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Numero do processo: 13894.000418/2005-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2003
Ementa: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE.
A Administração Pública tem o poder/dever de indeferir as opções exercidas pelas microempresas e empresas de pequeno porte sempre que entender presentes as hipóteses legais restritivas, que vedam a permanência no SIMPLES.
ATIVIDADE ADMINISTRATIVA. A atividade administrativa constitui
procedimento vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento.
Numero da decisão: 1301-000.739
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Jaci de Assis Junior
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2003 Ementa: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE. A Administração Pública tem o poder/dever de indeferir as opções exercidas pelas microempresas e empresas de pequeno porte sempre que entender presentes as hipóteses legais restritivas, que vedam a permanência no SIMPLES. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA. A atividade administrativa constitui procedimento vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003 Ementa: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE. A Administração Pública tem o poder/dever de indeferir as opções exercidas pelas microempresas e empresas de pequeno porte sempre que entender presentes as hipóteses legais restritivas, que vedam a permanência no SIMPLES. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA. A atividade administrativa constitui procedimento vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 EDITADO EM: 27/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Jaci de Assis Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. “Trata o processo de exclusão da sistemática do Simples, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 563.311 (fl. 92), de 2 de agosto de 2004, fundamentado no fato de que a contribuinte exerceria atividade econômica não permitida (ultrapassou o limite legal de receita bruta no anocalendário de 2002). Cientificada do indeferimento de sua Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, em 29/04/2005 (fl. 138), a interessada apresentou manifestação de inconformidade, em 25/05/2005 (fls. 1/8), na qual alega: • por problemas internos, não observou que sua receita bruta referente ao anocalendário de 2002 havia ultrapassado o limite que permitia a opção pelo Simples, tendo, por essa razão, continuado a recolher os tributos devidos no anocalendário de 2003 ainda pela sistemática simplificada; • como sua receita bruta foi inferior ao limite legal no ano calendário de 2003, permaneceu também em 2004 a recolher como optante do Simples, bem como a apresentar declaração por essa sistemática; • o programa da SRF de entrega da declaração não recusou o recebimento dessa declaração, como igualmente não o havia feito com relação à declaração referente ao anocalendário de 2003. Tal procedimento do Fisco contribuiu para que a interessada, induzida a erro, continuasse a entender e a adotar os procedimentos inerentes às empresas optantes do Simples, o que a levou a efetuar recolhimentos a menor, cabendo aqui aplicar as disposições do art. 100, parágrafo único da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), permitindolhe que recolha a diferença de tributos do ano de 2003 sem incidência de multa, juros e correção monetária; • em relação ao anocalendário de 2004, atendia as condições legais para optar pelo Simples. Apenas não fez tal opção formalmente porque entendia que se encontrava inserida nesse sistema. Logo, e considerando que não há dúvidas quanto a sua intenção em optar pela sistemática simplificada, já que efetuou os recolhimentos e entregou a declaração como se fosse optante do Simples, subsumese à hipótese prevista no Ato Declaratório Interpretativo no 16, de 2 de outubro de 2002. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13894.000418/200564 Acórdão n.º 1301000.739 S1C3T1 Fl. 2 3 Ao final a contribuinte requer que o desenquadramento do Simples tenha efeitos apenas a partir da edição do ato declaratório executivo, ou seja, 02/08/2004, ou, na impossibilidade, apenas em relação ao anocalendário de 2003.” Mediante Acórdão nº 0518.037, de 22 de junho de 2007, fls. 146 a 147, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP – DRJ/CPS, por maioria de votos, indeferiu a solicitação da contribuinte, cujas razões de decidir foram consubstanciadas na ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO. Pessoa jurídica que tenha auferido receita bruta superior ao limite permitido pela legislação não pode permanecer no Simples a partir do primeiro dia do anocalendário seguinte. Solicitação Indeferida” Cientificada desta decisão em 17/11/2009, fls. 150, e inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fls. 151 a 154, apresentada em 15/12/2009, na qual reitera os seguintes argumentos: é certo que o faturamento declarado pelo contribuinte no ano calendário de 2002 foi ligeiramente superior ao limite para ele estabelecido. Contudo, pouco tempo depois foi editada a Medida Provisória nº 275, elevando os limites máximos de faturamento para as microempresas e empresas de pequeno porte de R$120.000,00 para R$240.000,00 e de R$1.200.000,00 para R$2.400.000,00, respectivamente, beneficiando diretamente cerca de 155.000 empresas em todo o Brasil; o fisco tem responsabilidade solidária sobre os erros que eventualmente venha cometer, até por equívocos, como foi o caso. Se assim não fosse, naturalmente, não teriam ocorrido os avanços implementados na verificação automatizada que somente HOJE é realizada pelo Agente Receptor SERPRO, impedindo, AGORA SIM, que se incorra ou que seja induzido em erro o contribuinte declarante; Reconhece o acerto da decisão proferida pela DRJ sob a análise fria do texto legal que fundamentou a decisão, cuja reconsideração suplica. Lembra, contudo, que manifestou inequívoco desejo de nele permanecer; uma vez que o Fisco acolheu não só a declaração simplificada do contribuinte, como também se silenciou ao receber as suas contribuições como se enquadrado ainda fosse no regime simplificado. diante dos novos limites de faturamento para as microempresas e empresas de pequeno porte estabelecidos pela Medida Provisória 275, seria de Fl. 208DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 absoluto bom senso a aplicação retroativa da legislação mais branda, considerando que, em se tratando de "novatio legis in mellius", isso pode ocorrer. Requer, ao final, o uso do bom senso humanitário, reconsiderando votos deste Colegiado, para decidir, finalmente, pelo deferimento do pedido de cancelamento do Ato Declaratório de Exclusão, ora combatido. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior O recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. A Recorrente não contesta o fato que motivou a sua exclusão do regime de tributação simplificado aplicável às microempresas e as empresas de pequeno porte, nos termos descritos no Ato Declaratório Executivo nº 563.311 (fl. 92) – ADE. Pelo contrário, ela própria reconhece que a receita bruta auferida no anocalendário de 2002 realmente ultrapassou o limite legal previsto para sua permanência no SIMPLES a partir do anocalendário seguinte. Além do mais, também de forma expressa, reconhece que a análise do texto legal que fundamentou a exclusão foi realizada de forma acertada pelo Acórdão proferido pela DRJ em Campinas/SP. A despeito disto, requer que seja cancelado o mencionado ADE, ao argumento da ocorrência de suposta responsabilidade solidária do Fisco perante os erros que eventualmente o contribuinte venha cometer. Segundo a Recorrente, isto se deve ao do fato de a Administração Tributária ter recepcionado as demais declarações subseqüentes, por ela apresentadas de acordo com a sistemática do Simples, bem como ter silenciado quanto aos recolhimentos realizados como se ainda estivesse sob o pálio de tal sistemática. Nesse sentido, é de se ressaltar que, a Administração Pública tem o poder/dever de indeferir as opções exercidas pelas microempresas e empresas de pequeno porte sempre que entender presentes as hipóteses legais restritivas que vedam a permanência no SIMPLES. Ademais, caberia à Interessada, antes de apresentar as subsequentes declarações anuais simplificadas e efetuar os recolhimentos dentro da sistemática do SIMPLES, verificar se a legislação tributária albergava seu procedimento, conforme muito bem ressaltou o relator do voto da decisão recorrida: “Ressaltese que o fato de a contribuinte ter permanecido no Simples no ano. calendário de 2003 sem que houvesse manifestação do Fisco já naquele momento, não impede a apreciação posterior da legalidade dos atos da interessada, haja vista que era dever da contribuinte, nos termos do art. 13, inciso II, alínea a, ter comunicado sua exclusão da sistemática simplificada. Logo, como não cumpriu esse dever, a contribuinte ficou sujeita ã fiscalização posterior da Receita Federal, tendente a verificar a regularidade de sua permanência no Simples. Quando o Fisco apura que a empresa permaneceu Fl. 209DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13894.000418/200564 Acórdão n.º 1301000.739 S1C3T1 Fl. 3 5 indevidamente no regime simplificado pode e deve excluíla. Assim, apenas nesse momento, e não antes, a Receita Federal praticará ato comunicando o contribuinte da irregularidade que cometeu, que é exatamente o ato de exclusão de que trata este processo.” Ademais, observese que à luz do disposto no parágrafo único, do art. 142, do CTN, a atividade administrativa constitui procedimento vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional. Diante do comando expresso por este mesmo dispositivo legal, há que se esclarecer à Recorrente a impossibilidade de se utilizar como razões de decidir o suplicado “bom senso humanitário”, por falta de previsão legal. Argumenta a Recorrente que, diante dos novos limites de faturamento das microempresas e empresas de pequeno porte estabelecidos pela Medida Provisória nº 275, de 2005 (convertida na Lei nº 11.307, de 2006), seja esta aplicada retroativamente ao caso, por ser mais benigna. Fundamenta este seu entendimento na hipótese denominada pela doutrina como "novatio legis in mellius” para fins de solução de conflitos de leis penais no tempo. Todavia esse argumento foi apresentado extemporaneamente, pois, consoante os arts. 16, III, § 4º, e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, a prova documental, assim como a matéria a ser contestada, deverão ser apresentadas no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Sobre o assunto a ementa do Acórdão n° CSRF / 0103351/01, prolatado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais apresenta o seguinte entendimento “MATÉRIA PRECLUSA. O julgamento administrativo iniciase com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o principio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com a tributação do valor omitido, sendo "extra petita " a decisão que afasta a exigência. Recurso de oficio provido.” (negrito não consta do original). Diante do exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 21 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Relator Fl. 210DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720115/2010-59
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.
Numero da decisão: 1803-001.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1451; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 111 1 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720115/201059 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180301.087 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de novembro de 2011 Matéria IRPJ Recorrente L K DIAS BARBOSA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tratase de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.720115/201059 Acórdão n.º 180301.087 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Trata o presente processo de lançamentos decorrentes do SIMPLES de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 1.107.422,59, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 30/12/2009. A imputação fundamentouse em Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Devidamente cientificada, a recorrente apresentou suas razões em seara de Impugnação alegando em apertada síntese que houve quebra do sigilo bancário e que embora a Receita Federal nunca estivesse proibida de utilizar informações bancárias para instruir procedimentos fiscais, no entanto, isto só seria revestido de roupagem jurídica se autorizado pelo poder judiciário. Neste caminho faz uma premissa sobre a irretroatividade da norma, expondo seu entendimento sobre a norma disposta no artigo 150 e seus incisos da Constituição Federal. Prossegue a recorrente firmando posição quanto à inadmissibilidade do uso da movimentação financeira para lançamento de CSLL (movimentação financeira não pressupõe acréscimo patrimonial), discorre sobre o conceito de lucro, patrimônio e acréscimo, culminando com assertiva de que todo e qualquer veículo normativo que autorize a Receita Federal a utilizar valores depositados, individualmente, pela pessoa jurídica, relativa à movimentação financeira, isoladamente, não poderá surtir eficácia para efeito de arrecadação de qualquer tipo de tributo. Isso porque movimentação financeira não pressupõe acréscimo patrimonial, menos ainda presunção de lucratividade. E questiona como aferir tais presunções em razão da movimentação financeira realizada? Nesse contexto, a recorrente cita o artigo 5° da Constituição Federal, em seu inciso XII, referindo a inviolabilidade de dados para fazer menção ao seu direito fundamental. E consigna o disposto no art. 11, §3° da lei n° 9.311/96, que em sua redação original, vedava a utilização de informações referentes à Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF, em poder da Receita Federal, para a fiscalização de outros tributos e contribuições sobre administração da própria Secretaria Receita Federal. E cita jurisprudência desse Egrégio Conselho nesse sentido e para culminar no seu entendimento de não há dúvidas a respeito da impossibilidade do lançamento de imposto de renda e demais tributos com base em extratos e depósitos bancários, eis que tais depósitos não representam disponibilidade econômica de renda ou proventos, posto que devem ser utilizados somente como procedimento indiciário para apurar a renda auferida e não para a caracterização de omissão de rendimentos. Cita jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do TRF. A recorrente também esboça o entendimento de que é dever da fiscalização demonstrar a utilização dos valores como renda consumida, para caracterizar sinais exteriores Fl. 229DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.720115/201059 Acórdão n.º 180301.087 S1TE03 Fl. 113 3 de riqueza, tal como determina o artigo 9° do DecretoLei 2.471/88, fato esse não caracterizado no presente feito. E por fim requer a nulidade do auto de infração. A autoridade de primeiro grau entendeu por manter o lançamento na sua integralidade, argüindo de antemão o artigo 18 da Lei 9.317/96. Entende a autoridade julgadora tecer um histórico a respeito da tributação através de depósito bancário para esclarecer a progressão da legislação a respeito do tema no tempo e que passo a reproduzir: Sobre a infração apontada, há de se tecer, primeiramente, um breve histórico da legislação sobre a tributação de depósitos bancários, para que se possa aclarar o entendimento distorcido que o contribuinte demonstra sobre esta tributação na peça impugnatória. Inicialmente, destaquese que a Súmula 182, do extinto TRF, baseandose em legislação já revogada, razão pela qual não pode aqui ser considerada, proibia a tributação com base em depósitos bancários. Entre esta legislação incluise o Decretolei n.° 2.471, de 01 de setembro de 1988. Cabe considerar que a Lei n.° 8.021, editada em 12 de abril de 1990, da qual abaixo se transcreve alguns artigos, teria revogado dispositivo até então vigente o tão conhecido Decretolei n° 2.471/88 que proibia a ação fiscal embasada exclusivamente em documentos relativos à movimentação bancária dos contribuintes, ou seja: "Lei n.° 8.021/90 (...) "Art. 6.°. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. §1.°. Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. §2.°. Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. §3. °. Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. §4.°. No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.720115/201059 Acórdão n.º 180301.087 S1TE03 Fl. 114 4 §5.". O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações (grifei). §6.°. Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte " . " Pelas (então) novas regras, os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. Porém, a partir de 01/01/1997, a tributação com base em depósitos bancários passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei n.