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Numero do processo: 10768.001156/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002, 2003
PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. - 0 prazo para recurso
voluntário é de 30 dias contados da ciência da decisão recorrida.
Numero da decisão: 1101-000.477
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002, 2003 PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. - 0 prazo para recurso voluntário é de 30 dias contados da ciência da decisão recorrida.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002, 2003 PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. - 0 prazo para recurso voluntário é de 30 dias contados da ciência da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. FRANCIS DE SAL S RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator EDITADO EM: 2 6 jUN 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, Marcos Shigueo Takada e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de indeferimento de pedido de restituição. Em 14/03/2003, o contribuinte protocoliza pedido de restituição de valores pagos a titulo de juros de mora, em denúncia espontânea, visando futuro ressarcimento em espécie ou compensação (proc. fl. 02). Em 08/04/2003, parecer conclusivo indefere o pleito (proc. fls. 42 e 43). A autoridade fiscal relata que o contribuinte efetuou recolhimentos a destempo e espontâneos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, de 31/05/2002 a 31/01/2003, com multa de mora (proc. fls. 03 a 10), e pede a devolução da multa. Também, argumenta que o art. 138 do CTN não afasta a incidência da multa de mora, razão pela qual a multa de mora era de fato devida pelo contribuinte. Em 07/05/2004, despacho decisório indefere o pedido (proc. fl. 44). Em 21/05/2004, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 46). Em 03/06/2004, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (proc. fls. 47 a 55). Relata que efetuou recolhimento de multa de mora, mas que esta era indevida. Cita jurisprudência judicial e administrativa favorável a dispensa da multa de mora nos pagamentos a destempo espontâneos. Diz que a autoridade fiscal não mencionou nada sobre a prescrição do pedido e não poderia fazê-lo, já que o pedido data de 2003 e os pagamentos são de 2002 a 2003. Em 13/12/2004, o processo é apartado para separar o pedido referenta à multa de mora do IRPJ e CSLL do pedido referente a multa de mora do PIS e Cofins (proc. fls. 62 e 63). Conforme despacho a parte relativa a multa de mora vinculada ao IRPJ e a CSLL é tratada no presente processo (proc. fl. 64) Em 08/04/2009, a 3 a Turma da DRJ I do Rio de Janeiro negam provimento manifestação de inconformidade, para manter o despacho decisório (proc. Es. 107 e 108). No relatório, fica esclarecido que o presente processo resulta do desmembramento do processo IV 10768.002006/2003-54, e alcança apenas a parcela do pedido original concernente ao IRPJ e CSLL. No voto, a turma registra que a jurisprudência não vincula os órgão julgadores, que devem obediência apenas a lei e que o art. 138 não afasta a incidência da multa de mora. Em razão disto, decide que o recolhimento de multa de mora relativa a pagamento a destempo não representa pagamento indevido. Em 23/09/2009, o contribuinte é cientificado da decisão (proc. fl. 111). Em 30/10/2009, apresenta recurso voluntário (proc. fls. 112 a 122). Explica que efetuou recolhimentos em atraso, com juros e multa de mora, antes de qualquer procedimento fiscal, mas sem utilizar a isenção da multa de mora que era facultada. Sustenta que a multa de mora tern carater punitivo e por isso é afastada pelo art. 138 do CTN. Cita doutrina e jurisprudencia judicial e administrativa que coincide com seu ponto de vista. Afirma que o direito a repetição do indébito é garantido pelo estado de direito. Em 15/12/2009, o contribuinte apresenta nova petição, alegando a tempestividade do seu recurso voluntário (proc. fl. 159). Diz que postou o recurso em 26/10/2009 e que este foi recebido no CAC em 29/10/2009. Junta comprovantes da postagem (proc. fl. 160) e histórico da remessa (proc. E. 161). Processo n° 10768.001156/2007-74 SI-CITI Actin. n.° 1101-00.477 Fl. 170 Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Iniciamente, é preciso verificar se o recurso é ou não tempestivo. Conforme consta nas folhas 110 e 111, o acórdão da DRJ foi cientificado ao contribuinte, por correspondência, entregue corn AR, e recebida em 23/09/2009. Também, consta dos autos que o contribuinte postou seu recurso em 26/10/2009 (proc. fls. 160 e 161). Assim, o dia da ciência é o dia 23/09/2009 e a contagem do prazo de 30 dias para recurso voluntário iniciou no dia 24/09/2009, quinta-feira, e terminou no dia 23/10/2009, sexta-feira. Portanto, o recurso é intempestivo, já que postado aps no dia 26/10/2009. No entanto, considerando a manifestação do contribuinte, na qual ele alega que o seu recurso é tempestivo, nos termos do proposto no inciso III, do art. 19 do Regimento Interno do Carf, analisa-se a afirmação do contribuinte sobre a tempestividade do seu recurso. Conforme se constata na petição em que o contribuinte alega que seu recurso é tempestivo, ele sustenta que seu recurso é tempestivo porque foi postado em 26/10/2009 e foi entregue em 29/10/2009. No entanto, mesmo considerando a data de postagem, nos termos do art. 5' do Decreto no 70.235, de 1972, vê-se que o contribuinte perdeu o prazo de apresentação. Além disso, o contribuinte não traz nenhuma justificativa para que se considere: ou a data da ciência em dia diferente do dia do recebimento do AR, ou o dia de inicio da contagem do prazo em dia diferente do seguinte ao da ciencia, ou o dia da apresentaçao do recurso em dia diferente do dia da postagem do recurso. Não é alegado feriado nacional, estadual ou municipal, e nem é alegado que o órgão não teve funcionamento normal. Assim, a alegação de tempestividade não tem qualquer argumento que a fundamente. Por esta razão, voto por NÃO CONHECER DO recurso. CARLOS EDUAR 0 DE ALMEIDA GUERREIRO
score : 1.0
Numero do processo: 44023.000044/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/02/2003 a 31/03/2003
Ementa:
PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza remuneratória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/02/2003 a 31/03/2003 Ementa: PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza remuneratória. Recurso Voluntário Negado
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PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza remuneratória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Edgar Silva Vidal. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata a presente notificação lavrada e cientificada ao sujeito passivo em 27/10/2006, de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos aos contribuintes individuais por meio de cartões de premiação, contratados com a empresa de marketing promocional, INCENTIVE HOUSE S/A, nas competências de 01/2002, 07/2002, 02/2003 e 03/2003. O lançamento teve por base a contabilidade da empresa e as notas fiscais de prestação de serviço. Após a apresentação da defesa, DecisãoNotificação de fls. 52/59, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde se reporta aos termos da defesa apresentada, reafirmando que a verba paga referiase a ganhos eventuais e abonos desvinculados do salário e por isso não integrantes do salário de contribuição. Que somente à justiça do trabalho é dado julgar questões de emprego, requerendo a reforma da decisão para julgar insubsistente o lançamento. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44023.000044/200641 Acórdão n.º 230200.943 S2C3T2 Fl. 82 3 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Cumpridos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, é de se destacar que o levantamento referese a pagamento de remuneração a segurados contribuintes individuais, através de cartões de premiação contratados com empresa de marketing promocional, não havendo que se falar em relação de emprego como argumenta a recorrente em suas razões. O lançamento referese às contribuições previdenciárias patronais devidas sobre a remuneração dos contribuintes individuais, expostas na Lei n.º 8.212/91, artigo 22, inciso III, que foi acrescentado pela Lei n.º 9.876/99, com vigência a partir de 03/2000, englobando, assim, o período contido nesta notificação, não se submetendo a qualquer limite: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... III – vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;(grifei) A definição de contribuinte individual está expressa no artigo 12, inciso V, da Lei n.º 8.212/91: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego Portanto, os valores recebidos pelos diretores da notificada através de cartão de premiação, se constituem em remuneração, perfazendo base de incidência contributiva previdenciária. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Seguridade Social, o AuditorFiscal da Previdência Social (há época do lançamento) examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o pagamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. De acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente concedeu premiação a seus segurados, tanto empregados, quanto contribuintes individuais, no período fiscalizado, através de créditos em cartões eletrônicos efetivada por intermédio da empresa já nominada e os valores pagos foram considerados passíveis de incidência contributiva previdenciária por se enquadrarem no conceito de salário de contribuição e por não constarem das excludentes legais de tal conceito: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º . (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Também, a Constituição Federal, no seu artigo 195, I, alínea “a”, estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O dispositivo constitucional transcrito cuida não de “remuneração”, não de “folha de pagamento”, mas fala de “folha de salários”. A “folha de salários” é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais faz parte da “folha de salários”, que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ainda, para que não restasse dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou “....e demais rendimentos do trabalho”. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44023.000044/200641 Acórdão n.º 230200.943 S2C3T2 Fl. 83 5 Todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, excluídas apenas as arroladas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios concedidos para incremento da produtividade: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a)os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, Lei nº 9.528, de 10/12/97) 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 5. recebidas a título de incentivo à demissão; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 9 recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44023.000044/200641 Acórdão n.º 230200.943 S2C3T2 Fl. 84 7 r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) É inquestionável, portanto, que a verba premial de incentivo à produtividade não se encontra dentre as excludentes do salário de contribuição, devendo se sujeitar à contribuição previdenciária. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10120.002210/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Demonstrado que o contribuinte conhecia perfeitamente as acusações e exerceu plenamente o contraditório, descabida a pretensão de ver declarado nulo o procedimento por cerceamento do direito de defesa.
IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
METODOLOGIA DE APURAÇÃO.
Não havendo qualquer erro na metodologia de cálculo adotada pela
autoridade lançadora na apuração do imposto suplementar devido, não há que se falar em alteração do lançamento. O método utilizado pelo auditor para calcular o imposto suplementar possui o mesmo resultado do cálculo da restituição indevida do imposto.
