legal, não configurando qualquer violação ao princípio da nãocumulatividade. Da possibilidade de acumulação de diversos trimestres em um único pedido Fl. 7606DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.607 12 A recorrente alega a regularidade de se acumular créditos de diversos trimestres em um único pedido. Neste ponto, assiste razão à recorrente. Entendo que a legislação à época dos fatos não impedia a acumulação dos pedidos, como decidido pelo julgador a quo, por entender que a a IN SRF nº 460/2004 vigente à época dos fatos, determinava que a apuração devia ser trimestral, mas não obrigava que o pedido contemplasse um único trimestre, obrigatoriedade introduzida posteriormente pela IN SRF nº 600, de 2005. Por concordar com seus fundamentos que adoto no presente voto, reproduzo inteiro teor da Declaração de Voto da lavra do AuditorFiscal da DRJ Recife Emanuel Carlos Dantas de Assis, que ficou vencido no julgamento de primeira instância quanto à necessidade de pedidos específicos para os 1º e 2º trimestres de 2005: “75. Peço vênia ao ilustre relator para divergir da sua interpretação, tão somente em relação à obrigatoriedade de pedidos específicos para os dois trimestres anteriores ao do 3º trimestre de 2005. Apesar de reconhecer a força dos argumentos do voto que prevaleceu por maioria neste Colegiado, entendo que antes da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, diversos trimestres podiam ser acumulados num único pedido. 76. As duas Instruções Normativas em debate contemplam, na parte sob o titulo “Compensação e ressarcimento de créditos da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins” (arts. 21 a 24 tanto numa quanto noutra), normas que sofreram alterações, cabendo analisar mais de perto, visando ao deslinde do presente litígio, a inserida no inc. I do § 3º do art. 22 da IN SRF nº 600, de 2005. O crucial, para mim, é que a norma do referido inciso I foi introduzida apenas pela IN SRF nº 600, de 2005, e não pode ser extraída da IN SRF nº 460, de 2004, ou de outro texto legal anterior à sua edição. Observese a diferença: IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, com alterações da IN SRF nº 563, de 23 de agosto de 2005: Art. 21.Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes: (Redação dada pela IN SRF 563, de 23/08/2005) (...) § 5ºOs créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 26. (Incluído pela IN SRF 563, de 23/08/2005) Art. 22. Poderão ser objeto de ressarcimento os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o art. 21 que, ao final de um trimestre do ano civil, remanescerem na escrita Fl. 7607DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.608 13 contábil da pessoa jurídica após efetuadas as deduções e compensações cabíveis. Art. 22.Os créditos a que se referem os incisos I e II do caput do art. 21, acumulados ao final de cada trimestre do anocalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. (Redação dada pela IN RFB 563, de 23/08/2005) § 1º O ressarcimento de que trata o caput será requerido à SRF, conforme o caso, mediante o formulário Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, constante do Anexo II, ou do formulário Pedido de Ressarcimento de Créditos da Cofins, constante do Anexo III. § 1ºRelativamente ao inciso II do caput do art. 21, o pedido de ressarcimento referente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o final do primeiro trimestrecalendário de 2005 poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. (Redação dada pela IN RFB 563, de 23/08/2005) § 2º Os créditos a que se refere o art. 21 somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF após a entrega pela pessoa jurídica do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) do trimestrecalendário de apuração. § 2ºO ressarcimento de que trata este artigo será requerido à Receita Federal do Brasil, conforme o caso, mediante o formulário: (Redação dada pela IN RFB 563, de 23/08/2005) I Pedido de Ressarcimento de Crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Interno ou Pedido de Ressarcimento de Crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Exportação, constantes do Anexo II; ou (Incluído pela IN RFB 563, de 23/08/2005) II Pedido de Ressarcimento de Crédito da Cofins Mercado Interno ou Pedido de Ressarcimento de Crédito da Cofins Exportação, constantes do Anexo III. (Incluído pela IN RFB 563, de 23/08/2005) IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 (negritos acrescentados): Art. 21.Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (...) § 5ºO saldo credor acumulado, na forma do inciso II e do § 4º, no período de 9 de agosto de 2004 até o final do primeiro trimestre calendário de 2005, somente poderá ser utilizado para compensação a partir de 19 de maio de 2005. § 6ºA compensação dos créditos de que tratam os incisos II e III e o § 4º somente poderá ser efetuada após o encerramento do trimestre calendário. § 7ºOs créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I, remanescentes da dedução de débitos dessas Fl. 7608DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.609 14 contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 26. § 8ºA compensação de créditos de que tratam os incisos I e II e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com o art. 22. § 9ºO crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestrecalendário. Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o§ 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário , poderão ser objeto de ressarcimento. § 1ºO pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 2ºO pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II e do § 4º do art. 21, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do primeiro trimestre calendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. § 3ºCada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário. II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. 77. A teor das disposições legais acima, a IN SRF nº 460, de 2004, determinava que a apuração devia ser trimestral (ou ao final de cada trimestre), mas a obrigatoriedade de que cada pedido contemple um único trimestre foi introduzida pela IN SRF nº 600, de 2005. 78. Na situação destes autos os formulários “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO” e “CRÉDITOS DA COFINS” de fls. 2 e 4 foram protocolizados em 14/11/2005, sendo neste informado o valor de R$ 6.987.341,91 a título de créditos do mês setembro de 2005. 79. O Relatório Fiscal com base no qual foi exarado o Despacho Decisório, embora considere corretamente o valor do ressarcimento solicitado (R$ 6.987.341,91) e o mês (setembro de 2005) constantes do formulário “CRÉDITOS DA COFINS”, reputa impossibilitado o ressarcimento de saldos credores anteriores ao do 3º trimestre de 2005 (item V, fls. 126/132) por dar relevo à expressão “final de cada trimestre” constante do caput do art. 22 da IN SRF nº 460, de 2004, ao formulário aprovado pela IN SRF nº 563, de 2005, e, ainda, à IN SRF nº 600, de 2005, “na qual ficou estabelecido que cada pedido de ressarcimento, referente a créditos do PIS/Pasep e COFINS não cumulativos, deverá referirse ao saldo credor remanescente após o encerramento de um único trimestrecalendário , com formulário anexo cujo demonstrativo específico de apuração mensal”. 80. Ora, na IN SRF nº 460, de 2004, com as alterações anteriores à IN SRF nº 600, de 2005, inexistem dispositivos semelhantes ao § 9º do art. 21 e inc. I do § Fl. 7609DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.610 15 3º do art. 22 desta última, segundos os quais o crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestre calendário e cada pedido de ressarcimento deverá se referir a um único trimestrecalendário . Por isso não vejo, para os pedidos anteriores à vigência da IN SRF nº 600, de 2005, óbice a que um só formulário contemple o saldo de trimestres anteriores. 81. Quanto ao formulário II, alterado pela IN SRF nº 563, de 23/08/2005 (já vigente na data da solicitação), traz no campo 2 (INFORMAÇÕES SOBRE OS CRÉDITOS) a separação em único trimestre, separado nos três meses respectivos. Difere do formulário empregado pelo contribuinte, que é o constante da IN SRF nº 460, de 2004, por haver nele um único mês (sem a separação em três meses, como passou a constar da IN SRF nº 563, de 2005). 82. Embora certo que o contribuinte devia ter utilizado o formulário constante da IN SRF 563, de 2005, tal circunstância não me parece suficiente a que lhe seja negada a possibilidade de análise dos trimestres anteriores, desde que no total dos nove meses o valor a ressarcir (valor solicitado) não ultrapasse o montante de R$ 6.987+341,91. 83. O formulário entregue não contempla a demonstração no 3º trimestre de 2005 (em cada um dos três meses, como previsto a partir da IN SRF nº 563, de 2005), mas mesmo assim a apreciação na unidade de origem, respaldada pelo voto vencedor, considerou o 3º trimestre de 2005 inteiro. Parece haver uma incoerência, já que diante do demonstrativo com o saldo acumulado, informado pelo contribuinte num único mês, foi consideração na apreciação o trimestre por inteiro. De todo modo, o mais importante para minha divergência é que o pedido, protocolado em 2005, deixou de ser conhecido em parte com base numa norma veiculada depois, isto de modo a inibir que o montante integral do ressarcimento requerido fosse devidamente analisado (o mérito não está em discussão aqui). 84. Ressalto que a compensação se rege pela norma eficaz no momento do seu processamento – no caso, da data da transmissão do PER/COMP. Não se aplica a legislação da época em que gerado o crédito4, tampouco aquela editada depois do pedido, ainda que vigente na data em que proferida decisão administrativa sobre o pleito. 85. Sem negar a importância da regulamentação a cargo das Instruções Normativas – que, como é cediço, não podem ser afastadas por esta primeira instância –, divirjo da interpretação majoritária por não admitir que a norma nova, extraída a partir do inc. I do ao § 3º do art. 22 da IN SRF 600, de 2005, impeça, retroativamente, o exercício do direito ao pedido de ressarcimento. A norma desse inciso I implicou em verdadeira sanção – se não utilizou um pedido para cada trimestre, não tem, de plano, direito ao ressarcimento, não podendo por isso retroagir para prejudicar. Nova que é, só deve produzir efeitos a partir da vigência da IN SRF nº 600, de 2005, que como era de se esperar entrou em vigor na data de sua publicação (art. 77). 