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Numero do processo: 10980.015232/99-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO.
Constatada omissão, quando do julgamento do Recurso Especial apresentado pela PGFN, consubstanciada pela ausência de pronunciamento acerca de argumento da Recorrente no sentido de se excluir a atualização de ressarcimento de crédito presumido pela taxa SELIC, deve ser promovida a complementação do Acórdão.
Embargos acolhidos para suprir a omissão do julgado.
TAXA SELIC.
Inexiste previsão legal para atualização de valores pertinentes a ressarcimento de créditos presumido de IPI. A ausência de autorização legal impede a correção desses créditos.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 9303-001.245
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes, para sanar a omissão da aplicação da taxa Selic no ressarcimento, no Acórdão nº CSRF/02-690, que passa a ter a seguinte decisão: “I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Josefa Maria Coelho Marques, Antonio Carlos Atulim e Henrique Pinheiro Torres, que davam provimento; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Susy Gomes Hoffmann, que admitiam a atualização monetária sobre o ressarcimento com a utilização da taxa Selic, a partir da data de protocolização do respectivo pedido de ressarcimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.”
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. Constatada omissão, quando do julgamento do Recurso Especial apresentado pela PGFN, consubstanciada pela ausência de pronunciamento acerca de argumento da Recorrente no sentido de se excluir a atualização de ressarcimento de crédito presumido pela taxa SELIC, deve ser promovida a complementação do Acórdão. Embargos acolhidos para suprir a omissão do julgado. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para atualização de valores pertinentes a ressarcimento de créditos presumido de IPI. A ausência de autorização legal impede a correção desses créditos. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes, para sanar a omissão da aplicação da taxa Selic no ressarcimento, no Acórdão nº CSRF/02690, que passa a ter a seguinte decisão: “I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Josefa Maria Coelho Marques, Antonio Carlos Atulim e Henrique Pinheiro Torres, que davam provimento; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Susy Gomes Hoffmann, que admitiam a atualização monetária sobre o ressarcimento com a utilização da taxa Selic, a partir da data de protocolização do respectivo Fl. 267DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 pedido de ressarcimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.” Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Tereza Martínez López Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Beatriz Veríssimo de Sena, Gilson Macedo Roseburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal em Campo Grande, contra Acórdão CSRF/0202.690, sob o entendimento de ter ocorrido omissão de julgamento sobre a incidência da Taxa SELIC sobre o ressarcimento. O interessado apresentou, em 23.09.99, Pedido de Ressarcimento do Crédito Presumido do IPI relativo às exportações (Lei n° 9.363/96), correspondente ao segundo trimestre de 1997 (fls. 01), acompanhado da respectiva Documentação de fls. 02 a 83. Após as diligências da fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Curitiba PR, foi proferido o despacho decisório dessa unidade da administração tributária federal, em 19.05.2000 (fls. 97), tomando por base as conclusões da fiscalização (fls. 92 a 96) e reconhecendo, parcialmente, o direito creditório; decisão da qual foi cientificado o peticionário em 23.05.2000, às fls. 97. Inconformada, a contribuinte impugnou tal despacho, por instrumento apresentado em 23.06.2000 (fls. 98 a 107). A decisão de primeira instância, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba PR, datada de 26.07.2000, tomou conhecimento da impugnação para, na seqüência, indeferir o pleito do sujeito passivo (fls. 109 a 117). Cientificado da decisão monocrática por Aviso de Recebimento de 05.09.2000 (fls. 119), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário para o Conselho de Contribuinte em 03.10.2000 (fls. 120 a 130), reiterando os seus argumentos. Por meio do Acórdão nº 20174618, em Sessão de 22.05.2001, em apertada síntese, foi lhe dado parcial provimento. A D. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, interpôs recurso especial de duas matérias: (i) Quanto à aquisição de matérias primas de pessoas físicas e de cooperativa, e (ii) quanto à utilização da Taxa SELIC no ressarcimento. O Acórdão da CSRF embargado tratou apenas da primeira questão. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.015232/9989 Acórdão n.º 930301.245 CSRFT3 Fl. 268 3 Por meio de sorteio, esta Conselheira foi designada “ad hoc” para o exame da matéria, nos termos do § 7º, art. 49, anexo II, da Portaria MF 256/2009. É a síntese do relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme relatado, tratase de interposição de embargos de declaração sob entendimento de ter ocorrido omissão de ponto de que esta Eg. CSRF deveria ter se manifestado. Por meio do Acórdão nº 20174618, em Sessão de 22.05.2001, em apertada síntese, foi lhe dado parcial provimento. A D. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, interpôs recurso especial de duas matérias: (i) Quanto à aquisição de matérias primas de pessoas físicas e de cooperativa, e (ii) quanto à utilização da Taxa SELIC no ressarcimento. O Acórdão da CSRF/0202.690, de 24/04/2007, ora embargado tratou apenas da primeira questão. Assiste portanto razão à embargante. De fato a CSRF deixou de apreciar a matéria SELIC no ressarcimento, razão pela qual acolho os embargos declaratórios face à omissão apresentada. DA TAXA SELIC A decisão recorrida deu provimento quanto à utilização da SELIC no ressarcimento. Há de se observar ter a contribuinte, ora interessada, solicitado inicialmente a SELIC desde abril de 1997, e não da data da protocolização do pedido. O cerne da questão diz respeito à respectiva atualização monetária, a partir da protocolização do pedido de ressarcimento de créditos de IPI. Penso parcialmente equivocado o raciocínio externado pela Fazenda Nacional. Ressalto conhecer da existência de Jurisprudência cristalina dos Tribunais Superiores no sentido de que crédito escritural não deve ser sujeito à atualização. Não é o caso quando a decisão administrativa reconhece o direito a partir do protocolo do pedido administrativo de ressarcimento de crédito de IPI. Aliás, a partir do protocolo de pedido de restituição de determinada importância, passa a ser a referida importância, uma dívida. Como dívida, ressalvase um outro aspecto importante. A demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. Cabe também asseverar que não se discute se correção monetária é mera recomposição do poder aquisitivo da moeda, fato este constatado pela jurisprudência dos Fl. 269DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Tribunais Superiores, a exemplo dos seguintes julgados: RE nº 93.415/RS, RE nº 893837/RJ, RE nº 77.803/RS. Penso, que a partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, garantase o direito à atualização monetária pela SELIC, nesse período, nos moldes aplicáveis na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais. A negativa de aplicação da taxa SELIC, nos ressarcimentos de crédito do IPI, por parte dos julgadores administrativos tem sido fundamentada em duas linhas de argumentação: uma, com o entendimento de que seria indevida a correção monetária, por ausência de expressa previsão legal, e a outra considera cabível a correção monetária até 31 de dezembro de 1995, por analogia com o disposto no art. 66, § 3o, da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, não admitindo contudo a correção a partir de 1o de janeiro de 1996, com base na taxa SELIC, por ter ela natureza de juros e alcançar patamares muito superiores à inflação efetivamente ocorrida. Não comungo nenhum desses entendimentos, pois, sendo a correção monetária mero resgate do valor real da moeda, é perfeitamente cabível a analogia com o instituto da restituição para dispensar ao ressarcimento o mesmo tratamento, como o faz a segunda linha de argumentação acima referida, à qual não me alio porque, no meu entender, a extinção da correção monetária a partir de 1o de janeiro de 1996 não afasta, por si só, a possibilidade de incidência taxa SELIC os ressarcimentos. Entendo que, se sobre os indébitos tributários incidem juros moratórios, também nos ressarcimentos, analogamente à correção monetária, esses juros são cabíveis. Registrese, entretanto, que os indébitos e os ressarcimentos se diferenciam no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracterizase como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornam passíveis de ressarcimento em espécie quando não houver possibilidade de se proceder a essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco. Destarte, podese afirmar que a obrigação de ressarcir em espécie nasce para o Fisco apenas a partir desse pedido, portanto, somente com a protocolização do pedido de ressarcimento, podese falar em ocorrência de demora do Fisco em ressarcir o contribuinte, havendo, pois, a possibilidade de fluência de juros moratórios. Ademais, o simples fato de a taxa de juros eleita por lei para a administração tributária ser compensada pela demora no pagamento dos seus créditos e compensar o contribuinte pela demora na devolução do indevido alcançar patamares superiores ao da inflação não pode servir à negativa de compensar o contribuinte pela demora do Fisco no ressarcimento. Alguns poderiam questionar o por quê da escolha da taxa SELIC. Penso que a sua aplicação vai de encontro ao adotado na legislação, nos pedidos de restituição, compensação e cobrança de créditos da União. Em verdade, o Fisco exige ou paga ao contribuinte aquilo que a União paga para tal captação. Nesse sentido, “os juros” são devidos por representar remuneração do capital, que permaneceu à disposição da empresa, e não guardam natureza de sanção. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.015232/9989 Acórdão n.º 930301.245 CSRFT3 Fl. 269 5 Por esses motivos, a exemplo do ocorrido na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais é que entendo que a escolha da taxa SELIC reflete a melhor opção. Devida assim a atualização monetária, somente a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Portanto, diante do exposto dou provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, eis que esta Conselheira admite a atualização somente a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de: I acolher os embargos declaratório com efeitos infringentes para retificar o AC. CSRF/0202.690, de 24/04/2007, para: II no mérito, dar provimento parcial ao recurso da Fazenda, no que diz respeito à atualização do ressarcimento do credito presumido pela Taxa SELIC, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado O Colegiado, por unanimidade de votos, conheceu dos embargos de declaração, com efeitos infringentes para suprir a omissão e enfrentar a questão da incidência de correção monetária sobre eventuais créditos a ressarcir ao sujeito passivo. Nesse ponto discordo do entendimento da nobre relatora, pelas razões seguintes: esse tema tem sido objeto de acirrados debates no Segundo Conselho de Contribuintes e nesta turma da CSRF, ora prevalecendo a posição da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição dos Colegiados. A meu sentir, a posição mais consentânea com o bom direito é a da não incidência de correção monetária desses créditos, visto que, contra tal pretensão, há o fato intransponível da inexistência de previsão legal que autorize a atualização. A Lei concessiva do benefício (Lei 9.363/1996) foi absolutamente silente em relação ao tema. A Instrução Normativa SRF nº 125, de 07/12/89, que trata dos créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI, ao prever o ressarcimento em dinheiro dos créditos excedentes aos débitos, não faculta a hipótese de utilização da correção monetária nesses créditos. Aliás, mandou que se corrigisse monetariamente apenas a importância recebida Fl. 271DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 a maior, nos casos em que a requerente, comprovadamente, tenha obtido ressarcimento indevido. Assim, na legislação específica desse benefício não há previsão legal autorizando a correção monetária do valor a ser ressarcido. Resta, agora, analisar a parte geral da Legislação para verificar se há previsão para que se atualizem os créditos do IPI. O RIPI/98, que reproduz a legislação do IPI não traz qualquer autorização para que se corrijam valores a ressarcir. A lei 9.779/1999 que modificou a sistemática de utilização de créditos de IPI não deu qualquer abertura para que se corrigissem eventuais ressarcimentos. A IN SRF nº 33/1999, que cuidou, dentre outros temas, do direito a ressarcimento trimestral do saldo credor de IPI, não previu qualquer hipótese de atualização desses créditos. Confirmase, assim, não haver previsão legal para proceder a correção monetária do crédito de IPI, e de outra forma não poderia ser, pois na sistemática de crédito criada pelo legislador ordinário, para atender o princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, onde se abate o imposto efetivamente pago nas operações anteriores do IPI devido na operação seguinte, não há lugar para a correção monetária, pois consistiria numa redução do IPI a recolher sem base legal ou lógica. Ora, se não é admissível a correção do crédito utilizado para abater do imposto devido, tampouco haveria razão para se permitir a correção do crédito a ser ressarcido. Também a Lei 8.383/91, que instituiu a UFIR como medida de valor e parâmetro de atualização monetária de tributos, multas e penalidades de qualquer natureza, previstos na legislação tributária federal, não tratou da correção do crédito do IPI. O art. 66, § 3º dessa Lei, ao contrário do alegado, não é o suporte legal para a correção monetária dos créditos a lhe serem restituídos. Tal dispositivo trata dos casos de repetição do pagamento indevido ou da parcela paga a maior. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. § 1º (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Destaque não presente no original). Decorre dos princípios da hermenêutica que na interpretação das normas jurídicas não se pode dissociar o parágrafo do caput do artigo, a interpretação deve ser integrada, sistêmica e não isoladamente, de tal forma que o parágrafo complete o sentido do artigo ou acrescente exceções ao seu enunciado. Assim, o § 3º supracitado ao estabelecer que o valor da compensação ou da restituição serão corrigidos, está completando o sentido do caput do art. 66 que trata exclusivamente de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos e contribuições federais. Por outro lado, a aplicação da taxa SELIC à compensação ou à restituição foi assim estabelecida no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.015232/9989 Acórdão n.º 930301.245 CSRFT3 Fl. 270 7 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Grifouse). Ora, ao reportarse ao art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, o dispositivo legal acima transcrito restringe a aplicação da taxa SELIC apenas aos casos de compensação ou restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais. Essas hipóteses de repetição do indébito em nada se assemelham ao ressarcimento dos Processo nº 10980.015232/9989 Acórdão n.º 930301.245 CSRFT3 Fl. 274 8 créditos decorrentes de estímulos fiscais; portanto, não é lícito estender o alcance desse dispositivo legal para permitir a correção monetária pretendida. Por sua vez, o Código Tributário Nacional ao tratar sobre pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido assim dispôs: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento , ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de3 decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. (Grifouse). Fl. 273DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Como se pode perceber dos dispositivos transcritos, o CTN quando trata de compensação ou restituição, referese a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que o devido, o que não é absolutamente o caso do presente processo, que se refere a ressarcimento de crédito presumido de IPI. Ressaltese que o direito à compensação desse crédito ou a seu ressarcimento em espécie, o qual tem como fundamento o favor fiscal graciosamente concedido pela entidade tributante, não tem a mesma natureza jurídica da repetição do indébito, vez que esta tem como origem um pagamento indevido ou maior que o devido pelo sujeito passivo. Em outras palavras, o ressarcimento ou a compensação do crédito de IPI relativo as aquisições de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos têm natureza jurídica de incentivo fiscal, enquanto a repetição do indébito, quer na modalidade de restituição, quer na de compensação, tem natureza jurídica de devolução de tributo exigido indevidamente (de receita que ingressou nos cofres da Fazenda Nacional e que não lhe pertencia de direito). Ademais, a empresa ao adquirir os insumos paga a contribuição que vem embutida no preço das mercadorias, exatamente como determina a lei. O que existe posteriormente é um favor fiscal que prevê o ressarcimento desses tributos na forma de créditos de IPI. Donde concluise que o ressarcimento desse crédito não se confunde com a devolução de pagamento indevido. Dessa forma, não é lícito valerse da analogia para estender ao ressarcimento de crédito o que a legislação (artigo 39, § 4º da Lei 9.250 c/c o art. 66, da Lei nº 8.383, de 1991) prevê exclusivamente para as hipóteses de compensação e de restituição de pagamento de tributos e contribuições indevidos ou pagos a maior que o devido. Ora, é evidente que se o legislador quisesse conceder a correção monetária também para o ressarcimento em questão, teloia incluído nos diplomas legais citados ou no que instituiu o incentivo fiscal. De todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar a exclusão da incidência da taxa Selic sobre eventuais créditos a ressarcir ao sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 274DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10410.006963/2009-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005
LANÇAMENTO. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR
INFORMADO NA DIPJ E O DECLARADO EM DCTF. PROCEDÊNCIA.
