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Numero do processo: 18471.000123/2004-00
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Ementa: RECURSO DE OFÍCIO - IRPJ E CSLL - LANÇAMENTO DE DESPESAS OPERACIONAIS NECESSÁRIAS - DEDUÇÃO NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL - Da exegese do art. 299 da RIR/99 extrai-se que são consideradas despesas operacionais necessárias os dispêndios realizados pela sociedade em conformidade com seu objeto social.
Numero da decisão: 105-16.926
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-14T12:05:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-14T12:05:24Z; Last-Modified: 2009-07-14T12:05:24Z; dcterms:modified: 2009-07-14T12:05:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-14T12:05:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-14T12:05:24Z; meta:save-date: 2009-07-14T12:05:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-14T12:05:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-14T12:05:24Z; created: 2009-07-14T12:05:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-14T12:05:24Z; pdf:charsPerPage: 1249; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-14T12:05:24Z | Conteúdo => 1 É o . , P CCOI/CO5 Fls. 1 ,ilftlà.,:44, MINISTÉRIO DA FAZENDA 'N t` ‘;',:.: rt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° 18471.000123/2004-00 Recurso n° 162.364 De Oficio Matéria IRPJ e OUTRO - EX.: 2001 Acórdão n° 1 05 - 1 6.926 Sessão de 16 de abril de 2008 Recorrente 3 TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I Interessado UNIVERSAL MUSIC LTDA. Ementa: RECURSO DE OFÍCIO - IRPJ E CSLL - LANÇAMENTO DE DESPESAS OPERACIONAIS NECESSÁRIAS - DEDUÇÃO NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL - Da exegese do art. 299 da RIR/99 extrai-se que são consideradas despesas operacionais necessárias os dispêndios realizados pela sociedade em conformidade com seu objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que pass. a • • egrar o presente julgado. ,IP ) Cf LÓVIS A ES residente / ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Relator Formalizado em: 3 O MAL 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, IRINEU BIANCHI, WALDIR VEIGA ROCHA e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. Ausentes, momentaneamente os Conselheiros MARCOS RODRIGUES DE MELLO e LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA. i .5 • Processo n° 18471.000123/2004-00 CCO I/CO5 Acórdão n.° 105-16.926 Fls. 2 Relatório Trata o presente feito de recurso de oficio interposto contra a decisão da 3' Turma da DRJ — Rio de Janeiro/RJ I, que julgou improcedente os Autos de Infração lavrados pela DEFIC/RJO, para a exigência de crédito tributário de IRPJ e de CSLL. Tomamos por empréstimo o relatório proferido pela decisão recorrida: "O lançamento foi efetuado por ter a fiscalização apurado: 1- CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS. Despesas operacionais consideradas não necessárias pela não comprovação da efetividade e da necessidade dos serviços prestados relativamente as Notas Fiscais de Serviços emitidas pelas empresas FAST RIO PRODUÇÕES E MARKETING LTDA., C.N.P.J. n°: 02.374.529/0001- 09 e RASEC PRODUÇÕES E MARKETING S/C LTDA. C.N.P.J. N: 01.090.591/0001-06, sendo esta última cancelada em 30.08.2001, conforme relação anexa, nos totais respectivamente de R$1.722.719,52 e R$1.497.797,30. O enquadramento legal consta dos Autos de Infração. O interessado apresentou, em 19/02/2004, as impugnações de fls. 372/374 e 398/400. Em sua defesa, alega, em síntese que: - as operações foram realizadas no ano de 2000, quando as duas empresas empresas (sic) se encontravam em situação regular; - junta comprovante dos pagamentos, registros contábeis e notas fiscais, que identificam as operações; - a divulgação é elemento essencial para a realização das vendas que se constituem no seu objeto social; - a despesa é necessária; - a fiscalização não justificou a glosa. Encerra solicitando o cancelamento do lançamento." O lançamento foi julgado improcedente, tendo sido ementado da seguinte forma: "Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica —IRPJ Ano Calendário: 2000 GLOSA. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. Cabe ao Fisco fundamentar a pretensão tributária, explicitando as razões gy da glosa. Assunto: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido — CSLL Ano-calendário: 2000 -°72 4- • Processo n° 18471.000123/2004-00 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-16.926 Fls. 3 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula". Foi aviado recurso de oficio pela 3 Turma da DRJ — Rio de Janeiro/RJ I contra sua decisão que julgou improcedente o presente auto de infração, o qual passamos a analisar a seguir. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE ANTONIO ALICMIM TEIXEIRA, Relator Conheço do recurso de ofício proposto em virtude da decisão que julgou improcedente o lançamento efetuado, visto que este é superior à quantia de R$1.000.000,00 (um milhão de reis). A questão restringe-se em saber se os serviços prestados relativamente as Notas Fiscais emitidas pelas sociedades FAST RIO PRODUÇÕES E MAR10ETING LTDA., inscrita no CNPJ sob n°. 02.374.529/0001-09, e RASEC PRODUÇÕES E MARKETING S/C LTDA., inscrita no CNPJ sob n°. 01.090.591/001-06, nos valores respectivos de R$1.722.719,52 (um milhão setecentos e vinte e dois mil, setecentos e dezenove reais e cinqüenta e dois centavos) e R$1.497.797,30 (um milhão quatrocentos e noventa e sete mil, setecentos e noventa e sete reais e trinta centavos) devem ser considerados despesas operacionais necessárias para fins tributários, ou seja, passíveis de dedução na determinação do lucro real. Primeiramente, cabe analisar o item do Auto de Infração que atesta o cancelamento da inscrição da sociedade RASEC PRODUÇÕES E MARICETING S/C LTDA. do CNPJ. Após uma breve consulta dos autos, constata-se à fl. 158 que referida sociedade teve sua inscrição no CNPJ cancelada em 30/08/2001. Entretanto, conforme se confere nas Notas Fiscais anexadas, os serviços prestados pela sociedade remontam ao ano-base de 2000, período em que a sua situação perante a Secretaria da Receita Federal estava regular, razão pela qual não há ilegalidade a ser apurada no posterior cancelamento. Ademais, as despesas operacionais necessárias, as quais são passives de dedução na determinação do lucro real, estão conceituadas no art. 299 da RIR/99. Dispõe a referida norma, in litteris: "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade empresária e à manutenção da respectiva fonte produtora. §1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. §2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. ' • •• • Processo n°18411.000123/2004-00 CC01/005 Acórdão n.° 105-16.928 Fls. 4 §3° O disposto neste artigo aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem?' Da exegese da citada norma extrai-se que serão consideradas despesas operacionais necessárias, logo dedutíveis do lucro real, os dispêndios usuais ou normais que estejam englobados nas atividades da empresa, ou seja, só serão dedutíveis os gastos efetuados no exercício do objeto social. No caso em tela, o Auto de Infração promoveu o lançamento de oficio das despesas deduzidas na apuração do lucro real pela Interessada, Universal Musica Ltda., por considerá-las despesas operacionais não necessárias, visto que não estariam englobadas no objeto social da sociedade. Entretanto, conforme o certificado pela decisão recorrida, os dispêndios, efetuados com marketing pela Interessada, devem ser considerados despesas operacionais necessárias, vez que se restringiram ao pagamento de serviços imprescindíveis e normais no ramo de negócio explorado pela sociedade, ou seja, foram realizados dentro dos limites de seu objeto social. Diz, o contrato social, ser objeto da empresa: "(a) a produção, comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, contendo sons e/ou sons conjugados com imagens; prensas para fabricação de discos e matrizes, moldes para fitas, bem como de aparelhos para registro e/ou reprodução de sons e/ou sons conjugados com imagens; locação de estúdio de gravação de sons para terceiros; edição e comercialização de obras musicais, literárias e lítero- musicais; sub-edição e representação de obras musicais, literárias e lítero- musicais estrangeiras; criação de "jingles", atividades de relações públicas, promocionais e publicitárias de artistas e de discos fonográficos ou videofonográficos, empreendimentos artísticos e de shows, produtos de comunicação e espetáculos nos setores de música, rádio, televisão, filmes cinematográficos, peças teatrais e publicação literária legítima;" As despesas glosadas encaixam-se perfeitamente no objeto social da Interessada, podendo ser deduzidas na determinação do lucro real, uma vez que é inerente à atividade de produção artística a realização de gastos com marketing e publicidade. Como exemplo, pode-se citar os dispêndios realizados com o anúncio da Rita Lee no Jornal O Globo e anúncio da Simone no Jornal o Globo, conforme consta à fl. 270 dos autos. Neste sentido, este 1° Conselhos de Contribuintes tem o entendimento que "as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pelas atividades das empresas são operacionais, por serem necessárias, normas ou usuais, e portanto, dedutiveis na determinação do lucro real" (Recurso de Oficio e Voluntário n°. 141868, Acórdão n°. 101-95212, Rel. Paulo Roberto Cortez, Data da Sessão 19/10/2005). Além disso, como bem salientou a decisão guerreada, "a falta de discriminação do motivo de terem sido consideradas desnecessárias as despesas inviabiliza a ampla defesa e prejudica o exame do lançamento. 4 • . • Processo n° 18471.000123/2004-00 CC01/CO5 Acórdão n.° 105-18.928 Fls. 5 Diante do exposto, julgo improcedente o presente recurso de oficio, porquanto as despesas operacionais realizadas são necessárias por aterem-se ao objeto social da Interessada. CSLL — Lançamento No que tange ao lançamento do CSLL, por ater-se as mesmas normas do IRPJ, mantenho a decisão recorrida, pelos seus fundamentos, posto que há uma relação de causa e efeito entre o lançamento do IRPJ e o desta contribuição. Desta forma, julgado improcedente aquele, este, também, o será. Sala das Sessões, em 16 de abril de 2008. ALEXANDRE ANTONIO AL1CMIM TEIXEIRA Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001676/2005-52
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL
Ano-calendário: 2002
CSLL - LANÇAMENTO DECORRENTE- A exoneração promovida no valor tributável do Auto de Infração principal implica idêntico reparo no lançamento decorrente, dado o estreito nexo de causalidade existente entre ambos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 101-96.795
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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CCOI/COI• Fls. I / .. e,b1....ks MINISTÉRIO DA FAZENDA ',As' l';:2•:'4" '117 . .----ttr- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES )"--9,1---- PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 18471.001676/2005-52 Recurso n° 161.246 Voluntário Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/ LL - ano-calendário de 2002 Acórdão n° 101-96.795 Sessão de 25 de junho de 2008 Recorrente Peugeot Citroen do Brasil Automóveis Ltda. Recorrida 9° Turma/DRJ no Rio de Janeiro - RJ. I ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Ano-calendário: 2002 Ementa: CSLL - LANÇAMENTO DECORRENTE- A exoneração promovida no valor tributável do Auto de Infração principal implica idêntico reparo no lançamento decorrente, dado o estreito nexo de causalidade existente entre ambos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. NICielANTÔ PRA A PRESIDENTE --"") 11 fi • e-a SANDRA MARIA FARONI RELATORA FORMALIZADO EM: 24 SET 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros VALMIR SANDRI, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, CAIO MARCOS CÂNDIDO JOSÉ RICARDO DA SILVA, 1 Yb- Processo n° 18471 .001676/2005-52 CCOI/C01 Acórdão n." 101-96.795 Fls. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros VALMIR SANDRI, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, CAIO MARCOS CÂNDIDO JOSÉ RICARDO DA SILVA, ALOYSIO JOSÉ PERCINIO DA SILVA e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. 2 Processo n° 18471.001676/2005-52 CCO I /C01 Acórdão n.° 101-98.795 Fls. 3 Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto por Peugeot Citroen do Brasil Automóveis Ltda, em face da decisão da 9' Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro, que julgou procedente o auto de infração lavrado em 29/04/1997 'para exigência Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) do ano calendário de 2002, compreendendo, também, juros de mora e multa por lançamento de oficio. Conforme descrito no Auto de Infração (fl. 06) a infração de que é acusada a empresa consistiu em redução indevida do lucro líquido em virtude de exclusão, não autorizada pela legislação do Imposto de Renda„ no valor de R$ 50.180.078,83 a título de Provisão para Perda de Estoque, computada como parte da Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis (ficha 17 — linha 19). A matéria tributável foi reduzida no valor de R$ 3.305.319,00, em virtude de reversão contábil no próprio ano-calendário e, ainda, de 30% em virtude de existência de bases negativas de períodos anteriores. A impugnação tempestiva do contribuinte originou o litígio, julgado pela 9' Turma da DRJ no Rio de Janeiro que, por meio do Acórdão 12.796, de 15 de dezembro de 2006, manteve integralmente o lançamento, aplicando o principio da decorrência, uma vez que os mesmos fatos deram causa ao lançamento de IRPJ, mantido, nessa parte, conforme Acórdão 9.956, de ,arco de 2006. Ciente da decisão em 30 de março de 2007, a interessada ingressou com recurso em 30 de abril seguinte, na qual informa que o valor de R$ 50.180.087,83, considerado uma exclusão não autorizada, refere-se à reversão de Provisão para Ajuste de peças ao valor de mercado, a qual havia sido, contábil e fiscalmente, realizada no ano-calendário anterior na empresa Peugeot-Citran do Brasil S.A, por ela incorporada. Acrescenta que o mencionado valor foi levado à tributação na Peugeot-Citran do Brasil S.A (adicionado ao lucro contábil), consoante demonstra a DIPJ 2002 anexada. Esclarece que a Peugeot-Citran do Brasil S.A foi incorporada pela Peugeot- Citran do Brasil Automóveis Ltda em 31/10/2002, que sucedeu a incorporada em seus direitos e obrigações, conforme artigo 1116 do CC combinado com o artigo 110 do CTN, estando escorreita a exclusão do lucro liquido de 2003 do valor da provisão anteriormente adicionada. Diz que embora o artigo 13 da Lei n° 9.249/96 (inciso I) a tenha tornado indedutível, não se pode esquecer que a provisão em tela, pela sua natureza, por estar relacionada a estoques ajustados a valor de mercado, poderia, a qualquer momento, ser revertida. Assim, o valor de R$ 50.180.087,83 foi adicionado ao lucro líquido, conforme demonstra a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2002), na ficha 9, linha 22, estando contabilmente registrada pelo documento de n° 0100136804, de 31/12/2001, anexo à impugnação.Deste modo, a reversão no ano-calendário seguinte, procedida pela exclusão de uma provisão não dedutível (DIPJ de 2003 na ficha 09A, Linha 25 — Contabilmente, documento de n° 0100000267, de 31/12/2001, anexo) não constitui ilícito fiscal. 3 Processo n° 18471.001676/2005-52 CCOI/C01 Acórdão n.° 107-96.795 Fls. 4 Aduz que se a CSLL incide sobre a aquisição de renda e proventos, cujo significado é o acréscimo patrimonial; e, sendo a provisão em comento relacionada ao estoque da Empresa, realizada em consonância com a prática contábil, integrando o seu ativo, tem-se que a reversão da provisão em comento em nada afeta a tributação, que apenas pode incidir sobre o acréscimo patrimonial, o que não ocorre na hipótese. Afirma que procedimento de exclusão do lucro líquido da provisão encontra respaldo nas perguntas e respostas relacionadas à DIPJ do ano de 2003 encontrada na página da Secretaria da Receita Federal na Intemet, consoante resposta à pergunta n° 517 bem como pela jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. É o relatório. Voto Conselheira SANDRA MARIA FARONI, Relatora Recurso tempestivo. Dele conheço. O presente processo foi aberto para receber o auto de infração lavrado contra a empresa Peugeot Citroen do Brasil Automóveis Ltda., por meio do qual se exige diferença de CSLL relativa ao ano-calendário de 2002, em razão de redução indevida do lucro líquido em virtude de exclusão, não autorizada pela legislação do Imposto de Renda„ no valor de R$ 50.180.078,83 a título de Provisão para Perda de Estoque, computada como parte da Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis. O valor do principal (contribuição) lançado é de principal de R$ 2.624.986,55 A empresa havia sido autuada em 23/03/2006, ao fim de procedimento de fiscalização levado a efeito para apurar infrações relativas ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica do ano-calendário de 2002, tendo sido lavrados autos de infração do IRPJ e, por decorrência, da CSLL. Uma das irregularidades apontadas naquele processo é a mesma apontada no presente. Impugnados aqueles autos de infração, originou-se o litígio que tramitou no processo n° 18471.001675/2005-16.. No auto de infração da CSLL (lavrado por decorrência), o valor do principal (contribuição) lançado totalizou R$ 4.415,18. Após o julgamento do litígio que tramitou no processo n° 18471.001675/2005- 16, ao remetê-lo ao órgão preparador para dar ciência à interessada, determinou a DRJ "verbis": " encaminhamento DRF/VRA/Safis de fotocópias dos presentes autos e da integra deste Acórdão para que, obedecidas as prioridades daquela Unidade seja iniciada apuração de matéria tributável concernente ao IRPJ e CSLL em face da constatação de que as Reversões de Provisão para perda de Estoque ao valor de mercado nas importâncias de R$ 9.998.416,84; R$ 5.718.000,00; R$ 610.980,77 e R$ 431.817,42 também foram 4 Processo n• 18471.001676/2005-52 CCOI/C01 Acórdão 101 -96.795 Fls. $ excluídas do Lucro Líquido para efeito de apuração do Lucro Real mas sem a comprovação da correspondente reversão contábil, (parágrafos 16 e 17 do voto); bem como da exclusão indevida do Lucro líquido das Provisões para perda de estoque de veículos no valor de R$ 46.874.759,83 que não foi considerada na autuação referente à CSLL" Assim, foi o auto de infração ora em litígio lavrado para constituir diferença contribuição relativa a matéria já tratada no processo n° 18471.001675/2005-16, mas cujo crédito a ela relativo não fora constituído. Analisando a exigência do IRPJ, especificamente sobre a matéria em questão, o voto do Relator, acompanhado por unanimidade pela Turma, assentou:, 18 Por todo o exposto voto no sentido de manter sem reparos a tributação incidente sobre a parcela da Exclusão do Lucro líquido de R$ 46.874.759,83 (R$50.180.078,83 - R$ 3.305.319,00) Ao apreciar a matéria em grau de recurso, esta Câmara confirmou a procedência da acusação, conforme Acórdão 101- 95.899, de dezembro de 2006, e sobre a matéria constou do voto condutor do Acórdão: Quanto ao item 4 do auto de infração, afirmou a interessada que o valor de R$ 50.180.087,83, considerado uma exclusão não autorizada, refere-se à reversão de Provisão para Ajuste de peças ao valor de mercado, a qual havia sido, contábil e fiscalmente, realizada no ano- calendário anterior na empresa incorporada. Informa que o mencionado valor foi levado à tributação na Peugeot-Citran do Brasil S.A (adicionada ao lucro contábil), consoante demonstra a DIPJ 2002. Pondera que, com a incorporação, a Peugeot-Citran do Brasil Automóveis Ltda. sucedeu a Peugeot-Citroên do Brasil S.A em seus direitos e obrigações, estando escorreita a exclusão do lucro líquido de 2003 do valor da provisão anteriormente adicionada. É inquestionável que a pessoa jurídica pode constituir as provisões consideradas necessárias para refletir sua real situação econômico- financeira, devendo, todavia, adicionar ao lucro líquido as provisões consideradas indedutíveis, para efeito de apuração do Lucro ReaL Nesse caso, no período em que ocorrer a reversão contábil da provisão previamente adicionada, o valor revertido pode ser excluído do lucro líquido para apuração do lucro real. Para justificar a exclusão são necessários dos pressupostos: (I) Que quando da constituição da provisão o respectivo valor tenha sido adicionado ao lucro liquido para fins de apuração do lucro real; (2) que tenha ocorrido a reversão contábil da parcela excluída, isto é, que o referido valor tenha sido contabilizado como receita do exercício, o que justifica a exclusão, dado que já ocorrera a tributação quando da constituição da provisão. De acordo com a explicação da Recorrente (fls. 196/196), há uma reversão de provisão para perdas no estoque de veículos constituída por ela própria, no valor de R$ 3.305.319,00, e que compõe o total de r5 . • • Processo n° 18471.001676/2005-52 CCOI/C01 Acórdão n.°101-96.795 Fls. 6 R$31.253.170,65, computado como receita na ficha 05A de sua declaração de 2002. Ainda segundo sua explicação, o valor de R$109.593.659,81, excluído do lucro líquido para apuração do lucro real (Ficha 09A da declaração) , corresponde a reversão de provisões efetuadas pela incorporada e que são revertidas em função de nova constituição, consignada na linha 22 da Ficha 09A. Nesse montante estaria compreendida uma parcela de R$ 50.180.078,83, correspondente a Provisão para Perda de Estoque. Ocorre que não está demonstrada a reversão contábil dessa provisão. O Fisco apurou que a interessada afetou a apuração de resultados do exercício com receitas provenientes da reversão de Provisão para Perdas de Estoque de Veículos no valor de R$ 3.305.319,00. Assim, esse seria o valor máximo que, a esse título, poderia ser excluído do lucro líquido na apuração do lucro real. É elementar que só se pode excluir do lucro líquido o que nele foi computado. Tendo excluído R$ 50.180.078,83, a diferença a maior se caracteriza como exclusão indevida." Os documentos constantes dos autos não permitem vislumbrar a reversão contábil, em 2002, do valor da provisão de R$ 50.180.078,83, como alegado pela Recorrente. Uma vez que a presente exigência repousa nos mesmos fatos já analisados no recurso relativo ao IRPJ, e não havendo nenhuma razão especial para adotar decisão diversa, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, DF, em 25 de junho de 2008 rc__ SANDRA MARIA FARONI 6 Page 1 _0041400.PDF Page 1 _0041500.PDF Page 1 _0041600.PDF Page 1 _0041700.PDF Page 1 _0041800.PDF Page 1
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Numero do processo: 11070.000034/2004-29
Turma: Primeira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Sat Nov 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
EXERCÍCIO: 2002, 2003
LUCROS NO EXTERIOR DISPONIBILIZADOS APÓS DA VIGÊNCIA
DA MP 1.858-6/99. Para os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, a hipótese de incidência da CSLL surge com a publicação do art. 19 da MP n° 2.158-6/99 que, interpretado sistematicamente com a legislação a que se reporta, define como fato gerador da CSLL, para esses casos, o momento da disponibilização do lucro e não o momento da geração desse.
Numero da decisão: 9101-000.468
Decisão: Acordam os membros do colegiado, 1) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional para restabelecer a tributação dos lucros gerados a partir de 1998. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho e Susy Gomes Hoffman que negam provimento nessa parte. 2) Pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional também quanto aos lucros gerados em 1996 e 1997. Vencidos os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffman.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Adriana Gomes Rego
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L858-6199. Para os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, a hipótese de incidência da CSLL surge com a publicação do art. 19 da MI? 2.158-6/99 que, interpretado sistematicamente com a legislação a que se reporta, define como fato gerador da CSLL, para esses casos, o momento da disponibilização do lucro e não o momento da geração desse. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, 1) por maioria de votos, dar provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional para restabelecer a tributação dos lucros gerados a partir de 1998, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos C3uidoni Filho e Susy Gomes Hoffman que negam provimento nessa parte.t pelo voto de qualidade, dar provimentoi) ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional tam ém quanto aos lucros gerados em 1996 e 1997 Vencidos os Conselheiros Alexandre Andra e Lima da Fonte Filho, K arem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Valrnir Sandri Susy Gomes Hoffinan ADRIANA GO ÉS 00 - Relatora.. EDITADO EM: O 9 ABR 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Antônio Praga, Karern Jureidini Dias, Albertina Silva dos Santos Lima, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Adriana Gomes Rego, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Leonardo de Andrade Couto e Susy Gomes Hoffinan (Vice Presidente) Relatório A FAZENDA NACIONAL, recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de fls. 989/995, contra o Acórdão ri° 103-22 178, de 8/11/2006, fls. 957/981, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário impetrado por JOHN DEERE BRASIL S A , nos seguintes termos: CSLL. LUCROS DO EXTERIOR.. =TROAM/IDADE DA NORMA IRIBULÁNA. O artigo 19 da Medida Provisória n° 1858-6, de 29 de junho de 1999, não incide sobre os lucros que tenham sido gerados antes da anterioridade nonagesimal, contada da publicação do ato normativo em referência, ainda que distribuídos posteriormente ao penado de 90 dias de que trata o artigo 195, sç 6°, da Constituição da República Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anos-calendário: 2001,2007 Ementa: DECADÊNCIA, CSSL. Consoante a sólida jurisprudência administrativa, sem a comprovação de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial do direito estatal de efetuar o lançamento de oficia da CSSL é regida pelo artigo 150, § 4°, do CTN EMENTA: JUROS DE MORA. TAXI SELIC. É legitima a utilização da taxa SELIC como índice de juros de mora incidentes sobre débitos tributários não pagos no vencimento, diante da existência de lei que determina a sua adoção, com o respaldo do art.. 161, § 1°, do CTN EMENTA: MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. EMENTA:- INCONSIITUCIONALIDADE DE LEI ARGÜIÇÃO. Se o Constituinte concedeu legitimação ao Chefe Supremo do Executivo Federal para a propositura de Ação Declaratória de Inconstitucionalidade, não há amparo à tese de que as instâncias administrativas poderiam determinar o des cumprimento de atos com força de lei, sob pena de esvaziar o conteúdo do ali, 103, I, da. Constituição da República. Alega a recorrente que o mencionado acórdão contrariou o art. 25 da Lei n° 9,249/95, o art. 2° da Instrução Normativa 38/96, o art. 1° da Lei n° 9.,532/97 e o art.. 19 da MP n° 1.858-6/99, ao considerar que os lucros gerados nos anos-calendário de 1996 a 1998 não poderiam integrar a base de cálculo da CSLL relativas aos anos-calendário de 2001 e 2002, por força do princípio da anterioridade nonagesimal que, aplicado à MP n° 2,158-6/99, implicaria em não tributar lucros anteriores à citada medida provisória. O recurso foi analisado e admitido por meio do Despacho n° 103-0.203/2007, fls. 998/999, o que levou a Contribuinte a apresentar as contrarrazões de fls.. 1 000/1 014, onde 2 CSRF-T 1 El 2 Processo n° 11070 000034/2004-29 Acórdão n " 9101-00468 repisa seu entendimento de que "apenas os lucros gerados a partir de outubro de 1999 estão sujeitos à CSL.", argumentando que a legislação a ser aplicada deve ser aquela vigente ao tempo em que os lucros foram gerados. Pede, por fim, pelo não provimento do reeurso É o relatório, 3 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O recurso é tempestivo e, por atender aos demais pressupostos de admissibilidade, dele também tomo conhecimento à vigência do art. No mérito, a questão posta em análise se resume a uma interpretação quanto 19 da Medida Provisória n°1.858-6/99, que dispôs, verbis: Art. 19.. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitam-se à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os ai-is.. 25 a 27 da Lei n2 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts 15 a 17 da Lei n 9430. de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1' da Lei n 2 9.532, de 1997. Parágrafo único. O saldo do imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros oriundos do exterior, até o limite acrescido em decorrência dessa adição (Nepitei) No caso em comento, são fatos incontroversos que a Recorrida deixou de adicionar, na apuração da base de cálculo da CSLL, nos valores de R$ 1'7.000,000,00 e R$ 14.930 935,29, apurados respectivamente nos balanços de 31/12/2001 e 31/12/2002, relativamente aos lucros auferidos de sua controlada sediada no Uruguai chamada "Silesia Sociedad Anônima", ou seja, não se discute aqui o momento da disponibilização, Também não se discute o momento em que tais lucros foram gerados na subsidiária no exterior, o que ocorreu entre os anos de 1996 a setembro de 1999, conforme resposta dada à Fiscalização às fis 430/435. Analisando essa situação posta, o voto vencedor da decisão recorrida entendeu que não poderiam ser tributados os lucros anteriores à referida MP, por ofensa ao art 195, § 6°, da Constituição Federal Reconheceu que o fato gerador se dá no período da disponibilização, mas concebeu que esse entendimento só pode ser adotado para os lucros formados a partir do momento para o qual já havia a previsão legal de tributação No entanto, ouso discordar desse entendimento porque concebo que o fato gerador do tributo passa a ocorrer quando a lei determina a sua incidência Ou seja, os fatos ocorrem no mundo fenomênico e, a partir do momento em que uma lei os inclui no campo da incidência de um tributo, tem-se a hipótese de incidência do tributo e, portanto, configurado o fato gerador. Ora, antes da vigência do citado art. 19 da MP n° 1.858-6/99, poder-se-ia dizer que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior estavam fora da incidência da CSLL Assim, até a edição dessa MP, os lucros rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior não tinham a aptidão de gerar CSLL devida, não faziam surgir a obrigação tributária relativa à CSLL, pois estavam no campo da não-incidência, muito .Rrnbora esses lucros, rendimentos e ganhos de capital tenham efetivamente ocorrido no exterior 4 Processo n' 11070.000034/2004-29 Acórdão n " 9101-00468 CSIZ,F-T1 Fl.. 3 A partir da vigência desse dispositivo legal, os sujeitos passivos que realizassem os fatos ali descritos, deviam observar as normas emanadas por meio dos artigos 25 a 27 da Lei ri° 9.249/95, 153 17 da Lei IV 9 430/96, e 10 da Lei n°9.532/97.. Analisando, então, o que dispunham essas regras de tributação, tem-se: Artigos 25 a 27 da Lei n°9.249195: Art., 25.. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória n°2158-35, de 2001) § 1 0 Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte. - os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; 11 - caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norte-americanos e, em seguida, em Reais; § 2 0 Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte.: 1 - a_s filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; - os lucros a que se refere o inciso 1 serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, ria proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; - se a pessoa Jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, _sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV - as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pela prazo previsto no ar! , 173 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3' Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil .serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte:. 1 - os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa Jurídica no capital da coligada,. 5 II - os lucros a serei computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do período-base da pessoa jurídica; III - se a pessoa juridica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV - a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada, § 4° Os lucros a que se referem os §§ 2' e 3' serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada § 5' Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6' Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, .sem prejuízo do disposto nos ff 1°, 2° e 3° Art. 26 A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1° Para efeito de determinação do limite fixado no capta, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil,. § 2° Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3° O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norte-americanos e, em seguida, em Reais. Art 27.As pessoas jurídicas' que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior ,',sti;O obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real. 6 Processo n" /1070 000034/2004-29 Acórdão n 9101-00468 CSRF-71. Fi 4 Artigos 15 a 17 da Lei n° 9..430196: Art. 15..4 pessoa jurídica domiciliado no Brasil que auferir, de fonte no exterior, receita decorrente da prestação de serviços efetuada diretamente poderá compensar o imposto pago no país de domicílio da pessoa física ou jurídica contratante, observado o disposto no art. 26 da Lei n' 9.249. de 26 de dezembro de 1995. Lucros e Rendimentos Art, 16 Sem prejuízo do disposto nos art.s. 25, 26 e 27 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão.: 1- considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; - arbitrados, os lucros das filiais, sucursais e controladas-, quando não for possível a determinação de seus resultados, com ob.serviincia das mesmas normas aplicáveis- às pessoas- jurídicas domiciliadas no Brasil e computados na determinação do lucro real. sç' I" Os resultados decorrentes de aplicações financeiras- de renda variável no exterior, em um mesmo país, poderão ser consolidados para efeito de cômputo do ganho, na determinação do lucro real.. § 2° Para efeito da compensação de imposto pago no exterior, a pessoa jurídica; I - com relação aos lucros, deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes-, exceto na hipótese do inciso II do caput deste artigo; 11-fica dispensada da obrigação a que se refere o sç 2" do art. 26 da Lei n° 9.249. de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado.. § 3° Na hipótese de arbitramento do lucro da pessoa jurídica domiciliado no Brasil, os lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior serão adicionados ao lucro arbitrado para determinação da base de cálculo do imposto.. 5ç 4° Do imposto devido correspondente a lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior não será admitida qualquer destinação ou dedução a título de incentivo fiscal. Operações de Cobertura em Bolsa do Exterior Art, 17. Serão computados na determinação do lucro real os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações 7 de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em bolsas no exterior. Parágrafo único.. Á Secretaria da Receita Federal e o Banco Central do Brasil expedirão instruções para a apuração do resultado liquido, sobre a movimentação de divisas' relacionadas com essas operações, e outras que se fizerem necessárias à execução do disposto neste artigo (Incluído pela lei n°11.033, de 2004) Alt, 1° da Lei ri 9 532/97: Art. 1° Os lucros auferidos no exterior; por intermédio de .filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil (Vide Medida Provisória n° 2158-35, de 2001) ,§" 1° Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil. a) no caso de .filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados, b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior c)na hipótese de contratação de operações de mútuo, se a mutuante, coligada ou controlada, possuir lucros ou reservas de lucros; (Incluída pela Lei n" 9.959, de 2000) d)na hipótese de adiantamento de recursos, efetuado pela coligada ou controlada, por conta de venda futura, cuja liquidação, pela remessa do bem ou serviço vendido, ocorra em prazo superior ao ciclo de produção do bem ou serviço. (Incluída pela Lei n" 9.959, de 2000) 5Ç 2° Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considera-se a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior,. b)pago o lucro, quando ocorrer. 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil,. 2, a entrega, a qualquer titulo, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favoNa beneficiária, para o Brasil ou1 1 para qualquer outra praça; V 8 Processo n° 11070 000034/2004-29 Acórdão n ° 9101-00468 CSRF-T1 Fi 5 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliado no exterior., § 3" Não serão dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido os juros, relativos a empréstimos, pagos ou creditados a empresa controlada ou coligada, independente do local de seu domicílio, incidentes sobre valor equivalente aos lucros não disponibilizados por empresas controladas, domiciliadas no exterior.(Redação dada 'ela Medida Provisória n" 2158-35. de 2001) § 4' Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei n" 9.249. de 1995) relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano-calendário subseqüente ao de sua apuração.. § 50 Relativamente aos lucros apurados nos anos de 1996 e 1997, considerar-se-á vencido o prazo a que .se refere o parágrafo anterior no dia 31 de dezembro de 1999. § 62 Nas hipóteses das alíneas "c" e "d" do § 1 o valor considerado disponibilizado será o mutuado ou adiantado, limitado ao montante dos lucros e reservas de lucros passíveis de distribuição, proporcional à participação societária da empresa no País na data da disponibilização,. (Incluído pela Lei n' 9.959. de 2000) .5ç 72 Considerar-se-á disponibilizado o lucro: (Incluído pela Lei n°9.959, de 2000) a) na hipótese da alínea "c" do § 1 12: (Incluída pela Lei n° 9.959, de 2000) 1 na data da contratação da operação, relativamente a lucros já apurados pela controlada ou coligada; (Incluído pela Lei n°9.959. de 2000) 2.. na data da apuração do lucro, na coligada ou controlada, relativamente a operações de mútuo anteriormente contratadas; (Incluído pela Lei n°9.959, de 2000) b) na hipótese da alínea "d" do § l,em 31 de dezembro do ano-calendário em que tenha sido encerrado o ciclo de produção sem que haja ocorrido a liquidação.. (Incluída pela Lei n° 9.959 de 2000) Consta dos autos, à fi 457, na peça impugiatória apresentada pela Contribuinte, que os R$ 1 7.000.000,00 foram disponibilizados em 28/12/2001, por meio de capitalização, e que R$ 14 930 935,29 fo-am disponibilizados em 31/1212002, sob a forma de dividendos distribuídos a ora Reconidall 9 Por conseguinte, tem-se que: 1) Considerando o princípio da anterioridade nonagesimal tão bem tratado pelo voto recorrido, que homenageia a não-surpresa da tributação, se a Medida Provisória n° 1 858-6/1999 foi publicada no Diário Oficial da União no dia 30 de junho de 1999, à luz do art. 195, § 60, da Constituição Federal, sua vigência somente poderia ser considerada a partir de 1° de outubro de 1999. 2) Em relação à CSLL apurada a partir dessa data, não há que se falar em ofensa ao princípio da não-supresa, pois desde junho de 1999, os contribuintes já conheciam a regra de tributação que lhes seria aplicada para esses casos, que estabelecia o momento para se considerar disponibilizado o lucro e sabiam que a CSLL passaria a incidir quando se pudesse subsumir os fatos ocorridos com aqueles descritos na norma. Aliás, por ocasião do Ato Declaratório SRF N° 75/1999 a Secretaria da Receita Federal expressou seu posicionamento sobre o assunto, quando dispôs: Artigo único A incidência da CSLL, segundo as normas de tributação em bases universais, dar-se-á em relação aos lucros, rendimentos e ganhos de capital, auferidos no exterior, disponibilizados, nos termos do art. 1' da Lei n° 9.532, de 1997, a partir de 1 0 de outubro de 1999, e serão computados na base de cálculo dessa contribuição em 31 de dezembro do ano- calendário da disponibilização, observadas as demais normais estabelecidas para o imposto de renda 3) É ponto pacífico que as disponibilizações ocorreram após outubro de 1999 4) Em janeiro de 2001, por meio da Lei Complementar n° 104/01, o art, 43 do CIN foi alterado, passando a vigorar com a seguinte redação: Art. 43_ O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica- - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; 11- de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. sç 1' A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (incluido pela Lcp n° 104. de 10.1_2001) § 22 Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp n° 104, de 10,1.2001) (Negritei) E em agosto de 2001, a legislação sobre o assunto foi alterada, por meio da MP ri° 2.158-35/2001, cujo art. 74 dispôs: Art. 74, Para fim de determinação da base de cálculo do kimposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medid a 10 Processo o' 11070 000034/2004-29 Acórdão n " 9101-00468 CSRF-T1 FL 6 Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizadas para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Paiágrqfo Único. OS lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de .2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor Assim, para os lucros apurados até dezembro de 2001, que é o caso em apreço, considera-se ocorrida a disponibilização antes de 31 de dezembro de 2002, pois antes desta data ocorreu urna capitalização, definida como uma das hipóteses de disponibilização, conforme art, 1°, § 2°, alínea "b", item 4, da Lei tf 9332/97.. Logo, o fato gerador ocorreu, em relação à CSLL, em 31/12/2001, para o evento capitalização, e em 31/12/2002, para a distribuição de dividendos Em face do exposto, manifesto-me por DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer as exigências de CSLL nos telmos em que foram lançadas. É como voto Adriana GOIlles atara I I
score : 1.0
Numero do processo: 10540.722058/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Restando comprovado que os sujeitos passivos tiveram acesso a todos os documentos e elementos de prova constantes dos autos do processo e que os acréscimos legais exigidos foram corretamente calculados e devidamente explicados nos autos de infração, proporcionando-lhes o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa, consideram-se irrelevantes as alegações de cerceamento de defesa.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ALEGAÇÃO INFIRMADA.
É inconsistente a alegação de que os fatos apontados pelas autoridades fiscais deveriam, necessariamente, conduzi-las a direcionar o lançamento para outro sujeito passivo, na condição de contribuinte, haja vista que a infração verificada na empresa fiscalizada foi perfeitamente caracterizada, não cabendo aqui cogitar-se das possíveis repercussões que um hipotético lançamento precedente, caso realizado contra pessoa jurídica distinta, poderia trazer ao presente lançamento.
DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO E CONLUO. ART 173, I DO CTN.
O Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame do fisco, está adstrito à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para lançamento, cinco anos, tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 4° do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação deslóca-se esta regência para o art. 173, I do CTN que prevê como termo inicial do prazo de decadência o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA. ART. 124, I, DO CTN.
A existência de ajustes entre as partes, com intuito de sonegação, fraude e conluio, evidencia o interesse comum de que trata o art. 124, I, do CTN. Nesta situação, o fisco deve vincular as partes na condição de sujeitos passivos solidários pelo crédito tributário resultante.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A comprovação nos autos da existência de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, por parte dos interessados apontados como responsáveis solidários entre si, e de todos em relação ao contribuinte, caracteriza a solidariedade e justifica a reunião das empresas e das pessoas físicas indicadas nos autos de infração no mesmo polo passivo da obrigação tributária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN.
Respondem solidariamente pelos créditos correspondentes à obrigação tributária da pessoa jurídica, os sócios que, na condição de administradores, praticarem atos com excesso de poderes ou infração à lei.
LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. OMISSÃO DE RECEITA NÃO-OPERACIONAL.
O ganho de capital obtido na alienação de bem do ativo imobilizado constitui resultado não-operacional a ser acrescido ao lucro presumido, para efeito de cálculo do imposto de renda, e corresponderá à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil, independentemente de qualquer iniciativa da pessoa jurídica, no sentido de alterar o objeto social da empresa e de transferir o referido bem para o ativo circulante, segundo critérios de sua conveniência, sob a alegação de que seriam destinados à venda.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO.
Os atos ilícitos praticados pelo contribuinte e pelos responsáveis tributários, dentre os quais a simulação, por interposição de pessoa, configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou ainda visando a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar o seu pagamento, demonstrando o objetivo de sonegação de tributos, e sujeitam a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do SELIC está amparada em lei ordinária e não contraria disposições constitucionais.
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento.
Numero da decisão: 1401-001.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência, REJEITAR as preliminares e, no mérito,NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento, mantendo a qualificação da multa. Vencidos os Conselheiros Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório e Aurora Tomazini de Carvalho que desqualificavam a multa de ofício; II) por unanimidade de votos, NEGAR provimento, mantendo a responsabilidade dos sócios. Os Conselheiros Marcos de Aguiar Villas Boas , Ricardo Marozzi Gregório e Aurora Tomazini de Carvalho votaram pelas conclusões; e III) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias de mérito.
