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Numero do processo: 19515.720393/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IRREGULARIDADE DO AGRAVAMENTO DA MULTA. IMPROCEDÊNCIA.
Confirmada a regularidade do procedimento de fiscalização e da hipótese de agravamento da multa mantém-se a autuação.
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. CANCELAMENTO DE DÉBITOS.
Verificada a existência de pagamento relativo aos débitos de janeiro e fevereiro/2007, aplica-se a norma do art. 150, § 4º do CTN, cancelando-se os débitos atingidos pela decadência.
EQUÍVOCO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA.
Inexistindo comprovação de que o sujeito passivo foi incorretamente identificado pela fiscalização, mantém-se a autuação realizada em todos os seus termos.
PIS E COFINS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. GLOSA. PROCEDÊNCIA.
Correta a glosa dos créditos de PIS e COFINS utilizados pela empresa em relação aos percentuais que excederam as alíquotas estabelecidas para a hipótese.
PIS E COFINS. LANÇAMENTO DIFERENÇA DA ALÍQUOTA UTILIZADA NO CÁLCULO DA TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PROCEDÊNCIA.
Correta a autuação que apurou as diferenças das contribuições relativas à diferença dos percentuais utilizados pela empresa e os devidos com base na tributação concentrada.
Numero da decisão: 1401-001.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, acolher a preliminar de decadência nos meses de janeiro e fevereiro/2007 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva. Ausente justificadamente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IRREGULARIDADE DO AGRAVAMENTO DA MULTA. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a regularidade do procedimento de fiscalização e da hipótese de agravamento da multa mantém-se a autuação. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. CANCELAMENTO DE DÉBITOS. Verificada a existência de pagamento relativo aos débitos de janeiro e fevereiro/2007, aplica-se a norma do art. 150, § 4º do CTN, cancelando-se os débitos atingidos pela decadência. EQUÍVOCO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA. Inexistindo comprovação de que o sujeito passivo foi incorretamente identificado pela fiscalização, mantém-se a autuação realizada em todos os seus termos. PIS E COFINS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Correta a glosa dos créditos de PIS e COFINS utilizados pela empresa em relação aos percentuais que excederam as alíquotas estabelecidas para a hipótese. PIS E COFINS. LANÇAMENTO DIFERENÇA DA ALÍQUOTA UTILIZADA NO CÁLCULO DA TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PROCEDÊNCIA. Correta a autuação que apurou as diferenças das contribuições relativas à diferença dos percentuais utilizados pela empresa e os devidos com base na tributação concentrada.
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IRREGULARIDADE DO AGRAVAMENTO DA MULTA. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a regularidade do procedimento de fiscalização e da hipótese de agravamento da multa mantémse a autuação. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. CANCELAMENTO DE DÉBITOS. Verificada a existência de pagamento relativo aos débitos de janeiro e fevereiro/2007, aplicase a norma do art. 150, § 4º do CTN, cancelandose os débitos atingidos pela decadência. EQUÍVOCO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA. Inexistindo comprovação de que o sujeito passivo foi incorretamente identificado pela fiscalização, mantémse a autuação realizada em todos os seus termos. PIS E COFINS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Correta a glosa dos créditos de PIS e COFINS utilizados pela empresa em relação aos percentuais que excederam as alíquotas estabelecidas para a hipótese. PIS E COFINS. LANÇAMENTO DIFERENÇA DA ALÍQUOTA UTILIZADA NO CÁLCULO DA TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PROCEDÊNCIA. Correta a autuação que apurou as diferenças das contribuições relativas à diferença dos percentuais utilizados pela empresa e os devidos com base na tributação concentrada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 93 /2 01 2- 41 Fl. 3442DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, acolher a preliminar de decadência nos meses de janeiro e fevereiro/2007 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva. Ausente justificadamente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Fl. 3443DF CARF MF Processo nº 19515.720393/201241 Acórdão n.º 1401001.881 S1C4T1 Fl. 3.443 3 Relatório Iniciemos com um breve relatório sobre o caso. Fl. 3444DF CARF MF 4 Fl. 3445DF CARF MF Processo nº 19515.720393/201241 Acórdão n.º 1401001.881 S1C4T1 Fl. 3.444 5 Fl. 3446DF CARF MF 6 O processo foi encaminhado à 3a. Seção deste CARF por se tratar, entre outros assuntos, de autos de infração relativos a créditos de PIS e COFINS. A 3a. Seção deste CARF, por meio do pronunciamento de fls. 3436/3440, declarouse incompetente para a análise do presente caso, por envolver a análise de auto de infração de IRPJ, e decidiu por encaminhar o processo a esta 1a. Seção do CARF para julgamento. É o relatório do necessário. Fl. 3447DF CARF MF Processo nº 19515.720393/201241 Acórdão n.º 1401001.881 S1C4T1 Fl. 3.445 7 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Realizaremos a análise do presente recurso a partir dos pontos de divergência apresentados pelo recorrente. 1) Preliminar Cerceamento do Direito de Defesa e da Incorreta Aplicação de Multa agravada As alegações do recorrente prendemse ao fato de que o agravamento da multa foi indevido tendo em vista que a recorrente atendeu a todas as intimações realizadas pela fiscalização o que, no seu entendimento, não causou embaraço à fiscalização. Alega também que este não é o caso de ocorrência de fraude tipificada no art. 72, da Lei nº 4.502/64 e, mais ainda, que a Súmula 14 do CARF impede o agravamento da multa pela simples omissão de rendimentos ou de receita. Em sua informações o fiscal responsável alega que o contribuinte foi intimado inúmeras vezes durante todo o curso da fiscalização e, mesmo assim, não apresentou toda a documentação solicitada, fazendo a fiscalização utilizarse de outros meios para a realização do seu trabalho. Conforme se demonstra do Termo de Embaraço à Fiscalização de fls. 2037/2048, devidamente cientificado às fls. 2049, no qual lista os documentos e informações que deixaram de ser apresentados pela empresa durante todo o curso da fiscalização e que causaram embaraços à sua ação. O agravamento da multa decorre das hipóteses do art. 44, parágrafo 2º da Lei nº 9.430/96, conforme abaixo: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) No presente caso, conforme destacado exaustivamente pelo fiscal responsável, o contribuinte muito se descuidou em cumprir seu ônus. A falta de apresentação de informações solicitadas, juntamente com alguns dos livros obrigatórios essenciais e, mais Fl. 3448DF CARF MF 8 ainda, a ausência dos arquivos magnéticos dificultaram sim a realização do procedimento de fiscalização. Tanto é assim que a fiscalização informa que utilizouse de outros meios, quando possível, para completar as lacunas da deficiência de informações apresentadas pela empresa. Há ainda a se acrescentar que o procedimento fiscalizatório durou mais de um ano inteiro, ou seja, não houve falta de tempo para que o contribuinte providenciasse a documentação e informações solicitadas. Ou, se nem isso, apresentasse as justificativas de fato ou de direito que demonstrassem a impossibilidade de realizar a apresentação de informações ou arquivos. Quanto ao cerceamento do direito de defesa o recorrente alega que não foram anexados aos autos as trocas de email efetuadas entre este e o fiscal como fundamente para caracterizar o cerceamento. Ora, se estas mensagens eram tão importantes para seu direito de defesa, porque o recorrente não as apresentou juntamente com a impugnação? O cerceamento do direito de defesa, para ser caracterizado, deve decorrer de uma ação do responsável pela procedimento no sentido de impedir ou dificultar a produção de prova pela empresa, ou de ver seus requerimentos indeferidos sem motivo justo. Deste modo, com relação ao agravamento da multa de ofício entendo pela sua manutenção na alíquota de 125%. 2) Preliminar Decadência do Direito de Lançar o PIS e COFINS dos períodos de Janeiro e fevereiro de 2007 A decisão da DRJ, analisando os argumentos do contribuinte, decidiu por considerar decaídos apenas os lançamentos relativos aos valores recolhidos a menor de PIS e COFINS. Com relação aos valores lançados em função da omissão de receitas a Delegacia de Julgamento entendeu que deveria ser mantido o lançamento em razão de, em relação a estas receitas, não ter havido a antecipação de pagamento e, assim, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN. Neste ponto entendo merecer reparo a decisão de Piso. Ora a diferença entre a regra da antecipação do pagamento e a posterior homologação (em cinco anos contados do pagamento) e a ausência de pagamento e a contagem do prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado decorre da informação prestada ao fisco. No primeiro caso o prazo se conta porque, ocorrendo o pagamento, e a consequente obrigação de apresentar informação ao fisco, este pode agir de imediato ao poder realizar a análise prévia do conteúdo do pagamento e das informações apresentadas. Quando não existe o pagamento não há qualquer informação a ser analisada previamente pelo fisco, fazendo com que, todo o procedimento tenha de ser realizado de ofício e, com isso, de forma mais demorada. Quando ocorre o lançamento em determinado período de apuração de valores decorrentes de glosas e pagamentos a menor juntamente com omissão de receitas, não entendo ser possível segregar os lançamentos para fins de contar diferentes prazos decadenciais. Ora, a Fl. 3449DF CARF MF Processo nº 19515.720393/201241 Acórdão n.º 1401001.881 S1C4T1 Fl. 3.446 9 partir do momento em que o contribuinte fez o pagamento, a partir daí passa a contar o prazo decadencial para todos os tipos de irregularidades cometidas pelo contribuinte. Afinal de contas quem tem o poder de fiscalizar quanto à falta de pagamento integral é a mesma autoridade que, no mesmo procedimento, tem o poder de fiscalizar quanto à omissão de rendimentos. Não é admissível que para um mesmo período de apuração possam existir dois procedimentos fiscalizatórios diferentes, variando em função de cada tipo de infração que possa ser constatado. Esta não é a regra. A regra é que o sujeito passivo seja submetido apenas a um procedimento fiscal, tanto que para a ocorrência de refiscalização faz se necessário uma autorização específica. Por isso, entendo que o prazo decadencial aplicável à hipótese tem de ser o da contagem de cinco anos após a ocorrência do pagamento no caso de lançamento por homologação e, assim, neste prazo se incluem as apurações de todos os tipos de irregularidades acaso cometidas pelo recorrente em cada período de apuração, não sendo possível modificarse o prazo decadencial de um mesmo período de apuração de fato gerador em razão da ocorrência de diferentes tipos de infração cometidas num mesmo período. Neste ponto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e considerar decaídos os lançamentos de PIS e COFINS dos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 2007. 3) Mérito Equivocada Tributação da Receita de Terceiros Equívoco quanto a Identificação do Sujeito Passivo da Obrigação Tributária A recorrente neste ponto repisa as alegações apresentadas na Impugnação de que os valores de omissão de receitas apurados na verdade não seriam receitas da própria empresa, mas sim receitas da empresa Pirion Comércio de Peças Industriais Ltda, que é empresa interdependente. Entre suas alegações informar que referida empresa orientava os clientes a realizar depósitos diretamente em sua conta, sem sua autorização. Ocorre, no entanto que tais alegações, sem a devida apresentação de documentação e justificativas jurídicas não podem frutificar. Se é verdade o alegado, cabia à recorrente apresentar a composição da conta adiantamento de clientes com todos os seus lançamento a fim de identificar os que seriam relativos a estes tais depósitos orientados pela empresa Pirion. Sendo empresa interdependente como a recorrente alega, seria de aparente simplicidade a união de esforços das duas empresa no sentido de demonstrar que os ingressos de valores nas contas da empresa não constituíam receitas da recorrente, como esta alega. A contabilização de ingressos nas contas contábeis do recorrente configura o reconhecimento das receitas a ela vinculadas se não prova de que os recursos não são efetivamente da empresa. Se estas receitas não existiam, ou se estes ingressos ocorreram por simples erro de indicação da empresa Pirion, caberia ao recorrente provar o contrário, posto que a afirmação decorre dos lançamentos encontrados em sua própria contabilidade. Fl. 3450DF CARF MF 10 Disto não cuidou o recorrente. Limitouse apenas a alegar o erro da identificação do sujeito passivo e apresentar extensa apresentação doutrinária sem, no entanto, cuidar do principal, qual seja, a demonstração de que seus registros contábeis estavam incorretos e a apresentação conjunta de provas que demonstrassem essas incorreções. Não havendo prova cabal a infirmar os registros contábeis da empresa, devem ser acolhidos como verídicas as informações registradas e confirmada a omissão de tributação das receitas registradas e não declaradas. Assim, voto por manter a autuação na parte relativa à omissão de receitas escrituradas e não declaradas, assim como os seus autos reflexos. 4) Mérito Do PIS e da COFINS Monofásicos Possibilidade de Creditamento Glosa Indevida de Créditos Neste ponto do recurso a recorrente faz uma mistura na defesa ao alegar que deveria ser tributada no PIS e COFINS pelas alíquotas de 1,65% e 7,60% e que, por outro lado, poderia computar créditos calculados à razão de 2,30% e 10,80%. Além disso informa que não restou claro se a fiscalização glosou todo o crédito da recorrente ou apenas a diferença de alíquotas. Apesar da dificuldade inicial em compreender as razões de recurso, podemos verificar que não são aplicáveis em função dos seguintes pontos: a) Do recálculo dos créditos. A fiscalização, por meio da planilha de fls. 152/178, anexas ao auto de infração, detalhou pormenorizadamente todos os elementos que compuseram as bases de cálculo para a apuração dos créditos de PIS e COFINS. Ao final consta a aplicação da alíquotas e a apuração das diferenças dos créditos deduzidos pela empresa e os que efetivamente poderiam ter sido deduzidos. Não carecem de maiores explicações as planilhas. Bastaria ao responsável pela contabilidade da empresa analisar as planilhas para verificar os itens que foram efetivamente considerados nestas bases e a forma como foi realizada a apuração das diferenças. Analisando as referidas planilhas de apuração não constatamos a existência de erros ou inconsistências nas mesmas que pudessem descaracterizar o seu conteúdo. Assim, estas devem ser consideradas legítimas para a apuração dos créditos e débitos de PIS e COFINS e as diferenças que foram glosadas em relação aos créditos indevidos compostos dos valores das diferenças de apuração a menor destas contribuições. b) Das alíquotas aplicáveis ao cálculo dos débitos de PIS e COFINS. As alíquotas aplicáveis ao cálculo das contribuições, no caso específico da empresa, são as determinadas pelas normas abaixo: Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003 Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, Fl. 3451DF CARF MF Processo nº 19515.720393/201241 Acórdão n.º 1401001.881 S1C4T1 Fl. 3.447 11 a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). Produção de efeito (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) .............. IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Lei nº 10.485/2004 Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1o desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1o Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, inclusive em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 3452DF CARF MF 12 As leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 instituíram as alíquotas normais das contribuições não cumulativas do PIS e COFINS. A partir da edição da Lei nº 10.845/2004, foi estabelecida a tributação concentrada das contribuições do PIS e COFINS em relação a alguns seguimentos do setor produtivo. Nesta sistemática de contribuição os fabricantes e importadores são onerados com o pagamento do PIS e COFINS devidos pelos comerciantes varejistas e atacadistas, utilizando assim as alíquotas concentradas da mesma, que são de 2,30% e 10,80%, conforme estabelecido pela mesma Lei, ficando os comerciantes atacadistas e varejistas tributados à alíquota zero. No caso do contribuinte os produtos por ele fabricados, enquadramse no código 87.08 da TIPI e, assim, estão inclusos nos anexos I e II da Lei nº 10.845/2004, fazendo com que sua contribuição ao PIS e COFINS seja realizada, de forma concentrada, com base nas alíquotas de 2,30% e 10,80%. Assim, correto o auto de infração ao utilizar estas alíquotas para cálculo. b) Das alíquotas aplicáveis ao cálculo dos créditos a serem descontados na apuração do PIS e COFINS não cumulativo. Em relação ao cálculo dos créditos do PIS e COFINS na incidência não cumulativa, a única norma que estabelece as alíquotas de cálculo para o caso do contribuinte são as estabelecidas pelas leis 10.637/2002 e 10.833/2003, conforme abaixo: Lei nº 10.637/2002 Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos Fl. 3453DF CARF MF Processo nº 19515.720393/201241 Acórdão n.