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Numero do processo: 10715.006280/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 06/02/2005, 28/02/2005
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA
EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF
28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. APLICAÇÃO
RETROATIVA DE NORMA POSTERIOR MAIS BENIGNA (IN RFB 1.096/2010).
A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação.
Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decreto-lei no 37/1966, na
redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a
partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em
vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. A partir da IN RFB no 1.096/2010, o prazo para o registro desses dados foi fixado em sete dias, implicando, para os processos pendentes de julgamento, a aplicação retroativa do dispositivo mais benigno, como previsto no art. 106, II, “a” e “b”, do CTN, de forma a concluir pela inexistência de infração se as informações forem prestadas nesse novo prazo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. QUESTIONAMENTOS SOBRE ASPECTOS EXTRÍNSECOS DA MULTA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF no 2). Na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3202-000.364
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres no que se refere aos fatos ocorridos antes da vigência da IN SRF no 510/2005.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se
impedido.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/02/2005, 28/02/2005 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA DE NORMA POSTERIOR MAIS BENIGNA (IN RFB 1.096/2010). A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. A partir da IN RFB no 1.096/2010, o prazo para o registro desses dados foi fixado em sete dias, implicando, para os processos pendentes de julgamento, a aplicação retroativa do dispositivo mais benigno, como previsto no art. 106, II, “a” e “b”, do CTN, de forma a concluir pela inexistência de infração se as informações forem prestadas nesse novo prazo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. QUESTIONAMENTOS SOBRE ASPECTOS EXTRÍNSECOS DA MULTA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF no 2). Na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres no que se refere aos fatos ocorridos antes da vigência da IN SRF no 510/2005. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. José Luiz Novo Rossari – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Antonio Spolador Junior e Paulo Sérgio Celani. Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, que decidiu pela procedência da exigência fiscal de multas em razão de a autuada ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação realizados via aérea. Para historiar os fatos transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 04 por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 70.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada às fls. 10 e 11, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF no 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF no 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei no 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 16 a 34, argumentando, em síntese, que: a) a autuação utilizou a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF no 28, de 1994 com a redação dada pela Instrução Normativa SRF no 510, de 2005 para embarques ocorridos anteriormente à vigência da nova redação o que é impossível; b) ocorreu violação ao princípio da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; c) não é aplicada ao caso a norma prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei no 37, de 1966; d) para fins de realizar os registros em questão, no Siscomex, fica na dependência de informações por parte do exportador e de outras pessoas intervenientes no processo; e) ao tempo em que deveria ter efetuado os registros em questão, no Siscomex, ocorreu falha no sistema impedindo a realização dos mesmos; e f) a aplicação de penalidade deve ser afastada em razão da Solução de Consulta no 215, de 16 de agosto de 2004 (esta solução de consulta foi proferida pela SRRF na 9ª Região Fiscal).” O julgamento de primeira instância foi realizado pela 1ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, decidiu pela improcedência da impugnação e por manter o crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão DRJ/FNS no 0721.571, de 15/10/2010 (fls. 50/67), cuja ementa dispôs, verbis: Fl. 134DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10715.006280/200911 Acórdão n.º 320200.364 S3C2T2 Fl. 117 3 “Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF no 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei no 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente” O órgão julgador decidiu a lide com base no entendimento de que, com o advento da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, que alterou o art. 107 do Decretolei no 37/1966 e instituiu a multa prevista no inciso IV, “e” desse artigo por falta de prestação de informações, deixou de viger o art. 44 da IN SRF no 28/1994, que caracterizava como embaraço o descumprimento do art. 37 dessa mesma IN, que estabeleceu a obrigação de registro dos dados no Siscomex imediatamente após realizado o embarque de mercadorias exportadas. Aduziu que a Notícia Siscomex no 105, de 27/7/1994, interpretou a expressão “imediatamente após” no sentido de que deve ser entendida como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria”. Em acréscimo, concluiu que em razão da nova redação dada ao art. 37 da IN SRF no 28/1994 pelo art. 1o da IN SRF no 510/2005, de forma a aumentar o prazo de registro para 2 dias, é cabível a aplicação retroativa desse ato posterior, com base no art. 106, II do CTN, de modo a beneficiar o transportador, resultando em interpretar como não infracionais os casos de inobservâncias de registro de dados de até 2 dias. A decisão recorrida aduziu ainda: quanto à consulta, que nos autos não se encontra qualquer documento que faça prova da associação ou filiação da interessada ao sindicato que a formulou, o que constitui razão para não prosperar o pretendido aproveitamento da solução de consulta; quanto à denúncia espontânea, que a infração cometida é daquelas que não comporta a denúncia espontânea, em vista de ter sido fixado prazo para o cumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, e, não sendo essa obrigação satisfeita dentro do prazo fixado, não há mais como ser satisfeita; e quanto ao pedido de perícia, deve ser indeferido, considerando que tal pedido fazse relevante para convencimento do julgador no caso de existência de dúvidas diante dos autos, o que não ocorre neste processo. A empresa transportadora recorre às fls. 73/104, alegando que: ● deve ser aplicada ao caso a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “a”, do CTN, tendo em vista a entrada em vigor da IN RFB no 1.096/2010, que alargou o prazo para o registro dos dados de embarque no Siscomex; ● a aplicação retroativa mais benigna no que respeita ao prazo foi entendida cabível pelo próprio julgador, ao se referir à alteração do prazo feita pela IN SRF no 510/2005; ● a IN que estabeleceu o prazo de 2 dias para o cumprimento da obrigação data de 14/2/2005, ou seja, a norma que embasou o Auto de Infração é posterior ao fato gerador da obrigação tributária, o que afronta aos incisos II e XL do art. 5o da CRFB, ● o ato que determinou o registro de informações imediatamente após realizado o embarque da mercadoria não disciplinou o alcance da expressão “imediatamente”; ● grande parte dos atrasos no registro de informações de embarques se deram por dificuldades de averbação de informações no Siscomex, devido à inconsistência do sistema, mas os Termos de Constatação deste Auto não fazem prova suficiente do atraso das averbações porque não informam as datas em que o Fl. 135DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 Siscomex estava indisponibilizado; ● os Termos de Constatação do Auto de Infração não fazem prova suficiente do atraso das averbações, pois não informam quais as averbações são apenas correções e quais são efetivamente averbações novas; ● simples alteração de informações referentes ao embarque de mercadorias no Siscomex não constitui hipótese de aplicação de multa por embaraço à fiscalização, conforme entendimento expresso na Solução de Consulta no 218, de 17/8/2004, da 9ª Região Fiscal; ● a recorrente procedeu ao registro dos embarques antes do procedimento fiscal, devendo ser afastada a multa em vista da denúncia espontânea de infração, nos termos dos arts. 102 do Decretolei no 37/1966 e 138 do CTN; ● a aplicação da multa viola o princípio da finalidade do ato administrativo, porque a autoridade fiscal e o erário público não sofreram qualquer prejuízo com a intempestividade dos registros; ● a multa de R$ 5.000,00 por voo em que houve atraso viola o principio da proporcionalidade, visto que a obrigação de prestar informações referese a um conjunto de embarques e não apenas a uma única mercadoria; ● houve erro de cálculo na aplicação da multa, visto que pela leitura da norma devese inferir que a multa deveria se restringir ao montante único e exclusivo de R$ 5.000,00; ● como relatados no Auto de Infração, os fatos dariam ensejo à aplicação da multa por embaraço, prevista no art. 107, IV, “c”, do Decretolei no 37/1966, que também não deveria passar de R$ 5.000,00; ● caso não seja reconhecida a improcedência da multa, o recurso deve ser provido para que seja apreciado o pedido de relevação de pena pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, em vista da delegação de competência que lhe foi atribuída pela Portaria MF no 214/1979, com base os termos do que está previsto no art. 736 do Regulamento Aduaneiro de 2009, visto que no caso presente não houve qualquer dano ao Erário nem dolo por parte do contribuinte. Em vista do exposto, requer seja provido o recurso para que seja aplicada a retroatividade benigna no caso presente ou acolhida a preliminar, ou seja acolhida a impugnação para rechaçar as multas e cancelar o débito fiscal; se não for esse o entendimento, solicita o encaminhamento ao Secretário da Receita Federal do Brasil para apreciar o pedido de relevação das multas. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões por que dele tomo conhecimento. A lide respeita à exigência feita pelo Fisco da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei no 10.833/2003, em razão de a recorrente ter registrado no Siscomex após o prazo de 2 (dois) dias fixado no art. 37 da IN SRF no 28/1994, com a redação dada pelo art. 1o da IN SRF no 510/2005, os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação. Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: Fl. 136DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10715.006280/200911 Acórdão n.º 320200.364 S3C2T2 Fl. 118 5 “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro): “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005 ( DOU de 15/2/2005), que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37/1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do Decreto Lei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Fl. 137DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)” Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, a informação sobre as cargas transportadas passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, relativamente aos fatos que geraram a aplicação das multas (ocorridos entre 6/2/2005 e 28/2/2005), até 14/2/2005 vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Com efeito, não é próprio dos diplomas pátrios norma semelhante que tenha fixado prazo não revestido de certeza e não expresso em quantidade certa. A respeito, vêse que o Código Civil (Lei no 10.406, de 2002) refere a prazos em horas, dias, meses e anos (arts. 132 et alia), o que traduz quantificação em números certos e induvidosos. Também a Lei no 9.784, de 1999, que dispõe sobre o processo administrativo, expressa prazos em dias, meses e anos (art. 66), revelando quantificação certa. O Decreto no 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece todos os seus prazos em dias, também com prazos certos e induvidosos. A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que “imediatamente após” não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10715.006280/200911 Acórdão n.º 320200.364 S3C2T2 Fl. 119 7 Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão “imediatamente após” não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria” não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Como parte dos fatos que originaram este processo ocorreu entre 6/2/2005 e 11/2/2005, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, “a”, da Constituição Federal e pelo art. 2o, parágrafo único, XIII, da Lei no 9.784/1999, que rege o processo administrativo. Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. No caso em exame, verificase que o Auto de Infração compreende, também, embarques ocorridos entre 17/2/2005 e 28/2/2005, datas em que já se encontrava em vigor a referida IN SRF no 510/2005. Decorre, daí, que a tipificação arguida no Auto de Infração foi correta para o caso de inobservância do referido ato normativo, no que respeita aos fatos ocorridos nesse período. A alegada existência de inconsistências do Siscomex e de dificuldades nos registros não pode ser aceita como prejudicial à obrigação estabelecida no ato normativo em questão, visto que, mesmo existentes, tais falhas ou erros de sistema não resultam em impossibilidade absoluta de cumprimento da referida obrigação. No caso presente, se existente situação concreta que venha a ser considerada pela empresa autuada como prejudicial ao cumprimento de sua obrigação, o remédio cabível é a indicação do fato em todos os seus pormenores por ocasião de sua defesa, de forma a possibilitar o correto exame por parte da autoridade julgadora da ação fiscal, e não a apresentação de citações genéricas e abrangentes que não especifiquem perfeitamente o erro fiscal. De outra parte, a infração não se classifica dentre as que comportam alegação de espontaneidade, visto que referese à cominação de penalidade prevista em lei por inobservância de obrigação acessória relacionada ao cumprimento de prazo. A alegação da Fl. 139DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 8 recorrente sugeriria a instituição de um de controle diário por parte do Fisco sobre as obrigações imputadas aos responsáveis pelas informações de embarque, o que não tem qualquer fundamento ou viabilidade funcional, razão pela qual não há de ser acolhida. Já as alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da finalidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Demais, verificase que a matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No caso em exame, o lançamento da multa atevese aos regramentos previstos na legislação da espécie, tendo a multa sido corretamente exigida em vista de ocorrência de atraso no registro no Siscomex das informações sobre dados de embarque na exportação, infração que foi apenada com a multa prevista em lei vigente, descabendo a este Colegiado pronunciarse sobre os aspectos extrínsecos da pena, mas tão somente sobre sua aplicação no caso em que se constatar a infração. Aplicação da multa – Retroatividade de norma mais benigna Pelo exposto, verificase que, no que respeita à parte final das ocorrências, a exigência fiscal foi objeto de correta apuração e lançamento à época de sua formalização, de forma a preencher os requisitos essenciais que lhe dão eficácia e validade, restando correta a cominação da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/1966, pelo descumprimento da obrigação estabelecida no art. 37 da IN SRF no 28/1994, na redação dada pela IN SRF no 510/2005, por infração cometida em cada voo. Entretanto, o referido art. 37 da IN SRF no 28/1994 foi novamente alterado, dessa vez pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010 (DOU 14/12/2010), que aumentou o prazo para a apresentação de dados pertinentes ao embarque para 7 (sete) dias, verbis: “Art. 1º Os arts. 37, 41 e 52 da Instrução Normativa SRF no 28, de 27 de abril de 1994, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque.” (destaquei) Desse modo, em se tratando de processo pendente de julgamento, há que se aplicar retroativamente a norma benigna, como previsto no art. 106, II, “a” e “b”, do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 140DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10715.006280/200911 Acórdão n.º 320200.364 S3C2T2 Fl. 120 9 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; (...)” Destarte, diante da existência do novo ato normativo e do dispositivo benigno de aplicação retroativa acima transcrito, há que se considerar neste julgamento o prazo de 7 (sete) dias para efeitos de cumprimento dessa obrigação acessória. Tendo como base o quadro em anexo (fls. 10/11) ao Auto de Infração, e aplicado esse novo prazo, devem ser tidas por intempestivas as informações referentes aos embarques de mercadorias correspondentes aos voos TAP 177 de 22/2 e TAP 182 de 21/2, 23/2, 26/2, 27/2 e 28/2/2005, que extrapolaram esse prazo (6 voos), devendo ser mantidas as multas correspondentes cominadas pelo Fisco. Diante do exposto, voto por que seja dado provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do crédito tributário as 8 (oito) multas restantes, no valor de R$ 5.000,00 cada. O pedido de relevação de penalidade feito pelo contribuinte com base no que dispõe o art. 4o do Decretolei no 1.042, de 1969 (art. 736 do Decreto no 6.759, de 2009 – Regulamento Aduaneiro) é matéria distinta e que não se confunde com o mérito do processo. Tratase de pedido cuja competência para apreciação foi conferida por lei ao Ministro de Estado da Fazenda, que a delegou ao Secretário da Receita Federal do Brasil como se verifica do item I, “f”, da Portaria MF no 214, de 1979, razão por que o processo deverá ser encaminhado a essa autoridade para apreciação, após findar o contencioso administrativo. José Luiz Novo Rossari Fl. 141DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 10120.000897/2003-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples.
Período de apuração: 01/11/2000 a 31/12/2000
EMENTA: SIMPLES. EXISTÊNCIA DE DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. EXCLUSÃO. PAGAMENTO POSTERIOR, IRRELEVÂNCIA.
O pagamento dos débitos inscritos em Dívida Ativa da União,
ocorrido posteriormente à exclusão do contribuinte do Simples,
com fundamento no artigo 9°, inciso XV, da Lei n° 9.317/96, não
tem o condão de revogar tal exclusão, sob pena de ferir os
princípios da legalidade e da segurança jurídica.
