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Numero do processo: 10074.001823/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PERDIMENTO. MULTA REGULAMENTAR
Período de Apuração: 12/01/2004 a 17/03/2005
OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO.
A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário.
MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE ENTREGUE A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA.
Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.416
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Ausente momentaneamente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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MULTA REGULAMENTAR Período de Apuração: 12/01/2004 a 17/03/2005 OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE ENTREGUE A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001823/200816 Acórdão n.º 3202000.416 S3C2T2 Fl. 183 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC (DRJ/FLO), como constante às fls. 126 a 129, que negou provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente, in verbis: “Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 02/07 por meio do qual é feita a exigência de R$ 14.227.758,82 (quatorze milhões, duzentos e vinte e sete mil, setecentos e cinquenta e oito reais e oitenta e dois centavos) de multa substitutiva à pena de perdimento, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido transferida a terceiro ou consumida, nos termos do art. 23, V, §§ 1º, 3º, 9º, do Decretolei n. 1.455 de 07/04/1976 (Art. 618 e §1° do Decreto n°4.543, de 2002). A fiscalização assim descreveu os fatos, em síntese: Que a presente ação fiscal teve origem na representação para fins de inaptidão consubstanciada no processo n. 10074.001501/2005 1, cópia integral nos anexos I/IV. Que do procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF n. 228/2002, constatouse a falta de comprovação da origem dos recursos utilizados nas importações realizadas, bem como a absoluta falta de capacidade econômica e financeira da fiscalizada no tocante às suas atividades de comércio exterior. Que não foi comprovada a origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior de que tratam as DI's relacionadas às fls. 29/32. Que a autuada não mantém em estoque as mercadorias importadas com a utilização de recursos cuja origem não logrou comprovar. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001823/200816 Acórdão n.º 3202000.416 S3C2T2 Fl. 184 3 Cientificada, a empresa CMLS apresentou a impugnação de fls. 80 a 92, argüindo, em síntese: Que a impugnante pretende demonstrar que: 1. Não houve interposição fraudulenta comprovada. 2. Mesmo na comprovação de interposição fraudulenta, com o advento do art. 33 da Lei n° 11.488/2007, não mais é inaplicável (sic) a penalidade de perdimento de mercadoria ou equivalente a seu valor aduaneiro. 3. Não houve interposição fraudulenta presumida por meio da não identificação da origem dos recursos. Que a autoridade autuadora, para fundamentar seu procedimento, valeuse tão somente das conclusões depreendidas do "Relatório da Ação Fiscal" referente ao MPF 071542005002980. Que a única maneira de impugnar a presente exação é atacar os fatos e as razões consignadas pela fiscalização no processo n° 10074.001501/200516. Que o exame do "Relatório de Ação Fiscal" inerente ao processo acima citado, não concluiu pela não comprovação da origem dos recursos, como alegou a autoridade autuadora. Que a proposta de declaração de inaptidão foi feita, exclusivamente, sob a alegação fática de "inexistência de fato", mas não de "não comprovação de origem de recursos". Que não foi levado em conta pela autoridade fiscal que o faturamento apontado na escrituração apresentada à análise fiscal R$ 21.344.299,75, referente ao período de janeiro a dezembro de 2004 e de R$ 5.187.240,35, referente ao período de janeiro a março de 2005, foi mais que suficiente para honrar os compromissos comerciais internacionais da impugnante. Que não houve interposição fraudulenta comprovada. Que, ainda que houvesse sido verificado tal fato, essa conduta não é mais punível com a pena de perdimento, consoante art. 33 da Lei n°11.488/2007. Requer a extinção do crédito tributário lançado.” Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001823/200816 Acórdão n.º 3202000.416 S3C2T2 Fl. 185 4 A decisão de fls. 126/130, proferida pela DRJ/FLO, foi assim ementada: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 12/01/2004 a 17/03/2005 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que foram importadas mediante interposição fraudulenta que não sejam localizadas ou que tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão da DRJ/FLO, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 137/151, objetivando reformar a decisão em tela, alegando os mesmos argumentos apresentados na impugnação que consistem, em breve síntese, no que segue: a. Nulidade do auto de infração em decorrência da nulidade do ADE 13/2008, ato que declarou inapto o CNPJ da Recorrente; b. Não houve qualquer conclusão a respeito de eventual interposição fraudulenta comprovada; c. O procedimento fiscal n. 10074.001501/200516 teceu observações a respeito da não comprovação da origem dos recursos apenas nas primeiras operações da Recorrente; d. Ainda que houvesse sido verificada a interposição fraudulenta, tal conduta não é mais punível com a pena de perdimento ou de multa equivalente ao valor aduaneiro; e. Em caráter subsidiário, requer seja declarado extinto o crédito tributário lançado por força do disposto no artigo 156, IX, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisálo. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001823/200816 Acórdão n.º 3202000.416 S3C2T2 Fl. 186 5 Trata o presente processo de auto de infração de multa proporcional ao valor aduaneiro decorrente de importações irregulares realizadas pela fiscalizada, uma vez que não restou comprovada a origem lícita dos produtos, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos utilizados em comércio exterior. Houve constatação de importações irregulares realizada pela Recorrente, vez que não foi comprovada a origem dos recursos utilizados nas primeiras importações e pelo fato da constituição da empresa ser totalmente viciada, conforme se extrai do Relatório da Ação Fiscal, fls. 01 a 23 do Anexo 01. Apontadas as irregularidades nas operações de comércio exterior, instaurou se o MPF n. 0715400.2008006022, tendo em vista que a Recorrente não possuía estoque das mercadorias importadas. Assim, a aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro é o que se discute na presente demanda. Esclarecese que a declaração de inaptidão do CNPJ da Recorrente, ADE n. 3 de 2008 (fl, 596, Anexo 03), e a posterior declaração de nulidade de tal ato, pelo ADE 25 de 2009, devido ao erro verificado na intimação da fiscalizada, são atos do PAF n. 10074.001501/200516. Assim, a alegação da Recorrente de nulidade da ação em epígrafe, tendo em vista a nulidade do ato que declarou o CNPJ da empresa inapto, não procede, visto que a nulidade ou não do ato não é objeto da presente demanda. O processo em análise visa verificar a ocorrência de dano ao Erário nas operações de importação de que tratam as DI`s relacionadas às fls. 29/32. O Ilustre Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FlorianópolisSC explicitou muito bem a questão, especialmente no seguinte trecho: “Como bem frisou a autoridade fiscal aduaneira em seu relatório de fls. 09/17, combinado com o enquadramento legal exarado às fls. 05/06, a infração imputada à contribuinte é a de “não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados” nas importações em comento. Portanto, a relação que a impugnante faz entre a declaração de inaptidão com base no art. 34, inciso III da IN SRF n. 568/2008 (inexistência de fato) com a conversão da pena de perdimento em multa, pela impossibilidade de apreensão da mercadoria, não tem relevância na solução da presente demanda.” Desta feita, verificada a independência dos processos, passo a analisar a interposição fraudulenta presumida e a conversão da pena de perdimento em multa. Alega a Recorrente que “A autoridade Fiscal Responsável pelo procedimento de que trata o processo 10074.001501/200516 (Representação Fiscal – Inaptidão) teceu Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001823/200816 Acórdão n.º 3202000.416 S3C2T2 Fl. 187 6 observações a respeito da “não comprovação da origem dos recursos” necessários ao perfazimento apenas das primeiras operações da Recorrente”. Aduz ainda que “não houve qualquer conclusão a respeito de eventual interposição fraudulenta comprovada no Relatório Fiscal”, e que, por conseguinte, deve ser declarado extinto o crédito tributário lançado por força do disposto no artigo 156, IX, da Lei 5.172/1966. Inobstante os argumentos da Recorrente, constantes da peça recursal, seu pleito não merece ser acolhido. A análise do relatório do MPF n. 0715400.2005.002980, fls. 01 a 23 do anexo 01, revelou quadro incongruente entre as operações de importação registradas pela fiscalizada e os perfis declarados pelos seus sócios, fato agravado pela absoluta incapacidade de comprovação do capital social da empresa. Constatouse que embora a Recorrente tenha sido autorizada a operar no comércio exterior até o limite de USD 164.000,00, para o período de doze meses, suas operações superaram o montante de USD 5.035.354,16. O referido procedimento de fiscalização apontou ainda que a Recorrente não contava com recursos regularmente contabilizados para a solvência das obrigações comerciais assumidas nas primeiras operações da empresa. Ademais, foi encontrado título de crédito redigido em língua estrangeira (castelhano), cujo aceitante é gerente de empresa que consta do rol de adquirentes da Recorrente, ou seja, pessoa estranha ao quadro societário da empresa. Tal fato sugere que o verdadeiro negociante dos bens importados não são os sócios da CMLS Comércio de Alimentos Ltda. Portanto, a constatação dos fatos descritos acima, além de demonstrar que a interessada não logrou comprovar a regular origem das primeiras operações, demonstrou também que a Recorrente não comprovou a disponibilidade ou transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, além da ocultação dos verdadeiros sujeitos envolvidos na operação. Esclareceu muito bem à questão a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FlorianópolisSC no seguinte trecho: “Cumpre ressaltar que a fiscalização aduaneira intimou a empresa importadora, Termo de Intimação de 15/04/2005, fls. 103/105 do anexo I, item 3, a comprovar a origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior relacionadas ao presente processo, não logrando êxito neste intento. Portanto, enganase a recorrente ao afirmar em sua impugnação que não houve Interposição Fraudulenta Presumida. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001823/200816 Acórdão n.º 3202000.416 S3C2T2 Fl. 188 7 Pela análise das peças carreadas aos autos pelas partes, constatase que a origem dos recursos utilizados nas importações efetuadas entre janeiro/04 a março/05, no valor aproximado de USD 5.035.354,16, continua desconhecida, pois a recorrente não foi capaz de comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a integralização do capital social da empresa ou mesmo a fonte de financiamento externo, seja ela de fornecedor ou mesmo de agente financeiro.” Assim, restou presumida a interposição fraudulenta de terceiros, infração penalizada com a pena de perdimento das mercadorias por configurar dano ao Erário, conforme previsão legal do DecretoLei n. 1.455/1976, com a redação da Lei n. 10.637/2002: “Art. 23 Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V – estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. §1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. §2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.” (grifouse). Em razão das mercadorias não mais terem sido localizadas ou terem sido consumidas, a pena de perdimento foi convertida em multa equivalente a seu valor aduaneiro, como determina o §3º, do artigo 23, do Decretolei n. 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n. 10.637/2002, in verbis: §3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Argumenta a Recorrente que à interposição fraudulenta presumida não é mais aplicável a penalidade de perdimento da mercadoria, desde o advento do art. 33 da Lei n. 11.488 de 2007. Referido dispositivo legal teve o seguinte objetivo, como muito aventado pelo Conselheiro Nilton Bartoli no acórdão 310200.599, ao fazer referência ao Projeto de Conversão da Medida Provisória 351/2007: Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001823/200816 Acórdão n.º 3202000.416 S3C2T2 Fl. 189 8 “Mister notar que o referido art. 33 decorre do Projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória 351/2007, de autoria do Deputado Federal Odair Cunha, apresentado em 25/0412007, que em seu discurso fez referência ao art. 33, originalmente artigo 35: "(.) Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros."...” (grifamos) Sobre o aduzido, acolho o entendimento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis que entendeu que o art. 33 da Lei. 11.488/2007 não revogou expressamente o art. 23 do DecretoLei n. 1.455/1976 e, por conseguinte, que não regulou inteiramente a matéria. Isso fica muito claro na decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região abaixo reproduzida, no sentido de que não houve revogação da pena de perdimento prevista no artigo 23 do Decretolei n° 1.455/76: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI N" 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI N° 1.455, DE 1976. AUSENCLA. DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO ... 0 artigo 3.3 da Lei IV 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdirnento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL n° 1.455/76, com a redação dada pela Lei if 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, ern nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "A hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei rf 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto its demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001823/200816 Acórdão n.º 3202000.416 S3C2T2 Fl. 190 9 também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal.” (AMS 200572080051666, OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, TRF4 SEGUNDA TURMA, 01/08/2007) O mesmo entendimento, no sentido que as infrações não são idênticas e coexistem, é confirmado pelos acórdãos deste Conselho 310100.494 (redator designado Conselheiro Tarasio Campelo Borges) e 310200.566 (redator designado Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto), bem como o art. 727 do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 — Regulamento Aduaneiro, quando, ao regulamentar o art. 33 da Lei n° Lei n° 11.488, trouxe norma expressamente interpretativa no seu parágrafo 3° afirmando que a aplicação da multa de 10% não prejudica a aplicação da pena de perdimento: "Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. ... § 3 A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas." Cabe, ademais, dar destaque ao acórdão 310200.588 deste Conselho, datado de 4 de fevereiro de 2010, de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que distinguiu a interposição fraudulenta em: importação sem comprovação da origem dos recursos próprios e importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão de nome). Transcrevo, a seguir, trechos do voto vencedor que elucidam referida distinção: “Da interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios. A nãocomprovação da origem, disponibilidade ou transferência lícita dos recursos próprios empregados na operação de importação, bem assim a condição de real adquirente da mercadoria, é causa, simultânea, da presunção da conduta ilícita da interposição fraudulenta e da inidoneidade da pessoa jurídica na operação de importação. No primeiro caso, a nãocomprovação dos recursos próprios é fato presuntivo causador do fato presumido da interposição fraudulenta nas operações de comércio, que se caracteriza pela ocultação do "sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação", nos termos do §.2° do artigo 23 do Decretolei n 2 1.455, de 1976... Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001823/200816 Acórdão n.º 3202000.416 S3C2T2 Fl. 191 10 No segundo caso, o fato presuntivo da nãocomprovação dos recursos próprios é causador da conduta inidôneo da pessoa jurídica, caracterizada pela sua inexistência de fato como importadora, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação, conforme estabelecido no § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1.996... Dessa forma, inferese que, embora o fatobase seja o mesmo (a nãocomprovação dos recursos próprios), as condutas descritas como infração são distintas. Num caso, o referido fato se constitui em prova indireta da conduta infracional, consistente na ocultação do sujeito passivo, real comprador ou responsável pela importação. No outro, ele é prova indireta da inidoneidade da pessoa jurídica importadora (ela inexiste de fato como importadora). No caso, como as referidas infrações não são idênticas, não há que se falar em hipótese de bis in idem, que consiste na incidência de dupla penalização de uma mesma conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa na determinação da sanção. Logo, é juridicamente plausível a cominação a cada uma delas (infrações) de penalidades diferentes, a saber: (i) a pena de perdimento da mercadoria e (ii) a sanção de inaptidão de inscrição no CNPJ... Com efeito, em consonância com o estabelecido nos transcritos preceitos legais, a conduta da interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior é sancionada com a pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário (art. 23, § 1°, do Decretolei n° 1.455, de 1976), ao passo que a conduta da inidoneidade da importadora (ou por inexistência de fato como importadora) é sancionada com a inaptidão da inscrição no CNPJ (art. 81, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996), sanção administrativa de natureza não patrimonial de caráter interventivo, segundo alguns doutrinadores, ou suspensiva ou privativa de atividade, segundo outros. Na primeira hipótese, a pena imposta visa ressarcir o erário e castigar o infrator pela conduta ilícita caracterizada por dano ao erário. Já a segunda sanção visa punir a fraude na operação de importação, mediante o uso abusivo da personalidade jurídica, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação. Ressalto ainda que, para fins da legislação aduaneira, é irrelevante se a empresa existe de fato ou não nos termos da legislação societária. Em outros termos, se é empresa é de "fachada" ou não. Para o direito aduaneiro, é possível a empresa existir de fato, ter pessoal, instalações, atividade operacional etc., e ser considerada inexistente de fato para fins aduaneiros, desde que ela atue na área de comércio exterior ilicitamente, como interposta pessoa, e cometa a infração descrita no comando legal suprareferenciado. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001823/200816 Acórdão n.º 3202000.416 S3C2T2 Fl. 192 11 Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A interposição ilícita na operação de importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) caracterizase pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do caixa ou conta bancária do verdadeiro adquirente da mercadoria, para o caixa ou conta bancária da interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo adquirente ou real importador. No que tange a esta modalidade de interposição ilícita, a legislação aduaneira prevê duas hipóteses de presunção da operação de importação por conta e ordem de terceiro.Uma, prevista no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 (i), e a outra, no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006 (ii), conforme se infere a partir do teor dos referidos dispositivos... Examinado o teor dos transcritos comandos legais, concluo que, por presunção, duas são as hipóteses de interposição ilícita, caracterizada como sendo importação por conta e ordem de terceiro (ilícita), a saber: a) a realizada mediante utilização de recursos de terceiro, sem o cumprimento das exigências legais estabelecidas para o tipo de importação por conta e ordem de terceiro (artigo 27 da Lei n2 10.637, de 2002); e b) a realizada mediante utilização de recursos próprios, sem o cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos para a importação por encomenda (§ 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Por força desta presunção, embora os recursos utilizados na importação sejam do próprio importador, como a mercadoria importada será destinada a um comprador predeterminado (o encomendante), a operação será equiparada a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita). ... Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome): penalidades aplicáveis. Até 15 de junho de 2007, data em que entrou em vigor o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, da mesma forma que ocorria com a denominada interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios, a conduta ilícita consistente na ocultação dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, mediante mera cessão do nome, aqui denominada (no caso da operação de importação) de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros, o importador (ostensivo) era sancionado com as seguintes penalidades: Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001823/200816 Acórdão n.º 3202000.416 S3C2T2 Fl. 193 12 a) a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou sua sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária de que trata o § 3° do citado art. 23 (norma geral de interposição fraudulenta no comércio exterior); e b) a sanção administrativa de inaptidão da inscrição no CNPJ, nos termos do § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002 (norma especial da inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ). Por sua vez, o real beneficiário da operação (o importador oculto), continua sendo sancionado apenas com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V e § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou multa sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária estabelecida no § 3° do citado art. 23. Em relação ao importador (ostensivo), a partir da vigência do referido preceito legal (norma especial de interposição fraudulenta), a prática da conduta da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) passou a ser sancionada, exclusivamente, pela multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). No que tange ao real beneficiário da operação (o importador oculto), alteração alguma houve, seja na definição da infração ou da fixação da penalidade. Tratase, no caso da infração e penalidade definidas no caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, de penalidade pecuniária especificamente estabelecida para o importador que descumpriu as exigências legais determinadas para a importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, conforme acima explanado. No meu entendimento, duas circunstâncias corroboram para a conclusão aqui apresentada: a) a primeira: a menção expressa no parágrafo único do art. 33 de que a "hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Em outros temos, por expressa determinação legal, a conduta do importador de apenas ceder o nome, com o objetivo de ocultar do conhecimento das autoridades aduaneiras os reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação (que corresponde ao sujeito passivo, real comprador ou responsável pela operação de importação), foi excepcionada da hipótese da infração e respectiva penalidade por inidoneidade na condição de importador, motivadora da sanção de inabilitação de sua inscrição no CPNJ; e b) a segunda: a vedação expressa, contida nos arts. 99 e 100 do Decretolei Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001823/200816 Acórdão n.º 3202000.416 S3C2T2 Fl. 194 13 n° 37, de 1966, de cominação de mais uma penalidade para infração idêntica cometida pela mesma pessoa, ou seja, a vedação da incidência de bis in idem na fixação da sanção por infração à legislação aduaneira. Cabe esclarecer que o art. 33 da Lei n° 11.488, "de 2007, sancionou com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, apenas a conduta do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A contrario sensu, continua sendo sancionada com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou, conforme o caso, com a penalidade pecuniária sucedânea, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, fixada no § 3° do citado artigo, as seguintes condutas: a) do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios (inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976); e b) do real importado, na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), consubstanciada nas operações de importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, realizadas sem o cumprimento das exigências legais (inciso V e § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com disposto no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 e no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Em outros termos, a pena de perdimento será sempre aplicada, ou ao importador ou aos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação, conforme o caso... Em suma, com base no que foi exposto, fica demonstrado que: a) a multa de que trata o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, aplicase apenas ao importador (ostensivo) e somente na hipótese de interposição fraudulenta mediante cessão do nome. Tratase, portanto, de forma especial de interposição fraudulenta; b) a pena de perdimento ou, se for o caso, a multa sucedânea, prescrita para a interposição fraudulenta especial ou mediante cessão do nome, aplicase apenas ao real importador (o importador oculto), por força da vedação da cominação de mais uma penalidade para idêntica infração (princípio do non bis in idem em matéria de infração à legislação aduaneira); e c) a pena de perdimento prescrita para a interposição fraudulenta sem comprovação da origem dos recursos próprios, por impossibilidade lógica, será aplicada somente ao importador (ostensivo). Cabe enfatizar que o entendimento aqui esposado confere sentido e alcance normativo ao disposto no art. 33 em comento, compatível com as normas gerais do direito aduaneiro que disciplina a matéria (arts. 99 e 100 do Decretolei n° 37, de 1966) e em consonância com o disposto no inciso V do Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001823/200816 Acórdão n.º 3202000.416 S3C2T2 Fl. 195 14 art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com o § 3° do art. 727 do RA/2009.” (grifos no original) Vêse que a Recorrente não comprovou a origem lícita e a disponibilidade de recursos próprios nas operações de importação em discussão, o que tipifica, por presunção legal, a hipótese de interposição fraudulenta prevista no art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, com as alterações posteriores. Sendo assim, a alegação de que, nos casos de interposição fraudulenta, simplesmente se aplica o disposto na Lei 11.488/2007, não merece prosperar. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, mantendose a decisão da DRJ pro seus próprios fundamentos. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN
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Numero do processo: 16327.002143/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa: NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade dos autos de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações.
PRAZO DECADENCIAL CONTRIBUIÇÕES.SÚMULA VINCULANTE 8.
Face a declaração da inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal STF, dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/ 1991, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a CSLL, o PIS e a Cofins é aquele previsto no Código Tributário Nacional. Aplicação da Súmula Vinculante 8 do STF.
PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE.
INAPLICABILIDADE DO § 4º, ART. 150 DO CTN. INÍCIO DA CONTAGEM. ART. 173, I, DO CTN.
Caracterizada a ocorrência de fraude, resta inaplicável a contagem do prazo decadencial nos termos do § 4º, art. 150 do CTN, devendo o mesmo ser contado na forma do art. 173, I do CTN.
O início da contagem do prazo decadencial para o fato gerador ocorrido em 31/12/2002, inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN. O lançamento somente poderia ser efetuado a partir de 01/01/2003 e o primeiro dia do exercício seguinte, a que se refere o dispositivo legal, é 01/01/2004,
ocorrendo o prazo fatal para o lançamento, cinco anos após, em 31/12/2008.
Para os períodos de apuração de janeiro a novembro de 2002, o início da contagem do prazo decadencial é contado a partir do primeiro dia do
exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, em 01/01/2003, esgotando-se em 31/12/2007.
OPÇÕES FLEXÍVEIS. OPERAÇÃO FICTÍCIA. GLOSA DE PREJUÍZO.
Comprovado que a operação com opções flexíveis de dólar foram simuladas, porque essa não poderia ter sido efetuada entre as partes, em condições normais e usuais, considerando o risco da operação, encontra-se correta a glosa do prejuízo fictício registrado.
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NO EXTERIOR. NÃO REGISTRO NA CONTABILIDADE. OMISSÃO DE RECEITAS.
Identificada a falta de escrituração de pagamentos efetuados em conta bancária no exterior, presume-se a omissão do registro de receitas nos termos da legislação em vigor.
IRRF. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO FICTÍCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA.
Há incidência do IRRF nos pagamentos efetuados, ou nos recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Na hipótese retratada nos autos, a operação com opções flexíveis de dólar foi identificada como fictícia, sem a efetiva comprovação da sua ocorrência. As ordens de pagamento em nome da autuada, atestando movimentação financeira efetuada no exterior, à margem da contabilidade,
não teve a comprovação da sua causa, atraindo a incidência do IRRF respectivo.
MULTA AGRAVADA DE 150%. FRAUDE. COMPROVAÇÃO.
É cabível a aplicação da multa de ofício agravada, no percentual de 150%, sobre os valores dos tributos exigidos, nos casos de caracterização da ocorrência de sonegação e fraude, definidos nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS E COFINS
Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos.