Numero da decisão: 2102-001.315
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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Demonstrado que o contribuinte conhecia perfeitamente as acusações e exerceu plenamente o contraditório, descabida a pretensão de ver declarado nulo o procedimento por cerceamento do direito de defesa. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. METODOLOGIA DE APURAÇÃO. Não havendo qualquer erro na metodologia de cálculo adotada pela autoridade lançadora na apuração do imposto suplementar devido, não há que se falar em alteração do lançamento. O método utilizado pelo auditor para calcular o imposto suplementar possui o mesmo resultado do cálculo da restituição indevida do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso ASSINADO DIGITALMENTE GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. ASSINADO DIGITALMENTE CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA Processo nº 10120.002210/200895 Acórdão n.º 2102001.315 S2‐C1T2 Fl. 125 2 EDITADO EM: 05/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acacia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 116 a 121, interposto contra decisão da DRJ em Brasília/DF, de fls. 108 a 111, que julgou procedente em parte o lançamento de fls. 82 a 91, relativo aos anoscalendário 2004 e 2005, lavrado em 27/02/2008, com ciência do RECORRENTE em 07/03/2008, conforme AR de fl. 93. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 2.575,62, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício no percentual de 75%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 83 a 85, o presente lançamento decorreu da acusação de omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa física, onde a fiscalização argumentou o seguinte: “001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNÊLEÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS Omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, conforme as Declarações de Informações Sobre Atividades Imobiliárias DIMOB, apresentadas pela imobiliária Imagem Consultoria Imobiliária, CNPJ 37.006.079/000178, cujos valores discriminados abaixo, não foram oferecidos à tributação nas DIRPFs dos exercícios de 2005 e 2006, apresentadas pelo contribuinte. Em 16 de outubro de 2006 foi encaminhado para o contribuinte o Termo de Início de Ação Fiscal n° 2006.1187, em razão do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0120100/01187/2006, intimando o contribuinte a apresentar cópias autênticas dos contratos de locação de imóveis, firmados em seu nome ou no de seus dependentes, e os comprovantes dos correspondentes rendimentos recebidos de pessoas físicas a título de aluguéis. O contribuinte não apresentou os documentos solicitados. Em 01 de fevereiro de 2008 encaminhamos o Termo de Intimação Fiscal n° 0502/2008, juntamente com o RPF N° 01201.002008001980, intimando a imobiliária Imagem Fl. 144DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA Processo nº 10120.002210/200895 Acórdão n.º 2102001.315 S2‐C1T2 Fl. 126 3 Consultoria Imobiliária Ltda, CNPJ 37.006.079/000178, a apresentar as cópias dos contratos de aluguel celebrados pelos sr. Linconcélio Alves Nogueira (locador) e seus respectivos locatários, mediados pela imobiliária, vigentes nos anos calendário 2004 e 2005: e cópias dos recibos de aluguel assinados pelo locador Linconcélio Alves Nogueira, referentes aos recebimentos de aluguéis nos anos calendário 2004 e 2005. De posse dos documentos fornecidos pela imobiliária, procedemos o presente lançamento: No ano calendário de 2004 o Sr. Linconcélio recebeu rendimentos de aluguel no valor líquido de de R$ 2.139,00 (Aluguel R$ 2.310,00 comissão de R$ 171,00), conforme o demonstrado abaixo mensalmente, decorrentes do contrato de aluguel n° 0838, de 25/03/2002, celebrado com a locatária ELEUZA MOREIRA DA SILVA, CPF 198.819.21172, referente ao imóvel sito à rua 144, n° 201, QD 63, LT 08, Setor Marista, Casa, GoiâniaGO. No mesmo ano de 2004 recebeu rendimentos de aluguel no valor líquido de R$ 2.640,00 (aluguel R$ 3.000,00 comissão R$ 360,00), conforme o demonstrado abaixo ... decorrentes do contrato de aluguel n° 1.398, de 10/02/2004, celebrado com a locatária ELIZABETH DE LIMA VENÃNCIO, CPF 520.048.72187, referente ao imóvel sito à rua 144, n° 201, QD 63, LT 08, Setor Marista, Barracão, GoiâniaGO. No anocalendário de 2005 recebeu rendimentos de aluguel no valor líquido de R$ 3.555,00 (aluguel R$ 3.950,00 comissão de R$ 395,00), conforme o demonstrado abaixo mensalmente, decorrentes de contrato do aluguel n° 1.398, de 10/02/2004, celebrado com a locatária ELIZABETH DE LIMA VENÂNCIO, CPF 520.048.72187, referente ao imóvel sito à rua 144, n° 201, QD 63, LT 08, Setor Marista, Barracão, Goiânia/GO. Fato Gerador 31/01/2004 29/02/2004 29/02/2004 31/03/2004 30/04/2004 30/04/2004 31/05/2004 30/06/2004 31/07/2004 31/08/2004 30/09/2004 31/10/2004 30/11/2004 Valor Tributável ou Imposto R$ 513,00 R$ 513,00 R$ 270,00 R$ 513,00 R$ 600,00 R$ 210,00 R$ 270,00 R$ 270,00 R$ 270,00 R$ 270,00 R$ 270,00 R$ 270,00 R$ 270,00 Multa(%) 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 Fl. 145DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA Processo nº 10120.002210/200895 Acórdão n.º 2102001.315 S2‐C1T2 Fl. 127 4 31/12/2004 31/01/2005 28/02/2005 31/03/2005 30/04/2005 31/05/2005 30/06/2005 31/07/2005 31/08/2005 30/09/2005 31/10/2005 30/11/2005 31/12/2005 R$ 270,00 R$ 270,00 R$ 270,00 R$ 301,50 R$ 301,50 R$ 301,50 R$ 301,50 R$ 301,50 R$ 301,50 R$ 301,50 R$ 301,50 R$ 301,50 R$ 301,50 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 Enquadramento legal: Arts. 1º, 2º, 3º e §§, e 8º, da Lei nº 7.713/88; Art. 1º a 4º, da Lei nº 8.134/90; Arts. 49 a 53, 106, inciso IV, 109 e 111 do RIR/99; Art. 1 da Medida Provisória nº 22/2002 convertida na Lei nº 10.451/2002. (...)” Encontramse acostados aos autos: (i) Declaração de ajuste anual, anocalendário 2004 – fls. 04 a 06; (ii) Declaração de ajuste anual, anocalendário 2005 – fls. 07 a 09; (iii)Termo de Início de Ação Fiscal n° 2006.1187 – fls. 10 e 11; (iv) Termo de Intimação Fiscal n° 0502/2007 – fl. 14; (v) Documentos fornecidos pela imobiliária Imagem Consultoria Imobiliária Ltda. – fls. 17 a 81. Os documentos mencionados pela autoridade lançadora na descrição dos fatos, e que serviram de base para o lançamento, encontramse acostados às fls. 18, 30 e em fl. não numerada entre a fl. 30 e a fl. 31. DA IMPUGNAÇÃO Em 09/04/2008, o RECORRENTE, por meio de procuradores devidamente habilitados à fl. 103, apresentou a impugnação de fls. 95 a 98. Na oportunidade, o Fl. 146DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA Processo nº 10120.002210/200895 Acórdão n.º 2102001.315 S2‐C1T2 Fl. 128 5 RECORRENTE reconheceu que as suas DIRPFs dos anoscalendário 2004 e 2005 foram omissas em relação aos rendimentos dos alugueis. Entretanto, apontou erro da autoridade fiscal na apuração do imposto, tendo em vista que não foram considerados os créditos do RECORRENTE referentes ao imposto retido na fonte nos anoscalendário de 2004 e 2005. Em suas razões, alegou o seguinte: “(...) Anocalendário de 2004. Ao adicionarmos os Rendimentos de Aluguéis apurados pela RFB, no valor de R$ 4.779,00 aos rendimentos já declarados no importe de R$ 35.104,37 (doc. 01) e apurado o imposto, haveria que dele subtrair o IRRFonte no valor de R$ 2.964,46 (doc. 01). Feita essa compensação, ainda assim haveria que, de direito, a uma restituição no valor de R$ 486,18 conforme demonstrativo (doc. 02). Anocalendário de 2005. Ao adicionarmos os Rendimentos de Aluguéis, apurados pela RFB, no valor de R$ 3.555,00 aos rendimentos já declarados no importe de R$ 34.159,59 (doc. 03) e apurado o imposto, haveria que dele subtrair o IRRFonte no valor de R$ 2.271,18 (doc. 03). Feita essa compensação, ainda assim haveria direito a uma restituição no valor de R$ 330,38 em favor do Contribuinte, ora autuado conforme demonstrativo (doc. 04). (...)” O RECORRENTE juntou aos autos a memória de cálculo que julgou correta para apuração do imposto de renda às fls. 100 e 102. Assim, requereu a improcedência do lançamento e que fosse reconhecido o direito à restituição do crédito remanescente. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 108 a 111 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento, resolvendo diminuir o principal para o valor de R$ 626,42, a ser acrescido de multa de ofício e juros de mora, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, conforme art. 17. do Fl. 147DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA Processo nº 10120.002210/200895 Acórdão n.º 2102001.315 S2‐C1T2 Fl. 129 6 Decreto n.° 70.235/72, com redação dada pelo art. 1°, da Lei n.° 8.748/1993 e art. 67, da Lei n.° 9.532/1997. IMPOSTO DE RENDA APURADO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. O lançamento deve ser alterado para levar em conta o valor de imposto pago na Declaração de Ajuste entregue pelo contribuinte quando demonstrado que o valor constante do Auto de Infração está equivocado. Lançamento Procedente em Parte” Nas razões do voto que compôs o julgamento, a autoridade julgadora atestou que o RECORRENTE não se opôs à acusação de omissão dose valores dos aluguéis, e considerou tal fato como não impugnado, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, afirmou que não assistiria razão ao RECORRENTE, tendo em vista que a autoridade fiscal havia utilizado metodologia correta para determinar o montante do imposto suplementar a ser lançado, e que tal metodologia leva em conta a base de cálculo do imposto de renda na Declaração de Ajuste, que é apurada deduzindose do total dos rendimentos tributáveis todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste. Desta forma, o entendimento da autoridade julgadora pode ser assim resumido: “(...) Como imposto pago, os autuantes levam em conta o imposto devido apurado na declaração de ajuste. Esta metodologia é utilizada quando o interessado apurou restituição na Declaração de Ajuste e a retirou no Banco. O resultado final é o mesmo, uma vez que, caso fosse considerado como imposto pago o total do imposto retido na fonte, seria necessário que se exigisse a restituição indevidamente recebida. Assim, não há reparos a serem feitos no que tange à metodologia adotada pela fiscalização, entretanto, verificandose os valores considerados no Auto de Infração, constatase que, no exercício de 2005, não há relação entre os valores tomados pela fiscalização no Auto de Infração (Base de Cálculo de R$18.536,52 e Imposto Pago de R$876,07) e os apurados na Declaração de Ajuste do contribuinte (respectivamente R$22.694,46 e R$1.499,76 (fl.04)). Assim, o valor do imposto pago para o exercício de 2005 será alterado para R$1.499,76, não sendo mais possível alterar o valor da base de cálculo nessa fase do processo administrativo fiscal sob pena de agravamento da exigência.) CÁLCULO DO IMPOSTO Fl. 148DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA Processo nº 10120.002210/200895 Acórdão n.º 2102001.315 S2‐C1T2 Fl. 130 7 Demonstrativo do IRRF no exercício 2005 A) Base de Cálculo Considerada ...................... B) Infrações Apuradas ...................................... C) Base Tributável (A+B) ................................. D) Imposto Calculado (C x 0,15 – 1.904,40) .... E) Imposto Pago ................................................ F) Imposto Devido ............................................ R$ 18.536,52 4.779,00 23.315,52 1.592,93 1.499,76 93,17 Em resumo, VOTO pela procedência em parte do lançamento, para alterar o valor do imposto pago no exercício de 2005 para R$1.499,76, mantendo inalterado o lançamento referente ao exercício de 2006, o que importa manutenção de imposto devido de R$626,42 a ser acrescido de multa de oficio e juros de mora.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, intimado da decisão da DRJ em 22/10/208, conforme AR de fl. 115, apresentou recurso voluntário, de fls. 116 a 121, em 21/11/2008. Em suas razões recursais, o RECORRENTE ratificou integralmente os termos de sua impugnação. Inovou apenas no sentido de alegar a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ao apresentar os argumentos a seguir resumidos: “(...) O Relatório Fiscal contido no campo da "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" do auto de infração ora questionado, não contém o relato claro, preciso, objetivo e pormenorizado dos fatos que deram origem ao crédito tributário, impedindo o autuado de exercer a ampla defesa e o contraditório, pois não lhe propicia adequada análise da matéria tributável. No auto de infração, na apuração da matéria tributável, o autuante laborou em erro ao não considerar em favor do contribuinte, ora recorrente, créditos referentes a IR Retido na Fonte nos anoscalendário de 2004 e 2005, na forma demonstrada na peça de impugnação, corroborada com a documentação ali juntada. (...) Portanto, não consta do auto a fundamentação legal, bem como as justificativas que levaram o fisco a adotar tal procedimento, prejudicando o recorrente, notadamente na preparação de sua defesa. Assim sendo, a falta de acesso a essas informações impede o exercício da ampla defesa, pressuposto básico do processo administrativo tributário, o que invalida todo o procedimento, já Fl. 149DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA Processo nº 10120.002210/200895 Acórdão n.º 2102001.315 S2‐C1T2 Fl. 131 8 que deixou de propiciarlhe as condições imprescindíveis para o preparo de sua defesa, caracterizando flagrante cerceamento de defesa. (...)” Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. O RECORRENTE, autuado por omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, reiterou todo o alegado em sua impugnação de fls. 95 a 98 no que diz respeito à apuração do imposto de renda objeto do presente lançamento. Ademais, requereu a declaração de nulidade do lançamento por suposto cerceamento do direito defesa. Em princípio, passo a analisar as preliminares razões de defesa do RECORRENTE: 1. Preliminar: da nulidade do auto de infração O RECORRENTE argui que o auto de infração seria nulo por ter violado o seu direito ao contraditório e à ampla defesa em razão da ausência de fundamentação legal bem como das justificativas que embasaram o lançamento. Entendo que não há que se falar em nulidade, visto que o RECORRENTE não teve a sua defesa prejudicada por qualquer motivo. Tal fato pode ser observado da leitura dos termos de sua impugnação de fls. 95 a 98, oportunidade em que demonstrou conhecer toda a matéria objeto do auto de infração, reconhecendo, inclusive, que as DIRPFs apresentadas estavam omissas em relação aos valores dos aluguéis recebidos. Deste modo, não há que se falar em preterição do direito de defesa quando o RECORRENTE demonstra conhecer toda a matéria e os motivos que embasaram a autuação por omissão de rendimentos. Ademais, o enquadramento legal do lançamento foi devidamente delineado pela autoridade fiscal, à fl. 85 dos autos, da seguinte forma: “Enquadramento legal: Fl. 150DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA Processo nº 10120.002210/200895 Acórdão n.º 2102001.315 S2‐C1T2 Fl. 132 9 Arts. 1º, 2º, 3º e §§, e 8º, da Lei nº 7.713/88; Art. 1º a 4º, da Lei nº 8.134/90; Arts. 49 a 53, 106, inciso IV, 109 e 111 do RIR/99; Art. 1 da Medida Provisória nº 22/2002 convertida na Lei nº 10.451/2002.” Em razão do exposto, não há que se falar em violação do direito à ampla defesa e ao contraditório, tendo em vista que a autoridade lançadora expôs todas as justificativas e fundamentação legal que embasaram o auto de infração, inclusive acerca dos juros e da multa de ofício (fl. 90), o que pode ser provado pelos termos da impugnação de fls. 95 a 98 do RECORRENTE. Portanto, entendo que são infundadas as preliminares alegações de defesa da RECORRENTE. Ultrapassadas as questões preliminares, passo a analisar o mérito da defesa da RECORRENTE: 2. Mérito No mérito, o RECORRENTE reitera os termos de sua impugnação, na qual afirmou apenas que o cálculo realizado pela autoridade fiscal na apuração do imposto foi equivocado, tendo em vista que não considerou os valores retidos na fonte à época dos fatos. Contudo, entendo que são infundadas as razões do RECORRENTE. Senão vejamos. O RECORRENTE afirma que a maneira correta de efetuar o cálculo do imposto devido seria pela adição da infração apurada ao valor dos rendimentos tributáveis declarados. Desta forma, após as deduções pleiteadas, seria calculado o imposto devido que, por sua vez, deveria ser compensado com o imposto retido na fonte para apuração do saldo do imposto a pagar ou a restituir. Tal método apresentado pelo RECORRENTE é, sem dúvida, correto. Contudo, somente pode ser utilizado antes do levantamento da restituição por parte do contribuinte. Sendo assim, no caso dos autos, não pode ser utilizada tal metodologia. Por isso, entendo que andou bem a autoridade julgadora de primeira instância ao afirmar que a autoridade autuante considerou como imposto pago o valor do imposto devido apurado na declaração de ajuste, afirmando que “esta metodologia é utilizada quando o interessado apurou restituição na Declaração de Ajuste e a retirou no Banco.” Caso fosse utilizada a forma de cálculo apontada pelo RECORRENTE, deveria ser exigida dele a restituição indevidamente recebida, que teria o mesmo valor do imposto ora apurado pela autoridade lançadora. A fim de demonstrar o acima exposto, segue abaixo o demonstrativo da apuração do imposto utilizando a metodologia apontada pelo RECORRENTE. Os valores Fl. 151DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA Processo nº 10120.002210/200895 Acórdão n.º 2102001.315 S2‐C1T2 Fl. 133 10 utilizados no demonstrativo abaixo referemse ao anocalendário 2005, extraído da DIRPF do RECORRENTE (fl. 07): A) Rendimentos tributáveis R$ 34.159,59 B) Infrações apuradas R$ 3.555,00 C) Total dos rendimentos tributáveis (A + B) R$ 37.714,59 D) Total das deduções R$ 13.956,86 E) Base de cálculo (C – D) R$ 23.757,73 F) Imposto devido (15% de “E” – R$ 2.095,20) R$ 1.468,45 G) Imposto retido na fonte R$ 2.271,18 H) Imposto a restituir (G – F) R$ 802,73 I) Imposto restituído R$ 1.335,98 J) Restituição indevida (I – H) R$ 533,25 A partir do demonstrativo acima, percebese que o valor da restituição indevida calculado é o mesmo do imposto apurado pela autoridade fiscal (fl. 89). O mesmo demonstrativo acima pode ser utilizado em relação ao ano calendário 2004, com os valores considerados pela autoridade julgadora de primeira instância (fl. 111), a qual percebeu que a fiscalização utilizou dados equivocados e que não correspondiam aos constantes na DIRPF do RECORRENTE: A) Base de cálculo considerada pela fiscalização (fl. 87) R$ 18.536,52 B) Infrações apuradas R$ 4.779,00 C) Base de cálculo R$ 23.315,52 D) Imposto devido (15% de “C” – R$ 1.904,40) R$ 1.592,93 E) Imposto retido na fonte R$ 2.964,46 F) Imposto a restituir (E – D) R$ 1.371,53 G) Imposto restituído R$ 1.464,70 H) Restituição indevida (G – F) R$ 93,17 Portanto, não há que se falar em erro na apuração do imposto, uma vez que a metodologia adotada pela fiscalização não implica em erro na apuração do mesmo. Assim, deve ser mantida a exigência objeto do lançamento, com as alterações realizadas pela DRJ referente ao anocalendário 2004, conforme demonstrativo de débito à fl. 114. Em razão do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo ser mantida a decisão da DRJ. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 152DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA Processo nº 10120.002210/200895 Acórdão n.º 2102001.315 S2‐C1T2 Fl. 134 11 Fl. 153DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA
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Numero do processo: 11444.000852/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA.
