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Numero do processo: 10980.011742/2007-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003, 2005
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. REVOGAÇÃO
Pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins),o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 foi expressamente revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Numero da decisão: 1803-001.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para exonerar integralmente o crédito tributário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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REVOGAÇÃO Pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins),o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 foi expressamente revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para exonerar integralmente o crédito tributário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. Declarouse impedido o Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 17 42 /2 00 7- 11 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011742/200711 Acórdão n.º 1803001.637 S1TE03 Fl. 3 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório Tratase da exigência de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL decorrente da falta de inclusão, na base de cálculo das exações, de rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa (anocalendário de 2002) e de rendimentos de aplicações financeiras e variação monetária ativa (anocalendário de 2004). Inconformada com o lançamento fiscal a empresa Recorrente apresentou impugnação sustentando que é inconstitucional o art. 3º, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998 que respalda a exigência de PIS e COFINS. Em sede de cognição ampla, os argumentos da impugnante foram rechaçados, sob o fundamento de que não cabe na instância administrativa efetivar o controle de constitucionalidade de lei federal, mantendose incólume o lançamento em questão. Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente Recurso Voluntário reiterando os argumentos defendidos na oportunidade da impugnação. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos seis dias do mês de março do ano de dois mil e treze, às nove horas , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente em Exercício), MEIGAN SACK RODRIGUES, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA e, eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 10980.011742/200711 Recorrente: BERNARDO VALENTINI & CIA LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803001.637 Decisão: Fl. 286DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011742/200711 Acórdão n.º 1803001.637 S1TE03 Fl. 4 3 Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para exonerar integralmente o crédito tributário. Declarações de impedimento: SERGIO RODRIGUES MENDES Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado É o Relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Pois bem, conforme consta do relatório, a Recorrente sustenta a tese de que é inconstitucional o art. 3º, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998 que respalda a exigência de PIS e COFINS. Entrementes, à luz do enunciado da Súmula CARf nº 02, extraíse o seguinte enunciado: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), cabe ressaltar que foram criadas para o custeio da seguridade social, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, devem ser calculadas com base na receita bruta, podendo ser excluídos os valores das vendas canceladas, dos descontos incondicionais concedidos, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de Fl. 287DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011742/200711 Acórdão n.º 1803001.637 S1TE03 Fl. 5 4 substituto tributário. Por esta razão as receitas financeiras não compõem a base de cálculo destes tributos, no caso em que a pessoa jurídica não exerça atividade econômica tendo estas como objeto. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Agravo de Instrumento/Questões de Ordem nº 715.423/RS1, no Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 527.602/RS2 que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998,3, e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4. Ademais esse dispositivo legal foi expressamente revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Os presentes créditos tributários de PIS e de Cofins foram constituídos a partir da omissão de rendimento de aplicação financeira nos anoscalendário de 2002 e 2004. A Recorrente exerce atividade econômica de “Promoção de eventos na área empresarial e Administração de capital na área empresarial”, fl. 206, e a aplicação financeira não é seu objeto principal. Tendo em vista o fato de que estes valores não compõem a receita bruta decorrente das atividades econômicas precipuamente exercidas pela Recorrente, os Autos de Infração de Pis e de Cofins são improcedentes. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, está comprovada. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário. 1 BRASIL.Supremo Tribunal Federal. Agravo de Instrumento/Questões de Ordem nº 715.423/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie, Plenário, Brasília, DF, 11 de junho de 2008. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=546303>. Acesso em: 22 set.2011. 2 BRASIL.Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 527.602/RS. Ministro Relator Originário: Eros Grau, Ministro Relator Acórdão: Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Brasília, DF, 5 de agosto de 2009. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=605653>. Acesso em: 22 set.2011. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal.Jurisprudência. Repercussão Geral. Relatório da Repercussão Geral. Disponível em: < http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeralRelatorio>. Acesso em: 22 set.2011. 4 Fundamentação legal: art. 195 da Constituição Federal, art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011742/200711 Acórdão n.º 1803001.637 S1TE03 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 289DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 11686.000075/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006
Ementa:
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.CONCEITO
Consideram-se insumos, para fins de desconto de créditos na apuração das contribuições de PIS e/ou Cofins não cumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços.
NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO.
Para fins de cálculo na apuração do valor das contribuições para o PIS e Cofins, segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos expressamente autorizados na legislação de regência.
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS PRONTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA
Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar das contribuições de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes, após o término da produção.
CRÉDITO. NOTA FISCAL SEM RESSALVA. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO.
Não tendo o fornecedor exigido e nem o comprador fornecido a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e não constando da nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, presume-se normal a operação de compra e venda e o respectivo crédito básico.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito normal em relação à aquisição de arroz em casca em cuja nota fiscal não consta que a operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Vencido a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, relatora. Designado a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
Fez sustentação oral: Carlos Eduardo Amorim - OAB/DF 40881.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
(Assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Redatora designada
EDITADO EM: 26/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas,, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006 Ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.CONCEITO Consideram-se insumos, para fins de desconto de créditos na apuração das contribuições de PIS e/ou Cofins não cumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Para fins de cálculo na apuração do valor das contribuições para o PIS e Cofins, segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos expressamente autorizados na legislação de regência. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS PRONTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar das contribuições de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes, após o término da produção. CRÉDITO. NOTA FISCAL SEM RESSALVA. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO. Não tendo o fornecedor exigido e nem o comprador fornecido a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e não constando da nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, presume-se normal a operação de compra e venda e o respectivo crédito básico. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito normal em relação à aquisição de arroz em casca em cuja nota fiscal não consta que a operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Vencido a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, relatora. Designado a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Carlos Eduardo Amorim - OAB/DF 40881. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Redatora designada EDITADO EM: 26/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas,, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A demonstração de conhecimento pleno quanto às irregularidades que lhe foram imputadas, e a defesa meticulosa, abrangendo questões preliminares e de mérito, comprova a inexistência de cerceamento do direito de defesa. PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL A propositura de Mandado de Segurança com o mesmo objeto já constante em litígio no Processo Administrativo Fiscal, implica na renúncia às instâncias administrativas, com a desistência da anterior manifestação de inconformidade e a comprovação de cumprimento pela administração da determinação judicial leva à conclusão de que a matéria deixou de ser objeto de litígio administrativo na instância administrativa de julgamento posterior. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento ou compensação, mostra se ônus da interessada a minuciosa comprovação da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006 Ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.CONCEITO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 75 /2 00 8- 19 Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração das contribuições de PIS e/ou Cofins não cumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Para fins de cálculo na apuração do valor das contribuições para o PIS e Cofins, segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos expressamente autorizados na legislação de regência. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS PRONTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar das contribuições de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes, após o término da produção. CRÉDITO. NOTA FISCAL SEM RESSALVA. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO. Não tendo o fornecedor exigido e nem o comprador fornecido a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e não constando da nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, presumese normal a operação de compra e venda e o respectivo crédito básico. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito normal em relação à aquisição de arroz em casca em cuja nota fiscal não consta que a operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Vencido a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, relatora. Designado a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Carlos Eduardo Amorim OAB/DF 40881. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 11 3 (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Redatora designada EDITADO EM: 26/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas,, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de PIS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao 2º, 3º e 4o trimestres de 2006, em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas de exportação com base no disposto no art. 5º da Lei n° 10.637/20021, formulados pelos PER originais e retificadores constantes dos autos: A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: I.1 o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dos incentivos fiscais "PRODEPE", crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PE) n° 23.504, de 27 de agosto de 2001, e "PROARROZ", crédito fiscal de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual MT) n° 4.366, de 21 de maio de 2002. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que 1 LEI 10.637/2002 (LEI ORDINÁRIA) 30/12/2002 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como incentivos fiscais "PRODEPE" e "PROARROZ", inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. I.2 O contribuinte incluiu indevidamente na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS fretes sobre transferências e fretes sobre devoluções. O valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, o valor do frete sobre devoluções não integra a base de cálculo de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3o , inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/2003. I.3 A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito resumido de atividades agroindustriais referente a estas compras. I I . C O N C L U S Ã O Em função dos fatos anteriormente descritos e das irregularidades fiscais constatadas, após efetuados os ajustes necessários e outras correções obrigatórias demonstrados em planilhas anexas, que obedeceram ao disposto na legislação do PIS/Pasep nãocumulativo, concluo que os direitos creditórios da fiscalizada, relativamente aos créditos da Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 12 5 Contribuição para o PIS/Pasep devem ser reconhecidos apenas de forma parcial. (...) Em consequência, o Despacho Decisório nº 1006/2008, de 27/08/2008 reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de ressarcimento de P1S NãoCumulativo Exportação, referente ao 2º, 3ºo e 4º trimestres de 2006. Por meio da Intimação DRF/POA/SEORT/REST 2.365/2008 foi dado ciência do Despacho Decisório à interessada e feita a intimação para regularizar as pendências quanto a falta de GFIPs, e para regularizar ou se pronunciar, quanto à compensação de oficio, no prazo de 15 (quinze) dias, contados da ciência daquela, com referência a divergência de GFIP. Alertando que a não manifestação implicaria na concordância do procedimento de compensação. Em 17/09/2008 a contribuinte envia resposta à Intimação DRF/POA/SEORT/REST 2.365/2008, para informar que os débitos previdenciários existentes seriam compensados com o crédito apurado no processo administrativo n° 11686.000094/200837 até o limite dos débitos constantes no relatório de divergência anexo , restando, portanto, regularizados e, bem assim, extintos em face da compensação, conforme regra do art. 156, II, do CTN. Requerendo, então, o imediato ressarcimento do crédito reconhecido no presente processo administrativo, o que foi efetuado pela DRF. Acerca porém das glosas efetuadas, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando: Preliminarmente, a nulidade da decisão pela ofensa à Constituição Federal e aos princípios do Processo Administrativo Fiscal – PAF, em face de ausência de fundamentação expressa, posto que, conforme fora lançado, ausente no processo a motivação do r.despacho/decisório, sem justificativa expressa para o afastamento de parte do direito creditório da ora impugnante. Sendo, alega, imprescindível para a compreensão da decisão a indicação dos pressupostos de fato e de direito que a determinaram. Bem como, alega ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa cerceamento de defesa na medida em que não estando expressa a fundamentação ocorre a ofensa à ampla defesa e ao contraditório, já que impede ao contribuinte/credor de utilizarse com proveito dos mecanismos de defesa na busca da satisfação integral de seu crédito. E alega ainda que, pela falta de motivação, a decisão que homologou parcialmente o pedido de ressarcimento também recaiu em afronta à legalidade. No mérito, a contribuinte discorda da glosa parcial, pois não se conforma com o indeferimento da parcela dos créditos pleiteados, cujas alegações, em síntese, são transcritas do relatório do acórdão ora recorrido: “ Discorda sobre a inclusão dos créditos de ICMS, oriundos de programas de benefícios fiscais ("PRODEPE" e "PROARROZ"), na base de cálculo do PIS e da COFINS como receita, na medida em que as leis instituidoras desses benefícios objetivariam o fomento da competitividade e sustentabilidade das empresas situadas nos estados do MT e PE. Entende que tais valores não poderiam ser considerados como receita da empresa, pois não representariam um ingresso de novo valor ao seu patrimônio, Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 sendo apenas abatidos de seus débitos de ICMS, de forma a reduzir o saldo devedor de imposto estadual devido. Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferências entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica e devoluções, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Entende que tais fretes deveriam também ser enquadrados como custo ou despesas da empresa, sujeitos à apuração dos respectivos créditos das contribuições. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei n° 10.925/2004 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006, portanto não estaria sujeita a observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Considera que teria a faculdade de escolher, ou não, a suspensão da exigibilidade, cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que nas Notas Fiscais de aquisição emitidas por seus fornecedores não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art.2º, §2º da IN 660/06. Acrescenta que seus fornecedores também não lhe pediram declaração de que apuraria seu IRPJ pelo Lucro Real, em face da ausência destas solicitações, inferiu que não teria sido utilizada a suspensão da exigibilidade nas correspondentes operações de compra e venda. Contesta a intimação recebida para que apresentasse declarações de seus fornecedores informando se as vendas haviam ocorrido com ou sem a suspensão, pois entende que não lhe caberia exigir tal informação de seus parceiros comerciais. Aponta que inclusive adquiriria arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, portanto fora dos requisitos previstos na IN 660/06. Ao final, pede a realização de perícia para o esclarecimento de quesitos que define como necessários para demonstrar a origem e a composição dos créditos em litígio. Requer ainda o recebimento de sua Manifestação de Inconformidade, para que seja declarada a nulidade do Despacho Decisório ora combatido, ou, alternativamente, a reforma do mesmo, com o deferimento total do crédito pleiteado”. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 13 7 Conforme documentos, decisões e certidões juntados ao processo, constatase que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.71.00.0323140 junto à Justiça Federal Tributária de Porto AlegreRS, para discussão da questão da inclusão, como receita, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de valores referentes a créditos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais ('"PRODEPE" e "PROARROZ"). Tal ação judicial teve liminar favorável em 27 de fevereiro de 2009 (publicado em 04/03/2009). Mas, a sentença proferida em 1ª instância de 27/07/2009 denegou a segurança. A DRF/POA teve conhecimento desses fatos por meio do MEMO/SERDC/PGFN4ª REGIÃO/RS 1397/2009, de 15/09/2009. Destacase, para maior esclarecimento dos fatos, o relatório da referida sentença: “I I Relatório Tratase de mandado de segurança no qual a parte impetrante requer (a) a declaração de inexigibilidade da contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre os valores referentes ao crédito presumido de ICMS decorrente da comercialização de arroz em operação interestadual, como incentivo fiscal dos Estados de Pernambuco (PRODEPE Decreto n° 23.504/01) e do Mato Grosso (PROARROZ/MT Decreto n° 4.336/02); (b) a declaração de nulidade parcial dos despachos decisórios proferidos nos pedidos de ressarcimento n°: 11686.000075/200819; 11686.000079/200899; 11686.000080/200813; 11686.000081/200868; 11686.000082/200811; 11686.000077/200808; 11686.000097/200871; 11686.000098/200815; 11686.000099/200860; 11686.000076/200855; 11686.000084/200800; 11686.000087/200835; 11686.000088/200880; 11686.000089/200824; 11686.000090/200859; 11686.000085/200846; 11686.000094/200837; 11686.000095/20088l; 11686.000096/200826 e 11686.000086/200891 e, afastadas as glosas decorrentes do ato coator, (c) a determinação de ressarcimento das quantias glosadas acrescidas da correção pela SELIC. Em síntese, sustentou que o crédito presumido do ICMS não constitui receita, mas ressarcimento de custos”. Em decorrência de apelações e embargos interpostos pelas partes, a Sentença judicial de 1ª instância foi reformada pelo o TRF4 para conceder a segurança pleiteada, determinando a incidência de correção monetária, pela taxa SELIC, pelo fato de que a demora no ressarcimento dos créditos presumidos se deu por óbice indevido do Fisco. A contribuinte foi cientificada do cumprimento da sentença do Mandado de Segurança 2008.71.00.0323140, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010, nos seguintes termos: “Pela presente, dáse ciência do cumprimento da sentença do mandado de segurança em epígrafe, pela emissão de ordens Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 bancárias em 19/10/2010, que diz respeito aos processos 11686.000079/200899, 11686.000087/200835, 11686.000080/200813, 11686.00081/200868, 11686.000089/200824, 11686.000082/200811, 11686.000090/200859, 11686.00077/2008 48,11686.000085/200846, 11868.000099/200860 e 1186.000096/200826. O referido mandado de segurança objetiva o reconhecimento da inexigibilidade das contribuições PIS/PASEP e COFINS sobre o crédito presumido de ICMS decorrente da comercialização de arroz em operação interestadual, como incentivo fiscal (PROARROZ Decreto n.° 4.336/02). Portanto, não alcança os processos 11686.000.075/200819; 11686.00076/200855; 11686.0084/200800 e 11686000086/200891, por estes tratarem do ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS não cumulativo, vinculados a receitas de exportação. Não haverá emissão de ordem bancária nos processos 11686.000095/200881, 11686.000088/200880, 11686.000097/200871 e 11686.000098/200815, pois tratam se de pedidos de compensação. O crédito restabelecido será compensado com débitos dos pedidos de compensação. No processo 11686.000094/200837, o crédito disponível foi liquidado com a compensação de ofício, conforme Intimação 1.940/2010.” Retornando os processos para a DRJ/POA, aquela proferiu seu julgamento do presente processo por meio do Acórdão 1032.688 2a Turma da DRJ/POA, em 07 de julho de 2011, no qual os membros acordam, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. E, nas matérias controversas restantes, também por unanimidade de votos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006 Ementa: NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as irregularidades que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITOS DE ICMS CONCEDIDOS POR INCENTIVOS FISCAIS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 14 9 objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3o da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Devidamente cientificado do Acórdão da DRJ/POA, em 23/08/2011, por meio da Intimação DRF/POA/SEORT/REST 1861/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 195, a contribuinte, irresignada, apresenta em 09/09/2011 o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DA PRELIMINAR II. I. 1 DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM FACE DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO MOTIVACIONAL; II. I. 1.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA II. I. 1. 2 DA ILEGALIDADE II. II DA PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL III DO DIREITO III. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS III. II DO FRETE DE TRANSFERÊNCIA III. II. 1 DA NÃOCUMULATIVIDADE Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 III. III DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO PE ARROZ EM CASCA III. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 III. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 III. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 5 EQUÍVOCO REFERENTE À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA DE PESSOAS JURÍDICAS REVENDEDORAS III. III. 6 DA PERÍCIA IV DO PEDIDO Formula o seu pedido nos seguintes termos: “Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim de que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório combatido. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento, requer que o presente recurso seja acolhido por Vossas Senhorias para determinar a reforma do r.acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legitimidade”. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. Em 25 de Junho de 2013, estando o presente recurso pautado para julgamento neste Colegiado, acordaram os seus membros, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, tendo sido vencida esta Relatora e designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, o qual determinou o retorno à repartição de origem para as providências mencionadas. Em atendimento à determinação contida na Resolução, a Unidade de Origem realiza a diligência e, em decorrência, anexa aos autos cópias de notas fiscais, planilhas denominadas: RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS SEM MENSAGEM E SEM DECLARAÇÃO; RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS COM MENSAGEM E SEM DECLARAÇÃO; RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS NÃO LOCALIZADAS PELO CONTRIBUINTE, bem como o Relatório de Informação Fiscal, por meio do qual opina pela improcedência da utilização de crédito básico, pelo o fato de que tanto os fornecedores quanto o adquirente (ora recorrente) atendem aos requisitos legais exigidos para a ocorrência da suspensão do PIS e COFINS nas realizadas vendas de arroz com casca. A contribuinte manifestase acerca do resultado de diligência. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 15 11 Retorna os autos a este colegiado para realização do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. DA PRELIMINAR DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO A contribuinte insiste em seu recurso Voluntário na solicitação de nulidade do Despacho Decisório da DRF de origem, reprisando os seus argumentos de defesa quanto a ausência de fundamentação, de motivação para a não homologação integral do direito creditório, verificandose latente a afronta aos princípios e critérios do processo administrativo fiscal tais como legalidade, motivação, ampla defesa, contraditório e segurança jurídica. E, acrescentando argumentos de que o fato da ora recorrente ter apresentado a sua Manifestação, com todos os fundamentos possíveis de defesa, não afasta a nulidade do despacho decisório por ter este incorrido em nulidade por ausência de motivação do indeferimento parcial do crédito pleiteado, razão pela qual o r. acórdão deve ser recorrido para o fim de que seja anulado parcialmente o despacho decisório, no tocante ao indeferimento parcial do direito creditório da ora Recorrente. Contundo, não assiste razão à recorrente. O caput do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972 determina que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pois bem, consoante o disposto no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 (PAF), dúvidas não pairam de que o cerceamento do direito de defesa é sim causa de nulidade do ato administrativo. Todavia, é de se ressaltar que o referido cerceamento se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, circunstância que não se configurou na espécie. Com efeito, verificase da Informação fiscal, que embasou e faz parte integrante do Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, que a autoridade fiscal descreveu detalhadamente o procedimento de auditoria, as irregularidades constatadas, a informação da composição da base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS nos termos constantes da lei específica, a informação sobre os possíveis créditos Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 decorrentes de fretes com informação dos dispositivos legais atinentes, bem como as condições para aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, quanto às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM,com menção aos art. 3º , incisos I e III, e § 1. 4º , incisos I a III, e 6o , inciso I, da IN SRF 660/2006. Tanto foi assim, que a contribuinte, ora recorrente, teve sim, condições de efetuar plenamente a sua defesa por meio de apresentação da sua Manifestação de Inconformidade, com todos os fundamentos possíveis de defesa, conforme a própria atesta em seu recurso voluntário, no qual, também, elaborou plenamente sua defesa. Quanto à questão da ilegalidade do Despacho Decisório aduzida com base no art. 31 do Decreto 70.235/72, convém destacar que referido artigo está inserido na seção VI DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA do mencionado Decreto, o qual diz respeito às exigências processuais que devem conter na decisão de julgamento de primeira instância e não se refere à exigências de Despacho Decisório proferido pela autoridade preparadora da RFB competente para analisar a solicitação de restituição/ressarcimento/compensação da contribuinte e decidir sobre a mesma. Mesmo que tivesse havido no referido Despacho Decisório algum erro ou omissão na fundamentação legal, na motivação, o que não foi o caso, não há dúvida de que o mesmo cumpriu a sua finalidade e, ainda, ressaltese que há farta jurisprudência administrativa deste Conselho de que tais não acarretam a nulidade do ato ou despacho, por cerceamento do direito de defesa, quando neles conste judiciosa descrição dos fatos que possibilite a plena defesa da contribuinte, consoante se verifica nas ementas abaixo transcritas: “AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa”. (Acórdão n.º 10313.567, DOU de 28/05/1995); “LANÇAMENTO SEM MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento, por preterição do direito de defesa, se o sujeito passivo revelou ter pleno conhecimento dos seus fundamentos, rebatendoos um a um.( Acórdão nº 3201001.177 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2013) CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara. (Acórdão nº 2402003.296 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2013); CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO POR NÃO INFORMAÇÃO DE TRIBUTO EM GFIP. DECORRENTE DO LANÇAMENTO DO PRINCIPAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O presente processo cuida de Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 16 13 auto de infração que impôs multa pelo descumprimento de obrigação acessória: a falta de informação de contribuições previdenciárias em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. Os tributos não informados em GFIP decorreram de valores pagos à cooperativa de trabalho médico por empresas consideradas como filiais de fato do autuado, e que foram objeto de cobrança em notificação de lançamento constante de outro processo. Como não constavam nos autos quaisquer informações sobre o motivo porque as empresas que efetuaram os pagamentos foram consideradas filiais de fato do contribuinte, o acórdão recorrido entendeu que o auto de infração era nulo, maculado por vício material, por não descrever a infração de forma clara e precisa, o que teria prejudicado o direito de defesa do autuado. Entretanto, não é nulo o lançamento por preterição de direito de defesa, pois o contribuinte revelou conhecer sobejamente a relação entre os dois processos, defendendose deste com os mesmos argumentos do outro. De fato, não é possível se apreciar o mérito do auto de infração que cobra multa por descumprimento de obrigação acessória de forma desconexa da notificação de lançamento que lança as contribuições previdenciárias. Caso o lançamento dos tributos seja cancelado,o mesmo destino se dará às penalidades pelo descumprimento das obrigações acessórias a eles relativas. Por outro lado, caso o principal seja mantido, então haverá sentido em se discorrer se as obrigações acessórias decorrentes não foram cumpridas. Recurso especial provido. (Grifouse) (Acórdão CSRF nº 9202002.004, Rel. Cons. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Sessão de 22/03/2012) Dessa forma, rejeitase a preliminar de nulidade do Despacho Decisório, em face da inexistência de ofensa aos princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa. DA PRELIMINAR SOBRE A PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL De fato, nesta questão específica, a contribuinte, ao impetrar o Mandado de Segurança N° 2008.71.00.03231407RS com o mesmo objeto já constante em litígio nos presentes autos (questão da exclusão de créditos presumidos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais "PRODEPE"PE e "PROARROZ"MT, da base de cálculo do PIS e da COFINS), promoveu a renúncia às instâncias administrativas, com a desistência da anterior manifestação de inconformidade, nos termos do pronunciamento da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação no Ato Declaratório (Normativo) Cosit n° 03, de 14/02/962, fundamentado nos dispositivos contidos no artigo 1º, § 2º, do Decretolei n° 1.737, de 20.12.793, e no artigo 38, parágrafo único, da Lei 6.830/804. 2 O CoordenadorGcral do Sistema de Tributação, (...) Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 Motivo pelo o qual, consoante já destacado no relatório, a DRJ/POA decidiu, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. Inclusive, ressaltese, tal questão já teve decisão judicial definitiva, favorável à contribuinte, e, consoante se constata nos autos, a unidade de origem já cumpriu a determinação judicial, de ressarcimento/compensação da parte glosada, com a respectiva atualização pela taxa SELIC, dando ciência à contribuinte, ora recorrente, desses cumprimento, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010. Desta forma, tal matéria não é mais objeto desse litígio, face à renúncia da contribuinte, que optou pela via judicial e cuja decisão que lhe foi favorável já foi devidamente cumprida pela unidade de origem da RFB. DO MÉRITO DO MÉRITO QUANTO AO DIREITO O apelo formalizado pela contribuinte, ora recorrente, devolve a esta instância de julgamento administrativo a apreciação, no mérito, de duas matérias ainda em litígios, a saber: (i) O direito ao crédito referente à fretes de transferências de mercadorias entre os diversos estabelecimentos do contribuinte. Registrese que a recorrente, em sua peça recursal, em nenhum momento fez referência ao direito de crédito quanto ao frete utilizado nas devoluções. Portanto, tal item não será abjeto de análise nesse julgamento; e (ii) O direito à créditos sobre as aquisições de arroz junto à pessoas jurídicas, adquiridos, segundo a fiscalização, com suspensão da incidência das contribuições prevista no caput do artigo 9° da Lei 10.925/2004. a) a proposilura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) consequentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc); c) no caso da letra "a"', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá à inscrição em Dívida Ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos 11 (depósito do montante integral do debito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança) do art. 151, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC). 3 'Art 1º (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do credito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. 4 Art 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida , esta precedida do depósito preparatório do valor do debito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa cm renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 17 15 Antes de adentrar especificamente nestas questões, tendo em vista que a recorrente apresentou em seus argumentos de recurso a sua defesa acerca dos conceitos da não cumulatividade das contribuições do PIS e COFINS e de insumos a ser utilizado como dedução na apuração não cumulativa de referidas contribuições, fazse necessário tecer algumas considerações sobre esses temas, como forma de demonstrar o meu posicionamento que, conseqüentemente, conduz o meu voto. DO SISTEMA DA NÃO CUMULATIVIDADE NO PIS E COFINS O sistema da não cumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituído por meio das Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº 10.833/03 – COFINS, em face da conversão em lei das Medidas Provisórias nº 66/02 e 135/03, respectivamente e que tem por objetivo desonerar o contribuinte no pagamento das contribuições ao PIS e a COFINS, contribuições estas que incidem sobre o faturamento/receita. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu, em seu art. 195, §12, incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, que: “ A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas.”