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Numero do processo: 10830.009976/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/08/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Nos termos do Código Tributário Nacional, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-002.513
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
1.0 = *:*
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/08/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Nos termos do Código Tributário Nacional, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido.
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Nos termos do Código Tributário Nacional, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa RCJ SALLES CONSTRUTORA LTDA em face da decisão que julgou procedente o lançamento do débito referente ao período de 05/2006 a 08/2006. 2. Narra o relatório fiscal que “a empresa deixou de lançar títulos próprios de sua contabilidade, em centro de custo específico todos os fatos geradores de contribuições, os valores descontados, as contribuições da empresa e os totais recolhidos,referente a obra de construção civil de sua responsabilidade, infringindo o art. 32, inciso II da Lei 8.212/91 e art. 225, §§ 13 a 17 do RPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99” (f. 10). 3. Os autos foram convertidos em diligência para que o fiscal autuante se pronunciasse a respeito da correção da falta cometida, sendo então reaberto o prazo de 10 (dez) dias para que a empresa se manifestasse acerca da diligência fiscal. 4. Em resposta da diligência o fiscal administrativo se manifestou: “ 3) De acordo com todo o exposto no item 2 (dois), concluímos que a Empresa autuada não corrigiu a falta cometida, por não ter efetuado em centro de custo próprio para a obra de construção civil de matricula CEI 43.830.03706/75, os lançamentos referente a todos os fatos geradores de contribuições, os valores descontados dos segurados empregados, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.” (f. 104). Não foi apresentada manifestação pelo contribuinte referente à resposta da diligência. 5. A decisão atacada restou ementada nos termos que passo a transcrever abaixo: “Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devidas e as descontadas, e os totais recolhidos, constitui infração à legislação previdenciária. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE SEM O PREENCHIMENTO DE TODOS OS REQUISITOS. Para que ocorra a relevação da multa, é necessário que o pedido para que a multa seja relevada e a correção da falta ocorram dentro do prazo de defesa, ser o infrator primário e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante, sendo estas exigências cumulativas. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido”. (f. 111) 6. Buscando a reforma do acórdão de primeira instância o contribuinte apresentou recurso voluntário alegando que o pedido de relevação da multa deve ser considerado, tendo em vista que as faltas cometidas foram corrigidas, conforme documentos juntados á impugnação; 7. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados à apreciação deste Conselho. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.009976/200711 Acórdão n.º 2301002.513 S2C3T1 Fl. 137 3 É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 2. Quanto ao procedimento do lançamento realizado pela autoridade administrativa, não observo qualquer vício que venha causar lesão ao contribuinte, uma vez que foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 11 e 31 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72. 3. Além do mais, como pode ser verificado, a peça inicial encontrase fundamentada com a devida motivação requerida pela legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99. DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 4. Narra o relatório fiscal que a empresa foi autuada por ter incorrido em infração aos artigos 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91 e 225, §§13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, verbis: LEI 8.212/91 “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;” DECRETO 3.048/99 “Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços.” § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. § 15. A exigência prevista no inciso II do caput não desobriga a empresa do cumprimento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil. § 16. São desobrigadas de apresentação de escrituração contábil: I o pequeno comerciante, nas condições estabelecidas pelo Decretolei nº 486, de 3 de março de 1969, e seu Regulamento; II a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, desde que mantenha a escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário; e III a pessoa jurídica que optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, desde que mantenha escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário. §17. A empresa, agência ou sucursal estabelecida no exterior deverá apresentar os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações referidas neste artigo à sua congênere no Brasil, observada a solidariedade de que trata o art. 222. 5. A empresa, por sua vez, alega que “o auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente prevê o pagamento da multa no montante de R$ 11.951,51 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), sendo referida multa aplicada conforme previsto nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, e nos artigos 283, inciso II, alínea ‘a’ 373 do RPS, e na gradação estabelecida pelo seu artigo 292.” (f. 119) . 6. Entretanto, entendo que razão não assiste ao contribuinte. Isso porque tendo o agente fiscal detectado o descumprimento de obrigação acessória por parte do contribuinte ao lançamento em títulos próprios de sua contabilidade encontrase legalmente amparada a autuação fiscal. 7. A recorrente ainda afirma que : “... vislumbra a possibilidade de reconsideração da decisão, vez que entende ter corrigido os livros em atendimento legislação supramencionado, conforme poderá ser averiguado nos documentos juntados a impugnação” (f.123). 8. Todavia, após a apresentação da impugnação foi realizada uma diligência fiscal para apurar os dados faltantes, sendo que o agente fiscal confirmou a falta da apresentação de documentos e estabeleceu novo prazo de 10 (dez) dias, para o contribuinte apresentar a documentação que faltava, porém, a empresa não prestou os esclarecimentos. 9. Assim, posta a obrigação, e como a empresa não demonstrou nos autos a devida correção do restante da infração, não há que se falar em relevação da multa, posto que o contribuinte não cumpriu com todas as condições necessárias para que fosse beneficiado com a aplicação do inciso I, do artigo 291, do Decreto 3.048/99. 10. Vale ressaltar que o cumprimento de obrigação acessória é determinado pelas normas previdenciárias e tributárias e independe da intenção dolosa ou culposa do Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.009976/200711 Acórdão n.º 2301002.513 S2C3T1 Fl. 138 5 contribuinte ou da existência ou não de danos ao Erário. É o que dispôs o artigo 136, do CTN: “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Dessa forma, mantenho a decisão de primeira instância neste ponto. CONCLUSÃO 11. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a multa aplicada. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13829.000235/2005-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 21/05/1999 a 31/12/2000
IPI. “DRAWBACK”. INSUMOS NÃO EMPREGADOS NO PLANO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que
pleiteia.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade
competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que
rege o processo administrativo tributário.
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Havendo o acórdão de primeira instância apreciado todas as alegações
constantes da impugnação, não há que se falar em nulidade.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle
administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal
para proceder a ações fiscais ou constituir créditos tributários
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 21/05/1999 a 30/12/1999
DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO REGIME. DRAWBACK VERDE-AMARELO.
O termo inicial de contagem do prazo decadencial, no caso de Drawback-suspensão, é o do art. 173, inciso I, do CTN, estabelecido em função da
possibilidade ou não de o Fisco realizar o lançamento. No caso de insumos
adquiridos em excesso em relação ao que foi exportado, tal prazo somente se
inicia com o fim do programa de exportação.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 21/05/1999 a 31/12/2000
SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DRAWBACK VERDEAMARELO.
O inadimplemento, total ou parcial, por parte do estabelecimento exportador,
do compromisso de exportação ou a inobservância dos requisitos e condições
previstas no Plano de Exportação implica o imediato recolhimento do IPI
suspenso e dos acréscimos legais devidos.
SUSPENSÃO DO IMPOSTO. INDICAÇÃO INCORRETA DE PROCESSO NA NOTA FISCAL.
A indicação incorreta do processo relativo à suspensão não é motivo
suficiente para caracterizar o descumprimento do plano de exportação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.579
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e José Evande Carvalho Araújo. Designado o conselheiro Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/05/1999 a 31/12/2000 IPI. “DRAWBACK”. INSUMOS NÃO EMPREGADOS NO PLANO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Havendo o acórdão de primeira instância apreciado todas as alegações constantes da impugnação, não há que se falar em nulidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder a ações fiscais ou constituir créditos tributários ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 21/05/1999 a 30/12/1999 DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO REGIME. DRAWBACK VERDE-AMARELO. O termo inicial de contagem do prazo decadencial, no caso de Drawback-suspensão, é o do art. 173, inciso I, do CTN, estabelecido em função da possibilidade ou não de o Fisco realizar o lançamento. No caso de insumos adquiridos em excesso em relação ao que foi exportado, tal prazo somente se inicia com o fim do programa de exportação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 21/05/1999 a 31/12/2000 SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DRAWBACK VERDEAMARELO. O inadimplemento, total ou parcial, por parte do estabelecimento exportador, do compromisso de exportação ou a inobservância dos requisitos e condições previstas no Plano de Exportação implica o imediato recolhimento do IPI suspenso e dos acréscimos legais devidos. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. INDICAÇÃO INCORRETA DE PROCESSO NA NOTA FISCAL. A indicação incorreta do processo relativo à suspensão não é motivo suficiente para caracterizar o descumprimento do plano de exportação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e José Evande Carvalho Araújo. Designado o conselheiro Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2111; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 891 1 890 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13829.000235/200522 Recurso nº 921.685 Voluntário Acórdão nº 330201.579 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2012 Matéria IPI Auto de Infração Recorrente BRACOL HOLDING LTDA. (BETIN LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/05/1999 a 31/12/2000 IPI. “DRAWBACK”. INSUMOS NÃO EMPREGADOS NO PLANO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Havendo o acórdão de primeira instância apreciado todas as alegações constantes da impugnação, não há que se falar em nulidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder a ações fiscais ou constituir créditos tributários ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 21/05/1999 a 30/12/1999 DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO REGIME. DRAWBACK VERDEAMARELO. O termo inicial de contagem do prazo decadencial, no caso de Drawback suspensão, é o do art. 173, inciso I, do CTN, estabelecido em função da possibilidade ou não de o Fisco realizar o lançamento. No caso de insumos Fl. 891DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13829.000235/200522 Acórdão n.º 330201.579 S3C3T2 Fl. 892 2 adquiridos em excesso em relação ao que foi exportado, tal prazo somente se inicia com o fim do programa de exportação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/05/1999 a 31/12/2000 SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DRAWBACK VERDEAMARELO. O inadimplemento, total ou parcial, por parte do estabelecimento exportador, do compromisso de exportação ou a inobservância dos requisitos e condições previstas no Plano de Exportação implica o imediato recolhimento do IPI suspenso e dos acréscimos legais devidos. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. INDICAÇÃO INCORRETA DE PROCESSO NA NOTA FISCAL. A indicação incorreta do processo relativo à suspensão não é motivo suficiente para caracterizar o descumprimento do plano de exportação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e José Evande Carvalho Araújo. Designado o conselheiro Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto RedatorDesignado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Fl. 892DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13829.000235/200522 Acórdão n.º 330201.579 S3C3T2 Fl. 893 3 Tratase de recurso voluntário (fls. 852 a 872) apresentado em 29 de abril de 2011 contra o Acórdão no 1432.600, de 22 de fevereiro de 2011, da 8ª Turma da DRJ/RPO (fls. 815 a 820), cientificado em 30 de março de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de maio de 1999 a dezembro de 2000, considerou improcedente a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 21/05/1999 a 31/12/2000 SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DRAWBACK VERDEAMARELO. O inadimplemento, total ou parcial, por parte do estabelecimento exportador, do compromisso de exportação ou a inobservância dos requisitos e condições previstas no Plano de Exportação implica no imediato recolhimento do IPI suspenso e dos acréscimos legais devidos. DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO REGIME. DRAWBACK VERDEAMARELO. O termo inicial para fins de contagem do prazo decadencial, no caso do regime DrawbackSuspensão, deverá ser estabelecido de acordo com a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, e como tal, a contagem inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA DO SERVIDOR. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto esta competência é instituída por lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Uma vez que a autuação se embasou em livros e documentos contábeis e fiscais fornecidos pelo próprio sujeito passivo e os argumentos da defesa evidenciam ter havido compreensão da motivação para a formalização dos autos de infração, não se acolhe a preliminar suscitada. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13829.000235/200522 Acórdão n.º 330201.579 S3C3T2 Fl. 894 4 Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 24 de novembro de 2005, de acordo com o termo de fls. 28 a 40. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 04/27, constituindo o crédito tributário de R$ 685.408,55, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora e multa proporcional, para exigência do imposto suspenso na aquisição de insumos destinados à industrialização de produtos exportados, adquiridos em desacordo com os Planos de Exportação dos quais a interessada era beneficiária. Sintetizando a descrição dos fatos do auto e Termo de Verificação de fls. 28/40, temos que já houve anteriormente a lavratura de auto de infração, processo 13829.000144/200597, na qual a fiscalização verificou que não constava dos processos 13829.000169/9972 (prorrogação do processo 13829.000110/9849) e 13829.000170/9951 o “relatório de comprovação final da utilização do regime”, instituído com o art. 12 da INDpRF nº 84/92, correspondente aos Planos de Exportação aprovados, na forma da Lei nº 8.402/92 (DRAWBACK VERDE AMARELO), regulamentada com o Decreto nº 541/92, por meio dos referidos processos. Assim, em prosseguimento aos trabalhos encerrados parcialmente, deuse continuidade aos trabalhos determinados com o MPFF 08.1.03.002005003346. Diante do apurado durante a continuidade da fiscalização, novamente verificouse ter a contribuinte recebido insumos acompanhados de novas notas fiscais emitidas com a suspensão da cobrança do IPI em desacordo com Plano de Exportação aprovado na forma do art. 3º, § 1º, da Lei nº 8.402/1992, regulamentado através do Decreto nº 541/1992 e da INDpRF nº 84/1992, sem adotar a providência prevista no § 1º do art. 266 (Lei 4.502/1964, art. 62, § 1º) do Decreto nº 4.544/2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do IPI, tornandose responsável pelo tributo de acordo com os arts. 39, 40, 41, caput e § único, do citado Decreto nº 4.544/2002 e art. 16 da mencionada INDpRF nº 84/1992. Assim, foi lavrado de ofício o auto de infração com base nas notas fiscais relacionadas no demonstrativo denominado “Anexo XIII – Resumo” de fls. 56/61. Regularmente cientificada em 24/11/2005, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 622/642, instruída com os documentos de fls. 643/807, alegando, em síntese, que: a) O auto de infração é nulo por estar viciado com inúmeras irregularidades: por ter sido lavrado pelos AFRF’s autuantes sem a observância do período de fiscalização indicado no Fl. 894DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13829.000235/200522 Acórdão n.º 330201.579 S3C3T2 Fl. 895 5 Mandado de Procedimento fiscal nº 08.1.03.0020050033461; por cerceamento do direito de defesa, pois não demonstrou porque as aquisições consideradas para a apuração do crédito tributário do IPI não estão incluídas no Plano de Exportação da empresa; por ser precária a acusação e o levantamento que o fundamenta, pois a impugnante é detentora de altíssimo saldo credor do IPI; por inexistência de fundamentação jurídica e motivos de direito do auto de infração; por multiplicidade de lançamento, uma vez que a fiscalização já ter lavrado outro auto de infração abrangendo os mesmos fatos e período; b) Por força do art. 150, § 4º do CTN, a decadência é de 5 anos contada do fato gerador, ocasionando a impossibilidade de constituir créditos tributários do IPI relacionados a fatos geradores ocorridos antes de 24/11/2000; c) Jamais poderia ter sido constituído crédito tributário do IPI considerando possuir a impugnante, na época dos fatos, altíssimo saldo credor do tributo que deveria ter sido considerado pela fiscalização. Com fundamento no princípio da nãocumulatividade, a impugnante tem direito a compensação entre seus débitos e créditos; d) Além do mais, a existência de saldo credor demonstra a inexistência de interesse do contribuinte fraudar a fiscalização, o que deve ser considerado para cancelar o auto de infração; e) Interpretando de forma mais favorável a legislação, a impugnante não pode ser responsabilizada porque não existiram motivos de deixar de lançar a débito o IPI; f) Não existem motivos para que as aquisições listadas no auto de infração não fossem beneficiadas com a suspensão do IPI, pois todas estas aquisições estão abrangidas pelo Plano de Exportação realizado pela empresa; g) Considerando terem sidos destinados os insumos adquiridos para o processo produtivo de produtos não tributados, não existe a possibilidade de ser exigido o IPI porque estes, na condição de bem principal, ocasionam os mesmos efeitos fiscais para aqueles, na condição de bens acessórios. O bem acessório segue a sorte do principal, sendo classificado na mesma posição fiscal. Sendo assim, por serem as embalagens (maior parte dos insumos) bem acessório do bem principal (produto fabricado pela impugnante), não existe a possibilidade de ser aplicada alíquota do IPI superior àquela aplicada na operação de saída do bem principal, tal seja, nenhuma por ser um operação sujeita à não tributação. Por fim, requer que seja acolhida a impugnação, para ser declarada a total improcedência do lançamento. No recurso, a Interessada alegou que o acórdão de primeira instância teria sido omisso em relação às alegações de inexistência de fundamentação jurídica no auto de infração, plano de exportação, existência de saldo credor de IPI, produtos NT (princípio da acessoriedade) e multiplicidade de lançamentos, requerendo, por isso, a sua anulação. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13829.000235/200522 Acórdão n.º 330201.579 S3C3T2 Fl. 896 6 Tratou, a seguir, das alegações de nulidade da autuação, conforme já alegado na impugnação. No mérito, alegou ter ocorrido decadência em relação aos períodos anteriores a 28 de outubro de 2000, estarem todas as aquisições de acordo com o plano de exportação, existir saldo credor de IPI e terem sido os insumos empregados em produtos NT. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à nulidade do acórdão de primeira instância, verificase que o acórdão apreciou as questões de nulidade do auto de infração, incluindo a alegação de falta de fundamentação legal e de cerceamento de direito de defesa. Quanto às questões de mérito (plano de exportação, existência de saldo credor de IPI e produtos NT), o acórdão claramente considerou não haver a Interessada demonstrado as alegações, não ser passível de compensação com o saldo credor os valores apurados e não ser a destinação do produto critério para decidir a classificação fiscal. Também claramente justificou que não haveria multiplicidade de lançamentos por se tratar de fatos geradores distintos. No tocante às nulidades da autuação, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, adotamse, no presente voto, os fundamentos do acórdão de primeira instância. Quanto ao mérito, primeiramente, a aparente contradição entre os fundamentos do auto de infração e do acórdão de primeira instância deve ser esclarecida. É que, segundo o auto de infração, houve suspensão de IPI nas entradas em desacordo com o plano de exportação (fl. 7), tendo sido apontadas as razões no termo de fls. 28 e seguintes. Segundo o referido termo, houve aquisição por estabelecimento diverso do beneficiário do plano de exportação, aquisições de matérias primas em excesso ao que fora autorizado, aquisições anteriores ou posteriores ao período de validade do plano de exportação, aquisições de insumos não autorizados pelo plano e não comprovação do uso dos insumos no programa. Portanto, ou as matérias primas não foram empregadas na fabricação de produtos ou foram empregadas em produtos sem nota fiscal, que, consequentemente, não poderiam ter sido exportados; ou não poderia haver suspensão, à vista de não haver ainda entrado em vigor o plano, de se haver encerrado ou de os insumos simplesmente não serem abrangidos por ele. Os anexos que demonstraram cada uma das situações estão entre as fls. 41 e 61. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13829.000235/200522 Acórdão n.º 330201.579 S3C3T2 Fl. 897 7 A Interessada, entretanto, nada justificou em relação ao que foi apurado pela Fiscalização, preferindo alegar que o auto seria nulo e que não teria sido fundamentado. Quanto à alegação de existir saldo credor, o Regulamento do IPI dispõe o seguinte: Art. 191. Nos casos de apuração de créditos para dedução do imposto lançado de oficio, em auto de infração, serão considerados, também, como escriturados, os créditos a que o contribuinte comprovadamente tiver direito e que forem alegados até a impugnação. Entretanto, tal dispositivo somente se refere aos débitos apurados no livro de apuração de Interessada e que poderiam ser compensados escrituralmente com os créditos escriturados. No caso dos autos, tratase de imposto devido em relação às entradas, que se tornou de responsabilidade da Interessada à vista do programa a que aderiu. Tal imposto não é compensável com os créditos escriturais de IPI, conforme justificado pela Primeira Instância. No tocante às alegações de que os produtos fabricados seriam NT e que os insumos neles empregados teriam a mesma natureza, o princípio da acessoriedade (“acessório segue o principal”) não se aplica ao presente caso. Os insumos não são acessórios e sua natureza não depende da operação de industrialização, para efeito da classificação fiscal. Ademais, quando se trata de produto NT, a legislação determina que os créditos empregados em sua industrialização sejam glosados. Em outras palavras, quando não há as suspensões decorrentes de benefícios e incentivos fiscais, o IPI é devido na saída dos insumos e, se escriturado como crédito no livro de apuração do produtor, ao ser empregado na fabricação de produto NT, tal crédito deve ser glosado. Quanto à decadência, a razão também está com a Primeira Instância, uma vez que não se trata de hipótese de lançamento por homologação. Primeiramente, pela própria natureza das operações, dentro das quais não há pagamento antecipado, pois a incidência do IPI sobre os insumos fica suspensa. Ademais, o referido imposto, que, como esclarecido por vezes nos presentes autos, é devido pela Interessada como responsável, é obrigação tributária que não se comunica com o IPI devido nas saídas de produtos industrializados. Tanto é assim que não existe o alegado direito de crédito. No âmbito de tal obrigação, os pagamentos eventuais de IPI que se refiram ao imposto de obrigação própria da Interessada não se prestam para caracterizar a existência de pagamento antecipado a que se refere o art. 150 do CTN. Admitir tal hipótese seria como considerar que eventuais pagamentos de outro tributo pudessem interferir no prazo decadencial de IPI. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13829.000235/200522 Acórdão n.º 330201.579 S3C3T2 Fl. 898 8 Aplicandose ao caso o art. 173, I, do CTN, o prazo de decadência iniciase somente no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Nessa matéria, discordase da conclusão da Primeira Instância, que considerou iniciar o prazo somente com o conhecimento do descumprimento da condição, que se daria somente quando a Receita Federal tomasse conhecimento “do adimplemento ou não dos compromissos assumidos pelo beneficiário do regime, o que se dá somente no encerramento do Plano de Exportação aprovado”. É que, no caso dos autos, tal raciocínio somente pode ser aplicado ao caso da apuração de insumos adquiridos em excesso, que não foram empregados nos produtos exportados. Nos demais casos, o lançamento poderia ser efetuado a qualquer tempo. Em relação aos demais casos, não se aplica a questão da decadência. Como o lançamento ocorreu em novembro de 2005, os fatos geradores ocorridos em 1999, relativamente aos demais casos, foram atingidos pela decadência. A tabela a seguir relaciona os anexos com as causas da autuação e a decadência. Anexo Causa da autuação Decadência I (fl. 41) NF anteriores ou posteriores à aprovação e adquiridas em excesso. Todos os períodos da primeira relação. II (fl. 42) Informação incorreta do processo na NF Não se aplica III (fl. 43) NF anteriores à aprovação e aproveitadas por outro estabelecimento Períodos de 1999 IV (fl. 44) Insumos não abrangidos pelo plano ou adquiridos em excesso Não se aplica V (fl. 45) NF posteriores à vigência do plano. Todos os períodos VI (fl. 46) Insumos adquiridos em excesso Não ocorreu a decadência VII (fl. 47) NF posteriores à vigência do plano. Períodos de 1999 VIII NF posteriores à vigência do plano. Não se aplica IX Não utilização do benefício. Períodos de 1999 X NF anteriores à aprovação e aproveitadas por outro estabelecimento, insumos não abrangidos pelo plano. Períodos de 1999 XI NF posteriores à vigência do plano. Não se aplica XII Insumos não incluídos no plano ou em datas posteriores à sua vigência Períodos de 1999 Na tabela acima, quando não há períodos hipoteticamente abrangidos pela decadência, utilizouse a indicação “Não se aplica” e quando o prazo de contagem iniciouse Fl. 898DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13829.000235/200522 Acórdão n.º 330201.579 S3C3T2 Fl. 899 9 posteriormente ao alegado pela Interessada, utilizouse a indicação “Não ocorreu a decadência”, conforme fundamentado anteriormente. De resto, destaquese que não há o que reparar nos fundamentos do acórdão de primeira instância, relativamente ao que foi alegado no recurso, razão pela qual, adotando os com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por dar provimento parcial ao recurso da Interessada, para considerar decaídos os períodos relacionados na tabela constante do presente voto. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Voto Vencedor Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, RedatorDesignado Ouso divergir do nobre Conselheiro relator em alguns pontos, conforme as razões adiante elencadas. Verificando o Termo de Verificação Fiscal, o nobre auditor apresentou as razões de sua autuação discriminativamente. Quanto ao segundo item, o contribuinte fora autuado por não ter discriminado em sua documentação fiscal o texto “IPI Suspenso Conforme Decreto 541 de 26.05.1992”, quando deveria ter indicado o número do processo e a data do respectivo deferimento. Entendo que se trata de obrigação acessória, e que a fiscalização não logrou comprovar que aquela documentação fiscal não teria sido relativa a exportação. Poderia têlo feito, bastando para tanto apenas intimar o contribuinte a relacionálas aos respectivos processos. Em homenagem ao princípio da verdade material, voto no sentido de dar provimento ao recurso nesse tópico. Logo, concordo com o relator por manter o lançamento com relação aos anexos I e III a XII. É como voto. (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 899DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003102/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário: 2002, 2003, 2004, 2005. 2006
PRELIMINAR. NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO.