Numero da decisão: 1202-000.713
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à matéria prejuízos com opções flexíveis. Em relação às matérias falta de contabilização de pagamentos em movimentação financeira no exterior e multa qualificada sobre ela incidente, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade dos autos de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. PRAZO DECADENCIAL CONTRIBUIÇÕES.SÚMULA VINCULANTE 8. Face a declaração da inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal STF, dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/ 1991, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a CSLL, o PIS e a Cofins é aquele previsto no Código Tributário Nacional. Aplicação da Súmula Vinculante 8 do STF. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. INAPLICABILIDADE DO § 4º, ART. 150 DO CTN. INÍCIO DA CONTAGEM. ART. 173, I, DO CTN. Caracterizada a ocorrência de fraude, resta inaplicável a contagem do prazo decadencial nos termos do § 4º, art. 150 do CTN, devendo o mesmo ser contado na forma do art. 173, I do CTN. O início da contagem do prazo decadencial para o fato gerador ocorrido em 31/12/2002, inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN. O lançamento somente poderia ser efetuado a partir de 01/01/2003 e o primeiro dia do exercício seguinte, a que se refere o dispositivo legal, é 01/01/2004, ocorrendo o prazo fatal para o lançamento, cinco anos após, em 31/12/2008. Para os períodos de apuração de janeiro a novembro de 2002, o início da contagem do prazo decadencial é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, em 01/01/2003, esgotando-se em 31/12/2007. OPÇÕES FLEXÍVEIS. OPERAÇÃO FICTÍCIA. GLOSA DE PREJUÍZO. Comprovado que a operação com opções flexíveis de dólar foram simuladas, porque essa não poderia ter sido efetuada entre as partes, em condições normais e usuais, considerando o risco da operação, encontra-se correta a glosa do prejuízo fictício registrado. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NO EXTERIOR. NÃO REGISTRO NA CONTABILIDADE. OMISSÃO DE RECEITAS. Identificada a falta de escrituração de pagamentos efetuados em conta bancária no exterior, presume-se a omissão do registro de receitas nos termos da legislação em vigor. IRRF. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO FICTÍCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA. Há incidência do IRRF nos pagamentos efetuados, ou nos recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Na hipótese retratada nos autos, a operação com opções flexíveis de dólar foi identificada como fictícia, sem a efetiva comprovação da sua ocorrência. As ordens de pagamento em nome da autuada, atestando movimentação financeira efetuada no exterior, à margem da contabilidade, não teve a comprovação da sua causa, atraindo a incidência do IRRF respectivo. MULTA AGRAVADA DE 150%. FRAUDE. COMPROVAÇÃO. É cabível a aplicação da multa de ofício agravada, no percentual de 150%, sobre os valores dos tributos exigidos, nos casos de caracterização da ocorrência de sonegação e fraude, definidos nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS E COFINS Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à matéria prejuízos com opções flexíveis. Em relação às matérias falta de contabilização de pagamentos em movimentação financeira no exterior e multa qualificada sobre ela incidente, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade dos autos de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. PRAZO DECADENCIAL CONTRIBUIÇÕES.SÚMULA VINCULANTE 8. Face a declaração da inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal STF, dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a CSLL, o PIS e a Cofins é aquele previsto no Código Tributário Nacional. Aplicação da Súmula Vinculante 8 do STF. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. INAPLICABILIDADE DO § 4º, ART. 150 DO CTN. INÍCIO DA CONTAGEM. ART. 173, I, DO CTN. Caracterizada a ocorrência de fraude, resta inaplicável a contagem do prazo decadencial nos termos do § 4º, art. 150 do CTN, devendo o mesmo ser contado na forma do art. 173, I do CTN. O início da contagem do prazo decadencial para o fato gerador ocorrido em 31/12/2002, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN. O lançamento somente poderia ser efetuado a partir de 01/01/2003 e o primeiro dia do exercício seguinte, a que se refere o dispositivo legal, é 01/01/2004, ocorrendo o prazo fatal para o lançamento, cinco anos após, em 31/12/2008. Para os períodos de apuração de janeiro a novembro de 2002, o início da contagem do prazo decadencial é contado a partir do primeiro dia do Fl. 449DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 450 2 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, em 01/01/2003, esgotandose em 31/12/2007. OPÇÕES FLEXÍVEIS. OPERAÇÃO FICTÍCIA. GLOSA DE PREJUÍZO. Comprovado que a operação com opções flexíveis de dólar foram simuladas, porque essa não poderia ter sido efetuada entre as partes, em condições normais e usuais, considerando o risco da operação, encontrase correta a glosa do prejuízo fictício registrado. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NO EXTERIOR. NÃO REGISTRO NA CONTABILIDADE. OMISSÃO DE RECEITAS. Identificada a falta de escrituração de pagamentos efetuados em conta bancária no exterior, presumese a omissão do registro de receitas nos termos da legislação em vigor. IRRF. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO FICTÍCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA. Há incidência do IRRF nos pagamentos efetuados, ou nos recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Na hipótese retratada nos autos, a operação com opções flexíveis de dólar foi identificada como fictícia, sem a efetiva comprovação da sua ocorrência. As ordens de pagamento em nome da autuada, atestando movimentação financeira efetuada no exterior, à margem da contabilidade, não teve a comprovação da sua causa, atraindo a incidência do IRRF respectivo. MULTA AGRAVADA DE 150%. FRAUDE. COMPROVAÇÃO. É cabível a aplicação da multa de ofício agravada, no percentual de 150%, sobre os valores dos tributos exigidos, nos casos de caracterização da ocorrência de sonegação e fraude, definidos nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS E COFINS Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à matéria prejuízos com opções flexíveis. Em relação às matérias falta de contabilização de pagamentos em movimentação financeira no exterior e multa qualificada sobre ela incidente, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Fl. 450DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 451 3 Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase do exame dos Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, PIS e Cofins, além do IRRF sobre pagamentos efetuados sem causa, relativos ao anocalendário de 2002, com a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora, com base na taxa Selic. Por bem descrever as infrações ocorridas, passo a adotar o relatório do Acórdão nº 1617.213 da DRJ/São Paulo I, de fls. 372 a 403, assim transcrito: “2. No Termo de Verificação de Infração n° 01 (fls. 265 a 272), que versa sobre a irregularidade intitulada "I.R.P.J. e C.S.L.L. — ANOCALENDÁRIO 2002 — PAGAMENTO SEM CAUSA — REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LIQUIDO PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO", o autuante aponta, em síntese, o que se segue: A BM&F informou à CVM a realização de operações com opções flexíveis de dólar, na modalidade sem garantia, que, por apresentarem as características de realização, repetidamente, entre as mesmas partes com seguidos ganhos e perdas; volume e natureza das operações; e incerteza quanto à compatibilidade das respectivas movimentações de recursos com a atividade econômica e a capacidade financeira das partes em face das respectivas fichas cadastrais, foram enquadradas no art. 6° da Instrução CVM no 301/69 e na Lei n° 9.613/98; Dentre as operações identificadas destacase aquela realizada entre o lançador José Carlos Batista, que obteve lucro, e a titular que arcou com prejuízos, São Paulo Corretora de Valores Ltda., no montante de R$ 440.040,00; A referida operação foi realizada em 26/04/2002, com vencimento para 28/05/2002, no valor tamanho do contrato de US$ 38.600.000,00, tendo sido pago o prêmio de R$ 440.040,00, valor este deduzido do lucro real e da base de cálculo da CSLL; Regularmente intimada a justificar operacionalmente os objetivos dessa operação a São Paulo Corretora de Valores Ltda. (fl. 229), por meio de seu representante assim declarou "Informamos, ainda, que tal operação foi realizada Fl. 451DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 452 4 dentro dos princípios técnicos e operacionais que norteiam as atividades comuns as corretoras de valores, daí porque perfeitamente admissível, pelas normas legais, sua participação no mercado financeiro como investidor"; De acordo com o Relatório da Comissão de Inquérito Administrativo CVM (Comissão de Valores Mobiliários) n° 12/04, na montagem do esquema conhecido como "esquentaesfria dinheiro", a São Paulo Corretora de Valores utilizouse "de contratos de opções flexíveis , nos quais grande parte dos parâmetros de estruturação das operações podem ser livremente pactuados entre os comitentes permitindo a sua manipulação para atender aos interesses do esquema, já que, inclusive não há risco de interferência de terceiros estranhos no esquema"; Ainda do Relatório da Comissão de Inquérito CVM n° 12/04, extrai que, "Além dos 39 contratos em que atuou como "anteparo", conforme relatado no parágrafo 17, a São Paulo Corretora de Valores intermediou e registrou na BM&F quase a totalidade das operações ora investigadas, e participou em um contrato apenas na posição de titular, não funcionando, neste caso, como "anteparo", o que lhe gerou um prejuízo de R$ 440.040,00"; De acordo com o Relatório da Comissão de Inquérito Administrativo CVM (Comissão de Valores Mobiliários) n° 12/04, em especial dos parágrafos 17 a 156 e 163 a 167 e 180 (fls. 54/86, 88/89 e 92/93), ficou devidamente comprovado que a operação em apreço é fraudulenta, tendo sido montada, deliberadamente, para resultar lucros para o lançador JOSÉ CARLOS BATISTA (CPF/MF 911.098.338 49), e prejuízos para a titular SÃO PAULO CORRETORA DE VALORES LTDA. (CNPJ 61.822.052/000138). A malsinada operação com opções flexíveis de venda de dólar foi fraudulenta, visto que se tratou de artifício para, no mercado de opções, fabricar prejuízos e lucros para as partes envolvidas; Não tendo sido comprovada a operação da qual resultou o pagamento dos valores discriminados no parágrafo 1.3 (fl. 266), bem como a sua causa, eis que a operação foi considerada inidônea, haverá a incidência do imposto de renda na fonte, nos termos do art. 61 e §§ da Lei n° 8.891/92 (sic); Em face do acima relatado e do que consta do laudo da CVM, fica expressamente comprovado o evidente intuito de fraude, de que tratam o artigo 1º, II, da Lei n° 8.137/1990, c/c o artigo 957, inciso II do RIR/99. Em relação aos valores a tributar, o lucro real e a base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2002 ficou, de oficio, recomposta: Tributo/Contribuição I.R.P.J. C.S.L.L. Base de Cálculo declarada (387.361,18) (390.932,15) Valor adicionado de oficio 440.040,00 440.040,00 Base de cálculo apurada 52.678,82 49.107,85 2.1. No Termo de Verificação de Infração n° 02 (fls. 273/279), que versa sobre a irregularidade intitulada "I.R.P.J. e C.S.L.L. — ANOCALENDÁRIO 2002 — OMISSÃO DE RECEITA — CARACTERIZASE COMO OMISSÃO DE RECEITA OS PAGAMENTOS EFETUADOS A TERCEIROS, NO EXTERIOR, PARA OS QUAIS NÃO LOGROU O CONTRIBUINTE COMPROVAR A CORRESPONDENTE ESCRITURAÇÃO", o autuante aponta, o que se segue: Fl. 452DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 453 5 A irregularidade fiscal foi constatada por meio dos documentos recebidos de fontes externas e internas, relacionados às fls. 273/274, concernentes ao caso "Beacon Hill" e correspondentes aos documentos acostados aos autos As fls. 04 a 30 e 32 a 33. Documentação está originada a partir da CPI do Banestado, quando se verificou que a empresa Beacon Hill Service Corporation — BHSC foi identificada como uma das maiores beneficiárias de recursos oriundos daquele banco brasileiro, configurando um verdadeiro sistema financeiro paralelo globalizado; Com base nos elementos colhidos pela CPI do Banestado, evidenciouse que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos com divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation" (sediada em Nova Iorque), a qual representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas offshore com participação de brasileiros. Com vistas a identificar os titulares, procuradores e responsáveis pela movimentação financeira, foi elaborado, em 13/05/2004, pelo Instituto Nacional de Criminalistica, o Laudo Econômico Financeiro n° 1.226./04 — INC, o qual concluiu que: "os Peritos relacionaram os principais documentos encontrados no dossiê, verificaram os relacionamentos existentes com outras (sub)contas, casas de câmbio ou de remittance, consolidaram as movimentações financeiras ocorridas na conta corrente 560616084 denominada de ROLLING HILLS e apresentaram as ordens eletrônicas de pagamentos remetidas, de forma analítica, nos anexos deste Laudo". Entre as movimentações financeiras ocorridas na conta corrente de titularidade da Rolling Hills, destacamse, as abaixo relacionadas, cujas operações tiveram como ordenante a SAO PAULO CORRETORA DE VALORES LTDA. (fls. 08/09): Data Beneficiário Valor US$ Valor R$ 05/02/02 Connect Enterprises Inc 11.978,76 28.941,88 06/02/02 Alertom Technologies Inc. 26.965,00 65.330,80 15/02/02 Ademco 29.371,38 71.172,72 17/10/02 Mr. P. G. Carmona 4.000,00 15.426,80 04/11/02 Mr. P. G. Carmona 4.000,00 14.460,00 20/11/02 Mr.German Goytia Carmona Jr. 3.500,00 12.561,15 (*) Os valores em dólares convertidos conforme IN SRF 41/99. A contribuinte foi regularmente intimada (fl.103): (1) a justificar a que título se deu cada uma das seis movimentações no valor total de US$ 79.815,14, na sub conta ROLLING HILL (N° 530616084), mantida em agência do Banco JP Morgan Chase, em Nova York por BHSC — Beacon Hill Service Corporation, em que a São Paulo Corretora de Valores Ltda. é identificada como "ordenante" nos "detalhes de pagamento", conforme documentos anexados a Termo de Intimação, bem como, (2) a demonstrar a plena regularidade dos registros contábeis e fiscais referentes a cada movimentação, com os respectivos comprovantes. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 454 6 Em 17/05/2006, respondendo à intimação acima mencionada, a contribuinte nega ter sido ordenante original das remessas, em razão de nunca ter tido conta em agência do Banco JP Morgan Chase, em Nova Iorque e, ainda, evidencia que "os dados fornecidos por V.S a(s). são insuficientes para que possamos identificar o ordenante original, apresentando a cópia autêntica dos documentos comprobatórios" (fl. 104). Com base nos artigos 251, parágrafo único; 281, incisos I, II e III; 923; 924 e 925 do RIR/1999 que regulamentam, para efeitos fiscais, a escrituração das operações das pessoas jurídicas, o autuante observa que: (1) todas as mutações patrimoniais realizadas no pais ou no exterior, tão logo ocorram, devem ser registradas pela pessoa jurídica, em sua escrituração; sendo que a falta de registro de pagamentos efetuados, no Pais ou no exterior dá ensejo à presunção de omissão no registro de receita; e (2) a falta de registro de todas as operações, invertese o ônus da prova da autoridade fiscal para o sujeito passivo. As operações financeiras pertinentes as movimentações no valor total de US$ 79.815,14 (relacionadas no quadro acima) foram realizadas à margem da escrituração contábil do contribuinte, conforme devidamente comprovado através dos documentos anexados ao presente, principalmente os de fls. 32 a 35, e a contribuinte. Não tendo sido comprovada(s) a(s) operação(ões) através da(s) qual(is) resultaram os pagamentos dos valores relacionados na tabela acima, bem como a(s) sua(s) causa(s), haverá incidência do imposto de renda na fonte (IRRF), nos termos do artigo 61 e §§ da Lei n° 8.981/92 (sic). Em face do acima relatado e do que consta dos documentos anexados ao Termo de Verificação de Infração n° 02, fica expressamente comprovado o evidente intuito de fraude de que tratam o artigo 1º, II, da Lei n° 8.137/1990, c/c o artigo 957, ncisiso II do RIR/99. Os valores caracterizados como omissão de receita e que devem ser adicionados ao lucro real, à base de cálculo da C.S.L.L., bem como à base de cálculo, reajustada, para apuração do IRRF, são os seguintes: [...] 0 lucro real e a base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2002, será de oficio, recomposta, como segue: Tributo/Contribuição I.R.P.J. C.S.L.L. Base de Cálculo declarada (387.361,18) (390.932,15) Valor adicionado de oficio T.de Verific. de Infração 01 440.040,00 440.040,00 Valor adicionado de oficio T. de Verific. de Infração 02 207.893,35 207.893,35 Base de cálculo apurada 260.572,17 257.001,20 A interessada, em sua impugnação, de fls. 310 a 343, alega em síntese: Fl. 454DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 455 7 i) em preliminar, argúi a extinção do crédito tributário pela ocorrência da decadência, com base no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN), quanto aos fatos geradores do IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS) e do IRRF, ocorridos entre 05/02/2002 e 20/11/2002. Entende, ainda, que o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991 não se aplica no caso das contribuições (CSLL, PIS e COFINS) à luz do que dispõe o artigo 146, inciso III, "b", da Constituição Federal. ii) a nulidade dos autos de infração, na medida em que o autuante teria acatado a suspeita levantada pela "Equipe especial de fiscalização" de movimentação de recursos no exterior, sem qualquer outra averiguação, e sem que nunca tenha comparecido ao estabelecimento da autuada. iii) a ocorrência de abuso de poder e de excesso de exação, referindose aos princípios que devem nortear a atuação da Administração Pública, prescritos no artigo 37 da Constituição Federal. iv) Quanto ao Termo de Verificação de Infração n° 01, a impugnante: de início, acusa o autuante de ter cometido equívoco, porquanto, apesar de haver procedido à recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante adição, de oficio, do valor de R$ 440.040,00, ao invés de tomar como bases de cálculo os valores ajustados de, respectivamente, R$ 52.678,82 e R$ 49.107,85, considerou como bases de cálculo o valor da operação de R$ 440.040,00; reclama também do valor da base de cálculo do IRRF no valor de R$ 676.984,61, acusando o autuante de não ter esclarecido a apuração desta cifra, uma vez que a exigência seria decorrente do pagamento de R$ 440.040,00 a beneficiário não identificado; a operação por ela formalizada com o Sr. José Carlos Batista, em 26/04/2002, foi exatamente aquela constante do "Contrato de Opção Flexível de Dólar", descrita no parágrafo 8 do Parecer elaborado pela CVM (fls. 50 e 331) Esta modalidade de operação envolve RISCO, sendo impossível prever a variação cambial em determinado período futuro, concluindo que o prejuízo faz parte do "Jogo" e que a operação praticada pela contribuinte em nada se assemelharia as operações denominadas "esquentaesfria"; defende que a operação em comento encontrase perfeitamente inserida no ordenamento jurídico e revestida da mais perfeita legalidade, entendendo ser absurda a pretensão fiscal de que a impugnante devesse experimentar lucro em todas as operações que pratica, sobretudo quando a operação envolve riscos da variação cambial; contra a imputação de conduta fraudulenta, a impugnante diz não existir nos autos uma única palavra tipificando ou justificando a ocorrência da fraude, apesar da aplicação da multa qualificada e da notícia de representação fiscal para fins penais v) Quanto ao Termo de Verificação de Infração n° 02, a interessada: argúi a inexistência de qualquer indício de que a remetente ou ordenante dos pagamentos tenha sido realmente a impugnante, já que não existe qualquer ordem formal assinada por qualquer representante , funcionário ou preposto da impugnante; Fl. 455DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 456 8 que os únicos documentos apresentados pela fiscalização, constituemse em cópias reprográficas de possíveis ordens de débito feitas na conta denominada ROLLING HILL, n° 530616084, onde em determinados campos chamados de "Order Customer (Cliente)" ou "Detail Payment (Detalhes de pagamento)", apareceria o nome da impugnante, que seria a ordenante, por conta de quem a transação estaria sendo efetivada. Salientou não constar desses documentos o número do CNPJ, a assinatura de qualquer dos representantes legais da impugnante, ou qualquer outro dado, apenas e tão somente o nome da impugnante avalia que o nome da impugnante, constante dos documentos em questão, poderia referirse a qualquer outra contribuinte com nome similar, ou mesmo um código utilizado pelo real remetente dos valores, sugerindo ser factível a possibilidade de alguém, com vistas a acobertar o verdadeiro responsável das remessas, utilizarse de nomes de terceiros para preenchimento de campos obrigatórios em ordens de pagamento; faz remissão ao julgamento dos processos 19515.00402/200555, 19515.000402/200599 e 19515.000404/200544, de interesse de outros contribuintes, em que teriam sido considerados improcedentes os lançamentos lavrados pelos mesmos motivos da exigência em comento; questiona a presunção de omissão de receitas com base em movimentações financeiras. Transcreve a Súmula 182 STJ, refutando a exigência de IR, em face exclusivamente da existência de depósitos bancários. Entende ainda que para sustentar a imputação seria necessário um aprofundamento do trabalho fiscal, que demonstraria a inocorrência da omissão de receitas reputa insubsistentes as imputações efetuadas por presunções ou suposições e, após citar o princípio da estrita legalidade da tributação (art. 150, inciso I, da Constituição Federal); no que se refere à imputação de pagamentos a beneficiários não identificados, reclama que a própria fiscalização, através da documentação acostada aos autos, identifica os beneficiários dos recursos movimentados, e, surpreendentemente, qualificaos de não identificados, apenas e tão somente para proceder à exigência do IRRF vi) por fim, rejeita a aplicação da multa qualificada de 150% do valor do tributo devido, pois entende não existir nos presentes autos qualquer comprovação de haver a impugnante agido com evidente intuito de fraude. Na sequência, foi emitido o Acórdão Acórdão nº 1617.213 da DRJ/São Paulo I, de fls. 372 a 403, mantendo integralmente o lançamento, pelos seguintes fundamentos, assim resumidos: Em relação à decadência, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o próprio § 4° do art. 150 do CTN, exclui a limitação do prazo nele contido para efeito de contagem do prazo decadencial. Aplicase ao caso o art. 173, I do CTN, cuja contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ser efetuado. Tratandose, pois, de lançamento de oficio relativo a fato gerador ocorrido em 31/12/2002, o lançamento somente poderia ter sido efetuado a partir de janeiro de 2003. Deste modo, o exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 2003 e o primeiro do exercício seguinte, termo inicial da contagem do prazo decadencial, é 1°/01/2004. Portanto, o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário, relativamente aos Fl. 456DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 457 9 fatos geradores em apreço, extinguirseia, pois, em 1°/01/2009. Assim, tendo sido lavrado o auto de infração em 12/12/2007, é inconteste que sobre o crédito tributário lançado, atinente ao IRPJ, não se operou a pretendida decadência. No que concerne ao IRRF, a mesma regra do artigo 173, inciso I, do CTN, deve ser aplicada. Deste modo, o termo inicial para efeito de contagem do prazo extintivo é o primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que poderia ter sido lançado, ou seja, 1°/01/2003, pois, tratandose de fatos geradores ocorridos em 2002, o lançamento poderia ter sido efetuado no próprio exercício de 2002. 0 direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 2002, extinguirseia, pois, em 1°/01/2008. Já em relação à CSLL, ao PIS e a COFINS temse que as mesmas integram o rol das chamadas "contribuições para a seguridade social", e de acordo com as disposições contidas no artigo 70 c/c art. 28 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Decreto no 2.173/97, e no artigo 45 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, estipulam o prazo decadencial de 10 anos, cujas disposições devem ser seguidas pelas autoridades fiscais. em relação à pretensa nulidade dos Autos de Infração, o acórdão recorrido menciona que a autuação pertinente à redução indevida do Lucro Líquido para determinação do Lucro Real, da Base de Cálculo da CSLL e à pagamento sem causa (IRRF), relacionados a operação de opções flexíveis em dólar, as operações encontramse zelosamente descritas no Relatório da Comissão de Inquérito CVM no 12/04 fls. 48 a 101, que pautouse em parecer técnico de autoridades públicas legítima e categoricamente gabaritadas para apontar a existência do esquema fraudulento. Da mesma forma, a autuação relativa ao Termo de Verificação n° 02 (omissão de receita — pagamentos no exterior) originouse de profunda investigação de agentes públicos nacionais a partir do inquérito policial n° 263/97, autuado na 2ª Vara Federal Criminal de Foz do Iguaçu/PR, sob o n° 98.10111169, que envolveu inclusive autorização e colaboração de autoridades públicas norteamericanas para a quebra de sigilo bancário de contas no exterior e fornecimento da correspondente documentação. Assim, não é o caso da nulidade imposta pelo artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, posto que o auto de infração foi lavrado por servidor competente (Auditor Fiscal) no cumprimento de seu dever e, ainda, os dispositivos legais e os fatos que amparam os lançamentos foram devidamente informados (fls. 265/279, 283/284, 288, 92, 296/297 e 301) e deles pôde a interessada defenderse. Conforme evidenciado em quadro demonstrativo do voto condutor, não ocorreu o alegado equívoco nas bases de cálculo tomadas para fins de apuração do IRPJ e da CSLL devidas. Confundiu a impugnante base de cálculo com o imposto/contribuição devidas, querendo que estes últimos fossem deduzidos das bases negativas declaradas pela interessada, o que não se pode admitir. Quanto à origem do valor da base de cálculo do IRRF, no valor de R$ 676.984,61, urna vez que a exigência seria decorrente do pagamento de R$ 440.040,00 a beneficiário não identificado, o acórdão recorrido fundamentou a diferença pelo fato da previsão de reajustamento da base de cálculo, ao considerar o pagamento como valor líquido, devendo ser acrescido ao mesmo o IRRF devido. No que se refere à infração relativa à operações com contratos com “opções flexíveis”, o acórdão recorrido destaca o contido no Relatório da Comissão de Inquérito CVM Fl. 457DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 458 10 no 12/04, de fls. 48 a 101. Como demonstrado pelo relatório da CVM, os referidos contratos não foram negociados no mercado da bolsa da BM&F, mas sim no mercado de balcão, na modalidade de registro sem garantia, razão pela qual existia, teoricamente, risco de crédito das contrapartes. Portanto, as partes necessariamente se conheciam, uma vez que assumiram um risco de crédito sem garantia. Além disso, embora houvesse teoricamente o risco de crédito, ressaltese, um risco bastante significativo em virtude do montante dos contratos negociados, a empresa São Paulo Corretora de Valores não cobrou pelo risco assumido, pois os prêmios, tanto nos contratos em que atuou como lançadora, como nos contratos em que foi titular, foram os mesmos, inexistindo a cobrança de "spread" por parte da corretora. Sendo assim, a atuação da empresa São Paulo Corretora de Valores desvirtuou a licitude dos contratos de opções flexíveis de venda de dólar, pois as operações descritas só possuem sentido com o afastamento do elemento de risco. Dessa forma, resta insubsistente a alegação de que a operação objeto da infração descrita no Termo de Verificação n° 01 envolveu risco e estava revestida de legalidade. o relatório CVM (fls. 48/101), caminha no sentido de demonstrar que o dispêndio com o prêmio foi falseado, estando contextualizado dentro de um esquema "esquentaesfria dinheiro", em que os resultados são précombinados entre as partes. No presente caso, houve a fabricação de lucro para a contraparte lançadora e prejuízo para o titular (interessada que arcou com a despesa do prêmio). Logo, resta evidente que a infração em foco é da glosa de um custo/despesa inexistente, (dispêndio falseado para reduzir a base de cálculo do imposto de renda ), seja para propiciar distribuição de resultados aos sócios antes de sua tributação na pessoa jurídica ou até para encobrir pagamentos a terceiros que a empresa não quer identificar, sujeitandose, neste caso ao IRRF Em relação à infração 02 relativa a “omissão de receitas” pela movimentação de recursos no exterior, à margem da contabilidade, na denominada conta Beacon Hill, a representação fiscal elaborada pela CoordenaçãoGeral de Fiscalização — Cofis, a partir da apuração de operações nas quais a autuada foi identificada como ordenante de movimentação financeira no exterior (através das contas/subcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova Iorque por BHSC — Beacon Hill Service Corporation fls. 07/09), inserese num contexto de investigação de larga envergadura, que envolveu a Justiça Federal, Promotoria do Distrito de Nova Iorque, Polícia Federal e Instituto Nacional de Criminalística, cuja parte do Laudo transcreve no voto condutor. A prova do Fisco acerca da titularidade das transferências de recursos no exterior, efetuadas mediante a utilização da razão social da empresa e do seu endereço não pode ser classificada como indiciária. Tratase de informação obtida em documentação fornecida no âmbito de procedimento mais amplo de investigação iniciada em 1997 pela Policia Federal em Foz de Iguaçu acerca das irregularidades verificadas nas contas correntes CC5 (CPI do Banestado), mantidas na agência do Banestado em Nova Iorque. No que tange à imputação da multa qualificada pelo evidente intuito de fraude, a partir dos elementos que instruem a autuação é plenamente possível inferir: (i) em relação ao Termo de Verificação de Infração n° 01, que a participação em negócios com opções flexíveis de dólar, na modalidade de registro sem garantia na BM&F, com intuito de gerar prejuízos, caracteriza o evidente intuito de fraude ;e (ii) em relação ao Termo de Verificação de Infração no 02, que a autuada foi regularmente identificada como ordenante de remessas de recursos ao exterior, por meio da Fl. 458DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 459 11 agência do Banestado em Nova Iorque, para contas e subcontas administradas pela Beacon Hill, empresa condenada nos EUA por lavagem de dinheiro, utilizandose de interposição de pessoas, para ocultar as remessas ilegais de divisas para o exterior. Irresignada, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. 