. Até o momento da criação do sistema não cumulativo das contribuições do PIS/PASEP e da COFINS, a sistemática da não cumulatividade existia, apenas, para o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e para o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Especificamente para o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI, os princípios da não cumulatividade e o da seletividade foram introduzidos no arcabouço constitucional por meio da Emenda Constitucional (EC) nº 18/1965 e permanecem na Constituição Federal (CF) de 1988, que não trouxe alterações no tocante aos princípios em questão: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...).” O Código Tributário Nacional, sobre o princípio da não cumulatividade do IPI, estabelece a regra a ser observada por lei específica, no sentido de que o direito ao crédito do IPI resulte do imposto pago pelo adquirente quando da entrada dos produtos em seu estabelecimento, in verbis: Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” (grifouse) Nesta direção, “o principio constitucional da não cumulatividade aplicado ao IPI teve sua sistemática regulada por lei ordinária, qual seja, o art. 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, e alterações posteriores, que assim estabelecia”: "Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. § 1° 0 direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento." (negritos acrescidos) O Regulamento do IPI RIPI 2002 (Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002), por sua vez, em seu art. 163 (equivalente ao art. 225 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 Regulamento do IPI (RIPI/2010)) estabeleceu: “CAPÍTULO X DOS CRÉDITOS Seção I Disposições Preliminares NãoCumulatividade do Imposto Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2º Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178.” Pelos dispositivos constitucional e legais acima dispostos verificase que a sistemática de não cumulatividade do IPI adotada pelo o Brasil operase mediante a apropriação e utilização de créditos, por meio da compensação entre o valor do IPI recebido dos adquirentes do produto fabricado pelo o industrial e o IPI pago pelo o industrial quando da Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 18 17 aquisição dos insumos onerados, apurandose a diferença, que pode ser credora ou devedora, nos termos do estabelecido pela regra do art. 153, §3º, II da Constituição Federal. Seu foco não está no valor agregado pelo o contribuinte aos insumos por ele adquirido, mas na diferença do confronto entre o imposto devido nas saídas de seu produto com o suportado nas aquisições dos insumos, técnica esta denominada “imposto sobre imposto”. Diferentemente do que se deu com a sistemática da não cumulatividade do IPI, para o caso específico da aplicação da sistemática da não cumulatividade das contribuições para o PIS e COFINS, o texto constitucional contido em seu art. 195, §12, incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/20035 não explicitou a forma de sua realização. Consoante trecho pertinente do esclarecimento do julgador Márcio André Moreira Brito6, em voto que efetuou sobre tal matéria, temse a destacar que: “58. Percebese acima que a Magna Carta, apenas e tão somente, veio a expressar a possibilidade, que já se podia extrair tacitamente do texto constitucional, de que a cobrança da contribuição para o PIS e da COFINS pudesse ser não cumulativa e, ainda, a permitir que a lei definisse setores da atividade econômica para os quais esta sistemática seria aplicável; todavia, nada abordou quanto à forma de implementação desta sistemática nãocumulativa. 59. Muito menos ainda, determinou a CF/88, no contexto da nãocumulatividade de nupercitadas contribuições, o que deveria ser considerado insumo. Logo, as questões expostas ficaram reservadas à legislação infraconstitucional, ...”. Sabese que o ponto nuclear da sistemática da não cumulatividade para qualquer tributo para o qual a lei preveja a sua aplicação é a redução da carga tributária. Mas, tendo em vista as diferenças de regra matriz dos mencionados tributos (IPI, PIS E COFINS), especificamente em relação ao seu aspecto material, há de se compreender que a aplicação da sistemática da não cumulatividade para as contribuições não pode ser exatamente igual àquela estabelecida para o IPI. Nesse sentido já se manifestou a julgadora dessa turma, Fabiola Cassiano Keramidas7: 5 CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...); b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...); § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) (...). 6 Julgador da 2ª turma da DRJ/REC. Voto proferido no Acórdão nº 35977, de 31/01/2012. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 “As contribuições ao PIS/COFINS, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita8 das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/COFINS. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco (MARCO AURELIO GRECCO in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 7 Acórdão 3302001.916 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 29 de janeiro de 2013, proferido no processo 1065.724992/201197. 8 Lei nº 10.833/03 (COFINS) (De forma similar trata o art. 1º da Lei 10.637/2002PIS) Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito). Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 19 19 2004): “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação, a respeito da geração dos créditos que visam evitar a cumulatividade, para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições.” Assim é que para as contribuições do PIS E COFINS a legislação estabeleceu uma aplicação própria da sistemática da não cumulatividade, permitindo que se descontasse do valor das contribuições apuradas segundo as regras contidas nos arts. 2º das Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº 10.833/03 – COFINS, respectivamente, os créditos calculados em conformidade com as regras contidas nos arts. 3º das já citadas leis, tendo em conta que, para o caso de créditos para dedução do valor do PIS, houve uma extensão aos itens originalmente previstos no art. 3º da Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, por meio da redação do art. 15, inciso II da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. À época dos fatos, as redações dos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 eram as seguintes: LEI Nº 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2002 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 20 importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III – vetado. IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X – valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 20 21 §2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) §3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. §4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. §5º (VETADO) §6º (VETADO) §7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) §8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no §7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. §9º O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o anocalendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. §10 (revogado ela lei nº 10.925,de 2004). Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 22 §11 (revogado ela lei nº 10.925,de 2004). §12. Ressalvado o disposto no §2º deste artigo e nos §§1º a 3º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento) e, na situação de que trata a alínea b do inciso II do §4º do art. 2ºo desta Lei, mediante a aplicação da alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) §13. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...)” – destaquei LEI N° 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003 “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008)(Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 21 23 terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 24 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. § 5o (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 6o (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. § 11. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 12. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 22 25 prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no § 2o do art. 2o desta Lei (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de vasilhames referidos no inciso IV do art. 51 desta Lei, destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 12 meses, à razão de 1/12 (um doze avos), ou, na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto no art. 52 desta Lei, poderá creditarse de 1/12 (um doze avos) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) § 17. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 4o do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento). (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§ 1o e 2o do art. 2o desta Lei, será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos recebidos em devolução no mês. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 26 § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Como ressalvado acima, tem que se ter em conta que, para o caso de créditos para dedução do valor do PIS, houve uma extensão aos itens originalmente previstos no art. 3º da Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, por meio da redação do art. 15, inciso II da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que assim determina: “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3º do art. 1º1 desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004): II nos incisos VI, VII e IX do caput9 e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) A leitura dos referidos dispositivos denota a diferenciação dada à sistemática da não cumulatividade das contribuições dos PIS/PASEP e COFINS, alcançando todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas e não somente os industriais, como ocorre no IPI. Isto, é claro, decorre do fato de que as contribuições ora sob análise incidem sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, consideradas como a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. E, visando minorar a incidência dos efeitos sobre a receita ou faturamento, foi instituída a não cumulatividade do PIS e da COFINS, por meio das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ressaltandose que são taxativas as hipóteses de créditos para o PIS e COFINS na sistemática da não cumulatividade previstas nos incisos dos referidos arts. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não cabendo alteração por analogia ou interpretação extensiva. É de se destacar que, para o cálculo da sistemática da não cumulatividade das contribuições do PIS e COFINS, além dos créditos atinentes aos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação ou produção de bens e produtos (art. 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), o próprio inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, estendeu a possibilidade de crédito relativos aos combustíveis e lubrificantes (que 9 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...); IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...). Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 23 27 não são insumos para o IPI), bem como estendeu a possibilidade, também, de créditos advindos dos bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços, e ainda, os citados artigos 3º das leis mencionadas relacionam expressamente nos demais incisos outros custos e despesas, não classificados como insumos, nos termos do inciso II, possíveis de gerar créditos na apuração não cumulativa das contribuições do PIS/PASEP e COFINS. A fundamentação acima posta para justificar a diferenciação da aplicação da sistemática da não cumulatividade para as contribuições do PIS e COFINS e para o IPI, não podem ser também utilizadas para defender a noção de “insumos”, referido no inciso II do art. 3º das leis de regência do PIS e COFINS, consoante fundamentarei em momento oportuno. Aqui, portanto, mister se faz ressalvar que relativamente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica –IRPJ não se pode falar em sistema de não cumulatividade, pois que a esse imposto, tal sistemática não se aplica, haja vista ser este um imposto direto e progressivo. A tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Lucro Real, se dá mediante a apuração contábil dos resultados, com os ajustes determinados pela legislação fiscal. O Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas legalmente. Daí, que os créditos a serem aproveitados na sistemática da não cumulatividade das contribuições do PIS/PASEP e COFINS não se confundem com os custos de produção e as despesas necessárias conforme conceito estabelecido na legislação do IRPJ (arts. 290 e 299 do RIR), sendo desarrazoada a pretensão de utilizar tal legislação, de maneira tão ampla e irrestrita. Demonstrado, então, que a sistemática da não cumulatividade para as contribuições do PIS/PASEP e COFINS, conforme determinado na Constituição Federal, ficaram reservadas à legislação infraconstitucional, e que não se extrai do texto constitucional a pretendida regra de obrigatoriedade de dedução de créditos relativos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido e utilizado nas atividades da empresa, é de se concluir, então, pela impertinência do argumento da recorrente acerca da violação ao texto constitucional. Ademais, aplicase também a Súmula Carf nº 2 (Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009): “Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, deve ser aplicada ao caso dos autos a lei em sua integralidade. DA NOÇÃO DE INSUMO COMO CRÉDITO A DESCONTAR NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E DA COFINS – SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. Como já registrado, o texto dos arts. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, em seu inciso II, faz referência ao crédito incidente sobre bens e serviços, utilizados como insumo tanto na prestação de serviços, quanto na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entretanto, como bem ressaltou o julgador do Acórdão 35977, de 31/01/2012, já acima mencionado, “Conquanto tenha apresentado algumas diretrizes, o texto dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pormenorizou o conceito do termo “insumos” para fins de desconto de créditos da contribuição para o PIS e da COFINS, razão Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 28 pela qual a Receita Federal o fez, no uso do poder regulamentar que lhe foi conferido pelo art. 66, da Lei nº 10.637/2002, e pelo art. 92, da Lei nº 10.833/2003, por meio das IN SRF nº 247, de 21/11/2002, e nº 404, de 12/03/2004” 10, defendendo, para o PIS e para a COFINS, no que se refere às atividades industriais, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e dando os contornos da noção de insumos utilizados na prestação de serviços, este último, tema nunca debatido quando da análise da sistemática da não cumulatividade do IPI, por não lhe ser atinente. Exatamente por isso, a jurisprudência, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial, tem voltado sua atenção para análise desse tema (noções de insumos previstos no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 – utilizados como créditos a serem descontados na apuração não cumulativa das contribuições de PIS e COFINS), em razão dos questionamentos dos contribuintes, tendo se instalado três correntes: a) Bens ou serviços qualificáveis como insumo para dedução no cálculo da não cumulatividade são: quanto à produção ou fabricação de bens e produtos, aqueles previstos na legislação do IPI, com a extensão dada pela lei relativamente à inclusão expressa dos 10 Instrução Normativa SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I I utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Instrução Normativa SRF n° 404, de 12 de março de 2004: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.l) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 24 29 combustíveis e lubrificantes (que não são insumos no caso de IPI); e os bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços (extensão dada pela lei, mas sem dar a noção do que sejam tais insumos na prestação de serviços). As demais hipóteses expressamente citadas nas leis de regência PIS e COFINS, nos demais incisos do art. 3º das leis de regência, são outros custos e despesas, que não se confundem com os insumos citados no inciso II dos arts. 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS). b) Bens ou serviços qualificáveis como insumo são os previstos nos conceitos de “custo de produção” e de “despesa operacional” aplicados pela legislação do imposto de renda (RIR artigos 290 e 299) – com as exceções previstas expressamente nas leis de regência PIS e COFINS. Convém registrar que esta corrente, na segunda Instância Administrativa Federal de julgamento (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), é minoritária. c) Bens ou serviços qualificáveis como insumo para apuração de crédito do PIS e da COFINS devem seguir critérios próprios. Mas, sempre considerando que somente os bens e serviços que forem utilizados como insumos na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito, esclarecendo que, os insumos devem ser utilizados direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser indispensável para a formação daquele produto/serviço final; e estar relacionado ao objeto social do contribuinte. Defenderei o meu posicionamento na análise do caso específico, a seguir: (i) Do direito ao crédito referente à fretes de transferências de mercadorias entre os diversos estabelecimentos da contribuinte A glosa dos créditos vinculados a despesas com fretes de transferências de mercadorias entre os diversos estabelecimentos do contribuinte e nas devoluções foi efetuada pela fiscalização sob o fundamento de que tais fretes contratados de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Afirma que dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3º, inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/200311. 11 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no §1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...); IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...); Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 30 A contribuinte defende o conceito de insumo para dedução da apuração das contribuições, de forma ampla, consoante as regras dispostas nos arts. 290 e 299 do RIR/99, tendo em vista o texto contido no parágrafo 3º, inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Não compartilho com este posicionamento. Para a concepção do termo “insumos” utilizado nas leis de regência das contribuições para o PIS e COFINS não cumulativos, fazse necessário analisar o tema à luz da sistemática constitucional, posto que tais contribuições são tributos especiais e assim, regidas por princípios, também especiais, haja vistas que as mesmas não possuem como principal finalidade a arrecadação de recursos financeiros para o sustento da máquina estatal, mas, sim, visam precipuamente à realização de políticas sócioeconômicas, para assegurar à todos existência digna, visando promover a justiça social. Tais contribuições têm como principal objetivo garantir os recursos financeiros necessários à efetivação do princípio da universalidade da cobertura e do atendimento da seguridade social. Nesse sentido, o caput do art. 195 da CRFB/88 estabelece a obrigatoriedade de a seguridade social ser financiada por toda a sociedade e, o inciso V do parágrafo único do art. 194 da CRFB/88 ressalta a necessidade de haver equidade na forma de participação de custeio. Em face, portanto, desse princípio constitucional da solidariedade social obrigatória, deve ser descartada qualquer interpretação que admita exceções à sua aplicação. A análise do termo “insumos” contida no inciso II do art.3º das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS). deve ser efetuada tendo em mente este contexto constitucional. Vejamos: Assim dispõe os artigos 290 e 299 do RIR/99, que tratam dos “custos de produção” e de “despesas operacionais/necessárias”, respectivamente: Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I – o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; §1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, efeitos a partir de nov/2008) (...); II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; (...)”. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...); II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...)” Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 25 31 II – o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III – os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV – os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V – os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Da leitura das regras acima transcritas, constatase que os custos de locação de máquinas e equipamentos utilizados na produção, bem como os encargos de depreciação e amortização dos bens aplicados na produção já constam do conceito de custos de produção (incisos III e IV do art. 290 do RIR/99); Da mesma forma, a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa caracterizase como despesa operacional, posto que necessária para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica, nos termos do art. 299 do RIR/99. Em sendo assim, se fosse, de fato, o desejo do legislador aplicar ao termo “insumo” do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS) a noção ampla de custos de produção e de despesas necessárias utilizadas na legislação do imposto de renda, não haveria a necessidade de discriminar, em vários incisos, apenas alguns custos de produção e algumas despesas operacionais que geram o direito ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e da COFINS, a exemplo do que se deu com os custos e despesas destacados no parágrafo anterior, que foram expressamente mencionados nos incisos dos art. 3º das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS). Bastaria, apenas, que assim tivesse determinado em um único dispositivo. A discriminação expressa desses custos de produção e dessas despesas necessárias em outros incisos dos art. 3º das leis de regência do PIS E COFINS não Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 32 cumulativo, ao contrário do defendido pela recorrente, revela que o termo “insumo” autorizado no inciso II deste mesmo artigo não tem a conotação ampla da legislação do IRPJ. Nesta linha de pensamento, posicionouse o TRF4ª, consoante se demonstra com o entendimento consubstanciado nos trechos de ementas a seguir transcritos: ““TRIBUTÁRIO. EPROC. PRAZO PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. APLICAÇÃO. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. VALORES COBRADOS PELAS EMPRESAS ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO E DE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. (...) 4. Da análise das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, verificase que o conceito de insumos, para fins de creditamento no regime não cumulativo das contribuições PIS e COFINS por elas instituído, abrange os elementos que se relacionam diretamente à atividade fim da empresa, não abarcando todos os elementos da sua atividade. Acaso fosse esta a intenção, não teria o legislador se preocupado em especificar as situações que ensejam os descontos ou aproveitamento de créditos nos incisos dos dispositivos legais que regem a matéria, concentrando tudo numa só estipulação. (...). 5. Sentença mantida.” (TRF 4ª Região, AC nº 5009177 42.2010.404.7100, Relator: Desembargador Federal Otávio Roberto Pamplona, decisão de 29/11/2011, publicada aos 05/12/2011, com g.n.) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO LEGAL. PIS. COFINS. IN 404/2004. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. 1. Este Tribunal já decidiu acerca da restrição ao conceito de insumo, uma vez que, caso não fosse a intenção do legislador restringir as hipóteses de creditamento, não teria ele se preocupado em especificar as situações que ensejam os descontos ou aproveitamento de créditos nos incisos dos dispositivos legais que regem a matéria, concentrando tudo numa só estipulação.” (TRF4, AC 002772222.2008.404.7100, Primeira Turma, Relator Artur César de Souza, D.E. 03/08/2011) Sendo taxativas as hipóteses contidas nos incisos dos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS) referente à autorização de uso de créditos aptos a serem descontados quando da apuração das contribuições, entendese que a referência feita no inciso II12, do §3º do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, diz respeito 12 Art. 3º (...) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I (...); II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...)." Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 26 33 exclusivamente aos custos e despesas explicitamente relacionados nos incisos do próprio artigo, salvo se os custos e despesas forem enquadrados como insumos utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços, de acordo com a atividade da pessoa jurídica. Por ser oportuno, convém trazer à baila a manifestação feita pelo redator do voto vencedor do Acórdão 3302001.916 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 29 de janeiro de 2013, o conselheiro José Antônio Francisco: “A primeira conclusão é elementar: custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado artigo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Além disso, o critério adotado pela lei para que uma despesa gere crédito não é a circunstância de se tratar de despesa necessária, imprescindível ou obrigatória para a obtenção do produto, que, para o caso, é irrelevante.” Desta forma, em não sendo insumo utilizado na produção ou fabricação dos produtos ou na prestação de serviços, o frete só seria passível de ser utilizado como crédito dedutor na sistemática não cumulativa se se tratasse de frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II do art. 3º, quando o ônus fosse suportado pelo vendedor, o que não se dá no presente caso, haja vista que a própria contribuinte, em sua defesa e recurso, admite que “transfere os seus produtos para centros de distribuição de sua propriedade a fim de obter melhores resultados, visto que devido às exigências do mercado, em não havendo estes centros para estocagem, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores do sudeste, centro ou até mesmo do norte e nordeste do país”, defendendo ser esta uma operação apenas de desdobramento da operação de venda, visto que a única razão de manter esses centros de distribuição é justamente a questão da logística da venda, que em não havendo essa disponibilidade de produtos à pronta entrega, inviabilizaria a mesma. Portanto, não há previsão legal para a dedução do referidos fretes de transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos da recorrente. Nesta direção, há precedentes no CARF, consoante se demonstra com a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de PIS por falta de previsão legal nesse sentido. (...). Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 34 Recurso Voluntário Negado.”(Acórdão 220100.069 — 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária. Sessão de 04 de março de 2009, da relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte) Registro, ainda, que tal decisão já foi assim defendida nesta turma pela conselheira Fabíola Cassiano Keramidas, nos seguintes termos: “Inicialmente devo registrar meu posicionamento no sentido da impossibilidade de crédito no caso de frete entre estabelecimentos da empresa. Esta interpretação encontra supedâneo no próprio artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que definem que o insumo deverá estar vinculado à produção. Neste sentido, entendo que falta a este insumo um dos três requisitos que considero indispensáveis para a concessão do crédito, que determina que o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte em sua produção.”(Acórdão 3302001.916– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2013) Também, nesta mesma direção, destacase julgado do TRF4: “PIS. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA A nova sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, confere ao sujeito passivo do tributo o aproveitamento de determinados créditos previstos na legislação, excluídos os contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro presumido. Insumo é tudo aquilo que é utilizado no processo de produção e, ao final, integrase ao produto, seja bem ou serviço. A aplicação do princípio da nãocumulatividade do PIS e da COFINS em relação aos insumos utilizados na fabricação de bens e serviços não implica estender sua interpretação, de modo a permitir que sejam deduzidos, sem restrição, todos e quaisquer custos da empresa despendidos no processo de industrialização e comercialização do produto fabricado. (...). Podem ser abatidos apenas os créditos previstos na legislação de regência do PIS e COFINS nãocumulativos, a qual não contempla as despesas com frete decorrente da transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica.”(TRF4, AC 501596059.2010.404.7000, Segunda Turma, Relatora p/ Acórdão Carla Evelise Justino Hendges, D.E. 18/05/2011).(grifei) Diante do que foi acima exposto, é de se concluir pela improcedência da utilização de crédito atinente à fretes de transferências de mercadorias entre os diversos estabelecimentos da contribuinte na apuração das contribuições do PIS e COFINS, não merecendo reforma, nesta questão, o Acórdão recorrido. (ii) O direito à créditos sobre as aquisições de arroz junto à pessoas jurídicas, adquiridos, segundo a fiscalização, com Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 27 35 suspensão da incidência das contribuições prevista no caput do artigo 9° da Lei 10.925/2004. A recorrente entende ter direito a calcular créditos básicos sobre as aquisições de arroz em casca junto à pessoas jurídicas, nos termos do art. 3º, II da Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003. Utilizase dos seguintes argumentos: 1) realiza operações de compra de arroz em casca de diversas cooperativas de produção, de pessoas físicas e de pessoas jurídicas. Este produto representa um insumo para o produto final comercializado pela Empresa no mercado, o arroz beneficiado. Relativamente ao objeto social perseguido pela Recorrente, a Lei 10.925/2004 estabeleceu um tratamento tributário específico atinente às contribuições do PIS e da Cofins, prevendo crédito presumido na aquisição dos insumos (art.8º) e a suspensão da incidência das contribuições sociais ao PIS e da Cofins referente a receita de venda dos produtos que menciona nos seus incisos (Art.9º). Mas, ressalta que tal suspensão restou condicionada à ulterior manifestação da então Secretaria da Receita Federal sobre as diretrizes a serem aplicadas às operações de, in casu, beneficiamento de arroz, o que somente ocorreu com a publicação das Instruções Normativas n° 636 e n° 660, em 24 de março de 2006 e 17 de julho de 2006, respectivamente. 2) de que, não foram cumpridos todos os requisitos formais exigidos no art. 4º da IN. 660, e que, em face desse descumprimento pelo fornecedor quando da venda do arroz em casca promovidas à Recorrente, tais vendas não se encontravam ao abrigo da suspensão da incidência do PIS e da COFINS prevista no art. 9º da Lei n° 10.925/04 e na IN n° 660, o que torna legítima a tomada de créditos pretendida pela ora Recorrente. Os requisitos formais que afirma terem sido descumpridos pelo fornecedor foram a falta da exigência da Declaração nos termos dos Anexos I ou II relativa à apuração de Imposto de Renda com base no Lucro Real e Enquadramento nos dizeres da IN nº 660/06; e a falta da informação na Nota Fiscal de venda com suspensão explicitando tratarse de venda com suspensão de PIS e Cofins. 3) A suspensão prevista no art. 9º da IN 660/2006 era facultativa, tornandose obrigatória apenas com as alterações trazidas pela IN 977, de 14 de dezembro de 2009, com eficácia normativa a partir de 1º de novembro de 2009. Pois, se não fosse esse o entendimento da Receita Federal não haveria razão de existir as inovações trazidas pela tal Instrução, que alterou o artigo 4º da IN n° 660/06. Bem como, por ser um benefício, a suspensão não é automática, e sim condicionada a subsunção a determinadas regras, fixadas na IN 660/2006 e que o não preenchimento dos seus requisitos acaba por inviabilizar a sua aplicação. 4) A Recorrente, também, adquire arroz em casca de Pessoas Jurídicas revendedoras que não atendem aos requisitos previstos Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 36 na Instrução Normativa n° 660/06 operações realizadas com pessoas jurídicas não cerealistas. Nestes casos, efetua crédito integral de PIS e Cofins, pois não caberia outro entendimento e procedimento. No sentido de efetuar a devida comprovação de tal argumento junta ao Recurso Voluntário as notas fiscais correspondentes. 5) Solicita perícia. Vamos à análise da questão aqui posta. Como a própria recorrente reconhece, relativamente ao objeto social13 perseguido pela Recorrente, a Lei 10.925/2004 estabeleceu um tratamento tributário específico atinente às contribuições do PIS e da Cofins, prevendo crédito presumido na aquisição dos insumos (art.8º) e a suspensão da incidência das contribuições sociais ao PIS e da Cofins referente a receita de venda dos produtos que menciona nos seus incisos (Art.9º). O artigo 8º da Lei n 10.925/04 que prevê o crédito presumido, versa: Lei nº 10.925/2004 “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00,07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009)(Vide art. 57 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005); II – pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e 13 A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 28 37 III – pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...).”).(destaquei). Como se constata pela redação do caput (“poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido”), o crédito presumido é uma opção a ser decidida pelo o adquirente dos insumos mencionados sobre os quais estejam submetidos à suspensão. Contudo, tal opção não se dá para a suspensão, quando satisfeitas as condições legais, contidas no art. 9º da mesma lei, que assim prescreve: LEI 10.925/2004 “Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009 )(Vide art. 57 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 ) (Vide arts 2º e 9º da MP nº 609, de 8 de março de 2013) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 1º O disposto neste artigo: ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF.” ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) ).(destaquei). Como se denota, o caput da lei estabelece marco imperativo quando expressamente afirma que “fica suspensa” as contribuições nos casos que especifica e determina no inciso I do seu §1º a condição para que ocorra a suspensão, qual seja, que as vendas sejam efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real. Tratase, pois, de Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 38 uma obrigatoriedade e não faculdade, como defende a recorrente. Quisesse o legislador que se tratasse de opção ou faculdade, teria se utilizado da expressão “poderá suspender”, tal qual o fez no art. 8º acima transcrito, quando deu a opção para o adquirente utilizarse do crédito presumido. É verdade que a lei, em seu §2º, em vista da redação trazida ao texto original pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, estipula que a suspensão darseá nos termos e condições estabelecidos pela, então, Secretaria da Receita Federal – SRF, e que esta assim o fez por meio da edição da Instrução Normativa n° 636, 24 de março de 2006, posteriormente revogada pela Instrução Normativa n° 660, em 17 de julho de 2006. Mas, as Instruções Normativas editadas apenas regulamentam as disposições legais, como norma regulamentar que é, consoante consta do art. 1º das referidas normas, que define o âmbito de Aplicação: “Art.1 º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8 º , 9 º e 15 da Lei n º 10.925, de 2004.” E, foi nesta condição que, referente à suspensão da exigibilidade das contribuições, assim estabeleceu, nos arts. 2º, 3º e 4º da Instrução Normativa n° 660, em 17 de julho de 2006: “Dos produtos vendidos com suspensão Art.2 º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: Ide produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; IIde leite in natura ; IIIde produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IVde produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5 º . §1 º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput , devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. §2 º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão Art.3 º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2 º , alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 29 39 I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º ; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2 º ; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2 º . §1 º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2 º ; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2 º da Lei n º 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. §2º Conforme determinação do inciso II do § 4 º do art. 8º e do §4º do art. 15 da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica cerealista, ou que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura , ou que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do caput , deverão estornar os créditos referentes à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência das contribuições na forma do art. 2º. §3º No caso de algum produto relacionado no art. 2º também ser objeto de redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nas vendas efetuadas à pessoa jurídica de que trata o art. 4º prevalecerá o regime de suspensão, inclusive com a aplicação do § 2º deste artigo. Das condições de aplicação da suspensão Art.4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 40 §1ºPara os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009 ) I a Declaração do Anexo I , no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II , nos demais casos. §2º Aplicase o disposto no §1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial.” Vêse que a instrução, de fato, regulamenta as disposições legais, basicamente repetindo as regras legais, inclusive quanto aos requisitos exigidos para a ocorrência da suspensão e quando explicita alguns termos, tais quais, “cerealistas”, “atividade agropecuária” e “cooperativa de produção agropecuária” e efetuando alguns esclarecimentos operacionais. É de se entender que as disposições contidas nos §2º do art. 2º14 e §§1º e 2º do art. 4º15 da Instrução Normativa 660/2006 vigente à época dos fatos foram estabelecidas como forma de proporcionar melhor controle e operacionalização, mas, não, como regras impeditivas da suspensão prevista em lei. A informação na Nota fiscal acerca da suspensão, tratase, na verdade, de uma obrigação acessória do fornecedor, quando da venda de seus produtos sujeitos à suspensão nos termos da lei. Os requisitos exigidos no art. 4º da referida instrução para a ocorrência da suspensão das contribuições são apenas os relacionados nos incisos I a III do referido artigo16, que são meras repetições da regra legal. 