86. Se houvesse dúvida quanto ao início da eficácia (ou vigência, já que é irrelevante a diferenciação nesta interpretação) dessa norma mais recente, caberia lançar mão do art. 112, incisos I e II, do CTN, segundo os quais a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretasse da maneira mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato ou extensão dos seus efeitos, inclusive. Diante da interpretação mais benéfica, indagaria: na hipótese destes autos, deve prevalecer a IN SRF nº 460, de 2004, que mesmo depois de alterada pela IN Fl. 7610DF CARF MF Processo nº 10410.005013/200510 Acórdão n.º 3402006.302 S3C4T2 Fl. 7.611 16 SRF nº 563, de 2005 (no tocante ao formulário), não continha a limitação considerada pela unidade de origem (um pedido para cada trimestre), ou deve prevalecer a IN SRF nº 600, de 2005, esta editada depois do pedido? A melhor resposta, até por estar mais de acordo com as regras de aplicação das normas no tempo, é no sentido de prevalência da IN SRF nº 460, de 2004, alterada pela IN SRF nº 563, 2005. Por isso os dois trimestres anteriores ao 3º trimestre de 2005 deviam ter sido, sim, apreciados, limitandose a soma dos créditos nos nove meses ao montante retificado. 87. Pelo exposto, acompanho o voto do Relator, exceto no tocante à abrangência do ressarcimento solicitado, cujo pedido, pelas razões acima, devia ter sido apreciado considerando também o primeiro e segundo trimestres de 2005.” Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, para reconhecer a validade do pedido de compensação atinente a valores apurados em períodos anteriores ao 3º trimestre/2005, cujos valores deverão ser analisados pela unidade de origem. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 7611DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.908743/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2010
DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO.
As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
Numero da decisão: 3201-005.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 87 43 /2 01 2- 41 Fl. 662DF CARF MF 2 Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 68/76, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1467.532 5ª Turma da DRJ/RPO, efls. 57/61, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação declarada de créditos de COFINS. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 30/09/2010, no valor de R$ 97.978,02, transmitida através do PER/Dcomp nº 10701.74735.221211.1.3.043972. A DRF Salvador não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 42, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 18/12/2012 (fl. 43), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/5, em 16/01/2013, para alegar que teria revisado a apuração do débito de Cofins no Dacon e constatado que teria deduzido a menor os créditos decorrentes de encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado. Defendeu que a divergência teria ocorrido, pois não teria observado o Regime Tributário de Transição, tendo revisado a vida útil econômica estimada dos bens e o saldo residual do ativo imobilizado, com amparo no Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Alegou que teria retificado a DCTF e o Dacon intempestivamente, motivo pelo qual o crédito não teria sido visualizado à época da emissão do despacho decisório. Concluiu, para requerer a homologação da compensação. Juntou cópia do Dacon e da DCTF. É o relatório A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a impugnação. O Acórdão n.º 1467.532 5ª Turma da DRJ/RPO está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2010 Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10580.908743/201241 Acórdão n.º 3201005.158 S3C2T1 Fl. 663 3 DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: V Das Razões Recursais A recorrente alega que é tributada com base no lucro real, sujeitandose ao recolhimento da COFINS pelo regime da não cumulatividade, em conformidade com a legislação pertinente. Cita o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para ter direito à compensação do tributo pago indevidamente ou “a maior” durante o ano calendário. Afirma que os valores compensados foram devidamente apurados e contabilizados nos livros societários, tendo ocorrido mero erro material no envio das informações prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Diz ainda que deixou de retificar, tempestivamente, as informações prestadas no DACON e na DCTF, fato que impossibilitou a visualização do crédito. A Recorrente argumenta que apresentou DCTF retificadora depois do despacho decisório. Cita a seu favor o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28/08/2015, especialmente no item 18, conforme transcrição abaixo: 18. Portanto, mesmo depois da ciência do despacho decisório, pode o interessado apresentar manifestação de inconformidade alegando essencialmente que cometeu equívoco na apresentação da DCTF que respaldaria o crédito pretendido e informando a transmissão da correspondente DCTF retificadora com o intuito de reduzir ou excluir débito tributário confessado. 