° 8.021/90, com a edição da Lei n° 9.430/1996, cujo art. 42, com a alteração introduzida pelos arts. 4 o da Lei n° 9.481, de 1997 e 58 da Lei n° 10.637, de 2002, deu suporte a presente autuação, e que assim dispôs: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §Io O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4o Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na Fl. 231DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.720115/201059 Acórdão n.º 180301.087 S1TE03 Fl. 115 5 tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Desta forma, o legislador estabeleceu, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse caracterizado o montante do fato gerador, ou seja, os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. O fato gerador foi constatado com base no art. 43, II, do CTN, que prescreve que o imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais relativas o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda ou provento tributável. Alerte se que não cabe à autoridade administrativa afastar a eficácia de lei. O objeto da tributação não foi o depósito bancário ou a aplicação financeira, em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo. Os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos.Desta forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei. O depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Alertese que a alegação genérica não pode ser considerada como justificativa específica de cada depósito. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito, mediante documentação hábil e idônea, a sua origem, fato descrito no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, correta é a autuação.à justificativa para cada depósito deve ser acompanhada de provas a cargo do contribuinte. Qualquer alegação efetuada para justificar cada depósito deve ser comprovada documentalmente e individualizadamente, Fl. 232DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.720115/201059 Acórdão n.º 180301.087 S1TE03 Fl. 116 6 conforme prescreve a art. 42 da Lei 9.430/96.Prescreve o citado artigo 42 que se caracterizam também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento. Ou seja, não importa se foi um depósito em dinheiro vivo, uma transferência, um DOC... O que importa, para que se comprove a origem, é que tenha havido um crédito, um acréscimo no saldo da conta bancária. Dispensase a prova da origem no caso em que os créditos são decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica (§ 3°, I, do art. 42). Ou seja, quando houver a transferência de conta de qualquer outro titular não estará dispensada a prova da origem. É também conveniente abordar a questão acerca da comprovação da origem dos depósitos bancários. Ora, comprovar a origem dos depósitos não é tão somente comprovar de onde veio o dinheiro, mas também comprovar a natureza destes ingressos. Esse é o verdadeiro significado de "comprovar a origem". Tanto isso é verdade que o § 2o do artigo 42 da Lei 9.430/96 estabelece que os valores com origem comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos a que estiverem submetidos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação. Assim, para que não ocorra a tributação por parte do beneficiário é necessário que este justifique a natureza da transferência como não tributável. Ressaltese que a partir da edição da Lei n° 9.430, de 1996, estavam as pessoas físicas e jurídicas obrigadas a justificar os depósitos em suas contas corrente, e conseqüentemente obrigadas a guardar os documentos necessários a tal comprovação, até o término do prazo decadencial de lançamento do tributo. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. A respeito da aventada possibilidade de quebra do sigilo bancário somente por autoridade judiciária constituída, a Receita Federal, por intermédio de seus agentes fiscais, pode solicitar diretamente das instituições financeiras os extratos bancários do sujeito passivo sem que isso caracterize quebra do sigilo bancário. O fornecimento desses dados está previsto em lei. Nos termos do inciso II do art. 197 do Código Nacional Tributário (CTN), as entidades financeiras estão obrigadas a fornecer ao fisco as informações solicitadas: "Ari. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros. (...) Fl. 233DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.720115/201059 Acórdão n.º 180301.087 S1TE03 Fl. 117 7 II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A Fiscalização está autorizada a realizar o exame de registro de contas de depósito, nos termos das disposições emanadas da Lei n° 9.311, de 1996: "Art. 11 Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (...) § 2o As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministério de Estado da Fazenda." Frisese que a obtenção de informações junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal, além de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais (art. 201 e §§ I o e 2o , e art. 202 do Decretolei n° 5.844/1943, dispositivos consolidados nos art. 998 e 999 do vigente Regulamento do Imposto de Renda, e Lei Complementar 105/2001); de sorte que inocorre a alegada ilicitude na obtenção de provas. Neste sentido, voto por considerar procedente o lançamento contestado. Cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresenta suas razões em Recurso Voluntário de forma tempestiva aduzindo em síntese suas razões de recurso e fazendo inferências a doutrinadores tais como Miguel Reale e a teoria da natureza tridimencional do direito, bem como Caio Mário Hugo Grócio referindo a escola jusnaturalista para expor suas teorias a respeito do descontentamento com a posição tomada pela instância inferior. Isso tudo para expor que a interpretação das normas deve ser feita, segundo a compreensão da recorrente, pelo sistema lógicosistêmico, econômico e teleológico, conforme dispõe o artigo 111 do CTN. Afirma a recorrente que segundo determina o artigo 108 do CTN, a analogia não pode gerar a exigência de tributo não previsto em lei, e a equidade não pode gerar a dispensa da exação. Havendo dúvida, esta será levada em consideração em favor do contribuinte (arts. 111 e 112 do CTN). Ainda, prossegue a contribuinte afirmando a necessidade de autorização judicial para a quebra do sigilo bancário pela autoridade fiscalizadora adquirir os extratos bancários necessários para a autuação realizada. Aduz que a Receita Federal nunca esteve proibida de utilizar informações bancárias para instruir procedimentos fiscais, mas que isto só seria revestido de roupagem jurídica se autorizados pelo poder judiciário. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.720115/201059 Acórdão n.º 180301.087 S1TE03 Fl. 118 8 Neste caminho a recorrente reporta ao já disposto na impugnação quanto a irretroatividade da norma, demais considerações sobre quebra de sigilo bancário, inadmissibilidade da movimentação financeira para lançamento de IR e CSLL. No entanto, atenta a recorrente para as atuais discussões sobre a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário, por parte da Receita Federal, quando esta requere diretamente às Instituições Financeiras, os extratos bancários dos contribuintes, ferindo o disposto no artigo 5º, XII. Cita jurisprudência do STF sob discussão. Por fim, pede a nulidade do ato de infração. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora O recurso preenche os requisitos de sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase de o presente feito de omissão de rendimentos por depósitos bancários. Ocorre que a empresa contribuinte vem, desde a primeira peça impugnatória, insurgindose contra a questão da quebra do sigilo bancário, contudo em nenhum momento a empresa recorrente insurgese de fato e de direito quanto ao mérito propriamente dito. A empresa recorrente não defendese em nenhum momento quanto ao quantun lançado no auto de infração e sequer adentra nesta questão. Ainda, aferese do auto de infração e de toda a defesa apresentada pela empresa recorrente que esta não se insurge trazendo ao presente feito uma explicação referente aos valores dos depósitos bancários, com a finalidade de explicálos, solucionando as controvérsias por ventura ocasionadas no momento da sua autuação. O que nos leva a crer que a sua insurgência apenas diz respeito ao modo como foram coletadas as provas, ou seja, o fato do auto de infração ter se baseado em extratos bancários. No entanto atento para o fato de que à empresa recorrente foi ofertada todo o meio de prova possível, bem como o amplo direito de defesa e o contraditório, contudo no decorrer do presente feito, tanto em fase de impugnação, quanto de recurso voluntário, vislumbrouse a sua insurgência tão somente no tocante à autuação por meio de extratos bancários que foram alcançados pela própria empresa, quando intimada a ofertar. Por essa razão entendo descabida a argumentação da mesma que estaria quebrado o sigilo bancário, quando os extratos em momento algum foram adquiridos senão em através da entrega pela própria empresa que, intimada, o faz simplesmente. Já no mérito, entendo que o auto de infração é procedente tendo em vista que a própria contribuinte, ora recorrente, não apresenta provas em sua defesa. Como não foi juntada prova de que os valores tidos como devidos por esse auto de infração foram realmente pagos, fundamento a compreensão de que o auto de infração é procedente e deve ser mantido. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.720115/201059 Acórdão n.º 180301.087 S1TE03 Fl. 119 9 Ademais, há que se ressaltar que a prova é imputada ao contribuinte e não ao fisco, no tocanto ao consumo da renda, alegado pela recorrente. Em outras palavras, cumpre à empresa recorrente comprovar, através de documentação hábil e idônea, que não se trata de renda consumida o que está explicitado nos extratos bancários, bem como a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assim, como a empresa recorrente não logrou comprovar a origem dos recursos utlizados nas operações em apreço, é que voto por manter a autuação. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o voto. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 236DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003150/2007-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Demonstrada está situação que caracteriza o intuito de fraude, na medida em que o contribuinte apresentou informação falsa acerca de quantias depositadas e, ainda, apresentou contratos de mútuos inidôneos para a comprovação de depósitos bancários, o que denota ter o autuado agido com consciência e vontade, no sentido de ocultar a movimentação dos recursos, procurando, com isso, impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração
Ficou evidenciado o ajuste doloso – conluio visando os efeitos da fraude, que dá ensejo à aplicação da multa de 150%.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em há a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.779
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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CABIMENTO. Demonstrada está situação que caracteriza o intuito de fraude, na medida em que o contribuinte apresentou informação falsa acerca de quantias depositadas e, ainda, apresentou contratos de mútuos inidôneos para a comprovação de depósitos bancários, o que denota ter o autuado agido com consciência e vontade, no sentido de ocultar a movimentação dos recursos, procurando, com isso, impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração Ficou evidenciado o ajuste doloso – conluio visando os efeitos da fraude, que dá ensejo à aplicação da multa de 150%. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em há a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – RedatorDesignado EDITADO EM: 17/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.003150/200700 Acórdão n.º 920201.779 CSRFT2 Fl. 2 3 Relatório Em face de Rogério Lanza Tolentino foi lavrado o auto de infração de fls. 05/15, objetivando a exigência de imposto de renda pessoa física dos anoscalendário de 2001 a 2004, tendo sido apurada (i) omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, e (ii) omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 10423.705, que se encontra às fls. 511/541 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE. FRAUDE A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco, divergentes de dados levantados pela fiscalização, a movimentação bancária desproporcional aos rendimentos declarados, mesmo de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 44, da Lei n° 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. Preliminar de decadência acolhida. Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, acolheu a decadência em relação ao anocalendário de 2001 e, no mérito, por maioria, deu parcial provimento para desqualificar a multa de ofício reduzindoa para 75%. Intimada pessoalmente do acórdão em 27/11/2009 (fls. 542) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 545/557, em que sustenta, em apertada síntese, contrariedade (i) ao artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, no que diz respeito a desqualificação da multa de oficio e (ii) ao artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, no que diz respeito a decadência Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2202 00.19, de 24/03/2010 (fls. 560/562). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 571/578. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A discussão no presente recurso está limitada (i) ao dispositivo legal aplicável para contagem do prazo de decadência (art. 150, §4º ou 173, I, ambos do CTN) e (ii) ao restabelecimento da multa qualificada aplicada ao contribuinte. No presente caso, a autoridade fiscal autuante entendeu estar caracterizado evidente intuito de fraude, tendo aplicado a multa qualificada de 150%. O v. acórdão recorrido afastou a multa qualificada imposta pela autoridade fiscal autuante, e, no tocante à decadência, determinou a aplicação da regra do § 4º do artigo 150 do CTN, verbis: “Art. 150 – (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” (destacamos). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.003150/200700 Acórdão n.º 920201.779 CSRFT2 Fl. 3 5 Em seu recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional requer a aplicação da sistemática de contagem do prazo decadencial do artigo 173, I do CTN, bem como o restabelecimento da multa qualificada. Considerando que a qualificação da multa implica o afastamento da aplicação da sistemática do artigo 150, §4º do CTN optei por primeiramente examinar referida qualificação. Qualificação da multa A penalidade em questão foi aplicada com base no art. 44, inciso II da Lei n. 9.430, de 1996, incorporado ao art. 957, II, do RIR/99, assim redigido (conforme redação em vigor à época dos fatos geradores): “Art. 957 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 44) (...) II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Os dispositivos referidos, vale dizer, os artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964, cuidam das figuras do dolo, fraude e sonegação, nos seguintes termos: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Já me manifestei em outras oportunidades que a teor da previsão legal acima, para que a multa de lançamento de ofício de 75% seja qualificada e elevada para 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado inequivocadamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Essa posição é reconhecida pela jurisprudência deste E. Colegiado, restando incontroverso que a fraude não se presume, sendo necessário que sejam produzidas provas do evidente intuito a que se refere a norma legal, não bastando suspeitas. A experiência indica que o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que demonstrado o emprego de meios ardis, como notas fiscais calçadas, recibos falsificados, etc. Ao contrário da responsabilidade pela obrigação tributária principal, que a teor do art. 136 do CTN não requer dolo ou culpa para sua configuração, bastando a prática da infração por qualquer meio, a aplicação da multa dita qualificada pressupõe dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. No caso presente, transcrevo trecho do voto vencedor, proferido pelo I. Conselheiro Nelson Mallmann no acórdão recorrido, cujos fundamentos adoto para desqualificação da multa no caso presente: “O auto de infração noticia a aplicação da multa de lançamento de oficio qualificada de 150%, sob argumento da existência de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os motivos que levaram a autoridade lançadora a qualificar a multa de lançamento de oficio foram, entre outros, os seguintes: movimentação financeira expressiva; ter prestado declaração falsa à Secretaria da Receita Federal ao informar que quantia foi depositada em sua conta em diversos momentos, quando na realidade, ela foi depositada na conta corrente de titularidade de Marcos Valério Fernandes de Souza; tentou justificar diversos depósitos bancários em suas contas correntes através de contratos mútuos junto a empresa SMP&B Comunicação Ltda; caracterização em tese de evidente intuito de fraude; falta da declaração dos depósitos como rendimentos tributáveis. Desta forma, verificase que a autoridade lançadora entendeu ser perfeitamente normal aplicar a multa de lançamento de oficio qualificada na constatação de omissão de rendimentos apurados através de depósitos bancários não comprovados, sob o argumento que nesses casos é possível inferir que o contribuinte deixou deliberadamente de informar rendimentos auferidos em sua Declaração de Ajuste Anual valores que transitaram em contas bancárias representativas de rendimentos tributáveis ocasionando o retardamento do imposto a pagar, com habitualidade e em valores expressivos; ter prestado declaração falsa à Secretaria da Receita Federal ao informar que quantia foi depositada em sua conta em diversos momentos, quando na realidade, ela foi depositada na conta corrente de titularidade de Marcos Valério Fernandes de Souza; tentou justificar diversos depósitos bancários em suas contas correntes através de contratos mútuos junto a empresa SMP&B Comunicação Ltda, bem como prestou informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda, formando a convicção de que a multa de oficio qualificada é aplicável já que está comprovado nos autos a intenção dolosa e fraudulenta na conduta adotada pela contribuinte, com o Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.003150/200700 Acórdão n.