º 1401001.881 S1C4T1 Fl. 3.448 13 classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. Lei nº 10.833/2003 Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 3454DF CARF MF 14 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) (mesmas hipóteses da Lei nº 10637/2002) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. Demonstrase, das normas acima, que a alíquota a ser utilizada para cálculo dos créditos eram de 1,65% e 7,60%, conforme estabelecidas pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 utilizadas pelo fiscal em sua autuação, demonstrandose serem válidas as glosas realizadas pelo fiscal responsável com relação aos calores de créditos calculados em alíquotas superiores às previstas em lei. Desta forma resta demonstrado que não merece reparo a glosa realizada pelo fiscal quanto aos créditos tomados a maior, nem o lançamento relativo ao PIS e COFINS reflexos, incidente sobre as receitas não oferecidas anteriormente à tributação. Do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e de aplicação incorreta da multa agravada, acatar a preliminar de decadência do direito de lançar os débitos dos meses de janeiro e fevereiro/2007 e, no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 3455DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722114/2009-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 9202-005.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 14 /2 00 9- 13 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005, tendo em vista glosas de áreas ambientais e arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 20/06/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2801003.088 (fls. 108 a 120), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não prospera a alegação de nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, quando faltar a comprovação do suscitado cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal, bem como da existência das áreas com documentação complementar. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10280.722114/200913 Acórdão n.º 9202005.429 CSRFT2 Fl. 159 3 "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o VTN declarado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar." O processo foi encaminhado à PGFN em 10/07/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 121) e, em 23/07/2013 foi interposto o Recurso Especial de fls. 122 a 129 (Despacho de Encaminhamento de fls. 145). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nºs 210200.609 e 210201.664. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 07/03/2014 (fls. 147 a 149). Cientificada por meio de Edital, a Contribuinte quedouse silente (fls. 151 a 154). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Esclareçase, por oportuno, que foram indicados como paradigmas os Acórdãos nºs 210200.609 e 210201.664, sendo que o primeiro deles já foi examinado por este Colegiado e não foi considerado apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, no despacho de admissibilidade foi também examinado o segundo paradigma, considerado apto a demonstrar o dissídio interpretativo, sem qualquer óbice por parte desta Conselheira ou do Contribuinte, de sorte que passase a examinar o mérito do apelo. No caso do acórdão recorrido, foi promovido o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, sem que fosse anexada ao processo a respectiva tela extraída do sistema. A informação acerca do critério utilizado foi fornecida apenas em sede de decisão de Primeira Instância, que assim registrou: "Com efeito, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$2,10 por hectare encontrase, de fato, subavaliado, até prova documental hábil em contrário, por ser muito inferior ao VTN Fl. 160DF CARF MF 4 médio, por hectare, de R$61,47/ha, apurado no universo das DITR/2005 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Moju/PA. Esse valor médio por hectare corresponde ao valor médio apurado no universo das DITR/2005 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Moju/PA, correspondendo, portanto, à média dos valores (VTN) informados pelos próprios contribuintes nas suas DITR/2005." Assim, constatase que o arbitramento do VTN foi levado a cabo com base no valor médio das DITR do município de localização do imóvel, sem levarse em conta a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário, nesta parte, restabelecendose o VTN declarado pelo Contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o arbitramento seja restabelecido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10280.722114/200913 Acórdão n.º 9202005.429 CSRFT2 Fl. 160 5 Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, seguindo a jurisprudência do CARF, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000088/2008-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.127
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Recorrente SLC ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 88 /2 00 8- 80 Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 11686.000088/200880 Acórdão n.º 9303005.127 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302002.797, que, no tocante à matéria de interesse, não reconheceu o direito de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes de produtos acabados transportados entre estabelecimentos da mesma empresa. Cientificada, a Fazenda Nacional não apresentou recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Irresignado, o contribuinte interpôs apelo suscitando divergência quanto ao direito à tomada dos créditos em foco, argumentando, em resumo, que: · O objeto do presente recurso especial diz respeito ao direito de apuração de créditos de PIS e de Cofins, atinentes aos fretes de transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos; · É pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz, estando sujeita ao recolhimento de tributos, dentre as quais se destacam o PIS e a Cofins na sistemática não cumulativa; · As despesas ora em discussão são desdobramentos do frete de venda; · Para o regular desempenho de sua atividade, transfere os seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade, com o intuito de se obter melhores resultados, visto que devido às exigências do mercado, em não havendo estes centros, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, visto que seus grandes clientes, adquirentes de seus produtos, situamse, em sua grande maioria, na Região Sudeste e necessitam do produto à pronta entrega quase que diariamente; Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 11686.000088/200880 Acórdão n.º 9303005.127 CSRFT3 Fl. 4 3 · Tendo em vista que a maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos, os fretes são realizados por transporte ferroviário, como desdobramentos do frete de venda – o que demora 15 dias; · Para conseguir atender a sua demanda de pedidos, remete grandes quantidades por trem que, devido à demora no trânsito das mercadorias, quando chegam ao destino já estão vendidos; · A mercadoria, em muitos casos, já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. Em Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, contemplando, entre outros argumentos, que não é todo frete que pode ser considerado para fins de crédito da contribuição para fins de diminuição do débito ou ressarcimento. E que o entendimento administrativo somente permite o frete quando é feito diretamente para a venda do bem ou produto. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 11686.000088/200880 Acórdão n.º 9303005.127 CSRFT3 Fl. 5 4 Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 11686.000088/200880 Acórdão n.º 9303005.127 CSRFT3 Fl. 6 5 Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 11686.000088/200880 Acórdão n.º 9303005.127 CSRFT3 Fl. 7 6 entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 11686.000088/200880 Acórdão n.º 9303005.127 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 11686.000088/200880 Acórdão n.º 9303005.127 CSRFT3 Fl. 9 8 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 11686.000088/200880 Acórdão n.º 9303005.127 CSRFT3 Fl. 10 9 b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 11686.000088/200880 Acórdão n.º 9303005.127 CSRFT3 Fl. 11 10 · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 11686.000088/200880 Acórdão n.º 9303005.127 CSRFT3 Fl. 12 11 atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 11686.000088/200880 Acórdão n.º 9303005.127 CSRFT3 Fl. 13 12 Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: · Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: · A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; · A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 11686.000088/200880 Acórdão n.º 9303005.127 CSRFT3 Fl. 14 13 dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1113DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003675/2009-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 36 75 /2 00 9- 35 Fl. 247DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias devidas a outras entidades e fundos (SENAR), que nos termos do relatório fiscal foi assim resumido: O presente débito, lançado por arbitramento, referese às contribuições devidas para outras entidades e fundos, em específico ao SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, a cargo da empresa, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural própria, e relativo a seu enquadramento no Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS sob o código 604 aplicável conforme Tabela de Códigos FPAS, prevista no Anexo III da Instrução Normativa INSS/DC n° 71, de 10 de maio de 2002, em vigor até março de 2004; no Anexo XIX da Instrução Normativa INSS/DC n° 100, de 18 de dezembro de 2003, em vigor de abril de 2004 a julho de 2005; e no Anexo II da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, em vigor a partir de agosto de 2005. Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária manteve em parte o lançamento, para determinar o recalculo do valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. o Acórdão 2403000.923 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. AFERIÇÃO INDIRETA. MULTA DE MORA. Não constitui cerceamento de defesa, quando do indeferimento da produção de prova pericial em desacordo com o art. 16, IV do Decreto n. 70.235/72, bem como o recorrente não demonstrar sua necessidade. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 173, I, quando não houver antecipação no pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11020.003675/200935 Acórdão n.º 9202006.602 CSRFT2 Fl. 247 3 O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. Ocorrendo os permissivos legais do art. 33, § § 3o e 6o da Lei n. 8.212/91, não há óbice para o arbitramento. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte, por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Intimada a Fazenda Nacional, interpôs recurso especial de divergência questionando o critério adotado pelo Colegiado no que tange a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 249DF CARF MF 4 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11020.003675/200935 Acórdão n.º 9202006.602 CSRFT2 Fl. 248 5 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 251DF CARF MF 6 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11020.003675/200935 Acórdão n.º 9202006.602 CSRFT2 Fl. 249 7 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de Fl. 253DF CARF MF 8 obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11020.003675/200935 Acórdão n.º 9202006.602 CSRFT2 Fl. 250 9 Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Vale destacar, pela pertinência, que o lançamento relativo a obrigação acessória (AI 68) foi julgado parcialmente procedente por meio do acórdão 2403000.922 (PAF nº 11020.003673/200946). Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 255DF CARF MF 10 Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000205/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1995 a 31/12/1996
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-004.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 02 05 /2 00 7- 54 Fl. 437DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11330.000216/200734, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária " O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, Empregados, Empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, e Terceiros. O valor originário lançado é relativo ao período de apuração constante do documento fiscal, sobre o qual incidiram multa e juros. A análise do Relatório Fiscal indica: que a Notificação em tela teve por objetivo substituir a NFLD que foi anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, por vício formal, erro na classificação da fundamentação legal do fato gerador das contribuições apuradas; que a lavratura da Notificação tem fundamento no inciso II do art. 45 da Lei 8.212/91, que assegura à Seguridade Social o direito de apurar e constituir seus créditos em até 10 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada; que o fato gerador das contribuições apuradas foi a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados da empresa prestadora, cedidos à empresa NET Rio S.A. (tomadora), cuja responsabilidade foi atribuída a esta última por solidariedade, não afastada nos termos da legislação (§ 4º do art. 31 da Lei 8.212/91). A NET Rio S.A. foi devidamente cientificada do lançamento e, inconformada, formalizou tempestivamente sua impugnação, estruturada nos seguintes tópicos: Preliminares: da necessidade de adequada constituição do pólo passivo desta NFLD; da necessidade de oferecerse ciência ao ora defendente, dos termos de eventual defesa apresentada pelo contribuinte gerador da solidariedade imposta nesta NFLD; Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11330.000205/200754 Acórdão n.º 2201004.047 S2C2T1 Fl. 3 3 da inexistência de atos fiscais hábeis à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade; da inexistência de providências fiscais aptas à caracterização da ocorrência da cessão de mãodeobra hábil à geração da solidariedade previdenciária; da ocorrência da decadência quinquenal; De mérito: da condição legal da notificada; dos aspectos valorativos das exageradas alíquotas utilizadas para mensuração dos saláriosdecontribuição extraídos de faturas de serviço; Já a empresa prestadora apresentou intempestivamente sua impugnação. Na análise da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou procedente em parte o lançamento, promovendo a exclusão dos créditos tributários relativos às contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos, por não comportar lançamento por solidariedade. No mais, entendeu improcedentes os argumentos da defesa, inclusive em relação à decadência, que concluiu ser de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual trouxe à balha considerações sobre a edição da então recente Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. Na sequência, o recurso, basicamente, constituise na reafirmação dos mesmos tópicos já tratados na impugnação. Posteriormente, o recorrente apresentou nova petição, exclusivamente para reiterar suas considerações sobre a necessidade de cancelamento do lançamento em razão da citada Súmula Vinculante nº 08. É o relatório necessário.." Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11330.000216/200734, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Fl. 439DF CARF MF 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018: Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Por constituir matéria preliminar de mérito, relevante iniciar a análise do presente pela alegação de que os débitos lançados são relativos a períodos de apuração alcançados pela decadência. Como se viu no relatório supra, tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª Instância ampararam seus atos (lançamento e decisão) nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vidente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O débito ora sob análise decorre do cancelamento, por vício formal, de lançamento anterior. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, o prazo decadencial teria início na data em que se tornou definitiva a decisão que cancelou o lançamento julgado nulo por vício formal. Não obstante, por não ter sido juntado aos autos os elementos que pudessem indicar a data efetiva em que esta se tornou definitiva e considerando que tratar do tema agora resultaria em inovação da lide administrativa com a inclusão de questão sobre a qual a autoridade lançadora, a autoridade julgadora e a defesa não se manifestaram, há que se considerar, como início do prazo decadencial, a data em que foi exarada a decisão definitiva que fulminou o lançamento original. Assim, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11330.000205/200754 Acórdão n.º 2201004.047 S2C2T1 Fl. 4 5 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Grifouse Desta forma, considerando a data da prolação de decisão definitiva que anulou o lançamento como termo inicial para contagem do prazo decadencial, em cotejo com a data da ciência do lançamento substitutivo, há que se reconhecer que, nesta data, o direito do fisco em constituir o crédito tributário ora sob análise já se apresentava fulminado pela decadência. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para considerar fulminados pela decadência todos o débitos contidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em discussão. Fl. 441DF CARF MF 6 Quanto às demais matérias questionadas pela recorrente, deixo de analisálas, por restarem prejudicadas em razão da decadência reconhecida. Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Relator” Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 442DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.904459/2009-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL.
O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio.