Comprovado que a omissão de receita foi praticada dolosamente, a
decadência dos tributos e contribuições integrantes do Simples rege-se pelo disposto no art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 1201-000.451
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, INDEFERIR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. Comprovado que a omissão de receita foi praticada dolosamente, a decadência dos tributos e contribuições integrantes do Simples regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, INDEFERIR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 29/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 11444.000852/200941 Acórdão n.º 120100.451 S1C2T1 Fl. 740 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. No relatório de fls. 565/571 a autoridade tributária relata, em resumo, o seguinte: a) a fiscalizada, optante pelo Simples, apesar de haver apresentado sua DSPJ relativa ao anocalendário de 2004 “zerada”, realizou expressiva movimentação bancária no período. No livro Caixa também não foram escrituradas receitas; b) intimada e reintimada para tanto, a contribuinte não apresentou quaisquer elementos que pudessem comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas correntes bancárias, razão pela qual restou configurada omissão de receitas, conforme estabelecido no art. 42 da Lei nº 9.430/96; c) em virtude do ilícito acima apontado foram lavrados os autos de infração para exigência dos tributos e contribuições integrantes do Simples (fls. 508/563); d) sobre os valores lançados foi imposta multa qualificada, uma vez que a elevada quantia movimentada pela contribuinte no ano de 2004, em cotejo com a ausência de receita escriturada e declarada no mesmo período, demonstra claramente a sua vontade inequívoca de subtrair ilegalmente tributo devido, sendo inverossímil crerse em mero erro. Corrobora essa conclusão o fato de a empresa haver empregado nada menos do que 95 funcionários naquele ano, com uma folha de salários de R$ 59.563,31 no mês de maio de 2004; e) a multa acima referida foi ainda agravada pelo fato de a fiscalizada, em diversas oportunidades, não haver atendido a intimação para prestar esclarecimentos. Impugnada a exigência (fls. 584/616), a DRJ de origem decidiu pela procedência do lançamento (fls. 669/689). Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 701/735) pedindo, preliminarmente, a declaração de nulidade do auto de infração e da decisão de primeiro grau e, no mérito, o cancelamento da exigência, sob as seguintes alegações, em síntese: a) cerceamento do direito de defesa, pela negativa da DRJ recorrida em deferir o pedido de perícia, cujo objetivo era comprovar que a movimentação financeira realizada nas contas correntes de sua titularidade era, em parte, de outra empresa do mesmo grupo econômico; b) os créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 02/09/2004 encontramse extintos pela decadência, a teor do disposto no art. 150 do CTN; c) os recursos movimentados nas contas correntes bancárias da contribuinte pertenciam a outra empresa do mesmo grupo econômico; d) o auditor deveria ter arbitrado o lucro da pessoa jurídica, já que constatou que a movimentação bancária da empresa era incompatível com a receita bruta declarada; e) movimentação financeira em contas correntes bancárias não corresponde ao conceito de renda; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 29/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 11444.000852/200941 Acórdão n.º 120100.451 S1C2T1 Fl. 741 3 f) é nulo o lançamento de IRPJ com fulcro, exclusivamente, em recursos aferidos em extratos de movimentações de contas bancárias, conforme estabelecido na súmula 182 do extinto TFR; g) a exigência ora combatida ofende o princípio da capacidade contributiva; h) a multa aplicada é inconstitucional, por confiscatória e desproporcional, devendo portanto ser anulada ou, se assim não se entender, reduzida a percentual razoável; i) é inconstitucional a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Pede ainda a recorrente seja deferida a posterior juntada de laudo contábil que comprovará que a movimentação bancária que deu origem ao lançamento ora combatido é da empresa G.M.E. Garça Motores Elétricos Ltda. Caso negativo, requer seja o julgamento convertido em diligência para os mesmos fins. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Preliminar de Nulidade do Lançamento Afirma a recorrente ser pacífica a jurisprudência no sentido de que é nulo o lançamento quando realizado exclusivamente com base em extratos bancários, havendo inclusive súmula do extinto TFR a respeito do assunto. Súmula TFR nº 182 (DJ 07/10/1985) Lançamento Imposto de Renda Extratos ou Depósitos Bancários Legitimidade É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Ocorre que mais recentemente, em face do advento do art. 42 da Lei nº 9.430/96 bem como da Lei Complementar nº 105/2001, a jurisprudência tanto administrativa quanto judicial vem admitindo o lançamento tributário lastreado somente em depósitos bancários de origem não comprovada, havendo o STJ, inclusive, afastado a aplicação da súmula nº 182 do extinto TRF, conforme ementa ao REsp 792812/RJ (DJe 02/04/2007), a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. (...) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 29/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 11444.000852/200941 Acórdão n.º 120100.451 S1C2T1 Fl. 742 4 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornouse inoperante, sendo certo que, in casu: (...) (...) 3) Da Preliminar de Cerceamento do Direito de Defesa Em sua impugnação a interessada pediu fosse deferida a posterior juntada de laudo contábil, o qual comprovaria que a titularidade dos recursos movimentados em suas contas correntes é da empresa G.M.E. Garça Motores Elétricos Ltda. A DRJ recorrida denegou o pleito sob o fundamento de que as provas documentais deveriam ser apresentadas junto à impugnação, conforme estabelecido no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Examinando os autos do processo verifico que, de fato, a impugnante não trouxe aos autos, nem na fase de fiscalização nem na fase litigiosa, qualquer elemento, ainda que meramente indiciário, que servisse para sustentar sua alegação de que os recursos movimentados em suas contas correntes não lhe pertenciam. Isso posto, em razão de defender a tese segundo a qual o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado à luz, por um lado, do princípio da verdade material e, por outro, do princípio da razoável duração do processo, vejo que, no caso, a DRJ não cerceou o direito de defesa da impugnante ao indeferir tanto a solicitação para posterior juntada de provas como o pedido de conversão do julgamento em diligência, haja vista que a absoluta ausência nos autos até mesmo de um início de prova autoriza concluir tratarse de pedido com caráter meramente protelatório. 4) Do Pedido para Produção de Provas A defendente repete no recurso voluntário o pedido para posterior juntada de laudo contábil ou, em caso de indeferimento, a conversão do julgamento em diligência a fim de provar que a titularidade dos recursos movimentados em suas contas correntes é da empresa G.M.E. Garça Motores Elétricos Ltda. Pelas mesmas razões acima expostas voto pelo indeferimento do pleito da recorrente. 5) Da Alegação de Decadência A recorrente afirma estarem extintos pela decadência os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 02/09/2004, conforme art. 150, § 4º, do CTN. Diz ainda que a autoridade não comprovou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Primeiramente há que se destacar que o dolo nada mais é do que a vontade livre e consciente do agente em infringir o mandamento legal. Mas como a vontade é um estado psíquico, não é ela passível de comprovação direta. Sua comprovação é sempre realizada de forma indireta (presunção), com base nos elementos externalizados pela própria conduta do agente. No caso, ao contrário do alegado pela defesa, os elemento presentes nos autos comprovam a vontade livre e consciente da contribuinte em omitir receitas. De fato, a ausência Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 29/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 11444.000852/200941 Acórdão n.º 120100.451 S1C2T1 Fl. 743 5 de escrituração e declaração de receitas no ano de 2004, aliada à movimentação bancária no montante de R$ 2.647.906,61, e a presença de 95 funcionários no registro de empregados, permitem concluir que a ora recorrente agiu dolosamente, e não por mero erro. Provado o dolo, a contagem do prazo decadencial se faz pelo disposto no art. 173, I, do CTN, não havendo portanto que se falar em decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em 2004, já que a contribuinte tomou ciência pessoal do lançamento em 02/09/2009. 6) Dos Depósitos de Origem não Comprovada Alega a recorrente, em primeiro lugar, que os recursos movimentados em suas contas correntes bancárias pertenciam, em verdade, à G.M.E. Garça Motores Elétricos Ltda., empresa do mesmo grupo econômico. Ocorre que, como visto e revisto, a interessada não juntou aos autos sequer indícios da veracidade dessa afirmação, motivo pela qual não há como acatála. Afirma ainda a interessada que, em razão de haver constatado que a movimentação bancária da empresa era incompatível com a receita bruta declarada, a autoridade fiscal deveria ter arbitrado o lucro da pessoa jurídica. Também aqui não assiste razão à recorrente, já que a movimentação financeira incompatível com a receita declarada não é causa, por si só, de exclusão da contribuinte do Simples. Como o arbitramento do lucro só seria possível com a prévia exclusão do sistema simplificado, correto está o lançamento efetuado. Quanto à alegação de que a movimentação bancária não corresponde ao conceito de renda é de se dizer que o art. 42 da Lei 9.430/96 prescreve que os créditos em conta corrente cuja origem a contribuinte não lograr êxito em comprovar consideramse advindos de receitas omitidas. Por outro lado, na sistemática do Simples, à qual a autuada aderiu, a receita se equipara à renda para fins de tributação do IRPJ. Por fim, quanto ao argumento de que a exigência ofende o princípio da capacidade contributiva, o CARF assim se pronunciou: Súmula CARF nº 2 (D.O.U. de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7) Multa de Ofício e Juros de Mora Sobre a alegada inconstitucionalidade da multa aplicada vale também o disposto na acima transcrita súmula CARF nº 2. A respeito da suscitada inconstitucionalidade da taxa Selic no cálculo dos juros mora, além da súmula CARF nº 2, incide também o seguinte pronunciamento: Súmula CARF nº 4 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 29/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 11444.000852/200941 Acórdão n.º 120100.451 S1C2T1 Fl. 744 6 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 8) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeiro grau e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 29/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
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Numero do processo: 19515.000338/2002-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
A prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo tributário.
Matéria sumulada. Súmula nº 11 do CARF. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2001.
As informações da CPMF podem ser utilizadas para constituir crédito tributário cujo fato gerador tenha ocorrido antes da publicação da Lei nº 10.174/2001.
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Comprovada a origem de parte dos depósitos em conta corrente bancária, através de documentação hábil e idônea, tal quantia deve ser excluída da tributação.
