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Numero do processo: 16327.003886/2003-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1998, 1999
Embargos rejeitados.
Rejeitam-se o embargos quando não demonstrada contradição alegada.
Numero da decisão: 1302-000.805
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e negar-lhes provimento.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Rejeitamse o embargos quando não demonstrada contradição alegada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e negarlhes provimento. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello. Relatório Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Tratase de embargos de declaração apresentados em relação ao acórdão 105 17.027, proferido pela 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes em sessão de 28 de maio de 2008. A embargante afirma haver omissão/obscuridade no julgamento em relação à incidência de multa de mora sobre o valor confessado pela recorrente mas que essa entendia estar com exigibilidade suspensa. O acórdão se manifestou sobre a matéria: Restaria, ainda, por apreciar a afirmativa contida a fls. 239 da decisão recorrida, segundo a qual, "No tocante à multa de mora, o par 2°, do artigo 63 da Lei n° 9.430/1996 determina que a interposição de ação judicial favorecida com medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.". Essa afirmativa foi atacada pela recorrente, principalmente em Memorial, porém, examinando o lançamento não encontro nele a inclusão de qualquer valor a título de cobrança de multa moratória, e, a multa de oficio foi cancelada pela autoridade recorrida, não restando a cobrança de qualquer parcela individuada como multa impositiva. Revendo o Termo de Verificação Fiscal Fls.(Es. 79 a 82), igualmente, nele não observei qualquer menção ou integração de parcela de multa moratória à base de cálculo do tributo ou em seu cálculo diretamente influenciado por tal multa de mora Dessa forma, sobre o assunto, entendo não deva ele ser tratado nesse julgamento que deve se limitar à apreciação do crédito tributário objetivamente constituído, ressalvando que eventual omissão possa ser dirimida na forma regimental pela via. de embargos de• declaração. Afirma a embargante: Entretanto, esta Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, no julgamento em questão, simplesmente não conheceu da parte do recurso voluntário em que foi requerida a exclusão da multa, por considerar que: (1) a exigência da multa de oficio foi afastada pelo acórdão proferido em primeira instância administrativa; e (ii) o auto de infração não se prestou pata o lançamento de débitos a titulo de multa de mura. Isto porque, esse Conselho, através do acórdão ora embargado, deixou de enfrentar a questão atinente à exigência da multa de mora que, a seu turno, foi expressamente tratada pelo acórdão proferido em primeira instância administrativa, ocasião em que, como visto, foi expressamente reconhecida a legalidade da sua exigência no presente caso. Assim, impõese o acolhimento dos presentes embargos declaratórios para que, uma vez providos, seja afastada a obscuridade constante do acórdão embargado, a fim de nele fazer constar expressa. Menção sobre a impossibilidade de o Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.003886/200351 Acórdão n.º 130200.805 S1C3T2 Fl. 2 3 embargante vir a ser submetido à exigência de multa de mora em decorrência do lançamento realizado por meio do auto de infração ora impugnado, e que, por esse motivo, seria desnecessária a apreciação do recurso voluntário quanto a esse ponto.. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 Voto Os embargos são tempestivos e devem ser conhecidos. Entendo que não há a citada omissão/obscuridade no acórdão embargado. O acórdão embargado afirma: Essa afirmativa foi atacada pela recorrente, principalmente em Memorial, porém, examinando o lançamento não encontro nele a inclusão de qualquer valor a título de cobrança de multa moratória, e, a multa de oficio foi cancelada pela autoridade recorrida, não restando a cobrança de qualquer parcela individuada como multa impositiva. Revendo o Termo de Verificação Fiscal Fls.( Fls. 79 a 82), igualmente, nele não observei qualquer menção ou integração de parcela de multa moratória à base de cálculo do tributo ou em seu cálculo diretamente influenciado por tal multa de mora Dessa forma, sobre o assunto, entendo não deva ele ser tratado nesse julgamento que deve se limitar à apreciação do crédito tributário objetivamente constituído, ressalvando que eventual omissão possa ser dirimida na forma regimental pela via. de embargos de• declaração. Entendo que não reparo a fazer ao acórdão embargado, pois a incidência da multa de mora é matéria de execução do acórdão e a autoridade executora deverá observar, no momento da execução, se as condições para incidência da multa moratória estarão presentes e, estando, terá o dever de cobrála, não sendo possível verificar a priori essa incidência. Ademais, não tendo sido lançada e nem poderia ter sido, tendo em vista que não há previsão de lançamento de multa de mora, essa matéria não pertence a lide. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer os embargos e negarlhes provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.003886/200351 Acórdão n.º 130200.805 S1C3T2 Fl. 3 5 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 35166.000008/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/07/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. INCORREÇÕES NA DECLARAÇÃO DE GFIP.
Apresentar a GFIP com incorreções caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A ausência do requisito de saneamento da infração era impeditivo para a concessão do favor fiscal de relevação da penalidade.
ENTIDADES ISENTAS DO RECOLHIMENTO DA COTA PATRONAL. DISPENSA DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. IMPOSSIBILIDADE.
Ainda que a recorrente ostentasse a condição de entidade isenta quanto ao recolhimento das contribuições sociais, não estaria desobrigada do cumprimento das obrigações acessórias.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.295
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INCORREÇÕES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. Apresentar a GFIP com incorreções caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A ausência do requisito de saneamento da infração era impeditivo para a concessão do favor fiscal de relevação da penalidade. ENTIDADES ISENTAS DO RECOLHIMENTO DA COTA PATRONAL. DISPENSA DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. IMPOSSIBILIDADE. Ainda que a recorrente ostentasse a condição de entidade isenta quanto ao recolhimento das contribuições sociais, não estaria desobrigada do cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 815DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35166.000008/200742 Acórdão n.º 240102.295 S2C4T1 Fl. 816 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 35.703.8851, para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP sem omissões ou incorreções. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 15, as informações incorretas se deram nos campos “Ocorrência” e “FPAS” e se deram no período de 01/1999 a 05/2003. Cientificado da autuação em 22/12/2004, o sujeito passivo apresentou impugnação alegando haver corrigido a falta e requerendo a relevação da penalidade. O órgão de julgamento requereu a manifestação do fisco, para que fosse esclarecido se havia necessidade de correção das informações uma vez que as mesmas não alterariam o valor das contribuições. A auditoria manifestouse, fl. 487, afirmando que a retificação das guias seria necessária, uma vez que a informação no campo “ocorrência” como fora prestada geraria inconsistência no banco de dados da Previdência, podendo acarretar em concessão de aposentadoria especial para segurados que não faziam jus a esse tipo de benefício. A empresa apresentou nova defesa repetindo os termos da anterior e solicitou a realização de diligência no sentido de se verificar a correção da infração. Nova diligência fiscal foi requerida, desta feita para que o fisco esclarecesse se efetivamente houve erro quanto ao campo “FPAS”, uma vez não detectou na planilha demonstrativa do cálculo da multa o acréscimo relativo a essa incorreção. O fisco voltou a se pronunciar, fls. 502/504, no qual informa a emissão de novo Relatório Fiscal excluindo da infração o erro relativo ao FPAS e apresentando demonstrativo de fls. 505/569 com indicação das ocorrências que não foram corrigidas, as quais se fizeram presentes em todas as competências que compõem o AI. A empresa, fl. 616, insiste mais uma vez que as faltas foram saneadas conforme orientação do Auditor Fiscal, o qual teria aprovado o procedimento de retificação, quando da realização da diligência fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belém declarou improcedente a impugnação e indeferiu o pedido de relevação da multa, sob a justificativa de que não houve a retificação integral das informações (ver fls. 776/781). Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário no qual, após discorrer sobre as diversas alterações na sua personalidade jurídica e os fatos ocorridos no presente processo, alegou, em síntese, que: Fl. 817DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 a) o acórdão recorrido deve ser reformado, uma vez que não considerou a condição da recorrente de entidade filantrópica na época da autuação; b) confeccionou as retificação da GFIP conforme orientado pelo fisco, merecendo a dispensa da multa; c) mesmo que não tenham sido saneadas todas as incorreções merece relevação parcial, de modo que se atenda aos ditames dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; Ao final, pede a relevação da penalidade ou a aplicação de multa mais benéfica. É o relatório. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35166.000008/200742 Acórdão n.º 240102.295 S2C4T1 Fl. 817 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A condição de entidade filantrópica Nos termos do Código Tributário Nacional – CTN, a condição de isenta não afasta do sujeito passivo a obrigação de cumprir as obrigações acessórias. Eis o que dispõe o Codex referido: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Nesse sentido, o fato da empresa ser ou não considerada entidade beneficente de assistência social, em nada interfere na sua obrigação de cumprir os deveres instrumentais instituídos no interesse da fiscalização e arrecadação de tributos, como é o caso da norma que determina que os contribuintes informem a GFIP sem incorreções. A relevação da penalidade Um primeiro aspecto a ser analisado quanto ao pedido de dispensa da multa é a natureza da infração. Tratase de incorreção nos campos não relacionados aos fatos geradores de contribuições sociais, uma vez que as mesmas não provocaram qualquer alteração no valor das contribuições devidas. Para aplicação da penalidade foi considerado apenas um campo com erro, aquele relativo à “ocorrência”, o qual indica se o trabalhador atuou em condições que lhe garantiriam direito à aposentadoria especial, ou seja, aquela a que fazem jus os segurados que laboram em condições prejudiciais à integridade física e que é concedida aos 25, 20 ou 15 anos de efetivo trabalho, conforme a atividade que exerçam. O fisco detectou que determinados trabalhadores, malgrado não estivessem submetidos às ditas condições especiais, tinham lançadas as informações na GFIP com o código indicativo de aposentadoria especial, nesse sentido a correção dos campos da guia informativa em nada alteraria o valor das contribuições devidas, pelo contrário, havendo a obrigação do recolhimento, até as reduziria. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 O valor da multa era calculado, nos termos do revogado § 6.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, em 5% do valor mínimo por campo incorreto. No caso sob debate, havia apenas um campo incorreto, embora o mesmo se referisse a vários trabalhadores. Nesse sentido, a multa independeria do número de trabalhadores com o campo “ocorrência” incorreto, posto que a penalidade era fixada em razão do número de campos com erros. Por exemplo se informação tivesse sido lançada incorretamente para dez trabalhadores e em relação a nove deles a empresa houvesse procedido a retificação, a multa permaneceria a mesma, uma vez que o campo “ocorrência” continuava incorreto, gerando a multa de 5% do valor mínimo. Basta ver que no Anexo de fls. 17 e segs. que para cada competência considerouse apenas um campo incorreto. Tendose em conta que a recorrente não conseguiu corrigir a infração integralmente para nenhuma das competência que compõem o AI, conforme informação prestada pelo fisco em sede de diligência, remanesceu a incorreção em um campo da GFIP, não havendo o que se falar em relevação da penalidade. Diferentemente seria se existissem dois campos com incorreção e a empresa tivesse corrigido um deles, nesse caso, não tenho dúvida de que haveria de se conceder a relevação parcial da penalidade, mas não é essa a situação que nos é posta. É de notar que, nos termos do revogado § 1.º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, um dos requisitos para a dispensa da multa era a correção da falta. Nesse sentido, entendo que a não há de se relevar a penalidade. Aplicação da multa mais benéfica O pedido de aplicação da multa mais benéfica não é despropositado. É que ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Nessa toada, devo verificar se a multa calculada conforme a legislação é mais benéfica ao sujeito passivo, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Considerando que a infração em questão não provocou qualquer alteração na contribuição devida, portanto, não tem lançamento da obrigação principal correlato, devese comparar a multa lançada no AI com a prevista inciso I do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991 c/c o inciso II do § 3.º do mesmo artigo, assim redigidos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será Fl. 820DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35166.000008/200742 Acórdão n.º 240102.295 S2C4T1 Fl. 818 7 intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Considerandose que no AI a multa por competência foi aplicada no valor de R$ 51,79 (5% do valor mínimo) e que, de acordo com a novel legislação, o valor mínimo por competência é de R$ 500,00, dúvida não há de que a norma vigente quando da ocorrência dos fatos geradores é mais benéfica ao contribuinte, não havendo alteração a ser feita no valor fixado no AI. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 821DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000870/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. REENQUADRAMENTO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL COMO SEGURADO EMPREGADO. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, ainda mais em caso no qual a própria recorrente reconhece o
reenquadramento levado a efeito pela fiscalização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.403