Reconhece-se que a fiscalização analisou todas as provas apresentadas pelo contribuinte, sendo, contudo, livre para apreciá-las conforme sua convicção e juízo.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO. COFINS.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador no caso de haver pagamento antecipado do tributo.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS.
Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional.
ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial para lançamento da multa isolada por falta de
antecipação mensal do IRPJ e da CSLL é o previsto no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2002, 2003, 2004, 2005. 2006
IRPJ. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA
ISOLADA.
A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critérioda consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário,
e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Precedentes.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Recurso de Ofício não conhecido.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1402-000.873
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos:
1) não conhecer do recurso de ofício, tendo em vista que não houve exoneração de crédito tributário acima de R$ 1.000.000,00, em primeira instância, e no restabelecimento de prejuízo fiscal, qualquer que seja o valor, não há norma que ampare a interposição de recurso de ofício pela DRJ;
2) rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, somente para afastar a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e CSLL. A Conselheira Albertina Silva Santos de Lima votou pelas conclusões em relação à exclusão da multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS PELA
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos: 1) não conhecer do recurso de ofício, tendo em vista que não houve exoneração de crédito tributário acima de R$ 1.000.000,00, em primeira instância, e no restabelecimento de prejuízo fiscal, qualquer que seja o valor, não há norma que ampare a interposição de recurso de ofício pela DRJ; 2) rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, somente para afastar a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e CSLL. A Conselheira Albertina Silva Santos de Lima votou pelas conclusões em relação à exclusão da multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO. Reconhecese que a fiscalização analisou todas as provas apresentadas pelo contribuinte, sendo, contudo, livre para apreciálas conforme sua convicção e juízo. DECADÊNCIA. PAGAMENTO. COFINS. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador no caso de haver pagamento antecipado do tributo. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para lançamento da multa isolada por falta de antecipação mensal do IRPJ e da CSLL é o previsto no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005. 2006 IRPJ. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 2 2 da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Precedentes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso de Ofício não conhecido. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos: 1) não conhecer do recurso de ofício, tendo em vista que não houve exoneração de crédito tributário acima de R$ 1.000.000,00, em primeira instância, e no restabelecimento de prejuízo fiscal, qualquer que seja o valor, não há norma que ampare a interposição de recurso de ofício pela DRJ; 2) rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, somente para afastar a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e CSLL. A Conselheira Albertina Silva Santos de Lima votou pelas conclusões em relação à exclusão da multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos aos anoscalendários 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, tendo em vista: (i) Omissão de receitas, no anocalendário de 2002, no valor de R$ 5.058.337.78, caracterizada pela não comprovação da efetiva venda de mercadorias compradas para revenda, recebidas em 26 e 29 de dezembro de 2002, e que não constam no Livro de Inventário n° 01 referente ao estoque existente em 31/12/2002, conforme Termo de Constatação; (ii) Diferença de R$ 18.629.658.85 entre o prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL constantes no Lalur e o valor declarado na DIPJ, relativamente ao anocalendário de 2005; e (iii) Multa exigida relativamente à insuficiência de pagamento do IRPJ e CSLL apurados com base na estimativa mensal no período de janeiro de 2002 a setembro de 2006. Conforme Termo de Constatação (fls. 433/465), a contribuinte possuía apenas escrituração anual de estoques, com registro em 31 de dezembro de cada anocalendário e, quando intimada, não informou se possuía registro permanente dos estoques, a fim de comprovar os saldos mensais dos estoques. Por esses motivos considerouse que a empresa não recolheu os valores mensais do IRPJ e CSLL pela estimativa com base na receita bruta nos meses de janeiro a dezembro de 2002, tendo a fiscalização efetuado o lançamento da multa isolada de 50% sobre os valores da estimativa mensal informados pela própria contribuinte, conforme se vê às fls. 378 e 379. Para os anoscalendário 2003 e 2004, constatouse que a escrituração do Diário não continha, ao final de cada mês, balanços ou balancetes de suspensão determinados pela legislação. No anocalendário de 2005, a escrituração do livro Diário, apesar de apresentar, ao final de cada mês, balanço e demonstração de resultado, não cumpriu a condição de estarem transcritos no referido livro até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. Quando do inicio da fiscalização, em 04/05/2006, a contribuinte possuía escrituração do Diário somente até 31/12/2004. Com relação ao anocalendário de 2006, nos meses de janeiro a abril, a contribuinte não efetuou recolhimento das estimativas e não possuía Diário escriturado e impresso. Somente no período de maio a setembro daquele ano é que houve recolhimento insuficiente das estimativas com base na receita bruta (fls. 394 a 397, 398, 406, 409, 412, 415). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 542/570) juntando inúmeros documentos. Assim, o processo foi encaminhado em diligência, conforme fls. 2300 a 2302. Na ocasião, foi solicitado que o autuante se manifestasse sobre as alegações feitas pela contribuinte a respeito da omissão de receitas e sobre a pertinência dos documentos apresentados na fase impugnatória em relação às citadas alegações. A contribuinte foi intimada a apresentar as notas fiscais de saída n° 1042, 1045, 1046, 1047, 1048, 1049, 1050, 1051, 1052, 1053, 1054 e 1074 (fl. 651), que, segundo Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 4 4 alega, teriam acobertado operações de remessas, para empréstimo e armazenagem em dezembro de 2002, das mercadorias adquiridas nesse mês e constantes das notas fiscais n° 8740, 8741, 8742, 8753, 8754 e 8755. Solicitouse, também, a comprovação do retorno das mercadorias constantes nas referidas notas fiscais de saída. O processo retornou com os documentos de fls. 2307/2308 (procuração), 2311 a 2417, o Termo de Revisão de Lançamento às fls. 2418 a 2429 e o Relatório Fiscal de fls. 2438 a 2444. Após a diligência, a contribuinte se manifestou sobre a Revisão do Lançamento às fls 2431/2432. Diante desse contexto, a 3ª Turma da DRJ/POR decidiu dar parcial provimento ao lançamento, para, (i) declarar a decadência da COFINS, no valor de R$ 151.750,13, relativa ao fato gerador de 31/12/2002; (ii) manter, no anocalendário de 2002, o PIS no valor de R$ 2.885,14, face a constatação da ausência de omissão de receitas sobre os demais valores, verificada após a realização da diligência e extensão probatória; (iii) manter a multa isolada sobre a insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL nos valores de R$ 16.605.695,30 e R$ 7.326.249,86, respectivamente; (iv) alterar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário de 2002, para R$ 28.893.227,99, em razão da comprovação da saída de mercadorias compradas para revenda, afastando a suposta omissão de receitas a elas relativas; (v) manter, no anocalendário de 2005, o ajuste do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL tal como lançado, posto que não comprovado. Nesse passo, a Recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 2486/2499), tão somente, para combater a insuficiência de pagamento do IRPJ e CSLL apurados com base em estimativas mensais, de janeiro de 2002 a setembro de 2006. Primeiramente, sobre as matérias não recorridas, aduz a contribuinte que, uma vez afastadas as alegações sobre a suposta omissão de receitas decorrentes da saída de alguns produtos adquiridos em dezembro de 2002, sem o respectivo registro no livro Registro de Inventário, restou apenas o reduzido débito no valor de R$ 2.885,14 a título de PIS, que a Recorrente reconhece devidos, recolhendo aos cofres públicos (conforme doc.1 do recurso voluntário, fl. 2500). Segundo, comunica que já efetuou ajuste de R$ 174.856,74 em seus prejuízos fiscais acumulados. Terceiro, a Recorrente expressamente reconhece a diferença de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL do anocalendário de 2005, afirmando tratarse de mero equívoco na apuração de seu resultado tributável, havendo estornado o valor da diferença. Sobre a matéria recorrida, argüi a Recorrente, em sede de preliminar, (i) a nulidade do auto de infração, posto que desacompanhado de provas do descumprimento da obrigação tributária e (ii) a decadência dos fatos geradores ocorridos antes de fevereiro de 2003, diante do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN. No mérito, sustenta a Recorrente, em apertada síntese, que ao caso não deve ser aplicada multa isolada, mas somente alguma espécie de penalidade menor e de caráter formal face o descumprimento de obrigações acessórias, posto que não eram realmente devidas as antecipações, haja vista a apuração de prejuízo fiscal. Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 5 5 É, no essencial, o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Foram interpostos recursos de ofício e voluntário contra a decisão da DRJ. Em relação do recurso de ofício, não deve ele ser conhecido, uma vez que o valor exonerado da obrigação tributária lançada é inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), valor mínimo definido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008. Da mesma forma, não cabe, por falta de previsão normativa, recurso de ofício contra decisões que restabelecem prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas, qualquer que seja o valor. O recurso voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Preliminarmente, digase que, conforme afirmado no acórdão recorrido, inexiste nos autos registro de pagamento de IRPJ, CSLL e PIS por parte da recorrente que se caracterizasse como antecipação, o que permite concluir não ser cabível a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, e sim, a regra geral exarada no artigo 173, inciso I do CTN, que fixa o termo inicial, para contagem do prazo decadencial, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Destaquese que essa matéria foi definitivamente julgada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo (Art. 543C da Lei nº 5.869/1973 CPC), tornandose, dessa forma, sem embargo da opinião divergente deste relator, decisão vinculante àquelas proferidas por este Conselho, consoante alteração contida na Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. In verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, conforme entendeu o Egrégio STJ no REsp nº 973.733SC, nos casos de tributo sujeito à lançamento por homologação, inexistindo pagamento antecipado, aplicase o prazo decadencial previsto no artigo 173, I do CTN que, por sua vez, não tem aplicação cumulativa/concorrente com o prazo do artigo 150, § 4º do CTN. Noutras palavras, a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo qüinqüenal regese pelo artigo 173, I do CTN, verbis: Fl. 2635DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 6 6 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Com efeito, no caso em comento, o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível; ou seja, 01/01/2004. Dito isso, vejamos as razões do acórdão a quo para afastar a decadência do IRPJ, CSLL e PIS, bem como acolher a decadência da COFINS cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2002: Entretanto, uma vez apurada inexistência de pagamento antecipado do imposto devido, não há que se falar em homologação, nem tampouco aplicação do § 4º do art. 150 do CTN. Nesse caso, o lançamento passa a ser direto ou de oficio, o que desloca a forma de contagem do prazo decadencial para a regra prevista no art. 173, I, do CTN, cuja data inicial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, relativamente ao IRPJ e CSLL, verificase que a contribuinte optou pela apuração anual dos citados tributos, ocorrendo o fato gerador em 31 de dezembro de 2002, conforme disposto no § 3° do art 2° da Lei n° 9.430, de 1996. Os recolhimentos estimados, mensais e obrigatórios, constituem antecipações do valor do IRPJ e da CSLL devido ao final do anocalendário, não caracterizando ocorrência de fatos geradores mensais. Considerandose que o fato gerador ocorreu em 31/12/2002 e não foi feito nenhum pagamento de IRPJ e CSLL, aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN, iniciandose contagem do prazo decadencial em 01/01/2004 e encerrandose em 31/12/2008. Tendo ocorrido a ciência do auto de infração em 29/02/2008, concluise que não ocorreu a decadência relativamente ao IRPJ e CSLL. Com relação ao PIS, verificase que o fato gerador constante nos autos de infração ocorreu em 31/12/2002. Temse que a contribuinte não efetuou qualquer pagamento relativo ao mês de dezembro de 2002, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN. Assim, a contagem do prazo decadencial iniciouse em 01/01/2004, encerrandose em 31/12/2008. Como a ciência do lançamento se deu em 29/02/2008, não ocorreu a decadência quanto ao PIS. Quanto à Cofins, constatase que a contribuinte efetuou o pagamento relativo ao fato gerador ocorrido no mês de dezembro de 2002, conforme se vê às fls. 2446. Aplicase, então, ao lançamento referente a esse mês o disposto no art. 150, § 4° do CTN, encerrandose o prazo decadencial em 1°/01/2008. Fl. 2636DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 7 7 Como a ciência da autuação se deu em 29/02/2008, ocorreu a decadência quanto à Cofins de 31/12/2002. Relativamente ao lançamento da multa de ofício isolada aplica se a regra geral da decadência prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Referida multa somente poderia ser lançada em 2003 iniciando se o prazo decadência em 01/01/2004 e encerrandose em 31/12/2008. Não ocorreu, dessa forma, a decadência. Assim, deve ser excluído pela decadência o valor de R$ 151.750,13, relativo à Cofins lançada em 31/12/2002. Da leitura verificase que a decisão está em consonância com o entendimento proferido pelo Egrégio STJ, merecendo, nesse ponto, ser mantida por seus próprios fundamentos. Em sede de preliminar, também devem ser avaliadas as alegações da Recorrente sobre a nulidade do auto de infração que estaria desacompanhado de provas do descumprimento da obrigação tributária. Consoante a Recorrente o auto de infração seria nulo já que a fiscalização não teria comprovado a certeza do crédito tributário, desconsiderando os balancetes de suspensão/redução levantados pela Recorrente, que demonstrariam a existência de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas. Do exame dos autos, é possível verificar que a fiscalização considerou os balancetes de suspensão/redução levantados pela Recorrente, muito embora tenha entendido pela imprestabilidade de tais documentos para seus fins. Nesse contexto, a fiscalização pode apreciar livremente os documentos apresentados pelo contribuinte conforme sua convicção e juízo, pelo que afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Assim, nas matérias preliminares, nego provimento ao recurso voluntário. No mérito, a decisão a quo decidiu por (i) afastar a maior parte das penalidades aplicadas em face da falta de registro de alguns produtos adquiridos em dezembro de 2002 no livro Registro de Inventário e que supostamente teriam gerado omissão de receitas quando de suas respectivas saídas, posto que na diligência realizada restou comprovada a saída de tais mercadorias, (ii) manter os lançamentos decorrentes da insuficiência de pagamento do IRPJ e CSLL apurados com base em estimativas mensais, de janeiro de 2002 a setembro de 2006; e (iii) manter os lançamentos decorrentes da diferença entre prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL do ano de 2005. No que toca à insuficiência de pagamento do IRPJ e CSLL apurados com base em estimativas mensais de janeiro de 2002 a setembro de 2006 – matéria efetivamente combatida no recurso voluntário da contribuinte – aponta a fiscalização quanto à falta de apresentação dos livros Registro de Inventário com escrituração mensal dos anos de 2002 a 2006, bem como a suposta não comprovação da existência de registro permanente de estoques, a fim de demonstrar os saldos mensais no mesmo período. Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 8 8 Tal procedimento, no entendimento da fiscalização, teria contrariado o inciso III, do § 3°, do art. 12 da IN nº 93/97, que determina que, para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do Livro Registro de Inventário. Especificamente em relação ao ano de 2006, a fiscalização também aduziu que a Recorrente passou a recolher o IRPJ e CSLL com base na receita bruta a partir do mês de maio, tendo recolhido, ao final do ano, um montante total de R$ 21 milhões. Mesmo neste caso, a fiscalização apurou diferenças de recolhimentos a menor, os quais foram integrados ao auto de infração ora impugnado. Em suma, a autuação, nesse ponto, se deve por não ter a Recorrente, supostamente: (i) comprovado de forma completa a adequada transcrição dos balancetes de suspensão/redução no Livro Diário; (ii) cumprido o prazo para a formalização da referida transcrição; e (iii) comprovado a existência de registro permanente de estoques, a fim de demonstrar os saldos mensais no período de 2002 a 2006, lavrandose auto de infração cumulado com multa isolada de 50% sobre o valor do pagamento mensal que teria deixado de ser efetuado. A decisão recorrida sustenta que a redução ou suspensão dos recolhimentos mensais por estimativa está condicionada ao levantamento de balancetes acumulados mensalmente e transcritos no Livro Diário, com autenticação da JUCESP, até a data fixada para o pagamento do imposto, o que não fora feito pela Recorrente. Diante disso, manteve a autuação afirmando que a Recorrente, para combater a exigência da multa isolada, apresentou somente "balancetes de verificação", que se prestam apenas a evidenciar o saldo acumulado das contas patrimoniais e de resultado após os movimentos mensais a débito e a crédito, e antes dos lançamentos de encerramento para apuração do resultado do exercício. Concluiu, portanto, para dizer que os balancetes não estariam conforme exigido pela legislação, pois deveriam espelhar o resultado fiscal do período ou não seriam aptos a demonstrar que não há imposto devido. Por sua vez, a Recorrente sustenta que o registro contábil, ou a falta dele, não deve prevalecer sobre a verdade material, desde que essa seja devidamente comprovada. Também afirma que a falha no cumprimento de obrigação acessória não pode ocasionar o nascimento de uma obrigação principal; ou seja, que a inadequada transcrição dos balancetes no Livro Diário não poderia jamais ensejar a aquisição de renda ou proventos, nem tampouco a apuração de lucro, de forma que não se consubstanciou, em nenhum momento, o fato gerador do IRPJ e da CSLL. Com isso, seria incabível a apuração, por parte da fiscalização, do IRPJ e CSLL com base no regime de estimativa e, consequentemente, a exigência da multa isolada de 50% que compôs o presente auto de infração. Examinados os fatos entendo que aqui assiste razão à Recorrente. Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 9 9 O primeiro motivo diz respeito à aplicação de multa isolada sobre as estimativas após o encerramento do período de apuração. É assente neste Conselho que a aplicação da multa isolada sobre estimativas mensais não recolhidas somente é possível no curso do próprio exercício em que estas estimativas são devidas. Sobre este tema, adoto, permissa vênia, a fundamentação adotada pelo Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, no Acórdão CSRF/0105.511, pois contempla ampla e integralmente a hipótese destes autos. Sustenta o Conselheiro, em parte destacada do seu voto: “A questão a ser solucionada versa sobre a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento da estimativa quando a empresa apura, ao final do exercício, tributo inferior ao valor das estimativas devidas ao longo do ano, bem como a possibilidade de exigência concomitante de multa de oficio por falta de recolhimento de tributo devido ao final do exercício e por falta de recolhimento de estimativas no mesmo período. O art 44 da Lei n° 9.430/96 que autoriza a aplicação da multa isolada tem o seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1 0 As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Art. 2° (Lei n° 9.430/96) — A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimado, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 e nos arts 30 a 32, 34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995. As remissões relevantes são as seguintes: Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 10 10 " Art. 35 (Lei n° 8.981/95) — A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) §2° Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei n° 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. O Conselheiro, então, passa à análise das proposições normativas e do seu sentido possível em face do ordenamento jurídico. Após reconstruir a estrutura lógica do sistema de penalidades aplicáveis à falta de recolhimento das estimativas durante o ano, especialmente no tocante às funções que a base de cálculo dos tributos, seguindo as lições de Paulo de Barros Carvalho, conclui : “Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo nãorecolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 11 11 para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam "princípio da consunção". Aplicando o princípio da consunção, firmado nas lições de Miguel Reale, o conselheiro afirma: Primeiro, o exame do texto evidencia que o artigo 44 da Lei n° 9.430/96 determina que a multa seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo. Por inferência lógica, tem que se entender que os incisos I e II também se referem à falta de pagamento de tributo. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro — base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. Tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3° do Código Tributário Nacional) pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos da pessoa jurídica. Marco Aurélio Greco, na mesma direção, sustenta que "mensalmente, o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2°, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3° do art. 2°). