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Numero do processo: 19515.005058/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 19/04/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES REFERENTES A FATOS GERADORES. CÁLCULO DA MULTA.
A obrigação acessória de prestar informações ao Fisco Federal mediante GFIP tem periodicidade mensal, renovando-se a cada mêscompetência.
Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados
relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas, sendo que cada uma das infrações será punida com o valor mínimo de R$ 500,00.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.771
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES REFERENTES A FATOS GERADORES. CÁLCULO DA MULTA. A obrigação acessória de prestar informações ao Fisco Federal mediante GFIP tem periodicidade mensal, renovandose a cada mêscompetência. Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas, sendo que cada uma das infrações será punida com o valor mínimo de R$ 500,00. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2005 Data da lavratura do Auto de Infração: 19/04/2010. Data da Ciência do Auto de Infração: 30/04/2010. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social valores indevidos de compensação nas competências janeiro/2005 a agosto/2005, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração, a fl. 144. CFL 78 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. Informa a Autoridade Lançadora que os valores compensados indevidamente referemse à homologação datada de 05/02/2003, da sentença judicial do processo nº 94.00212291, para compensação a partir de 03/2003, de valores pagos e recolhidos de Pró labore e pagamento a autônomos no período de 09/1989 a 06/1994, nos moldes das Leis nº 7787/89 e 8.212/91, tendo sido utilizados os índices de atualização determinados pela decisão judicial já descrita acima, ou seja de acordo com a legislação previdenciária, utilizandose para a compensação a mesma atualização empregada de acordo com a legislação previdenciária vigente à época dos fatos, conforme ANEXO V Planilha de atualização do crédito, a fls. 138/139. Aduz que, após o lançamento dos valores na planilha de atualização verificouse que o valor total do crédito a compensar foi utilizado até a competência 01/2005, sendo efetuado o lançamento de glosa dos créditos aproveitados pela empresa nas competências 01/2005 a 08/2005, conforme planilha de glosa constante no Relatório Fiscal da Infração, a fl. 144.. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005058/200914 Acórdão n.º 230201.771 S2C3T2 Fl. 196 3 Na aplicação de multa, a empresa efetuou a informação de forma incorreta no bloco compensação da GFIP do período de 01/2005 a 08/2005, nos campos: VALOR SOLICITADO e VALOR COMPENSADO, totalizando duas informações por competência. A multa aplicada corresponde a R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações omitidas, observada a multa mínima de R$500,00 (quinhentos reais), por competência, perfazendo, na data de consolidação, o total de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), conforme consignado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 145 e no anexo I a fl. 140. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 148/150. A Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no acórdão a fls. 183/187, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 21/02/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 190. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 191/193, respaldando sua inconformidade em argumentação de que “as informações constantes da GFIP foram emanadas daquela respeitável Sentença proferida nos autos do Processo número 94.0021229 1 da D. 15ª Vara Federal em São Paulo e ratificada pelo Acórdão número 95.03.0949661, do E. Tribunal Regional Federal, de sorte que, data vênia, a guia apresentada preenche todas as características exigidas”. Ao fim, requer a declaração de improcedência do lançamento tributário. Relatados os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 21/02/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 11 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Argumenta o Recorrente que as informações constantes da GFIP foram emanadas da Sentença proferida nos autos do Processo nº 94.00212291 da 15ª Vara Federal em São Paulo e ratificada pelo Acórdão nº 95.03.0949661, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de sorte que a guia apresentada preencheria todas as características exigidas. Tal alegação, considerada de per se em sua solitude, não se mostra suficiente para elidir os sólidos fundamentos do lançamento que ora se opera. Logo de plano mostrase alvissareiro iluminar que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Diferentemente do que ocorre com as pessoas jurídicas de direito privado, que se formam a partir da vontade humana, as pessoas jurídicas de direito público tem sua existência legal em razão de fatos históricos, da Constituição do país, de leis ou tratados internacionais, visando ao atingimento de certos fins de interesse da coletividade, estruturando se juridicamente, ao influxo de uma finalidade cogente, eis que vinculada ao princípio da constitucional da finalidade. Muito embora a Administração Pública se submeta primordialmente ao regime jurídico de direito público, nas ocasiões em que sua subsunção ao regime de direito privado se revela preponderante, a sua submissão não é absoluta, uma vez que a necessidade de satisfação dos interesses coletivos exige a outorga de prerrogativas e privilégios para a Administração pública, tanto para limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do bem estar coletivo como para a própria e eficaz prestação de serviços públicos. Tais prerrogativas e privilégios existem e subsistem mesmo quando o Ente Público se equipara ao privado, eis que inerentes à ideia de dever irremissível do Estado, bem como à supremacia dos interesses coletivos que representa em contraposição aos interesses individuais de natureza privada. Justificamse as prerrogativas e privilégios da Administração Pública pela circunstância de serem os atos administrativos emanações diretas do Poder Público em favor da coletividade, impondoselhes a premência de serem ornados de determinados atributos que os distingam dos atos jurídicos de direito privado, o que lhes confere características intrínsecas próprias e condições peculiares de atuação na sociedade, como nessa qualidade se apresentam a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Relembrando o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005058/200914 Acórdão n.º 230201.771 S2C3T2 Fl. 197 5 legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Na mesma toada, temse que a presunção de legitimidade do ato administrativo relacionase aos seus aspectos jurídicos. Em consequência, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade dos atos administrativos”, do qual decorre a circunstância de serem presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração, até a prova em sentido diverso. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Nessa vertente, por serem dotados os atos administrativos de prerrogativas que derrogam o direito comum perante a administração, urge serem analisados sob a luz que dimana do regime jurídico de direito público que os rege. Neste comenos, digressionando superficialmente sobre os meios de prova admissíveis em direito, percebemos que o art. 332 do Código de Processo Civil considera como hábeis a provar a verdade dos fatos todos os meios legais, assim como aqueles moralmente legítimos, ainda que não especificados no Código. A partir da interpretação sistemática do ora revisitado dispositivo, perante o dogma do contraditório e da ampla defesa encartado nos incisos LV e LVI do art. 5º da CF/88, concluise ser aceitável a utilização, no processo administrativo ou judicial, de todos os meios de prova, desde que moralmente legítimos e colhidos, direta ou indiretamente, sem infringência às normas de direito material. Visitando as páginas do CPC, são nossas retinas expostas ao preceito inscrito no inciso IV do art. 334, que assenta de forma expressa não depender de prova no processo os fatos em cujo favor militar presunção legal de existência ou de veracidade. Código de Processo Civil Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Vale lembrar que as presunções, assim como os indícios, são também conhecidas como prova indireta. Nessa perspectiva, enquanto os meios ordinários de prova fornecem ao julgador a ideia objetiva do fato que se almeja provar, na presunção, os fatos afirmados não se referem ao meio de prova apresentado, mas a um outro fato ordinário não comprovado nos autos mas conexo ao fato probante, que com ele se relaciona, e de cujo conhecimento, através de um raciocínio lógico, atrai a conclusão de ocorrência do primeiro. A estrutura do raciocínio empregado é a do silogismo, figurando como premissa menor um fato conhecido e provado nos autos e como premissa maior a verdade contida nesse fato auxiliar, cuja ocorrência se deduz pela experiência do que ordinariamente acontece. Colhemos da melhor doutrina que, “nesse caso, o juiz conhecerá o fato probando indiretamente. Tendo como ponto de partida o fato conhecido, caminha o juiz, por via do raciocínio e guiado pela experiência, ao fato por provar” (Moacyr Amaral dos Santos, Primeiras Linhas de Direito Processual Civil 2º Volume, São Paulo: Saraiva, 1995). Consoante tal estrutura, se um determinado fato jurídico realmente vem a ocorrer, dele sucederá o fato que se deseja provar, em razão do que comumente acontece. Em hipóteses tais, quando na base do silogismo se chega a um fato que ordinariamente acontece, da conclusão se autoriza que se extraia uma presunção, eis que o fato presumido é uma consequência verossímil do fato conhecido. Assim, as presunções legais decorrem de um raciocínio sugerido pelo ordenamento legal, devendo tal situação restar expressamente consignada na lei. Sua eficácia probatória, todavia, pode admitir ou não de prova em sentido contrário. Nesse contexto, na presunção absoluta a parte invocadora da presunção não está obrigada a provar o fato presumido, mas sim, o fato no qual a lei se assenta, não admitindo qualquer prova em contrário. De modo diverso, na presunção relativa, a lei estabelece que o fato presumido é havido como verdadeiro até que a ele se oponha prova em contrário. No caso sub examine, a presunção de veracidade dos atos administrativos decorre do princípio da legalidade estatuído no caput do art. 37 da Lex Excelsior, sendo considerada, para efeitos processuais, uma presunção legal iuris tantum e, dessarte, um meio de prova válido no processo. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em sentido contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005058/200914 Acórdão n.º 230201.771 S2C3T2 Fl. 198 7 Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 123930 / SP Relator(a) Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS Órgão Julgador CE CORTE ESPECIAL Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Data da Publicação/Fonte: DJ 15/06/1998 p. 2 PROCESSUAL PROVA COPIA XEROGRAFICA AUTENTICAÇÃO POR FUNCIONARIO DE AUTARQUIA EFICACIA PROBATORIA. Autenticada por servidor publico que tem a guarda do original, a reprografia de documento publico merece fé, ate demonstração em contrario. Em não sendo impugnada, tal reprografia faz prova das coisas e dos fatos nelas representadas (CPC, art. 383). EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a falsidade dos assentamentos em realce. Diante desse quadro, tratandose o Auto de Infração de documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos – o auditor fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil , não há como se negar a veracidade de seu conteúdo. No caso específico, a Autoridade Fiscal, empregando o critério de atualização dos créditos do contribuinte consignado no corpo da sentença proferida nos autos do processo nº 94.00212291, pela 15ª Vara Federal em São Paulo, logrou demonstrar, mediante planilhas a fls. 148/168 do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.004562/200905, que os valores compensados pela empresa foram superiores ao direito creditório que ela possuía, decorrente da sentença judicial em apreço. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005058/200914 Acórdão n.º 230201.771 S2C3T2 Fl. 199 9 Da mesma forma, no Processo Administrativo Fiscal nº 19515.004562/2009 05 foram apresentados no Anexo III do seu Relatório Fiscal, a fls. 162/163, os valores indevidamente recolhidos e passíveis de compensação; No Anexo IV, a fl. 164, foram apresentados os valores compensados nos períodos de março/2003 a Agosto/2005, enquanto que no Anexo V Planilha de Atualização do Crédito a fls. 165/166, foram arrolados, em cada competência, os valores compensados e o crédito remanescente, todos devidamente atualizados, demonstrando ao fim que o direito creditório do sujeito passivo houvese por integralmente exaurido já na competência 01/2005. Assim, os valores objeto de compensação declarados pela empresa nas competências seguintes a janeiro/2005 foram qualificados pelo agente fiscal como indevidamente compensados, passando a integrar o lançamento objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.004562/200905. Ocorre que o lançamento tributário objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.004562/200905 foi julgado integralmente procedente pelo plenário da 2ª Turma Ordinária da 3ª CÂMARA da 2ª SEJUL/CARF/MF/DF, em sessão realizada em 19 de março de 2012. Dessarte, restando configurada como indevida a compensação efetuada pelo Recorrente nas competências janeiro a agosto de 2008, passam a figurar como incorretas as informações por ele declaradas nas correspondentes GFIP, circunstância que representa violação objetiva à obrigação acessória prevista no inciso IV da Lei nº 8.212/91, a qual implica a inflição da penalidade pecuniária prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, observado o limite mínimo fixado no inciso II do §3º desse mesmo dispositivo legal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). §1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 §2o Observado o disposto no §3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). §3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Cabe ressalvar, de modo a nocautear qualquer dúvida, que a missão de estruturar e dar efetividade à obrigação acessória em relevo foi confiada à lei nº 8.212/91, cujo inciso IV do seu art. 32 dispôs de maneira isenta de rodeios que a obrigação de prestar informações ao Fisco Federal, mediante GFIP, tem periodicidade mensal, de sorte que, a cada mêscompetência renovase a obrigação de promover a entrega do citado documento com a totalidade das informações demandadas pela legislação previdenciária. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) Em assim sendo, a entrega da GFIP em um determinado mês não exime nem dispensa o obrigado a efetuar a mesma entrega na competência seguinte, ainda que as informações a serem declaradas sejam exatamente as mesmas informadas na declaração do mês anterior. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o inciso I do art. 32A do mesmo Pergaminho Legal, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, aviou norma sancionatória, prevendo a punição do obrigado em caso de entrega de GFIP contendo incorreções ou omissões, à ordem de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Assentada que a obrigação de prestar informações mediante GFIP se renova mensalmente, dessumese de forma hialina que cada não apresentação de GFIP representa uma infração independente, a qual sofrerá a punição prevista na lei de forma isolada das demais. Assim, ainda que a sanção a todas as infrações representativas de cada uma das competências apuradas pela fiscalização seja lançada mediante um único Auto de Infração, Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005058/200914 Acórdão n.º 230201.771 S2C3T2 Fl. 200 11 o valor da multa a ser estipulada para cada infração (competência) tem que ser calculada mediante a aplicação, na íntegra, da memória de cálculo estabelecida no art. 32A da Lei nº 8.212/91, e , ao fim, devidamente somadas. No caso dos autos, a fiscalização apurou, em cada competência, a ocorrência de duas incorreções/omissões, consubstanciadas nos campos “valor solicitado” e “valor compensado”. Prevendo a lei que cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas é punido com a multa de R$ 20,00 , a cada GFIP entregue com informações desse jaez corresponderia uma multa de R$ 20,00, condição que resultaria numa multa global de R$ 160,00 , uma vez que tal infração houvese por verificada em 08 GFIP distintas. Ocorre, todavia, que o §3º do dispositivo legal em debate estipulou uma pena mínima de R$ 200,00 para os casos em que se tratar de tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária, e de R$ 500,00 nos demais casos. Diante desse quadro, considerandose que às informações incorretas/omissas encontramse associados fatos geradores de contribuições previdenciárias, lançados mediante o Auto de Infração nº 37.189.0020, lavrado na mesma ação fiscal, dessai que o valor mínimo da penalidade pecuniária a ser atribuído a cada infração será de R$ 500,00, o que perfaz um valor final total de R$ 4.000,00, estando correta a autoridade lançadora na quantificação do montante devido. Conforme detalhadamente demonstrado, a multa aplicada percorreu com exatidão os trilhos assentados pelo art. 32A da Lei Orgânica da Seguridade Social. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13737.000731/2003-43
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa:
ARGUIÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE
CONTRIBUTIVA E DA ILEGALIDADE — Falece competência ao Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre eventual ofensa de lei tributária a princípios constitucionais, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário Ademais, nos procedimentos administrativos hostilizados pela recorrente, não se vislumbra qualquer
ofensa aos princípios arrolados,
SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA PRÊMIOS OBTIDOS PELA PARTICIPAÇÃO DE SÓCIOS EM EVENTOS ESPORTIVOS — Os rendimentos auferidos pelos sócios de pessoa jurídica, derivados de prêmios
conquistados pela participação individual destes, na qualidade de
profissionais de vôlei de praia, em eventos esportivos organizados por terceiros, quando imputados a pessoa jurídica, vedam a opção desta pelo Simples, ao teor do disposto no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9317/96, pois a mencionada atividade é assemelhada às relacionadas no referido inciso.
SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA SERVIÇOS DE ASSESSORIA E CONSULTORIA ESPORTIVA — As pessoas jurídicas que exercem a prestação de serviços de Assessoria e Consultoria Esportiva estão impedidas
de optar pelo Simples em vista de vedação expressa à opção contida no XIII do art. 90 da Lei n° 9 317/96.
Numero da decisão: 1103-000.197
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do reltório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Gervásio Nicolau Recketenvald
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: ARGUIÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DA ILEGALIDADE — Falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre eventual ofensa de lei tributária a princípios constitucionais, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário Ademais, nos procedimentos administrativos hostilizados pela recorrente, não se vislumbra qualquer ofensa aos princípios arrolados, SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA PRÊMIOS OBTIDOS PELA PARTICIPAÇÃO DE SÓCIOS EM EVENTOS ESPORTIVOS — Os rendimentos auferidos pelos sócios de pessoa jurídica, derivados de prêmios conquistados pela participação individual destes, na qualidade de profissionais de vôlei de praia, em eventos esportivos organizados por terceiros, quando imputados a pessoa jurídica, vedam a opção desta pelo Simples, ao teor do disposto no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9317/96, pois a mencionada atividade é assemelhada às relacionadas no referido inciso. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA SERVIÇOS DE ASSESSORIA E CONSULTORIA ESPORTIVA — As pessoas jurídicas que exercem a prestação de serviços de Assessoria e Consultoria Esportiva estão impedidas de optar pelo Simples em vista de vedação expressa à opção contida no XIII do art. 90 da Lei n° 9 317/96.