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. REENQUADRAMENTO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL COMO SEGURADO EMPREGADO. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, ainda mais em caso no qual a própria recorrente reconhece o reenquadramento levado a efeito pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ASSOCIAÇÃO CASABRANQUENSE DE CULTURA PHYSICA E ESPORTES , em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social por segurados contribuintes individuais (levantamento CID e CIN), transportador autônomo rodoviário (levantamento RTA) e caracterização de segurado empregado (levantamento LEF). Consta do relatório fiscal que as contribuições devidas não foram retidas dos pagamentos efetuados pela recorrente e não foram repassadas à Previdência Social. Ademais, no que se refere à caracterização do segurado empregado, o relatório fiscal aponta que a recorrente remunerou o segurado Leandro Ferrari (gerente)no período de 07/2006 a 12/2007, reenquadrandoo como segurado empregado a partir das seguintes verificações e justificativas do fiscal autuante: 3.3.3 Impende considerar um aspecto peculiar à situação do gerente. Antigamente, o gerente era visto como aquele que fazia as vezes do empresário, intitulado pela práxis comerciante. Os tempos evoluíram, e com ele, o pensamento jurídico acerca da figura do gerente. Efetivamente, o cenário empresarial demonstrou que o gerente não é aquele indivíduo solto, desprovido de uma ligação firme e sólida com relação ao empresário, senão .aquele que deste depende, justamente por força dos laços de vinculação hierárquica e jurídica, agindo tal qual um mandatário, porém, com maior autonomia do que este. Assim, sagrouse adotada a figura do gerente como um auxiliar do comércio, auxiliar este dependente e vinculado. O novo Código Civilna esteira do Código Civil peninsular, adotou este conceito, dispondo que "Considerase gerente o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência". Na esteira do pensamento, o gerente é auxiliar dependente, com vínculo empregatício, porque outra coisa não se espera em relação àquele contratado para gerir todo um plexo de atividades negociais, ressaltando o caráter mais puro da fidúcia na relação de gestão de bens e negócios alheios. 3.3.4 Admitir que se possa ter um gerente, na exata acepção do termo é confundir o gerente com o administrador, figura que o Novo Código Civil elege em substituição ao antigo "sócio gerente". Destarte, não se equivalem as expressões. Administrador é o titular da empresa coletiva ou individual que a exerce, no seu interesse e por conta dos seus negócios. Gerente é aquele que, sob a orientação e supervisão superior, executa os negócios, agindo tãosomente na esfera material, e não na de condução efetiva dos fins sócioeconômicos. Daí não se poder confundir. Administrar é ministrar, empreender, aplicar algo em uma finalidade, envolvendo discricionariedade e poder de Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.000870/200828 Acórdão n.º 2402002.403 S2C4T2 Fl. 229 3 decisão; gerir é cuidar, reger, cercar aquilo já destinado a uma finalidade. O lançamento compreende o período de 01/2004 a 12/2007, tendo sido o recorrente cientificado do lançamento em 04/07/2008 (fls. 37). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 212/218), o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls.222/224, através do qual sustenta, em síntese: 1. que o relatório fiscal é impreciso e não aponta claramente a ocorrência dos fatos geradores indicados no relatório fiscal; 2. que o v. acórdão recorrido ao reconhecer que o lançamento deve ser claro e garantir o direito de defesa, deveria ter anulado o lançamento efetuado; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente, da análise do recurso e da própria impugnação apresentada nos autos do presente processo, verificase que a recorrente deixou efetivamente de impugnar as contribuições lançadas, resumindose a atacar o lançamento com fundamento em nulidades a serem consideradas no Auto de Infração, motivo que a meu ver tornouo incontroverso. Por este motivo, passo a análise da única alegação constante no recurso, qual seja, de nulidade da autuação. Conforme já se demonstrou, nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento de contribuições previdenciárias por ela não adimplidas e declaradas, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma legal em vigor, não hã que se reconhecer a nulidade do lançamento. Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Da análise do relatório fiscal, verificase que este veio devidamente acompanhado de todos os anexos do Auto de Infração, sendo dele parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto restaram devidamente demonstrados, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais devidas. A caracterização do segurado Leandro Ferrari fora devidamente demonstradas, de certo que emerge dos autos a devida comprovação da presença dos requisitos ensejadores do reconhecimento do vínculo de emprego, em conformidade com aquilo o que disposto nos artigos 2o e 3o, ambos da Consolidação das Lei Trabalhistas – CLT. Não obstante, também fora informado no próprio relatório fiscal que a recorrente acabou por lhe reconhecer a Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.000870/200828 Acórdão n.º 2402002.403 S2C4T2 Fl. 230 5 condição de segurado empregado, quando efetuou retificação das GFIP´s apresentadas, agora incluindoo na nova condição. Uma vez que o v. acórdão recorrido decidiu a matéria a contento e em consonância com o entendimento ora esposado, nenhum reparo merece serlhe determinado. A mera irresignação ou inconformismo da recorrente quando aos fundamentos de decidir do julgador de primeira instância não tem o condão de ensejar a nulidade do acórdão. Por tais motivos, rejeito esta preliminar e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 36394.001220/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1993 a 30/07/1997
Ementa:NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO
CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento,
oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o artigo
49, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula n° 2, do 2° CC, às instância administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em
inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei n° 8.212/91.
Incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 e demais alterações.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.075
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1993 a 30/07/1997 Ementa:NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o artigo 49, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula n° 2, do 2° CC, às instância administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei n° 8.212/91. Incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 e demais alterações. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 36394.001220/2007-04 Recurso n° 150.462 Voluntário Acórdão n° 2401-01.075 — 4 Câmara I P Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria NOTIFICÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS Recorrente DE MILLUS S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO E OUTROS Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1993 a 30/07/1997 Ementa:NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o artigo 49, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula n° 2, do 2° CC, às instância administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei n°8.212/91. Incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 e demais alterações. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da e Câmara / I° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPA FREIRE - Presidente I Sr MARCELO"ir. :. D-t- ZA COSTA — Relatorife Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. 1 I 2 Processo n° 36394001220/2007-04 S2-C4T1 Acórdão n.°2401-01.075 Fl. 683 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em substituição à NFLD 32.709.595-4, anulada pela DN n° 17.002/064/2000, em 25/04/2000. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 29/47, foi lavrada em razão da autuada não ter recolhido na época própria, as contribuições previdenciárias incidentes sobre as reclamações trabalhistas. Inconformada com a Decisão Notificação de fls. 547/556, a empresa apresentou recurso a este conselho alegando em síntese: Revisão do lançamento feito em desacordo com o CTN, inclusive por força da decadência. Cerceamento do direito de defesa, tendo em vista não ter sido indicado o fundamento legal que autoriza a revisão do lançamento, bem como vícios na motivação e fundamentação da NFLD. Autoridade fiscal não apurou quais seriam as verbas indenizatórias e remuneratórias. Apuração do valor do débito, feito de forma equivocada, vez que foi efetivada mediante soma de valores expressos em moedas diferentes. Que a cobrança das contribuições sobre o valor total pago nas reclamações trabalhistas ê inconstitucional. NFLD lavrada mediante arbitramento em desacordo com o art. 148 do CTN. Inexistência de previsão legal que legitima a cobrança da contribuição para o SAT em nome de terceiros sobre verbas não remuneratórias. Inconstitucionalidade da taxa SELIC. Indevida a cobrança das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos a pessoas que não tiverarri vinculo empregatício reconhecido na reclamação trabalhista. Requer o provimento do recurso com a anulação da NFLD. A Secretaria da Receita Previdenciária — SRP não apresentou contra razões. É o relatório. 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente cumpre esclarecer que a constituição do crédito tributário, por meio do lançamento de oficio, como atividade administrativa vinculada, exige do Fisco a estreita observância à legislação de regência, de forma que todo o procedimento fiscal instaurado abarque os requisitos legais exigidos. Não é menos certo, que a inobservância a legislação que rege o lançamento fiscal, ou ainda de seus requisitos, implica invariavelmente em nulidade do procedimento administrativo, eis que na maioria das vezes sugere cerceamento do direito de defesa, impondo o seu reconhecimento pela própria Administração. Ocorre que não é o caso do lançamento em espeque, já que se reveste de todas as formalidades legais. A ampla defesa não se mostra agredida no caso destes autos, na medida em que o procedimento fiscal traz em seu bojo todos os elementos necessários para a perfeita compreensão do débito, sua origem, e seus fundamentos legais. Os anexos que constam dos autos, nos mostram os percentuais adotados para efeito dos cálculos, e indicam o caminho e os critérios seguidos pela fiscalização, bastando para se confrontar e afastar as argüições recursais a sua mera analise perfunctória. Em verdade, o lançamento encontra-se satisfatória e exaustivamente fundamentado, conforme se pode aferir do anexo denominado Fundamentos Legais do Débito, que traz toda a legislação que apóia e autoriza a postura da fiscalização do INSS, não restando omisso em nenhum ponto. De outra ótica, a memória de cálculos e as origens do débito estão perfeitamente detalhadas nos autos, não havendo qualquer imprecisão ou inexatidão a ser reconhecida. Os fatos geradores estão satisfatoriamente declinados no REFISC, bem a justificativa para o arbitramento utilizado pela autoridade lançadora, de forma que a exposição ali constante não se encontra debilitada em nenhum de seus termos, não havendo qualquer omissão de onde se apurou o débito, e da sua explicitação. • Quanto à alegação recursal tendente a questionar o procedimento de revisão do lançamento, ainda que sob um enfoque distinto, não cabe razão ao contribuinte. A questão pertinente à revisão do lançamento, deve ser encarada a partir da leitura atenta do art. 145 do CTN, que consagra, como regra, a imutabilidade do accertamento, assim prescrevendo: Art 145 - O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de oficio; 4 Processo n° 36394.001220/2007-04 S2-C4T1 Acórdão a° 2401-01.075 Fl. 684 III- iniciativa de oficio da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149. Nota-se do dispositivo codificado que uma vez regularmente notificado o sujeito passivo, o lançamento toma-se definitivo, apto a produzir todos os efeitos que dele se espera, podendo, entretanto, ser alterado (fazendo uso do termo legal) nas hipóteses excepcionais arroladas nos seus incisos. Alheios às previsões do inciso I e II, cuja análise fugiria a aplicação a este caso em concreto, o inciso III encimado, prevê a possibilidade de revisão do lançamento por iniciativa da própria administração fiscal, submetendo-a, todavia, as diretrizes traçadas no art. 149 do Códex. Assim é que a modificação de um lançamento efetuado, ou a refiscalização de um mesmo fato, gerando um lançamento de oficio, somente ha de ser promovida nos casos autorizados pelo CTN. Para melhor análise; calha trazer a colação o art. 149 do Código Tributário --- Nacional, que assim giza. "Art. 149 - O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: 1- quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juizo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior: - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuo, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou fonnalidade essencial" 5 O lançamento, portanto, pode ser revisto ex-officio, condicionando-se a necessidade da administração fiscal comprovar a ocorrência de uma das situações do art. 149 do CTN. Fora dessas hipóteses, à segurança jurídica prestigiada pelo CTN não permite que o Fisco modifique de oficio, uédito já devidamente constituído, ou imponha uma exigência fiscal referente a período já fiscalizado e onde teria se constatado naquela oportunidade anterior não haver. Não olvidemos ainda que o próprio INSS tem acolhido tal entendimento, na medida em que seus atos normativos rotineiramente vem prevendo que a revisão do lançamento deve acompanhar as determinações do citado art. 149 do CTN. Tanto isso é verdade, que basta-nos ver o que prescreve o ait. 226 da IN 70/2002, ou o art. 588 e §§ da IN 100/03 ou ainda o art. 570 e §§ da IN 03/05.CONCLUSÃO: No presente caso, temos que a NFLD foi lavrada em substituição a outra notificação anulada por vício formal. Em se tratando de notificação substitutiva, ocorreu a interrupção do prazo decadencial e a lavratura desta obedeceu os preceitos legais autorizadores do novo lançamento. Da mesma forma não vislumbro o cerceamento de defesa argüido pela recorrente, sendo certo que a lavratura do presente AI se deu em nítida harmonia a disposição legal, frise-se que pela análise dos documentos presentes no presente processo, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, quais sejam: - Autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal — MPF-, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; - Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com is - informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconsfitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. A corroborar esse entendimento, a Sumula n° 02, do 2° Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." Pelo exposto voto pelo CONHECIMENTO do recurso, REJEITAR AS PRELIMINARES e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 r- MARC vsero) • SD OUZA COSTA - Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 15504.000909/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 17/01/2003 a 17/08/2005
AUTODEINFRAÇÃO.