Procede o lançamento de diferenças a pagar apuradas entre a Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), quando, devidamente intimado a esclarecer a divergência, o sujeito passivo nada se lhe contrapõe.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1803-001.115
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do
CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E O DECLARADO EM DCTF. PROCEDÊNCIA. Procede o lançamento de diferenças a pagar apuradas entre a Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), quando, devidamente intimado a esclarecer a divergência, o sujeito passivo nada se lhe contrapõe. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10410.006963/200995 Acórdão n.º 180301.115 S1TE03 Fl. 253 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 1131.195, exarado pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em RecifePE: “Contra a sociedade empresária acima identificada foi lavrado o Auto de Infração, às fls. 27 a 36, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para exigência de créditos tributários referentes ao ano calendário de 2005, adiante especificados: Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e Termo de Encerramento do respectivo Auto de Infração (fls. 30/31 e 34/36), que passa a integrar a presente decisão como se aqui transcritos fosse, a autoridade autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata a infração apurada nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: DA AÇÃO FISCAL A empresa foi selecionada a partir de revisão parametrizada em virtude de insuficiência de recolhimento do IRPJ informado na DIPJ, tendo em vista que os valores declarados não foram encontrados nos sistemas de pagamento SINAL, em DCTF ou PER/DCOMP da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Intimada via postal cm 10/11/2009, com data de ciência em 13/11/2009, e reintimada em 30/11/2009, com data de ciência em 04/12/2009, a esclarecer o porquê de os valores informados em DIPJ referentes a IMPOSTO DE RENDA A PAGAR estarem superiores aos informados em DCTF, bem como não ter apresentado qualquer PER/DCOMP compensando os valores informados de IRPJ. No caso, foi encontrado um recolhimento no código de arrecadação 2089 no dia 30/06/2005, no valor de R$ 899,29, o qual não foi compensado com o valor apurado do IRPJ, objeto desta autuação, em virtude deste valor não ter sido declarado em DCTF. Em resposta datada de 03112/2009, a empresa alegou que estava impossibilitada de apresentar os livros fiscais e contábeis cm virtude de roubo de documentos financeiros, contábeis, fiscais c administrativos, para tanto apresentou cópia de boletim de ocorrência denunciando o fato ocorrido. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10410.006963/200995 Acórdão n.º 180301.115 S1TE03 Fl. 254 3 Alegou, ainda, a impossibilidade de apresentar o que fora solicitado nas intimações em virtude de também estar sob fiscalização por parte da Secretaria da Receita Estadual do Estado de Alagoas; a qual, segundo a empresa, estava com seus livros contábeis e fiscais. Para tanto, apresentou cópia da Intimação Fiscal emitida por aquele órgão, cm que o mesmo solicita vários documentos e livros fiscais. Em análise da referida intimação do Fisco Estadual, a autoridade fiscal não vislumbrou a solicitação por parte daquela fiscalização dos livros Diário e Razão; que, em tese, seriam as bases de confecção da DIPJ objeto desta revisão. Desta forma, como a empresa não contestou os valores do IRPJ declarados na DIPJ Retificadora apresentada cm 01/12/2006, a autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Infração, concernente ao IRPJ trimestral com base no lucro presumido. DA IMPUGNAÇÃO AO AUTO DE INFRAÇÃO Após ter ciência do Auto de Infração, a Contribuinte apresentou impugnação ao mesmo (fls. 50 a 70), apresentando, em síntese, as seguintes razões de fato e de direito: De inicio, apresentou breve estudo sobre aspectos constitucionais pertinentes ao Processo Administrativo Tributário (fls. 51/53), destacando, ao final, que nenhum ato administrativo pode ser discricionário, pois as atividades administrativofiscais de lançamento e julgamento são atividades administrativas plenamente vinculadas, nos moldes estatuídos no art. 30 do CTN. Em seguida, ressaltou que a exigibilidade do crédito tributário lançado de oficio encontrarse suspensa, por força dos comandos emitidos pelo art. 151 do CTN. 4.1 DA AUTUAÇÃO FISCAL A exigência fiscal corresponde ao crédito tributário referente insuficiência de recolhimento do IRPJ informado na DIPJ, cujos valores declarados estão superiores aos informados em DCTF. Para a apuração do valor do crédito tributário, o fisco adotou como base de cálculo apenas a DIPJ, não considerando o valor contido na DCTF DAS RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO A informação contida na DIPJ não é elemento induvidoso para constituição do crédito tributário, mas é a DCTF que pode aparelhar a exigência do crédito tributário, e não é o que se visualiza nos presentes autos. De tal forma, se houver divergência entre os valores contidos na DIPJ e DCTF, o lançamento deve pautar se levando em conta apenas a DCTF. (Instrução Normativa n" 127/98 c DecretoLei n°2124/84, art. 5º). Fl. 154DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10410.006963/200995 Acórdão n.º 180301.115 S1TE03 Fl. 255 4 A partir do exercício 2000, anocalendário 1999, a DIPJ não mais se constitui cm meio próprio para confissão de divida. Somente por meio da DCTF é que os débitos tributários são confessados, pelo que os valores não informados como saldos a pagar em DCTF devem ser lançados de oficio, mesmo que constem de DIPJ. Com efeito, levandose em consideração que o lançamento fora promovido eminentemente com base na DIPJ, não resta dúvida que o mesmo é totalmente improcedente. O fisco não se desincumbiu de investigar minuciosamente todos os elementos a fim de efetuar um lançamento com base em informações seguras, não podendo simplesmente se utilizar dos dados contidos na DIPJ para efetuar o lançamento de oficio, mesmo porque houve erro de fato, não se podendo atribuir esse valor como base de cálculo a aparelhar a exigência do tributo. Corno a DIPJ não pode ser considerada para efeito de exigência do crédito tributário, caberia ao fisco fazer o lançamento com base nos elementos contidos na DCTF, e não o contrário, demonstrando a insubsistência do lançamento, através do auto de infração respectivo. DA MULTA FISCAL ESCORCHANTE, COM EFEITO CONFISCATÓRIO E O PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE A hipótese discutida nos presentes autos é o exemplo clássico de regra jurídica inconstitucional, haja vista ferir flagrantemente o principio da proporcionalidade. A multa aplicada possui caráter confiscatório, sendo suficiente, inclusive, para extinguir definitivamente as suas atividades mercantis, caso seja mantida. Impor ao contribuinte uma multa muito elevada implica desvirtuar a função da multa regulamentar, que passa de sanção pela omissão/mora, com vista a inibir a infração, a uma afronta descabida ao patrimônio do contribuinte. O Impugnante relatou posições doutrinárias e decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal no sentido de sua defesa (fls. 57/64). DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DA SELIC O Impugnante alegou que a utilização da taxa SELIC como fator de correção monetária dos tributos ofende os seguintes princípios constitucionais: da legalidade da anterioridade; da indelegabilidade da competência tributária e, ainda, da segurança jurídica. Transcreveu decisão judicial do STJ e posição doutrinária. Concluiu afirmando ser a taxa SELIC inconstitucional e ilegal, devendo ser excluída do crédito fiscal descrito no auto de infração. DOS PEDIDOS Fl. 155DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10410.006963/200995 Acórdão n.º 180301.115 S1TE03 Fl. 256 5 Por todo o exposto, demonstrada a impertinência da exigência contida no referido auto de infração, requereu o reconhecimento da improcedência absoluta do lançamento fiscal. (...)”. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em RecifePE, na sessão de em 24/09/2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 1131.195, entendendo “por unanimidade de votos, considerar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE nos termos do relatório, voto e conclusão que passam a integrar o presente julgado, sendo mantido em parte o crédito tributário”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E O DECLARADO EM DCTF. Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores demonstrados nas Declarações DIPJ e os valores declarados na DCTF, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA (TAXA SELIC) INCONSTITUCIONALIDADE. Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/11/2010 (sextafeira), AR fls. 106, a ANHANGUERA CARNES E FRIOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1131.195, protocolou em 13/12/2010 Recurso Voluntário (fls. 107 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10410.006963/200995 Acórdão n.º 180301.115 S1TE03 Fl. 257 6 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Essa 3ª Turma Especial em 18/10/2011 realizou o julgamento do Processo Administrativo nº 10410.006964/200930, exarando o Acórdão nº. 180301.078 da lavra do ilustre Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, o qual peço vênia para transcrever as razões, por se tratar de autuação do mesmo contribuinte referente ao exercício de 2006: “Lançamento DIPJ x DCTF 4. O raciocínio em que se fundamenta a Recorrente é, basicamente, o seguinte: a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não se constitui em meio próprio para confissão de dívida, ao contrário da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF); logo, os valores desta é que devem ser considerados pela fiscalização, desprezandose os daquela. 5. Todavia, se é certo que não contém a DIPJ a expressão “Esta declaração constitui confissão de dívida”, também é correto que passou a constar em seu Recibo de Entrega a expressão “As informações prestadas na DIPJ correspondem à expressão da verdade (Decretolei nº 2.124/84, art. 5º e Lei nº 9.779/99, art. 16)”. 6. De todo modo, na DCTF apresentada, nada constava como valor a pagar (fls. 12 e 13), ao contrário da DIPJ (fls. 9 e 10). 7. Assim, andou bem a fiscalização ao efetuar o lançamento da diferença de valores constatada entre essas duas declarações (DIPJ e DCTF), quando, devidamente intimada (fls. 17) e reintimada (fls. 20) para esclarecer essa divergência, a autuada nada se lhe contrapôs. 8. Em sua Impugnação e Recurso, afirma a Recorrente o seguinte (fls. 57 e 116): ‘De mais a mais, o fisco não se desincumbiu de investigar minuciosamente todos os elementos, a fim de efetuar um lançamento com base em informações seguras, não podendo simplesmente se utilizar dos dados contidos na DIPJ para efetuar o lançamento de ofício, mesmo porque, como houve erro de fato, não se pode atribuir esse valor como base de cálculo a aparelhar a exigência do tributo’. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10410.006963/200995 Acórdão n.º 180301.115 S1TE03 Fl. 258 7 9. Sucede que caberia à Recorrente o ônus de comprovar qualquer inexatidão nas informações prestadas na DIPJ, por ela mesma declarada, sendo de se ressaltar que se está diante de uma declaração retificadora (fls. 7), o que torna ainda mais improvável a existência de qualquer erro de preenchimento. Multa de ofício 10. No que se refere à alegada inconstitucionalidade da aplicação da multa de ofício, por pretensamente ferir flagrantemente o princípio da proporcionalidade e possuir caráter confiscatório, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 11. Quanto às irresignações relativas ao seu montante pretensamente escorchante e elevado, tratandose de lei regularmente inserida no ordenamento jurídico nacional e de observância obrigatória pelo poder Executivo, ao qual pertence o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), resta à Recorrente socorrerse perante os poderes Judiciário ou Legislativo: aquele, para considerar inconstitucional referida multa, se for o caso; e este, para alterarlhe o percentual, o valor ou a base de cálculo, se assim entender conveniente.” Assim, fazendo meus os argumentos apresentados pelo ilustre Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes quando do julgamento do Processo Administrativo nº 10410.006964/200930, constantes do Acórdão nº. 180301.078, voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter, integralmente a decisão ratificada pelo Acórdão nº 11 31.195, exarado pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em RecifePE. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Assinado Digitalmente Fl. 158DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000218/2004-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA.
Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de relevância econômica da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos na conduta do agente, notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.836
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de relevância econômica da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos na conduta do agente, notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 28/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Celso Garcia foi lavrado o auto de infração de fls. 322/324, objetivando a exigência de imposto de renda pessoa física do anocalendário de 1998, tendo sido apuradas omissões (i) de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física e (ii) de rendimentos caracterizados por depósitos bancários com origem não comprova. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 10616.089, que se encontra às fls. 1.132/1.149 e cuja ementa é a seguinte: “JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. IRPF DECADÊNCIA – Não caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. Recurso provido.” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.000218/200461 Acórdão n.º 920201.836 CSRFT2 Fl. 2 3 A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Intimada pessoalmente do acórdão em 25/09/2008 (fls. 1.151) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência às fls. 1.156/1.162, em que sustenta, em apertada síntese, ter sido comprovado o intuito de fraude à legislação tributária pela conduta reiterada do contribuinte em omitir rendimentos, devendo ser mantida a multa qualificada, deslocandose a contagem do prazo decadência do artigo 150, §4º do CTN para o artigo 173, I, do CTN. Ao Recurso Especial foi negado seguimento, conforme Despacho nº DDF106150595_451, de 23/12/2008 (fls. 1.169/1.173), tendo a Procuradoria da Fazenda Nacional interposto o Agravo de fls. 1.176/1.179. O Presidente da CSRF, em reexame de admissibilidade, por meio do despacho de fls. 1.181, admitiu o recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou suas contrarazões de fls. 1.185/1.194. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. A matéria em discussão no presente recurso é a desqualificação da multa de ofício que, consequentemente, deslocou a regra de contagem da decadência do artigo 173, I, do CTN para o artigo 150, §4º do CTN. Nesse sentido, o acórdão recorrido (Acórdão nº 10616.089), exarado pela C. 6ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, houve por bem desqualificar a multa por entender que a mera omissão, ainda que reiterada, não caracteriza o evidente intuito de fraude exigido pela legislação. Visando à rediscussão da matéria a Procuradoria da Fazenda Nacional indicou como paradigmas para demonstrar a divergência de interpretação diversos acórdãos sendo que, nos termos do Regimento Interno então em vigor, somente os dois primeiros serão considerados, quais sejam os Acórdãos nºs 10515.847 e 10517.036. Passo ao exame dos paradigmas veiculados nos Acórdãos nº 10515.847 e 10517.036, cujas ementas são as seguintes: “MULTA QUALIFICADA APLICABILIDADE E PERCENTUAL Caracterizado o evidente intuito de fraude, pela prática reiterada de omitir receitas através da falta de contabilização da movimentação bancária, é aplicável a multa Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 de oficio qualificada no percentual legalmente definido de 150%.” “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ementa: ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A LC 105/2001, vigente, válida e eficaz, permite o acesso do fisco à movimentação financeira do contribuinte, cumpridas as exigências do Decreto 3.724/2001. ARBITRAMENTO Verificado pelo fisco que o contribuinte, de forma reiterada, deixa de escriturar suas receitas, deve ser arbitrado o lucro. MULTA QUALIFICADA Provado pelo fisco a situação prevista nos art. 71 a 73 da Lei 4502/64, deve ser qualificada a multa de oficio, nos termos da Lei 9.430, em especial quando provada a conduta reiterada.” Em ambos os casos os paradigmas veiculam situações fáticas aplicáveis a pessoas jurídicas que não escrituram em contabilidade, por vários períodos, as receitas relativas a rendimentos objeto de depósitos. Embora os paradigmas envolvam o IRPJ, há comparabilidade de situações tendo em vista que enquanto as pessoas jurídicas têm a obrigação de escriturar receitas as pessoas físicas tem a obrigação de declarar rendimentos e submetêlos a tributação em sua declaração de ajuste anual. A questão envolvida é se a reiteração ou não da conduta de omissão enseja a qualificação da multa. No caso presente, a qualificação da multa se deu em razão de omissões do contribuinte em declarar honorários advocatícios recebidos e em reconhecer a existência das contas bancárias, como se verifica do Termo de Verificação Fiscal (fls. 318), in verbis: “No caso presente o procedimento do contribuinte, aqui já pormenorizado, consistiu em omitir na sua declaração de imposto de renda do ano calendário de 1998 valores expressivos relativos a honorários advocatícios recebidos em virtude da ação trabalhista analisada. Mais grave ainda, no curso do procedimento fiscal insistiu na inexistência de tais honorários. Quanto a movimentação bancária materializada na conta poupança mantida no BESC, idêntico comportamento foi adotado. Além de não incluir tais valores em sua declaração de ajuste, não forneceu os extratos bancários quando intimado, alegando não reconhecer a existência da conta sob análise. Presente, pois, o evidente intuito de fraude, motivo da aplicação da multa no percentual de 150% no auto de infração lavrado.” Nesse sentido, entendo sim caracterizada a divergência de interpretação em relação ao entendimento consagrado nos acórdãos citados como paradigma, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.000218/200461 Acórdão n.º 920201.836 CSRFT2 Fl. 3 5 A discussão no presente recurso está limitada à discussão acerca do restabelecimento da multa qualificada aplicada ao contribuinte e, consequentemente, ao deslocamento do termo inicial para contagem do prazo de decadência (art. 150, §4º ou 173, I, ambos do CTN). No presente caso, a autoridade fiscal autuante entendeu estar caracterizado evidente intuito de fraude, tendo aplicado a multa qualificada de 150%. A penalidade em questão foi aplicada com base no art. 44, inciso II da Lei n. 9.430, de 1996, incorporado ao art. 957, II, do RIR/99, assim redigido (conforme redação em vigor à época dos fatos geradores): “Art. 957 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 44) (...) II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Os dispositivos referidos, vale dizer, os artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964, cuidam das figuras do dolo, fraude e sonegação, nos seguintes termos: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Já me manifestei em outras oportunidades que a teor da previsão legal acima, para que a multa de lançamento de ofício de 75% seja qualificada e elevada para 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado inequivocadamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. Essa posição é reconhecida pela jurisprudência deste E. Colegiado, restando incontroverso que a fraude não se presume, sendo necessário que sejam produzidas provas do evidente intuito a que se refere a norma legal, não bastando suspeitas. A experiência indica que Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que demonstrado o emprego de meios ardis, como notas fiscais calçadas, recibos falsificados, etc. Ao contrário da responsabilidade pela obrigação tributária principal, que a teor do art. 136 do CTN não requer dolo ou culpa para sua configuração, bastando a prática da infração por qualquer meio, a aplicação da multa dita qualificada pressupõe dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. No caso presente, a qualificação da multa se deu em razão de omissões do contribuinte em declarar honorários advocatícios recebidos em um único anocalendário e em reconhecer a existência das contas bancárias, como se verifica do Termo de Verificação Fiscal (fls. 318), in verbis: “No caso presente o procedimento do contribuinte, aqui já pormenorizado, consistiu em omitir na sua declaração de imposto de renda do ano calendário de 1998 valores expressivos relativos a honorários advocatícios recebidos em virtude da ação trabalhista analisada. Mais grave ainda, no curso do procedimento fiscal insistiu na inexistência de tais honorários. Quanto a movimentação bancária materializada na conta poupança mantida no BESC, idêntico comportamento foi adotado. Além de não incluir tais valores em sua declaração de ajuste, não forneceu os extratos bancários quando intimado, alegando não reconhecer a existência da conta sob análise. Presente, pois, o evidente intuito de fraude, motivo da aplicação da multa no percentual de 150% no auto de infração lavrado.” Entendo que a simples omissão de rendimentos desacompanhada de outros elementos probatórios do evidente intuito de fraude não dá causa para a qualificação da multa. Dentre outras razões, tal conclusão decorre do fato de que, se assim não fosse, não haveria hipótese para a aplicação da multa de ofício “não qualificada” de 75%. Considero que para a correta aplicação da multa qualificada a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por atuação direta, levou a autoridade administrativa a erro, por meio por exemplo da utilização de extratos bancários falsos, notas frias, interposição de pessoas, etc, para mascarar a ocorrência do fato gerador. Isto é ainda mais relevante em se tratando de omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada, cuja verificação é objeto de presunção legal relativa, já que neste caso a lei já traz conseqüência específica para o não fornecimento de informações quanto à origem dos depósitos. Como bem apontou com o usual brilhantismo o ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, em acórdão sobre o tema, se o entendimento sumular antes transcrito não permite a qualificação da multa de ofício quando presente uma simples omissão de rendimentos, como justificar a qualificação desse multa em uma presunção de omissão de rendimentos, em que não ficou demonstrada nenhuma fraude, e que a própria omissão de rendimentos é presumida? O evidente intuito de fraude não pode ser presumido, como ocorre com a presunção legal de omissão de rendimentos, mas minudentemente demonstrado. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.000218/200461 Acórdão n.º 920201.836 CSRFT2 Fl. 4 7 Entender diferente seria presumir a fraude em situação em que a própria hipótese de incidência – omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada é presumida pela lei, situação que merece repúdio. Em resumo, entendo não ter a fiscalização logrado êxito em demonstrar evidente intuito de fraude na conduta do Recorrente a justificar a qualificação da penalidade, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso especial nesta parte. Decadência Tendo em vista que foi mantida a desqualificação da multa de ofício deixo de examinar a conseqüência lógica quanto ao deslocamento do prazo de decadencial, eis que esta matéria foi decidida por unanimidade e não foi objeto de recurso de divergência pela Fazenda Nacional, sendo relevante para este julgamento apenas no tocante ao que for decorrente da qualificação ou não da penalidade. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 36202.004111/2006-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006
DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir créditos relativos à contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, o prazo se inicia da data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.599
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1352; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 36202.004111/200660 Recurso nº 246.182 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.599 – 2ª Turma Sessão de 10 de maio de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSTRUTORA E INCORPORADORA SAITER LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006 DECADÊNCIACONTRIBUIÇOES PREVIDENCIÁRIAS É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir créditos relativos à contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, o prazo se inicia da data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 451DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, incisos I e II do Regimento Interno da Câmara Superior c/c artigo 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Na decisão recorrida, Acórdão nº 240100.033, de 03/03/2009, consta a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2000 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4° do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PRE'VIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006 SALÁRIO INDIRETO VALETRANSPORTE INCIDÊNCIA Constituem fatos geradores de contribuições previdenciárias, os valores pagos a título de valetransporte efetuados em desacordo com a legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. A inconformidade da Fazenda Nacional no que tange à contrariedade à lei referese à decisão, por maioria, para aplicar a decadência com base no dispositivo previsto no Fl. 452DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 36202.004111/200660 Acórdão n.º 920201.599 CSRFT2 Fl. 2 3 § 4º do art. 150 do CTN apesar de não haver nos autos provas do recolhimento das contribuições a título de antecipação do pagamento. O órgão fazendário recorre sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à legislação tributária, especificamente, ao art. 173, I, do CTN, que determina a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve antecipação de pagamento. Acrescenta que também houve afronta ao art. 333 do Código de Processo Civil, tendo em vista constar do acórdão recorrido que a incumbência do ônus da prova seria do fisco. No tocante ao dissídio jurisprudencial, indica paradigma da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdão n°. 20501257) que, ao apreciar situação semelhante à dos autos, aplicou o prazo decadencial previsto no inciso I do art. 173 do CTN, bem como da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento (Acórdão 230100158), cujas ementas transcrevo: (Acórdão n°. 20501257) DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica se o artigo 150, §4 0 ; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, 1. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 230100158) "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIA. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTIV. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante n.° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da lei n.° 8.121/91. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, Ido CTN. O recurso foi admitido por meio de despacho às fls. 413/414. Tendo tomado ciência do Acórdão e do Recurso Especial interposto, o contribuinte, em contrarazões, fls. 430/450, reprisa os argumentos do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 453DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls.268/269., tendo em vista a demonstração da divergência no tocante à matéria decadência. Inicialmente, destaquese que a tese controversa trazida para apreciação desta Turma da Câmara Superior referese à aplicação do prazo de decadência ao crédito previdenciário lançado e discutido no presente lançamento, tendo por base o entendimento manifesto a partir da edição da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, publicada no Diário Oficial da União, de 20/06/2008, em consonância com as disposições do art. 103A da Constituição Federal, in verbis: Súmula Vinculante nº 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.5691997 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006). O art. 2º da Lei nº 11.417, de 19/12/2006, que regulamenta o dispositivo constitucional supratranscrito, assim dispõe sobre os efeitos da Súmula Vinculante editada pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Quanto ao teor da Súmula Vinculante editada, esta declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que previam, respectivamente, prazos decadencial e prescricional de 10 anos para as contribuições devidas à Seguridade Social. O fundamento da decisão foi que lei ordinária não pode dispor sobre prazos de decadência e prescrição de tributo, questões reservadas à lei complementar (artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal). Fl. 454DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 36202.004111/200660 Acórdão n.º 920201.599 CSRFT2 Fl. 3 5 Além do entendimento manifesto pelo Supremo Tribunal Federal, para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 455DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Fl. 456DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 36202.004111/200660 Acórdão n.º 920201.599 CSRFT2 Fl. 4 7 Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento. Ante o exposto, constatase que durante a ação fiscal foram analisadas guias de recolhimentos relacionadas às folhas de pagamento da empresa que não incluíram a rubrica objeto do presente lançamento, conforme consta à fl. 137, no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, razão pela qual o prazo decadencial a ser aplicado, considerando os dispositivos retro mencionados é o quinquenal contado da ocorrência do fato gerador, isto é, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, haja vista ter ocorrido a antecipação de pagamento pelo sujeito passivo dos valores relacionados aos demais itens da folha de pagamento consolidada. Ante o exposto, considerando que foi demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial a ser aplicado é o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, razão pela qual VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pela FAZENDA NACIONAL, mantendo a exclusão dos valores lançados até a competência 08/2001. Francisco Assis de Oliveira Júnior (Assinado digitalmente) Fl. 457DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001536/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
Não instaurado o litígio, por ter sido a impugnação apresentada
intempestivamente, do recurso voluntário interposto não se conhece.
