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Numero do processo: 10410.004657/2002-48
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL.
Em obediência ao princípio da verdade material, deve ser retificado o lançamento, diante da prova que o ampare.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 201-79357
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva
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MF --i-Ern-------------------------NCO CONSELHO DE CONTRIBUINT—ES • • , . CONFERE COM O ORIGiNAI 21 CC-MF •--1--. -n , Ministério da Fazenda ..-;• . -, It Fl. Segundo Conselho de Contribuintes BrasI/Ljnagl Processo n2 : 10410.004657/2002-48 .... Eude essna antana Mai sidpv 91 ;to Recurso n2 : 129.538 Acórdão rin : 201-79.357 Recorrente : DRJ EM RECIFE - PE Interessada : S.A. Leão Irmãos Açúcar e Álcool "Joe cog GoolSoà.d»tõfa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. seo0Por ati,95.4...) woo ..-- Em obediência ao princípio da verdade material, deve ser di retificado o lançamento, diante da prova que o ampare. - Recurso de oficio negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela • DRJ EM RECIFE - PE. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do Relator. • ' Sala das Sessões, em 28 de junho de 2006. int Woa,kia .. sefa Maria Coelho Marques . Presidente -, . Relat-Or 1. . e Silvaiae Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Gustavo Vieira de Melo Monteiro. 1 . , • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2* CC-MF • -r: Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL Segundo Conselho de Contribuintes Brasilta. / dag-t< a Processo n* : 10410.00465712002-48 Eude Pessoa Xniàna Recurso no : 129.538 Mai Siape 91440 Acórdão n2 : 201-79.357 Recorrente : DRJ EM RECIkt: - PE RELATÓRIO Trata-se de recurso de ofício em face de Decisão prolatada pela 2 ! Turma da DRJ em Recife - PE, fls. 461/475, referente ao Acórdão n2 9.618, de 01/10/2004, que julgou procedente em parte o lançamento efetuado contra a empresa S.A. Leão Irmãos Açúcar e Alcool. O auto de infração foi lavrado em virtude de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da Cofins (fls. 05/16), referente a períodos compreendidos entre janeiro/1997 e março/2002, perfazendo um crédito tributário de R$ 4.388.110,61, à época do lançamento, cuja ciência ocorreu em 07/08/2002. Em 30/08/2002 a interessada apresentou a impugnação de (ls. 131/157, acrescida . de documentos de (is. 158/299, alegando, em síntese: 1) que a exigência foi fundamentada na Lei n2 9.718/98, a qual padece de flagrantes inconstitucionalidades; 2) da impropriedade da tributação das receitas de exportação e adicionais como o "prêmio de qualidade de açúcar" decorrente de o açúcar exportado ser superior ao padrão de referência mínimo de qualidade internacional e as "bonificações de frete", pelo fato de a mercadoria ser embarcada em tempo inferior ao tempo de estadia do navio; 3) em que pese a contribuinte ter contabilizado, equivocadamente, em "outras receitas", não devem integrar as bases de cálculo do PIS e da Cofias receitas decorrentes de • incentivos fiscais à exportação (crédito de IPI — Lei n2 9.363/96 e do art. 52 do Decreto-Lei n2 491/69), assim como o incentivo decorrente do art. 42 da Lei n 2 9.532/97; 4) da indevida inclusão de créditos presumidos de ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins; 5) que as variações cambiais não podem influenciar o resultado por não se caracterizarem como lucro; e 6) que ajuizou ações visando garantir a utilização dos créditos de incentivo à exportação (Lei n2 9.363/96), do crédito presumido de IPI (art. 42 da Lei n 2 9.532/97) e o direito de compensá-los com débitos de tributos e contribuições administrados pela SRF, na forma da IN SRF n2 21/97, obtendo êxito em sede de liminar e antecipação de tutela. Portanto, a defmitividade dos débitos tributários e sua eventual exigibilidade somente poderá ocorrer após o trânsito em julgado da decisão judicial. Visando ao esclarecimento das questões relacionadas à fl. 312, a DRJ converteu o julgamento em diligência. A DRF em Maceió - AL apresentou o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 391/395, assim como lavrou auto de infração complementar no montante de R$ 140.463,34 (fls. 398/400). á' .1tkks 9 . MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL 21CC-MF Ministério da Fazenda /_ ,rt:j:•<": Segundo Conselho de Contribuin Brasilia. / 112(2‘ Processo n2 : 10410.004657/2002-48 Eude Pessoa shrana Siteik qt-140 Recurso nQ : 129.538 Acórdão n2 : 201-79.357 Cientificada de ambos em 21/06/2004, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 408/436, acrescida de documentos de fls. 437/451, aduzindo: a) a insubsistência do auto de infração complementar; b) seja determinada a distribuição por dependência aos autos da ação fiscal originária (Processo n2 10410.004657/2002-48); c) que somente a DRJ poderá decidir sobre a correção dos critérios adotados na diligência da qual resultou o lançamento complementar; e d) que repisou os argumentos da impugnação inicial. •• • . A DRJ julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo o valor, da contribuição dos 'autos de R$ 2.246.727,97 (R$ 2.189.826,17 + R$ 56.901,80) para R$ 1.683.956,52 (fl. 475). Confonhe documentos de fls. 480 e 481, a contribuinte foi cientificada em 08/11/2004 dá decisão de primeira . instância e, ainda, obteve liminar "... determinando a suspensão da exigibilidade dos débitos da • Cofins constantes do processo administrativo n°. 10410.004657/2002-48 sobre a receita bruta, restrito aos fatos geradores ocorridos a pártir de • • fevereiro de 1999, ..,". . • • . . As fls. 485 e 492 encontram-se despachos consignando a formação de processo • apartado (n2 10410.00156712005-48) para prosseguimento da cobrança, visto que a contribuinte -;• não apresentou recurso voluntário, nem efetuou o pagamento da parte mantida. Desse modo, encaminhou-se o presente processo a este Conselho, tendo em vista a interposição de recurso de • ofício pela DR1 em Recife - PE. É o relatório. • • . . • ., • • . . - • • • • • 3 . . . , ME • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,e, I, ,,, Ministé.iio da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL 22 CC-MF ...2„.. - , Segundo Conselho de Contribuintes amo la , /3 / 1t /1/(rC_ Fl. ';» ',72.....::•;)", ;t- Processo n9 : 10410.004657/2002-48 Eude Pessoa antana Recurso n9 : 129.538 Mal Siape 91440 Acórdão n2 : 201-79.357 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR MAURÍCIO TAVÉIRA E SILVA , . . Trata-se de reCurso de ofício interposto pela DRJ em Recife - PE, por, haver exonerado o sujeito passivo do pagamento de contribuição em valor total superior ao seu limite . de alçada, conforme estabelecido no inciso Ido art. 34 do Decreto n2 70.235/1972, alterado pelo art. 67 da Lei n2 9.53211997, combinado com a Portaria MF n 2 375/2001, art. 22. Cabe esclarecer que o presente recurso limitar-se-á a apreciar tão-somente o . recurso de ofício, uma vez que, conforme consignado nos autos, não houve apresentação de recurso voluntário. . . . Em cumprimento à diligência solicitada pela DRJ, a Fiscalização produziu os seguintes documentos:. - Planilhas - Demonstrativo da Base de Cálculo PIS/Cofins (fls. 373/376); , . • - Explicações, Razões Analíticos e Planilhas apresentadas pela empresa (fls. - . 319/345); • - Planilha '- Papéis de Trabalho - Apuração de Débitos (fis. 377/380); • . - Planilha - Papéis de Trabalho Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada (fls. 381/384); . - Planilha - Comparativo da Base de Cálculo (fl. 385); - Planilha - Comparação de Valores Autuados na Ação Fiscal Original e Revis- tos (fl. 386); - Processo Judicial e Processos de Compensação (fls. 387/390 e 346/372); e • - MPF, Auto de Infração e Termo de Encerramento referentes aos períodos de apuração que tiveram sua exigência inicial agravada (fls. 396/406). Dentre os documentos supracitados, às fls. 391/395, encontra-se o "Termo de Encerramento de Diligência", no qual se verifica: "29. Assim, para sanar as inconsistências verificadas e para responder à DRJ de forma efetiva, tivemos que, praticamente, refazer toda a base de cálculo apurada na ação fiscal original. Nessa revisão diversas contas de receita que poderiam compor a base de . cálculo foram abertas e analisadas em maiores detalhes, de modo a retirar ou incluir lançamentos que, embora registrados nestas contas não fossem compatíveis com a base de cálculo PIS/COFINS determinada pela Lei 9.718/98. " Portanto, conforme se verifica, as alterações promovidas na base de cálculo foram efetuadas de forma criteriosa, com a elaboração de diversas planilhas, as quais resultaram na elaboração do relatório de fl. 386, "COMPARAÇÃO DE VALORES AUTUADOS NA AÇÃO FISCAL INICIAL E REVISTOS NA DILIGÊNCIA EFETUADA -. -- , (A I , 4 - . _ •• , MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL 22 CC-MF - I-- • Ministério da Fazenda Brasiha / 1/ /10egj Fl. Segundo Conselho de Contribuinte; Processo n2 : 10410.004657/2002-48 Eude Pessoa ntaha siapcomo Recurso n2 : 129.538 Acórdão n2 : 201-79.357 Os auditores responsáveis pela diligência consignam ainda: - "32. Como conseqüência da revisão efetuada, em diversos períodos de apuração foram constatadas diferenças entre as bases de cálculo apuradas na ação fiscal original e aquelas apuradas na presente diligência, conforme demonstrado na Planilha Comparativo de Base de Cálculo, fl. 385 e na Planilha 'Comparação de Valores Autuados na Ação Fiscal Original e Revistos', ft 386." Portanto, corretamenté decidiu a autoridade a quo, pois, conforme se verifica à fl. 475, sua decisão se pautou nos nOvos valores a que chegaram os fiscais responsáveis pela • diligência, os quais concluíram pela ocorrência de bases de cálculo de valores inferiores àqueles • obtidos originariamente. Ante o exposto, nego provimento ao recurso de oficio. • • • Sala das Sessões, em 28 de junho de 2006. • MAURld-I0 T VE E SILVA • • • • • . . • • • • • • 5 • Page 1 _0072500.PDF Page 1 _0072700.PDF Page 1 _0072900.PDF Page 1 _0073100.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005374/2002-16
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
DCTF. AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL
O crédito tributário exigido por meio de lançamento de ofício resultante de auditoria interna em DCTF pode ser compensado com crédito financeiro contra a Fazenda Nacional decorrente de pagamentos indevidos, cujo direito à repetição/compensação foi reconhecido ao contribuinte na esfera judicial, devendo a autoridade competente homologar a compensação declarada até o limite do montante apurado a favor do contribuinte, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, exigindo-se possível saldo devedor, acrescido das cominações legais, juros e multa de mora.
SEMESTRALIDADE. SÚMULA 11.
A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO.
A inovação de matéria de direito no recurso voluntário configura preclusão e a conseqüente perda da capacidade processual.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 203-12752
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 DCTF. AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL O crédito tributário exigido por meio de lançamento de ofício resultante de auditoria interna em DCTF pode ser compensado com crédito financeiro contra a Fazenda Nacional decorrente de pagamentos indevidos, cujo direito à repetição/compensação foi reconhecido ao contribuinte na esfera judicial, devendo a autoridade competente homologar a compensação declarada até o limite do montante apurado a favor do contribuinte, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, exigindo-se possível saldo devedor, acrescido das cominações legais, juros e multa de mora. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 11. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. A inovação de matéria de direito no recurso voluntário configura preclusão e a conseqüente perda da capacidade processual. Recurso provido em parte.
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Recorrida DRJ-BELÉM/PA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 DCTF. AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL O crédito tributário exigido por meio de lançamento de oficio resultante de auditoria interna em DCTF pode ser compensado com crédito financeiro contra a Fazenda Nacional decorrente de pagamentos indevidos, cujo direito à repetição/compensação foi reconhecido ao contribuinte na esfera judicial, devendo a autoridade competente homologar a compensação declarada até o limite do montante apurado a favor do contribuinte, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, exigindo-se possível saldo devedor, acrescido das cominações legais, juros e multa de mora. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 11. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 60 da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO.--- MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTREUINTES i CONFERE COM O ORIGINAL A inovação de matéria de direito no recurso voluntário configura1 Brasilia, ir , o , e2 IP preclusão e a conseqüente perda da capacidade processual. Recurso provido em parte. Marikle C ie da Oliveira: Mat. Siape 91650 - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao ...,recurso, nos termos do voto do Relator". 1 , , Processo n° 10283.005374/2002-16 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.752 Fls. 139 DIAIILMTP_ ± -21"RD i - : ., n IRAll\IDA Vice-Presidente no exercício da Presidência r . AdWINIP Ofr '' o JOSÉ ADÃO DE MORAIS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Odassi Guerzoni Filho, Luciano Pontes de Maya Gomes, Jean Cleuter Simões Mendonça e Alexandre Kern (suplente). , MF-SEGUnzcgpEol.rivooDsgRCgINXBUINTES Brasiiia, /(5%.i / OT i ie O Marlide Curssno de Oliveira 19 Mat. Siape 91650 2 1 Processo n° 10283.005374/2002-16 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.752 Fls. 140 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Belém que julgou parcialmente procedente o lançamento formalizado por meio de auto de infração eletrônico, lavrado contra a recorrente, em face de auditoria interna nas DCTFs dos 3° e 4° trimestres do ano-calendário de 1997. Segundo a auditoria interna, os valores utilizados para a liquidação dos débitos do PIS, declarados nas DCTFs daqueles trimestres, mediante compensação efetuada com amparo em decisão judicial, não foram confirmados, sendo, portanto, exigidos por meio de lançamento de oficio, acrescidos das cominações legais. O crédito tributário constituído e exigido totalizou R$ 3.746,94 (três mil setecentos e quarenta e seis reais e noventa e quatro centavos) assim distribuídos: R$ 1.406,10 de contribuição, R$ 1.054,58 de multa de oficio e R$ 1.286,26 de juros de mora, calculados até 31/05/2002. Impugnado o lançamento, a DRJ em Belém julgou-o procedente em parte, excluindo a multa de oficio e mantendo a contribuição e respectivos juros moratórios e, ainda, condicionou a cobrança do crédito tributário mantido à eventual falta de crédito no processo administrativo n° 10283.005865/2004-29, conforme acórdão n° 01-7.533, datado de 22/01/2007, às fls. 101/104. Inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 108/111, requerendo a este 2° Conselho de Contribuintes que o julgue improcedente, sob os argumentos de que este processo tem conexão com o de n° 10283.005865/2004-29 no qual pleiteou crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, no montante de R$ 126.985,78 (cento e vinte seis mil novecentos e oitenta e cinco reais e setenta e oito centavos), decorrente de pagamentos efetuados indevidamente a título de Finsocial, conforme atesta o termo de encerramento de diligência, datado de 07/08/2006, cópia em anexo, e, ainda, que a decisão de primeira instância não levou em conta este crédito, então pendente de decisão administrativa. É o relatório. r"-------- MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasilá, o Y MarlIde dD Oliveira Mat. Sianz.:. 9.rt350 3 Processo n° 10283.005374/2002-16 F UNDO CONSEL:HO C,G0tNNAT I-Nr13—rUIN I-ES CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.752 Fls. 141 CONFERE COM O OR ieCA v e i ra6 Voto Conselheiro JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Preliminarmente, quanto à inovação das razões de mérito contra o lançamento, ou seja, a alegação de que teria compensado os débitos, objetos dele, com crédito financeiro decorrente de pagamentos a maior, a título de Finsocial, apurado no processo administrativo n° 10283.005865/2004-29, alegada somente no recurso voluntário, constitui matéria preclusa por não ter sido posta na impugnação apresentada à Autoridade Julgadora de primeira instância. Segundo Marcus Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez, em seu Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, "quando o contribuinte deixa de impugnar uma matéria na época certa, diz-se que ocorreu a preclusão. A exemplo do que dispõe o artigo 302 do CPC, 'presumem-se verdadeiros os fatos não impugnados'. ...", o que é a hipótese dos autos com relação à alegação de que os débitos objeto do lançamento em discussão teriam sido compensados com crédito de Finsocial. Também a jurisprudência dos Conselhos (RV 106.404, Acórdão 202-10.136, e, RV 099.948, Acórdão 201-71.201) sobre a matéria com qual comungamos para, no caso em comento, não tomar conhecimento do recurso voluntário, quanto à matéria inovada, visto que ocorreu a preclusão consumativa para a análise da alegação de compensação dos débitos lançados e exigidos com crédito financeiro decorrente de pagamentos a maior a título de Finsocial. Quanto ao mérito, na realidade, a recorrente não contestou o crédito tributário mantido. No recurso, pediu o seu cancelamento sob o fundamento de que dispõe de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional suficiente para liquidá-lo, mediante compensação. Na DCTF, declarou que os débitos lançados e exigidos foram compensados com amparo em decisão judicial, utilizando-se de créditos financeiros decorrentes de pagamentos indevidos, a título de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, efetuados nos termos dos indigitados Decretos-Leis n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988. Já no recurso voluntário, inovou a matéria de mérito, indicando créditos decorrentes do Finsocial, se calando quanto à decisão judicial e ao crédito decorrente do PIS. Do exame dos autos, verificamos a existência da Ação de Procedimento Ordinário Declaratória do Direito de Crédito Tributário e de Compensação (fls. 05/23), processo n° 96.0004788-0, interposta perante a 2' Vara da Justiça Federal em Manaus, visando à compensação dos pagamentos indevidos a título de PIS com débitos desta mesma contribuição. A decisão transitada, em julgado em 20 de abril de 2001, lhe reconheceu o direito de compensar os valores recolhidos indevidamente, a título de PIS, nos termos dos indigitados decretos-leis, observada a prescrição qüinqüenal contada das datas dos , Ar-SEGUNDO CON"ELi-s ""-. E CONTROUINTES i CONFERE''CON1(j0DORiGiNÀL Processo n° 10283.005374/2002-16 Brasflia./g /gr _./ g CC0CO3 Acórdão n.° 203-12.752 Fls. 142 .__.......... L__p:g16210"".. recolhimentos indevidos, nos termos do CTN, arts. 165, I, c/c 168, I (fls. 79/84), com débitos dessa mesma contribuição (fls. 19/23). Assim, em face dessa decisão judicial e da inovação das razões de mérito no recurso voluntário, o julgamento da compensação do crédito tributário em discussão com crédito financeiro decorrente do Finsocial ficou prejudicada. Primeiro, porque a decisão judicial transitada em julgado limitou a compensação de créditos de PIS com débitos dessa mesma contribuição; segundo a inovação implicou preclusão de instância por ter sido oposta na impugnação. O direito à compensação de créditos financeiros decorrentes de pagamento indevidos de PIS, nos termos dos indigitados Decretos-Leis n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, em relação à contribuição devida nos termos das LCs n° 7, de 1970, e n° 17, de 1975, foi reconhecida à interessada por meio da decisão judicial transitada em julgado na Ordinária Declaratória do Direito de Crédito Tributário e de Compensação (fls. 05/23), processo n° 96.0004788-0. Em relação à semestralidade da contribuição para o PIS, embora, a recorrente tenha solicitado expressamente na ação judicial o seu reconhecimento e o MM Juiz Federal não tenha consignado de forma expressa tal reconhecimento o fez de forma tácita. Além disto, esta 3° Câmara vem reconhecendo a semestralidade dessa contribuição nos termos da LC n° 7, de 1970, cuja matéria se encontra sumulada pelo Segundo Conselho por meio da Súmula n° 11, in ver bis. "SÚMULA N°011 A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária." Em face do exposto, voto pela procedência parcial do lançamento para que a autoridade administrativa competente homologue a compensação dos débitos declarados pela recorrente, objetos do lançamento contestado, até o limite do montante dos créditos financeiros decorrentes de pagamentos indevidos a título de PIS, efetuados nos termos dos Decretos-Leis n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, em relação aos valores devidos nos termos das LCs n° 7, de 1970, e n° 17, de 1975, que deverá ser apurado por aquela autoridade, adotando-se a semestralidade da base de cálculo do PIS e aplicando-se a prescrição qüinqüenal conforme determina a decisão judicial transitada em julgado, acrescendo-lhes juros compensatórios à taxa Selic até as datas das compensações homologadas. Quanto ao crédito financeiro decorrente do Finsocial, suscitado pela recorrente no presente recurso voluntário, referente ao processo administrativo n° 10283.005865/2004-29, em face da legislação vigente, se ainda disponível, poderá utilizá-lo na liquidação de possível saldo devedor resultante da homologação ora determinada. Sala das Sessões, em 12 de março de 2008 .? 2411 JOSÉ AD ': 40,-1'61' O DE MORAISif I lir , 5 Page 1 _0034000.PDF Page 1 _0034100.PDF Page 1 _0034200.PDF Page 1 _0034300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.001106/96-34
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 1996
Ementa: CONSÓRCIO - INFRAÇÕES REGULAMENTARES. Constitui falha de conduta, cuja responsabilidade independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato delituoso. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-08616
Nome do relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro
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Numero do processo: 10467.002187/93-15
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 1995
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - RESTITUIÇÃO - Valores pagos indevidamente à Secretaria do Tesouro. Direito à repetição ao indébito. Descabida a alegação de dificuldades administrativas. Recurso provido.