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(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência, REJEITAR as preliminares e, no mérito,NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento, mantendo a qualificação da multa. Vencidos os Conselheiros Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório e Aurora Tomazini de Carvalho que desqualificavam a multa de ofício; II) por unanimidade de votos, NEGAR provimento, mantendo a responsabilidade dos sócios. Os Conselheiros Marcos de Aguiar Villas Boas , Ricardo Marozzi Gregório e Aurora Tomazini de Carvalho votaram pelas conclusões; e III) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias de mérito. . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Restando comprovado que os sujeitos passivos tiveram acesso a todos os documentos e elementos de prova constantes dos autos do processo e que os acréscimos legais exigidos foram corretamente calculados e devidamente explicados nos autos de infração, proporcionando-lhes o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa, consideram-se irrelevantes as alegações de cerceamento de defesa. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ALEGAÇÃO INFIRMADA. É inconsistente a alegação de que os fatos apontados pelas autoridades fiscais deveriam, necessariamente, conduzi-las a direcionar o lançamento para outro sujeito passivo, na condição de contribuinte, haja vista que a infração verificada na empresa fiscalizada foi perfeitamente caracterizada, não cabendo aqui cogitar-se das possíveis repercussões que um hipotético lançamento precedente, caso realizado contra pessoa jurídica distinta, poderia trazer ao presente lançamento. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO E CONLUO. ART 173, I DO CTN. O Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame do fisco, está adstrito à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para lançamento, cinco anos, tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 4° do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação deslóca-se esta regência para o art. 173, I do CTN que prevê como termo inicial do prazo de decadência o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA. ART. 124, I, DO CTN. A existência de ajustes entre as partes, com intuito de sonegação, fraude e conluio, evidencia o interesse comum de que trata o art. 124, I, do CTN. Nesta situação, o fisco deve vincular as partes na condição de sujeitos passivos solidários pelo crédito tributário resultante. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A comprovação nos autos da existência de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, por parte dos interessados apontados como responsáveis solidários entre si, e de todos em relação ao contribuinte, caracteriza a solidariedade e justifica a reunião das empresas e das pessoas físicas indicadas nos autos de infração no mesmo polo passivo da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. Respondem solidariamente pelos créditos correspondentes à obrigação tributária da pessoa jurídica, os sócios que, na condição de administradores, praticarem atos com excesso de poderes ou infração à lei. LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. OMISSÃO DE RECEITA NÃO-OPERACIONAL. O ganho de capital obtido na alienação de bem do ativo imobilizado constitui resultado não-operacional a ser acrescido ao lucro presumido, para efeito de cálculo do imposto de renda, e corresponderá à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil, independentemente de qualquer iniciativa da pessoa jurídica, no sentido de alterar o objeto social da empresa e de transferir o referido bem para o ativo circulante, segundo critérios de sua conveniência, sob a alegação de que seriam destinados à venda. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Os atos ilícitos praticados pelo contribuinte e pelos responsáveis tributários, dentre os quais a simulação, por interposição de pessoa, configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou ainda visando a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar o seu pagamento, demonstrando o objetivo de sonegação de tributos, e sujeitam a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do SELIC está amparada em lei ordinária e não contraria disposições constitucionais. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Restando comprovado que os sujeitos passivos tiveram acesso a todos os documentos e elementos de prova constantes dos autos do processo e que os acréscimos legais exigidos foram corretamente calculados e devidamente explicados nos autos de infração, proporcionandolhes o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa, consideramse irrelevantes as alegações de cerceamento de defesa. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ALEGAÇÃO INFIRMADA. É inconsistente a alegação de que os fatos apontados pelas autoridades fiscais deveriam, necessariamente, conduzilas a direcionar o lançamento para outro sujeito passivo, na condição de contribuinte, haja vista que a infração verificada na empresa fiscalizada foi perfeitamente caracterizada, não cabendo aqui cogitarse das possíveis repercussões que um hipotético lançamento precedente, caso realizado contra pessoa jurídica distinta, poderia trazer ao presente lançamento. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO E CONLUO. ART 173, I DO CTN. O Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame do fisco, está adstrito à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para lançamento, cinco anos, tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 4° do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação deslócase esta regência para o art. 173, I do CTN que prevê como termo inicial do prazo de decadência o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA. ART. 124, I, DO CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 20 58 /2 01 2- 04 Fl. 5226DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 68 2 A existência de ajustes entre as partes, com intuito de sonegação, fraude e conluio, evidencia o interesse comum de que trata o art. 124, I, do CTN. Nesta situação, o fisco deve vincular as partes na condição de sujeitos passivos solidários pelo crédito tributário resultante. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A comprovação nos autos da existência de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, por parte dos interessados apontados como responsáveis solidários entre si, e de todos em relação ao contribuinte, caracteriza a solidariedade e justifica a reunião das empresas e das pessoas físicas indicadas nos autos de infração no mesmo polo passivo da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. Respondem solidariamente pelos créditos correspondentes à obrigação tributária da pessoa jurídica, os sócios que, na condição de administradores, praticarem atos com excesso de poderes ou infração à lei. LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. OMISSÃO DE RECEITA NÃOOPERACIONAL. O ganho de capital obtido na alienação de bem do ativo imobilizado constitui resultado nãooperacional a ser acrescido ao lucro presumido, para efeito de cálculo do imposto de renda, e corresponderá à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil, independentemente de qualquer iniciativa da pessoa jurídica, no sentido de alterar o objeto social da empresa e de transferir o referido bem para o ativo circulante, segundo critérios de sua conveniência, sob a alegação de que seriam destinados à venda. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Os atos ilícitos praticados pelo contribuinte e pelos responsáveis tributários, dentre os quais a simulação, por interposição de pessoa, configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou ainda visando a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar o seu pagamento, demonstrando o objetivo de sonegação de tributos, e sujeitam a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do SELIC está amparada em lei ordinária e não contraria disposições constitucionais. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 5227DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 69 3 Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência, REJEITAR as preliminares e, no mérito,NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento, mantendo a qualificação da multa. Vencidos os Conselheiros Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório e Aurora Tomazini de Carvalho que desqualificavam a multa de ofício; II) por unanimidade de votos, NEGAR provimento, mantendo a responsabilidade dos sócios. Os Conselheiros Marcos de Aguiar Villas Boas , Ricardo Marozzi Gregório e Aurora Tomazini de Carvalho votaram pelas conclusões; e III) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias de mérito. . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 5228DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 70 4 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 15 032.916, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SalvadorBA. Adoto o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de Autos de Infração, referentes a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2007 a 2010, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, às fls. 03 a 18, no valor de R$10.566.139,25 (dez milhões, quinhentos e sessenta e seis mil, cento e trinta e nove reais e vinte cinco centavos); e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, às fls. 19 a 34, no valor de R$3.636.356,13 (três milhões, seiscentos e trinta e seis mil, trezentos e cinquenta e seis reais e treze centavos); acrescidos da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e de juros de mora. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente da apuração de ganho de capital, em função de omissão de receita nãooperacional, relativo ao 3° trimestre de 2007, 3° trimestre de 2008, 2° trimestre de 2009 e 2° trimestre de 2010, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. O enquadramento legal aponta infração ao art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995, art. 25 da Lei n° 9.430, de 1996; e arts. 521, 522 e 528 do RIR/1999. O Auto de Infração relativo à CSLL, em virtude de falta de recolhimento dessa contribuição, decorreu dos mesmos fatos geradores indicados no Auto de Infração de IRPJ. O enquadramento legal do Auto de CSLL aponta infração ao art. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pelo art. 2° da Lei n° 8.034, de 1990, e 3°, com a redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727, de 2008; arts. 2° e 24, §2°, da Lei n° 9.249, de 1995, com as alterações introduzidas pela MP n° 449, de 2008, e pelo art. 29 da Lei n° 11.941, de 2009; art. 29, inciso II, da Lei n° 9430, de 1996; art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002; e art. 22 da Lei n° 10.684, de 2003. No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 35 a 75, os Autuantes declaram, em síntese, que: I. A AÇÃO FISCAL a ação fiscal abrangeu o período de 01/2007 a 12/2010 e, após as improfícuas tentativas de intimação por via postal, a Biopar foi cientificada do Termo de Início do Procedimento Fiscal por Edital, em 04/11/2011. Os sócios foram comunicados das tentativas de localizar a empresa e do início da fiscalização pelo edital, tomando ciência do respectivo Termo e do Termo de Constatação Fiscal n° 0001, de 09/11/2011, nas seguintes datas: 1. Agropecuária Seival Ltda., em 16/11/2011; 2. Gado Bravo Administração e Fl. 5229DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 71 5 Participação Ltda., em 10/11/2011; e 3. Eduardo Antônio Parera Sá, em 14/11/2011; constatouse que a empresa não mais funcionava no endereço cadastrado na Receita Federal, que foi alterado para Rua 05, s/n, Sala 05, Quadra 23, lote 12, Vila Rosário, BR020, Km 0, CEP 47.650000, Centro, Correntina, Ba, que é o endereço do escritório, uma vez que a Biopar não desenvolve mais atividades operacionais. Informou o Sr. Eduardo Sá, sócioadministrador, que mesmo no novo endereço pode não haver funcionários para receber correspondências. Por isso, requereu que estas sejam encaminhadas para a Rua Furriel Luiz Antônio Vargas, 250, conjunto 1401, Bairro Bela Vista, Porto Alegre, RS, CEP 90.470130, endereço do escritório dele e da controladora da fiscalizada, a empresa Gado Bravo, conforme resposta do diretor da Agropecuária Seival, o mesmo Sr. Eduardo Sá, em 16/11/2011; então, o envio de correspondências para o novo endereço foi precedido de comunicação àquele sócio, para que ele providencie alguém para atender aos Correios, o mesmo ocorrendo com relação à Agropecuária Seival, que também não está desenvolvendo atividade operacional e cujo endereço é Padre Trajano, 752, Centro, Posse GO, CEP 73.900000. De fato, quando não tomada essa precaução, algumas intimações remetidas à Agropecuária Seival foram devolvidas pelo motivo "Ausente". Assim, esse Termo será remetido, por AR, ao endereço declarado à RFB e aos endereços das pessoas ligadas, qualificadas responsáveis solidárias no Tópico II, a seguir. Por conseguinte, a ciência da Biopar será considerada na data do recebimento do AR, no endereço indicado pelo Sr. Eduardo Sá; ressaltese que no Termo de Constatação Fiscal n° 003, a Agropecuária Seival foi cientificada, em 02/08/2012, de que seria lançada contra ela a infração fiscal aqui caracterizada, visto que considerada não oponível ao Fisco a personalidade jurídica da Biopar, diante das provas disponíveis até aquele momento, que indicavam a falta de outro propósito para constituição dessa última pessoa jurídica, senão o de ter alienado a Fazenda Gado Bravo (imóvel que pertenceu à Agropecuária Seival por quase 20 anos), sem tributação do ganho de capital. Porém, apresentaram as pessoas jurídicas e físicas aqui responsabilizadas elementos que indicam um propósito inicial para a constituição da Biopar. As provas relevantes foram apresentadas já no final de setembro de 2012 e, embora não tenham afastado a constatação da infração fiscal, direcionaram o lançamento para o sujeito passivo Biopar e a responsabilização solidária das pessoas ligadas, conforme o Tópico seguinte; II. DA SOLIDARIEDADE PASSIVA os fatos e infrações relatados neste Termo foram praticados, concatenadamente, no interesse comum, com a interveniência e em benefício preponderante das pessoas ligadas citadas abaixo, que se beneficiaram dos ganhos econômicos e da sonegação fiscal caracterizada e que, por isso, são solidariamente responsabilizadas, nos termos do inciso I do art. 124 e do inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN): 1. Gado Bravo Administração e Participação Ltda.; 2. Agropecuária Seival Ltda.; 3. Eduardo Antônio Parera Sá; 4. Luís Carlos Echeverria Piva; Fl. 5230DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 72 6 a infração principal trata do nãooferecimento à tributação do ganho de capital auferido com a alienação da Fazenda Gado Bravo. Esse ganho foi incluído astuciosamente na receita bruta da atividade para ter incidência de menor carga tributária. As pessoas jurídicas, além de sócias e de possuírem interesses comuns, atuaram como grupo econômico, declarando objeto social similar. As pessoas físicas atuaram efetivamente na prática da infração à legislação tributária configurada, beneficiandose economicamente dela, direta ou indiretamente. A Biopar, em toda a sua existência, só realizou um único negócio: a alienação da Fazenda Gado Bravo fato gerador do ganho de capital não tributado. Os ganhos financeiros oriundos dessa venda foram transferidos imediata e integralmente aos sócios. III. DOS FATOS QUE ENSEJARAM O LANÇAMENTO DA BIOPAR S/A A Biopar, constituída em 19/12/2006, com capital social de R$20.000,00, tinha como objeto social: "participação no capital de outras sociedades; exploração de atividade agroindustrial, com objetivo de produção de produtos agrícolas, seu beneficiamento e comercialização; geração e exploração comercial de energia alternativa; importação ou exportação". Em 29/08/2007, a AGE alterou o objeto social, retirando "importação e exportação" e incluindo "compra de bens imóveis e arrendamento de terras, máquinas e outros bens, para exploração pecuária e agrícola". O quadro acionário inicial era: SÓCIO QTDE. DE AÇÕES PARTICIPAÇÃO EDUARDO ANTÔNIO PARERA SÁ 4.000 20% LUÍS CARLOS ECHEVERRIA PIVA 4.000 20% GADO BRAVO ADM. E PART. LTDA. 12.000 60% em 20/04/2007, a AGE deliberou o aumento do capital social para R$549.243,00, mediante a emissão de 529.243 ações. O aumento foi subscrito e integralizado pela Agropecuária Seival, com uma área de terra denominada Fazenda Gado Bravo. A ata da assembleia foi registrada na Junta Comercial em 04/09/2007. Em 21/05/2007, a Agropecuária Seival alienou as suas 529.243 ações para o sócio Luís Carlos Piva, que transferiu, em 22/06/2007, 427.393 ações para a Gado Bravo e 50.925 ações para o sócio Eduardo Sá (essa alienação foi registrada na contabilidade da Agropecuária Seival, como ocorrida no mesmo dia 21/05/2007). Após estas alterações, a composição acionária da Biopar ficou a seguinte: SÓCIO QTDE. DE AÇÕES PARTICIPAÇÃO EDUARDO ANTÔNIO PARERA SÁ 54.925 10% LUÍS CARLOS ECHEVERRIA PIVA 54.925 10% GADO BRAVO ADM. E PART. LTDA 439.393 80% a Gado Bravo tem a seguinte composição acionária: SÓCIO QTDE. DE AÇÕES PARTICIPAÇÃO EDUARDO ANTÔNIO PARERA SÁ 160.000 80% Fl. 5231DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 73 7 PAULA GUEDES SÁ 40.000 20% a Agropecuária Seival possui o seguinte quadro societário: SÓCIO QTDE. DE COTAS PARTICIPAÇÃO EDUARDO ANTÔNIO PARERA SÁ 65.885.202 99,97% LEONARDO LEITE MACHADO 19.772 0,03% III.2 DA AQUISIÇÃO E ALIENAÇÃO DA FAZENDA GADO BRAVO em sentença de 13/07/2006, a Juíza de Direito da Comarca de São Desidério julgou procedente a ação de usucapião, declarando o domínio da Agropecuária Seival sobre a área da Fazenda Gado Bravo (há mais de 10 anos), determinando a matrícula do referido imóvel no respectivo Cartório. O imóvel tinha matrícula anterior de n° 11.670, na Comarca de Barreiras/Ba, que remontava a 20/10/1989, em que já constava como titular a Agropecuária Seival. O próprio sócio e diretor Eduardo Sá informa, no processo que culminou no reconhecimento da posse da fazenda, que em 28/02/1991 a matrícula n° 0687 tinha sido aberta, no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de São Desidério, referente à área de 12.000 hectares, subdivida em 3 glebas. Entretanto, ambos os registros foram cancelados por sentença judicial, conforme processo de 1.164/90, em 02/08/2003 (vide resposta do sócio Luís Carlos Piva, de 31/07/2012); e para provar a posse do imóvel por cerca de 18 anos (desde 1989) e regularizar o título da propriedade por sentença judicial na ação de usucapião, a titular acostou, em quase 1.000 folhas, em 5 volumes, provas da dita posse e da utilização produtiva do imóvel rural (vide processo de usucapião). A Agropecuária Seival registrou a Fazenda Gado Bravo em seu "Ativo Permanente Imobilizado Imóveis". Em 20/04/2007, a fazenda foi utilizada para integralizar capital na Biopar, que a registrou no "Ativo Permanente Imobilizado Imóveis (1.3.2.01.00015 Terras Rurais)" e, em 30/08/2007, transferiu para o "Ativo Circulante Estoques (1.1.3.02.00019 Terras a Comercializar)". Em 21/09/2007, a Fazenda Gado Bravo foi alienada pela Biopar à Agrícola Xingu; III.3 DA INFRAÇÃO A Biopar foi constituída em 19/12/2006 e não auferiu receita da atividade até o mês de agosto de 2007. A empresa sempre optou pelo lucro presumido. Em 20/04/2007, recebeu a Fazenda Gado Bravo em integralização de capital, pelo valor de R$529.243,00. Em 29/08/2007, alterou seu objeto social, incluindo a atividade de "compra de bens imóveis e arrendamento de terras, máquinas e outros bens, para exploração pecuária e agrícola". Em 21/09/2007, alienou a Fazenda Gado Bravo à Agrícola Xingu, pelo valor de R$38.115.000,00, com base no valor da saca de soja em 2007. O recebimento foi parcelado nos anos de 2007 a 2010, totalizando R$46.515.000,00, sendo: R$ 11.655.000,00 em 21/09/2007; R$4.275.000,00 em 14/07/2008; R$ 4.275.000,00 em 14/07/2008; R$ 4.275.000,00 em 14/07/2008; R$4.275.000,00 em 14/07/2008; R$ 10.320.000,00 em 17/06/2009; e R$7.440.000,00 em 21/06/2010. A Biopar escriturou a receita da venda como sendo de sua atividade e apurou IRPJ e CSLL com base no Fl. 5232DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 74 8 lucro presumido, incidindo nos percentuais de presunção de 8% e 12%, respectivamente. Os valores de faturamento declarados em DIPJ são exatamente os valores pagos pela Agrícola Xingu pela compra do imóvel rural; os fatos relatados a seguir mostram que o procedimento adotado pelo contribuinte infringiu a legislação tributária, reduzindo indevidamente a base de cálculo dos tributos incidentes sobre o ganho obtido com a alienação do imóvel. A Biopar, desde que foi constituída, realizou uma única operação: a venda do referido imóvel rural que, desde o ano de 1989, pertenceu à Agropecuária Seival. A Biopar não realizou nenhuma das atividades declaradas de seu objeto social, não apresentando continuidade operacional, habitualidade (que caracteriza a realização de atividade empresarial). A alienação do único bem do seu ativo imobilizado retiroulhe a capacidade de realizar a maior parte das atividades previstas no seu objeto social, principalmente a atividade declarada como causa primordial de sua criação: "exercer atividade agroindustrial, benefíciamento e comercialização de produtos agrícolas"; a Agropecuária Seival explorou o imóvel rural como bem de capital, desde 1989, gerando no decorrer dos anos substantivo prejuízo fiscal, não sendo a mera operação contábil de transferência do ativo permanente para o ativo circulante que desnaturaria a essência do bem e da operação. Seus representantes declararam que a transferência da Fazenda Gado Bravo para a Biopar, em subscrição de aumento de capital nesta sociedade, visava atrair investidores para implantar um polo industrial de produção de biocombustíveis, (resposta do sócio Luis Carlos Piva, de 31/07/2012; resposta do sócio Eduardo Sá de 09/08/2012; e resposta da Agropecuária Seival de 09/08/2012). Alegaram, porém, que o propósito foi frustrado e o imóvel foi vendido para a Agrícola Xingu, em 21/09/2007, que o adquiriu juntamente com os projetos industriais (Resposta da Biopar de 09/08/2012 e 05/09/2012). Está claro que a Fazenda Gado Bravo sempre foi utilizada como bem do Ativo Imobilizado, inicialmente na Agropecuária Seival e depois na Biopar, onde foi destinada ao desenvolvimento de seu objeto social primário. Versão preliminar de Plano de Negócios, de abril/2007, para implantação da Biopar Agroempreendimento Etanol 1a e 2a fases Oeste da Bahia, elaborado pela consultoria SUCRANA, da qual transcreve introdução, deixava claro que um dos objetivos do negócio era produzir álcool anidro para exportação ao Japão antes da alienação da Fazenda Gado Bravo, a Biopar alterou seu contrato social, com o fim de reduzir indevidamente a carga tributária sobre o ganho de capital obtido. É certo que antes mesmo da data da assembléia (29/08/2007) que mudou o objeto social da Biopar, já estavam em vias de conclusão as negociações de alienação para a Agrícola Xingu da propriedade rural integralizada na Biopar, tendo em vista que o negócio foi formalizado menos de um mês depois. É razoável supor que uma negociação de tal complexidade exige tempo maior para se concluir. Corroboram essa constatação os documentos obtidos dos sócios da Biopar, como: a resposta escrita da Biopar de 09/08/2012; o Termo de Compromisso de Sigilo encaminhado à Petrobrás e à MITSUI & CO LTD, de 09/04/2007 (data Fl. 5233DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 75 9 anterior à transferência do imóvel da Agropecuária Seival para a Biopar); a Versão Preliminar de Plano de Negócios, de abril/2007; Avaliação de Projetos Greenfield* da Biopar. *GreenfieldProject: referese a um projeto que está sendo concebido e executado onde não existe atualmente uma organização empreendedora, ativa ou em operação. Um greenfield site é um local onde não existe infraestrutura presente para suportar o projeto. Termo utilizado para descrever uma área de terra em que nenhuma infraestrutura foi construída, porém existe um projeto para que seja feita uma obra no local. também em resposta ao Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 0001, o sócio Eduardo Sá esclareceu: "Foram desenvolvidas atividades objetivando a captação de investidores, inclusive com a apresentação do projeto para órgãos oficiais, objetivando sua inclusão no programa de produção de etanol voltado para a exportação. Em meados de 2007, a Agrícola Xingu, com o propósito de ampliar os investimentos na região, em associação com importantes grupos internacionais, tendo por objetivo a produção de biocombustíveis, apresentou proposta de aquisição do projeto desenvolvido". chama atenção o relato de que a Agrícola Xingu estava associada a "importantes grupos internacionais". Dentre esses grupos internacionais que refere, a Agrícola Xingu, adquirente da Fazenda Gado Bravo, era ligada à Mitsui. O sócio Luís Carlos Piva (em resposta escrita de 31/07/2012, ao Termo de Intimação Fiscal n° 002 de 20/07/2012) relata que os contatos com a Mitsui não prosperaram: "Ao mesmo tempo em que desenvolveram estudos no sentido de apresentar a área situada na região Oeste da Bahia, como própria para viabilizar a cultura canavieira e a implantação de um pólo bioenergético, voltado para a produção de etanol e a geração de energia termoelétríca, seja pelo relativamente baixo custo da terra até então, seja pela disponibilidade de potencial hídrico para a irrigação que possibilitava a obtenção de produtividades médias anuais não inferiores a 140 toneladas de cana por hectare, caracterizando a região como a de maior atratividade para a expansão da cultura canavieira, buscavam os empreendedores os necessários parceiros para o empreendimento, mas não obtiveram êxito nisso. Nesse sentido, são de destacarse os contatos mantidos com a PETROBRÁS e a MITSUI & CO.LTD., que levaram, inclusive, à assinatura de um Termo de Compromisso de Confidencialidade, encaminhado àquelas em 10/04/2007, mas que não prosperaram" . porém, não se pode dizer que as negociações com a Mitsui foram totalmente frustradas. O Termo de Compromisso de Sigilo, de 09/04/2007 (elaborado antes da transferência da Fazenda Gado Bravo da Agropecuária Seival), encaminhado pela Biopar à Petrobrás e à Mitsui, demonstra tratativas comerciais com essas empresas, desde aquela data. Conforme organograma que apresenta, a Mitsui (Japão), na época, já era uma das controladoras indiretas da Agrícola Xingu, adquirente da Fazenda Gado Bravo (Fonte: Parecer Técnico n° 06581/2007/RJ COGCE/SEAE/MF, de 18/10/2007 Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) da Secretaria de Defesa Econômica do Ministério da Fazenda (MF) no Ato de Concentração Fl. 5234DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 76 10 n° 08012.012389/200793). De fato, os adquirentes da Fazenda Gado Bravo levaram adiante o projeto de instalação de usina de álcool: "Data: 14/11/2007' Multigrain* constrói destilaria na BA Representantes da Multigrain AG (joint venture entre a brasileira PMG Trading, a cooperativa americana CHS e a japonesa Mitsui) reuniramse ontem com o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), para anunciar o projeto de instalação de uma usina de etanol de canadeaçúcar na região oeste do Estado. A unidade terá capacidade para processar 6 milhões de toneladas de canadeaçúcar, segundo informou Paulo Garcez, presidente da Multigrain, após a reunião com o governador. Quando chegar à sua capacidade máxima de operação, a usina deverá produzir em torno de 300 milhões de litros de etanol por ano, segundo cálculo de analistas do setor, que estimam para o projeto investimento próximo a USS 400 milhões. Para garantir a oferta de matériaprima própria, a empresa adquiriu 100 mil hectares de terras no oeste da Bahia, em Minas Gerais e no Maranhão, conhecidas como Fazendas XinguAgri. Do total, 80 mil hectares estão no oeste baiano onde ficará localizada a usina e as lavouras de cana. Outros 10 mil hectares ficam em terras no oeste de Minas e os 10 mil restantes, no sul do Maranhão. As terras serão destinadas à produção de cana, soja, algodão e milho. Segundo informou a Mitsui por meio de sua assessoria, a empresa investiu aproximadamente US$ 90 milhões neste semestre para adquirir 25% de participação acionária na Multigrain e para a aquisição das terras. Esse é o primeiro investimento da trading japonesa em terras desde o fim da Segunda Grande Guerra. O projeto faz parte dos planos da Multigrain de faturar US$ 1,2 bilhão em 2008, ante US$ 800 milhões neste ano. Fonte: Valor Econômico" * A Agrícola Xingu S/A é subsidiária integral da Multigrain. O grupo tem como sócios a Mitsui (Japão), CHS Inc (uma das maiores cooperativas de alimentos dos Estados Unidos) e PMG Trading S/A (Brasil). a conclusão a que se chega é que os proprietários da Fazenda Gado Bravo, malgrado o projeto de produção de biocombustível, resolveram alienar o imóvel. E que as tratativas para o negócio iniciaram antes de abril de 2007. A alienação foi precedida de alterações societárias, feitas com o intuito de reduzir a carga tributária incidente sobre o ganho de capital. Cabe relembrar os atos levados a cabo pelos proprietários da Fazenda Gado Bravo: 1. Em 19/12/2006: criação da empresa Biopar; 2. Em 09/04/2007: Termo de Compromisso de Confidencialidade, encaminhado pela Biopar à Petrobrás e à Mitsui, com tratativas comerciais entre as empresas; 3. Em 20/04/2007: integralização de capital na Biopar, feita pela Agropecuária Seival com a Fazenda Gado Bravo; 4. Em 29/08/2007: alteração do objeto social da Biopar, incluindo a atividade de compra de bens imóveis e arrendamento de terras, máquinas e outros bens, para exploração pecuária e agrícola; 5. Em 21/09/2007: alienação da Fazenda Gado Bravo à Agrícola Xingu (controlada indireta da Mitsui); Fl. 5235DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 77 11 como se vê, no desiderato de alienar a fazenda em condições tributárias artificiais mais favoráveis, a Biopar mudou seu objeto, excluindo "importação e exportação" e incluindo "compra e venda de bens imóveis e arrendamento de terras, máquinas e outros bens, para exploração e agrícola", em AGE de 29/08/2007, registrada em 08/10/2007. Com essa nova estrutura, a empresa realizou a venda do imóvel integralizado, e já que tal atividade passou a estar em seu objeto social, tributoua pelo lucro presumido, como receita operacional. Só um detalhe revelador: o registro na JUCEB se deu em 08/10/2007, após a comercialização do imóvel que se deu em 21/09/2007. A alteração contratual relativa à mudança do objeto social registrada em 08/10/2007 só produz efeitos a partir dessa data, mesmo tendo sido assinada com data de 29/08/2007. Nesse sentido, a Lei n° 8.934/94, que dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, assim estabelece: Art. 32. O Registro compreende: II o Arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; [...] Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na Junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. [Grifamos]. assim, quando da operação de venda, registraramna como se fosse de uma das atividades operacionais da Biopar a atividade de compra e venda de imóveis, entretanto, foi inserida no objeto social menos de um mês antes da venda do imóvel, mas só registrada após a realização da venda. Portanto, mesmo no campo formal, a alteração do objetivo social só produziu efeito em 08/10/2007, depois da venda da Fazenda Gado Bravo, que ocorreu em 21/09/2007, conforme o respectivo contrato de compra e venda. Não obstante, mesmo que a formalidade tivesse sido cumprida tempestivamente, a simples alteração no objeto social da sociedade não basta para caracterizar a alienação de bens do Ativo Imobilizado como operação imobiliária, pois tal atividade é caracterizada pela prática empresarial relativa ao desmembramento, loteamento, incorporação imobiliária, a compra e a construção de imóveis destinados à venda, atividades estas que a Biopar nunca realizou. E, de acordo com a redação então vigente do art. 179, IV, da Lei n° 6.404/76, os bens destinados à manutenção das atividades das empresas devem ser classificados como ativo permanente imobilizado; a Receita Federal já se pronunciou sobre o assunto por meio do Parecer Normativo CST n° 3/1980 (transcreve conclusão). Assim, a simples intenção de venda do imóvel não basta para contabilizálo no ativo circulante. A propósito, Resolução do Conselho Fl. 5236DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 78 12 Federal de Contabilidade n° 1.025/2005 (DOU 09/05/2005) é expressa no sentido de que os ativos tangíveis mantidos por uma entidade para uso "na produção ou na comercialização de mercadorias ou serviços, para locação, ou para finalidades administrativas" devem ser contabilizados no ativo imobilizado (parágrafo 19.1.2.4); devem ser baixados quando alienados (parágrafo 19.1.9.1, alínea "a"); e "os ganhos ou perdas decorrentes da baixa de um item do ativo imobilizado devem ser reconhecidos no resultado nãooperacional quando o item for baixado" (parágrafo 19.1.9.2); o que a Biopar de fato alienou foi imóvel rural do seu Ativo Imobilizado, obtendo receita nãooperacional a ser acrescida, depois de deduzido o custo de aquisição, ao lucro presumido para apuração dos tributos incidentes (IRPJ e CSLL), e não receita operacional, sobre a qual incide o percentual de presunção, para determinar a base de cálculo dos tributos. Deuse à operação a aparência de outra: de receita de atividade típica do objeto social oportuna e astuciosamente alterado, para incluir a "compra e venda de imóveis", de forma a enquadrar a transação em situação tributária menos onerosa, com transmutação do bem em mercadoria (bem de ativo circulante), que, entretanto, era o único bem que constituía o patrimônio da Biopar, bem de raiz, destinado à atividade principal para a qual foi constituída a sociedade, qual seja, a exploração do imóvel para agroindústria sucroalcooleira; com isso, a operação foi tributada em montante reduzido, pelo lucro presumido, em vez de se submeter à tributação do ganho de capital auferido, em observância à real natureza da operação e do imóvel. Assim, a Biopar recolheu valores bem inferiores aos que realmente devia: cerca de 2% dos valores recebidos a título de IRPJ e 1,08% de CSLL, pelo regime do lucro presumido; contra 25% e 9%, respectivamente, se tivesse sido tributado o ganho de capital. Desta forma, observouse que a sequência, a dinâmica e o resultado final dos atos e negócios engendrados confluíram para a não tributação do ganho de capital (receita nãooperacional) decorrente da alienação do imóvel rural integrante do ativo imobilizado da Biopar. Fazse necessária a recomposição da base de cálculo do IRPJ e CSLL, retirando a alienação da Fazenda Gado Bravo da receita da atividade do contribuinte, e enquadrandoa na devida rubrica, qual seja, ganho de capital (art. 521 do Decreto n° 4.553, de 27/12/2002). IV. DOS FATOS QUE ENSEJARAM A SOLIDARIEDADE PASSIVA DOS SÓCIOS IV.1 Os sujeitos passivos são pessoas ligadas e atuaram como grupo econômico sistematizase, no quadro abaixo, o que já foi informado antes: as sociedades e pessoas físicas são ligadas e constituíram grupo econômico, fato que, de início, já demonstra o interesse comum delas. GADO BRAVO ADM. E PART. LTDA AGROPECUÁRIA SEIVAL LTDA BIOPAR S/A Eduardo Antônio Parera Sá Desde 20/10/1993 Desde 1983 Desde 27/10/2006 Fl. 5237DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 79 13 Luís Carlos Echeverria Piva Desde 27/10/2006 Gado Bravo Adm. e Part. Ltda. Desde 27/10/2006 Agropecuária Seival Ltda. De 21/04 a 21/05/2007 conforme será detalhado mais à frente, nos Tópicos IV.3 a IV.5, a transição para a atual configuração societária foi intermediada pelo sócio Luís Piva, que adquiriu, efemeramente, da Agropecuária Seival as ações e o controle da Biopar, em 21/05/2007, após a integralização do aumento de capital com o imóvel rural (20/04/2007), para repassálo, logo em seguida (em 22/06/2007), para os outros sócios Eduardo Sá e Gado Bravo. IV.2 O ganho financeiro oriundo da venda da FAZENDA GADO BRAVO foi transferido integral e imediatamente aos sócios. os valores recebidos pela alienação da Fazenda Gado Bravo foram imediatamente transferidos pela Biopar para os sócios, pessoas físicas e jurídicas, conforme demonstram as movimentações financeiras e os lançamentos contábeis de distribuição de lucros (reproduz quadros demonstrativos contendo as movimentações financeiras dos anos de 2007 a 2010, bem como o movimento da conta de Resultado do Exercício, no Livro Razão); IV.3 O sócio LUIS CARLOS ECHEVERRIA atuou pessoalmente em fatos que culminaram na infração fiscal a atuação do sócio da Biopar, Sr. Luís Carlos Piva, evidencia sua participação nos atos que culminaram na sonegação da tributação do ganho de capital decorrente da alienação da Fazenda Gado Bravo. Também restou demonstrada a destinação imediata desses ganhos, na proporção de sua participação na Biopar, para o seu patrimônio pessoal, resultando no esvaziamento dos recursos da sociedade Biopar, seja para continuar suas atividades, seja para adimplir qualquer obrigação futura, como a que decorrerá do lançamento deste Auto de Infração. O Sr. Luís Piva, através da sociedade Piva S/C de Advocacia, CNPJ n° 90.856.683/000176, foi e é patrono de diversas causas de interesse das empresas do grupo: Agropecuária Seival, Gado Bravo, do sócio Eduardo Sá, e da própria Biopar (vide notas fiscais/faturas acostadas à correspondência de 31/07/2012, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 002). O próprio Sr. Luís Carlos Piva afirma que prestou diversos serviços de advocacia à Agropecuária Seival, cuja contratação foi formalizada através de Contrato de Prestação de Serviços datado de 30/03/2007 (Resposta ao Termo de Intimação Fiscal 002, de 31/07/2012). Este contrato está assinado por ele e pelo Sr. Eduardo Sá, representando a Agropecuária Seival. Não há reconhecimento das firmas dos signatários; dentre os serviços prestados, propôs a Ação de Usucapião n° 63/2005 para aquisição da titularidade da Fazenda Gado Bravo, acolhida através de sentença datada de 13/07/2006, fato já relatado anteriormente. É defensor ainda da Agropecuária Seival e da Biopar, no Processo n° 524/2009, de 26/06/2009, contestando a ação ordinária de nulidade de sentença, com Fl. 5238DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 80 14 pedido de antecipação parcial de tutela, através da qual os Srs. José Angelini, Sumaia Calil Angelini, Maria Therezinha Raffi Kaysel e o espólio de Antônio Carlos Proença Kaysel requerem a nulidade da sentença promanada na Ação de Usucapião n° 63/2005, em virtude de discussão em outras ações possessórias (n° 109/89, 107/89 e 121/89), de parcela de terra com área de pouco mais de 5 mil hectares (Resposta de Luís Piva, de 27/08/2012, recebida em 06/09/2012). Afirmou que, além dos honorários em dinheiro (R$80.837,00), pactuou com a contratante, Agropecuária Seival, a obrigação desta de alienarlhe, onerosamente, 20% da área objeto de usucapião pelo valor que correspondesse a 20% do valor contábil do imóvel rural. Não houve alienação dos 20% da Fazenda Gado Bravo. Contudo, o Sr. Luís Carlos Piva associouse com os outrora apenas clientes, o Sr. Eduardo Sá e a Gado Bravo e constituíram, em 27/10/2006, a Biopar, com capital inicial de R$20.000,00, do qual subscreveu 20%, correspondente a 4.000 ações; após a transferência da Fazenda Gado Bravo para a Biopar, realizou uma série de operações explicitadas no Tópico IV.4, ao final das quais passou a deter 54.924 ações, proporcional a 10% do capital social. Informou que participou da decisão de utilizar a Fazenda Gado Bravo, usucapida pela Agropecuária Seival, para integralização de aumento de capital na Biopar, conforme Ata da AGE realizada em 20/04/2007, e que o propósito era buscar acionistas com capital, para implementação de projetos de bioenergia na área da Fazenda Gado Bravo, propícia para viabilizar tal projeto. Relata os contatos mantidos nesse sentido com a Petrobrás e a Mitsui (vide correspondência datada de 10/04/2007 para a Petrobrás, na qual foi anexado "Termo de Compromisso de Sigilo" a ser firmado com a Petrobrás e a Mitsui, assinados pelo Sr. Eduardo Sá, e pelo próprio Sr. Luís Carlos Piva documento em que não consta assinatura das contrapartes); IV.4 O sócio LUÍS CARLOS ECHEVERRIA PIVA atuou como interposta pessoa para transferência das ações da BIOPAR, da AGROPECUÁRIA SEIVAL para o Sr. EDUARDO ANTÔNIO PARERA e para a GADO BRAVO ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA transação incomum foi protagonizada por esse sócio. Em 21/05/2007, logo após a transferência da Fazenda Gado Bravo à Biopar (em 20/04/2007), por R$529.243,00, e antes de sua alienação à Agrícola Xingu (em 21/09/2007), 529.243 ações de emissão da Biopar foram transferidas para o Sr. Luís Carlos Piva, por R$717.477,00 (R$ 1,35566649 por ação), sem pagamento, apenas com a constituição contábil de um ativo a receber em favor da Agropecuária Seival (transcreve registro no Diário Geral da empresa). Com isso, a Agropecuária Seival apurou ganho de capital de R$188.234,00, compensado integralmente com o prejuízo da atividade rural acumulado de períodos anteriores. Um mês depois (22/06/2007), segundo declaração do Sr. Luís Carlos Piva (no mesmo dia, em 21/05/2007, conforme contabilizado na Agropecuária Seival), parte dessa dívida (R$641.622,00) foi transferida para a Gado Bravo (lançamento na conta 107140 do 101001 Ativo Realizável a Curto Prazo/107012 Devedores Diversos), restando ao Sr. Luis Carlos Piva saldo de dívida de R$75.855,00. A Gado Bravo, relembrese, é controlada pelo Sr. Eduardo Sá. Fl. 5239DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 81 15 Essa operação correspondeu à contrapartida da transferência de 427.393 ações da Biopar, do Sr. Luís Carlos Piva para a Gado Bravo, ao valor de R$641.622,00 (R$1,50 por ação), mantendo, o Sr. Luis Carlos Piva, 54.925 ações da Biopar (pois 50.925 ações foram transferidas, também no mesmo dia, para o Sr. Eduardo Sá). Transcreve o registro da operação na contabilidade da Agropecuária Seival. Essa operação só foi registrada na contabilidade da Gado Bravo em 22/06/2007; do crédito de R$ 641.622,00, detido pela Agropecuária Seival, contra a pessoa jurídica ligada Gado Bravo (então devedora daquela), R$264.622,00 foram abatidos em 27/12/2007, compensando com empréstimos que esta, que não é sócia, mas controlada por pessoa comum, lhe proveu durante o ano de 2007 (conta 203883 Gado Bravo, integrante da estrutura de contas 200014 Passivo Circulante/203826 Credores Diversos). Restou, então, ao final do exercício de 2007, saldo de dívida da Gado Bravo para com a Agropecuária Seival de R$377.000,00, conforme razão dessa sociedade (transcreve registro). Em 31/12/2008, esse saldo de R$377.000,00 foi extinto contra empréstimos que a Gado Bravo lhe proveu durante o ano de 2008, para quitar suas obrigações. Isso demonstra que, naquele momento, a Agropecuária Seival já descontinuara suas atividades operacionais, como já relatado, tendo suas obrigações adimplidas pelas pessoas ligadas que drenaram os seus recursos financeiros; em 30/10/2007, o saldo da dívida do Sr. Luis Carlos Piva, no valor de R$75.855,00, é extinto, por encontro de contas, com o débito da Agropecuária Seival em favor da sociedade de advogados PIVA S/C ADVOCACIA, configurando confusão das personalidades do sócio da BIOPAR com a da Sociedade de Advogados (transcreve registros). O sócio Luis Carlos Piva (em resposta escrita, de 31/07/2012, ao Termo de Intimação Fiscal n° 002 de 20/07/2012) relata que após os contatos com a Mitsui e a Petrobrás não prosperarem, ele mesmo intentou adquirir, em 21/05/2007, a totalidade das ações da Biopar, pelo valor de R$717.477,00 (transcreve resposta do sócio); IV.5 A sequência de operações realizadas pelo Sr. LUÍS CARLOS ECHEVERRIA PIVA teve o efeito prático de distribuição dos ganhos decorrentes da valorização da FAZENDA GRADO BRAVO, sem tributação, a ele mesmo, e ao sócio da BIOPAR e da AGROPECUÁRIA SEIVAL, o Sr. EDUARDO SÁ (direta e indiretamente através da GADO BRAVO ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA) a estranheza da operação se apresenta pela interposição efêmera do Sr, Luís Carlos Piva, também advogado das demais pessoas, na transferência das ações da Biopar detidas pela Agropecuária Seival para a pessoa jurídica Gado Bravo e para o controlador dessas pessoas jurídicas, Eduardo Sá, em transação, se analisada isoladamente, financeiramente desvantajosa. Mas analisadas em sequência, essas transações conduzem à consecução da infração aqui tipificada, ocultando a sonegação de tributação; o quadro a seguir demonstra a mutação no controle da Biopar: Fl. 5240DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 82 16 Em 27/10/2006 De 20/04 a 21/05/2007 Em 21/05/2007 A partir de 22/06/2007 Eduardo Antônio Parera de Sá Gado Bravo Adm. e Part. Ltda. Luís Carlos Echeverria Piva Agropecuária Seival Ltda. 20% 4.000 60% 12.000 20% 4.000 0% ................ 1 % 4.000 2% 12.000 1% 4.000 96% 529.243 1 % 4.000 2% 12.000 97% 533.243 0% 1 0% . 