Recurso voluntário não conhecido devido a perda do objeto, já que a autuada efetuou o pagamento integral do crédito em litígio.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-001.544
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em não conhecer do
recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O contribuinte efetuou o pagamento integral do crédito tributário em litígio.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 10166.013340/2008-27
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EM ABERTO. CIÊNCIA.
Não cientificada a contribuinte sobre quais os débitos em aberto, após comparecer à RFB, sendo impedida, portanto, de regularizar a sua situação dentro do prazo legal para evitar a exclusão do Simples Nacional, uma vez regularizada a situação devedora, ainda que após a ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarado insubsistente o ADE que motivou a exclusão.
Numero da decisão: 1801-000.860
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EM ABERTO. CIÊNCIA. Não cientificada a contribuinte sobre quais os débitos em aberto, após comparecer à RFB, sendo impedida, portanto, de regularizar a sua situação dentro do prazo legal para evitar a exclusão do Simples Nacional, uma vez regularizada a situação devedora, ainda que após a ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarado insubsistente o ADE que motivou a exclusão.
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DÉBITOS EM ABERTO. CIÊNCIA. Não cientificada a contribuinte sobre quais os débitos em aberto, após comparecer à RFB, sendo impedida, portanto, de regularizar a sua situação dentro do prazo legal para evitar a exclusão do Simples Nacional, uma vez regularizada a situação devedora, ainda que após a ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarado insubsistente o ADE que motivou a exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 50DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa em epígrafe requer que seja tornado sem efeito o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/BSA nº 024795/08 que a exclui do sistema de tributação diferenciado, favorecido e simplificado – Simples Nacional, disciplinado pela Lei Complementar nº 123/06, por haver quitado os débitos pendentes que motivaram a sua exclusão. Cópia do ADE, emitido em 22 de agosto de 2008, foi juntada às fls. 02 e noticia que o motivo da exclusão foram débitos com a Fazenda Pública Nacional em aberto, sem exigibilidade suspensa. Às fls. 03 a 05 a empresa anexa pesquisa realizada junto ao Ministério da Fazenda, Secretaria da Receita Federal do Brasil sobre seus dados cadastrais e fiscais e situação de débitos em aberto, em 10/09/2008. A pesquisa acusa débitos de CSLL e Cofins. Em sequencia junta os DARF recolhidos – fls. 07 e 08. Às fls. 10 foi juntado ao processo a “Consulta de Débitos Geradores do ADE” (sistema SIVEX), datada de 01/12/2008, que indicou, além daqueles débitos informados na pesquisa realizada pela empresa, débitos previdenciários inscritos na RFB – Secretaria da Receita Federal do Brasil. No extrato do contribuinte restou acusado os já referidos débitos de CSLL e Cofins como extintos por pagamento. O órgão preparador do presente processo o informa apontando como único débito em aberto da empresa, motivador pela sua exclusão, aquele previdenciário identificado pelo IP nº 2250002008, no valor de R$ 13.673,46. A Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Brasília prolatou o Acórdão nº 0335.725/10, fls. 19 e ss, mantendo a exclusão da empresa do Simples Nacional, assim fundamentado o votocondutor: “A exclusão em tela foi motivada pelos débitos relacionados à fl. 10, quais sejam, débitos de Cofins dos períodos de apuração 04/2005 e 06/2005, e débitos previdenciários IP n° 2250002008. Essa relação dos débitos motivadores da exclusão foi disponibilizada à contribuinte em endereço eletrônico constante do Ato Declaratório (fl. 02). Em análise aos autos, bem como à consulta ao Sivex de fl. 18 (por mim juntada), constatase que não houve a regularização dos débitos previdenciários dentro do prazo legal conferido para tanto (trinta dias contados da ciência do Ato de exclusão). Por sua vez, a contribuinte nada alega sobre esses débitos, nem apresenta qualquer comprovante de pagamento/suspensão da exigibilidade. Nesse contexto, revelase procedente a exclusão.” Tempestivamente a empresa apresenta o Recurso de fls. 32 e 33 argumentando que em momento algum foi cientificada do débito previdenciário em questão, tomando as medidas cabíveis em relação aos débitos que constaram em aberto em pesquisa realizada junto à Receita Federal do Brasil. Argumenta, ainda, que ao saber deste débito previdenciário, por ocasião da decisão, promoveu a adesão ao REFIS IV (Lei nº 11.941/08), cujo pedido de parcelamento foi devidamente homologado pela RFB, inclusive os débito do IP nº 0025000/2008, ora cancelado. Junta ao recurso documentos que comprovam suas alegações. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.013340/200827 Acórdão n.º 180100.860 S1TE01 Fl. 48 3 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso, por tempestivo. Da análise dos autos verifico que o ADE recorrido trouxe em seu bojo apenas o endereço eletrônico para a empresa acessar e verificar eventuais débitos em aberto. Todavia, a empresa compareceu à Receita Federal do Brasil e obteve junto à administração tributária a pesquisa consolidada de fls. 03 a 05 pela qual foi cientificada que havia somente dois débitos em aberto, a título de CSLL e Cofins. Prontamente recolheu os débitos em aberto. Somente quando da instrução deste processo pela turma julgadora de primeira instância é que o relator do processo acessa o sistema SIVEX e verifica que há débito previdenciário identificado pelo IP nº 000225000/2008. Na pesquisa buscada junto à administração tributária por ocasião da cientificação do ADE excludente não há qualquer menção deste débito previdenciário, pelo que entendo que, ao ser procurada, o fisco deveria prover a recorrente de todos os elementos que a impediam de usufruir do regime favorecido, diferenciado e simplificado – Simples Nacional. Não há como impingir ao administrado o dever de acessar endereço eletrônico para verificar débitos, quando a própria administração tributária emite pesquisa cadastral e fiscal sem apontar todos os débitos para com a RFB. Tenho pois, para mim, verídicas as alegações da recorrente e verifico aos autos que atualmente o IP nº 00225000/2008 – grafado na pesquisa como “SEM ENVIO” – atualmente encontrase cancelado – fls. 43, não havendo óbices para a empresa usufruir do Simples Nacional. Voto pela insubsistência do Ato Declaratório Executivo de exclusão da recorrente do Simples Nacional. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 52DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000527/2005-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Anocalendário:
2000, 2001, 2002
VEÍCULO. SUBSTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da contribuição para o PIS e para a Cofins, segundo o
regime de substituição tributária previsto no art. 44 da Medida Provisória n°
1.99115/
2000, é o preço de venda da montadora, considerado este o preço do
produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados
incidente na operação. Ou seja, é o valor efetivamente pago pela
concessionária à montadora na aquisição do veículo novo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.452
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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SUBSTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e para a Cofins, segundo o regime de substituição tributária previsto no art. 44 da Medida Provisória n° 1.99115/2000, é o preço de venda da montadora, considerado este o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na operação. Ou seja, é o valor efetivamente pago pela concessionária à montadora na aquisição do veículo novo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 31/08/2005 a empresa IRMÃOS SPERANDIO COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. ingressou com o pedido de restituição (em papel) de PIS e Cofins, relativo a pagamentos efetuados no período de julho de 2000 a outubro de 2002, alegando que o valor do IPI devido pela montadora foi incluído indevidamente na base de cálculo das exações devidas por ela recorrente na qualidade de substituída. A DRF em Joaçaba SC indeferiu o pedido da recorrente, alegando a base de cálculo utilizada pela montadora substituta estar em perfeita harmonia com a legislação de regência e que a IN SRF nº 54/2000 em nada fere a norma que regulamenta, conforme Despacho Decisório nº 461/2005 fls. 507/513. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade, alegando que: 1 a disposição posta no parágrafo 1º do artigo 3º da Instrução Normativa SRF n° 54/2000 acrescentou o IPI às bases de cálculo do PIS e da COFINS objeto da substituição tributária associada às vendas de veículos por parte dos fabricantes, o que afronta o texto das Medidas Provisórias que prevêem e disciplinam a incidência das contribuições no caso em questão (artigo 44 da Medida Provisória n° 1.99115/2000 e artigo 43 da Medida Provisória n° 2.15835/2001); 2 em face da ilegalidade do parágrafo 1º do artigo 3° da Instrução Normativa SRF n° 54/2000, cumpre à autoridade administrativa afastar sua aplicação, fazendoo em estrita subordinação ao inciso I do parágrafo único do artigo 2° da Lei n° 9.784/1999, que expressamente determina aos agentes públicos a atuação conforme a lei e o direito. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis SC indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0722.287, de 19/11/2010, cuja ementa abaixo transcrevo: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 11/01/2011, conforme AR de fl. 531, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/02/2011, com o recurso voluntário de fls. 532/543, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13982.000527/200592 Acórdão n.º 330201.452 S3C3T2 Fl. 558 3 Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivos legais e dele se conhece. A empresa recorrente está pleiteando a restituição de PIS e de Cofins recolhidos pelo substituto tributário (montadora), que tomou como base de cálculo das exações o valor do veículo novo pago pela recorrente, aí incluído o valor do IPI devido pelo fabricante e vendedor do veículo. Entende a recorrente que o valor do IPI devido pela montadora, incluído na nota fiscal de venda e compondo o preço pago pela concessionária adquirente, não pode integrar a base de cálculo do PIS e Cofins substituição porque existe previsão legal para a sua exclusão da base de cálculo das exações e a disposição posta no parágrafo 1º do artigo 3º da Instrução Normativa SRF n° 54/2000 afronta o texto das Medidas Provisórias que prevêem e disciplinam a incidência das contribuições no caso em questão (artigo 44 da Medida Provisória n° 1.99115/2000 e artigo 43 da Medida Provisória n° 2.15835/2001); Sobres os argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade da IN SRF nº 54/2000, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao mérito, defende a recorrente que o IPI devido pela montadora de veículo deve ser excluído do valor presumido da venda de veículos que adquire da montadora. Ou seja, o valor do IPI que a recorrente paga na aquisição deve ser excluído da base de cálculo presumida e apurada no regime de substituição tributária, por haver previsão legal para a exclusão do valor do IPI da base de cálculo do PIS e da Cofins. Como é cediço, os contribuintes do IPI (as montadoras) recebem o valor desse imposto que é cobrado junto com o preço do bem e o contabiliza na receita bruta da empresa. A base de cálculo do PIS e da Cofins é a receita bruta da empresa e, portanto, o valor recebido a título de IPI não é receita da empresa, devendo ser excluído da receita bruta (que o incluiu) para fins de encontrar a base de cálculo do PIS e da Cofins. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Como não poderia deixar de ser, no caso de substituição tributária na venda de veículos, o fato gerador do PIS e da Cofins não muda. O que muda é a base de cálculo que, que ao invés de ser o valor efetivo da venda do bem (receita efetiva), como de resto ocorre com a venda de partes e peças de veículos (também sujeitos ao IPI na compra pela recorrente), é o preço de venda pelo fabricante, que, por obvio, é o mesmo valor de compra ou valor pago pela recorrente. Também é evidente que o valor da operação de compra e venda de veículo novo junto à montadora é, normalmente, menor que o valor da operação de compra e venda de veículo novo realizado pela recorrente e o consumidor final do veículo novo. Ao valor de aquisição do veículo novo agregase outros custos, tais como frete, comissões de venda, despesas administrativas, etc. O preço de venda da montadora, que é o mesmo pago pela concessionária, engloba todos os impostos incidentes na operação, a exemplo do ICMS e do IPI. Portanto, quis a Lei que a base de cálculo fosse exatamente este valor (MP 1.99118/00, art. 44, § único). Não vejo nenhuma ilegalidade na IN SRF nº 54/02, ao definir que a base de cálculo do PIS e da Cofins é o valor pago pelo concessionária, ou seja, o preço do bem, que inclui o ICMS e o IPI. O fato do IPI ser calculado “por fora” em nada afeta o preço de venda dos veículos pela montadora e, de resto, de todos os bens sujeitos à incidência do IPI. Não há, nesta hipótese, nenhuma majoração da base de cálculo prevista na sistemática da MP nº 1.991 18/00. Sobre as exclusões previstas nas Leis nº 9.715/98 e 9.718/98, especialmente o valor do IPI, há necessidade de que o mesmo tenha sido recebido pelo contribuinte, o que não é o caso da recorrente. A recorrente não é contribuinte do IPI e, portanto, não recebe esse imposto para posterior recolhimento aos cofres da União. Sem isto, não há como falarse em sua exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins. O fato da mercadoria adquirida para revenda ser tributada pelo IPI não autoriza o contribuinte, ao realizar a sua venda, efetuar a exclusão, da base de cálculo do PIS e da Cofins, do valor do IPI pago na aquisição da mesma. Não há previsão legal para tal exclusão. Ainda que restasse provado a improcedência da inclusão do IPI na base de cálculo da exações, ainda assim não teria a recorrente direito de pleitear a restituição, posto que o recolhimento foi efetuado pela montadora e é ela quem tem o direito de pleitear a repetição do indébito. Por fim, e mesmo não tendo sido argüido pela autoridade administrativa, o pedido da recorrente foi apresentado em papel, quando deveria ter sido feito em meio eletrônico, utilizando o programa disponibilizado pela RFB, nos termos do art. 31 da IN SRF nº 460/04. Por esta razão, o pedido de restituição também não merece prosperar. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13982.000527/200592 Acórdão n.º 330201.452 S3C3T2 Fl. 559 5 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 563DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000054/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2001
SUCESSÃO. TRANSMISSÃO DE DIREITOS.