º 920201.779 CSRFT2 Fl. 4 7 propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento das infrações, utilizandose de artificios para ocultar rendimentos auferidos e dificultando o conhecimento, por parte do fisco, dos mesmos. Ora, com a devida vênia, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação divergente de dados levantados pela fiscalização; a tentativa de comprovação da origem dos depósitos bancários, através da apresentação documentação não correspondente (matéria de prova); bem como a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de valores que transitaram em contas bancárias, de titularidade do recorrente, representativas de rendimentos tributáveis ocasionando o retardamento do imposto a pagar, independentemente das mesmas pertencerem a estabelecimentos bancários sediados no Brasil ou exterior; da habitualidade e do montante utilizado, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, pelas razões abaixo expostas. Da análise, dos autos do processo, é cristalino a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que a contribuinte teria deixado deliberadamente de informar rendimentos auferidos em sua Declaração de Ajuste Anual valores que transitaram em contas bancárias representativas de rendimentos tributáveis ocasionando o retardamento do imposto a pagar, com habitualidade e em valores expressivos, bem como prestou informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda. É de se ressaltar, que independentemente das circunstâncias que determinaram o início da ação fiscal, o presente lançamento se refere à omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários cuja origem, no entendimento da autoridade lançadora, não foi comprovada através da apresentação de documentação hábil e idônea, conforme descrição dos fatos constante do Auto de Infração.” Verifico, assim, que eventual fraude se deu na elaboração e apresentação das provas à autoridade fiscal mas não em relação à omissão que caracteriza o fato gerador do presente lançamento. De fato, a omissão reiterada dessas rendas pelo contribuinte e a apresentação de contratos de mútuo declarados como simulados não tem, a meu ver, o condão de caracterizar, no caso do lançamento por presunção com base em depósitos bancários, a fraude necessária para qualificação da penalidade. Nesse sentido, considero que para a correta aplicação da multa qualificada a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio por exemplo da Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 utilização de extratos bancários falsos, notas frias, interposição de pessoas, etc, para mascarar a ocorrência do fato gerador. Em se tratando de omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada, cuja caracterizada é objeto de presunção legal relativa, não bastam as alegações de relevância econômica dos valores envolvidos e reiteração de conduta para a demonstração do evidente intuito de fruade. Como bem apontou com o usual brilhantismo o ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, em acórdão sobre o tema, se o entendimento sumular antes transcrito não permite a qualificação da multa de ofício quando presente uma simples omissão de rendimentos, como justificar a qualificação desse multa em uma presunção de omissão de rendimentos, em que não ficou demonstrada nenhuma fraude, e que a própria omissão de rendimentos é presumida? O evidente intuito de fraude não pode ser presumido, como ocorre com a presunção legal de omissão de rendimentos, mas minudentemente demonstrado. Entender diferente seria presumir a fraude em situação em que a própria hipótese de incidência – omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada é presumida pela lei, situação que merece repúdio. Em resumo, entendo não ter a fiscalização logrado êxito em demonstrar evidente intuito de fraude na conduta do Recorrente a justificar a qualificação da penalidade, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso especial nesta parte. Decadência Por outro lado, no tocante à decadência, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Assim, no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.003150/200700 Acórdão n.º 920201.779 CSRFT2 Fl. 5 9 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso o acórdão recorrido acolheu a alegação de decadência em relação ao anocalendário de 2001. Examinando a declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte relativamente ao anocalendário de 2001 (fls. 65/67) verifico que não houve qualquer antecipação ou pagamento de imposto de renda durante o anocalendário. Logo, consoante detalhado anteriormente, aplicase no presente caso o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, sendo que o início do prazo de decadência dáse a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Considerando que o fato gerador se deu em 31/12/2001 e o lançamento poderia ter sido efetuado a partir do ano calendário de 2002, o início do transcurso do prazo de decadência se deu em 1º/01/2003, vencendo em 31/12/2007. Na data em que a contribuinte tomou ciência do lançamento (23/03/2007) os fatos geradores referentes ao ano calendário de 2001 não estavam fulminados pela decadência, razão pela qual deve darse provimento ao presente recurso especial. Verifico, por oportuno, que em suas razões de recurso voluntário (fls. 484/509) o contribuinte não apresenta argumentos ou elementos de prova específicos relativos aos depósitos bancários do anocalendário de 2001 que ainda não tenham sido examinados pela decisão de segunda instância, razão pela qual não é necessária a remessa dos autos ao CARF para novo julgamento. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar a decadência relativamente ao anocalendário de 2001. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.003150/200700 Acórdão n.º 920201.779 CSRFT2 Fl. 6 11 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado Ouso divergir do ilustre Conselheiro Relator quanto a aplicação da multa qualificada de 150%. A autoridade fiscal aponta no Termo de Verificação Fiscal a ocorrência das situações que acarretaram a qualificação da multa (fls. 16 a 31), in verbis: “53. Ao longo deste procedimento fiscal foi verificado que o contribuinte prestou declaração falsa à Secretaria da Receita Federal ao informar que a quantia de R$ 1.491.506,32 foi depositada, em dinheiro, em diversos momentos, em suas contas correntes quando, na realidade, ela foi depositada em conta corrente de titularidade de Marcos Valério Fernandes de Souza. 54. Além disso, ele tentou justificar diversos depósitos em suas contas correntes através de contratos de mútuo junto à empresa SMP&B Comunicação Ltda que, conforme o Laudo de Exame Contábil n.° 3058/2005 — INC emitido pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal não corresponderam à realidade. 55. De fato, de acordo com o citado Laudo, ficou caracterizado que houve simulação e conluio com o objetivo de ludibriar o Fisco e evitar a tributação de depósitos cujas origens o contribuinte não logrou êxito em comprovar.” Como se vê, a autoridade fiscal apontou a ocorrência de situações caracterizadoras da simulação e do conluio. O conluio é o ajuste doloso que visa qualquer dos efeitos da sonegação ou da fraude, conforme referidos nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 (art. 73 da referida Lei), in verbis: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 11DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Desse modo, somente se presentes os efeitos da sonegação ou da fraude, há falar em conluio, do qual aqueles são pressupostos. A fraude pode ser compreendida como a ação ilícita que vise enganar o fisco sobre a ocorrência do fato gerador da obrigação principal. Isto é, ocorrido o fato gerador da obrigação tributária principal, a conduta ilícita do contribuinte que vise enganar o fisco (negando a ocorrência do fato gerador ou alterando as características essenciais de modo a reduzir o montante do imposto devido, evitar ou diferir seu pagamento). Entendo que demonstrada está situação que caracteriza o intuito de fraude, na medida em que o contribuinte apresentou informação falsa acerca de quantias depositadas e, ainda, apresentou contratos de mútuos inidôneos para a comprovação de depósitos bancários, o que denota ter o autuado agido com consciência e vontade, no sentido de ocultar a movimentação dos recursos, procurando, com isso, impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração. Destarte, ficou evidenciado o ajuste doloso – conluio visando os efeitos da fraude, que dá ensejo à aplicação da multa de 150%. Ademais, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em há a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Portanto, no presente caso, ante a ocorrência do já mencionado ajuste doloso visando os efeitos da fraude, há de se afastar a declaração da decadência do direito de o fisco constituir o crédito relativa ao ano calendário de 2001. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 12DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10707.001678/2006-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2007
Ementa: RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. DISSENSO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO.
Não se conhece de recurso especial que desatende aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência.
Recurso especial do Procurador não conhecido.
Numero da decisão: 9101-000.952
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Matéria: IRPJ - auto eletrônico (exceto glosa de comp.prej./LI)
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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Antonio Carl s o - Relator. CSRF-T1 FL 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10707..001678/2006-18 Recurso no 160.968 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-000.952 — la Turma Sessão de 29 de março de 2011 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS MULTA REGULAMENTAR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES - EMBRATEL Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2007 Ementa: RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO DE ADMIS SIB ILIDAD E. DISSENSO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO. . Não se conhece de recurso especial que desatende aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência. Recurso especial do Procurador não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, r unanimidade de votos, não conhecer Editado em: 25 MA I 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre Antônio Allcmim Teixeira (Suplente Convocado), Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Com base no permissivo do art. 5°, I do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 55/1998, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 Ementa: MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, ARQUIVOS MAGNÉTICOS. FORIVL4S E PRAZOS DE APRESENTAÇÃO. LEI N° 8.218/91 MATRIZ LEGAL. ALTERAÇÕES PRODUZIDAS PELA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.158-35, DE 200L VIGÊNCIA E EFEITOS DA IN SRF N° 86/2001 E DO ADE COM N° 15/2001. É incabível a aplicação da multa regulamentar prevista nos arts. 11 e 12, inciso III, da Lei n° 8.218. de 1991, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, quanto aos arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1° de janeiro de 2002, considerando que a IN SRF 86, de 2001 e o ADE COFIS n° 15, de 2001, que dispõem sobre formas e prazos para apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por pessoas jurídicas, somente passaram a produzir efeitos a partir de 1° de janeiro de 2002. Lançamento Improcedente." 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: "Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, submetido à apreciação deste Colegiado interposto em face do Acórdão n° 12-14.025, de 26/04/2007 (fls. 349 a 356), proferido pela 3( da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DR.]) no Rio de Janeiro 1 — RJ, que julgou precedente o lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração (11s. 04 e ss.) lavrado contra a empresa EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES SA. - EMBRA TEL (CNPJ 33.530.436/0001-29), relativamente a Multa regulamentar por falta/atraso na entrega de arquivos magnéticos relativos ao período de 01/2001 a 12/2001, equivalente a 0,02% da Receita Bruta por dia de atraso, conforme o que se segue. Demonstrativo — IRPJ Em R$ Multa regulamentar 97.933. 387 74 Valor do Crédito Tributário Apurado 97.933.387,74 Em 10.08.2006, a pessoa jurídica era epigrafe foi intimada Ns. 13 a 16) a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias assinalados no Processo 10707.001678/2006-18 Acórdão n.° 9101-000.952 art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001, e na forma explicada no Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15, de 2001, documentos e arquivos magnéticos, referentes aos anos-calendário de 2001 a 2005. Impossibilitada de atender a intimação retro, no prazo e na forma determinados, a contribuinte requereu, em 04.09.2006, a prorrogação do prazo em mais 30 (trinta) dias (fls. 55). A fiscalização deferiu parcialmente o pedido de prorrogação (lis. 56), concedendo como data limite 25.09.2006, para que a contribuinte atendesse ao Termo de Intimação. Posteriormente, em 05.10.2006, a contribuinte foi reintimada (fls. 17 e 18) a fornecer os referidos arquivos magnéticos, no formato estabelecido pelo ADE COFIS n° 15, de 2001, até o dia 09.10.2006. Em 09.10.2006, a contribuinte endereçou correspondência ao órgão da Secretaria da Receita Federal, no Rio de Janeiro — RI (fls. 59 a 61), requerendo com fundamento no art. 2' do ADE COFIS n° 15, de 2001, fossem aceitos os dados solicitados pela fiscaliza cão em forma diferente daquela estabelecido no mencionado ato declaratário executivo, até que fossem gerados os arquivos magnéticos nas especificações previstas na norma, podendo os mesmos ser entregues gradativarnente à proporção que fossem finalizados. Em 20.12.2006 foi emitido Mandado de procedimento Fiscal Complementar n° 07.1.90.00-2005-00407-6-5 (lis. 02), para procedimento fiscal quanto h MULDI no período de 0102001 a 12/2001. A ciência da contribuinte ocorreu em 26.12.2006. Concluindo a ação fiscal, a Fiscalização lavrou Auto de Infração (fis. 04 e ss), apontando a seguinte irregularidade: 001 MULTA DE VALOR FIXO. FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO, COM IMPOSIÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR EQUIVALENTE A 0,02% DA Receita Bruta por dia de atraso, pelo não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas. Fato Gerador Valor da Multa Regulamentar 20.12.2006 R$ 97.933.387,74 Enquadramento legal: Arts. 11 e 12, inciso III da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n° 2.138-34/2001 e reedições. A contribuinte tomou ciência do Auto de infração em 26/12/2006, instaurando o contencioso administrativo com a apresentação tempestiva da Impugnação ao lançamento, em 23/01/2007 (fls. 70 a 100), aduzindo, em síntese, que: csRF-TI FL 2 3 a) A legislação de regência- Lei 77. 