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WANGLER - PROMOÇÕES E. EVENTOS LTDA. Recorrida 8 TURMA DA DRJ/RJOI Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: ARGUIÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DA ILEGALIDADE — Falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre eventual ofensa de lei tributária a princípios constitucionais, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário Ademais, nos procedimentos administrativos hostilizados pela recorrente, não se vislumbra qualquer ofensa aos princípios arrolados, SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA PRÊMIOS OBTIDOS PELA PARTICIPAÇÃO DE SÓCIOS EM EVENTOS ESPORTIVOS — Os rendimentos auferidos pelos sócios de pessoa jurídica, derivados de prêmios conquistados pela participação individual destes, na qualidade de profissionais de vôlei de praia, em eventos esportivos organizados por terceiros, quando imputados a pessoa jurídica, vedam a opção desta pelo Simples, ao teor do disposto no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9317/96, pois a mencionada atividade é assemelhada às relacionadas no referido inciso. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA SERVIÇOS DE ASSESSORIA E CONSULTORIA ESPORTIVA — As pessoas jurídicas que exercem a prestação de serviços de Assessoria e Consultoria Esportiva estão impedidas de optar pelo Simples em vista de vedação expressa à opção contida no XIII do art. 9 0 da Lei n° 9 317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos r\ jiti 1 J l.) 1 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos ter' s do relatório e voto que integram o presente julgado 6 --À.. ALOYSIO J ,_ f \EI'' ' 1-6 - S ILVA - Presidente 4, 4, 1 1 i , ,0 \ • r e' i GERVÁS O NICOLAU RECKETENVALD - Relator EDITADO EM:o 7 j rj 1 2010,.. , ,. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Gervásio Nicolau Recketenvald, Marcos Shigueo Talcata (Vice presidente), Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. 2 Processo n° 13737 000731/2003-43 SI-C1T3 Acórdão n° 1103-00,197 El Relatório A discussão em tela versa sobre a exclusão do SIMPLES, determinada pela DRF de Niterói através do Ato Declaratório Executivo DRUNIT n° 445.133, de 07 de agosto de 2003 (fl. 03), O referido ADE excluiu a interessada do Simples a partir de 01/10/2002, isto é, no mês seguinte à data da opção àquele sistema de tributação, que ocorreu em 18/09/2002, O motivo da exclusão, assinalado no ato administrativo, é o exercício de "atividade económica vedada - CNAE 9261-4/99 - Outras Atividades Desportivas", com enquadramento na Lei n° 9 317, de 05/12/1996, art. 9 0 , inciso XIII. Inconformada, a recorrente solicitou revisão da exclusão, alegando, em síntese, não se enquadrar no dispositivo citado como excluclente, pois "a ,firma não organiza e nem promove eventos esportivos" (f1, 01), Mesmo assim, sem maiores investigações acerca do alegado, a Administração Tributária indeferiu a solicitação, sob a justificativa de que a "promoção de eventos esportivos é atividade vedada conforme Solução de Consulta SRRF/7" RF/Disit n°235/2001" (fi. 02). Ato contínuo, a interessada apresentou impugnação à DRJ, arguindo que não é produtora de espetáculos - atividade vedada pelo art. 9', inciso XIII, da Lei no 9.317/96 -, mas que "tem como representante legal um atleta profissional do Vôlei de Praia, que participa, jogando, em competições desportivas, que ao .final, dependendo de sua colocação percebe prêmios dos promotores dos eventos" (f1. 18), Alega, ainda, que foi obrigada a constituir pessoa jurídica para possibilitar o recebimento de prêmios derivados das competições esportivas de que participa, pois estes são pagos por cheques, nominais às pessoas jurídicas. Da leitura desses fatos, a impugnante infere estar comprovado que não organiza e nem promove eventos esportivos, mas apenas deles participa através das sócias - pessoas físicas — que, na qualidade de atletas, assim exercem sua atividade profissional. Por fim, ainda alega que o ato declaratório hostilizado teria ferido o princípio da legalidade e o princípio da capacidade contdbutiva. Apreciando a impugnação, a DRJ, através do Acórdão n° 10.173, de 31/03/2006, declarou-se incompetente para julgar as arguições de inconstitucionalidade e rejeitou a preliminar de nulidade por entender que o procedimento atendia as determinações legais concernentes. No mérito manteve a exclusão em vista do entendimento de que "a pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços de promoção de eventos esportivos está impedida de optar pelo SIMPLES" (f1.. 38). Fundamenta a exclusão, basicamente, na expressão "ou assemelhados", contida no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317/96. Ressalva que a atividade da impugnante, informada no CNPJ, corresponde a "outras atividades desportivas", de CNAE Fiscal IV 9,261-4/99, mas que mesmo assim a atividade estaria abarcada pela expressão "assemelhados", empregada na Lei n°9.317/96 e nos atos normativos que a regulam. CM 3 Suplementarmente, no que respeita à questão arguida pela defesa, de que foi obrigada a constituir pessoa jurídica para receber os prêmios das competições esportivas ganhos pelos sócios da impugnante, o voto condutor do acórdão em tela trás à baila a Solução de Consulta COSIT n" 15, de 26 de agosto de 2002, que traduz entendimento de que "os valores das gratificações, prêmios, participações, pagos a atleta profissional em decorrência dos resultados obtidos em competições esportivas possuem caráter remuneratório e estão sujeitos à incidência do imposto de renda, na fonte e na declaração [.]",. Ainda neste mesmo contexto, segundo o relator do acórdão a quo, a constituição de pessoa jurídica para acolhei os rendimentos decorrentes das competições esportivas ganhos pelos sócios, representaria "convenção particular oposta à Fazenda Pública, com objetivo de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes", procedimento inaceitável, no caso, ao teor do art. 123 do CTN (Código Tributário Nacional) (fl. 46), Por fim, em face dos argumentos acima sintetizados, a 8' Turma da DRJ/RJO, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da interessada. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fl. 54), repisando, inicialmente, que tem como seu representante legal um atleta profissional do Vôlei de Praia, que participa, jogando, em competições desportivas, que ao final, dependendo de sua colocação, percebe prêmios dos promotores dos eventos. Todavia, ainda segundo o recurso, para recebê-los, teria lhe sido imposta a condição sine qua F2011 de constituição de urna pessoa jurídica, visto que sem essa condido ficaria o atleta impossibilitado de obter suas premiações. Na sequência do recurso, a defesa reafirma que a empresa não exerce a atividade constante no contrato social — "serviços de promoção de eventos esportivos e exploração de imagem de seus sócios" — mas que tão somente participa, na condição de atleta, dos eventos esportivos promovidos por outrem, cuja atividade não admitiria a exclusão hostilizada por não vedada pelo Simples. Em vista disso, a interessada entende que a exclusão foi irregular porque a autoridade administrativa apenas se apoiou nos dizeres do contrato social e não verificou se efetivamente a atividade nele prevista era exercida. De outra parte, também segundo entendimento da interessada, o enquadramento da exclusão não poderia se apoiar em analogia ou na expressão "assemelhados", referida no art, 9°, inc. XIII, da Lei n° 9,317/96, por não aplicável à situação fática. Ainda, repetindo arguições da impugnação, a interessada alega ter o ato de exclusão ferido o princípio da legalidade, pois o "administrador está condicionado aos ditames do ordenamento jurídico, o que faz deste apenas um aplicador do que está regulamentado antecipadamente pela norma, não cabendo ao administrador qualquer margem de apreciação subjetiva, e sim, apenas a constatação" (fl. 61) (o grifo é do original) e, no caso, a exclusão não teria embasamento legal. Além disso, o recurso voluntário manifesta entendimento de que o procedimento administrativo, consubstanciado na exclusão da interessada do Simples, teria ferido também o Principio da Capacidade Contributiva. Tal principio teria sido ofendido, principalmente, em vista da exclusão retroativa, o que acarretaria uma "carga tributária por demais excessiva, o que importaria na própria extinção da Recorrente" (fl, 64)., 4 Processo n°13737 000731/2003-43 Acáidão ri ' 1103-00.197 Fl 3 Por derradeiro, já nos pedidos, a contribuinte requer seja dado provimento ao recurso voluntário para, mediante a reforma do acórdão a quo, fosse determinada a reinclusão da interessada no Simples. Recebido o recurso voluntário pelo antigo Conselho de Contribuintes, este foi distribuído à Primeira Câmara do Terceiro Conselho, que, através da Resolução 301-2,065, converteu o julgamento em diligência, determinando ao órgão preparador a juntada de documentos cornprobatórios da efetiva natureza da receita da empresa, que, segundo a defesa, era originada de prêmios de eventos esportivos ganhos pelo sócio da recorrente, por participar dessas competições na qualidade de atleta profissional de vôlei de praia. Procedida a diligência, foram juntados aos autos cópias das Notas Fiscais emitidas pela M. Wangler Promoções e Eventos Ltda,, alvará da Prefeitura do Rio de Janeiro, DARFs de recolhimentos pelo Simples e cópias das Declarações Anuais do Simples dos anos calendário de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006 Relativamente a 2007 — exercício de 2008, a interessada declarou-se inativa Ato contínuo, retornaram os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para deslinde, este limitado à questão de exclusão do Simples, pois não há notícias nestes autos de que, por ocasião da exclusão, tivesse havido lançamento de eventuais diferenças em fianção da adoção (indevida) do Simples. É o relatório 5 Voto Conselheiro Gervásio Nicolau Recktenvald O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade, razão pela qual o conheço, Segundo o relatado, a controvérsia cinge-se à legalidade, ou não, da exclusão do Simples, efetuada em agosto de 2003 pelo Ato Declaratório Executivo DRF/NIT ri° 445 133 (fL 03), retroativa a 01/10/2002, de empresa formada por atletas profissionais de vôlei de praia, constituída em 10/09/2002 (fl. 08), sendo que a sociedade tem como objeto, segundo o contrato social, a "prestação de Serviços de Promoção de Eventos Esportivos e Exploração de Imagem de seus Sócios" (fi 06). Perante o CNP:C, a atividade informada corresponde a "outras atividades desportivas". Por óbvio, e segundo o narrado nos autos, a controvérsia veio a este Conselho porque em instâncias administrativas anteriores, destacando-se a decisão da 8 Turma da DRS do Rio de Janeiro, prevaleceu o entendimento expresso no Acórdão a quo, de que "a pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços de promoção de eventos esportivos está impedida de optar pelo SIMPLES" Tal entendimento, todavia, desde a instauração da discussão, é contestado pela recorrente, que afilina e reafirma que o ato de exclusão: a) feriu o princípio da legalidade ("não cabe ao administrar qualquer margem de apreciação subjetiva, e sim apenas a constatação") (fl. 61) (o grifo é do original); (b) ofendeu o princípio da capacidade contributiva (a exclusão retroativa acarretaria uma "carga tributária por demais excessiva, o que importaria na própria extinção da Recorrente") (fl. 64); (c) que o ato de exclusão é improcedente porque a empresa não prestou nenhum serviço vedado pelo inciso XIII do art. 90 da Lei ri° 9,713/96 - dispositivo que fundamentou o ato declaratório de exclusão - pois os rendimentos que auferiu teriam sido decorrentes de prêmios por participações em competições de vôlei de praia, percebidos pelos sócios da interessada. Diante disto, e principiando o efetivo enfrentamento das questões postas, inicialmente, é de ponderar que as arguições relacionadas a eventual contrariedade ao princípio constitucional da capacidade contributiva, situação que hipoteticamente poderia se instaurar em decorrência do ato declaratório de exclusão em vista de urna possível futura autuação, deixam de ser objetivamente apreciadas por faltar ao colegiado ad quem competência para tanto Ademais, acatar uma tese assentada na possível exorbitância de uma hipotética autuação que poderia advir em decorrência da escolha, possivelmente equivocada, do sistema de tributação eleito pelo contribuinte, fato que violaria o princípio da capacidade contributiva, além de representar apenas mera hipótese, portanto não pertencente aos autos, implicaria reconhecer, inciden ter tanttun, a inconstitucionalidade das leis que ernbasariam a possível autuação, o que, além de absurdo, caracterizaria invasão a matéria da competência privativa do Poder Judiciário Vale acrescentar, ad argumentandurn, considerando que o princípio da capacidade contributiva, por plasmado na esteira da justiça distributiva, impõe ao contribuinte dotado de maior poder aquisitivo a obrigação de pagar impostos com aliquotas mais elevadas, não vislumbro de como a alegação trazida ao recurso voluntário poderia favorecer a defesa, A 6 tik Processo n" 13737000731/2003-43 SI-C1.13 Acôlelão n ° 1103-0Q197 Fl. 4 propósito, vejo, mas de parte da litigante, um desvio ao pretendido pelo princípio da igualdade, que, diga-se, é intimamente ligado ao princípio da capacidade contributiva. Esta fuga emerge no momento em que rendimentos pretensamente auferidos pela recorrente, normalmente submetidos à tributação pela tabela progressiva, e na alíquota de 27,5%, são oferecidos à tributação pelo Simples - uma sistemática constitucionalmente prevista para possibilitar às pequenas empresas os beneficios da tributação reduzida.. Por fim, resta dizer que a retroatividade da exclusão do Simples é legal nos termos em que foi prolatada, pois a lei não veda tal possibilidade. Assim, o questionamento da litigante quanto a este aspecto, e que fundamenta sua tese de que a exclusão retroativa teria contrariado o principio da capacidade contributiva quando diz que ela "desencadeia o pagamento de toda a diferença tributária mais multa e juros de mora" (fl. 64), não merece acolhida. À semelhança, deixo de apreciar a alegação de ofensa ao princípio da legalidade, pois não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade ou constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Mesmo assim, considerando que a arguição em comento está assoalhada numa suposta ilegalidade que o prolator do ADE teria cometido ao excluir a interessada do Simples sem aparente apoio na Lei, indiretamente, os efeitos da pretensa ofensa ao princípio da legalidade, por inseridos na discussão de mérito, serão enfrentadas como se verá adiante. Vencida essa etapa, e para dar início à discussão de mérito, mister se faz expor, sinteticamente, as teses que constituem a controvérsia: o a administração tributária, responsável pelo ADE hostilizado, com o apoio da instância julgadora recorrida — a DRI/R..10 -, dizem que não cabe a permanência da contribuinte no Simples por ela exercer atividade vedada, conforme previsão no inciso XIII do art. 9' da Lei n° 9.317/96, pois segundo seu contrato social ela tem como objeto "a prestação de serviços de promoção de eventos esportivos e exploração da imagem de seus sócios", estes atletas profissionais de vôlei de praia; • a recorrente, por sua vez, embora não discorde, ao menos de forma expressa, de que a atividade prevista em seu contrato social é vedada pelo Simples, sedimenta sua incoformidade na arguição de que a receita efetivamente auferida não é decorrente daquela atividade (a prevista no contrato social), mas provém de prêmios recebidos pelo desempenho em competições esportivas, obtidos pelos sócios da interessada; neste aspecto, reitera, afirmando que a participação em eventos esportivos seria atividade não vedada ao Simples. Nesse panorama, diversos aspectos emergem como relevantes para o deslinde da questão. Estes podem ser sintetizados nas cinco indagações abaixo formuladas, através das quais demarco a abrangência da análise que pretendo desenvolver para orientar e justificar meu voto: 1) É lícito excluir' uma empresa do Simples por constar em seu contrato social uma única atividade, vedada, mas que de fato não é exercida? r 7 2) Por que a empresa recorrente não registrou em seu contrato social a efetiva atividade, isto é, disputar competições esportivas e através destas granjear prêmios? 3) É admissivel imputar a pessoa jurídica prêmios decorrentes de atividades individualmente desenvolvidas pelas pessoas físicas dos sócios, portanto não derivados de venda de serviços a terceiros com o fim especulativo de lucro? 4) Mesmo aceitando que a atividade efetivamente desenvolvida pelos atletas de vôlei de praia, de fato imputada à recorrente, pudesse legalmente ser a ela atribuída, poderia, então, a pessoa jurídica optar pelo Simples? 