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo ao período de apuração Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 12 12 anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação — e que dele não pode se distanciar — que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95)." Tanto é assim, que o art. 15 da Instrução Normativa SRF n° 93/97, ao interpretar o art. 2° da Lei n° 9.430/96, que trata do regime da estimativa, prescreve a impossibilidade de as autoridades fiscais exigir de ofício a estimativa não paga no vencimento, a saber: "Art.15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos." A lógica do pagamento de estimativas é, portanto, de antecipar, para os meses do anocalendário respectivo, o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria só devido ao final do exercício (em 31.12). Sob o sistema de estimativa mensal, permitese a redução dos pagamentos mensais caso o resultado tributável seja reduzido ou aumentado ao longo do anocalendário, desde que evidenciado por balancetes de suspensão (art. 29 da Lei n° 8.981/94). Assim, via de regra, o tributo — sob a forma estimada não será devido antecipadamente em caso de inexistência de lucro tributável. Tal inferência se alinha coerentemente com o princípio de bases correntes, pois se a empresa nada deve ao longo do ano, nada deverá ao seu final. Se houvesse algum recolhimento prévio que não tem correspondência com o tributo devido ao final do período, tal fato implicaria apenas em restituição ou compensação tributária. Por outro lado, no encerramento do exercício, caso constatada a insuficiência de pagamento do tributo apurado pelo lucro real as empresas terão de complementar a estimativa que fora recolhida ao longo do mesmo período. Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou a menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução de tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador — totalidade ou diferença de tributo — só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. Defendem alguns que a conclusão acima contradiz o § 1°, inciso IV, do mesmo dispositivo legal, que estabelece a aplicação de Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 13 13 multa isolada na hipótese de a pessoa jurídica estar sujeita ao pagamento de tributo ou contribuição e deixar de fazêlo, ainda que tenha prejuízo ou apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Ou seja, por esse enunciado, permaneceria obrigatório o recolhimento por estimativa mesmo se houvesse prejuízo ou base de cálculo negativa. Essa contradição é apenas aparente. O parágrafo 2° do art. 39 da Lei n.° 8.383/91 autoriza a interrupção ou diminuição dos pagamentos por antecipação quando o contribuinte demonstra, mediante balanços ou balancetes mensais, que o valor já pago da estimativa acumulada excede o valor do tributo calculado com base no lucro ajustado do período em curso. Os balanços ou balancetes mensais são, então, os meios de prova exigidos pelo Direito, para que se demonstre a inexistência de tributo devido. Na verdade, para emprestar praticidade ao regime de estimativa, inverteuse o ônus da prova, atribuindo ao contribuinte o dever de demonstrar que não apurou lucro no curso do ano e que não está sujeito ao recolhimento antecipado. Via de regra, o ônus de provar que o contribuinte está sujeito ao regime de estimativa, para fins de aplicação da multa, caberia ao agente fiscal. Assim, caso a pessoa jurídica não promova o correspondente recolhimento da estimativa nos meses próprios do respectivo anocalendário e não apresente os balancetes de suspensão no curso do período ainda que tenha experimentado prejuízo ou base de cálculo negativa ficará sujeita à multa isolada de que trata o art. 44 da Lei n° 9.430/96. A lei estabelece uma presunção de que o valor calculado de forma presumida (estimada) coincide com o tributo que será devido ao final do período, partindo da constatação de que a estimativa não foi recolhida e de omissão do sujeito passivo em apresentar os balanços ou balancetes. Esse não é caso, contudo, da empresa que, após o término do anocalendário correspondente, apresenta o balanço final do período ao invés de balancetes ou balanços de suspensão. Nesse caso, a exigência da norma sancionadora para que se comprove a inexistência de tributo é atendida. Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e pode se conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade. Não há porque se obrigar o contribuinte a antecipar o que não é devido e forçálo a pedir restituição posteriormente. Daí concluir que o balanço final é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa. Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 14 14 Resta examinar, então, qual seria a hipótese em que, na presença de prejuízo fiscal, se deveria aplicar a multa isolada. Nesse caso, a interpretação sistemática dos dois enunciados prescritivos dispostos no mesmo artigo aqui comentados (caput e § 1°, inciso IV, do art. 44) conduz ao entendimento de que o procedimento fiscal e a aplicação da penalidade devem obrigatoriamente ocorrer no curso do anocalendário, pois a conduta objetivada pela norma (dever de antecipar o tributo) é descumprida e, nesse momento, o efetivo resultado do exercício não está evidenciado mediante balancetes. Assim, em virtude da inobservância da pessoa jurídica dos dispositivos legais reitores, o agente fiscal não tem como aferir a situação fiscal corrente do contribuinte. O legislador concede a fiscalização, durante o transcorrer do períodobase, o poder de presumir que o valor apurado de forma estimada a partir da receita da empresa coincide com o tributo devido, desde que demonstrada a omissão do dever probatório atribuído pela lei ao contribuinte. Essa presunção legal da existência de tributo não poderia ser desfeita após a aplicação da multa de lançamento de ofício pela posterior apresentação de balanço na fase de defesa administrativa, pois tomaria o arbitramento do tributo sob base estimada condicional. Chegamos, portanto, a poucas, mas importantes conclusões: 1as penalidades, além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. 2a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas normas sancionadoras faz pressupor a identidade do critério material dessas normas; 3tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3° do Código Tributário Nacional) pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos; 4a base de cálculo predita no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 referese à multa pela falta de pagamento de tributo; 5o tributo devido ao final do exercício e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício; 6não será devida estimativa caso inexista tributo devido no encerramento do exercício; 7os balanços ou balancetes mensais são os meios de prova exigidos pelo Direito, para que o contribuinte demonstre a Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 15 15 inexistência de tributo devido e a dispensa do recolhimento da estimativa. 8após o final do exercício, o balanço de encerramento e o tributo apurado devem ser considerados para fins de cálculo da multa isolada; 9antes do final do exercício, o fisco pode considerar para fins de aplicação de multa isolada o valor estimado calculado a partir da receita da empresa, desde que a inexistência de tributo não esteja comprovada por balanços ou balancetes mensais. 10Se aplicada multa de ofício pela falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e constatado que também esse mesmo valor deixou de ser antecipado ao longo do ano sob a forma de estimativa, não será exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício, “ Entendo que o voto do Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima se aplique perfeitamente ao caso presente e as razões invocadas já seriam suficientes para dar provimento ao recurso voluntário. Mas além da impossibilidade de aplicação da multa isolada neste caso, um segundo ponto que deve ser abordado. Com efeito, o contribuinte apresentou, juntamente com a impugnação, os balancetes de redução/suspensão dos tributos devidos por estimativa nos meses de janeiro a dezembro do anocalendário. Não os transcreveu, é verdade, no Livro Diário, mas o mero descumprimento de uma formalidade não pode acarretar na exigência de multa pela falta de recolhimento de antecipações materialmente indevidas. Sobre este aspecto, também já se manifestou o extinto Conselho de Contribuintes em mais de uma oportunidade, cabendo trazer à colação os seguintes julgados: 1º Conselho de Contribuintes / 7a. Câmara / ACÓRDÃO 107 09.523 em 15.10.2008 IRPJ E OUTROS Ex(s): 1999 a 2001 e 2003 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS E BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO MULTA ISOLADA. Ainda que o art. 35, parágrafo 1º, alínea "a", da Lei nº 8.981/95, tenha subordinado a validade dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução à transcrição no Livro Diário, esse fato isoladamente não é condição suficiente para exigência da multa isolada, pois, não afeta a validade e a eficácia da escrituração como prova primária e, não há acusação de que as informações contidas nos balancetes de suspensão estejam em desacordo com os registros constantes no Livro Diário, ou que tenham sido levantados com desobediência às leis comerciais e fiscais. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 16 16 A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é pacífica, quanto à improcedência da aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativas quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. 1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 101 95.183 em 12/09/2005 IRPJ E OUTRO Ex(s): 1999 a 2002 MULTA ISOLADA MERA FALTA DE TRANSCRIÇÃO E BALANCETES NO LIVRO DIÁRIO No contexto do caráter provisório das estimativas, e tendo em vista a essência da penalidade pela falta de recolhimento das mesmas, ou seja, preservação do regime de antecipações e proteção ao fluxo de caixa do Estado, revelase ancilar e meramente formal, podendo ser ultrapassada, a obrigação acessória de transcrição dos balancetes, quando isoladamente considerada. Recurso Voluntário provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Manoel Antonio Gadelha Dias Presidente Publicado no DOU em: 20.04.2006 Relator: Mário Junqueira Franco Junior Posto isso, voto por 1) não conhecer do recurso de ofício, tendo em vista que não houve exoneração de crédito tributário acima de R$ 1.000.000,00, em primeira instância, e no restabelecimento de prejuízo fiscal, qualquer que seja o valor, não há norma que ampare a interposição de recurso de ofício pela DRJ; e 2) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, somente para afastar a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.003102/200790 Acórdão n.º 140200.873 S1C4T2 Fl. 17 17 Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 10980.007420/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício:2004, 2005, 2006, 2007
FALTA DE COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DO PROCESSO.
Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se
de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-001.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
conhecer do recurso, pois falece competência a esta Turma para processar e julgar o recurso voluntário, pois a matéria é de competência das Turmas de Julgamento da Primeira Seção do CARF.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício:2004, 2005, 2006, 2007 FALTA DE COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DO PROCESSO. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratandose de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento., Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso, pois falece competência a esta Turma para processar e julgar o recurso voluntário, pois a matéria é de competência das Turmas de Julgamento da Primeira Seção do CARF. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 07/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 210201.957 S2C1T2 Fl. 621 2 Relatório Este processo trata do auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 126182), mediante o qual se exige desta contribuinte o crédito tributário total de R$ 11.770.853,86, incluindo juros moratórios calculados até 30/06/2009, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, acostado às fls. 01. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, fl. 204, o presente processo trata de infrações de IRRF – Pagamentos sem causa / Operação não comprovada, decorrentes de processo reflexo do IRPJ. Este relato é o bastante para o Voto que segue. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O presente processo trata de infrações de IRRF – Pagamentos sem causa / Operação não comprovada, decorrentes de processo reflexo do IRPJ, senão vejamos: Termo de Verificação Fiscal fl. 204: 17. DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO Encerramos, nesta data, a ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, tendo sido verificado, o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e contribuições, tendo sido constatadas as irregularidades mencionadas. Da presente ação fiscal foram lavrados os seguintes Autos de Infração: 1) Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos R$ 15.086.620,55 2) Imposto de Renda Retido na Fonte R$ 11.770.853,66 3) Multa incidente sobre a distribuição de lucros R$ 3.044.012,09 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 29.201.486,30 (grifei) Acórdão DRJ/SPO I, fl. 558verso: Do mesmo procedimento fiscal resultaram, além do lançamento aqui apreciado, outros dois autos de infração, objetos de processos distintos, relativos a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (PAF nº 10980.007415/200918) e a multa regulamentar (PAF nº 10980.007421/200975). Os eventos e circunstâncias determinantes da autuação se encontram detalhados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 183204, e se encontram sintetizados a seguir, em redação comum ao Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 210201.957 S2C1T2 Fl. 622 3 relatório dos três processos, no propósito de facilitar a compreensão dos pontos relevantes: (grifei) De outro lado o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), determina: ANEXO II DA COMPETÊNCIA, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS COLEGIADOS TÍTULO I DOS ÓRGÃOS JULGADORES CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS (...) Das Seções de Julgamento Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Posto isso, voto para RECONHECER a incompetência desta Turma para processar e julgar o recurso voluntário, pois se trata de matéria de competência das Turmas da Primeira Seção do CARF, determinando que os presentes autos sejam encaminhados à Secretaria da Câmara para as providências cabíveis de devolução deste processo para que seja redistribuído à Seção de Julgamento competente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 210201.957 S2C1T2 Fl. 623 4 Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000528/2004-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/09/2003
MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE ORIGEM ESTRANGEIRA. DEPÓSITO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE IMPORTAÇÃO REGULAR. SUJEIÇÃO PASSIVA. PROVA.
Demonstrados pela Fiscalização os fatos que justificam a autuação, é do contribuinte o ônus da prova dos fatos impeditivos ou modificativos do direito demonstrado pela
Fazenda Pública. Inexistindo nos autos prova de que o imóvel estivesse, à época da autuação, em posse de outrem por meio de aluguel, cabível imputar-se ao proprietário do imóvel a multa
regulamentar prevista no §1º do art. 3° do Decreto-Lei n° 399/68, vez que constitui-se em infração às medidas de controle
fiscal o depósito de cigarros de procedência estrangeira sem documentação que comprove a regularidade da importação.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.441
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
O Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri declarou-se
impedido.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/09/2003 MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE ORIGEM ESTRANGEIRA. DEPÓSITO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE IMPORTAÇÃO REGULAR. SUJEIÇÃO PASSIVA. PROVA. Demonstrados pela Fiscalização os fatos que justificam a autuação, é do contribuinte o ônus da prova dos fatos impeditivos ou modificativos do direito demonstrado pela Fazenda Pública. Inexistindo nos autos prova de que o imóvel estivesse, à época da autuação, em posse de outrem por meio de aluguel, cabível imputar-se ao proprietário do imóvel a multa regulamentar prevista no §1º do art. 3° do Decreto-Lei n° 399/68, vez que constitui-se em infração às medidas de controle fiscal o depósito de cigarros de procedência estrangeira sem documentação que comprove a regularidade da importação. Recurso voluntário negado.
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CIGARROS DE ORIGEM ESTRANGEIRA. DEPÓSITO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE IMPORTAÇÃO REGULAR. SUJEIÇÃO PASSIVA. PROVA. Demonstrados pela Fiscalização os fatos que justificam a autuação, é do contribuinte o ônus da prova dos fatos impeditivos ou modificativos do direito demonstrado pela Fazenda Pública. Inexistindo nos autos prova de que o imóvel estivesse, à época da autuação, em posse de outrem por meio de aluguel, cabível imputar se ao proprietário do imóvel a multa regulamentar prevista no §1º do art. 3° do DecretoLei n° 399/68, vez que constituise em infração às medidas de controle fiscal o depósito de cigarros de procedência estrangeira sem documentação que comprove a regularidade da importação. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri declarou se impedido. José Luiz Novo Rossari Presidente Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Adriene Maria de Miranda Veras. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 05/04/2004, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de crédito tributário relativo à multa prevista no § 1° do artigo 3° do DecretoLei n° 399/68, regulamentado pelo artigo 632 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, por infração às medidas de controle fiscal relativas a fumo, cigarro, charuto, cigarrilha, de procedência estrangeira. No auto de infração, a autoridade fiscal relata que a aplicação da multa por maço de cigarros, cumulativa com a pena de perdimento da mercadoria, decorreu da apreensão de 18.880 maços de cigarros de procedência estrangeira, sem a documentação comprobatória de sua importação regular. Consta dos autos cópia do Boletim de Ocorrência n° 168/2003, nas fls.09/10, e copia do Auto de Exibição e Apreensão, nas fls. 11/12, lavrados pela Delegacia de Investigações Gerais em Franca/SP — DIG, e cópia do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal das mercadorias, nas fls. 05/06. Dos documentos acostados aos autos, depreendese que policiais civis da DIG, munidos de Mandado Judicial de Busca Domiciliar, encontraram e apreenderam, na residência do autuado, em 03/09/2003, cigarros de procedência estrangeira, desprovidos de documentação comprobatória de sua introdução regular no País. Em face do exposto, foi lavrado o presente auto de infração, formalizando a exigência do recolhimento da multa prevista no § 1° do artigo 3° do DecretoLei n° 399/68, regulamentado pelo artigo 632 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, no valor de R$ 0,98 por maço de cigarros apreendido, totalizando o valor de R$ 18.502,40. Cientificado da peça fiscal em 15/04/2004 (fls. 22), o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente, em 12/05/2004, de fls. 24 a 26, alegando, em preliminar, que: 1) ocorreu a decadência do prazo para imposição de multa, uma vez que o Decreto nº. 70.235/72 descreve claramente em seu artigo 4° o prazo de oito dias para execução dos atos processuais; 2) não foram apresentados documentos que comprovassem a origem da mercadoria nem da sua propriedade; sequer foi comprovado que os objetos apreendidos estavam na posse do impugnante, ou seja, o sujeito passivo não foi minuciosamente identificado; o impugnante foi simplesmente autuado por ser o proprietário do imóvel onde se encontravam os objetos de origem supostamente ilegal; 3) que não se pode imputar conduta ilícita a outrem somente baseada em indícios; no caso, o autuado era proprietário do imóvel, que estava locado, quando da apreensão, por um terceiro, de nome Antonio Carlos, que dele se utilizou para o armazenamento dos supostos objetos ilícitos.” A DRJ – São Paulo II/SP julgou procedente o lançamento (fls. 31/35), nos termos da ementa adiante transcrita: Fl. 49DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13855.000528/200410 Acórdão n.º 3202000.441 S3C2T2 Fl. 49 3 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/09/2003 CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA IMPORTADOS DE FORMA IRREGULAR. MULTA REGULAMENTAR. A apreensão de cigarros de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória de sua importação regular, além do perdimento das mercadorias, sujeita o infrator à multa prevista n6 § 1° do artigo 3° do DecretoLei n° 399/68, regulamentado pelo artigo 632 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº. 4.543/2002. Lançamento Procedente Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 39/42), alegando, em síntese: que o imóvel encontravase à época alugado para outra pessoa, por meio de contrato verbal, e que não lhe pode ser imputada a autoria da conduta criminosa pelo simples fato de ser o proprietário do imóvel; e em nenhum momento o recorrente se apresentou como proprietário das mercadorias apreendidas e nem foi flagrado de posse delas, manuseando ou as armazenando, mas foi identificado puro e tão somente como proprietário do imóvel. Ao final, requereu a improcedência do lançamento, culminando com a anulação do Auto de Infração. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Ao teor do relatado, cuidam os autos de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte PEDRO FIDELIS TELES, para exigência de multa regulamentar, por infração às medidas de controle fiscal relativas a cigarros de procedência estrangeira importados irregularmente, prevista no art. 3º do DecretoLei nº. 399, de 30/04/1968. A única matéria trazida em sede de recurso diz respeito à identificação do sujeito passivo autuado. Afirma o recorrente que a multa não caberia a ele ser infligida, como o foi, em razão de ser o proprietário do imóvel onde foram encontradas as mercadorias apreendidas. Afirma que, à época da autuação, por ingenuidade sua, o imóvel encontravase alugado apenas verbalmente, em acordo de boafé, para uma pessoa de nome Antônio Carlos, e que isso era do conhecimento daqueles que por ali circulavam. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 4 Acontece, porém, que não há qualquer elemento de prova nos autos do que afirma o recorrente, mínima que seja, restringindose tão somente ao campo das alegações. A necessidade de comprovação se dá em razão de que, no processo administrativo fiscal, também é aplicável o princípio processual de que ao autor cabe o ônus de demonstrar os fatos constitutivos de seu direito, isto é, à Fazenda Pública cabe demonstrar os fatos que justificam o lançamento fiscal e, ao sujeito passivo, os fatos impeditivos e ou modificativos do direito demonstrado pelo autor (Fazenda Pública). No Direito, alegar e não provar é o mesmo que não em alegar, razão pela qual não se pode acolher as razões de defesa suscitadas. Sem prova alguma do alegado aluguel, sendo o contribuinte o proprietário do imóvel, cabível imputarse a ele a multa regulamentar infligida, vez que tinha em depósito cigarros estrangeiros sem comprovação de sua importação irregular, nos termos do art. 3º do DecretoLei nº. 399, de 30/04/1966. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 51DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000019/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2007, 2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A origem a ser comprovada não se resume à mera identificação do depositante, e deve abranger também a natureza da operação realizada, de tal
forma a permitir, se for o caso, a incidência tributária conforme essa natureza.