Numero da decisão: 9101-000.882
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno PorteSimples. Período de apuração: 01/11/2000 a 31/12/2000 EMENTA: SIMPLES. EXISTÊNCIA DE DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. EXCLUSÃO. PAGAMENTO POSTERIOR, IRRELEVÂNCIA. O pagamento dos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, ocorrido posteriormente à exclusão do contribuinte do Simples, com fundamento no artigo 9°, inciso XV, da Lei n° 9.317/96, não tem o condão de revogar tal exclusão, sob pena de ferir os princípios da legalidade e da segurança jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 241DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10120.000897/200310 Acórdão n.º 9101000.882 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Candido, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Claudemir Rodrigues Malaquias, Leonardo de Andrade Couto, Antonio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O contribuinte foi excluído do SIMPLES, pela ocorrência de condição vedada prevista no artigo 9°, inciso XV, da Lei n° 9.317/96 (XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa), relativamente ao período de 01/11/2000 a 31/12/2000. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 01/03 dos autos. Às fls. 37, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF de GoiâniaGO, propôs a manutenção do Ato Declaratório de exclusão, sob o fundamento de que a extinção do débito inscrito em dívida ativa, pelo pagamento, somente veio a ocorrer posteriormente à exclusão. Às fls. 43/46 dos autos reiterou a alegação de que não fora cientificado do Ato Declaratório de Exclusão do Simples. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, às fls. 56/58 dos autos, indeferiu a solicitação do contribuinte, nos seguintes termos: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Período de Apuração: 01/11/2000 a 31/12/2000. Ementa: Exclusão do Simples Condição vedada. A pessoa jurídica inscrita na Dívida Ativa da União ou do INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa, não pode optar pelo Simples. Solicitação indeferida. O contribuinte, então, interpôs recurso voluntário às fls. 66/70 dos autos. Alegou que: 1. A contribuinte sempre primou pelo adimplemento de suas obrigações fiscais, junto às fazendas Municipal, Estadual e Federal, conforme demonstrado pelas certidões negativas de débitos acostadas aos autos. Fl. 242DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10120.000897/200310 Acórdão n.º 9101000.882 CSRFT1 Fl. 3 3 2. No ano de 2000, a interessada pagou de imposto do Simples o montante de R$ 45.146,52, tendo sido excluída daquela sistemática de tributação por não ter pago uma guia no valor de R$ 12,18, valor que se confirmou com o despacho final do processo n°10120.000348/2004 26, que revisou os débitos que se encontravam inscritos em Divida Ativa da Unido na inscrição n° 11.603.007148 02. 3. Não é crivel que uma empresa que pagou R$ 45.146,52 tenha deixado de recolher R$ 12,18, sabendo que poderia ser excluída de um sistema de pagamento de impostos simplificado e que as conseqüências de tal ato inviabilizariam seu empreendimento. 4. Afirmamos que tal fato seria, no mínimo, uma incoerência administrativa, pois o empresário que se esforça de todas as formas para se manter adimplente, não deixaria de pagar uma guia de valor tão ínfimo, em relação aos valores recolhidos. 5. O que ocorreu foi uma sucessão de pequenas falhas, das quais se cita: falha do profissional contábil, seguida de falha da empregada da empresa que não entregou em fanga() oportuno a notificação de exclusão do Simples, impedindo a empresa de se defender e até mesmo de liquidar a pendência, o que ocorreu quando a mesma ficou sabendo do débito. 6. E mais, após ser excluído do Simples, o recorrente se viu impedido de fazer nova opção, pelo fato de constar inscrição de débito junto à PGFN, além da Secretaria da Receita Federal ter gerado débitos administrativos por falta de apresentação de DCTF, motivo pelo qual só conseguiu proceder à opção em janeiro de 2005. 7. Requer, pelo exposto, que seja reformado o acórdão em apreço para cancelar a exclusão da empresa do Simples; promovendose a opção da contribuinte de oficio, referente ao período de 01/01/2001a 31/12/2004, pois a mesma já vem recolhendo seus impostos dessa forma, além de ter sido impedida de proceder a opção pelos fatos descritos A antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, às fls. 83/90 dos autos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Período de apuração: 01/11/2000 a 31/12/2000. Ementa: EXCLUSÃO POR DÉBITOS JUNTO À PGFN. REGULARIZAÇÃO. A regularização fiscal tributária perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, dos débitos em aberto, descaracteriza a hipótese de vedação à inclusão no Simples prevista nos incisos XV e XVI, do art. 9° da Lei n° 9.317/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO”. Fl. 243DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10120.000897/200310 Acórdão n.º 9101000.882 CSRFT1 Fl. 4 4 A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial (fls. 92/95), com base em violação à legislação tributária. Defendeu a legitimidade da exclusão, tendo em vista que o contribuinte não logrou demonstrar a inexistência dos pressupostos fáticos que constituíram a motivação do Ato Declaratório de Exclusão, consistente na pendência junto à PGFN. O contribuinte apresentou suas contrarazões às fls. 102/105 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente baseouse na violação, por parte da decisão recorrida, à legislação tributária. No caso, o contribuinte foi excluído do Simples, no que tange ao período de 01/11/2000 a 31/12/2000, com base no artigo 9°, inciso XV, da Lei n° 9.317/96, por haver, em seu nome, débitos inscritos na Dívida Ativa da União ou do INSS, sem suspensão da respectiva exigibilidade. Entendeuse, no acórdão recorrido, que o fato de o contribuinte ter regularizado a sua situação fiscal perante a Procuradoria da Fazenda Nacional, ainda que após o Ato Declaratório de Exclusão do Simples, descaracteriza a hipótese de vedação à inclusão no sistema de pagamento, prevista nos incisos XV e XVI do artigo 9° da Lei n° 9.317/96. O que se deve decidir, desta forma, é se tal decisão violou, conforme argüido pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o artigo 9°, inciso XV, da Lei n° 9.317/96. Penso que sim. Com efeito, o que motivou a exclusão do contribuinte do Simples, no período de 01/11/2000 a 31/12/2000, foi a existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, sem que a respectiva exigibilidade estivesse suspensa. O artigo 9° da Lei n° 9.317/96 estabelece, em seu inciso XV: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Fl. 244DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10120.000897/200310 Acórdão n.º 9101000.882 CSRFT1 Fl. 5 5 A vedação, destarte, é expressa e clara. O fato de o contribuinte ter regularizado a sua situação fiscal após a respectiva exclusão não apresenta como conseqüência legal a desconsideração do período em que os débitos existiam, e em que, portanto, o contribuinte não poderia estar inserido no Simples. Perfilharse ao entendimento externado no âmbito do acórdão recorrido, importaria aquiescer como uma inadmissível inovação no ordenamento jurídico, por parte deste tribunal administrativo. À regularização fiscal, realmente, não se pode atribuir um efeito retroativo e revocatório do ato que excluiu o contribuinte do Simples, sob pena se ferir os princípios da legalidade e da segurança jurídica. O princípio da legalidade, como se sabe, no que concerne à Administração Pública, importa em determinarse a esta que somente aja nos estritos termos do estabelecido no ordenamento jurídico. Não pode, este Tribunal Administrativo, ao interpretar a lei, especificamente, no caso, o artigo 9°, inciso XV, da Lei n° 9.317/96, desbordar da “moldura”, como dizia Kelsen, que dela se extrai. E óbvio que, em face da disposição acima transcrita, conferirlhe a interpretação dada pelo órgão julgador a quo, consubstancia ir além do que a lei permite; importa inovação no ordenamento jurídico, inovação essa contra legem. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para o fim de restaurar a decisão de primeiro grau. Sala das Sessões, em 22 de fevereiro de 2011.22 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 245DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 10768.020014/00-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998, 1999
NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CONTRADIÇÃO INTERNA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
É nula a decisão que apresenta contradição interna ou a que apresenta deficiencia na fundamentação que prejudique o direito de defesa.
Numero da decisão: 1101-000.576
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
ANULAR, por vicio material, a decisão da DRF, que deverá tomar as providências decorrentes da declaração de nulidade e dos pedidos do contribuinte.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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VALMAR FONSE NEZES - Presidente. CARLOS EDUARD E ALMEIDA GUERREIRO - Relator. SI-CITI Fl. 713 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10768.020014/00-50 Recurso n° Voluntário Acórdão no 1101-00.576 — la Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2011 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente Lutz Ferrando Ótica e Instrumental Cientifico S.A. Recorrida la Turma da DRJ I no Rio de Janeiro ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998, 1999 NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CONTRADIÇÃO INTERNA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. É nula a decisão que apresenta contradição interna ou a que apresenta deficiencia na fundamentação que prejudique o direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR, por vicio material, a decisão da DRF, que deverá tomar as providências decorrentes da declaração de nulidade e dos pedidos do contribuinte. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Diniz Raposo e Silva, Edeli Pereira Bessa, e José Ricardo da Silva (vice-presidente). 1 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de despacho decisório que não homologa declaração de compensação. Em 13/10/2000, o contribuinte apresentou pedido de restituição (proc. fl. 3). No seu pedido, informa que seu crédito decorre de R$ 23.669,17 de IRRF sobre operações financeiras do ano de 1998 e de R$ 73.355,25 de IRRF sobre operações financeiras do ano de 1999, totalizando R$ 97.024,24. Em 26/07/2005, a DRF explica que (proc. fl. 145): Versa o presente processo sobre Pedido de Restituição, fls. 03 e Pedido de Compensação, fls. 80, 82, 83, 91, 103, deste processo e fls. 02 do processo apensado n° 13710.002666/2004-70, no qual a interessada alega possuir crédito referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF ano:calendário de 1998 e 1999, no valor de R$ 97.024,42, a ser compensado com débitos de PIS E COFINS. Acontece que IRRF é antecipação do devido e que somente no caso de se apurar saldo negativo de IRPJ é que se pode falar em crédito passível de compensação (art. 5°/IN 460/04). Também se constatou no Sistema DIPJ/99 o saldo negativo de R$ 310.353,39 e DIPJ/2000 o saldo negativo de R$ 323.105,86. Com efeito, para análise da compensação pleiteada pela interessada, de modo a apurar a liquidez e certeza do crédito que alega ser detentora, e o conseqüente reconhecimento de seu direito creditório, faz-se necessário verificar a exatidão das informações constantes das declarações de rendimentos apresentadas, confrontando-se os valores nelas constantes com os registros do LAL UR, das demonstrações financeiras e de quaisquer outros assentamentos, informações e dados, efetuados com base nas documentações pertinentes. Com essas alegações e afirmando que não há nos autos elementos suficientes para ter convicção do montante pleiteado pelo contribuinte, a DIORT da DRF RJ propõe que seja feita diligência fiscal no estabelecimento da interessada para determinar o saldo efetivo do IRPJ do ano-calendário de 1999 (se imposto a pagar ou saldo negativo) e se eventual saldo negativo já foi utilizado em períodos subsequentes. Em 09/02/2007, o contribuinte solicita, por meio de correspondência, a retificação dos valores que pede restituição, visando reduzir de R$ 23.669,17 para R$ 18.903,05 o valor correspondente ao ano-calendário de 1998, e de R$ 73.355,25 para R$ 50.882,95 o valor correspondente ao ano-calendário de 1999 (proc. fls. 166 e 168). 0 contribuinte informa que a razão da retificação é a alteração dos saldos negativos desses anos. Também informa os montantes destes saldos negativos já solicitados em outros processos, de sorte a explicar o montante correspondente ao presente processo. 0 contribuinte ainda relembra pleito anterior para que o presente processo seja encaminhado para fiscalização a fim de 2 Processo n° 10768.020014/00-50 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.576 Fl. 714 examinar a matéria, em razão de já estar sobre procedimento fiscal relativo ao processo n° 10768.011965/00-19, que versa sobre a mesma matéria. Em 26/06/2007, parecer conclusivo propõe que o contribuinte seja cientificado do prosseguimento da cobrança dos débitos confessados em DCTF e Dcomp, indevidamente compensados, como diz demonstrar nas folhas 226 e 227 (proc. fls. 229 a 231). Inicialmente, a autoridade explica as diversas alterações do pedido de compensação feito pelo contribuinte. Diz que estas alterações culminam com a petição protocolada em 25/08/2004, pela qual altera os débitos, e com a Dcomp retificadora datada de 20/08/2004 (proc. fl. 103). Explica que existem 2 outros processos apensos, que tratam de compensação do mesmo crédito pleiteado no presente processo. Narra que: O crédito em questão, no valor de R$ 97.024,42 (noventa e sete mil e vinte e quatro reais e quarenta e dois centavos) seria relativo a IRRF sobre aplicações financeiras relativas aos anos calendário de 1998 e 1999 conforme se pode verificar através de planilha de fls. 08 e extratos emitidos por instituições financeiras de fls. 09/59. Esclareça-se que o pretendido é a restituição do saldo negativo do IRPJ apurado com base no lucro real na declaração de ajuste anual e não a restituição do imposto de renda retido na fonte no curso de 1998 e 1999, o qual, incorrido sobre as hipóteses de incidência legalmente previstas e não somente sobre aplicações financeiras, e, sob certas condições, só é dedutivel como antecipação do devido na declaração quando as correspondentes receitas e rendimentos são nela oferecidos tributação. A autoridade fiscal ainda explica que: Pode-se verificar em cópia de Parecer Conclusivo/Despacho Decisório Eqpei/Dior/Derat/Rj de fls. 219/224, que os saldos negativos de IRPJ de que tratam o presente processo, relativos aos anos-calendário de 1998 e 1999, exercícios de 1999 e 2000, respectivamente, já foram analisados no PA n° 10768.15334/2001-59, no qual, não foi reconhecido o direito creditório, sendo indeferida a restituição pleiteada e conseqüentemente, não homologadas as compensações efetuadas. Conclui que o mesmo crédito pedido no presente processo já foi objeto de análise em outro processo, onde não foi reconhecido como passível de restituição para aproveitamento em compensação. Em razão disto, propõe que não se homologue as compensações dos processos 13710.002666/2004-70 e 13710.000693/2004-16, e que cientifique da cobrança dos débitos informados em DCTF e Dcomp, conforme folhas 225 a 228. A DRF manifesta-se com as seguintes palavras: Conforme acima se expôs, já tendo sido o crédito em questão objeto de análise em processo anterior, não tendo sido o mesmo reconhecido como passível de restituição 3 para aproveitamento em compensação pela interessada, proponho que NÃO SE HOMOLOGUE A COMPENSACAO objeto das DCOMP de fls. 80, 82, 83, 91, fls. 02 do PA n°. 13710.002666/2004-70, conforme tabela de fls 225/227, e, fls. 03/04 e 20 do PA n° 13710.000693/2004-16, e ainda, o encaminhamento deste processo ao Eqcac para cientificar a interessada e prosseguimento na cobrança dos débitos confessados em DCTF e débitos confessados em DCOMP, indevidamente compensados, conforme demonstrado em planilha 2 de fls.226/227, e fls 03 / 04 do PA n°13710.000693/2004-16... Em 29/08/2007, despacho decisório não homologa as Dcomps constantes nas folhas 80, 82, 83 e 91, as vinculadas aos processos 13710.002666/2004-70 e 13710.000693/2004-16 e determina a cientificação dos débitos declarados em DCTF e Dcomp, conforme demonstrado nas folhas 226 e 227 (proc. fl. 232). Em 03/09/2007, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 233). Em 25/09/2007, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (proc. fls. 238 a 260). O contribuinte argumenta que o decisão da DRF não considerou em nada o parecer constante do relatório fiscal lavrado em 28/05/2007, relativo ao processo 10768.011965/00-19, que versa sobre a mesma matéria objeto do presente processo, e junta tal relatório aos autos (proc. fls. 262 a 266). Diz que, em 28/06/2006, solicitou que a diligencia referente ao processo 10768.011965/00-19 fosse estendida ao presente processo, já que o objeto dos dois processos eram idênticos (proc. fl. 231). Afirma que o resultado da diligencia é favorável ao seu pleito e que, por isso, não podia ser ignorada. O contribuinte também alega que o único fundamento da decisão foi de que a matéria já havia sido tratada no processo 10768.015334/2001-59. Explica que tal processo ainda aguarda por decisão de segunda instância administrativa, de sorte a não haver uma decisão definitiva. Explica seu pleito, informando que é fruto do saldo negativo de IRPJ nos anos-calendários de 1998 e 1999, após procedidas as deduções de IRRF, ocorridas em razão de aplicações financeiras e vendas efetuadas para órgãos públicos. Informa que seu pedido de restituição inicial montava a R$ 97.024,42, mas que por meio de petição datada de 07/02/2007 reduziu o valor para R$ 69.786,00. Informa que a retificação decorreu de auditoria que visou corrigir os problemas detectados no processo 10768.015334/2001-59, que trata da mesma matéria e no mesmo período. Adiciona que apesar da coincidência de matéria e período, o presente processo não repete o pleito constante do processo 10768.015334/2001-59. esclarece a situação com o seguinte quadro: Ano Calendário de 1998 — Exercício de 1999 I) Saldo Negativo Apurado: R$ 58.753,11 II) Credito Pleiteado: 4 Processo n° 10768.020014/00-50 Acórdão n.° 1101-00.576 SI-CITI Fl. 715 Processo n°10768.011965/00-19 R$ 21.570,46 Processo n°10768.015334/2001-59 R$ 18.279,60 Processo n°10768.020014/00-50 R$ 18.903,05 Total R$ 58.753,11 Ano Calendário de 1999 — Exercício de 2000 I) Saldo Negativo Apurado: R$ 108.076,74 II) Credito Pleiteado: Processo n°10768.015334/2001-59 R$ 57.193,79 Processo n°10768.020014/00-50 R$ 50.882,95 Total R$ 108.076,74 Alega que a decisão da DRF não analisou o mério da questão e que teve por fundamento um único argumento, que foi o de haver processo similar indeferido. Argumenta que em razão desta deficiencia na fundamentação não sabe sequer como recorrer da mesma, pois não sabe o que refutar. Destaca que o processo tomado como similar ainda está em julgamento administrativo. Informa que, quando do julgamento processo 10768.015334/2001- 59 em l a instancia, entendeu-se que o direito não estava devidamente comprovado. Diz que, em razão da negativa no processo 10768.015334/2001-59, efetuou auditoria que implicou na retificação de sua DIPJ do ano-calendário de 1998 e 1999, e ensejou os aditamentos nos processos 10768.015334/2001-59 e 10768.020014/00-50 (proc. fls. 270 a 274), não analisados no parecer conclusivo. No que tange as declarações de compensação controladas nos processos 13710.000693/2004-16, de 12/03/2004, e 13710.002666/2004, de 01/09/2004, diz que não podem ser exigidas porque foram canceladas em 10/10/2004. Esclarece que cancelou via papel e substituiu por PER/Dcomp eletrônico, que passaram a utilizar créditos distintos dos usados no presente processo. Já no que tange a declarações de compensação efetuadas em 19/09/2001, informa que sofreram cancelamento parcial em 12/03/2004. Diz que o prazo de 5 anos já expirou. Em 05/02/2009, a l a Turma da DRJ I no Rio de Janeiro não reconhece o direito creditório e, por conseguinte, não homologa a compensação pleiteada (proc. fls. 615 a 619). Diz que a manifestação versa contra despacho decisório e parecer conclusivo (proc. fls. 229 a 232) que não homologou compensação, em razão do direito credit6rio pleiteado não ter sido reconhecido anteriormente, conforme despacho decisório e parecer conclusivo no processo 10768.015334/2001-59 (proc. fls. 219 a 224). Diz que o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra a decisão referente ao processo 10768.015334/2001-59 e que esta foi julgada em 21/12/2006, desfavoravelmente ao contribuinte, que apresentou recurso voluntário. Conclui que "quanto ao direito creditório alegado, considerando que se trata do mesmo anteriormente analisado no processo n° 10768.015334/2001-59, não cabe a 5 este órgão de julgamento, da mesma forma que não coube a Derat/Rjo, apreciá-lo nestes autos, uma vez que já existe decisão administrativa dessa instância que não o reconheceu". Adiciona que: Não é possível fragmentar o saldo negativo de IRPJ de determinado ano calendário em diversos pedidos de restituição. 