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Numero do processo: 13972.000356/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/03/2006
PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCESSUAIS. PRAZOS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. DISCUSSÃO MATÉRIA EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE TEMPESTIVIDADE. POSSIBILIDADE.
A impugnação interposta fora do prazo legal de 30 (trinta) dias enseja a preclusão administrativa relativamente às questões meritórias suscitadas na defesa inaugural, cabendo recurso voluntário a este Egrégio Conselho tão somente quanto à prejudicial de conhecimento da peça impugnatória.
Restando incontroversa a intempestividade da impugnação, com
reconhecimento da própria contribuinte, é defeso ao CARF conhecer do recurso voluntário para se pronunciar a respeito das razões meritórias, as quais não foram contempladas na decisão recorrida, em face da preclusão, sob pena, inclusive, de supressão de instância.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.685
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1999 a 31/03/2006 PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCESSUAIS. PRAZOS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. DISCUSSÃO MATÉRIA EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE TEMPESTIVIDADE. POSSIBILIDADE. A impugnação interposta fora do prazo legal de 30 (trinta) dias enseja a preclusão administrativa relativamente às questões meritórias suscitadas na defesa inaugural, cabendo recurso voluntário a este Egrégio Conselho tão somente quanto à prejudicial de conhecimento da peça impugnatória. Restando incontroversa a intempestividade da impugnação, com reconhecimento da própria contribuinte, é defeso ao CARF conhecer do recurso voluntário para se pronunciar a respeito das razões meritórias, as quais não foram contempladas na decisão recorrida, em face da preclusão, sob pena, inclusive, de supressão de instância. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1999 a 31/03/2006 PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCESSUAIS. PRAZOS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. DISCUSSÃO MATÉRIA EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE TEMPESTIVIDADE. POSSIBILIDADE. A impugnação interposta fora do prazo legal de 30 (trinta) dias enseja a preclusão administrativa relativamente às questões meritórias suscitadas na defesa inaugural, cabendo recurso voluntário a este Egrégio Conselho tão somente quanto à prejudicial de conhecimento da peça impugnatória. Restando incontroversa a intempestividade da impugnação, com reconhecimento da própria contribuinte, é defeso ao CARF conhecer do recurso voluntário para se pronunciar a respeito das razões meritórias, as quais não foram contempladas na decisão recorrida, em face da preclusão, sob pena, inclusive, de supressão de instância. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13972.000356/200782 Acórdão n.º 240101.685 S2C4T1 Fl. 73 3 Relatório TRANSPORTADORA TRÊS BARRAS LTDA., contribuinte, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Decisão da 5a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão n° 0714.255/2008, que não conheceu da impugnação por intempestividade, mantendo a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em relação ao período de 06/1999 a 03/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04/05, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 04/12/2007, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 2.222,32 (Dois mil, duzentos e vinte e dois reais e trinta e dois centavos), com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 66/68, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a decisão recorrida por entender que o julgador de primeira instância deveria ter adentrado às questões de mérito suscitadas pela contribuinte em sede de impugnação, uma vez que as irregularidades começaram a ser sanadas logo após a notificação, ou seja, dentro do prazo de impugnação, conforme faz provas com os documentos anexados aos autos. Reconhece a intempestividade da sua defesa inaugural, ocasionada por um mero equívoco na contagem do prazo da impugnação, o que é plenamente justificável em razão da contribuinte não ser acostumada a interpretar as leis. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência, ressaltando a correção das faltas pela contribuinte, demonstrando a preocupação da empresa em promover o saneamento da obrigação fiscal. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com a peça vestibular do feito, a presente autuação foi lavrada em virtude de a recorrente ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de informar as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativamente ao período de 06/1999 a 03/2006. Nesse contexto, a contribuinte foi autuada, com fundamento no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário decorrente da aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...] II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração Fl. 79DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13972.000356/200782 Acórdão n.º 240101.685 S2C4T1 Fl. 74 5 cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras;” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual não conheceu de sua impugnação, aduzindo para tanto que o julgador de primeira instância deveria ter analisado as alegações inaugurais, uma vez que as irregularidades apontadas começaram a ser sanadas logo após a notificação, ou seja, dentro do prazo de impugnação, conforme faz provas com os documentos anexados aos autos. Reconhece a intempestividade da sua defesa inaugural, ocasionada por um mero equívoco na contagem do prazo da impugnação, o que é plenamente justificável em razão da contribuinte não ser acostumada a interpretar as leis. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida apresentase incensurável, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Com efeito, o prazo para interposição de impugnação é de 30 (trinta) dias, contados da data do recebimento da autuação/notificação, consoante se infere do artigo 15 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Destarte, a apresentação de impugnação ao lançamento fiscal, no prazo legal, instaura a fase litigiosa do procedimento, conforme estabelece o artigo 14 do mesmo Diploma Legal, nos seguintes termos: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” Neste diapasão, transcorrido o prazo de defesa/impugnação, qual seja, 30 (trinta) dias, darseá a preclusão processual/administrativa em relação à matéria de mérito, cabendo tão somente recurso voluntário, com efeito suspensivo da exigência fiscal, para discussão da prejudicial relativa ao prazo da impugnação, se tempestiva ou não. Este, aliás, é o entendimento manso e pacífico na jurisprudência administrativa, conforme se depreende dos seguintes julgados do antigo Conselho de Contribuintes, assim ementados: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRAZOS – INTEMPESTIVIDADE – Impugnação interposta após o prazo Fl. 80DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 [...], leva a perda do direito de recorrer. Intempestiva a impugnação, consolidase o lançamento na esfera administrativa. O recurso é recebido por este Conselho de Contribuintes apenas para ser decidida essa prejudicial.” (6ª Câmara do 1º CC – Recurso n° 132.464, Acórdão nº 10613.197, Sessão de 26/02/2003 – Unânime) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRAZOS – PEREMPÇÃO – Impugnação interposta após o prazo [...], leva a perda do direito de recorrer. Perempta a impugnação, consolidase o lançamento na esfera administrativa. O recurso é recebido por este Conselho de Contribuintes apenas para ser decidida essa prejudicial.” (2ª Câmara do 2º CC – Recurso n° 110.969, Acórdão nº 20211302, Sessão 07/07/1999 – Unânime). Na hipótese dos autos, a intempestividade da impugnação resta patente e incontroversa, uma vez que a própria contribuinte a reconhece em seu recurso voluntário, procurando justificála como um mero equívoco na contagem do prazo da defesa inaugural, em virtude de não ser acostumada a interpretar leis, entendimento que não tem o condão de rechaçar a decisão de primeira instância por absoluta falta de previsão legal. Assim, não tendo a contribuinte se insurgido contra a prejudicial de conhecimento de sua impugnação, por intempestividade, é defeso a esta segunda instância julgadora adentrar as questões meritórias, as quais não foram conhecidas no Acórdão recorrido, em face da preclusão em relação a tais matérias, sob pena, inclusive, de supressão de instância. Dessa forma, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantida a autuação e, bem assim, a multa imposta, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base à aplicação da penalidade, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 81DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000288/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/10/2001
Ementa:CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA
Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e, por se tratar de contribuições incidentes apenas sobre parte das remunerações dos segurados, entende-se que houve antecipação de pagamento, aplica-se, portanto, a regra do art. 150 § 4º do CTN.
Todavia, independentemente de qual tese seja adotada, se a do artigo 150 § 4º ou 173 do CTN, em qualquer hipótese, já estará decaído o direito do lançamento das contribuições objeto da presente NFLD.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.723
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/10/2001 Ementa:CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e, por se tratar de contribuições incidentes apenas sobre parte das remunerações dos segurados, entende-se que houve antecipação de pagamento, aplica-se, portanto, a regra do art. 150 § 4º do CTN. Todavia, independentemente de qual tese seja adotada, se a do artigo 150 § 4º ou 173 do CTN, em qualquer hipótese, já estará decaído o direito do lançamento das contribuições objeto da presente NFLD. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 429 1 428 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 44021.000288/200724 Recurso nº 163.680 Voluntário Acórdão nº 240101.723 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente MARQUÊS CORRETORA DE SEGUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/10/2001 Ementa:CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e, por se tratar de contribuições incidentes apenas sobre parte das remunerações dos segurados, entendese que houve antecipação de pagamento, aplicase, portanto, a regra do art. 150 § 4º do CTN. Todavia, independentemente de qual tese seja adotada, se a do artigo 150 § 4º ou 173 do CTN, em qualquer hipótese, já estará decaído o direito do lançamento das contribuições objeto da presente NFLD. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Cleusa Vieira de Souza relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000288/200724 Acórdão n.º 240101.723 S2C4T1 Fl. 430 3 Relatório Tratase de Crédito Previdenciário lançado contra o contribuinte acima identificado, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito –NFLD nº 37.066.609 7 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 24/26, referese a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte e dos segurados empregados, da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT e aquelas destinadas às outras entidades (SalárioEducação/FNDE, Incra), incidentes sobre prêmios de desempenho e incentivo pagos ou creditados aos empregados através de cartões eletrônicos de premiação, no período compreendido entre 02/2000 a 10/2001. Informa o referido relatório fiscal, que a empresa contratada Incentive House S/A é fornecedora do cartão de premiação denominado "FLEXCARD", onde através dele, o premiado, empregado da contratante, pode realizar saques nos terminais eletrônicos de agências bancárias. Informa, ainda, que os valores das contribuições foram apurados com base nos lançamentos contábeis e nas notas fiscais de serviços emitidas pela empresa contratada, as quais encontramse escrituradas nos Livros Diário n° 17 a 19. A Notificada não apresentou a relação nominal dos beneficiários, impossibilitando assim o correto enquadramento na tabela de contribuição, tendo sido aplicada a alíquota mínima de 8% para a apuração de sua contribuição. A empresa não informou em GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social os valores pagos a título de premiação, o que, em tese, configura a prática do Crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no art. 337A, inciso 1, do Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983/2000, motivo pelo qual será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. Tempestivamente o contribuinte apresentou sua impugnação, acompanhada de documentos juntados às fls. 36/318, alegando, em síntese: O período que compreende a presente NFLD foi atingido pela decadência qüinqüenal do direito do fisco efetuar o lançamento tributário, uma vez que o disposto na Lei 8.212/91, por se tratar de lei ordinária, não tem o condão de modificar o determinado no C'TN, recepcionado pela nova ordem constitucional com status de Lei Complementar. Portanto, o prazo que deve prevalecer é o prescrito no CTN conforme inúmeras decisões de nossos tribunais. Assim, entende que se operou a decadência do direito do INSS efetuar o lançamento dos valores referente a todo o período apurado. Quanto às atividades desenvolvidas pela Impugnante, assevera que ela foi contratada pelo Bradesco Seguros S/A para a realização das atividades, dentre outras, de prestação de serviços de administração de planos de seguros, administração de produção e coordenação geral de vendas, marketing, assessoramento da divulgação, promoção e publicidade e a corretagem, em cuja execução caberia executar campanhas e concursos de estímulos a todas as pessoas envolvidas na operação. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Que a relação jurídica instaurada entre a Impugnante e o Bradesco tem por escopo o fomento das vendas de produtos tais como: seguros pessoais diversos, seguro saúde e previdência privada. Ela estava obrigada, por intermédio do contrato firmado, a fomentar as vendas destes produtos em todo o território nacional. Destaca que eles são vendidos por corretores autônomos, pessoas físicas e/ou jurídicas, que não se dedicam à venda de um único produto, mas de vários, referentes a instituições financeiras distintas. Que, os corretores "autônomos" não tem relação jurídica com a Impugnante eis que vendem produtos do Bradesco S/A e desta instituição financeira recebem a comissão. Os prêmios ofertados, em caráter eventual e esporádico pela Impugnante aos corretores do Bradesco decorrem do estrito cumprimento do contrato firmado entre ela e o Bradesco. Tais corretores jamais firmaram qualquer contrato com a impugnante, tampouco são seus empregados. Que visando incrementar as vendas dos produtos, a impugnante, desenvolveu inúmeras campanhas promocionais, para estimular os corretores e adotou, por fim, o cartão de premiação, utilizado para aquisição de prêmios por atingimento de metas, visando maior agilidade na entrega da premiação. A utilização do cartão de premiação nunca teve por objetivo o pagamento de quaisquer remunerações a funcionários, mesmo porque, quando eles recebiam comissões e/ou gratificações, tais valores eram submetidos à tributação, por via das contribuições sociais, conforme demonstram os holleriths que anexa ao presente. Aduz que os prêmios recebidos não têm natureza de salário ou remuneração e, portanto, não estão sujeitos às contribuições previdenciárias. Ainda que se admita que eles tenham sido pagos a funcionários, tais valores não fazem parte das remunerações habituais destinadas a retribuir o trabalho, sua natureza jurídica é diversa da natureza jurídica da remuneração, por se tratar de ganho eventual. Que o prêmio não possui a característica da retributividade, eis que sua finalidade não é a de retribuir qualquer espécie de trabalho prestado. Não se trata de contraprestação, mas de recompensa pelo cumprimento de metas preestabelecidas, de um incentivo para o aumento da produtividade. Após transcrever posicionamentos de Tribunais Regionais do Trabalho, conclui que os prêmios pagos não se subsumem ao conceito de remuneração e, portanto, jamais poderiam constituir base de cálculo para as contribuições ora cobradas. Assevera que a prática de Marketing de incentivo constitui "Promessa de Recompensa", conforme estatui o art. 854 do Código Civil e consiste em obrigação contraída por meio de manifestação unilateral de vontade, mediante a qual a declarante obrigase a gratificar o indivíduo que se encontrar em certa situação ou executar determinado serviço. Nesta esteira, é imprescindível que o indivíduo contemplado com o prêmio tenha realizado a tarefa com a intenção de ser recompensado. Assim posto, resta evidente que o marketing de incentivo, essencialmente caracterizado como promessa de recompensa, não guarda qualquer relação com o conceito de remuneração. Aduz, mais, que ela foi fiscalizada no ano de 2002, sendo que do resultado da referida fiscalização foi exarado o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, o qual se constitui em homologação expressa dos recolhimentos por parte da Impugnante, não se podendo imputar qualquer cobrança das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social, inclusive as constantes da presente NFLD até o período em que se verificou a lavratura do TEAF, configurando a homologação expressa do pagamento realizado pelo contribuinte. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000288/200724 Acórdão n.º 240101.723 S2C4T1 Fl. 431 5 Que, após a análise de documentos pela Auditoria Fiscal e ela conclui que os tributos foram recolhidos devidamente, por que não reconhecer que a obrigação tributária está extinta, além do que, no presente caso, não ocorreu nenhum ato administrativo de lançamento tributário complementar. Consigna que caso o TEAF não pudesse traduzir uma homologação expressa, estarseia afrontando o princípio da moralidade administrativa. Em suma, com a homologação expressa realizada pelo fisco, verificouse a extinção definitiva da obrigação tributária, desta forma entende que não deve prevalecer a presente notificação. Salienta que há total falta de motivação para incluir os sóciosgerentes e sócios na condição de coresponsáveis pelo débito. Não há sequer a invocação do dispositivo legal que fundamentaria tal inclusão, o que impõe a declaração de invalidade deste ato administrativo por carência de motivação. Por outro lado, o art. 134 do CTN estabelece a responsabilidade pessoal do sócio quando se verificar a dissolução irregular da sociedade, o que não ocorreu, no caso em tela. Por sua vez, o art. 135 estabelece a responsabilidade quando os administradores e dirigentes agirem com infração à lei, o que também não ocorreu. Que o enquadramento da coresponsabilidade no art. 13 da Lei 8.620/93 e no art. 268 do Decreto 3.048/99 é descabido, porque é vedado à Lei Ordinária versar sobre matéria de responsabilidade na esfera tributária, na forma do art. 146, III da CF. Logo, somente o CTN atua neste campo, sendo que seus arts. 134 e 135 são inaplicáveis à questão. Pede pela exclusão dos sócios da relação de coresponsáveis. Que a multa imposta é despropositada vez que o percentual não obedece ao princípio da proporcionalidade. É desproporcional à capacidade contributiva e consagra confisco, sendo imperiosa sua redução. Insurge contra a aplicação de SELIC na apuração dos juros, tendo em vista tratarse de taxas remuneratórias e não de forma de cálculo de juros moratórios, portanto incabível sua aplicação. Neste sentido cita decisão proferida pelo E. STJ que reconheceu a inconstitucionalidade, in Resp n° 215.881PR — Relator Min. Franciulli Neto. Ao final, pleiteia pela declaração de improcedência do lançamento e protesta por todos os meios de prova em direito admitido, em especial pela juntada de novos documentos. A 10ª Turma da DRJ/SP011, por meio do Acórdão n° 1720.651/2007, julgou procedente o lançamento. Inconformada com a Decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, conforme razões expendidas às fls. 342/410, reproduzindo as razões aduzidas em sua impugnação, em que, alega a decadência crédito em face do transcurso de mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador. Segue alegando a inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC, por ofensa ao princípio da legalidade. Conclui requerendo a reforma da decisão de primeira instância, no sentido de que seja desconstituída a NFLD em discussão. Sem contrarrazões vem os autos a este Conselho. É o relatório Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido. Antes de proceder à análise de mérito das razões do presente recurso, cumpre apreciar, como preliminar, a decadência suscitada Com relação à qual, vale esclarecer que até a Seção do mês de maio/2008, esta Câmara de julgamento, bem como esta Conselheira mantinha o entendimento de que à constituição do crédito previdenciário, aplicavase as disposições contidas na Lei nº 8212/91, art. 45 que determina: ”o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese em após dez anos a contar do 1º dia do exercício seguinte àquele que o crédito poderia ter sido constituído”. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ pronunciouse nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000288/200724 Acórdão n.º 240101.723 S2C4T1 Fl. 432 7 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a 1ª Turma do STJ, mais uma vez, pronunciouse nos temos da ementa colacionada: “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência , Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000288/200724 Acórdão n.º 240101.723 S2C4T1 Fl. 433 9 homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada” (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404) No caso em exame, tratase de lançamento por homologação e, por se tratar de contribuições incidentes sobre parte da remuneração recebida pelos segurados, há que se entender que houve antecipação de pagamento, devendo ser aplicada a regra do art. 150 § 4º do CTN. Portanto, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 30/04/2007 (fls.1), todas as contribuições (período de 02/2000 a 10/2001), já se encontravam fulminadas pela decadência. Esclareçase, por oportuno, que independentemente de qual tese seja adotada, se a do artigo 150 § 4º ou 173 do CTN, em qualquer hipótese, já estará decaído o direito do lançamento das contribuições objeto da presente NFLD Pelo exposto; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito DAR LHE PROVIMENTO, para reconhecer a decadência de todo o período a que se refere o presente lançamento. Cleusa Vieira de Souza Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002126/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do
contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96.
