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Numero do processo: 11075.000184/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VERIFICAÇÕES
OBRIGATÓRIAS.
O mandado de procedimento fiscal MPF
inclui, obrigatoriamente, a
verificação da correta apuração da base de cálculo de todos os tributos
federais dos últimos cinco anos. Além disso, eventual falta de inclusão de
tributo ou período não implica nulidade, por se tratar de instrumento de
controle administrativo não essencial à validade do lançamento.
AÇÃO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. PRAZO.
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
A concessão de prazos menores do que vinte dias, quando não há oposição
aos pedidos de prorrogação apresentados pela interessada e não há
demonstração de prejuízo para a apuração dos valores lançados, não implica
nulidade do procedimento fiscal. O cerceamento de defesa somente pode
ocorrer na fase litigiosa do procedimento de apuração e exigência de crédito
tributário.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. CRÉDITO
PRESUMIDO DE ICMS.
A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº
9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do
Plenário do Supremo Tribunal Federal.
BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS.
Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando
constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não
dependerem de evento posterior à emissão desses documentos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. CRÉDITO
PRESUMIDO DE ICMS.
A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº
9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do
Plenário do Supremo Tribunal Federal.
BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS.
Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando
constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não
dependerem de evento posterior à emissão desses documentos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.000
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os
conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento integral.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. O mandado de procedimento fiscal MPF inclui, obrigatoriamente, a verificação da correta apuração da base de cálculo de todos os tributos federais dos últimos cinco anos. Além disso, eventual falta de inclusão de tributo ou período não implica nulidade, por se tratar de instrumento de controle administrativo não essencial à validade do lançamento. AÇÃO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. PRAZO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A concessão de prazos menores do que vinte dias, quando não há oposição aos pedidos de prorrogação apresentados pela interessada e não há demonstração de prejuízo para a apuração dos valores lançados, não implica nulidade do procedimento fiscal. O cerceamento de defesa somente pode ocorrer na fase litigiosa do procedimento de apuração e exigência de crédito tributário. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Recurso Voluntário Provido em Parte
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VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. O mandado de procedimento fiscal MPF inclui, obrigatoriamente, a verificação da correta apuração da base de cálculo de todos os tributos federais dos últimos cinco anos. Além disso, eventual falta de inclusão de tributo ou período não implica nulidade, por se tratar de instrumento de controle administrativo não essencial à validade do lançamento. AÇÃO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. PRAZO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A concessão de prazos menores do que vinte dias, quando não há oposição aos pedidos de prorrogação apresentados pela interessada e não há demonstração de prejuízo para a apuração dos valores lançados, não implica nulidade do procedimento fiscal. O cerceamento de defesa somente pode ocorrer na fase litigiosa do procedimento de apuração e exigência de crédito tributário. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Fl. 338DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 330201.000 S3C3T2 Fl. 2 2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento integral. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 305 a 328) apresentado em 14 de maio de 2010 contra o Acórdão no 1811.605, de 20 de novembro de 2009, da 2ª Turma da DRJ/STM (fls. 286 a 302), cientificado em 20 de abril de 2010, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de janeiro de 1996 a janeiro de 2004 (Cofins) e janeiro de 1996 a novembro de 2002 (PIS), considerou procedente em parte a impugnação, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 339DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 330201.000 S3C3T2 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questões que envolvam inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos legislativos ou normativos, bem como de afronta a princípios constitucionais. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade do procedimento fiscal mesmo que haja eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADES. A atividade de lançamento é obrigatória e vinculada. Detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. EXIGÊNCIA FISCAL. FORMALIZAÇÃO. Não comprovada a violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 7º, 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade, quer dos lançamentos, quer do procedimento fiscal que lhes deu origem. PIS. COFINS. FISCALIZAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. A legislação de regência permite a fixação de um prazo máximo para atendimento das solicitações no decurso da fiscalização, não havendo, pois, óbice legal à concessão de prazo inferior a vinte dias para atendimento à intimação, desde que respeitados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. COFINS. PIS. Afastada a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal, em face da edição da Súmula Vinculante nº 08, de 2008, e tendo havido pagamento parcial das contribuições devidas, considerase que o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. Fl. 340DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 330201.000 S3C3T2 Fl. 4 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2004 BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. Os créditos presumidos de ICMS integram a base de cálculo da contribuição, a título de receita operacional. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2004 BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. Os créditos presumidos de ICMS integram a base de cálculo da contribuição, a título de receita operacional. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 21 de fevereiro de 2007, de acordo com o termo de fls. 62 a 81. Basicamente, a Fiscalização apurou a não inclusão de “crédito presumido de ICMS” e de descontos incondicionais (“bonificações concedidas”, “bonificações financeiras” e “descontos concedidos”) na base de cálculo das contribuições. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Contra a empresa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o de fls. 07/14, com os demonstrativos de fls. 15/33 e o Relatório de Auditoria Tributária de fls. 62/81, formalizando a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS no valor de R$ 784.433,33, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares, resultante da observação da falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição, tendo como base legal os arts. 1º e 2º da LC nº 70, de 1991; os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com as Fl. 341DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 330201.000 S3C3T2 Fl. 5 5 alterações legais; os arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002; os arts. 1º, 2º e 5º da Lei nº 10.833, de 2003; b) o de fls. 34/41, com os demonstrativos de fls. 42/60 e o Relatório de Auditoria Tributária de fls. 62/81, formalizando a exigência da contribuição para o Programa de Integração Social PIS no valor de R$ 267.005,75, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares, resultante da observação da falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição, tendo como base legal os arts. 2º, inciso I, 3º, 8º, inciso I, e 9º da MP nº 1.212, de 1995, e suas reedições, convalidadas pela Lei nº 9.715, de 1998; os arts. 2º, inciso I, 3º, 8º, inciso I, e 9º da Lei nº 9.715, de 1998; os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998; os arts. 1º, 2º, 3º e 4º da Lei nº 10.637, de 2002. A contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração em 21/02/2007 (AR de fl. 270) e em 19/03/2007 apresentou, através de procurador, a impugnação de fls. 221/258, onde, de forma sintética, argumenta: [...] VIOLAÇÃO ÀS REGRAS QUE EXIGEM MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PRÉVIO E ESPECÍFICO [...] VIOLAÇÃO À REGRA LEGAL QUE FIXA EM VINTE DIAS O PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS VIOLAÇÃO À REGRA LEGAL DECADENCIAL QUE FIXA EM CINCO ANOS O PRAZO PARA A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO [...] VIOLAÇÃO À REGRA LEGAL DECADENCIAL QUE FIXA EM CINCO ANOS O PRAZO PARA A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO [...] VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E À FUNÇÃO EXECUTIVA DOS REGULAMENTOS [...] VIOLAÇÃO AO CONCEITO LEGAL DE FATURAMENTO PELA GLOSA DA EXCLUSÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS [...] VIOLAÇÃO À REGRA QUE PERMITE A EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS DE DESCONTOS Fl. 342DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 330201.000 S3C3T2 Fl. 6 6 INCONDICIONAIS PELA GLOSA DE REDUÇÕES BASEADAS EM CONTRATOS [...] A DRJ, conforme ementa anteriormente reproduzida, cancelou parte da autuação por causa da decadência, questão não mais abordada pela Interessada no recurso. Assim é que, no recurso, a Interessada esclareceu contestar a inclusão do crédito presumido de ICMS, de bonificações concedidas e de descontos incondicionais na base de cálculo das contribuições. Mas, preliminarmente, alegou violação às regras de exigência de MPF prévio para fiscalização, de prazo mínimo de 20 dias para apresentação de arquivos digitais e de fundamentação para efetuar o lançamento. No mérito, alegou que o crédito presumido de ICMS não representaria receita, que não poderia ser admitida a inclusão de descontos incondicionais com base em instrução normativa e a inclusão de bonificações baseadas em contratos. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à alegação de nulidade, o MPF foi emitido em 11 de agosto de 2006, com ciência em 18 de agosto, e, além de se referir ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins do ano de 2002, também referiuse à Cofins de julho de 2004 a junho de 2006 e à “correspondência entre os valores declarados e escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados execução deste Procedimento”, as chamadas verificações obrigatórias. Evidentemente, essas verificações abrangeram a apuração da base de cálculo com base na contabilidade dos exercícios de 2001 a 2005. Considerando que os períodos anteriores foram cancelados pela primeira instância, inexiste período algum que não esteja abrangido pelo referido MPF e suas prorrogações. As prorrogações de MPF, conforme art. 13, § 1º, da Portaria SRF no 6.087, de 2005, não precisam ser cientificadas ao contribuinte, uma vez que são emitidas eletronicamente e podem ser acompanhadas pela Internet. Não há razão jurídica para considerar que o MPF, criado por portaria e regulado pela própria Receita Federal, tenha que satisfazer à disposição do art. 23 do Decreto no 70.235, de 1972, uma vez que tal decreto não previu a figura do MPF, que não é um substituto para os atos escritos lá previstos. Fl. 343DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 330201.000 S3C3T2 Fl. 7 7 A falta de ato escrito demonstrando a continuidade da ação fiscal somente teria implicação para efeito do art. 7º do Decreto no 70.235, de 1972, no que diz respeito à espontaneidade. Também não procedem as alegações sobre prazo para apresentação de arquivos e erro ou falta de fundamentação. No tocante à primeira matéria, não houve demonstração de prejuízo algum à Interessada, razão pela qual, juntamente com os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, improcedem as alegações. Ademais, a Interessada apresentou pedidos de prorrogação de prazo (fls. 87, 104), que não foram negados. Portanto, não é claro que ocorreu violação de direito de defesa. Não há, ademais, que se falar em direito de defesa antes da lavratura do auto de infração. Se, por conta do prazo concedido pela Fiscalização, houvesse apuração incorreta de tributo ou a Interessada fosse autuada por não cumprir o prazo, tais fatos poderiam ser alegados na impugnação, seriam apreciados e poderiam resultar em cancelamento da autuação ou da eventual multa aplicada. Mas isso não ocorreu. Tanto assim que a Interessada, embora tenha afirmado não ter tido tempo para apresentar os contratos que justificariam os descontos, não os apresentou no momento apropriado, previsto no art. 16, § 4º, do Decreto no 70.235, de 1972, juntamente com a impugnação. Em relação à falta de fundamentação, a alegação é descabida, uma vez que o auto de infração especifica todos os períodos, bases de cálculo, data de ocorrência dos fatos geradores, valores, vencimento e razões da autuação, com demonstração da apuração. O presente lançamento foi efetuado com base na Lei no 9.718, de 1998, exceto em relação ao PIS dos períodos de dezembro de 2002 a junho de 2004 e à Cofins de fevereiro a junho de 2004. Conforme demonstrativo de fls. 69 e 70, os valores de crédito presumido de ICMS foram incluídos a partir de setembro de 2001 até junho de 2004. Assim, nos períodos de fevereiro de 2002 a janeiro de 2004, para a Cofins, e de fevereiro a novembro de 2002, para o PIS, as exigências foram efetuadas com base na Lei no 9.718, de 1998, relativamente a esse crédito presumido de ICMS. Inicialmente, é preciso esclarecer que o art. 62 do novo Regimento Interno do Carf, Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 344DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 330201.000 S3C3T2 Fl. 8 8 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único, I, do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. Fl. 345DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 330201.000 S3C3T2 Fl. 9 9 CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Portanto, o lançamento é improcedente nos períodos de fevereiro de 2002 a janeiro de 2004, para a Cofins, e de fevereiro a novembro de 2002, para o PIS, as exigências foram efetuadas com base na Lei no 9.718, de 1998, relativamente ao crédito presumido de ICMS, que não representa faturamento. Em relação aos demais períodos, adotamse os fundamentos do acórdão de primeira instância em relação à matéria, uma vez que o Crédito Presumido caracterizase como subvenção de custeio e integra o resultado operacional da pessoa jurídica. Portanto, não são recuperação de custo mas receita. No tocante aos descontos incondicionais, a empresa contesta a IN SRF no 51, de 1978, segundo a qual os descontos incondicionais, para serem parcelas redutoras dos preços para efeito de base de cálculo, devem constar da nota fiscal. Como alguns descontos feitos pela empresa não constavam das notas fiscais, mas decorriam de contratos ou acordos que reduziram o valor de venda, eles foram glosados para efeito de apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins. Repetiu as mesmas alegações quanto às bonificações concedidas pela empresa e previstas em contrato, que cujas exclusões teriam sido desconsideradas por não constarem das notas fiscais. A primeira instância esclareceu que IN SRF no 51, de 1978, e o Parecer CST/SIPR no 1.386, de 1992, tratariam da matéria da forma entendida pelo auto de infração e que a Portaria MF no 258, de 2001, art. 7º, vincularia o julgador de primeira instância ao entendimento oficial. Fl. 346DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 330201.000 S3C3T2 Fl. 10 10 Entretanto, existem razões jurídicas relevantes que suportam tal entendimento. Se o desconto é concedido por fora da nota fiscal e sob pactuação em separado, então pode simplesmente não ser com concedido, à vista das normas pactuadas. Ao contrário, se se trata de desconto incondicional, que é parcela redutora do preço de venda, deve constar da nota fiscal, uma vez que, na nota fiscal, deve estar expresso o preço real da mercadoria. Dessa forma, quando o desconto não consta da nota fiscal, há que se supor que não se trata de desconto incondicional. No caso dos autos, o fato de haver, supostamente, “contratos periódicos” com clientes sobre o ajuste de preços só faz reforçar tal conclusão. No caso das bonificações, conforme esclarecido pela própria Interessada, tratase de concessão de mercadorias ou de repasse financeiro, que são “pactuados, em alguns casos, em contratos periódicos de fornecimento e, em outros, a cada negociação [...]”. O que de deduz é que se paga o preço da nota fiscal e, num momento posterior, a Interessada faz concessões de mercadorias ou repasse financeiro, o que faz com que tais bonificações não se enquadrem como descontos incondicionais. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir a incidência das contribuições cumulativas (período de aplicação da Lei no 9.718, de 1998) sobre o crédito presumido de ICMS. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 347DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13808.004044/00-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/09/1995 a 30/09/1995, 01/10/1998 a 30/11/1998,
01/02/1999 a 31/10/1999, 01/12/1999 a 31/01/2000, 01/03/2000 a 30/06/2000
CONCOMITÂNCIA COM O PODER JUDICIÁRIO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito
passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois
do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,
em conformidade com a Súmula nº 1, do CARF).
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTAS FISCAIS
CANCELADAS.
Não deve prosperar o auto de infração relativamente às notas fiscais
canceladas.
JUROS DE MORA. AUSÊNCIA DE DEPÓSITO INTEGRAL.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário das parcelas que estão
sendo discutidas em juízo, porém, não depositadas.
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. ARGUIÇÃO
DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
INCOMPETÊNCIA.
Consoante Súmula nº 2, do CARF não é competente para se pronunciar sobre
a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso conhecido em parte, e na parte conhecida dado provimento parcial.