8.218, de 1991, arts. 11 e 12, Instrução Normativa SPE n°86 de 2001 e Ato Declaratário Normativo COFIS n° 15, de 2001, não pode ser lida, sendo em conformidade coin os princípios constitucionais que regem a Administração Pública e a Administração Pública Tributária, vez que é exatamente a .interpretação da legislação e dos fatos a luz desses princípios que faz saltar aos olhos a insubsistência do Auto de Infração; b) A entrega dos arquivos digitais e sistemas no formato previsto no ADE COFIS n° 15, de 2001 se constituiu na obrigação acessória considerada pela fiscalização corno não cumprida no prazo assinalado na IN SRF n. 86, de 2001; c) Historicamente, a Receita Federal ao normatizar a entrega dos arquivos digitais de que trata a Lei n. 8.212, de 1991, sempre primou pela não-surpresa ao contribuinte quando ocorreram mudanças na lei matriz, em observância ao principio da segurança jurídica que é um dos pilares do Estado de Direito. Assim é que o §1 0 do art. 30 da IN SRF n. 86, de 2001, dispõe que "os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1° de janeiro de 2002 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecido no caput"; d) Se a norma dava a contribuinte essa opção, não poderia ser demandada a apresentar os arquivos digitais relativos ao período de janeiro a dezembro/2001 no novo formato estabelecido no ADE COFIS n. 15, de 2001; e) A impugnante invocou o art. 112 do Código Tributário Nacional (CT1V), que prevê que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto it capitulação legal do fato e/ou quanto a autoria ou punibilidade: fi A imposição da multa regulamentar ocorreu com supedâneo no art. 12, inciso III, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n. 2.158-34, de 2001 e reedições, A penalidade pecuniária que equivalia a Cr$ 30.000,00 passou a .ser a mais gravosa, equivalendo a dois centésimos por cento (0,02%) por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica, até o máximo de um por cento, quando descumprido o prazo legal estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas; g) 0 auto de Infração é também improcedente face a irretroatividade da norma insita na Medida Provisória n. 2.158-34 e reedições, para alcançar todo o período anterior a data de sua vigência, ou seja, 26.10.2001, quando se deu sua publicação; h) Embora não tivesse a obrigação de cumprir a IN SRF n 86, de 2001, e o ADE COFIS n. 15, de 2001, relativamente as informações econômico-fiscais do ano-calendário 2001, Processo n° 10707.001678/2006-18 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-000_952 Fl. 3 a impugnante epipreendeu grande esforço para atender os Termos de intimação Fiscais. Por meio de correspondências datadas de 09.10.2006 e 18.12.2006, foram entregues à fiscalização parte das informações solicitadas, com o ânimo de colaborar com a Receita Federal, o que foi reconhecido pela Auditora no seu Relatório Fiscal (fis. 09); i) Na correspondência enviada em 09.10.2006 (fls. 59-61), a impugnante requereu que fossem aceitos os dados solicitados no Termo de Intimação em formato diferente do que estabelece o ADE COFIS n. 15, de 2001, até que fossem gerados os arquivos magnéticos nas especificações desse ato declaratório, e que seriam remetidos gradativarnente a medida que fossem sendo concluídos. A fiscaliza cão se quedou silente quanto ao pleito, mas disse que o trabalho fiscal somente pode ser realizado se a totalidade dos arquivos estivesse disponível; j) Para deduzir o pleito, a impugnante o fez com fulcro no art. 2° do ADE COFIS n. 15, de 2001, que deixa a critério da autoridade requisitante dos arquivos digitais a aceitação ou não das informações magnéticas em forma diferente da determinada no Ato. Desta forma a recusa pela fiscalização de forma implícita e desmotivada fere o principio da motivação dos atos administrativos, maculando-o de ilegalidade face ao disposto no art. 50, incisos 1 e II da Lei 9.784, de 1999, até porque in caso implicou em negativa limitação, afetando direitos, assim como na imposição de deveres, encargos e sanções; k) Se a empresa vinha sendo fiscalizada em anos- calendário anteriores a 2001 (does. ds fls. 173 a 339) com base nas informações constantes dos seus sistemas e de sua contabilidade, e se a Receita Federal sempre pôde exercer seu poder de policia sem prejuízos para a atividade de fiscaliza cão, o procedimento fiscal padece da falta de razoabilidade, contaminando o Auto de Infração; I) Ademais, ninguém deverá ser privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal e sem que os litigantes em processo judicial e administrativo possam exercer o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes ex vi do disposto no art. 5 0, incisos LIV e LV, da Constituição Federal; n) Ainda que existisse a obrigação acessória da impugnante de entregar as informações do ano-calendário de 2001 no formato do ADE COFIS n. 15, de 2001, a sanção aplicada não tem como prosperar posto que carecedora de proporcionalidade. Observando os ditames do principio da razoabilidade, chega-se à conclusão de que: (i) a sanção não era necessária porque nenhum mei , menos gravoso para a impugnante revelar-se-ia igualmente eficaz na consecução dos objetivos pretendidos com a edição da norma que definiu a obrigação acessória, (ii) a sanção desproporcional em sentido estrito considerando-se a rigorosa ponderação entre sanção imposta e os fins perseguidos pela legislação: (iii) a sanção carece de adequação, sendo necessário que as sanções impostas se mostrem aptas a atingir os justos objetivos a que se prestam; n) Impossibilidade de utilização de multa coin efeito de confisco, tendo em vista que penalidades como a que foi imposta à impugnante não devem se tornar fonte arrecadatória alternativa para a Unido deixando i2 mingua os contribuintes, que poderiam canalizar os recursos despendidos com a solvência da multa, para investimentos em seus projetos de atualização tecnológicos; o) Ao final, requereu a improcedência do Auto de Infração, para afastar a imposição da multa regulamentar, ou reduzi-la ao patamar da multa prevista originalmente na Lei n°8.218, de 1991, ajustando-a segundo os princípios da anterioridade, da razoabilidade, da proporcionalich;!fe e do não-confisco. Ao apreciar o litígio, a DRJ/RJOI decidiu pela manutenção da exigência fributária, nos termos do Acórdão 12-14.025 — 3" (fis. 349 a 336), assim ementado: ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2906 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142 do GIN e 10 e 59 do PAF JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. - As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. ASSUNTO: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 CONTRIBUINTE USUÁRIO DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS. ARQUIVOS DIGITAIS. I I PRAZO DE APRESENTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. cabível a aplicação da multa regulamentar prevista nos arts. 11 e 12, III, da Lei n° 8.218, de 1991; com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória. n° 2.158-35, de 2001, na hipótese de falta/atraso na apresentação de arquivos digitais Processo o 10707.00167872006-18 Acórdão n.° 9101-000.952 CSRF-T1 Fi. 4 Lançamento Procedente. Notificada da decisão de primeira instáncia, em 22/05/2007 al. 359 v), e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 21/06/2007 (Il. 361 a 398), reiterando todos os argumentos apresentados na peça impugnató ria. e relatório." O acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário do Contribuinte para cancelar integralmente a penalidade de multa imposta. Segundo o acórdão, (i) os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1° de janeiro de 2002 poderiam, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida no caput do art. 1° da IN n. 68, de 1995, ou seja, sem observância a qualquer forma rígida de apresentação (§1 0 do art. 30 da citada IN); (ii) a IN SRF n. 68, de 1995, por ser revogada forrnahnente, sem interrupção de sua força normativa, a partir de 10 de janeiro de 2002, manteve sob sua égide a apresentação dos arquivos digitais relativos ao ano-calendário de 2001, quanta a forma e o prazo (art_ 40); (iii) referida regra de exceção também consta do ADE COFIS n. 15, de 2001; (iv) no período assinalado, pois, a Contribuinte não estava sujeita à observância do novo formato de apresentação dos arquivos digitais. Segundo o acórdão, "a mesma foi intimada e reintimada a apresenta-los de acordo com as especificações estabelecidas no ADE COFIS 15, de 2001, em frontal desrespeito ao principio da legalidade. E neste caso, não hit que se falar em multa regulamentar por falta/atraso na apresentação dos arquivos digitais do ano-calendário 2001 porque não existindo obrigação formal a ser cumprida, -logicamente, não hã atraso na sua prestação". Em sede de recurso especial, sustenta a Fazenda Nacional dissenso entre o acórdão recorrido e o Acórdão 107-08011 proferido pela extinta Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, o qual assenta o entendimento de que "para a aplicação da multa por atraso na apresentação de arquivos magnéticos à Fiscalização deve ser considerada a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador que seu deu com a configuração do atraso na apresentação dos arquivos, sendo irrelevante que se refiram ao ano-calendário de 1999. 0 atraso se configurou em 08.10.2002. devendo ser aplicado o disposto no art. 12 da Lei ri° 8.218/91 coin a redação que lhe foi dada pela MP n°2.158-35 de 24.08.2001". Em outros termos, de acordo com o acórdão paradigma, o fato gerador, in casu, deve ser considerado implementado na data em que se configurar o atraso na entrega dos arquivos magnéticos, sendo irrelevante a data a que os mencionados arquivos se referirem. Por esta razão se o atraso ocorrer em data posterior à edição da Medida Provisória, bem como das alterações por ela produzidas, não ha que se afastar a imposição da multa regulamentar. 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 421, fls. 453) ante a configuração em tese da alegada divergência jurisprudencial. Foram apresentadas contra-razões pela Contribuinte. o relatório. 7 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator Peço vênia para divergir do r. Despacho de fls. 421 no que se refere a admissibilidade do recurso especial. Premissa fundamental para análise do recurso especial de divergência é a perfeita similitude fática entre acórdãos paradigma e recorrido, de modo a, verificada a discrepância entre eles, firmar-se a jurisprudência desta Corte a respeito da especifica questão de direito posta a desate. Veja-se, nesse sentido, iterativa jurisprudência do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, verbis: Processo civil. Agravo nos embargos de divergência no recurso especial. Cotejo entre acórdãos paradigma e embargado. Inexistência de similitude fática e jurídica entre os arestos confrontados. Ausência de argumentos capazes de ilidir os fundamentos da decisão agravada. Em tema de divergência jurisprudencial, mostra-se imprescindível para a caracterização do dissídio que os julgados confrontados tenham decidido as mesmas teses jurídicas com bases fiiticas semelhantes. Agravo não provido. (AgRg nos EREsp 972590, Relatora Nancy Andrighi, DJe 16/02/2009— grifos nossos) No mesmo sentido: 'PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. INEXIST "ÊNCIA DE SIMILITUDE ENTRE OS CASOS EM CONFRONTO. NA -0 CONHECIMENTO. 1. Os embargos de divergência têm por escopo a uniformização da jurisprudência desta Corte, eliminando as dissidências internas quanto ci interpretação do direito em tese, e, para tanto, pressupõem a identidade fótica e solução divergente entre os acórdãos confrontados, o que não é o caso dos autos (..)' (AgRg nos EREsp 510.299/TO, Rel. Min. Teori Zavascki, DJ 03.12.2007 — grifos nossos) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL — EXECUÇÃO FISCAL — LEILÃO — AVALIAÇÃO DO BEM — IMPUGNAÇÃO — DECISÃO NÃO AGRAVADA - PRECLUS:4 -0 — INTIMAÇÃO DO EXEQÜENTE E DE POSSÍVEIS CREDORES PRECEDENTES OU PREFERENCIAIS - DESNECESSIDADE - PREÇO VIL - ARREMATAÇÃO POR MAIS DA METADE DO VALOR DA AVALIAÇÃO - NÃO-OCORRÊNCIA - DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL - SEMELHANÇA FÁTICA - INEXISTÊNCIA. I. Não se conheceu da alegação de inobservância do procedimento de impugnação à avaliação do bem penhorado porque precluso o direito de atacar a decisão que a indeferiu liminarmente. Este fundamento restou inatacado no recurso especial. 2. Ausente qualquer prejuízo ao exeqüente 8 Processo n" 10707.001678/2006-18 faS;RF-T1 Acórdão n." 9101-000.952 Fl. 5 ou aos demais possíveis credores da parte executada na inexistência de intimação prévia a arrematação, reputa-se válida a arrematação, 3. Arrematação de bem penhorado por mais da metade do valor da avaliação não é considerado prego vil para a jurisprudência desta Corte. 4. Inviável o conhecimento do recurso especial pelo dissídio jurisprudencial se o acórdão paradigma não possui semelhança fritica com o acórdão recorrido. 5. Recurso especial conhecido em parte e, nesta pane, não provido. (REsp 1052691 / SC, Rel.: Min. Eliana Culmon, DJE — 26/11/2008 — grifos nossos). Do exame do acórdão recorrido depreende-se que o contexto filial e juridic° verificado na lavrat-ura do lançamento é bastante distinto daquele constante do atesto paradigma. Conforme se verifica do teor do relatório supra, o caso dos autos trata da imposição de multa regulamentar pela faltaJatraso na entrega de arquivo magnético relativo ao ano-calendário de 2001 conforme previsto na IN SRF n. 86/2001 e formato exigido no Ato Declaratório Executivo COFIS n. 15, de 23.10.2001. Referida multa foi imposta com fundamento nos arts. 11 e 12, Ill da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pelo art 72 da Medida Provisória n° 2.138-34/2001 e reedições. Segundo os expressos termos do acórdão recorrido, a multa regulamentar em referência foi afastada sob o fundamento de que a Contribuinte não estava obrigada A apresentação de seus arquivos magnéticos do ano-calendário de 2001 na forma e no padrão previsto no Ato Declaratório Executivo COFIS n. 15/2001 exigido pela Fiscalização. Entendeu-se que a forma e o padrão de apresentação dos dados de arquivos magnéticos estabelecidos pelo Ato Declaratório Executivo COFIS n. 15/2001 somente tornaram-se exigíveis a partir de 10 de janeiro de 2002. Concluiu o acórdão recorrido clue, por nip estar obrigada à apresentação de seus arquivos magnéticos na forma exigida pela Fiscalização (Ato Declaratório Executivo COFIS n. 15/2001), a Contribuinte não poderia estar sujeita á. sanção prevista nos arts. 11 e 12, III, da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pela MP ri° 2.158-34/2001, já que não houve descumprimento do dever legal por parte do Contribuinte. Verbis: "Conclui-se da leitura da legislação destacada que a Recorrente não estava sujeita observância do novo formato de apresentação dos arquivos digitais. A mesma foi intimada e . reintimada a apresentá-los de acordo com as especificações estabelecidas no ADE COF1S 15, de 2001, em frontal desrespeito ao principio da legalidade. E neste caso, não há que se falar em multa regulamentar por falta/atraso na apresentação dos arquivos digitais do ano-calendário 2001 porque não existindo obrigação formal a ser cumprida, logicamente, não há atraso na sua prestação". O acórdão paradigma cuidou de hipótese fática diversa da presente medicla . em que o descumprimento da obrigação de apresentação dos arquivos magnéticos no tempie modo exigidos pela Fiscalização era fato incontroverso naqueles autos e, portanto, pressuposto (antecedente) de aplicação da norma sancionatória correspondente (Lei n. 8218/91, art 12, com a redação dada pela MP no 2.158-35/2001). Caracterizada (de forma incontroversa) a infração à norma legal, o acórdão paradigma discutiu tão somente o Momento em que estaria 9 configurada a hipótese de incidência da norma penal e, a par disso, se se estaria ou não diante de um caso de aplicação retroativa da norma penal. Nos termos do acórdão paradigma, o Contribuinte "não demonstrou que a • intimação fiscal para apresentação dos arquivos tenha sido realizada em desacordo com a forma regulamentada" (fls.448). Por outro lado, no acórdão recorrido concluiu-se que a intimação fiscal para a apresentação dos arquivos magnéticos foi de fato realizada em desacordo com a forma regulamentada, na medida em que impôs ao Contribuinte a obrigação de apresentar seus arquivos magnéticos do ano-calendário de 2001 segundo a forma e o padrão estabelecidos pelo ADE COFIS n. 15/2001, os quais eram se tornaram exigíveis somente a partir de 10 de janeiro de 2002. Em síntese, no acórdão paradigma restou configurada a violação da obrigação de entrega de arquivos magnéticos, o que deu ensejo à aplicação da sanção prevista nos arts. 11 e 12, inciso III, da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pela MP n° 2.158-34/2001. Já no acórdão recorrido tal violação não apenas não restou caracterizada mas foi expressamente rejeitada pelo Colegiado a quo. Este o motivo do afastamento da penalidade em questão. Por tais fundamentos, ausente a indispensável divergência jurisprudencial, voto no sentido de não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessaes, • Antonio Carl's &mil, de maip de 2011. lho - Relator 10
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Numero do processo: 10166.907503/2009-15
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 15/08/2003
COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE.