54.925 80% 439.393 10% 54.925 0% Total de Ações que formam o Capital 100% 20.000 100% 549.243 100% 549.243 100% 549.243 o valor de R$717.477,00, pelo qual, supostamente, o Sr. Luís Carlos Piva adquiriu o controle da Biopar, em 21/05/2012, é superior ao valor de R$529.243,00, pelo qual a Fazenda Gado Bravo foi integralizada ao patrimônio da Biopar, mas é menos da metade de R$1.452.006,00, valor mínimo estimado para as terras rurais, pelos peritos que elaboraram o laudo de avaliação para fins de utilização do imóvel na integralização do capital. Soa ainda mais estranho, sabendose que esse valor foi cerca de 30 vezes inferior ao avaliado na versão preliminar do Plano de Negócios, de abril/2007, para implantação da Biopar Agroempreendimento Etanol 1a e 2a fases Oeste da Bahia, quando fora estimado em R$21.780.000,00 o valor de mercado das terras (em torno de R$1.800,00 por hectare, inferior, portanto, ao valor de mercado de áreas de São Paulo (R$25.000,00 por hectare), Alagoas (R$2.000,00) ou Mato Grosso (R$5.500,00 o hectare)). Essas transações, ainda que tenham ocasionado algum ganho de capital para a Agropecuária Seival (R$188.234,00), indevidamente compensada com prejuízos fiscais da atividade rural de períodos anteriores, foram implementadas em pouco tempo (um mês), desfazendo a aparente irracionalidade negocial relatada, considerandose a monumental assimetria de proveito que cada parte teria, se o negócio fosse mantido como o implementado no primeiro negócio (cessão das ações da Biopar para o Sr. Luís Carlos Piva); não era lógico que o Sr. Eduardo Sá alienasse as ações da Biopar pelo valor de R$717.477,00, sabedor que a Fazenda Gado Bravo, tinha valor estimado de R$21.780.000,00, embora integralizada por valor muito inferior (R$529.243,00). Ainda mais quando declara que, frustradas as negociações para atração de investidores para implantação de projeto industrial de biocombustíveis, que demandariam investimentos elevados (da ordem de R$380 milhões), iniciaramse negociações para alienação do imóvel, em meados de 2007, com a Agrícola Xingu (Resposta de 09/08/2012 da Biopar ao Termo de Ciência e Solicitação de Documentos n° 001, de 19/07/2012). E também porque foi declarado que um fator que contribuiu para que a alienação da fazenda tivesse relevante mais valia foram os licenciamentos e outorgas d'água concedidas ao Sr. Eduardo Sá pelos órgãos oficiais do Estado da Bahia, que viabilizavam o desenvolvimento do projeto de produção de Etanol a partir de cana de açúcar irrigada. Tanto que se fez constar na escritura de compra e venda a cessão de tais licenças ao adquirente do imóvel; mas como o segundo negócio (transferência das ações da Biopar, para a Gado Bravo e para o Sr. Eduardo Sá), registrado na contabilidade da Fl. 5241DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 83 17 Agropecuária Seival no mesmo dia 21/05/2007, neutralizou parcialmente o primeiro, a única ilação que se pode sustentar dessas transações é que foram realizadas para ocultar a transferência do controle da Biopar e de seu único bem, a Fazenda Gado Bravo, para o real controlador de todas as pessoas jurídicas envolvidas aqui, o Sr. Eduardo Sá, o qual usufruiu, juntamente, com o Sr. Luís Piva, o proveito econômico da alienação do imóvel, com ínfima tributação. Neutralizou parcialmente, porque permaneceram 54.925 ações da Biopar em poder do Sr. Luís Carlos Piva, que foram quitadas com os créditos da PIVA S/C ADVOGACIA, no valor de R$75.855,00. Essas ações, que correspondiam a 10% do valor contábil da Fazenda Gado Bravo, propiciaram, com a alienação desse imóvel, 10% do ganho, ou seja, R$4.651.500,00 ao longo dos anos de 2007 a 2010, rendimentos esses infimamente tributados na Biopar; há presunção legal de distribuição disfarçada de lucro, a alienação a sócio de bem do ativo permanente por valor notoriamente inferior ao de mercado (inciso I do art. 60 do DecretoLei 1.598/1977). O Parecer Normativo n° 18/81 da Receita Federal definiu que a transferência de imóvel à pessoa jurídica para subscrição de seu capital implica alienação para fins de incidência de imposto sobre lucro imobiliário. Permitese, contudo, a integralização no capital de outras pessoas jurídicas com o valor contábil dos bens e direitos entregues o que a Agropecuária Seival fez, utilizando a Fazenda Gado Bravo para integralizar aumento de capital na Biopar. Também é considerada distribuição disfarçada de lucros a acionista controlador a alienação a este de bem do ativo por valor notoriamente inferior ao de mercado, mesmo que seja realizado por meio de terceiro ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse (art. 61 DecretoLei 1.598/1977); fazendose o exercício mental de retirar a interposição do Sr. Luís Carlos Piva, o que permanece é a transferência das ações da Biopar por R$717.477,00, que tem um bem contabilizado por R$529.243,00 (vendido pouco depois por R$38.115.000,00), da Agropecuária Seival, cujo capital registrado em 2007 era de R$23.965,44, para a Gado Bravo, e para seu sócio Eduardo Sá. De fato, com as operações realizadas com a interveniência do Sr Luís Carlos Piva, a Agropecuária Seival se desfez das ações da Biopar, em favor do sócio Eduardo Sá e da Gado Bravo. Como único bem a compor o patrimônio da Biopar, a Fazenda Gado Bravo, que lhe fora destinada pela Agropecuária Seival, estava avaliada por valor notoriamente inferior ao de mercado, o que efetivamente ocorreu foi a transferência das ações da Biopar para o sócio Eduardo Sá e para a Gado Bravo, por valor bem inferior ao de mercado. Tentouse, assim, contornar o dispositivo legal que tributa a distribuição disfarçada de lucro; essas transações foram realizadas quando já se estimara que o valor da Fazenda Gado Bravo era, no mínimo, cerca de 30 vezes maior que o acertado nesses negócios. Assim, como pelo primeiro negócio, o Sr. Eduardo Sá realmente teria grande perda, o que se pode concluir é que as operações foram entabuladas para não ter efeito, ou seja, para que as ações fossem transferidas, logo em seguida, ao Sr. Eduardo Sá, como de fato foram. Melhor dizendo, as operações tiveram um propósito prático real, ocultado na Fl. 5242DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 84 18 aparência formal dos negócios realizados: a transferência das ações da Biopar, detentora da Fazenda Gado Bravo, da Agropecuária Seival (possuidora anterior do imóvel rural), para o sócio controlador, Sr. Eduardo Sá, por valor cerca de 30 vezes menor (R$529.243,00) do que o valor de mercado estimado da fazenda, na época (R$21.780.000,00), sem tributação de ganho de capital, propiciando a distribuição dos expressivos ganhos da fazenda alienada pouco tempo depois (por R$38.115.000,00), com ínfima tributação, porque astuciosamente (simuladamente) declarada como receita operacional, já que essa empresa era tributada pelo lucro presumido; ressalvese que a distribuição disfarçada de lucro seria imputável à Agropecuária Seival e seria distinta da caracterização da infração de ganho de capital não tributado, lançada aqui contra o sujeito passivo Biopar. Ressalta, sim, a atuação dolosa dos sócios. Contudo, os fatos estão intrincados, pois haveria influência na determinação da base de cálculo da infração aqui lançada, caso o bem tivesse sido transferido pelo valor de avaliação, pois uma parte do ganho poderia ser tributada lá. Assim, o custo do ímóvel contabilizado na Biopar seria esse, com a consequente tributação de menor ganho de capital aqui. Mas este lançamento supre a necessidade de lançamento na Agropecuária Seival. A narrativa desse tópico enfatiza as condutas dolosas dos sócios Eduardo Sá e Luís Carlos Piva, corrobora a prática de outra infração, além da que ensejou o lançamento deste auto de infração, a aplicação do inciso III do art. 135 do CTN; IV.6 Da atuação do sócio EDUARDO ANTÔNIO PARERA SÁ as condutas do sócio administrador já foram exaustivamente descritas nos tópicos anteriores. O principal personagem dessas operações, o Sr. Eduardo Sá, como administrador, realizou os atos que culminaram na sonegação da tributação do ganho de capital decorrente da alienação da Fazenda Gado Bravo para a Agrícola Xingu. Como sócio controlador, foi o destinatário imediato dos ganhos, na proporção de sua participação na Biopar, às custas do esvaziamento financeiro da Biopar, impossibilitandoa de continuar as atividades operacionais e de adimplir qualquer obrigação futura, como a que decorrerá do lançamento deste Auto de Infração. O Sr. Eduardo Sá, também, sempre controlou a Agropecuária Seival, que é uma sociedade familiar, conforme quadro abaixo: Quadro Societário Até 18/11/93 Até 15/06/94 A partir de 14/06/94 Renato Parera Mattos Sá 0,03% SeivalAdm Part Ltda 99,97% Leonardo Leite Machado 0,03% 0,03% Ademar Martinez Machado 99,97% Eduardo Antônio Parera Sá 99,97% também é, desde a sua constituição, o acionista majoritário da Gado Bravo e beneficiário final das participações que essa sociedade obteve na alienação da fazenda, conforme quadro (que apresenta) da evolução da composição societária da empresa; Fl. 5243DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 85 19 IV.7 Da atuação da sócia GADO BRAVO ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO demonstrouse que os valores recebidos pela Biopar, relativos à Fazenda Gado Bravo foram imediatamente transferidos para a empresa Gado Bravo, pertencente ao mesmo grupo econômico. Além disso, apresentava na época dos fatos, em comum com a Biopar, os mesmos objetivos sociais, configurandose a solidariedade prevista no inciso I do art. 124 do CTN. Relembrese que com a alteração promovida na AGE de 29/08/2007, a atividade econômica da Biopar, além da fabricação de álcool, cultivo de canadeaçúcar e fabricação de açúcar em bruto, passou a incluir a compra e venda e aluguel de imóveis próprios e aluguel de máquinas e equipamentos agrícolas sem operador. A Cláusula Oitava da 2a alteração de Contrato Social da EPS Engenharia Importação e Exportação Ltda, que mudou a denominação para Gado Bravo Administração e Participação Ltda., (transcreve) V. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DA SONEGAÇÃO, DA FRAUDE, DO DOLO, DA SIMULAÇÃO E DO CONLUIO enquadramento: artigos 71 e 72 da Lei 4.502 de 30/11/1964; artigo 44, inciso II e §1° da Lei 9.430, de 27/12/1996, com nova redação dada pela lei 11.488, de 15/06/2007; CTN, art. 149, VII; Código Civil de 2002, arts. 101 e 102. No §1° do art. 44 da Lei 9.430/1996, há determinação de que a multa de ofício de 75% deve ser duplicada nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, ou seja, nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Sistematizando sucintamente os fatos em sequência temporal, incluindo os ensejadores de responsabilização solidária e por infração à lei, dos sócios, têmse: 1. Em 19/12/2006: criação da empresa Biopar. 2. Em 09/04/2007: termo de compromisso de confidencialidade, encaminhado pela Biopar à Petrobrás e à Mitsui, com tratativas comerciais entre as empresas. 3. Abril/2007: versão preliminar de Plano de Negócios para implantação da BIOPAR S/A Agroempreendimento Etanol 1a e 2a fases Oeste da Bahia, elaborado pela consultoria Sucrana estimou o valor de mercado da Fazenda Gado Bravo em R$21.780.000,00. Relatório de Avaliação do Projeto da BIOPAR S/A (Avaliação de Projeto Greenfield), realizado pela Alterna Bio Capital, estimou o valor da terra em R$3.500,00 por hectare. 4. Em 20/04/2007: integralização de capital na Biopar, feita pela Agropecuária Seival com a Fazenda Gado Bravo. Os Peritos que a avaliaram, para fins de sua utilização em subscrição de capital, estimaram que o valor do hectare não era inferior a cinco sacas de 60Kg de soja, padrão exportação, Fl. 5244DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 86 20 equivalente a R$24,00 a saca (R$120,00 por hectare), concluindo que o imóvel não tinha valor inferior a R$1.452.006,00. 5. Em 21/05/2007: 529.243 ações de emissão da BIOPAR foram transferidas da Agropecuária Seival para o Sr. Luís Carlos Piva, por R$717.477,00. Em 22/06/2007, este transferiu 427.393 ações, pelo valor de R$641.622,00, para a Gado Bravo e 50.925 ações para Eduardo Sá. Esses negócios implicaram distribuição disfarçada de lucros aos sócios, porque o único imóvel da Biopar, a Fazenda Gado Bravo, estava avaliada por valor notoriamente inferior ao de mercado. 6. Em 29/08/2007: alteração do capital social da Biopar, incluindo a atividade de compra de bens imóveis e arrendamento de terras, máquinas e outros bens, para exploração pecuária e agrícola. 7. Em 21/09/2007: alienação da Fazenda Gado Bravo à Agropecuária Xingu (controlada indireta da Mitsui), por R$38.115.000,00 (ou seja, R$ 3.150,00 o hectare, valor próximo ao estimado na Avaliação de Projeto Greenfield). 8. Em 08/10/2007: registro da alteração do objetivo social na JUCEB, incluindo a atividade de compra e venda de imóveis. realizaram as pessoas jurídicas solidarizadas neste lançamento, através de seus sócios Eduardo Antônio Parera Sá, e Luís Carlos Echeverria Piva, atos e negócios reais, verídicos, e atos e negócios aparentes: (i) a constituição da Biopar S/A (ato real); (ii) a integralização do imóvel rural Fazenda Gado Bravo, pertencente, por quase 20 anos, ao ativo imobilizado da contribuinte Agropecuária Seival, para aumento do capital social da Biopar (ato real); (iii) para isso esse imóvel foi convenientemente avaliado por valor notoriamente inferior ao de mercado; (iv) e as ações foram alienadas da Agropecuária Seival para Luís Carlos Echeverria Piva (ato aparente) (simulação por interposição de terceira pessoa inciso I do art. 102 do Código Civil de 2002), com pequeno ganho de capital (R$ 188.234,00) (simulação relativa de valor); (v), mas transferida logo em seguida para os reais controladores (negócio com fim neutralização de efeitos indesejáveis), à Gado Bravo Administração e Participação Ltda. e ao Sr. Eduardo Antônio Parera Sá; (vi) disfarçando distribuição de lucro a essas pessoas ligadas (ato dissimulado); (vii) para que a Biopar; (v) cujo objeto social fora alterado para incluir a atividade de "compra e venda de bens imóveis e arrendamento de terras" (ato dissimulado: simulação relativa referente ao objeto); (viii) para alienar, por regime tributário mais vantajoso, o referido imóvel, como se pertencente ao estoque (ato dissimulado); (ix) e aparentasse receita de atividade operacional típica(simulação relativa de objeto do negócio inciso II do art 102 do Código Civil de 2002) e não o que realmente foi, ganho de capital decorrente de alienação de ativo imobilizado (negócio ocultado); concluise que a finalidade dos atos e negócios aparentes foi a alienação do imóvel rural sem recolhimento dos tributos sobre ganho de capital (receita nãooperacional da Agropecuária Seival) e a distribuição dos lucros ao sócio, Sr. Eduardo Sá (controlador direto e indireto através da Gado Bravo) e para o outrora terceiro, prestador de serviços de advocacia, que se associou à Biopar, e passou a ser também parte ligada, o Sr. Luís Carlos Piva. Fl. 5245DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 87 21 Encontramse nos fatos relatados os três critérios para caracterização da simulação (relativa, no caso): (i) formalização de negócios aparentes que ocultam negócios reais; (ii) o pacto simulatório, ou seja, o acordo oculto, revelado pela realização de negócios subsequentes, em curto espaço de tempo, que neutralizaram os efeitos decorrentes dos negócios aparentes, para que prevalecesse o efeito do negócio oculto, mas para o Fisco o efeito do negócio aparente; (iii) o prejuízo causado ao Fisco, em particular, e à sociedade, com a sonegação dos tributos; ficou evidente que as formas utilizadas para a implementação das operações, transfigurando o fato gerador, demonstra a intenção de "impedir (...) o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador", configurando a sonegação definida no artigo 71 da Lei n° 4.502, de 1964. Restou claro também que os atos e negócios foram praticados com o fim de modificar as características essenciais do fato gerador de modo a reduzir o montante do imposto devido (tributando como receita operacional com aplicação de percentual de presunção de 8%, quando o correto seria a adição total ao lucro presumido, já que receita nãooperacional), constituindo a fraude definida no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Como demonstrado também, para consecução desse fim, com essas condutas dolosas intentouse contornar as disposições do inciso IV do art. 179 da Lei n° 6.404/1976 (Lei das S/A.); o Parecer Normativo CST n° 3/1980, a Resolução n° 1.025/2005, do CFC (NBC T 19.1 Imobilizado); o inciso I do art. 60 e o art. 61 do DecretoLei n° 1.598 de 26/11/1977. Nessa toada, está caracterizado o conluio entre o Sr. Eduardo Sá e o Sr. Luís Carlos Piva, que utilizaram as pessoas jurídicas controladas, na concatenação de intrincados atos e negócios com fins de fraudar a tributação do ganho de capital; VI. DA NÃO DECADÊNCIA DA PARCELA DE GANHO DE CAPITAL RECEBIDA EM 21/09/2007 as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido poderão, à sua opção, tributar o ganho de capital, bem como a receita bruta e demais receitas, pelo regime de caixa ou de competência. Como relatado antes, a alienação da Fazenda Gado Bravo foi concretizada em 21/09/2007 e os recebimentos parcelados até 2010. A autuada, em vez acrescer ao lucro presumido o ganho de capital obtido, dolosamente, os considerou na receita bruta, à medida dos recebimentos, para fins de aplicação do percentual de presunção. Optou, assim, pelo regime de caixa. A primeira parcela, de R$11.655.000,00, foi recebida em 21/09/2007. Demonstrada a sonegação, o intuito de fraude, o dolo, a simulação e o conluio, o prazo de decadência não é mais contado da data de ocorrência do fato gerador, conforme o §4° do art. 150 do CTN, e o início da contagem do prazo, a teor do inciso I do art. 173 do mesmo CTN, se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, qual seja, 01/01/2008, decaindo somente em 01/01/2013, podendo o ganho de capital recebido em 21/09/2007 ser lançado de ofício até 31/12/2012. VII. DETERMINAÇÃO DOS TRIBUTOS E MULTAS LANÇADOS Fl. 5246DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 88 22 o contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL pelo regime do lucro presumido, O ganho na alienação da Fazenda Gado Bravo foi considerado como receita da atividade, sujeitandose ao percentual de 8% de presunção de lucro para o IRPJ e 12% para a CSLL.. Conforme demonstrado neste relatório fiscal, o procedimento adotado pelo contribuinte infringiu a legislação tributária. Desta forma, fazse necessária a recomposição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, retirando o ganho na alienação da Fazenda Gado Bravo da receita da atividade do contribuinte e enquadrandoa como ganho de capital. Como os pagamentos pela compra da fazenda foram feitos parceladamente, o ganho de capital será apurado proporcionalmente aos recebimentos, considerando o custo de aquisição de R$529.243,00, conforme demonstrado abaixo: DESCRIÇÃO VAL OR (R$) A Valor da alienação 46.515.000,00 B Custo de aquisição 529.243,00 C Ganho de Capital (AB) 45.985.757,00 D Ganho de capital (%)(C/A) 98,86% GANHO DE CAPITAL A SER ADICIONADO DESCRIÇÃO VAL OR (RS) GANH O DE CAPITAL Parcela recebida em 21/09/2007 11.655.000,00 11.522.390,58 Parcela recebida em 14/07/2008 17.100.000,00 16.905.437,92 Parcela recebida em 17/06/2009 10.320.000,00 10.202.580,08 Parcela recebida em 21/06/2010 7.440.000,00 7.355.348,43 Rubrica o trim. 2007 o trim. 2008 o trim. 2009 o trim. 2010 Receita bruta sujeita a 8% 0,00 0,00 0,00 0,00 Resultado da aplicação do percentual 0,00 0,00 0,00 0,00 Ganho de Capital 11.522.390,58 16.905.437,92 10.239.917,62 7.380.380,13 Imposto de Renda 1.728.358,59 2.535.815,69 1.535.987,64 1.107.057,02 Adicional (10%) 1.146.239,06 1.684.543,79 1.017.991,76 732.038,01 Total do Imposto de Renda 2.874.597,65 4.220.359,48 2.553.979,40 1.839.095,03 Valor declarado pelo contribuinte 227.100,00 336.000,00 209.734,38 149.057,93 Valor devido de IRPJ .647.497,65 .884.359,48 .344.245,02 .690.037,10 Rubrica o trim. 2007 o trim. 2008 o trim. 2009 o trim. 2010 CSLL 1.037.015,15 1.521.489,41 921.592,59 664.234,21 Valor declarado pelo contribuinte 125.874,00 184.680,00 114.816,38 82.604,85 Valor devido de CSLL 11.141,15 .336.809,41 06.776,21 81.629,36 VIII. DO ARROLAMENTO Fl. 5247DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 89 23 diante da inexistência de bens no patrimônio da Biopar, a não operacionalidade dessa sociedade para geração de recursos financeiros para adimplir futuras obrigações, da responsabilidade demonstrada dos sócios, pelo proveito financeiro usufruído e pela prática de infrações à legislação tributária, serão arrolados bens das pessoas solidarizadas no Tópico IV, para garantia da satisfação do presente lançamento, com base no disposto nos arts. 64 e 64A da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no art. 2° da INormativa RFB n° 1.171, de 7 de julho de 2011, alterada pela IN RFB n° 1.197, de 30 de setembro de 2011; IX. DISPOSIÇÕES FINAIS integram o presente processo todos os Termos Fiscais lavrados, assim como as respostas do contribuinte, e demais documentos citados neste Termo, formando parte inseparável do Auto de Infração lavrado. Às fls. 4.675 a 4.720, a pessoa jurídica apresentou impugnação ao feito fiscal, alegando, em resumo, que: IDOS FATOS • a Impugnante foi autuada pela RFB, pelos motivos descritos no relatório fiscal, por contrariedade a legislação do IRPJ e da CSLL. Em que pese o esforço dos AuditoresFiscais, nenhum dos fatos havidos e narrados encontra respaldo na realidade, baseandose em mera suposição e em eventos futuros e incertos, ferindo de morte a Constituição Federal do Brasil, em especial as regras que regem o Sistema Tributário Nacional (CF/88 Título VI, Capítulo, I, Seção II). Utilizaramse de ficção jurídica, suposição fática e confisco, ao lavrar o Auto de Infração ora impugnado, que deve, de pronto, ser anulado. O expressivo valor pretendido (R$41.049.078,55), por si, demonstra o confisco pretendido, pois ultrapassa em muito a própria operação imaginada pelo Fisco, o patrimônio total dos Autuados e sua despropositada falência financeira; • relata o Fisco que, no período de 01/2007 a 12/2010, constatou que a Impugnante e os demais Responsabilizados agiram de forma a se beneficiarem de ganhos econômicos e da sonegação fiscal. Alega que, inicialmente, a presente autuação seria direcionada para a empresa Agropecuária Seival, não sendo oponível ao Fisco a personalidade jurídica da Biopar, porém, com as informações prestadas pelos Sócios e Acionistas, restou a ação direcionada contra a Impugnante, pois se tornou inegável reconhecer a real, legitima e lícita existência da empresa ora Impugnante. O Fisco então passou a criar uma ficção sobre uma simulação de negócio e, com isso, não sendo possível a desconsideração da personalidade jurídica da Biopar, só restou autuála com o único fim de arrecadação fiscal; Rubrica o trim. 2007 o trim. 2008 o trim. 2009 o trim. 2010 CSLL 1.037.015,15 1.521.489,41 921.592,59 664.234,21 Valor declarado pelo contribuinte 125.874,00 184.680,00 114.816,38 82.604,85 Valor devido de CSLL 11.141,15 .336.809,41 06.776,21 81.629,36 VIII. DO ARROLAMENTO Fl. 5248DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 90 24 • diz o Fisco que a Biopar serviu de meio para a menor tributação no negócio de alienação da Fazenda Gado Bravo à Agrícola Xingu, sendo que a integralização de capital do imóvel na empresa Biopar deuse com o único e escuso propósito de ocultar ganho de capital na empresa Agropecuária Seival e proporcionar uma distribuição de lucro aos acionistas da Biopar, com menor tributação. Segue narrando que a Biopar sempre optou pela tributação pelo lucro presumido e que ofereceu à tributação o negócio de alienação da Fazenda Gado Bravo, recolhendo os tributos com base no lucro presumido, sendo que "os valores de faturamento declarados pela Biopar em DIPJ são exatamente os mesmos pagos pela Agrícola Xingu pela compra do imóvel rural. Após esse relato, o Fisco passa a (des)construir uma realidade de negócio simulado, descrevendo uma sucessão de atos e fatos que, na sua visão (e sem fundamentação jurídica alguma) teriam sido realizados pela Impugnante e seus sócios como forma de sonegação fiscal; II DOS FATOS REAIS • em 1988, a Agropecuária Seival adquiriu, no município de São Desidério, Bahia, uma área de terras perfazendo 12.000 hectares, denominada Fazenda Gado Bravo. O objetivo foi o desenvolvimento de atividades de agricultura irrigada, em função de sua localização em relação ao Aquífero URUCUIA (abundância de águas subterrâneas) e em relação ao Rio Grande (limite leste) e Rio dos Porcos (limite oeste), possibilitando a irrigação total da área, observadas as áreas de preservação ambiental. Em 1989, implantou 1800 hectares de lavoura de soja com os adequados tratos culturais e correção de perfil de solo, que possibilitassem a maior produtividade possível, haja vista que o regime de chuvas da região não era o adequado para desenvolvimento de agricultura de sequeiro (soja), mas já adiantava os trabalhos de correção de solo para o desenvolvimento de atividades irrigadas. Em meados de 1989, contratou a empresa Magna Engenharia para realizar os estudos de implantação de um empreendimento agroindustrial para beneficiamento dos produtos agrícolas a serem obtidos através de culturas irrigadas; • em que pese ter obtido, por ocasião da aquisição da área, todas as certidões negativas necessárias junto aos órgãos de registro de imóveis, foi surpreendida na época da colheita (março de 1990) por um mandato de reintegração de posse de terceiros contra os proprietários da terra que fizeram a alienação para a Agropecuária Seival. Tal fato paralisou os investimentos previstos para a área pela insegurança jurídica gerada pela disputa de propriedade sobre a terra. A solução do embate jurídico só ocorreu definitivamente em 13/07/2006, quando foi proferida, pela Juíza de Direito da Comarca de São Desidério, sentença julgando procedente a ação de usucapião, declarando o domínio da Agropecuária Seival sobre a área da Fazenda Gado Bravo; • então, 17 anos após sua aquisição, a área adquiriu um título de propriedade que permitia a segurança jurídica necessária para realização de investimentos. Durante esse período, a Agropecuária Seival desenvolveu atividades de agricultura de sequeiro na área de 1800 hectares que, por não se prestar a tais atividades, acarretou acúmulo de substancial prejuízo. A Fl. 5249DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 91 25 obtenção de um título de propriedade originário, reascendeu o espírito empreendedor do controlador da Agropecuária Seival, Eduardo Antônio Parera Sá, que de imediato retomou providências no sentido de desenvolver um projeto adequado ao potencial irrigante da área. Nesse sentido, desenvolveu as seguintes atividades: (a) obtenção, em seu nome, das licenças para utilização do potencial hídrico subterrâneo e superficial da área, junto aos órgãos competentes do Governo do Estado da Bahia, Outorgas D'água; (b) desenvolvimento do Estudo Preliminar para Implantação de um Polo Bioenergético no Oeste da Bahia, concluído em novembro de 2006, que determinou o potencial da região para o desenvolvimento da agricultura canavieira, analisando diversos aspectos; (c) com base no Estudo referido no item (b), através de sua controlada Gado Bravo, contratou empresas especialistas em desenvolver projetos sucroalcooleiros, para elaborar um projeto preliminar e Plano de Negócios, para implantação de uma Destilaria de Álcool, que exigiria uma área total de 26.892 hectares, concluído em abril de 2007; (d) em 19/11/2006, com o objetivo de captar investidores para viabilizar a implantação do projeto, juntamente com sua controlada Gado Bravo e com Luís Carlos Echeverria Piva, constituiu a empresa Biopar S/A; • assim, foram estabelecidas as premissas necessárias para a implantação do projeto, permitindo os trabalhos de captação de recursos. Ainda restava viabilizar a área necessária para implantação da destilaria e da lavoura de cana de açúcar (cerca de 27.000 hectares). Para tanto, era necessária a alteração do objeto social da Biopar, que permitisse a compra e venda de terras e arrendamento de terras de terceiros. Em 29/08/2007, foi realizada uma AGE que instituiu a alteração no objeto social da Biopar. Todo o projeto foi desenvolvido e só poderia ser economicamente viabilizado com o plantio, exploração e utilização de uma área de, no mínimo, 27.000 hectares, enquanto a Fazenda Gado Bravo possui pouco mais de 12.000 hectares, ou seja, menos da metade da área necessária. Isso é tão verdade que a Agrícola Xingu adquiriu no entorno da Fazenda Gado Bravo mais 68.000 hectares. Este fato inviabilizava qualquer ação da Biopar em adquirir ou arrendar o restante das áreas necessárias para implantação do projeto, que exigia, como já dito, uma área total mínima de 27.000 hectares (vide Plano de Negócios); • com sagacidade e oportunismo negocial, posteriormente, a Agrícola Xingu fez proposta para aquisição do empreendimento da Biopar. Os acionistas da Biopar entenderam a estratégia da Agrícola Xingu e avaliaram que a única saída seria entabular com ela negociações, haja vista que esta necessitava das outorgas d'água concedidas ao acionista Eduardo Sá e que o estágio avançado do Plano de Negócios desenvolvido pela Gado Bravo possibilitaria a venda do empreendimento como um todo, e não apenas as terras. Portanto, fantasiosa a versão do Fisco de que a Biopar foi mero instrumento para sonegação fiscal. Efetivamente, a Biopar foi criada e a Fazenda Gado Bravo incorporada ao seu ativo, como forma de viabilizar todo o projeto, cuja legitimidade o próprio Fisco reconheceu, e que só foi vendido à Agropecuária Xingu, por uma oportunidade negocial imposta, pois constatado que esta havia embretado a Biopar em escassos 12.000 hectares, tendo adquirido as terras no entorno, antes de realizar proposta de compra do Fl. 5250DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 92 26 Projeto da Biopar. Nesse aspecto, digase que a Biopar só sobreviveu à estratégia comercial da Agrícola Xingu porque o acionista Eduardo Sá possuía as outorgas de água, o que agregou valor e interesse comercial ao Projeto da Biopar. Não fosse isso, a Biopar ficaria isolada, sem a área necessária para a efetivação do projeto, sem interesse comercial para a Agrícola Xingu ou outra empresa e sem possibilidade de expansão; estaria fadada à estagnação e a Fazenda Gado Bravo continuaria a gerar prejuízos; II DO DIREITO a) Das nulidades do Auto de Infração a.i) Falta dos requisitos legais ao Auto de lançamento • o Auto de Infração não contém todas as informações necessárias ao perfeito conhecimento do débito, bem como não preenche os requisitos elencados na legislação própria, sendo totalmente nulo, já que o impugnado não discrimina os índices e fundamentos legais aplicados a título de correção monetária, multa e juros moratórios. O requerido, apesar de elencar a legislação, não pormenoriza a sua incidência. Inferese, portanto, que a defesa está obstaculizada, pois não são oferecidos elementos suficientes para permitir a realização do contraditório e da ampla defesa. O impugnado não demonstra a forma como foram calculados os ditos débitos, os juros aplicados, o índice da correção monetária, etc. É notório que para possibilitar a ampla defesa fazse necessária a discriminação pormenorizada da origem e natureza dos débitos, bem como da fórmula de cálculo dos juros, correção monetária e multa aplicada. Salientese que não se trata de discordar ou não dos valores, mas sim de entender de que forma a RFB alcançou esses valores, para só então se manifestar sobre a concordância ou discordância destes; • por se tratar, o auto de lançamento, de ato administrativo vinculado, a imprecisão, a falta de clareza e os erros existentes nulificam todo o procedimento. Se a lei fala em obrigatoriedade dos requisitos, a autoridade administrativa não poderá esquecer ou desvirtuar o comando legal. Diante da inexistência da forma como foram calculados os encargos aplicados sobre o débito, não só o Auto de Infração é nulo como também o direito de defesa da Impugnante ficou totalmente obstaculizado, ferindo garantias constitucionais como o contraditório e a ampla defesa, como dispõe a Constituição Federal em seu art. 5°, LV (transcreve), visto que lhe foram imputados valores sobre os quais ela tenta se defender, sem possuir a certeza do que realmente está sendo cobrado, posto estar o Auto de Infração sem qualquer especificação de como chegar ao quantum aplicado. Apesar de ser permitida atualmente, por lei, a lavratura do Auto de Infração através de meios eletrônicos ou impressão por computadores, não se pode esquecer que um dos requisitos imprescindíveis desta é a pormenorização dos lançamentos e o nome do devedor, condições indispensáveis para que o Auto de Infração tenha força de embasar uma cobrança pecuniária.; a.ii) Da apuração do ganho de capital Erro Fl. 5251DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 93 27 • alega o Fisco que a Impugnante serviu de veículo para sonegação fiscal, uma vez que recebeu imóvel incorporado ao seu patrimônio, por acionista, como integralização de capital, registrado em seu ativo circulante, para depois ter o mesmo alienado, como operação comercial e não como ganho de capital. Narra o Fisco que o imóvel foi integralizado na Biopar pelo valor de R$529.243,00, quando, na verdade, estava avaliado em R$21.780.000,00, sendo, por fim, vendido por R$38.115.000,00; • primeiramente, temse que inferir que essa avaliação é uma ficção criada pelo Fisco. O preço da terra (bem imóvel), denominada Fazenda Gado Bravo nunca obteve tal avaliação. Manuseando o Estudo Preliminar para Implantação do projeto/novembro de 2006, item 7 Considerações Gerais, pág. 08, se vê que a avaliação da área de terra da Fazenda Gado Bravo, assim como das terras em geral na localidade, variava, à época, entre R$170,00 e R$ 1.800,00, dependendo do trato dado a terra (desmatamento. calagem, pastagem, etc). No caso da Fazenda Gado Bravo, apenas 15% da área detinha algum trato. O valor de R$1.800,00 por hectare foi tomado como parâmetro para o projeto, para fins de projeção de investimento/custo do projeto. O valor real da Fazenda Gado Bravo é aquele pelo que foi integralizado na Biopar (R$529.243,00) ou, no máximo, o valor do laudo de avaliação para fins de incorporação (R$1.452.006,00), laudo esse, digase por oportuno, em nenhum momento questionado ou impugnado pelo Fisco. Assim, apenas pelo sabor do argumento, se o raciocínio do Fisco está correto e a Fazenda Gado Bravo tem um valor de R$21.780.000,00 ou de R$1.452.006,00, a operação a ser arbitrada pelo Fisco é a integralização de capital da Agropecuária Seival, através da Fazenda Gado Bravo, na Biopar, por valor subestimado; • nesse diapasão, o Auto de Infração está errado. Deveria o Auditor realizar o ganho de capital na Agropecuária Seival, pois essa detinha a Fazenda Gado Bravo, por R$529.243,00, e a alienou por R$21.780.000,00, ou seja, obteve um ganho de capital de R$21.250.757,00. Somente a diferença entre esse valor e o da venda da Fazenda Gado Bravo para a Agrícola Xingu seria, seguindo o raciocínio do Fisco, tributada na Biopar. Não se pode admitir dois raciocínios dispares para a mesma operação. Ou a Fazenda Gado Bravo detinha o valor superior ao escriturado na Agropecuária Seival e realizou ganho de capital na alienação do imóvel e tal ganho deve ser tributado naquela empresa, ou a Fazenda Gado Bravo detém o valor declarado (R$529.243,00) e a diferença desse para a venda à Agrícola Xingu representa o ganho sobre o projeto, outorgas d'água e knowhow do negócio. Aliás, estranhamente o Auditor Fiscal deixou de considerar o valor do projeto e outorgas d'água, o que está inegavelmente reconhecido em todos os estudos e diagnósticos do negócio. As outorgas d'água, bem como o Greenfield Project, agregaram significativo valor ao negócio. Digase, por oportuno, que sem esses elementos nada valeria a Fazenda Gado Bravo. No estudo realizado pela Magna Engenharia já se alertava para a necessidade de obtenção de água para o projeto. Ainda quanto à importância das outorgas d'água, observase que, na escritura de compra e venda da Fazenda Gado Bravo, expressamente constou, por exigência dos compradores, que as outorgas estavam integradas ao preço; Fl. 5252DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 94 28 • inegável que o Auto de Infração é insubsistente, pois atribuiu à Impugnante responsabilidade fiscal que lhe é estranha e, ainda, tributou como ganho de capital valores que não advêm de alienação patrimonial. Adi urgumentandum, se subsistente, em parte, o presente Auto de Infração, deve ser destacado do valor total do negócio: a) O ganho de capital de responsabilidade da Agropecuária Seival, como exposto; b) O valor da outorga d'água, de propriedade do acionista Eduardo Sá; c) O valor do projeto Greenfield Project; • necessário, ainda, seja determinada perícia para apurarse o real valor da Fazenda Gado Bravo e outros bens alienados, para fins de aferição do ganho de capital, pois certo que não equivale ao valor total do negócio, como se depreende da simples leitura da escritura de venda e compra. Assim, desde já se requer o deferimento de prova pericial técnica para aferição do valor dos bens móveis e imóveis envolvidos no negócio e consequente depreciação daqueles, para fins de apuração do alegado ganho de capital a ser tributado. Deferida a prova, que sejam respondidos os quesitos ao final formulados, bem como intimado o Assistente Técnico, para acompanhamento da perícia; b) No mérito b.i) Do Planejamento Fiscal Elisão • como dito alhures, os movimentos societários e o negócio de venda e compra da Fazenda Gado Bravo ocorreram de forma legitima e exatamente como narrado no tópico II DOS FATOS REAIS. Não houve aqui nenhuma sonegação, omissão ou simulação de negócio. Nem ao menos houve elisão fiscal. Nesse passo, em que pese os esforços do Fisco em desqualificar o agir da Impugnante, atribuindolhe uma atitude ilícita, na forma de sonegação fiscal, pelo conluio entre os acionistas, como forma de reduzir a carga tributária de forma abusiva e ilegal, nenhum dos argumentos trazidos e descritos no Auto de Infração pode prosperar. No máximo, o que se pode reconhecer, seguindo a exegese do Fisco, é um planejamento fiscal elisão fiscal figura jurídica lícita, reconhecida legalmente, mesmo na esfera administrativa, como se passa a demonstrar; • o Planejamento Tributário seria, conceitualmente falando, a atitude de estudar a legislação e decidir pela adoção de medidas tendentes a praticar ou absterse da prática de atos visando a anular, reduzir ou postergar o ônus financeiro correspondente. As teorias em torno da possibilidade de um contribuinte planejar as suas atividades de modo a incorrer na menor carga tributária possível se constituem em assunto de interesse permanente, que se põe não só como direito dos empresários, mas também no que diz respeito aos administradores, sejam sócios ou não das empresas, como verdadeira obrigação (dever) de proceder na busca de melhores resultados. É certo que uma empresa pode ser organizada de forma a evitar excessos de operações tributadas e, consequentemente, evitar a ocorrência de fatos geradores para ela e perante a lei desnecessários; Fl. 5253DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 95 29 • todo contribuinte, desde que não viole regra jurídica, tem a indiscutível liberdade de ordenar seus negócios de modo menos oneroso, inclusive tributariamente. Aliás, seria absurdo que o contribuinte, encontrando vários caminhos legais (portanto lícitos) para chegar ao mesmo resultado, fosse escolher justamente aquele meio que determinasse pagamento de tributo mais elevado. Nesse contexto, dentre as hipóteses de planejamento fiscal, qualquer uma poderá ser colocada em prática, tendo em vista a liberdade que o contribuinte possui de planejar suas atividades. Tomando por base a forma do Direito Privado, é possível afirmar que a economia fiscal poderá ser considerada lícita e, portanto, como elisão fiscal, quando os procedimentos adotados pelo contribuinte tiverem o objetivo de evitar a ocorrência do fato gerador. Mas se, ao contrário, as práticas do sujeito passivo não conseguirem evitar a ocorrência do fato gerador, mas tão somente mascarálo, ocultálo ou dissimulálo, estarseá diante de uma evasão fiscal, que é, obviamente, ilícita; • toda simulação (vício do ato jurídico) é repudiada pelo Direito Privado (artigo 102 do Código Civil) e no Direito Tributário, que aproveita os princípios gerais do Direito Privado e os utiliza para a pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, já que não há no direito brasileiro a figura do "abuso de forma". Como exemplo dessa afirmação, transcreve trechos de acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes. Não há na lei tributária qualquer dispositivo que consagre a inexistência de um objetivo econômico ou negocial válido e com obstáculos à elisão fiscal e não à evasão fiscal para a prática de operações de planejamento tributário. Além disso, a aplicação da analogia em matéria tributária é restrita, na forma do §1° do artigo 108 do CTN, o qual expressamente diz que "O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei". Por isso, a aplicação dos princípios gerais do Direito Privado ao Tributário, na forma do supracitado artigo 109 do CTN, só se perfaz adequadamente quando não desnatura seus valores, formas e institutos próprios, ou seja, é impróprio invocar a interpretação econômica dada aos contratos civis às práticas de cunho tributário. É necessário que se afaste, na aplicação do planejamento fiscal, uma interpretação econômica dos fatos, para afastar a insegurança e contingência das operações; • sendo assim, não cabe ao Fisco equiparar determinados atos jurídicos tipificados em lei a outros que não estejam, por mera semelhança de situações ou efeitos econômicos. Ademais, é preceito Constitucional de maior relevância na esfera tributária o Princípio da Legalidade, onde só é permitido ao ente tributante exigir tributo legalmente previsto. O Princípio da Legalidade, antes de tudo, constitui Direito e Garantia Fundamental, estampado na Constituição Federal, em seu artigo 5°, II, estabelecendo que "ninguém será obrigado a fazer alguma coisa senão em virtude de lei". Assim, somente há possibilidade de se criar, modificar ou extinguir direitos e deveres, quando a lei autorizar. Tal princípio também importa em limitação ao poder de tributar, estabelecido pela Lei Maior em seu artigo 150, I, quando proíbe os Entes da Federação de "exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça". O artigo 37 da mesma Constituição vincula a Administração Pública à obediência ao princípio referido. Assim, em se tratando de Direito Fl. 5254DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 96 30 Tributário, "a instituição, majoração e extinção dos tributos, bem como os casos de subsídio, isenção, redução da base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, deve ser sempre prevista em lei, compreendida como espécie normativa editada pelo Poder Legislativo (excepcionalmente pelo poder executivo, nos casos de medidas provisórias, previstas no art. 62 da Constituição), contendo preceitos vinculantes"; • Com isso fica claro que ao contribuinte só está vedado ou obrigado àquilo que está expressamente previsto na Lei. Como já visto, não existe na legislação brasileira qualquer norma (Lei) que vede ou impeça a elisão fiscal Planejamento Fiscal. Ao contrário, é amplamente reconhecida nas decisões do CARF, a validade e licitude do Planejamento Fiscal (transcreve trechos de decisões do CARF). Diante dos fatos, outra não é a conclusão: mesmo que se esteja diante de um Planejamento Fiscal, o mesmo é lícito e válido, não havendo vedação alguma na manutenção do negócio realizado pela Impugnante. Assim, há de ser provida a presente impugnação para anular o Auto de Infração ora impugnado; b.ii) Da multa aplicada tipificação • primeiro, digase que a exorbitante multa de 150% não corresponde à correta aplicação da legislação pertinente à matéria e não pode prosperar, uma vez que possuí efeito confiscatório e tira do contribuinte a condição de pagar o débito, expropriando seu patrimônio, em detrimento do Fisco. Ademais, o Fisco aplicou a penalidade mais gravosa, quando na verdade esta não se configura, sendo uma injusta transferência patrimonial para o Fisco, seja pelo excesso ou pela inexistência de fundamento jurídico. Inferese, também, que a tipificação de infrações e a cominação de multas, em ofensa à estrita legalidade constitucional, é procedimento discricionário das autoridades fiscais, numa tipificação, por exclusão, sem os mínimos contornos e limites, como se a lei autorizasse ilimitadamente a tipificação de infrações e a cominação de penas. O princípio do nãoconfisco decorre do disposto no inciso IV do artigo 150 da CF (transcreve). A vedação do confisco no Direito Tributário é matéria pacífica na doutrina e na jurisprudência. A multa imputada à Impugnante é absolutamente indevida como penalidade, ante a ausência de disposição constitucional que a autorize; • verificase que, para a configuração da multa na forma mais gravosa, é necessária a ocorrência de alguns pressupostos, quais sejam: falsificação, adulteração ou inserção neles de elementos falsos ou utilização dolosa. Mesmo que a Lei não considere expressamente a vontade do agente como relevante para a tipificação da infração formal ou material, é valido que se diga da diferença entre as duas, no campo da vontade do agente. Na primeira, infração material, é requisito necessário o dolo, a vontade do agente em lesar os cofres do Fisco. Esta ação resulta sempre nas infrações do tipo fraude ou conluio. Entendese por fraude quando o agente, com o uso de meios ardilosos, falsifica documentos para esquivarse do pagamento de impostos; verificase a fraude, normalmente, na emissão de blocos de notas com Fl. 5255DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 97 31 numeração paralela ou ainda a chamada nota calçada, onde o agente emite a 1a via da nota com um valor e na via cativa lança um valor menor, para ludibriar o Fisco. Conluio ocorre quando duas ou mais pessoas associamse com o fim específico de realizar uma operação ilegal. Na esfera tributária, encontramos este tipo na criação de empresas fantasmas, no contrabando, realizado por mais de uma pessoa, etc. Observase que no auto de lançamento nenhuma dessas situações ocorreu. Nesses moldes, não ocorreram os tipos exigidos para configurar a infração no seu grau máximo. Assim, a multa a ser imposta, se mantida a autuação, será a multa de mora no máximo de 20% e nunca a multa de 150%, conforme constou no auto de infração. Nesse sentido, transcreve ementa de decisão do CARF; b.iii) Da inexistência de conluio e simulação erros de interpretações fáticas • o Fisco narra os fatos como entende terem havidos, sem se preocupar com a verdade, isso para poder aplicar a multa confiscatória de 150%. Há evidente distorção na descrição dos fatos e uso de elementos fáticos fora do contexto real, dando uma ideia fictícia dos acontecimentos. Isso decorre da mudança de rumo das investigações fiscais ocorrida após a prestação de informações em que ficaram inequívocos a existência e o real motivo da fundação da Biopar. O Fisco imputa à Impugnante a prática da simulação e conluio, dois institutos que não são originários do Direito Tributário, sendo necessário utilizarse as regras de interpretação e integração dos conceitos, comuns a todos os ramos do direito, aplicandose em matéria tributária, desde que não conflitantes com as regras especiais dispostas no CTN. Segundo Hugo de Brito Machado, a interpretação das normas jurídicas é atividade lógica pela qual se determina o significado de uma norma jurídica. O intérprete não cria, não inova, limitandose a considerar o mandamento legal em toda a sua plenitude, declarandolhe o significado e o alcance. Para o mesmo autor, entendendo o aplicador não existir uma regra jurídica para regular certa situação, será necessária a utilização do método da integração, que é o meio de que se vale o aplicador da lei para tornar o sistema jurídico inteiro, sem lacuna; • o art. 108 do CTN estabelece que, na falta de disposição expressa, o interprete deverá utilizarse da analogia; dos princípios gerais de direito tributário; dos princípios gerais de direito público; e da equidade. Por certo que se está diante de integração e não de interpretação, pois o aplicador só recorrerá a um dos meios acima na ausência de disposição expressa e específica. Em suma, a lei tributária não pode ampliar seu campo de competência mediante a ampliação de conceitos já definidos em outros ramos do direito. Por definição, a lógica da ordem jurídica passa pela existência de uma multiplicidade de normas, conexas entre si, orientadas por princípios e seus valores fundantes. A convivência deve ser em equilíbrio, mesmo em situações conflituosas; • passamos a conceituar os institutos no ponto em que importa: Abuso de Forma, Abuso de Direito e Simulação a matéria está ligada à diferenciação entre evasão (ou evasão ilícita) de tributo, por oposição à economia de tributos (evasão lícita ou elisão). É aceitável que o contribuinte possa escolher entre dois caminhos lícitos, aquele que seja menos oneroso. A Fl. 5256DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 98 32 Simulação é defeito do negócio jurídico que objetiva burlar a lei ou prejudicar terceiros, procurando alguma vantagem econômica. A primeira é a simulação absoluta e a segunda a simulação relativa, que só se diferenciam na conceituação, na semântica, mas nos efeitos não se distinguem. Assim, simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do indicado. Simular é fingir o que não é, fazer de uma não verdade uma verdade. Dissimular é esconder o que é, fazer de uma verdade uma não verdade; • dito isso, veremos alguns elementos utilizados pelo Fisco de forma errônea para configurar a simulação propagada. Ao contrário do alegado pelo Fisco, a alteração do objeto social foi realizada com o objetivo de propiciar a obtenção do restante das áreas necessárias para a implantação do projeto, cerca de 27.000 hectares, seja pela compra ou arrendamento de áreas de terceiros. Todo o projeto estudado indica a necessidade de uma área muito maior que os 12.000 hectares de área pertencente à Fazenda Gado Bravo. Assim, a alteração se deu com o único intuito de propiciar essa área maior. Ocorre que mais tarde se verificou que, com uma manobra comercial, a Agrícola Xingu havia adquirido as áreas no entorno da Fazenda Gado Bravo, surgindo a necessidade de alienação do projeto. Em 09/04/2007, o Plano de Negócios foi apresentado para a Petrobrás, que, em parceria ou associação com a Mitsui, instituiu um fundo de financiamento de até 100% dos investimentos necessários para ampliação da produção de etanol brasileiro, objetivando a obtenção do