410 a 444, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. As matérias objeto do presente processo resumemse nos seguintes temas: i) redução indevida do lucro real pela constatação da ocorrência de prejuízos fabricados em operações com opções flexíveis com dólar e exigência do IRRF por pagamento sem causa; ii) omissão de receita pela ocorrência de pagamentos a beneficiários no exterior sem o correspondente registro das operações e exigência do IRRF por pagamento sem causa. As preliminares apresentadas no recurso voluntário dizem respeito à nulidade dos autos de infração pela ocorrência de abuso de poder e de excesso de exação, bem como a ocorrência da decadência, nos termos do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN). Inicialmente, cabe registrar que ficou perfeitamente evidenciado nos autos a origem do lançamento tributário, que foi baseado nas informações derivadas de minucioso trabalho levado a efeito pela Comissão de Valores MobiliáriosCVM, que se encontra descrito no Relatório da Comissão de Inquérito CVM nº 12/04, relativo às operações com opções flexíveis com dólar, bem como nos dados obtidos da denominada conta “Beacon Hill”, originada de intensa investigação, que envolveu a Justiça Federal, Promotoria do Distrito de Nova Iorque, Polícia Federal, Instituto Nacional de Criminalística e Coordenação Geral de Fiscalização da Secretaria da Receita Federal, nas quais a autuada foi identificada como ordenante de movimentação financeira em conta bancária no exterior, sem registro em sua contabilidade. Verificase, portanto, que a interessada incorreu em grave atitude ao ficar comprovado, nos termos dos relatórios emitidos pelos mencionados órgãos competentes, a ocorrência da fabricação de prejuízos e a omissão de receitas, evidenciando a intenção de ocultar parcela de seus rendimentos das autoridades fazendárias, reduzindo o valor dos tributos devidos. Registrese, também, que não há no processo evidência de que tenha havido, mesmo no curso da fiscalização, eventual ato praticado com abuso de poder ou qualquer procedimento adotado que fosse ilegal ou que pudesse causar eventual constrangimento à interessada ou a terceiro. Verificase que o agente fiscal agiu nos estritos limites impostos pela legislação, tendo feito várias intimações à interessada durante a fiscalização, oferecendolhe, assim, oportunidades diversas para a apresentação de esclarecimentos e dos documentos comprobatórios. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 460 12 Passo à análise dos pontos questionados pela recorrente. Preliminar de nulidade das autuações Menciona a defesa que seria totalmente nula e improcedente as exigências contidas nas autuações porque teria havido abuso de poder e excesso de exação, não tendo a autoridade fiscal sequer comparecido ao estabelecimento da autuada, além das autuações estarem baseadas em fatos presumidos, contrariando o princípio da estrita legalidade que rege a tributação. Não vejo motivos para prosperar os argumentos da defesa. O acórdão recorrido abordou muito bem essa matéria. Inexiste obrigatoriedade do agente fiscal comparecer ao estabelecimento da autuada para executar os procedimentos fiscais. A recorrente recebeu regularmente as intimações enviadas pelo fisco, tendo a oportunidade de apresentar os devidos esclarecimentos/documentos que lhe foram solicitados, como de fato ocorreu, tudo dentro da estrita legalidade. Portanto, não há que se falar de abuso de poder ou excesso de exação que teria sido praticado pela autoridade fiscal no curso do procedimento fiscal. Quanto à alegação de que exigência tributária teria ocorrido em função de fatos presumidos, esclareçase à defesa que a própria legislação tributária prevê essa forma de tributação. Os enquadramentos legais contidos nas autuações assim o demonstram, de modo que é de se afastar a alegação de nulidade por esse motivo. Por fim, esclareçase, ainda, ao contribuinte, que as hipóteses de nulidade do ato administrativo são aquelas previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações, e somente ocorrem se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses que definitivamente não ocorreram no presente caso: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” (Grifouse) Assim, uma vez que os autos de infração contêm todos os elementos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e não provada violação das disposições contidas no art. 59 do mesmo diploma legal, é de se rejeitar a preliminar de nulidade levantada. Multa de Ofício agravada por infração qualificada – percentual de 150% Por ser uma questão prejudicial ao exame da preliminar decadência, passo ao exame da procedência da aplicação da multa de ofício. O recorrente contesta a aplicação da multa agravada por infração qualificada, no percentual de 150%, sob o argumento de não ter sido comprovada a ação dolosa por parte do sujeito passivo. A multa qualificada constante do lançamento foi aplicada com base na legislação que rege a matéria, qual seja, a Lei no 9.430, de 1996, art. 44, II, in verbis: Fl. 460DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 461 13 Art. 44 – Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição: (...) II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Por oportuno, esclareçase que a nova redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007 ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 em nada alterou a exigência da multa para o caso em tela. Já os arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, têm a seguinte redação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. (grifei) A autoridade fiscal, em seus Termos de Verificação Fiscal, entendeu que no presente caso estaria caracterizada a aplicação dos arts. 71 e 72 acima transcritos, pela ocorrência de fraude, face a ação dolosa do sujeito passivo tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, fls. 270 e 277. Já o argumento trazido pela recorrente foi de que inexistiria comprovação da ocorrência do evidente intuito de fraude. Em relação às operações com opções flexíveis de dólar ficou evidenciado que a operação engendrada foi falseada, inexistente e se destinou a “gerar prejuízos fictícios” ao sujeito passivo, o que caracteriza a intenção de fraudar o valor sujeito à tributação, de modo a reduzir o montante do imposto devido. Já em relação ao fato da autuada figurar como ordenante de remessas de recursos ao exterior para contas administradas pela Beacon Hill, em Fl. 461DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 462 14 Nova York, caracterizase a fraude ao manter tais movimentações à margem da sua contabilidade, o que caracteriza omissão de receitas que estariam sujeitas à tributação. Tais condutas ficaram ainda mais evidenciadas quando se constata que as irregularidades foram apuradas por outros órgãos que não o fisco, legalmente autorizados e habilitados, o que vem reforçar a comprovação da intenção tendente a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, reduzindo o montante devido, incidindo na hipótese o art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, motivo suficiente para se manter o lançamento da multa de ofício agravada, por infração qualificada, no percentual de 150%, como determina a lei. Notese que a omissão de receitas apurada é omissão que impede ou retarda, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Portanto, há subsunção do fato aos elementos objetivos descritos nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Dessa forma, entendo por manter as multa agravada, no percentual de 150%, nas duas infrações apuradas. Preliminar de decadência Inicialmente, cumpre dar razão à recorrente quanto à discordância do entendimento em relação ao prazo decadencial para o lançamento das contribuições para o PIS, Cofins e CSLL. O Supremo Tribunal FederalSTF, no julgamento dos REs 559.9434, 559.8829, 560.6261 e 556.6641, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que estabelecia o prazo de 10 anos para constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais. Com efeito, foi editada, também pelo STF, a Súmula Vinculante 8, DJe de 20/06/2008, estipulando que as contribuições para a CSLL, o PIS e a Cofins encontramse também reguladas pelo prazo decadencial de cinco anos estabelecido pelos artigos 150 e 173 do CTN. Súmula Vinculante 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212. Dessa forma, concluise que deve ser considerado no exame do prazo decadencial de todos os tributos lançados, o lapso temporal de cinco anos previsto no CTN. A esse respeito, necessário dizer que é de se afastar de imediato a aplicação do art. 150, § 4°, do CTN na contagem do prazo decadencial, face a incontestável ocorrência de dolo, fraude e simulação por parte da autuada na supressão dos tributos devidos, como já analisado no item deste voto que tratou da multa qualificada. Assim, no caso sob exame, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do Código Tributário NacionalCTN, o qual estipula que o direito de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme transcrição que segue: Fl. 462DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 463 15 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Os autos de infração do IRPJ e da CSLL referemse aos fatos geradores ocorridos em 31/12/2002. Nesse caso, o lançamento somente poderia ser efetuado após a ocorrência do fato gerador, em 01/01/2003. De acordo com a regra do art. 173, I do CTN, o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ser efetuado, iniciase em 01/01/2004, encerrandose 5 anos após, em 31/12/2008. Como a ciência dos lançamentos ocorreu em 12/12/2007, verificase que essa ocorreu dentro do prazo de 5 anos previstos em lei, não havendo, portanto, que se falar em decadência nesses casos. No que se refere aos lançamentos do PIS, da Cofins e do IRRF, por se tratar de apuração mensal desses tributos, o lançamento fiscal somente poderia ocorrer no dia seguinte ao final de cada mês de apuração. Assim, no presente caso, para os períodos de apuração de fevereiro, abril, outubro e novembro de 2002, o início da contagem do prazo decadencial é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, em 01/01/2003, esgotandose em 31/12/2007. Como a ciência dos lançamentos ocorreu em 12/12/2007, dentro do prazo de 5 anos, não há que se falar em decadência também nesses lançamentos. Dessa forma, concluise que a ciência dos lançamentos ocorreu dentro do prazo estipulado para constituição do crédito tributário, devendo ser afastada a preliminar de decadência levantada pela defesa. Mérito – Prejuízo com operações em opções flexíveis Inicialmente, quanto ao alegado equívoco cometido pela autoridade fiscal na apuração do IRPJ, CSLL e IRRF devidos, cumpre dizer que a matéria ficou muito bem esclarecida no voto condutor do acórdão recorrido, item 9 do voto condutor, fls. 387 a 389. O prejuízo fictício glosado, no valor de R$ 440.040,00 foi corretamente adicionada, pela fiscalização, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Já a defesa quer que sejam adicionados às bases de cálculo os valores do IRPJ e da CSLL devidos de, respectivamente, R$ 52.678,82 e R$ 49.107,85, o que não se pode admitir, já que não se pode confundir, nem mesclar, matérias distintas relativas à base de cálculo e aos tributos devidos. Quanto ao IRRF, questionou também a recorrente o valor de R$ 676.984,61 utilizada como base de cálculo do IRRF, reclamando que o autuante não teria esclarecido a apuração desta cifra, uma vez que a exigência seria decorrente do pagamento de R$ 440.040,00 a beneficiário não identificado. Mais uma vez não cabe razão à interessada, isso porque o parágrafo 3° do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995 (correspondente ao artigo 674 e seus §§ do RIR/99 indicados no Termo de Verificação de Infração) determina que o pagamento cuja causa não for comprovada será considerado líquido para fins do cálculo do imposto, cabendo, assim o reajustamento do chamado rendimento bruto. Assim, o valor de R$ 440.040,00 corresponde ao valor reajustado de R$ 676.984,61, considerandose a alíquota de 35% prevista na lei. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 464 16 Desse modo que é de se rejeitar os pretensos erros de cálculo aventados pela defesa. Em relação à operação com Opções Flexíveis de Dólar, realizada entre a autuada e o Sr. José Carlos Batista, a recorrente argumenta que a mesma estaria perfeitamente inserida no ordenamento jurídico e revestida de completa legalidade. Entretanto, como se observa do minucioso relatório conclusivo elaborado pela Comissão responsável pela condução do Processo Administrativo Sancionador da Comissão de Valores MobiliáriosCVM nº 12/04, de fls. 48 a 101, órgão legitimamente habilitado para o exame da regularidade dessa modalidade de operação, foi constatada a prática de operações no mercado de valores mobiliários que, apesar de revestidas de aparente licitude, são na verdade operações simuladas, com o objetivo de propiciar prejuízo para um dos participantes, com a conseqüente diminuição do valor do lucro tributável. Vejase trechos do citado relatório: “41. Em relação à possibilidade de sofrer perdas elevadas caso uma de suas contrapartes nas operações com opções flexíveis tivesse exercido seu direito de compra, José Carlos declarou que, à época das operações, não dispunha de patrimônio suficiente, mas que, ‘na hipótese de ser exercido, obteria recursos junto ao senhor Moisés e amigos deste para a liquidação das operações’. (...) 163. [...] No caso em tela, fica claro que o objetivo das partes . envolvidas foi "fabricação" de lucros para os lançadores das opções e de prejuízos para os titulares, sendo que exercício algum deveria ocorrer, ressaltandose que, no único caso em que houve real possibilidade de sua ocorrência, esta foi evitada mediante a liquidação antecipada da operação, que foi simultaneamente rolada. Tal tipo de esquema, que gera resultados précombinados para as partes, no caso, lucros para as contrapartes lançadoras e prejuízos para os titulares, é conhecido como "esquenta esfria dinheiro". 164. Notese que, na montagem do esquema, a São Paulo CV se utilizou de contratos de opções flexíveis, nos quais grande parte dos parâmetros de estruturação das operações podem ser livremente pactuados entre os comitentes, permitindo a sua manipulação para atender aos interesses do esquema, já que, inclusive, não há o risco de interferência de terceiros estranhos ao esquema. (...) 166. Além dos 39 contratos em que atuou como "anteparo", conforme relatado no parágrafo 17, a São Paulo CV intermediou e registrou na BM&F quase a totalidade das operações ora investigadas, e participou em um contrato apenas na posição de titular, não funcionando, neste caso, como "anteparo", o que lhe gerou um prejuízo de R$ 440.040,00. (...) 182. Como exposto, na essência da operação "esquentaesfria" se encontram lucros e prejuízos fictícios, criados apenas para legalizar, respectivamente, a entrada ou saída contábil dos recursos. Do ponto de vista financeiro, porém, há uma real movimentação de recursos — os participantes que auferiram lucros recebem os Fl. 464DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 465 17 recursos e, posteriormente, devolvem o equivalente "por fora", em espécie, para aqueles que sofreram prejuízos e fizeram o pagamento. (...) 188. Resta claro, assim, que as operações objeto do presente inquérito se constituíram em meros artifícios criados para possibilitar a execução de um esquema, comandado pela São Paulo CV, que utilizou mercado de opções flexíveis de dólar com a finalidade de simular a realização de operações aparentemente lícitas, mas que de fato foram arranjadas de modo a gerar lucro para os participantes interessados em apresentar ganhos e prejuízos para aqueles interessados em apresentar perdas.” Como se observa dos trechos do relatório CVM 12/04, acima transcrito, ficou suficientemente demonstrado que as operações com opções flexíveis de dólar, realizadas pela autuada, foram simuladas, apresentando lucro e prejuízo fictícios. No caso da presente autuação, a operação com opções flexíveis de dólar, realizada entre a recorrente e o Sr. José Carlos Batista, foi no valor contratado de US$ 38.600.000,00, operação essa que não poderia ter sido efetuada entre as partes, em condições normais e usuais, considerando o risco da operação. O próprio José Carlos afirmou em depoimento à CVM (item 41 do relatório CVM, acima transcrito) que não possuía patrimônio suficiente para arcar com o cumprimento do contrato caso tivesse exercido seu direito de compra. Em outras palavras, a autuada pagou o prêmio de R$ 440.040,00 deliberadamente, sabendo de antemão que o Sr. José Carlos não teria condições financeiras de exercer o direito de compra, ou seja, o contrato foi celebrado sabendose, antecipadamente, que não seria exercido, incorrendo num prejuízo para a autuada no mesmo valor de R$ 440.040,00. Essa modalidade de operação, onde as partes pactuam livremente as condições do negócio, de forma flexível, sem os parâmetros das operações realizadas comumente no mercado, com registro na Bolsa de Valores, podem propiciar a geração fictícia de lucros e prejuízos, como identificado pela CVM. Entendo que este órgão julgador não pode atestar a veracidade da operação referida, mormente quando constatado, pelo órgão competente pelo exame desse tipo de operação, que a mesma foi simulada. Dessa forma, como bem abordou o acórdão recorrido, a contabilização de prejuízo em operação caracterizada como simulada, inexistente de fato, leva à sua correspondente glosa para fins da apuração do lucro da pessoa jurídica, base de cálculo do IRPJ e da CSLL, como bem sintetizado no voto condutor do acórdão recorrido, fls. 395: “(...)No presente caso, houve a fabricação de lucro para a contraparte lançadora e prejuízo para o titular (interessada que arcou com a despesa do prêmio). Logo, resta evidente que a infração em foco é a de glosa de um custo/despesa inexistente, tal como definido no voto acima reproduzido ("dispêndio falseado, seja para somente reduzir a base de cálculo do imposto de renda (passivo falso, por exemplo),seja para propiciar distribuição de resultados aos sócios antes de sua tributação na pessoa jurídica ou até para encobrir pagamentos a terceiros que a empresa não quer identificar.") Fl. 465DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 466 18 11.3. E os elementos trazidos aos autos pela fiscalização e pela Impugnante, não deixam margem a dúvida: o custo/despesa com o prêmio foi falseado para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme já anteriormente discutido.” A jurisprudência do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes também decidia nesse mesmo sentido, conforme transcrição do ementário do Acórdão nº 10708342, sessão de 09/11/2005: IRPJ/CSLL PREJUÍZOS FICTÍCIOS EM OPERAÇÕES DAY TRADE REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO Não podem ser aceitos como redutores do lucro líquido do período de incidência prejuízos criados artificialmente, mediante procedimentos notoriamente simulados. Quanto à hipótese de incidência do IRRF, cabe dizer que o pagamento do valor do prêmio na operação com opção flexível em dólar, ao Sr. José Carlos Batista, caracterizado por um contrato fictício, falseado e, portanto, sem comprovação da operação, atrai a aplicação dos §§s 1º a 3º do art. 61 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, a seguir transcrito, cabendo o reajustamento da sua base de cálculo, como corretamente entendeu a fiscalização: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (grifei) Dessa forma, entendo que deve ser mantida a tributação do IRPJ, CSLL e IRRF na operação fictícia com opções flexíveis de dólar, realizada entre a autuada e o Sr. José Carlos Batista. Mérito – falta de contabilização de pagamentos em movimentação financeira no exterior Quanto à omissão no registro de receitas caracterizada pela movimentação financeira bancária no exterior, em que foram coletados documentos (ordens de pagamento), fls. 32 e ss., onde a autuada aparece como ordenante de pagamentos em transferências bancárias da conta “Beacon Hill Service Corp.”, em Nova York, a recorrente limitase a alegar a incerteza quanto ao sujeito passivo, negar sua autoria e afirmar desconhecer as remessas de transferências de recursos no exterior. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 467 19 A esse respeito, cabe dizer que encontrase perfeitamente caracterizado nos autos que as provas foram coletadas após ampla e intensa investigação, devidamente autorizada pela 2ª Vara da Justiça Federal de Curitiba/Paraná e apoiada por investigação da Promotoria do Distrito de Nova Iorque, Polícia Federal, Instituto Nacional de Criminalística, tendo os respectivos documentos sido repassados oficialmente à Secretaria da Receita Federal, órgão competente para o lançamento dos tributos federais. Esse mesmo entendimento consta no voto condutor do acórdão recorrido, cuja parte do voto transcrevo na sequência: “13.7. Todavia, cumpre destacar que a prova do Fisco acerca da titularidade das transferências de recursos no exterior, efetuadas mediante a utilização da razão social da empresa e do seu endereço não pode ser classificada como indiciária. Tratase de informação obtida em documentação fornecida no âmbito de procedimento mais amplo de investigação iniciada em 1997 pela Policia Federal em Foz de Iguaçu acerca das irregularidades verificadas nas contas correntes CC5 (CPI do Banestado), mantidas na agência do Banestado em Nova Iorque (vide tópicos "1" e "2" do Oficio n° 905/04 PF/FT/SR/DPF/PR dirigido ao MM. Juiz Federal da 2a VF Criminal de Curitiba/PR — cópia as fls. 20 a 22). Contrariamente ao alegado, considerase devidamente estabelecido pelo Fisco o nexo causal entre as movimentações financeiras e a participação da empresa, estando devidamente provada a movimentação financeira em conta no exterior. Da leitura do LAUDO n° 1.226/04, emitido pelo Instituto Nacional de CriminalísticaINC, de fls. 10 a 19, que examinou a conta movimentada no exterior, restou demonstrado o cuidado e a seriedade com que foram desenvolvidos os trabalhos de verificação da autenticidade dos dados constantes das ordens de pagamento em análise. Transcrevo alguns trechos do referido laudo que me levaram à conclusão da consistência dos dados consignados nas respectivas ordens de pagamentos: “3. A Beacon Hill era empresa sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas fisicas ou jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do JP Morgan Chase Bank, administrando contas ou subcontas correntes especificas, entre as quais a conta ROLLING HILLS, n°530616084. [...] 7. Os presentes exames visam, com base na documentação disponibilizada para análise, identificar o(s) titular(es), procurador(es) ou representante(s) da conta ROLLING HILLS, n° 530616084, assim como verificar os relacionamentos existentes e consolidar a movimentação financeira, a fim trazer elementos de prova necessários a subsidiar a justa solução e a esclarecer os fatos. [...] Documentos 10. A princípio, os Peritos elaboraram relação, apresentada no ANEXO I deste Laudo, dos documentos relevantes encontrados nos dossiês das contas e subcontas investigadas, identificando sua finalidade e descrevendo suas principais características. 11. Quanto aos documentos bancários, cadastrais e contratuais examinados, foi possível identificar os brasileiros MARCELO AMARAL SANTANA e Fl. 467DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 468 20 MARIANA MORAES RIBEIRO DA SILVA como procuradores da conta e da empresa investigadas, conforme informações contidas no cartão de autógrafos (fLs. 21/23), no contrato de agenciamento ou de administração de contas conrates e negócios internacionais existente entre a Beacon Hill e a Rolling Hills (fls. 24/27) e nas procurações de representações de empresas encontradas (fls –64/70 e 95/101). [...] ANEXO I [...] 4. CERTIFICATE OF FOREIGN STATUS W8: Certificado destinado a estrangeiros com conta corrente nos Estados Unidos, do Departamento de Tesouro Americano, em formulário padrão, cujos principais campos para preenchimentos e seus respectivos significados são: Name as shown on account: nome como mostrado na conta; Address: endereço; City, State, and Zip code: cidade, estado e código postal); Account Number(s): número da Conta.” As ordens de pagamento das fls. 32 e ss. contém a assinatura de Mariana Moraes Ribeiro da Silva, pessoa identificada como procuradora da conta e das empresas investigadas, conforme item 11 do laudo do INC acima transcrito. Além disso, conforme item 4 do Anexo I do mesmo laudo, os estrangeiros que detinham conta bancária nos Estados Unidos preenchiam um formulário (W8) com a indicação, dentre outros dados, do nome e do endereço do titular da conta movimentada. A existência desse formulário pressupõe a necessidade da correta identificação dos interessados nas operações financeiras realizadas nos Estados Unidos. Das informações acima é perfeitamente possível concluir que a procuradora da conta, Mariana Moraes Ribeiro da Silva, devidamente identificada pelo laudo, somente poderia efetuar movimentações financeiras de estrangeiros que tivessem se identificado pelo formulário W8. Como as ordens de pagamento de fls. 32 e ss., assinadas pela procuradora da conta, contém os dados da autuada, tais como o nome, o endereço e o número da conta, exigidos pelo formulário W8, antecipadamente requerido, é de se concluir que a ordenante da ordem de pagamento é de fato a autuada, São Paulo Corretora Ltda., ao contrário do que alega a defesa que diz desconhecer a movimentação efetuada. Esses fatos vem reforçar a consistência dos documentos que embasaram o lançamento fiscal. A forma como foram obtidas e examinadas as ordens de pagamento, atestados pelo peritos do Instituto Nacional de CriminalísticaINC, contém força probante suficiente para indicar a veracidade das informações ali constantes. Tratase de prova indiciária cujos elementos e informações constantes dos autos conduzem sempre ao mesmo resultado, todos convergindo no sentido do convencimento da veracidade dos documentos ora examinados. A respeito de provas indiciárias, vejase os ensinamentos de Maria Rita Ferragut, in Presunções no Direito Tributário, São Paul,: Dialética, 2001. p. 50: Fl. 468DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 469 21 “A prova indiciária é uma espécie de prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de fatos secundários, indiciários, a existência ou a inexistência do fato principal. Para que ela exista, fazse necessária a presença de indícios, a combinação dos mesmos, a realização de inferências indiciárias e, finalmente, a conclusão dessas inferências. [...] No concurso das probabilidades, somamse os indícios homogêneos, isto é, aqueles que conduzam a um mesmo resultado, para que a cada novo indício aumente ou diminua significativamente o grau de certeza, podendo até mesmo conduzir, quando não à evidência, a uma convicção segura.” Assim, estou convencido quanto à licitude e veracidade do conteúdo dos documentos que apontam a autuada como ordenante de pagamentos em movimentações financeiras no exterior, sem registro na sua contabilidade, fazendo incidir a presunção da omissão no registro de receitas, nos termos do art. 251 e 281 do RIR/99, abaixo transcritos, para melhor clareza: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). (...) Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. (grifei) A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF caminha nesse mesmo sentido, conforme transcrição do ementário do seguinte julgado: FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE. REMESSA DE NUMERÁRIO PARA O EXTERIOR. A falta de escrituração de pagamentos sob a forma remessa de numerário para o exterior, comprovadamente de autoria da empresa autuada, autoriza a presunção legal de que tenham sido efetuados com recursos mantidos à margem da escrituração contábil, caracterizando Fl. 469DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.002143/200798 Acórdão n.º 1202000713 S1C2T2 Fl. 470 22 omissão de receitas. A constatação da ocorrência de remessa de numerário para o exterior que não consta da escrituração caracteriza omissão de receita. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1ª. Seção 1ª. Turma da 4ª. Câmara / ACÓRDÃO 140100.258 em 08.07.2010. Publicado no DOU em: 14.02.2011. Quanto à hipótese de incidência do IRRF, cabe dizer que as movimentações de recursos financeiros no exterior, à margem da contabilidade, caracterizam uma operação sem causa, o que atrai a aplicação dos §§s 1º a 3º do art. 61 da Lei 8.981, de 1995, cabendo o reajustamento da sua base de cálculo, como corretamente entendeu a fiscalização. Dessa forma, entendo que deve ser mantida a tributação do IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF pela comprovação da existência de ordens de pagamento em nome da autuada, em movimentações financeiras efetuadas no exterior, sem registro na contabilidade da autuada. Em face do exposto, voto para que sejam rejeitadas as preliminares de decadência e de nulidade dos autos de infração e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 470DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10530.001326/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. CIÊNCIA POSTAL DA DECISÃO RECORRIDA. TRINTÍDIO LEGAL CONTADO DA DATA REGISTRADA NO AVISO DE RECEBIMENTO OU, SE OMITIDA, CONTADO DE QUINZE DIAS APÓS A DATA DA EXPEDIÇÃO DA INTIMAÇÃO. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO
CONHECIMENTO.