0 saldo negativo de IRPJ representa um encontro de contas no encerramento do período, em que se apura o imposto devido, assim consideradas todas as receitas tributáveis auferidas pela pessoa jurídica, e deduz-se, dentre outros, o imposto pago por estimativa e o imposto de renda na fonte compensável no ajuste. A fragmentação de um mesmo saldo credor em vários pedidos de restituição, como pretende a interessada, além de difícil operacionalidade, promoveria a possibilidade de decisões contraditórias em diferentes análises. No presente caso, por exemplo, poderia ocorrer desta Turma de Julgamento reconhecer o direito creditório pleiteado e o Conselho de Contribuintes não fazê-lo no processo n° 10768.015334/2001-59. A possibilidade de decisões contraditórias sobre o mesmo direito creditório não pode ser admitida. Por esse motivo, deve ser observada a Portaria RFB n° 666/2008, que transcrevo em parte: Art. 10 Serão objeto de um único processo administrativo: (...) IV - os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas;(...) 4° As DComp baseadas em crédito constante de pedido de restituição ou ressarcimento indeferido ou em compensação não homologada pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), apresentadas após o indeferimento ou não-homologação, serão objeto de processos distintos daquele em que foi prolatada adecisão (...) Art. 3° Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1°, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. Assim, correta a autoridade administrativa da Derat/Rjo .,em não adentrar no mérito da questão, uma vez que já decidido por esta Turma de Julgamento no processo n° 10768.015334/2001- 59. . . Qualquer fundamento novo trazido pela interessada, inclusive o Relatório Fiscal juntado as fls. 262 a 267, deve ser conhecido pelo Conselho de Contribuintes que tem, nessa fase processual, competência para decidir sobre a existência ou inexistência do direito creditório pleiteado. Cabe observar que a própria interessada informa ter juntado o referido relatório como aditivo as suas razões no processo n° 10768.015334/2001-59. Conclui-se que deve prevalecer, no presente processo, o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, uma vez que já 6 Processo n° 10768.020014/00-50 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.576 Fl. 716 decidido pela Derat/Rjo e por esta Turma de Julgamento no processo n° 10768.015334/2001-59. A decisão ainda determina que o contribuinte seja cientificado e que, se apresentar recurso voluntário, o presente processo seja anexado ao processo 10768.015334/2001-59, se este ainda estiver pendente de julgamento no CARF, com vistas a possibilitar uma única apreciação. Em 23/10/2009, o contribuinte é cientificado da decisão (proc. fls. 670 e 671). Em 19/11/2009, o contribuinte apresenta recurso voluntário (proc. fls. 674 a 703). 0 contribuinte repete os mesmos argumentos da sua manifestação de inconformidade, adicionando que houve contradição interna na decisão e que informou no processo 10768.015334/2001-59 que havia outro processo de matéria idêntica. 0 contribuinte ainda informa que a fiscalização entendeu que "no anos- calendários de 1997, 1998 e 1999 o contribuinte manteve ao respectivos saldos negativos de Imposto de Renda nos montantes de R$ 214.013,99; R$ 53.369,43 e R$ 108.107,02", conforme relatório fiscal. Diz que essa conclusões do Fisco repercutem na matéria objeto deste processo e não podem ser desconsideradas por excesso de formalismo. Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Relator. 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. relevante notar que, apesar dos pedidos do contribuinte fazerem referencia ao IRRF, como origem de seu crédito, a DRF considerou, corretamente, que se tratava de pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ e assim tratou a matéria. Tal fato fica patente na seguinte passagem do parecer conclusivo (proc. fls. 229 a 231): "Esclareça-se que o pretendido é a restituição do saldo negativo do IRPJ apurado com base no lucro real na declaração de ajuste anual e não a restituição do imposto de renda retido na fonte no curso de 1998 e 1999, o qual só é dedutivel como antecipação do devido na declaração quando as correspondentes receitas e rendimentos são nela oferecidos a tributação". Por outro lado, cabe notar que, inicialmente, em 26/07/2005, a DRF informa que consta dos sistemas da Receita Federal que a empresa tem saldo negativo suficiente para atender o pedido de restituição e compensação, mas que, em razão da legislação vigente, para reconhecer o crédito, é preciso que se efetue diligencia no estabelecimento do contribuinte, para garantir a certeza e liquidez do crédito (proc. fl. 145). No entanto, aparentemente, em 25/08/2005, a DRF decide não efetuar a diligência (proc. fl. 147). Em 28/06/2006, o contribuinte informa à DRF que está sob procedimento fiscal, em razão do processo 10768.011965/00-19, que versa sobre o mesmo assunto, motivo pelo qual pede que a diligência fiscal alcance também a matéria do presente processo (proc. fl. 149). Em 07/03/2007, considerando que o contribuinte está sob procedimento fiscal, com a finalidade de verificar o saldo negativo de IRPJ dos anos-calendários de 1997 a 1999 (assunto identico ao do presente processo), a DRF sugere que este processo seja encaminhado para a fiscalização, a fim de aguardar o resultado do trabalho fiscal (proc. fl. 172). 7 Não obstante o interesse manifestado pela própria DRF, em verificar, por diligência, se o crédito pleiteado era pertinente, já que o saldo negativo de IRPJ constante de seus sistemas admitia com folga o pleito do contribuinte, a decisão sobre o pedido de restituição e de compensação se abstraiu por completo de qualquer exame da matéria, feito pela fiscalização em diligência fiscal no processo 10768.011965/00-19. De fato, a decisão sobre o pleito no presente processo se baseou exclusivamente na circunstância de o direito creditório pleiteado no processo 10768.015334/2001-59 não ter sido reconhecido (processo este que também versava sobre o saldo negativo dos anos-calendários de 1998 e 1999, mas que não foi objeto de diligência). Frente a esta situação, o contribuinte diz que a DRF não chegou sequer a examinar o mérito de seu pedido e que se reportou a decisão de outro processo. Diz que, em razão desta forma de decidir, não sabe sequer como recorrer, já que não sabe o que refutar. Deste modo, inicialmente, cabe verificar a hipótese de nulidade do ato. Da leitura dos autos, fica evidente que a DRF sabia que este e outros processos tinham por base o mesmo direito creditório (saldo negativo de IRPJ de 1998 e 1999), que estava sendo solicitado por partes e em processos diferentes, tal como o contribuinte veio a enfatizar na sua manifestação de inconformidade. Nessas circunstâncias, e considerando que os processos são contemporâneos, a DRF deveria, por exemplo: 1°) ou ter feito a juntada dos processos para submete-los a um único exame e um único eventual julgamento administrativo; 2°) ou, se a juntada não mais fosse possível, ter demonstrado a identidade plena dos processos, inclusive de todos os elementos de prova trazidos em cada um deles, para reportar-se, retratar e adotar na integra decisão de um deles, proferida anteriormente, mas também manifestar-se sobre as especificidades do processo; 3 0) ou julga-los individualmente, se acaso entendesse haver elementos específicos em cada processo que permitisse decisões especificas. Mas, a DRF não escolheu nenhuma dessas soluções e, simplesmente, considerou já resolvido em outro processo que o crédito pleiteado não era liquido e certo. Fez isso sem efetuar qualquer exame sobre a matéria. Deste modo, a DRF não analisou o mérito, nem os elementos de prova trazidos no presente processo, e o único fundamento que dá para a sua decisão é a menção a uma decisão alienígena, tomada com base em elementos estranhos ao processo. Além disso, cabe lembrar que a própria DRF reconheceu inicialmente que os sistemas da Receita indicavam saldo negativo de IRPJ suficiente para o pleito. Assim, embora a DRF tenha se manifestado pela verificação da exatidão destas informações, acabou sem efetuá-la e decidiu contrariamente às suas próprias afirmações, alegando apenas a existência de decisão sobre a matéria em outro processo. Com isso, resta uma contradição entre as premissas e as conclusões, pois a um passo afirma a possibilidade de existência de saldo devedor e a outro passo, sem efetuar algum exame, afirma que não existe tal saldo. Deste modo, é impossível ao contribuinte saber qual é o fundamento da decisão que infirma seu crédito, ficando caracterizado o cerceamento de defesa. Em decorrência deste vicio, a decisão da DRF é nula. É importante ressaltar que a presente modalidade de cerceamento de defesa é bastante sutil, mas nem por isso inexistente. De fato, seria possível alegar não haver cerceamento de defesa porque a simples menção ao parecer do outro processo, junto com a constatação de que se trata do mesmo crédito (saldo negativo), permitiria que o contribuinte se defendesse adequadamente. 8 Processo n° 10768.020014/00-50 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-00.576 Fl. 717 Mas isso não consideraria o fato de que a decisão alienígena tem por base elementos de outro processo que não são reproduzidos neste processo e que ela não considera os elementos deste processo. Ademais, abstraindo-se da nulidade da solução adotada pela DRF e supondo- se a possibilidade de transladar para este processo as conclusões do parecer do processo 10768.015334/2001-59, analisando-se tal parecer, constata-se que sua conclusão também repousa em bases contraditórias e que ele não consegue infirmar a existência de saldo negativo de IRPJ nos anos de 1998 e 1999. Inclusive, também não determina o montante do saldo de IRPJ em questão. Conforme o parecer juntado (proc. fls. 219 a 224), o pleito do processo 10768.015334/2001-59 refere-se ao reconhecimento de R$ 147.995,24 de crédito, referente a retenções de IRRF sobre aplicações financeiras, efetuadas nos anos calendários de 1998 e 1999. Portanto, ambos os processos (o presente e o 10768.015334/2001-59) versam de fato sobre a mesma matéria (saldo negativo de IRPJ dos anos de 1998 e 1999). No parecer do processo 10768.015334/2001-59, também é informado que o contribuinte juntou os comprovantes de retenções do IRRF, fornecidos pelas fontes pagadores, cujos montante pretende obter para compensar seus débitos. Ainda, consta do parecer que os extratos obtidos nos sistemas da Receita Federal confirmam estes valores. Também, é explicado que, apesar do contribuinte solicitar o IRRF, ele deveria ter solicitado o eventual saldo negativo do IRPJ. Por fim, no processo 10768.015334/2001-59, a liquidez e certeza do saldo negativo pleiteado é refutada, por meio da seguinte análise: 1 - Quanto ao ano de 1998, conforme o parecer do processo 10768.015334/2001-59, os valores de IRRF informados na DIPJ foram de R$ 39.666,39 e R$ 304.035,67, enquanto os sistemas informam o montante de R$ 173.177,56. Além disso, teria havido lançamento de oficio de IRPJ neste ano, conforme o processo 15374.004855/2001-28, o que implicaria na inconsistência do saldo negativo, com a consequente inexistência do crédito pleiteado. 2 - Quanto ao ano de 1999, conforme o parecer do processo 10768.015334/2001-59, os valores de IRRF informados na DIPJ foram de R$ 344.200,62, enquanto os sistemas informam o montante de R$ 159.668,69. Porém, os elementos apresentados no parecer conclusivo do processo 10768.015334/2001-59 não logram infirmar o montante de saldo negativo pleiteado pelo contribuinte. Além disso, não é feita qualquer demonstração de qual seria o correto saldo de IRPJ nos anos de 1998 e 1999. De fato, as circunstâncias apontadas pela DRF no processo 10768.015334/2001-59 podem lançar dúvidas sobre a exatidão do saldo negativo declarado pelo contribuinte, na sua DIPJ, ou sobre o seu pedido de restituição. Mas, o fato da DRF ter dúvidas sobre a exatidão do valor declarado ou sobre a exatidão do valor pleiteado não permite que ela simplesmente indefira o pedido, alegando não existe liquidez e certeza. Para indeferir o pedido, seria preciso que a DRF tirasse suas dúvidas e apurasse com exatidão o saldo do IRPJ. Principalmente em casos como o presente, onde a 9 própria DRF afirma a existência de valores de IRRF em montante que poderia respaldar o saldo negativo pleiteado pelo contribuinte. 0 direito à restituição não é direito a repetir valor exato, mas sim direito a pedir restituição daquilo a que se faça jus. Se a DRF não concorda com o valor que o contribuinte pleiteia ou que declara, deve informar qual é o valor que ele tem direito. Se a DRF infirma o montante declarado, mas resta evidente a possibilidade de existência de saldo negativo, ou se esta possibilidade não foi totalmente refutada pela DRF, é preciso que a DRF apure e demonstre o saldo de IRPJ do contribuinte. Vale destacar também que, conforme se percebe no parecer do processo 10768.015334/2001-59, o contribuinte não se negou a fornecer qualquer elemento. Na verdade, o contribuinte sequer foi intimado a comprovar seu direito ou a apresentar algum documento. Assim a situação no processo 10768.015334/2001-59 diverge totalmente dos casos em que o contribuinte é intimado a comprovar o direito e não apresenta os elementos solicitados. Ora, quando o contribuinte não consegue apresentar os elementos comprobatórios de seu direito, a DRF pode alegar que o direito pleiteado não é liquido e certo. Mas, não é o que ocorreu no caso concreto. No caso em concreto, ocorreu exatamente o oposto. Como pode se ver, no correr do processo 10768.015334/2001-59, o próprio contribuinte solicita que a fiscalização verifique na sua contabilidade a procedência do seu pleito. Em resumo, no parecer do processo 10768.015334/2001-59, a análise feita pela DRF não excluiu a possibilidade de existência de saldo negativo, mas apenas colocou em dúvida a exatidão dos montantes declarados. Além disso, a DRF não fez qualquer solicitação ao contribuinte e não se preocupou em calcular ou apurar o efetivo saldo de IRPJ do contribuinte. Nessa situação, por sua própria omissão, a DRF não tem qualquer elemento de convicção sobre o crédito pleiteado. Deste modo, mesmo admitindo por hipótese de que a conclusão do parecer do processo 10768.015334/2001-59 pudesse ser transladada para o presente processo, vê-se que tal parecer não fornece uma avaliação segura sobre a situação que se propõe a analisar e não apresenta fundamentos válidos, pois decide com base em dúvidas. Ainda, cabe destacar que a DRF efetuou diligência no contribuinte, que embora seja relativa ao processo 10768.011965/00-19, versa sobre a mesma matéria objeto do presente processo (proc. fls. 262 a 266). 0 relatório fiscal foi lavrado em 28/05/2007, de sorte que poderia ter sido considerado pela DRF na análise do presente pleito. Inclusive, não é sequer explicado pela DRF porque ela opta por adotar a solução de outro processo, onde não foi feito nenhum exame capaz de confirmar as conclusões propostas, e abandone diligência especifica sobre a matéria feita pela própria fiscalização da DRF. Ora, considerando que a diligência da Receita confirma os saldos negativos alegados pelo contribuinte, a desconsideração desta informação deveria ser sobejamente justificada pela DRF. De fato, o relatório fiscal, fruto da diligência, anexado pelo contribuinte aos autos quando da sua manifestação de inconformidade e não contestado pela DRF, afirma a existência dos saldos negativos pleiteados pelo contribuinte nas suas retificações. Conforme o relatório, quanto ao ano-calendário de 1998, "mesmo com o aumento substancial de receita financeira que deixou de ser oferecida a tributação o sujeito passivo permaneceria com um SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA PARA 0 PERiODO DE R$ 59.369,43". 1 0 Processo n° 10768.020014/00-50 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.576 Fl. 718 Ainda, conforme o relatório, quanto ao ano-calendário de 1999, "diante dos novos valores apurados, o contribuinte permanece com o SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA no montante de R$ 108.107,02". Por todas estas razões, tal como alega o contribuinte, a decisão da DRF apresenta-se em um contexto de absoluta contradição de fatos e sem qualquer fundamento, o que implica na sua nulidade. Não fosse pouco, cabe destacar pouca clareza do parecer conclusivo, na forma como se expressa, o que dificulta a compreensão tanto do objeto analisado, como da própria conclusão, tornando mais difícil a defesa. Por exemplo, para descrever a matéria objeto de análise do presente processo, a DRF se manifesta da seguinte forma: Trata o presente de Pedido de Restituição de fls. 03 e Pedidos de Compensação de fls. 01, em fls. 02 cópia de fls 01, 68, 70, petição de desistência de compensação de fls. 71/72, em fls. 75 cópia de fls. 68, em fls. 76 cópia de fls. 70, em fls. 77 cópia de fls. 01, em fls. 78 consta pedido de compensação com mesmos débitos de fls. 01, 68 e 70, fls. 80, 82, 83, em fls. 87/88 pedido de cancelamento de compensação, em fls. 89 cópia de fls, 80, emfls. 90 cópia de fls. 82, em fls 91 cópia de Pedido de Compensação datado de 13/08/2001 cujo original não consta do presente, em fls. 92 cópia de fls. 83, em fls. 100/102 petição de alteração de valores de débitos, protocolizado em 25/08/2004, com juntada de DCOMP retificadora de fls. 103. Já para apresentar suas proposições o parecer se expressa da seguinte forma: Conforme acima se expôs, já tendo sido o crédito em questão objeto de análise em processo anterior, não tendo sido o mesmo reconhecido como passível de restituição para aproveitamento em compensação pela interessada, proponho que NÃO SE HOMOLOGUE A COMPENSAÇÃO objeto das DCOMP de fls. 80, 82, 83, 91, fls. 02 do PA n° 13710.002666/2004-70, conforme tabela de fls 225/227, e, fls. 03 / 04 e 20 do PA no. 13710.000693/2004-16, e ainda, o encaminhamento deste processo ao Eqcac para cientificar a interessada e prosseguimento da cobrança dos débitos confessados em DCTF e débitos confessados em DCOMP, indevidamente compensados, conforme demonstrado em planilha 2 de fls. 226/227, e fls. 03 / 04 do PA n° 13710.000693/2004-16, uma vez que todos os débitos informados em DCOMP entregues ou transmitidas a partir de 31/10/2003 são considerados confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débitos indevidamente compensados, conforme o determinado Por todas estas razões, o ato da DRF é praticado sem um fundamento válido e inviabiliza o direito de defesa. Não obstante, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando o cerceamento de defesa e apresentando todos os elementos que julgou trazer luz d. lide. 1 1 Na sequencia, a la Turma da DRJ I no Rio de Janeiro, manteve o ato da DRF, sob o argumento de que "quanto ao direito creditório alegado, considerando que se trata do mesmo anteriormente analisado no processo n° 10768.015334/2001-59, não cabe a este órgão de julgamento, da mesma forma que não coube a Derat/Rjo, apreciá-lo nestes autos, uma vez que já existe decisão administrativa dessa instância que não o reconheceu". Com isso, a DRJ se nega a analisar o caso e, ao adotar a decisão outro processo, padece do mesmo vicio da decisão da DRF, apontado anteriormente. Porém, a DRJ procura reforçar seu argumento alegando que o contribuinte não podia ter fragmentado seu saldo negativo em diversos pedidos de restituição. A DRJ explica que tal fragmentação tornaria possível a existência de decisões contraditórias, e isso não pode ser admitido. Inclusive, cita a Portaria RFB n° 666, de 2008, que determina a juntada de processos nestes casos. Conclui que foi correta a decisão da DRF pois o mérito da questão já havia sido decidido em outro processo e que os novos argumentos trazidos no presente processo só poderia ser conhecido pelo CARF. Abstraindo-se do equivoco da turma julgadora em pensar que a existência de manifestação da DRF sobre o processo 10768.015334/2001-59 torne definitiva a posição da Administração sobre o saldo negativo dos anos de 1998 e 1999, bem como dispense a DRF de manifestar-se de forma completa sobre o pleito veiculado pelo presente processo, percebe-se que a turma julgadora inovou na fundamentação do ato em julgamento. De fato, o argumento de que o contribuinte não pode pedir restituição de seu saldo negativo de modo fragmentado é estranho as razões de decidir da DRF e por isso não pode ser usado pela DRJ para manter ato da DRF, sob pena de estar inovando o ato, ao invés de julgá-lo. 0 fundamento para desconsiderar essa inovação trazida pela DRJ é que o rito do Decreto 70.235, de 1972, define a discussão administrativa como um processo de julgamento, que visa o controle da legalidade do ato administrativo e que se coloca como um método alternativo de solução de litígios. Deste modo, não cabe a revisão do ato em julgamento, entendida esta revisão como aperfeiçoamento do ato da DRF. Ou seja, instaurada a fase contenciosa da discussão administrativa só cabe o julgamento da lide e não a alteração de seus contornos fáticos ou jurídicos. A autoridade julgadora não pode inovar na acusação. Ela não pode trazer fatos novos e nem alterar a fundamentação jurídica do ato impugnado. Ela não pode revisar o lançamento ou o ato praticado pela DRF. Isso viola o rito estabelecido no Decreto n° 70.235, de 1972, esvazia as funções do julgamento administrativo, invade a competência da DRF, lesa os direitos do contribuinte, viola o regimento interno dos órgãos de julgamento que impede a inovação. Cabe destacar que neste aspecto (proibição de inovação, inclusive de argumentação jurídica) o julgamento administrativo difere substancialmente do julgamento judicial e a razão é simples. 