Numero da decisão: 1302-000.759
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por não ter sido instaurado o litígio.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Não instaurado o litígio, por ter sido a impugnação apresentada intempestivamente, do recurso voluntário interposto não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por não ter sido instaurado o litígio. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 393DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.001536/200922 Acórdão n.º 130200.759 S1C3T2 Fl. 394 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 3ª Turma da DRJ/RJ1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, rejeitar a preliminar de tempestividade e não conhecer da petição do interessado, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO LEGAL. É intempestiva a impugnação apresentada após o prazo de trinta dias da ciência do Auto de Infração e da ciência de exclusão do Simples. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A impugnação intempestiva não comporta julgamento em primeira instância. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Este processo versa sobre os Autos de Infração abaixo (fls.227/303) e do Termo de Verificação Fiscal correspondente (fls.222/226), lavrados em 11.12.2009 pela DRF/VitóriaES, no total de R$ 1.630.379,17: Tributo Anocalendário 2006 Principal Juros Multa Folhas Imposto de Renda da Pessoa JurídicaIRPJSimples 54.397,48 18.509,44 40.798,04 245/255 Programa de Integração SocialPIS – Simples 39.761,33 13.526,27 29.820,94 256/266 Contribuição Social s/ Lucro LíquidoCSLL – Simples 54.397,48 18.509,44 40.798,04 267/277 Contribuição p/Fin.Seguridade SocialCOFINS Simples 160.005,05 54.473,79 120.003,71 278/288 Contribuição para Seguridade SocialINSSSimples 462.841,96 157.528,70 347.131,42 289/299 Multa Regulamentar 17.876,08 300/303 2. Versa, também, sobre o Ato Declaratório Executivo DRF/VIT nº 65, de 09.12.2009, de exclusão do interessado do Simples a partir de 01.01.2007 (fls.219), por “ter auferido, no ano de 2006, receita bruta acumulada em montante excedente ao limite estabelecido para microempresas e empresas de pequeno porte (art. 9º, inciso II, da Lei nº 9.317, de 1996), e, deixado de efetuar comunicação obrigatória de exclusão do Simples, conforme demonstrado no processo administrativo 15586.001536/200922”. 3. No Auto de Infração de IRPJSimples, as infrações foram descritas como: a) Depósitos Bancários não escriturados (enquadramento legal às fls.249); b) e insuficiência de recolhimentos (enquadramento legal às fls.250). 4. A Ação Fiscal veio instruída com os documentos de fls.1/303, tendo sido encerrada em 11.12.2009 (fls.304). Fl. 394DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.001536/200922 Acórdão n.º 130200.759 S1C3T2 Fl. 395 3 5. Em petição às fls.311/316, com carimbo de recebimento em 14.01.2010, o interessado “requer a V.Sª que admita a presente impugnação, por ser tempestiva, já que o reclamante recebeu a intimação no dia 14.12.2009 e protocolou a presente impugnação em 13.01.2010 e que proceda o seu julgamento, ou o encaminhamento à autoridade competente”. 6. Diz que a sua movimentação bancária está “devidamente registrada nas contas correntes de titularidade do reclamante junto a várias instituições financeiras”, e que, intimado, buscou esclarecer a origem dos depósitos, mas que “o volume de informações é elevado”. Requer a produção de prova pericial/diligência de auditoria”. 7. Alega que, em diversas extratos apresentados à autoridade fiscal, resta claro que as operações não são de faturamento, mas, “mero “desconto de cheques”, que correspondem a empréstimos” ou a meras operações financeiras de capital de giro para operação da empresa, pagamento de suas despesas fixas e variáveis”, havendo, pois, “inúmeras movimentações financeiras em contas correntes da impugnante que não correspondem a fatos geradores devidos pelas empresas enquadradas no SIMPLES”. 8. Ressalta que, no anocalendário de 2006, “a empresa Sociedade Comercial Porto Ltda, CNPJ 39.822.135/000178, apesar de não integrar grupo econômico com a impugnante, mantém estreita ligação com a mesma, por se tratar de parceiros comerciais, cujos sócios têm relação de parentesco”. 9. Aduz que, no balanço patrimonial encerrado em 31.12.2006, “podese verificar que a Sociedade Comercial Porto Ltda declarou um faturamento superior a R$ 2.000.000,00, no entanto, movimentou em suas contas correntes valores inferiores a R$ 500.000,00, justamente por haver se utilizado de contas correntes da impugnante”, e, assim, “são, na verdade, recursos financeiros de terceiros, que circularam nas contas correntes da impugnante”. 10. Pede: a nulidade, ou a reforma ou a redução dos autos de infração; a realização de diligência, por amostragem; deferimento para realização de perícia contábil, conforme assistente técnico que indica e quesitos que enumera (fls.315/316). 11. Após o despacho de fls.329, a autoridade lançadora acostou às fls.330 o Aviso de Recebimento nº SK 18306580 – 4 BR, com carimbo de entrega e data de recebimento em 12.12.2009. 12. Em Despacho às fls.340, a autoridade lançadora diz: Como se observa às fls.308 e 330, o interessado foi cientificado do lançamento em 12.12.2009 (sábado). Desse modo, considera se efetivada a intimação no primeiro dia útil seguinte: segunda feira, dia 14.12.2009. Como o dia da intimação é excluído da contagem, iniciouse a contagem de seu prazo na terçafeira, 15.12.2009; desse modo, o termo final se deu em 13.01.2010. O interessado apresentou seu recurso em 14.01.2010, conforme carimbo aposto à fl.311. Na mesma peça recursal alega que sua impugnação é tempestiva, pelos motivos lá expostos. 13. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.341/354. Fl. 395DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.001536/200922 Acórdão n.º 130200.759 S1C3T2 Fl. 396 4 A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a intimação da constituição do crédito não se deu pessoalmente. Como foi feita por via postal, não houve regular notificação ao sujeito passivo; no mérito, reitera que a impugnação traz elementos e pede a realização de diligências para comprovar que suas movimentações bancárias não configuram em sua totalidade a ocorrência de fatos geradores; diversas operações não representam faturamento mas mero “desconto de cheques”, correspondente a empréstimos ou meras operações financeiras de capital de giro; achandose a Sociedade comercial Porto Ltda – que mantém estreita ligação com a mesma – com bloqueio judicial de suas contas correntes, passou a fazer movimentações financeiras nas contas da recorrente, e muitos dos valores depositados a ela se referem. É o relatório. Fl. 396DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.001536/200922 Acórdão n.º 130200.759 S1C3T2 Fl. 397 5 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Impugnação intempestiva A impugnação foi apresentada intempestivamente, e em razão disso, a DRJ dela não conheceu. O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a impugnação deve ser apresentada em 30 dias contados da data em que foi feita a intimação da exigência. Tal condição não foi atendida, vez que o prazo para tal apresentação se expirou em 13/01/2010, sendo que a impugnação somente foi protocolizada em 14/01/2010. Além disso, o art. 14 do mesmo diploma prescreve que a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento, condição que não se verifica no caso presente, em que o litígio sequer foi instaurado. Assim, voto para não conhecer do Recurso Voluntário, por não ter sido instaurado o litígio. Sala das Sessões, 19 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 397DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10120.005296/2005-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se
de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente
comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador e Laudo Pericial, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17-O
da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora
requerido anteriormente ao início da ação fiscal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.788
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador e Laudo Pericial, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório AVELINO PEREIRA VILELA, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 13/12/2005, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Água Limpa”, localizado no município de Caiaponia/GO, cadastrado na RFB sob o nº 49227254, conforme peça inaugural do feito, às fls. 39/45, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 18.320/2006, às fls. 105/119, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Câmara, em 24/04/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30239.395, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, não merece guarida, haja vista que o enquadramento legal consta do auto de infração, no qual também se encontra a perfeita descrição dos fatos, narrando todo o procedimento fiscal. Sem mencionar que o Demonstrativo que discrimina a diferença de imposto apurada (entre o que foi declarado e o apurado), é autoexplicativo. E de todo modo, a alegação restou superada no decorrer do contencioso, pois o vício formal convalesce quando a parte dá mostras de que bem entendeu a imputação e se defende amplamente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10120.005296/200565 Acórdão n.º 920201.788 CSRFT2 Fl. 2 3 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Comprovada a averbação, no registro público, da área de reserva legal antes da data da ocorrência do fato gerador do imposto, e havendo Ato Declaratório Ambiental hábil, não há como prosperar o lançamento a título de glosa de reserva legal correspondente ao aludido exercício. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência de Ato Declaratório Ambiental hábil, não há como prosperar o lançamento a título de glosa de área de preservação permanente correspondente ao aludido exercício. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 164/176, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos no artigo 111 do CTN; artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000; artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, e § 7°, da Lei n° 9.393/1996; quanto à requisição atempada do ADA, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à contrariedade à lei argüida. No caso dos autos, tratandose do exercício de 2001, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que as áreas de preservação permanente e reserva legal são aquelas definidas pelo Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando reconhecidas pelo IBAMA a partir da requisição do ADA, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que o contribuinte procedeu à protocolização tempestiva do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 2ª Câmara do 3° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para tanto, uma vez tempestivo e por tratarse de decisão não unânime, além da existência do préquestionamento da matéria e contrariedade, em tese, da legislação de regência, relativamente à exigência do requerimento tempestivo do ADA, para fins de isenção do ITR, conforme Despacho nº 302.347/2008, às fls. 177/179. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 192/214, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 2ª Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes a contrariedade à lei suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao afastar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Câmara recorrida contrariou os preceitos contidos no artigo 111 do CTN; artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000; artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, e § 7°, da Lei n° 9.393/1996. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a respeito da exigência do requerimento atempado do Ato Declaratório Ambiental – ADA relativamente às áreas de reserva legal e preservação permanente, dentro do prazo legal, para fruição da não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10120.005296/200565 Acórdão n.º 920201.788 CSRFT2 Fl. 3 5 contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de reserva legal e/ou preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como se constata nestes autos. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, acima explicitado, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” No entanto, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10120.005296/200565 Acórdão n.º 920201.788 CSRFT2 Fl. 4 7 Assim, inobstante Instruções Normativas não vincularem este Órgão, tratandose de legislação mais recente impõese a sua observância, inclusive para fatos geradores pretéritos, com arrimo no artigo 106 do Códex Tributário, reforçando a tese em favor do contribuinte, que apresentou ADA, às fls. 11, contemplando as áreas objeto da demanda, ainda que intempestivamente, datado de 25/03/2004 (anterior ao início da ação fiscal). Por sua vez, relativamente à área de reserva legal, o que torna ainda mais digno de realce, é que o contribuinte trouxe à colação documentos comprobatórios de sua existência, dando conta inclusive que a averbação fora procedida anteriormente ao fato gerador do tributo, como a própria a autoridade lançadora reconheceu no Relatório da Autuação, às fls. 40, registrando, ainda, que o ADA apresentado encontrase intempestivo. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela então 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003118/2004-38
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário:1999
DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA DIPJ
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO.