A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III
da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE
Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55.
A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA SESC/SENAC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. OBRIGATORIEDADE.
As empresas prestadoras de serviços, por estarem enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante classificação do art. 577 da CLT e seu anexo, estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais vertidas ao Sesc/Senac.
SEBRAE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONSTITUCIONALIDADE.
A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003.
SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE.
É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação,
seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96. Súmula 732 do STF.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos
termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.161
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA SESC/SENAC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. OBRIGATORIEDADE. As empresas prestadoras de serviços, por estarem enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante classificação do art. 577 da CLT e seu anexo, estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais vertidas ao Sesc/Senac. SEBRAE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONSTITUCIONALIDADE. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE. É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96. Súmula 732 do STF. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado
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CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA SESC/SENAC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. OBRIGATORIEDADE. Fl. 1054DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 As empresas prestadoras de serviços, por estarem enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante classificação do art. 577 da CLT e seu anexo, estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais vertidas ao Sesc/Senac. SEBRAE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONSTITUCIONALIDADE. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96. Súmula 732 do STF. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1055DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 978 3 Ausência momentânea : Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 1056DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2006 Data de lavratura da NFLD : 26/05/2006. Data da Ciência da NFLD : 30/05/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, a saber : INCRA (0,2%), SESC (1,5%), SENAC (1,0%), SEBRAE (0,6%) e FNDE (Salário Educação 2,5%), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e segurados contribuintes individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 325/329, e anexos a fls. 330/376. Informa a Autoridade Lançadora que o debito originouse de contribuições devidas e não recolhidas, relativas a pagamentos de salários a empregados, de remunerações pagas a contribuintes individuais, de pagamentos efetuados a prestadores de serviços (cessão de mão de obra), de pagamentos relativos a prestações de serviços efetuadas através de Cooperativa de Trabalho (Unimed), e de diferenças sobre seguro de acidentes do trabalho. Cita que o Pro Labore foi recebido pelos dois sócios da empresa, nos seguintes valores : • Luciano Magalhães : R$ 6.000,00 por mês; • Jussara Maria Siligardi Magalhães : R$ 900,00 por mês. Acrescenta que, para a apuração da base de cálculo referente a Cooperativa de Trabalho Médica (Unimed), aplicouse 60% sobre o valor bruto da Nota Fiscal, conforme prevê a Lei 9.876/99 e Decreto 3.265/99. Em ádito, relata o agente fiscal que os valores pagos a contribuintes individuais foram apurados de acordo com os registros contabilizados nas contas 462.11.0012 (assistência jurídica), 462.11.0013 (assessoria empresarial) e 462.11.0016 (assessoria comercial), cujos documentos não foram apresentados à fiscalização. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP baixou o feito em diligência para que fossem esclarecidos pontos controversos no lançamento, conforme Despacho a fls. 748/749. Informação fiscal a fls. 763/765, com a juntada dos documentos a fls. 752/762. Promovida a ciência da referida Informação Fiscal ao sujeito passivo, este se manifestou mediante impugnação a fls. 780/785 e documentos a fls. 786/855. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa a fls. 860/871, julgando procedente em parte o presente lançamento, retificando o valor do crédito em constituição na forma pautada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 872/930. Fl. 1057DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 979 5 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 02/04/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 933. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 934/973, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Que foi cerceado o seu direito constitucional à ampla defesa, pois os fundamentos do lançamento são um amontoado de leis, decretos, etc., faltando a objetividade e clareza determinadas pela lei; • Que a retenção de 11% do valor da nota fiscal é inconstitucional, por contrariar o disposto no §4° do artigo 195 da Constituição Federal. Aduz igualmente que a contribuição de 11% foi indevidamente exigida, pois os recolhimentos já foram providenciados pelos segurados no limite máximo legal. • Que são inconstitucionais as contribuições incidentes sobre as remunerações dos diretores. Afirma que a Lei n° 9.876/99 redefiniu os contribuintes do INSS que não têm vínculo de emprego e revogou a Lei Complementar n° 84/96, o que seria, ao seu sentir, contrario à CF/88; • Protesta contra a cobrança da contribuição para o INCRA, aduzindo que o tributo é cobrado dos produtores rurais e está voltado à vida no meio rural; • Que não é contribuinte para o SESC e o SENAC, entidades voltadas ao bemestar social dos empregados do comércio e de suas famílias; • Que a contribuição para o SEBRAE não pode ser exigida das empresas que não exercem atividades comerciais; • Que é inconstitucional e ilegal a cobrança do salárioeducação; • Que a utilização da taxa SELIC como juros de mora na esfera tributária contraria o princípio da legalidade; • Requer a incidência da retroatividade benigna para fazer incidir as alterações introduzidas pela MP nº 449/2008; Ao fim, requer a declaração de improcedência do presente lançamento. Requer ainda a produção de prova pericial, testemunhal e todas em direitos admitidas, diligências, e juntada de documentos. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1058DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 02/04/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 30 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Alega o recorrente haver sido cerceado o seu direito constitucional à ampla defesa, em razão de os fundamentos do lançamento serem um amontoado de leis, decretos, etc., faltando a objetividade e clareza determinadas pela lei. A rogativa do Recorrente não merece acolhida. A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito infraconstitucional, o art. 113 do Código Tributário Nacional CTN estabeleceu o discrimen entre as obrigações definidas como principais e aquelas conceituadas como acessórias, estas decorrentes da legislação tributária, assim entendidas as leis, os tratados e as Fl. 1059DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 980 7 convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, ostentando por objeto tal espécie de obrigação tributária as prestações, positivas ou negativas, fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O marco primitivo da fundamentação legal em que se sustentam as obrigações tributárias estabelece, outrossim, que a ocorrência de violação a qualquer obrigação acessória tem natureza objetiva, sendo bastante e suficiente para a sua caracterização a mera inobservância de seus preceitos. Com efeito, o art. 37 da Lei nº 8.212/91, com a redação vigente à época da lavratura da presente NFLD, estabeleceu que, sendo constatado pela fiscalização o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Malgrado a norma legal acima transcrita se refira expressamente ao descumprimento de obrigação principal, o mesmo esmero na discriminação clara e precisa dos fatos geradores e dos períodos a que se referem deve ser observado em relação ao descumprimento de obrigação acessória, em atenção ao princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. No presente caso, mediante a lavratura da NFLD nº 35.707.0402 foi constatada violação a obrigação tributária principal consistente no não recolhimento de Fl. 1060DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, e aquela referentes à substituição tributária estatuída pelo art. 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, consistente na retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas de serviços prestados mediante cessão de mão de obra. Todas as informações postadas no parágrafo precedente encontramse devidamente relatadas no Relatório Fiscal, a fls. 325/329, e em seus anexos, a fls. 330/376, em cumprimento aos requisitos de precisão e clareza da descrição dos fatos geradores e do período a que se referem. De outro eito, as informações pertinentes às contribuições sociais objeto do presente lançamento encontram dispostas no Discriminativo Analítico de Débito, a fls. 04/148, e no Discriminativo Analítico do Débito Retificado, a fls. 872/930, de forma discriminada por rubricas, alíquota, valor absoluto, base de cálculo, competência e estabelecimento, de molde que suas correcção e consistência podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo. O documento descrito no parágrafo precedente informa também, de forma individualizada por rubrica lançada, os valores dos créditos de titularidade do contribuinte que foram considerados no presente lançamento, as GPS recolhidas, os valores de dedução legal e as diferenças a recolher, assim como os códigos de cada levantamento que integra a presente notificação fiscal e os códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social, de terceiros e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas a que se enquadra a empresa recorrente. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado, foram devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, assim como no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, a fls. 309/313, o qual descreve, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao notificado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendo lhe garantido, dessarte, o exercício do contraditório e da ampla defesa. Não há, portanto, qualquer obscuridade ou dúvida quanto à hipótese de incidência dos tributos objeto deste lançamento. Como visto, verificase que a Notificação Fiscal em relevo foi lavrada em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária principal violada, os fatos jurígenos não adimplidos, a composição pecuniária das bases de cálculo, obrigação principal e respectivos acessórios, tudo de forma bem detalhada e discriminada em seus elementos de constituição. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente Fl. 1061DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 981 9 feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao notificado. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo recorrente, razão pela qual impende repelir peremptoriamente a preliminar de cerceamento de defesa tão veementemente sustentada pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Pondera o Recorrente que a retenção de 11% do valor da nota fiscal é inconstitucional por contrariar o disposto no §4° do artigo 195 da Constituição Federal. Aduz igualmente que a contribuição de 11% foi indevidamente exigida, pois os recolhimentos já foram providenciados pelos segurados no limite máximo legal. As alegações propaladas não merecem acolhida. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 1062DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) §4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, o art. 22 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como encargo da empresa as contribuições sociais incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. De um outro canto, a mesma Constituição Federal de 1988, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente, dentre outros, sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários, e contribuintes, a teor do art. 146, III da CF/88, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Bailando em sintonia com os tons alvissareiros orquestrados pelo Constituinte Originário, sob a batuta do seu regente Ulisses Guimarães, o art. 121 do CTN, em performance pa de deux normativa harmônica com o regramento acima ponteado, ao escolher os atores da obrigação tributária principal, reservou o papel do sujeito passivo à figura do contribuinte ou, a critério da lei, do responsável tributário. Código Tributário Nacional Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 1063DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 982 11 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A coreografia assim pontilhada, quando executada no papel passivo pelo responsável tributário, é conhecida nos palcos jurídicos como substituição tributária e, nessas apresentações, todos os movimentos que nas formas originárias seriam praticados pelo contribuinte, passam então a ser desempenhados pelo novo personagem, que assume toda a responsabilidade pelo recolhimento do tributo associado. É o que ocorre na hipótese vertida no art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação conferida pela Lei nº 9.711/98, que atribui ao contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra a responsabilidade pela retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas referentes aos serviços prestados naquela condição, e ao subsequente recolhimento do valor assim retido em nome do prestador correspondente. Configurase o instituto da retenção de contribuições previdenciárias traçado no já citado art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, como hipótese legal de substituição tributária, nos moldes alinhados no inciso II do revisitado Parágrafo Único do art. 121 do CTN, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo em tela, conforme permissivo legal estampado no art. 128 do Código Tributário Nacional. Código Tributário Nacional CTN CAPÍTULO V Responsabilidade Tributária SEÇÃO I Disposição Geral Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Nesse sentido consolidouse o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, como se depreende do julgado a seguir referenciado, cuja ementa tomamos a liberdade de transcrever: Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.711/98. 1. A alteração que a Lei nº 8.212/91 sofreu com a edição da Lei nº 9.711/98 não criou qualquer nova contribuição sobre o Fl. 1064DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 faturamento, não alterou a alíquota, menos ainda a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento, sendo, por conseguinte, devida a retenção do percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. 2. A Lei nº 9.711/98 criou uma nova sistemática na forma de arrecadação da contribuição em debate, em que, por substituição tributária, as empresas passam a figurar como responsáveis tributárias. 3. Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida. (Súmula 83/STJ) 4. Agravo Regimental improvido. (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 629.957; STJ 2a.Turma; Rel. Min. Castro Meira, DJ 21.03.2005) Anotese que o papel do contribuinte continua a ser representado pelo personagem que ostenta relação pessoal e direta com o fato gerador, digase, a pessoa jurídica prestadora dos serviços. Ao responsável tributário, in casu, o contratante, são designadas apenas as atuações pautadas na retenção e no respectivo recolhimento, nada mais. Dessarte, concluída a contento a execução do seu papel, o responsável tributário sai de cena, restando lhe, todavia, a incumbência de manter resguardados, em seu guardados, os documentos comprobatórios da higidez dos passos a seu encargo, enquanto não se operar a decadência das obrigações correspondentes. Não nos afigura exagerado requinte ressaltar que, por se tratar de hipótese legal de substituição tributária, milita em favor da retenção das contribuições previdenciárias ora em destaque a presunção absoluta de que ela tenha sido sempre feita pelo contratante, a este não sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando ele diretamente responsável pelo recolhimento das contribuições que eventualmente tenha deixado de reter, ou que houver retido em desacordo com a legislação. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifos nossos) Fl. 1065DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 983 13 Dessarte, o Recorrente, por força de lei formal, tem o dever jurídico de operar a retenção das contribuições previdenciárias conforme previsto na legislação vigente, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei. Decorre dos dispositivos legais e constitucionais acima selecionados a improcedência das alegações promanadas pelo Recorrente de que a retenção de 11% tenha sido indevidamente exigida, uma vez que o produto da retenção em relevo não se configura como nova fonte de custeio para a seguridade social, a exigir lei complementar para sua instituição, mas, sim, uma sistemática diferenciada da forma de arrecadação de contribuições previdenciárias já antes instituída legalmente. Não se reserva melhor sorte igualmente ao argumento de que os recolhimentos já foram providenciados pelos segurados no limite máximo legal, em razão de a retenção objeto do presente lançamento se referir, única e exclusivamente, à cota patronal prevista no art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual não se confunde com as contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e segurados contribuintes individuais previstas nos artigos 20 e 21 do Diploma Legal suso aludido. 3.2. DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Argumenta a empresa serem inconstitucionais as contribuições incidentes sobre as remunerações dos diretores. Afirma que a Lei n° 9.876/99 redefiniu os contribuintes do INSS que não têm vínculo de emprego e revogou a Lei Complementar n° 84/96, o que seria, ao seu sentir, contrario à CF/88. Tal rogativa não merece o abrigo pretendido. Mostrase auspicioso, preambularmente, destacar que, até 16 de dezembro de 1998, data da publicação da Emenda Constitucional n° 20/1998, assim dispunha o art. 195, I da Constituição Federal: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (...) §4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Fl. 1066DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Conforme redação acima transcrita, não figurava abarcada no campo de incidência das contribuições previdenciárias, a exação incidente sobre a remuneração de segurados que não se enquadrassem no conceito de folha de salários. Assim, a instituição de contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de segurados não empregados, dentre eles os assim denominados segurados contribuintes individuais, somente poderia ser promovida mediante Lei Complementar, no exercício da competência residual exclusiva da União, prevista no art. 150, I da CF/88, conforme estatuído expressamente no art. 195, §4º da Carta. Nessa perspectiva, no desempenho da competência residual supra referida e trilhando um processo legislativo em perfeita sintonia com o ordenamento jurídico vigente à época, foi editada pelo Congresso Nacional, imerso na ordem constitucional então vigente, e promulgada pelo Presidente da República, a Lei Complementar n° 84/1996, instituindo a novel fonte de custeio previdenciário incidente sobre a remuneração de trabalhadores autônomos, empresários e trabalhadores avulsos e demais pessoas físicas. LEI COMPLEMENTAR nº 84, de 18 de janeiro de 1996. Art.1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Posteriormente, com a publicação da citada Emenda Constitucional n° 20/1998, foi alterado o teor normativo do art. 195, I da Constituição Federal, cuja redação passou a dispor, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. (...) Da leitura de tais comandos constitucionais, deflui que as normas que disciplinam a espécie ora em apreciação não impõem mais qualquer exigência de Lei Complementar para a imposição de tributação sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais, a qual pode ser instituída mediante mera lei ordinária, em obediência à reserva legal prevista no art. 97 do CTN, in verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Fl. 1067DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 984 15 III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Nessa perspectiva, sem que tenha ocorrido solução de continuidade, foi editada já sob a nova ordem constitucional a lei nº 9.876/99 que majorou a alíquota de 15% para 20%, ao mesmo tempo que fez inserir, no corpo da lei de custeio da Seguridade Social, precisamente em seu art. 22, o inciso III estabelecendo o regramento da exação previdenciária ora em debate. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). (grifos nossos) Conforme detalhadamente descrito, a contribuição social previdenciária a cargo das empresas e pessoas jurídicas, incidente total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados contribuintes individuais, assim qualificados os empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas, foi instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, cumprindo às exigências fixadas no art. 195, §4º c.c. art. 154, I da CF/88. Anotese que a instituição de nova fonte de custeio destinada a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social depende de lei complementar, no entanto, a majoração de alíquota só depende de lei ordinária, assim como a extinção de qualquer fonte de custeio, a teor do art. 97, II do CTN. Cabenos chamar atenção ao seguinte fato: Uma vez instituída a contribuição previdenciária a cargo da empresa, incidente sobre o Salário de Contribuição dos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, exauriuse a competência exclusiva da lei complementar prevista na Carta Constitucional, qual seja, a de instituir a espécie tributária em Fl. 1068DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 foco, isto é, a de introduzir no ordenamento jurídico a norma cogente em debate, e, com ela, a obrigação tributária principal correspondente. Uma vez inserida no ordenamento jurídico houve por esgotada a função da Lei Complementar nº 84/96. Registrese, por relevante, que a matéria relativa à majoração de alíquota de tributo não foi incluída, pela CF/88, nas hipóteses de reserva de Lei Complementar, de forma que o atendimento ao princípio da legalidade pode ser satisfeito mediante lei ordinária. A matéria ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assim assentou: “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional n. 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Nesse panorama, diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência legal, que a condução do regramento a respeito da incidência de contribuições previdenciárias é prerrogativa reservada à Lei Orgânica da Seguridade Social, e, não, à Lei Complementar, como assim acredita o Recorrente. Dessarte, a base de incidência das contribuições previdenciárias, na hipótese ora tratada, abraça o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase aqui empregado em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa pelos serviços a ela prestados pelos seus diretores/administradores. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Referente à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. Fl. 1069DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 985 17 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios na forma de utilidades ou in natura, que culminam representando um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Amoldamse, dessarte, tais valores no conceito de Salário de Contribuição de segurados contribuintes individuais, integrando para os fins de tributação a base material de incidência das contribuições previdenciárias. 3.3. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA Protesta o Recorrente contra a cobrança da contribuição para o INCRA, aduzindo que o tributo é cobrado dos produtores rurais e está voltado à vida no meio rural. Tal argumento não encontra imagem no espelho do ordenamento jurídico nacional. Merece ser enaltecido, de plano, que uma contribuição pode ser conceituada como uma espécie de tributo, de natureza autônoma, caracterizada por uma destinação social particularizada em lei, desvinculada de atuação estatal específica, com hipótese de incidência própria, e não restituível. A doutrina elege três modalidades de contribuições: Sociais; coorporativas e interventivas. A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA tem sido por demais tormentosa ao longo dos últimos anos. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Ag. Regimental no Agravo de Instrumento de despacho que inadmitiu Rec. Extraordinário contra Acórdão do TRF da 3ª Região , ementado como se segue : TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AO INCRA E AO FUNRURAL – EMPREGADOR URBANO – CONSTITUCIONALIDADE. A exação de que trata o artigo 15, II da Lei Complementar nº 11/71, destinada parte ao FUNRURAL (2,4%) e parte ao INCRA (0,2%), pode ser exigida de empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55, em benefício do então criado Serviço Social Rural. Constitucionalidade. Precedentes Jurisprudenciais desta Corte. Apelação Improvida. pacificou o entendimento no sentido da inexistência de qualquer empecilho constitucional que obste a cobrança das contribuições para o INCRA e para o FUNRURAL, consoante se depreende da ementa da decisão exarada: Fl. 1070DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 EMENTA: Contribuição para o FUNRURAL: empresas urbanas: acórdão recorrido que se harmoniza com o entendimento do STF, no sentido de não haver óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a referida contribuição, destinada a cobrir os riscos a que se sujeita toda a coletividade de trabalhadores: precedentes. (STF, AIAgRg nº 334.360/SP; Rel. Min. Sepúlveda Pertence; 1ª Turma; DJ 25.02.2005) O Superior Tribunal de Justiça, por seu turno, após um longo período em que oscilou sua jurisprudência, sedimentou o entendimento de que a contribuição destinada ao INCRA ostenta natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, no adorno moldado pelo art. 149 da CF/88, não sendo tal contribuição sujeita às normas inscritas nas Leis nº 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91. VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.789/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) TRIBUTÁRIO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE. 1. O INCRA foi criado pelo DL 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, tendolhe sido destinada, para a consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição Fl. 1071DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 986 19 incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71. 