Numero da decisão: 3001-000.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do pedido créditos de período anterior.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do pedido créditos de período anterior. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
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CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do pedido créditos de período anterior. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 44 59 /2 00 9- 01 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10920.904459/200901 Acórdão n.º 3001000.221 S3C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu do direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 15/07/2005, transmitiu PER/DCOMP nº 22377. 46021.150705.1.1.017757 com pedido de ressarcimento de IPI, referente crédito relativo ao segundo trimestre de 2005 no valor de R$ 160.000,00. Faz parte da PER/DCOMP o Livro Registro de Apuração de IPI do período de referência. Do Despacho Decisório A DRF de Joinville/SC em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (eFls.64), reconhecendo parte do crédito no valor de R$ 109.024,15. O crédito reconhecido foi utilizado para homologar parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 31752.22009.150805.1.3.010448 e não homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 11755.19555.150905.1.3.015929. Assim, pela inexistência de valor a ser ressarcido no presente pedido, manteve a cobrança da diferença de R$ 50.975,85 acrescido de multa e juros, entre o valor do crédito pleiteado e valor reconhecido. O auditor fiscal fez a juntada de planilhas na seguinte ordem: fls.65 DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS E DÉBITOS (RESSARCIMENTO DE IPI); fls.66 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL; e fls.67 RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS POR ENTRADAS NO PERÍODO. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.68), sendo resumida no relatório da DRJ nos seguintes termos: Segundo a manifestante a glosa de parte do saldo credor não tem fundamento legal, pois, são créditos líquidos e certos apurados de acordo com a IN SRF nº 460/2004, tendo como base a escrituração do RAIPI, cuja cópia está juntada. Aliás, inconformada pela ausência de informações no Despacho Decisório recorreu à Delegacia da Receita Federal em Joinville, que também não soube lhe informar o real motivo da glosa. Quanto à glosa de R$ 34,20, não há contestação, devido à irrelevância do valor. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, fundamentado no fato de “que a diferença entre o que foi pedido e o que foi reconhecido (desconsiderandose a glosa de R$34,20) referese ao saldo credor do período anterior, o qual não é ressarcível na presente PER/DCOMP”. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10920.904459/200901 Acórdão n.º 3001000.221 S3C0T1 Fl. 4 3 Do Recurso Voluntário O sujeito passivo, cientificado da decisão de primeiro grau, ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.129), requerendo em preliminar a nulidade do Despacho Decisório e por consequência do acórdão recorrido. Quanto ao mérito aborda a questão da nãocumulatividade do IPI; da lisura do procedimento da Recorrente face ao crédito objeto de ressarcimento, além de que não foi considerado pelo autor do despacho decisório o valor correspondente ao estorno de crédito no montante de R$ 235.000,00 referente a PER/DCOMP 22015.57628.260405.1.1.013566 relacionada com o trimestre anterior. Espera a validação do crédito de IPI e seu ressarcimento e, por consequência, a homologação das compensações declaradas. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Os fatos dizem respeito a PERD/COMP transmitida com pedido de ressarcimento de crédito de IPI relativo ao 2º trimestre de 2005. Da análise inicial da PER/DCOMP resultou em Despacho Decisório com reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento pretendido. A decisão recorrida confirmou os termos do Despacho Decisório julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade fundamentando que o crédito baseado em saldo credor de período anterior não pode ser ressarcido na presente PER/DCOMP. Em grau de Recurso Voluntário a recorrente apela em preliminar para duas nulidades no processo. A primeira de erro na capitulação legal por indicação imprecisa, quando da elaboração do Despacho Decisório, com relação a falhas cometidas pelo contribuinte no levantamento do crédito que teria direito ao ressarcimento. Segunda, por erro do acórdão da DRJ de fundamentação do dispositivo tido por infringido pela Recorrente. Entendo que nenhuma das duas preliminares levantadas merecem ser acolhidas, por não trazer prejuízo à Recorrente na busca da verdade material do fato, ou de impedimento do direito ao contraditório e a ampla defesa. A análise de mérito quanto ao pedido formulado na PER/DCOMP ora sob exame, não sofre nenhuma influência das preliminares abordadas para se ter plena visão dos fatos tanto materiais quanto legais, necessário ao julgamento do feito. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10920.904459/200901 Acórdão n.º 3001000.221 S3C0T1 Fl. 5 4 A recorrente ao trazer para o processo cópia de seu Livro Registro de Apuração de IPI deu condições ao fisco para a elaboração do demonstrativo de apuração do saldo credor ressarcível (fls.66), só que o ajuste praticado pelo autor do Despacho Decisório foi parcial. Conforme dados extraídos do Livro Registro de Apuração de IPI (fls. 105), o saldo credor transferido do período anterior foi de R$ 238.268,41 e que fora indicado na parte do demonstrativo de débitos um estorno de crédito referente pedido de ressarcimento nº 22015.57628.260405.1.1.013566, sendo inclusive esclarecido pela interessada que esse valor (R$ 235.000,00) era relativo a créditos apurados no trimestre anterior, ou seja, o 1º trimestre de 2005. Esse fato não foi levado em consideração quando da elaboração do demonstrativo do crédito, considerandoo como débito por saídas do mês de abril de 2005. De toda apuração de IPI feita para o período correspondente ao 2º trimestre de 2005 e que deu base ao pedido de ressarcimento, a única glosa realizada foi no valor de R$ 34,20 relacionada a uma Nota Fiscal registrada no mês de abril/2005, de aquisição de empresa optante do Simples. Portanto, reelaborando o demonstrativo de apuração do saldo credor ressarcível de IPI para o 2º trimestre de 2005, teríamos o seguinte resultado: DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL Saldo Credor de Período Anterior ‐ Março de 2005 = R$ 238.268,41 Estorno de Crédito em abril de 2005 referente ao Período Anterior = R$ 235.000,00 Saldo Credor Estorno Crédito Crédito Não Crédito do Glosa de Débito do Saldo Credor Período Ref.1º Trim‐ 2005 Ref.1º Trim‐ 2005 Ressarcível Mês Crédito Mês Ressarcível 238.268,41 235.000,00 3.268,41 ‐ ‐ ‐ ‐ Abril/2005 ‐ ‐ ‐ 100.071,89 34,20 50.820,66 49.217,03 Maio/2005 49.217,03 ‐ ‐ 108.894,27 ‐ 47.491,91 110.619,39 Junho/2005 110.619,39 ‐ ‐ 101.656,64 ‐ 54.034,85 158.241,18 Temos, então, que de acordo com o comando legal que autoriza a utilização de saldo credor de IPI para ressarcimento e compensação com débitos de outros tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, consta do art. 11 da Lei nº 9.779/1999, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nesse sentido, como bem observado pela Recorrente, temos a IN da SRF nº 460/2004, que comtempla a seguinte instrução a respeito desse tema: Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10920.904459/200901 Acórdão n.º 3001000.221 S3C0T1 Fl. 6 5 Art. 16. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. §1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subsequentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. § 3º O pedido de ressarcimento e a compensação previstos no § 2º serão efetuados mediante utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. Art. 17. No período de apuração em que for apresentado à SRF o pedido de ressarcimento, bem como em que forem aproveitados os créditos do IPI na forma prevista no art. 26, o estabelecimento que escriturou referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor pedido ou aproveitado. (Grifei) Temos presente aqui a orientação dada pela RFB (art. 17 da IN 460/2004), que foi seguida pela contribuinte e foi literalmente desconsiderada quando da análise do crédito pleiteado, referente ao estorno do crédito realizado no mês de abril de 2005 no valor de R$ 235.000,00. Consta no LRAIPI (fls.105) que esse valor de R$ 235.000,00 do demonstrativo de débito, tratase de “Estorno de crédito referente Pedido de Ressarcimento nº 22015.57628.260405.1.1.013566”. O fisco ao preencher o Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível (fls.66), deduziu do saldo credor de período anterior o valor de R$ 235.000,00 porém, voltou a incluílo, somandoo ao débito do mês de abril de 2005, tornando sem efeito o estorno de crédito realizado pela Contribuinte. Nessa parte assiste razão a Recorrente, passando o valor do crédito ressarcível ao patamar acima demonstrado no valor de R$ 158.241,18 devendo permanecer o não reconhecimento do crédito para fins de ressarcimento no montante de R$ 1.758,82 por ser parte do saldo credor do período anterior (1º trimestre de 2005). Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer como credito ressarcível referente ao período de apuração 2º trimestre de 2005, PER/DCOMP nº 22377. 46021.150705.1.1.017757, o valor de R$ 158.241,18. (assinado digitalmente) Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10920.904459/200901 Acórdão n.º 3001000.221 S3C0T1 Fl. 7 6 Cássio Schappo Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.906893/2012-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006
DCOMP. COFINS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADVINDOS DE DCTF. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF.
Não deve prosperar o pedido de compensação, cujo argumento solidifica-se na existência de crédito em DCTF, enquanto, na verdade, ao compulsar os autos, verifica-se a imprestabilidade da prova para fins de verificação débito confessado em DCTF.
Numero da decisão: 3001-000.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 DCOMP. COFINS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADVINDOS DE DCTF. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. Não deve prosperar o pedido de compensação, cujo argumento solidifica-se na existência de crédito em DCTF, enquanto, na verdade, ao compulsar os autos, verifica-se a imprestabilidade da prova para fins de verificação débito confessado em DCTF.
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COFINS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADVINDOS DE DCTF. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. Não deve prosperar o pedido de compensação, cujo argumento solidificase na existência de crédito em DCTF, enquanto, na verdade, ao compulsar os autos, verificase a imprestabilidade da prova para fins de verificação débito confessado em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 68 93 /2 01 2- 77 Fl. 93DF CARF MF 2 Despacho Decisório 040064640 Tratase de decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 38072.68972.310310.1.3.044000, enviada em 31/03/2010, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o crédito analisado corresponde ao valor original na data de transmissão do Per/Dcomp no total de R$ 2.178,08. A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, no caso, os constantes no Per/Dcomp 14047.53693.131107.1.3.049486 não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp 38072.68972.310310.1.3.044000. Neste sentido, foi posto em cobrança o crédito tributário no valor de R$ 488,53 de principal, R$ 97,70 de multa e R$ 129,31 correspondente a juros. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a Recorrente mencionou a equivocada declaração de débito na Dcomp. Erro no preenchimento da Dcomp Aduz a Recorrente, que embora tenha sido declarado débito no Per/Dcomp 14047.53693.131107.1.3.049486, tal valor não encontra respaldo na DCTF correspondente, havendo, portanto, mero erro de preenchimento na Declaração de Compensação. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1449.466 4ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2006 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DComp. RETIFICAÇÃO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em Declaração de Compensação. Os débitos contidos na DComp podem ser retificados/cancelados por iniciativa da contribuinte, nos termos da norma de regência. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10380.906893/201277 Acórdão n.º 3001000.129 S3C0T1 Fl. 94 3 O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de PER/Dcomp de crédito da Contribuição para a Cofins de agosto de 2006, no valor de R$ 2.178,08. A DRF em Fortaleza, por meio do despacho decisório de fl. 07, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado ter sido parcialmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte na DComp 14047.53693.131107.1.3.049486, anteriormente entregue e não cancelada/retificada. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 11/12. Argumenta que: Os débitos indicados no PER/DCOMP n° 14047.53693.131107.1.3.049486 não existem conforme se verifica na DCTF em anexo do período correspondente; Por fim, solicita a homologação da compensação apresentada. No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja, a possibilidade de autorizar a compensação quando existe divergência entre débito declarado na Dcomp, e a ausência deste débito em DCTF. o crédito indicado no PER/Dcomp já fora utilizado na DComp nº Dcomp 14047.53693.131107.1.3.049486. Não existe, portanto, saldo passível de restituição além daquele indicado no Despacho Decisório. Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado ou cancelado a Dcomp anteriormente até a transmissão da nova PER/Dcomp. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. Não o tendo feito, não cabe à autoridade da RFB suprirlhe a falta, investigando um suposto débito inexistente e sendo este confessado pela contribuinte, tendo em vista que a Dcomp é documento com conteúdo confessional, Falta de Prova Indo além no voto, percebese que a autoridade de primeira instância, além de julgar inexistente o crédito alegado, pela ausência de retificação da Dcomp, entendeu que, mesmo havendo o crédito, não teria condições de demonstrálo com a parca documentação acostada a esses autos. Seguese a trechos do voto com a exposição de seu raciocínio: Fl. 95DF CARF MF 4 ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível o reconhecimento do direito creditório, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior.. não juntou qualquer documento que comprovasse os valores recolhidos indevidamente ou maior que o devido. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. para desconstituir o débito confessado, a contribuinte deveria indicar o erro, o motivo do erro e juntar toda a documentação para comprovar a argumentação. Contudo, nada foi juntado, preferindo ficar somente nas alegações Recurso Voluntário A recorrente, em sua defesa, apresentou resumo fático no qual destacou que protocolou o Per/Dcomp 38072.68972.310310.1.3.044000. O motivo foi o pagamento a maior relativo à Cofins competência de agosto de 2006. Contornos desta Líde Sua divergência perante a decisão de primeira instância administrativa, parte da indicação, no Despacho Decisório (DDE) e pela autoridade julgadora, ao Per/Dcomp vez que o crédito pleiteado teria sido utilizado neste procedimento. Ainda, insurgese contra a necessidade de retificação de sua Perd/Dcomp, em que pese a argumentação oficial pela existência do débito tributário nela confessado. Possibilidade de Compensação de Créditos Advindos de DCTF Válida Antes de adentrar no mérito, a recorrente introduz breve resumo sobre a legislação que disciplina o instituto da compensação, mencionando seus requisitos, quais sejam, a. autorização legal, obrigações recíprocas, e dívidas líquidas e certas. Validade da DCTF Retificadora Traz aos autos jurisprudência deste CARF, cuja ementa indica a possibilidade de formalização de informações através de DCTF retificadora. Ausência de Débito em DCTF Neste ponto, evidenciase a insurgência da recorrente em face da exigência, exposta na decisão de primeira instância administrativa, de haver, necessariamente, a retificação da Per/Dcomp original, na qual constava a informação declarando o débito. Segundo consta, a recorrente busca legitimar seu direito no fato de a DCTF não conter a informação do débito, mas tão somente, na DComp; ainda, q ue seria a DCTF o meio para formalizar o crédito. Fundamenta seu raciocínio no artigo 8.º da IN 1.110/2010. Prescrição a partir da entrega da DCTF Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10380.906893/201277 Acórdão n.º 3001000.129 S3C0T1 Fl. 95 5 Por fim, a recorrente busca a declaração da prescrição da cobrança ora em curso, vez que transcorreramse mais de 05 anos da entrega da DCTF e da efetiva cobrança judicial. Alega não se tratar de decadência, justamente pelo motivo de o débito estar confessado, e, a partir daí, não se necessitar mais de lançamento para constituir o crédito tributário. Por fim, segundo a tese da recorrente, o fisco teria 5 anos para exigir o débito judicialmente. Do pedido Pugnou pela aplicação dos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. A legitimação do crédito pago a maior. Protestou por todos os meios de prova, inclusive perícia. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Mérito Ao analisar a documentação nos presentes autos, pôdese evidenciar a alegação da ocorrência de pagamento indevido, relativo à Cofins do mês de agosto de 2006. Em 2007, a recorrente protocolizou a Dcomp 14047.53693.131107.1.3.049486, a qual reclamava a utilização do crédito gerado com o alegado pagamento indevido de Cofins de agosto de 2006 em contraponto ao débito de Cofins, relativo ao mês março de 2006. Possibilidade de Compensação de Créditos Advindos de DCTF Válida Em 2009, houve o envio da DCTF n.º 1000.000.2009.2080234049, acostada a estes eautos, referente ao segundo semestre de 2005, sendo retificadora. Neste instrumento portanto, não se consegue aferir a existência ou não de débito de Cofins em março de 2006. Como visto em Relatório, as alegações em manifestação de inconformidade da recorrente, o argumento indicado para legitimar a utilização do crédito é a inexistência de débito constituído em DCTF válida. Ausência de Débito em DCTF Contudo, esta DCTF ora apresentada pela recorrente, não se presta para verificar se há, ou não, débito de Cofins, no mês em questão, março de 2006. Desta forma, não cabe a alegação da recorrente sobre o título 'Possibilidade de Compensação de Créditos Advindos de DCTF Válida'. Prescrição a partir da entrega da DCTF Fl. 97DF CARF MF 6 Não existe prescrição em favor do contribuinte conforme postulado pela recorrente. Segue acórdão: Acórdão nº 1401002.067 COMPENSAÇÃO DCTF INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA A homologação tácita é previsão peculiar e exclusiva da compensação mediante DCOMP. Não pode ser estendida por analogia para outras formas de compensação. Desse modo, no caso de valores registrados na DCTF, assim como em outras declarações, como a DIPJ, a Fazenda Pública tem o direito de verificar as informações que julgar necessárias para reconhecer o indébito tributário e não se sujeitar a um suposto prazo decadencial não previsto em lei. Evidentemente que, esgotados os cinco anos da realização da compensação, o Fisco perde o direito de cobrar o crédito tributário, mas por força do fenômeno da prescrição do direito de cobrar. Isso não significa que tenha que acatar que a efetiva liquidação da dívida foi promovida para fins de aferir o direito de repetição do contribuinte. RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO Não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já uma suposta prescrição aquisitiva de pretenso indébito tributário geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos ilimitados de domínio público para a esfera privada. Em suma, no curso do processo administrativo de restituição, a Administração tem o poder de verificar e o particular o dever de manter todos os documentos que se referiram ao direito pleiteado. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10380.906893/201277 Acórdão n.º 3001000.129 S3C0T1 Fl. 96 7 Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.000676/2001-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INEXISTÊNCIA. A aferição da certeza e liquidez do direito creditório vincula-se à comprovação, nos autos, da apuração da base de cálculo e do imposto devido em conformidade com as normas aplicáveis. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.685
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INEXISTÊNCIA. A aferição da certeza e liquidez do direito creditório vinculase à comprovação, nos autos, da apuração da base de cálculo e do imposto devido em conformidade com as normas aplicáveis. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13819.000676/200110 Acórdão n.º 140200.685 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório DAIMLERCHRYSLER DO BRASIL LTDA. com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e indeferiu seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Pedido de Restituição (fl. 01), protocolizado em 02/04/2001, pelo qual a interessada pretende a restituição de valores a título de “DISPONIBILIZAÇÃO DO SALDO DO IMPOSTO DE RENDA APURADO NO QUARTO TRIMESTRE DE 2000, PARA COMPENSAÇÃO”, no montante de R$ 1.646.491,32, para compensálo com débito de estimativa de CSLL do mês de janeiro de 2001, no valor de R$ 1.080.365,72, conforme formulário “Pedido de Compensação” de fl. 02. Junto dos pedidos foram anexados o demonstrativo de fl. 06 e as cópias do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR – às fls. 07 a 12. À fl. 14 encontrase anexado outro formulário “Pedido de Compensação”, protocolizado em 30/08/2002, indicando a compensação de débito de estimativa de CSLL do mês de julho de 2002, no valor de R$ 185.793,75, com o mesmo direito creditório pleiteado. Em 15/10/2002, pelo despacho de fl. 16, o SEORT da DRF em São Bernardo do Campo/SP, solicita o encaminhamento do processo ao Serviço de Fiscalização para averiguação da exatidão dos valores pleiteados pela interessada. Em 06/08/2007 a Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal da DRF em São Bernardo do Campo assim se pronunciou: “A contribuinte às fls. 01 pleiteia administrativamente restituição de saldo de Imposto de Renda apurado no 4o. trimestre do AC 2000 para utilização em futuras compensações. Para tanto, apresentou às fls. 06, demonstrativo de saldo de imposto de renda e contribuição social, onde procura demonstrar a existência de crédito de IR que atualizado até 30.03.2001 no valor de R$ 1.646.491,32 (hum milhão e seiscentos e quarenta e seis mil e quatrocentos e noventa e um reais e trinta e dois centavos), além da cópia do Livro de Apuração do Lucro Real do 4o. Trimestre de 2000, fls. 07 a 12. Analisando a ficha 12 A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real do 4o. Trimestre e a ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do mesmo trimestre, cópias às fls. 017/018, verificamos que os dados constantes de sua DIPJ/2001 entregue em 28/06/2001, data posterior ao Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13819.000676/200110 Acórdão n.º 140200.685 S1C4T2 Fl. 0 3 pedido, divergem dos valores apresentados no demonstrativo de fls. 06. Utilizandose os valores das respectivas fichas no referido demonstrativo concluímos que a contribuinte compensou integralmente os créditos de IR e CSLL nos valores de 17.489.870,03 (dezessete milhões, quatrocentos e oitenta e nove mil, oitocentos e setenta reais e três centavos) referentes as linhas 13/14/15 e R$ 23.296,00 (vinte e três mil e duzentos e noventa e seis reais), linha 41, respectivamente, vide quadro abaixo: (...) Considerando o acima exposto, concluímos que a contribuinte não faz jus à restituição pleiteada conforme pedido, uma vez que no seu demonstrativo que juntou às fls. 06, parte da apuração para provisão para imposto de renda de débito de R$ 16.054.781,09, LALUR às fls. 11, enquanto que o débito apurado em sua DIPJ/2001, consta o valor de R$ 18.013.123,39, (ficha 12 A 4o. T, linhas 01 + 03 – 04 – 06 – 08), desta forma utilizouse de todo o excedente demonstrado para extinguir o próprio débito do período....” Pelo Despacho Decisório de fl. 23 a 27 a DRF em São Bernardo do Campo/SP não reconheceu o direito creditório, declarou a homologação tácita da compensação do débito de estimativa de CSLL de janeiro de 2001, no valor de R$ 1.080.365,72 e não homologou a compensação do débito de estimativa de CSLL de julho de 2002, no valor de R$ 185.793,75, fundamentando a decisão nos seguintes argumentos: “... Inicialmente, ressaltese que somente o saldo negativo de imposto de renda a pagar apurado na declaração de rendimentos é passível de restituição. Esta foi, sem dúvida, a intenção da Administração ao redigir o parágrafo 2º do art. 6º da Instrução Normativa nº 21, de 10 de março de 1997, que, até então, disciplinava o procedimento de restituição. O citado dispositivo determinava que o demonstrativo de cálculo do valor da restituição de imposto de renda pleiteado por pessoa jurídica fosse a própria declaração de rendimentos, cuja cópia deveria instruir a solicitação: IN SRF no. 21, de 1997: ‘Art. 6º À exceção do valor a restituir relativo ao imposto de renda de pessoa física, apurado na declaração de rendimentos, todas as demais restituições em espécie, de quantias pagas ou recolhidas indevidamente ou em valor maior que o devido, a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, nas hipóteses relacionadas no art. 2º, serão efetuadas a requerimento do contribuinte, pessoa física ou jurídica, dirigido à unidade da SRF de seu domicílio fiscal, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos. § 1º O demonstrativo a que se refere o caput deverá conter a base de cálculo efetiva, o valor do tributo ou contribuição pago ou recolhido, o valor efetivamente devido e o saldo a restituir. § 2º No caso de valor a restituir, relativo a imposto de renda de pessoa jurídica, o demonstrativo a que se refere o caput será substituído por cópia da respectiva declaração de rendimentos.’ (grifos) Pela análise dos autos (fls. 01/22), verificase que o contribuinte formulou seu pedido em 02/04/2001 (fl. 01), vindo a apresentar a DIPJ do exercício de 2001, anocalendário de 2000, em 28/06/2001 (fl. 19). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13819.000676/200110 Acórdão n.º 140200.685 S1C4T2 Fl. 0 4 Os autos foram submetidos à Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal desta Delegacia, a qual, após análise do pedido, juntou a informação de fls. 20/21. Limitando a análise à apuração do saldo do imposto de renda, objeto do pedido de restituição, verificouse que os dados constantes da Ficha 12 A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real da DIPJ/2001 (fl. 17) divergem dos valores apresentados no demonstrativo de fl. 06. Considerando os valores informados nos demonstrativo (fl. 06), constatouse que o contribuinte já compensou integralmente o crédito no valor de R$ 17.489.870,84, referentes às linhas 13/14/15 (fl. 17). Enquanto na cópia do LALUR (fl. 11) o contribuinte indica provisão para imposto de renda no 4º trimestre de 2000 no valor de R$ 16.054.781,09, em sua DIPJ/2001 (fl. 17) consta o valor de R$ 18.013.123,39, correspondendo à soma das linhas 01+03040608, resultando, após a dedução do valor de R$ 17.489.870,84 (linhas 13/14/15) em imposto a pagar de R$ 523.252,55. Portanto, todo o excedente foi utilizado na extinção parcial do próprio débito do período, apurandose ainda imposto a pagar, não havendo, assim, qualquer valor a restituir. Concluise do exposto, que não há direito creditório a ser reconhecido. Por outro lado, embora não haja crédito disponível, passados mais de cinco anos do protocolo do primeiro Pedido de Compensação (fl. 02), sem que a Fazenda Nacional tenha se pronunciado, resta homologada, por expressa disposição legal, a compensação do débito relacionado no pedido de compensação protocolado em 02/04/2001, pois com o advento da Lei nº 10.637/2002, foi incluído o § 4º no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Posteriormente, a Lei nº 10.833/2003 alterou a redação do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que passou à seguinte leitura: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Ressaltese que, havendo dúvidas a respeito da correta interpretação destes dispositivos transcritos, a Coordenação Geral de Tributação desta Instituição publicou a Solução de Consulta Interna nº 001, de 04/01/2006, em que frisou o entendimento acima já revelado: ‘Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito.’ Assim, tendo o contribuinte pleiteado crédito no montante de R$ 1.646.491,32 e embora não tenha havido o reconhecimento do aludido direito creditório ao sujeito passivo no pleito administrativo em questão, não se pode deixar de obedecer aos mandamentos legais ou administrativos vigentes e eficazes, pelo Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13819.000676/200110 Acórdão n.º 140200.685 S1C4T2 Fl. 0 5 que assiste direito ao contribuinte em ter liquidado seu débito no montante de R$ 1.080.365,72 referente ao pedido de compensação formulado em 02/04/2001 (fl. 02), transformado em declaração de compensação, protocolado há mais de cinco anos desta análise. Relativamente, ao pedido de fl. 14, protocolado em 30/08/2002, e a outras declarações de compensação porventura vinculadas ao presente processo no período de cinco anos retroativos a esta análise, não se aplica a homologação por disposição legal abordada acima, e em não havendo direito creditório, não há que se falar em homologação de compensação, devendose partir para a cobrança do(s) débito(s) indevidamente compensado(s)”. Pela COMUNICAÇÃO/DRF/SBC/SEORT/850/2007/MFG, remetida via Correios ao endereço cadastral da empresa, a interessada foi cientificada do conteúdo do Despacho Decisório, em 27/08/2007, como atesta a original do Aviso de Recebimento – AR de fl. 51, e, por meio de seus advogados e bastante procuradores (instrumento de procuração às fls. 65/66), protocolizou sua manifestação de inconformidade, anexada às fls. 52 a 56, aduzindo, em sua defesa que, à época da DIPJ, era amparada por medida liminar proferida em 13/08/1999, no Mandado de Segurança nº 97.00257983, que lhe autorizava abater os valores apurados a título de CSLL da base de cálculo do IRPJ. Aduz que tal fato teria gerado a suspensão da exigibilidade da monta de R$ 1.650.836,41, mas que, por ausência de campo específico na DIPJ, não teria sido possível a menção à referida suspensão, motivo pelo qual teria apurado na DIPJ um saldo a pagar de IRPJ de R$ 523.252,55, quando, na verdade, possuiria crédito a ser restituído. Explica que a divergência apurada pela auditoria fiscal entre o “quadro resumo” apresentado à fl. 06, e o quadro resumo de IR/CSLL, conforme dados da DIPJ/2001, cingirseia ao fato de que a lei autoriza o contribuinte a utilizarse de eventuais créditos a partir do primeiro dia do anocalendário. O “quadro resumo” apresentado à fl. 06 corresponderia a uma provisão feita nesse mês (janeiro), sendo que na ocasião da apresentação da DIPJ, no mês de junho, esses valores foram reajustados em função dos valores reais, conforme se verificaria da tabela que anexa. E prossegue, em suas palavras: “7. O valor devido, apurado no trimestre, a título de Imposto de Renda, que em janeiro era de R$ 16.054.781,09, passou a ser, após os reajustes no mês de junho, da monta de R$ 16.362.286,97. 8. Considerando o valor devido a título de Imposto de Renda, apurado no trimestre, conforme os dados da DIPJ de 2001, de R$ 18.013.123,39, deduzindose o crédito a que fazia jus a requerente, em face da suspensão da exibigilidade supramencionada, chegase ao exato valor de R$ 16.362.286,97, constante da tabela anexa, reajustada no mês de junho, quando da apresentação da DIPJ. 9. Por isso, outro entendimento não é possível, senão o do reconhecimento do direito creditório da requerente, que embora possuísse um valor que não poderia ser considerado a título de Imposto de Renda, por estar com a exigibilidade suspensa, estava impedida de declarálo na respectiva DIPJ, por inexistência de campo para tanto.” Conclui ser legítimo o direito à compensação e espera pelo provimento do pleito. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13819.000676/200110 Acórdão n.º 140200.685 S1C4T2 Fl. 0 6 A decisão recorrida está assim ementada: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INEXISTÊNCIA. A aferição da certeza e liquidez do direito creditório vinculase à comprovação, nos autos, da apuração da base de cálculo e do imposto devido em conformidade com as normas aplicáveis. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. Improcedente a compensação que vincula créditos inexistentes aos débitos tributários devidos à Fazenda. Pedido de Restituição Indeferido. Compensação não homologada. Entenderam os julgadores da 2a. Turma da DRJ Campinas em não reconhecer o direito creditório requerido e não homologar a compensação do débito de CSLL do período de apuração de 31/07/2002, no valor de R$ 185.793,75 (cento e oitenta e cinco mil, setecentos e noventa e três reais e setenta e cinco centavos) declarado na Declaração de Compensação, glosandoo. A fim de justificarem a negativa acima argumentam, em síntese que não há provas nos autos de que ao final do 4° Trimestre do anocalendário de 2000, a ora RECORRENTE estava amparada por qualquer medida judicial que a desobrigasse e adicionar, a lucro líquido do exercício, para apuração do lucro real, o valor da CSLL, persistindo tal situação até a apresentação da entrega da DIPJ do exercício de 2001, anocalendário de 2000, apresentada com a observância da legislação vigente, bem como que não havia à época do julgamento, provas da existência de medida naquele sentido. Prosseguem argumentando que não há como admitir a exclusão do valor da CSLL da data base de cálculo do IRPJ, considerandose como válidos os valores informados pela RECORRENTE na DIPJ do período acima. Por fim, entendem que, considerando que o IRPJ foi apurado sobre a base de cálculo integral, ou seja, sem a exclusão do valor da CSLL, o valor do IRPJ devido é de R$ 18.013.123,39 (dezoito milhões, treze mil, cento e vinte e três reais e trinta e nove centavos), admitindose as antecipações consignadas, no valor total de R$ 17.489.870,84 (dezessete milhões, quatrocentos e oitenta e setenta mil, oitocentos e setenta reais e oitenta e quatro centavos), tendose um saldo a pagar de imposto à pagar no valor de R$ 523.252,55 (quinhentos e vinte e três mil, duzentos e cinqüenta e dois reais e cinqüenta e cinco centavos), não havendo direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ referente ao 4o. trimestre de 2000a ser reconhecido. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, alegando que (verbis): (...) Prima fade informamos que o direito creditório em que se funda o pedido da RECORRENTE deve ser analisado desconsiderandose a existência ou não de decisão judicial que o ampare. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13819.000676/200110 Acórdão n.º 140200.685 S1C4T2 Fl. 0 7 Ora, devese considerar que a RECORRENTE possui um direito creditório que perfaz o montante de R$1.435.089,76 (um milhão, quatrocentos e trinta e cinco mil, oitenta e nove reais e setenta e seis centavos). Tal argumento é possível levandose em consideração que, conforme amplamente aduzido nestes autos, a RECORRENTE declarou na DIPJ em deslinde, o Imposto sobre o Lucro Real de R$ 18.523.204,22 (dezoito milhões, quinhentos e vinte e três mil, duzentos e quatro reais e vinte e dois centavos) realizandose as deduções de R$ 510.080,83 (quinhentos e dez mil, oitenta reais e oitenta e três centavos) — linhas 04+06+08 da Ficha 12a —, bem como os pagamentos de IR Fonte, órgão Público e Renda Variável — linhas 13 + 14+ 15 — de R$ 17.489.870,84 (dezessete milhões, quatrocentos e oitenta e nove mil, oitocentos e setenta reais e oitenta e quatro centavos), chegandose ao Imposto de Renda a pagar de R$ 523.252,55 (quinhentos e vinte e três mil, duzentos e cinqüenta e dois reais e cinqüenta e cinco centavos), conforme doc. anexo (doc. 03). Não obstante, insistase que, como não existia campo específico para informar a exigibilidade suspensa da CSLL no valor de R$ 1.650.836,41 (um milhão, seiscentos e cinqüenta mil, oitocentos e trinta e seis reais e quarenta e um centavos), o saldo a pagar de R$ 523.252,55 (quinhentos e vinte e três mil, duzentos e cinqüenta e dois reais e cinqüenta e cinco centavos) não reflete a veracidade dos fatos. Isto porque, insistase em dizêlo, caso existisse este campo teríamos um saldo negativo de R$ 1.127.583,86 (um milhão, cento e vinte e sete mil quinhentos e oitenta e três reais e oitenta e seis centavos). Ora, o que se percebe, in casu, é que se pretende punir a RECORRENTE pela ocorrência de fatos alheios à sua vontade. Assim, buscando demonstrar a lisura de sua conduta perante o Fisco, posteriormente, a RECORRENTE recalculou o IRPJ do 4° Trimestre de 2000, desconsiderando a exigibilidade suspensa da CSLL da base de cálculo do IRPJ, e efetuou os seguintes pagamentos: R$ 1.127.851,45 (um milhão, cento e vinte e sete mil, oitocentos e cinqüenta um reais e quarenta e cinco centavos) em 30.12.2003 e R$ 307.505,89 (trezentos e sete mil, quinhentos e cinco reais e oitenta e nove centavos) em 19.06.2001, devidamente corrigidos, conforme documentos anexos. (doc. 04 e 05). Assim, com este recalculo, os valores de Imposto sobre o Lucro Real de R$ 18.523.204,22 (dezoito milhões, quinhentos e vinte e três mil, duzentos e quatro reais e vinte e dois centavos) passou a ser R$ 18.027.953,30 (dezoito milhões, vinte e sete mil, novecentos e cinqüenta e três reais e trinta centavos), o qual, por sua vez, considerando as deduções (linhas 04+06+08) de R$ 510.080 83 (quinhentos e dez mil, oitenta e reais e oitenta e três centavos), passaram a ser R$ 537.814,88 (quatrocentos e trinta e sete mil, oitocentos e quatorze reais e oitenta e oito centavos), chegandose, portanto ao direito creditório de R$ 1.435.089 76 (um milhão, quatrocentos e trinta e cinco mil, oitenta e nove reais e setenta e seis centavos). Assim, foi realizado o pedido de restituição de R$ 1.646.491 32 (um milhão, seiscentos e quarenta e seis mil, quatrocentos e noventa e um reais e trinta e dois centavos) e compensado o valor de R$ 1.080.365,72 (um milhão, oitenta mil, trezentos e sessenta e cinco reais e setenta e dois centavos) —homologada tacitamente — e o valor de R$ 185.793,75 (cento e oitenta e cinco mil, setecentos e noventa e três reais e setenta e cinco centavos) indeferido neste Acórdão —, os Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13819.000676/200110 Acórdão n.º 140200.685 S1C4T2 Fl. 0 8 quais se encontram devidamente asseguradas pelo crédito de R$ 1.435.089 76 (um milhão, quatrocentos e trinta e cinco mil, oitenta e nove reais e setenta e seis centavos). Por fim, não podem prosperar as alegações e os fundamentos que não reconheceram o direito creditório e não homologaram a compensação de CSLL do período de apuração de 31/07/2002, eis que não consideraram os pagamentos realizados, a fim de se regularizar sua situação, ignorando, ainda, a suspensão da exigibilidade a que fazia jus, haja vista que não ocorreu a devida análise de documentação apresentada ao Fisco, fato esse incontroverso, sendo certo que não se pode transferir o ônus de tal deslize à RECORRENTE que, como de costume, agiu totalmente imbuída de boafé. Diante do exposto, após a RECORRENTE demonstrar, exaustivamente, a lisura de seus procedimentos, pois não se quedou inerte frente à regularização de sua situação, comprovandose o recolhimento dos valores correspondentes ao IRPJ do 4° Trimestre de 2000, desconsiderando a exigibilidade suspensa da CSLL da base de cálculo do IRPJ, requer seja julgado totalmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reformada a r. decisão a quo, restituindose ou compensandose o valor originariamente solicitado, ou, se assim melhor entender, convertêlo em diligência, para que se apure, de maneira completa e irrestrita, a documentação comprobatória, eis que a RECORRENTE cumpriu com todas as suas obrigações fiscais, atendendo à legislação vigente (...) É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13819.000676/200110 Acórdão n.º 140200.685 S1C4T2 Fl. 0 9 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Em litígio o não reconhecimento do direito creditório no valor pleiteado de R$ 1.646.491,32, a título de saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2000 e a não homologação de compensações (DCOMP) com fulcro nesse crédito. No mérito verificase que a divergência, segundo alega a recorrente, deveuse ao fato de que, no LALUR e demonstrativo de fl. 06, teria sido excluído, do lucro líquido do exercício para efeito de apuração do lucro real, o valor da CSLL, procedimento esse que, à época, estaria amparado por medida judicial. Por falta de campo adequado na DIPJ a contribuinte não teria como excluir, do lucro líquido do exercício, para apuração do lucro real, o valor da CSLL.Em decorrência, a base de cálculo do IRPJ, na DIPJ, teria ficado majorada, gerando a divergência de valores a título de IRPJ apurado, daquele que, segundo a interessada, seria efetivamente devido. Verificase, de plano que está correto o entendimento da decisão recorrida no sentido de “perquirir se a manifestante, à época dos fatos, estaria realmente amparada por medida judicial que a desobrigasse de adicionar, ao lucro líquido do exercício do 4º trimestre de 2000, para efeito de apuração do lucro real, o valor da provisão para CSLL e, ainda, se tal medida, caso existente, permaneceria com os mesmos efeitos no presente momento.” Vejamos os fundamentos do voto condutor da decisão de 1a. instância quanto a essa questão: Às fls. 87 a 98 foi apresentada cópia da inicial do Mandado de Segurança datado de 28/07/1997 e distribuído sob o nº 97.00257983, pelo qual a interessada, na qualidade de impetrante, pede a concessão de Medida Liminar “apenas e tão somente para que a d. autoridade impetrada se abstenha de exigir da Impetrante qualquer parcela a título de Imposto sobre a Renda e de Contribuição Social sobre o Lucro a partir do período de apuração de junho de 1997, apurados segundo os critérios que a Impetrante entende corretos, ou seja, excluindose, reciprocamente, um da base de cálculo do outro, ficando a salvo a lavratura de auto de infração, da imposição de quaisquer penalidades e demais atos tendentes à sua exigência, ressalvado à fiscalização o mais amplo poder de fiscalização quanto à correção dos valores apurados pela adoção dos critérios legais aqui expostos e adotados.” A Medida Liminar, no entanto, foi indeferida, conforme prova a cópia da decisão do Exmo. Juiz Substituto da 6ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, às fls. 99 e 100. Às fls. 101 a 111 encontrase cópia do Agravo de Instrumento pelo qual a agravante, in casu, a empresa interessada, pede pela reforma da decisão Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13819.000676/200110 Acórdão n.º 140200.685 S1C4T2 Fl. 0 10 agravada e pelo deferimento da Medida Liminar, com atribuição de efeito suspensivo ao recurso. Na decisão proferida no Agravo de Instrumento – cópia às fls. 113 a 115 – o Juiz Relator do TRF da 3ª Região admitiu o agravo e concedeu parcialmente a Medida Liminar, nos seguintes termos: “...conceder parcialmente a liminar permitindo a agravante deduzir, para formação da base de cálculo do IR, a despesa relativa ao pagamento da CSLL, afastando, via incidental, por ilegal e inconstitucional, o art. 1º da Lei nº 9.136/96, até posterior decisão da Sra. Juíza Relatora. Indefiro o pedido de dedução da base de cálculo da CSLL dos valores devidos a título de IRPJ....” A agravante requereu a complementação do Agravo de Instrumento, conforme cópia da petição às fls. 116 a 118, para que fosse deferida Medida Liminar que permitisse a exclusão do IRPJ da base de cálculo da CSLL, observando, ao final da peça: “Outrossim, na hipótese de ser mantida a r. decisão, requer a suplicante, ad cautelam e a fim de prevenir a ocorrência de preclusão, seja a presente recebida como agravo regimental, na forma do art. 250 do Regimento Interno desta C.Corte.” Às fls. 119 a 122 encontrase a cópia da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança que, no mérito, julgou improcedente o pedido por ausência de direito líquido e certo e denegou a segurança. Contra a decisão foi interposto recurso de apelação, conforme cópia da peça processual às fls. 123 a 136, recebido pelo juízo a quo nos seguintes termos: “Recebo o recurso de apelação em seu efeito devolutivo somente; incabível, no caso, o pleiteado efeito suspensivo. A liminar foi indeferida por esse Juízo de primeira instância, razão pela qual não há efeito lógico na concessão de efeito suspensivo ao recurso de apelação. Por outro lado foi concedido efeito suspensivo ativo em agravo de instrumento em segunda instância; não há como esse Juiz, até por ausência de competência, decidir se os efeitos da liminar no agravo continuam ou não vigorando após a sentença. Deixo, por isso, de conceder efeito suspensivo ao recurso.” À fl. 136 encontrase cópia do despacho proferido nos autos do Agravo de Instrumento, nos seguintes termos: “Consoante informação do Juízo ‘a quo’, o mandado de segurança a que se refere o presente agravo já foi decidido em primeiro grau. Assim, já tendo havido julgamento da mencionada ação, onde foi proferida a decisão atacada, o referido agravo perdeu inteiramente seu objeto. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13819.000676/200110 Acórdão n.º 140200.685 S1C4T2 Fl. 0 11 Ante o exposto, a teor do que dispõe o artigo 557 do Código de Processo Civil, c/c artigo 33, inciso XII do Regimento Interno deste Tribunal, julgo prejudicado o presente recurso por perda de objeto.” Em pesquisas efetuadas junto ao sítio da Justiça Federal em São Paulo e junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região colhemos as seguintes informações. O processo original de Mandado de Segurança nº 97.00257983 teve a medida liminar indeferida. Contra o indeferimento a interessada interpôs agravo de instrumento pleiteando o deferimento da liminar. No agravo o relator decidiu por conceder parcialmente a medida liminar para que a interessada pudesse excluir da base de cálculo do IRPJ, o valor da CSLL devida. No entanto, no mérito, o Mandado de Segurança foi julgado improcedente com a denegação da segurança. Diante disso o agravo de instrumento anteriormente interposto foi julgado prejudicado, por perda de objeto. A apelação interposta contra a decisão que denegou a segurança nos autos do Mandado de Segurança foi recebida apenas no efeito devolutivo e não suspensivo, conforme cópia da decisão às fls. 137, datada de 13/10/1999. Portanto, não há provas nos autos de que ao final do 4º trimestre do ano calendário 2000 a interessada estava amparada por qualquer medida judicial que a desobrigasse de adicionar, ao lucro líquido do exercício, para efeito de apuração do lucro real, o valor da CSLL, tendo persistido, tal situação, até a data da entrega da DIPJ do exercício 2001, anocalendário 2000, apresentada com a observância da legislação vigente. Há que se ressaltar, ainda, que até o presente momento, não há provas de existência de medida judicial a amparar o pleito da interessada. Por essa razão não há como admitir a exclusão do valor da CSLL da base de cálculo do IRPJ, devendo se considerar como válidos os valores informados pela manifestante na DIPJ do exercício 2001, anocalendário 2000, apurados com a observância da legislação vigente. Assim, tendo em conta que na mencionada DIPJ o IRPJ foi apurado sobre base de cálculo integral, ou seja, sem a exclusão do valor da CSLL, o valor do IRPJ devido é de R$ 18.013.123,39. Admitidas as antecipações ali consignadas, no total de R$ 17.489.870,84, temse um saldo de imposto a pagar no valor de R$ 523.252,55, não havendo direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ referente ao 4º trimestre de 2000 a ser reconhecido nos presentes autos. A meu ver os fundamentos acima não merecem reparos, até porque, nem mesmo no recurso voluntário o contribuinte apresentou provas de que tem amparo judicial para seu pleito (excluir a CSLL devida na apuração do IRPJ no anocalendário de 2000). O recorrente insiste que deve ser excluído da base de cálculo do IRPJ o montante relativo à “exigibilidade suspensa da CSLL no valor de R$ 1.650.836,41 (um milhão, Fl. 11DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13819.000676/200110 Acórdão n.º 140200.685 S1C4T2 Fl. 0 12 seiscentos e cinqüenta mil, oitocentos e trinta e seis reais e quarenta e um centavos)”, porém, não faz prova da suspensão dessa exigibilidade à época do aproveitamento do pretenso crédito tributário. Logo, assim que a contribuinte deixou de obter a suspensão da exigibilidade, deveria ter apresentado declaração retificadora e não mais aproveitar o pretenso direito creditório. Frisese que a luz do Art. 170A. do CTN “É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Uma vez que o pleito do contribuinte no âmbito do Mandado de Segurança nº 97.00257983 teve objetivo o reconhecimento do direito a excluir da base de cálculo do IRPJ a CSLL devida e viceversa, não cabe a este Conselho apreciar a matéria, em face da concomitância da ação judicial. Neste sentido dispõe o enunciado da súmula no. 1 do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Outrossim, em que pese este Conselho, a DRJ e da DRF não terem competência para manifestar sobre a aludia matéria, em face da ação judicial, a unidade de origem deve cumprir rigorosamente a sentença judicial, quando transitada em julgado e, se for o caso, ajustar o valor das exigências. Por sua vez, a contribuinte deve fazer prova do trânsito em julgado da ação judicial e da decisão porventura favorável. Frisese que não cabe a este Conselho analisar os efeitos ou a extensão da decisão judicial. Na hipótese de contribuinte entender que a decisão judicial não está sendo devidamente cumprida, deverá buscar guarida junto ao próprio poder judiciário. Conclusão. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 12DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 15504.000485/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TRIBUTO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL .
O artigo 173 do Código Tributário Nacional, determina regra geral para contagem do prazo dentro do qual é permitido ao Fisco a constituição de seus créditos, por meio do lançamento. Aplica-se a regra geral de contagem do prazo decadencial, constante do inciso I do mencionado artigo, para lançamentos decorrentes do descumprimento de obrigação acessória.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESVINCULAÇÃO DA REMUNERAÇÃO. CUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS LEGAIS APLICÁVEIS. NECESSIDADE.
Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição quando observados os requisitos constantes da lei de regência do instituto. O descumprimento de qualquer dos ditames da norma legal afasta seu caráter isentivo, restabelecendo a incidência tributária sobre os valores pagos aos segurados. Inteligência do artigo 176 do CTN.
PAGAMENTO DE VALORES COMO PREMIAÇÃO POR IDÉIAS DOS SEGURADOS APROVADAS PELA EMPRESA. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO DA VERBA.
Não integra o salário de contribuição os valores pagos, pela empresa aos segurados, por idéias consideradas boas e úteis relativas ao meio ambiente, processos industriais e de trabalho, desperdício de matérias e/ou matérias primas, em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, não integrando, portanto, as parcelas remuneratórias percebidas pelos segurados.