A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%.
Numero da decisão: 1801-000.796
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe emitiu diversas Declarações de Compensação eletrônicas – Dcomp pleiteando a restituição/compensação de parte dos valores recolhidos por DARF, a título de IRPJ, durante os anoscalendários de 1999, 2000, 2001 e 2002 por entender que fez pagamentos maiores que os devidos. Explica que se enquadra no conceito de empresa que exerce atividades hospitalares e, portanto, fez jus ao coeficiente de 8% para apuração do lucro presumido naqueles anos e não 32%, como equivocadamente procedeu nos cálculos de IRPJ. As Dcomp foram emitidas para solicitar a restituição/compensação das diferenças entre os valores que entende devidos e aqueles efetivamente recolhidos. A empresa apresenta manifestação de inconformidade à fl. 01 e o despacho eletrônico de não homologação da compensação veiculada na Dcomp de fls. 12 a 16 encontra se às fls. 02 dos autos. Neste despacho está consignado que o valor pleiteado na Dcomp – referente ao recolhimento de IRPJ efetuado em 15/08/2003 – está devidamente alocado como pagamento do tributo devido, não havendo qualquer saldo a ser restituído. A fiscalização intimou a empresa a apresentar cópia do Contrato Social e alterações, entre outros documentos, às fls. 03 (Intimação nº 130/2010), ao que juntouse ao processo as referidas cópias às fls. 05 a 10. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF exarou o Acórdão nº 0339.713/10 não reconhecendo o direito creditório em litígio. Assim restou ementado o aresto: “LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS NÃO HOSPITALARES. Auferindo a empresa receita de atividade médica ambulatorial restrita a consultas, que não se enquadra no conceito de serviços hospitalares estabelecido pela legislação tributária, a base de cálculo do lucro presumido deve ser apurada com a aplicação do percentual de 32%.” Aquela turma de julgamento fundamentou o votocondutor no fato de a clínica em apreço ter sua atividade econômica enquadrada expressamente como “ambulatorial restrita a consultas (CNPJ) e constar na cláusula 3ª do Contrato Social, como objetivo social: Prestação de serviços de segurança e medicina do trabalho, clínica médicaambulatorial, ginecologia, cardiologia, oftamologia, otorrinolaringologia, psiquiatria, psicologia, fonoaudiologia (exclusivamente para audiometria ocupacional) e pequenas cirurgias; sem internação e sem raio X no local. Invocou o Ato Declaratório Interpretativo – ADI/RFB nº 19/07 que cuida dos aspectos conceituais de “serviços hospitalares”. Tempestivamente, a clínica médica interpôs o Recurso de fls. 29 e ss, instruído com a consolidação do Contrato Social. Reprisa os termos da exordial e enfatiza: “Extraise dos autos que o Relator do Acórdão, com base no art. 106 do CTN, aplicou retroativamente o Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 19, de 2007 para julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação efetuada pela Recorrente através do PER/DCOMP. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907503/200915 Acórdão n.º 180100.796 S1TE01 Fl. 45 3 A Recorrente é empresa que atua na área de "atendimento médico ambulatória!, atendimento médico ocupacional, programa de prevenção de riscos ambientais, elaboração do Itcat (laudo técnico de condições ambientais do trabalho), assessoria na elaboração do PPP (perfil prossiográfico previdenciário) e PCMAT (programa de condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. Consta do Contrato social que a empresa "tem por objetivos a prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho,, Clínica Médica Ambulatoriál, Ginecologia, Cardiologia, Oftamologia, Otorrinolaringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias, sem internação e sem Raio X no local"e apresentou pedido de compensação oriundo de CSLL, no regime de tributação do lucro presumido, pelo percentual de 32% sobre a receita bruta trimestral. Respalda seu entendimento na Instrução Normativa – IN SRF nº 306/03 que classificou como serviços hospitalares o que segue, conforme cita: "Art. 23 . Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de UMA DAS ATIVIDADES ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II. Capitulo 2. da Portaria GM 1.884. de 11 de novembro de 1994. do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: (...) II prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial. compreendendo as seguintes atividades: a) recepcionar, registrar e fazer marcação de consultas; c) proceder a consulta médica, odontológica, psicológica, de assistência social, de nutrição, de fisioterapia, de terapia ocupacional, de fonoaudiologia e de enfermagem: Observese que esses conceitos relativos ao que se enquadra como serviços hospitalares e extraídos da Portaria GM/1.884, do Ministério da Saúde, mencionada na INSRF n.° 306/2003 já haviam sido mantidos e reproduzidos, em termos idênticos, na Resolução RDC n.° 50, de 21.02.2002, da Diretoria Colegiada da ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária.” Cita, ainda, a Solução de Divergência em Consulta CST nº 11/2003 editada no sentido de admitir a natureza hospitalar das clínicas médicas (para os serviços médicos prestados por clínicas de ortopedia, traumatologia e radiológicas) e decisões judiciais que entende corroborar seu entendimento sobre a abrangência da expressão “serviços hospitalares”: 1999.01.1.0149015 TJDFT e Resp STJ nº 380.584/02 – este último sobre sociedades civis prestadoras de serviços médicos de hemodiálise. É o relatório. Passo à análise das razões recursais. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente pleiteia a restituição de valores de IRPJ que entende haverem sido pagos a maior indevidamente, por enquadrarse nas pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares, estando sujeita ao coeficiente para apuração do lucro presumido no percentual de 8% e não 32%, conforme houvera procedido aos efetivos recolhimentos via DARF. Respalda seu entendimento no artigo 23 da IN SRF nº 306/03, cujo texto parcial transcreveu no recurso interposto e foi acima reproduzido. Divirjo da interpretação dada pela recorrente ao texto do caput do referido artigo 23. A administração tributária ao redigir o referido preceito infralegal deixou claro que a pessoa jurídica para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares deve necessariamente possuir estrutura física condizente com a execução de uma das atividades elencadas nos incisos I, II, III, IV e V que esmiuça. Cada inciso traz as atividades que devem ser desenvolvidas pela pessoa jurídica conjuntamente, não uma de cada, como interpretou equivocadamente a recorrente. O inciso I, por exemplo, exige: I realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: a) ações individuais ou coletivas de prevenção à saúde tais como: imunizações, primeiro atendimento, controle de doenças transmissíveis, visita domiciliar, coleta de material para exames, etc.; b) vigilância epidemiológica por meio de coleta e análise sistemática de dados, investigação epidemiológica, informação sobre doenças, etc.; c) ações de educação para a saúde, mediante palestras, demonstrações e treinamento in loco, campanhas, etc.; d) orientar as ações em saneamento básico por meio de instalação e manutenção de melhorias sanitárias domiciliares relacionadas com água, dejetos e lixo; e) vigilância nutricional por meio das atividades continuadas e rotineiras de observação, coleta e análise de dados e disseminação da informação referente ao estado nutricional, desde a ingestão de alimentos à sua utilização biológica; f) vigilância sanitária, por meio de fiscalização e controle que garantam a qualidade aos produtos, serviços e do meio ambiente. O inciso II, ad exemplum: II prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: Fl. 55DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907503/200915 Acórdão n.º 180100.796 S1TE01 Fl. 46 5 a) recepcionar, registrar e fazer marcação de consultas; b) realizar procedimentos de enfermagem; c) proceder a consulta médica, odontológica, psicológica, de assistência social, de nutrição, de fisioterapia, de terapia ocupacional, de fonoaudiologia e de enfermagem; d) recepcionar, transferir e preparar pacientes; e) assegurar a execução de procedimentos préanestésicos e realizar procedimentos anestésicos nos pacientes; f) executar cirurgias e exames endoscópios em regime de rotina; g) emitir relatórios médico e de enfermagem e registro das cirurgias e endoscopias realizadas; h) proporcionar cuidados pósanestésicos; i) garantir o apoio diagnóstico necessário. E assim por diante. Todas as atividades que encabeçam os incisos exigem a prestação de serviços que em algum momento diferenciam as clínicas de atendimento meramente ambulatorial, consultas etc daqueles estabelecimentos médicos que possuem leitos, internações, disponibilidade para atendimento de urgência (24h), realização de exames de raio X, endoscopias, realização de hemodiálises. É suficiente a leitura acurada de cada atividade descrita nos incisos. Por isto, correta era a interpretação do caput do referido artigo 23 determinando que para a pessoa jurídica se enquadrar como prestadora de “serviços hospitalares” deve exerce pelo menos uma das atividades (descrita no inciso e não nas alíneas somente), podendo ainda combinar outras atividades das alíneas dos demais incisos. Assim a norma interpretativa faz o sentido lógico, considerandose a interpretação sistemática das normas, sem a qual qualquer consultório médico, desde que com mais de um profissional, se enquadraria no conceito super relativizado que a recorrente pretendeu atribuir à IN SRF. Ademais, o mais importante é que esta IN SRF nº 306 foi expressamente revogada pela nº 480/2004, e essa, por sua vez, foi posteriormente alterada pela IN SRF nº 500/2005, que em seu artigo 27 incluiu mais algumas exigências para o conceito de “serviços hospitalares”, grifei. Mas as instruções normativas não servem para legislar. Somente elucidam a norma tributária e constituem fonte secundária do Direito Tributário, pois, por serem normativas, são as denominadas normas complementares previstas no artigo 100, mais especificamente inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. Todavia, frisese, são atos interpretativos não podendo ir além das normas tributárias. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Para o mesmo fim, no entanto sem a referida força normativa, servem os atos expedidos interna corporis pela Administração Tributária, cuja principal meta é homogeneizar o entendimento da própria administração sobre determinado assunto, sempre à luz da norma tributária. Dito isto, prossigamos para a norma insculpida no artigo 15, da Lei nº 9.249/95, que dispõe: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] Há uma questão de pura semântica aqui envolvida. A norma tributária, vigente à época, não disse que os demais serviços ligados à área da saúde, desvinculados dos hospitais, fossem tratados como serviços hospitalares. E quando a norma não diz, não cabe aos intérpretes o fazer, quando mais se trata de normas tributárias, cuja tipicidade é cerrada. Ao revés do que pretende a recorrente, como visto, inúmeros atos administrativos, Soluções de Consulta e inclusive decisões judiciais versaram sobre esta matéria. E nem hoje a norma tributária igualou os serviços hospitalares aos demais serviços prestados na área da saúde. Pelo contrário, esse assunto foi amplamente debatido pelo Superior Tribunal de Justiça. A jurisprudência da Corte Superior foi pacificada no mesmo sentido ora sustentado. A exemplo, citese o acórdão extraído do REsp nº 925.175/SC, da lavra do ministro Castro Meira: Ementa : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS. ATIVIDADES HOSPITALARES. ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI Nº 9.249/95. 1. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95, que diminui a base de cálculo, resultando em menor valor a recolher de pessoas jurídicas que desenvolvem atividades hospitalares, deve ser interpretado restritivamente, para abranger, além Fl. 57DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907503/200915 Acórdão n.º 180100.796 S1TE01 Fl. 47 7 dos próprios hospitais, apenas os estabelecimentos que dispõem de "estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes" (REsp 786.569/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 30.10.06). 2. No caso concreto, não podem ser enquadrados no conceito de serviços hospitalares os exames realizados em laboratórios de análises clínicas, porquanto os favores fiscais não comportam interpretação analógica. Precedentes da Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Eliana Calmon e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Sustentou oralmente Dr. Marcos Cardoso Resende, pela parte: RECORRIDO: LABORATÓRIO FLEMING S/S LTDA. (grifos não pertencem ao original) Trago à luz da discussão, por oportuno, para demonstrar que não possuo entendimento isolado sobre a questão proposta, o Projeto de Lei nº 1.716/071, no qual o deputado Júlio Delgado e o relator, deputado Luiz Carlos Hauly, teceram questões a respeito da inclusão das empresas que desenvolvem as atividades laboratoriais no texto das empresas favorecidas pelo coeficiente do lucro presumido a 8%: PROJETO DE LEI Nº 1.716, de 2007 (Apensado: PL 1.777, de 2007) Altera a Lei nº 9.249, de 1995, no que respeita ao coeficiente de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime do Lucro Presumido, para os laboratórios de Análises Clínicas. AUTOR: Deputado JÚLIO DELGADO RELATOR: Deputado LUIZ CARLOS HAULY I RELATÓRIO O Projeto de Lei nº 1.716, de 2007 pretende equiparar os laboratórios de análise clínica aos hospitais, para efeito do cálculo do lucro presumido sujeito à tributação pelo Imposto de Renda e pela Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL. 1 http://www.camara.gov.br/sileg/integras/553012.pdf Fl. 58DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Segundo o Autor da proposição, atualmente a Lei nº 9.249, de 1995 institui o coeficiente de 8% do faturamento para calcular o lucro presumido das prestadoras de serviços hospitalares, com exceção das empresas do setor de serviço, cujo coeficiente é de 32%. A presente Medida visa, deste modo, equiparar os laboratórios de análise clínica com os serviços hospitalares. [...] É o relatório. II VOTO Cabe a esta Comissão, além do exame de mérito, inicialmente apreciar as proposições quanto à sua compatibilidade ou adequação com o plano plurianual, a lei de diretrizes orçamentárias e o orçamento anual, nos termos do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (RI, arts. 32, IX, "h", e 53, II) e de Norma Interna da Comissão de Finanças e Tributação, que "estabelece procedimentos para o exame de compatibilidade ou adequação orçamentária e financeira". A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2008, no seu artigo 98, condiciona a aprovação de lei ao cumprimento do art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, nos seguintes termos: O art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 04.05.2000) determina: "Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: [...] § 1º A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. § 2º Se o ato de concessão ou ampliação do incentivo ou benefício de que trata o caput deste artigo decorrer da condição contida no inciso II, o benefício só entrará em vigor quando implementadas as medidas referidas no mencionado inciso. .............................................................................................." Contudo, entendemos que a aplicação de tais dispositivos deve aterse a uma interpretação finalística da própria Lei de Responsabilidade Fiscal LRF. Em seu artigo 1º, ela estabelece que seu escopo é a determinação de normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, entendida esta Fl. 59DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907503/200915 Acórdão n.