A pessoa jurídica que, obrigada à entrega da DIPJ, a apresenta fora do prazo legal sujeita-se à multa estabelecida na legislação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.817
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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score : 1.0
Numero do processo: 10935.001998/2005-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. IMÓVEL DESTINADO A PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Inexistindo animus domini da contribuinte em relação a imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de
Reassentamento em virtude de alagamento de Area para constituição de reservatório de Usina Hidrelétrica, impõe-se o reconhecimento de sua ilegitimidade passiva para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente a aludido imóvel, quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores sem terras já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que
precariamente, antes da ocorrência do fato gerador.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.321
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. IMÓVEL DESTINADO A PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI ILEGITIMIDADE PASSIVA. Inexistindo animus domini da contribuinte em relação a imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de Reassentamento em virtude de alagamento de Area para constituição de reservatório de Usina Hidrelétrica, impõe-se o reconhecimento de sua ilegitimidade passiva para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente a aludido imóvel, quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores sem terras já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, antes da ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. IMÓVEL DESTINADO A PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI ILEGITIMIDADE PASSIVA. Inexistindo animus domini da contribuinte em relação a imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de Reassentamento em virtude de alagamento de Area para constituição de reservatório de Usina Hidrelétrica, impõe-se o reconhecimento de sua ilegitimidade passiva para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente a aludido imóvel, quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores sem terras já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, antes da ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. \. i _941\ 4 -arcos Candid° — residente-Substituto S ‘jj --1---- ' Gust o Lian Ha dad - Relator EDITADO EM: 04/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido (Presidente-Substituto), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Copel Geração S.A. foi lavrado o auto de infração de fls. 56/58, objetivando a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2001, tendo sido apurada a infração de falta de recolhimento do referido imposto tendo em vista a atribuição indevida de isenção à área da Fazenda Liasi Reas/Cx-010 pela contribuinte. A Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 303-34.792, que se encontra às fls. 241/247e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 Ementa: ITR/2001. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESA GERADORA DE ENERGIA. ÁREA DESTINADA PARA REASSENTAMENTO. FAZENDA LL4SL ÁREA DE INTERESSE SOCIAL REGULADA POR LEI Não se formou a relação jurídico-tributária entre a União e a autuada, tendo em vista a aquisição de imóvel para cumprimento de Programa de Reassentamento, previsto em Decreto Estadual (Decreto n°. 1.658 de 14.03.1996), o que torna o imóvel indisponível e não utilizável, a não ser para a única finalidade prevista no referido Decreto." A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, acolheu a preliminar de ilegitimidade passiva, dando provimento ao recurso. Intimada pessoalmente do acórdão em 13/05/2008 (fls. 259) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial ãs fls. 263/266, em que sustenta, em apertada síntese, que o imóvel não é isento para fins do ITR tendo em vista a inexistência de decreto expropriatório federal, bem como a legitimidade da contribuinte para figurar como sujeito passivo da exação tributária, na medida em que não só era proprietária do imóvel objeto do lançamento como possuidora na época da ocorrência do fato gerador. 2 Processo n° 10935.001998/2005-95 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.321 Fl. 2 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho n° 233, de 19/06/2008 (f1s. 268/269). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional a contribuinte deixou de apresentou suas contra-razões. o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad , Relator 0 Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria já é bem conhecida desta E. Câmara Superior. A Procuradoria da Fazenda Nacional busca reformar o v. acórdão recorrido por entender, que o imóvel em questão não está isento do ITR, haja vista a inexistência de decreto expropriatório para fins de reforma agrária, bem como que o artigo 4° da Lei n° 9.393/1996 elegeu como contribuinte do ITR o proprietário de imóvel rural e, sendo a COPEL proprietária A. época da ocorrência do fato gerador, não ha como se falar em sua exclusão do polo passivo. A Contribuinte, por sua vez, sustenta que o imóvel em questão foi adquirido especificamente para o reassentamento de moradores que foram prejudicados pela construção de usina hidrelétrica, sendo a área em questão declarada de interesse social pelo Estado do Paraná, razão pela qual o imóvel seria isento do imposto territorial rural. Logo, a discussão nos presentes autos diz respeito à legitimidade passiva da contribuinte para se sujeitar ao ITR incidente sobre o imóvel rural autuado, em face da existência de um programa especial de reassentamento da população local que foi desalojadas das áreas alagadas pelo reservatório da Usina Hidroelétrica de Salto Caxias. Entendo que, em casos como o presente, restando comprovada a ausência do animus domini da contribuinte em relação ao imóvel rural, a autuação não merece prevalecer. Reporto-me aos fundamentos do voto proferido pelo Conselheiro Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, no Acórdão n° 9202-00.950 julgado por esta C. Camara Superior em sessão de 17/08/2010, que veicula fundamentação a qual me filio: 4k- 5144 "Consoante se infere dos autos, conclui-se que a pretensão da Fazenda Nacional não tem o condão de prosperar, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constata-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Com efeito, observe-se que o lançamento se deu em virtude de a fiscalização não ter considerado como Programa Oficial de Reforma Agrária o reassentamento instituído pela contribuinte objetivando atender aos pequenos proprietários rurais e agricultores sem terras, que se encontravam nas áreas atingidas 3 e foram desalojados das áreas alegadas pelo Reservatório da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias, conforme relatado alhures. Afastando-se de aludida conclusão, ou seja, adotando outra fundamentação, o que por si só seria capaz de ensejar a improcedência do feito, em virtude da mudança de critério jurídico do lançamento, o julgador de primeira instância achou por bem rechaçar a defesa inaugural da contribuinte, firmando o entendimento de que, ern relação ao exercício de 1998, a autuada não comprovou mediante documentação hábil e idônea não deter a posse do imóvel rural. Em que pesem as substanciosas razões do fiscal autuante e, bem assim, da Procuradoria, as teses sustentadas por estes não merecem acolhimento. Destarte, como a contribuinte vem defendendo desde o primeiro momento, o imóvel rural objeto do lançamento fora adquirido precipuamente para atender ao Programa de Reassentamento sob análise. Prova disso aliás, foi a publicação do Decreto do Estado do Paraná sob n° 1658, de 14/03/1996, as fls. 259/261, que em seus artigos 2° e 3°, assim prescreve: "Art. 2° - Fica autorizada a Companhia Paranaense de Energia — COPEL a promover a desapropriação dos imóveis de que trata o presente Decreto, de acordo com o art. 5° da Lei n°4.132/62 e na forma da legislação vigente, podendo praticar todos os atos judiciais e extrajudiciais que se fizerem necessários; Art. 3° - Fica reconhecida a necessidade de desapropriação das áreas descritas para reassentamento dos proprietários desapropriados e produtores rurais sem-terra da bacia de acumulação de águas da Usina Hidrelétrica de Salto do Caxias, ficando autorizada a Companhia Paranaense de Energia — COPEL a promover a subdivisão dos imóveis ora declarados de interesse social e alienar as partes mediante outorga das competências escrituras públicas." Em suma, extrai-se dos elementos constantes do processo, especialmente o Decreto encimado, que a contribuinte, de fato, adquiriu aludido imóvel rural visando tão somente atender ao Programa de Reassentamento retromencionado. Inexiste, a toda evidencia, o animus domini da autuada em relação àquele imóvel, capaz de justificar a presente tributação, na forma que exigem os artigos 1°c 4°, da Lei n°9.363/1996, in verbis: "Art. I° 0 Imposto sobre a Propriedade Ter. ritorial Rural - ITR, apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. Art. 4° Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer titulo." No mesmo sentido, prescreve o artigo 31 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: "Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio ou o seu possuidor a qualquer título."" 4 5 avo Lian Haddad Processo n° 10935.001998/2005-95 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.321 Fl. 3 Neste ponto, aliás, impende suscitar que os dispositivos retro, alternativamente, são por demais enfáticos ao estabelecerem que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer titulo, reforçando o entendimento de que, inobstante a autuada ser et época a proprietária do imóvel, não detinha o domínio útil, uma vez que os possuidores, a qualquer titulo, eram os reassentados, afastando, assim, sua legitimidade passiva. Com a devida vênia aos que divergem desse entendimento, compartilhamos com aqueles que defendem não caber el autoridade fiscal, discricionariamente, escolher o contribuinte a partir de sua propriedade (uma das hipóteses legais), afastando- se dos elementos que comprovam a inexistência de seu domínio útil e, bem assim, a posse a qualquer titulo dos reassentados (duas das hipóteses legais). Dessa forma, estando a Fazenda Barater vinculada, desde a sua aquisição, ao Programa de Reassentaniento implementado pela contribuinte, a partir da desapropriação determinada pelo Estado do Paraná, mediante Decreto n° 1658/1996, não se pode cogitar em posse da autuada daquele imóvel, de maneira a ensejar a sua inclusão no pólo passivo da obrigação tributária. Melhor elucidando, a contribuinte não dispôs do imóvel rural em debate para exercer outras atividades, senão a implementação do programa de reassentamento daqueles agricultores rurais. No caso dos autos restou devidamente comprovado que a área em questão (Fazenda Liasi Reas/Cx-010), compreendida pelas matriculas de fls. 184 a 200, foi declarada de interesse social para fins de desapropriação para reassentamento, sendo que, nos termos do Decreto Estadual n° 1658/1996, caberia à COPEL efetuar a desapropriação (fls. 166/169). Adicionalmente, o documento de fls. 170/183 denominado "Termo de Compromisso, Responsabilidade e Outras Avenças, para Ocupação Uso, a Titulo Precário, Temporário e Transitório de Imóveis, Adquiridos para o Programa de Reassentamento, da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias", comprova que, desde 1996, os pequenos proprietários rurais já se encontravam na posse da Fazenda Liasi Reas, ainda que a titulo precário. E, por fim, os documentos denominados de "Escritura Pública de Dação em Pagamento" de fls. 203/280, comprovam a transferência da propriedade para as famílias assentadas. Assim, entendo comprovada a ausência do animus domini do imóvel rural época do fato gerador, razão pela qual deve ser mantida a decisão constante do v. acórdão recorrido. Por todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial da Procuradoria e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo integra a decisão recorrida.
score : 1.0
Numero do processo: 35281.000565/2005-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
DESCONTOS EM MENSALIDADES ESCOLARES. DECADÊNCIA
Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Há que se aplicar, portanto, a regra do art. 150, § 4º do CTN.
Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive aqueles recebidos a título de utilidades representam salário indireto, independente da denominação dada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.967
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 03/2000. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a decadência até a competência 11/1999. II) Por
unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DESCONTOS EM MENSALIDADES ESCOLARES. DECADÊNCIA Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Há que se aplicar, portanto, a regra do art. 150, § 4 º do CTN. Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive aqueles recebidos a título de utilidades representam salário indireto, independente da denominação dada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 03/2000. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a decadência até a competência 11/1999. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 292DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Cleusa Vieira de Souza Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferrekira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rycardo Henryque Magalhães de Oliveira. Fl. 293DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35281.000565/200585 Acórdão n.º 2401001.967 S2C4T1 Fl. 223 3 Relatório Tratase de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD Nº 35.741.6600 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 44/48, referese a contribuições previdenciárias correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados que estudam e/ou mantém dependentes seus estudando nesta Fundação e recebem por força de dissídio coletivo de trabalho descontos nas mensalidades, no período de , março/1999 a dezembro/2004. Tempestivamente, o contribuinte notificado, apresentou sua impugnação, em que contesta integralmente o lançamento, alegando, em síntese, o seguinte: que ha muito tempo o beneficio de os professores pagarem com desconto. as mensalidades de seus filhos ou dependentes, desde que estes estudem na mesma •escola onde os professores lecionem, vem sendo anualmente negociado, em 'conformidade com cláusula de convenções coletivas. Aduz, com base na Lei 10.243, de 19106/01, a qual determinou acréscimo de parágrafos e deu nova redação ao parágrafo 2°. Do artigo 458 da CLT, que se trata de um beneficio, e não salário, não havendo que se fazer nenhum recolhimento á Previdência Social vinculado a esses descontos nas mensalidades dos filhos ou dependentes de professores. Alega ainda que, ao cumprir Cláusula de convenções coletivas e conceder descontos nas mensalidades, matriculas e anuidades de seus filhos e dependentes, está concedendo uma utilidade sem conotação salarial, por expressa disposição de lei. A Secretaria da Receita Previdenciária em Santa Maria/RS, por meio da DecisãoNotificação nº 19.427.4/0182/2005, julgou procedente o lançamento Intimada a Contribuinte interpôs recuro voluntário a este Conselho, fls. 208/213, em que alega, em síntese, o seguinte: Que despeito da clareza com que a recorrente fundamentou seu recurso, a ilustre relatora da Delegacia da Receita Previdendária, sediada em Santa Maria, RS, se restringe a afirmar que valores referentes aos descontos nas mensalidades dos filhos, ou dependentes dos empregados, não estão incluídos no rol do § 9°, do artigo 28, da Lei n°8212/91. Desconsiderou, por completo, as disposições da Lei n° 10.243, de 19/06/2001, que expressamente excepcionou os descontos em mensalidades, matrículas e anuidades de filhos e dependentes de professores como benefícios e não como saláriode contribuição. Tanto assim que a relatora não justificou porque tal lei não se aplica ao presente caso. Somente destacou que se trata de remuneração indireta. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Que entendimento da relatora se apresentada como correto caso não houvesse ocorrido a publicação de lei posterior, estabelecendo explicitamente que os descontos nas mensalidades se constituem em benefício e não em salário. Que diante de expressa determinação legal, não há o que tergiversar. Há que, simplesmente, cumprirse a norma. A convicção da recorrente tem como supedâneo a Lei nº 10.243 de 19 de junho de 2001, que determinou acréscimo de parágrafos e deu nova redação ao § 2° do artigo 458, da Consolidação as Leis do Trabalho, aprovada pelo DecretoLei n°5452, de 1° de maio De 1943. Ao final requer o conhecimento do presente recurso voluntário, com os documentos anexos e provê –lo para, anulando a autuação referida, absolver a recorrente do pagamento da multa, determinando a devolução do valor depositado, como medida que revela correta aplicação de lei federal. A SRP em Santa Maria ofereceu contrarrazões sem contrarrazões É o Relatório. Fl. 295DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35281.000565/200585 Acórdão n.º 2401001.967 S2C4T1 Fl. 224 5 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido. Coforme relatado tratase de Tratase de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD Nº 35.741.6600 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 44/48, referese a contribuições previdenciárias correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados que estudam e/ou mantém dependentes seus estudando nesta Fundação e recebem por força de dissídio coletivo de trabalho descontos nas mensalidades, no período de março/1999 à dezembro/2004. Antes de adentrar às questões de mérito, embora não suscitada pela recorrente, mister proceder à análise da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ pronunciouse nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis Fl. 296DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a 1ª Turma do STJ, mais uma vez, pronunciouse nos temos da ementa colacionada: “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Fl. 297DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35281.000565/200585 Acórdão n.º 2401001.967 S2C4T1 Fl. 225 7 Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência , Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) Fl. 298DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada” (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404 No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, houve antecipação de pagamento, uma vez que se trata contribuições incidentes sobre parte da remuneração, decorrente de descontos na mensalidade escolar, aos segurados e/ou seus dependentes, considerados como saláriode contribuição, então, há que se concluir que houve antecipação de pagamento, devendo ser aplicada a regra do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do fato gerador. Portanto, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 29/04/2005, as contribuições relativas ao período de 01/03/1999 a 31/03/2000 já se encontravam fulminadas pela decadência. Em suas razões de recurso a Recorrente alega, em tese, a Lei n° 10.243, de 19/06/2001, expressamente excepcionou os descontos em mensalidades, matrículas e anuidades de filhos e dependentes de professores como benefícios e não como saláriode contribuição. Nesse sentido, importa esclarecer, que de fato o acréscimo referido e a nova redação do art. 458, no § 2°, traz mesmo a altração para dizer que: “não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador vestuários, equipamentos e outros , acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; “educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matricula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; Porém não se pode olvidar as disposições contidas no artigo 28 da Lei nº 8212/91, que define o salário de contribuição como sendo “a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e no § 9º do mesmo artigo, que relaciona as verbas que não integram o salário de contribuição, sendo que a isenção estabelecida na alínea “t” do referido artigo exclui da incidência de contribuição previdenciária o "valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissional". Logo, a parcela ofertada aos trabalhadores a titulo de bolsas de estudos aos seus dependentes não se encontra relacionada entre aquelas excluídas da incidência de contribuição previdenciária. Por sua vez, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações ou pessoas que não estejam expressamente previstas no texto legal instituidor, em face da literalidade em que deve ser interpretada (nos termos do art. 111, II da Lei nº 5,172/66 CTN), do contrário estaria imprimindolhe um alcance que a norma não tem nem poderia ter, eis que as regras de isenção não comportam interpretações ampliativas. Fl. 299DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35281.000565/200585 Acórdão n.º 2401001.967 S2C4T1 Fl. 226 9 Dessa maneira, para que não houvesse incidência de contribuição previdenciária seria necessário que o beneficio fosse diretamente relacionado a um plano educacional visando a educação básica; ou a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa não sendo utilizado em substituição de parcela salarial e que todos o empregados e dirigentes tivessem acesso ao mesmo. No caso em comento, a AuditoriaFiscal apurou a existência de subsídios dados aos funcionários sob a forma de desconto de pagamento de mensalidade escolares aos seguraos e seus dependentes, fora, portanto, das hipóteses do art. 28, alínea "t" da Lei no. 8.212191, ou seja, o beneficiário da utilidade previsto na norma que exclui a incidência de contribuição é o empregado e não seus filhos. Por fim o lançamento obedeceu aos critérios estabelecidos pela legislação previdenciária, especialmente aqueles do art. 37, da Lei n. º 8.212/91, e a despeito da argumentação apresentada pelo recorrente, não vejo nela qualquer fundamento que possa levar à desconstituição do crédito previdenciário ora atacado, uma vez que se encontra revestido das formalidades legais exigidas para a sua constituição. Pelo exposto; VOTO no sentido de conhecer do recurso voluntário, de excluir do lançamento os valores correspondentes às contribuições do período de 01/03/1999 a 31/03/2000, em face da decadência, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Cleusa Vieira de Souza Fl. 300DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11444.000148/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS.
OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Procede a glosa de custos/despesas relativos a documentos inidôneos ou cujas operações não foram comprovadas.
ARBITRAMENTO DE LUCRO POSTULADO EM IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO.
O arbitramento de lucros pela autoridade fiscal deve ser medida constatada nas hipóteses do artigo 530 do RIR, sendo que eventual glosa de custo de 20% e 30% em relação ao Lucro apurado pela fiscalização não permite afirmarmos que a contabilidade da empresa era imprestável.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. IMPRESTABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
O desvio de receitas deve ser positivado, quantificado e adicionado ao lucro líquido declarado, não sendo razão bastante para a desclassificação da escrita, como também não é a glosa parcial de custos/despesas.
OMISSÃO DE RECEITAS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão.
LUCRO PRESUMIDO. PASSIVO FICTÍCIO.
A adoção do chamado passivo fictício como método de quantificação do crédito tributário coaduna-se com a legislação de regência quando o contribuinte, optante pelo sistema do lucro presumido, mantém escrituração regular, podendo, dessa forma, ser utilizada pelo Fisco para apuração de omissão de receitas operacionais
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
Aplicam-se os mesmos fundamentos à CSLL inerentes ao IRPJ, visto tratar-se de tributação reflexa.
O mesmo tratamento deve ser dado ao Pis e Cofins, visto trata-se
de contribuições tributadas sobre a receita bruta auferida.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
A inidoneidade das operações e a ausência de contraprova a ser apresentada pelo Recorrente permite a aplicação do disposto no artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA.
O enquadramento do conceito fato ao conceito norma atendeu o disposto no artigo 142 do CTN, visto que a questão da presunção da omissão de receita está amparada da legislação federal acima mencionada. Não se vislumbra nenhuma nulidade no lançamento, visto que o próprio contribuinte reconheceu erros contábeis quanto à manutenção de valores pagos pela empresa.
DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO PARCIAL QUANTO AO PIS.
Aplicação do disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, em razão do
recolhimento parcial do tributo quanto aos meses de janeiro e fevereiro de 2003. Jurisprudência firmada do STJ. Inexistência quanto à esse tributo de dolo, fraude ou simulação.