DEPÓSITO BANCÁRIO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 SOMATÓRIO
INFERIOR A R$ 80.000,00.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
Numero da decisão: 2102-001.104
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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A prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo tributário. Matéria sumulada. Súmula nº 11 do CARF. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2001. As informações da CPMF podem ser utilizadas para constituir crédito tributário cujo fato gerador tenha ocorrido antes da publicação da Lei nº 10.174/2001. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Comprovada a origem de parte dos depósitos em conta corrente bancária, através de documentação hábil e idônea, tal quantia deve ser excluída da tributação. DEPÓSITO BANCÁRIO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 SOMATÓRIO INFERIOR A R$ 80.000,00. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 245 2 Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator EDITADO EM 11/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 186 a 218, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 169 a 181, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 98 a 101 dos autos, lavrado em 08/08/2002, relativo ao anocalendário 1998, com ciência do RECORRENTE em 15/08/2002, conforme declaração no rosto do auto de infração (fl. 98). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 124.053,18, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 99, o lançamento teve origem na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96, no art.4° da Lei n° 9.481/97, e no art. 21 da Lei n° 9.532/97. De acordo com o Termo de Verificação de fls. 94 e 95, em 27/03/2002 foi lavrado o Termo de Início de Fiscalização (fl. 22), através do qual a fiscalização solicitou à RECORRENTE a apresentação dos extratos bancários relativos às contas bancárias por ela mantidas junto ao Banco Francês e Brasileiro S/A e ao Banco de Boston S/A, que deram origem à movimentação financeira constante do documento de fl. 21, obtida com base em dados da antiga CPMF. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 246 3 Atendendo à solicitação da fiscalização, em abril e junho de 2001, a RECORRENTE apresentou os extratos bancários (janeiro a dezembro de 1998) relativos à sua conta de poupança no Banco de Boston S/A e à sua conta corrente do Banco Francês e Brasileiro S/A, os quais se encontram anexados às fls. 25 a 73. Ao analisar os extratos bancários, a autoridade fiscal elaborou os Demonstrativos de Depósitos/Créditos de fls. 80, 81 e 87, cujo valor total foi de R$ 211.874,74. Isto posto, a RECORRENTE foi novamente intimada, pelo prazo de 20 (vinte) dias, a justificar os depósitos bancários, conforme Termo de Intimação de fls. 82 a 85, recebido em 01/03/2002 (AR de fl. 86). Atendendo à solicitação da fiscalização, a RECORRENTE manteve contato telefônico e informou que providenciaria a documentação; mas não apresentou quaisquer justificativas ou documentos comprobatórios da origem dos recursos. Assim, foi lavrado o presente auto de infração, a fim de tributar os valores depositados em conta da RECORRENTE, cuja origem não foi devidamente justificada, sendo apurado o valor do imposto de renda de R$ 53.945,55, conforme demonstrativo de fl. 96, sujeito à aplicação da multa de ofício de 75% e dos juros moratórios, conforme demonstrativos de fl. 97. DA IMPUGNAÇÃO Em 16/09/2002, a RECORRENTE apresentou sua impugnação de fls. 103 a 137, através de procurador devidamente constituído à fl. 138, por meio da qual expôs a seguinte matéria de defesa: (a) Que o presente lançamento decorreu de dois equívocos, quais sejam: (i) informação equivocada prestada pelo Banco Francês e Brasileiro S/A, que demonstrou uma movimentação financeira de aproximadamente R$ 2.000.000,00 a mais do que a verdadeira movimentação verificada na respectiva contacorrente no ano de 1998, movimentação esta que, segundo constatado pela própria Fiscal Autuante foi de apenas R$ 211.874,74; e (ii) apesar da Impugnante haver apresentado, no anocalendário de 1998, Declaração de Rendimentos em conjunto com seu marido (Isaac Glezer – CPF n° 021.110.63800), conforme se verifica da anexa cópia de tal Declaração (fl. 151 a 157), por lapso não foi informado o n° de seu CPF no campo denominado “CPF do cônjuge”, razão pela qual provavelmente a Receita Federal presumiu que a Impugnante teria se omitido de apresentar sua Declaração de Ajuste Anual deste período, não obstante seu nome constar expressamente do campo denominado “DEPENDENTES” e seus rendimentos (provenientes de dividendos, que serão a seguir comentados) estarem devidamente declarados no campo específico. (b) Alegou que a sua efetiva movimentação financeira (R$ 211.874,74), com os rendimentos declarados por ela e por seu marido na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 1998, é totalmente compatível com os rendimentos declarados no ano, motivo pelo qual o procedimento administrativo em questão e o Auto de Infração dele decorrente são totalmente improcedentes, posto que careceriam de requisito essencial de motivação. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 247 4 (c) Em sede de preliminar, defendeu que o presente lançamento seria totalmente desmotivado, pois não se constata a ocorrência de situação fática que respalde a cobrança ora impugnada, ou seja, como se depreende da correta movimentação financeira e da declaração de rendimentos da impugnante do ano de 1998, não há qualquer incompatibilidade a ensejar qualquer procedimento administrativo de fiscalização, nem tampouco a presente autuação, posto que notadamente não se verifica sequer indícios de irregularidade fiscal, quanto menos omissão de rendimentos. (d) Arguiu a nulidade do auto de infração, visto que os valores da movimentação financeira foram obtidos com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, § 2°, da Lei n° 9.311 (que institui a CPMF), de 24 de outubro de 1996. Ocorre que o § 3º deste mesmo dispositivo legal (com redação anterior à Lei nº 10.174/2001) vedava expressamente a utilização dos dados da CPMF para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos no período em questão. Assim, somente após a publicação da Lei n° 10.174/2001 (em 10/01/2001), a Secretaria da Receita Federal poderia utilizar os dados da CPMF para instaurar procedimento administrativo tendente à apuração e lançamento de crédito tributário de demais tributos por ela fiscalizados. (e) Alegou que a Lei nº 10.174/2001 não poderia ser aplicada retroativamente, sob pena de afronta ao princípio constitucional da irretroatividade das leis. Ou seja, a autorização conferida pela referida lei jamais poderia ser aplicada ao anocalendário 1998. (f) No mérito, a RECORRENTE defende a comprovação da origem dos recursos depositados em sua conta corrente. Para tanto, divide os depósitos em dois grupos distintos: (i) créditos de valor maior do que R$ 12.000,00; e (ii) créditos de valor menor ou igual a R$ 12.000,00. (g) No que se refere ao primeiro grupo (valor superior a R$ 12.000,00), a fiscalização identificou um único depósito bancário, no importe de R$ 65.000,00, realizado em 19/01/1998. Alegou que tal depósito decorre do seguinte fato: em diversas datas comemorativas (aniversários, aniversários de casamento, entre outras) a REQUERENTE era presenteada por seu marido com pequenas quantias em dólares americanos. Assim, por força de uma reforma realizada em um imóvel da família, a REQUERENTE decidiu vender a somatória destes valores guardados, sendo que o produto desta venda foi depositado em janeiro de 1998 na conta corrente relacionada pela fiscalização. Desta forma, não se poderia exigir a documentação probatória da origem deste valor, uma vez que foi acumulado ao longo de algumas décadas de casamento, sendo certo que ninguém está adstrito a exigir recibo de um presente de seu marido, nem tampouco seria razoável conceber que o marido registrasse em cartório ou declarasse ao Fisco cada presente ofertado a sua esposa. Concluiu que o Fisco não poderia presumir que tal fato caracterize omissão de rendimentos. (h) Por sua vez, em relação ao segundo grupo de depósitos (valores menores ou iguais a R$ 12.000,00), a RECORRENTE argumentou que, no entender da autoridade fiscal, haveria créditos de valores individuais menores ou iguais a R$ 12.000,00, cuja origem dos recursos não foi comprovada com documentação hábil e que, por totalizarem mais do que R$ 80.000,00 (limite legal previsto no art. 42, § 3° e § 4°, da Lei n° 9.430/96 c/c o art. 4° da Lei n° 9.481/97), estão sendo caracterizados como receita omitida (fl. 95). Neste ponto, afirmou que no montante de R$ 146.874,74 relacionado pela autoridade fiscal como depósitos não comprovados de valor menor ou igual a R$ 12.000,00, existem créditos que totalizam o montante de R$ 75.410,86, Fl. 253DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 248 5 cuja a origem dos recursos está devidamente comprovada por documentação hábil e idônea, motivo pelo qual o total de créditos de valores individuais menores ou iguais a R$ 12.000,00 sem comprovação de origem dos respectivos recursos é de apenas R$ 71.463.88 (R$ 146.874,74 – R$ 75.410,86), valor este nitidamente inferior ao limite legal previsto no art. 42, § 3° e § 4°, da Lei n° 9.430/96 c/c o art. 4° da Lei n° 9.481/97. (i) A fim de comprovar a origem do valor de R$ 75.410,86, a RECORRENTE afirmou que: (i) R$ 60.000,00 referemse a dividendos recebidos pela Impugnante da pessoa jurídica denominada SZNITER ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA, e conforme se depreende do respectivo comprovante (fl. 158), tais dividendos foram devidamente declarados pela Impugnante no respectivo campo da Declaração de Ajuste Anual de 1998 (vide fl. 153), em conjunto com os dividendos recebidos por seu marido no importe de R$ 57.270,39 (fls. 159 e 160), totalizando assim o valor de R$ 117.270,39 recebidos a título de dividendos durante o anocalendário 1998 e devidamente declarados por si e por seu marido; e (ii) R$ 15.410,86 referemse a aluguéis pagos em favor da Sra. Maria Eagel, portadora do CPF n° 166.740.069 04 e tia da RECORRENTE. Afirmou que tais aluguéis foram depositados pela administradora de imóveis na conta bancária da RECORRENTE, que por sua vez os repassou a sua tia, e que os mesmos foram devidamente declarados pela Sra. Maria Eagel no ano de 1998, conforme se constatará da análise da Declaração de Ajuste Anual deste período, documento já solicitado, requerendo a sua posterior juntada. (j) Informou que a totalidade do valor de R$ 75.410,86 foi depositada na conta da Impugnante pela pessoa jurídica denominada FÊNIX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. (CNPJ n° 76.086.297/000111), que administra os imóveis da empresa SZNITER ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA (fonte pagadora dos dividendos da RECORRENTE) e da sua já mencionada tia (Sra. Maria Eagel), de tal sorte que por volta do dia 05 de cada mês a referida administradora de imóveis deposita na conta corrente o valor de dividendos pagos a ela pela SZNITER ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA e os valores dos aluguéis de sua tia, conforme se verifica dos anexos comprovantes de depósitos bancários (fls. 161 a 164). (l) Assim, considerando que o total dos créditos de valores individuais menores ou iguais a R$ 12.000,00, sem comprovação de origem, é inferior ao limite legal de R$ 80.000,00 (visto que somam R$ 71.463.88), pede que os devem ser excluídos da presente autuação fiscal, nos termos do § 3°, inciso II, do art. 42, da Lei n° 9.430/96, combinado com o art. 4° da Lei n° 9.481/97. (m) Para embasar sua tese, cita vasta jurisprudência no sentido de que tais depósitos não caracterizariam disponibilidade econômica de renda, fato gerador de imposto de renda e nem omissão de rendimentos. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 169 a 181 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: Fl. 254DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 249 6 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO CONTRADITÓRIO. A fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas( Art.144, § 1° do CTN). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SOMA DOS DEPÓSITOS DE VALOR IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. DEVEM SUPERIOR O VALOR ANUAL DE R$ 80.000,00. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Ultrapassado esse limite, o lançamento deve ser considerado procedente quanto a esse aspecto. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, foram rebatidas as alegações da RECORRENTE, sintetizadas adiante: Dos efeitos intertemporais da lei tributária formal: A autoridade julgadora afirmou que a Lei n° 10.174, de 9 de janeiro de 2001, alterou o art. 11, § 3° da, Lei n° 9.311/1996, que instituiu a CPMF. Assim, apontou que a matéria atinente à aplicação da lei no tempo pelo lançamento é regulada pelo art. 144 e parágrafos do CTN. O caput do mencionado dispositivo põe regra de direito material, regula o Fl. 255DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 250 7 ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto os seus parágrafos contêm uma solução aplicável ao procedimento, processo ou aspecto formal do lançamento. Apontou que o § 1° do art. 144, ao regular matéria diferente de seu caput, consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Assim, citou entendimentos doutrinários, bem como a jurisprudência do STJ, que convergem para o entendimento de que é possível a aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. Dos lançamentos com base em movimentação financeira. Fatos geradores após 01/01/1997: No que diz respeito à alegação da RECORRENTE de que o auto de infração seria nulo, visto que a movimentação bancaria não é fato gerador do imposto de renda, a autoridade julgadora afirmou que o art. 42 da Lei nº 9.430/97, com a alteração introduzida pelo art. 4º da Lei nº 9.481/97, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançamento do imposto de renda sempre que o sujeito passivo, titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, deixe de comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem de recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Sobre o tema, afirmou que é a própria lei que define que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Portanto, não eram meros indícios de omissão; razão por que não há que se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Verificou, do exame das peças constituintes dos autos, que o interessado não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias. Assim, não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do novo diploma. Asseverou que seria improfícua a jurisprudência administrativa e judicial trazida pela RECORRENTE, porque relativa a lançamentos respaldados em leis anteriores à edição da Lei n° 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. Sobre o fato alegado pela RECORRENTE, de que parte dos recursos creditados em sua conta corrente estaria relacionada a vários presentes em datas comemorativas e que sempre foram feitos em dólares americanos, que vinham sendo