Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 18471.001988/2003-02
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1998
LANÇAMENTO EM DECORRÊNCIA DE PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE Uma vez revertida a suspensão da imunidade relativamente ao ano calendário de 1998, conforme restou decidido no processo nº 18471.001694/200291, não resta outra medida a não ser cancelar as exigências fiscais que decorreram desta suspensão, em razão da relação de dependência que o lançamento possui com o decidido naquele outro processo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-001.089
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:1998 LANÇAMENTO EM DECORRÊNCIA DE PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE Uma vez revertida a suspensão da imunidade relativamente ao ano calendário de 1998, conforme restou decidido no processo nº 18471.001694/200291, não resta outra medida a não ser cancelar as exigências fiscais que decorreram desta suspensão, em razão da relação de dependência que o lançamento possui com o decidido naquele outro processo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 18471.001988/2003-02
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4855224
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-001.089
nome_arquivo_s : 1802001089_18471001988200302_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 18471001988200302_4855224.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4748922
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360454471680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 312 1 311 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001988/200302 Recurso nº 161.126 Voluntário Acórdão nº 180201.089 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de janeiro de 2012 Matéria IRPJ E CSLL Recorrente SOCIEDADE EDUCACIONAL IBPI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO EM DECORRÊNCIA DE PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE Uma vez revertida a suspensão da imunidade relativamente ao anocalendário de 1998, conforme restou decidido no processo nº 18471.001694/200291, não resta outra medida a não ser cancelar as exigências fiscais que decorreram desta suspensão, em razão da relação de dependência que o lançamento possui com o decidido naquele outro processo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 313 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 314 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro DRJ/RJ I, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme autos de infração de fls. 37 a 47, nos valores de R$ 309.573,75 e R$ 37.418,73, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. As exigências fiscais foram realizadas em conseqüência de suspensão de imunidade tributária, relativamente ao anocalendário de 1998, matéria tratada no processo nº 18471.001694/200291, do qual este é dependente. Para descrever os fatos que antecederam o presente recurso, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1212.376, às fls. 202 a 223: Em 01/08/2001, a Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro – RJ abriu fiscalização contra a Interessada, com a finalidade de verificar o cumprimento dos requisitos para gozo de imunidade tributária ― cfr. Mandado de Procedimento Fiscal e Termo de Início de Ação Fiscal, fls. 08 e 20 do processo administrativo nº 18471.001694/200291 (em apenso). Da notificação fiscal Em 14/05/2002, após efetuar os procedimentos de verificação pertinentes, o AuditorFiscal responsável notificou a Interessada, na forma do art. 32, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, da existência de discrepâncias, no anocalendário de 1998, entre os valores das mensalidades pagas na secretaria e os valores registrados na contabilidade, irregularidades estas que poderiam levar à suspensão da imunidade, no período em apreço, relativamente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ― cfr. Notificação Fiscal, fls. 46 do processo administrativo nº 18471.001694/200291 (em apenso). Das alegações da entidade Em 18/06/2002, a Interessada, com amparo no art. 32, §2º, da Lei nº 9.430/1996, apresentou suas alegações de defesa, perante a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro – RJ, alegando, em síntese, que as discrepâncias apontadas pela autoridade fiscal deviamse ao fato de que os recebimentos constantes das fichas dos alunos eram contabilizados na data dos acordos realizados com os responsáveis, data que nem sempre coincidia com a do efetivo crédito na conta bancária ― cfr. petição, fls. 109/122 do processo administrativo nº 18471.001694/200291 (em apenso). Fl. 314DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 315 4 Da manifestação do AuditorFiscal responsável pela verificação Chamado a se pronunciar a respeito das alegações da Interessada, o AuditorFiscal responsável pelo procedimento de verificação posicionouse pela suspensão da imunidade, com base nos seguintes fundamentos ― cfr. parecer, fls. 02/07 do processo administrativo nº 18471.001694/200291 (em apenso): “ASSUNTO: PROPOSTA DE SUSPENSÃO TEMPORÁRIA DE IMUNIDADE ANOCALENDÁRIO 1998 Sr. Supervisor Através da análise dos livros contábeis esta fiscalização detectou a ocorrência de grandes disparidades entre as receitas mensais apropriadas pela sociedade, originárias das mensalidades pagas pelos alunos, lavrando em 20.08.01 Termo de Intimação para apresentação de documentos que possibilitassem o levantamento dos efetivos pagamentos das mensalidades, através das matrículas, identificando ainda as datas em que os mesmos foram realizados. Considerando que a sociedade não apresentou os elementos solicitados e já havia declarado verbalmente, na pessoa do Sr. Milton de Albuquerque Bezerra, C.P.F. 266.431.89772, não possuir os documentos de controle que deram suporte aos lançamentos contábeis das receitas mensais, a fiscalização lavrou Termo datado de 10.11.01 intimandoo a conciliar os valores contabilmente apropriados como receitas das mensalidades, apresentando as respectivas memórias de cálculo. Mas, antes desse Termo a fiscalização procedeu o levantamento por matrícula das mensalidades pagas por via bancária, mês a mês, objetivando aferir a exatidão dos registros contábeis em relação aos valores pagos através da tesouraria, que posteriormente eram depositados e registrados como receitas através de emissão de nota fiscal, que englobava tanto os valores pagos por via bancária quanto os valores depositados. Ou seja, procuravase apurar se que as mensalidades pagas via secretaria haviam sido integralmente depositadas. Em função desse levantamento foi lavrado em 28.09.01 Termo de Intimação para que a sociedade comprovasse a apropriação contábil das mensalidades relacionadas, que não constavam dos borderôs do Banco Itaú, deduzindose que haviam de ter sido pagas na tesouraria e posteriormente depositadas. A resposta da intimada não atendeu as expectativas e se revelou insuficiente para se chegar a uma conclusão a respeito da apropriação mensal das receitas pagas em tesouraria, pois haviam indícios de que as matrículas e os meses relacionados no Termo não abrangiam a totalidade do universo pesquisado, deixando a desejar quanto a aferição dos valores apropriados. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 316 5 Em vista da insuficiência de dados no tocante a resposta ao Termo datado de 28.09.01 e ao fato de que o contribuinte não atendeu ao Termo datado de 10.11.01, a fiscalização voltou a intimálo em 17.12.01 para relacionar os números das matrículas dos alunos das séries 3A e 2B, objetivando uma nova avaliação nos critérios de apropriação. Após uma avaliação preliminar dos dados fornecidos a fiscalização em 06.02.02 lavra novo Termo intimandoo a fornecer informações sobre os meses de janeiro a abril, julho e agosto de 1998. A resposta a esse Termo veio em 18.03.02, com os esclarecimentos solicitados, onde o contribuinte também apresenta, na primeira folha, um resumo das mensalidades pagas através da secretaria e por via bancária. Enfim, já de posse das Fichas (comprovantes) de Controle de Pagamentos de alguns alunos, que segundo o seu representante serviram de base para as informações prestadas, a fiscalização lavra Termo em 08.04.02 intimando a sociedade a apresentar as Fichas das matrículas relacionadas, que não haviam sido entregues, recebendoas em 15.04.02 e 19.04.02. Em 30.04.02 a fiscalização toma por Termo declaração da sociedade de que as informações prestadas tiveram como fonte as Fichas de Controle de Pagamentos, não possuindo o estabelecimento os recibos de pagamentos, sendo impossível identificar os meses em que os pagamentos efetuados através da secretaria foram efetivamente depositados. Com base nas Fichas de Controle de Pagamentos e nas demais informações prestadas anteriormente pela sociedade a fiscalização efetua levantamentos, individualizados por matrícula, intimandoa em 07/05/2002 a justificar as diferenças entre os valores apurados e os contabilizados, seguida de Notificação Fiscal no mesmo sentido, datada de 14/05/2002, estipulando o prazo de trinta dias, previsto em Lei, para contestar ou justificar as diferenças apontadas. Um resumo comparativo entre os valores apurados na ação fiscal e contabilizados pela sociedade, no tocante às mensalidades pagas na tesouraria e depositadas, é apresentado a seguir: Mês Valor Apurado Valor Contabilizado Diferença Janeiro 18.527,34 88.790,78 (70.263,40) Fevereiro 38.206,77 36.272,67 1.934,10 Março 27.839,89 26.531,16 1.308,73 Abril 16.056,84 12.518,97 3.537,87 Maio 21.555,75 17.996,81 3.558,94 Junho 24.588,93 16.152,07 8.406,86 Julho 16.915,28 14.804,01 2.111,27 Agosto 19.251,97 21.013,38 (1.761,41) Setembro 18.194,14 9.457,35 8.736,79 Outubro 15.829,87 12.630,51 3.199,36 Novembro 18.235,06 14.701,27 3.533,79 Dezembro 35.354,75 22.200,53 13.154,22 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 317 6 Alguns esclarecimentos adicionais sobre as diferenças apuradas se fazem necessários: 1) O valor total das matrículas pagas nos meses de novembro/97, dezembro/97 e janeiro/98 foi de R$112.890,14, sendo que a parte mais significativa ocorreu em dezembro/97 (R$71.830,30). O estabelecimento apropriou em janeiro/98 a importância de R$88.790,78, referentes a matrículas pagas na secretaria e valores depositados, enquanto o valor apurado pela fiscalização foi de R$18.527,34. Como não possuímos os valores das matrículas do ano letivo de 1998 apropriados no ano calendário de 1997 a única justificativa plausível para tal fato é que com relação às matrículas a fiscalizada recebeu os valores no ano anterior e efetivamente depositou grande parte dos pagamentos de dezembro/97 em janeiro/98. Caso não deduzíssemos dessa forma a diferença de R$ 70.263,44 deveria ser considerada como receita sem origem, conseqüentemente omitida em anos anteriores, que retornaram em janeiro/98 para fazer face aos compromissos da sociedade, fato pouco provável pelo fato de serem matrículas, que competem ao ano letivo seguinte. No mais, a prática corriqueira é de se garantir com cheques pré datados, a serem compensados em data acordada, o direito à vaga no ano letivo seguinte; 2) Entretanto, o mesmo argumento não é suficiente para esclarecer as diferenças apuradas nos meses seguintes (fevereiro a dezembro/98), muito embora seja esta a pretensão da fiscalizada, sendo provavelmente válido para os meses considerados isoladamente, quando alternam diferenças positivas e negativas, que se compensam no decorrer do período. Além disso os pagamentos nesse período raramente são antecipados, pois se referem as mensalidades, sendo indiferente em que meses foram efetivamente depositados, já que a diferença no período é de R$47.720,52, ou seja, no período fevereiro a dezembro/98 os pagamentos em tesouraria foram superiores aos depósitos nesse montante, deixando a sociedade de contabilizar esse valor, até prova em contrário. Na verdade, a sociedade teria que comprovar que o valor correspondente a R$47.702,52, relativo a mensalidades pagas em tesouraria, foi depositado no ano calendário seguinte mas, de acordo com os Termos de Intimação e Esclarecimentos datados 10.11.01 e 30.04.02, ela não possui elementos que comprovem sua argumentação, pois não identifica os valores depositados, supostamente postergados. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 318 7 Concluise, assim, que na falta de elementos comprobatórios existe indícios veementes de omissão de receitas das mensalidades pagas em tesouraria, por não existirem depósitos correspondentes aos pagamentos e os respectivos registros contábeis; 3) Nos valores apurados pela fiscalização relativos ao mês de dezembro/98 não foram computadas as matrículas pagas naquele mês que se referiam ao ano letivo de 1999, tal como aconteceu com relação as matrículas do ano letivo de 1998 que foram pagas em dezembro/97. Levandose em consideração que a sociedade contabilizava as suas receitas pelo depósito das mensalidades e matrículas é de se convir que a diferença apurada pela fiscalização em dezembro/98 está subestimada, por que também ocorrem pagamentos de matrículas no mês de dezembro, com cheques pré datados a serem depositados em janeiro do ano seguinte; 4) Segundo apuração da fiscalização, o valor do recolhimento do mês de agosto/98 por via bancária foi de R$86.241,10 e não R$96.172,70, informado pela sociedade. Assim o valor recolhido através da secretaria e depositado passa a ser de R$21.013,35, único mês em que os depósitos superam os pagamentos; 5) Os valores das matrículas que foram informadas no rodapé de cada levantamento mensal sob a forma de observação, anexadas ao Termo datado de 07.07.02, referemse às informações prestadas pelo contribuinte para as quais a fiscalização não possui Fichas de Pagamentos. Dessa forma é bastante provável que ainda existam mensalidades não computadas durante o período, relativas a estas matrículas/alunos O resultado da ação fiscal, após a análise dos documentos, livros e registros contábeis pode ser assim resumido: 1) O contribuinte em sua resposta datada de 18/06/02 não atendeu plenamente o Termo de Intimação e Notificação fiscal datados de 07.05.02 e 14.05.02, respectivamente, não questionando nem justificando os valores apurados pela fiscalização, divergentes dos contabilizados; 2) Os levantamentos efetuados pela fiscalização com base principalmente nas Fichas de Controle de Pagamentos dos alunos, fornecidas pela fiscalizada, das mensalidades pagas via tesouraria, acusam indícios veementes de recebimentos não contabilizados, ou seja, omissão de rendimentos; 3) Em 18.06.02, o interessado afirma, em resposta a nossa intimação datada de 07.07.02 e Notificação datada de 14.05.02, que ‘as datas indicadas nas fichas dos alunos, apenas indicam as datas em que os acordos foram Fl. 318DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 319 8 acertados, não refletindo a efetiva liquidação e correspondente crédito em c/c’. No entanto, não possui elementos de prova que demonstrem a exatidão de seus registros contábeis, pois não consegue identificar, conforme Termo de Esclarecimentos datado de 30.04.02, os valores que foram recebidos em tesouraria e que supostamente tiveram seus depósitos postergados para o exercício seguinte. Portanto, não contesta nem justifica diretamente as diferenças apontadas pela fiscalização; 4) A forma errônea de escrituração contábil que não escritura as mensalidades recebidas em secretaria mas apenas os valores depositados, tendo como contrapartida a conta de receitas, dificulta, para não dizer torna impossível, qualquer identificação e controle das mensalidades depositadas, abrindo espaços para registros de valores aleatórios, quebrando o elo de ligação entre os pagamentos e os respectivos depósitos; 5) A própria resposta da sociedade à Notificação Fiscal é uma verdadeira contradição e demonstra bem que a sua contabilidade carece dos requisitos básicos, não refletindo a realidade dos fatos econômicos e financeiros, posto que, segundo suas próprias informações, o total do faturamento contabilizado no período de fevereiro a novembro/98 supera em R$22.635,25 a receita apurada pelas Fichas de Pagamentos dos Alunos, excluindose daí os meses de janeiro/98 e dezembro/98, ‘onde existe uma maior concentração de exceções e sobreposições com os meses de dezembro/97 e janeiro/99’. Em resumo, estas exceções e diferenças apontadas confirmam apenas que a sua contabilidade não é o meio eficaz para espelhar os fatos financeiros decorrentes de sua atividade, não se revestindo dos elementos essenciais e necessários â sua finalidade, pois não reflete nem informa adequadamente estes fatos, a que tem o dever e a obrigação de relatar. Por fim, convém frisar que a sociedade, conforme Termo datado de 28.09.01, deixou de registrar contabilmente as operações realizadas pela filial de Angra dos Reis, adquirida em julho daquele ano. Face ao exposto, é entendimento desta fiscalização que a Sociedade educacional IBPI infringiu o disposto no artigo 144 do RIR/97, devendo ter suspensa a Imunidade fiscal a que faria jus, de conformidade com o que dispõe o artigo 32 e parágrafos da Lei 9.430/96. À Consideração Superior.” Fl. 319DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 320 9 Da decisão referente à suspensão da imunidade e do ato declaratório Encaminhado o processo à apreciação do Delegado da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, este decidiu pela suspensão da isenção (rectius, imunidade) da Interessada, no anocalendário de 1998, com relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, por entender que a mesma descumpriu o requisito contido no art. 14, inciso III, do Código Tributário Nacional, que exige que a entidade mantenha escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão ― cfr. decisão, fls. 128/130 do processo administrativo nº 18471.001694/200291 (em apenso). Em decorrência da referida decisão, foi emitido ato declaratório de suspensão, em atendimento ao disposto no art.32, §3º, da Leinº9.430/1996 ― cfr. Ato Declaratório nº 04G, de 31/01/2003, fls. 131 do processo administrativo nº 18471.001694/200291 (em apenso). Da lavratura dos autos de infração de IRPJ e CSLL Dando prosseguimento ao feito, o AuditorFiscal responsável pela verificação intimou a Interessada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, os balanços e balancetes mensais referentes ao anocalendário de 1998, bem assim a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ correspondente ao período em exame — cfr. Intimações Fiscais, lavradas em 16/05/2003, 11/06/2003 e 01/07/2003, respectivamente às fls. 032, 034 e 035. Uma vez que a Interessada não logrou apresentar os livros e documentos exigidos, teve seu lucro arbitrado pela Fiscalização — cfr. Autos de Infração, às fls. 37/47: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ .............................. R$ 115.264,66 Multa de ofício de 75% (art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996) ........... R$ 86.448,47 Juros de mora (calculados até 31/07/2003) ................................. R$ 107.860,62 TOTAL ........................................................................................ R$ 309.573,75 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL .................. R$ 13.926,46 Multa de ofício de 75% (art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996) ........... R$ 10.444,83 Juros de mora (calculados até 31/07/2003) ................................. R$ 13.047,44 TOTAL ........................................................................................ R$ 37.418,73 Os fatos que motivaram o arbitramento do lucro foram assim descritos pelo AuditorFiscal autuante — cfr. Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls.38: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado , efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Fl. 320DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 321 10 Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados: Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/1998 06/1998 09/1998 12/1998 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: De 01/01/1995 a 31/03/1999 Art. 47, inciso III, da Lei nº 8.981/95 001–RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS Com a expedição do Ato Declaratório nº 04G, de 31 de janeiro de 2003, suspendendo o benefício fiscal, através dos Termos de Intimação, datados de 16.05.03 e 11.06.03, intimei o contribuinte a apresentar a apuração do lucro real trimestral, juntamente com os livros Diário e Razão, acompanhados dos balancetes mensais. Em 01.07.03 foi novamente intimado a apresentar DIPJ, com a apuração do imposto a pagar. Através do Termo de Esclarecimentos, datado de 31.07.03, o contribuinte, na pessoa do seu representante legal, informou que não iria fornecer os documentos solicitados porque havia impetrado Mandado de Segurança em 21.07.03. Em vista do não atendimento das Intimações citadas procedi o arbitramento do lucro, conforme o disposto no art. 538, inc. III, do RIR/98. Os motivos que levaram a suspensão do benefício fiscal estão expostos na Representação Fiscal, constante do Processo nº 18471.001694/200291. RECEITA DECLARADA RECEITA OMITIDA TOTAL (EM R$) 1º Trimestre 333.752,00 3.242,80 336.994,83 2º Trimestre 346.651,95 15.503,67 362.155,62 3º Trimestre 312.666,85 10.848,06 323.514,91 4º Trimestre 408.121,18 19.887,37 428.008,55 Obs: 1) Foram excluídos os valores trimestrais relativos a devoluções e abatimentos; 2) O valor da receita omitida no 1º trimestre referese aos meses de fevereiro e março; 3) A receita declarada trimestral foi apurada com base nas cópias dos balancetes contribuinte: Fl. 321DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 322 11 FATO GERADOR VALOR TRIBUTÁVEL OU IMPOSTO MULTA (%) 31/03/1998 336.994,83 75,00 30/06/1998 362.155,62 75,00 30/09/1998 323.514,91 75,00 31/12/1998 428.008,55 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 16 da Lei nº 9.249/95; Art. 27, inciso I, da Lei nº 9.430/96.” Da impugnação Inconformada com a autuação, de que tomou ciência em 19/08/2003, a Interessada apresentou, em 18/09/2003, impugnação dirigida a esta Delegacia de Julgamento — cfr. petição e documentos anexos, às fls. 063/197 —, alegando, em síntese, que: a entidade teve cerceado o seu direito de defesa, na medida em que não foi notificada da decisão referente à suspensão de sua imunidade; em virtude do referido cerceamento, a entidade impetrou mandado de segurança para impugnar o Ato Declaratório nº 04 G, de 31/01/2003; a questão da imunidade tributária, por sua vez, já está sendo discutida em outro processo administrativo, de nº 18471.001671/200287, que trata de auto de infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; diante de tal pendência, impõese que o julgamento do presente feito fique sobrestado, até que seja proferida decisão final no mencionado processo de nº 18471.001671/200287; antes que haja uma decisão definitiva a respeito da suspensão da imunidade, a entidade não pode ser obrigada a apresentar quaisquer balanços ou balancetes, para fins de determinação do lucro tributável, nem pode ser intimada a entregar a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, com vistas à apuração de imposto a pagar; mesmo que tivesse havido suspensão da imunidade tributária, seus efeitos não poderiam retroagir para tributar fatos ocorridos no anocalendário de 1998; e ainda que se admitisse o efeito retroativo do ato declaratório de suspensão, já teria a Fazenda, de todo modo, decaído do direito de constituir os créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/1998 até 18/08/1998; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 323 12 não procede, por outro lado, o arbitramento fundado na falta de apresentação de livros e documentos, pelas seguintes razões: se os livros não tivessem sido apresentados ao AuditorFiscal autuante, este não teria meios para arbitrar os valores consignados no