Nos casos em que o contribuinte prova que os ingressos decorreram de transferência entre contas de mesma titularidade ou outras situações que afastam a presunção legal, a autuação deve ser reduzida nos valores correspondentes.
SUPRIMENTOS DE SÓCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PROVA.
Correta a autuação por omissão de receitas, quanto o contribuinte não consegue provar sua alegação de que os suprimentos teriam feitos por sócio, a título de mútuo. Não se encontra nos autos prova de que o sócio tenha sido, efetivamente, o autor dos suprimentos em questão.
Numero da decisão: 1301-000.821
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as
preliminares suscitadas para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A origem a ser comprovada não se resume à mera identificação do depositante, e deve abranger também a natureza da operação realizada, de tal forma a permitir, se for o caso, a incidência tributária conforme essa natureza. Nos casos em que o contribuinte prova que os ingressos decorreram de transferência entre contas de mesma titularidade ou outras situações que afastam a presunção legal, a autuação deve ser reduzida nos valores correspondentes. SUPRIMENTOS DE SÓCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PROVA. Correta a autuação por omissão de receitas, quanto o contribuinte não consegue provar sua alegação de que os suprimentos teriam feitos por sócio, a título de mútuo. Não se encontra nos autos prova de que o sócio tenha sido, efetivamente, o autor dos suprimentos em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.698 2 (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório BADRESSA CONSTRUÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0631.541, de 05/05/2011, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado pelo ilustre relator do processo, por ocasião do julgamento em primeira instância, descreve de forma minuciosa o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo: O AUTO DE INFRAÇÃO Cuida o presente processo de auto de infração de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), dos anoscalendário de 2006 e 2007, lavrados em face de presunção de Omissão de Receitas caracterizada por valores creditados/depositados em contas correntes bancárias sem a comprovação da origem dos recursos, bem como de presunção de Omissão de Receitas pela falta de comprovação da origem e da efetiva entrega de numerário registrado como empréstimo de sócio. A ciência do lançamento se deu por via pessoal, em 25/01/2011 (fls. 1477). A composição do Crédito Tributário levantado, consoante se depreende de fls. 01 é: [...] 3. O Relatório do Procedimento Fiscal, de fls 14541466, e outros documentos constantes dos autos, nos dão conta de que: 3.1. A atividade do contribuinte BADRESSA CONSTRUÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA, doravante chamada apenas de BADRESSA, é de Construção Civil; Incorporação de Imóveis; Locação de Imóveis; e Participação em outras sociedades, como quotista ou acionista. 3.2. Nos anoscalendário de 2006 e 2007, o sujeito passivo entregou DIPJ onde foi informado como forma de tributação Lucro Presumido (fls. 0513 e 1425). Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.699 3 3.3 As receitas brutas declaradas na apuração dos tributos foram significativamente inferiores à soma dos valores creditados/depositados nas contas correntes bancárias, conforme abaixo: Anocalendário Receita Bruta Declarada Soma dos Depósitos 2006 1.249.889,55 4.490.528,01 2007 905.296,27 6.423.236,58 3.4. A empresa foi intimada a apresentar, dentre outros documentos, os extratos bancários das suas contas, no período de janeiro/2006 a dezembro/2007. O contribuinte efetuou entrega parcial dos extratos da conta nº 8.0034083 do Banco ABN Real S/A. Reintimada para entrega dos períodos faltantes, a interessada teria alegado que os extratos do referido banco já haviam sido entregues, juntamente com aqueles relativos ao Banco BRADESCO, agência 3044, conta nº 54267. Diante da entrega apenas parcial, a Fiscalização solicitou expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF (fls. 223225). Fruto da referida requisição, o Banco ABN AMRO Real S/A, encaminhou também extratos da conta nº 600185400, agência 1293, que se constatou estar à margem da escrituração da BADRESSA. 3.5. Dessarte, a Fiscalização debruçouse sobre três (3) contas bancárias: 3.5.1. Banco ABN AMRO REAL S/A: 3.5.1.1. Agência 1293, conta nº 8003408 3.5.1.2. Agência 1293, conta nº 6001854 (não escriturada na contabilidade) 3.5.2. Banco BRADESCO S/A 3.5.2.1 Agência 3044, conta nº 54267 3.6. A análise dos extratos bancários conduziu o Fisco a selecionar determinados valores creditados/depositados nas referidas contas, que foram objeto de Intimação Fiscal (fls. 359/382) no sentido do contribuinte comprovar a origem dos recursos de tais ingressos, mediante documentação hábil e idônea. 3.7. Em atenção à requisição fiscal, o interessado apresentou respostas em várias ocasiões, conforme fls. 386387, 573579, 625627, 941 e 946, a quais estão sintetizadas em fls. 14591461, no Termo de Verificação Fiscal, fazendo recorrência aos anexos montados pela intimada no intuito de responder ao questionamento fiscal. Em fls. 1461 a Fiscalização esclarece quais as justificativas que foram aceitas, e, para melhor visualização dessa situação, concatenamos abaixo a narrativa fiscal referente às respostas do contribuinte e quais delas foram aceitas, a saber: DEPÓSITOS/CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM a) Anexo 1 (folhas 388/399 e 402/418), apresentou um demonstrativo das devoluções dos cheques depositados de parcela dos depósitos em contas correntes bancárias relacionados no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 28/junho/2010, (folhas 359/382), para comprovação de origem dos mesmos; Dos documentos/justificativas apresentados consideramos as justificativas/comprovações conforme a seguir: Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.700 4 Do anexo 1 item "a" > consideramos integralmente os valores da relação dos estornos/devolução dos créditos/depósitos; b) Anexo 2 (folhas 419/421), das parcelas dos depósitos/créditos em contas correntes bancárias relacionados no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 28/junho/2010 (folhas 359/382), apresentou uma relação das transferências/créditos que tiveram origem através de empréstimos da fiscalizada junto ao Banco ABN AMRO Real S/A; Dos documentos/justificativas apresentados consideramos as justificativas/comprovações conforme a seguir: Do anexo 2 item "b" > à exceção dos 10 (dez) créditos no valor de RS 47,73 cada, do dia 19/10/2006 sob o histórico "capital.resg. 003387480001"(g.n.), consideramos os valores da relação dos créditos decorrentes das transferências/créditos que tiveram origem através de empréstimos da fiscalizada junto ao Banco ABN AMRO Real S/A (extratos dos empréstimos e alguns destes acompanhados dos respectivos contratos, cópias eis fls. folhas 689/799 e 802/938); c) Anexo 3 (folhas 422/529), das parcelas dos depósitos/créditos em contas correntes bancárias relacionados no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 28/junho/2010 (folhas 359/382): • Apresentou apenas a relação das transferências/créditos efetuados por empresas de factoring (folhas 424), para justificar parcela dos valores a comprovar; • Apresentou apenas a relação das transferências/créditos efetuados pela empresa de cobrança IGT Serviços de Cobrança (folhas 427), para justificar parcela dos valores a comprovar; • Apresentou vários contratos de mútuo (folhas 430/529), nos quais a credora Credilon SCM da Região de Londrina Lida, C.N.P.J. nº 04.223.451/000149, empresta a vários mutuários, dentre eles também para a empresa fiscalizada. Em todos os contratos, os mutuários autorizam o crédito do valor liquido dos empréstimos na conta corrente mantida pela BADRESSA Construções e Participações Ltda. junto ao Banco ABN AMRO Real S/A. Atendendo a solicitação constante no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 27/setembro/2010 (folhas 1274/1277), a empresa Credilon SCM da Região de Londrina Lida. apresentou os documentos constantes às folhas 1278/1430. Dos documentos/justificativas apresentados consideramos as justificativas/comprovações conforme a seguir: Do anexo 3 item "c" > consideramos somente os valores da relação dos créditos/depósitos que tiveram origem através de TED ou DOC da empresa CredilonSCM da Região de Londrina Ltda, exceto ao crédito no dia 19/01/2007 com descrição "TED 05080765000283" no valor de RS 9.900,00 (g.n.) por falta de comprovação e o respectivo registro contábil; d) Anexo 4 (folhas 530 565), das parcelas dos depósitos/créditos em contas correntes bancárias relacionados no Termo de Intimação Fiscal lavrado em Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.701 5 28/junho/2010 (folhas 359/382), apresentou a relação de depósitos/transferências dos clientes da empresa JZK Construções Ltda, C.N.P.J. nº 00.108.278/000187, (fis. 531) acompanhados dos respectivos contratos particulares de compra e venda (folhas 532/565). Atendendo a solicitação constante no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 27/setembro/2010 (folhas 1255/1258), a empresa JZK Construções Ltda. apresentou os documentos constantes às folhas 1259/1271. No entanto, estas operações não foram objeto de registro contábil e em diligência fiscal junto a JZK Construções Ltda. também não há registro destas entradas de recursos da fiscalizada junto a empresa diligenciada, conforme razão contábil às folhas 1260/1265 e balancetes de verificação do anocalendário de 2006 e 2007 às folhas 1266/1268 e 1269/1271 respectivamente; e) Anexo 5 (folhas 566/567), das parcelas dos depósitos/créditos em contas correntes bancárias relacionados no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 28/junho/2010 (folhas 359/382), apresentou uma relação de depósitos/transferências que tiveram origem através das outras contas bancárias mantidas pela fiscalizada; Dos documentos/justificativas apresentados consideramos as justificativas/comprovações conforme a seguir: Do anexo 5 item "e" > consideramos parcialmente os valores da relação dos créditos decorrentes de transferências de outras contas correntes bancárias mantidas pela fiscalizada junto a instituições financeiras; f) Anexo 6 (folhas 568/570), das parcelas dos depósitos/créditos em contas correntes bancárias relacionados no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 28/junho/2010 (folhas 359/382), apresentou uma relação de depósitos/transferências que a empresa fiscalizada solicita os comprovantes junto ao Banco ABN AMRO Real S/A; g) Relativo aos valores creditados/depositados na conta corrente nº 80034083 da agência 1293 do Banco ABN AMRO Real S/A, nas justificativas/informações complementares contidas no expediente de 06/setembro/2010 (folhas 573/579): • Relaciona os créditos que se referem a serviços prestados pela fiscalizada a empresa Incortel Sul Incorporação Ltda. apresentando as cópias dos respectivos documentos fiscais (folhas 580 e 582/586); • Relaciona créditos/depósitos que tiveram origem em decorrência de contratos de mútuo; • Apresenta cópias de três contratos de empréstimos/financiamentos, fls. 590/618; Dos documentos/justificativas apresentados consideramos as justificativas/comprovações conforme a seguir: Quanto aos créditos/depósitos decorrentes de serviços prestados às empresas Incortel Sul Incorporações Ltda. e Solaris Incorporadora de Imóveis Lida foram integralmente considerados, (documentos acostados cts fls. 580/586). Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.702 6 h) Através do expediente de 21/setembro/2010 (folhas 625/627), complementa com justificativas/informações relativa aos valores creditados/depositados na conta corrente nº 80034083 da agência 1293 do Banco ABN AMRO Real S/A: • Apresenta extratos de empréstimos efetuados junto ao Banco ABN AMRO Real S/A e alguns destes acompanhados dos respectivos contratos (folhas 689/799 e 802/938); • Apresenta a parcela dos documentos de transferência de recursos encaminhados pela CREDILON Soc Cred Microemp Reg Londrina para contas correntes bancárias mantidas pela fiscalizada junto aos Bancos Bradesco S/A e ABN AMRO Real S/A, e alguns destes acompanhados dos respectivos contratos (folhas 642/688); • Apresenta a parcela dos documentos de transferência de recursos originados de várias empresas de factoring para conta corrente bancária no Banco ABN AMRO Real S/A da fiscalizada (folhas 632/641). i) Através do expediente de 13/outubro/2010 (folhas 941), complementa com justificativas/informações relativa aos valores creditados/depositados nas contas correntes n°s. 80034083 e 600185400 Banco ABN AMRO Real S/A e na conta n° 5.4267, agência 3044 Banco Bradesco S/A: • Apresenta cópia do TED de 25/abril/2007 no valor de RS 19.924,00, encaminhado pela IGT Serviços Financeiros para crédito na conta corrente bancária mantida junto ao Banco ABN AMRO Real S/A (folhas 942), no entanto, a escrituração contábil desta operação foi registrada como passivo da empresa junto ao sócio Jorge Zaki Khouri; • Apresenta cópia do TED de 22/maio/2007 no valor de RS 15.000,00, encaminhado pela Link Investimentos para crédito na conta corrente bancária mantida junto ao Banco ABN AMRO Real S/A (folhas 943); • Apresenta cópia do TED de 30/outubro/2007 no valor de RS 15.000,00, encaminhado pela IGT Serviços Financeiros para crédito na conta corrente bancária mantida junto ao Banco Bradesco S/A (folhas 944), no entanto, a escrituração contábil desta operação foi registrada como passivo da empresa junto ao sócio Jorge Zaki Khouri; e • Apresenta cópia do TED de 27/dezembro/2007 no valor de RS 29.886,00, encaminhado pela IGT Serviços Financeiros para crédito na conta corrente bancária mantida junto ao Banco Bradesco S/A (folhas 945), no entanto, a escrituração contábil desta operação foi registrada como passivo da empresa junto ao sócio Jorge Zaki Khouri. j) Através do expediente de 29/outubro/2010 (folhas 946), complementa com justificativas/informações relativa aos valores creditados/depositados na conta corrente nº 5.4267 da agência 3044 do Banco Bradesco S/A: • Apresenta documento de crédito denominado “Pag For Bradesco Pagamento Escritural a Fornecedores" de 01/novembro/2007 no valor de RS 13.930,00, encaminhado pela Umuarama S/A CTVM para crédito na conta corrente bancária mantida junto ao Banco Bradesco S/A (folhas 947), no entanto, a escrituração contábil desta operação foi Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.703 7 registrada como passivo da empresa junto ao sócio Jorge Zaki Khouri; e • Apresenta documento de crédito denominado “Pag For Bradesco Pagamento Escritural a Fornecedores" de 28/dezembro/2007 no valor de R$ 2.363,98, encaminhado pela Umuarama S/A – CTVM para crédito na conta corrente bancária mantida junto ao Banco Bradesco S/A (folhas 948). Dos documentos/justificativas apresentados consideramos as justificativas/comprovações conforme a seguir: Das comprovações apresentadas anexas ao expediente de 29/outubro/2010 (folhas 946), consideramos o documento de crédito denominado "PagFor Bradesco Pagamento Escritural a Fornecedores" de 28/dezembro/2007 no valor de RS 2.363,98, encaminhado pela Umuarama S/A CTVM para crédito na conta corrente bancária mantida junto ao Banco Bradesco S/A (folhas 948); k) Através do expediente de 29/novembro/2010 (folhas 953), complementa com justificativas/informações relativa aos valores creditados/depositados na conta corrente nº 600185400 da agência 1293 do Banco ABN AMRO Real S/A: • Apresenta contrato particular de mutuo de 12/novembro/2007, na qual consta o Sr. Alfredo Khouri Júnior como mutuante, para justificar o crédito na conta acima no valor de RS 39.000.00 na mesma data da assinatura deste contrato, no entanto, não há registro contábil desta operação. 3.8. Assim, os valores/fatos que não foram expressamente citados como aceitos pela fiscalização, bem como aqueles excepcionados expressamente como não aceitos, foram tomados como depósitos/créditos sem a comprovação da origem dos recursos, formando a base de cálculo para tributação de IRPJ e reflexos, por presunção de Omissão de Receitas. Os valores referentes às contas bancárias, que estão escrituradas na contabilidade do contribuinte, foram arrolados na “relação dos depósitos/créditos em contas correntes bancárias sem comprovação de origem” (fls. 14311434); e, os valores apurados na conta bancária, não contabilizada pelo contribuinte, compuseram a “relação dos depósitos/créditos sem comprovação de origem efetuados em conta corrente bancária mantida à margem da escrituração” (fls. 14351449). SUPRIMENTOS DE CAIXA 3.9. A Fiscalização também apurou que foram contabilizados vários suprimentos de caixa, resumidos em fls. 1464, realizados pelo sócio JORGE ZAKI KHOURI, doravante denominado simplesmente JORGE, sem comprovação da origem e da efetiva entrega dos recursos, uma vez que regular e reiteradamente intimado (fls. 359382 e 949950), não logrou comprovar a origem e a efetividade da entrega dos numerários. Tais valores foram lançados à Débito da conta “1000001 – Caixa” e Crédito na conta “2120001 – Conta Corrente/Jorge Zaki Khouri”, conforme cópia dos Livros Razão de fls. 10641073, 11051107, 11391146 e 1201 1207; e Livros Diários de fls. 967987 e 10081038. MULTA QUALIFICADA Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.704 8 3.10. O Fisco qualificou a multa de ofício, passandoa de 75% para 150%, aplicandoa TÃOSOMENTE sobre os valores constantes da “relação dos depósitos/créditos sem comprovação de origem efetuados em conta corrente bancária mantida à margem da escrituração” (fls. 14351449), justificando que “a contribuinte fiscalizada manteve nos anoscalendário de 2006 e 2007, conta bancária à margem da contabilidade, na qual foram movimentados elevados valores, sem comprovação da origem, impedindo ou retardando, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador dos tributos (g.n.) devidos administrados pela RFB.” (fls. 1465, in fine). A IMPUGNAÇÃO JUSTIFICATIVAS QUANTO A ORIGEM DOS RECURSOS 4. Em 23/02/2011, o sujeito passivo ingressou com a impugnação de fls.15411571, instruída com os documentos de fls. 15721586, onde: 4.1. Referente à alínea “b”, subitem 3.7 deste relatório: 4.1.1 Alega que os dez (10) créditos no valor de R$ 47,73 (fls. 370), conforme tabela abaixo, referemse a estornos de contrato com o Banco ABN AMRO Real S/A, cujos valores teriam sido indevida e anteriormente retirados de sua contacorrente, e agora retornados a ela. Traz como fundamento de sua alegação o histórico de cada um dos dez (10) lançamentos, que é “CAPITAL RESG. 003387480001”, “uma vez que este termo no histórico quer dizer estorno.” (fls. 1545) DATA HISTÓRICO VALOR 19/10/2006 CAPITAI RESG 003387480001 47,73 19/10/2006 CAPITAI RESG 003387480002 47,73 19/10/2006 CAPITAI RESG 003387480003 47,73 19/10/2006 CAPITAI RESG 003387480004 47,73 19/10/2006 CAPITAI RESG 003387480005 47,73 19/10/2006 CAPITAI RESG 003387480006 47,73 19/10/2006 CAPITAI RESG 003387480007 47,73 19/10/2006 CAPITAI RESG 003387480008 47,73 19/10/2006 CAPITAI RESG 003387480009 47,73 19/10/2006 CAPITAI RESG 003387480010 47,73 4.2. Referente à alínea “c”, subitem 3.7 deste relatório, argúi que: 4.2.1 A restrição feita pela Fiscalização quanto a não considerar o crédito no dia 19/01/2007, com descrição “TED 05080765000283”, no valor de R$ 9.900,00, originado da empresa Credilon SCM da Região de Londrina Ltda, está incorreta, pois “o que a fiscal não considerou foi o contrato dcom (sic) a empresa Credilon do dia 17/10/2006, do qual decorreu o depósito de R$ 10.000,00.” E afirma “que o depósito tem sua origem comprovada, o que impede a sua tributação, como se verifica no auto de infração.” (fls. 1545) 4.2.2 Prolata que “No que tange aos demais créditos que entraram na empresa a título de contrato de mútuo, a Requerente apresentou na fiscalização a relação das empresas de factoring com as quais celebrou contrato de mútuo. Ainda, com o objetivo de deixar o objeto social dessas empresas, anexou os respectivos cartões de CNPJ (fl 424 e segs.).” Após reproduzir a relação das referidas empresas (fls. 1546), afirma que “...os empréstimos realizados com as empresas citadas Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.705 9 seriam comprovados mediante a juntada dos respectivos comprovantes de TEDs, que foram anexados às fls. 632/641 e 942/945.” Depois, arremata que “Os comprovantes de TEDs anexados ao processo comprovam a origem dos depósitos bancários com eles relacionados, ou seja, comprovam que os valores vieram das empresas de factorings informadas e referese a valores transferidos a título de mútuo.” Na seqüência, reconhece que não possui os respectivos contratos de empréstimos, como possuía com a empresa Credillon e Banco Real, mas que pela atividade das empresas referidas há de se considerar um forte indício de que sua afirmação é verdadeira. 4.2.3 Argumenta que referente “os TED’s encaminhados pela empresa V. CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA, com o nome fantasia de I.G.T. Serviços Financeiros, nos dias 25/04/2007, 30/10/2007, 27/12/2007, respectivamente no valor de R$ 19.924,00, R$ 15.000,00, R$ 29.886,00, a fiscal desconsiderou os documentos apresentados sob o fundamento de que esses empréstimos foram registrados na contabilidade como passivo junto ao sócio Jorge Khouri. (...) o fato de os referidos depósitos terem sido registrado na contabilidade da empresa como passivo junto ao seu sócio, em nada altera a natureza jurídica do depósito, pois, por uma questão interna da empresa, tomouse a decisão de que, internamente, seria feita uma cessão de débito, ficando o sócio Jorge Khouri responsável pelo pagamento do empréstimo e a empresa Requerente responsável pelo pagamento ao sócio. Além do que, esse registro não altera a origem do depósito, ou seja, o fato de ele ter vindo da empresa IGT a título de contrato de empréstimo.” 