Na sucessão de pessoas jurídicas não se transmitem despesas ou receitas, e sim o patrimônio, identificado por bens, direitos e obrigações. Passada em julgado a decisão judicial que autorizou a correção monetária do balanço da sucedida, relativamente ao ano de 1989, por índices superiores aos oficiais, não tem direito a sucessora de transportar a respectiva despesa de correção
monetária complementar diretamente para sua contabilidade no ano de 2001.
Tal despesa há que compor o resultado da sucedida relativamente ao ano em que se verificou a diferença de correção monetária, reduzindo o lucro real ou aumentando o prejuízo fiscal. Eventual direito à repetição do indébito tributário decorrente da redução do lucro real da sucedida é transmitido à sucessora. Já o direito à compensação do prejuízo fiscal não lhe pode ser transmitido, por expressa vedação legal.
Numero da decisão: 1201-000.661
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Júnior acompanharam o Relator pelas conclusões.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2001 SUCESSÃO. TRANSMISSÃO DE DIREITOS. Na sucessão de pessoas jurídicas não se transmitem despesas ou receitas, e sim o patrimônio, identificado por bens, direitos e obrigações. Passada em julgado a decisão judicial que autorizou a correção monetária do balanço da sucedida, relativamente ao ano de 1989, por índices superiores aos oficiais, não tem direito a sucessora de transportar a respectiva despesa de correção monetária complementar diretamente para sua contabilidade no ano de 2001. Tal despesa há que compor o resultado da sucedida relativamente ao ano em que se verificou a diferença de correção monetária, reduzindo o lucro real ou aumentando o prejuízo fiscal. Eventual direito à repetição do indébito tributário decorrente da redução do lucro real da sucedida é transmitido à sucessora. Já o direito à compensação do prejuízo fiscal não lhe pode ser transmitido, por expressa vedação legal.
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TRANSMISSÃO DE DIREITOS. Na sucessão de pessoas jurídicas não se transmitem despesas ou receitas, e sim o patrimônio, identificado por bens, direitos e obrigações. Passada em julgado a decisão judicial que autorizou a correção monetária do balanço da sucedida, relativamente ao ano de 1989, por índices superiores aos oficiais, não tem direito a sucessora de transportar a respectiva despesa de correção monetária complementar diretamente para sua contabilidade no ano de 2001. Tal despesa há que compor o resultado da sucedida relativamente ao ano em que se verificou a diferença de correção monetária, reduzindo o lucro real ou aumentando o prejuízo fiscal. Eventual direito à repetição do indébito tributário decorrente da redução do lucro real da sucedida é transmitido à sucessora. Já o direito à compensação do prejuízo fiscal não lhe pode ser transmitido, por expressa vedação legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Júnior acompanharam o Relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Fl. 565DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 537 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior, Marcelo Cuba Netto e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, adoto aqui o relatório contido na decisão de primeira instância: DO DESPACHO DECISÓRIO Conforme o Despacho Decisório da EQPIR/PJ/DERAT/SP, de 25 de maio de 2009, fls. 381/386, a autoridade administrativa analisou um pedido de restituição formulado pela contribuinte em epígrafe, verificando em síntese que: 1. Foi objeto de análise o Pedido de Restituição de R$ 18.072.148,89, relativo ao saldo negativo de IRPJ supostamente apurado no 4° trimestre de 2001. O pedido foi formalizado sob o número 36338.78997.281206.1.2.022800 (fls. 01/03). Vinculadas à restituição pleiteada, há as Declarações de Compensação relacionadas na planilha de fls. 382, cujas respectivas cópias constam às fls. 04/361. 2. Em 28/06/2002, a contribuinte transmitiu a DIPJ/2002 de fls.362/363, na qual indicava ter apurado, no 4° trimestre de 2001, lucro real de R$ 76.114.618,65 e imposto de renda a pagar de R$ 14.601.346,81. Em 28/12/2006, a contribuinte transmitiu uma DIPJ/2002 retificadora (fls. 364/365), com a alteração do valor de "Outras Exclusões" de R$ 5.026.849,82 para R$ 119.894.935,53. Tal aumento no valor de "Outras Exclusões" implicou supostos prejuízo fiscal de R$ 25.619.369,24 e saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 18.072.352,50. 3. Intimada a prestar esclarecimentos sobre a alteração do valor de "Outras Exclusões" da DIPJ/2002, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 367/375, juntamente com as peças de processo judicial acostadas no Anexo I dos presentes autos, alegando que: 3.1. Foi reconhecido judicialmente o direito de as empresas Perdigão Alimentos S/A (CNPJ 82.829.730/000164) e Perdigão Agroindustrial S/A (CNPJ 89.421.903/000150) computarem, na correção monetária dos balanços, os percentuais inflacionários expurgados em decorrência do Plano Verão, nos meses de janeiro e fevereiro de 1989. Tais percentuais seriam de, Fl. 566DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 538 3 respectivamente, 42,72% e 10,14%. A decisão judicial teria transitado em julgado em 18/03/2004. 3.2. A decisão judicial teria reconhecido ainda o direito de as empresas deduzirem, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a despesa originária de tal cômputo, além das despesas de depreciação/amortização/exaustão incidentes sobre os acréscimos efetuados aos custos de aquisição do ativo permanente, a partir do exercício de 1994. 3.3. A contribuinte em epígrafe teria sucedido as empresas citadas no item 3.1. 3.4. Devido à suposta impossibilidade de se retificar as DIRPJ/DIPJ correspondentes aos exercícios financeiros a que competiam as deduções mencionadas, a interessada procedeu à retificação da DIPJ/2002, a fim de gerar os efeitos concedidos pela decisão judicial transitada em julgado, mediante um complemento de exclusão no valor de R$ 114.868.085,71, consoante os demonstrativos de fls. 373/375. 4. Os extratos de fls. 378/379 confirmam que a contribuinte em epígrafe é sucessora por incorporação das empresas Perdigão Alimentos S/A (CNPJ 82.829.730/000164) e Perdigão Agroindustrial S/A (CNPJ 89.421.903/000150). 5. Ao julgar o Agravo de Instrumento nº 322.436SC (2000/00739235, processo originário 94.70006585), o Egrégio Superior Tribunal de Justiça decidiu por conhecer "do agravo de instrumento para dar provimento ao recurso especial, a fim de que se aplique o IPC de janeiro/89 (42,72%) e de fevereiro/89 (10,14%) nas demonstrações financeiras da Recorrente, ano base 1989 (..)" (Anexo I, fls. 318). Adicionalmente, deuse "provimento ao agravo regimental para, reconsiderando a decisão anterior, conhecer do agravo de instrumento e dar parcial provimento ao recurso especial, determinando que seja aplicado o índice de 42,72% para o período de janeiro de 1989". (Anexo I, fls. 320). 6. Deflui da leitura das decisões judiciais que, ao contrário do que alega a interessada, em momento algum houve o reconhecimento de eventual direito de deduzir despesas, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a partir do anocalendário de 1994. Os votos vencedores reconhecem apenas e tão somente o direito de aplicação dos percentuais de 42,72% e de 10,14% para, respectivamente, janeiro/89 e fevereiro/89. 7. Depreendese da análise dos demonstrativos de fls. 373/375 que o complemento de exclusão incluído pela contribuinte na DIPJ/2002, no valor de R$ 114.868.085,71, é composto por diferenças da correção monetária, as quais supõese que deveriam ter sido contabilizadas nos anoscalendário entre 1989 e 2001. 8. Contudo, tal procedimento é irregular. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 539 4 9. Inicialmente, cabe notar que as operações de sucessão ocorreram nos anos de 1995 e 1997, logo, a decisão judicial e as diferenças de correção monetária quantificadas pela contribuinte se referem, inclusive, a períodos em que as empresas peticionárias, posteriormente incorporadas, ainda se encontravam ativas. Isto posto, concluise que o cômputo de exclusões na apuração do lucro real da incorporadora, relativas a valores anteriores as incorporações, oriundos das operações e dos patrimônios da incorporadas, revela a não observância do principio fundamental da contabilidade denominado "principio da entidade", aprovado pela Resolução CFC n° 750, de 29 de dezembro de 1993, art.4º e parágrafo único. Nos termos do dispositivo em questão, a contabilidade deve registrar somente os atos e os fatos ocorridos que se refiram ao patrimônio da própria empresa. 10. Ademais, o registro de uma exclusão do lucro real pressupõe a inclusão do valor respectivo no lucro liquido do exercício, conforme determina o inciso II, do art.250, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Este não foi o caso, pois eventuais receitas provenientes da correção dos balanços da incorporadoras deveriam estar registradas na contabilidade daquelas empresas, em observância ao principio da entidade. Da mesma forma, tratandose de eventuais despesas de depreciação, amortização ou exaustão, não deveriam ser registradas como exclusão, já que seriam contabilizadas como despesas dedutíveis do IRPJ na contabilidade das incorporadas. 11. Em última análise, verificase que o complemento da exclusão ao qual procedeu a interessada representa afronta ao art. 33, do DecretoLei n° 2.341, de 29 de junho de 1987, que dispõe: "A pessoa jurídica sucessora por incorporação ,fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida". 12. Ao tentar determinar os efeitos concedidos pela decisão judicial, a interessada exclui, de seu lucro real do 4° trimestre de 2001, valores relativos à apuração de outros anoscalendário, pertencentes a outras entidades, gerando para si própria um prejuízo fiscal que não apurou. Ressaltese que a decisão judicial não ampara a dedução/exclusão de valores na DIPJ/2002, nem o aproveitamento de tais valores na contabilidade da incorporadora. 13. Ainda que a dedução/exclusão por quem de direito (empresas incorporadas), nos anoscalendário devidos, gerasse prejuízos fiscais, estes não poderiam ser aproveitados pela incorporadora, haja vista a vedação prevista pelo art.33 supracitado. Em função do exposto, a autoridade administrativa decidiu às fls. 386: [..] INDEFIRO o Pedido de Restituição de fls. 1 a 3. Em decorrência, NÃO HOMOLOGO as compensações vinculadas (fls. 4 a 361)". DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 568DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 540 5 Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 419/431, protocolizada em 23/07/2009 e acompanhada dos documentos de fls. 432/474, expondo, em síntese, que: 1. A decisão prolatada pelo STJ em 16/10/2003, fls. 317/318 do Anexo I, relativa a agravo de instrumento manifestado em face de decisão que inadmitiu recurso especial interposto contra acórdão proferido pelo TRF da 4º Região, foi exarada nos seguintes termos: [..] conheço do agravo de instrumento para dar provimento ao recurso especial, afim de que se aplique o IPC de janeiro/89 (42,72%) e de fevereiro/89 (10,14%) nas demonstrações financeiras da Recorrente, anobase 1989, nos termos da fundamentação expendida [..] 1.1. Consequentemente, em qualquer dos períodosbase de incidência do IRPJ e da CSLL havidos a partir de 1989, poderiam a Perdigão Alimentos S/A e a Perdigão Agroindustrial S/A proceder à dedução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, da despesa de correção monetária de balanço gerada pela aplicação dos percentuais inflacionários expurgados pelo Governo Federal nos meses de janeiro e fevereiro de 1989. 1.2. Ademais, a partir de 1994, poderiam tais companhias deduzir, das mesmas bases de cálculo, as despesas de depreciação, amortização, exaustão ou baixa incidentes sobre os acréscimos efetuados aos custos de aquisição dos bens do ativo permanente em virtude do registro dessa correção monetária. 2. Em 29/09/1995, a Perdigão Alimentos S/A (CNPJ nº 82.829.730/000164) foi incorporada pela Perdigão Agroindustrial (CNPJ n° 89.421.903/000150), a qual, por sua vez, foi incorporada pela manifestante em 31/05/1997. Sendo assim, à época do trânsito em julgado do acórdão do STJ (18/03/2004 — fls. 319/323 do Anexo I — exarado em sede de embargos de declaração da Fazenda Nacional admitidos como agravo regimental), já havia ocorrido a incorporação da Perdigão Agroindustrial pela manifestante. 