5) A exigência do patrocinador, que ategadamente determinou a constituição de pessoa jurídica como condição para pagar os prêmios, é razão legalmente suficiente para estribar a alteração da forma de tributação, mesmo contrariando disposições legais especificas? No que respeita à primeira indagação — se é lícito excluir uma empresa do Simples por constar em seu contrato social urna única atividade, vedada, mas que de fato não é exercida - é pacifico o entendimento da Receita Federal, expresso em pronunciamentos da COSIT, a exemplo do orientado através do "Perguntas e Respostas - Ano Calendário 2004" (pergunta 148), que "a existência no contrato social de atividades impeditivas juntamente com não impeditivas" possibilita a opção e permanência no Simples desde que a interessada exerça, exclusivamente, atividades não vedadas. Este, todavia, ao menos aparentemente e segundo a defesa, não é o caso dos autos, pois na situação em tela, a atividade contida no contrato social não estaria sendo exercida, e, por outro lado, a efetivamente exercida não constaria como objeto social. Por outro lado, ainda segundo a citada orientação, "também estará impedida de optar pelos Simples a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social" Também esta proposição não tem congruência com o caso fatie°, a menos que se conclua que a atividade de fato exercida. não prevista no contrato social. impeca a opção pelo Simples Uma terceira situação, também abordada na orientação COSIT acima citada, mereceu o seguinte entendimento: "se no contrato social constarem unicamente atividades que vedam a opção, a pessoa jurídica deverá alterar o contrato para obter a inscrição no Simples, valendo a alteração para o ano-calendário subsequente". Esta determinação, embora aplicável à situação sob deslinde, no meu modo de ver, é insuficiente para, por si só, afiançar a exclusão procedida, Entretanto, dela emerge um outro ponto, relacionado à segunda indagação acima proposta: "por que a empresa recorrente não registrou em seu contrato social a efetiva atividade, isto é, disputar competições esportivas e com isto granjear prêmios", uma vez que, quando constituída, já se sabia exatamente qual seria a natureza da receita que se buscava? A razão disto não pode ser inferida dos autos Entretanto, a reflexão sobre essa possibilidade, fatalmente nos leva à análise da terceira indagação acima proposta, qual seja: "É admissivel imputar a pessoa jurídica prêmios decorrentes de atividades 8 dti Processo n° 13737 000731/2003-43 S1-C113 Acónião n " 1103-00197 El 5 individualmente desenvolvidas pelas pessoas .físicas dos sócios, quando não derivados de venda de áervicos a terceiros com o fim especulativo de lucro?" Para esclarecer esta dúvida, impõem-se breves considerações sobre a linha divisória que separa as atividades típicas das pessoas jurídicas e, portanto, tributadas segundo as determinações específicas do sistema de tributação escolhido para cada caso, das receitas produzidas por atividades desenvolvidas individualmente por pessoas fisicas, tributadas segundo a sistemática estabelecida para as pessoas físicas, com base na tabela progressiva. Nesse raciocínio, segundo preceitua a alínea "h" do § 1' do art.. 41 da Lei n° 4.506, de 1964, estão sujeitos ao imposto de renda das pessoas jurídicas os rendimentos decorrentes de qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. E a venda de serviços a terceiros estará tipificada quando tais serviços são prestados por pessoas contratadas e remuneradas pela unidade econômica a que se vinculam, que explora o potencial de trabalho destes mediante a venda dos serviços a terceiros, com a finalidade de lucro. Por outro lado, quando os serviços são prestados pessoalmente, como no caso, sem que a prestação exija uma unidade econômica, estrutura empresarial, participação de terceiros não auxiliares, etc., os rendimentos deles decorrentes se submetem à tributação do imposto sobre a renda das pessoas fisicas Nesse contexto, admitir que pessoas fisicas atribuam a pessoa jurídica os rendimentos de serviços que pessoalmente prestam, quando ausente a venda de servicos com o fim especulativo de lucro, é buscar alternativa de tributação não prevista em Lei. É o que se infere do disposto no art. 3°, § 4°, da Lei n° 7,713/88 (art. 45, inciso I, do RIR199), que determina que os rendimentos do trabalho não assalariado, a exemplo dos honorários do livre exercício das profissões de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (onde se enquadra o atleta profissional), sejam submetidos à tabela progressiva. O pensamento suso exposto, inclusive já foi tema de reiteradas manifestações da administração tributária, expressas em respostas a consultas, a exemplo das abaixo reproduzidas: PRÊMIOS PAGOS A ATLETA - Os valores das gratificaçõe.s, prêmios, participaçõe.s, pagos a atleta profissional em decorrência dos resultados obtidos em competições esportivas possuem caráter renumeratório e estão sujeitos à incidência do imposto de renda, na fonte e na declaração [..J. Dispositivos Legais Art. 7', inciso II, da Lei n" 7 713, de 22 de dezembro de 1988; art. 7" da Lei ri° 9,779, de 19 de janeiro de 1999. Processo de Consulta n" 15/02 Órgão: Coordenação-Geral do Sistema de Tributação — COSIT. Publicação no DOU de 27 08 2002 PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS — A pessoa física que, individualmente, presta serviços não comerciais, para efeito de imposto de renda, não é considerada empresa individual equiparada a pessoa jurídica, sendo incabível a opção pelo Simples, Dispositivos Legais. arts 37, 38, 150, 620 e 628 do Decreto n° 3 000, de 1999; art 3" da Lei n" 9317, de 1996 r4 9 Processo de Consulta n° 6/05 Órgão SRRF/8" Região Fiscal Publicação no DOU 22 02 2005. Ademais, impende destacar que segundo a documentação analisada, isto é, o Regulamento Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia, Termo de Compromisso assinado pelos atletas que participam das competições organizadas através da Confederação Brasileira de Vôlei de Praia e das Medidas Disciplinares do Vôlei de Praia, não persistem dúvidas sobre o caráter pessoal e individual dos serviços que propiciaram o rendimento canalizado à recorrente, derivado de prêmios de competições esportivas. Nesse passo, o "Regulamento Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia", que estipula o regramento das competições, aceito pelos atletas quando assinam o termo de compromisso dos atletas ("o jogador tem conhecimento e concorda com os itens do Regulamento do Circuito do Banco do Brasil Vôlei de Praia, assim como os itens das Medidas Disciplinares do Vôlei de Pi aia"), não deixa dúvidas quando, entre outras coisas, estabelece: 14 1.1 A participação dos atletas nas atividades de Vôlei de Praia é exercida a nível individual 12..6 Pata todo e qualquer pagamento relativo a premiação, será descontado Imposto de Renda na Fonte Entretanto, poderia alguém arguir que a atividade exercida não se limita à participação pura e simples na disputa esportiva, mas que a receita também se ,justifica pela venda de imagem dos atletas sócios. Alegação neste sentido deveria ser tida sem efeito em vista do contido na letra "b" do "Termo de compromisso dos atletas — Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia" que estabelece: "O jogador autoriza a Confederação Brasileira de Voleibol e o Banco do Brasil, a ,fazerem uso da imagem e mostrarem de tempos em tempos, nome ou apelido, voz, semelhança e material biográfico recolhidos através de filmes, fotografia e gravações em teipe ou ao vivo em televisão, da sua pessoa, durante a participação nos eventos oficiais da CB V, com objetivo de promover, divulgar e fazer propaganda do Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia, sem que receba compensação adicional e aqui abdica qualquer direito a tal compensação para ele, seus herdeiros e cessionários". Mesmo assim, tal atividade estaria vedada ao Simples, nos termos do posicionamento da Receita Federal expresso em resposta a consulta, cuja ementa é a seguir transcrito, a qual adoto na hipótese: CESSA-0 DE DIREITO AO USO DO NOME OU DA IMAGEM DE ATLETA — A pessoa jurídica que se dedica à cessão de direito ao uso do nome ou da imagem de atleta está impedida de optar pelo Simples, por se tratar de intermediação de negócios, atividade que se equipara à corretagem ou à representação comercial Dispositivos Legais Constituição da República, art 5°, inciso XXVIII, alínea "a"; Código Civil, art. 50; Lei n a 9.317, de 1996, ali 9', inciso VIII, Lei n° 9 610, de 1998, arts 24, inciso VI, e 27, Lei n' 9 615, de 1998, art. 28, § 7", e 87, "capta". Processo de Consulta n° 188/03 órgão SRRF/9" Região. Fiscal. Publicação no DOU 15/01/2004 Ante o exposto, parece-me evidente tratar-se, no caso, de rendimentos abarcados pelo § 4' do art. 3 0 da Lei n" 7.713, de 1988 (art. 45 do RIR/99), tributáveis, portanto, segundo as normas de imposto sobre a renda estabelecidas para as pessoas fisicas Todavia, é importante frisar que esta questão, apesar de relevante à análise da correta tributação dos rendimentos em foco, não é relevante, especificamente, ao caso sob deslinde, Processo n° 13737 000731/2003-43 S1-C1T3 AcóIdão n. 1103-00.197 Fl 6 uma vez que a exclusão em debate está assentada na vedação ao Simples da atividade exercida, e não concernente à polêmica aqui levantada, isto é, se os rendimentos devem ser tributados segundo as normas previstas para as pessoas fisicas ou segundo as normas formuladas para as pessoas jurídicas. Na sequência, e alheio à controvérsia acerca da possibilidade, ou não, de imputar a pessoa jurídica os rendimentos obtidos pelos sócios da recorrente, mesmo porque esta não é a realidade dos fatos que envolvem a discussão submetida a julgamento, agora faz-se relevante dissecar a quarta indagação, assim formulada: "Mesmo aceitando que a atividade efetivamente desenvolvida pelos atletas de vôlei de praia, de fato imputada à recorrente, pudesse legalmente ser a ela atribuída, poderia, então, a pessoa jurídica optar pelo Simples?" A resposta é não. E uma rápida leitura do inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9317/1996 abona a afirmação. Senão vejamos: o referido inciso veda o acesso ao Simples de serviços profissionais, a exemplo, dentre outros, de ator, de cantor, de músico, de dançarino, de professor, de fisicultor, ou assemelhados. No caso, é inegável que a atividade de atleta profissional de vôlei de praia é assemelhada às expressamente citadas pelo inciso X.111.. E não se trata de interpretação que se apóia na analogia, corno acusa a recorrente, pois a expressão "ou assemelhados" deve ser tida como citação expressa, pela Lei, da atividade de atleta, Ainda, deve-se considerar que a relação de profissões expressamente citadas pelo inciso XIII do dispositivo legal referenciado é meramente exemplificativa, o que se infere da expressão "ou assemelhados", bem como da outra expressão "e de qualquer outra profissão cid() exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida". Evidentemente, não é nesta última expressão que se apóia a exclusão, mas sim na anteriormente citada, ou seja, "ou assemelhados". A propósito, empresta confiabilidade ao entendimento que afasta os serviços profissionais em tela do alcance do Simples, inclusive os de atleta profissional, uma decisão do STF proferida por ocasião do indeferimento de liminar na ADin n° 1,643-1, interposta pela Confederação Nacional das Profissões Liberais, na qual a entidade pleiteava os benefícios fiscais do Simples para sociedades constituídas por seus associados (Dec de 05/12/02, do STF ADin 1,643-1 — DO 01/04/03), assim ementada: Não há ofensa ao principio da isonomia tributária c a lei, por motivos extrafiscais, imprime tratamento cf,:sigual a microempresas e empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta, afastando do regime do Simples aqueles cujos sócios têm condição de disputar 'o mercado de trabalho sem assistência do Estado O Ministro R.elator da referida ADin, em seu voto condutor, assim interpretou o objetivo da Lei n° 9..317/96: 9. Não há falar-se, pois, em ofensa ao princípio da isonomia tributária, visto que a lei tributária — e esse é o caráter da Lei n' 9 317/96 — pode discriminar por 177011510 extraj7scal entre ramos de atividade económica, desde que a distinção seja razoável, como na hipótese vertente, derivada de uma finalidade objetiva e se aplique a todas as pessoas da mesma classe ou categoria 10 - A raroabilidade da Lei n°9 317/96 consiste em beneficiar as pessoas que não possuem habilitação profissional exigida por lei, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e aos profissionais liberais Essa desigualdade factual justifica tratamento desigual no âmbito tributário, em favor do mais fraco, de modo a atender também a norma contida no § 1 0 do art. 145 da Constituição Federal Nesse passo, ainda é relevante esclarecer que de acordo com as Notas Fiscais juntadas na diligência requerida pelo Conselho de Contribuintes, esta relataria pode constatar que diversos destes documentos fiscais fazem referência a serviços de "Assessoria e Consultoria Esportiva", a exemplo da NF 051 (fl. 78), NT' 052 (fl. 79), I\IF 054 (ft 80), NF 55 (fl. 81), NF 056 (fl. 82), NF. 057 (fl.. 83), NF 058 (fl, 84), NF 059 (fl. 85), NF 060 (fl. 86), NF 061 (fl. 87), NP 062 (fl, 88), NF 064 (fl. 90), NF 065 (fl. 91), NF 067 (fl. 92), NF 066 (ti, 93), todas emitidas em 2003 e 2004. Assim, tais serviços, por si só, podem sustentar a exclusão do Simples, pois os serviços de consultoria estão expressamente arrolados no inciso XIII do art, 9 0 da Lei n° 9,317/96, dispensando, inclusive, o uso da expressão "ou assemelhados" Para encerrar a análise da quarta indagação acima formulada, mister se faz referir que os arts. 3 0 e 17 da LC ri° 123, de 2008, com vigência a partir de 1° de julho de 2007, ao mencionarem as hipóteses que vedam a opção ao Simples Nacional, na parte correspondente ao revogado inciso XIII do art. 9 0 da Lei n° 9.317/96, numa redação bem mais objetiva, não deixam dúvidas quanto aos serviços em tela, decorrentes de atividades desportivas e de consultoria: _UH — tenha atividade de prestação de serviços de natureza intelectual técnica, cientifica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como os serviços de instrutor, corretor, despachante ou qualquer tipo de intermediação de negócios XXIV reahze atividade de consultoria Feitas essas colocações, e para encerrar a análise dos questionamentos propostos para enfrentar a controvérsia, resta a quinta indagação, assim construída: "A exigência do patrocinador, que alegadamente determinou a constituição de pessoa jurídica como condição para pagar os prêmios, é razão legalmente sgficiente para estribar a alteração da forma de tributação, mesmo contrariando disposições legais específicas", Nesse panorama, embora a recorrente afirme e reitere que foi obrigada a constituir pessoa jurídica para possibilitar o recebimento de prêmios derivados das competições esportivas por serem estes pagos por cheques nominais às pessoas jurídicas, a efetividade de tal circunstância não pode ser comprovada. Acerca da forma de remuneração, constam do "Regulamento Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia" as seguintes normas, nas quais não se vislumbra a propalada exigência: 12 1 Os jogadores, em cada etapa do Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia, receberão premiação que será distribuída após à conclusão de cada etapa, desde que tenham atendido ao que estabelecem as normas e regulamentos da CBV é 12 Piocesso rt" 13737 00073112003-43 SI-0 T3 Acórdão o 1I03-00.197 Fl 7 12.5 Todos os pagamentos de prêmios relativos ao Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia serão feitos por meio de crédito em conta corrente vinculada a uma agência da rede bancária do patrocinador do evento, à escolha do atleta 12.6 Para todo e qualquer pagamento relativo a premiação, será descontado Imposto de Renda na Fonte. Mesmo assim, como corretamente decidiu o Acórdão a quo, a suposta exigência de constituição de pessoa jurídica não tem o condão de modificar determinações tributárias apoiadas em Lei. Segundo foi decidido, o que endosso, uma "convenção particular oposta à Fazenda Pública, com objetivo de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes" é procedimento inaceitável, vedado, ao teor do art. 123 do CTN (Código Tributário Nacional) (fl. 46). Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e voto por manter a exclusão da recorrente do Simples na forma determinada pelo Ato Declaratório Executivo DR.F/NIT n°445.133 (fl. 03) e conforme já decidido pela DR.J Recorrida. É o meu voto. 4Y .1 GERVIO NICOL U RECKTENVALD 13
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723667/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
Arbitramento.
O arbitramento não é uma forma de penalidade, seja por omissão ou por ação dolosa ou culposa, mas sim uma forma de apuração do lucro, quando não for possível apurá-lo de outra forma, por inexistência de registros contábeis ou quando estes não merecem credibilidade a ponto de torná-los imprestáveis. A simples falta do Livro de Registro de Inventário escriturado trimestralmente
poderia ser suprida durante a ação fiscal, sem nenhum prejuízo ao fisco ou ao contribuinte, principalmente quando se prova que o contribuinte possuía controle de estoque e não foi intimado a apresentá-lo.