Numero da decisão: 202-07664
Nome do relator: DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO
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MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO d . .... SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES C . Ruh a Processo n.° 10467.002187/93-15 Sessão de : 25 de abril de 1995 Acórdão n.° 202-07.664 Recurso n.°: 97.784 Recorrente : ESCOLA TÉCNICA FEDERAL DA PARA1BA Recorrida : DRF em João Pessoa - PB CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - RESTITUIÇÃO - Valores pagos indevidamente à Secretaria do Tesouro. Direito à repetição ao indébito. Descabida a alegação de dificuldades administrativas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ESCOLA TÉCNICA FEDERAL DA PARAIBA ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Vice-Diretor da recorrente o Dr. Almiro de Sá Ferreira. Sala das Se,sslles, em 25 de a • ti de 1995 :k4st. keit Helvio Esco arce t os - • - sidente Daniel Coné'a Hom . t• Carvalho - elator Adriana Que' it de arvallio - uradora-Representante da Fazenda Nacional VISTA EM SESSÃO DEe O I-2 b 1n Al 1,, J Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elio Rothe, Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Osvaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho, Tarásio Campeio Borges e José Cabral Garofano. OPRJeaal/CF/GB/JA 1 3jut MINISTÉRIO DA ECONOMIA. FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 10467.002187/93-15 Recurso n.° : 97.784 Acórdão n.°: 202-07.664 Recorrente : ESCOLA TÉCNICA FEDERAL DA PARAÍBA RELATÓRIO A Escola Técnica Federal da Paraiba, face ao parecer anexado às fls. 02, requereu á DRF em João Pessoa-PB a restituição dos valores das contribuições previdenciárias recolhidos à Secretaria do Tesouro Nacional relativas aos meses de 01,02 e 03/91. Na inicial a requerente esclareceu que os valores deverão ser pagos ao FPAS, conforme decisão no Proces- so Administrativo INSS/NFLD/010384/91. Em resposta ao expediente da repartição fiscal demandada, por fim a Coorde- nação geral de Programação Financeira/STN anexou documentos relacionados com a regulari- zação de pagamentos devidos ao INSS no período de janeiro a março de 1991, indicando que aguarda orientação por parte da Coordenação Geral de Arrecadação do INSS e da Secretaria de Administração Federal. O Documento de fls. 17, da lavra do Coordenador de Programação Financeira da S1N, sugere a inclusão, no Orçamento Geral da União, de Dotação para o pagamento ao INSS. Diante disto, a DRF/João Pessoa indeferiu a pretensão da requerente. O Recurso de fls. 25/29, dirigido ao Primeiro Conselho de Contribuintes e posteriormente destinado a este Segundo Conselho, relata os fatos constantes do processo, pedindo alternativamente que se determine ou a restituição das verbas à recorrente ou o reco- lhimento direto ao INSS. Juntei ao processo memorial da recorrente. É o relatório. 2 if 2)» MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES fr Processo ia?: 10467.002187/93-15 Acórdão n.°: 202-07.664 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR. DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO Inicia/mente, cabe ressaltar a peculiaridade de que se reveste o presente feito, bem como sua intrincada tramitação, esta, para notória perplexidade da recorrente, que se limi- ta a pleitear junto à instância administrativa, o que julga ser direito seu. Sem embargo, verifica-se que a recoilente recolheu ao Tesouro Nacional importância indevida, como tal reconhecido pela autoridade competente, tanto assim que, ao negar tal pretensão, o fez por motivos meramente administrativos. Quase que se chega àquele impasse claramente repelido em direito processual, qual seja, o da escusa de sentenciar, a pretexto de obscuridade ou de omissão da norma legal, que o CPC veda ao juiz (art. 126). Para concluir essa consideração preliminar, não é demais lembrar os consagra- dos principias de justiça, eficácia, rapidez e economia, que devem reger a norma processual, e deles não devem se afastar os julgadores. Isto posto, entendo caber a este CoIegiado o pronunciamento acerca do feito. Quanto à competência para julgar, invoco a norma do artigo 3.° da Lei n.° 8.748/93 que atribui aos Conselhos de Contribuintes o julgamento de recursos voluntários relativos às pretensões restituitórias, no que respeita à tributos e contribuições, observada a sua natureza em relação a cada Conselho, e, sobretudo, em atenção ao principio constitucional do duplo grau de jurisdição, sou pelo recebimento do presente recurso_ Além disso, quanto à competência do Segundo Conselho de Contribuintes na enunciação das competências dos Conselhos, verifica-se que aos Primeiro e Terceiro Conse- lhos, elas se acham distribuídas em "números clausus". Ao contrário, quanto ao Segundo Conselho, foram destinados os tributos e contribuições nominalmente citados e, em seguida, em "numerus apertus", o residual: "... bem como matéria correlata vinculada à administração tributária não incluídos na competência julgadora dos demais conselhos, ou de outros, da administração federal." Portaria MF n° 538/92. No mérito. A matéria refere-se a contribuições devidas ao INSS e recolhidas indevida- mente ao Tesouro Nacional, conforme restou comprovado no processo. 3 232 - 0,4e MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 kr SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 f'Frr,-; ir Processo ti?: 10467.002187/93-15 Acórdão a°: 202-07.664 A impossibilidade dos órgãos envolvidos de encontra= solução administra- tiva para a transferência dos valores do Tesouro para o INSS levou a autoridade julgadora a negar a pretensão em causa. A contribuinte, cumprindo determinação da 1N1139 e da Portaria 143, ambas de 28.12.90, recolheu a contribuição para o Plano de Seguridade Social junto ao Tesouro Nacional, por meio de DARF eletrônico. Ao mesmo tempo foi demandada pelo INSS por meio de execução fiscal, em razão das mesmas contribuições. Isto em razão do Parecer da Procura- doria Geral do INSS que concluiu que as contribuições previdenciárias referentes aos ex-servidores celetistas e estatutários, que contribuíam para a Previdência Social, são devidas ao INSS. Tendo em vista o fato de que é inequívoca a prova do pagamento das contri- buições à Secretaria do Tesouro Nacional; tendo em vista o direito inequívoco do contribuinte à repetição do valor pago indevidamente; tendo em vista que a decisão recotrida negou a pretensão, sob alegação de o caso estar sendo resolvido entre outras instâncias administrativas, e que essa solução seria relativa a transferência dos valores da S1N ao INSS e não para repetir o indébito, Dou provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente em ser restituída dos valores pagos entre janeiro e março de 1991. Sala das Sessões, em 25 de abril de 1995 '1_74 t- DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO 4
score : 1.0
Numero do processo: 10215.000239/91-74
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jun 12 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Fri Jun 12 00:00:00 UTC 1992
Ementa: ITR - É contribuinte do imposto o proprietário ou possuidor a qualquer título de imóvel rural. Processo de dação em pagamento do imóvel, em liquidação de débitos junto à Fazenda Pública, não tem efeito suspensivo da incidência e cobrança do imposto. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-05134
Nome do relator: Hélvio Escovedo Barcellos
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R.Ip. DT-‘,ime„ 2. De, n ../ .. jel , 1916._ ,- c '.1 att C .414k0V MILLISTERIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANElAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUILUES Processo no 10.215-000.2139/91-174 Sess2(o de N 12 de junho de 1.992 ACORMO N2 202-05.134 Recurso no: se., 615 Recorrente:: FRANCISCO RAIMUNDO COIMBRA LOBATO. Recorrida E DRF EM SANTAREVI - PA ITR s• E contribuinte do imposto o proprietário ou possuidor a qualquer título de imóvel rural. PrOCeSSO de daçao em pagamento do imóvel, em liquidaçao de débitos. junto à Fazenda P q blica, r(ão tem efeito suspensivo da Li c: e cobrança do imposto. Recurso negado. Vi1N-tOSe. relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FRANCISCO RAIMUNDO COIMBRA LOBATO, ACORDAM OS Membros da Segunda Cãmara do Segundo Conselho de Contribuinte .s, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recoirso. Ausentes os Conselheiros OSCAR LUIS DE moRnts e SEBASTIM BORGES TAQUARY. / Sala das SessC(es, em 12 de juDhe de 1992. /" 4( 1-1 E: 411/ Presidente e Re l ator NN, nst jow -'1,0S DE: _MEIDA LEMOS - Procurador-Repres• lir sentante da Fa- zenda Nacional • ' I.TI.STA Ell SIES3PrO Li rei o j u L 1992 Participaram, ainda, do presente jui.gamento os Conselheiros ELIO ROT•E, ROSALMO VITAL. GONZAGA SANEFOS (Cuplento), ACÁCIA DE LOURDES RODRIGUES„ LUIS FERNANDO AYRES DE: MELLO PACHECO (Suplente) e ANTONIO CÁRI...08 moio RIBEEno. HR/mias/MG/AC 1. 00 MIKUSTERIO DA arnhcomIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGOMO comsErklo DE: CONTRIBUINTES Processo no 10.215-000.239/91-74 Recurso NO2 88.6q5 Acórdão ile:: 202-05.134 Recorrente:: FRANCISCO RAIEUNDO COIMBRA LOBATO • • --- R E:LATORIO NotifM cada do lancaalen ta dcs Imposto sobre a Propriedacle Territorial Rural, das contribuiçFies %indicais rurais ao CHÁ e A CONTAO, da Taxa de Serviços Cadastrais e da Contribuição Parafiscal relativa ao exercício de 1990, o Recorrente impugnou a exigüncia sob a alegação de ter entregue ao INCRA . a área rural objeto do lançamento com a finalidade de cobrir qualquer débito fiscal relativo a este imóvel. O processe foi enviado ao INCRA, pela repartição preparadora, para análise e informat.. J„ havendo a Procuradoria daquele órgão informado que o defenden te apresentara ao INCRA, como dação em pagamento de débitos de ITR, o imóvel rural de que trata este processo. Para instrução do processo de dação em pagamento, o INCRA enviara carta ao interessado, solicitando-lhe a remessa de certidOes de inteiro teor de imóvel. Até aquela data o interessado não se manifestara, o que, na forma da legislação vigente, importava efil desistOn eia do processo, por omissão. Propunha a Procuradoria do INCRA o prosseguimento da cobrança dos debitas vencidos e, aprcaentados os autos ao Sr. Superintendente Estadual do INCRA, no Amazonas, esta autoridade acolheu a proposta da Procuradoria daquele órgão indeferindo a pleito de dação CM pagamento. Retornando o processo à Delegacia da Receita Federal em Santarém-PA, a autoridade de primeira grau proferiu decisão assim em E? "Dação em Pagamento. Uma vez indefürida a proposta de dação em pagamento, cabível o prosseguimento da cobrança da ITR. Notificação Procedente". Recorrendo a este Colegiada o defendente relata, resumidamente, que recebeu correspondüncias do INCRA solicitando a apresentação de documentos para andamento do processo de daçab de imóvel em pagamento de débitos fiscais CM 11 e IS de dezembro de 1990, tendo enviado, no prazo da lei, a document,-Roo solicitada, razão pela qual foi com surpresa que recebeu, em agosto de 1991, o ofício no qual O Superintendente do INCRA no Amazonas. informa do ir“haferimen to da ação proposta . Inwnformado, seu advagada foi A Procmradorala do INCRA, constatando que lá se encontrava toda a documentação, requerendo, na oportunidade, a expedição de certidão de que o processa de dação de ifflOvel Oat 2. 151 Serviço Público Federal Processo nciE 10.215-000.239/91•71 Acórdão neF: 202-05.134 pagamento de débitos fiscais ainda aguardava julgamento, anexando cópia aos autos. Requer, ao final, que a Receita Federal aguarde. a conclusão do processo de dação em pagamento para só então promover a cobrança deste débito. E o relatório. Serviço Público Federal Processo no:: 10.215-000.239/91-74 AcerWáo no s: 202-05.134 VOTO DO CONSELHFIRO-RELATOR OFLVIO FSCOVEDO BARCELLOS Entendo que o pleito da defendente n2Ce pode ser atendido, pois enquanto for proprietário ou possuidor do imóvel, é contribuinte do Imposto Territorial Rural. Para o caso em tela, lançamento do LIR relativo ao exercício de 1990, é irrelevante a existência de outro processo em que o Recorrente manifesta a intenflo de dar o imOvel em pagamento de débitos fiscais, pois, apesar disso,é ainda contribuinte do ITR, vez que permanece como pnzprielmári.o„ ou possuidor a qualquer título do imóvel tributado. Tampouco é possível a s1,1spens3o da exigibilidade, do tributo lançado de que tratam os autos. O disposto no DL. 1.766/80, atinge somente , os débitos de exercícios anteraores, inscritos em divida ativa para os quais o Recorrente deseja dar em pagamento o :1. 6v em processo administrativo. O presente lançamento, r0 Io incluído naquele, processo, também raio suporta seus efeitos. No mérito, inexiste qualquer dUvida quanto à legalidade do lançamento do ITR do exercício de 1990 e o Recorrente, nada suscitou quanto a isso. Essas as razOes que me levam a negar provimento ao reuu-so. Sai. a das S „ eco 12 , jun ho de :1992. HELMI: ESíZVF.l0 FAROL 1.06 •
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Numero do processo: 10140.000700/95-51
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 1997
Ementa: FINSOCIAL / FATURAMENTO - EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS - Perfeitamente cabível as majorações do FINSOCIAL posteriores à edição da Lei nr. 7.738/89 no tocante às empresas prestadoras de serviços (RE nr. 150.755-1-PE). Recurso negado.
Numero da decisão: 203-03545
Nome do relator: RICARDO LEITE RODRIGUES
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O. U. h À MINISTÉRIO DA FAZENDA C jW! SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10140.000700/95-51 Acórdão : 203-03.545 Sessão • 14 de outubro de 1997 Recurso : 101.221 Recorrente : TELECOMUNICAÇÕES DO MATO GROSSO DO SUL S/A - TELEMS Recorrida : DRJ em Campo Grande - MS FINSOCIAL/FATURAMENTO - EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS - Perfeitamente cabível as majorações do FINSOCIAL posteriores à edição da Lei n° 7.738/89 no tocante às empresas prestadoras de serviços( RE N° 150.755-1-PE). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: TELECOMUNICAÇÕES DO MATO GROSSO DO SUL S/A - TELEMS. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco Sérgio Nalini. Sala das,Sessões, em 14 de .outubro de 1997 Otacílio . tas Cartaxo Presidente n Ri ri o Leite R d *gues , Participaram, ainda do presente julgamento os Conselheiros F. Maurício R. de Albuquerque Silva, Mauro Wasilewski, Renato Scalco Isquierdo, Sebastião Borges Taquary, Daniel Corrêa Homem de Carvalho e Henrique Pinheiro Torres (Suplente). RS/ 1 • MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10140.000700/95-51 Acórdão : 203-03.545 Recurso : 101.221 Recorrente : TELECOMUNICAÇÕES DO MATO GROSSO DO SUL S/A - TELEMS RELATÓRIO Assim relatou a presente ação fiscal, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância: "TELECOMUNICAÇÕES DE M. GROSSO DO SUL S/A - TELEMS, acima identificada, por seu procurador qualificado na procuração de fl. 24, requereu a restituição do FINSOCIAL recolhido no período compreendido entre os meses de setembro de 1989 a abril de 1992, no valor correspondente a 1.739.539,2664 UFIRs, consoante os demonstrativos de fls. 03.05 e cópia dos DARFs de fls. 06/23, cujos recolhimentos foram comprovados pela DRF de origem às fls. 26/28, com fundamento nos arts. 165 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66), 964 do Código Civil Brasileiro e 66 da Lei 8.383/91, em decorrência da decretação da sua inconstitucionalidade, através do V. Acórdão 150764-1,de 16/12/92, do Supremo Tribunal Federal, valendo "erga °nines", por força de resolução do Senado Federal, e efeito vinculante, inclusive, administrativamente, para o Poder Executivo. Após exame da situação fiscal da requerente, foi constatado que a mesma possui débito em conta corrente (fls. 29/30). Através da decisão n° 071/96 (fls. 32/33), o Sr. Delegado da DRF/ Campo Grande/MS denegou o pedido sob os seguintes argumentos: - que o STF não declarou a insconstitucionalidade do FINSOCIAL, mas ao contrário, atestou a Suprema Corte a constitucionalidade da exação nos termos do artigo 56 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, que autorizou a União a cobrá-lo até que fosse criada a contribuição prevista no art. 195, I, da Constituição Federal, sendo que até lá, o produto da arrecadação do FINSOCIAL integraria a receita da seguridade social; - que a requerente não se beneficiou da decisão do STF, a qual foi proferida em controle difuso da constitucionalidade, por não ter sido parte no processo, o qual culminou apenas com a declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos que majoram a alíquota do FINSOCIAL, introduzidos pelas 4))1L 2 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10140.000700/95-51 Acórdão : 203-03.545 Leis 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, não produzindo por isso mesmo efeitos erga omnes, nem vinculando a Administração ou o Judiciário; - que o parágrafo 2° do art. 102 da Constituição citado pela requerente, se refere a decisões definitivas de mérito proferidas pela Suprema Corte em ações declaratórias de constitucionalidade, figura criada pela Emenda Constitucional n° 3, de 17/03/93, não se aplicando ao Acórdão n° 150764-1, de dezembro de 1992, que é anterior a essa Emenda, e que não foi proferido em ação declaratória de constitucionalidade, mas em julgamento de Recurso Extraordinário. Cientificada do indeferimento em 14/05/96 (fl. 34), vem a contribuinte em 04/06/96 manifestar a sua inconformidade com a decisão (fls.35/38), acompanhada de cópia da procuração (fl. 39), aduzindo em sua defesa (dirigida equivocadamente ao Conselho de Contribuintes), em síntese: - que o argumento do fisco de que a decisão da mais alta Corte de Justiça não produz efeitos erga omnes comporta exceção inadmissível, e nessa direção o Supremo Tribunal Federal já pronunciou que: "Atos inconstitucionais, por isso mesmo, são nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer eficácia jurídica. A declaração de insconstuticionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desamparada as situações constituídas sob sua édige e inibe ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos a possibilidade da invocação de qualquer direito. A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive, a plena restauração de eficácia das leis e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional."(voto do Ministro Moreira Alves na ADIn n° 625-5-MA). - que, em recentíssima decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 94.03.89758-9, o Tribunal Regional da 3 a Região, através 12(12)1 Juiz ANDRADE MARTINS, assentou o entendimento que: 3 - MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10140.000700/95-51 Acórdão : 203-03.545 "Apartir do momento em que a Suprema corte já se haja pronunciado definitivamente, no sentido da ocorrência de uma dada inconstitucionalidade, é de se esperar que todo e qualquer órgão do Poder Público, faça cumprir do modo mais ágil possível o arresto daquela Corte, inclusive declarando a possibilidade concreta de que use a prerrogativa decorrente da restituição em razão de pagamento indevidamente feito para o fim de se promover a repetição de indébito." - que, à exegese do parágrafo 2° do artigo 102 da Constituição Federal, em razão da Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993, "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo." - que, sendo facultado o pedido de restituição, referentemente ao período compreendido entre os meses de setembro de 1989 até abril de 1992, estando a repetição de indébito sob o abrigo, respectivamente, dos artigos 165 do Código Tributário Nacional e 964 do Código Civil Brasileiro, o pleito da Telecomunicações de Mato Grosso do Sul S/A - TELEMS deve ser admitido, por força da declaração de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal, no que tange à majoração da alíquota do FINSOCIAL, sob a vigência das Leis IN 7.787/89, 7.894/98 e 8.147/90; - que a Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, estabelece no parágrafo 2°, do art. 66, a permissibilidade do contribuinte solicitar pedido de restituição no caso de pagamento indevido de tributo e contribuições federais, devendo, outrossim, a TELEMS ter amparada a pretensão; - que, ante o exposto, fica formulado o pedido da restituição de 1.793.539,2664 UFIRs relativamente ao pagamento indevido do FINSOCIAL, referentemente ao período compreendido entre os meses de setembro de 1989 até abril de 1992, consoante os DARFs que instruíram o pleito inicial, como medida de JUSTIÇA." Julgador Monocrático manteve integralmente a exigência, prolatando a seguinte ementa: 4 31( A MINISTÉRIO DA FAZENDA .;-4740,1 2k.:;* SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10140.000700/95-51 Acórdão : 203-03.545 "FINSOCIAL - PERÍODOS-BASE DE 1989 a 1992 RESTITUIÇÃO A suspensão, por Resolução do Senado, da execução de lei julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em controle difuso da constitucionalidade, diferentemente do que acontece em decisões de ação declaratória de constitucionalidade, não revoga nem anula a lei, que até então existiu, foi aplicada e produziu validamente seus efeitos, não implicando, portanto em restituição de quantias pagas durante sua vigência. Além disto, no caso vertente, referida resolução não diz respeito a empresas edusivamente prestadoras de serviços." Inconformada com a decisão singular, a recorrente interpôs recurso voluntário reiterando as razões da impugnação. Da análise minuciosa dos argumentos constantes da peça recursal em confronto com a legislação de regência, manifesta-se a Procuradoria-Seccional da Fazenda Nacional em Campo Grande - MS, fls. 59/63, em atendimento ao disposto na Portaria n° 260/95, pela manutenção integral da decisão de primeira instância administrativa. É o relatório. 5 %,4.A MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10140.000700/95-51 Acórdão : 203-03.545 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR RICARDO LEITE RODRIGUES Entende a recorrente que recolheu indevidamente 1.739.539,2664 UFIRs a titulo de Finsocial, pois segundo ela o Supremo Tribunal Federal declarou tal exação fiscal inconstitucional, através do Acórdão no. 150764-1 e por conseguinte tem direito a restituição do valor citado com base no que estabelece o parágrafo 2° do artigo 66 da Lei n° 8.383/91. Engana-se a contribuinte quando cita a seu favor o Acórdão n° 150764-1, pois este se presta unicamente para as empresas vendedoras de mercadorias e mistas, o que não é o caso da reclamante, sendo esta uma empresa exclusivamente prestadora de serviços. O Supremo Tribunal Federal em recente decisão plenária, no RE n° 150.755-1- PE, posicionou-se favoravelmente às elevações de aliquotas do Finsocial ocorridas posteriormente à edição da Lei n° 7.738/89, no tocante às empresas prestadoras de serviços, já que este tinha a natureza de adicional do imposto de renda e não de uma contribuição social propriamente dita, sendo assim perfeitamente recepcionado pela Constituição de 1988. Pelo acima exposto, entendo ser perfeitamente viável as majorações das aliquotas do FINSOCIAL, respaldado pelo entendimento exposado por nossa Corte Maior e por conseguinte não há que se falar em restituição de valores pagos indevidamente com relação ao FINSOCIAL. Assim, conheço do recurso por tempestivo, para no mérito negar-lhe provimento. Sala das Sessões, 14 de outubro de 1997 ,qr • •ir ,1 RI ARDO LEITE ' ODRIGI S 6
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Numero do processo: 35339.001240/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/04/2005
VALIDADE DA NOTIFICAÇÃO VIA POSTAL. INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. CARACTERIZAÇÃO DE
SEGURADO EMPREGADO. TAXA SELIC.
válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
As instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
No presente caso, o auditor fiscal considerou que o contador seria mandatário ou preposto da empresa, entretanto não adotou nenhuma providência para comprovar tal situação, medida necessária por se tratar o procedimento fiscal instaurado apto a impor obrigações ao contribuinte ou até mesmo a aplicação
de eventual penalidade.
