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Numero do processo: 10320.004648/99-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Ano-calendário:1995,1996
EXCESSO DE ‘CUSTO ORÇADO’ – TRIBUTAÇÃO – NECESSIDADE O
contribuinte que aproveitar o benefício fiscal do ‘custo orçado’ previsto na IN SRF 84/79 deverá, ao final da obra, verificar se houve ‘excesso de custo orçado’ para que este seja oferecido à tributação.
SALDO DE CUSTO EFETIVO REMANESCENTE – ALOCAÇÃO – TRIBUTAÇÃO IN
SRF 84/79 Verificado saldo de custo efetivo ao término do empreendimento este deverá ser alocado na apuração do lucro
bruto do exercício em que ocorrer efetivamente a venda do imóvel, unidade do empreendimento.
LIMITAÇÃO À COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL EM 30% (trinta por cento) INCONSTITUCIONALIDADE – Súmula nº 2 do CARF
– O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária.
Numero da decisão: 1201-000.665
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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SALDO DE CUSTO EFETIVO REMANESCENTE – ALOCAÇÃO – TRIBUTAÇÃO IN SRF 84/79 Verificado saldo de custo efetivo ao término do empreendimento este deverá ser alocado na apuração do lucro bruto do exercício em que ocorrer efetivamente a venda do imóvel, unidade do empreendimento. LIMITAÇÃO À COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL EM 30 % (trinta por cento) INCONSTITUCIONALIDADE – Súmula nº 2 do CARF – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 2 2 (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Relator Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior, Marcelo Cuba Netto, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), André Almeida Blanco (Suplente Convocado) Relatório Cuidase, originariamente, de autos de infração lavrados pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em São Luis — MA, em nome da contribuinte MONUMENTAL CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA, para exigência de crédito tributário total equivalente a R$ 6.963.336,42 (seis milhões novecentos e sessenta e três mil trezentos e trinta e seis reais e quarenta e dois centavos), relativo a lançamentos de Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (R$ 5.478.986,35), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (R$ 1.265.660,50) e Contribuição ao Programa de Integração Social — PIS REPIQUE (RS 148.763,65), devidos nos exercícios de 1995 e 1996. Em sessão realizada aos 15 dias do mês de setembro de 2003, o então relator Celso Alves Feitosa converteu o julgamento do caso em diligência, buscando esclarecimentos pertinentes a boa apreciação da matéria em litígio. Em homenagem ao brilhantismo do trabalho, adotase integralmente o relatório então elaborado, redigido nos seguintes termos: Contra a empresa acima identificada foram lavrados os seguintes Autos de Infração, por meio dos quais são exigidas as importâncias citadas: IRPJ (fls. 01/30): R$ 1.982.277,92, mais acréscimos legais, totalizando um crédito tributário de RS 5.478.986,35; Contribuição Social (fls. 40/48): R$ 460.795,78, mais acréscimos legais, totalizando um crédito tributário de R$ 1.265.660,50; PIS Repique (fls. 49/55): R$ 53.232,39, mais acréscimos totalizando um crédito tributário de R$ 148.763,65. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 02/05, as exigências, relativas aos anoscalendário de 1995 e 1996, decorreram da constatação, pela fiscalização, das seguintes infrações: Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 3 3 1) Excesso de 'custo orçado' sobre 'custo efetivo', apurado ao término de empreendimento imobiliário (glosa do excesso); 2) Inclusão de custo orçado após o término de empreendimento, com majoração indevida dos custos e redução do lucro; 3) Glosa de prejuízos compensados indevidamente por inobservância do limite de 30%; 4) Glosa de prejuízos compensados indevidamente, porque inexistentes (em decorrência de os resultados negativos apurados terem sido transformados em positivos, pela apuração das infrações). Impugnando o feito às fls. 655/677, a interessada alegou, em síntese: que a fiscalização tomou como data da conclusão do empreendimento ‘Edifício Monumental’ a data do “habitese” fornecido pela Prefeitura Municipal (03/04/1995) e, com base nesse fato, glosou custos relativos ao empreendimento a partir da data do ‘HABITESE’, com fundamento nas Instruções Normativas SRF 84/79, 23/83 e 67/88; que a conclusão do empreendimento não ocorreu na data do ‘HABITESE’, constatando se a continuidade da obra no anocalendário de 1996. Apresentou como prova: a) laudo técnico de engenharia (fls. 679/705), encomendado pela autuada, que conclui pela impossibilidade de conclusão do empreendimento na data do HABITESE, com base na diferença entre o custo efetivo e o custo teórico para o empreendimento apurado de acordo com dados técnicos de construção para a cidade de São Luis; b) a existência de aplicação de materiais e serviços, após a data do HABITESE até 31 de dezembro de 1996, no montante de RS 1.903.459,01, conforme denotam os registros contábeis referentes à conta 1.1.08.12 – ‘Obras Próprias’, Diário às fls. 310/430 e demonstrativo de fl. 707; c) laudo para o ‘HABITESE’ fornecido pelo Corpo de Bombeiros Militar, datado de 25/04/1997, referente ao empreendimento (fl. 708); d) informação do Corpo de Bombeiros Militar de que o ‘HABITESE’, fornecido pela Prefeitura Municipal, foi emitido irregularmente (doc. de fl.710); e) laudo técnico contábil, encomendado pela autuada (fls. 711/715), que, com base na análise das contas patrimoniais relacionadas à construção, ao custo e a venda do empreendimento, concluiu que não houve transgressão às disposições das Instruções Normativas SRF nºs 084/79, 023/83 e 067/88 e que, pela contabilidade, a conclusão do empreendimento não poderia ter ocorrido na data do ‘HABITESE’. que são inconstitucionais os dispositivos de lei que limitaram em 30% do lucro real a compensação de prejuízos fiscais, em face dos conceitos de renda, lucro e acréscimo patrimonial. Citou jurisprudência. Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 4 4 Finalizando a impugnação, o autuado solicitou perícia para esclarecer a data do término do empreendimento em questão, identificando o perito e formulado os quesitos. A Delegacia de Julgamento baixou o processo em diligência. Às fls. 736/758 encontrase o Relatório de Diligência, o qual, à fl.. 757 (último parágrafo), afirma que: 'verificase, portanto, que todos os eventos acima relacionados e comprovados com a documentação ora juntada se entrelaçam de forma lógica e seqiienciada, e apontam de forma induvidosa no sentido de ratificar a data demarcatória do término da construção do Edifício Monumental para o dia 03 de abril de 1995 (HABITESE) ' (grifo do original). Na decisão recorrida (fls. 1.110/1.133), a 3ª Turma de Julgamento da D.R.J/Fortaleza — CE, por unanimidade de votos, declarou o lançamento procedente, assim concluindo: 'EXCESSO DE CUSTO ORÇADO SOBRE CUSTO EFETIVO. DATA DA CONCLUSÃO DO EMPREENDIMENTO. Para efeito de tributação por insuficiência de custo realizado, nos termos das Instruções Normativas da SRF nºs 84/79, 23/83 e 67/88, considerarseá como data de conclusão do empreendimento a data do ‘HABITESE’ fornecido pelo órgão público competente, sendo irrelevante a existência na contabilidade de custos incorridos após essa data'. Concluiu quanto à limitação à compensação de prejuízos fiscais em 30% do lucro real, que cabe à autoridade administrativa apenas promover a aplicação das normas nos estritos limites de seu conteúdo, uma vez que as leis ou atos normativos presumemse constitucionais ou legais. Estendeu o decidido às exigências reflexas. Às fls. 1.145/1.195 se vê o recurso voluntário, por meio do qual a autuada argumenta, em síntese: que, de modo geral, podese afirmar que toda a controvérsia gira em torno da data do término do empreendimento imobiliário ‘Edifício Monumental’, que, dogmaticamente, a fiscalização pretende ter como configurado em 03.04.95, quando foi expedido o ‘HABITE SE’ pela prefeitura municipal; que em sua defesa a Recorrente demonstrou a improcedência da exigência, argumentando que a conclusão da fiscalização tem por base a simples presunção de que a construção do empreendimento foi terminada em 03.04.95, contrariando a verdade material; que é irrecusável que a exigência fiscal assentase unicamente em indícios e presunções; que a fiscalização colacionou publicações e outros documentos referentes à inauguração do ‘Edifício Monumental ‘antes da conclusão de sua construção, observando que a Recorrente não foi intimada a se manifestar sobre tais documentos; que a 'inauguração' na qual se baseia o Fisco, que não se traduz necessariamente em conclusão da construção, teve por objetivos: a)entregar aos promitentes compradores as unidades já prontas, transferindo para eles as despesas condominiais, além de evitar Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 5 5 multas por mora na satisfação da respectiva obrigação; b) favorecer a venda das unidades ainda não comercializadas; que a decisão recorrida afirmou que 'após a data do habitese se verificam lançamentos referentes à ampliação das obras do empreendimento', afirmação que a Recorrente refuta veementemente, aduzindo que tal fato não foi objeto do libelo, constituindo assim inovação da lide e dando causa à nulidade da decisão; que não se tratou de ampliação, porque ao custo de R$ 5.570.544,49, como quer a fiscalização, o empreendimento não poderia estar concluído em 03.04.95, pois isto representaria o custo de RS 229,44 por metro quadrado de área construída, enquanto naquele período o valor do custo de construção comercial para São Luis era de RS 348,98, segundo as pesquisas da ‘ Revista Construção Norte/Nordeste’'; que, de acordo com o DecretoLei n" 486/69, há .força probatória na escrituração dos livros comerciais, se mantidos com observância das formalidades legais. Cita doutrina Neste ponto, passa a discorrer, em longo arrazoado, sobre o principio da verdade material, com citação de doutrina. Retoma a contestação direta da exigência, afirmando: que, acerca especificamente do suposto 'excesso de custo orçado' e da sua indevida apropriação ao custo do empreendimento, após 03.04.95, consultou respeitados tributaristas, que emitiram parecer; comprovando que a obra efetivamente terminou; que não tem consistência jurídica à exigência fiscal a titulo de glosa de compensação de prejuízos fiscais inexistentes e de compensação acima de 30% do lucro real, e que não é verdade que a Recorrente, em sua impugnação, não infirmou o lançamento na parte da inexistência de prejuízos fiscais; que, na realidade, a Recorrente impugnou a tese fiscal de que não houve continuidade da obra após 03.04.95 e, como durante a obra o prejuízo aferido é todo originário da apuração do custo orçado, então durante a obra é óbvio que houve sim prejuízo, só que foi abatido dos custos; que, portanto, não há como invocar a regra do art. 17 do Decreto n° 70.235/72 para entender preclusa a matéria; que não concorda com a conclusão de que a decisão de primeira instância não poderia deixar de aplicar norma que viola preceito constitucional; cita jurisprudência. que é inconstitucional a limitação á compensação de prejuízos fiscais. Requer, ao final, que: a) seja anulado o v. acórdão que julgou procedente o Auto, em face dos vícios de cerceamento de defesa tais como indeferimento da perícia, falta de audiência da Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 6 6 autuada para se manifestar sobre documentos juntados ao processo pela fiscalização após a defesa e inovação do feito; b) ou, caso tal pedido preliminar não seja atendido, seja reformada a douta decisão recorrida para julgar improcedente o lançamento. Às fls. 1.204/1.206, relação de bens e direitos para arrolamento, em substituição ao depósito recursal. É o relatório. Em seu voto, com muita propriedade, o nobre Conselheiro recomendou a realização de nova diligência visando "evitar dupla incidência de Impostos e Contribuições sobre a mesma base de cálculo e em face de possível ocorrência de postergação quanto ao período de competência. Para tanto, formulou os seguintes quesitos que entendeu essenciais para elucidação da lide: a) saber qual foi o tratamento contábil e fiscal dado nos anoscalendário de 1996 e 1997, para a diferença entre o custo orçado e custo efetivo que foi excluído do lucro liquido para a determinação do lucro real, no ano calendário de 1995; b) confrontar os valores escriturados no LALUR, da diferença apontada, como os valores constantes da declaração de rendimentos do exercício de 1996, anocalendário de 1995; c) saber se houve inexatidão quanto ao período de competência ou postergação de pagamento de imposto; Em resposta à diligência recomendada, foi elaborado pelo Setor de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em São Luis, em atendimento Resolução nº 10102.387, relatório que responde às questões formuladas, nos termos a seguir resumidos: Questão A (...) a diferença entre o Custo Orçado e Custo Efetivo, apurado em 1995, consta de duas parcelas distintas: uma, acumulado até abril/95, que redundou num valor de Excesso de Custo Orçado sobre Custo Efetivo no valor de R$ 1.978.225,98; e a outra, entre maio/95 a dezembro/95, que atingiu o valor de R$ 2.084.899,08 (...). Vêse, portanto, que as duas parcelas de EXCESSO de Custos Orçados sobre os Custos Efetivos, apurados pelo Fisco no AnoCalendário de 19995, totalizaram o valor de R$ 4.063.125,06 (...). 0 tratamento contábil e fiscal dado a esse EXCESSO nos AnosCalendário de 1996 e 1997 foi o de distribuílos indevidamente na apuração dos resultados nesses dois Anos Calendário, ou seja, foi o motivo determinante dos sucessivos prejuízos apurados a partir da então, como mais adiante se comenta de forma mais especifica e se demonstra mais Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 7 7 uma vez, através de reprodução histórica dos resultados negativos em tão apurados (prejuízos reiterados). (...) não poderia a empresa continuar a usufruir de tal beneficio, vez que a legislação não permite, após a conclusão do empreendimento onde foi utilizado tal modalidade e custeamento, a continuidade de alocação de Custos Orçados. A partir do término do respectivo empreendimento, a empresa deverá voltar ao sistema tradicional de alocação dos Custos Efetivos, a não ser que venha a iniciar novo empreendimento em que deseje e possa utilizarse da faculdade prevista na INSRF nº 84/79 e normas correlatas. (...) E, ainda, a fiscalização argumentou no sentido de que a empresa passou a utilizar indevidamente a fórmula de agregar valores de Custos Orçados e logo em seguida corrigir tais Custos, fazendo erigir uma ‘montanha de custos incorridos’ estimados, inexistentes, que teve como conseqüência a geração de prejuízos sistemáticos, como reiteradamente comentado e demonstrado. (...)Questão B A empresa não efetuou nenhum ajuste, nem na sua escrituração comercial, nem na fiscal, mormente no LALUR, que ensejasse a retificação dos erros apurados na Auditoria Fiscal, e que tivesse como conseqiiência o oferecimento à tributação do IRPJ e da CSLL, no que tange as diferenças então detectadas. É de ser enfatizado, por oportuno, que qualquer alteração que a empresa tente fazer — seja na escrituração comercial/fiscal, ou no informe à SRF — tais elementos devem ser apreciados à luz dos fatos discutidos no âmbito da Auditoria Fiscal encetada a época, pois ao ser iniciado o procedimento fiscal, a empresa perde a espontaneidade para prática de atos que visem alterar aquela situação posta naquele momento, perfeitamente delimitada no tempo e circunscritas as espécies tributárias sub exame. (...)Arrematando, pois, a resposta a Questão b, vêse de forma cristalina que a empresa não procedeu a qualquer alteração a sua escrituração contábil/fiscal, para retificação das irregularidades detectadas, como tantas vezes já se comentou nesta peça relatorial. (...)Questão C No caso presente, com a devida vênia, não há que se falar em inobservância quanto ao regime de escrituração, pois que se trata de um caso especial de escrituração de custos e de receitas, para fins de apuração de resultado — utilização do Custo Orçado — que torna desinteressante para a empresa utilizar de procedimentos quanto à inexatidão dos fatos quanto a período de competência ou de postergação de imposto. (...)Não há que se falar, portanto, no caso vertente, em Diferimento de Lucro e/ou Postergação do Imposto, pois, para que isto se revele, é necessário que o tributo diminuído em um período seja evidenciado em momento seguinte, para ser adicionado ao devido, ocorrendo, portanto, apenas mudança no momento da apuração. No caso em tela isso não poderia ocorrer materialmente, pois a empresa não só evitava a ocorrência de base positiva no primeiro momento, ao tempo em que também evitava o surgimento de base positiva em um segundo momento, num carrossel de resultados negativos que se Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 8 8 sucediam sistematicamente. Isso, principalmente, porque utilizava indevidamente Custos Orçados, após o término da obra em comento, quando não poderia mais fazêlo, como ficou repetidamente demonstrado em linhas anteriores (...). Instada a se manifestar, a Recorrente preliminarmente alega que a diligência ultimada foge de suas finalidades por supostamente apresentar conteúdo de libelo acusatório e, no mérito, repisa suas razões de recorrer, pleiteando sua desconsideração e a improcedência do lançamento combatido. Após diligência retornaram os Autos a este Conselho, oportunidade em que os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, resolveram, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em nova diligência, nos termos do voto que segue: Não há dúvidas quanto à tempestividade e o preenchimento das condições de admissibilidade, já tendo sido admitido e conhecido o Recurso Voluntário. Conforme se depreende de todo trâmite processual, a princípio, a matéria discutida tem como ponto central o real momento de conclusão das obras relativas ao empreendimento imobiliário "Edifício Monumental" e as conseqüências advindas para a apuração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e outros tributos. Todavia, vale repetir, visando "evitar dupla incidência de Impostos e Contribuições sobre a mesma base de cálculo e em face de possível ocorrência de postergação quanto ao período de competência", o nobre Conselheiro Celso Alves Feitosa em sessão realizada em 29 de janeiro de 2003, requereu a realização de nova diligência solicitando fossem esclarecidos os questionamentos então formulados, acima transcritos. Com relação ao tratamento contábil e fiscal dado nos anoscalendário de 1995, 1996 e 1997 referentes às diferenças entre os custos orçados e efetivos do empreendimento, objeto do primeiro quesito o qual pode ter gerado a postergação do pagamento de imposto, o relatório de diligência não foi claro, dificultando à análise deste colegiado! Na verdade, o diligente foge ao objetivo central do quesito, certamente de extrema importância para a boa apreciação do caso concreto, de modo a ser pontualmente esclarecido se houve inexatidão quanto ao período de competência ou postergação de pagamento do imposto. a) Quais foram os valores dos custos orçados e efetivos do empreendimento nos anos calendários de 1995, 1996, 1997 e se houve a ocorrência de custos efetivos nos anos calendários subseqüentes (1998, 1999 e 2000)? b) Quais foram os efeitos dos custos orçados e efetivos do empreendimento na apuração do Lucro Real dos referidos anos calendários e se houve inexatidão quanto ao reconhecimento dos custos pelo período de competência, havendo assim a postergação da apuração e pagamento dos impostos? Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 9 9 Ao final, deverá ser lavrado termo consubstanciado dos trabalhos de diligência, cientificandose o contribuinte para se desejar manifestarse no prazo de 30 dias. É como voto. A diligência solicitada foi realizada e, em resposta ao item 1 do questionamento formulado por este Conselho, temos as conclusões que seguem: a) Em 04/1995, data esta considerada pelo fiscal como sendo a data da conclusão do empreendimento, verificouse os seguintes custos: “CUSTO ACUMULADO ORÇADO, valor R$ 7.548.770,47; CUSTO ACUMULADO EFETIVO, valor R$ 5.570.544,49; CUSTO REALIZADO ACUMULADO (unidades vendidas), valor R$ 4.228.562,92. b) Observouse, ainda, que: “nos anos de 1998, 1999 e 2000 não ocorreram lançamentos a custos efetivos”. c) Portanto, neste ponto, a fiscalização concluiu que: (...) ao término do empreendimento o "Custo Realizado (Und.Vendidas) Acumulado" é inferior ao "Custo Acumulado efetivo" em R$ 1.341.981,57, este é o saldo que falta para o custo efetivo do empreendimento ser atingido. De modo que até este valor, considerar seá ser possível apropriar novos custos aos imóveis vendidos. Quando o valor for superado, será considerado excesso de custo (...) Ademais, em resposta ao item 2 do mesmo questionamento, temos que: (...) no cotejo entre os valores apresentados pela fiscalização originária e os valores apresentados nesta diligência que há uma divergência nos meses 05/1995, 06/1995, 07/1995, 08/1995 e 09/1995. 0 motivo para a divergência esta relacionado à glosa dos custos orçados. Na fiscalização a glosa começou no mês seguinte ao término da obra, conforme campo ´excesso de custo – Fiscalização´, enquanto que esta diligência considerou, antes de iniciar a glosa, o saldo de custos a ser apropriado de R$ 1.341.981,57(...), este saldo equivale a diferença entre custo total do empreendimento e custo das unidades vendidas, de modo que este saldo de custo será amortizado pelo "excesso de custo orçado" até ser zerado, esta amortização deuse nos meses de maio a setembro de 1995. (...) Deste modo, independentemente de a empresa continuar a utilizarse dos custos orçados com o intuito de diminuir o lucro bruto e conseqüentemente os tributos a pagar, em detrimento da legislação tributaria, não procedemos à glosa com intuito de evitar a dupla incidência de tributo nos meses de maio a setembro de 1995, visto que ainda existe custo a ser absorvidos pelas unidades vendidas. Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 10 10 Ao considerar apenas os custos orçados sem levar em conta os valores apropriados aos custos das unidades após o término do empreendimento os valores apurados na constituição do lançamento tributário apresentaram algumas distorções. (...) Foi apurado, portanto, que houve “divergência nos valores tributáveis de maio a setembro de 1995, (...)”, restando evidente que “houve redução indevida do lucro real no período em que a empresa utilizou indevidamente valores de “custo orçado”, quando não mais poderia fazêlo. Nesse passo, a empresa Recorrente, diante do novo relatório de diligência e inconformada com as conclusões alcançadas, apresentou contra razões, com as seguintes argumentações preliminares: que o relatório é nulo em razão de desvio de finalidade, caracterizado pelo servidor (diligente) ao emitir juízo pessoal de valor em relação aos argumentos e à matéria da defesa; que, no caso em tela, foram verificadas “informações fiscais”, previstas no artigo 19 do Decreto 70.235/72, as quais foram revogadas pela Lei nº. 8745/93. Afirmou, ainda, que as mencionadas “informações ficais” foram mascaradas pelos dois relatórios de diligência acostados aos autos, de forma a trazer ao processo o juízo tendencioso de auditores fiscais; que, considerado válido o reexame dos elementos utilizados no lançamento à vista das provas produzidas pela empresa Recorrente e de outras pesquisas realizadas, não seja permitida admissão de envolvimento com o mérito da causa com apresentação de juízo pessoal de valor do agente da Receita Federal, que quase nada de útil acrescentou ao deslinde do caso. No mérito, argumenta que o ponto central da discussão está na determinação da data de conclusão da obra, já que se esta não ocorreu em 04/1995, não há que se falar em infração, tornandose indevida a cobrança do crédito tributário lançado. Reafirmou, ainda, todos os pontos abordados ao longo da contestação do lançamento. Por fim, requereu a declaração da nulidade de ambos os relatórios de diligência em face do desvio de finalidade e dos demais vícios que violam o princípio do devido processo legal, bem como o reconhecimento da verdade material do caso que denota não ter ocorrido infração à legislação tributária, já que os custos apropriados correspondem ao período real de duração das obras até o término do empreendimento. É o relatório. Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 11 11 Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator Por ser tempestivo admito o Recurso Voluntário e dele tomo conhecimento nos seguintes termos. Tratase de procedimento fiscal instaurado com a finalidade de apurar possíveis débitos de IRPJ, CSLL e PIS Repique decorrentes da não tributação de valores incorridos em razão do aproveitamento do benefício fiscal (custo orçado) previsto na Instrução Normativa SRF de nº. 84/79. Do procedimento fiscal instaurado, constatouse que o valor referente ao excesso de custo orçado apurado ao término do empreendimento, que para a fiscalização ocorreu em 03/04/1995, não foi oferecido à tributação, bem como que houve inclusão indevida de custo orçado após o término do empreendimento. A empresa Contribuinte, por meio de Recurso Voluntário, argumentou no sentido de que os valores apurados pela fiscalização são improcedentes, pois foram baseados em simples presunções, contrariando a verdade material e, afirma que a conclusão da obra não se deu na data da expedição do ‘habitese’, mas sim em momento posterior. Temse do narrado que o cerne da questão está na determinação da data em que se deu a conclusão do empreendimento. Da análise dos autos, verificase que o ‘habitese’ do empreendimento em questão foi expedido em 03 de abril de 1995. Não há dúvida de que o ‘habitese’ é documento que pode determinar a data de conclusão da obra para efeito das disposições da Instrução Normativa SRF n° 084/79, constituindose em prova material, pois é um documento oficial, expedido pelas Prefeituras Municipais, autorizando o uso do empreendimento à finalidade para a qual foi planejado. Ocorre que, este representa forte indício de conclusão do empreendimento, porém não suficiente para, por si só, atestar a conclusão de um empreendimento e isto porque há possibilidade de expedição do ‘habitese’ para empreendimento que ainda necessitem de continuidade de obras específicas. Assim, para concluirmos o momento do encerramento da obra, além do ‘habitese’ é necessário analisar o conjunto probatório acostado nos presentes autos. Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 12 12 Da análise dos autos, encontramos o seguinte conjunto probatório: (1) Em 03 de abril de 1995 foi expedido o HABITESE, que tomou o n° 0063, como consta do próprio documento e das correspondências encaminhadas Receita Federal (fls.70 e 812 a 814); (2) em 11 de maio de 1995, foi comunicado pela empresa ao Cartório de Registro de Imóveis a conclusão do prédio ao mesmo tempo em que solicitava a averbação da construção das unidades autônomas, na forma da Lei n° 4591/64 ( Lei dos Condomínios e Incorporações ). Todas as averbações possuem a data de 11 de maio de 1995, conforme documentos encaminhados pelo Cartório ( fls. 978 a1. 033); (3) em 13 de junho de 1995, foi realizada a 1ª (primeira) Assembléia Geral de condôminos para instituição da Administração do " Condomínio do Edifício Monumental" como já estava previsto na Cláusula 22a da Convenção (fls.1.033); (4) em 04.04.95 o Condomínio, procedeu ao seu cadastramento junto ao CNPJ, antigo CGC, junto ao Ministério da Fazenda, conforme extrato eletrônico desse sistema ora juntado (fls. 859); (5) em 02 de maio de 1995, procedeu então o Condomínio aos primeiros registros de empregados, que foram em número de 6(seis); e, no mês de julho seguinte, registrou mais 4(quatro), conforme fotocópias de Fichas de Registro de Empregados ora anexadas ( 862 a 871); (6) em 17 de janeiro de 1995, foi feita a primeira Ligação de energia elétrica, junto A. Companhia de Energia Elétrica do Maranhão CEMAR, para o próprio Condomínio do Edifício Monumental, que recebeu o n° de Matricula 9901309 5, no sistema de Cadastro, cuja folha de extrato de "Cadastro de Consumidores" ora juntamos, anexandoa ao correspondente Pedido de Ligação de n° 77401. Em seguida, principalmente no mês de abril/95 e meses imediatamente seguintes, foram feitas as primeiras ligações para as unidades autônomas, conforme documentos ora anexados e já referidos em tópico anterior ( fls. 821 e 822); (7) em 11 de maio de 1995, foi concedido o CND do INSS, e encaminhado ao Registro de Imóveis pela empresa, como prérequisito para fins de averbação(fls.1.014). Portanto, todos os eventos trazidos aos autos pela fiscalização e acima relacionados se entrelaçam de forma lógica e seqüenciada, apontando de forma induvidosa, a data de 03 de abril de 1995 como sendo demarcatória do término da construção do Edifício Monumental, Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 13 13 ratificando, ainda, que a conclusão do empreendimento se deu na data da expedição do ‘habite se’. Entretanto, a empresa Recorrente defende a posição de que o empreendimento foi concluído em dezembro de 1997, razão pela qual a expedição do ‘habitese’, no presente caso, não coincide com a data efetiva do término de obra. Afirma, ainda, que a conclusão da fiscalização está baseada em meras presunções, contrariando a verdade material e ressalta que a contabilidade registra, no período de maio de 1995 a dezembro de 1996, a aplicação de R$1.903.459,01 (hum milhão, novecentos e três mil e quatrocentos e cinqüenta e nove reais e um centavo) em materiais e serviços para a execução de obras de construção do Edifício Monumental e que estes gastos caracterizam a continuidade da obra e, portanto, a ocorrência de custos orçados após a data de 03 de abril de 1995. No entanto, a Recorrente não comprova o que argüi na tentativa de demonstrar que o término da obra se deu apenas em dezembro de 1997. Em verdade, temse da fiscalização realizada que não houve sequer despesas com mão de obra em data posterior a abril de 1995. Da contabilidade verificada, constatouse que após abril de 1995, houve lançamentos a débito apenas na conta— MATERIAL APLICADO, com lançamentos até dezembro de 2006, ou seja, se a obra não acabou em abril de 1995, como quer fazer crer a autuada, na contabilidade deveriam existir lançamentos relativos à mãode obra, seja ela própria (conta SALÁRIOS E ORDENADOS) ou terceirizada (conta SERVIÇO DE TERCEIROS), o que não ocorre. Ora, se a obra foi conclusa apenas em dezembro de 1997, seria imprescindível a existência de despesas com contratação mão de obra para execução da obra, pois é item fundamental em qualquer construção civil. Diante de todo o exposto e do conjunto probatório acostado aos autos, temos que a conclusão alcançada a partir do procedimento fiscal é acertada e corresponde à verdade dos fatos ao afirmar que a conclusão do empreendimento se deu em 03 de abril de 1995. Portanto, a conclusão alcançada na fiscalização inicial foi acertada, pois atende ao disposto na Instrução Normativa SRF 84/79, que exige que na data da conclusão da obra deve ser apurada a diferença entre o valor do custo orçado acumulado e o valor do custo efetivo acumulado e, em sendo o valor do custo orçado superior ao do custo efetivo, a diferença deverá ser oferecida à tributação. Nesse sentido dispõe os itens 18.1 e 18.3 da IN 74/89: Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 14 14 18.1 – Para fins tributários, o contribuinte deverá determinar a relação percentual existente entre a insuficiência de custo (subitem 15.3) e o total do orçamento, incluídos neste os respectivos acréscimos. 18.3 – A insuficiência de custo realizado, superior a 15% do total do orçamento será objeto de um dos tratamentos constantes das divisões do presente subitem, prescritos em função da época ou épocas do reconhecimento do lucro bruto e da data da conclusão do empreendimento. Outrossim, apesar de induvidosa a data do término do empreendimento, no decorrer do presente processo administrativo, especificamente, a partir da última diligência fiscal realizada, surgiu nova questão acerca do tratamento contábil a ser dado ao custo efetivo acumulado ao final da obra, ou seja, em relação à apropriação do custo efetivo após o término da obra, em razão da existência de unidades ainda não vendidas, pois a conclusão no relatório de diligência se deu nos seguintes termos: (...) em abril de 1995, ao término do empreendimento, extraemse os seguintes custos: ‘Custo Acumulado Orçado’ o valor de R$ 7.548.770,47; ‘Custo Acumulado efetivo’ de R$ 5.570.544,49; ‘Custo Realizado (Und.Vendidas) Acumulado’ o valor de R$ 4.228.562,92. A tabela vai até 12/1997, nos anoscalendário 1998, 1999 e 2000 não existem lançamentos relativos a custos efetivos. (...) E, ainda: Se ao término do empreendimento o ‘Custo Realizado (Und.Vendidas) Acumulado’ é inferior ao ‘Custo Acumulado efetivo’ em R$ 1.341.981,57, este é o saldo que falta para o custo efetivo do empreendimento ser atingido. De modo que até este valor, considerarseá ser possível apropriar novos custos aos imóveis vendidos. Quando o valor for superado, será considerado excesso de custo (...) Ademais, consignou: (...) pode ser verificado no cotejo entre os valores apresentados pela fiscalização originária e os valores apresentados pela nesta diligência que há uma divergência nos meses 05/1995, 06/1995, 07/1995, 08/1995 e 09/1995. 0 motivo para divergência esta relacionado à glosa dos custos orçados. Na fiscalização a glosa começou no mês seguinte ao término da obra, enquanto que esta diligência considerou, antes de iniciar a glosa, o saldo de custos a ser apropriado de R$ 1.341.981,57 (...), este saldo equivale a diferença entre custo total do empreendimento e custo das unidades vendidas, de modo que este saldo de custo será amortizado pelo "excesso de custo orçado" até ser zerado, (...). Por todo o exposto e da análise do presente processo administrativo, extraise que o resultado da última diligência foi acertado ao verificar a existência de diferença do custo efetivamente aproveitado até a data do término do empreendimento em relação ao custo efetivo Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 15 15 total da obra, constatando, portanto, a existência de saldo remanescente de custo efetivo a ser aproveitado após a conclusão da obra. A fiscalização considerou que o valor do custo acumulado realizado (unidade vendida), na data da conclusão da obra (04/1995), era inferior ao custo total do empreendimento, razão pela qual remanescia suposto valor a ser amortizado do montante do excesso de custo orçado referente aos meses de maio a dezembro de 1995, em razão das unidades a serem vendidas após a conclusão do empreendimento. No entanto, ao recalcular o excesso de custo orçado, a fiscalização equivocase ao determinar a alocação do saldo remanescente de custo efetivo a ser aproveitado nos meses subseqüentes ao término da obra até ser zerado. Portanto, a conclusão da última diligência não merece prosperar em relação à alocação do saldo remanescente de custo efetivo, devendo permanecer o valor do débito lançado em razão do auto de infração fundamentado pela fiscalização inicial, pois se resta saldo de custo a ser considerado no reconhecimento e apuração do lucro bruto, este deveria ocorrer de maneira proporcional, ou seja, conforme efetivação da venda dos imóveis e não nos meses subseqüentes à conclusão até seu esgotamento, sem qualquer fundamentação. E para ratificar o entendimento defendido cumpre mencionar o item 11.1 da Instrução Normativa 84/79 que dispõe: Na venda a vista de unidade concluída, o lucro bruto será apurado e reconhecido, no resultado do exercício social, na data em que se efetivar a transação E, ainda, o item 10.1: Considerase efetivada ou realizada a venda de uma unidade imobiliária quando contratada a operação de compra e venda, ainda, que mediante instrumento de promessa, carta de reserva com principio de pagamento ou qualquer outro documento representativo de compromisso, ou quando implementada a condição suspensiva que estiver sujeita a venda Portanto, não merece prosperar o resultado trazido pela mencionada fiscalização, pois amortizou suposto saldo de custo efetivo sem obediência a determinação legal. Em verdade, assim como na fiscalização inicial, a última diligência fiscalizatória equivocouse ao alocar o custo acumulado efetivo remanescente em razão das unidades ainda não vendidas na data do término da obra. Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 16 16 No entanto, mesmo que se pretendesse fazêlo conforme orienta a Instrução Normativa, não há elementos nos autos que permitam a verificação do momento em que foi efetivada a venda dos imóveis remanescente após a conclusão do empreendimento. E, tornase fundamental esclarecer que a contribuinte, ora Recorrente, não impugnou a questão trazida pela fiscalização em Impugnação, nem em Recurso Voluntário ou sequer nas manifestações acerca das três diligências realizadas no decurso do processo administrativo. Tanto em sede de Impugnação, como no Recurso Voluntário, esta argumenta apenas questões relacionadas à data do término do empreendimento. Por fim, em relação ao argumento trazido pela Recorrente acerca da inconstitucionalidade da limitação da compensação do prejuízo fiscal em 30% (trinta por cento), esclareço que este Conselho não é competente para manifestarse sobre matéria de inconstitucionalidade de lei, conforme súmula nº 2 do CARF que dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária”. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10665.000810/2006-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA
APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de
inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder
Judiciário.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DE 30% DO LUCRO.
Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas
Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário
de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta
por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da
compensação da base de cálculo negativa. (Súmula CARF nº 3)
MASSA FALIDA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
A multa de ofício e os juros de mora exigidos em lançamento fiscal decorrem
de disposição legal, não havendo norma tributária que os dispense, no caso de
empresas em estado falimentar, na fase de constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1102-000.710
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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Recorrente COMPANHIA INDUSTRIAL ITAUNENSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DE 30% DO LUCRO. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. (Súmula CARF nº 3) MASSA FALIDA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de ofício e os juros de mora exigidos em lançamento fiscal decorrem de disposição legal, não havendo norma tributária que os dispense, no caso de empresas em estado falimentar, na fase de constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 356 2 Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Plínio Rodrigues Lima, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Contra a empresa acima qualificada foram lavrados Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 2 a 10) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls 13 a 18), perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 3.943.511,60, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 75%. Consoante a descrição dos fatos integrante dos respectivos lançamentos, a autuação decorre da inobservância do limite de compensação de 30% para a compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases de cálculo negativas (CSLL). Cientificada dos lançamentos, a empresa apresentou impugnações aos lançamentos do IRPJ (fls. 167 a 184) e da CSLL (fls. 207 a 232), alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade da autuação por incorreta qualificação do autuado; b) possibilidade de compensação integral dos prejuízos fiscais acumulados, bem como das bases de cálculo negativas da CSLL; c) inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 812, de 1994 (Lei nº 8.981, de 1995) que impôs limites à compensação mesmo havendo lucro no período, e da Lei nº 9.249, de 1995, que segregou a economia da pessoa jurídica para só permitir a compensação de prejuízos não operacionais com lucros não operacionais; d) violação aos princípios da irretroatividade, da anterioridade nonagesimal, e do direito adquirido; e) impossibilidade da aplicação da multa na massa falida, com base nas Súmulas 192 e 565 do Supremo Tribunal Federal; f) afronta ao princípio do não confisco, pela multa aplicada; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 357 3 g) impossibilidade de cobrança de juros moratórios no caso, posto que, em processo falimentar, apenas se autoriza a incidência dos juros de mora se o ativo for suficiente para o pagamento do principal; h) ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa Selic como juros de mora; i) ao final, requer a nulidade dos autos de infração, a extinção dos créditos tributários exigidos, a garantia ao direito de apresentação de outros documentos e produção de outras provas, e, no caso da CSLL, que seja sobrestada a cobrança até a decisão pelo Pleno do STF no recurso extraordinário nº 344.944, que discute a matéria em questão. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG rejeitou as alegações de nulidade do auto de infração e de inconstitucionalidade de lei, o pedido de extemporânea apresentação de documentos e produção de provas, e, no mérito, considerou integralmente procedentes os lançamentos efetuados e seus acréscimos legais, conforme Acórdão 0213.676, fls. 271 a 279. Cientificada desta decisão em 17.04.2007, conforme AR de fls. 282, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 17.05.2007, fls. 284 a 353, no qual, em síntese, reprisa os mesmos argumentos já expostos por ocasião da inicial, à exceção da alegação de nulidade por incorreta qualificação do autuado, não renovada. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Alega a recorrente o seu direito à compensação integral dos prejuízos fiscais e das das bases de cálculo negativas da CSLL acumuladas, ao fundamento de inconstitucionalidade das leis que criaram a limitação do seu uso até o montante correspondente a 30% dos resultados positivos tributáveis, vulgarmente conhecido como “trava de 30%”, por suposta violação a diversos princípios constitucionais. Tal alegação, contudo, não pode ser acolhida na esfera administrativa, haja vista não ter este órgão julgador competência para deixar de aplicar lei regularmente editada pelo Poder Legislativo, sob fundamento de inconstitucionalidade, tarefa esta privativa do Poder Judiciário. Exceção se faria caso se tratasse de dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 – PAF, o que não é o caso, antes pelo contrário, vez que o STF se pronunciou, nos autos do RE 344.994, justamente pela constitucionalidade da referida “trava”. Assim, opõese à pretensão recursal as seguintes Súmulas, de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado: Fl. 449DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 358 4 “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa.” Alega a recorrente que não procede a aplicação de multa nem de juros contra a massa falida, nos termos dos dispositivos legais que reproduz. Argúi ainda que o STF já sumulou o entendimento de que não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal e que também a jurisprudência consolidada rechaça a inclusão de multa fiscal moratória em desfavor da massa falida, argumento também aplicável à multa de ofício. Os dispositivos invocados pela recorrente são abaixo reproduzidos: DecretoLei n° 7.661, de 21 de junho de 1945 (Lei de Falências): “Art. 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Parágrafo único. Não podem ser reclamadas na falência: (...) III – as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. Art. 26. Contra a massa não correm juros, ainda que estipulados forem, se o ativo apurado não bastar para o pagamento do principal.” Súmula STF nº 192 – “Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa.” Súmula STF nº 565 – “A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado na falência.” Tal questão não é nova, já tendo sido enfrentada inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em ano tão remoto quanto o de 1981, consoante trecho abaixo reproduzido, aqui extraído do voto da i. Cons. Márcia Maria Loria Meira no acórdão 108 06.213, proferido na sessão de 18 de agosto de 2000: “Neste sentido, o Acórdão N° CSRF/0101.187, de 26/11/81, da lavra do Eminente ex Conselheiro Luiz Miranda, abaixo transcrito: ‘Data Venia, tal entendimento não poderá prosperar, tendo em vista que a multa não poderá ser excluída na fase administrativa. O disposto legal retro citado apenas dispõe que a multa fiscal não concorrerá com os demais créditos ao monte na falência...” Fl. 450DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 359 5 No caso de excluir a multa, corretamente aplicada, o Conselheiro Harry Conrado Schuller, ao prolatar o seu voto no Acórdão n°103 02.126, declara que tal exclusão desfiguraria a infração contida, de que é conseqüência, pois a sua eventual dispensa tornaria inviável sua exigibilidade dos administradores, nos casos de responsabilidade solidária ou responsabilidade pessoal, inclusive obstada eventual ação criminal contra os mesmos. Além do mais, deve ser salientado que a exclusão da multa somente poderá ocorrer em Juízo, no processo falimentar, e não antes, caso contrário, na hipótese da reversão do estado falimentar, a Administração Fiscal jamais poderia vir a exigir o seu montante.’ (...)” De fato, a inexigência da multa de ofício, nestes casos, somente pode vir a se dar em momento posterior à discussão administrativa. Se por um lado as súmulas e acórdãos trazidos pela recorrente confirmam a não exigência desta na fase de cobrança, por outro a Lei nº 6.830/1980 (Lei de Execuções Fiscais), estabelece que, verbis: “Art. 5°. A competência para processar e julgar a execução da Dívida Ativa da Fazenda Pública exclui a de qualquer outro Juízo, inclusive o da falência, da concordata, da liquidação, da insolvência ou do inventário. Art. 29. A cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, concordata, liquidação, inventário ou arrolamento. (...)” Analisando a questão deste aparente conflito entre o disposto no artigo 23 da Lei de Falências, e o artigo 29 da Lei de Execuções Fiscais, assim se pronunciou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN nº 1.400/99: “Em assim sendo, tornouse pacífico nos tribunais pátrios que o dispositivo da Lei de Falências, analogamente aplicado ao da Lei n° 6.024/74 (art. 18, alínea `f ), não atinge os créditos, cuja cobrança é regida pela Lei das Execuções Fiscais, em cumprimento ao comando emergente do seu art. 29.” Mais recentemente, toda esta questão envolvendo o lançamento do crédito tributário acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora, no caso de entidades submetidas a regime de falência, foi minuciosamente analisada pelo i. Cons. Antonio Bezerra Neto, em voto proferido em sessão de 29 de junho de 2006 (Acórdão nº 20311.076), a quem peço vênia para transcrever os seguintes trechos: “A análise mais acurada dos preceptivos legais até aqui colacionados revela que, a rigor, não são eles de maior relevância para a hipótese do autos, pois seus comandos regulam uma fase posterior à da constituição do crédito tributário, qual seja, a sua cobrança. A constituição do crédito tributário, cuja legitimidade se está a examinar na presente demanda, incluiu a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora com amparo nos artigos 44, I, e 61, § 3, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 c/c artigos 5° e 29° da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980, não havendo nenhuma disposição legal que exima tais gravames do contribuinte com falência decretada. Em conseqüência, não poderia a autoridade fiscal autuante furtarse a Fl. 451DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 360 6 aplicálos, ante o caráter obrigatório e vinculado de que se reveste o lançamento (art. 142, parágrafo único, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN). Clara está, portanto, a imposição legal para a inclusão da multa de ofício e dos juros de mora na constituição do crédito tributário, independentemente da decretação da falência do contribuinte. Como já visto, o diploma legal de que se socorreu a impugnante não infirma este entendimento, vez que não se reporta à fase da constituição do crédito, e sim da sua cobrança, ocasião em que – aí sim – será discutida a exigência perante o juízo competente. Nem poderia ser diferente, pois, a priori, nada impede que se reverta o estado falimentar, antes do trânsito em julgado da falência, hipótese em que a Fazenda Pública não poderia exigir os acréscimos legais se já os houvesse excluído quando do lançamento. Por outras palavras, à autoridade fiscal cabe, por dever de ofício, nos termos do art. 142 do CTN, constituir, pelo lançamento, o crédito tributário em sua totalidade, não lhe sendo atribuída qualquer faculdade discricionária que lhe permitisse se abster de aplicar as penalidades aos dispositivos infringidos. Ao juiz, nos casos de falência, compete, por sua vez, habilitar os créditos reclamados contra a massa falida e, aí sim, nessa oportunidade, obstruir aquelas parcelas cujo seguimento fosse legalmente vedado. Apenas como argumento subsidiário, pois a recorrente não se subsume ao regramento da nova Lei de Falências, essa polêmica não mais subsiste, pois, com a edição da Lei n° 11.101, de 2005, que, revogou o Decretolei n° 7.661, de 1945, vindo a regular a ‘recuperação judicial’, deixou isso bem assente, conforme se verifica da redação de seus arts. 83 e 84, litteris: ‘Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: (...) III – créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de constituição, excetuadas as multas tributárias; (...) VII – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias; (...)’ Deixou, portanto, bastante assente a falta de qualquer impedimento legal a que sejam reclamadas, na falência, as multas tributárias, sejam as de oficio ou as de mora, devendo elas, apenas, obedecer à primazia de créditos de outras naturezas (créditos extraconcursais, créditos trabalhistas, com garantia real, tributários, com privilégios especiais, com privilégios gerais, e quirografários). Relativamente aos juros de mora, a dicção do art. 124 da mesma Lei n° 11.101, de 2005, é a seguinte, litteratim: ‘Art. 124. Contra a massa falida não são exigíveis juros vencidos após a decretação da falência, previstos em lei ou em contrato, se o ativo apurado não bastar para o pagamento dos credores subordinados.’ Como se observa, tanto pela Lei 11.101/200 quanto pela antiga Lei de Falências, a decretação de falência não impede que se cobrem juros de mora da Fl. 452DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 361 7 massa falida, por isso que a sua exigibilidade ficará condicionada ao fato de a futura realização do ativo superar, ou não, o passivo da entidade (suficiência do ativo).” Portanto, revelase de todo inapropriado excluir, na fase administrativa, a exigência de multa e de juros, fundamentada em dispositivos de lei tributária (art. 44 e 61 da Lei nº 9.430/96) que preveem a sua aplicação a todos os casos de lançamento de ofício, não fazendo qualquer ressalva quanto à uma eventual não aplicação aos casos de entidades submetidas a regime de falência. Aliás, antes pelo contrário, o artigo 60 da mesma Lei nº 9.430/96 expressamente dispõe que, verbis: “Art.60. As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo.” Ante o exposto, deve ser mantida a exigência dos consectários legais (multa e juros de mora) aplicados. Os demais argumentos recursais contra tais acréscimos, conforme ao norte já exposto, tampouco podem ser acolhidos na esfera administrativa, pois dizem respeito à alegada afronta ao princípio do não confisco, no que toca à multa aplicada, e à ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa Selic, no que toca aos juros de mora, sendo que, quanto a estes, opõese ainda à pretensão recursal a seguinte Súmula, de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 453DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 362 8 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101289/2006-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP.
A subvenções governamentais consistentes em incentivos
fiscais, tais como o chamado “crédito presumido de ICMS”, devem ser considerados como receita e, como tal, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
Não se subsumindo a decisão da DRJ aos casos previstos no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1976,
não há que falar em nulidade da decisão administrativa de primeira instância.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos
termos do § 6º do art. 74 da Lei nº. 9.430/1996, a Declaração de
Compensação equivale a confissão de dívida e constitui-se
em instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.452
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri
e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se
impedido.
Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres.
Fez sustentação oral, em favor da contribuinte, o advogado Daniel Earl Nelson – OAB/RS 45.438
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente VIA UNO S/A CALÇADOS E ACESSÓRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. A subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais, tais como o chamado “crédito presumido de ICMS”, devem ser considerados como receita e, como tal, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Não se subsumindo a decisão da DRJ aos casos previstos no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1976, não há que falar em nulidade da decisão administrativa de primeira instância. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº. 9.430/1996, a Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida e constituise em instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. Fez sustentação oral, em favor da contribuinte, o advogado Daniel Earl Nelson – OAB/RS 45.438 José Luiz Novo Rossari Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação do PIS – Não Cumulativo (fls. 1/ss), referente ao 1º trimestre de 2006, em decorrência de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Exportação (§1 ° do art. 5° da Lei n° 10.637/2002). A DRF – Novo Hamburgo (RS), por meio do Despacho Decisório (fls. 216) reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da Requerente, no valor de R$ 121.422,16, restando indeferido um saldo no valor de R$ 15.096,45 (fls. 213). A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 244/ss) contra a decisão proferida nos autos do processo administrativo em epígrafe que reconheceu parcialmente o direito creditório. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: A contribuinte supracitada solicitou ressarcimento de PIS não cumulativo dos meses de janeiro a março de 2006 para fins de ressarcimento/compensação, conforme consta nos autos. A DRF de origem analisou o pleito da contribuinte, tendo deferido parcialmente o ressarcimento, conforme Relatório Fiscal e Despacho Decisório, de fls.202 a 216. A glosa parcial do ressarcimento ocorre porque a contribuinte não ofereceu à tributação as subvenções recebidas do Poder Público Estadual sob a forma de crédito presumido de ICMS. Irresignada, apresenta manifestação de inconformidade, de fls.244 a 256. Nesta, alega que os benefícios fiscais estaduais recebidos (valores de ICMS a serem utilizados na compensação com débitos do mesmo imposto), sob a forma de subvenção para investimento, não são receita bruta, pois estas são somente as receitas operacionais. As subvenções são classificadas como reserva de capital e não passam pela apuração do resultado do exercício, nos termos da Lei 6.404/1976, não sendo passível a tributação de contas do Patrimônio Liquido pela contribuição. Traz jurisprudência favorável a sua tese de defesa. Para fins de argumentação, alega que os créditos de ICMS presumidos, decorrentes da aplicação de um percentual sobre as vendas efetuadas, são abarcados pelo principio da não cumulatividade (art.155,§2°, inciso I, da Constituição), devendo ter o mesmo tratamento, haja vista que não se constituem em receita, mas em diminuição do custo dos produtos fabricados. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101289/200649 Acórdão n.º 3202000.452 S3C2T2 Fl. 307 3 Caso ainda seja aceita a tributação sobre as subvenções recebidas do Poder Público Estadual sob a forma de crédito presumido de ICM, requer que os valores que lhe dariam crédito de ICMS na entrada dos produtos, mas não lhe deram, pois pela sistemática do beneficio fiscal fica impedido o creditamento na entrada, somente permitindo na saída, através de um percentual sobre o ICMS devido. Isto porque estes valores serviriam de crédito da contribuição e não foram considerados pela DRF de origem na apuração dos valores do ressarcimento. Ainda requer que a correção monetária do crédito já reconhecido e o requerido na manifestação de inconformidade do período existente entre a requisição do crédito e o efetivo ressarcimento/compensação, através da taxa SELIC (art.39 da Lei 9.250/1995),conforme jurisprudência. Por fim, solicita a suspensão da exigibilidade dos débitos que estão vinculados ao créditos complementar não deferido e requerido na manifestação de inconformidade, nos termos do art.74, §11°, da Lei 9.430/1996, com redação dada pela Lei 10.833/2003. A 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão nº 10 27.403 (fls. 270/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: SUBVENÇÕES INCIDÊNCIA. Sendo as subvenções, tanto as para investimento quanto as correntes para custeio, integrantes, respectivamente, dos resultados nãooperacionais e operacionais das pessoas jurídicas, resulta que, em qualquer das situações, comporão a base de cálculo do PIS e da COFINS. TAXA SELIC FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não incidem correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objetos de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 25/11/2010 (fl. 275/276). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 14/12/2010 (fls. 277/ss) onde repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, além de suscitar a nulidade da decisão da DRJPorto Alegre em razão de alegada exigência de crédito tributário sem o competente procedimento de lançamento. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Fl. 313DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O cerne do presente litígio referese à incidência, ou não, do PIS e da COFINS, regime nãocumulatividade (previstos, respectivamente, nas Leis Nos. 10.637/2002 e 10.833/2003), sobre os valores decorrentes de incentivos fiscais de ICMS recebidos do Governo da Bahia, no programa denominado “Probahia”. Ab initio, devemos entender qual a natureza jurídica dos citados “incentivos fiscais de ICMS”. Vejamos. O incentivo fiscal em discussão foi concedido pelo Estado da Bahia, com base na Lei Estadual n° 7.025 de 1997, alterada pela Lei Estadual 7.138 de 1997 e regulamentado pelo Decreto Estadual n° 6.734 de 1997 (ver fls.188/191). A concessão específica para a recorrente se deu através da Resolução 50/99 (fl. 192), do Conselho Deliberativo do PROBAHIA, fixando em 90% o percentual do crédito do imposto a ser utilizado pelo contribuinte e ratificada pela Resolução 17/02 (fl. 193) do mesmo Conselho, sendo de 15 anos o prazo de vigência do beneficio, contado a partir da emissão da primeira nota fiscal. Este prazo foi alterado para 20 anos através da Resolução No. 45/2006 (fls. 194). Para melhor compreensão da matéria transcrevemos abaixo o artigo 1º do Decreto Estadual n° 6.734 de 1997: Art. 1° Fica concedido crédito presumido nas operações de saídas dos seguintes produtos montados ou fabricados neste Estado e nos percentuais a saber: veículos automotores, bicicletas e triciclos, inclusive seus componentes, partes, peças, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados pneumáticos e acessórios: a) 75% (setenta e cinco por cento) do imposto incidente, nos 5 (cinco) primeiros anos de produção; b) 37,5% (trinta e sete inteiros e cinco décimos por cento) do imposto incidente, do sexto ao décimo ano de produção; II calçados e seus componentes, bolsas, cintos e artigos de malharia: até 99% (noventa e nove por cento) do imposto incidente durante o período de até 20 (vinte) anos de produção; III móveis: 75% (setenta e cinco por cento) do imposto incidente durante o período de até 15 (quinze) anos de produção. § 1° Somente estabelecimentos industriais, dos segmentos descritos neste artigo, inscritos no Cadastro de Contribuintes do ICMS do Estado da Bahia (CAD/ICMS) a partir da vigência da Lei 7.025/97, poderão utilizar o tratamento tributário previsto nesta Seção. § 2° 0 crédito presumido de que trata este Decreto só se aplica às operações próprias do estabelecimento não alcançando às operações relativas à substituição tributária. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101289/200649 Acórdão n.º 3202000.452 S3C2T2 Fl. 308 5 § 3° A utilização do tratamento tributário previsto neste artigo constitui opção do estabelecimento em substituição a utilização de quaisquer créditos decorrentes de aquisição de mercadorias ou utilização de serviços nas etapas anteriores. (grifos nossos) O mecanismo utilizado para concessão do incentivo, nos termos do que dispõe o artigo 1º, inciso II, acima transcrito, consiste no creditamento de ICMS (“crédito presumido”) em valor correspondente à aplicação de um percentual sobre o imposto incidente nas saídas da produção de cada estabelecimento instalado no Estado. No caso da Recorrente, o percentual autorizado era de 90%, conforme disposto na Resolução 50/99 do Conselho Deliberativo do PROBAHIA (fl. 192). Assim, ao meu sentir, o incentivo concedido ao contribuinte pelo Estado da Bahia, através da concessão de um “crédito presumido”, tratase de um mecanismo de redução do valor do ICMS a pagar, e tem a natureza jurídica de uma redução do critério quantitativo (composto pela combinação da base de cálculo e alíquota) da regramatriz de incidência do imposto estadual. Em outras palavras, de uma redução no montante do ICMS incidente (ou, talvez, um “desconto disfarçado” do imposto a pagar). Com isso, o contribuinte, instalado no território da Bahia, ao fim e ao cabo, deixa de pagar uma parcela do imposto que seria devido. Se com isso, fica caracterizada a chamada “Guerra Fiscal” entre os entes federativos é outra questão, que deve ser debatida em foros próprios. O efeito do incentivo, efetivamente, é o de reduzir a carga tributária final do bem revendido, a qual não é repassada ao custo dos produtos vendidos e, por decorrência, ao consumidor final. Corrobora este entendimento a prescrição contida no §3°, artigo 1º do Decreto Estadual n° 6.734/1997 ao estabelecer que caso o contribuinte opte pela utilização do “crédito presumido” não poderá utilizarse de “quaisquer créditos decorrentes de aquisição de mercadorias ou utilização de serviços nas etapas anteriores”, ou seja, confirma a tese de que efetivamente os “créditos presumidos” têm a finalidade de serem utilizados para deduzir o montante do imposto a pagar, no “sistema de débitos e créditos”, em atendimento ao princípio constitucional da nãocumulatividade do ICMS (artigo 155, §2°, inciso I, CF). Registrese que, em discussão onde foi analisada a constitucionalidade de lei do Distrito Federal que concedia crédito presumido do ICMS (ADI No. 1.5877 DF, de 19/10/2000), o STF entendeu que o citado crédito resultaria em um redução da alíquota do imposto, verbis: Ementa: Arguição de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal, que mediante a instituição de crédito presumido do ICMS, redundou em redução da alíquota efetiva do tributo, independentemente da celebração de convênio com afronta ao disposto no art. 155, § 2°, XII, g, da Constituição Federal. Ação Direta julgada procedente. (grifamos) Pois bem. Passemos à análise do caso concreto em discussão – a incidência do PIS/COFINS sobre os valores decorrentes dos incentivos fiscais do “Probahia”. Sabemos que a Constituição Federal, quando outorga a competência para os entes federativos instituírem tributos, especifica a hipótese de incidência e base de cálculo de cada tributo, de forma diferenciálo dos demais. A base de cálculo, que juntamente com a alíquota aplicável compõe o critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária, tem por finalidade, entre outras, Fl. 315DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 dimensionar a intensidade da incidência do tributo sobre determinado fato tributário. A base de cálculo, portanto, visa mensurar/quantificar os eventos ocorridos no mundo fenomênico, que denotem “signos de riqueza” (no sentido de capacidade contributiva), a fim de propiciar ao Estado a captação de recursos extraídos de parcela do patrimônio dos contribuintes. Neste sentido, o artigo 195, I, “b”, da Constituição Federal prescreve que a seguridade social será financiada, dentre outras formas, pela contribuição social das empresas incidentes sobre a “receita ou o faturamento”. Por sua vez, o artigo 1º da Lei 10.637/2002 dispõe que o PIS/PASEP, não cumulativo, incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, consideradas a receita bruta auferida com a venda de bens e serviços nas operações de conta própria e alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O parágrafo §2º estipula que a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput do artigo 1º. A norma de incidência tributária para a citada Contribuição tem, portanto, como critério material “auferir receita ou faturamento” e critério quantitativo “o montante da receita ou do faturamento auferidos, combinado com a alíquota prevista na lei”. Destarte, não consigo vislumbrar como uma redução do montante do ICMS a pagar, operacionalizada através de um mecanismo de “crédito presumido”, pode ser caracterizada como uma “receita auferida” ou “faturamento auferido” (no Dicionário Aurélio o termo “auferir” equivale a “colher” / “obter”). No meu entender, “receitas” decorrem do ingresso definitivo de recursos financeiros no patrimônio da empresa e, desde que, sejam provenientes de suas atividades empresariais (em acepção ampla); o “faturamento”, por sua vez, é uma espécie do gênero “receitas” e que decorre do ingresso definitivo de recursos oriundos exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. Não os entendo como sinônimos. No caso em tela, não houve “ingresso” de recurso para o contribuinte e, consequentemente, não houve o auferimento de “receita” ou “faturamento”, repitase, houve mera redução no montante do ICMS a pagar. Um “desconto” obtido, sob a forma de crédito presumido (que reduzirá o valor do ICMS a pagar), não pode ser tratado como se fosse um ingresso de receita, oriundo da atividade empresarial do contribuinte, inexistindo, por isso mesmo, manifestação de riqueza passível de ser tributada. Portanto, os valores decorrentes do “crédito presumido do ICMS” estão fora do campo de incidência do PIS, não devendo compor, assim, a sua base de cálculo. É desta forma que interpreto o texto normativo e construo a norma de incidência tributária. Veja que não há subsunção do fato concreto (redução do ICMS a pagar por meio da concessão de “crédito presumido”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). Na doutrina muito se discute quanto ao conceito jurídico do termo “receita”. Vejamos a posição de alguns juristas a esse respeito. Tércio Sampaio Ferraz Júnior afirma que “receita é a quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida” (in Revista Forum de Direito Tributário, número 28). Fl. 316DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101289/200649 Acórdão n.