Numero da decisão: 1302-000.825
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso (documento assinado digitalmente)
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: Arbitramento. O arbitramento não é uma forma de penalidade, seja por omissão ou por ação dolosa ou culposa, mas sim uma forma de apuração do lucro, quando não for possível apurálo de outra forma, por inexistência de registros contábeis ou quando estes não merecem credibilidade a ponto de tornálos imprestáveis. A simples falta do Livro de Registro de Inventário escriturado trimestralmente poderia ser suprida durante a ação fiscal, sem nenhum prejuízo ao fisco ou ao contribuinte, principalmente quando se prova que o contribuinte possuía controle de estoque e não foi intimado a apresentálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, , Eduardo de Andrade, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 07/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração formalizando crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$248.187,53 (duzentos e quarenta e oito mil, cento e oitenta e sete reais e cinqüenta e três centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$122.484,38 (cento e vinte e dois mil, quatrocentos e oitenta e quatro reais e trinta e oito centavos), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$312.602,80 (trezentos e doze mil, seiscentos e dois reais e oitenta centavos), e Contribuição para o Programa de Integração Social, no valor de R$67.730,61 (sessenta e sete mil, setecentos e trinta reais e sessenta e um centavos), acrescidos de multa de ofício e dos juros de mora, totalizando R$1.561.950,01 (um milhão, quinhentos e sessenta e um mil, novecentos e cinqüenta reais e um centavo). De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração Imposto de Renda Pessoa Jurídica foi efetuado o arbitramento do lucro referente aos períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2006, com base no art. 530, inciso II, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), por ter a Autoridade Fiscal considerado a escrituração mantida pela contribuinte imprestável para a determinação do Lucro Real, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. O arbitramento do lucro foi efetuado com base na receita bruta conhecida, representada pelas receitas operacionais, provenientes da revenda de mercadorias, conforme Termo de Verificação, tendo por fundamentação legal o art. 532 do RIR/1999. Em decorrência foram lavrados os Autos de Infração relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o Programa de Integração Social e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. No Termo de Verificação Fiscal foi relatado, em síntese, que: – a ação fiscal teve início em 22/12/2008, com a ciência da Contribuinte do Termo de Inicio de Fiscalização em que foram solicitados os livros e documentos referentes à escrituração fiscal referente ao ano de 2006 e demais elementos ali relacionados; – em atendimento ao Termo de Inicio de Fiscalização e ao primeiro Termo de Reintimação, a fiscalizada apresentou o Livro de Apuração do ICMS e as planilhas intituladas “DEMONSTRATIVO DAS RECEITAS QUE COMPÕEM A BASE DE CÁLCULO DA COFINS”, “PLANILHA DE BASE DE CÁLCULO DA COFINS” e “CÁLCULO DO PIS E DA COFINS”; – reintimada a apresentar os demais elementos solicitados, a fiscalizada apresentou: a) Livros Diário nº 002 e 003; b) Livros Razão; c) Livro Auxiliar “Cálculo de Apuração do Resultado das Estimativas Mensais por Suspensão”; d) Livro Registro de Inventário nº 002; e) Livro Apuração do Lucro Real nº 002; f) Extrato Bancário do Bradesco; – da análise das informações constantes dos sistemas da RFB referente ao anocalendário de 2006 foi constatado que: a) o contribuinte encontravase omisso no tocante à entrega de sua DIPJ; b) entregou tempestivamente suas DCTF, sem contudo manifestar opção por modalidade de apuração do IRPJ e da CSLL, inexiste declaração de débitos; c) a fiscalizada não efetuou nenhum pagamento relativo ao período auditado; d) a fiscalizada apresentou sua DIPJ em 13/03/2009, no curso do presente procedimento fiscal, apurando o IRPJ e a CSLL pela modalidade do Lucro Real Anual; Fl. 515DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 07/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.723667/200909 Acórdão n.º 130200.825 S1C3T2 Fl. 2 3 – verificou que a apuração do Imposto de Renda pelo Lucro Presumido não poderia ser praticada, uma vez que sua opção seria manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido, correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, conforme § 1º do art. 26 da Lei nº 9.430, de 1996. O contribuinte não efetuou o referido pagamento; – a apuração do Imposto de Renda anual do Lucro Real, de que trata o art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, não foi manifestada com o pagamento da estimativa do imposto correspondente ao mês de janeiro; – analisando o Livro Registro de Inventário do período de 02/01/2006 a 31/12/2006, constatouse que a fiscalizada efetuou um único inventário do seu estoque de mercadorias, durante todo o ano de 2006, na data de 31/12/2006; – assim, a opção pelo Lucro Real, tanto anual quanto trimestral, ficou prejudicada pela falta de realização de inventários mensais do estoque de mercadorias, conseqüentemente falta de escrituração mensal do Livro Registro de Inventário, o que torna impossível a quantificação do custo da mercadoria vendida tanto para fins de efetuar mensalmente o balanço de suspensão e/ou redução como para apuração do Lucro Real Trimestral; – diante do exposto, lavrouse o Auto de Infração, arbitrando o lucro da fiscalizada, com base no art. 530, inciso II, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), compondo as bases de cálculo com os valores constantes da planilha “DEMONSTRATIVO DAS RECEITAS QUE COMPÕEM A BASE DE CÁLCULO DA COFINS”, elaborada pela fiscalizada (apresenta os demonstrativos das bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Em 21 de agosto de 2009, a Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 105 a 125, acompanhada dos documentos de fls. 127 a 421, sob os seguintes argumentos: – a escrituração mantida pela Impugnante não revela evidentes indícios de fraudes ou contém vícios, erros ou deficiências que a torne imprestável para determinar a apuração pela modalidade do Lucro Real; – a DIPJ foi apresentada em 13/03/2009, no curso da ação fiscal, indicando a apuração do IRPJ e da CSLL pela modalidade do Lucro Real Anual e devido à entrega intempestiva da DIPJ a Impugnante submeteuse à incidência da penalidade devida, nos termos do art. 964 do RIR/1999, gerada no momento da entrega da DIPJ, que foi devidamente recolhida aos cofres públicos, como atesta o DARF em anexo; – tratase de obrigação tributária acessória, devidamente satisfeita, mesmo estando a Impugnante sob a ação fiscal, cuja repercussão, se fosse o caso, apenas se daria no cálculo da multa do quantum devido do tributo, que ao invés de sofrer a incidência da multa de mora aplicável ao procedimento espontâneo da pessoa jurídica, empregarseia a multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n 9.430, de 1996, referenciada no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora que acompanha o Auto de Infração do IRPJ; – em segundo lugar, em que pese não se enquadrar a Impugnante, cabe esclarecer que o fato de uma pessoa jurídica não ter efetuado o pagamento nos prazos legais ou Fl. 516DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 07/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 ter pago com insuficiência, inclusive adicional, não impede o exercício da opção pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido, como sugerido pelo autuante; – em terceiro lugar, os fatos incontestáveis dão conta do não cabimento do arbitramento do lucro, já que a Impugnante apresentou os seus livros comerciais e fiscais (Diário, Razão Registro de Apuração de ICMS, Livro Auxiliar do Cálculo Mensal da Estimativa e/ou Suspensão, Registro de Inventário, Apuração do Lucro Real – Lalur), além de extrato bancário do Bradesco, diversos demonstrativos e planilhas de cálculo do Pis e da Cofins. Essa documentação foi identificada taxativamente pelo autuante; – para nenhum desses livros e/ou documentos, a referida autoridade tributária identificou quaisquer evidências e/ou indícios de fraudes, vícios, erros ou deficiências que os tornassem imprestáveis para a determinação do Lucro Real Trimestral ou Anual com recolhimentos estimados mensais, à exceção de uma única observação feita à escrituração do Livro de Registro de Inventário, tomada equivocadamente como uma irregularidade, se levada em consideração o texto legal e as orientações normativas sobre esse aspecto, emanadas da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil; – a tributação anual do Imposto de Renda – Pessoa Jurídica decorre de uma faculdade prevista no art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, que deverá ser manifestada irretratavelmente com o pagamento do Imposto de Renda, correspondente ao mês de janeiro; – caso queira suspender ou reduzir, em algum período de apuração mensal, o pagamento do IRPJ apurado pela estimativa, a pessoa jurídica deverá levantar balanços ou balancetes de suspensão ou redução do Imposto de Renda, consoante transcrição contida no art. 230 do RIR/1999; – no caso em que houver a apuração de prejuízo no mês de janeiro, a pessoa jurídica fica dispensada do pagamento por estimativa, estendendose as mencionadas exigências legais aos períodos mensais subsequentes; – são essas as orientações contidas na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (INSRF) nº 93, de 1997 (art. 10 e 11 transcritos), e a Impugnante efetuou levantamentos de redução/suspensão que foram entregues ao Auditorfiscal, fato este circunstanciado no Termo de Verificação Fiscal; – no mês de janeiro, a Impugnante apurou um resultado negativo, bem assim nos períodos mensais subsequentes, à exceção dos meses de novembro e dezembro, como se observa nos escritos do Livro Diário e do Livro Auxiliar “Cálculos da Apuração de Resultado da Estimativa Mensal por Suspensão”, ambos mencionados no Termo de Verificação Fiscal. Assim, percebese que nos referidos meses a Impugnante efetivamente apurou tributos devidos, como consta da DIPJ entregue ao Fisco; – a título de esclarecimento, a opção, então, por essa modalidade de tributação anual foi inserida nas Declarações de Débitos e Créditos Federais (DCTF), apresentadas tempestivamente, fato este diametralmente oposto ao informado pelo Auditor no Termo de Verificação Fiscal; – assim, não se vislumbra que a Impugnante tenha infringido quaisquer preceitos legais que regem a tributação anual por ela eleita; – portanto, à vista dos fatos e provas aqui postos, o arbitramento do lucro efetuado é totalmente inaplicável à Impugnante; Fl. 517DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 07/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.723667/200909 Acórdão n.º 130200.825 S1C3T2 Fl. 3 5 – foram efetuados os recolhimentos dos valores apurados do imposto de renda estimado acrescidos dos encargos legais devidos, relativamente aos meses de novembro e dezembro; – quanto à escrituração do Livro Registro de Inventário, matéria essa que toca diretamente ao fundamento da autuação, as normas regentes orientam que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real deverão escriturar o Livro Registro de Inventário, ao final de cada período, trimestralmente ou anualmente, quando houver opção pelos recolhimentos mensais durante o curso do anocalendário, com base na estimativa (RIR/1999, art. 261); – essas empresas poderão criar modelos próprios que satisfaçam às necessidades de seu negócio, ou utilizar os livros porventura exigidos por outras leis fiscais, como é o caso do Livro Registro de Inventário ou, ainda, substituílo por séries de fichas numeradas; – nessas condições, o referido livro denotaria regularidade fiscal e, somente só, constatado o seu descumprimento, estaria a autoridade tributária autorizada a arbitrar o lucro da pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, por não manter sua escrituração na forma das leis comerciais e fiscais (RIR/1999, art. 530); – no caso concreto, em que pese no referido livro constar o inventário das mercadorias da Impugnante, datado de 31/12/2006, já com cópias nos autos, esta mantém controles mensais comprovados pelos registros auxiliares anexos, sob a denominação de “Relatório de Estoques” (doc. Nº 05); – consequentemente, não se detecta falta de escrituração e de quantificação dos estoques de mercadorias mensais, ou mesmo falhas escriturais no mencionado Livro de Registro de Inventário que inviabilizem a apuração do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV), argumento esse importante para apuração da base tributável do imposto de renda, seja na modalidade trimestral, seja na anual, como afirmado pelo autuante; – a Impugnante seguiu rigorosamente as regras de como escriturar o Livro de Registro de Inventário, ao final de cada período base trimestral ou anual, essa última aplicável às pessoas jurídicas optantes pelos recolhimentos estimados durante o curso do anocalendário, daí seu inventário registrado em 31/12/2006, como reza o disposto no art. 261 de RIR/1999; – mesmo assim, reafirmese que a empresa mantém registros auxiliares mensais do seu inventário de mercadorias, viabilizando, sim, a quantificação do CMV utilizado no cálculo mensal da estimativa, para o qual sequer o autuante fez qualquer investigação acerca de sua existência, se assim fosse exigido legalmente; – a escrituração contábil e fiscal da Impugnante disponibilizada ao representante do Fisco permite não somente levantar o dito CMV, como identificar as demais operações compatíveis com a sua opção de tributação anual do IRPJ e, por conseguinte, da CSLL; – além do que, causa estranheza o fato de que o Auditor tenha utilizado, para o arbitramento do lucro questionado, as bases de cálculo das planilhas elaboradas pela Impugnante, as quais foram extraídas da sua escrituração, quando o mesmo a considera “imprestável”, o que no mínimo é conflitante, quiçá, mais outra visível contradição e/ou falta de critério observado na condução do procedimento fiscal; Fl. 518DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 07/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 – interessante frisar que após a entrega dos livros contábeis e fiscais pela Impugnante ao Auditorfiscal, decorridos quase 60 (sessenta) dias, essa autoridade se manteve silenciosa, sem lavrar qualquer outro termo solicitando a apresentação de documentos e/ou pedido de esclarecimentos, só retornando à empresa para surpreendentemente impingila a pagar o crédito tributário constante dos Autos de Infração em valores exorbitantes que, se fosse o caso, estaria em muito, distante da sua capacidade contributiva; – transcreve o art. 9º, § 1º, do Decreto nº 1.598, de 1977, e jurisprudência judicial e administrativa, e em seguida conclui ter ficado sobejamente demonstrado que a Impugnante não infringiu qualquer norma de natureza fiscal ou tributária que derivasse a desconsideração de sua forma de tributação (Lucro Real Anual) pelo Auditorfiscal; – com relação aos lançamentos do PIS e da COFINS, o autuante não expressa positiva e diretamente qual a infração que a Impugnante teria cometido, já que indica três circunstâncias factuais (falta ou insuficiência de recolhimentos ou declaração) expressões essas que trazem sentido semântico variado e implicações tributárias distintas; – semelhante procedimento se verifica em relação ao enquadramento legal genérico, contido em ambos os Autos de Infração, o que de per si, já traduz a nulidade dos indigitados lançamentos por dificultar o pleno exercício do direito de defesa da Impugnante, que lhe é garantido constitucionalmente; – mas se ultrapassada essa questão da nulidade, os ditos lançamentos não prosperam em razão da falta de tipicidade dos fatos autuados. Entretanto, num exercício de abstração, há três possibilidades a examinar como se segue: – se a autuação ocorreu por ausência de lançamento do PIS e da COFINS, não prospera tal fundamento, já que a Impugnante apresentou DCTF tempestivamente; – talvez o Auditor tenha se “confundido” em ver as DCTF sem valores declarados do PIS e da COFINS. Observase esse fato, em razão de a Impugnante ter obrigatoriamente de se submeter à incidência nãocumulativa dessas contribuições, já que é optante pela tributação com base no Lucro Real Anual e, considerando que em face da apuração e utilização dos créditos (custos e despesas legalmente admitidos), a Impugnante não apura valores devidos das mencionadas contribuições consoante demonstrativos anexos (doc. Nº 06); – se por insuficiência de lançamento ou lançamento a menor, nos moldes descritos nos autos de infração não há elementos dos fatos originários que a identifique, portanto, incabível o apontamento da suposta irregularidade atribuída à Impugnante; – se pela ausência de declaração, aqui se estenda literalmente as razões aduzidas no item precedente, pois as DCTF foram tempestivamente apresentadas ao Fisco Federal. Por meio dessas declarações e da sistemática não cumulativa não se apura valores devidos de PIS e Cofins; – se aplicou o tratamento de tributação reflexiva do IRPJ e CSLL, lançados com fundamento no lucro arbitrado, aos lançamentos do PIS e da COFINS, mais uma vez laborou em equívoco, já que não há nenhuma relação íntima de causa e efeito entre esses lançamentos, mormente quando os primeiros já foram amplamente demonstrados como indevidos; Fl. 519DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 07/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.723667/200909 Acórdão n.º 130200.825 S1C3T2 Fl. 4 7 – expostos, cabalmente, os motivos de fato e de direito, apontados os inúmeros elementos de convicção e probatórios, a Impugnante vem requerer que se digne cancelar os Autos de Infração do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS. A DRJ decidiu conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. A apresentação de escrituração deficiente, imprestável para a determinação do lucro real, em face da não escrituração do Livro Registro de Inventário ao final de cada período de apuração trimestral, enseja o arbitramento do lucro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que o regem. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de tributação decorrente, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 01/10/2010 e apresentou recurso em 21/10/2010. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 07/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 Voto O recurso voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. A lide gira em torno da possibilidade da fiscalização arbitrar o lucro da recorrente diante das circunstâncias trazidas aos autos. Devese salientar que o contribuinte era omisso do cumprimento de suas obrigações tributárias principais e acessórias (DIPJ e pagamentos dos tributos). Durante ação fiscal apresentou DIPJ “optando” pelo lucro real anual. A fiscalização, acertadamente, entendeu que não era possível ao contribuinte optar pelo lucro real anual por não ter pago as estimativas ou elaborado balancetes de suspensão ou redução. Também não tendo o contribuinte optado pelo lucro presumido, teria de se submeter à apuração pelo lucro real. Entendeu a fiscalização que, pela falta de escrituração trimestral do livro de inventário, seria necessário o arbitramento do lucro, por ser impossível apurar o lucro real, sendo, portanto, imprestável a escrituração. A fiscalização, no entanto, não deu oportunidade para que o contribuinte, que tinha “optado” indevidamente pelo lucro real anual, que retificasse sua contabilidade para permitir a apuração do lucro real trimestral. Ora se o arbitramento se deu pela falta de registro de inventário trimestral e a recorrente, desde a impugnação demonstra que possuía registro mensal de estoques, era bastante simples a alteração dos registros para permitir a apuração do lucro real trimestral. Poderia se argumentar o porque do contribuinte não ter apresentado o controle de estoques durante a ação fiscal. A resposta também é simples: em nenhum momento foi intimado a fazêlo. Apresentou, atendendo intimação, os loiros fiscais, inclusive o livro de registro de inventário e a fiscalização entendendo que o registro do inventário em 31/12 era insuficiente para apuração do lucro real trimestral decidiu arbitrar o lucro. Na primeira oportunidade que teve,ou seja, na impugnação, apresentou o controle de estoque mensal. Entendo que o arbitramento não é uma forma de penalidade, seja por omissão ou por ação dolosa ou culposa, mas sim uma forma de apuração do lucro quando não for possível apurálo de outra forma por inexistência de registros contábeis ou quando estes não merecem credibilidade a ponto de tornálos imprestáveis. No entanto, no caso concreto, a simples falta do Livro de Registro de Inventário escriturado trimestralmente poderia ser suprida durante a ação fiscal, sem nenhum prejuízo ao fisco ou ao contribuinte. Por entender que o fisco omitiu formalidade essencial ao arbitramento (intimação para apresentação do inventário trimestral), entendo que tal forma de tributação não pode prosperar. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Fl. 521DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 07/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.723667/200909 Acórdão n.º 130200.825 S1C3T2 Fl. 5 9 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 07/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10865.003014/2010-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2008
ESTÁGIO DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO
A prestação de serviço somente será considerada estágio curricular se cumprir com os requisitos expostos na legislação.