é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS QUE NÃO ACARRETAM A NULIDADE DO LANÇAMENTO
A existência de quaisquer vícios em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos
envolvidos, mas sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-001.783
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal que acolheram a preliminar de nulidade do MPF; no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Apresentará voto vencedor o conselheiro Mauro José da Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. TAXA SELIC. válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. As instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. No presente caso, o auditor fiscal considerou que o contador seria mandatário ou preposto da empresa, entretanto não adotou nenhuma providência para comprovar tal situação, medida necessária por se tratar o procedimento fiscal instaurado apto a impor obrigações ao contribuinte ou até mesmo a aplicação de eventual penalidade. cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS QUE NÃO ACARRETAM A NULIDADE DO LANÇAMENTO A existência de quaisquer vícios em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo a4teles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencidos os conselheiros Damido Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal que acolheram a preliminar de nulidade do MPF; no mero, per unanimidade de votos, ern negar provimento ao recurso. Apresentará voto vencedor o 1lheiro Mauro José da Silva. 4 JULIO A EIRA GOMES — Presidente tor designado DAM S CORDEIRO 1 ORAES - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Damido Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório 1. Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa INDÚSTRIA TÊXTIL LOOSTEX LTDA contra decisão monocrática que julgou procedente o lançamento fiscal que teve corno fatos geradores as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais registrados irregularmente em folhas de pagamento e em GFIP's da empresa TECELAGEM MARINA LTDA, optante pelo SIMPLES, caracterizados pela Auditoria Fiscal como segurados vinculados à notificada (INDÚSTRIA TÊXTIL LOOSTEX LTDA adiante denominada LOOSTEX), no período de 1/11/2000 a 30/04/2005. 2. A ementa da decisão de primeira instância restou vazada nos seguintes termos: "CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. COMPETÊNCIA DO INSS. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. PROVAS EXISTENTES NOS AUTOS. É segurado obrigatório da Previdência Social, como empregado, a pessoa fisica que presta serviço de natureza urbana ou rural a 2 Processo n° 35339.001240/2005-15 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.783 Fl. 2 empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado, nos termos do art. 12, inciso I, letra 'a' da Lei n." 8.212/91 e alterações posteriores. • Subsunção é o acontecimento em que um fato apresenta-se conforme previsto na hipótese ou na descrição da lei. 0 CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DECRETO COMPETE AO JUDICIÁRIO. A RFB não tern competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de Lei ou Decreto, frente‘ ao sistema normativo; o controle • da constitucionalidade é exercido, via de regra, pelo Poder Judiciário. LANÇAMENTO PROCEDENTE." (IL 353) 3. Em seu recurso voluntário, o contribuinte aduziu, sinteticamente, pela anulação do lançamento fiscal por entender que o documento foi emitido sem o cumprimento dos ditames legais que regem a matéria, bem como que, no mérito, devem ser excluídos os valores relativos a terceiros (INCRA), da taxa Selic e o "desconto do valor notificado com o percentual destinado ao INSS das parcelas pagas pela empresa MARINA, a titulo do SIMPLES devidamente atualizado". 4. 0 fisco, apresentou suas contra-razões no sentido de que seja mantida a notificação e o lançamento. o relatório. Voto Vencido Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO ENCAMINHAMENTO DOS DOCUMENTOS PELA VIA POSTAL 2. Inicialmente, batalha a recorrente pela anulação da ação fiscal, ante o encaminhamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e do Termo de Encerramento da Ação Fiscal — TEAF pela "via postal". 3. Sem razão a empresa em relação ao seu primeiro argument o, pois o encaminhamento dos documentos fiscais pela via postal no domicilio fiscal eleito pelo próprio contribuinte não encontra óbice na legislação tributária, sendo admissivel a adoção de tal procedimento ante a ausência de representante legal da empresa para receber a fiscalizaç-o. Notadamente porque o documento de fl. 216 comprova o regular recebimento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito pela empresa. 4.A matéria já foi sumulada pelo CARF: . "SÚMULA N°9 do CARE: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." 5. Razões pelas quais não acolho a preliminar suscitada pelo recorrente. DA INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS 6. Ainda em sede preliminar, a recorrente pugna pela exclusão dos valores destinados ao INCRA, vez que não foram apreciadas, pelo julgador de primeira instância, as alegações postas no tocante à inconstitucionalidade e à ilegalidade suscitadas em sede de impugnação. 7. Não obstante o bom arrazoado trazido pela empresa, o decisum recorrido merece prosperar incólume. 8. É que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem corno invade competência atribuida especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capitulo III do Titulo IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observa-se que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercê-la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. 9. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de nonnas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vicio de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. 10. 0 professor Hugo de Brito Machado in "Mandado de Segurança em Matéria Tributária", Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: "A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerá-la inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional." 11. No mais, o próprio Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a súmula n" 02 do mesmo órgão trazem a regra proibitiva nesse sentido: Portaria n" 256, de 22 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, ,lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Processo n°35339.001240/2005-15 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.783 Fl. 3 Súmula CARF N" 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 12. Ante ao exposto, não acolho essa preliminar. DO RECEBIMENTO DO MPF E DO TIAD PELO CONTADOR DA EMPRESA 13. Quanto ao inconformismo da recorrente em razão do recebimento do MPF e do TIAD pelo contador da empresa dou razão ao contribuinte, eis que presente causa suficiente para gerar a nulidade da ação fiscal. 14. 0 MPF, criado pelo Decreto n.° 3.724, de 2001, e alterado pelo Decreto n.° 6.104, de 2007, é documento que determina a instauração dos procedimentos de fiscalização e do qual será dada ciência ao sujeito passivo (c.f. art. 2°). 15. A Instrução Normativa do INSS n.° 3/2005, vigente à época do lançamento fiscal, também indicava que o MPF seria emitido por ocasião do inicio do procedimento fiscal e dele seria dada ciência ao representante legal, ao mandatário ou ao preposto do sujeito passivo: "Art. 574. 0 MPF será emitido por ocasião do inicio do procedimento fiscal e dele será dada ciência ao representante legal, ao mandatário ou ao preposto do sujeito passivo, na forma do art. 588". 16. Embora trate de outro documento fiscal, mas também relativo A. fiscalização, vale ressaltar que o art. 662 ao se referir à Notificação do Débito e ao Auto de Infração vai além e determina que, no caso da ciência pessoal a mandatário do sujeito passivo é obrigatória a juntada nos autos de cópia autenticada da procuração, que deverá, em se tratando de instrumento particular, conter firma reconhecida do representante legal. "Art. 662. 0 sujeito passivo será cientificado da NFLD e do AI cia seguinte forma: I - pessoalmente, após a lavratura da NFLD Ou do AI, comprovando-se o recebimento mediante a assinatura do representante legal ou do mandatário; II - por via postal ou por qualquer outro meio, com prova de recebithento tomada no domicilio tributário do sujeito passivo; ou Ill - por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos. 1" Na hipótese do inciso I do caput, ocorrendo recusa de recebimento dos documentos, o APPS deixará a via destinada ao • sujeito passivo no local da ocorrência e registrará, eni tO das as vias, a expressão "recusou-se a assinar" seguida da identificação do responsável pela recusa, considerando-se, dessa forma, cientificado o sujeito passivo. § 2" Quando da ciência pessoal a mandatário do sujeito passivo sera juntada cópia autenticada da -procuração, que deverá, em se tratando de instrumento particular, conter firma reconhecida do representante (..) " 17. No presente caso, o auditor fiscal considerou que o contador seria mandatário ou preposto da empresa, tanto que entregou significativos documentos relacionados ação fiscal, entretanto não adotou nenhuma providencia para comprovar tal situação, medida necessária por se tratar o procedimento fiscal instaurado apto a impor obrigações ao contribuinte ou até mesmo a aplicação de eventual penalidade. 18. Não penso que o Mandado de Procedimento Fiscal seja um mero elemento de controle da administração tributária, pois há uma nítida influência do documento na legitimidade do lançamento tributário, posto que exige do contribuinte uma conduta restritiva em relação ao agente fiscalizador, estando desta forma dependente do controle de legalidade sob a égide das normas e princípios de direito. 19. A essencialidade do MPF está posta em julgado do CARF: "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL- NATUREZA - Mandado de Procedimento Fiscal não é mero instrumento de controle interno, atribuindo condições de procedibilidade ao agente do Fisco competente para o exercício da auditoria fiscal, sendo, por conseguinte, ato preparatório e indispensável ao exercício do lançamento " (Processo: 11080.013615/99-38, Acórdão 101- 94060) 20. De maneira que, verificado que o procedimento não cumpriu determinado regramento ou feriu direito do contribuinte, há que se anular de imediato a ação fiscal, principalmente para que se evitem situações de eventuais abusos por parte do agente fiscalizador. Nunca é demais falar que a principal finalidade do MPF é dar maior transparência e segurança ao contribuinte fiscalizado e não o de tolher seus direitos, como detectado no presente caso. 21. E o prejuízo para o contribuinte é patente. Primeiro, porque os prazos concedidos para apresentação de documentos e informações certamente foram tolhidos. Segundo, porque a ação fiscal deve ser desenvolvida perante aqueles que efetivamente possuem a responsabilidade para prestar informações ao fiscal, o que não ficou provado pelo fisco no presente caso. 22. E não se diga que o contador, na figura de eventual mandatário, é quem possuía todas as informações fiscais da empresa, pois todas as peças de defesa da empresa foram assinadas pelo sócio e não pelo profissional. 23. Assim, vejo clara afronta ao Decreto 70.235/72, art. 23, inciso I, que tratou das intimações pessoais, asseverando: "Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quern o intimar;" Processo n°35339.001240/2005-15 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.783 • Fl. 4 24. Vale destacar, ainda, que o preposto ou mandatárioé pessoa designada ou nomeada por alguém. Evidentemente que poderá ser determinado verbalmente por aquele que detém o poder de nomeação, entretanto, a regra é que haja documento especifico, notadamente pela importância da função, sendo, portanto, necessário que o fiscal faça juntar documento hábil a comprovar tal situação ou traga as informações no relatório fiscal. 25. Tal é a importância do procedimento que o normativo (IN 03/2005) determinou que, quando se trate de ciência do mandatário do sujeito passivo será juntada cópia autenticada da procuração, que clever* em se tratando de instrumento particular, conter firma reconhecida do representante legal. 26. Ante o exposto, meu voto no particular é pela anulação do lançamento fiscal, por vicio formal. DO MÉRITO 27. Conforme reza o relatório fiscal a autuação se deu em razão de remunerações pagas aos segurados e contribuintes individuais constantes da folha de pagamento da empresa MARINA, caracterizados pela fiscalização como segurados vinculados A. recorrente, Indústria Têxtil Loostex Ltda. 28. Chegou-se à conclusão por considerar, em resumo, que "a empresa, no intuito de expandir seus negócios, simulou a contratação de empregados por empresa optante pelo SIMPLES, para que esta, mantendo seus faturamentos dentro do limite estabelecido pela Lei n.° 9.317/96, não arque com o encargo previdencidrio patronal incidente sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviço. A simulação está plenamente pois a MARINA: - não apresenta autonomia gerencial: o controle gerencial é único e exercido pela LOOSTEX, na pessoa do Sr. José Carlos Loos; - não apresentam autonomia patrimonial: os empregados da MARINA exercem suas atividades utilizando equipamentos e instalações de propriedade da LOSSTEX; - não possuem autonomia financeira: a LOSSTEX é a que possuiu maior faturamento e consequentemente, arca com os pagamentos das obrigações da MARINA, já que estas têm insuficiência de recursos". 29. 0 contribuinte, a seu turno, contestou as informações trazidas pela autoridade fiscal defendendo a inexistência dos fatos geradores e o afastamento dos indícios de prova, carreados pela autoridade fiscal. Com o intuito de corroborar seus argumentos colacionou os documentos de fls. 290/350. 30. Dou razão ao fisco. Primeiro, porque as provas carreadas aos autos são suficientes para colocar abaixo os argumentos da empresa. Basta verificar a dinâmica dos fatos para concluirmos que a empresa procurou na verdade simular a contratação de empregados por empresa optante pelo SIMPLES, para que esta, mantendo seus faturamentos dentro do limite estabelecido pela Lei n.° 9.317/96, não fosse responsabilizada pelos encargos previdencidrios. Segundo, porque a fiscalização adotou todos os procedimentos necessários para demonstrar que a recorrente era a verdadeira contratante •dos serviços prestados pelos empregados segurados arrolados na presente notificação, devendo, portanto, arcar com os tributos levantados contra si. 0—* 31. Também não tenho dúvida quanto ao surgimento do fato gerador, conforme levantamento realizado detalhadamente pelo auditor fiscal, de maneira que o débito restou incontroverso. DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC 32. Aduz a recorrente ser indevida a utilização da taxa SELIC, tendo em vista sua ilegalidade e inconstitucionalidade formal e material. 33. Muito embora, já tenha me pronunciado anteriormente quanto a não apreciação da constitucionalidade de normas haja vista a súmula n° 2 do CARF, tecerei breve comentário a respeito dessa matéria. 34. Registre-se, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei n° 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas A. incidência da taxa referencial SELIC - Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei n° 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notifica cão fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIG, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP n" 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n°9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei n" 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) 35. A propósito do tema convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovou a Súmula n° 04, nos seguintes termos: Súmula CARE N" 4: A partir de 1" de abril de 1995, os juros momtórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela . Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. 36. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, corn fulcro no artigo 34 da Lei n°8.212/91. DOS PAGAMENTOS EFETUADOS — DIFERENÇA 37. Entretanto, quanto A. alegação da recorrente ao requerer "o desconto do valor notificado com o percentual destinado ao INSS das parcelas pagas pela empresa MARINA, a titulo SIMPLES, devidamente atualizado, para que não se configure a dupla incidência e o enriquecimento sem causa da Autarquia Federal.", entendo que merece prosperar tal pretensão conforme passo a demonstrar. (fl. 398) 38. Compulsando os autos, verifica-se que no relatório fiscal o auditor desconsiderou a pessoa jurídica da empresa MARINA, caracterizando seus funcionários como segurados empregados da ora recorrente. Eis o disposto na peça fiscal, in verbis: Processo n°35339.001240/2005-15 S2 -C3T1 Acórd5o n.° 2301-01.783 Fl. 5 "4.1. As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais constantes na folha de pagamento da empresa MARINA, (...), caracterizados por esta fiscalização como segurados vinculados à notificada discriminadas em folha de pagamento daquela empresa e declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP — no período de 11/2000 a 4/2005, cujos valores estão expressos no relatório de Lançamentos — RL, que é parte integrante desta NFLD. A vincula ção dos segurados constantes da folha de pagamento do estabelecimento acima citado a notificada será fundamentada a partir do item 5 deste relatório. (.) 7.1. As sucessivas transferências relatadas neste item demonstram o caráter único de gerenciamento do pessoal contratado para trabalhar nestas empresas, corroborando também a tese da existência de uma única empresa. 9.2. Face ao acima exposto, podemos facilmente concluir que a LOOSTEX (não optante pelo simples), utiliza mão de obra alocada na MARINA (optante pelo simples), já que tem um faturamento alto em relação ao número de eMpregados. Concomitantemente, a MARINA tem insuficiência de recursos para pagamento das despesas. Isso vem comprovar a tese de que na prática se trata de empresa única. 11. Assim, todos 6's fatos relatados contemplam prova evidentes de que o controle gerencial, financeiro e administrativo é único e centralizado. A empresa, no intuito de expandir seus negócios, simulou a contratação de empregados por empresa optante do SIMPLES, para que esta, mantendo seus .faturamentos dentro do limite estabelecido pela Lei n" 9.317/96, não arque com o encargo previdenciario patronal incidente sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviço. A simulação está plenamente caracterizada, pois a MARINA: - não apresenta autonomia gerencial: o controle gerencial é único e exercido pela LOOSTEX, na pessoa do SR. JOSE CARLOS LOOS,. - não apresentam autonomia patrimonial: os entrpegados da: MARINA exercem suas atividades utilizando equipamentos e instalações de propriedade da LOOSTEX; - não possuem autonomia financeira: a LOOSTEX é a qne possui maior faturamento e consequentemente, arca coin os pagamentos das obrigações da MARINA, já que estas têm insuficiência de recursos; Por tudo o que foi exposto, esta auditoria conclui que, os empregados da empresa MARINA devem ser enquadrados, para fins previdencicirios, como empregados da LOOSTEX, a qual é o verdadeiro empregador de tais trabalhadores. " (f1.43/49) (g.n.) 39. Posto isso, vale destacar que o auditor defendeu a. tese de 'empresa única' face a análise dos elementos fáticós devidamente discriminados em sell relato fiscal os quais ensejam a existência de simulação no caso concreto. e dezembro de 2010 Sala das Se 40. Sendo assim, considero equivocada a argumentação fiscal posta na Decisão Notificação, a qual o auditor desconsiderou os valores reconhecidamente recolhidos pela suposta empresa MARINA, conforme abaixo: "Dos pagamentos efetuados «Is. 288): Os eventuais recolhimentos de contribuições sociais realizados pela empresa MARINA, como optante pelo SIMPLES, não podem ser deduzidos do valor constituído nesta NFLD. Isto porque: a) os eventuais recolhimentos foram realizados pela MARINA, e não pela empresa Notificada/LOOSTEX; b) a Notificada (LOOSTEX) não tem lezitimidade jurídica para pleitear em nome da MARINA; c) as contribuições sociais objeto desta NFLD são de responsabilidade exclusiva da Not e não daquela empresa, em decorrência da • mencionada subsunção do fato a norma jurídica. É improcedente o pedido da notificada, para que o INSS .deduza deste débito os recolhimentos feitos pela empresa MARINA, porque são pessoas jurídicas distintas, com direitos e obrigações diferentes, que afastam a pretendida usurpa cão da legitimidade postulatória. Se existir, eventualmente, recolhimento indevido, na forma simplificada, a legitimidade do pedido de repetição do indébito não é da notificada e sim da mencionada empresa optante do SIMPLES. "(fl. 366) 41. Desta forma, o fisco não pode simplesmente no lançamento descaracterizar uma empresa por simulação e, posteriormente não considerar os recolhimentos efetuados a menor pela recorrente já que o próprio fisco defende a tese de empresa única em seu relato fiscal. 42. Sendo assim, a afirmação posta de que "a notificada LOOSTEX não tem legitimidade para pleitear em nome da MARINA", e que "são pessoas jurídicas distintas, com direitos e obrigações diferentes, que afastam a pretendida usurpação da legitimidade postulatória." não tem sustentação, pois vai de encontro ao próprio relatório fiscal. 