º 180100.796 S1TE01 Fl. 48 9 responsabilidade como a “ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas”. De tal conceito depreendemos que somente aquelas ações que possam afetar o equilíbrio das contas públicas devem estar sujeitas às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal. Assim, entendemos que as proposições que tenham impacto orçamentário e financeiro de pequena monta não ficam sujeitas ao disposto no art 14 da LRF, já que não representam qualquer risco para a obtenção dos resultados fiscais definidos nas peças orçamentárias. É precisamente essa a característica do PL nº 1.716, de 2007, que possibilita aos laboratórios de análises clínicas se enquadrarem no regime do lucro presumido. Além disso, devese esclarecer que até novembro de 2007, os laboratórios de análise clínicas e os serviços de auxílio diagnóstico estavam enquadrados no regime de lucro presumido. Assim, está receita não estava prevista para o ano 2008 e seguintes, não podendo se falar em renúncia fiscal efetiva. Quanto ao mérito, tratase de matéria que preserva a isonomia de tratamento entre os prestadores de serviço de saúde à população A redução da carga tributária poderá beneficiar a toda sociedade prestandose um serviço de melhor qualidade a menor custo. Além disso, a similitude e o caráter de complementação dos serviços laboratoriais aos de natureza médicohospitalar exigem um tratamento isonômico na parte tributária. De modo a aprimorar o presente projeto, alteramos a redação inicialmente proposta pelo AUTOR, acrescentando os serviços de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e de análises e patologia clínicas, que se constituem em serviços subsidiários e complementares das atividades hospitalares, assim como aqueles de análises clínicas. (grifos não pertencem ao original) É importante ressaltar que o presente projeto de lei, retrato da mens legis da norma tributária, não precisou ser votado, pois em 2008 a Lei nº 11.727, cuja proposição original foi a Medida Provisória nº 413/08 (que recebeu diversos aditivos no deputado HAULY), assim dispôs em seu artigo 29: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 [...] a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (grifos não pertencem ao original) Eis que somente a partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, a prestação de serviços de auxílio diagnóstico, terapia e outras foram alçadas pela exceção referida na alínea “a” do inciso III do § 1º da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sujeitandose, portanto, ao coeficiente de 8% (oito por cento) incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido. Por conseguinte, considerando que a lei tributária não retroage (exceto nas hipóteses elencadas no artigo 106, o que não é o caso), antes da vigência do artigo 29 da Lei nº 11.727, as pessoas jurídicas que prestam serviços à saúde, mas sem prestarem serviços hospitalares sujeitamse ao coeficiente de 32% para determinar o seu lucro. Colaciono, por derradeiro, ao presente voto para corroborar o entendimento ora esposado, a ementa do Acórdão nº 10323.236, de 18/10/07, cuja lavra do votocondutor é do conselheiro Antonio Carlos Guidoni Fº: “SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 está intimamente ligada à existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada.” Transcrevo, por oportuno, trecho do voto: “A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 (artigo 15, § 1°, III), está intimamente ligada à existência de custos relevantes com equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A aplicação do percentual de 8% apenas se justifica quando presentes fatores de custos relevantes, como os que ocorrem em um hospital. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada.” (grifos não pertencem ao original) Comungo com as colocações do r. conselheiro em todos os aspectos, precipuamente quando faz a distinção entre os demais serviços prestados pelas pessoas jurídicas ligadas à área da saúde (mera receita de prestação de serviços em geral – 32%) e aqueles prestados pela entidade hospitalar (receita de serviços hospitalares – 8%). De todo o exposto, verifico dos autos que é fato incontroverso no presente caso que a recorrente tem como objetivo social: Fl. 61DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907503/200915 Acórdão n.º 180100.796 S1TE01 Fl. 49 11 “Cláusula Terceira Alteram também neste ato os objetivos da Sociedade, que passam a ser: Prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho, Clinica Médica Ambulatorial, Ginecologia, Cardiologia, Oftalmologia, Otorrino laringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias; sem internação e sem Raio X no local.” (grifos não pertencem ao original) Entendo que estes serviços não podem ser considerados como serviços hospitalares da recorrida. São serviços que consistem em outra atividade que não a de oferecer ou disponibilizar internação em seu estabelecimento, pelo que justa a aplicação do coeficiente de 32% para a apuração do lucro presumido. Tratase de mera prestação de serviços, em geral, na área de saúde, no entanto, sem natureza hospitalar. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso, por não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação pleiteada. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 62DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19515.004425/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT.
A atividade preponderante da empresa e seu correspondente grau de risco são apurados conforme a data da ocorrência do fato gerador.
MULTA
A exigência da multa moratória está prevista no art. 35 da Lei n° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento e refere-se ao descumprimento de obrigação principal.
A multa do artigo 32 A da Lei n.º 8.212/91, refere-se a multa punitiva aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória, o que não se aplica ao presente lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.284
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. A atividade preponderante da empresa e seu correspondente grau de risco são apurados conforme a data da ocorrência do fato gerador. MULTA A exigência da multa moratória está prevista no art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento e referese ao descumprimento de obrigação principal. A multa do artigo 32 A da Lei n.º 8.212/91, referese a multa punitiva aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória, o que não se aplica ao presente lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi – Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 EDITADO EM: 15/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência Momentânea: Manoel Coelho Arruda Júnior, Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004425/200881 Acórdão n.º 230201.284 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 14/08/2008, com ciência pelo sujeito passivo em 20/08/2008, referese a contribuições previdenciárias relativas aos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados no período de 01/2004 a 12/2004. De acordo com o relatório fiscal de fls.24/26, a recorrente recolheu a alíquota de 1%, quando deveria ter recolhido 2%, conforme sua atividade preponderante, CNAE 8690 99 , Outras Atividades de Atenção à Saúde Humana Não Especificadas Anteriormente, constante do seu CNPJ, à fl.128. Após impugnação, Acórdão de fls. 116/126, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, onde alega em síntese: a) a tempestividade do recurso; b) a nulidade do ato administrativo porque não consta do Acórdão o local onde o Sr. Paulo Neves é nomeado procurador da empresa; c) que não há documento assinado por representante legal da empresa dando conta que a fiscalização teria início; d) que seu direito de defesa foi maculado; e) que não pode admitir que o INSS e a Receita Federal usem CNAE’s distintos para a mesma empresa; f) que o CNAE utilizado pela recorrente é o correto, com a alíquota de 1%; g) a aplicação da retroatividade benigna da MP 449, no que se refere à multa do artigo 32 ª Requer o provimento do recurso para determinar a invalidação do auto de infração, julgandoo insubsistente e dar baixa na repartição, ou alternativamente, permanecer o CNAE 8640203, com a alíquota de 1% e a aplicação da multa disposta pela MP449, que alterou o artigo 32 A da Lei n.º 8.212/91. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente a tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004425/200881 Acórdão n.º 230201.284 S2C3T2 Fl. 3 5 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Também não acato os argumentos da recorrente acerca do cerceamento de defesa por não haver procuração que confira direitos de representação ao Sr. Paulo Neves e que Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 por isso não há ciência da empresa quanto ao início da ação fiscal, porque , primeiramente à fl.01 do processo costa o MPF – Mandado de Procedimento Fiscal, que é assinado eletronicamente pelo fisco, cuja autenticidade pode ser verificada no sitio da Receita Federal na internet e às fls. 16/17, temos o TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, onde está aposto o código de acesso à internet e o número do MPF para as conferências que se fizerem necessárias. O TIAF está devidamente assinado pelo Sr. Paulo Pereira Neves, procurador da empresa, cujo instrumento de procuração consta da fl. 22, dos autos. Portanto, inócuas as alegações da recorrente de cerceamento de defesa, posto que foi regularmente intimada do início da fiscalização. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito A contribuição patronal prevista no art. 22, II, da Lei 8.212/91, destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho – SAT, seguiu os princípios constitucionais tributários e nos moldes do art. 97 do Código Tributário Nacional CTN, a Lei 8.212/91 tratou da instituição da referida contribuição para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), definindo o seu fato gerador, fixando a base de cálculo e as alíquotas aplicáveis, restando ao decreto, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, a regulamentação da aludida contribuição, o qual, por sua vez, estabelece os graus de risco conforme a atividade precípua da empresa. De acordo com o relatório fiscal e demais documentos constantes do processo, como contrato social e cartão de inscrição no CNPJ, a recorrente, à época do fato gerador – 01/2004 a 12/2004 – pela sua atividade, estava inscrita no CNAE – Código de Atividade Econômica em 85162 – Outras Atividades Relacionadas com a Atenção à Saúde, cuja alíquota do SAT era de 2%. Assim, está correto o lançamento, ainda que, posteriormente, com a edição do Decreto n.º 6042, de 12/02/2007, o CNAE tenha passado para 86909/99, conforme documento de fl.128, com alíquota de 1%, pois quando da ocorrência do fato gerador a alíquota era de 2% e apenas foi comprovado o recolhimento de 1%. Conforme já explicitado para a recorrente na decisão recorrida, quando do lançamento foi aplicada a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, de acordo com o disposto no artigo 144 do Código Tributário Nacional: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. (.) Portanto, no caso de enquadramento na atividade preponderante para fins previdenciários foi obedecido ao disposto no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, que no seu Anexo V, trazia a Relação de Atividades Preponderantes e o Correspondente Grau de Risco, e que previa a alíquota de SAT (2,0%) para a atividade preponderante da empresa. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004425/200881 Acórdão n.º 230201.284 S2C3T2 Fl. 4 7 Por derradeiro, cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de auto de infração de obrigação principal Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o autodeinfração de obrigação acessória. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. Portanto, é também improcedente a solicitação da recorrente quanto à retroatividade benigna para ser aplicada a Medida Provisória n.º 449/2008, no que alterou a multa do artigo 32 A, da Lei n.º 8.212/91, posto que tal multa se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, no caso, a falta de apresentação de GFIP, ou a sua apresentação deficiente, o que não mantém qualquer relação com este levantamento, que trata exclusivamente de contribuições previdenciárias que não foram recolhidas na época própria relativas ao Seguro Acidente do Trabalho, sujeitandose à multa moratória. A exigência da multa moratória está prevista no art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento. Por todo o exposto, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10630.000037/2004-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES.
Ano Calendário: 2002
A empresa que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de
desmembramento de pessoa jurídica não poderá optar pelo Simples.