Numero da decisão: 3301-000.864
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) Não conhecer da matéria submetida ao
Poder Judiciário e das parcelas confessadas. II) dar provimento parcial ao recurso, nos termos
do voto do relator. Esteve presente ao julgamento a advogada Dra. Maria Fernanda de Azevedo
Costa, inscrita na OAB/SP nº 185.033.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em conformidade com a Súmula nº 1, do CARF). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTAS FISCAIS CANCELADAS. Não deve prosperar o auto de infração relativamente às notas fiscais canceladas. JUROS DE MORA. AUSÊNCIA DE DEPÓSITO INTEGRAL. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário das parcelas que estão sendo discutidas em juízo, porém, não depositadas. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA. Consoante Súmula nº 2, do CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso conhecido em parte, e na parte conhecida dado provimento parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) Não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário e das parcelas confessadas. II) dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Esteve presente ao julgamento a advogada Dra. Maria Fernanda de Azevedo Costa, inscrita na OAB/SP nº 185.033. RODRIGO DA COSTA POSSAS Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de recurso em face de decisão da DRJCURITIBA/PR (fls. 1126/1135), que manteve parcialmente procedente o lançamento de COFINS do período de apuração de 01/09/1995 a 30/06/2000, decorrente de divergências entre a base de cálculo e alíquota aplicada pelo Fisco e a declarada em DCTF pela contribuinte (2% para 3%, cf. art. 8º da Lei nº 9.718/98, nos períodos de fevereiro e março de 1998), originando as diferenças constantes do auto de infração de fls. 132/135 (vol. 1), com fundamento na Lei Complementar nº 70, de 1991, A ação judicial proposta pela contribuinte, ora Recorrente (fls. 1098/1119), teve por objeto garantir o recolhimento da Cofins à alíquota de 2%, em vez de 3%, consoante determina o art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, bem como afastar o alargamento da base de cálculo determinado pela referida lei, conforme a seguinte conclusão (fl. 1118): “Enfim, ante ao exposto, e nos limites do pleito nesta ação, DEFIRO A ORDEM REQUERIDA, julgando PARCIALMENTE PROCEDI:1,1TE O PEDIDO formulado, para declarar a inconstitucionalidade da Lei 9.718/98: no particular da definição da "receita bruta", ordenando, por conseqüência, que a autoridade impetraria a. colho recolhimento da COFINS nos moldes definidos pela Lei Complementar 70/91, e alterações posteriores. no que tange aos limites fixados pelo § 3° do art. 8° dessa lei, ordenando, assim, que a autoridade impetrada acolha a compensação da COFINS com a CSL (ainda que de períodos de apuração subsequentes), observado o prazo de cinco anos contados da apuração da CSL correspondente ao período no Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13808.004044/0048 Acórdão n.º 330100.864 S3C3T1 Fl. 2.204 3 qual se deu o recolhimento da COFINS. Ainda, sob amparo do art. 195, §6°, da Constituição, o art. 8° da Lei 9.718/98 somente produz efeitos a partir de 90 dias contados de sua publicação (mesmo para a elevação de aliquota por ele determinada), tendo em vista as modificações promovidas no projeto lei de conversão relativo à MP 1.724/98. Sob as penas da Lei, ordeno que a impetrante, mensalmente, envie (aos órgão fiscais competentes para fiscalizar o tributo em questão) cópia d is guias respectivas acompanhadas de mapas demonstrativos com memória de cálculo apontando a diferença entre os valores apurados entre a Lei 9.718/98 e segundo esta sentença, tudo para a constituição do crédito tributário pelo lançamento, fazendo cessar o prazo decadencial (observados os termos do artigo 63 e parágrafos, da Lei 9430/96).” A decisão recorrida foi no sentido de manter parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa de fl. 1126 (vol. 4): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1995 a 30/09/1995, 01/10/1998 a 30/11/1998, 01/02/1999 a 31/10/1999, 01/12/1999 a 31/01/2000, 01/03/2000 a 30/06/2000 Ementa: NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. AÇÃO JUDICIAL. ALTERAÇÕES PRODUZIDAS PELA LEI Nº 9.718, DE 1998. A existência de ação judicial, em nome da interessada, importa renúncia às instâncias administrativas. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. As receitas dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior são isentas apenas quando representem ingresso de divisas. ERRO DE FATO. Demonstrado erro de fato na apuração da base de cálculo da Cofins, cancelase a exigência correspondente. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE.” No recurso de fls. 1142/1174, a recorrente alega, em síntese, o seguinte: 2.1.1. Da Nulidade da Decisão de Primeira Instância: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Falta de Apreciação de Matéria Suscitada na Defesa Administrativa. Aduz que informou na defesa apresentada, que obteve nos autos do Mandado de Segurança n°v1999.61.00.0167456, sentença concessiva da segurança, que lhe garantiu o recolhimento da COFINS com base na Lei Complementar 70/91, matéria essa não apreciada na decisão recorrida, sob alegação de tratarse de matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário. 2.1.2. Da Nulidade do Procedimento Fiscal, alegando a existência de vícios que comprometeriam sua validade. 2.1.3. Da Nulidade do Lançamento por “iliquidez e incerteza” do Levantamento Fiscal, ferindo o disposto no art. 142, do CTN. 2.1.3. Da Multa Confiscatória: não obstante tenha sido afastada, pela decisão recorrida, a incidência de multa nos períodos que se encontram subjudice, em relação àqueles abrangidos pela procedência da decisão, também deve ser afastada a multa remanescente, já que o percentual de 75% aplicado sobre o valor do suposto débito tributário demonstrase absolutamente aviltante em relação ao fato considerado como eventual 'infração'. 2.2. Do Mérito: 2.2.1. Das Receitas Consideradas Indevidamente 2.2.1.1. Das Notas de Débito e de Reembolso: Em primeiro lugar, registrese que foram indevidamente inseridos na base de cálculo da COFINS valores que são provenientes de notas de débito e relativos a reembolsos diversos, sendo que estes valores não devem compor, de forma alguma, à base de cálculo da COFINS 2.2.1.2. Da Inclusão de Receitas NãoOperacionais: A mesma argumentação suscitada acima vale para inclusão das receitas nãooperacionais na base de cálculo da COFINS. De fato, conforme documentos constantes do Anexo IV, o valor correspondente a R$ 24.656,05 referese a receitas na operacionais, incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição em referência pela fiscalização. Desta forma, outra solução não se impõe ao presente item que não a reforma da decisão a quo para que restem excluídas da incidência da COFINS os valores acima identificados, inclusive, por força de decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0167456. 2.2.2. Da Não Incidência da COFINS sobre as: Receitas Transferidas a Terceiros Lei n° 9718/98; 2.2.3. Da Ilegitimidade da Exigência da COFINS com base na Lei n° 9.718/98 as modificações introduzidas pela Lei 9/718/98 na base de cálculo da COFINS são ilegais e inconstitucionais. Ainda no âmbito do então Segundo Conselho de Contribuintes, o julgamento foi convertido em diligência por duas vezes, sendo que a primeira diligência (fls. 1333/1339), teve por objeto os seguintes esclarecimentos: “1. se o valor de R$41.385.966,63 apontado pela recorrente já havia sido tributado pelo regime de competência em períodos anteriores aos constantes dos autos; 2. se sobre este valor (R$ 41.385.966,63) houve recolhimento da contribuição; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13808.004044/0048 Acórdão n.º 330100.864 S3C3T1 Fl. 2.205 5 3. se o valor relativo à NF 2069 corresponde à exportação de mercadorias; 4. se as NF nº 085, 077 e 078 foram realmente canceladas; e 5. seja efetuado relatório conclusivo das verificações, sustentado pelas provas que se fizerem necessárias.” A conclusão da diligência foi no seguinte sentido: (fls. 1953/1958): Inicialmente cumpre observar que o contribuinte desistiu de algumas teses questionadas judicialmente, conforme se expõe: 1) Diferencial de alíquota: Nos meses de Abril/99 a Setembro/99 a empresa havia recolhido a COFINS com base na alíquota de 2%. Foi autuada quanto ao diferencial de 1% e, em 2003, a empresa declarou tais valores no PAES,desistindo portanto desta parte do auto de infração; 2) Serviços de subempreiteiras: Também no período de fiscalização, a empresa havia procedido o desconto da base de cálculo da COFINS dos serviços de subempreitadas. Por ocasião do PAES a empresa também desistiu desta tese e declarou os valores autuados no referido programa de refinanciamento. COFINS do período de Set1995 a jun2000: Período de apuração: Setembro/95 Valor autuado (R$ 5.573,35) Base de Cálculo adicionada no Auto de Infração (fls.21) : 268.667,47 COFINS — 2% : 5.573,35 Conclusão: O contribuinte concorda com o valor autuado de R$ 5.373,35. (DESISTÊNCIA) Período de apuração: Outubro/98 Valor autuado (R$ 301.705,73) Base de Cálculo adicionada no Auto de Infração(fls.22) : 15.085.286,52 COFINS — 2% : 301.705,73 Diferença de base de cálculo não comprovada : 7.704.266,74 COFINS — 2% : 154.085,34 Conclusão: O contribuinte alega e comprova que: 1As notas fiscais 1920 e 1921 emitidas em setembro/98, no total geral de R$ 459.365,21, foram consideradas na base de cálculo da COFINS no mês de competência (emissão da nota). A Fiscalização indevidamente tributou no mês de recebimento (outubro/98); 2As notas de débitos 1977/1978/1979/1980,no valor total de R$ 4.502,07, referemse a multas contratuais cobradas pela Petrobrás; 3 O valor de R$ 7.474.174,80 (considerado pela fiscalização como 7.414.174,80) foi pago pela Petrobrás a título de adiantamento, onde a empresa Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 computou este valor no mês de Agosto/99, quando da emissão da nota fiscal no 2036; 4A nota fiscal n o 1924 foi considerada em duplicidade pela fiscalização no mês de outubro/98, cujo valor corresponde a R$ 10.813,17. O contribuinte alega e não comprova que: Em 1996 a Techint emitiu várias notas fiscais relativas ao projeto CAICS — União Federal — faturadas e tributadas na ocasião. Alega não ter recebido o valor de R$ 7.704.266,74, motivo de exclusão da base de cálculo de Outubro/98, porém a empresa não comprovou que este valor não foi recebido. Período de apuração: novembro/98 Valor autuado (R$ 304.316,45) Base de Cálculo adicionada no Auto de Infração (fls.22) :15.215.822,43 COFINS — 2% : 304.316,45 Diferença de base de cálculo comprovada : R$15.215.822,43 Conclusão: O contribuinte alega e comprova que: 1A nota fiscal n o 391 no valor de R$ 21.600,00, emitida em Março/98, foi tributada no mês de competência (03/98). O mesmo ocorreu com as notas fiscais n os 1930 e 1931, no valor total de R$ 461.615,47, que foram tributadas no mês de competência, ou seja, Outubro/98; 2Recibos 02 e 03 de 1998, de valor total de R$ 15.115.000,47, foram pagos pela Petrobrás a título de adiantamento, e referemse à nota fiscal n o 2036, emitida em Agosto/99 e também tributada pela Techint no mês de competência (Agosto/99). Período de apuração: fevereiro/99 Valor autuado (R$22.527,80) Base de Cálculo adicionada no Auto de Infração(fis.23) COFINS — 3% Diferença de base de cálculo devida(contribuinte concorda) COFINS — 3% Conclusão: O contribuinte alega e comprova que: 1A nota fiscal 364 no valor de R$ 48.645,00, foi tributada em Outubro/96, mês de emissão e competência, bem como as notas fiscais nos 370/388/389, de valor total de R$ 172.156,40, foram tributadas em Março/97, mês da emissão e competência; 2As notas fiscais nos 1952 e 1953, no total de R$ 353.215,02, foram tributadas em Janeiro/99; 3As notas de débito 01/99; 12/16/17/98 da Cia Brasileira de Alumínio e o recibo 93 referemse a reembolso de despesas de refeições e ISS valor total de R$ 101.446,13; 4Dedução indevida da base de cálculo da COFINS, do valor de R$ 1.797.778,97, referente a subempreitadas, corretamente considerada pela fiscalização; 5Venda de sucata não considerada na base de cálculo por tratarse de receita não operacional. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13808.004044/0048 Acórdão n.º 330100.864 S3C3T1 Fl. 2.206 7 Período de apuracão: março/99 Valor autuado (R$ 71.928,73) Base de Cálculo adicionada no Auto de Infração (fis.23) COFINS —3% Diferença de base de cálculo devida (contribuinte concorda) COFINS —3% Conclusão: O contribuinte alega e comprova que: 1As notas fiscais nos 1966 e 1967 (R$ 354.601,26) foram tributadas segundo a competência (emissão) e a fiscalização considerou no mês de recebimento; 2Recibo 02/99 (R$ 1.584.829,81) foi cancelado, bem como a nota fiscal n o 77/78 (R$ 137.380,40), ambos da Petrobrás e considerados pela fiscalização como receita; 30s valores de R$ 1520,00 e R$ 2.160,00 referemse a receitas não operacionais; 4Dedução indevida da base de cálculo da COFINS, do valor de R$ 750.995,34, referente a subempreitadas, corretamente considerada pela fiscalização. Período de apuração: abril/99 Valor autuado normal : R$ 463.40570 Valor autuado com exigibilidade suspensa : não questionada Base de Cálculo adicionada no Auto de Infração normal (fis.23) COFINS 3% Diferença de base de cálculo devida (contribuinte concorda) COFINS — 3% Conclusão: O contribuinte concorda com a tributação sobre: 1As notas fiscais nºs 1974 e 1975 (R$11.522.242,46) não foram tributadas pela Techint, corretamente considerada pela fiscalização. 2As notas fiscais 79, 701, 1595, 1986 (subempreitadas), no valor total de R$ 3.505.161,71, não foram tributadas pela Techint, corretamente considerada pela fiscalização. O contribuinte alega e comprova que: 1Houve erro na determinação da base de cálculo em R$1.000.000,00. 