43. Nesse sentido, voto por dar provimento em parte ao presente recurso por entender que houve recolhimento parcial do tributo exigido no lançamento, devendo ser retificado a cobrança do débito deduzindo o valor efetivamente recolhido do montante integral constituído nos autos da obrigação tributária principal. CONCLUSÃO 44. Ante ao exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar a retificação dos valores cobrados a titulo de contribuições devidas a Seguridade social e a Terceiros, relativos aos segurados caracterizados pelo fisco como empregados da empresa recorrente. como voto. DAM IÃO CO 0 DE MORAES Processo n° 35339.001240/2005-15 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.783 Fl. 6 Voto Vencedor Conselheiro MAURO JOSÉ SILVA, Redator designado Mandado de Procedimento Fiscal. Lançamentos concluídos até 01/05/2007. Eventuais vícios no MPF não afetem relação jurídica fisco x contribuinte. No que tange As contribuições previdencidrias, o MPF foi criado pelo Decreto 3.969/2001, publicado em 16/10/2001, tendo mantido sua vigência ate a edição do Decreto 6.104/2007, publicado em 02/05/2007. Assim, as regras relativas ao MPF devem ser buscadas no Decreto 3.969/2001, no período de 16/10/2001 a 01/05/2007, e no Decreto 3.724/2001, alterado pelo Decreto 6.104/2007, a partir de 02/05/2007. Em resumo, o MPF, no período de 16/10/2001 a 01/05/2007, segundo o texto do art. 2° do Decreto 3.969/2001, é definido como uma ordem especifica que instaura o procedimento fiscal, podendo ser um MPF destinado A. fiscalização (MPF-F) ou destinado a realização de diligência (MPF-D), sendo sua emissão realizada por algumas autoridades definidas no art. 6° daquele Decreto. Interessa-nos o MPF-F, pois é este instrumento que pode preceder a constituição de crédito tributário pelo lançamento. Entre as informações constantes do MPF-F destacamos o prazo para realização do procedimento fiscal (inciso IV do art. 7°), o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, o período de apuração correspondente e as verificações a serem procedidas para constatar a correta determinação das respectivas bases de cálculo, em relação aos valores declarados ou recolhidos nos últimos exercícios (§1° do art. 7° do Decreto 3.969/2001). O MPF-F tem prazo inicial de 120 dias, podendo ser prorrogado quantas vezes for necessário, por meio da emissão de MPF complementar (MPF-C). Havendo o decurso de prazo, extingue-se o MPF-F, no entanto, o art. 16 do mesmo Decreto estabelece que a extinção do MPF não implica nulidade dos atos praticados, podendo novo MPF ser emitido para a conclusão do procedimento fiscal. Considerando a síntese que fizemos sobre as normas que regem a matéria, no período de 1640/2001 a 01/05/2007, podemos sugerir três violações possíveis às disposições do Decreto 3.969/2001 no seguintes casos: Instauração de procedimento fiscal sem a emissão de MPF-F; Prosseguimento de procedimento fiscal após o prazo para conclusão do MPF; Conclusão de procedimento fiscal após o prazo previsto para o MPF-F e sem que um MPF-C ou um novo MPF tenha sido emitido. Para a primeira delas - instauração de procedimento fiscal sem a emissão de MPF-F - o Decreto 3.969/2001 não previu, diretamente, qualquer conseqüência jurídica. No entanto, o descumprimento de tal norma pode ensejar responsabilização funcional 11 desobediência, por parte do servidor, ao dever de cumprir as normas legais e regulamentares, conforme estabelecido pelo art. 116, inciso III da Lei 8.112/90. Em relação à segunda violação — prosseguimento de procedimento fiscal após o prazo para conclusão do MPF — o Decreto 3.969/2001 detemiinou no art. 16 que a extinção do MPF não implica em nulidade dos atos praticados. Mais uma vez poderia o servidor ser chamado responder por descumprimento de norma legal ou regulamentar, mas, seguindo o que determinou o Decreto 3.969/2001, os atos praticados seriam válidos. No caso da terceira violação possível - conclusão de procedimento fiscal após o prazo previsto para o MPF-F e sem que um MPF-C ou um novo MPF tenha sido emitido — o Decreto 3.969/2001 afirma que os atos não são nulos e que pode haver a emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal. 0 Decreto não obriga a emissão de novo MPF, pois utiliza o verbo "podendo" e não "devendo". A primeira parte do art. 16 do Decreto 3.969/2001, portanto, não deixa dúvidas de que não há nulidade nos atos praticados após a extinção do MPF, sendo que a segunda parte do mesmo dispositivo não obriga que haja emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Portanto, qualquer eventual violação dos dispositivos do Decreto 3.979/2001 em relação ao MPF não gera conseqüências para a relação jurídica fisco x contribuinte ., podendo, a depender do caso e de instauração de processo administrativo disciplinar, ensejar punição administrativa aos envolvidos. Ainda dentro do período de 16/10/2001 a 01/05/2007, devemos considerar se as conseqüências jurídicas de vícios no MPF não são oriundas de outras normas. Nessa toada, de plano, devemos verificar se as normas que regem o contencioso administrativo fiscal tratam do assunto. Admite-se que no período em questão a discussão sobre os créditos tributários relativos a contribuições previdencidrias foi regida pela Portaria 713/1993, publicada em 16/12/1993, ate a edição da Portaria 357/2002, publicada em 18/04/2002, sendo que esta última foi revogada pela Portaria 520/2004, publicada em 20/05/2004 e que vigorou até 01/05/2007. A partir de 02/05/2007, por força dos arts. 25, inciso I c/c o art. 16, §1 0 da Lei 11.457; e do art 1° do Decreto 6.103/2007, todo o contencioso administrativo das contribuições previdenciárias passou a ser regido pelo Decreto 70.235/72. Passemos, então, a analisar a legislação que é hodiemamente considerada como veiculadora das regras do contencioso administrativo das contribuições previdenciárias no período ate 01/05/2007. Na Portaria 713/1993 não encontramos qualquer referência ao MPF, obviamente por se tratar de norma editada antes da criação desse documento administrativo. A Portaria 357/2002, por sua vez, trazia no art. 28 uma previsão de nulidade para o lançamento que não fosse precedido de MPF, in verbis: "Art. 28. Sao nulos: iii - o lançamento com ausência de fundamento legal, erro na identificação do fato gerador, do período ou do sujeito passivo ou não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF." Processo n° 35339.001240/2005-15 82-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.783 Fl. 7 A norma que a substituiu, a Portaria 520/2004, manteve a previsão dessa hipótese de nulidade no art. 31, in verbis: "Art. 31. Sao nulos: III — o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal." Portanto, no período de 18/04/2002 a 01/05/2007 temos norma administrativa que previa a nulidade de lançamento não precedido de MPF. Diante disso, a questão que apresentamos agora 6: poderia uma portaria criar uma hipótese de nulidade para o lançamento? Para responder a tal questionamento é preciso considerarmos o conteúdo do dispositivo contido no art. 146, inciso III, alínea "h" da Constituição Federal que transcrevemos a seguir: "Art. 146. Cabe à lei complementar: III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; • Como se vê, o mesmo dispositivo constitucional que exige lei complementar para tratar das normas gerais sobre prescrição e decadência, também exige idêntico veiculo normativo para tratar de normas gerais sobre lançamento. Em outras palavras, por determinação constitucional, somente a lei complementar pode versar sobre as normas gerais que afetem o lançamento. De imediato, então, podemos afastar a possibilidade de uma Portaria inovar em matéria de nulidade do lançamento. Esclareça-se que, nesse caso, o Regimento deste Conselho não traz qualquer óbice ao afastamento de Portaria por violação de norma constitucional, pois o art. 62 da Portaria MF 256/2009 somente veda o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, sem incluir. outras normas infralegais. Assim, nessa altura podemos registrar nossa divergência com o posicionamento adotado pelo ilustre Conselheiro Júlio Vieira Gomes, Presidente da 1 0 Turma da 3a Câmara, que, ao relatar o Recurso Especial 20.514.1620, considerou a existência das Portarias 357/2002 e 520/2004 para concluir que o lançamento era nulo por não ter existido 13 MPF válido na época da emissão do referido ato administrativo. Insistimos que os dispositivos das portarias ministeriais que trataram de nulidade do lançamento não foram validamente introduzidos no nosso ordenamento jurídico posto que violaram a correspondente norma de estrutura, ou seja, violaram a norma constitucional que exige que a matéria seja introduzida tendo como veiculo a lei complementar. Assim, por não terem sido validamente inseridos no ordenamento jurídico, os dispositivos das Portarias 357/2002 e 520/2004 que previam nulidade do lançamento por ausência de MPF não possuem força normativa e não podem fundamentar decisão válida em processo administrativo fiscal. Afastada a possibilidade de portarias tratarem de nulidades do lançamento, passamos para a investigação de quais seriam as hipóteses de nulidade do lançamento validamente existentes em nosso ordenamento jurídico. Veremos as nulidades do ato administrativo do lançamento, sem abordarmos as nulidades processuais que podem surgir após o inicio do litígio com a apresentação da impugnação. Sabemos que o CTN foi recepcionado como lei materialmente complementar que veicula normas gerais em matéria tributária, tendo tratado do lançamento nos arts. 142 a 150. No entanto, o CTN não traz, explicitamente, qualquer hipótese de nulidade para o lançamento. Apesar de não fazê-lo explicitamente, a interpretação sistemática das normas do CTN nos revela as hipóteses de nulidade do lançamento. Sendo o lançamento atividade privativa da autoridade administrativa, nos termos do art. 142, a doutrina já reconheceu que sua natureza jurídica é de ato administrativo. Sobre o assunto, Paulo de Barros Carvalho esclareceu que: "lançamento é ato jurídico e não procedimento.... Consiste muitas vezes, no resultado de um procedimento, mas com ele não se confunde. 0 procedimento não é da essência do lançamento, que pode consubstanciar ato isolado, independente de qualquer outro. Sendo ato administrativo, por força do CTN — lei materialmente complementar -, o ato administrativo de lançamento tributário traz implicitamente as nulidades próprias dos atos administrativos. Sobre estas, a doutrina foi buscar no art. 2° da Lei da Ação Popular (Lei 4.717/65) seu delineamento. Vejamos a literalidade do referido dispositivo legal: "Art. 2" São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vicio deforma; e) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar-se-do as seguintes normas: I Cf. CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 1996, P. 263-4. Processo n°35339.001240/2005-15 82-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.783 Fl. 8 a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vicio de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis a' existência ou seriedade do ato;" Tomando o conteúdo de tal dispositivo, a doutrina2 identifica os vícios dos atos administrativos como vícios de incompetência ou relativo ao sujeito, de forma, de ilegalidade do objeto, de inexistência de motivos ou motivação e de desvios de finalidade. Segundo o escólio de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, os atos administrativos que possuem tais vícios são atos anuldveis. 3 . Com relação ao MPF, dois vícios têm sido apontados como ensejadores de nulidade: o vicio de competência e o vicio relativo â. forma. Entre os que enxergam na ausência do MPF urn vicio de competência, encontramos a Conselheira Liége Lacroix Thomasi, que, no Acórdão 2301-00.076, de 03 de março de 2009, bem como em diversos outros do mesmo ano, incidentalmente expressou seu entendimento de que o MPF era um requisito formal indispensável para a prática do lançamento, pois representava "a habilitação do agente para o exercício da competência". Também a ex-Auditora-Fiscal, Mary Elbe Queiroz, vê no MPF um instrumento que atribui competência ao Auditor na medida em que afirma que este é o "veiculo normativo legalmente autorizado para estabelecer as regras de competência e investir o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil nos poderes de fiscalizar de modo individualizado determinado contribuinte". 4 Respeitosamente, discordamos da ilustre Conselheira e da ex-Auditora. Já tivemos oportunidade de escrever sobre o assunto e aqui aproveitaremos algumas anotações daquele trabalho. 5 Temos como induvidosa a importância da competência para os atos administrativos a ponto de cristalizar-se o brocardo: defeito nenhum existe tão grande quanto o da competência. 6 Embora tratando competência como sinônimo de capacidade, José Cretella Júnior7 fornece-nos a dimensão da competência para o ato administrativo dizendo que "a falta 2 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 13g ed., São Paulo: Atlas, 2001, P. 219-24. 3 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 2), P. 226. 4 Cf. QUEIROZ, Mary Elbe. 0 Mandado de Procedimento Fiscal. Formalidade essencial, vinculante e obrigatória para o inicio do procedimento fiscal. Revista Fá rum de Direito Tributário. Belo Horizonte, ano 7, n. 37, P. 53-98, jan./fev. 2009, (p. 96). 5 Cf. SILVA, Mauro José. A competência para o lançamento e o Mandado de Procedimento Fiscal. Tributação em revista. n. 37, p. 10-17, jul./set. 2001. 6 Nullus est maior defectus quam defectus potestatis. 5 de capacidade ou incapacidade do agente, quer absoluta, quer relativa, torna o ato ilegal, passível de conseqüências que podem culminar com seu total aniquilinamento". Maria Sylvia Zanella Di Pietro 8 , professora titular de Direito Administrativo da Universidade de São Paulo, ao tratar dos vícios relativos ao sujeito, defende que "visto que a competência vem sempre definida em lei, o que constitui garantia para o administrado, será ilegal o ato praticado por quem não seja detentor das atribuições fixadas na lei. .."9 A autora tratando do elemento sujeito do ato administrativo define-o como "aquele a quem a lei atribui competência para a prática do ato". A ilustre professora das Arcadas, ao afastar a discricionariedade ern relação à competência, reitera a gênese da norma que estatui a competência, insistindo que "a competência para a prática dos atos administrativos é fixada em lei; é inderrogável, seja pela vontade da administração, seja por acordo com terceiros". Em outra obra m , a autora caracteriza a origem na lei como garantia para o administrado no trecho: "Visto que a competência vem sempre definida em lei, o que constitui garantia para o administrado, será ilegal o ato praticado por quem não seja detentor das atribuições fixadas na lei e também quando o sujeito pratica exorbitando de suas atribuições" Amparados nessas seguras lições, já concluímos que "a fixação da gênese normativa da competência na lei encontra respaldo, portanto, da pacifica interpretação da doutrina sobre o instituto, e é autêntica garantia para o administrado". 11 Oportuno lembrar que não podemos confundir competência tributária com competência para o lançamento. Possuir competência tributária — aptidão para criar tributos in abstrato que é conferida constitucionalmente aos entes federativos — não se confunde com competência para o lançamento, pois esta deve ser entendida como a autorização legal para editar a norma individual e concreta veiculada pelo respectivo ato administrativo. Ao dizermos que competência para o lançamento é a autorização legal para editar a norma individual e concreta veiculada pelo respectivo ato administrativo torna-se oportuno retomarmos a doutrina de Maria Sylvia Zanella Di Pietro. A autora, instada, em 2002, a opinar quanto à competência para o ato administrativo do lançamento tributário, considerando o conteúdo do art. 142 do CTN e as leis instituidoras dos tributos, asseverou que: "A primeira obs'ervaçâo a fazer é no sentido de que a competência para a realização dos procedimentos fiscais é privativa dos Auditores-Fiscais nos termos do artigo 8° da Medida Provisória n° 2.17529, já analisada, e da legislação tributária também já mencionada. Como também é de sua competência privativa a constituição, mediante lançamento, do crédito tributário. Sendo sua a competência, por força de lei, não há fundamento legal para a sua limitação por meio de portaria da Secretaria da Receita Federal referindo-se h Portaria SRF 3.007/2001 que primeiro tratou da matéria no âmbito da SRF. 7 Cf. CRETELLA JÚNIOR, Jose. Tratado de direito administrativo, vol. II, Teoria do ato administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 1966, p. 149. 8 Cf DI PIETRO, op. cit., (nota 2), p. 186. 9 Cf DI PIETRO, Op. cit., (nota 2), p. 220. 1 0 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 2), p. 220. 11 Cf. SILVA, op. cit., (nota 5), p. 14. Processo n0 35339.001240/2005-15 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.783 Fl. 9 Certamente não há impedimento a que as autoridades indicadas na portaria emitam o MPF quando tiverem conhecimento de fatos que devam ser objeto de fiscalização ou de diligencia. Mas essa possibilidade não pode limitar ou impedir a iniciativa de cada Auditor-Fiscal para o exercício das atribuições que são inerentes ao seu cargo e cuja omissão pode caracterizar ilícito administrativo, civil e até criminal. Também não há o mínimo fundamento legal para que o exercício de uma atribuição inerente a um cargo público fique dependendo de determinação de autoridade superior. (...) Aliás, contraria o bom-senso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. E evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sObre a vontade da autoridade administrativa. Mencionando, mais uma vez, o conceito de cargo público contido no artigo 3 0 da Lei no. 8.112/90, verifica-se que, por ele, o cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades; sendo criado por lei, conforme parágrafo único do mesmo dispositivo, a lei é que define esse conjunto de atribuições e responsabilidades." 12 Merece destaque o trecho na qual a autora, com energia, afirma que "contraria o bom-senso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. E evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa" 13 . Corn a maestria que lhe é peculiar, autora não deixou de considerar que o parágrafo único do art. 142 do CTN estatui que a "atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional" e concluiu que: "o Auditor-Fiscal tem o dever irrenunciável de exercer todas as atribuições próprias do cargo, por força de lei, não podendo depender, para exercê-las, de decisão de autoridades superiores nem sofrer qualquer tipo de limitação. A omissão no desempenho de suas atribuições caracteriza improbidade administrativa, conforme artigo 11, inciso II, da Lei n' 8.249, de 2.6.92. Além disso, estará cumprindo ordem manifestamente ilegal se for impedido ou limitado no exercício de suas atribuições com base em MPF emitido em desacordo tom a lei." 14 Em conclusão de seu parecer, a autora asseverou que: "A competência para realizar o ato administrativo do lançamento tributário é do Auditor-Fiscal da Receita Federal, em razão de sua investidura no cargo, cujas atribuições são definidas em lei. Essa competência não pode ser condicionada ou limitada por portaria administrativa. 0 Auditor-Fiscal da Receita Federal pode exercer as suas atribuições independentemente da emissão de Mandado de 12 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella; MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Princípios constitucionais da administração pública. Aspectos relativos à competência do Auditor-Fiscal da Receita Federal e sua função de servidor de Estado. Brasilia: Unafisco Sindical, 2002, p. 47-8. 13 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 12), p. 48. 14 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 12), p. 49-50. Procedimento Fiscal ou quando este esteja com prazo de validade vencido, sem que isto caracterize incompetência ou vicio de nulidade que possa ser declarado pelas autoridades incumbidas do julgamento nos processos de contencioso administrativo." (grifei) 0 entendimento acima expresso é corroborado pela sentença proferida em sede de mandado de segurança, pelo juiz Ivan Velasco Nascimento, da 8 a Vara Federal, segundo a qual a norma administrativa que disciplinava o MPF à época, Portaria SRF n° 1.265, de 1999, "6 colidente com outras normas tributárias que ocupam patamares mais elevados", afirmando ainda que: "Não ha dúvida de que a exigência de prévia emissão do MPF-F, para que o auditor possa cumprir o seu dever, ante a constatação da ocorrência de fato típico, é medida de efeito concreto que hostiliza o disposto no artigo 95 da Lei n° 4.502/94 c/c artigo 9° do Decreto-Lei 1.024/69 e cerceia o direito e dever, liquido e certo, do auditor executor da fiscalização". Existem julgados do antigo 2° Conselho de Contribuinte e da Camara Superior de Recursos Fiscais que já consideraram que problemas no MPF não acarretam nulidade no lançamento por vicio de competência. Tratavam de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, mas podem ser aplicáveis ao caso, pois tudo que tratamos aqui sobre as nulidades do ato administrativo do lançamento não dependem de norma especifica aplicável somente as contribuições previclencidrias. Vejamos dois Acórdãos: 202-14693 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF, principalmente, presta-se como uni instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência a relação Fisco- contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente .fiscal nele indicado recebeu do Fisco a il1C11111beliCia para executar aquela ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal, mas, de nada adianta estar habilitado pelo MPF, se não forem lavrados os termos que indiquem o inicio ou o prosseguimento do procedimento fiscal. E, mesmo mediante um MPF, o procedimento de fiscalização apenas estará formalizado após notificação por escrito do sujeito passivo, exarada por servidor competente. 0 MPF sozinho não é suficiente para demarcar o inicio do procedimento .fiscal, o que força o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização; isto importa em que, se ocorrerem problemas com o MPF, não seriam invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculado, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não poderia o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Processo n°35339.001240/2005-15 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.783 Fl. 10 CSRF/02-02.543 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo e em consonância com a legislação vigente. 0 MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. Considerando as lições doutrinárias e a jurisprudência administrativa, bem como respeitando as normas que validamente regem a matéria, expressamos nossa conclusão de que o Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringe-se aos interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente competentes para efetuar o lançamento. I5 Apresentada nossa posição em relação à ausência de causa para nulidade do lançamento por vicio de competência nos casos lançamento não precedidos de MPF ou que foram precedidos de MPF com algum vicio de emissão ou prorrogação, passamos a enfrentar a segunda possibilidade de causa para nulidade do ato administrativo de lançamento: vicio de forma ou vicio por ausência de formalidades essenciais. Entre os que defendem a existência de vicio de forma encontramos o ilustre Conselheiro dessa Turma, Leonardo Henrique Pires Lopes, que Se manifestou nesse sentido no voto que proferiu na ocasião do julgamentó do recurso 268.580. 0 Conselheiro concluiu que "o MPF é elemento imprescindível (formalidade essencial) a validade do ato. de fisCalizaçã o, que precede a constituição do crédito tributário". No mesmo sentido, a ex-Auditora Mary Elbe entendeu que o MPF "adquiriu status de um instrumento e uma formalidade essencial, indispensável para que o lançamento, como produto final do procedimento fiscal, seja executado e considerado válido". No raciocínio de ambos os juristas encontramos duas premissas: o veiculo normativo que institui o MPF seria apto a instituir uma formalidade essencial para o lançamento e os procedimentos de fiscalização são imprescindíveis para o ato administrativo do lançamento. • Veremos que ambas as premissas podem ser afastadas. Já dissemos que a Constituição Federal, no art. 146, inciso III, alínea "b", exige que as normas gerais sobre o lançamento sejam estabelecidas em Lei Complementar, sendo que os arts. 142 a 150 do cerN exercem tal função. Especialmente no art. 142 não encontramos a exigência de uma formalidade essencial que pudesse ser equiparada ao MPF. 15 Cf. SILVA, op. cit., (nota 5), p. 17. Ou seja, não há previsão no CTN para a existência de uma formalidade essencial para o lançamento similar ao MPF. Considerando que o MPF foi instituído por Decreto, fácil concluir que seu "status" de formalidade essencial — se é que existe - foi-lhe concedido por norma infra legal que não estava autorizada para tanto pelo texto constitucional. Quanto ao lançamento ser, necessariamente, precedido por procedimento inquisitorial investigatório, Paulo de Barros Carvalho já foi categórico em assentar que "o procedimento não é da essência do lançamento, que pode consubstanciar ato isolado, independente de qualquer outro. "16 Além de tal lição doutrinária, podemos observar que inúmeros lançamentos são realizados sem que qualquer procedimento investigatório seja realizado em situações nas quais a autoridade lançadora dispõe de todos os elementos para, em estrita obediência aos ditames do art., 142 do CTN, "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível". No campo da lógica simples já podemos descaracterizar a natureza de formalidade essencial do MPF, pois o que é essencial não se dispensa, existe em todos os casos, está sempre presente, o que não constitui a realidade do MPF. E a realidade dos fatos está fundada em norma infra legal, pois, a Portaria MPS/SRP N°3.031/2005, publicada em 22/12/2005, dispensou a emissão de MPF em várias situações, in verbis: "Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I - relativo à análise interna e regularização de divergências entre GFIP e GPS, objeto de cobrança automática pelos sistemas informatizados da Previdência Social, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação; II - destinado, exclusivamente, a aplicação de multa por não atendimento it intimação efetuada por AFPS em procedimento de diligência, realizado mediante a utilização de MPF-D ou MPF- Ex." Ainda que fosse admitido o status de formalidade essencial ao MPF, esta seria uma exigência para o procedimento inquisitorial de investigação e não para o ato administrativo do lançamento que pode, como vimos, prescindir de um prévio trabalho investigativo. Assim, concluímos que o Mandado de Procedimento Fiscal diz respeito ao procedimento inquisitorial de investigação fiscal e não ao ato administrativo do lançamento em si, lido possuindo, outrossim, status de formalidade essencial capaz de causar nulidade por vicio formal no referido ato administrativo. Por fim, há aqueles, como a ex-Auditor-Fiscal, Mary Elbe, 17 que entendem que o MPF é um instrumento garantidor do contraditório e da ampla defesa, ou mesmo outros, como o Conselheiro Leonardo no voto do recurso 268.580, que entendem a existência do MPF como corolário da segurança jurídica. Como é cediço não podemos falar em contraditório e ampla defesa na fase que antecede a conclusão do lançamento, pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora 16 CARVALHO, op. cit., (nota 1), p. 263-4. 17 Cf. QUEIROZ, op. cit., (nota ), p. 62. Processo n°35339.001240/2005-15 82-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.783 Fl. 11 têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois concluído o lançamento e instalado o litígio administrativo com a apresentação da impugnação é que se pode falar em obediência aos ditames do principio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS- NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO-A fase de investigação e formalização da exigência, que antecede a. fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do principio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu. (Acórdão 101-93425) Quanto a segurança jurídica, Leandro Paulsen 18 conclui que são cinco os seus possíveis conteúdos: (i) certeza do direito; (ii) intangibilidade das posições jurídicas; (iii) estabilidade das situações juridicas;(iv) confiança no tráfego jurídico; e (v) tutela jurisdicional. Considerando que o conteúdo de certeza do direito diz respeito ao conhecimento do direito vigente e aplicável aos casos, de modo que as pessoas possam orientar suas condutas conforme os efeitos jurídicos estabelecidos, buscando determinado resultado juridic() ou evitando conseqüência indesejada, podemos admitir sua relação com a existência do MPF. No entanto, todas as normas a serem consideradas na aplicação da segurança jurídica devem ter sido validamente inseridas no ordenamento jurídico e estarem em plena vigência. Nesse sentido, Ricardo Lobo Torres, 19 citando Tipke, afirma que a segurança jurídica é a segurança da regra. Assim, tendo sido demonstrado que não ha qualquer regra validamente inserida no ordenamento jurídico que atribua o efeito de nulidade aos eventuais vícios relacionados ao MPF, não ha qualquer violação à segurança jurídica a conclusão de que vícios quanto ao instrumento administrativo não geram efeitos na relação fisco x contribuinte. Por oportuno, não podíamos concluir nossa manifestação sem enfrentar a questão de que a existência do MPF pode contribuir para diminuir os eventuais desvios de conduta das autoridades fiscais e o aparecimento de golpistas particulares que atuariam como falsos Auditores-Fiscais. A eventual função de auxilio ao combate a tais ilícitos que o MPF pode exercer não legitima, de per si e em afronta ao direito positivo, a consideração de que ocorreria nulidade quando da existência de quaisquer vícios quanto a tal instrumento de controle administrativo. Em apoio a nossa posição, tomamos, mais uma vez, as seguras lições da administrativista Maria Sylvia Zanella Di Pietro sobre o assunto. Afirmou a professora em parecer no qual considerou os efeitos da existência do MPF: 18 Cf. PAULSEN, Leandro. Segurança jurídica, certeza do direito e tributação: a concretização da certeza quanto à instituição de tributos através das garantias da legalidade, da irretroatividade e da anterioridade. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2006, p. 165. 19 Cf. TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. II; Valores princípios constitucionais tributários. Rio de Janeiro: Renovar, 2005, P. 173. A - Redator designado "Os desvios de conduta, sempre possíveis de ocorrer, pela omissão no exercício das atribuições próprias do cargo, devem ser objeto de apuração e aplicação das sanções cabíveis. Não podem, contudo, levar a adoção ou imposição de medidas normativas contrárias A lei(. 20 Por todo o exposto, concluímos que a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto A relação jurídica fisco x contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas, insistimos, sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte. Sala das Sessões, em 2 de dezembro de 2010 20 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 12), P. 50. 22