Na forma dos arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida. Os prazos serão contínuos, excluindo-se
na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. No caso de intimação postal, esta será considerada ocorrida na data do recebimento colocada no AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-001.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
conhecer do recurso, pois intempestivo.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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CIÊNCIA POSTAL DA DECISÃO RECORRIDA. TRINTÍDIO LEGAL CONTADO DA DATA REGISTRADA NO AVISO DE RECEBIMENTO OU, SE OMITIDA, CONTADO DE QUINZE DIAS APÓS A DATA DA EXPEDIÇÃO DA INTIMAÇÃO. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Na forma dos arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. No caso de intimação postal, esta será considerada ocorrida na data do recebimento colocada no AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso, pois intempestivo. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 28/03/2012 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Abaixo transcrevese relatório da decisão recorrida, que sintetiza a motivação da autuação e as razões deduzidas na impugnação (fl. 35v): A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana emitiu para o contribuinte acima identificado Auto de Infração (fls. 6/9), referente ao imposto de renda pessoa física decorrente de revisão de sua declaração de ajuste anual (Dirpf), exercício 2003, anocalendário 2002, transmitida em 28/04/2003 (ND 05/12.883.463). Foi constatada dedução indevida a título de despesas médicas, resultando em imposto de renda suplementar de R$5.638,54. Em 08/06/2006, o contribuinte apresenta impugnação (fl. 1) apontando que apesar do reconhecimento da regularidade de parte das despesas médicas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl.9) do Auto de Infração, houve a glosa de todas as despesas médicas: Alega que foram desprezadas despesas comprovadas com o seu Plano de Saúde Sul América, no valor de R$11.361,37, e cujos comprovantes de pagamento está anexando (fls. 2/4). Afirma que todas as despesas médicas são próprias ou de seu cônjuge e entende que todas as despesas do casal, especialmente aquelas com saúde, podem ser compartilhadas pelos cônjuges ou assumidas por apenas um deles, mesmo quando há declarações em separado. Requer a improcedência do imposto a pagar lançado. A 3ªTurma da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1519.197, de 07 de maio de 2009 (fls. 40 e 41). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 16/10/2009 (fl. 40). Lavrado o Termo de Perempção em 18/11/2009 (fl. 42), interpôs o contribuinte recurso voluntário em 30/11/2009 (fl. 43), que foi processado pela autoridade preparadora, enviando os autos para este CARF (fl. 49). No voluntário, o recorrente alega que fluiu o prazo decadencial qüinqüenal para que o fisco constituísse o crédito tributário do anocalendário 2002, devendo ser cancelada a exação aqui em debate. É o relatório. Voto Fl. 50DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.001326/200613 Acórdão n.º 210201.863 S2C1T2 Fl. 2 3 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 16/10/2009 (fl. 40), sexta feira, e interpôs o recurso voluntário em 30/11/2009 (fl. 43), segundafeira, quando já fluíra o trintídio legal, que teve seu termo final em 17/11/2009, terçafeira. Para aclarar a afirmação acima, transcrevemse os arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, que dispõem sobre as formas e prazos de intimação no rito do Processo Administrativo Fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o , I a III – omissis; § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III e IV – omissis; § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 51DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o a §9º omissis. (...) SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (grifouse) Pelo acima destacado, vêse que o trintídio legal para interposição do recurso voluntário contase da data de ciência anotada no aviso de recebimento AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Ainda, os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Pelo que consta dos autos, o contribuinte foi intimado da decisão a quo em 16/10/2009 (fl. 40), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 30/11/2009 (fl. 43), segundafeira. Assim, o prazo de trinta dias contase a partir de 19/10/2009, segundafeira, encerrandose no dia 17/11/2009. Dessa forma, quando interposto o recurso voluntário em 30/11/2009, já tinha fluído o prazo legal. Ante o exposto, patente a intempestividade do recurso voluntário, sendo definitiva a decisão da Turma de Julgamento da DRJ que aqui se recorre, como se vê pelo art. 42 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Dessa forma, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário interposto, pois perempto. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 52DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.001326/200613 Acórdão n.º 210201.863 S2C1T2 Fl. 3 5 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726406/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007.
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei Complementar (BA) nº 20/2003 determinou o pagamentos das
diferenças de URV aos membros do Ministério Público Estadual, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/1998, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas
referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros do Ministério Público da Bahia.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.895
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007. RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Complementar (BA) nº 20/2003 determinou o pagamentos das diferenças de URV aos membros do Ministério Público Estadual, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/1998, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros do Ministério Público da Bahia. Recurso Voluntário Provido.
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RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Complementar (BA) nº 20/2003 determinou o pagamentos das diferenças de URV aos membros do Ministério Público Estadual, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/1998, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros do Ministério Público da Bahia. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura e presente o Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726406/200932 Acórdão n.º 210201.895 S2C1T2 Fl. 234 3 Relatório Tratase de recurso contra o auto de infração que apurou Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, referente aos exercícios 2005 a 2007 (fls. 2/11), acrescido de multa de ofício e juros de mora. A fiscalização considerou indevida a classificação, como isentos, dos rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", reconhecidos e pagos em 36 (trinta e seis) parcelas iguais, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, decorrente da edição da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 8 de setembro de 2003. O contribuinte, representado por procurador legalmente habilitado, impugnou o lançamento, argumentando que: a) a Receita Federal tributou valores recebidos a título de diferenças de URV, não sujeitos à incidência do imposto de renda em razão do seu caráter indenizatório; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, já reconheceu a natureza indenizatória dessas diferenças recebidas pelos magistrados federais e que tal procedimento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto que lhe caberia, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo; d) se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; e) os rendimentos, se fossem tributados, deveriam ser submetidos ao ajuste anual; f) há erro na alíquota do imposto de renda, pois a que vigorava era a de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5%, como aplicadas; g) os valores recebidos, que se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono), não deveriam compor a base de cálculo do imposto por serem, respectivamente, sujeitos à tributação exclusiva e isento; h) não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre o 13º salário e as férias, tendo em vista sua natureza indenizatória; e i) não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR, por meio do Acórdão nº 1527.203 (fls. 123/129), julgou a impugnação procedente em parte, excluindo os valores que se referiam à correção incidente sobre férias indenizadas e a título de adiantamento de 13º, indevidamente tributados. O contribuinte, cientificado da decisão em 26 de julho de 2011, interpôs recurso no dia 15 do mês subsequente. Na sua petição, representado por terceiros, alega, preliminarmente, que a decisão de primeira instância não enfrentou a questão da ilegitimidade para a cobrança do imposto de renda que pertence, por determinação legal, ao Estado da Bahia, nem a capacidade contributiva do recorrente. No mérito, argumenta que: a) as diferenças consistiam em recomposição, decorrente das diferenças de remuneração por ocasião da conversão de Cruzeiro para Real, concedida com a edição da Lei Complementar (BA) nº 20, que dispunha sobre os vencimentos dos membros do Ministério Público daquela Unidade da Federação, e que a lei não foi considerada inconstitucional; b) o Estado da Bahia estabeleceu a natureza da verba paga como indenizatória, abrindo mão da arrecadação do imposto na fonte, já que o Supremo, ao pagar idênticas parcelas, com isonômica compreensão, editou a resolução nº 245, considerando tais rendimentos isentos; c) imbuído de boa fé, o recorrente não deu ou imprimiu qualquer identificação ao quantum recebido, já que o Estado da Bahia tratou o rendimento como não tributável e, portanto, se há responsabilidades que sejam imputadas à fonte pagadora; d) os rendimentos apresentam natureza indenizatória, conforme já decidido em relação ao Ministério Publico da União, por força da simetria verificada pelo art. 2º da Lei 10.477/2002; e e) o STJ, em decisão proferida pela Ministra Eliana Calmon (RE nº 1.187.109MA 2010/00570259), entendeu haver o princípio da isonomia constitucional aos magistrados do Estado do Maranhão e, embora a decisão se volte para a magistratura estadual, a equiparação dos membros do Ministério Público é impositiva e legitima; f) não está correto o cálculo na exclusão do 13º salário e férias (abono), que deveriam ser, respectivamente, R$ 4.605,55 e R$ 8.207,44; g) caso seja admitida qualquer autuação, o lançamento deve ser refeito, excluindose as despesas e deduções cabíveis em cada exercício e adotandose as alíquotas aplicáveis, já que a auditoria adotou percentuais diferentes daqueles disponíveis no site da Receita Federal; e h) é indevida a cobrança de multa e juros, já que não haveria, se tributável fosse, omissão do rendimento, mas erro na retenção ou classificação do imposto pela fonte pagadora, mas que nada foi ocultado ao fisco. Por fim, o contribuinte requer que seja acolhido e totalmente provido o recurso, cancelandose o auto de infração e, na hipótese de se manter o lançamento, que se leve em consideração os argumentos precedentes. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726406/200932 Acórdão n.º 210201.895 S2C1T2 Fl. 235 5 Voto Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A exigência teve origem em procedimentos de fiscalização, no qual a autoridade lançadora reclassificou como tributáveis os rendimentos confessados nas DIRPFs dos exercícios 2005 a 2007, referentes às diferenças percebidas quando da conversão da URV, para as quais a Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003 havia asseverado que se tratava de verba de natureza indenizatória. A matéria já foi debatida neste colegiado, em processos similares, como os que resultaram nos Acórdãos nº 210201.337, de 8 de junho de 2011, nº 210201.566, de 28 de setembro de 2011, e nº 210212.727, de 20 de janeiro de 2012, com julgamento procedente ao contribuinte. Abaixo, transcrevese uma das ementas citadas: Acórdão nº 210212.727 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças d e URV aos membros do ministério público local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros do ministério público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso provido. Considerando a concordância com o posicionamento favorável ao tema principal, deixase de analisar as preliminares sobre a ilegitimidade ativa da União para a cobrança do imposto de renda que deveria ter sido retido pelo Estado da Bahia e sobre a capacidade contributiva do recorrente, bem com as questões de mérito sobre a boa fé, a imputação de responsabilidades à fonte pagadora, o recálculo do 13º salário e das férias, as alíquotas aplicáveis em cada exercício e a cobrança de multa de ofício e juros de mora. A controvérsia principal, que se concentra em torno da natureza dos rendimentos, se inicia com a Resolução STF nº 245, de 2002, que no art. 3º determinou serem isentos “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais” percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, que ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. A Lei nº 10.477, de 2002, art. 2º, estendeu aos membros do Ministério Público Federal (MPF) as vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, dadas à Magistratura da União. O caráter indenizatório das verbas foi reconhecido pelo Ministro da Fazenda, que aprovou os Pareceres PGFN nº 529, de 2003, em relação à magistratura federal, e nº 923, de 2003, em relação aos membros do MPF. A Ministra Eliana Calmon, analisando as remunerações percebidas por magistrados estaduais, na relatoria do REsp nº 1.187.109, sessão de 17 de agosto de 2010, pronunciouse favorável ao pleito, conforme ementa: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso. Entre os recursos já julgados nesta Turma, transcrevo trechos do Acórdão nº210201.727, já citado, da lavra do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, que, discorrendo sobre o tema, escreveu: Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726406/200932 Acórdão n.º 210201.895 S2C1T2 Fl. 236 7 local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/20031 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar. Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação 1 LEI COMPLEMENTAR Nº 20, DE 08 DE SETEMBRO DE 2003. Dispõe sobre os vencimentos dos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia e dá outras providências. O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Fica fixado como vencimento básico do Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia, a partir de 31 de julho de 2003 e até que seja editada a Lei prevista no art. 48, inciso XV, da Constituição Federal, o valor de R$ 6.943,86 (seis mil, novecentos e quarenta e três reais e oitenta e seis centavos). § 1º A remuneração decorrente desta Lei inclui e absorve a Gratificação de Nível Universitário e a Parcela Autônoma de Equivalência, previstas na Lei Complementar nº 16, de 12 de setembro de 2001. § 2º Fica criada a vantagem de representação correspondente a 60% (sessenta por cento) do vencimento básico de cada nível. § 3º O escalonamento entre os diversos níveis da remuneração dos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, hoje fixado em 10% (dez por cento), será reduzido, gradativamente, no percentual de 1% (um por cento) ao ano, até alcançar, em janeiro de 2008, o percentual de 5% (cinco por cento), tendo como referência a remuneração, de caráter permanente, percebida por Procurador de Justiça da Bahia. Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Art. 4º As despesas decorrentes da aplicação desta Lei correrão à conta dos recursos orçamentários próprios, ficando o Poder Executivo autorizado a promover as alterações que se fizerem necessárias. Art. 5º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 6º Revogamse as disposições em contrário. PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 08 de setembro de 2003. PAULO SOUTO Governador Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 8 às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Assim, considerando que razões transcritas acima se aplicam ao caso, similar, voto em dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 242DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000417/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/06/2007
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS E DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não merecem conhecimento as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se fundam.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-000.805
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/06/2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. ALEGAÇÕES GENÉRICAS E DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO. Não merecem conhecimento as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se fundam. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS -7- SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13976.000417/2007-71 Recurso n° 154.981 Voluntário Acórdão n° 2401-00.805 — 4* Câmara / 1* Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2009 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CERAMARTE LTDA Recorrida DRJ-F LORIANOP OLIS/S C ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/06/2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. ALEGAÇÕES GENÉRICAS E DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO. Não merecem conhecimento as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se fundam. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por un.. I , idade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provi nto ; o recurso. 4p ELIAS SAMP • • FREIRE - Presidente W1h - Cb. . 1 1 KLEBER FERREIRA DE ÚJO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 13976.000417/2007-71 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.805 Fl. 131 Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, DEBCAD n.° 37.084.634-6, lavrada em nome da contribuinte já qualificada nos autos, na qual são exigidas as contribuições dos segurado. O crédito em questão reporta-se às competências de 09/2005 a 06/2007 e assume o montante, consolidado em 30/08/2007, de R$ 777.624,14 (setecentos e setenta e sete mil, seiscentos e vinte e quatro reais e quatorze centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 46/48, os fatos geradores, verificados na matriz e no estabelecimento 0006-25, foram as remunerações creditadas aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais que prestaram serviço à notificada. Acrescenta-se que as contribuições lançadas foram descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais e não repassadas à Seguridade Social, conforme cópias de folhas de pagamento juntadas por amostragem. Afirma-se ainda que durante a ação fiscal foram verificadas folhas de pagamento e respectivas Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, além dos comprovantes de recolhimento das contribuições. A empresa apresentou impugnação, fls. 101/114, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que declarou procedente o lançamento, fls. 117/119. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 122/127, no qual, em apertada síntese, alega que: a) o órgão de primeira instância ignorou os argumentos de fato de e de direito apresentados na impugnação; b) a multa aplicada na NFLD possui claramente caráter confiscatório, devendo, portanto, ser expurgada; c) a aplicação de acréscimos legais nesse patamar impõe sérios prejuízos financeiros à recorrente; Por fim, pede que seja expurgada a multa e feita aplicação da TJLP para corrigir o crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A principio cabe destacar que a empresa não apresenta discordância quanto à ocorrência do fato gerador ou sobre os critérios de apuração da base de cálculo, apenas questionando preliminares e a multa imposta. Embora alegue a existência de vícios formais na NFLD, a empresa não os aponta. Sendo tal afirmação totalmente desprovida de provas ou argumentos. Deixou-se de apontar quais causas poderiam dar ensejo à nulidade do lançamento, motivo pelo qual se rejeita de pronto essa preliminar. Também não deve ser acatada a alegação de que a DRJ desconsiderou argumentos apresentados na impugnação. A empresa sequer indica qual argumento deixou de ser apreciado. Verificando a decisão a quo não vislumbrei qualquer omissão. Para enfrentar a alegação quanto ao acréscimo moratório da multa é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, dal, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, note-se que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidadellegalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declarató rio do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n2 10.522, de 19 de julho de 2002; 4 3-\‘N Processo n° 13976.000417/2007-71 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.805 Fl. 132 b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n2 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n2 73, de 1993. Observe-se que, somente nas hipóteses ressalvadas nos incisos do parágrafo único do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, a Sumula n° 02, do 2° Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do "caput" do art. 72 do Regimento Interno do CARF I . Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Nesse sentido, não posso afastar a aplicação dos acréscimos de multa, posto que forma aplicados nos termos da Lei n.° 8.212/1991, arts. 34 e 35, não cabendo reparos a NFLD quanto a esse aspecto. Voto assim por afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 3 de dezembro de 2009 W-r& KLEBER FERREIRA DE ARA JO - Relator I Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CAIU serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (..-) 5
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Numero do processo: 10715.002185/2010-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006
PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA.
A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-000.937
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a
preliminar de nulidade. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA. A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar de nulidade. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. EDITADO EM: 31/03/2012 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim,Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “O presente processo trata da exigência do valor de R$ 50.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em outubro de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE’s listadas no demonstrativo “AUTO DE INFRAÇÃO nº 0717700/00/000157/10”, descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/1994, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 12 a 30, acompanhada dos documentos de fls. 31 a 55, para aduzir, em apertada síntese, que: (i) a equivocada fundamentação legal da penalidade aplicada torna nulo o auto de infração, conforme se depreende do inciso IV do artigo 10 combinado com o inciso II do artigo 59, ambos do Decreto 70.235/1972, eis que cerceia o direito de defesa da impugnante, uma vez que a multa não corresponde à infração supostamente praticada; (ii) as mercadorias embarcadas nos dias 10.10.2006, 19.10.2006, 20.10.2006, 27.10.2006 e 28.10.2006 foram informadas tempestivamente no Siscomex, conforme disposição contida na Solução de Consulta 215, de 16.08.2004; (iii) diversas datas de embarque de mercadorias nas aeronaves da impugnante corresponderam a sextasfeiras, sábados e domingos ou vésperas de feriado, mas que por razões econômicas não é viável a manutenção de pessoal especializado da impugnante para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex; Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002185/201074 Acórdão n.º 320100.937 S3C2T1 Fl. 2 3 (iv) a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, pois o valor da multa não se altera, independentemente do quantitativo de registros informados intempestivamente, também porque seu valor é muitas vezes superior ao da multa por embaraço à fiscalização, cuja aplicação depende do valor aduaneiro da mercadoria e do caráter doloso, enquanto que o pequeno atraso na inclusão das informações no Siscomex não causa qualquer prejuízo à fiscalização; (v) o artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/1966 não se aplica ao caso sob exame eis que a impugnante inseriu absolutamente todos os dados de embarque das mercadorias no Siscomex, conforme determinado pela Receita Federal; (vi) até o ano de 2008 o Siscomex Exportação registrava as averbações tempestivamente realizadas com novas, logo, em caso de qualquer divergência que impedisse a averbação automática, as empresas aéreas tinham que excluir a informação equivocada para posteriormente incluir a correta, porém, para fins de contagem de prazo, o Siscomex levava em consideração a data da inserção da informação correta. Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, declarada a nulidade do auto de infração, bem como a desconstituição do crédito tributário apurado.” O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0724.952, de 17/06/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cujo julgamento dispensou ementa, conforme disposição contida na Portaria 1.364, de 10/11/2004. O julgamento foi no sentido de rejeitar as preliminares arguidas e por julgar procedente em parte a impugnação, para manter o crédito tributário lançado no valor de R$ 5.000,00. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pelo Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. Observese que a referência da IN 510/2005 foi quando da lavratura do Auto de Infração. Inicialmente, tratarei da preliminar suscitada de nulidade do lançamento por errônea tipificação, já que a recorrente entende que o dispositivo citado no auto de infração não guarda pertinência com o fato ocorrido. Argumenta a empresa, que o Auto de Infração foi lavrado com fundamento no art. 37 da IN n° 28/1994, que estabelecia, à época, o prazo de dois dias para que o transportador procedesse ao registro no Siscomex os dados de embarque das mercadorias destinadas ao exterior. No entanto, o art. 44 da referida IN determina expressamente que o descumprimento da obrigação constitui embaraço à fiscalização aduaneira, penalidade prevista na alínea “c”, IV, do art. 107 do Decretolei n° 37/66 e não alínea “e”, inc IV, do mesmo dispositivo. Observase que o art. 44 da citada IN menciona que o descumprimento a vários artigos, dentre eles, o art. 37, constitui embaraço à atividade da fiscalização aduaneira, sujeitando ao pagamento da multa prevista no art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Ou seja, o art. 44 da referida IN estabelece que o descumprimento do disposto no art. 37 daquela norma regulamentar é considerado embaraço à fiscalização, punível com multa pecuniária. A norma infracional em análise não dispunha de comando integral, na medida em que não definiu o que seria o embaraço à fiscalização na hipótese de não apresentação de documentos à fiscalização; constituindo, da forma com está colocada pela redação dada pelo DL 751/69, “norma penal em branco”, uma vez que o agente para ser considerado infrator deveria descumprir determinada obrigação acessória não definida na lei de regência, mas em norma infralegal. Pois bem, o comando constante do art. 37 da IN/SRF 28/1994 tem por objetivo criar obrigação acessória a qual, se não observada, será considerada conduta infracional por parte do sujeito passivo. Portanto, diferentemente do entendimento da recorrente quanto à inaplicabilidade ao caso da multa exigida, o art. 37 da IN/SRF 28/1994 e suas alterações posteriores, tem por fim completar a “norma penal em branco”, devendo ser entendido e interpretado em conjunto com a norma propriamente dita. No caso concreto, a infração tipificou a conduta da recorrente na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005 (à época do auto de infração), que dispõem: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (grifei) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002185/201074 Acórdão n.º 320100.937 S3C2T1 Fl. 3 5 ** Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) (grifei) (...) Entendo que houve aplicação direta e objetiva da norma. Logo, consumada a infração resta aplicável a penalidade prevista em lei pelo descumprimento de obrigação acessória, que no caso é a prestação intempestiva da informação sobre carga transportada, ou seja, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de registrar corretamente os dados de embarques das mercadorias exportadas, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Em sendo assim, a recorrente não prestou as informações sobre as cargas transportadas no prazo estabelecido na legislação, justificada está a aplicação da multa em comento, por descumprimento de obrigação acessória, não havendo falar em embaraço à fiscalização e, por conseguinte, em fundamentação legal equivocada da multa para gerar a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Pois, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; IIOs despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pelo transcrito, observase que, no caso de auto de infração – que pertence à categoria dos atos ou termos –, só há nulidade se esse for lavrado por pessoa incompetente, uma vez que por preterição de direito de defesa apenas despachos e decisões a ensejariam. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por todo o exposto, são improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, logo, não vejo como acolher essa preliminar. Concluindo, afasto alegação de nulidade levantada pela recorrente. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Passando ao mérito, mas antes de adentrálo, quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ressalto para ficar bem claro, que a decisão de primeira instância, tendo em vista o retroatividade benigna, por conta da entrada em vigor da IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010 passando a ser de sete dias, para prestação de informações sobre as cargas pelo transportador. Logo, julgou procedente em parte e manteve o lançamento do crédito tributário no valor de R$ 5.000,00. Passo a todo histórico da legislação, do caso em concreto. O fato é que houve registro no Siscomex das cargas acobertadas pelas declarações de exportação listadas no auto de infração em prazo superior a dois dias, razão pela qual o auto de infração tipificou a conduta da autuada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprindo da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005. A obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, no Siscomex, independe da participação efetiva do fisco aduaneiro para que o responsável pelo seu cumprimento a satisfaça no prazo de dois dias, contado da data do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04. Os sujeitos passivos de tais obrigações são previamente habilitados pela Receita Federal do Brasil para acessarem, de forma ininterrupta, o Siscomex, dentre outros sistemas informatizados, razão pela qual, da mesma forma, os prazos concernentes à prestação de informação no referido sistema também devem ser contados ininterruptamente. A sistemática operacional consiste em o transportador registrar os dados de embarque imediatamente depois de realizado o embarque da mercadoria para o exterior, com base nos documentos por ele emitidos (observar os prazo da norma). E, posteriormente ocorrerá a averbação que é o ato final do despacho de exportação que consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque da mercadoria. A averbação, por fim, será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes pelo transportador. Por isso, a importância, dentro do prazo, do informe dos dados de embarque pelo transportador, com a documentação. Registrados os dados de embarque, se os dados informados pelo transportador coincidirem com os registrados no desembaraço da DDE ou DSE, haverá averbação automática do embarque pelo Sistema. Caso contrário, a Alfândega irá analisar a documentação apresentada, confrontandoa com os dados relativos ao desembaraço e ao embarque, efetuandose a chamada averbação manual, com ou sem divergência. Pois bem, as IN SRF 28/1994, da IN SRF 510/2005 ou da IN RFB 1.096/2010 dispõem: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002185/201074 Acórdão n.º 320100.937 S3C2T1 Fl. 4 7 IN/SRF 28, de 27.04.1994, redação original Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (g.n.) Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (...) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. IN/SRF 28/1994, com redação da IN/SRF 510, de 14.02.2005 (vigente à época dos fatos geradores e da lavratura do auto de infração) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN no 510, de 2005) (g.n.) (...) § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (...) IN/SRF 28/1994, com redação da IN/RFB 1.096, de 13.12.2010 (vigente a partir de sua publicação, ocorrida no DOU de 14.12.2010) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (g.n.) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Brasil (RFB) de despacho. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (...) A multa de que tratava o artigo 107 do DecretoLei 37/1966, antes da nova redação dada pela Lei 10.833/2003, assim dispunha. Art.107 Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) (...) O art. 37 da IN/SRF 28/1994, estabelecia originalmente o prazo para o registro dos dados de embarque da mercadoria pelo transportador no Siscomex, como sendo “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria (...)”. O alcance do vocábulo “imediatamente” foi esclarecido pela Notícia Siscomex 105, de 27.07.1994: Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos”. Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a revisão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. A IN/SRF 510/2005, vigente à época da lavratura do auto de infração, ao dar nova redação ao citado artigo, definiu como prazos para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, dois dias para o transporte aéreo e sete dias para o transporte marítimo. Igualmente, a IN/RFB 1.096/2010, que passou a viger a partir de 14.12.2010, definiu sete dias como sendo o prazo para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, independentemente da modalidade de transporte efetuada. É de observar também que o artigo 37 é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. Logo, o aumento do prazo para o transportador registrar no Siscomex os dados do embarque da mercadoria, primeiramente excluiu de sanções os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de dois dias, na hipótese de embarque aéreo, bem como os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, na hipótese de embarque marítimo, posteriormente estendeu a exclusão de sanções para quaisquer registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, uma vez que não mais especificou o prazo em função da modalidade de embarque utilizada pelo transportador internacional. Por fim, a recorrente argumenta que não foi possível efetuar no prazo regulamentar os registros de embarque de que trata a presente autuação, uma vez que Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002185/201074 Acórdão n.º 320100.937 S3C2T1 Fl. 5 9 ocorreram falhas no Siscomex que a impediram de assim proceder, bem assim, em caso de divergência que impedisse a averbação automática, as empresas aéreas eram obrigadas a excluir a informação equivocada para incluir a correta, porém, o sistema somente considerava a data da inserção da informação correta, ou seja, apenas alega e foram verificados registros intempestivos de dados de embarque referentes aos despachos de exportação. Como já relatado, é de ver que para os embarques no Voo AR1255, ocorridos em 10.10.2006, 14.10.2006, 26.10.2006, 27.10.2006 e 28.10.2006, o novo prazo de sete dias, nos moldes da IN RFB 1.096/2010, para a prestação das informações sobre as respectivas cargas, iniciou em 11.10.2006, 15.10.2006, 27.10.2006, 28.10.2006 e 29.10.2006, e venceu em 17.10.2006, 21.10.2006, 02.11.2006, 03.11.2006 e 04.11.2006. Portanto, como se observa, são tempestivos os registros efetuados pela transportadora em 13.10.2006, 18.10.2006 e 31.10.2006. Quanto aos embarques no Voo AR1257, ocorridos em 03.10.2006, 19.10.2006, 20.10.2006, 25.10.2006 e 27.10.2006, o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas, iniciou em 04.10.2006, 20.10.2006, 21.10.2006, 26.10.2006 e 28.10.2006, e venceu em 10.10.2006, 26.10.2006, 27.10.2006, 01.11.2006 e 03.110.2006. Portanto, é intempestivo o registro efetuado pela transportadora somente em 25.10.2006. Foi mantido o crédito tributário lançado no valor de R$ 5.000,00. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000734/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DE RECURSO. REPERCUSSÃO GERAL.
APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. Não se aplica o sobrestamento
de recurso, previsto no art. 62A do RICARF, se o lançamento efetuado não tem por base a legislação objeto de repercussão geral perante o STF (LC. Nº 105/2001).
DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não ocorrendo o pagamento antecipado, o prazo decadencial qüinqüenal para a constituição do crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN.
OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Configura-se a omissão de receita por créditos bancários de origem não comprovada se a recorrente, regularmente intimada, não consegue comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que o valor se origina da devolução de empréstimos feitos por pessoa jurídica ligada. Excluem-se do lançamento os créditos comprovadamente originados de receitas tributadas.
RESULTADOS POSITIVOS DECORRENTES DA CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. NATUREZA DOS RENDIMENTOS.
ACRÉSCIMOS À BASE DE CÁLCULO DO LUCRO PRESUMIDO.
O estatuto social define de modo preciso e completo o objeto social da pessoa jurídica. A cessão de direitos creditórios decorrentes de ações transitadas em julgado, adquiridos de terceiros, além de não integrar o objeto social da recorrente, não tem a natureza de serviços prestados. Os créditos judiciais
foram adquiridos e incorporados ao patrimônio da recorrente e revendidos a terceiros com ganhos. Assim, não compõe a receita bruta operacional. O ganho efetivo apurado nas respectivas operações deve ser tributado na forma estabelecida no art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda.
RESULTADOS POSITIVOS DECORRENTES DA CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. EXECUÇÃO PARCIAL DE CONTRATO.
Se o contrato previa condições para a sua execução, não cumpridas pelas partes, o resultado positivo deve ser apurado sobre a parcela executada antes da rescisão contratual, requerida por ambas as partes à justiça estadual, com base na diferença entre o valor recebido e os créditos efetivamente cedidos, excluindo da base de cálculo do lucro presumido a parcela não executada.
PIS, COFINS E CSLL. LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento ao PIS, à Cofins e à CSLL.
Numero da decisão: 1302-000.919
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência alegada; por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, vencidos Paulo Roberto Cortez e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, que davam provimento em maior extensão.
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DE RECURSO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. Não se aplica o sobrestamento de recurso, previsto no art. 62A do RICARF, se o lançamento efetuado não tem por base a legislação objeto de repercussão geral perante o STF (LC. Nº 105/2001). DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não ocorrendo o pagamento antecipado, o prazo decadencial qüinqüenal para a constituição do crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configura-se a omissão de receita por créditos bancários de origem não comprovada se a recorrente, regularmente intimada, não consegue comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que o valor se origina da devolução de empréstimos feitos por pessoa jurídica ligada. Excluem-se do lançamento os créditos comprovadamente originados de receitas tributadas. RESULTADOS POSITIVOS DECORRENTES DA CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. NATUREZA DOS RENDIMENTOS. ACRÉSCIMOS À BASE DE CÁLCULO DO LUCRO PRESUMIDO. O estatuto social define de modo preciso e completo o objeto social da pessoa jurídica. A cessão de direitos creditórios decorrentes de ações transitadas em julgado, adquiridos de terceiros, além de não integrar o objeto social da recorrente, não tem a natureza de serviços prestados. Os créditos judiciais foram adquiridos e incorporados ao patrimônio da recorrente e revendidos a terceiros com ganhos. Assim, não compõe a receita bruta operacional. O ganho efetivo apurado nas respectivas operações deve ser tributado na forma estabelecida no art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda. RESULTADOS POSITIVOS DECORRENTES DA CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. EXECUÇÃO PARCIAL DE CONTRATO. Se o contrato previa condições para a sua execução, não cumpridas pelas partes, o resultado positivo deve ser apurado sobre a parcela executada antes da rescisão contratual, requerida por ambas as partes à justiça estadual, com base na diferença entre o valor recebido e os créditos efetivamente cedidos, excluindo da base de cálculo do lucro presumido a parcela não executada. PIS, COFINS E CSLL. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento ao PIS, à Cofins e à CSLL.
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PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DE RECURSO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. Não se aplica o sobrestamento de recurso, previsto no art. 62A do RICARF, se o lançamento efetuado não tem por base a legislação objeto de repercussão geral perante o STF (LC. Nº 105/2001). DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não ocorrendo o pagamento antecipado, o prazo decadencial qüinqüenal para a constituição do crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configurase a omissão de receita por créditos bancários de origem não comprovada se a recorrente, regularmente intimada, não consegue comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que o valor se origina da devolução de empréstimos feitos por pessoa jurídica ligada. Excluemse do lançamento os créditos comprovadamente originados de receitas tributadas. RESULTADOS POSITIVOS DECORRENTES DA CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. NATUREZA DOS RENDIMENTOS. ACRÉSCIMOS À BASE DE CÁLCULO DO LUCRO PRESUMIDO. O estatuto social define de modo preciso e completo o objeto social da pessoa jurídica. A cessão de direitos creditórios decorrentes de ações transitadas em julgado, adquiridos de terceiros, além de não integrar o objeto social da Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 2 2 recorrente, não tem a natureza de serviços prestados. Os créditos judiciais foram adquiridos e incorporados ao patrimônio da recorrente e revendidos a terceiros com ganhos. Assim, não compõe a receita bruta operacional. O ganho efetivo apurado nas respectivas operações deve ser tributado na forma estabelecida no art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda. RESULTADOS POSITIVOS DECORRENTES DA CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. EXECUÇÃO PARCIAL DE CONTRATO. Se o contrato previa condições para a sua execução, não cumpridas pelas partes, o resultado positivo deve ser apurado sobre a parcela executada antes da rescisão contratual, requerida por ambas as partes à justiça estadual, com base na diferença entre o valor recebido e os créditos efetivamente cedidos, excluindo da base de cálculo do lucro presumido a parcela não executada. PIS, COFINS E CSLL. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, à Cofins e à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência alegada; por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, vencidos Paulo Roberto Cortez e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, que davam provimento em maior extensão.. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: presentes Marcos Rodrigues de Mello, Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcio Rodrigo Frizzo. Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 3 3 Relatório BENETTI PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão nº 1626.464, de 26/08/2010, proferido pela DRJSão Paulo I, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A recorrente foi cientificada do auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, do anocalendário 2005, no valor total de R$ 25.790.475,05, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 26/02/2010, efetuados por meio dos Autos de Infração lavrados em 23/03/2010 (fls. 1261 a 1293). O lançamento do IRPJ foi efetuado mediante acréscimos à base de cálculo do lucro presumido, em face da omissão de receita apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada e de resultados positivos apurados na cessão de direitos creditórios, não oferecidos adequadamente à tributação. Irresignada, impugnou tempestivamente o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: IMPUGNAÇÃO 4. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação protocolada em 23/04/2010 (fls. 1.300 a 1.340) contestando a lavratura dos Autos de Infração, nos seguintes termos, resumidamente. PRELIMINAR DECADÊNCIA 4.1. Alega que parte dos débitos exigidos pela fiscalização foi atingida pela decadência do direito de lançar, devendo ser extinta. 4.2. Que o Imposto de Renda Pessoa da Jurídica a partir da vigência do Decreto Lei nº 1.967/82, que instituiu os recolhimentos obrigatórios a título de antecipações e duodécimos, nos meses que antecederem à data de entrega da declaração de rendimentos, passou a se enquadrar no lançamento por homologação. 4.3. Conseqüentemente, deve ser aplicado o previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN: se a Fazenda Pública não se manifestar até cinco anos da data do fato gerador o lançamento será considerado homologado e extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 4.4. Diz que os mesmos argumentos aplicamse ao lançamento da CSLL, da COFINS e do PIS, já que são reflexos do Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 4 4 lançamento do IRPJ. Além disso, também são tributos sujeitos a lançamento por homologação, sendo o prazo de decadência também de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. 4.5. Destaca que, como o Auto de Infração foi recebido no dia 24/03/2010, está extinto o crédito tributário referente aos fatos geradores que ocorreram antes de 24/03/2005, o que atinge boa parte do lançamento. 4.6. Com relação à pretensa omissão de receitas afirma que foram atingidos pela decadência os lançamentos baseados nos depósitos realizados em janeiro e fevereiro de 2005. 4.7. Com relação aos supostos resultados positivos existentes nas cessões de direitos creditórios, o fato gerador ocorreria na data da realização da venda, mediante contrato ou escritura pública, e não na datas citadas pela fiscalização. 4.8. As vendas dos créditos para o MAKRO ocorreram em dezembro de 2004 e em janeiro de 2005, datas em que foram assinados os contratos de cessão de crédito, conforme informado pelo próprio agente fiscal. Logo, os fatos gerados de um suposto resultado ocorreram há mais de cinco anos do lançamento realizado. 4.9. Destaca que é verdade que a venda ocorreu em 2004, que o MAKRO já informava no seu balanço deste ano os créditos adquiridos. 4.10. O ato realizado em maio de 2005, que a fiscalização considerou indevidamente como data da ocorrência do fato gerador, foi meramente um ato formal de indicar os nomes dos credores originais do crédito já vendido, tanto que nem se fala em pagamentos que é um ato inerente de compra e venda. 4.11. Alega também que ocorreu a decadência no caso da cessão de créditos para a empresa MARIMEX. A venda ocorreu em dezembro de 2004, conforme se verifica por contrato assinado, assim como escritura lavrada. Em setembro de 2005, data que equivocadamente a fiscalização entende como a do fato gerador, ocorreu a mera habilitação da compradora no processo do precatório. MÉRITO DEPÓSITOS BANCÁRIOS 4.12. Alega que os depósitos bancários, por si só, não autorizam o lançamento efetuado, já que não constituem fato gerador do imposto de renda, haja vista não caracterizarem disponibilidade de renda e proventos, não podendo, por conseqüência, caracterizarem sinais exteriores de riqueza. A fiscalização não demonstrou a utilização destes valores dos depósitos como renda auferida, o que seria necessário. 4.13. Na remota hipótese de ser aceito como válido o lançamento, ele não deve prosperar na sua totalidade, pois, Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 5 5 foram tributados depósitos bancários originados de operação já declarada e tributada, assim como de operações de devolução de empréstimos, o que não configura fato gerador do imposto de renda. 4.14. Passa a apresentar as origens de parte dos depósitos: A) – R$ 100.000,00 – 20/06/2005; R$ 60.012,00 – 03/05/2005; R$ 40.000,00 – 10/11/2005 e R$ 50.000,00 – 22/11/2005 – Esses depósitos são originários de devolução parcial de empréstimos feitos à empresa BAA Benetti Consultoria Participações Ltda. A Impugnante em 2005 era credora desta empresa no importe de mais de um milhão de reais, em face de empréstimo, conforme informações no seu livro fiscal de 2004, que segue anexo. Segue em anexo também os extratos da empresa BAA, para comprovar essas transferências. B) Os depósitos: 21/10/05 10.000,00 27/10/05 10.000,00 17/11/05 10.000,00 07/12/05 7.500,00 12/12/05 10.000,00 13/12/05 10.000,00 20/12/05 10.000,00 21/12/05 10.000,00 22/12/05 10.000,00 23/12/05 10.000,00 28/12/05 10.000,00 12/12/05 29.000,00 29/12/05 10.000,00 Todos estes depósitos são originados da venda de direitos creditórios à empresa Marimex realizada em dezembro de 2004, operação que foi declarada e tributada. Para comprovar o Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 6 6 alegado segue declaração da própria empresa, assim como cópia de alguns cheques depositados por ela. C) – R$ 25.000,00 – 21/10/05 – Tratase de pagamento da Cerâmica Urussanga, em face da aquisição de direitos creditórios, venda contabilizada e tributada. Para comprovar o alegado, anexase o próprio extrato. D) – R$ 3.800,00 – 27/01/05 – Tratase de saída de valores e não de depósito. RESULTADOS POSITIVOS APURADOS NA CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS 4.15. Alega que as receitas destas vendas, relativas às cessões de direitos creditórios, foram devidamente escrituradas, na conta nº 3.1.1.1.001 – “Negociação de Precatórios – Venda de Precatórios”, e devidamente tributadas pelo regime adotado pela empresa, que é o lucro presumido. 4.16. Contudo a fiscalização entendeu que a Impugnante tributou de forma equivocada as receitas. Para o agente fiscal, pelo simples fato de não constar no contrato social da empresa a atividade de cessão de direitos creditórios, estas receitas não se caracterizam como receita operacional bruta. 4.17. Com isso a fiscalização entendeu que tais resultados positivos dessas operações devem compor integralmente a base de cálculo do IRPJ e CSLL, sem a aplicação do percentual de 32% do lucro presumido. “O que é absurdo, por ferir o princípio da legalidade. De fato, é uma tentativa de Confisco”. 4.18. Diz que “é inegável o fato de que cessão de direitos creditórios sempre foi a principal atividade da empresa impugnante, ou melhor, foi a única, representando mais de 99% das receitas auferidas, conforme se verifica por seu livro fiscal em anexo”. “Ora, se representa quase a totalidade das receitas, deve sim ser considerada como receita operacional e não uma mera “outras receitas”, como quer entender o agente fiscal”. 4.19. Alega que a aquisição de precatórios, para posterior venda (cessão), deve ser considerada como intermediação, com utilização de capital próprio. E assim consta do contrato social: “Intermediação e negociação de créditos tributários”. E é tributário o crédito, na medida em que, de acordo com a EC nº 30, os precatórios assumem força para quitação de tributos. Eis a verdade, e dessa forma é que foi constituída a sociedade. 4.20. Destaca que, “percebese agora que a fiscalizada recolheu, de fato, mais do que deveria. Isso porque suas receitas não são provenientes de mera e pura prestação de serviços, mas de venda de precatórios. Logo, para IR, a alíquota que compõe a base de cálculo do presumido deveria ser de 8% e não de 32%, conforme calculado a maior pela autoridade fiscalizadora”. Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 7 7 4.21. “Em segundo, caso fosse possível sustentar a linha adotada pela Fiscalização, a incidência seria de apenas 15%, incidente sobre o Lucro apurado pela diferença entre os custos de aquisição e melhoria e aqueles auferido pela venda. Ou seja, seria mero ganho de capital”. “Nessa linha, nem haveria cobrança de CSLL, PIS e COFINS”. 4.22. Alega, também, que houve o “alargamento da base tributável”, pois, sendo a cessão dos precatórios a única receita da empresa, deveriam ser abatidos os custos suportados pela empresa, que agregam valores ao ativo e possibilidade a sua venda. “Por essa razão é que, dada a dificuldade de se individualizar os custos, aplicase a regra do presumido”. 4.23. Alega que a tributação foi mais pesada do que aquela que seria gerada com a aplicação das regras do lucro real, pois até mesmo nesse regime as despesas necessárias são consideradas. 4.24. Diz que: “Aliás, da análise da condução dos trabalhos fiscalizatórios, constatase, apenas o cerceamento do direito de defesa e do contraditório, bem como, o lançamento por autoridade incompetente”. DA CESSÃO – EMPRESA URUSSANGA 4.25. Nesta operação a efetiva cessão de direitos creditórios foi de apenas R$ 2.000.000,00, e não o valor apurado pela fiscalização de R$ 17.092.555,55. 4.26. Informa que assinou contrato com esta empresa tendo a receber com essa venda o valor de R$ 17.092.555,55: porém, o contrato realizado “tem uma cláusula resolutiva que condiciona a efetiva concretização da cessão à realização dos pagamentos. Somente com os pagamentos é que se concretiza, que se consuma a efetiva venda. Assim é a redação da citada cláusula contratual, que é a cláusula quinta, parágrafo segundo”. 4.27. Afirma que a Impugnante não detinha a disponibilidade econômica e jurídica dos proventos oriundos do contrato, enquanto não realizado o pagamento. “Infelizmente a Urussanga não honrou seus compromissos, pagando apenas o importe de R$ 2.000.000,00, conforme se verifica nas cópias dos livros fiscais da empresa”. 4.28. Informa que lavrou Escritura Pública Declaratória (cópia anexa), anulando a venda dos créditos não pagos. Além disso, em ação proposta pela Urussanga, o Poder Judiciário também declarou a resolução do contrato, dizendo claramente que a parte dos créditos cedidos seria apenas o proporcional pago, conforme se vê pela sentença em anexo. 4.29. Alega que o caso se enquadra no artigo 224 do RIR/99: não se incluiu na receita bruta para ser tributada a venda cancelada. Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 8 8 A Quarta Turma de Julgamento da DRJ São Paulo I manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 1626.464, de 26/08/2010 (fls. 1631/1654), com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. AUTORIDADE INCOMPETENTE. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal. Verificase que não há despachos e decisões com preterição do direito de defesa, de forma que não há que se falar, neste caso, em cerceamento do direito de defesa. O Auditor Fiscal da Receita do Brasil é autoridade competente para constituir o crédito tributário. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese, segundo o previsto pelo artigo 150 do CTN, em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo, em razão da ocorrência de pagamento (recolhimento) efetuado por parte do contribuinte. Não havendo recolhimento antecipado, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, conforme previsto no inciso I do artigo 173, do CTN. Exercício seguinte se refere ao exercício financeiro posterior àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento cientificado antes da ocorrência da decadência. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem e razão dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. RESULTADOS POSITIVOS. A venda de Precatórios não se relaciona com as atividades previstas no Contrato Social da empresa, nem mesmo com a prevista intermediação de créditos tributários. Não correspondendo à receita decorrente das atividadesfim da empresa não pode ser tributada pelo lucro presumido. O resultado destas operações deve ser oferecido à tributação nos moldes estabelecidos pelo artigo 521 do RIR/99. Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 9 9 AUTOS REFLEXOS PIS, COFINS e CSLL. O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa. Impugnação Improcedente. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 13/10/2010, na pessoa de sua procuradora (fls. 1678), tendo interposto recurso voluntário em 12/11/2010 (fls.1679/1717). A recorrente repete em grande parte os argumentos trazidos na impugnação, alegando em sua petição recursal: a) Em relação à decadência reitera a aplicação do art. 150 § 4º do CTN aos fatos geradores e tributos lançados, por se tratarem de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Assim, considera decaídos todos os fatos geradores ocorridos até 24/03/2005. Em relação aos lançamentos efetuados com base em depósitos bancários entende ter ocorrido a decadência dos meses de janeiro e fevereiro de 2005. Em relação aos resultados positivos decorrentes da cessão de direitos creditórios entende que decaíram os fatos geradores decorrentes das vendas de créditos para a empresa MAKRO e para a empresa MARIMEX, que teriam se concretizado em dezembro de 2004 e não no ano de 2005, como sustentou a autoridade fiscal na autuação. b) No mérito, no que concerne à omissão apurada com base em depósitos bancários, repete literalmente os argumentos trazidos na impugnação, deixando apenas de recorrer em relação ao valor de R$ 3.800,00, creditado em 27/01/2005. Alega em síntese que a mera existência de depósitos por si só não constitui fato gerador do imposto de renda e que ainda que seja considerado válido o lançamento efetuado com base nesses elementos, ele não deve prosperar na sua totalidade, pois foram originados em operações já declaradas ou tributadas ou decorrem de devoluções de empréstimos. Sustenta que ao contrário das razões trazida pela decisão de primeira instância, “os documentos juntados são mais do que suficientes para justificar os depósitos acima enumerados, devendo ser retirados da apuração fiscal, caso se aceite lançamento com base em meros depósitos bancários”. c) Também quanto ao mérito, repete parte das alegações trazidas quanto à tributação dos resultados positivos apurados na cessão de direitos creditórios. Sustenta que, embora não prevista no seu contrato social, a atividade de compra e venda de direitos creditórios é a principal atividade exercida pela empresa, representando 99% de suas receitas, sendo, portanto operacional. Argumenta que o fato de não constar tal atividade do seu contrato social constitui apenas uma falha formal, e que o registro na Junta Comercial não é constitutivo da natureza jurídica da sociedade, mas meramente declaratória. Alega que não existe base legal para fundamentar a conclusão da autoridade fiscal de que o fato de uma atividade não constar do contrato social da empresa, torna tais receitas não operacionais. Entende que o Regulamento do Imposto de Renda define como não operacionais, basicamente, as transações com bens do ativo permanente, o que não seria seu caso e que sendo a atividade de cessão de direitos creditórios praticamente a única atividade da empresa, suas receitas são operacionais e devem ser tributadas pelo lucro presumido, calculado no percentual de 32% das receitas. d) Especificamente com relação à tributação das receitas decorrentes da cessão de direitos creditórios para a empresa Cerâmica Urussanga S/A CEUSA, alega que o valor efetivo da operação de cessão de direitos creditórios foi de apenas R$ 2.000.000,00 e Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 10 10 não no valor apurado pela fiscalização de R$ 17.092.555,55, sustentando que a venda não se efetivou por este valor, pois a adquirente não honrou com os seus compromissos contratuais o que levou à anulação da venda dos créditos não pagos, mediante escritura pública por ela lavrada, e que teria sido reconhecido ainda em sentença judicial proposta pela empresa adquirente dos créditos. Argumenta que tal fato se equipara às vendas canceladas, que devem ser excluídas da Receita Bruta, nos termos do art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda. A recorrente apresentou pedido de sobrestamento do processo, por mensagem eletrônica encaminhada à secretaria da 3ª Câmara em 22/12/2011, com base nos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, alegando que a matéria em litígio (tributação com base em depósitos bancários) estaria em discussão no Supremo Tribunal Federal, no regime previsto no art. 543B do Código de Processo Civil (repercussão geral). É o relatório. Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 11 11 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço. Analiso em primeiro plano a solicitação de sobrestamento do julgamento do presente recurso, solicitado pela recorrente com fulcro no art. 62A do RICARF. A recorrente alega que uma das matérias em discussão e objeto da autuação referese à tributação com base em depósitos bancários e que tal discussão encontrase em análise no STF sob o regime da repercussão geral previsto no art. 543B do CPC. Infiro que a recorrente esteja a reportarse à discussão quanto ao fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, objeto do RE nº 601314, no qual o Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. No entanto, a matéria discutida nos autos, embora inclua a tributação de receitas apuradas com base em depósitos bancários não perpassa a questão discutida pelo STF em regime de repercussão geral. Ocorre que, no presente caso, não houve a requisição administrativa de movimentação financeira diretamente pela autoridade administrativa às instituições financeiras, conforme previsto no art. 6º da LC nº 105/2001. Desta feita o próprio sujeito passivo apresentou os elementos solicitados pela fiscalização por meio do Termo de Início de Fiscalização (fls. 3), entregues espontaneamente conforme descrito no item III da correspondência às fls. 56. Ante ao exposto, rejeito o pedido de sobrestamento do recurso. Passo a analisar a alegação preliminar de decadência do lançamento. 1. DAS ALEGAÇÕES PRELIMINARES 1.1 Da ocorrência de decadência A recorrente alega ter ocorrido a decadência do direito de lançar em relação aos fatos geradores do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins ocorridos até 24/03/2005, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, em face do lançamento ter se consumado apenas em 24/03/2010. A interessada sustenta que, em se tratando de tributos cujo lançamento se dá por homologação, a decadência se opera depois de transcorrido o prazo de cinco anos a contar do fato gerador. Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 12 12 Nesta seara este Conselho Administrativo está jungido ao que vem decidindo o Poder Judiciário quanto à matéria, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, introduzido pela Portaria MF. 586, de 21/12/2010, in verbis: “Art. 62A as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de |Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Em obediência ao dispositivo regimental, observo que o Superior Tribunal de Justiça, tratando da matéria, proferiu recentemente o acórdão no Recurso Especial nº 973.733 SC, submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (grifei) 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 13 13 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De acordo com o acórdão supra transcrito, a regra decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é deslocada do § 4º do art. 150 do CTN para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que não exista dolo, fraude ou simulação, nos casos em que não ocorre o pagamento antecipado. No presente caso o contribuinte apurou seus lucros no anocalendário 2005 pelo regime de lucro presumido, tendo apresentado DCTF (Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais), relativos à apuração de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, onde não há a indicação de nenhum crédito (pagamento, compensação, etc) relativamente a nenhum dos tributos e períodos informados, resultando em saldo a pagar no montante integral informado (fls. 1227/1235). Desta feita, não havendo pagamento a contagem do prazo decadencial se desloca do previsto no § 4º do art. 150 para o previsto no inc. I do art. 173 CTN. Assim, o prazo decadencial para o lançamento do IRPJ e da CSLL relativamente ao primeiro trimestre de 2005 iniciouse no primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, em 01/01/2006, o mesmo ocorrendo em relação aos fatos geradores mensais do Pis e da Cofins. No entanto, a recorrente alega também que ocorreu a decadência no caso dos lançamentos relacionados com os resultados apurados nos contratos de venda dos créditos para as empresas MAKRO e MARIMEX. Afirma que os contratos foram firmados em dezembro de Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 14 14 2004 e não nas datas consideradas pela fiscalização, respectivamente, em maio de 2005 e setembro de 2005 e que os fatos geradores teriam ocorrido nessas datas. As duas situações comportam análises em separado. Com relação à Cessão de direitos à empresa MAKRO, verificase que existe nos autos um contrato formalizado em 09/12/2004 (fls. 429/435), pelo qual há o compromisso de cessão de R$ 19.400.000,00 em créditos, mediante o pagamento da importância de R$ 10.670.000,00 firmado entre a recorrente e a dita empresa. A recorrente alega que os valores foram pagos pela adquirente em dezembro de 2004 e que a operação teria sido reconhecida nas Demonstrações Financeiras da adquirente, conforme cópia de publicação de Demonstrações Financeiras relativas ao exercício 2004 e 2005 anexadas ao processo (fls. 364/365). Nas notas explicativas das referidas demonstrações há referência à aquisição de tais créditos em 2004 e 2005. No entanto, a recorrente não trouxe ao processo nenhum documento extraído de seus próprios livros contábeis e fiscais visando demonstrar que, em conformidade com seus argumentos, essa receita foi devidamente reconhecida no período em que alega ter sido formalizada a operação. Ocorre que de fato isto não ocorreu. De acordo com o balancete patrimonial transcrito na página nº 211 do Livro Diário de 2005 (fls. 62) a recorrente apenas registrou o valor de R$ 10.570.000,00, recebido da empresa Makro Atacadista S/A, em conta de Adiantamentos no seu passivo circulante do ano de 2004. Com efeito, em que pese o valor ter sido adiantado em dezembro de 2004, a transferência efetiva dos créditos somente se consumou em maio de 2005, mediante a lavratura de Escritura Pública de Subrogação de Direitos Creditório e Substabelecimentos de Poderes (fls. 452/453). Por este instrumento público, os créditos foram especificados um a um e transferidos à adquirente, num montante total de R$ 28.711.206,00, montante que incluiu a cessão de créditos contratadas em janeiro de 2005. Assim, conforme concluiu a fiscalização, somente após a celebração da Escritura Pública de Subrogação de Direitos Creditórios e Substabelecimento de Poderes, se consumou a cessão de direitos creditórios contratados anteriormente. Esse instrumento não foi “meramente um ato formal de indicar os nomes dos credores originais dos créditos já vendidos”, conforme alega a recorrente, mas o efetivo documento de transferência dos créditos, conforme se lê na cláusula quinta, in verbis: “CLÁUSULA QUINTA: que pela PROCURADORA CEDENTE me foi dito, que pela presente cede, como cedido tem e subroga a CESSIONÁRIA SUBROGADA em todos os direitos aos créditos correspondentes bem como substabelece sem reserva, todos os poderes que lhe foram outorgados, de maneira irretratável, pelas referidas procurações à CESSIONÁRIA SUBROGADA”; (grifei). Conforme destacou a decisão de primeira instância, “nas Considerações Preliminares, do Contrato firmado entre a Impugnante e a MAKRO, está firmado que”as partes resolvem celebrar o presente instrumento particular de promessa de compra e venda, de acordo com as cláusulas e condições seguintes”. Uma das condições era a celebração da Escritura Pública de Subrogação de Direitos Creditórios e Substabelecimento de Poderes, onde deviam estar identificados e especificados os créditos cedidos”. Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 15 15 Deste modo, tendo a operação sido concluída somente em maio de 2005, com a efetiva transferência dos direitos à adquirente, está correta a eleição do fato gerador feita pela autoridade fiscal na apuração dos tributos devidos em relação aos créditos cedidos à empresa Makro Atacadista em dezembro de 2004, não havendo que se cogitar da decadência do lançamento em relação a este fato. Com relação à operação de cessão dos créditos para a empresa MARIMEX, entendo que, embora nesta existam algumas nuances distintas, também não assiste razão à recorrente. Verificase que o Primeiro Aditivo ao Contrato Particular de Prestação de Serviços (fls. 1165/1168), firmado em 13/07/2004, em sua cláusula primeira, estabelece como objeto a aquisição pela empresa MARIMEX Despachos Transportes e Serviços Ltda, através de Escritura Pública a ser lavrada, de parte dos créditos alimentícios de natureza trabalhista, oriundos da Reclamação Trabalhista nº VTBV054/90, no montante de R$ 8.000.000,00, pertencentes à recorrente. O referido termo estabelece ainda, em sua cláusula terceira, como uma das obrigações da cedente, ora recorrente, além da outorga da escritura pública de cessão dos créditos, o Pedido de Habilitação instruídos (sic) com toda a documentação probatória junto à vara de execução: 1 – Cópia da cessão de direitos; 2 Petição do advogado representante do substituto processual; e 3 – Procuração do cessionário para tal fim. Constatase ainda dos autos que, em 15/12/2004, foi lavrada a Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios, entre a recorrente e a empresa MARIMEX mediante a qual foi efetuada a transferência dos referidos créditos no montante de R$ 8.000.000,00, conforme estipulava o referido contrato de cessão. Ocorre que, diferente do que ocorreu com relação à escritura feita com a empresa MAKRO, nesta não foram especificados os créditos que seriam transferidos. Tal fato somente ocorreu em 14/09/2005, quando em cumprimento do item B da cláusula terceira do aditivo contratual referido acima, o substituto processual dos beneficiários dos créditos (SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO DE RORAIMA – SINTER), informou à justiça do trabalho o nome dos autores (professores) que transferiram e cederam a totalidade de seus créditos, oriundos da reclamação trabalhista à adquirente dos créditos (MARIMEX), em face da SUBROGAÇÃO de Cessão de Poderes outorgada pela BENETTI PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA (...), conforme Escrituras Públicas de Cessão de Direito do 1º Ofício de Notas, Registro Civil, Título e Documentos, Pessoas Jurídicas e Protesto de Títulos de Boa VistaRR. No documento, a representante processual dos professores arrola nove credores/cedentes e os respectivos títulos de transferência. Constam ainda dos autos as cópias das escrituras públicas de cessão de direitos creditórios outorgadas pelos professores credores em favor da recorrente. Todas as cessões ocorreram em datas posteriores à da lavratura da escritura pública de Cessão de Direitos Creditórios firmada entre a recorrente e a empresa MARIMEX, ocorrida em 15/12/2004. Também constam dos autos, instrumentos de procuração outorgados pelos credores, em datas posteriores à das escrituras de cessão, constituindo como procuradora Maria Rita Marin, para “concretizar negociação de direitos creditórios de titularidade do(a) outorgante, decorrentes da Ação Trabalhista de nº 054/90, proposta pelo SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO DE RORAIMA – SINTER”. Os documentos públicos referidos (fls. 1177/1195) estão abaixo descritos: Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 16 16 Cessionário Dados da Escritura Dados da Procuração ADRIANO FRANCISCO DOS SANTOS Livro 0332 – Fl. 024, em 28/12/2004 Livro 0564 – Fl 030, em 21/02/2005 ANA ALICE MONTEIRO DOS SANTOS Livro 0332 – Fl. 001, em 28/12/2004 Livro 0563 – Fl. 107, em 16/02/2005 ÁUREA LUCIA MELO OLIVEIRA CORRÊA Livro 0332 – Fl. 020, em 28/12/2004 Livro 0563 – Fl. 134, em 17/02/2005 DALVINA ANGELINA NORONHA DE SOUZA Livro 0332 – Fl. 016, em 28/12/2004 Livro 0563 – Fl. 025, em 14/02/2005 DALVINA DE SOUZA RODRIGUES Livro 0332 – Fl. 018, em 28/12/2004 Livro 0563 – Fl. 026, em 14/02/2005 ELIZABETE DA SILVA FERREIRA Livro 0335 – Fl. 103, em 17/02/2005 EVERALDO RODRIGUES Livro 0332 – Fl. 002, em 28/12/2004 EVERTON JOSE GOMES DOS SANTOS Livro 0332 – Fl. 014, em 28/12/2004 Livro 0563 – Fl. 020, em 11/02/2005 GREICE DA SILVA SANTOS Livro 0332 – Fl. 009, em 28/12/2004 Livro 0563 – Fl. 012, em 11/02/2005 Ora, se os próprios créditos que foram subrogados em favor da adquirente (MARIMEX) foram adquiridos em momento posterior à lavratura da escritura de cessão de direitos (15/12/2004), não há como considerar que este foi o momento da transferência dos direitos, pois se “ninguém pode transferir mais direitos que possui”, menos então os que (ainda) não possui. Diante dos elementos contidos no processo, entendo que estão corretas as conclusões da autoridade fiscal no Termo de Constatação Fiscal quanto ao momento da consumação do negócio jurídico, in verbis: “Depreende, portanto, que o ato jurídico de cessão de direitos creditórios somente se tornou perfeito e acabado em 19/09/2005, com a protocolização da petição do SINTER nos autos da Reclamação Trabalhista JCJBV nº 0054/90 identificado e especificado os créditos cedidos pela fiscalizada”. Desta forma, são integralmente hígidos, do ponto de vista decadencial, os lançamentos efetuados na medida em que o lançamento de ofício foi formalizado em 24/03/2010. Ante ao exposto, rejeito a alegação preliminar de decadência. Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 17 17 2. DAS ALEGAÇÕES DE MÉRITO 2.1 Sobre a Omissão de Receitas apurada com base em Créditos Bancários de Origem não Comprovada. A recorrente alega que a existência de depósitos bancários, por si só, não autoriza o lançamento efetuado, já que não constituem fato gerador do imposto de renda, haja vista não caracterizarem disponibilidade de renda e proventos, não podendo, por conseqüência, caracterizarem sinais exteriores de riqueza. A fiscalização não demonstrou a utilização destes valores dos depósitos como renda auferida, o que seria necessário. Invoca ainda jurisprudência administrativa que corroboraria sua tese. Não assiste razão à recorrente quanto a estes argumentos. Em se tratando de omissão de receitas apuradas com base em créditos bancários incumbe ao fisco tão somente demonstrar a existência dos créditos e intimar o sujeito passivo para que identifique, demonstre e comprove a origem de cada um dos créditos. É o que dispõe o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que rege a matéria. “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...)”. Os argumentos da recorrente remetem à hipótese, já revogada, de omissão de receitas com base em movimentação financeira prevista no § 5º do art. 6º da Lei 8.021/90. “Art. 6º. O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 18 18 § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações.”[revogado] Sob a égide de tal legislação, de fato, o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6º, caput e § 5º, da Lei nº 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos, como também demonstrar o nexo causal entre os depósitos e a exteriorização de riqueza ou outras operações do contribuinte, para que pudesse caracterizar omissão de receitas. A partir da Lei nº 9.430/1996, no entanto, a simples existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas. Com isso, a carga probatória atribuída ao fisco, se restringe a demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, para se desincumbir de seu ônus probatório. A partir de tal constatação o ônus de comprovar a origem dos recursos é do contribuinte. É a própria lei que definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Portanto, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas, até mesmo porque, depósito bancário não configura disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Tal caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dispõe a lei. O contribuinte apresenta ainda alguns elementos com os quais pretende desconstituir a presunção legal relativa a alguns créditos considerados sem origem, que passo a examinar. O primeiro conjunto de documentos se refere a diversos créditos que a recorrente identifica como tendo origem na devolução de empréstimos que teriam sido feitos à empresa BAA Benetti Consultoria e Participações Ltda. A recorrente apresentou os seguintes elementos: cópia da pág. 07 do Livro Razão do ano 2004 (doc. 6 fls. 1375), na qual se identifica a conta 1.2.3.1.0001 – Empréstimos a Pessoas Ligadas – BAA BENETTI CÔNSUL. & PARTIC. LTDA, na qual encontrase registrada uma transferência bancária no valor de R$ 1.500.000,00, ocorrida em 29/12/2004; Declaração (doc. 7 fls. 1378) assinada pela empresa BAA Benetti Consultoria e Participações Ltda, informando que “durante o ano de 2005 realizou alguns depósitos em contas correntes da empresa Benetti Prestadora de serviços Ltda (...), os quais foram feitos para efetuar pagamentos parciais de débitos que possui com a citada empresa, em face de empréstimos concedidos em anos anteriores”, especificando quatro depósitos realizados: 03/05/2005 R$ 60.012,00, 20/06/2005 R$ 100.000,00, 10/11/2005 R$ 40.000,00 e 22/11/2005 R$ 50.000,00; extratos do Banco Bradesco (doc. 8 fls. 1380/1388) de contas correntes da empresa BAA Benetti e da própria recorrente onde constam as transferências a débito e a crédito em cada conta. Os documentos acima demonstram que a recorrente escriturou um empréstimo à empresa ligada BAA Benetti em dezembro de 2004. Comprovam também que os Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 19 19 créditos bancários acima referidos têm origem na conta corrente bancária da empresa BAA Benetti. Resta examinar se tais elementos são suficientes para comprovar que tais depósitos referemse de fato à devolução do empréstimo, como alega a recorrente. Apesar de comprovar o registro contábil do empréstimo realizado em dezembro de 2004, mediante a apresentação de cópia de seu livro razão, a recorrente não trouxe aos autos os registros contábeis da amortização parcial desse empréstimo, que segundo ela teria ocorrido mediante as transferências bancárias mencionadas. Verificase, no entanto, às fls. 111 dos autos a existência de extrato parcial da conta 1.2.3.1.001 – Valores a Receber – BAA Benetti Cônsul. & Partic. Ltda., contida na pág. 125 do Livro Razão, cuja cópia foi extraída pela fiscalização, onde constam lançamentos realizados a partir do mês de maio de 2005. Constatamse diversos lançamentos a crédito desta conta e que o seu saldo está zerado ao final do exercício. Nenhum dos lançamentos registrados faz referência ou é coincidente em datas e valores com as transferências acima indicadas. Assim, em que pese estar comprovada a origem dos créditos em questão, não restou comprovada a alegada devolução de empréstimo, o que é insuficiente para infirmar a presunção legal, impondose a manutenção do lançamento de omissão de receitas nessa parte. Passo a examinar os documentos trazidos pela recorrente na sua impugnação (Doc 09 – fls. 1390/1403), pelo que alega que diversos créditos bancários lançados como omissão de receitas pela fiscalização tem origem em recebimento decorrentes da cessão de créditos para a empresa MARIMEX Despachos Transportes e Serviços Ltda. Constam dos autos os seguintes documentos: Declaração da empresa MARIMEX que pagou os valores de R$ 10.000,00 em 21/10/2005, de R$ 10.000,00 em 22/12/2005 e de R$ 10.000,00 em 29/12/2005, “referente a compra de Precatórios Créditos – SINTER”; Cópias dos seguintes cheques emitidos pela empresa MARIMEX em favor da recorrente, nas seguintes datas e valores: 27/10/05 10.000,00 17/11/05 10.000,00 07/12/05 7.500,00 12/12/05 10.000,00 13/12/05 10.000,00 20/12/05 10.000,00 21/12/05 10.000,00 23/12/05 10.000,00 Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 20 20 28/12/05 10.000,00 29/12/05 10.000,00 As cópias de cheques trazidas pela recorrente comprovam que os depósitos realizados em suas contas correntes nas mesmas datas têm origem em pagamentos efetuados pela empresa MARIMEX. Também é incontroverso que a recorrente efetuou a venda de créditos de precatórios à empresa MARIMEX, operação que é inclusive objeto de lançamento no presente processo. Referida operação foi pactuada mediante o pagamento de 20 parcelas mensais no valor de R$ 160.000,00, conforme o parágrafo único da cláusula segunda do aditivo contratual (fls. 1367/1370). Assim, é forçoso reconhecer que os valores creditados nas contas correntes da fiscalizada, comprovadamente originados de pagamentos efetuados pela empresa MARIMEX decorrem de receitas das vendas dos referidos créditos e que estão sendo objeto de tributação nesta mesma autuação. Deixo de reconhecer, porém, os valores indicados em declaração prestada pela empresa MARIMEX (fls.1390) como tendo sido pagos por ela em 21/10/2005 (R$ 10.000,00 e em 22/12/2005 (R$ 10.000,00), por considerar insuficiente a mera declaração apresentada, desacompanhada de outros elementos de comprovação, Assim, dou provimento parcial ao recurso, neste ponto, para reconhecer como justificados os créditos decorrentes dos depósitos do cheques indicados na tabela acima, excluindoos do lançamento de omissão de receitas por créditos de origem não justificada. Por fim, com relação aos créditos de origem não comprovada examino a alegação de que o valor de R$ 25.000,00, creditado em 21/10/2005 decorre de pagamento da Cerâmica Urussanga, em face da aquisição de direitos creditórios por aquela empresa, cuja venda foi contabilizada e tributada. Como comprovação a recorrente anexou o próprio extrato (doc. 10 – fls. 1405). Examinando os extratos bancários do mês de outubro de 2005(fls. 300/305), verificase que a empresa Urussanga efetuou diversas transferências para a recorrente, incluindo a acima indicada, totalizando R$ 324.864,05 naquele mês. Por outro lado, na pág. 142 do livro Razão de 2005 (fls. 219) consta o registro da receita de vendas de precatórios neste mesmo valor. Assim, também neste caso entendo como plenamente justificada a origem do crédito de R$ 25.000,00, ocorrido em 21/10/2005 na conta corrente da fiscalizada, portanto, dou provimento ao recurso quanto a este ponto. Diante do exposto com relação aos argumentos trazidos pela recorrente quanto à tributação de omissão de receitas com base em créditos bancários de origem não justificada, dou provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento do 4º trimestre de 2005, os valores abaixo consolidados: Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 21 21 MÊS DATA DO CRÉDITO VALOR TOTAIS MENSAIS OUTUBRO 21/10/05 25.000,00 35.000,00 27/10/05 10.000,00 NOVEMBRO 17/11/05 10.000,00 10.000,00 DEZEMBRO 07/12/05 7.500,00 77.500,00 12/12/05 10.000,00 13/12/05 10.000,00 20/12/05 10.000,00 21/12/05 10.000,00 23/12/05 10.000,00 28/12/05 10.000,00 29/12/05 10.000,00 Total 122.500,00 2.2 Da tributação das receitas decorrentes da cessão de direitos creditórios. Com relação à tributação dos resultados positivos apurados na cessão de direitos creditórios a recorrente sustenta que, embora não prevista no seu contrato social, a atividade de compra e venda de direitos creditórios é a principal atividade exercida pela empresa, representando 99% de suas receitas, sendo, portanto operacional. Argumenta que o fato de não constar tal atividade do seu contrato social constitui apenas uma falha formal, e que o registro na Junta Comercial não é constitutivo da natureza jurídica da sociedade, mas meramente declaratória. Alega que não existe base legal para fundamentar a conclusão da autoridade fiscal de que o fato de uma atividade não constar do contrato social da empresa, torna tais receitas não operacionais. Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 22 22 Entende que o Regulamento do Imposto de Renda define como não operacionais, basicamente, as transações com bens do ativo permanente, o que não seria seu caso e que sendo a atividade de cessão de direitos creditórios praticamente a única atividade da empresa, suas receitas são operacionais e devem ser tributadas pelo lucro presumido, calculado no percentual de 32% das receitas. Analisando o Contrato Social da recorrente e alterações posteriores (fls. 07/41), verificase que a mesma foi constituída em 31 de janeiro de 2001 com objetivo de atuar no “ramo de SERVIÇOS DE EXECUÇÃO DE MÃO DE OBRA NA CONSTRUÇÃO CIVIL”. A primeira alteração contratual ocorreu em 01/10/2004 e alterou o objetivo social da empresa para:"SERVIÇOS DE EXECUÇÃO DE MÃO DE OBRA NA CONSTRUÇÃO CIVIL, SERVIÇOS DE CONSULTARIA NA ADMINISTRAÇÃO DE BENS ATIVOS, SERVIÇO DE ASSESSORIA E CONSULTORIA NA ÁREA TRIBUTÁRIA, RECUPERAÇÃO E INTERMEDIAÇÕES DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS, REESTRUTURAÇÃO TRIBUTÁRIA DE ATIVOS FINANCEIROS, PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS, LOCAÇÃO, COMERCIALIZAÇÃO E INCORPORAÇÃO DE IMÓVEIS, CENTROS COMERCIAIS E LOTEAMENTOS”. A segunda alteração contratual ocorreu em 03/03/2006, sem alteração do objeto social da empresa. Uma terceira alteração foi feita em 18/12/2006, mantendo o mesmo objeto social. Não consta dos autos a quarta alteração efetuada, mas a quinta alteração, feita em 19/06/2008, manteve inalterado o objeto social fixado na primeira alteração. Somente na sexta alteração, que teria sido lavrada em 23/09/2008, mas só registrada na Junta Comercial em 28/10/2009, acrescentou a atividade de Comercialização de Créditos Tributários ao seu objeto social, mantendo as demais atividades do objeto social anterior. Por fim, a sétima alteração do contrato social, que teria sido lavrada em 30/06/2008, anteriormente, portanto, à quinta e sexta alterações, mas somente registrada na Junta Comercial em 03/11/2009, repete o objeto social da sexta alteração. De se observar que a ação fiscal foi iniciada em 16/04/2008, conforme Termo de Início de Fiscalização e ARPostal (fls. 03/04). Ou seja, a recorrente efetuou uma alteração do seu objeto social para incluir a atividade de comercialização de créditos tributários cerca de um ano e meio após o início das apurações fiscais. Apesar de não constar de seu objeto social a recorrente deu tratamento de receita bruta operacional às vendas dos créditos trabalhistas, tributandoos pelo lucro presumido como se prestação de serviços fosse, aplicando sobre o valor das operações o percentual de 32% para apurar a base de cálculo do imposto. A recorrente alega que o fato de não constar a atividade no seu contrato social seria uma falha meramente formal e que o registro na junta não é constitutivo da natureza jurídica da sociedade. Ao meu ver, tal argumento não pode prosperar. O contrato social delimita a área de atuação da sociedade. A Lei nº 6.404/76, que rege as sociedades anônimas e supletivamente as demais sociedades, define a abrangência do objeto social no seu art. 2º, nestes termos: Art. 2º Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons costumes. § 1º Qualquer que seja o objeto, a companhia é mercantil e se rege pelas leis e usos do comércio. § 2º O estatuto social definirá o objeto de modo preciso e completo. Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 23 23 § 3º A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais. No caso concreto, a recorrente definiu claramente e com amplo espectro o seu objeto social na primeira alteração contratual efetuada em outubro de 2004. Em dezembro daquele mesmo ano adquiriu, com deságio, títulos judiciais (precatórios) representativos de direitos creditórios decorrentes de ações trabalhistas junto ao SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO DE RORAIMA SINTER e os revendeu em 2005 a diversas empresas por valor superior, obtendo ganhos expressivos na negociação. Tais operações não se enquadram de modo algum no objeto social da recorrente naqueles exercícios. Somente em outubro de 2009, transcorridos quase quatro anos das operações e depois cerca de um ano e meio após o início dos trabalhos da fiscalização é que levou a registro uma nova alteração incluindo entre suas atividades a comercialização de créditos tributários. Ao meu ver não há como discordar do entendimento da fiscalização que entendeu que tais receitas não configuram prestação de serviços, mas sim compra e venda de títulos creditórios das quais resultaram em ganhos para a recorrente. Portanto, além de não integrar o objeto social da recorrente, tais operações não podem ser enquadradas como serviços prestados. Ora, não se constituindo em prestação de serviços e não se constituindo em receita bruta operacional, há que ser apurado o ganho efetivo nas respectivas operações. Os referidos créditos trabalhistas foram adquiridos e incorporados ao patrimônio da recorrente e revendidos a terceiros com ganhos. Tais resultados positivos devem ser tributados na forma estabelecida no art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda, que ao contrário do que alega a recorrente, não se restringe às transações com bens do ativo permanente, mas sim abrange os rendimentos e ganhos líquidos em aplicações financeiras e as demais receitas e os resultados positivos não abrangidos pela receita bruta. É o que prevê o dispositivo regulamentar, in verbis: Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). (grifei) Ante ao exposto, nego provimento ao recurso quanto à tributação dos ganhos decorrentes da cessão de direitos trabalhistas. 2.3 Dos resultados positivos apurados na cessão de créditos trabalhistas para a empresa Cerâmica Urussanga S/A – CEUSA. Especificamente com relação à tributação das receitas decorrentes da cessão de direitos creditórios para a empresa Cerâmica Urussanga S/A CEUSA, a recorrente alega que o valor efetivo da operação de cessão de direitos creditórios foi de apenas R$ 2.000.000,00 Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 24 24 e não no valor apurado pela fiscalização de R$ 17.092.555,55, sustentando que a venda não se efetivou por este valor, pois a adquirente não honrou com os seus compromissos contratuais o que levou à anulação da venda dos créditos não pagos, mediante escritura pública por ela lavrada, e que teria sido reconhecido ainda em sentença judicial proposta pela empresa adquirente dos créditos. Argumenta que tal fato se equipara às vendas canceladas, que devem ser excluídas da Receita Bruta, nos termos do art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda. De acordo com o Contrato Particular de Compra e Venda de Direito Creditório Transitado em Julgado (fls. 1434/1442), firmado em 02/05/2005, a recorrente se comprometeu a ceder e transferir à empresa CEUSA o montante de R$ 65.000.000,00 em créditos trabalhistas, pelo valor líquido de R$ 17.092.555,35. Em conformidade com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 1247) a cedente, ora recorrente lavrou as escrituras públicas formalizando a cessão dos direitos creditórios previstas no contrato à cessionária, enumerando naqueles instrumentos os credores originários cujos respectivos créditos foram cedidos. A recorrente contabilizou o recebimento de R$ 2.324.456,20 no período de maio a outubro de 2005 (pág. 240/241 do Livro Razão – fls. 217/218 do processo). Em 12/05/2008, em face de alegada inadimplência contratual da cessionária dos créditos (CEUSA), a recorrente lavrou Escritura Pública de Declaração declarando na cláusula sexta que, por força da cláusula resolutiva contratual (Cláusula Quinta, parágrafo 2 º), “em função dos pagamentos efetivamente realizados pela CERÂMICA URUSSANGA S/A, e das ações judiciais entre as partes, passam a valer como créditos cedidos à mesmas (sic), oriundos da Reclamação Trabalhista supra citada, não mais os professores elencados nas Escrituras de fls. 079/80, Livro 0815E, e fls. 070/071, Livro 0820E, mas sim os seguintes servidores: 1 (...)”, (especificando os créditos cedidos). Na Cláusula Sétima, declara anulado o uso dos demais créditos cedidos por força da escritura pública lavrada anteriormente. Consta ainda dos autos, juntada pela recorrente em sua impugnação, cópia de sentença (fls. 1449/1460) exarada pela Justiça Estadual de Santa Catarina em 25/07/2008, em ação proposta pela empresa CEUSA contra a recorrente. De acordo com o relatório da sentença, a empresa CEUSA alegou que se comprometeu a pagar R$ 17.092.556,55 à empresa Benetti, ora recorrente, dos quais foram quitados R$ 2.481.229,00, mas que houve inadimplência contratual por parte da cedente dos créditos, em face de problemas verificados com os créditos cedidos e não substituídos nos termos do contrato. Ao final a autora, pleiteou a rescisão do contrato, resolvendo as transferências de crédito realizadas, além da condenação da demandada (Benetti) em danos morais. Citada, a requerida na ação, ora recorrente, apresentou Reconvenção alegando que a autora (CEUSA) é quem estaria inadimplente no pagamento das prestações contratadas e também pleiteou a rescisão do contrato particular por culpa exclusiva da CEUSA, recebendo as parcelas correspondentes à parte dos créditos cujas quitações já foram passadas pelos professorescedentes. Com base nos elementos apresentados à magistrada da justiça catarinense assim decidiu: 1) JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido de RESOLUÇÃO CONTRATUAL POR INADIMPLEMENTO C/C PERDAS E DANOS, aforado por CERÂMICA URUSSANGA S/A CEUSA em face de BENETTI PRESTADORA DE Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 25 25 SERVIÇOS LTDA, declarando rescindido o "Contrato Particular de Compra e Venda de Direito Creditório Transitado em Julgado", não reconhecendo a culpa de nenhum dos contraentes. Operase a rescisão, na forma da primeira parte do parágrafo único da cláusula nona do pacto, devendo haver a compensação entre os valores já quitados pela CEUSA, com o que foi eventualmente repassado pela BENETTI a título de escrituras públicas individuais cedidas (quitadas), a ser apurado em liquidação de sentença, fazendo jus a CEUSA ao desconto estipulado no caput da cláusula quarta (R$ 8.907.444,45). Descabem os danos morais (perdas e danos), consoante corpo da sentença. 2) JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE a RECONVENÇÃO ajuizada por BENETTI PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA em face de CERÂMICA URUSSANGA S/A, para rescindir o contrato, sem atribuir a culpa aos litigantes. 3) JULGO PROCEDENTE a medida cautelar de sustação de protesto aforada por CERÂMICA URUSSANGA S/A em face de BENETTI PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA, para, diante do que foi decidido na ação principal, sustar definitivamente o protesto discutido na ação principal, consolidando a liminar deferida. (grifos conforme documento) Tratandose de decisão de primeira instância e não havendo notícia de seu trânsito em julgado, devese têla como recorrível (a esta altura recorrida). Está, portanto, sujeita à revisão. A autoridade fiscal autuante entendeu que (fls. 1247): “Todavia, a Escritura Pública de Declaração não produz quaisquer efeitos na apuração dos resultados positivos obtidos com a cessão de direitos creditórios efetivada em 08/07/2005 porque (I) tratase de instrumento lavrado unilateralmente pela cedente/fiscalizada e; (II) conforme expressamente consignado no referido instrumento, existem ações judiciais pendentes de decisão transitada em julgado envolvendo as partes (cedente e cessionária) que tratam da inadimplência das obrigações contratuais pela cessionária e seus efeitos”. Cotejando estes documentos com os extratos bancários do ano calendário de 2005 da conta corrente n° 6254 da agência n° 20125 do Banco Bradesco S/A, de titularidade da fiscalizada, concluímos que a cessionária (CEUSA) realizou diversas transferências financeiras para a referida conta corrente da fiscalizada. Assim, elaboramos Demonstrativo do Resultado Positivo Apurado na Cessão de Direitos Creditórios à CERÂMICA URUSSANGA S/A (Anexo II), parte integrante e indissociável do presente Termo, tomando por base os direitos creditórios dos 107 cedentes originários (professores) adquiridos pela Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 26 26 fiscalizada e posteriormente cedidos à cessionária, através do qual apuramos que a fiscalizada obteve um ganho nesta operação no valor de R$ 15.028.290,94 (quinze milhões vinte e oito mil duzentos e noventa reais e noventa e quatro centavos) que deve compor integralmente a base de cálculo do IRPJ do 3° Trimestre/2005, haja vista que a cessão dos direitos creditórios foi formalizada em 08/07/2005.” Analisando o Contrato Particular de Compra e Venda de Direito Creditório Transitado em Julgado, verificase no parágrafo primeiro da cláusula quarta que os pagamentos das parcelas contratadas estavam sujeitos ao cumprimento de certas condições pela cedente, nestes termos: O pagamento do valor acordado será feito da seguinte forma: 1.1 O primeiro pagamento será devido pela CESSIONARIA ao CEDENTE, a partir da apresentação do protocolo do pedido de habilitação como Assistente Litisconsorcial nos autos da Reclamatória Trabalhista n° JCJBV054/90, nos termos da Sentença de Impugnação dos Cálculos, de 11/02/2005, momento em que o CEDENTE apresentará as Escrituras Individuais as quais farão parte integrante do pedido de habilitação como Assistente Litisconsorcial. O valor do primeiro pagamento deverá demonstrar a quitação proporcional das escrituras individuais até o limite da obrigação pactuada. 1.2 Os demais pagamentos vincendos e sucessivos, deverão obedecer s condições do item 1.1 acima, ou seja, a cada parcela quitada pelo CESSIONARIO ao CEDENTE, este deverá apresentar a quitação das escrituras individuais indicando qual delas perfazem o montante quitado, assim sendo, mensalmente ate a definitiva quitação do contrato, com a entrega da Escritura Declaratória de Quitação, sendo somente devidos os pagamentos das parcelas vincendas quando da apresentação, pelo CEDENTE, dos comprovantes de quitação dos contratos individuais firmados com cada um dos professores e decorrente quitação das Escrituras Individuais outorgadas, que fará parte do presente contrato através de Aditivo Contratual a ser firmado entre as PARTES ou através de Escritura Declaratória de Quitação de cada servidor. (Grifei) De acordo com o contrato, ainda que a cedente, ora recorrente, já tivesse lavrado em favor da cessionária (CEUSA) a escritura pública de cessão dos créditos, o pagamento de cada parcela contratada só seria devido mediante a apresentação de quitação dos contratos individuais firmados com cada um dos professores e decorrentes da quitação das escrituras individuais outorgadas. Ou seja, não cumprida tal condição pela cedente a parcela respectiva não seria paga pela cessionária. Assim, me parece que no caso deste contrato as partes estabeleceram uma condição resolutiva para a continuidade da cessão dos créditos nele previstos, verificável em cada uma das parcelas vincendas. Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 27 27 A cessionária CEUSA, entendendo que a cedente descumpriu esta condição suspendeu os pagamentos e ajuizou ação judicial pleiteando a rescisão do contrato por culpa da cedente, cumulada com condenação em danos morais, resolvendose as transferências de créditos já realizadas, pelas quais teria desembolsado o montante de R$ 2.481.229,00. De outra parte a cedente, ora recorrente, apresentou reconvenção na referida ação judicial na qual também pleiteou a rescisão do contrato recebendo as parcelas correspondentes à parte dos créditos cujas quitações já foram passadas pelos professores cedentes. Além disso, a recorrente lavrou Escritura Pública de Declaração na qual declara anuladas as transferências dos créditos efetuadas por escrituras públicas, em face da inadimplência pela cessionária CEUSA. A sentença de primeiro grau, proferida pela justiça estadual de Santa Catarina, julgou parcialmente procedente a ação da CEUSA, “declarando rescindido o "Contrato Particular de Compra e Venda de Direito Creditório Transitado em Julgado", não reconhecendo a culpa de nenhum dos contraentes. Operase a rescisão, na forma da primeira parte do parágrafo único da cláusula nona do pacto, devendo haver a compensação entre os valores já quitados pela CEUSA, com o que foi eventualmente repassado pela BENETTI a título de escrituras públicas individuais cedidas (quitadas), a ser apurado em liquidação de sentença, fazendo jus a CEUSA ao desconto estipulado no caput da cláusula quarta (R$ 8.907.444,45)”. Também julgou parcialmente procedente a RECONVENÇÃO ajuizada por BENETTI PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA em face de CERÂMICA URUSSANGA S/A, “para rescindir o contrato, sem atribuir a culpa aos litigantes”. Ainda que passível de revisão, a referida sentença vai ao encontro da vontade de ambas as partes no sentido de rescindir o contrato, determinando ainda a compensação entre os valores já quitados pela cessionária com o que foi repassado pela cedente a título de escrituras públicas individuais cedidas. Pode o juízo superior de revisão vir a entender que a rescisão contratual tenha sido causada por uma das partes, penalizandoa com reparação de danos, mas estando adstrita aos pedidos da ação e da reconvenção não poderá, segundo entendo, deixar de considerar rescindido o contrato, requerido por ambas as partes. De todo o exposto, me parece incontroverso que o referido contrato foi executado apenas parcialmente, mediante a transferência efetiva de apenas alguns dos direitos creditórios por parte da cedente, ora recorrente e o pagamento de parcela proporcional pela cessionária (CEUSA). Neste aspecto, embora a recorrente declare ter recebido apenas o valor de R$ R$ 2.324.456,20 da empresa CEUSA, esta informou na ação judicial ter efetuado o pagamento da importância de R$ R$ 2.481.229,00 pelos créditos já transferidos. Não tendo sido contestado este valor pela recorrente, na ação judicial referida, entendo que este seja o valor considerado para fins de apuração do resultado positivo da cessão parcial dos créditos. Assim, se o contrato previa condições para a sua execução, não cumpridas pelas partes, entendo que o resultado positivo seja apurado sobre a parcela executada antes da sua rescisão. Para fins de apuração do resultado deve ser deduzido do montante pago pela CEUSA (R$ 2.481.229,00) o valor de custo dos créditos efetivamente cedidos, especificados na cláusula sexta da Escritura Pública de Declaração, lavrada em 12/05/2008 pela cedente, ora recorrente. O resultado positivo, a ser mantido no lançamento em relação a esta operação, está demonstrado na tabela abaixo: Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 28 28 Cessão do Crédito Professor X Benetti Nome do Credor Originário/Professor CPF n° Data da Cessão Valor Pago pela Aquisição do Crédito Iracema Pereira 112.402.02253 31/1/2005 20.701,05 Joana Alves Lucena 112.154.02287 15/3/2005 17.975,66 Jorge Batista da Silva 112.540.92234 18/3/2005 17.975,66 Jucineide de Souza Silva 199.602.12220 19/4/2005 13.497,40 Laulimã dos Santos Conceição 199.648.46215 3/2/2005 12.068,44 Lerciria Jasmelinda da Conceição 074.682.02249 16/3/2005 22.144,46 Maria Alineide Queiroz Ribeiro 112.075.40200 2/2/2005 14.469,16 Maria Consolata de Souza Peixoto 063.871.95268 3/2/2005 15.902,72 Maria Cristina de Souza 112.371.12249 10/2/2005 13.909,03 Maria de Lourdes da Silva 199.749.30200 3/2/2005 12.068,44 Maria José da Costa 241.535.75291 15/3/2005 13.497,41 Natalina da Silva Messias 078.066.63215 18/5/2005 17.925,56 Sebastiana Alves da Silva 112.27133200 6/4/2005 17.975,66 Zélia dos Prazeres da Silva 074.613.21234 3/2/2005 15.402,77 Custo Total de Aquisição conforme Contratos de Cessão de Créditos celebrados entre os professores e a fiscalizada 225.513,42 Valor Recebido pela Cessão dos Créditos conforme Contrato Particular de Compra e Venda de Direito Creditório Transitado em Julgado firmado entre a fiscalizada (Cedente) e a empresa Cerâmica Urussanga S/A (Cessionária) 2.481.229,00 Resultado Positivo Apurado na Cessão de Direitos Creditórios 2.255.715,58 O valor apurado pela fiscalização como resultado positivo da cessão de direitos para a empresa CEUSA, objeto do lançamento, foi de R$ 15.028.290,94. Destarte, dou provimento parcial ao recurso, nesta parte, para excluir da base de cálculo do lançamento relativo aos resultados positivos apurados na cessão de direitos creditórios, no terceiro trimestre de 2005, o valor de R$ 12.772.575,36. 2.4 Lançamentos Reflexos 2.4.1 Da CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, integralmente, as conclusões atinentes ao IRPJ. Assim, dou provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento a título de CSLL relativo ao 4º trimestre de 2005 o montante de R$ 122.500,00, como omissão de receitas apuradas com base em créditos de origem não comprovada, e excluir da base de cálculo do lançamento de omissão de receitas decorrentes de resultados positivos apurados na cessão de direitos creditórios, no 3º trimestre de 2005, o montante de R$ 12.772.575,36, nos termos examinados em relação ao lançamento do IRPJ. 2.4.2 Das contribuições ao PIS e Cofins Com relação às contribuições ao PIS e Cofins também se aplicam as conclusões relativas ao lançamento do IRPJ. Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 130200.919 S1C3T2 Fl. 29 29 Assim, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da exigência do Pis e da Cofins, lançada com base em omissão de receitas apuradas em face de créditos de origem não comprovada, os montantes de R$ 35.000,00 no mês de outubro/2005, de R$ 10.000,00 em novembro/2005 e de R$ 77.500,00 em dezembro de 2005. Dou ainda provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento de PIS e da Cofins, relativo a omissão de receitas decorrentes de resultados positivos apurados na cessão de direitos creditórios em julho/2005, o montante de R$ 12.772.575,36, tudo nos termos examinados em relação ao lançamento do IRPJ. Não deve, no entanto, prosperar o argumento da recorrente de que o tratamento tributário dado na autuação excluiria tais receita da base de cálculo do Pis e da Cofins, pois não existe previsão legal para sua exclusão da base de cálculo, uma vez que foram consideradas como outros resultados positivos e não como ganhos de capital na alienação de bens do ativo permanente. 3. CONCLUSÕES Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a alegação preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para reduzir as exigências do IRPJ e das contribuições sociais: CSLL, Pis e Cofins. Sala de sessões, em 12 de junho de 2012. Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /06/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 16327.000458/2008-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IRPJ - COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS - LIMITAÇÃO de 30% - SOCIEDADES EM LIQUIDAÇÃO ORDINÁRIA - As empresas em liquidação, enquanto durar o processo, estão sujeitas às mesmas regras de tributação das pessoas jurídicas em geral, entre elas a limitação para a compensação de prejuízos e bases negativas de CSLL
Numero da decisão: 9101-001.383
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 2 Relatório Em sessão de 10 de março de 2002, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso do contribuinte, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 140299.118, assim ementado: LANÇAMENTO — NULIDADE — INOCORRÊNCIA — Não padece de nulidade o lançamento que cumpre rigorosamente as determinações contidas no artigo 142 do CTN e artigo 10 do Decreto 70.235/72. IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÃO de 30% APLICAÇÃO DO DISPOSTO NAS LEIS N°.s 8.981 e 9.065 de 1995. (SÚMULA N°3 DO 1° CC). A partir do ano calendário de 1995, o. lucro líquido ajustado e a base de cálculo positiva da CSLL poderão ser reduzidos por compensação do prejuízo e base negativa, apurados em períodos bases anteriores em, no máximo, trinta por cento. A compensação da parcela dos prejuízos fiscais apurados ate 31 de dezembro de 1994, excedente a 30% poderá ser efetuada, nos anoscalendário subseqüentes (arts. 42 e parágrafo único e 58, da Lei 8981/95, arts. 15 e 16 da Lei n. ° 9.065/95). A partir de 01 de Janeiro de 1.997, por força do artigo 60 da Lei n° 9.430/96, as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse as normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis as pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para realização de seu ativo e pagamento do passivo. MULTAS — É devida a multa de oficio no caso de lançamento realizado em empresa em liquidação extrajudicial (Lei 9.430/96 art. 60, Lei 6.024/74 art. 18 e Lei 8.177/91 art. 9°). RECURSO NEGADO. Tempestivamente, o contribuinte ingressou com Recurso Especial alegando divergência com interpretação dada por outros colegiados, indicando dois paradigmas, o Acórdão nº 107 07.856, de 11/11/04, e o Acórdão nº10709.243, de 05/12/07. No exame de admissibilidade afastouse o segundo paradigma acima mencionado, por tratar de situação distinta, e admitiuse a divergência com base no primeiro paradigma, dandose seguimento ao recurso. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000458/200881 Acórdão n.º 9101001.383 CSRFT1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os pressupostos que o autorizam. Dele conheço. O tema sobre o qual se reclama a uniformização jurisprudencial diz respeito à limitação para a compensação de prejuízos instituída pelo art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995, para as empresas que se encontram em liquidação extrajudicial. No caso concreto, tratase de empresa que esteve em liquidação extrajudicial a partir de 1991, e em setembro de 2000, cessou a liquidação extrajudicial e iniciouse o processo de liquidação ordinária. Em 2005, compensou prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL sem observar o limite legal, o que deu ensejou aos autos de infração sobre os quais se instaurou o litígio. A respeito da particularidade relacionada à situação do contribuinte de sociedade em liquidação, assim assentou o voto condutor: “(...) Quanto à argumentação de que se encontra em liquidação vale ressaltar que a partir de 01.01.97, por força do artigo 60 da Lei n° 9.430/96, as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. (...) Este conselho tem aceitado a utilização da totalidade do prejuízo e da base negativa de CSLL, sem a aplicação da limitação imposta pela legislação citada somente em casos de encerramento de atividade propriamente dita e de extinção por incorporação conforme acórdão 10709.243, o que não é o caso da presente lide. Para demonstrar o dissídio jurisprudencial, o contribuinte invoca o Acórdão nº 107 07.856, de 11/11/04, cuja ementa, no que interessa, expressa: INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM PROCESSO DE EXTINÇÃO (REGIME DE LIQUIDAÇÃO ORDINÁRIA) — TRAVA. DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — INAPLICABILIDADE — A denominada trava de 30% na compensação de prejuízos, que pressupõe o principio de continuidade da empresa, não pode ser aplicada quando a sociedade se encontra em processo de extinção em razão do regime de liquidação ordinária em que se encontra. No voto condutor do paradigma, assentou o relator: Fl. 346DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 4 “(...) Mas, ainda que assim não fosse, isto é, mesmo que em processo de extinção a pessoa jurídica não teria perdido (pelo menos não definitivamente) a universalidade de direitos de que se compõe, vale dizer, o seu patrimônio, também por outra razão se deve negar provimento ao recurso de oficio, porque em face do processo de extinção em que a recorrente se encontra, entendo ser inaplicável a denominada "trava de 30%" na compensação de prejuízos fiscais, fato que motivara o lançamento. Com efeito, das dobras da lei que instituiu a denominada trava na compensação de prejuízos e de bases negativas, o que se vê e que dá à lei o caráter de legalidade/constitucionalidade, não é, propriamente, a negativa ao direito de compensação, mas, tão somente, um limite máximo de compensação que, aliado ao principio de continuidade da sociedade empresarial e da imprescritibilidade dos prejuízos e das bases negativas, ao fim e ao cabo propicia à sociedade a sua absorção. Justamente por isso, em situações de extinção e/ou de liquidação de sociedades, em que o prejuízo fiscal e bases negativas, se não absorvidos, perdem se, a denominada trava não pode ser aplicada, sob pena de se ir de encontro com os desígnios do legislador.” Portanto, bem configurado o dissídio jurisprudencial, pois o paradigma, diferentemente do acórdão recorrido, expressa a interpretação de que a trava de 30% não prevalece na situação em que a empresa esteja em processo de liquidação. É que, enquanto durar a liquidação, a pessoa jurídica se submete a todas as regras de tributação das demais pessoas jurídicas, com a possibilidade de compensar os prejuízos, na limitação da lei, sempre que apurar resultados positivos. Apenas na última declaração (encerramento das atividades) os prejuízos/bases negativas de CSLL podem ser integralmente compensados, sem observância da trava, eis que nova oportunidade para aproveitálos não haverá. Oportuno observar que, no caso, a contribuinte se encontrava na situação de “em liquidação” há quase duas décadas. Pelo exposto, entendo que não merece reparos o acórdão vergastado, razão porque, NEGO lhe provimento. É como voto. Sala das Sessões, em 05 05 de junho de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 347DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000458/200881 Acórdão n.º 9101001.383 CSRFT1 Fl. 3 5 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10380.003153/2005-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário:
2001, 2002, 2003
IMUNIDADE. LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS
A vedação constitucional de instituição de impostos sobre os livros, os
jornais e os periódicos não abrange a contribuição para o PIS.
Numero da decisão: 3201-000.847
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 IMUNIDADE. LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS A vedação constitucional de instituição de impostos sobre os livros, os jornais e os periódicos não abrange a contribuição para o PIS.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003 IMUNIDADE. LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS A vedação constitucional de instituição de impostos sobre os livros, os jornais e os periódicos não abrange a contribuição para o PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Aurelio Pereira Valadão Presidente. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 28/01/2012 Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Adreine Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrado auto de infração da Contribuição para o PIS/Pasep, fls. 03/09, no valor total de R$ 61.480,78, incluindo encargos legais e multa exigida isoladamente; O item apurado pela Fiscalização, relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 04/05, foi o seguinte. 1) PIS Faturamento — Falta ou Insuficiência de Recolhimento do PIS O contribuinte deixou de declarar e recolher integralmente os valores da Contribuição para o PIS/Pasep relativos aos períodos de apuração nos anoscalendário de 2001 a 2003. Enquadramento Legal: art. 1° da Lei Complementar n° 07/70, arts. 2° e 3°, inciso I, 8°, inciso I, e 9°, da Lei n° 9.715/98; arts. 2° e 3°, da Lei n° 9.718/98. Arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n°4.524/02. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 19/04/2005, fls. 04, apresentou o contribuinte em 18/07/2008 impugnação, fls. 119/122, contrapondose ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. De acordo com a defesa existe no levantamento da base de cálculo erros de lançamentos que ocasionaram a apuração do tributo, pois deixou de apontar o valor das receitas de serviços e não exclui as receitas imunes, "PELA REVENDA DE LIVROS DIDÁTICOS, OPERAÇÃO IMUNE DE TRIBUTOS CONFORME CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL". Com o levantamento feito com valores totalmente distorcidos da realidade, fica assim descumprindo o Art. 904, inciso primeiro do Decreto n° 3.000 de 26/03/1999, Arts. 142 e 144 do CTN e Arts, 150, V e 151, I, titulo VI seção II da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. As exigências do artigo 904 do Decreto n° 3.000/99 e as contidas nos artigos 142 e 144 do CTN e nos artigos 150 e 151 da Constituição Federal oferece não apenas as recomendações técnicas para a efetivação do lançamento, mas igualmente dá a exata extensão das exigências legais de validade do lançamento. Tanto no aspecto técnico quanto do ponto de vista da legitimidade do lançamento observase, na Ação Fiscal "sub examen", defeituação que elimina o vigor jurídico do ato administrativo manifestado na peça vestibular, tirando a total subsistência da autuação. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003153/200558 Acórdão n.º 320100.847 S3C2T1 Fl. 301 3 Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 26/03/2010, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou improcedente a impugnação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 0817.246 (fls. 129/133): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003 IMUNIDADE. LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS A vedação constitucional de instituição de impostos sobre os livros, os jornais e os periódicos não abrange o IRPJ, cuja base, no caso, é o lucro arbitrado trimestral, nem as contribuições que, além de não serem impostos, têm por base, no caso, a receita trimestral CSLL e a receita mensal PIS e Cofins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor da Intimação n° 31530558 (fls. 137/138), em 14/04/2010 (f1. 139), tendo protocolado seu recurso voluntário em 12/05/2010 (fls. 140/146), que, em síntese, reitera os argumentos da sua impugnação (fls. 119/122) com ênfase para a alegação de vício formal contido no auto de infração. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da divergência entre o acórdão recorrido e o recurso em si diz respeito à extensão da imunidade de que trata o art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal. Na visão a Recorrente, referido dispositivo constitucional abrangeria não apenas os impostos. Nesse particular, registro que o Supremo Tribunal Federal já decidiu que a referida imunidade dos livros, jornais, periódicos e do papel destinado à sua impressão, não contempla as contribuições para o PIS e a COFINS. Vejamos: EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS SOBRE A VENDA DE LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS. IMUNIDADE. OMISSÃO. ALEGAÇÃO PROCEDENTE. 1. A imunidade prevista no art. 150, VI da Constituição Federal não alcança a contribuição para o PIS, mas somente os impostos incidentes sobre a venda de livros, jornais e periódicos. 2. Embargos Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 recebidos para, suprindo a omissão apontada pelas embargantes, declarar conhecido e parcialmente provido o recurso extraordinário. (RE 211388 ED, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, julgado em 10/02/1998, DJ 08051998 PP 00012 EMENT VOL0190906 PP01185) ......................................................................................................... EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. LETRA "D" DO INCISO VI DO ARTIGO 150 DA CARTA MAGNA. PRETENDIDA EXTENSÃO À COFINS. Dispositivo constitucional que, nos termos da jurisprudência desta excelsa Corte, diz respeito, unicamente, a impostos. Agravo desprovido. (RE 325302 AgR, Relator(a): Min. CARLOS BRITTO, Primeira Turma, julgado em 20/06/2006, DJ 27102006 PP00046 EMENT VOL0225304 PP00671) ......................................................................................................... EMENTA: 1. Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. COFINS. Imunidade. Livros. Art. 150, VI, d, da CF. 3. É firme a jurisprudência de ambas as Turmas e do Pleno no sentido de que as imunidades vinculadas a "impostos" não se estendem às "contribuições". 4. Agravo regimental a que se nega provimento (RE 332963 AgR, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 23/05/2006, DJ 16062006 PP00024 EMENT VOL0223703 PP00487) A menção ao art. 151 da Constituição Federal não se aplica ao caso, uma vez que o tratamento tributário que foi descumprido pela Recorrente é uniforme em todo o território nacional. Esse dispositivo constitucional tem o condão de impedir que a União crie tributos apenas no território de determinados entes federativos, de modo a lhes onerar em benefício de outros. Sem outros argumentos relevantes que possam repercutir no resultado deste julgamento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho integralmente a decisão recorrida. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003153/200558 Acórdão n.º 320100.847 S3C2T1 Fl. 302 5 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003451/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PERDIMENTO. MULTA REGULAMENTAR
Período de Apuração: 09/07/2007 a 07/02/2008
PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
O artigo 9°, § 1°, do Decreto n° 70.235/72 não restringe a lavratura de auto de infração com pluralidade de sujeitos passivos, mas apenas permite que se reúna em um mesmo processo mais de um auto de infração ou notificação de lançamento lavrados contra um mesmo sujeito passivo, desde que atendidas as exigências previstas.