2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis 7.789/89 e 8.212/91 ambas de natureza previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. 4. Nos termos do art. 66, § 1º, da Lei nº 8.383/91, somente se admite a compensação com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 5. Embargos de divergência improvidos. STJ; EREsp 770.451/SC; R.P/ACÓRDÃO Min. CASTRO MEIRA; DJ: 11/06/2007) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliane Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicandose, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Fl. 1072DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. Cumpre neste comenos destacar que escapa à competência deste Colegiado a sindicância relativa à adequação da norma legal aos princípios norteadores do ordenamento jurídicos que permeiam a Constituição Federal, eis que tal tarefa foi outorgada, por Ulisses et alli, ao Poder Judiciário, exclusivamente. A esta 2ª Seção foi deferida, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Assentado que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituemse prerrogativas outorgadas pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podem os agentes da Administração Pública imiscuíremse sponte propria nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Código Tributário Nacional CTN Fl. 1073DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 987 21 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Devese atentar para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar declarações de inconstitucionalidade, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.4. DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA O SESC E SENAC Pondera o Recorrente não ser contribuinte para o SESC e o SENAC, entidades voltadas ao bemestar social dos empregados do comércio e de suas famílias. Equivocase nesse particular o Recorrente. Dúvidas não ressobram quanto ao fato de as empresas comerciais estarem legalmente obrigadas a recolher as contribuições sociais destinadas ao SESC e SENAC, assim como não sobejam questionamentos quanto à legalidade da instituição de tais contribuições, as quais foram instituídas pelas precisas disposições do art. 3º do DecretoLei nº 9.853/46 e do art. 4º do DecretoLei nº 8.621/46, os quais preceituam, respectivamente, ad litteris et verbis: DecretoLei nº 9.853, de 13 de setembro de 1946 Art. 3º Os estabelecimentos comerciais enquadrados nas entidades sindicais subordinadas à Confederação Nacional do Comércio (art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovado pelo Decreto nº 5.452, de 27 de maio de 1943), e os demais empregadores que possuam segurados no Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, serão obrigados ao Fl. 1074DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social do Comércio, para o custeio de seus encargos. DecretoLei nº 8.621, de 10 de janeiro de 1946 Art. 4º Para o custeio dos encargos do SENAC os estabelecimentos comerciais cujas atividades, de acordo com o quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, estiverem enquadrados nas Federações e Sindicatos coordenados pela Confederação Nacional do Comércio, ficam obrigados ao pagamento mensal de uma contribuição equivalente a um por cento (1%) sobre o montante da remuneração paga à totalidade dos seus empregados. Estas são, pois, as matrizes legais da obrigatoriedade das contribuições devidas ao SESC e ao SENAC, e a fixação de seus sujeitos passivos, perfeitamente reafirmadas pelo artigo 240 da Constituição Federal. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. A controvérsia surgida pelo questionamento levantado pelas empresas prestadoras de serviços, de que não se enquadrariam na condição de empresas comerciais, bem como por julgarem não estarem enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, já foi bater às portas da Suprema Corte de Justiça, que firmou entendimento, manifestado no julgamento do Recurso Especial n° 431.347SC, no sentido de que as empresas prestadoras de serviços estão, de fato, inseridas no rol das empresas que devem recolher, compulsoriamente, as contribuições para o SESC e SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante classificação adotada pelo art. 557 da Consolidação das Leis do Trabalho. REsp 431347 / SC Relator(a) Ministro LUIZ FUX Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 23/10/2002 Data da Publicação/Fonte DJ 25/11/2002 p. 180 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC E SENAC. ENTIDADE HOSPITALAR. ENTIDADE VINCULADA À CONFEDERAÇÃO CUJA INTEGRAÇÃO É PRESSUPOSTO DA EXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO. RECEPÇÃO DO ART. 577 CLT E SEU ANEXO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. CONTRIBUIÇÃO COMPULSÓRIA CONCRETIZADORA DA CLÁUSULA PÉTREA DE VALORIZAÇÃO DO TRABALHO E DIGNIFICAÇÃO DO TRABALHADOR. EMPRESA COMERCIAL. AUTOQUALIFICAÇÃO, MERCÊ DOS NOVOS CRITÉRIOS DE AFERIÇÃO DO CONCEITO. VERIFICAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DA LEI À LUZ DO PRINCÍPIO DE SUPRADIREITO DETERMINANDO A APLICAÇÃO DA NORMA AOS FINS SOCIAIS A QUE SE DESTINA, À LUZ DE SEU Fl. 1075DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 988 23 RESULTADO, REGRAS MAIORES DE HERMENÊUTICA E APLICAÇÃO DO DIREITO. 1. As empresas prestadoras de serviços médicos e hospitalares estão incluídas dentre aquelas que devem recolher , a título obrigatório, contribuição para o SESC e para o SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante a classificação do artigo 577 da CLT e seu anexo, recepcionados pela Constituição Federal (art. 240) e confirmada pelo seu guardião, o STF, a assimilação no organismo da Carta Maior. 2. Deveras, dispõe a Constituição da República Federativa do Brasil, em seu art. 240, que: "Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical”. 3. As Contribuições referidas visam a concretizar a promessa constitucional insculpida no princípio pétreo da “valorização do trabalho humano" encartado no artigo 170 da Carta Magna: verbis: "A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, (...)” 4. Os artigos 3º, do DecretoLei 9853 de 1946 e 4º, do Decretolei 8621/46 estabelecem como sujeitos passivos da exação em comento os estabelecimentos integrantes da Confederação a que pertence e sempre pertenceu a recorrente (antigo IAPC; DL 2381/40), conferindo "legalidade" à exigência tributária. 5. Os empregados do setor de serviços dos hospitais e casas de saúde, exsegurados do IAPC, antecedente orgânico das recorridas, também são destinatários dos benefícios oferecidos pelo SESC e pelo SENAC. 6. As prestadoras de serviços que auferem lucros são, inequivocamente, estabelecimentos comerciais, quer por força do seu ato constitutivo, oportunidade em que elegeram o regime jurídico próprio a que pretendiam se submeter, quer em função da novel categorização desses estabelecimentos, à luz do conceito moderno de empresa. 7. O SESC e o SENAC tem como escopo contribuir para o bem estar social do empregado e a melhoria do padrão de vida do mesmo e de sua família, bem como implementar o aprimoramento moral e cívico da sociedade , beneficiando todos os seus associados , independentemente da categoria a que pertençam; 8. À luz da regra do art. 5º, da LICC – norma supralegal que informa o direito tributário, a aplicação da lei, e nesse contexto a verificação se houve sua violação, passa por esse aspecto teleológico sistêmico – impondose considerar que o acesso aos serviços sociais, tal como preconizado pela Constituição, é um "direito universal do trabalhador", cujo dever correspectivo é do empregador no custeio dos referidos benefícios. Fl. 1076DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 9. Consectariamente, a natureza constitucional e de cunho social e protetivo do empregado, das exações sub judice, implica em que o empregador contribuinte somente se exonere do tributo, quando integrado noutro serviço social, visando a evitar relegar ao desabrigo os trabalhadores do seu segmento, em desigualdade com os demais, gerando situação antiisonômica e injusta. 10. A pretensão de exoneração dos empregadores quanto à contribuição compulsória em exame, recepcionada constitucionalmente em benefício dos empregados, encerra arbítrio patronal, mercê de gerar privilégio abominável aos que através da via judicial pretendem dispor daquilo que pertence aos empregados, deixando à calva a ilegitimidade da pretensão deduzida. 11. Recurso especial Improvido. Outra não é a diretriz traçada pelo Ministério da Previdência Social, ao obstar a incidência do entendimento anterior expressado no Parecer CJ/nº 1.861/99, fazendo incidir à espécie o PARECER/CJ N° 2.911/2002, o qual adotou a linha condutora consignada no julgado do STJ, acima transcrito. PARECER/CJ Nº 2.911, de 29 de novembro de 2002 EMENTA: Direito Tributário. Contribuição para o SESC e SENAC. Empresas prestadoras de serviços enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio consoante classificação do art. 577 da CLT e seu anexo. Exação devida. Orientação do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial n° 431.347SC. O entendimento anterior, expressado no Parecer CJ/nº 1.861/99, tinha como pressuposto a noção de que as empresas prestadoras de serviços tinham natureza jurídica eminentemente civil, e não comercial, o que implicava ser indevida a contribuição para o SESC e o SENAC. Ocorre, no entanto, que, à luz do moderno conceito de empresa, passaram a Jurisprudência e autores de nomeada a reconhecer que as empresas prestadoras de serviços que auferem lucros são, inequivocamente, estabelecimentos comerciais, quer por força do seu ato constitutivo, oportunidade em que elegeram o regime jurídico próprio a que pretendiam se submeter, quer em função da novel categorização desses estabelecimentos fixada na Lei Civil. Com efeito, tais empresas não têm caráter civil. Elas vendem serviços almejando o lucro. A compreensão externada no parágrafo precedente não se divorcia do entendimento esposado pelo STJ, que já irradiou, em seus arestos, a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, conforme se vos segue: Informativo de Jurisprudência nº 326, de 1º a 10 de agosto de 2007. A Primeira Seção reiterou o seu entendimento e considerou legítimo o recolhimento das contribuições sociais do SESC e SENAC pelas empresas prestadoras de serviço. A Min. Relatora afirmou que modernamente o conceito de empresa comercial é amplo, devendo, pois, abarcar todas as empresas que fazem comércio, seja de bens, seja de serviços. Assim, a Seção negou Fl. 1077DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 989 25 provimento ao recurso. Precedentes citados: REsp 431.347SC, DJ 25/11/2002; REsp 719.146RS, DJ 2/5/2005; REsp 705.924 RJ, DJ 21/3/2005, e REsp 446.502RS, DJ 11/4/2005. REsp 895.878SP, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 8/8/2007. Diante dos aludidos dispositivos e da Jurisprudência dos Tribunais Superiores avulta estar correta, portanto, a autoridade a quo ao deixar de acatar as alegações do Recorrente em sede de impugnação. 3.5. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SEBRAE Argumenta o Recorrente que a contribuição para o SEBRAE não pode ser exigida das empresas que não exercem atividades comerciais. A semente do inconformismo lançada pelo notificado não encontra solo jurídico fértil para germinar. A Contribuição para o SEBRAE foi instituída pelo §3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90 com o objetivo exclusivo de atender a execução da política governamental de apoio às micro e às pequenas empresas, sendo exigida como tributo complementar às Contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, para o Serviço Social da Indústria SESI e para o Serviço Social do Comércio SESC, nos seguintes termos: Lei nº 8.029/90 de 12 de abril de 1990 Art. 8° É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo. (...) §3º. Para atender à execução da política de Apoio às Micro e às Pequenas Empresas, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o artigo 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: (redação dada pela Lei nº 8.154/90) a) 0,1% (um décimo por cento) no exercício de 1991; b) 0,2% (dois décimos por cento) em 1992; e c) 0,3% (três décimos por cento) a partir de 1993. §4º. O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao CEBRAE. É de sabença universal que o título nominativo de um instituto de Direito não tem o condão de lhe modificar a natureza jurídica. Nessa perspectiva, nada obstante a lei Fl. 1078DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 supramencionada têla rotulado como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais repassadas ao SESI, SENAI, SESC e SENAC, o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que a contribuição para o SEBRAE consubstanciase numa contribuição de intervenção no domínio econômico, na concepção plasmada no art. 149, caput, da Constituição Federal, conforme consignado definitivamente no julgamento do Recurso Extraordinário RE 396.266/SC, cuja ementa pedimos a devida vênia para transcrevêla: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEI 8.029, DE 12.4.1990, ART. 8o, §3o. LEI 8.154, DE 28.12.1990. LEI 10.668, DE 14.5.2003. CF, ART. 146, III; ART. 149; ART. 154, I; ART. 195, §4º. I – As contribuições do art. 149, CF – contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas – posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, §4º, CF, decorrente de ‘outras fontes’, é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, §4o. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. (grifos nossos) II – A contribuição do SEBRAE – Lei 8.029/90, art. 8º, §3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 – é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, CF. III – Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do §3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV – RE conhecido, mas improvido. (STF, RE 396266/SC, Tribunal Pleno, Rel. Min. Carlos Velloso, j. em 26112003, DJU de 27/2/2004, p. 22) Por esse motivo, a contribuição ao SEBRAE não se inclui no rol do art. 240 da Constituição Federal, uma vez que se mostra totalmente autônoma e desvinculada das contribuições ao SESI/SENAI e ao SESC/SENAC, e não destas um mero adicional, conclusão que não discrepa do entendimento firmado no Excelso Pretório, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. Fl. 1079DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 990 27 I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, §4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, §3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Acrescentese, ainda, que o SEBRAE não presta serviços somente às micro e pequenas empresas, mas a todas as atividades empresariais conexas, atendendo ao bem comum de toda a sociedade. Assim, considerandose o princípio da solidariedade social que permeia o art. 195, caput, da CF/88, por se tratar de contribuição de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao SEBRAE deve ser recolhida por todas as empresas, e não apenas pelas micro e pequenas empresas, não existindo, necessariamente, correspondência entre contribuição e prestação, nem tampouco entre o contribuinte e os benefícios decorrentes da exação. As vozes dimanadas do STF também produzem eco no Plenário da Corte Superior de Justiça, cuja consolidada jurisprudência não se mostra dissonante, consoante ressai do julgado referente ao Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 840.946/RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007, assim ementado: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no Fl. 1080DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 28 sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. De toda essa exposição deflui não proceder o argumento do Recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE não poderiam ser exigidas das empresas que não exercem atividades comerciais, ou que somente poderiam ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Corretíssimos, portanto, a Autoridade Lançadora, ao efetuar a lavratura da NFLD sub examine, bem como o órgão julgador a quo, por não dar provimento à impugnação ofertada pelo sujeito passivo em foco, inexistindo, ao nosso sentir, na decisão recorrida, arestas a serem aparadas. 3.6. DO SALÁRIO EDUCAÇÃO Insurgese o Recorrente em face da cobrança do salárioeducação, sob o argumento de inconstitucionalidade e ilegalidade. Tal repúdio é imotivado. Instituído em 1964 pela Lei nº 4.440, de 27/10/64, figura o salárioeducação como uma contribuição social destinada ao financiamento de programas, projetos e ações voltados para o financiamento da educação básica pública, podendo ser aplicada na educação especial, desde que vinculada àquela. A contribuição social do salárioeducação está prevista no artigo 212, §5º da Constituição Federal, regulamentada pelas leis nº 9.424/96 e 9.766/98 e pelo Decreto nº 6.003/2006, sendo calculada mediante a incidência da alíquota de 2,5% sobre o montante total das remunerações pagas, creditadas ou juridicamente devidas pelas empresas, a qualquer título, aos segurados empregados. Sua arrecadação e fiscalização e cobrança judicial monta a cargo, nos dias atuais, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Ministério da Fazenda (RFB/MF). Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salárioeducação, Fl. 1081DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 991 29 recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53/2006) LEI Nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996. Art. 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (grifos nossos) São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tal qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, sociedade de economia mista, empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo poder público, nos termos do §2º, art. 173 da Constituição, ressalvadas as exceções expressamente assentadas na lei. DECRETO Nº 6.003, de 28 de dezembro de 2006. Art. 2º São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tais, para fins desta incidência, qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem assim a sociedade de economia mista, a empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, § 2o, da Constituição. Parágrafo único. São isentos do recolhimento da contribuição social do salárioeducação: I a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações; II as instituições públicas de ensino de qualquer grau; III as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, e que atendam ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; IV as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem a ser definidas em regulamento; V as organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; Reiteradas alegações de inconstitucionalidade impeliram o Procurador Geral da Republica a ajuizar, perante o Supremo Tribunal Federal, a Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 3, cuja decisão, de relatoria do Min. Nelson Jobim, publicada no Diário Fl. 1082DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 30 da Justiça de 10/12/1999, pautouse pela constitucionalidade do art. 15 da Lei nº 9.424/96, atribuindolhe efeitos ex tunc. ADC 3 / UF UNIÃO FEDERAL AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE Relator(a): Min. NELSON JOBIM Julgamento: 01/12/1999 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação : DJ 09052003 PP EMENTA: CONSTITUCIONAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 15, LEI 9.424/96. SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA O FUNDO DE MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E DE VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO. DECISÕES JUDICIAIS CONTROVERTIDAS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL E MATERIAL. FORMAL: LEI COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. NATUREZA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. § 5º, DO ART. 212 DA CF QUE REMETE SÓ À LEI. PROCESSO LEGISLATIVO. EMENDA DE REDAÇÃO PELO SENADO. EMENDA QUE NÃO ALTEROU A PROPOSIÇÃO JURÍDICA. FOLHA DE SALÁRIOS REMUNERAÇÃO. CONCEITOS. PRECEDENTES. QUESTÃO INTERNA CORPORIS DO PODER LEGISLATIVO. CABIMENTO DA ANÁLISE PELO TRIBUNAL EM FACE DA NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL: BASE DE CÁLCULO. VEDAÇÃO DO ART. 154, I DA CF QUE NÃO ATINGE ESTA CONTRIBUIÇÃO, SOMENTE IMPOSTOS. NÃO SE TRATA DE OUTRA FONTE PARA A SEGURIDADE SOCIAL. IMPRECISÃO QUANTO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. A CF QUANTO AO SALÁRIOEDUCAÇÃO DEFINE A FINALIDADE: FINANCIAMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E O SUJEITO PASSIVO DA CONTRIBUIIÇÃO: AS EMPRESAS. NÃO RESTA DÚVIDA. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI AMPLAMENTE DEMONSTRADA. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE QUE SE JULGA PROCEDENTE, COM EFEITOS EXTUNC. A cobrança das contribuições sociais do salárioeducação revelase, pois, perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, nocauteando de uma vez por todas qualquer dúvida que ainda pudesse ser suscitada a respeito, fez publicar a Súmula nº 732, a qual transcrevemos adiante. SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. Fl. 1083DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 992 31 O Verbete da Sumula nº 732 do STF atira a última pá de cal sobre qualquer ainda possível alegação de inconstitucionalidade da contribuição social do Salário Educação, fechando definitivamente o esquife. 3.7. DA TAXA SELIC Rebelase por derradeiro o Recorrente contra a utilização da taxa SELIC como juros de mora na esfera tributária, alegando sua contrariedade ao princípio da legalidade. Tal insurgência é improcedente. De plano, cumpre trazer à baila que os juros representam a remuneração do capital investido. Esmiuçando o conceito, juros representam o rendimento que o detentor do capital aufere em troca da colocação de um quantitativo à disposição de uma outra pessoa/entidade. Iluminese que um investidor poderia empregar seu patrimônio financeiro em uma atividade econômica qualquer que lhe rendesse lucro. Pode, todavia, essa pessoa abdicar de seu capital, ofertandoo a outra pessoa, mediante a cobrança de uma taxa de remuneração, compensatória pela perda da oportunidade de produzir lucro, na forma da hipótese anterior. A taxa de juros figura, então, como o quantum relativo que o titular do capital exige do tomador deste, num horizonte temporal, pela utilização do montante tomado. Nesse quadro, o índice nominal da taxa pode ser fixado unilateralmente pelo capitalista, ou, em comum acordo com aquele que se apodera da riqueza por empréstimo. É importante ressaltar que, em qualquer caso, a fixação da taxa de juros prescinde da edição de lei formal, como assim acredita piamente o Recorrente, até porque tal exigência culminaria por emperrar a atividade financeira do país – extremamente dinâmica em sua natureza , paralizandoo. Isso porque cada investidor, banco ou demais instituições financeiras possuem seus critérios próprios para o computo dos juros na atividade financeira, os quais são extremamente influenciados pelo mercado, pela oferta e procura de capital, pela taxa de crescimento da economia, pelo risco da inadimplência, etc., o que gera uma saudável concorrência entre os detentores do livre numerário. Diante desse panorama mostrase evidente que a exigência de lei stricto sensu a que se refere o CTN, não é para a fixação da taxa de juros (esta flui ao sabor das correntes do mercado), mas, sim, para a indicação de qual taxa de juros será a utilizada na remuneração do capital de titularidade da Fazenda, ainda nos cofres do sujeito passivo. Com efeito, num mundo globalizado, em que qualquer evento econômico ocorrido no polo norte produz efeitos imediatos, da mesma de ordem de grandeza, no polo sul, seria impensável que, para se alterar uma taxa de juros em, digamos, vinte e cinco centésimos por cento, como é extremamente comum em nossa economia, com a velocidade e prontidão que o mercado exige hodiernamente, fosse exigível a edição de uma lei ordinária, haja vista o trâmite procedimental exigido pela CF/88. Fl. 1084DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 32 Nessa perspectiva, avulta, portanto, que o requisito da legalidade, na espécie, foi de fato adimplido, senão vejamos: A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos nossos) §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifos nossos) §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a Fl. 1085DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 993 33 necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (redação dada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, Fl. 1086DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 34 reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Atentese que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. 3.8. DA PRODUÇÃO DE PROVAS Requer ainda o Recorrente a produção de prova pericial, testemunhal e todas em direitos admitidas, diligências, e juntada de documentos. Tal pedido não pode ser agraciado. Fl. 1087DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 994 35 A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Previdência Social a disciplina do rito processual em tela, à época da lavratura da NFLD em estudo, restou a cargo da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos nossos) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifos nossos) §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. (grifos nossos) Fl. 1088DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 36 §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Registrese, a título de mera reflexão, se que os preceptivos encartados na norma de regência aqui enunciada não se contrapõem às normas estampadas no Decreto nº 70.235/72, que hoje rege o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Fazenda, antes, sendo, destas, espelho. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Fl. 1089DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002126/200792 Acórdão n.º 230201.161 S2C3T2 Fl. 995 37 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo, mas, sim, por disposição legal, que produzilas, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1090DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 38 Fl. 1091DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10650.000562/2005-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2003
Ementa:
SIMPLES. EXCLUSÃO.