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Numero do processo: 10580.007908/90-62
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 1993
Ementa: PIS/FATURAMENTO - Sentenças sujeitas ao duplo grau de jurisdição somente produzirão seus efeitos após confirmados pelo Tribunal. Valores informados na DCTF não significam valores efetivamente recolhidos. Incabível a exclusão da base de cálculo de valores nela não incluídos. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-05697
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges
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SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 10580-007.900/90-62 Sessão de 27 de abril de 1993 ACORDM Np 202-05,692 Recurso no 2 ae.049 Recorrente FAZENDAS REUNIDAS SANTA MARIA LTDA- Recorrida DRE EM SALVADOR - PA PIS/EATURAMENTO -- Sentenças sujeitas ao duplo grau de jurisdiOko somente produzira° seus efeitos após continGmlas pelo Tribunal. Valorns informados na DUM FCSo sicinificam valores 'efetivamente recolhidos. Incablvel a exclusao da base dn calcule de valores nela vi ao incluidos, Recurso negado, Vistos, relatados e discutidos es presentes autes de recurso interposto por FAZENDAS REUNIDAS SANTA MARIA LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segunda Conselho de Contrlbuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso- Ausente o Conselheiro dOSE ANTONIO ()ROCHA DA CUNHA. Sala das Sessffes, em 27/a abril de 1993, . e, if , HELVIO ESE.VF O DARGE_LOS - Presidente e . "' 21.n Nb AÇ ‘ lei. , me ( TARASIO l 'E'.L R - Relatar Ai) 418Wela :JOSE AM.O. DE TALMEJDA F.E.MOS - Precurador-Repre- lir sentante da Fa- zenda Mack:miai. VISTA EM SESSRU DE 09 jul 199j p a ram „ :1 r7 d a „ de preSefl te :i t.t I. g itIfIlerl 't C) , OS COBIME 1 hei r os ELIO ROTHE, TERESA CRISTINA GONÇALVES PANTOJA, nitromo CARLOS SOEMO RIBEIRO, osvnLoo TANCREDO DE OLIVEIRA e :JOSE CAERAL GARGEANO. OPR/mdm/AC/MO 1 it tp. , . . 1U:gb?rá MINISItRIO DA ECONOMIA, EMENDA E PLANEJAMENTO . " A.~ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no n 10.580-007n908/90-62 Recurso noz 88.0149 Achr~ no2 202-05.697 Recorrente : FAZENDAS REUNIDAS SANTA MARIA LTDA. RELATORI O Por bem descrever os fatos em exame no presente processo, adoto e transcrevo " a seguir, o relatório que coma a dec162Co recorrida de lis. 104/114n Cl" Auto de Infra 0o e SeUS anexos de fls. 02/07„ formalizam a exinencia do crédito tributário da ordem de 15.441,67 DINF, em novembro de 1990, decorrente de intracab à legislaçgo tributaria do vís„ nos períodos de apurarão de julho de 1988 6 abril de 1990. Atente-se que os perledes de 03/89, 08/89, 09/89 e 10/89 tiveram valer apurado inferior ao recolhido (11s. 05 e 06). C enquadramento legal dá-se pelos artigos lo, V e parágràfosR 2g inciso I e parágrafo Unice, "a" do Decreto-lei rir,, 2115. de 29.06.88, republicado PM 22.07.88, umn as alteracUes do Decreto-lei ir,. 2449/88. Item T da Resolucao nr. 01 do Conselho Diretor de Fundo de Participaflo • PIS/PASETH de 29.07.88. Artigo 11 da Lei nr. 76890 de 15.12.88. A% fls. 39 a in te' essada solicita a nrorrogaçgo do prazo para a impugnacao, com base II o art. 62 do Decreto nr. 70.235, tendo sido concedida pela autoridade administrativa. Em 02.01.91 " portanto, tempestivamente, a requerente exprie suas razaos de defesa as quais II asse-se a relatar2 2.1/2-5 - O recolhimento do FÁS está sendo procedido com base nas receitas oriundas dm atividade operacional da impunnante consubstanciada no Processo Judicial. Tributário de AO° Deciaratória na justiça Federal 6a Vara " onde prE tende a empresa seja declarada a inumtstftucionalidado das alteraçaes introduzidas pelo DL. 2415/88, com a redagão dada pelo DL. 2449788, no que concerne A base de cálculo e prazo de recolhimento da contribuiç:Áo do PIS, StiliC 2. '11‘1 , t„,, Mn& MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO '1~,Y,CAhM SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 10.580-007.908/90-62 Acordar) no 202-05.697 .. 2.6 - Flá divergOncias entre os valores da DCTF e os balancetes mensais, ama vez que os valoi-os informados nas DCTF sac.) referentes as receitas corcespolaaantes a seis WWàQ15 anteriores e postericm-rmante a trOs meses anteriores, figo tendo a fica:mlizaçãe atentado para tal. 2.7 - C.) preenchimento das DCTF foram procedidas com IncorreOes, face a interpreta0o indevida dos formulários. No entanto, essas divergencias ao longo de um perlado sao comper~las, fato também nan observado pelo fisc,f). 2-6 - A base de calculo utilizada polo fisco fica prejudicada face a lapsos no sistema contábil da empresa, nos exorelciffs cie 1938 e 1939 1 onde alguns eSternIt contábeis foram considerados como :1 1. na nibrica de receita --- varaçac de faixa etária. A empresa ajustou as DCTF, entretanto, o autuante Vai') regularizou os valores extraidos dos balancetes mensais. 2.9 - A interessada fez recolhimentos e1;pont2neos, já que 'indevidamente procedeu recolhimentos desse tributo (Cód, 8109) utilizando indevidamente o Código MOS 5, rao sendo levado em consideraçao pelo autuante. 2.10 - Ho preench~lto das DCTF a impugnante considerou o regime de competencia mensal, entretanto, face a problema% de atraso normal na escriluraçtio contAbil, o registro da. receita era feito posteriormente, assim sendo, existe a inclusa° indevida na contabilidade de receita anterior a 30.06.6S, contempladas nos meses de julho e agosto de 1988. 2.11/2.1A - A base de cálculo do aute nao contempla os estornos normais, relattva aos meses de 12/98 (Cr$ 51.962.450) e 12/69 (Cr+ 11.069.316). Conforme balancetes mensais, nesses meses as contas de receita apresentam debitos, nac sendo procedida a exolusao no mfls de origem da receita. Alega que a alta inflacionária dos anos de 1986 e 1969, prejudica mais ainda a base de cálcmio utilizada pelo fisco, sendo necessário o expurgo dos estorans daqueles meses afim de- reflet:ir. o encargo tributario correto do PIS. \\/. 3 1.161. S. -Sr.* MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO . Vy:..,: ":s4W 41;;:—C:4 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRMINTES Processo no 10.500-007.90B/90-62 AcórOMD no 202-05.697 Apresenta d.m~itrativo perceiitual. para confirmar as RR7MPS descritasu Receita total Valor- de estorno 2 da diferença Anos auto nao expurgado no auto 19es 399.963.229,00 51.962.450,00 13 1989 11.401.525,00 11.009.316,00 97 2.15/2.17 -- A interessada pleiteia a compensaçao dos valores recolhidos a maior que o devido, no montante de 2.809,99 Fingi: , fato demonstrado pelo auditor no auto de intr.:Aça°, fls. 05 e 06. do presente processo, 2.10 - n autuada Alega que o fisco apurou uma receita do Cr$ 399.963.229, no período de :julho a dezembro de 1900, tomando por base o% balancetes mensais distorcidos no que diz respeito ao regime de compc$UNIcia mensal, enquanto que a receita Anual para esse mesmo ano foi de Cz$ 425.359.708, Tal cl istorça° ó corroborada mzlo fato de que a cencentraçan de receita nessa atividade da empreda ocorre no primeiro semestre do ann. Encerrando As razUes reivindicatorias A requerente divaga sobre a estranheza da interrupa da RO-0 fiscal, retomada no ano seguinte, sendo que foi cAentificada de auto de infraOn em novembro de 1990, após ter R empresa sofrido um incendi° que destruiu suas instalaçffes e documenta0es cont6beis fiscais. Mesmo RSSiffH recorre aos meios de provas disponiveis, solicitando a realizaçao de diligencia -face as disc.ordAncias 1A expostas. As fls. 81. depara-se com a informaçao do • torfiscal tendo em vista e Termo de Intimaçao e solicitaçao de Documentos, fls. 02, e o Termn de . . Encerramento de Diligencia, fls. 83. V: 4 4 63 -It'g MINISTERIODAMMO~,WENDAEP"AMENTO çi~ *11TON SEGUNDOCONSEIMODECONTRMUNTES Processo no 10.500-007.908/90-62 AcórdJo no 202-05.697 A informaçWm figcJa de fls. 86/37 tece ms seguintes consíderaçQesg Para o pedido de diligencia foa realizado relz~o, fls. 81/85, com o tite de esclarecer nue a empresa deixou d p fornecer. a relac0:e dos documentos preservados do sinistinz„ . tornando-se nnpraticAvel a verifica das a1ega0es da mesma. Quanto aos fundamentos da impugnaçãO rossalta que aos tópicos 2.1 à 2.5 rao cabe dismus.sãn no r1mbito administrativo. Alega que a contribuinte confm~„ nos itens 2.ó e 2.7 periodo dp mpuraçao com data de vencimento, para efeito de preenchimento da DCTE. jà para o item 2.8 a empresa nab demonstra os ajustes precedidos das DOTE, sendo que no 2.9 a autuada confunde-se mais uma vez ao entender como recolhimento es valoros constantes das DC119 da empresa. Quanto ao tópico 2.10. repete-se a arqumentaço dos itens 2-6 A 2.8, conli irdruRrufl-se a posiOro do AFTN. N05 itens 2-11 à 2.1z1 a autuada cria demonstrativos percentuais para supostos estornes que na realidade espelham os lançamentos de transfergncia para o reçultado do exercício, no encerrameçito das contas de receita. Em 2.15 A 2.12 a compensaçãb pleiteada dos valores declarados ou recolhidos a maior, só pode ser analisada pela Divis',10 de Arrecadacao. após a confirmacWo dos valores efetivamente recolhidos e a imputa01"o proporcional dos mesmos. A empresa alega no item. 2.18 sua própria incapacidade para efetuar 05 registros. cont~s de forma correta. Finalizando, argumenta que o incOndio de causa ainda desconhecida [Cão surpreendeu o trabalho de auditoria fisca:t. já que havia sino concluído, esperando apenas o retorno normal da empresa para cientificá-la da autuagglo." r‘. 5 ii6té MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processe no 10.500-007.908/90-62 Acárflo no 202-05.697 tencle n Kin a requeri:nen çlil ti e 1. tO pas c 1/4:: vil„ foi realizada diligencia fiscal, cujo tir J. encontra-se As fls. 21/05 (sem que tenha sido apresentado qualquer documento referente ao PIS-1 : ATURAMEW0), concluindo que: "1 - Mão foi comprovada a existAncia de negócios de mntuo entre as empresas catadas na autuaçãO nas períodos-base questionadosi 2 - A empresa não empreendeu qualquer esforço para elaborar demenstrativos com base em extratos bancários das empresas de forma a comprovar as alegaçCes constantes da impugnação!: 3 - O pedido de dilagAncra fiscal teve intuito meramente procrastinadar." A Autoridade Julgadorã de Prg meira Inntãnci6 julgou procedente a ação fiscal, com a seguinte ementa: CIONTRIBUIÇA0 FIS/RE2ETTA OPERACIONAL. OMITA. Estão sujeitas a duplo grau de jurisdição, não produríndo efeito senão depois de confirmadas pelo Tribunal !, as sentonçan proferidas contra a União- A a eg ção Cie r. f150 no si - LOMR cor: 'td b :1.1 c: a empresa deve ier" corroborada COM documentos hábeis, - Os valores constantes das D.C.T.F não podem ser' entendidos COMO recolhimento etetabo do PTB. AÇATI FISCAL. PROCEMENAE." Ir-resignada, a FX:máirrvírflii interneis recurso tempestivo (fis„ 121/121)„ alegando c, requerondo, em sintese: a:: a (empresa obteve, do MM, Cr, juiz da óà Vara Federai de Salvador, o reconhecimento da inconstitueiOnalidade dos Decretos-Leis 2445 e: 2449, nos quais se ampara a cobrança em questão, cuja inviabilidade torna-se patente pela ausAncia de fundamentação Jurídica!: letç_ _ -114,-2J.- 4E. L MINISTÉRIO DA ECONOMIA. FAZENDA E PLANEJAMENTO Opes4M: LRa=?SA .~. SEWNDOCONSEIMODECONTMOUNTEs Processo no 10. 580-007.908/90-62 Acórdao no 202-05.697 b) ê inquestionAvel o rocol~cimento de uma litispendOnciap sendo necessàrio o sobrestamento deste ao preCesso tudicial para evitar duplickbmle de decisZesg sc) a uplicn C satep Com base na de cl daraa tnconstítucionalidado dos DL. 2445 e 2449 " continuou a aplicar a legisia0o anterior, quanto à base de :;/ li. e prazo de recolhimento; d) considerando que na DelT . a base de cAlculo ê referente ao terreiro MÊS anterior ao pagamentop e a Recorrente adotou o faturamento do 6o mes arteriorp necessariamente exiute uma diferença de valorea entre ci% doiu lançamrrnixns, que deve ser deduzido do montante objeto da autuapto; e) no encerramento do balanço a suplicante promove a correcM, de valor do seu rebanho em rargo da varia 00 de idade" que se larn;:a sob a rubrica de corte0c da taíxa etória„ valorizando seu estoque Fe afetando indiretamente a reLeita, que fui utilizada pelo autuante como base de câleulo do FM; 1) requer seia dectetada a improced0ocda do auto eu o sobrestamento da DEC:it532W ate o final do processe judicial. . E o relatório. 7 466 MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 6;r1IL,L, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo na 10.580-007.908/90-62 cá rid gfo no 202-05.697 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR TARASIO CAMPELO BORGES 11 1"P CU 1"SO t(,) tem peis :t ivo e dele con neço P e 11 nina rmen te is co rd o da Re c:o r ren to g uan '1.o aos cio i. is mo -I: i. vos béi cos p resen tad os 1:ia ra Vi lro previr...10 cer a ti e c j. s:XcL CO r : ri da „ 'Len do cru vi is ta a is en Lic•m rad eit a a cl Api. O cJ rau cl e 111 ri. Sei J. Lz'ao ( Art., 475 do Cod go de Prot:G15-50 01 v ) I , prote ri. da pelo 1111„ Dr . Juj, z da 6„1. 1(a r a Ferie ruLl de Ba vad o r . „ recon hecon d o a j. cons 1 :Luci ni,Ci. idade dos DL.. 2445 e 2449 „ ainda riVo apre c: acl a pc 1. otri, Juin O próprio artigo 475 do LiPC • diz que as sen -Len ças el tas ao (1 IA F110 g ra1.1 de ihriscIL. VO somen te prod L(Z i raro SEM.( 5 c. te 1t 13'5 a pois co ri ti r na cl as pelo t burlai ., 32Ko est as as 1-az Cces pelas g Ld. s 1 Xo acato a de preci ins'ars e/au 1 1 til:kl:KmJ:10n c:ia ir vocad a pela Re c:o rr te .. No mo ri te,„ Re iro r- ren to piei teii. a a ciec:itt r,:go de va lores nexisten tos „ primeiro o rci Lie valores int' orimados na DCIF nLi(c) is i g n c:arn valores ete t ivamen te re col. hid OS aos cof resi> g OS c: os 5 (.0 se qundo po rg t.te no preen c.h melte do Valor d ont r r;LXci na PC r 5 nd terem te se o co irLr i va i et intua r o re c:o].h 1 men to n o terceiro 011 nu se x tc rilOs sll bseg deo te,. Ch.tan to ao eis tol-nu ia base ri e crA :1. cu 1. o ui o PI EL-- FATUIXtallENTO dos vai ores ret(2 ren te,. à cor res;: nit:) de vai o r cF SP1.1 re bar] 110 ra d va :i. x:',Xo „ lan rui cas cl o r r. e ç:2(o J n•,‘ ta x e lá r télis valo res cens -Iam do a n çamen to cl e et 1 c :I o ,, con 1' o rine cl et] Ltz -se pelo eX ame dos ha I, sm c:e te s de fls. 1.3 e 24 e do cl rinnon stra t á. VD de a puraLL-L,Vo clo p 8-PrAILIRAIIENTO d li. 05/06., Ra z Cies pelas gu a is , PROIV MENIT CL ao recurso ., iJas Sessak , em 27 de abril do J. TARASIO CA PELO BORGES •
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000327/2001-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercícios: 1999, 2000
FISCALIZAÇÃO DO IMPOSTO. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO.
Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°, § 2°, e Lei n° 3.470, de 1958, art. 34). Desta forma, a revisão do lançamento em reexame de exercício já fiscalizado, se presente à autorização prevista no artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, firmada por autoridade competente, não acarreta a nulidade do auto de infração.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECURSOS DESVIADOS DE ÓRGÃO PÚBLICO. VALORES AUFERIDOS EM ATIVIDADE ILÍCITA. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA DE RENDA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Os rendimentos omitidos na Declaração de Ajuste Anual detectados em procedimento de ofício serão adicionados, para efeito do cálculo do imposto de renda devido, quando for o caso, à base de cálculo declarada independentemente de ter origem em atividade lícita ou ilícita, já que a teor do artigo 118 do Código Tributário Nacional a definição legal do fato gerador é interpretada com abstração da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, os recursos desviados de órgão público pelo autuado devem ser tributados como rendimentos omitidos, uma vez que caracterizam aquisição de disponibilidade econômica de renda.
DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO. CONDENAÇÃO EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. RESSARCIMENTO DO VALOR CORRESPONDENTE AO DANO PROVOCADO AO ERÁRIO. COMPENSAÇÃO DO VALOR DO RESSARCIMENTO NO VALOR TOMADO COMO BASE DE CÁLCULO PARA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO.
Incabível a compensação na base de cálculo de incidência do imposto de renda, tomada pela autoridade fiscal lançadora em procedimento de ofício, do valor correspondente ao ressarcimento a ser efetuado por contribuinte condenado em ação civil pública, por enriquecimento ilícito no exercício da função. A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso – antes de ser corolário do princípio da moralidade – constitui violação do princípio de isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética (STF: HC 77.530/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJU de 18/09/1998). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. JUSTIFICATIVA DE ORIGEM.
A interpretação harmônica da Lei n.º 9.430, de 1996 com a Lei n.º 8.023, de 1990, que regula a atividade rural, induz ao entendimento de que a receita bruta da atividade se presta como origem para justificar os depósitos bancários, independentemente de coincidência de data e valores. Assim, é de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores relativos à receita bruta da atividade rural constante na Declaração de Ajuste Anual, espontaneamente apresentada.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECURSOS DESVIADOS DE ÓRGÃO PÚBLICO. UTILIZAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA EM NOME DE TERCEIRO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA.
Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, autorizando a qualificação da multa de ofício, a prática reiterada do artifício doloso utilizado pelo contribuinte em agir, através da movimentação de recursos financeiros, em conta bancária em nome de terceiro (interposta pessoa) para gerir os recursos obtidos de forma irregular dos cofres do município, do qual o autuado era Secretário de Finanças, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrair-se à obrigação de comprovar o recolhimento do imposto de renda decorrente da efetivação destas operações. O registro da conta bancária em nome de terceiro em Declaração de Ajuste Anual retificadora do autuado, apresentada depois de iniciado procedimento investigatório do Ministério Público, não tem o condão de afastar a qualificação da multa de ofício.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Preliminar rejeitada.
Numero da decisão: 2202-000.970
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o item 02 do Auto de Infração (depósitos bancários). Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Antônio Lopo Martinez, que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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Os rendimentos omitidos na Declaração de Ajuste Anual detectados em procedimento de ofício serão adicionados, para efeito do cálculo do imposto de renda devido, quando for o caso, à base de cálculo declarada independentemente de ter origem em atividade lícita ou ilícita, já que a teor do artigo 118 do Código Tributário Nacional a definição legal do fato gerador é interpretada com abstração da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, os recursos desviados de órgão público pelo autuado devem ser tributados como rendimentos omitidos, uma vez que caracterizam aquisição de disponibilidade econômica de renda. DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO. CONDENAÇÃO EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. RESSARCIMENTO DO VALOR CORRESPONDENTE AO DANO PROVOCADO AO ERÁRIO. COMPENSAÇÃO DO VALOR DO RESSARCIMENTO NO VALOR TOMADO COMO BASE DE CÁLCULO PARA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Incabível a compensação na base de cálculo de incidência do imposto de renda, tomada pela autoridade fiscal lançadora em procedimento de ofício, do valor correspondente ao ressarcimento a ser efetuado por contribuinte condenado em ação civil pública, por enriquecimento ilícito no exercício da função. A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso – antes de ser corolário do princípio da moralidade – constitui violação do princípio de isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética (STF: HC 77.530/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJU de 18/09/1998). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. JUSTIFICATIVA DE ORIGEM. A interpretação harmônica da Lei n.º 9.430, de 1996 com a Lei n.º 8.023, de 1990, que regula a atividade rural, induz ao entendimento de que a receita bruta da atividade se presta como origem para justificar os depósitos bancários, independentemente de coincidência de data e valores. Assim, é de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores relativos à receita bruta da atividade rural constante na Declaração de Ajuste Anual, espontaneamente apresentada. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECURSOS DESVIADOS DE ÓRGÃO PÚBLICO. UTILIZAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA EM NOME DE TERCEIRO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, autorizando a qualificação da multa de ofício, a prática reiterada do artifício doloso utilizado pelo contribuinte em agir, através da movimentação de recursos financeiros, em conta bancária em nome de terceiro (interposta pessoa) para gerir os recursos obtidos de forma irregular dos cofres do município, do qual o autuado era Secretário de Finanças, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrair-se à obrigação de comprovar o recolhimento do imposto de renda decorrente da efetivação destas operações. O registro da conta bancária em nome de terceiro em Declaração de Ajuste Anual retificadora do autuado, apresentada depois de iniciado procedimento investigatório do Ministério Público, não tem o condão de afastar a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminar rejeitada.