financiamento do empreendimento, com a garantia de venda do álcool para exportação; • efetivamente, os contatos com a Petrobrás e a Mitsui não prosperaram. Ressaltese que todas as tratativas foram realizadas junto à Petrobrás, que capitaneava o programa de fomento à indústria de produção de etanol, proporcionando aos investidores o pagamento dos recursos financiados através da venda do etanol para a própria Petrobrás. Assim, garantia a obtenção do etanol necessário para cumprir contratos de exportação ao Japão, que entendemos seriam em parceria com a Mitsui. As negociações entre Petrobrás e Mitsui não são de conhecimento público, haja vista a exigência da formalização antecipada de um Termo de Compromisso de Sigilo. Logo, não houve negociação com a Mitsui objetivando a alienação de terras, conforme equivocadamente o Auditor afirma. Por fim, alega o Fisco que a ata da AGE realizada em 29/08/2007 foi protocolada na JUCEB em 02/10/2007, só tendo validade após o seu registro. Mais uma vez, equivocado o Fisco. Notese que o registro na junta comercial tem o único objetivo de dar publicidade ao ato, mas de modo algum pode anular o pactuado entre as partes. Vejase que o Código Civil Brasileiro (CCB), em seu artigo 1.088, determina que são aplicáveis às S/A as disposições comuns do CCB (transcreve os arts. 1.088 e 1.089 do CCB, bem como os arts. 94 e 100 da Lei n° 6.404/76). Observadas as regras que regem a matéria, se vê que não há exigência legal para o registro da Ata de AGE na JUCEB, muito menos como requisito para a validade do negócio jurídico. Assim, legítima é a AGE, gerando efeitos desde a data da sua realização e não do registro, pois esse só serve para dar publicidade ao ato e não é requisito de validade; Fl. 5257DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 99 33 b.iv) Da correção do débito pela taxa SELIC • a pouco, encerrouse a árdua batalha dos contribuintes contra o Governo Federal, pela não aplicação da Taxa Referencial, para atualização de tributos, que levou o STF a declarar a inconstitucionalidade daquele indexador, por representar taxa de juros e não índice de correção monetária como queria o Governo. Pois bem, vem novamente o Estado, através do art. 13 da Lei 9.065/1995, atrelar a correção de tributos às taxas de juros flutuantes do mercado de capitais, contrariando o disposto no art. 161 do CTN e o art. 192 da CF/88. Observase que a taxa SELIC, regulamentada pela Circular BACEN n° 2.671/96, auferelhe a natureza de taxa remuneratória, caracterizandoa como autêntico meio de remuneração de capital. A taxa da SELIC é fixada diariamente pelo BACEN, com base nas negociações dos títulos públicos e sua variação no mercado de capital. Pois bem, se assim é, representa uma remuneração pelo uso do capital, configurando a sua natureza remuneratória. Dito isso, verificase que é licito ao fisco cobrar juros moratórios (CTN, art. 161) sobre os tributos não recolhidos na época própria, e estes não se confundem com remuneração de capital. A taxa SELIC é incompatível ao conceito de juros moratórios, não podendo ser usada para este fim, pois não possui as características de indenização, própria dos juros moratórios. Por fim, vislumbrase que o art. 161 do CTN determina que os juros de mora são de 1% ao mês, salvo se lei dispuser ao contrário (leiase Lei Ordinária). Neste passo, a Lei n° 9.065/95 não pode ser utilizada como base legal para aplicação da Taxa SELIC aos tributos em atraso, pois trata de juros remuneratórios e não moratórios, como exige o CTN. Desta forma, subsiste a regra do art. 161, §1°, do CTN, que determina a incidência de juros de 1% ao mês, sob pena de infringência à norma legal acima citada e ao art. 192, §3°, da CF/88; III DOS PEDIDOS • requer seja dado provimento à impugnação, para ser declarado nulo o Auto de Infração ou, subsidiariamente: 1) recálculo do Auto de Infração a incidir apenas sobre o ganho de capital verificado na Biopar, com exclusão do ganho de capital realizado na Agropecuária Seival; 2) recálculo do Auto de Infração, considerando tãosomente a alienação da Fazenda Gado Bravo, com exclusão dos valores referentes ao projeto e as outorgas de águas; 3) afastamento da multa qualificada; 4) exclusão da taxa SELIC para fim de atualização do débito; 5) requer, ainda, o deferimento da prova pericial para fins de aferição do valor real da área de terras da Fazenda Gado Bravo, conforme fundamentação, com resposta aos seguintes quesitos: a) qual o valor do hectare de terras na Fazenda Gado Bravo, considerando o valor da terra nua, ou seja, sem benfeitorias e sem o Projeto Greenfield e as outorgas d'água?; b) qual o valor do hectare de terra na região onde está situada a Fazenda Gado Bravo?; c) quantos hectares de terras faziam parte da Fazenda Gado Bravo, na época em que de propriedade da Impugnante?; d) que área da Fazenda Gado Bravo era explorada comercialmente pela Agropecuária Fl. 5258DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 100 34 Seival, antes de sua alienação?; e) que tipo de utilização era dada às terras da Fazenda Gado Bravo, antes da alienação?; f) considerando o valor do hectare de terra da Fazenda Gado Bravo e o total de área, qual o valor total da Fazenda?; 6) Indica como Assistente Técnico o Sr. Carlos Alberto Garcia Machado, CRC/RS 51892, com endereço profissional na Rua Tobias da Silva, 253/301, Moinhos de Vento, Porto Alegre RS. Por derradeiro, requer sejam as intimações feitas no nome do procurador Cléber Reis de Oliveira, OAB/RS 38.314, com endereço profissional na Rua Barão do Triunfo, 419/402, Menino Deus, Porto Alegre, RS. CEP: 90.130101. Juntamente com a impugnação, a Requerente trouxe aos autos os documentos de fls. 4.721 a 4.861. Às fls. 4.074 a 4.132, 4.473 a 4.531 e 4.276 a 4.334, respectivamente, as pessoas jurídicas Agropecuária Seival Ltda. e Gado Bravo Administração e Participação Ltda. e o Sr. Eduardo Antonio Pareira Sá apresentaram impugnações ao Auto de Infração, com os mesmos argumentos da Biopar, bem como aos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária contra eles lavrados, às fls. 78 a 79, 82 a 83 e 84 a 85, acrescentando, em relação à solidariedade passiva, resumidamente, as seguintes alegações: a.iii) Da solidariedade passiva • alega o Fisco a solidariedade passiva do grupo empresarial e dos seus sócios, tendo como fundamento a existência de simulação de negócio jurídico e conluio. Como será demonstrado adiante, nenhum desses elementos está presente no caso em análise. A alegada simulação e o conluio não passam de mera especulação do Fisco. Ademais, estabelece o art. 121 do CTN que o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Por sua vez, seu parágrafo único refere, no inciso I, que o sujeito passivo é o contribuinte que tenha relação direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Ora, é desnecessário dizer que a pessoa jurídica possui personalidade distinta e autônoma a dos seus sócios. Logo, é a pessoa jurídica a responsável tributária pelo débito, não havendo possibilidade de incluir no Polo Passivo da demanda os Impugnantes; a.a) Da responsabilidade pessoal dos sócios • a Autoridade Administrativa utilizouse de teoria da desconsideração da personalidade jurídica para trazer a responsabilidade pessoal e solidária dos Impugnantes. A pretensão do Fisco não prospera como será demonstrado a seguir; a.a.l) Do conceito Fl. 5259DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 101 35 • o instituto da pessoa jurídica constitui uma das mais difundidas e sólidas construções do pensamento jurídico universal, atuando como instrumento de produção e circulação de riquezas e permitindo aos homens superar diversos entraves próprios do desenvolvimento individual de certas atividades. A constituição do ente coletivo permite ultrapassar as barreiras que surgem naturalmente em certas práticas civis e comerciais, dada a sua complexidade. Dessa forma, unindose em torno do mesmo objetivo, as pessoas naturais convergem seus esforços e trabalham para a consecução de seus interesses comuns. Da normalização deste grupo é que advém a pessoa jurídica, entendida na doutrina como o ente coletivo oriundo da reunião de pessoas, a quem o Direito outorga personalidade jurídica, que lhe permite atuar na vida social como um novo sujeito de direitos; • assim, há a separação da pessoa física dos sócios da pessoa jurídica, bem como a separação do patrimônio das pessoas. Somente como exceção se poderá afastar o princípio da autonomia patrimonial. São estes institutos: a responsabilização pessoal dos sócios, a despersonalização da personalidade jurídica e a desconsideração da personalidade jurídica, que foi a teoria utilizada pelo Fisco. A teoria da desconsideração surgiu para afastar a insegurança dos credores em relação a possível ocorrência de abuso da pessoa jurídica. Desse modo, a essência dessa reside na possibilidade de desconsideração do principio da autonomia da pessoa jurídica em relação a outra pessoa (física ou jurídica) integrante da sociedade em casos episódicos que visem a evitar ou coibir o abuso, a fraude e/ou o mau uso; • a desconsideração da personalidade jurídica não objetiva a anulação da pessoa jurídica, mas, tãosomente, desconsiderála naquele caso específico, sem suprimila, por isso se diz que ela é episódica. É um caso de declaração de ineficácia especial da personalidade jurídica para determinados efeitos, prosseguindo, todavia, a mesma, incólume para seus outros fins legítimos. Assim, em casos específicos, atendidos pressupostos ensejadores, poderá ser desconsiderada sua personalidade, com a consequente responsabilidade pessoal dos respectivos integrantes, por eventuais prejuízos causados a terceiros. Foi com essa preocupação, que se inseriu no mundo jurídico a teoria da "desconsideração da pessoa jurídica", também conhecida como Disregard Doctrine. A decisão que desconsidera a personalidade jurídica da sociedade não desfaz seu ato constitutivo, não o invalida, nem importa a sua dissolução, mas apenas a suspensão episódica da eficácia do ato. A constituição da pessoa jurídica permanecerá válida e eficaz para todos os outros fins a que ela se destina; a.a.2) Origem e Evolução da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica • a importância do fenômeno da personificação e de seus efeitos levou a uma supervalorização do instituto, tida a princípio como não suscetível de afastamento. Erigida como um dogma, a autonomia da pessoa jurídica era sempre prestigiada e tida como fundamental, não se admitindo sua superação. A teoria da desconsideração da personalidade jurídica teve sua gênese no Fl. 5260DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 102 36 direito norteamericano que, sentindo as inovações produzidas pelo capitalismo industrial, dentre elas o uso indevido das corporations, utilizadas para execução de fins ilegítimos, fundamentandose na equity, passou a desconsiderar a pessoa jurídica para atingir a pessoa dos sócios que dela estavam se utilizando indevidamente; a.a.3) A Desconsideração no Direito Positivo Brasileiro • segundo Rubens Requião: "a desconsideração ou disregard doctrine não visa a anular a personalidade jurídica, mas somente desconsiderar, no caso concreto, dentro dos seus limites, a pessoa jurídica em relação às pessoas que atrás dela se escondem". O desenvolvimento da teoria da desconsideração da personalidade jurídica chegou ao direito brasileiro pela fala do referido autor, em palestra proferida na Universidade Federal do Paraná, baseando o raciocínio na fraude e no abuso de direito. A teoria prescinde de fundamentos legais para a sua aplicação, uma vez que nada mais justo do que conceder ao Estado, através da justiça, a faculdade de verificar se o direito está sendo adequadamente realizado. Apesar disso, o legislador houve por bem acolher a teoria da desconsideração em determinados dispositivos, quais sejam: "Artigo 28 da lei 8.078/90 Código de Defesa do Consumidor"; "Artigo 18 da lei 8.884/94 Lei Antitruste"; "Artigo 4 da lei 9.605/98 Lei do Meio Ambiente". Tais dispositivos, embora desprovidos da melhor técnica, por confundirem institutos diversos, acolhem ainda de maneira confusa a desconsideração no direito brasileiro; a.a.4) Pressupostos e Requisitos para a sua Admissibilidade • a Disregard Doctrine apresentase como um mecanismo de proteção contra o mau uso da sociedade mercantil, porém sua utilização não pode ser aleatória, ou seja, não basta o postulante se sentir lesado pela sociedade para desconsiderála. A lei e a doutrina estabeleceram que para a sua aplicação devese atender a alguns requisitos. Sendo assim, genericamente, ficou estabelecido que, quando o sócio utilizar a sociedade em desacordo com os fins para que fora concebida, praticando fraudes ou exorbitando de seu direito, é possível a desconsideração da personalidade jurídica para responsabilizálo pessoalmente. A aplicação da teoria fazse necessária nos casos em que é demonstrado que o sócio exerceu conduta faltosa, agindo com excesso de poderes, infringindo leis ou dispositivos do contrato social ou estatuto, vindo a causar prejuízo a terceiro de boafé, casos em que haverá responsabilização pessoal, solidária e ilimitada do sócio; • os casos de aplicação do instituto são ainda ampliados em diversas hipóteses, assim como falências, estado de insolvência, encerramento ou inatividade de sociedade mercantil, tudo provocado por mau uso da sociedade. Importa destacar que, mesmo que o Novo Código Civil tenha ampliado a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica, esta não é regra absoluta, pois encontra limites quando do exercício da atividade jurisdicional, conforme ensina Fábio Ulhoa Coelho (transcreve). A Fl. 5261DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 103 37 teoria da desconsideração, adotada pelo Novo Código Civil, em seu art. 50, necessita, para ser aplicada, da utilização fraudulenta da companhia pelos seus controladores. Necessária a presença de atos ilícitos ou abusivos que concorram para fraudar a lei, ou ao abuso de direito ou ainda para lesar terceiros. Segundo a maior parte dos doutrinadores brasileiros, dentre eles Márcio Souza Guimarães, o Brasil adotou, portanto, a teoria maior, ou seja, aquela em que a insuficiência patrimonial, a falência, a insolvência ou inadimplência não se apresentam, por si só, como causas para a desconsideração; • para que possa ser aplicada a teoria da desconsideração, deverá ser comprovada a ocorrência de desvio de finalidade ou confusão patrimonial. O desvio de finalidade nos remete ao afastamento dos objetivos sociais que foram previamente estabelecidos e instituídos no contrato social ou no seu estatuto. Portanto, em tese, qualquer ação que desvirtue, afaste os propósitos contratuais ou estatutários permitirá ao juiz o acolhimento do pedido de desconsideração. Percebese que tal hipótese é por demais abrangente, haja vista que vários casos configuram desvio de finalidade, dos quais podemos citar: a prática de atos de mágestão; o encerramento inesperado das atividades da sociedade; a ausência de bens para a satisfação de seu passivo; a dissolução irregular; atos de malícia; o fechamento de sua sede social sem que se tenha notícia de seu paradeiro, sem seu restabelecimento; fraude ou abuso de direito. Deverá o Juízo analisar o caso concreto para aplicar ou não a teoria da desconsideração. Assim, não havendo nenhuma dessas premissas, não podem, no caso concreto, ser incluídos como sujeito passivo da responsabilidade tributária os Impugnantes; Juntamente com as impugnações, os Requerentes trouxeram aos autos os documentos de fls. 4.133 a 4.272, 4.532 a 4.671 e 4.335 a 4.469. Às fls. 4.038 a 4.062, o Sr. Luis Carlos Echeverria Piva apresentou impugnação ao Auto de Infração, bem como ao Termo de Sujeição Passiva Solidária contra ele lavrado, contendo, resumidamente, as seguintes alegações: I OS FATOS ALEGADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO ORA IMPUGNADO • tratase de procedimento fiscal iniciado em relação à empresa Biopar, abrangendo o período de 01/2007 a 12/2012. Em seguida, transcreve trecho do Termo de Verificação Fiscal. Apesar dessa consideração inicial de que a infração fiscal apontada seria (ou deveria ter sido) lançada contra a Agropecuária Seival (que seria a verdade material dos fatos segundo a ótica dos Auditores Fiscais), escolheram discricionariamente por fazêlo contra a Biopar, buscando, a partir daí, a pretendida solidariedade passiva de Gado Bravo Administração e Participação Ltda., Agropecuária Seival Ltda, Eduardo Antônio Parera Sá e do ora impugnante, pretendendo que estes tivessem praticado atos e se beneficiado de ganhos e da sonegação fiscal que se teria caracterizado, apresentando a seguir, em seu entendimento, os fatos que teriam ensejado o lançamento. Alegam que a Biopar, constituída em 19/12/2006, com um capital de R$20.000,00 e que, em 29/08/2007, a Fl. 5262DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 104 38 Assembléia Geral incluiu no objeto social original a compra e venda de bens imóveis e arrendamento de terras, máquinas e outros bens, para exploração pecuária e agrícola. Informam que, em 20/04/2007, a AGE deliberou o aumento do capital social para R$ 549.243,00, sendo tal aumento subscrito e integralizado pela Agropecuária Seival, com uma área de terras denominada Fazenda Gado Bravo. Dizem que dita ata teria sido registrada na Junta Comercial em 04/09/2007. Aduzem que, em 21/05/2007, a Agropecuária Seival teria alienado suas 529.243 ações para o ora impugnante e este teria transferido, em 22/06/2007, 427.393 ações para a Gado Bravo e 50.925 para Eduardo Sá; • dizem ainda que, em 30/08/2007, o imóvel teria sido transferido para o Ativo Circulante Estoque da Biopar, que a alienou, em 21/09/2007, à Agrícola Xingu. Para tentar caracterizar a pretendida infração tributária, dizem os Auditores Fiscais que a Biopar escriturou a receita da venda da Fazenda Gado Bravo e apurou IRPJ e CSLL com base no lucro presumido, informando a receita da venda como receita da atividade, acrescentando que os valores de faturamento declarados pela Biopar em DIPJ são exatamente os valores pagos pela Agrícola Xingu pela compra do imóvel rural, dizendo que os fatos a seguir relatados mostrariam que o procedimento adotado pelo contribuinte infringiu a legislação tributária, reduzindo a base de cálculo dos tributos; • declaram que desde que foi constituída, a Biopar teria realizado uma única operação, qual fosse a venda dessa Fazenda, não tendo realizado nenhuma das atividades declaradas em seu objeto social. Acrescentam ainda que "A Agropecuária Seival explorou o imóvel rural como bem de capital, desde 1989, gerando a atividade rural, no decorrer dos anos, substantivo prejuízo fiscal. E não seria a mera operação contábil de transferência do ativo permanente para ativo circulante que desnaturaria a verdadeira essência do bem e da operação". Isso só reafirma que a consequência lógica dos fundamentos expostos determinaria que a operação devesse ter qualquer eventual lançamento direcionado contra a Agropecuária Seival e não mais contra a Biopar, sendo que, mesmo considerando o imóvel como integrante do seu ativo permanente até porque em relação a ela seu objeto social não contemplava negócios imobiliários a apuração de imposto pelo lucro real a que estava submetida importaria na possibilidade de redução do lucro, face ao substantivo prejuízo fiscal gerado ao longo dos anos e do próprio exercício. Isso tudo, como se verá mais adiante, configura causa mais do que suficiente para anulação do Auto de Infração ora impugnado; • sem prejuízo do acima apontado, alegam os AuditoresFiscais que, antes de ser efetuada a venda da Fazenda Gado Bravo, o contribuinte teria promovido alteração de seu contrato social, com o fim de reduzir indevidamente a carga tributária sobre o ganho de capital obtido na alienação. A questão da possibilidade de planejamento tributário está devidamente tratada na impugnação oferecida pela Biopar, a cujos fundamentos o ora impugnante se reporta, para evitar desnecessária repetição de tema, que, ademais, se acha plenamente pacificado na doutrina e na jurisprudência, que têm rechaçado as investidas indevidas do Fisco nesse campo. O certo é que na atuação da Biopar não houve qualquer ilicitude, tratandose de atos não Fl. 5263DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 105 39 vedados pela legislação tributária e sem qualquer margem à pretendida sonegação de impostos, até porque, como o próprio Auto de Infração reconhece, a Biopar não apenas escriturou devidamente a receita da venda da Fazenda Gado Bravo, como apurou o imposto de renda e CSLL, com base no lucro presumido, sendo que "Os valores de faturamento declarados pela Biopar, em DIPJ, são exatamente os valores pagos pela Agrícola Xingu pela compra do Imóvel"; • enveredam, então, os AuditoresFiscais no terreno pantanoso das suposições e indícios, afirmando, no Termo de Verificação Fiscal, que "É certo que antes mesmo da data da assembleia (29/08/2007), que determinou a mudança do objeto social da Biopar, já estavam em estágio avançado, em vias de conclusão, as negociações de alienação da propriedade rural integralizada na Biopar para a Agrícola Xingu, tendo em vista que o negócio foi formalizado menos de um mês depois. É razoável supor que uma negociação de tal complexidade exige tempo maior para se concluir. Corroboram essa constatação os documentos obtidos dos sócios da Biopar, como: a Resposta escrita da Biopar, de 09/08/2012; o Termo de Compromisso de Sigilo encaminhado à PETRÓLEO BRASILEIRO S/A. PETROBRÁS e à MITSUI & CO. LTD, de 09/04/2007 (data anterior à transferência da Fazenda Gado Bravo, da Agropecuária Seival para a Contribuinte fiscalizada); a Versão preliminar do Plano de Negócios, de abril/2007; Avaliação de Projetos Greenfield da Biopar"; • nesse tema, a manifestação do ora impugnante ao Termo de Intimação Fiscal n° 002, de 20/07/2012, fora extremamente clara, ao descrever que os contatos com a Petrobrás e a Mitsui, no sentido de desenvolvimento do projeto inicial da Biopar não haviam prosperado (transcreve). A se admitir as ilações feitas pelos AuditoresFiscais para tal conclusão, terseia de admitir que a Petrobrás tivesse servido de escada para a Mitsui, empresa estrangeira, obter outros fins que não aqueles do empreendimento que pretendia fazer com aquela, com o propósito de desenvolver a produção de etanol no País com fim exclusivo de exportação para o Japão. Por outras palavras, a Petrobrás teria servido para que a Mitsui, utilizando dados confidenciais obtidos, tivesse tido o propósito premeditado de realizar negócios de interesse particular exclusivo. Transcreve o rol de indícios apontados no Auto de Infração para tentar justificar a imputação tributária; • perguntase como a criação de uma empresa, no ano anterior (2006), com capital reduzido, integralizado em moeda e sem propósito de qualquer negócio imobiliário, poderia ser tido como revelador de um propósito inicial preconcebido de vender um imóvel com redução de carga tributária? Não teria passado pela mente dos Auditores que, se fosse o caso, teria sido mais fácil incluir no objeto social da Agropecuária Seival a venda de imóveis e adotar o lucro presumido nessa empresa, no exercício subsequente, isso se não fosse mais favorável permanecer no lucro real, diante dos reconhecidos prejuízos acumulados em anos anteriores dessa mesma empresa, caso o propósito fosse o de venda desse imóvel"? Não teria sido mais fácil, se o propósito inicial fosse vender o imóvel, ceder a uma nova empresa os direitos ad usucapionem, antes da sentença de usucapião, pelo valor que entendessem cabíveis, para que essa empresa viesse a alienálo depois, como bem Fl. 5264DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 106 40 entendesse e sob o regime tributário que melhor lhe conviesse? Depois, por que firmar, em 09/04/2007, um compromisso de confidencialidade com a Petrobrás e a Mitsui, visando operação absolutamente distinta da venda de imobiliário, que nem mesmo havia sido transferido para a Biopar? O ato praticado teria sido, então, visivelmente contraditório com o intuito apontado no Auto de Infração; • mais uma vez desconforme com o intuito pretendido pelos Auditores, qual fosse o da venda do imóvel com redução indevida de carga tributária, teria sido o fato de a Agropecuária Seival proceder à integralização do capital social com a Fazenda Gado Bravo, sem que essa empresa tivesse por objeto social, desde logo, a venda de imóveis. Todos os indícios até então apontados como tendentes a comprovar uma ação premeditada e dolosa, além de ilegal, de alienar o imóvel com redução de carga tributária, servem para evidenciar justamente o contrário do pretendido. Restam, portanto, em todo esse rol, a alteração do objeto social da empresa, para incluir a compra e venda de imóveis, o que traduz ato plenamente lícito, e a própria venda realizada, que revela apenas o negócio jurídico efetivamente realizado, destituído de qualquer outra intenção que não fosse o da compra e venda, negócio que configura contrato pactuado entre partes legítimas, com objeto e forma lícitos; II O DESCABIMENTO DA SOLIDARIEDADE PASSIVA PRETENDIDA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO • a pretensão de estabelecer solidariedade passiva entre as empresas e pessoas físicas consistiria no fato de serem elas "ligadas e constituírem grupo econômico, fato que, de início, já demonstra o interesse comum delas". Ora, é preciso ressaltar que o ora impugnante é, exclusivamente, acionista da Biopar, da qual detém 10%, sem qualquer participação nas demais sociedades. Dizem os AuditoresFiscais que "a transição para a atual configuração societária foi intermediada pelo sócio Luís Carlos Echeverria Piva e que os lucros auferidos com a alienação da Fazenda Gado Bravo pela Biopar teriam sido transferidos para seus sócios (acionistas), o que configura ato perfeitamente legítimo. Além disso, através da sociedade PIVA S/C DE ADVOCACIA, ele teria sido patrono de diversas causas de interesse de empresas do grupo, o que, de resto, decorre de informações prestadas pelo próprio sócio, sem qualquer reparo. Afirmam que "O sócio Luís Carlos Echeverria Piva atuou como interposta pessoa para transferência das ações da Biopar, da Agropecuária Seival para o Sr. Eduardo Antônio Parera e para a Gado Bravo Administração e Participações Ltda". Tratase de assertiva da maior gravidade e que conduz, também por isso, à nulidade do presente Auto de Infração, como se demonstrará; • com efeito, dizendo tratarse de "transação incomum realizada por esse sócio", concluem afirmando que "A sequência de operações realizadas pelo Sr. Luís Carlos Echeverria Piva teve o efeito prático de distribuição de ganhos decorrentes da valorização da Fazenda Gado Bravo, sem tributação, a ele mesmo e ao sócio da Biopar e da Agropecuária Seival, o Sr. Eduardo Sá (direta e indiretamente através da Gado Bravo Administração e Participações Ltda.)". Ora, não há dúvidas de que esses fatos deveriam conduzir os Fl. 5265DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 107 41 Auditores à desconstrução desses negócios, tidos como aparentes, com as cominações cabíveis. A consequência seria retornar a titularidade da Fazenda Gado Bravo para a Agropecuária Seival, diante da caracterização de distribuição disfarçada de lucros a acionista controlador, sendo esta, então, autuada, com as demais repercussões. Nada disso foi feito, pois, apesar de tudo, todos esses negócios reputados como fraudulentos permaneceram incólumes; • não há dúvida da nulidade do Auto de Infração, quando se afirma a ocorrência de distribuição disfarçada de lucros da Agropecuária Seival para o Eduardo Sá e se reconhece que haveria influência na determinação da base de cálculo da infração lançada, porque se o bem tivesse sido transferido pelo valor de avaliação, uma parte do ganho de capital seria tributado lá. O custo do imóvel contabilizado na Biopar seria esse, com a consequente tributação de menor ganho de capital aqui. Assim, diante da verdade material dos fatos, a base tributável deveria ser menor, não havendo como manterse hígido o Auto de Infração ora impugnado, atingido que está por insanável nulidade, uma vez que a própria base de cálculo se encontra confessadamente infirmada. Absolutamente inaceitável a escolha dos AuditoresFiscais, no sentido de que este lançamento supre a necessidade de lançamento na Agropecuária Seival. A atividade administrativa fiscal é ato vinculado, que não admite alvedrio ao administrador (transcreve textos de Hely Lopes Meirelles e Paulo de Barros Carvalho); • vejase que a escolha dos AuditoresFiscais agrava substancialmente a responsabilidade do ora impugnante, a quem atribuem solidariedade passiva. Esse agravamento não decorreria apenas da diminuição da base de cálculo da imputação, que já seria substancial, ou seja, de mais de 50%, mas também porque, a teor do disposto no artigo 283 do Código Civil, o devedor que satisfizer a dívida teria direito de exigir de cada um dos codevedores a sua quota, dividindose entre todos a do insolvente. Ora, se, como reconhece o próprio Auto de Infração, a infração de distribuição disfarçada de lucros devesse ser imputada à Agropecuária Seival, que, inclusive, detém patrimônio capaz de responder por isso, a quota de responsabilidade do ora impugnante seria reduzida consideravelmente. Sem prejuízo de, quando haja solidariedade, o credor tenha direito de exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, total ou parcialmente a dívida comum (art. 275 do CC), o artigo 278 do diploma civil não admite a imposição de agravamento da posição de qualquer dos devedores; • o cerne da questão reside no fato de que, sendo ato vinculado, não haveria margem à escolha feita pelos AuditoresFiscais, que importou em substancial aumento da base de cálculo. Caso, por mera hipótese, pudesse ser considerada sanável a nulidade apontada, caberia perícia para avaliar o valor da Fazenda Gado Bravo, transferida para a Biopar, caso não seja considerado o valor de R$ 21.780.000,00, mas, mesmo assim, a perícia seria necessária para avaliar o valor das outorgas d'água (de titularidade de Eduardo Sá), que integraram o preço do contrato de compra e venda firmado com a Agrícola Xingu, como expressamente reconhecido no Auto de Infração. Assim, o valor da presente autuação deveria levar em conta a diminuição do ganho de capital pretendido, à vista de todos esses fatores; Fl. 5266DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 108 42 • uma vez que a transmissão dos direitos de água integrou o negócio e, portanto, o seu preço, sendo de titularidade de Eduardo Sá, que, nessa condição, firmou a escritura em nome próprio, sobretudo quando os AuditoresFiscais pretendem que o negócio seja tributado na Biopar pelo lucro real, impõese a realização de prova pericial para a quantificação de seu valor, imputável exclusivamente a Eduardo Sá, como ganho de capital, sujeito à alíquota de 15%, muito inferior à que incidiria sobre o ganho de capital imputado à Biopar. Destaquese que, sobre o valor assim apurado, não haveria como se impor a multa confiscatória de 150%. Assim, tudo isso evidencia, mais uma vez, a nulidade do presente Auto de Infração, uma vez que a escolha feita pelos AuditoresFiscais configura propósito confiscatório, ao gerar pretendidas responsabilidades tributárias exacerbadas de forma contrária à lei e aos direitos individuais assegurados pela própria Constituição Federal; III DA MULTA • para aplicação da multa de 150%, que tem natureza confiscatória, os AuditoresFiscais pretenderam a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, repisando os fatos narrados nos tópicos já acima comentados, que, se ocorridos, deveriam ter conduzido à imputação de distribuição disfarçada de lucros à Agropecuária Seival, o que não ocorreu. Tais fatos não podem servir para tipificar a hipótese de agravamento de multa ao grau máximo no caso presente, onde, tãosomente, restaria a discussão sobre a licitude ou não de ter sido a operação de venda da Fazenda Gado Bravo albergada pelo regime do lucro presumido, o que, de resto, a defesa apresentada pela Biopar, aqui expressamente ratificada, cuidou de demonstrar sua exação; IV RATIFICAÇÃO EXPRESSA DOS DEMAIS TERMOS CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO OFERECIDA PELA BIOPAR • ficam aqui expressamente ratificados os demais termos constantes da impugnação oferecida pela Biopar. Sem dúvida, o Auto de Infração impugnado se reveste de natureza confiscatória, fruto de escolhas ilegítimas de quem não detém poder discricionário para tanto, tratandose, como se trata, de atos vinculados ou regulados. Isso posto, requer o acolhimento da presente impugnação, sobretudo para que seja decretada a anulação do Auto de Infração sob pena de vir a ser buscada judicialmente , ou, caso, por mera hipótese, venha a ser considerada sanável a nulidade, para que se determine a realização de perícia, para o que o ora impugnante, desde logo, protesta pela apresentação de quesitos e de assistente técnico. Juntamente com a impugnação, o Requerente trouxe aos autos os documentos de fls. 4.063 a 4.068. Fl. 5267DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 109 43 A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. Descabe a arguição de nulidade nos casos em que os Autos de Infração foram lavrados por autoridade fiscal competente e que o procedimento fiscal foi realizado em total consonância com a legislação vigente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Restando comprovado que os sujeitos passivos tiveram acesso a todos os documentos e elementos de prova constantes dos autos do processo e que os acréscimos legais exigidos foram corretamente calculados e devidamente explicados nos autos de infração, proporcionandolhes o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa, consideramse irrelevantes as alegações de cerceamento de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser negadas as solicitações de perícia consideradas desnecessárias à solução do litígio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ALEGAÇÃO INFIRMADA. É inconsistente a alegação de que os fatos apontados pelas autoridades fiscais deveriam, necessariamente, conduzilas a direcionar o lançamento para outro sujeito passivo, na condição de contribuinte, haja vista que a infração verificada na empresa fiscalizada foi perfeitamente caracterizada, não cabendo aqui cogitarse das possíveis repercussões que um hipotético lançamento precedente, caso realizado contra pessoa jurídica distinta, poderia trazer ao presente lançamento. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A comprovação nos autos da existência de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, por parte dos interessados apontados como responsáveis solidários entre si, e de todos em relação ao contribuinte, caracteriza a solidariedade e justifica a reunião das empresas e das pessoas físicas indicadas nos autos de infração no mesmo polo passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. OMISSÃO DE RECEITA NÃOOPERACIONAL. Fl. 5268DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 110 44 O ganho de capital obtido na alienação de bem do ativo imobilizado constitui resultado nãooperacional a ser acrescido ao lucro presumido, para efeito de cálculo do imposto de renda, e corresponderá à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil, independentemente de qualquer iniciativa da pessoa jurídica, no sentido de alterar o objeto social da empresa e de transferir o referido bem para o ativo circulante, segundo critérios de sua conveniência, sob a alegação de que seriam destinados à venda. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Os atos ilícitos praticados pelo contribuinte e pelos responsáveis tributários, dentre os quais a simulação, por interposição de pessoa, configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou ainda visando a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar o seu pagamento, demonstrando o objetivo de sonegação de tributos, e sujeitam a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do SELIC está amparada em lei ordinária e não contraria disposições constitucionais. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento. Irresignados com a decisão de primeira instância, a empresa(fls. 4.959/5.014) e pelos Responsáveis tributários interpuseram os respectivos recursos voluntários a este CARF (Eduardo Sá (fls. 5015/5.048), Fazenda Grado Bravo(5049/5106) e Agropecuária Seival (5107/5150) e Luiz Carlos Piva (fls. 5153/51175) repisando os tópicos aduzidos anteriormente nas respectivas impugnações. Contrarrazões às fls. 5.191/5.223. É o relatório. Fl. 5269DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 111 45 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos voluntários apresentados pela empresa e por todos os responsáveis solidários preenchem os requisitos legais para admissibilidade. Quase a totalidade dos argumentos de defesa são comuns a autuada e aos interessados solidários que se defenderam e, por esse motivo serão apreciados conjuntamente neste voto, sendo de individualizar se necessário. De inicio é importante frisar que esta autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações da defesa, nem a todos os fundamentos nela indicados, ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Esse inclusive é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, STJ, nos REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e REsp 876271/SP, julgado em 13/02/20. Cabe ainda esclarecer que na apreciação da prova, a autoridade julgadora pode formar livremente sua convicção fundamentada nos elementos produzidos nos autos, amparada no princípio da persuasão racional (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Passo então a analisar cada uma das questões. Preliminares de nulidade As Recorrentes enfileiram uma série de nulidades contra os autos de infração, mas que se tratam na verdade de questões meritórias, não passíveis de nulidade e que irão ser destacadas e enfrentadas mais adiante neste voto. Cabe ainda salientar que a empresa recorrente nunca teve seu direito de defesa preterido, na medida em que foi intimada de todos os atos praticados pela fiscalização, de modo que teve conhecimento de todas as provas juntadas ao processo, dos argumentos invocados pela autoridade fiscal, das medidas adotadas pela fiscalização. Também em nenhum momento de sua defesa, demonstra o efeito prejuízo que teve no seu direito de defesa de todas essas alegações de nulidade. Há que se ter em conta sempre que o ato processual apesar de ter forma e prazos previstos em lei, devendo ser aplicados, entretanto o principio da instrumentalidade das formas, o qual preza pelo efeito do ato em detrimento do apego ao formalismo exacerbado, torna o ato válido e eficaz de pleno direito. O ônus de provar o prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitandose a entrar em um argumento circular em que apenas a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade. Decadência Lançamento e das Responsabilidades tributárias Fl. 5270DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 112 46 As Recorrentes pleiteiam o acolhimento da decadência, todas se utilizando do mesmo discurso. Em seu recurso voluntário, a empresa Biopar e as demais responsáveis solidários em discurso semelhante, assim defendem o acolhimento da decadência pelo art. 150, Parágrafo 4ª do CTN: 2.1.1.2 Estes atos concatenados, por sua vez, são enumerados e qualificados pela fiscalização, de onde se destacam as seguintes operações: (i) em 19/12/2006, a constituição da Biopar S/A (Recorrente); (ii) em 24/04/2007, o aumento de capital da Biopar, que foi integralmente subscrito pela Agropecuária Seival com o imóvel denominado "Fazenda Gado Bravo"; (iii) em 21/05/2007, a alienação das ações da Biopar, recebidas pela Agropecuária Seival, ao Sr. Luis Piva; (iv) em 22/06/2007, a alienação departe das ações da Biopar, pelo Sr. Luis Piva, ao Sr. Eduardo Sá e à Gado Bravo Administração e Participação; (v) em 29/08/2007, a inclusão no objeto social da Biopar da atividade de "compra de bens imóveis e arrendamento de terras, máquinas e outros bens, para exploração pecuária e agrícola"; (iv) em 21/09/2007, a alienação, pela Biopar, da Fazenda Gado Bravo à Agropecuária Xingu. 2 A.1.3 Verificase, portanto, que todos os alegados "atos concatenados", dos quais se extraem a responsabilidade solidária e a aplicação de multa qualificada, foram praticados entre 19/12/2006 e 21/09/2007. (...) 2.1.1.10 O auto de lançamento, no entanto, só foi lavrado em 06/12/2012, depois de ultrapassado o prazo de cinco anos exigido para a validade da glosa das informações prestadas pelo contribuinte. Inafastável, portanto, a decadência do direito da Fazenda Nacional de questionar as operações ora discutidas. É o que dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4o Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifos do original) Porém, os fatos relevantes para a contagem do prazo decadencial é mesmo a alienação da Fazenda Gado Bravo e não o seu entorno, o seu contexto. E, conforme relatado a alienação se deu efetivamente em 21/09/2007, e os recebimentos parcelados até 2010. A primeira parcela de R$ 11.655.000,00 foi recebida em 21/09/2007. Havendo sido demonstrado em tópico mais adiante o intuito de fraude, o dolo, a simulação e o conluio, o prazo de decadência não é mais contado da data de ocorrência do fato gerado (4o do art. 150 do CTN), como quer fazer crer os recorrentes, mas a partir do art. 173, I do CTN, pois conforme acima, a lei faz a seguinte ressalva " salvo se comprovada a ocorrência Fl. 5271DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 113 47 de dolo, fraude ou simulação", que é o caso. E esse também é o entendimento consolidado do STJ. Nesse caso, o prazo se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter ser efetuado, qual seja, 1º de janeiro de 2008, decaindo somente em 1º de janeiro de 2013, podendo o ganho de capital recebido em 21/09/2007 ser lançado de ofício até 31/12/2012. A decadência das responsabilidades tributárias acompanham também esse mesmo raciocínio. Portanto, afasto a decadência. MÉRITO Conforme relatado, a lide gira em torno da falta de apuração e tributação do ganho de capital decorrente da alienação de uma área de terra denominada Fazenda Gado Bravo, realizada em 21/09/2007, pela Autuada (Biopar S/A), para a Agrícola Xingu S/A. Em função disso, a fiscalização tratou de lavrar o lançamento do IRPJ/CSLL, relativo ao 3° trimestre do anocalendário de 2007, 3° trimestre do anocalendário de 2008, 2° trimestre do anocalendário de 2009 e 2° trimestre do anocalendário de 2010. A referida operação de venda foi feita parceladamente, sendo a 1a parcela, no valor de R$11.655.000, em 21/09/2007; as 2a, 3a, 4a e 5a parcelas, todas no valor de R$4.275.000,00, em 14/07/2008; a 6a parcela, no valor de R$10.320.000,00, em 17/06/2009; e a 7a parcela, no valor de R$7.440.000,00, em 21/06/2010, totalizando R$46.515.000,00. Tais valores foram contabilizados como receita da atividade, pelo regime de caixa, e tributados com base no lucro presumido, reduzindo, indevidamente, segundo a fiscalização, a base de cálculo dos tributos. Também foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária, de fls. 78 a 87, responsabilizando os sócios da Autuada (em todos os períodos ou em parte deles): o Sr. Eduardo Antônio Parera Sá, o Sr. Luís Carlos Echeverria Piva e as pessoas jurídicas Gado Bravo Administração e Participação Ltda. e Agropecuária Seival Ltda., todas ligadas entre si e integrantes de um mesmo grupo econômico. Por bem contextualizar de forma resumida a contenda, transcreve parte da decisão de piso: Antes de tudo, há que se fazer um breve histórico dos fatos observados pelo Fisco, que culminaram com a lavratura dos Autos de Infração ora contestados. Criada em 19/12/2006, com um capital social de R$20.000,00, a Biopar tinha, inicialmente, como sócios os Srs. Eduardo Sá (4.000 ações/20%) e Luís Carlos Piva (4.000 ações/20%) e a empresa Gado Bravo (12.000 ações/60%). Seu objetivo social era: "exploração de atividade agroindustrial, com objetivo de produção de produtos agrícolas, beneficiamento e comercialização dos mesmos; geração e exploração comercial de energia alternativa; importação e exportação". Fl. 5272DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 114 48 Em 20/04/2007, conforme deliberado em Assembleia Geral, cuja ata foi registrada na Junta Comercial do Estado da Bahia (JUCEB) em 04/09/2007, o capital social da Biopar foi aumentado para R$549.243,00, sendo emitidas 529.243 ações, subscritas e integralizadas pela Agropecuária Seival, mediante a entrega da Fazenda Gado Bravo, de sua propriedade, até então registrada no seu ativo imobilizado. Em 21/05/2007, um mês após a aquisição das ações, a Agropecuária Seival alienouas para o Sr. Luís Carlos Piva (sócio da Biopar), que repassou, logo depois, em 22/06/2007, 427.393 ações para a empresa Gado Bravo e 50.925 ações para o Sr. Eduardo Sá, também sócios da Biopar, ficando com 50.925 ações, além das 4.000 iniciais. Desse modo, os Srs. Eduardo Sá e Luís Carlos Piva passaram a deter, cada um, 54.925 ações da Biopar (10%), enquanto a pessoa jurídica Gado Bravo ficou com 439.393 ações da Biopar (80%). Vale salientar que o Sr. Eduardo Sá era sócio majoritário tanto da empresa Gado Bravo, na qual possuía uma participação de 80% (os outros 20% do capital pertenciam a Paula Guedes Sá), quanto da Agropecuária Seival, na qual participava com 99,97% do capital social (0,03% do capital pertenciam a Leonardo Leite Machado). A Assembléia Geral Extraordinária (AGE) realizada em 28/08/2007 deliberou por alterar o objeto social da Biopar, retirando a atividade de importação e exportação e acrescentando a atividade de "compra de bens imóveis e arrendamento de terras, máquinas e outros bens, para exploração pecuária e agrícola". A ata da AGE foi registrada na JUCEB em 08/10/2007. A Fazenda Gado Bravo que, desde 20/04/2007, quando de sua incorporação ao patrimônio da Biopar mediante a integralização de capital realizada pela Agropecuária Seival, estava contabilizada no "Ativo Imobilizado Imóveis" da Biopar, em 30/08/2007, foi transferida para o "Ativo Circulante Estoques". Em 21/09/2007, a Biopar alienou a Fazenda Gado Bravo para a Agrícola Xingu, por R$38.115.000,00, a prazo, com base no valor da saca de soja, em 2007, tendo o valor total atingido o montante de R$46.515.000,00, recebido de 2007 a 2010. A Biopar escriturou os valores recebidos da Agrícola Xingu como oriundos da atividade rural e os incluiu na base de cálculo do lucro presumido, sobre a qual incidiram as alíquotas de 8% e 12%, respectivamente, quando da apuração do IRPJ e da CSLL, e repassou imediatamente o montante integral dos ganhos financeiros para os sócios, como demonstrado nas movimentações financeiras e nos lançamentos contábeis referentes à distribuição de lucros. Desde sua constituição, a única operação realizada pela Biopar foi a venda da Fazenda Gado Bravo, o que impediu a continuidade de seu principal objetivo: o de exercer atividade agroindustrial. As demais atividades previstas no objeto social da empresa, quais sejam, importação e exportação, participação no capital social de outras sociedades, compra de bens imóveis e arrendamento de terras, máquinas e outros bens, nunca foram praticadas. Os representantes da Biopar declararam que a razão da transferência da Fazenda Gado Bravo, da Agropecuária Seival para a Biopar, seria a implantação de um pólo industrial de produção de biocombustíveis, já que a região era propícia para o plantio de canadeaçúcar, matériaprima para a produção de álcool anidro, com fins de exportação, ainda mais considerando as outorgas d'água concedidas ao Sr. Fl. 5273DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 115 49 Eduardo Sá pelos órgãos oficiais do Estado da Bahia, que permitiam a utilização dos recursos hídricos existentes na região. Nesse sentido, teriam buscado parcerias com possíveis financiadores do empreendimento, destacandose as tratativas comerciais mantidas com as empresas Petrobrás e Mitsui, com as quais chegou a assinar um Termo de Compromisso de Sigilo. Tendo