º 3202000.452 S3C2T2 Fl. 309 7 Paulo de Barros Carvalho aduz que “...o termo ‘receita’ é gênero, susceptível de ser dividido em subclasses. O ‘faturamento’ figura como exemplo nítido, pois abrange apenas as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços”. Arremata o jurista: “Receita é o acréscimo patrimonial que adere definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica, não a integrando quaisquer entradas provisórias, representadas por importâncias que se encontrem em seu poder de forma temporária, sem pertencerlhes em caráter definitivo.” (em Direito Tributário, Linguagem e Método. Noeses, São Paulo: 2008, p. 728/729). Geraldo Ataliba informa que “o conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo o dinheiro que ingressa no cofre de uma entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que a recebe” (em Estudos e pareceres de direito tributário”, Revista dos Tribunais, São Paulo. P. 81) Por fim, José Antônio Minatel afirma que “receita é o conteúdo material qualificado pelo ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Caderno de Direito Tributário 2006, EMAGIS – Escola da Magistratura do TRF da 4ª. Região). Em outro giro, com todo respeito àqueles que têm entendimentos diferentes, penso que o conceito de “receita” deve ser buscado no âmbito da linguagem do Direito, e não em outras áreas do conhecimento, na esteira do que já lecionava Hans Kelsen (in “Teoria Pura do Direito”. Ed. Martins Fontes. São Paulo, 2006, p.1/2) ao afirmar que “quando a Teoria Pura empreende delimitar o conhecimento do Direito em face destas disciplinas, fálo não por ignorar ou, muito menos, por negar essa conexão, mas porque intenta evitar um sincretismo metodológico que obscurece a essência da ciência jurídica e dilui os limites que lhe são impostos pela natureza do seu objeto”. O conceito de “receita” trazido pela Ciência Contábil, pareceme, tem por finalidade a consolidação do resultado da empresa (estipulando regras e procedimentos para a escrituração contábil), de forma a apurar o seu lucro contábil (receitas – despesas/custos = lucro), que quando muito, servirá de partida (após os “ajustes” – adições, exclusões e compensações fiscais) para a definição do chamado “lucro real”, este sim, base de cálculo do imposto de renda das empresas (IRPJ). Veja que, mesmo neste caso, o direito positivo não se utiliza diretamente de um conceito da Ciência Contábil (“lucro líquido”) para fazer incidir o IRPJ, mas prescreve um conceito diferente – o “lucro real”. Por fim, destaquese, que a forma de se proceder ao registro contábil, informado pela Ciência Contábil, não deve sobreporse ao conceito jurídico do signo “receita”. Nesta linha de raciocínio, trago à colação lição de Leandro Paulsen (in “Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência" , editora Livraria do Advogado, 9ª ed., p. 471/472), in verbis : "Ressarcimento ou recuperação de custos tributários e de outras despesas. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Nem todo ingresso ou lançamento contábil a crédito constitui receita, que, para ser tributada, deve evidenciar riqueza reveladora de capacidade contributiva. Não pode o Fisco exigir contribuição sobre o simples ressarcimento por tributo pago indevidamente ou sobre o creditamento que visa a compensar custos tributários. (...) Em qualquer hipótese, tratandose de despesa ou custo anteriormente suportado, sua recuperação econômica em qualquer período posterior, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial, não ostenta qualidade para ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou de negócio jurídico (materialidade), além de faltar o atributo da disponibilidade de riqueza nova. A recuperação de custo ou de despesa pode ser equiparada aos efeitos da indenização, pela similitude no caráter de recomposição patrimonial...” Destarte, em minha concepção, o conceito de receita deve ser construído com base em prescrições eminentemente jurídicas. Neste diapasão, inclusive, dispõe o artigo 109 do CTN ao prescrever que podem ser utilizados princípios gerais do direito privado para a pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas. Assim, o conceito de “faturamento”, por exemplo, pode ser construído a partir de dispositivos do direito comercial (Código Comercial, art. 219, antes da fusão com o Código Civil; e Lei 5.474/69, arts. 1º a 5º), quando trata da obrigação de se emitir “fatura” nas vendas, denotando, por conseguinte, que “faturamento” decorre das vendas e prestações de serviços, ou seja, é espécie do gênero “receita”. Nesse gênero (“receita”) podem ser incluídas, ainda, outras receitas, dentre as quais receitas financeiras, receitas patrimoniais (“aluguel”), etc... No que toca à jurisprudência, na mesma linha de entendimento adotado em meu voto, transcrevo trechos do votovencedor do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, proferido no Acórdão No. 20313.634, sessão de 02/12/2008, processo No. 11065.000320/200714, da mesma Recorrente (em votação não unânime): “Para o deslinde da controvérsia, não dou qualquer relevo à contabilidade da empresa. Tampouco adentro no debate sobre a tributação (ou não) das subvenções em geral. O que me faz ver a impossibilidade de inclusão do incentivo na base de cálculo da Contribuição é a sua caracterização como crédito fiscal do ICMS, tal como estatuído nas normas estaduais concessivas do beneficio. No sistema de débitos e créditos de apuração do ICMS, os incentivos concedidos sob a forma de créditos fiscais servem à redução do imposto estadual devido, sendo os valores correspondentes redutores do saldo devedor. Dai não serem computados como faturamento ou receita bruta, mesmo nos termos do alargamento promovido pela Lei n° 9.718/98 (reputado inconstitucional porque anterior à PC n° 20/98) e Leis n's 10.637/2002 e 10.833/2003 (posteriores à citada Emenda e plenamente eficazes). Seria diferente, e ensejaria a tributação mediante o cômputo na receita bruta, tal como definida nas três leis retrocitadas, se o Fl. 318DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101289/200649 Acórdão n.º 3202000.452 S3C2T2 Fl. 310 9 incentivo fosse estabelecido como crédito em moeda corrente (em vez de crédito escritural), e servisse para pagamento do imposto. Do mesmo modo, também seria tributado se o incentivo se desse por meio de desconto no valor de empréstimo concedido ao contribuinte, mas que em função do beneficio Estadual é pago a menor.” Neste sentido, transcrevo ementas de decisões do antigo Conselho de Contribuintes, deixando consignado, entretanto, que a jurisprudência em relação a esta matéria ainda não é pacífica neste Tribunal Administrativo, existindo, do mesmo modo, decisões em sentido contrário (vide, por exemplo, Acórdão CSRF No. 930301.292 de 08/12/2010): (i) Recurso No. 139.098– Acórdão No. 20218.396, sessão de 18 de outubro de 2007: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/09/1998 a 31/12/2002. (...) CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1 2 DO ART. 32 DA LEI N2 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. (ii) Recurso No. 139.268– Acórdão No. 20181.123, sessão de 02/06/2008: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. A realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não se constitui receita e, portanto, o seu valor não integra a base de cálculo do PIS. CRÉDITO RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Recurso voluntário provido em parte. E ainda, no mesmo sentido, transcrevo ementas de decisões do STJ – Superior Tribunal de Justiça: (i) AgRg No. REsp 1.229.134 / SC, de 26/04/2011: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido (ii) Recurso Especial No. 1.025.833 – RS: CRÉDITOPRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). Fl. 320DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101289/200649 Acórdão n.º 3202000.452 S3C2T2 Fl. 311 11 II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. (iii) AgRg no Recurso Especial No. 1.165.316 – SC: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. QUESTÃO RELATIVA À INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça vem decidindo que o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estadomembro, e, portanto, não assume a natureza de receita ou faturamento, pelo que está fora da base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes: 1a. Turma, AgRg no REsp. 1.229.134/SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 03.05.2011; 2a. Turma, REsp. 1.025.833/RS, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJe 17.11.2008. 2. Por outro lado, mostrase despropositada a argumentação relacionada à observância da cláusula de reserva de plenário (art. 97 da CRFB) e do enunciado 10 da Súmula vinculante do STF, pois, na decisão recorrida, não houve declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos legais suscitados, tampouco o seu afastamento. 3. Agravo Regimental desprovido Registrese, por fim, que não há previsão legal para a aplicação de atualização monetária ou incidência de juros nos casos de aproveitamento dos créditos ora em discussão, a teor do disposto no artigo 13 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Contribuição o crédito presumido do ICMS e determinar o ressarcimento sem a glosa respectiva. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Voto Vencedor Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Redatora Divirjo do entendimento do i. Relator, que propugnou pela não inclusão, na base de cálculo do PIS/COFINS, do “crédito presumido” do ICMS concedido ao contribuinte pelo Estado da Bahia, no programa denominado “Probahia”, ao entendimento de que “não houve “ingresso” de recurso para o contribuinte e, consequentemente, não houve o auferimento de “receita” ou “faturamento”, (...) tendo havido “mera redução no montante do ICMS a pagar”. Afirma o relator que “um “desconto” obtido, sob a forma de crédito presumido (que reduzirá o valor do ICMS a pagar), não pode ser tratado como se fosse um ingresso de receita, oriundo da atividade empresarial do contribuinte, inexistindo, por isso mesmo, manifestação de riqueza passível de ser tributada”. Na minha compreensão, o incentivo fiscal ora em análise deve ser considerado como receita não operacional da empresa, vez que não decorre diretamente da alienação de bens ou serviços relativos à sua atividade fim, e, como tal, deve integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. O incentivo fiscal concedido pelo governo do Estado da Bahia consiste em subvenção governamental, devendo ser enquadrado contabilmente como receita, como deixa claro o Pronunciamento Técnico CPC nº 07, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Referido Comitê foi criado pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.055/2005, e tem por objetivo “o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais”. Por meio do predito Pronunciamento Técnico, vêse, claramente, que as subvenções governamentais (aí não se fazendo distinção entre subvenção para investimento ou de custeio), recebidas em dinheiro ou que se apresentem meramente como redução do passivo (como é o caso em questão), devem ser enquadradas como receita. Vejamos o que afirma o predito Pronunciamento Técnico: Definições 3. ..................................................................................................... Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade Fl. 322DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101289/200649 Acórdão n.º 3202000.452 S3C2T2 Fl. 312 13 ......................................................................................................... 6. A subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc. ......................................................................................................... Reconhecimento da subvenção ......................................................................................................... 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo. ......................................................................................................... Contabilização 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas às condições deste Pronunciamento. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. 13. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) Uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados. (b) Subvenção governamental apenas excepcionalmente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando está de acordo com as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. (c) Assim como os tributos são lançados no resultado, é lógico registrar a subvenção governamental, que é, em essência, uma extensão da política fiscal, na demonstração do resultado. ......................................................................................................... 20. Uma subvenção governamental na forma de compensação por gastos ou perdas já incorridos ou para finalidade de dar suporte financeiro imediato à entidade sem qualquer despesa futura relacionada deve ser reconhecida como receita no período em que se tornar recebível. (alguns grifos não constam do original) Entendo que não há como se apartar o “conceito contábil” de “receita” de seu “conceito jurídico”, conforme se pronunciou o i. Relator. O conceito de “receita” nasce da Fl. 323DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 Contabilidade e, quando a lei deseja afastálo de sua origem, assim expressamente o faz. Tanto assim o é que a Lei nº. 12.350/2010, em seu art. 30, veio expressamente excluir as subvenções de que tratam as Leis nº. 10.973/2004 e 11.196/2005 das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Se o alegado “conceito jurídico” de “receita” fosse apartado do seu “conceito contábil”, e, assim, não estivessem incluídas as subvenções governamentais, seria desnecessária a edição da referida lei para expressamente excluílas da base de cálculo das preditas contribuições. Vejase: Art. 30. As subvenções governamentais de que tratam o art. 19 da Lei no 10.973, de 2 de dezembro de 2004, e o art. 21 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005, não serão computadas para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que tenham atendido aos requisitos estabelecidos na legislação específica e realizadas as contrapartidas assumidas pela empresa beneficiária. Por último, temse que tal assunto já foi apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos do processo nº. 10283.001595/200568, Acórdão nº 930301.292, em sessão realizada em 08/12/2010, na qual a 3ª Turma daquela Câmara Superior, por unanimidade de votos, ao apreciar questão referente ao incentivo fiscal relativo ao “crédito presumido” de ICMS concedido pelo governo do Estado do Amazonas, pronunciouse no sentido de que as subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais devem ser escrituradas como receita na apuração da base de cálculo da Cofins. Por fim, temse que a recorrente suscita a nulidade da decisão da DRJPorto Alegre em razão de alegada exigência de crédito tributário sem o competente procedimento de lançamento. Primeiramente, não se trata de caso de nulidade da decisão da DRJ, visto ter sido esta proferida por autoridade competente e ter observado amplamente o direito de defesa da contribuinte, não se subsumindo às hipóteses de nulidade das decisões administrativas previstas no processo administrativo fiscal, no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1972. Demais disso, ao caso em questão também não se faz necessária a formalização da exigência tributária por meio de lançamento, em razão de ter a contribuinte apresentado Declaração de Compensação (fls. 219/234), que se constitui em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida, ou seja, na oportunidade em que o sujeito passivo entrega a DCOMP à Secretaria da Receita Federal, ele faz a discriminação dos créditos e também dos débitos objeto da compensação, de tal modo que estes débitos são confessados por meio daquele documento. É o que dispõe o §6º do já citado art. 74 da Lei nº. 9.430/1996: §6º.A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Na hipótese de não reconhecimento do pleito creditório, aplicamse as disposições do art. 22 da IN 210/2002, qual seja, a SRF efetua a comunicação do sujeito Fl. 324DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101289/200649 Acórdão n.º 3202000.452 S3C2T2 Fl. 313 15 passivo da nãohomologação da compensação e o intima a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, a saber: Art. 22. Constatada pela SRF a compensação indevida de tributo ou contribuição já confessado ou lançado de ofício, o sujeito passivo será comunicado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, contado da ciência do procedimento. Parágrafo único. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para inscrição em Dívida Ativa da União, independentemente da apresentação, pelo sujeito passivo, de manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento de seu direito creditório. Assim, diante da apresentação das DCOMP, em que a contribuinte elenca ali seus débitos, não há que se falar em inexigibilidade do crédito tributário em razão de ausência de lançamento. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 325DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001710/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Para os fatos
geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.522
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEPÓSITO BANCÁRIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva (Suplente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Ausente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1032.075, proferido pela 4ª Turma da DRJ Porto Alegre (fl. 1.310), que, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte a impugnação ao Auto de Infração às fls. 1191/1205, onde se atribui ao autuado a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (item 001 do lançamento); e a omissão de rendimentos tributáveis recebidos por sócio de pessoa jurídica (item 002). Os Demonstrativos e Termo de Verificação Fiscal às fls. 1206/1285, que acompanham o Auto de Infração, indicam minuciosamente a descrição dos fatos das infrações apuradas. Ao apreciar o litígio, instaurado com a impugnação de fls. 1290/1300, o Órgão julgador de primeiro grau considerou procedente em parte a impugnação, para desqualificar a multa de ofício, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006,2007,2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 1453/1466, o recorrente aduz que o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, encontrase revogado por manifesta incompatibilidade com o § 4º do artigo 5º da Lei Complementar n° 105/2001. A própria lei define que a adequada apuração dos fatos depende da instauração de auditoria ou fiscalização que levará em conta outros fatores que não a simples soma dos depósitos bancários, como previa o revogado art. 42 da Lei 9.430/96. Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 11020.001710/201015 Acórdão n.º 210101.522 S2C1T1 Fl. 1.471 3 Argumenta que a quebra do sigilo bancário do contribuinte poderá ensejar, quando muito, a constatação de indícios de ilícito fiscal, que dependerão ainda da requisição de informações e documentos de que necessitar a autoridade interessada, bem como de fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. Ou seja, se o fisco pode requisitar os documentos que julgar necessários à adequada apuração dos fatos como manda a lei nova, a conseqüência disso será a tributação real e efetiva da omissão de rendimentos ou receitas, não podendo mais a administração utilizar os depósitos bancários como base na presunção do art. 42 da Lei 9.430/96, que considera os depósitos bancários a priori como omissão de receita ou rendimento. Pondera, ainda, que o art. 42 da Lei 9.430/96 utilizavase de presunção juris tantum para tributação dos depósitos bancários, a ponto de reputálos a priori como omissão de rendimento ou receita, e se a Lei Complementar n. 105/2001, ao contrário, determina que os depósitos poderão servir meramente como prova indiciária de ilícito fiscal, determinando que o fisco promova a adequada apuração dos fatos mediante a análise de outros elementos de prova a serem obtidos em fiscalização ou auditoria, resta irretorquível que esta última findou por revogar, tacitamente, aquele dispositivo da lei velha. Entende que mesmo em período antecedente à LC nº 105, o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 já não poderia ser aplicado, pouco importando a presunção legal isoladamente, sem comprovação do real e efetivo acréscimo patrimonial. Assevera também que a presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei 9.430/96 ofende direta e frontalmente o conceito de renda, conceituado como renda pelo artigo 43 do CTN, que se afere pela disponibilidade de um produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e acréscimo no patrimônio (elemento fundamental para que haja o fato gerador do tributo), num determinado período de tempo. Sem acréscimo patrimonial não há, pela Constituição e pelo CTN, renda ou provento tributável. Argúi que à luz do artigo 116 do CTN, tem sido entendido que a aquisição de disponibilidade econômica corresponde àquela disponibilidade real ou à obtenção de fato de recursos e a aquisição de disponibilidade jurídica, à aquisição de direitos sobre disponibilidades possíveis, com os temperamentos do artigo 117. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das pelas processuais, verificase que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. Inicialmente, cumpre esclarecer que a quebra do sigilo bancário do contribuinte foi autorizado pelo Poder Judiciário, consoante Termo de Verificação Fiscal à fl. 1239. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 11020.001710/201015 Acórdão n.º 210101.522 S2C1T1 Fl. 1.472 5 pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado como fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Alfredo Augusto Becker1, alicerçado na doutrina francesa e espanhola, ao distinguir presunção legal e ficção legal, assim escreveu: Existe uma diferença radical entre a presunção legal e a ficção legal. ‘A presunção tem por ponto de partida a verdade de um fato: de um fato conhecido se infere outro desconhecido. A ficção, todavia, nasce de uma falsidade. Na ficção, a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente (ou com toda a certeza) falso. Na presunção a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente verdadeiro. A verdade jurídica imposta pela lei, quando se baseia numa provável (ou certa) falsidade é ficção, quando se fundamenta numa provável veracidade é presunção legal`. A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõese a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos. A regra jurídica cria uma ficção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é improvável (ou falsa) porque falta correlação natural de existência entre os dois fatos. Para Pontes de Miranda2, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. 1 BECKER, Alfredo Augusto, Teoria Geral do Direito Tributário, 3ª. ed. – São Paulo: Lejus, 1998, pág. 509. Ed. Lejus 2 MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, o Primeiro Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A partir da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser “modalidade de arbitramento” — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182), pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/88 (que determinavam o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de nº 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancário sem origem comprovada. Durante o procedimento de fiscalização o contribuinte foi devidamente intimado a comprovar a origem dos créditos bancários, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, cumprindo requisito fundamental estabelecido pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para que a presunção legal utilizada no lançamento em exame possa ser validamente aplicada, em consonância com o artigo 116 do CTN. Foram individualizados nos Demonstrativos os créditos bancários que não tiveram sua origem comprovada: com data, valor e histórico, para que o contribuinte pudesse exercer plenamente o seu direito de defesa. Os argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte foram minuciosamente analisados pela fiscalização, sendo excluídos da infração tributária os créditos que tiveram sua origem comprovada, os créditos estornados, as transferências entre contas do mesmo titular, conforme Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 11020.001710/201015 Acórdão n.º 210101.522 S2C1T1 Fl. 1.473 7 Demonstrativos e Termo de Verificação Fiscal às fls. 1206/1285. Os créditos que não tiveram sua origem comprovada correspondem a disponibilidade real em favor do contribuinte. Por sua vez, o voto condutor da decisão recorrida (fls. 1314/1328), cujos fundamentos estão em consonância com a jurisprudência deste Colegiado, rejeitou parcialmente as questões de defesa suscitadas pelo impugnante, desqualificando a multa de ofício. Em sede recursal, conforme relatado, discutese, tãosomente, a validade da presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, sendo certo que este CARF a tem por regra jurídica plenamente válida e vigente, consoante dispõe a Súmula CARF nº 26, já transcrita neste voto. Diferentemente do que argumenta o recorrente, a LC nº 105, de 2001, não revogou o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Confirase o disposto no artigo 9º da LC nº 95, de 26/02/1998: Art. 9o A cláusula de revogação deverá enumerar, expressamente, as leis ou disposições legais revogadas. (Redação dada pela Lei Complementar nº 107, de 26.4.2001) A fiscalização detectou inconsistências entre os valores informados nas declarações de rendimentos apresentadas pelo contribuinte e sua movimentação bancária, intimandoo para que comprovasse a origem dos créditos bancários, sendo parcialmente atendido. A parte que não teve sua origem comprovada foi objeto do presente lançamento, com base no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Somente o favorecido do crédito poderá esclarecer e comprovar a origem dos valores que ingressaram em sua própria conta bancária. O Auto de Infração, Demonstrativos e Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1191/1285, afastam quaisquer dúvidas quando ao trabalho de auditoria realizado e a respeito da adequada apuração dos fatos, conforme dispõe o § 4º do artigo 5º da LC nº 105/2001. Ressaltese, entretanto, que a fiscalização jamais requisitou informações ou documentos às instituições financeiras. Todos os documentos bancários nos autos tiveram por origem a quebra judicial do sigilo bancário do contribuinte. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 11831.001596/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos
RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.020
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA • .?; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11831.001596/2007-83 Recurso n° 163.182 Voluntário Acórdão n° 2401-01.020 — 4" Câmara/ia Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente ÁGUA LIMPA TRANSPORTES LTDA E OUTROS Recorrida DRJ-SÃO PAULO I/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40 ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. • (11). ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente .41~alb RYCA 'O 0 1 RIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator Participaram, do presente ju ento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, deusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 11831.001596/2007-83 S2-C4T1 Acórdão 11.° 2401-01.020 Fl. 1.171 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (65466), Processo: n°35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEíCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA, PRAZO QUINQUENAL. O prazo clecadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstinicionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's fre's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). É o relatório. 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2', § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE HAIA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. iiSala das Sessõe. sem 24 de fevereiro de 2010 i, . ide toas °- % RYCAR 'O HEI (QUE MAGALHÃES D • LIVEIRA - Relator I 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA• 01,7» CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS •:::;;Içg.-;), QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO . • Processo n°: 11831.001596/2007-83 Recurso n°: 163.182 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.020 Brasília, e março de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ 1 Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000044/2005-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Anocalendário:
2003
OMISSÃO.