auto de infração; e tanto é verdade que os livros estavam em poder do AuditorFiscal autuante, que ele mesmo, por ocasião do encerramento da ação fiscal, afirmou, expressamente, que “devolvemos nesta data todos os livros e documentos utilizados na presente fiscalização”; e mesmo que a entidade quisesse, não lhe teria sido possível apresentar os balanços e balancetes mensais exigidos pela Fiscalização, uma vez que seus livros contábeis permaneceram em poder do AuditorFiscal autuante até a data da lavratura dos autos de infração; os créditos tributários apurados na ação fiscal, decorrentes do arbitramento do lucro, não preenchem, por fim, os necessários requisitos de liquidez e certeza, uma vez que não levam em consideração as despesas fixas e operacionais da entidade. Das providências saneadoras No intuito de afastar qualquer alegação de cerceamento de direito de defesa, o Relator do feito houve por bem: a) cientificar a Interessada da decisão do Delegado da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro que motivou a edição do Ato Declaratório nº 04G, de 31/01/2003, e do parecer emitido pelo AuditorFiscal responsável pelo procedimento de verificação; e b) reabrir prazo para que a entidade pudesse contestar o referido ato declaratório, bem assim para que pudesse aditar razões à impugnação anteriormente apresentada — cfr. Intimação DRJ/RJOI nº 003, de 18/08/2006, às fls. 152 do processo administrativo nº 18471.001694/200291 (em apenso). Das novas razões aditadas Regularmente cientificada da decisão que motivou a suspensão de sua imunidade tributária, a Interessada aditou, em 26/09/2006, novas razões de defesa — cfr. petição e documentos anexos, às fls. 170/197 do processo administrativo nº 18471.001694/200291 (em apenso) — alegando, em resumo, que: o procedimento de suspensão da imunidade tributária está eivado de vícios, que comprometem sua validade: segundo o parecer do AuditorFiscal responsável pela ação fiscalizatória, a entidade, já a partir de 31/07/2002, não estaria observando os requisitos legais para gozo do benefício fiscal; a despeito de as razões para suspensão da imunidade já serem do conhecimento do Fisco desde aquela data, a entidade só recebeu a notificação fiscal a que se refere o art.32, §1º, da Lei nº 9.430/1996, em 25/08/2006, mais de quatro anos após a conclusão da auditoria; em sendo a notificação ato indispensável para a compreensão dos motivos da suspensão do benefício, sua emissão tardia, após já terem sido lavrados todos os autos de infração, compromete o Fl. 323DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 324 13 exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, assegurado pelo art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, e acarreta, assim, a nulidade do feito, consoante o disposto no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972; os demonstrativos que apontam supostas inconsistências entre as receitas contabilizadas pela entidade e os valores apurados por meio da ação fiscal não espelham a realidade dos fatos, porque partem de premissas falsas e enveredam por um caminho que conduz a resultados incertos: com efeito, o AuditorFiscal, em seu procedimento de verificação, ao invés de se ater a documentos contábeis regulares, tais como notas fiscais e borderôs bancários, baseou suas conclusões nas fichas de controle de alunos, documentos estes que são meramente acessórios à gestão da escola; conforme já havia sido explicado à Fiscalização, os pagamentos dos alunos eram efetuados, ordinariamente, através de carteira de cobrança, no banco Itaú; e, apenas excepcionalmente na secretaria da entidade, nos casos de acordos, descontos especiais, bolsas de estudo, revisões de contratos e substituições de cheques sem liquidez; as diferenças encontradas no procedimento de fiscalização referemse, tão somente, a cheques prédatados que foram recebidos na secretaria, para depósito nas datas neles indicadas, mas cuja quitação foi dada no próprio momento da entrega; a tesouraria, no caso, mantinha os cheques sob custódia até a data de vencimento convencionada para o depósito, e só após a liquidação dos mesmos procedia à respectiva contabilização; não houve, portanto, valores sonegados, antes pelo contrário, o que houve foram receitas contabilizadas a maior, conforme demonstrado já no curso da ação fiscal (doc. fls. 109/110); a suspensão da imunidade, efetuada sob a justificativa de que a impugnante teria descumprido o requisito contido no art. 14, inciso III, do Código Tributário Nacional, não procede, afinal as receitas e despesas da entidade eram devidamente escrituradas no livro Diário, estando corroboradas por documentação pertinente, conforme verificado no procedimento de auditoria; a Fiscalização, de outra parte, seguiu um caminho anômalo, totalmente em desacordo com as regras instituídas pelo art. 32 da Lei nº 9.430/1996: com efeito, os autos de infração foram lavrados antes mesmo de que a impugnante tivesse tomado ciência da decisão que determinou a suspensão de sua imunidade; tal fato, na medida em que viola o princípio do contraditório e da ampla defesa, assegurado pelo art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, implica a nulidade do feito, conforme determina o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972; o arbitramento do lucro, de mais a mais, é improcedente, porque a situação em apreço não se enquadra em nenhuma das hipóteses a que se refere o art.530 do RIR/99; o critério de apuração da base de cálculo é igualmente falho, uma vez que se serve de dois pesos e duas medidas: afinal, se o Fl. 324DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 325 14 AuditorFiscal aceitou as receitas informadas pela impugnante, para efeito do lançamento da COFINS, também deveria ter utilizado as mesmas receitas, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Dos documentos referentes à ação judicial Diante de menção feita nos autos a uma ação judicial movida pela Interessada contra a Fazenda, tendo possivelmente por objeto a matéria em discussão, o Relator do feito efetuou consultas na Internet, junto ao site da Justiça Federal, e verificou tratarse de um mandado de segurança, com pedido de liminar, impetrado em face do Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro, em 21/07/2003, processado sob o nº 2003.51.01.0169117 e distribuído à 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro — cfr. pesquisas, às fls. 232/244 do processo nº 18471.001694/200291 (em apenso). A partir de tais informações, requisitou, para consulta, o processo administrativo nº 18471.002295/200329, formalizado para acompanhamento do referido mandado de segurança, de onde, afinal, extraiu cópias de suas peças principais, notadamente da petição inicial e da sentença proferida em primeira instância — cfr. documentos juntados às fls. 201/244 do processo administrativo nº 18471.001694/200291 (em apenso). Como já mencionado, a DRJ Rio de Janeiro/RJ I considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE EM VIRTUDE DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ALEGAÇÃO DE VÍCIOS PROCEDIMENTAIS. Saneadas as irregularidades que obstruíam o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte, com reabertura do prazo para aditamento da impugnação, o feito prossegue em seu andamento normal, sem que se declare sua nulidade. DISCUSSÃO DE MATÉRIA NA VIA JUDICIAL. CONSEQÜÊNCIAS EM RELAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda, versando sobre o mesmo objeto da impugnação, importa em renúncia à instância administrativa. Em se verificando, todavia, na peça impugnatória, a existência de matérias que não estejam sendo discutidas na via judicial, estas deverão ser apreciadas normalmente pelo julgador administrativo (Ato Declaratório Normativo COSIT nº 03/1996). Fl. 325DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 326 15 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. IRPJ. O imposto de renda das pessoas jurídicas segue o regime dos tributos lançados por homologação. Existindo pagamento antecipado, o prazo decadencial para que a Fazenda constitua o crédito Tributário relativo a eventuais diferenças devidas será de 05 (cinco) anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN). Inexistindo, todavia, o dito pagamento, o termo inicial de contagem do prazo extintivo deslocarseá para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN). DECADÊNCIA. CSLL. O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir os créditos relativos às contribuições para financiamento da seguridade social só se extingue no prazo de 10 (dez) anos (art. 45 da Lei nº 8.212/1991). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 IRPJ. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO. A falta de apresentação dos livros Diário e Razão, na medida em que impossibilita a apuração do lucro real, autoriza o Fisco a promover o arbitramento do lucro. IRPJ. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. Uma vez arbitrado o lucro da pessoa jurídica, o primeiro parâmetro para a determinação da base de cálculo é o da receita bruta conhecida, admitida como tal aquela constante dos balancetes apresentados à Fiscalização. Deverão ser excluídas da base tributável, por outro lado, as receitas incertas, apuradas sobre bases inseguras. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1998 CSLL. ARBITRAMENTO. DECORRÊNCIA. O que ficou decidido em relação ao lançamento principal aplica se, no que couber, ao lançamento dele decorrente. Lançamento Procedente em Parte Fl. 326DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 327 16 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 26/03/2007, a Contribuinte apresentou em 25/04/2007 o recurso voluntário de fls. 231 a 273, onde desenvolve os seguintes argumentos: DO PROCEDIMENTO FISCAL como questão preliminar, registrese que o representante do Fisco que elaborou o levantamento fiscal para fins de apuração de valores tributáveis, seguiu um caminho anômalo, totalmente inverso, em desacordo com o procedimento determinado no inciso II, § 6°, do art. 32 da Lei n° 9.430/1996; somente depois de efetivada a suspensão da imunidade é que a Fiscalização estaria autorizada a lavrar o auto de infração. Porém, não foi assim que aconteceu; a entidade só tomou ciência expressa, sobre a suspensão da imunidade (em discussão), determinada pelo Ato Declaratório n° 4G, do Sr. Delegado da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro RJ, a partir da INTIMAÇÃO DRJ/RJO I N° 003/2006, recebida em 25 de agosto de 2006, onde restou clara a omissão da ciência à entidade; resta certo e evidente que, como ocorreu a intimação acima exposta, com “abertura”, não reabertura do prazo de 30 (trinta) dias, a partir de 25 de agosto de 2006, para o exercício de defesa por parte da entidade, é porque antes o Contribuinte não havia sido regularmente intimado para a defesa, iniciandose, conseqüentemente, o prazo para interposição do recurso a partir da ciência, que, “in casu” deuse com a intimação supra, ou seja, a partir de 25/08/2006; ainda na mesma esteira de entendimento, notase que o primeiro auto de infração referente à COFINS foi lavrado em 17/07/2002, antes, portanto, da data da suspensão da imunidade tributária (em discussão), com ciência ao representante da entidade em 22/07/2002; por conseguinte, não poderia ter sido lavrado, sem antes aguardar a decisão do julgamento da DRJ das razões da impugnação para sustentação da imunidade tributária a que faz jus, a serem oferecidas pela entidade autuada, consoante o inciso I do § 6° do art. 32 da lei supracitada; não assiste qualquer razão plausível para afastar e inacolher a argüição de nulidade do ato em virtude do flagrante cerceamento de direito de defesa; esta é a posição dominante e entendimento já pacífico conforme se colaciona abaixo: Número do Processo:13805.00046619391 (...) Data da Sessão:1110812004 (...) Decisão:Acórdão 10707721 (...) Fl. 327DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 328 17 NORMAS PROCESSUAIS SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTARIA INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO ANOSBASE DE 1986 A 1990 A suspensão da imunidade tributária das instituições de educação integra o rol dos atos privativos da autoridade tributária da jurisdição da entidade, nos precisos termos do § 10 do art. 14 do Código Tributário Nacional. Somente após o ato formal de suspensão da imunidade pela autoridade competente é que se abre ao auditor fiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de agir. A legislação nunca contemplou a possibilidade de suspensão de imunidade pelo próprio auditor fiscal, como verificado nestes autos. (Precedentes: Ac. CSRF/010.200/81 e Ac. 10193.465). (NEGRITAMOS E GRIFAMOS). devem ser afastadas as considerações exaradas no acórdão recorrido, quando alega que foram saneadas as irregularidades que obstruíam o pleno exercício do direito de defesa do Contribuinte, com reabertura do prazo para aditamento da impugnação; com o saneamento (abertura do prazo) através da “intimacão de 25/08/2006” inaugurouse o lapso temporal de 30 (trinta) dias para o início do exercício de defesa do Contribuinte. Não há que se falar em retroatividade de saneamento, pois o efeito se opera “ex nunc”, a partir de então, ou seja, da intimação de 25/08/2006; se o ato se perfez fora da época, como de fato aconteceu com o auto de infração, este é nulo de pleno direito, visto ter havido a preterição do amplo direito de defesa e do contraditório, consagrado no inciso LV do art. 50 da Constituição Federal e ínsito também no art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235, de 06/03/72; outro aspecto que pede a reapreciação da preliminar, diz respeito à notificação fiscal de que trata o § 1º do art. 32 da lei citada; observese que a ação fiscal teve início em 1°/08/2001 e terminou em 17/07/2002 (conforme cópia do auto de infração em poder da entidade autuada), e em 31/07/2002, o AuditorFiscal concluiu que a Sociedade Educacional IBPI havia infringido o disposto no artigo 144 do RIR/97, devendo ser suspensa a imunidade fiscal a que faria jus, de conformidade com o que dispõe o artigo 32 e parágrafos da Lei 9.430/96; portanto, a partir de 31/07/2002, segundo a ótica do AuditorFiscal, com base no art. 32, § 1º, da lei referida, a entidade imune não estaria observando os requisitos ou condição prevista nos arts. 9°, § 10 e 14 da Lei n° 5.172, de 25/10/66 (CTN), e, desta forma, o autorizava a proceder à notificação fiscal da entidade para que a mesma se manifestasse sobre os fatos apurados que levariam à suspensão do beneficio da imunidade. Todavia, ao arrepio da lei, essa notificação fiscal, como elemento essencial ao processo, não se verificou à época, somente vindo a ocorrer posteriormente com a correção procedida pela intimação de fls. 152, para ciência da entidade em 25/08/2006; por conseguinte, esta é uma gritante falha processual, sendo este ato formal indispensável à defesa da autuada, realizado intempestivamente, após decorrido mais de 4 (quatro) anos contados da data da conclusão da ação fiscal, e de 5 (cinco) anos se Fl. 328DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 329 18 considerarmos a data da ciência dada pela intimação de fls. 152, com todos os autos de infração já consumados; em 22/07/2002, com ciência do representante legal da entidade autuada, o Fiscal encerrou a fiscalização com autuação da COFINS, entregando, em conseqüência, todos os livros à pessoa jurídica; evidente que, como houve o encerramento da fiscalização, com a devolução de todos os livros e documentos contábeis que estiveram nas mãos do Auditor Fiscal, por mais de 7 (sete) meses, e com a ciência do auto da COFINS, deveria, salvo melhor juízo ou disposição, ter sido aberto um novo procedimento, com exigências pertinentes a este novo período de fiscalização, o que não ocorreu; o Auditor Fiscal usou provas emprestadas dos autos da lavratura do COFINS para, meses após, carrear a um novo procedimento, sem abertura, sem ciência do ato pela entidade, o que, data maxima vênia, fere de morte o direito de defesa do Contribuinte; outro fato importante a ser discutido referese à forma com que foram lavrados os autos de infração do IRPJ e da CSLL, sendo que este deveria ser reflexo do primeiro, mas não o foi, os quais foram ultimados em 18/08/2003; com efeito, esclareçase que o referido Fiscal ficou com os livros em seu poder durante 1(um) ano, aproximadamente, e que ao proceder à lavratura do auto de infração da COFINS aceitou a receita de prestação de serviços (faturamento) oferecida pela recorrente, porém, para o auto de infração do imposto de renda da pessoa jurídica procedeu, a exclusivo critério pessoal, ao arbitramento do lucro; ora, desta forma, utilizouse de dois pesos e duas medidas, pois, os mesmos elementos utilizados para o auto da COFINS são os mesmos que foram apreciados para eventual discrepância do IR. Aliás, o Auditor Fiscal estava com todos os elementos em mãos, inclusive a DIPJ com os respectivos balancetes. Se para a COFINS vale a receita oferecida pela entidade, a mesma receita deveria servir para a apuração do imposto de renda da pessoa jurídica; como não logrou apurar diferença tributável de receita, a única justificativa para o procedimento do arbitramento é que, por esse processo indiciário o valor apurado leva a um crédito tributário muito superior ao de uma pequena omissão de receita; o arbitramento é uma situação especialíssima e de exceção, não usual, e deve ser usados em casos extremos com respaldo legal e em última hipótese, quando flagrante a falta de escrituração, a omissão ao acesso aos livros e documentos contábeis, segundo os incisos I a VI do art. 530 do RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/99; falece em seu nascedouro o “termo de Esclarecimento” do AuditorFiscal quanto à omissão na entrega dos livros e documentos, isto porque: (a) por mais de 7 (sete) meses todos os livros e documentos foram entregues conforme requerido, inclusive municiou para a lavratura do auto da COFINS; (b) não havia qualquer razão para não entregar os livros e documentos, pois há muito eram de conhecimento do AuditorFiscal; (c) o contador que tomou ciência do termo de esclarecimento datado de 31/07/03, consultado sobre o fato, afastou qualquer hipótese de recusa para entrega dos livros e firmou expressamente que: Fl. 329DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 330 19 Não obstante tenha havido as intimações os livros jamais foram negados, sonegados, omitidos ou ocultados, até porque permaneceram sob a guarda e fiscalização do mesmo auditor por quase 01 (um) ano, e com vistas nos documentos e livros, municiaram o Sr. Auditor à lavratura do auto de infração 0719000/00927/03, referente à COFINS referente ao ano de 1.998. Assim, não existiu como não existe qualquer negativa ou omissão em não se cumprir a determinação, houve, apenas, na época, a impossibilidade de se cumprir a exigência para o contribuinte montar ou produzir, no prazo de 20 (vinte) dias, novos balanços e balancetes, bem como refazer DIPJ (podendo optar pela forma de tributação) com a apuração do imposto de renda a pagar, a apuração do lucro real trimestral/anual, inclusive Lalur no caso de opção pelo lucro real, acompanhados dos livros e documentos lançados há mais de 4 (quatro) anos. Não houve recusa, apenas o argumento que o contribuinte gozava da IMUNIDADE TRIBUTÁRIA e não poderia, criar , ou montar, "spont sua” e ficticiamente, o resultado exigido. (...) é importante esclarecer que, se a intimação se referisse apenas e tão somente para a entrega dos livros, não haveria necessidade de prazo tão elástico de 20 (vinte) dias, pois, os livros estavam e como sempre estiveram, prontos e à disposição do fiscal. o Sr. AuditorFiscal não exigia os livros, pois, se assim o fosse, não necessitaria do prazo ser tão elástico, ou seja, de 20 (vinte) dias. Ele exigiu da empresa contribuinte a elaboração de provas contra si própria; estando a Contribuinte ainda sob o manto da imunidade tributária, o nobre AuditorFiscal exigiu e condicionou a entrega dos livros à prévia apresentação do imposto de renda a pagar, ou seja, a “contitio sine qua nom” ao recebimento dos livros, se estes viessem acompanhados do resultado de IR; a exigência do nobre AuditorFiscal em determinar que a sociedade apresente resultado de IR sob a blindagem da imunidade tributária é um contrasenso, e a auto desconsideração da imunidade, s.m.j, configura auto punição, vedada por lei.; os livros e documentos de há muito conhecidos pelo Sr. AuditorFiscal foram encaminhados e oferecidos, mas não foram recebidos por falta do cumprimento das exigências da “auto autuação”, ou seja, dos balanços com resultados exigidos, mesmo que para tal desiderato houvesse necessidade de “criar ou montar” resultados, independente de serem ou não fidedignos, tomandose como base documentos que não mais representariam a fidelidade do ato póstumo e jaz há mais de 4 anos; o arbitramento é injusto e deve ser vencido, conseqüentemente, acolhido o recurso da entidade recorrente para anular o ato, pois, além de ser um recurso extremo, ou seja, se admite quando inexistem registros contábeis, são sonegados ou ainda imprestáveis à análise; os livros e documentos existem, não foram omitidos e a contabilidade espelha com clareza a transparência exigida pela lei, mormente, quando sempre estiveram à disposição do Sr. AuditorFiscal, e não houve sonegação ou omissão em atender as exigências para entrega; Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 331 20 a escrituração não revela fraudes nem sequer indícios de atos ilícitos ou contém vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária (possuindo toda a documentação, que ficou à disposição do Fiscal autuante), muito menos para a determinação do lucro real, por não estar sujeita a esse regime; se prestou como base para a lavratura do auto referente à COFINS, não pode ser imprestável para apreciação de eventual e insignificância discrepância de lançamentos; o AuditorFiscal examinou minuciosamente, uma a uma, nota por nota, todas as despesas. Como não logrou êxito, pois as despesas eram fidelíssimas, passou a examinar nota por nota, ficha de aluno por ficha de aluno, lançamento bancário com as fichas de alunos, checando uma por uma, e nada encontrou que pudesse identificar qualquer irregularidade, apenas esparsas discrepâncias entre datas de depósitos de cheques e pequeno movimento de secretaria, com evidentes provas de renegociações, repactuação de dívidas com os pais dos alunos, atendendo as dificuldades dos responsáveis pela matrícula; restou provado que durante todo o tempo que o nobre Auditor dedicou à ação fiscal, não logrou apurar diferença de receita não contabilizada mas, ao contrário, pôde verificar que o total de receita apurada pelo representante do Fisco é inferior ao total da receita contabilizada. Por conseguinte, se tributação estivesse sujeita, não haveria omissão de receita; a Recorrente pede vênia para apresentar uma análise mais detalhada do procedimento fiscal; no relato fiscal apresentado às fls. 04 do processo, o demonstrativo de Valor Apurado, Valor Contabilizado e Diferença é inconsistente, não espelha a realidade dos fatos porque partiu de uma premissa falsa e enveredou por um caminho que não conduz à certeza do resultado apurado; na verdade, o Auditor utilizouse de documentos acessórios à gestão da escola, que são as Fichas de Controle de Alunos (não contábeis), ao invés de aterse a documentos contábeis regulares, tais como notas fiscais emitidas regularmente e borderôs de banco, mês a mês, consistentes com a contabilidade como um todo. Porém, assim não fez; notase a flagrante indecisão e imprecisão demonstrada em várias etapas do relatório exarado pelo nobre AuditorFiscal, quando, em suas afirmações, emprega expressões frágeis à autuação do tipo “única justificativa plausível” (fls. 04); “receita. sem origem