2A notas fiscais n os 1976/1977 foram tributadas pela Techint no mês de competência, ou seja, Março/99. Período de apuração: maio/99 Valor autuado com exigibilidade suspensa : não questionada Período de apuração: junho/99 Valor autuado normal : R$ 94.946,40 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 Valor autuado com exigibilidade suspensa não questionada Base de Cálculo adicionada no Auto de Infração normal (fls.23) COFINS 3% Diferença de base de cálculo devida (contribuinte concorda) COFINS 3% O contribuinte concorda com a tributação sobre: 1Deduções indevidas da base de cálculo a título de serviços executados por sub empreiteiras, conforme notas fiscais n os 85/106/1996/2001/2009 Petrobrás, valor total de R$ 2.691.670,28. O contribuinte alega e comprova que: 1As notas fiscais n os 2003/2004 e 2005 da CBA, valor de R$ 643.209,71 e a de no 394 da Camargo Correa, no valor de R$ 115.000,00, foram tributadas pela Techint no mês de Maio/99(competência). Período de apuração: julho/99 Valor autuado com exigibilidade suspensa não questionada Período de apuração: agosto/99 Valor autuado com exigibilidade suspensa : não questionada Período de apuração: setembro/99 Valor autuado normal : R$ 79.772,61 Valor autuado com exigibilidade suspensa : não questionada Base de Cálculo adicionada no Auto de Infração normal (fls.23) : 2.659.087,07 COFINS 3% : 79.772,61 Diferença de base de cálculo devida (contribuinte concorda) : 2.659.087,07 COFINS 3% : 79.772.61 Conclusão: O contribuinte concorda com a tributação efetuada. Período de apuração: outubro/99 Valor autuado normal R$ 51.082,75 Valor autuado com exigibilidade suspensa : não questionada Base de Cálculo adicionada no Auto de Infração normal (fls. 23) COFINS 3% Conclusão: O contribuinte concorda com a tributação sobre: 1Deduções indevidas da base de cálculo a título de serviços executados por sub empreiteiras, conforme notas fiscais n os 2043 e 2046 Petrobrás, valor total de R$ 222.006,82 e aluguéis recebidos de R$669,00. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13808.004044/0048 Acórdão n.º 330100.864 S3C3T1 Fl. 2.207 9 O contribuinte alega mas não comprova: 2O contribuinte alega ter ocorrido erro na determinação da base de cálculo apurada pela fiscalização, mas não comprova tal alegação. DIFIS Serviços Período de apuração: novembro/99 Valor autuado com exigibilidade suspensa Período de apuracão: dezembro/99 Valor autuado normal Valor autuado com exigibilidade suspensa contribuinte concorda com a autuação: R$ 130.186,71; não questionada Base de Cálculo adicionada no Auto de Infração normal (fls.23) COFINS 3% Diferença de base de cálculo devida (contribuinte concorda) COFINS 3% Conclusão: O contribuinte concorda com a tributação sobre: 1Deduções indevidas da base de cálculo a título de serviços executados por sub empreiteiras, conforme notas fiscais n os 120/2059/2070 Petrobrás, valor total de R$ 460.303,05. O contribuinte alega e comprova que: 1As notas fiscais nos 2062/2063/2066 Transp. Sul Brasil. Gás, nos valores totais de R$ 5.666.858,35, foram tributadas pela Techint no mês de Novembro/99(competência). 2A nota fiscal n°119Petrobrás, foi cancelada. Período de apuração: janeiro/2000 Valor autuado normal : R$ 414,40 contribuinte concorda com a autuacão. Valor autuado com exigibilidade suspensa : não questionada (desistência) Período de apuração: fevereiro/2000 Valor autuado com exigibilidade suspensa : não questionada Período de apuração: marco/2000 Valor autuado normal Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 10 Valor autuado com exigibilidade suspensa: R$ 633.209,42: não questionada Base de Cálculo adicionada no Auto de Infração normal (fls.26) COFINS 3% Diferença de base de cálculo devida (contribuinte concorda) COFINS 3% Conclusão: O contribuinte concorda com a tributação sobre: 1Deduções indevidas da base de cálculo a título de serviços executados por sub empreiteiras, conforme notas fiscais n os 123/124/2096/2097/2104/2105 Petrobrás, valor total de R$ 657.246,58 e R$ 829.161,95, referente à nota fiscal n o 2101 Sul Brasil Gás. O contribuinte alega e comprova que: 1As notas fiscais is nos 100 e 2098, R$ 15.312.077,34, emitida para a Trasp.Sul Brasil Gás, bem como a nota fiscal n o 2099, R$ 3.190.746,82, emitida para a CESP, foram tributadas em Fevereiro/2000. 20 valor total de R$ 1.140.744,17, referente à nota fiscal n o 2069, referese à exportação de serviços para a Argentina. Período de apura cão: Abril/2000 Valor autuado normal : R$ 87.218,56 contribuinte concorda com a autuacão. Valor autuado com exigibilidade suspensa não questionada (desistência) DE DIFIS Serviços Período de apuração: maio/2000 Valor autuado normal Valor autuado com exigibilidade suspensa: R$ 130.503,62 : não questionada Base de Cálculo adicionada no Auto de Infração normal (fls.26) COFINS — 3% Diferença de base de cálculo devida (contribuinte concorda) COFINS — 3% Conclusão: O contribuinte concorda com a tributação sobre: 1Deduções indevidas da base de cálculo a título de serviços executados por subempreiteiras, conforme notas fiscais n os 104/105/126/2118/2123/2124 Petrobrás, valor total de R$ 2.544.021,76 e R$ 309.400,65, referente à nota fiscal n o 2119 Sulgás. O contribuinte alega e comprova que: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13808.004044/0048 Acórdão n.º 330100.864 S3C3T1 Fl. 2.208 11 1As notas fiscais n os 2115 e2116, R$ 1.525.218,18, emitida para a Sulgás, foram tributadas em Abril/2000. 20 valor total de R$ 158.952,47, referese à reembolso de despesas de majoração de aliquota de ISS. Período de apuracão: junho/2000 Valor autuado normal : R$ 169.381,88 Valor autuado com exigibilidade suspensa : não questionada Base de Cálculo adicionada no Auto de Infração normal (fls.26) COFINS — 3% Diferença de base de cálculo devida (contribuinte concorda) COFINS —3% Conclusão: O contribuinte concorda com a tributação sobre: 1Deduções indevidas da base de cálculo a título de serviços executados por subempreiteiras, conforme notas fiscais nos 107/2131/2132 Petrobrás, valor total de R$ 3.750.373,38 e R$ 1.770.585,38, referente às notas fiscais nos 2130/2134/2135/2136/2137 Sul Brasil Gás. O contribuinte alega e comprova que: 1As notas fiscais n os 2126 e2127, R$ 4.160,77, emitidas para a ABB Alston, foram tributadas em Maio/2000. 20 valor total de R$ 230.185,48, referese à reembolso de despesas de majoração de aliquota de ISS. DO ENCERRAMENTO DA DILIGÊNCIA FISCAL Do resultado da presente diligência o contribuinte foi devidamente cientificado por via postal, com o aviso de recebimento no RA 95023232 O BR, recebido em 17/09/2007. Em 10/10/2007, apresentou a manifestação conforme documentos de fls. 1738 a 1949, assim sendo, tendo encerrado esta diligência fiscal em 13/11/2007, proponho o retorno do processo ao Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda/ com proposta de baixa do respectivo MPF/RPF que originou a presente ação fiscal. Em 09/10/2008, a segunda diligência, através da Resolução nº 20201.262, teve por vim precípuo o seguinte esclarecimento: “Período de apuração outubro de 1998: A Fiscalização partiu da premissa que “a contribuinte não logrou comprovar que não recebeu o valor de R$7.704.266,74,” o que teria motivado a exclusão da base de cálculo de outubro de 1998, e tendo em vista que a Contribuinte juntou aos autos cópia da Ação Ordinária de Cobrança movida contra a União Federal em 30 de março de 1999, nos autos do processo nº 1999.34.00.0076635 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 12 (fls. 1748/1764) e demais documentos anexados às folhas seguintes, é necessário que a Fiscalização se manifeste conclusivamente sobre este ponto; Período de Apuração de outubro de 1999: Manifestarse conclusivamente sobre a informação da Contribuinte de que o montante de R$48.934,00 foi pago duas vezes a título de Cofins, sendo que em outubro de 1999 foram compensados R$44.486,93, restando um crédito em seu favor de R$4.447,07. Cientificar a recorrente sobre o resultado da diligência, para querendo, manifestarse conclusivamente sobre a mesma no prazo legalmente estabelecido.” Realizada nova diligência, a unidade de origem informa que constatouse “uma sucessão de equívocos na conclusão manifesta da autoridade fiscal responsável pela diligência anterior”, e informa, resumidamente, o seguinte: “Por tudo já exposto, resta provado que a monta de R$4.474.174.80, deve compor a base de cálculo da COFINS no mês de outubro de 1998, uma vez que os serviços foram prestados, referemse aos serviços de JULHO/1998 e recebidos em Outubro /1998. Efetivamente não compõe o valor da NF 2036 de Agosto/1999, pois esta última abrange os serviços prestados no mês de JULHO/1999. Não há que se falar em simples Adiantamento, os serviços foram executados e recebidos, tampouco em duplicidade de lançamento, portanto.” Em relação ao item 2 da Diligência (fls. 1980), aduz o seguinte: “Em resposta à indagação do CC em seu item 2, às fls. 1980, de fato não restou comprovada a tributação em duplicidade, nos meses de julho/1999 e agosto/1999, do valor da NF nº 2024 de R$2.446.700,00, emitida contra a Petrobrás, portanto, o valor a título da COFINS de R$44.486,93 que alega ter compensado com suposto crédito de R$48.934,00 é DEVIDO no mês de Outubro/1999, período do lançamento de ofício.” Por fim, a diligência mantém as bases de cálculo do lançamento, “em razão de não figurar no rol das parcelas passíveis de exclusão do conceito de faturamento, à luz do art. 3º e parágrafos 1º e 2º, da Lei 9.718/1998.” Após a realização da diligência a recorrente protocolou em 24/02/2010 (fls. 2181/2201), pedido de desistência (parcial) do recurso administrativo, em relação ao crédito tributário objeto do presente processo administrativo, dos seguintes períodos: a) Período de apuração de setembro/1995 – Nota Fiscal nº 1627 não tributada, valor reconhecido pela Requerente (R$5.373,35 – principal); b) Período de apuração de abril/1999 – A Requerente reconhece como devido o valor de R$345.667,28 (R$358.250,85 – principal); c) Período de apuração janeiro/00 – Diferença de base de cálculo declarada e apurada pela Fiscalização, valor reconhecido pela Requerente (R$414,40 – principal); Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13808.004044/0048 Acórdão n.º 330100.864 S3C3T1 Fl. 2.209 13 d) Período de apuração de abril/00 – Valor referente à venda de sucata que não integrou a base de cálculo da Cofins, reconhecido pela Requerente (R$ 87.218,56 – principal); e) Período de apuração maio/00 – Valor referente ao ISS que não integrou a base de cálculo da COFINS (R$85.602,67 – principal). É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso está revestido dos pressupostos de admissibilidade. As preliminares de nulidades suscitadas pela recorrente devem ser rejeitadas, nesse sentido peço vênia para adotar os fundamentos lançados no voto condutor do acórdão nº 20178.484 (processo nº 13808.004041/0050), envolvendo a mesma contribuinte, no qual houve questionamento idêntico (nulidades), nos seguintes termos: “Tendo em vista os diversos argumentos arrolados pela contribuinte, passo a decidir de forma articulada. De pronto, em relação às preliminares, confesso que tive certa dificuldade em entender a argumentação da recorrente. Lembro aos Membros desta Câmara que a recorrente pretendeu a nulidade do trabalho fiscal e do auto de lançamento lavrado, com base em dois argumentos. O primeiro concernente a defeitos do trabalho fiscal em vista do regramento do MPF. O segundo por conta da insubsistência e incerteza do lançamento perpetrado. Com relação a este, desde já aponto que a decisão recorrida reconheceu que parte do lançamento foi efetuado de forma equivocada, corrigindo o erro. No mais, data venia, não vejo onde ocorreram outros equívocos, sendo evasivo o argumento e carente de comprovação, pelo menos vis a vis com a cuidadosa análise perpetrada pela Turma julgadora a quo. Retorno à questão do MPF. Alega a contribuinte que o trabalho fiscal foi iniciado anteriormente à aplicação do mencionado mandado, aludindo o artigo 20 da Portaria SRF no 1.265, de 22 de novembro de 1999 (DOU de 24/11/99), que passo a transcrever: “Art. 20. O disposto nesta Portaria não se aplica aos procedimentos fiscais iniciados antes de 1° de dezembro de 1999. § 1º Os procedimentos fiscais de que trata este artigo deverão ser concluídos até 31 de março de 2000. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 14 § 2º Na impossibilidade de cumprimento do disposto no parágrafo anterior, os procedimentos fiscais terão continuidade, observadas as normas contidas nesta Portaria.” Pretendeu a contribuinte, no tanto que alcanço imaginar, que o procedimento fiscal, por iniciado antes do dia 1o de dezembro de 1999, não estava alcançado pela referida portaria e deveria ser encerrado até o dia 31 de março de 2000, sob pena de sua total nulidade. Se adequado o meu entendimento, carente de substância tal lucubração. A toda prova, esta regra era prejudicial à contribuinte, pois a punha fora do alcance do MPF, procedimento a ela indiscutivelmente protetivo. Esta circunstância, de outra banda, respeitava o trabalho fiscal iniciado anteriormente à novidade. Por tal, certamente, a autoridade administrativa fixou prazo para o término da atividade fiscal, buscando evitar que tal falta de proteção se estendesse por largo lapso de tempo, em prejuízo da contribuinte. O estabelecimento do prazo final, portanto, representou uma compensação à contribuinte, que não se viu amparada pelo novo procedimento. Não vejo dúvidas que, como no presente caso, vencido o prazo estabelecido, o trabalho fiscal inacabado somente poderia prosseguir sob a nova ordem. Sob ótica nenhuma significava despilo de validade. E isto foi feito. Houve expedição do Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 1) emitido em 16 de novembro de 2000, com ciência em 23 de novembro do mesmo ano, com validade até 16 de março de 2001, tendose encerrado o trabalho fiscal em 23 de novembro de 2000 (data da ciência do auto de lançamento). Não há, salvo melhor juízo, indicativo de qualquer nulidade. Outro aspecto levantado pela recorrente é a incompetência do emissor do referido Mandado. A decisão ora guerreada já deu o devido deslinde, aduzindo que, em primeiro lugar, não foi a auditorafiscal que emitiu o Mandado, contrariamente ao que afirmava a então impugnante, e, em segundo lugar, a emissão do documento foi baseado em delegação de competência, devidamente esclarecida no documento. A contribuinte, na defesa de sua linha de argumentação, aludiu o artigo 6o, caput, da Portaria SRF no 1.265/99, cuja redação reproduzo: “Art. 6º O MPF será emitido, observadas suas respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: I CoordenadorGeral do Sistema de Fiscalização e o CoordenadorGeral do Sistema Aduaneiro; II Superintendentes da Receita Federal; III Delegados da Receita Federal, Inspetores de Alfândegas e de Inspetorias da Receita Federal de Classe Especial e de Classe A e Chefes de Inspetorias diretamente subordinados às Superintendências Regionais da Receita Federal.” Não atentou, no entanto, para o artigo 7° do mesmo ato legal, que claramente prevê a possibilidade da delegação de competência, afastando a hipótese de competência exclusiva, até porque esta não se encontra prevista legalmente. Reproduzo a regra com destaque à parte que interessa à conclusão: “Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13808.004044/0048 Acórdão n.º 330100.864 S3C3T1 Fl. 2.210 15 I a numeração de identificação e controle, composta de dezessete dígitos; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); (Retificado pelo Diário Oficial da União em 28/12/1999) IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRF responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRF a que se refere o inciso anterior; VII o nome, a matrícula e a assinatura da autoridade emissora e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; VIII o código de acesso à ‘Internet’ que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF.” (destaquei) Tenho por esclarecida a questão, pelo que, na mesma linha da decisão recorrida, devem ser rejeitadas as preliminares de nulidade. Com a realização da diligência houve desistência parcial do recurso, conforme expressamente requerido em 24/02/2010 (fls. 2181/2201), em relação aos seguintes períodos de apuração: 1) Período de apuração de setembro/1995 – Nota Fiscal nº 1627 não tributada, valor da exigência integralmente reconhecido pela Requerente (R$5.373,35 – principal); 2) Período de apuração de abril/1999 – A Requerente reconhece como devido o valor de R$345.667,28 (R$358.250,85 – principal); 3) Período de apuração janeiro/00 – Diferença de base de cálculo declarada e apurada pela Fiscalização, valor reconhecido pela Requerente (R$414,40 – principal); 4) Período de apuração de abril/00 – Valor referente à venda de sucata que não integrou a base de cálculo da Cofins, reconhecido pela Requerente (R$ 87.218,56 – principal); 5) Período de apuração maio/00 – Valor referente ao ISS que não integrou a base de cálculo da COFINS (R$85.602,67 – principal); 6) Conforme informado pela Recorrente, inclusive ratificado no memorial, os valores relativos a subempreitada (transferência de receita a terceiros), bem como majoração de alíquota da Cofins de 2% Fl. 15DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 16 para 3%, a mesma requereu parcelamento, nos termos da Lei nº 10.684/2003 (PAES) Assim sendo, não se conhece do recurso, na parte em que houve expressa desistência, conforme acima demonstrado. Da mesma forma, não deve ser conhecido o recurso em relação ao suscitado alargamento da base de cálculo da Cofins, com fundamento no art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, cuja inconstitucionalidade foi reconhecida por sentença judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0167456, manejado pela Recorrente. A opção do contribuinte pela via judicial, implica renúncia ou desistência da via administrativa, tendo em vista a prevalência da primeira sobre a segunda, devendo o processo administrativo seguir a solução definitiva dada ao processo judicial, o assunto encontrase inclusive sumulado no âmbito do CARF, conforme divulgado pela Portaria nº 106, de 21 de dezembro de 2009 (DOU, 22/12/2009), que consolidou a seguinte Súmula (nº 1): “Súmula CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Em relação ao mérito, entendo assistir parcialmente razão à Recorrente, devendo serem excluídos do lançamento os valores reconhecidos na diligência de fls. 1953/1958, bem como aqueles expressamente reconhecidos na segunda diligência. Foram solicitados os seguintes esclarecimentos através da segunda diligência, nos termos requerido na Resolução nº 20201.262, de 09/10/2008 (fls. 1977/1980): Período de apuração outubro de 1998: A fiscalização partiu da premissa de que "a contribuinte não logrou comprovar que não recebeu o valor de R$7.704.266,74," o que teria motivado a exclusão da base de cálculo de outubro de 1998, e tendo em vista que a contribuinte juntou aos autos cópia da Ação Ordinária de Cobrança movida contra a União Federal em 30 de março de 1999, nos autos do Processo nº 1999.34.00.0076635 (fls. 1748/1764) e demais documentos anexados às folhas seguintes, é necessário que a fiscalização se manifeste conclusivamente sobre este ponto; Período de apuração outubro de 1999: Manifestarse conclusivamente sobre a informação da contribuinte de que o montante de R$48.934,00 foi pago duas vezes a titulo de Cofins, sendo que em outubro de 1999 foram compensados R$44.486,93, restando um crédito em seu favor de R$4.447,07. Apesar da diligência solicitada ter sido específica, a unidade de origem procedeu ampla revisão do lançamento, inclusive solicitando informações de outros períodos e fatos não contemplados na Resolução, os quais serão considerados, na medida em que complementa a primeira diligência. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13808.004044/0048 Acórdão n.º 330100.864 S3C3T1 Fl. 2.211 17 O termo de conclusão da diligência (fls. 2071/2093): (...) Por tudo já exposto, resta provado que a monta de R$7.474.174,80 deve compor a base de cálculo da COFINS no mês de outubro de 1998, uma vez que os serviços foram prestados, referemse aos serviços de JULHO/1998 e recebidos em Outubro/1998. Efetivamente não compõe o valor da NF 2036 de Agosto/1999, pois esta última abrange os serviços prestados no mês de JULHO/1999. Não há que se falar em simples Adiantamento, os serviços foram executados e recebidos, tampouco em duplicidade de lançamento, portanto. O valor da NF 1924 de R$10.813,17 foi indevidamente considerado 02 vezes na base de cálculo apurada no mês de outubro/1998, devendo ser, excluído 01 vez, portanto. (...) Apesar da diligência concluir que o Regime de Caixa é a exceção à regra, e que para sua aplicação devem ser observadas as condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, todavia, não constam os motivos que impediriam sua utilização pela Recorrente, desta forma, deve ser mantido o Regime de Caixa adotado pela Recorrente. Logo, os valores de R$7.474.174,80 (e não R$7.414.174,80) foi pago pela Petrobrás a título de adiantamento, no mês de agosto de 1999, quando da emissão da NF 2036, os quais devem ser excluído da base de cálculo da Cofins do período de apuração de outubro de 1998. Da mesma forma, a NF 1924, foi considerada em duplicidade pela fiscalização no mês de outubro de 1998, no valor de R$10.813,17, o qual também deve ser excluído da base de cálculo da Cofins (uma vez). Em relação às Notas Fiscais relativas ao projeto CAICS — União Federal — faturadas e tributadas na ocasião, (outubro de 1998), a segunda diligência prestou as seguintes informações: (...) O que importa dizer que não houve recolhimento a maior ou indevido para ser compensado. Mesmo sem razão quanto à compensação, ao menos deveria a Fiscalizada ter declarado em DCTF a COFINS devida sobre a base de cálculo ora questionada, R$ 7.704.266,74 em out/98, e poderia, em tese, ter informado o valor compensado, ainda que não tivesse guarida judicial para tal, no entanto o direito da Fazenda Nacional sobre a constituição daquele crédito tributário estaria resguardado, restando confirmar o direito à referida compensação, tão somente. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 18 Não fazendo a Fiscalizada, corretamente e obrigatoriamente efetuou o lançamento a Fiscalização, evitando assim o prazo decadencial. Em razão dos fatos acima, assevero que a monta de R$7.704.266,74 deve compor base de cálculo da COFINS no mês de outubro de 1998. Logo, uma vez que a contribuinte apurou a COFINS pelo regime de caixa, deve suportar o ônus da tributação no mês de recebimento, logo não estaria autorizada a simplesmente deduzir parcelas já recebidas para “compensar” eventuais inadimplementos. Em resposta ao segundo ponto da diligência (outubro de 1999) a conclusão é no seguinte sentido: “Ademais deveria o Contribuinte ofereceu à tributação o seu faturamento/Receblmento integral", apurando então o montante devido da contribuição, dedarandoo em DCTF e os créditos que realmente fossem de direito seriam destacados em DCTF para fins de compensação e assim apurado o montante a recolher. De acordo à DCTF não houve qualquer menção à compensação em Outubro/1999, tampouco oferecimento à tributação de valor equivalente à referida compensação de R$44.486,93, correspondente à B.C. de R$1.482.897,97 (à alíquota de 3% em outubro/1999) ou de R$26.685,43, o mais recente valor alegado. (...) Em resposta à indagação do CC em seu item 2, de fato não restou comprovada a tributação em duplicidade, nos meses de julho/1999 e agosto/1999, do valor da NF nº 2024 de R$2.446.700,00, emitida contra a Petrobrás, portanto, o valor a título da COFINS de R$44.486,93 que alega ter compensado com suposto crédito de R$48.934,00 é DEVIDO no mês de Outubro/1999, período do lançamento de ofício. Apesar da NF nº 2024, não dever compor a base de cálculo da Cofins do PA de agosto de 1999, vez que tributada no mês de julho de 1999, e mesmo que o valor correspondente seja, o que reduziria o montante de R$77.435.665,50 para 74.988.965,50, entretanto, como a recorrente, à época, aplicou a alíquota de 2%, ao invés de 3%, nada restaria a ser compensado pela Recorrente. A exigência relativa ao mês de dezembro de 1999, deve ser mantida, nos termos da primeira diligência, reduzido para R$13.809,10, inserido pela Recorrente no PAES. Por fim, devem ser promovidas as exclusões da base de cálculo da Cofins do mês de dezembro de 1999, nos termos da informação constante da segunda diligência (fl. 2089), onde consta o seguinte: “O valor da NF no. 119 de R$13.750,00 foi indevidamente considerado 02 vezes no levantamento da base de cálculo, devendo ser excluído 01 vez da base de cálculo apurada em dezembro de 1999 na condição de exigibilidade suspensa. As NF seguintes tiveram seus respectivos lançamentos reclassificados para conta de clientes Credito p/ Vendas – Fl. 18DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13808.004044/0048 Acórdão n.º 330100.864 S3C3T1 Fl. 2.212 19 preço Básico (1.01.03.001.001.011), situação não observada pela fiscalização à época: O valor da NF no. 2069 R$600.285,54 – foi indevidamente considerado 04 vezes no levantamento da base de cálculo. Na condição de exigibilidade suspensa, em dezembro/1999, deve ser excluído o valor de R$600.285,54 (02 vezes) e em março/2000, devem ser excluídos os seguintes valores da base cálculo apurada: R$59.826,91 e R$540.458,63 (02 vezes); outrossim, a referida receita se enquadra na condição de isenta da tributação da COFINS, uma vez comprovado o ingresso de divisas em 30 de março/2000, ,(Art. 14, da MP 215835/2001). O valor da NF 2076 de R$20.000,00 foi indevidamente considerado 03 vezes no levantamento da base de cálculo, devendo ser excluído 02 vezes da base de cálculo apurada 'no mês de dezembro/1999 na condição de exigibilidade suspensa.” Relativamente aos juros de mora, o acórdão recorrido pautou pela estrita legalidade, porquanto não precedido do depósito correspondente, em conformidade com a Súmula nº 5, deste egrégio CARF, in verbis: “Súmula CARF Nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Por fim, em relação às argüições de inconstitucionalidades suscitadas pela recorrente, o assunto está definitivamente sumulado no âmbito do CARF: “Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso quanto ao alargamento da base de cálculo da COFINS, a qual foi submetida ao Poder Judiciário, bem como em relação às parcelas do débito confessados pela Recorrente e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, em conformidade com os valores apurados na primeira diligência, devendo ainda ser excluída da base de cálculo os valores da NF 2036, do PA de outubro/98 e NF 1924, considerada em duplicidade no mês de outubro de 1998, e, no mês de dezembro de 1999, devem ser excluídos os valores das NF nº 119 (excluída 1 vez) e NF 2069, excluído o valor de R$600.285,54 (duas vezes) e NF 2076 (R$20.000,00), excluído 02 vezes da base de cálculo. Sala das Sessões, em 6 de abril de 2011 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 19DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 20 Fl. 20DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 13873.000321/2004-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2001
SIMPLES DÉBITO
INSCRITO NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO EXCLUSÃO
Deve ser mantida a exclusão do Simples Federal em razão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no caso de o contribuinte não fazer prova da quitação ou da suspensão da exigibilidade no período atinente à exclusão.