Constatada a omissão na apreciação de argumentos, acolhese
os embargos
de declaração para sanar o vício apontado.
RETROATIVIDADE BENÍGNA.
Aplicase
retroativamente a legislação mais benéfica aos atos e fatos não
definitivamente julgados.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3403-001.514
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher
os embargos de declaração com efeitos modificativos para, além de sanar a omissão no
Acórdão nº 17.410, alterar o resultado do julgamento e dar provimento ao recurso para cancelar
a exigência da multa de ofício isolada pela aplicação do princípio da retroatividade benígna ao
art. 18, caput, da Lei nº 10.833/03, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.488/07.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Constatada a omissão na apreciação de argumentos, acolhese os embargos de declaração para sanar o vício apontado. RETROATIVIDADE BENÍGNA. Aplicase retroativamente a legislação mais benéfica aos atos e fatos não definitivamente julgados. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos modificativos para, além de sanar a omissão no Acórdão nº 17.410, alterar o resultado do julgamento e dar provimento ao recurso para cancelar a exigência da multa de ofício isolada pela aplicação do princípio da retroatividade benígna ao art. 18, caput, da Lei nº 10.833/03, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.488/07. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Fl. 859DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Trata o presente processo de lançamento da multa de ofício isolada por infração qualificada, em razão de glosa de compensação indevida do IPI. Segundo consta dos autos, em 04/10/2002 o contribuinte formalizou o processo nº 11065.003707/200218, solicitando a restituição de créditos oriundos de obrigações da Eletrobrás. O pedido foi indeferido em 13/09/2002 pela autoridade administrativa, sob o fundamento de que a Receita Federal não é competente para apreciar pedidos de restituição de créditos de natureza não tributária, como é o caso dos títulos da Eletrobrás. Mesmo diante do indeferimento do pedido, o contribuinte passou a efetuar compensações dos referidos créditos em DCTF, indicando como origem dos créditos o processo nº 11065.003707/200218. Por meio do Acórdão nº 20217.410, foi dado provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício isolada, reduzindoa ao patamar de 75%. Notificado daquele acórdão, o contribuinte interpôs em tempo hábil embargos de declaração com fulcro no art. 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55/98, sob a alegação de que o colegiado incorrera em omissão ao deixar de apreciar matéria ventilada no recurso voluntário. Segundo a embargante, o acórdão foi omisso em apreciar a argumentação na qual sustenta a inexistência de fato típico a ensejar a aplicação da multa, ante a pendência de julgamento do pedido de restituição objeto do processo nº 11065.003707/200218. Na assentada do dia 19 de outubro de 2007 a Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes analisou os embargos, concluindo pela conversão do julgamento em diligência, acompanhando o voto do então Relator do processo, Conselheiro Antonio Zomer, cujo excerto, extraído da fl. 240, transcrevo a seguir: “(...) Analisando o relatório e o voto constantes da decisão embargada, constatase que, de fato, houve a apontada omissão, devendo, portanto, ser conhecido o recurso de Embargos, para o fim de sanar o julgado anterior e apreciar a matéria omitida. A parte do recurso voluntário não examinada diz respeito ao entendimento da empresa de que, de acordo com o art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/96, e inciso II do art. 151 do CTN, a manifestação de inconformidade e os recursos apresentados nos autos do processo relativo ao pedido de restituição têm efeito suspensivo, impossibilitando a Administração de tomar qualquer medida para exigir o crédito, enquanto não apreciadas as suas razões de defesa. Segundo a recorrente, o lançamento não poderia ter sido efetuado e nem realizados os julgamentos da impugnação e do recurso voluntário enquanto pendente de decisão a questão da legitimidade da compensação efetuada com Obrigações da Eletrobrás, que fora objeto de pedido de restituição formulado no Processo nº 11065.003707/200218, ainda em fase de julgamento administrativo. A matéria objeto da controvérsia está regulada no § 3º do art. 18 da Lei nº 10.833/2002, nos seguintes termos: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se Fl. 860DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.000044/200514 Acórdão n.º 3403001.514 S3C4T3 Fl. 2 3 comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) [...] § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente." No presente caso, por inviabilidade técnica, a manifestação de inconformidade e a impugnação da multa isolada não foram reunidas no mesmo processo, pois a não homologação e o lançamento ocorreram em épocas distintas: o pedido de restituição estava em fase de julgamento perante o Terceiro Conselho de Contribuintes quando o lançamento da multa foi cientificado à recorrente. Ante a este desencontro, e tendo em vista a dependência deste processo daquele relativo ao pedido de restituição, voto pela conversão do julgamento dos embargos em diligência à repartição de origem, para que seja juntada aos presentes autos a decisão definitiva proferida no Processo nº 11065.003707/200218, dandose ciência desta providência à recorrente, propiciandolhe o prazo de dez dias para que se manifeste sobre o fato, se assim o desejar. Após, deve o processo ser devolvido a esta a Câmara para julgamento.” Os autos retornaram com o termo de diligência de fls. 244 a 247, instruído com os documentos de fls. 248 a 291. No referido termo a autoridade administrativa narrou o conturbado desenrolar do processo de restituição nº 11065.003707/200218. Informou a referida autoridade que o recurso voluntário apresentado naquele processo só teve seguimento em virtude de ordem judicial expedida nos autos do mandado de segurança nº 2003.71.080104878 (RS), impetrado pelo contribuinte. O objeto da referida ação foi a expedição e ordem determinando o encaminhamento do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes e a suspensão da cobrança dos débitos até que houvesse decisão definitiva do pedido de restituição/compensação. Enviado o feito administrativo ao Conselho de Contribuintes, foi proferido o Acórdão nº 30237.081 no qual, por maioria de votos, o colegiado não tomou conhecimento do recurso, por entender que a matéria não era de competência da Secretaria da Receita Federal. O contribuinte, não satisfeito, impetrou o mandado de segurança nº 2006.34.00.0225550, distribuído à 20ª Vara Federal do DF, com o objetivo de obrigar o Presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes a incluir a íntegra dos votos vencidos no Acórdão nº 30237.081. Em consulta à página da Justiça Federal no Distrito Federal, constatou a autoridade administrativa que houve sentença de procedência determinando a juntada os votos vencidos. Em maio de 2008 teria se configurado o descumprimento da referida decisão. E em Fl. 861DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 setembro do mesmo ano o juiz prolatou decisão acolhendo as justificativas do Presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho quanto à impossibilidade de inclusão da íntegra dos votos vencidos. Antes disso, em outubro de 2007, o contribuinte impetrara novo mandado de segurança, o de nº 2007.34.00.0371372, distribuído à 15ª Vara Federal do DF, solicitando a suspensão do prazo para apresentação de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, enquanto o Presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho não publicasse o Acórdão nº 30237.081 com a íntegra dos votos vencidos. Foi concedida liminar no sentido de suspender a fluência do prazo para interposição do Recurso Especial à CSRF no processo administrativo nº 11065.003707/200218 até que o Presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho publicasse o Acórdão 30237.081 com a íntegra dos votos vencidos. Tendo em vista aquela determinação judicial e considerando que o Presidente da Segunda Câmara não divulgava o teor dos votos vencidos, a situação ficou estagnada e o crédito tributário permaneceu com a exigibilidade suspensa, em razão do prazo para interposição de recurso especial ter sido suspenso. Entretanto, no segundo semestre de 2009, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região julgou a Apelação da Fazenda Nacional no primeiro mandado de segurança interposto, aquele que determinara o encaminhamento do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. No acórdão, cuja cópia encontrase juntada às fls. 273 a 278, verificase que o TRF entendeu que os créditos decorrentes de títulos da Eletrobrás não têm natureza tributária; que a Receita Federal não tem competência para análise do pedido de restituição/compensação; que o duplo grau de jurisdição na esfera administrativa não é absoluto; e que o fisco agiu corretamente quando não considerou a compensação dos créditos declarados pelo impetrante, negando seguimento ao recurso voluntário. O contribuinte interpôs recurso especial ao STJ em face do referido acórdão, do qual desistiu para incluir os débitos compensados com base no processo administrativo nº 11065.003707/200218 no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, conforme fl. 289. O trânsito em julgado ocorreu em 15/03/2011 (fl. 288). A DRF em Novo Hamburgo acionou a Procuradoria da Fazenda Nacional no Distrito Federal, que peticionou junto ao juízo da 15ª Vara Federal, tendo sido prolatada a sentença de fls. 282 a 287 extinguindo o mandado de segurança nº 2007.34.00.0371372 sem julgamento de mérito por falta de interesse de agir do impetrante. O trânsito em julgado ocorreu em 15/09/2010, conforme revela pesquisa na página de acompanhamento processual da Justiça Federal no Distrito Federal. Ao contribuinte foi feita a intimação do termo de diligência de fls. 244 a 247 com as constatações acima relatadas. A intimação ocorreu em 24/03/2011 (fl. 290) e o prazo para manifestação transcorreu “in albis”, conforme fl. 291. A cópia do Acórdão nº 30237.081 encontrase às fls. 251/258, seguida pela cópia do Acórdão nº 30238.668, que rejeitou os embargos de declaração opostos pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.000044/200514 Acórdão n.º 3403001.514 S3C4T3 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. A questão da admissibilidade dos embargos de declaração já foi superada pela conversão do julgamento em diligência. A recorrente alegou que o auto de infração com a multa isolada não poderia ter sido lavrado antes do desfecho do julgamento do processo no qual se discutia o direito de crédito, pois enquanto não sobrevier a decisão derradeira quanto à existência ou inexistência daquele direito, não se pode afirmar que as compensações foram indevidas. Não tem razão a embargante, pois no caso concreto a exigência da multa isolada foi efetuada com base no art. 90 da MP nº 2.15835 combinado com o art. 18 da Lei nº 10.833/03, que são enunciados imperativos para a autoridade administrativa. Além disso, a atividade de lançamento por parte do fisco está sujeita aos prazos extintivos previstos nos artigos 150, § 4º e 173, I do CTN, não podendo o fisco aguardar o desfecho do processo principal, que encerra a questão prejudicial, para efetuar o lançamento da multa de ofício isolada em processo acessório. Caso a decisão final no processo que encerra a questão prejudicial sobrenha após a configuração do fato extintivo do direito do fisco, restará inviabilizado o lançamento da parte acessória, o que rende ensejo à responsabilização funcional do agente público, a teor do art. 142, parágrafo único, do CTN. Não foi por outra razão que o art. 18, § 3º da Lei nº 10.833/03 estabelece que ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação das compensações e impugnação da multa isolada as peças devem ser reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. No caso concreto, a reunião determinada pela lei restou inviabilizada, pois quando do lançamento da multa isolada o processo principal já se encontrava em fase de julgamento. Relativamente à outra questão suscitada nos embargos, qual seja, o fato da cobrança da multa isolada não poder prosseguir enquanto não se decidir a questão prejudicial relativa ao direito de crédito, entendo que tal questão perdeu objeto a partir do momento em que o Acórdão nº 30237.081 tornouse definitivo na via administrativa e o contribuinte incluiu os débitos por compensações indevidas no parcelamento da Lei nº 11.941/09. O contribuinte foi intimado do termo de diligência e não contestou o fato afirmado de que desistira do processo no STJ e que parcelou os débitos decorrentes das compensações indevidas. Com estas considerações, considero supridas as omissões apontadas no Acórdão nº 20217.410. Entretanto, entre a data da interposição dos embargos de declaração e a data da prolação da Resolução que converteu o julgamento em diligência, surgiu um fato novo. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Veio ao mundo jurídico a Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 10.833/03. A partir de então a inflição da multa de ofício isolada em razão de não homologação de compensação, ficou restrita aos casos em que se comprove falsidade da declaração e aos casos em que a compensação é considerada não declarada. No caso concreto não se cogitou de falsidade de declaração. O que ocorreu foram compensações do IPI com os créditos oriundos de títulos da Eletrobrás, as quais foram feitas nos períodos de apuração compreendidos entre o primeiro decêndio de março de 2003 e o segundo decêndio de outubro de 2003, conforme termo de verificação fiscal (fl. 11) e demonstrativo de apuração da multa de ofício (fl. 05). Conquanto esta situação fática configure a hipótese de compensação não declarada prevista no art. 74, § 12, II, alínea “c”, da Lei nº 9.430/96, esta ficção jurídica só foi introduzida na legislação com o advento do art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Considerando que a Lei nº 11.051, de 2004 não pode retroagir para apanhar compensações efetuadas no ano anterior, as compensações de IPI realizadas pelo contribuinte não podem ser tidas como não declaradas. Desse modo, concluise que a situação fática deste processo não mais se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas na atual redação do art. 18 da Lei nº 10.833/03 para as quais existe a cominação da multa de ofício isolada. O art. 106, II, alínea “c” do CTN determina de modo imperativo que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Ora, considerando que o art. 18, caput, da Lei nº 10.833/03, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, deixou de apenar com a multa de ofício a compensação efetuada pelo contribuinte, é de rigor aplicálo de forma retroativa ao caso concreto, conforme determina o art. 106, II, alínea “c” do CTN, o que conduz ao cancelamento do auto de infração. Firme nestes fundamentos, voto no sentido de acolher os embargos de declaração do contribuinte com efeitos modificativos para, além de sanar a omissão apontada no Acórdão nº 20217.410, alterar o resultado do julgamento, dando provimento ao recurso para cancelar a exigência da multa de ofício isolada. Antonio Carlos Atulim Fl. 864DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.000044/200514 Acórdão n.º 3403001.514 S3C4T3 Fl. 4 7 Fl. 865DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000910/00-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
Data do pedido: 02/04/2000.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO.