Numero da decisão: 1201-000.601
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
AFASTAR as preliminares de nulidade e em ACOLHER a decadência dos fatos geradores de janeiro e fevereiro de 2003 quanto ao PIS. Quanto ao mérito, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rafael Correia Fuso (Relator) e
André Almeida Blanco que DAVAM provimento parcial para reduzir a multa de ofício de 150% ao patamar de 75%. Designado o conselheiro Marcelo Cuba Netto para redação do voto vencedor.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Procede a glosa de custos/despesas relativos a documentos inidôneos ou cujas operações não foram comprovadas. ARBITRAMENTO DE LUCRO POSTULADO EM IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. O arbitramento de lucros pela autoridade fiscal deve ser medida constatada nas hipóteses do artigo 530 do RIR, sendo que eventual glosa de custo de 20% e 30% em relação ao Lucro apurado pela fiscalização não permite afirmarmos que a contabilidade da empresa era imprestável. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. IMPRESTABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O desvio de receitas deve ser positivado, quantificado e adicionado ao lucro líquido declarado, não sendo razão bastante para a desclassificação da escrita, como também não é a glosa parcial de custos/despesas. OMISSÃO DE RECEITAS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. LUCRO PRESUMIDO. PASSIVO FICTÍCIO. A adoção do chamado passivo fictício como método de quantificação do crédito tributário coadunase com a legislação de regência quando o contribuinte, optante pelo sistema do lucro presumido, mantém escrituração Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.138 2 regular, podendo, dessa forma, ser utilizada pelo Fisco para apuração de omissão de receitas operacionais ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Aplicamse os mesmos fundamentos à CSLL inerentes ao IRPJ, visto tratar se de tributação reflexa. O mesmo tratamento deve ser dado ao Pis e Cofins, visto tratase de contribuições tributadas sobre a receita bruta auferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A inidoneidade das operações e a ausência de contraprova a ser apresentada pelo Recorrente permite a aplicação do disposto no artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. O enquadramento do conceito fato ao conceito norma atendeu o disposto no artigo 142 do CTN, visto que a questão da presunção da omissão de receita está amparada da legislação federal acima mencionada. Não se vislumbra nenhuma nulidade no lançamento, visto que o próprio contribuinte reconheceu erros contábeis quanto à manutenção de valores pagos pela empresa. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO PARCIAL QUANTO AO PIS. Aplicação do disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, em razão do recolhimento parcial do tributo quanto aos meses de janeiro e fevereiro de 2003. Jurisprudência firmada do STJ. Inexistência quanto à esse tributo de dolo, fraude ou simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares de nulidade e em ACOLHER a decadência dos fatos geradores de janeiro e fevereiro de 2003 quanto ao PIS. Quanto ao mérito, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rafael Correia Fuso (Relator) e André Almeida Blanco que DAVAM provimento parcial para reduzir a multa de ofício de 150% ao patamar de 75%. Designado o conselheiro Marcelo Cuba Netto para redação do voto vencedor. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.139 3 (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. (documento assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso, Antonio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente), Marcelo Cuba Netto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratamse de Autos de Infração lavrados pela fiscalização federal, em 10.03.2008, que cobra IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e IRFONTE, conforme descrições detalhadas a seguir: (i) IRPJ sobre supostas omissões de receita fundada em passivo fictício (anos de 2003 e 2004), omissão de receita em pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (2003), glosa de custos ou despesas não comprovadas (2003 e 2004), diferença entre o valor escriturado e declarado (2005), com multas de 75% e 150%.; (ii) IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, relativo aos fatos geradores de 31/03/2004 a 30/03/2004, 12/05/2004, 28/05/2004 e 31/10/2004, com multa de 75%; (iii) PIS/PASEP sobre omissão de receita, incidência não cumulativa, relativo aos fatos geradores de 2003, 2004 e 2005, com multa de 150%; (iv) COFINS sobre omissão de receita, incidência não cumulativa, relativa aos fatos geradores de 2003, 2004, 2005, com multa de 150%; (v) CSLL relativa aos fatos geradores de 2003, 2004 e 2005. (v) Agravamento da multa de ofício cominada à infração de glosa de custos/despesas, por considerar a conduta da Recorrente dotada de evidente intuito de redução do montante dos tributos devidos. Em 31/08/2006 foi lavrado Termo de Início de Fiscalização, dando início ao procedimento fiscal junto ao contribuinte, tendo como operação principal as verificações quanto aos pedidos de ressarcimento do IPI (Declarações de Compensação) do 2° trimestre de Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.140 4 2003 ao 4° trimestre de 2004, e posteriormente, em decorrência das verificações feitas, foram incluídas nesta ação fiscal, operações quanto ao IRPJ/CSLL, IRRF, PIS e COFINS. Vejamos as conclusões do longo e detalhado relatório fiscal, que analisou todas as operações, passivos e custos contabilizados pela contribuinte: Todos saldos do passivo que foram considerados irreais, decorrentes de obrigações já pagas ou não comprovadas a sua exigibilidade pela empresa fiscalizada (INJEX), e mantidas no final dos anoscalendário respectivos, e não foram, apresentadas justificativas ou contestações aceitas pela fiscalização, acompanhadas da documentação comprobatória hábil e idônea, estão sendo lançados de oficio, por OMISSÃO DE RECEITAS caracterizada pela apuração de PASSIVO FICTÍCIO, conforme dispõe o art. 281, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/99); Os valores dos CUSTOS/DESPESAS NÃO COMPROVADAS, GLOSADAS por esta fiscalização, que estão sendo lançados de oficio, além dos lançamentos reflexos de CSLL, também geraram o lançamento do PIS e COFINS NÃO CUMULATIVOS, tendo em vista que estes valores, quando da apuração das citadas contribuições, geraram créditos, e ao demonstrarmos neste procedimento fiscal, as irregularidades apuradas, procedemos à glosa de tais valores, e por conseguinte, a glosa dos créditos respectivos, ocasionando no lançamento destas contribuições; Os valores em que constaram pagamentos, mas os lançamentos que deram origem a estes foram glosados por esta fiscalização, por não comprovação de sua efetiva ocorrência, estão sujeitos à tributação do IRFonte, caracterizados por "pagamentos a beneficiários não identificados", de acordo com o art. 674, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/99), e lançados de oficio; As demais infrações apuradas, ou seja, omissão caracterizada por pagamentos não contabilizados, reflexos do IRPJ (CSLL/PIS/COFINS/PIS NÃOCUMULATIVO e COFINS NÃO CUMULATIVO), e ainda diferenças apuradas nas verificações obrigatórias, também estão sendo objeto de lançamento de oficio por esta fiscalização; (...) Observamos que, em relação aos lançamentos do IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS, COFINS, PIS e CONFINS Não Cumulativos) as multas referentes às infrações de GLOSA de Custos/Despesas foram lançadas com o percentual de 150%, com base no artigo 44, inciso I, e §1°, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/07, a seguir transcritos: (...) O lançamento das multas no percentual citado no item anterior, referente às infrações de GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS, bem Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.141 5 como as infrações reflexas, devese ao fato de ter a fiscalizada se utilizado de ações com o evidente intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, ações estas caracterizadas pela utilização de Notas Fiscais que não se referem a vendas efetivamente realizadas à INJEX, sendo as notas fiscais, citadas e apresentadas pela fiscalizada, consideradas inidôneas, nos casos da Máster Plásticos e Marfins Bauru, e no caso dos demais fornecedores, pelo fato de não ter apresentado qualquer comprovação de que os custos ou despesas tenham de fato ocorridos, e pelos demais fatos narrados neste termo, o que nos leva a concluir que se tratam de operações que de fato não ocorreram, e foram lançadas na contabilidade com a intenção de reduzir os lucros da empresa, e por conseguinte, a redução dos tributos devidos; Para finalizar, e ainda sobre a resposta da fiscalizada, apresentada em 14/12/2007, após fazer suas "justificativas" e considerações sobre os fatos narrados no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal lavrado em 19/10/2007, ao final apresentou a seguinte propositura: "Ante a latente imprestabilidade da escrituração existente, o que pode ser aferido pelas justificativas e ausência de documentação consignadas nos itens presente resposta, e a impossibilidade de seu refazimento, face a ausência de documentos, livros auxiliares e registros de inventário, esta sociedade solicita a retificação das DIPJ's e DCTF's apresentadas, para submeterse ao regime de lucro arbitrado."; Diante da alegação da fiscalizada, citada no item anterior, cumpre observar que o arbitramento é uma medida extrema, quando houver absoluta impossibilidade de apuração do lucro, real ou presumido, conforme a opção do contribuinte, ou sua obrigatoriedade em alguns casos, e que no caso em questão, a contabilidade apresentada não é imprestável, pois a partir dela é que fizemos os ajustes pontuais com as infrações apuradas, e que a mesma contabilidade serviu de suporte para análise dos processos de ressarcimento de IPI, sendo que o contribuinte só alegou esta "imprestabilidade" depois que foi lavrado o termo de constatação, no qual ficaram demonstradas as infrações apuradas nesta ação fiscal; No caso de se aceitar este argumento do contribuinte, em toda ação fiscal que se constatassem infrações, tais como, omissões de rendimentos e despesas/custos não comprovados, os contribuintes iriam alegar que a sua contabilidade "é imprestável", o que não é concebível; Também, e principalmente, não é cabível a propositura do contribuinte, porque não há amparo legal para tal arbitramento, pois não estão presentes os pressupostos contidos no art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/99), ou seja, o contribuinte mantém escrituração regular, não há indícios de fraudes ou vícios, erros ou deficiências que a torne imprestável, pois as infrações apuradas são pontuais, a escrituração foi devidamente apresentada à autoridade Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.142 6 tributária, os livros Diário estão devidamente registrados em Cartório, e o contribuinte não optou indevidamente pelo Lucro Presumido; Estão anexos aos autos de infração lavrados, os documentos que serviram de suporte aos lançamentos, angariados no decorrer desta ação fiscal, tais como, cópias dos balanços da fiscalizada (contas do passivo), e das contas do razão mencionadas nas infrações apuradas, intimações lavradas aos fornecedores e respostas obtidas, diligências efetuadas pela Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Bauru, dentre outros citados neste (...) A contribuinte apresentou à fiscalização os seguintes documentos: >Livros Diários n.°s: 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24 e 25 (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2003, 2004 e 2005 respectivamente; > Livros Razão n.°s: 19A, 19B, 19C, 19D, 19E, 19F, 20A, 20B, 20C, 20D, 20E, 20F, 20G e 20H (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2003 e 2004 respectivamente; > Livros Registro de Saídas n.°s: 10, 11, 12 e 13 (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2003 e 2004, respectivamente; > Livros Registro de Entradas n.°s: 12, 13, 14 e 15 (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2003 e 2004, respectivamente; > Livros Reg. Apur. ICMS n.°s: 09 e 10 (encadernados, correspondentes aos exercícios de: 2003 e 2004, respectivamente; > Livros Reg. Apur. IPI n.°s: 11 e 12 (encadernados) correspondentes aos exercícios de: 2003 e 2004, respectivamente; > Notas Fiscais de Entrada que geraram Crédito de IPI, ref. ao 2.° e 4.° trimestres do ano de 2003; (Pasta n.°1) > Notas Fiscais de Entrada que geraram Crédito de IPI, ref. ao ano de2004. (Pasta n.° 2) > Notas Fiscais de Saída n.°s: 27001 a 27500 Correspondente ao período de: 27/05 à 23/06/2003; (Caixa n.° 13). > Notas Fiscais de Saída n.°s: 27501 a 28000 Correspondente ao período de: 23/06 à 27/07/2003; (Caixa n.° 13). > Notas Fiscais de Saída n.°s: 28001 a 28500 Correspondente ao período de: 22/07 à 18/08/2003; (Caixa n.° 14). > Notas Fiscais de Saída n.°s: 33501 a 34000 Correspondente ao período de: 11/05 à 04/0612004; (Caixa n.° 14). Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.143 7 > Notas Fiscais de Saída n.°s: 34001 a 34500 Correspondente ao período de: 06/06 à 01/07/2004; (Caixa n.° 15). > Notas Fiscais de Saída n.''s: 34501 a 35000 Correspondente ao período de: 01/07 à 28/07/2004; (Caixa n.° 15). > Livro de Registro e Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências; > Relação da Descrição dos Produtos/Classificação/Alíquota; > Contrato Social e suas Alterações; > Dacon — 2003, 2004 e 2005; > DCTF — 2004, 2005 e 2006. > DIPJ — 2005 e 2006. A Matr. 4022 > Procuração/Substabelecimento. > Livros Registro de Saídas n.°s : 14 e 15 (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2005 e 2006, respectivamente; > Livros Registro de Entradas n.°s: 16 e 17 (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2005 e 2006, respectivamente; > Livros Reg. Apur. ICMS n.°s: 11 e 12 (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2005 e 2006, respectivamente > Livros Reg. Apur. IPI n.°s: 13 e 14 (encadernados) correspondentes aos exercícios de: 2005 e 2006, respectivamente; > Livros Razão n.°s: 21A, 21B, 21C, 21D, 21E, 21F, 21G, 2111, 211, (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2005; respectivamente; Em resposta à segunda intimação fiscal, a contribuinte apresentou os seguintes esclarecimentos: Em relação aos itens solicitados de 01 a 04 do Termo de Intimação Fiscal n° 02 e dos itens 01 a 05 do Termo n° 03, Temos a informar que deixamos de apresentar os documentos solicitados, acreditando que pelas sucessivas mudanças do arquivo, de locais e salas, e idas e vindas de documentos para auditorias contábeis contratadas, contratadas inexplicavelmente para o extravio e desaparecimento dessa documentação. Não obstante, informamos que lamentavelmente ao final de 2004, ocorreu o falecimento do sócio administrador em acidente aéreo, o qual foi responsável pelas operações, portanto não sabemos dar maiores explicações do porque essas operações estão em aberto em nossa contabilidade. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.144 8 Com referência ao item 05 do Termo de Intimação Fiscal n° 02, esclarecemos que, mesmo no procedimento contábil do Lucro Presumido, por representarem prováveis créditos de IPI, foram arquivadas separadamente em pastas próprias, e que seus regimentos foram contabilizados através da Conta Caixa, e especificamente nas requeridas, com pagamentos à vista, através da Conta Caixa. Em meados de 2005, verificouse que a contabilidade vinha sendo elaborada de forma simplificada, com lançamentos bancários feitos por totais mensais, movimentação transitando toda pela conta Caixa (cheques emitidos/depósitos efetuados), que não possibilitava a identificação de pagamentos e recebimentos de forma individualizada, e não possibilitava o controle de clientes/fornecedores, enfim, diante da deficiência da contabilidade, ouve a opção pela tributação pelo Lucro Presumido. Aliás, podemos até afirmar que nos anos calendário, 2003 e 2004, apenas por um erro, a empresa optou pelo Lucro Real, já que podia enquadrar no regime do Lucro Presumido. Porém, pelo fato de já ter erroneamente realizado recolhimentos por estimativa, ficou impedida de tal opção, quando da entrega da declaração, embora, pelo que se denota, já apresentava na época deficiências e sua contabilidade. No exercício 2006, tendo excedido o limite de faturamento, ficaremos obrigados para o ano de 2007, a retomar para a tributação pelo Lucro Real. Para tanto, estamos efetuando uma profunda conciliação na contabilidade para que possamos elaborar o balanço retratando a realidade, tendo em vista as várias falhas contábeis, já detectadas, principalmente nos exercícios de 2003 e 2004, cujos ajustes serão efetuados de modo a iniciarmos 2007 coma contabilidade correta. Em outra oportunidade, ainda em relação ao procedimento fiscal, a contribuinte peticiona à Receita Federal, apresentando as seguintes justificativas em relação ao passivo fictício imputado pela fiscalização: Preliminarmente é necessário ressaltar que pessoa jurídica é uma ficção jurídica, ou seja, a empresa não toma decisões, portanto, os atos de uma empresa é exercido por pessoas, e essas naturalmente exercem ou delegam poderes para outras agirem em seu nome, isto é mencionado para destacar o item 12.2 do termo apresentado, onde já foi afirmado que infelizmente em 2004 houve um acidente aéreo e o administrador, o responsável pelos atos administrativos da empresa na época veio a falecer. Outro fato importante que levantamos é que a empresa na época tinha condições de optar pelo lucro presumido e se tivesse optado teria recolhido menos impostos/contribuições do que recolheu pela sistemática do lucro real. O fato da opção ter que ser exercida no início do período torna se para as empresas um verdadeiro jogo de adivinhação, porque Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.145 9 ela não sabe nunca como o mercado vai se comportar durante o exercício, normalmente os profissionais da área contábil tomam essa decisão baseada nos fatos passados, porém, quando a situação se inverte no período tentam formulas mágicas, para repararem os danos pela opção errada. Tais fatos não exime os atuais administradores a responder pelos efeitos desses atos, ou seja, recolher diferenças de impostos/contribuições que porventura venham a ser apuradas, aliás é a intenção da empresa resolver essa questão o mais rápido possível. Envolvidos com nossa empresa existem inúmeros colaboradores, fornecedores, clientes, portanto, esperamos solucionar essa questão para que nossa empresa possa continuar operando normalmente, mesmo já enfrentando todos os fatores negativos da globalização e política cambial que vem massacrando as empresas brasileiras. Pela análise do referido termo e informações levantadas temos a informar o que vem a seguir: Quanto as questões de existência de Passivo Fictício e contabilização de custos/despesas irreais, pagamentos a beneficiários não identificados, gostaríamos de tecer alguns comentários e considerações. Pelo ângulo contábil fica evidente a não ocorrência de todas essas situações, ou seja, a contabilidade é uma ciência exata onde para cada débito obrigatoriamente haverá um crédito, ou viceversa, logo se houve a contabilização de um valor a débito evidentemente a contrapartida foi um crédito, e esse crédito pode ter ocorrido de duas formas — diminuição de Ativo ou aumento de Passivo. Se por acaso foi contabilizado um pagamento indevidamente como despesas/custo através do Caixa, houve uma redução indevida no saldo dessa conta, logo, se for desconsiderada a conta de despesas/custo, consequentemente deverá ser considerado o aumento do Caixa. Se por acaso houve a contabilização indevidamente como despesas/custo creditando uma conta do Passivo, esse valor não deve ser considerado passivo fictício, vez que essa figura consiste em manter no passivo obrigações efetivamente pagas, neste caso não existindo nem o pagamento, nem a obrigação, não existe passivo fictício, na situação colocada se foi contabilizado um passivo sem que ele exista nos parece melhor denominálo como passivo irreal. No caso, se houver a eliminação da despesa/custo, também desaparecerá o Passivo irreal. Ou seja, se houve a contabilização de despesa/custo e esta for objeto de glosa, devese reconstituir o caixa, logo, o pagamento atribuído para tal fato deixou de ocorrer, consequentemente não Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.146 10 havendo pagamento não há o que falar em beneficiário (identificado ou não) simplesmente o pagamento não ocorreu. Pela narrativa do Auditor, parecenos que o que ocorreu na contabilidade da empresa é a lógica contábil, ou seja, contabilizou algumas despesas/custos inexistentes, consequentemente para evitar estouro de caixa, criouse um passivo ou deixou de baixar algumas obrigações existentes. Se a contrapartida foi o Passivo, excluindo a despesa/custo o passivo será extinto. Se a contrapartida foi o Caixa, excluindo a despesa/custo obviamente aumentaria o caixa, isto geraria recursos para baixar aqueles títulos que deixaram de ser baixados, desaparecendo por completo a figura do passivo fictício. Em resumo parecenos que, se a contabilidade da empresa for aceitável, contendo tão somente alguns lançamentos indevidos como despesas/custos o lógico é proceder todos os ajustes, estornando aqueles lançamentos de despesas/custos, o que fatalmente aumentará o lucro ou diminuirá o prejuízo. Dessa forma, confirmando os indícios de existência de irregularidades, eliminando os lançamentos de despesas/custos irreais, desaparece a figura de passivo fictício e não há o que se falar em pagamento a beneficiário não identificados. Sabemos que se a contabilidade não for confiável e não conter todos os elementos necessários e aceitáveis para apurar a base tributável, a fiscalização tem a prerrogativa de arbitramento, porém, se a contabilidade oferece meios confiáveis para apuração dos tributos poderá através de ajustes servir de base, porém, qualquer alteração em um item contábil, todos seus reflexos deverão ser levados em conta. Quanto ao item 68 estamos apresentando os documentos solicitados. Em outro petitório, ainda sobre a questão do passivo fictício, a contribuinte menciona: O Termo relata uma série de ocorrências, e a partir de seu item 24 solicita comprovações ou justificativas, o que passamos a fazer item a item: Item 24 — As diferenças apuradas no item 23 foram esclarecidas a essa auditoria, sendo que realmente existem algumas divergências entre os valores apurados e os declarados. Item 25 — Documentação apresentada em 14/11/2007, juntamente com o pedido de prorrogação de prazo para atendimento dos esclarecimentos o que estamos fazendo agora. Item 28 — Não localizamos qualquer documento que tenha servido de suporte a esses lançamentos contábeis. Como já informado anteriormente julgamos estarem extraviados. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.147 11 Para análise dos itens a seguir é necessário esclarecer que os lançamentos relativos à movimentação bancária foram efetuados de forma simplificada, ou seja, todos os cheques emitidos contabilizados a débito de Caixa e os depósitos à crédito da mesma conta, sem nenhum livro auxiliar, baseado tão somente nos extratos bancários de forma que, todos os pagamentos são contabilizados como sendo efetuados pelo Caixa, não sendo possível vincular em nossa contabilidade o pagamento efetuado com o respectivo. Item 29— Conta 2000709 — UNIPETRO OURINHOS DIST. PETR. LTDA. — Saldo em 31/12/2003 de R$ 89.778,72 — realmente houve falha em nossa contabilidade em não dar baixa em tal obrigação, tratando de um erro contábil, porém, o saldo de Caixa em 31/12/2003, era de R$ 1.713.038,31, perfeitamente suficiente para baixar o passivo, descaracterizando a figura de passivo fictício. Item 30— Conta 2000709 — UNIPETRO OURINHOS DIST. PETR. LTDA. — Saldo em 31/12/2004 de R$ 214.084,83 — dentro desse valor R$ 89.778,72 deveria ter sido baixado em 2003, conforme já mencionado no item anterior, e os pagamentos efetuados e não baixados em 2004, no valor de R$ 90.029,50 também foi falha em nossa contabilidade em não dar baixa em tais obrigações, tratando de um erro contábil, visto que o saldo de Caixa em 31/12/2004, importava em R$ 1.091.346,18 perfeitamente suficiente para baixar o passivo descaracterizando a figura de passivo fictício. Item 31 — Quanto ao item 31, deixamos de analisar em vista de empresa ter optado pela tributação através do Lucro Presumido. Item 33 — UNIPETRO OURINHOS. NF 024811 — de 17/07/2003 — R$ 1.316,60 — Não localizamos a referida nota fiscal. Item 34— Conta 2000942 — UNIPETRO MAR1LIA DIST. PETR. LTDA. — Saldo em 31/12/2003 de R$ 268.011,72 , realmente houve falha em nossa contabilidade em não dar baixa em tal obrigação no valor de R$ 252.875,52, porém, tratase um erro contábil, visto que o saldo de Caixa em 31/12/2003, é de R$ 1.713.038,31, perfeitamente suficiente para baixar o passivo, mesmo considerando os pagamentos não efetuados mencionados em itens anteriores descaracterizando a figura de passivo fictício. Item 35 — Conta 2000942 — UNIPETRO MARÍLIA DIST. PETR. LTDA. — Saldo em 31/12/2004 de R$ 425.384,42 — dentro desse valor R$ 252.875,52 deveria ter sido baixado em 2003, conforme já mencionado no item anterior, e os pagamentos efetuado e não baixados em 2004, no valor de R$ 172.508,90 também foi falha em nossa contabilidade em não dar baixa em tais obrigações, tratando de um erro contábil, visto que o saldo de Caixa em 31/12/2004, importava em R$ 1.091.346,18 perfeitamente suficiente para baixar o passivo, mesmo Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.148 12 considerando os pagamentos não efetuados mencionados em itens anteriores descaracterizando a figura de passivo fictício. Item 39 — Conta n° 2000092 — ARIMA IND. E COM. LTDA. — Saldo em 31/12/2004 — R$ 23.548,34 — também foi falha em nossa contabilidade em não dar baixa em tais obrigações, tratando de um erro contábil, visto que o saldo de Caixa em 31/12/2004, importava em R$ 1.091.346,18 perfeitamente suficiente para baixar o passivo, mesmo considerando os pagamentos não efetuados mencionados em itens anteriores descaracterizando a figura de passivo fictício. Item 40 — Conta n° 2000777 — FCC FORNC. COM. QUIM. E COUROS LTDA. — Saldo em 31/12/2004 — R$ 79.275,00 — também foi falha em nossa contabilidade em não dar baixa em tais obrigações, tratando de um erro contábil;visto que o saldo de Caixa em 31/12/2004, importava em R$ 1.091.346,18 perfeitamente suficiente para baixar o passivo, mesmo considerando os pagamentos não efetuados mencionados em itens anteriores descaracterizando a figura de passivo fictício. Item 41 — Conta n° 2000034 — POLIBRASIL RESINAS S/A — Saldo em 31/12/2004 de R$ 1.752.318,99 — com relação a esta conta deve ser observado que no balanço encerrado em 31/12/2004, conta no Ativo — Adiantamento a Fornecedores — Polibrasil Resinas S/A — R$ 1.150.303,37, valor esse deveria ter sido contabilizado contra a conta de Fornecedores, novamente o que houve foi falha na contabilização em não considerar os adiantamentos efetuados para liquidar o Passivo, isto posto, a falta de conciliação em todas as contas faz com que os números levem à conclusões não verdadeiras, ou seja, a figura de passivo fictício desaparece quando efetuados os ajustes contábeis. Item 42 — Conta n° 2000104— SOLVAY DO BRASIL S/A — Saldo em 31/12/2004 — R$ 58.630,35 — também foi falha em nossa contabilidade em não dar baixa em tais obrigações, tratando de um erro contábil, visto que o saldo de Caixa em 31/12/2004, importava em R$ 1.091.346,18 perfeitamente suficiente para baixar o passivo, mesmo considerando os pagamentos não efetuados mencionados em itens anteriores descaracterizando a figura de passivo fictício. Item 43 — Conta n° 2001062 — REDIGOLO FARHAT REPR. S/C LTDA. — Não localizamos qualquer documento que desse suporte a esse lançamento em nossa contabilidade. Item 44 — Conta n° 2001063 — PRINCESA CONTROLE S/C LTDA ME. — Não localizamos qualquer documento que desse suporte a esse lançamento em nossa contabilidade. Item 45— Conta n° 2001064 — PRINCESA BAURU COM. PREST.SERV. LTDA ME. — Não localizamos qualquer documento que desse suporte a esse lançamento em nossa contabilidade. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.149 13 Item 46— Conta n° 2001065 — ELETROMANIA COM. MAT. ELÉTRICOS LTDA. — Não localizamos qualquer documento que desse suporte a esse lançamento em nossa contabilidade. Item 47 — Conta n° 2001074 — F. CESAR DOS SANTOS & CIA LTDA. — Não localizamos qualquer documento que desse suporte a esse lançamento em nossa contabilidade. Item 48— Conta n° 2001075 — PLAS BAURU — COM. PLÁSTICOS LTDA. — ME — Não localizamos qualquer documento que desse suporte a esse lançamento em nossa contabilidade. Item 49— Conta n° 2001190— DIRCEU GONÇALVES DE OLIVEIRA BAURU ME — Não localizamos qualquer documento que desse suporte a esse lançamento em nossa contabilidade. Item 50 — Conta n° 2001067 — STARPLUS GRÁFICOS E EDITORES LTDA. — Não localizamos qualquer documento que desse suporte a esse lançamento em nossa contabilidade. Item 51 — MASTER PLÁSTICOS BAURU IND. E COM. LTDA., as nota relacionadas importam em R$ 1.041.114,45, embora contabilizadas como pagas por Caixa, todavia os dados contábeis disponíveis não tornam possível a confirmação desse pagamento. Item 52 — MARTINS BAURU COMERCIO DE PLÁSTICOS LTDA. — Notas relacionadas importam em R$ 318.649,94 — valores que constam em aberto no Passivo, portanto não há o que se falar em pagamento a beneficiários não identificados, já que não houve o pagamento. Item 55 — Conta n° 2001184 — KOINA CORPORATION — Saldo R$ 364.670,10, — 31/12/2004 — Foi falha em nossa contabilidade em não dar baixa em tais obrigações, tratando de um erro contábil, visto que o saldo de Caixa em 31/12/2004, importava em R$ 1.091.346,18 perfeitamente suficiente para baixar o passivo, mesmo considerando os ajustes a serem efetuados mencionados em itens anteriores descaracterizando a figura de passivo fictício. Item 56 — Conta 2001184 — KOINA CORPORATION Saldo R$ 850.040,61, 31/12/2005 — Deixamos de analisar em vista de empresa ter optado pela tributação através do Lucro Presumido. Item 57 — Conta n° 2001155— MISAWA MEDICAL INDUSTRY CO. LTD — Saldo R$ 415.142,75 — 31/12/2004 — Foi falha em nossa contabilidade em não dar baixa em tais obrigações, tratando de um erro contábil, visto que o saldo de Caixa em 31/12/2004, importava em R$ 1.091.346,18 perfeitamente suficiente para baixar o passivo, mesmo considerando os ajustes a serem efetuados mencionados em itens anteriores descaracterizando a figura de passivo fictício. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.150 14 Item 58— Conta n° 2001155 — MISAWA MEDICAL INDUSTRY CO.LTD — Saldo R$ 566.411,16 — 31/12/2005 — Deixamos de analisar em vista de empresa ter optado pela tributação através do Lucro Presumido. Item 59 — Conta n° 2000726 — PAPLES PM S.A.I.C. — Saldo R$ 422.013,77 — 31/12/2004 — Foi falha em nossa contabilidade em não dar baixa em tais obrigações, tratando de um erro contábil, visto que o saldo de Caixa em 31/12/2004, importava em R$ 1.091.346,18 perfeitamente suficiente para baixar o passivo, mesmo considerando os ajustes a serem efetuados mencionados em itens anteriores descaracterizando a figura de passivo fictício. Item 60 — Conta n° 2000726 — PAPLES PM S.A.I.C. — Saldo R$ 505.314,95 — 31/12/2005 — Deixamos de analisar em vista de empresa ter optado pela tributação através do Lucro Presumido. Item 61 — Conta 2001052 — SEJONG MACHINE CO. LTD. — Saldo em 31/12/2003 de R$ 294.892,28 — realmente houve falha em nossa contabilidade em não dar baixa em tal obrigação, porém, tratase um erro contábil, visto que o saldo de Caixa em 31/12/2003, é de R$ 1.713.038,31, perfeitamente suficiente para baixar o passivo, mesmo considerando os ajustes dos itens anteriores descaracterizando a figura de passivo fictício. Item 62 — Conta 2000025 — SALENCO CONST. COM.LTDA. — Saldo em 31/12/2004 de R$ 1.510.212,50 — Foi falha em nossa contabilidade em não dar baixa na importância de R$ 410.452,50, tratando de um erro contábil, visto que o saldo de Caixa em 31/12/2004, importava em R$ 1.091.346,18 perfeitamente suficiente para baixar o passivo, mesmo considerando os ajustes a serem efetuados mencionados em itens anteriores descaracterizando a figura de passivo fictício. Item 63 — Conta 2000025 — SALENCO CONST. COM.LTDA. — Saldo em 31/12/2005 — de R$ 743.200,00 — Deixamos de analisar em vista de empresa ter optado pela tributação através do Lucro Presumido. A seguir apresentamos planilha onde reconstituímos a conta CAIXA considerando o pagamentos não contabilizados ou contabilizados indevidamente: CAIXA Ano Histórico Débito Crédito Saldo 2003 Saldo do balanço de 31/12/2003 1.713.038,31 ajuste item 29 89.778,72 1.623.259,59 ajuste item 34 252.875,52 1.370.384,07 ajuste item 61 294.892,28 1.075.491,79 Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.151 15 CAIXA Ano Histórico Débito Crédito Saldo 2004 Saldo do balanço de 31/12/2004 1.091.346,18 Ajuste item 30 90.029,50 1.001.316,68 Ajuste item 35 172.508,90 828.807,78 Ajuste item 39 23.548,34 805.259,44 Ajuste item 40 79.275,00 725.984,44 Ajuste item 42 58.630,35 667.354,09 Ajuste item 51 1.041.114,45 1.708.468,54 Ajuste item 55 364.670,10 1.343.798,44 Ajuste item 57 415.142,75 928.655,69 Ajuste item 59 422.013,77 506.641,92 Ajuste item 62 410.452,50 96.189,42 Cumpre esclarecer que no período transcorrido entre o recebimento do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal até a presente data, esta sociedade reexaminou a contabilidade existente para os anos de 2003 e 2004, tendo constatado incontáveis vícios e erros, entre eles, lançamentos equivocados, grande parte desprovidos de documentos comprobatórios e outras inexatidões, fatos comprometedores da regularidade do lucro real apurado. Por isso, determinou a reconstituição dessa contabilidade para apresentála com lançamentos e documentos compatíveis, capazes de espelhar as transações praticadas nos respectivos períodos: entradas, saídas, pagamentos, recebimentos, inclusive operações com o exterior. O objetivo da recomposição da escrita não foi alcançado devido a não localização de muitos documentos pertinentes a custos, despesas operacionais e outros encargos, e também a inexistência de livros auxiliares, e também de registros das quantidades, espécies, e valores dos estoques de matérias primas, produtos e mercadorias existentes por ocasião dos balanços referidos. Ante a latente imprestabilidade da escrituração existente, o que pode ser aferido pelas justificativas e ausência de documentação consignadas nos itens da presente resposta, e a impossibilidade de seu refazimento, face a ausência de documentos, livros auxiliares e registros de inventário, esta sociedade solicita a retificação das DIPJs e DCTFs apresentadas, para submeterse ao regime de lucro arbitrado. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.152 16 A fiscalização juntou nos autos cópia dos Livros Diários de 2003, 2004 e 2005, apontando o registro dos passivos, além de outros documentos. Em outra intimação fiscal, a fiscalização requereu à contribuinte a apresentação de todas as Notas Fiscais/Duplicatas/Recibos e os comprovantes dos pagamentos correspondentes, bem como, no caso de mercadorias ou outros bens, da documentação do transporte respectivo, relativos às vendas efetuadas para a empresa INJEX INDÚSTRIAS CIRÚRGICAS LTDA, CNPJ 59.309.302/000199, localizada no município de Ourinhos/SP, referente aos anoscalendário de 2003 a 2005. Através de petição, a contribuinte juntou uma planilha mencionando a data da emissão das Notas Fiscais, as Duplicatas, datas de vencimento, datas de pagamento e valores recebidos, juntando cópia de Notas Fiscais, além de listagem do Banco informando os pagamentos dos valores relativos às Notas Fiscais apuradas pela fiscalização do período de 2003 a 2007 de todas as empresas questionadas. O que se vê até agora é que a empresa se perdeu na baixa de passivos em sua contabilidade, atendendo sempre que possível à fiscalização, com a apresentação de documentos e informações, reconhecendo sua negligência e que os procedimentos adotados quanto à contabilização em conta Caixa foram falhos. Esse é o retrato dos autos. A fiscalização intimou ainda as empresas fornecedoras da contribuinte à apresentarem as cópias de todas as Notas Fiscais/Duplicatas/Recibos e os comprovantes dos pagamentos correspondentes, bem como, no caso de mercadorias ou outros bens, da documentação do transporte respectivo, relativos às vendas efetuadas para a empresa INJEX, referente aos anoscalendário de 2003 a 2005. No caso das empresas Princesa Controle S/C Ltda., Starplus Gráficos e Editores e Martins Bauru Comércio de Plásticos Ltda. informaram que não realizaram vendas ou prestação de serviços para INJEX no período de 2003 a 2005. Nas demais, algumas nem sequer foram encontradas no endereço informado pela fiscalização e outras apresentaram relação de Notas Fiscais, extrato de títulos baixados etc. Em diligência à empresa Máster Plásticos em Bauru, constatouse que as Notas Fiscais emitidas por essa suposta fornecedora da Recorrente possuía documentos clonados, com nítido intuito de fraudar terceiros e o fisco.O contador e a gráfica que imprimiu as Notas negaram suas autorias nas fraudes, como de praxe. O proprietário da empresa apenas mencionou que a empresa encontrase inativa desde 22.11.2004, informando que se encontrava administrando a venda de ativos, não se sabendo ao certo quanto à veracidade das afirmações trazidas pela referida empresa fornecedora, pelas provas e imputações trazidas nos autos, visto que as declarações juntadas por contadores e sócios da empresa são unilaterais, sem o crivo do contraditório ou mesmo decorrente de uma investigação policial fulcrada em perícia técnica que possa confirmar a referida clonagem. A contribuinte protocolou impugnação em 09.04.2008 (por via postal), alegando em síntese que: Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.153 17 a) que, à guisa de argüição preliminar, pelo ângulo contábil fica evidente a não ocorrência das infrações apontadas pelo autuante. Isto porque "a contabilidade é uma ciência exata segundo a qual para cada débito obrigatoriamente haverá um crédito ou viceversa. Assim, se houve a contabilização de um valor a débito evidentemente a contrapartida foi um crédito e esse crédito pode ter ocorrido de duas formas — diminuição de Ativo ou aumento de Passivo. Se, por acaso, foi contabilizado um pagamento indevidamente como despesas/custo através do Caixa, houve uma redução indevida no saldo dessa conta, logo, se for desconsiderada a conta de despesas/custo, conseqüentemente deverá ser considerado o aumento do Caixa"; b) que, por outro lado, "se, por acaso, houve a contabilização indevidamente como despesas/custo creditando uma conta do Passivo, esse valor não deve ser considerado passivo fictício, vez que esta figura consiste em manter no Passivo obrigações efetivamente pagas, neste caso não existindo nem pagamento, nem a obrigação, não existe passivo fictício. Na situação colocada se foi contabilizado um Passivo sem que ele exista o correto é denominálo como passivo irreal. No caso, se houver a eliminação da despesa/custo, também desaparecerá o Passivo irreal. Ou seja, se houve a contabilização de despesa/custo e esta for objeto de glosa, devese reconstituir o Caixa. Isto porque, se o pagamento atribuído para tal fato deixou de ocorrer, conseqüentemente não há que se falar em beneficiário (identificado ou não) haja vista que, simplesmente, o pagamento não ocorreu"; c) que, em resumo, se a contabilidade da Impugnante for aceitável, contendo tão somente alguns lançamentos indevidos como despesas/custo o lógico é proceder a todos os ajustes, estornando aqueles lançamentos de despesa/custo, o que fatalmente aumentará o lucro ou diminuirá o prejuízo. E, "dessa forma, confirmando os indícios de existência de irregularidades, eliminando os lançamentos de despesas/custos irreais, desaparece a figura de Passivo Fictício e não há o que se falar em pagamento a beneficiários não identificados"; d) que, por outro lado, "se a contabilidade não for confiável e não contiver todos os elementos necessários e aceitáveis para apurar a base tributável, a fiscalização tem a prerrogativa de arbitramento, porém, se a contabilidade oferece meios confiáveis para apuração dos tributos poderá através de ajustes servir de base, porém, qualquer alteração em um item contábil, todos os seus reflexos deverão ser levados em conta. Entretanto, em total dissonância com as técnicas contábeis, nenhum desses caminhos foram percorridos pela fiscalização, que se limitou a imputar infrações legais, sem ajustálas, uma a uma, na contabilidade da Impugnante". E, por isso, o lançamento "padece de vício