4.2.4 Na mesma linha, afirma que todos os outros valores provindos das outras empresas, constantes da relação abaixo, originada de fls. 1546 (Athenas e Coluna), também são decorrentes de contratos de mútuos, cuja origem do numerário é comprovado pelos TED de fls. 635641. DATA DESCRIÇÃO VALOR 07/02/2006 TED DE COLUNA S/A FOMENTO MERCANTIL 67.290,44 21/02/2006 TED DE COLUNA S/A FOMENTO MERCANTIL 65.385,00 20/03/2006 TED DE COLUNA S/A FOMENTO MERCANTIL 35.850,00 06/04/2006 TED DE ATHENAS S.A. FOMENTO MERCANTIL 50.000,00 20/04/2006 TED DE ATHENAS S.A. FOMENTO MERCANTIL 50.000,00 09/05/2006 TED DE ATHENAS S.A. FOMENTO MERCANTIL 50.000,00 13/10/2006 TED DE COLUNA S/A FOMENTO MERCANTIL 46.500,00 10/11/2006 TED DE COLUNA S/A FOMENTO MERCANTIL 50.000,00 03/04/2006 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 5.933,00 18/10/2006 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 14.943.00 18/10/2006 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 30.000,00 06/11/2006 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 7.212,00 09/11/2006 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 20.677,00 28/11/2006 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 29.886,00 10/04/2007 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 29.933,00 29/06/2007 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 8.584,00 04/07/2007 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 8.584,00 04/07/2007 DEPOSITO IGT 8.279,00 06/07/2007 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 8.584.00 28/08/2007 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 19.924,00 03/09/2007 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 19.924,00 17/09/2007 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 44.091,00 05/10/2007 TED V CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA. 31.947,00 30/10/2007 TED IGT 14.886,00 Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.706 10 DATA DESCRIÇÃO VALOR 22/11/2007 TED IGT 24.880,00 28/11/2007 DEPOSITO IGT 23.828,00 4.3 Referente à alínea “d”, subitem 3.7 deste relatório: 4.3.1 Assevera que os valores depositados na Agência 1293, em sua conta corrente nº 6001854 (não escriturada na contabilidade), resumidos em fls. 531, dizem respeito a recebimentos de clientes da empresa JZK CONSTRUÇÕES LTDA, de propriedade do mesmo sócio da BADRESSA, já que aquela teria encerrado sua conta bancária e direcionou os poucos recebimentos que tinha para a conta da impugnante. Para provar a assertiva juntou, às fls. 15811586, cópia de folhas do Livro Razão da empresa JZK CONSTRUÇÕES LTDA, e registra ter a Fiscalização alegado que essas operações não foram objeto de registro contábil junto à empresa JZK, em que pese terlhe sido anteriormente entregue os Livros Diário e Razão referentes aos anos de 2006 e 2007. Portanto, tais valores, conforme tabela abaixo, devem ser considerados comprovados e o auto de infração anulado. VALORES CREDITADOS JZK CONSTRUÇÕES LTDA. DATA DESCRIÇÃO VALOR 16/03/2006 DEPOSITO NORMA JZK 408,00 23/03/2006 DEPOSITO NORMA JZK 415,00 05/04/2006 DEPOSITO NORMA JZK 415,00 03/05/2006 DEPOSITO NORMA JZK 415,00 05/05/2006 DEPOSITO NORMA JZK 408,00 05/06/2006 DEPOSITO NORMA JZK 415,00 12/07/2006 DEPOSITO NORMA JZK 423,00 07/08/2006 DEPOSITO NORMA JZK 423,00 12/09/2006 DEPOSITO NORMA JZK 423,00 18/10/2006 DEPOSITO NORMA JZK 425,00 08/11/2006 DEPOSITO NORMA JZK 423,00 11/12/2006 DEPOSITO NORMA JZK 423,00 09/01/2007 DEPOSITO NORMA JZK 423,00 12/02/2007 DEPOSITO NORMA JZK 423,00 12/02/2007 TED NELSON DAVID GIAMPIETRO JZK 9.000,00 13/03/2007 DEPOSITO NORMA JZK 423,00 17/04/2007 DEPOSITO NORMA JZK 425,00 18/05/2007 DEPOSITO NORMA JZK 423,00 18/06/2007 DEPOSITO NORMA JZK 425,00 16/08/2007 DEPOSITO NORMA JZK 425,00 11/09/2007 DEPOSITO NORMA JZK 445,00 08/10/2007 DEPOSITO NORMA JZK 445,00 30/10/2007 DEPOSITO NORMA JZK 445,00 06/12/2007 DEPOSITO NORMA JZK 445,00 18.763,00 4.4 Referente à alínea “e”, subitem 3.7 deste relatório: 4.4.1 Aduz que demonstrou às fls. 567 que esses valores, conforme abaixo, vieram por transferência, de outras contas da empresa fiscalizada. Registra que apenas parte dos créditos foi considerada com origem comprovada, e outra parte não, pelo que reclama da falta de indicação do motivo da não aceitação dessa outra parte. Informa que pediu ao banco cópia dos cheques depositados, para comprovação de que os depósitos decorrem de transferência de contas. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.707 11 TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTA CORRENTE DATA DESCRIÇÃO VALOR 13/03/2007 TRANSFERÊNCIA DE 80034083 (BADRESSA) 161.000,00 14/03/2007 TRANSFERÊNCIA DE 80034083 (BADRESSA) 150.000,00 15/03/2007 TRANSFERÊNCIA DE 80034083 (BADRESSA) 70.000,00 22/03/2007 TRANSFERÊNCIA DE 80034083 (BADRESSA) 60.000,00 09/05/2007 DEPOSITO BADRESSA 80034083 11.000,00 15/10/2007 DEPOSITO BADRESSA 80034083 30.000,00 23/10/2007 DEPOSITO BADRESSA 80034083 17.173,83 06/11/2007 DEPOSITO BRADESCO BADRESSA 2.118,50 4.5 Referente à alínea “f”, subitem 3.7 deste relatório: 4.5.1 Que diz respeito aos valores constantes da relação de fls. 569570, o impugnante nada objetou de específico, mantendose o feito no estágio dessas folhas citadas, onde o contribuinte apenas encaminhou correspondência ao Banco Real S/A, solicitando cópia de documentos. 4.6 Referente à alínea “g”, subitem 3.7 deste relatório, em face da Fiscalização ter aceitado a comprovação “in totum” dos valores, não houve manifestação do interessado. 4.7 Referente à alínea “h”, subitem 3.7 deste relatório, os argumentos cingiramse àqueles constantes do subitem 4.2, já que apenas o crédito lá referido não foi aceito pela Fiscalização. 4.8 Referente à alínea “i”, subitem 3.7 deste relatório, a abordagem consta do subitem 4.2.3 acima. 4.9 Às fls. 1550, sob o subtítulo de “f) Explicações relativas à conta Bradesco – créditos Umuarama”, o contribuinte faz referência a créditos que teriam vindo da empresa Umuarama Corretora de Valores, o que nos leva, inicialmente, a alertar que a situação onde está envolvida essa empresa consta da alínea “j” do sub item 3.7 deste relatório (que, por sua vez, reproduz o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal fls.14591461), e não na alínea “f”. 4.9.1 Portanto, tomando a alínea “j” do subitem 3.7 deste relatório: 4.9.1.1 O sujeito passivo alude que os valores creditados em sua conta 5.4267, AG. 3044, do Bradesco SA, com o histórico de RECEB PGFOR UMUARAMA S/A CVTM, nos dias 01/11/2007 e 28/12/2007, referemse a resgate de conta de aplicação em bolsa de sua titularidade, conforme extrato que junta às fls. 1577. Dessa forma, entendendo que os créditos possuem comprovação de origem, conclui que eles não podem ser levados à tributação. DATA HISTÓRICO VALOR 01/11/2007 RECEB PGFORM UMUARAMA S/A CTVM 13.930,00 28/12/2007 RECEB PGFORM UMUARAMA S/A CTVM 2.363,98 4.10 Referente à alínea “k”, subitem 3.7 deste relatório: 4.10.1 Que diz respeito a ingresso de R$ 39.000,00 na conta 6001854, ag. 1293, Banco Real S/A, da impugnante, conforme tabela abaixo, justificado com um contrato de mútuo com ALFREDO KHOURI (fls. 954), o qual não foi aceito pela Fiscalização porque não há registro contábil da operação, o interessado argumenta que o art. 42 da Lei 9.430/96 permite tributação sobre depósitos sem origem comprovada, que não é o caso aqui, pois entende que há comprovação; e, havendo Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.708 12 comprovação, qualquer alegação relacionada à regularidade ou não da operação, respectivo registro e outras coisas mais, se for o caso, deve ser objeto de outro tipo de autuação, mas não de exigência de tributo com base na presunção de omissão de receita. Considerado comprovada origem dos recursos, entende que o valor de R$ 39.000,00 não pode ser levado à tributação. DATA HISTÓRICO VALOR 12/11/2007 TRANSF DE 022179119000010 39.000,00 4.11 Referente a “TED com identificação de CNPJ”, muito embora lance alegação genérica, sem relação exata dos ingressos abrangidos, o contribuinte estatui que, na relação de valores tributados, existem vários depósitos decorrentes de Transferência Eletrônica Disponível, com expressa identificação do CNPJ da pessoa responsável pelo envio do numerário. Em sendo assim, conclui que no próprio extrato bancário há a identificação da procedência dos valores, sendo ele próprio prova da origem dos recursos, razão pela qual devem ser excluídos da tributação. 4.12 Referente a “Suprimentos de Caixa” oriundos do sócio JORGE, conforme relação abaixo, argumenta que as entregas de numerário estão devidamente contabilizadas, por isso a Fiscalização não poderia ter desqualificado o registro contábil por presumir que se trata de suprimento de caixa, sem produzir prova nesse sentido. Complementa afirmando que “por força do art. 142 do CTN, a Autoridade Administrativa deve provar a ocorrência do fato imputado ao contribuinte, sob pena de nulidade do lançamento”. Conclui que o Crédito Tributário é nulo por não existir prova de que se trata de suprimento de caixa. data da contabilização Contrapartida Descrição Vrs contabilizados 02/01/2006 1000001 Caixa Emprest. C/C JK 15.000,00 20/01/2006 1000001 Caixa Emprest. Jorge Khouri 2.500,00 30/01/2006 1000001 Caixa Emprest. Jorge Khouri 2.000,00 SOMA DO SUPRIMENTO DE CAIXA DE JAN/2006 ===> 19.500,00 28/02/2006 1000001 Caixa Emprest. Jorge Khouri 9.000,00 SOMA DO SUPRIMENTO DE CAIXA DE FEV/2006 => 9.000,00 30/03/2006 1000001 Caixa Emprest. Jorge Khouri 5.000.00 SOMA DO SUPRIMENTO DE CAIXA DE MAR/2006 ===> 5.000,00 30/04/2006 i 1000001 Caixa Emprest. Jorge Khouri 8.000,00 SOMA DO SUPRIMENTO DE CAIXA DE A BR/2006 ==> 8.000,00 02/05/2006 1000001 Caixa Emprest. Jorge Khouri 39.500,00 30/05/2006 1000001 Caixa Emprest. Jorge Khouri 3.000,00 SOMA DO SUPRIMENTO DE CAIXA DE MAI/2006 => 42.500,00 02/06/2006 1000001 Caixa Emprest. Jorge Khouri 39.500,00 SOMA DO SUPRIMENTO DE CAIXA DE JUN/2006 => 39.500,00 30/07/2006 1000001 Caixa Empr. Jorge Khouri 4.000.00 SOMA DO SUPRIMENTO DE CAIXA DE JUL/2006 ===> 4.000,00 30/08/2006 1000001 Caixa Empr, Jorge Khouri 30.000,00 SOMA DO SUPRIMENTO DE CAIXA DE AGO/2006 ===> 30.000,00 15/09/2006 1000001 Caixa Empr. Jorge Khouri 1.822,61 30/09/2006 1000001 Caixa Empr. Jorge Khouri 6.000,00 30/09<'2006 1000001 Caixa Empr. Jorge Khouri 28.000,00 SOMA DO SUPRIMENTO DE CAIXA DE SET/2006 ===> 35.822,61 20/10/2006 1000001 Caixa Empr. Jorge Khouri 2.000,00 30/10/2006 1000001 Caixa Empr. Jorge Khouri 15.000,00 SOMA DO SUPRIMENTO DE CAIXA DE OUT/2006 ===> 17.000,00 14/11/2006 1000001 Caixa Brad. Deb.Div.Desp 2.865.26 19/1 1/2006 1000001 Caixa Emp. P/JK PG. Div. Desp. 7.644,85 30/1 1/2006 1000001 Caixa Empr. Jorge Khouri 12.000,00 SOMA DO SUPRIMENTO DE CAIXA DE NOV/2006 ===> 22.510,11 Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.709 13 data da contabilização Contrapartida Descrição Vrs contabilizados 06/12/2007 1000001 Caixa Empr.JK p/Pg.Sal 11/07 782,00 06/12/2007 1000001 Caixa Empr.JK p/ Pg.Sal 11/07 1.603,00 20/12/2007 1000001 Caixa Empr.JK p/pg.ad.sal 12/07 1.655,00 21/12/2007 1000001 Caixa Empr.JK p/pg.ad.sal 12/07 1.012.00 SOMA DO SUPRIMENTO DE CAIXA DE DEZ/2007 => 5.052,00 RAZÕES GENÉRICAS CONTRA O LANÇAMENTO 4.13 Além das específicas contestações acima discorridas, que se dirigem a justificar valores e situações certas, apontadas no Auto de Infração, o impugnante ainda despende alguns argumentos genéricos contra a autuação, a saber: 4.13.1 Decalcando os termos do artigo 42 da Lei 9.430/96 e arrolando alguns acórdãos administrativos, prolata que a lei autoriza a presunção de omissão de receitas quando não há comprovação da origem dos recursos, razão pela qual, “havendo a comprovação exigida pela lei, não se pode aplicar a referida regra por ausência de suporte factual de incidência normativa.” Como entende que ofertou a comprovação exigida pela lei, propugna pela anulação do lançamento. E, na seqüência, ampliando seu entendimento sobre a apresentação de provas, afirma que “...,qualquer prova produzida pelo contribuinte que comprove a origem da renda tem que ser levada em consideração pela Administração para o fim de afastar a aplicação da presunção.” 4.13.2 Alega o contribuinte que a Fiscalização desconsiderou provas de forma desproporcional e irrazoável ante ao contexto dos fatos apresentados, já que inclusive aceitou muitas delas e para as que não aceitou não ofertou motivação que justificasse a refutação, e tributou apenas com base na presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96. Argúi que o artigo 50 da Lei 9.784/99 exige a motivação dos atos administrativos, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, contudo entende que não houve motivação para lavratura do Auto de Infração, já que a Fiscalização não ofertou a razão “pela qual o depósito bancário não foi considerado como tendo origem comprovada em que pese a documentação entregue a fiscalização.” Continua, dizendo que “No (sic) há no auto de infração o motivo pelo qual (i) os dez créditos no valor de R$ 47,73 não foram considerados como tendo a origem comprovada; (ii) parte dos valores identificados como transferências entre contas não foi considerado como tendo origem comprovada; (iii) o crédito da Empresa Umuarama – fls 947 – não foi considerado como tendo origem comprovada; (iv) os créditos decorrentes das empresas de factoring não foram considerados como tendo origem comprovada.; (v) os TED’s que contam com identificação de CNPJ não foram considerados como tendo origem comprovada.” Portanto, a ausência da motivação, que entende ser o caso no feito fiscal, leva o lançamento à nulidade. 4.13.3 Manifestase, também, no sentido de que os depósitos que comprovou não constituem renda, pois não acrescem o seu patrimônio, razão pela qual não podem ser submetidos à tributação, pois não ocorreu fato gerador do Imposto de Renda. MULTA QUALIFICADA 4.14 Menciona que a aplicação da multa qualificada requisita a presença da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, definidos na Lei 4.502/64, nos artigos 71, 72 e 73, e deve ser precedida da indicação de qual conduta tipificou o previsto na Lei para a aplicação da referida multa. Assevera que tal conduta, ainda, deve estar caracterizada pelo dolo; mas, entende que a Fiscalização não comprovou sua Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.710 14 presença e nem tampouco motivou a qualificação, no sentido de indicar a conduta típica praticada pelo interessado, que levaria à qualificação da multa. 4.15 Em esforço de retórica, propugna que “...se a intenção do contribuinte fosse realmente ocultar da Administração Tributária a ocorrência de fato gerador, ele, certamente, não teria feito que valores tão volumosos efetivamente transitassem entre suas contas bancárias, quando já é sabido, por todos, que a Receita Federal tem quebrado sigilos bancários de contribuintes com alta movimentação bancária. Em outros termos, a pessoa que efetivamente tem intenção de sonegar, sabe muito bem que movimentar dinheiro não declarado em contas bancárias é um verdadeiro ‘tiro no pé’, que escancara a sonegação. Com isso fica evidente que no caso não houve intuito de sonegação.” 4.16 Ao final deste assunto, invoca o artigo 112, II, do CTN, requisitando o benefício da dúvida quanto à ocorrência da infração, para que se permita interpretação que lhe seja mais favorável. PEDIDO 4.17 Derradeiramente requer que seja julgada procedente a sua impugnação, determinandose a anulação do lançamento tributário. 4.18 Requerem, ainda, a juntada de documentos que se fizerem necessários para o esclarecimento dos autos. A 1ª Turma da DRJ em Curitiba/PR analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0631.541, de 05/05/2011 (fls. 1592/1608), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal inserta no art. 42 da Lei 9.430/96, os ingressos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos creditados em suas contas. SUPRIMENTOS DE CAIXA. Caracterizam omissão de receitas, por Suprimento de Caixa, valores oriundos de sócio da pessoa jurídica, quando o contribuinte regularmente intimado a comprovar a disponibilidade e a efetiva entrega dos recursos, não logra fazê lo. IRPJ. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. NÃO CONTABILIZAÇÃO DA CONTACORRENTE. DESCABIMENTO. Conforme a Súmula CARF nº 25, a mera não contabilização, total ou parcial, da contacorrente onde foram efetuados os depósitos bancários que motivaram o lançamento com base na Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.711 15 presunção de omissão de receitas do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é por si só motivo para a qualificação da multa, que apenas pode ser feita se houver também outros elementos que formem um conjunto probatório suficiente para a formação da convicção de que ocorreu a conduta dolosa tal qual prescrita nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. TRIBUTAÇÃO REFLEXA DE PIS COFINS CSLL. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento principal é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Por oportuno, esclareço que o provimento parcial se deveu: (i) à exclusão, da base tributável, de quatro depósitos bancários cuja origem foi tida por comprovada (item 41 do acórdão analisado); e (ii) à redução da multa de ofício, onde aplicada no percentual de 150%, para 75% (item 43 do acórdão analisado). Não houve recurso de ofício. Ciente da decisão de primeira instância em 22/08/2011, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1623, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/09/2011 conforme carimbo de recepção à folha 1624. No recurso interposto (fls. 1624/1654), a interessada busca, inicialmente, delimitar o conteúdo semântico do termo “origem” para fins de tributação da movimentação bancária. Por sua ótica, com base nos princípios constitucionais que analisa, tal vocábulo teria o sentido de “fonte” e não de “causa da operação”, como teria entendido a Turma Julgadora em primeira instância. Prossegue afirmando que, no caso concreto, estaria demonstrada a origem de depósitos em empresas de factoring, mas o acórdão recorrido “não aceitou a comprovação porque o mútuo supostamente não estaria comprovado”. Na sequencia, afirma que, dos valores questionados pelo Fisco, diversos tiveram suas origens comprovadas ainda na fase procedimental, e não foram objeto de lançamento. Tratase, especialmente, de empréstimos obtidos junto ao Banco Real e à empresa de factoring Credillon. No entanto, diversos outros, apesar de comprovados, foram tributados, sem que a interessada saiba o porquê ante a falta de motivação do auto. Entende a recorrente que suas alegações e documentos devem ser considerados no contexto das dificuldades pelas quais passava na ocasião, necessitando de obter créditos oriundos de diversos tipos de empréstimos. Passa, então, a individualizar os depósitos/créditos bancários que entende comprovados, e que pede sejam excluídos da tributação: a) Cheques devolvidos: em 29/10/2007, valor depositado R$ 2.000,00, valor devolvido (parcial) R$ 1.000,00; em 22/10/2007, valor depositado R$ 1.000,00, valor devolvido (integral) R$ 1.000,00. b) Transferências de valores para a conta de investimento: em 16/03/2007, valor transferido R$ 50.000,00. Segundo a interessada, não se trata de recurso novo, mas de saldo já existente na conta bancária. c) Depósitos entre contas da empresa fiscalizada: diversos valores, totalizando R$ 251.200,00, especificados na planilha de fl. 1633. Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.712 16 d) Depósitos decorrentes da empresa Credillon: crédito bancário de R$ 10.000,00, em 17/10/2006. A interessada alega que já havia apresentado o contrato e o respectivo comprovante de depósito, e apresenta novamente referidos documentos. e) Depósitos decorrentes de empresas de factoring e de cobrança (outras empresas): a recorrente alega que os depósitos foram feitos por empresas de factoring devidamente identificadas mediante os TED e respectivos cartões de CNPJ, apesar de não ter em mãos os contratos de factoring. Combate o entendimento do julgador a quo, no sentido de que "o simples fato dos recursos advirem de empresas dedicadas ao ramo de factoring não comprova sua origem, no sentido de elidir a presunção de receita". Retoma os questionamentos acerca da presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n 9.430/1996 e afirma que as provas produzidas pelo contribuinte devem ser analisadas no contexto como um todo, observados especialmente os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. À fl. 1639, a recorrente apresenta novamente quadro em que especifica os depósitos bancários que, por sua ótica, se enquadram nessa situação e devem ser tidos por comprovados. Colaciona doutrina que entende pertinente. Ainda neste item, a interessada se reporta (fl. 1642) aos depósitos nos valores de R$ 19.924,00 (25/04/2007); R$ 15.000,00 (30/10/2007); e R$ 29.886,00 (27/12/2007), feitos por V. CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA, com o nome fantasia de I.G.T. Serviços Financeiros. Sustenta que os documentos apresentados não poderiam ter sido desconsiderados sob o fundamento de que esses empréstimos foram registrados na contabilidade como passivo junto ao sócio Jorge Khouri. Além disso, aduz que o registro contábil dessa forma decorreu de decisão interna da empresa, o que não altera a natureza jurídica do valor como empréstimo obtido junto à IGT. Reclama que tais argumentos não teriam sido expressamente analisados no acórdão combatido. f) Depósitos decorrentes de clientes da empresa JZK: a recorrente contesta a decisão de primeira instância, e afirma que “existem sim elementos que demonstram serem os depósitos originários das cessões de crédito com clientes da JZK”. Aponta a coincidência da data dos depósitos com as datas em que os clientes deveriam fazer o pagamento, e dos valores de cada parcela com os valores dos depósitos, e conclui que “pelo menos, há indício forte dos fatos alegados”. g) Depósito decorrente do contrato de mútuo com Alfredo Khouri Junior: a recorrente entende que o contrato de mútuo apresentado é suficiente para a comprovação da origem do depósito no valor de R$ 39.000,00 em 12/11/2007, afastando a presunção de omissão de receitas. O instrumento de mútuo não poderia ser desconsiderado pela Administração Tributária sem nenhuma outra prova em contrário. h) Créditos decorrentes de TED’s com identificação de CNPJ: a interessada retoma sua argumentação no sentido de que a indicação do CNPJ das pessoas responsáveis pelos TED’s consiste na indicação da origem, afastando assim a tributação. A recorrente se dedica, então, à infração de omissão de receitas com base em suprimentos de caixa (empréstimos feitos pelo sócio Jorge Khouri). Aduz que “a contabilidade, até prova em contrário, é documento mais do que suficiente a comprovar as operações realizadas pela empresa, razão pela qual se a Administração Tributária pretende desqualificar a contabilidade, deverá fazer a prova de que o registro contábil é inverídico e na verdade serve para omitir receita da empresa”. Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.713 17 Sob o tópico “Ausência de ocorrência do fato gerador – ausência de manifestação de riqueza”, a contribuinte critica mais uma vez a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, e afirma que o imposto somente pode incidir sobre acréscimo patrimonial, inexistente no caso concreto. Colaciona doutrina e jurisprudência que entende favoráveis a sua tese. Finalmente a interessada insiste nos argumentos acerca da nulidade do lançamento, que não teria trazido a motivação da falta de consideração dos documentos por ela apresentados. Invoca o art. 50 da Lei nº 9.784/1999 e afirma que (fl. 1653): Não há no auto de infração o motivo pelo qual (i) os dez créditos no valor de R$ 47,73 não foram considerados como tendo a origem comprovada; (ii) parte dos valores identificados como transferências entre contas5 não foi considerado como tendo origem comprovada; (iii) o crédito da Empresa Umuarama fl. 947 — não foi considerado como tendo origem comprovada; (iv) os créditos decorrentes das empresas de factoring não foram considerados como tendo, origem comprovada; (v) os TED's que contam com identificação de CNPJ não foram considerados como tendo origem comprovada. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso, reforma da decisão recorrida e anulação do lançamento tributário. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. O lançamento ora sob análise cuida de omissão de receitas, apurada pelo Fisco por presunção legal, com base em dois diferentes dispositivos legais. Por um lado, aquela capitulada no art. 287 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), que tem por base depósitos bancários para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou a origem. Em outra vertente, foram também apurados suprimentos de numerário registrados na contabilidade como empréstimos de sócio, tratados pelo art. 282 do mencionado Regulamento. Eis os dispositivos em comento: Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). [...] Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.714 18 Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §1º). § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §2º). § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §3º, inciso I). Em ambos os casos, tratase de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção. Regularmente intimada, como o foi, caberia à interessada apresentar as provas da origem dos recursos creditados em sua conta bancária (no primeiro caso) ou a origem e efetiva entrega dos suprimentos (no segundo caso), de forma a afastar as presunções estabelecidas em lei. Fica, então, afastado o argumento de que deveria haver a comprovação de acréscimo patrimonial, para que houvesse a incidência tributária. Passo, então, a apreciar os argumentos recursais contra cada uma das infrações, principiando pela acusação de receitas omitidas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. De plano, devem ser rejeitadas as alegações da recorrente no sentido de que, uma vez identificada a pessoa física ou jurídica que teria feito os depósitos, estaria automaticamente comprovada sua origem, afastando a presunção legal. É pacífico na jurisprudência deste CARF que a comprovação da origem deve abranger não apenas a identificação do depositante mas também a natureza da operação que deu origem ao crédito bancário, de tal forma a permitir que se verifique se aquele valor foi adequadamente oferecido à tributação a que estaria sujeito, na dicção do parágrafo 2º do art. 287, acima reproduzido. Este ponto foi detalhadamente abordado na decisão de primeira instância, e considero desnecessário sobre ele tecer maiores comentários. Tenho por igualmente improcedentes as alegações de falta de motivação do auto, aqui entendida como falta de esclarecimento sobre os motivos que levaram a aceitar as provas de alguns dos depósitos e a rejeitar outras. Tanto o Fisco, durante o procedimento de fiscalização, quanto a decisão recorrida foram bastante minuciosos quanto aos critérios adotados, sempre vinculados à existência, ou não, de documentos hábeis a comprovar e justificar individualizadamente a origem dos créditos, coincidentes em datas e valores. Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.715 19 Na sequência, cabe examinar as alegações específicas referentes a essa mesma infração: a) Cheques devolvidos: em 19/10/2007, valor depositado R$ 2.000,00, valor devolvido (parcial) R$ 1.000,00; em 22/10/2007, valor depositado R$ 1.000,00, valor devolvido (integral) R$ 1.000,00. Quanto a esta alegação, o exame dos autos demonstra que: (i) o total de depósitos bancários de origem não comprovada incluiu os depósitos de R$ 2.000,00, em 19/10/2007, e de R$ 1.000,00, em 22/10/2007 (fl. 1433); (ii) os mesmos extratos bancários que acusam os depósitos mencionados igualmente registram as devoluções alegadas, respectivamente em 19/10/2007 e 23/10/2007 (fls. 125 e 176); (iii) os estornos não constaram das justificativas apresentadas pelo contribuinte (planilha fl. 416) e, assim, não foram até aqui considerados pelo Fisco. Diante disso, devem ser acolhidas as alegações da interessada, quanto a este ponto, para afastar reduzir a base tributável desta infração em R$ 1.000,00 em 19/10/2007 e R$ 1.000,00 em 22/10/2007. b) Transferências de valores para a conta de investimento: em 16/03/2007, valor transferido R$ 50.000,00. Segundo a interessada, não se trata de recurso novo, mas de saldo já existente na conta bancária. Quanto a esta alegação, o exame dos autos demonstra que: (i) o total de depósitos bancários de origem não comprovada incluiu o crédito de R$ 50.000,00, em 16/03/2007, sob o histórico “TRANSFERÊNCIA P/APLICAÇÃO” (fl. 1431); (ii) referido crédito consta do extrato bancário de fl. 138, da ag. 1293 do Banco Real, c/c 8.0034083, sob o histórico “EST TRANSF CI”; (iii) esse valor não foi objeto de intimação ao contribuinte (fls. 359/382), para fins de comprovação da origem do crédito. Diante disso, a base de cálculo desta infração deve ser reduzida em R$ 50.000,00 no mês de março de 2007. Além de não ter sido formada a prova do fato indiciário, pela falta de regular intimação ao contribuinte, o lançamento bancário indica claramente que o crédito bancário corresponde a estorno de débito feito indevidamente em duplicidade. c) Depósitos entre contas da empresa fiscalizada: diversos valores, totalizando R$ 251.200,00, especificados na planilha de fl. 1633. O exame da referida planilha mostra que dois depósitos já haviam sido objeto de análise pela Autoridade Julgadora em primeira instância, a saber, R$ 11.000,00, em 09/05/2007, e R$ 30.000,00, em 15/10/2007. Aqui, o recurso carece de objeto, visto que as correspondentes exigências já foram afastadas. Confirase o seguinte excerto do voto vencedor: Conforme já expendeu o Relator original em seu voto, “Verificase que os de R$ 11.000,00 (fls. 328) e de R$ 30.000,00 (fls. 346), respectivamente creditados nas datas de 09/05/2007 e 15/10/2007, na conta 600185400, ag. 1293, Banco Real S/A, o histórico constante dos extratos bancários é “DEPÓSITO”, indicando que o mesmo foi realizado em dinheiro, já que para os efetuados em cheques os extratos apresentam o histórico “DEPÓSITO EM CHEQUE”. Por outro lado, também é possível constatar que nas referidas datas (09/05/2007 e 15/10/2007) houve desconto de cheques na conta 800340803, ag. 1293, do Banco Real S/A, de iguais valores, ou seja, R$ 11.000,00 (fls. 251) e R$ 30.000,00 (fls. 261), com o histórico “CHEQUE”, Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.716 20 podendo afirmarse que foram sacados em dinheiro, uma vez que para cheques compensados o histórico nos extratos é ‘CHEQUE COMPENSADO’”. Logo, existe perfeita coincidência de datas e valores entre os saques feitos na conta 800340803, ag. 1293, do Banco Real S/A, e os depósitos feitos na conta 600185400, ag. 1293, Banco Real S/A, denotando que houve apenas operações entre contascorrentes do mesmo titular, não configurando, pois, omissão de receita. [...] Por isso, considero que devem ser excluídos da receita omitida os valores referentes aos depósitos de R$ 11.000,00 e R$ 30.000,00, abordados neste tópico. Quanto aos demais valores, uma abordagem rigorosa das regras do processo administrativo fiscal levaria à preclusão, visto que tais argumentos deveriam ter sido trazidos juntamente com a peça impugnatória. No entanto, o instituto da preclusão tem sido abrandado, ao ser confrontado com o princípio da verdade material, especialmente em se tratando, como é o caso, de provas já constantes dos autos as quais, se confirmadas, afastariam a presunção legal de receitas omitidas. Procedi, assim, à verificação das alegações da recorrente, no sentido de constatar se, de fato, existem créditos em contas de sua titularidade que podem ser justificados mediante débitos em outras contas, também de sua titularidade, coincidentes em datas e valores, com os seguintes resultados: • R$ 4.400,00, em 29/01/2007 – esse valor não consta do quadro de depósitos bancários sem comprovação de origem (fls. 1431/1449). Além disso, não encontrei na contacorrente 60018540 do Banco Real, indicada pela interessada, um débito (origem) coincidente em data e valor. Diante disso, a alegação deve ser rejeitada. • R$ 4.150,00, em 09/08/2007; e R$ 1.000,00, em 22/10/2007 – não encontrei na contacorrente 60018540 do Banco Real, indicada pela interessada, débitos (origens) coincidentes em data e valor. Diante disso, a alegação deve ser rejeitada. • R$ 2.613,39, em 16/11/2007; e R$ 36,61, em 28/11/2007 – o próprio histórico do lançamento bancário (fl. 109) atesta tratarse de resgate de poupança, como sustenta a interessada, o que é motivo suficiente para afastar a presunção de omissão de receitas. • Quanto aos demais valores, ao pesquisar os extratos bancários das contas indicadas pela interessada, encontrei lançamentos a débito coincidentes em datas e valores com os lançamentos a crédito, em outras contas, que foram tidos pelo Fisco como depósitos bancários de origem não comprovada. Considero, no entanto, que tal coincidência, não desmentida pelos históricos dos lançamentos, é suficiente para afastar a presunção legal de omissão de receitas. Os valores aqui tratados estão na tabela abaixo: Data Valor (R$) Conta do crédito Conta do Débito (origem) Conta Valor Fl. Extrato 20/04/2006 600,00 5.4267 Bradesco 6001854 Real 600,00 282 Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.717 21 11/04/2007 10.000,00 8003408 Real 6001854 Real 10.000,00 325 28/05/2007 4.000,00 5.4267 Bradesco 6001854 Real 4.000,00 330 05/06/2007 4.100,00 5.4267 Bradesco 6001854 Real 4.100,00 331 20/06/2007 2.500,00 5.4267 Bradesco 6001854 Real 2.500,00 333 02/07/2007 50.000,00 8003408 Real 6001854 Real 50.000,00 335 03/07/2007 2.100,00 8003408 Real 6001854 Real 2.100,00 335 05/07/2007 12.100,00 5.4267 Bradesco 6001854 Real 12.100,00 335 17/07/2007 4.000,00 5.4267 Bradesco 6001854 Real 4.000,00 336 02/08/2007 4.100,00 5.4267 Bradesco 6001854 Real 4.100,00 338 06/08/2007 4.150,00 5.4267 Bradesco 6001854 Real 4.150,00 338 27/09/2007 2.300,00 8003408 Real 6001854 Real 2.300,00 344 16/10/2007 10.000,00 5.4267 Bradesco 6001854 Real 10.000,00 346 23/10/2007 3.500,00 5.4267 Bradesco 6001854 Real 3.500,00 347 29/10/2007 4.600,00 5.4267 Bradesco 6001854 Real 4.600,00 348 17/12/2007 1.000,00 5.4267 Bradesco 6001854 Real 1.000,00 354 19/12/2007 4.950,00 5.4267 Bradesco 6001854 Real 4.950,00 354 19/03/2007 44.000,00 6001854 Real 8003408 Real 44.000,00 138 21/03/2007 16.000,00 6001854 Real 8003408 Real 16.000,00 138 23/04/2007 1.000,00 6001854 Real 8003408 Real 1.000,00 143 04/06/2007 13.000,00 6001854 Real 8003408 Real 13.000,00 115v d) Depósitos decorrentes da empresa Credillon: crédito bancário de R$ 10.000,00, em 17/10/2006. A interessada alega que já havia apresentado o contrato e o respectivo comprovante de depósito, e apresenta novamente referidos documentos. Compulsando os autos, constato que houve um crédito bancário de R$ 10.000,00 em 17/10/2006 na c/c 6001854 da ag. 1293 do Banco Real (fl. 304), com o histórico “TED 04223451000149”, depósito esse considerado pelo Fisco como de origem não comprovada e incluído na base tributável (fl. 1442). O documento mediante o qual a recorrente pretende a comprovação da origem do crédito consta do processo às fls. 437/439 e, novamente, às fls. 1655/1657. Tratase de contrato de mútuo firmado entre a interessada e a empresa Credilon – SCM da Região de Londrina Ltda, coincidente em data e valor com o alegado crédito. O contrato especifica, ainda, que o valor mutuado seria creditado na c/c 6001854 da ag. 1293 do Banco Real, de titularidade da interessada. Diante disso, tenho por comprovada também a origem do crédito aqui tratado, devendo o valor de R$ 10.000,00 ser excluído da base tributável no mês de outubro de 2006. e) Depósitos decorrentes de empresas de factoring e de cobrança (outras empresas): a recorrente alega que os depósitos foram feitos por empresas de factoring devidamente identificadas mediante os TED e respectivos cartões de CNPJ, apesar de não ter em mãos os contratos de factoring. Combate o entendimento do julgador a quo, no sentido de que "o simples fato dos recursos advirem de empresas dedicadas ao ramo de factoring não comprova sua origem, no sentido de elidir a presunção de receita". Retoma os questionamentos acerca da presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n 9.430/1996 e afirma que as provas produzidas pelo contribuinte devem ser analisadas no contexto como um todo, observados especialmente os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. À fl. 1639, a recorrente apresenta novamente quadro em que Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.718 22 especifica os depósitos bancários que, por sua ótica, se enquadram nessa situação e devem ser tidos por comprovados. Colaciona doutrina que entende pertinente. Os argumentos da recorrente não merecem prosperar. Já se discorreu, neste voto, acerca da presunção legal de omissão de receitas baseada em depósitos bancários de origem não comprovada, de se tratar de presunção relativa, sujeita a prova em contrário, e, especialmente, da inversão do ônus, no que toca a essa prova. O tratamento a ser dado aos créditos bancários deve ser, nos termos da lei, individualizado e assim também devem ser as provas apresentadas pelo sujeito passivo com o fim de afastar a presunção. Neste caso, a própria interessada admite não possuir os contratos que comprovariam os alegados mútuos. A mera identificação dos depositantes e a apresentação de seus cartões de CNPJ não é comprovação da origem dos créditos bancários ou de sua natureza e, por conseguinte, é também insuficiente para afastar a presunção legal de omissão de receitas. Não cabe qualquer reparo, sob este aspecto, à decisão recorrida. Ainda neste item, a interessada se reporta (fl. 1642) aos depósitos nos valores de R$ 19.924,00 (25/04/2007) (fl. 1432, c/c 8003408 Real, extrato fl. 250, histórico TED 06044025000173); R$ 15.000,00 (30/10/2007) (fl. 1434, c/c 54267 Bradesco, extrato fl. 127, histórico TEDT ELET DISP REMET.IGT SERVIÇOS FINANCEIROS); e R$ 29.886,00 (27/12/2007) (fl. 1434, c/c 54267 Bradesco, extrato fl. 112, histórico TEDT ELET DISP REMET.IGT SERVIÇOS FINANCEIROS), feitos por V. CRESPAN MOREIRA E CIA LTDA, com o nome fantasia de I.G.T. Serviços Financeiros. Sustenta que os documentos apresentados não poderiam ter sido desconsiderados sob o fundamento de que esses empréstimos foram registrados na contabilidade como passivo junto ao sócio Jorge Khouri. Além disso, aduz que o registro contábil dessa forma decorreu de decisão interna da empresa, o que não altera a natureza jurídica do valor como empréstimo obtido junto à IGT. Reclama que tais argumentos não teriam sido expressamente analisados no acórdão combatido. Ao contrário do que afirma a recorrente, a forma de contabilização dos três valores acima mencionados foi irrelevante. O motivo para que os depósitos bancários fossem tidos como de origem não comprovada (vide item 7.2 da decisão recorrida) foi a falta de prova acerca de sua origem, tal como ocorreu com os demais valores tratados neste item. Também aqui, à míngua de novos elementos probatórios, os argumentos da recorrente devem ser rejeitados, mantendose a decisão de primeira instância. f) Depósitos decorrentes de clientes da empresa JZK: a recorrente contesta a decisão de primeira instância, e afirma que “existem sim elementos que demonstram serem os depósitos originários das cessões de crédito com clientes da JZK”. Aponta a coincidência da data dos depósitos com as datas em que os clientes deveriam fazer o pagamento, e dos valores de cada parcela com os valores dos depósitos, e conclui que “pelo menos, há indício forte dos fatos alegados”. Este ponto foi assim analisado no acórdão recorrido: 8.2 Os contratos e folhas do Livro Razão apresentados parecem mostrar bem a existência dos haveres que a JZK teria com seus clientes, mas não comprovam a alegação de que tais valores ingressaram na conta da BADRESSA por causa de mero direcionamento, motivado pelo fato de possuírem sócio comum: JORGE. Várias outras causas podem ter concorrido para que ocorresse tal “direcionamento”, como, por exemplo, vendas (de ativo fixo, materiais ou serviços) que a BADRESSA tenha realizado para a JZK, e esta assim a pagou. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.719 23 8.3 O Princípio Contábil da Entidade, como cediço, estipula que o patrimônio da entidade não pode se confundir com o de seus sócios, quiçá com o patrimônio de outras entidades desses sócios. Ora, se as coisas se deram da forma que alega o impugnante, no mínimo, há de se dizer que ocorreu violenta e esdrúxula agressão ao mandamento contábil em questão, digna de se por em suspeita técnica o profissional contabilista responsável pela escrituração do contribuinte. Mas, mesmo se assim fosse, abstraindo a absurda atécnia contábil, também é cediço que na orla do Direito quem alega um fato há de proválo, e quanto mais forte a linguagem probatória que tece o fato, mais poder de persuasão dela emana. No caso, o interessado apenas alegou que houve o tal descompromissado “direcionamento” dos valores para a conta da BADRESSA, por conta da existência de sócio comum entre as empresas, mas nada nesse sentido provou. Não há elemento material nenhum a sustentar o motivo alegado pelo qual a conta da BADRESSA teria sido utilizada. Não há sequer um singelo contrato, por mais insólito que pareceria, entre as duas pessoas jurídicas, prevendo a cessão da conta. Não há, principalmente, lançamentos contábeis, em ambas as empresas, que, de forma simétrica, vinculassem as operações de uma para com a outra. Não há, pelo menos, declaração dos clientes da JZK corroborando a estória aqui contada, esclarecendo que efetuaram créditos na conta da BADRESSA porque sua credora não possuía uma, para o recebimento e quitação das obrigações. 8.4 Sendo assim, tendo vem vista que o contribuinte trouxe elementos que apenas indicam a possível existência de haveres da JZK frente a clientes, e não colacionou nenhuma prova dos motivos pelos quais tais haveres foram creditados em conta da BADRESSA, esta parte do lançamento deve ser mantida. Não faço reparos ao quanto decidido. Na ausência de provas concretas da alegação de que a contacorrente da interessada houvesse sido utilizada para recebimento de haveres da JZK, não há como ter por comprovada a origem dos créditos bancários, mantendo se a presunção de omissão de receitas. g) Depósito decorrente do contrato de mútuo com Alfredo Khouri Junior: a recorrente entende que o contrato de mútuo apresentado é suficiente para a comprovação da origem do depósito no valor de R$ 39.000,00 em 12/11/2007 (fl. 1448, c/c 6001854 do Banco Real, extrato fl. 349, histórico TRANSF.DE 022179119000010), afastando a presunção de omissão de receitas. O instrumento de mútuo não poderia ser desconsiderado pela Administração Tributária sem nenhuma outra prova em contrário. O instrumento contratual, mediante o qual a recorrente busca desconstituir a presunção legal, se encontra à fl. 954. A alegação, em primeira instância, foi tratada no item 11 da decisão recorrida. De especial interesse os subitens 11.5 a 11.7, que transcrevo a seguir: 11.5 Tratase aqui, pois, de aferir se esse singular documento, de fls. 954, possui idoneidade probatória suficiente para se dar como certo e verdadeiramente ocorrido o evento que ele relata acontecido, percorrendose para tanto o caminho do exame da prova e aferição do grau de valor que lhe confere o ordenamento jurídico. 11.6 Iniciando passos nessa trilha, e tomandose de empréstimo os princípios da filosofia da linguagem aplicada ao Direito, tão bem trabalhados por doutrinadores pátrios de vulto, importa lembrarmos que um evento do universo fenomênico somente passa a ter no orbe jurídico mediante seu relato em linguagem autorizada e competente a tanto. A ocorrência mundana que o impugnante alega ter acontecido é a entrega de numerário por ALFREDO KHOURI para a BADRESSA, sob as condições de operação de mútuo. O contrato de fls. 954 nada mais é do que a Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.720 24 transcrição, em linguagem, do evento alegado, com a pretensão de criar realidade jurídica válida. Cumprenos avaliar o quanto essa linguagem é suficiente para nos convencer de que o evento alegado aconteceu mesmo, e portanto ser válida a linguagem tecida na forma do “Instrumento Particular de Mútuo”. 