O Prazo para pedir restituição é de cinco anos contados do pagamento indevido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.122
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Data do pedido: 02/04/2000. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. O Prazo para pedir restituição é de cinco anos contados do pagamento indevido. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Judith do Amaral Marcondes Armando Relatora Editado em: 17 de dezembro de 2010. Participaram do presente julgamento os seguintes conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO 2 Siade Manzan, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Presente Moisés de Sousa Carvalho Pereira PFN. Relatório O presente Recurso Especial de divergência foi admitido conforme termos de fls. 283 a 286. A decisão a quo, ora contestada, deu como prazo para pedir restituição do finsocial os cinco anos contados a partir da edição da MP 1.110, de 31 de agosto de 1995. O paradigma apresentado fala em cinco anos contados da extinção do crédito tributário (art 168, I, do CTN). É o relatório. Voto Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora Aprecio o Recurso Especial interposto em nome da Fazenda Nacional, em boa forma. A controvérsia admitida foi com respeito ao prazo de restituição de tributo pago indevidamente, à luz da legislação considerada aplicável. A matéria é recorrente e já esteve em discussão nesta turma da CSRF, com decisão considerada paradigmática, conduzida pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Nada obstante, adoto meu voto proferido anteriormente sobre a matéria, alertando para as necessárias adaptações ao caso aqui relatado: Contribuições sociais são instrumentos encontrados pela sociedade para assegurar a efetivação de ações destinadas a dar cumprimento às suas – as da sociedade – determinações em matéria de direitos sociais. Tais ações fazem parte da cesta de bens públicos pontualmente indicados pela sociedade e que merecem tratamento diferenciado dos demais por sua natureza e pela priorização que lhes é atribuída pela própria sociedade. A forma mista de custeio do orçamento social, pela via de contribuições específicas e do orçamento fiscal ordinário é expressão da racionalidade do legislador e de sua determinação em fazer estável e independente o orçamento previdenciário. Chamo atenção aqui para os valores estável e independente posto que em minha conclusão vou me reportar, outra vez, a esses valores. O Decretolei nº. 1940/82, ao criar o FINSOCIAL o fez determinando que os recursos fossem destinados ao custeio de “investimentos de caráter assistencial em alimentação, habitação popular, saúde, educação e amparo ao pequeno agricultor”. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.000910/0089 Acórdão n.º 930301.122 CSRFT3 Fl. 300 3 Entendo que, adiantandose aos ideais de uma nova expressão da cidadania, que seriam materializados na Constituição Federal de 1988, individualizou o legislador daquele então uma função específica do Estado que deveria ser apoiada por recursos específicos. Esse se adiantar à identificação de determinados bens públicos, digamos “notabilizados”, marcou de forma cristalina a passagem do Estado de Direito para o Estado Democrático de Direito. E nesse ponto atento para valores ligados aos direitos coletivos, uma vez que ao final vou novamente tratar desses direitos, em contraposição aos direitos individuais. Faço esta digressão introdutória de minhas reflexões sobre a questão da decadência porque entendo que ademais da intempestividade do pedido de restituição, à luz do que preceitua o Código Tributário Nacional, questão preliminar neste caso, outros marcos legais devem ser abordados, também em instância preliminar à decisão do mérito, e bem assim valores implícitos na Constituição Federal. Em primeiro lugar, peço licença para retomar debate já ocorrido neste colegiado, e externar de forma clara minha posição relativa à decadência do direito de pleitear a devolução de tributos: 5 anos a partir da data do pagamento, conforme determina o art. 168, II do CTN. A tese, muitas vezes utilizada, de que a presunção da constitucionalidade da lei faz com que o contribuinte deixe de questionála não me parece razoável. O próprio ordenamento jurídico nacional estabelece prazo para que os interessados possam questionar qualquer ato jurídico que, porventura, venha a lhes causar algum prejuízo. Assim, presunção de constitucionalidade não determina vedação ao exercício do direito de questionar. Valhome de entendimento já acolhido anteriormente neste colegiado: “Dessa maneira, quando alguém entender que determinada lei é inconstitucional deve ser proposta uma ação. Afinal, a todo direito corresponde uma ação. E esta ação deve ser proposta, também, dentro do prazo que o próprio Direito também estabelece. É evidente que este prazo varia de acordo com a matéria regulada pela lei em questão. No caso de uma lei tributária, em regra, o prazo seria o de cinco anos, ou seja, o mesmo prazo estipulado para o pedido de devolução de tributos pagos indevidamente Por isso, já diziam os romanos: dormientibus non succurrit jus. Portanto, quando da edição de uma nova lei, cabe aos estudiosos do Direito verificar se esta lei foi elaborada nos exatos termos do figurino constitucional. E isso, evidentemente, dentro do prazo legal. No entanto, na prática, isso não ocorre. Poucos estudam e exercem o seu Direito. Estes, após anos de debates e em decorrência do empenho conseguem um pronunciamento favorável. É de Direito estender está decisão isolada a toda sociedade? A resposta é negativa, pois, o Direito não socorre aos que dormem!!! Como já acima citado o Direito é segurança. E dentro desta segurança é que o mesmo Direito, através da Constituição Federal, outorga uma ação específica Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO 4 para esse fim, isto é, a ação direta de inconstitucionalidade, que da mesma forma deve ser proposta dentro de um determinado prazo. Esta sim, à luz de inconstitucionalidade, possui eficácia erga omnes, para proteger a sociedade como um todo. Em suma, uma lei, quando inconstitucional, já nasce inconstitucional. Não é um acórdão do STF que a torna inconstitucional. A inconstitucionalidade é preexistente, dependente, apenas, de uma sentença que a declare como tal, observado o prazo para a propositura da ação. Destarte, entendo que o efeito de uma declaração de inconstitucionalidade em sede de controle difuso deve restringir a quem a postulou antecipadamente, não devendo produzir “efeito despertador” para que toda sociedade venha reclamar aquilo que lhe foi, outrora, de Direito.”. (extraído do PROCESSO Nº 13807.011547/0071, SESSÃO DE 14 de setembro de 2004, ACÓRDÃO Nº 30236.339, RECURSO Nº 126449). Mas, não admito o marco puramente legal, com sua ética e forma, como único condutor de um raciocínio lúcido sobre o direito de restituir ou compensar. Creio que a legislação deve ser referida a seu contexto, aos valores sociais de sua época, as circunstâncias econômicas e políticas que circundaram sua edição, e não pode ser trazida a julgamento posterior sem essas preciosas referências, sob o risco de produzir uma falsa justiça. Nesse sentido, valhome também do conceito de sustentabilidade, trazido da economia e da ecologia, para fundamentar o meu convencimento. Um sistema articulado e harmonizado, como é o do orçamento de receitas e gastos públicos, deve trabalhar com dados e variáveis em equilíbrio dinâmico e com conseqüências em perspectiva. O sistema social chamado de Orçamento Fiscal tem uma de suas partes constituída pelos contribuintes e outra pela Fazenda Pública. Ora, muitos anos depois dos cinco estabelecidos no CTN, estão reconhecidos, julgados e acreditados os valores recebidos, e gastos nos bens para os quais foram estabelecidos. Sob esse aspecto é razoável supor que aqueles que não contestaram a majoração do gravame pelas vias legalmente autorizadas administrativas ou judiciárias deixaram de exercer um direito que lhes era garantido pelo prazo de 5 anos, conforme determina o CTN, e que a Fazenda Pública já utilizou os recursos colocados a sua disposição. Ora, se estamos tratando de um sistema, as entropias se corrigem no curto prazo, sob risco de destruir o sistema, violando a estabilidade e independência a que me referi. E o curto prazo, para efeito de restituição de tributos é aquele em que a segurança jurídica não impeça a segurança social e econômica do sistema orçamentário fiscal, vale dizer os 5 anos eleitos pela sociedade e positivados no ordenamento jurídico. Em seqüência desejo tratar do mandamento do art. 166 do Código Tributário Nacional que determina: “A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla”. Tributos fazem parte da equação que determina o preço do produto. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.000910/0089 Acórdão n.º 930301.122 CSRFT3 Fl. 301 5 Em economia o custo de oportunidade determina a decisão de investir. Ora, para que seja determinado o custo de oportunidade é necessário que todos os custos de produção sejam orçados no momento da decisão de investir. Assim sendo, salvo se por razões do universo não econômico, o empresário deixou de repassar para os preços o custo da tributação ou de parte dela, essa realidade contábil deve estar registrada de forma clara. Permitamme afirmar, essa é a única forma de bem identificar a matriz de insumo/produto, absolutamente indispensável em qualquer empreendimento econômico. Não é de se supor, por irracional do ponto de vista econômico, que todos os que pagaram o Finsocial com as alíquotas majoradas tenham levado em contabilidade apartada um custo de produção por eles suportado, em detrimento ou da remuneração do capital ou do lucro daquele momento econômico, em nome de uma crença absoluta que no futuro haveria de se considerar inconstitucional o tributo e lhes seria devolvido o montante, com a remuneração de capital do setor, acrescidos do lucro do investimento, e das devidas compensações pelos danos de terem sido expulsos do mercado. Aliás, em se supondo, seria inadmissível que deixassem de interpor demandas, administrativas ou judiciais, já naquele momento. Neste processo em nenhum tempo está representada a contabilidade do empreendedor, aqui contribuinte, que permita afastar a racionalidade econômica e reconhecer o direito de restituição, nos termos do art. 166 do CTN. Pelo exposto, neste ponto, já me permitiria negar provimento ao pedido do contribuinte, convencida de que não há o que devolver a quem não provou ter pago e não repassado o ônus do pagamento. Na seqüência de meu raciocínio, creio que poderia o julgador, em instância não administrativa, entender que incautamente o contribuinte deixou de apresentar sua contabilidade e também não lhe foi nunca exigido, motivo pelo qual poderia ser que existisse o direito alegado. No campo das conjecturas é possível admitir que a instância judicial seja menos afeiçoada aos raciocínios marcados por parâmetros contábeis. Nesse ponto, é de evidencia solar, como se costuma dizer entre os juristas, que mesmo se admitindo, por amor ao debate, que haja um direito individual na questão da repetição do Finsocial, há também um direito coletivo, social, que deve ser posto em evidência e aquilatado para que se possa efetivamente fazer uma escolha razoável, no momento de julgar, em dúvida, pró – contribuinte. É evidente que para restituir o que é reclamado o fisco deixará de oferecer algum bem público a que tem direito a coletividade que hoje paga seus tributos. Ou deverá onerar com mais tributos essa mesma coletividade. Ou seja, a sociedade deverá pagar, outra vez, os tributos que já pagou anteriormente, diretamente ao Estado, ou indiretamente pela via dos preços. Valhome então do saber contido no RE 374981 relatado pelo Ministro Celso de Melo, que me permito descontextualizar: “É certo – consoante adverte a jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal que não se reveste de natureza absoluta a liberdade de atividade empresarial, econômica, ou profissional, eis que inexistem, em Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO 6 nosso sistema jurídico, direitos e garantias impregnados de caráter absoluto: “OS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS NÂO TÊM CARÁTER ABSOLUTO. Não há, no sistema constitucional brasileiro, direitos e garantias que se revistam de caráter absoluto, mesmo porque razões de relevante interesse público ou exigências derivadas do princípio de convivência das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a adoção, por parte dos órgãos estatais, de medidas restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde que respeitados os termos estabelecidos pela própria Constituição. O estatuto constitucional das liberdades públicas, ao delinear o regime jurídico a que estão sujeitas e considerando o substrato ético que as informa – permite que sobre elas incidam limitações de ordem jurídica, destinadas, de um lado, a proteger a integridade do interesse social e, de outro, a assegurar a coexistência harmoniosa das liberdades, pois nenhum direito ou garantia pode ser exercido em detrimento da ordem pública ou com desrespeito aos direitos e garantias de terceiros” (RTJ 173/807808 Rel. Min. Celso de Melo, Pleno). Para não me alongar maçantemente com outros argumentos menos expressivos finalizo: • A legislação tributária determina que o pedido de restituição se faça dentro dos cinco anos que se seguem ao pagamento; • A lei não socorre aos que dormem; • Os tributos são parte do custo dos produtos e serviços; • Não foi comprovado que o contribuinte não repassou o custo do tributo aos compradores de seus produtos ou serviços; • O direito individual não se sobrepõe ao direito coletivo; É certo que a sociedade pagará pela repetição do “indébito” ou na forma de novos tributos ou na substituição de bens públicos pelo pagamento em apreço. Tudo isso posto dou provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. Judith do Amaral Marcondes Armando Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10640.001869/2002-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1997
FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO DECLARADO EM DCTF QUITAÇÃO
POR COMPENSAÇÃO Restando afastados os fundamentos que levaram ao não reconhecimento da compensação na primeira instância administrativa (a prescrição do crédito e o
conteúdo da DIRPJ), devem os autos retornar à Delegacia de Julgamento, para que uma nova decisão seja proferida em relação às matérias ainda não examinadas naquela instância.
Numero da decisão: 1802-001.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição do crédito utilizado na compensação, e devolver os autos à DRJ para que seja proferida uma nova decisão quanto às matérias não analisadas naquela instância administrativa.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:1997 FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO DECLARADO EM DCTF QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO Restando afastados os fundamentos que levaram ao não reconhecimento da compensação na primeira instância administrativa (a prescrição do crédito e o conteúdo da DIRPJ), devem os autos retornar à Delegacia de Julgamento, para que uma nova decisão seja proferida em relação às matérias ainda não examinadas naquela instância.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1890; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 205 1 204 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.001869/200260 Recurso nº 910.518 Voluntário Acórdão nº 180201.073 – 2ª Turma Especial Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente ERGA PRODUTOS SIDERÚRGICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO DECLARADO EM DCTF QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO Restando afastados os fundamentos que levaram ao não reconhecimento da compensação na primeira instância administrativa (a prescrição do crédito e o conteúdo da DIRPJ), devem os autos retornar à Delegacia de Julgamento, para que uma nova decisão seja proferida em relação às matérias ainda não examinadas naquela instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição do crédito utilizado na compensação, e devolver os autos à DRJ para que seja proferida uma nova decisão quanto às matérias não analisadas naquela instância administrativa. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001869/200260 Acórdão n.º 180201.073 S1TE02 Fl. 206 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ (fls. 17 a 24), no valor originário de R$ 19.245,39, estando incluído nesse montante a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. A exigência decorreu de procedimento de auditoria interna de DCTF. Conforme os relatórios que integram o auto de infração, o lançamento, que abrange o IRPJ/ Lucro Presumido referente ao 3º e 4º trimestres do anocalendário de 1997, decorreu do fato de a Contribuinte ter informado para estes débitos uma vinculação relativa à compensação sem DARF, indicando um número de processo judicial que não foi comprovado. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 1 a 11, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0932.321 (fls. 146 a 151) a Contribuinte alegou em síntese: 1. utilização de compensação com crédito advindo de ação judicial onde obteve o direito a correção de suas demonstrações financeiras do anocalendário 1990 pelo IPC integral e imediata compensação dos resultados na apuração do lucro real de 1991, na apuração do IRPJ; 2. optou pela utilização de seus créditos após o trânsito em julgado da decisão judicial, cabendo ao Fisco a verificação da existência ou não de créditos em função da diferença de correção monetária IPC/BTNF das demonstrações financeiras do ano de 1990. Informa que essa diferença se encontra registrada e controlada em seus livros contábeis e fiscais como também em suas DIPJ; 3.impropriedade da aplicação da Taxa Selic. Na seqüência, o processo foi baixado em diligência, às fls. 74/75, para verificação da existência de direito creditório, decorrente das implicações da decisão judicial transitada em julgado, que pudesse ser utilizado na compensação com o IRPJ. Como já mencionado, a DRJ Juiz de Fora/MG considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada falta de recolhimento deve persistir o lançamento efetuado. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001869/200260 Acórdão n.º 180201.073 S1TE02 Fl. 207 3 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 27/01/2011, a Contribuinte apresentou em 22/02/2011 o recurso voluntário de fls. 156 a 171, com os argumentos abaixo: DOS FATOS os débitos em questão já se encontravam quitados antes mesmo do ato fiscalizatório, uma vez que a Recorrente, de forma devida, utilizouse do instituto da compensação para efetuar o seu pagamento, nos estritos termos legais e com o direito creditório reconhecido através da decisão obtida no processo judicial registrado sob o n°. 92.01015402; no referido Mandado de Segurança, a Recorrente buscou o direito de deduzir, imediatamente, no próprio anobase de 1990 o expurgo desse ano. Contrariando dessa forma o disposto no art. 3º da Lei 8.200, de 1991, que determina o aproveitamento somente no anobase de 1993 e em quatro exercícios (25% ao ano). Tal comando normativo acarretava à Recorrente maior pagamento de imposto de renda, com recuperação posterior, apesar de corrigida, com características, portanto, de empréstimo compulsório. Sustentou, ainda, que a Lei 8.200, de 1991, reconheceu a diferença real no ano de 1990 entre a BTNF e o IPC, e, assim, o direito das pessoas jurídicas de corrigirem seus balanços pelo IPC no ano de 1990 para efeitos legais; o MM. Juiz de 1ª instância acatou integralmente o pedido exordial, declarando, incidenter tantum, a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei n° 8.200/91, permitindo a Impetrante, ora Recorrente, a imediata absorção da referida correção monetária calculada com base nos índices do IPC, sem o referido diferimento; irresignada, a União Federal/Fazenda Nacional aviou Recurso de Apelação ao TRF da lª Região, que teve, por unanimidade, provimento negado. O referido acórdão transitou em julgado em 1995; vêse, portanto, que não houve nenhuma dúvida quanto ao direito de a Recorrente proceder à correção monetária de suas demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990, segundo a variação dos índices inflacionários apontados pelo IPC/IBGE, compensando de imediato os resultados, na apuração do lucro real do anobase de 1991, na apuração do Imposto de Renda e da CSLL, uma vez que restou afastada também, na referida decisão, o diferimento de aproveitamento previsto no art. 3° da Lei n° 8.200/91; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001869/200260 Acórdão n.