14 INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660, EM 17 DE JULHO DE 2006 Art.2 º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: (...); §2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. 15 INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660, EM 17 DE JULHO DE 2006 Art.4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: (...); §1ºPara os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009 ) I a Declaração do Anexo I , no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II , nos demais casos. §2º Aplicase o disposto no §1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial 16 Art.4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. (...). Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 30 41 E ainda, tal como ressalvado no acórdão recorrido, acrescentese, “a IN SRF nº 660/2006 determina que tal informação deve constar da nota fiscal, entretanto não veda a venda com suspensão caso esta determinação não seja observada.” Inclusive, ressaltese que, inicialmente, sequer havia essa disposição na Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, o que reforça a idéia de que tais dispositivos vieram apenas no sentido de facilitar um controle, de facilitar, também, a operacionalização da regra (obrigatória) da suspensão, quando ocorre a subsunção dos fatos às regras. E, também, é de se entender que a alteração promovida no art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 660/2006 por meio da edição da Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009, ao contrário do que alega a recorrente, não trouxe nenhuma inovação, posto que tal obrigatoriedade já constava na redação original da lei. Podese entender que a alteração na instrução normativa foi efetuada com o propósito de tornar mais clara a redação da obrigatoriedade estabelecida em lei, desde a sua origem, consoante demonstrado, como uma forma de anular ou reduzir a litigiosidade nesses casos, tal como se dá nestes autos, posto ser este um dos objetivos estratégicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Em outra via, mesmo que haja a concordância de que a suspensão tributária das contribuições do PIS e COFINS prevista no art. 9º da Lei n° 10.925, de 2004 tratase de um benefício, consoante alegado pela recorrente, é certo que, havendo a subsunção dos fatos às regras legais, a suspensão se dá de forma obrigatória, por determinação da própria lei, consoante já acima demonstrado. Esta discussão foi trazida recentemente à esta turma, quando do julgamento de caso similar, por meio do Acórdão nº 3302001.916, proferido em 29/01/2013 e cujo voto da relatora Fabíola Cassiano Keramidas foi, neste item de seu voto, acompanhado pela turma, motivo pelo o qual transcrevo a seguir o trecho do voto atinente à questão, adotando e ratificando os fundamentos utilizados pela ilustre relatora, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99: “Créditos Integrais sobre Compras de Milho e Trigo com Suspensão As questões aqui em discussão referemse à situações específicas ocorridas com a Recorrente. A primeira delas referese ao fato de as notas fiscais objeto do crédito integral ora contestado não estarem com o registro da informação do fornecedor de tributação suspensa. Isto é, não se discute aqui se os insumos adquiridos se sujeitam à regra da suspensão, o que resta comprovado pela classificação fiscal do insumo (milho – posição 1005 TIPI e trigo – 1001 TIPI) e pela resposta da circularização realizada com os fornecedores. O assunto em discussão consubstanciase na possibilidade de eximir a Recorrente por ter se aproveitado do crédito integral em virtude de o fornecedor ter descumprido a obrigação acessória de informar a suspensão do PIS e COFINS. A Recorrente traz em seu favor a argumentação de que a obrigação era do fornecedor, sendo que o crédito base só estaria Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 42 obstado nesta hipótese, cita em seu favor a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal – IN/SRF – 660/2006, artigo 2º, §2º, que seria de aplicação obrigatória, a saber: IN/SRF – 660/2006 “Art.2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I – de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II – de leite in natura; III – de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV – de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. §1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. §2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente.” A desobediência do dispositivo supracitado, no entender da Recorrente, eximiria seu procedimento. Defende que “...o ato normativo não confere nenhuma outra alternativa...”, “...se assim não fosse, qual a razão para que o Fisco (SRFB) determinasse essa condição no ato normativo?” e traz para justificar seu entendimento as Soluções de Consulta nº 25 e 50/2008 SRRF 10ª/Disit e 249/2009 da SRRF/9ª Região Fiscal. Com razão a fiscalização. O crédito é concedido e restringido pela lei, as instruções normativas tem apenas a função de complementar e até mesmo tornar efetiva a aplicação das regras legais, sem mencionar os sistemas de controle da própria administração pública. Outro entendimento significaria conceber a possibilidade de Instrução Normativa restringir/ampliar a aplicação dos termos da Lei. Isto porque, neste raciocínio, a IN SRF 660/06 alteraria o direito ao crédito bem como a natureza do crédito aplicável ao insumo, e a mera ausência de registro de “suspenso” seria suficiente para permitir a utilização pelo contribuinte de crédito base, não presumido. Impossível tal interpretação, as normas complementares não tem este condão e é exatamente isso que é a IN 660, uma norma complementar, espécie jurídica de caráter secundário cuja normatividade está diretamente subordinada à lei. Esta função complementar das instruções normativas no sistema tributário está previsto no próprio Código Tributário Nacional CTN, artigo 96, combinado com o inciso I, do artigo 100, a saber: Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 31 43 ‘Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.. ... Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas’ (destaquei) É indiscutível que a Lei determina, expressamente, a função das Instruções Normativas como normas complementares do ordenamento jurídico, devendo ser desta forma consideradas. E, se a Instrução Normativa é norma complementar, significa que não pode inovar o ordenamento jurídico, menos ainda alterar a natureza do crédito aplicável a referido insumo. O crédito é concedido pela Lei e vinculado ao insumo, e as obrigações acessórias neste caso existem, a meu ver, apenas para o controle dos contribuintes envolvidos e da própria fiscalização. Desta forma, correta a fiscalização ao realizar a glosa do crédito básico, definindo o aproveitamento como sendo crédito presumido, em vista da suspensão dos tributos. (...).” Portanto, o relatório fiscal exaustivamente comprovou o preenchimento de todas as condições legais previstas para que se verifique a suspensão das contribuições. E, estando demonstrado pela fiscalização que as vendas do arroz em casca efetuadas à recorrente atendem aos requisitos para a aplicação da suspensão da incidência das contribuições previstas no caput do artigo 9° da Lei 10.925/2004, posto tratarse de vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006, à recorrente caberia, então, optar, ou não, pelo o crédito presumido, mas não caberia utilizarse do crédito básico. Há, no entanto, de forma alternativa, a alegação da recorrente de que teria adquirido arroz em casca, também, de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, que justificaria a dedução do crédito básico. Tal alegação foi efetuada igualmente na peça impugnatória, mas, desprovida da provas que comprovassem suas alegações, tendo o relator do voto recorrido assim se manifestado: “O interessado alegou que teria adquirido arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, sem juntar as correspondentes notas fiscais destas supostas aquisições. As notas juntadas ao processo em sua manifestação se referem a compras efetuadas de cooperativas, ou seja, de acordo com os requisitos para que seja aplicada a suspensão. Desta forma, inexiste razão para qualquer reparo na glosa efetuada pela fiscalização quanto a este item". Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 44 A recorrente, então, em face do que foi decidido pela primeira instância de julgamento sobre essa alegação, consoante fundamentação acima destacada, anexa por amostragem, ao recurso voluntário, algumas notas fiscais, com base nas quais pretende demonstrar tal alegação. Como se vê, tratase de provas preclusas, mas referente à alegações postas na sua manifestação de inconformidade. Não se tratam de novas alegações. É sabido que o PAF utilizase da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil e da Lei n.o 9.784/1999, principalmente, em questões de prova, haja vista a pouca regulação da matéria no Decreto 70.235/72. Pois bem, o artigo 333 do CPC, que trata do ônus da prova, estipula: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...]” Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Conforme bem destaca o Auditor Fiscal Gilson Wessler Michels, em seus comentários e anotações ao Decreto nº 70.235/7217: “Esta formulação foi trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal (parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972: os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”), quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (“Art. 16. A impugnação mencionará : [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.”)”. Por sua vez, a Lei nº 9.784/1999 igualmente traz importante regra em matéria probatória em seu artigo 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.” No caso específico, por se tratar de pedido de ressarcimento, portanto, um suposto direito da contribuinte, a esta caberia carrear aos autos todas as provas de suas alegações no prazo limitado por lei, tendo em conta que a impugnação ou manifestação de inconformidade do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário e seria naquela fase que deveria carrear aos autos as provas de suas alegações. Ressaltandose que provar significa contextualizar elementos relevantes e não somente anexar documentos. E, ainda, que as provas são todas aquelas admitidas em lei, exceto as ilícitas, e cujo interesse de constituílas deveria ser da própria contribuinte, independentemente de exigência legal. Tal ressalva se faz, em face da alegação da contribuinte de que não haveria lei estipulando exigência de a contribuinte solicitar declaração de seus fornecedores (o que lhe foi solicitado pela fiscalização, por meio do Termo de Intimação nº 2) 17 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comentários e Anotações ao Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. Versão 17 Atualizada até 31/Agosto/2011. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 32 45 Nesta questão específica, ora sob análise (crédito atinente às aquisições de arroz em casca), é de se registrar que, já no procedimento de auditoria, a contribuinte, por meio do Termo de Intimação nº 1, foi intimada a: “1. Apresentar cópia das notas fiscais das aquisições de arroz referentes ao período compreendido entre 01 de janeiro de 2004 e 30 de abril de 2008, separadas por pessoa jurídica; 2. Apresentar planilha por pessoa jurídica das aquisições de arroz referentes ao período compreendido entre 01 de janeiro de 2004 e 30 de abril de 2008. Na planilha deve constar o nome da pessoa jurídica, CNPJ, n° da nota fiscal, data da aquisição, produto adquirido, quantidade adquirida, valor da aquisição e totalização mensal das compras.” Não obstante, não se visualiza nos autos, quaisquer manifestação acerca do atendimento dessa intimação. Tampouco, antes da realização da diligência, não se localizava nos autos planilha elaborada pela contribuinte relacionando a aquisição do arroz em casca e identificando os seus fornecedores, nos termos da intimação acima mencionada. Demonstrase, assim, o pouco interesse da contribuinte em apresentar as provas de suas alegações desde o procedimento de auditoria. Apenas, no recurso voluntário, é que apresenta, por amostragem, algumas notas fiscais. A juntada de documentos e provas em momento posterior à impugnação é vedada pelos parágrafos 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, salvo nas hipóteses descritas no parágrafo 4º mencionado18. No caso dos autos, a contribuinte traz em sede de recurso voluntário provas preclusas (Notas fiscais), no sentido de comprovar que alguns de seus fornecedores de arroz em casca não são cerealistas, sem a demonstração de ocorrência de uma das circunstâncias excepcionais. Mas, como relatado, em julgamento anterior, tendo esta relatora sido vencida, decidiuse pela realização de diligência e como resultado da realização da mesma, juntouse aos autos cópias de notas fiscais e planilhas nas quais se identificam nomes e CNPJ dos seus fornecedores. 18 Art. 16. A impugnação mencionará: (...). III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993). (...). § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Todo o parágrafo 4.o incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 46 Mesmo assim, as notas fiscais anexadas, nas quais constam as informações de revenda, não são suficientes, por si só, para atestar de forma contundente quais as atividades desenvolvidas pelos respectivos fornecedores de modo a concluir que os mesmos não são cerealistas, nos termos da lei19. Assim, diante do que foi acima exposto, considero como não comprovadas as alegações da contribuinte nesta questão específica. DA SOLICITAÇÃO DA PERÍCIA Arguindo equívocos praticados pela fiscalização e a necessidade de verificar se os procedimentos adotados pela ora Recorrente estão de acordo com os preceitos legais, bem como de demonstrar a origem e a composição dos créditos de PIS, a recorrente insiste no pedido de perícia, negado pelo Acórdão recorrido. Sem indicar perito, formula os seguintes quesitos: “1. É correto afirmar que o procedimento adotado pela Manifestante, de efetuar crédito integral de PIS e da Cofins sobre as compras de arroz em casca, está de acordo com a legislação vigente? 2. Os fornecedores de arroz em casca emitem nota fiscal sem a expressão: "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", conforme estabelece o art.2°, §2°, IN 660 de 2006?” Os arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235/72 dispõem: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.” (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) “Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso”. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Em respeito aos comandos legais a autoridade de 1ª instância entendeu prescindível a perícia solicitada para a formação de convicção no julgamento, tendo citado a Ementa do Acórdão 10705172, de 16 de julho de 1998, do Primeiro Conselho de Contribuintes que assim se manifestou: "PERÍCIA A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. " 19 Cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2 º da Instrução Normativa n° 660, em 17 de julho de 2006. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 33 47 De fato, constatase que os quesitos formulados não dizem respeito à questões técnicas que exijam a análise de um perito. O quesito 1 depende unicamente de analisar os fatos e constatar a subsunção dos mesmos à regra legal e o quesito 2 pode ser facilmente constatada pela juntada de documentos. Por outro lado, também a recorrente deixou de indicar perito, descumprindo requisito contido no inciso IV do art. 16 do decreto 70.235/7220. Não obstante, como já mencionado acima em diversos momentos, o presente processo pautado para julgamento anterior teve o seu julgamento convertido em diligência, atendendo, de certa forma, o pleito da contribuinte, especificamente o quesito 2. CONCLUSÕES Diante do que foi acima fundamentado, conduzo o meu voto no sentido de indeferir os pedidos de nulidades formulados, reconhecer a perda do objeto nos autos quanto à questão do crédito presumido de ICMS, face a opção pela via judicial e conseqüente renúncia às instâncias administrativa e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É assim que voto. MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora 20 Art. 16. A impugnação mencionará: (...). IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (...). § 1.º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 48 Voto Vencedor CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Tomei vista destes autos para melhor analisar as questões fáticas. Após avaliar as razões trazidas pela contribuinte, bem como a documentação acostada aos autos, ouso divergir do ilustre voto da I. Conselheira relatora em relação ao crédito referente às Notas Fiscais que foram consideradas como referentes a operações com SUSPENSÃO de PIS e COFINS. Conforme constatase dos autos que em relação ao assunto “Nota Fiscal” (i) ocorreram glosas porque não havia nota fiscal; (ii) foram concedidos créditos integrais; (iii) alguns créditos foram considerados como presumidos; (iv) alguns créditos foram negados porque apesar de as mercadorias terem sido vendidas por pessoa jurídica, a nota fiscal referente à venda é de produtor rural e (v) outras glosas decorreram do fato de a fiscalização ter entendido que o produto saiu do estabelecimento vendedor em regime de suspensão, por entender aplicáveis automaticamente as regras de suspensão, independente da existência de registro neste sentido na nota fiscal. Especificamente, discutese, no que se refere aos créditos glosados as seguintes hipóteses: (a) notas inexistentes; (b) notas que tem o registro de suspensão e tem a declaração de suspensão; (c) notas de pessoas jurídicas que foram emitidas na forma de “produtor rural”; (d) Notas que não tem anotação nenhuma e não tem declaração. Divirjo da I. Relatora em relação aos itens (c) e (d) para os quais reconheço o direito ao crédito da contribuinte. A questão é que discordo do entendimento de que o comprador do produto tem a obrigação de conhecer e buscar informações acerca dos quesitos que tornam a operação comercial suspensa, especialmente quando o vendedor tem a obrigação de informar esta condição na Nota Fiscal. A fiscalização não pode transferir o seu dever de fiscalizar para o contribuinte, a responsabilidade deste procedimento é do agente Fiscal. Este Colegiado já decidiu neste sentido (processo administrativo 11686.000021/200926) em que analisamos a concessão de crédito em operações de venda de leite in natura. Para melhor compreensão do entendimento acima apresentado, cito o brilhante voto do Presidente desta Turma naquela oportunidade, a saber: “A empresa recorrente está pleiteando o reconhecimento do crédito da Cofins não cumulativa relativo as despesas incorridas com o agenciamento de leite junto a fornecedores seus, com a representação comercial de seus produtos e, também, sobre as despesas de depreciação de móveis, utensílios, veículos e de bens do ativo permanente adquiridos até 30/04/2004. Também pretende a recorrente ver reconhecido o direito de calcular os créditos nas aquisições de leite in natura, realizada junto a pessoas jurídicas, na forma prevista no art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, consequentemente, ver reconhecido o direito ao seu ressarcimento. Sobre esta última matéria, a Fiscalização efetuou a glosa dos créditos com base em declaração prestada pelos fornecedores de leite in natura de que a venda realizada à recorrente foi com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 34 49 Independente do argumento da recorrente de que não é uma empresa agroindustrial, a que se refere o art. 6º da IN SRF nº 660/06, é fato que a empresa vendedora de leite in natura, para dar saída ao mesmo com suspensão da exigibilidade de PIS e de Cofins, deveria adotar duas providências, quais sejam: (i) exigir e receber de seu cliente a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06; e (ii) consignar na nota fiscal de venda que a mesma está sendo realizada com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins, conforme determina o art. 2º da mesma IN SRF. No caso sob exame, a Fiscalização não procurou verificar se as compras de leite in natura realizadas pela recorrente obedeceram às condições acima. A única medida tomada pela Fiscalização, para comprovar que as compras foram realizadas com exigibilidade suspensa, foi colher de alguns fornecedores de leite in natura uma declaração de que as vendas foram efetuadas com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Portanto, a prova trazida pela Fiscalização não é suficiente para afirmarse, com convicção, que as compras de leite in natura realizadas pela recorrente junto a pessoas jurídicas foram com suspensão de exigibilidade do PIS e da Cofins e, portanto, o crédito a que tem direito é o previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04 (crédito presumido) e, em assim sendo, não pode ser objeto de ressarcimento ou de compensação por falta de previsão legal. Por outro lado, também a recorrente não provou suas alegações de que as aquisições de leite in natura foram realizadas sem a suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins e que nas notas fiscais de aquisição não constam a informação a que se refere o art. 2º da IN SRF nº 660/06. Baixado em diligência, a empresa recorrente juntou cópia das notas fiscais de aquisição de lei in natura e informou que, para as empresas cujos créditos foram glosados, não forneceu a declaração a que se refere o Anexo I da IN SRF nº 660/06. Não há nenhuma dúvida de que nas operações de aquisição de leite in natura realizadas pela recorrente, objeto da glosa, ocorreu um delito tributário. No entanto, está provado que a recorrente não o praticou. Ela recorrente não entregou a seus fornecedores de leite in natura a declaração a que se refere o Anexo I da IN SRF nº 660/06. No entanto, seus fornecedores de leite in natura declararam à RFB que deram saída no leite in natura com suspensão do PIS e da Cofins sem, contudo, consignar tal fato na nota fiscal de venda e também não apresentaram declaração a que se refere o Anexo I da IN SRF nº 660/06, desrespeitando o disposto nos arts. 2º e 4º da IN SRF nº 660/06, abaixo reproduzidos. Art.2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 50 Ide produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; IIde leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IVde produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. §1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. §2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. [...]Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: Iapurar o imposto de renda com base no lucro real; IIexercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e IIIutilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. §1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: Ia Declaração do Anexo I, no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou IIa Declaração do Anexo II, nos demais casos. §2º Aplicase o disposto no § 1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial. Em razão da improcedência da glosa relatada no item 3 Aquisição de Leite “in natura” cujos fornecedores utilizaramse do benefício da suspensão da contribuição para a Cofins da INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 121/133, tem a recorrente o direito ao ressarcimento do crédito da Cofins abaixo demonstrado. (...)” Desta forma, abro a divergência para o fim de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apresentado pela Recorrente para conceder o crédito relativo às Notas Fiscais (c) de pessoas jurídicas que foram emitidas na forma de “produtor rural”; (d) que não possuem anotação nenhuma e não tem declaração de suspensão. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000075/200819 Acórdão n.º 3302002.786 S3C3T2 Fl. 35 51 É como penso, é como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11065.101359/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Jul 08 00:00:00 UTC 2001
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PIS/PASEP e COFINS. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE DIREITOS DO ICMS.
A receita decorrente de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação deixou de integrar a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS somente a partir de 1º de janeiro de 2009.
PIS/PASEP e COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. COMERCIAL EXPORTADORA.
O artigo 6°, § 4°, da Lei n° 10.833/2003 veda expressamente o aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de mercadorias por empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.107
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Álvaro Almeida Filho, que davam provimento parcial para excluir da base de cálculo os ingressos decorrentes da cessão de créditos do ICMS.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE DIREITOS DO ICMS. A receita decorrente de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação deixou de integrar a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS somente a partir de 1º de janeiro de 2009. PIS/PASEP e COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. COMERCIAL EXPORTADORA. O artigo 6°, § 4°, da Lei n° 10.833/2003 veda expressamente o aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de mercadorias por empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Álvaro Almeida Filho, que davam provimento parcial para excluir da base de cálculo os ingressos decorrentes da cessão de créditos do ICMS. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 08/07/2011 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho de Decisório proferido pela DRF Nova Hamburgo que glosou parcialmente o direito creditório relativo ao Cofins não cumulativo e homologou as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. De acordo com o Relatório de Verificação Fiscal foram apuradas duas irregularidades na escrituração da empresa que resultaram na glosa efetuada. A primeira referese a falta de inclusão na base de cálculo do Cofins não cumulativo de créditos de ICMS cedidos e/ou transferidos a terceiros. A segunda diz respeito ao cálculo de créditos sobre aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. A interessada adquiriu da empresa MR Couros Indústria e Comércio LTDA., situada no estado do Maranhão, "couros bovinos curtidos ao cromo, tipo wet blue", constando das notas fiscais (fls.48, 50 e 52) a informação de remessa com fim específico de exportação (campo informações complementares) e ainda o código CFOP 6118 (venda para exportação). As mercadorias foram entregues diretamente para CMA CGM do Brasil Agência Marítima LTDA, situada na cidade de Belém do Pará, e exportada por meio do porto situado nessa cidade. A interessada insurgese contra a inclusão na base de cálculo do PIS não cumulativo de receitas referentes a cessão e/ou transferência de créditos de ICMS, por entender que tais valores não se enquadrariam no conceito de receita estabelecido pela Lei n° 10.637/2002. Discorda também da glosa dos créditos referente às compras de mercadorias com fim específico de exportação, defendendo o direito ao creditamento, uma vez que não preencheria os requisitos estabelecidos pela legislação (Decretolei n° 1.248/1972) para ser considerada uma empresa comercial exportadora. Acredita que se não houve o recolhimento da contribuição devida pela empresa vendedora (MR Couros Indústria e Comércio LTDA) esse deveria ser cobrado daquela empresa. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a edição dos arts.7°, 8º e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. COMERCIAL EXPORTADORA. São empresas que têm como objetivo social a comercialização, podendo adquirir produtos fabricados por terceiros para revenda no mercado interno ou destinálos à exportação, assim como importar mercadorias e efetuar sua Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.101359/200740 Acórdão n.º 3102001.107 S3C1T2 Fl. 2 3 comercialização no mercado doméstico, ou seja, atividades tipicamente de uma empresa comercial. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 01 de fevereiro de 2004, é vedado às empresas comerciais exportadoras aproveitar os créditos relativos aos insumos adquiridos para fins de exportação, conforme se verifica na disposição constante do art. 6°, § 4° da Lei n° 10.833/2003. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Repete não estar constituída como uma trading company. Aduz que muitas vezes efetua a remessa de bens através de operações triangulares, onde o beneficiador faz a remessa diretamente para o embarque e desembaraço aduaneiro e que, por estas razões a recorrente não teria “como informar ao fornecedor o número de seu cadastro na DECEX, fato este indispensável para que o mesmo enquadrasse sua venda como sendo “à empresa comercial exportadora” ”. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Há duas questões que precisam ser enfrentadas. A primeira diz respeito à inclusão da receita decorrente da cessão de créditos do ICMS na base de cálculo dos tributos, e a segunda referese ao creditamento nas aquisições realizadas com o fim específico de exportação. Entendo que não assiste razão à recorrente no que se refere à exclusão da receita oriunda da cessão de créditos do ICMS na base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS. Em primeiro lugar, porque a disposições legais contidas nas Leis 10.833/03 e 10.637/02 são taxativas em determinar que toda receita, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, integram a base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, excluindo, em caráter exaustivo, aquelas que não se enquadram neste conceito, se não vejamos. Lei 10.833/03 Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 § 1 º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2 º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3 º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. Lei 10.637/02 DA COBRANÇA NÃOCUMULATIVA DO PIS E DO PASEP Art. 1 º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1 º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2 º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3 º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; V referentes a: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.101359/200740 Acórdão n.º 3102001.107 S3C1T2 Fl. 3 5 a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Por outro lado, foi a Lei 11.945/09, que veio trazer nova regulamentação à matéria, excluindo textualmente da base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação; contudo, cuidou também de disciplinar os efeitos dessa modificação, nos seguintes termos. Lei 11.945/09 Art. 16. Os arts. 1o, 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o .................................................................................. ............................................................................................. § 3o ...................................................................................... ............................................................................................. VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (NR) (...) Art. 17. Os arts. 1o, 2o, 3o, 10, 58J e 58O da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o ................................................................................. .............................................................................................. § 3o ...................................................................................... ............................................................................................. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (NR) Fl. 175DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 (...) Art. 33. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1o de janeiro de 2009, em relação ao disposto: (...) c) no art. 16, relativamente ao inciso VII do § 3o do art. 1o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; d) no art. 17, relativamente ao inciso VI do § 3o do art. 1o e ao art. 58J da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) Resta, portanto, incontroversa a intenção do legislador em excluir da base de cálculo as receitas sub examine apenas para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro do ano de 2009. A contrário senso, até então elas integraram a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, o que se aplica ao presente caso. Resolvido isso, ocupome da questão atinente ao aproveitamento de crédito nas aquisições realizadas com o fim específico de exportação. Desde logo, rejeito as argumentações baseadas na descaracterização da empresa da condição de uma trading company. Todas as considerações trazidas aos autos em primeira instância são por demais esclarecedoras e não foram objetadas de maneira consistente pela recorrente, que limitouse apenas a repetir, sem nada acrescentar, que não é uma trading company. Inobstante, como fica claro no voto condutor da decisão recorrida, que adoto in totum neste particular, não é necessário que seja. Ainda mais, tratase de uma controvérsia que parece também poder ser resolvida pela leitura do teor do artigo 6º da Lei 10.833/03. Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.101359/200740 Acórdão n.º 3102001.107 S3C1T2 Fl. 4 7 § 3º O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. (grifos meus) Finalmente, o argumento de que há ocorrência de operações triangulares, onde o beneficiador faz a remessa diretamente para o embarque e desembaraço aduaneiro e que a recorrente não teria como informar ao fornecedor o número de seu cadastro na DECEX, descaracterizando a operação como sendo de uma comercial exportadora, não foram de maneira nenhuma comprovadas. Conforme consta do relatório de fiscalização, a autoridade fiscal foi zelosa na formação de juízo a respeito do assunto, se não vejamos. Constatamos, mediante análise da memória de cálculo fornecida e declaração apresentada pelo contribuinte, que o mesmo incluiu na base de cálculo dos créditos de COFINS aquisições de mercadorias recebidas com fim especifico de exportação. Essas compras não estiveram sujeitas ao pagamento das contribuições pelo respectivo fornecedor, não gerando direito a crédito para a exportadora adquirente. O contribuinte realizou diversas aquisições de "couros bovinos curtidos ao cromo, tipo wet blue", da empresa MR COUROS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., CNPJ 04.030.554/000192, situada em Governador Edison Lobão, no Estado do Maranhão, as quais foram classificadas pela vendedora no CFOP 6118, como "Venda para Exportação". No corpo das Notas Fiscais destas operações consta a seguinte observação: "Mercadoria a ser entregue na CMA CGM do Brasil Agência Maritima Ltda., Sito à Av. Marechal Hermes, 397 — Umarisal, Belém — PA". Os couros adquiridos nessas operações foram exportados pelo contribuinte, classificados no CFOP 7501, como "Exportação de mercadorias recebidas para o fim especifico de exportação". Importante salientar que todas estas exportações foram embarcadas no porto de Belém — PA. Cabe lembrar aqui que o contribuinte está localizado em Novo Hamburgo — RS e as suas exportações de produtos por ele industrializados no período foram embarcadas no porto de Rio Grande — RS. Na planilha anexa, relacionamos as aquisições com fim específico de exportação realizadas no período, bem como as respectivas exportações de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação, estabelecendo uma relação entre as Notas Fiscais de compra e as Notas Fiscais de exportação, através da quantidade, em pés quadrados (P2). Nela, podese ver que a mesma quantidade de couros recebida é imediatamente exportada, lembrando que tanto o recebimento quanto o embarque dos couros para o exterior são feitos em Belém — PA. Ou seja, diante de tais evidências, fica claro que trataramse, de fato, de exportações de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação. Por todo o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 08 de julho de 2001. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001795/2002-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO BÁSICO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Há direito ao crédito de IPI nas aquisições de matérias primas. produtos
intermediários e material de embalagem aplicados em produtos cuja saida
ocorra com aliquota zero. Súmula n° 16 do CARF.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.082
Decisão: Acordam os membros do colegiado. por unanimidade de votos. cm dar
provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros José, Fernandes do Nascimento e Luis Marcelo Guerra de Castro acompanharam o Relator pelas conclusões. O Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro fará declaração de voto.