em vista não ter prosperado o projeto de produção de biocombustíveis, em face da dificuldade de arregimentar acionistas com capacidade para financiar o negócio, a Biopar teria decidido vender a Fazenda Gado Bravo para a Agrícola Xingu (incluindo o projeto industrial), que estava associada a importantes grupos internacionais ligados à própria Mitsui. Segundo informações colhidas, a Agrícola Xingu implementou o empreendimento, cujo projeto foi adquirido da Biopar. Pois bem, a partir do farto conjunto probatório coligido pelo autuante, e resumido acima, é de concluir sem dúvida alguma que as operações realizadas em seu conjunto ocorreram de forma simulada, sem nenhum propósito negocial a não ser fraudar a incidência da norma prevista no art. 523 do RIR/99, e fugindo do ganho de capital. Passemos para isso a tratar agora dos indícios convergentes muito bem delineados pela fiscalização a indicar a simulação/fraude a lei, fugindo assim da tributação do ganho de capital e reduzindo sua carga tributária via lucro presumido (atividade operacional): A demonstração da falta de propósito negocial algum no negócio jurídico de integralização de capital na Biopar, pela Agropecuária Seival, por meio da entrega da Fazenda Gado Bravo, por R$529.243,00, abaixo do preço de mercado, com o único objetivo dessa venda se dar com redução da carga tributária via lucro presumido. O primeiro ponto relevante a ser considerado nessas transações passo a passo foi a interposição do Sr. Luis Carlos Piva na venda das ações da Biopar, realizada pela Agropecuária Seival para o Sr Eduardo Sá e para a empresa Gado Bravo, foi claramente simulada, tratandose de um negócio apenas aparente, que teria ocorrido no mesmo dia do negócio real, objetivando esconder o repasse direto das ações da Biopar para seu sócio controlador, o Sr Eduardo Sá, até porque a legislação de regência considera distribuição disfarçada de lucro a alienação de bem do ativo a pessoa ligada, por valor notoriamente inferior ao valor de mercado. alteração do objeto social da Biopar, incluindo a atividade de compra de bens imóveis e arrendamento de terras, máquinas e outros bens, para exploração pecuária e agrícola, de forma simulada, com o único objetivo de abrir as portas para o passo seguinte, que seria tributar as receitas da venda da fazenda como se fosse oriunda da atividade operacional da empresa. Cabe salientar que a única operação realizada pela Biopar desde sua constituição foi a venda da Fazenda Gado Bravo, lembrando que o seu principal objetivo era o de exercer atividade agroindustrial. (As demais atividades previstas no objeto social da empresa, quais sejam, importação e exportação, participação no capital social de outras sociedades, compra de bens imóveis e arrendamento de terras, máquinas e outros bens, nunca foram praticadas). Esse tópico será melhor explanado quando da análise das contestações específicas logo a seguir. Ficou comprovado que, desde 20/04/2007, quando a Agropecuária Seival transferiu a Fazenda Gado Bravo para a Biopar, a título de integralização de capital, ou, no máximo, desde 21/05/2007, quando a Agropecuária Seival teria alienado suas ações da Biopar para o Sr. Luís Carlos Piva, a Biopar já havia desistido da implantação do projeto Fl. 5274DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 116 50 industrial, inexistindo qualquer outro motivo para alterar seu objeto social que não fosse o propósito de alienar a Fazenda Gado Bravo, como o fez a menos de um mês depois da alteração contratual em condições tributárias bem mais vantajosas, ainda que, para tenha se utilizado de meios ilícitos. Esse tópico será complementado quando da análise das contestações específicas logo a seguir. Na sequência, a Biopar escriturou os valores recebidos da Agrícola Xingu como oriundos da atividade rural e os incluiu na base de cálculo do lucro presumido, sobre a qual incidiram as alíquotas de 8% e 12%, respectivamente, quando da apuração do IRPJ e da CSLL, e ficando comprovado o repasse imediato dos ganhos financeiros para os sócios, como demonstrado nas movimentações financeiras e nos lançamentos contábeis referentes à distribuição de lucros. Outrossim, apenas para argumentar ainda cabe salientar contra as pretensões de cancelamento do auto de infração que o arquivamento na JUCEB da alteração contratual foi realizado depois do prazo de trinta dias contados da data da AGE (29/08/2007), e assim seus efeitos foram produzidos apenas a partir da data do registro (08/10/2007), ou seja, considerase que, por ocasião da alienação da Fazenda Gado Bravo, em 21/09/2007, o objeto social da Biopar, ainda continuava o mesmo daquele previsto desde a sua constituição. Contestações específicas Vejamos as contestações específicas que os interessados opuseram contra essa conclusão chegada pela fiscalização e também pelo presente voto. Argumento a favor da licitude da mudança do seu objeto social Alega que a partir de concretizado a desistência de executar o projeto agroindustrial, a alteração no objeto social da Biopar, efetuada em 29/08/2007, foi lícita ao acrescentar as atividades de compra e venda de bens imóveis e arrendamento de terras, tudo como única finalidade permitir a aquisição ou o arrendamento de uma área maior do que a ocupada pela Fazenda Gado Bravo (12.100 hectares), para fins de viabilizar a implantação do projeto pretendido, que requeria uma área bem maior cerca de 27.000 hectares. Em primeiro lugar, há que se dizer que nesse argumento existe uma grande contradição como foi bem percebido pela DRJ: (...) caso a verdadeira intenção da Biopar fosse adquirir novas terras, para nelas implantar o empreendimento planejado, ou seja, explorar a atividade agroindustrial, razão principal de sua constituição, aí mesmo é que não faria qualquer sentido alterar o objeto social da empresa para incluir a atividade de compra e venda de imóveis e reclassificar contabilmente o imóvel rural de sua propriedade, retirandoo do ativo imobilizado para registrálo no ativo circulante, como se fosse uma "mercadoria" destinada à negociação imobiliária. Fl. 5275DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 117 51 Afora isso, a DRJ de forma bem detalhada e percuciente desconstruiu totalmente essa argumentação da recorrente, não tendo sido infirmada em sede recursal por nenhum dos interessados, motivo pelo qual também adoto aqui os fundamentos da DRJ como razões de decidir: A Impugnante alega que, para a implantação do projeto de produção de álcool, seria necessária uma área de cerca de 27.000 hectares, enquanto a área da Fazenda Gado Bravo era de apenas 12.100 hectares. Assim, a alteração no objeto social da Biopar teria se dado com o único intuito de propiciar a compra ou o arrendamento de uma área maior, que permitisse a implementação do projeto. Contudo, mais tarde, constatou que, com uma manobra comercial, a Agrícola Xingu havia adquirido todas as terras em volta da Fazenda Gado Bravo, antes de fazer uma proposta de compra do imóvel, tratandose, portanto, de uma oportunidade negocial que lhe teria sido imposta pelas circunstâncias. Quanto ao registro da alteração contratual na JUCEB ter ocorrido posteriormente à alienação do imóvel, afirma que tal registro não é exigido pela Lei n° 6.404, de 1976, servindo apenas para dar publicidade ao ato, não servindo como requisito de validade do negócio jurídico pactuado entre as partes, conforme dispositivos do Código Civil Brasileiro (CCB). Na verdade, a análise dos autos revela que os fatos não se passaram dessa forma. Senão vejamos: a Autuada teria mantido contato com a Petrobrás e a Mitsui, com vistas a captar recursos para a implantação do referido projeto, sendo que, em 09/04/2007, chegou a encaminhar a essas empresas um Termo de Compromisso de Sigilo, pelo qual se obrigava a manter sigilo sobre possíveis tratativas. O máximo que se pode extrair do sobredito documento, de fls. 1.692 a 1.694, além do propósito intrínseco que encerrava, está contido no seguinte trecho: "... a INTERESSADA pretende entrar em tratativas comerciais com PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS e com MITSUI & CO. LTD. visando estabelecer, no futuro, cooperação e acordos comerciais, através de instrumento jurídico próprio;" Observase que o citado Termo revela a pretensão da Biopar de manter tratativas comerciais com aquelas empresas, não especificando, todavia, o tipo de negócio objeto das sigilosas conversas que seriam entabuladas. De qualquer forma, isso significa que, em abril de 2007, a Biopar já havia estabelecido conversações com a Petrobrás e a Mitsui e que, segundo a Impugnante que pretendia aprofundá las , o propósito seria obter financiamento para levar adiante o projeto industrial de implantação de uma usina de álcool. Respondendo ao Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 0001, à fl. 1.356, recebido em 21/07/2012, a Biopar, em 09/08/2012, assim pronunciouse, às fls. 1.473 a 1.475: "... Em meados de 2007 a Agricola Xingu, com o propósito de ampliar os investimentos na região, em associação com importantes grupos internacionais, tendo por objetivo a produção de biocombustiveis, apresentou proposta de aquisição do projeto desenvolvido...". Sem dúvida, a expressão "Em meados de 2007" não é muito apropriada para fins de identificar, com precisão, quando a Agrícola Xingu teria apresentado a proposta para adquirir o projeto (entendase a Fazenda Gado Bravo). Sabese, no entanto, que "os importantes grupos internacionais" com os quais a Agrícola Xingu estava associada, no intuito de adquirir o imóvel rural e por em prática o aludido projeto industrial, incluíam a própria Mitsui (empresa que, à mesma época, mantinha contatos com a Biopar para financiar o projeto) e que, juntamente com outras duas empresas, controlavam Fl. 5276DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 118 52 indiretamente a Agrícola Xingu que, pouco depois, viria a adquirir a Fazenda Gado Bravo. Por seu turno, o Sr. Eduardo Sá, sócio da Biopar e controlador do grupo de empresas do qual ela fazia parte, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 004, de fls. 1.362 a 1.363, que recebeu em 24/07/2012, apresentou o documento de fls. 1.476 a 1.478, no qual declarou: "... Em meados de 2007, quando se desenvolviam negociações para captação de investidores que aportassem os recursos necessários para a implantação do projeto, a empresa recebeu proposta para aquisição do projeto...". Apesar de novamente aparecer a imprecisa expressão "Em meados de 2007", a declaração do Sr. Eduardo Sá não deixa qualquer dúvida de que a proposta da Agrícola Xingu para aquisição da Fazenda Gado Bravo foi realizada durante as negociações que a Biopar mantinha com a Mitsui (uma das empresas controladoras indiretas da Agrícola Xingu), no sentido de captar recursos para implantação do empreendimento industrial. Ainda que não seja possível afirmar com exatidão, todos os fatos aqui relatados levam a crer, tendo em conta as datas em que ocorreram e as próprias declarações dos sócios e representantes das pessoas jurídicas envolvidas, que, em 20/04/2007, quando a Autuada decidiu em AGE que a Agropecuária Seival subscreveria e integralizaria capital na Biopar, mediante a entrega da Fazenda Gado Bravo, a proposta de aquisição deste imóvel já havia sido apresentada pela Agrícola Xingu. Reforçam esse entendimento alguns fatos como, por exemplo, o reconhecimento pela própria Impugnante de que, antes mesmo de realizar a proposta de compra do projeto da Biopar, a Agrícola Xingu já havia adquirido todas as terras no entorno, inviabilizando a implantação do projeto, na medida em que somente os 12.100 hectares da Fazenda Gado Bravos seriam insuficientes para implementálo. No mesmo sentido, parece desprovida de qualquer lógica empresarial a hipótese de que a Mitsui resolvesse financiar um projeto a ser desenvolvido por terceiro (a Biopar), quando a Agrícola Xingu subsidiária integral da empresa Multigrain AG que, por sua vez, tinha como uma de suas controladoras a própria Mitsui também mantinha interesse no negócio, tanto que, visando credenciarse a implantálo, passou a comprar todas as áreas em torno da Fazenda Gado Bravo, em cujas terras situavamse os recursos hídricos necessários ao empreendimento, tendo, inclusive, apresentado à Biopar proposta para adquirir o referido imóvel, o que viria a acontecer pouco depois. Outra circunstância que aliada às demais acima citadas convergem para a inevitável dedução de que quando a Fazenda Gado Bravo foi transferida, a título de aporte de capital, da Agropecuária Seival para a Biopar, em 20/04/2007, esta última não só já havia recebido da Agrícola Xingu proposta de aquisição do imóvel, como também já decidira por sua aceitação, reside no fato de que em 21/05/2007, apenas um mês depois daquele evento, a Agropecuária Seival teria alienado para o Sr. Luís Carlos Piva a totalidade das ações da Biopar (da qual ele era sócio) que acabara de adquirir, sob a justificativa de que as negociações com a Petrobrás e a Mtsui não teriam obtido êxito e que, por isso, a Biopar desistira do empreendimento. Fl. 5277DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 119 53 O próprio Sr. Luís Carlos Piva foi quem assim se manifestou, em 31/07/2012, conforme documento de fls. 1.387 a 1.394, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 002, recepcionado em 24/07/2012. (...) Resta então patente que, desde 20/04/2007, quando a Agropecuária Seival transferiu a Fazenda Gado Bravo para a Biopar, a título de integralização de capital, ou, no máximo, desde 21/05/2007, quando a Agropecuária Seival teria alienado suas ações da Biopar para o Sr. Luís Carlos Piva, a Biopar já havia desistido da implantação do projeto industrial, inexistindo qualquer outro motivo para alterar seu objeto social, conforme levado a efeito pela Autuada, que não fosse o propósito de alienar a Fazenda Gado Bravo como alienou, em 21/09/2007, menos de um mês depois da alteração contratual em condições tributárias bem mais vantajosas, ainda que, para tanto, tenha infringido a legislação de regência, além de, deliberadamente, utilizarse de meios ilícitos. Portanto, seguindo um plano adredemente arquitetado, posto em prática por meio da execução de diversos atos sucessivos, que culminaram justamente com a venda da Fazenda Gado Bravo para a Agrícola Xingu, a Autuada, em vez de apurar o respectivo ganho de capital decorrente da operação, optou, de forma irregular, por contabilizar a receita auferida como se operacional fosse, vindo a tributála com base no lucro presumido, procedimento este cuja licitude intenta defender, amparandose no simplório e insustentável raciocínio de que, após ter procedido à mencionada alteração contratual, a atividade de compra e venda de bens imóveis passou a integrar o rol de atividades previstas no seu objeto social. Argumento de que o Ganho de capital deveria ter sido lançado na Agropecuária Seival Alegou a Recorrente que o lançamento foi equivocado, pois, se houve algum ganho de capital, este deveria ser tributado na Agropecuária Seival e não na Biopar, já que Agropecuária Seival era quem detinha a propriedade da Fazenda Gado Bravo, por R$529.243,00, valor pelo qual a entregou à Biopar, integralizando capital, quando, na verdade, a operação tratou da alienação do imóvel por R$21.780.000,00, obtendose um ganho de capital de R$21.250.757,00. Se a operação for vista de forma isolada, como consta do entendimento do Parecer Normativo CST n° 18, de 22/05/1981, explicando o artigo 1° do DecretoLei n° 1.641, de 1978, por se tratar de integralização de bem imóvel feito de pessoa jurídica a pessoa jurídica, e não de pessoa física a pessoa jurídica, não há previsão legal para se tributar o ganho de capital como se alienação fosse essa operação. Se cogitarmos de ver a operação como um todo, também sem razão a Recorrente. É que apesar de tudo indicar que a Biopar seria uma mera empresa de fachada, constituída apenas para vender a Fazenda Gado Bravo e fugir do ganho de capital, novos documentos apresentados pelos sócios da Autuada alteraram esse contexto, qual seja, que de fato inicialmente os sócios cogitavam da exploração de atividade agroindustrial, em conformidade com projeto industrial e versão preliminar de plano de negócios anexados aos autos deste processo, ainda que tais objetivos iniciais não tenham se concretizado. Fl. 5278DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 120 54 Nesse novo quadro, havia matéria tributável tanto na Agropecuária Seival quanto na Biopar, não podendo opor agora essa situação levantada pela própria empresa como oponível ao fisco, pois seria ir contra o princípio do direito de que não se pode alegar em sua defesa a própria torpeza para de alguma forma se beneficiar. Portanto, não há que se falar em erro de ilegitimidade passiva ocorrido no lançamento, na medida que a Biopar deixou de apurar e oferecer à tributação o ganho de capital correspondente à alienação, para a Agrícola Xingu, da Fazenda Gado Bravo. A simulação estaria na sequência de passos (steps transactions) seguintes conforme já se colocou alhures. Argumento a favor da eficácia do registro da mudança do seu objeto social Como já se colocou retro, contra as pretensões de cancelamento do auto de infração ainda existe o argumento subsidiário de que o arquivamento na JUCEB da alteração contratual foi realizado depois do prazo de trinta dias contados da data da AGE (29/08/2007), e assim seus efeitos foram produzidos apenas a partir da data do registro (08/10/2007), ou seja, considerase que, por ocasião da alienação da Fazenda Gado Bravo, em 21/09/2007, o objeto social da Biopar, ainda continuava o mesmo daquele previsto desde a sua constituição. Contra essa situação, a Recorrente alega que a Lei n° 6.404, de 1976, que dispõe sobre as sociedades por ações, prescinde do registro da ata da AGE na Junta Comercial. A esse respeito, transcrevo os artigos 94, 95, V, e 135, § 1°, da referida lei: Art. 94. Nenhuma companhia poderá funcionar sem que sejam arquivados e publicados seus atos constitutivos. Art. 95. Se a companhia houver sido constituída por deliberação em assembléiageral, deverão ser arquivados no registro do comércio do lugar da sede: (...); V duplicata da ata da assembléiageral dos subscritores que houver deliberado a constituição da companhia (artigo 87). Art. 135. (...). §1°. Os atos relativos a reformas do estatuto, para valerem contra terceiros, ficam sujeitos às formalidades de arquivamento e publicação, não podendo, todavia, a falta de cumprimento dessas formalidades ser oposta, pela companhia ou por seus acionistas, a terceiros de boafé. Conforme bem colocou a decisão de piso, “os artigos 94 e 95 da Lei n° 6.404, de 1976, deixam evidente que a ata de constituição da sociedade precisa ser arquivada no registro do comércio local, cujos serviços são prestados nas Juntas Comerciais (art. 3°, II). E não apenas com o objetivo de que a ela se dê publicidade, como argumentou a Fl. 5279DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 121 55 Recorrente, mas, principalmente, para garantir a eficácia dos atos jurídicos submetidos ao registro.” E DRJ acrescentou: Já o §1° do artigo 135 estende aos atos relativos às reformas do estatuto da sociedade as mesmas formalidades (arquivamento e publicação) a que estão submetidos os atos relativos a sua constituição. Desse modo, se é verdade que a falta de registro na Junta Comercial não anula o pactuado entre as partes, por outro lado, sua eficácia perante terceiros, caso o registro não seja providenciado no prazo de trinta dias contados da data da AGE, somente se efetiva a partir da própria data do registro. Ressaltese que, no caso presente, ainda que fosse legítimo e já foi demonstrado que não foi alterar seu objeto social, incluindo a atividade de compra e venda de bens imóveis, para, logo depois, transferir para o ativo circulante bem classificado no ativo permanente/imobilizado (a Fazenda Gado Bravo), com o intuito deliberado de alienálo, beneficiandose, assim, de tributação menos onerosa, o propósito almejado não se concretizaria, visto que, na data da alienação do imóvel, a validade do ato jurídico correspondente à aludida alteração contratual, ainda se encontrava pendente, em virtude da falta de seu registro no órgão competente, no caso a JUCEB. E depois conclui, acertadamente a DRJ: Portanto, a alienação da Fazenda Gado Bravo único bem imóvel da Autuada, que lhe permitia explorar sua principal atividade, qual seja a "atividade agroindustrial, com objetivo de produção de produtos agrícolas, beneficiamento e comercialização dos mesmos" efetuada pela Biopar, em 21/09/2007, para a Agrícola Xingu, sem a apuração e tributação do correspondente ganho de capital obtido com a transação, e a imediata transferência desse ganho para o patrimônio dos sócios da pessoa jurídica, encerraram o ciclo de manobras e artifícios que objetivavam justamente o resultado alcançado. A receita nãooperacional auferida com a negociação do imóvel foi indevidamente classificada como receita operacional baseada em ilegítima alteração do objeto social da Biopar, que fez incluir entre as suas atividades, com fins subreptícios, a de compra e venda de imóveis e submetida à tributação pelo lucro presumido, apurandose tributos em montantes indevidamente reduzidos. Sujeição Passiva Solidária responsabilidades tributárias Consoante Termos de Responsabilidade Solidária de fls. 78/86, aos interessados (Gado Bravo Administração e Participação Ltda, Agropecuária Seival Seival Ltda, Eduardo Antônio Parera Sá e Luís Carlos Echeverria Piva) foram atribuídas responsabilidades solidárias consoante art. 124, I e 135, inciso III, ambos do CTN. Conforme relatado, as sociedades e pessoas físicas são ligadas e constituíram grupo econômico, fato que, de início, já demonstra o interesse comum delas, consoante art. 124, I do CTN: GADO BRAVO ADM. AGROPECUÁRIA BIOPAR S/A Fl. 5280DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 122 56 E PART. LTDA SEIVAL LTDA Eduardo Antônio Parera Sá Desde 20/10/1993 Desde 1983 Desde 27/10/2006 Luís Carlos Echeverria Piva Desde 27/10/2006 Gado Bravo Adm. e Part. Ltda. Desde 27/10/2006 Agropecuária Seival Ltda. De 21/04 a 21/05/2007 Porém, não foram arroladas apenas pelo fato de se constituírem em empresas ligadas do mesmo grupo, como quiseram fazer crer a Agropecuária Seival em seu recurso. Na verdade a imputação de responsabilidade adveio do fato de se ter demonstrado o conluio existente entre a empresa e os respectivos responsáveis tributários. A sujeição passiva solidária delas decorreram da demonstração de conluio e fraude perpetrado por elas e presumido conhecimento de toda a operação simulada aqui debatida e, portanto, conseqüente interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, conforme previsto no art. 124, inciso I, do CTN (g.n.): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (destaquei) Outrossim, a responsabilidade dos sóciosadministradores por atos com infração à lei está também bem determinada no art. 135, conforme enquadramento legal: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, (grifamos) Pelos dispositivos utilizados acima, bem assim do quanto já se fundamentou a respeito da desnecessidade de ter se considerado como de fachada a pessoa jurídica autuada e, apesar ainda da enorme polêmica que cerca a utilização do instrumento da desconsideração da personalidade jurídica, nas relações tributárias, o que se conclui dos autos é que a teoria da desconsideração jurídica por si só nunca foi aqui utilizada pelo fiscal, mas estaria indiretamente contemplada no artigo 135 do Código Tributário Nacional (CTN), dispositivo legal esse capitulado nos respectivos Termos de Responsabilidade solidárias. Fl. 5281DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 123 57 Por isso afasto o longo arrazoado feito pelas recorrentes a respeito da suposta utilização equivocada que o fiscal fez do mesmo nesta autuação. RESUMO abaixo a fundamentação da atribuição de solidariedade a cada um dos interessados: Agropecuária Seival A DRJ muito bem resumiu a sua participação, envolvendo conluio: (...) a Agropecuária Seival, antiga proprietária da Fazenda Gado Bravo, subscreveu e integralizou capital na Biopar, mediante a entrega do referido imóvel por valor subavaliado, sob a alegação de que o negócio poderia atrair investidores para um projeto industrial de biocombustíveis a ser implantado naquelas terras, ao mesmo tempo em que, contraditoriamente, mantinha entendimentos visando à negociação do imóvel com a Agrícola Xingu (o que acabaria acontecendo), esta indiretamente controlada pela Mitsui, empresa que seria a mais forte candidata a financiar o projeto da usina de álcool. A essa altura, a Agropecuária Seival passou a ser sócia majoritária da Biopar, embora tenha permanecido nessa condição por apenas um mês. Logo depois, surpreendentemente, a Agropecuária Seival teria vendido todas as suas ações da Biopar para o Sr. Luís Carlos Piva, também sócio da Biopar, por valor pouco superior ao de compra e bastante inferior ao de mercado, embora tenha restado evidente tratarse de um negócio apenas aparente, haja vista que somente uma pequena parte das ações tenha ficado com o Sr. Luís Carlos Piva, enquanto a maior parte foi imediatamente transferida (negócio real) para a empresa Gado Bravo, controladora da Biopar, e para o Sr. Eduardo Sá, sócio majoritário e administrador das três empresas envolvidas. Se efetuada diretamente (sem a intermediação fictícia do Sr. Luís Carlos Piva), a transação configuraria, à luz da legislação de regência, distribuição disfarçada de lucros. Sem sombra de dúvida, a Agropecuária Seival foi sempre e de diversas formas, algumas ilícitas, utilizada pelo Sr. Eduardo Sá, seu sócio majoritário e administrador, com o objetivo de consecução de seus interesses pessoais de cunho econômico e financeiro. Gado Bravo A empresa Gado Bravo teve igualmente participação similar, pelos mesmos motivos apontados em relação à Agropecuária Seival: pertencia ao mesmo grupo econômico, tinha o mesmo objetivo social, o mesmo sócio majoritário e o mesmo administrador o Sr. Eduardo Sá. E conforme bem observou a DRJ: (...) no caso da Gado Bravo existe ainda o agravante de ser ela sócia controladora da Biopar e, como tal, veio a receber, de imediato, a maior parte dos recursos provenientes da alienação da Fazenda Gado Bravo, razões estas mais do que suficientes para caracterizar o interesse comum, previsto no inciso I do artigo Fl. 5282DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 124 58 124 do CTN, requisito que configura a solidariedade da empresa quanto à obrigação tributária. Desse modo, a gama de indícios presentes nos autos leva à firme convicção de que as empresas ainda que com a aparência de unidades autônomas atuavam de forma complementar, no intuito de desempenhar as atividades inerentes ao grupo econômico do qual faziam parte, revelando vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores, enfim, caracterizando evidente interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal Responsabilidade dos demais sócios pessoas físicas Por óbvio, foi meramente formal e sem qualquer materialidade ou correspondência na real vontade das partes as ações precedente e subsequentes, mas sobretudo a alteração do objeto social no contexto já delineado, escancara o fato que foi perpetrado não só pela empresa, como uma ficção legal, mas pelas pessoas físicas dos seus acionistas que a aprovou através de assembléia geral extraordinária realizada em 29/08/2007. Sendo assim, não há como descaracterizar, portanto, o interesse jurídico comum dos sócios Eduardo Parera Sá, Luís Carlos Piva e Gado Bravo Adm. e Part. Ltda na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, nos termos do artigo 124 do CTN. Estas pessoas assumiram a condição de verdadeiros participantes da infração à legislação tributária. Feitas essas considerações preambulares, que por si só, já ensejariam a responsabilidade tributária respaldada no art. 124, I do CTN, passemos a aprofundar a situação fática de cada um dos sócios arrolados como responsáveis: Eduardo Sá Entre todos, este é o que menos dúvida deixa de sua participação efetiva no conluio e fraude, pois controlava e administrava todo o grupo de empresas. Na verdade, como bem observado pela DRJ, ele foi “o grande mentor de todos os atos e negócios fraudulentos realizados com a finalidade de angariar vantagens tributárias indevidas, constituindose, financeiramente, no maior beneficiário do planejamento tributário ilícito levado a efeito na Biopar, em conjunto com as demais pessoas físicas e jurídicas ligadas ao seu grupo econômico, em prejuízo dos cofres públicos.” Por fim, resta apreciar a situação do Sr. Luís Carlos Piva, sócio da Biopar, que, como dito acima, interpôs requerimento impugnatório diferenciado dos demais indicados como responsáveis. Luiz Piva Fl. 5283DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 125 59 Em resumo, conforme já bem detalhado nos Tópicos IV.3 a IV.5, toda a transição para a configuração societária considerada ilícita foi intermediada pelo sócio Luís Piva, que adquiriu, efemeramente, da Agropecuária Seival as ações e o controle da Biopar, em 21/05/2007, após a integralização do aumento de capital com o imóvel rural (20/04/2007), para repassálo, logo em seguida (em 22/06/2007), para os outros sócios Eduardo Sá e Gado Bravo. O Sr. Luís Carlos Piva, sócio da Biopar, foi o único que trouxe defesa diferenciada já na fase impugnatória, por isso cabe aqui sua refutação de forma mais detalhada. Porém, em fase recursal fez ouvido de mercador aos argumentos da DRJ e praticamente repetiram suas razões impugnatórias em sede recursal, sem o mínimo cuidado de tentar infirmálas. É imperioso, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, que se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. Isso porque as contradições ou erros ainda por ventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem, tome conhecimento, e se for o caso, corrijaos e supereos pela sua atividade sintetizadora de órgão revisor. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos: Antes de tudo, ressaltese que não cabe aqui responder as indagações feitas pelo Impugnante. Ademais, todas as perguntas formuladas referemse ao procedimento adotado pela Autuada, questionando, caso a intenção fosse a venda do imóvel, se não teria sido mais fácil ter se utilizado de outros expedientes. Ora, ninguém mais apropriado do que a própria Biopar, assim como os demais envolvidos nos ilícitos cometidos, entre os quais se encontra o Sr. Luís Carlos Piva, que também atua como advogado das empresas do grupo econômico, para esclarecer as verdadeiras razões que os fizeram optar pela estratégia seguida pelo grupo. Já a análise do litígio por este órgão julgador deve cingirse aos autos do processo, através do exame dos fatos descritos e dos documentos e elementos de prova coligidos. Insiste o Sr. Luís Carlos Piva na tese de que o raciocínio fiscal levaria inevitavelmente à tributação da distribuição disfarçada de lucros realizada pela Agropecuária Seival a acionista controlador. Esse assunto já foi devidamente discutido anteriormente, além do que a distribuição disfarçada de lucro de que se fala não teria ocorrido quando da transferência da Fazenda Gado Bravo, da Agropecuária Seival para a Biopar, a título de integralização de capital, mas sim no momento em que a primeira alienou ações da segunda, para seu sócio, o Sr. Eduardo Sá, por valor inferior ao de mercado, razão pela qual a transação foi dissimulada através da aparente interposição no negócio do Sr. Luís Carlos Piva. De qualquer sorte, repitase, os agentes fiscais não "escolheram" realizar o lançamento na Biopar (ganho de capital), ao invés de fazêlo na Agropecuária Seival (distribuição disfarçada de lucros), como faz questão de frisar o Impugnante. Aliás, Fl. 5284DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 126 60 tudo indica, diante de todas as informações disponíveis, que caso a fiscalização ocorresse na Agropecuária Seival, sobreviria fato imponível decorrente de distribuição disfarçada de lucro, até porque as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, direta ou indiretamente, lançaram mão de diversos artifícios para escondêla. Frisese que é infundada a afirmação do Sr. Luís Carlos de Piva de que se a distribuição disfarçada de lucros fosse imputada à Agropecuária Seival, esta detinha patrimônio capaz de responder por isso. Essa declaração, na verdade, é insustentável, na medida em que a situação financeira da empresa era precaríssima. A Agropecuária Seival, que deteve por muito tempo a propriedade da Fazenda Gado Bravo, acumulava ao longo dos anos enorme prejuízo fiscal decorrente de sua atividade rural. Ao menos em 2007 e 2008, precisou receber empréstimos da empresa Gado Bravo (as duas empresas eram controladas pelo Sr. Eduardo Sá), sem os quais não conseguiria sequer saldar suas obrigações. À época, a empresa já não mais desenvolvia suas atividades operacionais. Talvez mesmo por essa incapacidade patrimonial e financeira da Agropecuária Seival é que os Impugnantes agora propõem que sobre ela recaia a tributação. No entanto, em ação fiscal direcionada à Biopar, logrouse identificar como resultado final de um planejamento tributário ilícito que a empresa fiscalizada alienou a Fazenda Gado Bravo (bem este cuja natureza era de ativo imobilizado) e deixou de apurar o respectivo ganho capital (receita nãooperacional) e de submetê lo à tributação, preferindo empreender ações no sentido de alterar as características essenciais do fato gerador, visando a configurálo como referente a outro tipo de negócio, o que lhe proporcionaria redução no montante do imposto devido. Apurado o ganho de capital, resultante da diferença entre o valor pago pelo imóvel e o valor do custo registrado contabilmente pela Biopar, foi corretamente constituído, em nome desta e dos demais responsáveis solidários, o respectivo crédito tributário por meio do lançamento, não se cogitando de possíveis repercussões advindas de um hipotético lançamento anterior (não ocorrido), que poderia, se fosse o caso, ter sido realizado na Agropecuária Seival. Assim sendo, e ao contrário do que alegou o Impugnante, os negócios reputados como fraudulentos não permaneceram incólumes. Eles foram devidamente identificados, desmascarados e a tributação incidiu sobre a base de cálculo apurada em função dos negócios reais, dissimulados, e não baseados nos resultados oriundos dos atos simulados. Por outro lado, não deixa de ser, no mínimo, curioso que, em virtude de seus indesejáveis reflexos tributários, uma operação antes planejadamente ocultada, inclusive, por meio da prática de ações ilegítimas, agora por pura conveniência da estratégia de defesa montada pelo grupo econômico e seus integrantes venha a ser alardeada e seus efeitos ardilosamente desejados. Em comum aos dois comportamentos distintos (antes e depois da ação fiscal), somente o claro objetivo perseguido: esquivarse do pagamento de tributos. Na condição de sócio da Biopar, o Sr. Luís Carlos Piva, que inicialmente possuía apenas 4.000 ações de uma sociedade de pequeno capital social e sem nenhum patrimônio, pouco tempo depois, adquiriu da Agropecuária Seival mais 50.925 ações da Biopar, passando a deter 54.925 ações, agora de uma empresa bem mais atraente, em face da incorporação ao seu patrimônio da valiosa Fazenda Gado Bravo. Fl. 5285DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 127 61 E isso sem que o sócio da Biopar precisasse despender um centavo sequer, pois seu débito com a Agropecuária Seival, no valor irrisório de R$75.855,00 (se comparado ao valor de mercado do imóvel e, consequentemente, das ações), que esta empresa registrou no seu ativo como valor a receber, acabou sendo compensado com a dívida da mesma empresa para com a "Piva S/C Advocacia", uma sociedade civil de advogados contratada para prestar serviços à Agropecuária Seival e da qual participava o Sr. Luís Carlos Piva, revelando confusão entre os patrimônios da sociedade civil e do Sr. Luís Carlos Piva. Alienada a Fazenda Gado Bravo, o Sr. Luís Carlos Piva passou a receber anualmente (de 2007 a 2010), a cada desembolso da empresa compradora (Agrícola Xingu), a título de distribuição de lucros, parcelas correspondentes a sua participação societária na Biopar, que importaram no valor total de R$4.291.015,44, consoante dados extraídos da contabilidade da Biopar. Por si sós, os fatos aqui relatados demonstram o interesse comum do Sr. Luís Carlos Piva, seja esse interesse comum entendido como um interesse meramente econômico, relativo ao proveito financeiro obtido, ou como interesse jurídico, atrelado à efetiva participação do sócio da Biopar nos atos que desaguaram na ocorrência do fato gerador da obrigação principal, confirmando o acerto de sua inclusão no rol das pessoas solidariamente responsáveis pelo crédito tributário lançado, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. Desse modo, cabe repetir por relevante, a gama de indícios presentes nos autos leva à firme convicção de que as empresas ainda que com a aparência de unidades autônomas atuavam de forma complementar, no intuito de desempenhar as atividades inerentes ao grupo econômico do qual faziam parte, revelando vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores, enfim, caracterizando evidente interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal Além do que, constatase que todos os interessados atuaram em conluio, inclusive os sóciosadministradores, praticando fraudes de forma a ilicitamente alterarem o objeto social da empresa autuada e assim fugirem ao ganho de capital, ao tentarem dar uma roupagem diferente à venda da Fazenda querendo fazer crer que se trataria de receitas da atividade operacional da empresa, diminuindo assim significativamente o tributo a paga. Dessa forma, está bem caracterizada as hipóteses legais previstas nos dispositivos citados. Por todo o exposto, mantémse todos os Termos de Responsabilidade Solidárias atribuídos aos interessados. Multa Qualificada – efeito confiscatório Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada de 150%, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Fl. 5286DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 128 62 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Como se vê, a aplicação da multa de 150% prevista em norma legal e vigente não pode ser afastada, uma vez que foi comprovado a fraude, simulação e o conluio no presente caso. A Recorrentes afirmam que praticaram apenas atos que configurariam apenas um planejamento tributário lícito. Nada mais equivocado, conforme bem demonstrou a DRJ: Tanto a alteração contratual quanto a reclassificação contábil, assim como a apuração de receita operacional quando da venda da Fazenda Gado Bravo, como se esta fosse uma mercadoria em estoque, representaram, conforme foi amplamente demonstrado em atos meramente aparentes, simulados, que, conjuntamente, visavam a disfarçar o ganho de capital (receita nãooperacional) oriundo da alienação do imóvel rural integrante do ativo imobilizado da Autuada, este sim o ato verdadeiro, dissimulado, encoberto pelo conjunto de atos simulados. A fraude está visivelmente caracterizada, tendo em vista que a série de atos e procedimentos realizados pela Autuada, seus sócios e representantes legais tinham por fim modificar as características essenciais do fato gerador, como foi a tentativa de transfigurar a receita nãooperacional, inerente ao ganho de capital correspondente à alienação da Fazenda Gado Bravo, em receita operacional proveniente de atividade típica da pessoa jurídica (compra e venda de imóveis), de modo a reduzir o montante do imposto devido, tal como previsto no artigo 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Por fim, configurase também o conluio, na forma estabelecida no artigo 73 da Lei n° 4.502, de 1964, na medida em que as pessoas físicas dos Srs. Eduardo Sá e Luís Carlos Piva, assim como as pessoas jurídicas Biopar, Agropecuária Seival e Gado Bravo, participaram de combinação deliberada e dolosa, visando a alcançar os efeitos referidos nos dois artigos precedentes. Portanto, mantenho a qualificação da multa nos termos propostos pelo fiscal. Legalidade dos Juros de Mora Em relação aos juros de mora, determina a legislação que sobre os débitos pagos fora de prazo, independente de qualquer causa, incidirão eles a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.Não cabe, portanto, a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive nas Súmula nº 4 do CARF, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 5287DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 129 63 INCONSTITUCIONALIDADE Quanto às alegações de ofensa a princípios constitucionais, cabe esclarecer que a a autoridade administrativa é vinculada a lei válida e vigente, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálas, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste Conselho (atual Primeira Sessão do CARF): Súmula 1ºCC nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Jurisprudência Judicial e Administrativa Com relação aos acórdãos administrativos e judiciais, cumpre esclarecer que as decisões dos Conselhos de Contribuintes não têm efeito vinculante, ante a inexistência de lei que lhes atribua eficácia normativa (art. 100 do CTN). De mais a mais, as ementas trazidas a lume pela recorrente contempla hipótese diversa da que ora se cuida, vez que todos os acórdãos citados não possuem a mesma semelhança fática. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. O decidido quanto à infração do IRPJ, também se aplica ao lançamento decorrente naquilo em que for cabível e não havendo contestação específica. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso, mantendo também todas responsabilidades tributárias. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 5288DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401001.574 S1C4T1 Fl. 130 64 Fl. 5289DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000895/2010-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - MULTA - AI 78 - INCORREÇÕES E OMISSÕES EM GFIP - PEDIDO DE PARCELAMENTO - DESISTÊNCIA DO RECURSO - DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - MULTA - AI 78 - INCORREÇÕES E OMISSÕES EM GFIP - PEDIDO DE PARCELAMENTO - DESISTÊNCIA DO RECURSO - DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original. Recurso Especial do Procurador Provido
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Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 08 95 /2 01 0- 17 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000895/201017 Acórdão n.º 9202003.851 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório O presente processo envolve a lavratura dos Autos de Infração de Obrigações DEBCAD n° 37.297.1890, por descumprimento de obrigação acessória, em nome do órgão público em epígrafe, lavrado em 10/08/2010, recebido por meio de carta com aviso de recebimento, fls. 394 do Processo n° 10540.000902/201072 (DEBCAD n° 37297.1962) conexo aos presentes autos, em razão de haver infringido o dispositivo previsto no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela MP n° 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Ainda conforme o Relatório Fiscal 02/04, foi constatado pela fiscalização que o órgão público apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas, nas competências 01/06 a 01/07, 06/07, 01/08, 11/08 e 13/08. O autuado deixou de declarar a totalidade das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados amparados pelo Regime Geral de Previdência Social, a totalidade das contribuições previdenciárias de responsabilidade dos segurados empregados, como ainda não declarar ou declarar com incorreção a alíquota GILRAT/SAT. Constatado o não cumprimento da referida obrigação acessória, lavrouse o presente auto de infração. Em decorrência da infração ao dispositivo legal acima descrito, foi aplicada multa no valor de R$ 9.000,00 (nove mil reais), nos termos do art. 32A, "caput", inciso I e §§ 2 o e 3o , da Lei n° 8.212, de 1991, incluídos pela MP n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009. Os valores que serviram de base para a fixação da multa encontramse discriminados em planilha às fls. 04. Em sessão plenária de 11/07/2012, foi negado provimento ao Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2302001.934 (fls. 118 a 133). assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009 Ementa: É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos Fl. 156DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 157DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000895/201017 Acórdão n.º 9202003.851 CSRFT2 Fl. 4 5 O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional que interpôs, tempestivamente, em 23/08/2013, o Recurso Especial (fls. 134/146). Em seu recurso visa restabelecer a multa aplicada nos termos da autuação, já que o art. 35 da Lei n° 8212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9430/96. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 147 a 151. O recorrente traz como alegações: · O artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária. · A redação do art. 35A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. · A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A. · Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. · Requer ao final seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na anterior redação, confirmada pela Lei n.º 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendo se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. PRELIMINARES OA MÉRITO Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu patamar restabelecido àquele lançado pela autoridade fiscal, entendo que antes de adentrar as questões quanto ao mérito da contenda, existe uma questão prejudicial, que merece ser primeiramente enfrentada. Após a realização do exame de admissibilidade do recurso apresentado pela Fazenda Nacional, o sujeito passivo apresentou às fls. 613 (nos autos do processo principal 10540000902/201072), requerimento de desistência, considerando ter o contribuinte requerido parcelamento do lançamento em questão, senão vejamos: "O Ente público solicita desistência irrevogável e irretratável de todas as modalidades de parcelamento, inclusive de suas autarquias e fundações, que contemplem débitos passíveis, total ou parcialmente, de inclusão no parcelamento da MP 589, de 2012." De fato, o art. 14, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7/2013 é expresso ao fixar como critério formal para adesão ao parcelamento instituído a renúncia por parte do contribuinte a todo e qualquer direito que fundamente ações judiciais ou administrativas. Eis o teor do citado artigo: Art. 14. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos, de ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e ações judiciais. Diante disto, não há mais litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado. Assim, devese declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes fixados no auto de infração. Frisese que ao aderir ao parcelamento e desistir do procedimento administrativo, renúnciando as alegações de direito, o parcelamento do débito será realizado tendo por base os exatos valores apurados pelo Fisco quando do lançamento tributário. CONCLUSÃO Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000895/201017 Acórdão n.º 9202003.851 CSRFT2 Fl. 5 7 Diante do exposto, CONHEÇO E DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda para declarar a definitividade do crédito tributário como previsto no auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado sujeito passivo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15504.729304/2014-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. Evaristo Fereira Freire Júnior, OAB/MG n. 86.415.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Diego Diniz Ribeiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto e Diego Diniz Ribeiro.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. Evaristo Fereira Freire Júnior, OAB/MG n. 86.415. Antonio Carlos Atulim - Presidente Diego Diniz Ribeiro - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto e Diego Diniz Ribeiro.