Constatado que o sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global no final do ano-calendário ultrapassou o limite legal, correta a exclusão da contribuinte do Simples.
Não merece prosperar a alegação de que a alteração do contrato social não pode ser promovida em razão de inércia da própria administração pública representada pelo órgão de controle das atividades de radiodifusão, uma vez que a disciplina vigente na época dos fatos não mais impunha a anuência governamental para simples transferências de quotas sem a alteração do controle societário.
Numero da decisão: 1201-000.516
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. Constatado que o sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global no final do ano-calendário ultrapassou o limite legal, correta a exclusão da contribuinte do Simples. Não merece prosperar a alegação de que a alteração do contrato social não pode ser promovida em razão de inércia da própria administração pública representada pelo órgão de controle das atividades de radiodifusão, uma vez que a disciplina vigente na época dos fatos não mais impunha a anuência governamental para simples transferências de quotas sem a alteração do controle societário.
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EXCLUSÃO. Constatado que o sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global no final do anocalendário ultrapassou o limite legal, correta a exclusão da contribuinte do Simples. Não merece prosperar a alegação de que a alteração do contrato social não pode ser promovida em razão de inércia da própria administração pública representada pelo órgão de controle das atividades de radiodifusão, uma vez que a disciplina vigente na época dos fatos não mais impunha a anuência governamental para simples transferências de quotas sem a alteração do controle societário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10650.000562/200575 Acórdão n.º 120100.516 S1C2T1 Fl. 117 2 (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Relatório DA EXCLUSÃO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das peças inaugurais do presente feito: Trata o presente processo do Ato Declaratório Executivo DRF/UBB n° 507.303 de 02/08/2004, fls. 44, que excluiu a interessada do Simples, com efeitos a partir de 31/12/2002, na forma dos artigos 9°, 12, 141 e 15 da Lei 9.317/1996 e alterações posteriores, sob a seguinte descrição: "sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta no anocalendário de 2002 ultrapassou o limite legal. CPF 083.423.85604. CNPJ 19.564.921/000105". A contribuinte, por seu procurador (Instrumento, fls. 06) apresenta a Manifestação de Inconformidade, fls. 01 a 05, da qual extraise o seguinte: 2. Como se vê na descrição acima, tal exclusão se deu, única e exclusivamente, porque o exsócio Sr. NILO GONÇALVES SIMÃO, CPF n° 083.423.85604, participa com mais de 10% do capital social de outra pessoa jurídica e a receita bruta global daquela empresa e da impugnante superou o limite legal para permanência desta no SIMPLES. 1.2 DA SRS APRESENTADA 3. Inconformada com a sua exclusão do SIMPLES, a impugnante apresentou a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples SRS, argumentando que o exsócio NILO GONÇALVES SIMÃO havia deixado a sociedade desde janeiro de 2003, apresentando como prova uma cópia da Alteração Contratual pertinente, a qual não continha a assinatura dos sócios. 3.1 Premido pelo prazo e considerando que não dispunha de uma cópia assinada da Alteração Contratual, naquele momento, em Belo Horizonte, (a SRS foi apresentada no último dia do prazo, via postal em Belo Horizonte. A sede da Fl. 122DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10650.000562/200575 Acórdão n.º 120100.516 S1C2T1 Fl. 118 3 empresa fica em Campos Altos/MG), a impugnante juntou à SRS uma via não assinada da referida Alteração Contratual (doc. 03). 4. Por esta razão, referida SRS foi indeferida pelo Delegado da Receita Federal em Uberaba, sob o seguinte fundamento (doc. 04): "Não foi juntada à SRS prova hábil e idônea para afastar o motivo da exclusão". 5. A verdade é que exsócio NILO GONÇALVES SIMÃO deixou o quadro societário da empresa EXPRESSO FM RADIODIFUSÃO LTDA desde o inicio do ano de 2003, razão pela qual a exclusão da impugnante do SIMPLES se revela improcedente, como se provará a seguir. II DO DIREITO 6. Releva destacar que a impugnante é uma pessoa jurídica de direito privado com exploração do objeto de Radiodifusão, cuja atividade depende de outorga do Ministério das Comunicações e normatização e fiscalização da Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel. 7. O fato é que em 13/01/2003, conforme consta da Cláusula Quarta da Alteração Contratual (esta devidamente assinada) (doc. 05), o Sr. NILO GOLÇALVES SIMÃO retirouse da sociedade, transferindo a sua participação societária aos sócios Givanildo da Silva Reis e Dirceu Pereira de Araújo 8. Ocorre que em razão da atividade de Radiodifusão estar sujeita a normatização e controle do Ministério das Comunicações e da Anatel, a Alteração do Contrato Social com mudança do quadro societário, só pode ser levada à registro público na JUCEMG, após a anuência da Secretaria Nacional de Comunicações do Ministério das Comunicações, conforme estabelecido no item 7 do Anexo à Instrução Normativa DNRC n° 32, de 19/04/1991 (doc. 06). 9. Para atender a esta exigência a empresa requereu à Anatel, em 17/02/2003, a transferência das participações societárias dos sócios que se retiravam da sociedade para aqueles que entravam, conforme estabelecido na Alteração Contratual, juntando, para tanto, uma cópia da referida Alteração (doc. 07 e 05). 9.1 Referido requerimento foi encaminhado pela ANA TEL à Secretaria de Serviços de Radiodifusão do Ministério das Comunicações, em 28/02/2003 (doc. 08), onde o mesmo ainda está sendo apreciado através do processo n° 53000.002921/200324 (doc. 09). 10. O documento 10 indica que somente em 17/05/2004, mais de um ano após a sua protocolização, foi que o Departamento Fl. 123DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10650.000562/200575 Acórdão n.º 120100.516 S1C2T1 Fl. 119 4 de Outorga de Serviços do Ministério das Comunicações iniciou a análise do referido pedido. 11. Em face dessa morosidade daquele órgão na apreciação do pedido, até a presente data ainda não se tem a anuência do mesmo, para a efetivação do arquivamento da Alteração Contratual na JUCEMG. 12. Sendo este arquivamento prérequisito para a alteração cadastral junto à Receita Federal, a impugnante encontrase impossibilitada de proceder a exclusão do exsócio NILO GONÇALVES SIMÃO do seu quadro societário. 13. Verificase, assim, que não pode a impugnante ser penalizada com a exclusão do SIMPLES porque se vê impedida de proceder a alteração cadastral junto à Receita Federal, única e exclusivamente, por culpa da própria Administração Pública. 14. Estes são os motivos pelos quais a impugnante ainda não efetuou a alteração cadastral da empresa na Receita Federal, para a exclusão do exsócio NILO GONÇALVES SIMÃO do quadro societário. 15. Além da Alteração Contratual assinada e apresentada ao Ministério das Comunicações, existem outras provas que confirmam as transações constantes da referida ação, e, por via de conseqüência, a saída do Sr. NILO GONÇALVES SIMÃO da sociedade, quais sejam: 15.1 O exsócio NILO GONÇALVES SIMÃO, fez constar na sua Declaração de Bens do Exercício de 2004, apresentada tempestivamente a transferência das suas quotas de capital na empresa EXPRESSO FM RADIODIFUSAO LTDA, para os sócios Givanildo da Silva Reis e Dirceu Pereira de Araújo (doc. 11), tendo inclusive preenchido o Demonstrativo de Apuração do Ganho de Capital. 15.2 O sócio Dirceu Pereira de Araújo, da mesma forma, fez constar em sua Declaração de Bens, apresentada tempestivamente, a aquisição das quotas que os exsócios NILO GONÇALVES SIMÃO, Victor Vieira dos Santos e Miguel Célio Patto Ramalho possuíam na empresa EXPRESSO FM RADIODIFUSÃO LTDA (doc. 12); 15.3 Ainda, a confirmar a referida Alteração Contratual, o ex sócio Miguel Célio Pato Ramalho informou na sua Declaração de Bens, apresentada tempestivamente, que havia transferido a sua participação societária da empresa EXPRESSO FM RADIODIFUSÃO LTDA, para o sócio Dirceu Pereira de Araújo (doc. 13). 16. Portanto, o fato que motivou a exclusão da impugnante do SIMPLES na verdade não existe, uma vez que desde janeiro/2003, o Sr. NILO GONÇALVES SIMÃO não pertence ao seu quadro societário. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10650.000562/200575 Acórdão n.º 120100.516 S1C2T1 Fl. 120 5 17. Deste modo, fica comprovado que o Sr. NILO GONÇALVES SIMÃO de fato não pertence ao quadro societário da impugnante desde janeiro de 2003, razão pela qual o Ato Declaratório que a excluiu do SIMPLES deve ser cancelado. 18. Como já dito no item 4, o indeferimento da SRS se deu sob o único fundamento de que: "Não foi juntada à SRS prova hábil e idônea para afastar o motivo da exclusão". Isto porque a impugnante havia apresentado apenas uma cópia da Alteração contratual sem qualquer assinatura dos sócios. 19. Vêse que na decisão, por falta de prova do alegado pela firma, levouse em conta tão somente a verdade formal, qual seja, a Alteração Contratual sem a assinatura dos sócios. 20. No entanto, agora, com a apresentação da cópia da Alteração Contratual, devidamente assinada, bem como das demais provas circunstancias indicadas no item 15, e considerando, ainda, que a alteração cadastral junto à Receita Federal para exclusão do exsócio NILO GONÇALVES SIMÃO só não foi efetivada, por culpa exclusiva da Administração Pública, fica evidenciado que a verdade material dos fatos indica que o referido exsócio deixou a sociedade em 2003, não havendo razão para a exclusão da impugnante do SIMPLES. III DO PEDIDO Diante de todo o exposto e tendo em vista que restou sobejamente comprovado que a exclusão da impugnante do SIMPLES se deu única e exclusivamente em razão da impossibilidade da mesma efetuar a alteração do seu quadro societário junto à Receita Federal, para a exclusão do exsócio NILO GONÇALVES SIMÃO e, Considerando que esta impossibilidade decorre de culpa exclusiva da Administração Pública, pela demora do Ministério das Comunicações em apreciar o requerimento da impugnante para a transferência de participação societária, conforme já demonstrado; Considerando que a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples SRS, apresentada pela impugnante, foi indeferida porque a mesma não juntou a documentação comprobatória da saída do exsócio do seu quadro societário; Considerando que a documentação ora apresentada comprova, extreme de dúvidas, que o exsócio NILO GONÇALVES SIMÃO deixou o quadro societário da impugnante em janeiro de 2003, não havendo que argüir infração ao inciso IX do art. 9° da Lei n° 9. 317/96; Considerando que neste caso, em homenagem a princípio da verdade real, impõese a revisão do ato que excluiu a requerente do SIMPLES; Fl. 125DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10650.000562/200575 Acórdão n.º 120100.516 S1C2T1 Fl. 121 6 REQUER a V. Sa a revisão do ADE DRF/UBB n° 507.303, declarando a sua insubsistência e restabelecendo o direito da impugnante a permanecer no SIMPLES, como medida de justiça. A Interessada havia apresentado, em 25/09/2003, a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SAS) de fl. 1, que foi indeferida pela Derat/Rjo sob o seguinte fundamento: "de acordo com as pesquisas CNPJ de fls. 27/28 e IRPJ de fls. 29/33, o sócio Paulo César Caiado Bezerra participava, no ano calendário de 2001, com mais de 10% do quadro societário da empresa Refrigeração Sudeste Ltda e outrossim, a receita bruta global, nesse período, ultrapassou o limite legal". Cientificada da decisão em 06/04/2006 (fl. 1/verso), a Interessada apresentou, em 26/04/2006, a manifestação de inconformidade de fl. 39, na qual alega, em síntese, que o sócio Paulo César Caiado Bezerra já se encontrava de fato fora de sociedade por ocasião da exclusão do Simples em 2001, embora, por motivo de acordo com o sócio admitido, somente em maio de 2003 foi possível arquivar o ato de alteração anexo. Observa que vem declarando e recolhendo tributos no Simples nos exercícios de 2001 a 2004, tendo sido excluída em 2002, e requer sua reinclusão no Simples nos exercícios 2003 e 2004, tendo em vista que nos exercícios 2005 e 2006 passou a declarar espontaneamente no Lucro Real, tendo em vista que a sociedade ultrapassou o limite legal. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 91 a 98) negou provimento à manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: SIMPLES. EXCLUSÃO. Constatado que o sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global no final do Anocalendário ultrapassou o limite legal, correta a exclusão da contribuinte do Simples. PROVA. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. A alteração do contrato social, por ser ato sujeito a registro na junta comercial, não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiros. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 101 a 110, mediante o qual reiterou os pontos apresentados na manifestação de inconformidade e acrescentou mais os seguintes argumentos para especificamente contraditar os fundamentos da decisão recorrida: Fl. 126DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10650.000562/200575 Acórdão n.º 120100.516 S1C2T1 Fl. 122 7 1) Não poderia prevalecer o alegado desconhecimento do poder público relativamente à exclusão do sócio Nilo Gonçalves Simão, uma vez que tanto o Ministério das Comunicações tinha conhecimento em razão do pedido de anuência, quanto a Receita Federal em face das declarações de rendimentos das pessoais envolvidas; 2) No acórdão n° 30132.213, o antigo Terceiro Conselho decidiu que os efeitos da alteração contratual vigem da data da sua assinatura e não da data do seu registro; assim, a data que deve prevalecer é 13/01/2003 e não 14/07/2005; destaquese, assim, que na data da publicação do ato de exclusão (02/08/2004), a recorrente já preenchia os requisitos para permanecer no sistema simplificado no ano de 2003; Por fim, pede (i) a improcedência da exclusão, restabelecendo seu direito de permanecer no SIMPLES e SIMPLES Nacional ou (ii) subsidiariamente a reinclusão no Simples e Simples Nacional a partir da data do registro da alteração contratual. Em relação a este pedido subsidiário, aduziu que ficou impedida de reingressar no Simples em razão da suspensão dos efeitos da suspensão dos efeitos do ADE. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes O Código Brasileiro de Telecomunicações, Lei nº 4.117/62, em seu artigo 38, alínea “c”, possuía a seguinte redação: Art. 38. Nas concessões e autorizações para a execução de serviços de radiodifusão serão observados, além de outros requisitos, os seguintes preceitos e cláusulas: (...) c) a transferência da concessão, a cessão de cotas ou de ações representativas do capital social, dependem, para sua validade, de autorização do Govêrno após o pronunciamento do Conselho Nacional de Telecomunicações. Essa disposição, contudo, foi alterada, desde final de 2002, pela lei nº 10.610/02. Desde então a disciplina relativa à autorização do órgão de controle é a que ss segue, in verbis: Art. 38. Nas concessões, permissões ou autorizações para explorar serviços de radiodifusão, serão observados, além de outros requisitos, os seguintes preceitos e cláusulas: (Redação dada pela Lei nº 10.610, de 20.12.2002) (...) Fl. 127DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10650.000562/200575 Acórdão n.º 120100.516 S1C2T1 Fl. 123 8 c) a alteração dos objetivos sociais, a modificação do quadro diretivo, a alteração do controle societário das empresas e a transferência da concessão, da permissão ou da autorização dependem, para sua validade, de prévia anuência do órgão competente do Poder Executivo; (Redação dada pela Lei nº 10.610, de 20.12.2002) Não são necessários maiores conhecimentos jurídicos para compreender que, anteriormente, toda e qualquer transferência de quotas devia ser precedida de autorização governamental, mas desde 2002 a anuência é necessária apenas para aquelas transferências que resultarem em alteração do controle societário. Desse modo, para mim, resta claro que o contribuinte deixou de promover a alteração por sua própria culpa, uma vez que ninguém pode alegar o desconhecimento da lei. É oportuno ainda dizer que a jurisprudência relativa aos efeitos retroativos do registro de alterações societárias diz respeito apenas àqueles casos em que a alteração societária foi levada ao órgão de registro dentro do prazo legal, isto é, 15 dias. Nesses casos, os efeitos são considerados desde a data do ato, mas tal disciplina não aproveita a sua situação, pois se refere à situação diferente com fundamentos igualmente diversos. Pedido subsidiário Quanto ao pedido subsidiário, segundo a decisão recorrida, o contribuinte, nos anoscalendário de 2004 e 2005, declarou pelo lucro real em razão de ter superado o limite legal de receita. Esse ponto não foi contestado pelo interessado. Desse modo, seu pedido subsidiário só pode dizer respeito a períodos posteriores. Todavia, nesse caso, ainda que seja verídica a sua informação de que os sistemas informatizados impediam o seu reingresso, esse pleito deveria ter sido endereçado à autoridade competente e não feito em sede de recurso. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 128DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10650.000562/200575 Acórdão n.º 120100.516 S1C2T1 Fl. 124 9 Fl. 129DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
score : 1.0
Numero do processo: 13551.000164/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DE TRIBUTAÇÃO
Comprovada a tributação em separado de receita supostamente omitida que deu origem à autuação, afasta-se o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.106