0 objeto dos dois diferem radicalmente. No julgamento administrativo disciplinado no Decreto n° 70.235, de 1972, o que se julga é o ato administrativo trazido ao litígio (sua legalidade). Isso é bastante diferente de julgamentos judiciais, relativos a disputas sobre a existência de direito. Nesses, o que se julga é a existência de determinada relação jurídica e o Juiz pode trazer sua percepção jurídica sobre as relações jurídicas em análise, mesmo que não tenha sido suscitada por qualquer parte, pois o objeto do julgamento é a própria relação. Já no julgamento administrativo, não está em questão uma relação jurídica, mas a legalidade de um ato administrativo. Dessarte, no PAF, 12 Processo n° 10768.020014/00-50 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.576 Fl. 719 não cabe qualquer inovação nos fundamentos lógicos e jurídicos do ato julgado, pois é o ato com seus elementos integrantes que é julgado. Retomando a análise da decisão da DRJ, fica evidente que a DRJ adotou fundamentos absolutamente diferentes dos adotados pela DRF. Enquanto a DRF negou a restituição por entender que a matéria já havia sido decidida em outro processo, a DRJ entendeu que a negativa era viável alegando que o contribuinte não podia ter fragmentado seu saldo negativo em diversos pedidos de restituição. Ou seja, o ato foi mantido, não por seu fundamento original (que, diga-se, era inválido), mas por novo fundamento. Deste modo, a DRJ, longe de promover o controle de legalidade do ato administrativo (do ato da DRF) ou propiciar um julgamento para o contribuinte, acabou por dar um novo fundamento ao ato impugnado. Isso equivale a DRJ refazer o ato. Com isso, embora aproveitando parte do ato praticado pela DRF, a DRJ faz um ato novo, com base em fatos novos, em análise nova, em direito novo, e deve ser anulado por isso. Dito de outro modo, o processo de julgamento administrativo não pode pretender substituir a fase investigatória e nem a acusação pode ser feita, ou complementada, pela DRJ. Em razão da inovação, a decisão da DRJ também seria nula, se não o fosse antes a decisão da DRF. Também é improcedente que a turma julgadora atribua ao contribuinte a culpa pela existência de diversos processos versando sobre o mesmo crédito. Ora, tendo a DRF constatado que o saldo negativo era pleiteado por partes em diversos processo, poderia os ter juntado para uma única análise ou mesmo poderia ter indeferido o pleito alegando a impossibilidade de tal fragmentação. Porém, não tendo a DRF nem juntado e nem indeferido por causa da fragmentação, não cabe que a DRJ pretenda manter o ato da DRF alegando que a fragmentação feita pelo contribuinte propiciaria uma inadmissível possibilidade de decisões divergentes sobre a mesma matéria. Assim, também seria nula a decisão da DRJ, se já não o fosse a decisão da DRF. Por tais razões, voto por declarar nula, por vicio material, a decisão da DRF e propor o encaminhamento para a DRF para que esta tome as providências decorrentes da declaração de nulidade do despacho decisório e que proceda a análise dos pedidos do contribuinte. Sala das Sessões, 3 de outubro de 2011 arlos Eduardo,de eida Guerreiro - Relator 13
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Numero do processo: 10875.000746/2002-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 1997
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Comprovada a conversão do depósito judicial em renda da União. Extinção do crédito tributário nos
termos do inciso VI do art. 156 do CTN. Lançamento Improcedente.
JUROS MORATÓRIOS DEPÓSITOS JUDICIAIS
Não cabe aplicação de juros moratórios quando realizados depósitos judiciais suficientes e tempestivos.
Numero da decisão: 3102-001.149
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 1997 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Comprovada a conversão do depósito judicial em renda da União. Extinção do crédito tributário nos termos do inciso VI do art. 156 do CTN. Lançamento Improcedente. JUROS MORATÓRIOS DEPÓSITOS JUDICIAIS Não cabe aplicação de juros moratórios quando realizados depósitos judiciais suficientes e tempestivos.
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Extinção do crédito tributário nos termos do inciso VI do art. 156 do CTN. Lançamento Improcedente. JUROS MORATÓRIOS DEPÓSITOS JUDICIAIS Não cabe aplicação de juros moratórios quando realizados depósitos judiciais suficientes e tempestivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 16/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama (vicepresidente), Ricardo Paulo Rosa, Mara Cristina Sifuentes e Álvaro Almeida Filho. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório O recurso voluntário visa a reforma do acórdão nº 0524.622 da 5ª Turma da DRJ/CPS, que entendeu pela procedência em parte do lançamento. Observando o relato da decisão recorrida é possível constatar que: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, lavrado em 03/11/2001 (fls. 05), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 480.833,45, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não comprovação do processo judicial indicado para fins de suspensão da exigibilidade de débitos declarados para os períodos de janeiro a dezembro de 1997. Impugnando a exigência, foi protocolizada, em 11/01/2002, a peça de defesa de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/33, em que o interessado alega que: os valores exigidos foram depositados judicialmente, conforme guias de depósitos que apresenta às fls. 15/26; o processo judicial 95.00385104 encontrase em seu trâmite normal conforme cópia de certidão que apresenta, às fls. 27. Da referida certidão, emitida em 31/08/2001, extraise: "... ação ORDINÁRIA n° 95.385104, distribuída em 13/06/95, movida por ..., tendo por objeto que seja eximida do recolhimento da contribuição ao COFINS em decorrência de sua atividade de extração e comércio de minérios e, por conseqüência, ter declarado seu direito de compensar o que recolheu a este titulo com contribuições do PIS, INSS e Contribuição sobre o Lucro das Pessoas Jurídicas. ...a r. sentença julgou improcedente a ação; publicada em 31/05/99, foi interposto recurso de apelação do autor, .... o E., TRF da 3ª Região proferiu o r. despacho homologando a desistência do recurso de apelação, e que decorreu o prazo para manifestação das partes ... os autos aguardam conclusão para despacho ..." Analisada a impugnação ao auto de infração e a informação fiscal, decidiu a 4ª Turma da DRJ/CPS, pela procedência parcial do lançamento cancelando a multa de ofício sobre os valores depositados judicialmente, excluindo ainda a multa de mora, conforme demonstra ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. DEPÓSITO JUDICIAL AINDA NÃO CONVERTIDO EM RENDA QUANDO DO LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe a aplicação de multa de oficio na constituição do crédito tributário de períodos para os quais foram efetuados depósitos judiciais no montante integral do Fl. 108DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.000746/200258 Acórdão n.º 310201.149 S3C1T2 Fl. 91 3 tributo devido, bem como deve ser ela exonerada se não foi infirmada a causa suspensiva da exigibilidade do valor principal lançado. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com a decisão acima a contribuinte apresentou recurso voluntário alegando que: 1) Foi autuada para realizar o pagamento de COFINS do período de janeiro a dezembro de 1997, entretanto a exigibilidade do crédito estaria suspensa em razão dos depósitos realizados em juízo; 2) A DRJ exclui apenas o lançamento da multa de ofício, ao considerar que o contribuinte desistiu do processo judicial através de despacho publicado em 15/02/01, enquanto os depósitos apenas foram convertidos em renda em 29/05/2006, após o auto de infração; 3) O crédito tributário está extinto em razão da conversão dos depósitos em renda; 4) Não é devido juros moratórios, pois os depósitos suspendem a exigibilidade do crédito; É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira seção. A análise das razões recursais se restringe em identificar se o crédito tributário está extinto pela conversão dos depósitos judiciais em renda e se é devido juros moratórios. O auto de fls. 05 foi lavrado em 03/11/2001 em razão da não identificação do pagamento vinculado aos débitos de COFINS declarados nas DCTF’s do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do ano calendário de 1998, após decisão ora recorrida foi afastada a multa de ofício e de mora, remanescendo o valor do crédito principal de R$ 182.628,11(cento e oitenta e dois mil, seiscentos e vinte e oito reais e onze centavos) e o juros moratórios. De acordo com a certidão de fls. 27 expedida pela quarta vara cível federal, constatase que a recorrente propôs ação ordinária, autuada sob o nº 95.385104, visando o não recolhimento da COFINS, a qual foi julgada improcedente em 31/05/1999. Constatase ainda Fl. 109DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 que apesar de interposta apelação, houve a homologação da desistência do recurso e retorno dos autos a vara de origem. A recorrente demonstra através da guias de fls. 15/26 que efetuou os depósitos em conta vinculada, informação esta aferida pela própria delegacia de julgamento ao afirmar no acórdão recorrido que: Quanto aos depósitos judiciais, foram apresentadas cópias das correspondentes guias, relativas aos períodos de janeiro a dezembro/97 (fls. 15/26), vinculadas ao processo n° 95.0038510 4, o qual, de acordo com a referida certidão de fls. 27, tratase de Ação Ordinária pela qual pretendeu o contribuinte eximirse do recolhimento da contribuição ao COFINS em decorrência de sua atividade de extração e comércio de minérios e, por conseqüência, ter declarado seu direito de compensar o que recolheu a este titulo com contribuições do PIS, INSS e Contribuição sobre o Lucro das Pessoas Jurídicas. Confirmase nos sistemas informatizados da SRF que o contribuinte efetuou todos os depósitos em valores equivalentes àqueles declarados e, à exceção daqueles pertinentes a fevereiro/97 e dezembro/97, nas correspondentes datas de vencimento (fl. 51/55). Os depósitos foram efetuados na conta CEF n° 0265.005.001585676, na qual se encontra registro de saldo zero em 24/12/2008 (fls. 50) e Levantamento total pela União (LTU) em 29/05/2006 no valor de R$ 645.905,03 (fls. 51). Para os períodos de fevereiro e dezembro/97, cujos vencimentos ocorreram respectivamente em 10/03/97 e 09/01/98 (fls. 11), as autenticações mecânicas constantes das cópias das guias e o extrato da conta indicam as datas de depósito em 13/03/97 (fls. 16 e 53) e 12/01/98 (fls. 26 e 51). Contudo, confirmada a existência do depósito judicial, não seria possível inovar a presente exigência para imputar os efeitos de seu eventual atraso. Como demonstrado, os depósitos foram efetuados nos respectivos vencimentos e em 29/05/2006 os valores foram levantados pela União, assim sendo, aferido que os mesmos correspondem ao montante integral, resta adimplida a obrigação tributária. Comprovada que a exigibilidade do crédito estava suspensa nos termos do art. 151, inciso II do CTN, não há com imputar ao contribuinte, sanções por inadimplemento ou por pagamento extemporâneo, quando os depósitos judiciais são realizados na data do vencimento. Quanto ao tema o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já vem decidindo no seguinte sentido: COFINS CONSTITUCIONALIDADE A constitucionalidade da COFINS restou confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, na Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 01, pelo que devida a contribuição. MULTA E JUROS MORATÓRIOS DEPÓSITOS JUDICIAS Descabe a aplicação de multa e juros moratórios sobre depósitos judiciais suspensivos da exigibilidade, quando efetuados a suficiência e tempestivamente. MULTA DE OFÍCIO A condição de concordatária não afasta a Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.000746/200258 Acórdão n.º 310201.149 S3C1T2 Fl. 92 5 autuada da submissão à multa de oficio por infração à legislação tributária. Precedentes. Recurso provido em parte. 1 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO DO DEPÓSITO JUDICIAL RENDA DA UNIÃO. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. Comprovada a conversão de depósito judicial em renda da União, deve ser cancelado o lançamento efetuado em relação aos mesmos períodos de apuração, visto estar extinto o crédito tributário, nos termos do inciso VI, do artigo 156 do CTN. Recurso de Oficio Negado2 Em atenção aos argumentos acima, conheço do recurso voluntário para dar provimento, para julgar improcedente o lançamento em razão da extinção do crédito tributário pela conversão do depósito em renda nos termos do art. 156 inciso VI do CTN. Sala de sessões 09 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator 1 Segundo Conselho de Contribuintes Processo : 10630.000575/9784 Acórdão : 20173.895 2 Segundo Conselho de Constribuintes Processo n° 11080.007813/200355 Recurso n° 140.865 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 19679.009555/2005-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2002
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE
DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF
É devida multa por atraso na apresentação da DCTF, quando comprovado que a sua entrega ocorreu fora do prazo. Penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta a obrigação tributária e o crédito tributário é de competência exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1803-001.125
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do
CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF É devida multa por atraso na apresentação da DCTF, quando comprovado que a sua entrega ocorreu fora do prazo. Penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. INCONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta a obrigação tributária e o crédito tributário é de competência exclusiva do Poder Judiciário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF É devida multa por atraso na apresentação da DCTF, quando comprovado que a sua entrega ocorreu fora do prazo. Penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. INCONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta a obrigação tributária e o crédito tributário é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 19679.009555/200595 Acórdão n.º 180301.125 S1TE03 Fl. 98 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do contido no Acórdão 1625.511, da 5ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo1 – SP, fls. 60: “Trata o presente processo de impugnação à exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 2º e 4º trimestre do anocalendário de 2002 (fl. 39), no valor de R$ 52.216,36. Os dispositivos legais infringidos constam na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em comento. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01 a 08, na qual alega, em apertada síntese que a obrigação de entrega da DCTF é decorrente de Instruções Normativas fulcradas numa delegação concedida pela Ministro da Fazenda, que por sua vez recebeu tal prerrogativa através do artigo 5º do Decretolei n° 2.124/84, em clara afronta ao princípio da legalidade, bem como o princípio da indelegabilidade da competência tributária”. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo1 – SP, na sessão de 1/07/2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão n° 1625.511 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o credito tributário exigido”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Arguições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação cm vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão proferida pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo1 – SP em 24/08/2010 (fls 63 dos autos), a ADMINISTRADORA E CONSTRUTORA SOMA LTDA., qualificada nos autos em epígrafe, apresentou em Fl. 98DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 19679.009555/200595 Acórdão n.º 180301.125 S1TE03 Fl. 99 3 22/09/2010, seu recurso voluntário (fls. 67 a 79 dos autos), mantendo os argumentos da impugnação. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. A questão dos autos trata de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e créditos Tributários Federais – DCTF referente ao ano calendário de 2002, com o seguinte demonstrativo do crédito tributário: Contudo não consigo encontrar no Recurso nem tampouco na impugnação qualquer comprovação que as DCTF’s do 2º e 3º trimestre do ano calendário de 2002 foram entregues no prazo determinado pela legislação. Esta 3ª Turma Especial já vem, reiteradamente, decidindo que apresentação da DCTF fora do prazo enseja a aplicação da multa de oficio, nos termos do que preceituam os dispositivos legais indicados no Auto de Infração. A penalidade é exigida em razão do descumprimento de obrigação acessória pelos contribuintes, mesmo nos casos em que não houve qualquer dano aos cofres públicos. Até porque, a responsabilidade dos contribuintes por infração tributária independe da sua intenção, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do CTN. Deste modo, apesar de a Recorrente sustentar que a não entrega da DCTF aconteceu por motivos alheios a sua vontade, sua pretensão não merece acolhida, pois não afasta a sua responsabilidade, imposta pela legislação, de apresentar as suas declarações no prazo estipulado. Até porque, em se tratando de aplicação de multa por atraso na entrega da DCTF relativa ao ano calendário de 2007, incide por força das determinações constantes do Art. 7° da Lei n° 10.426/2002, que pode ser observado na forma esquemática a seguir transcrita: Fl. 99DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 19679.009555/200595 Acórdão n.º 180301.125 S1TE03 Fl. 100 4 A B C D 1 O sujeito passivo que deixar de apresentar: Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF); Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados Será intimado a apresentar a declaração original, no caso de não apresentação Sujeitarseá às seguintes multas I – de 2% por mês calendário ou fração incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega da declaração, ou entrega após o prazo, limitada a 20%. II – de 2% no mês calendário ou fração incidente sobre o montante de tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%. 2 Ou que as apresentar com incorreções ou omissões Ou a prestar esclarecimentos nos demais casos, no prazo estipulado pela Receita Federal do Brasil III – de R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas. Observando a planilha acima, atentese que a coluna C (“sujeitarseá às seguintes multas”) é ligada pela conjunção “e” (e não “ou”), o que obriga sempre A. aplicação de multa por atraso em qualquer das hipóteses das linhas 1 e 2; ou seja, intimandose previamente ou não o contribuinte. E, o denominado “prazo fixado” a que se refere à coluna A, linha 1, é o prazo fixado pela legislação tributária (art.6° da IN SRF n° 482/2004) para entrega da DCTF, e não um prazo aleatório posteriormente fixado pela Administração. Outrossim, a intimação prévia para prestar esclarecimentos só se aplica no caso de apresentação de declaração com incorreções ou omissões (linha 2). Diante desse fato, não há o que se falar se houve ou não pronunciamento ou qualquer ação por parte do fisco em relação ao atraso na entrega da DCTF, tendo em vista que a Recorrente tinha um prazo para cumprir a obrigação e simplesmente não a fez. E, mesmo que o Fisco não tenha feito qualquer movimento para cobrar o cumprimento da obrigação acessória da Recorrente, a entrega da DCTF fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea. Essa é a posição da Súmula Carf nº 49, com o seguinte teor: “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 19679.009555/200595 Acórdão n.º 180301.125 S1TE03 Fl. 101 5 No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é pacífica em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Fl. 101DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 19679.009555/200595 Acórdão n.º 180301.125 S1TE03 Fl. 102 6 Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009)” Por fim, como vem afirmando o Preeminente Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes em diversos julgamentos análogos realizados por essa 3ª Turma Especial “não se afasta a responsabilidade da empresa no caso, porque culpa lhe cabe, tanto na escolha do encarregado da elaboração e entrega das declarações (culpa in eligendo), quanto na fiscalização das suas tarefas (culpa in vigilando)”. Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, voto no sentindo de negar provimento parcial ao Recurso para manter a cobrança da multa pela ausência da entrega das DCTF’s do 2º e do 3º trimestre do ano calendário de 2002 apuradas no auto de infração efetivado pela fiscalização e ratificadas pelo Acórdão n° 1625.511 proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo1 – SP. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Assinado Digitalmente Fl. 102DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
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Numero do processo: 10680.009073/2007-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua
apresentação deficiente, constitui-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. JULGAMENTO CONJUNTO COM AUTOS DE INFRAÇÃO.