2.1. Nos termos do art. 227, da Lei n° 6.404/76, e do art. 1.116, da Lei n° 10.406/2002, concluise que a sociedade incorporada desaparece, ao passo que a sociedade incorporadora absorve todos os direitos e obrigações inerentes à primeira, inclusive a legitimidade para apresentar pedido de restituição referente a crédito pleiteado pela incorporada, anteriormente à incorporação. 2.2. Sob o aspecto contábil, os direitos e obrigações antes contabilizados no patrimônio da incorporada são transportados para o patrimônio da incorporadora, com a consequente extinção da incorporada. 2.3. Não houve descumprimento do principio da entidade, uma vez que, com a incorporação, deixou de existir a entidade Fl. 569DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 541 6 incorporada, passando a existir somente a entidade incorporadora. 2.4. Considerando que a decisão judicial que reconheceu o direito ao aproveitamento dos expurgos inflacionários transitou em julgado somente em 2004 e que a incorporação realizada pela manifestante deuse em 1997, esse direito deve, como foi, ser reconhecido pela manifestante em seu patrimônio, única entidade existente à época do reconhecimento do direito pelo Poder Judiciário. 3. Reiterese que a decisão prolatada pelo Poder Judiciário assegurou a aplicação do "[..] IPC de janeiro/89 (42,72%) e de fevereiro/89 (10,41%) nas demonstrações financeiras da(s) Recorrente(s), anobase 1989, nos termos da fundamentação expendida". 3.1. Ou seja, ao decidir nos termos da "fundamentação expendida", o Poder Judiciário reconheceu: "[..] a incorporação do expurgo inflacionário [..] ocorrido em janeiro de 1989 [..] e via de conseqüência, garantir a dedução, da base de cálculo do IR(PJ) e da CS(LL) dos encargos de depreciação, amortização e exaustão, bem como o custo liquido dos bens que vieram a ser baixados, referentes aos itens do ativo permanente que tiveram o seu custo de aquisição reduzido pelo expurgo, a partir do anobase de 1994". 3.2. Consequentemente, em qualquer dos períodosbase de incidência do IRPJ e da CSLL havidos a partir de 1989, poderiam originalmente a Perdigão Alimentos S/A e a antiga Perdigão Agroindustrial S/A — agora a manifestante, em razão da sucessão — proceder à dedução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, da despesa de correção monetária de balanço gerada pela aplicação dos percentuais inflacionários expurgados pelo Governo Federal nos meses de janeiro e fevereiro de 1989, bem como deduzir das mesmas bases de cálculo, a partir de 1994, as despesas de depreciação, amortização, exaustão ou baixa incidentes sobre os acréscimos efetuados aos custos de aquisição dos bens do ativo permanente em virtude do registro dessa correção monetária. 3.3. Fica evidente, assim, que a decisão reconheceu o direito da dedução das despesas geradas a partir dos expurgos inflacionários de 1989. 4. As deduções em comento devem ser levadas a termo mediante a retificação da DIPJ e, uma vez que o Fisco Federal somente recebe retificações das DIPJ relativas aos anoscalendário aos quais não se aplica a decadência quinquenal do direito de lançamento do IRPJ e da CSLL, somente seriam passíveis de retificação para o lançamento das deduções em questão as DIPJ relativas aos anoscalendário de 2001 em diante. 4.1. A manifestante entendeu que o mais adequado seria o reconhecimento da majoração da despesa de correção Fl. 570DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 542 7 monetária, relativa aos meses de janeiro e fevereiro de 1989, em 2001, último anocalendário cuja respectiva DIPJ ainda era passível de retificação. 4.2. No pedido formulado ao Poder Judiciário, solicitouse que os efeitos da decisão se dessem a partir de 1994. Contudo, quando a decisão se tornou definitiva, em março de 2006, a manifestante somente poderia alterar informações prestadas nos últimos 5 anos (ou seja, a partir de 2001). Apreciados os argumentos de defesa, a DRJ de origem decidiu pelo indeferimento do pleito da contribuinte (fls. 477/488), sob o fundamento de que as correções de índice autorizadas pelo STJ devem incidir sobre os registros contábeis das pessoas jurídicas incorporadas, e não diretamente sobre a contabilidade da incorporadora. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, repisando os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade (fls. 490/510). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Do Direito Creditório Em 28/12/2006 a ora recorrente transmitiu pedido de restituição bem como, a partir de fevereiro de 2007, diversas declarações de compensação (DCOMPs) a ele vinculadas (fls. 1/361). Segundo a interessada, seu direito creditório tem origem no saldo negativo de IRPJ relativo ao 4º trimestre do anocalendário de 2001, conforme demonstrado em sua DIPJ/2002 retificadora, entregue em 28/12/2006 (fls. 364/365). Intimada a justificar o valor de R$ 119.894.935,53 informado na ficha 9A, linha 36, da mencionada DIPJ retificadora (Demonstração do lucro Real Outras Exclusões), a contribuinte explicou ser ele decorrente de decisão proferida pelo STJ transitada em julgado no ano de 2006 que, reconhecendo os expurgos inflacionários havidos nos meses de janeiro (42,72%) e fevereiro (10,14%) de 1989, teria lhe garantido o direito a: (i) deduzir a respectiva despesa de correção monetária do balanço e; (ii) deduzir as despesas de depreciação, amortização e/ou exaustão incidentes sobre o custo de aquisição de bens do ativo permanente baixados a partir do ano de 1994. Disse ainda a interessada que a referida decisão judicial é fruto de ação proposta no ano de 1994 pelas empresas Perdigão Agroindustrial S.A. e Perdigão Alimentos S.A., sendo que a primeira empresa foi incorporada pela segunda em 29/09/1995 (fl. 378), e a segunda incorporada pela ora recorrente em 31/05/1997 (fl. 379). Fl. 571DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 543 8 Pois bem, antes de mais nada é importante transcrever a parte dispositiva da decisão do STJ (fl. 318 do anexo I): Diante do exposto, amparado no art. 544, § 3°, do Código de Processo Civil, conheço do agravo de instrumento para dar provimento ao recurso especial, a fim de que se aplique o IPC de janeiro/89 (42,72%) e de fevereiro/89 (10,14%) nas demonstrações financeiras da Recorrente, anobase 1989, nos termos da fundamentação expendida, restando invertidos os ônus da sucumbência (custas e honorários advocatícios). Dito isso, no que toca ao direito à dedução da despesa de correção monetária de balanço mediante a utilização dos índices estabelecidos na decisão do STJ, deve ser ele exercido a partir da aplicação dos referidos índices às contas sujeitas à correção monetária do balanço levantado pelas sucedidas em 31/12/1989. Disso a recorrente não discorda, como se depreende dos demonstrativos de crédito por ela elaborados, que tomam como ponto de partida justamente os balanços levantados pelas empresas incorporadas (fls. 373/375). Todavia, essa despesa adicional de correção monetária não poderia ter sido diretamente “transportada” da contabilidade das sucedidas para a contabilidade da sucessora, como pretendeu a interessada (fl. 498, 3º parágrafo). Isso porque, conforme regra elementar de contabilidade, as contas de resultado, como é o caso da conta de despesa de correção monetária de balanço, devem ser todas encerradas na data a que se refere o balanço patrimonial. Em outras palavras, as contas de resultado não são objeto de transporte para os exercícios seguintes. O que é levado ao exercício seguinte é o lucro ou prejuízo, decorrente do encerramento de todas as contas de resultado na data a que se refere o balanço. Aliás, o mandamento contido na decisão do STJ estabelece que os índices deverão ser aplicados “nas demonstrações financeiras da Recorrente, anobase 1989”. Não foi concedido ali direito à transporte da conta da despesa adicional de correção monetária do balanço de 1989 para a conta Outras Exclusões do 4º trimestre do anocalendário de 2001, como fez a interessada. Isso posto, de modo a cumprir a decisão judicial transitada em julgado, e em atenção às regras elementares de contabilidade, deveria a ora recorrente ter levantado nova demonstração do resultado das sucedidas relativamente ao ano de 1989, aplicando às contas sujeitas à correção monetária de balanço os índices determinados na decisão do STJ, e encerrado todas as contas de resultado contra uma conta geralmente designada de “resultado do exercício”. Essa conta, também de resultado, aponta o lucro ou prejuízo líquido das sucedidas em 1989, devendo ser encerrada contra uma conta patrimonial geralmente intitulada “lucros ou prejuízos acumulados”. Como o lucro líquido do período é o ponto de partida para determinação da base de cálculo do IRPJ, o levantamento do novo resultado do exercício resultaria em redução do lucro real originalmente apurado pelas sucedidas em 31/12/1989, ou em aumento do prejuízo fiscal daquele ano. Feito isso, de posse do novo resultado das sucedidas relativamente ao ano de 1989, deveria a sucessora ter verificado quais os direitos que poderlheiam ser juridicamente Fl. 572DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 544 9 transmitidos (e não transportados), na medida e na forma em que dispõem as normas que cuidam da transmissão de direitos na sucessão de pessoas jurídicas. Isso porque, diversamente daquilo que corriqueiramente é afirmado, na incorporação a incorporadora não sucede a incorporada em “todos” os seus bens, direitos e obrigações. É certo que essa é a regra, mas há exceções. No âmbito do direito tributário, a título exemplificativo, é pacífica a jurisprudência no sentido de que as obrigações por multas de ofício lavradas após a incorporação, relativamente a fatos geradores ocorridos antes daquela data, não se transmitem à incorporadora, exceto se esta concorreu para o ilícito ou dele tinha ciência. Bem assim, por força do a seguir transcrito art. 33 do DecretoLei n° 2.341/1987, o direito de a pessoa jurídica compensar os prejuízos por ela apurados não se transmite à pessoa jurídica que a incorporou: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. (...) Em assim sendo, o direito que caberia à recorrente, fruto da já referida decisão judicial transitada em julgado, limitarseía à repetição do IRPJ eventualmente pago a maior pelas sucedidas, relativamente ao fato gerador ocorrido 31/12/1989, em razão da redução do lucro real pela despesa adicional da correção monetária do balanço de 1989. Pelo exame da DIRPJ/1990 original apresentada pela sucedida Perdigão Agroindustrial S.A. (fls. 44/59 do anexo I) é possível verificar que foi apurado prejuízo fiscal em 31/12/1989, daí porque o efeito da decisão judicial seria o aumento desse prejuízo e o consequente direito a sua posterior compensação com lucros futuros da própria Perdigão Agroindustrial S.A., direito esse que não se transmite à ora recorrente/incorporadora em virtude do disposto no já mencionado art. 33 do DecretoLei n° 2.341/1987. Quanto à DIRPJ/1990 original apresentada pela sucedida Perdigão Alimentos S.A.(fls. 78/89 do anexo I), consta ali apuração de lucro real em 31/12/1989, bem como IRPJ a pagar no montante de 473.291,22 BTNs Fiscais. O efeito da decisão do STJ seria o de redução do lucro real e, consequentemente, o direito de repetição do IRPJ pago a maior. O direito à repetição do IRPJ pago a maior transmitese à ora recorrente/incorporadora, todavia, devese ressaltar que não foi este o direito creditório por ela reivindicado no pedido de restituição e das declarações de compensação objeto do presente processo. Além do direito à dedução da despesa de correção monetária do balanço de 1989 pelos índices estabelecidos na decisão do STJ, a interessada afirma ainda que essa mesma decisão lhe teria garantido o direito à dedução das despesas de depreciação, amortização e/ou exaustão incidentes sobre o custo de aquisição de bens do ativo permanente baixados a partir do exercício de 1994. Quanto a isso há que se dizer, em primeiro lugar, que a decisão judicial transitada em julgado (fls. 317/318 do anexo I) não faz qualquer menção a esse alegado direito. Em segundo lugar, ainda que a decisão judicial o houvesse contemplado, a ora recorrente, em atenção às regras básicas de contabilidade, jamais poderia haver “transportado” a referida despesa de depreciação, amortização e/ou exaustão diretamente para Fl. 573DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 545 10 o resultado do 4º trimestre do anocalendário de 2001, na conta Outras Exclusões. O procedimento correto, como visto acima, seria levantar nova demonstração do resultado dos anos em que se verificaram as baixas por depreciação, amortização e/ou exaustão dos bens sujeitos ao ajuste de correção monetária autorizado pelo STJ. Feito isso, seria necessário verificar se o ajuste assim procedido resultou em redução do lucro real ou aumento do prejuízo fiscal do respectivo período, bem como se isso resultou em pagamento a maior de IRPJ. Nada disso, todavia, foi feito pela ora recorrente, sendo que eventual IRPJ pago a maior pelas sucedidas tanto no ano de 1989 como nos anos em que ocorreram baixas dos bens sujeitos a depreciação, amortização e/ou exaustão, não é objeto do presente pedido de restituição nem das declarações de compensação a ele vinculadas. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 574DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10945.001125/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. NULIDADE.