MULTA MORATÓRIA
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2008 ESTÁGIO DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO A prestação de serviço somente será considerada estágio curricular se cumprir com os requisitos expostos na legislação. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 07/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu, Manoel Coelho Arruda Junior, Arlindo da Costa e Silva. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003014/201049 Acórdão n.º 230201.716 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 13/10/2010, referese à contribuição previdenciária relativa a cota do segurado empregado incidente sobre valores pagos a título de bolsa estágio, no período de 01/2005 a 07/2008. O relatório fiscal de fls. 24/39, diz que até 07/2008 a entidade intermediou a colocação de jovens assistidos, do ensino médio regular, em diversas empresas privadas, inclusive em Órgãos Públicos e Autarquias do Município de São João da Boa Vista, como "guardinhas/estagiários" caracterizando exploração do trabalho infantojuvenil, comprovado através dos Termos de Audiência e Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, firmados com o Ministério Público do Trabalho Procuradoria Regional do Trabalho 15a Região Campinas/SP. Após a impugnação, Acórdão de fls. 255/258, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, alegando em síntese: a) que a relação jurídica é de estágio e não há vínculo empregatício; b) que não deve contribuição previdenciária porque é imune; c) que os adolescentes eram alunoseducando e realizavam estágio de natureza pedagógico social, regida pelo art. 68 do Estatuto da Criança e do Adolescente d) que desde meados de 2009 não há mais estagiários devido aos problemas causados pelo Ministério do Trabalho e pelo fisco, cujas autuações estão colocando em risco a sobrevivência da entidade; e) que a ajuda de custo não desvirtuava o caráter educativo; f) que as atividades exercidas pelos jovens junto a pessoas jurídicas de direito público não podem ser entendidas como de menor aprendiz, mas devem ser tomadas, por analogia, como estágio da Lei 6494/77; g) discorre sobre sua caracterização como entidade beneficente que cumpre com todos os requisitos necessários; h) que a multa é abusiva e representa confisco; i) que a SELIC é inaplicável. Requer o provimento do recurso, o cancelamento do auto de infração e a emissão de certidão negativa. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 É o relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003014/201049 Acórdão n.º 230201.716 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, documento de fls. 262, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, é de se salientar que este Auto de Infração de Obrigação Principal foi lavrado em decorrência de ação fiscal procedida na entidade para a averiguação do cumprimento dos requisitos necessários para uma possível concessão de isenção patronal das contribuições previdenciárias, sendo inócua a assertiva da recorrente de que não deve contribuições previdenciárias por ser imune/isenta do recolhimento das mesmas. Ademais, é de se ressaltar que ainda que já estivesse no gozo do beneficio, a autuação referese exclusivamente à cota do segurado empregado que não está alcançada pela isenção contributiva previdenciária. Quanto ao mérito, o lançamento referese a descaracterização de serviços tidos como “estágio”, prestados por adolescentes agregados da entidade, que intermediava a sua mão de obra para empresas e órgãos públicos. De acordo com as informações trazidas pelo fisco, a situação encontrada não se subsumia às condições ditadas na Lei n.º 6.494/77, que tratava do estágio, à época do fato gerador, porque os adolescentes não eram estudantes de nenhum dos estabelecimentos de ensino. Por isso, improcedentes as alegações da recorrente de que a citada lei determina a ausência de vínculo empregatício de qualquer natureza, pois não se aplica ao caso. Inclusive consta dos autos, que o Ministério Público comprovou a caracterização da exploração do trabalho infantojuvenil, conforme Termos de Audiência e de Compromisso de Ajustamento de Conduta, firmados com o órgão, que ratificou que os menores não se enquadravam como estagiários curriculares, fazendo com que fossem contratados pelas empresas tomadoras. Não restou configurado nos autos que o pagamento efetuado pelas tomadoras à recorrente se tratasse de bolsaestudo na forma das excludentes do salário de contribuição, artigo 28, § 9º, “i” da Lei n.º 8.212/91, pois não houve a caracterização de estágio na forma da Lei n.º 6.494/77. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos Fl. 328DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Lei 6.494/1977: Art. 1º As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. § 1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. § 2º O estágio somente poderá verificarse em unidades que tenham condições de proporcionar experiência prática na linha de formação do estagiário, devendo o aluno estar em condições de realizar o estágio, segundo o disposto na regulamentação da presente lei. § 3º Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares Art. 2º O estágio, independentemente do aspecto profissionalizante, direto e específico, poderá assumir a forma de atividade de extensão, mediante a participação do estudante em empreendimentos ou projetos de interesse social. Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino. § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no § 3° do art. 1º desta lei. § 2º Os estágios realizados sob a forma de ação comunitária estão isentos de celebração de termo de compromisso. Art. 4º O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003014/201049 Acórdão n.º 230201.716 S2C3T2 Fl. 4 7 Art. 5º A jornada de atividade em estágio, a ser cumprida pelo estudante, deverá compatibilizarse com o seu horário escolar e com o horário da parte em que venha a ocorrer o estágio. Parágrafo único. Nos períodos de férias escolares, a jornada de estágio será estabelecida de comum acordo entre o estagiário e a parte concedente do estágio, sempre com interveniência da instituição de ensino. Art. 6º O Poder Executivo regulamentará a presente Lei, no prazo de 30 (trinta) dias. Decreto 87.497/1982: Art . 1º O estágio curricular de estudantes regularmente matriculados e com freqüência efetiva nos cursos vinculados ao ensino oficial e particular, em nível superior e de 2º grau regular e supletivo, obedecerá às presentes normas. Art . 2º Considerase estágio curricular, para os efeitos deste Decreto, as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizada na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino. Art . 3º O estágio curricular, como procedimento didático pedagógico, é atividade de competência da instituição de ensino a quem cabe a decisão sobre a matéria, e dele participam pessoas jurídicas de direito público e privado, oferecendo oportunidade e campos de estágio, outras formas de ajuda, e colaborando no processo educativo. Art . 4º As instituições de ensino regularão a matéria contida neste Decreto e disporão sobre: a) inserção do estágio curricular na programação didático pedagógica; b) cargahorária, duração e jornada de estágio curricular, que não poderá ser inferior a um semestre letivo; c) condições imprescindíveis, para caracterização e definição dos campos de estágios curriculares, referidas nos §§ 1º e 2º do artigo 1º da Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977; d) sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular. Art . 5º Para caracterização e definição do estágio curricular é necessária, entre a instituição de ensino e pessoas jurídicas de direito público e privado, a existência de instrumento jurídico, periodicamente reexaminado, onde estarão acordadas todas as Fl. 330DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 condições de realização daquele estágio, inclusive transferência de recursos à instituição de ensino, quando for o caso. Art . 6º A realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. § 1º O Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. 2º O Termo de Compromisso de que trata o parágrafo anterior deverá mencionar necessariamente o instrumento jurídico a que se vincula, nos termos do artigo 5º. § 3º Quando o estágio curricular não se verificar em qualquer entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2º do artigo 3º da Lei nº 6.494/77, não ocorrerá a celebração do Termo de Compromisso. Da leitura da legislação de regência, exposta acima, fica explícito que o oferecimento de estágio curricular deve obedecer requisitos próprios sendo necessário que entre a instituição de ensino e pessoas jurídicas de direito público e privado, exista um instrumento jurídico, periodicamente reexaminado, onde estarão acordadas todas as condições de realização do estágio, inclusive transferência de recursos à instituição de ensino, quando for o caso, e a contratação deve ser dar pela empresa interessada e os estagiários, caso em que, não criará obrigações previdenciárias. Diferentemente da situação exposta no presente levantamento, onde não restaram cumpridos os requisitos de “estágio”, mas apenas a intermediação da mão de obra dos jovens efetuada pela recorrente. Atualmente está em vigor a Lei n.º11.788, de 25/09/2008, que revogou a Lei n.º 6.494/77, mas manteve os requisitos para a comprovação do estágio curricular, no seu artigo 3º, sob pena da caracterização do educando como empregado da parte concedente do estágio: Art. 3o O estágio, tanto na hipótese do § 1o do art. 2o desta Lei quanto na prevista no § 2o do mesmo dispositivo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, observados os seguintes requisitos: I – matrícula e freqüência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; II – celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; III – compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso. § 1o O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, Fl. 331DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003014/201049 Acórdão n.º 230201.716 S2C3T2 Fl. 5 9 comprovado por vistos nos relatórios referidos no inciso IV do caput do art. 7o desta Lei e por menção de aprovação final. § 2o O descumprimento de qualquer dos incisos deste artigo ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. Desta forma, os menores assistidos colocados à disposição de empresas e órgãos públicos municipais como guardinhas/estagiários deveriam contribuir para a previdência social na condição de segurados empregados. Esta situação se configuraria também, caso eles fossem aprendizes. Às fls. 40/42, consta relação com o nome dos aprendizes e das tomadoras. O artigo 43l da Consolidação das Leis do Trabalho, na redação dada pela Lei n° 10.097/00, dispõe que a contratação do aprendiz poderá ser efetivada pela empresa onde se realizará a aprendizagem ou pelas entidades sem fins lucrativos, caso em que não gera vínculo empregatício com a empresa tomadora dos serviços: A matéria foi ratificada com a edição do Decreto 5.598/05, que regulamentou a contratação de aprendizes: Ari. 15.A contratação do aprendiz deverá ser efetivada diretamente pelo estabelecimento que se obrigue ao cumprimento da cota de aprendizagem ou. supletivamente, pelas entidades sem fins lucrativos mencionadas no inciso III do art. 8º deste Decreto. §l'1Na hipótese de contratação de aprendiz diretamente pelo estabelecimento que se obrigue ao cumprimento da cota de aprendizagem, este assumirá a condição de empregador, devendo inscrever o aprendiz em programa de aprendizagem a ser ministrado pelas entidades indicadas no art.8ºÜ deste Decreto. $2"A contratação de aprendiz por intermédio de entidade sem fins lucrativos, para efeito de cumprimento da obrigação estabelecida no caput do art. 9º, somente deverá ser formalizada após a celebração de contrato entre o estabelecimento e a entidade sem fins lucrativos, no qual, dentre outras obrigações recíprocas, se estabelecerá as seguintes: I a entidade sem fins lucrativos, simultaneamente ao desenvolvimento do programa de aprendizagem, assume a condição de empregador, com Iodos os ônus dela decorrentes, assinando a Carteira de Trabalho e Previdência Social do aprendiz e anotando, no espaço destinado às anotações gerais, a informação de que o específico contrato de trabalho decorre de contraio firmado com determinado estabelecimento para efeito do cumprimento de sua cola de aprendizagem ; e Fl. 332DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 II o estabelecimento assume a obrigação de proporcionar ao aprendiz a experiência prática da formação técnicoprofissional metódica a que este será submetido. A legislação previdenciária estabelece na Instrução Normativa RFB n.º 971/2009, artigo 6º, inciso II, que o aprendiz, maior de 14 e menor de 24 anos. sujeito à formação técnicoprofissional metódica, deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: Art. 6º Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: (...) II o aprendiz, maior de 14 (quatorze) e menor de 24 (vinte e quatro) anos, ressalvado o portador de deficiência, ao qual não se aplica o limite máximo de idade, sujeito à formação técnico profissional metódica, sob a orientação de entidade qualificada, conforme disposto nos arts. 410 e 433 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, com a redação dada pela Lei nº 11.180, de 23 de setembro de 2005; A situação encontrada de intermediação de jovens para a prestação de serviços em empresas e órgãos públicos municipais foi considerada irregular pelo Ministério Público do Trabalho, sendo pertinente o levantamento efetuado pela fiscalização da Receita Federal do Brasil, enquadrando os adolescentes como empregados da recorrente, que agenciava sua mão de obra, recebia valores e pagava pelos serviços prestados. Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, vigente à época do lançamento. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 333DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003014/201049 Acórdão n.º 230201.716 S2C3T2 Fl. 6 11 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador Fl. 334DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003014/201049 Acórdão n.º 230201.716 S2C3T2 Fl. 7 13 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 336DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10950.006319/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena
validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado o regular exercício do seu direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Deve-se excluir do lançamento a parte da
omissão de rendimentos que foi objeto de devolução à fonte pagadora, antes da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.526
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os rendimentos de R$6.300,00 e o respectivo IRRF de R$1.309,42.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado o regular exercício do seu direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Devese excluir do lançamento a parte da omissão de rendimentos que foi objeto de devolução à fonte pagadora, antes da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os rendimentos de R$6.300,00 e o respectivo IRRF de R$1.309,42. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame (fl. 96) pretende a reforma do Acórdão nº 06 30.562, proferido pela 7ª Turma da DRJ Curitiba (fl. 90), que, por unanimidade de votos, manteve integralmente o lançamento às fls. 41/48, lavrado sob alegação de que o contribuinte omitiu rendimentos auferidos da Caixa Econômica Federal (R$19.500,00), AGU – Coordenação Geral de Orçamento e Finanças (R$6.300,00) e John Deere Brasil Ltda (R$15.124,05). Foram considerados no lançamento os respectivos IRRF. Em seu apelo ao CARF o recorrente comenta as questões decididas no julgamento a quo e aduz em preliminar que, em sede de SRL (fl. 20), seu pedido para inclusão dos R$19.500,00 e a compensação do imposto retido de R$4.429,65, cerceando o exercício do seu direito de defesa, inclusive com a aplicação de “penalidade com multas qualificadas”. No mérito, alega que exerce a atividade de leiloeiro judicial. Reconhece que deixou de informar os rendimentos de R$19.500,00, mas afirma que recebeu da AGU, em 03/08/2005 a importância de R$6.300,00 pela venda de bem em leilão. Contudo, em 22/12/2005 teve que devolvela, conforme determinado pela justiça. Argumenta que a AGU utilizouse da IN 378/03 para o cálculo do imposto retido (27,5%), com a parcela a deduzir de R$423,08 e IRRF de R$1.309,42. Em relação à fonte pagadora John Deere do Brasil Ltda, reafirma que não recebeu a importância de R$15.124,05 com retenção de imposto de renda no valor de R$3.530,55, no anocalendário de 2005. Reportase ao valor de R$11.000,00, sem imposto de renda retido, regularmente tributado em sua DIRPF do exercício de 2005, anocalendário de 2004. Mostrase, portanto, incorreta a dupla exação sobre o mesmo rendimento. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento, pois este contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e também não ocorreram os pressupostos elencados no artigo 59 do mesmo diploma legal, a conspurcar de nulidade o Auto de Infração. Com efeito, o Auto de Infração descreve minuciosamente a matéria tributável, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa, sendo evidente a sua discordância quanto às conclusões do trabalho fiscal. De fato, a substanciosa defesa apresentada pelo sujeito passivo evidencia claramente a plena compreensão das infrações que lhe foram imputadas. Sobre a nulidade, podese ainda verificar os seguintes pronunciamentos deste Conselho: EMENTA: IRPF NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Demonstrado que o contribuinte conhecia perfeitamente as Fl. 134DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10950.006319/200829 Acórdão n.º 210101.526 S2C1T1 Fl. 127 3 acusações e exerceu plenamente o contraditório, descabida a pretensão de ver declarado nulo o procedimento por cerceamento do direito de defesa. (Acórdão nº 10419451, de 03/07/2003, da 4a. Câmara do 1º Conselho de Contribuintes). PRELIMINAR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. (Acórdão nº 10614450, de 24.02.2005, da 6a. Câmara do 1º Conselho de Contribuintes). Ademais, a fiscalização deve buscar os esclarecimentos que entender serem necessários à formulação da acusação fiscal. Se estes são insuficientes para comprovar o fato jurídico tributário indicado no lançamento, caberá ao órgão julgador se manifestar nesse sentido. Novo prazo de trinta dias ainda é assegurado ao contribuinte para contraditar, esclarecer e apresentar provas em relação às questões decididas pelo juízo de primeiro grau. Assim, inexiste qualquer cerceamento ao exercício do direito de defesa do contribuinte. No mérito, cumpre esclarecer que a glosa do imposto complementar informado pelo contribuinte em sua DIRPF do anocalendário de 2005, no valor de R$4.429,65, é penalidade sobre a qual se aplica multa de mora, tendo em vista que não houve alteração na matéria tributável, mas, tãosomente, na compensação do imposto antecipado durante o anocalendário. Como não constava nos sistemas da Receita Federal nenhum recolhimento a título de imposto complementar, código 0246, foi emitida automaticamente a notificação de lançamento às fls. 15/18. Sabese que a DIRPF não exige vinculação desse tipo de antecipação do imposto com os rendimentos auferidos, como ocorre com IRRF, razão pela qual o contribuinte decidiu declarar o IRRF de R$4.429,65, retido pela Caixa Econômica Federal na liberação do rendimento de R$19.500,00, como imposto complementar. Portanto, a solicitação de retificação de lançamento, à fl. 20, não se refere a uma denúncia espontânea do contribuinte, até porque não houve o pagamento do imposto suplementar devido. A infração tratada no lançamento superveniente tem natureza completamente diversa da tratada no notificação revisada, pois versa sobre omissão de rendimento, infração sobre a qual deve incidir a multa básica de 75%, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, em decorrência da declaração inexata e do recolhimento a menor do imposto de renda na declaração de rendimentos do anocalendário de 2005, exercício de 2006. Diferentemente do que afirma o recorrente, a multa qualificada tem o seu percentual fixado em 150%, em decorrência de dolo, fraude, simulação ou conluio, e não foi aplicada no Auto de Infração em exame. O pedido de parcelamento contido na SRL foi efetuado sob um contexto, anterior à revisão do lançamento. Se ainda for do interesse do contribuinte, este deve se dirigir ao setor competente da Delegacia da Receita Federal do seu domicílio e requerer, em formulário próprio, novo pedido de parcelamento. Com o Auto de Infração (fls. 41/47) tanto o rendimento omitido de R$19.500,00 quanto o respectivo imposto retido na fonte de R$4.429,65 foram considerados. Um anula o outro. Tal situação não fica muito clara porque no demonstrativo de apuração do imposto, que integra o Auto de Infração, essa fonte já foi considerada como declarada, isto é, como imposto pago. Na prática não há qualquer prejuízo para o contribuinte, pois em ambos os casos a mora somente se aplica a partir de 28 de abril de 2006, conforme demonstrativo à fl. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 46. De fato, a glosa do imposto complementar e a inclusão de rendimentos omitidos e respectivo IRRF tem o mesmo tratamento no que se refere à apuração do imposto devido na DIRPF. Quanto à inclusão no lançamento do rendimento de R$6.300,00, auferido da AGU, entendo que os elementos de prova nos autos dão suporte às alegações do recorrente. De fato, os documentos às fls. 75/77 (SIAFI2005 – Consulta Registro de Arrecadação e boleto bancário de pagamento) informam que Fernando Martins Serrano, CPF nº 517.492.11904, devolveu a quantia de R$4.784,95 à Coordenação de Execução Orçamentária da AGU, que somado ao IRRF de R$1.309,42 e às despesas que o recorrente alega terem sido deduzidas dos créditos iniciais, no valor de R$205,63, perfaz o montante de R$6.300,00. São plausíveis as alegações do recorrente no que tange à aplicação da IN 378, de 2003, à retenção em exame (6.300,00 x 27,5 – parcela a deduzir de 423,08 = 1.309,42). Pesou ainda no entendimento firmado por este relator a prova inequívoca da devolução de R$4.784,95 e o fato de não constar na DIRPF do anocalendário de 2005 (fl. 05) nenhum outro rendimento declarado da AGU. À evidência, referida devolução deve se reportar ao rendimento indicado na DIRF à fl. 13. Assim como tal rendimento deve ser excluído do lançamento, o respectivo IRRF que sobre ele incidiu, no valor de R$1.309,42, também deve ser excluído da compensação do imposto devido. Vale ressaltar que o fato gerador do imposto de renda do anocalendário em tela ocorre em 31/12/2005. Assim, é claro que a devolução de rendimento auferido dentro do próprio ano modifica a base de cálculo do lançamento. Se a devolução ocorresse em período posterior é evidente que o interessado poderia pleitear a restituição, sob pena de grave violação aos princípios da legalidade, moralidade administrativa e vedação ao enriquecimento sem causa do Estado. A incidência do IRRF, como antecipação, foi correta, mas a devolução do rendimento é fato relevante para a apuração do imposto devido na DIRPF, pois o fato gerador do tributo é a renda, que, no caso em exame não se confirmou, por fato que certamente não decorreu da vontade do beneficiário. No que tange ao rendimento omitido da empresa John Deere do Brasil Ltda, no valor de R$15.124,05, relativo ao anocalendário de 2005, com retenção na fonte de R$3.530,55, verificase que a DIRF apresentada pela fonte pagadora (fl. 14) e o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto de Renda Retido na Fonte (fl. 79) fazem prova da infração indicada no Auto de Infração. Em seu favor o contribuinte alega que o valor recebido da referida empresa foi R$11.000,00, sem imposto de renda retido, em junho de 2004, conforme ATA de Leilão à fl. 66, sendo este valor regularmente tributado em sua DIRPF do exercício de 2005, anocalendário de 2004 (fl. 68). Nesse caso, entendo que o conjunto probatório nos autos (DIRF apresentada pela empresa e Comprovante de Rendimentos juntado aos autos pelo contribuinte) é amplamente favorável à pretensão do fisco. Tratase de documentos oficiais que são hábeis e idôneos para comprovar a ocorrência do fato jurídico tributável. A apresentação da DIRF, após o prazo regulamentar, em nada descaracteriza a sua natureza. A informação na DIRPF do anocalendário de 2004, relativo ao recebimento de R$11.000,00 da mesma empresa, e o extrato bancário onde consta o ingresso desse recurso (fl. 98), não é decisivo para resolução do presente litígio, pois apenas tem em comum com a omissão do anocalendário de 2005 o fato de se tratar da mesma fonte pagadora. A rigor, o que se percebe é que o contribuinte declarou corretamente o rendimento do ano de 2004 e não procedeu da mesma forma em relação ao recebimento do ano de 2005. Verificase, inclusive, que o interessado apresentou o extrato bancário do mês em que auferiu o rendimento no ano de 2004, mas não o fez em relação ao mês do ano de 2005, em que supostamente não auferiu o rendimento de R$15.124,05. Obteve da empresa o Comprovante de Rendimento, que informa o que o recorrente assevera não ter recebido, e não tomou nenhuma providência mais enérgica em relação a tal fato, como uma declaração da empresa retratandose do erro no Comprovante de Rendimentos e a retificação da DIRF, sob pena do ingresso da medida judicial cabível. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10950.006319/200829 Acórdão n.º 210101.526 S2C1T1 Fl. 128 5 Em face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os rendimentos de R$6.300,00 e o respectivo IRRF de R$1.309,42. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000387/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 26/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. CORREÇÃO DA FALTA. RECONHECIMENTO PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A própria fiscalização reconheceu que as infrações foram corrigidas, o que confere direito ao contribuinte da relevação da parte corrigida.