insanável em sua constituição", o que demanda a declaração de sua nulidade; e) que o autuante, em especial no tocante à determinação da matéria tributável, "ao não observar a natureza vinculada da Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.154 18 atividade de lançamento, deixou de conduzirse como apregoa o aludido artigo 142 do CTN. Isto porque "nada fez no sentido de verificar a ocorrência do fato gerador, uma vez que desconsiderou os esclarecimentos prestados pela Impugnante sobre sua escrita contábil". Também porque "deixou de determinar a matéria tributável, pois deveria a fiscalização ter procedido ao arbitramento do lucro, única forma cabível no presente caso". Ademais, "sendo óbvio que o mandamento contido no aludido artigo 142 deve ser entendido como calcular corretamente o montante do tributo devido, pelos equívocos acima narrados é evidente que o valor exigido não fora obtido de acordo com a boa técnica de auditoria, razão pela qual, por decorrência, aqui também se verifica a inobservância da norma que baliza a atividade de lançamento". E, por fim, "aplicou penalidade não compatível com os fatos apurados e as infrações supostamente praticadas". Em razão dos vícios apontados, "a autuação deve ser declarada nula pelo descumprimento de preceito legal, ou, no mérito, improcedente por falha insanável na determinação da matéria/montante tributável"; f) O que, como prejudicial de mérito, é inconsistente a qualificação da multa de oficio. Isto porque "o enquadramento, pela I. Fiscal Autuante, da conduta da Impugnante como fraudulenta, não prospera diante da súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes", que assim assevera: "A simples apuração de omissão de receitas ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". E as condutas descritas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, "exigem do sujeito passivo a ação com dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, ou a exclusão ou modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir seu pagamento". E no caso em tela, "a situação da impugnante supostamente subsumese à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, mas não caracteriza o evidente intuito de fraude". g) Ademais, "o próprio I. Fiscal Autuante reconhece, no item 80 do Termo de Verificação Fiscal, que o contribuinte mantém escrituração regular, não há indícios de fraudes ou vícios, erros ou deficiências que a torne imprestável, pois as infrações apuradas são pontuais"; h) que, no mérito, a autuação não merece prosperar, "nos termos em que lavrada, uma vez que a metodologia empregada pela i. Autuante não observou a melhor técnica"; i) que, "desde o recebimento do Termo de Constatação e Intimação Fiscal até a presente data, a Impugnante reexaminou a contabilidade existente para os anos de 2003 e 2004, tendo constatado incontáveis vícios e erros, entre eles, lançamentos equivocados, grande parte desprovidos de documentos comprobatórios e outras inexatidões, fatos comprometedores da Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.155 19 regularidade do lucro real apurado". Em face disto, buscou proceder a reconstituição de sua contabilidade "para apresentá la com lançamentos e documentos compatíveis, capazes de espelhar as transações praticadas nos respectivos períodos". Entretanto, não logrou êxito no seu intento "devido à não localização de muitos documentos pertinentes a custos, despesas operacionais e outros encargos, e também à inexistência de livros auxiliares e de registros das quantidades, espécies, e valores dos estoques de matériasprimas, produtos e mercadorias existentes por ocasião dos balanços referidos". E, por causa disto, solicitou a retificação de suas DIPJs e DCTFs, "para submeterse ao regime do lucro arbitrado", o que não foi aceito pela autoridade fiscal. j) que, "as razões apresentadas pelo I. Fiscal Autuante para afastar o arbitramento são contraditórias e, portanto, não se sustentam". Isto porque no item 76 do Termo de Verificação Fiscal, justificando a qualificação da multa, a autoridade fiscal assevera que a fiscalizada utilizouse de ações com evidente intuito de reduzir o montante de tributos devidos, e, logo a seguir, no item 80, declara que a fiscalizada mantém escrituração regular, não havendo indícios de fraude ou vícios, erros ou deficiências que tornem a escrituração irregular. E no mesmo item 76 o Autuante menciona outra situação que impõe o arbitramento do lucro, porquanto reconhece que a fiscalizada não apresentou qualquer comprovação de que os custos ou despesas tenham de fato ocorridos; k) que a questão da necessidade de arbitramento do lucro, em casos semelhantes ao aqui analisado, já é matéria sedimentada na jurisprudência do Conselho de Contribuintes. "De rigor, portanto, a anulação do crédito tributário em questão, devido à recusa de arbitramento do lucro, ante a reconhecida fragilidade das provas apresentadas pela Impugnante para a apuração do montante devido". l) que há que se observar, ademais, "que a Impugnante não estava obrigada à apuração pelo lucro real, pois podia optar pelo lucro presumido". E "os valores declarados e recolhidos pelo Lucro Real foram superiores ao apurado na simulação do Lucro Arbitrado"; m) que, como já considerado na análise preliminar, em face da não observância, por parte do Autuante, dos corretos princípios de auditoria contábil resta impossível caracterizar omissão de receitas pela apuração do passivo fictício. Isto porque, "se houve contabilização de pagamentos despesas/custos para fornecedores inexistentes que foram objeto de glosa, o I. Fiscal Autuante deveria ter efetuado a recomposição do Caixa, se isso fosse possível através de livros auxiliares"; n) que não pode prosperar a tributação do IRRF caracterizada por pagamentos a beneficiários não identificados. Assim é porque "o próprio I. Fiscal Autuante constatou que houve pagamentos a fornecedores, porém, esses continuaram em Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.156 20 aberto na contabilidade, temse que, do mesmo modo, houve a identificação dos beneficiários dos recursos, não cabendo, então, a exigência de tributos sobre o fato que o próprio Fiscal Autuante comprovou a não ocorrência"; o) que o Autuante equivocouse "ao adotar o Passivo Fictício como método de quantificação do crédito tributário, vez que este não se coaduna com a legislação de regência quando o contribuinte, optante pelo sistema de lucro presumido, adota o Único livro 'Caixa' que, de rigor, deve possuir para justificar o seu movimento tributável", como já decidiu o Conselho de Contribuinte. E "no anocalendário de 2005 a Impugnante procedeu à adoção do Lucro Presumido, conforme constante em sua DIPJ 2006 e corroborado pelo recolhimento da DARF (doc. 02)". p) Conclui a impugnante pedindo pelo reconhecimento da improcedência/insubsistência do lançamento, protestando "provar o alegado por todos os meios em direito admitidos". A DRJ de Ribeirão Preto manteve o lançamento fiscal conforme ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 31/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa à matéria que não tenha sido expressamente contestada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL. PIS. COFINS. Lavrado o auto principal (IRPJ), devem também ser lavrados os autos reflexos, nos termos do art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95, devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem, observadas as especificidades de cada um. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. GLOSA DE CUSTOS. GLOSA DE CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. PIS. COFINS. A manutenção da glosa de custos/despesas implica na exigência de PIS e Cofins correspondentes aos créditos glosados na apuração não cumulativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003, 31/12/2004, 31/03/2005, 31/12/2005 Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.157 21 PASSIVO FICTíCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizase como omissão no registro de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Procede a glosa de custos/despesas relativos a documentos inidôneos ou cujas operações não foram comprovadas. ARBITRAMENTO DE LUCRO POSTULADO EM IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. O arbitramento de lucros pela autoridade fiscal é uma salvaguarda do crédito tributário posta a serviço da Fazenda Pública e não pode ser utilizado como instrumento de defesa do sujeito passivo para elidir ou reduzir o imposto apurado com base na escrituração. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. IMPRESTABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O desvio de receitas deve ser positivado, quantificado e adicionado ao lucro líquido declarado, não sendo razão bastante para a desclassificação da escrita, como também não é a glosa parcial de custos/despesas. OMISSÃO DE RECEITAS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. LUCRO PRESUMIDO. PASSIVO FICTÍCIO. A adoção do chamado passivo fictício como método de quantificação do crédito tributário coadunase com a legislação de regência quando o contribuinte, optante pelo sistema do lucro presumido, mantém escrituração regular, podendo, dessa forma, ser utilizada pelo Fisco para apuração de omissão de receitas operacionais MULTA QUALIFICADA. GLOSAS. OPERAÇÕES NÃO OCORRIDAS. FRAUDES. As circunstâncias específicas do caso, ao permitirem identificar o evidente intuito de fraude, justificam a aplicação da multa qualificada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.158 22 Data do fato gerador: 31/01/2004, 27/02/2004, 20/03/2004, 30/03/2004, 12/05/2004, 28/05/2004, 31/10/2004 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte protocolou Recurso Voluntário em 13.11.2008, reproduzindo os mesmos fundamentos trazidos na impugnação, com as seguintes inclusões: DECADÊNCIA Com relação ao PIS e à CSLL, considerandose o termo inicial do prazo de decadência como sendo a data da ocorrência do fato gerador — que, in casu, é mensal — verificase que parte do período objeto da autuação já se encontra atingido pela decadência, posto que já decorridos 5 (cinco) anos, a contar da data dos fatos geradores ocorridos entre 31.01.2003 a 28.02.2003, até a data da cientificação do contribuinte acerca da lavratura do lançamento tributário em comento, que deuse apenas em 10.03.08. Ora, dentro desse contexto, inarredável a conclusão de que o período compreendido entre 31.01.2003 a 28.02.2003, encontra se fulminado pela decadência, porquanto inexiste direito subjetivo por parte do Fisco que fundamente lançamento tributário relativo a este período e, por conseguinte, que sustente o surgimento de relação jurídicotributária entre a Recorrente e o Fisco. Por todo o exposto, resta evidente a ocorrência da decadência para as competências de 31/01/2003 a 28/02/2003 para o PIS e a COFINS, razão pela qual se requer, desde logo, a reforma da r. decisão guerreada, para o fim de que seja imediatamente decretada a nulidade da autuação no que toca ao referenciado período. A questão da natureza das contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social já foi alvo de calorosos debates junto ao Poder Judiciário e de infindáveis digressões na doutrina, restando, no entanto, consolidado o entendimento de que apresentam, de fato, natureza tributária. Nesta esteira, oportuno lembrar que, recentemente, ao negar provimento aos Recursos Extraordinários (REs) 556664, 559882, 559943 e 560626, o Plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu, inclusive, que apenas lei complementar pode dispor sobre normas gerais em matéria tributária. No ,caso, foram considerados inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei Ordinária 8.212/91, que haviam fixado em dez anos os Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.159 23 prazos decadencial e prescricional das contribuições da seguridade social. Referida matéria, após o julgado, foi objeto de súmula, que passou a vigorar com a seguinte redação: Súmula Vinculante n° 8: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Diante dessas razões, afigurase imprescindível o reconhecimento por este R. Órgão Julgador da decadência de parte dos lançamentos ora combatidos do PIS e da COFINS, para então ser decretada a nulidade desses lançamentos nos períodos de 31/01/2003 a 29/02/2003. Em despacho da autoridade preparadora constou: Em 13/11/2008 (fls. 451) encaminhou via correios o Recurso de fls. 1001/1020, que foi recebido e protocolado nessa ARF, em 17/11/2008, sob n° 14037, e confirmação de histórico do objeto, retirado em pesquisa no sítio dos correios, às fls. 1023. Em 16/12/2008, o contribuinte recolheu a parte não impugnada, e considerada definitiva na esfera administrativa, objeto da representação n 2069/2008 (fIs. 1.024), formalizada sob n° 13831.001920/200870. A pedido do contribuinte houve o reconhecimento da conexão dos presentes autos com o Processo n° 11444.000151/200821, que cobra o IPI como reflexo, decorrente do mesmo procedimento de fiscalização, fundado em omissão de receita. Este é o relatório! Voto Vencido Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto à nulidade alegada pelo Recorrente, especificamente quanto ao não atendimento ao disposto no artigo 142 do CTN pela fiscalização, bem como quanto à questão da técnica contábil que implicou na constatação de omissão de receitas decorrentes de passivo fictício, assim como as glosas de custos/despesas relativas a operações não comprovadas, entendo que não assiste razão a Recorrente, sob os seguintes fundamentos: a) um lançamento a crédito pode implicar em contas de resultado (receitas), não gerando efeitos apenas no âmbito patrimonial da empresa; Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.160 24 b) a existência de saldos evidencia que o sujeito passivo pagou as obrigações com recursos de receitas não contabilizadas, porquanto se as tivesse contabilizado a conta caixa ficaria com saldo credor; c) portanto, o passivo fictício foi presumido pela fiscalização com base na legislação tributária, que autoriza tal conduta, nos termos do art. 40 da Lei n° 9.430/96 e art. 281, inc. III, do RIR; d) com isso, houve de forma correta inversão do ônus da prova ao contribuinte, que poderia ter demonstrado que a referida omissão não decorreu da manutenção de valores a pagar ao seus fornecedores; e) que as imputações fiscais decorreram de levantamento fiscal preciso feito pela fiscalização, com base em livros razão, livros diários, livros de entrada de ICMS, livros de apuração de ICMS, livros de saída de ICMS, notas fiscais, fornecidos pelo próprio Recorrente, como visto no Relatório Fiscal; f) nestes termos, o enquadramento do conceito fato ao conceito norma atendeu o disposto no artigo 142 do CTN, visto que a questão da presunção da omissão de receita está amparada da legislação federal acima mencionada; g) com isso, não se vislumbra nenhuma nulidade no lançamento, até mesmo porque o próprio contribuinte reconhece erros contábeis quanto à manutenção de valores pagos pela empresa. Nesse sentido, afasto as preliminares de nulidade alegadas. Quanto à decadência alegada pela Recorrente, entendo que as alegações trazidas no Recurso merecem acolhida, visto o disposto na Súmula n° 8 do STF, que vincula a todos os Tribunais Administrativos, permite afirmarmos que o prazo decadencial das contribuições é regido pelo Código Tributário Nacional, qual seja o disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, considerando ainda o fato de que a empresa declarou e pagou a menor PIS nos períodos de janeiro e fevereiro de 2003, considerando o fato de que o lançamento fiscal se deu em 10/03/2008. (vide fls. 765 dos autos) Nesse sentido é o entendimento consolidado do E. Superior Tribunal de Justiça quanto à matéria: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.161 25 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.162 26 RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940), RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX) Assim, reconheço a decadência dos créditos tributários cobrados no Auto de Infração quanto ao PIS dos meses de janeiro e fevereiro de 2003, visto suas incidências mensais, devendo ser cancelado também, por reflexo, a multa e juros, visto que a omissão de receita não está sob o manto de uma conduta dolosa, fraudulenta ou simulatória da contribuinte. A despeito da contribuinte reconhecer erros contábeis, problemas na contabilização da conta caixa, ausência da baixa do passivo, tais fatos, pela retórica do contribuinte e pelos fundamentos trazidos no relatório fiscal, bem como diante do fato das declarações de proprietários de duas empresas afirmarem que não realizou operações com a INJEX, pareceme que estamos diante mais uma questão de imperícia ou negligência na apuração de tributos e baixas no passivo, do que um fato doloso que buscasse causar prejuízos ao fisco, até mesmo porque a origem do problema se deu com um pedido de ressarcimento de crédito de IPI. Quem faz esse tipo de pedido sabe que a fiscalização irá checar a empresa, o que de certa forma permite constatarmos a culpa do contribuinte, sujeitandose ao pagamento dos tributos incidentes, os juros e a multa punitiva em patamar de 75% pela negligência e imperícia. Os argumentos que nos leva a chegar a essa conclusão estão abaixo transcritos, seja do relatório fiscal, seja de petições do contribuinte: Relatório Fiscal Também, e principalmente, não é cabível a propositura do contribuinte, porque não há amparo legal para tal arbitramento, pois não estão presentes os pressupostos contidos no art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/99), ou seja, o contribuinte mantém escrituração regular, não há indícios de fraudes ou vícios, erros ou deficiências que a torne imprestável, pois as infrações apuradas são pontuais, a escrituração foi devidamente apresentada à autoridade tributária, os livros Diário estão devidamente registrados em Cartório, e o contribuinte não optou indevidamente pelo Lucro Presumido; O contribuinte apresentou tudo aquilo que estava, aparentemente, ao seu alcance: >Livros Diários n.°s: 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24 e 25 (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2003, 2004 e 2005 respectivamente; > Livros Razão n.°s: 19A, 19B, 19C, 19D, 19E, 19F, 20A, 20B, 20C, 20D, 20E, 20F, 20G e 20H (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2003 e 2004 respectivamente; Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.163 27 > Livros Registro de Saídas n.°s : 10, 11, 12 e 13 (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2003 e 2004, respectivamente; > Livros Registro de Entradas n.°s: 12, 13, 14 e 15 (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2003 e 2004, respectivamente; > Livros Reg. Apur. ICMS n.°s: 09 e 10 (encadernados, correspondentes aos exercícios de: 2003 e 2004, respectivamente; > Livros Reg. Apur. IPI n.°s: 11 e 12 (encadernados) correspondentes aos exercícios de: 2003 e 2004, respectivamente; > Notas Fiscais de Entrada que geraram Crédito de IPI, ref. ao 2.° e 4.° trimestres do ano de 2003; (Pasta n.°1) > Notas Fiscais de Entrada que geraram Crédito de IPI, ref. ao ano de2004. (Pasta n.° 2) > Notas Fiscais de Saída n.°s: 27001 a 27500 Correspondente ao período de: 27/05 à 23/06/2003; (Caixa n.° 13). > Notas Fiscais de Saída n.°s: 27501 a 28000 Correspondente ao período de: 23/06 à 27/07/2003; (Caixa n.° 13). > Notas Fiscais de Saída n.°s: 28001 a 28500 Correspondente ao período de: 22/07 à 18/08/2003; (Caixa n.° 14). > Notas Fiscais de Saída n.°s: 33501 a 34000 Correspondente ao período de: 11/05 à 04/0612004; (Caixa n.° 14). > Notas Fiscais de Saída n.°s: 34001 a 34500 Correspondente ao período de: 06/06 à 01/07/2004; (Caixa n.° 15). > Notas Fiscais de Saída n.''s: 34501 a 35000 Correspondente ao período de: 01/07 à 28/07/2004; (Caixa n.° 15). > Livro de Registro e Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências; > Relação da Descrição dos Produtos/Classificação/Alíquota; > Contrato Social e suas Alterações; > Dacon — 2003, 2004 e 2005; > DCTF — 2004, 2005 e 2006. > DIPJ — 2005 e 2006. A Matr. 4022 > Procuração/Substabelecimento. > Livros Registro de Saídas n.°s : 14 e 15 (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2005 e 2006, respectivamente; Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.164 28 > Livros Registro de Entradas n.°s: 16 e 17 (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2005 e 2006, respectivamente; > Livros Reg. Apur. ICMS n.