Configurada a hipótese legal de arbitramento fundamentada na autuação não há que se cogitar de nulidade do lançamento.
IRPJ. PERCENTUAL DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. TRIBUTAÇÃO
CONFISCATÓRIA.
A apreciação de alegação de que a tributação levada a efeito pela autoridade fiscal tem caráter confiscatório encontra óbice no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e na Súmula CARF nº 2,
MULTA DE OFÍCIO. MULTA CONFISCATÓRIA.
A apreciação de alegação de que a multa de ofício aplicada pela autoridade fiscal tem caráter confiscatório encontra óbice no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e na Súmula CARF nº 2,
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO CARACTERIZADA.
Os fatos apurados e demonstrados pela fiscalização revelam o intuito doloso da fiscalizada, de forma reiterada ao longo de dois exercícios, de omitir ao fisco federal as suas receitas, configurando a prática de sonegação fiscal prevista no art. 71 da Lei 4.502/1964.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica-se
integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões atinentes ao IRPJ.
Numero da decisão: 1302-000.910
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. NULIDADE. Configurada a hipótese legal de arbitramento fundamentada na autuação não há que se cogitar de nulidade do lançamento. IRPJ. PERCENTUAL DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. TRIBUTAÇÃO CONFISCATÓRIA. A apreciação de alegação de que a tributação levada a efeito pela autoridade fiscal tem caráter confiscatório encontra óbice no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e na Súmula CARF nº 2, MULTA DE OFÍCIO. MULTA CONFISCATÓRIA. A apreciação de alegação de que a multa de ofício aplicada pela autoridade fiscal tem caráter confiscatório encontra óbice no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e na Súmula CARF nº 2, MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO CARACTERIZADA. Os fatos apurados e demonstrados pela fiscalização revelam o intuito doloso da fiscalizada, de forma reiterada ao longo de dois exercícios, de omitir ao fisco federal as suas receitas, configurando a prática de sonegação fiscal prevista no art. 71 da Lei 4.502/1964. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões atinentes ao IRPJ. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 159 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 160 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão da Segunda Turma de Julgamento da DRJCuritiba que julgou procedentes os lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, dos anoscalendário 2007 e 2008, no valor total de R$ 1.551.568,61, incluindo o principal, multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora atualizados até 31/08/2010, efetuados por meio dos Autos de Infração de fls. 68 a 80. A infração apurada referese à omissão de receitas pela empresa, apurada a partir dos livros Registro de Apuração do ICMS, sendo que a empresa não apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ nem Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Como não apresentou a escrituração contábil, apesar de intimada, a apuração se deu no regime do lucro arbitrado, em conformidade com o disposto no art. 530, III do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999. A autoridade fiscal lançou, além do IRPJ, a CSLL apurada com base na mesma infração. Também foram lavrados autos de infração relativos a Cofins e PIS, formalizados no processo de nº 10945.001126/201075. O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 28/09/2010 (fl. 82) e apresentou sua impugnação (fls. 85/91), em 28/09/2010 cujos principais argumentos estão sintetizados, conforme a relatório no acórdão da DRJCuritiba, in verbis: “2. Acerca de a autuação ter sido lavrada pelo lucro arbitrado, porque a empresa, intimada, não entregou livros contábeis, afirma que tais livros não foram exibidos porque não existem e que, conseqüentemente, não pode subsistir o pretenso arbitramento com a aplicação do coeficiente de 9,6% sobre o valor de revenda de mercadorias, pois é totalmente destituído de embasamento legal, dado que tal percentual está fora da realidade da atividade econômica da autuada, cujo lucro sequer alcança o patamar de 2%. 3. Destaca que a autuação desrespeitou o princípio constitucional tributário da proibição do confisco, dado que o capital social da empresa, no total de R$ 83.989,20 é insuficiente até mesmo para fazer frente aos juros de mora aplicados à exigência de IRPJ; transcreve texto de autor a respeito, bem como jurisprudência. 4. Por isso, contesta a autuação, especialmente a aplicação do arbitramento e a exorbitância do valor das multas aplicadas no percentual de 150%. 5. Conclui que, uma vez descaracterizada a alegada omissão de exibição dos livros contábeis, requer seja declarado nulo o crédito tributário apurado com base em arbitramento e protesta por quaisquer provas que se fizerem necessárias.” Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 161 4 A Segunda Turma de Julgamento da DRJCuritiba manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 0632.383, de 22/06/2011 (fls. 96/99), com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. RECEITA BRUTA OMITIDA CONHECIDA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL E LIVRO CAIXA. FALTA DE OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado se o contribuinte deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou o livro Caixa, tampouco tendo manifestado a opção pelo lucro presumido. DOLO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados estando caracterizado o dolo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL O percentual da multa de ofício qualificada é o definido em legislação regularmente editada. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. Lançamento Procedente. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância conforme AR (fls. 151/152), com data de postagem em 18/07/2011, sem aposição de data de recebimento, tendo interposto recurso voluntário em 19/08/2011 (fls. 153/156). A recorrente alega, preliminarmente, em sua petição que deve ser reconhecida a nulidade do lançamento pelo fato do contribuinte não ter deixado de apresentar os livros contábeis, conforme relata a autoridade fiscal, que fundamentou o lançamento no art. 530, inc. III do RIR/99. Alega que, conforme esclarecido na impugnação a recorrente não deixou de apresentar os livros fiscais, pois os mesmos inexistem. Alega que a declaração de nulidade prescinde de previsão legal, ao contrário do que afirma a decisão recorrida, pois a mesma decorre da não subsunção do pretenso enquadramento legal com a situação fática verificada. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 162 5 No mérito, o recurso interposto, basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação que podem ser assim bem sintetizados: 1. Que o arbitramento do lucro no patamar de 9,6% excede em muito o lucro real da atividade que seria de apenas 2%, caracterizandose uma inconstitucionalidade perpetrada pela autoridade fazendária, tendo em vista o princípio que veda o confisco, uma vez que o capital social atualizado da recorrente é de apenas R$ 83.989,20, insuficiente até mesmo para saldar os juros de mora aplicados sobre o Imposto de Renda lançado. 2. Alega que o acórdão recorrido incorreu em equívoco ao reportar citações de acórdãos administrativos, afirmando que na verdade citou a doutrina afirmando o princípio do não confisco, bem como duas ações diretas (de constitucionalidade e inconstitucionalidade), sobre o mesmo tema, que lhe seriam aplicáveis, dado o efeito erga omnes de que são dotadas. 3. Que a multa de ofício aplicada no percentual de 150% deve ser afastada, pois não haveria qualquer prova da prática de crime tributário. Afirma que uma vez mais restou ofendido o princípio do não confisco na fixação de valores exorbitante para as multas, citando a ADI nº 551, relatada pelo Ministro Ilmar Galvão (DJ. De 14/02/2003). Ao final a recorrente requer que seja reformada a decisão recorrida para reconhecer” a nulidade do crédito tributário, apurado com base no arbitramento, discriminado no demonstrativo consolidado, e, afastada a aplicação das multas, por flagrante ofensa ao princípio constitucional do não confisco em matéria tributária”. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 163 6 Voto Conselheiro LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO O recurso voluntário apresentado é tempestivo, pois, uma vez que não se encontra identificada no AR (fls. 151/152) a data de recebimento, deve ser observado o prazo previsto no inc. II do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235/19721. Assim, conheço do recurso. 1. Da preliminar de nulidade A recorrente alega em preliminar a nulidade da autuação. Sustenta que, não obstante a autoridade fiscal tenha sido informada de que não possuía os livros contábeis solicitados na intimação, por não têlos escriturado, a atuação fiscal foi efetuado sob o fundamento de que os livros não foram apresentados àquela autoridade, nos termos do art. 530, inc. III do RIR/1999. Afirma que livros deixaram de ser exibidos única e exclusivamente por não existirem. Assim, não restaria configurada a hipótese legal de arbitramento utilizada pela autoridade fiscal. Não há nada mais equivocado que tal assertiva. A recorrente simplesmente confessa que não possuía os livros contábeis solicitados pela autoridade fiscal, pois jamais os escriturou. Desta forma, só faz confirmar o cabimento da norma de arbitramento aplicada ao caso. Assim dispõe o inc. III do art. 530 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999): Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) 1 Art. 23. Farseá a intimação: I (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) §1º (...) § 2° Considerase feita a intimação: I (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 164 7 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Ora, o contribuinte, regularmente intimado, não apresentou os livros contábeis que pudessem demonstrar o Lucro Real, nem tampouco o Livro Caixa. Como não efetuou qualquer recolhimento do imposto, nem apresentou as declarações devidas (DIPJ e DCTF), não fez a opção pelo Lucro Presumido. Assim, estando plenamente configurada a hipótese legal de arbitramento afasto a alegação de nulidade do lançamento. 2. Alegações de mérito 2.1 Arbitramento do Lucro No mérito, a recorrente alega que a imposição do percentual de arbitramento do lucro na ordem de 9,6% configuraria tributação confiscatória, o que é vedado pela Constituição Federal. Cita trecho da ADC nº 8 em abono à sua tese. A alegação não procede, pois incidência tributária aplicada ao caso concreto decorre de expressa previsão legal. A base legal para o cálculo da exigência está prevista nos arts. 518, 519 e 532 e 537 do RIR /1999, in verbis: Art. 518 A base de cálculo do imposto e adicional (541 e 542) em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração (...) Art. 519 (...) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata o artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º) (...) Base de Cálculo quando conhecida a Receita Bruta Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). (...) Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º). (grifei) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 165 8 O percentual de 9,6% (nove, virgula seis por cento) aplicado corresponde ao percentual base de 8% (oito por cento) acrescidos de 20% (vinte por cento). Não existem precedentes judiciais que afastem com efeito erga omnes a legislação acima citada, que também não foi declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF. A ADC nº 8 citada pela recorrente tem como objeto a aferição de constitucionalidade da Lei 9.784/1999, que dispôs sobre as contribuições para a seguridade social para os servidores públicos federais. Assim, a apreciação da alegação de que a tributação levada a efeito pela autoridade fiscal teria caráter confiscatório encontra óbice no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/20092 e na Súmula CARF nº 23, de sorte que rejeito as alegações da recorrente. 2.2 Da Multa de Oficio Qualificada No que tange à multa de ofício aplicada a recorrente retorna com a alegação de que a mesma teria caráter confiscatório, desta feita citando a decisão da ADI nº 551. Também não merece acolhida esta alegação pelos mesmos fundamentos anteriormente expendidos em relação ao tributo. A ADI nº 551 citada dispõe sobre a inconstitucionalidade de dispositivos da Constituição do Estado do Rio de Janeiro que fixavam valores mínimos de multas pelo não recolhimento e sonegação de tributos estaduais. Assim afasto a primeira alegação em relação à multa aplicada. O segundo argumento da recorrente é o de que não teria sido evidenciado na autuação qualquer prova de prática de crime tributário. A autoridade fiscal justificou a aplicação da multa qualificada nos seguintes termos: Considerando que a empresa registrou em seus livros fiscais valores de vendas, nos anos calendários (SIC) de 2007 e 2008 e, inclusive, declarou as vendas para “o fisco estadual” através de Guia de ICMS, tal procedimento permite concluir que o contribuinte deliberadamente deixou de declarar e recolher corretamente os tributos federais devidos. Por tal motivo, utilizamos o percentual de multa qualificada (150%), com base no inc. II do art. 957 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/1999. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. 3 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 166 9 Entendo que os fatos apurados e demonstrados pela fiscalização revelam o intuito doloso da fiscalizada, de forma reiterada ao longo de dois exercícios, de omitir ao fisco federal as suas receitas, configurando a prática de sonegação fiscal prevista no art. 71 da Lei 4.502/19644, na medida que nada declarou ou recolheu nos anoscalendário 2007 e 2008. Destarte, voto por manter a multa de ofício qualificada (150%) aplicada. 3. Tributação Reflexa: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões atinentes ao IRPJ. Assim, voto por negar provimento ao recurso quanto à exigência lançada a título de CSLL, nos termos examinados em relação ao lançamento do IRPJ. 4. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator 4 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10830.004509/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/07/2003, 30/10/2003, 31/12/2003, 28/02/2004
NORMAS PROCESSUAIS. LANÇAMENTO. DUPLICIDADE.
IMPOSSIBIBIDADE.
É vedado à autoridade administrativa constituir crédito tributário que já foi
objeto de constituição pelo contribuinte, via declaração em DCTF.
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. COMPENSAÇÃO.
LIMITES DAS VERIFICAÇÕES POR PARTE DA AUTORIDADE
FISCAL.
Havendo decisão judicial versando sobre a mesma matéria discutida nos
autos, a qual estabelece o direito do contribuinte ao crédito e à sua
recuperação por meio de compensação, a autoridade administrativa e este
Tribunal têm de respeitála.
Cabe ao Fisco apenas analisar se o contribuinte
possui crédito suficiente para extinção do crédito tributário sob análise, o que
deve ser feito considerando os parâmetros estabelecidos na decisão judicial
que lhe garantiu referido crédito.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3302-001.484
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao voluntário, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Walber José da
Silva fez declaração de voto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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LANÇAMENTO. DUPLICIDADE. IMPOSSIBIBIDADE. É vedado à autoridade administrativa constituir crédito tributário que já foi objeto de constituição pelo contribuinte, via declaração em DCTF. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. COMPENSAÇÃO. LIMITES DAS VERIFICAÇÕES POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. Havendo decisão judicial versando sobre a mesma matéria discutida nos autos, a qual estabelece o direito do contribuinte ao crédito e à sua recuperação por meio de compensação, a autoridade administrativa e este Tribunal têm de respeitála. Cabe ao Fisco apenas analisar se o contribuinte possui crédito suficiente para extinção do crédito tributário sob análise, o que deve ser feito considerando os parâmetros estabelecidos na decisão judicial que lhe garantiu referido crédito. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao voluntário, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Walber José da Silva fez declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 29/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 03/07), lavrado para o fim de constituir crédito de PIS relativo às competências de 09/2001, 07/2003, 10/2003 a 12/2003 e 02/2004. Segundo consta no próprio Auto de Infração, os débitos constituídos referemse a valores de PIS que foram objeto de compensação não declarada em DCTF, e também que foram objeto de sete DCOMP’s (uma relativa a cada competência, e duas para a competência 02/2004). Entretanto, fundamentou o lançamento o fato de que, de acordo com informações constantes nos autos (fls. 08), embora as DCOMP’s tenham sido transmitidas em agosto/2004, em 22/12/06, a Recorrente solicitou os respectivos cancelamentos do instrumento de compensação. Em virtude de as DComp’s terem sido canceladas, a fiscalização procurou a constituição dos débitos de PIS (objeto das compensações) via DCTF, não tendo localizado, a autoridade fiscal promoveu a constituição de ofício dos valores. O lançamento se deu após informações da Recorrente (fls. 10/19) de que não houve pagamento dos débitos, mas que os mesmos teriam sido extintos por compensação. Ainda, a Recorrente esclareceu que a compensação foi realizada, no primeiro momento, sem apresentação de DCOMP’s, apenas com a apuração do próprio tributo devido – declarada em DCTF. Em um segundo momento, a compensação se deu com a apresentação de DCOMP’s e desistência na sequência, por receio de ocorrência de duplicidade na constituição do tributo e eventual crime tributário. Informou, ainda, que o direito à compensação foi objeto de medida judicial (que segundo as informações constantes no Auto de Infração, não possuiria causa suspensiva da exigibilidade dos valores). Assim, foi lançada, inclusive, a multa de ofício de 75%. Intimada sobre o lançamento a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 28/45), na qual alega, em síntese: preliminarmente, a decadência do período de 09/2001, pois o lançamento somente ocorreu em 2007; improcedência do lançamento porque derivado da desistência de DCOMP’s cuja compensação, contudo, já havia sido realizada e informada em DCTFRetificadora, transmitida após intimação da Receita Federal; Fl. 421DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.004509/200797 Acórdão n.º 330201.484 S3C3T2 Fl. 2 3 o pedido de desistência das compensações somente foi realizado após a Receita Federal ter informado ao contador da empresa que o processo seria encaminhado para a promotoria, por ter ocorrido suposta duplicidade na utilização dos créditos, o que constituiria crime. Contudo, a DCOMP era, de todo modo, desnecessária no presente caso, por força dos artigos 70 e 74 da Lei nº 9.430/96; o lançamento é improcedente porque em suas razões o agente fiscal alega que a constituição decorre da desistência das compensações e, posteriormente, de que decorre da não declaração dos créditos em DCTF e da ausência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito; o lançamento ofende as disposições da IN 31/97; por conta da “não aceitação” das compensações, ajuizou medida judicial (processo nº 2004.61.05.0130268) para ter declarado seu direito às compensações; em razão da existência de processo judicial requer a suspensão do processo administrativo até decisão definitiva do Judiciário, pois a medida judicial trata da mesma questão discutida nestes autos; requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ainda que reconhecida a concomitância; no mérito alega que promoveu a compensação de créditos de PIS, derivados da inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445 e 2.449, após a edição da Resolução nº 49/95 do Senado Federal, que autorizaria tal compensação, juntamente com a IN 31/97, pois possui efeito “erga omnes”; efetuou as compensações sob o abrigo do art. 66 da Lei nº 8.383/91 e da Lei nº 9.430/96, razão pela qual não precisava informar em DCOMP os procedimentos realizados; ofensa à segurança jurídica e ao princípio da vedação ao confisco, por estarse cobrando créditos que foram legalmente compensados; apresenta, ainda, cópia dos DARF’s dos pagamentos indevidos, planilhas demonstrativas dos créditos e compensações, da inicial do processo judicial de das DCTF’s – originais e retificadoras; finalmente, requer (i) a suspensão do processo até decisão final na medida judicial; ou (ii) o reconhecimento da decadência e (iii) o cancelamento integral do lançamento. Foram juntados aos autos extratos internos da Receita Federal, do Sistema Gerencial de DCTF’s (fls. 348/353), que indicam que, exceto pela competência 02/2004, as Declarações retificadoras apresentadas pela Recorrente indicaram não apenas os valores de PIS quitados via DARF, mas também os valores que foram objeto de compensações Fl. 422DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 promovidas pelo contribuinte. Em relação ao mês de 02/2004 o sistema identificou a declaração do pagamento em DARF e de compensação no valor de R$ 3.000,00, mas não indicou a compensação de R$ 9.000,00 valor também objeto do lançamento ora sob análise. Após analisar as razões trazidas na impugnação a DRJ de Campinas proferiu acórdão (fls. 354/359) no qual manteve parcialmente o lançamento, determinando (i) o cancelamento dos valores constituídos em relação ao período de 09/2001, em virtude da extinção do crédito, por decadência, bem como (ii) o cancelamento da multa ofício lavrada sobre valores que já haviam sido declarados em DCTF pelo contribuinte. Importa salientar que a DRJ reconheceu que a maior parte do crédito lançado já havia sido constituída pelo contribuinte em DCTF especialmente os “valores autuados para julho/2003 (R$1.067,44), outubro/2003 (R$ 2.000,00), novembro/2003 (R$ 5.000,00), dezembro/2003 (R$ 4.000,00) e parte do valor autuado para fevereiro 2004 (R$ 3.000,00)”. No entanto, embora tenha reconhecido que o lançamento estava em duplicidade com a constituição do débito pelo contribuinte, a v. decisão recorrida entendeu que não era caso de nulidade, razão pela qual a autuação poderia ser mantida, ressalvando a devida atenção a ser tomada para não promover a cobrança dos débitos, em duplicidade. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 365/388), oportunidade em que reiterou os argumentos trazidos em sua impugnação. Na seqüência, vieram os autos para decisão. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O Recurso é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Inicialmente ressalto que não há Recurso de Ofício nos autos, razão pela qual os valores cancelados pela DRJ competência 09/2001, por decadência, e multa de ofício das competências 07/2003, 10/2003 a 12/2003 e 02/2004 (um dos valores lançados) não é objeto destes autos, mantendose o cancelamento da cobrança, determinado pela DRJ. Antes de adentrar na análise da questão da compensação – e da existência de créditos para quitar os débitos em questão importa analisar um ponto preliminar, que se refere à duplicidade na constituição dos valores sob análise. Como bem reconheceu a DRJ, com base em documentos acostados nestes autos (fls. 348/353 – Sistema Gerencial de DCTF’s), a maior parte do crédito lançado no AI sob discussão já havia sido constituída pela Recorrente. Em relação aos valores indicados no Auto de Infração, relativos às competências 07/2003, 10/2003 a 12/2003 e 02/2004 (um dos dois valores lançados – R$ 3.000,00), o débito tributário já fora constituído pela Recorrente. Somente o débito de R$9.000,00 relativo à competência 02/2004, não foi previamente constituído por meio de DCTF, o que significa que exceto por este valor, todos os demais estão constituídos em duplicidade. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.004509/200797 Acórdão n.º 330201.484 S3C3T2 Fl. 3 5 É esta questão que deve ser analisada preliminarmente. Entendo que a manutenção do lançamento em relação a estes valores (em duplicidade) não pode prevalecer. Como bem estabelece a legislação tributária, cabe ao agente fiscal a constituição de ofício de créditos tributários, no que se refere aos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, apenas em relação àqueles valores não constituídos pelo contribuinte. Justamente porque é inaceitável a constituição de crédito em duplicidade. A este respeito, destaco decisões deste Tribunal, verbis: “LIMITAÇÃO À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS POSSIBILIDADE DE EFEITOS DE POSTERGAÇÃO COBRANÇA EM DUPLICIDADE IMPOSSIBILIDADE Restando provado que, até a data da autuação, deixou o contribuinte de compensar prejuízos fiscais observando o limite de 30% do lucro líquido ajustado, em razão do saldo dos mesmos ter se esgotado ou diminuído por compensação anterior integral e indevida, o lançamento de ofício deve considerar os efeitos da postergação de pagamento de tributos, pois não se pode exigir tributos em duplicidade. Não sendo este Conselho autoridade lançadora, competente para promover a constituição de crédito tributário , cancelase a autuação. Recurso provido.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Primeira Turma, Acórdão CSRF/0104.872, DOU de 16/08/2005 destaquei) “(...) PIS COFINS Comprovada nos autos a duplicidade de lançamento, aliada à errônea apuração das contribuições por inobservância do período de apuração mensal, devem ser anuladas as respectivas exigências. (...)” (1º Conselho de Contribuintes, 5ª Câmara, Acórdão 10516.350, DOU de 10/04/2008 destaquei) “NORMAS PROCESSUAIS. LANÇAMENTO. DUPLICIDADE. IMPOSSIBIBIDADE. É indevida a constituição de crédito tributário em lançamento decorrente de procedimento de ofício sobre matéria que já foi objeto de autuação anterior. Recurso de ofício negado.” (2º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão 20215.831, DOU de 16/02/2007) Embora a DRJ tenha entendido que seria possível manter a constituição em duplicidade, determinando que a autoridade administrativa deveria ter atenção para não incorrer em duplicidade no momento da cobrança, pareceme equivocado este raciocínio. Afinal, evidentemente que a cobrança em duplicidade é indevida, mas a constituição do mesmo crédito tributário duas vezes também não está correta. Se há um só fato gerador, e um só crédito tributário, ele não pode ser duas vezes constituído. Logo, entendo que os valores constituídos em duplicidade têm de ser cancelados, pois mantida está a constituição do crédito tributário em questão em virtude da Fl. 424DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 declaração (lançamento por homologação) realizada pela Recorrente, em suas respectivas DCTF’s e Retificadoras. Mesma sorte não se aplica ao lançamento de 02/2004, no valor de R$9.000,00. Neste caso, necessário se faz adentrar ao mérito do problema, a análise da compensação e da medida judicial ajuizada para reconhecimento do indébito tributário e do direito à compensação. A medida judicial em questão visou o reconhecimento da inexigibilidade do PIS com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, bem como o direito de recuperação dos valores indevidamente pagos pois calculados em conformidade com as regras estabelecidas por tais normas por meio de compensação. Vale notar que a medida judicial não visou a chancela de uma ou outra compensação específica, mas sim o reconhecimento da inexigibilidade do PIS, nos moldes estabelecidos por referidas normas, bem como seu direito de recuperar o indébito por meio de compensação. Neste sentido, destaco trecho do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal, que transitou em julgado em 23/09/2011, verbis: “Cogitei de anular a r. sentença e determinar a realização de perícia, dado que, tendo sido indeferida, o fundamento do decisum acabou por ser o de falta de prova da correição do crédito que ostenta a contribuinte autora. Porém, dado que o apelo restringe o conteúdo da exordial, porquanto não mais busca a anulação dos autos de infração, entendo cabível a solução da lide no sentido de se estipular os critérios de cabimento da compensação e, então, possibilitar os cálculos em fase de execução já com os parâmetros definidos.” (destaquei) O acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal garantiu à Recorrente o direito à restituição dos valores indevidamente pagos, pois calculados nos termos dos referidos DecretosLeis, ambos inconstitucionais. Quanto à forma de apuração dos créditos a decisão estabeleceu alguns parâmetros, especialmente no que se refere à atualização monetária dos valores. Estabeleceu, também, que a Recorrente poderia promover a compensação, nos moldes da Lei nº 8.383/91, antes do trânsito em julgado da decisão final do processo judicial, pois segundo o acórdão existem dois sistemas de compensação vigentes, quais sejam, o da Lei 8.383/91 e o da Lei nº 9.430/96, e enquanto o primeiro é realizado por conta e risco do contribuinte, somente o segundo submetese à necessidade de prévia validação do crédito para que o contribuinte possa promover a compensação. Referida decisão judicial restou assim ementada, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. DL 2.445 E DL 2.449/95. INCONSTITUCIONALIDADE PACIFICADA. INDÉBITO FISCAL. AUTOCOMPENSAÇÃO DECLARADA EM DCTF E DARF. REGIME DO ART. 66 DA LEI Nº 8.383/91. AUTOS DE INFRAÇÃO. GLOSA TOTAL. COMPENSAÇÃO. LIMITES E CONDIÇÕES. SUCUMBÊNCIA. 1. Compensação efetivada por conta e risco da contribuinte, autorizada nos moldes dos sistemas de compensação primitivos, inaugurados pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91 e depois alterados Fl. 425DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.004509/200797 Acórdão n.º 330201.484 S3C3T2 Fl. 4 7 pelo art. 39 da Lei nº 9.250/95, por meio da expressão, em DCTF e Darf, dos créditos que apurou contra a Fazenda Pública. 2. Não obstante, o Fisco procedeu a lançamento por autos de infração em que glosou a totalidade da compensação, como se não efetivada. 3. Consolidada a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade dos Decretosleis nº 2.445 e 2.449/88, observada a exigibilidade fiscal fundada na legislação anterior. 4. Encontrase consolidada a jurisprudência da Turma, no sentido de que o prazo previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional é contado a partir do recolhimento do tributo. Prescrição de créditos recolhidos anteriormente a cinco anos da compensação efetivada. 5. No regime das Leis nº 8.383/91 e nº 9.250/95, a compensação era possível apenas entre indébito e débito fiscal vincendo da mesma espécie e destinação constitucional (v.g. PIS com PIS); ao passo que com a Lei nº 9.430/96, em sua redação originária, foi prevista a possibilidade de compensação de indébito com débito fiscal de diferente espécie e destinação, por meio de requerimento administrativo e com autorização do Fisco, vedada a consecução do procedimento, sem tais formalidades. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 vieram a alterar o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a supressão da exigência de requerimento e de autorização, para compensação de indébito com qualquer débito fiscal do próprio contribuinte e administrado pela Secretaria da Receita Federal: regime legal que, porém, não pode ser aplicado no caso, sequer a título de direito superveniente (1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça EDREsp nº 488.992 e REsp nº 1.164.452, pelo regime do art. 543C). 6. O indébito fiscal deve ser, na espécie, acrescido, a título de correção monetária e juros de mora, exclusivamente da Taxa Selic a partir de 01.01.96 e observada a data de cada recolhimento indevido, sem cumulação de qualquer outro índice ou fator no período. Antes disso aplicase a Ufir como fator de correção, sem juros. 7. Caso em que, dada a procedência parcial do pedido, sem decaimento mínimo de qualquer das partes, fica reconhecida a sucumbência recíproca, na forma do artigo 21, caput, do Código de Processo Civil. 8. Precedentes. 9. Apelação parcialmente provida.” Assim, por entender que há concomitância entre a matéria objeto dos autos, e a matéria que foi analisada na referida medida judicial, deixo de apreciar o mérito da questão, ressalvando que a compensação efetuada pelo contribuinte, no tocante ao valor objeto do lançamento sob análise, não cancelado qual seja, de R$ 9.000,00, Fl. 426DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 referente à competência 02/2004 deve ser analisado pelo Fisco sob a ótica do que restou determinado na ação judicial. Pelo exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário na matéria conhecida, decidindo pelo cancelamento do lançamento em relação aos períodos constituídos em duplicidade, quais sejam, os lançamentos relativos às competências 07/2003, 10/2003 a 12/2003 e 02/2004 (um dos dois valores lançados, o de R$ 3.000,00), e mantendo a constituição do crédito relativa a 02/2004, no valor de R$ 9.000,00, porquanto a Recorrente não efetuou o lançamento por homologação desta quantia, embora tenha procedido a compensação do tributo devido. Neste ponto, em razão da concomitância existente entre a matéria destes autos, e do processo judicial ajuizado pela Recorrente, deixo de analisar o mérito, devendo a compensação efetuada pela Recorrente ser avaliada pela autoridade fiscal de acordo com os parâmetros de apuração do indébito tributário estabelecidos na decisão transitada em julgado nos autos da ação judicial nº 2004.61.05.0130268, ressalvado às autoridades fazendárias a verificação de existência e suficiência de crédito para quitação e extinção do débito em questão. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de março de 2012 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Declaração de Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA. Acompanho a conclusão do voto da ilustre conselheira relatora que julga procedente o lançamento do período de apuração de 02/2004, no valor de R$ 9.000,00, e improcedente o lançamento dos demais períodos de apuração objeto da lide, inclusive o lançamento no valor de R$ 3.000,00 do período de apuração de fevereiro de 2004. No entanto, as razões pelas quais julgo improcedente o lançamento dos períodos de apuração ocorridos em 07/03, 10/03, 11/03, 12/03 e 02/04 (parte) não são as mesmas da ilustre Conselheira Relatora. Entendo que para os referidos períodos de apuração os fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração não correspondem à realidade, ou seja, ao contrário do afirmado pela autoridade lançadora, referidos débitos estavam declarados em DCTF na data do início do procedimento fiscal que culminou com a lavratura do auto de infração. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.004509/200797 Acórdão n.º 330201.484 S3C3T2 Fl. 5 9 Estando os débitos declarados em DCTF, segundo o entendimento contido na Nota Conjunta Cosit/Cofis/Cosar n.º 535/1997, não é necessária a formalização da exigência em auto de infração, sendo suficiente tãosomente a própria DCTF. Isso porque a DCTF, além de se constituir em confissão de dívida, é instrumento hábil para se prosseguir na cobrança do débito, tornando dispensável o lançamento de ofício para conferir exigibilidade e liquidez à obrigação tributária, já presentes na referida declaração. Esse também é o entendimento da jurisprudência administrativa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DCTF LANÇAMENTO DE OFÍCIO A falta de pagamento nos prazos fixados pela legislação, de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado por meio da DCTF, está sujeita a procedimento de cobrança, com multa e juros de mora, descabendo na hipótese lançamento de ofício. (Acórdão 106 10272, Sexta Câmara, Data da Sessão: 14/07/98) Por tais razões é que julgo procedente, em parte, o recurso voluntário para manter o lançamento do PA 02/04, no valor original de R$ 9.000,00, acrescido de juros de mora e multa de ofício, e excluir o lançamento dos demais períodos de apuração. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 428DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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