Nome do relator: Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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Recorrida DIU RIBEIRÃO PRETO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - 111 Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO BÁSICO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Há direito ao crédito de IPI nas aquisições de matérias primas. produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos cuja saida ocorra com aliquota zero. Súmula n° 16 do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado. por unanimidade de votos. cm dar provimento ao recurso,..iiios termos do relatorio e voto que integram o presente julLtado. Os Conselheiros Jose, Fernandes do Nascimento e Luis Marcelo Guerra de Castro acompanharam o Relator pelas conclusões. O Conselheiro Luis Marcelo Guerra dc Castro rani declaração de voto. R JART LO ROSA - Presidente em exercício ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator. EDITADO EM: 24/02/2015 Participaram da sessão dc julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma). Nanei Gama. Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ricardo Paulo Rosa, Alvaro Almeida Filho e Jose Fernandes do Nascimento. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Relatório Trata-se de recurso voluntário corn o objetivo de reformar o acórdão n°. 14- .'8. 1 96- 1" Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: "A empresa acima identificctda peticionou ressarc imento de saldo credor do IPI com fimdamento no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e Instrução Normativa - IN/SRF n° 33, de 1999, no montante tie RS 78.114,02. A Delegacia da Receita Federal - DRF - em Curitiba indeferiu o ressarcimento, alegando que para ter o direito ao ressarcimento cio IPI é preciso que o contribuinte cumpra C0171 as obrigações acessórias estabelecidas pela SRF, ou seja, a escrituração completa dos setts livros fiscais, emissão cie nota fiscal modelo I ou 1A, na venda de seus produtos, além do preenchimento das fichas do IPI constantes das DIPJ dos períodos a que se referir. Sendo assim, o fundamento para o indeferimento do pleito ibi o descumprimento das obrigações acessórias fundamentais, o que impossibilitou a análise cio pleito. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou mcmifestação de inconformidade, na qual, alegou, em res111110, o que se segue: 1. A contribuinte cumpriu todas as obrigações acessórias que lhe eram possíveis cumprir, frente Os características especiais cie sua ativiciade operacional, que está volictda. em essência, para a editoração, impressão e comercialização de um jornal, de circulação diária, na cidade de Curitiba (Arno/ Gazeta do Povo), com publicidade; 2. Por disposição constitucional, o jornal é innate a impostos (art. 150. VI, O. No entanto, ent relação ao IPJ, a mkt legislação de regência, o considera como produto inclustrializado, considercindo a atividade da C011iribUillie conto uma operação cie transfbrnictção e enquacirando o produto finctl yornal cie circulação diária e com publicidade) na TIPI, no código 4902.10.00, ex. 01, a aliquota zero por cento. Situação lática reconhecida pela própria autoridade achninistrcniva no seu despacho decisório; 3. Importante se considerar que frente ao ICMS as operações com jornais são inehMlleiC1 do i1111)0,S10 estadual, não sendo a empresa contribuinte do ICMS e não está obrigacia à inscrição estadual e ao cumprimento das obrigações acessórias estaductis, como emitir notct razão pelct qua! documenta Silas' operações comerciais coin a emissão cie nota fiscal cie serviços: 4. 0 despacho decisório vai alént do exigido pela regulcunentação própria e impõe o clever da contribuinte emt manier escrituração completa do IPI, emissão cie nota fiscal e preenchimento das fichas de IPI nas DiPJ. Esses 100 são 2 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n' 10980.001795 120(12-19 S3-C1T2 Acórddo n. 3102-002.082 H. 3 requisitos exigidos para o aprovenamento do crédito do artigo 1/. da Lei n° 9.779/99-mesmo porque as hipóteses de produtos isentos Olt 1111)111(00S 0 (111(11101(1 2.7e1 .0 são especiais, que não permitem o cumprimento rigoroso, por park, do coniribuink, de todas as obrigaçães acessórias previstas na legislação pant os contribunites cm geral. 5. A rigor, o produto final da atividade da contribuinte- jornal-é beneficiado pela imunidade tribukiria, embora ci legislação cio IPI o considere como produto tributado, sujeito a ctliquoto zero. e. mesmo que se considere o produto Mimic, . o pedido de ressarcimento dos créditos de WI é valido e independe de qualquer obrigação acessória, em função da autorização contida 110 (1/ligo 4 0 da IN 33/99." Após analisar a manifestação de inconformidade da Contribuinte. decidiu a DRJ por manter o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressareimento , nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IA1POSTO SOBRE PROD (1705 INDUSTRIALIZADOS - JPJ Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO. FABRICAC/TO DE PRODUTOS N110 TRIBUTA DOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art 11 da Lei n° 9.779, cie 1999, do saldo erector de 11'1 decorrente do aquisição de mcnéricts-prinuts, produtos imermediarios e materiais de embalagem cplicodos na industrialização de produtos, isentos ou tributados a aliquota zero. não alcança os instmws empregados ent mercadorias não-tributadas (N/7) pelo imposto. AIanifeSiacCio de Inconformidade hiprocedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário a contribuinte inicialmente apresenta uma síntese do acórdão recorrido, e a partir dela tece suas razões recursais. Vejamos. 0 primeiro ponto alçado a debate versa sobre a -EXTENSO DO AO RESSARCIMENTO AS HIPÓTESES DE IMUNIDADE-. O recorrente alega que "sob a perspectiva normativa traçada pela Lei n°. 9.779/99 e - pela IN n°. 33/99 é de ser reconhecido o direito de a Recorrente ter ressarcidos os créditos de 11'1 oriundos da aquiskao de insumos aplicados em produto ¡Milne (10111(10.... ao sustentar que: O art. 11 da Lei 9.779/99 assegura o direito à manutenção e utilização dos cráditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos aplicados no process° de industrialização de produtos. inclusive isentos c tributados à aliquota zero. os quais poderão ser aproveitados para a compensação com outros tributos federais, de acordo corn as regras próprias: a) ao contrário do que está estabelecido na decisão recorrida , a legislação em referacia - Lei 9.779/99- não faz nenhuma menção ou distinção entre Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA créditos básicos ou incentivados e não restringe a possibilidade de aproveitamento nas saídas não tributadas; b) a norma do art. 11, da Lei no. 9.779/99, conferiu , conforme reconhecido pela jurisprudência, um beneficio fiscal que, como tal, nos termos do art. 11. do Código Tributário Nacional, deve ser interpretado literalmente; c) Posteriormente, com a edição da IN n° 33/99, a qual, como ponderou o julgador a quo, devidamente regulamentou o texto legal - a própria Administração Tributária Federal reconheceu a amplitude do contido na Lei n° 9.779/99, passando a prever, expressamente, que o bene fi cio fiscal também se aplica, a partir de 1° de janeiro de 1999, a créditos oriundos da aquisição de MP, PI e ME aplicados em produtos industrializados, "inclusive imunes, isentos ou tributados A. aliquota zero"; d) não procede a interpretação restritiva da norma contida no art. 4°, da IN n°. 33/99, e na própria Lei n° 9.779/99, levada a efeito pela DRJ, já que a referida Instrução Normativa teve por finalidade regulamentar o texto da Lei n° 9.779/99 que, como bem observa o próprio Julgador, trata de nova hipótese de aproveitamento de créditos do IPI, nada tendo a ver com os "créditos incentivados" decorrentes de operações de exportação; e e) tanto do ponto de vista do teor do art. 11, da Lei n° 9.779/99, como do art. 4°, da IN n° 33/99, a partir de uma interpretação literal, conclui-se que o direito A. manutenção e ressarcimento dos créditos oriundos da aquisição de MP. PI e ME é - sim - aplicável na hipótese de industrialização e saídas de produtos imunes, sob pena de afronta ao principio da legalidade. O segundo ponto posto em debate diz respeito aos "ASPECTOS PARTICULARES QUE ENVOLVEM 0 PRODUTO: 0 TRATAMENTO DADO PELA TIPI AOS JORNAIS ", oportunidade em que o recorrente alega que: a) diante da legislação em vigor, notadamente da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, o jornal "Gazeta do Povo", produzido e comercializado pela Recorrente, classifica-se na posição 4902.10.00 — Ex 01, e, como tal, se caracteriza como sujeito aliquota zero; b) Não se trata, contudo, de a Recorrente querer, ora tratar o seu produto como imune, ora como tributado, já que a própria TIPI definiu o produto como sujeito A. aliquota zero. c) 0 direito ao aproveitamento e ressarcimento dos créditos de WI. decorrentes da aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização do jornal, encontra fundamento na própria Tabela do WI, em consonância, com o art. 11, da Lei n° 9.779/99 e da IN n°. 33/99." O terceiro ponto posto em tela trata do "CUMPRIMENTO DOS DEVERES ACESSÓRIOS IMPOSTOS PELA LEGISLAÇÃO", o recorrente alega que, a obrigação acessória determinada pela IN n°. 33/99 se refere ao registro na escrita fiscal dos créditos de I PI relativos a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem empregados nos produtos industrializados (no caso, exclusivamente, jornais). Nesse ponto, enfatiza-se que tal dever foi devidamente cumprido pela Recorrente, ao escriturar o Livro de Registro de Entradas. con forme cópias que constam dos autos, tendo lançado as aquisições em questão (...) resta demonstrado o cumprimento da única obrigação acessória exigida pela regulamentação 4 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo rt" 10980.001795/2002-19 S3-C1 . 1 . 2 AcórclAo n." 3102-002.082 11 1 própria e especifica do artigo 11, da Lei n° 9.779 qual seja, o registro em escrita fiscal dos créditos de WI. Por fim, solicita a reforma do Acórdão rebatido, bem como o deferimento do Pedido de Ressarcimento de créditos de IPI, fundamentado no artigo 11. da Lei n° 9.779/99 e a consequente homologação da compensação pretendida às fls. 20. É o relatório. Voto Conselheiro Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. De acordo com relato acima, vê-se que recorrente com fundamento no art. 11 da Lei n° 9.779/99 e na IN/SRF n° 33/99 requereu o ressarcimento de IPI no montante de R$ 78.114,02(setenta e oito mil, cento e quatorze reais e dois centavos). Inicialmente a Delegacia da Receita Federal em Curitiba indeferiu o pleito sob o argumento de descumprimento de obrigações acessórias. em seguida após a manifestação de inconformidade a 2" Turma da DRJ/POR manteve a glosa ao demonstrar que o saldo credor de IPI oriundo de MP, PI e ME não alcançariam os insumos utilizados em produtos não tributados, ao observar que o produto produzido é o jornal. Ora, uma das características do IPI é a sujeição ao principio da não cumulatividade, compreendida nos termos do inciso II § 3° do art. 153 da CF scrci compensando-se o ijitetor devido eni coda opera(ao com o momaiiie cobrado Has witeriores -, assim cada incidência do imposto determina o surgimento de unia relação de crédito, em favor do contribuinte. Ora, as normas infraconstitucionais não podem restringir ou afastar o alcance da não-cumalatividade, sendo assim a cada incidência do IPI surL:e unia relação crédito em favor do contribuinte. Ao discorrer sobre o direito à compensação do IPI o professor F.duardo Domingos Bottallo. assim leciona: E. coin efeito, parece-nos correto afil'IllUr que, para haver CI conpensação, basta que a operaçao meradora de crédito tenha ocorrido no âmbito das normas que dispõem sobre a instituiçlio e cobrança do IP!, ainda que estas niio contemplem, para o caso concreto, a incidência do tributo. Vale registrar que não se irata de "criar", por wero expecliente interpretaiivo, 11111 direito de erc;dito coin atributo insito il não- cumulatividade do IIT a regra c'? o (lIrelic) ao crédito: a exceção - .. que lui de ser eApliella sua nega cão. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA O sistema de compensação, que, reafirme-se, constitui o cerne do princiPio cla não cumulatividade do IPI, não esta limitado pela proveniência ou origem dos componentes(matérias-primas e demais insumos) que irão concorrer para labricação do produto final. Para dar-lhe curso, é suficiente, como demonstrado, a existência de operações anteriores, jú que, destas irão resultar créditos a serem apropriados. Temos, pois, que a Constituição confere, ao contribuinte, o direito de abater, do montante de IPI a pagar, o quantum devido (ou que seria ckvido), a este !hullo, por outros contribuintes que lhe forneceram mercadorias e demais insumos. 1 0 art. 49 do Código Tributário Nacional ao dispor sobre a não cumulatividade e apresentar as diretrizes a serem seguidas pela lei estabelece que o 11'1 "é não- C111111IlatiVO, dispondo a lei de forma que o montante devido resuhe da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados." Sob este prisma, percebe-se que Constituição bem como o CTN conferem ao contribuinte, o direito de deduzir, do montante de 11'1 a pagar, o quantum devido por outros contribuintes que lhe forneceram mercadorias e insumos. Sob esse prisma, é oportuno observar a norma do art. 11 da lei n° 9.779/99, a qual fundamenta o pedido da recorrente: Art. 11. 0 saldo credor do Imposto sobre Produtos hichistrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendario, decorrente de aquisição de matéria-prinia, produto interniediario e material embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto) isento ou tributado a aliquota zero, que o contribuinte 100 puder compensar coin o 11'1 devido na saída de outros produtos, poderá ser will:ado de conformidade coin o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei 11' 9.430, cie 27 de dezembro de 1996, observackts 1701711aS expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Nos termos da norma acima, vê-se que o contribuinte tem direito ao crédito dos insumos adquiridos para emprego na industrialização, inclusive de produto isento, de aliquota zero ou imune, podendo pedir ressarcimento do saldo credor, no término de cada trimestre civil, atendendo assim o principio da não cumulatividade. Acontece que, a decisão recorrida, entendeu que "O.SiOrnalS, C01110 o editado pela empresct (que veiculam noticias, mesmo que contenham propagandas), estilo classificados no capitulo no capitulo 49„segilo X da TIPI sob o código 4902.10.00, cuja "aliquota" correspondente é "NT"... Assim como a norma não estabelece que os produto NT dab direito ao aproveitamento de crédito dos insumos neles utilizados, matéria inclusive sumulada no CART através da súmula n° 13, a DRJ, ao entender o caso dos autos corresponderia a produtos "NT- , por se tratar de pedido de ressarcimento decorrente da fabricação de jornais, indeferiu o pedido de ressarcimento. Desta forma, resta então analisar qual a classificação do jornal produzido pela recorrente de acordo com a TIPI. I I3OTTALLO, Eduardo Domingo. IPI: princípios e estrutura. So Paulo: Dialética, 2009. P. 38 6 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 10980.001795/2002-19 53-C I 12 Acórao n." 3102-002.082 1 I. 5 A posição 49.02 da TIPI (Decreto no 2.092/96) compreende os jornais e publicações, impressos, ilustrados e com publicidade, já a subposição 4902.10.00 define que Os jornais que tenham no mínimo 04(quatro) publicações por semana Sao classificados como "NT". excetuando aqueles que possuem publicidade , o quais passam a ser aliquota zero. Vejamos: 49.02 Jornais e publicagdies periódicas, impressos, mesmo ilustrados ou que contenham publicidade. 4902.10.00 - Que se publiquem pelo menos quatro vezes por semana NT Ex 01 - Com publicidade 0 Para dirimir qualquer controvérsia sobre a periodicidade e se há veiculação de publicidade no jornal da recorrente, basta observar o item 6 do relatório da decisão que analisou a manifestação de inconformidade(11s.60): 6. Na análíre da documentação apresentada verilicamos que 0 estabelecimento se enquadra co ow industrial, pois executa, de acordo CO/I/O o artigo 40 do Decreto n° 4.544, de 26112/02 — RIPP2002 que revogou o Decreto n° 2.637 de 25/06/98 — RIP1/98, então vigente, uma operação de traasfOrmação, conforme o descrito a seguir: Adquire os seguintes illS111110S: - MalC311C1 —prima papel para impressão de jornal - Produtos intermediários — c/c/pc/s. reveladores. filmes, limas. etc - Material de En/halogen,— sacos plásticos. etc. De acordo com declaração dct interessctda de fls.25/26, inclustrializa produto jornal, que se enquadra na TIPI aprovada pelo Decreto n° 2.092. de 10/12/1996, vigente tio período, no código 4902.10.00„sujello aliquot(' zero. Ora, não existindo dúvidas de que os jornais comercializados pela recorrente possuem tiragem diária e publicidade, esse deve ser classificado na exceção da subposição 4902.10.00, a qual estabelece aliquota zero. Portanto , deve ser apurado o crédito da recorrente. com fundament() da súmula 16 do C ARF: Stimula CARP n" 16: 0 direito (10 aprovebamento das cr&fitas de 11'1 decorrentes cia aquisição (le matc;rias-primas, produtos intermediárias e inctierial cie embalagem utilizados Oct fitbricação dc produtos cult, stilt ia seja com isenção ou aliquow fero, nos termos cio art. 11 da Lei n" 9.779. de 1999, alcança, exclusivamente, os laminas recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de I" de fallen.° de 1 999. Por todo exposto dou parcial provimento ao recurso voluntário para a fastar o óbice à fruição do ressarcimento de crédito básico de IPI em face da saída de produtos tributário a aliquota zero, devolvendo os autos ao órgão julgador para apreciar os créditos pretendidos. Sala de sessões 22 de outubro de 2013. Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho - Relator 7 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA
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Numero do processo: 10111.000018/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o juglamento em diligência , nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o juglamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos farmacêuticos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/14 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação), da multa de 75% prevista no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .0 00 01 8/ 20 07 -9 2 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/05/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000018/200792 Resolução nº 3201000.516 S3C2T1 Fl. 94 2 art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 74.212,08 (setenta e quatro mil, duzentos e doze reais e oito centavos). Informa o relatório fiscal, fls. 04/06, que o importador, por meio da declaração de importação de número 06/13184739, de 31/10/2006, procedeu a importação do produto identificado como Levofloxacino Hemiidratado, requerendo a redução a zero das alíquotas de PIS/PASEP Importação e Cofins Importação, com base no art. 1o, inciso I, do Decreto 5.821, de 28 de junho de 2006. Prossegue o relatório fiscal, com o entendimento de que a hidratação do produto é um fator considerado pelo Decreto, vez que em seu Anexo I detalha, para outras substâncias, como a Cefalexina, aquelas para as quais a redução também deveria ser aplicada à sua forma hidratada, o que não o fez no caso do Levofloxacino. Para salientar o exposto, anexou Relatório Técnico emitido pelo Sr. Railson Oliveira Motta, perito químico regularmente credenciado pela Secretaria da Receita Federal, fl. 26, que conclui que os dois produtos são distintos, uma vez que apresentam CAS (número de registro único no banco de dados do Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society), fórmula geral, peso molecular e ponto de fusão diferentes. Conclui considerando que se o legislador tivesse a intenção de estender o beneficio ao Levofloxacino, o teria relacionado expressamente no Anexo I do Decreto 5.821/2006, como o fez com os demais produtos em que a forma hidratada recebeu o direito ao beneficio. Da impugnação Cientificado do Auto de Infração em 15/01/2007, o interessado interpôs impugnação em 24/01/2007, na qual alega que: o produto importado, licenciado e despachado é o Levofloxacino, na forma hemiidrato de n° CAS 100986.85.4 exatamente como descrito no Relatório Técnico e de denominação levofloxacino hemiidratado. o produto constante do n° 1311 do Anexo I do Decreto n° 5821/06 é o Levofloxacino que foi submetido ao despacho. não é possível que o Decreto 5.821/06 que contemplou com zero as importações de produtos químicos classificados no capitulo 29 da NCM e constantes no Anexo I venha a conflitar com a IN 657/06 que a Secretaria da Receita Federal fez publicar para estabelecer medidas de controle à importação e comércio de produtos submetidos a NVE – Nomenclatura de Valor Aduaneiro. em resumo, o produto LEVOFLOXACINO de qualidade e pureza farmacêutica, identificado pelo registro CAS 100986.85.4, de denominação comercial "Levofloxacino hemiidratado", assim confirmado pelo Sr. Técnico certificante como produto técnico/comercial levofloxacino hemiidratado CAS 100986.85.4 e conforme constante do NVE 0006 — 100986.85.4 — Levofloxacino, é o mesmo Levofloxacino do n° 1311, para redução a ZERO das Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/05/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000018/200792 Resolução nº 3201000.516 S3C2T1 Fl. 95 3 contribuições para Pis/Cofins, de que trata o Anexo I do Decr. n° 5821/06. Por fim, requer que seja reconhecida a insubsistência da autuação. Do Despacho DRJ/Fortaleza n° 08/2012 Da análise dos autos, observouse que o signatário da peça de impugnação, fls. 28/30, não estava identificado como representante legal do sujeito passivo para os fins pretendidos, já que o instrumento procuratório de fl.42 atribuía poderes específicos, ao signatário da petição, no intuito de representar a autuada perante a Alfândega no Aeroporto Internacional de Brasília – Distrito Federal – e em todas as Unidades Aduaneiras da Secretaria da Receita Federal na 1a Região Fiscal , no entanto, entre os poderes outorgados não se incluía a representação da autuada como impugnante em processos administrativos fiscais. Tal constatação deu ensejo ao Despacho n° 08/2012, exarado por esta 5a turma da DRJ/Fortaleza, fls.48/50, através do qual solicitouse intimação ao contribuinte com o intuito de apresentar documentos que saneassem a irregularidade de representação. Assim, após ciência em 12/12/2012, foram apresentados os documentos das folhas 52/53, em resposta ao mencionado despacho, com a indicação de poderes ao signatário da impugnação original para representar o sujeito passivo nas atividades constantes do Decreto 70.235/72. A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do Fato Gerador: 31/10/2006 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. LEVOFLOXACINO HEMIIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. O produto Levofloxacino Hemiidratado não foi elencado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006, por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins Importação e Pis/PasepImportação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que o legislador, “ao omitir a hidratação para alguns casos e a expressar em outros, deixou claro que, para aqueles Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/05/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000018/200792 Resolução nº 3201000.516 S3C2T1 Fl. 96 4 produtos aos quais não especifica hidratação, refere se a forma anidra, e não à gênero ou grupo.” Nesse contexto, o Decreto n. 5.821/2008 determinaria que os produtos químicos tocados pela redução a zero das alíquotas devem estar, cumulativamente, classificados no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, e relacionados no Anexo I correspondente. Conclui, a decisão, portanto, que “a redução das alíquotas foi concedida a produtos, conforme especificado no Anexo I do Decreto 5.821/2006, e não a códigos de NCM ou NVE, como roga o impugnante. Estes servem sobretudo para identificar aqueles nos procedimentos de comércio exterior, não significando que dois ou mais produtos serem identificados pelo mesmo código implica dizer que merecem o mesmo tratamento nos diversos aspectos relativos a legislação, como a concessão de benefícios”. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Posteriormente à apresentação de recurso voluntário e após a inclusão em pautado processo, para julgamento, a Recorrente apresentou laudo técnico de engenheiro químico, sobre os produtos químicos em referência. É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Tal como relatado, a Recorrente submeteu a despacho o produto LEVOFLOXACINO HEMIIDRATADO, identificandoo como “LEVOFLOXACINO” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero: 1311 LEVOFLOXACINO Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão hemiidratada do LEVOFLOXACINO, estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/05/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000018/200792 Resolução nº 3201000.516 S3C2T1 Fl. 97 5 fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. Conforme relatado, foi juntado laudo técnico que em casos como o presente, no qual se abordam questões que tangenciam propriedades merceológicas de produtos químicos, pode ser fundamental ao deslinde da questão. Embora intempestiva a juntada do documento, que ocorre em momento adiantado do processo administrativo, sem justificativa para tanto, posicionome no sentido de privilegiar a Verdade Material, como importante vetor do processo administrativo fiscal,em detrimento do rigor processual. Assim sendo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para dar ciência à Fazenda Nacional da juntada do presente laudo técnico, para que, querendo, manifestese. Após, retornem os autos para o prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/05/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000556/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
DECADENCIA - NÃO PAGAMENTO - APLICAÇÃO DO ARTIGO 173 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL
Conforme pacificado no Superior Tribunal de Justiça, na hipótese de inexistência de recolhimento antecipado do tributo, aplica-se à contagem do prazo decadencial o artigo 173 do Código Tributário Nacional. Decisão proferida em sede de recurso repetitivo RESP 973.733 (Relator Min. Luiz Fux).