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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PROVA DE TRIBUTAÇÃO Comprovada a tributação em separado de receita supostamente omitida que deu origem à autuação, afasta-se o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos—o-s-presentes autos. Acordam os meTbros do olegi,do, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos tennos/do voto do lator. Giovanni Christian Nunes os - Pres ente Ruben EDITADO EM: 28/07/ 011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Eivanice Canário da Silva, Núbia Matos Moura, Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibi dade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fis. 50/51 da instância a quo, in verbis: 0 interessado impugna lançamento do imposto de renda do ano-calendário 2002, em que foram incluídos rendimentos omitidos, pagos pela FUNPREV (R$ 29.500,08), resultando em imposto suplementar de R$ 2.422,10. Argumenta, em síntese, que a fonte pagadora não informou na DIRF a retenção do imposto na fonte; que havia informado por erro em sua declaração a pensão de seu irmão (R$ 15.600,00), de quem é curador, que é isenta do imposto, por ser este portador de moléstia grave. Corn a exclusão destes rendimentos, teria um saldo de imposto a restituir, e não a pagar, corno demonstra em modelo de declaração às fls. 14/17. Diante dosses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente e provas apresentadas foram insuficientes, no seu entender, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 ALTERAÇÃO DOS RENDIMENTOS DECLARADOS. Não se admite retificação da declaração para reduzir os rendimentos tributáveis, quando não comprovado o erro. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 54/55, insistindo que os valores lançados como omissos, são na verdade rendimentos auferidos pelo irmão, Carlos Humberto Silva, a titulo de pensão, declarados em separado, sendo que o recorrente é apenas o seu curador, conforme decisão judicial. Juntou os documentos de fls. 58 a 60 para comprovar as suas razões, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ADMISSIBILIDADE Processo n° 13551.000164/2007-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.106 Fl. 13 Discute-se se os rendimentos decorrentes do Comprovante de Rendimentos de fls. .09, no valor de R$ 29.500,00, Dirf, fl. 49, foi recebido pelo recorrente diretamente ou se são decorrentes de pensão recebida por ele em função de ser curador do irmão, Carlos Humberto Silva, que seria o real detentor destes rendimento, cujos valores já foram objeto de declaração de IRPF entregue em separado, conforme fl. 19. Da análise dos documentos de fls. .16 a 18 e 59/60, .fica inconteste que realmente o recorrente é curador do irmão, Carlos Humberto Silva, interditado por problemas mentais. Ainda, entendo atestado, pelo Comprovante de Rendimentos de fl. 58, que os valores pagos pela FUNPREV ao recorrente, tratam-se de rendimentos ao Sr. Silenildo S. Silva, pensionista do interditado, Carlos Humberto Silva, que se encontra inativo. De outro lado embora entregue em atraso, foi realmente entregue uma DIRPF2003, fls. 19 a 22, em nome de Carlos Humberto Silva, onde constam precisamente os valores lançados como omissos em nome do recorrente, Sr. Silenildo. Diante do exposto entendo que as razões do recorrente são verdadeiras e que o rendimento imputados ao Sr. Silenildo como omisso na verdade já foram declarados em nome do tutelado, Sr. Carlos, verdadeiro sujeito passivo. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Rubens Mauricio Carvalho - Relator 3
score : 1.0
Numero do processo: 11080.013717/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2007
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. NÃO AMPARADA PELO BENEFÍCIO DA ISENÇÃO. TRIBUTAÇÃO São tributáveis os rendimentos decorrentes de prestação de serviços junto ao
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, percebidos por pessoa física nacional, residente e contratada no país, que não detenha a condição de funcionário de organismo internacional.
Súmula CARF 39: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do imposto sobre a renda da pessoa física.”
Numero da decisão: 2102-001.344
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Ano calendário: 2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. NÃO AMPARADA PELO BENEFÍCIO DA ISENÇÃO. TRIBUTAÇÃO São tributáveis os rendimentos decorrentes de prestação de serviços junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, percebidos por pessoa física nacional, residente e contratada no país, que não detenha a condição de funcionário de organismo internacional. Súmula CARF 39: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do imposto sobre a renda da pessoa física.”
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NÃO AMPARADA PELO BENEFÍCIO DA ISENÇÃO. TRIBUTAÇÃO São tributáveis os rendimentos decorrentes de prestação de serviços junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, percebidos por pessoa física nacional, residente e contratada no país, que não detenha a condição de funcionário de organismo internacional. Súmula CARF 39: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do imposto sobre a renda da pessoa física.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 347DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.013717/200851 Acórdão n.º 2102001.344 S2C1T2 Fl. 336 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 4a. Turma da DRJ/POA, de 16 de setembro de 2.010 (fls. 229/235), que por unanimidade de votos manteve exigência fiscal objeto de lançamento lavrado em 05/12/2005, quando foi intimado a recolher o valor total de R$ 10.264,47 (dez mil, duzentos e sessenta e quatro reais e quarenta e sete centavos) , sendo R$ 5.469,72 a título de imposto, R$ 692,46 de juros de mora e R$ 4.102,29 de multa. De acordo com a Notificação de Lançamento (fls. 16/18), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorrem de valores recebidos por serviços prestados junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, no ano base 2007, no valor de R$ 33.588,75 (trinta e três mil, quinhentos e oitenta e oito reais e setenta e cinco centavos) . Em grau de Recurso a este Conselho, às fls. 241/253, aduz a Recorrente: a) Preliminarmente, sob pena de nulidade das notificações que vierem a ser expedidas, que considerem a alteração do endereço da Contribuinte/Recorrente, não observada nos envio dos expedientes anteriores; b) Que a Recorrente trabalhou para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no período de 02/01/2005 a 30/05/2006, como consultora no Programa BRA/97/026, e que os rendimentos percebidos, por tratarse de organismo internacional, eram isentos da tributação do imposto de renda, não obstante como profissional independente, pois laborava ininterruptamente e o vínculo foi objeto de pleito trabalhista junto ao Poder Judiciário; c) O benefício da isenção a que faz juz, está amparado pelo art. 5o , II da lei 4.506/64, bem como no art. 23, II do RIR/94 e que o Brasil é signatário da Convenção sobre Privilégios e imunidades das Nações Unidas, mencionando precedentes deste colegiado e do judiciário neste sentido; d) A multa também é indevida, uma vez que não houve falta de recolhimento através do carnê leão, pois o valor recebido foi informado, apenas não oferecido à tributação, por contar com o benefício da isenção e que o não recolhimento está amparado na resposta à consulta formulada, cuja resposta foi objeto do Parecer Normativo 717/79) . É o relatório. Fl. 348DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.013717/200851 Acórdão n.º 2102001.344 S2C1T2 Fl. 337 3 Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, e foi interposto por profissional documentalmente constituído. Não obstante a questão ser objeto da Súmula 39 deste Conselho, que estabelece que “os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do imposto sobre a renda da pessoa física”, o que já seria suficiente para fundamentar esta decisão, a vasta legislação citada na decisão recorrida bem apreciou a matéria. Com efeito, a decisão de primeira instância bem apreciou a questão, destacando dentre outros dispositivos e diplomas legais, o art. 106 do RIR, que embasado em lei, determina expressamente a sujeição mensal da tributação, os rendimentos recebidos no Brasil, por serviços prestados a embaixadas, repartições consulares, missões diplomáticas ou técnicas ou a organismos internacionais de que o Brasil faça parte. Também são muitos os precedentes deste Conselho, dentre eles, destacamos: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. PNUD. ISENÇÃO. ALCANCE, A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pelo PNUD é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergadas pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Acórdão 10422411, de 23.5.2007, rel. Pedro Paulo Pereira Barbosa). No tocante à alegada multa isolada do carnê leão, a mesma não pode ser considerada, uma vez que não foi aplicada à Recorrente. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 349DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.013717/200851 Acórdão n.º 2102001.344 S2C1T2 Fl. 338 4 Relator Fl. 350DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004349/2006-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DE RECEITA OU DE TRIBUTOS INSERTOS NA ESCRITA MERCANTIL E AQUELES CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS POSTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, DE 29/08/2002.
Pertine o lançamento afeto às diferenças, a maior, resultantes do confronto entre os valores do tributo registrados na escrituração mercantil ou fiscal e aqueles efetivamente pagos ou declarados (confessados) na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A partir de outubro de 2002 a compensação de tributos administrados pela Receita Federal requisita a apresentação de declaração de compensação (Dcomp).
Numero da decisão: 1102-000.398
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DE RECEITA OU DE TRIBUTOS INSERTOS NA ESCRITA MERCANTIL E AQUELES CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS POSTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, DE 29/08/2002. Pertine o lançamento afeto às diferenças, a maior, resultantes do confronto entre os valores do tributo registrados na escrituração mercantil ou fiscal e aqueles efetivamente pagos ou declarados (confessados) na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A partir de outubro de 2002 a compensação de tributos administrados pela Receita Federal requisita a apresentação de declaração de compensação (Dcomp).
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Recorrida 7ª TURMA DE JULGAMENTO DA DRJI NO RIO DE JANEIRORJ ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DE RECEITA OU DE TRIBUTOS INSERTOS NA ESCRITA MERCANTIL E AQUELES CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS POSTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, DE 29/08/2002. Pertine o lançamento afeto às diferenças, a maior, resultantes do confronto entre os valores do tributo registrados na escrituração mercantil ou fiscal e aqueles efetivamente pagos ou declarados (confessados) na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A partir de outubro de 2002 a compensação de tributos administrados pela Receita Federal requisita a apresentação de declaração de compensação (Dcomp). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. José Sérgio Gomes Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10935.004349/200627 Acórdão n.º 110200.398 S1C1T2 Fl. 371 2 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente), José Sérgio Gomes (Relator), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto e Manoel Mota Fonseca. Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 7ª Turma de Julgamento da DRJI no Rio de JaneiroRJ que julgou procedente o lançamento efetuado em 03/10/2006 pela Delegacia da Receita Federal em CascavelPR com vistas a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) acrescido de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). A ação fiscal consistiu na tributação da diferença, a maior, entre o valor do imposto informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) do ano calendário de 2002, sem que tenha havido pagamento correspondente, e o tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) desse período. Impugnando o lançamento a contribuinte manifestouse no sentido de que a informação constante em sua DIPJ é equivocada, vez que não levou em conta a compensação efetuada em conta gráfica com crédito originado de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, nem tampouco foi deduzida a importância paga a título de contribuição ao Fundo Estadual e Municipal para a Infância e Adolescência, regularmente permitida pelo artigo 591, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99), de sorte que a quantia que deveria ter sido declarada é da ordem de R$ 0,06 (seis centavos de real). Aquele Colegiado (7ª Turma de Julgamento) admitiu a impugnação e entendeu parcialmente procedente o lançamento, assim ementando o Acórdão nº 1221.165, tomado por unanimidade de votos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RITO PRÓPRIO. O pedido de compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, tem rito próprio e deve ser feito mediante uso do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), como restou determinado pela Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005. DOAÇÃO AOS FUNDOS DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10935.004349/200627 Acórdão n.º 110200.398 S1C1T2 Fl. 372 3 A pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido, em cada período de apuração, o total das doações efetuadas aos fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente devidamente comprovadas, obedecidos os limites estabelecidos pelo Poder Executivo, vedada a dedução como despesa operacional. Ciente do decisório em 16 de outubro de 2008, fl. 357, a contribuinte aviou em 14 do mês seguinte o recurso de fls. 358/363 no qual apresenta dois pagamentos DE irpj efetuados em bases estimadas em 28/02/2001 e 37/07/2001, os quais teriam gerado saldo negativo deste tributo naquele anocalendário. Assevera que não há falar em rito impróprio para a realização da compensação em 2003 (anocalendário de 2002) com IRPJ pago a maior no anocalendário de 2001, pois a IN 600, de 2005, ainda não estava em vigência naquela oportunidade. Ao final, requer a reforma da r. decisão recorrida. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Como visto, não há controvérsia em relação ao quantum do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) devido no anocalendário de 2002, mesmo porque enunciado na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) de fl. 337 e na conta “IRPJ – Imposto de Renda a pagar” do livro “Razão” nº 7, fl. 338. A contenda resumese em identificar se a exigência da diferença entre esse valor e a somatória das estimativas (antecipações) efetuadas ao longo do anocalendário de 2002, não recolhida nem tampouco confessada em DCTF, poderia ser anulada mediante a noticiada compensação com saldo negativo de IRPJ do anocalendário anterior, qual seja, de 2001. Entendeu a r. decisão recorrida pela impossibilidade, já que em desacordo com a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, a qual regula os procedimentos de restituição e compensação perante a Receita Federal. Já a Recorrente pugna pela validade da compensação na medida em que a norma obstativa é posterior ao encontro de contas, ocorrido nos idos de 2003. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10935.004349/200627 Acórdão n.º 110200.398 S1C1T2 Fl. 373 4 Nada obstante a norma administrativa citada pela r. decisão recorrida ser posterior à pretensão compensatória, tenho que a alegada compensação efetuada pela contribuinte é de todo ineficaz. Com efeito, até 30 de setembro de 2002 vigiam duas formas de compensação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Uma, regida pelo artigo 66 da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, que permitia o encontro de contas pelo próprio contribuinte (autocompensação) mediante registros em sua própria escrita, quando envolvidos tributos da mesma espécie tributária e outra, regrada pelo artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na sua redação originária, versando sobre o encontro de contas quando envolvidos tributos de espécie diversa, com participação da Receita Federal, a tanto provocada por requerimento da contribuinte. Vejase: “Lei nº 8.383, de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. ..................................................................................................” “ Lei nº 9.430, de 1996 Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” Contudo, com a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em especial seus artigos 49 e 63, inciso I, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, passou a vigorar, a partir de 1º de outubro de 2002, novo e único regime de compensação, a ver: “Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10935.004349/200627 Acórdão n.º 110200.398 S1C1T2 Fl. 374 5 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. .....................................................................................................” Portanto, o alegado direito creditório contra a Fazenda Nacional afeto ao ano calendário de 2001 requisita procedimento próprio, qual seja, a declaração de compensação exigida pelo § 1º do diploma legal transcrito, no qual será apurada a certeza e liquidez do direito invocado. Assim, o cancelamento da exigência fiscal pretendido pela Recorrente não soa plausível em sede de razões recursais contra o lançamento. Por fim, a indicação, no decisório recorrido, de norma administrativa da Receita Federal indicativa da necessidade de apresentação da declaração de compensação (Dcomp) editada posteriormente à época em que teria se dado o encontro de contas em nada prejudica o entendimento nele esposado, pois em sintonia com a regra legal em comento. A propósito, em 2003 vigia a Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, que em seu artigo 21 reprisa a regra trazida pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 2002. Com tais razões, VOTO pelo improvimento do recurso voluntário. José Sérgio Gomes Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000097/2006-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
LANÇAMENTO — FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO A
atividade da fiscalização deve ser exercida sempre que se
tratar de possibilidade de lesão ao Erário, por força de descumprimento das regras tributárias. A aplicação de presunções, todavia, somente pode ser realizada na hipótese em que houver prova contundente dos indícios que cumpram os requisitos de gravidade, precisão e concordância, passando, então, a caracterizarem-se como verdadeiros elementos probantes.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.Em razão da estreita relação de causa e efeito
existente entre o lançamento principal e os decorrentes, uma vez cancelada a imposição no processo matriz, igual medida impõe-se
aos demais.