Numero da decisão: 2201-004.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TRIBUTO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL . O artigo 173 do Código Tributário Nacional, determina regra geral para contagem do prazo dentro do qual é permitido ao Fisco a constituição de seus créditos, por meio do lançamento. Aplicase a regra geral de contagem do prazo decadencial, constante do inciso I do mencionado artigo, para lançamentos decorrentes do descumprimento de obrigação acessória. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESVINCULAÇÃO DA REMUNERAÇÃO. CUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS LEGAIS APLICÁVEIS. NECESSIDADE. Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição quando observados os requisitos constantes da lei de regência do instituto. O descumprimento de qualquer dos ditames da norma legal afasta seu caráter isentivo, restabelecendo a incidência tributária sobre os valores pagos aos segurados. Inteligência do artigo 176 do CTN. PAGAMENTO DE VALORES COMO PREMIAÇÃO POR IDÉIAS DOS SEGURADOS APROVADAS PELA EMPRESA. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO DA VERBA. Não integra o salário de contribuição os valores pagos, pela empresa aos segurados, por idéias consideradas boas e úteis relativas ao meio ambiente, processos industriais e de trabalho, desperdício de matérias e/ou matérias primas, em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, não integrando, portanto, as parcelas remuneratórias percebidas pelos segurados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 04 85 /2 00 7- 12 Fl. 232DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 7ª Turma da DRJ Belo Horizonte/MG que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo ao auto de infração por descumprimento do dever de arrecadação, mediante desconto, das contribuições devidas pelos segurados, incidente sobre pagamentos realizados a título de PLR e Prêmio Idéias, em desacordo com a legislação. Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém o Debcad 37.126.5029 (fls. 3 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 2.390,26, em valores consolidados em outubro de 2007. Na mesma ação fiscal foram constituídos os créditos tributários cujos números de Debcad se encontram mencionados no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, TEAF (fls. 24) A ciência pessoal do AI, que contém o lançamento referente às contribuições não descontadas no período de fevereiro de 1997 de dezembro de 2006, ocorreu em 6 de novembro de 2007, conforme se verifica às folhas 03. Em 04 de dezembro de 2007, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.42). Em 26 de março de 2008, a 7ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 0217.614 (fls. 126), de forma unânime, julgou improcedente a defesa administrativa apresentada. Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 128): De acordo com o descrito às fls. 01 e. no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, foi aplicada inicialmente a penalidade no valor. R$ 1.195,13 ..(um mil, cento e noventa e cinco reais e Fl. 233DF CARF MF Processo nº 15504.000485/200712 Acórdão n.º 2201004.072 S2C2T1 Fl. 233 3 treze centavos), nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.2.12 de 1991, combinado com os artigos 283, inciso I, 'g' e 373 do Regulamento da Previdência. Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 1999 e Portaria N1PS n" 142, publicada no DOU de 12 de abtil de 2007 Tendo em vista a ocorrência da circunstância agravantes, reincidência genérica, a multa foi elevada em duas vezes, em obediência ao artigo 292, inciso IV do RPS, resultando no valor final de, R$2,390,20 (dois mil, trezentos e noventa reais, vinte e seis centavo.). O Auto de Infração foi lavrado em 31/10/2007, tendo a autuada dele tomado conhecimento em 06/11/2007, conforme assinatura aposta, às fls. 01. A ação fiscal foi comandada pelo Mandado de Procedimento Fiscal 00411472.1 ,00 e complementares de fls. 07/09, para. o período de apuração janeiro de 1.997 a dezembro de 2000. A documentação foi solicitada através dos Termo de. início da Ação Fiscal TIAF e do Teimo de Intimação pata Apresentação de Documentos – TIAD as fls.:10/12. O contribuinte leve ciência pessoal do Auto de Infração em 06/11/2007, conforme assinatura aposta no documento de folha 1,e, conforme informação prestada às folhas 121, apresentou impugnação tempestiva em 01/12/20(17, peca processual juntada aos autos sob fls. de nºs 39 a 119. Em suas alegações, o impugnante aduz, o.argumentos a seguir, relatados em síntese: faz um breve relato dos fatos que ensejaram a lavratura do presente Auto de Infração, diz que a autuação fiscal foi recebida em 06 de novembro de 2il07, e .sendo o prazo de defesa de 30 dias contados a partir do primeiro dia útil seguinte ao recebimento, e que protocolada na presente data (04 de dezembro de 2007), e, portanto, tempestiva a impugnação; que operouse os efeitos da decadência com relação às multas, cujos supostos fatos geradores ocorreram até. dezembro de 2001, sob o fundamento de que. o prazo decadencial das contribuições sociais e. das multas somente pode ser aquele previsto no Código Tributário Nacional, (artigo 173, inciso 1) lei materialmente complementar, o que afasta a incidência do prazo decadencial previsto na Lei nº 8.2.12. de 1991.(transcreve o artigo 146 da CF/88 e entendimento do Superior Tribunal de Justiça; No Mérito, alega que inexistiu fato gerador a ensejar a cobrança de contribuições sociais, não há que se talar que a impugnante deixou de arrecadar as contribuições dos segurados a seu serviço mediante desconto das remunerações, pois os valores que deixaram de ser arrecadadas não integram o salário de contribuição e conseqüentemente não constituem fato gerador da exação, conforme adiante se mostrará (...)" Fl. 234DF CARF MF 4 Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 25 de junho de 2008 (AR fls 151), o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls.152) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação, a saber: · ocorrência de decadência; · a CF expressamente desvincula a PLR da remuneração, o que segundo jurisprudência que colaciona, garante a autoaplicabilidade do direito constitucional; · com o advento da MP794/94 vigente à época dos fatos mais ainda acertada a posição da recorrente, posto que explicita a desvinculação entre a remuneração e a PLR. · que o STF já decidiu que a participação dos sindicatos é imprescindível em qualquer negociação coletiva, o que inviabializa a exigência fiscal de constituição de comissão de empregados para negociar a participação nos lucros; · que a estipulação de parâmetros para a percepção da PLR é fruto da autonomia da partes, segundo a MP 794/94, posto que sua redação denota um rol exemplificativo de formas de fixação; · que os pagamentos foram realizados nos termos determinados no acordo coletivo firmado, sendo certo que a empresa tem acompanhamento mensal dos resultados; · que o pagamento mensal dos altos empregados decorre de expressa previsão do acordo coletivo firmado; · que o pagamento após o encerramento do exercício foi determinado pelo acordo coletivo; · que os valores pagos a título de premio Idéias não integra a remuneração posto que são eventuais e desvinculados do serviço prestado pelo empregado; · os valores pagos a título de Prêmio Idéia não decorrem de condições objetivas preestabelecidas, podendo o empregado apresentar a idéia e não ver o reconhecimento; · que as idéias não necessariamente se vinculam a produtividade do empregado o que, segundo a doutrina e jurisprudência trabalhistas, afasta o caráter remuneratório da verba; · desproporcionalidade das multas e juros aplicadas. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 15504.000485/200712 Acórdão n.º 2201004.072 S2C2T1 Fl. 234 5 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Passo a apreciálo na ordem de suas alegações. DECADÊNCIA Alega o Recorrente a decadência do direito do Fisco a constituição do crédito tributário (fls. 154). "Porém, como passase a demonstrar, ao contrário do disposto na r. decisão recorrida, operouse os efeitos da decadência com relação às multas referentes ao período anterior a dezembro de 2001, razão pela qual merece reforma a r. decisão recorrida. Conforme ,já relatado, através do presente procedimento fiscal pretendese cobrar da recorrente, multa por descumprimento do dever de reter e recolher contribuições previdenciárias de seus segurados. Ocorre que, considerando que a notificação do lançamento ocorreu no dia 06 de novembro de 2007, operouse os efeitos da decadência com relação às contribuições sociais, cujos supostos fatos geradores ocorreram antes de dezembro de 2001, pelas razões a seguir expostas. (...) Desta forma, o prazo decadencial das contribuições sociais e das multas a elas relacionadas somente pode ser aquele previsto no Código Tributário Nacional, lei materialmente complementar, o que a afasta a incidência do prazo decadencial decenal contido na Lei IV 8,212/91, conforme disposição contida na Súmula Vinculante 8, do STF. Assim, tratandose de multas lançadas de ofício pela autoridade administrativa, a regra aplicável é. aquela do art. 173, inciso 1, do Código Tributário Nacional, que estabelece que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele, em que O lançamento podei ia fel sido efetuado, Considerando que a notificação do lançamento ocorreu no dia 06 de novembro de 2007, resulta claro que operouse a decadência das multas, cujos supostos fatos geradores ocorreram até dezembro de 2001." Assiste razão ao Recorrente. Houve decadência de parte dos valores lançados. Vejamos. Fl. 236DF CARF MF 6 Pacífico hoje na doutrina tributária que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendidos aqueles em que a Lei determina a antecipação do pagamento pelo sujeito passivo, se submetem à contagem do prazo decadencial pela regra contida no parágrafo 4º do artigo 150 do Código Nacional Tributário, CTN. Porém, mister ressaltar, com tintas fortes, que a regra geral para contagem do prazo decadencial é aquela esculpida no artigo 173 do CTN que determina que o prazo de cinco anos para que o Fisco proceda a constituição do crédito por meio do lançamento é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. A regra excepcional, como dito, se aplica somente aos tributos nos quais a Lei determina a antecipação do pagamento, chamados de tributos sujeitos ao auto lançamento ou lançamento por homologação, que como cediço, são a maioria dos tributos existentes em nosso ordenamento jurídico hodiernamente. Logo, tal forma de contagem do prazo decadencial não se aplica no caso de descumprimento de obrigação acessória, o que ocorre no lançamento que se analisa, posto que decorrente do descumprimento do Recorrente do dever de reter e recolher as contribuições devidas pelos segurado a seu serviço. Em conclusão, aplicase a regra geral constante do artigo 173, inciso I, nos casos de descumprimento de obrigações acessórias. Logo, tendo o lançamento se aperfeiçoado com a ciência do sujeito passivo em 06 de novembro de 2007, e considerandose as disposições do inciso I do artigo 173 do Códex Tributário , verificase a decadência dos créditos tributário lançados anteriormente a novembro de 2001, inclusive. Porém, mister reconhecer que por expressa disposição da Lei nº 8.212/91, a sanção imposta independe em sua mensuração das quantidade de meses em que houve descumprimento dos ditames legais. Não obstante o exposto, verifico no Relatório Fiscal (folhas 29), que a autuação, aqui discutida, decorre do descumprimento do dever de reter e recolher as contribuições devidas pelos segurados nas seguintes competências e pelas razões apontadas pela Autoridade Fiscal, conforme abaixo transcrito: Como se verá abaixo, somente os valores pagos a título de PLR integram o salário de contribuição e, como mencionado no relatório fiscal, tais valores foram pagos no período compreendido entre 01/1997 e 12/2000, lapso temporal que como demonstrado integra o período coberto pela decadência apontada. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 15504.000485/200712 Acórdão n.º 2201004.072 S2C2T1 Fl. 235 7 VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR Constam do recurso voluntário, os seguintes argumentos sobre o pagamento dos valores a título de PLR e por via de consequência, sobre a inclusão de tais valores no salário de contribuição do segurado com a necessária obrigação do empregador de reter e recolher a contribuição devida pelos segurados sobre a remuneração percebida. Tais argumentos são construídos a partir de uma visão panorâmica da legislação e jurisprudência, sendo combatido posteriormente pontos específicos da legislação. Vejamos os pontos principais da argumentação ( fls. 159): "O Colendo Superior Tribunal de Justiça, acolhendo o entendimento esposado pela doutrina majoritária, vem entendendo que o dispositivo constitucional suscitado, na parte em que determina que a participação nos lucros ou resultados é desvinculado da remuneração, é autoaplicável, conforme julgado transcrito a seguir: 'RECURSO ESPECIAL. ALÍNEA 'A' :TRIBUTÁRIO SALÁRIO DECONTRIBUICÃO. VERBAS PERCEBIDAS PELOS EMPREGADOS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCR0S, NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO, PREVIDENCIÁRIA, ARTIGO 7', INCISO XI, DA CONS77T1:71VÁO FEDERAL NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA, APENAS EM PARTE A RT 28 § 9º, LETRA ',I ', DA LEI N 8 212/91, RECURSO NÃO CONHECIDO. A questão merece ser apreciada no âmbito exclusivamente infraconstitucional, notadamente à luz do art. 28, § 9º, leira 'j', da Lei n. 8„ 212/91, com observância do inciso X/ do artigo 7º da Carta Magna, Deve prevalecer o entendimento segundo o qual a análise da aplicação de uma lei federal não é incompatível com o exame de questões constitucionais subjacentes ou adjacentes. A competência somente seria deslocado para a Máxima Corte se a v. decisão recorrida tivesse julgado o feito único e exclusivamente sob o prisma constitucional, o que se não verifica na espécie. A letra fria desse dispositivo da Carta Maior embora não totalmente autoaplicável ou de eficácia contida, é plenamente: eficaz num ponto, mesmo antes da Medida Provisória n. 794/94, de 29 de dezembro de 1994, ou seja, no que diz respeito à desvinculação entre participação nos lucros e remuneração do trabalhador. Recurso não conhecido." (Resp n'º 283.512, Rei, Min. Franciu1li Netto, D.1 de .31032003, p. 190)." No mesmo sentido o Resp nº 381.246RS, DJ de 2362003, p. 312 e Resp 438.712RS, D,r, de 1252003, p. 284, ambos de relatoria do mesmo Min. Franciulli Netto, Os Tribunais Regionais Federais em diversos julgados também adota! aro o mesmo entendimento, conforme ementas abaixo transcritas: (...) Fl. 238DF CARF MF 8 Constatase da .jurisprudência supra citada que diversos Tribunais pátrios, em relação à desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração, sustentam a auto aplicabilidade Desta forma, resta demonstrado que, mesmo antes da regulamentação feita pela Medida Provisória n° 794/94, a maioria da jurisprudência de nossos 'Tribunais já entendia pela autoaplicabilidade do dispositivo constitucional quanto à desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração. No entanto, como o período da presente autuação fiscal é posterior à regulamentação feita pela Medida Provisória o' 794/94, ainda que se acolha o entendimento da r. decisão agravada de que o dispositivo constitucional suscitado não é autoaplicável, o que se. admite somente para fins de argumentação, em razão da referida MP, dúvida não resta quanto à eficácia plena da determinação constitucional que determina a desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração percebida pelos empregados. Destarte, é o próprio texto constitucional que exclui, de forma expressa, a natureza remuneratória das participações dos empregados nos lucros, ou resultados auferidos pela empresa. (...) Assentados tais pressupostos, passase a combater um a um. todos os argumentos expostos na r. decisão recorrida que, de forma equivocada, data máxima vênia levaram à manutenção do credito tributário exigido pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD) n° 37.126.5029. a) Da instituição da participação por acordo coletivo: As Medidas Provisórias, a exceção da primeira, não previam a possibilidade de fixação da participação nos lucros por meio de acordo coletivo. Destarte, baseada nessa questão a fiscalização entendeu que o fato da empresa não pagar a participação nos lucros com base em convenção rumada por meio de urna comissão de empregados, seria contrário ao diploma normativo regente da matéria. Ocorre que, o Supremo Tribunal Federal entendeu, liminarmente, que a disposição do art. 2', § 1' das MP's era inconstitucional, por violar o art, 8', VI da Carta Federai., que determina a imprescindibilidade dos sindicatos nas negociações coletivas. O acórdão da medida cautelar leva a seguinte ementa: (...) Constatase que, o Supremo Tribunal Federal, em decisão com eficácia erga omnes, entendeu que os acordos de participação nos lucros não poderiam ser pactuados por comissão interna. Portanto, a recorrente não poderia ter feito os acordos de participação nos lucros os através de comissão interna sem que Fl. 239DF CARF MF Processo nº 15504.000485/200712 Acórdão n.