DESNECESSIDADE.
É prescindível o apensamento de processos e julgamento conjunto quando inexistir relação de prejudicialidade entre eles.
MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o
reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.448
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constituise motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. JULGAMENTO CONJUNTO COM AUTOS DE INFRAÇÃO. DESNECESSIDADE. É prescindível o apensamento de processos e julgamento conjunto quando inexistir relação de prejudicialidade entre eles. MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004. Data da lavratura da NFLD: 22/02/2007. Data da Ciência do NFLD: 27/02/2007. Período de realização da obra: 08/09/2003 a 30/01/2004. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Debito, lavrada em procedimento fiscal para verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e fundos do contribuinte acima identificado, que teve origem com a apresentação pela empresa da Declaração e Informação de Obra DISO com documentação incompleta. O lançamento referese a contribuições devidas em decorrência de utilização de mãodeobra assalariada na edificação de obras de construção civil e foi aferida Fl. 466DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.009073/200793 Acórdão n.º 230201.448 S2‐C3T2 Fl. 453 3 indiretamente com base no valor do Contrato e Notas Fiscais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 18/22. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 147/148. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou o feito em diligência para que o auditor fiscal notificante se manifestasse a respeito da documentação apresentada em sede defesa administrativa, conforme despacho a fl. 283. Informação fiscal a fls. 315/316. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou o feito uma vez mais em diligência para que a fiscalização sanasse dúvidas acerca dos parâmetros de aferição indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme despacho a fls. 318/319. Informação Fiscal a fls. 321/322. Devidamente cientificado do resultado das diligências acima apontadas, o Notificado ofereceu impugnação a fls. 331/340. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 425/433 julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 14/08/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 434. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 435/449, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que há a necessidade do julgamento do presente recurso ser realizado em conjunto com os processos referentes aos autos de infração n° 37.169.693 3, 37.169.6941 e 37.169.6950; • Que o lançamento por aferição indireta não poderia ter sido utilizado no presente caso, pois houve demonstração idônea por parte do contribuinte em relação ao valor da mãodeobra utilizada na obra, não havendo razões para se desconsiderar os documentos apresentados; • Que a multa de mora aplicada afronta o princípio do não confisco; • Requer que seja possibilitada a oportunidade de produção de outras provas, inclusive pericial. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Ao fim, requer nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, ou, alternativamente, seja declarada a improcedência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 14/08/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 15 de setembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DO JULGAMENTO CONJUNTO Pondera o Recorrente haver necessidade de o julgamento do presente recurso ser realizado em conjunto com os processos referentes aos autos de infração n° 37.169.6933, 37.169.6941 e 37.169.6950. Aduz que o presente recurso administrativo guarda uma relação de conexão com os recursos administrativos referentes aos Autos de Infração acima indicados, uma vez que todos se referem a supostos débitos de contribuições previdenciárias e contribuições de terceiros lançados por aferição indireta, relativamente a obra de construção civil n° 221, CEI n° 32.990.01396/72, originada do contrato n° 884.2.016.031. Tal providência se revela desnecessária. Muito embora os citados processos administrativos possam estar relacionados à mesma obra e todos terem sido apurados mediante aferição indireta da base de cálculo, se nos antolha inexistir relação de prejudicialidade entre os processos indicados. Os processos em apreço são totalmente autônomos e independentes entre si, devendo, cada um deles, ser instruídos com todos os elementos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que as partes possuírem, sob pena de preclusão, a teor dos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.009073/200793 Acórdão n.º 230201.448 S2‐C3T2 Fl. 454 5 Os relatórios e o conjunto probatório que integram o presente processo se revelam bastantes e suficientes para o exame do mérito da causa pelo juízo ad quem, revelandose prescindível o apensamento deste àqueles, ou vice versa, e o julgamento em conjunto, providência esta que implicaria retardamento maior do deslinde administrativo da presente demanda, o que iria de encontro ao princípio da eficiência da administração pública tatuado no caput do art. 37 da CF/88, motivos pelos quais rejeitamos a preliminar suscitada pela empresa. 2.2. DA AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. Alega o Recorrente que o lançamento por aferição indireta não poderia ter sido utilizado no presente caso, pois houve demonstração idônea por parte do contribuinte em relação ao valor da mãodeobra utilizada na obra, não havendo razões para se desconsiderar os documentos apresentados. Tais alegações não se coadunam com os fatos descritos nos autos. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 469DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, o art. 22 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como encargo da empresa as contribuições sociais incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Cumpre neste comenos destacar que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou Fl. 470DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.009073/200793 Acórdão n.º 230201.448 S2‐C3T2 Fl. 455 7 permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Nessa toada, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Preambularmente, mostrase auspicioso rememorar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. No âmbito das contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização previdenciária a prerrogativa de examinar toda a contabilidade da empresa, não podendo lhe ser oposta qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.009073/200793 Acórdão n.º 230201.448 S2‐C3T2 Fl. 456 9 b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias. c) De forma discriminada, de molde a se identificar as rubricas integrantes da base de incidência das contribuições previdenciárias, eis que, a cada uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo da contribuição devida. d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Não se mostra demasiado enaltecer que o registro dessas informações na contabilidade não é uma faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Não se deve perder de vista, igualmente, que os livros contábeis equiparam se a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Registrese por relevante que a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta. Diante desse quadro, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, figura como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). Fl. 474DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.009073/200793 Acórdão n.º 230201.448 S2‐C3T2 Fl. 457 11 §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) No caso vertente, em março/2004 a empresa apresentou a DISO Declaração e Informação sobre Obra e seus anexos à Unidade de Atendimento da Receita Previdenciária em Ipatinga/MG, que a encaminhou, juntamente com seus anexos, ao Serviço de Fiscalização para análise e baixa da obra conforme instruções vigentes. Em 13/04/2005 o referido processo foi retornado à UARP Ipatinga/MG para que a empresa anexasse documentações faltantes. Até maio/2005 a empresa não se manifestou sobre os documentos solicitados nem houve quitação de GPS ou requerimento de parcelamento, fato que motivou o Setor de Fiscalização a lançar as diferenças julgadas devidas, mediante apuração da base de cálculo por arbitramento. Mostrouse, pois, deficiente a documentação fornecida pelo Recorrente, não se abrindo à fiscalização outra alternativa que não a de se apurar o montante devido por aferição indireta da base de cálculo, autorizada que estava pelo permissivo legal encartado nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, transferindose para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Assim, levandose em conta o tipo de serviço executado (urbanização), a fiscalização conduziu procedimento de apuração da base de cálculo por Aferição Indireta da Remuneração da MãodeObra contida em Nota Fiscal/Contrato, na forma dos artigos 618 a 623 da Instrução Normativa 100 de 18/12/2003, legislação vigente na época da protocolização da DISO. Nessas circunstâncias, a sonegação de documentos perpetrada pelo Recorrente, da estatura das que foram verificadas pela Autoridade Fiscal, frustraram os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de Fl. 475DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 informação, tais como notas fiscais de prestação de serviços, contratos, títulos diversos da contabilidade, etc. Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP e na escrita fiscal. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Citese por relevante que no procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta, a serem empregados pela fiscalização nas hipóteses autorizadas pela lei, como é o presente caso, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta se, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. Conforme minuciosamente detalhado pelo julgador de 1ª instância nos itens 1 a 5 da decisão recorrida, a fls. 431/432, a documentação ofertada pelo Recorrente, em sede de impugnação, visando a demonstrar a regularidade da sua contabilidade, ao revés, ante as suas incongruências, corroborou a necessidade do arbitramento. 1) houve serviços de construção civil após a data fixada pela empresa na DISO como de término da obra, o que de resto ficou confirmado pela própria impugnante que os denominou de serviços complementares; 2) Embora alegado pela impugnante que os serviços complementares ao contrato 884.2.016.031 foram prestados por terceiros (Noxi Química 1,tda), consta na Proposta P2640/04 de 20/02/2004, cujo certificado de Execução, Liberação e Garantia encontrase às fls.369 dos autos, dentre as obrigações da contratante/impugnante (Cotenco), item 4.2: • Movimentação de carga no local dos serviços. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.009073/200793 Acórdão n.º 230201.448 S2‐C3T2 Fl. 458 13 • Fornecer utilidades como água tratada, ar comprimido, nitrogénio e energia; • Fornecimento de instalações sanitárias no canteiro de obras; • Técnico de segurança quando for necessário • Mão de obra e serviço de montagem necessária à preparação da Tubulação de acordo com a definição e orientação do nosso planejamento (grifei) • Contratar os serviços com 07 dias de antecedência em relação ao seu inicio. A impugnante não comprovou a terceirização dos serviços acima grifados embora tenha expressamente acordado com a contratada (NOX1) o fornecimento da mãode obra conforme ali especificado. 3) Quanto às notas fiscais referentes aos meses de fevereiro, março e abril de 2004, alega a impugnante que se tratam realmente de notas fiscais relativas às compras de materiais aplicados na obra objeto dos autos. Alega, no entanto, ainda a defesa, às fls. 336, que tais notas foram negociadas para emissão nesses meses, fevereiro, março e abril de 2004, o que reafirma às fls. 356 dos autos no item 02 do tópico esclarecimentos adicionais, in verbis: “Quanto as notas fiscais contabilizadas nos meses de fevereiro, marco e abril (parcial) de 2004, esclarecemos que foram notas fiscais de materiais aplicados no contrato (item 1) porém negociadas para emissão posterior”. De tal argumentação se infere que as datas constantes daqueles documentos não correspondem a real data de ocorrência dos fatos contábeis descritos nas referidas notas o que, ao contrário do pretendido pela defesa, reforça ainda mais a necessidade do uso do método de aferição indireta da contribuição, conforme procedido pela fiscalização. 4) Quanto aos serviços complementares referentes à Carta Contrato 884.3.004.099 que trata dos "Serviços de tratamento térmico de alivio de tensões nas regiões de soldas em tubulações de aço carbono das unidades 413 e 523 da nova HHDT da Regap), para Petróleo Brasileiros Petrobrás — Engenharia/IERG, no município de Ibirité/MG, alega a impugnante em relação à mãodeobra empregada que ficou apenas responsável pelo fornecimento de materiais. Para comprovar junta aos autos os documentos de fls. 387 a 411. No entanto , a proposta comercial n° 101/2004 de 09/04/04, que anexou para justificar o alegado, fls. 390, da empresa Farenyt, contratada segundo a defesa para execução dos serviços, não corresponde à obra objeto dos autos, sendo relativa aos serviços de tratamento térmico na Unidade da Usiminas em Ipatinga MG. 5) Quanto à mãodeobra utilizada na realização dos serviços relacionados ao Relatório de Pequenos Serviços os quais estão Fl. 477DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 descritos como Execução dos serviços de reparos nas fachadas sul e leste da casa de compressores para a nova unidade de hidrotratamento de óleo diesel — UHDT, e sistemas auxiliares, na Implementação de empreendimentos para REGAP, realizado no período de 07/07/2004 a 21/07/2004, a impugnante se limita a justificar a não contratação de mãodeobra para sua realização em face da relocação de mãodeobra de outro contrato o que mais uma vez corrobora a utilização do método de aferição indireta procedida pela fiscalização, em face da incerteza quanto ao custo efetivamente despendido pela empresa em relação à remuneração dos trabalhadores da obra. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. Com efeito, o procedimento de aferição indireta da base de cálculo foi adotado pela fiscalização em razão de a empresa, mesmo intimada a apresentar documentos para a baixa de obras, ter se quedado inerte em fornecêlos, no prazo normativo, fato que autorizou o fisco, nos termos da lei, a inscrever de ofício importância reputada como devida, transferindo para a empresa o ônus da prova em contrário, encargo processual este que o Recorrente não logrou se desincumbir, eis que se limitou a hostilizar os motivos que compeliram o órgão fazendário a adotar o procedimento de arbitramento da base de cálculo. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA APLICAÇÃO DE MULTA COM EFEITO DE CONFISCO Pondera o Recorrente que a multa aplicada afronta o princípio do não confisco. O clamor do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) Fl. 478DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.009073/200793 Acórdão n.º 230201.448 S2‐C3T2 Fl. 459 15 §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 479DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fulgura auspicioso salientar que escapa à competência deste colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Fl. 480DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.009073/200793 Acórdão n.º 230201.448 S2‐C3T2 Fl. 460 17 Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na Fl. 481DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa moratória aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.2. DA PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS Requer o Recorrente que lhe seja possibilitada a oportunidade de produção de outras provas, inclusive pericial. A rogativa acima esposada não reúne condições de prosperar. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 482DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.009073/200793 Acórdão n.º 230201.448 S2‐C3T2 Fl. 461 19 §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que a produção de provas e a juntada de documentos após a fase processual da impugnação somente será deferida mediante a comprovação, a ônus integral do Recorrente, da impossibilidade de sua apresentação oportuna, Fl. 483DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 por motivo de força maior, de a prova se referir a fato ou a direito superveniente ou de a prova se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afora as exceções delineadas no parágrafo precedente, podese asselar categoricamente que se encontrará precluso o direito do Recorrente de produzir provas ou apresentar documentos em momento posterior à fase processual da impugnação. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Conforme demonstrado, no Processo Administrativo Fiscal o sujeito passivo não tem que protestar pela produção de provas documentais, mas sim, produzir as provas do direito alegado, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 484DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 19515.002606/2004-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1996
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA.
DESNECESSIDADE.
Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a realização de diligência.
LANÇAMENTO PARA CORRIGIR ERRO FORMAL NO ANTERIOR.
DECADÊNCIA
Não há decadência quando o segundo lançamento, tendo observado o prazo a que se refere o inciso II do art. 173 do CTN, não traz inovação material.
RECOLHIMENTO DO IRFONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancela-se a exigência.
IMPUGNAÇÃO DESTITUÍDA DE PROVAS.
A impugnação deverá ser instruída com os documentos que fundamentem as alegações do interessado.
IRPF. RECOLHIMENTO COMPLEMENTAR. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Somente podem ser aceitos na DIRPF os pagamentos a título de
Recolhimento Complementar que o contribuinte efetuar, no curso do mesmo ano-calendário da declaração.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.599
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para reduzir a Compensação Indevida de IRRF para R$29.307,99, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos que dava provimento em maior extensão para cancelar a infração de compensação indevida de IRRF.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996 CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a realização de diligência. LANÇAMENTO PARA CORRIGIR ERRO FORMAL NO ANTERIOR. DECADÊNCIA Não há decadência quando o segundo lançamento, tendo observado o prazo a que se refere o inciso II do art. 173 do CTN, não traz inovação material. RECOLHIMENTO DO IRFONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancela-se a exigência. IMPUGNAÇÃO DESTITUÍDA DE PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. IRPF. RECOLHIMENTO COMPLEMENTAR. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Somente podem ser aceitos na DIRPF os pagamentos a título de Recolhimento Complementar que o contribuinte efetuar, no curso do mesmo ano-calendário da declaração. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a realização de diligência. LANÇAMENTO PARA CORRIGIR ERRO FORMAL NO ANTERIOR.. DECADÊNCIA Não há decadência quando o segundo lançamento, tendo observado o prazo a que se refere o inciso II do art. 173 do CTN, não traz inovação material. RECOLHIMENTO DO IRFONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancelase a exigência. IMPUGNAÇÃO DESTITUÍDA DE PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. IRPF. RECOLHIMENTO COMPLEMENTAR. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Somente podem ser aceitos na DIRPF os pagamentos a título de Recolhimento Complementar que o contribuinte efetuar, no curso do mesmo anocalendário da declaração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002606/200440 Acórdão n.º 210201.599 S2C1T2 Fl. 448 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para reduzir a Compensação Indevida de IRRF para R$29.307,99, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos que dava provimento em maior extensão para cancelar a infração de compensação indevida de IRRF. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 19/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 388 a 398 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 75/77, relativo ao ano calendário 1995, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 322.594,14, conforme abaixo: A As infrações apuradas pela Fiscalização, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 76/77, foram Omissão de Rendimentos de Aluguéis e Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas e Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte e de Imposto Complementar. O presente auto de infração foi lavrado em substituição à Notificação de Lançamento de Imposto de Renda do anocalendário 1995, fls. 05, declarada nula pela Decisão DRJ/SPO N° 003962, de 25 de outubro de 2000, fls. 06/07, da qual o contribuinte obteve ciência em 24.05.2001. Devidamente intimado a prestar esclarecimentos em relação aos valores declarados no exercício de 1996, o contribuinte apresentou documentos de cuja análise a fiscalização verificou o seguinte: I Omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de PJ, pelo recebimento a maior de R$ 7.770,23 de receitas de aluguel da empresa MONTREAÇO, referente ao informado na Declaração de Imposto de Renda PF, conforme previsto nos artigos 1° ao 3° da Lei n° 7.713/88 e artigos 1° ao 3° da Lei n° 8.134/90. Imposto R$ 93.586,93 Juros de Mora (calculados até 29.10.2004) R$ 158.817,02 Multa Proporcional R$ 70.190,19 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002606/200440 Acórdão n.º 210201.599 S2C1T2 Fl. 449 3 No Banco de Dados da Secretaria da Receita Federal no ano base 1995 consta rendimento bruto R$ 27.886,52 provenientes da MONTREAÇO e, consta na Declaração como rendimento bruto o valor de R$ 20.116,29, confrontando os valores chegase ao recebimento a maior de R$ 7.770,23 naquele ano. II Compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no montante de R$ 84.058,21, tendo em vista a não comprovação de Imposto Retido na fonte incidente sobre os rendimentos recebidos de PJ que constituem a base de cálculo do imposto na Declaração de IR no ano base 1995. Conforme previsto no artigo 8° da Lei n° 8.383/91 e artigo 12, Inciso da Lei n° 9.250/95. O mencionado montante foi obtido a partir da Declaração de Imposto de Renda PF do ano base 1995, onde foram relacionadas as empresas que não apresentaram informes de rendimentos e cujas retenções também não constam do Sistema de Banco de Dados da Secretaria da Receita Federal. III Compensação indevida de Imposto Complementar no montante de R$ 6.809,13, tendo em vista a impossibilidade de compensar Imposto Complementar recolhido no ano seguinte ao ano base de 1995, conforme prevê artigo 7° da Lei 8.383/91, a saber: "Sem prejuízo dos pagamentos obrigatórios estabelecidos na legislação, fica facultado ao contribuinte efetuar, no curso do ano, complementação do imposto que for devido sobre os rendimentos recebidos". Enquadramento legal: Artigo 7° e 8° da Lei n° 8.383/91; artigo 12 Inciso V, da Lei n° 9.250/95. Esclarece a fiscalização que consta no Sistema de Banco de Dados da SRF o valor de R$ 4.658,69 de recolhimento em 31 de janeiro de 1995 código 0246, o que totaliza, no curso daquele ano, R$ 66.790,30, sendo que o total compensado na Declaração foi R$ 73.599,43. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 08.12.2004, fls. 82/385, alegando em breve síntese que: DA DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA PÚBLICA CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO AO ANOCALENDÁRIO DE 1995 NÃO ABRANGIDO PELO LANÇAMENTO ANTERIOR No presente lançamento as autoridades fiscais glosaram créditos tributários distintos daquele que constava no lançamento anterior, ou seja, novos créditos tributários, conforme se depreende do próprio Termo de Verificação Fiscal, cuja transcrição repetese para ênfase: Inicialmente destacamos que a mencionada Notificação de Lançamento Suplementar efetuou as seguintes alterações referentes ao mesmo anobase 2000; aumento do montante dos rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica declarado; redução do montante dos rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica declarado; O presente lançamento trata, portanto, de matéria que não constava do lançamento anterior (que foi anulado por vício formal, não se lhe aplicando o disposto no artigo 173, II do CTN, estando, portanto, extinto pela decadência, visto tratarse de fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1995; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002606/200440 Acórdão n.º 210201.599 S2C1T2 Fl. 450 4 ITEM 2 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Localizou os documentos que comprovam os efetivos valores recebidos das fontes pagadoras e a efetiva retenção do imposto de renda; No que se refere à fonte pagadora R.P.S. Informática Ltda, conforme se depreende dos documentos anexos foram feitos pagamentos de aluguel no valor fixo de R$ 35.000,00 nos meses de dezembro/94 e janeiro, fevereiro, março e abril de 1995, em relação aos quais era deduzida a importância a título de IRFonte, sendo pago sempre a quantia líquida de R$ 24.083,23 nos referidos meses. Assim, totalizando, temos que foi pago ao Impugnante a quantia bruta de R$ 175.000,00 e retido o imposto na fonte no valor total de R$ 54.750,22, exatamente a quantia exigida no presente lançamento; ITEM 3 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – DO EFETIVO RECOLHIMENTO DOS VALORES RELATIVOS AO IMPOSTO DE RENDA COMPLEMENTAR Recolheu efetivamente o valor de R$ 6.809,13, porém em uma única guia, juntamente com o valor de R$ 4.658,69, totalizando, na guia DARF, a quantia de 11.467,82 (6.809,13 + 4.658,69). Portanto, se somados os valores de todas as guias DARF anexas à presente defesa, verificase que houve recolhimento da quantia de R$ 73.599,43; Ainda que se possa sustentar que o imposto recolhido fora do período base não possa ser compensado, o fato é que o direito à compensação, em si, não pode ser negado ao contribuinte; Requer, ante o exposto, seja a Notificação de Lançamento julgada improcedente. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou a preliminar de decadência, entendeu que são improcedentes as alegações de que teria havido lançamento no presente auto de infração de matéria que não constava do lançamento anterior e no mérito julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a falta dos comprovantes das retenções emitidos pelas fontes pagadoras impossibilitam a sua consideração e o DARF apresentado do imposto de renda complementar foi recolhido no anocalendário seguinte ao da autuação e, portanto, não pode ser aproveitado no lançamento, ora julgado. O entendimento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) foi resumido na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1995 Ementa: PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002606/200440 Acórdão n.º 210201.599 S2C1T2 Fl. 451 5 GLOSA DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. O imposto pago ou retido na fonte, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo, será deduzido do imposto progressivo para fins de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser restituído, na declaração de ajuste anual, desde que devidamente comprovado. IMPOSTO COMPLEMENTAR. RECOLHIMENTO. É facultado ao contribuinte efetuar, no curso do ano, complementação do imposto que for devido sobre os rendimentos recebidos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 408 a 443, solicitando reforma do julgado da DRJ, resumido nos seguintes excertos: I. DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO AO ANOCALENDÁRIO DE 1995 NÃO ABRANGIDO PELO LANÇAMENTO ANTERIOR. Alega que se o intuito é apenas corrigir vício de formalidade, não há necessidade de nova investigação. Se há necessidade de novas análises no conjunto probatório, então o vício era substancial e, assim, não há que se falar na aplicação do artigo 173, II do CTN. Com efeito, se havia necessidade de se examinar o aspecto material do fato gerador não há que se falar em vício formal, mas material; Ora, da data da declaração de rendimentos apresentada pelo Recorrente em 1996 até a data da ciência da lavratura da presente autuação decorreram mais de 9 anos sem que o crédito tributário houvesse sido constituída, fato este que implica na decadência do direito da Fazenda Pública constituir os créditos tributários objeto do presente lançamento, nos termos do artigo 150, § 40 do Código Tributário Nacional; Contudo, o fato aqui notório é que não se limitou a autoridade fiscal em lavrar novo lançamento, mas pelo contrário, deu início a uma nova fiscalização relativa ao período base de 1995, através de "Termo de Intimação" (cuja cópia já consta dos autos). Nova fiscalização importa em reexame em relação ao mesmo exercício que, sem ordem escrita não é possível (RIR/99, art. 906); II. DA INEXISTÊNCIA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Anexou à sua defesa cópia dos contratos de locação, recibos e fluxos de caixa devidamente firmados pelo administrador dos imóveis, documentos através dos quais se comprova cabalmente o recebimento dos valores declarados com as respectivas deduções do Imposto de Renda Retido na Fonte e também que não há valores "em aberto". Deixou ainda consignado o Recorrente que o Fisco poderia efetuar as diligências e perícias que entendesse necessárias, diante de sua impossibilidade de fiscalizar o recolhimento do imposto pela fonte retentora atendendo o Princípio da Verdade Material; III. Além disso, no caso da RPS INFORMÁTICA LTDA., anexouse não só cópias dos recibos (claro que o original devidamente assinado foi entregue ao locatário) verificase existir, não apenas a cópia do recibo, mas também a cópia do próprio cheque (emitido pela RPS) e a cópia do depósito bancário. Ora, Senhores Julgadores, o aluguel fora declarado pelo exato valor de R$ 175.000 00 (soma dos recibos) e os depósitos pelo exato valor liquidei de R$ 120.249,78 — a diferença referindose ao IRF de R$ 54.750,22. IV. Protesta que na análise do conjunto comprobatório de documentos as informações acerca dos rendimentos foram aceitas mas os valores do IRF não foram admitidos, em suma, o Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002606/200440 Acórdão n.º 210201.599 S2C1T2 Fl. 452 6 processo está colhendo as informações prestadas pelo Recorrente (considerada "confissão") pela metade: só acolhendo as informações que lhe se aproveita, em afronta direta e frontal ao artigos 332 e 354 do CPC; V. FATO NOVO. Indagase se informações fiscais trazidas aos autos após a defesa do Contribuinte pode ser considerada válida e ter eficácia sem que se reabra vistas ao contribuinte para que ele se pronuncie, como é o caso da afirmação contida na pág. 9 (último tópico) referente ao Comprovante de Rendimentos Pagos e Retenção de IRF AC 1995 José Pedro Bimadjian. VI. DO EFETIVO RECOLHIMENTO DOS VALORES RELATIVOS AO IMPOSTO DE RENDA COMPLEMENTAR. Assim, por ocasião da apresentação de sua defesa, o Recorrente demonstrou que efetivamente recolheu o valor de R$ 6.809,13, porém em uma única guia, juntamente com o valor de R$ 4.658,69, totalizando, na guia DARF, a quantia de R$ 11.467,82 (= R$ 6.809,13 + R$ 4.658,69). Todavia, a questão não resultou bem compreendida na ocasião, o que levou o Recorrente a equivocarse sem relação ao fato, que agora se esclarece pelos dados do sistema ter considerado o regime de caixa e o contribuinte regime de competência; Por último, deve ser assinalado o que segue: os R$11.467,82 desconsiderados pelo sistema como sendo pertinente a 1995 (porém, é certo, direito em 1996 a ser restituído, pois com toda a certeza e como demonstrado o mesmo não foi deduzido como imposto complementar em 1996. Assim, teríamos uma situação em que o contribuinte é chamado a recolher o já recolhido para repetir o corretamente recolhido e pagar o valor indevido — tudo conforme a "lógica" do "sistema", que claro não resiste a qualquer ato de reflexão prudente e justo. VII. Em face da desconsideração dos recibos como matéria de prova, o Recorrente não tem outra alternativa senão requerer seja o julgamento convertido em diligência elucidação das divergências, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência ou subsidiariamente, que se o acórdão pretende desconsiderar os recibos como comprovantes da Retenção também deveria desconsiderar o próprio rendimento bruto declarado, nos termos do art. 354 do CPC. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINAR. DILIGÊNCIA. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002606/200440 Acórdão n.º 210201.599 S2C1T2 Fl. 453 7 Pede o recorrente a conversão do julgamento em diligência pela desconsideração dos recibos como matéria de prova para que fosse demonstrado que os pagamentos foram feitos. Da análise dos autos, verificase que o interessado foi intimado a apresentar documentação comprobatória dos seus rendimentos e valores de IRRF durante a fiscalização, como se vê, v.g., às fls. 26/27 e a com base nos documentos e provas trazidos aos autos fezse o lançamento. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Portanto, não há in casu justificativa para o deferimento da diligência pleiteada, não se podendo olvidar que é da Recorrente o ônus de provar os fatos extintivos e modificativos do direito da Fazenda Nacional, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, c/c o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, que subsidia o Processo Administrativo Fiscal. Não há possibilidade de se sugerir qualquer preterição de direito de defesa, muito menos de se requerer a nulidade da autuação. PRELIMINAR. DECADÊNCIA No presente caso ocorreu um relançamento. O presente auto de infração foi lavrado em substituição à Notificação de Lançamento de Imposto de Renda do anocalendário 1995, declarada nula por vício formal nos moldes dos art. 142 do CTN, aplicando o disposto no art. 6 , inc. I da IN SRF n 94, de 1997. Nesse caso a decadência regese pelo disposto no inciso II do art. 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002606/200440 Acórdão n.º 210201.599 S2C1T2 Fl. 454 8 No caso discutido, a data indicada no incido II supra é a ciência da Decisão DRJ/SPO N° 003962, de 25 de outubro de 2000, fls. 06/07, ocorrida em 24/05/2001, conforme indicado ao final da fl. 07. Já o segundo lançamento foi consubstanciado no auto de infração de fls. 75 a 77, cuja ciência se deu no dia 11/11/2004 (fl.80), portanto, dentro do prazo decadencial. De outro lado, acerca das alegações de inovação no relançamento, ressalto que as infrações de ambos os lançamentos são as mesmas bem como as capitulações legais e o crédito foi reduzido para benefício do contribuinte. Acerca da reanálise feita pela autoridade fiscal, aclaramos que ela se faz necessária pela estrita legalidade, contudo, não quer dizer que está ocorrendo qualquer inovação do lançamento e não há como prosperar as alegações do recorrente nesse sentido. Ressalto que as fontes mantidas glosadas nesse segundo lançamento, fl. 69 do Termo de Verificação Fiscal, estão todas contidas no rol das fontes glosadas no primeiro lançamento conforme indicado na declaração original e anotadas com “N/C, fl. 53 do processo 13808.001881/9757. Destaco que nenhuma das fontes consideradas no primeiro lançamento, fls. 79 a 81, foram glosadas no relançamento. Ainda, o valor da Base de Cálculo indicado na Declaração que deu origem ao lançamento original, fl. 66 do processo 13808.001881/9757 é o mesmo do valor constante no demonstrativo de Apuração da autuação do relançamento, fl.73 do presente processo, ou seja: R$1.184.960,57. Dessa forma, não há como prosperar a tese de nova fiscalização ou inovação no relançamento efetuado para correção de vício formal. MÉRITO. O Recurso é parcial e adstrito às Infrações 002 e 003. Assim sendo, passo a análise delas. INFRAÇÃO 002 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. R$84.058,21 Protesta o recorrente que foram feitas as devidas deduções do Imposto de Renda Retido na Fonte não havendo valores "em aberto". Aduz, ainda, que na análise do conjunto comprobatório de documentos as informações acerca dos rendimentos foram aceitas pela fiscalização mas os valores do IRF não foram admitidos. De todo o conjunto probatório apresentado pelo recorrente, especialmente os documentos de fls. 118 a 129 da RPS informática, fazendo uma análise dos valores e datas obtemos o seguinte: Depósito/cheque/Recibo Aluguel Líquido Aluguel Bruto IRRF Fls. jan/95 24.027,77 35.000,00 10.972,23 128 a 129 fev/95 24.027,77 35.000,00 10.972,22 126 a 127 mar/95 24.027,78 35.000,00 10.972,23 124 a 125 abr/95 24.083,23 35.000,00 10.916,77 121 a 123 mai/95 24.083,23 35.000,00 10.916,77 118 a 120 120.249,78 175.000,00 54.750,22 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002606/200440 Acórdão n.º 210201.599 S2C1T2 Fl. 455 9 Comparando esses valores com o valor informado na Dirf, conforme extrato de fl.15, concluímos que tem razão o contribuinte, ao dizer que declarou o Valor Bruto e recebeu apenas o líquido descontado o IRRF, fazendo então jus ao respectivo abatimento do valor de IRRF de R$ 54.750,22. Em relação aos demais documentos apresentados pelo contribuinte, o acórdão recorrido foi minucioso e esclarecedor ao analisar um a um às fls. 394 a 397, mostrando porque não são capazes de comprovar o recolhimento do imposto pretendido e no recurso novos documentos. Entendo que não merece reparo a decisão recorrida nessas outras glosas. É pacífica a jurisprudência deste Conselho que eventuais erros de fato cometidos pelo contribuinte não podem levar ao lançamento indevido de créditos tributários pela Receita Federal. Ocorre que, no presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos elementos de prova que comprovariam o alegado e pudessem refutar as informações prestadas à Secretaria da Receita Federal pelo Recorrente tanto na DIRF. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Por último nesse item, no que se refere a análise do Comprovante de Rendimentos Pagos e Retenção de IRF AC 1995 José Pedro Bimadjian, esclareço que somente se poderia alegar Fato Novo se a autuação fosse fundada em algum argumento o qual o contribuinte não teve oportunidade de defesa. Não é o caso, tratase aqui somente da análise da não aceitação de prova apresentada pelo contribuinte e de forma alguma é caracterizada qualquer preterição do direito de defesa. Em resumo, deve ser reduzida a Compensação Indevida de IRRF, de R$84.058,21 para R$29.307,99 (R$84.058,21 R$54.750,22). INFRAÇÃO 003 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO COMPLEMENTAR. R$6.809,13 Nesse item o próprio recorrente aponta o cerne da situação fática que deu origem ao lançamento ao reconhecer que aplicou metodologia (Regime) de recolhimento do imposto complementar distinto do previsto na legislação vigente. Em suma o contribuinte requer que seja considerado pagamento do IR Complementar efetuado em anocalendário posterior ao do fato gerador. Conforme já esclarecido o Regulamento do Imposto de Renda é claro nesse sentido: RIR 19/99 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002606/200440 Acórdão n.º 210201.599 S2C1T2 Fl. 456 10 Título IX DO RECOLHIMENTO COMPLEMENTAR Art.113.Sem prejuízo dos pagamentos obrigatórios estabelecidos neste Decreto, fica facultado ao contribuinte efetuar, no curso do anocalendário, complementação do imposto que for devido, sobre os rendimentos recebidos (Lei n2 8.383, de 1991, art. 72,). (grifei). Ou seja, obrigatoriamente o recolhimento do imposto complementar DEVE ocorrer no curso do anocalendário e sem previsão legal para atendimento do pedido do contribuinte, impossível seu atendimento. CONCLUSÃO Verificase que a contribuinte contestou, contudo, não apresentou qualquer documento ou sequer indicou quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. É imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências lançadas. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, para reduzir a Compensação Indevida de IRRF para R$29.307,99. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10865.002682/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