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REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°, § 2°, e Lei n° 3.470, de 1958, art. 34). Desta forma, a revisão do lançamento em reexame de exercício já fiscalizado, se presente à autorização prevista no artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, firmada por autoridade competente, não acarreta a nulidade do auto de infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECURSOS DESVIADOS DE ÓRGÃO PÚBLICO. VALORES AUFERIDOS EM ATIVIDADE ILÍCITA. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA DE RENDA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Os rendimentos omitidos na Declaração de Ajuste Anual detectados em procedimento de ofício serão adicionados, para efeito do cálculo do imposto de renda devido, quando for o caso, à base de cálculo declarada independentemente de ter origem em atividade lícita ou ilícita, já que a teor do artigo 118 do Código Tributário Nacional a definição legal do fato gerador é interpretada com abstração da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, os recursos desviados de órgão público pelo autuado devem ser tributados como rendimentos omitidos, uma vez que caracterizam aquisição de disponibilidade econômica de renda. DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO. CONDENAÇÃO EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. RESSARCIMENTO DO VALOR CORRESPONDENTE AO DANO PROVOCADO AO ERÁRIO. COMPENSAÇÃO DO VALOR DO Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 2 RESSARCIMENTO NO VALOR TOMADO COMO BASE DE CÁLCULO PARA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Incabível a compensação na base de cálculo de incidência do imposto de renda, tomada pela autoridade fiscal lançadora em procedimento de ofício, do valor correspondente ao ressarcimento a ser efetuado por contribuinte condenado em ação civil pública, por enriquecimento ilícito no exercício da função. A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso – antes de ser corolário do princípio da moralidade – constitui violação do princípio de isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética (STF: HC 77.530/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJU de 18/09/1998). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. JUSTIFICATIVA DE ORIGEM. A interpretação harmônica da Lei n.º 9.430, de 1996 com a Lei n.º 8.023, de 1990, que regula a atividade rural, induz ao entendimento de que a receita bruta da atividade se presta como origem para justificar os depósitos bancários, independentemente de coincidência de data e valores. Assim, é de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores relativos à receita bruta da atividade rural constante na Declaração de Ajuste Anual, espontaneamente apresentada. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECURSOS DESVIADOS DE ÓRGÃO PÚBLICO. UTILIZAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA EM NOME DE TERCEIRO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, autorizando a qualificação da multa de ofício, a prática reiterada do artifício doloso utilizado pelo contribuinte em agir, através da movimentação de recursos financeiros, em conta bancária em nome de terceiro (interposta pessoa) para gerir os recursos obtidos de forma irregular dos cofres do município, do qual o autuado era Secretário de Finanças, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrairse à obrigação de comprovar o recolhimento do imposto de renda decorrente da efetivação destas operações. O registro da conta bancária em nome de terceiro em Declaração de Ajuste Anual retificadora do autuado, apresentada depois de iniciado procedimento investigatório do Ministério Público, não tem o condão de afastar a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 2 3 A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminar rejeitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o item 02 do Auto de Infração (depósitos bancários). Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Antônio Lopo Martinez, que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Júnior, Antônio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 4 Relatório LUIS ANTONIO PAOLICCHI, CPF/MF 239.274.96987, com domicílio fiscal na cidade de Maringá, Estado do Paraná, à Rua Neo Alves Martins, 3.176, sala 94 Bairro Centro, jurisdicionado a DRF em Maringá PR, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 162/176, prolatada pela DRJ em Foz do Iguaçu PR, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 181/202. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 23/02/2001, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física de fls. 67/78, com ciência em 23/02/2001, exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.028.646,01 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício qualificada de 150% (conta bancária em nome de terceiro) e multa de lançamento normal de 75% (conta bancária em nome do autuado), e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 1999 e 2000, correspondentes, respectivamente, aos anos calendários de 1998 e 1999. Da ação fiscal resultou a constatação das seguintes irregularidades: 1 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS: Omissão de rendimentos caracterizada pelo depósito de recursos em conta bancária de titularidade de terceiro, oriundos de saques efetuados em conta bancárias de titularidade da Prefeitura Municipal de Maringá, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal. Infração capitulada nos artigos 1º ao 3º e parágrafos, da Lei n.º 7.713, de 1988; artigos 1º ao 3º, da Lei n.º 8.134, de 1990 e artigo 21, da Lei n.º 9.532, de 1997. 2 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS: Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, não foram comprovados mediante documentação hábil e idônea, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal. Infração capitulada no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1995 e artigo 21, da Lei n.º 9.532, de 1997. Os Auditores Fiscais autuantes, esclarecem, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 68/73, entre outros, os seguintes aspectos: que neste trabalho de auditoria fiscal foram utilizadas, unicamente, as informações sobre a movimentação financeira de uma conta bancária (n° 886009, do Banco do Brasil, agência 03522), em nome de terceiro, utilizada pelo fiscalizado para seu uso, fato que, em tese, configura Crime de Sonegação capitulado no artigo 71, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964, e Crimes Contra a Ordem Tributária enquadrados nos art. 1°, inciso I, e art. 2°, inciso I, da Lei n° 8.137, de 1990; que o início desta ação fiscal se deu quando da remessa pelo judiciário, a pedido do Ministério Público Federal, de ofício dirigido ao Delegado da Receita Federal em Maringá, em 07/06/2000, encaminhando extratos bancários do Banco do Brasil S/A, em nome de Waldemir Ronaldo Corrêa, referente ao período de dezembro/1998 a abril/1999, para serem utilizados por esta Delegacia da Receita Federal. Tais documentos foram extraídos dos autos de Procedimentos Criminal Diverso n° 2000.70.03.0022826. Posteriormente, em 17/10/00, o MM Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 3 5 Juiz Federal da Vara Criminal de Maringá encaminha cópia do Anexo I, do Procedimento MPF/PRM/MGA n° 1.25.006.000139/200087, que instruem os Autos de Ação Penal n° 2000.03.0053203, para serem utilizados nos trabalhos de auditoria fiscal (fls. 055, e Anexo I – fls. 001/337); que na verdade apurouse que a referida conta bancária era utilizada pela pessoa física de Luis Antônio Paolicchi, Secretário da Fazenda do Município de Maringá; que de posse dos autos verificamos ainda que, de acordo com o parecer do Ministério Público Federal, a Justiça Federal determinou a quebra do Sigilo Bancário das pessoas acima referidas, para fins de auditoria fiscal; que de posse dos extratos bancários a primeira providência tomada foi confirmar a verdadeira propriedade dos recursos movimentados nas referidas contas. Intimado a se pronunciar sobre a origem dos recursos depositados em sua conta, em duas oportunidades, o Sr. Waldemir Ronaldo Correa alegou que era funcionário do Sr. Luis Antônio Paolicchi, exercendo a função de gerente financeiro e que a quase totalidade dos recursos movimentados eram de propriedade do Sr. Luis Antônio Paolicchi; que intimado, na pessoa de seu procurador, a informar se a conta bancária de titularidade do Sr. Waldemir era utilizada para movimentar recursos de sua propriedade, o Sr. Luis Antônio Paolicchi responde afirmativamente, alegando, ainda, que a referida conta foi declarada à SRF (fls. 056 a 060); que realmente, na Declaração de Rendimentos do anocalendário de 1999, podese observar que foi relacionada uma conta bancária, do Banco do Brasil S/A, em nome do Sr. Waldemir e que seria movimentada pelo fiscalizado, constando pequeno saldo; que apesar de constar de sua declaração de rendimentos (só no ano calendário de 1999), isto não é suficiente para afastar a tributação dos recursos depositados na mesma, pois que não foram comprovados, pelo fiscalizado, a origem dos mesmos. Mas, ainda, não ficou demonstrado que os valores foram oferecidos à tributação; não consta procuração lavrada para a movimentação dos recursos pelo Sr. Waldemir; o Sr. Waldemir informa que quase a totalidade dos recursos são de propriedade do Sr. Luis Antônio Paolicchi, desde janeiro de 1995 a junho de 2000; para finalizar, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal rastrearam vários depósitos efetuados na conta mantida no Banco do Brasil e chegaram à origem dos mesmos: são originários de uma conta da Prefeitura do Município de Maringá mantida na Caixa Econômica Federal, agência de Maringá; que entre os documentos remetidos pela Justiça Federal encontramos vários depósitos rastreados, efetuados na c/c n° 886009, do Banco do Brasil S/A, agência 03522, de Maringá. As informações levaram à c/c 060000028, da Caixa Econômica Federal, agência 15463, conta esta de titularidade da Prefeitura de Maringá. Os saques foram efetuados através de cheques emitidos e endossados pelo Sr. Luis Antônio Paolicchi, que, à época, era Secretário da Fazenda do Município de Maringá, e imediatamente os recursos era depositados, via DOC, para a c/c do Banco do Brasil mantida pelo Sr. Waldemir; que pela forma dolosa como ocorreram os depósitos bancários, com o evidente intuito de fraude, à margem da tributação, com uso de terceiros para movimentação dos valores sem o conhecimento da administração tributária, os fatos aqui mencionados caracterizam, em tese, Crimes de Sonegação e Conluio, implicando, desta forma, no Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 6 agravamento da multa a ser aplicada sobre as infrações apuradas, conforme o disposto no art. 957, II, do RIR/99; que outros créditos bancários sem a devida comprovação da sua origem serão, também, tributados como omissão de rendimentos da pessoa física, capitulada no artigo 42, da Lei n° 9.430/96. Irresignado com o lançamento, o autuado, apresenta, tempestivamente, em 29/03/01, a sua peça impugnatória de fls. 85/100, instruída pelos documentos de fls. 101/159, solicitando que seja acolhida a impugnação para determinar o cancelamento do crédito tributário constituído, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, em preliminar, o lançamento deve ser declarado nulo, antes mesmo da apreciação do seu mérito, em face da ausência de ordem escrita do Superintendente ou do Delegado da Receita Federal de Maringá autorizando o segundo exame do períodobase de 1998, já fiscalizado conforme Processo Fiscal n° 10950.001444/9981; que, quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, os auditores fiscais extraíram essa conclusão a partir de uma única intimação onde foi solicitado apenas que o autuado informasse a origem dos recursos depositados, ou seja, não foi solicitada a documentação comprobatória da origem dos recursos como diz a acusação; que na resposta à intimação esclarecemos que os depósitos a que se refere a intimação são originários dos rendimentos constantes da declaração do imposto de renda pessoa física; que para nossa surpresa, dois dias após a resposta, os auditores lavraram o auto de infração sem qualquer exame da documentação que deu suporte às declarações de rendimentos que eles dizem terem sido auditadas e, também, sem ao menos considerar os recursos regularmente declarados; que esse tipo de procedimento é o que se denomina de “lançamento arbitrado exclusivamente com base em extratos”, objeto de manifestação pelo extinto Tribunal Federal de Recursos e que deu origem à Súmula n° 182 do TRF, declarando ilegítima a tributação com base exclusivamente em depósitos bancários; que, quanto aos depósitos originários da Prefeitura Municipal de Maringá, temse que esta autuação tem como suporte apenas os documentos recebidos da Justiça Federal contendo informação de que o dinheiro depositado na conta corrente do autuado era proveniente da Prefeitura Municipal de Maringá; que como se sabe os depósitos bancários por si só não pode expressar renda, muito menos renda omitida, porque os mesmos decorrem de variadas origens que não necessariamente rendimentos, tais como: transferência de recursos de terceiros para fazer pagamentos de contas e despesas destes, redepósitos, devolução de empréstimos, empréstimos contraídos, troca de cheques e outras operações que não represente aquisição de disponibilidade econômica e jurídica de renda; que é exatamente este o caso dos autos, onde a conta bancária foi utilizada apenas para receber transferências de dinheiro da prefeitura para fazer face aos pagamentos de contas e despesas do então prefeito de Maringá, o Sr. Jairo Moraes Gianoto; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 4 7 que é lamentável que não tenha havido qualquer trabalho investigatório tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, conforme se verifica no relatado constante do Termo de Verificação Fiscal; que os autuantes preferiram lavar as mãos promovendo o lançamento apenas com base nos documentos remetidos pela Justiça Federal, fazendo vistas grossas de fatos concretos que apontam os verdadeiros beneficiários do dinheiro público desviado e que transitou na conta bancária puramente por questões de ordem operacional; que com isso, a Receita Federal perdeu uma grande oportunidade de fazer realmente justiça fiscal, tributando efetivamente os verdadeiros beneficiários do dinheiro público desviado; que bastava examinar os processos instaurados contra o autuado para verificar que aludida conta bancária foi utilizada pelo então Prefeito de Maringá, Sr. Jairo Morais Gianoto, para desviar dinheiro público e fazer face aos pagamentos de suas contas particulares; que se admitindo, apenas para fins de argumentação, a hipótese da omissão de rendimentos pretendida pela fiscalização, o lançamento também deve ser revisto para corrigir erros de apuração do imposto de renda exigido nos anosbase de 1998 e 1999; que, quanto a aplicação da multa agravada, temse que é outro ponto da discordância, já que baseada única e exclusivamente no fato da pessoa física possuir uma conta bancária em nome de seus funcionário, apesar de declarada; que os próprios autuantes entram em contradição quando afirmam que teria havido fraude pelo “uso de terceiros para movimentação de valores sem o conhecimento da administração”, sendo que poucas linhas atrás haviam reconhecido expressamente que a conta bancária em questão estava declarada; que é oportuno ainda, registrar que não há qualquer restrição quanto a manutenção de valores em nome de terceiros desde que estes sejam regularmente declarados ao fisco, como é o caso; que, quanto a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, temse que a cobrança de juros de mora equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, extrapola o limite de 12% ao ano previsto na Constituição Federal de 1988. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a autoridade singular conclui pela procedência parcial ação fiscal e pela manutenção parcial do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, quanto à preliminar de nulidade – reexame de exercício já fiscalizado, se faz necessário primeiramente, observar que mesmo que aceita a tese da defesa, a sua conclusão pelo cancelamento integral do lançamento é equivocada. Isto porque a ação fiscal anterior referiuse unicamente ao anobase de 1998, conforme se lê no termo acostado pelo impugnante às fls. 102. De modo que, se nulidade houvesse, corromperia a autuação apenas na parte relativa àquele período. Olvidase o impugnante que a presente exigência em sua maior Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 8 parte referese ao ano de 1999, e quanto a este não houve exame fiscal anterior, isentandose do suposto vício formal; que basta examinar os ofícios da Vara Federal Criminal de Maringá, que encaminharam os extratos bancários para auditoria, às fls. 18, 35 e 55, para verificar que em todos houve a manifestação do então Delegado da Receita Federal, Arcanjo Valério de Lima, tomando ciência dos fatos e determinando o prosseguimento do feito à Seção de Fiscalização. Plenamente observada portanto a condição trazida pelo art. 906 do RIR/99; que ainda, à fls. 01 consta o Mandado de Procedimento Fiscal, no qual se ordena a fiscalização do contribuinte quanto ao Imposto de Renda Pessoa Física relativo aos anos de 1998 e 1999. Assina o ato o Chefe da Fiscalização, por delegação de competência que, nos termos do art. 6° da Portaria SRF n° 1.265, de 22/11/99, incumbia ao Delegado da Receita Federal; que, além disso, a ação fiscal foi realizada em virtude de determinação judicial, conforme ofícios já mencionados. Entendo que o pronunciamento judicial supriria de qualquer modo a eventual ausência de autorização do Delegado (que não ocorreu no caso em tela, repito); que, quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, argumenta o impugnante que, no curso da ação fiscal, foi intimado apenas a informar a origem dos recursos depositados. Nada teria sido solicitado quanto à documentação comprobatória destas fontes; que na melhor das hipóteses; o contribuinte foi desatento na leitura do termo de intimação de fls. 56, senão preferiu ignorar a requisição; que bem assim, ainda que surpreendido pela autuação, como diz o impugnante, com o auto de infração chegoulhe a notícia de que faltaram os comprovantes idôneos da origem dos recursos depositados, de maneira que, se os possuía, poderia têlos trazido com a impugnação, o que não ocorreu, como se verá mais adiante; que pelo regramento da Lei n° 8.021/90, os rendimentos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia ainda ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte; que a Jurisprudência do Conselho de Contribuintes colacionada pelo impugnante referese à aplicação deste regramento. Em diversas autuações passadas o artigo retro foi interpretado apressadamente, gerando lançamentos baseados apenas nos extratos bancários e na falta de comprovação da origem dos recursos, sem que fossem evidenciados os gastos incompatíveis com a renda do contribuinte, e que por isso foram canceladas pelo Conselho. É o que parece ter ocorrido, ao que tudo indica, na autuação do Sr. Ibsen Valls Pinheiro, que o impugnante elegeu como paradigma; que o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para a sua aplicação. A da Lei n° 8.021/90 condicionavase à falta de comprovação da origem dos recursos, à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte. Já a presunção da Lei n° 9.430/96 está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 5 9 que ao impugnante cabia sim refutar a presunção contida na Lei n° 9.430/96, pois a previsão legal em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário; que, entretanto, passando a discutir a origem dos créditos, o autuado limita se a repetir as alegações apresentadas à fiscalização, de que os depósitos tiveram origem nos rendimentos declarados. A diferença é que desta vez idealiza uma quadro (fls. 92) para demonstrar matematicamente a sua argumentação. Para cada somatório de depósitos autuados em dezembro/98 e fevereiro a abril/99, o impugnante indica valores relativos a receitas da atividade rural, salários, receitas referente ao uso da aeronave que possui e originária de vendas de veículos, quantias que somadas ultrapassam o valor dos depósitos não justificados; que a tese não foi aceita no curso da ação fiscal e terá a mesma sorte neste julgamento, pois mais uma vez não veio acompanhada da documentação hábil e idônea que a comprovasse; que os únicos documentos trazidos são cópias de Livros Caixa. O primeiro, de fls. 113/125, da empresa Luis Antonio Paolicchi, CNPJ n° 03.996.937/000157, que registra as operações do estabelecimento de janeiro a dezembro de 1999. A partir deste registro o contribuinte apurou as “receitas da aeronave” informadas no quadro de fls. 92. Logo no termo de abertura, fls. 113, causa estranheza o fato de que a empresa foi registrada na Junta Comercial em 17/08/00, embora o livro registre operações desde janeiro/99. Além disso, não há qualquer menção sobre a firma na declaração de rendimentos do autuado. De fls. 127/150, são ofertadas cópias de um Livro Caixa da Pessoa Física do contribuinte, relativo ao ano de 1999, no qual registra receitas e despesas; que a juntada dessas cópias era desnecessária, uma vez que o intento do impugnante é demonstrar que os rendimentos declarados superam o valor dos depósitos autuados, e para isso bastava o exame da declaração de rendimentos. Contudo, o cotejo de valores não é suficiente para afastar a autuação, pois, caso contrário, bastaria a qualquer pessoa física declarar uma parte de seus rendimentos e omitir uma parcela menor, depositandoa em alguma outra conta, para depois aduzir que a omissão se justifica pelos valores declarados em montante superior aos depósitos; que, ademais, na declaração de ajuste do anobase de 1999 (fls. 10/17), o autuado informou outras contas bancárias, cinco no total, inclusive uma outra em nome de Waldemir Ronaldo Correa, todas omitidas na declaração anterior. Assim, não se pode concluir que os rendimentos declarados foram depositados justamente na conta fiscalizada, entre tantas opções; que, quanto aos depósitos originários da Prefeitura Municipal de Maringá, o autuado confessou, no curso da ação fiscal, que não possuía os comprovantes das origens dos recursos. Agora, na impugnação, admite que os depósitos referemse a recursos desviados do município de Maringá, mas alega que se tratavam de meras transferências para fazer frente a despesas do então prefeito Jairo Moraes Gianotto. Faz menção a ações judiciais e notícias divulgadas pela imprensa que atestariam o desvio por parte do prefeito e relaciona as despesas nas quais teria sido utilizado o numerário depositado; que os recursos foram desviados da conta bancária do Município de Maringá por meio de cheques assinados pelo próprio autuado, para a seguir serem transferidos Fl. 9DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 10 para a conta do Sr. Waldemir, no Banco do Brasil, conta esta que na verdade se prestava à movimentação financeira do autuado. Ora, salta aos olhos o intuito do impugnante de tomar para si os valores desviados, de acrescêlos ao seu patrimônio oculto, utilizandose de fraude para tanto; que esta a diferença entre o presente lançamento e a mera autuação dos depósitos bancários, posta de lado momentaneamente a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. As críticas que se fazia à exigência fundada exclusivamente em depósitos bancários advinham da falta de demonstração de que o numerário aderiu ao patrimônio do beneficiário dos créditos. Já no caso em tela, apesar de versar também sobre depósitos, o autuado voluntariamente tomou os recurso para si e, os depositou em conta em nome de terceiro. A questão aqui supera a discussão quanto aos depósitos e paira sobre os próprios rendimentos; que, quanto aos erros na apuração do imposto, a alegação procede, na medida em que a diferença reclamada referese ao imposto retido na fonte, que não foi considerado no cálculo da exigência dos dois anoscalendário. Como o demonstrativo de fls. 74/75 segue os moldes das declarações, deve ser deduzido o valor do imposto retido na fonte, uma vez que se trata de antecipação do devido no ajuste; que, por ser mais benéfico ao contribuinte, tendo em vista a multa de ofício qualificada, o imposto retido deve ser deduzido do imposto devido a título de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica; que, quanto a multa qualificada, o autuado se insurge por entender que não há irregularidade no fato de possuir uma conta em nome de seu funcionário, uma vez que esta foi declarada; que a conta em nome do Sr. Waldemir foi declarada, mas apenas na declaração do exercício 2000. Até a declaração do exercício de 1999, relativa ao ano calendário de 1998, a fls. 03/09. E mesmo assim, tudo indica que a conta somente foi declarada em virtude da instauração do procedimento investigatório pelo Ministério Público Federal; que os extratos bancários de fls. 19/34 registram operações desde 1998, pelo que a conta já deveria ter sido declarada anteriormente. Além disso, entre os documentos apresentados pelo Sr. Waldemir Ronaldo Correa para comprovar que a conta era movimentada pelo autuado, constam cheques do ano de 1997 (fls. 43/46), e o fiscal autuante noticia, às fls. 70, que a conta foi assim utilizada de janeiro de 1995 a junho de 2000; que desta forma, fica explícito que o contribuinte utilizouse dolosamente do nome de terceiros para escapar da tributação omitindo rendimentos, mormente se levada em conta a origem dos recursos movimentados na conta, em sua maioria desviados dos cofres do Município de Maringá; que quanto a aplicação da taxa SELIC ao lançamento em tela, a título de juros moratórios, é determinada pelo art. 61, § 3°, da Lei 9.430/96, como indicado pelo fiscal no auto de infração, norma esta plenamente vigente. Desta feita, clama a vinculação funcional à lei que este julgador abstenhase de qualquer tipo de discricionaridade e acate a norma que desde a criação tem presunção de constitucionalidade, vinculando a todos, principalmente aos agentes públicos, de modo que não me cabe emitir um juízo acerca da discussão quanto ao caráter da taxa, seja remuneratório ou indenizatório, ou quanto à legalidade ou constitucionalidade de sua aplicação, não obstante os posicionamentos doutrinários quanto ao tema, incumbindome tão somente garantir a execução do comando legal. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 6 11 As ementas que consubstancia a decisão da autoridade de 1º grau são as seguintes: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998, 1999 Ementa: REEXAME DE EXERCÍCIO JÁ FISCALIZADO – Presente a autorização do delegado da Receita Federal, é possível, nos termos do art. 906 do RIR/99, um segundo exame de exercício já fiscalizado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ANOCALENDÁRIO 1997 – PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS – Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular dos recursos, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – RECURSOS DESVIADOS DE ÓRGÃO PÚBLICO – Os recursos desviados de órgão público pelo autuado devem ser tributados como rendimentos omitidos, uma vez que caracterizam aquisição de disponibilidade econômica de renda. CÁLCULO DA EXIGÊNCIA – IMPOSTO RETIDO NA FONTE – Na apuração do imposto devido deve ser deduzido o valor pago na fonte sobre os rendimentos declarados pelo autuado e incluídos na recomposição da base de cálculo do lançamento. RECURSOS DESVIADOS DE ÓRGÃO PÚBLICO UTILIZAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA DE TERCEIRO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AGRAVAMENTO DA MULTA. PROCEDÊNCIA. – A utilização de conta bancária de terceiro para gerir recursos obtidos irregularmente dos cofres do município, do qual o autuado era Secretário de Finanças, caracteriza o evidente intuito de fraude e justifica o agravamento da multa. O registro da mencionada conta bancária na declaração de rendimentos do autuado, somente depois de iniciado procedimento investigatório do Ministério Público, não tem o condão de afastar o agravamento da multa. TAXA SELIC – A taxa de juros aplicável ao crédito tributário é a prevista na legislação de regência da matéria, não cabendo à autoridade julgadora analisar a argüição de inconstitucionalidade da determinação legal. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 25/05/01, conforme Termo constante às fls. 177/180, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (18/06/01), o recurso voluntário de fls. 181/202, instruído pelos documentos de fls. 203/252, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 12 Consta às fls. 254/255, o extrato da relação de bens e direitos para arrolamento com o objetivo de interpor recurso administrativo para o Conselho de Contribuintes. Na Sessão de Julgamento de 21 de fevereiro de 2002, os Conselheiros Membros da então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que se providencie o retorno do processo à repartição de origem (repartição lançadora), a fim de que sejam realizadas diligências no sentido de verificar se há sentença, transitado em julgado, definindo o destino dos valores em questão. Caso contrário, se ainda não houver decisão nesse sentido, que se mantenha o processo na repartição de origem até a confirmação, em definitivo, do decisium judicial. Após o que, a autoridade lançadora encaminhará os autos a esta instância para o julgamento, devidamente instruído com cópias das sentenças. Em 12 de março de 2010, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá PR, retorna o processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, instruído com os documentos de fls. 296/577, amparado, em síntese, nas seguintes considerações: que considerando o Acórdão nº 210200.282 (cópia às fls. 559/577), exarado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos autos do processo administrativo de auto de infração nº 10950.003598/200526, de interesse do contribuinte Luis Antonio Poalicchi, em que esta, por unanimidade de votos, decide pelo não acatamento do sobrestamento do julgamento do processo administrativo de Auto de Infração, pela falta de norma processual que determine o sobrestamento do feito administrativo tributário na pendência de demanda cível, é que, proponho o encaminhamento do presente processo à 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, para conhecimento e tomar as providências que julgar cabíveis, em virtude da Resolução nº 1041.854 (fls. 266/287), que converteu o julgamento do presente processo em diligência; que foram juntadas cópias das peças dos autos da Ação penal nº 2000.70.03.053203, já com decisão final absolutória quanto aos crimes previstos no art. 1º, incisos I e II da Lei nº 8.137/90, estando os autos judiciais findos e arquivados (fls. 558); que quanto à referida Ação Civil Pública nº 516/2000 (548/2000), foram igualmente extraídas informações complementares do julgamento, estando pendente de julgamento dos recursos dirigidos aos Tribunais Superiores, os quais, não têm efeito suspensivo das decisões já prolatadas. É o relatório. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 7 13 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos do processo verificase que a discussão, nesta instância recursal, restringese tãosomente a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, na omissão de rendimentos. Sendo que a preliminar, versa sobre nulidade do lançamento por entender que houve um segundo exame com relação ao mesmo exercício e na matéria de fato, que está dividida entre omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos de recursos em conta bancária de titularidade de terceiro, oriundos de saques efetuados em contas bancárias de titularidade da Prefeitura Municipal de Maringá e omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em contas de depósito mantidas em instituições financeiras, cuja origem dos recursos não restaram comprovados, a discussão versa sobre a impossibilidade da tributação realizada; a não compensação dos valores a serem ressarcidos através de Ação Civil Pública; não compensação dos valores declarados na atividade rural, aplicação da multa qualificada em relação ao valores movimentados em conta bancária em nome de terceiros (recursos desviados da Prefeitura Municipal de Maringá – PR), aplicação de multas (confisco) e cobrança de juros de mora com base na Taxa Selic. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento sob o argumento da impossibilidade de novo lançamento referente a período já fiscalizado, a minha posição é pela rejeição dos argumentos apresentados. Alega o recorrente que encerrada que foi a ação fiscal, não poderia a fiscalização proceder a um segundo exame em relação ao mesmo exercício, tendo em vista a proteção constitucional que determina o respeito ao ato jurídico perfeito. É de se observar de início, que ficou claro na decisão de Primeira Instância que o presente caso é de lançamento por reexame de período já fiscalizado devidamente autorizado pelo delegado da Delegacia da Receita Federal em Maringá – PR, conforme consta dos documentos de fls. 18, 35, 55. O assunto está disciplinado no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), verbis: TÍTULO III – CONTROLE DOS RENDIMENTOS CAPÍTULO I – FISCALIZAÇÃO DO IMPOSTO Art. 904 – A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°, e DecretoLei n° 2.225, de 10 de janeiro de 1985). Fl. 13DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 14 (...). Art. 906 Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°, § 2°, e Lei n° 3.470, de 1958, art. 34). (...). Art. 911. Os Auditores Fiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências necessárias e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais (Lei n.º 2.354/54, art. 7º). É conclusivo, que a razão está com a decisão de Primeira Instância, já que a autorização prevista neste dispositivo legal constitui requisito indispensável à formação do lançamento tributário e foi, devidamente, respeitado, conforme consta de forma expressa no Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 01), assinado pelo chefe de fiscalização por delegação de competência do delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá PR. Não tenho dúvidas, de que o fornecimento e a manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de constituição de crédito tributário, através do lançamento, se faz necessário o cumprimento das formalidades previstas em lei. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias somente se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. De fato o princípio da legalidade baseiase no postulado de que “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei”. Este princípio geral está inscrito no inciso II do artigo 5º da Constituição Federal. Por sua vez, o princípio da tipicidade requer que a lei seja minuciosa, taxativa, evitando o emprego da analogia ou da discricionariedade. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que o fato gerador da obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de uma fato para dizer se haver ou não haver obrigação tributária. De acordo com a legislação retro transcrita, a única exigência legal para que os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil possam proceder a um novo exame em período já fiscalizado é a autorização da autoridade competente para se proceder a reexame de período já fiscalizado. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 8 15 É indiscutível, que o suplicante já sofrera outra fiscalização em relação ao mesmo exercício, conforme ampla documentação contida nos autos. Por outro lado, também é indiscutível, que foi autorizado o reexame pela autoridade administrativa de jurisdição do contribuinte, ou seja, houve prévia ordem escrita do delegado da Delegacia da Receita Federal. Assim, ao não considerar no lançamento anterior, os depósitos do período objeto deste lançamento, e que não foram justificados na ocasião, houve omissão, por parte da autoridade, de ato essencial ao lançamento, o que enseja a sua revisão. No prosseguimento deste julgamento, se faz necessário, inicialmente, um esclarecimento sobre a posição tomada pela então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no sentido de converter o julgamento em diligência para que fossem juntadas aos autos as conclusões transitadas em julgado dos processos judiciais, principalmente, o resultado da Ação Civil Pública objetivando o ressarcimento aos cofres públicos dos valores desviados da Prefeitura Municipal de Maringá, PR, pelo ora recorrente. Naquela época, meados de 2001, 2002 e 2003, os colegiados que compunham este Tribunal Administrativo, na matéria, tinham entendimentos diferentes quando os julgamentos envolviam devolução de valores desviados em proveito próprio. Existiam aqueles conselheiros que defendiam a tese de que não havia possibilidade de compensação, na base de cálculo da incidência tributária do imposto de renda apurado em procedimento de fiscalização, dos valores, que por ventura, a justiça condenasse, através de Ação Civil Pública, o contribuinte a devolver aos cofres públicos os valores desviados em proveito próprio (desvio de recursos públicos). Por outro lado, existiam os conselheiros que defendiam a tese da possibilidade da compensação. Este entendimento era adotado pelos conselheiros da então Quarta Câmara a época do julgamento do presente processo. Entretanto, a tese de compensação foi, totalmente, abandonado em julgamentos posteriores, inclusive, pela então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Ademais, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá – PR, anexou às fls. 296/577, os documentos atinentes a diligência solicitada, informando, ainda que fossem juntadas cópias das peças dos autos da Ação penal nº 2000.70.03.053203, já com decisão final absolutória quanto aos crimes previstos no art. 1º, incisos I e II da Lei nº 8.137, de 1990, estando os autos judiciais findos e arquivados (fls. 558) e quanto à referida Ação Civil Pública nº 516/2000 (548/2000), foram igualmente extraídas informações complementares do julgamento, estando pendente de julgamento dos recursos dirigidos aos Tribunais Superiores, os quais, não têm efeito suspensivo das decisões já prolatadas. Diante disso, não vejo nenhum obstáculo para que o presente processo seja julgado. Não há dúvidas no processo de que o Ministério Público Federal, com fundamento no Decretolei n.º 3.240, de 08 de maio de 1941, requereu e foi deferido o seqüestro dos bens móveis, imóveis e numerários pertencentes ao recorrente, que responde a ações penais nos autos nºs 2000.70.03.0053203 e 2001.70.03.0013180, por infração aos artigos 288 e 312 do Código Penal; art. 1º, V, da Lei n.º 9.613/98; art. 1º, I e II, da Lei n.º 8.137/90; e art. 1º, I, do Decretolei n.º 201/67. Sendo que de acordo com o Ministério Público Federal, nos autos n.º 2000.70.03.0053203 imputase ao acusado, em conluio com outros, o desvio em proveito próprio da quantia de R$ 2.607.427,00, em detrimento do Município de Maringá – PR e, nos autos n.º 2001.70.03.0013180, o desvio de R$ 1.885.945,60 dos cofres do mesmo Município, em favor do exprefeito Jairo Morais Gianoto. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 16 Por outro lado, também é inegável que parte da matéria tributável no presente lançamento está assentado sobre os recursos provenientes da Prefeitura Municipal de Maringá – PR. Tem emergido, nos últimos tempos, uma série de questões relevantes acerca da tributação de ilícitos penais, especialmente no que se refere à tributação de valores resultantes de atividades ou condutas consideradas adversas pela sociedade ou não permitidas por lei. Diante disso, se faz necessário saber se alguém condenado, em ação penal e/ou ação civil pública (devolução dos recursos desviados, seqüestro bens, etc.), por haver praticado uma conduta ilícita, como, por exemplo, peculato, apropriação indébita, tráfico ilícito de entorpecentes, desvio de recursos públicos, entre outras, poderá ser acionado, também, na esfera tributária, mediante constituição de crédito tributário, através do lançamento tendo como base de cálculo lucros auferidos da atividade delituosa, ou seja, do produto do crime, nos casos de existência de ação civil pública condenando o contribuinte a perda do produto do crime. Para a legislação brasileira do Imposto de Renda, todos aqueles que auferem renda ou de proventos de qualquer natureza poderão ser chamados a integrar o pólo passivo da relação tributária, independentemente da denominação jurídica de seus rendimentos, títulos ou direitos. Assim, não tenho dúvidas, que a concepção de ocorrência de fato gerador, à luz do fenômeno da abstração, explicitada no artigo 118, I, do Código Tributário Nacional, quando assevera que a tributação incide independentemente da validade do negócio jurídico. O Código Tributário Nacional trabalha com uma concepção econômica do fato gerador, razão pela qual instituiu o fenômeno da abstração tributária, ou seja, a hipótese de incidência desvinculase, abstraise da validade do ato jurídico. Por assim ser, ainda que o negócio jurídico seja nulo, quer pela incapacidade da parte, quer pela ilicitude do objeto ou, ainda, pelo não atendimento de elemento essencial, a matriz tributária incide normalmente porque não trabalha, na tributação, com o plano da validade, mas apenas com o da existência. Não é possível afastar a regra do artigo 118, I, do Código Tributário Nacional, alegando eventual ofensa ao princípio da moralidade. O dispositivo abstrai da definição de fato gerador a questão da validade jurídica do atos efetivamente praticados pelo contribuinte. A jurisprudência, tanto do Supremo Tribunal Federal, quanto a do Superior Tribunal de Justiça, não diverge, sendo pacífico que o auferimento de renda em atividades ilícitas deve ser tributado. Vejase o Acórdão exarado no HC 83.292SP, relator Ministro Felix Fischer, da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça, publicado no DJE de 18/02/2008, unânime, do qual se extrai o seguinte excerto: Não há como se acolher a pretensão dos impetrantes, pois o paciente, em verdade, foi condenado como incurso nas sanções do art. 1º, inciso I, da lei nº 8.137/90, pois teria prestado declarações falsas às autoridades fazendárias o que, à toda evidência se adequa perfeitamente ao tipo penal mencionado. Ainda, não prospera a alegação de que estarseia tributando a própria atividade ilícita, porquanto, segundo a orientação firmada nesta Corte e no pretório Excelso, é possível a tributação sobre rendimentos auferidos de atividade ilícita, seja de natureza civil ou penal; o pagamento de tributo não é uma sanção, mas uma arrecadação decorrente de renda ou lucro percebidos, mesmo que obtidos de forma ilícita Fl. 16DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 9 17 Assim, os rendimentos originários das atividades lícitas e ilícitas devem ser tributados e declarados através do imposto de renda. É o entendimento do STF no HC 77530/RS, Min. Sepúlveda Pertence, 1ª T., unânime, DJ 18.09.1998: Sonegação Fiscal de Lucro Advindo de Atividade Criminosa: on Olet. Drogas: tráfico de drogas, envolvendo sociedades comerciais organizadas,com lucros vultosos subtraídos à contabilização regular das empresas e subtraídos à declaração de rendimentos: caracterização, em tese, de crime de sonegação fiscal, a acarretar a competência da Justiça Federal e atrair pela conexão o tráfico de entorpecentes: irrelevância da origem ilícita, mesmo quando criminal, da renda subtraída à tributação. A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso antes de ser corolário do princípio da moralidade constitui violação do princípio da isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética. Para se ter uma melhor idéia sobre o assunto se faz necessário a busca da definição legal de tributo e que esta prevista no art. 3º do Código Tributário Nacional. Através desse conceito podemos extrair as seguintes características essenciais inerentes aos tributos: (1) tributo é toda prestação: objeto da obrigação tributária é o ato de prestar, ou seja, realizar o pagamento; (2) pecuniária: pecúnia significa dinheiro. Então tributo é uma prestação em dinheiro (como regra); (3) compulsória: obrigatoriedade e traço primordial do tributo. Não existe a opção da faculdade; (4) em moeda ou cujo valor se possa exprimir; e (5) – que não se constitua sanção de ato ilícito. Não se conclua, por isto, que um rendimento auferido em atividade ilícita não esta sujeito ao tributo. Nem se diga que admitir a tributação de tal rendimento seria admitir a tributação do ilícito. É importante, neste particular, a distinção entre hipótese de incidência, que é a descrição normativa da situação de fato, e fato gerador do tributo. Quando se diz que o tributo não constitui sanção de ato ilícito, isto quer dizer que a lei não pode incluir na hipótese de incidência tributária o elemento ilicitude. Não pode estabelecer como necessária e suficiente ä ocorrência da obrigação de pagar um tributo uma situação que não seja lícita. Se o faz, não esta instituído um tributo, mas uma penalidade. Todavia, um fato gerador de tributo pode ocorrer em circunstâncias ilícitas, mas essas circunstâncias são estranhas à hipóteses de incidência do tributo, e por isso mesmo irrelevantes do ponto de vista tributário. Como exemplo é possível citar a situação de alguém que percebe valores decorrente de desvio de recursos em proveito próprio ou de casa de prostituição, ou de jogo de azar, ou de qualquer outra atividade criminosa ou ilícita. O tributo é devido. Não que incida sobre a atividade ilícita, mas porque a hipótese de incidência do tributo, no caso, que é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos, ocorreu. Só isto. A situação prevista em sei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária no imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou dos proventos de qualquer natureza, definição que resta clara no art. 43 do Código tributário Nacional. Não importa como. Se decorrente de atividade lícita ou ilícita, isto não está dito na descrição normativa, vale dizer, isto não está na hipótese de incidência, sendo, portanto, irrelevante. Para que o imposto de renda seja devido é necessário que ocorra aquisição da Fl. 17DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 18 disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. E isto é suficiente. Nada mais se há de indagar para que se tenha como configurado o fato gerador do tributo em questão Assim, situações como a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos são suficientes para o nascimento de obrigações tributarias como o imposto de renda, ainda que tais rendimentos sejam provenientes de atividades ilícitas. É princípio consagrado em Direito Tributário que o tributo deve incidir sobre as atividades lícitas e, da mesma forma, sobre aquelas consideradas ilícitas ou imorais. Isso ocorre de acordo com o princípio pecúnia non olet, segundo o qual, para o Estado, o dinheiro não tem cheiro que se traduz na conhecida expressão pecúnia non olet. Aliomar Baleeiro lembra que a cláusula surgiu a partir do diálogo ocorrido entre o Imperador Vespasiano e seu filho Tito, quando este se pôs a indagar o pai sobre a razão pela qual se decidiu tributar os usuários de banheiros públicos na Roma Antiga. Assim, o Imperador justificou a incidência do tributo respondendo que o dinheiro não tem cheiro, não importando para o Estado a fonte de que provenha (Direito tributário brasileiro. Atualizado por Misabel Abreu Machado Derzi, 11ª. ed., Rio de Janeiro: Forense, 2007, p. 714). Ademais, é possível verificar que a cláusula pecúnia non olet está enraizada no princípio da isonomia tributária consagrado no art. 150, inc. II, da CF/88. Ricardo Lobo Torres esclarece que "se o cidadão pratica atividades ilícitas com consistência econômica, deve pagar o tributo sobre o lucro obtido, para não ser agraciado com tratamento desigual frente às pessoas que sofrem a incidência tributária sobre os ganhos provenientes do trabalho honesto ou da propriedade legítima" (Tratado de direito constitucional, financeiro e tributário v. 2, Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 372). Assim, aquele que pratica atividades ilícitas não pode ser invocar sua própria torpeza para furtarse ao pagamento de tributos a pretexto de que o fato gerador não se aperfeiçoaria diante das irregularidades cometidas por ele próprio. Ora, as ações praticadas pelos contribuintes para ocultar sua real capacidade econômica, e assim se beneficiar indevidamente de algum tratamento diferenciado, deve merecer sempre a ação saneadora contrária, por parte da autoridade fiscal, em defesa até dos legítimos beneficiários daquele tratamento. Na perquirição do fato de relevância econômica capaz de caracterizar a ocorrência do fato gerador do tributo, a ação fiscal jamais se deterá na superficialidade dos aspectos formais dos atos, fatos e negócios jurídicos dos contribuintes, aceitandoos como eles se apresentam e sem poder investigar o que realmente aconteceu. Muito pelo contrário, a função precípua do Fisco é a de examinar a essência e a natureza dos fatos e dos negócios jurídicos, nada se importando com a nomenclatura que os contribuintes lhes tenham emprestado. Assim sendo, entendo que está correta a tributação caracterizada pelo depósito de recursos em conta bancária de titularidade de terceiro, oriundos de saques efetuados em conta bancárias de titularidade da Prefeitura Municipal de Maringá – PR (valores desviados da prefeitura), independentemente, da existência de decisão judicial pela devolução dos valores subtraídos indevidamente, tendo em vista que o autuado foi responsável pelas transações levantadas e não houve, por parte do interessado, a apresentação de documentação hábil e idônea que comprovasse de forma irrefutável que o fato não ocorreu na forma da acusação, restam só alegações, que por si só, não tem o condão de modificar o sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 10 19 Enfim, os rendimentos omitidos na Declaração de Ajuste Anual detectados em procedimento de ofício, serão adicionados, para efeito do cálculo do imposto de renda devido, quando for o caso, à base de cálculo declarada independentemente de ter origem em atividade lícita ou ilícita, já que a teor do artigo 118 do Código Tributário Nacional a definição legal do fato gerador é interpretada com abstração da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, os recursos desviados de órgão público pelo autuado devem ser tributados como rendimentos omitidos, uma vez que caracterizam aquisição de disponibilidade econômica de renda. Incabível a compensação na base de cálculo de incidência do imposto de renda, tomada pela autoridade fiscal lançadora em procedimento de ofício, do valor correspondente ao ressarcimento a ser efetuado por contribuinte condenado em ação civil pública, por enriquecimento ilícito no exercício da função. A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso – antes de ser corolário do princípio da moralidade – constitui violação do princípio de isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética (STF: HC 77.530/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJU de 18/09/1998). Quanto à omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, não foram comprovados mediante documentação hábil e idônea, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, entendo que não devem ser tributados pelas razões abaixo alinhavadas. Da decisão de primeira instância é possível extraírse, que a, princípio, a comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação harmoniosa entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não sendo possível à comprovação de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta. Ou seja, esta comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo como comprovação de origem de depósito os rendimentos anteriormente auferidos ou já tributados, se não for comprovado a vinculação da percepção dos rendimentos com os depósitos realizados. Com a devida vênia, dos que assim entendem, em certos casos, como o presente, não posso compartilhar com tal entendimento, pelos motivos expostos abaixo. É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Contudo, na regra geral, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia Fl. 19DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 20 ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação. Por outro lado, também é verdadeiro, como visto anteriormente, que dos valores constantes dos extratos bancários do contribuinte, devem ser excluídos os valores dos depósitos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física, os referentes a proventos, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários etc., e ainda os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Por fim, após efetuar a conciliação bancária e constatada a possibilidade de tributação com base nos depósitos/créditos, em virtude de se verificar que o somatório anual dos depósitos realizados em todas as contas bancárias mantidas pelo contribuinte é superior a R$ 80.000,00, ou que o contribuinte teve depósitos em valor superior a R$ 12.000,00, deve o contribuinte ser intimado para comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações. Concordo com a decisão de primeira instância de que, na regra geral, a comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação harmoniosa entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não sendo possível à comprovação de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta. Ou seja, esta comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo como comprovação de origem de depósito os rendimentos anteriormente auferidos ou já tributados, se não for comprovado a vinculação da percepção dos rendimentos com os depósitos realizados. Fazse necessário reforçar, que a presunção criada pela Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário, ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo de rigor, portanto, o uso subsidiário do Código de Processo Civil que dispõe: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa. Da mera leitura deste dispositivo legal, depreendese que no curso de um processo, judicial ou administrativo, todas as provas legais devem ser consideradas pelo Fl. 20DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 11 21 julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como dominante jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão vêse que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Fazse necessário consignar, que o interessado foi devidamente intimado a comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados / creditados em sua conta corrente. Entretanto, durante toda a ação fiscal o contribuinte apenas argumentou que tais depósitos decorreram da atividade rural desenvolvida, todavia, não apresentou provas suficientes para elidir a totalidade do lançamento, restando claro que não fez prova suficiente, permitindo, assim, ao Fisco, lançar o crédito tributário aqui discutido, valendose de uma presunção legal de omissão de rendimentos. Ora, a princípio, o contribuinte deveria ter comprovado de forma individualizada cada deposito. No entanto, nenhum documento foi apresentado durante a fase impugnatória e nem agora, juntamente com a peça recursal, onde os mesmos argumentos são repetidos. Não tenho dúvidas, de que o fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a esta mesma atividade, já que possui outros rendimentos, conforme se constata em suas Declarações de Ajuste Anual. A jurisprudência desta casa, de tributar os depósitos bancários, como se receitas oriundas da atividade rural fossem, está restrita a pessoas que se dedicam exclusivamente a atividade rural como pessoas físicas, não exercendo nenhuma outra atividade a não se ser a de produtor rural pessoal física. Assim sendo, no mérito como um todo, a primeira mão, não vislumbro como atender à pretensão do recorrente, já que parece ser possível concluir por uma questão de lógica, que perante o tratamento dado a outros casos que envolvem lançamentos por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, deveria, a principio, ser negado provimento total ao recurso. Todavia, o dever do ofício nos arrasta, no sentido de que se restabeleça a justiça fiscal de que, nestes autos, está carente, não por culpa da autoridade lançadora e sim pela situação peculiar estabelecida nestes autos. Embora não abandone a idéia de que a comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deva ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente, sou forçado a reconhecer que a jurisprudência neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de reconhecer a necessidade de se excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, os rendimentos declarados / lançados / receitas da atividade rural ou utilizou critérios que não considerem a totalidade, nos casos em que a autoridade fiscal lançadora deixou de considerálos. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 22 Muito embora não haja dúvidas quanto a presunção legal que determina a apuração mensal dos depósitos bancários, temos no caso presente que o contribuinte se dedica à atividade rural, sendo também certo que a Lei 8.023, de 1990 impõe a apuração anual. Não considerar tais valores como origem dos depósitos bancários não comprovado deixa, com certeza, o suplicante numa situação inadequada. Assim, em especial, neste processo, entendo que por uma questão de justiça fiscal existe necessidade de se estabelecer uma relação harmoniosa entre o fisco e o contribuinte. Ou seja, parece ser possível concluir por uma questão de coerência, que o tratamento a ser dado nestas circunstâncias deva ser a exclusão do valor da receita da atividade rural declarada nas Declarações de Ajuste Anual, como sendo a base de cálculo para a apuração dos rendimentos da atividade rural. Por outro lado, tal aspecto não chega a se constituir em prova absoluta de que o valor apurado, com base nas notas fiscais de produtor, de fato tem origem nestes depósitos bancários não justificados. Ora, se o recorrente apresentou as Declarações de Ajuste Anual, não vejo como deixar de reconhecer ao recorrente o direito de reduzir em igual montante o valor da receita bruta da atividade rural utilizada como base de cálculo para apurar os rendimentos provenientes da atividade rural do item de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, para efeito de cálculo do imposto devido. É de se registrar, que em situações análogas esse conselho já se manifestou no sentido de excluir da tributação dos rendimentos omitidos por decorrência de depósito bancário, uma vez que tais valores ou já foram objeto de lançamento por receita omitida na atividade rural ou porque constam nas Declarações de Ajuste Anual, conforme podemos observar nos acórdãos abaixo transcritos: Acórdão 10419.984 DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL A interpretação harmônica da Lei n.º 9.430, de 1996 com a Lei n.º 8.023, de 1990 que regula a atividade rural, induz ao entendimento de que os rendimentos totais da atividade se prestam como origem para justificar os depósitos bancários, independentemente de coincidência de data e valores. Acórdão 10419.845 DEPÓSITOS BANCÁRIOS – LEI Nº. 9.430, DE 1996 – COMPROVAÇÃO Estando as pessoas físicas desobrigadas de escrituração, os recursos com origem comprovada bem como outros rendimentos já tributados, inclusive aqueles objetos da mesma acusação, servem para justificar os valores depositados posteriormente em contas bancárias, independentemente de coincidência de datas e valores. No mesmo sentido se manifesta a jurisprudência nos casos de rendimentos tributáveis declarados da Declaração de Ajuste Anual: Acórdão nº 220200.415 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 Fl. 22DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 12 23 OMISSÃO DE RENDIMENTOS EXTRATOS BANCÁRIOS NORMA DE CARÁTER PROCEDIMENTAL APLICAÇÃO RETROATIVA. A Lei no 10.174, de 2001, que alterou o art. 11, parágrafo 3o, da Lei no 9.311, de 1996, permitindo o uso das informações referentes à CPMF para instaurar procedimento administrativo relativo a outros tributos, por representar apenas instrumento legal para agilização e aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais, por força do que dispõe o art. 144, § 1o, do Código Tributário Nacional, aplicase retroativamente a fatos geradores anteriores a sua vigência. Matéria pacificada por meio da Súmula CARF no 35, em vigor desde 22/12/2009. DECADÊNCIA RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL JUSTIFICATIVA DE ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 LIMITE DE R$ 80.000,00 FASE DE LANÇAMENTO. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Comprovado que a base presuntiva remanescente é inferior aos limites individual e anual para a verificação, ineficaz a exigência por força da exclusão legal específica. Recurso provido. Acórdão nº 220200.422 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por Fl. 23DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 24 homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. DADOS DA CPMF INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO PROCESSO FISCAL O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regemse pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1º, do artigo 144, da Lei nº 5.172, de 1966 CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITANTES/JUSTIFICATIVA DO DEPÓSITO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS Incabível o lançamento tributário tendo por base de cálculo depósitos bancários, na pessoa física do titular de conta bancária, quando restar identificado e justificado, por meio de documentação anexada aos autos, o conjunto de pessoas físicas e jurídicas depositantes dos valores questionados, bem como a sua motivação. Os valores assim apurados, quando for o caso, submeterseão às normas de tributação específica prevista na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996). Fl. 24DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 13 25 RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL JUSTIFICATIVA DE ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. Desta forma, é perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, quando restar caracterizada a falta de recolhimento de imposto. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 220200.170 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 NULIDADE ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1ºCC nº 2) IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro (art. 150, § 4.º do CTN). IRRETROATIVIDADE DE LEI As disposições da Lei Complementar n° 105 e da Lei n° 10.174, ambas de 2.001 referentes à matéria em litígio, são normas procedimentais e regidas pelas regras do art. 144, § 1o. do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimentos mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3°, do citado diploma legal. Devendo ser excluídos os valores dos rendimentos declarados na DIRPF. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 26 Preliminares rejeitadas. Recurso provido em parte. Da análise desta infração, observase que a discussão abrange, tãosomente, os seguintes valores: anocalendário de 1998 o equivalente a R$ 49.000,00 e anocalendário de 1999 o equivalente a R$ 82.231,00. Por outro lado, da análise das declarações de Ajuste Anual, verificase que o suplicante declarou com rendimentos provenientes da atividade rural os valore de R$ 715.805,13 e R$ 469.032,86, correspondentes aos anoscalendário de 1998 e 1999, respectivamente. Assim sendo, se faz necessário excluir da base de cálculo os valores tributados como depósitos bancários, correspondente ao item 02 do Auto de Infração. No que diz respeito a multa de lançamento de ofício qualificada de 150%, não posso acompanhar o entendimento do nobre recorrente, pelas razões alinhadas na seqüência. Entendo que, especialmente, neste processo, está aplicada corretamente a multa qualificada de 150%, cujo diploma legal é o artigo 44, inciso II, da Lei n.º 9.430, de 1996, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Observase que no trabalho de auditoria fiscal para a constituição do crédito tributário foram utilizadas as informações sobre a movimentação financeira da conta bancária n° 886009, do Banco do Brasil, agência 03522, aberta em nome de terceiro e utilizada pelo recorrente para seu uso particular, fato qualificador da multa de lançamento de ofício. Observase, ainda, que o início da ação fiscal se deu quando da remessa pelo judiciário, a pedido do Ministério Público Federal, de ofício dirigido ao Delegado da Receita Federal em Maringá, em 07/06/2000, encaminhando extratos bancários do Banco do Brasil S/A, em nome de Waldemir Ronaldo Corrêa, referente ao período de dezembro/1998 a abril/1999, para serem utilizados na auditoria fiscal. Tais documentos foram extraídos dos autos de Procedimentos Criminal Diverso n° 2000.70.03.0022826. Posteriormente, em 17/10/00, o MM Juiz Federal da Vara Criminal de Maringá encaminha cópia do Anexo I, do Procedimento MPF/PRM/MGA n° 1.25.006.000139/200087, que instruem os Autos de Ação Penal n° 2000.03.0053203, para serem utilizados nos trabalhos de auditoria fiscal (fls. 055, e Anexo I – fls. 001/337). Enfim, restou comprovado nos autos que a referida conta bancária era utilizada pela pessoa física de Luis Antônio Paolicchi, Secretário da Fazenda do Município de Maringá, ora recorrente. Como se vê o recorrente foi autuado sob a acusação de ação dolosa e fraudulenta diante do fato de se valer do artifício doloso de movimentar conta bancária em nome de terceiros. Recorreu, portanto, a interposta pessoa física, conhecidas no meio fiscal tributário por “contas bancárias em nome de laranjas”. Tudo isso com o objetivo inequívoco de evitar, na medida do possível, o recolhimento de tributos devidos para os cofres público da União, bem como para tentar dissimular os recursos desviados dos cofres da Prefeitura Municipal de Maringá PR e que no entender da autoridade lançadora e da autoridade julgadora de Primeira Instância caracteriza evidente intuito de fraude nos termos do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 26DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 14 27 É de se ressaltar, que a autoridade lançadora constatou que por ocasião da utilização de nome de terceiro como “laranja”, este concorreu voluntariamente para o cometimento da fraude. Só posso concordar com a conclusão que chegou a autoridade lançadora pela qualificação da multa, pois para que ocorra a incidência da hipótese prevista no inciso II do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Ora, sonegação no sentido da legislação tributária reguladora do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), “é toda ação ou omissão dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”. Porém, para a legislação tributária reguladora do Imposto de Renda, o conceito acima integra, juntamente com o de fraude e conluio da aplicável ao IPI, o de “evidente intuito de fraude”. Como se vê o inciso II do artigo 957, do RIR/99, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente ocultála. Resta, pois, para o deslinde da controvérsia, saber se os atos praticados pelo sujeito passivo configuraram ou não a fraude fiscal, tal como se encontra conceituada no artigo 72 da Lei n.º 4.502/64, verbis: Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Entendo, que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraude e este está devidamente demonstrado nos autos, através da utilização de interposta pessoa física para abrir conta bancária em nome de terceiro. Existe nos autos a prova material da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto. Ou seja, o ato de abrir conta bancária em nome de terceiros (“laranja”) para gerir e movimentar os recursos desviados dos cofres do município, demonstra, por si só, a forma cabal do evidente intuito de querer fraudar o fisco. A falta de registro da conta bancária nas Declarações de Ajuste Anual do autuado, simplesmente, reforça este desejo de agir na ilicitude e no desejo de obter vantagens para si às custas da Fazenda Nacional (não pagar tributos). Ademais, os arranjos pessoais realizados pelo recorrente para se proteger de eventuais problemas com o fisco não podem atingir os interesses da Fazenda Nacional, razão pela qual existem obstáculos tributários que não permitem a movimentação de recursos financeiros em contas bancárias em nome de terceiros sem a comprovação da devida origem ou sem a devida tributação, bem como a sua anotação na Declaração de Ajuste Anual de forma tempestiva. Da análise dos documentos constantes dos autos e das comprovações realizadas pela autoridade lançadora é possível afirmar com certeza, que no presente caso, Fl. 27DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 28 houve o “evidente intuito de fraude” que a lei exige para a aplicação da penalidade qualificada, já que resta claro nos autos, que a conta em nome do Sr. Waldemir foi declarada, mas apenas na Declaração de Ajuste Anual relativo ao exercício 2000. Até a declaração do exercício de 1999, relativa ao anocalendário de 1998, a fls. 03/09. E mesmo assim a conta somente foi declarada em virtude da instauração do procedimento investigatório pelo Ministério Público Federal. Ora, os extratos bancários de fls. 19/34 registram operações desde 1998, razão pela qual a referida conta bancária já deveria ter sido declarada anteriormente. Além disso, entre os documentos apresentados pelo Sr. Waldemir Ronaldo Correa para comprovar que a conta era movimentada pelo autuado, constam cheques do ano de 1997 (fls. 43/46), e o fiscal autuante noticia, às fls. 70, que a conta foi assim utilizada de janeiro de 1995 a junho de 2000. Assim sendo, fica cristalino que o contribuinte utilizouse dolosamente do nome de terceiros para escapar da tributação omitindo rendimentos, mormente se levado em conta a origem dos recursos movimentados na conta, em sua maioria desviados dos cofres do Município de Maringá – PR. Para um melhor deslinde da questão impõese, invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na Lei. Em primeiro lugar, recordese o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, nestes termos: Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença do imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44) (...). II – de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Quando a lei se reporta ao termo de evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder desta ou daquela forma para alcançar tal ou qual finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista, ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, conta bancária em nome de interpostas pessoas (“laranja”) sem a devida escrituração, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. Não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. É cristalino, que nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas, e por decorrência da natureza característica dessas figuras, o legislador tributário entendeu presente o intuito de fraude. Fl. 28DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 15 29 Enfim, há no caso a prova material suficiente da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto. Há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente age com vontade de fraudar reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos. Por fim, da mesma forma, não cabe razão ao recorrente no que tange às alegações de ilegalidade / ofensas a princípios constitucionais (razoabilidade, capacidade contributiva, não confisco e juros abusivos), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal). Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; Fl. 29DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 30 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, o princípio da capacidade contributiva que integra o pricípio da isonomia que consiste em tratar os desiguais de modo desigual, podendo assim o tributo ser cobrado de acordo com as possibilidades de cada um. Os que tiverem igual capacidade Fl. 30DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 16 31 contributiva devem ser tratados igualmente e os que tiverem riquezas diferente devem ser tratados desigualmente porque tê diferentes capacidades contributivas. É de se ressaltar, que o contribuinte não adquire, com este princípio, o direito de reivindicar que um certo imposto seja adequado às suas condições econômicas. Ele é um alerta ao poder tributante, o qual não deverá atuar em sentido contrário ao propor as normas instituidoras dos tributos, suas alíquotas e bases de cálculo. A vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. Os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já Fl. 31DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 32 fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para Fl. 32DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10950.000327/200195 Acórdão n.º 220200.970 S2C2T2 Fl. 17 33 excluir da base de cálculo da exigência o item 02 do Auto de Infração (depósitos bancários). (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 33DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN 34 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2202970. Brasília/DF, 10 de fevereiro de 2011 (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente da 2ª Turma Ordinária Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 34DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 16/02/2011 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10380.001341/92-20
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 1995
Ementa: IPI - CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Para a legislação do IPI, a classificação fiscal deve obedecer as Regras Gerais para Interpretação e Regras Gerais Complementares (RGC), da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias, e subsidiariamente as Notas Explicativas da NENCCA. A adoção de classificação diferente da atribuída pela autoridade tributária, gera exigência do tributo deixado de ser lançado ou realizado a menor. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 202-08232
Nome do relator: Antônio Sinhiti Myasava
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MINISTÉRIO DA FAZENDA C Rubricaji JsA0 ts,‘Iik» SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES W Processo : 10380.001342/92-20 Sessão •. 05 de dezembro de 1995 Acórdão : 202-08.232 Recurso : 98.413 Recorrente : MARINAS IND. DE VEÍCULOS COM. E REPRES. LTDA. 1 Recorrida : DRJ/FORTALEZA-CE. IPI - CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Para a legislação do IPI, a classificação fiscal deve obedecer as Regras Gerais para Interpretação e Regras Gerais Complementares (RGC), da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias, e subsidiariamente as Notas Explicativas da NENCCA. A adoção de classificação diferente da atribuída pela autoridade tributária, gera exigência do tributo deixado de ser lançado ou realizado a menor. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Marinas Industria de Veículos Com. e Repres. Ltda. ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 05 e / dezembro de 1995 ///'. Helvio /co iedo Ba ,cellosr7 ...Preside/ te fr. -41 I I 11 141„1 1 An • - o Si ,Or 1\/15lasava Relator ' Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Tarasio Campelo Borges, Daniel Correa Homem de Carvalho, Oswaldo Tancreto de Oliveira, José de Almeida Coelho, José Cabral Garofano e Armando Zurita Leão. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10380.001341/92-20 Acórdão : 202-08.232 Recurso : 98.413 Recorrente : MARINAS IND. DE VEÍCULOS COM. E REPRES. LTDA. RELATÓRIO Por não se conformar, com a Decisão do Senhor Delegado da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza-CE, mantendo a ação fiscal, com fundamento nos art. 29, inciso II, c/c o art. 22, inciso II; aart. 55, inciso I, "h" e inciso II "c", art. 107, inciso II, aart. 112, inciso IV c/c o art. 62, do RIPI182, aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23/12/82, exigindo o Imposto s/ Produtos Industrializados, no valor correspondente a 54.101,11 UFIRs, apresenta recurso a este Segundo Conselho de Contribuintes, pelas seguintes razões de defesa: "Que há erro técnico na classificação do veículo tipo "Buggy", na posição 8703.23.0199 - qualquer outro, sendo que a recorrente classificou na posição 8703.23.0700 - Jipes, com base nas considerações dada pelo Fisco Federal, ao veículo Fyber 2000, que usa exatamente o mesmo motor volkswagem de 1600 cilindradas, portanto teve tratamento ilegal e inconstitucional, ex vi do art. 5°, caput e inciso II, da CF/88" Por outro lado, faz referência ao código n° 123.701, do DENATRAN -qualquer outro, na classificação do Buggy. E, por fim, tenta caracterizar que houve concordância da autoridade fiscal na transferência da marca Marinas - Modelo Carroçaria para Buggy, para a empresa Cannilo Corretora de Veículos Ltda., CGC n° 23.732.201/0001-26, funcionando no mesmo endereço, da cessionária, conforme contrato de cessão e protocolo do Instituto Nacional da Propriedade Industrial. A autoridade julgadora de primeira instância, busca sua razão de decidir, nas informações do órgão central, competente para emitir normas tributarias e das Homologações de classificação de veículos tipo "buggy", inclusive diferenciando do tipo "jipe". Em síntese é o relatório. 2 • ij MINISTÉRIO DA FAZENDA Oarii% SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10380.001341/92-20 Acórdão : 202-08.232 VOTO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO SINHITI MYASAVA O recurso recebido pela autoridade tributaria em 21 de julho de 1995 é tempestivo, portanto dela tomo conhecimento. Por falta de cumprimento da apresentação dos livros fiscais e comerciais, e da documentação que embasaram a sua escrituração, a autoridade tributária recorreu ao fisco estadual, para poder quantificar o faturamento e calcular o imposto devido. Examinando com atenção o argumento apresentado na peça vestibular, não assiste razão ao recorrente, na questão relativo a classificação pretendida para o veículo de sua fabricação como "jipe", uma vez que a Secretaria da Receita Federal já se manifestou em classificar tal veículo como "buggy". Desta forma, com as informações que serviram para recolhimento dos tributos estaduais, não restou ao fisco federal efetuar o lançamento do IPI não realizada pelo contribuinte, sob o argumento de que o veículo tipo "buggy" gera imposto à alíquota de 12%, pois deve ser classificado como tipo "jipe". Como se vê, incabível, mesmo porque é entendimento passifico deste Colegiado, em classificar o veículo tipo "buggy", na posição 8703.23.0199, cuja alíquota de 33%, vigorou no período de 10/04/89 a 30/03/90, por determinação do Decreto n° 97.598/89 e de 37%, no período de 01/04/90 a 04/06/91, pelo Decreto n° 99.182/90. Em relação ao veículo tipo "jipe", a autoridade administrativa já se manifestou através de atos normativos, definindo as características essenciais à sua classificação, como bem salientou a autoridade julgadora de primeira instância, não tendo nenhuma relação de aproximação com o tipo "buggy". No Acórdão n° 202-07.785, da lavra do relator Tarasio Campelo Borges, muito bem posicionado na argumentação da Orientação Normativa em homologação da classificação, assim enunciado: "A citada Orientação Normativa foi homologada pelo Despacho Homologatório CST (DCM) n° 202, de 29/06/90, por estar de acordo com a RG P, combinada com a RGLC 1', ambas da NBM/SH/TIPUTAB, ratificando o Código 87.02.01.01 da TIPUTAB, aprovada pelo Decreto n° 89.241/83, esclarecendo que a partir de 01/01/89, data da vigência da TIPI, aprovada pelo Decreto n° 97.410/88, o produto em causa deve ser classificado no código 8703.23.0199, de acordo com a RGI l a, todas naNBM/SH/TIPI/TAB e com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (versão luso-brasileira) da posição 8703." fr,„ 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10380.001341/92-20 Acórdão : 202-08.232 Também não prospera a alegação da recorrente quanto aos caráter meramente interpretativo do Decreto n° 221, de 20/09/91, que criou a Nota Complementar ao Capítulo 87, da TIPI/88 - NC (87.11), pois, referida nota, textualmente, reduziu para 12% a alíquota do código 8703.23.0199, incidente sobre os veículos tipo "buggy", desde que respeitadas as características indicas. Como pode ser examinado, a partir de 1989, todos os Despachos Homologatórios CST, tem classificado os veículos tipo "buggy", no código TIPI - motores 1.300 cm3 - 46 CV e 1.500 cm3 - 52 CV, na posição 87.03.23.0199 - gasolina e 87.03.22.0299 - álcool: e os de motores 1.600 cm3 - 65 CV, na posição 87.03.0199 - gasolina e 87.03.23.0399 - álcool, não restando mais nenhuma dúvida, do acerto da autoridade tributária, na exigência do imposto que foi deixado de lançar e recolhidos aos cofres da União Federal. Questões de ordem Constitucional, devem ser peticionadas ao Poder Judiciário, a quem tem competência legal para decidir, falecendo ao Julgador Administrativo, poder jurisdicional para apreciar e conhecer as Ações de Incosntitucionalidade. Por todas estas razões, Nego Provimento ao recurso. Sala da sessões, em 05 4e dezembro de 1966 nue. dip ANTONIO 1. 1 )(„'ASAVA 4
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