º 180201.073 S1TE02 Fl. 208 4 ressaltase, no entanto, que a Recorrente, inobstante ter obtido direito de compensação imediata, optou por utilizar os seus créditos após o trânsito em julgado da referida decisão, pretendendo, dessa forma, não ser alvo de quaisquer represálias por parte do Fisco; no entanto, apesar do ato de prudência da Recorrente aguardar o trânsito em julgado para efetuar a absorção do direito creditório, ou seja, com base em um título judicial não passível de modificações, a mesma sofreu a lavratura do Auto de Infração em epígrafe pela suposta falta de recolhimento do IRPJ, justamente no período em que realizou a compensação; e conforme se extrai da decisão recorrida, a compensação de IRPJ realizada pela Recorrente não foi homologada pelo fato de o valor pago a maior relativo à correção monetária das demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990 ter sido atingido pela prescrição e, dessa forma, a Recorrente teria perdido o direito de pleitear sua restituição ou fazer uso de tal crédito em um procedimento compensatório; DO DIREITO DA CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL A PARTIR DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL diferentemente do que alega a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, ora Recorrida, o direito de proceder à compensação e de pedir restituição por parte da Recorrente não encerrouse em 31/12/1996; como já narrado anteriormente, a ora Recorrente ajuizou, em 1992, Mandado de Segurança para ter reconhecido o direito de corrigir monetariamente as suas demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990 segundo a variação dos índices inflacionários apontados pelo IPC/IBGE, e fazer o aproveitamento do crédito imediatamente; temse que o fato gerador da correção monetária discutida em sede de Mandado de Segurança pertence ao anocalendário de 1990. E que, como se verifica, in casu, a Recorrente impetrou o referido mandado pleiteando o direito à correção de suas demonstrações financeiras em 1992. Assim, temse que o Mandado de Segurança foi ajuizado dentro do prazo, restando suspenso o direito de reaver os valores recolhidos a maior a título de correção monetária das demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990 até o trânsito em julgado da referido mandamus; com o trânsito em julgado favorável do referido Mandado de Segurança em 1995, iniciouse o prazo previsto no art. l° do Decreto n° 20.910/1932; tendo em vista o referido dispositivo legal, e sendo certo que o ato que deu origem, efetiva e definitivamente, ao direito creditório da Recorrente foi o trânsito em julgado favorável do indigitado Mandado de Segurança em 1995, conclui se que o prazo para requerer a restituição/compensação do referido crédito expiraria em 2000. Como o procedimento compensatório fora iniciado em 1997 (competência compensada com vencimento em 31/10/1997) e finalizado em 1998 (DCTF correspondente entregue em 05/06/1998), não há que se falar em decurso do prazo; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001869/200260 Acórdão n.º 180201.073 S1TE02 Fl. 209 5 cumpre esclarecer ainda que o indigitado Mandado de Segurança, ao contrário do que alega a Delegacia de Julgamento, possui total ligação com a compensação realizada, já que o crédito surgiu somente com o reconhecimento judicial definitivo (após o trânsito em julgado) do direito da ora Recorrente corrigir monetariamente as suas demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990 segundo a variação dos índices inflacionários apontados pelo IPC/IBGE e fazer o aproveitamento de imediato; somente com o trânsito em julgado favorável, a Recorrente pode aplicar o IPC nas suas demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990, fazendo as devidas alterações nos balanços correspondentes, criando, desse modo, um saldo negativo de IRPJ e CSLL dentro do próprio ano base, que fora compensado com o valor ora cobrado; cabe salientar que, conforme levantado pela própria Delegacia de Julgamento, não consta realmente na DIPJ do ano base de 1990 a indicação do mencionado Saldo Negativo. Todavia, apesar de a alegação ser verídica, a Delegacia deixou de observar que na data que o procedimento fora realizado (alteração do BTNF pelo IPC nas demonstrações financeiras através de retificação dos balanços, com surgimento de saldo negativo dentro do próprio ano), não havia mais prazo para retificação da DIPJ correlata, ou seja, o próprio sistema da Receita Federal não autorizava tal retificação, não podendo, portanto, de maneira alguma, essa retificação ser colocada como requisito para o reconhecimento da compensação realizada; DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM EPÍGRAFE: SUJEITO AO REGIME ESTABELECIDO ANTES DA LC 118/2005 TESE DOS CINCO MAIS CINCO ad argumentandum tantum, caso não houvesse o Mandado de Segurança mencionado, por se tratar de pagamentos indevidos/a maior efetuados e aproveitados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, temse que o prazo prescricional para o Contribuinte pleitear a restituição do mencionado indébito, por ser tributo sujeito a lançamento por homologação, deve respeitar a tese dos “cinco mais cinco”; entender, como pretende a DRJ em Juiz de Fora, que o prazo prescricional para a restituição/compensação dos valores recolhidos a maior/indevidamente a título de correção monetária das demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990, caso não houvesse o Mandado de Segurança mencionado, ocorre após cinco anos contados do fato gerador do referido tributo, configura, isto sim, afronta à jurisprudência pacificada do STJ e negativa de vigência aos artigos 168, I e 156, I do Código Tributário Nacional; frisese, pois, que o dies a quo do prazo prescricional para os fatos geradores anteriores à edição da LC 118/2005 não pode ser outro que não a data em que a Fazenda homologa expressa ou tacitamente o pagamento efetuado pelo Contribuinte; dúvida não há quanto ao fato de que o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro se enquadram no rol dos tributos cujo lançamento é feito por homologação, declarados e constituídos pelo contribuinte através de entrega da DIPJ correspondente. Assim o dies a quo do prazo prescricional não se conta do pagamento indevido ou a maior, mas, sim, da data limite em que os valores recolhidos restariam atingidos pela homologação, seja expressa, seja tácita; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001869/200260 Acórdão n.º 180201.073 S1TE02 Fl. 210 6 esse entendimento já foi exaustivamente debatido e encontrase pacificado pelos Tribunais pátrios e pelo Superior Tribunal de Justiça; dessa forma, por todas as razões exaustivamente despendidas, verificase que o lançamento ora combatido não deve prosperar, uma vez que o crédito tributário ora exigido encontrase quitado, desde o seu vencimento, através do instituto da compensação. E, mais do que isso, que não houve prescrição do direito de o Contribuinte requerer a restituição do indébito, devendo, diante disso, ser reconhecida a referida compensação; DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE EM PROCESSO ADMINISTRATIVO como é sabido, o Fisco possui o prazo prescricional de cinco anos para o ajuizamento da execução fiscal a partir do lançamento tributário, sob pena de extinção da obrigação tributária nos termos do art.156, inciso V, do CTN; a prescrição tem o condão de refletir diretamente o princípio da segurança jurídica, como um direito individual do cidadão em ver garantida uma determinada situação jurídica, por ter passado um certo lapso temporal; logo, admitir que a Administração Tributária, durante um processo administrativo fiscal, pode ficar inerte pelo tempo que bem entende, sem maiores cuidados quanto à sua movimentação, no pressuposto de que não estaria sujeita à prescrição, enquanto não proferida a decisão final do julgador administrativo, é ferir o princípio constitucional da moralidade administrativa, consagrado no art. 37 da Constituição Federal; nesse particular, cumpre salientar que a Lei 11.051/04 trouxe previsão de prescrição intercorrente no processo judicial, alterando o parágrafo 4º do art. 40 da Lei 6.830/80 (Lei de Execuções Fiscais); diante da instituição da prescrição intercorrente para o processo judicial de Execução Fiscal, a Fazenda Pública ficou legalmente impedida de se manter inerte diante do processo, sob pena de arquivamento definitivo deste e, por conseqüência, do seu direito de cobrança; referida prescrição intercorrente serve para garantir a segurança jurídica e, ainda, para garantir a efetividade do processo, devendo o Fisco, que possui meios suficientes, localizar o devedor, seus bens, e impulsionar o processo para que este não fique eternamente tramitando sem qualquer movimentação; no âmbito do processo administrativo o tratamento não pode ser diferente, afinal, a prescrição intercorrente tem como marco o princípio da segurança jurídica, sendo assim, ambos (o princípio da segurança jurídica e a prescrição intercorrente) devem ser aplicados em toda e qualquer relação jurídica existente, não somente no âmbito das relações que tramitam no Judiciário, mas também naquelas que repercutem na seara administrativa; para justificar a aplicabilidade da prescrição intercorrente no processo administrativo, podese invocar, além dos princípios constitucionais já mencionados que devem ser respeitados em qualquer tipo de processo, seja jurídico ou administrativo , o art.108, inciso I, do CTN, que determina a aplicação da analogia na ausência de disposição legal expressa; Fl. 210DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001869/200260 Acórdão n.º 180201.073 S1TE02 Fl. 211 7 diante da ausência de previsão expressa da prescrição intercorrente administrativa, o art. 6° da Lei n° 11.051/04 deve ser aplicado aos processos administrativos analogicamente, nos termos do art.108, inciso I, do CTN; tendo em vista que os princípios devem nortear a interpretação das leis juntamente com a analogia quando for constatada a ausência de disposição expressa, a administração deve julgar os recursos administrativos dentro do prazo quinquenal, sob pena de incorrer na prescrição intercorrente, que deve ser aplicada ao processo administrativo fiscal conforme fundamentação acima exposta; cumpre destacar que, in casu, a ocorrência da mesma deve ser reconhecida em razão do decurso de mais de 8 (oito) anos entre o protocolo da impugnação (em 08/07/2002) e a ciência do contribuinte acerca da decisão que julgou o referido recurso (a decisão foi proferida em 10/11/2010 e o Contribuinte foi cientificado no dia 25/01/2011); indubitável que o feito permaneceu paralisado por tempo demasiadamente longo, e, em atenção ao imperativo da segurança jurídica, o qual impede a procrastinação indefinida de uma lide, evidente a ocorrência da prescrição intercorrente, a qual impossibilita o direito de prosseguimento da presente cobrança; DO PEDIDO a Recorrente espera e requer que V. Exa. julgue improcedente o lançamento ora combatido, de sorte que o Auto de Infração em referência seja cancelado e remetido ao arquivo. Este é o Relatório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001869/200260 Acórdão n.º 180201.073 S1TE02 Fl. 212 8 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, foi exigido da Contribuinte o IRPJ/Lucro Presumido relativo ao terceiro e quarto trimestres de 1997. O lançamento decorreu de procedimento de auditoria interna de DCTF, e foi realizado nos termos da redação original do art. 90 da Medida Provisória 2.15835/2001. De acordo com os relatórios que integram o auto de infração, a exigência decorreu do fato de a Contribuinte ter informado para estes débitos uma vinculação relativa à compensação sem DARF, indicando um número de processo judicial que não foi comprovado. Desde a primeira instância, a Contribuinte alega que quitou os débitos mediante compensação com crédito advindo de ação judicial onde obteve o direito à correção de suas demonstrações financeiras do anocalendário 1990 pelo IPC integral e à imediata compensação dos resultados na apuração do lucro real de 1991, na apuração do IRPJ. Alega também que somente utilizou os créditos após o trânsito em julgado da decisão obtida no Mandado de Segurança nº 92.01015402. Juntamente com sua impugnação, ela apresentou cópias das decisões judiciais em primeira e segunda instâncias, e também cópia da peça inaugural da ação judicial, cujo pedido demonstra bem quais eram as pretensões deduzidas em juízo (fls. 33/34): DO PEDIDO A Impetrante demonstrou acima o seu direito de proceder à correção monetária de suas demonstrações financeiras referentes ao anobase de 1990, segundo a variação dos índices inflacionários apontados pelo IPC/IBGE, COMPENSANDO DE IMEDIATO OS RESULTADOS, na determinação do lucro real do anobase de 1991, na apuração do Imposto sobre a Renda, do Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido e da Contribuição Social sobre o Lucro. Contudo, estando às vésperas de entregar sua declaração anual de Imposto de Renda, a Impetrante não teve outro remédio senão vir a JUÍZO, impetrando o presente pedido de segurança, na defesa do seu direito liquido e certo acima deduzido, já que a D. Autoridade Coatora, (...), em estrita observância ao comando estampado na Lei 8.200 e no Decreto 332, persistirá na exigência inconstitucional. Data vênia, o pressuposto para a concessão da medida liminar estão atendidos (...). Fl. 212DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001869/200260 Acórdão n.º 180201.073 S1TE02 Fl. 213 9 Diante disso, é que a Impetrante requer a V. Exa. Dignese concederlhe liminarmente autorização para efetuação de cálculos e lançamentos contábeis de seu lucro real, apurando as diferenças entre BTN/IPC do balanço de 31/12/90, e trazendo, de pronto, tais diferenças para o balanço de 31/12/91, conforme o seu direito. (...) Após examinar a impugnação apresentada, a Delegacia de Julgamento – DRJ, primeiramente, enviou o processo em diligência, para verificação da existência de direito creditório, decorrente das implicações da decisão judicial transitada em julgado, que pudesse ser utilizado na compensação com o IRPJ. Com o retorno dos autos, a DRJ, observando as alterações implementadas pela Lei 10.833/2003 no referido art. 90 da MP 2.15835/2001, apenas afastou a multa de ofício, aplicando a regra do Código Tributário Nacional que prevê a retroatividade benigna. Contudo, em relação à rubrica principal do débito lançado, rejeitou a compensação, com os seguintes fundamentos: o propósito da ação judicial não mantém relação com o processo administrativo fiscal sob exame; na esfera judicial a Contribuinte buscou tãosomente o direito de realizar a dedução integral da diferença de correção monetária e essa tinha somente o condão de reduzir o lucro líquido e o lucro real do período, podendo gerar prejuízo contábil e fiscal; o saldo negativo do tributo, em função de recolhimentos de antecipações realizadas antes da utilização da referida dedução integral, passível de restituição ou compensação, é uma conseqüência indireta da autorização obtida na esfera judicial; deste modo, o direito à compensação de débito de IRPJ com crédito proveniente de antecipações pagas a maior ou indevidas não foi autorizado no Mandado de Segurança 92.01015402, às fls. 26/70, cabendo analisar se a compensação foi declarada em DCTF dentro do prazo permitido na legislação; como se tratam de antecipações de IRPJ, relativas ao períodobase de 1991, o prazo para pleitear restituição/compensação iniciou em 31/12/1991, encerrandose em 31/12/1996 (cinco anos depois); como a compensação só foi pleiteada nas DCTF entregues em 05/06/1998, para débitos com vencimentos em 31/10/1997 e 30/01/1998 (fls. 19/20), o prazo legal já havia se expirado; ainda que o prazo para compensação não estivesse extrapolado, importa esclarecer que na DÍPJ retificadora entregue em 04/09/92, telas de fls. 143/145, não há indicação de Saldo Negativo de IRPJ, mais sim de débito no importe de 51.507,48 UFIR já quitado pelas antecipações realizadas, ou seja, o argumento da contribuinte não condiz com as informações registradas na declaração liberada no sistema da RFB. Não havendo Saldo Negativo de IRPJ, não há direito creditório que possa sustentar as compensações registradas em DCTF. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001869/200260 Acórdão n.º 180201.073 S1TE02 Fl. 214 10 Não entendo corretos os fundamentos da decisão recorrida. Primeiro, porque o alegado crédito, caso confirmada a sua existência, decorreria diretamente da ação judicial que permitiu à Contribuinte deduzir imediata e integralmente o saldo devedor decorrente da diferença de correção monetária IPCBTNF/1990, sem o diferimento estabelecido na Lei 8.200/1991. Com efeito, não se poderia falar em prejuízo fiscal em 1991 e no decorrente saldo negativo de IRPJ (que é o crédito utilizado na compensação), sem o resultado da referida ação judicial, da qual o crédito seria totalmente dependente. Deste modo, estando em curso ação judicial que visava os reflexos imediatos e integrais da correção monetária pela diferença IPCBTNF/1990, não poderia correr o prazo de prescrição para repetição de eventual indébito gerado justamente pelo cômputo desta rubrica no resultado. Mas mesmo que assim não fosse, ou seja, ainda que o propósito da ação judicial não guardasse relação com o processo administrativo fiscal sob exame (como entendeu a DRJ), o fato de o crédito ser do anobase 1991 e a alegada compensação ter ocorrido em 1997 também não implica na prescrição do crédito. Isto porque na Sessão Plenária de 04/08/2011, ao julgar o RE 566.621/RS, Relatora Min. Ellen Gracie, matéria de repercussão geral, o STF por maioria de votos declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, validando, deste modo, a chamada “tese 5+5” do STJ, a ser aplicada aos procedimentos de repetição/compensação de indébito iniciados/realizados antes de 9 de junho de 2005. Nestes termos, resta afastado o problema do prazo transcorrido entre o direito creditório e o seu aproveitamento, mediante compensação com débitos de mesma espécie. Além disso, considero que o fato de a declaração DIRPJ não indicar o reivindicado saldo negativo também não pode ser oposto ao pleito da Contribuinte. Realmente, o trânsito em julgado da decisão judicial só ocorreu em 1995, e não se pode exigir que sua DIRPJ, que foi apresentada em 1992, já indicasse a apuração de saldo negativo, eis que o contexto jurídico que possibilitou tal apuração só se tornou definitivo em momento posterior. Assim, afastadas estas questões iniciais, cabe averiguar a existência do alegado crédito, o seu valor e o efetivo encontro de contas. Nesse sentido, cabe registrar mais uma vez que a Delegacia de Julgamento, antes de proferir sua decisão, enviou o processo em diligência (fls. 74), demandando as seguintes providências: (...) Em função dos fatos relatados, fazse necessária diligência para verificação da existência de direito creditório, referente ao IRPJ, decorrente das implicações da decisão judicial transitada em julgado, que possa ser utilizado na compensação com débito do próprio imposto no valor R$ 7.275,41, PA 0107/1997 e PA 01 10/1997, como consta dos anexos de fls. 19/20. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001869/200260 Acórdão n.º 180201.073 S1TE02 Fl. 215 11 Destaquese que no anexo de fl. 19 o número do processo judicial informado não mantém relação com o processo mencionado na impugnação, DEVENDO RESTAR caracterizado se houve erro de fato ou se efetivamente se trata de outra ação. Encaminhese à SAFIS/DRF/JFA/MG para providências. Em cumprimento à diligência, a Fiscalização da DRF em Juiz de Fora/MG encaminhou intimação aos sócios da Pessoa Jurídica, requerendo os elementos abaixo: 1. Apresentar Livros Contábeis, Fiscais e DIRPJ onde estão registradas as diferenças de correção monetária das demonstrações financeiras do ano de 1990, com base na diferença IPC/BTNF, conforme autorizado por Decisão Judicial; 2. Apresentar a(s) própria(s) Decisão(ões) Judicial(ais) Transitada(s) em Julgado, que reconhece(m) a existência de direito creditório referente ao IRPJ e a CSLL. 3. Esclarecer a diferença entre os números de processo informados na impugnação e na DCTF. Na seqüência, a Contribuinte novamente apresentou as decisões judiciais de primeira e segunda instâncias, referentes ao Mandado de Segurança nº 92.01015402; cópia da DIRPJ do anobase de 1990; cópias de folhas do Livro Diário nº 07 com dados sobre a apuração do resultado do anobase de 1991, incluindo registros sobre o procedimento de correção monetária; cópia do Balanço Patrimonial realizado em 31/12/1991; e ainda os seguintes esclarecimentos, às fls. 141: ERGA PRODUTOS SIDERÚRGICOS LTDA, empresa sediada em Juiz de Fora MG, na Rua Carlos Rocha, n° 424 Progresso, inscrita no CNPJ sob o n.° 18.338.368/000120, vem, respeitosamente, prestar esclarecimentos sobre os créditos de IRPJ, CSLL e ILL apresentados no anocalendário de 1991: Conforme previsto na Lei n° 8.200/91, regulamentada pelo Decreto 332/91, a empresa procedeu à correção monetária do balanço relativo ao anocalendário de 1990, apurando a diferença entre a variação do IPC e a variação do BTN Fiscal. De acordo com referida Lei, a diferença relativa à variação IPC/BTN poderia ser deduzida, na determinação do Lucro Real, em seis anoscalendários, a partir de 1993. Contudo, através de decisão judicial, a empresa obteve autorização para dedução integral desta diferença no ano calendário de 1991. Desta forma, realizada a dedução integral, foi apresentado prejuízo fiscal no período, conforme demonstrado às folhas 15,16 e 17, do processo nº 92.01015402, sendo evidenciado o recolhimento indevido de estimativas de IRPJ e de CSLL, no montante de 52.080,32 UFIR e 14.031,61 UFIR, respectivamente, e de ILL, no montante de 4.808,70 UFIR, conforme demonstrado através da retificação da DIPJ 1992, períodobase 1991, transmitida em 04/09/1992. Ocorre que a Fiscalização apenas juntou estes documentos e esclarecimentos aos autos, devolvendo o processo à DRJ, sem, a meu ver, concluir adequadamente a “diligência Fl. 215DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001869/200260 Acórdão n.º 180201.073 S1TE02 Fl. 216 12 para verificação da existência de direito creditório”, conforme havia sido demandado pela Delegacia de Julgamento. Não há nem mesmo um relatório de diligência, com uma análise e conclusões da Fiscalização sobre os documentos e esclarecimentos apresentados pela Contribuinte. A DRJ, por sua vez, abstraindo das questões de mérito em relação à existência do crédito (que ela mesma estava buscando esclarecer), proferiu decisão baseandose nos aspectos de preclusão, que ora estão sendo afastados. Deste modo, não há ainda como concluir sobre os reflexos da referida ação judicial no resultado de 31/12/1991, ou seja, se ela realmente implicou em apuração de prejuízo fiscal, e se as antecipações converteramse em saldo negativo. Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição do crédito utilizado na alegada compensação, devolvendo os autos à DRJ, para que seja proferida uma nova decisão quanto às matérias não analisadas naquela instância administrativa. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 216DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000736/2003-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
ITR. PROPRIEDADE. POSSE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. TERRAS DEVOLUTAS.