conseqüentemente, omitida em anos anteriores” (fls. 05); “indícios veementes de omissão de receitas” (fls. 05/06), “bastante provável” (fls. 06), sem contudo provar tais alegações; ao valerse de documentos extracontábeis (Fichas de alunos) e por amostragem, o caminho seguido pelo Fiscal não leva a qualquer conclusão, porque, como se disse várias vezes, a secretaria não tem como finalidade receber valores de matrículas nem de mensalidades; todas as matrículas são vinculadas a um contrato, dando origem ao boleto respectivo para liquidação de seus valores através do Banco Itaú S.A.; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 332 21 na documentação fornecida ao Fiscal, embora conste como rubrica a expressão “pagamento de matrículas” (não mensalidades) em tesouraria, na realidade, referese à quitação de pais dos alunos (ou seu representante), mas não o efetivo recebimento de valor através de cheques prédatados, mormente, em tempos de total insegurança como a que assola o Rio de Janeiro, com as constantes incidência de assaltos. Não é crível e nem de bomsenso manusear valores, seja a quantia que for, na secretaria, que, como dito, serve apenas e tão somente para repactuação de dívidas. Este foi o erro fatal do demonstrativo de fls. 04 e não vislumbrado pela douta 4ª Turma da DRJ; como já informado, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, os pagamentos dos alunos são efetuados de duas formas: carteira de cobrança 175 do Banco Itaú S.A. ou, eventualmente, em casos de devolução de cheques ou repactuação de dívidas, na Secretaria, que logo a seguir os encaminha para serem depositados em contacorrente da entidade no referido estabelecimento bancário; assim, a Secretaria tem a função de mero atendimento a casos esporádicos, relativamente a acordos, descontos especiais, bolsas de estudo, revisão de contratos, ou substituição de cheques sem liquidez, que são reapresentados ao referido banco nas datas de vencimento neles contidas. Portanto, a Secretaria não fica com os cheques em seu poder; as diferenças encontradas pelo Fiscal referemse a cheques prédatados que eram recebidos pela tesouraria para depósitos nas datas neles estabelecidas, porém os pais (ou seus representantes) dos alunos ao entregarem os cheques recebiam a quitação dos valores. Se houvesse devolução de algum cheque, seria enviado ao Departamento Jurídico para cobrança judicial, não acarretando, em conseqüência, o cancelamento da matrícula do aluno, o que é vedado pela Lei da Defesa do Consumidor; outro fato relevante no relato fiscal que deve ser consignado é o engano no item 1 (fls. 04), quando menciona o total de R$ 18.527,34, apurado para o mês de janeiro/98, correspondente a matrículas pagas na secretaria e valores depositados. O valor total correto é R$ 104.668,78, conforme documento de fls. 80; incorreta é a afirmativa de fls. 04, quando o Fiscal assevera, logo no início do texto, que “como não possuímos os valores das matrículas do ano letivo de 1998” ...”, pois toda a documentação das matrículas lhe foi entregue, conforme se vê às fls. 24/25 e 33/45; esclareçase que em novembro e dezembro de cada ano, inclusive de 1997, iniciase a reserva de matrículas para o ano calendário do ano seguinte, inclusive de 1998. Os cheques correspondem à prestação do serviço (aulas) que darseá no ano seguinte, a partir do mês de janeiro. Seria infração ao disposto na Lei do Consumidor 8.078/99, realizar a cobrança de cheques antes da data aprazada e sem a contraprestação do serviço; em resposta ao argumento (item 2, fls. 05) de que “na verdade, a sociedade teria que comprovar que o valor correspondente a R$ 47.702,52 (quando o valor correto é R$ 47.720,52), relativo a mensalidades pagas em tesouraria, foi depositado no ano calendário seguinte...”, bem como na outra expressão “concluise, assim, que na falta de elementos comprobatórios existe indícios veementes de omissão de receitas das mensalidades pagas em tesouraria, por não existirem depósitos correspondentes aos pagamentos e os respectivos registros contábeis”, temos a dizer que não é verdadeiro tal indício, visto que, como já dito, nos meses de novembro, dezembro e janeiro, iniciase a reserva de matrículas para o ano seguinte. A tesouraria mantém os cheques prédatados sob custódia até a data de vencimento Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 333 22 convencionada para ser depositado, quando, então, passa a haver a sua liquidação e, após, sua contabilização; outro engano do relato fiscal é aquele quando se refere à subestimação das receitas em dezembro/98 (item 3 — fls. 05). O Fiscal é que não observou que o valor total correto é de R$ 111.429,90, que engloba os recebimentos de matrículas e mensalidades renegociadas em Secretaria (R$ 22.200,53) e através de boletos do Banco Itaú S.A. (R$ 89.229,37), conforme documento de fls. 80; o resultado mencionado pelo Fiscal, no item 4 (fls. 06), com recolhimento bancário de R$ 86.241,10 está aquém do informado pela entidade (R$ 96.172,70) pagos também em banco, conforme se vê nos documentos de fls. 80 e 109, mas o total contabilizado é maior (R$ 107.254,48), incluídos os transitados pela Secretaria (R$ 11.081,78); o item 5 (fls. 06) é inconcluso, pois o Fiscal não conseguiu comprovar o alegado, quando utiliza o termo “bastante provável” ao se referir à existência de mensalidades não computadas durante o período, “relativas a estas matrículas/alunos”. Ora, ou existe ou não existe, mas não cabe dizer que é “bastante provável”, o que torna o relato frágil e desacreditado para ser levado seriamente em consideração; quanto ao resultado da ação fiscal (item 1 — fls. 06), também não assiste qualquer razão, pois todas as intimações foram atendidas pela entidade autuada, sendo que o momento oportuno para seu questionamento está sendo feito agora através desta impugnação; com relação ao item 2 do resultado da ação fiscal (fls. 06) novamente não assiste razão ao digno AuditorFiscal, pois as “Fichas de Controle de Pagamentos dos Alunos”, além de não ser documento contábil, reflete apenas os cheques prédatados para pagamento de dívidas repactuadas, e não discrepa dos resultados apresentados; finalmente, no item 3 do resultado da ação fiscal (fls. 06) é verdadeira a afirmação da entidade de que, nas “fichas dos alunos” (documento não contábil) constam apenas os “acordos” acertados, pois a contabilização darseá na efetiva liquidação dos cheques prédatados nas datas correspondentes; face ao exposto, a diferença entre o Valor Apurado e o Valor Contabilizado, nada significa em termos tributáveis, a gerar a autuação; em síntese, a entidade autuada apresenta valor contabilizado maior do que o apurado pela Fiscalização. Portanto, não há valores sonegados e sim valores contabilizados a mais; toda receita está escriturada de forma correta, com os lançamentos nas respectivas datas de liquidação, corroborada com a documentação bancária. Não há quebra do elo de ligação entre os pagamentos e os respectivos depósitos como afirmado, isto porque a Fiscalização não apurou valores de Fichas de Alunos anteriores a novembro/97, alunos esses inadimplentes que acertaram sua situação financeira durante o ano de 1998, inclusive por acordos obtidos após ação judicial de cobrança; não assiste razão do representante do Fisco “ao condenar a contabilidade como carente de requisitos básicos a refletir a realidade dos fatos econômicos e financeiros”. Ao contrário, o demonstrativo de fls. 109, apresentado pela entidade recorrente, espelha a Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 334 23 comparação entre os totais de FATURAMENTO CONTABILIZADO e os totais apurados das FICHAS DOS ALUNOS (documento não contábil), de que os valores contabilizados superam, em R$ 22.635,25 os valores das fichas dos alunos; esse valor contabilizado a maior de R$ 22.635,28 corresponde a inadimplências repactuadas de mensalidades anteriores a novembro/97, não solicitadas pela Fiscalização; o valor divergente de R$ 22.635,28 corresponde a repactuação de 5 (cinco) matrículas de alunos inadimplentes que renegociaram os débitos da anuidade. No universo de grandeza de mais de 200 alunos, tal valor corresponde a cerca de 2% de alunos inadimplentes, número esse extremamente coerente com a inadimplência educacional superior a 10% amplamente conhecida pelo mercado; retornando ao exame do inciso III do art. 530 do RIR/99, supra referido, também aqui a pessoa jurídica recorrente não se enquadra, pois jamais deixou de apresentar os livros e documentos da escrituração contábil da entidade. Ao contrário, deixou em poder do Fiscal todos os seus livros e documentos durante quase 1 (um) ano, para exame da escrita; embora sabendo tratarse de entidade imune, o Fiscal ainda assim exigiu, arbitrariamente, mediante “Termo de Intimação” recebido em 11/06/2003, no exíguo prazo de 5 (cinco) dias, para que a entidade apurasse o lucro real trimestral, relativo ao ano calendário de 1998, juntamente com os livros Diário e Razão, do mesmo período, bem como balanços e balancetes mensais acumulados; em recente decisão, a douta Quinta Câmara, recurso n° 136.711, processo n° 15.374.000658/9945, deixou consignado que antes de se arbitrar, se faz necessário que o AuditorFiscal conceda prazo razoável para que o Contribuinte preste as informações; por outro lado, cabe ressaltar que o exercício financeiro de 1999, ano calendário de 1998, foi alcançado pela decadência tributária, em relação à data da ciência pela entidade do Ato Declaratório que determinou a suspensão da imunidade tributária (25/08/2006); por derradeiro, não se discute aqui apenas e tão somente a questão da imunidade tributária em si, já reconhecida à entidade, mas a sua suspensão, sob a alegação de que não estaria cumprindo o disposto no inciso III do art. 14 do CTN, qual seja, o de “manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão (princípio da transparência escritural)”; as receitas e despesas estão devidamente escrituradas no Diário, corroboradas com toda a documentação pertinente, que foi examinada exaustivamente pelo AuditorFiscal, durante a sua ação fiscalizadora; a utilização de documentos não contábeis para sustentação de levantamento fiscal e, conseqüentemente, de suspensão de imunidade tributária, esbarra em decisão que os considera imprestáveis para a tributação do imposto de renda: IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS — ATIVIDADES ESCOLARES — Ex. 1992 — 1994. Não é lícito ao fisco tributar diferença Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 335 24 encontrada entre a receita bruta declarada pela entidade escolar e a receita obtida através do demonstrado contendo o número de alunos matriculados na escola pelo valor das mensalidades, sem antes, excluir o quantitativo de alunos agraciados com bolsas de estudos, os efetivamente transferidos e os alunos agraciados com descontos especiais por percentagem da mesma família. 0 crédito tributário apurado em estabelecimento escolar sem este levantamento não contém requisitos de certeza e seriedade, principalmente quando a instituição de ensino fornece estas informações — Recurso provido— 1° Conselho de Contribuintes / 7ª Câmara / Acórdão 107.04.798, em 20.02.98. Publicado no DOU em 20.05.98. DO PEDIDO a Contribuinte requer a nulidade processual, em razão da total afronta ao seu amplo direito de defesa, consagrado no inciso LV do art. 5° da Constituição Federal e no inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, pois restou plenamente provado que a ciência do ato de suspensão da imunidade deuse após a lavratura de todos os autos, o que é vedado por lei; com relação aos lançamentos reflexos, COFINS e CSLL, argüiramse as mesmas razões de fato e de direito esposadas para o lançamento principal (IRPJ), requerendo sua igual improcedência, visto que aqueles devem se constituir em mera decorrência deste último; se ultrapassada a preliminar, sejam, no mérito, julgados improcedentes os autos de infração, na forma do disposto no art. 59, § 3°, do mesmo diploma legal, por ter sido alcançado pela decadência qüinqüenal, de que trata o art. 173 do CTN. Este é o Relatório. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 336 25 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento a título de IRPJ e CSLL nos trimestres do anocalendário de 1998, no regime do lucro arbitrado, realizado em decorrência da suspensão de sua imunidade no respectivo período, matéria que é objeto do processo nº 18471.001694/200291, do qual este é dependente. Na mesma ação fiscal, a Contribuinte também foi autuada em relação à COFINS processo n° 18471.001671/200287. Desde já, é importante esclarecer que o presente processo trata apenas da exigência de IRPJ e CSLL, e que o Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade e o lançamento de COFINS devem ser examinados nos seus respectivos processos, observandose, quando for o caso, as devidas implicações entre eles, na parte em que um for dependente do outro. Em relação ao lançamento de COFINS, cabe apenas esclarecer que a questão a ser lá dirimida é se a imunidade tributária do art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal de 1988, dirigida em tese apenas aos impostos sobre patrimônio, renda e serviços, seria ou não estendida à referida contribuição social. Neste processo, relativo ao IRPJ e à CSLL, o debate já é bem diferente, cabendo averiguar se a Entidade descumpriu ou não as condições para o gozo da imunidade, conforme o resultado da análise do processo que trata especificamente do Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade, além das questões específicas que envolvem o regime de apuração dos referidos tributos, a composição da base de cálculo, etc. Também é interessante reproduzir as informações prestadas pela DRJ sobre o Mandado de Segurança nº 2003.51.01.0169117, impetrado em 21/07/2003: Conforme já relatado, a Interessada impetrou, em 21/07/2003, mandado de segurança, com pedido de liminar, em face do Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro, feito processado sob o nº 2003.51.01.0169117, e distribuído originariamente à 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro — cfr. pesquisas, fls. 232/244 do processo administrativo nº 18471.001694/200291 (em apenso). Examinandose a peça vestibular que instrui o referido mandado de segurança, verificase que o pedido da impetrante consiste em que: a) não se declare a suspensão de sua imunidade tributária, antes que se esgotem todos os recursos administrativos cabíveis; b) não se lhe exija qualquer apuração de lucro real ou pagamento de imposto de renda, antes que venha a ser Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 337 26 definitivamente decidida a questão da imunidade tributária; e c) não se dê efeito retroativo à suspensão da imunidade tributária, na hipótese de a mesma vir a ser considerada procedente — cfr. petição inicial, cópia às fls. 201/212 do processo administrativo nº 18471.001694/200291 (em apenso). Pois bem. A respeito de tais matérias discutidas em juízo, não compete ao julgador administrativo emitir qualquer pronunciamento, haja vista o princípio da reserva de jurisdição, consagrado no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988, que confere ao Poder Judiciário o monopólio da última palavra. Esta a orientação contida no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 03, de 14/02/1996, emanado da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, e de observância obrigatória por parte das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17/03/2006). (...) Quanto ao andamento do Mandado de Segurança nº 2003.51.01.0169117, as informações mais recentes, extraídas do site da Justiça Federal na Internet, indicam que o feito ainda não teve solução definitiva, aguardando julgamento de apelação no Tribunal Regional Federal da 2ª Região — cfr. pesquisas processuais, às fls. 241/244 do processo administrativo nº 18471.001694/200291 (em apenso). De observar, porém, que, na primeira instância, a MM.Juíza Substituta da 2ª Vara Federal do Rio de Janeiro indeferiu a liminar requerida pela impetrante; e denegou, também, a segurança pretendida — cfr. decisão e sentença, cópias às fls. 226 e 229/231 do processo administrativo nº 18471.001694/200291 (em apenso). Não tendo conhecimento, enfim, de nenhuma medida judicial que impeça a Fazenda de apurar ou lançar os tributos decorrentes da suspensão da imunidade da Interessada, dou prosseguimento ao exame da impugnação, no tocante às matérias não discutidas em juízo. A consulta ao sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, realizada em 29/11/2011, trouxe as seguintes informações sobre o referido Mandado de Segurança: • Em 22/11/2011 19:00 Julgamento Mantida a Sentença EM 22.11.2011 RELATOR: JUIZ FEDERAL RICARLOS ALMAGRO VITORIANO CUNHA VOTANTES: DES. FED. LANA REGUEIRA DES.FED. LUIZ ANTONIO SOARES Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 338 27 J.F. RICARLOS ALMAGRO VITORIANO CUNHA *** DECISÃO *** A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sendo assim, da mesma forma como ocorreu na primeira instância, cabe aqui dar prosseguimento ao exame das matérias não discutidas em juízo, especificamente a referente à procedência ou não do Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade, matéria que já restou decidida no processo nº 18471.001694/200291, cujo acórdão nº 1802001.088, proferido por esta mesma Turma de julgamento, foi assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998 REGRAS PROCEDIMENTAIS PARA A SUSPENSÃO DE IMUNIDADE INOBSERVÂNCIA Nos procedimentos de suspensão de imunidade, segundo as regras contidas no art. 32 da Lei 9.430/1996, a Entidade deve ser devidamente cientificada da decisão do Delegado ou Inspetor da Receita Federal que considerou improcedentes suas alegações, devendo serlhe assegurada a oportunidade de impugnar esta decisão. Só depois disso é que podem ser lavrados autos de infração decorrentes da suspensão da imunidade. A simples menção do Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade (com encaminhamento de cópia do mesmo), em intimação que tem finalidade diversa da acima mencionada, não atende aos requisitos estabelecidos na lei 9.430/1996 para a suspensão da imunidade. A nova tentativa de ciência do Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade para o anocalendário de 1998, em 25/08/2006, com a apresentação de seus fundamentos e a devida abertura da possibilidade de apresentação de defesa administrativa, não saneia o processo, porque nesta data todos os períodos do ano calendário de 1998 já se encontravam atingidos pela decadência, por qualquer dos prazos previstos no Código Tributário Nacional CTN. Vale transcrever os fundamentos do voto que deu provimento ao recurso voluntário apresentado naquele outro processo, para fins de reverter a suspensão da imunidade: (...) Um dos problemas a ser destacado é que os autos de infração, no caso os de IRPJ e CSLL, realmente não poderiam anteceder a devida ciência do Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade, com a apresentação de seus fundamentos e com a abertura de oportunidade para a Contribuinte contestar a decisão que considerou improcedentes as alegações apresentadas às fls. 109 a 121. (...) Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 339 28 O problema “de a Interessada só haver tomado conhecimento da decisão suspensiva de sua imunidade muito tempo depois da conclusão da auditoria fiscal” não deve ser analisado à luz de sua obrigação de “conservar em ordem os livros, documentos e papéis de sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes”, como fez a DRJ, mas sim examinado diante dos aspectos que estão implicados no rito estabelecido pelo art. 32 da Lei 9.430/1996. O fato é que o Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade, de competência do Delegado da Receita Federal, só se aperfeiçoou com a ciência de seus fundamentos, em 25/08/2006, e os autos de infração de IRPJ e CSLL, de competência do Auditor Fiscal, não poderiam ser lavrados antes disso. Esse problema, por si só, a meu ver, já compromete bastante o procedimento fiscal. Além disso, cabe ainda mencionar que a ciência válida do Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade em relação ao ano calendário de 1998, com a apresentação de seus fundamentos e a devida abertura da possibilidade de apresentação de defesa administrativa, somente ocorreu em 25/08/2006, quando todos os períodos do anocalendário de 1998 já se encontravam atingidos pela decadência, por qualquer dos prazos previstos no Código Tributário Nacional – CTN. Não bastassem esses problemas, cabe registrar que de acordo com a Lei 9.430/1996 (§ 3º do art. 32), o Delegado ou Inspetor da Receita Federal deverá decidir sobre a procedência ou não das alegações da Entidade, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, com a devida ciência de sua decisão. Ocorre que a Contribuinte vem apresentando desde a fase que antecedeu o referido Ato Declaratório uma série de alegações e planilhas, conforme já relatado, e o parecer de fls. 128/129, que fundamentou a decisão do Delegado da Receita Federal, mencionou apenas que a Entidade não conseguiu contestar as divergências apontadas pela Fiscalização, e “que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação ou prova que conseguisse demonstrar a inexatidão da notificação fiscal”, sem fazer qualquer avaliação mais detalhada sobre as “alegações” da entidade, que só foram efetivamente examinadas pela Delegacia de Julgamento, em mais uma tentativa de sanear o processo. A meu ver, o conteúdo do parecer que fundamentou o Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade também não atenderia aos requisitos da lei, eis que foi bastante superficial no exame da procedência ou não das alegações da Entidade. Por todos esses motivos, entendo que a suspensão da imunidade não foi realizada de acordo com as regras previstas no art. 32 da Lei 9.430/1996 e, portanto, é inválida. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001988/200302 Acórdão n.º 180201.089 S1TE02 Fl. 340 29 A análise das demais questões é desnecessária. Finalmente, embora os autos de infração de IRPJ e CSLL decorrentes da suspensão da imunidade sejam objeto de outro processo 18471.001988/200302, vale registrar que ao examinar os valores autuados, a DRJ excluiu as receitas que a Fiscalização considerou como omitidas, nos seguintes termos: (...) Mas os valores que foram excluídos da base de cálculo são exatamente aqueles que deram causa à suspensão da imunidade, o que resulta, afinal, em uma grande contradição. Por mais esse motivo, a suspensão da imunidade deve ser afastada. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Deste modo, uma vez revertida a suspensão da imunidade relativamente ao anocalendário de 1998, não resta outra medida a não ser cancelar as exigências fiscais a título de IRPJ e CSLL, em razão da relação de dependência que os lançamentos possuem com o decidido naquele outro processo. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000450/2008-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DA NFLD. NÃO
OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das
Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150,
§ 4º, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força
da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Não há que se falar em nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de
Débito – NFLD, quando não houver qualquer tipo de vício.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao
contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.124
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade
de votos em reconhecer a decadência em relação ao período compreendido entre 01/2001 a
02/2003, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito, por maioria de votos, em
dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo
com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art.