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. Evaristo Fereira Freire Júnior, OAB/MG n. 86.415. Antonio Carlos Atulim Presidente Diego Diniz Ribeiro Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto e Diego Diniz Ribeiro. 1. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, correspondentes aos anoscalendário de 2010 e 2011, nos montantes respectivos de R$ 3.263.400,10 e R$ 15.031.446,69, incluindo multa de ofício (75%) e juros de mora. 2. Tendo em vista a pertinência do relatório desenvolvido pela DRJBH, responsável por veicular o acórdão aqui recorrido, adoto como meu parte do que fora lá desenvolvido, o que passo a fazer nos seguintes termos: (...). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 29 30 4/ 20 14 -6 2 Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.729304/201462 Resolução nº 3402000.771 S3C4T2 Fl. 1.212 2 De acordo com o TVF, constatouse erro na quantificação dos créditos apurados, bem como no rateio desses créditos e seus respectivos débitos, além de aproveitamento indevido de créditos, em função de erro na interpretação da legislação. Na quantificação dos créditos, foram apurados valores das notas fiscais disponíveis inferiores aos informados mensalmente a título de "Bens para revenda". Segundo o TVF, a contribuinte alega que a diferença se dá em função da utilização da data de disponibilidade da mercadoria como data de aquisição, o que, segundo o entendimento da autoridade fiscal, contraria a legislação de regência do PIS e da Cofins, motivo pelo qual foram considerados pelo fisco apenas os valores cujas notas fiscais foram emitidas dentro do período em análise, sendo glosados os demais. Quanto aos demais créditos, foram considerados pelo fisco os valores informados pela contribuinte em suas planilhas de detalhamento e corroborados pelos registros contábeis existentes, sendo glosadas as diferenças encontradas entre o valor informado no Dacon e o valor contabilizado. Em relação ao rateio dos créditos, a fiscalização verificou que a contribuinte não utiliza sistema integrado de custos ou critério que possibilite a apropriação da parcela dos custos e despesas comuns, devida por cada uma das atividades que desenvolve (comércio ou serviço), de forma que parte dos custos e despesas comuns foi contabilizada a débito de contas de resultado, enquanto outra parte, referente aos bens, foi contabilizada a débito de contas patrimoniais ativas do imobilizado, integrando, em ambos os casos, a base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade. Sendo assim, a contribuinte apropriouse de créditos sobre os serviços e sobre a depreciação de máquinas e equipamentos aplicados na área comercial, o que, segundo a autoridade fiscal, não está previsto na legislação, já que não fazem parte do custo de aquisição dos produtos revendidos. Seguindo em sua linha de raciocínio, a autoridade fiscal explica que o pagamento de uma transmissão de dados relativa a uma revenda de recarga de telefonia celular, por exemplo, é um serviço aplicado ao comércio, não podendo tal dispêndio integrar a base de cálculo dos créditos da contribuinte, mas a fatura da prestadora de serviços não discrimina e a contribuinte tampouco faz distinção essas transmissões de dados daquelas relativas à prestação de serviços. Salienta que, diante da falta de previsão legal de um critério de rateio diverso do contábil para a presente situação e, em homenagem ao princípio da verdade material, fazse necessário adotar um critério contábil que aproprie parcela dos custos e despesas comuns a cada uma das atividades. Nesse sentido, conclui que o método mais apropriado, no caso, seria confrontar os referidos custos e despesas com as receitas proporcionadas em cada modalidade, conforme informações prestadas pela contribuinte no Dacon e nos registros contábeis, chegando aos percentuais de 99,96 % (receitas de revendas) e 0,04% (prestação de serviços). Assim, foram glosados, nas proporções apuradas, os créditos apropriados a título de aquisições de insumos, relativos a bobinas de papel adquiridas e utilizadas para emissão de comprovantes nos Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.729304/201462 Resolução nº 3402000.771 S3C4T2 Fl. 1.213 3 terminais de ponto de venda (POS) instalados nos revendedores credenciados, bem como os créditos apropriados a título de serviços de processamento de dados, serviços de transferência eletrônica de dados, serviços de manutenção de máquinas e equipamentos, comissão de representantes e revendedores/clientes (inclusive serviços prestados pela rede conveniada) e os custos de terceirização no atendimento ao usuário final. Ainda segundo o TVF, constatouse que os créditos apropriados sob a rubrica "Bens do Ativo Imobilizado" recaem fundamentalmente sobre a depreciação de computadores, periféricos e terminas de ponto de venda (POS), além de alguns valores relativos a móveis e utensílios. Assim, considerando que a legislação apenas prevê a utilização desses créditos em relação máquinas e equipamentos utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, entende a fiscalização que a parcela utilizada na comercialização de mercadorias não está sujeita ao aproveitamento de créditos, de forma que foram glosados os créditos proporcionais às receitas da atividade de comércio. Por fim, a fiscalização procedeu à glosa de créditos calculados em função de interpretação equivocada do conceito de insumos. De acordo com o TVF, foram glosados os créditos calculados sobre as aquisições de combustíveis e lubrificantes, bem como sobre as despesas com aluguel de veículos utilizados no transporte de pessoal, por não se constituírem insumos diretamente utilizados na prestação de serviços da interessada. Também foram glosados os créditos calculados sobre "Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda", por tratarse de custos de envio de bens do Ativo Imobilizado aos revendedores credenciados, o que não é passível de gerar créditos, uma vez que não se trata de frete no envio de bens destinados à venda, conforme prevê a legislação. Em função das glosas efetuadas, a autoridade fiscal recalculou os valores devidos e procedeu à reconstituição da escrita, apurando o novo saldo mensal. (...). 3. Diante da autuação, o contribuinte apresentou tempestiva Impugnação (fls. 169/219), oportunidade em que, em suma, alegou o que segue: (i) existência de cerceamento de defesa, haja vista a falta de planilhas elaboradas de forma analítica, ou seja, com base em cada uma das notas fiscais emitidas para o período fiscalizado, que demonstrassem exatamente quais foram os créditos glosados pela fiscalização. Ainda segundo a Recorrente, as planilhas apresentadas pela autoridade fiscal apresentam apenas as totalizações mensais das rubricas glosadas, não identificando as notas fiscais que não foram aceitas; (ii) que os créditos de PIS e COFINS devem ser aproveitados no exato instante em que a Recorrente adquire bens (recargas virtuais de créditos telefônicos e "chips") e não em momento posterior, ou seja, quando da emissão das correlatas notas fiscais referentes às operações anteriormente perpetradas. Em outros termos, aduz que tem direito aos créditos no mês da aquisição das recargas para revenda, ainda que, em razão da logística peculiar da Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.729304/201462 Resolução nº 3402000.771 S3C4T2 Fl. 1.214 4 operação em apreço, as notas fiscais correspondentes sejam emitidas no mês subsequente ao da efetiva aquisição; (iii) que segundo seu objeto social exerce duas atividades distintas, sendo elas (a) a revenda de créditos para celular e (b) a prestação de serviços para a captura de dados; assim, para a consecução de ambas se vale dos mesmos insumos e que a legislação somente exige que se realize rateio proporcional das despesas na hipótese de coexistência de receitas decorrentes de apuração cumulativa e nãocumulativa, o que não é o caso dos autos, de modo que não haveria razão para a glosa dos créditos tomados na hipótese de revenda de bens; (iv) que em relação à prestação de serviços, as despesas com (a) aluguel de veículos utilizados pelos seus vendedores, (b) combustível e lubrificante com tais veículos e, ainda, (c) despesas com fretes para o transporte dos equipamentos POS, instalados nos pontos de recarga de celulares, seriam insumos, uma vez configurariam despesas essenciais para a realização da citada atividade empresarial; (v) que a multa aplicada teria caráter confiscatório e, portanto, seria indevida; e por fim, de forma subsidiária (vi) protestou pela conversão do julgamento em diligência para a apuração de inconsistência no lançamento perpetrado. 4. Por seu turno, referida impugnação foi julgada parcialmente procedente, o que se deu nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 AQUISIÇÃO E VENDA DE BENS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. NOTA FISCAL Para fins tributários, é por meio das notas fiscais documentos de emissão obrigatória por todas as pessoas jurídicas, civis e mercantis, no ato da comercialização de bens, produtos, mercadorias e serviços , que é possível à fiscalização fazendária proceder ao levantamento do tributo. Por via das notas fiscais é que são aferidas, em regra, as datas de aquisição ou venda de bens, datas estas que se mostram como as relevantes para a apuração das aquisições e vendas efetuadas em cada mês. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.729304/201462 Resolução nº 3402000.771 S3C4T2 Fl. 1.215 5 INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, não há que se falar em desconto de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na atividade comercial. RATEIO. DESPESAS COMUNS. Utilizase o rateio proporcional às receitas obtidas no período, como critério para a determinação do crédito relativo a despesa, encargo ou custo comuns, quando apenas uma parte poderia gerar crédito e outra parte são despesas vinculadas à comercialização. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUÉIS. A apuração de créditos da não cumulatividade a partir de despesas com aluguéis somente é possível na hipótese de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos. Não há permissivo legal para a apuração de créditos da não cumulatividade a partir de despesas com aluguéis de veículos. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. A apuração de créditos da não cumulatividade a partir de despesas com fretes somente é possível na hipótese de operações de vendas, quando o vendedor suporte o ônus, ou na aquisição de insumos, já que o frete compões o custo de aquisição do bem. Não há permissivo legal para a apuração desses créditos no caso de transporte de bens do Ativo Imobilizado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. Assim como os insumos, só são passíveis de gerar créditos os combustíveis e lubrificantes que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade, não havendo previsão legal para creditamento quando utilizados na atividade comercial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 AQUISIÇÃO E VENDA DE BENS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. NOTA FISCAL Para fins tributários, é por meio das notas fiscais documentos de emissão obrigatória por todas as pessoas jurídicas, civis e mercantis, no ato da comercialização de bens, produtos, mercadorias e serviços , que é possível à fiscalização fazendária proceder ao levantamento do tributo. Por via das notas fiscais é Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.729304/201462 Resolução nº 3402000.771 S3C4T2 Fl. 1.216 6 que são aferidas, em regra, as datas de aquisição ou venda de bens, datas estas que se mostram como as relevantes para a apuração das aquisições e vendas efetuadas em cada mês. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, não há que se falar em desconto de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na atividade comercial. RATEIO. DESPESAS COMUNS. Utilizase o rateio proporcional às receitas obtidas no período, como critério para a determinação do crédito relativo a despesa, encargo ou custo comuns, quando apenas uma parte poderia gerar crédito e outra parte são despesas vinculadas à comercialização. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUÉIS. A apuração de créditos da não cumulatividade a partir de despesas com aluguéis somente é possível na hipótese de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos. Não há permissivo legal para a apuração de créditos da não cumulatividade a partir de despesas com aluguéis de veículos. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. A apuração de créditos da não cumulatividade a partir de despesas com fretes somente é possível na hipótese de operações de vendas, quando o vendedor suporte o ônus, ou na aquisição de insumos, já que o frete compões o custo de aquisição do bem. Não há permissivo legal para a apuração desses créditos no caso de transporte de bens do Ativo Imobilizado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. Assim como os insumos, só são passíveis de gerar créditos os combustíveis e lubrificantes que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.729304/201462 Resolução nº 3402000.771 S3C4T2 Fl. 1.217 7 prestação do serviço da atividade, não havendo previsão legal para creditamento quando utilizados na atividade comercial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontrase devidamente motivado, com descrição dos fatos precisa e detalhada, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de nulidade do Auto de Infração, e nem tampouco de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar, cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e, além de alegálos, comproválos de forma cabal e cristalina. PROVA PERICIAL. OBJETIVO. QUESITO IRRELEVANTE. A perícia destinase a subsidiar o julgador para formar sua convicção, imitandose a elucidar questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para transferir a terceiro a atribuição delegada ao Órgão julgador. Não cabe perícia em relação a quesito que trata de informação irrelevante para o deslinde da questão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REGRA. AUSÊNCIA DE EFEITO VINCULANTE. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.729304/201462 Resolução nº 3402000.771 S3C4T2 Fl. 1.218 8 não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, a não ser nos casos especialíssimos em que o Ministro da Fazenda atribua a Súmula do CARF efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo, salvo nas situações previstas pelo art.26A do Decreto nº 70.235, de 1972. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER NÃO CONFISCATÓRIO. Não se constitui a penalidade de 75% (setenta e cinco por cento) em multa de caráter confiscatório, porquanto aplicada em procedimento de lançamento de ofício, nos termos do art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. Tendo em vista a aludida decisão, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 1.117/1.171), oportunidade em repisou os fundamentos já desenvolvidos em sua Impugnação. 6. Na sessão de março do corrente ano, referido caso foi retirado de pauta, uma vez que se constatou a existência de um documento pendente de juntada no eprocesso. O documento em tela tratavase de um laudo técnico produzido pela Pricewaterhouse Cooper Contadores Públicos Ltda. PWC a pedido do Recorrente, o qual foi devidamente anexado ao eprocesso (fls. 1.182/1.201) e que cujo teor será melhor abordado adiante. 7. É o relatório. 2. Da Resolução 8. Conforme se observa do relatório alhures desenvolvido, uma das controvérsias existentes na presente demanda e que equivale a aproximadamente 80% (oitenta por cento) do montante exigido pela autuação, diz respeito à glosa de créditos de PIS e COFINS decorrentes da existência de uma divergência entre Fisco e contribuinte quanto ao instante que referido crédito deve ser tomado. 9. Para situar a discussão, insta relembrar que, dentre os escopos sociais da Recorrente, destacase a distribuição e revenda de créditos de celulares. Assim, a Recorrente compra referido crédito das operadoras de telefonia móvel e, posteriormente, revende tais bens para os postos destinados a atender o consumidor final (lojas de conveniências, supermercados, farmácias etc.), o que é fato incontroverso nos autos. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.729304/201462 Resolução nº 3402000.771 S3C4T2 Fl. 1.219 9 10. Segundo disposições contratuais estabelecidas entre a Recorrente e as operadoras de telefonia móvel (fls. 250/351), na medida em que vai tendo demanda a Recorrente emite pedidos de créditos de celulares via sistema web, os quais lhes são disponibilizados pelas operadoras de forma criptografada ora por via eletrônica ora por via magnética em um ambiente virtual próprio. Nesta oportunidade (disponibilização/aquisição dos créditos telefônicos) o Recorrente registra em sua escrita fiscal os correlatos créditos de PIS e COFINS. Não obstante, depois de adquiridos os créditos eletrônicos, são emitidas as notas fiscais correspondentes para um determinado período e, transcorrido alguns dias, a Recorrente efetua o pagamento de tais bens para as operadoras de telefonia. Nesse sentido são, v.g., as cláusulas segunda e terceira do contrato celebrado entre a Recorrente e a empresa TIM Celular S.A. (fls. 251/253). 11. Percebese, pois, que em razão da dinâmica própria desta operação empresarial, as correlatas notas fiscais referentes às aquisições de créditos telefônicos perpetradas ao longo de um mês só serão emitidas após a emissão de um relatório de recargas on line, o que, eventualmente, pode ocorrer apenas no mês subsequente ao das aquisições das recargas e, por conseguinte, do registro dos correlatos créditos de PIS e COFINS. Importante frisar que tais fatos também são incontroversos nos autos. 12. Em verdade, a controvérsia cingese à discussão quanto ao momento legalmente adequado para a tomada de créditos de PIS e COFINS na sobredita operação. Segundo o contribuinte, tal crédito pode ser tomado no exato instante em que há aquisição da recarga da empresa de telefonia móvel para a Recorrente, com o consequente registro no seu estoque. Por sua vez, segundo a posição fiscal, esse creditamento só poderia ocorrer em momento posterior, i.e., no instante em que é emitida e registrada a correspondente nota fiscal. 13. O descompasso entre as metodologias acima mencionadas implicou uma diferença no montante do crédito apurado, o que, por sua vez, redundou em parte significativa da glosa total aqui debatida (aproximadamente 80% do crédito tributário retratado na presente autuação). Esta é, portanto, a controvérsia significativa da lide, o que não passou despercebido pelo competente laudo técnico elaborado por auditoria independente (fls. 1.182/1.201): (...). De acordo com nossas análises, é possível inferir que a autoridade fiscal procurou adotar como critério considerar passível de créditos de PIS e COFINS as notas fiscais dos CFOPs 1102/2102/2152/1403/2403 escrituradas nos Registros de Entradas, de acordo com a data da entrada da nota fiscal e não a sua data de emissão. Assim, foram glosadas as diferenças entre os créditos referentes aos bens adquiridos para revenda conforme registrado no Registro de Entradas e os montantes informados nas linhas 01 das Fichas 06A e 16A dos DACONs de todos os meses de 2010 e 2011 (montantes estes que, diferentemente do critério observado no Registro de Entradas, foram apurados com base na data de emissão das notas fiscais). (...). (fl. 1.192). 14. Fixados tais pontos e, caso se admita como correta a sistemática intentada pela fiscalização (admitir os créditos apenas após o registro das NFs correlatas), é importante Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.729304/201462 Resolução nº 3402000.771 S3C4T2 Fl. 1.220 10 registrar que, mesmo assim, existem equívocos na apuração do montante (quantum) de crédito passível de glosa. 15. A título de exemplo, é possível constatar que no mês de outubro de 2010 a fiscalização deixou de considerar créditos decorrentes de notas fiscais registradas contabilmente pela Recorrente no próprio mês de outubro de 2010. O mesmo ocorreu no mês de janeiro de 2011. É o que conclui a sobredita perícia técnica: (...). No entanto, verificamos que o referido critério não foi adotado de forma consistente ao logo do período objeto da autuação, o que se pode concluir com base nos seguintes exemplos: a) No mês de Outubro de 2010, o Fisco deixou de considerar o montante de R$ 9,3 milhões em créditos relativos a documentos fiscais que já se encontravam escriturados no Registro de Entradas no dia 31/10/2010. Não identificamos nos documentos aos quais tivemos acesso qualquer justificativa para tal mudança de procedimento em relação ao critério que supostamente foi utilizado pela autoridade fiscal; b) No mês de Janeiro de 2011, o valor registrado no Registro de Entradas em relação às notas ficais dos CFOPs 1102/2102/2152/1403/2403 coincide com o valor registrado como entradas de mercadorias para revenda na(s) conta(s) de Estoque(s). Assim, com base no suposto critério adotado pelo fiscal, não haveria diferença a ser glosada. Não obstante, para esse mês, o fiscal glosou o montante de, aproximadamente, R$ 9,6 milhões de créditos de PIS e COFINS. Não conseguimos identificar o motivo para tal glosa. Em base de testes por critério de amostragem, verificamos os dados de notas fiscais emitidas neste período pelas operadoras Claro e Vivo e não identificamos diferenças entre os dados nelas consignados e os valores considerados pela RV Tecnologia para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS. (...). 16. Não obstante, existe ainda outro equívoco apurado na referida autuação. Conforme se observa dos autos, a fiscalização não fez um análise detalhada de cada uma das notas fiscais emitidas pela Recorrente para fins de glosar os créditos que ela fiscalização entendeu indevidos com base na sobredita sistemática (data do registro das NFs na contabilidade da Recorrente). Para tanto, se valeu das informações prestadas no SPED. Acontece que, por exemplo, a filial paulista da Recorrente só passou a estar obrigada a enviar o arquivo SPED a partir do ano de 2013, ou seja, depois do período fiscalizado na presente autuação. Tal fato, por sua vez, pode redundar em uma distorção das glosas perpetradas, ainda que se considere como adequada a sistemática eleita pela fiscalização. É o que também restou apurado no sobredito laudo técnico: Em que pese o acima, apesar de a fiscalização ter procurado considerar a totalidade das notas fiscais reconhecidas em ambiente SPED, verificamos que nem todos os estabelecimentos da RV Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.729304/201462 Resolução nº 3402000.771 S3C4T2 Fl. 1.221 11 Tecnologia estavam obrigados à entrega do SPED nos anos de 2010 e 2011. Por exemplo, o estabelecimento localizado em São Paulo somente teve por obrigatoriedade o envio de arquivo SPED a partir do ano de 2013. Dessa forma, concluímos que o critério global utilizado pela fiscalização para a glosa dos créditos de PIS e COFINS deixou de considerar a totalidade das notas fiscais de aquisição de mercadorias para revenda escrituradas nos Registros de Entradas da RV Tecnologia. A título de exemplo, apresentamos, abaixo, dados relativos aos meses de novembro e dezembro de 2010 e janeiro e abril de 2011: Mês/Ano de Apuração Crédito Admitido pela Fiscalização Registro de Entradas 150 (MG) Registro de Entradas 151 (SP) nov/10 88.220.024 88.276.089 3.120.364 dez/l0 93.299.288 93.299.288 3.452.194 jan/11 85.692.320 85.692.320 3.484.337 abr/11 104.423.599 104.423.599 1.465.072 (fl. 1.197). 17. Diante deste quadro, é possível constatar a existência de alguns aspectos na autuação que demandam um melhor esclarecimento por parte da fiscalização, motivo pelo qual entendo que o caso deve ser convertido em diligência para se que providencie o que segue: (i) levando em consideração a sistemática perpetrada pelo contribuinte para o registro dos seus créditos (momento da aquisição dos créditos telefônicos, independentemente de correspondente NF) deve a fiscalização esclarecer: (i.i) se todos os créditos de PIS e COFINS para o período fiscalizado foram registros apenas após o apontamento dos créditos telefônicos no estoque da Recorrente. Em caso negativo, deverá a fiscalização apontar de forma analítica quais foram os valores aproveitados independentemente do correlato registro em estoque; (ii) levando em consideração a sistemática perpetrada pela fiscalização para a glosa dos créditos (momento do registro das NFs), deverá a fiscalização: (ii.i) mensurar o quantum da glosa levando em consideração também as notas fiscais que não foram objeto de indicação no SPED por ausência de previsão legal à época dos fatos, mas que, todavia, encontravam o devido apontamento no livro de Registro de Entradas da Recorrente; e por fim (ii.ii) com base nas notas fiscais contabilizadas pelo Recorrente, informar se além dos meses de outubro de 2010 e janeiro de 2011, existem outros períodos tratados pela autuação em que se ignorou a simetria mensal entre a tomada do crédito de PIS e COFINS e o registro da correlata NF. Em caso positivo, elaborar quadro analítico demonstrando tais distorções, bem como o impacto causado com isso na apuração do montante do crédito tributário aqui discutido. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.729304/201462 Resolução nº 3402000.771 S3C4T2 Fl. 1.222 12 (iii) por fim, que a fiscalização esclareça quais dos documentos fiscais do contribuinte foram tomados como base para as glosas perpetradas, ou seja, SPED ou DACON. 18. Por fim, uma vez realizada a diligência, determinase que a Recorrente seja intimada para a respeito dela se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. 19. É a resolução. DIEGO DINIZ RIBEIRO Relator Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13520.000279/98-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS- IPI
Período de apuração: 01107/1998 a 30/09/1998
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. DESCENTRALIZADA. OPERAÇÕES ANTERIORES A POSSIBILIDADE.
Antes da edição da Lei n° 9.779/99, o contribuinte tinha a faculdade de optar pela forma centralizada ou descentralizada para apuração do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei n° 9363/66.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303.001.455
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Rodrigo da Costa Pôssas, que negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanei Gama.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Interessado MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS 13520.000279/98-36 Especial do Contribuinte 9303-001.455 - 33 Turma 31 de maio de 2011 IPI - Ressarcimento de crédito presumido. CARGILL AGRÍCOLA S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO:IMPOSTOSOBREPRODUTOSINDUSTRIALIZADOS- IPI Período de apuração: 01107/1998 a 30/09/1998 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. DESCENTRALIZADA. OPERAÇÕES ANTERIORES A POSSIBILIDADE. Antes da edição da Lei n° 9.779/99, o contribuinte tinha a faculdade de optar pela forma centralizada ou descentralizada para apuração do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei n° 9363/66. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Rodrigo da Costa Pôssas, que negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanei Gama. Na~'lijdato~DeSignada Processo n° 13520.000279/98-36 Acórdão n.o 9303.001.455 CSRF-T3 FI. 199 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório A decisão recorrida assim relatou os fatos: A interessada formalizou em 09/12/1998 pedido de ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI (fl. OI), com base na Portaria MF n!! 38/97, relativo ao período de apuração de julho a setembro de 1998, no valor de R$ 273.655,96. Para embasar seu pleito, a contribuinte apresentou documentação anexada, por cópia, às fls. 07 a 30. Por meio do Despacho Decisório DRF/FSA n!! 370, de 13/03/2006 (fls. 62 a 64), o Chefe da Seção de Análise e Orientação Tributária - SAORT da Delegacia da Receita Federal em Feira de Santana BA, com base em pronunciamento da Seção de Fiscalização e Controle Aduaneiro - FlANA, àfl. 60, indeferiu o pleito da interessada. De acordo com o que se encontra consignado no mencionado pronunciamento, o estabelecimento requerente (60.498.706/0259-07) transferiu parte de sua produção para o estabelecimento inscrito sob o CNPJ nE 60.498.706/0273-57, de forma que, nos termos do art. 6E da lN/SRF/nE 103, de 30/12/1997, o crédito presumido deveria ter sido apurado, de forma centralizada, na matriz. Por outro lado, de acordo com o art. 4E, * 5E, da Portaria MF nE 38, de 27/02/1997, o ressarcimento, em moeda corrente, será efetuado ao estabelecimento matriz, em se tratando de apuração centralizada. Com base, pois, na ação fiscal levada a efeito pela FIANA, o Chefe da SAORT procedeu ao indeferimento do crédito pleiteado. Como última razão para indeferimento, a autoridade administrativa referida no parágrafo anterior citou o art. 15 da Lei n!!9.779, de 19/01/1999, o qual, em seu inciso lJ, estabelece que a apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n!! 9.363/1996, seja efetuada, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica. 2 Processo nO 13520.000279/98-36 Acórdão n.o 9303-001.455 Tempestivamente, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 68 a 75 (juntamente com documentação de fls. 76 a 79), onde formula as seguintes razões. Alega, de início, que o art. 15, 11,da Lei n!!9.779/1999 e o art. 42, * 5!!,da Portaria MF n!!38/1997 não servem de justificativa para o indeferimento do pedido de ressarcimento do crédito presumido a que faz jus. No que se refere ao art. 15 da Lei n!!9.779/1999, afirma que o mesmo decorre da conversão da MP n!! 1.788, de 29/12/1998, com vigência a partir de 30/12/1998, razão pela qual a apuração do crédito presumido, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz, não pode ser imposta a pedido de ressarcimento cujo crédito foi originado no terceiro trimestre de 1998, sob pena de aplicação retroativa de tal dispositivo legal. Quanto ao art. 42, li 5!!,da Portaria MF n!!38/1997, entende que o mesmo não autoriza o indeferimento do pedido de ressarcimento, na medida em que o citado dispositivo não obriga a requerente a proceder à apuração centralizada do incentivo fiscal em questão. O mesmo dispositivo, segundo a interessada, prevê apenas que, na hipótese de apuração centralizada, o ressarcimento em moeda corrente deve ser efetuado ao estabelecimento matriz. Desse modo, conclui que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais não está obrigada à apuração centralizada do crédito presumido. Em seguida, a contribuinte, transcreve o disposto no art. 2!!,* 2!!, da Lei n!!9.363/1966, segundo o qual, no caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. Adita que, de conformidade com o art. 3!!,* 11, da Portaria MF n!!38/1997, em caso de apuração descentralizada, o estabelecimento produtor exponador que não efetuar a compra de matérias- primas, produtos intermediários e materiais de embalagem poderá calcular o crédito presumido sobre o valor desses insumos, utilizados na produção das mercadorias exportadas, que houverem sidos recebidos por transferência de outro estabelecimento da mesma empresa. Por outro lado, a requerente discorda do entendimento da FlANA/DRF/Feira de Santana - BA, citado no Relatório de fl. 60, de que o crédito deverá ser apurado de forma centralizada pelo estabelecimento matriz em vista da transferência de parte da produção da filial Barreiras para outro estabelecimento filial da Cargill Agrícola S/A, situado em Fortaleza/CE, para comercialização no mercado interno. 1sto porque, segundo a requerente, o art. 6!!, inciso 11,da IN/SRF n!!103/1997, que prevê tal obrigatoriedade, afronta as disposições da Lei n!!9.363/1996 e da Portaria MF n!!38/1997. CSRF-T3 FI. 200 Para fins de respaldar o entendimento quanto a sua livre opção pela utilização de forma de apuração centralizada ?~ 3 Processo n° 13520.000279/98-36 Acórdão n.o 9303-001.455 descentralizada do crédito presumido de IPI, nos termos preconizados pela Lei n!! 9.363/1996 e pela Portaria MF n!! 38/1997, a contribuinte reproduz, às jls. 73/74, ementas de acórdãos do Segundo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Diante do que expõe, a interessada requer, ao final de sua manifestação de inconformidade, seja deferido seu pedido de ressarcimento, como formulado à jl. OI, assim como acrescido seu crédito de juros calculados segundo variação da taxa Selic, nos termos do art. 66 da Lei n!!8.383/1991, combinado com o art. 39, * 42, da Lei n!!9.250/1995. Esclarece, ainda, que a matéria objeto de sua manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial. Por fim, protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia e a juntada de documentos. Remetidos os autos à DRJ em Recife - PE, foi o indeferimento mantido, em decisão assim ementada: "DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. ATRIBUIÇÃO DOS JULGADORES - O julgador da Delegacia da Receita Federal de Julgamento deve observar o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos normativos. IPI - CRÉDITO PRESUMIDO - APURAÇÃO CENTRALIZADA - O crédito presumido de IPI deverá ser apurado de forma centralizada, na matriz, quando o estabelecimento produtor e exportador transferir, para outro estabelecimento, parte de sua produção para comercialização no mercado interno. CORREÇÃO MONETÁRIA - É incabível a atualização monetária do crédito decorrente de ressarcimento do IPI, por falta de amparo legal. " Recorre a contribuinte essencialmente repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade. CSRF-T3 FI. 201 Julgando o feito, o Colegiado recorrido manteve o indeferimento do pleito do sujeito passivo em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 1998 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. APURAÇÃO. A apuração centralizada do crédito presumido do IPI deve observar as regras constantes dos atos normativos editados com fulcro no art. 100 do CTN. Recurso negado. 4 Processo n° 13520.000279/98-36 Acórdão n.o 9303.001.455 CSRF-T3 FI. 202 Inconformado, O sujeito passivo apresentou recurso especial onde reedita, em síntese, os mesmos argumentos apresentados no recurso voluntário. Esse apelo logrou seguimento, nos termos do despacho de fls. 185/188. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 191/197. Em apertada síntese, é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a matéria trazida a debate cinge-se à questão da apuração descentralizada do crédito presumido de IPI quando o industrial exportador transfere parte de sua produção a outro estabelecimento da mesma firma, e, também, a da atualização do crédito pela taxa Selic. A meu sentir, o deslinde da questão relativa à apuração do crédito é muito simples, por demais simples eu diria. Para tanto, basta entender a metodologia de cálculo do benefício, e, com isso, tem-se a certeza se a apuração, no caso dos autos, poderia haver sido feita de forma descentralizada, como defendeu a reclamante. A Lei 9.363/1996 instituiu o benefício e deu as diretrizes, inclusive a metodologia a ser utilizada no cálculo do valor a ressarcir, conforme se verifica da norma inserta no art. 2° desse diploma legal, abaixo transcrita. Art. 2° A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. 1" O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. 2° No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. A periodicidade inicial de apuração do crédito era anual, posteriormente passou a ser trimestral, como no período objeto destes autos. Partindo da metodologia dada no dispositivo legal acima, encontrar o valor do crédito a que o estabelecimento tem direito não demanda maiores dificuldades. Primeiro calcula-se o total das receitas de exportação do período, em seguida, calcula-se a receita operacional bruta do trimestre. Dividindo a receita de exportação pela receita operacional bruta, encontra-se o índice a ser aplicado ao total das aquisições, nesse trimestre, de matérias- /1r" Processo nO 13520.000279/98-36 Acórdão n.o 9303.001.455 CSRF.T3 FI. 203 primas, produtos intermediários e material de embalagem, para se encontrar a base de cálculo do crédito presumido. Esse índice faz presumir que o gasto com matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizadas nas mercadorias exportadas está para as Receitas de Exportação, assim como o total dos gastos com esses insumos está para a Receita Operacional Bruta do estabelecimento (receitas decorrentes da venda da produção do estabelecimento ). Encontrada a base de cálculo, é só multiplicá-la pelo percentual (5,37%) estabelecido no S lOdo art. 20 acima transcrito, para se chegar ao valor do crédito a que o produtor exportador faz jus. Para melhor compreensão do aqui tratado, vejamos o seguinte caso hipotético, que, mutatis mutantis, aplica-se ao caso concreto sob análise. Suponha que, em determinado período de apuração, a Receita de exportação do Estabelecimento industrial exportador tenha sido de R$ 10.000.000,00, e que a Receita Operacional Bruta desse período tenha alcançado R$ 20.000.000,00, assim composta: R$ 10.000.000,00 referente às vendas para o exterior e R$ 10.000.000,00 referente à vendas no mercado interno. O total das aquisições de matérias-primas, de produtos intermediários e de material de embalagem, do período, foi de R$ 5.000.000,00. Aplicando a metodologia de cálculo determinada na lei, tem-se que a relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta é de 50% ou 0,5 (R$ 10.000.000,00 -:- R$ 20.000.000,00). Aplicando-se esse índice sobre o total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, no exemplo dado, R$ 5.000.000,00 encontra-se a base de cálculo crédito presumido, que é igual a R$ 2.500,000,00 (R$ 5.000.000,00 X 0,5 = R$ 2.500.000,00). Por último, para se chegar ao valor do crédito a que o industrial exportador tem direito, basta aplicar a essa base de cálculo a alíquota de 5,37% determinada na lei. Em números temos: R$ 2.500,000,00 X 5,37% = R$ 134.250,00. Analisando os números, verifica-se que a produção obtida a partir desses insumos adquiridos pelo estabelecimento industrial exportador gerou Receita Operacional Bruta de R$ 20.000.000,00, sendo que a metade deste montante é decorrente de receitas de exportações, com isso, presume-se que metade das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem foi utilizada nas mercadorias exportadas. Essa presunção decorre da metodologia de cálculo trazida na lei concessiva do benefício, e vale para qualquer caso concreto. Em outras palavras, a apropriação dos gastos com matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, entre a produção de mercadorias exportadas e mercadorias vendidas no mercado interno, é diretamente proporcional à receita de exportação dividida pelo valor total das vendas (mercado externo e interno) da produção do estabelecimento no período. Todavia, se parte da produção for transferida para outro estabelecimento da mesma sociedade empresária, para revenda no mercado interno, essa proporção trazida na lei fica totalmente distorcida. No caso a relação entre o gasto de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem e a receita decorrente do produto da venda da produção do estabelecimento fica alterada por essa transferência de parte da produção. A receita operacional bruta que balizava a relação entre o gasto com insumo e a receita gerada com a venda da produção das mercadorias deixa de refletir a realidade e distorce totalmente o cálculo do benefício. 6 Processo nO 13520.000279/98-36 Acórdão n.o 9303-001.455 CSRF-T3 FI. 204 Para melhor entendimento, partamos dos dados do exemplo acima, alterando a Receita Operacional Bruta em decorrência da transferência de parte da produção para ser comercializada por outro estabelecimento da mesma firma. Receita de exportação do estabelecimento industrial exportador R$ 10.000.000,00. Transferência de metade da produção para comercialização interna por outro estabelecimento da mesma firma, o que resulta em zero de receita de venda no mercado interno. Com isso, a Receita Operacional Bruta é igual a Receita de Exportação. CR$ 10.000.000,00 = Receita de vendas para o mercado externo, posto que a produção destinada a vendas no mercado interno foi transferida para outro estabelecimento). Total das aquisições de matérias-primas, de produtos intermediários e de material de embalagem, do período, foi de R$ 5.000.000,00. Aplicando a metodologia de cálculo determinada por lei, tem-se que a relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta é de 100% ou 1CR$ 10.000.000,00 + R$ 10.000.000,00). Aplicando-se esse índice sobre o total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, no exemplo dado, R$ 5.000.000,00 encontra-se a base de cálculo crédito presumido, que é igual a R$ 5.000,000,00 CR$ 5.000.000,00 X 1). Por último, para se chegar ao valor do crédito a que o industrial exportador tem direito, basta aplicar a essa base de cálculo a alíquota de 5,37% determinada na lei. Em números temos: R$ 5.000,000,00 X 5,37% = R$ 268.500,00. Como se pode observar, a sistemática de proporções presumidas na lei para o cálculo do crédito presumido é totalmente desfigurada quando o estabelecimento industrial exportador transfere parte de sua produção para ser comercializada por outro estabelecimento, com isso, não lhe é lícito, nesse caso, apurar o crédito presumido de forma descentralizada. Observe-se que essa interpretação não está criando qualquer restrição à fruição do benefício por parte do industrial exportador, mas tão-somente, atendo-se à metodologia de cálculo baseada na proporção entre as receitas de exportação e a operacional bruta, bem como entre estas e a apropriação dos gastos com os insumos. Diante do exposto, não se pode negar que a Instrução Normativa, ao dispor que não se pode apurar descentralizadamente o crédito presumido do IPI quando o industrial exportador transferir parte de sua produção interna a outro estabelecimento, está apenas traduzindo a metodologia da norma para que ela seja aplicada para atender a vontade do legislador. Em resumo, a recorrente, ao transferir parte de sua produção para ser comercializada no mercado interno por outro estabelecimento da mesma firma, de fato, inviabilizou a apuração do crédito presumido de forma descentralizada, posto que impediu qualquer possibilidade de se calcular, de maneira válida as relações entre as receitas de exportação e a operacional bruta, bem como sobre estas e a individualização da apropriação das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na produção das mercadorias exportadas. No caso presente, a Fiscalização não suprimiu nem restringiu o direito da ,utullila 'o credito pre'umido, oté po, quo não o poderia fozc" m" em cumprimentn à?~ Processo n° 13520.000279/98-36 Acórdão n.° 9303.001.455 CSRF-T3 FI. 205 regulamentadoras desse benefício, glosou a utilização o crédito, já que a contribuinte não atendia as condições para fruição do crédito, nos termos pretendidos. Esclareça-se, por oportuno, que a lei instituidora do benefício, delega, em seu artigo 6°, ao Ministro da Fazenda a regulamentação do benefício, nos termos seguintes: Art. 6° O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Para cumprir o determinado nesse dispositivo legal, o Sr. Ministro da Fazenda baixou a Portaria n° 129/1995, posteriormente, a 38/97 onde estabelece as regras para fruição do crédito. Além disso, autoriza a Secretaria da Receita Federal a expedir normas complementares, necessárias à implementação do disposto naquelas Portarias. O que é feito por meio da Instrução Normativa SRF n° 103/1997, cujo artigo 6°1 dá a interpretação comentada linhas acima, de que o crédito presumido deverá ser apurado de forma centralizada, na matriz, sempre que os produtos forem exportados por intermédio de estabelecimento diferente daquele que os produziu ou que o estabelecimento produtor e exportador transferir, para outro estabelecimento, parte de sua produção para comercialização no mercado interno. De outro lado, não se pode olvidar que a própria lei concessiva do incentivo delegou sua regulamentação Poder Executivo. Assim, se o contribuinte não cumpre as determinações contidas em ato normativo emanado da autoridade competente, o resultado é o indeferimento do crédito pleiteado. Por derradeiro, cabe ressaltar que referida IN SRF 103/97 não extrapolou os limites estabelecidos em lei, porquanto as condições nela previstas vieram, tão-somente, atender as determinações dadas pelo artigo 2° da Lei concessiva do benefício. Não se alegue que a atribuição à Receita Federal da competência para editar essa instrução normativa, na qual seriam indicadas as condições para o gozo do benefício, seria inconstitucional ou ilegal, pois, a possibilidade de deslegalização ou de degradação do grau hierárquico encontra limites constitucionais nas matérias constitucionalmente reservadas à lei. A Constituição Federal, no tocante aos incentivos fiscais, só exige lei em sentido estrito, para sua concessão, nada dispondo sobre as condições a serem exigidas para a fruição e gozo. Por seu turno, o CTN, no artigo 97, onde elenca as matérias reservadas a lei, em sentido estrito, não menciona as condições para fruição dos incentivos fiscais. Com isso, tem- se que somente a concessão dos benéficos é reservada à lei em sentido estrito, a regulamentação não. Assim, se não existir reserva material de lei, pode o legislador atribuir à IArt. 60 O crédito presumido deverá ser apurado de forma centralizada, na matriz, sempre que I - os produtos forem exportados por intermédio de estabelecimento diferente daquele que os produziu; 11 - o estabelecimento produtor e exportador transferir, para outro estabelecimento, parte de sua produção para comercialização no mercado interno. fr 8 Processo n° 13520.000279/98-36 Acórdão n.o 9303-001.455 CSRF-T3 FI. 206 administração competência para disciplinar, por meio de ato normativo próprio, tais matérias. O que, na hipótese dos autos, veio a fazer por meio da IN SRF n° 103/1987. A deslegalização em matéria tributária não é novidade em nossos tribunais, o STF, no julgamento do RE n° 140.699-1/Pernambuco, com base no excelente voto do Ministro limar Galvão, julgou-a constitucional. Quanto à questão da Selic, entendo-a prejudicada haja vista que essa teria caráter acessória, e, no caso, segue a sorte do principal. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial apresentado pela contribuinte . ./I--.~/-4~~;:fPJ'7jHenr(que Pinheiro Torres '-'> Voto Vencedor Conselheira Nanci Gama, Redatora Designada A questão, como bem esclarecida pelo ilustre Conselheiro Relator, cinge-se à possibilidade de apuração do crédito presumido de IPI de forma descentralizada ou centralizada, nos termos da IN SRF 103/97. Nos termos da IN SRF 103/97, o contribuinte deverá apurar o crédito presumido de IPI de forma centralizada na matriz se as exportações ocorrem por diferentes estabelecimentos produtores ou na hipótese de um estabelecimento produtor-exportador transferir para outro estabelecimento parte de sua produção. A norma prescrita na referida Instrução, a meu ver, ao contrário do entendimento do ilustre Conselheiro Relator, a quem peço licença para discordar, contraria ao disposto no art. 2°, ~ 2°, da Lei 9.363/66. Veja-se que não se pode aqui deixar de considerar que, por se tratarem de operações realizadas no ano de 1998, a apuração do crédito presumido IPI de forma centralizada ou descentralizada era uma faculdade do contribuinte, que poderia escolher entre uma e outra. Somente após a edição da Lei 9.779/99 é que a apuração do crédito presumido passou a ser centralizada. Dessa forma, não há como aceitar, com fundamento na referida IN SRF n° 103/97, que o crédito do contribuinte seja glosado pela fiscalização e, por conseguinte, indeferido o seu pedido de ressarcimento objeto do presente processo, se o mesmo foi apurado em conformidade com a Lei 9363/99 e ainda com o previsto na Portaria MF n° 38/97. De forma a reforçar meu entendimento sobre a questão, adoto como minhas as razões bem lançadas pelo também ilustre Conselheiro Gustavo Kelly Alencar, ao proferir o seu voto no presente processo às fls. 128/135, que ora as transcrevo conforme abaixo segue: /q) 9 Processo n° 13520.000279/98-36 Acórdão n.O 9303-001.455 "Outrossim, a questão não é tão simples: a IN SRF n2 103/97 estabelece que deverão efetuar a apuração do crédito presumido do IPI de forma centralizada os estabelecimentos produtores- exportadores que: (I) exportarem através de estabelecimentos diferentes; ou (lI) o produtor-exportador transferir para outro estabelecimento parte de sua produção para comercialização no mercado interno (art. (j!!. da IN SRF n2 103/97). No caso, houve a transferência de parte da produção da filial para outra filial. Assim, deve-se analisar a aplicabilidade da IN SRF n2 103/97 mencionada. Inicialmente, é mister ressaltar que a aplicabilidade da referida IN é afastada de forma useira e vezeira por conta das inovações que traz em relação à lei, principalmente quanto às disposições de seus arts. 12 e 22, que prevêem que só geram direito a crédito presumido as aquisições de contribuintes do PIS e da Cofins, disposições estas regularmente afastadas pelas Câmaras do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda: "RP 201-115071 e RP 202-123-86 IPI - CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS - A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1° da Lei nO9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei nO9.363/96). A lei citada refere-se a 'valor total' e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nOs23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363, de 13.12.96, ao estabeleceram que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PISIPASEP (IN nO23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. Recurso a que se nega provimento." A hipótese é a mesma, só que com relação a outro dispositivo da IN SRF n2 103/97, qual seja, seu art. (j!!.. Vejamos decisão da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal Administrativo Tributário, que cuida do tema: "RPI203-0.074, Acórdão nO CSRF/02-01.156, sessão de julgamentos de 16/912002 "Conselheiro ROGÉRIOGUSTAVODREYER, Relator: CSRF-T3 FI. 207 10 Processo n° 13520.000279/98-36 Acórdão n.o 9303-001.455 Com relação à discussão, permito-me transcrever o voto que tenho proferido na Ia Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, do qual reproduzo a parte que interessa ao presente julgamento, como segue. Apesar da existência de precedentes do colegiado dando razão ao contribuinte, sinto-me na obrigação de bem clarear a adequada aplicação da fundamentação jurídica invocada no julgamento recorrido. Lembro que o douto julgador recorrido disse ter sido deferido o direito da apuração alternativamente centralizada ou descentralizada somente a contar da MP nO 1.484-27, de 23 de novembro de 1.996, convertida na Lei nO 9.363/96, em 13 de dezembro do mesmo ano. Até então, prevalecia a apuração por estabelecimento produtor-exportador. Cita o Boletim Central da Receita Federal nO 147, de 04 de agosto de 1998, que veda o método de apuração utilizado, fundado nos termos do ~ 3° do art. 18 da IN SRF 23/97. Data vênia, carente de fundamento o malsinado Boletim Central, quer juridicamente, quer quanto à sua pretensa fundamentação, o ~ 3° da IN SRF 23/97 acima citada. O referido diploma infra legal somente refere que a apuração centralizada referente ao ano de 1996 pode ser utilizada em todos os seus períodos trimestrais. Tal esclarecimento da referida norma administrativa necessário em vista da sua edição ter ocorrido somente em 1997 e com base na Lei nO9.363, publicada apenas em dezembro de 1996. Não pretendeu a regra dizer que a apuração centralizada não se aplicava a período anterior, como o aqui discutido, relativo ao ano de 1995. Nem poderia cometer tal imprudência, visto que a legislação anterior à Lei n° 9.363/96 (resultante da conversão da MP nO 1.484-27) não definiu se a apuração deveria ser efetuada de forma centralizada (no estabelecimento matriz) ou descentralizada (por estabelecimento produtor-exportador). Decorre daí o entendimento que o ~ 20 do artigo 20 da Lei nO 9.363/96, ao dispor a forma opcional de apuração, não instituiu novo comportamento, senão consagrou as duas formas de apuração, opcionalmente ofertadas ao contribuinte, por absoluta falta de disposição expressa anterior para a utilização de um ou outro critério. Mais ainda, a norma adequou-se à alteração do artigo 10 da indigitada Lei em relação à disposição anterior, que atribuía o benefício ao produtor exportador, para atribuí-lo definitivamente, esclarecedora e, por tal, interpretativamente, à empresa produtora exportadora. Deflui de toda a exposição acima que não havia norma que definisse qual o critério de apuração anterior à indigitada MP 1.484-27, nem mesmo aquela que determinava a utilização subsidiária da legislação do IPI à espécie. Esclareço que tal 'Olf"ção "h,idf"f, ,om,n" " rel,ri, 'o, oon"f'o; ~ CSRF-T3 FI. 208 11 Processo n° 13520.000279/98-36 Acórdão n.o 9303-001.455 produção, matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nada mais. A consagrar o corolário acima, o forte pOSICIOnamento da jurisprudência do Conselho, pelo entendimento de que a forçosa utilização do critério centralizado de apuração somente passou a vigorar a contar da entrada em vigor da Lei nO9.779, de 19 de janeiro de 1999 (art. 15, lI). Somente para citar alguns precedentes seleciono os que seguem e Cuja ementa transcrevo: ACÓRDÃO 201-74142 ACÓRDÃO 201-74143 ACÓRDÃO 201-74144 ACÓRDÃO 201-74159 'Ementa: IPI -CRÉDITO PRESUMIDO -APURAÇÃO DESCENTRALIZADA -NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO -JUROS (NORMA DE EXECUÇÃO W 08/97). Tanto a Lei nO9.363/96 como a Portaria MP nO38/97 autorizam expressamente apuração descentralizada do crédito presumido do IPI, sem que para isso imponha qualquer condição à empresa produtora exportadora. Dessa forma, forçoso reconhecer que as condições impostas pelo art. 60 da Instrução Normativa nO 103/97 ofendem, frontalmente, esses textos normativos, uma vez que eles facultam às empresas que fazem jus ao benefício apurá- los da maneira que lhes melhor convir. As instruções normativas são normas complementares das leis. Não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que completam. A Instrução Normativa SRF nO 103/97 claramente exorbitou sua competência de interpretar restritivamente a legislação tributária, pretendendo minorar a aplicação de direito expressamente assegurado pela Lei n° 9.363/96, bem como contrariou texto expresso da Portaria MP nO 38/97, que é norma complementar à legislação tributária de hierarquia superior. Antes da vigência da Medida Provisória nO 1.778/98, convertida na Lei nO 9.779/99 era assegurado à impugnante o direito de apurar crédito presumido do IPI de forma descentralizada em seus estabelecimentos. Assim, merece ser reformada a decisão ora recorrida, que negou à RECORRENTE o direito ao cálculo descentralizado do ressarcimento do valor do crédito presumido de IPI. Reconhecendo, ainda, o direito ao ressarcimento acrescido de juros na forma prevista na Norma de Execução nO 08/97. Recurso provido.' É como voto.' Mas não é só. Não fossem suficientes as razões acima transcritas, necessário se faz mencionar que diferente não é o entendimento da doutrina sobre o tema, qual seja, a ilegalidage das Instruções No=ü", "litad•• "m , fin'1i~e de regnl,men"" ,7~ CSRF-T3 FI. 209 12 Processo n° 13520.000279/98-36 Acórdão n.° 9303.001.455 9.363/86, como é a hipótese dos autos. Vejamos o trecho de Reinaldo Pizolio: 'I. Da instituição do incentivo fiscal A Lei federal n° 9.363, ..., dispondo sobre incentivo fiscal que havia sido tratado por medidas provisóriasl, dispõe sobre a instituição do denominado Crédito Presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI - nos seguintes termos: ' ...'. o incentivo fiscal denominado Crédito Presumido de IPI pode ser utilizado para compensação do próprio Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e, no caso de impossibilidade, propicia o ressarcimento de seu valor em moeda corrente, nos precisos termos do artigo 4° da referida Lei Federal, que tem a seguinte dicção: ' ...'. Pela singela leitura dos dispositivos transcritos, pode-se notar que as normas em questão têm por objeto desonerar da incidência tributária as operações de exportação de mercadorias para o exterior, buscando incentivar o desenvolvimento nacional, objetivo que vai ao encontro, inclusive, do previsto no artigo 3°, inciso lI, da Constituição Federal, prestando-se o aludido incentivo fiscal a propiciar maior competitividade do produto nacional no mercado externo. Com acentua José Erinaldo Dantas Filho, 'O espírito do citado diploma legal foi o de incentivar a exportação de produtos nacionais, tentando diminuir o chamado 'custo Brasil' para os produtos pátrios, de maneira que não sejam 'exportados tributos para o exterior'. O legislador federal visualizou a extrema necessidade de desonerar a exagerada carga tributária para os produtos exportados, bem como visou a combater o acentuado déficit da balança comercial de nosso País, assim gerando mais empregos e maior arrecadação'. Cabe salientar, ainda a título introdutório, que o artigo 6° da Lei Federal n° 9.363/96 cuidou da possibilidade de regulamentação do benefício fiscal da seguinte forma: ' ...'. 2. Da disciplina do incentivo fiscal por normas infralegais. (...) 3. Do necessarIO respeito ao princípio constitucional da legalidade. Conforme verificamos nos parágrafos anteriores, as Instruções Normativas n° 23/97 e n° 103/97 impõem restrições à fruição do Crédito Presumido de IPI, a primeira, ao limitar o incentivo fiscal do respectivo crédito, ...; e. a segunda, a vedar o aludido crédito ( ...). Tal entendimento, entretanto, não nos parece correto, porque entendemos que restrições ao exercício do direito contemplado pela Lei Federal somente poderiam ser validamente veiculadas por meio de outra lei ou, eventualmente, por medida provisória, em homenagem ao princípio da legalidade. CSRF.T3 FI. 210 13 Processo nO 13520.000279/98-36 Acórdão n.o 9303-001.455 Embora seja lição cediça na doutrina pátria, acreditamos ser sempre oportuna a lembrança do lapidar conceito formulado por Celso Antônio Bandeira de Mello, segundo o qual "Princípio - já averbamos alhures - é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente para definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico positivo. Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma qualquer. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo sistema de comandos, É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo sistema, subversão de seus valores fundamentais, contumélia irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra' . No que se refere ao princípio da legalidade, não menos cediças são as suas previsões no artigo 5°, inciso lI, da Constituição Federal, segundo o qual "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei' e, especialmente no campo tributário, no artigo 150, inciso lI, do Texto Constitucional, de seguinte dicção: ' .. .'. A consciência do significado e da relevância do primado da legalidade, comparada com as disposições das Instruções Normativas a que nos referimos, permite-nos visualizar que a Secretaria da Receita Federal, por meio de dispositivos infralegais' - atos meramente complementares da Lei Federal nO 9.363/96 - pretendeu restringir o direito nesta contemplado, indo além de suas possibilidades regulamentares, em clara e insofismável ofensa ao princípio da legalidade. Como é cediço - e conforme estatuído claramente pelo Texto Constitucional - a exigência tributária, qualquer que seja ela, somente terá lugar se consubstanciada em lei e não em meros atos infralegais, como é o caso notório da instrução normativa. Certamente não há dúvida de que as instruções normativas, assim como pareceres normativos e outros atos infralegais desta natureza, destinam-se a explicitar e mesmo complementar a legislação tributária e, nesta qualidade, podem servir de orientação aos particulares. Não obstante, tais atos não possuem outro conteúdo e nem outra finalidade senão assegurar a fiel execução das leis, dentro dos limites por ela estabelecidos. CSRF.T3 FI. 211 Este é o entendimento de Celso Antônio Bandeira de Mello, que aponta: 'Se o regulamento não pode criar direitos ou restrições à liberdade, propriedade e atividades dos indivíduos que não estejam estabelecidos e restringidos na lei, menos ainda poderão fazê-lo instruções, portarias ou resoluções. Se o regulamento não pode ser instrumento para regular matéria que, por ser legislativa, ~d6 14 Processo n° 13520.000279/98-36 Acórdão n.o 9303.001.455 é insuscetível de delegação, menos ainda poderão fazê-lo atos de estirpe inferior, quais instruções, portarias ou resoluções. Se o Chefe do Poder Executivo não pode assenhorar-se de funções legislativas nem recebê-Ias para isso por complacência irregular do Poder Legislativo, menos ainda poderão outros órgãos ou entidades da Administração direta ou indireta' . Em outras palavras, as referidas instruções, editadas pelos órgãos competentes da administração tributária, constituem espécies normativas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância aos limites impostos pelas leis nas quais se baseiam ou visam dar explicitação e cumprimento. Tais diplomas nada mais são, em sua configuração jurídico-formal, do que atos executivos cuja regularidade está diretamente subordinada aos atos legislativos de natureza primária - como são as leis - a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e dependência. Muito embora a rigor nem fosse necessário, dado que o tema não oferece maiores dificuldades, não parece despiciendo trazer à colação os ensinamentos de Roque Antonio Carraza, que, ao tratar do tema da legalidade esclarece: 'A lei é o fundamento da faculdade regulamentar, que, como é pacífico, é exercitada, no mais das vezes, por meio de decreto (por isso mesmo, decreto regulamentar). De fato, os decretos regulamentares, no Brasil, sUJeItam-se ao princípio da legalidade, só podendo surgir para executar alguma lei. (...) o regulamento executivo, esclarece luminosamente Celso Antônio Bandeira de Mello, especifica os 'comandos já abrigados virtualmente na lei, isto é, compreendidos na abrangência de seus preceptivos'. Isto vale, inclusive, para os regulamentos tributários, conforme, aliás, já tivemos a oportunidade de averbar: 'Também em matéria tributária, o único regulamento aceito por nossa Constituição é o Executivo que, subordinando-se inteiramente à lei (lato sensu), limita-se a prover sua fiel execução, isto é, a dar-lhe condições de plena eficácia, sem, porém, criar ou modificar tributos'. Em suma, o regulamento, também em matéria tributária, não pode inovar inaugural mente a ordem jurídica. É o caso de aqui remarcarmos que, estando o regulamento - que é a fonte secundária por excelência do Direito Tributário - cercado com tão formidáveis diques, por muito maior razão (argumento a fortiori) as portarias, as instruções normativas e os atos administrativos tributários em geral, que também não poderão contrariar me a letra, nem o espírito da lei'. Nota-se, portanto, que na realização da tarefa de explicitar os comandos da Lei Federal em tela, as Instruções Normativas não pod,riron""bd~ ,,,triçõe, "" ,Iudido d",ito de "éditoi~ CSRF-T3 FI. 212 15 Processo n° 13520.000279/98-36 Acórdão n.o 9303-001.455 a própria Lei não estabeleceu, sob pena de dispensar maus tratos ao princípio da legalidade. (...) Deste modo, e com o devido respeito pelo entendimento contrário, parece-nos que não cabe a nenhuma instrução normativa, por ser ato de natureza infralegal, ultrapassar ou mesmo modificar o quanto estatuído pela Lei. Tal ato não pode inovar na ordem jurídica, não pode criar, modificar ou extinguir direitos e, muito menos, pretender estabelecer restrições a incentivo fiscal concedido por meio de lei. Assim sendo, as Instruções Normativas n° 23/97 e n° 103/97, que, no presente caso e por sua natureza, padecem de ilegalidade, encontram-se também eivadas do vício da inconstitucionalidade, justamente por ferirem o basilar princípio constitucional da legalidade.' (Crédito Presumido de IPI e Princípio da Legalidade,colaboração de Reinaldo PizoJio in IPI - Aspectos Jurídicos Relevantes - Peixoto, Marcelo Magalhães - Coordenação - São Paulo: Quartier Latin, 2003, pgs. 343 a 352). In casu, aliás, sequer há de se argumentar em favor do princípio da deslegalização ou de degradação do grau hierárquico(RE n° 140.660-1IPE, Ministro relator Ilmar Galvão, acórdão publicado no DJ.U., I, de 14/512001), pois a ' ... mim me parece, entretanto, com todas as vênias, que a premissa do raciocínio ... ficou comprometida na medida em que se limitou à demonstração da inexistência de cláusula constitucional de reserva da matéria à lei no capítulo atinente ao sistema tributário nacional - especialmente no tópico das limitações constitucionais do poder de tributar -, onde efetivamente não se cogita da arrecadação, mas principalmente de normas de competência para definir, instituir e quantificar tributos, assim como na sua última sessão, à repartição das receitas tributárias. Sucede - mostrou-o o em. Ministro Marco Aurélio - que o art. 47. I, da Constituição, foi além e explicitamente reservou ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República e, portanto, à lei formal, não apenas quanto diga respeito ao sistema tributário e à repartição das receitas correspondentes, mas também, à sua arrecadação.' (Voto-Vista do Ministro Sepúlveda Pertence, proferido por ocasião do julgamento do RE n° 140.669- IIPE, acórdão publicado no DJ.U., 14/512001.) E ainda a ilustrar a presente discussão travada nestes autos, faz- se ainda imperioso citar a seguinte jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, emanada por ocasião do julgamento da ADIn n° 365-8/600-DF(ADIn 365-8/600, Ministro relator Celso de Mello, acórdão publicado no DJ.U., I, de 15/3/1991.), que se amolda perfeitamente à espécie: (...) As Instruções Normativas, editadas por órgão competente da Administração Tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos ",I" le;" "'todo" ooovençõe>;ntem"'on.,;" ou d~reto~ CSRF.T3 FI. 213 16 Processo n° 13520.000279/98-36 Acórdão n.o 9303.001.455 presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico- formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias, a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação da lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarse-á de ilegalidade e não de inconstitucionalidade.' (destaques no original). Como se vê, o julgado em parte acima transcrito não só demonstra a competência deste Conselho de Contribuintes para apreciar a questão em debate, pois se está julgando questão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade de lei; assim como ratifica/comprova a ilegalidade da Instrução Normativa nO 103/97, que de forma ilegítima buscou criar restrições à modalidade de pleitos de ressarcimento de IPI, nos moldes como formulado pela recorrente. E ilegítima redução praticou o Sr. Ministro da Fazenda com a edição de tal Instrução Normativa à Lei nO9.363/96, quando definiu que o pleito de ressarcimento somente poderia ser analisado quando reclamado de forma descentralizada - hipótese contrária à destes autos -, o que, em hipótese análoga, permite- me afirmar que não ' ... é admissível que ato normativo infra- legal acrescente ou exclua alguém do campo de incidência de determinado tributo, ..., visto que tal hipótese fere a lei (CTN, art. lOS, parágrafo 1°) e o próprio princípio constitucional da reserva legal ...' (TRF4, 28T., AMS 95.04.J0674-9/RS, reI. o Juiz Vilson Darós, mar/96).' ( Direto Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência/Leandro Paulsen. 5 ed. atual. - Porto Alegre: Livraria do Advogado, p. 740, em comentários ao artigo 100, do CTN.) Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto, uma vez que a apuração dos créditos de IPI, para fins de ressarcimento de crédito presumido da mencionada exação, sob os auspícios da Lei nO9.363/96 e até o advento da Lei nO 9.779/99, poderia se verificar de forma descentralizada e/ou centralizada, pois a meu sentir - e pelo vício de ilegalidade aqui sustentado - inexistia na legislação então vigente qualquer imposição em contrário. É como voto, cabendo ainda à Fiscalização a apuração de mérito, ou seja, quanto 'a procedência ou não dos insumos que compuseram a base de cálculo adotada pela requerente'. " CSRF-T3 FI. 214 • Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte . 17 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017
score : 1.0
Numero do processo: 12448.727308/2013-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
SUCESSÃO. BENS MÓVEIS E IMÓVEIS. GANHOS DE CAPITAL. FATORES DE REDUÇÃO. APLICAÇÃO.