Numero da decisão: 2302-001.601
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Interessado COOPERATIVA AGROPECUARIA DOS PRODUTORES RURAIS DE ITURAMA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. CORREÇÃO DA FALTA. RECONHECIMENTO PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA. A própria fiscalização reconheceu que as infrações foram corrigidas, o que confere direito ao contribuinte da relevação da parte corrigida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à Previdência Social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências agosto de 2000 a setembro de 2006, fls. 09 a 10. Não teriam sido informadas a totalidade da remuneração dos segurados empregados, bem como parcela referente à comercialização da produção rural. A autuada pediu o prazo de três dias para apresentação das GFIP corrigidas, fls. 56 a 59. Foram juntadas cópias às fls. 60 a 1.054. Foi comandada diligência pela Receita Previdenciária, conforme fls. 1.056 e 1.057, sendo prestada a informação fiscal de fl. 1.058, informando que o contribuinte corrigiu a falta. A unidade descentralizada da Receita Previdenciária emitiu a Decisão Notificação (DN), fls. 1.060 a 1.065, mantendo a autuação com relevação da multa; sendo interposto recurso de ofício. Por meio da Resolução de fls. 1.066 a 1.067, o CARF converteu o julgamento em diligência para ser intimado o contribuinte da decisão de primeira instância, afim de que desejando pudesse interpor recurso voluntário no prazo normativo. Cientificado da decisão colegiada, a autuada não se manifestou no prazo normativo, fls. 1.075. É o relato suficiente. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12045.000387/200741 Acórdão n.º 230201.601 S2C3T2 Fl. 1.078 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Quanto ao recurso de ofício entendo que deva ser negado provimento ao mesmo. A própria fiscalização reconheceu que as infrações foram corrigidas, o que confere direito ao contribuinte da relevação da parte corrigida. Conforme informado na DecisãoNotificação, houve a correção das faltas antes da decisão de primeira instância, sendo a autuada primária e tendo solicitado no prazo de defesa a relevação da multa; portanto foi correta a relevação da multa na forma do art. 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso de ofício para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 3DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 35564.006649/2006-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/1996 a 30/06/1998
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
CRÉDITO LAVRADO EM SUBSTITUIÇÃO A OUTRO DECLARADO NULO POR VÍCIO FORMAL. PRAZO DECADENCIAL.
Nulificado o lançamento por vicio formal, dispõe o fisco de cinco anos, contados da decisão que declarou a nulidade, para constituir crédito substitutivo.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 30/06/1998
PREVIDENCIÁRIO. DEBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.
DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO PRESTADOR DE SERVIÇOS.
A falta de apresentação pelo tomador de serviços dos documentos necessários a elisão da responsabilidade solidária, autorizam o fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa prestadora.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-000.994
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência das competências 07/1996, 02/1997 e 03/1997. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. II) Por unanimidade de votos: a) em excluir do polo passivo a empresa INDÚSTRIA CERÂMICA ARGILUX LTDA. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1996 a 30/06/1998 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. CRÉDITO LAVRADO EM SUBSTITUIÇÃO A OUTRO DECLARADO NULO POR VÍCIO FORMAL. PRAZO DECADENCIAL. Nulificado o lançamento por vicio formal, dispõe o fisco de cinco anos, contados da decisão que declarou a nulidade, para constituir crédito substitutivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 30/06/1998 PREVIDENCIÁRIO. DEBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO PRESTADOR DE SERVIÇOS. A falta de apresentação pelo tomador de serviços dos documentos necessários a elisão da responsabilidade solidária, autorizam o fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa prestadora. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência das competências 07/1996, 02/1997 e 03/1997. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. II) Por unanimidade de votos: a) em excluir do polo passivo a empresa INDÚSTRIA CERÂMICA ARGILUX LTDA. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso.
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PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4. 0 do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. CRÉDITO LAVRADO EM SUBSTITUIÇÃO A OUTRO DECLARADO NULO POR VÍCIO FORMAL. PRAZO DECADENCIAL. Nulificado o lançamento por vicio formal, dispõe o fisco de cinco anos, contados da decisão que declarou a nulidade, para constituir crédito substitutivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 30/06/1998 PREVIDENCIÁRIO. DEBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO PRESTADOR DE SERVIÇOS. A falta de apresentação pelo tomador de serviços dos documentos necessários elisão da responsabilidade solidária, autorizam o fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa prestadora. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Lla Câmara / la Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência das competências 07/1996, 02/1997 e 03/1997. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. II) Por unanimidade de votos: a) em excluir do polo passivo a empresa INDÚSTRIA CERÂMICA ARGILUX LTDA. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Fre .s de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; e b) 4011*, ELIAS • I' AIO FREIRE - Presidente KLEBER FERREIRA DE A ÚJO —Relator o Participaram, d presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. no mérito, em negar pro to ao recurso. 2 Processo no 35564.006649/2006-37 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.994 Fl. 563 Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, DEBCAD n° 37.026.401-0, lavrada em nome da contribuinte já qualificada nos autos, na qual são exigidas contribuições patronais e dos segurados. O credito em questão reporta-se ás competências de 07/1996 a 06/1998 e assume o montante, consolidado em 14/11/2006, de R$ 6.665,16 (seis mil e seiscentos e sessenta e cinco reais e dezesseis centavos). Nos termos do relatório de trabalho da auditoria, fls. 24/25, as contribuições foram lançadas por arbitramento e decorreram da responsabilidade solidária do tomador de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra pelas contribuições não adimplidas pelo prestador. 0 crédito em destaque vincula-se aos serviços prestados à notificada pela empresa INDÚSTRIA DE CERÂMICA AGRILUX LTDA (CNPJ n.° 45.466.273/0001-64). Consigna-se ainda que a NFLD em apreço foi lavrada em substituição a outra declarada nula por vicio formal, observando-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o que dispõe o inciso lido art. 45 da Lei n.° 8.212/1991. A empresa tomadora apresentou defesa, fls. 29/39, bem como a sua prestadora, fl. 450. A 9.' Turma da DRJ/SPO II, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, fls. 468/474. Irresignado com a decisão, o responsável tributário apresentou recurso voluntário, fls. 478/485, no qual alega em síntese: a) é detentor de medida judicial que lhe garante o seguimento do recurso independentemente do depósito para garantia de instância; b) somente a partir da Lei n.° 9.528, de 10/12/1997, é que se estabeleceu solidariedade relativa as obrigações previdencidrias entre empreiteiros e sub-empreiteiros; c) o art. 45 da Lei n.° 8.212/1991 foi julgado inconstitucional pelo STF, assim, a decadência para as contribuições previdencidrias segue a sistemática do CTN; d) o Acórdão n.° 1.726/2005, que anulou a NFLD n.° 35.421.817-4, determinou expressamente que a fiscalização primeiro diligenciasse no devedor principal e, somente após, viesse a exigir as contribuições do tomador dos serviços, todavia, esse comando foi desrespeitado; e) na espécie há dupla cobrança das mesmas contribuições; f) o seu pedido ao juizo a quo para apensamento dos autos da NFLD anulada ao presente processo não foi acatado, todavia, tal providência é imprescindível, posto que existem ali documentos importantes para o deslinde da causa, como é o caso de recolhimentos efetuados e não contabilizados pelo INSS; g) se as guias genéricas não podem ser aceitas, devem os valores ali consignados ser devolvidos; Pede, por fim, que o débito seja cancelado. 0 julgamento do recurso foi convertido em diligência, fls. 541/544, para que se verificasse em que data foi dada ciência da NFLD anulada ao devedor direto. Em resposta, fls. 546/548, o órgão preparador afirmou que, na data da constituição daquele crédito, não havia noinia prevendo a remessa de NFLD A empresa contratada. Conclui que somente a recorrente participou do polo passivo, mas, mesmo que se reconheça a decadência em relação ao devedor direto, esse efeito não deve se estender ao responsável tributário, posto que quando esse tomou ciência da NFLD não havia ainda transcorrido o prazo decadencial. Intimado desse despacho, fl. 556, a recorrente não se manifestou. É o relatório. 4 Processo n° 35564.006649/2006-37 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.994 Fl. 569 Vo to Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator 0 recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade, além de que a recorrente possuía decisão judicial garantindo o seguimento do recurso independentemente de depósito prévio. Como se percebe o crédito em questão foi lavrado em substituição a NFLD n.° 35.421.817-4, a qual foi declarada nula por vicio formal. Ocorre que naquele lançamento somente o responsável tributário esteve presente no polo passivo. Portanto, o referido crédito não produziu qualquer efeito perante o devedor direto. Assim, na contagem do prazo decadencial, para a empresa INDÚSTRIA CERÂMICA ARGILUX LTDA (CNPJ 45.466.273/0001-64) deve-se tomar como marco inicial os critérios do art. 150, § 4.' 1 , ou do art. 173, 12, ambos do CTN, estando por qualquer desses decadentes as contribuições lançadas, haja vista que o período do crédito é de 07/1996 a 06/1998 e a empresa, não tendo tomado ciência da NFLD anulada, somente foi cientificada do presente lançamento em 22/01/2007. Para a empresa ALITER CONSTRUÇÕES E SANEAMENTO LTDA, que foi regularmente cientificada da NFLD substituida em 20/12/2002, inicialmente cabe verificar se naquele momento já havia transcorrido o prazo decadencial. Verifico que na espécie deves- se aplicar para fins da contagem o disposto no art. 150, § 4.°, haja vista que nos autos há guias de recolhimento, fls. 451/456, colacionadas pela empresa prestadora. Assim, contando-se o prazo decadencial a partir da ocorrência dos fatos geradores, devem ser afastadas por decadência as competências 07/1996, 02/1997 e 03/1997. Para as competências remanescentes, deve-se contar o prazo de decadência pela previsão do art. 173, 11 3 , do CTN, ou seja, cinco anos da decisão que tenha anulado por vicio formal o crédito anteriormente constituído. 1 § 40 Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Publica se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 2 Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 3 Art. 173.(..) II - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Nessa toada, constato que o Acórdão do CRPS que anulou a primeira NFLD data de 23/09/2005, não havendo o que se falar em decadência, já que a empresa tomou ciência da que ora se julga em 21/11/2006, Passo ao mérito. 0 argumento de que a solidariedade somente poderia ser exigida a partir da edição da Lei n.° 9.528, de 10/12/1997, não será analisado posto que, com a declaração da decadência até a competência 03/1997, todo o período remanescente foi posterior a entrada em vigor do referido ato legal. No acórdão do CRPS que anulou a NFLD n.° 35.421.817-4, o Relator tece comentários acerca da necessidade de se fazer uma prévia verificação no devedor direto, antes de efetuar a lavratura na empresa tomadora. Todavia, na parte dispositiva do decisum, não se fez constar uma determinação expressa, como quer fazer crer a recorrente. Tenho a dizer inclusive que o ponto de vista expresso no voto, quanto a obrigatoriedade de se fiscalizar o prestador de serviço previamente é tema já superado nesse colegiado. E que nem sempre é possível essa verificação, até porque em muitos casos a empresa contratada nem mais existe. A prevalecer essa exigência criar-se-ia mais uma dificuldade para recuperação de contribuições em um seguimento em que, sabidamente, a evasão tributária era considerável. Sensível a essa problemática, esse tribunal administrativo sedimentou o entendimento de que é valido o lançamento por solidariedade com base na documentação apresentada pelo tomador do serviço executado mediante cessão de mão-de-obra, sem que seja necessária uma verificação prévia na empresa prestadora. Trago á. colação ementa de recentes julgados que abonam a tese acima expressa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1999 a 31/01/1999 EMENTA. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Recurso Voluntário Negado. (Recurso n." 254368, Segundo Conselho de Contribuintes, 5." Câmara, Rel. Conselheiro Dan2ião Cordeiro de Moraes, Seção 03/12/2008, Negado Provimento por Maioria) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDEiVCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4", do Codex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 6 Processo n°35564.006649/2006-37 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.994 Fl. 570 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, entendeu-se ter havido antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que defendem ser determinante a aplicação do instituto. LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO - SOLIDARIEDADE - CONSTRUÇÃO CIVIL - ELISÃO - NÃO OCORRÊNCIA O proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei n° 8.212/91, se não comprovar corn documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR - DESNECESSIDADE Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco tem a prerrogativa de constituir os créditos no tornador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviço INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. RECURSO VOLUNTAIO PROVIDO EM PARTE. (Recurso n.° 255769, Segunda Seção do CARE, 4." Câmara, 1." Turma, Rel. Conselheiro Ana Maria Bandeira, Seção 08/05/2009, Provimento Parcial por Unanimidade) Quanto As guias juntadas pela recorrente, fl. 170, e também pela empresa cedente da mão-de-obra, 451/456, vejo que as mesmas não são hábeis a modificar o lançamento. Como bem asseverou o órgão a quo, são comprovantes de recolhimento genéricos, que não demonstram correlação com a prestação de serviço objeto do levantamento. Assim, não há como serem consideradas, ate porque desacompanhadas das folhas de pagamento dos trabalhadores vinculados ao contrato entre as empresas envolvidas. A tese de que as guias, por não terem sido consideradas para aproveitamento na presente NFLD, deveriam ser objeto de devolução não pode ser acolhida. E que essas guias, por não estarem vinculadas a nenhuma prestação de serviço especifica, devem ser tidas como recolhimentos relativos aos trabalhadores administrativos e aqueles não envolvidos em prestação de serviço mediante cessão de mão-de-obra. Acrescento ainda que, se houve recolhimento em excesso, o pedido de repetição do indébito deveria ter sido efetuado através de processo autônomo e não em sede de recurso contra débito lavrado por solidariedade. A juntada ao presente processo de todo o conteúdo da NFLD anulada parece desnecessária. O Relatório de Lançamentos, fl. 07, apresenta a identificação de todas as notas fiscais tomadas como base para aferição do salário-de-contribuição, as quais, diga-se de passagem estão na posse da recorrente. Registre-se ainda que a NFLD nulificada foi encaminhada A empresa recorrente com todos os seus anexos, não havendo necessidade de nova remessa dos mesmos documentos, até o porque o lançamento que ora se julga está perfeitamente compreensível, não sendo cabível a alegação de cerceamento do direito de defesa. Não poderia também deixar de assinalar que a recorrente não se contrapõem a afirmação do fisco quanto A ocorrência de cessão de mão-de-obra na espécie, tampouco contesta as bases de cálculo tornadas para apuração do crédito. Portanto, não se instaurou o contencioso em relação a essas matérias. Por fim, tenho a dizer que, embora a recorrente alegue a existência de cobrança em duplicidade, não foi juntado aos autos quaisquer documentos que viessem em socorro dessa tese. Não há como acolher, portanto, esse argumento. Diante de todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, reconhecendo a decadência das contribuições relativas às competências 07/1996, 02/1997 e 03/1997 e pela exclusão do polo passivo da empresa INDÚSTRIA CERÂMICA ARGILUX LTDA e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2010 KLEBER FERREIRA DE A AÚJO - Relator 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA- SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 35564.006649/2006-37 Recurso n°: 158.991 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho' Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.994 Brasilia, ril de 2010 ELIAS SAM 0 FREIRE Presidente da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaraçao Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10580.721539/2008-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2004
Ementa:
MUDANÇA DE CRITÉRIO – LEI ORDINÁRIA
A Lei 9.430/96, por seu art. 42, simplesmente estatuiu uma presunção legal relativa de omissão de receitas. Todos os fatos juridicamente relevantes ocorreram após a introdução daquela lei. Não há mudança de critério no lançamento.