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornouse disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão Fl. 664DF CARF MF 4 julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do Processo Administrativo Fiscal (PAF), a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Notese que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. A recorrente sustenta a existência do crédito. Explica que com o advento da Lei nº 11.638, de 28/12/2007, e em observância às normas internacionais de contabilidade, houve mudança de prática contábil adotada no que tange à revisão da vida útil econômica estimada dos bens e do saldo residual do ativo imobilizado. Diante disso, a partir de janeiro de 2008, os encargos de depreciação registrados nos livros societários da recorrente obedecem às regras diferentes daquelas vigentes até 31/12/2007. Nesse sentido, esclarece que a Lei nº 11.638, de 2007 produziu modificações no reconhecimento contábil dos encargos de depreciação e, buscando manter a neutralidade tributária pretendida pelo Regime Tributário de Transição – RTT, nos termos do item 28 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1 de 29 de julho de 2011, a Recorrente procedeu a correção, evidenciada em quadro abaixo, que motivou a retificação das obrigações acessórias e, por conseguinte, constituiu o crédito. Conclui afirmando que a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da recorrente. VI – Do Princípio da Verdade Material A recorrente faz menção ao princípio da verdade material para a apresentação de novas provas, bem como a retificação da DCTF. Cita ainda o princípio da legalidade tributária. Apresenta jurisprudência e cita doutrina. VII – Do Pedido A recorrente ao final do seu recurso voluntário pede: 21.1 Sejam admitidas provas ora apresentadas em razão do princípio da verdade material, afastandose, por via de consequência, qualquer argumento quanto à preclusão; 21.2 Em razão das provas evidenciadas, seja o presente RECURSO VOLUNTÁRIO reconhecido e provido na sua plenitude de forma a reformar o Acórdão da DRJ bem como que seja declarada a HOMOLOGAÇÃO da respectiva DCOMP e a compensação dos débitos nela contemplados; Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10580.908743/201241 Acórdão n.º 3201005.158 S3C2T1 Fl. 664 5 21.3 Alternativamente e em caso de dúvidas, que seja o processo administrativo baixado em diligência nos termos do artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, e conforme previsto no referido PN COSIT 2/2015, a fim de possibilitar que Recorrente apresente documentação complementar e necessária à comprovação da existência do crédito, além daquelas já acostadas ao presente Recurso. 21.4 Sejam considerados os argumentos e provas apresentados neste Recurso Voluntário, especialmente no tocante a: comprovação da adoção do critério de reconhecimento da depreciação nos termos da legislação tributária em vigor em 31 de dezembro de 2007, e; apresentação de relatório patrimonial no qual pode ser evidenciado a relação analítica dos bens e as taxas de depreciação utilizadas para cálculo dos encargos. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. De forma resumida, o cerne do processo está na alegação da recorrente de que possui créditos decorrentes da reapuração dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado, devido ao Regime Tributário de Transição (RTT), conforme Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Ocorre que a recorrente teve recentemente outros recursos com matéria idêntica julgados neste CARF. A título de exemplo cabe mencionar: Acórdão nº 3001000.530 do Processo 10580.908727/201259 (16/10/2018); e Acórdão nº 3001000.531 do Processo 10580.908730/201272 (16/10/2018). Tendo em vista que a matéria é idêntica e que o entendimento deste relator é o mesmo da relatoria dos processos mencionados, se utiliza aqui o voto o i. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri como fundamento da presente decisão. Nesse sentido, transcrevese a seguir trecho do voto constante do processo 10580.908727/201259: Do pedido de diligência No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº Fl. 666DF CARF MF 6 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. No presente caso, conforme se verá, não há questão de fato a ser elucidada. Assim, concluo pelo seu indeferimento. Do mérito Reprisando o que já havia argumentado em sua manifestação de inconformidade, o Recorrente reafirma que "a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da Recorrente (anexo 05)". A 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu decisão nos termos acima indicados, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. De plano, não assiste razão ao Recorrente, uma vez que, como corretamente concluiu o voto condutor do acórdão recorrido, a justificativa para o não atendimento de seu pleito e consequente não reconhecimento do suposto direito creditório assentase tão somente no fato de que o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, ao