Ementa:
ISENÇÃO ATO CANCELATÓRIO
Cancelada a isenção da entidade com julgamento administrativo em última e definitiva instância com efeitos retroativos à 01/01/2001, a entidade deve informar em GFIP o FPAS correspondente a sua atividade e recolher as contribuições previdenciárias de forma integral.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.301
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 15/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Ausência Momentânea: Manoel Coelho Arruda Júnior, Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 323DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.002682/201059 Acórdão n.º 230201.301 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração de obrigações principais lavrado em 25/08/2010 e cientificado ao sujeito passivo em 26/08/2010, relativo às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, nas competências de 01/2005 a 12/2007. O relatório fiscal de fls.32/39, diz que a entidade teve a isenção do recolhimento das contribuições previdenciárias cancelada, através do Ato Cancelatório n.º 21.421.1/006/2005, emitido em 15/04/2005, com efeitos retroativos a 01/01/2001, por descumprimento do inciso II do artigo 55 da Lei n.º 8.212/91. A empresa, entretanto, continuou a informar nas GFIP’s o código FPAS 639, de entidade isenta, que devido a este fato foi tomado como parâmetro o artigo 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. Após impugnação, Acórdão de fls. 266/268, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde argúi em síntese: a) a decadência do período de 01/2005 a 07/2005; b) que é competência exclusiva do CNAS reconhecer a qualidade de entidade beneficente; c) que a MP 446/2008, dispôs que os recursos pendentes de julgamento acerca dos certificados deveriam ser deferidos; d) que o CEBAS foi renovado automaticamente; e) que por ser reconhecida entidade beneficente de assistência social, tem direito à isenção; f) que teve convalidada todas as suas certificações; Requer o reconhecimento da decadência e da isenção que foi consagrada com a medida provisória, o provimento do recurso e o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar O lançamento, consolidado em 25/08/2010, com ciência pelo sujeito passivo em 26/08/2010, referese exclusivamente às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, no período de 01/2005 a 12/2007. A recorrente alega a decadência qüinqüenal, todavia é de se atentar que a decadência, no caso, deve ser examinada à luz do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, visto que não há recolhimentos parciais efetuados, uma vez que a entidade não procedeu ao recolhimento da cota patronal das contribuições previdenciárias, porque continuava a se declarar isenta de tais contribuições, apesar de já lhe ter sido comunicado o cancelamento da isenção. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Assim, quando há o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado neste auto de infração, devendo ser aplicado o artigo 173, I do CTN, não havendo período decadente: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Do Mérito Fl. 325DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.002682/201059 Acórdão n.º 230201.301 S2C3T2 Fl. 3 5 A recorrente não se insurge quanto ao mérito da contribuição que está sendo cobrada, se restringindo a argumentar que tem direito à isenção da cota patronal previdenciária, em virtude da MP 446/2008. Ocorre que esta argumentação é inócua neste processo, eis que a referida discussão já se esgotou na esfera administrativa com a emissão do Ato Cancelatório n.º 21.424.1/006/2005, emitido em 15/04/2005, com efeitos retroativos a 01/01/2001, que cancelou isenção a que a recorrente fazia jus, por falta do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, válido, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, traz no seu artigo 206, parágrafo 9º, que não caberá recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social (redação vigente à época do cancelamento) da decisão que cancelar a isenção pela falta de referido certificado, renovado a cada três anos. Portanto, à época da emissão do ato cancelatório, a falta do certificado válido ocasionou o cancelamento da isenção, sem direito a recurso, tornadose definitiva a decisão e não cabendo a este colegiado apreciar novamente a discussão, cujo assunto já transitou em julgado administrativamente. Também é improcedente a alegação da recorrente quanto à aplicação da Medida Provisória 446/2008,haja vista que o cancelamento da isenção ocorreu em 04/2005, com efeitos retroativos a 01/2001, não havendo que se falar em renovação automática da isenção, sob o abrigo da MP, pois a entidade já não gozava do benefício quando da edição da citada MP e tampouco da Lei n.º 12.101, de 27/11/2009. Apenas para argumentar, é de se notar que a posse do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social não implica em fruição automática da isenção patronal das contribuições previdenciárias, uma vez que deveriam ser cumpridos os demais requisitos explícitos no artigo 55, da Lei n.º 8.212/91, vigente quando da emissão do Ato Cancelatório e a isenção devia ser requerida ao INSS – Instituto Nacional do Seguro Social. Ou seja, a simples detenção do Certificado não impunha o dever do fisco em reconhecer a isenção, pelo contrário a entidade deveria solicitar a isenção e provar o cumprimento de todos os requisitos legais, bem como era de responsabilidade do INSS verificar o cumprimento periódico e sistemático de todas as condições impostas pelo artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, para que a entidade pudesse continuar gozando do benefício legal. Portanto, mesmo que a entidade entenda que manteve o certificado de entidade beneficente por toda a sua existência, isto não implica, por si só, em isenção patronal das contribuições previdenciárias. Entretanto, repito, este assunto é improcedente para a discussão neste processo, porque já está pacificada, administrativamente a questão, não possuindo a recorrente a isenção patronal das contribuições previdenciárias e por isso estava obrigada a informar em GFIP o código FPAS relativo a sua atividade e não como sendo entidade isenta e deveria ter recolhido as contribuições previdenciárias patronais, incluindo aquelas destinadas as terceiras entidades, motivo deste levantamento. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 327DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000651/2003-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 31/01/2003
PERFUME (EXTRATO) OU ÁGUADECOLÔNIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE AFASTADA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE.
O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.514
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso especial, por falta de divergência.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Maria Teresa Martìnez López
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 31/01/2003 PERFUME (EXTRATO) OU ÁGUADECOLÔNIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE AFASTADA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE AFASTADA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martìnez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Fl. 505DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais em face do Acórdão nº 30239.163, cuja ementa se transcreve a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2003 Ementa: RETORNO DE DILIGÊNCIA Não atendido o questiona mento essencial proposto na diligência julgase a matéria tal como se apresenta no processo. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PERFUMES. ÁGUAS DE COLÔNIA. Entendimento à luz de informação prestada por órgão do Poder Executivo a órgão do Poder executivo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Em conclusão, a então Segunda Câmara proveu o recurso voluntário, sob fundamento de que segundo o entendimento da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira Coordenação de Assuntos Tarifários e Comerciais, em sua Nota Coana/Cotac/Dinom n° 253,de 01 de agosto de 2002, vigente à época das importações, classificamse no código 3303.00.10 apenas as "essências ou extratos", "perfumes em sua concentração mais alta, sendo que a percentagem varia, conforme a marca de 15% a 30% de essência diluída em álcool de 90° Gay Lussac (GL)". E que este entendimento apenas foi reformado em 13/12/2006, conforme Nota Coana/Cotac/Dinom n°2006/00344. A Procuradoria da Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão, com o fim de restaurar a decisão de Primeira Instância, destacando que a questão que se coloca no caso é a determinação da classificação tarifária dos produtos importados como água de colônia ou perfume (extrato). E que deve prevalecer a conclusão dos laudos que atestam que as amostras analisadas correspondem a "perfumes". A matéria litigiosa diz respeito à classificação de mercadorias importadas pela ora recorrente, por ela classificadas no código NCM 3303.00.20, específico para as águas decolônia, enquanto que a fiscalização entende correto o código NCM 3303.00.10, próprio para os perfumes (extratos). Sob entendimento de terem sido cumpridos as condições de admissibilidade do recurso foi dado seguimento, conforme Despacho nº 302.140, de 25 de junho de 2008. Às fls. 300/398 contrarrazões do contribuinte. Em síntese, pede pelo não provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.000651/200362 Acórdão n.º 930301.514 CSRFT3 Fl. 437 3 Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Por entender caber ao relator do processo, antes de efetuar qualquer apreciação de mérito, efetuar o controle dos requisitos formais de admissibilidade do recurso, entre eles, a verificação se os pressupostos processuais foram devidamente cumpridos, passo à apreciação. ADMISSIBILIDADE Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. Dispõem os Regimentos Internos dos então Conselhos de Contribuintes e do CARF, ser cabível recurso especial à CSRF de decisão que tenha dado à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha de outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou desta CSRF (Portarias MF nº 55/89, MF nº 147/2007, MF 256/2009). Os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial se referem, em síntese, (i) à alegada aplicabilidade dos termos do Decreto n°. 79.094/77 para fins de classificação fiscal e (ii) â legalidade dos laudos que serviram de arrimo à autuação. Traz a recorrente como paradigma, o acórdão nº 301300009, de 21/11/2001, cuja ementa possui a seguinte redação: RECURSO VOLUNTÁRIO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Perfumes e Agua de colônia. TEC 3303.00.10 e 3303.00.20 Interpretação do art. 49 do Decreto nº 79.094/77. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Entendase por divergência a interpretação de maneira diversa a mesma norma a fatos iguais. A rigor, o acórdão trazido pela recorrente, não se presta como paradigma. A decisão acima alega estar embasada no Decreto n°. 79.094/77. No entanto, tal Decreto, por disposição expressa, não aplicável para fins de classificação fiscal. Na decisão recorrida pela Fazenda Nacional, conforme entendeu a Colenda Segunda Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade que deve prevalecer a classificação das fragrâncias importadas pela Recorrida como águasdecolónia, e não perfumes, conforme ementa e trecho do voto abaixo transcritos: "RETORNO DE DILIGÊNCIA. Não atendido o questionamento essencial proposto na diligência julgase a matéria tal como se apresenta no processo. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PERFUMES. ÁGUASDE COLÔNIA. Entendimento à luz de informação prestada por Órgão do Poder Executivo a órgão do Poder Executivo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." Trecho do voto: "A autoridade administrativa interpretou que os produtos importados deveriam ser classificados na posição 3303.0010, perfumes, com alíquotas superiores. De fato as Notas Explicativos do Sistema Hannonizado não versam sobre os limites de concentração aromática para distinguir águadecolônia e perfume, apenas distinguem as posições para efeito de controle de comércio internacional. Depreendo que não há limites quantitativos de essência para distinguir perfumes de águasdecolônia posto que, por sua natureza e modos de utilização, as colônias são apenas mais fracas do que os perfumes, não obedecendo a uma diluição padronizada, mas resultando de ajustes socialmente aceitáveis." Nessa decisão, a Conselheira relatora Judith do Amaral Marcondes Armando votou, acompanhada dos demais membros da Segunda Câmara, no sentido de que, diferentemente do que defende a Fazenda Nacional, não há limites quantitativos de concentração de essência para distinguir perfumes (extratos) de águasdecolônia, conforme trecho do voto transcrito acima. Cabe observar que o citado Decreto 79.094/77 invocado pela d. Fazenda Nacional para atacar a decisão, serve exclusivamente para fins de registro pela ANVISA conforme determinado expressamente por seu artigo 49 transcrito abaixo, sendo que, no entender desta Conselheira, para esse fim foi observado, uma vez que a ANVISA registrou os produtos como águasdecolônia): "Art 49. Para o fim de registro os produtos definidos nos itens VII, VIII e IX do artigo 3° compreendem: (...) Entendo assistir razão à interessada eis que no entender desta Conselheira, o Decreto 79.094, de 1977, específico para o registro no sistema de vigilância sanitária, não se presta para o fim pretendido pela fiscalização. Nessa norma, perfume é gênero com cinco espécies: extrato é a primeira das espécies; águas perfumadas, águasdecolônia, loções e similares são os sinônimos da segunda espécie. A Conselheira JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, sobre esse aspecto, também se manifestou conforme excertos retirados do Acórdão nº 30239.163, a seguir reproduzidos: A fiscalização aduaneira tem optado por adotar o Decreto nº 79.094, de 1977, que em seu art. 49, inciso II, alínea “a” estabelece que são extratos as fragrâncias cuja concentração varia de um mínimo de 10% até 30% e águas de colônia águas perfumadas, loções e similares, as diluições até 10%. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.000651/200362 Acórdão n.º 930301.514 CSRFT3 Fl. 438 5 No meu entender essa atuação é a menos indicada para o caso. (O Decreto Regulamenta a Lei nº 6.360, de 23 de setembro de 1976, que submete a sistema de vigilância sanitária os medicamentos, insumos farmacêuticos, drogas, correlatos, cosméticos, produtos de higiene, saneamento e outros.). E mais: De fato, a classificação tarifária internacional não menciona percentuais de extrato, essência ou misturas odoríferas para determinar o enquadramento das fragrâncias. E nem o faz a nomenclatura Comum do Mercosul. Consultandose as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, concernentes à posição 3303, que abriga os “Perfumes e Águas de Colônia”, encontramos o que se segue: “A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido [compreendendo os bastões (“sticks”)], e as águas de colônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contém ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águasdecolônia (por exemplo, água de colônia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confundir se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 3301, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais baixa concentração em óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado do álcool empregado.” (grifos do original) Pela transcrição acima, verificase que as NESH não especificam a concentração de óleos essenciais que poderia vir a diferenciar os “perfumes propriamente ditos” das “águas de colônia”, apenas informando que as “águas de colônia” apresentam mais fraca concentração de óleos essenciais e um título geralmente menos elevado do álcool nelas empregado. Consultandose a NCM – Nomenclatura Comum do MERCOSUL 1, também não existe qualquer especificação que venha a permitir a distinção entre tais produtos, mesmo com a criação dos itens e subitens correspondentes, (...): (...) O Sistema Harmonizado foi desenvolvido pela Organização Mundial de Aduanas como nomenclatura internacional de produtos comercializados em quantidades economicamente significativas visando, entre outros propósitos, possibilitar a confecção de estatísticas internacionais de comércio, constituir Fl. 509DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 base para a aplicação de regras de origem, monitoramento de mercadorias controladas, elaboração de mecanismos de defesa comercial. É mantido sob constante revisão para que possa estar adaptado às mudanças tecnológicas e aos padrões comerciais. Pela orientação contida no Sistema Harmonizado entendo que os perfumes caracterizamse pela concentração elevada da substância odorífera, geralmente oleosa, diferentemente das águas de colônia, águas de perfume, águas de cheiro, que são menos concentradas. A Tarifa Externa Comum (TEC) dispõe de forma diversa: na posição 3303, sem desdobramento em subposições de primeiro nem de segundo nível, estão os perfumes e as águasdecolônia; enquanto no item 10 estão os perfumes, sinônimos de extratos; e no item 20 as águasdecolônia. Vale lembrar que na estrutura do Sistema Harmonizado (SH) o gênero está indicado nas posições, o subgênero nas subposições e as espécies das mercadorias são identificadas pelos itens ou subitens. Nenhuma nota de seção ou de capítulo trata do tema. Fazendose uso subsidiário das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) para distinguir os perfumes (extratos) das águasdecolônia temse que: 33.03 PERFUMES E ÁGUASDECOLÔNIA. A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks)), e as águasdecolônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águasdecolônia (por exemplo, águadecolônia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confundir se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 33.01, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado de álcool empregado. [sublinhado do relator deste recurso voluntário] A Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN também defendeu esse posicionamento ao enfrentar a mesma matéria. Vejase excertos externados no Acórdão nº 301 34.076: Ocorre que, ao entender desta Conselheira, não há que se classificar o produto em perfume ou água de colônia de acordo com o percentual de substituição odorífera, pois as regras NESH não fizeram esta distinção, ademais, mundialmente, a distinção entre águas de colônia e perfumes não é feita pelo percentual de substituição odorífera e o órgão nacional competente para analisar, para fins de registro do produto, também não adota tal classificação. E, além disto, a conclusão do laudo é discutível em vista do método utilizado Fl. 510DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.000651/200362 Acórdão n.