Fl. 256DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 251 8 guardados até o mês de janeiro de 1998, quando decidiu vendêlos para reformar um imóvel da família, a autoridade julgadora entendeu que não havia como acatar tal pretensão, uma vez que a interessada não traz aos autos qualquer comprovação de suas alegações. No que diz respeito à alegação genérica de que os rendimentos da RECORRENTE, juntamente com os de seu marido, seriam suficientes para justificar os depósitos bancários, a DRJ argumentou que não havia previsão legal para considerar os rendimentos do marido como aptos a justificar os depósitos bancários, salvo se houver prova material da transferência de recursos da conta dele para a conta da interessada. Do limite de R$ 80.000,00 do art. 42 da lei 9.430/96: A respeito aos depósitos inferiores a R$ 12.000,00 (que totalizam R$ 146.874,74) a DRJ rebateu os argumentos da RECORRENTE sobre a comprovação de R$ 75.410,86, separandoo em uma parte de R$ 60.000,00 e outra parte de R$ 15.410,86. Sobre o valor de R$ 60.000,00, supostamente pagos pela empresa Szniter Administração e Participações Ltda. (fl. 158), a autoridade julgadora apontou que não foram individualizados os pagamentos feitos a títulos de lucros/dividendos de modo a permitir identificar quais depósitos, dentre aqueles relacionados em fls. 83/85, corresponderiam a depósitos feitos pela empresa. Já sobre o montante de R$ 15.410,86, o qual a RECORRENTE alega ter sido depositado pela empresa Fênix por conta de aluguéis em favor de sua tia (Sra. Maria Eagel), de acordo com os recibos de fls. 161 a 163, a autoridade julgadora entendeu que tais recibos comprovam apenas que os depósitos naqueles valores foram feitos, mas não permitem identificar quem foi o depositante e a que título foram feitos os depósitos. Por outro lado, afirmou que a declaração de fl. 164 da empresa faz referência a um depósito de valor R$ 6.385,67 que não consta na relação de depósitos incluídos no lançamento (fls. 83 a 85). Portanto, não seria possível concluir que o montante de R$ 15.410,86 tem sua origem amparada em documentação hábil e idônea. Assim, não ficando comprovado qualquer valor suscitado pela RECORRENTE, concluiu que não há reparos a fazer no lançamento quanto a este aspecto visto que restam incluídos no lançamento depósitos inferiores a R$ 12.000,0 cuja soma ultrapassa R$ 80.000,00. Portanto, a autoridade julgadora considerou procedente o lançamento consubstanciado no presente auto de infração e manteve integralmente o crédito tributário exigido. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 19/12/2008 (sextafeira), conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 182v, apresentou, Fl. 257DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 252 9 tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 186 a 218, em 20/01/2009, através de procuradores devidamente constituídos à fl. 219 c/c fl. 138. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE expôs, em síntese, a seguinte matéria de defesa: Das preliminares: (i) Extinção do crédito tributário em razão da ocorrência da prescrição intercorrente verificada nos autos do presente feito: Alegou que, no caso dos autos, ocorreu a prescrição administrativa intercorrente, visto que a impugnação ao auto de infração foi protocolizada na data de 19/09/02, e a RECORRENTE foi intimada acerca do respectivo acórdão somente em 19/12/08, ou seja, após o transcurso de prazo superior a 6 (seis) anos, por exclusiva desídia (sic) da Administração Fazendária. (ii) Nulidade do Auto de Infração em razão da inconstitucionalidade do procedimento administrativo que o antecedeu, já que realizada a quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, bem como conferido efeito retroativo à Lei n.° 10.174/01 e à LC n.° 105/01: Neste ponto, a RECORRENTE retificou o alegado em sua impugnação, quando defendeu que o presente auto de infração seria ilegal, pois afrontaria o disposto no art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, antes da alteração promovida pela Lei nº 10.174/2001. Alegou que somente após a publicação da retro citada Lei nº 10.174/2001, a Secretaria da Receita Federal do Brasil poderia utilizar os dados da CPMF para instaurar procedimento administrativo tendente à apuração e lançamento de crédito tributário de demais tributos por ela fiscalizados. Ou seja, somente a partir de 10 de janeiro de 2001 (data da publicação desta lei), poderia o Fisco proceder desta forma. Assim, fatos ocorridos durante o anocalendário 1998 estariam fora do campo de incidência da Lei nº 10.174/2001 (visto que ocorridos antes de sua vigência), sendo defeso à Secretaria da Receita Federal do Brasil retroagir os efeitos do comentado dispositivo legal, posto que tal retroação consubstancia flagrante lesão ao principio constitucional da irretroatividade das leis. Sobre o tema, citou acórdão de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, o qual entendeu que a discussão da matéria é de índole constitucional, portanto, de competência do Supremo Tribunal Federal – STF, além de ter se convencido da plausibilidade jurídica em relação à inconstitucionalidade do procedimento fiscal em razão da quebra de sigilo bancário sem a devida autorização judicial. Ademais, asseverou que, por representar quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, a autuação também padece de inconstitucionalidade. Do mérito: (i) Da comprovação da origem dos depósitos bancários: Fl. 258DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 253 10 Neste ponto, a RECORRENTE ratificou todo o exposto em sua defesa inicial, quando defendeu a comprovação da origem dos recursos depositados em sua conta corrente, quando dividiu os depósitos em dois grupos: (i) créditos de valor maior do que R$ 12.000,00, que corresponde a um único depósito de R$ 65.000,00; e (ii) créditos de valor menor ou igual a R$ 12.000,00, que totalizam R$ 146.874,74. Como as razões da RECORRENTE não foram acatadas pela autoridade julgadora de primeira instância, sob o argumento de que os documentos apresentados na ocasião não embasavam sua alegações, requereu a juntada de declarações fornecidas pela empresa FÊNIX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/C LTDA. (fls. 239 a 242), nas quais é informada a realização de depósitos na conta corrente da RECORRENTE, relativos aos dividendos por ela auferidos da empresa SZNITER ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. (fl. 158), e aos aluguéis pertencentes a sua tia (Sra. Maria Eagel), na totalidade de R$ 75.410,86 Esclareceu que tal quantia foi depositada na conta sua conta corrente pela empresa FÊNIX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. (CNPJ n° 76.086.297/000111), visto que esta administra os imóveis da empresa SZNITER ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA (fonte pagadora dos dividendos da RECORRENTE) e também da mencionada tia da RECORRENTE (Sra. Maria Eagel). Assim, concluiu que a origem dos depósitos bancários em comento (que totalizam R$ 75.410,86) estaria devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, nos termos em que determina o artigo 42, da Lei n° 9.430/96, motivo pelo qual o total de créditos de valores individuais menores ou iguais a R$ 12.000,00 sem comprovação de origem dos respectivos recursos é de apenas R$ 71.463.88 (R$ 146.874,74 – 75.410,86), e não de R$ 146.874,74, como apurado pelo fiscal autuante. Portanto, como o total dos créditos de valores individuais menores ou iguais a R$ 12.000,00 sem comprovação de origem seria inferior ao limite legal de R$ 80.000,00, defendeu que os mesmos devem ser prontamente excluídos da presente autuação fiscal, nos termos do que dispõe o § 3º, inciso II, do artigo 42, da Lei n° 9.430/96, combinado com o artigo 4º da Lei nº 9.481/97. (ii) Depósito bancário em conta corrente não necessariamente representa acréscimo patrimonial passível de tributação pelo IRPF: Alegou, também, que o lançamento constituído exclusivamente com base em depósitos bancários não representa a tributação da renda efetiva, ou seja, do verdadeiro acréscimo patrimonial, motivo pelo qual o art. 42 da Lei nº 9.430/96 afronta o art. 153, inciso III, da Constituição Federal, bem corno o artigo 43, incisos I e II, do Código Tributário Nacional – CTN. Por tais razões, requereu a reforma da decisão de primeira instância, e o cancelamento do auto de infração. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. Fl. 259DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 254 11 É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De acordo a Descrição dos Fatos de fl. 99 e com o Termo de Verificação de fls. 94 e 95, a autoridade fiscal lavrou o presente auto de infração pelo fato de a RECORRENTE não ter comprovado a origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente, no valor total de R$ 211.874,74, durante o anocalendário 1998. Mesmo intimada durante a ação fiscal, a RECORRENTE não apresentou quaisquer justificativas ou documentos comprobatórios acerca da origem dos recursos depositados em suas contas. Passo a analisar cada um dos temas (fundamentos de defesa) suscitados pela RECORRENTE em seu recurso. Das preliminares: Inicialmente, cabe analisar as preliminares razões de defesa da RECORRENTE, que alega: (i) a ocorrência da prescrição intercorrente; e (ii) a nulidade do auto de infração em razão da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, bem como por ter conferido efeito retroativo à Lei n° 10.174/01 e à Lei Complementar n° 105/01: Entendo que não merecem ser acolhidas as preliminares indicadas pela RECORRENTE, como demonstro a seguir. Acerca da suposta ocorrência de prescrição intercorrente, já é matéria, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual invoco a Súmula nº 11 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” No que diz respeito à nulidade arguida em face da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, bem como pela aplicação de efeitos retroativos à Lei nº 10.174/2001, devese, em princípio, esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador administrativo, esta é matéria estranha à competência dos seus integrantes, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 260DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 255 12 Ademais, sobre este mesmo tema que envolve a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001, esclareçase que tal matéria também é sumulada por este CARF, razão pela qual invoco a Súmulas nº 35 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 35 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” Portanto, não há que se falar em impossibilidade de aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001, visto ser entendimento pacífico que as informações da CPMF podem ser utilizadas para constituir crédito tributário cujo fato gerador tenha ocorrido antes da publicação da Lei nº 10.174/2001, como ocorreu no presente caso, em que os fatos geradores ocorreram no anocalendário 1998. Desta forma, se pode falar em qualquer ilegalidade cometida pela autoridade lançadora, visto que esta agiu em conformidade com o que prevê a legislação tributária. Assim, em razão do que determina a citada legislação, a autoridade fiscal tem o poder/dever de efetuar o lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN. Do mérito: A RECORRENTE alega que depósitos bancários não representam, necessariamente, acréscimo patrimonial passível de tributação pelo IRPF. Em princípio, esclareçase que, conforme já exposto anteriormente, a teor do disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador administrativo, o CARF é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Passada essa questão, cumpre esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever funcional invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda Fl. 261DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 256 13 representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Desta forma, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário (presunção juris tantum). Sobre a comprovação fornecida pela RECORRENTE quanto à origem dos depósitos bancários, entendo que a mesma é, em parte, procedente. Para melhor exposição dos argumentos, cumpre dividilos conforme apresentados pela RECORRENTE em suas razões de defesa, o que se faz importante em razão do previsto no art. 42, § 3º, da Lei nº 9.4030/96 c/c o art. 4º da Lei nº 9.481/97, abaixo transcritos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).” “Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente.” No que se refere aos depósitos de valor superior a R$ 12.000,00, a autoridade fiscal identificou um único depósito bancário, no importe de R$ 65.000,00, realizado em 19/01/1998. A RECORRENTE alegou que tal depósito decorre de presentes, em dólares americanos, recebidos do seu marido em razão de datas comemorativas. Assim, ao decidir vender a somatória destes valores guardados, efetuou o depósito decorrente da referida venda em sua conta corrente, no valor de R$ 65.000,00. Desta forma, segundo a RECORRENTE, não se poderia exigir da RECORRENTE a documentação probatória da origem deste valor, uma vez que foi acumulado ao longo de algumas décadas de casamento. Fl. 262DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 257 14 Ocorre que, conforme já demonstrado, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu presunção de omissão de receita, que pode ser elidida através da comprovação da origem do crédito por parte do contribuinte. Não cabe ao Fisco comprovar a origem ou o consumo dos depósitos. Este, inclusive, é o teor da Súmula nº 26 deste CARF, já citada anteriormente. Se a RECORRENTE reconhece ser impossível provar o que alega, não deveria se contrapor à ação fiscal que se fundamenta exatamente na falta de prova. Portanto, não pode ser acatado o pleito da RECORRENTE, visto que inexiste nos autos qualquer documento ou indício de prova da origem do depósito no valor de R$ 65.000,00. Para o caso, importante transcrever acórdão deste CARF sobre a mesma matéria; verbis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 PERÍCIA OU DILIGÊNCIA NÃO COMPROVAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE REJEIÇÃO A prova pericial surge como meio para suprir a carência de conhecimentos técnicos do julgador para solução do litígio. Afinal, não é admissível que o julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Por seu turno, a diligência objetiva trazer luzes sobre algum ponto obscuro apreendido nos autos. Não comprovada a necessidade da diligência ou perícia para subsidiar a solução da controvérsia, devese rejeitar a pretensão do recorrente. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL E ATIVIDADE ECONÔMICA DESENVOLVIDA POR FIRMA INDIVIDUAL AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO ALEGADO REJEIÇÃO DA COMPROVAÇÃO Não basta simplesmente alegar que os depósitos bancários de origem não comprovada são provenientes da atividade rural ou de atividade econômica desenvolvida por firma individual. Ausente a prova Fl. 263DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 258 15 do alegado, cujo ônus era do recorrente, hígida a presunção de omissão de rendimento estribada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DO DEPOSITANTE PELA FISCALIZAÇÃO DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CRÉDITOS BANCÁRIOS EXCLUÍDOS PELA FISCALIZAÇÃO MATÉRIA ESTRANHA AO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE LITÍGIO Excluídos determinados créditos bancários pela autoridade autuante, não remanesce qualquer controvérsia a ser solucionada no rito do contencioso administrativo fiscal. Recurso voluntário provido em parte. (recurso voluntário nº 159994; 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009).” Portanto, é certo que a RECORRENTE deveria comprovar a origem do valor de R$ 65.000,00 através de documentação hábil e idônea, não sendo bastante a simples alegação de que tal quantia referese à venda de dólares americanos, presenteados por seu cônjuge ao longo de vários anos. A RECORRENTE anexou aos autos o documento de fls. 239 e 240, fornecido pela empresa FÊNIX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/C LTDA., que informa a realização de depósitos na conta corrente da RECORRENTE, relativos aos dividendos por ela auferidos da empresa SZNITER ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA., no valor total de R$ 60.000,00 (fl. 158). Tal documento possui o seguinte teor: “FÊNIX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/C LTDA, pessoa jurídica sediada na cidade de Curitiba — PR à rua Mal. Deodoro, n° 503 — 8° andar, inscrita no CNPJ/MP sob o n° 76086297/000111, declara para os devidos fins que durante o anocalendário de 1998 pagou a Sra. Santa Szniter Glaser (CPF/MF de n° 169.985.29953), à ordem da sociedade denominada SZNITER ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. (CNPJ/MP n° 79.102.778/000161), para a qual Fl. 264DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 259 16 administra bens imóveis, a quantia de R$ 60.000,00 (Sessenta mil reais), equivalente à parcela dos aluguéis recebidos pela locação dos imóveis de propriedade da SZNITER ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA, sendo que tal valor foi pago em doze parcelas, mensais que foram depositadas na conta corrente de n° 287250, agência n° 3756, do Banco Francês e Brasileiro S/A, conforme abaixo relacionado: (...) Sobre o montante de R$ 15.410,86, a RECORRENTE alegou que tal quantia referese a aluguéis pagos em favor da Sra. Maria Eagel (sua tia), portadora do CPF n° 166.740.06904. Afirmou que tais aluguéis foram depositados pela administradora de imóveis (FÊNIX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/C LTDA.) na conta bancária da RECORRENTE, que por sua vez os repassou a sua tia. A RECORRENTE defendeu que a totalidade do valor de R$ 75.410,86 (R$ 60.000,00 + R$ 15.410,86) foi depositada na sua conta corrente pela pessoa jurídica FÊNIX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., tendo em vista que esta empresa seria a responsável pela administração dos imóveis pertencentes tanto à empresa SZNITER ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. Todavia, não vejo como acatar as simples declarações como prova de origem dos depósitos da RECORRENTE, pois estão desacompanhados de outros elementos que – em conjunto – robusteçam as alegações do recurso. É dever do contribuinte autuado provar os fatos constitutivos do seu direito, através de todos os meios de prova admitidos no processo administrativo fiscal. Sendo assim, e considerando a corriqueira relação de pagamentos que a RECORRENTE alega ter com a citada fonte pagadora (supostamente espelhada em vários pagamentos mensais e sucessivos), apenas as declarações desacompanhadas de outros documentos fiscais e contábeis não são suficientes para provar o origem dos recursos depositados a seu crédito. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 265DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 19515.000338/200260 Acórdão n.º 210201.104 S2‐C1T2 Fl. 260 17 Fl. 266DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L
score : 1.0
Numero do processo: 13657.001899/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
Ementa: DESPESAS MÉDICAS. UTILIZAÇÃO DE RECIBOS MÉDICOS DE PROFISSIONAIS DE ÁREA DIVERSA DA MÉDICA. DESPESAS VULTOSAS PAGAS EM ESPÉCIE. NECESSIDADE DE UMA COMPROVAÇÃO MAIS RIGOROSA NO TOCANTE ÀS DESPESAS COM OUTROS PROFISSIONAIS. DESPESAS SOMENTE
ALICERÇADAS NOS RECIBOS E EM DECLARAÇÕES DOS PRESTADORES. IMPOSSIBILIDADE. Em princípio, a apresentação de recibos médicos é prova bastante para comprovar as despesas médicas, como
se vê pela leitura do art. 8º, II, “a” e § 2º, III, da Lei nº 9.250/95. Entretanto, trata-se de uma comprovação formal, indireta do serviço prestado, não sendo uma presunção absoluta, de direito, da prestação do serviço. Tal prova pode ceder quando, da análise dos autos, levantam-se fundadas dúvidas sobre a
execução da prestação do serviço médico, como ocorre, por exemplo, com despesas exageradas, com contribuinte que alega que todos os pagamentos de valores vultosos foram feitos em espécie ou que faz uso reconhecido de despesa indevida ou inidônea. Ocorrendo algum dos casos citados, necessariamente o contribuinte tem que fazer uma prova robusta da execução do serviço, além dos recibos médicos, que pode passar por documentário médico que comprove os serviços prestados ou mesmo o efetivo pagamento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.366
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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UTILIZAÇÃO DE RECIBOS MÉDICOS DE PROFISSIONAIS DE ÁREA DIVERSA DA MÉDICA. DESPESAS VULTOSAS PAGAS EM ESPÉCIE. NECESSIDADE DE UMA COMPROVAÇÃO MAIS RIGOROSA NO TOCANTE ÀS DESPESAS COM OUTROS PROFISSIONAIS. DESPESAS SOMENTE ALICERÇADAS NOS RECIBOS E EM DECLARAÇÕES DOS PRESTADORES. IMPOSSIBILIDADE. Em princípio, a apresentação de recibos médicos é prova bastante para comprovar as despesas médicas, como se vê pela leitura do art. 8º, II, “a” e § 2º, III, da Lei nº 9.250/95. Entretanto, tratase de uma comprovação formal, indireta do serviço prestado, não sendo uma presunção absoluta, de direito, da prestação do serviço. Tal prova pode ceder quando, da análise dos autos, levantamse fundadas dúvidas sobre a execução da prestação do serviço médico, como ocorre, por exemplo, com despesas exageradas, com contribuinte que alega que todos os pagamentos de valores vultosos foram feitos em espécie ou que faz uso reconhecido de despesa indevida ou inidônea. Ocorrendo algum dos casos citados, necessariamente o contribuinte tem que fazer uma prova robusta da execução do serviço, além dos recibos médicos, que pode passar por documentário médico que comprove os serviços prestados ou mesmo o efetivo pagamento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 15/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face da contribuinte TEREZINHA DALVA RIBEIRO, CPF/MF nº 192.658.40668, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 12/08/2008, auto de infração (fls. 09 a 12), decorrente da revisão de sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2003. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 7.015,80 MULTA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 75% SOBRE O IMPOSTO LANÇADO R$ 5.261,85 À contribuinte foi imputada uma glosa de despesa médica, com a seguinte motivação: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 25.512,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Conforme Termo de Intimação, não houve comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas abaixo : R$7.000,00 Wagner Aparecido de Souza R$2.772,00 Mario Ismael Castro Cisternas R$ 5.720,00 Walquíria de Castro Tibúrcio As despesas declaradas abaixo não são dedutíveis: .R$4.300,00 Maria Dimas Ferreira dos Santos R$5.720,00 Santtuza Ribeiro Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, com os seguintes argumentos (fls. 80v e 81 – transcrição da decisão recorrida): Fl. 115DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13657.001899/200871 Acórdão n.º 2102001.366 S2C1T2 Fl. 2 3 1) atendeu as intimações demonstrando suas despesas médicas, assim como os profissionais de saúde também atenderam as diligências efetuadas pela fiscalização; apresentou recibos corroborados por declarações dos respectivos emitentes; ofereceu também cópias das declarações de IRPF dos profissionais que lhe prestaram serviços; transcreve o art. 8° da Lei n° 9.250/1995 para afirmar que os recibos foram emitidos com os requisitos legais, que somente na falta desses é que se poderá comprovar a despesas com cheque nominativo e que não é necessária a informação do beneficiário do serviço prestado bastando estar em nome de quem pagou; 2) entende que só é licito exigir comprovante do efetivo pagamento quando a RFB demonstrar a inidoneidade dos documentos; no caso, a inidoneidade somente foi demonstrada para alguns; para os outros as declarações dos profissionais indicam os beneficiários dos serviços prestados, havendo de serem restabelecidas as deduções correspondentes; transcreve a seu favor ementas de julgados do Conselho de Contribuintes e do TRF 1ª Região; 3) requer, ao final, todos os meios de prova em direito admitida, juntada de documentos, oitiva de testemunhas e prova pericial. A 4ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0931.812, de 8 de outubro de 2010 (fls. 80 a 83). Em essência, a decisão acima arrostou a argumentação do contribuinte de que os recibos de despesas médicas e declarações ratificadoras dos prestadores, em si mesmos, seriam suficientes para comprovar as despesas dedutíveis, registrando a necessidade da comprovação do efetivo pagamento das despesas. Ademais, “Com relação as glosa das despesas médicas no valor de R$10.020,00, documentos a fls. 46/48, emitidos por Maria Dimas Ferreira dos Santos, serviços de massagens, e 52/54, emitidos por Santuza Ribeiro, serviços de assistência pedagógica. confundiuse a impugnante. Estas foram glosadas por não serem dedutíveis da base de cálculo do IRPF, por falta de previsão legal para tanto, não por terem os documentos correspondentes sido considerados inidôneos” (fl. 83v). A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 08/11/2010 (fl. 85). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 02/12/2010 (fl. 94). No voluntário, a recorrente repisa, em síntese, as argumentações da impugnação. Adiciona que os recibos médicos apresentados não foram contraditados pelas autoridades, de onde se extrai sua autenticidade, devendo ser deferida a dedutibilidade deles da base de cálculo do imposto de renda. Por fim, a recorrente requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, juntada de documentos, oitiva de testemunhas e prova pericial. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que a contribuinte foi intimada da decisão recorrida em 08/11/2010 (fl. 85), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 02/12/2010 (fl. 94), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 08/12/2010, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. De plano, rejeitase a produção de qualquer prova documental, além daquela já deduzida neste processo administrativo fiscal, pois o contribuinte deveria têla produzida na impugnação, na forma do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, ou justificar por que não o fez, justificativa que não foi apresentada nestes autos. Ademais, tratase de matéria simples (glosa de despesas médicas), sendo desnecessário qualquer dilação probatória adicional, quer documental, quer testemunhal. O presente pedido do recorrente é retórico e procrastinatório, não sendo aqui acatado e, nessa toada, passa ao mérito. A questão resumese a decidir se os recibos médicos glosados nestes autos, emitidos pelos profissionais Wagner Aparecida de Souza (R$ 7.000,00), Mário Ismael Castro Cisternas (R$ 2.772,00), Walquíria de Castro Tibúrcio (R$ 5.720,00), Maria Dimas Ferreira dos Santos (R$ 4.300,00) e Santuzza Ribeiro (R$ 5.720,00), podem ser admitidos para reduzir a base de cálculo do imposto de renda do recorrente. Aqui se traz a legislação de regência da matéria: Art. 8º da Lei nº 9.250/95. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 117DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13657.001899/200871 Acórdão n.º 2102001.366 S2C1T2 Fl. 3 5 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (...) Em princípio, a apresentação de recibos médicos é prova bastante para comprovar as despesas médicas, como se vê pela leitura do art. 8º, II, “a” e § 2º, III, da Lei nº 9.250/95, acima colada. Entretanto, tratase de uma comprovação formal, indireta do serviço prestado, não sendo uma presunção absoluta, de direito, da prestação do serviço. Tal prova pode ceder quando, da análise dos autos, levantamse fundadas dúvidas sobre a execução do serviço, como ocorre, por exemplo, com despesas exageradas, com contribuinte que alega que todos os pagamentos de valores vultosos foram feitos em espécie ou que faz uso reconhecido de despesa indevida ou inidônea. Ocorrendo os casos citados, necessariamente o contribuinte tem que fazer uma prova robusta da execução do serviço, além dos recibos médicos, que pode passar por documentário médico que comprove os serviços prestados ou mesmo o efetivo pagamento. Compulsando os autos, causa estranheza que uma contribuinte com rendimentos tributáveis de R$ 101.181,86 possa ter despendido R$ 30.585,36 com despesas médicas (aproximadamente 30% dos rendimentos tributáveis consumidos com despesas médicas), quando não há rendimentos relevantes provenientes de cônjuge ou outras fontes, sendo que a expressiva parcela de R$ 25.512,00 tenha sido feito a profissionais para os quais não foram juntados documentos médicos (receitas, exames etc.) aos autos, pagos em espécie, por exemplo, um conjunto de sete recibos de R$ 1.000,00 (fls. 67 e seguintes) e para todas as despesas glosadas não houve a comprovação do efetivo pagamento de nenhuma delas (conforme informações da contribuinte, no caso dos profissionais Wagner, Mário e Walquíria, os pagamentos foram em espécie – fl. 61). Agreguese a isso a tentativa de dedução de despesas médicas com as profissionais Maria Dimas Ferreira dos Santos (serviços de massagens – R$ 4.300,00), e Santuza Ribeiro (serviços de assistência pedagógica – R$ 5.720,00), profissionais que não podem ser considerados como da área de saúde, o que termina por jogar uma sombra de suspeição sobre todos os recibos médicos da recorrente. Com o quadro acima, este relator entende, em linha com o procedimento da autoridade fiscalizadora, que há uma sombra de suspeição sobre todos os recibos médicos informados na declaração de ajuste anual do fiscalizado, não sendo possível acatar a dedutibilidade de outras despesas médicas apenas com o cumprimento da formalidade da apresentação dos recibos. Neste caso, a autoridade fiscal pode exigir que o contribuinte comprove a efetiva comprovação do pagamento, como ocorreu nestes autos. Mutatis mutandis, esclareçase que já tivemos oportunidade de esposar o entendimento que afastava a simples apresentação dos recibos médicos, para dedução das Fl. 118DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 despesas da base de cálculo do imposto de renda, como se viu no julgamento do recurso voluntário nº 170.086, sessão de 20 de agosto de 2010, prolatando o Acórdão nº 210200.824, unânime, que restou assim ementado: DESPESAS MÉDICAS. UTILIZAÇÃO DE RECIBOS MÉDICOS DE PROFISSIONAL COM GRAVES INDÍCIOS DE INIDONEIDADE IDEOLÓGICA. NECESSIDADE DE UMA COMPROVAÇÃO MAIS RIGOROSA NO TOCANTE ÀS DESPESAS COM OUTROS PROFISSIONAIS. A utilização de recibos médicos de profissionais com graves indícios de inidoneidade ideológica por parte do fiscalizado lança sombras sobre as demais despesas dedutíveis referentes às despesas com outros profissionais de saúde. Para comprovar a dedutibilidade com estes últimos, mister a comprovação do efetivo pagamento ou a apresentação de documentos que comprovem iniludivelmente a realização do serviço (orçamentos, pedidos de exames, fichas dentárias, prescrição de receitas). Recurso negado. Com as considerações acima, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 119DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002586/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Deve-se restabelecer as despesas médicas quando os documentos