Numero da decisão: 1201-000.567
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2001 SIMPLES DÉBITO INSCRITO NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO EXCLUSÃO Deve ser mantida a exclusão do Simples Federal em razão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no caso de o contribuinte não fazer prova da quitação ou da suspensão da exigibilidade no período atinente à exclusão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1354; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 197 1 196 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13873.000321/200419 Recurso nº 506.448 Voluntário Acórdão nº 120100.567 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de agosto de 2011 Matéria Simples Federal Recorrente José Mimetto Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2001 SIMPLES DÉBITO INSCRITO NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO EXCLUSÃO Deve ser mantida a exclusão do Simples Federal em razão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no caso de o contribuinte não fazer prova da quitação ou da suspensão da exigibilidade no período atinente à exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 13873.000321/200419 Acórdão n.º 120100.567 S1C2T1 Fl. 198 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, João Bellini Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Relatório DO PEDIDO, DO DESPACHO DECISÓRIO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das peças inaugurais do presente feito: O contribuinte acima identificado foi excluído do SIMPLES, por meio do Ato Declaratório DRF/BAURU n° 346.384, de 02/10/2000, com efeitos a partir de 01/11/2000, tendo em vista a existência de pendências do Sr. José Minetto, junto à PGFN. Em 15/12/2004, o contribuinte solicitou, por meio da petição de fls. 0107, reinclusão no SIMPLES com efeitos retroativos a 01/11/2000. Alega, em síntese, que o suposto débito do Sr. José Minetto é objeto de discussão administrativa, no âmbito do processo administrativo 10825.602908/9862, no qual é postulada a compensação do IRPF 1995/1996 com o IOF inconstitucionalmente descontado em 1990, compensação esta que foi autorizada judicialmente, com acórdão transitado em julgado em 12/11/1999. Afirma que a DRF/BAURU procedeu à compensação postulada, deferindoa apenas parcialmente, remanescendo saldo ainda em discussão, já que o Sr. José Minetto não concordou com a forma de cálculo dos valores. Esclarece que esta mesma discussão é travada em execução fiscal ajuizada pela PFN. Sustenta que a pendência que deu causa à exclusão do SIMPLES é de exclusiva responsabilidade da Receita Federal,. que não acolheu a compensação tal como pleiteada e não deu solução final ao litígio. Conclui que o débito cio Sr. José Minetto encontrase suspenso enquanto não houver pronunciamento do juiz da execução fiscal acerca do recurso interposto. Por fim, pede sua permanência no SIMPLES. A DRF/BAURU, por meio do Despacho Decisório Saort 1193/2007 (fls. 5053), deferiu apenas parcialmente a solicitação, admitindo a reinclusão no SIMPLES com efeitos retroativos somente a partir de 01/01/2003, permanecendo a exclusão para o período de 01/11/2000a 31/12/2002. Na fundamentação dessa decisão, consta que o débito de IRPF que deu causa à exclusão do SIMPLES sequer foi contestado pelo interessado. Houve apenas uma intimação dando conta de que o direito creditório a ser restituído ao contribuinte seria utilizado na compensação, sendo que a respectiva suficiência para a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 13873.000321/200419 Acórdão n.º 120100.567 S1C2T1 Fl. 199 3 quitação da dívida ativa inscrita deveria ser verificada junto à PSFN/Bauru/SP. O direito creditório do contribuinte, ao final, revelouse insuficiente para quitar o débito, de modo que a pendência que deu causa à exclusão do SIMPLES subsistia à data da expedição do respectivo Ato Declaratório. Posteriormente, a Medida Provisória 66/2002, por meio dos seus artigos 20 e 57, prescreveu a remissão dos débito remanescente. Assim, o débito inscrito em dívida ativa da União persistiu até 29/08/2002, razão pela qual a exclusão do SIMPLES, ocorrida em 01/11/2000, foi efetuada corretamente. Com base no Ato Declaratório Interpretativo n° 16/2002, e tendo em conta a entrega de FCPJ e a comprovação da intenção de aderir ao SIMPLES, admitiu a autoridade sua inclusão nesta sistemática de tributação com efeitos a partir de 01/01/2003. Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 5768, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Na ação ordinária 95.0352834 foi pleiteada a repetição do indébito tributário consistente nos valores de IOF inconstitucionalmente recolhidos com base na Lei 8.033/1990. Juntamente com esse pedido, foi pleiteada a compensação de tais créditos, nos termos do art. 66 da Lei 8.383/1991. A tutela antecipada requerida foi parcialmente deferida, autorizando a compensação do IOF com IRPF; sem submissão às regras da Instrução Normativa 67/92. Tal tutela antecipada nunca teve 'seus efeitos revogados, já que a sentença a confirmou, assim como o acórdão do TRF — 3ª Região. Houve trânsito em julgado em 22/11/1999, tendo em vista que o STF negou seguimento ao agravo de instrumento n° 240.553 1, interposto pela União Federal. Com base na ordem judicial, o Sr. José Minetto solicitou à Receita Federal a compensação do IOF recolhido indevidamente com o débito de IRPF relativo ao anocalendário de 1995. No processo administrativo 13875.00154/9607, o Primeiro Conselho de Contribuintes, em 19/11/2001, proferiu acórdão acolhendo a compensação do IOF com o IRPF. Não obstante, a DRF/BAURU constituiu o processo administrativo 10825.602908/9862, que, após ser notificado ao contribuinte e devidamente impugnado, deu origem à inscrição em divida ativa da União. Houve, então, ajuizamento da execução fiscal 1.329/1998 para a cobrança do débito. Também no processo administrativo 10825.602908/98 62 fazia jus o contribuinte ao crédito de I0F, razão pela qual requer sua juntada ao presente processo administrativo. Na execução fiscal 1.325/1998 foi apresentada exceção de préexecutividade, na qual foi demonstrada a iliquidez 'da divida exigida, tendo em vista a liminar que obrigava o ente público a compensar o crédito de IOF com o débito de IRPF. A execução fiscal não prosseguiu desde sua propositura, em 2707/1998, até 16/12/2005, quando a Receita Federal acatou o crédito do I0F, em razão da exceção de préexecutividade interposta. A dívida do Sr. José Minetto, portanto, estava sub judiçe, de modo que não havia motivo para a exclusão de sua empresa do SIMPLES. A exigibilidade do débito que caracteriza a suposta pendência do Sr. José Minetto Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 13873.000321/200419 Acórdão n.º 120100.567 S1C2T1 Fl. 200 4 está suspensa desde o !deferimento da tutela antecipada na ação ordinária 95.0352834, sendo descabida a inscrição em divida ativa e a execução. O contribuinte tem direito à permanência no SIMPLES, já que preenche os requisitos previstos na legislação para tanto e continuou apurando e 'recolhendo seus tributos consoante essa sistemática de tributação. Por fim, pede o contribuinte que os efeitos de sua opção pelo SIMPLES retroajam a 01/01/2000. Requer o reconhecimento de que o débito de IRPJ/1996 do Sr. José Minetto estava com a exigibilidade suspensa desde o deferimento da liminar na ação ordinária 95.0352834 que autorizou a compensação do débito de IRPJ com o crédito de IOF, bem como pelo fato de o suposto crédito haver sito tempestivamente impugnado administrativamente e/ou judicialmente, por meio da interposição de exceção de préexecutividade. Pede que seja juntado ao presente processo administrativo o processo de it° 10825.602908/9862, a fim de comprovar a apresentação de impugnação e para que se afira d Saldo remanescente de crédito de IOF que seria utilizado para contrapor débito de tributos surgidos em nova sistemática de apuração de tributos caso não sejam aceitos seus argumentos. Por fim, pede que sejam levados em conta os custos que representará a apuração e o recolhimento de tributos durante 25 meses em sistemática diversa do SIMPLES. Por meio da Resolução DRJ/RPO n° 112/2009, os autos retornaram à DRF/BAURU, com o fim de anexar aos autos cópia do processo administrativo 10825.602908/9862, diligência esta que foi cumprida por meio da anexação das cópias de fls. 82147. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 168 a 173) negou provimento à manifestação de inconformidade pelas razões que se seguem. Não seria verdadeira a afirmação da defesa de que teria obtido tutela judicial lhe garantindo o direito à compensação de valores. A ordem judicial apenas condenaria a União a devolver valores indevidamente pagos a título de IOF. Ademais, não se poderia admitir a compensação de valores já ajuizados, conforme art. 16, § 3°, da Lei n° 6.830/80. Com relação ao pedido administrativo de compensação, o crédito apurado não foi suficiente para liquidar os valores inscritos em dívida ativa. Nos termos literais da decisão: O Sr. José Minetto ingressou com o processo administrativo 13873.000154/9607, solicitando a compensação de créditos de IOF com débitos de IRPF, alegando que a compensação estava autorizada por "medida liminar" concedida nos autos da ação de repetição de indébito acima referida. Esta DRJ/RPO, por meio da Decisão n° 1813/2000 (fls. 150152), indeferiu a solicitação, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 13873.000321/200419 Acórdão n.º 120100.567 S1C2T1 Fl. 201 5 sob o fundamento de que o contribuinte não comprovou a desistência da execução judicial da repetição do indébito, tendo em vista que houve o trânsito em julgado de sentença reconhecendo o direito à restituição do IOF. Posteriormente, em 22/08/2001, o Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão (fl. 149) autorizando a compensação do IOF com o IRPF, pois havia sentença transitada em julgado, reconhecendo o direito à restituição do indébito. Ocorre que, conforme foi consignado no Despacho Decisório Saort/DRF/BAURU 1193/2007 (fls. 5053), a Procuradoria da Fazenda Nacional, ao confrontar os recolhimentos indevidos do IOF com os débitos de IRPF do Sr. José Mineto (fls. 4042), constatou que remanesceu débito em aberto. A exceção de préexecutividade intentada pela parte no executivo fiscal não teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. A posterior extinção da execução fiscal em razão da “anistia” concedida nos termos dos artigos 20 e 57 da MP nº 66/2002 não teria o condão de produzir efeitos retroativos para fins de inclusão da empresa no sistema simplificado. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 178 a 183, mediante o qual aduziu as razões que se seguem. Deve ser declarada de plano a decadência dos tributos relativos ao período atinente ao pedido de inclusão retroativa. Na ação judicial de repetição de indébito, obteve liminar que lhe garantia o direito à compensação, a qual jamais foi contestada pela PFN. Faria prova disso, a decisão do Conselho de Contribuintes nos autos do processo administrativo nº 13873.000154/9607, que reconheceu o direito à compensação. A exceção de préexecutividade teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Deveriam ser considerados no julgamento, os custos para a apuração dos tributos numa sistemática diferente da praticada pela recorrente, num período de 25 meses, ora em questão. Subsidiariamente, pede a compensação dos créditos apurados pela nova sistemática com os valores pagos, no período, a título de simples federal. É o relatório do essencial. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 13873.000321/200419 Acórdão n.º 120100.567 S1C2T1 Fl. 202 6 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes A base jurídica da refrega é o art. 9°, inciso XV, da Lei 9.317/96, que abaixo transcrevemos: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; A dívida apontada para a denegação do pleito é aquela controlada no processo administrativo nº 10825.602908/9862 (cópia integral juntada no presente feito). A defesa aduz que possuía liminar que a autorizava compensar valores indevidamente pagos a título de IOF com débitos de IRPF, o que estaria confirmado pela decisão do Conselho de Contribuintes nos autos do processo administrativo nº 13873.000154/9607. Em razão disso, entende que a exigência inscrita em dívida ativa seria indevida. A Delegacia de Julgamento entendeu que o contribuinte não possuía tutela judicial que lhe garantisse esse direito a compensação. Ademais, a decisão do Conselho teria apenas reconhecido o direito à compensação em razão do trânsito em julgado da ação de repetição do indébito tributário. Ao contrário do que afirmou a Delegacia de Julgamento, a decisão do Conselho, no voto do relator, faz referência à tutela judicial que concede o direito à compensação. Isso, contudo, não me leva à conclusão a que chegou a defesa. Apesar de não constar do feito cópia da tutela, que deveria ter sido juntada pela defesa e não o fez em momento algum, posso afirmar com segurança que uma liminar que reconhece o direito à compensação não pode ser considerada uma “carta em branco” para se considerar todos os débitos do contribuinte compensados ou suspensos até uma futura liquidação. Ela apenas fixa o critério jurídico a ser adotado em outro processo judicial ou administrativo, e este sim é que poderá produzir efeitos extintivos ou suspensivos. Em relação a esses tipos de processos, a defesa só trouxe aos autos justamente o administrativo de nº 13873.000154/9607, o qual apenas reconhece o direito de crédito relativo ao IOF e determina a compensação de valores lá identificados e que não se confundem com aqueles que foram inscritos na dívida ativa. Posso fazer essa afirmação em razão de despacho nos autos do referido processo n° 13873.000154/9607, cuja cópia consta da fl. 28, que dispõe sobre a liquidação dos valores a restituir, os quais redundaram em dois pagamentos: um de R$ 3.185,11 que liquidou os débitos apontados e outro de R$ 5.981,32 a ser alocado aos valores inscritos em dívida ativa, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 13873.000321/200419 Acórdão n.º 120100.567 S1C2T1 Fl. 203 7 que embasam a exclusão do contribuinte do sistema favorecido. Abaixo, transcrevo os termos do referido despacho: Com controle pelo processo administrativo acima referenciado, foi requerida a restituição de crédito do tributo federal I0F, com utilização na compensação de valores devidos do tributo federal 0211 — IRPF, controlado pelo processo acima e 3543 — IRPF/DAUDivida Ativa da União, controlado no processo administrativo 10825.602908/9862, tendo sido emitidos, inicialmente, com recebimento pelo contribuinte em 20/08/2002, DARFs eletrônicos no valor total de R$ 3.185,11 (que quitou totalmente a compensação requerida no processo 13873.000154/9607) e no valor total de R$ 5.981,32 (que foi alocado ao processo 10825.602908/9862, de DAUDívida Ativa da União). 2. Esclarecemos que foram refeitos os cálculos do crédito corresponde à restituição deferida, com a geração de novo DARF a ser alocado no processo de DAUDivida Ativa da União, em substituição ao anteriormente emitido. Pela presente, dase ciência da compensação efetuada, a partir do novo cálculo do valor da restituição. Encaminhamos em anexo, DARF, no valor total de R$ 21.176,82, a ser alocado no processo administrativo 10825.602908/9862, de DAUDivida Ativa da União. A suficiência ou não do valor total do DARF para a quitação total da DAUDivida Ativa da União deve ser verificada diretamente na Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional/PFN/Baurti/SP, responsável pelo controle do processo administrativo. Esse DARF não foi suficiente para a liquidação da dívida, conforme podemos verificar no demonstrativo de fls. 40. Ainda que consideremos comprovadas as alegações da defesa de que contestou os cálculos realizados pela Receita Federal e pela Procuradoria da Fazenda Nacional e que tenha ingressado com exceção de préexecutividade, nenhuma dessas ações produz os efeitos de suspender a exigibilidade da exigência. A alegação de que teria custos para recalcular seus tributos à luz de outro regime não tem o condão de afastar disposição legal que expressamente impõe esse dever. Com relação à alegação de decadência dos eventuais tributos que deveriam ser apurados com base na sistemática normal, não compete a esse colegiado proferir decisões de cunho meramente declaratório. Por igual motivo, não nos compete reconhecer o direito à compensação de valores pagos à luz da sistemática simplificada, num processo que não tem por objeto os créditos que seriam devidos sob o regime de tributação ordinário das pessoas jurídicas. CONCLUSÃO Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 13873.000321/200419 Acórdão n.º 120100.567 S1C2T1 Fl. 204 8 Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
score : 1.0
Numero do processo: 35481.001066/2006-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO — PARCELA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS.