MULTA - INCONSTITUCIONALIDADE
Ao tribunal administrativo é defeso analisar a constitucionalidade de lei. A multa regular de não pagamento de tributo está legalmente prevista e deve ser aplicada.
SELIC - APLICAÇÃO - DISCUSSÃO - IMPOSSIBILIDADE
A aplicação da Taxa SELIC está definida na legislação e é objeto de determinação de Súmula deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, devendo ser aplicada. Neste aspecto, de acordo com a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSE DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 13/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2003 DECADENCIA NÃO PAGAMENTO APLICAÇÃO DO ARTIGO 173 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Conforme pacificado no Superior Tribunal de Justiça, na hipótese de inexistência de recolhimento antecipado do tributo, aplicase à contagem do prazo decadencial o artigo 173 do Código Tributário Nacional. Decisão proferida em sede de recurso repetitivo RESP 973.733 (Relator Min. Luiz Fux). MULTA INCONSTITUCIONALIDADE Ao tribunal administrativo é defeso analisar a constitucionalidade de lei. A multa regular de não pagamento de tributo está legalmente prevista e deve ser aplicada. SELIC APLICAÇÃO DISCUSSÃO IMPOSSIBILIDADE A aplicação da Taxa SELIC está definida na legislação e é objeto de determinação de Súmula deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, devendo ser aplicada. Neste aspecto, de acordo com a Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao voluntário, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 05 56 /2 00 8- 90 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 13/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas. Relatório Tratase de autos de infração lavrados às fls. 62/70 e 71/79 relativos a COFINS e PIS, cujos fatos geradores se deram entre 01/2003 a 12/2003, cujo crédito tributário alcança o montante de R$ 112.375,85 mais juros de mora e multa. Depreendese do Termo de Verificação e Constatação de fls. 58/61, o seguinte: “...A Fazenda Nacional, através deste Auditor Fiscal, em obediência ao estabelecido, tem o dever de lavrar o competente Auto de Infração, uma vez que, no anocalendário de 2003 o contribuinte deixou de declarar e recolher a COFINS e o PIS, a saber: A presente ação fiscal teve origem no Diligência n° 08.1.11.002008003349, a qual tinha como objetivo verificar a necessidade de constituição dos créditos tributários que por ventura não tivessem sido recolhidos e declarados em função do determinado na medida judicial relativa ao PIS e a COFINS, da qual o contribuinte é o autor (Ação Ordinária n° 1999.61.00.0388357, ajuizada perante a 4a Vara Seção Judiciária de São Paulo). A referida sentença judicial garantiu ao contribuinte o direito de recolher a COFINS e o PIS nos moldes da Lei Complementar nº 70/91 e 07/70. Ação está consignada no PAJ n°10875.00198819939, e conforme consulta à pagina da Internet do TRF 3ª região, sem transito em julgado publicado; Em 12/05/2008, compareci ao endereço do contribuinte constante dos cadastros da RFB a fim de darlhe ciência do devido Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, contendo intimação para a apresentação dos documentos e u elementos necessários ao cumprimento do determinado no processo n° 10875.00198819939. No local, constatei que o mesmo ocupa uma das salas existentes, porem a mesma encontravase fechada naquele momento, sem a presença de Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16095.000556/200890 Acórdão n.º 3302002.881 S3C3T2 Fl. 11 3 pessoas; Através de correspondência amparada por AR, em 271512008 o contribuinte tomou ciência do termo acima citado. Transcorrido o prazo de vinte dias concedido sem qualquer manifestação do contribuinte, o mesmo foi reintimado em 26/12/008, também por correspondência amparada por AR, a apresentar o solicitado no Termo inicial. Mais uma vez, findo o prazo de vinte dias concedido, o contribuinte não se manifestou; Dando continuidade ao determinado na Diligência, procedi às pesquisas junto aos sistemas informatizados da RFB, a fim de levantar elementos para a constituição dos créditos tributários que por ventura fossem devidos. Das pesquisas, constatei que o contribuinte está omisso quanto à entrega da DIPJ2004 — anocalendário 2003. O contribuinte também não apresentou as DCTF's devidas no 2º, 3o e 4o trimestres de 2003, sendo que a DCTF relativa ao 1º trimestre de 2003 foi entregue sem débitos declarados. Por outro lado, verificase que o contribuinte auferiu receitas tributáveis no período, em função das informações obtidas através dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON, por ele entregues no anocalendário de 2003; Relativamente atais receitas, não foram encontrados recolhimentos de tributos e contribuições; Como conseqüência do acima exposto, foi efetivada a transformação do MPF, de "Diligência "para "Fiscalização",a fim de se constituir os créditos tributários devidos. Em 12/08/2008 o contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização, através de correspondência amparada por AR, sendo intimado a apresentar, no prazo de 20 dias, todos os documentos, comprovantes e esclarecimentos relativos aos valores consignados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON, entregues no anocalendário de2003. Novamente, transcorrido o prazo concedido, o contribuinte não se manifestou. Desta forma, considerando que no anocalendário de 2003 o contribuinte não declarou a COFINS e o PIS em DCTF nem tampouco efetuou recolhimentos,considerando também que a única DCTF entregue pelo contribuinte no período, referente ao1º trimestre de 2003, além de não apresentar débitos apurados indica a opção pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido, e considerando ainda que em função da não apresentação dos documentos solicitados no curso da auditoria fiscal o lucro do contribuinte será arbitrado no anocalendário em questão, é necessário que se efetue o lançamento de oficio, afim de se constituir os créditos tributários relativos à COFINS e ao PIS no anocalendário2003 (regime cumulativo), com base na receita bruta conhecida,obtida através dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON (transmitidos pelo contribuinte), conforme discriminado no item "C DA BASE DE CÁLCULO" a seguir. B DA BASE LEGAL Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 O inciso II, do Art. 142 do C.T.N., determina que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Com relação à COFINS, o crédito aqui constituído é procedido com base noquanto disposto nos arts. 2° inciso II e parágrafo único, 3, 10, 22 e I do Decreto n° 4.524102. Com relação ao PIS, o crédito aqui constituído é procedido com base no quanto disposto nos arts. 1° e 3, da Lei Complementar n° 07/70, arts. 2° inciso I, alínea"a" e parágrafo único. 3,' 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02....” Cientificada da exigência e não obstante a exigibilidade estar suspensa, a Recorrente interpôs em 19/09/2008 a impugnação de fls. 88/109 onde alegou que: (i) não teve tempo hábil para atender a fiscalização, pois teve problemas internos; (ii) que o mandado de procedimento fiscal deveria ter sido encerrado; (iii) que o prazo decadencial a ser aplicado seria o do artigo 150, parágrafo 4 do CTN; (iv) que a multa de 75% seria desproporcional e, por fim, que a taxa Selic não deveria ser aplicada ao caso. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas indeferiu a impugnação e manteve o crédito tributário, proferindo em 07/10/2008 o contra o Acórdão no0528.894 – 3ª Turma da DRJ/CPS (fls. 232/243),nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DEMORA. SELIC. A aplicação de juros com base na taxa Selic decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastála. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Intimada da decisão em 09/06/2010 por meio de AR (fls. 256 da numeração originária), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 07/07/2010 (fls. 255/302), onde reiterou as razões já expostas em sua impugnação. O recurso foi redistribuído para minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 321DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16095.000556/200890 Acórdão n.º 3302002.881 S3C3T2 Fl. 12 5 O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Conforme se denota do Termo de Verificação Fiscal, tratase de auto de infração referente a fatos geradores incorridos no decorrer do ano de 2003 em relação a tributos (PIS e COFINS), cujas bases de cálculo estavam sendo discutidas judicialmente. Buscava o contribuinte afastar as alterações impostas pela Lei 9.718/98, bem como o direito de recolher a COFINS pela sistemática da Lei Complementar n.° 70/91, e o PIS, mantendose a apuração e recolhimento sobre a receita bruta, como definida pela legislação do Imposto de Renda. Neste aspecto, cito a sentença proferida nos autos do processo judicial no. 003883508.1994.4.03.6100 nos seguintes termos: Sentença: “...Pelo exposto, tendo reconhecido a inconstitucionalidade da Lei 9.718/98, com concedo a segurança pleiteada , determinando que o impetrante recolha a COFINS e o PIS, nos moldes da Lei Complementar 70191 e 07170, respectivamente, sem a incidência das modificações introduzidas pela Lei n.° 9.718198. Concedo também a segurança pleiteada, determinado que o impetrante recolha a COFINS e o PIS, somente sobre o seu faturamento real, entendendo este como a diferença do preço imposto pela Montadora, do efetivamente vendido ao Consumidor, reconhecendo o seudireito à compensar o que indevidamente recolheu, na antiga sistemática, obedecido o prazo prescricional de 10 anos. Nesta compensação, a correção monetária se fará nos termos do Provimento 24197, da E. Corregedoria do Tribunal Regional Federal da Terceira Região. E o acórdão, tal como proferido: “...Portanto, merece parcial reforma a r. sentença, para que seja adotada a prescrição qüinqüenal, afastandose a alteração da base de cálculo da L. 9.718/98, mantendose, todavia, a majoração de alíquota da COFINS, bem como a apuração da base de cálculos pelo valor total da operação, sem o desconto dos valores pagos à montadora. A correção monetária deverá utilizar índices oficiais e, a partir de janeiro de 1996, incidir, unicamente, a Taxa Selic”. No que tange a parte da decisão que lhe foi desfavorável (quanto a prescrição quinquenal), a Recorrente interpôs Recurso Especial, o qual foi admitido, restando decidido que, ao caso deve ser aplicado o Recurso Especial n.º1.002.932/SP que admite o prazo de 5 (cinco) mais 5 (cinco) anos, quando há o recolhimento indevido. As demais questões foram objeto de Recurso Extraordinário pela União Federal, que não teve sua admissão reconhecida, o que significou o trânsito em julgado do acórdão e da sentença, tal como proferidos. Claro está que a discussão acerca das bases de cálculo desses tributos restou definitivamente julgada pelo Poder Judiciário. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 A discussão trazida pela Recorrente nos presentes autos, por sua vez, limita se a discutir os termos do auto de infração. Não se discute mais acerca das receitas advindas com a majoração da base de calculo da Lei no 9.718/98. As matérias em discussão referemse a: (i) a decadência do direito do Fisco de autuar os fatos geradores ocorridos durante o ano de 2003 (ii) questões como a falta de tempo para atender a fiscalização ou (iii) inconstitucionalidade e desproporcionalidade da multa de 75% e (iv) da taxa Selic. Passo a analisar os pontos em discussão. (I) DECADÊNCIA DOS LANÇAMENTOS ANTERIORES A 19 DE AGOSTO DE 2005. Conforme determina o Regimento Interno deste tribunal administrativo (CARF), impõese aos julgadores a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Assim, em razão do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, adoto o entendimento exarado pelo em sede de recurso repetitivo pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de oFisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regrada decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitosao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos aolançamento por homologação em que o contribuinte não efetua opagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., MaxLimonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regradecadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16095.000556/200890 Acórdão n.º 3302002.881 S3C3T2 Fl. 13 7 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele emque o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde,iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte àocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributossujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazosprevistos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CodexTributário, ante aconfiguração de desarrazoado prazo decadencial decenal(Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributosujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex legede pagamento antecipado das contribuições previdenciárias nãorestou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatosimponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembrode 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivosdeuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofíciosubstitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regimedo artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator MinistroLuiz Fux, DJE de 18/09/2009).” Nos termos do precedente vinculante do Superior Tribunal de Justiça, dever seá aplicar ao caso em análise, uma vez que não resta dúvida acerca da inexistência de pagamento de tributos, o disposto no artigo 173, I do CTN. Frisese que ao proceder a fiscalização a o agente administrativo constatou o não recolhimento de tributos, bem como a não entrega das declarações acessórias. Desta feita, considerase a data de 01/01/2003, como termo inicial para a contagem do prazo quinquenal, razão pela qual não há que se falar em decadência dos períodos lançados. Neste caso específico, o direito da Fazenda de proceder ao lançamento decairia apenas em 01/01/2009, sendo que a lavratura do AI ocorreu em 27/05/2008 . (II) DA FALTA DE TEMPO PARA ATENDER A FISCALIZAÇÃO A Recorrente ainda alega em sua defesa a falta de tempo para atender a fiscalização. Todavia não procede este argumento. É que dos autos se constata que a empresa foi intimada algumas vezes para apresentar documentos e esclarecimentos e que os documentos que deveriam ser apresentados (obrigações acessórias). O fato é que realmente não havia o que ser apresentado, uma vez que a empresa deixou de apresentar as declarações acessórias. (III) DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA E DA TAXA SELIC Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Quanto a multa, também não merece reparos a decisão recorrida, posto que esta se encontra prevista em lei em pleno vigor, sendo vedado ao julgador administrativo afastála por ilegalidade ou inconstitucionalidade. (art. 26 A do Decreto 70.235/72 e 62 do Regimento Interno do CARF). Da mesma forma, são improcedentes os argumentos contrários a aplicação dos juros SELIC, matéria também já sumulada, senão vejamos: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Merece destaque o fato que, a teor do que dispõe o art. 721 do RICARF, as súmulas editadas pelo CARF são de aplicação obrigatória pelos julgadores. Ante o exposto, é o presente para conhecer do recurso e negarlhe provimento, acatando integralmente a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11080.918925/2012-24
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 19/09/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 25 /2 01 2- 24 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918925/201224 Acórdão n.º 3801005.108 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918925/201224 Acórdão n.º 3801005.108 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918925/201224 Acórdão n.º 3801005.108 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918925/201224 Acórdão n.º 3801005.108 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918925/201224 Acórdão n.º 3801005.108 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918925/201224 Acórdão n.º 3801005.108 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918925/201224 Acórdão n.º 3801005.108 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918925/201224 Acórdão n.º 3801005.108 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 18050.009785/2008-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFICIO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS NÃO REGULARIZADOS NO PRAZO LEGAL. CABIMENTO
Correta a exclusão de oficio do Simples Nacional em face da existência de débito para com a Fazenda Pública Federal não regularizado no prazo legal.
Numero da decisão: 1103-000.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Sérgio Fernandes Barroso - Presidente em exercício.
Hugo Correia Sotero - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalização do Acórdão.
Participaram do julgamento os conselheiros: Mario Sergio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Maria Eliza Bruzzi Boechat, Hugo Correia Sotero e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Ausente o Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva.
Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correia Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 24/08/2015.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso - Presidente em exercício. Hugo Correia Sotero - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalização do Acórdão. Participaram do julgamento os conselheiros: Mario Sergio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Maria Eliza Bruzzi Boechat, Hugo Correia Sotero e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Ausente o Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correia Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 24/08/2015.
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EXCLUSÃO DE OFICIO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS NÃO REGULARIZADOS NO PRAZO LEGAL. CABIMENTO Correta a exclusão de oficio do Simples Nacional em face da existência de débito para com a Fazenda Pública Federal não regularizado no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Presidente em exercício. Hugo Correia Sotero Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalização do Acórdão. Participaram do julgamento os conselheiros: Mario Sergio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Maria Eliza Bruzzi Boechat, Hugo Correia Sotero e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Ausente o Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correia Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 24/08/2015. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 97 85 /2 00 8- 11 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 18050.009785/200811 Acórdão n.º 1103000.723 S1C1T3 Fl. 46 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1521.805, de 26/11/2009, proferido pela 4ª Turma da DRJSalvador/BA, que rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em face do Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 012795, de 22/08/2008, que formalizou a exclusão do Simples Nacional, a partir de 01/01/2009, em virtude de a pessoa jurídica possuir débitos para com a Fazenda Nacional, com exigibilidade não suspensa. O débito que deu causa à exclusão de oficio é originário do Simples Federal código 6106 e relativos aos períodos de apuração compreendidos entre 07/2006 e 12/2006. Cientificado do ADE, a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que as pendências que geraram a exclusão de ofício foram regularizadas em tempo hábil, mediante o pagamento dos débitos relativos aos períodos de apuração indicados no ADE, conforme comprovantes anexos. Assim, solicita a revisão da exclusão. A 4ª Turma da DRJ/SDR proferiu o Acórdão nº 1521.805, indeferindo a solicitação, conforme sintetizado na seguinte ementa: EXCLUSÃO DE OFICIO. DÉBITO PARA COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL. PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO Mantémse a exclusão de oficio do Simples Nacional quando se verifica que o débito para com a Fazenda Pública Federal não foi regularizado dentro do prazo para contestação. A DRJ/SDR, indeferiu a manifestação de inconformidade ao constatar que o débito relativo ao PA 08/2006, somente foi quitado em 30/03/2009, fora do prazo legal para regularizálo. Cientificada do acórdão de primeiro grau em 18/01/2010, a interessada apresentou recurso voluntário em 17/02/2010, no qual traz as seguintes alegações: 01 O que motivou a decisão de exclusão do simples nacional ano calendário 2009 foi exclusivamente o pagamento do DARF/SIMPLES ( 6106 ) competência 08/2006 efetuado em 01/04/2009 02 O pagamento do DARF/SIMPLES ( 6106 ) competência 08/2006 foi feito em 01/04/2009 para atendermos a solicitação da Receita Federal, porém o mesmo já tinha sido agendado no Banco do Brasil em nossa contacorrente em data anterior à ciência do indeferimento (05/11/2008) e resolvemos quitálo novamente por não conseguirmos reimprimir o comprovante de pagamento. 03 Por não conseguirmos reimprimir esse comprovante ou comprovar o agendamento do mesmo, solicitamos prazo especial para levantarmos as informações de quitação desse debito e juntarmos ao processo. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 18050.009785/200811 Acórdão n.º 1103000.723 S1C1T3 Fl. 47 3 Em, razão do descrito acima requer que seja concedido novo prazo para solicitarmos as informações ao agente arrecadador e informarmos do ocorrido, bem como rever a decisão de EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL para o ano calendário 2009 e os subseqüentes. É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 18050.009785/200811 Acórdão n.º 1103000.723 S1C1T3 Fl. 48 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalização do Acórdão. Formalizo este acórdão por designação do presidente da 1ª Seção de Julgamento, tendo em vista que o relator do processo, Conselheiro Hugo Correia Sotero, por ocasião do julgamento realizado em 04/07/2012, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, não efetuou a formalização e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. Portanto, o entendimento consubstanciado neste voto tem por base os elementos dos autos e os dados constantes da ata da Sessão de Julgamento, realizada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 04/07/2012, às quatorze horas, e não exprime qualquer juízo de valor deste redator. O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente e, portanto, foi devidamente conhecido. Analisando as razões recursais, o colegiado rejeitou as alegações suscitadas e manteve a exclusão do Simples Nacional, tendo em vista a existência de débito com a Fazenda Nacional, não regularizado no prazo legal, confirmando a decisão de primeira instância, que assim analisou as razões de defesa: [...] Verificase no documento de fi. 13 que a manifestante fez o pagamento do débito referente ao PA 07/2006 em 29/08/2008 e o pagamento dos PA de 09 a 12/2006 no dia 08/10/2008, dentro do prazo legal contando que a contestação de folha inicial foi protocolada na repartição em 05/11/2008. Mas, o débito correspondente ao PA 08/2006 só foi pago em 30/03/2009, conforme documentação juntada pela parte interessada em 01/04/2009 (vide fls. 19/20). Assim, restando provado nos autos que a manifestante não regularizou integralmente os débitos geradores da exclusão de oficio, dentro do prazo da contestação, voto por considerar a manifestação de inconformidade improcedente. Ante ao exposto, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. Acórdão formalizado em 24 de Agosto de 2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão Fl. 49DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 18050.009785/200811 Acórdão n.º 1103000.723 S1C1T3 Fl. 49 5 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO
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Numero do processo: 13855.002919/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário:
2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Acolhem-se os embargos para sanar omissão ocorrida com relação a ponto sobre o qual deveria ter-se pronunciado a turma.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004, 2005
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
A fase litigiosa do procedimento fiscal de exclusão do Simples inicia-se somente com a impugnação (manifestação de inconformidade) ao Ato Declaratório de Exclusão, momento a partir do qual tem a pessoa jurídica assegurados o contraditório e a ampla defesa, nos termos do § 3º do art. 15 da Lei n° 9.317/96, e do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal.
OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A omissão de receita comprovada, praticada em meses sucessivos, por pessoa
jurídica optante pelo SIMPLES, caracteriza a prática reiterada de infração à
legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES. Para a
configuração da prática reiterada de infração à legislação tributária, não há
exigência de prévia decisão condenatória definitiva, no âmbito do Simples,
relativa às mesmas infrações.