apresentados satisfazem as exigências da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.068
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Devese restabelecer as despesas médicas quando os documentos apresentados satisfazem as exigências da legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, Odmir Fernandes, José Evande Carvalho Araujo, Walter Reinaldo Falcão Lima e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Fl. 74DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0920.510, proferido pela 4ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fl. 59), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: O auto de infração de fls. 2/7 exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$ 7.939,05, assim discriminado: R$ 2.855,60 de imposto; R$ 4.283,39 de multa proporcional (passível de redução); e R$ 800,06 de juros de mora (calculados até 30/05/2008). Na descrição dos fatos, à fl. 3, a Fiscalização apontou que o interessado pleiteou indevidamente dedução de despesas médicas nos valores de R$ 5.040,00, R$ 3.050,00 e R$ 5.000,00, referentes, respectivamente, aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. O detalhamento da ação desenvolvida consta do termo de verificação fiscal, às fls. 8/12. Nesse termo, a autoridade lançadora expressou, à fl. 9, que: "O contribuinte utilizou despesa médica por meio de valor declarado, sem a efetiva comprovação de pagamento e prestação de serviços psicológicos, dito como pago a FLA VIA AMÉLIA RIBEIRO, via emissão de recibos no final de cada mês de janeiro a dezembro em 2004, janeiro a outubro em 2005 e janeiro a dezembro em 2005, cujo valor utilizado nas DIRPF totalizou R$ 13.050,00, acima demonstrado, o qual está sendo glosado, conforme consta do relatório que abaixo reproduzimos e que faz parte integrante do presente Termo de Verificação Fiscal: ..." (negritos e sublinhado do original) Na espécie, fora desenvolvida ação fiscal direcionada a diversos contribuintes que deduziram despesas médicas pretensamente realizadas com a indigitada profissional. Do citado relatório (fl. 11), podese extrair: "Consideramos o Relatório comum a todos os contribuintes detentores de documentos e que apresentaram recibos, que em resumo, configura irregularidade para utilização do imposto apurado ou restituições indevidas, que será objeto de glosa, com aplicação de multa qualificada, artigo 959, inciso I do RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/99, art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, e de acordo com a redação da MP n. 303/2006, cujo procedimento em tese configura crime contra a ordem tributária, nos termos dos artigos 1° e 2° da Lei 8.137/1990, com a conseqüente formalização da Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos do Decreto n. 2.730/1998 e Portaria SRF 326/2005." A par disso, ocorreram a aplicação da multa de 150% e a representação fiscal para fins penais, constante da peça exordial do processo n. 10640.002587/200875. O sujeito passivo ofereceu a impugnação de fl. 53/55, na qual aduz, em síntese, que pagou, em face de consultas mensais realizadas, em moeda corrente mensal, os valores constantes dos recibos apresentados à Fiscalização; a emissora dos recibos, Fl. 75DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10640.002586/200821 Acórdão n.º 210101.068 S2C1T1 Fl. 72 3 Flávia Amélia Ribeiro, prestou, inclusive, declaração de próprio punho (anexo, à fl. 56), nesse sentido. Requer o impugnante, se necessário for, seja ouvida a referida profissional, para reconhecer de fato e de direito os serviços que lhe prestou, sob pena, de não realizando essa diligência, configurar flagrante cerceamento de defesa. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Firmase plena convicção de que restam indevidas as deduções de despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte, quando não demonstra os efetivos pagamentos dessas. DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO VÁLIDA. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência de questão já tratada nos autos revelase despicienda, o que leva ao indeferimento desse pleito. Lançamento Procedente. Em seu apelo ao CARF, às fls. 68/69, o recorrente repisa as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Vejamos a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). Fl. 76DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Grifos Acrescidos. Nos anoscalendários de 2004, 2005 e 2006, os dispêndios com despesas médicas do autuado alcançaram os montantes de R$ 5.040,00, R$ 3.050,00 e R$ 5.000,00, respectivamente. Do exame das peças processuais, podese constatar que a dedução pleiteada pelo recorrente referese a despesa médica expressamente prevista na legislação tributária como apta a reduzir os rendimentos tributáveis. Em favor do pleito do recorrente verificase que seu nome consta na listagem de pacientes atendidos, fornecida pela psicóloga Flávia Amélia Ribeiro à fiscalização (fls. 42/43), referente a atendimentos no anoscalendário de 2003 e 2004, sendo o valor informado na DIPF do anocalendário de 2004 exatamente igual ao valor informado pela referida profissional. É certo que a glosa no lançamento em exame referese aos anos de 2004 a 2006. Contudo, entendo que caberia a fiscalização estender a intimação para os anos seguintes, já que o princípio de prova colhida com a prestadora dos serviços foi favorável ao contribuinte. O fato da profissional ter omitido rendimentos não pode ser utilizado em prejuízo do paciente, que não tem qualquer responsabilidade sobre tal fato, nem poder para pode obrigála a declarar corretamente. O recorrente apresentou todos os recibos referentes aos meses em que se submeteu ao tratamento psicológico, que foram confirmados pela psicóloga Flávia Amélia Ribeiro, consoante Declaração à fl. 56. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 77DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10640.002586/200821 Acórdão n.º 210101.068 S2C1T1 Fl. 73 5 Fl. 78DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 35078.000814/2006-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/01/2006
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
COOPERATIVA DIFERENÇAS GFIP X GPS
A cooperativa, por força do parágrafo único do artigo 15 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 é equiparada a empresa em relação às contribuições previdenciárias devidas no tocante aos segurados que lhe prestam serviços.
Não trazendo a autuada nos autos qualquer fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do Fisco de exigir tais contribuições há se manter a autuação na parte em que não atingida pela decadência.
Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
COOPERATIVA DIFERENÇAS GFIP X GPS
A cooperativa, por força do parágrafo único do artigo 15 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 é equiparada a empresa em relação às contribuições previdenciárias devidas no tocante aos segurados que lhe prestam serviços.
Não trazendo a autuada nos autos qualquer fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do Fisco de exigir tais contribuições há se manter a autuação na parte em que não atingida pela decadência.
Numero da decisão: 2301-002.041
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 03/2001, anteriores a 04/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do inciso I, Art. 173 do CTN, para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator(a).
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/01/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. COOPERATIVA DIFERENÇAS GFIP X GPS A cooperativa, por força do parágrafo único do artigo 15 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 é equiparada a empresa em relação às contribuições previdenciárias devidas no tocante aos segurados que lhe prestam serviços. Não trazendo a autuada nos autos qualquer fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do Fisco de exigir tais contribuições há se manter a autuação na parte em que não atingida pela decadência. Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. COOPERATIVA DIFERENÇAS GFIP X GPS A cooperativa, por força do parágrafo único do artigo 15 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 é equiparada a empresa em relação às contribuições previdenciárias devidas no tocante aos segurados que lhe prestam serviços. Não trazendo a autuada nos autos qualquer fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do Fisco de exigir tais contribuições há se manter a autuação na parte em que não atingida pela decadência.
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Diferenças apuradas entre GFIP e GPS Recorrente COOPERATIVA EDUCACIONAL DO MARANHÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/01/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. COOPERATIVA DIFERENÇAS GFIP X GPS A cooperativa, por força do parágrafo único do artigo 15 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 é equiparada a empresa em relação às contribuições previdenciárias devidas no tocante aos segurados que lhe prestam serviços. Não trazendo a autuada nos autos qualquer fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do Fisco de exigir tais contribuições há se manter a autuação na parte em que não atingida pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 03/2001, anteriores a 04/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do inciso I, Art. 173 do CTN, para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator(a). Fl. 196DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira (presidente). Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.420.7830, lavrada em 03/04/2006, a qual exige contribuições previdenciárias sobre parte de segurado empregado, do cooperado, da empresa, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e de terceiros não recolhidas integralmente apurados dos sistemas informatizados do INSS (CNISA, CCORGFIP E CVALDIV), analisados e confrontados com GFIP's apresentadas pela autuada, deduzidos os recolhimentos efetuados através das Guias de Previdência Social (GPS's) do período. A ora recorrente, devidamente intimada, apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese, que o lançamento é improcedente, pois o recolhimento foi feito pelo regime cooperativista que tem tratamento tributário diferenciado (art. 50, XVIII; 174, § 2°; 187, VI; 192, VIII, todos da Constituição Federal CF) e não de empregador, sendo vedada a interferência do Poder Púbico em suas atividades. Diante das alegações da autuada a Secretaria da Receita Previdenciária determinou que os autos retornassem à fiscalização a fim de que fosse “esclarecido se os segurados constantes das referidas folhas de pagamentos e GFIPs são tratados pela Cooperativa como empregados, ou se houve descaracterização do tratamento encontrado com verificação dos pressupostos indicativos de vínculo empregatício (pessoa/idade, subordinação, não eventualidade, além da remuneração).” A fiscalização, por meio da informação de fl. 133 esclareceu que “não houve descaracterização de vínculos empregatícios, tão somente, foi reproduzido o declarado em GFIP'S pelo contribuinte, respeitandose as categorias 1 ( segurados empregados ) e 13 (contribuintes individuais ) declaradas pelo mesmo.” Fl. 197DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35078.000814/200629 Acórdão n.º 230102.041 S2C3T1 Fl. 199 3 A autuada foi devidamente intimada da mencionada informação (fl. 151), porém não se manifestou nos autos, conforme certificado pela autoridade administrativa (fl. 152) A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DECISÃO NOTIFICAÇÃO N° 09401.4/0196/2006 manteve a autuação na sua integralidade. A autuada apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Decadência De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Fl. 198DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35078.000814/200629 Acórdão n.º 230102.041 S2C3T1 Fl. 200 5 Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 200DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos a autoridade fiscal apurou que havia diferenças de contribuições previdenciárias que não foram recolhidas, conforme afirmado às fl. 104, especificamente no item 3 do Relatório Fiscal. Não há dúvidas, pois, de que deve incidir o prazo quinquenal do artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre fevereiro de 2000 a janeiro de 2006 e que a ora recorrente foi intimada da NFLD em 03 de abril de 2006, verificase que está decaído o período de fevereiro de 2000 a março de 2001. Mérito No caso desses autos, verificase que a autoridade fiscalizadora apurou diferenças recolhidas pela autuada em relação a segurados empregados e contribuintes individuais. Não houve qualquer descaracterização de relação entre cooperados e cooperativa, como bem esclareceu a informação fiscal às fl. 133. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35078.000814/200629 Acórdão n.º 230102.041 S2C3T1 Fl. 201 7 O parágrafo único do artigo 15 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, determina que as cooperativas são equiparadas à empresa para fins de recolhimento de contribuição previdenciária em relação a segurado que lhe presta serviço. A recorrente, por sua vez, não trouxe elementos nesses autos que pudessem modificar, extinguir ou impedir o direito do Fisco de exigir as contribuições ora lançadas, mas tão somente fixou sua defesa na diferenciação que a ordem jurídica reconhece para as cooperativas, o que, como visto, não alcança as contribuições previdenciárias em relação a segurados que lhe prestam serviços. Diante dessas considerações, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO reconhecendo a decadência nos termos do artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional e excluir do lançamento o período de fevereiro de 2000 a março de 2001, sendo, no mais, mantida a autuação na sua integralidade. Fl. 202DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 14485.002914/2007-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 08/07/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. INOCORRÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DO RECORRENTE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE.
O Recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado pela Administração Tributária. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. É nula a Decisão de primeira instância proferida
sem observância dos princípios que regem o processo administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2302-000.919
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/07/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. INOCORRÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DO RECORRENTE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE. O Recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado pela Administração Tributária. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. É nula a Decisão de primeira instância proferida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. INOCORRÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DO RECORRENTE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE. O Recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado pela Administração Tributária. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. É nula a Decisão de primeira instância proferida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Edgar Silva Vidal. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.002914/200707 Acórdão n.º 230200.919 S2C3T2 Fl. 5.580 3 Relatório Período de apuração: Agosto/2000 a abril/2004. Data da lavratura do Auto de Infração : 08/07/2004. Data da Ciência do Auto de Infração : 13/07/2004. Tratase de Auto de Infração vinculado às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito nº 35.669.6022 e 35.669.6057, lavrado em desfavor dói Recorrente em virtude de, nas competências 08/2000 a 04/2004, ter apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme Relatório Fiscal da Infração, a fls. 02/17, e anexos. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Relata o auditor fiscal autuante que o sujeito passivo: a) Declarou em GFIP informações equivocadas relativas ao seu código FPAS (639 ao invés de 5740) e ao percentual de isenção incompatível com sua realidade (100% quando o correto seria 0%); b) Deixou de declarar em GFIP, em todas as filiais e competências, as exatas remunerações consignadas nas folhas de pagamento relativas aos segurados empregados. Aduz que foram apuradas divergências entre os valores lançados pela entidade, em folha de pagamento, e aqueles por ele declarados em GFIP; c) Deixou de declarar em GFIP a remuneração destinada aos contribuintes individuais de suas filiais, de forma integral da competência 08/2000 a 03/2003, e de forma parcial apenas para a filial 000831, nas competências de 04/2003 a 04/2004; d) Não declarou em GFIP, de nenhuma filial e competência, os valores relativos a pagamento de valetransporte, pagos em dinheiro, registrados nas folhas de pagamento das diversas filiais. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 A multa foi aplicada em conformidade com o Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fls.18/46. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação, a fls. 72/77, acompanhada de pedido de relevação da multa. Tendo em vista a juntada de documentos e a necessidade de alguns esclarecimentos, os autos foram baixados em diligência à fiscalização, conforme despacho de fls. 3.046/3.049. Informação Fiscal a fls. 5.034/5.038, em 30/09/2005, e anexos a fls. 5.039/5.073, onde são detalhadas as constatações da fiscalização após a verificação dos referidos documentos e um novo demonstrativo do cálculo da multa, com a totalização da multa aplicada por competência, após as correções apresentadas pela entidade. Malgrado no Termo de Verificação de Antecedentes de Infração, a fl. 53, restar consignado a inexistência de antecedentes, ulterior consulta ao sistema informatizado da Previdência Social revelou a existência de Auto de Infração nº 32.383.5376, de 18/12/1997, CFL 38, lavrado contra a entidade, em ação fiscal anterior e liquidado em 30/04/1998, conforme telas anexadas às fls. 5.076/5.077. Estando presente a necessidade de novos esclarecimentos, os autos foram baixados novamente em diligência à fiscalização, que resultou na Informação Fiscal, a fls. 5.088/5.091, no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa Substitutivo, a fl. 5087, e seus anexos, a fls. 5.092/5.131. Reaberto o prazo de defesa, mediante despacho a fl. 5.133/5.134, o sujeito passivo se manifestou, em 11/04/2006, por meio dos documentos de fls. 5.373 a 5.434, sob PT n° 35464.001419/200618, e, em 26/04/2006, por meio dos documentos de fls. 5.147 a 5.369, sob PT n.° 35464.001551/200611. O pleito foi baixado, mais uma vez, para que fossem saneados pontos controvertidos relativos à autuação em apreço, conforme despacho a fls. 5.436/5.439. Informação Fiscal a fls. 5.441/5.445, e anexos a fls. 5.446/5.461; 5.462/5.479; 5.480/5.490 e 5.491/5.492. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I lavrou Decisão Administrativa a fls. 5494/5516, julgando procedente o Auto de Infração sub examine, com atenuação e relevação parcial da multa aplicada. O sujeito passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25 de março de 2008, conforme Avisos de Recebimento – AR a fl. 5.517. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 5.519/5.549, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Decadência de parte das obrigações tributárias objeto do presente Auto de Infração. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.002914/200707 Acórdão n.º 230200.919 S2C3T2 Fl. 5.581 5 • Que o processo é nulo, eis que, após a 4ª diligência fiscal, foi emitido um novo relatório substitutivo, antes da emissão da decisão ora recorrida, sem que o Recorrente fosse intimado a se manifestar. • Que o Recorrente detém imunidade tributária. • Que não houve qualquer procedimento atinente ao cancelamento da imunidade. Aduz que, se para o exercício da imunidade é necessário um ato de concessão pelo poder público, para o cancelamento também deve haver o mesmo procedimento (ato constitutivo negativo). • Que os valores relativos ao Vale Transporte, enquadrados como remuneração indireta ao trabalhador, tratamse apenas de indenização das despesas suportadas por estes para o deslocamento até o trabalho, uma vez que muitos dos funcionários da empresa residem em local de difícil acesso e distantes do local onde efetivamente laboram. • Que houve irregularidade na aplicação da reincidência, a qual, para restar caracterizada formalmente, deveria a fiscalização ter juntado aos autos cópia do Auto de Infração n° 32.373.5376, de 18.12.1997, o qual é apontado como originador da reincidência; Ao fim, requer o Recorrente a reforma integral da decisão recorrida, mediante o reconhecimento de sua imunidade tributária, da isenção do vale transporte e a relevação integral da multa. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 25/03/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 24 de abril do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando presentes os demais requisitos legais de admissibilidade do Recurso, deste conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA. O Recorrente pugna pela declaração de caducidade das obrigações tributárias indicadas em período anterior a 30 de julho de 2002, por ter se operado a decadência. A súplica acima clamada não encontra eco no ordenamento jurídico pátrio. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.002914/200707 Acórdão n.º 230200.919 S2C3T2 Fl. 5.582 7 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o Auto de Infração lavrado em 08 de julho de 2004, este alcançaria todas as obrigações acessórias exigíveis a contar da competência dezembro/1998, inclusive, excluídas as relativas ao 13º salário desse mesmo ano. Considerando que o vertente Auto de Infração foi lavrado em razão de descumprimento de obrigação acessória referente às competências de agosto/2000 a abril/2004, não demanda áurea mestria concluir que a obrigação instrumental em julgo não se houve ainda por finada pela algozaria do instituto da decadência tributária. 2.2. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Alega o Recorrente ser nulo o presente processo, uma vez que, após a 4ª diligência fiscal e antes da emissão da decisão ora recorrida, foi emitido um novo relatório substitutivo, sem que o Recorrente fosse intimado a se manifestar. Nesse particular, a razão sorri, apenas parcialmente, ao Recorrente. Com efeito, compulsando os autos verificase que, após a 4ª diligência fiscal foi reaberto o prazo de defesa, mediante despacho a fl. 5.133/5.134, manifestandose o sujeito passivo a fls. 5.147/5.369. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Ocorre que o pleito foi baixado, mais uma vez, para que fossem saneados pontos controvertidos relativos à autuação em apreço, conforme despacho a fls. 5.436/5.439. Como frutos desta última diligência, foram produzidos a Informação Fiscal a fls. 5.441/5.445, e planilhas substitutivas, aviadas nos anexos a fls. 5.446/5.461; 5.462/5.479 e 5.480/5.490. Realizouse, igualmente, novo cálculo da multa a ser aplicada, conforme memória de cálculo a fls. 5.491/5.492. Sem que o Recorrente fosse instado a se manifestar sobre as alterações promovidas no lançamento, frutos da diligência levada a efeito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I lavrou Decisão Administrativa a fls. 5494/5516, julgando procedente o Auto de Infração sub examine, com atenuação e relevação parcial da multa aplicada. A impossibilidade de conhecimento dos fatos aduzidos pela fiscalização configura supressão de instância, eis que o Recorrente tem o direito de formular contrarrazões aos argumentos apontados pela fiscalização ou aos documentos juntados ainda na primeira instância administrativa. Da forma como transcorreu o iter procedimental, restou ao sujeito passivo o acesso ao contraditório, tão somente, em grau de Recurso Voluntário. Ao contrario do que pleiteia o Recorrente, a supra mencionada irregularidade procedimental não vicia por completo o Processo Administrativo Fiscal sobre o qual nos debruçamos, mas, apenas, a decisão que tolheu o direito em realce, a teor dos preceitos inscritos nos artigos 31 e 32 da Portaria MPS n° 520/2004, sob cuja égide foram proferidas as decisões que implicara preterição ao direito de defesa do Recorrente. PORTARIA MPS Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 31. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; (grifos nossos) III – o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. (grifos nossos) §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (grifos nossos) §3º Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 32. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo quando o sujeito passivo houver dado causa ou quando não influírem na solução do litígio. (grifos nossos) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.002914/200707 Acórdão n.º 230200.919 S2C3T2 Fl. 5.583 9 Parágrafo único. A nulidade somente deve ser decretada quando o saneamento do vício for inviável. (grifos nossos) Registrese que as diretivas ora anunciadas não conflitam com os preceptivos encartados nos artigos 59 e seguintes do Decreto nº 70.235/72, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Diante desse panorama, pautamos pela anulação da Decisão de 1ª Instância. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto por ANULAR a DECISÃO de primeira instância exarada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I , a fls. 5494/5516, devendo ser reaberto prazo para manifestação do Recorrente acerca do resultado da Diligência comandada a fls. 5.436/5.439. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000358/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO.
Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a autoridade fiscal deve instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2102-001.450
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB nº 83.755SP.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a autoridade fiscal deve instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte. Recurso de Ofício Negado
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COMPROVAÇÃO. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a autoridade fiscal deve instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB nº 83.755SP. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 17/08/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.000358/200745 Acórdão n.º 210201.450 S2C1T2 Fl. 175 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ANTONIO JOSE LOUCA PARGANA foi lavrado Auto de Infração, fls. 88/94, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2001 a 2003, exercícios 2002 a 2004, no valor total de R$ 1.825.862,15, incluindo multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora, estes últimos calculados até 31/01/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração foi omissão de rendimentos, destacandose os seguintes trechos do Termo de Verificação Fiscal, fls. 83/87: 7.3) O contribuinte aqui identificado está pleno e suficientemente caracterizado como remetente de recursos não declarados ao exterior, sem utilização do Sistema Financeiro Nacional através do Banco Central, e como ordenante de ordens de pagamento, por meio de contas (objeto de investigações pela Polícia Federal e Ministério Público), mantidas ou administradas por instituições bancárias ou financeiras, condenadas no exterior por receber e transferir ilegalmente bilhões de dólares em transações de "offshores" mantidas por casas de câmbio sulamericanas; (...) 11) Foi aplicada a Multa Qualificada de 150%, considerando que o contribuinte agiu com dolo, evidente intuito de fraude e simulação, definido nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64, e art. 957, inciso II do RIR/99; complementados com toda a documentação criminal recebida do exterior, laudos da Polícia Federal e os demais elementos já exaustivamente mencionados no presente Termo. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 98/140, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SPOII nº 1725.014, de 15/05/2008, fls. 161/170: Preliminarmente alega que teria ocorrido a decadência de o fisco efetuar o lançamento em relação ao(s) ano(s)calendário 2001. Sendo o lançamento do imposto sobre a renda na modalidade lançamento por homologação, a decadência teria ocorrido cinco anos após os fatos geradores conforme estabelece o art. 150, §4° do CTN. Assim, para os fatos geradores do(s) ano(s) 2001 a decadência teria ocorrido em 31/12/2006. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.000358/200745 Acórdão n.º 210201.450 S2C1T2 Fl. 176 3 No mérito, aponta a falta de provas de omissão de rendimentos apoiado em doutrina e jurisprudência administrativa. Sustenta que “para que haja a lavratura do auto de infração, a autoridade fiscalizadora deve ter a certeza, por meio de provas admitidas em direito, que o contribuinte tenha cometido alguma infração à legislação tributária” e acrescenta que “não pode prevalecer, para fins tributários, a caracterização do fato jurídicotributário, mediante a utilização de provas indiretas, que nada mais são do que meros indícios”. Alega que foram usadas provas emprestadas de processo alheio, no qual nem consta como réu e lhe foi dado o direito à defesa. Cita o artigo 44 da Lei n° 9430/96 e os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 para sustentar que não houve a intenção de fraude e, que a multa, portanto, não é cabível no caso. Sustenta que não há liquidez e certeza do lançamento tributário, quanto tenta alegar que o Agente Fiscal não conseguiu comprovar a existência dos fatos alegados, por ter considerado depósito bancários como renda, e não como patrimônio. Novamente alega que os documentos necessários não foram juntados aos autos e que, foram utilizadas provas falsas por se tratar de prova emprestada de processo que o impugnante não participou. Alega, ainda, equívoco na elaboração das bases de cálculo, quando da aplicação da IN/SRF n° 41/99 e respectiva nulidade do auto de infração. Com base nisso, apresenta tabelas comparativas das bases de cálculo utilizadas e faz um comparativo entre as mesmas. Sobre a Lei n° 9430/96, em seu artigo 42, § 3º, II, indica que os créditos devem ser analisados individualmente, e que devem ser desconsiderados os valores inferiores a R$ 12.000,00, desde que seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Protesta pela aplicação de juros de mora, conforme entende determinado pelo CTN, no percentual de 1%, pois a Taxa Selic seria ilegal como juros de mora por ter caráter remuneratório e não meramente moratório. A DRJ São Paulo II julgou, por unanimidade de votos, improcedente o lançamento e recorreu de ofício de sua decisão ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.000358/200745 Acórdão n.º 210201.450 S2C1T2 Fl. 177 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. A decisão recorrida considerou improcedente o lançamento, sob a seguinte fundamentação: Da falta de provas da omissão de rendimentos Constatamos que nos autos não existem provas suficientes dos fatos relacionados à omissão de rendimentos, conforme seria exigido para o enquadramento legal de fls. 94. As provas dos autos demonstram que o impugnante fez transferências de recursos no exterior, fls. 23/59. Ocorre que transferir valores em contas no exterior não é fato gerador do imposto sobre a renda. O fato gerador do imposto sobre a renda, conforme prevê o art. 43 do CTN, é o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, bem como qualquer acréscimo patrimonial. Caberia à autoridade administrativa carrear aos autos prova de que o contribuinte obteve renda por qualquer dessas modalidades. Poderia, para tanto, faz prova direta de tais situações ou valerse de alguma presunção legal acréscimo patrimonial a descoberto, depósitos bancários sem comprovação ou sinais exteriores de riqueza. No entanto, o que constatamos da análise dos autos é que a autoridade fiscal optou por não utilizar uma dessas presunções legais. Ou seja, pretendeu a fiscalização atribuir ao contribuinte a omissão de rendimentos e para tanto entendeu que a prova da transferência de recursos no exterior seria suficiente. Data vênia, não concordamos com o procedimento da fiscalização. Ao atribuir ao fiscalizado a omissão de rendimentos, por meios diretos, sem utilizar qualquer presunção legal, a fiscalização deveria ter carreado aos autos elementos que pudessem demonstrar quando, a que título e qual tipo de pessoa teria feito o pagamento do rendimento omitido. Ou seja, deveria ter determinado, por exemplo, se os rendimentos omitidos foram recebidos de pessoa física ou pessoa jurídica, uma vez que o tratamento jurídico é distinto para cada uma de tais situações. Não olvidamos que as informações constantes das declarações de ajuste anual apresentadas para os anos em questão, fls. 08/19, quando comparadas com o valor das transferências, evidenciam possível indício de que houve omissão de rendimentos. Mas tal indício não é suficiente para comprovar a omissão de rendimentos da forma como consta do enquadramento legal do auto de infração. Admitir a procedência do lançamento com as provas que dos autos constam equivaleria a admitir que as presunções legais Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.000358/200745 Acórdão n.º 210201.450 S2C1T2 Fl. 178 5 existentes são inúteis, como o que não concordamos. Pelo exposto, concluímos que o lançamento, conforme estampado em fls. 88/95, é improcedente. De fato, temse que a autoridade fiscal imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos, no entanto, deixou de instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte, conforme preconizado no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: Art. 9.º. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) A movimentação de recursos no exterior, sem a devida comunicação ao Banco Central do Brasil, seja como ordenante ou como beneficiário, não é fato gerador do imposto de renda. Acrescentese que desde o início do procedimento fiscal o contribuinte vem negando a realização de tais operações, sendo certo que o nome do contribuinte somente é mencionado nos documentos, fls. 22/58, que foram elaborados pela Equipe Especial de Fiscalização constituída pela Portaria SRF nº 463/04. Nos documentos oriundos da Justiça Federal o nome do contribuinte não é mencionado sequer uma única vez. Ora, os documentos, fls. 22/58, em que pesem terem sido elaborados por Equipe Especial de Fiscalização, constituída por Portaria da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não é prova suficiente de que o contribuinte de fato tenha realizado as operações ali indicadas. Temse, portanto, que os elementos trazidos pela autoridade fiscal aos autos não são suficientes para comprovar, de forma inequívoca, que o contribuinte movimentou recursos no exterior, muito menos que tenha incorrido na infração de omissão de rendimentos. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.000358/200745 Acórdão n.º 210201.450 S2C1T2 Fl. 179 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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