°s: 11 e 12 (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2005 e 2006, respectivamente > Livros Reg. Apur. IPI 'IN: 13 e 14 (encadernados) correspondentes aos exercícios de: 2005 e 2006, respectivamente; > Livros Razão n.°s: 21A, 21B, 21C, 21D, 21E, 21F, 21G, 2111, 211, (encadernados), correspondentes aos exercícios de: 2005; respectivamente; Petição do contribuinte no procedimento de fiscalização justificando problemas quanto à documentação fiscal: Não obstante, informamos que lamentavelmente ao final de 2004, ocorreu o falecimento do sócio administrador em acidente aéreo, o qual foi responsável pelas operações, portanto não sabemos dar maiores explicações do porque essas operações estão em aberto em nossa contabilidade. Com referência ao item 05 do Termo de Intimação Fiscal n° 02, esclarecemos que, mesmo no procedimento contábil do Lucro Presumido, por representarem prováveis créditos de IPI, foram arquivadas separadamente em pastas próprias, e que seus regimentos foram contabilizados através da Conta Caixa, e especificamente nas requeridas, com pagamentos à vista, através da Conta Caixa. Em meados de 2005, verificouse que a contabilidade vinha sendo elaborada de forma simplificada, com lançamentos bancários feitos por totais mensais, movimentação transitando toda pela conta Caixa (cheques emitidos/depósitos efetuados), que não possibilitava a identificação de pagamentos e recebimentos de forma individualizada, e não possibilitava o controle de clientes/fornecedores, enfim, diante da deficiência da contabilidade, ouve a opção pela tributação pelo Lucro Presumido. Outra petição da contribuinte à fiscalização: Cumpre esclarecer que no período transcorrido entre o recebimento do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal até a presente data, esta sociedade reexaminou a contabilidade existente para os anos de 2003 e 2004, tendo constatado incontáveis vícios e erros, entre eles, lançamentos equivocados, grande parte desprovidos de documentos comprobatórios e outras inexatidões, fatos comprometedores da regularidade do lucro real apurado. Por isso, determinou a reconstituição dessa contabilidade para apresentála com lançamentos e documentos compatíveis, capazes de espelhar as transações praticadas nos respectivos Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.165 29 períodos: entradas, saídas, pagamentos, recebimentos, inclusive operações com o exterior. O objetivo da recomposição da escrita não foi alcançado devido a não localização de muitos documentos pertinentes a custos, despesas operacionais e outros encargos, e também a inexistência de livros auxiliares, e também de registros das quantidades, espécies, e valores dos estoques de matérias primas, produtos e mercadorias existentes por ocasião dos balanços referidos. Por esses elementos, entendo que o contribuinte não agiu com animus de buscar omitir receitas tributadas de forma intencional. Esse inclusive é o entendimento da jurisprudência do Conselho de Contribuintes: "CONTA BANCARIA CONTABILIZADA – MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA CARACTERIZAÇÃO Qualquer circunstancia que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. A falta de registro na contabilidade de valores constantes nos extratos bancários (créditos! débitos) e/ou pagamentos realizados em cheques oriundos de conta bancária pertencentes à empresa fiscalizada e movimentada por esta, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos e/ou pagamentos a beneficiários não identificados! pagamentos sem causa, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude. 1° Conselho de Contribuintes/ 4ª Câmara/ACÓRDÃO 104 20.071 em 08/07/2004. Publicado no DOU em: 06/10/2004." "MULTA QUALIFICAÇÃO Não tendo o contribuinte procurado dificultar, ou impedir, o trabalho fiscal, não se pode dizer ter agido com "evidente intuito de fraude" (Lei n° 9.430/96 art. 44, II). Deixar de prestar algumas das informações que lhe foram solicitadas, por si só, não pode ser interpretado como elemento ensejador da qualificação da multa. Para que se configure o "evidente intuito" fundamental que a fiscalização comprove, de modo efetivo, a existência do dolo, ou seja, da vontade por parte do Contribuinte de proceder, proposital e conscientemente, em conduta de reflexos lesivos ao Erário. Devese comprovar que o Contribuinte agiu de forma fraudulenta, de modo a dificultar ou impedir, propositalmente, o trabalho do Fiscal, ou reduzir o ônus tributário que legalmente lhe cabe. É princípio geral de direito não ser licito exigir de alguém que apresente prova contrária a seus interesses. 0 que não pode o contribuinte é impedir ou dificultar a Fiscalização através de procedimentos deliberados, mas isso não significa Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.166 30 que deva apresentarlhe todos os elementos, excetuandose aqueles referentes às obrigações acessórias. Preliminar de decadência acatada. Demais preliminares rejeitadas. 1° Conselho de Contribuintes/ 2ª Câmara/ ACÓRDÃO 102 46.234 em 28/01/2004. Publicado no DOU em 11/05/2004". " MULTA AGRAVADA APLICAÇÃO LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL Incabível o agravamento da multa de oficio quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada. A presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários não justifica a aplicação da multa exacerbada. 1° CC 8ª Câmara/ ACÓRDÃO 108 07.390 em 14.05.2003 . Publicado no DOU em 31/05/2004." Destacase ainda em relação à multa o fato da aplicação do disposto no artigo 14 da Lei n° 11.488/2007, ao fatos geradores ocorridos em 2003, 2004 e 2005. Tratase de um erro da fiscalização, visto que à época dos fatos geradores a referida lei ainda não era vigente. Outro erro grave da fiscalização foi aplicar multa de 150% usando a capitulação disposta no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, que na verdade traz a alíquota de 75%. De fato, a regra punitiva a ser aplicada é aquela vigente à época dos fatos geradores, permitindo apenas sua retroatividade para beneficiar o contribuinte nos termos do artigo 106 do CTN, o que não ocorre no caso, visto que a Lei n° 11.488/2007 traz o mesmo impacto quanto à multa agravada, qual seja 150%. Vislumbro no caso ora julgado que não poderia o Auditor Fiscal aplicar a multa disposta com a redação da Lei n° 11.488/2007, visto que no momento dos fatos geradores ainda não se encontrava válida e vigente. Desta feita, não cabe a esse julgador realizar ato de lançamento, retificando o Auto de Infração, visto que a atribuição do julgador é zelar pelo equilíbrio das partes e pela legalidade ou não do lançamento. Nesse aspecto, considerando a aplicação de uma legislação inválida a fatos geradores pretéritos, cumpre afastar a incidência da multa agravada também por esse aspecto diante de sua ilegalidade, permitindo o enquadramento das infrações na regra base, qual seja a do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, a mesma regra aplicada de forma errada pela fiscalização. Portanto, quanto à multa de 150%, entendo que a decisão recorrida merece parcial provimento quanto à glosa dos créditos, especificamente e apenas quanto ao lançamento da multa em 150%, reduzindoa para 75%, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, com a redação vigente à época dos fatos geradores: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.167 31 do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por fim, destacase que parte das operações que envolvem a glosa de crédito em razão de suposta documentação inidônea não foi devidamente diligenciada pela fiscalização, devendo ser aplicado nesses casos de ausência de diligência e provas a presunção da boafé do contribuinte, sob o manto dos efeitos do Recurso Repetitivo: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no Resp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; Resp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; Resp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.168 32 declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.( RESP 1148444/MG, Relator Min. Luiz Fux, S1 – Primeira Seção, Dje 27/04/2010) Quanto à imprestabilidade da contabilidade da empresa para fins de lançamento pelo lucro arbitrado, entendo que não assiste razão o contribuinte, uma porque mesmo que os documentos apresentados foram suficientes para a fiscalização apurar eventuais omissões de receita e o passivo fictício, sendo concluído o trabalho fiscal com informações complementares de fornecedores. Por isso, a imprestabilidade da contabilidade da empresa Recorrente não se verificou, pelo contrário, serviu de parâmetros e de fundamento para a fiscalização fechar seu trabalho fiscal com informações e documentos de terceiros. E mais, as glosas de custos e despesas se mostraram efetivas no trabalho da fiscalização quando houve o cruzamento de informações com dois fornecedores considerados inativos, o que ensejou no lançamento ora analisado, com parâmetros e informações extraídas da própria contabilidade da Recorrente. Por isso, não seria caso de arbitramento de lucro, pois não está presente alguma hipótese do artigo 530 do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.169 33 II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; (...) VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. É fato que estamos diante de uma questão complexa, qual seja analisar a contabilidade da Recorrente e verificar se a mesma seria passível de ser desconsiderada ou não merecesse credibilidade para fins da aplicação pela fiscalização quanto ao Lucro Arbitrado. Quando se calcula o valor das operações glosadas (custos de aquisição) versus o valor das total das despesas contabilizadas pelo contribuinte, ou mesmo o valor da omissão da receita versus o valor da receita bruta declarada, ou mesmo o valor do lucro omitido versus o valor do lucro real declarado, constatase que em 2003 o percentual foi de 20% e em 2004 foi de 30%, o que permite afirmarmos que o acréscimo do lucro imputado pela fiscalização é compatível com a glosa dos custos e despesas glosados, não servindo para afirmamos que houve a imprestabilidade da escrituração. Sobre a matéria, vejamos o entendimento do extinto Conselho de Contribuintes: IRPJ GLOSA DA (QUASE) TOTALIDADE DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS — FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS CORRESPONDENTES — LUCRO REAL — IMPOSSIBILIDADE. A glosa de 95% dos custos e despesas operacionais declarados pelo contribuinte, impossibilita a apuração do lucro real, por falta dos requisitos essenciais da tributação com base no lucro real, qual seja, a escrituração contábil respaldada em livros e documentação hábil e idônea. Nestas circunstâncias, o procedimento adequado é o arbitramento do lucro. (Ac. 1° CC, n°10195900, de 06/12/2006). No caso em questão a Recorrente possuía livros e escrituração, que serviram até para embasar a apuração efetiva da receita omitida. Esse inclusive foi o entendimento da fiscalização: Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.170 34 “o contribuinte mantém escrituração regular, não há indícios de fraudes ou vícios, erros ou deficiência que a (escrituração) torne irregular. Diante disso, não acolho a pretensão da Recorrente quanto ao arbitramento do lucro, por não atender nenhuma das hipóteses do artigo 530 do RIR/99. Por fim, quanto ao IRFonte, o fato é que a Recorrente não realizou a contraprova ou mesmo rebateu a questão das Notas Fiscais supostamente clonadas e as declarações de não realização de vendas à empresa INJEX. Embora estejamos diante de um fato grave, o fato é que a referida questão merece maiores investigações das autoridades competentes, para esclarecer a participação da empresa MÁSTER PLÁSTICOS nessa questão de Notas Fiscais clonadas, visto que pela retórica do seu proprietário, deveriam ser os primeiros a buscar investigação policial sobre o assunto, haja vista passarse por vítima, o que aparentemente não o fez! Assim, em razão da inidoneidade das operações com as empresas Martins Bauru e Máster Plásticos, bem como pela ausência de contraprova a ser apresentada pelo Recorrente, que não rebateu as acusações fiscais e as considerações da fiscalização com a retórica necessária, cabe a aplicação do disposto no artigo 674 do RIR/99: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei n°8.981, de 1995, art. 61) I. A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como na hipótese de que trata o §2° do art. 74 da Lei 8.383/91. (.) § 3° 0 rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei n° 8.981, de 1995, art. 61, § 3°). Nestes termos, mantendo a questão da exigência fiscal quanto ao IRFonte sob o fundamento do disposto no artigo 674 do RIR/99 (pagamento a beneficiário não identificado), em razão dessa insegurança quanto à identificação dos dois fornecedores das mercadorias. Diante do exposto, conheço do Recurso ofertado para afastar as nulidades em sede de preliminares, para ACOLHER a decadência quanto ao lançamentos em relação ao PIS de janeiro de fevereiro de 2003, e no mérito DAR parcial provimento ao Recurso para reduzir a multa de 150% para 75% quanto às glosas de crédito em operações inidôneas. É como voto! Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.171 35 (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator designado. Ressaltese, de início, que a presente divergência limitase à incidência da multa qualificada, pois, quanto às demais questões, acompanho o voto do ilustre Relator. No caso, a autoridade fiscal apurou a prática, pela contribuinte, de diversas infrações à legislação tributária sendo que, em uma delas, qual seja, a apropriação de custos/despesas inexistentes e/ou não comprovadas nos anos de 2003 e 2004, vislumbrou conduta dolosa por parte do sujeito passivo. Sobre a qualificação da multa a autoridade assim se manifestou em seu termo de verificação fiscal (fl. 98): 75 — Observamos que, em relação aos lançamentos do IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS, COFINS, PIS e CONFINS Não Cumulativos) as multas referente às infrações de GLOSA de Custos/Despesas, foram lançadas com o percentual de 150%, com base no artigo 44, inciso I, e §1°, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da lei n° 11.488/07, a seguir transcritos: (...) 76 — O lançamento das multas no percentual citado no item anterior, referente às infrações de GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS, bem como as infrações reflexas, devese ao fato de ter a fiscalizada se utilizado de ações com o evidente intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, ações estas caracterizadas pela utilização de Notas Fiscais que não se referem a vendas efetivamente realizadas à INJEX, sendo as notas fiscais, citadas e apresentadas pela fiscalizada, consideradas inidôneas, nos casos da Máster Plásticos e Marfins Bauru, e no caso dos demais fornecedores, pelo fato de não ter apresentado qualquer comprovação de que os custos ou despesas tenham de fato ocorridos, e pelos demais fatos narrados neste termo, o que nos leva a concluir que se tratam de operações que de fato não ocorreram, e foram lançadas na contabilidade com a intenção de reduzir os lucros da empresa, e por conseguinte, a redução dos tributos devidos; Em seu voto o Relator apontou as seguintes razões para afastar a qualificação da multa: (i) erro quanto ao enquadramento legal da penalidade aplicada, e; (ii) falta de comprovação do dolo. Pois, bem, no que toca ao primeiro argumento devese reconhecer que, de fato, a autoridade fiscal equivocouse ao apontar o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, com a redação Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.172 36 dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, como enquadramento legal da multa qualificada (fl. 18). Como bem explicado pelo Relator, por não se subsumir às prescrições contidas no art. 106 do CTN, o art. 14 da Lei nº 11.488/2007 não pode retroagir para alcançar fatos ocorridos antes do início de sua vigência. Nesse sentido, correto seria enquadrar a penalidade no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, vigente à época dos fatos. No entanto, é igualmente necessário reconhecer a existência de jurisprudência consolidada neste Conselho no sentido de que o erro no enquadramento legal da infração não prejudica o lançamento se a autoridade fiscal descreve com precisão e clareza os fatos por ela apurados. Assim, ao contrário do sustentado pelo ilustre Relator, não vejo razão para afastarse, no caso, a multa qualificada, já que, conforme visto no trecho do TVF acima transcrito, o auditor apontou claramente as razões pelas quais entendeu ser cabível a incidência da qualificadora e, ademais, a recorrente revelou havêlas bem compreendido. Quanto ao segundo argumento há que se ter em conta que dolo, por definição, é a “vontade” livre e consciente do agente em infringir o mandamento legal. E uma vez que “vontade” é um estado psíquico, não pode ser ela comprovada por meio de elementos materiais. Portanto, seja no âmbito do Direito Tributário, seja na seara do Direito Penal, ou em quaisquer outros ramos do Direito, a prova do dolo sempre será realizada de maneira indireta (presunção). Pois bem, em seu termo de verificação fiscal, especialmente nos itens 43 a 54 (fls. 79/91), a autoridade tributária aponta as razões pelas quais glosou custos e despesas registrados na contabilidade da contribuinte, relativamente a diversas aquisições de bens e/ou serviços supostamente realizadas junto a cada um dos dez fornecedores ali apontados. Em relação às aquisições supostamente realizadas junto aos primeiros oito fornecedores (itens 43 a 50 do TVF), as razões da glosa foram, em resumo, as seguintes: a) as aquisições sob exame foram registradas pela contribuinte ao longo dos anos de 2003 e 2004; b) nas contas de passivo, individualizadas para cada fornecedor (nº 2001062, 2001063 etc.), não constam registros de pagamentos nos anos de 2003, 2004 e 2005, indicando que as supostas aquisições não foram pagas pela contribuinte; c) apesar de intimada para tanto, a ora recorrente não apresentou as respectivas notas fiscais de aquisição dos bens ou prestação dos serviços, nem os demais documentos que poderiam comprovar a efetividade das transações, sob o argumento de que encontravamse extraviados (vide itens 12 a 12.4 do TVF); d) promovidas intimações diretamente aos fornecedores, constatouse o seguinte: (i) a maioria deles não foi encontrada em seu respectivo domicílio fiscal; (ii) os demais afirmaram não conhecer a recorrente e nunca haver fornecido bens e/ou serviços a ela. Quanto às aquisições supostamente realizadas junto aos dois últimos fornecedores (itens 51 a 54 do TVF), as razões da glosa foram, em resumo, as seguintes: Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000148/200815 Acórdão n.º 120100.601 S1C2T1 Fl. 1.173 37 a) a contribuinte apresentou as notas fiscais que acobertariam as supostas aquisições realizadas juntos aos dois fornecedores; b) todavia, apesar de intimada, não apresentou os demais documentos solicitados que serviriam para comprovar a efetividade das transações, tais como duplicatas, recibos de quitação e conhecimento de transporte. Informou ainda a contribuinte, que (item 53 do TVF): (i) em relação ao primeiro fornecedor, embora contabilizados em contrapartida à conta Caixa, os dados contábeis disponíveis não tornam possível a confirmação dos pagamentos; (ii) em relação ao segundo fornecedor, não houve pagamento pelos bens adquiridos, já que as contas de passivo permanecem em aberto; c) em diligência realizada junto aos dois fornecedores constatouse, entre outras coisas, que as notas fiscais apresentadas pela contribuinte à Fiscalização não coincidem com aquelas apresentadas pelos fornecedores. Tomados em seu conjunto, os fatos acima narrados permitem concluir que a redução das bases de cálculo dos tributos e contribuições devidos à Fazenda Nacional, perpetrada por meio do registro de custos e despesas inexistentes, não decorreu de mero erro contábil da contribuinte, mas sim de sua vontade livre e consciente de fraudar o Erário Público (dolo). Somese a isso o fato de a recorrente não haver apresentado, em contraposição ao extenso conjunto de fatos narrados pela Fiscalização, justificativa plausível capaz de incutir nesse julgador “dúvida razoável” acerca do dolo. Tendo em vista o exposto, voto pela manutenção da multa qualificada. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO
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