0 ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdencidrias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdencidrias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.922
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicar-se o art. 150, paragrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente foi negado provimento ao recurso nos
termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam tratar-se de parcela não integrante do salário-de-contribuição.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. SEGURO DE VIDA EM GRUPO — PARCELA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. 0 ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdencidrias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdencidrias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-06-22T10:47:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-06-22T10:47:47Z; Last-Modified: 2011-06-22T10:47:47Z; dcterms:modified: 2011-06-22T10:47:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:67dd3493-376d-4aa0-8895-eb04bd466778; Last-Save-Date: 2011-06-22T10:47:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-06-22T10:47:47Z; meta:save-date: 2011-06-22T10:47:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-06-22T10:47:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-06-22T10:47:47Z; created: 2011-06-22T10:47:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2011-06-22T10:47:47Z; pdf:charsPerPage: 1890; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-06-22T10:47:47Z | Conteúdo => S2-C3T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35481.001066/2006-30 Recurso n° 149.028 Voluntário Acórdão n° 2302-00.922 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2011 Matéria Remuneração Indireta. Seguro de Vida em Grupo. Recorrente MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. SEGURO DE VIDA EM GRUPO — PARCELA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. 0 ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdencidrias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdencidrias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Camara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho , IRA - Presidente e Relator Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicar-se o art. 150, paragrafo 4 0 do CTN para todo o período. Para o período não decadente foi negado provimento ao recurso nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam tratar-se de parcela não integrante do salário-de-contribuição. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Edgar Silva Vidal, Manoel Coelho Arruda Júnior e Adriana Sato. Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela devida pelos segurados e a cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros. 0 período do levantamento abrange as competências janeiro de 1997 a dezembro de 2005, conforme relatório fiscal ás fls. 89 a 101. Segundo a fiscalização, os fatos geradores referem-se ao pagamento de seguro de vida aos empregados sem previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 644 a 657. A Decisão da Delegacia da Receita Previdencidria confirmou a procedência do lançamento, fls. 677 a 685. Não concordando com a decisão do órgão previdencidrio, foi interposto recurso, conforme fls. 696 a 710. Alega em síntese que: a) A NFLD é nula pois não foram identificados os beneficiários; b) Não houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores; c) 0 crédito foi atingido parcialmente pela decadência; d) 0 seguro de vida possui natureza assistencial; e) Requerendo provimento ao recurso interposto. É o relato suficiente. 2 Processo n° 35481.001066/2006-30 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.922 Fl. 2 Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator 0 recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 716. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar suscitada pela recorrente, na peça recursal, de que o lançamento já fora atingido pela decadência, razão lhe confiro em parte. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Sumula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"Scio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributdrio". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinctdante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder et sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n " 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. No presente caso trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi realizado, sendo necessário o lançamento de oficio. Por não ter pago, nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, dai a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN, para efeitos da contagem do prazo decadencial. A obrigação não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de setembro de 1999 a dezembro de 2004. 0 lançamento foi realizado em 19 de outubro de 2005. Seguindo a interpretação da l a Seção do STJ (Recurso Especial n 973.733, cuja ementa foi publicada no DJe de 18/09/2009) conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário quando, a despeito da previsão legal para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. 3 Pelo exposto encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2000, inclusive esta. A competência dezembro de 2000 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, ou seja em 2 de janeiro de 2001; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de inicio o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 1 ° de janeiro de 2002, a qual findaria em 1 0 de janeiro de 2007. Não procede o argumento da recorrente de que a NFLD é nula pois não teriam sido identificados os beneficiários. 0 lançamento foi realizado com base ern documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 89 a 101; o relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos ás fls. 38 a 50; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontra-se às fls. 04 a 25. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão á. recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal as fls. 89 a 101: a sociedade empresária pagou prêmio de seguro de vida aos seus segurados, e não recolheu contribuição previdencidria sobre os valores declarados. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria registrados em apólices e na contabilidade não condizem corn a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Alegar sem provar e o mesmo que não alegar. Não procede, portanto, o argumento da recorrente de que é inexato o quantum devido. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe A parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdencidria provou a existência do fato gerador, com base nos documentos elaborados pela própria recorrente. Assim, a presente NFLD não foi lavrada apenas com base em presunções, a fiscalização demonstrou, por meio de documentos elaborados pela própria recorrente, a veracidade do argumento da existência dos fatos geradores. Ao contrário do que afirma a recorrente, a NFLD não é nula pela não identificação dos beneficiários. Na presente NFLD não foram cobradas as contribuições devidas pelos segurados, desse modo o limite do salário-de-contribuição, que somente poderia ser verificada caso a caso, não é pertinente. Alem do mais, os valores foram obtidos com base em documentação da própria recorrente, registros contábeis, portanto a empresa não pode alegar que desconhece para quais segurados pagou o seguro de vida. Sendo de conhecimento da recorrente os beneficiários dos pagamentos é despicienda a identificação dos mesmos nesta NFLD. Destaca-se que caberia A. própria recorrente a identificação dos beneficiários, devendo os valores terem transitado em folhas de pagamento; contudo a recorrente foi inerte. Assim, não pode a recorrente exigir da fiscalização algo que ela própria não realizou. A questão controversa reside no ponto de a parcela a cargo da empresa paga relativamente ao seguro de vida em grupo integrarem ou não a remuneração dos segurados empregados da recorrente. 4 Processo n°35481.001066/2006-30 S2-C3T2 Ae6rdzio n.° 2302-00.922 Fl. 3 De acordo corn o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entende-se por salário -de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo a disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n°9.528 de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdencidrias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 90 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (..) § 9" Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o salário-maternidade; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei n°5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a titulo de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente a dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de I a 5 acrescentados pela Lei n" 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei n°9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 5 2. relativas a' indenizaçâo por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço-FGTS; 3. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 14 da Lei n° 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a titulo de incentivo a demissão,. 6. recebidas a titulo de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a titulo de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a titulo de licença-prêmio indenizada; 9. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 9° da Lei n° 7.238, de 29 de outubro de 1984; fi a parcela recebida a titulo de vale-transporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) Ii) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a titulo de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977• .» a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei especifica; 1) o abono do Programa de Integração Social-PIS e do Programa de Assistência ao Servidor Público-PASEP; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a titulo de complementação ao valor do auxilio-doença, desde que este direito seja extensivo a totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas ã assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei n°4.870, 6 Processo n° 35481.001066/2006-30 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.922 Fl. 4 de I" de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei n" 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível a totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9" e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei n" 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo a assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n" 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veiculo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade C0111 a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise a educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n°9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados as atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n°9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a titulo de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente ate quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei n" 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8" do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei 11 ° 9.528, de 10/12/97) Quanto à verba relativa ao premio de seguro de vida em grupo, há que ser destacado dois momentos: anterior ao Decreto 3.265 e posterior a esse Decreto. A previsão para exclusão da base de cálculo da parcela referente ao premio de seguro de vida em grupo somente surgiu no ordenamento jurídico corn a publicação do Decreto n ° 3.265, publicado no DOU em 30 de novembro de 1999, que acrescentou o inciso XXV ao § 9° do art. 214 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, nestas palavras: 7 Art. 214 (.) XXV - o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que prevista em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível a totalidade de setts empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9" e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 1999 não há dúvida de que o prêmio de seguro de vida em grupo, não importa em quais condições, integra o salário -de-contribuição. Para os fatos geradores ocorridos posteriormente à publicação do Decreto n ° 3.265/1999 é necessária, para que não haja incidência das contribuições previdencidrias, a previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho e a extensão à totalidade dos empregados e dirigentes. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre esse beneficio fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violar-se os princípios da reserva legal e da isonomia. Não se pode conferir interpretação retroativa ao previsto no art. 214, § 9° do RPS, para excluir da base de cálculo a parcela referente ao seguro de vida em grupo. Nesse sentido é cristalino o disposto no art. 144 do CTN: Art. 144. 0 lançamento reporta-se a data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste ultimo caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 0 lançamento em relação ao fato gerador tem natureza declaratória. Assim, deve ser aplicada a legislação vigente A. época da ocorrência do fato imponivel. No mesmo sentido já se posicionou o Ministério da Previdência Social, por meio do Parecer CJ/MPAS n ° 2.118/2000, nas palavras seguintes, ressalvando que tem aplicação até a publicação do Decreto n ° 3.265/1999: EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURO DE VIDA. 8 Processo n° 35481.001066/2006-30 S2-C3T2 Acórcitio n.° 2302-00.922 Fl. 5 1. 0 pagamento do seguro de vida em grupo corresponde parcela salário, que, por seu turno, posiciona-se no gênero remuneração. 2. A legislação previdenciária não excetua o pagamento do seguro de vida em grupo como parcela não integrante do cálculo a cargo da empresa. Precedentes, Pareceres/CI N°.s 850/97 e 1.733/99. Caso prevaleça a tese de se conferir efeitos retroativos ao Decreto n ° 3.265/1999, iriam se ferir os princípios da isonomia e da legalidade, send() veja: o contribuinte que seguiu a norma então vigente, pagou as contribuições sobre a verba seguro de vida em grupo, seguindo a legislação corretamente, está em desvantagem em relação ao que nada pagou. E mais, a prevalecer o entendimento de retroação da interpretação, aquele que pagou possuiria direito à restituição. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a titulo de seguro de vida em grupo, paga em desacordo com a legislação, possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à. recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdencidrias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. No presente caso, o prêmio de seguro de vida em grupo não foi previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Assim, para os fatos geradores ocorridos após a publicação do Decreto 11 ° 3.265, não houve subsunção do fato à norma de exclusão da base de cálculo. Desse modo, o prêmio de seguro de vida pago pela recorrente integra a base de calculo para todo o período objeto do presente levantamento. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo que parte do lançamento já foi atingida pela decadência. corno voto. 9
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001696/2007-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/08/2006
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em
que não foi contestado.
COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIO EDUCAÇÃO.
SAT. INCRA. SEBRAE.
A compensação não pode ser realizada em razão de suposta
inconstitucionalidade, que ainda não foi declarada pelo Judiciário, de forma definitiva.
CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS.
Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à
constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a
cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic
para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2301-002.190
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto
do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/08/2006 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SAT. INCRA. SEBRAE. A compensação não pode ser realizada em razão de suposta inconstitucionalidade, que ainda não foi declarada pelo Judiciário, de forma definitiva. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/08/2006 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SAT. INCRA. SEBRAE. A compensação não pode ser realizada em razão de suposta inconstitucionalidade, que ainda não foi declarada pelo Judiciário, de forma definitiva. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova Fl. 157DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 152 2 redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Damiao Cordeiro de Moraes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 08/12/2006, em desfavor de BL BITTAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPEL LTDA., face às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, bem como a terceiros (salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), e as contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados empresários a título de prólabore, conforme Relatório Fiscal de fls. 54/60. Inconformada, a ora Recorrente ofereceu Impugnação de fls. 68/92, tendo sido proferido acórdão de fls. 102/108, que julgou procedente o lançamento, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. JUROS E ACRÉSCIMOS LEGAIS. COMPENSAÇÃO. Ocorrido o fato gerador das contribuições previdenciárias, exsurge o dever de recolher as respectivas contribuições previdenciárias, descontandoas dos segurados empregados a seu serviço e repassandoas aos cofres públicos. Aplicabilidade dos percentuais de multa e juros de mora, de acordo com a legislação de regência, às contribuições sociais em atraso. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 153 3 Não cabe à instância administrativa manifestarse acerca de inconstitucionalidade de Lei, cujo julgamento é prerrogativa dos Tribunais Federais. O exercício do direito de compensação depende da existência do crédito titularizado pelo sujeito passivo, não podendo este, sponte própria, inferilo e proceder à autocompensação. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário tempestivos de fls. 112/136, alegando, em síntese: a) Que o crédito cobrado é indevido, haja vista que fora compensado com valores credores apurados, tais como pagamentos indevidos da contribuição salárioeducação, SAT, SEBRAE e INCRA; b) Que a multa imposta é indevida, haja vista a declaração do débito, a denúncia espontânea e, ainda, a compensação do crédito cobrado consoante autoriza a Lei 8.383/91; c) Que a multa deve ser certa e líquida para que goze de presunção de validade, pois a sua progressividade leva a majoração da alíquota somente permitida naqueles impostos previstos como progressivos; d) Que somente seria possível a aplicação da Taxa SELIC se seus juros fossem correspondessem a 1% (um por cento), conforme dispõe o §1° do art. 161 do CTN; Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas Fl. 159DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 154 4 Os lançamentos da presente NFLD referemse às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, bem como a terceiros (salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), e as contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados empresários a título de prólabore. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do nãoatendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da impossibilidade de analisar inconstitucionalidade de contribuições previdenciárias do salárioeducação, SAT, INCRA e SEBRAE e correspondente compensação O contribuinte alega que procedeu à compensação de contribuições recolhidas indevidamente a título de salárioeducação, SAT e das contribuições destinadas aos Fl. 160DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 155 5 terceiros INCRA e SEBRAE, contudo, tal argumento não encontra fundamento na legislação vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. O Regulamento da Previdência Social também dispõe sobre a compensação de contribuições previdenciárias nos seguintes termos: Art. 247. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a seguridade social, arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. No caso dos autos, não restou comprovado que o contribuinte tivesse recolhido valores indevidamente que suscitassem compensação. Isto porque a cobrança das contribuições sociais do salárioeducação é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento nos tribunais superiores, tendo o STF publicado a Súmula de n ° 732, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIO EDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. Portanto, totalmente inócua a alegação da ora recorrente de que procedeu a compensações por valores recolhidos indevidamente a título de salárioeducação. Quanto ao argumento da inconstitucionalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, verifico que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 156 6 Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto enquadramento em qualquer tempo. (...) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 157 7 norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementam passo a transcrever: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei. O Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que esta contribuição tem natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 158 8 LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócio econômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art. 