11.7 Em seara de exame da prova, a simplória e única linguagem apresentada pelo impugnante não me convence da afirmação de que um evento de mútuo verdadeiramente aconteceu na dimensão física das coisas. O contrato apresentado, como prova, é por demais franzino, sobretudo porque é produção unilateral do contribuinte, consistindose em mera folha de papel onde, aparentemente, deitaramse dêiticos de tinta ao alvedrio do interesse da autuada. O teor de credibilidade que o documento suscita é mínimo. Prescinde ele de sobre linguagem, ou pelo menos de colinguagem, que o auxilie a se sustentar, sem as quais quedase moribundo. Ele, por exemplo, não foi levado à registro público; não está amparado, ao menos, por reconhecimento de firma das partes e testemunhas, o que lhe outorgaria maior credibilidade quanto à data em que foi confeccionado; foi apresentado em cópia simples e não foi autenticado em cartório; não se encontra contabilizado na escrituração da BADRESSA, conforme relatado pela Fiscalização, o que somente depõe contra sua veracidade, pois a metalinguagem contábil serviria bem para oferecerlhe importante aporte ao seu sustento, sendo que ausente esse valioso ateste, a linguagem “Instrumento Particular de Mútuo” fica deveras desacreditado, pois, ao revés, a linguagem da contabilidade demanda contra ele; e não há nenhuma linguagem comprovando a disponibilidade e efetiva entrega dos recursos da parte do suposto mutuante ALFREDO KHOURI, o que é de se estranhar, caso a operação tenha acontecido nos termos propalados pela impugnante, pois vejase que os R$ 39.000,00 creditados na conta 6001854, ag. 1293, do Banco ABN AMRO Real S/A, tem o seguinte histórico no extrato bancário (fls. 349): “TRANSF. DE 022179119000010”; assim, se a transferência a que se refere o extrato foi realizada a partir da conta de ALFREDO KHOURI, bastaria o impugnante ter obtido comprovação bancária clara nesse sentido, mas isso não se deu, razão pela qual não há certeza suficiente de que os R$ 39.000,00 originaramse mesmo da referida pessoa. Também aqui não merece reparos a decisão a quo. A operação bancária não foi contabilizada, o contrato apresentado não se reveste das formalidades que poderiam robustecêlo como elemento probante e principalmente, a interessada deixou de apresentar o extrato bancário do Sr. Alfredo Khouri, que poderia, caso apresentasse débito coincidente em data e valor com o crédito aqui apreciado, confirmar em definitivo que a transferência se originou da conta do sócio, afastando a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Não sendo o caso, a alegação deve ser rejeitada, mantendose a autuação quanto a este ponto. Passo, então, a apreciar os argumentos específicos aduzidos contra a infração de omissão de receitas com base em suprimentos de caixa (empréstimos feitos pelo sócio Jorge Khouri). Sustenta a recorrente que “a contabilidade, até prova em contrário, é documento mais do que suficiente a comprovar as operações realizadas pela empresa, razão pela qual se a Administração Tributária pretende desqualificar a contabilidade, deverá fazer a prova de que o registro contábil é inverídico e na verdade serve para omitir receita da empresa”. Tais suprimentos, conforme se verifica no demonstrativo de fls. 1450/1453, forma registrados na contabilidade a débito de contas bancárias e a crédito de conta de passivo Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.721 25 intitulada “Conta Corrente / Jorge Zaki Khouri”. Em primeira instância, a matéria foi tratada como segue: 12.3 Conforme se verifica de fls. 359382, 622624 e 949950, o contribuinte foi intimado reiteradas vezes para comprovar a disponibilidade e efetiva entrega dos recursos por parte de JORGE, e justamente nessas ocasiões a intimada teve a oportunidades de apresentar provas cabais de que os recursos estavam disponíveis e foram efetivamente entregues à BADRESSA, sendo verdadeiramente empréstimos, como alega, mas quedouse silente em todas as vezes que foi compelida para tanto. Ora, se recursos ingressaram na empresa, supostamente vindos do patrimônio de seu sócio, mas não há comprovação irrefutável disso, amparada é a presunção de que eles derivam de receitas omitidas, por força do artigo 282 do Decreto 3.000/99. Mais uma vez, os argumentos da recorrente não podem ser aceitos. A escrituração faz prova em favor do sujeito passivo quando amparada por documentos hábeis e idôneos a embasála. Desde que os suprimentos foram depositados em conta bancária da interessada, a prova a ser por ela produzida seria, por exemplo, os extratos bancários da pessoa física do Sr. Jorge Khouri, nos quais constassem débitos coincidentes em datas e valores. Ou, ainda, algum outro elemento que comprovasse que o sócio detinha a disponibilidade financeira em cada data e foi, efetivamente, o autor dos depósitos. Na inexistência de qualquer prova nesse sentido, também aqui deve ser mantida a autuação. Afinal, cumpre registrar que a obrigação de escriturar e de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista na legislação fiscal, e aplicase, com pequenas variações, aos contribuintes tributados com base no lucro real, presumido (situação da recorrente) ou mesmo optantes pelo SIMPLES. Ao descumprir essa obrigação, a interessada queda sem meios hábeis para a comprovação que lhe cabe. Não tendo a contribuinte qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. Em conclusão, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso voluntário para afastar das bases imponíveis os valores do quadro abaixo, conclusão que se estende aos lançamentos reflexos: Data Valor (R$) 19/10/2007 1.000,00 22/10/2007 1.000,00 16/03/2007 50.000,00 16/11/2007 2.613,39 28/11/2007 36,61 20/04/2006 600,00 11/04/2007 10.000,00 28/05/2007 4.000,00 Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.000019/201187 Acórdão n.º 130100.821 S1C3T1 Fl. 1.722 26 Data Valor (R$) 05/06/2007 4.100,00 20/06/2007 2.500,00 02/07/2007 50.000,00 03/07/2007 2.100,00 05/07/2007 12.100,00 17/07/2007 4.000,00 02/08/2007 4.100,00 06/08/2007 4.150,00 27/09/2007 2.300,00 16/10/2007 10.000,00 23/10/2007 3.500,00 29/10/2007 4.600,00 17/12/2007 1.000,00 19/12/2007 4.950,00 19/03/2007 44.000,00 21/03/2007 16.000,00 23/04/2007 1.000,00 04/06/2007 13.000,00 17/10/2006 10.000,00 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10140.001794/2003-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
IRPF PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA TITULAR DAS CONTAS BANCÁRIAS FALECIDO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL LANÇAMENTO LAVRADO CONTRA O HERDEIRO IMPOSSIBILIDADE.
O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Contudo, para a formação desta presunção de omissão de rendimentos, devem estar presentes todos os elementos previstos no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, inclusive a intimação do titular ou dos titulares (e não do
espólio ou do responsável) das contas bancárias, a quem cabe, com
exclusividade, o ônus probandi.
No caso, em razão do falecimento do titular das contas bancárias em momento anterior ao início da ação fiscal, não pode prosperar o lançamento efetuado contra o herdeiro com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-002.047
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Contudo, para a formação desta presunção de omissão de rendimentos, devem estar presentes todos os elementos previstos no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, inclusive a intimação do titular ou dos titulares (e não do espólio ou do responsável) das contas bancárias, a quem cabe, com exclusividade, o ônus probandi. No caso, em razão do falecimento do titular das contas bancárias em momento anterior ao início da ação fiscal, não pode prosperar o lançamento efetuado contra o herdeiro com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10140.001794/200339 Acórdão n.º 920202.047 CSRFT2 Fl. 313 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 02/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Habib Rezek Junior foi lavrado o auto de infração de fls. 141 149, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 1999, em razão da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com multa de 10%. A constituição do crédito tributário está assim fundamentada (fls. 142): Em decorrência da fiscalização do espólio de HABIB REZEK, CPF n. 013.195.58887, apurouse omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrativo denominado DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, que fica fazendo parte integrante deste auto de infração. Em consequência, a falta dessa comprovação traz repercussões de ordem tributária sobre os herdeiros do sr. Habib Rezek. Assim, intimamos o Sr. HABIB REZEK JUNIOR para apresentar as contrarrazões para a desconstituição dos juízos de valor levantados por esta fiscalização, assegurando o contraditório e a ampla defesa. O titular das contas bancárias, Sr. Habib Rezek, faleceu em 21/06/1998 (Certidão de Óbito anexada às fls. 162 do Anexo I), sendo que ação fiscal em apreço teve início em 01/07/2003 (fls. 04). A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) considerou o lançamento procedente em parte, reduzindo a base de cálculo do lançamento de R$ 933.548,01 para R$ 783.661,51(fls. 244250). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10140.001794/200339 Acórdão n.º 920202.047 CSRFT2 Fl. 314 3 Por sua vez, a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, apreciando o recurso voluntário interposto pelo autuado, proferiu o acórdão n° 220200.206, que se encontra às fls. 282289 (Volume II), cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabida a argüição de nulidade do procedimento fiscal, quando se constata que o auto de infração contém todos os elementos necessários à perfeita compreensão das razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de oficio e o sujeito passivo teve conhecimento dos documentos que o embasaram. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DEPÓSITO BANCÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ESPÓLIO. A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, é do titular da conta corrente, não havendo como imputar ao espólio ou aos herdeiros a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte era vivo e o único responsável pela movimentação financeira. Entretanto, a comprovação da origem dos depósitos efetuados na conta do de cujus no período compreendido entre a abertura da sucessão até a data do formal de partilha, cabe ao espólio, representado pela inventariante. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso, não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10140.001794/200339 Acórdão n.º 920202.047 CSRFT2 Fl. 315 4 Anocalendário: 1998 JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de l° de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com precedentes já definidos pela Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes, vigente desde de 28/07/2006. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares e deu parcial provimento ao recurso, reduzindo o imposto devido pelo contribuinte para R$ 30.660,23. Intimada da acórdão em 04/05/2010 (fls. 290), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 293298, acompanhado dos documentos de fls. 299300 (Volume II), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a União (Fazenda Nacional) contra acórdão da 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento, os depósitos efetuados antes da abertura da sucessão; b) O entendimento jurisprudencial que fundamenta o recurso (acórdão n° 10247.643) diverge do adotado pela e. Câmara a quo; c) O acórdão ora recorrido, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, afastou a presunção prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, sustentando que a obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários é de natureza personalíssima; d) Diversamente, a Segunda Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes entendeu que essa comprovação faz parte das obrigações do espólio, já que a legislação tributária não o excluiu dessa responsabilidade; e) Dessa forma, demonstrada a divergência jurisprudencial, encontrase presente o requisito de admissibilidade do presente recurso especial; f) Nos termos do artigo 121 do CTN, o sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa física ou jurídica obrigada por lei ao cumprimento da prestação tributária principal, esteja ou não em relação direta e pessoal com a situação que constitua o fato gerador; g) A responsabilidade tributária é o fenômeno segundo o qual um terceiro que não tenha relação direta e pessoal com o fato imponível gerador da Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10140.001794/200339 Acórdão n.º 920202.047 CSRFT2 Fl. 316 5 obrigação principal, está obrigado, em caráter supletivo ou não, em sua totalidade ou parcialmente, ao pagamento ou cumprimento da obrigação; h) Notese, que apesar de não ter relação íntima com a conduta descrita na norma tributária impositiva da obrigação principal, para ser responsável é necessária a existência de algum liame entre o sujeito responsável e o fato imponível. Ou seja, a lei não pode eleger qualquer pessoa como responsável tributário, mas somente pessoa que, não tendo relação direta e pessoal, possua algum tipo de vínculo com a pessoa do contribuinte ou a situação descrita como fato gerador da obrigação; i) A lei determina que é responsável tributário o sucessor pelos tributos devidos pelo contribuinte até a data do respectivo ato que importe em sucessão. Vale salientar que o art. 129 do CTN, inobstante a confusa redação, esclarece ser relevante para a sucessão a data da ocorrência do fato imponível que, ainda que haja lançamento posterior, deverá ter ocorrido antes do ato de sucessão; j) No caso em tela, sabese que a contacorrente, na qual foram realizados os depósitos de origem não comprovada, pertencia a Habib Rezek. Com a abertura da sucessão, a responsabilidade passou para o espólio. Portanto, a este pertence, a contacorrente motivadora do auto de infração; k) Quando o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 menciona "titular, pessoa física ou jurídica", quer contemplar todos aqueles que podem ocupar o pólo passivo da relação jurídicotributária. O espólio, como já evidenciado, pode ocupar essa posição passiva de titularidade, pois assim a lei determinou. Portanto, sendo o inventariante o representante legal do espólio, cabelhe o ônus da comprovação da origem de depósitos efetuados pelo de cujus, antes de seu falecimento; l) Da análise dos autos, verificase que o inventariante foi intimado a comprovar a origem dos depósitos na contacorrente de titularidade do espólio. No entanto, como não conseguiu comproválos, a presunção legal de omissão de rendimentos corretamente se concretizou; m) Sendo a titularidade da contacorrente do espólio, representado nos autos por Habib Rezek Junior, a argüição de desconhecimento dos atos praticados pelo de cujus, não tem o condão de desvincular o espólio como sujeito passivo da obrigação principal do fato gerador, uma vez que as condições e os limites da norma instituidora da obrigação tributária foram observados; n) Desse modo, demonstrada a responsabilidade tributária do espólio, deve ser mantida a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96, já que não restou devidamente comprovada a origem dos valores depositados; o) Requer seja conhecido e provido o presente recurso para que seja reformado o r. acórdão recorrido. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10140.001794/200339 Acórdão n.º 920202.047 CSRFT2 Fl. 317 6 Admitido o recurso através do despacho n° 220200.114 (fls. 301304), o autuado foi intimado e deixou de se manifestar, conforme informou a repartição de origem às fls. 311 (Volume II). É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso voluntário. Segundo a recorrente, a reforma do acórdão recorrido decorre do fato de que para efeitos tributários se aplicam ao espólio as mesmas normas a que se sujeitam as pessoas físicas e que cumpre ao inventariante comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados na conta do de cujus, invocando como paradigma o acórdão n° 10247.643. Portanto, a matéria que chega para análise da Turma diz respeito à possibilidade ou não de autuação de herdeiro, com fundamento na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, quando o titular da conta fiscalizada já está falecido desde momento anterior ao início da ação fiscal. No caso, o titular das contas bancárias, Sr. Habib Rezek, faleceu em 21/06/1998 (Certidão de Óbito anexada às fls. 162 do Anexo I), sendo que a ação fiscal em apreço teve início em 01/07/2003 (fls. 04). Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 estabelece o seguinte: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Subsumidos os fatos à regra do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, surge a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10140.001794/200339 Acórdão n.º 920202.047 CSRFT2 Fl. 318 7 comprovada, cabendo ao titular da conta bancária a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações. Portanto, por força desta presunção, que é relativa e admite prova em contrário, o ônus de demonstrar que os depósitos bancários não representam rendimento tributável cabe ao contribuinte. Contudo, para a formação desta presunção de omissão de rendimentos, devem estar presentes todos os elementos previstos no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, inclusive a intimação do titular ou dos titulares (e não do espólio ou do responsável) das contas bancárias. A devida intimação do titular da conta bancária é elemento essencial da regra em apreço. Isso porque, para que se presuma a omissão de rendimentos baseada em créditos bancários não comprovados, é imprescindível que os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos. A regra do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 tem em seu núcleo uma obrigação dirigida aos titulares da conta bancária, não podendo, por falta de previsão legal, ser transferida ao responsável tributário. Não se pode olvidar, em razão do disposto no § único, do artigo 142, do Código Tributário Nacional, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, impondo à autoridade lançadora a obediência às determinações legais com vistas à constituição do crédito tributário. No caso, pelo falecimento do titular das contas bancárias, sua intimação é impossível, de modo que não pode prosperar o lançamento que tem fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Como bem observou a Relatora do acórdão recorrido, Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (fls. 287): Assim, diferentemente de outras infrações, a presunção de omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários de origem não comprovada tem como requisito fundamental a intimação prévia do titular da conta, sem a qual ela não se conforma. No caso de procedimento fiscal instaurado após a morte do contribuinte, tendente a averiguar a regularidade do depósitos efetuados em contas de titularidade do de cujus, há que se fazer um divisão temporal quanto a responsabilidade pela comprovação da origem destes depósitos: depósitos efetuados antes e depois da abertura da sucessão. Visto que o titular da conta, antes da abertura da sucessão, era o de cujus, é a ele a quem se deve imputar o ônus de comprovar a origem dos depósitos efetuados até sua morte, não se podendo transferir tal responsabilidade ao espólio. Assim, sendo a intimação neste caso materialmente impossível, a presunção vista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, não se aperfeiçoa em Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10140.001794/200339 Acórdão n.º 920202.047 CSRFT2 Fl. 319 8 relação aos depósitos efetuados à época em que o contribuinte era vivo. Após a abertura da sucessão, o espólio, assim entendido como o "conjunto de bens, direitos e obrigações da pessoa falecida" (art. 2° da Instrução Normativa n° 81, de 11 de outubro de 2001), passa a ser o responsável pela movimentação financeira das contas bancárias pertencentes ao contribuinte falecido, até a data da partilha. Neste caso, é possível intimar o espólio, representado pelo inventariante, a se manifestar quanto a origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias do de cujus, no período sob sua responsabilidade, e, se for o caso, efetuar o lançamento com base na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Concordo inteiramente com tais colocações e adotoas como razões de decidir. Analisando a matéria, a própria CoordenaçãoGeral de Tributação, no âmbito da Solução de Consulta Interna n° 06/2010, concluiu que: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ESPÓLIO. Ementa: Não cabe o lançamento nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 2006, sobre depósitos bancários de origem não comprovada em nome do espólio ou dos sucessores quando o procedimento fiscal tenha se iniciado em data posterior ao óbito do único titular ou de todos os titulares da conta bancária ou quando, iniciado o procedimento fiscal, o único titular ou todos os titulares faleceram antes do término do prazo da intimação para a comprovação da origem dos recursos. O ônus probandi instituído pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é tão somente do titular da conta bancária. Dispositivo legal: art. 42 da Lei nº 9430, de 27 de dezembro de 1996. Por fim, não se pode deixar de destacar que para situação semelhante a esta, na qual um dos titulares da conta bancária não é intimado (no caso em apreço, o único titular deixou de ser intimado em razão do seu falecimento), a jurisprudência administrativa está consolidada através do Enunciado de Súmula CARF n° 29, segundo o qual: “Todos os co titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento”. No caso, o lançamento fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 não pode prosperar com relação aos fatos ocorridos até o momento da morte do titular das contas bancárias. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10140.001794/200339 Acórdão n.º 920202.047 CSRFT2 Fl. 320 9 Com tais considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000873/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO I, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa preparar o contribuinte folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas previstas na legislação previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE NFLD JULGADA IMPROCEDENTE EM PARTE. LAÇAMENTO REFLEXO. OBSERVÂNCIA DECISÃO. PENALIDADE FIXA. MANUTENÇÃO DO FEITO.
Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da preparação de folhas de pagamento em desacordo com os padrões estabelecidos pelo INSS, deixando de constar as remunerações dos segurados contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora exigida em NFLD´s, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Tratando-se de autuação em que a existência de uma única inobservância de obrigação acessória (infração) enseja a
manutenção da multa em sua integralidade, ainda que parte dos fatos geradores tenha sido excluída em uma das notificações não tem o condão de rechaçar a penalidade imposta por ser fixa.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.496
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO I, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa preparar o contribuinte folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas previstas na legislação previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE NFLD JULGADA IMPROCEDENTE EM PARTE. LAÇAMENTO REFLEXO. OBSERVÂNCIA DECISÃO. PENALIDADE FIXA. MANUTENÇÃO DO FEITO. Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da preparação de folhas de pagamento em desacordo com os padrões estabelecidos pelo INSS, deixando de constar as remunerações dos segurados contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora exigida em NFLD´s, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Tratando-se de autuação em que a existência de uma única inobservância de obrigação acessória (infração) enseja a manutenção da multa em sua integralidade, ainda que parte dos fatos geradores tenha sido excluída em uma das notificações não tem o condão de rechaçar a penalidade imposta por ser fixa. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO I, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa preparar o contribuinte folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas previstas na legislação previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE NFLD JULGADA IMPROCEDENTE EM PARTE. LAÇAMENTO REFLEXO. OBSERVÂNCIA DECISÃO. PENALIDADE FIXA. MANUTENÇÃO DO FEITO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da preparação de folhas de pagamento em desacordo com os padrões estabelecidos pelo INSS, deixando de constar as remunerações dos segurados contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora exigida em NFLD´s, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Tratandose de autuação em que a existência de uma única inobservância de obrigação acessória (infração) enseja a manutenção da multa em sua integralidade, ainda que parte dos fatos geradores tenha sido excluída em uma das notificações não tem o condão de rechaçar a penalidade imposta por ser fixa. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, Fl. 277DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 17546.000873/200732 Acórdão n.º 2401002.496 S2C4T1 Fl. 254 3 Relatório LAURENTI EQUIPAMENTOS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Campinas/SP, Acórdão nº 0525.072/2009, às fls. 210/214, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso I, parágrafo 9º, do RPS, por não ter preparado as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, em relação ao período 09/2001 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 17/18, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 06/11/2006, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.156,95 (Um mil, cento e cinquenta e seis reais e noventa e cinco centavos), com base nos artigos 283, inciso I, alínea “a”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal, a autuada deixou de preparar a folha de pagamento incluindo os segurados contribuintes individuais, mais precisamente em relação aos valores pagos mediante cartão eletrônico, denominado "FLEXCARD", a título de premiação em programa de incentivo, conforme cópia do Contrato de Prestação de Serviços celebrado entre o sujeito passivo e a Empresa INCENTIVE HOUSE. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 217/245, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Inicialmente, pretende seja o presente recurso julgado em conjunto com as notificações 37.041.2869 e 37.041.2877, consubstanciadas nos processos administrativos nºs 17546.000868/200720 e 17546.000872/200798, onde foram lançadas as contribuições previdenciárias não arrecadadas (obrigação principal), em razão do nexo de causa e efeito que os vincula, devendo o acessório seguir a sorte do principal. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a autuação em meras presunções. Acrescenta que os anexos da autuação não demonstram com a clareza que exige as normas que regulam a matéria quais as bases que a fiscalização se debruçou para concluir que houve recolhimento a menor, ressaltando que a única razão para tal conclusão está na listagem dos beneficiários dos pagamentos realizados pela Incentive House, sem conquanto demonstrar a natureza remuneratória de tais verbas e, bem assim, que foram, de fato, destinadas a contribuintes individuais. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que não se pode cogitar na incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos sóciocotistas que nunca exerceram a gerência da sociedade, nos termos do artigo 12, inciso V, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 9º, inciso V, alínea “h”, do Decreto nº 3.048/1999, por não se caracterizar como contribuinte individual. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 17546.000873/200732 Acórdão n.º 2401002.496 S2C4T1 Fl. 255 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE LANÇAMENTO Em suas razões recursais, em suma, pretende a recorrente a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, propugnando pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Relatório da Infração”, às fls. 17, e Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 18, não deixa margem de dúvida, recomendando o não acolhimento da nulidade suscitada, uma vez informarem que a contribuinte preparou folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, infringindo o disposto no artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do crédito previdenciário decorrente da multa aplicada nos termos do artigo 283, inciso I, alínea “a”, do RPS, que assim prescrevem: “ Lei nº 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social;” “Regulamento da Previdência Social – Aprovado pelo Decreto 3.048/99. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], Fl. 281DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (Valor alterado para R$ 991,03, a partir de 06/2003, conforme Portaria MPS nº 727/03) a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social;” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, o fiscal autuante, não se cogitando na improcedência do lançamento ou mesmo presunções. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, o fato gerador da penalidade imposta, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento e a conclusão fiscal foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como dos documentos contábeis e demais esclarecimentos fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. MÉRITO Inicialmente devese frisar que, não obstante tratarse de autuação face a inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente estão ligados basicamente à procedência da exigência consubstanciada nas Notificações Fiscais n°s 37.041.2869 e 37.041.2877, contempladas nos processos administrativos nºs 17546.000868/200720 e 17546.000872/200798, onde o fisco previdenciário lançou as contribuições incidentes sobre as remunerações dos contribuintes individuais, as quais não foram incluídas em folhas de pagamento e objeto do presente Auto de Infração. Em verdade, a contribuinte faz confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo Fl. 282DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 17546.000873/200732 Acórdão n.º 2401002.496 S2C4T1 Fl. 256 7 com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, situação que se amolda ao caso sub examine. Registrese, que em nenhum momento a recorrente alega não ter incorrido na falta imputada, questionando exclusivamente o mérito das NFLD´s encimadas, que foram julgadas por este Egrégio Colegiado nesta mesma Sessão de Julgamento, com a manutenção de parte substancial da exigência fiscal. Como se constata, as NFLD´s supramencionadas, onde foram lançadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos contribuintes individuais, assim considerados os valores pagos a título de prêmio, foram mantidas em parte por esta Turma, impondo a apreciação deste lançamento com estrita observância à decisão prolatada nos autos daquelas notificações, tendo em vista a íntima relação de causa e efeito que os vincula, como a própria recorrente reconhece. Na esteira desse entendimento, tendo esta Colenda Turma entendido que parte do procedimento eleito pela autoridade lançadora naquelas Notificações não observou os pressupostos de validade inseridos na legislação de regência, decretando a improcedência parcial do feito, aludida decisão deve, igualmente, ser adotada neste julgamento. Na hipótese dos autos, inobstante a insubsistência parcial do lançamento principal (NFLD nº 37.041.2869 – Processo n° 17546.000868/200720) e procedência total da NFLD n° 37.041.2877 – Processo n° 17546.000872/200798, não há como se afastar parte da penalidade ora aplicada, por tratarse de auto de infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória (infração) enseja a manutenção da multa em sua integralidade, razão pela qual ainda que parte dos fatos geradores tenha sido excluída em uma das notificações não tem o condão de rechaçar a penalidade imposta por ser fixa. Neste sentido, não se cogita em improcedência do feito, tendo em vista que o fiscal autuante agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo à extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Relativamente às demais alegações da contribuinte, deixaremos de abordá las, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 284DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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Numero do processo: 13808.004543/00-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA-IRPF.
Ano-calendário: 1995
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 173, I, DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ. FATO GERADOR OCORRIDO EM 1995. PRAZO DECADENCIAL QUE SE INICIA EM 1O. DE JANEIRO DE 1997 E FINDA EM 31.12.2001.
Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Em referido
julgamento restou entendido que o prazo decadencial se inicia no exercício financeiro seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9202-002.065
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), com retorno dos autos à Câmara a quo para apreciação das demais questões.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA-IRPF. Ano-calendário: 1995 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 173, I, DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ. FATO GERADOR OCORRIDO EM 1995. PRAZO DECADENCIAL QUE SE INICIA EM 1O. DE JANEIRO DE 1997 E FINDA EM 31.12.2001. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Em referido julgamento restou entendido que o prazo decadencial se inicia no exercício financeiro seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1991; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13808.004543/0016 Recurso nº 155.811 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.065 – 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSEPH HALLACK OURFELI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Anocalendário: 1995 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 173, I, DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ. FATO GERADOR OCORRIDO EM 1995. PRAZO DECADENCIAL QUE SE INICIA EM 1O. DE JANEIRO DE 1997 E FINDA EM 31.12.2001. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Em referido julgamento restou entendido que o prazo decadencial se inicia no exercício financeiro seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), com retorno dos autos à Câmara a quo para apreciação das demais questões. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Fl. 516DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.004543/0016 Acórdão n.º 9202002.065 CSRFT2 Fl. 2 2 Susy Gomes Hoffmann Relatora Participara do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcelo Oliveira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Gustavo Lian haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Elias Sampaio Freire, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rycardo Henrique Magalhães de Oliviera, Gonçalo Bonet Allage e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, para a constituição de crédito tributário concernente aos anoscalendários 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999. Conforme o relatório da DRJ, temse que: “3 No Termo de Verificação Fiscal de fls. 277/284, o auditor fiscal relata que, apesar de recorrentemente intimado a apresentar os citados documentos e esclarecimentos com relação ao período fiscal em exame, o contribuinte não apresentou todos os documentos exigidos, somente os de fls. 149/236. Assim, a autoridade fiscal complementa as informações com dados obtidos nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal (fls. 46/128, 134/135 e 140/142), junto ao DETRAN/SP (143/144) e nos Cartórios de Registro de Imóveis, de Títulos e Documentos e de Notas da Capital. 4 Do exame destes documentos, o auditor fiscal encerra o procedimento com a lavratura do auto de infração citado, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 277/284) e planilhas de Variação Patrimonial (fls. 267/276), por terem sido apuradas as seguintes infrações à legislação tributária abaixo mencionada: 5 Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, com a verificação de excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados ou comprovados, conforme Termo de Verificação Fiscal e planilhas. 6 Enquadramento legal: artigos 1° ao 3° e parágrafos da Lei 7.713/88; artigos 1° ao 2° da Lei 8.134/90; artigos 7° e 8° da Lei 8.981/95; artigos 3° e 11 da Lei 9.250/95; artigo 21 da Lei 9.532/97; artigo 55, XIII e § único do RIR/99. 7 Falta de Entrega da Declaração. Falta de entrega da declaração de ajuste do anocalendário 1995.” O contribuinte apresentou impugnação às fls. 302/325. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.004543/0016 Acórdão n.º 9202002.065 CSRFT2 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 340/356) julgou o lançamento parcialmente procedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1995, 1997, 1998, 1999 Ementa: DECADÊNCIA Não havendo pagamentos antecipados a homologar, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL COMPETÊNCIA DO SERVIDOR .R competente para constituir o crédito tributário o Auditor Fiscal da Receita Federal, por se tratar de atividade obrigatória e vinculada. O Mandado de Procedimento Fiscal, por sua vez, é um instrumento interno de controle administrativo o qual não interfere na competência do auditor para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto esta competência instituída por lei. SINAL EXTERIOR DE RIQUEZA — ARBITRAMENTO NOTIFICAÇÃO PREVIA — arbitramento dos gastos indispensáveis à utilização de bens que revelem sinais exteriores de riqueza não exige prévia notificação do contribuinte. SINAL EXTERIOR DE RIQUEZA — ARBITRAMENTO — A falta de comprovação dos gastos realizados indispensáveis a utilização dos bens que revelem sinais exteriores de riqueza autoriza o arbitramento dos dispêndios em valor equivalente até dez por cento. A falta de tabela expedida pelo Poder Executivo discriminando percentuais específicos para cada tipo de bem, móvel ou imóvel, não obsta que se faça o arbitramento pelo percentual previsto na norma legal. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL — MÚTUO — A simples indicação na declaração de ajuste de empréstimo tomado, sem a devida comprovação da transferência do correspondente numerário e sem a apresentação do contrato de mútuo, não constitui origem para eventuais aplicações. DOAÇÃO — NÃO COMPROVAÇÃO — A simples apresentação de comprovantes de venda de câmbio não é suficiente para a comprovação da natureza do rendimento recebido do exterior como doação. DESCONTO SIMPLIFICADO — O desconto simplificado é considerado rendimento consumido para efeitos do cálculo da variação patrimonial MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO — LANÇAMENTO DE OFÍCIO — CONCOMITÂNCIA — É incabível a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração sobre a mesma base de cálculo da multa de oficio. Quando há entrega intempestiva da declaração, antes de iniciado o procedimento fiscal, a multa por atraso deverá ser Fl. 518DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.004543/0016 Acórdão n.º 9202002.065 CSRFT2 Fl. 4 4 aplicada sobre o valor do imposto devido informado na declaração. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 367/394. A 2° Câmara da 2° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF decidiu no seguinte sentido: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 1995, rejeitar as demais preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual”. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCEDIMENTOS FISCAIS DE DILIGÊNCIA E FISCALIZAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA FISCALIZAÇÃO. PRESCINDIBILIDADE. Os MPFDiligência e MPFFiscalização, por autorizarem procedimentos fiscais distintos e autônomos, a emissão do segundo prescinde de substituição do auditor responsável pela execução do trabalho, ainda que o primeiro tenha sido extinto por decurso de prazo. NULIDADE. ERRO DA DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. DESCABIMENTO. Descabe falar em nulidade da autuação quando o enquadramento legal está corretamente indicado no auto de infração, ainda mais quando comprovado que a minuciosa descrição dos fatos identifica com clareza os fatos que deram origem ao lançamento, permitindo o exercício da ampla defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ONUS DA PROVA Fl. 519DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.004543/0016 Acórdão n.º 9202002.065 CSRFT2 Fl. 5 5 No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete A. fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. VALORES INFORMADOS NA DECLARAÇÃO. COMPROVAÇÃO Para que os empréstimos, doações, alienações e outras fontes de recursos sejam considerados na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, não basta que a informação conste da declaração de ajuste do contribuinte, devendo os valores declarados estar lastreados em documentos hábeis e idôneos que atestem o seu recebimento. SINAL EXTERIOR DE RIQUEZA. CUSTO DE MANUTENÇÃO. ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. A falta de comprovação dos gastos indispensáveis A utilização dos bens que revelem sinais exteriores de riqueza autoriza o arbitramento dos dispêndios no percentual de até dez por cento do valor de mercado dos referidos bens, sem que seja necessária a previa notificação do contribuinte. Preliminares rejeitadas. Acolhida a decadência. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 411/416). Sustentou a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, para a regência do prazo decadencial na hipótese. Argumentou que não houve pagamento antecipado parcial do imposto, em relação à variação patrimonial ocorrida no anocalendário de 1995. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 441/445 dos autos. Interpôs, também, recurso especial, ao qual se negou seguimento. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.004543/0016 Acórdão n.º 9202002.065 CSRFT2 Fl. 6 6 A discussão referese ao dispositivo legal que deve o reger o prazo decadencial na hipótese dos autos. Entendeuse, no acórdão recorrido, aplicandose o artigo 150, § 4°, do CTN, que a decadência atingiu o fato gerador ocorrido em 31/12/1995 (ano calendário 1995). A Fazenda sustenta, no recurso em análise, que, em verdade, por não ter havido pagamento antecipado parcial, o prazo deve ser regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, de modo que o seu direito de constituição do crédito tributário não estaria extinto. Pois bem. Primeiramente, devese verificar se, no caso, efetivamente, houve ou não pagamento antecipado do imposto em questão. Somente a partir daí podese determinar artigo aplicável à hipótese. A autoridade fiscal constatou, para a lavratura do auto de infração, a ocorrência de variação patrimonial a descoberto. Compulsandose os autos, depreendese, da Declaração de Ajuste Anual relativa ao anocalendário de 1995 (fls. 26/27), que não houve, efetivamente, recolhimento do imposto de renda, sequer parcialmente. Diante disso, passo à análise do caso, partindo da premissa de que não houve pagamento antecipado parcial. O entendimento desta relatora sempre foi no sentido de que, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento, de tal forma que, para o julgamento, não interessava a ocorrência ou não do pagamento. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, temse que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 521DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.004543/0016 Acórdão n.º 9202002.065 CSRFT2 Fl. 7 7 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Neste sentido, é de se ter que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial será regido pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, no caso de não ter havido o pagamento antecipado do tributo por parte do contribuinte. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.004543/0016 Acórdão n.º 9202002.065 CSRFT2 Fl. 8 8 Como efeito prático da adoção do julgamento do STJ em recurso repetitivo, está que para os casos de Imposto sobre a Renda, o entendimento é que o prazo decadencial, começou a fluir, na hipótese em discussão, já em 1o. de janeiro de 1997, uma vez que o fato gerador do IRPF ocorreu dia 31.12.1995. Desta feita o prazo decadencial começou a correr em 1/1/1997 e terminou em 31/12/2001. A lavratura do Auto de Infração deuse em 05/04/2001, de tal maneira, que sob a égide deste entendimento, não ocorreu a decadência. Diante do exposto, adotando o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, por força do disposto no artigo 62A do regimento interno, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e determino o retorno dos autos para o enfrentamento do mérito relativo ao ano calendário de 1995. Sala das Sessões, em 21 de março de 2012 21 de março de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 523DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10280.006687/2008-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2000
NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO SÚMULA CARF N° 22.
É nulo o despacho decisório que nega a inclusão da pessoa jurídica no Simples limitando-se a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Aplicação da Súmula CARF nº 22.
Numero da decisão: 1802-001.090
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em dar
provimento ao recurso para anular o Ato Declaratório Executivo, nos termos do voto do
Relator.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2000 NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO SÚMULA CARF N° 22. É nulo o despacho decisório que nega a inclusão da pessoa jurídica no Simples limitando-se a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Aplicação da Súmula CARF nº 22.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 74 1 73 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.006687/200815 Recurso nº 872.965 Voluntário Acórdão nº 180201.090 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de janeiro de 2012 Matéria Simples e Simples Nacional Recorrente K KUROHATA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO SÚMULA CARF N° 22. É nulo o despacho decisório que nega a inclusão da pessoa jurídica no Simples limitandose a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Aplicação da Súmula CARF nº 22. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para anular o Ato Declaratório Executivo, nos termos do voto do Relator. ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. MARCIEL EDER COSTA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratase nos autos da exclusão da Recorrente do programa simplificado instituído pela Lei Complementar n° 123 de 14 de dezembro de 2006 através do ADE (Ato Declaratório Executivo) n° 068736 de 22 de agosto de 2008. Em 12 de dezembro de 2008, apresentou contestação requerendo sua permanência no programa, sob alegação de ter liquidado sua dívida previdenciária e também por ter regularizado através de parcelamento instituído pela MP 449/2008 o restante dos débitos – convertida na Lei 11.941/2009. Foi então que a DRJ de Belém/PA, manteve a exclusão, por falta de comprovação do pagamento dos débitos não previdenciários que motivaram a respectiva exclusão, assim expondo suas conclusões: O motivo da exclusão, fl. 14, foi a existência de débitos para com a Fazenda Federal e com a Previdência Social. Ora, conforme fls. 02/04, não consta dos autos que a empresa haja comprovado haver pago ou parcelado os débitos não previdenciários, nem tampouco apresenta Certidão Negativa Conjunta da RFB e da PGFN. Digase mais, o art. 1° §2° da MP 449 de 03/12/2008 a que alude o sujeito passivo em sua Manifestação de Inconformidade de fl. 01, referese a divida vencida até 31/12/2005, como abaixo se reproduz: Por fim, a Recorrente demonstra em seu Recurso Voluntário que suas dívidas foram parceladas conforme juntada às fls. 22 do respectivo demonstrativo de débitos inscritos em dívida ativa da união. É o Relatório. Voto Conselheiro Marciel Eder Costa O presente recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.006687/200815 Acórdão n.º 180201.090 S1TE02 Fl. 75 3 Verificase às fls. 10 que o Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 068736 de 22 de agosto de 2008 não possibilitou ao contribuinte o conhecimento de quais débitos motivaram sua exclusão do SIMPLES Nacional, se limitando apenas a consignar a existência de pendências cuja exigibilidade não estaria suspensa. Tal ocorrência dá vazão à sua nulidade, conforme matéria sumulada: Súmula CARF nº 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Assim, ocorrida nulidade inicial do ato administrativo, transmitese também ao despacho decisório que nega sua inclusão no programa do SIMPLES Nacional, ainda que posteriormente venha o contribuinte tomar ciência dos supostos débitos que originaram a sua exclusão. Pelo exposto, voto no sentido de anular o Despacho Decisório emanado pelo DRJ de Belém/PA, encaminhandose os autos deste processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém/PA, para que seja proferido novo ato administrativo com a reparação dos vícios ora apontados, se for o caso. É como voto. Marciel Eder Costa Relator Fl. 36DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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