A condição de contribuinte do ITR recai sobre aquele que melhor exerce os poderes inerentes à propriedade; do que resulta a ilegitimidade passiva do antigo proprietário para figurar na relação juridico-obrigacional tributária quando comprovado que não exercera a posse do imóvel quando da ocorrência do fato gerador do imposto.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-01.215
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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PROPRIEDADE. POSSE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. TERRAS DEVOLUTAS, A condição de contribuinte do ITR recai sobre aquele que melhor exerce os poderes inerentes à propriedade; do que resulta a ilegitimidade passiva do antigo proprietário para figurar na relação juridico-obrigacional tributária quando comprovado que não exercera a posse do imóvel quando da ocorrência do fato gerador do imposto. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Arruda Coelho Júnior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de contrariedade à evidencia das provas e dispositivo de lei interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão no qual deu-se provimento ao recurso voluntário, tendo sido acolhida a preliminar' de ilegitimidade passiva do proprietário sem posse. 0 acórdão restou assim ementado e finidamentado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exe, cicio• 1999 DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Cabe ser revisto o lançamento ciii nome da recorrente, tendo emt vista a declaração judicial que pat-te da área é relativa a terras devolutas. DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL Não havendo provas suficientes pat a comprovação da tit ea de reserva legal para fins de exclusão da tributação do 17R, neste caso especifico, não deve ser alterado o lançamento neste tópica RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso quanta as terras devolutas, nos termos t1,-) voto do relator A Conselheira Mércia Helena Trajano D'Antorim votou pela conclusão. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Ricardo Paulo Rosa Das áreas devolutas A decisão recorrida não acatou a existência das áreas devolutas porque, no documento de Hs 50, a matricula restou cancelada somente em 31/03/2003 Entretanto, do mesmo documento se verifica que a processo que originou esta situação data de 1986, ou seja, momento muito anterior ao fato gerador ora tratado. Assim, entendo que, desde 1986, não pode ser imputado ao recorrente responsabilidade pelo pagamento do ITR relativo área declarada devoluta de 1 805,321 ha, já que decidida judicialmente que esta área pertence à União. Na medida ciii que o Estado de Goias não pode sofrer a tributação de ITR, não pode ser atribuida ao recorrente tal responsabilidade, 2 Processo n° 13116.000736/2003-83 CSRF-T2 Acórelilo n ° 9202-01.215 Fl. 2 Assim, voto por dar provimento ao recurso neste tópico. A Fazenda Nacional sustenta preliminarmente que: Nos tennos das provas produzidas nos pre.sente,s autos, consta somente o registro de averbação do cancelamento das terras devolutas, fls, 50, nos seguintes termos: "i1,V3 — 089 — Proceda-se esta averbagão nos termos do Mandado de Cancelamento de Registro de Imóveis, expedido pelo MM. Juiz de Direito desta Comarca de Cavalcante Dr Hugo Gutemberg Patina de Oliveira, extraído dos autos 1-11) 314/86, vol. 4.2 ('Ação Discriminatória, para que se dê cumprimento aos cancelamentos dos imóveis descritos na Sentença Judicial e confirmados pelo Acórdão do STJ, que não ,foram excluídos por força da referida Ação Discriminatória. O referido é verdade e dou fé.. Teresina de Goiás, 31 de março de 2003.." Sucede, no entanto, que o referido documento, coin todo o respeito, não Ira: os elementos postos no voto vencedor A numeragão da ação, apesar de constar, ao final o ano de 86, não comprova efetivamente a data da propositura da inicial Além disso, não consta nos autos a referida sentença, nem tampouco os acórdãos que lhe sucederani para que se possam extrair os efeitos que deles advieram. Note-se que a ação discriminatória, por sua própria natureza, não tem efeitos ex tune, tratando-se de ação constitutiva, produzindo efeitos tão somente a partir da pio/ação da decisão, entre as partes, e a partir do cancelamento do registro para terceiros. Nestes termos, o acórdão prolatado pela Segunda Câmara, toda evidencia, decidiu em contrariedade ao que foi efetivamente comprovado nestes autos, pelo que merece ser rcformado, e adequado ao ánico elemento efetivamente certo que é a data da alteração do registro, 31 de março de 2003, momento em que propriedade das terras foram legalmente transferidas Em contra-razões ao recurso especial da Fazenda Nacional o contribuinte assim se manifesta sobre a preliminar suscitada: O, a, desde a primeira sentença o Sr José da Costa ficou privado do uso parte das terras que foram consideradas devolutas, visto que a LEI N° 6 383, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1976, que regula o processo da Ação Discriminatória, e que teve dispositivos seus citados pela recorrente, em seu art. .21, prescreve claramente que as apelações às sentenças serão recebidas apenas em seu 3 efeito devolutivo, ou seja, não suspende os efeitos da sentença, ficando desde /á as terras à disposição do ente politico autor da ação, conforme abaixo, veibis: Art, 21. Da sentença p,ofiida caberá apelação somente no efeito devo/ativo, facultada a execução provisária. Sanada a questão principal, relativa ao domínio das terras consideradas devolutas na Ação Discriminatória 314186 do estado de Goiás, cremos não haver mais nada há acres cental É o relatório. Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovada a contrariedade e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade passo ao voto. No mérito do recurso especial, deve ser solucionada a matéria que envolve a legitimidade passiva do antigo proprietário para figurar na relação juridico-obrigacional tributária quando não mais exerce a posse ou o domínio do imóvel rural A época da ocorrência do fato gerador. Preliminarmente, no entanto, a matéria é quanta: primeiramente, A verificação do ano do ajuizamento da ação discriminatória de terras devolutas proposta pelo Estado de Goiás para, após, constatarmos se antes da ocorrência do fato gerador, 01/01/1999, o interessado já havia sido destituído da posse que exercera sobre o imóvel rural, seja pela sentença ou eventual medida liminar. Verifica-se que a sentença transitou em julgado no âmbito do STJ, confirmando-se que as terras averbadas como de propriedade do interessado de fato eram devolutas, significando dai que desde a propositura da ação discriminatória, ano de 1986, ou antes disso o interessado não gozava das prerrogativas inerentes ao direito de propriedade, nem fazia uso das tetras. A natureza das terras devolutas denuncia isso. É certo que somente ern 31/03/2003 foi cancelada a averbação da propriedade em nome do interessado, mas quanto A posse este não mais a exercia quando da ocorrência do fato gerador em 01/01/1999. Tivesse o interessado, A época com o direito de propriedade averbado em cartório, exercendo a posse sobre o imóvel não seria a ação discriminatória de terras devolutas o instrumento adequado para que fossem atendidos os interesses do Estado, mas o procedimento de desapropriação. No caso, o reconhecimento de que o Estado sempre foi o legitimo proprietário do imóvel afasta o interessado da condição de possuidor. Superada essa primeira questão recursal, a discussão volta-se ao mérito: pode ou não o fisco cobrar o ITR do proprietário quando, comprovadamente, não exerce a posse direta, esta atribuída a terceiros? Assim dispõe o Código Tributário Nacional - CTN, Lei n° 5.172/1966: Art. 29.. 0 imposto, de competência da Unido, sabre a - propriedade territorial rural tem como fato gerador a 4 Processo n" 13116 000736/2003-83 CSRF-T2 Ac6rd5o o.° 9202-01.215 Fl 3 propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. Art. 31. contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor qualquer Pretende o recorrente que se reconheça o direito de se constituir o credito relativo ao ITR de quaisquer das pessoas indicadas no artigo 31 do CTN corno contribuintes do imposto. Por essa tese, o fisco poderia eleger de quem o cobraria . Corn a devida vênia a douta Procuradoria, não é essa a leitura que faço. Explico. ,,• A Constituição Federal atribuiu à União competência tributária para instituir imposto sobre a propriedade territorial rural, isto 6, sobre o bem imóvel localizado em area rural. A expressão propriedade empregada pelo constituinte não deve ser interpretada restritivamente para alcançar apenas aquele que detenha o vinculo jurídico de propriedade sobre a coisa, Assim fosse, tanto o artigo 31 do CTN corno o artigo 4° da Lei no 9.393/96 padeceriam de inconstitucionalidade na parte que atribui responsabilidade aquele que detem o domínio útil ou a posse do imóvel: Art. 153. Compete it União instituir impostor sobre: propriedade territorial rural,- Prosseguindo, para que se possa atribuir deliberadamente responsabilidade tributária a mais de um sujeito passivo, excluindo os demais ou atribuindo-a conjuntamente, devemos verificar se aplicável o instituto da solidariedade. Assim definida no CTN: Art 124. São solidariamente obrigadas: - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; - as pessoas expivssamente designadas por lei. No presente caso, é pacifico que proprietário e posseiro não possuem interesse em comum no imóvel; ao contrario, o direito de urn exclui o do outro. Com relação a responsabilidade solidária dita legitima, aquela que decorre diretamente da vontade legislativa, não encontro no ordenamento jurídico, a começar pelo Capitulo .11, do CTN, qualquer regra de atribuição da solidariedade no presente caso: CAPITULO Responsabilidade Tributária SEÇÃO1 Disposição Geral Art. 128 Sem prejuízo do disposto neste capitulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da 5 Vieira Comes respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do comb ibui»te ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da i eferida obrigação. Portanto, não havendo regra juridica atributiva do direito de o fisco eleger livremente o contribuinte, dentre aqueles indicados no artigo 31 do CTN, o tributo devera ser cobrado daquele que melhor exerce os poderes sobre o bem imóvel: Art. 1 228. 0 proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o di,eito de reavê-la do poder de quem quet que injustamente a possua ou detenha Entretanto, no caso sob exame, a posse direta não era mais exercida pelo interessado desde antes do fato gerador do IIR e esse fato foi reconhecido com o trânsito em julgado da sentença favorável ao Estado. Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial. 6
score : 1.0
Numero do processo: 16707.000338/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS/PASEP E COFINS
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NEGATIVA DE DILIGÊNCIA. FALTA DE MOTIVO PARA ANULAR DECISÃO DA DRJ.
A realização diligência será deferida somente se o julgador entende-la
necessária. Uma vez negado o pedido com fundamentação, não há razão para
anular o acórdão recorrido.
PIS E COFINS. ALÍQUOTAS QUANDO O LUCRO É ARBITRADO.
Quando o lucro do sujeito passivo for arbitrado, as alíquotas do PIS e da
COFINS não serão as das leis anteriores às nº 10.637/2002 e no 10.833/03,
respectivamente.
DILIGÊNCIA PREJUDICIAL AO RECORRENTE. PRINCÍPIO NON REFORMATIO IN PEJUS.
Quando a realização de diligência causar prejuízo à Recorrente, ela deverá
ser indeferida, em respeito ao Princípio Non Reformatio in Pejus.
Numero da decisão: 3401-001.786
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : PIS/PASEP E COFINS Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NEGATIVA DE DILIGÊNCIA. FALTA DE MOTIVO PARA ANULAR DECISÃO DA DRJ. A realização diligência será deferida somente se o julgador entende-la necessária. Uma vez negado o pedido com fundamentação, não há razão para anular o acórdão recorrido. PIS E COFINS. ALÍQUOTAS QUANDO O LUCRO É ARBITRADO. Quando o lucro do sujeito passivo for arbitrado, as alíquotas do PIS e da COFINS não serão as das leis anteriores às nº 10.637/2002 e no 10.833/03, respectivamente. DILIGÊNCIA PREJUDICIAL AO RECORRENTE. PRINCÍPIO NON REFORMATIO IN PEJUS. Quando a realização de diligência causar prejuízo à Recorrente, ela deverá ser indeferida, em respeito ao Princípio Non Reformatio in Pejus.
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NEGATIVA DE DILIGÊNCIA. FALTA DE MOTIVO PARA ANULAR DECISÃO DA DRJ. A realização diligência será deferida somente se o julgador entendela necessária. Uma vez negado o pedido com fundamentação, não há razão para anular o acórdão recorrido. PIS E COFINS. ALÍQUOTAS QUANDO O LUCRO É ARBITRADO. Quando o lucro do sujeito passivo for arbitrado, as alíquotas do PIS e da COFINS não serão as das leis anteriores às nº 10.637/2002 e no 10.833/03, respectivamente. DILIGÊNCIA PREJUDICIAL AO RECORRENTE. PRINCÍPIO NON REFORMATIO IN PEJUS. Quando a realização de diligência causar prejuízo à Recorrente, ela deverá ser indeferida, em respeito ao Princípio Non Reformatio in Pejus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho e Ângela Sartori. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 16707.000338/201024 Acórdão n.º 3401001.786 S3C4T1 Fl. 284 3 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração (2/9) lavrado pela DRF/Natal em desfavor da Contribuinte acima identificada, o qual verificou falta/insuficiência de recolhimento de COFINS e do PIS. Irresignada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 131/160) alegando em síntese que houve aplicação de multas cumulativas sobre fato único; que a sanção imposta constitui verdadeiro confisco tributário e, ainda que fosse o caso da imposição da penalidade, não caberia aplicação de multa de 75% sobre cada valor mensal apurado através de arbitramento. A DRJ/Recife julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo integralmente os créditos tributários exigidos no Auto de Infração, conforme se pode inferir da ementa do acórdão prolatado, fls. 264/278, in verbis: “INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. BASES DE CÁLCULO E VALORES DA CONTRIBUIÇÃO EXIGIDOS. Sobre as bases de cálculo, que correspondem às receitas brutas mensais da contribuinte, aplicase a alíquota prevista em lei, subtraindose dos valores das contribuições apurados aqueles já recolhidos mediante pagamento. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio do nãoconfisco, constitucionalmente expresso, referese aos tributos e não às sanções, além de dirigirse ao legislador e não à Administração Pública. Aplicase, pois, a multa de ofício de 75% sobre o tributo apurado em lançamento de ofício, não havendo previsão legal para reduzila para 20%, percentual previsto em lei para a multa de mora. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância de legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, poste que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquele objeto da decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA E PEDIDO DE PERÍCIA. Nos termos do artigo 15 do Decreto, de 1972, cumpre ao Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. Deve ser indeferido o pedido de perícia que não contiver os requisitos estabelecidos pelo inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e quando dos autos do processo constarem os elementos necessários à formação da livre convicção do julgador”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 17/03/2011, fls. 280, e interpôs Recurso Voluntário em 18/04/2011, às fls. 281/294, alegando, em síntese, o seguinte: 1. A autuação foi confiscatória por não observar a realidade da empresa; 2. Foi utilizada a técnica do Arbitramento, tomandose por base alíquotas do lucro presumido e não do lucro real, do qual a empresa é optante; 3. Há necessidade da anulação da decisão da DRJ pelo indeferimento do pedido de perícia, que, sem motivação, contraria os princípios da Verdade Material e do Dever de Investigação, impedindo que se comprove a inexistência de irregularidade que justifique a autuação; 4. O ônus da prova é incumbência do próprio ente tributante, sendo insustentável o lançamento sem suporte em provas, utilizando simplesmente a presunção de um alto volume de vendas. Por fim, a Recorrente pede seja conhecido e totalmente provido o Recurso interposto para: I – Reformar a decisão do 1o grau e tornar sem efeito o Auto de Infração; II Reconhecer o balanço patrimonial apresentado; III – Reduzir o arbitramento até os limites do comprovado através do balanço patrimonial; IV Reduzir a multa para 20%. É o relatório. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 16707.000338/201024 Acórdão n.º 3401001.786 S3C4T1 Fl. 285 5 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele tomo conhecimento. A autoridade fiscal efetuou lançamento do PIS e da COFINS, por arbitramento, sob fundamento de que a Recorrente, após intimada por mais de uma vez, não teria apresentado todos os documentos e livros solicitados. Em sua defesa, a Recorrente alega a anulação do acórdão da DRJ, por não ter sido apreciado o pedido de diligência; irregularidade na arbitração do lucro, por ter base o lucro presumido e não o lucro real; e multa confiscatória. Resumindo a essas, as matérias a serem analisadas. 1. DA ANULAÇÃO DO ACÓRDÃO DA DRJ. A diligência é medida de exceção, a qual deve ser deferida por critério subjetivo do julgador, quando este entender que ela é necessária para se chegar à verdade material. A realização diligência está prevista no art. 18, do Decreto no 70.235/72, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifo nosso) Pelo dispositivo, inferese que o julgador pode determinar a diligência a requerimento da parte ou de ofício, mas apenas quando entendêla necessária. A diligência deve ser requerida pela parte, em conformidade com o art. 16, inciso IV, do Decreto no 70.235/72, que assim dispõe: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito O §1o, do art. 16, também do Decreto nº 70.235/72, faz a seguinte ressalva: § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Analisando o acórdão da DRJ, concluise que aquela instância fundamentou a negativa do pedido de diligência, afirmando que o pedido da Recorrente não preenchia os requisitos do inciso IV, do art. 16, do Decreto no 70.235/72 e que os elementos contidos nos autos eram suficientes para formar o convencimento do julgador. A Recorrente cometeu o mesmo equívoco em seu Recurso Voluntário. Apesar apresentado doutrina acerca da importância da prova pericial, não demonstrou a necessidade dessa prova para este processo, nem deixou claro que tipo de perícia pretendia que fosse realizada. Portanto, não há razão para anular o acórdão recorrido, nem para deferir a realização de perícia. 2. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO O auditor fiscal aplicou para a COFINS a alíquota de 3% e a Recorrente alega que está incorreta, pois esta seria uma alíquota de lucro presumido e não de lucro real. O arbitramento do lucro é técnica para se chegar ao valor do tributo devido, quando isso não é possível por outros documentos, em razão da inexistência desses ou da falta de apresentação pelo contribuinte. No caso em tela, o arbitramento se deu com fundamento no inciso III, do art. 530, do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda de 1999, que assim determina: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 16707.000338/201024 Acórdão n.º 3401001.786 S3C4T1 Fl. 286 7 Então, como se vê, o lucro do arbitramento é possível quando o sujeito passivo deixa de cumprir a obrigação acessória de manter os livros contábeis em dia ou de apresentálos quando exigidos pelo auditor fiscal, quando não é possível aferir o lucro real da pessoa jurídica. Na verdade, o lucro arbitrado, o lucro presumido e o lucro real não se confundem, eles são categorias diferentes, conforme art. 44, do CTN. A escolha pelo lucro real ou presumido gera reflexo na forma de apuração da COFINS, pois, se o contribuinte recolher a sistemática do lucro presumido, sua COFINS será apurado em conformidade com a Lei nº 9.718/98, cuja alíquota é de 3%. Caso a opção seja pelo lucro real, a apuração da COFINS será nãocumulativa, com a aplicação da Lei nº 10.833/2003, com alíquota de 7,6%. Desse modo, a aplicação da alíquota de 3% no auto de infração estaria realmente incorreta, não obstante, o art. 10o, inciso II, da Lei nº 10.833/03, assim dispõe: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (grifo nosso) A lei anterior disposta no dispositivo citado acima é a Lei nº 9.718/98, que, em seu artigo 8o (que não é aplicável em caso de lucro arbitrado) dispõe que a alíquota é de 3%. Em outras palavras, não se aplica ao lucro arbitrado a alíquota de 3%, de modo que está correta a Recorrente, sendo correta aplicação da alíquota do lucro presumido, disposta no art. 2o, da Lei nº 10.833/03, ou seja, 7,6%. No tocante ao PIS, o lançamento foi feito com a alíquota de 0,65%. Para essa contribuição, a opção pelo lucro real ou presumido também causa reflexo na alíquota aplicada. Quem é optante do lucro real, está sujeito ao PIS nãocumulativo, cuja alíquota é de 1,65%, nos termos do art. 2o, da Lei nº 10.637/2002. A alíquota de 0,65% está prevista no art. 8o, inciso I, da Lei nº 9.715/98 e o art. 8o, inciso II, da Lei no 10.637/2002 determina que as pessoas jurídicas que tiverem o IRPJ lançado pelo lucro arbitrado terão o cálculo do PIS com base em leis anteriores, ou seja, 0,65%, da Lei nº 9.715/98. Assim sendo, em atendimento a esse princípio do Non Reformatio in Pejus, nego a realização de diligência. 3. DA MULTA Alega a recorrente que a multa tem caráter confiscatório, portanto deveria ser reduzida para 20%. O Princípio do Nãoconfisco é um princípio constitucional, logo, o afastamento da multa seria com base em inconstitucionalidade, o que não é permitido em face da falta de competência do CARF, como disposto expressamente na Súmula nº 02, in verbis: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 8 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. Portanto, estando a multa baseada em norma com vigor pleno, não cabe ao CARF afastala com base em inconstitucionalidade. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo o lançamento efetuado em sua integralidade. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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