Numero da decisão: 1202-000.486
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR
provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior, que dava provimento parcial ao recurso apenas para reduzir a multa de ofício aplicada ao percentual de 75%. O Conselheiro Jaci de Assis Júnior apresentará declaração de voto.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 LANÇAMENTO — FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO A atividade da fiscalização deve ser exercida sempre que se tratar de possibilidade de lesão ao Erário, por força de descumprimento das regras tributárias. A aplicação de presunções, todavia, somente pode ser realizada na hipótese em que houver prova contundente dos indícios que cumpram os requisitos de gravidade, precisão e concordância, passando, então, a caracterizarem-se como verdadeiros elementos probantes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.Em razão da estreita relação de causa e efeito existente entre o lançamento principal e os decorrentes, uma vez cancelada a imposição no processo matriz, igual medida impõe-se aos demais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO — FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO A atividade da fiscalização deve ser exercida sempre que se tratar de possibilidade de lesão ao Erário, por força de descumprimento das regras tributárias. A aplicação de presunções, todavia, somente pode ser realizada na hipótese em que houver prova contundente dos indícios que cumpram os requisitos de gravidade, precisão e concordância, passando, então, a caracterizaremse como verdadeiros elementos probantes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.Em razão da estreita relação de causa e efeito existente entre o lançamento principal e os decorrentes, uma vez cancelada a imposição no processo matriz, igual medida impõese aos demais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior, que dava provimento parcial ao recurso apenas para reduzir a multa de ofício aplicada ao percentual de 75%. O Conselheiro Jaci de Assis Júnior apresentará declaração de voto. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DONASSOLO Presidente. (documento assinado digitalmente) NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Relatora. Fl. 624DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Jaci de Assis Júnior, Valéria Cabral Geo Verçoza, Flávio Vilela Campos, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls 888 a 912) lavrado em 28 de março de 2006, pela DRF em Vitória/ES contra a empresa CBI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., exigindo o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, contribuição ao PIS e COFINS), com aplicação de multa de 150% e juros com base na taxa SELIC. A exigência teve como fundamento a constatação de omissão de receitas no anocalendário de 2002 correspondente ao recebimento e pagamento de divisas do e para o exterior através da empresa denominada Beacon Hill Service Corporation. DO FISCALIZAÇÃO E DO AUTO DE INFRAÇÃO Foram realizados os seguintes lançamentos: a) IRPJ — Omissão de Receitas — Receitas não contabilizadas — Multa de 150% Fato Gerador ocorrido no anocalendário de 2002. Fundamento legal: artigo 24 da Lei nº 9249/96; artigos 249, II, 251, §único, 278, 279, 280, 281 e 288 do RIR/99. b) CSLL — Omissão de receitas — CSLL sobre receitas omitidas — Multa de 150% Fato Gerador ocorrido no anocalendário de 2002. Fundamento Legal: artigo 2º e §§ da Lei nº 7689/88; artigos 19 e 24 da Lei nº 9249/1995; artigo 1º da Lei nº 9316/1996; artigo 28 da Lei nº 9430/1996; e artigo 6º da Medida Provisória nº 1858/1999 e reedições posteriores. c) Contribuição ao PIS — Omissão de receitas — Falta/insuficiência da contribuição ao PIS — Multa de 150% Fato Gerador ocorrido no período de outubro a novembro de 2002. Fundamento Legal: artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/1970; artigo 24, §2º, da Lei nº 9249/1995; artigos 2º, I, 8º, I e 9º da Lei nº 9715/1998; artigos 2º e 3º da Lei nº 9718/1998 e alterações posteriores; artigos 2°, I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4524/2002. d) COFINS — Omissão de receita — Multa de 150% Fato Gerador ocorrido no período de outubro a novembro de 2002. Fundamento Legal: artigo 1° da Lei Complementar n°70/91; artigos 24, §2°, da Lei n° 9249/95; artigos 2°, 3°e 8° da Lei n° 9718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1858/99 e suas reedições; artigos 2°, I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4524/2002. e) Multa qualificada de 150% e Juros com base na taxa SELIC. Fundamento legal: artigos 44, II, e 61, §3º, da Lei nº 9430/1996. Segundo RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL (fls 866 a 887), a fiscalização foi iniciada com a finalidade de verificar o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) referente ao anocalendário de 2002, e teve como resultado o lançamento do IRPJ, no valor de R$ 277.660,12, e seus reflexos, a saber: CSLL no valor de R$ 108.597,64 , contribuição ao PIS no valor de R$ 7.843,15 e COFINS no valor de R$ 36.199,20, acrescidos de multa de 150% e juros calculados à taxa SELIC. Perfazendo um total de R$1.310.777,32. Fl. 625DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 15586.000097/200698 Acórdão n.º 120200.486 S1C2T2 Fl. 2 3 Consta no referido “RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL” que, em 4 de agosto de 2003 (fl 31), o Departamento de Polícia Federal solicitou ao Juízo da 2a. Vara Criminal Federal de Curitiba (PR), por meio do Oficio 120/03 PF/FT3SR/DPERR, a quebra do sigilo bancário no exterior da empresa “Beacon Hill Service Corporation (BHSC)”, sediada em Nova York, que atuava como intermediária de diversas empresas brasileiras. Tal solicitação foi deferida em 14 de agosto de 2003 (fl 39). Em 20 de abril de 2004, foi deferida a transferência de dados à Receita Federal, (fls 50 e 51), iniciandose a análise dessas informações e desses documentos pela Equipe Especial de Fiscalização(Port. SRF n°463/04). As análises foram feitas e se constatou que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, através de contas/subcontas mantidas no JP Morgan Chase Bank pela empresa “Beacon Hill Service Corporation” BHSC. Com base nestes elementos, identificou se que a recorrente efetuava tais movimentações de divisas. Em 23 de dezembro de 2005, consoante AR (fl 5), a recorrente foi então intimada a apresentar, dentro do prazo de 10 (dez) dias, os seguintes documentos: (i)Relação das operações de transferências de recursos, para ou do exterior, por meio de contas tituladas por residentes ou domiciliados no exterior, a qualquer título, durante o anocalendário de 2002, discriminando a data, valor, beneficiário no exterior, motivo da remessa e a folha do livro diário em que está contabilizada a operação;(ii) Contrato social e alterações; (iii)Livros Diário e Razão ou Caixa. Em 2 de janeiro de 2006, (fl 6), pediu prorrogação de prazo para mais 15 dias, que foi prontamente aceito. Em 6 de fevereiro de 2006, (fl 7) a empresa respondeu à intimação, entregando os seguintes documentos: Livro Razão 2002 n° 6; Cópias de Contratos de Câmbio ref ano 2002; Cópia Contrato SociaL; Cópias alterações contratuais da firma; Planilha (Excel) referente aos pagamentos via contrato de câmbio em 2002. Em 7 de junho de 2005, a Equipe Especial de Fiscalização aprovada pela Portaria SRF n°463/04, envia ao Superintendente Regional da Receita Federal na 7ª Região Fiscal, memorando anexando o Laudo Pericial Federal elaborado para cada conta/subconta onde foram localizadas transações; bem como a Relação/transcrição das operações em que o contribuinte identificado aparece como Beneficiário, Ordenante e/ou Remetente de divisas através das contas/subcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova York por BHSC, independente de documentação em papel, sob a conta de nome “MIDLER CORP SA” (fls 9 a 11), “Ref CBI Ind e Comercio Ltda”. Foi emitido novo Termo de Intimação, sendo que a recorrente foi cientificada em 3 de março de 2006. O novo Termo dispôs que: a) foi dada ciência de documentos em poder da auditoria fiscal, qual seja: Documento expedido pela Coordenação Geral de Fiscalização da Secretaria da Receita Federal, dando conta que a recorrente consta como beneficiária de movimentação de divisas no exterior — conta “MIDLER” no anocalendário de 2002— 10 registros no valor total de USD 229.440,00 (duzentos e vinte e nove mil, quatrocentos e quarenta dólaresdos Estados Unidos). b) foi solicitada nova documentação para entrega em 10 dias: Fl. 626DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR 4 Foi solicitado que se esclarecesse as operações de recebimento de recursos do exterior por meio de contas tituladas por nãoresidentes no País, conforme documentos comprobatórios encaminhados em anexo ao Termo, discriminando o remetente no exterior, motivo da remessa/recebimento e a folha do livro diário em que está contabilizada a operação: Data da operação Valores em USD Beneficiário 21/11/2002 18.450,00 TSANN JUEN ENTERPRISE CO LTD 06/12/2002 1.950,00 ASIG QUALITY SERVICES 06/12/2002 66.450,00 GONICA ELETRONIC CO. LTD 06/12/2002 16.500,00 GEODIS OVERSEAS 03/10/2002 20.000,00 LOYAL RICH ENTERPRISE CO 04/10/2002 21.000,00 CREYAOND 04/10/2002 2.800,00 KO TAT MING 04/10/2002 51.940,00 ATECH ELETRONIC 01/11/2002 7.650,00 MATSUZAWA INTL CO 07/11/2002 25.000,00 GONICA ELETRONCIS CO 21/11/2002 33.300,00 GONICA ELETRONIC CO. LTD. 21/11/2002 50.000,00 LEU 03/12/2002 2.600,00 HENCY SOUTH AMERICA 06/12/2002 15.150,00 CREAYOND HONG TOTAL 332.790,00 Em 14 de março, a interessada solicitou prorrogação por mais 10 dias, que foi prontamente atendida. Consoante Relatório de Encerramento de Fiscalização (fl 874), a intimação foi atendida em 20 de março, sendo a resposta da interessada que: “Nenhuma das operações relacionadas nos documentos anexados à mencionada intimação contou com a participação da peticionante, a qual jamais realizou operações, seja de envio ou recebimento de divisas ao exterior através de conta correntes de não residentes". "Aliás, a peticionante JAMAIS foi beneficiária de qualquer quantia enviada do exterior, pois nunca exportou mercadorias, mas tão somente, importou. Menos ainda seria beneficiária de remessas de empresas no Uruguai” Fl. 627DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 15586.000097/200698 Acórdão n.º 120200.486 S1C2T2 Fl. 3 5 "E, como se não bastasse, TODAS as operações de pagamento ao exterior foram efetuadas através de contratos de câmbio junto ao Banco Central do Brasil, e não através de contas de não residentes". "Para provar o alegado, a peticionante deixa à disposição do fisco toda a sua contabilidade, bem como extratos bancários, e todas as informações que se façam necessárias para demonstrar que, se o seu nome aparece em qualquer informação no exterior, tal ocorreu a sua revelia, ou se trata de homônimo, pois existem diversas companhias chamadas CBI no Brasil". Para o lançamento, os valores foram convertidos com base na cotação de venda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação, de acordo com o artigo 3º da Lei nº 9816/1999, art. 3º da Lei nº10.305/2001 e artigo 1° da Instrução Normativa do SRF n° 41/1999, que a seguir ficam demonstrados: Omissão de receitas — pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade: infração caracterizada pela movimentação de divisas no exterior, à revelia do sistema financeiro nacional, na qualidade de ordenante/remetente Período Pagtos USD Pagtos R$ Out/2002 95.740,00 347.113,26 Nov/2002 115.950,00 413.812,91 Dez/2002 17.750,00 65.584,12 Total 229.440,00 826.510,30 Omissão de receitas — transferências bancárias recebidas do exterior, à revelia do sistema financeiro nacional e dos registros contábeis Período Pagtos USD Pagtos R$ Nov/2002 18.450,00 65.584,21 Dez/2002 84.900,00 314.546,01 Total 103.350,00 380.130,22 DA IMPUGNAÇÃO Fl. 628DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR 6 Em 28 de abril de 2006, a recorrente apresentou Impugnação, (fls 922 a 945), alegando que: não aparece como beneficiária nas operações indicadas, mas, em todas as operações ali relacionadas, temse parte do nome da impugnante no campo de informações chamado: "detalhes de pagamento". a perícia realizada pelo INC atestou a existência dos documentos e das operações, não se depreendendo quem teria sido responsável pela remessa ou recebimento, ou mesmo, o destinatário final da operação; pelos laudos do INC, em nenhum momento, aparece o nome da recorrente como destinatária final das operações, como também não foi identificada a CBI Indústria e Comércio Ltda, mas o nome “CBI IND E COM LTDA” nas ordens de pagamentos da empresa “Beacon Hill”, aparecem como beneficiárias, diversas empresas, mas em nenhum caso a interessada. Aparece um nome parecido com o da recorrente logo após o nome do beneficiário, sempre como uma referência; a hipótese levantada de que a interessada estaria se utilizando de conta de doleiro para remeter divisas ao exterior não é a única hipótese para constatar o nome CBI nas ordens de pagamentos. Outra hipótese seriam os concorrentes ou fabricantes usando o nome da interessada na relação entre eles ao especificar os produtos da CBI. A indicação "Ref: CBI IND E COM LTDA" não quer dizer que a beneficiária ou remetente é a interessada, mas pode significar que aquela remessa serve para pagar os produtos do tipo “CBI”. A simples possibilidade de ter mais uma hipótese já é suficiente para descartar os documentos como única prova de convencimento da Fazenda; o indício de que tal menção seja realmente uma referência pode ser tirado dos laudos do INC, os quais apresentam nomes, códigos e pseudônimos. Não é possível que uma pessoa coloque o seu próprio nome, identificandose, numa operação ilícita, tanto que os peritos ressalvam a possibilidade de ocorrerem homônimos; outra incongruência é a existência de recebimentos de valores do exterior na relação de operações supostamente efetuadas pela interessada. Para se receber divisas da exterior, tal se dá como forma de pagamento de eventuais exportações. Entretanto, a interessada sequer possui cadastro no sistema RADAR e não está autorizada a exportar; a interessada apresentou todos os extratos bancários de suas contas, bem como protocolou pedidos no Banco Central do Brasil e no Consulado Uruguaio no Rio de Janeiro, para que fossem entregues uma listagem de todas as contas bancárias, para que não seja alegada sonegação de informação; a interessada procurou entrar em contato com todas as empresas que aparecem como beneficiárias das supostas remessas, bem como das que aparecem como ordenantes, solicitando esclarecimentos se enviaram ou receberam valores da interessada. Não foi possível localizar as empresas denominadas como FMR MARINE e KO TAG MINO. Foi tentada localização via internet, tendo sido solicitado esclarecimentos (junta cópia do email, bem como das respostas obtidas); é inegável que o surgimento de nome parecido com o da interessada tanto que foi pesquisar na internet, no site de buscas "www.google.com.br", digitando "CBI", surgem aproximadamente 80.400 páginas, demonstrando assim que é claro o motivo que utilizaram um nome semelhante ao da interessada como pseudônimo; Fl. 629DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 15586.000097/200698 Acórdão n.º 120200.486 S1C2T2 Fl. 4 7 outro indício foi encontrado em um contato comercial antigo, feito por um dos sócios da interessada, quando da participação em uma feira nos Estados Unidos. Foi fornecido a terceiro uma relação de fornecedores e contatos, bem como o catálogo de seus produtos. Nada impede que daí por diante o nome CBI passasse a ser uma referência entre estas pessoas; no laudo (fl. 15) consta como representantes da empresa Midler Corp. S.A. os Srs. Gabriel Lewi e Clemente Dana , portanto, autores de todas as assinaturas nos documentos referentes às operações financeiras em questão. O segundo possui identidade brasileira de estrangeiro e CPF como se verifica no item “viii” do próprio relatório e comprovante de endereço na cidade de São Paulo, conforme item “ xii” (fl 16). Como há identificação de duas pessoas físicas responsáveis pelas operações financeiras, seria fundamental ter seus depoimentos pessoais para identificar a autoria das operações, e não há qualquer transcrição de depoimentos dos envolvidos que poderiam ter sido prestados na 2ª Vara Criminal de Curitiba. Assim, ou não foram encontrados, ou prestaram depoimentos e não citaram o nome da interessada ou de seus sócios; requer a produção de prova documental superveniente, precisamente cartas de fornecedores ainda não enviadas ao Brasil, bem como a tradução juramentada de todas as aqui acostadas, além das respostas do Banco Central do Brasil e do Consulado do Uruguai. Em 18 de maio de 2006, entrega a tradução juramentada das respostas enviadas (fls 1001 a 1022) por Atech Eletronic, ASIG Quality, GONICA Eletronic, TSANN KUEN Entreprise Co Ltd, CREYAOND (Hong Kong), Loyal Rich Enterprise Ltd, Geodis Overseas e MATZUWA International Co Ltd. DO JULGAMENTO DA DRJ Em 27 de julho de 2006, a DRJ decidiu, por maioria de votos, pela procedência do lançamento (fls. 977/984) como a seguir relatamos: Na citada relação, na linha "Detail Payment (Detalhes de pagamento)", aparecem as referências "CBI IND E COM", "CBI INDUSTRIA E COMERCIO LTDA", "CBI INDUSTRIA E COM" e "CBI IND E COM LTD . No laudo pericial (fl. 18), sob essa nomenclatura (“Detail Payment”) podem ser indicadas "observações relativas à transação realizada (pode incluir agência do banco creditado, remetente original, o beneficiário final e respectiva conta, etc)". Com base nessas referências, a fiscalização entendeu melhor pesquisar no seu cadastro de pessoas jurídicas, as empresas registradas com essa denominação. Com a sigla CBI, foram encontradas 74 empresas (fls. 747/749), mas somente a interessada com a denominação CBI Indústria e Comércio Ltda. Na relação apresentada pela própria recorrente (fls. 164/168), identificouse que as empresas Gonica Eletronics Co. Ltd., Tsann Kuen Enterprise Co. Ltd. e Matsuzawa Ind. Co. Ltd. realizavam negócios com ela com regularidade (fls 26/30). Tais fatos levaram a fiscalização a concluir que praticou operações financeiras no exterior, com recursos à margem de sua escrituração. Quanto ao fato das referências poderem ser pseudônimos, entendeu que é óbvio que designam a denominação social da interessada. Ainda, esclarece que IND" é abreviatura de "indústria" e "COM" é abreviatura de "comércio" no jargão jurídico do direito empresarial. Ademais, entende não haver qualquer comprovação de comercialização de um Fl. 630DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR 8 produto, no mercado internacional, com a marca "CBI IND E COM", ou mesmo com a denominação social completa do interessado. Entendeu também que os valores são de pequena monta se comparados com as importações registradas pela interessada, ou de que está impedido de exportar. Todavia, verificouse que: o seu contrato social estipula como atividade, entre outras, a importação e exportação (fls. 67/128); também pode ter feito outras operações que não foram alcançadas pelo laudo pericial; operações de importações e de exportações podem ser realizadas por empresas brasileiras sem que as mercadorias necessariamente passem pelo território nacional; as importações para o território nacional e as exportações do território nacional podem ser realizadas por caminhos escusos (contrabando ou descaminho); a conclusão se o valor das operações é de pequena monta ou não é relativa quando tratamos de operações de montante aproximado de US$ 330mil. Não vê motivos para duvidar da documentação ou mesmo colher depoimentos, uma vez que foi obtida numa instituição financeira internacional de renome (JP Morgan Chase Bank) e toda a movimentação foi intermediada pela empresa Beacon Hill BHSC, apesar da conta estar em nome de “Midler Corp. S.A”. Inclusive consta na documentação analisada pelos peritos, a prestação de contas da Beacon HillBHSC para a “Midler” (item “xvi” do laudo pericial — fl 16). Para tanto, a interessada pode fazer uso da interpelação judicial. Quanto à alegação de que a denominação social do interessado não aparece nas citações dos peritos, não prejudica a conclusão de sua participação nas operações indicadas no auto de infração porque eles citam outras contas bancárias e alguns ordenantes/beneficiários de outras transações financeiras. Portanto, não há correlação. No que diz respeito às correspondências do interessado ao Banco Central do Brasil e ao Consulado do Uruguai, até o momento não foram juntadas as respostas. Com relação ao email enviado às empresas no exterior (fl. 959), entendo que a pergunta feita prejudica eventuais respostas. Foi perguntado se o interessado enviou ou recebeu valores das empresas situadas na exterior, através de banco no Uruguai. Também foi perguntado se houve algum pagamento feito de outro diferente meio que o oficial. Ora, as operações constantes no auto de infração foram realizadas em banco nos Estados Unidos e por meios oficiais. Não há qualquer indício de que o JP Morgan Chase Bank tenha operado ilicitamente. O ilícito indicado no auto de infração se refere à legislação tributária brasileira A resposta vinda de Gonica (fl. 959) foi que nunca enviou e nem transferiu recursos em nome da interessada. Indagase, então, como foram pagas as operações elencadas às fls. 164/168. Da mesma forma, a ATech Eletronic (fl. 962) e a Loyal Rich (fl. 969) responderam que nunca receberam pagamentos remetidos pela interessada oriundos do Uruguai e que todos os pagamentos foram feitos por instituição oficial. A pergunta não foi feita adequadamente, portanto, as respostas também não esclarecem sobre as operações indicadas na autuação. A Asig informa (fl. 964) que nunca remeteu ou transferiu qualquer pagamento de suas contas para a interessada, mas consta a operação no valor de US$ 1,950.00 (fl. 9) na relação. Assim sendo, com incongruências de informações, entendeu que deve prevalecer a informação do laudo pericial, visto a pergunta não foi assertiva. O mesmo se deu com a resposta da Geodis Concluiu pelo envolvimento da interessada em operações de recebimentos e pagamentos mantidos à margem da escrituração contábil, caracterizando o ilícito de omissão de receitas. Fl. 631DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 15586.000097/200698 Acórdão n.