tratar das "diferenças no cálculo da depreciação dos bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009" concluiu textualmente, em seu item 32.1., que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Nestes termos, é despicienda a trazida da documentação que demonstra os "controles patrimoniais" do Recorrente, notadamente seu "anexo 05", uma vez que não está aqui tratandose de questão de ordem fática, mas sim jurídica, donde o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, em que o próprio Recorrente arrimase para defender seu pleito, uma vez que confirma que agiu em conformidade com os seus ditames, observou que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Dessa forma, concluo não haver qualquer reparo quanto ao decidido pela instância a quo, ao concluir que "não merecem prosperar as alterações propostas pelo interessado", quando da retificação das informações prestadas no "Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais" Dacon e na "Demonstração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10580.908743/201241 Acórdão n.º 3201005.158 S3C2T1 Fl. 665 7 Ademais, por oportuno, saliento que o fato de a decisão recorrida mencionar "que não foi apresentada qualquer documentação contábil e fiscal que comprovasse a alteração do cálculo dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado", somente vem reforçar o entendimento acima exposto; qual seja, no sentido que de a questão em trato é de obediência à legislação aplicável às pessoas jurídicas sujeitas ao "Regime Tributário de Transição" RTT, sendo irrelevante, assim como o foi para se chegar à conclusão dada pelo Colegiado recorrido, a apresentação ao não de sua documentação contábil e fiscal, uma vez que esta somente teria como objetivo corroborar as alegações do Recorrente, feitas naquele momento processual, mas como deixou bem claro o acórdão vergastado, a motivação para o indeferimento do pleito recursal transcendeu qualquer razão de ordem fática e/ou probatória, conforme já assentado alhures. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Diante do exposto voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 668DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.996938/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.783
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde argumenta que os créditos compensados foram gerados pela percepção da ocorrência de equívoco na apuração original do débito que, uma vez corrigido, permitiu a identificação de valores recolhidos a maior. Ou seja, quando apurou os valores corretos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 96 93 8/ 20 12 -5 6 Fl. 14201DF CARF MF Processo nº 10880.996938/201256 Resolução nº 3401001.783 S3C4T1 Fl. 3 2 percebeu que o DARF pago, referente ao período de apuração, foi recolhido em valor maior do que o devido. Explica ainda que os procedimentos de correção da referida situação foram cumpridos por meio de DCTF retificadora e, ao que tudo indica, a análise da fiscalização não observou a referida retificação. Afirma que, após o recolhimento original, percebeu que parte de suas receitas estavam erroneamente tributadas pelo regime não cumulativo, quando o deveriam ser pelo regime cumulativo. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 06052.957. Regularmente cientificada do teor desta decisão, apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização me momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.775, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.959884/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.775): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, emitido em 04/09/2012 (com ciência da contribuinte em 13/09/2012), não Fl. 14202DF CARF MF Processo nº 10880.996938/201256 Resolução nº 3401001.783 S3C4T1 Fl. 4 3 homologou a compensação declarada na Dcomp em análise (cujo crédito original na data da transmissão era de R$ 259.137,00), devido à inexistência do crédito declarado para quitar os débitos informados no PER/Dcomp. O DARF discriminado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS/Pasep do período de apuração de novembro de 2009. Sustenta a recorrente que parte de suas receitas estavam tributadas pelo regime não cumulativo, quando, na verdade, deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo, por se tratar de receita decorrentes da prestação de serviços de concretagem, equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil, de forma que a nova apuração demonstrou o valor devido de PIS não cumulativo de R$ 875.479,51 gerando o saldo de crédito de R$ 259.137,00. Por sua vez, o crédito apurado foi utilizado para pagamento do PIS, apurado no regime cumulativo, de novembro de 2009, e da Cofins cumulativa de janeiro de 2012. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não hajam dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Fl. 14203DF CARF MF Processo nº 10880.996938/201256 Resolução nº 3401001.783 S3C4T1 Fl. 5 4 Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 11/2009 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 14204DF CARF MF
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