EXPURGO DE CRÉDITOS NÃO REPRESENTATIVOS DE RECEITA NULIDADE
Detectado que não houve o expurgo de todos os créditos correspondentes a transferência entre contas de mesma titularidade, sua exclusão de receita omitida é de rigor, mas não constitui vício suficiente a fulminar de nulidade a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, na medida o volume de
tais erros não se revele sobejamente significativo.
Numero da decisão: 1103-000.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão do valor de R$ 284.000,00 da base de cálculo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2004 Ementa: MUDANÇA DE CRITÉRIO – LEI ORDINÁRIA A Lei 9.430/96, por seu art. 42, simplesmente estatuiu uma presunção legal relativa de omissão de receitas. Todos os fatos juridicamente relevantes ocorreram após a introdução daquela lei. Não há mudança de critério no lançamento. EXPURGO DE CRÉDITOS NÃO REPRESENTATIVOS DE RECEITA NULIDADE Detectado que não houve o expurgo de todos os créditos correspondentes a transferência entre contas de mesma titularidade, sua exclusão de receita omitida é de rigor, mas não constitui vício suficiente a fulminar de nulidade a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, na medida o volume de tais erros não se revele sobejamente significativo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 Ementa: MUDANÇA DE CRITÉRIO – LEI ORDINÁRIA A Lei 9.430/96, por seu art. 42, simplesmente estatuiu uma presunção legal relativa de omissão de receitas. Todos os fatos juridicamente relevantes ocorreram após a introdução daquela lei. Não há mudança de critério no lançamento. EXPURGO DE CRÉDITOS NÃO REPRESENTATIVOS DE RECEITA NULIDADE Detectado que não houve o expurgo de todos os créditos correspondentes a transferência entre contas de mesma titularidade, sua exclusão de receita omitida é de rigor, mas não constitui vício suficiente a fulminar de nulidade a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, na medida o volume de tais erros não se revele sobejamente significativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão do valor de R$ 284.000,00 da base de cálculo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.721539/200831 Acórdão n.º 110300.640 S1C1T3 Fl. 889 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.721539/200831 Acórdão n.º 110300.640 S1C1T3 Fl. 890 3 Relatório DO LANÇAMENTO Em 10/12/07, a recorrente foi intimada a apresentar os elementos constantes do Termo de Início de Fiscalização, dentre eles; a) Livros Diário, Razão e balancetes mensais ou Livro Caixa; b) livros registro de entradas, saídas, apuração do ICMS, ISS e IPI; c) extratos bancários das contas correntes de movimento e aplicações financeiras do período em fiscalização. Ultrapassado o prazo de 20 dias para a apresentação dos elementos supracitados, foi enviado o Termo de Reintimação Fiscal em 8/02/08. Sem qualquer manifestação da recorrente, foi enviado novo Termo de Reintimação Fiscal em 22/02/08. Em resposta a recorrente apresentou, em 5/03/08, a) cartão do CNPJ, contrato social, e posteriores alterações; b) cópia do recibo da DIPJ; c) impressão do livro de registro de saídas (sem abertura e autenticação); d) relatórios de pagamentos realizados, de cheques prédatados recebidos e o comparativo de clientes. Após envio de mais dois Termos de Reintimação Fiscal, a requerente apresentou, em 20/05/08, de forma parcelada e sem carta de protocolo, extratos bancários do Banco Safra S.A., Bradesco S.A. e Banco do Brasil S.A. E em 18/06/08 apresentou: a) impressão da escrituração do livro caixa; b) impressão de novo livro de registro de saídas (novamente sem termos de abertura e encerramento e autenticação). Da análise dos referidos documentos verificouse sua desconformidade com a legislação de regência para a tributação sob o SIMPLES, a saber, o art. 7º, § 1º, da Lei 9.317/96. E ainda, além de não haver escrituração da movimentação financeira no Livro Caixa apresentado, observouse que na nova impressão do Livro de Registro de Saídas, apresentado em 18/06/08, há relevante discrepância em relação à primeira versão do livro, apresentada em 5/03/08. Outra inconsistência apurada foi a divergência entre os valores apresentados na PJSI 2005 à SRF e à SEFAZBA, sendo eles R$ 622.649,69 e R$ 2.452.986,31, respectivamente. Após análise dos extratos bancários, foram expurgados os valores correspondentes a transferências entre contas correntes de mesma titularidade, devoluções de cheque, créditos de estorno e outros valores que, por seu histórico, não configurem auferimento de receita. Assim, em 1º/08/08, foi enviado Termo de Intimação Fiscal solicitando que a recorrente comprovasse a origem dos recursos ali relacionados. Os autos de infração se fundaram na presunção legal de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96, abatidos os valores já oferecidos à tributação na PJSI 2005 – SIMPLES, num total de R$ 9.817.64980. Aplicada ainda a multa qualificada de 150% sobre os valores lançados no auto de infração constante destes autos, sendo aplicável o art. 44, II, da Lei 9.430/96, combinado com o art. 72 da Lei 4.502/64, com base no fato incontestável de que o contribuinte não escriturou seu Livro Caixa de acordo com o que previsto na Lei do Simples. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.721539/200831 Acórdão n.º 110300.640 S1C1T3 Fl. 891 4 DA IMPUGNAÇÃO Em 15/10/08, a requerente apresentou impugnação de fls. 280 a 282, em que aduz, em síntese, o que segue. Alega ser improcedente em parte o lançamento realizado pela Receita Federal. Isto porque não haveria condições técnicas de toda a movimentação bancária caracterizada como crédito nos extratos bancários apresentados representarem vendas realizadas pela recorrente. Devido às dificuldades financeiras pelas quais passou a recorrente no início de suas atividades, muitas de suas movimentações bancárias neste período caracterizam transferências bancárias de mesma titularidade, empréstimos bancários e de terceiros, como comprovado pelos códigos de tais lançamentos. Por fim, solicita novo prazo para apresentação dos documentos requisitados para melhor esclarecer os fatos em questão, e ainda a reconsideração da alíquota de 150% da multa aplicada, tendo em vista que a mesma torna inviável honrar o crédito tributário e dar prosseguimento às atividades da empresa. DA DECISÃO DA DRJ Em 23/09/08 acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Salvador, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado, com o entendimento que segue. Em análise à impugnação, observase que, em relação aos supostos empréstimos bancários e de terceiros, não foi apresentada qualquer prova documental hábil e idônea capaz de comprovar a existência de tais operações, demonstrando o fluxo de recursos nelas utilizados e que pudessem infirmar os lançamentos guerreados. E ainda, no que concerne às transferências entre contascorrente de mesma titularidade, devoluções de cheque, créditos estornados e os demais não caracterizados como receita por conta de seu histórico, cumpre esclarecer que foram expurgados da relação de depósitos submetidos à contribuinte para comprovação de origem. Por tudo acima exposto, entendemse improcedentes as declarações da recorrente e merecem prosperar os lançamentos realizados. Sobre o requerimento de nova fiscalização, tendo em vista que a constituição do crédito tributário atende integralmente aos requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e do art. 142 do CTN, não há como atendêlo. Estando os fatos em conformidade com a legislação vigente e não sobrevindo qualquer fato novo que pudesse ensejar nova fiscalização, como nas hipóteses do art. 149 do CTN, resta impossível a concessão do que solicitado. Acerca da alegação sobre “estar se organizando” para apresentar a documentação probatória, não é possível que seja levada em consideração para a presente decisão, tendo em vista que a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluso o direito de apresentála em outro momento processual, salvo hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/72. Bem como é de responsabilidade da recorrente, uma vez inscrita no SIMPLES, manter a escrita do Livro Caixa, do Livro de Inventário, e os documentos que lhe servirem de base, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência, conforme art. 7º, § 1º, da Lei 9.317/96. Sendo assim, não terá efeito Fl. 891DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.721539/200831 Acórdão n.º 110300.640 S1C1T3 Fl. 892 5 em sede de impugnação a escrituração tardia do livro caixa, ainda que nos moldes exigidos pela legislação tributária. No tocante à reconsideração da multa de 150%, não há possibilidade de afastamento, posto que se ocorridas as hipóteses de sua incidência, como no caso em tela, não podem os agentes do Fisco deixar de exigir imposições fiscais prescritas em lei, sob pena de responsabilidade funcional. Correta, portanto, a aplicação da multa qualificada estabelecida no art. 44, II, da Lei 9.430/96 (redação vigente à época dos fatos geradores) combinado com o art. 72 da Lei 4.502/64, tendo em vista a adoção de práticas para impedir o conhecimento pelo fisco da ocorrência de fato gerador de tributos. Não é cabível também a alegação de impossibilidade de honrar com o crédito tributário lançado, vez que não figura nas hipóteses de extinção do crédito tributário definidas em lei. E certo é que somente a lei poderá conceder remissão total ou parcial do crédito regularmente constituído, atendendo à situação econômica do sujeito passivo, assim como previsto no art. 172, I, do CTN. Sendo assim, mantémse a exigência da multa qualificada aplicada à espécie como componente do crédito tributário lançado, por ausência de lei específica que permita sua reconsideração. Por todo o exposto, resta consubstanciado inequívoco intuito de sonegação fiscal, justificando, consequentemente, a imposição da multa qualificada no percentual de 150%. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão de fls. 806 a 814, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 833 a 846, em 28/12/09, alegando, em síntese, o que segue. Após breve revisão dos conceitos de faturamento e movimentação financeira, a recorrente alegou que nem todas as movimentações bancárias realizadas correspondem a faturamento da empresa. Expõe que diversas transações de valores significativos podem ocorrer sem que tenha havido apropriação ou faturamento de qualquer ordem pela empresa. Aponta também limites de crédito disponíveis em suas contas no Banco do Brasil S.A., Banco Bradesco S.A. e Banco Safra S.A., valores que também não podem ser considerados como faturamento. E ainda transferências em dinheiro (TED), de mesma titularidade, que apenas trasladam o dinheiro de uma conta da recorrente para outra em diferente instituição financeira. Tratase, portanto, de operações rotineiras nas atividades de uma empresa. Aduz ao fato de que não pode prosperar uma pretensão que tenha por base apenas a presunção de omissão de receita, pois não se pode considerar a movimentação bancária do contribuinte como um reflexo claro de seu faturamento, não podendo a mesma servir como base de cálculo. Quedando nulo, portanto, os autos em questão. Após levantamento realizado a pedido da própria recorrente, reconheceu a apuração de faturamento de R$ 1.359.127,59, promovendo retificação da DPJSI, aduzindo a feitura de parcelamento das exigências calculadas sobre a diferença entre o valor acima e o anteriormente declarado (R$ 622.649,69), i.e., feitura de parcelamento sobre exigências calculadas sobre R$ 736.477,90, no âmbito do “Refis” da Lei 11.941/09. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.721539/200831 Acórdão n.º 110300.640 S1C1T3 Fl. 893 6 Traz ainda entendimento de que os autos de infração ofendem o art. 179 da CF/88, tendo em vista que o legislador constituinte tinha por objetivo incentivar o empreendedorismo e criar novos empregos e novas formas de custeio ao dispensar tratamento jurídico diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte. Requer sejam declarados nulos os autos de infração e mantido o parcelamento efetuado pelo contribuinte somente sobre a quantia reconhecida, resultando a base de cálculo em R$ 736.477,90. Alternativamente, requer sejam expurgados os valores relativos às transferências entre conta corrente de mesma titularidade, devoluções de cheques, créditos estornados, bem como outros que por seu histórico não caracterizem receita, de modo a apurarse a real movimentação bancária sujeita à tributação. É o relatório. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.721539/200831 Acórdão n.º 110300.640 S1C1T3 Fl. 894 7 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Vêse que, sobre o valor de receita que serviu de base para os lançamentos em dissídio, a recorrente reconheceu, na fase recursiva, receita adicional ao que havia declarado na DPJSI de R$ 736.477,90 (R$ 1.359.127,59 – R$ 622.6490,69), para pretender aderir ao parcelamento da Lei 11.941/09, em relação aos lançamentos calculados sobre aquele montante (a receita adicional reconhecida). Razão pela qual o feito foi desmembrado para transferência a novo processo das exigências calculadas sobre aquele valor. A recorrente argui que a lei ordinária – no caso, o art. 42 da Lei 9.430/96 não tem aptidão para alterar critérios de fundamentação do lançamento. Descabida tal proposição da recorrente. O preceito nele contido simplesmente estatuiu uma presunção legal – juris tantum – de omissão de receitas correspondente aos créditos bancários de origem incomprovada. Sucede que essa presunção era rechaçada quando era empregada pela autoridade fiscal como se fosse uma presunção hominis ou facti ou comum, com base no id quod plerumque fit (naquilo que geralmente acontece), sem o aprofundamento da investigação para estabelecer o nexo causal entre os depósitos bancários e a receita omitida. Aí eram meros indícios, insuficientes para dar amparo a presunção de omissão de receitas. Essa a razão da Súmula 182 do antigo TFR, editada antes da criação da hipótese legal presuntiva do art. 42 da Lei 9.430/96. Isso mudou com a superveniência da Lei 9.430/96, que, em seu art. 42, guindou em presunção legal, juris tantum, de omissão de receitas os depósitos ou créditos bancários sem comprovação de origem, devidamente individualizados, mediante prévia e regular intimação da pessoa física ou jurídica. A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, desde que cumpridos os requisitos previstos nesse preceito, houve o estabelecimento de presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Não se trata mais de presunção que resulte de iniciativa criativa e original do fisco. Sequer se cuida de presunção hominis ou facti. Questão diversa é se a referida presunção legal passa ou não pelo teste de constitucionalidade e em que limites. Porém, isso é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.941/09, o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, e a Súmula CARF nº 21 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.721539/200831 Acórdão n.º 110300.640 S1C1T3 Fl. 895 8 (conforme consolidação das Súmulas do antigo Conselho de Contribuintes e do atual CARF, dada no Anexo II da Portaria CARF 49/10). Na presunção legal (e não facti) em comentário, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. À autoridade fiscal compete demonstrar adequada e cuidadosamente o suporte fático da hipótese legal presuntiva, com a individualização dos créditos e intimar o contribuinte para que ele os esclareça e comprove sua origem. Daí se cuidar de presunção legal de omissão de receitas, ilidível diante de contraprova do contribuinte (inversão do ônus da prova). Para a concreção da hipótese legal presuntiva, é imperativo que haja a devida individualização dos créditos ou depósitos bancários, com a prévia e regular intimação para a comprovação da origem dos créditos individualizados, sob pena de resultar fulminada a referida presunção. Nada disso tem a ver com mudança de critérios de fundamentação do lançamento. Compulsando os autos, vejo que houve a devida individualização dos créditos na intimação para comprovação da origem dos créditos, conforme anexo do termo de intimação de 1º/08/08 (fls. 151 a 180), com reintimação em 28/08/08 (fls. 181 e 182). Também, a recorrente procura ilustrar diversas hipóteses em que o crédito bancário não corresponde a receitas auferidas, citando inclusive doutrina. De total imprestabilidade tais colocações, porquanto, no caso vertente, a recorrente não demonstrou a concreção de tais hipóteses, não conformadoras de receita. De se lembrar novamente que a presunção legal em comentário inverteu o ônus da prova – à recorrente cabe comprovar que os ingressos não são representativos de receitas, ou que os são, mas receitas já reconhecidas contabilmente. O autuante, no Termo de Verificação Fiscal, que integra os instrumentos específicos dos autos de infração, aduz que dos créditos individualizados, foram expurgados os relativos a transferências entre contas de mesma titularidade, os de estornos, os que tiveram cheques devolvidos, e outros que por seu histórico não configuram receitas auferidas. A recorrente alega nulidade dos lançamentos indicando que os créditos de R$ 85.009,60 e de R$ 43.854,22 são referentes a vendas do anocalendário anterior, já declarados e tributados. Entretanto, o doc. 2 que anexa para tal comprovação nada disso demonstra. Cuida se de simples cópia da fl. do extrato do Banco do Brasil S.A., em que figuram os créditos de tais valores. Argui também a nulidade, por ser considerado receita omitida o crédito de R$ 50.000,00, no dia 5/02/04, no Banco Safra S.A., e que corresponde a transferência de recursos da conta mantida no Banco do Brasil S.A., via TED. Embora no doc. 3, que acosta aos autos para comprovar tal alegação só figure o crédito desse valor no Banco Safra S.A., compulsando os autos, localizei essa transferência Fl. 895DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.721539/200831 Acórdão n.º 110300.640 S1C1T3 Fl. 896 9 da conta da recorrente no Banco do Brasil S.A., para sua conta no Banco Safra S.A. – fl. 514. Tratase de TEDD. A recorrente não indicou em sua peça recursiva outros créditos que correspondam a transferências entre contas de mesma titularidade. Em que pese a recorrente não ter feito identificações outras, analisando os autos, localizei outras transferências dessa modalidade. Descrevo a seguir as identificações que localizei, e que não foram expurgados dos créditos individualizados (a referência às fls. dos créditos individualizados considerados como receitas omitidas, façoa para as que constam no início dos autos, que é cópia do que figura no anexo do termo de intimação alhures referido): a) Transferência de R$ 17.000,00, no dia 21/01/04, da conta do Banco do Brasil S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 512 e 575 – fl. 89, não expurgado dos créditos individualizados; b) Transferência de R$ 8.500,00, no dia 23/01/04, da conta do Banco do Brasil S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 512 e 575 – fl. 90, não expurgado dos créditos individualizados; c) Transferência de R$ 10.000,00, no dia 5/02/04, da conta do Banco do Brasil S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 514 e 577 – fl. 90, não expurgado dos créditos individualizados; d) Transferência de R$ 30.000,00, no dia 5/03/04, da conta do Banco do Brasil S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 519 e 583 – fl. 91, não expurgado dos créditos individualizados; e) Transferências de R$ 12.000,00 e de R$ 8.000,00, nos dias 8/03 e 10/03/04, da conta do Banco do Brasil S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 520 e 584 – fl. 91, não expurgados dos créditos individualizados; f) Transferência de R$ 8.000,00, no dia 5/04/04, da conta do Banco do Brasil S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 526 e 590 – fl. 93, não expurgado dos créditos individualizados; g) Transferência de R$ 5.000,00, no dia 30/04/04, da conta do Banco do Brasil S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 530 e 596 – fl. 94, não expurgado dos créditos individualizados; h) Transferência de R$ 8.000,00, no dia 8/06/04, da conta do Banco do Brasil S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 539 e 605 – fl. 95, não expurgado dos créditos individualizados; i) Transferência de R$ 15.000,00, no dia 27/07/04, da conta do Banco do Brasil S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 545 e 615 – fl. 97, não expurgado dos créditos individualizados; Fl. 896DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.721539/200831 Acórdão n.º 110300.640 S1C1T3 Fl. 897 10 j) Transferência de R$ 12.000,00, no dia 15/09/04, da conta do Banco do Brasil S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 554 e 625 – fl. 100, não expurgado dos créditos individualizados; k) Transferência de R$ 16.500,00, no dia 30/06/04, da conta do Banco Bradesco S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 501 e 610 – fl. 96, não expurgado dos créditos individualizados; l) Transferência de R$ 37.000,00, no dia 18/05/04, da conta do Banco Bradesco S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 500 e 600 – fl. 94, não expurgado dos créditos individualizados; m) Transferência de R$ 16.000,00, no dia 7/10/04, da conta do Banco Bradesco S.A. para conta do Banco do Brasil S.A. – fls. 504 e 557 – fl. 85, não expurgado dos créditos individualizados; n) Transferência de R$ 13.000,00, no dia 15/12/04, da conta do Banco Bradesco S.A. para conta do Banco do Brasil S.A. – fls. 507 e 567 – fl. 88, não expurgado dos créditos individualizados; o) Transferência de R$ 10.000,00, no dia 20/02/04, da conta do Banco do Brasil S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 516 e 580, não expurgado dos créditos individualizados; p) Transferência de R$ 8.000,00, no dia 7/06/04, da conta do Banco do Brasil S.A. para conta do Banco Safra S.A. – fls. 539 e 605, não expurgado dos créditos individualizados. Tais créditos, por conseguinte, impõem serem expurgados da receita omitida por presunção legal. Conquanto esses erros devam ser rechaçados, não vejo vício suficiente a fulminar de nulidade a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, porquanto não revelam volume sobejamente significativo. Por outro lado, vício a vitimar a aplicação de tal presunção haveria se a intimação precedente e regular para comprovação da origem dos créditos bancários não se desse com a indicação dos créditos de forma individualizada. Sob essa ordem de considerações e juízo dou provimento parcial ao recurso para que sejam expurgados das receitas consideradas omitidas os créditos que descrevi acima de “a” a “p” e o crédito de R$ 50.000,00 (de dia 5/02/04, no Banco Safra S.A., e que figura também no voto, antes da descrição de “a” a “p”), totalizando o montante de R$ 284.000,00. É o meu voto. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 897DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.721539/200831 Acórdão n.º 110300.640 S1C1T3 Fl. 898 11 Fl. 898DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11065.100880/2007-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
Constitui falta passível de multa, apresentar GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições
previdenciárias.
INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE NÃO CONHECIMENTO
De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF,
c/c a Súmula nº 2 deste mesmo órgão, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar
fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA.
RETROATIVIDADE.
Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A
da Lei n. 8.212/1991.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.211
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte na comparação entre o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, com dedução da
multa aplicada na NFLD correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), que aplicava o art. 32A
da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o
conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui falta passível de multa, apresentar GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE NÃO CONHECIMENTO De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 deste mesmo órgão, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei n. 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte na comparação entre o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, com dedução da multa aplicada na NFLD correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), que aplicava o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Kleber Ferreira de Araújo – Redator designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.100880/200760 Acórdão n.º 240102.211 S2C4T1 Fl. 173 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, por descumprimento de obrigação acessória por deixar de apresentar dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/2004 a 01/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de multa (fl. 13) a empresa foi autuada, pelo fato desta ter apresentado as GFIP's Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social sem incluir o total dos valores indiretamente pagos ao segurado empregado Davi Aloísio Griebler, a título de previdência complementar privada, seguro de vida e despesas com cartões de créditos, no período compreendido pelas competências de 01/2004 a 11/2006. Consta ainda no Relatório que a empresa deixou de informar os valores pagos aos cooperados por serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho, no período compreendido pelas competências de 01/2004 a 12/2005 Inconformada com a decisão que (fls. 157/161), julgou o lançamento procedente, a empresa interpôs, Recurso Voluntário (fls. 165/169) alegando, em síntese: que não há incidências sobre os pagamentos; Que não havia necessidade de que fossem informados nas GFIP 'S. Aduz que não há incidência de contribuição social sobre os pagamentos efetuados a título de Previdência Complementar privada, porquanto motivo pelo qual sustenta que não se caracteriza como salário de contribuição; Que não há incidência de contribuição previdenciária sobre valores gastos com Cartões de Crédito, sob o argumento de que os mesmos dizem respeito a despesas necessárias à atividade do segurado Davi Aloísio Griebler e que essas não são tidas como parcelas de remuneração; Que a multa imposta no percentual de 150% tem caráter confiscatório; A empresa Recorrente discorda da imposição de juros moratórios superiores a 12% ao ano, de forma capitalizada. É o relatório Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Alega a Recorrente que recolheu todas as contribuições devidas, não podendo ser autuada pela fiscalização, sem, contudo, demonstrar cabalmente. Reconhecidamente e na dinâmica legal processual o ônus da prova cabe a quem alega. E mais, de conformidade com a legislação tributária e previdenciária, é dever do contribuinte apresentar todos os recolhimentos, quando requerido pela fiscalização. Como se vê da impugnação, bem como do recurso aviado, estes não foram acompanhados com dos documentos imperiosos assaz de comprovar o recolhimento. Ademais, todas as questões abordadas no presente do recurso, já foram objeto de análise quando do julgamento da NFLD 37.092.8164, correlata à presente autuação, cujo nº do processo é 11065.100883/200701, através do Acórdão 280300.230 da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, do qual peço vênia para transcrever a ementa e o voto que demonstram a correlação com a presente autuação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2006 JUROS CALCULADOS Á TAXA SELIC. APL1CABILIDADE. A cobrança de juros esta prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei ir ° 8,212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal, SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS PAGAS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. A não comprovação de despesas efetuadas com cartões de crédito, bem como o pagamento de previdência complementar e seguro de vida, em desacordo com a legislação, enquadramse como salário de contribuição, sujeitos a recolhimentos à seguridade social. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido VOTO Conselheiro OSEAS COIMBRA JUNIOR, Relator DO PAGAMENTO A COOPERATIVAS UNIMED VALE DOS SINOS A Lei 8.212/91, em seu art. 22, IV, determina que a contratação de cooperativas de trabalho sujeita o contratante à contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. O fato de que tal contratação se deu em razão de prestação de serviços de plano de saúde, não afasta o dever de se submeter à regra tributária. DO PAGAMENTO A PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR E SEGURO DE VIDA O art. 28, §90 da lei 8212/91, alínea "p" determina que os pagamentos de previdência complementar não integram o salário de contribuição, desde que disponível totalidade de seus empregados e dirigentes. O relatório fiscal informa que o único beneficiário dos planos de previdência privada e do Seguro de Vida é o Sr. Davi Aloisio Griebler, conforme consta nas propostas de adesão e demonstrativo bancário, anexados. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.100880/200760 Acórdão n.º 240102.211 S2C4T1 Fl. 174 5 Uma vez que tal plano não é disponível a todos os segurados, é salário de contribuição Na mesma linha o seguro de vida, que não se consubstancia salário de contribuição, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes – ex vi art. 214, § 9°, inciso XXV, do RPS — Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto a° 3.048/99. Tal beneficio somente foi concedido ao Sr. Davi Aloisio Griebler, empregado da empresa desde 01/08/1997, conforme cópia da proposta da seguradora Santander Seguros S/A – fis 61. A recorrente não trouxe elementos clue afastassem o que constatado pela Ifiscalização. DA TAXA SELIC A cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei 11 ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34, As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter ir relevável (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei n" 9..528, de 10/12/97) Parágrafo único, O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera r administrativa. Não é de competência da autoridade julgadora a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional — ex vi art., 62 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMFU; nºo 256, de 22 de junho de 2009. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo ST'F, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. DA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RE VALORES GASTOS COM CARTÕES DE CRÉDITO No relatório fiscal consta que o Auditor, verificando a conta "Despesas com Viagens" (código 3.1.6.01,005) observou a contabilização de pagamento de faturas/duplicatas de cartões de crédito, e a empresa ora pagava a fatura total, ora parcial. Intimada a apresentar a comprovação das despesas — TIAD fls 46, a empresa afirmou que "os titulares dos cartões não são obrigados a comprovar essas despesas". O relatório — fls 145 — informa ainda que "Dentre as despesas ressarcidas pela empresa incluemse gastos em lojas de "free shop" de aeroportos, hotéis de praia, lojas de departamentos, de utensílios para casa, de artigos musicais, de roupas, de artigos esportivos." Acrescenta ainda que "As despesas de viagens, Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 inclusive por meio de cartão de crédito corporativo ou empresarial, não fazem parte da remuneração, desde que devidamente comprovadas através de relatório acompanhado das respectivas notas fiscais", A empresa, também nesse caso, não trouxe elementos que afastassem o que constatado pela fiscalização, limitandose a acostar cópias das faturas dos cartões. Uma vez que não há prestação dos gastos efetuados em cartão de credito, temos como não comprovado que os gastos têm natureza indenizatória. O entendimento da fiscalização de que os referidos lançamentos se enquadram, como salário de contribuição, encontra esteio na lei 8.212/91, art. 33 § 3°. Quanto as ditas aplicações ilegais dos juros, urge verificar que a sua utilização está disciplinada no artigo 34, da Lei n.º 8.212/91: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)” Em 18 de setembro de 2007 o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a SÚMULA Nº 3, com o seguinte teor, que põe uma pá de cal na argumentação defensiva, ‘ex vi’: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” DAS ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não devem ser analisadas por este colegiado, as alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade de Leis, vez que, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. A Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é bem clara neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.100880/200760 Acórdão n.º 240102.211 S2C4T1 Fl. 175 7 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Também é esse o entendimento contido na Súmula CARF nº 02, que assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” DA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA Embora não tenham sido acolhidas as razões da recorrente em relação ao mérito, conforme acima fundamentado, importante observar que posteriormente à lavratura do Auto de Infração foi publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que trouxe nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A àquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 com a conseqüente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96. Desta forma, em virtude da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, há que ser aplicado este novo cálculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Assim, necessário recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 32, “A”, I da Lei nº 8212/91. VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 32, “A” da Lei nº 8212/91. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.100880/200760 Acórdão n.º 240102.211 S2C4T1 Fl. 176 9 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Embora concordando com o Conselheiro Relator quanto à aplicação retroativa das disposições da Lei n.º 11.941/2009 que tratam da aplicação da multa por descumprimento de obrigações acessórias relativas à declaração na GFIP, ouso divergir no que diz respeito ao dispositivo a ser aplicado.. De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como ponderou o Conselheiro Relator em seu voto, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN2. Devese, então, verificar, competência a competência, se a multa calculada nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não declarada), deduzidas a multa aplicada na(s) NFLD(s) correlata(s), resulta em valor mais benéfico ao contribuinte. Conclusão Voto então pelo provimento parcial do recurso para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte, a qual ficará limitada ao valor calculado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, deduzida a multa aplicada na(s) NFLD (s) correlata (s). Kleber Ferreira de Araújo 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13984.000270/2003-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1990 a 30/04/1990
COMPENSAÇÃO. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO,
DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
Na hipótese de pedido de restituição, combinado com declaração de
compensação, o reconhecimento administrativo do crédito está condicionado
à comprovação, pelo contribuinte, da desistência da execução judicial do
título ou a renúncia à sua execução.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.366
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO, DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de pedido de restituição, combinado com declaração de compensação, o reconhecimento administrativo do crédito está condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da desistência da execução judicial do título ou a renúncia à sua execução. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 12/03/2003 a empresa CEPAR CONSTRUÇÃO E COMÉRCIO LTDA, já qualificada nos autos, apresentou a Declaração de Compensação de fl. 01 e o Demonstrativo de Créditos Decorrentes de Decisão Judicial de fl. 02, informando que efetuou a compensação de créditos de PIS, reconhecido em decisão judicial transitada em julgado no dia 23/04/1998, com débitos seus de PIS e de Cofins. No dia 19/12/2006 a recorrente recebeu intimação da RFB para, no prazo de 30 (trinta) dias: Comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. (art.50, parágrafo 2°, da IN SRF n° 600/2005); Passados mais de 10 (dez) meses sem que a recorrente atendesse a intimação supra, a autoridade da RFB decidiu indeferir o pedido de restituição e não homologar as compensações declaradas, nos termos do Despacho Decisório de fls. 35/37. Ciente desta decisão, a recorrente ingressou com manifestação de inconformidade, argüindo, em apertada síntese, que é desnecessário a comprovação da homologação judicial da renuncia à execução; que a renúncia à execução está presente em várias circunstâncias da demanda judicial; que não haverá dupla cobrança do crédito; e que a PGFN objetou o pedido de homologação. A DRJ em Florianópolis SC indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0714.833, de 12/12/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: COMPENSAÇÃO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. APRECIAÇÃO. Na hipótese de ação de repetição de indébito a compensação somente pode ser efetuada se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 22/01/2009 (AR de fl. 74) e, no dia 20/02/2009 impetrou o recurso voluntário de fls. 79/81, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Conselheiro. Voto Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13984.000270/200397 Acórdão n.º 330201.366 S3C3T2 Fl. 93 3 Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente apresentou PER/DCOMP declarando a compensação de débitos de PIS e Cofins com crédito de PIS reconhecido em decisão judicial transitada em julgado. Intimada a apresentar a comprovar a desistência da execução judicial do título judicial, a recorrente nada disse. Em conseqüência, o crédito pleiteado não foi reconhecido e as compensações declaradas não foram homologadas. Ciente, a empresa interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando que solicitara a homologação da desistência da execução judicial, que a mesma é desnecessária, que nos autos da ação já consta a pretensão da recorrente pela compensação administrativa do crédito, que não haverá dupla cobrança do crédito e que a PGFN objetou o pedido de homologação da desistência da execução. A decisão recorrida manteve o indeferimento da restituição e a não homologação das compensações pelas mesmas razões da autoridade administrativa que decidiu o pedido da recorrente, ou seja, à mingua de atendimento do previsto no § 2º, do art. 50, da IN RFB nº 600/2005 não pode a autoridade da RFB reconhecer a liquidez e certeza do crédito pleiteado. No seu recurso voluntário, a recorrente repisa os argumentos da manifestação de inconformidade para afastar a aplicação do citado dispositivo regimental ou, ao menos, a interpretação do mesmo ao seu gosto. Como bem disse a decisão recorrida “muito pouco há que se acrescentar em relação ao já declarado no despacho decisório que negou a compensação pleiteada, às folhas 35 a 37”. Além dos fundamentos da decisão recorrida, que adota integralmente, há indícios de que a recorrente iniciou a liquidação judicial da sentença e, na data que efetuou as compensações, este procedimento não havia sido concluído (fls. 25/27). Não tendo a recorrente comprovado que, na data em que utilizou o crédito para compensar seus débitos, atendia ao disposto no § 2º, do art. 50, da IN RFB nº 600/2005, não pode a autoridade administrativa fazendária, inclusive este Colegiado, reconhecer a legitimidade do crédito pleiteado e homologar as compensações declaradas. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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