Consideram-se imóveis, por determinação legal, o direito à sucessão aberta, ainda que a herança seja formada exclusivamente de bens móveis. Na cessão de direitos hereditários em que a herança é composta por bens móveis e imóveis a aplicação dos fatores de redução alcança todos os bens do inventário.
GANHOS DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS. TÍTULO DE CRÉDITO. CLÁUSULA PRO SOLUTO.
Está sujeita ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na cessão de direitos hereditários. A opção, em título de crédito, pela cláusula pro soluto implica considerar o pagamento como sendo efetuado à vista.
GANHOS DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
Na cessão de direitos hereditários cuja alienação se deu por título de crédito contendo a cláusula pro soluto o ganho de capital deve ser tributado na data da alienação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-003.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade, por vício material, relativa à omissão de ganhos de capital auferidos no recebimento de R$ 3.000.000,00 em compensação às ações judiciais referentes à sonegação de bens do inventário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator), que entendia o vício ser formal, e os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente) que rejeitavam a preliminar. Designada para redigir o voto vencedor, nessa parte, a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Realizou sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Arão Bezerra Andrade.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Assinado digitalmente
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora Designada.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.?
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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BENS MÓVEIS E IMÓVEIS. GANHOS DE CAPITAL. FATORES DE REDUÇÃO. APLICAÇÃO. Consideramse imóveis, por determinação legal, o direito à sucessão aberta, ainda que a herança seja formada exclusivamente de bens móveis. Na cessão de direitos hereditários em que a herança é composta por bens móveis e imóveis a aplicação dos fatores de redução alcança todos os bens do inventário. GANHOS DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS. TÍTULO DE CRÉDITO. CLÁUSULA PRO SOLUTO. Está sujeita ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na cessão de direitos hereditários. A opção, em título de crédito, pela cláusula pro soluto implica considerar o pagamento como sendo efetuado à vista. GANHOS DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. Na cessão de direitos hereditários cuja alienação se deu por título de crédito contendo a cláusula pro soluto o ganho de capital deve ser tributado na data da alienação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade, por vício material, relativa à omissão de ganhos de capital auferidos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 73 08 /2 01 3- 59 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 460 2 no recebimento de R$ 3.000.000,00 em compensação às ações judiciais referentes à sonegação de bens do inventário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator), que entendia o vício ser formal, e os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente) que rejeitavam a preliminar. Designada para redigir o voto vencedor, nessa parte, a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Realizou sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Arão Bezerra Andrade. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Assinado digitalmente Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Relatório Tratase de Auto de Infração por meio do qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física suplementar, multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 173/174, que foi efetuado o lançamento em face da verificação da infração de omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais. Constatou a Autoridade lançadora: Apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na cessão dos direitos hereditários à AMIL ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONAL LTDA, referentes aos bens imóveis. Lançado o ganho de capital apurado compensandose o imposto já pago, após a imputação dos valores para a data de vencimento, 28/11/2008. Apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na cessão dos direitos hereditários à AMIL ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONAL LTDA, referentes aos bens móveis. Lançado o ganho de capital apurado compensandose o imposto já pago, após a imputação dos valores para a data de vencimento, 28/11/2008. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 461 3 Omissão de ganhos de capital auferidos no recebimento de valores em compensação às ações judiciais referentes à sonegação de bens do inventário, operação esta equivalente à cessão de direitos hereditários. Lançado o ganho de capital apurado. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 199/224, que foi julgada procedente em parte por meio do acórdão de fls. 379/388 do processo digital, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS. Está sujeito ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na cessão de direitos hereditários. DIREITOS HEREDITÁRIOS. BEM IMÓVEL. Por expressa determinação legal, os direitos hereditários são considerados bens imóveis, o que implica a consideração, no cálculo do correspondente ganho de capital, das reduções aplicáveis aos bens imóveis. CLAUSULA PRO SOLUTO. VENDA À VISTA. O opção pela cláusula pro soluto implica considerar o pagamento como tendo sido efetuado à vista. CESSÃO DE DIREITOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO DO VALOR. O ganho de capital na alienação de bens e direitos realizada no curso do inventário, mediante cessão de direitos hereditários, será apurado em nome de cada cedente, que deverá considerar como custo de aquisição da parte cedida o valor que proporcionalmente lhe couber na partilha. Em face da exoneração de imposto suplementar no valor de R$ 627.693,74 e de multa de ofício no valor de R$ 470.770,31, o Presidente da 17ª Turma da DRJ/SPO apresentou, com fundamento no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, recurso de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Cientificada da decisão de primeira instância em 02/09/2015 (fl. 394), a Interessada interpôs, em 18/09/2015, o recurso de fls. 397/429, acompanhado dos documentos de fls. 430/453. Na peça recursal aduz, em síntese, que: A consulta e a ação fiscal Guilherme Ribeiro Romano faleceu sem deixar testamento em 22 de setembro de 1995, quando foi aberta sua sucessão, sendo herdeiros seus 5 filhos, dentre os quais a defendente. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 462 4 O inventário de seus bens, requerido em 18 de outubro de 1995, foi palco de graves conflitos entre os herdeiros, alongandose por muitos anos, em consequência de dois herdeiros terem sonegado bens ao inventário, ocultandoos e negandose a trazêlos à colação. Para por fim às demandas judiciais optouse pela cessão, por todos os herdeiros, de seus direitos na sucessão à empresa AMIL Assistência Médica Internacional Ltda., o que se efetivou por escritura pública lavrada em 17 de outubro de 2008 e antecedida por instrumento particular de 18 de setembro de 2008. Por essa escritura os dois herdeiros mencionados acima se obrigaram a indenizar suas irmãs pelos atos lesivos praticados, recompondolhes o patrimônio, em contraprestação da renúncia, por estas últimas, aos direitos e ações em que questionavam os atos ilícitos que as vitimavam. Acordouse, então, parcelamento do preço da cessão de direitos hereditários e, também, o do valor da indenização fixada. A mãe dos herdeiros cedeu à AMIL os seus direitos de participação no capital social de Casa de Saúde Santa Lúcia S/A por valor que, simultaneamente, doou a seus filhos, devendo a adquirente, AMIL, por ordem da referida senhora, efetivar o pagamento do preço pactuado, entregando o valor aos filhos em partes iguais e prosseguindo o inventário com a substituição dos herdeiros, em seus direitos, pela cessionária AMIL. A Recorrente, no dia 25/11/2009, protocolou na Delegacia da Receita Federal DRF de seu domicílio consulta sobre os negócios jurídicos aqui tratados. Pela decisão proferida transmitiuse à contribuinte orientação pertinente à incidência de imposto de renda sobre ganhos auferidos na cessão de direitos hereditários, ao momento da aquisição desses direito pelos sucessores, à efetiva aplicação à hipótese dos fatores de redução previstos no art. 40 da Lei n° 11.196/2005, e, reconhecendose parcelamento do preço em prestações mensais sucessivas, concluiuse pelo recolhimento também parcelado do tributo. Não obstante a integral a observância pela suplicante de suas obrigações fiscais, em estrita conformidade à orientação prestada na consulta, viuse ela objeto de procedimento fiscal instaurado para exame tributário das mesmas e exatas operações. Em 06/08/2013 foi lavrado Auto de Infração AI contra a Recorrente. A leitura do AI evidencia que o Auditor que o subscreveu desconheceu a préexistência de consulta relativa aos mesmos fatos e desconsiderou a decisão nela pronunciada. A desconsideração da decisão proferida em consulta O acórdão recorrido relega ao esquecimento a decisão proferida no processo de consulta, que vincula e obriga a Administração, condicionando o alcance de seu julgamento na ação fiscal. A resposta da Autoridade à dúvida proposta pelo Consulente vinculaa à solução dada, excluindo a responsabilidade daquele que se conforma a essa solução, enquanto ela não seja expressamente modificada. A tributação por ganho de capital de valores havidos em compensação à renúncia a ações judiciais (transação) Fl. 462DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 463 5 O negócio em questão é caracteristicamente uma "transação" e, como tal, é qualificado no próprio instrumento por que se constituiu (Cláusula 1.1.3). Pela transação acordada as irmãs herdeiras, dentre as quais a Suplicante, desistiram das ações intentadas para obtenção do colacionamento dos bens sonegados pelos irmãosvarões, recebendo, cada uma, “... por conta e em compensação das Ações Judiciais e a título de recomposição do patrimônio...”, a importância de R$ 3.000.000,00, no total de R$ 9.000.000,00, pagamentos suportados pela metade por cada qual dos responsáveis pela sonegação. Tais pagamentos foram acordados a prazo e em parcelas representadas por notas promissórias emitidas pro soluto (cláusulas 1.3 e 1.6 da escritura pública de 17/10/2008). É na proclamada "equivalência" entre atos de transação e de cessão de direitos hereditários que a Autoridade fiscal encontrou fundamento para concluir pela exigibilidade do imposto e lançálo. A contribuinte insurgiuse contra a tributação, assinalando que "equivalente" significa de igual valor, força, etc. Essa é a sua significação semântica. A ação fiscal, ao levar a tributação o negócio "semelhante", valeuse de analogia, assimilando categorias jurídicas diversas, isto é, negócios jurídicos que, em substância, se distinguem e diferem entre si. O lançamento, portanto, carece de legalidade, eis que, nos termos do art. 108, § 1º, do Código Tributário Nacional CTN, o emprego da analogia não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei. A ilicitude praticada pelos herdeirosvarões foi compensada por indenização que se obrigaram a pagar. Quem quer que cometa ato ilícito contra alguém está obrigado a indenizar o dano causado, mas isso não importa dizer que a vítima, ao ser indenizada, esteja a transmitir ao culpado o bem lesado. A tributação de ganhos de capital pressupõe sempre alienação de bens ou direitos, como fica patente da Lei n° 7.713/1988, regulamentada nos artigos 117 e seguintes do Decreto n° 3.000/1999. Na transação inexiste alienação. O lançamento é, portanto, improcedente. A decisão recorrida faz referência a "adiantamento da legítima feito pela mãe aos filhos", que se incluiria no "total da herança". Não existe tal fato na hipótese destes autos, sendo, portanto, equivocada sua apreensão pelo ilustres julgadores. Em última análise é irrelevante cogitar se as indenizações são isentas ou não de imposto de renda, já que o lançamento em causa é o de imposto de ganhos de capital sobre valores recebidos em "transação sobre direitos de ação" considerada pelo fisco como "cessão de direitos hereditários". O recolhimento do imposto sobre ganho de capital Na resposta à consulta dirigida pela Suplicante a Autoridade tributária, pronunciandose sobre a hipótese fática objeto da ação fiscal, fixou orientação à contribuinte quanto aos devidos procedimentos a serem por ela adotados para recolhimento do tributo. O procedimento aplicável à hipótese foi estritamente observado pela contribuinte. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 464 6 Desconhecese a existência de lei ou mesmo de normas administrativas que equiparem a negócio à vista a venda ou cessão em que às parcelas do preço corresponda à emissão de notas promissórias pro soluto. O equívoco da tese consiste em identificar os conceitos de "quitação" e "pagamento", que são distintos. "Quitação" significa "extinção, liberação da obrigação", ao passo que "pagamento" é uma das modalidades dessa extinção (Código Civil Parte Especial. Livro I, Título III). No caso concreto, a entrega dos títulos aperfeiçoou a cessão de direitos, mas não consumou o pagamento. Não há qualquer fundamento legal para exigirse a tributação do imposto como se de pagamento à vista se tratasse, quando ele se faz a termo e de forma parcelada, mesmo que representadas suas parcelas por títulos emitidos pro soluto. Toda a erronia da autuação e da decisão que a fundamentou parece derivar da equivocada leitura do Parecer Normativo CST n° 130/1975. Esse parecer, explicitamente, diz respeito a ganhos de capital de empresas (pessoas jurídicas) e tem o mérito de discriminar entre notas promissórias vinculadas e não vinculadas. Custo de Aquisição O AI propugna pela aplicação do valor de aquisição segundo o art. 809 do RIR/1994, o que implicaria custo zero em relação aos valores havidos em compensação à renúncia a ações judiciais. O argumento é de todo desarrazoado, porque está em questão suposto fato gerador que teria ocorrido em 17 de outubro de 2008, que deveria ser regulado pelas leis, regulamentos e demais disposições então vigentes. O fato de a tributação envolver, em sua apuração, valoração de negócios pretéritos não importa na aplicação de critérios vigorantes ao tempo desses negócios. Mesmo que assim não fosse, em 22 de setembro de 1995, data de abertura da sucessão (que seria segundo a ação fiscal a data de aquisição dos presumidos direitos hereditários) vigia o art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 39/1993, que não previa a alternativa de atribuição de valor zero aos bens. O apelo ao inciso VI do art. 809 do RIR/1994 também é inócuo, porque, estando os bens litigiosos devidamente identificados na ação de sonegados (bens imóveis no País e no exterior e saldos em contas bancárias nos Estados Unidos), nenhuma dificuldade haveria em apurarlhes o valor na data da abertura da sucessão. O certo é que a fiscalização não fez qualquer esforço para chegar a tal apuração e, é evidente, dificuldade não significa impossibilidade. Conclusões e pedido A decisão recorrida é nula por carência de fundamentação e por cerceamento do direito de defesa da contribuinte, posto que importa em negativa desse direito a recusa do julgador em conhecer, ter em conta e pronunciarse, no âmbito de sua competência, sobre matéria de defesa arguida pela parte. Mas a mesma decisão, e também o lançamento originário, são improcedentes, aquela na parte em que confirma a cobrança inicial. Pleiteia, ao final, que seja conhecido o recurso, reconhecendo a nulidade da decisão recorrida, mas com fulcro no parágrafo 3º do art. 12 do Decreto n° 7.574, de 28 de Fl. 464DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 465 7 setembro de 2011, não a decrete para, então, julgar procedente o recurso e insubsistentes, em sua integridade, o lançamento impugnado e a ação fiscal. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator As folhas citadas neste voto se referem à numeração do processo digital. Recurso de Ofício Conheço do recurso de ofício, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A Autoridade lançadora apurou o ganho de capital na cessão de direitos hereditários de forma diferenciada em relação aos bens móveis e imóveis, uma vez que a estes a legislação tributária autoriza a aplicação dos fatores de redução (FR1 e FR2) do ganho apurado. A decisão recorrida, por seu turno, exonerou parte do crédito tributário lançado com fundamento no art. 80, II, do Código Civil, que considera bens imóveis, para os efeitos legais, o direito à sucessão aberta, aplicando os fatores de redução a todos os bens do inventário. Sobre o art. 80 do Código Civil leciona Maria Helena Diniz (Curso de Direito Civil Brasileiro, Volume I, Saraiva, 24ª edição, p. 330): 4) Imóveis por determinação legal (...) são: direitos reais sobre imóveis (...) mas também as ações que os asseguram, (...) e o direito à sucessão aberta (...), ainda que a herança só seja formada de bens móveis. Terseá a abertura da sucessão no instante da morte do de cujus; daí, então, seus herdeiros poder ceder seus direitos hereditários, que são tidos como imóveis. Logo, para aquela cessão, será imprescindível a escritura pública. Nesse cenário, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário A leitura do item “B” do Termo de Constatação e de Verificação Fiscal (fls. 147/165) evidencia que a Fiscalização apurou ganhos de capital decorrentes de duas operações distintas. Confira: B DOS GANHOS DE CAPITAL DECLARADOS E DOS GANHOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO Conforme INSTRUMENTO PARTICULAR DE PROMESSA DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS HEREDITÁRIOS, DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES, RENÚNCIA DE DIREITOS E AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS, de 18/09/2008, e a Escritura Definitiva, de 17/10/2008, referentes às mesmas Fl. 465DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 466 8 operações, a fiscalizada acima identificada, denominada PRIMEIRA CEDENTE, realizou duas operações sujeitas à apuração dos ganhos de capital: cessão de direitos hereditários à empresa AMIL ASSISTÊNCIA MEDICA INTERNACIONAL LTDA. Recebimento de R$ 3.000.000,00, por conta e em compensação de ações judiciais, como veremos adiante, equivalente à cessão de direitos hereditários sobre bens sonegados ao inventário. Quanto à cessão dos direitos hereditários à AMIL, ao verificarmos os ganhos de capital apurados com base na escritura e na legislação aplicável, confrontados com os ganhos de capital declarados pela fiscalizada, constatamos divergências consideráveis. Quanto à compensação de ações judiciais, a fiscalizada não apurou ganhos tributáveis em suas declarações de ajuste. Por se tratarem de operações que, a meu ver, não se confundem, analisarei as razões recursais em dois momentos: por primeiro, apreciarei o ganho de capital no recebimento de R$ 3.000.000,00 por conta e em compensação de ações judiciais (transação). De seguida, cuidarei do ganho de capital na cessão de direitos hereditários à empresa AMIL ASSISTÊNCIA MEDICA INTERNACIONAL LTDA. A tributação por ganho de capital de valores havidos em compensação à renúncia a ações judiciais (transação) Neste ponto a Interessada se insurge, preliminarmente, contra uma suposta "equivalência" proclamada pela Autoridade lançadora entre os atos de transação e de cessão de direitos hereditários. Para a Recorrente o lançamento careceria de legalidade, eis que, nos termos do art. 108, § 1º, do Código Tributário Nacional CTN, o emprego da analogia não poderia resultar na exigência de tributo não previsto em lei. Compulsando o Termo de Constatação e de Verificação Fiscal (fls. 147/165) verificase que, de fato, a Autoridade fiscal se utilizou, por três vezes, da suposta “equivalência” quando tratou da indenização de R$ 3.000.000,00 recebidos pela Interessada, por conta e em compensação de ações judiciais em que pleiteava a recomposição do patrimônio em decorrência de bens sonegados ao inventário por seus irmãos. Na parte que interessa a Autoridade lançadora assim se pronunciou: Em compensação às referidas ações judiciais, as cláusulas (1.1.3) e (1.3) da mesma escritura consignaram que os irmãos, denominados QUARTO e QUINTO CEDENTES, pagariam a cada uma das irmãs, PRIMEIRA, SEGUNDA e TERCEIRA CEDENTES, o valor de R$3.000.000,00 para cada uma, conforme reproduzimos a seguir. 1.1.3. Em razão da transação prevista na Cláusula 2.2, o QUARTO e o QUINTO CEDENTE determinam a CESSIONÁRIA (i) a deduzir R$9.000.000,00 (nove milhões de reais) dos valores Fl. 466DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 467 9 correspondentes a sua parte nos Preços de Aquisição dos Direitos Hereditários e dos Direitos de Participação, sendo R$ 4.500.000,00 (quatro milhões e quinhentos mil reais) de cada um deles e (ii) a pagar, em partes iguais, a PRIMEIRA, SEGUNDA e TERCEIRA CEDENTES por conta e em compensação das Ações Judiciais e a titulo de recomposição do patrimônio da PRIMEIRA, SEGUNDA E TERCEIRA CEDENTES, conforme prazos e condições previstos nesta Cláusula ("Créditos Indenizatórios"). A assinatura desta Escritura valerá igualmente como plena, rasa, mútua, geral e recíproca quitação entre as partes litigantes nos autos das Ações Judiciais. (...) No caso, as ações judiciais, que ensejaram o pagamento “... por conta e em compensação das Ações Judiciais e a título de recomposição do patrimônio...” às irmãs, autoras, pagos pelos irmãos, réus, versam, em sua essência, sobre bens sonegados ao inventário pelos réus, em especial imóveis já de propriedade e posse dos réus, que teriam sido recebidos por estes em vida do pai, e saldos credores de contas no exterior, pertencentes ao pai, em vida, e não declarados, dos quais os réus teriam se apropriado. Concluímos que o recebimento de tal valor, em compensação às ações judiciais, é equivalente à cessão de direitos hereditários, pelas coherdeiras, que se tornaram cedentes dos direitos, aos irmãos, adquirentes da totalidade dos direitos sobre estes bens, sonegados ao inventário, que já estavam de posse dos mesmos, operação esta passível de apuração dos ganhos de capital, já que presentes os pressupostos definidos no artigo 117, § 4º, do RIR/99, a seguir reproduzidos. (...) Inequivocamente, o Instrumento Particular de 18/09/2008 e a Escritura Definitiva de 17/10/2008 foram os documentos registradores da operação, equivalente, como visto, à cessão de direitos hereditários entre os herdeiros, referentes aos bens sonegados ao inventário, reclamados pelas autoras e de posse dos réus. À evidência, transação e cessão de direitos hereditários não são equivalentes, tampouco se assemelham. Do ponto de vista jurídico, que é o que interessa, a transação é um negócio jurídico bilateral em que os interessados, por meio de concessões recíprocas, previnem ou terminam um litígio, ao passo que a cessão de direitos hereditários é alienação gratuita ou onerosa de herança a terceiro, estranho ou não ao inventário. O que ocorreu, sob a ótica deste julgador, foi a realização de uma transação com o objetivo de viabilizar a cessão de direitos hereditários, sendo as duas operações passíveis de tributação pelo imposto de renda, em face da ocorrência de ganho de capital em ambas. No que se refere à transação realizada, por meio da qual a Recorrente recebeu a indenização de R$ 3.000.000,00 por conta e em compensação de ações judiciais em que Fl. 467DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 468 10 pleiteava a recomposição do seu patrimônio, em decorrência da sonegação de bens ao inventário, importante observar que o simples fato de determinada verba ostentar natureza indenizatória não é, por si só, suficiente para sua exclusão do âmbito de incidência do imposto de renda. Não é possível subsistir o entendimento de que a verificação da incidência do imposto de renda deve ter por base unicamente o caráter remuneratório ou indenizatório da parcela que se quer tributar, já que não são apenas as verbas remuneratórias que podem representar aumento de patrimônio daquele que as recebe. As indenizações, em regra, são valores destinados à recomposição do patrimônio (material ou imaterial) daquele que foi lesado em seu direito. Contudo, uma análise mais detida do conceito de indenização denota que, a par de sua função de reposição patrimonial (reparação de danos emergentes), o pagamento de indenização pode, por vezes, representar aumento do patrimônio de quem a recebe, na medida em que visem à reparação de ganhos que deixou de obter, ou seja, lucros cessantes. Existem hipóteses em que a indenização não acarretará ganho patrimonial, como ocorre no caso de reparação de dano emergente efetivamente suportado. Entretanto, se a indenização tem função compensatória, ou seja, se destina a reparar aquilo que o lesado em seu direito deixou de ganhar (lucro cessante), o seu recebimento acarretará aumento patrimonial. Nessa linha de raciocínio, entendo que o fator determinante para se verificar a incidência ou não do imposto de renda (mesmo sobre os valores classificados como indenização) não é simplesmente o seu caráter remuneratório ou indenizatório, mas sim a ocorrência ou não de acréscimo na esfera patrimonial do beneficiário, nos exatos termos da regra matriz de incidência do imposto de renda (CTN, artigo 43, I e II). Assim, se o recebimento da indenização importa acréscimo patrimonial, certo é que, em regra, estará sujeito à incidência do tributo, só havendo dispensa de seu pagamento se houver previsão legal expressa (isenção). No caso concreto, o conjunto probatório colacionado aos autos revela que o valor recebido pela Interessada se destinou a reparar aquilo que ela deixara de receber em face da sonegação de bens ao inventário, o que revela a natureza de lucros cessantes, acarretando, por conseguinte, acréscimo patrimonial passível de incidência de imposto de renda. Nada obstante, não se pode simplesmente “esquecer” o equívoco cometido pela Autoridade lançadora e, posteriormente, pela Autoridade julgadora da instância de piso, que tratou a transação como se fosse “adiantamento de legítima” (fl. 386), para convalidar o lançamento viciado em sua origem. Pois bem. É sabido que o Auto de Infração AI conterá, obrigatoriamente, a “descrição do fato” (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 10, III). A importância da descrição dos fatos devese à circunstância de que é por meio dela que a Autoridade fiscal evidencia a consonância entre a matéria fática verificada na ação fiscal e a disposição legal infringida (Decreto nº 70.235/1972, art. 10, IV). Fl. 468DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 469 11 Significa dizer que o AI deve indicar, em pormenor, qual o comportamento irregular atribuído ao sujeito passivo e em que medida ele não se ajusta ao dispositivo legal violado. Fatos erroneamente descritos constituem cerceamento do direito de defesa e configura descumprimento do requisito exigido pelo art. 10, III, do Decreto nº 70.235/1972. Ora, se as razões fáticas determinantes da lavratura do AI não estão descritas corretamente, por óbvio que o contribuinte terá prejudicado o seu direito de defesa. Na motivação do lançamento é necessária a indicação das circunstâncias fáticas que ensejaram a constituição do crédito tributário de forma detalhada e adequada, para que o contribuinte tenha elementos aptos a rechaçar a pretensão do Fisco. Isto porque, quanto mais imprecisa for a descrição, mais difícil se torna o exercício do direito de defesa, até chegar ao ponto de inviabilizálo. Na espécie, a Autoridade fiscal não descreveu, de forma apropriada, a operação que ocasionou o ganho de capital, vale dizer, a Fiscalização qualificou uma transação como se fosse uma operação equivalente à cessão de direitos hereditários, ficando evidente a descrição incorreta dos fatos que ensejaram a autuação, com implicação no direito de defesa do contribuinte, uma vez que, se qualificada a operação corretamente (transação com recebimento de indenização cuja natureza é de lucros cessantes), os argumentos da defesa seriam outros. Nesse contexto, entendo que o Auto de Infração, nesta parte, é nulo de pleno direito. No caso concreto, no entanto, não basta a demonstração do cerceamento do direito de defesa ocasionado pela incorreção na descrição dos fatos e, em consequência, a declaração de nulidade, sendo necessária a verificação da natureza do defeito (vício formal ou vício material), para se dimensionar os diferentes efeitos que cada um deles pode acarretar sobre a obrigação tributária. O cerceamento do direito de defesa pode caracterizar, em meu entendimento, tanto um vício material, quanto um vício formal, a depender do caso concreto, não se podendo afirmar, a priori, em que categoria o defeito se subsume. Abstraindose da discussão acerca da natureza do lançamento, se procedimento ou ato, perfilho o entendimento de que o lançamento se enquadra na categoria de ato administrativo, embora o art. 142 do CTN o alcunhe de procedimento. Tratandose de um ato administrativo vinculado, o lançamento é constituído por cinco elementos essenciais de validade, quais sejam: competência, finalidade, motivo, objeto e forma. Ao caso em tela interessa, particularmente, o exame dos dois últimos. Nos dizeres de Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, Ed. Malheiros, 22ª Edição, p. 137), “Todo ato administrativo tem por objeto a criação, modificação ou comprovação de situações jurídicas concernentes a pessoas, coisas ou atividades sujeitas à ação do Poder Público. Nesse sentido, o objeto identificase com o conteúdo do ato, através do qual a Administração manifesta seu poder e sua vontade, ou atesta simplesmente situações preexistentes”. O objeto do lançamento pode ser evidenciado pela leitura do art. 142, caput, do Código Tributário Nacional CTN, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Fl. 469DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 470 12 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Como se vê, o objeto do lançamento é a constituição do crédito tributário, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador, da determinação da matéria tributável, do cálculo do tributo devido e da identificação do sujeito passivo. Assim, o núcleo do lançamento é composto pelos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária, quais sejam, aspecto material = identificação do fato gerador e determinação da matéria tributável, aspecto quantitativo = cálculo do montante do tributo devido e aspecto pessoal passivo = identificação do sujeito passivo (CTN, art. 142, caput). A forma, por seu turno, é o revestimento exteriorizador do ato administrativo. Na pena de Seabra Fagundes (O Controle dos Atos Administrativos pelo Poder Judiciário, Ed. Forense, 7ª edição, p. 90), “A forma é o conjunto de solenidades com que a lei cerca a exteriorização do ato administrativo, estabelecendo o vínculo aparente entre a manifestação de vontade e o objeto. (...) Quando essas solenidades são preteridas, ou mal observadas, o ato tornase defeituoso por vício extrínseco”. O revestimento exteriorizador do lançamento é o Auto de Infração (ou a Notificação de Lançamento), que deverá conter os requisitos elencados no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 (requisitos extrínsecos à hipótese de incidência tributária), assim descrito: Decreto 70.235/1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Portanto, não se pode confundir os requisitos/aspectos intrínsecos da hipótese de incidência, ligados que são ao objeto do ato administrativo do lançamento, com os requisitos do Auto de Infração, ligados que são ao modo pelo qual o ato do lançamento aparece e revela sua existência (forma). Esta diferenciação é importante para o deslinde da presente controvérsia. Um singelo exemplo auxiliará uma melhor compreensão do que se está pretendendo dizer. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 471 13 A identificação do sujeito passivo da obrigação tributária é um dos elementos que compõem o núcleo material do lançamento (CTN, art. 142, caput). Sua função é declarar que determinada pessoa realizou a hipótese de incidência tributária, colocandoa no polo passivo da relação jurídico obrigacional, de sorte que sua presença é indispensável para tornar possível a pretensão do crédito tributário por parte do sujeito ativo. A qualificação do autuado (Decreto 70.235/1972, art. 10, I), por seu turno, é formalidade que deve conter o Auto de Infração com o objetivo de individualizar o sujeito passivo, impedindo que ele seja confundido com outra pessoa, e se aperfeiçoa com a colocação, no Auto de Infração, de informações como o nome, prenome, número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas e endereço, dentre outros requisitos. Por aí já se vê que a identificação incorreta do sujeito passivo dá ensejo à declaração de nulidade do Auto de Infração por vício material, por afetar diretamente um aspecto intrínseco da hipótese de incidência, ao passo que a qualificação incorreta do autuado dá ensejo à declaração de nulidade do Auto de Infração por vício formal, por afetar um aspecto extrínseco da hipótese de incidência, vale dizer, por afetar um dos requisitos do documento que exterioriza o ato administrativo do lançamento (Auto de Infração). O mesmo entendimento se aplica à “determinação da matéria tributável” e à “descrição dos fatos”. A “determinação da matéria tributável” é um dos elementos que compõem o núcleo do lançamento (CTN, art. 142, caput). Sua função é delimitar o aspecto material da hipótese de incidência. A “descrição dos fatos” (Decreto 70.235/1972, art. 10, III), por seu turno, tem por escopo a indicação das circunstâncias fáticas que ensejaram a constituição do crédito tributário, de forma detalhada, para que o contribuinte tenha elementos aptos a verificar se os fatos se subsumem ou não à disposição legal infringida, e, em caso negativo, rechaçar a pretensão do Fisco. A “descrição dos fatos”, ao contrário da “determinação da matéria tributável”, não compõe o núcleo material do lançamento. “A descrição dos fatos” é um dos requisitos do Auto de Infração, enquanto revestimento exterior do ato administrativo do lançamento. Por aí se vê que a determinação incorreta da matéria tributável dá ensejo à declaração de nulidade do Auto de Infração por vício material, por afetar diretamente um aspecto intrínseco da hipótese de incidência, ao passo que a descrição incorreta dos fatos dá ensejo à declaração de nulidade do Auto de Infração por vício formal, por afetar um aspecto extrínseco da hipótese de incidência, vale dizer, por afetar um dos requisitos do documento que exterioriza o ato administrativo do lançamento (Auto de Infração). Esta distinção se evidencia ainda mais quando transportada para o caso concreto. Na espécie, a Autoridade lançadora deixou claro que foram realizadas duas operações sujeitas ao ganho de capital, determinando, de forma escorreita, qual era a matéria tributável, nos seguintes termos: B DOS GANHOS DE CAPITAL DECLARADOS E DOS GANHOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO Fl. 471DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 472 14 Conforme INSTRUMENTO PARTICULAR DE PROMESSA DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS HEREDITÁRIOS, DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES, RENÚNCIA DE DIREITOS E AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS, de 18/09/2008, e a Escritura Definitiva, de 17/10/2008, referentes às mesmas operações, a fiscalizada acima identificada, denominada PRIMEIRA CEDENTE, realizou duas operações sujeitas à apuração dos ganhos de capital: cessão de direitos hereditários à empresa AMIL ASSISTÊNCIA MEDICA INTERNACIONAL LTDA. Recebimento de R$ 3.000.000,00, por conta e em compensação de ações judiciais, como veremos adiante, equivalente à cessão de direitos hereditários sobre bens sonegados ao inventário. Ao explicitar a segunda operação qualificou uma transação (recebimento de R$ 3.000.000,00, por conta e em compensação de ações judiciais) como se fosse uma operação equivalente à cessão de direitos hereditários, vale dizer, não descreveu corretamente a operação que gerou o ganho de capital. A descrição incorreta dos fatos diz respeito ao modo pelo qual o ato do lançamento aparece e revela sua existência (forma). De conseguinte, dá ensejo à declaração de nulidade por vício formal, por afetar um aspecto extrínseco da hipótese de incidência, vale dizer, por afetar um dos requisitos do documento que exterioriza o ato administrativo do lançamento (Auto de Infração). A tributação por ganho de capital na cessão de direitos hereditários A Autoridade lançadora considerou que os pagamentos efetuados à Recorrente pela AMIL (cessionária), por meio de notas promissórias, foram feitos à vista, porquanto as referidas notas foram emitidas em caráter pro soluto. A Interessada, no entanto, entende que a entrega dos títulos aperfeiçoou a cessão de direitos, mas não consumou o pagamento, não havendo qualquer fundamento legal para exigirse a tributação do imposto como se de pagamento à vista se tratasse, quando ele se fez a termo e de forma parcelada, por meio de títulos emitidos pro soluto. Segundo a Recorrente o equívoco da tese consiste em identificar os conceitos de "quitação" e "pagamento", que são distintos. "Quitação" significa "extinção, liberação da obrigação", ao passo que "pagamento" é uma das modalidades de extinção da obrigação. O cerne da controvérsia está, então, na correta caracterização das cláusulas pro soluto e pro solvendo, muito utilizadas nas transações envolvendo títulos de crédito. A propósito do assunto, leciona Maximilianus Cláudio Américo Führer (RT 459/163, Resumo de Direito Comercial, 27ª edição, pp. 100/101): As promissórias podem ser emitidas pro solvendo e pro soluto. No primeiro caso, lembra Orlando Gomes, o preço somente se considera pago depois de saldado o último dos títulos. Nessa hipótese, as promissórias, como ressaltou em voto o Min. Nélson Hungria, constituem simples “tentativa de pagamento”, segundo a expressão incisiva de Staub. No segundo caso, são pagamento Fl. 472DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 473 15 consumado (Questões de Direito Civil, p. 429), porque as cambiais, que representam contrato, são entregues em solução da dívida. Assim, nos termos doutrinários a entrega da nota promissória com cláusula pro solvendo não constituiu, desde logo, a quitação da dívida contraída, tampouco se considera que houve o pagamento antes de saldados os títulos. Ao revés, a entrega da nota promissória com cláusula pro soluto constituiu, desde logo, a quitação da dívida contraída, considerandose consumado o pagamento da dívida, mesmo antes de saldados os títulos. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento, quanto aos efeitos da cláusula pro soluto. Embora se referindo a cartão de crédito, confira os seguintes precedentes: Recurso Especial nº 1.133.410/RS, item II da ementa: II O consumidor, ao efetuar o pagamento por meio de cartão de crédito (que só se dará a partir da autorização da emissora), exonerase, de imediato, de qualquer obrigação ou vinculação perante o fornecedor, que deverá conferir àquele plena quitação. Estáse, portanto, diante de uma forma de pagamento à vista e, ainda, pro soluto" (que enseja a imediata extinção da obrigação). Recurso Especial nº 1.479.039/MG, item 4 da ementa: 4. O pagamento em cartão de crédito, uma vez autorizada a transação, libera o consumidor de qualquer obrigação perante o fornecedor, pois este dará ao consumidor total quitação. Assim, o pagamento por cartão de crédito é modalidade de pagamento à vista, pro soluto, implicando, automaticamente, extinção da obrigação do consumidor perante o fornecedor. Vêse, pois, que por construção doutrinária e jurisprudencial a existência da cláusula pro soluto implica em duplo efeito: pagamento à vista e quitação da dívida. E isto ocorre porque os títulos se desvinculam definitivamente da operação que lhes deu origem. No caso concreto, os pagamentos foram acordados a prazo e em parcelas representadas por notas promissórias emitidas pro soluto (cláusula 1.6 da escritura pública, à fl. 273). Significa dizer que o ganho de capital foi apurado corretamente, computandose o valor da cessão na data da alienação, como se fosse à vista, não merecendo qualquer reparo, neste ponto, o lançamento, haja vista que, no referido momento, se verificou a disponibilidade jurídica da renda. A Recorrente aduz, também, que observou a orientação prestada em consulta formulada à DRF que jurisdiciona o seu domicílio fiscal no sentido de que o recolhimento do tributo deveria ser parcelado, porquanto recebidos valores em prestações mensais e sucessivas. Assevera a Interessada que a solução dada à sua dúvida vincula a Administração, excluindo a responsabilidade daquele que se conforma à referida solução, enquanto ela não seja expressamente modificada. Ocorre que a questão da cláusula pro soluto não foi objeto de indagação na consulta, de forma que qualquer tentativa de se desvencilhar do ônus tributário com base em Fl. 473DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 474 16 consulta fiscal que sequer ventilou o assunto deve ser rechaçada de pronto. A Solução de Consulta nº 60, de 13/06/2011, da DISIT da SRRF da 7ª Região Fiscal encontrase acostada aos autos em fls. 436/446. Considerações finais Este julgador sempre entendeu pela impossibilidade de se declarar a nulidade parcial de um AI quando o lançamento é decorrente de um único fato imponível. E assim continua entendendo. Ressalto, todavia, que o caso concreto contém uma particularidade. É que no lançamento efetuado foram apurados ganhos de capital decorrentes de dois fatos imponíveis distintos, independentes e que não se comunicam: cessão de direitos hereditários e transação. Restou evidenciado, acima, que o lançamento foi efetuado de forma correta em relação ao ganho de capital apurado na cessão de direitos hereditários, porém inquinado de nulidade formal em relação ao ganho de capital apurado na transação. Nesse contexto, penso ser possível a declaração de nulidade do lançamento apenas no que se refere ao imposto de renda decorrente da transação ocorrida pelo recebimento de R$ 3.000.000,00 por conta e em compensação de ações judiciais ajuizadas pela Recorrente em face de seus irmãos. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e por dar provimento parcial ao recurso para acolher a nulidade, por vício formal, da parte do lançamento em que se apurou imposto de renda sobre ganho de capital relativo ao fato imponível decorrente da transação, mantendose hígida a parte do lançamento em que se apurou imposto de renda sobre o ganho de capital relativo ao fato imponível cessão de direitos hereditários. É como voto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Voto Vencedor Antes de enfrentar a matéria em questão, cabe esclarecer que o presente voto vencedor restringese à preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte em sede de recurso voluntário, restando mantido o voto do relator quanto ao mérito, em consonância com o resultado do julgamento. A divergência apresentada decorreu da discussão acerca da ocorrência de nulidade por vício material ou formal, diante da ausência de descrição correta pela autoridade fiscal de uma das operações que gerou o ganho de capital. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 475 17 Conforme narrado pelo Relator, a Autoridade lançadora deixou claro que foram realizadas duas operações sujeitas ao ganho de capital, determinando a matéria tributável, nos seguintes termos: B DOS GANHOS DE CAPITAL DECLARADOS E DOS GANHOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO Conforme INSTRUMENTO PARTICULAR DE PROMESSA DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS HEREDITÁRIOS, DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES, RENÚNCIA DE DIREITOS E AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS, de 18/09/2008, e a Escritura Definitiva, de 17/10/2008, referentes às mesmas operações, a fiscalizada acima identificada, denominada PRIMEIRA CEDENTE, realizou duas operações sujeitas à apuração dos ganhos de capital: cessão de direitos hereditários à empresa AMIL ASSISTÊNCIA MEDICA INTERNACIONAL LTDA. Recebimento de R$ 3.000.000,00, por conta e em compensação de ações judiciais, como veremos adiante, equivalente à cessão de direitos hereditários sobre bens sonegados ao inventário. A autoridade fiscal, ao explicitar a segunda operação, qualificou uma transação (recebimento de R$ 3.000.000,00, por conta e em compensação de ações judiciais) como se fosse uma operação equivalente à cessão de direitos hereditários, vale dizer, não descreveu corretamente a operação que gerou o ganho de capital. A fim de elucidar a matéria, cabe destacar que o lançamento, como ato administrativo de caráter vinculado, é constituído por cinco elementos essenciais de validade: competência, finalidade, motivo, objeto e forma. Para análise da preliminar ventilada, interessanos o exame do objeto e da forma. O objeto, como ensina José dos Santos Carvalho Filho, consiste na alteração no mundo jurídico que o ato administrativo se propõe a processar. Especificamente sobre o objeto do lançamento fiscal, o art. 142 do Código Tributário Nacional dispõe: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 475DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 476 18 No que se refere à forma, o art. 10 do Decreto 70.235/72 assim determina: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servi dor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Portanto, a descrição equivocada dos fatos utilizados na demonstração da ocorrência do fato gerador se refere ao conteúdo do lançamento, pois exige a interpretação e aplicação da legislação de regência do tributo para verificar a ocorrência do fato gerador. Assim, a ausência de descrição correta pela autoridade fiscal da operação que gerou o ganho de capital. não se resume a um vício formal do lançamento, ou seja, a exteriorização do conjunto de caracteres descritivos do fato. Para ajudar na distinção entre vício formal e material, basta identificar o erro existente, se ocorreu erro de fato, o vício será considerado formal, contudo, se ocorreu erro de direito, o vício será material. Para Paulo de Barro Carvalho, o erro de fato é um desajuste interno da estrutura do enunciado, nos termos seguintes: O erro de fato é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, por insuficiência de dados lingüísticos informativos ou pelo uso indevido de construções de linguagem que fazem às vezes de prova. Esse vício na composição semântica do enunciado pode macular tanto a oração do fato jurídico tributário como aquela do conseqüente, em que se estabelece o vínculo relacional. Ambas residem no interior da norma e denunciam a presença do erro de fato. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 22ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 485). O erro de direito, na visão de Paulo de Barros caracterizase como um descompasso de feição externa, conforme abaixo transcrito: Já o erro de direito é também um problema de ordem semântica, mas envolvendo enunciados de normas jurídicas diferentes, caracterizandose como um descompasso de feição externa, internormativa. (...) Fl. 476DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 12448.727308/201359 Acórdão n.º 2201003.126 S2C2T1 Fl. 477 19 Quer os elementos do fato jurídico tributário, no antecedente, quer os elementos da relação obrigacional, no consequente, quer ambos, podem, perfeitamente, estar em desalinho com os enunciados da hipótese ou da conseqüência da regra matriz do tributo, acrescendose, naturalmente, a possibilidade de inadequação com outras normas gerais e abstratas, que não a regra padrão de incidência. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 22ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 486). Nesse sentido, acrescenta Mizabel Derci que: "erro de fato resulta da inexatidão ou incorreção dos dados fáticos, situações, atos ou negócios que dão origem à obrigação. Erro de direito é concernente à incorreção dos critérios e conceitos jurídicos que fundamentaram a prática do ato.” Desse modo, o erro de direito está atrelado ao plano da interpretação e aplicação das normas jurídicas ao caso concreto, na valoração jurídica dos fatos, enquanto o erro de fato recai sobre as circunstâncias do caso em exame. Com efeito, o equívoco na descrição dos fatos pode caracterizar tanto um vício material quanto um vício formal, a depender do caso concreto. No caso dos autos, tendo em vista que o erro ocorreu na identificação jurídica dos fatos descritos, que foi o recebimento de R$ 3.000.000,00 por conta e em compensação de ações judiciais como se fosse uma operação equivalente à cessão de direitos hereditários, padece o lançamento de vício material, pois guarda relação com o conteúdo do ato administrativo, pressuposto intrínseco do lançamento. Melhor elucidando, a ausência da perfeita descrição dos fatos que dão ensejo ao tributo lançado malfere os ditames do artigo 142 do CTN, anteriormente transcrito, determinando a nulidade material do ato administrativo. Diante do exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade, por vício material, relativa à omissão de ganhos de capital auferidos no recebimento de R$ 3.000.000,00 em compensação às ações judiciais referentes à sonegação de bens do inventário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Numero do processo: 13864.000528/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS NA MESMA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS.