º 2201004.072 S2C2T1 Fl. 236 9 incorresse em inconstitucionalidade e desrespeitasse a autoridade da decisão do Augusto Pretório. Vinculada que estava pela decisão da Corte Constitucional, a úmica solução que restou à recorrente foi fazer o acordo coletivo, Desse modo, não há como prevalecer a autuação, uma vez que a empresa respeitou a Constituição, as Leis e as decisões da Corte Suprema da República. In casu, a recorrente, ao pactuar a participação nos lucros através de acordo coletivo estava agindo no estrito cumprimento de dever legal. Em direito penal, o estrito cumprimento de dever legal é causa de excludente • ilicitude do fato típico , sendo que o mesmo, por analogia, deve se dar no direito tributário. Nas palavras de Fernando Galvão: (...) As regras trabalhistas devem ser interpretadas favoravelmente ao empregado, nos termos do princípio da proteção. Segundo Maurício Godinho Delgado o princípio da proteção "seria inspirador amplo de todo o complexo de regras, princípios e institutos que compõem esse ramo jurídico especializado. Desse modo, a interpretação da regra do art, 2 0 das diversas MP's que regulam a matéria é no sentido de que a participação pode ser feita por acordo coletivo.. Não existe qualquer argumento legal para não se :aceitar a pactuação na participação nos lucros por acordo coletivo. Com eleito, se esse instrumento se presta a regular as relações de emprego de uma forma ampla, não há porque excluir do seu âmbito de normatividade a regulação da participação nos lucros.. Se o acordo coletivo pode suprimir vantagens trabalhistas, não existe motivo para lhe negar a possibilidade de instituílas. Quem pode o mais, pode o menos Ressaltese que o Tribunal Superior do Trabalho já decidiu diversas vezes tal como ora esposado, como no julgamento do Recurso de Revista n" 523.781, publicado no .Diário da Justiça de 06 de dezembro de 2002, entendendo que acordo coletivo, vigente entre setembro de 1996 a setembro de 1997, portanto anterior à Lei 10.10] /00, é instrumento hábil para fixação de regras para a participação de lucros. No mesmo sentido, ainda citase o RR. 792217 4" T. — Rel. Min, Antônio José de Barros Levenhagen I 12,12.2003. A doutrina não discrepa do entendimento jurisprudencial, Sérgio Pinto Martins, escrevendo sob a égide da Medida Provisória n° 1.619/97, entendia que: ".4 participação nos lucros pode ser decorrente de lei, do contrato de trabalho, do regulamento de eurresa, de acordos ou convenções coletivas ou outras determinações da empresa.' (...) b) Da não estipulação de critérios para participação dos empregados nos lucros: Fl. 240DF CARF MF 10 Conforme se depreende da r. decisão recorrida, a autoridade administrativa entende que para que o acordo de distribuição de lucros seja válido é necessário que ele estabeleça critérios como "índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa" ou que ele determine a criação de "programas de metas, resultados e prazos, pactuadas previamente" Cumpre dizer que inexiste na lei tal determinação. Em clara violação ao art. 5º, II e 37, caput da CF/88, a fiscalização transformou uma norma exemplificativa em cogente Conforme se depreende do art. §1º da Lei 10,101/00, que é o mesmo desde a primeira MP, o acordo que determina a forma de pagamento das participações no lucro devera ter regras claras, "podendo ser considerados, entre outros" os critérios que a fiscalização entende cogentes.. O que se depreende do §1" do art. 20 é que no acordo de participação nos lucros deverão constar regras claras referentes "à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". A forma como tal dispositivo será cumprido, a lei deixa à autonomia das partes, sendo absolutamente certo que os critérios dos incisos 1 e II são meramente exemplificativos. (...) c) Pagamento das parcelas após o exercício a que se refiram: Tal argumento também é desprovido de razoabilidade, pois tal como demonstrado, a empresa efetuou o pagamento das participações FIOS lucros, nos termos do que ficou determinado no acordo coletivo, Certo que a empresa tem acompanhamento mensal de resultados, base sobre as quais determina as participações dos altos empregados, que por ocuparem a peculiar situação de comando na empresa, recebem sua parte mensalmente, Ressaltese que não existiria, a princípio, óbice para que os empregados, de urna maneira geral, recebessem segundo a mesma toi tua, contudo, o acordo coletivo que rege a matéria, negociado livremente entre a recorrente e os sindicatos de seus trabalhadores, determina de forma diferente, Dessa forma, a participação nos lucros é paga a esses empregados após o fechamento do exercício, porque assim determinam as regras do acordo coletivo pertinente. Não existe motivo para que se entenda essa forma de pagamento inválida. Mesmo porque não existe, em qualquer lugar do Direito Pátrio, norma que determine que a participação nos lucros deva ser paga no mesmo exercício de sua apuração ou que todos os empregados devem receber a participação segundo os mesmo critérios, In casu a Administração, data maxima venia não está cumprindo fielmente a lei, mas a criando. (...) d). Do pagamento de participação nos lucros segundo critérios próprios: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15504.000485/200712 Acórdão n.º 2201004.072 S2C2T1 Fl. 237 11 Do procedimento fiscal, depreendese ainda que, no entendimento da i. fiscalização, apesar dos acordos coletivos, a recorrente teria pago participação dos lucros segundo critérios próprios a alguns empregados, dando a entender que a empresa desrespeita os acordos celebrados, pagando as participações nos lucros de forma diferente do que acordado. Data maxima venia, não é absolutamente disso que se trata. O que ocorre é que certos empregados, como o Diretor Presidente citado pela NFLD, recebem segundo critérios que lhes são próprios, não havendo motivo, de qualquer ordem, que invalide tal procedimento, mesmo porque albergado pela LSA. O que ocorre é que em frontal violação ao caput do art. 37, aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa, a i. fiscalização criou uma regra .jurídica, que inexiste em qualquer parte da legislação brasileira, segundo a qual todos os empregados da empresa devem receber segundo critérios semelhantes. O argumento da fiscalização, ora atacado, é inaceitável. "Não é possível que se aplique (não apenas quanto à participação nos lucros, como sobre qualquer prisma) o mesmo critério para trabalhadores operacionais e para o Diretor da empresa. Existe urna disparidade tão grande entre essas pessoas, de responsabilidade, envolvimento no negócio, etc., que é absurdo que se diga que a • empresa violou o Direito Pátrio por pagar, segundo critérios distintos, os trabalhadores operacionais e o Diretor Presidente." Recordemos a imputação fiscal que tratou do tema no processo que contém o crédito Debcad 37.126.5045 (fls. 150 do processo 15504.000490/200725): "2:1 Remunerações pagas a segurados empregados a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS — PLR 2 1.1 Foram solicitados da empresa, através de TIAD — Termo de Intimação para Apresentação de Documentos especifico datado de 25/09/2007, os acordos específicos de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) A empresa apresentou apenas os Acordos Coletivos de Trabalho da categoria onde constam, entre outras, cláusula relativa ao pagamento de PLR. Em função destes acordos, e não dos específicos para o pagamento da PLR com todas as exigências legais, a empresa fez os pagamentos a seus empregados A seguir, citamos cláusulas referentes ao pagamento do PLR previstas em alguns dos acordos coletivos de trabalho firmados com os diversos Sindicatos: 2 1 11 — Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico no Estado do Espírito Santo ACORDO COLETIVO Fl. 242DF CARF MF 12 Assinado em 28/08/2000 Vigência: 01/08/2000 a 31/07/2001 Pagamento: 31/08/2000 (...) 2 1 2 Os valores pagos pela empresa a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS, no período de 02/1997 a 11/2000, integram o saláriodecontribuição, de acordo com o art 28, inciso I, e § 9° da Lei n.° 8212191, a seguir reproduzidos: (...) 2 1 3 Pelos dispositivos transcritos acima, a participação nos lucros ou resultados da empresa somente é excluída do salário decontribuição quando concedida nos termos de lei especifica A partir de 29/12/94, em face da Medida Provisória .794/94 e das suas reedições é que o § 9° do art 28 da Lei n ° 8 212/91 passou a ter eficácia plena. Os artigos 1°c 2° da citada Medida Provisória e reedições dispõem: . "Art 1'. Esta Medida Provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7 0 , inciso XI, da Constituição Federal Art 2' Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados Parágrafo 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras objetivas inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifamos) 2 1 4 A intitulada PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) foi paga no período citado em desacordo com os artigos transcritos acima, como se pode observar pela análise das cláusulas do "ARTIGO SÉTIMO, INCISO XI DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL" dos acordos coletivos mencionados no item 2 1 1 devido a: Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15504.000485/200712 Acórdão n.º 2201004.072 S2C2T1 Fl. 238 13 A empresa não convenciona com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados Em nenhum dos acordos mencionados no item 2 1 1 deste Relatório Fiscal foram estipulados critérios quanto à fixação de "índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa", tampouco houve o estabelecimento de "programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente", tendo a empresa, para fins de pagamento da PER, se utilizado dos resultados já atingidos no exercício anterior; Os pagamentos das parcelas da "participação nos lucros ou resultados" foram efetuados quase sempre no mês da celebração dos acordos e após o encerramento do exercício a que se referiam; Verificamos que, apesar dos acordos coletivos fixarem um valor para o pagamento da PER (geralmente 120% a 130% do valor do salário nominal acrescido de valor variável de R$500,00 a R$ 700,00) a empresa efetuou o pagamento da PLR de acordo com "critérios próprios" A título de exemplo citamos o pagamento da PER do segurado empregado Registro n° 549609 José Luciano Duarte Penido (Diretor Presidente), que apesar de possuir salário nominal em torno de R$23 000,00 no ano de 2000, recebeu em 0311997 (R$83 710,40), em 06/1998 (R$93 931,15), em 03/1999 (R$61 599,30), em 08/1999 (R$32 236,80), em 04/2000 (R$149.776,48) e 08/2000 (R$38 412,27) valores estes bem acima do estipulado nos acordos coletivos 2 1 5 Pelos fatos explicitados no item anterior, constatase que os pagamentos efetuados pela empresa a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados não observaram a legislação específica Dessa forma o referido pagamento constitui em parcela salarial integrante do saláriodecontribuição, consoante art 37, § 10 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Decreto 356/91, com alterações do Decreto n° 612/92, reproduzido a seguir: (...) A leitura dos excertos acima demonstra os pontos de divergência a serem aplainados. Se os valores pagos a título de PLR cumpriram os requisitos legais no tocante ao: i) instrumento de formalização dos programas de participação nos lucros; ii) a existência de metas predeterminadas que ensejassem o pagamento dos valores a titulo de PLR. E mais, adequação dos pagamentos realizados às metas estipuladas quanto: iii) ao momento desse pagamento; e iv) valores estipulados. Analisemos. Antes porém mister algumas considerações. Vejamos a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados. Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física Fl. 244DF CARF MF 14 que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 15504.000485/200712 Acórdão n.º 2201004.072 S2C2T1 Fl. 239 15 Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra de dúvida, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Fl. 246DF CARF MF 16 Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a MP 794, de 29/11/1994, transformada na MP 1.982, e posteriormente na Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 15504.000485/200712 Acórdão n.º 2201004.072 S2C2T1 Fl. 240 17 Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à norma legal que disciplina tal matéria, seja a MP 794 ou a Fl. 248DF CARF MF 18 Lei nº 10.101, de 2000, que dispõem sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos legais para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Da disposição legal hoje vigente, podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos, os requisitos legais vigentes, que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da legislação de regência. Votemos ao caso concreto, após a necessária digressão. Vigia, no período da atuação a MP 794/94, que continha a seguinte redação: Art. 1º Esta medida provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal. Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 15504.000485/200712 Acórdão n.º 2201004.072 S2C2T1 Fl. 241 19 a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente medida provisória, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. § 3º A periodicidade semestral mínima referida no parágrafo anterior poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 1995, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias ou previdenciárias. § 4º As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto. (destaquei) Tal medida provisória foi reeditada pela MP 860/1995, que assim se pronunciava: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição Federal, adota a seguinte medida provisória, com força de lei: Art. 1º Esta medida provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos dos arts. 7º, inciso XI, da Constituição Federal. Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 250DF CARF MF 20 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente medida provisória, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. § 3º A periodicidade semestral mínima referida no parágrafo anterior poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 1995, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias ou previdenciárias. § 4º As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto." (negritei) Com o advento da Lei nº 10.101/00, assim, textualmente, dispõe a legislação hoje de regência: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao Fl. 251DF CARF MF Processo nº 15504.000485/200712 Acórdão n.º 2201004.072 S2C2T1 Fl. 242 21 cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) A leitura da legislação aplicável nos demonstra a estabilidade de alguns requisitos e a ligeira alteração de outros. Observo, com clareza, que a forma da necessária e sempre presente exigência de negociação entre as partes oscilou entre as diversas normas legais, da exigência da negociação por instrumento coletivo, para a determinação da negociação por meio de comissão constituída especificamente para esse fim e chegando, posso dizer se assentando, na autodeterminação das partes entre um dos dois modelos e até mais, entre a utilização dos dois modelos, como hodiernamente se entende, quando se aceita que uma empresa firme mais de um programa de PLR com os segurados a seu serviço. Ora, por se tratar de uma legislação específica, claudicante ao longo do tempo no que toca a forma de negociação, se por instrumento coletivo ou se por comissão específica, forçoso reconhecer como faz a doutrina e a jurisprudências citadas no apelo que, havendo instrumento que comprove a existência de negociação entre as partes, há respeito às exigência legais existentes sobre esse ponto específico. Logo, necessário firmar que, no caso concreto, sendo o programa de PLR ajustado por meio de instrumento coletivos firmados com os sindicatos representativos das categorias profissionais dos trabalhadores da empresa, consoante se verifica às folhas 150 a 152 do relatório fiscal do mencionado processo, houve cumprimento de tal requisito constante da legislação isentiva. Porém, a mesma razão não assiste ao recorrente quanto à determinação de metas. Não existem metas ajustadas nos instrumentos firmados entre a Recorrente e o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Espírito Santo; do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana, e do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Belo Horizonte, Nova Lima, Sabará e Santa Luzia anexados às folhas 690 a 711 do mencionado processo 15504.000490/200725. Fl. 252DF CARF MF 22 Mister ressaltar que tal ponto não é refutado pelo Recorrente, que defende que a existência de metas é somente um dos critérios, restando à autonomia das partes a definição das regras claras referentes à "fixação dos direitos substantivos da participação". Vejamos a reprodução de seus argumentos, com o perdão da repetição (fls. 169): "O que se depreende do §1º do art. 2º é que no acordo de participação nos lucros deverão constar regras claras referentes "à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". A forma como tal dispositivo será cumprido, a lei deixa à autonomia das partes, sendo absolutamente certo que os critérios dos incisos 1 e II são meramente exemplificativos. Sérgio Pinto Martins entende que: "O próprio inciso TI (no caso das !til' • alínea 19) do § 1' do art. 2" menciona programa de metas, resultadas e prazos, que deveriam ser pactuados previamente, como um dos critérios de distribuição a serem previstos nos sistemas de negociação Outras critérios., porém, podem ser utilizados, pois o ,§ 1º do art. 2º, usa a expressão 'entre outros denotando ser exemplificativa a enumeração que faz, e não taxativa (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. .16a Ed., São Paulo: Ed. Atlas, 2002. p, 262) Os acordos coletivos trazidos à colação pela fiscalização estão plenamente de acordo com a referida regra legal, uma Ve7 que eles fixam os direitos substantivos dos empregados (recebimento de um percentual do salário, mais uma parcela fixa), as regra adjetivas (que estabelecem quando as verbas serão pagas), periodicidade da distribuição (uma vez por exercício social), período de. vigência (o período de vigência do acordo coletivo, via de regra, um ano) e prazo para revisão do acordo (quando da negociação do próximo acordo coletivo). Dessa forma, estando fixados todos os parâmetros os não há porque se exigir os critérios colocados na lei como exemplo para determinar a participação, dado que, em sede de negociação coletiva, outros foram adotados, que atendem perfeitamente ao comando legal." Não se pode concordar com tais argumentos no caso concreto. Ainda que se entendesse como o Recorrente o que se alega somente por amor ao debate qual seria o parâmetro adotado? O que, qual condição, qual resultado ou meta, deveria atingir o empregado para fazer jus à participação. Não esqueçamos que como dito acima os valores percebidos a título de PLR se ajustam, em tudo e por tudo, aos bônus ajustados, assim entendidos os valores pagos quando o empregado cumpre uma meta pactuado com o empregador. Logo, a inexistência de prévio ajuste sobre o desempenho ou tarefa a ser realizada pelos empregadores ofende a lei isentiva que rege o pagamento de participação nos lucros ou resultados. Essa é a determinação observada no texto legal vigente à época dos fatos: Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15504.000485/200712 Acórdão n.