Numero da decisão: 1102-000.864
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para o fim de suprir as omissões contidas no Acórdão nº 110200.212, de 20 de maio de 2010, e rerratificar, sem efeitos infringentes, a decisão nele proferida, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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Embargante DOGUINHO CALÇADOS ESPORTIVOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Acolhemse os embargos para sanar omissão ocorrida com relação a ponto sobre o qual deveria terse pronunciado a turma. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004, 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento fiscal de exclusão do Simples iniciase somente com a impugnação (manifestação de inconformidade) ao Ato Declaratório de Exclusão, momento a partir do qual tem a pessoa jurídica assegurados o contraditório e a ampla defesa, nos termos do § 3º do art. 15 da Lei n° 9.317/96, e do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A omissão de receita comprovada, praticada em meses sucessivos, por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES. Para a configuração da prática reiterada de infração à legislação tributária, não há exigência de prévia decisão condenatória definitiva, no âmbito do Simples, relativa às mesmas infrações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 29 19 /2 00 7- 11 Fl. 5091DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13855.002919/200711 Acórdão n.º 1102000.864 S1C1T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para o fim de suprir as omissões contidas no Acórdão nº 110200.212, de 20 de maio de 2010, e rerratificar, sem efeitos infringentes, a decisão nele proferida, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de embargos interpostos pelo contribuinte contra a decisão proferida no Acórdão nº 110200.212, de 20 de maio de 2010, que restou assim ementado e decidido: “OMISSÃO DE RECEITA. Valores creditados em conta bancária que não possuem suas origens comprovadas. Presunção legal omissão nos termos do artigo 287, RIR/99. INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF n° 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LUCRO ARBITRADO. Na falta de escrituração regular, é cabível o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o intuito doloso que autoriza o lançamento de multa agravada, conforme previsto no artigo 44, inciso, I, parágrafo 1°, da lei n° 9.430/96, mantémse a aplicação da multa qualificada. JUROS DE MORA TAXA SELIC. Incidência. Aplicação da Súmula CARF n° 4. (..) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Sustenta a embargante, em síntese, ter ocorrido omissão, por parte da Turma, com relação aos seguintes argumentos, constantes do recurso voluntário interposto, na parte relativa à sua exclusão de ofício do SIMPLES: 1. nulidade do Ato Declaratório Executivo n° 19/2007, por cerceamento do direito de defesa e, conseqüentemente, por ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; e Fl. 5092DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13855.002919/200711 Acórdão n.º 1102000.864 S1C1T2 Fl. 4 3 2. irretroatividade dos efeitos do Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES, por ausência de comprovação da prática reiterada de infração à legislação tributária. Em vista do exposto, requer sejam os embargos conhecidos e providos, para que sejam sanadas as apontadas omissões, com a devida apreciação, por esta Turma, das questões suscitadas com relação à sua exclusão do SIMPLES Tendo em vista que o relator não mais integra o colegiado, foram os presentes embargos a mim redistribuídos para relato, nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II, da Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF), e, por despacho, foram eles admitidos, a fim de serem apreciados pela Turma. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Os embargos são tempestivos e preenchem os pressupostos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Analisando o aresto embargado, constato que os argumentos supra referidos, relativos à sua exclusão de ofício do SIMPLES, efetivamente não foram enfrentados no voto condutor, que apreciou tão somente a argumentação relativa ao lançamento de oficio do IRPJ e reflexos, decorrente da referida exclusão. Por este motivo, necessária se faz a manifestação do colegiado sobre os pontos arguidos. Sustenta a recorrente a nulidade do Ato Declaratório Executivo – ADE n° 19/2007, que a excluiu do regime simplificado, por cerceamento do direito de defesa. Em síntese, registra a recorrente que não foi intimada para contrapor as razões da representação feita pela fiscalização ao Delegado da DRF/FRANCA, cujo objetivo era a sua exclusão do SIMPLES, e que somente após a edição do referido Ato é que foi aberto prazo para defesa, o que ofende os princípios do contraditório e ampla defesa, conforme decisão do STJ que apresenta. Não lhe assiste razão. Nos termos da Lei n° 9.317/96, a partir do momento em que constatada a ocorrência de alguma das vedações impostas pela Lei para opção ao Simples, cabe à Administração Pública efetuar a exclusão de ofício, mediante Ato Declaratório, conforme dispõe o § 3º do art. 15, assim redigido (grifo nosso): “Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: Fl. 5093DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13855.002919/200711 Acórdão n.º 1102000.864 S1C1T2 Fl. 5 4 (...) § 3º A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo.” Ao administrado, conforme visto, é assegurado o contraditório e a ampla defesa, mas estes são exercidos, nos termos do Decreto nº 70.235/72 – PAF, que rege o processo administrativo tributário, somente a partir da instauração da fase litigiosa do procedimento, que se inicia com a impugnação da exigência. O desenvolvimento dos procedimentos internos de fiscalização, na fase que antecede a ciência ao ato declaratório de exclusão, a exemplo dos procedimentos que antecedem a lavratura de auto de infração, não requerem a instauração de contraditório. Neste sentido, a seguinte jurisprudência do CARF: PROCESSUAL. SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSAO. CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A inexistência de contraditório antes da edição do ato declaratório excludente não constitui cerceamento do direito de defesa, porque a exclusão somente se dá quando há decisão definitiva do processo administrativo, assegurados o contraditório e a ampla defesa. (Acórdão 30130.619, relator Luiz Sérgio Fonseca Soares, sessão de 15 de abril de 2003) SIMPLES – EXCLUSÃO – AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO – no processo de exclusão do SIMPLES há que ser obedecido o Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa. Não macula tal princípio a ausência de discussão prévia ao Ato Declaratório de Exclusão, mormente quando os fatos e os atos de fiscalização são de ciência da contribuinte. (Acórdão 10196.630, relator Caio Marcos Cândido, sessão de 7 de março de 2008) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento fiscal de exclusão do Simples iniciase somente com a impugnação (manifestação de inconformidade) ao Ato Declaratório de Exclusão, momento a partir do qual tem a pessoa jurídica assegurados o contraditório e a ampla defesa, nos termos do § 3º do art. 15 da Lei n° 9.317/96, e do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal. (Acórdão 1102 00.180, relator João Otávio Oppermann Thomé, sessão de 8 de abril de 2010) Noutro giro, sustenta a recorrente que o Ato Declaratório que a excluiu do SIMPLES não poderia ter retroagido os seus efeitos para o ano de 2004, visto que a alegada prática reiterada de infração à legislação tributária não restou comprovada. Em síntese, afirma que a inferência fiscal encontrase em frágil base visto que partiu de uma amostra pouco significativa, posto que apenas alguns dos beneficiários ou responsáveis pelos valores que transitaram na conta bancária do contribuinte foram intimados a esclarecer os fatos. E que a exclusão do SIMPLES pela prática reiterada de infração à legislação tributária só pode se dar após a primeira infração ter sido comprovada por meio de processo administrativo do qual não caiba mais discussão. Fl. 5094DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13855.002919/200711 Acórdão n.º 1102000.864 S1C1T2 Fl. 6 5 Assim, se de fato houve alguma causa excludente do SIMPLES, esta só teria sido demonstrada no tocante ao excesso da receita bruta, pelo que o Ato Declaratório somente poderia produzir seus efeitos a partir de janeiro de 2005, de acordo com o previsto no art. 15, inciso IV, da Lei nº 9.317/1996. Não assiste razão à recorrente. O relato da autoridade fiscal, no “Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta Total” (fls. 0415) traz uma minuciosa exposição das verificações efetuadas e das fartas provas coletadas que evidenciam que o contribuinte subfaturava vendas, emitia notas fiscais com o mesmo número, e utilizava as contas da pessoa física para ocultar parte da movimentação financeira da empresa. Apesar de declarar receitas auferidas em 2004 e 2005 em valores muito próximos ao limite para a permanência neste regime (R$ 1.200.000,00), a fiscalização apurou a omissão de receitas nos valores de R$ 2.601.553,30 em 2004, e de R$ 4.057.934,38 em 2005. Em razão dessas circunstâncias, foi aplicada a multa de ofício qualificada (150%) aos lançamentos efetuados. A respeito destes fatos, aliás, cumpre ressaltar que o acórdão embargado, embora os tenha analisado apenas sob a ótica do lançamento fiscal efetuado, sobre eles já se manifestou, verbis: “(...) restou cabalmente comprovado nos autos por meio de intimações de beneficiários de depósitos e depositantes que as contascorrentes do Sr. Gustavo Moreti Ribeiro tinham a finalidade de movimentar as operações financeiras da pessoa jurídica Doguinho Calçados Esportivos Ltda – EPP. (...) As autoridades, no curso da ação fiscal, colheram elementos factíveis para demonstrar que os depósitos de origem não comprovada são provenientes de receitas omitidas da pessoa jurídica. (...) não assiste razão ao contribuinte no que concerne a alegação de que apenas alguns beneficiários de depósito e depositantes foram intimados a prestarem esclarecimentos e houve apenas um único caso detectado de notas fiscais com a mesma numeração. O conjunto probatório é forte suficiente para demonstrar que houve dolo do contribuinte. (...) Assim, diante dos fatos narrados, ficou claro no presente caso que houve dolo em sua conduta, de forma que se enquadra nos artigos supracitados. Portanto, mantenho a qualificação da multa.” Os dicionários definem o termo reiterar como “repetir”, “renovar”, “refazer”. Sem a leviandade de considerar que, para a configuração da prática reiterada de infração, bastariam duas ocorrências de uma certa infração, o que deve ser verificado é se a prática da infração em questão é habitual e repetida, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente, consubstanciandose em um costume. E esta análise, evidentemente, só poderá ser feita caso a caso. Convém observar também que os períodos a serem considerados para analisar a ocorrência ou não de reiteração, no caso de empresa optante pelo Simples, devem ser Fl. 5095DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13855.002919/200711 Acórdão n.º 1102000.864 S1C1T2 Fl. 7 6 mensais, seja porque o período de apuração do Simples é mensal, seja porque é a própria Lei que, neste caso, menciona que a retroação da exclusão deve ser feita ao mês de ocorrência do fato em questão. Ora, o fato de a recorrente ter se valido das condutas dolosas antes referidas para sistematicamente omitir receitas em valores significativos durante dois anos seguidos (as receitas omitidas corresponderam a 68% da receita total de 2004, e a 77% da receita total de 2005) caracteriza a reiteração a que alude a norma (artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96). Por fim, de se observar ainda que a exigência de decisão condenatória definitiva, no âmbito do Simples, para fins de determinar a exclusão da pessoa jurídica deste sistema, está expressamente prevista apenas no caso de prática de crimes contra a ordem tributária, conforme inciso VII do art. 14 da Lei nº 9.317/96. Contudo, no caso do inciso V do mesmo artigo (prática reiterada de infração), não foi prevista a mesma exigência. Confirase a redação dos dispositivos em questão: “Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: ....... V prática reiterada de infração à legislação tributária; ....... VII incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva.” Portanto, ao contrário do que alega a recorrente, para a efetivação da exclusão do Simples por prática reiterada de infração à legislação tributária, não há necessidade de prévia decisão administrativa irrecorrível que comprove o cometimento dessas infrações. Neste sentido, a seguinte jurisprudência do CARF: SIMPLES – EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA a omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES. (Acórdão 10196.630, relator Caio Marcos Cândido, sessão de 7 de março de 2008) Comissões. OMISSÃO DE RECEITAS. PRÁTICA REITERADA. EXCLUSÃO DO SISTEMA. A omissão sistemática de receitas com comissões, por três anos calendário consecutivos, caracterizase como prática reiterada de infração à legislação tributária, situação suficiente para exclusão da empresa do SIMPLES. (Acórdão 10323.530, relator Antonio Bezerra Neto, sessão de 13 de agosto de 2008) SIMPLES EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA a omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES. (Acórdão 10809.746, relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 16 de outubro de 2008) Fl. 5096DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13855.002919/200711 Acórdão n.º 1102000.864 S1C1T2 Fl. 8 7 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, consistente na omissão sistemática de receitas durante vários anos, impõe a exclusão da empresa do regime simplificado. (Acórdão 110200.754, relator João Otávio Oppermann Thomé, sessão de 13 de junho de 2012) Improcedentes as alegações da recorrente, portanto, e correta a sua exclusão do regime simplificado com efeitos retroativos a partir de 1o de janeiro de 2004, conforme foi efetivada pelo contestado Ato Declaratório. Pelas razões discorridas, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, para o fim de suprir as omissões contidas no Acórdão nº 110200.212, de 20 de maio de 2010, e rerratificar, sem efeitos infringentes, a decisão nele proferida. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 5097DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10680.010984/2002-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1201-000.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos o relator e o Conselheiro Rafael Correia Fuso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente à época do julgamento), Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos o relator e o Conselheiro Rafael Correia Fuso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Presidente (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente à época do julgamento), Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 10 98 4/ 20 02 -5 9 Fl. 727DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Tratase de Auto de Infração com a exigência de recolhimento do Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo aos anoscalendário de 1997, 1998, 1999 e 2000, no valor de R$ 9.659.574,14 acrescidos da multa de ofício de 75% e juros de mora. Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora analisou os livros e documentos da empresa e solicitou esclarecimentos acerca dos valores informados na linha “outras exclusões” da DIPJ. O auto de infração foi lavrado pela suposta ausência de recolhimento do IRPJ em virtude da ausência de embasamento legal ou autorização judicial no que tange a três itens, conforme segue: Efeitos decorrentes do expurgo do IPC/89 (Mandado de Segurança n. 94.00131100); Possibilidade de dedução imediata da diferença verificada entre o IPC e o BTNF, sem obediência ao diferimento previsto na Lei n. 8.200/91 (Mandado de Segurança n. 94.00191685); Registro de crédito de ICMS extemporâneo, distinto do momento de real utilização do crédito fiscal. Devidamente intimada do Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação, acompanhada de documentos, na qual, em síntese, alegou que: 1. Ao segregar os valores levantados pela fiscalização verificou que não houve nenhuma glosa referente aos efeitos da Lei nº 8.200/91, razão pela qual não aborda em sua impugnação esta matéria. Demonstra as glosas das exclusões ao Lucro Real realizadas pelo Fisco nos anoscalendário de 1997 a 2000, identificando os itens: Expurgo IPC/89 Depreciação, Expurgo IPC/89 Baixas, Expurgo IPC/89 sobre prejuízos, Saldo depreciação IPC/89, Depreciação Lei nº 8.200/91, e ICMS extemporâneo; 2. Quanto à glosa da exclusão do efeito do expurgo IPC/89, relativa à depreciação e baixas, existe equívoco na constatação fiscal quanto ao conteúdo da discussão judicial proposta pela empresa, bem como em relação à extensão das decisões proferidas; 3. A matéria discutida judicialmente, por meio do Mandado de Segurança nº 94.00131100, foi o direito de dedução fiscal das despesas relativas ao expurgo de correção monetária de balanço de 1989, levando em conta a variação do IPC de janeiro de 1989 (70,28%), com influência no resultado fiscal do mês de dezembro de 1993, com todos os efeitos dai decorrentes, tais como depreciação, amortização e baixa de bens do ativo permanente e a consequente correção monetária do saldo de prejuízos fiscais. Portanto, não foi solicitado judicialmente pela empresa o 1PC de 42,72% como inflação do período de 1989, como afirma o Fisco; 4. Transitou em julgado a possibilidade de aplicação do índice de 42,72% para o mês de janeiro de 1989, para efeito de correção Fl. 728DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 4 3 monetária do balanço, não estando pendente nenhum recurso da Fazenda Nacional sobre a matéria; 5. O único recurso pendente de julgamento é aquele interposto pelo contribuinte, o qual visa ampliar para 70,28% a decisão que lhe foi parcialmente favorável, proferida pelo Tribunal Regional da 1ª Região; 6. Apoiada por decisão transitada em julgado procedeu aos ajustes necessários visando à aplicação da diferença de 42,72% no índice de correção monetária do balanço; 7. Em relação à glosa da exclusão na apuração do Lucro Real de valores referentes a créditos extemporâneos de ICMS, a premissa colocada pela fiscalização de que a receita dos créditos de ICMS só se configura existente no momento da utilização do crédito fiscal é correta, mas a conclusão a que o fisco chegou foi errada; 8. Após o advento da Lei Complementar n° 87/96, identificou que havia deixado de aproveitar créditos do ICMS relativos às aquisições de mercadorias e que poderiam ser transferidos a terceiros, tendo lançado esses créditos em sua escrita fiscal de acordo com o Regulamento do ICMS de Minas Gerais. Registrou, contabilmente, tais créditos mediante lançamentos que não transitaram por contas de resultados, adicionando seu valor, por conservadorismo, na apuração do Lucro Real do período; 9. Esse procedimento implicou antecipação do pagamento do Imposto de Renda, porque tais créditos ainda estavam pendentes de utilização, o que só ocorreria com sua transferência, e isso não configura receita tributável; 10. Sendo a empresa exportadora, não tendo débito de ICMS em sua escrita fiscal, a única forma de utilização desses créditos era sua transferência a terceiros. A transferência de créditos é um negócio jurídico extremamente similar à cessão do direito civil, devendo quando da ocorrência deste fato, no momento em que o negócio jurídico se concretiza, ser reconhecida a receita, em obediência ao princípio da competência dos exercícios; 11. Posteriormente, quando da efetiva transferência dos créditos, foi reconhecida na contabilidade a receita decorrente do negócio realizado. Como a empresa já havia adicionado anteriormente na apuração do lucro real os valores reconhecidos como receita, fez a necessária exclusão do lucro tributável do período, pois, caso contrário, tributaria duas vezes o mesmo valor: uma vez quando da adição dos créditos que não transitaram pelo resultado e outra vez quando do efetivo reconhecimento da receita. Em sessão realizada no dia 24 de dezembro de 2002, a Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento em relação à glosa do ICMS extemporâneo e demais aspectos examinados. Como também declarou definitivo o lançamento que se referia à matéria objeto de ação judicial. As Ementas a seguir reproduzem o entendimento daquela instância de julgamento: Fl. 729DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 5 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: Ajustes ao lucro líquido na apuração do Lucro Real. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, tornandose definitiva a exigência discutida. Créditos de ICMS transferidos a terceiros Apropriação de Receitas. As receitas que dependam de evento futuro, por sua natureza aleatória, deverão ser escrituradas no períodobase de sua disponibilidade jurídica. Lançamento Procedente A recorrente foi intimada da decisão da Delegacia de Julgamento e, em 31 de março de 2003, interpôs Recurso Voluntário, no qual reitera os mesmos argumentos explicados na Impugnação e acrescenta, em síntese, que: 1. O índice de 42,72%, admitido por sentença transitada em julgado para o mês de janeiro de 1989, utilizado no cálculo da correção monetária do balanço, está contido no índice de 70,28% pleiteado em juízo pela autuada; 2. A fiscalização somente poderia lançar valores que eventualmente superassem o já reconhecido índice de 42,72% para o mês de janeiro de 1989; 3. O acórdão recorrido descumpriu a ordem judicial exarada no Mandado de Segurança nº 94.00131100, que já transitou em julgado; 4. A conclusão do acórdão recorrido deveria estar fundamentada por comprovação de que os valores aproveitados excedem aqueles correspondentes ao índice reconhecido judicialmente. Caso não fosse possível tal conclusão pelos documentos juntados aos autos, deveria ter sido efetuado um pedido de diligência, em defesa do principio da verdade real ou material; 5. Não existe concomitância entre o auto de infração e a matéria remanescente discutida judicialmente; 6. Quanto à glosa da exclusão do valor registrado contabilmente como receita, referente ao ICMS extemporâneo, o procedimento adotado foi mais favorável ao fisco. O momento certo de incidência do Imposto de Renda, em conformidade com o regime de competência, é aquele em que ocorre o negócio jurídico oneroso ensejador da receita. Não pode a empresa ser punida por ter antecipado uma receita tributária ao Fisco; 7. Caso ocorresse, quando da adição realizada, uma compensação integral da receita, como afirma o acórdão recorrido, a forma de tributação lançada no auto de infração não estaria correta, não sendo admitida a glosa integral da exclusão, essa sim acontecida em momento de base negativa, uma vez que o eventual benefício seria decorrente de mero transcorrer do tempo na compensação de prejuízos Fl. 730DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 6 5 acumuladas. O próprio acórdão admite o direito à exclusão, afirmando apenas que deveria sofrer os efeitos da limitação de 30%; 8. Mesmo que no momento da adição a empresa tivesse apresentado prejuízo fiscal, esse prejuízo teria sido reduzido pela adição do valor do ICMS. No momento da exclusão o prejuízo fiscal teria sido majorado, zerando os efeitos fiscais. Além disso, o prejuízo fiscal majorado só poderia ser recuperado nos exercícios seguintes, em virtude da limitação de 30%. Colaciona, ainda, doutrina e jurisprudências deste Conselho. Em sessão realizada no dia 20 de outubro de 2004, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal emitisse parecer conclusivo a respeito das afirmações da recorrente quanto à origem dos valores excluídos a título de expurgo IPC/89, item 01 Expurgo IPC/89 do Termo de Verificação Fiscal, devendo ser informado o seguinte: a) Com base nas decisões judiciais, qual o percentual de correção monetária do balanço foi admitido por sentença transitada em julgado, cuja matéria não está pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal; b) Na hipótese do trânsito em julgado permitindo a utilização pela empresa na correção monetária do balanço do percentual de 42,72%, confirmar se as exclusões efetivadas, glosadas pela fiscalização, dizem respeito exclusivamente aos efeitos sobre depreciação, baixa e prejuízos fiscais pela aplicação de tal índice; c) Se o procedimento de excluir tais diferenças na apuração do Lucro Real de períodos posteriores a 1993 foi admitido em sentença transitada em julgado; d) O parecer fiscal deve conter a discriminação e a decomposição de tais valores excluídos na determinação do Lucro Real dos períodos autuados, tomando por base a diferença apurada com a utilização do índice de 42,72% no balanço original e sua evolução até os períodos onde ocorreram as exclusões, dando ciência de suas conclusões à contribuinte, abrindo prazo para sua manifestação. O processo foi encaminhado ao Sefis/DRF de Belo Horizonte para as providências regulamentares cabíveis e prosseguimento. Para o cumprimento da diligência, foi expedido o Termo de Intimação Fiscal nº 01, no qual a Recorrente foi intimada a apresentar no prazo de cinco dias úteis os seguintes documentos: a) O demonstrativo de todas as contas sujeitas à correção monetária, em 1989 (conta, subconta e valores baixados), mostrando o valor corrigido, o valor constante na escrituração e o valor da correção monetária. Anexar os razões; b) O balanço levantado em 31/12/1989; c) Livro de apuração do Lucro Real LALUR, de 1989 a 2000; Fl. 731DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 7 6 d) Os demonstrativos de recalculo da correção monetária que a empresa porventura tenha feito em virtude da ação judicial que discute o índice de correção a ser aplicado em 1989. Em resposta, a Recorrente apresentou, em 22 de novembro de 2006: BALANÇO PATRIMONIAL levantado em 31/12/89, publicado em jornal (ORIGINAL); LALUR livro 02 (páginas 01 a 50) registros Parte A, de 31/12/90 até 30/06/92; LALUR livro 02 (páginas 01 a 50) registros Parte A, de 31/12/90 até /30/09/93; LALUR livro 02 (páginas 01 a 50) registros Parte A, de 31/12/90 até 30/09/93 (IGUAL AO ANTERIOR); LALUR livro 03 (páginas 01 a 50) registros Parte A, de 31/12/90 até 30/06/92; LALUR livro 03 (páginas 01 a 100) registros Parte A, de 30/09/93 até 30/11/93; LALUR livro 03 (páginas 01 a 50) registros Parte A, de 31/12/90 até 30/06/92; LALUR livro 03 (páginas 01 a 127) registros Parte A, de 31/12/90 até 31/12/93; LALUR livro 03 (páginas 01 a 138) registros Parte A, de 31/01/94 até 31/12/94. LALUR livro 04 (páginas 01 a 126) registros Parte A, de 31/01/95 até 31/12/95; LALUR livro 05 (páginas 01 a 134) registros Parte A, de 31/01/96 até 31/12/96; LALUR livro 06 (páginas 01 a 119) registros Parte A, de 31/01/97 até 31/12/97; LALUR livro 07 (páginas 01 a 71) registros Parte A, de 31/01/98 até 31/12/98; LALUR livro 08 (páginas 01 a 66) registros Parte A, de 31/01/99 até 31/12/99; LALUR livro 09 (páginas 01 a 72) registros Parte A, de 31/01/00 até 31/12/00. Solicitou, ainda, dilação do prazo para apresentar os documentos faltantes. Em 07 de dezembro de 2006, apresentou o LALUR livro 01 (páginas 01 a 50), registros Parte A, de 31/12/78 até 31/12/90 e, novamente, solicitou dilação do prazo para apresentar os documentos faltantes. A autoridade fiscal prorrogou o prazo por mais três dias úteis. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 8 7 Foi expedido o Termo de Intimação Fiscal nº 02, no qual a Recorrente foi intimada a apresentar no prazo de cinco dias úteis os seguintes documentos: a) Certidão do Trânsito em Julgado da decisão que permite a empresa utilizar o índice de 42,72% como correção monetária de janeiro/89 (Acórdão referente ao Mandado de Segurança de no 96.01.135952, publicado pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região); b) Cópia da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIRPJ 1990, relativa ao períodobase de 1989; c) Demonstrar, de forma organizada e com todos os lançamentos contábeis, todas as etapas dos cálculos que foram efetuados em todas as contas passíveis de serem corrigidas monetariamente para fins da apuração da correção monetária de balanço em 31/12/1989, antes e após a decisão judicial emanada no processo supra mencionado, cujo efeito permitiu à empresa fazer as exclusões no período de 1997 até 2000, a titulo de expurgo IPC 89. Apresentar os cálculos por conta e subconta, e o sintético. d) Mostrar os cálculos relativos aos valores provenientes da diferença da correção admitida judicialmente e a prevista na legislação em vigor em 1989, fazendo a evolução da correção monetária destes valores até os períodos nos quais ocorreram as suas exclusões. e) Comprovar com a documentação pertinente, se as exclusões efetivadas, glosadas pela fiscalização, dizem respeito exclusivamente aos efeitos sobre depreciação, baixa e prejuízos fiscais e quais períodos estes prejuízos que foram corrigidos se referem. Indicar também com que índice foi calculada a correção monetária destes valores glosados, identificando na contabilidade os valores originais das contas e a correção monetária de cada uma delas. Em resposta, a Recorrente apresentou, em 21 de dezembro de 2006: 1. Acórdão da apelação em MS n° 96.01.135952, negando provimento à apelação da empresa, ao recurso adesivo da Fazenda Nacional e a remessa; 2. Acórdão dos Embargos de Declaração na apelação em Mandado de Segurança n° 96.01.135952, acolhendo os embargos de Declaração da empresa para confirmar o índice de 42,72% sem alterar o resultado de julgamento; 3. Decisão do STJ negando provimento ao agravo de instrumento interposto pela Fazenda Nacional em face da inadmissão de seu Recurso Especial e confirmando o índice de 42,72%; 4. Certidão de trânsito em julgado da decisão do STJ; 5. Cópia da DIRPJ 2000, relativa ao períodobase de 1999; 6. PlanilhasDemonstrativo da Depreciação referente ao expurgo IPC/BTNF de 1989 a 1996. E, ainda, esclareceu que: Fl. 733DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 9 8 1. Os documentos 1 a 5 atendem as solicitações ‘a’ e ‘b’ do Termo de Intimação Fiscal n° 02; 2. Quanto ao item ‘c’ não foram feitos lançamentos contábeis quanto ao registro do expurgo IPC 89. Tendo em vista que os funcionários responsáveis pelos cálculos em questão não mais compõem o quadro de empregados da empresa, não foi possível localizar memórias de cálculo que atendam ao solicitado. Encontramos, porém, planilhas denominadas “Demonstrativo da Depreciação referente ao expurgo IPC/BTNF", que demonstram o valor de depreciação de cada conta contábil relativo ao aludido expurgo para os períodos de 1989 a 1996, as quais apresentamos para análise; 3. Quanto aos itens ‘d’ e ‘e’ devido às dificuldades já relatadas acima, bem como a dificuldade em localizar arquivos do ano de 1989, pretende contratar um serviço de consultoria a fim de recompor os cálculos feitos à época, visando a demonstração clara e organizada de que as exclusões feitas pela empresa obedeceram aos limites da decisão judicial já mencionada. Solicitou dilação do prazo para apresentar os documentos faltantes. A autoridade fiscal prorrogou o prazo até 22 de janeiro de 2007. Na data limite para expiração do prazo, a Recorrente apresentou: 1. Controle extracontábil dos efeitos do expurgo inflacionário do IPC/89, por código de conta do ativo; 2. Inventário de bens patrimoniais. Ressaltou que não foi possível demonstrar os efeitos do expurgo sobre os saldos de prejuízos fiscais existentes em 01/01/1989, pois os livros de apuração do Lucro Real – LALUR estavam em poder da fiscalização e solicitou a dilação de prazo para apresentar novos documentos que poderão auxiliar na avaliação dos cálculos, inclusive os controles que permitem verificar os efeitos de baixa e os encargos de depreciação incorridos em períodos anteriores. Em 07 de fevereiro, apresentou planilhas tituladas Anexo e Anexo II, em que o escritório de advocacia contratado pela Recorrente demonstrou o cálculo dos efeitos do expurgo do IPC/89 sobre as contas do ativo permanente que permitiu as exclusões efetuadas nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e o cálculo dos efeitos do expurgo do IPC/89 sobre os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31/12/1988 e escriturados na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR n° 01. A fim de atender à decisão do Conselho de Contribuintes, a autoridade fiscal exarou despacho no qual conclui que: 1. A decisão judicial favorável à contribuinte no seu pleito de aplicar o percentual de correção monetária de 42,72% no mês de janeiro de 1989 ainda não transitou em julgado. Além disso, essa decisão ao invés de favorecer a empresa a prejudica, em virtude de a contribuinte ter apurado saldo credor de correção monetária no balanço levantado em 31/12/1989; (grifamos) Fl. 734DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 10 9 2. As exclusões glosadas pela fiscalização dizem respeito exclusivamente aos efeitos da correção monetária sobre depreciação, baixa e prejuízos fiscais pela aplicação da diferença de OTN de Ncz$ 6,92 (índice legal para todos os contribuintes, significando uma correção de 12,16% para janeiro/1989) e Ncz$ 10,51 (índice com correção de 70,28%, pleiteada pela empresa. Observar que a correção de 12,16%, dada a todos está dentro desta de 70,28%, pois a correção de 70,28% sobre a OTN de 6,17 é igual a 10,51). Pelas investigações realizadas fica claro que os prejuízos são os saldos acumulados anteriormente. Examinando as decisões proferidas pela Justiça, depreendese que o contribuinte aproveitou o que lhe era favorável, produzindo efeitos somente sobre as contas redutoras do ativo; (grifamos) 3. O procedimento de excluir as diferenças provenientes da aplicação do índice de 42,72% na apuração do lucro Real de períodos posteriores a 1993 foi admitido pela justiça, pois não vimos durante o processo a alteração da concessão deste pedido da empresa, dada na sentença monocrática. 4. Permanece aqui a advertência de que o contribuinte não tem o que compensar, por ter apurado saldo credor de correção monetária do balanço em 31/12/1989. (grifamos) O parecer da autoridade fiscal também apresentou a discriminação dos valores glosados, conforme descrição na planilha apresentada pela Recorrente: Anocalendário de 1997: R$ 1.606.829,06 Expurgo IPC 89 (depreciação) R$ 1.854.564,60 Expurgo IPC 89 (prejuízos) R$ 1.238.266,76 ICMS extemporâneo R$ 4.699.659,00 TOTAL Ano calendário 1998: R$ 1.602.319,80 Expurgo IPC 89 (depreciação) R$ 15.771,67 Expurgo IPC 89 (baixas) R$1.855.813,39 Expurgo IPC 89 (prejuízos) R$ 988.128,94 ICMS extemporâneo R$ 4.462.033,80 TOTAL Ano calendário 1999: R$ 1.600.696,80 Expurgo IPC 89 (depreciação) R$ 445.768,56 Expurgo IPC 89 (prejuízos) 3.277.765,65 Expurgo IPC 89 (saldo depreciação) R$ 5.324.231,01 TOTAL Anocalendário 2000: R$ 1.325.525,38 Expurgo IPC 89 (depreciação) R$ 126.529,92 Expurgo IPC 89 (prejuízos) R$ 3.968.158,01 Expurgo IPC 89 (saldo depreciação) Fl. 735DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 11 10 R$ 5.420.213,31 TOTAL A Recorrente foi cientificada do despacho e apresentou manifestação, na qual em síntese contraargumentou, dispondo os comentários conforme os tópicos do relatório: 1. A Decisão não transitou em julgado A decisão transitada em julgado diz respeito ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional; O Tribunal Regional Federal da 1ª Região confirmou parcialmente a sentença que havia concedido a segurança, ou seja, que havia acatado o pedido da Minas da Serra Geral S/A veiculado na Petição Inicial. Após os esclarecimentos prestados em Embargos de Declaração, ficou claro que o TRF da 1ª Região só alterou a sentença para reduzir o índice expurgado em janeiro de 1989 de 70,28% para 42,72%, conformandose aos precedentes do STJ; Em face do acórdão do TRF da 1ª Região, a Recorrente, interpôs Recursos Especial e Extraordinário, visando reconhecimento do índice integral de janeiro (70,28%) ou, quando ao menos, o complemento do mês de fevereiro de 1989 (10,14%). A Fazenda Nacional, por sua vez, interpôs somente Recurso Especial ao STJ, visando a reforma integral do acórdão do TRF da 1ª Região, de forma que não fosse autorizado à empresa utilizar nenhum outro índice senão o oficial de janeiro de 1989, na correção de suas contas de depreciação, amortização e baixa do ativo permanente e na correção do prejuízo fiscal acumulado; O Superior Tribunal de Justiça negou a pretensão de ambas, ou seja, não majorou nem reduziu o índice de 42,72% reconhecido pelo TRF da 1ª Região para janeiro de 1989. Ou seja, foi confirmado o entendimento do Tribunal de segunda instância; Através da certidão já juntada aos autos, em 13/06/2000 transitou em julgado a decisão prolatada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, cujo teor definiu o índice expurgado em janeiro de 1989 como de 42,72%. O fato é que na data em comento expirou o prazo para que a Fazenda recorresse da negativa de provimento ao Agravo de Instrumento interposto perante o STJ (AG 293.170) com fito de que fosse admitido seu Recurso Especial. Como a Fazenda nacional não interpôs Recurso Extraordinário ao STF fica evidente que, no que a desfavorece, transitou em julgado a decisão do TRF; (grifamos) O Supremo Tribunal Federal aprecia, neste momento, apenas pretensão recursal da ora Recorrente (RE n° 367.892); (grifamos) O último recurso que pretendia a revisão para menor, do índice de 42,72% (recurso especial da Fazenda), não foi admitido pelo eg. TRF da 1ª Região, em decisão que se perenizou, uma vez que o STJ negou provimento a agravo de instrumento que pretendia obter sua reforma; O que até o momento não transitou em julgado é o pedido da Recorrente, amparado no princípio da isonomia, de que possa fruir dos critérios de correção monetária conferidos às pessoas físicas na Lei nº 7.959/88; (grifamos) Como no direito processual brasileiro não há reformatio in pejus, tampouco decisão, em via recursal, de questão que não foi devolvida ao Tribunal ad quem, vêse que transitou em julgado o índice de Fl. 736DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 12 11 42,72% quanto ao mês de janeiro de 1989 e não há mais recurso cujo deslinde possa ser sua revisão para menor ou seu afastamento. (grifamos) 2. Análise do Balanço de 31/12/1989 Tendo em vista que o expurgo de 42,72% corresponde ao mês de janeiro de 1989, o cálculo da diferença de correção monetária elaborado pela Recorrente e apresentado à auditoria fiscal teve como base o saldo do Balanço Patrimonial de 31/12/1988, já que a correção monetária tem como referência o saldo corrigido no mês anterior; A aplicação do expurgo sobre os saldos do balanço de 31.12.1989 poderá gerar um beneficio muito maior para a Recorrente, pois será aplicado sobre o valor da correção monetária e sobre as aquisições de todo o ano de 1989 que somente seriam corrigidas a partir de janeiro de 1990. 3. A Decisão Prejudica a Recorrente O equívoco mais grave da auditoria foi o entendimento de que a decisão judicial não beneficiou a Recorrente e, portanto, seria irrelevante o fornecimento de qualquer outro documento para análise; Impetrou Mandado de Segurança que lhe fosse assegurado o direito de deduzir fiscalmente nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL a diferença de correção monetária de balanço correspondente ao expurgo inflacionário do Plano Verão, como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com todos os efeitos daí decorrentes, tais como os de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente, com a consequente correção dos prejuízos fiscais; (grifamos) Em Acórdão proferido pela 3ª Turma, o Tribunal Regional Federal da 1a Região houve por bem confirmar a sentença concessiva de segurança. Opostos Embargos de Declaração pela Impetrante a fim de se esclarecer qual o índice relativo ao mês de janeiro de 1989, determinouse que este deveria ser de 42,72%; Salvo quanto à redução do índice de 70,28% para 42,72% transitou em julgado exatamente o pedido original. O objeto da ação judicial não foi a dedução de saldo devedor de correção monetária de balanço, mas a dedução fiscal dos efeitos do PC/89 sobre às despesas relacionadas aos bens do ativo permanente e sobre os prejuízos fiscais; (grifamos) Conforme pode ser verificado nas peças do processo anexadas aos autos, em momento algum a ora Recorrente requereu judicialmente o direito a dedução fiscal de saldo devedor de correção monetária. A discussão judicial, já transitada em julgado, foi apenas em torno do fato de que o expurgo de correção monetária de balanço de janeiro de 1989 deveria ser aplicado sobre as despesas de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente e sobre os prejuízos fiscais; (grifamos) Foi justamente essa questão levada ao poder judiciário e que foi objeto da decisão transitada em julgado. O Acórdão reconheceu definitivamente o direito da ora Recorrente de deduzir fiscalmente as Fl. 737DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 13 12 despesas de depreciação, amortização e baixas sobre a "mais valia" do ativo permanente que deixou de ser registrada contabilmente; Além de entender que a decisão não beneficiou a Recorrente, a Sra. Auditora Fiscal pretendeu penalizála com o recálculo do lucro inflacionário imputando o acréscimo de 42,72% correspondente ao IPC de janeiro de 1989. A interpretação equivocada do processo judicial prejudicou a análise dos documentos apresentados pela Recorrente; É nos limites do pedido em questão que a empresa deve aproveitar os efeitos da decisão que lhe favorece, não podendo a auditoria fiscal alegar que a Recorrente não foi beneficiada pela decisão em função de apuração de saldo credor de correção monetária. 4. Origem das Exclusões Efetivadas pela Recorrente O expurgo objeto do pedido judicial original equivale à diferença entre a inflação medida pelo IPC de janeiro de 1989 de 70,28% e a inflação reconhecida pelo governo de 12,16% (variação da OTN de NCz$ 6,17 para NCz$ 6,92). Assim, nos termos do pedido da ação judicial, o valor da OTN fixada para fins de correção monetária de NCz$ 6,92 deveria ser de NCz$ 10,51; O índice expurgado autorizado no caso concreto equivale à variação do poder aquisitivo da moeda em 31 dias. Aplicandose cálculos de apropriação prorata, o STJ definiu que o índice de 42,72% seria a variação expurgada no mês de janeiro de 1989; Na conclusão, a auditoria afirma que as exclusões dizem respeito exclusivamente aos efeitos da diferença de correção monetária, baixa e prejuízos fiscais pela aplicação da diferença da OTN de NCz$ 6,92 e NCz$ 10,51, ou seja, a auditoria entendeu que foi adotado o índice de 70,28% e não 42,72%; Os controles elaborados pela ora Recorrente para fins de apuração do benefício que seria apurado no processo em caso de decisão favorável ao contribuinte consideraram o índice que foi objeto do pedido judicial (70,28%). Posteriormente, quando o Judiciário reduziu o índice para 42,72%, a Recorrente recalculou os efeitos da diferença de correção monetária a fim de proceder à exclusão nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL. Portanto, os valores utilizados para fins de exclusão nos períodos de 1997 a 2000 correspondem ao cálculo efetuado a partir do índice de 42,72%; (grifamos) O fato da ora Recorrente possuir controle da diferença de correção monetária com base no índice de 70,28% e de 42,72%, não implica afirmar que as exclusões glosadas pela fiscalização não correspondem ao índice de 42,72%; De acordo com o demonstrativo abaixo, o efeito do expurgo sobre o saldo das contas do ativo permanente gera uma “mais valia” no montante de aproximadamente R$ 42 milhões, passível de aproveitamento mediante exclusão no lucro real e na base de cálculo da CSL, limitados somente pela aplicação das taxas de depreciação, amortização, exaustão e baixas sobre os bens existentes em 31/12/1988 (limitação temporal da utilização da “mais valia”, dado que os bens Fl. 738DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 14 13 integrantes do permanente em 31/12/88 poderiam não estar integralmente depreciados quando da realização da exclusão fiscal); O montante dos efeitos do IPC/89 correspondentes aos encargos de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente excluído no cálculo do IRPJ foi de R$ 13.397.066,37. Notese, portanto, que a Recorrente excluiu parcialmente os efeitos do expurgo de correção monetária de 42,72%, restando saldo a ser excluído nos períodos subsequentes ao ano de 2000; A auditoria fiscal deveria ter avaliado qual o montante total do benefício pleiteado (índice expurgado sobre o saldo do ativo permanente em 31/12/88). Depois deveria avaliar se todo este ativo já estaria realizado quando da exclusão glosada no presente processo; Sobre o montante total do beneficio seria aplicada, portanto, a proporção do ativo já realizado, de forma a se comparar se o valor excluído pela Recorrente é maior ou menor do que o resultado da aplicação do índice expurgado já transitado em julgado (42,72%); A própria auditoria fiscal constatou que os valores excluídos e glosados pela fiscalização dizem respeito exclusivamente aos efeitos da diferença de correção monetária sobre depreciação, amortização, baixa e prejuízos fiscais. No entanto, se equivocou quanto ao índice utilizado, pois entendeu que os efeitos foram apurados mediante aplicação do índice de 70,28%, mas conforme pode ser comprovado pelos demonstrativos apresentados o valor das exclusões foram calculados através do índice de 42,72%; A autoridade administrativa tem o dever de apurar a verdade material dos fatos, o que não ocorreu no caso concreto. Não se pode admitir que o órgão julgador, a partir do título de um documento apresentado pelo contribuinte a pedido da fiscalização, conclua pelo caráter definitivo de um lançamento, admitindo até mesmo a imediata inscrição em divida ativa de um débito sem mesmo confirmar se o mesmo não esta amparado por decisão judicial transitada em julgado, cuja existência foi admitida pelo próprio acórdão recorrido; Admitir a diligência conforme efetuada, seria o mesmo que não respeitar a coisa julgada; (grifamos) Outra suposta irregularidade que teria sido cometida pela Recorrente seria a aplicação dos efeitos da Lei n° 8.200/91 sobre a diferença de correção monetária de 1989; A Lei n° 8.200/91 reconheceu o direito dos contribuintes registrarem contabilmente a diferença de correção monetária ocorrido durante todo o anocalendário de 1990; Portanto, caso a correção oficial de janeiro de 1989 tivesse computado a real inflação do período, o saldo do ativo permanente a ser corrigido posteriormente em 1990, nos termos da Lei n° 8.200/91, já estaria contemplado pelo expurgo de 1989 de 42,72%; Assim como o saldo contábil do ativo permanente existente em 1990 foi corrigido pelos índices da Lei 8.200/91, também a parcela do ativo Fl. 739DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 15 14 permanente objeto da medida judicial (expurgo de 1989) deve ser corrigido pelos índices oficiais posteriores a 1989, inclusive a correção da Lei n° 8.200/91, que se realizou com base nos índices previstos na Instrução Normativa SRF nº 114/1991. (grifamos) 5. Exclusão em Períodos Posteriores a 1993 Decisão Judicial Ficou claro que transitou em julgado a sentença, inclusive no que tange à permissão de que a Impetrante procedesse à correção monetária do balanço, nos termos aqui já expostos, “sobre o lucro apurado a partir de 1994, como se fosse ajuste de exercícios anteriores com os efeitos dai decorrentes”; (grifamos) 6. Discriminação e Decomposição das Exclusões Verificase que o total dos efeitos do IPC/89 correspondentes aos encargos de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente excluídos no cálculo do IRPJ do período autuado foi de R$ 13 milhões, enquanto o saldo passível de exclusão é de R$ 42 milhões; Em relação aos efeitos do expurgo sobre os prejuízos fiscais, o quadro acima demonstra que foi aproveitado o total de R$ 4 milhões, sendo que o saldo apurado para fins de dedução é de R$ 10 milhões; Dessa forma, ao confrontar as memórias de cálculo do IRPJ do período de 1997 a 2000 com os demonstrativos de apuração da diferença de correção monetária do IPC/89 verificase que parte das exclusões glosadas pela fiscalização dizem respeito exclusivamente aos efeitos do expurgo de correção monetária de 42,72%. A outra parte referese à exclusão do ICMS extemporâneo e aos encargos de depreciação da Lei n° 8.200/91, que não foi objeto da diligência em questão; Dessa forma, concluise que a Recorrente aproveitou os efeitos do IPC/89 nos limites da decisão judicial, não cabendo a alegação de que a decisão não lhe beneficiou em função de apuração de saldo credor de correção monetária. O processo retornou ao CARF para julgamento e, na sessão realizada em 06 de março de 2008, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converteu novamente o julgamento em diligência para que o pedido de esclarecimentos seja cumprido, com a análise das contrariedades produzidas pela contribuinte, com a apresentação de parecer conclusivo a respeito do solicitado na resolução original n° 108 00.250 e juntada de documentos, inclusive certidão de objeto e pé atualizada do processo judicial em questão. A decisão foi fundamentada tendo em vista que da leitura do relatório fiscal e da manifestação do contribuinte percebese que as dúvidas que motivaram a conversão do julgamento em diligência permanecem latentes. A Recorrente foi intimada a apresentar a Certidão de Objeto e Pé referente ao Mandado de Segurança de nº 96.01.135952 (processo original: 94.00131100). Em continuidade ao cumprimento das diligências, a autoridade fiscal exarou despacho, no qual fez um resumo de todo o processo e analisou detalhadamente os argumentos trazidos pela Recorrente. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 16 15 A respeito da ação judicial teceu, em síntese, os seguintes entendimentos: 1. A própria empresa concorda que a certidão que nos apresentou diz respeito ao trânsito em julgado do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Logo, segundo a fiscalizada, a formação de coisa julgada é conclusiva quanto à questão do índice de 42,72% a ser aplicado ao mês de janeiro/1989. Essa questão não suscita mais discussões, caso não exista mesmo o procedimento de expedição de Certidão de Trânsito em Julgado por parte do poder judiciário, sendo o trânsito implícito, ocorrendo por interpretação, como a empresa expõe às fls. 670 do Volume 02 deste processo e complementa às fls. 672, com os seguintes dizeres: "Como a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Extraordinário ao STF, fica evidente que, no que a desfavorece, transitou em julgado a decisão do TRF". Assim, o índice de janeiro/1989 estaria definitivamente decidido; 2. É muito clara a pretensão do contribuinte às fls. 202 do Volume 01 deste processo, que diz no item III: “... deduzir fiscalmente as despesas de 1989 computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28%, substituindose a OTN de NCz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, a qual espelha a inflação real do período, segundo o IBGE e arts. 5 e 6 do DL 2.283/86, na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social apurados a partir de 1994, como se fosse ajuste de exercícios anteriores (art. 186, §1o da Lei n° 6.404/76 e arts. 193 e 219 do RIR/80), com todos os efeitos dai decorrentes, tais como os de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente, com a consequente correção dos prejuízos fiscais.”; (grifos no original) 3. A sentença de 1a instância, as fls. 378 do Volume 02: dá à empresa a permissão para fazer a "... dedução fiscal da correção monetária do balanço de 1989, computandose a variação do IPC de janeiro daquele ano (70,28%) na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro apurado a partir de 1994, como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com os efeitos daí decorrentes"; (grifos no original) 4. O acórdão do TRF da 1ª Região, às fls. 380 do Volume 02: indubitavelmente trata também da correção monetária de balanço, somente alterando o índice de janeiro de 1989 para 42,72%. Vejamos a sua ementa: "I. A correção monetária é a atualização do valor da moeda corroído pela inflação, logo não podia o balanço de 1989 deixar de ser corrigido, ou seja, não se podia deixar de aplicar o índice de 42,72%, conforme decidiu o STJ, correspondente ao mês de janeiro desse ano."; (grifos no original) 5. O julgamento do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento pelo Superior Tribunal de Justiça diz em sua ementa: “Manutenção do acórdão recorrido que determinou a aplicação do índice do IPC à base de 42,72%, no mês de janeiro de 1989, nas demonstrações financeiras; (ver fls. 204 do Volume 01). Complementa essa corte, às fls. 207 e 214, que a aplicação da correção monetária integral sobre o saldo de prejuízo acumulado não faz parte do acórdão agravado, “ressentindose esse ponto do requisito do prequestionamento. Incide , no caso, a Súmula 282/STF.”; (grifos no original) Fl. 741DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 17 16 6. Das reproduções processuais acima fica evidente que a empresa não ganhou na justiça nada do que pretendeu, nem parte, como diz em sua impugnação às fls. 298 do Volume 01, e em seu recurso ao Conselho às fls. 471 do Volume 02, pois a autorização judicial diz respeito à correção monetária de balanço, e não à correção de suas despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente. São inúmeras as cópias das peças processuais que repetem que o índice de 42,72% é aplicável à correção monetária de balanço, e não às despesas; (grifos no original) 7. Outra derrota sofrida pelo contribuinte, como vimos acima, diz respeito à correção monetária dos saldos dos prejuízos acumulados. Como podemos ver na Petição Inicial, não foi isto que a impetrante pediu (correção dos prejuízos fiscais é diferente de correção do saldo dos prejuízos fiscais, que alcança períodos pretéritos). Tanto é que o STJ alegou que a matéria não foi questionada anteriormente, ou seja, não foi examinada no tribunal de origem, sendo abordada em momento processual inoportuno; 8. A empresa não nos apresentou em momento algum o recálculo da correção monetária de balanço, com o índice de 42,72%. Somente exibiu duas planilhas com os cálculos da correção monetária das contas ativas, as quais nos referiremos mais à frente, em detalhes maiores. Recordemos, então, os cálculos da correção monetária das demonstrações financeiras. a) Contas a corrigir: Ativo Permanente (Investimentos, Imobilizado e Diferido), inclusive as contas retificadoras, Valores em aplicações em ouro, etc.; Patrimônio Líquido capital social realizado, reservas e resultado (lucro ou prejuízo), inclusive as contas retificadoras, ações em tesouraria; b) Correção monetária a contabilizar: a correção monetária de cada conta, subconta ou valor a ser baixado era a diferença entre o valor corrigido e o valor constante na escrituração; c) Contabilização: as contas do ativo, por terem seu valor aumentado em função da correção monetária, eram debitadas pelo valor da correção e a contrapartida lançada a crédito na conta Resultado da Correção Monetária, por corresponder a uma receita. As contas do patrimônio líquido tinham a correção creditada e a contrapartida registrada a débito da conta Resultado da Correção Monetária, por corresponder a uma despesa. O saldo desta conta, se devedor, seria uma “despesa dedutível”, e se credor, seria uma “receita tributável”, que poderia ser diferida (lucro inflacionário); 9. A depreciação, assim como a amortização é uma conta de despesa, e tem como contrapartida, na contabilidade, a conta “Depreciação Acumulada”, que é conta retificadora do valor do bem, portanto, sujeita à correção monetária; 10. Uma vez provocada a se manifestar na lide que se instalou entre o contribuinte e a aplicação da legislação vigente, o poder judiciário analisou os argumentos apresentados e decidiu, sem, contudo conhecer a situação contábil da empresa. A Fazenda Nacional atuou na esteira do poder judiciário. Logo, neste tema, não têm os julgamentos do Fl. 742DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 18 17 Poder Judiciário condições de enxergar os aspectos dos benefícios ou prejuízos trazidos à impetrante, presumindose que a obtenção do pleiteado na inicial é de interesse desta. A respeito da primeira diligência e no intuito de esclarecer eventuais pontos de controvérsia teceu, em síntese, os seguintes argumentos: 1. Em 07 de fevereiro de 2007 a fiscalizada nos apresentou duas planilhas: Anexo 01: (fls. 563), onde demonstra os efeitos do expurgo do IPC/89 sobre as contas do ativo permanente. Enfim, o contribuinte corrigiu as contas do ativo permanente em 42,72% e gerou um saldo de correção monetária da ordem de 42 milhões, aproximadamente, que entende ser passível de exclusões futuras para fins de apuração do lucro real, ignorando os procedimentos do cálculo de correção monetária de balanço. (grifos no original) Anexo II (fls. 564), onde demonstra os efeitos do expurgo do IPC/89 sobre os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31/12/1988, escriturados na Parte B do LALUR. Esta correção indevida, como já amplamente demonstrado nesse despacho, gerou um saldo de 10 milhões, aproximadamente, que a empresa também entende ser um direito para exclusões futuras. (grifos no original) 2. Não obstante não tenha havido diretamente parcela glosada, no IRPJ, em função da Lei n° 8.200/91, os totais que a empresa pensa dispor, para fins de compensações futuras estão afetados por este diploma legal. A empresa corrigiu o ativo permanente e os prejuízos fiscais de períodos anteriores também com a diferença dos índices reconhecida pela citada lei, porém a sua aplicação foi prevista para períodos a partir de 1993. Vale realçar que o índice da diferença de IPC/BTNF se presta à correção das demonstrações financeiras, e não de determinadas contas, como exaustivamente se falou quando da análise da aplicação do índice da janeiro de 1989. Da leitura da Lei n° 8.200/91 e da IN SRF n° 114/91 se depreende que se trata da correção monetária de balanço e não das contas do ativo permanente e dos prejuízos acumulados que a fiscalizada insistiu em corrigir. Portanto, é incompreensível a conclusão de que ao se corrigir o ativo permanente passe a existir um saldo que de direito a compensação futura, nada tendo urna coisa a ver com a outra. (grifos no original) 3. É bem o contrário disso, a correção do ativo é contra a empresa, gerando aumento da base de cálculo da obrigação tributária. Apenas para ficar bem claro, ao analisarmos a planilha Anexo I, fornecida pela empresa, às fls. 563, verificamos que foram corrigidas as contas do ativo permanente com o índice de 42,72% (janeiro/89), e, sobre este resultado se aplicou a diferença de IPC/BTNF. No Anexo II, vemos o mesmo procedimento em relação aos prejuízos fiscais, ou seja, os prejuízos de 1987 e 1988 corrigidos pelo índice de janeiro de 1989 a 42,72% e sobre o resultado, a aplicação da diferença do IPC/BTNF. (grifos no original) 4. Podemos complementar esse assunto frisando que até o momento da realização da ação fiscal, o contribuinte estava perdendo o pleito da Fl. 743DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 19 18 Lei n° 8.200/91 na esfera judiciária, onde pretendia surtir os efeitos desta lei sem observar o diferimento por ela imposto, e ainda que a decisão atual lhe fosse favorável, o procedimento correto a ser adotado seria aguardar a decisão definitiva da lide para só então produzir os seus efeitos. Naturalmente os tributos cujos valores corretos viessem a ser menores, ou até nulos, no futuro, em função da aplicação da decisão judicial definitiva, deveriam, por enquanto, ser declarados com a suspensão da exigibilidade. 