º 930301.514 CSRFT3 Fl. 439 7 Cumpre salientar que as Notas Explicativas do Sistema Integrado não fazem nenhuma referência ao teor de substâncias odoríferas que um produto deve conter para ser classificado como perfume ou como água de colônia, conforme abaixo transcrito: "33.03 — Perfumes e águas de colônia A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks), e as águas de colônia cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes, propriamente ditos, também chamados de extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águas de colônia que não devem confundirse com as águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 3301, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado de álcool empregado". A rega supra transcrita em momento algum versa sobre os limites de concentração aromática que devem ser adotados pela Fiscalização a fim de determinar a distinção entre águas de colônia e extrato. Portanto, está claro para esta Conselheira que a forma de distinção entre águas de colônia e perfume é comparativa, dentro da mesma linhagem do produto, dada a impossibilidade de ser indicado um percentual parâmetro para fazer tal distinção em todos os casos. Por outro giro é indiscutível que a ANVISA classificou o produto, para fins de licença em ÁGUAS DE COLÔNIA, afastando, assim, a previsão do estabelecido pelo inciso II do art. 49 do Decreto n°. 79.094/77. E, notese, que consoante meu entendimento não há que se aplicar este Decreto ao presente caso, posto que as regras de classificação fiscal, como acima apontado, não fazem qualquer menção a ele ou a forma de classificação de acordo com o percentual de substância odorífera. Aplicar tal decreto à classificação fiscal é extrapolar os limites das NESH. E, além do mais, não há como concordar com o entendimento expresso na Nota Coana/Cotac/Dinom n°. 2006/00344, de 13 de dezembro de 2006 (que reformou a Nota Coana/Cotac/Dinom n°. 253, de 2002), classificando no código 3303.00.10 da NCM "mercadorias constituídas pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração superior a 10% (dez por cento)" e classificando no código 3303.00.20 "mercadorias Fl. 511DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 constituídas pela dissolução de uma composição aromática, em concentração inferior ou igual a 10% (dez por cento), em álcool de diversas graduações". Na mesma linha de pensamento é o entendimento de TARÁSIO CAMPELO BORGES, externado no Acórdão nº 30333.697, cuja ementa está assim reproduzida: Ementa: Classificação de mercadoria. Perfume (extrato) ou águadecolônia. Os limites da concentração da composição aromática fixados nas alíneas “a” e “b” do inciso II do artigo 49 do Decreto 79.094, de 5 de janeiro de 1977, são específicos para o fim de registro dos perfumes (extratos, águasdecolônia etc.) no sistema de vigilância sanitária. Na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), a classificação dos perfumes (extratos) e das águasdecolônia independe dos valores absolutos da concentração da composição aromática. É o confronto da concentração de um com a do outro que define qual deles é perfume (extrato) e qual deles é água de colônia. Recurso voluntário provido. Consta do voto do Acórdão nº 30333.697, acima citado, os seguintes excertos: Portanto, para a classificação fiscal desses produtos, entendo irrelevantes os valores absolutos da concentração da composição aromática de cada um deles e conseqüentemente equivocados os fundamentos da denúncia fiscal. No meu sentir, é o confronto da concentração de um com a do outro que define qual deles é perfume (extrato) e qual deles é água de colônia, fato sequer noticiado nos autos deste processo administrativo. No mesmo entendimento, penso ser irrelevante os valores absolutos da concentração da composição aromática apurados pela fiscalização. Conseqüentemente, a proporção dos componentes odoríferos e sua concentração na fórmula da fragrância, na verdade, será determinada pelas caracteristicas individuais de cada substância, bem como pela harmonia da combinação entre elas. Vale dizer, para a obtenção de determinado resultado olfativo final, a qualidade das substâncias empregadas é mais importante que a sua quantidade CONCLUSÃO: Com essas considerações, VOTO no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Maria Teresa Martínez López Fl. 512DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.000651/200362 Acórdão n.º 930301.514 CSRFT3 Fl. 440 9 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10380.010407/2004-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS- RECURSO ESPECIAL- EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA - DECISÃO CONTRÁRIA À LEI - Não existindo previsão legal que determine a segregação das atividades empresariais desempenhadas pelo contribuinte em CNPJ(s) distintos, posto que o cadastro da empresa individual está intimamente atrelado à pessoa física do empresário, não subsiste o cancelamento do auto de infração sob alegação de erro na identificação do sujeito passivo em razão da tributação sob CNPJ já existente.
Numero da decisão: 9101-000.793
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, devendo o processo ser encaminhado a Câmara de origem, para apreciação das demais razões de defesa.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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NORMAS PROCESSUAIS- RECURSO ESPECIAL- EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA - DECISÃO CONTRÁRIA À LEI - Não existindo previsão legal que determine a segregação das atividades empresariais desempenhadas pelo contribuinte em CNPJ(s) distintos, posto que o cadastro da empresa individual está intimamente atrelado à pessoa física do empresário, não subsiste o cancelamento do auto de infração sob alegação de erro na identificação do sujeito passivo em razão da tributação sob CNPJ já existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, devendo o processo ser encaminhado a Câmara de origem, para apreciação das demais razões de defesa. (assinado digitalmente) CAIO MARCOS CANDIDO Presidente Substituto (assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre de Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Nelson Losso e João Carlos de Lima Junior. Fl. 526DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10380.010407/2004-11 Acórdão n.º 9101-000.793 CSRF-T1 Fl. 2 2 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão contida no Acórdão n° 105-16.738, sessão de outubro de 2007, que deu provimento ao recurso voluntário por maioria de votos, impetrou RECURSO ESPECIAL com fulcro no artigo 7º inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais – RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. Cuidou o acórdão recorrido de situação em que a fiscalização apurou intensa e elevada movimentação bancária em nome da pessoa física do Sr. José Jacinto de Oliveira, que se constatou, afinal, ser decorrente de atividade comercial habitual por ele desenvolvida (intermediação e compra e venda de castanha de caju in natura), equiparando-o a pessoa jurídica. Como o Sr. José Jacinto já possuía inscrição no cadastro CNPJ sob a forma de firma individual em seu nome, não foi atribuído, de ofício, outro CNPJ, como sói acontecer quando, em procedimento de ofício, ocorre a equiparação de pessoa física a pessoa jurídica. . A 5ª Câmara, por maioria de votos, embora concordando com as conclusões da fiscalização e da decisão recorrida quanto à caracterização das atividades do Sr. JOSÉ JACINTO OLIVEIRA como sendo ATOS DE COMÉRCIO, bem como com a conseqüência disso advinda, que é a equiparação da pessoa física a pessoa jurídica para fins tributários, entendeu ter havido erro na identificação do sujeito passivo, e deu provimento ao recurso. A Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que, ao entender que a pessoa física José Jacinto de Oliveira não poderia ser equiparada à pessoa jurídica José Jacinto de Oliveira - ME e nem levada a efeito no seu CNPJ, por não haver ligação entre os depósitos feitos em conta corrente de pessoa física e a firma individual existente, contrariou, os artigos 142 do CTN e os artigos 966 e 967 do Código Civil Brasileiro. A presidência da 5ª Câmara deu seguimento ao recurso, por considerar atendidos os requisitos de admissibilidade. É o relatório. Fl. 527DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10380.010407/2004-11 Acórdão n.º 9101-000.793 CSRF-T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O presente recurso foi interposto com base nos permissivo do art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria ME u°. 147 - Anexo II, sob alegação de que a decisão recorrida seria contrária à lei e às provas dos autos, consoante o disposto no §1º do art. 15 do RICSRF. Como se viu do relatório, cuida-se de situação em que a pessoa física José Jacinto Oliveira, que já possuía uma inscrição como firma individual, passa a realizar operações de natureza empresarial, que o equiparam a pessoa jurídica, fora do âmbito da firma individual já existente. O acórdão vergastado encontra-se assim ementado: EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA - ATIVIDADE MERCANTIL - Demonstrado que a pessoa física exercia com habitualidade atividade mercantil, deve a fiscalização, de oficio, promover a sua inscrição no CNPJ como Pessoa Jurídica, de modo a estabelecer a exata sujeição passiva e proceder ao lançamento dos tributos pertinentes. ILEGITIMIDADE PASSIVA - ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – Não comprovada a associação dos depósitos bancários realizados na conta conjunta da pessoa física e seu cônjuge com qualquer atividade da pessoa jurídica - firma individual — caracteriza erro na identificação do sujeito passivo e a tributação nesta última, por acarretar conseqüências que ultrapassam os limites do lançamento tributário. Argumenta a PFN que a Câmara entendeu que a fiscalização deveria ter efetuado nova inscrição do contribuinte como firma individual e autuado a mesma, sem afetar ou envolver a firma individual já existente, posto que os depósitos bancários registrados na conta corrente da pessoa física em nada lhe diziam respeito. Alega ser equivocado tratar a firma individual José Jacinto Oliveira-ME como pessoa jurídica completamente dissociada da pessoa física que lhe deu origem, como se o exercício da atividade empresarial por uma pessoa natural implicasse em um desdobramento de sua personalidade jurídica. Aponta contrariedade à lei (art. 142 do CTN), no que respeita à identificação do sujeito passivo. De acordo com o art. 966 do Código Civil, empresário é quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. A Firma Individual (Empresário, Comerciante Individual) não tem personalidade jurídica, eis que, conforme art. 985, somente adquire personalidade jurídica a sociedade. A empresa individual para fins tributários é uma ficção, e sua inscrição no CNPJ não tem o condão de lhe atribuir personalidade jurídica. O Direito brasileiro não admite a distinção entre o patrimônio empresarial (o patrimônio do empresário individual afetado ao exercício de sua empresa) e o patrimônio Fl. 528DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10380.010407/2004-11 Acórdão n.º 9101-000.793 CSRF-T1 Fl. 4 4 particular da pessoa física (natural – fora da atividade empresarial). Assim, no exercício da empresa, o empresário responderá com todas as forças de seu patrimônio pessoal. Para fins de tributação, a pessoa natural que exerce atividade empresarial foi equiparada (ficção legal) a pessoa jurídica pelo art. 41 da Lei nº 4.506/64, que dispôs: Art. 41. Constituirá lucro operacional o resultado das atividades normais da empresa com personalidade jurídica de direito privado, seja qual for a sua forma ou objeto, e das empresas individuais. § 1º São empresas individuais, para os efeitos desta lei: a) as firmas individuais; b) as pessoas naturais que exploram em nome individual qualquer atividade econômica, mediante venda a terceiros de bens ou serviços, inclusive: Se a pessoa natural constitui uma firma individual para sob ela operar empresarialmente, fica obrigada a se inscrever no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas. Se, todavia, a pessoa natural exerce atividade empresária sem qualquer formalidade de registro, a fiscalização, ao verificar o fato, faz a inscrição no CNPJ de ofício, porque outra forma não há de tributar o resultado empresarial da referida pessoa natural sem ser sob um nº cadastral. Mas não existe um ente com personalidade jurídica distinta da pessoa natural. Apenas a tributação deve se dar sobre o resultado que a pessoa natural obtém na qualidade de empresário, como se pessoa jurídica fosse, separadamente dos rendimentos que essa mesma pessoa natural aufere sem a caracterização de atividade empresarial. A atribuição de ofício de um CNPJ só se justifica ante a ausência de inscrição, para possibilitar segregar o resultado dos rendimentos que a pessoa natural aufere na qualidade de empresário. Assim, não vislumbro erro de identificação do sujeito passivo, como entendeu a Câmara a quo. Para corroborar seu entendimento, o voto condutor da decisão recorrida se reporta a acórdão da Quarta Câmara, assim se expressando: A propósito, a Quarta Turma do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do acórdão n° 104-20.686, tendo como relatora a ilustre conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO, assim decidiu: . ILEGITIMIDADE PASSIVA — Não se comprovando a associação dos depósitos bancários com a pessoa jurídica da qual o correntista é titular, incabível a alegação de que a exigência deveria recair sobre a firma individual. Infere-se claramente, que a hipótese é justamente o oposto do que ocorre nestes autos. Lá, o sujeito passivo, pessoa física equiparada à pessoa jurídica, pugnava no sentido de que a tributação ocorresse na firma individual da qual era o titular. Fl. 529DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10380.010407/2004-11 Acórdão n.º 9101-000.793 CSRF-T1 Fl. 5 5 À falta de comprovação de que os depósitos realizados na conta- corrente da pessoa física tinham alguma ligação com a firma individual, os argumentos foram rejeitados e o recurso improvido. Ocorre que a situação analisada pela Quarta Câmara é diversa. No caso analisado pela Quarta Câmara, nada foi apresentado que pudesse relacionar a movimentação financeira com alguma atividade empresarial, o que impossibilitou a tributação das receitas como de pessoa jurídica. No presente processo a pessoa física, intimada, esclareceu que a elevada movimentação financeira em sua conta bancária era oriunda de recursos fornecidos por quatro empresas para aquisição, por seu intermédio, de castanhas de caju in natura, e a fiscalização, após diligência junto àquelas empresas, constatou tratar-se de intermediação e compra e venda habitual de castanhas de caju, caracterizando atividade empresarial. Se não houvesse inscrição no CNPJ de empresa individual em nome da pessoa física fiscalizada, a autoridade fiscal teria que inscrevê-la de ofício para possibilitar a tributação como pessoa jurídica. Todavia, como já existia uma regular inscrição de empresa individual em nome da pessoa física, a tributação deu-se em seu nome. A empresa individual não tem personalidade jurídica, e a inscrição no CNPJ tem por escopo a tributação, como pessoa jurídica, do resultado da atividade empresária exercida pela pessoa natural. Nesse passo, endosso as razões da PFN, a seguir transcritas: 10. Contudo, equivoca-se a douta autoridade julgadora em tratar a firma individual José Jacinto Oliveira ME como pessoa jurídica completamente dissociada da pessoa física que lhe deu origem, como se o exercício da atividade empresarial por uma pessoa natural implicasse em um desdobramento de sua personalidade jurídica. Senão, vejamos. 11. Dispõe o art. 966 do Código Civil: "Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços". 12. Depreende-se do referido dispositivo legal que a pessoa natural que exerça atividade de empresário, ou seja, que desempenhe atividade econômica destinada à criação de riqueza, pela produção ou pela circulação de bens ou de serviços, de forma organizada e profissionalmente, deverá ser tratada por empresário individual, empresa individual ou firma. 13. Por sua vez, o art. 967 do Código Civil, estabelece a obrigatoriedade de inscrição da pessoa natural que exerça atividade empresarial no Registro Comercial e no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ). (...) 15. Constata-se, portanto, que o exercício da atividade de empresário, não cria em hipótese alguma, uma nova Fl. 530DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10380.010407/2004-11 Acórdão n.º 9101-000.793 CSRF-T1 Fl. 6 6 personalidade jurídica. É dizer, se uma pessoa física passar a exercer atividade empresarial, não haverá um desdobramento de personalidade, nem surgirá uma pessoa nova por conta disso. O que ocorre é que uma só pessoa terá direito ao uso de dois nomes: o nome registrado no Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais e o nome empresarial, para exercício da empresa. (...) 17. Desse modo, por não haver dissociação entre a personalidade da firma individual e a de seu titular, inclusive para fins de responsabilidade, não há razão jurídica para que a atividade empresária desenvolvida pelo contribuinte não possa ser considerada una. 18. Com efeito, não existe previsão legal que determine a segregação das atividades empresariais desempenhadas pelo contribuinte em CNPJ distintos, posto que o cadastro da empresa individual está intimamente atrelado à pessoa física do empresário. 19. Toda a atividade desempenhada pelo fiscalizado é atividade empresária. Ela é única e não há porque segregá-la. Daí a desnecessidade de nova inscrição no cadastro do CNPJ quando o indivíduo já se encontra registrado como firma individual.” Portanto, ante os argumentos acima, DOU provimento ao recurso da D. Procuradoria da Fazenda Nacional para afastar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo, devendo o processo ser encaminhado à Primeira Seção do CARF para análise das demais questões do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 14 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 531DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI
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