º 2201004.072 S2C2T1 Fl. 243 23 MP 794/94: Art. 2º; ....." Parágrafo 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras objetivas inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente." (destaques nossos) Não há definição de regras claras e objetivas. Aliás, dos instrumentos acostados às folhas 690 a 711, não determinação de nenhuma regra, nenhum ajuste. Como explicitado acima, para que se goze do manto isentivo posto pela lei vigente sobre o tema, necessário que se cumpra as determinações constantes de tal diploma legal. O descumprimento de somente um dos requisitos para o gozo da isenção, afasta a norma tributária benéfica, atraindo 'in totum' a incidência tributária legalmente prevista. Esse é a inteligência do Código Tributário Nacional sobre o tema. Recordemos suas disposições: "Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração." Logo, despiciendo analisar as demais questões recursais no tocante às verbas pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados. Existente o dever de reter e recolher as contribuições devidas pelos segurados sobre as verbas paga a título de PLR. Porém, como dito acima, os valores relativos a PLR foram pagos no período compreendido entre 01/1999 e 11/2000, consoante se comprova pelo Anexo I do Relatório Fiscal (fls 29). Tal lapso temporal integra como demonstrado o período coberto pela decadência apontada, o que enseja a extinção do crédito tributário. Recurso voluntário provido nessa parte. VALORES PAGOS A EMPREGADOS A TÍTULO DE PRÊMIO IDÉIAS Sobre o tema, assim se insurge o Recorrente (fls. 176): Fl. 254DF CARF MF 24 "Ocorre que não há como prevalecer a pretensão Fiscal também quanto a este ponto, merecendo reforma a r. decisão 'ocorrida. O Campo de Idéias é um programa de estímulo, reconhecimento e recompensa às idéias dos empregados da I ocorrente. Também podem participai.. do programa Os estagiários e os empregados das empresas contratadas. É considerada "idéia" qualquer mudança que traga benefício à organização e seja implementável, incluindo reaproveitamento de idéias entre processos Ou de Outras empresas, Após a produção da idéia, esta é cadastrada em um sistema informatizado que faz o gerenciamento de todo o processo do Campo de Idéias„ Na seqüência, elas serão avaliadas e classificadas,. Todas as idéias são avaliadas e classificadas pelo chefe imediato, tratandose de idéias simples e pelo superior do chefe imediato, no caso de idéias complexas. É realizado um evento anual denominado "Evento Anual Campo de Idéias", através do qual são reconhecidas e. recompensadas as melhores ideais implementadas no ano anterior nas duas unidades da recorrente em Germano c Ubu. Pelas características do programa acima descritas e pela forma como é feito o pagamento do prêmio pelas melhores idéias, constatase que, em hipótese alguma, tais valores podem ser considerados como parcela integrante do saláriode contribuição, assim como quer fazer crer a autoridade administrativa." Sobre o ponto, a Autoridade Fiscal assim se manifestou em seu relatório (fls. 155 do processo 15504.000490/200725): 2.2 Remunerações pagas a segurados empregados a título de PRÊMIO IDÉIAS. 21 1 Mencionados pagamentos, foram efetuados pela empresa e constatados pela auditoria fiscal, através das folhas de pagamento durante o período 12/1999 a 12/2006 (cód Rubrica 1926), e, através de lançamentos contábeis a titulo de Prêmio Idéias nas contas 912001 — Adiantamento S/Folha (período de 12/1999 a 12/2003) e 50414003 — Campo Idéias/Marcas e Patentes (período de 01/2004 a 12/2006) 2 2 2 A empresa dispõe de um programa de estímulo, reconhecimento e recompensa às contribuições (idéias), denominado "Campo de Idéias" De acordo com norma do programa, apresentado pela empresa à auditoria fiscal, pode participar do programa Campo de Idéias, todos os empregados da Samarco, seus estagiários e empregados de contratadas O programa Campo de Idéias define idéia, como qualquer mudança que traga benefícios à organização e seja implementável, incluindo o reaproveitamento de idéias entre processos ou de outras empresas A recompensa por parte da empresa aos empregados, estagiários e empregados de contratadas é reconhecida e expressa em espécie monetária através de valores préestabelecidos para idéias simples, idéias Fl. 255DF CARF MF Processo nº 15504.000485/200712 Acórdão n.º 2201004.072 S2C2T1 Fl. 244 25 complexas e idéias de alto impacto, além de premiação extra também expressa em valores monetários às idéias consideradas e julgadas periodicamente como as melhores do ano anterior. 2 2.3 Verificamos que os lançamentos contábeis correspondentes às operações relacionadas a Prêmio Idéias são efetuados como despesas pagas diretamente aos beneficiários, despesas antecipadas por adiantamentos sobre folha e por baixas de provisões de despesas, o que permite entender, que a empresa considera tal dispêndio, um custo operacional constante, passível de adiantamentos ou provisões 224 Verificamos também, que a rubrica 1926 (Prêmio Idéias) durante o período de 12/1999 a 12/2006, é presente de forma constante e inclusive se repete para os mesmos beneficiários em períodos seqüenciais, como demonstra os exemplos a seguir, extraídos dos arquivos digitais da folha de pagamento: (...) 2 25 As constatações relatadas nos subitens 2 2.3 e 2 2.4 deste relatório permitem considerar que os valores remunerados a titulo de Prêmio Idéias não podem ser entendidos como eventuais tanto para a empresa quanto para os empregados." (destaques não constam do original) Assiste razão ao Recorrente. Não integra a remuneração valores pagos aos trabalhadores que visem recompensar idéias desses sobre o ambiente de trabalho, o meio ambiente do trabalho, os meios e modos de produção, a redução de desperdício de materiais ou matérias primas, etc... Discorri longamente, como nota teórica sobre o conceito de remuneração, antes de analisar as verbas pagas a título de PLR. Em resumo, asseverei que se observa que a verba paga tem natureza remuneratória quando: presentes: i) o caráter contraprestacional; ii) o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, iii) o caráter de interrupção do contrato de trabalho; iv) ou o dever legal ou contratual do pagamento. Nesses, e somente nesses casos, a verba recebida diretamente do empregador terá natureza salarial. A essa verba, se acresce a gorjeta, e teremos assim, as verbas remuneratórias. Todo o resto, remuneração não é. Não se pode admitir que um valor pago quando o trabalhador tiver uma idéia, qualquer idéia seja ela sobre seu trabalho ou não e sendo essa idéia considerada boa e útil pelo seu empregador, tenha natureza remuneratória. Nítido caráter premial. Nítido caráter de fomento criativo. Cristalino incentivo a participação do indivíduo na sociedade, na empresa, na coletividade. Não é pagamento pelos serviços prestados por força do contrato de trabalho. Recurso provido nessa parte. Fl. 256DF CARF MF 26 DESPROPORCIONAI IDADE DA MULTA E DOS JUROS APLICADOS Alega o Recorrente (fls. 772): Ad argumentandum, caso por absurdo superadas todas as razões recursais até aqui aduzidas, merece reforma a r. decisão recorrida na parte em que manteve o valor da multa aplicada nitidamente em desacordo com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Constatase que o dispositivo legal que fundamentou a aplicação da multa estabeleceu uma progressão de alíquotas em [unção do tempo decorrido para o pagamento do tributo exigido pelo Cisco, sem qualquer proporção com a suposta infração cometida, o que atenta contra os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como contra os princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo utilizado tal artifício para força a recorrente a pagar contribuições e multas que, como demonstrado, não são devidas. Desvirtuado, desta forma, o papel da multa que não tem a função de coagir o contribuinte a recolhimento de tributo, ainda mais no presente caso, onde as contribuições sociais pretendidas são notoriamente indevidas, ficando evidenciado o seu caráter confiscatório, Destarte, a aplicação da referida multa à recorrente se torna ilegal, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade." Não assiste razão à Recorrente. Como se observa no relatório fiscal houve a correta aplicação da legislação vigente, devidamente explicitada. Tal fato foi apontado pela decisão recorrida. Às folhas 148 encontro os argumentos da turma julgadora de primeira instância: Portanto, o fato de a empresa autuada ter deixado de arrecadar a contribuição previdenciária mediante desconto das remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de prêmio idéias e participação nos lucros ou resultados em desacordo do com a lei específica no período de 01/1997 a 12/2006, e a contribuintes individuais a título de. prêmio idéias, no período de 04/2003 a 12/2006, conforme, descrito no Relatório Fiscal, caracterizou, indubitavelmente, infração ao art. 30, 1, alínea "a" da Lei 8.212. de 1991, e ao art.4º, caput, da I,ei nº 10 666 de 2003, combinado com o artigo 216, inciso 1, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto ri () 3.008 de 1990, com a redação alterada pelo Decreto nº 4 729 de 2003. A penalidade no valor de R$2._390,26 (dois mil., trezentos e noventa reais, vinte e seis centavos), foi aplicada corretamente, conforme previsto no artigo 92 e 102 da Lei. 8.212 de 1991, combinado com artigos 283, inciso I, "g" e 373do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de Fl. 257DF CARF MF Processo nº 15504.000485/200712 Acórdão n.º 2201004.072 S2C2T1 Fl. 245 27 1999, e Portaria MPS nº 142. publicada no DOU de 12 de abril de 2007, e considerada a circunstância agravante. de reincidência, prevista no artigo 290, inciso V do mesmo RPS. Portanto, não merece. acolhida a alegação da impugnante de que. não há como prevalecer o valor da multa aplicada nitidamente ilegal, além de. afrontar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois não compete à autoridade fiscal questionar a Lei." Mister recordar que a função precípua do processo administrativo fiscal é o controle da legalidade do ato de lançamento, ou seja, se este se amolda à perfeição aos contornos legais. Verifico que tal exigência foi cumprida. Não obstante o exposto, como visto, não há crédito tributário remanescente no lançamento em tela, o que, por óbvio afasta os juros de mora e multa aplicados. Recurso voluntário provido nessa parte. CONCLUSÃO Diante do exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000399/2007-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/09/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 30/09/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 03 99 /2 00 7- 31 Fl. 1419DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração AI 37.064.0772 para cobrança multa pelo descumprimento de obrigação acessória (AI 68) que assim foi resumida pelo Relatório Fiscal de fls. 38: No período acima especificado, a empresa JORLAN S/A VEICULOS AUTOM. IMPORTACAO E COMERCIO, deixou de informar em GFIP todos os prêmios e bonificações pagos a titulo de remuneração aos empregados e contribuintes individuais, por meio dos cartões eletrônicos administrados pelas empresas INCENTIVE HOUSE S.A CNPJ: 00.416.126/000141, SPIRIT MARKETING PROMOCIONAL LTDA CNPJ: 04.182.848/0001 30, FREECARD MARKETING DE INCENTIVO LTDA CNPJ: 02.995.491/000183, EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA CNPJ: 03.069.255/000107. Mediante análise das folhas de pagamento, arquivos de contabilidade, notas fiscais de prestação de serviços e relação nominal de contemplados pelo recebimento de prêmios, constatouse que os valores pagos habitualmente a titulo de premiação a segurados empregados e contribuintes individuais não foram informados, por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e informação à Previdência Social — GFIP, ao INSS conforme determina o inciso IV do Art. 32 do mandamento legal. Tendo em vista a não apresentação pela empresa de todas as relações nominais referentes a diversas notas fiscais constantes da contabilidade, motivo pelo qual foi lavrado AI Debcad 37.064.0780, não foi possível individualizar por segurado todas as premiações pagas. Seguem, em anexo: planilha discriminativa com todos os valores não declarados em GFIP constantes das relações nominais apresentadas; e planilha com os valores de notas fiscais contabilizados e não declarados em GFIP cujas relações nominais não foram apresentadas. As contribuições previdenciárias incidentes sobre os prêmios pagos e não recolhidas pelo estabelecimento, foram devidamente lançadas por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD de n° 37.064.0748. Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 14041.000399/200731 Acórdão n.º 9202006.454 CSRFT2 Fl. 1.420 3 Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência parcial e no mérito determinar o recálculo da multa aplicada, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. O acórdão nº 2401001.796 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 26/08/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. PAGAMENTO DE PRÊMIOS SALÁRIO INDIRETO INCIDÊNCIA Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Os prêmios constituem espécies de salários indiretos, porquanto constituem salário de contribuição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/10/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIOS RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO Fl. 1421DF CARF MF 4 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte Contra decisão o contribuinte apresentou recurso especial de divergência questionando o critério adotado pelo Colegiado no que tange a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Recurso foi conhecido com base no acórdão paradigma de nº 230101.294. Cientificada a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, reiterando o respectivo despacho de admissibilidade, dele conheço. Antes de analisarmos o mérito, pertinente destacar estamos diante de autor de infração de obrigação acessória cujo lançamento relativo a cobrança da obrigação principal (NFLD 37.064.0748) foi mantido nos termos do acórdão nº 240101.795, proferido no processo nº 14041.000407/200740, decisão já transita em julgado. Partindose desse premissa, lembramos que cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 14041.000399/200731 Acórdão n.º 9202006.454 CSRFT2 Fl. 1.421 5 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) tem o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 1423DF CARF MF 6 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é o entendimento deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 14041.000399/200731 Acórdão n.º 9202006.454 CSRFT2 Fl. 1.422 7 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) Fl. 1425DF CARF MF 8 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 14041.000399/200731 Acórdão n.º 9202006.454 CSRFT2 Fl. 1.423 9 contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei Fl. 1427DF CARF MF 10 nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso, mantendo a decisão recorrida que aplicou a retroatividade benigna nos termos da citada Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1428DF CARF MF
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