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 159 9 II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art. 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 160 10 sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 161 11 complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Outrossim, cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 162 12 Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Neste diapasão, não sendo possível aos órgãos administrativos reconhecer inconstitucionalidade de norma, qualquer compensação considerando como crédito os valores supostamente inconstitucionais é indevida, já que sem qualquer respaldo para afastar a incidência das contribuições. Ocorrendo essa hipótese, os valores compensados serão glosados pelo Fisco, tendo em vista a presunção de legalidade da lei, cuja aplicação somente pode ser afastada quando for declarada sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta; quando for publicada resolução do Senado Federal que suspensa a sua execução; ou ainda quando for proferida decisão no caso concreto, afastando a aplicação da norma por inconstitucionalidade ou ilegalidade, e a extensão dos efeitos da decisão seja autorizada pelo Presidente da República. Por outro lado, ainda que fossem inconstitucionais as contribuições apontadas, não poderia haver a compensação, tendo em vista que, em se tratando de contribuições destinadas a terceiros, o INSS e, atualmente a Receita Federal, apenas é responsável pelo recolhimento, sendo os valores transferidos aos órgãos correspondentes, não sendo possível a devolução pelo Fisco de montante do qual não mais dispõe. Não é por outra razão que o art. 249, do RPS dispõe que “somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, valor decorrente das parcelas referidas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único do art. 195”, não englobando as contribuições destinadas a Terceiros. A Instrução Normativa nº 3/2005 também dispunha, no art. 193, I, que a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pela SRP para a Previdência Social, excluídas as destinadas para outras entidades ou fundos, vedando expressamente a possibilidade de compensar as contribuições previdenciárias devidas com valores destinados a outros fundos. Por todo o exposto, não há que se falar em inconstitucionalidade, menos ainda em compensação de contribuições recolhidas indevidamente. Da alegação de inconstitucionalidade da progressividade da multa O contribuinte insurgese contra a progressividade da multa, sob o fundamento de que representa uma majoração do tributo, permitida apenas naqueles tributos previstos na CF/88, que são postos de maneira taxativa. Conforme já demonstrado no item supra, a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 163 13 revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Portanto, não merece guarida o argumento exposto pela recorrente. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da multa aplicada No tocante aos acréscimos legais, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária, não possuindo natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Imperioso, contudo, destacar que em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 164 14 Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, se for mais benéfica para o contribuinte. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001696/200750 Acórdão n.º 230102.190 S2C3T1 Fl. 165 15 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 15455.000407/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2007
INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1401-000.464
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1197; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 20 1 19 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15455.000407/200911 Recurso nº 99.999 Voluntário Acórdão nº 140100.464 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente GD FERREIRA CONSULTORIA EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 26DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15455.000407/200911 Acórdão n.º 140100.464 S1C4T1 Fl. 21 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Viviani Aparecida Bacchmi, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1226.166 , da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro IRJ. A empresa identificada nos autos teve sua opção no Simples Nacional indeferida por incorrer em atividade econômica vedada (62040/00 Consultoria em Tecnologia da Informação), conforme estabelecido na legislação do Simples Nacional, Lei Complementam0 123/2006, de 14/12/2006, art. 17, inciso XI (fls. 08). Inconformada com o indeferimento, a interessada apresenta manifestação de inconformidade (fls. 01) em que pede a aceitação na sistemática de pagamentos de tributos disposta na Lei Complementar n° 123/2006, haja vista que exerce atividade permitida à inclusão no Simples Nacional. A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. Os serviços relativos à consultoria estão vedados à opção pelo Simples Nacional. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, reiterando o seu pedido de aceitação na sistemática de pagamentos de tributos disposta na Lei Complementar n° 123/2006, haja vista que exerce atividade permitida à inclusão no Simples Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Fl. 27DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15455.000407/200911 Acórdão n.º 140100.464 S1C4T1 Fl. 22 3 Verifico, preliminarmente, que o Recurso foi interposto fora do prazo de trintas dias, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. É de se ver. Conforme atesta o Aviso de Recebimento de fl. 15 referente à Intimação nº 1.194/2009 de fl.14 como consignado expressamente nele , a ciência ocorreu em 09/03/2010 e o Recurso somente foi protocolizado em 15/04/2010, conforme o carimbo de protocolo na fl. 16, superando em sete dias o prazo regulamentar de 30(trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Outrossim, a recorrente não traz em seu recurso nenhum argumento para infirmar a conclusão acima. Pelo exposto, voto no sentido NÃO CONHECER do recurso, face à intempestividade. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 28DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002806/2004-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000
Ementa:
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL. Comprovada a homologação judicial do acordo entre as partes,
os valores pagos a título de pensão judicial são dedutíveis, para fins de imposto de renda da pessoa física, mas apenas nos limites dos valores efetivamente comprovados e desde que dentro do que foi definido judicialmente.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. CORREÇÃO DO VALOR. Salvo decisão judicial, as prestações alimentícias, de qualquer natureza, serão corrigidas
monetariamente, conforme previsão do art.22 da Lei nº 6.515/77.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.037
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor de R$ 4.800,00 a título de pagamento de pensão alimentícia. Ausência justificada da conselheira.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 Ementa: PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL. Comprovada a homologação judicial do acordo entre as partes, os valores pagos a título de pensão judicial são dedutíveis, para fins de imposto de renda da pessoa física, mas apenas nos limites dos valores efetivamente comprovados e desde que dentro do que foi definido judicialmente. PENSÃO ALIMENTÍCIA. CORREÇÃO DO VALOR. Salvo decisão judicial, as prestações alimentícias, de qualquer natureza, serão corrigidas monetariamente, conforme previsão do art.22 da Lei nº 6.515/77. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DEDUÇÃO. DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL. Comprovada a homologação judicial do acordo entre as partes, os valores pagos a título de pensão judicial são dedutíveis, para fins de imposto de renda da pessoa física, mas apenas nos limites dos valores efetivamente comprovados e desde que dentro do que foi definido judicialmente. PENSÃO ALIMENTÍCIA. CORREÇÃO DO VALOR. Salvo decisão judicial, as prestações alimentícias, de qualquer natureza, serão corrigidas monetariamente, conforme previsão do art.22 da Lei nº 6.515/77. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor de R$ 4.800,00 a título de pagamento de pensão alimentícia. Ausência justificada da conselheira. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 05/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 2 convocado), Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 02/05), para exigir crédito tributário de IRPF, exercício 2000, no montante de R$ 8.457,71, sendo R$ 3.433,35 correspondente a imposto suplementar, R$ 2.575,01 a multa de ofício e R$ 2.449,35 a juros de mora, calculados até 05/2004, originado da glosa de dedução de pensão judicial. Inconformado com o lançamento, em 14/06/2004, o contribuinte interpôs impugnação (fls.01), apresentando cópia da sentença judicial que homologou a separação do casal, bem como documentação adicional comprovando o pagamento das despesas mensais que compõem a pensão alimentícia, nos termos da sentença judicial. Após analisar a matéria, os Membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP II, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente em PARTE o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/SPO II n°1721.032 de 10 de outubro de 2007, fls. 23/26, conforme demonstrativo apresentado: Imposto suplementar lançado e exonerado R$3.433,35 Multa de oficio lançada e exonerada R$2.575,01 Imposto a restituir calculado R$3.618,90 Cientificado da decisão da DRJ em 23/11/2007 (“AR” fls. 108verso), o contribuinte apresentou, em 13/12/2007, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls.109/11, argumentando em síntese: 1. PENSÃO PECUNIÁRIA DE ALIMENTOS Apesar de haver comprovado o pagamento de alimentos no valor de R$ 400,00 mensais, conforme atestado às fls. 105 dos autos, este valor excedeu o valor inicialmente homologado judicialmente de 298 URV's (equivalente a R$ 300,00 na conversão no Plano Real de julho de 1994), devido a correção da pensão alimentícia, com base com base no artigo n°22 da Lei n°6.515 de 26/12/1977 (Lei do Divórcio), ou seja, "Salvo decisão judicial, as prestações alimentícias, de qualquer natureza, serão corrigidas na forma dos índices de atualização das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORM". 2. DESPESAS DE IPTU GLOSADA Considerando que parte das despesas pleiteadas a título de pagamento de IPTU foi glosada, o contribuinte requereu junto à Secretaria Municipal de Finanças de São Paulo, uma Certidão de Valores Pagos (IPTU) de 1999, que segundo a Prefeitura estará disponível em trinta dias, requerendo, em caráter excepcional, que a comprovação do pagamento do IPTU com base na Certidão de Valores Pagos de 1999, seja prorrogada. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 119 (última). É o Relatório. Voto Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10830.002806/200455 Acórdão n.º 220101.037 S2C2T1 Fl. 2 3 Conselheira Rayana Alves de Oliveira França O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. No mérito a controvérsia versa sobre a comprovação da pensão alimentícia deduzida na declaração do contribuinte no exercício de 2000, especificamente os valores relativos a pensão paga em pecúnia e IPTU. A decisão de primeira instância já deu provimento parcial a pretensão do recorrente pelas razões que podem ser empossados do enxerto abaixo transcrito do voto condutor: “Analisandose os autos verificase que o interessado trouxe aos autos do processo a cópia da sentença judicial (fls. 08 a 11). O contribuinte também anexou aos autos documentação comprobatória de despesas previstas na sentença judicial em tela. Porem, apesar de haver comprovação de pagamento de alimentos no valor de RS 400,00 mensais, não há menção nos autos de homologação judicial deste valor, maior do que o previsto inicialmente na sentença que homologou a separação judicial, que é de 298 URV (fl. 10). Assim sendo, este será o valor aceito a titulo de pagamento em moeda nacional de alimentos para fins de dedução do imposto de renda. Também não há nos autos comprovação para parte das despesas pleiteadas a titulo de pagamento de IPTU. Desta forma, dos R$ 2.066,32 pleiteados, estão comprovados nos autos e, portanto, concedidos R$ 785,10. As demais despesas, componentes da pensão judicial, estão comprovadas nos autos e, assim, reconhecidas.” O Acordo Judicial foi assinado em 03/03/1994 e homologado em 20/07/1995, nele estava expressamente previsto: “Em pecúnia, no corrente más de março, será paga a importância de duzentos mil cruzeiros reais. A partir do mês de abril a pensão equivalerá a 298 URVs a ser paga ate o dia 10 de cada mês.” Importa enfatizar que entre a assinatura desse Acordo e o pagamento da pensão judicial no anocalendário de 1999, se passaram pouco menos de cinco anos, não se pode imaginar que nesse período não tenha havido correção desse valor, mesmo que não expressamente prevista nos autos. Como bem enfatizou o recorrente, a correção do valor da pensão alimentícia está determinada pela Lei nº 6.515/77 que regula os casos de dissolução da sociedade conjugal e do casamento, seus efeitos e respectivos processos, e dá outras providências, ex legis: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 4 “Seção IV Dos Alimentos Art 22 Salvo decisão judicial, as prestações alimentícias, de qualquer natureza, serão corrigidas monetariamente na forma dos índices de atualização das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN.” Através da Medida Provisória nº 542/94 que instituiu o Real como unidade do sistema monetário nacional, a partir de 01/07/1994, o valor de 298 URVs foi convertido para R$298,00. Em um simples cálculo da correção monetária deste valor, entre essa data e o primeiro pagamento no anocalendário de 1999, o valor corrigido é de R$518,00. (Fonte: Site do TJDF: http://www.tjdft.jus.br/cons/at_monet.asp parâmetros = data inicial: 01/07/1994, data final: 10/01/1999, valor principal: 298,00) Inclusive esse é o valor indicado pelo contribuinte, às fls.110 do Recurso Voluntário. Assim, comprovado o pagamento da pensão em pecúnia no valor de R$400,00 cabe razão ao recorrente, devendo esse valor ser restabelecido no cálculo da dedução da pensão alimentícia. Não obstante apesar de requerido pelo recorrente, até a presente data não foi apresentado o comprovante de pagamento do IPTU. Assim, neste tocante não há reparos a fazer o lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer o valor de R$4.800,00 a título de pagamento de pensão alimentícia. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10830.002806/200455 Acórdão n.º 220101.037 S2C2T1 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 05/07/2011 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917008/2008-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
INTEMPESTIVIDADE
Considera-se intempestiva a manifestação de inconformidade interposta fora do prazo estabelecido, assim, o recurso decorrente se nega provimento.
Numero da decisão: 1103-000.480
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 INTEMPESTIVIDADE Considera-se intempestiva a manifestação de inconformidade interposta fora do prazo estabelecido, assim, o recurso decorrente se nega provimento.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Cristiane Silva Costa, Jose Sergio Gomes. Relatório Fl. 139DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Trata de recurso contra a decisão da DRJ do Rio de Janeiro I, que não conheceu da manifestação de inconformidade por intempestiva. Trata o presente processo de pedido de compensação (fls. 7/11) de pagamento indevido ou a maior de CSLL em 1/7/2004, no valor de R$ 28.600,00, com débito de IRPJ correspondente ao mês setembro de 2004. 2 A Derat (RJ) indeferiu o pedido (fl. 12), visto a não localização do Darf informado. 3 Irresignado com o indeferimento, o interessado apresentou manifestação de inconformidade às fls. 13/64 (documentos às fls. 65/69), alegando, dentre outras razões, que foi notificado do despacho decisório em 26/8/2008. A DRJ decidiu: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Manifestação de inconformidade apresentada com mais de 30 dias da data de ciência do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação é intempestiva, impedindo seu conhecimento.” A contribuinte recorre (resumo): Quanto a tempestividade: É comum, no processo administrativo fiscal, após esgotado o prazo legal para recurso ou depois do trânsito em julgado administrativo, haver a interposição de recursos, pedidos de reconsideração ou de revisão de ato, os quais deixam de ser conhecidos e analisados pela Administração sob a alegação preliminar da intempestividade. Quando expira o prazo para a interposição de recurso, ocorre o que se denomina preclusão, no sentido de não se tomar conhecimento do pedido. O recurso interposto fora do prazo legal é denominado intempestivo. Todavia, há doutrinadores sustentando que, não obstante a impugnação ser extemporânea, cabe à autoridade administrativa conhecer e acolher a pretensão do reclamante, quando a reclamação aponte alguma ilegalidade ou erro na conduta administrativa, e desde que se convença da procedência da reclamação e não haja a extinção, pelo tempo, do direito de a Administração rever os seus atos, a pedido ou de ofício. Mérito A empresa recorrente realizou DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO em 26/10/2004, através do programa PER/DCOMP, identificando erroneamente como origem dos créditos o tributo PIS, ao invés de crédito de CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com o valor de R$ 28.600,00. 2. Notese que o tributo CSLL , código 2484: que titulava o crédito pretendido não se originava em Darfs pagos mas sim em apuração contábil de crédito, com valor apurado, na data de 31/12/2003, de R$ 30.000,00, passível de utilização para abatimento Fl. 140DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15374.917008/200800 Acórdão n.º 110300.480 S1C1T3 Fl. 2 3 em tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, por isso não foi encontrado DARF no banco de dados da Receita Federal; Os tributos que originaram o crédito foram declarados através do programa eletrônico PERDCOMP de forma identificada como "erro material" ou falha na transcrição para o computador, face à quantidade de leis e instruções normativas que acima descrevemos. Além da enorme quantidade de quesitos legais, requerendo que a empresa contasse com um "staff" voltado para a área tributária, fato inconcebível para uma empresa de pequeno porte, coincidindo com o mês de conversão para a "não cumulatividade". Como agravante operacional, a situação gerada pela inexperiência no uso do programa PERDCOMP, que apenas aceitava 1 (um) único DARF, quebrando todo o processo de levantamento e utilização dos créditos , que já estava em andamento pela utilização de formulários de compensação em papel, estes, com ampla facilidade e permissão para transcrever quaisquer quantidades de DARFS e créditos; Ressaltese também que, no tocante à filtragem de informações digitadas, requisito primordial em qualquer projeto de informática, que pressuponha a entrada de dados, as versões iniciais de PERDCOMP erroneamente permitiam a digitação de várias informações incorretas. A EMPRESA ainda detém em disponibilidade, os créditos da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL, que seriam a origem dos créditos para a compensação, portanto, solicitamos, que esta declaração de compensação possa ser refeita,evidentemente agregando os juros e Multas legais. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Da Intempestividade A recorrente não nega a intempestividade da manifestação de inconformidade. Os fato são que o aviso de recebimento – AR de fl. 71 comprova o envio do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação (fl. 12), para o endereço do domicílio fiscal do interessado, com o atestado de recebimento em 22/8/2008 (sextafeira). Por conseguinte, o início da contagem do prazo para apresentação da manifestação de inconformidade iniciouse no dia 25/8/2008 (segundafeira), findando no dia 23/9/2008 (terça feira). Como a manifestação de inconformidade foi apresentada em 24/9/2008 (fl. 13), constatase sua intempestividade, pois ultrapassou o prazo de 30 dias estabelecido no art. 15 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 As opiniões doutrinárias alegadas pelo recorrente, não podem revogar os comandos legais. Por todo o exposto, voto por conhecer o recurso, para negarlhe provimento. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 142DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 35018.000085/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/1999 a 30/12/2001
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS
OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91.
DECADÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2301-002.017
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos voto da relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/1999 a 30/12/2001 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91. DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário provido.