5. Não há permissão legal para a correção do saldo existente dos prejuízos fiscais de 1987 e 1988. A respeito das decisões judiciais teceu, em síntese, os seguintes entendimentos: 1. A empresa pediu para deduzir fiscalmente a correção de suas contas de depreciação, amortização e baixa do ativo permanente, como disse às fls. 607 do Volume 2 (com a seguinte redação na Petição Inicial: deduzir fiscalmente as despesas de 1989, com todos os efeitos dai decorrentes, tais como os de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente). Como estas contas são retificadoras das contas ativas, seguem procedimento inverso quando da correção monetária, não representando uma receita e sim uma despesa. No caso das baixas, os valores dos bens do ativo permanente eram obrigatoriamente corrigidos até a data da baixa (receita) e juntamente com a baixa do valor corrigido do bem, era baixado o valor do encargo acumulado de depreciação ou amortização; (grifos no original) 2. A justiça entendeu que o pedido da empresa se referia à correção monetária de balanço, que quando tem saldo devedor representa "despesa", portanto, consonante com o pedido, e nas diferentes esferas judiciárias, fizeram constar nos relatórios que antecedem os seus votos a expressão “correção monetária de balanço de 1989”, conforme fls. 354 (sentença) e 381 (acórdão do TRF). O juiz que proferiu a sentença chegou, inclusive a explanar acerca dos cálculos da correção monetária de balanço, mostrando o tratamento tributário dos saldos credores e devedores de correção monetária de balanço, às fls. 364. Logo, todas as conturbadas colocações As fls. 609 a 611 não merecem maiores atenções; (grifos no original) 3. A princípio imaginamos que a empresa havia aproveitado da decisão judicial apenas a parte que lhe beneficiaria, em flagrante desrespeito a legislação que rege o tema, ou seja, somente teria corrigido as despesas de depreciação, amortização, inclusive as baixas, e ainda os prejuízos fiscais acumulados, já se excedendo dentro dos limites da decisão judicial. Reexaminando a questão, vimos que foi ainda pior. Corrigiu as contas do ativo permanente, contas que geram um saldo credor de correção monetária, e inexplicavelmente, criouse um valor da ordem de R$ 42 milhões, denominado como sendo um saldo passível de ser utilizado em compensações futuras (examinar a planilha às fls. 563 do Volume 2). Quanto ao prejuízo, também de forma obscura, ao corrigir o saldo acumulado criou um estoque de RS 10 milhões para futuras utilizações; (grifos no original) Fl. 744DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 20 19 4. Na verdade a forma adotada pela empresa de tentar obter autorização judicial para deduzir fiscalmente as despesas de 1989, corrigidas monetariamente, das bases de cálculo do imposto de renda e da CSLL, a partir de 1994, conforme a petição inicial da ação IPC/89, e de deduzir integralmente a diferença do IPC/BTNF de 1990, sem qualquer postergação como pretendeu a Lei n° 8.200/91, alterada pela Lei no 8.682/93, também das bases de cálculo do imposto de renda e da CSLL (pedido formulado em 1994), teve como consequência contornar o impedimento legal que não admitia a compensação da base de cálculo negativa da CSLL até 31/12/1991. Assim, através da linha "outras exclusões" a compensação foi realizada. A propósito, chamou a nossa atenção o fato de a empresa ter decidido sempre utilizar a linha "outras exclusões", na DIRPJ/DIPJ, quando tinha linha específica para realizar as compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas correspondentes a períodos anteriores. Foi um artifício empregado para disfarçar suas reais intenções. (grifos no original) A respeito da segunda diligência, complementou, em síntese, com os seguintes esclarecimentos: 1. Os valores glosados na autuação, referentes ao expurgo do índice de correção monetária de janeiro de 1989 são oriundos da ação judicial Mandado de Segurança nº 96.01.135952 (processo de origem n° 94.00131100), e os referentes à Lei nº 8.200/1991 se originam da ação judicial Mandado de Segurança n° 95.01.246540 (processo de origem nº 94.00191685); b) A empresa não escriturou as repercussões desta ação judicial, pois pleiteou "deduzir fiscalmente" e não "contabilmente”; c) A empresa apresentou os mapas que compõem os Anexos I e II demonstrando que corrigiu apenas parte do balanço (ativo permanente) e indevidamente o saldo de prejuízos de 1987 e 1988, praticando um cálculo estranho à legislação do imposto de renda; d) Quando afirmamos no despacho anterior que “nos parece que o procedimento de excluir as diferenças provenientes da aplicação do índice de 42,72% na apuração do Lucro Real de períodos posteriores a 1993 foi admitido pela justiça, pois não vimos durante o processo a alteração da concessão deste pedido da empresa, dada na sentença monocrática. Permanece aqui a advertência de que o contribuinte não tem o que compensar, por ter apurado saldo credor de correção monetária do balanço em 31/12/1989”, foi apenas para responder a questão formulada pelo relator do processo, pois por tudo que já foi colocado, não há sentido nas exclusões efetuadas pela empresa. Em 25 de março de 2009, cientificada a apresentar no prazo de cinco dias úteis manifestação acerca do despacho proferido pela autoridade fiscal, a Recorrente solicitou dilação por mais dois dias úteis, tendo em vista a complexidade da matéria. O pedido foi atendido. Em 01 de abril de 2009, a Recorrente manifestouse quanto ao despacho e argumentou que: Fl. 745DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 21 20 1. Percentual de correção monetária admitido por sentença reflexos da mencionada decisão Ao contrário do afirmado pela Auditoria Fiscal em resposta ao Termo de Diligência original, foi f alterado o posicionamento anterior e reconhecido que a Recorrente possui em seu favor decisão transitada em julgado que lhe permite a utilização do índice de 42,72% para janeiro de 1989; A Auditoria Fiscal reconheceu que transitou em julgado o índice de 42,72% quanto ao mês de janeiro de 1989 e não há mais recurso cujo deslinde possa acarretar sua revisão para menor ou seu afastamento; No momento, o Supremo Tribunal Federal aprecia apenas pretensão recursal da ora Recorrente (RE n° 367.892) para a majoração do índice já concedido e transitado em julgado; Apesar de reconhecer o transito em julgado favorável à Recorrente no Mandado de Segurança nº 94.00131100, a Auditoria Fiscal equivocase sobre o trâmite do feito judicial, bem como sobre os efeitos e a abrangência das decisões judiciais obtidas no mencionado processo judicial. 2. Índice de Correção Monetária Transitado em julgado Decisão que não beneficiaria o Contribuinte Impetrou Mandado de Segurança requerendo que lhe fosse assegurado o direito de deduzir fiscalmente nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL a diferença de correção monetária de balanço correspondente ao expurgo inflacionário do Plano Verão, como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com todos os efeitos daí decorrentes, tais como os de depreciação, amortização e baixa decorrentes da mais valia apurada sobre bens do ativo permanente, com a consequente correção dos prejuízos fiscais; Em Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região houve a confirmação da sentença concessiva de segurança. Opostos Embargos de Declaração pela Recorrente a fim de se esclarecer qual o índice relativo ao mês de janeiro de 1989, determinouse que este deveria ser de 42 72%; Salvo quanto à redução do índice de 70,28% para 42,72%, transitou em julgado exatamente o pedido original. Conforme demonstrado anteriormente, a própria Auditoria Fiscal reconhece que os recursos pendentes de julgamento apreciam somente as questões relacionadas à majoração do índice já concedido. Ou seja, não ha recursos pendentes de julgamento, relacionados aos efeitos fiscais decorrentes da aplicação do expurgo do IPC/89; Quanto aos efeitos fiscais da aplicação do IPC/89, importante destacar que o objeto da ação judicial não foi a dedução de saldo devedor de correção monetária de balanço, mas a dedução fiscal dos efeitos do IPC/89 sobre as despesas de depreciação, amortização e baixa relacionadas mais valia do bens do ativo permanente e sobre os prejuízos fiscais acumulados até dezembro de 1988; Ao contrário do posicionamento da Auditoria Fiscal, em momento algum a Recorrente requereu judicialmente o direito à dedução fiscal de saldo devedor de correção monetária. Ao contrário do alegado, se essa fosse a pretensão da Recorrente, a expressão “prejuízos fiscais” Fl. 746DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 22 21 constante no pedido inicial teria sido substituído por “saldo devedor de correção monetária”, ou, quando menos, teria sido redigida no singular para demonstrar que o direito ora pleiteado vinculase ao saldo de correção monetária negativo gerado no ano da aplicação do expurgo do IPC/89; Tendo em vista que a correção oficial ficou menor que a inflação real do período, as referidas despesas em períodos subsequentes ficaram menores e, consequentemente, o lucro tributável foi maior. Portanto, ainda que a Recorrente tenha apurado saldo credor de correção monetária de balanço, o ativo permanente não foi contemplado pela diferença de correção monetária, razão pela qual a despesa contabilizada nos períodos seguintes foi menor, acarretando o pagamento a maior de IRPJ e CSLL; No caso concreto, foi justamente essa a questão levada ao poder judiciário e que foi objeto da decisão transitada em julgado. O Acórdão reconheceu definitivamente o direito da Recorrente de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas sobre a "mais valia" do ativo permanente que deixaram de ser registradas contabilmente a partir de janeiro de 1989; Deve aproveitar os efeitos da decisão que lhe favorece, não podendo a Auditoria Fiscal restringir a decisão proferida pelo Poder Judiciário ao argumento da existência de apuração de saldo credor de correção monetária no ano de 1989. 3. Exclusões efetivadas pela recorrente Quando o Judiciário reduziu o índice para 42,72%, a Recorrente recalculou os efeitos da diferença de correção monetária a fim de proceder à exclusão nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL. Portanto, as exclusões realizadas nos períodos de 1997 a 2000 correspondem aos cálculos efetuados a partir do índice de 42,72%; O montante dos efeitos do IPC/89 correspondentes aos encargos de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente excluído na base de cálculo da CSLL foi de R$ 13,067.837,94. Notese, portanto, que a Recorrente excluiu parcialmente os efeitos do expurgo de correção monetária de 42,72%, restando saldo a ser excluído nos períodos subsequentes ao ano de 2000; A Auditoria Fiscal constatou que os valores excluídos e glosados pela fiscalização dizem respeito exclusivamente aos efeitos da diferença de correção monetária sobre depreciação, amortização, baixa e prejuízos fiscais. No entanto, se equivocou quanto ao índice utilizado, pois entendeu que os efeitos foram apurados mediante aplicação do índice de 70,28%, mas conforme pode ser comprovado pelos demonstrativos apresentados, o valor das exclusões foram calculados através do índice de 42,72%; A lei nº 8.200/91 reconheceu o direito de os contribuintes registrarem contabilmente a diferença de correção monetária ocorrido durante todo o ano calendário de 1990. Essa diferença IPC/BTNF sobre os saldos patrimoniais de 1990 não poderia afetar a apuração da CSLL, de acordo com o art. 41 do Decreto nº 332/91. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 23 22 4. Exclusão em períodos posteriores a 1993 decisão judicial 1. A própria Auditoria Fiscal reconheceu que “quando afirmamos no despacho anterior que nos parece que o procedimento de excluir as diferenças provenientes da aplicação do índice de 42,72% na apuração da base do Lucro Real de períodos posteriores a 1993 foi admitido pela justiça, pois não vimos durante o processo a alteração da concessão deste pedido da empresa, dada na sentença monocrática”; 2. A possibilidade de exclusão dos efeitos do IPC/89 em períodos posteriores a 1993 foi admitida pela sentença transitada em julgado; 3. Não apropriou dos efeitos da aplicação dos expurgos do Plano Verão sobre o saldo de bases negativas acumuladas até dezembro de 1988. Em 29 de novembro de 2011, a Recorrente requereu juntada de novo instrumento de mandato e cadastro de seu novo patrono. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Conforme se depreende do extenso relatório que antecede este voto existe, nos autos, verdadeira batalha argumentativa entre a autoridade lançadora e a Recorrente, muito em razão das duas diligências solicitadas por este Conselho para o esclarecimento do debate. A análise dos argumentos apresentados nos leva a concluir que há três temas sob discussão, a saber: Efeitos decorrentes do expurgo relativo ao IPC/89, conforme questionados no Mandado de Segurança n. 94.00131100; Possibilidade de dedução imediata da diferença verificada entre o IPC e o BTNF na base de cálculo da CSLL, sem respeitar o diferimento previsto na Lei n. 8.200/91, assunto do Mandado de Segurança n. 94.00191685; Registro de crédito de ICMS efetuados de modo extemporâneo, vale dizer, em momento diverso da real utilização ou cessão dos montantes. De plano podemos constatar, à evidência, que os dois primeiros tópicos foram objeto de discussão judicial, enquanto no que se refere à questão do ICMS não se tem notícia, nos autos, de qualquer ação promovida pela Recorrente. Conquanto o debate teórico produzido entre as partes ao longo de tantos anos possa ser considerado relevante para a compreensão dos procedimentos adotados pela fiscalização e dos argumentos defendidos pela Recorrente, entendo, por derradeiro, que a razão sobre o mérito dos autos sempre esteve com a Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte. Explico. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 24 23 Grande parte da cizânia produzida pelo debate diz respeito ao alcance dos pedidos formulados pela Recorrente nas várias ações mandamentais que impetrou e dos possíveis efeitos decorrentes das respectivas decisões. Entendo que a Recorrente exerceu, como seria de se esperar, o pleno direito de defesa dos seus interesses no Poder Judiciário, quer em relação à correção monetária do balanço, quer no que tange à variação do IPC de janeiro para todos os efeitos relativos ao Imposto sobre a Renda e à Contribuição Social do Lucro Líquido, como as despesas de depreciação, amortização e baixa do ativo permanente, além da correção dos prejuízos fiscais. Nesse sentido são inúmeras as manifestações nos autos, tanto da Recorrente como do Poder Judiciário, ao longo de suas diversas decisões. Nos termos do que relatamos, percebese que a Recorrente, na inicial que trata da correção monetária, solicita poder “... deduzir fiscalmente as despesas de 1989 computando se a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28%, substituindose a OTN de NCz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, a qual espelha a inflação real do período, segundo o IBGE e arts. 5 e 6 do DL 2.283/86, na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social apurados a partir de 1994, como se fosse ajuste de exercícios anteriores (art.186, §1o da Lei n° 6.404/76 e arts. 193 e 219 do RIR/80), com todos os efeitos dai decorrentes, tais como os de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente, com a consequente correção dos prejuízos fiscais”. Já a sentença de 1a instância autoriza a empresa a fazer a “... dedução fiscal da correção monetária do balanço de 1989, computandose a variação do IPC de janeiro daquele ano (70,28%) na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro apurado a partir de 1994, como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com os efeitos daí decorrentes”, mesmo contexto exarado no acórdão do TRF da 1ª Região, cuja ementa determina: “A correção monetária é a atualização do valor da moeda corroído pela inflação, logo não podia o balanço de 1989 deixar de ser corrigido, ou seja, não se podia deixar de aplicar o índice de 42,72%, conforme decidiu o STJ, correspondente ao mês de janeiro desse ano”. Assim também se manifestou o STJ, no julgamento do agravo regimental no agravo de instrumento, ao decidir pela “Manutenção do acórdão recorrido que determinou a aplicação do índice do IPC à base de 42,72%, no mês de janeiro de 1989, nas demonstrações financeiras...”. É, portanto, inconteste que a Recorrente também questionou a correção dos prejuízos fiscais (fls. 185), nos seguintes termos: Ora, se o prejuízo não for integralmente atualizado, restará configurada a não recomposição patrimonial efetiva para apuração da renda real tributável. (...) Por fim, seria antijurídico e aético vedarse eventual compensação de prejuízos sob alegação de que teria ocorrido a expiração do seu prazo de compensação, uma vez que a compensação da parte do prejuízo fiscal relativa ao expurgo de correção foi negada no passado por lei ordinária, ora atacada por inconstitucional e violadora da lei Fl. 749DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 25 24 complementar do imposto de renda, cujos comandos exigem a real recomposição patrimonial, inclusive por integração analógica, como no presente caso. O pedido liminar efetuado pela empresa faz menção expressa, no item I, para que o Judiciário conceda medida “como acima pleiteado”, em referência aos argumentos expostos, sem prejuízo dos pedidos formulados nos itens II e III, este último motivador de boa parte do embate teórico observado nos autos. Assim, entendo que todo o objeto relativo aos efeitos decorrentes do expurgo do IPC foi discutido na esfera judicial. Cabe, portanto, à Recorrente pleitear, no Poder Judiciário, a satisfação dos direitos que julga ter obtido em relação a tais procedimentos. De se notar que os demonstrativos apresentados pela Recorrente, ao tempo da fiscalização, já indicavam que os expurgos efetuados com base no IPC/89 e a depreciação reconhecida como dedutível a partir da Lei n. 8.200/91 foram elaborados em razão das liminares concedidas (fls. 26 do processo eletrônico), o que demonstra, à evidência, que o objeto dos autos já estava em discussão no Poder Judiciário, por iniciativa da própria empresa. Por força disso, o Poder Judiciário encontrase no pleno exercício de sua competência, constitucionalmente garantida, assim como a Recorrente está a exercer seu direito de petição, que será tutelado naquela instância, como decorrência de sua própria opção. Acerca do segundo tópico discutido nos autos, qual seja, a possibilidade de dedução imediata da diferença verificada entre o IPC e o BTNF na base de cálculo da CSLL, sem respeitar o diferimento previsto na Lei n. 8.200/91, entendo que o questionamento judicial da extensão, por analogia, dos efeitos previstos nessa norma foi expressamente realizado pela Recorrente, como consta pedido de fls. 184: Relativamente ao expurgo de 1989 (IPC de janeiro de 1989 de 70,28%, enquanto a OTN variou este mês apenas 12,15%) outro argumento irrefutável à sua aplicação surge com a Lei n. 8.200/91, baseado na analogia. Se o expurgo de 1990 foi corrigido por dispositivo legal em parte interpretativo, com a finalidade de determinar o lucro real e não fictício, expungido dos efeitos da inflação para medir o verdadeiro acréscimo patrimonial tributável, não há como não estender a sua aplicação para o expurgo de 1989 com o mesmo desiderato. Por fim, a extensão da lei interpretativa há de ser efetuada à Contribuição Social sobre o Lucro, também sujeita à determinação da base de cálculo mediante apuração do lucro contábil, o qual é afetado pela despesa de correção monetária de balanço. Ademais, no pedido inicial formulado no Mandado de Segurança n. 94.00191685, a Contribuinte contesta a inconstitucionalidade do diferimento previsto na Lei n. 8.200/91, nos seguintes termos: Diante de todo o exposto, é a presente para requerer a concessão de medida liminar para o fim de deduzir integralmente a diferença do IPC/BTNF de 1990, sem qualquer postergação como pretendeu a Lei n° 8.200/91, alterada pela Lei n° 8.682/93, caracterizando a exação como empréstimo compulsório disfarçado, na determinação do lucro Fl. 750DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 26 25 tributável pelo imposto de renda e pela contribuição social sobre o lucro, com todos os seus efeitos daí decorrentes, tais como a depreciação dos bens do seu ativo imobilizado pela diferença do IPC e a correção do prejuízo fiscal existente. De se notar que o direito de petição no judiciário quanto ao tema também foi exercido na sua plenitude, o que corrobora o entendimento de que também houve concomitância no que respeita a este tópico. Como bem destacou a decisão recorrida, a própria empresa utilizou a discussão judicial do tema como fundamento para os seus procedimentos: Notase também pela resposta ao Termo de Intimação n° 01 (fl. 25) que a justificativa para a exclusão efetuada, pela impugnante, na apuração da base de cálculo da contribuição social decorre de ação judicial: "Depreciação Lei 8200/91, IPC/BTNF reconhecida como dedutível conforme liminar", e pela resposta ao Termo de Intimação n° 03 (fl. 31) que a justificativa para a exclusão efetuada, pela impugnante, na apuração da base de cálculo da contribuição social está sendo discutida no Mandado de Segurança n° 94.00191685: “Depreciação Lei 8200/91, IPC/BTNF Mandado de Segurança n° 94.00191685, anexo Dedução Integral da diferença de IPC/BTNF de 1990, e dedução para a contribuição. Assim, a impugnante, intimada a justificar as exclusões efetuadas para a apuração da base de cálculo da CSL, por duas vezes, amparouse na discussão judicial ainda pendente de decisão final, portanto, havendo identidade de objeto, por conseguinte, este procedimento importa a renúncia às instâncias administrativas e a não apreciação dos argumentos pertinentes apresentados na peça de defesa. Embora a força de tais constatações já fosse suficiente, no meu sentir, para determinar a concomitância, não podemos olvidar que o principal argumento trazido pela Recorrente no Recurso Voluntário e nas manifestações sobre as diligências diz respeito ao trânsito em julgado, em seu favor, das decisões exaradas a partir dos mandados de segurança, visto que não foram aceitos os recursos interpostos pela Fazenda Nacional. Nos argumentos, percebese que a Recorrente incorre em notória contradição quanto ao objeto das ações, pois na mesma peça afirma que (item 3, que grifamos): O objeto da ação judicial não foi a dedução de saldo devedor de correção monetária de balanço, mas a dedução fiscal dos efeitos do IPC/89 sobre às despesas relacionadas aos bens do ativo permanente e sobre os prejuízos fiscais; (grifamos) Para depois dizer (item 5, também grifado): 5. Exclusão em Períodos Posteriores a 1993 Decisão Judicial Ficou claro que transitou em julgado a sentença, inclusive no que tange à permissão de que a Impetrante procedesse à correção monetária do balanço, nos termos aqui já expostos, "sobre o lucro apurado a partir de 1994, como se fosse ajuste de exercícios anteriores com os efeitos daí decorrentes"; (grifamos) Fl. 751DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 27 26 Ora, se a própria Recorrente admite que houve coisa julgada em relação ao tema objeto da discussão, maior ainda o motivo para se reconheça, de plano, a concomitância entre as esferas judiciária e administrativa, com o automático prejuízo desta. E, apenas a título de argumentação, se a Recorrente tem certeza quanto ao seu direito, basta solicitar ao Judiciário, único órgão dotado de competência neste caso, para determinar que a administração tributária cumpra o quanto decidido, nada restando a este Conselho deliberar sobre a matéria. Entretanto, convém ressaltar que o Recurso Extraordinário apresentado no STF pela Recorrente (RE no 367.892) teve a Repercussão Geral da matéria reconhecida, de forma que o processo foi devolvido ao Tribunal de origem para aguardar o trâmite do processo paradigmático (RE no 242.689) que, segundo pesquisa feita no sítio do STF, ainda está em discussão. Assim, caberá ao Supremo Tribunal Federal decidir, definitivamente acerca do tema, de sorte que o trânsito em julgado naquele processo refletirá o tratamento jurídico a ser aplicado à espécie, sem prejuízo do princípio que veda a reformatio in pejus, o que garante à Recorrente adotar, conforme entender pertinente, as medidas necessárias à satisfação dos seus direitos, na forma e prazos definidos pelas autoridades judiciais. Ante o exposto, entendo que a aplicação da Súmula n. 1 do CARF se impõe para o deslinde dos temas relacionados ao expurgo do IPC e à possibilidade de dedução imediata da diferença entre o IPC e o BTNF na base de cálculo do IRPJ: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Restanos, portanto, apreciar e decidir a matéria pertinente ao ICMS extemporâneo, que não foi objeto de discussão judicial. A Recorrente alega que a transferência de créditos do ICMS se deu com base na legislação complementar do tributo (conhecida como Lei Kandir, de n. 87/96), que autorizaria a cessão de saldos credores a terceiros, hipótese também corroborada pela legislação de Minas Gerais. Recentemente, em 25 de novembro de 2013, o Supremo Tribunal Federal decidiu, no RE 606.107/RS, com efeito de repercussão geral, que os créditos oriundos de exportação e cedidos a terceiros não possuem natureza de receitas, razão pela qual deve ser afastada a incidência de PIS e COFINS. Reproduzimos, pela novidade da decisão, seus principais argumentos, notadamente aqueles relativos ao tema sob análise: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA Fl. 752DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 28 27 EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. (...) III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. Conquanto não esteja demonstrado nos autos que todos os créditos cedidos a terceiros e escriturados de modo extemporâneo originaramse de exportações, entendo que a atual posição do STF, que tem força vinculante para este Conselho, somada às alegações da Fl. 753DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 29 28 Recorrente, que podem ser aceitas por critérios de razoabilidade, no sentido de que já teria havido a tributação dos montantes e o que ocorreu, na prática, foi a antecipação de recolhimentos, permitemme decidir em favor do seu pleito. Com efeito, diz a Recorrente: Ora, mais uma vez, o acórdão recorrido parece, data maxima venha, ter se confortado com a conclusão que lhe foi mais cômoda, sem perquirir a verdade material que, no caso concreto, implica, invariavelmente, em dupla tributação da receita do crédito de ICMS lançado extemporaneamente. Segundo o acórdão recorrido, o fato de a ora Recorrente ter apurado prejuízo nos anos em que procedeu à exclusão da receita de ICMS já adicionada em momento anterior impede que se verifique que não houve prejuízo ao Erário com a exclusão objeto da glosa fiscal. Ocorre que o procedimento adotado pela Recorrente foi, inclusive, mais favorável ao fisco e pode ser confirmado pelas próprias alegações da agente fiscal. O momento certo de incidência do Imposto de Renda, de acordo com o regime de competência, é aquele em que ocorre o negócio jurídico oneroso ensejador da receita. Entretanto, a ora Recorrente não pode ser punida por ter antecipado uma receita tributária ao Fisco. E caso a Recorrente tivesse apresentado prejuízo também no momento da primeira adição da receita de ICMS, e caso a referida adição implicasse em “compensação integral desta receita pela recorrente”, como mencionado hipoteticamente pelo acórdão recorrido às fls. 457, ainda assim não se poderia proceder à glosa integral da exclusão (essa sim efetivamente ocorreu em momento de prejuízo fiscal da Recorrente), uma vez que eventual “benefício” da Recorrente seria decorrente de mero decurso de tempo na compensação dos prejuízos acumulados (restrição de 30%). O próprio acórdão recorrido, segundo sua fundamentação, não nega o direito à exclusão no caso concreto. Apreendese da argumentação do julgador de primeira instância que, no máximo, também a exclusão deveria sofrer os efeitos da limitação de 30%. Mas, na verdade, o fato de a Recorrente ter apresentado prejuízo fiscal com a exclusão da receita de ICMS extemporâneo nos anoscalendário de 1997 e 1998, em nada altera o fato de que a receita excluída nesse momento já havia sido adicionada e, conseqüentemente, tributada, em momentos anteriores. E a nãoexclusão da referida receita implicaria na tributação, pela segunda vez, da mesma receita! Acrescentese que, mesmo se, no momento em que foi feita a adição "antecipada" da receita de ICMS, a ora Recorrente tivesse apurado prejuízo fiscal, é inegável que a adição da citada receita reduziria o seu prejuízo, podendo até colocála em situação de lucro. Ou seja, a sua adição, mesmo que equivocada, no primeiro momento, implicou, de uma forma ou de outra, na antecipação da tributação daquela receita. Quando de fato ocorreu a transferência do crédito de ICMS, a Recorrente era obrigada por lei a adicionar o valor da sua receita. Mas, considerando que a mesma já havia sido oferecida a tributação no primeiro momento, a nãoexclusão da receita no momento da sua adição ao lucro real pela segunda vez implica em tributação indevida. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.010984/200259 Resolução nº 1201000.121 S1C2T1 Fl. 30 29 Creio que os argumentos apresentados, à luz dos fatos trazidos nos autos e do entendimento esposado pelo STF quanto à matéria são suficientes para albergar a sua pretensão. Diante do exposto, em face da concomitância entre as esferas judicial e administrativa, NÃO CONHEÇO do Recurso no que diz respeito aos efeitos decorrentes do expurgo relativo ao IPC/89 e à possibilidade de dedução imediata da diferença verificada entre o IPC e o BTNF na base de cálculo do IRPJ, sem respeitar o diferimento previsto na Lei n. 8.200/91 e DOULHE provimento quanto ao aproveitamento extemporâneo dos créditos do ICMS, para cancelar os lançamentos dele decorrentes, nos termos do voto ora proferido. É como voto. Roberto Caparroz de Almeida Relator Voto vencedor Luis Fabiano Alves Penteado Redator Não obstante o brilhantismo do voto do ilustre relator, ouso divergir no tangente à não tributação dos créditos de ICMS cedidos a terceiros. Isso porque, a legislação aplicável à espécie, qual seja, a LC 87/96, é clara ao vincular os créditos de ICMS à receita de exportação, para fins de não tributação. Não poderia ser diferente, pois, este é o espírito da lei, qual seja, desonerar a transferência de créditos de ICMS decorrentes de atividade incentivada, qual seja, a exportação. Aliás este é o entendimento esposado pelo STF no julgamento do RE 606.107/RS, em sede de Repercussão Geral, ao dispor que os créditos de ICMS oriundos de receita de exportação e cedidos a terceiros, não tem natureza de receita. Contudo, não ficou claro nos autos se, de fato, a integralidade dos créditos de ICMS que foram transferidos a terceiros são decorrentes de atividade de exportação. Diante do exposto, voto por CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA, para determinar que a DRF de Belo Horizonte/MG, verifique e confirme se todos os créditos de ICMS transferidos a terceiros, objeto do presente processo, são decorrentes de operações de exportação da Contribuinte. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator Fl. 755DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 05/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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