Numero da decisão: 1301-000.719
Decisão: Por unanimidade, os membros da Turma acolhem os embargos para anular o Acórdão 130100321, de 20 de maio de 2010, e rejeitam os embargos de declaração ao Acórdão 380300.099, de 17 de junho de 2009.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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Ano Calendário: 2002 A empresa que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica não poderá optar pelo Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade, os membros da Turma acolhem os embargos para anular o Acórdão 130100321, de 20 de maio de 2010, e rejeitam os embargos de declaração ao Acórdão 380300.099, de 17 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto de Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Recebidos nos termos do artigo 49, parágrafo 7o., do Anexo II da Portaria MF 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF – RICARF. Tratamse de Embargos de Declaração (fls.154/155) apresentado pelo contribuinte, em face do Acórdão 1301000.321, de 20/05/2010, por meio do qual foi negado provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dos membros da Primeira Turma da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento. Alega, a recorrente, em primeiro plano que os autos do presente processo já fora julgado em 17/06/2009 pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, tendo sido negado provimento ao recurso por meio do Acórdão 380300.099 e lavrada a seguinte ementa: “Assunto: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. Ano Calendário: 2002 A empresa que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica não poderá optar pelo Simples.” Razão pela qual requer a anulação do Acórdão 1301000.321, de 20/05/2010. Em segundo plano, a contribuinte em 22/10/2009 interpôs embargos de declaração face ao Acórdão 380300.099, aduzindo, em síntese, omissão, tendo em vista que: “ao descartar o conteúdo dos atos constitutivos da pessoa jurídica (prova essencial no presente caso), esta Turma (Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento) deveria ter indicado o fundamento legal que motivou esse entendimento”. Requer manifestação deste Colegiado sobre os aclaratórios apresentados. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10630.000037/200415 Acórdão n.º 1301000.719 S1C3T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Inicialmente, cabe esclarecer que realmente foram realizados dois julgamentos aos autos do presente processo. O primeiro pela Terceira Turma Especial desta Terceira Câmara, (Acórdão 380300.099, de 17 de junho de 2009, cuja ementa encontrase acima transcrita) e, o segundo julgamento por esta Primeira Turma Ordinária em 20 de maio de 2010 (Acórdão 1301000.321). Por conseguinte acolho os argumentos no que se refere a anulação do segundo julgamento (Acórdão 1301000.321), prevalecendo, no caso, os embargos de declaração que versa sobre omissão cometida pela Terceira Turma Especial no Acórdão 380300.099. O Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009, determina: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Registrese que os embargos de declaração não são a via própria para a reforma do Acórdão. Atendidos os pressupostos de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido. No Voto condutor do Acórdão recorrido está registrado (fls. 159/160): “A exclusão da recorrente do Simples ocorreu devido ao fato de ser resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica nos termos do art. 9o., XVII da Lei 9.317/96: “Art. 9o. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ... XVII – que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei;” Consoante representação administrativa do INSS/Gerencia Executiva de Governador Valadares (fls. 04 a 07), analisando o contrato do pacto de cisão (fls. 08 a 17), datado de 23 de março de 1999 e levado a registro na Junta Comercial em 19 de agosto de 1999, da empresa Cerâmica Ibituruna Ltda., verificouse que dessa operação originaramse 4 (quatro) novas empresas: a) Telhas Ibituruna Ltda., b) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Tijolos Ibituruna Ltda., c) PréFabricados Ibituruna Ltda., e d) Lajota Ibituruna Ltda. Ao mesmo tempo em que ocorreu a cisão da Cerâmica Ibituruna Ltda, a qual não era optante pelo Simples, foram criadas 4 (quatro) outras empresas em 22 de março de 1999 que optaram pelo Simples em 26 de abril de 1999. São elas: a) TK Produtos Cerâmicos Ltda., b) Total Industria da Construção Ltda., c) Telha e Tijolo Ltda., e d) Alvenaria Industrial Ltda. Após a opção pelo Simples, estas novas empresas incorporaram as empresas resultantes do processo de cisão da Cerâmica Ibituruna como abaixo indicado: TK Produtos Cerâmicos Ltda., incorporou a Telhas Ibituruna Ltda, em 24/08/1999; Total Industria da Construção Ltda., incorporou a Tijolos Ibituruna Ltda, em 01/12/1999; Telha e Tijolo Ltda., incorporou a PréFabricados Ltda, em 01/12/1999, e Alvenaria Industrial Ltda., incorporou a Lajota Ibituruna Ltda, em 01/12/1999.” Conclui o relator do voto recorrido que “pela alteração contratual para a operação de incorporação (fls. 32 a 36), a empresa Telha e Tijolo Ltda., (incorporadora) assumiu todo o ativo e passivo da PréFabricados Ibituruna Ltda., bem como todos os seus funcionários e mais: ambas possuem o mesmo endereço cadastral”. Pela análise do conjunto dos fatos apreciados e relatados pela autoridade fiscal, forçoso concluir que a pessoa jurídica Telha e Tijolo Ltda., resulta, de fato, do desmembramento da pessoa jurídica Cerâmica Ibituruna Ltda. Fato este comprovado pelo documento datado de 23 de março de 1999, (fls. 08 a 17), denominado Pacto de Cisão Parcial da empresa Cerâmica Ibituruna Ltda., pelo qual utilizouse, ardilosamente, de outra pessoa jurídica para compor outra forma de desmembramento conforme detalhadamente relatado na representação fiscal que iniciou a exclusão em tela. Daí concluise que não há a omissão alegada pela recorrente pautada na tese de que faltou a indicação do fundamento legal para desconstituição dos seus atos constitutivos. Assim, acolho os argumentos no que se refere a anulação do Acórdão 1301 00.321, de 20 de maio de 2010, prevalecendo, no caso, os embargos ao Acórdão 380300.099, de 17 de junho de 2009. do qual, pela análise dos autos entendo não estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma, pelo que proponho sua rejeição. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10630.000037/200415 Acórdão n.º 1301000.719 S1C3T1 Fl. 3 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 37172.000101/2006-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1994 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos
RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais
dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.254
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcelo Oliveira e Francisco Assis Oliveira Junior votaram pelas conclusões, em face da aplicação do art. 62-A do RICARF.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1994 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto. Recurso especial provido.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcelo Oliveira e Francisco Assis Oliveira Junior votaram pelas conclusões, em face da aplicação do art. 62A do RICARF. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 2 Caio Marcos Candido – PresidenteSubstituto Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório MAGNESITA S/A E OUTRO, contribuinte, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.724.1312, referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Redação original), correspondentes à parte da empresa, dos empregados e do SAT, incidentes sobre a remuneração da mãodeobra cedida pela empresa SERVIÇO ESPECIAL DE SEGURANÇA E VIGILÂNCIA INTERNAS – SESVI DE SÃO PAULO LTDA., em relação ao período de 07/1994 a 12/1998, conforme Relatório Fiscal, às fls. 62/68. De acordo com Relatório Fiscal, o crédito foi constituído por responsabilidade solidária, em razão da recorrente não ter apresentado à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento quitadas e respectivas Folhas de Pagamento vinculadas aos serviços prestados pela empresa SERVIÇO ESPECIAL DE SEGURANÇA E VIGILÂNCIA INTERNAS – SESVI DE SÃO PAULO LTDA. mediante cessão de mãode obra, que seriam capazes de comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos empregados da prestadora colocados a seu serviço. Tendo em vista a não apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, o presente crédito previdenciário fora constituído por aferição indireta, com arrimo no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Segundo Conselho de Contribuintes contra decisão da então SRP em Belo Horizonte/MG, DN nº 11.401.4/0641/2005, às fls. 221/228, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a egrégia 5ª Câmara, em 08/04/2008, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e NEGARLHE PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 20500.482, com sua ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1994 a 31/12/1998 Ementa: SOLIDARIEDADE PASSIVA. INCABÍVEL A ALEGAÇÃO DE BENEFÍCIO DE ORDEM PARA COBRANÇA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A contratante de serviços de mãodeobra tem a obrigação de exigir do executor Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 37172.000101/200612 Acórdão n.º 920201.254 CSRFT2 Fl. 2 3 cópia da guia de recolhimento, para fins de elisão da solidariedade. Recurso Voluntário negado.” Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 315/324, com arrimo no artigo 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras do Conselho de Contribuintes a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 20180.914, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Em defesa de sua pretensão, pugna pela aplicação do prazo constante do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional em detrimento dos preceitos do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, inferindo que o decisum guerreado contrariou os ditames contidos no artigo 146, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal, o qual atribuiu à Lei Complementar, in casu, o Código Tributário Nacional, a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre prescrição e decadência, consoante se infere da jurisprudência e doutrina transcritas na sua peça recursal. Contrapõese ao Acórdão guerreado, aduzindo para tanto que o Supremo Tribunal Federal afastou de uma vez por todas qualquer dúvida quanto à matéria, decretando a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou Súmula Vinculante n° 08, devendo ser adotado o prazo decadencial do Código Tributário Nacional, in casu, o artigo 150, § 4°, em virtude da natureza do tributo, sujeito ao lançamento por homologação. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da então 5a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Contribuinte, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma, Acórdão nº 20180.914, relativamente ao prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, consoante se positiva do Despacho nº 205664/2008, às fls. 461/467. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 471/474, ressaltando a aprovação da Súmula Vinculante nº 08, pelo STF, propugnando pela aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a inexistência de antecipação de pagamento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da então 5a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, a divergência suscitada pela contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 20180.914, ora adotado como paradigma, oferece proteção ao pleito da contribuinte, uma vez que admitiu o prazo decadencial de 05 (cinco) anos insculpido no CTN, ao contrário do que restou decidido no Acórdão recorrido, o qual aplicou o prazo decadencial do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, malferindo o disposto no artigo 146, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal, na forma reconhecida pelo STF, nos autos dos RE´s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou Súmula Vinculante n° 08, decretando a inconstitucionalidade do prazo decenal. Consoante se infere dos elementos que instruem o processo, concluise que o insurgimento da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a propósito do tema, encontrando guarida na farta e mansa jurisprudência administrativa e judicial, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 37172.000101/200612 Acórdão n.º 920201.254 CSRFT2 Fl. 3 5 Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 6 Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 37172.000101/200612 Acórdão n.º 920201.254 CSRFT2 Fl. 4 7 específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Dessa forma, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em observância aos preceitos consignados na Constituição Federal, CTN, jurisprudência pacífica e doutrina majoritária. Entrementes, mister, ainda, constatar se houve ou não pagamento e/ou outro procedimento do contribuinte nesse sentido, porquanto, em que pese não compartilhar com este entendimento, parte dos julgadores defendem ser determinante/relevante à aplicação do prazo decadencial, senão vejamos. No caso vertente, inexiste nos autos comprovantes de recolhimentos relativos aos fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas. No entanto, tratandose da responsabilidade solidária inscrita no artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (redação original), onde os tributos exigidos dizem respeito a empregados de outro contribuinte (empresa prestadora de serviços), a jurisprudência administrativa vem entendendo pela existência de antecipação de pagamentos, em face da folha normal da pessoa jurídica executora dos serviços, mormente quando a autoridade lançadora nada diz a respeito. Assim, ocorrendo recolhimentos antecipados, em virtude dos fatos encimados, concordam os Conselheiros desta Colenda Câmara pela aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, uns pela natureza do tributo outros pela antecipação de pagamento, devendo ser acolhido o pleito da contribuinte para restabelecer a ordem nesse sentido. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 29/12/2004, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, eis que os fatos geradores Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 8 ocorreram durante o período de 07/1994 a 12/1998, fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja decretada a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar de decadência total do crédito previdenciário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002618/2005-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
Ementa: A multa por atraso na entrega de DCTF e devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo prorrogado pela Receita Federal em razão de problemas técnicos no sistema de transmissão pela intemet.
Numero da decisão: 9101-000.938
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz que negava provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Obrigações Acessórias Exercício: 2005 Ementa: A multa por atraso na entrega de DCTF e devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo prorrogado pela Receita Federal em razão de problemas técnicos no sistema de transmissão pela intemet.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-05-16T14:28:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-05-16T14:28:22Z; Last-Modified: 2011-05-16T14:28:22Z; dcterms:modified: 2011-05-16T14:28:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:ec36a67d-3d64-44a6-b9d6-1e743a5b3100; Last-Save-Date: 2011-05-16T14:28:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-05-16T14:28:22Z; meta:save-date: 2011-05-16T14:28:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-05-16T14:28:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-05-16T14:28:22Z; created: 2011-05-16T14:28:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-05-16T14:28:22Z; pdf:charsPerPage: 1268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-05-16T14:28:22Z | Conteúdo => CSRF-T 1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10950.002618/2005 -41 Recurso n° Especial do Procurador Acórdão n° 9101-00938 — la Turma Sessão de 29 de marco de 2011 Matéria DCTF. Multa por atraso. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TEZZ REPRESENTACOES COMERCIAIS LTDA Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 Ementa: A multa por atraso na entrega de DCTF e devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo prorrogado pela Receita Federal em razão de problemas técnicos no sistema de transmissão pela intemet. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz que negava provimento ao recurso. Marcos Cândido v, Pr / sidente ..... (‘ ' Viviane Vidal agner - Relatora 1 0 MAI 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. i Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão que deu provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. ATRASO NA ENTREGA. PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Tendo em vista o Ato Declaratório SRF no 24, de 08 de abril de 2005, que prorrogou o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4°. Trimestre de 2004, declarando válidas as declarações entregues até 18/02/2005, e, considerando que a publicidade do ato somente ocorreu no dia 12/04/2005, deve ser considerada tempestiva a entrega da DCTF no dia 28/02/2005. O Auto de Infração eletrônico foi lavrado para a cobrança de multa referente ao atraso na entrega de DCTF do quarto trimestre de 2004, lançada pelo seu valor mínimo. A câmara a quo deu provimento ao recurso voluntário por entender que a eficácia do ato do Poder Público depende de sua publicidade, reconhecendo a entrega tempestiva da mesma. Inconformada, a Fazenda Nacional, interpôs o presente recurso especial de divergência, apresentando paradigma que decidiu em sentido contrário, in verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTA' RIOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.POSSIBILIDADE. O atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência. Sem contrarrazijes. É o relatório. Processo n° 10950.002618/2005-41 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00938 Fl. 2 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, relatora Presentes os pressupostos recursais, o recurso é de ser conhecido. A discussão cinge-se à validade ou não do auto de infração de imposição de multa por atraso na entrega de DCTF entregue após a data da prorrogação definida no Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 8 de abril de 2005, que estabeleceu, ipsis litteris: Artigo (mica As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4" trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. 0 voto condutor do acórdão recorrido sustenta que, em razão da publicidade do ato ter se dado apenas com a publicação no Diário Oficial da Unido em 12.04.2005, devem ser consideradas tempestivas as entregas de DCTF, relativas ao 4° trimestre de 2004, efetuadas ate essa data. Esse argumento, no meu entender, não merece prosperar. Como decidiu esta colenda Primeira Turma da CSRF, em sessão realizada em fevereiro de 2011, a prorrogação do prazo da entrega da DCTF do 4 ° trimestre de 2004 não teve força de torná -lo indefinido. Posso acrescentar: ainda que a publicação do ato tenha se dado quase dois meses após o ocorrido, não se subsume do ato o alargamento do prazo até a data da sua publicação. A publicidade serve para dar eficácia ao ato que se publica, o qual passa a conferir efeitos a terceiros. No caso do ADE, passou a ter eficácia a regra nele prevista, sendo consideradas tempestivas as DCTF entregues nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005. Poderia ter sido estendida a prorrogação até o final do mês ou até a data da publicação do ato, mas a autoridade que o editou, discricionariamente, não o fez. A Secretaria da Receita Federal é o órgão competente para estabelecer o prazo de entrega da DCTF, conforme dispõe a Lei n° 10.426, de 2002, que alterou a sistemática de apuração da multa devida pelo atraso na entrega de declarações, in verbis: Art. 7O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dir), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á as seguintes multas: 3 [...] (destaquei) Com fundamento no disposto no art. 5° do Decreto-lei n° 2.124, de 13 de junho de 1984, e no art. 16 da Lei n°9.779, de 19 de janeiro de 1999, foi editada a Instrução Normativa SRF no 255, em 11 de dezembro de 2002, dispondo sobre a forma e o prazo de entrega da DCTF, verbis: Da Forma de Apresentação Art. 4o A DCTF será apresentada em meio magnético, mediante a utilização de programa gerador de declaração, disponível na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Do Local e do Prazo de Entrega Art. So A DCTF deverá ser apresentada até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, sendo transmitida via Internet, na forma determinada pela Secretaria da Receita Federal. (destaquei) A regra geral no ordenamento jurídico brasileiro é que, na impossibilidade material de cumprimento do prazo na data fatal, prorroga-se o mesmo para o primeiro dia útil seguinte. No caso sob análise, o contribuinte ficou impossibilitado de entregar a DCTF do 4° trimestre de 2004 dentro do prazo previsto na legislação, assim como os demais que deixaram para cumprir a obrigação acessória no Ultimo dia do prazo, em razão de problemas técnicos no sistema eletrônico disponível para a transmissão de declarações. O próprio órgão competente reconheceu o problema e considerou entregues no prazo as declarações enviadas pela intemet até o dia 18 de fevereiro de 2005, resguardando o direito daqueles que insistiram na entrega logo após a pane. Sendo ônus do contribuinte, não restou demonstrado nos autos a impossibilidade de entrega nos dias subsequentes. Por dedução lógica, tal prova nem seria possível, visto que a maioria dos contribuintes em idêntica situação conseguiu apresentar a declaração naquele período, ficando exonerada da multa. No presente caso, apenas vários dias após o fim do prazo original, o contribuinte enviou sua declaração pela internet, extrapolando o prazo prorrogado pelo ADE SRF n° 24/2005. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Viviane Vidal Wagner 4
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Numero do processo: 18186.006475/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
São nulos os atos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
No caso, nenhuma dessas situações se verifica. A Notificação de Lançamento foi regularmente emitida por Auditor Fiscal e o contribuinte, regularmente intimado, teve oportunidade de apresentar as defesas e provas que julgou pertinentes.
DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. DEDUÇÃO.
COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas e odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova
das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física.
Na hipótese, a contribuinte comprovou o tratamento feito e as despesas incorridas.
Numero da decisão: 2101-001.412
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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INEXISTÊNCIA. São nulos os atos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, nenhuma dessas situações se verifica. A Notificação de Lançamento foi regularmente emitida por AuditorFiscal e o contribuinte, regularmente intimado, teve oportunidade de apresentar as defesas e provas que julgou pertinentes. DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas e odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Na hipótese, a contribuinte comprovou o tratamento feito e as despesas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor da contribuinte MARIA ELIZABETH ROLIM, funcionária pública estadual aposentada, foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 30 a 33, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente ao ano calendário de 2005 (exercício 2006), no valor total de R$ 1.100,00 (mil e cem reais), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30 de outubro de 2009, perfazendo um crédito tributário total de R$ 2.370,94 (dois mil, trezentos e setenta reais e noventa e quatro centavos). As infrações apontadas pela Fiscalização encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 30 e 31. A Fiscalização alega ter havido a dedução indevida de despesas médicas, o que resultou na glosa do valor de R$ 4.000,00, por suposta falta de comprovação ou falta de previsão legal para sua dedução. A Fiscalização alega que a contribuinte apresentou recibo do profissional Adriano Augusto Vasconcellos (CPF 267.044.53814) sem os requisitos do art. 8.° da Lei n.° 9.250/95 (RIR/99, artigo 80): Em 24 de novembro de 2009 foi apresentada Impugnação (fls. 01 a 04), na qual a contribuinte alega, em síntese, que: a) recebeu, com surpresa, a notificação de lançamento de que trata o presente processo, noticiando a glosa das deduções das despesas, conforme os recibos declarados. b) o Auditor Fiscal, presumindo máfé, entendeu que os recibos não conteriam os requisitos da legislação indicada no enquadramento legal da notificação; c) entretanto, os recibos utilizados para as deduções contêm nome, CPF, valor e identificação dos beneficiários, e da contribuinte, requisitos essenciais para a demonstração do efetivo pagamento. Sustenta que, além de presumir dolo, o Auditor empreendeu interpretação extensiva dos textos legais, exigindo além do que a lei exige para prova do efetivo pagamento. Acredita que os recibos utilizados para as deduções obedeceram à lei, no essencial Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18186.006475/200991 Acórdão n.º 210101.412 S2C1T1 Fl. 63 3 Citando e transcrevendo doutrina, a contribuinte apresenta recibo e declaração do profissional que executou o seu tratamento, na qual consta que a recorrente, além de ser maior de sessenta anos, sofre de bruxismo, distúrbio que provoca desgaste profundo na dentição, exigindo contínuo tratamento e inúmeros procedimentos, como radiografias, obturações, tratamento de canais, uso de placas, execução de novas coroas, o que prolonga e encarece os tratamentos. Cita decisões administrativa e judicial sobre o assunto para concluir que a glosa do valor das deduções do IRPF e aplicação rigorosa de multa juros e demais acréscimos é insubsistente. Pede a revisão do lançamento, com o cancelamento das glosas das deduções do IRPF, multa, juros e acréscimos. Por ter mais de 65 anos de idade, requer julgamento prioritário. Ao examinar o pleito, a 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 decidiu pela improcedência da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 1746.167, de 17 de novembro de 2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. GLOSA. Mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos que não atendem a todos os requisitos legais. APRECIAÇÃO DOS FATOS. LIVRE CONVICÇÃO DA AUTORIDADE JULGADORA. Os fatos são apreciados segundo as provas trazidas aos autos e a livre convicção da autoridade julgadora. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Os acréscimos legais encontram embasamento legal e por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, devem ser aplicados quando a situação fática verificada enquadrase na hipótese prevista pela norma. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, não se constituem Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 13 de janeiro de 2011, no qual reitera as razões de impugnação, acrescentando que 1) O lançamento goza de presunção de legitimidade, mas não dispensa a necessidade de demonstração da metodologia seguida para o arbitramento do imposto; 2) Não se pode admitir que a Receita Federal afirme que não houve a prestação dos serviços que deram origem à emissão dos recibos de pagamento referidos, baseando sua alegação de irregularidades em meras presunções ou suposições; 3) Os recibos de pagamentos são documentos contábeis, previstos no ordenamento jurídico, aptos a certificar a quitação de determinado valor, prescindindo absolutamente de qualquer outro documento que o acompanhe para que adquira validade jurídica ou força probatória; 4) Os recibos e declarações acostados preenchem os requisitos formais definidos em lei como condição para a dedutibilidade da despesa, de modo que não cabe ao AuditorFiscal desconsiderálos em virtude da ausência de descrições pormenorizadas ou pela ausência de outros comprovantes de pagamento; 5) Os recibos emitidos por profissionais de saúde, nos quais conste o nome do beneficiário do tratamento, nome do profissional, seu CPF e o número do seu registro no respectivo órgão profissional devem ser considerados idôneos até prova em contrário. Se o Auditor Fiscal desconfiar da veracidade das informações veiculadas nesses documentos, cabe a ele a prova da falsidade; 6) Não é lícito exigir do contribuinte comprovações outras que não as exigidas em lei. Assim, não existente prova da inidoneidade dos recibos, concluise pelo cancelamento da glosa das despesas odontológicas; No decorrer da peça recursal, cita e transcreve doutrina e jurisprudência, para, ao final, impugnar o DARF emitido, por entendêlo incorreto, por visar ao recolhimento do eventual débito, sem qualquer fundamento legal e, ainda, em desconformidade com requisitos formais, a saber: a) Termo de Apuração 07/07/1980; b) Saldo com Redução da Multa – identificação incorreta no DARF; Recomenda à Receita Federal maior atenção no lançamento e cobrança de eventuais valores devidos ao Fisco, que devem seguir exatamente as exigências legais, sob pena de nulidade. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18186.006475/200991 Acórdão n.º 210101.412 S2C1T1 Fl. 64 5 Ao final, entendendo demonstrada a insubsistência do lançamento, requer o cancelamento da glosa das deduções do IRPF, multa e acréscimos. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Da Legitimidade do Lançamento A contribuinte sustenta que, se o lançamento goza de presunção de legitimidade, não dispensa a necessidade de demonstração da metodologia seguida para o arbitramento do imposto. Recomenda à Receita Federal maior atenção no lançamento e cobrança de eventuais valores devidos ao Fisco, que devem seguir exatamente as exigências legais, sob pena de nulidade. Sobre o assunto, cabe, primeiramente, apontar as hipóteses de nulidade dos atos e termos processuais, de acordo com o que prevê o Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é autoridade competente para promover a ação fiscal o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos da Lei n.º 11.457, de 2007: Art. 6o São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (g.n.) Afastada a possibilidade de haver nulidade do lançamento, por ter sido lavrado por autoridade incompetente, verificase que também não ocorreu preterição do direito de defesa. Os fatos que ensejaram o lançamento e a respectiva fundamentação legal estão perfeitamente descritos na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e na sua Complementação, itens integrantes da Notificação de Lançamento (fls. 31 e 32). A contribuinte exerceu o seu direito de defesa, no âmbito administrativo, por meio da apresentação de Impugnação, na primeira instância, e do Recurso Voluntário, na segunda instância. Temos que o lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda. Tal dispositivo prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." Além disso, o artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, que tem por matriz legal o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, autoriza a autoridade lançadora a exigir comprovação ou justificação de todas as deduções pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste, nos seguintes termos: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18186.006475/200991 Acórdão n.º 210101.412 S2C1T1 Fl. 65 7 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). [...] (g.n.). Ante o que prevêem o artigo 73, caput e § 1.º, e artigo 835, § 4.º do Decreto n.º 3.000, de 1999, existe base legal para o lançamento sempre que a Autoridade lançadora julgar insuficientes as provas apresentadas pelo contribuinte para justificar deduções. Isto posto, não se tendo verificado qualquer uma das hipóteses de nulidade previstas no artigo 25 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e não tendo havido qualquer ilegalidade no procedimento fiscal, é de se afastar a alegação de nulidade do lançamento. 2. Das Glosas com Despesas Médicas A contribuinte alega que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao afirmar não ter havido a prestação dos serviços que deram origem à emissão do recibo de pagamento referido, baseia sua alegação em meras presunções ou suposições, já que os recibos de pagamentos são documentos contábeis, previstos no ordenamento jurídico, aptos a certificar a quitação de determinado valor, prescindindo de qualquer outro documento para que adquira validade jurídica ou força probatória. Além disso, o recibo e declaração acostados preenchem os requisitos formais definidos em lei como condição para a dedutibilidade da despesa, e devem ser considerados idôneos até prova em contrário, cabendo ao Auditor Fiscal a prova da falsidade, caso desconfie da sua veracidade. Pede o cancelamento da glosa das despesas odontológicas. Sobre a forma como devem ser comprovadas as deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física de ajuste, com despesas médicas, vejamos o que diz o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) (g. n.) A glosa perpetrada no presente processo, e mantida pela decisão de primeira instância administrativa, no valor de R$ 4.000,00, corresponde ao valor declarado como despesas odontológicas com Adriano Augusto Vasconcellos (CPF 267.044.53814). Com o fim de comprovar as despesas, a contribuinte apresentou o recibo às fls. 5 e declaração do emitente dos recibos de que prestou os referidos serviços (fls. 20 a 26). Juntamente com o Recurso Voluntário, complementou o conjunto probatório, acostando os documentos às fls. 55 a 58. A contribuinte alega que os recibos de pagamentos são documentos contábeis, previstos no ordenamento jurídico, aptos a certificar a quitação de determinado valor, prescindindo de qualquer outro documento para que adquira validade jurídica ou força probatória. Alega ainda que a Receita Federal, ao afirmar não ter havido a prestação dos serviços que deram origem à emissão dos recibos de pagamento referidos, baseia sua alegação em meras presunções ou suposições. Também afirma que os recibos e declarações acostados preenchem os requisitos formais definidos em lei como condição para a dedutibilidade da despesa, e devem ser considerados idôneos até prova em contrário, cabendo ao Auditor Fiscal a prova da falsidade, caso desconfie da sua veracidade. Salientase que, em momento algum, a Fiscalização alegou a falsidade dos recibos apresentados. A questão central do presente processo não é essa, e sim a insuficiência do referido recibo como comprovação da despesa, para o fim de dedução do respectivo valor do imposto sobre a renda. Para que a despesa seja dedutível do imposto sobre a renda, conforme anteriormente explicitado, a lei exige a comprovação não só da efetiva prestação do serviço, mas também do seu efetivo pagamento, feito pela própria contribuinte, ao profissional prestador do serviço. Como visto, o artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, que tem por matriz legal o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, autoriza a autoridade lançadora a exigir comprovação ou justificação de todas as deduções pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste. Às fls. 55 a 58 dos autos, a contribuinte anexa declarações do profissional emitente dos recibos questionados, além de exames radiográficos feitos no decorrer do tratamento. A meu ver, essas provas demonstram a pertinência das despesas declaradas, justificando as deduções feitas. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18186.006475/200991 Acórdão n.º 210101.412 S2C1T1 Fl. 66 9 3. Da Doutrina e da Jurisprudência Ao longo da peça recursal, a contribuinte cita e transcreve trechos de doutrina e jurisprudência administrativa e judicial que entende virem ao encontro de seus argumentos. Sobre este tema, salientamos que as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não estão vinculadas a uma determinada linha doutrinária ou a decisões administrativas ou judiciais válidas somente entre as partes integrantes do processo. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida, baseada na lei, tenha por supedâneo o argumento que entender razoável ou cabível ao caso concreto, desde que devidamente fundamentada, explicitadas as razões de fato e de direito que o levaram a tal convicção. 4. Do Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF A contribuinte alega que o DARF emitido no presente processo está incorreto, por visar ao recolhimento do eventual débito, sem qualquer fundamento legal e, ainda, em desconformidade com requisitos formais, a saber: a) Termo de Apuração 07/07/1980; b) Saldo com Redução da Multa – identificação incorreta no DARF; Sobre o assunto, esclarecemos que não foi localizado nos autos qualquer Documento de Arrecadação de Receitas Federais – DARF, de modo a permitir a análise do alegado. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ________________________________________________ Celia Maria de Souza Murphy – Relatora Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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