61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o
conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: Marcelo Magalhães Peixoto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DA NFLD. NÃO OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Não há que se falar em nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, quando não houver qualquer tipo de vício. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10865.000450/2008-41
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5061276
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-001.124
nome_arquivo_s : 2403001124_15521000404200857_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Marcelo Magalhães Peixoto
nome_arquivo_pdf_s : 10865000450200841_5061276.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência em relação ao período compreendido entre 01/2001 a 02/2003, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4750145
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360467054592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 484 1 483 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15521.000404/200857 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403001.124 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2012. Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ASSOCIAÇÃO DOS IRMÃOS DA SOLIDARIEDADE Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/10/2007 Ementa: REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. Somente com a total comprovação dos requisitos determinados na Legislação é que as empresas fazem jus à isenção de contribuições sociais. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei Fl. 500DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000404/200857 Acórdão n.º 2403001.124 S2C4T3 Fl. 485 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I, Acórdão 1224.242 da 15ª Turma, que julgou procedente em parte o lançamento, acatando a tese da decadência conforme abaixo: 13.1. Ocorre porém que o período de referência do presente lançamento, datado de 26/12/2008, vai de 01/12/2002 a 31/10/2007, sendo que, dentre as competências que o integram, a empresa não efetuou contribuições previdenciárias em 12/2002, 12/2003, 13/2003, 11/2004 e 13/2004 , como consta das telas de contacorrente em anexo, razão por que, para estas, a decadência deve ser considerada nos termos do art. 173, I; enquanto que, relativamente às demais competências, deve ser contado o prazo decadencial segundo o art. 150, § 4% ambos do CTN. 13.2. Assim, reconheço a decadência de todas as competências até e inclusive 11/2003, cujos valores excluo. ... CONCLUSÃO 15. Pelo acima exposto, VOTO pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do lançamento, retificado, conforme DADR Discriminativo Analítico do Débito Retificado anexo, para o valor de R$ 15.504,15, acrescido de encargos moratórios a serem calculados no momento de emissão da guia de recolhimento, apenas excluindo os valores lançados nas competências 12/2002 a 11/2003, por conta da decadência considerada nos termos do art. 150, § 4° do CTN. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Do Lançamento O presente lançamento referese ao AIOP 37.194.7120 que, tendo em vista a extinção da Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social e a conseqüente transferência dos processos administrativofiscais para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme art. 4° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, recebeu nova Fl. 502DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 numeração, passando a consubstanciar o processo de n° 15521.000404/200857. 2. Tratase de crédito tributário no valor originário de R$ 18.140,36, acrescido de encargos moratórios, relativo às contribuições para o FPASFundo de Previdência e Assistência Social e para o financiamento dos beneficios pagos em função de incapacidade laborativa RAT, no período de 12/2002 a 10/2007, cujo fato gerador foi o pagamento de remuneração a segurados empregados e contribuintes individuais. 3. Consta do relatório fiscal de fls. 230/233 que a empresa deixou de informar através de suas GFIPGuias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social as remunerações pagas a seus segurados. Assim, a empresa não fez jus à redução de 50% da multa de mora, conforme previsto no art. 35, §4° da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 9.876/99. 4. Foram anexados pela auditoria o estatuto da associação e suas alterações, folhas de pagamento analíticas, recibos de pagamento a segurados empregados e a autônomos, avisos prévios de férias, vide fls. 38/227. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Direito a gozo da isenção prevista no artigo 195, § 7º da CF. • Representação Fiscal para Fins penais. É o relatório. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000404/200857 Acórdão n.º 2403001.124 S2C4T3 Fl. 486 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. ISENÇÃO/IMUNIDADE O cerne da decisão de primeira instância foi que a recorrente não atendeu todas exigências do artigo 55 da Lei 8.212/91. Também no recurso, a recorrente não prova o cumprimento de todos requisitos. 14.4. Logo, a regra é que, salvo direito adquirido, a empresa deve requerer administrativamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil SRB, antigamente Secretaria da Receita Previdenciaria, a `isenção, que poderá ser deferida por meio de ato declaratório, conforme art.55, parágrafo 1 ° da Lei 8.212/91 e art.300 da IN MPS/SRP 03, de 14/07/2005. 14.5. Dentre os juntados, a impugnante anexou documentos que atendem aos condicionantes da isenção das contribuições previdenciárias apenas de forma parcial, uma vez que não são todos válidos ao mesmo tempo para o mesmo período, razão por que, então, não há que se falar em atendimento de.todas as condições para fruição do referido beneficio. 14.6. A empresa não trouxe aos autos qualquer documento que comprove ter requerimento de isenção deferido junto à SRB, ônus que lhe compete e de que não se desincumbiu, precluindo seu direito de fazêlo posteriormente, nos termos do art. 7°, III da Portaria RFB 10.875/2007. 14.7. Ademais, tal direito não , lhe foi reconhecido administrativamente pelo INSS, conforme consulta feita ao sistema Plenus/ Águia/ Arrecadação — CONFILAN —Consulta a Entidades Filantrópicas — INSS/CNAS, cuja tela segue em anexo. 14.8. Portanto, em não preenchendo todos os requisitos previstos na lei para que possa fazer jus à isenção, não cabe à autoridade administrativa concedêla. Até porque, não é este o fórum administrativo adequado. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Quanto às alegações acerca de seu direito à imunidade entendo que não assiste razão à recorrente. A Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(grifei) Antes da promulgação da Lei n.º 8212/91 foi ajuizado o Mandado de Injunção nº 2321 – RJ (Rel. o Min. Moreira Alves), pois desde a promulgação da Constituição, o dispositivo constitucional imunizante, reconhecido como de eficácia limitada, carecia de regulamentação. Apreciando especificamente a imunidade de contribuições previdenciárias aqui tratada no referido Mandado de Injunção, decidiu o Supremo Tribunal Federal que: a) a norma constitucional carecia de regulamentação para permitir o gozo da imunidade; b) que os arts. 9º e 14 do CTN não serviam para a regulamentação exigida; e c) que a regulamentação podia ser feita por meio de lei ordinária. Entendo que a regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000404/200857 Acórdão n.º 2403001.124 S2C4T3 Fl. 487 7 MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 506DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Fl. 507DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000833/98-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Exercício: 1993, 1994
VALORAÇÃO ADUANEIRA. AJUSTE DO PREÇO PRATICADO.
Os valores relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de “Comissão pelo uso da marca”, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas.
Para fins do ajuste de que trata o artigo 8º do Código de Valoração Aduaneira é prescindível a comprovação do vínculo de que trata o artigo 15 desse mesmo Diploma Legal, bastando que haja interesse comum.
Numero da decisão: 9303-001.065
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201008
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 1993, 1994 VALORAÇÃO ADUANEIRA. AJUSTE DO PREÇO PRATICADO. Os valores relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de “Comissão pelo uso da marca”, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Para fins do ajuste de que trata o artigo 8º do Código de Valoração Aduaneira é prescindível a comprovação do vínculo de que trata o artigo 15 desse mesmo Diploma Legal, bastando que haja interesse comum.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 12466.000833/98-97
anomes_publicacao_s : 201008
conteudo_id_s : 4898596
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-001.065
nome_arquivo_s : 930301065_124660008339897_201008.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Rodrigo da Costa Possas
nome_arquivo_pdf_s : 124660008339897_4898596.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento
dt_sessao_tdt : Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
id : 4751827
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360473346048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1979; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.028 1 1.027 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12466.000833/9897 Recurso nº 225.890 Especial do Contribuinte Acórdão nº 930301.065 – 3ª Turma Sessão de 24 de agosto de 2010 Matéria Imposto de Importaçao Valor Aduaneiro Recorrente CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 1993, 1994 VALORAÇÃO ADUANEIRA. AJUSTE DO PREÇO PRATICADO. Os valores relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de “Comissão pelo uso da marca”, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Para fins do ajuste de que trata o artigo 8º do Código de Valoração Aduaneira é prescindível a comprovação do vínculo de que trata o artigo 15 desse mesmo Diploma Legal, bastando que haja interesse comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Rodrigo da Costa Possas Relator Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente EDITADO EM: 24/08/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 2 Relatório Adotarseá o relatório da instância a quo, com as alterações e acréscimos pertinentes. Tratase de Recurso Especial de Divergência contra decisão da 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Foi lavrado Auto de Infração em decorrência da revisão dos despachos de importação de veículos Mitsubishi efetuadas pela COIMEX, na qual foi constatada a declaração a menor do valor aduaneiro. Consta do auto o histórico da ação fiscal, durante a qual examinouse a vinculação com o exportador e se isso influenciou o preço de transação, sendo dado à autuada o direito de provar que o mesmo estava próximo a um dos valores critério previsto no Acordo de Valoração Aduaneira, não tendo sido apresentadas tais provas. Afirmam os autuantes que a vinculação existe, pois há uma associação legal de negócios entre a ora recorrente e a MMC do Brasil e do Japão. Para venda dos veículos no Brasil foi colocado um intermediário, empresa de Vitória/ES, o que possibilitaria a fruição dos benefícios do FUNDAP e já demonstra a vinculação entre exportador e importador. Diz, à frente, que a vinculação, segundo o Acordo de Valoração Aduaneira, não depende da existência de uma subordinação • societária ou de uma empresa ser subsidiária da outra, bastando haver um contrato que promova esta vinculação, a qual existirá sempre que uma empresa tiver posição de • mando na operação. Nestas operações, havia uma vinculação indireta da COIMEX e direta da MMC com o exportador. A seguir, sustenta a responsabilidade da MMC Automotores do Brasil Ltda. pelos tributos, pois determinava como seriam introduzidos os veículos no território nacional, mas limitase a lhe atribuir a solidariedade pelo débito tributário. Faz referência às notas fiscais de venda dos veículos e das repercussões no âmbito do IPI. Especifica as provas obtidas: 1. contratos que evidenciam que a transação era entre a MMC e a Mitsubishi Motor Co., atuando a COIMEX como mera intermediária; 2. listas de preços do fabricante no exterior, válidas para a MMC; 3. faturas comerciais emitidas para a MMC; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 12466.000833/9897 Acórdão n.º 930301.065 CSRFT3 Fl. 1.029 3 4. documentos contábeis emitidos pela MMC para seus revendedores, em que é cobrada "comissão pelo uso da marca". Especifica as penalidades a que as interessadas estariam sujeitas, esclarecendo que não foram aplicadas pelo direito de recorrer, o que é proibido pelo Acordo. Foram as seguintes multas: • a) do art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, por falta de recolhimento do Imposto de Importação. decorrente de declaração inexata; b) de mora, pelo não pagamento do imposto total na data do registro da DI; c) do art. 364, inciso II do RIPI/81, pelo não lançamento e pagamento do IPI; d) do art. 524 do RA, de 50% da diferença do II, em razão de atribuição do valor diferente do real. Esclarece porque não exigiu a multa por subfaturamento. Quanto ao valor, diz que a vinculação influenciou o preço, poderia não ser aceito o valor de transação ou que o Fisco poderia aceitar o preço da transação ajustado pelo valor cobrado a titulo de comissão de compras e/ou licença para uso de marca, em conformidade com o art. 8° do Acordo. Esclarece que os ajustes não dependem da vinculação e que o Acordo não estabelece que seu beneficiário deva ser obrigatoriamente o exportador. Descreve como se chegou ao cálculo do percentual da comissão. Relata que o pedido de reconsideração apresentado pela COIMEX ao SRRF, com base no art. 14 da IN SRF 39/94, referente aos valores mandados ajustar, no qual se pleiteou a nulidade do Auto de Infração, afirmouse a inexistência de associação em negócios, que o preço praticado é aceitável e que os percentuais de ajuste não estão fundamentados, foi indeferido (fls. 458 a 477). Agrega que foi aceito preço de transação declarado com o ajuste da comissão pelo uso da marca. Da impugnação da MMC Automotores do Brasil Ltda. Em sua impugnação (fls. 479/502), a MMC Automotores do Brasil Ltda. alegou: 1. a ilegitimidade passiva, dizendo que, em decorrência de contrato firmado com a exportadora, tem o direito do uso da marca Mitsubishi no Brasil e, por ser responsável Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 4 pela criação e manutenção da rede de concessionários, recebe desses concessionários remuneração pelos serviços de garantia, treinamento, assistência técnica, não realizando importação de veículos, não tendo sido intermediária nas importações realizadas pela COIMEX, com quem não tem qualquer vinculação, sendo o único elo a marca Mitsubishi, tendo a ora impugnante direito à remuneração pelos citados serviços a cada importação efetuada pelos concessionários, restringindose sua atuação ao mercado interno, desvinculados dos valores aduaneiros, sendo, por isso, nulo o Auto de Infração; 2. a decadência do direito de impugnar o valor aduaneiro declarado, com base no art. 447 do RA, que se esgotou no 5° dia seguinte ao do término da conferência aduaneira, bem como pela revisão do despacho com base em suposto erro de direito, mencionando os art. 145 e 149 do CTN, discorrendo sobre eles e citando decisões judiciais; 3. a violação ao devido processo legal, pela falta da comunicação dos motivos pelos quais o Fisco entende que a vinculação influenciou o preço, como previsto no art. 1°, parágrafo 2°, a do Acordo, e da falta de oportunidade para se defender, acrescentando que foi exigida produção de prova negativa, não tendo o Fisco buscado a verdade material, havendo cerceamento do direito de defesa e violação à legalidade estrita. Quanto ao mérito, contestou a existência de associação legal em negócios, afirmando não existir vinculação entre a impugnante, MMC, a importadora, COIMEX, e a exportadora, mencionando o art. 15, parágrafo 4° e 5° do Acordo, sustentando não estar sujeita a suas normas, pois não efetuou importações, dizendo que é a COIMEX quem importa e negocia os veículos internamente. Acrescenta não ter qualquer vinculo, quer direto ou indireto, com a Mitsubishi, do Japão ou dos EUA, referindose à composição de seu capital e à participação societária, sustenta que não foi feita qualquer prova da existência do vínculo. Repete os esclarecimentos referentes à sua posição como interveniente no contrato entre a autuada e os concessionários. Diz, ainda, que a COIMEX realiza importações de veículos de diversas marcas e de variados produtos. Diz não dispor de elementos relativos ao valor aduaneiro declarado, todavia, endossa na íntegra as alegações da COIMEX, que transcreve. Cita Decisões COSIT 14 e 15 de 1997, os quais vinculam todos os órgãos da Administração, a teor do art. 37 da CF, em resposta a consultas da Confederação Nacional do Comércio, nas quais esclarece que os valores cobrados das concessionárias de veículos, pelas detentoras de uso de marca, a título de treinamento, garantia, divulgação da marca etc, não integram a base de cálculo dos tributos incidentes sobre a importação. Endossou o pedido de perícia formulado pela COIMEX e pleiteou a insubsistência do Auto de Infração. Da impugnação da COIMEX Em sua impugnação (fls. 503 a 543), a COIMEX alegou, preliminarmente, a nulidade do Auto de infração, sob o fundamento de que o lançamento só pode ser revisto Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 12466.000833/9897 Acórdão n.º 930301.065 CSRFT3 Fl. 1.030 5 quando ocorrer erro de fato, sendo que a revisão pretendida diz respeito a suposto erro de direito, e porque teria havido decadência, sendo a revisão efetuada em desacordo com o prazo estabelecido no art. 447 do R A e art. 50 do Decretolei 37/66, estribandose, ademais, nos art. 145 e 149 do CTN, em opiniões doutrinárias e na jurisprudência. Sustenta, ainda, a nulidade do Auto de Infração por violação ao devido processo legal, por inobservância do disposto nos art. 1° e seu parágrafo 2°, letra "a", pois foi exigido da autuada a comprovação de que não havia vinculação com o exportador, de que o valor de transação não foi influenciado pela vinculação e de que não houve pagamento sujeito a ajustes, ou seja, exigência de produção de prova negativa, tendo sido descumprido, também, o disposto no art. 142 do CTN, segundo o qual cabe ao Fisco apurar a essência dos fatos ocorridos e provar o seu direito, acrescentando que baseado em mera suposição extraiu conclusão equivocada. Agrega que deveriam ter sido realizadas diligências e concedido prazo razoável para o contribuinte se defender antes da lavratura do Auto de Infração. No mérito, sustenta a inexistência de vinculação com o exportador, citando o art. 15, parágrafo 4° e 5°, discorrendo sobre eles. Diz, ademais, não ser intermediária da importação, mas que realiza as importações, na qualidade de empresa Fundapeana, e vende os bens importados no mercado interno para várias e diversificadas empresas. Seus documentos societários provam a inexistência do vinculo, cuja comprovação incumbia ao Fisco. Alega, ainda, estar correto o valor aduaneiro declarado, o que torna irrelevante a existência de vinculação. Por outro lado, o preço de venda é o valor de mercado, com pequenas variações, sendo que o preço FOB tem por parâmetro a lista de preços fornecida pelo fabricante estrangeiro, correspondendo ao valor critério previsto no parágrafo 2°, "b". Deve ser aplicada a regra do art. 1° e excluídas as disposições dos art. 5 0, 6° e 15. Acrescenta não haver prova de que a vinculação exista ou de que, se existente, teria influenciado o preço. Diz, também, que os percentuais de ajuste não estão fundamentados, pois os quadros levantados pela fiscalização não são autoexplicativos, não se podendo saber qual a metodologia adotada, tendo sido solicitados insistentemente, sem resultados, esclarecimentos. Foi informado que os percentuais resultam da divisão do valor da nota fiscal de serviço, emitida pela MMC Brasil, pelo valor tributável (CIF), multiplicandose o resultado por cem. Aduz que não tem ligação com essa empresa, não tem conhecimento dos critérios que utiliza para a cobrança e que esses valores não têm qualquer relação com os que ela cobra ao vender os veículos e, assim, a relação percentual é absolutamente inócua e despropositada, não foi citado o fundamento legal do cálculo, transcrevendo os questionamento apresentado durante a fiscalização (fls. 531 e 532), discorrendo sobre o art. 80, destacando que, na condição de importadora, não arca com nenhum dos valores previstos no citado dispositivo, cita o parágrafo 3°, há uma relação autônoma entre a MIv1C Brasil e os revendedores, que a MMC representa a Mitsubishi sem exclusividade, não tendo os valores por ela cobrados qualquer relação com o valor aduaneiro, tratandose de operação subseqüente à importação, sendo receita própria, não havendo remessa à MMCJapão. Sustenta que o Auto de Infração viola o principio da não cumulatividade, pois os veículos importados já foram vendidos no mercado interno e o imposto que deveria ser pago em duas fases, teria sido recolhido de uma só vez, todo o IPI já foi pago. Cita decisão a respeito do ICM. Menciona as Decisões COSIT 14 e 15 de 1997. Protesta por diligência, requerendo prova pericial, indicando • assistente técnico e formulando os quesitos de fls. 542 e 543. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 6 Às fls. 570 e 571 consta aditamento à impugnação, pelo qual a MMC aponta irregularidades materiais nas planilhas de cálculo, pois a fiscalização, ao invés de discriminar cada guia de importação, baseouse em dados gerais dos movimentos mensais de importação e utilizou uma UF1R média, correspondente ao valor no dia 15 de cada mês, o que gerou uma distorção nos cálculos, o que acarretaria a iliquidez e incerteza do lançamento fiscal. Da decisão de Primeira Instância (fls. 576 a 621) A DRJ manteve a exigência fiscal. Desconsiderou, por intempestivo, o aditamento à impugnação, apresentado 5 meses após o término do prazo para defesa, face à inexistência de previsão legal para sua aceitação, declarando a preclusão do direito de inovação da defesa. Indeferiu o pedido de realização de prova pericial, discorrendo sobre os art.18 do Decreto 70.235/72 e 420 do CPC, sustentando que as questões levantadas não abordam questões controversas ou que tenham deixado margem a ambigüidade, limitandose a nova análise dos dados e documentos constantes dos autos, contendo um pleito genérico, a revisão de toda a documentação. Diz que os fiscais apresentaram planilhas econômicofinanceiras que elucidam como se chegou aos dados constantes dos autos. Conclui que a matéria não necessita de elucidação complementar. Rejeitou a preliminar de nulidade do Auto de Infração, afirmando que foram observados os dispositivos legais que regem o procedimento fiscal, não houve prejuízo ao direito de defesa, tanto que constam dos autos robustas impugnações. Contesta a alegada decadência, pelo fluxo do prazo de 5 dias do término da conferência aduaneira, dizendo que, após a edição do Decretolei 2.472/88, os tributos aduaneiros passaram a ter tratamento de imposto lançado por homologação, que o mencionado prazo diz respeito ao curso do despacho, discorrendo sobre a conferência aduaneira e a revisão aduaneira, bem como sobre as etapas do exame do valor aduaneiro, previstas na IN SRF 39/94, cita os art. 18 dessa IN e o 54 do Decretolei 37/66, transcrito à fl. 596. Refuta a tese de que a revisão de lançamento somente pode ser efetuada quanto a erro de fato, citando opiniões doutrinárias e os dispositivos legais que autorizam a revisão do lançamento. Não concorda com a alegação de que não foi observado o devido processo legal, analisando os dispositivos pertinentes do Acordo de Valoração Aduaneira, da IN SRF 39/94 e dos atos expedidos pelo Comitê Técnico de Valoração Aduaneira. As autuadas tiveram, desde o inicio, conhecimento da ação fiscal e o direito de apresentar esclarecimentos e provas. Segundo o Acordo, cabe ao importador produzir as provas que mostrem a correção do valor declarado. A importadora foi cientificada, pela Intimação 58/96 (fls. 265 e 266) dos motivos do Fisco que levaram à conclusão de que a vinculação influenciou os preços, não havendo sido apresentadas contrarazoes no curso da investigação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 12466.000833/9897 Acórdão n.º 930301.065 CSRFT3 Fl. 1.031 7 Agrega que não houve descaracterização do valor de transação, em decorrência de eventual vinculação entre importador e exportador, como se vê na descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 06 a 09), sendo efetuado apenas ajuste no valor declarado. Assim, ainda que houvessem sido descumpridos os dispositivos citados pelas interessadas, não estaria comprometido o Auto de Infração, que não se originou diretamente da vinculação e de sua influência sobre o preço. O ajuste em questão independe da vinculação. Deixou a alegação de ilegitimidade passiva para ser examinada com as alegações de mérito, por sua estreita correlação. Quanto à vinculação, decidiu não existirem provas do vinculo entre a autuada, COIMEX, e a exportadora, acrescentando que o lançamento não foi efetuado especificamente com base em vinculação, cuja suspeita foi o primeiro motivo para os trabalhos de fiscalização. O real motivo do lançamento foi a constatação de haver sempre uma parcela, acrescida ao produto já nacionalizado, destinada à MMC Brasil, na revenda efetuada pela importadora às concessionárias, adicionada ao preço de aquisição dos veículos. Agrega que a conclusão dos autuante de que existia a vinculação perde relevância, pois foi aceito o valor de transação declarado. Em relação às decisões COSIT, afirma não atingirem o presente lançamento, versando sobre matéria distinta, pois estão embasadas no art. 63, inciso I, "a" do RIPI182, no art. 89 do R A e art. 8°, inciso I, "a" do Acordo de Valoração Aduaneira, enquanto a autuação está embasada no art. 1°, "c" e no art. 80, inciso I, "d", pois as concessionárias pagam à MMC Brasil importância que pode ser determinada como resultado de revenda subseqüente das mercadorias importadas, que reverte direta ou indiretamente ao vendedor (exportador). Trata das razões do Fisco para rever o valor aduaneiro, diz que o que se discute é a adequação do ajuste, sendo • irrelevante a denominação dada às parcelas adicionais e se elas beneficiam direta ou indiretamente a exportadora. Transcreve parte do contrato padrão (fls. 607 e 608), no qual se estabelece o pagamento obrigatório de um percentual sobre o valor do faturamento, sendo possível depreender tratarse de pagamentos destinados ao fortalecimento da marca no Brasil, devendo tal valor ser adicionado ao preço de transação, a titulo de ajuste, com base nas letras "c" do art. 1° e "1. d" do art. 8 0, como resultado de revenda, subseqüente das mercadorias importadas, que reverte direta ou indiretamente ao vendedor (exportador). Cita, ainda, a Lei das S.A e opinião doutrinária referente ao valor de bens intangíveis como as marcas. Quanto ao percentual de ajuste adotado pelo Fisco, diz que as explicações encontramse nos itens 5 a 9 da Intimação 059/97, de fls. 439 e 440, transcritos às fls. 614 e 615, que lei em Sessão. Em relação à solidariedade passiva tributária, assinala que asimportações foram efetuadas pela COIMEX, em seu próprio nome, mas que a firmadetentora dos direitos de importação e comercialização dos veículos no Brasil é aMMCBrasil, o que evidencia que as importações foram feitas a seu mando e,• portanto, o fato de a COIMEX constar como importadora, constitui simulação. Menciona os art. 150 do Código Comercial, o art. 124, inciso I do CTN, opiniãodoutrinária. Diz que as autoridades administrativas não têm competência para analisar as argüições de inconstitucionalidade ou de ilegalidade. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 8 A respeito da exigência da diferença do 1PI vinculado à importação,com a alegação de violação do princípio da não cumulatividade, cita os art. 46 e 51 doCIN e o art. 9°, inciso I do RIPI/82, relativos à equiparação do revendedor deprodutos importados a estabelecimento industrial, bem como o PN CST 367/71. Em recurso tempestivo e instruído com fiança comercial (fls. 626 a 661), a COIMEX alegou: 1. Preliminarmente, a nulidade do auto de infração, por violação ao principio do devido processo legal, contestando o indeferimento do pedido de realização da prova pericial, o que configuraria cerceamento do direito de defesa, sustentando ademais que a revisão dos valores aduaneiros declarados descumpriu o procedimento previsto no Acordo de Valoração Aduaneira, especificamente, o que dispõe o parágrafo 2°, letra "a", do art. 1° e que houve exigência de produção de prova negativa, nega a afirmativa constante da decisão recorrida de que não teria apresentado contrarazão ao argumento da autoridade aduaneira, pois forneceu todas as informações e documentos exigidos, fez a demonstração de todos os elementos possíveis de prova e demonstrou que eram suficientes para afastar a pretensão do Fisco. Aduz que a produção de provas compete à autoridade lançadora. 2. Em segunda preliminar, pretende a nulidade do Auto de Infração porque o lançamento só pode, em sua opinião, ser revisto por erro de fato. Haveria, também, nulidade porque teria ocorrido a decadência, pelo decurso do prazo de cinco dias úteis do término da conferência previsto no art. 447 do RA e, além das razões anteriormente apresentadas, diz que as opiniões de Hugo de Brito Machado e de Aliomar Baleeiro estão ultrapassadas e em descompasso com a jurisprudência administrativa e judicial. No mérito, sustenta a inexistência de vinculação entre o exportador e o importador, mencionando o art. 15, parágrafos 40 e 50 do Acordo de Valoração Aduaneira, sustentando, ainda, não haver sido intermediária nas operações de importação, operando como empresa fundapeana. Diz que o acórdão recorrido, ao afirmar que "o lançamento, entretanto, não foi efetuado especificamente com base em vinculação — embora a suspeita de vinculação tenha sido o motivo primeiro de todos os levantamentos procedidos pelas autoridades autuantes", afasta um dos fundamentos da ação fiscal e inova, criando outro fundamento, artificial, de que a suposta vinculação devese aos contratos firmados entre as partes, o que não seria verdadeiro e não está listado na relação constante do dispositivo legal citado neste item, criando uma presunção, sem base legal ou fática. Contesta o entendimento de que haveria uma associação legal em negócios, pelas razões constantes de fls. 646 e 647, concluindo não poder haver lançamento com base em presunção. Reitera as argumentações baseadas nas Decisões COSIT 14 e 15 de 1997, dizendo ser prova irrefutável de que a operação é totalmente regular, pelo que não se sustenta a decisão que as desconsidera. Volta a contestar a vinculação, agora com base na legislação do regime automotivo, que adota o conceito de importação indireta. Repete os argumentos no sentido de que o valor da transação é aceitável, sustentando que: a) o preço de venda nas operações foi o de mercado, acrescentando que a decisão desconsiderou totalmente a prova produzida, limitandose a confirmar o trabalho fiscal, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 12466.000833/9897 Acórdão n.º 930301.065 CSRFT3 Fl. 1.032 9 com base em presunção e admitindo ajustes arbitrariamente fixados. Volta às mencionadas decisões COSIT, para sustentar que a Administração não pode desprezar o entendimento já manifestado e apegarse a um dispositivo genérico de legislação. b) os percentuais de ajuste não estão fundamentados, aduzindo que o acórdão desconsiderou a fragilidade da ação fiscal e a farta prova produzida pela recorrente; Ataca, ainda, o Auto de Infração porque viola o principio da não cumulatividade e aprofunda a defesa fundamentada nas Decisões COSIT 14 e 15 de 1997. Foi proferido o Acórdão nº 30130.602, em 14 de abril de 2003, onde negou se, por unanimidade, provimento ao Recurso Voluntário (fls. 803 a 817). Embargos de declaração às fls. 824 a 836. Despacho de negativa de acolhimento dos Embargos de declaração às fls 842 e 843. Foi apresentado Recuros Especial às fls.872 a 908. Despacho de exame de admissibilidade fls. 1012 a 1014. A PGFN apresentou contrarazões a 1024. É o relatório. Voto O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Cabe frisar que será feita a análise do recurso somente em relação ao valor aduaneiro, vez que foi a única matéria admitida no exame de admissibilidade exarado pela então presidente da 1ª Câmara do 3º CC. Correta a interpretação da presidente já que foram anexados os paradigmas, onde se contata a divergência apenas sobre o valor aduaneiro dos bens importados com a inclusão de parcelas pagas pelos concessionários à detentora do uso da marca no país. Cuidase neste processo da apreciação de litígio instaurado relativamente à valoração aduaneira de mercadorias importadas pela empresa comercial importadora e exportadora Coimex, descritas como sendo veículos automotores, exportados por seu fabricante sediado no Japão, Mitsubishi Motors Corporation (MMC do Japão), que mantém com a empresa MMC Automotores do Brasil Ltda contrato para distribuição e comercialização da marca Mitsubishi em todo o território nacional, conforme estipulado em contrato. Cabe frisar que será feita a análise do recurso somente em relação ao valor aduaneiro, vez que foi a única matéria admitida no exame de admissibilidade exarado pela então presidente da 1ª Câmara do 3º CC. Correta a interpretação da presidente já que foram anexados Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 10 os paradigmas, onde se contata a divergência apenas sobre o valor aduaneiro dos bens importados com a inclusão de parcelas pagas pelos concessionários à detentora do uso da marca no país. Pela leitura e análise do Auto de Infração impugnado percebese que o trabalho do fisco não foi feito de forma aleatória ou sem fundamentação como afirma a recorrente em seus recursos. Os valores finais foram apurados por meio do emprego de técnicas usuais e conhecidas pelos que operam no campo da administração contábil empresarial, tal como a elaboração, a partir de dados informados em resposta às intimações dirigidas à interessada, de planilhas econômicofinanceiras, demonstrativas dos resultados compilados. É o que se depreende do material acostados nos autos, representativo dos elementos quantitativos e qualitativos de que se valeu a autuação. Tanto a COIMEX quanto a MMC do Brasil, na qualidade, respectivamente, de importadora e de responsável solidária, foram notificadas da abertura de Ação Fiscal de Revisão Aduaneira das Declarações de Importação registradas pela Coimex, nos exercícios de 1994 e 1995, relativamente às importações de veículos da marca Mitsubishi. Da mesma forma deuse a continuidade da referida ação fiscal, por meio de Intimações várias, mediante as quais ambas empresas foram exaustivamente convidadas a prestar informações que, no contexto do procedimento fiscal, as autoridades aduaneiras entenderam relevantes à comprovação e elucidação da veracidade dos elementos constantes das DI’s em questão. Ambas as empresas tiveram, desde o início dos procedimentos, pleno conhecimento da ação fiscal em curso, tendo sidolhes dada ampla oportunidade para a apresentação das provas materiais que, a juízo delas, sustentariam a correção das informações prestadas ao Fisco por ocasião de cada despacho aduaneiro. O montante exigido resultou do cômputo dos valores dos serviços faturados pela MMC do Brasil, dos quais foram expurgados, com base em elementos emergidos das diligências realizadas, os valores não correspondentes ao faturado a título de uso da marca. Da relação entre o totalizado como uso da marca e as importações realizadas no mesmo período, foi obtido o percentual que, aplicado ao valor CIF das mercadorias, resultou no valor do ajuste do valor aduaneiro realizado. No que tange, especificamente, à alegação de subversão do rito específico da investigação relativa ao valor aduaneiro, caberiam as seguintes considerações extraídas da leitura do art. 1o, § 2o, Alíneas. "a" e "b" do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto no 92.930, de 16/07/1986: a) o Acordo de Valoração Aduaneira estabelece que o fato de haver vinculação entre o comprador e o importador não constitui, por si só, motivo suficiente para se considerar o valor da transação inaceitável. Tal valor poderá ser aceito sempre que, examinadas às circunstâncias da venda, a administração aduaneira verificar que a vinculação existente não influenciou o preço (art. 1o, §2o, letra "a"); b) para a efetivação de tal exame, ainda de acordo com o mesmo dispositivo, a administração poderá embasarse em informações prestadas pelo próprio importador, ou obtidas por meios diversos, devendo o valor da transação ser aceito, de acordo com o art. 1o, §2o, letra "b", sempre que o importador demonstrar/comprovar que o referido valor se aproxima muito de um dos quatro critérios nele citados. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 12466.000833/9897 Acórdão n.º 930301.065 CSRFT3 Fl. 1.033 11 Do exposto, é de se inferir que: 1 cabe à administração aduaneira, sempre que assim julgar conveniente, examinar as circunstâncias da venda entre pessoas vinculadas, com vista à verificação da aceitabilidade do valor de transação declarado; e 2 para o citado exame, a autoridade aduaneira está autorizada a solicitar informações ao importador, a quem caberá comprovar que o valor de transação declarado é compatível com os valorescritério estabelecidos pelo presente Acordo, não se confundindo essa comprovação com a produção de prova negativa, como afirmaram as notificadas. Assim sendo, resta evidente que, ao contrário do sustentado pelas impugnantes, cabe ao importador, no contexto do referido Acordo, sempre que requerido pela autoridade aduaneira, produzir as provas que consubstancie o valor de transação declarado. Tal entendimento encontrase evidente em disposições complementares ao Acordo: 1 NOTA INTERPRETATIVA AO ARTIGO 1o, PARÁGRAFO 2o "a": "1. Os parágrafos 2” a “e 2” b “do artigo 1o estabelecem diferentes maneiras de se determinar a aceitabilidade de um valor de transação. 2. O parágrafo 2 ‘a “estabelece que, quando o comprador e o vendedor forem vinculados, as circunstâncias que envolvem a venda serão examinadas e o valor de transação será aceito como o valor aduaneiro, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Com isso não se pretende que seja feito um exame de tais circunstâncias em todos os casos em que o comprador e o vendedor forem vinculados. Tal exame só será exigido quando houver dúvidas quanto à aceitabilidade do preço [...]. 3. Se a administração aduaneira não puder aceitar o valor de transação sem investigações complementares, deverá dar ao importador uma oportunidade de fornecer informações mais detalhadas, necessárias para capacitála a examinar as circunstâncias da venda [...].” 2 ARTIGO 6º DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 39/94: “Incumbe ao importador, além de conhecer todas as circunstâncias da operação de importação e prestar declarações corretas relativas à apuração do valor aduaneiro, conforme as disposições da legislação de regência, apresentar prontamente à autoridade atuante no despacho aduaneiro todas as informações e documentos comprobatórios necessários à verificação do valor declarado. § 1o Em qualquer ato pertinente ao controle do valor aduaneiro, o importador é responsável pela: a) veracidade, exatidão e integridade dos elementos de fato informados; b) autenticidade dos documentos apresentados; e c) prestação de informações ou apresentação de documentos adicionais necessários à comprovação do valor declarado.” 3 COMENTÁRIOS DO COMITÊ TÉCNICO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA SOBRE A APLICAÇÃO DO ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 2º: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 12 "A existência de vinculação não constitui, em si, um motivo para rejeitar o valor da transação. O parágrafo 2o,” a “, do artigo 1o é claro a esse respeito. Entretanto, a existência de vinculação deve alertar a Aduana para o fato de que pode haver necessidade de investigar sobre as circunstâncias da venda.” A Aduana não precisa ter motivos para investigar as circunstâncias que envolvem a venda. Em conformidade com o §2o, do art.1o, as circunstâncias de uma venda entre partes vinculadas devem ser examinadas. Entretanto, § 2o das notas interpretativas ao art. 1o, § 2o dispõe que esse exame não deve ser realizado em todos os casos, mas apenas quando a Aduana tem dúvidas sobre a aceitabilidade do preço. [...] A própria estrutura do Acordo é tal que a existência de uma vinculação, por si mesma, levanta a questão de se o preço entre o vendedor e o comprador está ou não influenciado pela vinculação, pois o preço só pode ser utilizado como base do valor de transação quando o vínculo não o tenha influenciado. Ademais, o Artigo 17 prevê que nada no Acordo pode impedir a Aduana de se assegurar da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração [...]. Nada no Acordo obriga a Aduana a justificar as razões pelas quais solicita as informações de um importador com relação a uma operação de importação. De fato, o § 7o do Protocolo e o art. 17 reconhecem que a Aduana pode precisar fazer pesquisas para se assegurar da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentado para fins de valoração aduaneira e tem o direito de contar com a plena cooperação dos importadores nessas pesquisas. A Aduana não é obrigada a expor suas razões para pesquisar sobre uma transação. Entretanto, nada impede que a Aduana informe ao importador os motivos de suas dúvidas. Isso é desejável se ela for capaz de fazêlo.” Há que se reconhecer, à luz dos dispositivos e comentários acima transcritos, que a investigação do VALOR ADUANEIRO foi conduzida dentro dos limites estabelecidos na legislação de regência, sem quebra dos ritos processuais e com ampla garantia de direito de defesa às partes envolvidas. Neste sentido, em perfeita consonância com o disposto no § 2o, “a”, do art. 1o do AVA, a autoridade fiscal, durante o processo investigatório, manteve os intimados cientes dos motivos que conduziram à suspeição do valor aduaneiro praticado, entre os quais a constatação da ocorrência de controle sobre as operações por parte de uma das empresas envolvidas. Ainda assim, não apresentaram as intimadas, até a data da ciência da autuação, qualquer contrarazão aos argumentos da autoridade aduaneira, carecendo, portanto, de substância, a alegação de que não lhe teria sido concedido prazo para defesa no curso da investigação, previamente à lavratura do Auto, pois transcorreram exatamente (2) dois anos sem que fosse adotado pelo importador o procedimento a ele franqueado. Finalmente, há de se ressaltar, que o lançamento foi consubstanciado através de ajuste do valor declarado, realizado nos termos do art. 8o do Acordo de Valoração Aduaneira. De se frisar que não houve descaracterização do valor da transação, em decorrência de eventual vinculação entre importador e exportador, nos termos do § 2o, do art. 1o, do mesmo diploma. Desse modo, pelos motivos expostos, tenho igualmente por improcedente essa preliminar de nulidade. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 12466.000833/9897 Acórdão n.º 930301.065 CSRFT3 Fl. 1.034 13 No mérito, nos vemos diante da propositura de ação fiscal que visa ajustar o valor aduaneiro declarado pelo importador por ocasião dos registros de importação, mediante adição ao valor de transação das receitas auferidas a título de licença de uso da marca, concedida aos revendedores autorizados pelo distribuidor da marca Mitsubishi no Brasil. A caracterização da infração apontada decorreu de fatos relativos à estratégia comercial adotada pelas empresas envolvidas, direta ou indiretamente, nas importações de que se trata, expostos dispersamente nos autos. Interessada na colocação de seus produtos no mercado nacional brasileiro, a empresa MMC do Japão contratou com a empresa MMC do Brasil a distribuição, no país, dos veículos e peças que fabrica. Desse modo, sempre atendidas as cláusulas contratuais estabelecidas com o exportador, a distribuidora de seus produtos triangulou as operações no mercado interno, autorizando suas concessionárias a negociar as importações correlatas diretamente com a companhia comercial de importação e exportação – Coimex. Como resultante, a distribuidora da marca não só delegou o ônus operacional relativo à operação de comércio exterior, como também teve garantido seu anonimato nas operações de importação realizadas. O interesse e envolvimento da distribuidora MMC do Brasil na operação somente vêm à luz nos contratos firmados entre ela, suas concessionárias e a Coimex, conforme revelam os exemplares do Contrato de Compra e Venda por Encomenda e do Contrato de Prestação de Serviços, especialmente de sua cláusula 3ª, e do Contrato de Câmbio, cujo fechamento foi operado em nome da empresa distribuidora, MMC do Brasil, conforme demonstram os documentos de fls.423 a 430. Em síntese, da estruturação empresarial descrita resultou a atomização das responsabilidades decorrentes da importação. Contudo, intactas permanecem as disposições legais vigentes, sobretudo no que concerne à impossibilidade de se opor à Fazenda Pública, por meio de associações particulares em negócio, a pretensão de imobilidade do Estado diante de franca evasão de tributos, aos quais estamos todos obrigados. Tendo em vista ditas condições negociais foi proposto o ajuste do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, segundo critérios acordados no âmbito do GATT, estando contidos no artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira, que assim dispõe: “Artigo 8 Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Art. 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; Fl. 13DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 14 (d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor.”(destaquei) É importante destacar que o aperfeiçoamento do valor aduaneiro, resultado da aplicação dos ajustes previstos no AVA não significa desqualificar o valor de transação. Aqui não estamos tratando de subfaturamento, o que implicaria rito diferente de apreciação da operação comercial. Neste caso, o valor da transação foi aceito e ajustado em cumprimento do que determinam as normas de valoração Aduaneira. Conforme tais disposições, estão sujeitas a ajuste de preço somente as mercadorias cujo valor aduaneiro tenha por base o valor de transação, que, por sua vez, tem sua adoção condicionada às regras estabelecidas no art. 1 do referido acordo, que determina: “Art. 1º O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8, desde que: ..................................................................................................................... ......... (c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do Artigo 8; e (d) e que não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo.”(os destaques não pertencem ao original)”. Assim, a norma é clara, rezando que o ajuste do valor aduaneiro declarado pelo importador não está condicionado aos mesmos critérios a serem obedecidos para a desqualificação do valor de transação. Pelo contrário. Representando tal ajuste um aperfeiçoamento desse valor, sua prática somente está autorizada quando for esse passível de aceitação. Não carece, portanto, comprovar a existência de vínculo entre o vendedor e o comprador. O ajuste, conforme previsto e definido no já mencionado artigo 8, revelase, de acordo com as condições negociais, um instrumento de uso obrigatório nas valorações decorrentes da aplicação do método do valor de transação, aplicável nas mais comuns das operações de importação: aquelas contratadas entre pessoas cuja relação não possa ser identificada com as circunstâncias enumeradas nos parágrafos 4 e 5 do artigo 15 do Acordo de Valoração Aduaneira. Somadas tais razões à inexistência nos autos de acusação da ocorrência de subfaturamento, haja vista ter sido acolhido para todos os fins, inclusive para fins do ajuste proposto, o valor de transação constante da fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro, temse por insubsistentes os argumentos insistentemente trazidos pela impugnante, no sentido de demonstrar a inexistência de vínculo entre ela e as demais empresas envolvidas com a operação de importação em causa. Muito embora irrelevante para a sustentação da presente ação fiscal o vínculo legal entre o exportador e o importador, é de se notar que a empresa MMC do Brasil Ltda, Fl. 14DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 12466.000833/9897 Acórdão n.º 930301.065 CSRFT3 Fl. 1.035 15 detentora do direito de comercialização no território nacional dos veículos importados e da marca que os distingue, é quem autoriza, sob condições por ela estabelecidas, a contratação direta das importações, firmadas entre os concessionários da marca e a autuada. A respeito do que representa a marca para o ativo das empresas, é vasta a doutrina. Constituindo parte de seus ativos intangíveis, reunidos sob a denominação de fundo de comércio, à marca vem sendo, a cada dia, atribuído maior valia, a ponto de nos depararmos com as ditas empresas virtuais, que sequer encontramse estabelecidas, cujo faturamento obtido apenas com a concessão de uso da marca atinge cifras inimagináveis. Indiscutível tratarse esse de bem cuja concessão de uso, ainda que não prevista legalmente no acordo para fins de vinculação entre cedente e cessionário, bem traduz o fático interesse negocial comum que se estabelece entre as diversas empresas responsáveis por sua inserção no mercado consumidor. Representando um dos mais valiosos bens do ativo das empresas, é igualmente indiscutível que os investimentos dos quais decorre a valorização da marca revertemse, necessariamente, em benefício direto para seu proprietário, no caso o fabricante exportador. É assim, ainda que a retribuição pelo seu uso não se dê pela via direta do pagamento, porém em decorrência de cláusula contratual onerosa que condiciona sua utilização à realização, por conta e ordem de seu cessionário e distribuidor, de publicidade exaustiva do produto negociado, conforme sucede no contrato de fls.455 a 480, firmado entre a Mitsubishi Motors Corporation (MMC do Japão) e a empresa MMC Automotores do Brasil (MMC do Brasil), cujo artigo 13 assim reza: “Artigo 13. PROPAGANDA O DISTRIBUIDOR reconhece que uma ampla campanha promocional será necessária para estabelecer de maneira bem sucedida um mercado para os Produtos no Território. O DISTRIBUIDOR concorda em assumir tais responsabilidades de propaganda e em apresentar à MMC, para sua aprovação, uma descrição geral de sua estratégia de propaganda, incluindo se sua propaganda será realizada através de cartazes, jornais, revistas, rádio, televisão ou de outra forma. O DISTRIBUIDOR não irá utilizar, ou fazer com que ou permitir que qualquer de seus concessionários utilize qualquer tendência de propaganda para prejudicar a MMC ou para enganar o público. O DISTRIBUIDOR concorda em gastar não menos que os valores periodicamente pactuados pela MMC e pelo DISTRIBUIDOR para a propaganda dos Produtos. (...) “ A forma como foi implementada a cláusula acima foi mediante a emissão de notas fiscais de serviço onde foram consignados valores a título de licença e uso da marca, conforme a previsão contratual estabelecida entre distribuidor importador e revendedor.(exemplo à fl. 426, onde consta uma detalhada planilha de custos.) De fato, tais valores não foram remetidos ao exterior. Segundo o contrato, tais valores ficariam no Brasil e seriam investidos no fortalecimento da marca, que permanece na propriedade do fabricanteexportador. Notese que segundo as normas previstas no AVA, (d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda , cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas , que reverta direta ou indiretamente ao vendedor, deve ser adicionado ao valor da transação. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 16 Não há de se discutir o valor da marca para quem a detém. Faz parte dos ativos intangíveis da empresa e podem representar, como no caso representa, boa parte do patrimônio da empresa. Observese ainda que o ajuste no valor aduaneiro, quando presentes as condições que o determinam, é obrigatória para todos os signatários do Acordo, em benefício do comércio internacional leal e competitivo, conforme já dissemos anteriormente. Os encargos, sabidamente onerosos, são transferidos pelo Distribuidor da marca no Brasil aos seus concessionários autorizados, provendo recursos para implementar a clausula contratada, mediante a emissão de notas fiscais de serviço em que são faturados valores a título de licença de uso da marca, conforme previsão contratual estabelecida entre o Distribuidor, o Importador e o Revendedor. Evidente, pois, o interesse negocial em comum nas importações realizadas, ratificados por contratos sociais suficientes para satisfazer os requisitos estabelecidos no art. 15, §§ 4 e 5, do Acordo de Valoração Aduaneira, ao comprovar o liame entre a comercial operadora da importação, a distribuidora e as concessionárias. Igualmente evidente o fato de que a maior interessada na importação em questão, a distribuidora de veículos MMC do Brasil, incorre, como condição de venda, em despesas promocionais da marca comercializada, segundo dão conta as cláusulas obrigacionais estipuladas em contrato firmado entre o fabricante e importador. Conforme consta desse contrato, a marca permanece na propriedade do fabricante, bem como todos os seus direitos, e os valores faturados como concessão do seu uso, ao invés de serem remetidos para o exterior, são investidos no seu fortalecimento, razão por que devem ser adicionados ao valor de transação para fins do ajuste obrigatório do valor aduaneiro, previsto nos itens c e d do art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira, a ser efetuado consoante os procedimentos determinados no art. 6º do Decreto nº 2.498, de 1998. De se notar que o Acordo de Valoração Aduaneira ao prever o ajuste de preço, nos termos de seu art. 8º, além de instituílo como procedimento obrigatório, determina que os custos ali relacionados, desde que suportados pelo comprador e não inclusos no preço pago ou a pagar pela mercadoria, sejam acrescentados nesse preço, sem qualquer restrição quanto à modalidade operacional da importação, independentemente de convenções particulares não oponíveis à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Tal determinação bem se justifica, tendo em vista serem os bens importados o objeto que se valora. Esses bens não se modificam em função da estrutura empresarial constituída para sua introdução no país e, por permanecerem os mesmos a despeito desse aspecto, o Acordo de Valoração não se ateve a tal particularidade subjetiva para obrigar o referido ajuste. Tratouo objetivamente, simplesmente vinculando ao seu preço ulteriores dispêndios. Assim, a Administração tributária Aduaneira determinou que fosse procedido o estudo do valor aduaneiro dos veículos submetidos a despacho de importação, tudo conforme determina o referido acordo, isto é, com auxílio do importador e cuja conclusão foi obtida a partir de documentos por ele oferecidos. Não se deve confundir produção de provas negativas com o rito estabelecido no AVA, em benefício dos operadores do comércio internacional. Relembrando, diz o artigo 8 do referido Acordo que: “ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas deverá ser acrescentado o valor de Fl. 16DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 12466.000833/9897 Acórdão n.º 930301.065 CSRFT3 Fl. 1.036 17 qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor.” Pelo exposto, e considerando que sem a realização do ajuste feito pela fiscalização, em atendimento ao que dispõe o art. 1º, do Código de Valoração Aduaneira, combinado com seu art. 8º, haveria uma contrariedade à Legislação Aduaneira então vigente, causando uma distorsão indevida no valor real das mercadorias em questão, voto pelo não.provimento do contribuinte, ou seja, nego provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 17DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 04/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/08/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.010525/2003-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IRPJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARGUIÇÃO DE OMISSÃO DESTE CONSELHO EM RELAÇÃO AO ÂMBITO DE INCIDÊNCIA DA ISENÇÃO PREVISTA NA LEI N°. 9.532, ART. 15, § 1°, E DE QUE 0
PROCESSO ADMINISTRATIVO SE ORIGINOU DE REQUISIÇÕES DA JUSTIÇA, POR MEIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO, E DO CONGRESSO NACIONAL, POR MEIO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO.