Não é obrigatória a reunião dos processos, e a conseqüente decisão conjunta, quando os resultados dos julgamentos dos processos lavrados na mesma ação fiscal não têm influência recíproca.
VALIDADE DO LANÇAMENTO.
Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público.
PAGAMENTOS DESVINCULADOS DA GFIP.
Constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP).
Entretanto, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, é possível a apropriação do indébito aos créditos tributários constituídos em desfavor do contribuinte.
SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE PELAS MULTAS.
O sucessor é responsável por todos os fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, incluindo as multas moratória e punitiva. Decisão do STJ no REsp 923.012/MG, submetido ao rito do art. 543-C do CPC, de reprodução obrigatória pelo CARF.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Lívia Maria Marques, OAB/DF 33.534.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS NA MESMA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. Não é obrigatória a reunião dos processos, e a conseqüente decisão conjunta, quando os resultados dos julgamentos dos processos lavrados na mesma ação fiscal não têm influência recíproca. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. PAGAMENTOS DESVINCULADOS DA GFIP. Constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Entretanto, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, é possível a apropriação do indébito aos créditos tributários constituídos em desfavor do contribuinte. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE PELAS MULTAS. O sucessor é responsável por todos os fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, incluindo as multas moratória e punitiva. Decisão do STJ no REsp 923.012/MG, submetido ao rito do art. 543-C do CPC, de reprodução obrigatória pelo CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2103; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.033 1 1.032 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000528/201041 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.520 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2016 Matéria PAGAMENTO. IMPUTAÇÃO Recorrente TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS NA MESMA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. Não é obrigatória a reunião dos processos, e a conseqüente decisão conjunta, quando os resultados dos julgamentos dos processos lavrados na mesma ação fiscal não têm influência recíproca. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. PAGAMENTOS DESVINCULADOS DA GFIP. Constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Entretanto, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, é possível a apropriação do indébito aos créditos tributários constituídos em desfavor do contribuinte. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE PELAS MULTAS. O sucessor é responsável por todos os fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, incluindo as multas moratória e punitiva. Decisão do STJ no REsp 923.012/MG, submetido ao rito do art. 543C do CPC, de reprodução obrigatória pelo CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 28 /2 01 0- 41 Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Lívia Maria Marques, OAB/DF 33.534. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000528/201041 Acórdão n.º 2301004.520 S2C3T1 Fl. 1.034 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0533.983 da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Campinas (SP), fl. 647651, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad no 37.316.8209. De acordo com o relatório fiscal de f. 438441, o lançamento trata de exigência das contribuições patronais devidas para a Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas com base na técnica do arbitramento, no período de 01/01/2007 a 31/12/2007. Ficou consignado no relatório fiscal que as bases de cálculo do lançamento foram extraídas da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e se referem a pagamentos feitos a empregados e a prestadores de serviço pessoas físicas sem vínculo empregatício que não constaram das folhas de pagamento disponibilizadas à fiscalização em meio digital, das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nem da contabilidade, e que deixaram de ser justificadas pela empresa após ter sido intimada a fazêlo. Foi elaborada planilha contendo a relação nominal dos trabalhadores e dos valores envolvidos, vinculados ao estabelecimento 07.073.027/000153, fl. 448. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que efetuou o pagamento das contribuições apuradas no lançamento. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado, sob o fundamento de que a mera juntada de guias de recolhimentos sem a demonstração da vinculação delas aos fatos geradores das contribuições sociais exigidas não é prova de pagamento do crédito constituído. O sujeito passivo foi intimado do lançamento em 22/12/2010, fl. 437, e teve ciência do acórdão da DRJ em 12/09/2011, fl. 668, segundafeira, sendo que o prazo para apresentação de recurso iniciouse em 13/09/2011 e terminou em 12/10/2011, cujo vencimento foi prorrogado para o dia 13/10/2011 em razão do feriado nacional de 12/10/2011. Em 13/10/2011, a autuada, por meio de procuradora qualificada nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, fl. 670685, repetido às fl. 731744 e 793786, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega conexão deste processo com os demais processos de lançamento constituídos na mesma ação fiscal, e, por conseguinte, a necessidade de julgamento conjunto para evitar decisões contraditórias. Também em preliminar, sustenta a nulidade do lançamento, por falta de motivação, e a nulidade do acórdão recorrido, porque deixou de apreciar as guias de recolhimento apresentadas na impugnação, incorrendo em cerceamento de defesa. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 No mérito, afirma que as guias apresentadas na impugnação comprovam que a recorrente efetuou o recolhimento dos valores lançados. Afirma também que a obrigação tributária em questão é da empresa incorporada Telefutura Centrais Telefônicas S/A, e que no momento da incorporação o crédito tributário dela decorrente não estava constituído, motivo pelo qual não tem responsabilidade sobre a multa aplicada, sustentandose no art. 132 do CTN e em jurisprudência do STJ no sentido de que a possibilidade de responsabilização do incorporador por multas só existe quando essa tiver sido aplicada antes da incorporação. Ao final, requer: (i) que seja reconhecida a nulidade da decisão recorrida (ii) o cancelamento integral do crédito tributário lançado, e, subsidiariamente (iii) que seja reconhecida sua ilegitimidade para responder por multas da empresa incorporada. O julgamento do recurso foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 2402000.476, da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, voto dessa relatora, fls. 864 868, solicitando, à autoridade lançadora, esclarecer se as Guias de Pagamento (GPS) juntadas aos autos, bem como quaisquer outro recolhimento feito pela recorrente, estariam disponíveis para serem vinculadas aos débitos dela. Em resposta foi produzido o relatório de diligência fiscal de fls. 911916, esclarecendo que os pagamentos efetuados pela recorrente, por meio de GPS, estão vinculados aos valores das contribuições confessadas em GFIP, com exceção das diferenças apuradas em alguns estabelecimentos e competências, conforme demonstrado na tabela de fls. 916. Em resposta, a Recorrente alega, em síntese, que a fiscalização deixou de se manifestar sobre os pagamentos efetuados e sobre as guias juntadas. É o relatório. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000528/201041 Acórdão n.º 2301004.520 S2C3T1 Fl. 1.035 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar. Pedido de Reunião dos Processos Administrativos Tributários A Recorrente requer o julgamento conjunto de todos os auto de infração lavrados na mesma ação fiscal, a fim de se evitar decisões conflitantes. Na conformidade da norma processual vigente, impõese a reunião das ações para julgamento quando configurada a conexão entre duas ou mais ações, vale dizer, quando há identidade do objeto ou da causa de pedir. O objeto do presente processo é a obrigação de a empresa recolher as contribuições a seu cargo (20% destinada ao FPAS e 2% destinada ao SAT), incidentes sobre os pagamentos feitos a empregados e a contribuintes individuais, detectados em sua Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf). O mesmo fato tributário embasa as exigências das contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros 5,8%), objeto Processo Administrativo nº 13864.000526/201051 (Debcad nº 37.316.8225), e das contribuições a cargo dos segurados empregados, de responsabilidade da empresa por substituição tributária, de que trata o Processo Administrativo nº 13864.000527/201004 (Debcad nº 37.316.8217). Há, portanto, conexão entre os processos mencionados e o julgamento dos recursos neles apresentados está sendo realizado em conjunto, nessa mesma sessão de julgamento, evitandose decisões conflitantes. Quanto aos demais processos tributários decorrentes da mesma ação fiscal, verificase, em consulta ao sistema eprocesso, que existe decisão deste Conselho em sede de Recurso Voluntário, conforme demonstrativo abaixo: nº nº Processo nº Debcad Tipo Matéria Sujeito Passivo Nº Ac CARF Decisão 1 13864.000508/201070 373113765 AIOA 22 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.466 nulidade do lançamento 2 13864.000509/201014 373113722 AIOA 68 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.467 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 3 13864.000510/201049 373113757 AIOA 38 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.468 negado provimento ao recurso 4 13864.000511/201093 373113749 AIOA 69 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.469 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 5 13864.000512/201038 372917160 AIOA 34 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.470 negado provimento ao recurso 6 13864.000513/201082 373113730 AIOP Retenção 11% TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.561 dado provimento ao recurso 7 13864.000514/201027 373168284 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.455 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 8 13864.000515/201071 373168276 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.456 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 9 13864.000516/201016 373168268 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.457 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 10 13864.000517/201061 373168195 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.458 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 11 13864.000518/201013 373113838 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.459 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 12 13864.000519/201050 373113803 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.738 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 13 13864.000520/201084 373113820 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.460 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 14 13864.000521/201029 373168241 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.739 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 15 13864.000522/201073 373113811 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.740 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 16 13864.000523/201018 373168233 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.741 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 17 13864.000524/201062 373168250 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.742 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 18 13864.000525/201015 373113781 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.471 nulidade do lançamento 19 13864.000534/201006 373113773 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.472 nulidade do lançamento 20 13864.000535/201042 373182872 AIOP Retenção 11% TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.562 dado provimento ao recurso 21 13864.000536/201097 373113790 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.743 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa O presente processo é autônomo em relação aos demais listados na tabela acima, pois eles têm objetos distintos, e a solução quanto à existência do fato gerador da obrigação tributária tratada naqueles, ou da validade daqueles lançamentos, não refletirá na obrigação tributária deste, de modo que não existe motivação jurídica para se adotar aqui o resultado do julgamento de quaisquer daqueles processos sem relação de conexão. Entretanto, será observado neste voto o entendimento consolidado no resultado do julgamento daqueles processos, no que tange aos pontos controvertidos comuns, quando for compatível. Preliminar de Invalidade do Lançamento A Recorrente suscita a nulidade do lançamento, argumentando que a comparação entre os dados da DIRF em cotejo com a folha de pagamento e a GFIP não é prova suficiente da materialidade da incidência tributária. Extraise do relatório fiscal que o cotejo entre os dados declarados em DIRF, GFIP e Folha de Pagamento constituiu técnica de investigação de fatos tributários, que permitiu a identificação de fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme item 4 do relatório fiscal: a) Identificados [em DIRF] empregados que deixaram de constar na folha de pagamento digital e na GFIP. O contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos e documentos conforme Termo de Intimação Fiscal TIF nr. 18. Responderam que as verbas constaram na folha de pagamento, no entanto folha de pagamento digital não apresenta os segurados nas competências em questão: Elizabete de Almeda Otero (02/2007); Sergio Batista Reis (04/2007) e Gisela Viilaga Lima (06/2007). b) Observamos divergências nos valores da remuneração dos empregados: Ricardo Fernandes de Carvalho, Fernanda Cipriano Grolla Reiser Miranda (11/2007) e Edmar Conceição dos Santos (12/2007). O valor divergente de Fernanda Cipriano é o Abono Indenizatório, conclusão que chegamos comparando os registros contábeis na conta 3.03.01.01.0010 Ordenados e Salários e 3.02.01.01.0010 Custos Ordenados e Salários no total de R$ 303.408,97 contra o valor da folha de pagamento de R$ 298.602,30 (Abono Indenizatório e Abono Indenizatório RJ), diferença de R$ 4.866,67, cuja rubrica é objeto de lançamento fiscal no processo 37.311.3790. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000528/201041 Acórdão n.º 2301004.520 S2C3T1 Fl. 1.036 7 c) Diferença de remuneração do empregado Edmar Conceição dos Santos. d) Foi verificado outras pessoas físicas que deixaram de constar o respectivo pagamento na contabilidade, e por isso consideradas pessoas físicas que prestaram serviços sem vinculo empregatício (contribuinte individual). A autoridade fiscal pode se valer da DIRF para investigar incidências tributárias, notadamente por se tratar de documento produzido pela própria empresa. Macula a fé dos documentos fiscais da Recorrente o fato de a folha de pagamento não espelhar todos os pagamentos feitos a empregados e prestadores de serviços e sua contabilidade não registrar os pagamentos feitos a todas as pessoas físicas. É dever instrumental da empresa elaborar folha de pagamento contemplando todos os segurados a seu serviço, bem como todas as parcelas da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso IV do § 9o do art. 225 do RPS/99. A escrituração contábil também deve ser feita de forma a possibilitar à fiscalização a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias e dos montantes descontados, devidos e recolhidos a título de contribuições previdenciárias, apenas com base nos títulos das contas contábeis. Para tanto, o registro contábil das parcelas da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados deve ser feito em títulos próprios, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição. Tratase de dever instrumental previsto no inciso II do artigo 32 da Lei 8.212/91 e no inciso II do § 13 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Os vícios apontados são suficientes para tornar a contabilidade, as folhas de pagamento e as GFIPs ineficazes como meio de prova das bases de cálculo dos fatos geradores aqui tratados, de modo a justificar a adoção da técnica do arbitramento, sobretudo neste caso, quando a empresa, previamente à autuação, tenha sido intimada a esclarecer os dados declarados em DIRF, bem como a natureza dos pagamentos ali informados, oportunizandolhe corrigir eventuais erros. Na falta de comprovação, pela Recorrente, que seus documentos fiscais que constituem meios diretos de apuração das contribuições aqui tratadas (folha de pagamento, GFIP e contabilidade) são suficientes para permitir a descoberta direta das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, fica autorizada a apuração da base de cálculo por meios indiretos, nos termos do art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN) e art. 33 §§ 3o e 6º da Lei 8.212/91: CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 3ª Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O mesmo fundamento autoriza a presunção da incidência tributária das parcelas pagas aos empregados (alíneas "a" e "c" do item 4 do relatório fiscal) e às demais pessoas físicas (item "d" do item 4 do relatório fiscal) 1, pois, na hipótese, a mácula da folha de pagamento e da GFIP atinge, além dos dados quantitativos, os dados qualitativos desses documentos, e, por força legal, passa a ser da autuada o ônus da prova do caráter não remuneratório dessas parcelas. Em suma, o relatório fiscal contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, a natureza das contribuições lançadas, o período e a fundamentação jurídica do lançamento tributário, assim como a indicação dos documentos nos quais se materializaram os fatos geradores. Nos relatórios anexos ao auto de infração foram demonstradas as bases de cálculo, as alíquotas aplicadas, as contribuições lançadas e os dispositivos legais autorizadores do lançamento. O auto de infração, em síntese, permite à interessada conhecer a motivação fática e jurídica do lançamento, permitindolhe defenderse plenamente. A nulidade do lançamento, por ser ato extremo, só deve ser declarada quando presente prejuízo insuperável para o sujeito passivo, sobretudo quando o vício do ato lhe impede o exercício da ampla defesa e do contraditório, ou quando lesar o interesse público, conforme se extrai do art. 55 da lei 9.784/99, contrario sensu: 1 Registrese que, conforme consignado no relatório fiscal, os fatos descritos na alínea "b" do item 4 do relatório fiscal, relativos à parcela paga a título de abono indenizatório, não faz parte deste lançamento, mas do auto de infração Debcad nº 37.311.3790 (Processo nº 13864.000536/201097). Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000528/201041 Acórdão n.º 2301004.520 S2C3T1 Fl. 1.037 9 Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Concluo que o lançamento contém os requisitos mínimos aptos a lhe garantir a presunção de certeza e liquidez, em harmonia com o art. 10 do Decreto 70.235/72 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade invocada. Pagamento De acordo com o relatório fiscal, os valores lançados originamse de pagamentos não declarados em GFIP e não incluídos em folhas de pagamento, de modo que as contribuições daí decorrentes não foram recolhidas pela empresa. A Recorrente rebate este argumento afirmando que os valores lançados foram devidamente pagos, tendo apresentado, com a impugnação, as guias de pagamento (GPS) supostamente comprobatórias do alegado, as quais foram juntadas às fl. 524644. Ainda de acordo com a Recorrente, o órgão julgador de primeira instância deixou de apreciar esses documentos, o que ensejaria a nulidade do acórdão recorrido. Ao apreciar os fundamentos do voto condutor do acórdão questionado, encontrase a passagem que trata dessa matéria, a seguir reproduzida: Quanto aos recolhimentos, não consta que as remunerações que motivaram a autuação tenham sido declaradas nas folhas de pagamento da empresa. Tivessem sido declaradas, serviriam de fundamento do Processo n° 13864.000520/201084, o qual se baseia justamente nos fatos geradores reconhecidos nas folhas de pagamento, mas não declarados em GFIP. Como não há indícios de que, em algum momento, a impugnante tenha admitido a incidência das contribuições exigidas, não vejo a menor verossimilhança de que tenha recolhido as contribuições exigidas. A juntada de inúmeras guias de recolhimento não demonstra o pagamento dos tributos exigidos. A impugnante deveria ter sido mais cuidadosa na comprovação de suas alegações, juntando outros documentos que vinculariam as guias de recolhimento aos fatos geradores objeto da exação. A impugnante deixou, portanto, de demonstrar qualquer fato extintivo do direito do Fisco. Em suma, o relator rejeitou as guias apresentadas pela Recorrente por não se vincularem aos fatos geradores tratados neste processo. Não houve omissão, do órgão julgador de primeira instância, na apreciação deste ponto da impugnação, estando hígido, portanto, o acórdão recorrido. Mas, em razão do efeito devolutivo do recurso, a questão passa a ser reapreciada, agora nessa instância. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 Com efeito, constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), sendo que, na espécie, a vinculação darseia mediante retificação, pela empresa, das GFIPs entregues com omissão dos fatos geradores aqui tratados. De qualquer sorte, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, entendo que é facultado ao contribuinte solicitar a imputação do indébito a créditos tributários constituídos em seu desfavor, motivo pelo qual essa relatora solicitou a apreciação desses documentos pela autoridade lançadora. A fiscalização, em relatório de diligência fiscal, informou que o total das GPS da empresa, disponível no banco de dados de arrecadação da Receita Federal, incluindo as apresentadas na impugnação, fls. 524644, relativas aos estabelecimentos 0001 a 0009, estão vinculadas às contribuições declaradas pela empresa, em GFIP, demonstrando, na tabela de fls. 912, o valor declarado em GFIP e o valor pago em GPS, por estabelecimento e por competência. A Recorrente alegou que a fiscalização não analisou todas as guias, mas deixou de identificar quais deixaram de ser consideradas, e, ao contrário do alegado, verifico que todas as guias juntadas aos autos foram consideradas na informação fiscal. A fiscalização identificou que, em algumas competências e estabelecimentos, existem diferenças relativas a valores recolhidos que não estão vinculados às contribuições declaradas em GFIP, conforme demonstrativo de fls. 916. Ainda de acordo com o relatório de diligência fiscal, a Recorrente deixou de vincular essas diferenças a quaisquer fatos geradores, o que também não foi feito pela fiscalização; além disso, a Recorrente não procedeu à compensação desses créditos com seus débitos e nem solicitou restituição do valor pago a maior. Portanto, é cabível a imputação, ao lançamento, do pagamento correspondente às diferenças apontadas na tabela de fls. 916, caso tenham a mesma natureza das contribuições aqui lançadas. Responsabilidade da Incorporadora pela Multa A Recorrente afirma que o presente auto de infração se refere à obrigação tributária da empresa Telefutura Centrais Telefônicas S/A, que foi por ela incorporada em junho de 2007, e que, na condição de sucessora, não responde pela multa dos débitos da incorporada constituídos após a data da incorporação. Essa afirmação não encontra verossimilhança nos autos, pois, de acordo com o relatório fiscal, o presente lançamento trata de débito próprio da Recorrente, relativo aos pagamentos feitos a segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, sendo que a Recorrente deixou de apresentar qualquer prova em contrário. De qualquer modo, ainda que se tratasse de débito da empresa incorporada, persistiria a responsabilidade da Recorrente pelo pagamento do tributo e da multa, na condição de sucessora, considerando que a matéria está pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça, que, em sede do REsp 923.012/MG, eleito como representativo de controvérsia dos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, no qual se decidiu pela responsabilidade tributária do sucessor por todos os fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, incluindo as multas moratória e punitiva, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000528/201041 Acórdão n.º 2301004.520 S2C3T1 Fl. 1.038 11 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.° 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9a ed., p. 701) 3. A base de cálculo possível do ICMS nas operações mercantis, à luz do texto constitucional, é o valor da operação mercantil efetivamente realizada ou, consoante o artigo 13, inciso I, da Lei Complementar n.° 87/96, "o valor de que decorrer a saída da mercadoria". 4. Desta sorte, afigurase inconteste que o ICMS descaracteriza se acaso integrarem sua base de cálculo elementos estranhos à operação mercantil realizada, como, por exemplo, o valor intrínseco dos bens entregues por fabricante à empresa atacadista, a título de bonificação, ou seja, sem a efetiva cobrança de um preço sobre os mesmos. (...) 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 12 923.012/MG, Rel. Min. LUIZ FUX, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010). Demonstrada, portanto, a responsabilidade da Recorrente em relação ao crédito tributário em questão (...). Cabe a este Conselho reproduzir as decisões dos Tribunais Superiores, tomadas sob o rito dos artigos 543B e 543C do CPC, conforme dispõe o § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Esse entendimento, inclusive, foi adotado nos julgamentos dos recursos voluntários dos processos lavrados na mesma ação fiscal em face da Recorrente, na condição de responsável por sucessão de Telefutura Centrais Telefônicas S/A: nº Processo nº Debcad Tipo Matéria Sujeito Passivo Nº Ac CARF 13864.000514/201027 373168284 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.455 13864.000515/201071 373168276 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.456 13864.000516/201016 373168268 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.457 13864.000521/201029 373168241 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.739 13864.000523/201018 373168233 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.741 13864.000524/201062 373168250 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.742 Além disso, é entendimento pacificado no CARF, por meio do enunciado da Súmula nº 47, de observância obrigatória, que é devida a multa de ofício à sucessora, quando ela, juntamente com a sucedida, formavam grupo econômico à época dos fatos geradores, ou estavam sob controle comum, o que afasta a tese de desconhecimento, por parte da sucessora, da exigência tributária. Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. No caso, a empresa incorporada, Telefutura Centrais Telefônicas S/A, formava com a Recorrente, à época dos fatos geradores, grupo econômico, estavam sob a mesma direção, e a primeira era sócia majoritária da segunda, conforme consta do item 1 da Justificação da Incorporação, de 11 de maio de 2007, fls. 164, , abaixo transcrito: 1. Justificação da Incorporação da TFSA pela TAT2 1.1 Tendo em vista que TFSA detém a quase totalidade das quotas da TAT e ambas as empresas têm objeto social e atividades bastante coincidentes, o signatário, na qualidade de diretor Presidente e Diretor Financeiro das duas empresas, entende que a incorporação da TFSA pela TAT trará consideráveis beneficios aos negócios que hoje são desenvolvidos por ambas de forma separada e implicara a racionalização e aumento de produtividade de ordem administrativa, econômica e financeira: Adicionalmente, a simplificação da estrutura societária do grupo constitui ato preparatório para a associação que se pretende formar entre o grupo a que pertence a TAT e a Tivit Tecnologia da Informação S.A., já amplamente divulgada na imprensa, a qual propiciará a futura expansão dos negócios sociais combinados ao melhor aproveitamento de sinergias já existentes entre os dois grupos. 2 TFSA: Telefutura Centrais de Atendimento S/A; TAT: Tivit Atendimentos Telefônicos Ltda, que depois passou a se chamar Tivit Terceirização de Processos, Serviços e Tecnologia S.A. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000528/201041 Acórdão n.º 2301004.520 S2C3T1 Fl. 1.039 13 Nesse cenário, preliminarmente à incorporação da TFSA pela TAT pretendese promover a transformação desta em uma sociedade por ações de forma que, uma vez aprovada a incorporação, possam ser assegurados aos acionistas da TFSA então admitidos como sócios da TAT os mesmos direitos e prerrogativas que lhe são atualmente assegurados na qualidade de acionistas da TFSA. Diante do exposto, o signatário, na qualidade de Diretor Presidente e Diretor Financeiro das duas empresas representadas neste instrumento, entende que a incorporação da TFSA pela TAT, com a consequente extinção da TFSA, se impõe e se justifica como medida de racionalização das atividades do grupo empresarial que as sociedades pertencem e sua preparação para nova, fase de desenvolvimento e crescimento.(g.n.) Em síntese, a Recorrente é responsável pelo pagamento da multa. Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO, REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS e, NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam apropriados, neste lançamento, os pagamentos correspondentes às diferenças apontadas na tabela de fls. 916, caso tenham a mesma natureza das contribuições aqui lançadas, observadas as cautelas de praxe. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 10725.001211/2003-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/09/1999 a 30/09/1999, 01/11/1999 a 31/03/2000, 01/06/2000 a 31/07/2000, 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/11/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/07/2002 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 30/06/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA.
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Constatada a existência de omissão no Acórdão proferido pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
Embargos de declaração providos.
Numero da decisão: 9303-003.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para restabelecer a exigência do período da não-cumulatividade, nos termos do voto da Relatora.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
VANESSA MARINI CECCONELLO - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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OMISSÃO. EXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Constatada a existência de omissão no Acórdão proferido pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos de declaração providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para restabelecer a exigência do período da nãocumulatividade, nos termos do voto da Relatora. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente VANESSA MARINI CECCONELLO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 12 11 /2 00 3- 07 Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 2125 a 2128) interpostos, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 9303001.362 (fls. 2115 a 2118), com fulcro no art. 64, inciso I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de julho de 2009, buscando sanar vício de omissão existente no julgado. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso especial da Contribuinte. Alega a Embargante em suas razões que a omissão se dá em razão de limitar se à análise da base de cálculo do PIS para os períodos de apuração do regime cumulativo, não havendo pronunciamento quanto aos fatos geradores ocorridos no regime nãocumulativo de apuração da referida contribuição, submetido à regulamentação da Lei nº 10.637/2002, com vigência a partir de 1º de dezembro de 2002. A Fazenda Nacional, sustenta a inclusão na base de cálculo do PIS, no período de vigência da Lei nº 10.637/2002, das receitas financeiras decorrentes de variação cambial, monetária e swap, por não ter sido alcançada pela declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9718/98 proferida pelo STF. Ao final, requer sejam acolhidos os embargos de declaração para sanar a omissão apontada. Os embargos de declaração da Fazenda Nacional foram admitidos em despacho de fls. 2195 a 2198, do qual se extraem as seguintes passagens: Em sessão de julgamento realizada em 04 de abril de 2011, a 3ª Turma da CSRF julgou o recurso especial interposto por COMPANHIA PETROLÍFERA MARLlM, exarando o Acórdão nº 9303.001.362, fls. 2.115 a 2.1181 (cópia), em decisão assim ementada: AS5UNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/09/1999 a 30/09/1 999, 01/11/1 999 a 31/03/2000, 01/06/2000 a 31/07/2000,01/01/2001 a 31/01/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001,01/11/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/07/2002 a 31/08/2002, 01/1 0/2002 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 30/06/2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO MONETÁRIA. Dada a declaração de inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei 9.718/99, realizada em Sessão Plenária do Supremo Tribunal Federal, a base de cálculo do PIS não compreende as receitas financeiras decorrentes de variação cambial, monetária e swap. Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10725.001211/200307 Acórdão n.º 9303003.888 CSRFT3 Fl. 2.210 3 Recurso Especial do Contribuinte Provido. A decisão embargada, apoiandose no Art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 – DOU de 22.12.2010, deu provimento ao recurso especial para excluir da base de cálculo do PIS as receitas financeiras decorrentes de variação cambial, monetária e swap. A Representação Jurídica da Fazenda Nacional volta aos autos, desta feita para opor embargos de declaração, fls. 2.125 a 2.128, acusando a decisão de conter o vício de omissão quanto aos fatos geradores regidos sob a sistemática da não cumulatividade. Explica que o voto condutor do acórdão apenas levou em consideração os fatos geradores ocorridos durante o regime cumulativo (período de 01/01/1999 a 30/11/2002), uma vez que aplicou somente as disposições da sistemática cumulativa instituída pela Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Entende que não devem ser excluídas da base de cálculo as receitas financeiras decorrentes de variação cambial, monetária e swap, no período de vigência da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, (dezembro de 2002 em diante), identificadas pela Fiscalização, vez que esta não foi alcançada pela declaração de inconstitucionalidade pelo STF, sendo compatível com o art. 195, I, da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 1998,8. Conclui, requerendo o saneamento da omissão apontada. [...] Analisando a omissão pretextada, há de se reconhecer que o lançamento de ofício alcançou períodos de apuração alcançados pela sistemática da não cumulatividade. Compulsando os autos, às fls. 1.940 a 1.942, constato que o Despacho 203 263 admitiu à CSRF a matéria atinente à apreciação de inconstitucionalidade de dispositivo legal, referindose indubitavelmente ao § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718, de 1998. Verifico, também, que a recorrente se ateve a questionar a autuação, mesmo nos períodos abrangidos pela sistemática não cumulativa, exclusivamente quanto a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718, de 1998, quedando silente quanto à tributação sob a égide da Lei nº 10.637, de 2002. Contudo, conforme já mencionado, a autuação compreendeu períodos de apuração que extrapolam a égide da Lei nº 9.718/98 e a decisão embargada não se manifestou sobre esses períodos. Cabia ao Colegiado, no mínimo, afirmar que estes períodos eram regidos pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, resta evidente a omissão suscitada pela Fazenda Nacional. Com essas considerações, declaro procedentes as alegações suscitadas e determino a inclusão em pauta dos embargos opostos pela Fazenda Pública. [...] Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO 4 O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 11/12/2015, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. Os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual devem ser conhecidos. No caso em apreço, a Contribuinte interpôs recurso especial de divergência (fls. 1706 a 1765) contra acórdão nº 20310.570 proferido pela 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1672 a 1688) negando provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, quanto à inclusão na base de cálculo do PIS do faturamento proveniente da venda de produtos obtidos da atividade do consórcio (janeiro de 1999) e demais matérias e, pelo voto de qualidade, no que concerne às receitas provenientes da variação cambial. Em seu apelo especial, o Sujeito Passivo trouxe como alegações: a competência dos Conselhos de Contribuintes para apreciação de inconstitucionalidade de dispositivo legal, bem como ser indevida a inclusão da variação cambial ativa na base de cálculo do PIS e da COFINS por se tratar de receita financeira. No exame de admissibilidade, o Despacho nº 203.263 (fls. 1940 a 1942), de 14/12/2006, proferido pelo Presidente da 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, admitiu o recurso especial tão somente com relação à competência dos Conselhos de Contribuintes para apreciar a constitucionalidade de dispositivo legal, negando seguimento ao apelo com relação às demais matérias, in verbis: [...] No tocante ao mérito das divergências suscitadas, assiste razão à interessada, somente, em relação à divergência, quanto à competência do Conselho de Contribuintes para apreciar a constitucionalidade de dispositivo legal. O Acórdão n° 10801.182, às fls. 1.749, da 8ª Câmara do 1° CC de Contribuintes, transcrito anteriormente, prova a divergência alegada por ela, ou seja, naquele acórdão, aquela Câmara reconheceu que a apreciação de constitucionalidade dispositivo legal também é competência do Conselho de Contribuintes. Já em relação à divergência quanto à inclusão ou não das receitas financeiras provenientes de variação cambial ativa na base de cálculo da contribuição para o PIS, os acórdãos carreados aos autos, como paradigmas, não provam a alegada divergência. Ao contrário do entendimento da interessada, os acórdãos que se referem à contribuição para o PIS provam o contrário, ou seja, que tais receitas compõem a base de cálculo dessa Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10725.001211/200307 Acórdão n.º 9303003.888 CSRFT3 Fl. 2.211 5 contribuição, são receitas financeiras e devem ser tributadas quando da liquidação dos respectivos contratos cambiais. [...] Em face do exposto, presentes os requisitos necessários para a admissibilidade, elencados no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela portaria MF n° 55/98, e com base no art. 38, III, desse mesmo Regimento, dou seguimento ao Recurso Especial para apreciação, somente, da matéria relativa à inconstitucionalidade de dispositivo legal. A Contribuinte insurgiuse contra o despacho de admissibilidade por meio de Agravo (fls. 1946 a 2007), que foi rejeitado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 2013 a 2016), permanecendo incólume a decisão de admissibilidade parcial originalmente proferida. Da análise do inteiro teor da decisão embargada, verificase que antes de adentrar no mérito do recurso especial, a ilustre Conselheira Relatora delimita o objeto do seu julgamento aos exatos termos do Despacho nº 203.263 (fls. 1940 a 1942), o qual admitiu o apelo especial da Contribuinte tão somente no que concerne à possibilidade de apreciação de inconstitucionalidade de dispositivo legal pelos Conselhos de Contribuintes. Nessa linha relacional, a fundamentação do acórdão do recurso especial, com fulcro no art. 62A do RICARF, centrouse na aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 perpetrada pelo Supremo Tribunal Federal, matéria do apelo especial da Contribuinte que foi efetivamente admitida. O resultado do julgado foi pela exclusão da base de cálculo do PIS das receitas decorrentes de variações cambiais, monetárias e rendimentos de swap, restando integralmente provido o apelo especial na parte em que admitido. Nesse ponto é que se verifica a omissão existente no julgado, uma vez ausente a ressalva quanto ao período de apuração abrangido pela sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS na vigência da Lei nº 10.637/2002. Assim, adotandose a premissa estabelecida na decisão de declaração de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal no sentido de que receita bruta ou faturamento correspondem à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, a conclusão a que se chega é de que restaram afastadas da base de cálculo do PIS as receitas decorrentes de variações cambiais, monetárias e rendimentos de swap somente para os períodos abrangidos pela regulamentação da Lei nº 9.718/98, a qual referese ao regime cumulativo. Portanto, tendo o Auto de Infração abrangido também fatos geradores abarcados pelo regime nãocumulativo de apuração do PIS e da COFINS, necessário suprirse a omissão apontada para restabelecer a exigência tributária com relação ao período nãocumulativo sob a vigência da Lei nº 10.637/2002, incluindose na base de cálculo do PIS as receitas financeiras decorrentes de variação cambial, monetária e swap, por não ter sido alcançada pela declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9718/98 proferida pelo STF. Diante do exposto, dáse provimento aos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional em razão da existência de omissão no julgado, para excluir a parte Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO 6 referente ao regime nãocumultaivo da abrangência da declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9718/98 proferida pelo STF, e restabelecer a exigência referente ao período da nãocumulatividade. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO
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