º 120200.486 S1C2T2 Fl. 5 9 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cienticada em 17 de agosto de 2006, conforme AR (fl 993), a recorrente apresenta o Recurso Voluntário tempestivamente, reiterando o que já havia dito na Impugnação (fls 1028). Acrescentando somente contestações específicas levantadas pela DRJ em sua decisão, a saber: a DRJ está se baseando em suposições tendo em vista que em nenhum momento foi citado o nome da interessada como ordenante ou beneficiária. o sistema da SRF apresenta 74 identificações como CBI, mas somente porque a identificação da recorrente tem referência “COM e IND” ela foi apontada. explica que as operações declaradas montam um total de USD$4,574,566.34 e as que lhe são imputadas, um total de USD229,440.00. Entende, assim, que não faz sentido esconder um valor muito menor e declarar um valor muito maior. a DRJ admite que no item “Detail Payment” pode ser feita qualquer referência, todavia conclui que se trata do beneficiário ou ordenante dos pagamentos ou recebimentos. exemplifica que no laudo aparece nomes como RECIFE, PAI CAPITAL, FLAMINGO, TOYOTA, CAMPARI, COROLA, os quais são codinomes. Nesse sentido, por que somente o nome da interessada não poderia ser codinome? Reforça que é sim codinome de alguém. quanto ao fato de constar no seu objeto a importação e exportação, isso só não basta para a realização da exportação. quanto a não caber a alegação de montante de valor pequeno (“Princípio da Bagatela”), por ser de USD330mil, valese do quadro demonstrativo (o qual está apresentado acima, mais anteriormente) e também do motivo plausível que levaria a interessada a declarar um montante muito maior que o que lhe foi imputado. quanto aos depoimentos pessoais, não é a interessada quem deve fazer a interpelação para buscar a prova, mas a Fazenda para lhe imputar fatos. O relator inverte os valores, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. reforça que o laudo não faz menção alguma específica ao nome da interessada, portanto, é a prova mais contundente de que a interessada não é a beneficiária ou ordenante. quanto às perguntas feitas às contrapartes, a pergunta foi montada dessa forma porque todas as transações financeiras partiram de bancos do Uruguai (fls.26/30), onde se pode observar as contas de crédito. Nos documentos de fls. 8/12, verificase que o débito foi efetuado no Agente da Midler Corp S/A, o qual possui endereço em Nova Iorque, todavia, a própria Midler Corp S/A, e sua conta corrente, estão em Montevideo/Uruguai, mais precisamente: Rio Branco, 1359, Sala 807 Montevideo – Uruguai. quanto ao fato de ter mencionado na pergunta o “meio oficial”, é claro que se deve entender por importação feita pela recorrente e exportação pelo fornecedor, através dos Fl. 632DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR 10 meios legais, tanto no que se refere à remessa das mercadorias, quanto aos seus pagamentos, feitos através de contratos de câmbio, na forma da legislação vigente no País. quanto ao fato da GONICA afirmar que nunca remeteu recurso algum para a recorrente e a DRJ questionar como foram realizadas as operações constantes do relatório (fls 164/168), a GONICA nunca poderia ter enviado valor algum tendo em vista que a recorrente é importadora, logo, a remessa é feita pela recorrente. O fato relatado pela DRJ é uma exportação e não uma importação. quanto à ASIG, ela afirmou que nunca remeteu valores para a recorrente. quanto à GEODIS, ela não fez menção ao teor da carta (fls 10011006). quanto ao voto vencido referido no Acórdão da DRJ, ainda não havia sido fornecido cópia desse. Requereu, assim, a improcedência do Auto de Infração por não identificação do sujeito passivo e cancelamento da multa imposta à recorrente. Em 30 de novembro de 2006, junta aos autos (fls 1071), página da internet de uma empresa homônima, CBI CONSTRUTORA BRASIL INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA (fls 1074), alegando, assim, se não seria essa a empresa que deveria ser contraparte das operações. Em 23 de janeiro de 2007, apresenta aditamento ao Recurso Voluntário (fls 1075) , requerendo, em preliminar: 1) a nulidade na lavratura do auto de infração que desaguou na ineficiência do lançamento frente às condições impostas para sua constituição, sem clara definição do sujeito passivo; e, 2) no mérito, a inexistência do cumprimento da lei aplicável ao caso concreto, descaracterizando assim a tipicidade do lançamento. Todavia, no pedido requer seja desconsiderada o cálculo dos juros com base na taxa SELIC, bem como indica perito para esclarecer às informações necessárias. Em 5 de julho de 2010, foi autorizada juntada de novos esclarecimentos feitos pela interessada através do Parecer Técnico de Perito Grafotécnico/Documentoscópic, com o objetivo de definir se houve ou não alteração na forma e conteúdo dos documentos juntados ao processo, e, portanto, esses documentos não representam cópias fiéis oriundas de seus respectivos originais. O Perito declara, em conclusão aos seus trabalhos, que os documentos foram produzidos e não podem ser autenticados com seus similares originais. Tal Parecer já foi analisado pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheira NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 633DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 15586.000097/200698 Acórdão n.º 120200.486 S1C2T2 Fl. 6 11 Tratamse os Autos de lançamento referente ao ano calendário de 2002, para o IRPJ, a contribuição ao PIS, a COFINS e a CSLL, com fundamento em suposta omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração de valores recebidos e remetidos ao exterior. Tais recebimentos ou remessas se reportam a pagamentos que foram identificados a partir de documentos obtidos com a quebra de sigilo bancário da empresa Beacon Hill Service Corporation (BHSC), a qual atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas e jurídicas em agências do JP Morgan Chase Bank. Finda a fiscalização e analisada a documentação, concluiu a fiscalização que a empresa efetuava movimentações de divisas no exterior à revelia do sistema financeiro nacional, remetendo ou recebendo esses recursos. Logo, entendeuse que omitia receitas referentes a esses pagamentos ou recebimentos, passando à presunção legal de que a recorrente efetuava movimentações de divisas no exterior. A recorrente, por sua vez, em suas defesas, diz que não realizou tais operações, que a referência feita não tem relação alguma com os valores indicados, portanto, houve eleição errônea do sujeito passivo, em face da ausência de sua clara identificação nos documentos ou como beneficiária do recebimento, ou como remetente dos recursos, bem como nas listas apresentadas no Laudo Pericial não há menção alguma ao seu nome. De fato, como se verifica do Laudo de Exame EconômicoFinanceiro nº 1033/04 – INC (fls.13/27 ), esse foi elaborado para cada subconta onde foram localizadas as transações, no caso a conta de “MIDLER CORP SA”, nº 530.765.055. A indicação de que a recorrente teria qualquer correlação com os recursos sendo transferidos no exterior de “MIDLER CORP AS” está no campo “Detail Payment” do documento de transação. Como o próprio Laudo explica (em fls 18), nesse campo, podese escrever quaisquer “observações relativas à transação realizada”, podendo incluir “agência do banco creditado, remetente original, o beneficiário final e respectiva conta dele”. Desse modo, várias informações relativas às remessas ou aos recebimentos podem ser ali inseridas, e, nesse item especificamente, não podemos inferir que a recorrente está expressamente designada no documento bancário como beneficiária ou remetente dos recursos. Outro fato que se demonstra que a recorrente não está expressamente e claramente designada é na lista das operações denominada pela fiscalização como “Ordenante” (fls 868). A empresa “MIDLER” (denominada nesse documento de “BHSC AGENT FOR MIDLER CORP”) está indicada no campo “Debit Name (Nome debitado)”, logo, os recursos foram debitados, isto é, ‘sacados’ dessa contacorrente para serem creditados, isto é, ‘depositados’ na contacorrente dos indicados em “Credit Name (nome creditado)”. Noto que como ‘nome creditado’ consta sempre um nome de alguma instituição financeira no exterior. Outro fator demonstrativo é que no campo “ACC Party (Outros dados)” constam os nomes de empresas que foram indicadas como fornecedores da recorrente, ou , em alguns casos, também uma instituição financeira no exterior. Quando contém uma instituição financeira no exterior no campo “Outros dados”, temos empresas indicadas como “ULT BENE: beneficiário final”. Segundo o referido Laudo, no campo “Outros Dados”, temse designada a conta que foi creditada. Os montantes que estão nessa situação são os seguintes: Fl. 634DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR 12 Data da operação Valores em USD Beneficiário 21/11/2002 18,450.00 TSANN JUEN ENTERPRISE CO LTD 06/12/2002 1,950.00 ASIG QUALITY SERVICES 06/12/2002 66,450.00 GONICA ELETRONIC CO. LTD 06/12/2002 16,500.00 GEODIS OVERSEAS 03/10/2002 20,000.00 LOYAL RICH ENTERPRISE CO 04/10/2002 21,000.00 CREYAOND 04/10/2002 2,800.00 KO TAT MING 04/10/2002 51,940.00 ATECH ELETRONIC 01/11/2002 7,650.00 MATSUZAWA INTL CO 07/11/2002 25,000.00 GONICA ELETRONCIS CO 21/11/2002 33,300.00 GONICA ELETRONIC CO. LTD. 21/11/2002 50,000.00 LEU 03/12/2002 2,600.00 HENCY SOUTH AMERICA 06/12/2002 15,150.00 CREAYOND HONG TOTAL 332.790,00 Novamente, repiso que, em todos os casos, a “MIDLER” foi indicada como “conta debitada”, isto é, conta sacada ou conta de onde os recursos saíram. Portanto, a planilha apresentada pela autuação com a divisão de pagamentos e recebimentos não está correta, uma vez que só temos pagamentos, saída ou saque de recursos, e não recebimentos. Relembrando, a divisão de pagamentos e recebimentos feita pela fiscalização é a seguinte: Beneficiário dos recebimentos: Data da operação Valores em USD Beneficiário Fl. 635DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 15586.000097/200698 Acórdão n.º 120200.486 S1C2T2 Fl. 7 13 21/11/2002 18,450.00 TSANN JUEN ENTERPRISE CO LTD 06/12/2002 1,950.00 ASIG QUALITY SERVICES 06/12/2002 66,450.00 GONICA ELETRONIC CO. LTD 06/12/2002 16,500.00 GEODIS OVERSEAS TOTAL 103,350.00 Ordenante das remessas: Data da operação Valores em USD Beneficiário 03/10/2002 20,000.00 LOYAL RICH ENTERPRISE CO 04/10/2002 21,000.00 CREYAOND 04/10/2002 2,800.00 KO TAT MING 04/10/2002 51,940.00 ATECH ELETRONIC 01/11/2002 7,650.00 MATSUZAWA INTL CO 07/11/2002 25,000.00 GONICA ELETRONCIS CO 21/11/2002 33,300.00 GONICA ELETRONIC CO. LTD. 21/11/2002 50,000.00 LEU 03/12/2002 2,600.00 HENCY SOUTH AMERICA 06/12/2002 15,150.00 CREAYOND HONG TOTAL 229,440.00 Como consta do Relatório, reforço que, em todos os documentos das operações financeiras, somente aparece “CBI IND e COM” no campo “Detail Payment”, em nenhum outro lugar. Outro ponto que pode ter levado a fiscalização a inferir que a recorrente seria beneficiária do recebimento dos recursos foi que, conforme fls 26 a 30, no documento “Payment Order Form to Beacon Hill”, consta no campo “Beneficiary Account” nome das empresas designadas acima como beneficiárias e na linha abaixo “Ref: CBI Indústria e Com Ltda”. Mas, novamente, mesmo nesse caso, há um comentário antes desse campo que é “Please make the following payment by to account MIDLER”, em tradução livre temos “Por favor, faça o seguinte pagamento por conta de MIDLER”. Novamente, a “MIDLER” está sendo designada e fazendo pagamentos, sempre sacando recursos de sua conta e não Fl. 636DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR 14 recebendo. Como a recorrente é importadora ,seria normal efetuar pagamentos ao exterior, ainda mais que foram indicadas algumas fornecedoras dela, mas ela (a recorrente) não está sendo indicada como tal. O laudo pericial não indica a recorrente como ordenante ou beneficiária. Novamente, a fiscalização tomou que fosse a beneficiária por ter sido designada no campo de observações. Por todos os pontos acima levantados, a fiscalização não conseguiu abstrair dos documentos trazidos aos Autos a designação, indicação da recorrente para demonstrar que houve as operações financeiras realizadas por ela, sendo, assim, fatos ocorridos, fortes indícios de omissão de receitas. O processo de fiscalização poderia ser mais claro, o que não ocorreu nesse caso. A autoridade administrativa deve se valer das provas, diretas ou indiretas, para qualificar o fato ocorrido e, consequentemente, demonstrar a ocorrência ou não da hipótese de incidência tributária. Podemos até entender que há indícios de que a recorrente seria a empresa responsável por esse pagamentos, entretanto, os documentos não demonstram e apontam com clareza tanto que houve confusão de remessas e pagamentos. Ainda, mesmo que designemos que o comentário no campo seja um indício, ora, o indício é o ponto inicial da investigação e não resposta, propriamente dita, para a finalização da investigação. Sobre prova indiciária, vejamos a ementa do Acórdão n° 10708326, da sessão de 09.11.2005, que teve como relator o Conselheiro Luiz Martins Valero: “PAF PROVA INDICIARIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador.” Como também a ementa do Acórdão n° 20309180, que teve como relatora a Conselheira Luciana Pato Peçanha Martins: “PIS. PRESUNÇÃO. PROVA INDICIARIA. A "presunção" consiste nas conseqüências que a lei tira de um fato conhecido para provar um fato oculto. A prova indiciária, admitida pelo Direito, apóiase em um conjunto de indícios veementes, graves, precisos e convergentes,capazes de demonstrar a ocorrência da infração e fundamentar o convencimento do julgador” Não há nos documentos confirmação do indício, esses não são claros, e não fazem prova de que as remessas foram efetuadas pela recorrente. As provas podem ser diretas ou indiretas, todavia, devem ser precisas e convergentes, a fim de constatarmos os fatos alegados. Assim, para concluir pela exigência dos tributos, a fiscalização deveria ter trazido aos autos, a prova de que as remessas foram sem dúvida efetuadas pela recorrente, e a partir dai, verificar com os demais elementos, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Entretanto, os elementos constantes nos autos, não provam que as operações indicadas tenham sido praticadas pela recorrente. No presente caso, entendo que os indícios não foram comprovados para que fosse realizado raciocínio presuntivo capaz de se determinar um fato presumido grave, preciso Fl. 637DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 15586.000097/200698 Acórdão n.º 120200.486 S1C2T2 Fl. 8 15 e concordante, ou seja, pelos documentos apresentados, não é possível se fazer a relação entre o indício e o fato presumido. Não há provas para as remessas bem como para os recebimentos provando que a recorrente foi a beneficiária dos recursos. Ou seja, não há provas de que houve pagamento sem causa a beneficiário. Sem provas contundentes, não é possível fazer qualquer acusação. Consoante o artigo 112, inciso III do Código Tributário Nacional, em caso de dúvida, a lei tributária, que define infrações, deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado, outra razão para não designar a recorrente e entender que não ficou comprovada a sua sujeição passiva. Trago também a esse colegiado dois outros Acórdãos sobre o mesmo tema, onde também se decidiu favoravelmente para a empresa Vancox Comercial Ltda., Acórdão 10708592, de 25 de maio de 2006, e no Acórdão 10809.669, de 13 de agosto de 2008, para empresa Manoel Bernardes Comércio e Indústria Ltda. Ainda, devese destacar o árduo trabalho que a recorrente teve para comprovar que não fez nenhuma das operações que foram exigidas: a) enviou correspondência às empresas listadas como sua contraparte para que confirmassem recebimento ou pagamento; b) juntou aos Autos, um Parecer Técnico de Perito Grafotécnico/Documentoscópico, feito por terceiro independente, que atestou que os documentos não eram originais ou similares aos originais; c) paralelamente a este processo administrativo, o Ministério Público apresentou denúncia de responsabilidade solidária em face de Antônio da Silva Alves, sóciogerente da recorrente, em cujas conclusões veio o próprio Ministério Público, mediante emissão de Parecer favorável, em sede de alegações finais, reconhecer da ilegitimidade das acusações postas contra o sóciogerente. Seria menos árduo e custoso, simplesmente recolher os valores exigidos pela fiscalização, os quais poderiam ser facilmente suportados pela recorrente consoante o volume de suas negociações, mas, não, foi à busca da prova de sua não participação das transações. Como não restou comprovada sujeição passiva, deixo também de apreciar os demais argumentos apresentados no Recurso Voluntário, tendo em vista que a falta de comprovação dessa (sujeição passiva) é suficiente para o deslinde da questão. Quanto aos tributos reflexos, aplicase a mesma solução do lançamento principal em razão da relação de causa e efeito entre eles existente. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Relatora Declaração de Voto Fl. 638DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR 16 Conselheiro Jaci de Assis Júnior Em que pese o esforço empreendido pela recorrente na tentativa de se eximir da imputação que lhe foi imposta neste processo, impõese recordar alguns fatos detalhados no RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL, fls. 866 a 887, que, analisados em conjunto com as provas documentais que integram os presentes autos, estruturam o arcabouço que leva ao convencimento da ocorrência do fato gerador de que trata o correspondente Auto de Infração. Com efeito, do exame realizado nos elementos de prova que fazem parte da Representação Fiscal n° 3137/05 da Equipe Especial de Fiscalização (fls. 26/30), os autores do feito fiscal foram bastante diligentes ao identificarem os fornecedores habituais da recorrente que também figuravam nos documentos financeiros de remessa/recebimento de divisas para/no exterior. Uma vez identificados mencionados fornecedores, chama atenção o fato que foi narrado às fls. 878, no sentido de constar relacionado no item 74 da tabela preparada pela própria CBI Indústria e Comércio Ltda, ora recorrente, juntada às fls. 166, a Declaração de Importação referente ao fornecedor Matsuzawa Intl Co Ltd., cuja data (01/11/02) é idêntica à data de emissão da ordem de pagamento via CC5, comprovada às fls. 11 e 28 dos presentes autos. Outro fator de suma importância para formação do juízo está relacionado à validade dos elementos probantes das operações realizadas no exterior reunidos nos presentes autos. Conforme se pode verificar das fls. 880, o grau de dificuldade de juntada de documentos concretos não significa nenhuma temeridade, haja vista que, nas próprias palavras do Exmo. Sr. Sérgio Fernando Moro — Juiz Federal da r Vara Criminal Federal de Curitiba, quando da decisão dos autos do processo n° 2003.70000332231, "...não existe praticamente base documental para os registros de movimentação bancária através do FTC, com o que a ação fiscal deverá fulcrarse nos arquivos eletrônicos. Isso, porém, não significa nenhuma temeridade. Nos tempos atuais, em que as transações, especialmente de natureza bancária, são efetuadas através do meio eletrônico, é razoável que a prova de sua existência restrinjase apenas aos próprios registros eletrônicos". A esse respeito, convém ressaltar, ainda, que para fins de desconstituição da presunção legal de omissão de receita apurada pela Receita Federal do Brasil, não basta alegar que se trata de produção de prova negativa, conforme se infere da peça recursal. A recorrente ao limitarse a negar a autoria das movimentações bancárias, a enumerar suposições acerca das operações tributadas e a apresentar declarações obtidas de empresas situadas no exterior, o faz sem o lastro das necessárias e imprescindíveis informações, obtidas diretamente das instituições financeiras envolvidas nas operações, de forma a evidenciar que as ordens de pagamento em questão se deram à sua revelia. Desprovidas destas informações, porém, entendo que as alegações apresentadas na peça recursal não se sustentam, uma vez que não são contestações seguras e objetivas, isto é, com comprovação hábil e idônea, do remetente original dos recursos utilizados nas operações, da identidade dos beneficiários dos pagamentos por ela ordenados, bem como das verdadeiras causas que deram origem às operações referidas. Ademais, as constatações contidas no referido RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL, fls. 866 a 887, que fundamentam a tributação discutida encontramse Fl. 639DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 15586.000097/200698 Acórdão n.º 120200.486 S1C2T2 Fl. 9 17 apoiados em documentação remetida ao Brasil por autoridades estrangeiras de notório reconhecimento. Referida documentação foi previamente submetida à perícia técnica especializada do MJ/DPF/INC, que expediu laudos conclusivos. Desta forma, as apurações fiscais contradizem objetivamente as alegações da interessada e afastam a possibilidade de ocorrência dos erros alegados na peça recursal. Também não faz prova a favor da recorrente a constatação da existência de diferentes entidades identificadas na internet como resultados da busca efetuada no nome de “CBI”. Conforme esclarecem muito bem os autores do feito fiscal, fls. 874, a “consulta ao sistema CNPJ do Ministério da Fazenda permite constatar a existência de 74 empresas que possuem em seu nome empresarial a sigla CBI (fls. 747 a 749). No entanto, somente uma delas é denominada CBI Indústria e Comercio Ltda, da forma como está listado nos documentos de fls. 26 a 30. Não á homônima, portanto, nos cadastros do Ministério da Fazenda”. Por ser pertinente à matéria, a respeito de prova indiciária, vale reproduzir abaixo a seguinte decisão proferida pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes que anteriormente integrava a estrutura de julgamento colegiado do Ministério da Fazenda. PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. O que não se aceita no Processo Administrativo Fiscal é a autuação sustentada em indício isolado. Não é o caso desses autos, cujas exigências estão apoiadas num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes e convencem o julgador. 1º CC. / 7ª Câmara / ACÓRDÃO 10707.778 em 16.09.2004. Publicado no DOU em: 01.04.2005. Desta forma, os motivos, as razões e as provas constantes da peça recursal não são suficientes para descaracterizar as apurações fiscais, razão pela qual não comungo com o entendimento da nobre Relatora a esse respeito. Outra situação, contudo, deve ser considerada no que diz respeito à exigência de multa agravada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) que, segundo entendo, deveria ser reduzida ao percentual equivalente a 75% (setenta e cinco por cento). Segundo a jurisprudência produzida no âmbito deste CARF, a caracterização do elemento subjetivo dolo, que identifica o evidente intuito de fraude, necessita da demonstração da prática reiterada da conduta de redução da receita/rendimento sujeita à tributação, o que, smj, não é o caso dos presentes autos. Além do mais, concorre a favor da recorrente a informação de que o valor não contabilizado, e que foi apontado pelo fisco como remetido para o exterior, representa um percentual que gira em torno de 5% (cinco por cento) do valor das importações realizadas no período, fls. 1038. Por fim, cumprese salientar que, a despeito do julgamento da pretensão punitiva estatal haver restado improcedente (conforme cópia da sentença proferida nos autos do processo nº 2006.50.01.0068981, juntada ao Memorial apresentado em sustentação oral pela recorrente), a absolvição do réu, Antônio da Silva Alves (sócio da recorrente), não desconstitui a efetividade da ocorrência do fato gerador, propriamente dito, haja vista, inclusive, extrairse das alegações finais apresentadas pelo Ministério Público naqueles mesmos autos a afirmação Fl. 640DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR 18 de que “o réu alegou suspeitar que tais ilícitos tivessem o envolvimento de exdiretores e ex gerentes da CBI (...), mas que não poderia confirmar tal suspeita.” Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reduzir tãosomente o percentual de multa aplicada para 75% (setenta e cinco por cento). É a minha declaração de voto. Sala de Sessões (DF), em 22 de fevereiro de 2011 (documento assinado digitalmente) JACI DE ASSIS JÚNIOR – Conselheiro Fl. 641DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR Assinado digitalmente em 03/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, 26/04/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000542/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/08/2006
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição de 11% do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa
da respectiva remuneração, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003.
MULTA VALOR REAJUSTADO POR PORTARIA MINISTERIAL
A aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal, artigo 373, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.134
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/08/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição de 11% do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003. MULTA VALOR REAJUSTADO POR PORTARIA MINISTERIAL A aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal, artigo 373, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99 Recurso Voluntário Negado
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MULTA VALOR REAJUSTADO POR PORTARIA MINISTERIAL A aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal, artigo 373, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 EDITADO EM: 14/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000542/200767 Acórdão n.º 2302001.134 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração, lavrado em 14/08/2007, contra o sujeito passivo acima referido, por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais, conforme disposto pela lei n.º 10.666/2003, no período de 11/2004 a 08/2006. Relatório Fiscal de fl. 28, diz que a autuada é integrante de grupo econômico e ficou configurada a circunstância agravante de reincidência genérica. Após a impugnação, Acórdão de fls. 119/126, julgou a autuação procedente, mas excluiu do pólo passivo da obrigação o responsável solidário, pois a solidariedade se dá apenas em relação à obrigação principal, conforme artigo 179, I da Instrução Normativa SRP n.º 03/2005. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso arguindo a nulidade do lançamento fiscal pois foi utilizada a Portaria n.º 142, de 11/04/2007, para fixação da multa, se traduzindo em veículo impróprio para tanto, por inobservância do princípio da legalidade. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade do recurso, conforme atesta o documento de fl. 156, conheço do mesmo e passo ao seu exame. .A recorrente foi autuada por ter deixado de arrecadar, mediante desconto nas remunerações pagas, as contribuições dos contribuintes individuais seu serviço, no período de 11/2004 a 08/2006. Tal conduta, infringiu o disposto no artigo 4º da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. A recorrente não contesta a infração relativa a esta autuação, devendo, assim, ser considerada a Portaria SRFB n.º 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 e dita no seu artigo 8º: "Art. 8° Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada." Quanto à inconformidade da recorrente acerca do valor da multa constar de Portaria Ministerial, fazemos referência ao artigo 373 do Regulamento da Previdência Social que diz: “Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no era.288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social.” Desta forma, a aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 173DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000542/200767 Acórdão n.º 2302001.134 S2C3T2 Fl. 3 5 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10835.001377/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS POR DEPENDENTE – AUSÊNCIA DE ERRO DE FATO – Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para fins de apuração do imposto devido quando da apresentação da declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2201-001.182
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS POR DEPENDENTE – AUSÊNCIA DE ERRO DE FATO – Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para fins de apuração do imposto devido quando da apresentação da declaração de ajuste anual.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 18/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah e Rodrigo Santos Masset Lacombe. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 18/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 23/10/2005, a Notificação de Lançamento de fls. 13, relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, ano calendário 2004, exercício 2005, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 9.015,56, dos quais R$ 4.529,30 correspondem a imposto, R$ 3.396,97 a multa de ofício e R$ 1.089,29 a juros de mora calculados até 31/10/2006. Conforme se verifica da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 14) o lançamento decorre da omissão de rendimentos recebidos por pessoa incluída como dependente do contribuinte na declaração de ajuste anual: “Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vinculo e/ou sem Vinculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 17.899,64. recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 393.10. CNPJ 03.983.541/000175 Ministério Publico Estadual” Cientificado do Auto de Infração em 16/10/2006, conforme AR de fls. 55, o contribuinte apresentou, em 26/10/2006, a impugnação e documentos de fls. 01/34, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: "1. A pessoa que elaborou a declaração de IRPF referente ao anobase 2004 (exercício 2005) incluiu indevidamente a filha do requerente de nome Banca dos Reis Alonso (CPF n" 310.543.32878) no rol dos dependentes, fato que, na época, não percebeu. 2. Ocorre que no anocalendário de 2004 referida filha residiu em Campo GrandeMS, onde ocupou o cargo em comissão de Secretário de Gabinete do quadro de serviços auxiliares do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul, passando a ter economia própria, conforme documentos anexos. Não deveria, pois, ter sido incluída como dependente do requerente, como, por absoluto equivoco, ocorreu. 3. Aliás, o requerente não recebeu nem teve acesso ao informe de rendimentos de mencionada filha, que certamente deve ter sido enviado para o endereço em que ela residia em Campo Grande, caso contrário evidentemente teria atentado para o fato de que ela deveria declarar rendas em separado. 4. Sob argumento de que o requerente omitiu rendimentos de dependente foi notificado a pagar, além do valor que já pagou, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 18/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU Processo nº 10835.001377/200611 Acórdão n.º 220101.182 S2C2T1 Fl. 2 3 mais R$ 4.529,30, multa de oficio de R$ 3.396,97 e juros de mora (totalizando R$ 9.015,56). 5. Quanto foi notificado a exibir os informes de rendimentos, requereu oportunidade para retificar a declaração (cópia anexa), mas tal requerimento sequer foi conhecido porque simplesmente recebeu a notificação para pagar, sem qualquer apreciação de seu pleito de retificação. 6. O requerente quer apenas que se restaure o que é correto, ou seja, que sua filha Bianca dos Reis Álamo seja excluída de sua declaração como dependente. Referida filha inclusive já declarou a renda que teve em 2004, de forma a situação fiscal dela já está regularizada (cópia da declaração anexa). Ocorre que mesma renda também foi tributada na declaração do requerente, e é com isso que não se conforma, porque configura bitributação. 7. Está mais do que evidente que o requerente agiu de boafé, pois se tivesse tido acesso ao informe de rendimentos da filha imediatamente teria constatado a desvantagem fiscal de incluíla como sua depende, pois ao invés de sujeitarse ao pagamento de mais de R$ 4.500,00 de imposto ela teria direito à restituição. Em sã consciência ninguém faria opção pela situação fiscal mais gravosa. 8. O fato de o requerente haver apontado em sua declaração o n° do CPF da filha evidencia a lisura em que se pautou perante o fisco, deixando evidente que tudo não passou de um lamentável equivoco, que evidentemente pode ser equacionado, mediante retificação da declaração de rendas do requerente. 9. Não é demais destacar que a filha do requerente, Bianca dos Reis Manso, teve renda de R$ 17.899,64 no ano de 2004. Se o requerente tiver que pagar R$ 9.015,56 estará configurado verdadeiro confisco, o que é vedado pela Constituição Federal (art. 150, inciso 1F). 10. Considerando que o requerente sempre pautou pela absoluta lisura na relação com o fisco, e atento ao fato e que sempre atuou nos limites da boafé, promoverá imediatamente o depósito do valor lançado, para gozar da redução da multa indevidamente imposta, protestando pelo levantamento quando a questão, finalmente, estiver devidamente equacionada. Pelo exposto, com todo respeito e acatamento, requer que lhe seja concedida oportunidade para retificar a declaração IRPF relativa ao anocalendário de 2004 (exercício de 2005), ou que o próprio fisco o faça de oficio, mediante exclusão da filha Bianca dos Reis Afonso — CPF 310.543.32878, do rol de dependentes e de todos os abatimentos derivados da equivocada inclusão dela, destacandose que ela já apresentou declaração em separado." A 6ª Turma da DRJ em Brasília, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento em acórdão assim ementado: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 18/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU 4 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTES LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de oficio no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e dependentes guando omitidos na declaração de ajuste anual. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO NÃO ESPONTÂNEA. É incabivel o pedido de retificação da declaração de ajuste anual, após o contribuinte haver sido notificado do lançamento de oficio. Lançamento Procedente” Cientificado da decisão de primeira instância em 20/08/2008, conforme AR de fls. 67, e com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em 15/09/2008, o recurso voluntário de fls. 68/77, por meio do qual reitera as razões de inconformidade apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad O recurso reenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Como relatado acima o lançamento decorre da omissão apurada em decorrência da ausência de inclusão, pelo Recorrente, dos rendimentos recebidos por sua dependente no valor total dos rendimentos tributáveis recebidos. O Recorrente sustenta que incorreu em erro de fato ao incluir sua filha como dependente na declaração de ajuste anual, alegando que ela teria efetuado declaração em separado. Sustenta que a manutenção do lançamento, após a apresentação da declaração de ajuste anual por sua filha com a inclusão dos mesmos rendimentos considerados como omitidos, implicaria bitributação. No caso em exame era facultado ao Recorrente e a sua dependente apresentar (i) a declarado em separado, hipótese em que cada um deveria declarar os rendimentos tributáveis recebidos ou (ii) em conjunto (mediante a inclusão pelo Recorrente de sua filha como dependente), hipótese em que a totalidade dos rendimentos auferidos por ambos deveria ser incluída na mesma declaração de ajuste. Como se verifica da declaração de fls. 17/22, o Recorrente optou por apresentar a declaração com a inclusão de sua dependente, tendo se beneficiado das deduções legais pertinentes a tal opção. Tal opção poderia ter sido retificada pelo Recorrente antes do início do procedimento de fiscalização, fato que não ocorreu. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 18/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU Processo nº 10835.001377/200611 Acórdão n.º 220101.182 S2C2T1 Fl. 3 5 Logo, deveria o Recorrente ter incluído no montante de rendimentos tributáveis considerados em sua declaração de ajuste os rendimentos auferidos pela sua dependente. No tocante ao alegado erro de fato, verificase que a declaração “em separado” de sua filha só foi efetivamente apresentada em 14/11/2006 (fls. 31/34), em momento posterior à ciência pelo Recorrente da presente autuação (ocorrida em 16/10/2006). Assim, não resta comprovada a ocorrência de erro de fato mas sim de efeito de opção jurídica, não podendo a entrega da declaração posteriormente à autuação alterar referida caracterização. Ante o exposto, tendo em vista a comprovação da regularidade do lançamento, conheço do presente recursão para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO, mantendo íntegra a decisão de primeira instância. Gustavo Lian Haddad Relator (assinado digitalmente) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 18/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU
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