INEXISTÊNCIA DA CITADA OMISSÃO.
0 presente processo versa exclusivamente sobre IRPJ, portanto, não há no que se falar em exoneração formalizada relativamente às contribuições sociais (PIS e COFINS). A isenção prevista na Lei n°. 9.532, art. 15, § 1°, abarca expressamente o tributo em comento (IRPJ) .
0 crédito tributário objeto deste processo administrativo decorre da suspensão da isenção objeto do Proc. n°. 10166.015085/2002-61, de sorte que tendo sido dado provimento ao Recurso Voluntário naquele processo, ou seja, sendo restabelecida a isenção da Recorrente, obrigatoriamente, não há como ser mantida as exigências fiscais.
Como se observa da análise deste processo, o fundamento básico do Ato Declaratório Executivo de cancelamento da isenção da Embargada foi o desenvolvimento de atividades econômicas, o que, consoante a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e deste Conselho, não constitui motivo para exclusão do beneficio fiscal. Tais fatos foram exaustivamente debatidos e apreciados no processo de suspensão da isenção (Proc. n° 10166.015085/2002-61).
As acusações e procedimentos executados por outros órgão e que não fazem parte da acusação fiscal, não podem ser apreciados por esse Colegiado.
Pretensão de rediscussão da matéria de mérito, escopo incompatível com os limites de cognição próprios dos embargos de declaração, recurso que se destina a escoimar as decisões de eventuais obscuridades, contradições ou omissões, de sorte a aperfeiçoar afirmula e o conceito do ato decisório.
Embargos conhecidos e desprovidos.
Numero da decisão: 1103-000.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IRPJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARGUIÇÃO DE OMISSÃO DESTE CONSELHO EM RELAÇÃO AO ÂMBITO DE INCIDÊNCIA DA ISENÇÃO PREVISTA NA LEI N°. 9.532, ART. 15, § 1°, E DE QUE 0 PROCESSO ADMINISTRATIVO SE ORIGINOU DE REQUISIÇÕES DA JUSTIÇA, POR MEIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO, E DO CONGRESSO NACIONAL, POR MEIO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. INEXISTÊNCIA DA CITADA OMISSÃO. 0 presente processo versa exclusivamente sobre IRPJ, portanto, não há no que se falar em exoneração formalizada relativamente às contribuições sociais (PIS e COFINS). A isenção prevista na Lei n°. 9.532, art. 15, § 1°, abarca expressamente o tributo em comento (IRPJ) . 0 crédito tributário objeto deste processo administrativo decorre da suspensão da isenção objeto do Proc. n°. 10166.015085/2002-61, de sorte que tendo sido dado provimento ao Recurso Voluntário naquele processo, ou seja, sendo restabelecida a isenção da Recorrente, obrigatoriamente, não há como ser mantida as exigências fiscais. Como se observa da análise deste processo, o fundamento básico do Ato Declaratório Executivo de cancelamento da isenção da Embargada foi o desenvolvimento de atividades econômicas, o que, consoante a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e deste Conselho, não constitui motivo para exclusão do beneficio fiscal. Tais fatos foram exaustivamente debatidos e apreciados no processo de suspensão da isenção (Proc. n° 10166.015085/2002-61). As acusações e procedimentos executados por outros órgão e que não fazem parte da acusação fiscal, não podem ser apreciados por esse Colegiado. Pretensão de rediscussão da matéria de mérito, escopo incompatível com os limites de cognição próprios dos embargos de declaração, recurso que se destina a escoimar as decisões de eventuais obscuridades, contradições ou omissões, de sorte a aperfeiçoar afirmula e o conceito do ato decisório. Embargos conhecidos e desprovidos.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10166.010525/2003-75
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 4994132
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1103-000.657
nome_arquivo_s : 110300657_10166010525200375_201204.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : HUGO CORREIA SOTERO
nome_arquivo_pdf_s : 10166010525200375_4994132.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4750852
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360486977536
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-05-15T14:02:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-05-15T14:02:04Z; Last-Modified: 2012-05-15T14:02:04Z; dcterms:modified: 2012-05-15T14:02:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:8ddc7d4b-be7f-4b1f-9095-1343d1f440a3; Last-Save-Date: 2012-05-15T14:02:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-05-15T14:02:04Z; meta:save-date: 2012-05-15T14:02:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-05-15T14:02:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-05-15T14:02:04Z; created: 2012-05-15T14:02:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2012-05-15T14:02:04Z; pdf:charsPerPage: 2099; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-05-15T14:02:04Z | Conteúdo => SI-CIT3 FL I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10166.010525/2003-75 Recurso n° 137.157 Embargos Acórdão n° 1103-00.657 — la Câmara / 3' Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria IRPJ Embargante FAZENDA NACIONAI, Interessado FUNDAÇÃO EMPREENDIMENTOS CIENTÍFICOS E TECNOLÓGICOS - FINATEC IRPJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARGUIÇÃO DE OMISSÃO DESTE CONSELHO EM RELAÇÃO AO ÂMBITO DE INCIDÊNCIA DA ISENÇÃO PREVISTA NA LEI N°. 9.532, ART. 15, § 1°, E DE QUE 0 PROCESSO ADMINISTRATIVO SE ORIGINOU DE REQUISIÇÕES DA JUSTIÇA, POR MEIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO, E DO CONGRESSO NACIONAL, POR MEIO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. INEXISTÊNCIA DA CITADA OMISSÃO. 0 presente processo versa exclusivamente sobre IRPJ, portanto, não há no que se falar em exoneração formalizada relativamente às contribuições sociais (PIS e COFINS). A isenção prevista na Lei n°. 9.532, art. 15, § 1°, abarca expressamente o tributo em comento (IRPJ) . 0 crédito tributário objeto deste processo administrativo decorre da suspensão da isenção objeto do Proc. n°. 10166.015085/2002-61, de sorte que tendo sido dado provimento ao Recurso Voluntário naquele processo, ou seja, sendo restabelecida a isenção da Recorrente, obrigatoriamente, não há como ser mantida as exigências fiscais. Como se observa da análise deste processo, o fundamento básico do Ato Declaratório Executivo de cancelamento da isenção da Embargada foi o desenvolvimento de atividades econômicas, o que, consoante a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e deste Conselho, não constitui motivo para exclusão do beneficio fiscal. Tais fatos foram exaustivamente debatidos e apreciados no processo de suspensão da isenção (Proc. n°. 10166.015085/2002-61). As acusações e procedimentos executados por outros órgão e que não fazem parte da acusação fiscal, não podem ser apreciados por esse Colegiado. Pretensão de rediscussão da matéria de mérito, escopo incompatível com os limites de cognição próprios dos embargos de declaração, recurso que se i Acordam os m embargos de declaração, nos te ALOYS bros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os do atório e voto que integram o presente julgado. A SILVA - Presidente. IO H 7 j0 CI 'AN - I - - Relator. EDITADO EM: 08/05/2012 Processo n° 10166.010525/2003-75 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-00.657 Fl. 2 destina a escoimar as decisões de eventuais obscuridades, contradições ou omissões, de sorte a aperfeiçoar afirmula e o conceito do ato decisório. Embargos conhecidos e desprovidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Perch-1i° da Silva, Mario Sérgio Barroso Fernandes, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Hugo Correia Sotero. Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão n°. 1103-00.513. Esta a ementa do acórdão embargado: "IRPJ. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. RESTABELECIMENTO DA ISENÇÃO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA." Do voto condutor se extrai: "Em face do julgamento do Recurso Voluntário n°. 150.235 (Proc. n°. 10166.015085/2002-61), que restabeleceu a isenção da Recorrente, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência fiscal." O embargante argüiu, nos embargos de declaração opostos (fls. 1.006-1.008), omissão deste Conselho no que concerne à análise de duas questões, a saber: (a) a isenção prevista na Lei n°. 9.532, art. 15, § 1 0, abarca apenas o IRPJ e a CSLL; e, (b) o presente feito fiscal se originou de requisições da Justiça, por meio do Ministério Público, e do Congresso Nacional, por meio do Tribunal de Contas da União, sendo que "ambos os poderes concluíram que os contratos da Embargada estavam eivados de ilicitudes diversas". 2 Processo n° 10166.010525/2003-75 S 1 -C1T3 Acórdão n.° 1103-00.657 Fl. 3 Argumenta a Embargante que "o Judiciário, o Congresso Nacional e o Tribunal de Contas da Unido verificaram que a Embargada não prestava nenhum serviço cultural ou cientifico, mas apenas servia como 'biombo' para fraude A licitação e As finanças públicas". Voto Hugo Correia Sotero - Relator Assim dispõe o art. 57, § 1 0, do Regimento Interno deste Conselho, verbis: "Art. 57. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Camara. § I°. Os embargos de declaração poderão ser interpostos por Conselheiro da Camara, pelo Procurador da Fazenda Nacional, por Presidente da Turma de Julgamento de primeira instância, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada, dirigida ao Presidente da Camara, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão." Embargos tempestivos. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Entendo não assistir razão ao Embargante. Assevera expressamente a Embargante que a isenção prevista no art. 15, § 10 , da Lei n°. 9.532/1997, refere-se unicamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e A Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), não cabendo a sua extensão as contribuições para PIS e a COFINS. Conforme se depreende dos autos, o presente processo versa exclusivamente sobre o IRPJ. Por essa razão, não há como analisar matéria em relação ao PIS e a COFINS, posto que, tais contribuições são objeto de outros processos administrativos. No que concerne As questões atinentes A instauração do procedimento de fiscalização em relação à Embargada, derivada, segundo afirma a Embargante, de requisições da Justiça, por meio do Ministério Público, e do Congresso Nacional, por meio do Tribunal de Contas da Unido, tais questões foram expressamente observadas quando do julgamento do Processo n°. 10166.015085/2002-62 que versou sobre o restabelecimento da isenção. Ao presente caso, apenas foi aplicado os efeitos do julgado daquele processo, visto que em sendo restabelecida a isenção, como de fato o foi, não há no que se falar em exigência de IRPJ. Apenas com o fito de evitar novos Embargos, pautados na omissão desse Colegiado, ressalto que a análise de tais questões se deu de forma objetiva, com base na Processo n° 10166.010525/2003-75 S 1 -C1T3 Acórdão n.° 1103-00.657 Fl. 4 legislação pertinente à matéria e na acusação fiscal, sendo ressaltado que o gozo de beneficio fiscal (imunidade ou isenção) não é elidido pela obtenção de receitas (desenvolvimento de atividade econômica). De fato, como se observa da análise deste processo, o fundamento básico do Ato Declaratório Executivo de cancelamento da isenção da Embargada foi o desenvolvimento de atividades econômicas, o que, consoante a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e deste Conselho, não constitui motivo para exclusão do beneficio fiscal. Neste aspecto, os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional têm o nítido intuito de obter a rediscussão da matéria, inclusive de fatos não abordado nos autos. Como é cediço, a pretensão de reexame das questões decididas não se compatibiliza com os limites de cognição próprios dos embargos de declaração, recurso que se destina, como é cediço, a escoimar as decisões de eventuais obscuridades, contradições ou omissões, de sorte a aperfeiçoar a fórmula e o conceito do ato decisório. Essa espécie de recurso se destina, ordinariamente, a suprir incorreções e erros — materiais ou formais — insitos em determinado ato decisório, permitindo as partes e aos possíveis interessados a plena compreensão dos fundamentos e disposições neles vertidas. Com essa finalidade, não é possível pleitear, em sede de embargos de declaração, a reapreciação da matéria decidida, sendo impróprio o requerimento formulado pelo Embargante de revisão da matéria decidida. Com estas considerações, não divisando, na hipótese, omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado, conheço dos embargos para negar-lhes provimento. 4
score : 1.0
Numero do processo: 13411.000556/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
A produção e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.841
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A produção e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13411.000556/2006-18
anomes_publicacao_s : 201103
conteudo_id_s : 4960925
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3301-000.841
nome_arquivo_s : 330100841_13411000556200618_201103.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MAURICIO TAVEIRA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13411000556200618_4960925.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4752364
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360529969152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1501; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 158 1 157 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13411.000556/200618 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 3301000.841 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2011 Matéria Ressarcimento de IPI Recorrente MURANAKA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A produção e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13411.000556/200618 Acórdão n.º 3301000.841 S3C3T1 Fl. 159 2 MURANAKA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 113/131, contra o acórdão nº 1123.697, de 10/09/2008, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife PE, fls. 98/104, que indeferiu solicitação referente a Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n.º 9.363/96, a ser compensado com tributos diversos por meio de PER/DCOMP (fls. 01/29), referente ao 4º trimestre de 2005, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Trata o presente processo de pleito de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor de R$ 90.615,63, referentes ao 4º trimestre de 2005, com fundamento na Lei nº 9.363/96, a serem compensados com débitos de tributos diversos, conforme estampado nas PER/DCOMP anexadas às fls. 01/23 e 24/29. Por meio do Despacho Decisório de fls. 60, a DRF em Petrolina indeferiu o pleito de ressarcimento formulado e não homologou as compensações pleiteadas. A referida decisão administrativa lastreouse em parecer, às fls. 56 a 59, do qual extraímos a seguinte observação: ‘Foi verificado no Termo de Informação Fiscal que o estabelecimento que elabora produtos na TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados) como nãotributados não pode ser considerado estabelecimento industrial. Conforme resposta do contribuinte à intimação da fiscalização e conforme cláusula 03 do Contrato Social da Empresa, verificouse que a empresa tem por objetivo a exportação e importação de produtos de fruticultura, prestação de serviços e comercialização no mercado interno de produtos de fruticultura e produção própria, mais especificamente de manga e de uva, produtos estes enquadrados na TIPI, capítulo 08, como sendo nãotributados.’ Inconformada com a decisão administrativa, de cujo teor teve ciência em 21/12/2006 (cópia de AR às fls. 89), a requerente apresentou, tempestivamente, em 18/01/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 67/80, argüindo, em síntese, que: Dedicase à produção e comercialização de frutas, especialmente para o mercado externo. O crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, tem natureza jurídica de benefício fiscal à exportação e a recorrente, na condição de empresa produtora e exportadora, teria o direito de beneficiarse dos incentivos fiscais criados pela Lei nº 9.363/96. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 estabelece que, para fazer jus ao crédito presumido, é necessário apenas que a empresa produza e exporte mercadorias nacionais, pouco importando a classificação dos produtos na TIPI como “NT” (nãotributado). Em face do princípio da estrita legalidade (art. 5º, II e 150, I, da CF), os decretos, regulamentos ou instruções expedidas pela Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13411.000556/200618 Acórdão n.º 3301000.841 S3C3T1 Fl. 160 3 administração tributária serviriam apenas para viabilizar a execução das leis, não havendo como se considerar a IN nº 313/2003 instrumento hábil a introduzir inovações no ordenamento jurídico, no sentido de excluir os produtos “NT” do cálculo do crédito presumido. A respeito da questão, transcreve ementas e excertos de julgados do STF e de tribunais administrativos. O fato de se permitir que produtos alíquota zero aproveitem do crédito presumido em detrimento dos produtos “NT”, importaria em descumprimento ao princípio constitucional da isonomia. Além disso, o princípio da razoabilidade, que implica em coerência na atuação do Estado, estaria sendo ferido, razão pela qual seriam inconstitucionais os atos administrativos ou legislativos praticados em desrespeito à coerência e à racionalidade. Sobre o assunto transcreve fragmentos doutrinários. Por fim, requer o provimento da manifestação de inconformidade apresentada, no sentido de que seja reconhecido o direito ao crédito presumido pleiteado e homologada a compensação formulada. A DRJ indeferiu a solicitação cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. O direito ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, instituído pela Lei n.º 9.363/96, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto. Por conseguinte, não estão alcançados pelo benefício os produtos por ele nãotributados (NT). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa, com fundamento em juízo sobre constitucionalidade de norma tributária, negar aplicação da lei ao caso concreto. Solicitação Indeferida Tempestivamente, em 16/10/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 113/131, repisando seus argumentos anteriormente apresentados no sentido de que a lei prevê o benefício à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais e não à exportação de produtos industrializados. Apresenta decisões administrativas que corroboram sua tese. Assim, incabível, por ferir o princípio da legalidade, a restrição imposta pela IN SRF nº 313/2003. Ademais, pelo princípio da isonomia, deve ser reconhecido o direito Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13411.000556/200618 Acórdão n.º 3301000.841 S3C3T1 Fl. 161 4 no caso de produtos NT, visto que o são quando se trata de alíquota zero. A negativa do pleito, por ser injustificável, fere, ainda, o princípio da proporcionalidade. Por fim, requer seja reconhecido seu direito de apurar o crédito presumido derivado de produtos NT e homologados os pedidos de compensação formulados. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. O presente processo cingese a pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, benefício fiscal de que trata a Lei n.º 9.363/96, que concede ao estabelecimento produtor exportador o ressarcimento das contribuições para o PIS e COFINS incidentes sobre a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. Conforme relatado, a empresa tem por objetivo a exportação e importação de produtos de fruticultura e a solicitação decorre de exportação de manga e uva, produtos classificados na TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados) como não tributado – NT. Conforme se demonstrará, os produtos não tributados pelo IPI, que constam na TIPI como “NT”, não dão direto ao crédito presumido. O art. 1º da Lei nº 9.363/96, consigna: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Assim, é necessário que a empresa seja “produtora e exportadora”, para que se faça jus ao benefício, relativo às aquisições de “matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13411.000556/200618 Acórdão n.º 3301000.841 S3C3T1 Fl. 162 5 Na mesma toada, assim dispõe a Lei nº 9.363/96 em seu art. 4º, in verbis: Art.4oEm caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. (grifei) Cabe, ainda, transcrever o art. 4º da Portaria MF nº 38/97, que dispõe sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido e consigna: Art. 4º O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno, relativo a períodos de apuração subseqüentes ao mês a que se referir o crédito. (grifei) Acerca do tema assim versam os arts. 1º e 2º, § 1º da IN SRF nº 23/97: Art. 1º O crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será apurado e utilizado de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. Direito ao Crédito Presumido Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; (...) (grifei) No mesmo passo o § 1º do art. 17 da IN SRF nº 313/2003 registra que: § 1º Não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido, o valor resultante das vendas para o exterior de produtos nãotributados e produtos adquiridos de terceiros que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica produtora. Portanto, conforme se depreende de uma exegese sistêmica, a empresa produtora tem que ser contribuinte do IPI. De forma clara, a IN SRF nº 23/97 faz menção ao direito ao crédito presumido, inclusive quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero. Acaso houvesse interesse de estender o benefício aos produtos NT, obrigatoriamente deveria têlos mencionado, pois, em se tratando de benefício fiscal, sua Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13411.000556/200618 Acórdão n.º 3301000.841 S3C3T1 Fl. 163 6 interpretação deverá ser restritiva e, portanto, a determinação precisa do seu significado enseja uma interpretação literal. A despeito da existência de procedimento ensejador de industrialização, como acondicionamento, para os efeitos fiscaistributários, não ocorre industrialização quando os elementos produzidos são indicados na Tabela de Incidência do IPI/TIPI como produtos NT. Sobre o tema, assim leciona o mestre Raymundo Clovis do Valle Cabral Mascarenhas, (in Tudo sobre IPI, 5ª edição, 2003, p.25/27), tecendo os comentários abaixo: O IPI não incide sobre os produtos constantes de códigos da Tipi seguidos da expressão "NT", que significa "nãotributado". (...) A Tabela de incidência do IPI – Tipi, que tem por base a Nomenclatura Comum do Mercosul, é uma relação ordenada e codificada de todas as coisas existentes, objeto de comercialização (mercadorias), seguidas das correspondentes alíquotas de incidência ou da expressão “NT”. Devese observar que na Tipi estão incluídas todas as coisas existentes, sejam produtos naturais (animais, vegetais e minerais) ou elaborados, ainda que não expressamente discriminados. (...) c) NT – que significa não tributado. Os produtos discriminados em códigos da Tipi aos quais corresponda a sigla NT não estão incluídos no campo de incidência do IPI, nada importando que tais produtos possam ser considerados, para outros efeitos não relacionados com o IPI, como produtos industrializados. Da mesma obra merecem ser transcritos os dois excertos abaixo: Não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido do IPI, o valor resultante das vendas para o exterior de produtos não tributados e produtos adquiridos de terceiros que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica exportadora, integrando, entretanto, a receita operacional bruta (IN nºs 313/2003 e 315/2003). (p. 233) (...) Empresa fabricante de produtos classificados como "NT" na Tipi não é estabelecimento industrial nos termos do art. 8º, não sendo caracterizado como contribuinte do citado imposto. Nestas condições, fazem jus ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei n. 9.363/1996 somente as empresas que derem saída a produtos tributados, ainda que sob alíquota zero, incluindose, entre estes, carnes de bovinos e de suínos (Decisão nº 362/98 da 8ª RF). (p.233/234) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13411.000556/200618 Acórdão n.º 3301000.841 S3C3T1 Fl. 164 7 No mesmo diapasão a administração tributária se manifestou através do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n.º 139, de 22 de abril de 1996, no item 4.11, conforme abaixo: "O contribuinte produtorexportador de produtos com alíquota zero ou isentos tem direito ao crédito, ainda que não tenha débito de IPI. Não tem direito ao crédito presumido o exportador de produtos não tributados pelo IPI (produtos NT), e, produtos que não são industrializados, pois neste caso ele não é contribuinte do IPI." Assim, não há que ser alegada obediência ao princípio da isonomia ou da proporcionalidade, em relação aos produtos com alíquota zero, por se tratar de situação distinta, vez que os produtos classificados como NT estão fora do alcance do IPI, por inexistir industrialização. Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida que indeferiu a solicitação. No tocante às decisões trazidas à colação pela interessada, cumpre observar que, consoante o art. 472, do Código de Processo Civil, produzem efeitos apenas em relação às partes que integram o processo, somente alcançando terceiros nas hipóteses previstas no Decreto nº 2.346/97, o que não se configurou na espécie. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10909.007161/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
COMPENSAÇÃO.