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DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplicase, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos voto da relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35018.000085/200704 Acórdão n.º 230102.017 S2C3T1 Fl. 144 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 25/04/2007, por ter a empresa acima identificada deixado de exibir documentos ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentálos sem que atendam as formalidades legais exigidas, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3o, da referida Lei, c/c o art. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls 06), a recorrente deixou de apresentar, apesar de solicitado por intermédio de TIAD, a folha de pagamento de todos os segurados (empregados, contribuintes individuais e avulsos), referente à competência 11/2001, e dos segurados empregados relativo às competências 13/1999, 13/2000 e 13/2001. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1513988, da 7a Turma DRJ/SDR (fls. 75), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 87 e seguintes), alegando, entre outras coisas, decadência dolançamento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. A recorrente alega impossibilidade de se exigir quaisquer valores decorrentes de fatos geradores anteriores a 05/2002, em face decadência do direito de efetuar lançamento de crédito tributário, de acordo com artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Verificase que a fiscalização lavrou o AI discutido com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35018.000085/200704 Acórdão n.º 230102.017 S2C3T1 Fl. 145 5 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 6 Entretanto, o caso em tela se trata de Auto de Infração, ou seja, de lançamento de ofício, para o qual se a aplica o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O Auto de Infração foi lavrado em 25/04/2007, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu 02/05/2007, conforme documento de fls. 36. Entendo que a obrigação acessória, cuja existência supõe a da principal, segue a condição jurídica do principal e, como conseqüência, a extinção da obrigação principal implica o desaparecimento da obrigação acessória. Assim, como a decadência extingue a obrigação principal, extingue, concomitantemente, a obrigação acessória, uma vez que o Fisco não pode lançar um débito decorrente de uma infração ocorrida em período atingido pela decadência prevista no art. 173, transcrito acima,, pois o direito de constituir o crédito tributário restou extinto. Em que pese o entendimento desta Conselheira de que, para a competência 12/2001, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2002, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2003, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima, deixo de aplicálo tendo em vista o disposto no art. 62A, do Regimento deste CARF, que obriga a todos os Conselheiros reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ, julgados na sistemática do art. 543C.. Dessa forma, considerando que o auto se refere à infração cometida nas competências compreendidas entre 12/1999 a 12/2001, e considerando que o STJ julgou, em maio de 2009, o Recurso Especial 973.933 – SC como recurso repetitivo, constatase que se operara a decadência total do direito de constituição do crédito, inclusive para os décimos terceiros salários de 1999, 2000 e 2001. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para reconhecer a decadência total do lançamento. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35018.000085/200704 Acórdão n.º 230102.017 S2C3T1 Fl. 146 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 13738.000404/2001-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRO.Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo.Recurso Voluntário ProvidoVistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Numero da decisão: 3302-000.846
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRO.Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo.Recurso Voluntário ProvidoVistos, relatados e discutidos os presentes autos,
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1511; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 517 1 516 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13738.000404/200110 Recurso nº 177.482 Voluntário Acórdão nº 330200.846 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2011 Matéria PIS Recorrente STAM METALÚRGICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRO Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995 COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andrea Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 531DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 330200.846 S3C3T2 Fl. 518 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 457 a 460) apresentado em 31 de março de 2009 contra o Acórdão no 1322.948, 08 de janeiro de 2009, da 5ª Turma da DRJ/RJO II (fls. 448 a 454), cientificado em 12 de março de 2009, que, relativamente a pedido de restituição e compensação de PIS dos períodos de janeiro de 1989 a outubro de 1995, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995 COMPENSAÇÃO/RECONHECIMENTO JUDICIAL A compensação de crédito reconhecido judicialmente deve obedecer aos limites fixados na decisão transitada em julgado. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Solicitação Indeferida O pedido foi apresentado em 31 de julho de 2001 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fl. 321 a 350, com base na informação de fls. 319 e 320, segundo a qual a Interessada teria perdido o prazo para o pedido em relação a parte dos créditos. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de pedido de reconhecimento de direito creditório oriundo de recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social PIS, pago na forma dos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449/88, no que exceder ao devido pela Lei Complementar nº 7/70, admitida a semestralidade, relativo ao período de janeiro de 1989 a outubro de 1995, amparado no Mandado de Segurança nº 2000.51.05.0013164, em trâmite na 4ª Vara Federal de Niterói/RJ. Através do Despacho Decisório de fl. 354/355, a autoridade administrativa deferiu parcialmente o pedido, com base no parecer da SECAT/DRFNIT – fls.350/353 113/116, com os seguintes fundamentos: “Respeitando o acórdão transitado em julgado, consideramos não prescritos todos os DARF´s com data de arrecadação Fl. 532DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 330200.846 S3C3T2 Fl. 519 3 posterior a 21/07/1990, visto que ação foi ajuizada em 21/07/2000 e a prescrição é de 10 anos. Para efeito de apuração do crédito de PIS a compensar, primeiramente, devemos imputar os DARF´s recolhidos aos novos valores de PISFaturamento devidos pela sistemática da LC 7/70, em substituição ao PIS Receita Operacional Bruta devido de acordo com os Decretoslei 2.445 e 2.449/88, julgados inconstitucionais. Só então, poderemos utilizar os saldos credores dos recolhimentos, se existirem, na compensação pretendida. ....... Ocorre que, em verificações complementares, constatamos que no processo 13738.000206/9817, também de RESTITUIÇÃO DE PIS, todos os débitos e pagamentos referentes ao PA 05/93 em diante já haviam sido considerados para efeito de compensação, objeto de decisão administrativa em jul/2003, com ciência ao contribuinte em 06/02/2004, sem interposição de manifestação de inconformidade, conforme cópias extraídas e anexadas nas fls.310 a 327. ...... Verificamos, ainda, que todos os débitos daquele processo, não alcançados pela compensação, foram incluídos no PAES em 11/07/2003, extrato de fl.327, tendo sido condição para sua adesão a desistência expressa e irrevogável da ação judicial proposta, com renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundassem as ações judiciais, relativamente à matéria cujo respectivo débito se quisesse parcelar (art. 4º, II, Lei 10.684/2003). Assim sendo, considerandose definitivamente julgada na esfera administrativa a compensação dos créditos de PIS com data de arrecadação posterior a 21/06/93, alterando os cálculos de fls.272 a 308 para: ........ Os novos cálculos anexados nas fls.329 a 349 demonstraram que os créditos do interessado foram suficientes para amortizar os débitos de CSLL de jun/01, PIS de jul/01 e parte da COFINS de jul/01, fls.345/346, devendo os demais prosseguir em cobrança.” Cientificada da decisão em 01/08/2008 (fl. 361), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 15/08/2008 (fl. 362/368), alegando, em síntese que: 1. Amparada por decisão judicial de 1ª instância proferida em 30 de maio de 2001, a contribuinte ingressou com pedido administrativo de compensação, em 31/07/2001, dos valores do PIS pagos indevidamente com CSLL, PIS e COFINS, conforme pedido de restituição e planilha em anexo. No dia 13 de agosto de 2001 foi entregue o segundo pedido de compensação Fl. 533DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 330200.846 S3C3T2 Fl. 520 4 originário do saldo corrigido do valor apresentado em 31 de julho de 2001; 2. Durante os sete anos seguintes, a Secretaria da Receita Federal jamais verificou se os valores compensados estavam corretos ou não, sempre emitindo Certidão Negativa de Débitos eis que não havia nenhuma irregularidade na mencionada compensação; 3. Contudo, a decisão de não homologar os valores compensados não merece prosperar pois, vale ressaltar, inexiste qualquer motivo plausível para o indeferimento, uma vez que a única hipótese de negação permitida pela sentença judicial transitada em julgado era a falta de recolhimento ou erro de cálculo; 4. No caso focado, nenhuma das duas situações foi contestada pela autoridade fiscal, razão pela qual se depreende que os indeferimentos dos pedidos de compensação foram indevidos; 5. Assim sendo, pugnase, com relação ao valor não homologado a sua imediata homologação, sob pena de violação da coisa julgada material acostada a esta peça; 6. Vale destacar que a decisão administrativa não apresentou qualquer fundamentação que nos permitisse entender a razão da não homologação dos valores; 7. Verificase claramente a ausência de fundamentação quando a autoridade fiscal glosa valores parciais nos períodos compensados, não obstante as guias de recolhimento estejam todas juntadas aos autos do processo administrativo e que agora se junta novamente; 8. Embora a sentença com trânsito em julgado tenha determinado a verificação das guias e que fossem conferidos os cálculos para cumprimento do exarado na decisão em 30 de maio de 2001, cujo prazo de lei concedido era de cinco anos, não houve por parte da Receita Federal, contestação alguma sobre as referidas guias e a planilha apresentada; 9. Verificase que a Receita Federal deveria ter analisado a planilha apresentada pelo contribuinte e conferido se os valores compensados estavam de acordo com o valor do crédito determinado judicialmente; 10. Assim, pugna pela realização de perícia nas planilhas apresentadas com o fim de demonstrar a legalidade da extensão dos valores compensados; 11. Em razão do exposto, deve ser reformada a decisão que indeferiu a homologação parcial apresentada, por desobediência à coisa julgada material. Junto com a manifestação, o contribuinte apresentou Procuração, Ata de Assembléia Geral Extraordinária, cópia da Fl. 534DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 330200.846 S3C3T2 Fl. 521 5 Sentença Judicial e do Acórdão do TRF da 2ª Região, Certidão do trânsito em julgado do referido Acórdão, planilhas e DARF´s. A DRJ esclareceu que “a contribuinte em epígrafe impetrou Mandado de Segurança nº 2000.51050013164, em trâmite na 4ª Vara da Justiça Federal em Niterói, com vistas a ser declarado o direito da impetrante de compensar os valores recolhidos a título de PIS, com base nos Dec.Leis n. 2.445 e 2.449, de 1988, com os valores vencidos e vincendos de Contribuições Sociais administradas pela Receita Federal, mantendo a exação na forma da LC 7/70, sendo concedida à segurança em 30 de maio de 2001”, com trânsito em julgado em 06 de agosto de 2004. Considerou, ainda, que a Interessada teria perdido o prazo para o pedido, por ter apresentado o processo somente em 31 de julho de 2001. Indeferiu o pedido de perícia e considerou que os créditos teriam ultrapassado os débitos do processo administrativo anterior (13738.000206/9817). Por fim, considerou que os valores apurados no processo acima citado e nele utilizados não foram contestados pela Interessada. No recurso, alegou a Interessada que teria que ser cumprida a decisão judicial e discordou das fundamentações do acórdão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O recurso da interessada foi efetuado de maneira genérica, mas remeteuse às alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, de forma que as matérias devem ser apreciadas. Os critérios adotados pela autoridade fiscal para apuração dos créditos foram expostos no despacho de fls. 350 a 353, que foi aprovado pelo despacho decisório de fl. 357. Os termos do despacho foram os seguintes: [...] crédito tributário com os demais tributos administrados pela SRF, nos termos do pedido inicial (fls 133/137), ficando definido como critério de cálculo: base de cálculo de 6 meses anteriores ao fato gerador, na forma do pedido inicial; atualização monetária segundo os índices utilizados para a correção dos precatórios no âmbito da Justiça Federal; Fl. 535DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 330200.846 S3C3T2 Fl. 522 6 juros moratórios conforme a SELIC a partir de janeiro/96, desconsiderandose a incidência de correção monetária a partir desta data; quanto à prescrição, o mais benéfico ao contribuinte, seja de 5 anos contados desde a declaração de inconstitucionalidade da exação pelo STF, seja de 10 anos computados do fato gerador. Respeitando o acórdão transitado em julgado, consideramos não prescritos todos os DARFs com data de arrecadação posterior a 21/07/1990, visto que a ação foi ajuizada em 21/07/2000 e a prescrição é de 10 anos. Para efeito de apuração do crédito de PIS a compensar, primeiramente, devemos imputar os DARFs recolhidos aos novos valores de PISFaturamento devidos pela sistemática da LC 7/70, em substituição ao PIS Receita Operacional Bruta devido de acordo com os DecretosLei 2445 e 2449/88, julgados inconstitucionais. Só então, poderemos utilizar os saldos credores dos recolhimentos, se existirem, na compensação pretendida. Para confirmação da existência de saldos credores dos DARFs, utilizamos o programa CTSJ para imputação dos mesmos aos débitos de PIS FATURAMENTO, considerada a semestralidade da base de cálculo. Considerando que, no âmbito da SRF, não há sistema de cálculo disponível para atualização monetária pelos índices de precatórios da Justiça Federal, optamos por atualizar débitos e créditos até determinada data, no caso março 2008, e extinguir os débitos até o limite dos créditos. Desta forma, aos créditos foram aplicados até 1995, os índices da tabela de correção monetária dos precatórios de fls. 296/297, e a SELIC a partir de 96. Aos débitos a compensar, todos vencidos em 2001, aplicamos apenas a SELIC (SICALC fls. 300 a 302), sem a incidência de multa. Na manifestação de inconformidade, a Interessada alegou que a Receita Federal teria incorrido em erro de cálculo ao apurar os créditos e que deveria levar em conta os demonstrativos apresentados. Nesse contexto, requereu a realização de perícia, mas sem as formalidades previstas no Decreto no 70.235, de 1972. Na verdade, não houve erro de cálculo, pois, conforme exposto no processo, a apuração foi efetuada com base em critérios adotados pela Receita Federal. Por sua vez, a Interessada deveria, na manifestação de inconformidade, expressar os fundamentos de sua discordância, nos termos do art. 16, III, do Decreto no 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, e não simplesmente alegar que teria havido erro de cálculo. Portanto, a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada é, nessa matéria, inepta, por simplesmente não fundamentar sua discordância em relação ao decido pela autoridade fiscal. Fl. 536DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 330200.846 S3C3T2 Fl. 523 7 Entretanto, as datas de apresentação das compensações foram 31 de julho, 10 de setembro, 9 e 29 de outubro, 12 de novembro de 2001, 14 de janeiro de 2002 e o despacho decisório foi de 27 de maio de 2008, após cinco anos da data do pedido (ademais, há mais de cinco anos da data da criação da declaração de compensação e da conversão dos pedidos de compensação em declarações de compensação). Tal questão está relacionada à homologação tácita das compensações efetuadas. Nessa matéria, adoto os fundamentos do Recurso no 501.812, de relatoria do Conselheiro Alexandre Gomes. Em se tratando de pedidos de compensação protocolados no ano de 2000, convém analisar o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nº. 10.637/2002 e nº. 10.833/03, assim determinou: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de Fl. 537DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 330200.846 S3C3T2 Fl. 524 8 decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Nos termos do § 4º do artigo 74 da Lei nº. 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de análise por parte da SRF em 01/10/2002 foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação desde o seu protocolo, passando, a partir disto, estarem sujeitos à homologação tácita quando não analisados dentro do prazo de 5 anos a contar do seu protocolo. A Instrução Normativa SRF n° 460, de 18/10/2004, primeira a regular a matéria tratada nos parágrafos 2° e 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, após a edição da MP n° 66/2002, basicamente repete os dispositivos contidos naquela Lei, vejase a seguir: Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 1º. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no art. 48. § 2º. prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. [...] Art. 64. Serão considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003, os pedidos de compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF. (...) Art. 70. A data de início da contagem do prazo previsto no § 2º. do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Fl. 538DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 330200.846 S3C3T2 Fl. 525 9 Declaração de Compensação, é a data da protocolização o do pedido na SRF. A Secretaria da Receita Federal, por meio da sua CoordenaçãoGeral de Tributação, editou a Solicitação de Consulta Interna no 01, de 04 de Janeiro de 2006, em que restou esclarecido: ASSUNTO : Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. EMENTA : Pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação. Inexistência de homologação tácita para pedidos de compensação não convertidos em declaração de compensação. Obrigatoriedade de exame do pedido de restituição. Cabimento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Ou seja, não existe, na legislação de regência, qualquer determinação ou exigência relacionada a procedência ou não dos pedidos de ressarcimento, nem a eventuais requisitos a serem cumpridos por estes. A homologação tácita ocorre somente em relação aos pedidos de compensação que foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação e não em relação aos pedidos de ressarcimento, que em alguns casos não precisam sequer ser analisados, como no caso de os créditos requeridos estarem sendo totalmente utilizados nas compensações informadas. A interrupção do prazo disposto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96 somente ocorre com a regular intimação da decisão ao sujeito passivo. Esta é a determinação contida na Instrução Normativa SRF nº 460/2004, senão vejamos: Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF Fl. 539DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 330200.846 S3C3T2 Fl. 526 10 competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. (grifos nossos) À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso, declarando tacitamente homologadas as compensações apresentadas. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 540DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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