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não há cerceamento do direito de defesa quando a Recorrente teve
conhecimento do lançamento, apresentou sua defesa e os documentos que julgou pertinentes ao caso.
LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE.
Nas operações de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro, o contribuinte do Imposto de Importação é o importador e o adquirente é responsável solidário. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa
jurídica importadora.
MULTA APLICADA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N.º 02
DO CARF.
Multa aplicada de acordo com a legislação de regência. Impossibilidade de conhecimento de alegação acerca de inconstitucionalidade de norma legal, nos termos da Súmula nº 02 do CARF.
OCULTAÇÃO DO REAL EXPORTADOR. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE ENTREGUE A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA
A ocultação do real exportador de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive com o uso de documento necessário ao desembaraço falso ou adulterado, é considerada dano ao erário. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que
intregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente.
Preliminares de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa não acolhidas.
No mérito, recursos voluntários negados.
Numero da decisão: 3202-000.414
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as
preliminares de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : PERDIMENTO. MULTA REGULAMENTAR Período de Apuração: 09/07/2007 a 07/02/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O artigo 9°, § 1°, do Decreto n° 70.235/72 não restringe a lavratura de auto de infração com pluralidade de sujeitos passivos, mas apenas permite que se reúna em um mesmo processo mais de um auto de infração ou notificação de lançamento lavrados contra um mesmo sujeito passivo, desde que atendidas as exigências previstas. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa quando a Recorrente teve conhecimento do lançamento, apresentou sua defesa e os documentos que julgou pertinentes ao caso. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Nas operações de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro, o contribuinte do Imposto de Importação é o importador e o adquirente é responsável solidário. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. MULTA APLICADA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N.º 02 DO CARF. Multa aplicada de acordo com a legislação de regência. Impossibilidade de conhecimento de alegação acerca de inconstitucionalidade de norma legal, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. OCULTAÇÃO DO REAL EXPORTADOR. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE ENTREGUE A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA A ocultação do real exportador de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive com o uso de documento necessário ao desembaraço falso ou adulterado, é considerada dano ao erário. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que intregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. Preliminares de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa não acolhidas. No mérito, recursos voluntários negados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
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Responsável solidário: MARKETBR COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE APARELHOS ELETRÔNICOS E UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PERDIMENTO. MULTA REGULAMENTAR Período de Apuração: 09/07/2007 a 07/02/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O artigo 9°, § 1°, do Decreto n° 70.235/72 não restringe a lavratura de auto de infração com pluralidade de sujeitos passivos, mas apenas permite que se reúna em um mesmo processo mais de um auto de infração ou notificação de lançamento lavrados contra um mesmo sujeito passivo, desde que atendidas as exigências previstas. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa quando a Recorrente teve conhecimento do lançamento, apresentou sua defesa e os documentos que julgou pertinentes ao caso. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Nas operações de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro, o contribuinte do Imposto de Importação é o importador e o adquirente é responsável solidário. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. MULTA APLICADA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N.º 02 DO CARF. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 730 2 Multa aplicada de acordo com a legislação de regência. Impossibilidade de conhecimento de alegação acerca de inconstitucionalidade de norma legal, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. OCULTAÇÃO DO REAL EXPORTADOR. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE ENTREGUE A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA A ocultação do real exportador de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive com o uso de documento necessário ao desembaraço falso ou adulterado, é considerada dano ao erário. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. Preliminares de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa não acolhidas. No mérito, recursos voluntários negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC (DRJ/FNS), como constante às fls. 616 a 628, que julgou improcedente as Impugnações das Recorrentes, in verbis: “Relatório Fl. 735DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 731 3 Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 1.219.978,19 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, previstas no §3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que a interessada foi submetida a procedimento de fiscalização para verificação da regularidade da importação realizada ao amparo da Declaração de Importação nº 08/01605568, registrada em 30/01/2008. A operação de importação foi registrada na modalidade por conta e ordem da empresa Marketbr Comércio e Distribuição de Aparelhos Eletrônicos e Utilidades Domésticas Ltda. Nesse procedimento fiscal foi comprovada a ocultação do real exportador e a prática de subfaturamento por meio de uso de fatura comercial falsa, na qual o exportador declarado não era o efetivo e os valores declarados eram de aproximadamente 40% do real. As informações sobre o exportador e os valores reais foram confirmados pela Aduana Uruguaia, que prestou informações sobre o despacho de exportação respectivo, no qual consta como exportadora a empresa Alpintrading S.A. e não a Brimeland S.A. como delcarado. Laudo técnico confirmou que os valores declarados estavam abaixo do custo mínimo de fabricação das mercadorias. As mercadorias amparadas por referida Declaração de Importação foram apreendidas por ter sido caracterizado dano ao Erário. As mesmas infrações foram constadas em relação às Declarações de Importação do presente processo (de nº 07/08924128, 07/09942774, 07/10774588, 07/11967371, 07/12811790, 08/01519750, 08/01519793 e 08/01906010) que foram registradas pela interessada por conta e ordem da adquirente Marketbr Comércio e Distribuição de Aparelhos Ltda. Intimada, a interessada informou que as mercadorias, secadores de cabelo da marca Ga.Ma Italy, classificadas no código NCM 8516.31.00, já tinham tido destinação comercial (vendidas). Assim, a pena de perdimento a que estavam sujeitas foi convertida em multa equivalente a seu valor aduaneiro, como disposto no parágrafo 1º do artigo 618 do Decreto nº 4.543/2002. Considerando que os preços estavam subfaturados, para fins de lançamento de multa, foram considerados os valores declarados à Aduana Uruguaia. O adquirente das mercadorias, Marketbr Comércio e Distribuição de Aparelhos Ltda., foi autuado na condição de responsável solidário por ter interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos e por expressa previsão legal. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 732 4 Regularmente cientificada por via postal (AR fls. 423v) a Terra Nova Importação e Exportação Ltda. apresentou a impugnação tempestiva de folhas 425 a 438, com os documentos de folhas 439 a 450 anexados. A impugnante alega que é ilegítima para figurar no polo passivo da autuação, pois realizou as importações por conta e ordem da empresa Marketbr, ou seja, apenas foi prestadora de serviços de importação e nacionalização das mercadorias, conforme contrato registrado nos órgãos competentes. Defende que nessa modalidade de importação, a importadora é mera mandatária do adquirente das mercadorias, sendo a contratação com o exportador e a negociação do preço realizada exclusivamente pela adquirente. Defende que, com relação ao despacho aduaneiro, todos os documentos se mostraram dentro dos requisitos legais necessários ao bom andamento da operação, sem indicar condição desproporcional em relação à operação realizada. Alega, assim, que a Marketbr Comércio e Distribuição de Aparelhos Eletrônicos e Utilidades Domésticas Ltda., que pactuou a compra internacional, deve ser responsabilizada exclusivamente pelas infrações apontadas no auto de infração. Alega que não pode ser responsabilizada por infrações cometidas exclusivamente pela adquirente, que mesmo sabedora dos questionamentos fiscais houve por bem vender as mercadorias, em evidente descaso à Lei e ofensa à boafé objetiva. Defende que não praticou nenhuma fraude, adulteração ou insuficiência de informações, não se vislumbrando razões plausíveis no ato administrativo ora atacado. Alega que há desproporção entre a infração e o valor da multa, sendo confiscatória. Requer seja anulado integralmente o auto de infração. A empresa Marketbr Comércio e Distribuição de Aparelhos e Utilidades Domésticas Ltda., responsável solidária, foi regularmente cientificada por via postal (fl. 424v) e apresentou a impugnação tempestiva de folhas 452 a 502, com os documentos de folhas 503 a 599 e 602 a 613 anexados. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 733 5 A impugnante alega que há nulidade, pois a lavratura do auto de infração teria afrontado o disposto no artigo 9º, §1º do Decreto nº 70.235/1972 ao incluir diferentes sujeitos passivos na mesma peça de exação. Alega que houve cerceamento de sua ampla defesa e do contraditório ao ter sido desconsiderada a necessidade de interação do fato à fundamentação legal para o lançamento. Defende também que foram ultrapassados “todos os limites da ilegalidade na aplicação das penalidades” (sic). Alega que não foi observado o disposto no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, que já se encontrava em vigor quando da lavratura do auto de infração. Defende que a previsão contida em referido dispositivo legal impede a aplicação da pena de perdimento, pois determina a aplicação de multa. E no presente caso teriam sido aplicadas as duas penalidades: pena de perdimento e multa. No presente caso, ainda que se entenda que a pena de perdimento não foi revogada nos casos de interposição fraudulenta, deve prevalecer a multa da Lei nº 11.488/2007 pela aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional. Defende que a competência para aplicação da pena de perdimento é exclusiva do Ministro da Fazenda, conforme Decretolei nº 1.455/1976, artigo 27, § 4º, e, portanto, a pena de perdimento decretada com embasamento no Regime interno da Receita Federal é inválida, pois atinge o disposto no artigo 13 da Lei nº 9.784/1999, que proíbe a delegação de competência para o caso. Alega incompetência regimental das Alfândegas para a fiscalização em trato, pois envolve terceira operação na cadeia de circulação das mercadorias e não diretamente relacionada à operação de importação (comércio exterior). Defende que a autuação é nula, pois não foi cientificada da nova ação fiscal que resultou no auto de infração em tela. Alega que “a ausência de provas apresentadas pela fiscalização importa na impossibilidade do reconhecimento da prática de qualquer infração por parte do contribuinte, uma vez que lhe incumbia o ônus da prova.” Defende que não houve ocultação do real exportador, pois as mercadorias importadas foram fabricadas na China e exportadas para o Uruguai onde sofriam processo de montagem parcial ou total e depois foram exportadas por uma trading company que detinha essa incumbência para o Brasil. Alega que os documentos acostados aos autos comprovam que a trading Brimeland Fl. 738DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 734 6 existe no Uruguai, sendo empresa sólida que opera comente para fora do Uruguai. Transcreve jurisprudência para amparar sua tese. Alega que agiu de boafé e apenas aderiu a contrato previamente estabelecido pela empresa Ga.Ma Italy, com cláusulas inalteráveis e por força do qual todas as operações de importação, desde a escolha dos intervenientes, são de total responsável daquela empresa. Aduz que, caso houvesse solidariedade, deveria ser da empresa Ga.Ma Italy do Brasil, Licenciamento de Franquias Limitada, responsável pelas escolhas do produtor, logística de montagem no Uruguai e delimitação da atuação da impugnante. Defende assim, que declarou todos os dados do exportador na DI, não havendo qualquer ocultação. E que, ademais, a legislação não obriga que o importador ou o adquirente saibam e insiram os dados declarados pelo exportador à fiscalização do governo de origem. Alega que os recursos empregados na operação eram de sua propriedade e que os utilizou para liquidação do câmbio junto ao exportador declarado (Brimeland) e o restante enviou ao importador para pagar as despesas aduaneiras. Defende que as operações de importação foram realizadas por sua conta e ordem que foi a Ga.Ma Italy quem contratou a empresa montadora e exportador no Uruguai, que existem e realmente operam na forma contratada e, portanto, não existe a figura de ocultação do real exportador. Alega que cumpriu todas as determinações legais e normativas para a realização de operações por conta e ordem de terceiro. Contesta a forma de revaloração das mercadorias realizada pela fiscalização, alegando ausência de amparo legal. Assim, “os valores para base de autuação são exatamente os praticados e informados ainda que estivessem ‘subfaturados’.” Aduz que o não atendimento seria flagrante violação aos princípios da razoabilidade e da legalidade. Registra que, ao ser intimada pela fiscalização a Brimeland informou que: “a Alpitrading S/A teria vendido produtos (secadores de cabelo) à Cona Comercial S/A, a qual os teria revendido à Brimeland S/A, sendo que esta última empresa teria efetuado a venda de tais produtos à Marketbr (adquirente), que realizou uma importação por conta e ordem com a Terra Nova e Stile Comercial (importadora). Ainda, justifica a diferença de alguns preços praticados naquelas e algumas operações, tendo em vista que os Fl. 739DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 735 7 produtos em questão possuíam defeitos de fabricação, detectados pelo controle de qualidade da empresa, anexado documentos para comprovar tal afirmação.” (sic) E essas informações eram desconhecidas pela impugnante. Invoca o disposto no artigo 112 do CTN quanto à determinação de que, em havendo dúvidas sobre a capitulação legal do fato, da natureza das circunstâncias matérias dos fatos e seus efeitos, da autoria, imputabilidade, punibilidade ou natureza da penalidade aplicável, a lei tributária deverá ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado. Requer a anulação do auto de infração e arquivamento do processo.” A decisão de fls. 616/628, proferida pela DRJ/FNS, foi assim ementada: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 09/07/2007 a 07/02/2008 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real exportador na operação de Importação, mediante fraude ou simulação. Da mesma forma é dano ao Erário o uso de documento necessário ao desembaraço falso ou adulterado. A infração é punível com a perda de perdimento da mercadoria, que é convertida em multa igual a seu valor aduaneiro caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (artigo 95, I e V, do Decretolei nº 37/1966). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformadas com a decisão da DRJ/FNS, as empresas Marketbr Comércio e Distribuição de Aparelhos Eletrônicos e Utilidades Domésticas Ltda. e Terra Nova Importação e Exportação Ltda., apresentaram seus respectivos Recursos Voluntários de fls. 632/684 e 702/712, alegando em breve síntese o que segue: a. Preliminares de nulidade do auto de infração e cerceamento do direito de defesa; Fl. 740DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 736 8 b. A ilegitimidade passiva; c. Desproporção entre a infração e o valor da multa e do caráter confiscatório da multa aplicada e à ausência de dano ao Erário; d. A inexistência de fraude, simulação ou subfaturamento; e. A aplicação da multa prevista no artigo 33 da Lei 11.488/2007; f. Pedem provimento aos Recursos Voluntários apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Os Recursos Voluntários são tempestivos e preenchem os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, deles tomo conhecimento e passo a analisar as preliminares e as questões de mérito. Preliminares. Nulidade do Auto de Infração e Cerceamento do Direito de Defesa. Alega a Recorrente Marketbr Comércio e Distribuição de Aparelhos Elétricos e Utilidades Domésticas Ltda. que houve nulidade do auto de infração porque haveria a necessidade de autos de infração distintos para cada contribuinte, nos termos do artigo 9°, § 1°, do Decreto n° 70.235/72. A questão já foi analisada pela DRJ de Florianópolis, sendo que concordo com sua conclusão abaixo transcrita: “Ao contrário do que entende a impugnante, o dispositivo legal em menção não restringe a lavratura de auto de infração com pluralidade de sujeitos passivos, mas apenas permite que se reúna em um mesmo processo mais de um auto de infração ou notificação de lançamento lavrados contra um mesmo sujeito passivo, desde que atendidas as exigências previstas.” Em relação ao possível cerceamento de defesa da mesma Recorrente, mais uma vez concordo com as ponderações da DRJ de Florianópolis, inclusive porque a Requerente teve conhecimento do lançamento, apresentou sua defesa e os documentos que julgou pertinentes ao caso, motivo pelo qual não acolho ambas a preliminares. Legitimidade Passiva. Responsabilidade Fl. 741DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 737 9 A alegação de ilegitimidade passiva defendida pela importadora Terra Nova Importação e Exportação Ltda. não merece prosperar. Isto porque, nas operações de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro, o contribuinte do Imposto de Importação é o importador e o adquirente é responsável solidário, conforme dispõem o artigo 31, I, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472/1988, e o inciso III do parágrafo único do artigo 32 do Decretolei nº 37/1966 com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, in verbis: “Art. 31 – É contribuinte do imposto: I – o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional; (...) Art. 32 – É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) III – o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (...)” No que diz respeito às infrações, não há possibilidade de afastar a responsabilidade do importador, uma vez que é dele a responsabilidade pelas informações constantes na Declaração de Importação. Ademais, os incisos I e V do artigo 95 do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, dispõem que o adquirente e o importador respondem conjunta ou isoladamente pela infração nas operações realizadas na modalidade de importação por conta e ordem de terceiro. Vejase: “Art. 95 – Respondem pela infração: I – conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) V – conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” Fl. 742DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 738 10 Desta forma, de acordo com o artigo supracitado, restou evidente que ambas as empresas são sujeitos passivos legítimos para o presente Auto de Infração e, sendo assim, não há que se falar em ilegitimidade, tanto da importadora quanto da adquirente. Multa Confiscatória Por fim, não podem ser conhecidas as alegações das Recorrentes referentes à inconstitucionalidade/irrazoabilidade da multa aplicada, por impossibilidade deste Colegiado afastar lei tida por inconstitucional, nos termos da Súmula n. º 02 do CARF. Existência ou Não de Fraude Quanto à inexistência de fraude, a alegação das Recorrentes mais uma vez não merece prosperar, tendo em vista que no processo fiscalizatório foi feita a prova e constatado que houve a ocultação do exportador das mercadorias, bem como declaração falsa dos valores transacionados. Sendo assim, restou comprovada a utilização de documento falso nos despachos de importação, o que concedeu caráter fraudulento às operações. Ora, tendo em vista que foi confirmado pela aduana uruguaia que não foram identificadas exportações do Uruguai para o Brasil das respectivas mercadorias pelo exportador declarado, e que os documentos demonstraram que os valores declarados pela interessada nas Declarações de Importação não foram os efetivamente negociados, fica evidente a existência de fraude, simulação ou subfaturamento. Dessa maneira, é notório também, o dano ao Erário. Nesse sentido é o entendimento da Terceira Turma do Egrégio Tribunal Regional Federal da 2ª Região Rio de Janeiro: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AGRAVO INTERNO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO E LIBERAÇÃO DE MERCADORIAS IMPORTADAS. 1. A decisão recorrida foi precisa ao afirmar que "surgiram dúvidas quanto ao real valor da mercadoria, restando apurado que sua real proprietária era a Impetrante, que já se encontrava submetida a procedimento especial de fiscalização, em virtude de indícios de interposição fraudulenta de terceiros nas importações por ela realizadas." 2. O art. 618, XXII, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002) estabelece que deverá ser aplicada a pena de Fl. 743DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 739 11 perdimento por configurar dano ao erário, na seguinte situação: "XXII estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros." 3. A autoridade fiscal está autorizada a instaurar procedimento especial de fiscalização das mercadorias importadas pela ora Agravante, conforme preceitua a IN SRF nº 206/2002. 4. Esta Corte tem deliberado que apenas em casos de decisão teratológica, com abuso de poder ou em flagrante descompasso com a Constituição, a lei ou com a orientação consolidada de Tribunal Superior ou deste tribunal justificaria sua reforma pelo órgão ad quem, em agravo de instrumento, sendo certo que o pronunciamento judicial impugnado não se encontra inserido nessas exceções. 4. Agravo interno conhecido e desprovido. (Agravo 172956 RJ, Proc. 2009.02.01.0004578, Rel. José Antonio Lisboa Neiva, julgado em 14/04/2009, Dje 24/04/2009).” Aplicação da Multa Prevista no Art. 33 da Lei nº 11.488/2007 Antes de adentrar à questão da aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, é preciso analisar os dispositivos legais de ensejaram a presente autuação fiscal. A pena de perdimento das mercadorias nos presente autuação está fundada nos incisos VI e XII, do artigo 618, do Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto n° 4.543/2002), que por sua vez, possuem fundamento nos seguintes dispositivos legais dos Decretoslei n°s 1.455/76 e 37/66: “Decretolei n° 1.455/76 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... Fl. 744DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 740 12 IV – enquadradas hipóteses previstas nas alíneas “a” e “b”do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. ... § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. ... § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966.” “Decretolei n° 37/66 Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado...” Notase, portanto, que a conduta tipificada pela fiscalização como sendo passível de perdimento foi a ocultação do real exportador das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive com o uso de documento necessário ao desembaraço falso ou adulterado. Como as mercadorias não foram encontradas, foi aplicada a multa equivalente ao valor das mercadorias prevista no § 3°, do artigo 23, do Decretolei n° 1.455/76. O art. 33 da Lei n° 11.488/2007, por sua, dispõe que: “Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais Fl. 745DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 741 13 intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Referido dispositivo legal teve o seguinte objetivo, como muito aventado pelo Conselheiro Nilton Bartoli no acórdão 310200.599, ao fazer referência ao Projeto de Conversão da Medida Provisória 351/2007: “Mister notar que o referido art. 33 decorre do Projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória 351/2007, de autoria do Deputado Federal Odair Cunha, apresentado em 25/0412007, que em seu discurso fez referência ao art. 33, originalmente artigo 35: "(.) Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros."...” (grifamos) A novel norma (Lei 11.488/2007) trouxe nova previsão relativamente à penalidade de caráter administrativo, para não mais se declarar a infratora inapta e sim, dela exigir multa equivalente a dez por cento do valor da operação. Isso fica muito claro na decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região abaixo reproduzida, no sentido de que não houve revogação, pelo art. 33 da Lei n° 11.488/2007, da pena de perdimento prevista no artigo 23 do Decretolei n° 1.455/76: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI N" 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI N° 1.455, DE 1976. AUSENCLA. DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO ... 0 artigo 3.3 da Lei IV 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdirnento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL n° 1.455/76, com a redação dada pela Lei if 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da Fl. 746DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 742 14 mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, ern nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "A hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei rf 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto its demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal.” (AMS 200572080051666, OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, TRF4 SEGUNDA TURMA, 01/08/2007) O mesmo entendimento, no sentido que as infrações não são idênticas e coexistem, é confirmado pelos acórdãos deste Conselho 310100.494 (redator designado Conselheiro Tarasio Campelo Borges) e 310200.566 (redator designado Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto), bem como o art. 727 do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 — Regulamento Aduaneiro, quando, ao regulamentar o art. 33 da Lei n° Lei n° 11.488, trouxe norma expressamente interpretativa no seu parágrafo 3° afirmando que a aplicação da multa de 10% não prejudica a aplicação da pena de perdimento: "Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. ... § 3 A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas." Portanto, a multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007 não se aplica ao caso concreto dos autos, que versa sobre a ocultação do real exportador das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive com o uso de documento necessário ao desembaraço falso ou adulterado, e não sobre a cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros. Por fim, em relação aos demais argumentos apresentados especificamente pela Recorrente Marketbr Comércio e Distribuição de Aparelhos Elétricos e Utilidades Domésticas Ltda., adoto o mesmo entendimento da DRJ abaixo transcrito: Fl. 747DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 743 15 “A impugnante quer fazer crer que há invalidade na delegação de competência do Ministro da fazenda para aplicação de pena de perdimento, que foi realizada por meio do Regimento Interno da Secretarian da Receita Federal do Brasil. Embasa seu entendimento no disposto no artigo 13 da Lei nº 9.784/1999 que proibiria a delegação de competência para o caso. À impugnante não razão. O Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil é aprovado pelo próprio Ministro da Fazenda que detêm a competência legal para o ato, determinada por decreto pelo Presidente da República. A competência para aplicação de perda de perdimento, por sua vez, não está entre as hipóteses previstas no artigo 13 da Lei nº 9.784/1999, como quer entender a impugnante (edição de ato de caráter normativo, decisão de recurso administrativo ou matéria de competência exclusiva do órgão ou autoridade). Tratase, como dito, de uma aplicação de penalidade, competência plenamente delegável, haja vista não haver nenhuma proibição específica para tal. Ademais, o presente caso trata de uma multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que estariam sujeitas a pena de perdimento, ou seja, não há efetiva aplicação da pena de perdimento, mas sim sua conversão em multa. Por essas razões, improcedente a alegação da impugnante. O mesmo ocorre em relação à alegação de que as Alfândegas não detêm competência para a fiscalização pelo fato de o caso envolver "terceira operação na cadeia de circulação de mercadorias e não diretamente relacionada a operação de importação (comercio exterior)". De tudo que se tem nos autos e da própria descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, somente se pode concluir que a autuação é exatamente relacionada com aquilo que a impugnante quer negar, comércio exterior. Tanto que a infração acusada e de '''ocultação do real exportador e uso de fatura comercial falsa", nas operações de importação. Portanto, inócuo o argumento da interessada, o que dispensa a reiteração de que a fiscalização foi amparada em regular Mandado de Procedimento Fiscal, emitido pela autoridade competente; que a competência das Alfândegas, disciplinada pelo Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, abrange o procedimento fiscal em tela; e de que não é nulidade o fato de a adquirente não haver sido cientificada anteriormente da fiscalização. Da mesma forma não ampara a defesa da adquirente das mercadorias a alegação de que suas obrigações eram somente aquelas constantes de contrato firmado com a empresa detentora da marca e franqueadora. Como se sabe as convenções ou contratos particulares não podem ser opostos contra a Fazenda Pública com o fim de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes (Lei n Fl. 748DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 744 16 5.172/1966 Código Tributário Nacional), ou seja, os contratos particulares somente podem estabelecer obrigações ou responsabilidades entre os contratantes e não contra terceiros, especialmente para o Poder Público que não fez parte da relação contratual. Dessa forma, eventuais prejuízos causados por contrato particular devem ser discutidos entre as partes envolvidas, no âmbito privado. Pela mesma razão, não se pode aceitar a tese da impugnante de que a responsabilidade por determinar o modus operandi, assim como definir as mercadorias, exportador e outros detalhes das operações de importação eram da empresa franqueadora, fato que determinaria ausência de sua responsabilidade. Perante a Aduana brasileira a responsabilidade legal pelas informações das operações de comércio exterior e dos importadores e demais intervenientes. Assim, ainda que a interessada apenas cumprisse com as obrigações contratadas com a empresa franqueadora, sua responsabilidade perante a Aduana brasileira nao pode ser afastada. Com relação à revaloração das mercadorias há que se verificar que foram perfeitamente identificados os valores pelos quais as mercadorias haviam sido faturadas, conforme documentos apresentados perante a Aduana do Uruguai. Portanto, considerando o Acordo de Valoração Aduaneira do GATT, que determina que o método primeiro de valoração e o valor de transação, esses foram os valores utilizados para fins de valorar as mercadorias, ou seja, não houve nenhuma irrazoabilidade ou i1egalidade como defende a impugnante. Finalmente, cumpre afastar o argumento de que se poderia aplicar o disposto no artigo 112 da Lei nº 5.172/1966, Código Tributário Nacional, pois não é o caso previsto em nenhuma das hipóteses estabelecidas em referido dispositivo legal.” Ante o exposto, NÃO ACOLHO as preliminares de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, NEGO PROVIMENTO aos Recursos Voluntários interpostos, mantendose a decisão da DRJ por seus próprios fundamentos. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 749DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 12466.003451/200957 Acórdão n.º 3202000.414 S3C2T2 Fl. 745 17 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN
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