A compensação de débitos relativos a tributos e contribuições
administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será
efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração,
na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e
aos respectivos débitos compensados.
Numero da decisão: 3201-000.895
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. A compensação de débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração, na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 29 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10909.007161/2008-10
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4954095
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3201-000.895
nome_arquivo_s : 320100895_10909007161200810_201202.doc.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10909007161200810_4954095.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
id : 4750021
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360537309184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.007161/200810 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 320100.895 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de fevereiro de 2012 Matéria IPI Recorrente ARTEPLAS ARTEFATOS DE PLÁSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. A compensação de débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração, na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausências justificadas de Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Mariz Gudiño. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratase de Declaração de Compensação no valor de R$ 26.016,71, cujo crédito é oriundo de ressarcimento de IPI, com fundamento na Lei nº 9.779/99, relativo ao 4º trimestre de 2001. A autoridade da Delegacia da Receita Federal em Itajaí prolatou o Despacho Decisório de fls. 163, no qual, com base no Parecer SARAC de fls. 160/162, defere parcialmente o pedido de ressarcimento, e homologa as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. Constatouse que no período a interessada deu saída a desperdícios, resíduos e aparas como se fossem de alíquota zero, quando na verdade estes produtos são tributados à alíquota de 15%. Conseqüentemente, foi feita a retificação do saldo credor de IPI, retirandose o valor de IPI que deveria ter sido debitado na saída destes produtos, resultando em glosa de R$ 1.440,00, e deferimento de R$ 24.576,71 de ressarcimento. Além da redução do direito creditório, constatouse que a DCOMP foi apresentada em data posterior ao vencimento dos débitos, o que também gerou a homologação parcial das compensações declaradas. Regularmente cientificada, a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 175/187, alegando, em resumo, o seguinte: 1. A empresa apresentou a DCOMP em 29/04/2004 para retificar as DCTFs, com o aproveitamento do crédito de IPI na compensação de débitos; 2. As compensações foram realizadas com créditos acumulados até o momento do vencimento dos débitos anteriormente declarados em DCTF (e não pagos até o momento em que se implementou a compensação), sendo, portanto, os débitos e créditos contemporâneos; injusta, por isso, a imputação de juros e multa sobre os débitos; 3. A compensação ocorreu no momento do registro contábil dos créditos, ou seja, antes do vencimento dos débitos; 4. A DCOMP é mero veículo; a não transmissão da DCOMP no momento do vencimento dos débitos não pode tolher o direito de compensação; deve ser aplicado ao caso o princípio da razoabilidade que norteia a aplicação dos demais princípios; 5. Os restos, desperdícios e aparas de fibras sintéticas ou artificiais, utilizadas na linha de produção da empresa classificamse nos códigos Fl. 268DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10909.007161/200810 Acórdão n.º 320100.895 S3C2T1 Fl. 2 3 5402.20.00 e 5607.50.90 da TIPI, alíquota zero, pela aplicação da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 3 a). Por fim, requereu o provimento da manifestação de inconformidade com a homologação integral das compensações pleiteadas.” O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO no 1420.866, de 08/10/2008, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO. A compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração, na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. DCOMP. VALORAÇÃO. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. GLOSA INDEVIDA. DÉBITO INEXISTENTE. Não há amparo legal para a glosa de créditos de IPI, em virtude da utilização destes créditos no abatimento de supostos débitos relativos ao IPI que deixou de ser lançado na saída de produtos tributados, quando estes débitos não existem de fato, por não terem sido lançados nem pela contribuinte, nem pela autoridade fiscal. Solicitação Deferida em Parte.” O julgamento foi no sentido de julgar procedente em parte, cujo voto foi pelo deferimento parcial da solicitação, com o reconhecimento do direito creditório adicional no valor de R$ 1.440,00, e homologação das compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido, respeitada a valoração dos débitos pela data de entrega das declarações de compensação. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Reitera que deveria aplicar o princípio da razoabilidade para atualizar os créditos da recorrente. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Registro que este processo de n° 10909.007161/200810, é oriundo da apresentação do recurso voluntário ao acórdão 1420866 da 2ª turma da DRJ/RPO, onde foi formalizado processo administrativo para encaminhamento ao CARF. Foi observado que a Fl. 269DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 formalização do novo processo administrativo, face a apresentação do RV e não implica suspensão de exigibilidade dos débitos, objeto do pedido de compensação controlado pelo processo administrativo de nº 10909.000454/200795. É o relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente de Declaração de Compensação, cujo crédito é proveniente de ressarcimento de IPI, com base na Lei nº 9.779/99, relativo ao 4° trimestre de 2001. Através do Despacho Decisório foi deferido parcialmente o pedido de ressarcimento, e homologa as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. Inicialmente, registro que a DRJ já tinha reconhecida a glosa equivocada de créditos de IPI, em virtude da utilização destes créditos no abatimento de supostos débitos relativos ao IPI que deixou de ser lançado na saída de produtos tributados, quando estes débitos não existem de fato, por não terem sido lançados nem pela contribuinte, nem pela autoridade fiscal. A compensação somente pode ser reconhecida quando declarada pela empresa em meio hábil. A legislação pertinente à compensação não caracteriza a escrituração de créditos de IPI, e nem mesmo a DCTF como meio hábil para declarar ou informar compensações. A Lei nº 9.430, de 1996, alterada pelas Leis nº 10.637, de 2002, 10.833, de 2003 e 11.051, de 2004, determina que as compensações pretendidas pelo contribuinte devem ser declaradas à RFB por meio de declaração de compensação. Mesmo antes dessas alterações, somente era permitida a compensação de tributos e contribuições de diferentes espécies quando solicitada à RFB por meio de pedido de compensação. Ressaltese que o art. 28 da IN SRF nº 600/2005 repete o que já estabelecia o art. 28 da IN SRF nº 210/2002, com a redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 323/2003. Pois bem, segue a legislação citada: Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual Fl. 270DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10909.007161/200810 Acórdão n.º 320100.895 S3C2T1 Fl. 3 5 constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Por sua vez, a IN SRF nº 600/2005, assim determina: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. (...) Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (...) Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Fl. 271DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: I – a quantia for disponibilizada ao sujeito passivo; II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 5º Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. (g.n.) A empresa declarou sua compensação à RFB em 29/04/2004, e nesta data é que a compensação deve ser efetivada, sofrendo os débitos a incidência dos acréscimos legais cabíveis. Ou seja, a partir da data de vencimento de quaisquer impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, passam a incidir os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros de mora, nos termos da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 61, a seguir: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Pelo exposto, não merece reparo decisão DRJ, Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator Fl. 272DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10909.007161/200810 Acórdão n.º 320100.895 S3C2T1 Fl. 4 7 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.016192/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01,
Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
INOCORRÊNCIA.
Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade
competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há que se falar em nulidade da decisão.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos
preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01,
Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
INOCORRÊNCIA.
Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade
competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há que se falar em nulidade da decisão.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos
preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Numero da decisão: 2102-001.847
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer da alegação de isenção dos rendimentos recebidos da ONU/Unesco, em razão da existência de concomitância entre as esferas judicial e administrativa, em afastar as preliminares de nulidades do lançamento e da decisão de primeira instância e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há que se falar em nulidade da decisão. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há que se falar em nulidade da decisão. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10166.016192/2007-11
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5031764
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.847
nome_arquivo_s : 210201847_10166016192200711_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10166016192200711_5031764.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da alegação de isenção dos rendimentos recebidos da ONU/Unesco, em razão da existência de concomitância entre as esferas judicial e administrativa, em afastar as preliminares de nulidades do lançamento e da decisão de primeira instância e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4750402
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360546746368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.016192/200711 Recurso nº 868.244 Voluntário Acórdão nº 210201.847 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2012 Matéria IRPF Rendimentos recebidos de organismos internacionais Recorrente ELOI ANTONIO DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há que se falar em nulidade da decisão. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.016192/200711 Acórdão n.º 210201.847 S2C1T2 Fl. 2 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da alegação de isenção dos rendimentos recebidos da ONU/Unesco, em razão da existência de concomitância entre as esferas judicial e administrativa, em afastar as preliminares de nulidades do lançamento e da decisão de primeira instância e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.016192/200711 Acórdão n.º 210201.847 S2C1T2 Fl. 3 3 Relatório Contra ELOI ANTONIO DE OLIVEIRA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 42/44, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 24.351,86, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/07/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal encontrase assim descrita: Confrontando o valor dos Rendimentos Recebidos do Exterior declarados, com o valor informado por Órgão/Entidade da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos no valor de R$ 47.196,39, recebidos de Organismo Internacional, conforme abaixo demonstrado: (...) Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/26, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/BSB nº 0334.110, de 29/10/2009, fls. 109/122. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 15/12/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 240, o contribuinte apresentou, em 12/01/2010, recurso voluntário, fls. 125/168, onde traz as seguintes alegações: Nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa que restou caracterizado por falta de intimação prévia, pela inexistência nos autos de AR assinado pelo recorrente e muito menos prova de entrega da Notificação no domicílio tributário eleito pelo contribuinte e também em razão de ter encontrado a repartição fechada ao público externo quando compareceu à Delegacia para obter vista do processo. Nulidade da decisão recorrida por entender desfocada a expressão contida no referido acórdão de que a verificação da constitucionalidade da legislação não cabe à esfera administrativa. No mérito, temse que qualquer análise fora da Resolução nº 76/46 da ONU não condiz com a verdade. Não há que se confundir a condição de trabalho permanente (quadro básico para desenvolvimento do projeto ONU/MS), com a de simples prestador de serviços, seja por produtor ou prestador de serviços pagos por hora. Nessas últimas hipóteses não se enquadra o recorrente. É de inestimável importância registrar que nenhuma lei interna dos países que compõem a ONU, e muito menos decretos, portarias, ou qualquer convenção ainda que da própria ONU ou de outros países, e demais atos normativos internos, que estabeleça ao contrário,... podem sobrepor a uma resolução da ONU. Não é, definitivamente, a nacionalidade que gera a obrigação tributária, mas a percepção de outra renda aqui de qualquer servidor de organismo Fl. 248DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.016192/200711 Acórdão n.º 210201.847 S2C1T2 Fl. 4 4 internacional domiciliado lá fora, brasileiro ou não e cuja renda não esteja alcançada pela Resolução 76/46 ONU. O contribuinte prestou serviços de caráter continuado à UNESCO, mediante remuneração mensal, com subordinação hierárquica e submissão disciplinar. Não há que se falar em omissão de rendimentos, certo que o contribuinte declarouos como “isentos e não tributável”. Desta forma, informando a percepção de rendimentos do trabalho e sua natureza não omitiu nenhum fato à Receita. O valor da autuação (3/4 dos ganhos) se não se configura confisco se aproxima do mesmo. Incabível, portanto, a cobrança da multa e dos juros de mora. Em 17/01/2012, encaminhouse a este CARF cópia de decisão judicial do processo nº 006815407.2011.4.01.3400, onde o Juiz Federal Alexandre Jorge Fontes Laranjeira deferiu a antecipação dos efeitos da tutela e determinou que a Receita Federal suspenda o lançamento tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Física 2004/2005, 2006/2007, 2007/2008 e 2008/2009. É o Relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.016192/200711 Acórdão n.º 210201.847 S2C1T2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase da tributação de rendimentos recebidos da ONU/Unesco, exercício 2005, e considerando o teor da decisão judicial proferida nos autos do processo nº 0068154 07.2011.4.01.3400, devese reconhecer a renúncia à instância administrativa no que se refere à alegação do recorrente de que tais rendimentos são isentos, nos termos da Súmula CARF nº 1, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Contudo, as demais alegações do recorrente devem ser apreciadas, dado que não são objeto da ação judicial. No que tange à argüição de nulidade da decisão de primeira instância há de se observar o que estabelece o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O Acórdão nº DRJ/BSB nº 0334.110, de 29/10/2009, fls. 109/122, foi proferido pela Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, que é autoridade competente para examinar a impugnação apresentada pelo contribuinte. Temse, ainda, que o referido acórdão analisou todas as argüições apresentadas pelo contribuinte em sua impugnação, não se verificando, pois, preterição do direito de defesa do contribuinte. Por oportuno, impende ressaltar que a decisão recorrida menciona que a apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária foge à alçada das Autoridades Administrativas de qualquer instância quando da apreciação das alegações da defesa relativas à multa de ofício e os juros de mora. Na impugnação, o contribuinte afirmou que o valor dos referidos acréscimos legais seria confiscatório. Logo, correta a decisão recorrida ao afirmar que Fl. 250DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.016192/200711 Acórdão n.º 210201.847 S2C1T2 Fl. 6 6 a apreciação de inconstitucionalidades da legislação tributária foge à alçada das autoridades administrativas. Não há, pois, que se falar em expressão desfocada, conforme afirmou a defesa. Deste modo, não pode prevalecer a argüição de nulidade da decisão de primeira instância suscitada pela recorrente. O contribuinte traz ainda em seu recurso argüições de nulidade do lançamento. De imediato, cumpre esclarecer que o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura da Notificação de Lançamento foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. A defesa argúi a nulidade do lançamento, sob o argumento de que o Auto de Infração teria sido constituído sem prévia intimação ao contribuinte. Argúi, ainda, que o enquadramento legal não se coaduna com o fato descrito. No que tange à necessidade de intimação prévia ao lançamento para apresentação de esclarecimentos, dispôs a Instrução Normativa SRF nº 579, de 08/12/2005, que trata sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições: Art. 3º O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. Parágrafo único. A intimação de que trata este artigo poderá ser dispensada, a juízo do AFTN: a) se a infração estiver claramente demonstrada e apurada; b) se verificada a inexistência da infração. Notese que o parágrafo único do art. 3o da citada Instrução Normativa, admite o lançamento sem intimação prévia ao contribuinte, se a infração estiver claramente demonstrada e apurada, como ocorre no presente caso, em que a omissão de rendimentos evidenciase pelo confronto da Declaração de Ajuste Anual, apresentada pelo contribuinte e a Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc). No que concerne à alegação do recorrente de inexistência nos autos de AR assinado pelo contribuinte e muito menos prova de entrega da Notificação no seu domicílio tributário, temse que a decisão recorrida já esclareceu que Conforme cópia do AR juntado à fl. 105 dos autos, o Resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento SRL (fl. 41) foi entregue no domicilio tributário do contribuinte constante nos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, em 29/11/2007, eleito pelo contribuinte. Logo, restou comprovado que não procedem tais alegações do recorrente. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.016192/200711 Acórdão n.º 210201.847 S2C1T2 Fl. 7 7 Já no que tange à alegação do recorrente de que teve seu direito de defesa cerceado, em razão de ter encontrado a repartição fechada ao público externo quando compareceu à Delegacia para obter vista do processo, temse que tal afirmação carece de comprovação. Observese que o contribuinte sequer identifica o dia em que se deu tal fato, sendo certo que o contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento e impugnação, dentro dos prazos legais, não havendo que se falar em cerceamento ao direito de defesa. Assim, não pode prosperar também a argüição de nulidade do lançamento suscitada pelo recorrente. No mérito, temse que a tributação dos rendimentos recebidos por técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual é matéria já pacificada no âmbito deste Conselho, conforme se infere da Súmula nº 39, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) No presente caso, restou comprovado nos autos que o recorrente é residente no Brasil e que não é funcionário internacional, sendo certo que os rendimentos por ele recebidos da Unesco/ONU são decorrentes da prestação de serviços contratuais. Nessa conformidade, temse que o caso presente subsumese à hipótese prevista na Súmula acima transcrita, sendo, portanto, procedente o lançamento. Por fim, devese analisar a alegação do recorrente de que não houve omissão de rendimentos, dado que os valores considerados omitidos foram informados na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2005, como rendimentos isentos e não tributáveis. De fato, seria mais adequado que a autoridade fiscal houvesse denominado a infração como classificação indevida de rendimentos em lugar de omissão de rendimentos. Contudo, qualquer que fosse a denominação utilizada, em nada alteraria os acréscimos legais incidentes sobre o crédito tributário apurado. Nesse ponto, importa observar que a multa de ofício foi aplicada com base no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A autoridade fiscal verificou a existência de diferença de imposto a pagar, decorrente da classificação indevida de rendimentos tributáveis como isento. Logo, correta a imposição da multa de 75%. Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste colegiado, conforme Súmula nº 4, que cristaliza o entendimento de que é legítima a sua aplicação: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 252DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.016192/200711 Acórdão n.º 210201.847 S2C1T2 Fl. 8 8 Ante o exposto, voto por não conhecer da alegação de isenção dos rendimentos recebidos da ONU/Unesco, em razão da existência de concomitância entre as esferas judicial e administrativa, afastar as preliminares de nulidades do lançamento e da decisão de primeira instância e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 253DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.004352/2003-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 1999
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se definitivamente consolidada na esfera administrativa a matéria não contestada de forma expressa na impugnação, de sorte que não se conhece da argüição apresentada somente na peça recursal em homenagem aos princípios da preclusão e do duplo grau de jurisdição.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. SEMANA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de
apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês.
Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DCTF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.825
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
conhecer da matéria preclusa e, na parte conhecida, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se definitivamente consolidada na esfera administrativa a matéria não contestada de forma expressa na impugnação, de sorte que não se conhece da argüição apresentada somente na peça recursal em homenagem aos princípios da preclusão e do duplo grau de jurisdição. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. SEMANA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DCTF. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10283.004352/2003-10
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 5030280
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.825
nome_arquivo_s : 210201825_10283004352200310_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10283004352200310_5030280.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer da matéria preclusa e, na parte conhecida, em DAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4749723
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360554086400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.004352/200310 Recurso nº 507.494 Voluntário Acórdão nº 210201.825 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de fevereiro de 2012 Matéria IRRF Falta/insuficiencia de recolhimento Recorrente EMPRESA DE JORNAIS CALDERARO LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitivamente consolidada na esfera administrativa a matéria não contestada de forma expressa na impugnação, de sorte que não se conhece da argüição apresentada somente na peça recursal em homenagem aos princípios da preclusão e do duplo grau de jurisdição. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. SEMANA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DCTF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer da matéria preclusa e, na parte conhecida, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.004352/200310 Acórdão n.º 210201.825 S2C1T2 Fl. 2 2 EDITADO EM: 22/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra EMPRESA DE JORNAIS CALDERARO LIMITADA foi lavrado Auto de Infração, fls. 21/28, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), relativa ao segundo e ao terceiro trimestre de 1998, no valor total de R$ 65.946,34, incluindo multa de ofício, juros de mora e multa e juros isolados. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram falta de recolhimento (anexo III do Auto de Infração) e recolhimentos efetuados fora do prazo legal (anexo IV do Auto de Infração). Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, esclarecendo que a cobrança do valor de R$ 61.094,09 (valor principal R$ 22.600,20, multa de ofício – R$ 16.950,15 e juros de mora – R$ 21.543,74) é indevida em virtude de ter sido recolhido o valor do principal dentro do prazo legal. A autoridade fiscal, em despacho, fls. 47, informou que formalizou processo de representação nº 10283.002413/200819 para cobrança do crédito tributário apurado no anexo IV do Auto de Infração, por não ter sido objeto de impugnação. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.004352/200310 Acórdão n.º 210201.825 S2C1T2 Fl. 3 3 A DRJ Belém, apreciando a impugnação, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/BEL nº 0112.321, de 23/10/2008, fls. 48/49. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 31/12/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 56, a contribuinte apresentou, em 30/01/2009, recurso voluntário, fls. 57/62, onde se insurge contra o crédito tributário apurado no anexo III e parte do crédito tributário apurado no anexo IV, afirmando, em apertada síntese, que houve erro de preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). É o Relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.004352/200310 Acórdão n.º 210201.825 S2C1T2 Fl. 4 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, vale dizer que este voto somente irá apreciar as alegações da recorrente no que diz respeito ao crédito tributário apurado no anexo III do Auto de Infração, dado que os valores apurados no anexo IV do Auto de Infração foram transferidos para o processo 10283.002413/200819, por não ter sido objeto de impugnação. Tratase, pois, de matéria preclusa, da qual não pode a autoridade julgadora de segunda instância tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o processo administrativo fiscal. Isto posto, passase ao exame das alegações da recorrente no que diz respeito ao crédito tributário apurado no anexo III do Auto de Infração. No recurso, a recorrente esclareceu que o lançamento decorreu de erro de preenchimento da DCTF e que todos os pagamentos foram efetivados dentro do prazo legal. Informou, ainda, que os valores apurados no lançamento foram informados em duplicidade na DCTF, ou seja, o mesmo valor foi informado na quinta semana de junho de 1998 e na primeira semana de julho de 1998. Para análise da questão importa observar que conforme disposto no art. 83, inciso I, “d”, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o pagamento do IRRF deverá ser efetuado até o terceiro dia útil da semana subseqüente à de ocorrência dos fatos geradores. Importa, ainda, saber que para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Nessa conformidade, e considerando os documentos acostados aos autos, principalmente Darf, fls. 12/15, observase que assiste razão à contribuinte. De fato, temse que o lançamento decorreu do erro de preenchimento da DCTF no que diz respeito à informação duplicada, sendo certo que todos os recolhimentos foram efetivados dentro do prazo legal. Ante o exposto, voto por não conhecer da matéria preclusa e, na parte conhecida, DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 128DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.004352/200310 Acórdão n.º 210201.825 S2C1T2 Fl. 5 5 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000821/2003-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o julgamento de recursos relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Física.
Competência que se declina.
Numero da decisão: 3201-000.878
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o julgamento de recursos relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Física. Competência que se declina.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 19515.000821/2003-25
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4954344
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 19 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3201-000.878
nome_arquivo_s : 320100878_19515000821200325_201202.doc.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515000821200325_4954344.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
id : 4750010
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360592883712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 230 1 229 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000821/200325 Recurso nº 32.010.00878 Voluntário Acórdão nº 320100.878 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de fevereiro de 2012. Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente Elenir do Carmo Marques Correa Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o julgamento de recursos relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Física. Competência que se declina. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 22/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Elenir do Carmo Marques Correa, acima identificada, foi autuada (Auto de Infração e demonstrativos às f. 147 a 151), tendo em vista a constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no anocalendário 1998. O lançamento resultou em R$ 88.782,45 de imposto, R$ 66.586,83 de multa proporcional (75%) e R$ 60.629,53 de juros de mora calculados até 31 de março de 2003, totalizando R$ 215.998,81 de crédito tributário. A descrição e o enquadramento quanto à infração, multa e juros constam às f. 010 O procedimento teve início com o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF f. 01). As prorrogações constam às f. 02 a 07. Foi emitido o Termo de Início de Fiscalização (f. 10 e 11), pelo qual a contribuinte foi intimada a apresentar extratos bancários e comprovação da origem dos recursos depositados em contas bancárias, no ano de 1998. A ciência foi pessoal em 16 de julho de 2002. Ocorreu a emissão de diversos termos, inclusive para a justificativa de créditos bancários de acordo com o contido no art. 42 da Lei n. 9.430/1996, tendo sido oferecidas respostas a eles. Tais termos, extratos bancários, planilhas e outros documentos constam às f. 12a 144. À f. 145 foi anexada a Declaração de Ajuste Anual Simplificada/1999, anocalendário 1998. Houve a lavratura, então, do Auto de Infração, cuja ciência pessoal a contribuinte teve em 7 de abril de 2003 (f. 149 e 151). Em 7 de maio de 2003, foi protocolada a impugnação (f. 153 a 181), na qual a contribuinte, após relato dos fatos, aduz, em apertada síntese, que: a) houve erro na determinação do momento da ocorrência do fato gerador que é mensal e não anual como considerou o autuante; b) os créditos devem ser analisados individualizadamente, o que não ocorreu, considerando o agente do fisco o total de R$ 332.554,37 ao final do período (ano de 1998); c) já ocorreu a decadência quanto aos fatos ocorridos em janeiro, fevereiro e março de 1998, aplicado o disposto no art. 150, § 4°, do CTN; d) a quebra do sigilo bancário só pode ser determinada pelo Poder Judiciário, conforme jurisprudência e doutrina colacionadas; e) não cabe a aplicação da taxa SELIC. e) mesmo que admitida a aplicação retroativa da Lei n. 105/2001, o lançamento é nulo, uma vez que não observadas as regras fixadas no Decreto n. 3.724/2001, ou seja, não se configurou nenhuma das hipóteses de indispensabilidade das informações bancárias; f) a decisão sobre o acesso aos extratos bancários, que possibilita o exame particularizado das operações realizadas, não compete ao auditor encarregado da fiscalização, mas ao delegado ou inspetor; g) o pedido dirigido ao próprio contribuinte para a apresentação dos extratos deve seguir o mesmo rito estabelecido no Decreto n. 3.724/2001, sob pena de nulidade; h) o manuseio dos extratos bancários pelo auditor sem a autorização do Delegado configura hipótese de prova ilícita, mesmo no caso de apresentação pelo contribuinte dos extratos exigidos, com receio de incidir em embaraço à fiscalização; i) a Lei Complementar n. 105/2001 não pode ser aplicada retroativamente, mesmo que alegado como fundamento o art. 144 do CTN; j) os depósitos bancários não sustentam a presunção de omissão de rendimentos; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.000821/200325 Acórdão n.º 320100.878 S3C2T1 Fl. 231 3 k) a presunção nunca pode ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador, pois deve estar apoiada na repetida e comprovada correlação natural entre os dois fatos considerados: o conhecido e o desconhecido; 1) de acordo com a Súmula 182 do extinto TFR, é ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; m) a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n. 9.430/1996 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais; n) se os depósitos representam o marco inicial da investigação, eles não podem ser erigidos a fato indiciário na construção da aludida presunção legal; o) diferentemente das pessoas jurídicas, as pessoas físicas não estão obrigadas a manter escrituração, pelo que é impossível a produção da prova exigida; p) houve a venda de um imóvel rural situado em Jarinu pela empresa Jarinu Empreendimentos S/C, da qual a impugnante é sócia, sendo que o valor do pagamento, R$ 350.000,00, foi depositado em sua conta corrente, restando evidente que os depósitos/créditos no valor de R$ 310.000,00 têm origem comprovada conforme Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda que seria em breve anexado aos autos; q) um dos depósitos no valor de R$ 5.700,00 foi efetuado por seu filho para que a impugnante quitasse financiamento por ele contraído. Os documentos relativos a essas operações também seriam acostados aos autos em breve; r) os depósitos no valor de R$ 15.604.37 referemse às vendas de combustíveis do Auto Posto Antonio Biazzi, apenas tendo transitado em sua conta corrente, cujos documentos seriam também juntados aos autos tão logo os tivesse em mãos; O contribuinte requer, ao final, seja declarada a nulidade e a improcedência da exigência fiscal, requerendo diligência para dissipar qualquer obscuridade sobre a veracidade do que foi alegado. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DILIGÊNCIA. NÃOPREENCHIMENTO DE REQUISITOS E DESNECESSIDADE.' Não tendo sido preenchidos os requisitos estabelecidos na legislação para o requerimento de diligência e estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese a diligência requerida. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. É defeso em sede administrativa discutirse sobre a constitucionalidade das leis em vigor, cabendo o seu fiel cumprimento. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72, não há que se falar em nulidade cio procedimento fiscal. SIGILO BANCÁRIO. O sigilo bancário não é oponível ao Fisco ante ao contido na Lei Complementar n. 105/2001. Não há propriamente quebra de sigilo bancário quando o contribuinte apresenta ele mesmo os extratos bancários solicitados pelo Fisco. DADOS FINANCEIROS. UTILIZAÇÃO PELO FISCO. É licita a utilização dos dados da CPMF para a apuração de outros tributos, após a edição da Lei Complementar n. 105/2001 e da Lei n. 10.174/2001, podendo ser lançado imposto mesmo que relativo a fatos geradores anteriores ao ano de 2001. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O termo inicial e o prazo decadencial, mesmo dos tributos lançados por homologação, seguem o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Se adotada a tese de que há que se seguir o quanto prescrito no art. 150 do CTN, o prazo decadencial iniciase a partir da homologação do lançamento. PRESUNÇÕES LEGAIS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. Tendose em vista o disposto no art. 42 da Lei n. 9.430/96 que criou presunção legal, depósitos bancários cuja origem não for comprovada são considerados como rendimentos omitidos, podendo haver o correspondente lançamento de IRPF. CRÉDITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A comprovação da origem dos créditos bancários há de ser efetuada mediante documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, não bastando a mera alegação desacompanhada de tais provas. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do SELIC na fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Na forma da jurisprudência deste Colegiado, a competência para julgamento de recursos voluntários que versem sobre o Imposto de Renda de Pessoa Física é da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, forte no disposto no artigo 3º da Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); Assim, VOTO por não conhecer do recurso e declinar a competência de julgamento do mesmo a uma das turmas da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.000821/200325 Acórdão n.º 320100.878 S3C2T1 Fl. 232 5 MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11075.001146/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Data do fato gerador: 01/11/2005
MULTA REGULAMENTAR. RECEBIMENTO DA CARGA PELO TRANSPORTADOR. INAPLICABILIDADE.
Vez que o transportador atestou o recebimento das mercadorias em
consonância com as notas fiscais, por meio do Conhecimento de Transporte, torna-se inaplicável, ao exportador, a multa prevista no art. 490, II, do RIPI/02.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-000.851
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
O conselheiro Rodrigo Pereira de Mello votou pelas conclusões.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 01/11/2005 MULTA REGULAMENTAR. RECEBIMENTO DA CARGA PELO TRANSPORTADOR. INAPLICABILIDADE. Vez que o transportador atestou o recebimento das mercadorias em consonância com as notas fiscais, por meio do Conhecimento de Transporte, torna-se inaplicável, ao exportador, a multa prevista no art. 490, II, do RIPI/02. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11075.001146/2006-19
anomes_publicacao_s : 201103
conteudo_id_s : 4960812
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3301-000.851
nome_arquivo_s : 330100851_11075001146200619_201103.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MAURICIO TAVEIRA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11075001146200619_4960812.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Rodrigo Pereira de Mello votou pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4752370
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360634826752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 162 1 161 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11075.001146/200619 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 3301000.851 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2011 Matéria IPI Recorrente CELULOSE IRANI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 01/11/2005 Ementa: MULTA REGULAMENTAR. RECEBIMENTO DA CARGA PELO TRANSPORTADOR. INAPLICABILIDADE. Vez que o transportador atestou o recebimento das mercadorias em consonância com as notas fiscais, por meio do Conhecimento de Transporte, tornase inaplicável, ao exportador, a multa prevista no art. 490, II, do RIPI/02. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Rodrigo Pereira de Mello votou pelas conclusões. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11075.001146/200619 Acórdão n.º 3301000.851 S3C3T1 Fl. 163 2 Relatório CELULOSE IRANI S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 122/130 contra o Acórdão nº 1024.695, de 15/04/2010, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS, fls. 118/119v, que julgou procedente o auto de infração de fls. 01/03, de multa regulamentar, pela emissão ou utilização de nota fiscal irregular, conforme descrito pela instância a quo, nos seguintes termos: Conforme Auto de Infração das fls. 1 a 3 e anexos, o estabelecimento acima qualificado foi autuado por Auditora Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana (DRF/UNA), para exigência de multa no valor de R$ 11.098,09, igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, pela emissão, fora dos casos permitidos no Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, de nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, multa essa tratada no art. 490, II, do referido diploma regulamentar. No caso, em 5 de março de 2006, o interessado promoveu o despacho aduaneiro de exportação protocolizado sob o no 2060013935/2, no Porto Seco de Uruguaiana, referente a 71 bobinas e 26 pallets, contendo, ao todo, 262 bobinas de “papel flat Kraft natural”, despacho que foi instruído com os seguintes documentos: MIC/DTAs nos BR 267.100.113, BR 267.100.114, BR 267.100.115, BR 267.100.116, CRT no 267.100.175, Notas Fiscais nos 250232, 250236, 250240 e 250242, série 3, emitidas em 1o de novembro de 2005, Fatura Comercial no P477/05 e Packing List no P477/05. A documentação informava a quantidade de bobinas antes referida, sendo que, na verificação física, foi apurada a falta de 10 volumes, motivo pelo qual, em relação a essas mercadorias faltantes, foi lançada a multa mencionada no item precedente. Cientificado da autuação em 6 de junho de 2006, segundo o Aviso de Recebimento (AR) da fl. 54, o interessado impugnou tempestivamente a exigência, em 6 de julho de 2006, por meio do arrazoado das fls. 55 a 70, firmado por seu procurador (despachante aduaneiro), habilitado pela procuração da fl. 71 e pelos documentos das fls. 72 a 86, além de estar instruído com os demais documentos das fls. 87 a 111. Após relatar minuciosamente os fatos, alega, em síntese, o que segue. Negociou 333 bobinas de papel com importadores argentinos, as quais foram entregues ao transportador, que ratificou o recebimento integral da mercadoria, mediante emissão do conhecimento de transporte, isentando o impugnante de qualquer responsabilidade pela nãoapresentação de parte da carga para o despacho aduaneiro de exportação. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11075.001146/200619 Acórdão n.º 3301000.851 S3C3T1 Fl. 164 3 Consequentemente, se a mercadoria foi entregue ao transportador, é deste a responsabilidade pelo erro cometido, descabendo falar em nota fiscal inidônea ou que o impugnante tenha praticado simulação para se eximir de obrigação tributária. O interessado alega que a fiscalização, depois de constatar a falta da mercadoria, exigiu que fosse feito o seguinte, para regularização: ressalva no manifesto de carga; apresentação de carta de correção para o conhecimento de transporte; emissão de nota fiscal de entrada, referente às mercadorias faltantes; recolhimento da multa ora discutida. À vista disso, o interessado afirma que concordou com todas as exigências, exceto no tocante ao recolhimento da multa, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração objeto deste processo. A defesa segue argumentando que a responsabilidade objetiva não se aplica ao presente caso, devendo ser adotada interpretação mais favorável ao acusado. Diz que a multa é indevida, em face da não incidência do IPI e de que não ocorreu simulação da saída dos produtos. Afirma que o Auto de Infração deixou de observar os princípios da legalidade, razoabilidade e segurança jurídica, os quais são obrigatórios para a Administração Pública. Por último, pede que o lançamento seja julgado improcedente. A DRJ julgou procedente o lançamento cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 01/11/2005 INFRAÇÕES E PENALIDADES. A emissão de nota fiscal que não corresponde à saída efetiva de todos os produtos nela descritos, supostamente destinados à exportação, é punida com multa igual ao valor atribuído, na nota fiscal, aos produtos faltantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, em 23/06/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 122/130, no qual repisa seus argumentos de defesa anteriormente apresentados, nos seguintes termos: a) inexiste hipótese de incidência de IPI e, portanto, multa a ele vinculado por se tratar de exportação; b) a simples circulação física das mercadorias não consolida a mudança de titularidade, a fim de que possa se levantar a possibilidade de exigência de obrigação tributária principal; c) a recorrente efetuou a entrega dos bens ao transportador que, ao emitir o Conhecimento de Carga nos termos da lei, comprova que recebeu as mercadorias declaradas. Assim, inexistiu emissão de nota fiscal irregular e, vez que a empresa praticou todos os atos legais necessários a saída da mercadoria do País, deverá ocorrer uma Fl. 172DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11075.001146/200619 Acórdão n.º 3301000.851 S3C3T1 Fl. 165 4 interpretação mais favorável, de modo a evitarse afronta aos princípios norteadores da segurança jurídica. Por fim, requer seja anulado o auto de infração, extinguindose o crédito tributário lançado. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é presumivelmente tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Compulsando os autos, verificase o seguinte registro como descrição dos fatos, no auto de infração à fl 02: [...] Todos os documentos citados bem como a DE n° 2060 .013935/2 e o RE n° 05/1717296001 indicavam a quantidade de 71 bobinas e 26 pallets: (contendo 262 bobinas) a serem exportados para a empresa Fabi Bolsas Industriales S.A., com peso bruto de 98.480,00 Kg, peso líquido de 97.960,00 Kg, e valor total de US$ 50.529,58. Contudo, após a realização de verificação física para a carga transportada em cada um dos quatro caminhões, constatouse peso a menor referente ao veículo de placas IEW 5435/IGN 3483 (MIC/DTA BR 267.100.114): ao invés de pesar 24.380 kg, conforme indicado na documentação, o mesmo apresentou peso de 14.370 kg. Efetuandose a contagem dos volumes concluiuse que havia 10 bobinas a menos (ao invés de 105 bobinas, havia apenas 95), ou seja, 10 volumes declarados não foram localizados. Portanto, houve a emissão de notas fiscais informando a saída de um total de mercadorias do estabelecimento com destino indicado como sendo o exterior, e "constatouse que a carga declarada não correspondia completamente à encontrada na conferência física, ficando comprovada a irregularidade que enseja a aplicação da multa do artigo 490, inciso II do Decreto n° 4544, de 26/12/2002 ( Lei n° 4.502, de 1964, art. 83, inciso II e DecretoLei n° 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). [...] Por outro lado, a recorrente relata que o auditor expediu Intimação (fl. 12), exigindo que o responsável efetuasse ressalvas no manifesto de cargas, retirando as 11 bobinas declaradas e não localizadas no momento da conferência física das mercadorias, bem como Fl. 173DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11075.001146/200619 Acórdão n.º 3301000.851 S3C3T1 Fl. 166 5 apresentasse carta de correção para o CRT e a também a Nota Fiscal de Entrada referente às mercadorias faltantes. No mesmo expediente exigiu a multa ora impugnada. A contribuinte informa, ainda, que atendeu à intimação acima citada, no que se refere a todas obrigações acessórias exigidas, porém, requereu para a obrigação principal, que o fisco efetuasse a lavratura do auto de infração, a fim de ingressar no contencioso administrativo. Por sua vez, assim dispõe o art. 490, II do RIPI/02: Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): [...] II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). Esta norma tem por fim, sobretudo, impedir a utilização de notas fiscais emitidas por firmas fornecedoras “frias”, bem assim, a saída imune, de produtos destinados à exportação e desviados para o mercado interno. Já na precitada Intimação de fl. 12, o agente fiscal consigna as seguintes determinações: Ressalvar campo 27, 31, 32 e 38 do Manifesto de Carga em anexo tendo em vista a inconformidade de mercadoria apresentada em relação ao manifestado (identificados: 10 pallets declarados: 10 pallets e 11 bobinas peso declarado: 24.380 peso apurado: 14.370); Apresentar carta de correção para o CRT em epígrafe; Apresentar Nota Fiscal de entrada para regularização do saldo; Recolher multa com base no art. 490 Inc. II do Decreto no. 4.544 de 26/12/02 (Lei no. 4.502, de 1964, art. 83, e DecretoLei no. 400, de 1968, art. lo., alteração 2a.) Assim, do momento em que o fiscal determina a correção dos documentos envolvidos, denota a percepção de erro ensejando os devidos acertos, inclusive com a elaboração de nota de entrada visando a regularização do saldo. Nessa toada, tendo em vista que toda a documentação fora devidamente retificada, não se verifica a emissão de “nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente”, como determina a norma, sendo, portanto, indevida a aplicação da multa imposta. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11075.001146/200619 Acórdão n.º 3301000.851 S3C3T1 Fl. 167 6 Por outro lado, conforme alega a interessada, as mercadorias constantes das notas fiscais foram devidamente recepcionadas pelo transportador, conforme atesta o Conhecimento de Transporte Internacional por Rodovia – CRT, à fl 21. Destarte, vez que a carga fora devidamente recebida pelo transportador, não ocorrera a emissão de “nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente”, Assim, tendo em vista que o transportador atestou ter recebido as mercadorias em conformidade com as notas fiscais emitidas, sobretudo em relação ao peso consignado, sobre este deveria ter sido aplicada a sanção cabível, sendo, portanto, indevida a multa imposta, consubstanciada no presente auto de infração. Pelas razões precitadas, fica prejudicada a análise dos demais argumentos apresentados pela interessada. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 175DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
